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Técnico de

Enfermagem
Módulo II

Microbiologia/Parasitologia
TÉCNICO EM ENFERMAGEM
Microbiologia/Parasitologia

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SUMÁRIO

Introdução a Microbiologia..............................................................................................................03

Bacteriologia...................................................................................................................................05
Morfologia Bacteriana.....................................................................................................................05
Citologia Bacteriana........................................................................................................................07
Condições Físicas necessárias para o crescimento bacteriano........................................................09

Virologia.........................................................................................................................................11
Estrutura dos Vírus..........................................................................................................................11
Replicação Viral..............................................................................................................................11

Micologia........................................................................................................................................13
Propriedades gerais dos fungos.......................................................................................................13
Controle do crescimento microbiano..............................................................................................14

Introdução a Parasitologia...........................................................................................................19

Protozoários..................................................................................................................................20
Leishmanioses................................................................................................................................20
Tripanossomíase Americana..........................................................................................................25
Malária...........................................................................................................................................30
Toxoplasmose................................................................................................................................34

Helmintologia...............................................................................................................................37
Esquistossomose............................................................................................................................37
Teníase e Neurocisticercose..........................................................................................................43

Nematelmintos.............................................................................................................................47
Ascaridíase ...................................................................................................................................49
Enterobióse....................................................................................................................................51

Bibliografia...................................................................................................................................54

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Microbiologia/Parasitologia

MICROBIOLOGIA

Introdução

A ciência da Microbiologia [do grego: mikros (“pequeno”), bios (“vida”) e logos (“ciência”)] é o
estudo dos organismos microscópicos e de suas atividades.
Preocupa-se com a forma, a estrutura, a reprodução, a fisiologia, o metabolismo e a identificação
dos seres microscópicos. Inclui o estudo da sua distribuição natural, suas relações recíprocas e com
outros seres vivos, seus efeitos benéficos e prejudiciais sobre os homens e as alterações físicas e
químicas que provocam em seu meio ambiente.
Em sua maior parte, a Microbiologia trata com organismos microscópicos unicelulares. Nas assim
chamadas formas superiores de vida, os organismos são compostos de muitas células, que
constituem tecidos altamente especializados e órgãos destinados a exercer funções específicas.
Nos indivíduos unicelulares, todos os processos vitais são realizados numa única célula.
Independentemente da complexidade de um organismo, a célula é, na realidade, a unidade básica da
vida.
Todas as células vivas são basicamente semelhantes. Elas compõem-se de protoplasma (do grego: a
primeira substância formada), um complexo orgânico coloidal constituído principalmente de
proteínas, lipídeos e ácidos nucléicos; o conjunto é circundado por membranas limitantes ou parede
celular, e todos contêm um núcleo ou uma substância nuclear equivalente.
Todos os sistemas biológicos têm as seguintes características comuns: 1) habilidade de reprodução;
2) capacidade de ingestão ou assimilação de substâncias alimentares, metabolizando-as para suas
necessidades de energia e de crescimento; 3) habilidade de excreção de produtos ; 4) capacidade de
reagir a alterações do meio ambiente e 5) suscetibilidade à mutação.
Os microrganismos fornecem sistemas específicos para a investigação das reações fisiológicas,
genéticas e bioquímicas, que são a base da vida. Eles podem crescer, de maneira conveniente, em
tubos de ensaio ou frascos, exigindo, assim, menos espaço e cuidados de manutenção do que as
plantas superiores e os animais. Além disso, crescem rapidamente e se reproduzem num ritmo muito
alto.
Em Microbiologia pode-se estudar os organismos em grande detalhe e observar seus processos
vitais durante o crescimento, a reprodução, o envelhecimento e a morte.
Modificando-se a composição do meio ambiente, é possível alterar as atividades metabólicas,
regular o crescimento e, até alterar alguns detalhes do padrão genético, tudo sem causar a destruição
do microrganismo.
Os principais grupos de microrganismos são os protozoários, fungos, algas e bactérias. Os vírus,
apesar de não serem considerados vivos, têm algumas características de células vivas e por isso são
estudados como microrganismos.

Distribuição dos Microrganismos na Natureza

Os microrganismos se encontram em praticamente todos os lugares da natureza.

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São transportados por correntes aéreas desde a superfície da Terra até as camadas superiores da
atmosfera. Mesmo os microrganismos típicos dos oceanos podem ser achados a muitos quilômetros
de distância, no alto de montanhas. São encontrados em sedimentos no fundo do mar, em grandes
profundidades. São carregados por correntes fluviais e até mares; e, se dejetos humanos contendo
bactérias patogênicas forem despejados em correntes de água, a doença pode disseminar-se de um
lugar para outro.
Os microrganismos ocorrem mais abundantemente onde puderem encontrar alimentos, umidade e
temperatura adequadas para seu crescimento e multiplicação. Uma vez que as condições que
favorecem a sobrevivência e o crescimento de muitos microrganismos são as mesmas sob as quais
vivem as populações humanas, é inevitável que vivamos entre grande quantidade de
microrganismos. Eles estão no ar que respiramos e no alimento que ingerimos. Estão na superfície
de nosso corpo, em nosso trato digestório, na boca, no nariz e em outros orifícios naturais.
Felizmente, a maioria dos microrganismos é inócua para o homem, e este tem meios de resistir à
invasão daqueles que são potencialmente patogênicos.

Teoria Microbiana das Doenças

Antes de Louis Pasteur ter provado experimentalmente que as bactérias são a causa de algumas
doenças, muitos observadores já argumentavam a favor desta teoria. Fracastoro de Verona sugeriu
que as doenças podiam ser devidas a organismos invisíveis, transmitidos de uma pessoa para outra.
Em 1762, Von Plenciz, de Viena, não apenas estabeleceu que seres vivos eram causas de doenças,
como também suspeitou que microrganismos diferentes eram responsáveis por enfermidades
diferentes.
O médico Oliver W. Holmes insistia que a febre puerperal era contagiosa e, provavelmente, causada
por um germe transmitido de uma mãe para outra por intermédio das parteiras e dos médicos.
Quase na mesma época, o médico húngaro Ignaz P. Semmelweis (1818-1865) introduzia o uso de
antissépticos na prática obstétrica.
Na França, Louis Pasteur estudou os métodos e processos envolvidos na fabricação de vinhos e
cervejas. Observou que a fermentação das frutas e dos grãos, resultando em álcool, era efetuada por
micróbios.
Examinando muitas amostras de "fermentos", isolou micróbios de espécies diferentes.
Porém os micróbios já estavam nos sucos e deviam ser removidos por fermentação. Pasteur sugeriu
que os tipos indesejáveis de microrganismos deveriam ser eliminados pelo calor, não tão intenso
que prejudicasse o gosto do suco de fruta, mas suficiente para tornar inócuo os germes.
Observou que, mantendo os sucos a uma temperatura de 62-63 º C, durante uma hora e meia,
obtinha o resultado desejado. Este processo tornou-se conhecido como pasteurização e hoje é
amplamente utilizado nas indústrias de fermentação, porém é a indústria dos derivados do leite que
está mais familiarizada com este método, visando a destruição dos microrganismos patogênicos,
presentes no leite.
Na Alemanha, o médico Robert Koch estudou o problema do carbúculo hemático, que é uma
doença do gado bovino, caprino e, às vezes, do homem.
Ele descobriu os bacilos típicos com extremidades cortadas em ângulos retos, no sangue de animais
mortos pela infecção carbunculose.
Inoculou as bactérias em meios de cultura, em seu laboratório, examinou-as ao microscópio para
estar seguro de que apenas uma espécie tinha se desenvolvido e injetou-as em outros animais para
verificar se estes se tornavam doentes e desenvolviam os sintomas clínicos do carbúnculo hemático.
A partir destes animais experimentais, Koch isolou micróbios iguais aos que tinha encontrado
originalmente nos carneiros infectados. Esta foi a primeira vez que uma bactéria foi comprovada
como causa de uma doença animal.

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A partir disto foram estabelecidos os postulados de Koch: 1) Um microrganismo específico pode


sempre ser encontrado em associação com uma dada doença. 2) O organismo pode ser isolado e
cultivado, em cultura pura, no laboratório. 3) A cultura pura produzirá a doença quando inoculada
em animal sensível. 4) É possível recuperar o microrganismo, em cultura pura, dos animais
experimentalmente infectados.

Introdução a Bacteriologia

Morfologia Bacteriana

Entre as principais características das células bacterianas estão suas dimensões, forma, estrutura e
arranjo. Estes elementos constituem a morfologia da célula .
Embora existam milhares de espécies bacterianas diferentes, os organismos isolados apresentam
uma das três formas gerais: elipsoidal ou esférica, cilíndrica ou em bastonete e espiralada.
As células bacterianas esféricas ou elipsoidais são chamadas de cocos .
As células bacterianas cilíndricas ou em bastonetes (bacilos) comumente apresentam-se isoladas e
ocasionalmente ocorrem aos pares (diplobacilos) ou em cadeias (estreptobacilos) .
As bactérias espiraladas (singular = spirillum; plural = spirilla) ocorrem, predominantemente,
como células isoladas. As células individuais de espécies diferentes exibem, contudo, nítidas
diferenças no comprimento, número e amplitude das espirais e na rigidez das paredes celulares.

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A unidade de medida das bactérias é o micrômetro, que equivale a 10-³ mm.

Arranjos característicos dos cocos.

Cocos (esféricas): grupo mais homogêneo em relação a tamanho sendo células menores (0,8-1,0
µm). Os cocos tomam denominações diferentes de acordo com o seu arranjo:

[A] Diplococos: as células se dividem em um plano e permanecem acopladas predominantemente


em pares .
[B] Estreptococus: as células se dividem em um plano e permanecem acopladas para formar
cadeias
[C] Tetracocos: as células se dividem em dois planos e caracteristicamente formam grupos de
quatro células.
[D] Estafilococos: as células se dividem em três planos, em um padrão irregular, formando cachos
de cocos.
[E] Sarcinas: as células se dividem em três planos, em um padrão regular, formando um arranjo
cúbico de células (fonte: Pelczar et al., 2012).

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Arranjos característicos dos bastonetes

São células cilíndricas, em forma de bastonetes que apresentam grande variação na forma e
tamanho entre gêneros e espécies.
Dentro da mesma espécie os bastonetes são relativamente constantes sob condições normais de
crescimento, podendo variar em tamanho e espessura (longos e delgados, pequenos e grossos,
extremidade reta, convexa ou arredondada).

Quanto ao arranjo podem variar em :

Diplobacilo: bastonetes agrupados aos pares.


Estreptobacilos: bastonetes agrupados em cadeias.
Paliçada: bastonetes alinhados lado a lado como palitos de fósforo.
Ex: bacilo da difteria.

Arranjos característicos helicoidais ou espiraladas

Constituem o terceiro grupo morfológico sendo caracterizada por células de forma espiral que se
dividem em:

Espirilos: possuem corpo rígido e se movem às custas de flagelos externos, dando uma ou mais
voltas espirais em torno do próprio eixo.
Ex: Aquaspirillium
Espiroquetas: São flexíveis e locomovem-se provavelmente às custas de contrações do citoplasma,
podendo dar várias voltas completas em torno do próprio eixo.
Ex: Treponema pallidum .

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Espirilos Espiroqueta

Além desses três tipos morfológicos, existem algumas formas de transição.

Quando os bacilos são muito curtos, podem se assemelhar aos cocos, sendo então chamados de
cocobacilos (Ex: Brucella melitensis).
Quando as formas espiraladas são muito curtas, assumindo a forma de vírgula, eles são chamados
de vibrião (Ex: Vibrio cholerae).

Cocobacilos Vibriões

Citologia Bacteriana

O exame da célula bacteriana revela certas estruturas definidas por dentro e por fora da parede
celular. Seguem-se breves descrições das estruturas bacterianas de fácil identificação:

Flagelos: apêndices muito finos, semelhantes a cabelos, que se exteriorizam através da parede
celular e se originam de uma estrutura granular (corpo basal) imediatamente abaixo da membrana
citoplasmática, no citoplasma, cuja função principal é a locomoção bacteriana.

Pêlos (fímbrias): apêndices filamentosos menores, mais curtos e mais numerosos que os flagelos e
que não formam ondas regulares. Estão presentes em muitas bactérias. São encontrados tanto nas
espécies móveis como nas imóveis e portanto, não desempenham papel relativo à mobilidade.
Podem funcionar como sítios de adsorção de vírus bacterianos, como mecanismo de aderência à
superfícies e como porta de entrada de material genético .

Glicocálice: formado de uma substância viscosa, que forma uma camada de cobertura ou envelope
ao redor da célula. Se o glicocálice estiver organizado de maneira definida e estiver acoplado
firmemente à parede celular, recebe o nome de cápsula.
O glicocálice é constituído por vários tipos de acucares (polissacarídio).

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A principal função do glicocálice é a aderência sobre superfícies; ele pode evitar o dessecamento
das bactérias, fornece um envoltório protetor e pode servir, também, como reservatório de
alimentos.

Parede Celular: dá forma à célula e situa-se abaixo das substâncias extracelulares (glicocálice) e
externamente à membrana que está em contato imediato com o citoplasma.
A função da parede celular é a de proporcionar uma moldura rígida, ou "colete", que suporta e
protege as estruturas protoplasmáticas mais lábeis, em face das possíveis lesões osmóticas; evita
ainda a evasão de certas enzimas, assim como a entrada de certas substâncias que poderiam causar
dano à célula.

Estruturas internas à parede celular:

Membrana citoplasmática: fina membrana situada abaixo da parede celular, formada por uma
bicamada que envolve as proteínas (50 a 70%).
A membrana é o sítio da atividade enzimática específica e do transporte de moléculas para dentro e
para fora da célula. Em alguns casos, a membrana se estende no citoplasma para formar o
mesossomo, que participa do metabolismo (através da secreção de certas enzimas), alem de
participar do processo de divisão celular).

Citoplasma: o material celular pode ser dividido em: área citoplasmática, que é a porção fluida
contendo substâncias dissolvidas e partículas tais como ribossomos, e material nuclear ou
nucleóide, rico em DNA.

