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IFPI CONTABILIDADE DISC. CONT. INDUSTRIAL PROF.

JOSÉ CORSINO

3. O Patrimônio da Empresa Industrial


O patrimônio é uma grandeza constituída pelos bens, direitos e obrigações de
uma pessoa ou de uma entidade.
O patrimônio da empresa industrial é, portanto, o conjunto de bens, direitos e
obrigações envolvidas nas atividades exercidas por essa empresa.
O patrimônio compõe-se de uma parte positiva (ativo) e de uma parte negativa
(passivo). O ativo representa os capitais investidos na atividade econômica e o passivo
os financiamentos obtidos para aplicação nessa atividade.

3.1 Investimentos
De acordo com a natureza de cada empresa, os capitais nela aplicados recebem
destinação específica, segundo os fins objetivados.

Essas várias aplicações não podem ser reunidas em grupos uniformes em todos
os tipos de empresa de empresa, em virtude das diferentes naturezas finalidades de cada
uma. Podemos, entretanto, criar grupos gerais de contas que podem ser utilizadas em
todas elas, embora a classificação dos bens e direitos possa ser diferente em cada um
desses grupos, de acordo com a natureza e finalidade da entidade. Um prédio, um
veiculo ou um móvel, por exemplo, não têm a mesma aplicação em duas entidades
diferentes, quando uma os conserva para uso próprio e outra os destina à venda. O
mesmo ocorre com outros bens ou mesmo com créditos (direitos), que podem existir em
algumas entidades e não existir em outras, de acordo com finalidade de cada uma.

Os componentes do ativo recebem, portanto, uma classificação de acordo com a


natureza dos bens em que são investidos os capitais.

Essa classificação não é uniforme para todas as entidades, distinguindo-se


especialmente as entidades com fins lucrativos daquelas com fins sociais.

Nem mesmo para as entidades com fins lucrativos é possível estabelecer


classificação uniforme, pois elas variam de acordo com a natureza da atividade de cada
uma.

As empresas industriais, por exemplo, geralmente aplicam maiores capitais no


ativo imobilizado, que constitui as instalações e o equipamento necessário a fabricação
de seus produtos. As empresas industriais também fazem grandes investimentos
matérias-primas, em produtos acabados e em créditos provenientes das vendas a prazo.
A atividade mercantil, embora acessória à industrial, é também imprescindível a esta,
criando a necessidade de investimento em capital de giro.

Classificação dos bens do Ativo:


a) bens numerários;
b) créditos de funcionamento;
c) bens de vendas;
d) bens de renda;
e) bens fixos;
f) bens intangíveis.
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a) Bens Numerários
Compreendemos por bens numerários as disponibilidades da empresa,
representadas pelo saldo em caixa e por depósitos bancários. O saldo em caixa pode ser
representado por moeda corrente, cheque a receber, vale cobráveis a vista, ordens de
pagamentos ou qualquer outro valor conversível imediatamente, que sirva como meio de
pagamento da empresa.

b) Créditos de Funcionamento
Entende-se por créditos de funcionamento, o ativo a receber, decorrente da
próxima atividade da empresa, tais como duplicatas a receber, decorrente das vendas a
prazo, bem como oriundos desses créditos; os saldos em contas-correntes, de devedores
que mantêm relações com a empresa, tais
São assim chamados porque se originam do próprio funcionamento da
empresa, como o resultado das operações realizadas cotidianamente e sem as quais
nenhuma empresa atinge o seu objetivo. Distinguem-se dos créditos de financiamento,
oriundos de empréstimos.

c) Bens de Vendas
Bens de vendas são aqueles destinados à venda pela sociedade. Nas
empresas mercantis são constituídos por mercadorias; nas empresas imobiliárias
por terrenos ou prédios destinados à venda; nas empresas agrícolas pela
colheita, ou seja, pela produção agrícola, e nas empresas industriais pelos
produtos fabricados e destinados à venda.
Alguns autores consideram enquadráveis neste grupo também aqueles
que, embora não destinados à venda imediata, se integra direita ou indiretamente
no produto a ser fabricado. É o caso das matérias-primas, que são adquiridas
exclusivamente com a finalidade de se transformarem em produtos para venda.
Além das matérias-primas, que são diretamente incorporadas aos produtos, há
também determinados materiais de consumo da indústria, imprescindíveis à
fabricação (insumos), tais como combustíveis, lubrificantes, matérias de limpezas
etc., que são indiretamente aplicados na produção.
Embora esses bens possam eventualmente ser vendidos, não têm na
indústria essa destinação, mas a de consumo no processo de fabricação. Não se
destinam à venda, porem não constituem ativo permanente, pois se trata de
capital circulante de breve permanência na empresa. São bens que se renovam
freqüentemente, por consumo ou incorporação nos produtos destinados à venda,
razão por que são classificados no Ativo Circulante.

