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Técnico de

Enfermagem
Módulo II
Primeiros socorros

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TÉCNICO EM ENFERMAGEM
Primeiros Socorros

SUMÁRIO
Introdução ............................................................................................................................................3
Estrutura física .....................................................................................................................................4
Conceitos em Pronto- Socorro .............................................................................................................5
Triagem e classificação de riscos ........................................................................................................6
Atendimento Pré-Hospitalar e transportes de pacientes ......................................................................7
Atendimento Hospitalar ......................................................................................................................8
Avaliação e atuação de Enfermagem nos distúrbios neurológicos .............................................10
Meningite ..........................................................................................................................................10
Punção lombar ...................................................................................................................................11
Crise convulsiva ................................................................................................................................12
Coma .................................................................................................................................................14
Acidente vascular encefálico .............................................................................................................15
Avaliação e atuação de Enfermagem nos distúrbios respiratórios .............................................18
Asma ..................................................................................................................................................19
Pneumotórax ......................................................................................................................................20
Drenagem pleural ..............................................................................................................................21
Avaliação e atuação de Enfermagem nos distúrbios cardiovasculares ......................................25
Hipertensão arterial sistêmica ...........................................................................................................25
Crise hipertensiva ..............................................................................................................................26
Síndromes coronarianas agudas ........................................................................................................27
Marcadores de necrose miocárdica ...................................................................................................29
Arritmias cardíacas ...........................................................................................................................29
Atividade elétrica cardíaca ...............................................................................................................30
Taquicardia ........................................................................................................................................32
Bradicardia ........................................................................................................................................34
Ritmos ventriculares .........................................................................................................................34
Atuação de Enfermagem no atendimento da Parada Cardio-Respiratória ..............................37
Suporte básico de vida (SBV) adulto e pediátrico ............................................................................41
Suporte avançado de vida (SAV) adulto e pediátrico.......................................................................47
Referências ........................................................................................................................................52

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INTRODUÇÃO

O pronto-socorro é uma unidade do hospital destinada à assistência a pacientes externos com ou


sem risco de morte, cujos agravos à saúde necessitam de atendimento imediato; funciona nas 24
horas do dia e dispõe de leitos de observação.
As unidades de pronto-socorro devem estar estruturadas para prestar assistência adequada em
situações de urgência, caracterizada por casos que necessitam de atendimento rápido, porém sem
risco de morte imediato e, emergência, onde o risco de morte é iminente.
Além de assegurar as manobras de sustentação de vida em casos de urgência e emergência, essas
unidades têm representado a porta de entrada para os usuários com queixas crônicas e sociais, que
procuram esses serviços e sobrecarregam as equipes multiprofissionais, inclusive a equipe de
enfermagem, buscando resolubilidade para demandas que deveriam ser atendidas em outros níveis
de atenção à saúde.
A unidade de pronto-socorro possui uma demanda espontânea, muitas vezes maior que a prevista,
resultando em condições de trabalho nem sempre adequadas, decorrentes de uma dinâmica intensa
de atendimentos, necessitando obrigatoriamente de uma equipe de enfermagem estruturada e
capacitada.
Compreende uma estrutura hospitalar que faz parte de uma rede de serviços de saúde e que serve de
referência no atendimento dos casos de urgência, emergência, casos clínicos que inspirem cuidados
mais precisos,

A unidade de pronto socorro divide-se em unidades de Pronto Socorro Infantil, Pronto Socorro
Adulto e áreas destinadas a observação clinica. Seus objetivos consiste em acolher, atender o
paciente , retirando o mesmo da situação de risco.
É compromisso do PS manter uma relação de referência e contra referência, com os serviços de
atenção básica, encaminhando os pacientes que necessitem de acompanhamento na sua área de
origem para seguimento e resolução do problema de saúde, bem como encaminhar o paciente que
necessite de um atendimento de nível mais complexo, para os serviços de referência como os
hospitais gerais.

Na maioria das vezes a unidade , estará localizado na região central do município, no térreo dos
hospitais, ou seja é a primeira unidade hospitalar, com propósito de facilitar o acesso ao
atendimento mais rápido,dependendo das cidades encontraremos unidades localizadas em pontos
estratégicos e que são únicas ou seja não estão associadas ao hospital. Essas unidades em geral
recebem os pacientes, prestam os primeiros atendimentos e transferem para o Hospital mais
próximo ou de referência.
No Brasil, o fluxo de pacientes entre os serviços de saúde da rede básica e os serviços da alta
complexidade resultam frequentemente em situações de superlotação dos pronto-socorros que
passaram a ser o principal local de triagem dos serviços de saúde, sobrecarregando a equipe
multidisciplinar desses serviços.
Dessa forma, a imprevisibilidade da demanda aliada à gravidade e à complexidade torna esse
cenário um verdadeiro desafio e um dos setores mais importantes de um hospital, onde a assistência
prestada deve primar por uma qualidade de nível elevado e ser qualificada para todas as
adversidades possíveis para responder às expectativas dos usuários.
O processo de trabalho em um pronto-socorro geralmente é intenso, principalmente se desenvolvido
em unidade que funciona de porta aberta e com demanda espontânea.

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Desta forma, o dimensionamento e a provisão adequados do pessoal de enfermagem são


fundamentais para uma assistência que vise a segurança do paciente e dos colaboradores e a
excelência na qualidade.

ESTRUTURA FÍSICA (Recursos Humanos e Materiais)


Em grande maioria as unidades de Pronto socorro contam com uma área física extensa com uma
disposição bem definida e de fácil acesso, planejada para o atendimento ao público infantil e
adulto.Distribuído da seguinte forma:
Sala de recepção adulta;
Sala de Triagem;
Um Almoxarifado;
Área administrativa, com 1 sala administrativa, 1 sala de enfermagem, 2 repousos médicos, 1
repouso de enfermagem;
Uma farmácia;
Uma copa;
Sala de emergência ;
Consultórios de clínica adultos;
Consultórios de clínica cirúrgica;
Consultório de clínica ortopédica;
Sala de observação (retaguarda);
Sala de procedimentos invasivos;
Salas de raio X;
Sala de sutura;
Sala de gesso;
Sala de Inalação;
Sala de medicação adulto;
Sala de observação adulto/ feminina ;
Isolamento adulto/Infantil;
Sala de observação/masculino;
Sanitários (masculino/ feminino e especial)
Expurgo;
Rouparia;
Espaço para macas e cadeiras de rodas;
Área administrativa,
Repousos médicos,
Repouso de enfermagem;
Farmácia Satélite;
Copa;

A equipe de enfermagem para as duas unidades é composta de:


Enfermeiros assistenciais e administrativos;
Técnicos de enfermagem;
Auxiliares de enfermagem;
Equipes de apoio composta por auxiliares de farmácia; auxiliares administrativos e agentes
administrativos.

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CONCEITOS
Emergência
Pacientes que necessitam de tratamento ou avaliação imediatos e que apresentam risco de morte.
Exemplos: Parada Cardiorrespiratória, situações de choques, insuficiência respiratória e cardíaca ,
estados convulsivos entre outros .

Urgência

Pacientes com doença ou ferimentos que necessitam de intervenção ou avaliação em até 2 horas e
que não apresentam risco iminente de morte.
Exemplos: fraturas sem comprometimento neurovascular, dor abdominal aguda, alterações não
significativas dos sinais vitais.

Pronto-socorro e Pronto atendimento

Os Pronto Atendimentos são uma espécie de Pronto Socorro destinado a resolver apenas
ocorrências que não envolvam risco de morte ou de lesão irreversível no paciente.
Todo e qualquer mal-estar repentino, como uma dor de cabeça, uma febre ou uma crise de
hipertensão, podem ser tratados em um Pronto Atendimento. Para tanto, nestes locais, o paciente
não precisa agendar consulta com antecedência. Um paciente com sintomas de gripe, por exemplo,
pode ser atendido, medicado e voltar para casa em poucas horas.
Os Pronto Atendimentos são aptos a tratar pacientes com mal-estar temporário e situações de baixa
e média complexidade. Além das consultas propriamente ditas, estas unidades também realizam
procedimentos como exames simples, suturas, curativos, injeção e inalação.
Também há uma diferenciação na composição das equipes médicas destas unidades. Nos pronto
atendimentos, o paciente sempre tem à disposição um médico plantonista, mas não há
obrigatoriedade em se manter uma equipe de profissionais em diversas especialidades.
Já em um Pronto Socorro, estabelecimento de saúde destinado a prestar assistência a doentes, com
ou sem risco de vida, cujos agravos à saúde necessitam de atendimento imediato. Funciona durante
as 24 horas do dia e dispõe apenas de leitos de observação.
há sempre uma equipe de plantão composta por clínico geral, pediatra e ortopedista.

Triagem

A sala da triagem deve estar muito próxima da sala de emergência. É um processo de classificação
de pacientes de acordo com as necessidades para o tratamento de urgência e emergência. Deve-se
sempre possibilitar a privacidade para à realização da entrevista e do exame físico.
No Pronto Atendimento a distribuição dos pacientes será feita inicialmente através de Agentes de
Triagem (ou acolhimento) que encaminharão os mesmos às áreas específicas seguindo um
protocolo baseado na situação/ queixas.

Objetivos da triagem

-Avaliar o paciente logo após a sua chegada ao Pronto Socorro, humanizando e dinamizando o
atendimento.
-Descongestionar o Pronto Socorro;

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-Reduzir o tempo para o atendimento médico, fazendo com que o paciente seja visto precocemente
de acordo com a sua gravidade;
-Determinar a área de atendimento primário, devendo o paciente ser encaminhado diretamente as
especialidades conforme protocolo. Ex Ortopedia, ambulatórios,etc;
-Informar os tempos de espera;
-Retornar informações a familiares.

Classificação de riscos

Nos serviços de emergências, porta aberta a toda sociedade, a grande demanda de pacientes para o
atendimento obrigou e obriga aos serviços a criarem um serviço de classificação de pacientes. A
escala de triagem americana (“Emergency Severity Index”, ESI©), é a escala amplamente utilizada
nas emergências dos Estados Unidos da América.
Embora tenha sido criada por médicos, como as demais escalas, ela do mesmo modo é operada por
enfermeiros treinados para a sua utilização.
A Classificação de Risco é um processo dinâmico de identificação dos pacientes que necessitam de
tratamento imediato, de acordo com o potencial de risco, agravos à saúde ou grau de sofrimento.
A prioridade da assistência médica e de enfermagem será feita categorizando os clientes nos
seguintes níveis.

Nível 1 - Emergência : será identificada pela cor Vermelha


Nível 2 - Urgência : será identificada pela cor Amarela
Nível 3 - Encaminhamentos rápidos: será identificada pela cor Verde
Nível 4 - Não Urgência: será identificada pela cor Azul

Após acolhimento e com base nas declarações feitas pelos pacientes em relação ao motivo pelo qual
procurou o hospital ( situação/queixa), o encaminhamento destes será feito pelos Agentes de
Triagem, seguindo o protocolo a seguir:

Vermelhos: pacientes encaminhados diretamente à Sala Vermelha ( emergência) que necessitam de


atendimento médico e de enfermagem imediatos:

Situação/Queixa
- Politraumatizado grave;
- Trauma Crânio Encefálico grave;
- Estado de coma;
- Comprometimentos da Coluna Vertebral;
- Desconforto respiratório grave;
- Dor no peito associado a falta de ar e cianose;
- Perfurações no peito, abdômem e cabeça;
- Crises convulsivas ( inclusive pós crise);
- Intoxicações exógenas;
- Reações alérgicas;
- Tentativas de suicídio;
- Complicações de diabetes;
- Queimaduras;
- Parada cardiorrespiratória;

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Amarelos: Pacientes que necessitam de atendimento médico e de enfermagem o mais rápido


possível, porém não correm risco imediato de vida. Deverão ser encaminhados diretamente à Sala
de Consulta de Enfermagem.

Situação/Queixa:
-Cefaléia intensa;
-Dor torácica intensa;
-Antecedentes com problemas respiratórios, cardiovasculares e metabólicos ( diabetes);
-Desmaios;
-Alterações de Sinais Vitais em paciente sintomático;
-Hemorragias;
-História de Convulsão;
-Dor abdominal intensa;
-Sangramento vaginal com dor abdominal;
-Náuseas /Vômitos e diarréia persistentes;
-Trauma crânio-encefálico leve;
-Desmaios;
-Febre alta ( 39/40.º C);
-Diminuição do nível de consciência.

Verdes: Pacientes em condições não agudas porém encaminhados com prioridade ao atendimento
médico.

Situação/queixa
-Gestantes com complicações da gravidez;
-Pacientes escoltados;
-Pacientes doadores de sangue;
-Deficiente físicos;
-Retorno com período inferior a 24 horas;
-Impossibilidade de deambulação;
-Vítimas de abuso sexual;
-Estados de pânico, overdose;
-Intercorrências ortopédicas ( entorse, suspeita de fraturas, luxações);
-Pacientes com ferimentos deverão ser encaminhados diretamente para a sala de sutura.

