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APOSTILA DE
MATEMÁTICA FINANCEIRA / ENGENHARIA
ECONÔMICA

Curso: CIÊNCIAS CONTÁBEIS

Professor: Carlos Armando Rocha Filho

2018

Prof. Carlos Armando Rocha Filho


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Apresentação

Ao iniciar os estudos da disciplina Matemática Financeira, alguns questionamentos


inevitavelmente passam pela sua cabeça: Qual a sua função? Qual o seu campo de aplicação?
Qual a sua utilidade prática? Ela fará alguma diferença em minha vida?

Bem, o campo de aplicação dessa disciplina é bastante amplo, pois suas técnicas são
necessárias em operações de financiamento de quaisquer naturezas: crédito a pessoas físicas e
empresas, financiamentos habitacionais, crédito direto ao consumidor e outras.

Também são necessárias em operações de investimentos mobiliários nos mercados de capitais.


Em ambas as situações, é o uso dessas técnicas que permite conhecer o custo e o retorno
dessas operações, permitindo tomadas de decisão mais racionais; são elas também que
permitem determinar o valor das prestações devidas pelas transações efetuadas em parcelas.

No mundo dos negócios, seu conhecimento é absolutamente imprescindível, uma vez que os
custos dos financiamentos dados e recebidos são peças centrais do sucesso empresarial.

Esta apostila composta de nove módulos pretende lhe ajudar a desvendar essas técnicas para
que você possa gerir os seus interesses financeiros com racionalidade e eficiência.

O primeiro módulo da apostila é dedicado ao conhecimento dos conceitos básicos dos


parâmetros financeiros: Valor Presente (Capital), Taxa de Juros, Período ou Prazo, Prestação,
Valor Futuro (Montante); os conceitos de Fluxo de Caixa e dos Regimes de Capitalização.

No segundo módulo apresentaremos a Calculadora Financeira HP-12C, Suas Teclas e Funções.

No terceiro módulo estudaremos os Regimes de Capitalização de Juros Simples e de Juros


Compostos, as Taxas de Juros aplicadas no mercado financeiro e Operações de Equivalência
Financeira de Capitais.

O quarto módulo estuda as operações financeiras de Descontos Racional, Comercial e Bancário.

O quinto módulo estuda as Anuidades ou Rendas: sua definição, classificação e principais


modelos. Para esses modelos a apostila evidencia a relação de equivalência existente entre os

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pagamentos (recebimentos) da renda, os seus valores presentes e futuro e as demais variáveis


envolvidas.

O sexto módulo estuda os diversos Sistemas de Amortização de dívidas que tem vasta aplicação
prática. Especial atenção é dada aos modelos de prestação constante ( Sistema Francês de
Amortização – “PRICE” ) e amortização constante ( Sistema de Amortização Constante - SAC )
por sua relevância na vida cotidiana.

O sétimo módulo introduz o estudo da Correção Monetária de Valores Financeiros e o Cálculo da


Taxa Real de juros O conhecimento de suas técnicas é importante porque a inflação se aplica a
praticamente todos os contratos com duração superior a um ano.

No oitavo módulo mostramos o conceito de Depreciação e os Métodos mais utilizados de seu


cálculo.

Finalmente no nono módulo apresentaremos a definição de Engenharia Econômica, os


principais Métodos de Tomada de Decisão da Engenharia Econômica – Análise de
Investimentos, quais sejam: Valor Presente Liquido – VPL, Taxa Interna de Retorno – TIR , Valor
Anual Uniforme Equivalente – VAUE , Payback Simples , Payback Descontado, Índice de
Lucratividade – IL e Relação Benefício Custo – B/C

Esperamos que você tenha sucesso nos estudos que se propôs a fazer ao iniciar este excelente
curso de Graduação em Ciências Contábeis, na UESC.

Nossos votos de um bom percurso!

Prof. Carlos Armando Rocha Filho

E-mail: carmandofilho@uol.com.br

Tel: 98821-3061

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Comentários de Ex- Alunos sobre a Importância da Disciplina

Micheline Mendonça disse...

Talvez seja pelo fato de não darem muita importância à Matemática Financeira que muitos
administradores não sejam bem sucedidos. É preciso que haja consciência de que em qualquer
setor da empresa, seja ela própria ou não, é de suma importância o conhecimento matemático, já
que muitas das decisões são tomadas a partir do cenário econômico.

Danuzza Correia disse...

A Matemática Financeira é de suma importância para o administrador, principalmente em seu


ambiente de trabalho, pois a mesma se ocupa em estudar e fornecer ferramentas adequadas
para a tomada de decisão com a maior precisão possível.

Daniel Lima disse...

Engana-se aquele que imagina viver sem a influência da Matemática Financeira em sua vida.
Tão imprescindível e elementar quanto a aritmética, a Matemática Financeira rege a vida
econômica do homem e do administrador moderno.

Lidiany Paixão disse...

A base de um administrador, podemos dizer que é a Matemática Financeira, já que este deve
tomar decisões baseadas na economia. Um administrador deve ter uma boa base desta, pois se
não, poderá tomar as decisões erradas.

Cecilia Rocha disse...

Com a Matemática Financeira o administrador tem maior controle dos fluxos da empresa, e
pode medir com mais precisão quais as opções mais rentáveis; já que as decisões a serem
tomadas são todas baseadas no cenário econômico; e não só no ambiente da empresa, mais
deve-se usar a Matemática Financeira no dia-a-dia; em situações corriqueiras.

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Kamilla Fernandes disse...

Realmente a Matemática Financeira é de extrema importância para um bom negócio. Talvez


alguns investimentos não tenham grande êxito para alguns administradores porque os mesmos
não se baseiam em ideias providas da Matemática Financeira. Dai vem o resultado de um
péssimo negócio gerando problemas futuros e uma administração não bem sucedida.

Nielly Silva disse...

Todo administrador, tem de saber a respeito de várias coisas acerca do que vai trabalhar.
Certamente um administrador irá ministrar compras para a empresa e tendo em mente a
Matemática Financeira facilita seu trabalho em questão da aplicação dos juros relacionadas com
vários setores.

Fernando Lira disse...

A Matemática Financeira não esta apenas vinculada aos administradores e sim a qualquer
pessoa que queria saber qual a vantagem de se fixar um simples negócio ou algo mais
complicado e saindo sempre na vantagem. Podendo assim economizar e sempre ter vantagem.

Mayara Suellen disse...

A Matemática Financeira é importantíssima, pois é ela que guia como um bom administrador
deve agir de acordo com as oscilações do mercado de hoje que é tão interdependente e
integrado com o todo global...

Isabela Leal disse...

Acho essencial todo administrador ter plenos conhecimentos da Matemática Financeira, além de
estar presente no seu dia-a-dia, ele tem que ter uma noção básica do que está se passando a
sua volta, com os custos e lucros viáveis e inviáveis na empresa da qual esta administrando. Um
leigo na Matemática Financeira pode até conseguir tais dados através de outros meios, mas, ou
o mesmo gastará mais ou demorará mais, e como na administração sempre se precisa de
resultados imediatos, então acredito que não seja certo não ter conhecimento dessa área.

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Andresa Fernanda disse...

Realmente a Matemática Financeira é uma ferramenta útil na análise de algumas alternativas de


investimentos ou financiamentos de bens de consumo. A ideia básica é simplificar a operação
financeira a um Fluxo de Caixa e empregar alguns procedimentos matemáticos.

Flávia Emanuelly disse...

O conhecimento da Matemática Financeira é de suma importância. No mundo agitado e


competitivo de hoje as empresas enfrentam muitos problemas e desafios, cujas soluções muitas
vezes são complexas e o mercado de trabalho requisitando profissionais que devem atender a
novos padrões de qualidade e modernidade, pois sem uma administração competente os rumos
de uma organização (empresas, indústrias...) podem ter como consequência, a perda de espaço
no mercado, a diminuição de seus lucros ou até mesmo a falência.

Com todas essas exigências de mercado tem se criado um novo perfil de administrador, o
administrador polivalente que tem por características ser: inovador, flexível, criativo, e de fácil
adaptação as mudanças.

E a Matemática Financeira tem sido de grande importância para esses administradores dentro
de suas funções, mas ele precisa ter amplo domínio da mesma, para ser bem sucedido em seu
trabalho, que depende em grande parte, da exatidão dos números.

Pois são esses números, que tem proporcionado ao administrador descobrir aplicações realmente
úteis em questões nas áreas econômicas, financeiras e resoluções de problemas da empresa.

Pedro Farias disse...

Todo administrador depende da Matemática Financeira, que é fundamental para a gestão de


qualquer tipo de negócio, pois sabemos que as decisões basicamente são tomadas dentro do
canário econômico.

Sthenio Santos disse...

O sistema financeiro vigente exige muito dos administradores, e nós temos que estar por dentro
principalmente em nosso ambiente de trabalho, é para isso que a Matemática Financeira está
entre nossas disciplinas.

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Andréa Ramos disse...

Dentro de uma empresa a ordem no setor financeiro é responsável pelo esclarecimento do


rendimento empresarial, logo é de suma importância que um administrador saiba lidar com os
cálculos financeiros, para que com isso ocasione um melhor desempenho dentro da empresa e
haja com 100% de certeza sobre a responsabilidade adquirida.

Kátia Gama disse...

a Matemática Financeira tem suma importância para a atividade do administrador pois é através
desta que pode-se exerce o controle da organização, visto que essa ciência permite ao
administrador verificar seus Investimentos, rendimentos, lucros, despesas.....

Priscila Santana disse...

Através do conhecimento da Matemática Financeira, o administrador terá um controle


econômico e financeiro e uma visão mais apurada para as necessidades financeira do patrimônio,
podendo avaliar na a organização, seus lucros e suas perdas. Faz-se necessário mais do que
puramente racionalidade no processo desse exercício. É preciso certa sensibilidade para
perceber o momento certo e o modo como atuar. Decidir não pode constituir mero palpite. Exige
conhecimento e mensuração.

Ainoan Lima disse...

A Matemática Financeira é indispensável para uma carreira administrativa de sucesso. Ela é


grande aliada para pessoas que lidam constantemente com a matemática. Sem a mesma, não se
consegue uma vida administrativa de sucesso. Pois a mesma é de grande utilidade e importância
para o dia-a-dia

Raul Fellipe disse...

A Matemática Financeira está cada vez mais presente na vida dos administradores e se torna
essencial, o administrador em seu perfil absorver todos os conhecimentos dessa disciplina porque
será através dela que ele alcançará o sucesso.

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Gildelanea Silva disse...

A Matemática Financeira é uma ferramenta útil na análise de algumas alternativas de


investimentos ou financiamentos de bens de consumo. Consiste em empregar procedimentos
matemáticos para simplificar a operação financeira a um Fluxo de Caixa.

Hugo Santos disse...

Certamente o administrador irá envolver-se em diversas áreas de atuação e uma delas é a


administração das finanças da empresa que vale salientar a carência de profissionais no mercado
de trabalho nesta área tão comum no cotidiano econômico.

Flavianny Renata disse...

Se vamos administrar empresas se faz necessário saber sobre a Matemática Financeira. Em


muitas circunstâncias que podemos nos deparar em nosso ambiente de trabalho, como dilemas
econômicos que necessitam de conhecimentos financeiros para que possa contribuir no
crescimento da empresa.

Rafael Menezes disse...

A Matemática Financeira tem extrema importância para a tomada de decisões na empresa e,


sua aplicação quando bem desenvolvida, traz maior rentabilidade possibilitando o processo de
maximização nos resultados.

Monique Silva disse...

É evidente que a Matemática Financeira tem muito para contribuir com o dia a dia do
administrador, com noções exatas sobre as finanças da empresa é muito mais fácil lidar com as
situações difíceis que surgem no cotidiano das empresas.

Lourenço Junior disse...

A importância da Matemática Financeira para a administração é primordial, pois o administrador


no seu dia a dia trabalha voltado para as finanças. No desenvolver das suas atividades ele vive o
mundo financeiro ao seu redor, pois trata das relações com os credores, e com colaboradores. É
de fundamental importância para o estudo da teoria administrativa vivenciando como um todo o
mundo econômico e suas variáveis. Dentro da Matemática Financeira o administrador

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intensificara o mundo global dentro da organização e tomando decisões que irão influenciar o
desenvolvimento dessa organização.

Carolina Dias disse...

A Matemática Financeira é importante para os futuros administradores, pois a mesma ajuda aos
discentes a desenvolver o raciocínio, entender os vários caminhos dos valores que os mesmos
possam aplicar nas suas futuras empresas ou mesmo no dia-a-dia de cada um.

Divino dos Santos disse...

Pelo que podemos ver a Matemática Financeira está presente em todo momento da vida de
uma pessoa. Se os gestores entenderem a importância que ela tem, eles poderão galgar altos
índices de sucesso em suas carreiras.

Nota:

Prezados alunos do curso de Graduação em Ciências Contábeis da UESC - Ano de 2018.2

Gostaria de receber de cada um de vocês, comentários, sobre a importância da disciplina no dia-


a-dia das pessoas e dos profissionais envolvidos em tomar decisões de investimentos e análise
da viabilidade econômica financeira de projetos, para que possa incluí-los na lista dos ex-alunos
acima.

Bons Estudos!

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MÓDULO 01

1.- Conceitos Básicos da Matemática Financeira

1.1 - Introdução
Neste módulo antes de apresentarmos os conceitos básicos dos principais parâmetros
financeiros, vamos inicialmente abordar sobre algumas perguntas e respostas, os objetivos, e
fundamentos que norteiam o estudo da Matemática Financeira.

1.2 – Algumas Perguntas e Respostas:

 Qual a Função da Matemática Financeira?


A Matemática Financeira busca quantificar as transações que ocorrem no mercado financeiro
levando em conta a variável tempo, ou seja, o valor monetário no tempo “Time Value Money”. Em
outras palavras, ela trata em essência do estudo do valor do dinheiro ao longo do tempo, através
das entradas e saídas de caixa (valores monetários), que por sua vez estão interligadas à
existência da taxa de juros.

Esse valor muda no tempo, quer em função de sua aplicação, obtendo rendimentos
( juros ), quer em função de sua desvalorização, por causa da inflação. É intuitivo que mil reais
hoje em seu bolso tem mais valor do que mil reais que chegarão às suas mãos daqui a seis
meses. Dessa forma, podemos afirmar que R$ 1.000,00 hoje é diferente de R$ 1.000,00
amanhã, ou seja, o dinheiro muda no tempo.

Ou seja:

Regra Importante!
Para se comparar, somar ou subtrair valores monetários de um fluxo de caixa, os mesmos têm
que estar referenciados na mesma data. “Não se soma ou subtrai quantias em dinheiro que não
estejam na mesma data”

Portanto nunca compare, some ou subtraia valores situados em datas diferentes!!!!

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 Qual o Objetivo da Matemática Financeira?

A Matemática Financeira tem por objetivo estudar as diversas formas de evolução do valor do
dinheiro no tempo, bem como as formas de análise e comparação de alternativas para aplicação
e/ou obtenção de recursos financeiros.

De uma forma bastante simplista podemos dizer que o objetivo da Matemática Financeira, é o de
dar respostas a algumas das seguintes indagações:

 Quanto uma pessoa receberá por uma aplicação financeira em um fundo de renda fixa, no
final de certo período, a uma determinada taxa de juros?
 Quanto uma pessoa deverá depositar periodicamente em uma determinada aplicação
financeira, para que venha obter uma poupança desejada?
 Qual o valor atual, ou seja, o valor de hoje, que um banco pagaria, por um título de crédito
descontado antes de seu vencimento?
 Qual a diferença entre o valor das prestações de um financiamento da casa própria, pelo
Sistema de Amortização Constante - SAC e pelo Sistema Francês de Amortização - PRICE?
Em qual dos sistemas o valor dos juros é menor?
 Qual o custo efetivo de um empréstimo onde a instituição financeira além da taxa de juros,
adiciona comissões e imposto ao valor do empréstimo?

Podemos verificar que em todas as situações acima, nos deparamos com pagamentos ou
recebimentos acontecendo em determinado tempo ( data ).

 Qual o Campo de Aplicação da Matemática Financeira?


A Matemática Financeira trata dos instrumentos de cálculo de valores e taxas de juros
relacionadas com a aplicação de capitais e com empréstimos e financiamentos contraídos por
pessoas físicas e jurídicas. Ela atua em todos os ramos, onde há o envolvimento do dinheiro
( capital ) como mercadoria, tais como:
 Nas Operações Bancárias;
 Nas Operações Comerciais;
 No Mercado de Capitais;
 No Mercado Imobiliário;
 Na Análise de Investimentos, etc....

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 Por Que Estudar a Matemática Financeira?

Vivemos hoje em um mundo globalizado onde se fala em Finanças e Economia o tempo todo, e
neste mundo, não fazemos quase nada no nosso dia-a-dia que não se utilize algum conceito, ou
critério de tomada de decisão, da Matemática Financeira.

A aceleração do processo de globalização econômica alterou profundamente o cenário financeiro


mundial. Hoje, as oscilações imprevisíveis do mercado exigem dos profissionais da área
financeira, particularmente os Economistas, Administradores e Contadores, conhecimentos
profundos de Matemática Financeira, uma ferramenta essencial para o gerenciamento eficiente
de empresas de grande, médio e pequeno porte.

No campo pessoal e profissional, poderá ser aplicada em inúmeras aplicações do dia-a-dia, tais
como:
 Decisões como escolher a melhor alternativa de compra de um imóvel;
 Financiar ou comprar à vista um veículo;
 Identificar qual o desconto mais interessante para a antecipação de um pagamento;
 A escolha de alternativas de investimentos na atividade produtiva, por exemplo, conta com
instrumentos de cálculo da Engenharia Econômica, cuja base está na Matemática
Financeira.

 Porque o conhecimento de Matemática Financeira é tão valorizado, nas


Organizações Financeiras, se sempre na sua maioria são executados pelos Sistemas
Informatizados?

È valorizado por que:

 Um sistema informatizado jamais fará todos os cálculos financeiros; Poderá


sempre haver uma situação não contemplada inicialmente no desenvolvimento do sistema;

 Também há que se considerar que muitas vezes o problema não se resume


somente em se calcular, é necessário também interpretar o cálculo realizado e seus resultados, e
isto o sistema não faz.

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 Uma pessoa que não gosta de Matemática terá


dificuldades em aprender e realizar Cálculos Financeiros?

È claro que não, pois a maioria das pessoas conhece bem as operações aritméticas de soma,
subtração, multiplicação e divisão; E com uma adequada metodologia didática, a pessoa aprende
a fazer o cálculo, com uma fórmula ou com uma função específica de uma calculadora financeira
(HP-12C), ou através de uma planilha do Excel, do modo que lhe parecer mais amigável.

1.3 - Conceitos Básicos da Matemática Financeira

Definiremos a seguir o entendimento de cada um dos termos financeiros fundamentais, ou seja,


dos principais parâmetros financeiros que regem a Matemática Financeira,

Capital:
Entende-se por capital do ponto de vista da Matemática Financeira, qualquer valor expresso em
moeda corrente e que esteja disponível em certa data para ser utilizado em uma operação
financeira. Em outras palavras, o Capital é o valor aplicado ou tomado por empréstimo através de
alguma operação financeira.

É também conhecido como: Principal, Valor Presente ou Valor Atual. Em inglês usa-se a
expressão “Present Value”= Valor Presente.

Embora alguns autores adotem a notação simbólica C de Capital ou P de Principal, adotaremos


aqui a simbologia [PV], que é representada na calculadora HP-12C pela 3ª tecla da sua linha
financeira

Juros:
Os Juros representam a remuneração de um capital [PV] aplicado ou tomado por empréstimo em
uma operação financeira.
 Para o aplicador, os juros representam uma rentabilidade;
 Para o tomador do empréstimo, os juros representam um custo.

Ou seja, juros ou interesse podem ser definidos como o aluguel pago, pelo uso do dinheiro.
Notação Simbólica: ( J ) Fórmula para um período: ( n = 1 ):  J = PV. i

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Exemplo: Quanto receberá de juros uma pessoa que aplicou em uma instituição financeira a
quantia de R$ 10.000,00, por um período de 1 mês, a uma taxa de 1% ao mês?
Dados: PV = 10.000; n = 1; i = 1% a.m = 1 / 100 = 0,01;
J=?
Como: J = PV. i  J = 10.000. 0,01 = 100
Resultado: Receberá R$ 100,00 de juros.

Algumas Indagações Sobre os Juros:

 Quem pode cobrar Juros?

Somente as instituições financeiras oficiais podem cobrar e pagar explicitamente juros nos
empréstimos e aplicações financeiras e que representa o seu objetivo social.

 Fornecedores de uma Empresa podem cobrar Juros ao vender mercadorias e


produtos a prazo?

A cobrança de juros na venda a prazo por parte de um fornecedor não pode ser feita de maneira
explícita, mas sim de forma embutida nos preços de venda.

Exemplo: Uma mercadoria custa a vista R$ 1.000,00, porém na sua venda a prazo o fornecedor
passará o preço da operação para R$1.100,00, com recebimento para 2 meses. Na verdade tudo
se passa como se o fornecedor houvesse dado um desconto de R$100, 00, para a operação ser
realizada à vista.

E essa diferença deve ser vista como se fosse um abatimento (desconto), e não como juros, uma
vez que, só as instituições financeiras podem cobrar de forma explícita e oficial.