d) Bens de Renda
Todos aqueles que produzem renda para o patrimônio,
independentemente da atividade principal da empresa, são considerados bens de
renda. Nas empresas mercantis, o lucro sobre a venda de mercadorias é a
principal fonte de rendas; nas empresas de prestação de serviços, são os
honorários decorrentes dos serviços prestados e nas empresas industriais é o
lucro decorrente da venda dos produtos fabricados.
São bens de renda, pois, os capitais aplicados em atividades
secundárias (ações de outras empresas, empréstimos a terceiros, com fluência de
juros, obrigações ao portador, também chamadas debêntures, apólices ou bônus
da dívida pública, imóveis alugados, capitais em sociedades em conta de
participação etc.).
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Os bens de renda podem representar capitais circulantes, porquanto
sua alienação não interfere no objeto da sociedade. Mesmo os imóveis, quando
destinados a produzir renda, embora geralmente classificados como imobilizado,
na realidade podem ser alienados sem que isso prejudique o objeto da sociedade
(salvo quando esta tem como objeto a locação de imóveis), constituindo valores
realizáveis.
Nas empresas de investimento, que se destinam exclusivamente à
aplicação de capitais em outras empresas, seja pela aquisição de quotas ou
ações, seja por meio de financiamento ou de contratos em conta de participação,
os bens de renda constituem o próprio objeto da sociedade. Neste caso a nova
legislação das sociedades por ações manda classificar estes bens como
Investimentos, no Ativo Permanente.
Nas empresas industriais os bens de renda não constituem objeto da
sociedade, mas a aplicação de capitais fora da atividade social, podendo não
existir em muitas empresas.

e) Bens Fixos
Bens fixos são aqueles que representam capitais aplicados pela
empresa em caráter permanente ou quase permanente e destinados a constituir
os meios de produção, com os quais as empresas atingem seu fim.
Nas empresas industriais constituem bens fixos os seguintes:
1. Imóveis – terrenos e edifícios utilizados para as instalações do
estabelecimento industrial, assim como as benfeitorias
realizadas nesses bens.
2. Máquinas – instrumentos mecânicos utilizados nas produção
de bens de forma direta ou indireta, seja para fabricação de
produtos, de pecas ou de outras maquinas, seja para reparos
ou transporte mecânico dentro do estabelecimento.
3. Instalações Fabris – todos os gastos com instalações
indispensáveis à atividade industrial, as quais, em virtude de
seu caráter duradouro, são amortizáveis em prazos longos, tais
como instalações elétricas, hidráulicas, de ar e refrigeração,
altos fornos, poços artesianos, diques etc.
4. Ferramentas e Aparelhos – instrumentos de pequeno porte,
necessários ao equipamento da indústria, aplicados direta ou
indiretamente na produção, tais como ferramentas de uso
manual dos operários, aparelhos para teste de produtos, para
controle de tempo, para medir temperatura, para elaborar
desenhos e projetos, extintores de incêndio, relógio de ponto e
uma infinidade de outros que direta ou indiretamente permitam
ou facilitem o desenvolvimento da produção.
5. Veículos – meios de transporte, motorizados ou não, utilizados
na locomoção de pessoas e de materiais, dentro ou fora do
estabelecimento industrial, tais como carros de todos os tipos
para transporte de materiais dentro da fabrica, caminhões para
entrega dos produtos fabricados, automóveis para uso de
administradores, clientes e vendedores, ônibus ou outros
veículos coletivos destinados ao transporte de empregados etc.
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6. Móveis e utensílios – todos os móveis de uso da empresa
quer na fabrica ou no escritório, assim como os pequenos
utensílios e objetos de uso, de duração mais ou menos
prolongada.