Azuis: Demais condições não agudas (não enquadradas nas situações/ queixas acima ) e serão
atendidas pelo Pronto Atendimento por ordem de chegada.

Observação: De acordo com a instituição hospitalar, poderá ocorrer variações da classificação de


risco relacionados as cores para cada situação /queixa.

Atendimento Pré-hospitalar e transporte de pacientes

O componente pré-hospitalar móvel foi estruturado e organizado para prestação de serviços de


saúde à pessoa que necessita de socorro em locais como domicílios, vias públicas, estabelecimentos
comerciais, entre outros.
Ao pedir ajuda por meio da central de regulação 192 (Samu) ou 193 (Corpo de Bombeiro), o
socorrista, parentes da vítima ou a própria vítima recebe orientações do médico regulador que
decide pelo envio de ambulância de suporte básico ou avançado com equipe habilitada em
atendimento a situações de urgência, caso avalie que seja necessário disponibilizar esse recurso.
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O médico regulador autoriza o transporte do cliente diante do problema de saúde relatado pela
equipe local de atendimento pré-hospitalar (APH), por meio de comunicação por telefone ou rádio.
Em se tratando de situações não caracterizadas como risco iminente de vida, cabe ao médico
regulador dar orientações sobre outras medidas a serem efetuadas pelo solicitante.
As equipes de saúde do APH são compostas por médico, enfermeiro, técnico e/ou auxiliar de
enfermagem, que recebem habilitação específica para esta atividade. É necessário que conheçam
suas atribuições, normas e rotinas operacionais, bem como desenvolvam seu trabalho baseado em
protocolos de atendimento. A educação permanente desses profissionais é primordial para assegurar
a qualidade na prestação da assistência.
Outros profissionais como telefonista, rádio-operador, condutor de ambulância ou de veículos
aquáticos e aéreos fazem parte da equipe de APH.
As equipes são capacitadas para tripular veículos terrestre, aquático ou aéreo que se destine ao
transporte de enfermos, atendendo a classificação da Portaria nº 2.048/GM.
No APH, os encaminhamentos para os serviços hospitalares são designados pelo sistema regulador.
Esses profissionais são habilitados por meio de cursos de resgate e emergências médicas (REM),
participando de capacitações periódicas para o bom desempenho de sua função.

Equipes Suporte básico a Vida Suporte avançada a vida


Profissionais Auxiliar/ técnico de enfermagem Enfermeiro
Condutor de veículo Médico
Condutor de veículo
Atribuições Atendimento de baixa Atendimento de urgência e
complexidade, não realizando emergência de alta
procedimentos invasivos, em casos complexidade, realizando
de vítimas de menor gravidade. procedimentos não invasivos
e invasivos, em casos de
vítimas graves.

Cada veículo é equipado com materiais e equipamentos específicos, tripulado por profissionais com
diferentes atribuições que compõem as equipes, segundo o tipo de atendimento destinado a prestar,
no caso, suporte básico de vida (SBV) ou suporte avançado de vida (SAV).
Os veículos de SAV são equipados com materiais médico-hospitar, equipamentos e medicamentos,
permitindo a estabilização do cliente e seu transporte para o hospital.
Profissionais da área de segurança, como policiais rodoviários e bombeiros identificam situações de
risco e realizam manobras de salvamento, resgate e, quando necessário, o suporte básico de vida
(SBV).
Para a segurança dos profissionais e do paciente, é necessário que todos os princípios de
biossegurança sejam aplicados. É importante promover a limpeza terminal ou concorrente do
interior da ambulância e a desinfecção adequada de materiais e equipamentos.

Atendimento hospitalar

As unidades de emergência hospitalares ou pronto-socorros oferecem atendimento imediato e


ininterrupto aos pacientes adultos ou crianças em estado crítico ou potencialmente crítico.
O atendimento hospitalar é definido por grau de complexidade - tipo I, II e III.
Toda infraestrutura referente a recursos materiais, equipamentos e medicamentos deve estar de
acordo com as normas e compatível com serviço de emergência.

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As áreas físicas são estruturadas conforme a complexidade do hospital, considerando-se os tipos I,


II e III. Assim, hospitais que recebem clientes de maior complexidade oferecem recursos humanos,
materiais e tecnológicos compatíveis com a necessidade de cada caso.
A estrutura física adequada é normatizada pela Resolução de Diretoria Colegiada (RDC), da
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
A Portaria RDC nº 307, de 14 de novembro de 2002, estabelece normas técnicas para elaboração de
projetos da estrutura física, arquitetônica, símbolos gráficos, desenho técnico e toda organização
física para estabelecimentos assistenciais de saúde.

De acordo com a Anvisa, há a necessidade de área física ampla, com número mínimo e suficiente de
salas e quartos ou boxes com divisórias para acomodar os clientes com conforto e privacidade. As
dependências são projetadas conforme as normas estabelecidas pela legislação, considerando-se o
fluxo de pessoas que circulam no local.

Essa área deve ter revestimento lavável, em cor clara e com cantos arredondados, como também
dispor de boa iluminação e ventilação; as considerações de segurança e conforto incluem um
ambiente tranquilo, com a minimização de ruídos e agentes estressantes.

A unidade de emergência é caracterizada pelo fluxo intenso de pessoas que circulam nessa área,
em razão da rotatividade dos pacientes que procuram o serviço devido à gravidade das condições
em que se encontram, motivadas por trauma, afecções não traumáticas, alterações de
comportamento, entre outras.

A variedade dos agravos apresentados por esses pacientes justifica a diversidade de profissionais
que atuam nessa unidade, com equipe multidisciplinar composta por profissionais de enfermagem,
assistente social, fisioterapeuta, médicos de diferentes especialidades, entre outros, bem como a
avançada tecnologia presente com equipamentos de alta precisão.
Essa complexidade exige a capacitação permanente dos profissionais que nela atuam.

Na estrutura organizacional do serviço, contamos com o responsável técnico (RT) de cada categoria
profissional, que será o responsável em promover as capacitações em parceria com serviço de
educação hospitalar.
Ao realizar intervenções orientadas no tratamento e na prevenção de outros agravos, é fundamental
a destreza, a capacidade de observação, de trabalho em equipe e o desenvolvimento do pensamento
crítico orientador na tomada de decisão.
Entretanto, o atendimento prestado com rapidez pode ser comprometido por fatores como fadiga,
falta de atenção e desrespeito às normas de biossegurança, e predispõe o profissional aos riscos de
acidentes e doenças ocupacionais.

O processo de trabalho na unidade de emergência requer sólida fundamentação científica e


prontidão no cumprimento imediato das atribuições por parte de cada profissional da equipe de
atendimento. Ressaltamos, porém, que as situações imprevistas com as quais se deparam os
profissionais nesses serviços requerem atenção não apenas no aspecto técnico-científico.
A equipe multidisciplinar precisa estar preparada emocionalmente para a vivência de situações
limítrofes que impactam os serviços de urgência em relação ao binômio vida e morte.
O equilíbrio em lidar com essas situações tem repercussão na vida do paciente e de seus familiares,
que se sentirão apoiados e mais seguros em relação ao atendimento que recebem da equipe.

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Avaliação e atuação de Enfermagem em distúrbios neurológicos

Meningite
É a inflamação das membranas que revestem o encéfalo e a medula espinhal, conhecidas
coletivamente como meninges.
Na meningite bacteriana, as bactérias atingem as meninges por uma das duas vias principais:
através do corrente sanguínea ou através de contato direto entre as meninges e a cavidade nasal ou
com a pele. Isso é muitas vezes precedido por infecções virais, que quebram a barreira normal
formada pelas superfícies mucosas. Uma vez que as bactérias entraram na corrente sangüínea, elas
entram no espaço subaracnóideo em lugares onde a barreira cérebro-sangue é vulnerável.

Etiologia
A inflamação pode ser causada por infecções por vírus, bactérias ou outros micro-organismos e,
menos comumente, por certas drogas. A meningite pode pôr em risco a vida em função da
proximidade da inflamação com órgãos nobres do sistema nervoso central e por isso essa condição
é classificada como uma emergência médica.
Quadro clínico
Os sintomas mais comuns de meningite são fortes dores de cabeça e rigidez de nuca associados
à febre alta, confusão mental, alteração do nível de consciência, vômitos e a intolerância à luz
(fotofobia) ou a sons altos (fonofobia). Algumas vezes, especialmente em crianças pequenas,
somente sintomas inespecíficos podem estar presentes, como irritabilidade e sonolência.
A presença de uma erupção cutânea pode indicar um caso particular de meningite; a causada por
bactérias do tipo meningococos.
Diagnóstico
Uma punção lombar pode ser usada para diagnosticar ou excluir um quadro de meningite.
O procedimento envolve a inserção de uma agulha no canal medular para extração de uma amostra
de líquor, o líquido que envolve o encéfalo e a medula espinal.
O líquido coletado é, em seguida, examinado em um laboratório.
Tratamento

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O tratamento habitual para a meningite é a pronta administração de antibióticos e, por vezes,


fármacos antivirais. Em algumas situações, corticóides podem ser usados para prevenir
complicações da inflamação hiperativa.

Complicações
A meningite pode ter complicações sérias a longo prazo como epilepsia, hidrocefalia e
déficit cognitivo, especialmente se não tratada rapidamente.
Uma vez que a meningite pode causar uma série de complicações precoces graves, a revisão médica
regular é recomendada para identificar essas complicações precoces, bem como a admissão a uma
unidade de terapia intensiva , se necessário.
A ventilação mecânica pode ser necessária se o nível de consciência é muito baixa, ou se houver
evidência de insuficiência respiratória. Se houver sinais de aumento da pressão intracraniana,
medidas para controlar a pressão podem ser tomadas, o que permitirá a otimização da pressão de
perfusão cerebral e vários tratamentos para diminuir a pressão intracraniana com medicação (por
exemplo, manitol).
As convulsões são tratadas com anticonvulsivantes.

Punção lombar
A punção lombar é feita com o posicionamento adequado do paciente, geralmente deitado
lateralmente ou sentado, a aplicação de anestesia local e a inserção de uma agulha através da dura-
máter (a membrana que envolve a medula espinhal) para coletar o líquido cefalorraquidiano (LCR).
No momento em que a agulha chega neste ponto, a pressão de abertura do líquor é medida através
de um manômetro. A pressão normal encontra-se entre 6 e 18 centímetros de água (cmH2O); na
meningite bacteriana, a pressão é geralmente elevada.
A primeira aparição do fluido já pode revelar uma indicação da natureza da infecção: o líquor turvo
indica altos níveis de proteína, presença de glóbulos vermelhos e brancos e/ou bactérias, e, portanto,
sugerem meningite bacteriana.

Punção lombar para diagnóstico de Meningite

Agulhas utilizadas para Punção lombar ( agulha espinal)

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Crise convulsiva

A crise convulsiva pode ser definida como uma desordem na transmissão dos impulsos elétricos
cerebrais, que se manifesta por espasmos involuntários dos grupos musculares com ou sem perda da
consciência, sendo limitada em relação ao tempo.
Clínica bastante frequente, que se manifesta tanto em patologias neurológicas como acidente
vascular encefálico , traumatismo crânio-encefálico e encefalite.
A convulsão é uma resposta a uma descarga elétrica anormal no cérebro.

Etiologia

Considerada uma condição multifatorial, pode ocorrer como evento isolado em decorrência de
doenças sistêmicas tais como distúrbios hidroeletrolíticos, insuficiência renal, insuficiência
hepática, septicemia, estado hiperglicêmico, entre outros.

Quadro clínico

Devido à alteração da atividade cerebral, que se inicia em um grupo de neurônios ou ainda se


espalha por uma área generalizada, as convulsões se caracterizam por movimentos musculares
involuntários e súbitos, de forma generalizada ou acometendo um segmento do corpo.
Para indivíduos com epilepsia (cerca de 20%), a convulsão pode ser precedida com sensação de que
a crise vai se manifestar, experiências diferenciadas de sensações de odores ou sabores. Alguns
ainda podem referir alterações visuais.
O período de duração de uma crise convulsiva é de aproximadamente de 2 a 5 minutos, podendo
sobrevir a cefaléia, confusão mental, dores musculares e fadiga.
No estado pós-convulsivo podem ocorrer injúrias como broncoaspiração, coma, hipóxia, acidose
metabólica, entre outras.

Diagnóstico

A investigação diagnóstica é fundamentada na história pregressa e atual do paciente,


complementando com exame de tomografia computadorizada e eletroencefalograma.

O Eletroencefalografia (EEG) é o estudo do registro gráfico das correntes elétricas desenvolvidas


no encéfalo, realizado através de eletrodos aplicados no couro cabeludo, na superfície encefálica, ou
até mesmo dentro da substância encefálica.