Taxa de Juros:

É o coeficiente que determina o valor dos juros em um intervalo de tempo e corresponde à razão (
quociente ) entre os juros ( J ) pagos ou recebidos no fim de um determinado período de tempo
[ n ] e o capital [ PV ] inicialmente empatado.

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Notação Simbólica: [ i ] – a taxa de juros é representada na HP-12C pela 2ª tecla da linha


financeira da calculadora. Fórmula Para 1 Período: I = J / PV
A Taxa de Juros sempre se refere a uma unidade de tempo (dia, mês, bimestre, trimestre,
quadrimestre, semestre, ano) e pode ser apresentada na forma percentual ou unitária.

Exemplos:

Percentual (%) Unitária


0,1% a.d ( ao dia ) 0,001
1% a.m ( ao mês ) 0,01
3,5% a.b ( ao bimestre ) 0,035
5,85% a.t ( ao trimestre ) 0,0585
12% a.q ( ao quadrimestre ) 0,12
18,8% a.s ( ao semestre ) 0,188
22% a.a ( ao ano ) 0,22

A Taxa de Juros é Unitária, quando os juros são expressos na forma decimal. Ela é utilizada na
aplicação de fórmulas matemáticas ( algébricas ), na resolução dos problemas de Matemática
Financeira.

Para conseguirmos, por exemplo, a taxa unitária (0,22) a partir da taxa percentual
( 22% ), basta dividir a taxa percentual por 100,  22 / 100 = 0, 22.

E para conseguirmos, a taxa percentual a partir da taxa unitária, basta inverter o processo, ou
seja, devemos multiplicar a taxa unitária por 100.

Exemplo: uma pessoa aplicou R$10.000,00 em uma instituição financeira e ao final de 1 mês,
recebeu R$100,00 de juros. Qual a taxa de juros oferecida pela instituição financeira?
Dados: PV = 10.000; J = 100; n = 1; i = ?
Como: i = J / PV  i = 100 / 10.000 = 0,01  i = 0,01. 100 = 1%

Resultado: 1% a.m.

Algumas Indagações Sobre a Taxa de Juros:

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 Qual o conceito de formação de Taxa de Juros no Mercado Financeiro:


Sabemos que a taxa de juros representa o custo do dinheiro, e que sua formação representa o 1º
passo para entendermos os Fundamentos da Matemática Financeira.
Da mesma forma que qualquer outro produto comercializado no mercado tem seu preço, o
dinheiro também tem seu preço que é definido pela taxa de juros. O preço do dinheiro será então
definido com base nas forças de mercado, de oferta e demanda, como qualquer outro bem da
economia.

Assim a taxa de juros de uma operação é um parâmetro financeiro determinado pelo mercado e
condicionado por múltiplos e distintos fatores, uns objetivos, outros subjetivos.

Do ponto de vista das partes diretamente envolvidas, a taxa de juros depende:


 do prazo;
 do risco implícito na operação;
 da expectativa de inflação no período;
 da existência de projeto econômico potencialmente lucrativo;
 da desconfiança ou confiança que o tomador do recurso inspira;
 das garantias que ele oferece quanto ao pagamento dos juros pactuados;
 e do retorno do capital transacionado.

Por ser um fato econômico negociável no mercado de bens e direitos, a posse de dinheiro se
sujeita à seguinte lei da oferta e da procura:

“A elevação da taxa de juros faz o detentor aumentar a oferta de moeda, e o tomador, a


retrair sua demanda por crédito, e vice-versa.”

Por ser questão de mercado, a taxa de juros conforma-se a todos os fatores que condicionam a
atividade econômica, a poupança e ã produção de bens e serviços em geral, entre os quais estão
os instrumentos que o governo dispõe para:
 fixação de normas creditícias e tributárias restritivas ou estimuladoras;
 redução ou ampliação dos meios de pagamentos disponíveis- mediante depósito
compulsório;
 investimento em atividade rural;
 programa habitacional;

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 emissão ou resgate de títulos públicos;


 fiscalização de transações e de instituições financeiras de modo rígido ou brando etc.

 As Taxas de Juros são fixas ou variáveis?

Em uma operação financeira fica estabelecida contratualmente, uma taxa de juros constante, ou
seja, de referência fixa, e que será valida até o prazo final da transação financeira.

Entretanto, em certas operações financeiras, as taxas ficam atreladas a algum indicador


financeiro que pode variar de tempo em tempo, tendo então um novo valor para o período
subseqüente.

Exemplo: As prestações constantes de um financiamento pelo Sistema Price de Amortização,


calculadas com base em uma taxa fixa, podem a qualquer período preestabelecido no contrato,
serem reajustadas, por exemplo, pela taxa referencial (TR) do momento.

 Quais as terminologias das Taxas de Juros existentes no Mercado Financeiro?

Atualmente existe uma série de terminologias sobre as taxas de juros, que muitas vezes
confundem até os profissionais da área financeira, mas que no decorrer deste livro procuraremos
conceituá-las da maneira mais simples e objetiva, sempre através de aplicações práticas.

 Algumas das terminologias das principais taxas existentes e utilizadas no mercado


financeiro:
 Taxa Linear e Taxa Exponencial;
 Taxa Proporcional e Taxa Equivalente;
 Taxa Nominal e Taxa Efetiva;
 Taxa Prefixada e Taxa Pós-Fixada;
 Taxa Bruta e Taxa Líquida;
 Taxa Real; Taxa Efetiva ou Aparente; Taxa de Inflação,

OBS: Todas serão definidas e exemplificadas posteriormente.

Prazo:
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Este parâmetro refere-se ao número de períodos de um empréstimo, ou de uma aplicação


financeira.
Notação Simbólica: [ n ] – o prazo é representado na HP-12C pela 1ª tecla na linha financeira da
calculadora.
Os prazos podem ser: exatos e comerciais.

A determinação do prazo considerado para uma operação financeira é algo fundamental para
determinação exata dos valores devidos através do processo de capitalização.

Usualmente nos contratos associados a operações financeiras os prazos são qualificados de:

 Exatos: quando os números de dias do mês e do ano correspondem aos do ano civil;
 Comerciais: quando o mês tem sempre 30 dias e o ano tem um total de 360 dias;

Montante:
O Montante representa o capital final de um financiamento, empréstimo ou de uma aplicação
financeira, e é obtido pela soma do capital [PV] inicialmente emprestado ou aplicado, com os
juros ( rendimentos ) pagos ou recebidos (J ).

Fórmula Básica: FV = PV + J

FV] que vem do inglês, “Future Value” = Valor Futuro.

Notação Simbólica: [FV] – o valor futuro é representado na HP-12C pela 5ª tecla na linha
financeira da calculadora.

Prestação:

A Prestação representa o valor do pagamento ou do recebimento periódico de uma parcela, de


um financiamento ou de uma aplicação financeira.

Notação Simbólica: [PMT ] – a prestação é representada na HP-12C pela 4ª tecla da linha


financeira da calculadora.

[PMT ] que vem do inglês, “Periodic Payment” = Pagamento Periódico.

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OBS: No Módulo 5, ”Séries Uniformes de Prestações Periódicas”, mostraremos com detalhes a


importância desse parâmetro financeiro no cotidiano de todas as pessoas, através de inúmeros
exemplos com aplicações práticas.

Fluxo de Caixa:

Denomina-se Fluxo de Caixa em Matemática Financeira, o conjunto de entradas e saídas de


dinheiro ( caixa ) ao longo do tempo. Podem existir fluxos de caixa de empresas, de
investimentos, de projetos, de operações financeiras etc.

A palavra Fluxo de Caixa que em Inglês é expresso pela por “Cash Flow“, tem duas funções na
HP-12C, todas representadas na cor azul e estão relacionadas com as teclas:

 [ C F0 ]  armazena o valor inicial de um fluxo de caixa;


 [ CFj ]  armazena os valores posteriores a data zero em um fluxo de caixa;

O Fluxo de Caixa é representado graficamente por um diagrama, que por sua vez obedece a
algumas convenções:
 O tempo é representado na horizontal dividido pelo número de períodos relevantes para
análise.
 Por convenção as entradas ou recebimentos são representados por setas verticais
apontadas para cima e as saídas ou pagamentos são representados por setas verticais
apontadas para baixo.

Observe o gráfico do diagrama abaixo:

Diagrama / Convenções:

(+) (+)

0 2 (período / tempo)
1 n
(-) (-)
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 A linha horizontal ( reta ) registra a escala de tempo (período / prazo) de uma operação
financeira;
 O ponto 0 indica o momento inicial de um Investimento, de um empréstimo, ou de uma
aplicação financeira;
 Os intervalos de tempo são iguais;
 As setas para baixo representam: saídas, pagamentos de dinheiro e são negativas;
 As setas para cima representam: entradas, recebimentos de dinheiro e são positivas.

A elaboração do fluxo de caixa serve para demonstrar graficamente as transações financeiras em


um período de tempo, visto que, através dele podemos visualizar o que ocorre com o dinheiro
( capital ) ao longo da vida útil de um projeto de viabilidade econômica, de um financiamento, ou
de um investimento, por exemplo.

Com a elaboração do fluxo de caixa, a resolução de qualquer questão de Matemática Financeira,


fica mais facilmente compreendida.

 Fluxos de Caixa Representativos:

 Aplicação com Pagamento Único.

Exemplo: Se uma pessoa aplicar um capital PV, por um período n de tempo, a uma taxa i de
juros, obterá ao final da aplicação um montante FV.

Fluxo de Caixa Representativo::


FV ( + )

0 i
n
PV ( - )

OBS: Por se tratar de uma aplicação o capital, saiu de seu bolso, e, portanto a seta será para
baixo, negativa ( - ).

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21

E como a pessoa receberá ao final da aplicação um montante FV, que representa o capital PV
acrescido dos juros J, então esse valor entrará em seu bolso, e, portanto a seta será para cima,
positiva ( + ).

 Empréstimo com Pagamento Único.

Exemplo: Se uma pessoa tomar emprestado um capital PV, por um período n de tempo, a uma
taxa i de juros, terá que pagar um montante FV, ao final do empréstimo.

Fluxo de Caixa Representativo:

PV ( + )

i n
0
FV ( - )

OBS: Como a pessoa tomou emprestado hoje um capital PV, esse capital entrou em seu bolso, e,
portanto a seta será para cima, positiva ( +). E como ela terá que pagar no final um montante
FV, que representa o capital PV acrescido dos juros J, então esse valor sairá de seu bolso, e,
portanto a seta será para baixo, negativa ( - ).

 Aplicação com Séries de Prestações:

Exemplo 1: Se uma pessoa depositar periodicamente uma quantia PMT, igual e sucessiva para
cada período, por um período n de tempo, a uma taxa i de juros, receberá ao final dos depósitos,
um montante FV,

Fluxo de Caixa Representativo:


FV

0 1
| n
.................... PMT.................... .....
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22

Exemplo 2: Se uma pessoa comprar hoje um produto por um valor PV, para pagar em prestações
periódicas iguais e sucessivas PMT, por um período n de tempo, a uma taxa i de juros, seu fluxo
de caixa será:
Fluxo de Caixa Representativo:

PV

1
|0 n
.................... PMT.................... .......

1.4 – Regimes de Capitalização de Juros Simples e Compostos:

Quando um capital é emprestado ou investido a certa taxa por um período ou diversos períodos
de tempo, o montante pode ser calculado de acordo com dois regimes básicos de capitalização
de juros:

 Regime de Capitalização de Juros Simples ( RCS);


 Regime de Capitalização de Juros Compostos ( RCC).

Podemos então definir como regimes de capitalização os métodos pelos quais os capitais são
remunerados, ou seja, como os capitais crescem em função dos juros que são acrescidos
( incorporados ) aos mesmos.

FV = PV + J

No Regime de Capitalização de Juros Simples (RCS), somente o capital inicial rende juros, ou
seja, os juros são devidos ou calculados exclusivamente sobre o principal ( capital
inicial ) ao longo dos períodos de capitalização a que se refere a taxa de juros.

Em outras palavras, nesse regime não se somam os juros do período ao capital, para o cálculo de
novos juros nos períodos seguintes.

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23

No Regime de Capitalização de Juros Compostos (RCC), os juros produzidos ao final de um


período são somados ao montante do início do período seguinte e essa soma passa a render
juros no período seguinte e assim sucessivamente.

Ou seja, os juros são capitalizados e consequentemente passam a render juros. É também


conhecido como o regime dos “juros sobre juros”.

No regime de capitalização simples ( RCS ), o montante evolui como uma progressão


aritmética, ou seja, linearmente.

Enquanto que no regime de capitalização composta ( RCC ), o montante evolui como uma
progressão geométrica, ou seja, exponencialmente, fazendo com que neste caso o dinheiro
cresça mais rapidamente.

Exemplo 1: Considere R$100,00 aplicados a 10% ao ano.

FV = PV + J
Juros Simples ( RCS ) Juros Compostos ( RCC )
Principal: [ PV ] 100,00 100,00
após 1 ano FV = 100 + 0,10 x 100 = 110 FV = 100 + 0,10 x 100 = 110
após 2 anos FV = 110 + 0,10 x 100 = 120 FV = 110 + 0,10 x 110 = 121
após 3 anos FV = 120 + 0,10 x 100 = 130 FV = 121 + 0,10 x 121 = 133,1
após 4 anos FV = 130 + 0,10 x 100 = 140 FV = 133,1+0,10x133, 1 = 146,41

Observando a tabela acima, vemos que no RCS, a cada ano o capital aumenta a um valor
constante J=10, ou seja, o dinheiro cresce Linearmente, ou seja, em Progressão Aritmética, a
uma razão igual a PV.i

Esse regime é aplicado mais frequentemente nas operações de curto prazo, especialmente nos
empréstimos bancários lastreados em desconto de duplicatas.

Já no RCC, como os juros são incorporados a cada período, isto é são capitalizados a cada
período, o dinheiro cresce Exponencialmente, ou seja, em Progressão Geométrica e, portanto
cresce mais rapidamente. Este regime é aplicado nas operações de médio e longo prazo.
O gráfico abaixo representa as evoluções no tempo t e do montante a Juros Simples e do
montante a Juros Compostos, ambos à mesma taxa de juros i.
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24

Analisando-se o gráfico, conclui-se que para o credor é mais vantajoso emprestar:

 a juros simples, se o período do empréstimo for menor do que a unidade de tempo.

 A juros compostos, se o período do empréstimo for maior do que a unidade de tempo.

FIM DO MÓDULO 01!

BONS ESTUDOS!

“Investir em conhecimentos rende sempre os melhores juros”

( Benjamin Franklin )

MÓDULO 02
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25

2. A Calculadora Financeira HP-12C suas Teclas e Funções

2.1. Introdução

Os cálculos financeiros são enormemente facilitados pelo uso de calculadoras financeiras. Muitos
deles inclusive só se tornaram viáveis na prática com as calculadoras financeiras (1982) e
também é obvio com a utilização de softwares financeiros computacionais.

Não é possível, portanto, fazer-se estudos sérios de Decisões Financeiras sem se conhecer o uso
das calculadoras financeiras.

Embora existam diversos modelos de calculadoras financeiras de marcas diferentes, as regras e


os princípios fundamentais de uso são similares, permitindo-nos fazer considerações genéricas.

A HP-12C

2.2. Teclas Financeiras

Todas as calculadoras financeiras possuem cinco teclas financeiras: [ n ] ; [ i ] ; [ PV ]; [ PMT ] e


[ FV ], representando os cinco parâmetros de decisão financeira, respectivamente, número de
períodos, taxa de juros, valor presente, prestação e valor futuro.

Essas teclas servem de acesso as cinco memorais financeiras da calculadora onde são
armazenados os valores para os posteriores cálculos. Cada tipo de problema de decisão
financeira usa um conjunto de quatro das cinco teclas.
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26

2.3. Teclas Auxiliares:

A calculadora HP-12C tem 3 funções por tecla: a primeira escrita em branco, a segunda em azul
e a terceira em amarelo.

Para ativarmos a função em branco, basta apertar a própria tecla.

A ativação da função em azul ou amarelo exige que se aperte primeiro a tecla azul [g]

ou [ f ] , e depois a tecla da função.

Vemos então que uma mesma tecla pode ter até 3 funções diferentes, reconhecidas pelos
caracteres impressos:
 Em branco (face superior da tecla)
 Em azul (abaixo da tecla)
 Em amarelo (acima da tecla)

Exemplo: Olhe para a tecla [ PV ]. Ela tem as seguintes funções:

[ NPV ] ......função amarela. Serve para calcular o Valor Presente Liquído, de um fluxo de caixa;
( Net Present Value )

[ PV ]....... função branca. Serve para calcular o Valor Presente, ou Valor Atual de um fluxo de
caixa; (Present Value).

[ CF0 ].......... função azul. Serve para dar entrada no valor inicial do investimento de um fluxo de
caixa. ( Cash Flow )

2.4. Memórias
A HP-12C está equipada com um sistema de memória contínua que mantém os dados
guardados, mesmo com a calculadora desligada.
Para tanto, ela possui 4 registros de pilha operacional e 5 registros financeiros (a sua memória
RAM,), além de 20 registros de memória e armazenamento (o seu HD- Winchester,).

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27

Como as calculadoras financeiras têm memória continua devemos sempre limpar as memórias
financeiras antes de iniciarmos um novo calculo financeiro, para evitarmos que um "resíduo" na
memória deixado por cálculos anteriores interfira com os atuais cálculos.

Na HP-12C isto é feito com as teclas [ f ] [ FIN ] ou [ f ] [ REG ].

A diferença entre uma HP-12C e as calculadoras convencionais está na forma de entrada dos
dados. As calculadoras convencionais executam cálculos de uma forma direta, ou seja,
obedecendo à seqüência natural da Matemática.

A forma de cálculos da HP-12C é pelo sistema de Notação Polonesa Reversa ( RPN ), onde
inicialmente digita-se o primeiro valor, dando entrada neste número apertando a tecla [ ENTER ],
depois se digita o segundo valor e por fim aperta-se a tecla da função.

Segue-se esse raciocínio para todas as funções da HP-12C: algébrica, financeira e estatística; ou
seja, primeiro digita-se os valores e por fim a função desejada.

Exemplo:

1) Somar uma aplicação de R$ 12.000,00 mais um rendimento líquido de R$ 135,00.

Para fazermos a operação 12.000 + 135 nas calculadoras convencionais, tecla-se primeiro
12.000 depois o +, e em seguida o 135 e, finalmente, a tecla =.
Resultado: 12.135

Vamos fazer agora a operação 12.000 + 135 na HP-12C:

Digite 12.000, pressione [ ENTER ], em seguida digite 135 e por último, a tecla [ + ].

Resultado: 12.135.

2.5. Número de Casas Decimais na HP-12C:

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28

Para fixarmos o número de casas decimais na HP-12C, basta pressionarmos a tecla de prefixo [ f
] e o número de casas decimais que desejamos após a vírgula.

 [ f ] 2 – fixa duas casas decimais após a vírgula;

 [ f ] 4 – fixa quatro casas decimais após a vírgula;

 [ f ] 6 – fixa seis casas decimais após a vírgula;

2.6. Tecla do Ponto e da Vírgula:


No visor de sua calculadora um valor digitado com duas casas decimais após a vírgula, poderá
estar representado de duas formas:

Exemplo:
1.234,56 (Sistema Brasileiro – vírgula separando as casas decimais)
1,234.56 (Sistema Americano – ponto separando as casas decimais)

Para realizarmos a troca do ponto pela vírgula e vice-versa, devemos proceder da seguinte forma:

Desligue a calculadora; Com a calculadora desligada, pressione ao mesmo tempo as teclas [ON]
e [ . ] (ponto); Solte a tecla [ON] e logo após a tecla [ . ] (ponto).

2.7. Tecla de Mudança de Sinal:

Para se trocar o sinal de um número devemos usar a tecla [CHS] (Change Signal) da HP-12C,
que corresponde a tecla ± nas outras calculadoras convencionais.

2.8. Setores da HP-12C:

2.8.1. Setor de Entrada de Dados:


Teclas: [ ENTER ] ; [ . ] e as teclas numéricas 0,1,2,3......9
Essas teclas permitirão a você introduzir os dados dos seus problemas na máquina.
A tecla [ ENTER ] é utilizada para separar dois números antes de escolher a operação a ser
efetuada.
A tecla ponto [ . ] substitui a nossa vírgula.

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29

2.8.2. Setor de Operações Básicas:


Teclas: [ ÷ ] ; [ x ] ; [ - ] , [ + ]
Essas teclas permitirão a você realizar as operações aritméticas de divisão, multiplicação,
subtração e adição.