Inclusões citoplasmáticas: depósitos concentrados de certas substâncias, insolúveis, chamados de


grânulos, e que podem servir como fonte de material nutritivo de reserva.

Material nuclear: as células bacterianas não contêm o núcleo típico das células animais e vegetais.
O material nuclear consiste de um cromossomo único e circular e ocupa uma posição próxima do
centro da célula.

Endósporos: esporos que se formam dentro da célula. São como um corpo oval de parede espessa
(um por célula), altamente resistente e refráteis. Todas bactérias dos gêneros Bacillus e Clostridium
produzem endósporos.
São constituídos de ácido e por grande quantidade de cálcio. Os esporos representam uma fase
latente (repouso) da célula bacteriana; comparados com as células vegetativas, são extremamente
resistentes aos agentes físicos e químicos adversos, demonstrando uma estratégia de sobrevivência.

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Representação esquemática das estruturas de uma célula bacteriana típica. Neste corte longitudinal é possível a
visualização das estruturas internas e externas. Um modelo de estudo é a Escherichia coli.

Condições Físicas Necessárias ao Crescimento

O crescimento e divisão celulares necessitam de um ambiente propício com todos os constituintes


químicos e físicos necessários para o seu metabolismo. Essas necessidades específicas são
dependentes de informações genéticas para cada espécie bacteriana. Algumas espécies com vasta
flexibilidade nutricional, como as Pseudomonas, são capazes de sintetizar muitos de seus
metabólitos a partir de precursores simples, enquanto outras espécies são mais exigentes, como as
Porphyromonas e Treponemas, que necessitam de nutrientes complexos para o crescimento e
reprodução.
Assim como as bactérias variam com relação às exigências nutritivas, também demonstram
respostas diversas às condições físicas do ambiente.

Temperatura: o crescimento bacteriano pode ter seu ritmo e quantidade determinados pela
temperatura, uma vez que esta influencia as reações químicas do processo de crescimento. Cada
espécie de bactéria cresce sob temperaturas situadas em faixas características e, sendo assim, são
classificadas nos seguintes grupos:

1. Bactérias psicrófilas: são capazes de crescer a 0° C ou menos, embora


seu ótimo seja entre 15° C ou 20° C.
2. Bactérias mesófilas: crescem melhor numa faixa de 25 a 40° C.
3. Bactérias termófilas: crescem melhor a temperaturas de 45 a 60° C

A temperatura ótima de crescimento é a temperatura de incubação que possibilita o mais rápido


crescimento, durante curto período de tempo (12 a 24 horas).

Exigências atmosféricas: os principais gases que afetam o crescimento bacteriano são o oxigênio e
o dióxido de carbônico.
Como as bactérias apresentam grande variedade de resposta ao oxigênio livre, elas são divididas
em:
1. Bactérias aeróbias: crescem na presença obrigatória de oxigênio livre.
2. Bactérias anaeróbias: crescem na ausência de oxigênio livre.
3. Bactérias anaeróbias facultativas: crescem tanto na presença como na ausência do oxigênio
livre.
4. Bactérias microaerófilas: crescem na presença de quantidades pequenas de oxigênio livre.

Acidez e alcalinidade (pH): para a maioria das bactérias, o pH ótimo de crescimento localiza-se
entre 6,5 e 7,5. Embora poucos microrganismos possam desenvolver-se nos limites extremos de pH,
as variações mínimas e máximas, para a maior parte das espécies, estão entre pH 4 e pH 9.

Curva de crescimento bacteriano

Embora as bactérias desenvolvam-se bem em meios de cultura sólidos , os


estudos de crescimento são feitos essencialmente em meios líquidos e as considerações que
seguem são válidas para essas condições.
Quando uma determinada bactéria é semeada num meio líquido de composição
apropriada e incubada em temperatura adequada, o seu crescimento segue uma curva definida
e característica.

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Fase lag : esta fase de crescimento ocorre quando as células são transferidas de um meio para outro
ou de um ambiente para outro. Esta é a fase de ajuste e representa o período necessário para
adaptação das células ao novo ambiente. As células nesta fase aumentam no volume total em
quase duas ou quatro vezes, mas não se dividem. Tais células estão sintetizando DNA, novas
proteínas e enzimas, que são um pré-requisito para divisão.

Fase exponencial ou log: nesta fase, as células estão se dividindo a uma taxa geométrica constante
até atingir um máximo de crescimento. Os componentes celulares como o material genético e
proteínas da parede celular estão também aumentando a uma taxa constante. Como as células na
fase exponencial estão se dividindo a uma taxa máxima, elas são muito menores em diâmetro que as
células na fase Lag.
A fase de crescimento exponencial normalmente chega ao final devido à depleção de nutrientes
essenciais, diminuição de oxigênio ou acúmulo de produtos tóxicos.

Fase estacionária : durante esta fase, há rápido decréscimo na taxa de divisão celular.
Eventualmente, o número total de células em divisão será igual ao número de células mortas,
resultando na verdadeira população celular estacionária.

Fase de morte ou declínio: quando as condições se tornam fortemente impróprias para o


crescimento, as células se reproduzem mais lentamente e as células mortas aumentam em números
elevados. Nesta fase o meio se encontra deficiente em nutrientes e rico em toxinas produzidas pelos
próprios microrganismos.

Introdução a Virologia

Os vírus constituem um grupo grande e heterogêneo de agentes infecciosos, semelhantes pelo fato
de serem parasitas intracelulares obrigatórios para as células de seus hospedeiros específicos. São
tão pequenos que passam através dos filtros cujos poros não permitem a passagem das bactérias.
O maior vírus tem menos do que a quarta parte das dimensões de uma salmonela.Os vírus causam
doenças ou infecções em insetos, peixes, microrganismos, plantas, homens e outros animais.
Os vírus são fragmentos de DNA ou RNA protegidos por uma capa protéica (capsídeo) ; eles não
têm capacidade de movimentação nem de metabolismo autônomo.
Reproduzem-se por replicação numa célula hospedeira (anima, vegetal ou de um microrganismo),
podendo sofrer mutações.

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Estrutura dos Vírus

Os menores vírus têm somente 17 nm de diâmetro e os maiores chegam a 1000 nm (1 micrômetro).


Mesmo os maiores têm uma pobre visibilidade ao microscópio óptico. A maioria dos vírus só pode
ser detectada usando microscopia eletrônica de alta resolução.

Cada partícula viral (ou vírion) pode ter as seguintes estruturas:

Capsídio e Envelope: o capsídio é uma capa protéica que circunda o ácido nucleico, e é composto
de subunidades de proteína, os capsômeros, que são responsáveis pela especificidade viral.
Todos os vírions possuem uma simetria de estrutura , podendo ou não apresentar um envoltório
(envelope) contendo lipídeos ou lipoproteínas. Assim, os vírions com envelope são sensíveis aos
solventes de lipídeos, tais como o éter, o clorofórmio e agentes emulsificantes (sais biliares e
detergentes).

Ácidos Nucleicos: Os vírus podem ter DNA ou RNA, mas nunca são encontrados os dois juntos no
mesmo vírion. A estrutura dos ácidos nucléicos nos vírions pode ser linear ou circular.

Replicação do Vírus

Antes que qualquer vírus possa infectar uma célula animal, ele primeiro deve ligar-se a um receptor
específico na membrana celular, provavelmente uma glicoproteína. Como já foi dito, muitos vírus
podem ter um envelope rico em lipídeo envolvendo o capsídio. Do envelope de muitos vírus
projetam-se espículas "pontas" que podem conter glicoproteínas e lipídeos.
As propriedades das moléculas que constituem o envelope estão relacionadas com a adesão do vírus
à vários substratos. Se o envelope não está presente, as propriedades do capsídio determinam as
características adesivas do vírus.
A multiplicação dos vírus se faz por replicação, no qual as porções protéica e nucléica aumentam
no interior das células hospedeiras sensíveis. Este processo pode ser dividido em etapas, que são
comuns a todas as infecções virais:

1. Adsorção: envolve a participação de receptores específicos na superfície da célula hospedeira e


moléculas virais.

2. Penetração e desnudamento: os vírus com envelope unem-se às células hospedeiras, levando à


fusão do envoltório lipoproteico (capsídeo) dos vírus com a membrana citoplasmática da célula,
que resulta na liberação do material nucleocapsídico no citoplasma celular. Os vírus nús (sem
envelope) parecem penetrar pelo mecanismo de fagocitose.

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3. Replicação bioquímica: a replicação ativa do ácido nucleico e a síntese de proteínas virais


começam após a separação do capsídio e do genoma. Além da energia celular, os vírus requerem o
uso dos ribossomas da célula (proteínas) , de enzimas e de certos processos biossintéticos para sua
replicação.

4. Acoplamento ou maturação: os vírus são capazes de dirigir a síntese dos componentes


essenciais para sua atividade, todos oriundos da maquinaria da célula infectada .

5. Liberação: este processo varia com o agente viral. Em alguns casos, a morte celular resulta na
liberação concomitante das partículas virais. A partícula viral libera a célula hospedeira, deixando-a
incompetente e infectara novas células.

Fungos

Propriedades Gerais

Micologia ou micetologia é a ciência que estuda os fungos. Os micólogos (micologistas ou


micetologistas) pesquisam os efeitos benéficos e maléficos das espécies de fungos.
Micologia vem do grego "Mykes" que quer dizer cogumelo e "logos" estudo.
Os fungos constituem um grupo de microrganismos que tem grande interesse prático e científico
para os microbiologistas. Suas manifestações são familiares: crescimentos azuis e verdes em
laranjas, limões e queijos; as colônias cotonosas (aspecto de algodão), brancas ou acinzentadas, no
pão e no presunto; os cogumelos dos campos e os comestíveis, entre tantos.
Todas representam vários organismos fúngicos, morfologicamente muito diversificados. De um
modo geral, os fungos incluem os bolores e as leveduras.

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A palavra bolor tem emprego pouco nítido, sendo usada para designar os mofos, as ferrugens e o
carvão (doença de gramíneas).
As leveduras se diferenciam dos bolores por se apresentarem sob a forma unicelular.
Os fungos podem viver como saprófagos, quando obtêm seus alimentos decompondo organismos
mortos; como parasitas, quando se alimentam de substâncias que retiram dos organismos vivos nos
quais se instalam, prejudicando-os; ou podem estabelecer associações mutualísticas com outros
organismos, em que ambos se beneficiam.
Em todos os casos, no entanto, os fungos liberam enzimas digestivas para fora de seus corpos e
estas atuam diretamente no meio orgânico no qual eles se instalam, degradando moléculas simples,
que são então absorvidas pelo fungo.
Os fungos são importantes nas fermentações industriais, tais como na fabricação da cerveja, do
vinho e na produção de antibióticos (penicilina), de vitaminas e ácidos orgânicos (ácido cítrico).
A fabricação de pães e o amadurecimento de queijos também dependem da atividade saprofítica dos
fungos.
Como parasitas, os fungos causam doenças vegetais, humanas e animais, embora a maior parte das
micoses seja menos severa que as bacterioses ou as viroses.

Fisiologia e Nutrição dos Fungos

Fungos crescem melhor em habitats úmidos e escuros, porém são encontrados universalmente onde
quer que exista matéria orgânica disponível.
Eles necessitam de umidade para crescer e podem obter água da atmosfera, bem como do meio
sobre o qual vivem. Quando o ambiente torna-se muito seco, os fungos sobrevivem entrando num
estado de repouso ou produzindo esporos, que são resistentes à aridez. Embora o pH ótimo para a
maioria das espécies seja ± 5,6, alguns fungos podem tolerar e crescer em ambientes onde o pH
varia de 2 a 9.
Muitos fungos são menos sensíveis à altas pressões osmóticas que as bactérias, e podem crescer em
soluções de sais concentradas ou soluções de açúcares, que inibem ou previnem o crescimento
bacteriano.
Os fungos também crescem num amplo intervalo de temperatura (0o a 62o C, estando a temperatura
ótima de crescimento entre 22o e 30o C).

Fungos Patogênicos

Os fungos são responsáveis por várias doenças sérias de plantas, incluindo doenças epidêmicas que
se espalham rapidamente por plantações, causando grandes prejuízos econômicos. Todas as plantas
são aparentemente suscetíveis a infecções fúngicas.
Uma planta pode tornar-se infectada após entrarem pelos estômatos da folha ou do caule ou através
de feridas na planta.
Alguns fungos podem causar doenças em humanos e outros animais.
Podem causar infecções superficiais que atingem somente a pele, cabelos ou unhas. Outros causam
infecções sistêmicas, nas quais o fungo infecta tecidos profundos e órgãos internos.
Sapinho e pé-de-atleta são exemplos de infecções fúngicas superficiais.
Candidíase é uma infecção de membranas mucosas da boca e vagina e está entre as infecções
fúngicas mais comuns.
Histoplasmose é uma séria infecção fúngica sistêmica que é causada por um fungo que esporula
abundantemente em solo que contém fezes de aves; uma pessoa que inala os esporos podem
desenvolver a infecção.

Controle do crescimento microbiano

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A condição sanitária de uma dada população humana é determinada, em larga escala, por sua
capacidade de controlar eficazmente as populações microbianas. Os processos podem ser muito
específicos, como o fornecimento de medicação eficaz na eliminação dos microrganismos
infectantes, ou podem ser mais gerais, como as práticas sanitárias utilizadas no lar e nos hospitais.
Cuidados diários, tais como a purificação da água, a pasteurização do leite e a preservação dos
alimentos concorrem para o controle das populações microbianas. Não somente torna-se o produto
de consumo seguro sob o ponto de vista de saúde pública, como também o processo traz muitos
benefícios para o bem-estar da comunidade.
As principais razões para desenvolver o controle de microrganismos podem, em resumo, ser: 1)
prevenir a transmissão de doenças e infecções; 2) prevenir a contaminação ou crescimento de
microrganismos nocivos e 3) prevenir a deterioração e dano de materiais por microrganismos.
Os microrganismos podem ser removidos, inibidos ou mortos por agentes físicos ou químicos. Uma
grande variedade de técnicas e de agentes pode ser utilizada, agindo de modos diferentes e tendo
seu próprio limite de aplicação prática.
Os termos a seguir são usados para descrever os processos físicos e os agentes químicos destinados
ao controle dos microrganismos:
Esterilização: processo de destruição ou remoção de todas as formas de vida microscópica de um
objeto ou espécime. Um objeto estéril, no sentido microbiológico, está completamente livre de
microrganismos vivos. Este termo refere-se à ausência total
ou à destruição de todos os microrganismos.