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Há necessidade de exames laboratoriais para pesquisa de possíveis alterações bioquímicas e


metabólicas para auxiliar no diagnóstico.
Tratamento

O tratamento é baseado na manifestação clínica, com intuito de minimizar as contrações musculares


por meio da administração de medicamentos miorrelaxante por via endovenosa. Por vezes, é
necessária a infusão contínua ou intermitente de medicamento anticonvulsivante para prevenção de
novos episódios.

Cuidados de Enfermagem

A atuação do técnico de enfermagem frente à convulsão se inicia com a segurança do paciente,


afastando os objetos e condições que representem risco, orientando às pessoas que se mantenham
afastadas, pois a curiosidade provoca uma aglomeração de pessoas e pode dificultar o atendimento
inicial.
É fundamental que você promova a proteção do paciente a fim de reduzir danos em virtude dos
espasmos musculares, uma vez que a contenção física dos movimentos não é recomendada.
Certifique-se de que esse indivíduo não sofreu uma queda, pois essa condição modifica a sua ação
na abordagem em situação de trauma, visando, então, preservar a integridade da coluna cervical.

Durante a crise convulsiva, coloque algo macio sob a cabeça do paciente, se encontrado deitado no
chão, apoiando-a cuidadosamente a fim de evitar traumas. Se possível, remova ou afrouxe a roupa
apertada, observe se há adornos no pescoço que possam dificultar a respiração.

Avaliar o padrão respiratório e condições hemodinâmicas, permanecendo atento durante o episódio


convulsivo, inclusive em relação ao tipo de contração , horário de início e término do episódio,
frequência (um ou mais), liberação de esfíncter vesical e/ou intestinal.

Durante a convulsão, administrar a oxigênio e droga miorrelaxante. A via de administração


preferencial é a endovenosa. Na impossibilidade ou insucesso da venopunção, a opção é por via
intraóssea, procedimento de atribuição do enfermeiro.

Após a cessação das contrações, reavaliar a permeabilidade das vias aéreas e eventual necessidade
de aspiração de secreções, administração de outras medicações, controle da glicemia capilar e
realizar a higiene proporcionando o conforto. Em presença de prótese dentária, remova assim que
possível.

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Em pacientes idosos, é importante considerar que a história clínica, bem como a ocorrência do fato
descrita por familiares ou outrem que presenciaram a convulsão, seja considerada em virtude da
avaliação do evento.

Coma

Coma (do grego κῶμα, sono profundo) é um estado de inconsciência que dura mais de seis horas,
em que uma pessoa não pode ser despertada, não responde normalmente a estímulos dolorosos, luz
nem som, carece de um ciclo vigília-sono normal e não inicia ações voluntárias.

Etiologia

O Coma é causado pela perturbação grave do funcionamento cerebral devido a traumas crânio-
encefálico, acidentes vasculares cerebrais, tumores, envenenamentos ou asfixia.
No traumatismo crânio-encefálico, o coma pode ser induzido seja pelo efeito de concussão cerebral,
quando o cérebro recebe um impacto forte e é jogado contra as paredes do crânio, causando lesão
difusa, ou mesmo por lesão direta, com perda de massa encefálica como nos casos de ferimentos
por armas de fogo.
Os acidentes vasculares cerebrais (comumente chamados de "derrame"), podem ser do tipo
hemorrágico, quando ocorre a ruptura e vazamento de algum vaso sanguíneo cerebral ou do
tipo isquêmicos, quando ocorre a obstrução da circulação sanguínea.
Os tumores encefálicos podem causar o coma por destruição de células cerebrais ou por efeito de
compressão, pelo seu crescimento expansivo , que leva à obstrução da circulação sanguínea.
Diversos distúrbios do metabolismo podem induzir o estado de coma, como o diabetes mellitus, o
hipotireoidismo, a insuficiência hepática, seja pelo acúmulo de substâncias que impedem o correto
funcionamento cerebral, como alguns aminoácidos e amônia, pelo desequilíbrio do metabolismo do
hidrogênio sanguíneo, causando alteração de pH ou pelas disfunções orgânicas causadas por estas
doenças, que levam à hipoventilação, hipotermia, hipotensão e bradicardia.
Os envenenamentos acidentais ou provocados introduzem no organismo humano drogas que podem
induzir ao coma, como, cocaína, álcool, etc.
A asfixia traumática, por afogamento ou por qualquer outra condição que conduza à interrupção do
fluxo nas vias respiratórias pode gerar falta de oxigenação cerebral e conduzir a pessoa ao estado
comatoso .

Avaliação do coma

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A avaliação do coma é de suma importância. Em situações de emergência ou de coma de instalação,


a avaliação súbita permite ao médico basear suas medidas terapêuticas em protocolos de tratamento
e saber da evolução do quadro pela piora ou melhora do estado de coma.
A profundidade do coma pode ser classificada por diversas escalas onde o avaliador através de uma
padronização de exame quantifica o grau do coma, desde uma leve confusão mental até o coma
profundo.
Uma das escalas mais utilizadas no mundo, é conhecida como Escala de Coma de Glasgow.
A escala de coma de Glasgow (ECG) é uma escala neurológica que parece constituir-se num
método confiável e objetivo de registrar o nível de consciência de uma pessoa, para avaliação inicial
e contínua após um traumatismo craniano.
Seu valor também é utilizado no prognóstico do paciente e é de grande utilidade na previsão de
eventuais seqüelas.

1 2 3 4 5 6

Abre os olhos em Abre os olhos


Não abre os Abre os olhos
Ocular resposta a em resposta a N/A N/A
olhos espontaneamente
estímulo de dor um chamado

Pronuncia Orientado,
Emite sons Confuso,
Verbal Emudecido palavras conversa N/A
incompreensíveis desorientado
desconexas normalmente

Flexão
Extensão a Flexão anormal inespecífica
Localiza
Não se estímulos a estímulos (normal)/ Reflexo Obedece a
Motor estímulos
movimenta dolorosos dolorosos de retirada a comandos
dolorosos
(descerebração) (decorticação) estímulos
dolorosos

Resultado:
3 a 6 = Coma profundo; (85% de probabilidade de morte; estado vegetativo)
7 a 10 = Coma intermediário;
11 a 14 = Coma leve;
15 = Normalidade.

Acidente vascular encefálico

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O acidente vascular cerebral (acrônimo: AVC), ou acidente vascular encefálico (acrônimo:


AVE), vulgarmente chamado de derrame cerebral, é caracterizado pela perda rápida de função
neurológica, decorrente do entupimento (isquemia) ou rompimento (hemorragia) de vasos
sanguíneos cerebrais.
Trata-se de uma emergência médica que pode evoluir com sequelas ou morte, sendo a rápida
chegada no hospital importante para a decisão terapêutica.
Fatores de riscos
Dentre os principais fatores de risco para AVE estão: a idade avançada, hipertensão
arterial, tabagismo, diabetes, colesterol elevado, estenose da válvula atrioventricular e fibrilação
atrial.

Classificação e Fisiopatologia
Os acidentes vasculares do cérebro podem ser basicamente decorrentes da obstrução de uma
artéria que irriga o cérebro (ou seja, por isquemia) ou podem ser por vazamento de sangue de um
vaso sanguíneo (ou seja, hemorrágico).

AVE isquêmico
É o tipo de AVC mais comum, presente em cerca de 80% dos casos. Ocorre pela falta de fluxo
sanguíneo cerebral, levando ao sofrimento e enfarte do parênquima do sistema nervoso.
Essa queda no fluxo sanguíneo pode ser decorrente de:
Uma obstrução arterial: um trombo ou, mais comumente, um êmbolo;
Queda na pressão de perfusão sanguínea, como nos estados de choque;
Uma obstrução na drenagem do sangue venoso, como na trombose venosa, causando dificuldade de
entrada do sangue arterial no cérebro.
Nos primeiros momentos do AVC isquêmico não há morte de tecido cerebral, mas a falta de
suprimento sanguíneo provoca a rápida degeneração do tecido cerebral, um tecido metabolicamente
muito ativo e que demanda muito oxigênio e glicose para manter seus neurônios vivos.

AVE hemorrágico
É o acidente vascular cerebral menos comum presente em cerca de 20% dos casos, mas não menos
grave. Ocorre pela ruptura de um vaso sanguíneo intracraniano. O sangue em contato com o
parênquima nervoso tem ação irritativa. Além disso, a inflamação e o efeito de massa ou pressão

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exercida pelo coágulo de sangue no tecido nervoso prejudica e degenera o cérebro e a função
cerebral.

Quadro clinico
Dificuldade de mover o rosto;
Dificuldade em movimentar os braços adequadamente;
Dificuldade de falar e se expressar;
Fraqueza nas pernas;
Problemas de visão.

Durante um exame pode-se pedir ao paciente que sorria, levante os dois braços e repita uma frase
(como "trinta e três"). Diante desses sintomas, quanto mais rápido o socorro, menor a probabilidade
de sequelas. Outros sintomas menos específicos, como queda do estado geral e coma, também
elevam o risco de AVE.
Diagnóstico
Os médicos recomendam que a hipótese seja confirmada por um exame de imagem, tomografia
computadorizada e ressonância magnética, que permitem identificar a área do cérebro afetada e o
tipo de AVE.
A tomografia pode ser o exame inicial de escolha por sua disponibilidade e rapidez. Serve
principalmente para diferenciar o AVE por entupimento/isquemia do hemorrágico, o que muda
radicalmente a conduta médica.
Uma tomografia normal dentro das primeiras 24 horas de um AVE isquêmico é algo esperado e
confirma o diagnóstico, pois a maioria dos ataques isquêmicos não provoca lesões visíveis tão
precoces nesse exame. Apenas lesões extensas ou mais antigas podem ser vistas na tomografia no
AVE isquêmico ou, ainda, sinais indiretos de AVE como edema cerebral.
Já o AVC hemorrágico costuma vir com imagem na tomografia indicando vazamento de sangue.
Tratamento
O AVE geralmente causa um impacto significativo na vida funcional, cognitiva e social do paciente,
sendo comum que o paciente desenvolva transtornos psicológicos após o derrame.
Quanto maior o prejuízo na qualidade de vida e dificuldade de adesão ao tratamento mais
importante é o acompanhamento psicológico e psiquiátrico para a reabilitação da vítima do
derrame.

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Além da reabilitação vale ressaltar que evitar e tratar os fatores de riscos, contribuirão para o
sucesso do tratamento.

Avaliação e atuação de Enfermagem nos distúrbios respiratórios


Insuficiência respiratória
O termo insuficiência respiratória, em medicina, é usado para descrever a troca inadequada de
gases pelo sistema respiratório,resultando numa incapacidade de manter os níveis de oxigênio e
dióxido de carbono arteriais dentro dos níveis normais.
Uma quebra na oxigenação é conhecido como hipoxemia; um aumento dos níveis arteriais
de dióxido de carbono denomina-se hipercapnia.
Etiologia
Disfunção pulmonar
Asma
Enfisema
Doença pulmonar obstrutiva crónica
Pneumonia
Pneumotórax
Contusão Pulmonar1
Hemotórax
Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo
Fibrose cística
Disfunção cardíaca
Edema pulmonar
Acidente cerebrovascular
Arritmia
Falha Cardíaca congestiva
Patologia valvular

Outras

Fadiga devido a prolongada taquipnéia na acidose metabólica


Intoxicação metabólica (e.x., morfina, benzodiazepínicos) que suprimem a ventilação.
Doença neurológica

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Tratamento
O tratamento de emergência seque os princípios da ressuscitação cardiopulmonar.
O tratamento da causa subjacente é necessário intubação endotraqueal e ventilação mecânica podem
ser necessários.
Estimulantes respiratórios como o doxapram podem ser usados, e se a insuficiência respiratória
resultou de uma overdose de drogas sedativas como opióides ou benzodiazepínicos.

Ventilador mecânico
Asma
Trata-se de uma doença inflamatória crônica, caracterizada por hiperresponsividade das vias aéreas,
manifestando-se por obstrução ao fluxo aéreo, reversível espontaneamente ou pelo tratamento, com
episódios recorrentes de sibilos, dispnéia e tosse, particularmente à noite e pela manhã, ao acordar.

A asma pode ser controlada na maioria dos pacientes, evitando os atendimentos em emergências e
as hospitalizações. Se a asma não for bem controlada, ela pode tornar-se crônica com prejuízo
permanente ao fluxo aéreo, levar à limitação física e social significativa e até causar a morte, em
casos mais graves.
Etiologia
Sua causa está relacionada a interação entre fatores genéticos e ambientais . que se manifestam
como crises de falta de ar devido ao edema da mucosa dos bronquíolos, a produção excessiva
de muco nas vias aéreas e a contração da musculatura lisa das vias aéreas (broncoespasmo).

Quadro clinico
Caracteristicamente à doença, os sintomas aparecem de forma cíclica com períodos de piora. Dentre
os principais sinais e sintomas estão: a tosse, que pode ou não estar acompanhada de alguma
expectoração (catarro), dificuldade respiratória, com dor ou ardência no peito, além de um
chiado(sibilância). Na maioria das vezes não há expectoração ou se tem é tipo "clara de ovo".