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30

2.8.2.1 Operação Aritmética Divisão:


Exemplo 1: Fazer a operação 16 ÷ 10 = ?
Seqüência Pressione Visor
Introduza o primeiro número 16 16,00
Pressione a tecla [ENTER] para separar o primeiro número [ENTER] 16,00
do segundo
Introduza o segundo número 10 10
Pressione a operação desejada [÷] 1,60

2.8.2.2. Operação Aritmética Multiplicação:


Exemplo 2: Fazer a operação 16 x 10 = ?
Seqüência Pressione Visor
Introduza o primeiro número 16 16,00
Pressione a tecla [ENTER] para separar o primeiro número [ENTER] 16,00
do segundo
Introduza o segundo número 10 10
Pressione a operação desejada [x] 160,00
2.8.2.3. Operação Aritmética Subtração:
Exemplo 3: Fazer a operação 16 - 10 = ?
Seqüência Pressione Visor
Introduza o primeiro número 16 16,00
Pressione a tecla [ENTER] para separar o primeiro número [ENTER] 16,00
do segundo
Introduza o segundo número 10 10
Pressione a operação desejada [-] 6,00
2.8.2.4. Operação Aritmética Adição:
Exemplo: Fazer a operação 16 + 10 = ?
Seqüência Pressione Visor
Introduza o primeiro número 16 16,00
Pressione a tecla [ENTER] para separar o primeiro número [ENTER] 16,00
do segundo
Introduza o segundo número 10 10
Pressione a operação desejada [+] 26,00
2.8.2.5. Exercícios Resolvidos: Use [ f ] 2

1) Resolva as expressões matemáticas abaixo utilizando a sequência algébrica da HP-12C.

a) 126,89 + 231,33 - 98,56

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31

Sequência Algébrica: 126,89 [ENTER] 231,33 [ + ] 98,56 3 [ - ]


Resultado: 259,66

b) (4x7)+(6x3)
6
Sequência Algébrica: 4 [ENTER] 7 [x] 6 [ENTER] 3 [x] [+] 6 [÷]
Resultado: 7,67

c) [ (1.800 / 1.200 ) – 1 ] / 6
Sequência Algébrica: 1800 [ENTER] 1200 [÷] 1 [ -] 6 [÷]
Resultado: 0,08

d) 1200. ( 1 + 0,02 x 12 )
Sequência Algébrica: 0.02 [ENTER] 12 [x] 1 [ +] 1200 [x]
Resultado: 1488,00

Exercícios Propostos - Use [ f ] 2

1) Resolva as expressões matemáticas abaixo utilizando a sequencia algébrica da HP-12C:

a) (4,54 x 7,21) – (6,95 x 3,48) ; Resp: 2,43


3,52
b) [ (1.100,45 / 854,49) –1 ] / 3,28 ; Resp: 0,09
c) 1.100,44 ( 1 + 0, 035 x 12,56 ); Resp: 1.584,19
d) 863,42 ( 1 – 0,025 x 12 ) ; Resp: 604,39

2.9. Setor da Função Potência, Inversa e Raiz:

Teclas: [ yx ] ; [ 1/x ] ; [ √ x ]
2.9.1. Função Potência [ YX ] - Eleva um número y qualquer (base) a um número x qualquer
(expoente).

Exemplo: Calcular 24
Sequência Algébrica: 2 [ ENTER ] 4 [ yx ]

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32

Resultado = 16

2.9.2. Função [ 1/X ] Calcula o inverso de um número

Exemplo: Calcular o inverso de 5.


Sequencia Algébrica: 5 [1/x ]
Resultado = 0,20
2.9.3. Função Raiz Quadrada e Raiz de Ordem n > 2:

Para calcular a raiz quadrada de um número x  √ x , pressionamos antes a tecla [ g ], porque ela
é uma função azul, que se encontra na face inferior da tecla [ yx ]

Exemplo: Calcule a raiz quadrada de 144.


Sequencia Algébrica 144 [ g ] √ x
Resultado = 12

Para calcularmos uma raiz de ordem superior a 2 ( raiz cúbica, quarta, etc), temos que utilizar o
artifício matemático de elevar um número a um expoente fracionário, ou seja, transformar a raiz
em uma potência.

Exemplo: 3√8 = 81/3


Sequencia Algébrica: 8 [ ENTER ] 3 [ 1/x ] [ yx ]
Resultado = 2

TECLAS
x
[ y ] , [ 1/x ]
2.10. Setor de
Porcentagem:
Existem 3 teclas das
NUMÉRICAS
funções de porcentagem:

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33

[ %T ] ; [  %] e [ % ].

2.10.1. A Tecla [ %T ] – Percentagem do Total


Calcula o percentual de um número em relação a outro número.

2.10.1.1 Exemplos Resolvidos


Exemplo 1: Quanto representa percentualmente 17 de 180.
Solução: 17 [ ENTER ] 180 [%T]
Resultado = 9,44 %

Exemplo 2: Em um mês as despesas de uma empresa foram assim distribuídas:


Salários e Encargos: R$ 35.000,00
Conservação e Manutenção: R$ 5.000,00
Luz, Água, Telefone.... R$ 7.000,00
Gerais e Diversos: R$ 3.000,00
TOTAL: R$ 50.000,00
Qual o percentual de cada despesa em relação ao total?
Solução:: 50.000 [ ENTER ] 35.000 [ %T ]
No visor aparecerá o valor: 70 %
OBS: Para não ter que repetir 50.000 [ ENTER ] para os outros valores, pressionamos a tecla
[ R], que aparecerá no visor o valor 50.000, e em seguida pressionamos [ %T ].
.

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34

[ R ] 5.000 [ %T ]  10%
[ R  ] 7.000 [ %T ]  14%
[ R ] 3.000 [ %T ]  6%
TOTAL: 70 + 10 + 14 + 6  100%

2.10.2 - a tecla [  % ] – Calcula a Variação Percentual entre dois números.

2.10.2.1 Exemplos Resolvidos

Exemplo 1: Determine quanto cresceu a população de uma cidade que no ano de 2000 possuía
185.250 habitantes e no ano de 2005 passou a ter 200.563 habitantes.
Solução: 185.250 [ ENTER ] 200.563 tecla [ % ]
Resultado:: 8,27%

OBS: Introduz-se primeiro o valor mais antigo e depois o valor atual.

Exemplo 2: Qual a variação percentual de um produto que em Fevereiro valia R$ 1.500,00 e em


Março passou a valer R$ 1.380,00?

Solução: 1.500 [ ENTER ] 1.380 [  % ]


Resultado: - 8%
OBS: O sinal negativo indica que houve um decréscimo percentual.

2.10.3 A tecla [ % ] – Calcula o percentual de certo número.

2.10.3.1 Exemplos Resolvidos

Exemplo 2: Quanto representa 10% de R$1.000,00

Solução: 1.000 [ ENTER ] 10 [ % ]


Resultado: R$100,00

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Exemplo 2: Na compra com cartão de crédito, uma loja oferece 10% de desconto sobre o preço
de etiqueta de suas mercadorias. Qual o valor do desconto a ser obtido sobre a compra de uma
camisa que custa R$ 22,50?

Solução: 22.50 [ ENTER ] 10 [ % ]


Resultado: 2,25%

E quanto terá que pagar pela camisa? Pressione a tecla [ - ] Resultado: R$ 20,25
Sabemos que, para chegar ao resultado, basta subtrairmos o desconto do preço original.

2.10.4. Exercícios Propostos:

1) O valor de um título em setembro de 97 era R$ 401,67 e em setembro de 98, R$ 2.392,06.


Qual foi a variação percentual no período?
Resultado: 495,53%

2). Um investidor comprou ações por R$ 1.350,00 e as vendeu por R$ 1.230,00. Qual o
percentual do prejuízo?
Resultado: - 8.89%
Obs:- O sinal negativo refere-se ao decréscimo ocorrido na operação!

3) Dois amigos montam uma empresa com capitais diferentes: o primeiro entra com R$
2.650.000,00, e o segundo com R$ 3.350.000,00. Qual o percentual de participação dos dois
sócios no lucro da empresa?
Resultado: 44,17% - participação percentual do sócio 1
Resultado: 55,83 % - participação percentual do sócio 2

4) O saldo de captação da agência do Banco Papa - Tudo em 30.06.98 tinha a seguinte


composição: Qual a participação de cada rubrica?
Depósito à vista....................R$ 1.800,00 Resultado: 27,91 %
Poupança.................. R$ 3.500,00 Resultado: 54,26 %
Depósito a Prazo..................R$ 650,00 Resultado: 10,08 %
Aplicações em curto prazo......R$ 500,00 Resultado: 7,75 %
TOTAL: R$ 6.450,00 100,00 %

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5) Uma nota fiscal é emitida num total de R$ 56.000,00 onde 17% foram deduzidos para a
apuração do ICMS. Qual o valor da nota menos o imposto? Resultado: R$ 46.480,00

6) Sabendo-se que a dedução do imposto sindical foi de R$ 36,00; calcule quanto em percentual
corresponde de um salário bruto de R$ 600,00. Resultado: 6 %

7) Pago de um título de clube social a importância de R$ 60,00 para manutenção. Sabendo que o
título custou 550,00; quantos por cento a taxa de manutenção corresponde do título? Resultado:
10,9091%

8) O dólar ontem estava cotado a R$ 2,78 e hoje em 2,85. Qual foi a variação percentual?
Resultado: 2,5180%

9) A cotação de uma determinada ação na bolsa de valores está cotada hoje a R$ 83,50. Ontem a
cotação estava em R$ 86,00. Qual foi a variação percentual?
Resultado: - 2,9070%

10) No mês passado, a sua empresa exportou produtos no valor de 3.92 milhões de dólares para
os EUA., 2.36 milhões de dólares para a Europa e 1.67 milhões de dólares para o resto do
mundo. Qual foi a porcentagem das Vendas à Europa sobre o total exportado.
Resultado: 29,69 %

2.11. Setor de Limpeza

Teclas de Limpeza da Calculadora:

TECLAS
[ ∑ ], [ PRGM ], [FIN], [REG]

NUMÉRICAS

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37

Teclas Significado
[ CLX ] Limpa os valores contidos no visor.
f CLEAR REG = [ f ] [CLX] Limpa “tudo”, exceto a memória de programação.

Limpa os registros estatísticos, os registros da pilha operacional e o


f CLEAR ∑= [ f ] [ ∑ ]
visor.

f CLEAR FIN = [ f ] [FIN] Limpa os registros financeiros

f CLEAR PRGM = [ f ] [ PRGM ] Limpa a memória de programação (quando no modo PRGM)

2.12. Setor Calendário ( Datas ):

Teclas: [ D.MY ], [ M.DY ], [ DYS ] e [ DATE ]

TECLAS
[ DATE ], [ DYS ], [ D.MY ], [ M.DY ]

2.12.1. As teclas [ D.M.Y] e [ M.D.Y ]


NUMÉRICAS

Inicialmente, prepare sua calculadora para operar no sistema brasileiro, pressionando as teclas
[ g ] [ D.M.Y ] (dia-mês-ano), que se encontra na cor azul na parte inferior da face da tecla 4.
Detalhe: nos exercícios com datas, utilizamos 6 casas decimais.
Portanto: pressione [ f ] e 6.
Se pressionarmos as teclas [ g ] [ M.D.Y ], estaremos utilizando o sistema americano, em que na
data primeiro vem o mês e depois o dia e ano. ( mês-dia-ano)

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Curiosidade: A HP-12C está programada para trabalhar com datas no intervalo de 15 de Outubro
de 1582 até 25 de Novembro de 4.046.

2.12.2. A Tecla [  DYS ] :


Essa função calcula o número de dias entre duas datas, acionando primeiro a tecla: [ g ].

2.12.2.1. Exemplos Resolvidos

Exemplo 1: Data de Referência – 30.06.97


Data futura - 25.10.99
Solução:
 Digite a data de referência na forma DD.MM AAAA, ou seja, 30.061997;
 Pressione [ENTER]
 Digite a data futura, 25.101997.
 Pressione a sequencia de teclas [ g ] e [  DYS ]
 Resultado: 117 dias

OBS: Logo após os dígitos referentes ao dia, teclamos um ponto, em seguida teclamos 2 dígitos
do mês e por fim os quatro dígitos do ano.

Exemplo 2 – Data de Referência – 07.09.91


Data passada - 09.06.54
Solução:
 Digite 07.091991 (data de referência)
 Pressione [ ENTER ]
 Digite 09.061954 (data passada)
 Pressione a sequencia de teclas: [ g ] e [  DYS ]
 Resultado: - 13.604 dias  o sinal negativo indica que se partiu para uma data anterior.

2.12.2.2. Exemplos Propostos

Vamos calcular o número de dias decorridos:


1) Entrada na UESC / FTC / FACSUL como calouro: 14.02.2000.
Saída da UESC / FTC / FACSUL como Administrador/ Economista/Contador: 15.12.2003
Resultado: 1400 dias
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2) Hoje: 10.03.2007
Data passada: 01.03.2002
Resultado: -1835 dias

3 ) Quantos dias você viveu até hoje?


Resultado: ? dias

4) Um cliente deverá descontar uma dívida em 27/10/2001 onde a data contratada no título é
30/12/2001. Quantos dias serão descontados? Resultado: 64 dias.

2.12.3. A Tecla [ DATE ]

A função [ DATE ]= Calcula datas futuras e datas passadas, acionando primeiro a tecla: [ g ].
Auxilia determinar uma data passada ou futura, a partir de uma data conhecida e do número de
dias entre essas datas.

2.12.3.1. Exemplos Resolvidos


Exemplo 1: Data conhecida: 10.03.2007
Que data e dia da semana serão daqui a 93 dias?
 Digite a data 10.032007
 Pressione a tecla [ ENTER ]
 Digite o número de dias (93)
 Pressione a tecla [ g ] e depois a tecla [ DATE ]

Resultado: 11.06.2007, 2ª feira

OBS:- O número que aparece no canto do visor é o dia da semana. Assim,

1– Segunda-Feira 2– Terça-Feira 3 – Quarta-Feira 4 – Quinta-Feira


5 – Sexta-Feira 6 – Sábado 7 – Domingo

Exemplo 2 – Uma aplicação financeira por 60 dias está vencendo hoje, 10.03.2007. Qual a data
em que foi efetivado o negócio?
Digite a data do vencimento: 10.032007
Pressione [ ENTER ]

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40

Digite o número de dias (60) e a tecla [ CHS ] (tempo passado é negativo)


Pressione as teclas [ g ] e [ DATE ]
Resultado: 09.01.2007, 3ª feira

Exercício 3 – Que dia da semana foi 24.10.91?


Digite a data 24.101991
Pressione [ ENTER ]
Digite zero (quando não existir o número de dias)
Pressione as teclas [ g ] e [ DATE ]
Resultado: 24.10.1991, 5ª feira

2.12.3.2. Exercícios Propostos:

1) Apliquei no dia 23/06/97 determinada quantia em CDB por prazo de 92 dias. Qual a data e o
respectivo dia da semana do resgate?
Resultado: 23.09.97 terça-feira

2) Verifique qual a data e o dia da semana correspondente a 132 dias passados da data de
20/09/97 Resultado: 11/05/97, domingo.

3) Qual o dia da semana correspondente a 28 de fevereiro de 1986?


Resultado: sexta-feira

4) Qual o dia da semana você nasceu?


Resultado: ?
5) Uma aplicação depositada em 31/05/2006 será resgata após 60 dias. Em que dia vencerá?
Resultado: 30/07/06 - Domingo

6) Uma mercadoria comprada em 07/03/2007 está programada para ser transferida para uma filial
em 120 dias. Em que dia cairá?
Resultado: 05/07/07 – 5ª feira

7) Observando o extrato bancário (26/02/2007) você percebe a baixa de um determinado


investimento de 60 dias e gostaria de lembrar o dia que investiu. Calcule!
Resultado: 28/12/06 - 5ª feira

Prof. Carlos Armando Rocha Filho


41

2.13. Setor Armazenamento de Dados - Aqui está o winchester da sua HP-12C.


Explicaremos o seu funcionamento nos exercícios mais adiante.
Teclas: [ STO ] , [ RCL ]

TECLAS
[ STO ] , [ RCL ]

NUMÉRICAS

2.14- Setor Financeiro:

As funções de juros compostos, descontos compostos, capitalizações e amortizações estão


regidas basicamente pelas seguintes teclas:

[ n ] – número de períodos em questão;

[ i ] – taxa [ % ] utilizada no problema;

[PV] – Valor presente do problema, ou seja, qualquer valor na data zero (capital, valor atual,
principal);.

[PMT] – Valor das prestações, pagamentos, depósitos etc. Refere-se a fluxos de valores que se
repetem periodicamente;

[ FV ] – Valor futuro do problema, ou seja, qualquer valor no período final do problema (montante,
valor nominal, valor de face, valor capitalizado, duplicata, nota promissória etc);

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42

TECLAS
[ n ], [ i ], [PV], [ PMT ], [ FV ]

NUMÉRICAS

OBS: Os problemas resolvidos e propostos com a utilização das teclas financeiras serão
apresentados a partir do módulo 3.

2.15- Setor de Fluxos Antecipados e Postecipados:

[ BEGIN ] – utilizar quando o primeiro depósito ocorrer no início do período;


[ END ] – utilizar quanto o primeiro depósito ocorrer no fim do primeiro período.

TECLAS
[ BEGIN ], [ END ]

NUMÉRICAS
Observações Relevantes:

OBS.1:
A taxa [ i ] e o número de períodos [ n ] devem referir-se à mesma unidade de tempo, isto é, se a
taxa for anual, o tempo deverá ser expresso em anos; se for mensal, o tempo deverá ser
expresso em meses, ou vice-versa.

OBS.2:
Em todas as fórmulas matemáticas ( algébricas ), utiliza-se a taxa de juros na forma unitária, que
representa a taxa percentual dividida por 100.

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43

OBS.3:
Ao iniciar qualquer operação financeira digitar [ f ] [ REG ] = [ f ] [ CLX ].
Dessa forma você apaga os registradores financeiros anteriores deixados na memória da
calculadora.

OBS.4:
Verifique sempre se a sua HP-12C está com o c (composto) no final do visor à direita.

Como colocar o c no visor: Pressione as teclas [ STO ] e [ EEX ].

FIM DO MÓDULO 02!


BONS ESTUDOS!

“Fazer ou não fazer algo, só depende de Deus tem colocado em sua vida, você é capaz

de conquistar o que quiser, só depende de você!!!”

nossa vontade e perseverança. Nunca desista daquilo que

(Albert Einstein)

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44

MÓDULO 03

3. - Regimes de Capitalização de Juros Simples; Regimes de Capitalização de Juros


Compostos e Equivalência Financeira

3.1 - Juros Simples

3.1.1- Conceito:

O regime de capitalização de juros será simples quando a taxa de juros incidir apenas sobre o
valor presente ( capital inicial ) [ PV ], ao longo dos períodos de capitalização a que se refere a
taxa de juros.

“Neste regime sobre os juros gerados a cada período não incidirão novos juros ” Em outras
palavras, nesse regime não se somam os juros do período ao capital, para o cálculo de novos
juros nos períodos seguintes.

O Valor Presente, Valor Atual ou Principal, é o valor inicial, o Capital emprestado ou aplicado,
antes de somarmos os juros.

3.1.2- Fórmulas Básicas:

PV = J / i.n
Fórmula dos Juros: J = PV. i . n  i = J / PV.n
n = J / PV.i

Como: FV = PV + J  J = FV – PV  PV = FV – J
Onde:

 J =Juros;
 PV= Capital Inicial ( Valor Presente / Valor Atual, Principal);
 i = Taxa Unitária ( Decimal) de Juros;
 n = Número de períodos que o capital ficou aplicado, ou emprestado.
 FV = Valor Futuro ( Montante).

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45

Fórmula do Montante:  FV = PV + J

Como J = PV.i.n, substituindo na fórmula acima e desenvolvendo temos:

FV = PV + PV.i.n  FV = PV ( 1 + i.n )

PV = FV / ( 1 + i.n )
FV = PV ( 1 + i.n )  i = [ (FV / PV ) – 1 ] / n
n = [ (FV / PV ) – 1 ] / i

3.1.3- Taxas Proporcionais:

Duas taxas serão proporcionais quando existir entre elas a mesma relação verificada para os
períodos de tempo a que se referem.

Então: i1 = n1
i2 n2
Exemplos:

1) Qual a taxa anual proporcional a uma taxa de 1% a.m ?


I1 = ? ( taxa anual ) ; n1 = 12 ; i2 = 1 ; n2 = 1
 i1 = 12  i1 = 12 % a.a
1 1

2) Qual a taxa semestral proporcional a uma taxa de 3% a.b ?


I1 = ? ( taxa semestral) ; n1 = 6 ; i2 = 3 ; n2 = 2
 i1 = 6  2 i1 = 18  i1 = 9 % a.s.
3 2

3.1.4 - Exercícios Propostos de Taxas Proporcionais:

Calcule a taxa mensal proporcional a 18% a.a; R: 1,5% a.m.


Calcule a taxa anual proporcional a 3% a.m; R: 36% a.a
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46

Calcule a taxa semestral proporcional a 20% a.a; R: 40% a.s


Calcule a taxa trimestral proporcional a 8% a.s; R: 4% a.t
Calcule a taxa mensal proporcional a 0,01% a.d; R: 0,30% a.m
Calcule a taxa bimestral proporcional a 10% a.q; R: 5% a.b
Calcule a taxa diária proporcional a 36% a.a; R: 0,10% a.d

3.1.5- Exercícios Resolvidos de Juros Simples:

1) Uma pessoa aplicou um capital a juros simples de 3% a.m, pelo prazo de 4 meses e 10 dias e
após este período recebeu o valor de R$ 10.000,00. Qual o capital aplicado?
I = 3% a.m  3 / 100 = 0,03 a.m;
Dados: n = 4 meses e 10 dias  n = 130 dias;
FV = 10.000; PV = ?