f) Bens Intangíveis

São assim chamados aqueles que, embora não representem bens com
existência física, figuram no ativo como aplicação de capital indispensável ao
objeto social.
São classificadas neste grupo as marcas de fabrica ou de produtos, as
patentes de invenção, as concessões, o nome comercial, o aviamento (também
chamado “chave do negócio”, ou “fundo de comercio” ou ainda good will), as luvas
pagas para obtenção de ponto comercial, as despesas de instalação do
estabelecimento, os direitos autorais etc.
No ativo da empresas industriais podem existir todos esses bens
imateriais.
A marca da fabrica, ou dos produtos que fabrica, pode representar valor
bastante superior às despesas com seu registro ou obtenção. Quando o nome do
produto é bastante conhecido e prestigiado, a marca tem geralmente valor
imponderável, representando fator de vendas e de lucros constantes.
Evidentemente essa marca só tem valor para a empresa enquanto o produto for
por ela fabricado. A menos que a marca lenta tenha sido adquirida de terceiros, e
contabilizados pelo preço de aquisição, é difícil a avaliação desse componente
patrimonial.
As patentes de invenção estão no mesmo caso e só têm valor para a
empresa enquanto o produto patenteado for por ela fabricado. Seu valor é
também difícil de ser fixado, salvo no caso em que a patente é adquirida de
terceiros, por preço determinado. Muitas patentes têm tempo limitado de duração,
devendo ser amortizadas dentro desse período.
Os direitos autorais também são bens imateriais, que podem figurar no
ativo de uma empresa indústria, enquanto esta os explorar como fonte de renda.

3.2 Fontes de Financiamento:

Se o ativo indica aplicação de capitais e o p0assivo a origem desses


capitais, teremos a representação, por meio das contas do passivo, as fontes de
financiamento.
Nas empresas industriais o patrimônio forma-se com a dotação de um
capital aplicado pelo seu titular ou pelos titulares do patrimônio. Esse capital
sofrerá variações aumentativas e diminutivas, e constituirá sempre o capital que
caberá ao proprietário em caso de liquidação patrimonial e paralisação de suas
atividades econômicas.
A atividade não prescinde, entretanto, da utilização de capitais de
terceiros, seja econômico do próprio funcionamento da empresa (fornecimento de
matérias-primas e outros materiais), seja em forma de financiamento para o
desenvolvimento da empresa (empréstimos de terceiros).
Nessas condições, podemos dividir as fontes de financiamento em
dois grupos: capitais próprios e capitais de terceiros.
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Os capitais próprios distinguem-se também, de acordo com sua
origem, em dois grupos:

 Aqueles que tiveram sua origem fora do patrimônio e que


foram, fornecidos por seu titular; e
 Aqueles que se originaram da própria atividade comercial,
como os lucros e as reservas acumuladas.

Os capitais de terceiros são oriundos de credito obtidos pela empresa


junto a seus fornecedores e a entidades financeiras, distinguindo-se:

 Débitos de funcionamento, assumidos para atividade normal


da empresa, como os decorrentes de fornecimento de
matérias-primas; e
 Débitos de financiamento, assumidos para a ampliação e
desenvolvimento da empresa, tais como os decorrentes de
empréstimo bancários, as emissões de debêntures e os
financiamentos obtidos a longo do prazo.

Os financiamentos a longo prazo são comuns nas empresas


industriais, pois estas aplicam grandes capitais em bens do ativo fixo e não
podem contar apenas com os créditos a curto prazo para fazer a essas
imobilizações. Realmente seria de má política financeira utilizar créditos a curto
prazo, decorrentes das operações de funcionamento da empresa, para aplicá-lo
em valores imobilizados ou de conversão demorada.
Embora os débitos de funcionamento não se confundam com os
débitos a curto prazo, nem os de financiamento se confundam com os de longo
prazo, geralmente eles se identificam. Os débitos de funcionamento são
representados por compras de matérias-primas e outros materiais, pequenos
contam a pagar, saldos em contas-correntes, impostos e salários a pagar,
geralmente liquidável em prazos relativamente curtos, dentro do ciclo normal de
produção industrial.
Os débitos de financiamentos, que objetivam fazer face aos
grandes investimentos das empresas industriais, no ativo imobilizado, devem ser
obtidos a longo prazo, sob pena de criar dificuldades financeiras às empresas.
Esses débitos são geralmente assumidos por meio da emissão de debêntures, de
contratos de financiamentos bancários, de empréstimos hipotecários, além de
outros.