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Os sintomas podem aparecer a qualquer momento do dia, mas tendem a predominar pela manhã ou
à noite.
A asma é a principal causa de tosse crônica em crianças e está entre as principais causas de tosse
crônica em adultos.
Diagnóstico
É baseado nos sinais e sintomas que surgem de maneira repetida e que são referidos pelo paciente.
No exame físico, o médico poderá constatar a sibilância nos pulmões, principalmente nas
exacerbações da doença. Contudo, nem toda sibilância é devido à asma, podendo também ser
causada por outras doenças. Todavia, nos indivíduos que estão fora de crise, o exame físico poderá
ser completamente normal.
Existem exames complementares que podem auxiliar o médico, dentre eles estão: a radiografia do
tórax, exames de sangue e de pele (para constatar se o paciente é alérgico) e a espirometria que
identifica e quantifica a obstrução ao fluxo de ar. Teste de bronco provocação com substâncias pró-
inflamatórias; ex: histamina.

Tratamento
Os broncodilatadores são utilizados principalmente como medicações de alívio para cortar uma
crise de asma.
É um medicamento, como o próprio nome diz, que dilata os brônquios (vias aéreas) quando o
asmático está com falta de ar, chiado no peito ou crise de tosse.

Inalador broncodilatador ( Bombinha)


Os antiinflamatórios, utilizados principalmente para evitar e prevenir crises (manutenção).
Os corticóides inalatórios são, atualmente, a melhor conduta para combater a inflamação, sendo
utilizados em quase todos os asmáticos. Só não são usados pelos pacientes com asma leve
intermitente (que têm sintomas esporádicos). Tais medicamentos são utilizados com o intuito de
prevenir as exacerbações da doença ou, pelo menos, minimizá-las e aumentar o tempo livre da
doença entre uma crise e outra.
Os anti-inflamatórios devem ser utilizados de maneira contínua (todos os dias), já que combatem a
inflamação crônica da mucosa brônquica, que é o substrato para os acontecimentos subsequentes.
Tanto os broncodilatadores quanto os anti-inflamatórios podem ser usados de várias formas:

 Nebulização;
 Nebulímetro ("spray" ou "bombinha");

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 Inaladores de pó seco (através de cápsulas para inalação);


 Comprimido;
 Xarope.

Pneumotórax
Pneumotórax ou pulmão colapsado é uma emergência médica causada pela presença de ar
na cavidade pleural, ocorrendo como resultado de uma doença ou lesão.
Etiologia

Espontânea: o ar penetra no espaço pleural vindo de alvéolos pulmonares, sem que existam
antecedentes imediatos de traumatismos ou de operação cirúrgica intratorácica. Geralmente, a causa
desse tipo de pneumotórax é a ruptura de alvéolos que estão muito próximos da superfície
pulmonar.

Pode ser pneumotórax espontâneo primário, produzidos por razões desconhecidas, especialmente
em jovens altos e magros, que geralmente fumam, sem antecedentes de doenças pulmonares; ou
pode também ser um pneumotórax espontâneo secundário, que acomete pessoas que sofrem de
alguma outra doença pulmonar crônica.

Infecciosa: em casos de infecções pulmonares graves, como pneumonia ou tuberculose.

Traumática: a origem desse tipo de pneumotórax corresponde habitualmente à presença de uma


ferida aberta na parede torácica, levando à existência de uma comunicação atípica entre o espaço
pleural e o exterior do organismo. Pode ser por acidentes com arma de fogo, por faca, por acidentes
de trânsito, entre outros.

Iatrogênica: menos frequentemente, a doença também pode ser devido a uma ruptura acidental do
tecido pulmonar durante uma intervenção ou como consequência de uma operação cirúrgica
intratorácica.

Quadro clinico

O sintoma mais comum descrito por 90% dos pacientes é a dor torácica, alguns pacientes também
apresentam tosse, encurtamento da respiração (dispnéia grave), agitação, cansaço fácil, aceleração
dos batimentos cardíacos e cianose devido à falta de ar. Pode também haver dores no ombro,
pescoço e abdômen.

Diagnóstico

É realizada através do histórico clínico e do exame físico do paciente. Todavia, a confirmação é


feita por meio da radiografia torácica, onde irá aparecer uma coleção anormal de ar entre os
pulmões e a parede torácica. Para obter mais dados, o médico poderá pedir uma tomografia
computadorizada do tórax, que pode ser muito útil nos casos de pneumotórax espontâneo.

Tratamento

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O tratamento básico para a estabilização desta patologia é essencialmente a remoção do gás


estabelecido entre as pleuras por meio de uma aspiração (punção pleural) ou de uma drenagem
pleural fechada em selo d'água.

Drenagem pleural
Finalidades
Proporcionar saída à coleções líquidas ou gasosas do espaço pleural, mediastino ou cavidade
torácica, restaurando a pressão no espaço pleural ou reexpandindo o pulmão colapsado, restaurando
a função cardio-respiratória normal, após cirurgia, traumatismo ou afecções clínicas.

Abrangência : Unidades de internação, emergências, UTIs e Centro Cirúrgico.


Executor: Médico.

Materiais necessários:

• Mesa auxiliar
• Foco auxiliar
• Caixa de pequena cirurgia
• Drenos de tórax compatíveis com a finalidade
• Gazes estéreis
• Fio de sutura mono-nylon 2,0 ou 3,0 agulhados
• Seringa 10ml descartável para anestesia
• Agulhas para anestesia (40x12 e 30x7)
• clorexidina alcoólica a 0,5%
• Xylocaína 2% sem vasoconstritor
• Lâmina de bisturi de acordo com o cabo do bisturi
• Luvas estéreis
• Campo fenestrado
• Frascos de drenagem conforme a solicitação do cirurgião
• Soro fisiológico ou água estéril para preenchimento do frasco de drenagem (+500ml)
• Fita adesiva
• Recipiente para lixo
Procedimento:
Médico:
• Técnica asséptica;
• O médico deve usar paramentação cirúrgica;
• Lavar as mãos corretamente e calçar luvas estéreis;
• antissepsia da pele;
• Colocação de campo
• Anestesia local e/ou se necessário sedo-anestesia;
• Incisão e dissecção dos tecidos;
• Colocação do dreno;
• Fixação do dreno;
• Curativo;

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• Verificação do sistema;
• Confirmar posicionamento do dreno com Rx de tórax.

Colocação e fixação do dreno

Curativo do Dreno
Procedimento de Enfermagem
• Lavar as mãos corretamente;
• Abrir os pacotes com técnica asséptica;
• Preparar o paciente, posicionando-o em decúbito dorsal horizontal ;
• Colocar o antisséptico na cuba ;
• Segurar o frasco de anestésico para o médico, realizando a antissepsia prévia com álcool 70%;
• Colocar soro ou água esterilizada dentro do frasco;
• Instalar a tampa no frasco, de modo que a haste fique submersa cerca de 1,5 a 2 cm na água ;
• Calçar as luvas;
• Após a introdução do dreno, auxiliar na conexão deste à extremidade distal do sistema, sem
contaminar;
• Colar na altura-limite da água, o rótulo com a hora, dia e nome no frasco de drenagem e
quantos ml de água foram colocados;
• Após o término do procedimento, descartar os materiais perfuro-cortantes em recipiente
adequado;
• Encaminhar os instrumentais para a central de esterilização e arrumar o local;

Para a troca de frascos: quando alcançar 2/3 da capacidade do frasco.

• Lavar as mãos corretamente;


• Calçar luvas estéril;
• vestir máscara;
• proteger a inserção do dreno com campo estéril;

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• Pinçar o intermediário realizar assepsia com álcool 70 % na conexão do dreno e intermediário ;


• Pegar novo frasco de drenagem;
• Colocar água estéril dentro do frasco;
• Instalar a tampa no frasco, de modo que a haste fique submersa cerca de 1,5 a 2 cm na água
(cerca de 500ml);
• Desconectar o intermediário e encaixá-lo usado e encaixá-lo ao frasco limpo;
• Retirar as pinças do dreno;
• Colar na altura-limite da água, o rótulo com a hora, dia e nome de quem trocou o frasco de
drenagem e quantos ml de água foram colocados;
• Encaminhar o frasco para a sala de utilidades, desprezar o conteúdo e colocar o frasco em lixo
infectante, se descartável,ou para a limpeza e esterilização, se de vidro.
• Anotar no prontuário do paciente o aspecto e o volume drenado;

Sistemas coletores de drenagem pleural ou mediastinal nos modelos: Juvenil, Infantil, e Neonatal.
Cuidados de Enfermagem
• Toda vez que houver necessidade de se elevar o frasco acima do nível do tórax do paciente
(transporte, deambulação, etc), clampliar os drenos; ou se não houver pinças, dobrar a extensão;
• Manter o frasco abaixo do nível do tórax;
• O dreno não pode ficar diretamente no chão, utilizar o cordão para fixá-lo na lateral da cama;
• Trocar o frasco de drenagem quando este acumular cerca de 2/3 do volume da capacidade do
frasco. O frasco não deve ser esvaziado e reutilizado. Ele deve ser substituído;
• Se o volume diário drenado for de 100ml a 150 ml e a capacidade do frasco estiver próximo ao
limite perguntar ao Enfermeiro sobre a necessidade de troca;
• Frascos de drenagem de pneumotórax não necessitam de troca; uma vez que o conteúdo drenado
trata-se de ar
• Observar o funcionamento do sistema de drenagem;
• Estimular o paciente à movimentação no leito;
• Estimular exercício respiratório.

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Avaliação e atuação de Enfermagem nos distúrbios cardiovasculares


Hipertensão arterial sistêmica
A hipertensão arterial sistêmica (HAS) constitui um dos grandes problemas de saúde pública no
Brasil e no mundo. Representa um dos mais importantes fatores de risco para o desenvolvimento
das doenças cardiovasculares, cerebrovasculares e renais, sendo responsável por pelo menos 40%
das mortes por acidente vascular cerebral, por 25% das mortes por doença arterial coronariana e, em
combinação com diabete, 50% dos casos de insuficiência renal terminal.
Classificação
Segundo a sua fisiopatologia, a hipertensão é classificada em dois tipos:
O primeiro, a hipertensão arterial primária (essencial ou idiopática) que significa que a elevada
pressão sanguínea não tem causa médica identificável, correspondendo a 90 a 95% dos casos.Neste
tipo de hipertensão, existe uma tendência familiar acentuada mas, como em muitas outras doenças,
ainda não se pode falar de hereditariedade.
Os restantes cinco a dez por cento correspondem ao segundo tipo, a hipertensão arterial secundária,
que é provocada por outros transtornos que afetam os rins, as artérias, o sistema endócrino ou ainda
por iatrogenia.
Valores referenciais da pressão arterial

Pressão Pressão
Sociedade Européia de Sociedade Brasileira de
sistólica diastólica
Hipertensão e Cardiologia Cardiologia,hipertensão e nefrologia
(mmHg) (mmHg)

Ótima Ótima <120 <80

Normal Normal 120–129 80-84

Normal alta Limítrofe 130–139 85-89

Hipertensão de grau I Hipertensão estágio I 140-159 90-99

Hipertensão de grau II Hipertensão estágio II 160-179 100-109

Hipertensão de grau III Hipertensão estágio III ≥ 180 ≥ 110

Hipertensão sistólica isolada Hipertensão sistólica isolada ≥ 140 < 90

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Quadro clinico
A hipertensão raramente é acompanhada de outros sinais ou sintomas, e o seu diagnóstico
usualmente acontece depois de um rastreio ou durante uma consulta médica por outros problemas.
Uma parte significativa de hipertensos revela sofrer de dores de cabeça sobretudo na occipital (parte
posterior da cabeça) e durante a manhã, assim como vertigens, zumbidos, distúrbios na visão ou
mesmo episódios de desmaio.

Crise Hipertensiva

A hipertensão arterial sistêmica (HAS) constitui um dos grandes problemas de saúde pública no
Brasil e no mundo. Representa um dos mais importantes fatores de risco para o desenvolvimento
das doenças cardiovasculares, cerebrovasculares e renais, sendo responsável por pelo menos 40%
das mortes por acidente vascular cerebral, por 25% das mortes por doença arterial coronariana e, em
combinação com diabete, 50% dos casos de insuficiência renal terminal.

A crise hipertensiva pode surgir em qualquer idade e representa o desencadeamento da hipertensão


de causas variadas.

Pode ser dividida em urgência hipertensiva e emergência hipertensiva.

A urgência hipertensiva é uma situação em que ocorre aumento da pressão arterial, atingindo
valores na pressão arterial diastólica (PAD) > 110 mmHg e sistólica (PAS) > 180 mmHg, sem lesão
aguda a órgãos-alvo, que são olhos, coração, rim e cérebro. Os níveis pressóricos podem ser
reduzidos em até 24 horas.