Solução:
Como a unidade de tempo do prazo n está em dias, e como a taxa de juros i dada está ao mês,
implica que temos que dividi-la por 30, para transformá-la em uma taxa diária. ( lembre-se
que 1 mês = 30 dias )
Logo: i = 0,03 / 30 a.d
Como: PV = FV / ( 1 + i.n )
Temos que: PV = 10.000 / ( 1 + 0,03 . 130 )
30
Resolvendo algebricamente pela HP-12C, e utilizando 2 casas decimais: [ f ] 2, temos:
10.000 [ENTER] 0,03 [ENTER] 30 [÷] 130 [x] 1 [+] [÷] = 8.849,56
Resultado : PV = R$ 8.849,56

2) Uma aplicação de R$ 400.000,00, pelo prazo de 180 dias, obteve o rendimento de R$


60.000,00. Qual a taxa anual correspondente a essa aplicação?

Dados: PV = 400.000;
n = 180 dias  n = 180 / 360 = 0,5 anos
J = 60.000; i = ? ( anual )
Solução:
Como i = J / PV. n;
Temos que: i = 60.000 / 400.000. 0,5
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47

Resolvendo algebricamente pela HP-12C, temos:


60.000 [ENTER] 400.000 [ENTER] 0,5 [x] [÷] = 0,30
Multiplicamos então o valor da taxa unitária encontrada 0,30 por 100, para transformá-la em uma
taxa percentual  0,30. 100 = 30% a.a
Resultado: i = 0,30 a.a ou 30% a.a

3) Um fogão é vendido nas seguintes condições:

A vista por R$ 600,00. Ou a prazo com entrada de 20% e mais um pagamento de R$


520, 00, após 60 dias. Determinar a taxa mensal utilizada na venda a prazo e o valor dos juros
pagos.
Preço à Vista = R$ 600,00; Entrada = 20%;
Dados: n = 60 dias = 2 meses;
FV = 520,00; ( valor a ser pago no final dos 60 dias)
I = ? ( mensal) ; J = ?
Solução:
Entrada =20% de 600 = 120
PV = Preço a Vista – Entrada  600 – 120 = 480
Como: J = FV – PV  J = 520 – 480 = 40
Como: i = J / PV . n
Temos que: i = 40 / 480. 2
Resolvendo algebricamente pela HP-12C e utilizando 4 casas decimais: [ f ] 4, temos:
40 [ENTER] 480 [ENTER] 2 [ x ] [ ÷ ]  0,0417
Logo: i = 0, 0417 a.m
Multiplicando por 100  0,0417.100 = 4,17% a.m.
Resultado : i = 0,0417 a.m ou 4,17% a.m. e J = 40.

OBS: A taxa i obtida acima poderia ser calculada por:


I = [( FV / PV) – 1] / n  I = [( 520 / 480) – 1] / 2

Resolvendo algebricamente pela HP-12C e utilizando 4 casas decimais: [ f ] 4, temos

520 [ENTER] 480 [ ÷ ] 1 [ - ] 2 [ ÷ ]  0,0417


Logo: i = 0, 0417 a.m
Multiplicando por 100  0,0417.100 = 4,17% a.m.

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48

Resultado : i = 0,0417 a.m ou 4,17% a.m..

4) Em quanto tempo um capital triplica de valor à taxa de 20% a.a.?

I = 20% a.a = 20 / 100 = 0,20 a.a;


Dados: FV = 3 PV; ( o valor futuro é o triplo do valor presente)
n=?

Solução:

Como: n = [( FV / PV ) – 1] / i
Temos que: n = [ ( 3 PV / PV ) – 1 ] / 0,20
Logo: n = 3 – 1 / 0,20  n = 2 / 0,20
2 [ENTER] 0.20 [ ÷ ]  10
Resultado : 10 anos.

5) Um capital foi aplicado durante 6 meses à taxa de 2% a .m . Ao final desse prazo, o montante
foi reaplicado a 3% a.m durante 8 meses. Sabendo-se que o montante final recebido foi de R$
1.500,00, calcular o valor do capital inicial.

I = 2% a.m = 2 / 100 = 0,02% a.m;


Dados do 1º Fluxo de Caixa: n = 6 meses ;
PV = ? FV= ?

1º Fluxo de Caixa: (Diagrama )


FV = ?

0 i = 2% a.m.
6
PV = ?

Não podemos calcular FV, pois só conhecemos n = 6 ; i = 0,02, e não conhecemos PV.

Porém no 2º Fluxo de Caixa abaixo, conhecemos i, n e FV, então podemos calcular o PV, que
representa o valor reaplicado do 1º Fluxo.
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49

I = 3% a.m = 3 / 100 = 0,03 a.m;


Dados do 2º Fluxo de Caixa: n = 8 meses;
FV = 1. 500.

2º Fluxo de Caixa: (Diagrama )


FV = 1.500

0 I = 3% a.m.
8
PV = ?
Solução:
Como: PV = FV / ( 1 + i.n )
Temos que: PV = 1.500 / ( 1 + 0,03 . 8 )
Resolvendo algebricamente pela HP-12C e utilizando 2 casas decimais: [ f ] 2, temos:
1.500 [ ENTER ] 0,03 [ ENTER ] 8 [ x ] 1 [ + ] [ ÷ ]
PV = 1.209,68

Esse valor de PV representa o Valor Futuro do 1º Fluxo de Caixa, pois foi dito que no final de 6
meses, o montante seria reaplicado, então eles são iguais!

Assim o 1º Fluxo fica sendo:


FV = 1.209,68

0 i = 2% a.m.
6
PV = ?

E, portanto: PV = 1.209,68 / ( 1 + 0,02. 6 )


Resolvendo algebricamente pela HP-12C e utilizando 2 casas decimais: [ f ] 2, temos:
1.209,68 [ ENTER ] 0,02 [ ENTER ] 6 [ x ] 1 [ + ] [÷ ]

Resultado : R$1.080,07.

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50

6) Uma pessoa contraiu um empréstimo de R$ 1.500,00, para ser pago ao final de um ano, à taxa
de juros simples de 2% a.m. Três meses antes do vencimento resolveu quitar toda a dívida,
sendo que, nessa época, a taxa aplicada foi de 2,5% a.m. Nessas condições, determine o valor
do pagamento

Fluxo de Caixa: (Diagrama)

PV =1.500
. ............... i = 2% a.m..........................

0 . 9 n=3 12
......2,5%a.m........
?
Valor da quitação = PV FV =?

Fluxo de Caixa Original:


Dados do: PV=1.500 ; I = 2% a.m =0,02 a.m.; n =12 meses
Fluxo da Antecipação do Empréstimo:
I = 2,5% a.m = 0,025 a.m ; n = 3 meses.

Solução:

1º Passo: Com base nos dados do Fluxo de Caixa Original, correspondentes ao empréstimo
original, ou seja, até o final dos 12 meses, calculamos o montante FV =1.500 ( 1
+ 0,02 . 12 )
Resolvendo algebricamente pela HP-12C e utilizando 2 casas decimais: [ f ] 2, temos:
0,02 [ ENTER ]12 [ x ] 1 [ + ] 1.500 [ x ]  FV = 1.860

2º Passo: Com base nos dados do Fluxo de Caixa da Antecipação do Empréstimo, ou seja, 3
meses antes do vencimento, calculamos o valor da quitação PV = ?

Como já conhecemos FV = 1.860


Temos que: PV = FV / ( 1 + i . n ) )
Logo: PV = 1.860 / (1+ 0,025 . 3 )

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51

Resolvendo algebricamente pela HP-12C e utilizando 2 casas decimais: [ f ] 2, temos:


1.860 [ ENTER ] 0,025 [ ENTER ] 3 [ x ] 1 [ + ] [÷]  1.730,23
Resultado: R$ 1.730,23

7) Aplicam-se 3/5 de um capital a 24% a.a e o restante a 16% a.s, obtendo-se, assim, um ganho
anual de R$ 5.000.00. Qual é o valor desse capital?

PV1 = 3 / 5 de PV = 0,60 PV = 60% de PV;


Dados da i1 = 24% a.a = 24 / 100 = 0,24 a.a;

1ª Aplicação: n = 1 ano

OBS: Sabemos que PV representa 100% do capital, e como uma parte dele (PV1), corresponde a
3 / 5 = 0,60, ou seja, a 60% de PV, é claro que o restante desse capital (PV2), será de 40%
( 100% - 60% ) = 2 / 5 = 0,40.

Dados da PV2 = 1 / 5 de PV = 0,40 PV = 40% de PV;

2ª Aplicação: i2 =16%a.s = 32% a.a = 32 / 100 =0,32. a.a

n = 1 ano

Como o ganho anual de R$ 5.000.00, representa o total de juros auferidos ( JT ), em 1 ano, nas
duas aplicações, temos que:

JT = J1 + J2

Solução:
Inicialmente, vamos calcular J1 e J2;
Como: J1 = PV1. i1. n  J1 = 0,60 PV. 0,24. 1
Logo: J1 = 0,1440 PV
Como: J2 = PV2. i2. n  J2 = 0,40 PV. 0,32. 1
Logo: J2 = 0,1280 PV
Como: JT = J1 + J2
Temos que: 5.000 = 0,1440 PV + 0,1280 PV  0,2720 PV = 5.000
Logo: PV = 5.000 / 0,2720
E, portanto: PV = 18.382,35
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52

Resultado: PV = R$18.382,35
3.1.6- Exercícios Propostos de Juros Simples:

1) O capital de R$ 7.812,00 foi dividido em 2 partes. A primeira, colocada a 4% ao mês, rendeu


durante 5 meses o mesmo juro que a segunda durante 8 meses a 2% ao mês. Calcule o valor de
cada parte.

Resultado: R$ 3.472,00 e R$ 4.340,00

2) Uma indústria adquiriu matéria prima no valor de R$ 45.000,00, pagando no ato da compra R$
15.000,00 e R$ 18.000,00 a ser pago no final de 45 dias após. Qual o pagamento que ainda
deverá ser feito no final de 90 dias, para liquidar a dívida, sabendo-se que o vendedor cobra uma
taxa linear de 45% aa?

Resultado: R$ 14.416,42

3) João tomou emprestado certa quantia de Carlos à taxa de 2,40%a.m. Sabendo-se que João
pagou R$ 2.061,42 para Carlos, saldando a dívida 2 meses antes de seu vencimento e que nesta
época a taxa corrente de mercado era de 2,10% a.m, quanto João tomou emprestado e qual era
o prazo inicial se os juros previstos montavam R$ 648,00

Resultado: PV = R$ 1.500,00 e n = 18 meses

4) Uma aplicação financeira tem prazo de 5 meses, rende juros à taxa de 1,8% ao mês, porém o
investidor deve pagar no ato do resgate um imposto de renda igual a 20% do valor dos juros
ganhos. Pede-se:

a) Qual o montante líquido (montante após o pagamento do imposto de renda) de uma aplicação
de R$ 4.000,00
Resultado: R$ 4.288,00

b) Qual o capital que deve ser aplicado para se obter um montante liquido de R$ 3.600,00

Resultado: R$ 3.358,21

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53

5) Uma empresa obteve um empréstimo de R$ 200.000,00 a juros simples de 10% ao ano. Algum
tempo depois liquidou a dívida, inclusive juros, e tomou um novo empréstimo de R$ 300.000,00 a
juros simples de 8% ao ano.
Dezoito meses após o primeiro empréstimo, liquidou todos os seus débitos, verificando ter pago
R$ 35.000,00 de juros total nos dois empréstimos.
Determinar os prazos dos dois empréstimos.

Resultado: 3 e 15 meses.

3.2 - Juros Compostos - RCC

3.2.1 - Conceito:

No regime de Juros Compostos, no fim de cada período de tempo a que se refere a taxa de juros
considerada, os juros devidos ao capital inicial são incorporados a este capital. Diz-se que os
juros são capitalizados, passando esse montante, (capital mais juros), a render novos juros no
período seguinte.

Este Regime é também conhecido como o Regime de “Juros sobre Juros”. Assim, neste
regime de capitalização, os juros produzidos no período n serão componentes da base de cálculo
dos juros do período n + 1.

O regime de juros compostos é o mais utilizado no sistema financeiro e, portanto, o mais útil para
cálculos de problemas do dia-a-dia.

3.2.2 - Fórmulas Básicas:

FV = PV + J  J = FV - PV  PV = FV - J
PV = FV / ( 1 + i )n ;
FV = PV. ( 1 + i )n  i = [ ( FV / PV ) 1/ n – 1 ] x 100
n = Ln ( FV / PV ) / Ln ( 1 + i )

Como: J = FV – PV e FV = PV. ( 1 + i )n

Temos que: J = PV. ( 1 + i )n – PV


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54

Logo: J = PV [ ( 1 + i )n – 1 ]

Importante:

Não se esqueça que a taxa [ i ] tem que ser expressa na mesma medida ( unidade ) de tempo de
[ n ].

Obs:
( 1 + i )n = FAC - Fator de Capitalização ou Fator de Acumulação de Capital, ou Fator de Valor
Futuro;
1 / ( 1 + i )n = FVA - Fator de Valor Atual ou Fator de Valor Presente.

3.2.3- Taxas Equivalentes:

Duas ou mais taxas são conceituadas como equivalentes a juros compostos, se quando aplicadas
a um mesmo capital, durante um mesmo período de tempo, porém, com períodos para
capitalização diferentes, produzirem juros e montantes iguais.

Obs:
No RCS, se duas taxas são proporcionais, elas também serão equivalentes.
No RCC, duas taxas proporcionais, não são equivalentes.

Exemplo:
1) Um capital de R$ 10.000,00 pode ser aplicado alternativamente a uma taxa de 24% ao ano ou
a 2% ao mês, durante um período de 2 anos. Diga se as duas taxas são equivalentes no RCS e
no RCC.
PV = 10.000
Dados: i1 = 24% a.a; i2= 2% a.m ; ( são proporcionais )
n1 = 2 anos ; n2 = 24 meses.
Sabemos que:
No RCS  FV = PV ( 1 + i.n )
No RCS  FV = PV ( 1 + i )n
Solução:

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55

No RCS:
FV1 = PV ( 1 + i1. n1 )  FV1 = 10.000 ( 1 + 0,24.2 )  FV1 = 14.800
FV2 = PV ( 1 + i2. n2 )  FV1 = 10.000 ( 1 + 0,02. 24 ) FV1 = 14.800
Como os montantes são iguais, então podemos afirmar que:
No RCS, duas taxas proporcionais, são também equivalentes.
No RCC:
FV1 = PV ( 1 + i1 ) n1  FV1 = 10.000 ( 1,24 )2  FV1 = 15.376,00
FV2 = PV ( 1 + i2 ) n2  FV2 = 10.000 ( 1,02 )24  FV2 = 16.084,37
Como os montantes são diferentes, então podemos afirmar que:
No RCC, duas taxas proporcionais, não são equivalentes.

3.2.4.- Fórmula Algébrica para Calcular Taxas Equivalentes no RCC:

Iq = [ (1 + It ) q / t – 1 ] x 100
Onde:
Iq = Taxa equivalente que quero ( taxa procurada );
It = Taxa que tenho ( taxa dada );
q = Prazo que quero em dias (está relacionado à taxa que quero);
t = Prazo que tenho em dias (está relacionado à taxa que tenho).

1º Exemplo:
Qual a taxa anual equivalente a juros compostos a uma taxa de 1% ao mês?
Dados: It = 1% = 0,01; q = 360 ; t = 30
Solução Algébrica:
Iq = [ (1 + It ) q / t – 1 ] x 100
Iq = [ (1 + 0,01 ) 360 / 30 – 1 ]x100  Iq =[ (1,01 )12 – 1] x 100
1,01[ enter ] 12 [ Yx ] 1 [ - ] 100 [ x ]  Iq = 12,68% a. a
Resultado: 12,68 % a.a. - taxa equivalente anual

2º Exemplo:
Qual a taxa semestral equivalente a juros compostos a uma taxa de 3% ao trimestre?
Dados: It = 3% = 0,03; q = 180 ; t = 90
Solução Algébrica:
Iq = [ (1 + It ) q / t – 1 ] x 100

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56

Iq = [ (1 + 0,03 ) 160 / 90 – 1 ] x 100  Iq =[ (1,03 ) 2 – 1] x 100


1,03 [ enter ] 2 [ Yx ] 1 [ - ] 100 [ x ]  Iq = 6,09% a. s
Resultado: 6,09 % a.s. - taxa equivalente semestral.
3º Exemplo:
Qual a taxa diária equivalente a juros compostos a uma taxa de 4% ao bimestre?
Dados: It = 4% = 0,04; q = 1 ; t = 60
Solução Algébrica:
Iq = [ (1 + It ) q / t – 1 ] x 100
Iq = [ (1 + 0,04 ) 1 / 60 – 1 ] x 100  Iq =[ (1,04 ) 1 / 60 – 1] x 100
1,04 [ enter ] 60 [ 1/ x ] [ Yx ] 1 [ - ] 100 [ x ]  Iq = 0,0654% a. d
Resultado: 0,0654% a. d. - taxa equivalente diária.

3.2.5.- Programa da HP-12C para Calcular no RCC Taxas Equivalentes.

[ f ] [ CLX ]
[ f ] [ R/S ]
[ f ] [ R ]
[ STO ] 0
[ RCL ] [ i ]
1
[%]
1
[+]
[ RCL ] 0
[ RCL ] [ n ]
[÷]
[ yx ]
1
[-]
1
0
0
[x]
[ g ] [ R ] 0 0
[ f ] [ R/S ]
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57

3.2.6.- Sequencia dos Passo para Utilização do Programa na HP:

1º) Coloque na tecla [ i ] o valor da taxa que você tem, ou seja, a taxa que foi dada ( fornecida )
na questão;
2º) Coloque na tecla [ n ] o número de dias referente à taxa que você tem, ou seja, a que foi
dada;
3º) Coloque na tecla [ R/S ] o número de dias referente à taxa que você quer, ou seja, a que
deseja obter.

1º Exemplo:
Qual a taxa anual equivalente a juros compostos a uma taxa de 1% ao mês?
Solução pelo Programa:
[ f ] [ CLX ] Limpa todos os registradores.
1º Passo
1[i ]  Armazena a taxa a ser convertida;
2º Passo
30 [ n ]  Introduz o prazo em dias da taxa dada ( que tenho) ;
3º Passo
360 [ R/S ]  Introduz o prazo em dias da taxa desejada (que quero);

Resultado: 12,68 % a.a. - taxa equivalente anual.

2º Exemplo:
Qual a taxa semestral equivalente a juros compostos a uma taxa de 3% ao trimestre?
Solução pelo Programa:
[ f ] [ CLX ] Limpa todos os registradores.
1º Passo
3[i ]  Armazena a taxa a ser convertida;
2º Passo
90 [ n ]  Introduz o prazo em dias da taxa dada ( que tenho) ;
3º Passo

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58

180 [ R/S ]  Introduz o prazo em dias da taxa desejada (que quero);

Resultado: 6,09 % a.s. - taxa equivalente semestral.

3º Exemplo:
Qual a taxa diária equivalente a juros compostos a uma taxa de 1,5% ao bimestre?

Solução pelo Programa:

[ f ] [ CLX ] Limpa todos os registradores.

1º Passo
1.5 [ i ]  Armazena a taxa a ser convertida;
2º Passo
60 [ n ]  Introduz o prazo em dias da taxa dada ( que tenho) ;
3º Passo
1 [ R/S ]  Introduz o prazo em dias da taxa desejada (que quero);
Resultado: 0,0248 % a.d. - taxa equivalente diária.

4º Exemplo:

Qual a taxa quadrimestral equivalente a juros compostos a uma taxa de 20% ao ano?

Solução pelo Programa:

[ f ] [ CLX ] Limpa todos os registradores.

1º Passo
20 [ i ]  Armazena a taxa a ser convertida;

2º Passo
360 [ n ]  Introduz o prazo em dias da taxa dada ( que tenho) ;

3º Passo

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59

120 [ R/S ]  Introduz o prazo em dias da taxa desejada (que quero);

Resultado: 6,27 % a.q. - taxa equivalente quadrimestral.

3.2.7.- Exercícios Propostos DE TAXAS EQUIVALENTES:

1) Determine as seguintes taxas equivalentes:

A taxa mensal equivalente a 120% a.a. Resultado:6,7911% a.m.


A taxa anual equivalente a 1% a.m. Resultado:12,6825% a.a.
A taxa diária equivalente a 3% a.m. Resultado: 0,0986% a.d.
A taxa anual equivalente a 10% a.s. Resultado: 21% a.a.
A taxa semestral equivalente a 1% a.m. Resultado: 6,1520% a.s.
A taxa bimestral equivalente a 15% a.t. Resultado: 9,7653% a.b.
A taxa trimestral equivalente a 10%a.b. Resultado: 15,3690% a.t.

2) Admita que um banco esteja pagando 16,5% a.a. de juros na colocação de um título de sua
emissão. Calcular a taxa efetiva (equivalente) para os seguintes prazos:

1 mês ; Resultado :1,2808% a.m.


9 meses ; Resultado : 12,1358% p/ 9 meses.
37 dias; Resultado : 1,5820% p/ 37 dias.
100 dias; Resultado : 4,3335% p/ 100 dias.