Desinfetante: é um agente, normalmente químico, que mata as formas vegetativas, mas não
necessariamente, as formas esporuladas de microrganismos patogênicos. O termo normalmente
refere-se às substâncias utilizadas em objetos inanimados.

Anti-séptico: é uma substância que previne o crescimento ou ação de microrganismos, pela


destruição dos mesmos ou pela inibição de seu crescimento ou atividade. Usualmente está associado
com substâncias aplicadas ao corpo do homem.

Bactericida: é um agente que mata as bactérias. De modo similar, os termos fungicida, viricida e
esporocida se referem aos agentes que matam os fungos, vírus e esporos, respectivamente. As
formas esporulada não são necessariamente eliminadas por estes agentes.

Bacteriostático: A condição na qual o crescimento bacteriano está inibido, mas a bactéria não está
morta. Se o agente for retirado o crescimento pode recomeçar

Assepsia: Ausência de microorganismos em uma área. Técnicas assépticas previnem a entrada de


microorganismos.

Degermação: Remoção de microorganismos da pele por meio de remoção mecânica ou pelo uso de
anti-sépticos.

Métodos Físicos

O método mais empregado para destruir microorganismos é o calor, por ser eficaz, barato e prático.
Os microorganismos são considerados mortos quando perdem a capacidade de se multiplicarem.

Calor úmido: A esterilização empregando calor úmido requer temperaturas acima de fervura da
água (120º). Estas são conseguidas nas autoclaves, e este é o método preferencial de esterilização

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desde que o material ou substância a ser esterilizado não sofra mudanças pelo calor ou umidade. A
esterilização é mais facilmente alcançada quando os organismos estão em contato direto como
vapor, nestas condições o calor úmido destruirá todas as formas de vida microbiana, incluindo os
esporos bacterianos.

Diferentes tipos de Autoclave, utilizadas para o processo de esterilização

Calor seco: A forma mais simples de esterilização empregando o calor seco é a flambagem. A
incineração também é uma forma de esterilizar, empregando o calor seco. Outra forma de
esterilização empregando o calor seco é feita em fornos (estufas), e este binômio tempo e
temperatura deve ser observado atentamente. A maior parte da vidraria empregada em laboratório é
esterilizada deste modo.

Diferentes tipos de Estufas , utilizadas para o processo de esterilização

Pasteurização: consiste em aquecer o produto a uma dada temperatura, num dado tempo e a seguir,
resfriá-lo bruscamente, porém a pasteurização reduz o número de microorganismos presentes, mas
não assegura uma esterilização.

Radiações: As radiações têm seus efeitos dependentes do comprimento da onda, da intensidade, da


duração e da distância da fonte. Há pelo menos dois tipos de radiações empregadas no controle dos
microorganismos: ionizantes e não-ionizantes.

Indicadores biológicos: São suspensões-padrão de esporos bacterianos submetidos a esterilização


juntamente com os materiais a serem processados em autoclave, estufas e câmera de radiação.
Terminado o ciclo, são colocados em meio de cultura adequada para o crescimento de esporos, se
não houver crescimento, significa que o processo está validado.
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Microondas: Os fornos de microondas são cada vez mais utilizados em laboratórios e as radiações
emitidas não afetam o microorganismo, mas geram calor. O calor gerado é responsável pela morte
dos microorganismos.

Pressão Osmótica: A alta concentração de sais ou açúcares cria um ambiente hipertônico que
provoca a saída de água do interior da célula microbiana. Nessas condições os microorganismos
deixam de crescer devido a perda de líquido e isto tem permitido a preservação de alimentos.

Dessecação: Na falta total de água, os microorganismos não são capazes de crescer, multiplicar,
embora possam permanecer viáveis por vários anos. Quando a água é novamente reposta, o
microorganismo readquirem a capacidade de crescimento. Esta peculiaridade tem sido muito
explorada pelos microbiologistas para preservar microorganismos e o método mais empregado é a
liofilização.

Métodos Químicos

Os agentes químicos são apresentados em grupos que tenham em comum, ou as funções químicas,
ou elementos químicos, ou mecanismo de ação.

Alcoóis: A desnaturação de proteínas é explicação mais aceita para a ação antimicrobiana. Na


ausência de água, as proteínas não são desnaturadas tão rapidamente quanto na sua presença.

Aldeídos e derivados: Pode ser facilmente solúvel em água, é empregado sob a forma de solução
aquosa em concentrações que variam de 3 a 8% . Atualmente tem se utilizado o Glutaraldeido,
dependendo do tempo de exposição do material a solução pode ser considerado desinfetante ou
esterilizante ( 15 ou 30 minutos, respectivamente).

Fenóis e derivados: O fenol é um desinfetante fraco, tendo interesse apenas histórico, pois foi o
primeiro agente a ser utilizado como tal na prática médica e cirúrgica, os fenóis atuam sobre
qualquer proteína, mesmo aquelas que não fazem parte da estrutura do microorganismo,
significando que, em meio orgânico protéico, os fenóis perdem sua eficiência por redução da
concentração atuante.

Halogênios e derivados: Entre os halogênios, o iodo sob forma de tintura é um dos anti-sépticos
mais utilizados na práticas cirúrgicas. O mecanismo de ação é combinação irreversível com
proteínas, provavelmente através da interação com o aminoácidos.

Ácidos inorgânicos e orgânicos: Um dos ácidos inorgânicos mais populares é o acido bórico;
porém, em vista dos numerosos casos de intoxicação, seu emprego é desaconselhado. Desde a
muito tempo tem sido usados alguns ácidos orgânicos, como o ácido acético e o ácido láctico, não
como anti-sépticos mas sim na preservação de alimentos hospitalares.

Agentes oxidantes: A propriedade comum destes agentes é a liberação de oxigênio nascente, que é
extremamente reativo e oxida, entre outras substâncias o sistemas enzimáticos indispensáveis para a
sobrevivência dos microorganismos.

Esterilizantes gasosos: Embora tenha atividade esterilizante lenta o óxido de etileno tem sido
empregado com sucesso na esterilização de instrumentos cirúrgicos, fios de agulhas para suturas e
plásticos.

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Antibióticos e outros agentes quimioterápicos

Os agentes quimioterápicos são substâncias empregadas no tratamento das doenças infecciosas e


daquelas que são causadas pela proliferação de células malignas.
Estas substâncias são preparadas em laboratórios químicos ou obtidas de microrganismos, algumas
plantas e animais. Em geral, as drogas naturais são diferenciadas dos compostos sintéticos pela
denominação específica de antibióticos.
Alguns destes são preparados por via sintética, mas a maioria é comercialmente produzida por
biossíntese.

Um agente quimioterápico satisfatório deve:

1. Destruir ou inibir a atividade de um parasita, sem lesar as células do hospedeiro ou, apenas, com
pequenos danos sobre estas células;
2. Ser capaz de entrar em contato com o parasita, atingindo concentrações efetivas nos tecidos e nas
células hospedeiras;
3. Deixar inalterados os mecanismos naturais de defesa do hospedeiro, tais como a fagocitose e a
síntese de anticorpos.

As drogas do tipo sulfa são um dos agentes quimioterápicos sintéticos mais conhecidos e utilizados.
A sulfa foi primeiramente obtida pelo químico alemão Gerhard Domagk, em 1935. O tipo mais
simples de sulfa é a sulfonamida.
As sulfonamidas são particularmente úteis no tratamento de infecções causadas por meningococos e
Shigella, de infecções respiratórias por estreptococos e estafilococos e das infecções urinárias
devidas a microrganismos Gram-negativos.
São importantes na prevenção da febre reumática, da endocardite bacteriana, da infecção de
ferimentos e de infecções urinárias, após cirurgia ou cateterismo.

Os antibióticos formam um tipo especial de agentes quimioterápicos, geralmente obtidos de


organismos vivos. O termo antibiótico designa um produto metabólico de um organismo que é
prejudicial ou inibidor para certos microrganismos, em concentrações muito pequenas.

Propriedades de um antibiótico útil:

1. Atividade letal ou inibitória sobre muitas espécies diferentes de microrganismos patogênicos, ou


seja, devem representar o que se denomina antibióticos de largo espectro.
2. Capacidade de prevenir o desenvolvimento fácil de formas microbianas resistentes.
3. Ausência de efeitos colaterais indesejáveis, tais como reações alérgicas ou de sensibilidade,
lesões nervosas, irritação renal ou do trato gastrointestinal.
4. Ineficácia sobre a flora microbiana normal, evitando-se assim, a perturbação do equilíbrio natural
e, consequentemente, impedindo o estabelecimento de infecções por germes totalmente não-
patogênicos ou, especialmente, por formas patogênicas habitualmente controladas pela flora
normal.

Os antibióticos podem inibir ou destruir os microrganismos de diversos modos:

1. Inibindo a formação da parede celular.


2. Lesando a membrana citoplasmática.
3. Interferindo com a síntese protéica.
4. Inibindo o metabolismo dos ácidos nucleicos.

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A penicilina foi o primeiro dos antibióticos modernos e ainda é um dos mais úteis. Juntamente com
a sulfa, só passou a ser largamente utilizada no início dos anos 40, em plena Segunda Guerra
Mundial.
É produzida pelo fungo Penicillium notatum, Penicillium chrysogenium e outras espécies de
bolores. P. notatum foi isolado pela primeira vez pelo médico inglês Alexander Fleming, em 1929.
A penicilina é seletiva para bactérias Gram-positivas, alguns espiroquetas e os diplococos Gram-
negativos (Neisseria).
Embora a penicilina seja, ainda, um dos antibióticos mais valiosos, a busca da droga ideal continua.
Entre os compostos aceitáveis, estão aqueles que atuam sobre os microrganismos patogênicos
insensíveis ou que se tornaram resistentes à penicilina.

PARASITOLOGIA

Introdução

Parasitologia é uma ciência que se baseia no estudo dos parasitas e suas relações com o
hospedeiro, englobando os filos Protozoa (protozoários), do reino Protista e Nematoda e
Platyhelminthes (platelmintos) e Arthropoda (artrópodes), do reino Animal.

Conceitos em Parasitologia

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Agente etiológico : é o agente causador ou o responsável pela origem da doença. pode ser um vírus,
bactéria, fungo, protozoário ou um helminto.
Incidência: Situação quando é notificado casos novos de uma determinada doença ou agravo.
Epidemia: é a ocorrência, numa região, de casos que ultrapassam a incidência normalmente
esperada de uma doença.
Endemia : quando o número esperado de casos de uma doença é constantemente observado em
uma população em um determinado espaço de tempo.
Doença endêmica :aquela cuja incidência permanece constante por vários anos, dando uma idéia
de equilíbrio entre a população e a doença.
Infecção: é a invasão do organismo por agentes patogênicos microscópicos.
infestação: é a invasão do organismo por agentes patogênicos macroscópicos.
Vetor:organismo capaz de transmitir agentes infecciosos. 0 parasita pode ou não desenvolver-se
enquanto encontra-se no vetor.Pode ser um mosquito, cão, gato, animais silvestres etc.
Hospedeiro:organismo que serve de habitat para outro que nele se instala encontrando as condições
de sobrevivência. O hospedeiro pode ou não servir como fonte de alimento para a parasita. A
palavra deriva do latím hospitator, significando visita, hóspede.
Hospedeiro definitivo: é o que apresenta o parasito em fase de maturidade ou em fase de atividade
sexual.
Hospedeiro intermediário: é o que apresenta o parasito em fase larvária ou em fase assexuada.
Ciclo biológico (vida): Conjunto de transformações sofridas pelo parasita, que se sucedem no
mesmo hospedeiro ou em vários, com ou sem passagem pelo meio exterior e que permitem ao
parasita atingir a forma adulta da geração seguinte.
Ciclo monoxénico ou ciclo de vida direto.Quando um só hospedeiro está envolvido no ciclo de vida
Ciclo heteroxénico ou ciclo de vida indireto. Quando é necessário a passagem por dois ou mais
hospedeiros
Profilaxia : é o conjunto de medidas que visam a prevenção, erradicação ou controle das doenças
ou de fatos prejudiciais aos seres vivos.
Período de incubação: Consiste no período desde a penetração do parasita no organismo até o
aparecimento dos primeiros sintomas, podendo ser mais longo que o período pré-patente, igual ou
mais curto.
Período de sintomas: É definido pelo surgimento de sinais e/ou sintomas.
Período de convalescência: Iniciam-se logo após ser atingida a maior sintomatologia, iniciando
com a cura do hospedeiro.
Período latente: É caracterizado pelo desaparecimento dos sintomas, sendo assintomática e com o
aumento do número de parasitas (período de recaída).

Principais tipos de parasitismo

Acidental: Quando o parasita é encontrado em hospedeiro anormal ao esperado, como o parasita


adulto de Dipylidium caninum parasitando humanos.
Errático: Se o parasita se encontra fora de seu habitat normal. Parasita adulto de Enterobius
vermicularis em cavidade vaginal.

PRINCIPAIS GRUPOS DE IMPORTÂNCIA EM PARASITOLOGIA MÉDICA

Didaticamente as espécies parasitas do homem se encontram no:


Reino Protista: Protozoários;

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Reino Animalia: Nematelminthes (classe Nematoda), e Platyhelminthes (classes Digenea e


Cestoidea).