A emergência hipertensiva é uma situação que requer redução rápida da PA, no período máximo de
uma hora. Representa risco imediato à vida devido a lesões de órgão alvo com complicações do tipo
encefalopatia, infarto, angina instável, edema agudo de pulmão, acidente vascular encefálico
isquêmico (Avei), acidente vascular encefálico hemorrágico (Aveh), dissecção de aorta e eclâmpsia.

Geralmente, a PAD é maior que 130 mmHg e sintomas clínicos estão presentes, o que indica a
necessidade de internação hospitalar, se possível em UTI, com início imediato de drogas anti-
hipertensivas por via endovenosa. Faz-se necessário ressaltar que o nível absoluto da PA não deve
ser o parâmetro mais importante de diagnóstico, mas sim a presença de lesões de órgão-alvo e as
condições clínicas associadas.

Nas emergências hipertensivas, ocorre injúria vascular em virtude da falha no sistema auto-
regulatórios que, mediante níveis tensionais elevados, provoca a vasoconstrição. Essa falha propicia
o aparecimento de lesões na parede vascular, iniciando-se pelo endotélio vascular, e permitindo que
o material fibrinóide penetre na parede vascular levando ao estreitamento do lúmen vascular.

Diagnóstico

O diagnóstico é fundamentado, documentando o aumento da pressão arterial, com sinais e sintomas


relevantes que indicam ou não comprometimento de órgão alvo.

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A avaliação clínica minuciosa com busca de alterações dos sistemas neurológico, cardiovascular,
pulmonares e vasculares é imprescindível.
Exames de imagem tais como eletrocardiograma, radiografia de tórax, fundoscopia (exame de
fundo de olho) e exames laboratoriais (ureia, creatinina e demais eletrólitos, urina I) colaboram na
investigação diagnóstica.

Tratamento

O princípio para o tratamento da crise hipertensiva difere quanto à urgência e à emergência. O


principal objetivo é o controle da pressão, evitando-se lesões orgânicas agudas com sequelas
irreversíveis.

Nas urgências hipertensivas são utilizadas drogas por via oral, de ação moderada, com intuito de
reduzir a pressão arterial de forma gradual. Como orientação na alta, é feito o ajuste de dose da
medicação ou para pacientes que não utilizam medicações, iniciar esquema medicamentoso com
drogas de ação curta administradas por via oral em horários ao longo do dia.
O paciente deve ser orientado a aferir a pressão arterial uma vez ao dia até o ajuste da dose.

Nas emergências, o paciente deve ser monitorizado clínica e laboratorialmente, levando em


consideração o nível pressórico apresentado e o risco da redução abrupta do mesmo com redução do
fluxo sanguíneo, induzindo a possibilidade de infarto agudo do miocárdio (IAM) ou acidente
vascular encefálico (AVE).

São utilizadas drogas por via endovenosa com o intuito de diminuir a pressão arterial em
aproximadamente 25% em uma hora.
A regularização a níveis normais deve ser atingida entre 2 a 6 horas.

Síndrome coronariana aguda - SCAs

Consideradas como principal causa de morte no Brasil, as doenças circulatórias acarretam ônus
significativo para o sistema público de saúde do País em virtude da incapacidade para a vida
produtiva gerada nos indivíduos precocemente.

Fatores de risco

História familiar, idade (homens ≥ 45 anos e mulheres ≥ 55 anos), tabagismo, hipercolesterolemia,


hipertensão arterial sistêmica, diabete melito, obesidade, gordura abdominal, sedentarismo, dieta
pobre em frutas e legumes, estresse.
Portanto, a magnitude do risco para as síndromes coronarianas está vinculada principalmente ao
estilo de vida do indivíduo.
Mudanças de hábitos que incorporem a alimentação saudável, prática de atividade física e o
controle de patologias pré-existentes, como o diabetes e a hipertensão arterial sistêmica, devem ser
estimuladas e acompanhadas pelos profissionais da área da saúde para promover a adesão e
sensibilização da população.
Essas orientações fazem parte do programa do Ministério da Saúde como estratégias para minimizar
os riscos das doenças cardiovasculares.

São consideradas síndromes coronarianas agudas a angina instável (AI) e o infarto agudo do
miocárdio (IAM).

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Possuem como principais características:

Angina instável Infarto agudo do miocárdio

Sub-oclusão de uma artéria ou ramo de Oclusão de uma artéria ou ramo de


coronária coronária
Dor ou desconforto torácico ou referência Dor ou desconforto torácico ou referência
de dor equivalente de dor equivalente
Intensidade da dor: variável, em torno de Intensidade da dor variável, contínua ou
10 a 20 minutos intermitente com duração maior de 10
minutos, acompanhada de sintomatologia
mais agressiva a debilidade orgânica e
ainda difícil regredir com analgesia.

A dor típica é descrita como sendo uma dor do tipo “opressão” e tem início na região retroesternal,
podendo se irradiar para membro superior esquerdo e região cervical, atingindo a região
mandibular.

Indivíduos da raça negra, portadores de diabetes melito, mulheres e idosos podem apresentar o
evento isquêmico sem sintomatologia típica, ou seja, sem desconforto precordial.
Além da queixa dolorosa em opressão, as síndromes coronarianas vêm acompanhadas de alteração
do estado mental, perfusão periférica diminuída, estertores, hipotensão arterial, estase jugular,
náuseas, palpitações, sudorese e algumas vezes de síncope, que pode estar associada a arritmias
complexas, sinalizando dano significativo ao miocárdio.

A origem da síndrome coronariana se deve a processos fisiopatológicos como a formação de placa


ateromatosa seguida de agregação de plaquetas e desenvolvimento de trombos que podem causar
uma suboclusão ou oclusão total do lúmen da artéria coronária ou de um de seus ramos.
O mecanismo pode ser dinâmico, quando ocorre vasoespasmo, ou mecânico, quando há uma
obstrução progressiva do vaso em consequência de seu próprio estreitamento, com ou sem espasmo
ou formação de trombo.

A oclusão coronariana por tempo prolongado interrompe o fornecimento de oxigênio e nutrientes


para o músculo cardíaco acarretando em área de necrose miocárdica. Essa situação caracteriza o
infarto agudo.

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Diagnóstico

O diagnóstico diferencial é feito por meio da história clínica e antecedentes pessoais, enfocando o
início da dor.
Em situações emergenciais, o diagnóstico baseia-se na história clínica, nas alterações
eletrocardiográficas e dos valores de referência dos marcadores de necrose miocárdica.

Marcadores de Necrose Miocárdica

Troponina - marcador não encontrado normalmente em indivíduos sadios, mas verificado na


presença de necrose. É uma enzima de alta especificidade e sensibilidade.
CK-MB massa - é utilizada quando os serviços de emergência não oferecerem a dosagem de
troponina. É menos específica, feita de forma seriada a cada seis horas, para confirmação
diagnóstica.

Tratamento

O tratamento medicamentoso inicial consiste na administração de vasodilatadores coronarianos,


antiagregante plaquetário e anticoagulante.
Outras drogas podem ser introduzidas ou vinculadas a sua história pregressa.

A atuação da equipe de enfermagem frente à SCA deve estar embasada no conhecimento


terapêutico de urgência, com o objetivo de minimizar possívei seqüelas do sistema cardiovascular e
demais sistemas orgânicos. Para isso é importante desenvolver atitudes rápidas e precisas como
monitoração do cliente, oxigenoterapia, instalação de acesso venoso, coleta de exames laboratoriais,
realização do eletrocardiograma, administração de medicamentos em tempo hábil e, por fim, o
preparo do paciente para intervenções hemodinâmicas e/ou cirúrgicas.

Arritmias cardíacas

As arritmias são distúrbios na geração, condução e/ou propagação do impulso elétrico no coração,
podendo representar risco iminente de morte quando associada a agravos como insuficiência
cardíaca congestiva (ICC), tromboembolismo e choque cardiogênico.

Classificação

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Podem ser espontâneas, denominadas primárias, ou secundárias quando vinculadas a outras


patologias de base como infarto agudo do miocárdio.
A incidência de arritmias é maior em adultos, relacionadas ou não a outras patologias. Em crianças,
a grande maioria das arritmias tem característica secundária a patologias de base, pós-operatórios de
cirurgia cardíaca, distúrbios metabólicos, hipoxemia e choque.

Fisiologia cardíaca

A eletrofisiologia cardíaca envolve todo o processo de ativação elétrica do coração, destacando-se


os potenciais de ação cardíacos, a condução de ação desses potenciais ao longo dos tecidos
condutores especializados, a excitabilidade e os períodos refratários, os efeitos moduladores do
sistema autônomo sobre a frequência cardíaca e velocidade de condução sobre a excitabilidade.
Para que o coração funcione como bomba é necessário que os ventrículos sejam eletricamente
ativados.
No músculo cardíaco, a ativação elétrica é o potencial de ação do coração, que normalmente se
origina no nó sinoatrial (SA), também denominado de nó sinusal, localizado no átrio direito. A
seguir, é conduzido ao miocárdio em uma sequência, pois os átrios devem ser ativados à contração
antes dos ventrículos, a partir do ápice em direção à base para a eficiente ejeção do sangue.

O coração consiste em dois tipos de células musculares, que são as contráteis, que compõem a
maioria das células dos átrios e ventrículos levando à contração, gerando força e pressão no
coração; e as condutoras, que compreendem os tecidos do nó sinoatrial, as vias internodais dos
átrios, o nó atrioventricular (AV), o feixe de His e o sistema de Purkinje, que têm por objetivo
propagar rapidamente o potencial de ação por todo o miocárdio.

O impulso elétrico, que normalmente se inicia no nó sinusal e se propaga pelas vias internodais,
atinge os átrios direito e esquerdo e, simultaneamente, o nó atrioventricular, com velocidade de ação
diminuída.
A condução lenta assegura que os ventrículos tenham tempo suficiente para se encherem de sangue
antes de sua ativação e contração.
A partir do nó AV, o potencial de ação avança pelo sistema de condução ventricular, que se inicia no
feixe de His, ramos esquerdos (RE) e direito (RD) dos feixes menores do sistema de Purkinje.
A condução pelo sistema His-Purkinje é muito rápida e distribui o potencial de ação aos ventrículos,
permitindo a contração e ejeção eficiente do sangue caracterizando o ato mecânico da bomba
cardíaca.

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O nó sinusal, marca-passo dominante do coração, varia com freqüência entre 60 e 100 impulsos por
minuto em pessoas adultas.
Em situações anômalas, um ou mais impulsos elétricos podem se originar com propagação dos
impulsos simultaneamente, e o marca-passo que possuir a maior frequência cardíaca é considerado
dominante. Caso haja uma falha no marca-passo sinusal, outro secundário poderá iniciar o impulso
elétrico com freqüência variável de acordo com seu ponto inicial.

Atividade elétrica cardíaca

O eletrocardiograma (ECG) é um registro da ativação elétrica do coração.


Para que a corrente elétrica faça todo o percurso intra-cardíaco, cargas positivas e negativas estão
contidas dentro das células especializadas do coração. Quando em repouso, o lado de fora da célula
é positivo e o de dentro negativo, processo este denominado estado balanceado ou polarizado.
Ao ocorrer o estímulo destas células, sua polaridade é invertida, ou seja, positiva dentro e negativa
fora, ocorrendo assim a despolarização, que reflete o fluxo de uma corrente elétrica para todas as
células ao longo das vias de condução, retornando posteriormente ao seu estado original em
repouso, estado este denominado de repolarização.

As propriedades das células miocárdicas, que permitem estes eventos levando à contração do
músculo cardíaco, são a automaticidade ou capacidade de iniciar um impulso elétrico, a
excitabilidade ou capacidade em responder a um impulso, condutividade ou capacidade de
transmitir um impulso e, contratilidade ou capacidade de responder a ação de bomba cardíaca. Essas
propriedades determinam a atividade elétrica do coração.

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O impulso elétrico gerado no nó sinusal, a condução através das fibras, a estimulação do músculo e
o período de recuperação são transmitidos para a superfície do corpo, onde podem ser captados por
meio dos eletrodos fixados na pele. Essas forças elétricas em forma de ondas (positivas e negativas)
podem ser visualizadas por meio de um monitor cardíaco, visor ou osciloscópio ou no
eletrocardiograma registradas em fita corrente de papel especial milimetrado.
As ondas originárias dessa atividade elétrica são designadas pelas letras P-Q-R-S-T.

Como as forças elétricas geradas pelo coração se espalham simultaneamente em várias direções,
as ondas podem ser captadas em diferentes planos do órgão.
Há três derivações dos membros denominadas bipolares I-II-II, três derivações dos membros tipo
unipolares, que são AVR-AVL-AVF, e seis derivações ventriculares do tipo unipolares, que são V1-
V2-V3-V4-V5-V6 captadas ao longo da parede torácica.
A cada uma destas derivações é atribuída uma função.