3.2.8 - Taxa Nominal X Taxa Efetiva

Taxa nominal  Temos uma taxa de juros nominal quando o prazo de formação e incorporação
dos juros ao capital inicial não coincide com aquele a que a taxa se refere.

Exemplos:

 24% ao ano com capitalização mensal;


 36% ao ano com capitalização bimestral;
 3% ao mês com capitalização diária.
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60

Taxa efetiva  A taxa é dita efetiva, quando a unidade da taxa for igual ao período de
capitalização dos juros. é aquela cujo período de capitalização coincide com aquele a que ela
se refere. É a taxa efetivamente paga ou cobrada na unidade em que fornecida

Exemplos:
 3% ao mês com capitalização mensal  3% ao mês;
 15% ao ano com capitalização anual  15% ao ano;
 0,15% ao dia com capitalização diária  0,15% ao dia;

Obs: Muito embora a taxa nominal seja utilizada em algumas operações financeiras, ela não
pode fazer parte dos cálculos, temos que transformá-la em sua taxa efetiva.

Exemplo 1: Taxa Nominal: 36% a.a capitalizada mensalmente  a taxa é anual, porém os juros
são capitalizados, ou seja, são incorporados a cada mês.
Como 1 ano possui 12 meses, teremos 12 períodos de capitalização, assim a Taxa Efetiva
Mensal será: 36 / 12 = 3% a.m.

Exemplo 2: Taxa Nominal: 18% a.s capitalizada bimestralmente  a taxa é semestral, porém os
juros são capitalizados, ou seja, são incorporados a cada bimestre.
Como 1 semestre possui 3 bimestres, teremos 3 períodos de capitalização, assim a Taxa Efetiva
Bimestral será: 18 / 3 = 6% a.b.

3.2.8.1 - Exercícios Propostos de Taxas Nominais x Taxas Efetivas:

1) Para cada taxa nominal apresentada a seguir, pede-se calcular a taxa efetiva anual:
18% a.a capitalizado mensalmente; Resultado:19,5618%.

36% a.a capitalizado trimestralmente; Resultado: 41,1582%.

12% a.a capitalizado quadrimestralmente; Resultado:12,4864%

48% a.a capitalizado bimestralmente; Resultado: 58,6874%.

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61

60% a.a capitalizado semestralmente; Resultado: 69%

36% a.a capitalizado diariamente; Resultado : 43,3072%.

OBS: Use [ f ] 4
3.2.9 - Exercícios Resolvidos de Juros Compostos:

1. Quais os juros de uma aplicação de R$ 20.000,00, ao final de um período de 2 anos e meio, a


uma taxa de juros compostos de 18% ao ano capitalizado bimestralmente?
PV = 20.000
Dados: n = 2 anos e meio  30 meses  15 bimestres
i = 18% ao ano cap. bimestralmente  i = 18/6 = 3% a.b
J=?
Solução Algébrica:
Sabemos que: J = FV - PV
Como: FV = PV ( 1+ I )n
Temos que: J = PV ( 1+ I )n – PV  J = PV [ ( 1+ I )n – 1 ]
Logo: J = FV [ ( 1+ 0,03 )15 – 1 ]
20.000 [ enter ] 1,03 [ enter ] 15 [ yx ] 1 [ - ] [ x ]  J = 11.159,35
Resultado: J = R$ 11.159,35

Solução com a HP-12C:


20.000 [ CHS ] [ PV ] 15 [ n ] 3 [ i ] [ FV ]  FV = 31.159,35
Como: J = FV – PV  J = 31.159,35 – 20.000  J = 11.159,35
Resultado: J = R$ 11.159,35

2. Um capital de R$ 140.000,00 rendeu R$ 59.090,00 de juros numa capitalização trimestral.


Sabendo-se que ficou aplicado por 2 anos, qual a taxa de juros?

PV = 140.000; J = 59.090;
Dados: n = 2 anos  24 meses  8 trimestres
i=?
Solução Algébrica:
Sabemos que: FV = PV +J
Logo: FV = 140.000 + 59.090  FV = 199.090
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62

Como: i = [ ( FV / PV ) 1/ n – 1 ] x 100
Temos: i = [ ( 199.090 / 140.000 ) 1/ 8 – 1 ] x 100
199.090 [ enter ] 140.000 [ ÷ ] 8 [ 1/x ] [ yx ] 1 [ - ] 100 [ x ]  4,50%
Resultado: 4,50% a.t
Solução com a HP-12C:
140.000 [ CHS ] [ PV ] 199.090 [FV ] 8 [ n ] [ i ]  i = 4,50%
Resultado: i = 4,50% a.t

3. Uma pessoa depositou num banco um valor. Passados 6 meses da aplicação seu saldo era de
R$ 10.000,00 e passados mais 4 meses seu saldo era de R$12.000,00, calcule a taxa de juros e
o capital aplicado inicialmente.

Pelo fluxo de caixa representativo da questão temos que:

10.000 12.000

0 .
6 10
PV = ?

No período do 6º mês ao 10º mês, os valores de 10.000, e 12.000, reapresentam os parâmetros


financeiros PV e FV, respectivamente, sendo o parâmetro n igual a 4 meses
Dessa forma, podemos calcular o parâmetro financeiro referente à taxa de juros i.

Algebricamente teríamos:
 Cálculo da taxa de juros: [ i ]
i = [ ( FV / PV ) 1/ n – 1 ] x 100  i = [ ( 12000 / 10000 ) 1/ 4 – 1 ] x 100
12000 [ enter ] 10000 [ ÷ ] 4 [ 1/x ] [ yx ] 1 [ - ] 100 [ x ]  4,6635%
 Cálculo da do Valor Presente: [ PV ]
Como: PV = FV / ( 1 + i )n
Temos que: PV =12000 / (1,046635)10 ou: PV = 10000 / (1,046635 )6
Em ambas as expressões, teríamos:

12000 [ enter ] 1,046635 [ enter ] 10 [ yx ] [ ÷ ]  PV = 7.607,27


ou:
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63

10000 [ enter ] 1,046635 [ enter ] 6 [ yx ] [ ÷ ]  PV = 7.607,27

Resultados: i = 4,6635% a.m. e PV = R$ 7.607,27

Com a utilização da HP-12C, teríamos:


 Cálculo da taxa de juros: [ i ]
10000 [ CHS ] [ PV ] 12000 [FV ] 4 [ n ] [ i ]  i = 4,6635%
 Cálculo da do Valor Presente: [ PV ]

12000 [ CHS ] [ FV ] 10 [ n ] 4,6635 [ i ] [ PV ]  PV = 7.607,27


ou:

10000 [ CHS ] [ FV ] 6 [ n ] 4,6635 [ i ] [ PV ]  PV = 7.607,27


Resultados: i = 4,6635% a.m. e PV = R$ 7.607,27

6. Uma TV tela plana é vendida nas seguintes condições: R$ 1.800,00 a vista ou a prazo com
30% de entrada e mais um pagamento de R$ 1.450,00 em 90 dias. Determinar a taxa mensal de
juros simples cobrada na venda a prazo.

Preço a Vista = 1.800; FV = 1.450


Entrada = 30% de 1.800  540
Dados: n = 90 dias  3 meses
i=?

Solução Algébrica:
Sabemos que: PV = Preço a Vista - Entrada
Logo: PV = 1.800 – 540  PV = 1.260
Como: i = [( FV / PV ) 1/ n – 1] x100 i = [(1450 / 1260 ) 1/ 3 – 1] x100
1450 [ enter ] 1260 [ ÷ ] 3 [ 1/x ] [ yx ] 1 [ - ] 100 [ x ]  4,7931%

Resultado: 4,7931% a.m

Solução com a HP-12C:


1450 [ CHS ] [ FV ] 3 [ n ] 1260 [ PV ] [ i ]  i = 4,7931%
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64

Resultado: i = 4,7931% a.m

7. Uma casa é vendida em 2 opções:


Opção A: Entrada de R$ 50.000,00 + R$ 60.000,00 em 3 meses + R$ 70.000,00 em 8
meses.
Opção B: Entrada de R$ 30.000,00 + R$ 50.000,00 em 2 meses + R$ 100.000,00 em 6
meses.
Considerando uma taxa de juros de 2,5% a.m, escolha a melhor opção para o comprador.

Solução com a HP-12C:


Temos que descapitalizar os valores futuros dos fluxos de caixa para a data focal 0.

Opção A:
70000 [ CHS ] [ FV ] 8 [ n ] 2,5 [ i ] [ PV ]  57.452,26
60000 [ CHS ] [ FV ] 3 [ n ] 2,5 [ i ] [ PV ]  55.715,96
PV = 50.000,00 + 57.452,26 + 55.715,96  163.168,22

Opção B:
100000 [ CHS ] [ FV ] 6 [ n ] 2,5 [ i ] [ PV ]  86.229,69
50.000 [ CHS ] [ FV ] 2 [ n ] 2,5 [ i ] [ PV ]  47.590,72
PV = 30.000,00 + 86.229,69+ 47.590,72 163.820,41

Resultado: A opção A é a melhor para o comprador, pois apresenta menor PV.

3.2.10 - Exercícios Propostos de Juros Compostos:

1. Uma pessoa aplicou R$ 3.000,00 a juros compostos, à taxa de 36% ao ano com capitalização
trimestral, durante 6 meses.
a) Se houvesse aplicado por 18 meses teria tido o dobro do montante da aplicação por 6 meses;
Resp: Falsa
b) Se houvesse aplicado por 6 meses à taxa mensal equivalente à taxa dada, teria o mesmo
montante original; Use [ f ] 6. Resp: Verdadeira

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c) Se houvesse aplicado por 6 meses e a capitalização fosse mensal, teria tido o mesmo
montante original; Resp: Falsa
Assinale a sentença falsa e verdadeira, justificando através de cálculos.

2. Uma compra pode ser paga por R$ 3.000,00 a vista ou financiada por meio de uma entrada de
10% e mais dois pagamentos mensais, o segundo 20% maior do que o primeiro. Sabendo-se que
o 1º pagamento ocorre no 4º mês e que a taxa de juros é de 27% a.a capitalizado
quadrimestralmente, calcule o valor dos pagamentos.

Resp: R$1.353,58 e R$ 1.624,30.

3. Um carro esta a venda por R$ 20.000,00 de entrada e R$ 20.000,00 para após 6 meses. Um
comprador propõe dar uma entrada e mais uma parcela de R$ 25.000,00 após 8 meses. Neste
caso, quanto deverá dar de entrada se a taxa de juros de mercado for de 3% ao bimestre?

Resp: R$ 16.091,38

4) Pretende-se daqui a 9 meses comprar um automóvel de R$ 15.000,00. Calcule quanto deve


ser aplicado em um investimento que rende juros efetivos de 6% ao bimestre, de modo que o
veículo possa ser comprado com os juros ganhos na operação.

Resp : R$ 50.033,42

5) Um Banco A oferece empréstimos pessoais a juros compostos a uma taxa de 40% ao ano. Um
Banco B pelo mesmo empréstimo e prazo, cobra juros compostos de 36 % a.a. capitalizados
mensalmente.
a) Em que Banco você tomaria o empréstimo?

Resp : Banco A (i = 2,8436 % a.m)

b )Qual deveria ser a taxa nominal anual do Banco B, para que fosse indiferente para o tomador
do empréstimo a escolha do Banco?

Resp : 34,1234% a.a. capitalizados mensalmente

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66

3.3 – Equivalência Financeira

3.3.1- Capitais Equivalentes


Dois ou mais capitais situados em datas distintas, são equivalentes, se quando transportados
para uma mesma data focal ( data de referência, data de avaliação ), a uma mesma taxa de juros,
apresentarem valores iguais.

Exemplo1: Seja o conjunto de capitais apresentados no fluxo de caixa abaixo. Vamos verificar se
esses capitais são equivalentes na data focal zero, admitindo uma taxa de juros compostos de
10%a.a.

1.100 1.210 1.331 1.464,10


anos
0 1 2 3 4

Solução Algébrica:

Com relação à data focal 0, os valores 1.100; 1. 210; 1. 331 e 1. 464,10 representam os valores
futuros FV1, FV2, FV3 e FV4, e nesse caso temos que calcular seus valores presentes respectivos
PV1, PV2, PV3 e PV4.

Como: PV = FV / ( 1+ i )n, teremos que:

PV1 = FV1 / (1+ i)n1 PV1 = 1.100 / (1,10 )1 PV1 = 1.000
PV2 = FV2 / (1+ i)n2 PV2 = 1.210 / (1,10 )2 PV1 = 1.000
PV3= FV3 / (1+ i)n3 PV2 = 1.331 / (1,10 )3 PV1 = 1.000
PV4 = FV4 / (1+ i)n4 PV4 = 1.464,10 / (1,10 )4 PV1 = 1.000

Logo, por apresentarem os mesmos valores na data 0, os capitais são equivalentes.

Solução com a HP-12C:


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67

1.100 [ FV ] 10 [ i ] 1 [ n ] [ PV ]  PV = 1.000
1.210 [ FV ] 10 [ i ] 2 [ n ] [ PV ]  PV = 1.000
1.330 [ FV ] 10 [ i ] 3 [ n ] [ PV ]  PV = 1.000
1.464,10 [ FV ] 10 [ i ] 3 [ n ] [ PV ]  PV = 1.000
Logo vemos que os quatro títulos têm o mesmo valor presente [ PV ] na data focal zero, o que
implica que eles são equivalentes financeiramente, ou seja, tanto faz receber R$1.000,00 hoje,
como R$1.100,00 daqui a um ano, ou R$ 1.464,10 daqui a quatro anos, pois eles são
equivalentes financeiramente.

Exemplo 2:

Vamos verificar agora se os capitais são também equivalentes na data focal 4.


Com relação a data 4, temos que transportar os valores 1.100, 1.210 e 1.331 para a data 4,
menos o valor 1.464,10, que já está na data 4, e nesse caso, calcular os valores futuros FV,
respectivos.

Com a HP-12C,
1.100 [ PV ] 10 [ i ] 3 [ n ] [ PV ]  PV = 1.464,10
1.210 [ FV ] 10 [ i ] 2 [ n ] [ PV ]  PV = 1.464,10
1.330 [ FV ] 10 [ i ] 1 [ n ] [ PV ]  PV = 1.464,10

Logo, por apresentarem os mesmos valores, os capitais são também equivalentes na data 4. Se
fizermos os cálculos para as datas 2 ou 3, veríamos que os capitais seriam também equivalentes
nessas datas.

Podemos afirmar então que uma vez constatada a equivalência para certa data focal, a mesma
permanecerá válida para qualquer outra data focal.

3.3.2- Valor Atual de um Conjunto de Capitais

O valor atual ou valor presente de um conjunto de capitais, é a soma algébrica dos valores futuros
( FV ) do fluxo de caixa, transportados, ou seja, descapitalizados, (descontados), para a data focal
zero, à uma determinada taxa de juros.

Matematicamente
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68

n
VA = PV=  FVj / ( 1 + i )n :
j=1

Exemplo 3: Suponha que uma pessoa tenha uma carteira de aplicação em títulos de renda fixa
com datas de vencimento diferentes, conforme apresentado no fluxo de caixa abaixo

. 1.000 2.000 5.000


meses
0 6 12 18

Admitindo-se uma taxa de juros ( desconto ) de 3% a.m, determine o valor atual (VA) desse
conjunto de capitais.

Solução com a HP-12C:


1.000 [ FV ] 3 [ i ] 6[ n ] [ PV ]  PV = 837,48
2.000 [ FV ] 3 [ i ] 12 [ n ] [ PV ]  PV = 1.402,76
5.000 [ FV ] 3 [ i ] 18 [ n ] [ PV ]  PV = 3.209,31

Logo: PV = 837,48 + 1.402,76 + 3.209,31  PV = 5.449,55

Resultado: O valor atual ( valor presente ) da carteira de aplicação é de R$ 5.449,55, ou seja, os


três títulos poderiam ser trocados pelo valor acima, uma vez que, eles são equivalentes
financeiramente.

3.3.3- Exercícios Resolvidos de Equivalência Financeira:

1. Um carro esta a venda por R$ 20.000,00 de entrada e R$ 20.000,00 para após 6 meses. Um
comprador propõe dar uma entrada e mais uma parcela de R$ 25.000,00 após 8 meses. Neste
caso, quanto deverá dar de entrada se a taxa de juros de mercado for de 2% a.m?
Solução:

Fluxo de Caixa:
1ª Opção:
meses
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69

0 6

20.000 20.000

Fluxo de Caixa:
2ª Opção:
meses
0 8

X=? 25.000

Pelo princípio da equivalência financeira, temos que igualar os valores atuais dos dois fluxos.

Valor Atual do 1º fluxo:

20.000 [ CHS ] [ FV ] 2 [ i ] 6 [ n ] [ PV ]  17.759,43


VA = 20.000 ( valor que está na data 0) + 17.759,43
VA = 37.759,43

Valor Atual do 2º fluxo:

25.000 [ CHS ] [ FV ] 2 [ i ] 8 [ n ] [ PV ]  21.337,26


VA = X ( valor que está na data 0) + 21.337,26
VA = X + 21.337,26

Igualando-se as duas equações de valor atual, temos:


X + 21.337,26 = 37.759,43  X = 37.759,43 - 21.337,26
X = 16.422,17
Resultado: A entrada da 2ª opção deverá ser de R$ 16.422,17
2. Uma pessoa deve, em um banco, 2 títulos: R$ 100.000,00 para pagamento imediato e R$
70.000,00 para pagamento em 6 meses. Por lhe ser conveniente, o devedor propõe ao banco a
substituição da dívida por um pagamento de R$ 150.000,00 em 3 meses e saldo restante em 9
meses. Qual o valor do saldo restante se o banco realiza a operação a uma taxa de 2% a.m?
Fluxo de Caixa:
1ª Opção:
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70

meses
0 6

100.000 70.000
Fluxo de Caixa:
2ª Opção:
3 meses
0 9

150.000 X=?
Pelo princípio da equivalência financeira, temos que igualar os valores atuais dos dois fluxos.
Valor Atual do 1º fluxo:
70.000 [ CHS ] [ FV ] 2 [ i ] 6 [ n ] [ PV ]  62.158,00
VA = 100.000 ( valor que está na data 0) + 62.158,00
VA = 162.158,00

Valor Atual do 2º fluxo:


150.000 [ CHS ] [ FV ] 2 [ i ] 3 [ n ] [ PV ]  141.348,35
1 [ CHS ] [ FV ] 2 [ i ] 9 [ n ] [ PV ]  0,8368 X
VA = 0,8368 X + 141.348,35

Igualando-se as duas equações de valor atual, temos:


0,8368 X + 141.348,35 = 162.158,00
0,8368 X = 162.158,00 - 141.348,35
0,8368 X = 20.809,65  X = 20.809,65 / 0,8368
X = 24.868,13
Resultado: O valor do saldo restante da 2ª opção deverá ser de R$ 24.868,13

3.3.4- Exercícios Propostos de Equivalência Financeira:


1. Um sítio é posto a venda em uma imobiliária por R$ 500.000,00 à vista. Como alternativa, a
imobiliária propõe: entrada de R$ 100.000,00, uma parcela de R$ 200.000,00 para 1 ano e 2
pagamentos iguais, vencendo o 1º em 6 meses e o 2º em um ano e meio. Qual é o valor destes
pagamentos, se a taxa de juros for de 24% ao ano?

Resp: R$ 147.148.06.
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71

2. Na venda de um barco, a loja Náutica S.A, oferece duas opções a seus clientes:
 R$ 30.000,00 de entrada, mais duas parcelas semestrais, sendo a 1ª de R$ 50.000,00 e
a 2ª de R$ 100.000,00.
 Sem entrada, sendo o pagamento efetuado em 4 parcelas trimestrais, sendo as duas
primeiras de R$ 40.000,00 e as duas últimas de R$ 50.000,00.

Qual é a melhor alternativa para o comprador, se considerarmos a taxa de juros de 21% ao ano
com capitalização quadrimestral? Resp: 1ª alternativa, pois apresenta menor valor atual.

3. Um imóvel está a venda por 4 parcelas semestrais de R$ 50.000,00, vencendo a 1ª em 6


meses. Uma pessoa propõe a compra desta imóvel, pagando-o em duas parcelas iguais, uma no
ato da compra e outra após 1 ano. Qual é o valor das parcelas, se a taxa de juros for de 20% ao
ano? Resp: R$ 87.310,21.

4. O preço de um terreno é de R$ 50.000,00 à vista ou R$ 60.000,00 a prazo. No 2º caso, o


comprador deverá dar 20% como entrada e o restante em duas parcelas iguais semestrais. Se a
taxa de juros de mercado for de 30% ao ano, qual será a melhor opção?
Resp: A melhor opção é comprar a vista, pois possui menor valor atual.

.FIM DO MÓDULO 03!

BONS ESTUDOS!

"Se você quer ser bem sucedido, precisa ter dedicação total, buscar seu último limite e dar

o melhor de si."

(Ayrton Senna)

Prof. Carlos Armando Rocha Filho


72

MÓDULO 04

4.- Descontos Simples e Compostos

4.1 - Descontos Simples

Quando um título de crédito (letra de cambio, promissória, duplicata) ou uma aplicação financeira
é resgatado antes de seu vencimento, o título sofre um Abatimento, que é chamado de Desconto.