Protozoários

Características Gerais

Protozoários são seres unicelulares, na maioria heterótrofos, mas com formas autotróficas e com
mobilidade especializada. A maioria deles é muito pequena, medindo de 0,01 mm a 0,05 mm
aproximadamente, sendo que algumas exceções podem medir até 0,5 mm.
Sua forma de nutrição é muito diferenciada, pois podem ser predadores ou filtradores, herbívoros ou
carnívoros, parasitas ou mutualistas.
A digestão é intracelular, sendo que o alimento é ingerido ou entra na célula por meio de uma
"boca", o citóstoma.
O sistema locomotor é um dos mais especializados, com flagelos, cílios e membranas ondulantes.
Estes organismos estão presentes em todos os ambientes por causa de seu tamanho reduzido e
produção de cistos resistentes.
Dependendo da sua atividade fisiológica, algumas espécies possuem fases bem definidas:
Trofozoíto: é a forma ativa do protozoário, na qual ele se alimenta e se reproduz.
Cisto: é a forma de resistência ou inativa.

LEISHMANIOSES

As leishmanioses são causadas por diferentes espécies de protozoários do gênero Leishmania, e


transmitidas pela picada de um mosquito Phlebótomo ( mosquito palha).

A leishmaniose apresenta três formas clínicas mais comuns:


Leishmaniose cutânea; que causa feridas na pele.
Leishmaniose muco-cutânea; cujas lesões podem levar a destruição parcial ou total das mucosas.
Leishmaniose visceral; também chamada calazar, caracterizada por surtos febris irregulares,
substancial perda de peso, hepatoesplenomegalia (aumento do fígado e baço) e anemia severa. Se
não tratada pode levar a morte em 100% dos casos.

As leishmanioses atingem atualmente 350 milhões de pessoas em 88 países do mundo, sendo 72


destes considerados países em desenvolvimento.
90% de todos os casos de Leishmaniose visceral ocorrem em Bangladesh, Brasil, Índia, Nepal e
Sudão.
90% de todos os casos de Leishmaniose muco-cutânea ocorrem na Bolívia, Brasil e Peru.
90% de todos os casos de Leishmaniose cutânea ocorrem no Afeganistão, Brasil, Irã, Peru, Arábia
Saudita e Síria.

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LEISHMANIOSE TEGUMENTAR AMERICANA (LTA)

Enfermidade polimórfica da pele e das mucosas, caracterizada por lesões ulcerosas indolores,
únicas ou múltiplas (forma cutânea simples), lesões nodulares (forma difusa) ou lesões
cutaneomucosas, que afetam as regiões mucofaríngeas concomitantemente ou após a infecção
cutânea inicial.
No Brasil, a Leishmaniose Tegumentar Americana(LTA) e uma das afecções dermatológicas que
merece mais atenção, devido a sua magnitude, assim como pelo risco de ocorrência de
deformidades que pode produzir no ser humano, e também pelo envolvimento psicológico, com
reflexos no campo social e econômico, uma vez que, na maioria dos casos, pode ser considerada
uma doença ocupacional. Apresenta ampla distribuição com registro de casos em todas as regiões
brasileiras.

Agente etiológico:

A LTA é causada por parasitos do gênero Leishmania . Este protozoário tem seu ciclo completado
em dois hospedeiros, um vertebrado e um invertebrado (heteroxeno).
Os hospedeiros vertebrados incluem uma grande variedade de mamíferos: Roedores, edentados
(tatu, tamanduá, preguiça), marsupiais (gambá), canídeos e primatas, inclusive o homem.
Os hospedeiros invertebrados são pequenos insetos da família Phlebotominae.
Reprodução: divisão binária.

Modo de transmissão

O modo de transmissão e através da picada de insetos transmissores infectados. Não há transmissão


de pessoa a pessoa.
A LTA é primariamente uma enzootia (doença cujos hospedeiros são somente animais) de animais
silvestres.
A transmissão ao homem ocorre quando este adentra a mata para realizar suas atividades. Neste
caso a doença se transforma numa zoonose (doença cujo ciclo envolve os animais e o homem).
O homem pode ser considerado como hospedeiro acidental da Leishmania.

Área em desmatamento na Região Amazônica. Casa construída em área da floresta


amazônica para extrativismo de borracha.

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Período de incubação

O período de incubação da doença no ser humano e, em media, de dois a três meses, podendo variar
de duas semanas a dois anos.

Ciclo Biológico:

No vetor: o inseto pica o vertebrado contaminado para fazer o seu repasto sanguíneo "sugar o
sangue" e ingere macrófagos (células imunológicas ) contendo o parasito.
Ao chegarem ao estômago do inseto, os macrófagos se rompem liberando as formas do protozoário
Estas sofrem uma divisão binária e se multiplicam ainda no sangue ingerido, que é envolto por uma
membrana . Esta membrana se rompe no 3o ou no 4o dia e as formas do parasita adulta ficam livres.

Ciclo no vertebrado:

O inseto, na sua tentativa de ingestão de sangue, injeta o protozoário no local da picada.


Dentro de 4 a 8 horas estes flagelados são interiorizados pelos macrófagos teciduais e são
encontradas no sangue 24 horas após a fagocitose. O macrófago se rompe, e vão penetrar em outros
macrófagos, iniciando a reação inflamatória.

Quadro clinico

Forma cutânea localizada: representa o acometimento primário da pele. A lesão é geralmente


do tipo ulcera, com tendência a cura espontânea e apresentando boa resposta ao tratamento,
podendo ser única ou múltiplas (ate 20 lesões).

1- 2- 3-

1-Lesão em estágio inicial e ausência de ulceração. 2- Lesão cutânea e estagio de ulceração.


3- Lesão ulcerada franca, única, arredondada, com bordas elevadas, infiltradas e fundo
granuloso.

LEISHMANIOSE VISCERAL CANINA (LVC)

A Leishmaniose visceral canina (LVC) ou calazar é uma enfermidade infecciosa generalizada,


crônica, caracterizada por febre, hepatoesplenomegalia, linfadenopatia, anemia , edema e estado de
debilidade progressivo, levando o paciente ao óbito se não for submetido ao tratamento específico.
Tem ampla distribuição ocorrendo na Ásia, na Europa, no Oriente Médio, na África e nas Américas.
Na América Latina, a doença já foi descrita em pelo menos 12 países, sendo que 90% dos casos
ocorrem no Brasil, especialmente na Região Nordeste.
O ambiente característico e propício à ocorrência da LV é aquele de baixo nível socioeconômico,
pobreza, promiscuidade, prevalente em grande medida no meio rural e na periferia das grandes

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cidades. Entretanto, estas características vem se modificando, principalmente, nos estados das
regiões Sudeste e Centro-Oeste, onde a LV se encontra urbanizada.

Vetor e ciclo biológico (idem a LTA)

Reservatórios

Na área urbana, o cão é a principal fonte de infecção (Calazar canino). A enzootia canina tem
precedido a ocorrência de casos humanos e a infecção em cães tem sido mais prevalente do que no
homem.
No ambiente silvestre, os reservatórios são as raposas e os marsupiais .
No Brasil, as raposas foram encontradas infectadas nas regiões Nordeste, Sudeste e Amazônica .
Os marsupiais didelfídeos foram encontrados infectados no Brasil e na Colômbia.

Raposa Marsupial didelfídeo


Reservatórios silvestres da leishmaniose

Quadro clinico

Alterações esplênicas: a esplenomegalia (aumento do baço) é o achado mais importante e


destacado do calazar.
Alterações hepáticas: outra característica marcante do calazar, as alterações hepáticas causam
disproteinemia, que leva ao edema generalizado e a ascite, comuns na fase final da doença.
Alterações no tecido hemocitopoético: uma das mais importantes é a anemia. A medula óssea é
usualmente encontrada densamente parasitada.

Casos de pacientes com leishmaniose visceral

Diagnóstico

Clínico

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Baseado na característica da lesão e em dados epidemiológicos.Febre baixa recorrente,


envolvimento linfático, esplenomegalia e caquexia, combinados com histórico de residência em
área endêmica.

Laboratorial

Pesquisa do parasito
Exame direto de esfregaços corados: após anestesia local, retira-se um fragmento das bordas da
lesão e faz-se um esfregaço em lâmina.
Cultura: pode ser feita a cultura de fragmentos de tecido ou de espirados da borda da lesão.

Métodos imunológicos

Teste intradérmico de Montenegro: é o mais utilizado no país , avalia a hipersensibilidade retarda


do paciente. Inocula-se 0,1 ml de antígeno no braço do paciente, e no caso de reações positivas,
verifica-se o estabelecimento de uma reação inflamatória local que regride depois de 72 horas.

Tratamento

Introduzido pelo médico brasileiro Gaspar Vianna, em 1912.


Atualmente é utilizado um antimonial pentavalente, o Glucantime.
Somente a forma difusa não responde bem ao tratamento.
Imunoterapia: a Leishvacin, vacina utilizada para imunoprofilaxia, vem sendo usada no tratamento
de pacientes que não respondem bem ao tratamento com resultados promissores.

Profilaxia

Dirigidas à população humana

Medidas de proteção individual


Para evitar os riscos de transmissão, algumas medidas de proteção individual devem ser
estimuladas, tais como: uso de mosquiteiro com malha fina, telagem em portas e janelas, uso de
repelentes, não se expor nos horários de atividade do vetor (crepúsculo e noite) em ambientes onde
este habitualmente pode ser encontrado.

Dirigidas ao vetor

Saneamento ambiental
O controle da transmissão urbana da LV é árduo e de resultados nem sempre satisfatórios a partir de
uma única aplicação residual de inseticida. Portanto, outras medidas mais permanentes são
indicadas como o manejo ambiental, através da limpeza de quintais, terrenos e praças públicas, a
fim de alterar as condições do meio, que propiciem o estabelecimento de criadouros de formas
imaturas do vetor.
Medidas simples como limpeza urbana, eliminação dos resíduos sólidos orgânicos e destino
adequado dos mesmos, eliminação de fonte de umidade, não permanência de animais domésticos
dentro de casa, entre outras, certamente contribuirão para evitar ou reduzir a proliferação do vetor.

Dirigidas à população canina

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Controle da população de cães vadios


A rotina de captura de cães vadios é essencial, especialmente em áreas urbanas, por ser fonte
disseminadora de diversas doenças de importância médico-sanitário, entre elas a LV.
Esta deverá ser realizada pelo município rotineiramente de acordo com as normas estabelecidas no
código sanitário.

Doação de animais: cães em áreas com transmissão de LV humana ou canina, é recomendado que
seja realizado previamente o exame sorológico canino antes de proceder a doação de cães. Caso
o resultado seja sororreagente, deverão ser adotadas as medidas de vigilância e controle
recomendadas pelo Programa do Ministério da Saúde.

Vacina anti-leishmaniose visceral canina


Existe uma vacina contra a leishmaniose visceral canina registrada no Ministério da Agricultura,
Pecuária e Abastecimento, porém sem constatação de seu custo-benefício e efetividade para o
controle de reservatório da leishmaniose visceral canina em programas de saúde pública.

Uso de telas em canis individuais ou coletivos


Os canis de residências e, principalmente, os canis de pet shop, clínicas veterinárias, abrigo de
animais, hospitais veterinários e os que estão sob a administração pública devem obrigatoriamente
utilizar telas do tipo malha fina, com objetivo de evitar a entrada de flebotomíneos e
conseqüentemente a redução do contato com os cães.

TRIPANOSSOMÍASE AMERICANA (DOENÇA DE CHAGAS)

A doença de Chagas (DC) é uma das conseqüências da infecção humana pelo protozoário flagelado
Trypanosoma cruzi. Na ocorrência da doença observam-se duas fases clínicas: uma aguda, que pode
ou não ser identificada, podendo evoluir para uma fase crônica.
No Brasil, atualmente predominam os casos crônicos decorrentes de infecção por via vetorial, com
aproximadamente três milhões de indivíduos infectados. No entanto, nos últimos anos, a ocorrência
de doença de Chagas aguda (DCA) tem sido observada em diferentes estados (Bahia, Ceará, Piauí,
Santa Catarina, São Paulo), com maior freqüência de casos e surtos registrados na Região da
Amazônia Legal (Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Amapá, Pará, Tocantins).

Agente etiológico

A doença é causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi, caracterizado pela presença de um


flagelo.No tubo digestivo dos insetos vetores, ocorre um ciclo com a transformação do
parasito,dando origem às formas infectantes presentes nas fezes do inseto.

Vetores e reservatórios

A maioria das espécies de triatomíneos ( Barbeiro ) deposita seus ovos livremente no ambiente,
entretanto, algumas espécies possuem substâncias adesivas que fazem com que os ovos fiquem
aderidos ao substrato. Essa é uma característica muito importante, uma vez que ovos aderidos às
penas de aves e outros substratos podem ser transportados passivamente por longas distâncias,
promovendo a dispersão da espécie.

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Estádios evolutivos do triatomíneo, de ovo a adulto.

Um triatomíneo (ninfa ou adulto) que tenha se alimentado em um mamífero


(incluindo o homem) infectado com o T. cruzi pode adquirir a infecção.

triatomíneo infestans

Alguns animais silvestres como quatis, mucuras e tatus aproximam-se das casas, frequentando
galinheiros, currais e depósitos na zona rural e periferia das cidades.
Em alguns casos, como os morcegos, compartilham ambientes com o homem e animais domésticos.
Desse modo, essas espécies podem estar servindo como fonte de infecção aos insetos vetores que
ocupam os mesmos habitats dos humanos.

Formas de transmissão

Vetorial: ocorre por meio das fezes dos triatomíneos, também conhecidos como “barbeiros” ou
“chupões”. Esses, ao picarem os vertebrados, em geral defecam após o repasto, eliminando formas
infectantes , que penetram pelo orifício da picada ou por solução de continuidade deixada pelo ato
de coçar;

Transfusional/transplante: ocorre pela passagem por transfusão de sangue e/ou hemocomponentes


ou transplante de órgãos de doadores infectados a receptores sadios;

Vertical ou congênita: ocorre pela passagem de parasitas de mulheres infectadas pelo T.cruzi para
seus bebês durante a gestação ou o parto;

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Oral: ocorre pela ingestão de alimentos contaminados com parasitas provenientes de triatomíneos
infectados ou, ocasionalmente, por secreção das glândulas de cheiro de marsupiais (mucura ou
gambá);

Acidental: ocorre pelo contato da pele ferida ou de mucosas com material contaminado (sangue de
doentes, excretas de triatomíneos, animais contaminados) durante manipulação em laboratório
(acidental), em geral sem o uso adequado de equipamentos de proteção individual.