Onda P: atividade elétrica que percorre os átrios;


Intervalo P-R: intervalo de tempo entre o início da despolarização atrial até o início da
despolarização ventricular;
Complexo Ventricular QRS: despolarização dos ventrículos;
Onda Q: despolarização septal;
Onda R: despolarização ventricular;
Onda S: despolarização da região basal posterior do ventrículo E;
Onda T: repolarização dos ventrículos;
Segmento S-T: período de inatividade elétrica depois de o miocárdio estar despolarizado;
Intervalo Q-T: tempo necessário para despolarização e repolarização dos ventrículos.

É importante que você fique atento à instalação correta dos eletrodos e cabos do ECG, conforme
orientação abaixo, para um diagnóstico correto e o atendimento eficaz.

Localização das derivações precordiais (unipolares):

V1: 4º espaço intercostal direito do esterno


V2: 4º espaço intercostal esquerdo do esterno
V3: a meia distância entre V2 e V4
V4: 5º espaço intercostal esquerdo a partir da linha média clavicular
V5: 5º espaço intercostal esquerdo a partir da linha média clavicular

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V6: linha axilar média no mesmo nível de V4.

As manifestações da frequência cardíaca muito alta ou muito baixa com distúrbio de ritmo são
denominadas de taquiarritmias e bradiarritmias, respectivamente, podendo ocasionar alteração
de nível de consciência, síncope, palpitações, parada cardiorrespiratória e, em casos extremos,
morte súbita.

Taquicardias ou taquiarritmias

As taquicardias ou taquiarritmias são aquelas que aceleram o músculo cardíaco com freqüência
cardíaca superior a 100 bpm. As manifestações mais graves estão associadas ao baixo débito como
sudorese, palidez, hipotensão e perfusão inadequada, e a sintomas relacionados à insuficiência
cardíaca ou coronariana como dispnéia e angina.

Dentre os ritmos atriais não sinusais, destacaremos a taquicardia supraventricular, o flutter atrial e
a fibrilação atrial (FA).

Registro do ECG; D2

A taquicardia atrial ou taquicardia supraventricular apresenta complexo QRS


morfologicamente normal, com frequência cardíaca elevada, entre 140 a 180 bpm, exceto em
crianças, nas quais a frequência pode ultrapassar a 200 bpm.

Em serviços de emergência, a equipe médica pode optar a fim de reverter o quadro ou utiliza-se da
cardioversão química.

Taquicardia atrial

No flutter atrial encontramos a onda P com morfologia de serra denominadas de onda F em D2, D3
V1, complexo QRS morfologicamente normal, frequência cardíaca elevada.
A ineficácia de contração dos átrios pode possibilitar a formação de trombos intracavitários que, a
partir do ventrículo esquerdo, resultam em vasculopatia arterial periférica ou cerebral.
O risco de embolização nas primeiras 48 horas do desencadevamento do flutter é pequeno, devendo
ser tratado com anticoagulantes e medicamentos que diminuam a frequência cardíaca.
O tratamento é preferencialmente realizado pela cardioversão elétrica com baixa carga de energia,
porque esse tipo de arritmia raramente responde a tratamento medicamentoso.

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Taquicardia atrial

A fibrilação atrial (FA) caracteriza-se por ondas P morfologicamente variadas, irregulares


(caracterizadas como ondas R em V1), atividade elétrica atrial irregular, complexo QRS geralmente
normais e intervalos R-R variáveis. É a arritmia mais frequente em serviços de emergência e
necessita de reversão química por meio de terapia medicamentosa antiarrítmica ou de cardioversão
elétrica com valores de carga energética elevados.
Propicia a formação de trombos intracavitários pela inadequação de contração atrial, devendo ser
iniciada a terapia de anticoagulação.

Fibrilação Atrial

Bradicardia ou bradiarritmia

Possuem frequências cardíacas menores do que 100 bpm.


Incluem bradicardia sinusal e bloqueio átrio ventricular (AV) de 1º, 2º e 3º grau. O bloqueio AV de
3º grau, denominado bloqueio átrio ventricular total, é o mais grave de todos, porque nenhum dos
impulsos atriais estimula o nódulo AV.

É comum o paciente apresentar síncope, desmaio ou insuficiência cardíaca súbita.


Na bradicardia sinusal, o ritmo sinusal apresenta frequência menor do que 60 bpm no adulto e
menor de 80 bpm em crianças.

As causas estão relacionadas ao aumento do tônus. Exemplos: drogas, isquemias, miocardites,


hipotireoidismo, treinamento físico, entre outros.

O bloqueio AV de 3º grau – Bloqueio átrio ventricular total (BAVT) caracteriza-se pela não
passagem de estímulos atriais aos ventrículos.

A onda P não tem relação fixa com o complexo QRS. A freqüência atrial é maior que a ventricular e
o intervalo P-P é normal.

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Bloqueio atrioventricular total

Ritmos ventriculares

Os ritmos ventriculares são considerados importantes por levarem a maior número de casos de
morte súbita. Por esse motivo, é importante a sua atuação como técnico na identificação desses
ritmos ventriculares.

A fibrilação ventricular (FV) é desencadeada por múltiplos focos ventriculares ectópicos, levando
a uma contração caótica dos ventrículos. Cada foco dispara em diferente frequência,
comprometendo a musculatura ventricular e interrompendo, de forma abrupta, o débito cardíaco.

A identificação é facilitada tanto no eletrocardiograma como no monitor cardíaco, porque não há


padrão característico de traçado devido à irregularidade que apresenta.

Trata-se de uma emergência pela perda da função cardiovascular, podendo ser consequência do uso
de drogas, de situações de trauma, patologias cardiovasculares como síndromes isquêmicas, entre
outras.

Fibrilação ventricular

A taquicardia ventricular (TV) pode aparecer de forma contínua, intermitente ou sustentada,


sendo este último o mais grave. A frequência oscila entre 150 a 250 batimentos por minuto, com
complexo QRS alargado e de morfologia bizarra, e pode ou não afetar a atividade atrial uma vez
que está dissociada da atividade ventricular.

Taquicardia ventricular

Suspeita-se de arritmia quando ocorre alteração da frequência e ritmo cardíaco, considerando os


limites de normalidade para o adulto e criança, podendo estar associados ou não a sintomatologia
de doenças pré-existentes do sistema cardiovascular ou outras causas.
Na história clínica há sempre relato de palpitação, tontura e síncope.
Os exames físicos, por meio da análise da pulsação, ausculta cardíaca, batimentos visualizados em
jugular, bem como outros achados clínicos e sintomas, são fundamentais para o diagnóstico das
bradiarritmias e taquiarritmias.

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As arritmias podem necessitar de tratamento com base em situações emergenciais, eletivas ou ainda
quando diagnosticada ao exame físico, estando ou não vinculados a queixas sintomatológicas.

A desfibrilação é necessária em casos de situações emergenciais com evolução drástica e risco de


deteriorização ou ainda parada cardiorrespiratória.

Quanto ao preparo do material, certificar-se de que o aparelho está funcionando corretamente e o


modo sincronizado ligado. A pasta ou gel condutor deve ser aplicado às pás do cardioversor para
evitar queimaduras.
A fim de evitar acidentes, é importante que todos os membros da equipe de atendimento afastem-se
do leito do paciente.
Em caso de PCR, desligar imediatamente o modo sincronizado do aparelho para ser realizada a
desfibrilação.

A instalação do marca-passo provisório transcutâneo (MPTC) é feita por meio da aplicação de dois
eletrodos autoadesivos na pele do tórax do paciente, que estimulam a contração involuntária do
músculo cardíaco por pulsos elétricos.

É considerada como medida de emergência alternativa até a decisão da modalidade terapêutica.


Para sua aplicação, é necessário que o paciente seja sedado em virtude da dor e do desconforto
ocasionados pelos disparos dos estímulos.

Cardioversores elétricos
Outra modalidade de marca-passo é o transvenoso (MPTV), que exige a inserção de um eletrodo
através de acesso central até que atinja a parede ventricular direita. Para esse procedimento, é
prudente que o paciente seja transferido para o serviço de hemodinâmica.
Mantenha sempre material de atendimento emergencial pronto para uso, entre eles o carro de
emergência, laringoscópio, cânulas de entubação adequadas à idade do cliente e medicamentos.

Marcapasso transvenoso

Nas crianças, mesmo quando as manifestações clínicas da arritmia não são tão significativas, a
evolução para insuficiência cardíaca é rápida e progressiva, o que acaba por agravar ainda mais o

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estado clínico.

O tratamento é o mesmo realizado para o adulto, diferenciando dosagem medicamentosa,


quantidade de joules na cardioversão e desfibrilação, tendo como referência o peso da criança.
Em casos de arritmia supraventricular , um dos métodos utilizado é a cardioversão com bolsa de
gelo na região facial, ou coloca-se a face da criança em uma bacia com gelo por 20 segundos,
estimulando com este método uma reentrada elétrica normal através da alteração respiratória devido
à mudança térmica.

Para cardioversão química, as drogas usadas em situação de urgência são: adenosina, verapanil,
procainamida, amiodarona, lidocaína, diltiazem, digoxina, metroprolol, esmolol, disopiramida,
propafenona, adrenalina e bicarbonato de sódio em casos de acidose para melhor eficácia das
drogas antiarrítmicas.

Atuação da enfermagem no atendimento em urgência e emergência

Diariamente, muitas pessoas são atendidas em serviços de atenção às urgências. São homens,
mulheres, crianças, jovens e idosos com os mais variados problemas de saúde e níveis de gravidade.
Nesse cenário, é necessário que você esteja capacitado para agir com segurança técnica, tendo-se
conhecimento dos protocolos que norteiam o atendimento de urgência.
Além do conhecimento, a atenção é um aspecto fundamental para quem trabalha nos serviços dessa
natureza, pois uma situação de emergência pode se instalar de forma insidiosa.
Por exemplo, nem sempre uma emergência sangrante que nos impacta porque é visível é mais grave
do que o caso de uma pessoa com angina pectoris que, quieta, aguarda pelo atendimento.
Essa e muitas outras situações têm o fator tempo como determinante no prognóstico do cliente;
quanto mais rápido e qualificado o atendimento, maiores serão as chances de sobrevida e de se
prevenir sequelas. Contudo, lembramos que a rapidez no atendimento não significa, em hipótese
nenhuma, negligenciar os princípios de segurança do paciente e de si próprio.

Os métodos de atendimento aceitos internacionalmente estão de acordo com as Diretrizes da


American Heart Association (AHA), última atualização publicada em outubro de 2010, que
estabelece protocolos para o Suporte Básico de Vida (BLS), Suporte Avançado de Vida em
Cardiologia (ACLS) e Suporte Avançado de Vida em Pediatria (PALS).
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A atenção à vítima de trauma é delineada nas orientações do Advanced Trauma Life Support
(ATLS) da National Association of Emergency Medical Technicians (NAEMT) em cooperação com
o Comitê de Trauma do Colégio Americano de Cirurgiões.

De acordo com as Diretrizes AHA 2010, para RCP recomenda-se a alteração da sequência de
procedimentos A-B-C (via aérea, respiração, compressões torácicas) para C-A-B (compressões
torácicas, via aérea, respiração) em adultos, crianças e bebês (excluindo-se recém-nascidos).

Parada cardiorrespiratória (PCR)

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), nas últimas décadas, as doenças


cardiovasculares (DCV) tem sido a primeira causa de morte no mundo.
Nos Estados Unidos, estima-se que 250 mil pessoas morrem por ano em decorrência das doenças
coronarianas antes de chegar ao hospital.

As doenças do aparelho circulatório representam a principal causa de óbito (32%) no país e as


doenças isquêmicas do coração são responsáveis por 80% dos episódios de morte súbita. Frente a
essa situação, o Ministério da Saúde instituiu a Portaria GM/MS nº 2.420, em 9 de novembro de
2004, constituindo um grupo técnico (GT) com a finalidade de avaliar e recomendar estratégias de
intervenção do SUS para abordagem da morte súbita.

Dentre todas as situações que caracterizam risco de morte iminente, nenhuma emergência supera
a prioridade do atendimento da PCR. Esta é definida como a cessação abrupta das funções
cardíacas, respiratórias e cerebrais.

É comprovada pela ausência de pulso central (carotídeo ou femoral), de movimentos respiratórios


(apneia) ou respiração agônica (gasping), inconsciência que ocorre de oito a 12 segundos após a
PCR e midríase completa em menos de três minutos.

As taquiarritmias que provocam instabilidade hemodinâmica devem ser tratadas de forma imediata,
na fibrilação ventricular (FV) e taquicardia ventricular (TV), com choque elétrico denominado
desfibrilação, exceto assistolia e atividade elétrica sem pulso (AESP).

Entre as causas mais comuns de PCR, além das arritmias, encontramos infarto agudo do miocárdio,
distúrbios respiratórios e hidroeletrolíticos.