D = FV – PV

Valor Nominal ( FV ): É o valor do título de crédito, no dia do seu vencimento. È também chamado
de Valor de Face do título de crédito.

Valor Atual ( PV ): Antes do vencimento, o título de crédito pode ser resgatado por um valor
menor que seu valor nominal, denominado de: Valor Líquido Recebido, Valor Líquido Liberado, ou
Valor Atual do Título.

Ou seja,

Valor Atual: È o Valor Presente de um título de crédito e que corresponde efetivamente ao valor
pago (recebido) por este título, na data de seu resgate,

Como: D = FV – PV  PV = FV – D

4.1.1- Tipos de Descontos

 Desconto Racional ou “por dentro“

Nesse tipo de desconto, a taxa de juros ou de desconto incide sobre o Valor Atual do Titulo ( PV ).

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73

Dr = PV. i . n ou: Dr = FV . i . n
(1+i.n)

Valor Atual Racional:


Seu valor é determinado pela diferença entre o valor nominal FV e o valor do desconto racional
Dr.

PVr = FV - Dr  PVr = FV
(1+i.n)

Exemplo 1: Um título com valor de face ( valor nominal ) de R$ 270,00, foi resgatado
racionalmente 2 meses antes de seu vencimento a 3 % a.m.. Qual o valor atual do título e qual
o valor do desconto?
Dados:
FV = R$ 270,00 ; n = 2 meses ; i = 3 a.m. = 0.03 a.m.

Solução:
PVr = FV  PVr = 270
( 1 + i. n ) ( 1 + 0,03. 2 )
270 [ENTER} 0.03 [ENTER] 2 [x] 1 [+] [÷]
PVr= R$ 254,72
Como Dr = FV – PVr  Dr = 270 – 254,72
270 [ENTER] 254.72 [-]
Dr = R$ 15,28

 Desconto Comercial ou “por fora“

Nesse tipo de desconto, a taxa de juros ou de desconto incide sobre o Valor Nominal do Titulo
( FV ). Pode ser entendido como sendo os juros simples calculados sobre o valor nominal do
título;

Dc = FV . ic . n
Onde:

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74

Dc = Desconto Comercial;
FV = Valor Nominal do Título;
ic = Taxa de desconto comercial;
n = Período considerado,
Valor Atual Comercial  é determinado pela diferença entre o valor nominal FV e o desconto
comercial Dc.
PVc = FV - Dc  PVc = FV ( 1 - i . n )

Exemplo 2: Uma promissória de valor nominal de R$ 500,00 foi resgatada comercialmente, 4


meses antes de seu vencimento, à taxa de 8 % a.a.. Qual o valor do desconto e qual o valor
líquido recebido?

Dados: FV = R$ 500,00; i = 8 % a.a.=0.08 a.a= 0.08 a.m; n=4 meses


12
Solução:
Dc = FV . i . n
Dc = 500. 0,08. 4
12
500 [ENTER] 0.08 [x] 12 [÷] 4 [x]
Dc = R$ 13,33

Como PVc = FV – Dc  PVc = 500 - 13,33


500 [ENTER] 13.33 [-]
PVc = R$ 486,6

 Desconto Bancário

Desconto Bancário  é quando se adiciona ao valor do desconto comercial (Dc) as taxas e/ou
impostos ( t ) cobradas pelos bancos e que incidem sobre o valor nominal do título ( FV ).

Db = Dc + t.FV  Db = FV. i . n + t.FV Db = FV ( i.n + t )

PVb = FV - Db  PVb = FV - FV( i.n + t )  PVb = FV [1- ( i.n + t )]

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75

Exemplo 3: Uma empresa descontou uma duplicata de valor nominal R$ 300.000,00, 2 meses
antes de seu vencimento, a uma taxa de desconto comercial de 2,5%a.m. O banco cobrou 1% de
taxa administrativa e mais 0,0041% a.d de IOF( Imposto sobre Operação Financeira), que
incidiram sobre o valor nominal do titulo. Determine o valor que foi depositado na conta da
empresa e qual a taxa efetiva da operação.

Dados:
FV = 300.000; i = 2,5% a.m = 0,0025 ; n = 2 ;
t1 = 1% = 0,01 ; t2 = IOF = 0,0041% = 0,000041

Solução:
Db = Dc + t1 FV + t2 FV
Db = 300.000. 0,025. 2 + 0,01. 300.000 + 0,000041. 60. 300.000
Db = 15.000 + 3.000 + 738  Db = 18.738
Como PVb = FV – Db  PVb = 300.000 – 18.738
Resultado: PVb = R$ 281.262,00

Como a taxa efetiva é calculada pela fórmula:


i = [( FV / PV ) –1] / n

Temos: i = [ (300.000 / 281.262) – 1] / 2


Resultado: i = 3,33% a.m.

4.1.2- Exercícios Resolvidos de Descontos Simples

1. Uma Nota Promissória foi descontada a uma taxa de 2,50% a.m., com valor nominal de R$
80.000,00, sendo o valor recebido de R$ 68.000,00. Se a antecipação foi feita pelo critério de
desconto “por fora”, qual foi o prazo da antecipação?

Dados:
FV = 80.000; i = 2,5% a.m = 0,025 ; PV = 68.000; n = ? ;

Solução:
Da fórmula: PVc = FV ( 1 - i . n )  n = [ (1 – PVc / FV) ] / i
Então: n = [ (1 – 68.000 / 80.000) ] / 0,025  n = 6

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76

Resultado: 6 meses
2. Um título foi descontado com uma taxa de 4% a.m., 60 dias antes de seu vencimento, através
de uma operação de desconto comercial simples. Se o valor recebido foi de R$ 40.000,00, qual
o valor nominal do título e qual o valor do desconto?
Dados: i = 4% a.m = 0,04 ; PV = 40.000; n = 60 dias  n = 2 meses;
FV = ?; Dc = ?
Solução:
Da fórmula: PVc = FV ( 1 - i . n )  FV = PVc / ( 1 - i . n )
Então: FV = 40.000 / ( 1 – 0,04 . 2 )  FV = 43.478,26
Da fórmula: Dc = FV . i . n  Dc =43.478,26. 0,04. 2  Dc = 3.478,26
Resultado:R$ 43.478,26 e R$ 3.478,26

3. Uma empresa deseja descontar duas duplicatas num banco que lhe oferece uma taxa de
desconto comercial simples de 2%a.m. Sabendo-se que a 1ª duplicata é de R$ 10.000,00 e
tem vencimento dentro de 3 meses e que a 2ª duplicata é de R$20.000,00 e tem vencimento
dentro de 6 meses. Determinar o valor a ser creditado pelo banco na conta da empresa.
Dados:
i = 2% a.m = 0,02 ; FV1 = 10.000; FV2 = 20.000; n1= 3meses;
n2 = 6 meses; PVc0 = Valor Atual das duas duplicatas ( Hoje ) ?

Solução:
Da fórmula: PVc = FV ( 1 - i . n )
Temos que: PVc1 = FV1 ( 1 - i . n1 ) e PVc2 = FV2 ( 1 - i . n2 )
Então:
PVc1 = 10.000 ( 1 – 0,02 . 3 )  PVc1 = 9.400
PVc2 = 20.000 ( 1 – 0,02 . 6 )  PVc2 = 17.600
Como: PVc0 = PVc1+PVc2 PVc0 = 9.400+17.600  PVc0 = 27.000
Resultado: R$ 27.000,00

4. Um banco anuncia que sua taxa de juros é a menor do mercado, cobrando apenas 3% de taxa
administrativa. Exemplifica dizendo que, para 6 meses, um título de R$ 45.000,00, sofrerá um
desconto de apenas R$ 8.550,00. Qual é a taxa anual de desconto comercial considerada?

Dados:
t = 3% = 0,03; n= 3 meses; FV = 45.000; Db = 8.550
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77

Solução:
Da fórmula: Db = FV ( i.n + t )  i = ( Db – FV.t ) / FV.n Logo: i = ( 8.550 – 45.000.
0,03 ) / 45.000.6  i = 0,0267 a.m
i = 0,0267. 12  i = 0,3204 a.a  i = 0,3204.100  i = 32,04
Resultado: 32,04 % a.a.
5. O portador de um título de R$ 80.000,00 resolveu descontá-lo 4 meses antes do vencimento,
com desconto simples “por fora” de 3% ao mês, e aplicar a juros simples, o valor recebido a
uma taxa de 3,5% ao mês, pelo mesmo período. Fez ele bom negócio ou teria sido melhor
aguardar o vencimento do título? Justifique através de cálculos.

Dados:

FV = 80.000; n= 4 meses; i1 = 3% a.m = 0,03; i2= 3,5% a.m = 0,035

Solução:
Da fórmula: PVc = FV ( 1 - i . n )  PVc = 80.000 ( 1- 0,03. 4 )
PVc = 70.400
Aplicando esse valor à taxa de juros simples de 3,5% a.m ,obteremos: FV = PV ( 1 + i.n )  FV =
70.400 ( 1 + 0,035. 4)  FV = 80.256

Resultado: Sim, pois o valor final obtido de R$80.256, é superior em R$ 256,00 aos R$
80.000,00 do título original.

4.2 - Descontos Compostos

4.2.1- Desconto Racional Composto


O desconto racional composto é calculado sobre o valor atual (presente) de um título, utilizando-
se do regime de capitalização composta. Dessa forma, o desconto racional composto (real, ou
racional, ou “por dentro”) pode ser entendido como sendo os juros compostos calculados sobre o
valor presente (ou atual) de um título. Em outras palavras, a taxa de desconto, aplicada sobre o
valor atual, resulta no valor futuro ( ou nominal ) do título.
Dr = FV – PV  FV = PV + Dr

FV = PV ( 1 + I ) n  PV = FV / ( 1 + I ) n
Logo:
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78

Dr = PV ( 1 + I ) n – PV  Dr = PV [ ( 1 + I ) n – I ]
PV = Dr / [ ( 1 + I ) n – I ]
Exemplo 1: O valor do desconto de uma nota promissória, que vence em 36 meses, é de R$
11.318,19. Admitindo-se que é utilizada uma taxa de 2 % a.m. de desconto racional composto,
qual o valor nominal do título?
Dados:
Dr = R$ 11.318,19
i = 2 % a.m. = 0.02 a.m.
n = 36 meses;
FV = ?

Solução:
Pela fórmula: PV = Dr / [ ( 1 + I ) n – I ]
Temos que: PV = 11.318,19 / [ ( 1,02 )36 – I ]
11318.19 [ENTER] 1.02 [ENTER] 36 [y x] 1 [-] [÷]
PV = R$ 10.884,05
Como:
FV = PV + Dr  FV = 10.884,05 + 11.318,19  FV = 22.202,24
Resultado: FV = R$ 22.202,24

Exemplo 2: Um título de R$60.000,00 foi resgatado 3 meses antes de seu vencimento, a uma
taxa de juros compostos de 3% a.m. Determine o valor atual desse título segundo o critério
racional composto.
Dados:
FV = R$ 60.000,00
i = 3 % a.m. = 0.03 a.m.
n = 3 meses;
PV = ?
Solução Algébrica:
n
Pela fórmula: PV = FV / ( 1 + I )
Temos que: PV = 60.000 / ( 1,03)3
60000 [ENTER] 1.03 [ENTER] 3 [yx] [÷]
Resultado: PV = R$ 54.908,50
Solução com a HP-12C ( Financeira):
60.000 [ FV ] 3 [ n ] 3 [ I ] [ PV ]  PV = 54.908,50
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Resultado: PV = R$ 54.908,50

4.2.2- Desconto Comercial Composto

PV = FV ( 1 – i)n  FV = PV / ( 1 – i )n
DC = FV – PV  DC = FV [ 1 - ( 1 – i )n ]

Exemplo 1:
Uma duplicata no valor de R$28.800,00, com 120 dias para seu vencimento é descontada com
desconto comercial composto, a uma taxa de 2,5% ao mês. Calcular o valor líquido creditado na
conta e o valor do desconto concedido.
Solução:

PV = FV − DC = 28800 − 2773,79 = 26026,21 é o valor líquido creditado na conta.


Obs: Esse tipo de desconto não é muito utilizado em nosso País.

4.2.2- Exercícios Propostos de Descontos Simples e Compostos

1) Um título com valor de face ( valor nominal ) de R$ 270,00, foi resgatado racionalmente 2
meses antes de seu vencimento a uma taxa simples de 3 % a.m.. Qual o valor atual do título e
qual o valor do desconto? Resp: PVr= R$ 254,72 e Dr = R$ 15,28.

2) Uma promissória de valor nominal de R$ 500,00 foi resgatada comercialmente, 4 meses


antes de seu vencimento, à taxa simples de 8 % a.a.. Qual o valor do desconto e qual o valor
líquido recebido? Resp: Dc = R$ 13,33 e PVc = R$ 486,67

3) Um título foi descontado com uma taxa simples de 4% a.m., 60 dias antes de seu vencimento,
através de uma operação de desconto comercial. Se o valor recebido foi de R$ 40.000,00, qual
o valor nominal do título e qual o valor do desconto?
Resp: R$ 43.478,26 e R$ 3.478,26

4). Uma duplicata de R$ 80.000,00 foi descontada 6 meses antes do vencimento e o valor
recebido nesta data foi de R$ 68.000,00. Qual a taxa simples de desconto “por fora” da
operação? Resp: 2,50% a.m

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80

5). O portador de um título de R$ 80.000,00 resolveu descontá-lo 4 meses antes do vencimento,


com desconto simples “por fora” de 3% ao mês, e aplicar a juros simples, o valor recebido a
uma taxa de 3,5% ao mês, pelo mesmo período.
Fez ele bom negócio ou teria sido melhor aguardar o vencimento do título? Justifique através de
cálculos. Resp: Sim, pois ao final das duas operações, recebeu R$80.256, ganhando então
R$256,00.

6) Uma pessoa aplicou o capital de R$12.000,00 em letras de câmbio para resgatar R$


13.260,00 após 90 dias. Quando faltavam 15 dias para o vencimento da letra, descontou-a, com
desconto comercial, à taxa de 4% ao mês, e depositou o valor apurado numa conta a prazo fixo,
com rendimento de 4,2% ao mês de juros simples, por 60 dias.
a) Qual foi seu rendimento (juros) considerando-se todas essas operações?
Resp: R$2.086,36
b) Qual a taxa mensal de juros simples que corresponde a esse rendimento? Resp: 3,86% a.m
7). Recebi uma quantia de R$ 109.500,00 de um banco que me resgatou, antes do vencimento,
duas letras de câmbio, de valores nominais iguais, vencíveis a 60 e 90 dias, respectivamente. Se
a taxa de desconto comercial foi de 3,5% ao mês, qual valor nominal de cada letra? Resp:
R$60.000,00

8) Dois títulos com prazo de 60 e 90 dias, respectivamente, foram descontados comercialmente à


taxa simples de desconto de 6% ao mês, produzindo os mesmos valores liberados para ambos os
títulos. Sabendo-se que a diferença entre o valor nominal do 1° e o valor do desconto do 2° é de
R$ 166.454,55, calcular os valores nominais dos títulos. Resp: R$200.000,00 e R$186.363,64

9). Por um titulo de R$ 15.000,00 pelo prazo de 6 meses, o cliente recebeu o valor liquido de R$
12.525,00. Se a taxa de juros for fixada em 27% a.a., existirá taxa de serviço cobrada no
desconto bancário?
Resp: Sim, 3%

10). Um título de R$ 90.000,00 é descontado por R$ 63.000,00 pelas regras do desconto


comercial simples. Sabendo-se que a taxa de desconto efetiva é de 6,1224% a.m., calcular a taxa
de desconto aplicada e o prazo da operação.
Resp; 4,2857% a.m. e 7 meses

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81

11) Calcule o desconto de um título de valor nominal R$ 600,00, descontado 5 meses antes do
vencimento a uma taxa de desconto racional composto igual a 4% a.m.
Resp.:R$ 106,84

12) Determine o valor do desconto racional composto de um título de R$ 40.000,00 com


vencimento no prazo de 85 dias, a uma taxa de juros compostos de 1% a.m.
Resp.: R$ 1.111,96

13) Uma empresa possui uma nota promissória com vencimento para 90 dias e valor nominal
igual a R$ 34.000,00. Se a empresa descontasse por dentro esse titulo a uma taxa de juros
compostos igual a 5% a.m., qual seria o valor líquido recebido?
Resp.: R$ 29.370,48

14) Uma nota promissória no valor de R$ 60.000,00 foi resgatada 68 dias antes do vencimento
com uma taxa de desconto por dentro de 15% ao ano. Determine o valor do principal dessa
operação no regime de juros compostos. Resp.: R$ 58.436,76

15) Uma duplicata no valor de R$ 8.000,00 foi descontada 4 meses antes do vencimento, a uma
taxa de desconto comercial composto igual a 3% a.m. Calcule o valor líquido da operação e o
desconto sofrido pelo título. Resp.: R$ 7.082,34 e R$ 917,66.

16) Um título com vencimento no prazo de 1 ano tem valor nominal de R$ 27.000,00. Sabendo-se
que esse título foi descontado 5 meses antes do seu vencimento, num banco que cobra 0,3% de
taxa administrativa e que a taxa corrente de desconto racional composto é de 2 % ao mês.
Quanto recebeu o proprietário do título?
Resp.: R$ 24.373,73.

FIM DO MÓDULO 04!

BONS ESTUDOS!

Prof. Carlos Armando Rocha Filho


82

“Encontrar defeito é fácil, mas fazer melhor pode ser difícil”

( Plutarco )

MÓDULO 05

5- Série Uniforme de Prestações Periódicas ( Rendas ou Anuidades )

5.1- Introdução

Até agora temos lidado com situações cujos fluxos de caixa eram apenas um Valor Presente e um
Valor Futuro.

Na maioria das vezes, entretanto, muitos negócios são liquidados com vários pagamentos
uniformes (iguais), como é o caso, por exemplo, da aquisição de veículos, terrenos, casas,
eletrodomésticos, etc.

Este módulo trata da teoria que rege as séries uniformes de pagamentos ou recebimentos
( prestações ).

Em que consistem, na prática, as séries de pagamentos? São as prestações que você já conhece
de um carnê da loja que realizou uma compra, ou o valor das prestações que você ainda não
conhece, mas deseja conhecer, para poder tomar uma decisão, em adquirir ou não sua casa
própria, uma TV, por exemplo, ou um outro bem qualquer.

Como você já percebeu, as séries de pagamentos estão muito presentes em nosso dia-a-dia, de
modo que é importantíssimo, para sua “saúde financeira” ou de sua empresa, saber como
calcular as taxas de juros envolvidas nessas operações financeiras.

5.2 - Conceito:

Entende-se Série Uniforme de Prestações Periódicas (Renda ou Anuidade), como sendo o


conjunto de pagamentos ou recebimentos, de valor nominal igual, que se encontram dispostos
em períodos de tempo constantes, ao longo de um fluxo de caixa.

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83

Se a série tiver como objetivo a construção do capital, este será o Montante [ FV ] da série, ao
contrário, ou seja, se o objetivo for a amortização de um capital, este será o Valor Atual [ PV ] da
série.

O valor das prestações de uma série uniforme é identificado na HP-12C, pela 4ª tecla da linha
financeira [ PMT ]  que vem do inglês “Periodic Payment” = Pagamento Periódico.

O valor de cada parcela de pagamento ou recebimento, a ser incorrido em uma data


preestabelecida, representa o termo da série ou renda. .

5.3 - Classificação das Rendas:

a. Quanto ao Prazo:
Temporárias – quando apresentam um número finito de termos.
Exemplo: venda de um carro financiado em 36 parcelas;

Perpétuas – quando apresentam um número infinito de termos.


Exemplo: direitos autorais

b. Quanto ao valor dos termos:


Constante – quando todos os termos da série são iguais.
Exemplo: financiamento de uma TV em 6 parcelas mensais, iguais e consecutivas;

Variável – quando os termos da série são diferentes.


Exemplo: parcelas de um consórcio.

c. Quanto à Periodicidade:
Periódicas – quando todos os períodos são iguais.
Exemplo: Aluguéis mensais;

Não Periódicas – quando os períodos são diferentes entre si.


Exemplo: venda de um bem a prazo, com pagamento de uma parcela no ato, a 2ª com 20 dias e
3ª com 50 dias.

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84

d. Quanto à Forma de Pagamento ou Recebimento:


Postecipadas – quando o pagamento ou recebimento dos termos ocorre no final de cada
período.

Antecipadas – quando o pagamento ou recebimento dos termos ocorre no início de cada


período.

Diferidas - quando o pagamento ou recebimento dos termos ocorre após um determinado


período de carência.

Obs: Visando obter uma maior praticidade, ilustraremos neste módulo apenas as séries
uniformes, com as seguintes características:
 Série Uniforme Finita,
 Periodicidade Constante;

5.4 - Periodicidade: Postecipadas; Aantecipadas e Diferidas.

Vamos agora apresentar as fórmulas algébricas e a sequencia da HP-12C, utilizadas na


resolução de alguns exemplos para o cálculo do Montante, do Valor Presente e da Prestação de
uma Série Uniforme de Pagamentos ou Recebimentos (Renda).

5.4.1 – Séries ou Rndas Postecipadas

1º CASO: Montante de uma Renda ( Dado PMT, ache FV ).