A maioria dos indivíduos com infecção pelo T. cruzi alberga o parasito nos tecidos e sangue,
durante toda a vida, o que significa que devem ser excluídos das doações de sangue e de órgãos.
A transmissão do T. cruzi para o homem ocorre por meio dos triatomíneos. Porém esses
triatomíneos apenas transmitem o parasita se estiverem infectados e isso acontece quando eles se
alimentam sobre um dos numerosos hospedeiros. Ou seja, se os mamíferos de uma determinada
área apresentar altas taxas de infecção por T. cruzi, há probabilidade do vetor se infectar e, portanto,
infectar o próximo mamífero (incluindo o homem) do qual ele se alimenta.

Período de incubação

Transmissão vetorial: 4 a 15 dias;


Transmissão transfusional: 30 a 40 dias ou mais;
Transmissão vertical: pode ser transmitida em qualquer período da gestação ou durante o parto;
Transmissão oral: 3 a 22 dias;
Transmissão acidental: até aproximadamente 20 dias.

Aspectos clínicos da doença

Após a entrada do parasito no organismo, basicamente ocorrem duas etapas fundamentais na


infecção humana pelo T. cruzi:

Fase aguda (inicial): predomina o parasito circulante na corrente sanguínea, em quantidades


expressivas. As manifestações de doença febril podem persistir por até 12 semanas. Nessa fase os
sinais e sintomas podem desaparecer espontaneamente, evoluindo para a fase crônica, ou progredir
para formas agudas graves, que podem levar ao óbito.

Fase crônica: existem raros parasitos circulantes na corrente sanguínea. Inicialmente, essa fase é
assintomática e sem sinais de comprometimento cardíaco e/ou digestivo.
Forma indeterminada: paciente assintomático e sem sinais de comprometimento do aparelho
circulatório (clínica, eletrocardiograma e radiografia de tórax normais) e do aparelho digestivo
(avaliação clínica e radiológica normais de esôfago e cólon). Esse quadro poderá perdurar por toda
a vida da pessoa infectada ou pode evoluir tardiamente.

Manifestações clínicas

A manifestação mais característica é a febre, sempre presente, usualmente prolongada, constante e


não muito elevada (37,5º a 38,5º C), podendo apresentar picos vespertinos ocasionais.

Sintomatologia inespecífica
Na maioria dos casos aparentes, ocorrem:
Prostração, diarreia, vômitos, inapetência, cefaléia, mialgias, aumento de gânglios linfáticos;

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Manchas vermelhas na pele, de localização variável, com ou sem prurido; Crianças menores
frequentemente ficam irritadiças, com choro fácil e copioso.

Sintomatologia específica

É caracterizada pela ocorrência, com incidência variável, de uma ou mais manifestações:


Miocardite difusa com vários graus de severidade;
Pericardite, derrame pericárdico, tamponamento cardíaco;
Cardiomegalia, insuficiência cardíaca, derrame pleural.

São comumente observados:


Edema de face, membros inferiores ou generalizado;
Tosse, dispnéia, dor torácica, palpitações, arritmias;
Hepatomegalia e/ou esplenomegalia leve a moderada.
Sinais de porta de entrada, próprios da transmissão vetorial, como o sinal de Romaña (edema
bipalpebral unilateral por reação inflamatória à penetração do parasito na conjuntiva e adjacências)
ou o chagoma de inoculação (lesões furunculoides não supurativas em membros, tronco e face, por
reação inflamatória à penetração do parasito, que se mostram descamativas após duas ou três
semanas), são menos frequentes atualmente.
Deve-se ressaltar que a picada de um triatomíneo pode causar reações alérgicas locais ou sistêmicas
sem que isso signifique necessariamente infecção pelo T. cruzi.

Figura 1: Chagoma de inoculação


Figura 2 e 3: Sinal de Romaña

Diagnóstico

Para definição do diagnóstico laboratorial da fase aguda da doença de Chagas, são considerados
critérios parasitológicos e sorológicos.
O critério parasitológico é definido pela presença de parasitos circulantes demonstráveis no exame
direto do sangue periférico. Por sua vez, o critério sorológico é baseado na presença de anticorpos
anti T. cruzi no sangue periférico, particularmente quando associada a alterações clínicas.

Exames parasitológicos

São aqueles em que o parasito é observado diretamente pelo analista:

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Pesquisa de tripanossomatídeos: é a primeira alternativa por ser rápida, simples, custo-efetiva e


mais sensível . O ideal é que o paciente esteja febril no ato da coleta.

Exames sorológicos

Têm utilidade complementar aos exames parasitológicos e devem sempre ser colhidos em casos
suspeitos ou confirmados como é o teste imunoenzimático (Elisa).

Tratamento

Tratamento de suporte

Afastamento das atividades profissionais, escolares ou desportivas fica a critério médico. Dieta
livre, evitando-se bebidas alcoólicas.
A internação hospitalar é indicada em casos de maior comprometimento geral, cardiopatia de
moderada a grave, quadros hemorrágicos e meningoencefalite.

Tratamento específico

O Benznidazol é a droga disponível para o tratamento específico . O Nifurtimox pode ser utilizado
como alternativa em casos de intolerância ao Benznidazol, embora seja um medicamento de difícil
obtenção. No caso de falha terapêutica com uma das drogas, a outra pode ser tentada, apesar de
eventual resistência cruzada.
Na fase aguda, o tratamento deve ser realizado em todos os casos e o mais rápido possível após a
confirmação diagnóstica. O tratamento específico é eficaz na maioria dos casos agudos (> 60%) e
congênitos (> 95%), apresentando ainda boa eficácia em 50% a 60% de casos crônicos recentes.

Profilaxia

- Melhoria das habitações rurais;


- Combate ao barbeiro;
- Controle do doador de sangue;
- Vacinação.

Malária

A malaria e também conhecida como impaludismo, febre intermitente, febre terçã, febre quartã,
maleita e outros.
E uma doença infecciosa, produzida por protozoários do gênero Plasmodium, e se caracteriza por
acessos intermitentes de febre, calafrios, cefaléia e sudorese. Continua sendo uma das mais
importantes doenças parasitarias e acomete anualmente milhões de pessoas, especialmente no
continente africano e no Brasil, no Amazonas.

Agente Etiológico

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Os parasitos da malaria são do gênero Plasmodium. Os plasmódios se caracterizam por


apresentarem dois tipos de multiplicação: uma assexuada, que ocorre no hospedeiro vertebrado
(aves, repteis e mamíferos), e outra sexuada , que se passa no hospedeiro invertebrado (mosquitos
do gênero Anopheles).
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São quatro as espécies conhecidas de plasmódios que infectam o homem.

• Plasmodium malariae (Descoberto por Laveran em 1881, Grassi e Faletti em 1890), agente da
febre quartã, muito encontrada no continente africano;
• Plasmodium vivax (Descoberto por Grassi e Faletti, em 1890), responsável pela terçã benigna;
• Plasmodium falciparum (Descoberto por Welch, em 1897), responsável pela terçã maligna; e
• Plasmodium ovale (Descoberto por Stephens, em 1922), causador de uma forma de terçã benigna,
não encontrado no Brasil. Existe principalmente no continente africano.

Reservatório

O ser humano, se constitui na principal fonte de infecção de importância epidemiológica.

Vetores

Os mosquitos transmissores da malaria são insetos do gênero Anopheles. Este gênero compreende
cerca de 400 espécies das quais apenas um numero reduzido tem importância epidemiológica.
Seus criadouros frequentemente são de águas limpas de baixa correnteza e sombreadas.
O Anopheles, predomina no litoral e tem preferência por criadouros de águas salobras (figura 1)

No Brasil, são conhecidos também por carapana, muricoca, mosquito-prego, suvela e pernilongo.
A denominação de mosquito-prego diz respeito a forma como ele pousa na parede (figura 2).

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As fêmeas do anofelino põem seus ovos nesses criadouros e desses ovos saem as larvas que se
transformam em pupas, que, por sua vez, se transformam em adultos já dotados de asas. Portanto, o
anofelino tem uma fase de vida aquática (ovos, larvas e pupas) e uma fase aérea.

Alguns fatores são necessários para que a espécie seja considerada como transmissora da malaria
humana, por exemplo: ser suscetível a infecção pelo plasmódio humano; ser antropofilico, ou seja,
ter preferência por sangue humano; ter longevidade e alta densidade, entre outros.
A maioria dos anofelinos tem hábitos noturnos.
Durante o dia, procuram lugares onde ficam ao abrigo da luz excessiva, do vento e dos inimigos
naturais (figura 3).

Modo de Transmissão

A transmissão baseia-se na existência de uma fonte de infecção constituída de anofelinos infectados


e de hospedeiros suscetíveis ao meio ambiente dos transmissores.
A malaria e transmitida a pessoa sadia por meio da picada da fêmea infectada do anofelino; outros
mecanismos raros de transmissão são: transfusão sanguinea, uso de seringas contaminadas,
acidentes de laboratório e por ocasião de parto.

Período de Transmissibilidade

O ser humano e considerado como fonte de infecção para o mosquito enquanto houver gametócitos

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infectantes circulando no sangue em numero suficiente, para que o mosquito, ao sugá-lo, possa
ingerir gametócitos de ambos os sexos.
As pessoas não tratadas ou tratadas de forma inadequada podem ser fonte de infecção para o
mosquito por um período que varia de um a três anos, conforme a espécie.
O mosquito, por sua vez, permanece infectante enquanto ele viver.
O sangue armazenado pode continuar infectante por cerca de 16 dias.

Ciclo Biológico

Partindo do ponto da picada infectante, os esporozoitos (formas infectantes para o homem), após
permanecerem por um breve período na corrente sanguinea, vão localizar-se na célula hepatica
(hepatócito), onde se multiplicam assexuadamente,
O tempo necessário para o desenvolvimento desse ciclo não se encontram parasitos no sangue
periférico. Esse período e variável para cada espécie de plasmódio e, não ha manifestação clinica.
Ocorre uma mudança no estado larval onde alguns são fagocitados e outra parte vai parasitar os
eritrócitos (hemácias).
Dentro das hemácias, eles sofrem vários estágios de maturação, assim, as hemácias abarrotadas de
parasitos se rompem .
E neste momento que o individuo infectado começa a apresentar os sintomas da doença. Após
serem liberados vão parasitar outras hemácias e darão continuidade ao ciclo.

Quando a fêmea de um anofelino suga o sangue do individuo com plasmódios, estas passarão por
uma transformação no estômago do mosquito.
Este penetra na parede do estômago e cai na hemo-linfa do mosquito, que se alojam nas glândulas
salivares do mosquito, quando a partir dai as fêmeas tornam-se infectantes, estando, portanto, aptas
a transmitirem a doença ao sugar o sangue de um outro individuo, fechando assim, o ciclo evolutivo
dos plasmódios.

Aspectos Clínicos

A febre geralmente vem precedida por sinais e sintomas inespecíficos caracterizados por mal-estar,
cefaléia, cansaço e mialgia. O ataque inicia-se com calafrios seguido por uma fase febril, com
temperatura corpórea podendo atingir até 41oC. Apos um período de duas a seis horas, ocorre
defervecencia da febre e o paciente apresenta sudorese e fraqueza intensa.
Apos a fase inicial, a febre assume um caráter intermitente, dependente do tempo de duração dos
ciclos eritrocíticos de cada espécie de plasmódio.
Em crianças, e comum o aumento do fígado e baço.
A anemia também e um achado frequente, podendo ser bastante acentuada, principalmente em
pacientes graves, crianças e gestantes.
A icterícia geralmente só esta presente em casos raros de malaria, especialmente quando ha demora
em iniciar o tratamento.
Outro sinal clinico observado com muita freqüência e a colúria.

Diagnóstico

- Gota Espessa

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Essa e a técnica mais utilizada para o diagnostico laboratorial da malaria e continua sendo
considerada como o “padrão ouro” para a confirmação especifica da doença.
Apos coleta de sangue, por meio de punção digital e sua distribuição adequada em lamina de vidro,
e realizada a coloração e leitura ao microscópio. Essa técnica e importante, pois permite a
visualização do parasito, identificação da espécie e o estagio de desenvolvimento para a avaliação
clinica e controle de cura do paciente.

- Esfregaço Sangüíneo
O diagnostico parasitologico da malaria pelo esfregaço sanguineo tem a vantagem de facilitar a
identificação da espécie por permitir maior detalhe da morfologia dos plasmódios, mas, por outro
lado, se houver poucos níveis de parasitas, ha uma redução da sua sensibilidade cerca de dez vezes,
se comparado a gota espessa.

- Imunotestes
Também chamado de testes rápidos, os imunotestes para diagnostico de malaria vem sendo
amplamente avaliados.

Outros Métodos
Existem ainda outros métodos que podem ser utilizados no diagnostico da malaria, como a Imuno-
fluorescência Indireta, Elisa e a Reação em Cadeia da Polimerase (PCR).

Tratamento

O tratamento imediato e adequado da malaria tem como objetivo a prevenção de formas graves da
doença, bem como a redução da mortalidade, alem de eliminar a fonte de infecção para o mosquito,
e, consequentemente, reduzir a transmissão da doenca.
Na febre causada pela malaria, métodos físicos, como o uso de compressas de água morna e
ventilação, são mais eficazes na diminuição da temperatura corporal do que o uso de antitérmicos.
Entretanto, os antitérmicos poderão ser usados na tentativa de evitar que ocorram convulsões febris
em criancas.
Para a cefaléia , o uso de bolsas de gelo traz um grande alivio aos pacientes, podendo, ainda, ser
usados os analgésicos.
A transfusão de concentrado de hemácias, ou mesmo sangue fresco (nos casos de distúrbios
hemorrágicos com choque hipovolêmico), esta indicada apenas nos casos de anemia grave.
Na hipoglicemia, pode-se administrar injeção endovenosa “em bolo” de glicose a 50%.