No quadro abaixo estão descritos os possíveis fatores que predispõem à PCR.


Para facilitar, memorize as letras iniciais dos fatores relacionados, 6H e 6T.

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A parada cardíaca súbita (PCS) acontece de forma inesperada, nos mais variados locais como feiras-
livres, supermercados, estações de metrô, aeroportos, clínicas médicas, consultórios odontológicos
e, inclusive, nos hospitais.

A detecção e tratamento precoce das PCR é fator determinante para assegurar a sobrevivência,
evitando o comprometimento neurológico causado pela falta de oxigenação cerebral, resultando em
sequelas graves irreversíveis. Este evento, na maioria das vezes, ocorre fora do ambiente hospitalar
e é geralmente presenciado pela família, colegas de trabalho ou por pessoas desconhecidas, que não
possuem conhecimento sobre as ações básicas para manutenção da vida, que poderiam ser aplicadas
até a chegada do atendimento pré-hospitalar (APH).
Para que o socorro possa ser prestado de maneira sistematizada ao cliente com parada cardíaca
súbita, a AHA 2010 desenvolveu a cadeia de sobrevivência, constituída pela sequência de ações:

1. Reconhecimento imediato da PCR e acionamento do serviço de emergência/urgência (ligue 192


ou 193),chamar ajuda;
2. RCP precoce, com ênfase nas compressões torácicas;
3. Rápida desfibrilação;
4. Suporte avançado de vida eficaz;
5. Cuidados pós-RCP integrados.

1 2 3 4 5
Cadeia de sobrevivência de ACE Adulto (AHA 2010)

Cada elo da cadeia deve ser seguido corretamente para melhorar a taxa de sobrevida de pessoas
acometidas pela parada cardíaca.

1-O primeiro elo da cadeia de sobrevivência é reconhecer inconsciência ou respiração inadequada


(gasping) e acionar o Serviço Médico de Emergência (SME), fazendo ligação telefônica para 192
ou 193.
Lembre-se que a segurança da cena não deve ser negligenciada, pois, dependendo do local, pode
representar perigo para a pessoa que prestará o socorro e para o cliente.

2-O SBV é o segundo elo da cadeia de sobrevivência e deve ser iniciado no atendimento pré-
hospitalar com a RCP precoce com ênfase nas compressões torácicas de alta qualidade.

3-No terceiro elo indica-se a realização da desfibrilação, mantendo as manobras de RCP.

4-O quarto elo destaca-se pelos cuidados da equipe de SAV do Serviço de Atendimento Móvel de
Urgência (Samu).

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5-Finalmente, os cuidados pós-PCR integrados fazem parte do quinto elo da cadeia de


sobrevivência e os principais objetivos são: otimizar a função cardiopulmonar, melhorando a
perfusão dos órgãos; transferir o cliente para continuidade do cuidado; identificar e tratar as causas
reversíveis; induzir hipotermia para otimizar a recuperação neurológica; evitar ventilação excessiva.

Lembre-se que os protocolos de atendimento realizados de forma sistematizada, baseados no


método C-A-B orientam as manobras de SBV.
O objetivo é garantir a boa oxigenação cerebral, realizando manobras de compressões torácicas e
ventilação, que devem ser imediatamente iniciadas e realizadas até a chegada do SAV.

A sequência de eventos de uma PCR nos leva a melhor compreensão das ações que são necessárias
para sua reversão.

Há três fases que caracterizam a PCR:

Fase Elétrica: período que se estende do momento da parada cardíaca até os cinco minutos
subsequentes. A desfibrilação imediata é o tratamento ideal quando possível.

Fase Circulatória ou Hemodinâmica: dura de cinco a aproximadamente 15 minutos pós-parada


cardíaca. Nesta fase, a RCP é muito importante para manutenção da pressão de perfusão
coronariana e cerebral por meio de compressões torácicas externas fortes e rápidas, numa
frequência de, no mínimo, 100 por minuto.
As interrupções devem ser evitadas, pois comprometem a perfusão coronariana e cerebral.

Caso você encontre situação de PCR nessa fase, é importante priorizar a RCP com 30 compressões
torácicas externas para duas ventilações por cerca de 2 minutos.

Estudos baseados em evidências mostram que, se utilizado em primeiro lugar o DEA nesta fase,
o cliente tem menor chance de sobreviver.

Fase Metabólica: estende-se de 10 a 15 minutos após a PCR. Nesta fase, a eficácia da desfibrilação
imediata e RCP diminuem drasticamente. Nesse estágio, o cliente se beneficiaria com a indução da
hipotermia terapêutica à temperatura entre 32ºC a 34ºC por 12 a 24 horas, que promoveria
possivelmente a melhora no fornecimento de oxigênio cerebral.
Recomenda-se iniciar até 6 horas após a PCR, com o objetivo de melhorar o prognóstico
neurológico e a sobrevida do cliente.

Componentes Adulto / Criança


Reconhecimento Sem respiração ou apenas com gasping
Sem pulso palpado em 10 segundos para todas
as idades (apenas para profissionais de saúde)
Sequencia da RCP C-A-B
Frequencia de compressão no mínimo, 100/minutos
Profundidade da compressão No mínimo, 2 pol (5cm)
Retorno da parede torácica Permitir retorno total entre as compressões
Profissionais de saúde, alternar as pessoas que

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aplicam as compressões a cada 2 minutos


Interrupções nas compressões Minimizar interrupções nas compressões.
Tentar limitar as interrupções a menos de 10
segundos
Vias aéreas Inclição da cabeça - elevação do queixo
(profissionais de saúde que suspeitarem de
trauma: anteriorização da mandíbula
Relação compressão-ventilação (até a colocação No adulto: 30:2 (um ou dois socorristas)
da via aérea avançada) Na criança: 30:2 (um socorrista) 15:2 (dois
socorristas profissionais de saúde)
Ventilações: quando socorrista não treinado ou Apenas compressões
treinado e não proficiente
Ventilações com via aérea avançada (prof. de Uma ventilação a cada 6 ou 8 segundos (8 a 10
saúde) ventilações/min). Elevação visível do tórax.
Desfibrilação Colocar e usar o DEA/DAE assim que ele
estiver disponível. Minimizar as interrupções
nas compressões torácicas antes e após o
choque; reiniciar a RCP começando com
compressões imediatamente após cada choque
Abreviações: DEA/DAE, desfibrilador automático externo; AP, anteroposterior; RCP, ressuscitação cardiopulmonar; PS, profissional da saúde.
*Excluindo-se recém-nascidos, cuja etiologia da PCR é, quase sempre, asfíxica. American Heart Association, 2010.

Sistematizando a assistência em PCR ( adulto / infantil)

Suporte básico de vida

O principal objetivo é instituir as condições mínimas necessárias para recuperar ou manter a


oxigenação e a perfusão cerebral; consiste no reconhecimento da PCR e realização de
procedimentos para a RCP.
Com as alterações das Diretrizes da AHA em 2010, a sequência A-B-C, passa a ser C-A-B.

C – Circulação - Adulto

Você deverá suspeitar de PCR se o paciente não responder ou apresentar respiração anormal
(gasping); verifique pulso carotídeo ou femoral em até 10 segundos; caso não sinta o pulso inicie
manobras de RCP colocando a pessoa em uma superfície plana e rígida e use o DEA/DAE
(desfibrilador externo automático), se disponível.

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Manter a frequência de 30 compressões para duas ventilações; com um ou dois profissionais


atuando nas manobras de RCP. Realizar revezamento entre massageadores a cada dois minutos ou a
cada cinco ciclos de 30 compressões e duas ventilações.
As compressões serão realizadas colocando-se a região hipotenar de uma das mãos na linha
mamilar sobre o osso esterno, e a outra mão apoiada sobre o dorso da primeira.
As compressões devem ser rápidas e fortes, sendo exercidas com o peso do corpo sobre os braços e
mãos, a uma amplitude de compressão de no mínimo 5 cm em adulto.

Posicionamento correto dos braços para compressões torácicas no adulto.

Posicionamento correto das mãos para realização da compressão torácica no adulto.

O tórax deve retornar para a próxima compressão torácica, permitindo o esvaziamento das
câmaras cardíacas.

Assim que houver uma via aérea avançada colocada, as compressões torácicas poderão ser
contínuas, a uma frequência mínima de 100/minuto (AHA, 2010). Caso a parada cardiorrespiratória
seja testemunhada, ou seja, tenha ocorrido a menos de 4 minutos, iniciar RCP e, se o desfibrilador
externo automático (DEA) for disponibilizado, utilizá-lo imediatamente. Caso você encontre o
cliente inconsciente e não saiba ao certo por quanto tempo ele está nesta condição, realize 2 minutos
de RCP ou cinco ciclos de 30 compressões/duas ventilações, para depois utilizar o DEA.
Atendimento realizado em equipe, enquanto se instala o DEA outro mantém a RCP. Uma vez
instalado, interromper a RCP para a análise do ritmo pelo DEA.

C- Circulação – Bebê e criança

Em bebê ou criança que não responde e não apresenta respiração (ou apenas com gasping),
verifique o pulso (braquial em bebê e carotídeo ou femoral em criança) em até 10 segundos; caso
não o sinta ou estiver inseguro em relação a isso inicie as compressões torácicas. Caso o
profissional de saúde não detecte com rapidez o pulso a RCP deve ser iniciada.

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Menos ênfase é colocada à verificação do pulso, pois dados adicionais sugerem que os profissionais
de saúde não podem determinar com rapidez e segurança a presença ou ausência de pulso (AHA,
2010).

A responsividade em bebê é avaliada tocando-se o membro inferior.


Na realização de RCP com um profissional iniciar com 30 compressões e em seguida duas
ventilações; com dois profissionais, realizar 15 compressões e em seguida duas ventilações.
Manter essa proporção até a colocação da via aérea avançada.

Compressões torácicas eficazes exigem a aplicação de força capazes de comprimir o tórax no


mínimo um terço da dimensão anteroposterior do tórax, que corresponde, cerca de 4 cm na maioria
dos bebês e 5 cm na maioria das crianças.

Verificação de pulso braquial no bebê

Reanimação de bebê com dois profissionais


C- Circulação - Idoso

As calcificações de cartilagens podem provocar fraturas de costelas durante a realização da RCP.

C- Circulação - Gestante

Para realização adequada da RCP, faça tração do útero para o lado esquerdo da cliente.
Assim, você estará descomprimindo a veia cava e tornando a manobra de RCP mais eficaz,
melhorando a situação da mãe e do feto.

A – Vias aéreas (VA) - Adulto

Iniciam-se as manobras de abertura das vias aéreas. Se não houver suspeita de trauma cervical, é
realizada por meio da inclinação da cabeça e levantamento do queixo. Em caso de suspeita de
trauma, utilizar a técnica de elevação do ângulo da mandíbula.

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Observe se há evidências de ruídos como roncos e estridores. Verifique se há sangue na boca, dentes
quebrados, dentaduras soltas, presença de conteúdo gástrico ou corpo estranho.

A principal causa de obstrução das vias aéreas em pessoa inconsciente é a queda da língua.
Utilize uma cânula orofaríngea, se necessário, para manter a permeabilidade das vias aéreas.

Manobra de inclinação da cabeça e elevação do mento (AHA).

A - Vias Aéreas (VA) - Bebê e Criança

A cabeça da criança, por possuir região occipital proeminente, acaba favorecendo a flexão do
pescoço, provocando obstrução de VA em posição supina. A utilização de coxins facilitará a
abertura das vias aéreas, com a manobra de inclinação da cabeça e elevação da mandíbula.

Diferenças anatômicas devem ser consideradas para realização da reanimação:

As vias aéreas são menores em diâmetro e mais curtas em relação às do adulto; a língua é maior em
relação à orofaringe; epiglote é longa, flexível e estreita em direção oposta ao eixo da traqueia;
laringe está em posição cefálica se comparada ao adulto (glote em C3 em bebês e C5 e C6 em
adultos); cordas vocais têm fixação anterior; em menores de 10 anos, a parte mais estreita das vias
aéreas está abaixo das cordas vocais; e a laringe tem forma de funil.

Bebê com pescoço na posição neutra

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Bebê com flexão no pescoço

B – Boa ventilação - Adulto

O procedimento “ver, ouvir, sentir se há respiração” foi removido das etapas do algoritmo de SBV
(AHA, 2010).
Após a primeira série de compressões torácicas iniciais, a via aérea é aberta e são aplicadas duas
ventilações. A utilização da bolsa-valva-máscara (AMBÚ) é sempre a melhor indicação; escolha o
tamanho do dispositivo adequado para melhor abordagem de vias aéreas, relembrando princípios
básicos.
As ventilações com via aérea avançada por profissionais de saúde podem ser feitas na proporção
uma a cada seis a oito segundos (oito a 10 ventilações/min). É importante que se verifique a
elevação do tórax.