O montante de uma renda corresponde à soma dos depósitos (termos) individuais, durante n
períodos, a uma taxa i de juros.
Devemos lembrar que o valor presente [PV] da série de n termos da renda, no instante zero, deve
ser equivalente ao montante [FV] no instante zero.
Fórmula Algébrica: FV = PMT [ ( 1 + i )n – 1 ] / i

[ ( 1 + i )n – 1 ] / i = Fator de Acumulação de Capital - FAC

Fluxo de Caixa:
FV

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85

0 1 2 3
|
PMT PMT PMT
Onde:

FV = Montante de uma Renda com 3 termos (depósitos)


PMT = Renda ou Prestação

Exemplo 1 : Uma pessoa deposita em um fundo de investimento R$ 500,00 ao final de cada


mês, durante 12 meses, á taxa de 1,5% a.m.
Determine:
 Qual o montante que terá ao final do período?
 Quanto receberá de juros?

Dados:
PMT = R$ 500,00
n = 12 mêses
i = 1,5 % a.m. = 0,015 a.m.
Pede-se: FV = ? e J = ?
FV = PMT. [(1 + i)n - 1] / i

Solução Algébrica:
FV = 500 [ (1,015 )12 - 1 ] / 0,015
1.015 [ENTER] 12 [ yx ] 1 [ - ] 0.015 [ ÷ ] 500 [ x ]
Resultado: R$ 6.520,61

Solução com a Linha Financeira da HP-12C:


500 [ CHS ] [ PMT ]
12 [ n ]
1.5 [ i ]
Resultado: [ FV ] = R$ 6.520,61

Cálculo dos Juros Recebido:

Prof. Carlos Armando Rocha Filho


86

J = FV – ( PMT . n )
J = ( 6.520,61 – 500 . 12 )
Resultado: J = 520,61

2º CASO: Valor da Prestação ( Dado FV, ache PMT) .

Fórmula Algébrica:
PMT = FV [ i / (1 + i)n - 1 ]

[ i / (1 + i)n - 1 ] = Fator de Formação de Capital - FFC

Exemplo 2: Se desejarmos obter R$ 5.000,00 daqui a 12 meses, quanto deveremos depositar


mensalmente sabendo que a taxa de juros é de 1,5 % a.m ?

Dados:
FV = R$ 5.000,00 Pede-se: PMT = ?
n = 12 mêses
i = 1.5 % a.m. = 0,015 a.m. PMT = FV. [ i / (1 + i)n - 1]
Solução Algébrica:
PMT = 5.000.[ 0,015 / ( 1,015 )12 - 1 ]  R$ 383,40
0,015 [ ENTER ] 1,015 [ ENTER ]12[ yx ] 1[ - ] [ ÷ ]5.000 [ x ]

Solução com a Linha Financeira da HP-12C:


5.000 [ FV ]
12 [ n ]
1.5 [ i ]
[ PMT ] = - R$ 383,40 ( o sinal negativo é porque os depósitos são pagamentos e portanto por
convenção saem do bolso )

3º CASO: Valor Presente de uma Renda - Dado PMT, ache PV

O Valor Atual (ou Presente) de uma Renda equivale ao valor de uma dívida (empréstimo, valor à
vista de um bem) que será pago em prestações.

Fórmula Algébrica:

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87

PV = PMT [ ( 1 + i )n – 1 / ( 1 + i )n. i ]
[ ( 1 + i )n – 1 / ( 1 + i )n. i ] = Fator de Valor Atual - FVA

Fluxo de Caixa:

PV 1 2 3

0 PMT PMT PMT


Onde:
PV = Valor Atual ou Presente de uma Renda com 3 termos (Pagamentos)

Exemplo 3 : Um microcomputador é vendido em 12 prestações mensais postecipadas de R$


280,00, à uma taxa de 2% a.m. Qual o valor a vista do micro?
Dados:
PMT = 280 ; n = 12 ; i = 2% a.m = 0,02 ; Pede-se: PV ?

Solução Algébrica:
PV = PMT [ ( 1 + i )n – 1 / ( 1 + i )n. i ]

PV = 280 [ ( 1,02 )12 – 1 / ( 1,02 )12. 0,02 ] 


1.02 [ ENTER ]12 [ yx ] 1 [ – ] 1.02 [ ENTER ]12 [ yx ] 0.02 [ x ] [ ÷ ] 280 [ x ]
Resultado: R$ 2.961,10

Solução com a Linha Financeira da HP-12C:


280 [ CHS ] [ PMT ]
12 [ n ]
2[i]
Resultado: [ PV ] = R$ 2.961,10

4º CASO: Valor da Prestação – Dado PV, ache PMT.


Fórmula Algébrica:
PMT = PV [ (1 + i)n . i / (1 + i)n – 1 ]
[ (1 + i)n . i / (1 + i)n – 1 ] = Fator de Recuperação de Capital- FRC

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88

Exemplo 4 :
Um carro cujo preço a vista é de R$ 30.000,00, é financiado através de uma entrada de 10% e
mais 36 prestações mensais postecipadas a uma taxa de 2,5% a.m. Determine o valor da
prestação e o valor dos juros pagos.
Dados:
Preço a Vista = R$ 30.000,00; Entrada: 10% de 30.000 = 3.000
Como:
PV = Preço a Vista – Entrada  PV = 30.000 – 3.000 = 27.000
n = 36 prestações ; i = 2,5% a.m.= 0,025

Solução Algébrica:
PMT = PV . [ (1 + i)n . i / (1 + i)n – 1 ]

PMT = 27.000 [ (1,025 )36. 0,025 / (1,025 )36 – 1]


1,025 [ ENTER ] 36 [ yx ] 0,025 [ x ] 1.025 [ ENTER ] 36[ yx ] 1 [ - ] [ ÷ ] 27.000 [ x ]
Resultado: R$ 1.146,19

Solução com a Linha Financeira da HP-12C:


27.000 [ CHS ] [ PV ]
36 [ n ]
2,5 [ i ]
Resultado: [ PMT ] = R$ 1.146,19

Cálculo dos juros pagos:


J = ( PMT. n ) – PV
J = (1.146,19 . 36 ) – 27.000
Resultado: J = R$ 14.262,84

5.5 – Séries ou Rendas Antecipadas

1º CASO: Montante de Uma Renda – Dado PMT, ache FV.

O montante de uma renda antecipada difere do montante de uma renda postecipada no tocante à
ocorrência do 1º depósito, que como sabemos na série antecipada ocorre no ato, ou seja, na data
zero.

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89

Portanto, para encontrarmos o valor do montante antecipado, basta multiplicarmos o valor


encontrado para o montante postecipado por ( 1 + i )

Fórmula Algébrica:
FV = PMT [ ( 1 + i )n – 1 ] ( 1 + i )
i
Fluxo de Caixa:
FV
0 1 2 3..................... n-1

.................................. PMT.............................

Comparando-se os diagramas de renda imediata com o de renda antecipada, a única diferença é


que o primeiro termo, na renda imediata, ocorre no fim do 1º período, enquanto na antecipada, o
1º pagamento ocorre no instante zero.

Exemplo 5 : Quanto receberá uma pessoa que faz depósitos mensais antecipados no valor de
R$ 500,00, em um fundo de investimento, durante 12 meses, á taxa de 1,5% a.m.

Dados:
PMT = R$ 500,00 Pede-se: FV = ?
n = 12 meses
i = 1,5 % a.m. = 0,015 a.m. FV = PMT [ ( 1 + i )n – 1 ] ( 1 + i )
i
Solução Algébrica:
FV = 500 [ (1,015 )12 - 1 ] / 0,015 ] ( 1,015 )
1.015 [ENTER]12 [ yx ] 1 [ - ] 0.015 [ ÷ ] 500 [ x ] 1,015 [ x ]
Resultado: R$ 6.618,42

Solução com a Linha Financeira da HP-12C:


[ g ] [ BEG ] 500 [ CHS ] [ PMT ]
12 [ n ]
1.5 [ i ]

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[ FV ] = R$ 6.618,42

OBS: Para fluxos de caixa antecipados, devemos sempre pressionar a tecla [ g ] e a tecla
[ BEG ]. Aparecerá no visor a palavra “BEGIN” = Início = começo.

Para tirarmos “BEGIN”do visor, pressionamos a tecla [ g ] e a tecla [END], que a HP, voltará a
operar com fluxos postecipados..

2º CASO: Valor da Prestação - Dado FV, ache PMT.

Fórmula Algébrica:
PMT = FV [ i / (1 + i)n - 1 ] ÷ ( 1 + i )

Exemplo 6 : Quanto uma pessoa deve depositar em um banco, no início de cada mês, para obter
um montante de R$ 5.000,00 daqui a 12 meses, sabendo-se que a taxa de juros é de 1,5 % a.m ?

Dados:
FV = R$ 5.000,00 Pede-se: PMT = ?
n = 12 mêses
i = 1.5 % a.m. = 0,015 a.m. PMT = FV [ i / (1 + i)n - 1 ] ÷ ( 1 + i )
Solução Algébrica:
PMT = 5.000.[ 0,015 / ( 1,015 )12 - 1 ] ÷ ( 1,015 )
0,015 [ENTER] 1,015 [ENTER]12[ yx ] 1[ - ] [ ÷ ] 5.000 [ x ]1,015 [ ÷ ]
Resultado: R$ 377,73

Solução com a Linha Financeira da HP-12C:


[ g ] [ BEG ]
5.000 [ CHS ] [ FV ]
12 [ n ]
1.5 [ i ]

Resultado: [ PMT ] = R$ 377,73

3º CASO: Valor Presente de uma Renda - Dado PMT, ache PV

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Fórmula Algébrica:
PV = PMT [ ( 1 + i )n – 1 / ( 1 + i )n. i ] ( 1 + i )

Fluxo de Caixa:
PV
0 1 2

..............PMT............

Onde:
PV = Valor Atual ou Presente de uma Renda com 3 termos (Pagamentos)

Exemplo 7 : Um microcomputador é vendido em 12 prestações mensais antecipadas de R$


280,00, à uma taxa de 2% a.m. Qual o valor a vista do micro?

Dados:
PMT = 280 ; n = 12 ; i = 2% a.m = 0,02 ; Pede-se: PV ?

Solução Algébrica:
PV = PMT [ ( 1 + i )n – 1 / ( 1 + i )n. i ] ( 1 + i )

PV = 280 [ ( 1,02 )12 – 1 / ( 1,02 ) 12. 0,02 ] ( 1,02 )


1.02 [ ENTER ]12 [ yx ] 1 [ – ] 1.02 [ ENTER ]12 [ yx ] 0.02 [ x ] [ ÷ ] 280 [ x ] 1,02 [ x ]
Resultado: R$ 3.020,32

Solução com a Linha Financeira da HP-12C:


[ g ] [ BEG ]
280 [ CHS ] [ PMT ]
12 [ n ]
2[i]
[ FV ] = R$ 3.020,32

4º CASO: Valor da Prestação - Dado PV, ache PMT.

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Fórmula Algébrica:

PMT = PV [ (1 + i)n . i / (1 + i)n – 1 ] ÷ ( 1 + i )


Exemplo 8 :
Um carro cujo preço a vista é de R$ 30.000,00, é financiado através de uma entrada de 10% e
mais 36 prestações mensais antecipadas a uma taxa de 2,5% a.m.. Qual o valor da prestação?

Dados:
Preço a Vista = R$ 30.000,00 ; Entrada: 10% de 30.000 = 3.000
Como:
PV = Preço a Vista – Entrada  PV = 30.000 – 3.000 = 27.000
n = 36 prestações ; i = 2,5% a.m.= 0,025

Solução Algébrica:

PMT = PV [ (1 + i)n . i / (1 + i)n – 1 ] ÷ ( 1 + i )

PMT = 27.000 [ (1,025 )36. 0,025 / (1,025 )36 – 1] ÷(1,025 )


1,025 [ ENTER ] 36 [ yx ] 0,025 [ x ] 1.025 [ ENTER ] 36 [ yx ] 1 [ - ] 1.025 [ ÷ ] 27.000 [ x ]
Resultado: R$ 1.118,24

Solução com a Linha Financeira da HP-12C:


[g] [BEG]
27.000 [ CHS ] [ PV ]
36 [ n ]
2,5 [ i ]
Resultado: [ PMT ] = R$ 1.118,24

5.6 – Séries ou Rendas Diferidas

As rendas diferidas são aquelas em que os pagamentos ou depósitos ocorrem após o primeiro
período, denominado prazo ou período de carência.
Ilustramos abaixo um Fluxo de Caixa de uma Renda de 5 termos, com 3 períodos de carência, ou
seja, o 1º pagamento ocorre no 4º mês da operação financeira:

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PV .
0 1 2 3 4 5 6 7 8
PMT

Exemplo 9 : Qual o preço a vista de uma TV tela plana, que foi adquirida em 5 prestações
mensais de R$ 400,00, com 3 meses de carência, ou seja, com o 1º pagamento no 4º mês da
compra, sendo a taxa de juros 4 % a m. ?

Solução:
1º Passo: Calculamos o valor atual [ PV ] da série de 5 pagamentos na data 4. Para isso
usamos [ g ] [ BEG ].
Solução com a HP:
[ g ] [ BEG ].
400 [ CHS ] [ PMT ]
5[n]
4[I]
[ PV ] = R$ 1.851,96
2º Passo: Transportamos, ou seja, descapitalizamos R$ 1.851,96 (que passa a ser FV), para a
data focal zero.
1.851,96 [ FV ]
4 [ n ]  período de carência;
4[i]
Resultado: [ PV ] = R$ 1.583,06  Preço a vista da TV.

5.6 – Exercícios Propostos de PMT:

1) Uma pessoa faz depósitos mensais durante 3 anos numa instituição financeira que paga 1,5%
ao mês de juros. No 1º ano, seus depósitos são de R$ 3.000,00, no 2º ano de R$ 5.000,00 e no
3º ano de R$ 8.000,00. Qual o seu montante no final do 3º ano, após fazer o 36º depósito?
Resp: R$ 238.218,58

2) Uma casa foi comprada com uma entrada de R$ 10.000,00, mais 50 prestações mensais de
R$ 1.300,00, além de 4 parcelas anuais de R$ 3.000,00 cada uma. Passados 5 anos da compra,
seu proprietário deseja vendê-la. Que preço mínimo ele deve pedir se a taxa de mercado é de 4%
ao mês nesse período?
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94

Resp: R$ 443.492,62.

3) Uma pessoa levantou um empréstimo de R$ 15.000,00 em uma instituição financeira que


cobra juros de 36% ao ano capitalizados mensalmente. Assumindo o prazo do financiamento
como sendo igual a 2 anos, e que as prestações devidas são no final de cada mês, pergunta-se:
a) qual o valor dos juros desse financiamento?
Resp: R$ 6.254,04
b) para quanto será reduzido o valor da prestação mensal se essa pessoa efetuar um pagamento
inicial de R$ 2.000,00 Resp: 767,62

4) Um carro está à venda através das seguintes opções:

a) Doze prestações mensais de R$ 1.600,00, sendo a 1ª no ato da compra;

b) Dezoito prestações bimestrais postecipadas de R$ 1.830,00;

c) Quatro prestações semestrais postecipadas de R$ 7.360,00,

Considerando-se uma taxa de juros de 5% a.m, diga qual a melhor opção de pagamento para o
comprador.
Resp: Opção b, menor PV.

5) Um equipamento deve ser adquirido em seis prestações mensais e iguais a


R$ 1.200,00, à taxa de juros de 48% ao ano com capitalização mensal. Julgue os itens abaixo:
 Se a 1ª das prestações ocorrer 30 dias após a compra, o valor a vista será R$ 6.542,19.
Resp: Falsa
 Se a 1ª prestação for no ato da compra, o preço a vista será de R$ 6.290,56. Resp: Falsa
 A taxa semestral equivalente desse financiamento é de 26,53%.
Resp: Verdadeira

6) Um apartamento em construção é colocado a venda nas seguintes condições:


 R$ 1.200,00 de sinal;
 R$ 3.500,00 na entrega das chaves;
 36 x R$ 1.520,00, mensais, 30 dias após a entrega das chaves;
 6 x R$ 9.000,00, 180 dias após a entrega das chaves.

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95

Qual o valor a vista do imóvel, sabendo-se que a taxa de juros do financiamento é de 3,5% ao
mês e que o tempo estimado entre o sinal e a entrega das chaves é de 4 meses?
Resp: R$ 55.420,29

7) Um financiamento de R$ 50.000,00 será pago em 12 prestações mensais aplicando-se juros


efetivos de 2,5% ao mês. Se o início dos pagamentos deve ocorrer ao término de um período de
carência de 3 meses, ou seja, primeiro pagamento ocorrendo no 4º mês, calcule o valor das
prestações.Resp:R$ 5.249,15

8) Um empréstimo no valor de R$ 50.000,00 deverá ser pago em 12 prestações mensais e mais 2


pagamentos intermediários, no 4º mês igual a R$ 5.700,00 e no 8º mês igual a R$ 7.300,00.
Sendo a taxa de juros igual a 36% ao ano capitalizado mensalmente, calcule o valor das
prestações mensais; Resp: R$ 3.935,39.

FIM DO MÓDULO 05!

BONS ESTUDOS!

“ Não fique preocupado com suas dificuldades em Matemática. Eu posso lhe assegurar
que as minhas são ainda maiores”

(Albert Einstein)

MÓDULO 06

6. Sistemas de Amortização de Empréstimos

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6.1 – Considerações Gerais

Os empréstimos podem ser: de curto, médio e longo prazo. Os empréstimos de curto e médio
prazo caracterizam-se, normalmente, por serem saldados em até 12 meses. Consistem em
operações de crédito realizadas pela empresa, para suprir necessidades de Capital de Giro,
geralmente.

Os empréstimos de longo prazo ( financiamento ), por existirem várias modalidades de restituição


do Principal e dos encargos financeiros, têm um tratamento especial. Essas operações de crédito
têm suas condições previamente fixadas por contratos bilaterais entre a empresa e o órgão
financiador.

O valor desses empréstimos [ PV ] deverá ser restituído à instituição financeira, acrescido da sua
remuneração ( Juros ).

Às formas de devolução do Principal [PV], mais os Juros, chamam-se de Sistemas de


Amortização.

Assim, quando se contrai uma dívida, o devedor se compromete a devolver o capital emprestado
acrescido dos juros, que é a remuneração do capital. Como a remuneração do capital depende do
regime de juros adotados, geralmente este regime é determinado pelo prazo em que o
empréstimo é efetuado.

6.2 – Sistemas de Amortização a Curto Prazo

Para os casos de empréstimos de curto prazo (inferior a 1 ano) costuma-se utilizar o Sistema de
Juros Simples, sendo que as formas mais frequentes de se quitar o débito são:
I. O principal e os juros são pagos somente no final do período do empréstimo ( PV + J ), ou
comumente chamado de “principal mais encargos no final”.

Exemplo: Supondo um empréstimo de R$1.000,00, por 4 meses, à taxa de 2% a.m, temos:


PV = 1.000
FV = PV ( 1 + i.n)
FV = 1.000 ( 1+ 0,02 . 4) 0 4
Resultado: FV=1.080 FV=1.080

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II. Os juros devidos ao principal, pelo período total do empréstimo, são cobrados
antecipadamente, ou seja, no próprio momento em que se contrai a dívida.

Isto é conhecido como encargos antecipados, principal no final, e é, praticamente, a única forma
de financiamento a juros simples que existe no mercado, atualmente.
É o que ocorre no desconto de duplicatas. Se o comerciante entregar duplicatas com valor de
face, de R$10.000,00, por exemplo, receberá somente R$ 8.700,00, se a taxa de desconto
comercial for de 3% a.m, o resgate antecipado for de 4 meses e o banco cobrar ainda 1% de taxa
administrativa sobre o valor da duplicata.

Como vimos no Módulo 4:

Db = FV.i.n + t.FV
Db = 10.000. 0,03. 4 + 0,01. 10.000

Resultado: Db = 1.300
Como:
PVb = FV – Db  PVb = 10.000 – 1.300

Resultado: PVb = 8.700.

No vencimento das duplicatas, o banco recebe o seu Valor de Face ( Valor Nominal da
Duplicata ). .

FV = 10.000
0 4
Db = 1.300 FV = 10.000

iii. Um terceiro mecanismo de amortização de empréstimo a curto prazo, é aquele


em que o débito é saldado com os juros sendo pagos mensalmente e o principal
no final do prazo do financiamento (encargos mensais, principal no final).

Exemplo: PV = 10.000; i = 10% a.a; n=4


Como J = PV. i. n J =1.000 e como FV = PV + J  FV = 11.000

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PV =10.000
0 1 2 3 4

.................J = 1.000...............

FV = 11.000

6.3 – Sistemas de Amortização a Longo Prazo

O regime estipulado para a remuneração de capitais emprestados a longo prazo (mais de 1 ano),
costuma ser o Sistema de Juros Compostos. Os métodos mais utilizados no Brasil, para o
resgate de empréstimos de longo prazo, em que os juros são calculados sobre o saldo devedor,
são:
 Sistema Francês de Amortização / Sistema “PRICE”;
 Sistema de Amortização Constante - SAC.

Antes de apresentarmos as características principais dos dois sistemas, vamos conceituar alguns
termos de uso corrente na aplicação dos mesmos.