Em se tratando do uso de drogas são recomendados para o tratamento das infecções por
Plasmodium o uso de cloroquina em 3 dias e primaquina em 7 dias.

Medidas de Controle

As aplicações espaciais de inseticidas devem ser utilizadas em áreas de alta incidência de malaria,
urbana ou aglomerados populacionais das áreas rurais, onde o uso fica restrito ao redor da casa,
pressupondo que este seja o local de repouso do mosquito.
As medidas de proteção individual e familiar tem como finalidade proteger o individuo, sua família
ou sua comunidade e leva em consideração as características das atividades humanas, mas, de um
modo geral, os métodos mais indicados são:

• uso do repelente;
• uso de roupas e acessórios apropriados;

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• uso de mosquiteiros impregnados ou não com inseticidas;


• telagem de portas e janelas das casas;
• melhoria das habitações.

Toxoplasmose

A toxoplasmose é uma infecção parasitária causada pelo Toxoplasma gondii, é uma protozoose de
ampla distribuição geográfica.
Seu hospedeiro definitivo, o gato espalha através das fezes, os ovos, os quais atingem maturidade
rapidamente no solo e tornam - se infectantes. Quando ingeridos por hospedeiros intermediários
transformam-se e multiplicam-se rapidamente com eventual desenvolvimento .
A infecção humana é mais comumente adquirida pela ingestão de oocistos presentes em alimento
crus ou mal cozidos e mesmo em água não potável.
Geralmente assintomática, nos quadro agudos, pode apresentar febre, linfadenopatia e dores
musculares que persistem durante dias a semanas. Ocorre transmissão transplacentária, em que o
feto apresentará lesão cerebral, deformidades físicas e convulsões desde do nascimento até um
pouco depois.
Pacientes imunodeficientes são mais acometidos pela infecção, podendo apresentar encefalite,
corioretinite, pneumonia, envolvimento músculo-esquelético generalizado, miocardite, e/ou morte.
Toxoplasmose cerebral é um componente freqüente da AIDS.
A distribuição da doença é mundial, e afeta os mamíferos e as aves. A infecção no homem é
comum. É mais comum em regiões de clima quente e de baixa altitude. Alta prevalência (85%) de
infecção foi relatada na França pelo consumo de carne crua ou mal cozida, enquanto que na
América Central a alta prevalência foi relacionada a presença de grande quantidades de gatos
abandonados em climas que favoreciam a sobrevivência de oocistos.

Agente etiológico

O agente causal, Toxoplasma gondii é um protozoário intracelular, próprio dos gatos, e que
pertencem à família Sarcocystidae, da classe Sporozoa.

Cisto de Toxoplasma Gondii

Ciclo de vida

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Após ingestão pelo gato de tecidos contendo oocistos ou cistos, estes são liberados no organismo e
penetram no epitélio intestinal onde sofrem reprodução assexuada seguida de reprodução sexuada
se transformando em oocistos, podendo ser excretados junto com as fezes. Os oocistos não
esporulados necessitam de 1 a 5 dias para se esporularem no ambiente, tornado-se infectantes.
Oocistos podem sobreviver durante meses no ambiente e são resistentes a desinfetantes,
congelamento e processo de secagem, mas destruídos pelo aquecimento a 70ºC por 10 minutos.
Estes oocistos podem infectar o homem de diversas maneiras, como será visto no item modo de
transmissão.

Ciclo de vida

Reservatório

Os hospedeiro definitivos de Toxoplasma gondii são os gatos e outros felinos que se contaminam
pela ingestão de mamíferos.

Modo de transmissão

O Toxoplasma gondii é transmitido ao homem por diversas maneiras: através da ingestão de carne
mal cozida contendo cistos de Toxoplasma; pela ingestão de oocistos provenientes de mão
contaminada por fezes ou alimento e água; transmissão transplacentária; inoculação acidental de
traquizoítos ou pela ingestão de oocistos infectantes na água ou alimento contaminado com fezes de
gato. Pode ocorrer transmissão através da inalação de oocistos esporulados. As fezes de cabras e
vacas infectadas podem conter traquizoítos.
A infecção por transfusão de sangue e transplante de órgãos de um doador infectado é rara, porém
pode ocorrer.

Período de incubação

Consiste de 10 a 23 dias quando a infecção provém da ingestão de carne mal cozida; de 5 a 20 dias
em uma infecção associada a gatos.

Diagnóstico

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O diagnóstico se baseia nos sinais clínicos e pela confirmação através de estudos sorológicos, pela
demonstração do agente em tecidos ou líquidos corporais pela biópsia ou necrópsia ou pela
identificação do agente em animais ou através do cultivo de material.
Aumentos dos níveis de anticorpos apontam para infecção ativa.

Tratamento

O tratamento não é necessário para pessoas saudáveis e que não estejam grávidas.
Para mulheres grávidas e pessoas com deficiência do sistema imunológico, o tratamento deve ser
feito com pirimetamina, sulfadiaziana e ácido folínico durante quatro semanas.
Clindamicina em adição a esses agentes é utilizada para tratamento da toxoplasmose ocular.
Espiramicina é usada em gestantes para prevenir a infecção placentária.

Medidas de controle

Prevenção Primária: Consiste na identificação dos fatores de risco envolvidos na infecção aguda
em gestantes e fornecer recomendações específicas para evitar a doença entre gestantes suscetíveis.
- Não ingerir carnes cruas, mal cozidas ou mal passadas.
- Lavar as mãos ao manipular alimentos.
- Após manusear a carne crua, lavar bem as mãos, assim como toda a superfície que entrou em
contato com o alimento e todos os utensílios utilizados.
- Lavar bem frutas, legumes e verduras antes de se alimentar.
- Usar luvas e lavar bem as mãos após contato com o solo e terra de jardim.
- Evitar contato com fezes de gato no lixo ou solo.
- Não consumir leite e seus derivados crus, não pasteurizados, seja de vaca ou de cabra.
- Propor que outra pessoa limpe a caixa de areia dos gatos; caso não seja possível, limpá-la e trocá-
la diariamente, utilizando luvas e pazinha.
- Alimentar os gatos com carne cozida ou ração, não deixando que estes ingiram sua caça.
- Lavar bem as mãos após contato com os animais.

- Prevenção Secundária: Consiste na identificação de gestantes agudamente infectadas para que


sejam adotadas medidas para avaliar a infecção fetal e, ainda, reduzir a incidência e gravidade das
seqüelas com início do tratamento. Portanto, até o presente momento não existem evidências quanto
ao efeito do tratamento materno na redução da transmissão.
- Prevenção Terciária: É o tratamento de recém-nascidos infectados. Quanto mais precoce o início
da terapia após o nascimento, melhores resultados são alcançados em relação ao desenvolvimento
de seqüelas.

Helmintologia

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Estudo dos helmintos ou vermes.


São um grupo muito numeroso, composto de vários filos, sendo três mais importantes em termos de
parasitologia: Platyhelminthes, Aschelminthes e Acantocephala.

Platelmintos

Platelmintos são animais do filo Platyhelminthes(do grego platy, achatado + helmins, verme),
pertencente ao reino Animalia. São considerados vermes, tais como o são considerados os
integrantes dos filos Nematelmintos e Anelídeos.
Sistema digestório : Possui apenas uma abertura em todo o sistema, portanto é incompleto.
Constitui-se por boca, faringe e intestino ramificado que termina em fundo cego.
Oscestóides (animais endoparasitas, exemplo: a tênia) não possuem sistema digestivo.
A digestão é extra e intracelular.
Sistema nervoso: São os primeiros animais com um sistema nervoso central que é formado por um
anel nervoso. Isso permite uma melhor coordenação do sistema muscular, bem desenvolvido, o que
disciplina os movimentos do animal e lhe dá mais orientação.
Sistema reprodutor: Geralmente são hermafroditas (podendo ou não fazer a auto-fecundação).

Esquistossomose

Doença infecciosa parasitária provocada por vermes do gênero Schistosoma, inicialmente


assintomática, que pode evoluir até as formas clínicas extremamente graves.
É também conhecida como, “xistose”, “xistosa” “xistosomose”, “doença dos caramujos”, “barriga
d’água” e “doença de Manson-Pirajá da Silva”.

Agente etiológico

Na esquistossomose o agente etiológico é o esquistossomo (Schistosoma mansoni.)


A morfologia do S. mansoni deve ser estudada nas variadas fases do seu ciclo biológico: adultos
(macho e fêmea), ovo, miracídio e cercaria.

Macho:
Mede cerca de 1 cm. Tem cor esbranquiçada, com o corpo coberto de minúsculas projeções
(tubérculos). O corpo pode ser dividido em duas porções: a anterior, na qual encontramos a ventosa
oral e ventosa ventral (acetábulo) e a posterior, onde encontramos o canal ginecóforo; este é
formado por dobras das laterais do corpo para albergar a fêmea e fecundá-la.

Fêmea:
Mede cerca de 1,5 cm. Tem cor mais escura, devido ao ceco com sangue semi digerido, com
tegumento liso.

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Distribuição geográfica

No Brasil, inicialmente, a doença foi detectada nas faixas litorâneas da Região Nordeste. Hoje a
doença espalha-se por quase todo o país, em virtude dos movimentos migratórios.
A esquistossomose é uma doença originária da África, possivelmente do Egito.
A esquistossomose mansônica é característica das Américas.
No Brasil encontra-se um dos maiores focos do mundo, distribuindo-se praticamente por quase
todos os estados, principalmente com infestação endêmica em partes das Regiões Nordeste, Leste e
Centro-Oeste.

Nos Estados da Bahia, Sergipe, Alagoas e Pernambuco existem áreas em que a população infectada
alcança índices de 60%.

Modo de transmissão

É doença de veiculação hídrica, cuja transmissão ocorre quando o indivíduo suscetível entra em
contato com águas superficiais onde existam caramujos, hospedeiros intermediários, liberando
cercárias (Figuras 1 e 2).
A suscetibilidade ao verme é geral. Qualquer pessoa independente de sexo, cor (raça), idade, uma
vez entrando em contato com as cercárias, pode vir a contrair a doença.

Figuras 1 e 2: cercárias de Schistosoma mansoni


Fonte: Manual de Malacologia, 2013 – SVS/Fiocruz/MS

Vetor

Os caramujos Biomphalaria são hospedeiros intermediários do verme, esses moluscos são de água
doce e vivem em águas paradas ou com fraca correnteza. São popularmente conhecidos como
caracóis.

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Ciclo biológico

1ª Fase: Ovo 2ª Fase: Miracídio

3ª Fase: Cercária 4ª Fase: Schistosoma Mansoni


(Verme adulto)

O homem infectado eliminando ovos viáveis de S. mansoni por meio das fezes .
Quando esses ovos entram em contato com a água, rompem-se e permitem a saída da forma larvária
ciliada, denominada miracídio.
Os miracídios penetram no caramujo, onde se multiplicam e, entre quatro a seis semanas depois,
começam a abandoná-lo em grande número, principalmente quando estão sob a ação de calor e
luminosidade.
A forma infectante larvária que sai do caramujo tem o nome de cercária.
O horário no qual as cercárias são vistas em maior quantidade na água e com maior atividade é
entre 10 e 16h, quando a luz solar e o calor são mais intensos.
As cercárias penetram no homem (hospedeiro definitivo) por meio da pele e/ou mucosas e, mais
freqüentemente, pelos pés e pernas, por serem áreas do corpo que ficam em maior contato com
águas contaminadas.
Após atravessarem a pele ou mucosa, as cercárias perdem a cauda e se transformam em
esquistossômulos. Esses caem na circulação venosa e alcançam o coração e pulmões, onde
permanecem por algum tempo.
Retornam posteriormente ao coração, de onde são lançados, por meio das artérias, aos pontos mais
diversos do organismo, sendo o fígado, o órgão preferencial de localização do parasito. No fígado,
as formas jovens se diferenciam sexualmente e crescem alimentando-se de sangue, migram para as

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veias do intestino, onde alcançam a forma adulta, acasalam-se e iniciam a postura de ovos,
recomeçando o ciclo.

Quadro clinico

Fase inicial (dermatite cercariana e esquistossomose aguda)


A fase inicial da esquistossomose coincide com a penetração da cercária na pele, que pode ser
assintomática ou apresentar intensa manifestação.
Dermatite cercariana - caracterizada por micropápulas “avermelhadas” semelhantes à picadas de
insetos. Essas manifestações duram, em geral, de 24 a 72 horas, podendo chegar até 15 dias.
Cerca de um a dois meses após, aparecem os sintomas inespecíficos, como febre, cefaléia, anorexia,
náusea, astenia, mialgia, tosse e diarréia, caracterizando a esquistossomose na forma aguda.
O fígado e o baço aumentam discretamente de volume e o indivíduo apresenta sensível
comprometimento do seu estado geral, podendo, em alguns casos, chegar ao óbito.
Toda essa sintomatologia é difícil de ser encontrada nos habitantes das zonas endêmicas.

Esses indivíduos, desde a infância em contato com a forma larvária infectante (cercaria) ,
desenvolvem certa resistência e, neles, a fase aguda passa quase sempre despercebida, às vezes com
manifestações leves de diarréia e urticária.
Ao contrário, as manifestações agudas da doença são mais freqüentes em pessoas que entram em
contato com águas contaminadas pela primeira vez. Após seis meses de infecção há risco de evoluir
para a fase crônica.
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Fase crônica
A esquistossomose na fase crônica pode apresentar distintas manifestações. Nessa fase, o fígado é o
órgão mais freqüentemente comprometido. Dependendo da maior ou menor suscetibilidade do
indivíduo e da intensidade da infecção, na fase crônica, pode ocorrer a evolução da doença para
diversas formas clínicas:
a) Intestinal
É a mais comumente encontrada. Pode ser assintomática ou caracterizada por diarréias repetidas, do
tipo muco sangüinolenta ou não. O fígado e o baço não são palpáveis, embora exista,
freqüentemente, queixa de dor abdominal no hipocôndrio direito.
b) Hepatointestinal
Na forma hepatointestinal, os sintomas intestinais são semelhantes aos descritos para a forma
intestinal, sendo, porém, mais freqüentes os casos com diarréia e epigastralgia.
O fígado encontra-se aumentado de volume..
c) Hepatoesplênica
O estado geral do paciente fica comprometido. O fígado e baço são palpáveis, o que caracteriza essa
fase da doença .