Fixação da máscara facial em C Fixação da máscara facial em E

B - Boa ventilação – Bebê e Criança

As ventilações com via aérea avançada em bebê e criança seguem as mesmas orientações
preconizadas para o adulto, ou seja, cada ventilação é oferecida por cerca de 1 segundo,
verificando-se a elevação do tórax.

D- Desfibrilação – Adultos

O uso de corrente elétrica aplicada externamente para tratar a fibrilação ventricular foi descrito
primeiramente em 1956. Desde então, a capacidade dos desfibriladores para reverter ritmos
cardíacos fatais apresentou grande progresso.

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O desfibrilador externo automático (DEA) é utilizado no SBV por profissionais habilitados, e pode
ser operado por pessoa leiga treinada.
Tem como função analisar o ritmo cardíaco, reconhecer ritmo chocável e orientar o usuário como
proceder.

A desfibrilação é a aplicação de uma corrente elétrica sobre o músculo cardíaco, por um curto
período de tempo, para cessar o ritmo anormal.

É indicado para fibrilação ventricular (FV) e taquicardia ventricular sem pulso (TV).

Ao ser aplicada, a corrente elétrica causa uma assistolia momentânea, propiciando que o marca-
passo natural do coração reassuma as atividades.
Quando houver a repolarização das células, o marca-passo deverá assumir o comando do coração.
Logo após a desfibrilação, reiniciar imediatamente cinco ciclos de 30 compressões para duas
ventilações por um período de aproximadamente dois minutos de RCP; assim, você ajudará o
coração a organizar seu ritmo.

Para desfibrilação, utilizamos dois tipos de energia: a monofásica e a bifásica.

Pelo uso de energia monofásica, o fluxo de corrente passa pelo coração em uma única direção,
geralmente utilizada em aparelhos mais antigos, sendo recomendada a utilização de 360 joules.
Na bifásica, o fluxo de energia é aplicado em duas fases: a corrente se move em uma direção por
um milissegundos e, então, passa através do coração uma segunda vez no sentido oposto, sendo
recomendada a utilização de 120 a 200 joules.

O DEA é um aparelho computadorizado, que é fixado por pás adesivas no tórax desnudo do
paciente sem pulso. Ele fornece mensagem sonora e visual que orienta o manuseio assim que é
ligado. Nesse momento, mantenha-se afastado do cliente; aguarde a análise do ritmo; aplique o
choque, se recomendado; e reinicie imediatamente RCP por 2 minutos ou cinco ciclos de 30
compressões e duas ventilações.

Pás auto-adesivas devem ser colocadas sobre o peito do cliente.


Para utilizar o DEA, observar se há pelos no tórax; havendo, realizar tricotomia e limpar os pelos;
secar o tórax se estiver molhado.
Em cliente portador de marca-passo ou cardioversor-desfibrilador implantado (CDI), as pás
autoadesivas devem ser colocadas distantes do dispositivo implantado, porém a preocupação com o
posicionamento preciso das pás em relação a um dispositivo médico implantado não deve retardar a
tentativa de desfibrilação.
Em clientes que utilizam adesivo de medicação, removê-lo e limpar o local.

O DEA não deve ser utilizado na presença de água, portanto, em atendimentos em piscinas, lago e
outros, retirar o cliente da água antes do procedimento. Se o cliente apresentar melhora do quadro

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clínico, deve ser mantido em posição de recuperação.


As pás autoadesivas não devem ser retiradas até que o SAV assuma a continuidade do tratamento.
Após o uso devem ser descartadas.

D- Desfibrilação - Bebê e criança

Segundo as novas Diretrizes AHA 2010, é recomendado para bebê e criança o uso de desfibrilador
manual ou um DEA equipado com atenuador de carga pediátrico. Se não houver disponibilidade de
nenhum dos dois, utiliza-se um DEA sem atenuador de carga pediátrico.
A aplicação de um choque de carga alta é preferível a nenhum choque (AHA, 2010).

Suporte Avançado de Vida (SAV)

Consiste na utilização de dispositivos invasivos para as vias aéreas, inserção de cateter venoso e
utilização de drogas vasoativas. Embora nessa etapa os recursos técnicos e materiais sejam muito
maiores, o SBV é fundamental para o atendimento da PCR.
Observe a figura a seguir que apresenta o novo algoritmo de SAV Circular.

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C – Circulação - Adulto

Prosseguir com as compressões torácicas de alta qualidade numa frequência mínima de 100 por
minuto aguardando o retorno total do tórax. É importante alternar as pessoas que fazem as
compressões a cada 2 minutos. Manter a relação 30:2 se não houver via aérea avançada.

Realizar acesso venoso periférico, preferencialmente na fossa ante-cubital para administração de


medicamentos e reposição volêmica.

Para melhor resposta ao tratamento com drogas, administrar, sequencialmente ao uso do


medicamento, 20 ml em bolus de soro fisiológico.
Esta ação, juntamente com a elevação do membro superior que foi puncionado, permitirá que o
medicamento chegue mais rápido ao nível central.
Caso não seja possível um acesso venoso, providenciar material para a realização de punção intra-
óssea por profissional médico ou enfermeiro habilitado.
Quando não for possível administrar medicamentos por via endovenosa, utilizar a via endotraqueal.

Ao instalar o monitor cardíaco, caso no seu serviço o cabo seja de três derivações, você pode
memorizar o correto posicionamento do mesmo com o método mnemônico:
fumaça (preto) sobre fogo (vermelho) e branco à direita.

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O ritmo cardíaco pode ser verificado pelo monitor, cujo registro da atividade do coração se inicia
quando você posiciona as pás no tórax do cliente. Será possível visualizar o ritmo que provocou a
PCR pelo visor do monitor.

Fique atento e providencie um tubo de gel condutor para melhor utilização das pás.
Caso na leitura do ritmo cardíaco seja observada assistolia, certifique que:
• Os cabos estão todos conectados,
• Houve aumento do ganho no monitor cardíaco,
• Foram checadas duas derivações.
Após estas observações, confirma-se o quadro de assistolia.

C- Circulação - Bebê e criança

Manter RCP quando o pulso for inferior a 60 batimentos por minuto ou quando observar sinais de
perfusão inadequada. Manter frequência de 100 compressões por minuto com interrupções, não
excedendo 10 segundos (suporte avançado).

Compressão torácica em lactente por um profissional.

A - Via aérea avançada – Adultos

Manter via aérea avançada supraglótica ou entubação endotraqueal. O médico utilizará a técnica de
entubação endotraqueal com objetivo de aliviar possível obstrução, iniciar ventilação mecânica e
oxigenoterapia e melhorar a insuficiência respiratória.

Observe posicionamento da cabeça da pessoa; poderá ser necessária a utilização de coxins para o
perfeito alinhamento das vias aéreas, especialmente em idosos.

Faça uma pré-oxigenação com a bolsa-valva-máscara com reservatório de oxigênio a 100% antes
do início da manobra de intubação, que não deve durar mais que 30 segundos. Assim, você
contribuirá para correção da hipóxia.
Repetir a oxigenação a cada tentativa de entubação.
Conforme as novas Diretrizes AHA 2010, é indicado a capnografia por onda, que realiza a
verificação do gás carbônico (CO2) exalado, avaliando o posicionamento do tubo endotraqueal e a
qualidade da RCP.

A- Via aérea avançada - Bebê e criança

Obstrução e edema causam redução do diâmetro das vias aéreas, aumentando a dificuldade

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respiratória. O médico pode ter dificuldade para controlar a posição da língua durante a
laringoscopia para entubação; as lâminas de laringoscópio reto são mais úteis, pois a laringe é alta e
torna o ângulo entre a base da língua e a abertura da glote agudo. A lâmina reta cria um plano visual
direto da boca até a glote.

B – Boa ventilação - Adulto

Mantendo o detector de CO2 expirado, providenciar a fixação adequada da cânula. Instalar


oxímetro de pulso para avaliação da saturação de oxigênio. Quando o cliente recebe uma via aérea

definitiva, a frequência ventilatória é ajustada para uma ventilação a cada 5-6 segundos. Evitar a
hiperventilação, pois o aumento da pressão intratorácica contribuirá para piora do quadro clínico
do cliente.

B- Boa ventilação – Bebê e criança

Ao utilizar a bolsa-valva-máscara, observe o tamanho adequado da máscara facial. A mesma deve


proporcionar uma adequada fixação à face do bebê ou criança, permitindo a elevação do tórax.
Mantenha sempre uma conexão com fonte de oxigênio. Na via aérea avançada, a ventilação deve
seguir a frequência de um a cada 6-8 segundos (8-10 por minuto).

D - Diagnóstico diferencial
A equipe deverá identificar e tratar as possíveis causas da PCR

Medicações para tratamento da PCR - Dose de ataque

Medicação Apresentação Dose inicial Ev Dose máxima


Epinefrina Ampolas de 1ml 1mg de 3/3 a 5/5 Indeterminada
minutos
Vasopressina 20 unidades/ml 40 unidades 40 a 80 unidades

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Amiodarona Ampola de 150mg 5 mg/kg de peso 7,5mg/kg de peso


(300mg e mais 150mg
se necessário)

Lidocaína 1% (1ml = 10mg) ou 1 a 1,5mg de peso 3 mg/kg de peso


2% (1ml = 20mg)

Bicarbonato de sódio 1ml = mEq 1mEq/kg de peso Indeterminada


8,4%
Sulfato de magnésio 10% (10ml = 1g ) 1 a 2g 0,5 a 1g/hora
20% (20ml = 2g)
50% (10ml= 5g)

Antiarrítmico usados na FV/TV sem pulso após reversão

Medicação Dose de manutenção


Amiodarona 1mg/minuto por 6 horas; após, 0,5 mg/ml por
mais 18 horas.
Lidocaína 2-4mg/min
Sulfato de magnésio 1-2g/hora

Cuidados pós-reanimação

Como técnico de enfermagem, lembre que os cuidados pós-reanimação têm por objetivo assegurar
a melhor recuperação do cliente. Seu estado exige monitoramento contínuo, com avaliação sendo
realizada segundo o método C-A-B, até que seja efetivada sua transferência do serviço de urgência
para a UTI.

Na fase de pós-reanimação, destacam-se os cuidados relacionados à: vias aéreas e ventilação;


monitorização cardíaca; verificação de oximetria de pulso; verificação de acesso venoso; controle
de infusão de volume, drogas vasoativas e antiarrítmicas; controle de glicemia; sonda nasogástrica e
cateter vesical de demora; controle dos sinais vitais; monitorização e registro de parâmetros
hemodinâmicos.

As Diretrizes da AHA 2010 recomendam um sistema abrangente, estruturado para receber a vítima
pós-PCR, de modo a assegurar aporte cardiopulmonar e neurológico, hipotermia terapêutica e
intervenções percutâneas.
Após a estabilização do paciente, o enfermeiro providenciará a transferência para UTI ou
hemodinâmica de forma adequada e segura.

Durante o transporte, é necessária a reavaliação constante para a manutenção de vias aéreas pérvias,
da ventilação mecânica e de infusão de drogas vasoativas e antiarrítmicas.

A oximetria deve ser monitorada para evitar problemas hemodinâmicos, ofertar oxigênio mantendo
a saturação de oxigênio > ou = a 94% (AHA, 2010).

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Lembre-se da importância de ter disponível a maleta de emergência com medicamentos e insumos,


bolsa-valva-máscara, entre outros.

Referências

ARCHER, E. Procedimentos e Protocolos. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2013.

BRASIL, Ministério da Saúde. Manual de condutas médicas Manual de condutas médicas.São


Paulo, 2010. Serie A. Normas e manuais técnicos , nº143.
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CARVALHO, M. G. Atendimento Pré Hospitalar para Atendimento Pré Hospitalar para


Enfermagem: Suporte básico e avançado de vida. Enfermagem . São Paulo: Látria, 2014.

KAWAMOTO, E. E. Acidentes Acidentes Acidentes: como socorrer e prevenir. São Paulo: E.P.U.,
2012.

MURTA, G. F. Saberes e práticas Saberes e práticas Saberes e práticas: Guia para ensino e
aprendizado de enfermagem. São Paulo: Difusão, 2010.

OLIVEIRA, M. Fundamentos do socorro pré Fundamentos do socorro pré Fundamentos do socorro


pré-hospitalar hospitalar hospitalar:manual de suporte básico de vida para socorristas. Florianópolis,
2013.

Referencias Eletrônicas

http://www.ppgenf.ufpr.br/Disserta%C3%A7%C3%A3oJulianaMontezeli.pdf

http://www.detran.pa.gov.br/menu/educacao/cursos/pdf/PRIMEIROS_SOCORROS.pdf

http://www.sobragen.org.br/trabalhos_enenge/Trabalho%20077.pdf

http://bombeiroswaldo.blogspot.com.br/2011/12/destaques-das-diretrizes-da-american.html

http://www.escbm.cbmerj.rj.gov.br/documentos/RECRUTAS_EPOQS_2008/pcr_2007.pdf

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