Formas graves da doença ( hepatoesplenomegalia) : Aumento do fígado e baço

Diagnóstico

Clínico:
Para o diagnóstico clínico, deve-se levar em conta a fase da doença e a anamnese detalhada do caso
do paciente (origem, hábitos, contato com a água).

Parasitológico:
Os métodos parasitológicos diretos se baseiam no encontro dos ovos dos parasitos nas fezes ou
tecidos dos pacientes.
Exame de fezes
Pode ser feito por métodos de sedimentação ou centrifugação, métodos estes baseados na alta
densidade de ovos.
Pesquisa de sorologia : os antígenos do verme adulto constituem evidência direta de sua presença,
quando identificados no soro e na urina de pacientes com esquistossomose.

Exames de imagem
a) Ultra-sonografia do abdômen: detecta alterações hepáticas que são específicas da
esquistossomose hepatoesplênica;

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b) Radiografia do tórax: é importante para diagnosticar a hipertensão arterial pulmonar;


c) Endoscopia digestiva alta: utilizada no diagnóstico e tratamento das varizes gastroesofágicas;

Tratamento

O tratamento quimioterápico da esquistossomose por meio de medicamentos de baixa toxicidade,


como o praziquantel e a oxamniquina, deve ser preconizado para a maioria dos pacientes com
presença de ovos viáveis nas fezes ou mucosa retal.
A distribuição dos medicamentos esquistossomicidas é gratuita e repassada para as Secretarias de
Estado de Saúde (SES), pelo Programa de Vigilância e Controle da Esquistossomose, estando
disponível na rede de atenção básica a saúde dos municípios ou nas unidades de referência para
tratamento da esquistossomose.

Medidas de controle
Basicamente dois são os aspectos do lado do homem, a serem analisados em um processo de
prevenção: o contato com a água contaminada e a disposição das excretas. A promiscuidade
no uso da água, principalmente pelas crianças mal cuidadas, é um dos fatores de
favorecimento à continuidade do ciclo da doença.
Evitar contato com águas habitadas por caramujos que podem ser portadores das larvas do
esquistossoma.
Eficiência no saneamento público e combate ao caramujo hospedeiro e o tratamento da água e das
fezes são as principais medidas de prevenção, e o tratamento efetivo dos portadores.
É primordial que não se deixe que as excretas humanas atinjam os reservatórios de água, devendo
ser generalizado o uso de privadas higiênicas em regiões sem redes coletoras de esgotos.
Estas privadas devem ficar longe de canais de irrigação, por exemplo, e seu conteúdo
residuário não deve ser usado como adubo sem uma prévia análise da sua composição.
Em regiões endêmicas, onde a água não tem tratamento prévio, antes de ser utilizada é
indispensável que a mesma seja fervida, para que não haja a contaminação pela mucosa da
boca, visto a quase imediata destruição dos seus ovos a temperaturas acima de 60°C.
É essencial que haja um sistema de distribuição de água potável para que a população não corra
riscos, onde a doença seja endêmica.

Combate ao Vetor (Caramujo)

O combate ao caramujo , seria teoricamente a medida mais efetiva de luta contra a doença. Porém,
embora de preferência aquática, este molusco é bastante versátil em suas condições de
sobrevivência e de fácil reprodução. Por exemplo, na falta de água nos rios e lagos, ele é
capaz de sobreviver por meses a fio escondido nas margens secas e sob a terra.
Na perseguição a esse hospedeiro têm sido usados desde moluscocidas até predadores naturais, tais
como o peixes e caramujos carnívoros, estes oriundos de Porto Rico.

Teníase e Neurocisticercose

A teníase é uma infecção intestinal ocasionada principalmente por dois


grandes parasitos hermafroditas da classe dos cestódeos da família Taenidae, conhecidos

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como Taenia solium e Taenia saginata. As tênias também são chamadas


de solitárias, porque, na maioria dos casos, o portador traz apenas um verme adulto.
São altamente competitivas pelo seu habitat e, não necessitam de parceiros para a cópula e postura
de ovos, por serem hermafroditas .

Teníase e cisticercose são causadas pelo mesmo parasita, porém com uma fase de vida diferente.
A teníase ocorre devido a presença deTaenia solium adulta ou Taenia saginata dentro do intestino
delgado dos humanos, que são os hospedeiros definitivos.

A cisticercose ocorre devido presença da larva (chamada popularmente de canjiquinha) que pode
estar presente em hospedeiros intermediários, onde os mais comuns são os suínos e
os bovinos, onde os humanos acidentalmente podem abrigar esta forma.

São, portanto, duas fases distintas de um mesmo verme, causando duas parasitoses no homem, o
que não significa que uma mesma pessoa tenha que ter as duas formas ao mesmo tempo.

Agente Etiológico

A Taenia solium é a tênia da carne de porco e a Taenia saginata é a da carne bovina.


Esses dois cestódios causam doença intestinal (Teníase) e os ovos da T. solium desenvolvem a
Cisticercose.
O habitat de ambas as espécies mais comuns de tênia adulta é o intestino delgado dos humanos
infectados.
O cisticerco é encontrado geralmente no tecido muscular de porcos, mas pode ser encontrado
no tecido subcutâneo, nos olhos e cérebro do animal e ocasionalmente nos humanos.

Morfologia

As Taenias são divididas morfologicamente em escólex, colo e estróbilo, onde se encontram os


ovos.
Escólex (Cabeça)
É um órgão adaptado para a fixação do parasita na mucosa do intestino delgado.
Apresenta quatro ventosas formadas por tecido muscular.
Colo ( Pescoço)
Situado imediatamente após o escólex, o colo não tem segmentação e suas células estão em
constante atividade reprodutora, dando origem as proglotes jovens. É conhecido como zona
de crescimento ou de formação das proglotes.

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Estróbilo (Corpo)
É formado pela união das proglotes (anéis), podendo ter de 800 a mil proglotes e atingir de três
metros (T. solium) e oito metros (T. saginata).
As proglotes são divididas em jovens, maduras e grávidas.

Cisticerco
Constituídos de um escólex com quatro ventosas, colo e uma vesícula membranosa contendo
líquido no seu interior. Podem atingir até 12mm de comprimento, após quatro meses de
infecção.

Tecido muscular suíno e bovino respectivamente, contendo cisticerco

Características Epidemiológicas

A América Latina tem sido apontada por vários autores como área de prevalência elevada de
neurocisticercose, relatada em 18 países latino-americanos, com estimativa de 350.000
pacientes.
O abate clandestino de animais, sem inspeção e controle sanitário, é muito elevado na maioria dos
países da América Latina e Caribe, sendo a causa fundamental da ocorrência da doença .
No Brasil, a Cisticercose tem sido cada vez mais diagnosticada, principalmente nas regiões Sul e
Sudeste.
A baixa ocorrência de Cisticercose em algumas áreas, como, por exemplo, nas regiões Norte e
Nordeste, pode ser explicada pela falta de notificação ou porque o tratamento dos indivíduos
acometidos é realizado em grandes centros, o que dificulta identificar a procedência do local
da infecção.

Ciclo biológico

Teníase
O homem portador da teníase apresenta a tênia no estado adulto em seu intestino delgado, também
sendo, o hospedeiro definitivo.
Os proglotes grávidos se desprendem periodicamente e são eliminados junto com as fezes.
Os hospedeiros intermediários são os suínos e os bovinos, que se infectam ingerindo água ou
alimentos contaminados com ovos ou proglotes eliminados nas fezes humanas.
Os suínos, por possuírem hábitos coprófagos, (ingesta de fezes) ingerem os proglotes grávidos ou
ovos presentes nas fezes humanas.
Dentro do intestino do animal, os embriões deixam a proteção dos ovos e, por meio de seis ganchos,
perfuram a mucosa intestinal.
Pela circulação sangüínea, alcançam os músculos e o fígado do porco, transformando-se em larvas
denominadas cisticercos, que apresentam o escólex invaginado numa vesícula.
Os cisticercos apresentam-se semelhantes a pérolas esbranquiçadas, com diâmetros variáveis,
normalmente do tamanho de uma ervilha.

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Quando o homem se alimenta de carne suína ou bovina crua ou mal cozida contendo estes
cisticercos, as vesículas são digeridas, liberando o escólex que se evagina e fixa-se nas
paredes intestinais, evoluindo então para a forma adulta.

Cisticercose
O homem entra no lugar do porco, ingerindo os ovos do parasita.

Ciclo de vida da Taenia saginata

Verme adulto

Transmissão

Teníase

A teníase ocorre devido à ingestão de carne suína ou bovina, que não teve os devidos cuidados de
preparo, como congelamento e cozimento, contaminada com o cisticerco (canjiquinha),
dependendo da espécie.

Cisticercose

Os portadores de teníase eliminam ovos através das fezes no ambiente, assim, por acidente, os
humanos podem ingerir estes ovos e adquirir a parasitose. Além desta forma, os humanos
podem adquirir a cisticercose através dos mecanismos abaixo:

Auto-infecção externa

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A contaminação é dada pela ingestão dos ovos do próprio portador de Taenia solium, em condições
de falta de higiene e nos casos de coprofagia em crianças e indivíduos com doenças mentais.
Auto-infecção interna
Pode ocorrer quando o portador de tênia vomita, nos movimentos retroperistálticos do intestino.
Assim os ovos podem atingir o estômago e iniciar o ciclo de cisticercose.
Heteroinfecção
Outro indivíduo pode contaminar a água e os alimentos com ovos de tênia. Desta forma o homem
ao ingerir estes itens poderá contaminar-se.

Quadro clinico

A infestação por tênia provoca sintomas relativamente brandos no hospedeiro, como


diarréias, prisão de ventre, insônia e irritabilidade. A pessoa atacada pela verminose é
geralmente magra, pois o parasita compete com ela pelo alimento ingerido. Além disso,
frequentemente ocorre anemia, acompanhada de indisposição e cansaço, provocados por
substâncias tóxicas liberadas pelo verme.

Nos casos de Neurocisticercose, a sintomatologia pode ocorrer meses ou até mesmo anos depois
da infecção . Dentre eles, dores de cabeça frequentes, convulsões, transtornos de visão,
alterações psiquiátricas, vômitos, infecções na coluna, demência e perda da consciência.

Diagnóstico

Clínico, epidemiológico e laboratorial.


Como a maioria dos casos de Teníase os sintomas são discretos , o diagnóstico comumente é feito
pela observação do paciente ou, quando crianças, pelos familiares.
Isso ocorre porque os proglotes são eliminados espontaneamente e nem sempre são detectados nos
exames parasitológicos de fezes.
Em geral, para se fazer o diagnóstico da espécie, coleta-se material da região anal e, através do
microscópio, diferencia-se os ovos da tênia dos demais parasitas.
Os estudos sorológicos sanguineos específicos no soro e líquido cefalorraquiano confirmam o
diagnóstico da neurocisticercose, cuja suspeita decorre de exames de imagem: raios X
(identifica apenas cisticercos calcificados), tomografia computadorizada e ressonância nuclear
magnética (identificam cisticercos em várias fases de desenvolvimento).
A biopsia de tecidos, quando realizada, possibilita a identificação microscópica da larva.

Tratamento

Teníase - Mebendazol: 200mg, 2 vezes ao dia, por 3 dias, VO;


Niclosamida ou Clorossalicilamida: adulto e criança com 8 anos ou mais, 2 vezes por dia
Praziquantel, VO, dose única;
Albendazol, 400mg/dia, durante 3 dias.

Neurocisticercose - Praziquantel, durante 21 dias, associado a Dexametasona, para reduzir a


resposta inflamatória, consequente a morte dos cisticercos. Pode-se, também, usar
Albendazol, durante 30 dias, dividida em 3 tomadas diárias, associado a 100mg de
Metilprednisolona, no primeiro dia de tratamento, a partir do qual se mantém 20mg/dia,
durante 30 dias.

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O uso de anticonvulsivantes, às vezes, se impõe, pois cerca de 62% dos pacientes desenvolvem
epilepsia.
Medidas de controle

Trabalho educativo para a população - A aplicação pratica dos princípios básicos de higiene
pessoal e o conhecimento dos principais meios de contaminação constituem medidas
importantes de profilaxia. O trabalho educativo voltado para a população deve visar à
conscientização, ou seja, a substituição de hábitos e costumes inadequados e a adoção de
outros que evitem as infecções.
Inspeção sanitária da carne - Essa medida visa reduzir, ao menor nível possível, a
comercialização ou o consumo de carne contaminada por cisticercos e orientar o produtor
sobre as medidas de aproveitamento da carcaça (salga, congelamento, em acordo com a
intensidade da infecção), reduzindo perdas financeiras e dando segurança para o consumidor.
Fiscalização de produtos de origem vegetal - A irrigação de hortas e pomares com água de rios
e córregos, que recebam esgoto ou outras fontes de águas contaminadas, deve ser proibidas
pela rigorosa fiscalização, evitando a comercialização ou o uso de vegetais contaminados por
ovos de Taenia.
Cuidados na suinocultura - Impedir o acesso do suíno as fezes

Para os portadores de Teníase, entretanto, recomenda-se medidas para evitar a sua propagação:
tratamento específico, higiene pessoal adequada e eliminação de material fecal em local
adequado.

Nematelmitos

Os nematelmintos (do grego nematos: 'filamento', ehelmin: 'vermes') são vermes de corpo
cilíndrico, afilado nas extremidades. Muitas espécies são de vida livre e vivem em ambiente
aquático ou terrestre; outras são parasitas de plantas e de animais, inclusive o ser humano.
Ao contrário dos platelmintos, os nematelmintos possuem tubo digestório completo, com boca e
ânus. Geralmente têm sexos separados, e as diferenças entre o macho e a fêmea podem ser
bem nítidas, como no caso dos principais parasitas humanos. De modo geral o macho é menor
do que a fêmea da mesma idade e sua extremidade posterior possui forma de gancho.

Sistema digestório
O tubo digestório dos nematelmintos é completo, ou seja, possui um orifício de entrada de
alimentos (a boca) e um outro orifício de saída de dejetos (o ânus) -
sãoenterozóarios completos.
Na boca, podem ser encontradas placas cortantes semelhantes a dentes, com as quais os
nematelmintos podem perfurar os tecidos de outros seres vivos. A faringe é musculosa e serve
para esmagar os alimentos e também para os dirigir para o intestino, que não possui qualquer
musculatura. O alimento é completamente digerido pelas enzimas que atuam sobre ele no
interior do tubo digestivo, e os nutrientes são passados para a cavidade do corpo para serem
distribuídos pelas células.
Muitos nematelmintos de vida livre são carnívoros e se alimentam de pequenos animais ou de
corpos de animais mortos. Os parasitas intestinais recebem o alimento já parcialmente
digerido pelo hospedeiro.
Trocas gasosas
Eles não possuem órgãos respiratórios. As trocas gasosas acontecem na superfície corporal,
por difusão.

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Ascaridíase

O Ascaris lumbricóides, agente etiológico popularmente conhecido como lombriga, é o maior


nematódio intestinal do homem. A doença causada pelo Ascaris lumbricóides é a Ascaridíase.
O Ascaris adulto tem coloração amarelo-rosada, três lábios em sua extremidade anterior, tem uma
cutícula lisa e duas linhas brancas lateralmente distribuídas pelo corpo.
O verme macho adulto mede aproximadamente 15-30 cm de comprimento, a fêmea mede
aproximadamente 35-40 cm de comprimento.
Para distinguir a fêmea do macho, além do tamanho, pode-se observar na fêmea, na sua
extremidade posterior, uma forma cônica e retilínea, ao passo que o macho apresenta essa
extremidade curva ventralmente com dois espículos laterais curvos.
Quando adulto, o verme vive na luz do intestino delgado, onde se alimenta do conteúdo intestinal
do homem e pode se locomover facilmente sem se fixar à mucosa intestinal.
Vivem no intestino por cerca de seis meses e põem em média cerca de 200 mil ovos.
No intestino, podem-se abrigar cerca de 500-600 vermes de uma só vez.
Os ovos são arredondados ou ovais, de coloração marrom, pois absorvem pigmentos biliares das
fezes. Esses ovos não são infectantes para o homem.

Ovo de Ascaris / vermes adultos

Epidemiologia

A ascaridíase é uma das helmintoses mais comuns no Brasil se não a helmintose mais comum, bem
como em todo o mundo, principalmente nas regiões subtropicais do planeta. Nas sociedades de
baixo nível socioeconômico, sua prevalência facilmente ultrapassa os 80%.

Ciclo Biológico

Os ovos fecundados são eliminados pelas fezes, desenvolvem-se à temperatura de 30-35 o C,


umidade e oxigênio. Nessas condições, o ovo pode desenvolver-se em 12 dias, formando
primeiramente em seu interior, uma larva L1 que, em uma semana, sofre mutação para os estágios
de segunda e terceira larvas L2 e L3, respectivamente. Esta terceira larva é a larva dita infectante.
O homem infecta-se ingerindo água contaminada ou alimentos crus infectados com a mesma. As
crianças podem se contaminar através do solo, pelo fato de levarem as mãos à boca.

As larvas são liberadas no intestino delgado e alcançam a corrente sanguínea através da parede do
intestino. Infectam o fígado, onde crescem durante menos de uma semana e entram nos vasos
sanguíneos novamente, passando pelo coração e seguem para os pulmões. Nos pulmões invadem
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os alvéolos, e crescem mais com os nutrientes e oxigênio abundantes nesse órgão bem irrigado.
Quando crescem demasiados para os alvéolos, as larvas saem dos pulmões e sobem
pelos brônquios chegando à faringe onde são maioritariamente deglutidas pelo tubo digestivo,
passando pelo estômago, atingem o intestino delgado onde completam o desenvolvimento,
tornando-se adultos.
Apesar de haver alguns casos em que são expectoradas saindo pela boca. A forma adulta vive
aproximadamente dois anos. Durante esse período, ocorre a cópula e a liberação de ovos que são
excretados com as fezes.
Observe abaixo o ciclo de vida esquematizado:

1- A ingestão de água ou alimento (frutas e verduras) contaminados pode introduzir ovos de lombriga no tubo digestório humano.
2- No intestino delgado, cada ovo se rompe e libera uma larva.
3- Cada larva penetra no revestimento intestinal e cai na corrente sanguínea, atingindo fígado, coração e pulmões, onde sofre algumas
mudanças de cutícula e aumenta de tamanho.
4- Permanece nos alvéolos pulmonares podendo causar sintomas semelhantes ao de pneumonia.
5- Ao abandonar os alvéolos passam para os brônquios, traquéia, laringe (onde provocam tosse com o movimento que executam) e faringe.
6- Em seguida, são deglutidas e atingem o intestino delgado, onde crescem e se transformam em vermes adultos.
7- Após o acasalamento, a fêmea inicia a liberação dos ovos. Cerca de 15.000 por dia. Todo esse ciclo que começou com a ingestão de ovos, até a
formação de adultos, dura cerca de 2 meses.
8-Os ovos são eliminados com as fezes. Dentro de cada ovo, dotado de casca protetora, ocorre o desenvolvimento de um embrião que, após algum
tempo, origina uma larva.
9- Ovos contidos nas fezes contaminam a água de consumo e os alimentos utilizados pelo homem.

Manifestações clínicas

No estágio larvário, dificilmente provocam algum sintoma relato, podendo ser


comuns manifestações intestinais pois as larvas migram para veia porta. Na sua passagem pelos
pulmões, podem provocar, infecções moderadas que por vezes podem evoluir e levam
à tosse, febre, dispnéia, dor torácica, roncos, sibilos e moderada ou intensa eosinofilia.
Na sua migração pelo fígado, as larvas podem provocar, embora sem comprovação, hepatomegalia,
acompanhadas de eosinofilia intensa (94%), mal-estar geral e febre persistente e moderada.
No estágio adulto, a ascaridíase intestinal geralmente é bem tolerada, suas principais manifestações
são acentuação da lordose lombar e abdome proeminente, pois podem aumentar o conteúdo

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abdominal e interferir na digestão e absorção entéricas. O desconforto abdominal se manifesta


por dor em cólica podendo ocorrer náuseas.
A desnutrição também está relacionada , por ação de utilização dos nutrientes e utilização de
vitamina A pelo verme.
Precedendo esse quadro, pode ocorrer também a eliminação espontânea do verme pela boca, narinas
e ânus. Quando o quadro de obstrução intestinal persistir por muito tempo, pode ocorrer isquemia
intestinal com conseqüente necrose.

Diagnóstico

O diagnóstico é feito pela observação microscópica de ovos nas fezes, através do Exame
Parasitológico de Fezes, ou no material vomitado.
Ao Raio-X podem ser visíveis após ingestão de contraste, os parasitas com seu trato alimentar
contrastado, ou como manchas alongadas, além de outros exames de imagem, como endoscopias,
ultrassonografias.
Também são solicitados exames sanguineos com achados de eosinofilia (célula alterada na presença
de infecção parasitaria ), além de testes imunológicos.
Tratamento

O tratamento deve ser feito de imediato, mesmo com pequeno número de vermes, pois sua
migração pode aparecer de fato. Apenas nos casos de ascaridíase intestinal, as drogas mais
indicadas são: os sais de piperazina, sais de tetramisol ou levamisol, pamoato de pirantel e
o mebendazol, durante três dias consecutivos.

Complicações

As complicações graves da ascaridíase são raras e predominantemente em crianças que têm grande
número de parasitos (devido muitas vezes às crianças comerem terra ou lamberem objetos
sujos de terra). Assim, um grande número de adultos no intestino pode formar uma bolo de
parasitos, que obstrui a passagem dos alimentos pelo intestino; grande número de parasitas na
passagem pelos pulmões e faringe podem provocar crises de asfixia; e a migração de
parasitas para os ductos biliares, pancreáticos ou apêndice resultar
em colecistite, pancreatite ou apendicite.
Pode também existir a forma errática da infecção (altas cargas parasitárias), onde os parasitos
albergam órgãos não naturais da infecção podendo provocar hemorragias internas.

Profilaxia

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Os principais meios de prevenção são a educação para a saúde, de modo a evitar a contaminação no
solo com fezes, e contato direto com solo, melhoria dos hábitos higiênicos no preparo de alimentos
e seu manuseio, especialmente vegetais.
O saneamento básico, a desinfecção e o tratamento são os principais meios de erradicar a doença.
Deve-se usar latrinas, fossas secas e outros dispositivos para o recolhimento de dejetos,
especialmente nas comunidades com precárias condições socioeconômicas.
A desinfecção do solo também deve ser realizada , especialmente galinheiros e fazendas, além da
desinfecção de alimentos, o que é mais dificultado, pois geralmente utilizamo-nos da fervura, o que
por si só não seria possível para completa desinfecção.

Enterobiose

Enterobíase/Enterobiose ou Oxiurose/Oxiuríase é o nome da infecção causada


por oxiúros (Enterobius vermicularis). É uma das doenças parasitárias mais comuns do mundo,
sendo frequente mesmo em países desenvolvidos, atingindo cerca de 11-21% da população por ano,
sendo mais comum em crianças pequenas.

Agente etiológico

O Enteróbios Vermiculares é um verme nematóide pequeno e fusiforme.


As fêmeas têm cerca de 1 centímetro e cauda longa, enquanto os machos apenas 3 milímetros.
O macho morre após a cópula e é expulso junto com as fezes.
As fêmeas põem mais de 10.000 ovos (40 micrómetros) que são levados ou ficam agarrados à roupa
interior, caem e misturam-se no pó, ou podem ainda ser levados pelas fezes. É comum em casos de
diarréia , saírem fêmeas adultas também com as fezes, que são visíveis movendo-se à superfície da
água ou vaso sanitário.

Enteróbios Vermiculares em região anal

Transmissão

Por água, alimentos, poeira ou objetos levados a boca contaminados com os vermes.
As fêmeas produzem grande quantidade de ovos na região perianal. Os ovos são transparentes,
muito resistentes, leves e conseguem resistir até três semanas em ambientes domésticos.
Crianças pequenas que coçam a área e colocam os dedos na boca podem se re-contaminar mais de
uma vez.
Crianças em idade pré-escolar ou escolar e pessoas que cuidam dessas crianças são os mais
afetados.
A dificuldade em eliminar os ovos, impedir re-infecções, medicar todos infectados, mesmo os
assintomáticos, e impedir a importação de novos vermes torna essa doença extremamente difícil de
ser eliminada.

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Ciclo de vida

Os vermes adultos vivem no intestino grosso e, após a cópula, o macho é eliminado.


As fêmeas fecundadas não fazem oviposição no intestino e têm seu útero abarrotado com
aproximadamente 11.000 ovos. Em um determinado momento o parasita se desprende do ceco e é
arrastado para a região anal e perianal, onde se fixa e libera grande quantidade de ovos necessitando
de apenas seis horas para se tornar infectantes.
Ao serem ingeridos, os ovos sofrem a ação do suco gástrico e duodenal, libertando as larvas que se
dirigem ao ceco, onde se fixam e evoluem até o estágio adulto. A duração do ciclo é em média de 30
a 50 dias.

Quadro clinico

O sintoma característico da enterobíase é o prurido anal, que se exacerba no período noturno devido
à movimentação do parasita pelo calor do local , produzindo um quadro de irritabilidade e insônia.
Outros sintomas comuns são:
Coceira no ânus,
Enjoo/náusea,
Vômitos,
Dores abdominais,
Cólicas;
Em alguns casos ocorrem sangue nas fezes. É comum também que não hajam sintomas além da
coceira anal.
Nas meninas , o verme pode migrar da região anal para a genital, ocasionando prurido vulvar,
corrimento vaginal, eventualmente infecção do trato urinário, e até excitação sexual.

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Diagnóstico

O método de escolha utilizado para o diagnóstico da enterobíase difere em relação às outras


verminoses em geral.
As técnicas habituais de demonstração de ovos de helmintos não apresentam positividade superior a
5% dos casos, uma vez que as fêmeas não fazem oviposição no intestino.
Pode-se usar uma fita de celofane adesiva e transparente, ou fita , para detectar ovos na região anal.
Adota-se como padrão da colheita do material pela manhã, antes de o paciente defecar ou tomar um
banho.
Caso não seja possível tal procedimento, pode-se optar pela coleta após o paciente ter se deitado.
Este material é então analisado em microscópio para confirmar a presença do parasita.
Com estas técnicas, aumenta-se sensivelmente a positividade do achado dos ovos de E. vermicularis
e, se realizado em dias consecutivos, com no mínimo três coletas.

Tratamento

O tratamento de primeira escolha é o pamoato de pirantel em dose única, por via oral,
preferencialmente em jejum.
Como terapia alternativa à participação dos benzimidazólicos, mebendazol e albendazol em dose
única e repetição em 2 semanas.

Prevenção

A higiene permite reduzir a probabilidade de contaminação, assim como a limpeza frequente dos
quartos das crianças e sobretudo em zonas em que se acumula o pó como debaixo da mobília e ao
redor de portas.
É preferível limpar com pano molhado de modo a não levantar pó que pode ser inalado ao varrer.
As roupas das crianças devem ser trocadas frequentemente, e as suas unhas cortadas de modo a não
reter ovos ao coçar.
Outro grande cuidado deve ser o banho diário e o lavar as mãos antes de qualquer refeição para
evitar a re-infecção.
Todos os materiais infectados ou em contato com o corpo do doente (pijamas, roupa de cama,
roupas íntimas) devem ser lavados com água morna (superior a 55 graus Celsius, por alguns
segundos, é suficiente) e sabão diariamente.
Água sanitária também auxilia para desinfectar brinquedos e roupas.

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