Conceitos:

Amortização – refere-se à parcela de devolução do Principal ( capital emprestado ), que é


deduzida do saldo devedor a cada pagamento;

Taxa de Juros – taxa contratada entre as partes;

Prestação – soma da parcela da amortização, com a parcela dos juros e outros encargos
financeiros, pagos em um dado período;

Saldo Devedor – trata-se do estado da divida em determinado instante de tempo;

Prazo de Carência – corresponde ao período compreendido entre a 1ª liberação do empréstimo


e o pagamento da 1ª amortização;

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99

Prazo Total – é a soma do prazo da carência com o prazo da amortização.

6.3.1 – Sistema Francês de Amortização / Sistema Price

Este sistema também é conhecido pelos nomes: Sistema Price ou Sistema de Prestações
Constantes e é muito utilizado nas compras a prazo de bens de consumo, CDC - Crédito Direto
ao Consumidor e amplamente adotado no mercado financeiro do Brasil.

Neste sistema, o valor do financiamento (PV) é pago em prestações (PMT) iguais, periódicas e
sucessivas, constituídas de duas parcelas: uma relativa à amortização do principal (A) e outra
relativa aos juros (J), sobre o Saldo Devedor (SD).

Ou seja: PMT = A + J

Suas principais características são:

 A prestação (PMT) é constante durante todo período do financiamento;


 Os juros ( J ), por incidirem sobre o saldo devedor, que decresce a cada pagamento da
amortização, são decrescentes a cada período n;
 Em virtude do comportamento dos juros serem decrescentes, e as prestações serem
constantes neste sistema, as parcelas de amortização, assumem valores crescentes a
cada período n.

Obs: O Sistema Price, também conhecido como Tabela Price, é um caso particular do Sistema
Francês de Amortização e apresenta as seguintes características:

 A taxa de juros contratada é dada em termos nominais. Na prática, esta taxa é dada em
termos anuais;

 As prestações têm período menor que aquela a que se refere a taxa. Em geral, as
amortizações são mensais;

 No cálculo é utilizada a taxa proporcional ao período a que se refere a prestação, calculada


a partir da taxa nominal.

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100

6.3.1.1 – Sistema Francês sem prazo de carência

Exemplo 1 :

1) Um banco empresta R$ 10.000,00, para ser pago em 5 parcelas anuais, sem carência, à uma
taxa de juros de 10% a.a. Elabore a planilha de financiamento pelo Sistema Francês de
Amortização.

Dados:
PV = 10.000,00; n = 5; i = 10% a.a = 0,10

1º Passo: Cálculo da Prestação.

Solução com a HP-12C: Solução Algébrica:


10.000 [ CHS ] [ PV ] PMT = PV ( 1 + i )n. I
5[n] ( 1 + i ) n- 1
10 [ i ]
[ PMT] = 2.637,97 ( iguais para todo período )

2º Passo: Cálculo da Parcela dos Juros.


O valor dos juros é obtido pela multiplicação da taxa de juros unitária (i) do período (n) pelo saldo
devedor (SD) do período anterior (n-1).
J = SDn-1 x i
SDn-1 = PV ( valor inicial do empréstimo )
Então:: J1 = 10.000 x 0,01  J1 = 1.000
3º Passo: Cálculo da Parcela da Amortização.
Como o valor da prestação é igual à soma da parcela da amortização com a parcela dos juros, ou
seja, PMT = A + J  que A = PMT - J (diferença entre o valor da prestação e o valor dos juros ).

A = PMT – J

Então: A1 = 2.637,97 –1.000  A1 = 1.637, 97

4º Passo: Cálculo do Saldo Devedor.

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101

O saldo devedor do período é obtido pela subtração da amortização do período (n) do saldo
devedor do período anterior (n-1).

SDn = SDn-1 – An

Então: SD1 = 10.000 – 1.638,97  SD1 = 8.362,03

Obs: Para calcular o valor dos juros, o valor da amortização e o valor do saldo devedor, dos
outros 4 anos ( as outras 4 linhas anuais da planilha ), obedecemos a mesma sequencia dos três
últimos passos acima.

 Preenchimento da Planilha com a Utilização da HP-12C

Inicialmente calcula-se o valor das prestações constantes.


10.000 [ CHS ] [ PV ]
5[n]
10 [ i ]
[ PMT] = 2.637,97 ( iguais para todo período )

Em seguida teclamos:
1 [ f ] [ AMORT ]  Calcula J1 = 1.000
[ X><Y ]  Calcula A1= 1.637,97
[ RCL ] [ PV ]  Calcula SD1 = 8.362,03

Obs: Continuando com essa mesma seqüência, calculamos os Juros 1 [ f ] [ AMORT ], a


Amortização [ X><Y ] e o Saldo Devedor [ RCL ] [ PV ] dos outros períodos, ou seja, das 4
linhas anuais da planilha.

1 - Planilha de Financiamento sem Carência – PRICE

n SD A J PMT
0 10.000,00 – – –
1 8.362,03 1.637,97 1.000,00 2.637,97
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102

2 6.560,26 1.801,77 836,20 2.637,97


3 4578,32 1.981,94 656,03 2.637,97
4 2,398,18 2.180,14 457,83 2.637,97
5 - 0,03 2.398,15 239,82 2.637,97
TOTAL – 9.999,97 3.189,88 13.189,85

Obs: O saldo devedor de R$ 0,03 não significa que você ficará devendo após ter pago todas as
prestações e tampouco que a financeira não receberá o inicialmente pactuado, pois o valor do
principal e os juros estão calculados na prestação. Esse saldo decorre apenas do processo de
arredondamento dos cálculos.

6.3.1.2 - Sistema Francês com prazo de carência e pagamento dos juros no período de
carência

Neste caso, é dado ao devedor um prazo durante o qual ele pagará apenas os juros da dívida,
sem amortizá-la durante essa carência.

Exemplo 2 :

Um banco empresta R$ 10.000,00, para ser pago em um prazo total de 7 anos, em parcelas
anuais, com carência de 2 anos, com pagamento dos juros no período de carência, à uma taxa
de juros de 10% a.a. Elabore a planilha de financiamento pelo Sistema Francês de Amortização.

Dados:
PV = 10.000,00 ; n = 7 ; i = 10% a.a = 0,10 ; carência : 2 anos

OBS: O preenchimento da planilha, após o período de carência, é idêntico ao do exemplo 1.

2- Planilha de Financiamento com carência e com pagamento de juros no período de


carência – Price
n SD A J PMT
0 10.000,00 – – –
1 10.000,00 – 1.000,00 1.000,00
2 10.000,00 – 1.000,00 1.000,00
3 8.362,03 1.637,97 1.000,00 2.637,97
4 6.560,26 1.801,77 836,20 2.637,97

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103

5 4.578,32 1.981,94 656,03 2.637,97


6 2.398,18 2.180,14 457,83 2.637,97
7 - 0,03 2.398,15 239,82 2.637,97
TOTAL – 9.999,97 5.189,88 15.189,85

6.3.1.3 - Sistema Francês com prazo de carência e capitalização dos juros na carência

Neste caso, durante o período de carência, o devedor não paga os juros da dívida, que são
capitalizados no saldo devedor.

Exemplo 3 :
Um banco empresta R$ 10.000,00, para ser pago em um prazo total de 7 anos, em parcelas
anuais, com carência de 2 anos, e com capitalização dos juros no saldo devedor, à uma
taxa de juros de 10% a.a. Elabore a planilha de financiamento pelo Sistema Francês de
Amortização.

Dados: PV = 10.000,00 ; n = 7 ; i = 10% a.a = 0,10 ; carência:2 anos

Inicialmente corrigimos os saldos devedores dos anos 1 e 2, ou seja, capitalizamos os juros


nesses anos.

1º ano: 10,000 [ CHS ] [ PV ] 1 [ n ] [ 10 i ] [ FV ]  11.000

2º ano: 11.000 [ CHS ] [ PV ] 1 [ n ] [ 10 i ] [ FV ]  12.100

A partir desse saldo devedor de 12.100, calculam-se as prestações constantes.


12.100 [ CHS ] [ PV ] 5 [ n ] [ 10 i ] [ PMT ]  3.191,95
O preenchimento da planilha se faz utilizando a sequencia dos passos já mostrados acima, ou
seja:

1 [ f ] [ AMORT ]

[ X><Y ]

[ RCL ] [ PV ]

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104

3- Planilha de Financiamento com Carência e com Capitalização dos Juros na Carência –


Price

n SD A J PMT
0 10.000,00 – – –
1 11.000,00 – – –
2 12.100,00 – – –
3 10.118,05 1.981,95 1.210,00 3.191,95
4 7.937,91 2.180,14 1.011,81 3.191,95
5 5.539,75 2.398,16 793,79 3.191,95
6 2.901,78 2.637,97 553,98 3.191,95
7 0,01 2.901,77 290,18 3.191,95
TOTAL – 12.099,99 3.859,76 15.959,75

Importante:

Uma particularidade do uso da HP-12C no Sistema Francês é que se desejarmos determinar o


valor total dos juros pagos, o valor total das amortizações pagas e o saldo devedor, em um
determinado instante t, não será necessário o preenchimento de todos os valores da planilha,
para efetuar a soma do acumulado, basta determinar o valor da prestação [ PMT ] e em seguida
digitar o número correspondente ao período t desejado, seguido das teclas: [ f ] [ AMORT ], [ x >
< y ] e [ RCL] [ PV ], respectivamente.

Exemplo 4 :
Qual o total acumulado das parcelas dos juros, do total das amortizações, até à 30ª prestação de
um empréstimo de R$ 50.000,00, pelo Sistema Francês, num prazo de 3 anos, pagos em
parcelas mensais e a uma taxa de juros de 2% a.m. Diga também o saldo devedor nesse
instante?

Dados:
PV = 50.000 ; n = 36 parcelas mensais ; i = 2% a.m.

Solução: Cálculo da Prestação Mensal.


50.000 [ CHS ] [ PV ] 36 [ n ] 2 [ i ] [ PMT ]  1.961,64

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105

Em sequencia digite:
30 [ f ] [ AMORT ]  19.837,31 ( total acumulado dos juros até a 30º prestação );
[ x > < y ]  39.0112,89 ( total acumulado das amortizações até a 30º prestação );
[ RCL] [ PV ]  10.988,11 ( saldo devedor após ter pago a 30º prestação );

E se desejarmos determinar os valores específicos dos juros, da amortização e do saldo devedor


em um instante t? Ou seja, se no exemplo acima desejássemos determinar o valor dos juros, o
valor da amortização e o valor do saldo devedor, referente à 31ª parcela?

Solução:
Reiniciam-se as operações acima até 30 [ f ] [ AMORT ] = 19.837,31 e em sequencia digitamos as
teclas:

1 [ f ] [ AMORT ] = 219,76, que corresponde ao valor dos juros da 31ª parcela,


[ x >< y ] = 1.741,88, que corresponde ao valor da amortização da 31ª parcela, e
[ RCL] [ PV ] = 9.246,23, que corresponde ao valor do saldo devedor relativo à 31ª parcela.

6.3.2 – Sistema de Amortização Constante - SAC

Como o próprio nome indica no Sistema de Amortização Constante – SAC, as parcelas de


amortização ( A ) serão constantes durante todo o período n das amortizações.
Suas principais características são:

 As amortizações do Principal são sempre iguais em todo o prazo da operação e seu valor
é obtido através da divisão do capital emprestado pelo número de prestações;

 Os juros, por incidirem sobre o saldo devedor, que decresce a cada pagamento da
amortização, são decrescentes nos períodos;

 Em virtude do comportamento da amortização ser constante e dos juros serem


decrescentes, as prestações periódicas e sucessivas neste sistema, são decrescentes em
progressão aritmética.

6.3.2.1 - Sistema SAC sem prazo de carência


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106

Vamos realizar o preenchimento da planilha SAC, utilizando o mesmo exemplo, dado no Sistema
Francês ( Price ).

Exemplo 5 :
Um banco empresta R$ 10.000,00, para ser pago em 5 parcelas anuais, sem carência, à uma
taxa de juros de 10% a.a. Elabore a planilha de financiamento pelo Sistema de Amortização
Constante - SAC.

Dados:
PV = 10.000,00; n = 5; i = 10% a.a = 0,10

1º Passo: Cálculo da Amortização.

A = PV / n  A = 10.000 / 5  A = 2.000 ( iguais em todos os períodos )

Os valores das prestações, dos juros e do saldo devedor, são obtidos através das mesmas
fórmulas utilizadas no Sistema Francês. Ou seja:

SDn = SDn-1 – An ; J = SDn-1 x I e PMT = A + J

1 - Planilha de Financiamento sem carência – SAC

n SD A J PMT
0 10.000,00 – – –
1 8.000,00 2.000,00 1.000,00 3.000,00
2 6.000,00 2.000,00 800,00 2.800,00
3 4.000,00 2.000,00 600,00 2.600,00
4 2.000,00 2.000,00 400,00 2.400,00
5 0 2.000,00 200,00 2.200,00
TOTAL – 10.000,00 3.000,00 13.000,00

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107

6.3.2.2 - Sistema SAC com prazo de carência e pagamento dos juros no período de
carência

Neste caso, é dado ao devedor um prazo durante o qual ele pagará apenas os juros da dívida,
sem amortizá-la durante essa carência.

Exemplo 6 :

Um banco empresta R$ 10.000,00, para ser pago em um prazo total de 7 anos, em parcelas
anuais, com carência de 2 anos, com pagamento dos juros no período de carência, à uma taxa
de juros de 10% a.a. Elabore a planilha de financiamento pelo Sistema de Amortização Constante
- SAC.

Dados:
PV = 10.000,00; n = 5; i = 10% a.a = 0,10 ; carência : 2 anos

Obs: O preenchimento da planilha, após o período de carência, é idêntico ao do exemplo 1.

2 - Planilha de Financiamento com carência e com pagamento de juros na carência – SAC

n SD A J PMT
0 10.000,00 – – –
1 10.000,00 – 1.000,00 1.000,00
2 10.000,00 – 1.000,00 1.000,00
3 8.000,00 2.000,00 1.000,00 3.000,00
4 6.000,00 2.000,00 800,00 2.800,00
5 4.000,00 2.000,00 600,00 2.600,00
6 2.000,00 2.000,00 400,00 2.400,00
7 0 2.000,00 200,00 2.200,00
TOTAL – 10.000,00 5.000,00 15.000,00

6.3.2.3 - Sistema SAC com prazo de carência e capitalização dos juros na carência

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108

Neste caso, durante o período de carência, o devedor não paga os juros da dívida, que são
capitalizados no saldo devedor.

Exemplo 7 :
Um banco empresta R$ 10.000,00, para ser pago em um prazo total de 7 anos, em parcelas
anuais, com carência de 2 anos, e com capitalização dos juros no saldo devedor, à uma
taxa de juros de 10% a.a. Elabore a planilha de financiamento pelo Sistema de Amortização
Constante - SAC.

Dados:
PV = 10.000,00 ; n = 7 ; i = 10% a.a = 0,10 ; carência : 2 anos
Inicialmente corrigimos os saldos devedores dos anos 1 e 2, ou seja, capitalizamos os juros
nesses anos.

1º ano: 10,000 [ CHS ] [ PV ] 1 [ n ] [ 10 i ] [ FV ]  11.000


2º ano: 11.000 [ CHS ] [ PV ] 1 [ n ] [ 10 i ] [ FV ]  12.100

A partir desse saldo devedor de 12.100, calculam-se as amortizações constantes.


A = 12.100 / 5  A = 2.420,00
Obs: O preenchimento da planilha, após o período de carência, é idêntico ao do exemplo 1.

3 - Planilha de Financiamento com carência e com capitalização dos juros na carência –


SAC

n SD A J PMT
0 10.000,00 – – –
1 11.000,00 – – –
2 12.100,00 – – –
3 9.680,00 2.420,00 1.210.00 3.630,00
4 7.260,00 2.420,00 968,00 3.388,00
5 4.840,00 2.420,00 726,00 3.146,00
6 2420,00 2.420,00 484,00 2.904,00
7 0 2.420,00 242,00 2.662,00
TOTAL – 12.100,00 3.630,00 15.730,00

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109

Analisando as duas Planilhas 1 - De financiamento sem carência, nos dois Sistemas: Price e
SAC, mostradas abaixo, observa-se que:

 No Sistema Francês / Price, as prestações são menores até o 2º ano do empréstimo;

 No Sistema SAC, o total de juros pagos é menor que no Sistema Price.

Pode-se então concluir que uma empresa optará pelo Sistema Price, se necessitar ter um menor
desembolso no início do financiamento e optará pelo Sistema SAC, se desejar desembolsar um
valor menor de juros no fim do financiamento.

1 - Planilha de Financiamento sem carência - PRICE

n SD A J PMT
0 10.000,00 – – –
1 8.362,03 1.637,97 1.000,00 2.637,97
2 6.560,26 1.801,77 836,20 2.637,97
3 4578,32 1.981,94 656,03 2.637,97
4 2,398,18 2.180,14 457,83 2.637,97
5 - 0,03 2.398,15 239,82 2.637,97
TOTAL – 9.999,97 3.189,88 13.189,85

1 - Planilha de Financiamento sem carência - SAC

n SD A J PMT
0 10.000,00 – – –
1 8.000,00 2.000,00 1.000,00 3.000,00
2 6.000,00 2.000,00 800,00 2.800,00
3 4.000,00 2.000,00 600,00 2.600,00
4 2.000,00 2.000,00 400,00 2.400,00
5 0 2.000,00 200,00 2.200,00
TOTAL – 10.000,00 3.000,00 13.000,00

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110

6.3.3 - Fórmulas Algébricas utilizadas no sistema SAC:

A = PV / n ; Jt = PV. i [ 1 – ( t – 1 ) ] ; Jt = A .i ( n – t + 1 )
n
SDt = PV [ ( 1 – ( t / n ) ) ];
PMTt = A + Jt;
PMTt = A [ 1 + i ( n – t + 1 ) ]
  A = A . t  Amortizações Acumuladas até o período t escolhido;
 J = A . t . i ( 2n – t + 1 )  Juros Acumulados até o período t escolhido;
2

  PMT = A . t [ 1 + i ( 2n – t + 1 )  Prestações Acumuladas até o período t escolhido


2

Onde:
A = Parcela de Amortização do Principal;

PV = Valor do Empréstimo ou Financiamento;

n = Número de Prestações;

i = Taxa de Juros Efetiva;

t = Período ou Instante Escolhido;


J = Parcela dos Juros Pagos;
SD = Saldo Devedor Após Amortização;

PMT = Valor da Prestação ou Parcela a ser Paga;

 = Somatório.
Obs: As fórmulas acima são válidas somente quando:
 O Sistema de Amortização for o SAC;
 Inexiste Carência.

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111

Vamos aproveitar o exemplo dado anteriormente:

Um banco empresta R$ 10.000,00, para ser pago em 5 parcelas anuais, sem carência, à uma
taxa de juros de 10% a.a. Elabore a planilha de financiamento pelo Sistema de Amortização
Constante – SAC e determine:
 O valor da parcela dos juros referente à 4ª prestação, ou seja, no instante t = 4;
 O valor da parcela do saldo devedor referente à 4ª prestação;
 O valor acumulado dos juros pagos até a 4ª prestação;
 O valor acumulado das amortizações pagas até a 4ª prestação;
 O valor acumulado das prestações até o pagamento da 4ª parcela.
Dados:
PV = 10.000,00; n = 5; i = 10% a.a = 0,10
Logo: A = 10.000 / 5 = 2.000,00

1 - Planilha de Financiamento sem Carência - SAC


n SD A J PMT
0 10.000,00 – – –
1 8.000,00 2.000,00 1.000,00 3.000,00
2 6.000,00 2.000,00 800,00 2.800,00
3 4.000,00 2.000,00 600,00 2.600,00
4 2.000,00 2.000,00 400,00 2.400,00
5 0 2.000,00 200,00 2.200,00
TOTAL – 10.000,00 3.000,00 13.000,00

 O valor da parcela dos juros referente à 4ª prestação, ou seja, no instante t = 4;

Jt = PV. i [ 1 – ( t – 1 ) ]  Jt = 10.000. 0,10 [ 1 – ( 4 – 1 ) ] Jt =


n 5
Resultado: R$ 400,00

 O valor da parcela do saldo devedor referente à 4ª prestação;


SDt = PV [ ( 1 – ( t / n ) ) ] SDt =10.000 [ 1 – ( 4 / 5 ) ]

Resultado: SDt = R$ 2.000,00


 O valor acumulado dos juros pagos até a 4ª prestação;

 J = A . t . i ( 2n – t + 1 )   J = 2.000.4. 0,10 ( 2.5 – 4 + 1 )

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112

2 2
Resultado:  J = R$ 2.800,00

 O valor acumulado das amortizações pagas até a 4ª prestação;


 A = A . t   A = 2.000. 4
Resultado:  A = R$ 8.000,00

O valor acumulado das prestações até o pagamento da 4ª parcela.


 PMT = A . t [ 1 + i ( 2n – t + 1 )
2
.  PMT = 2.000. 4 [ 1 + 0,10 ( 2 . 5 – 4 + 1 )
2
Resultado:  PMT = R$ 10.800,00

6.4 – Custo Efetivo de um Empréstimo

Normalmente sobre os financiamentos incidem uma série de custos adicionais, tais como o
imposto sobre operações financeiras (IOF), comissões, taxas administrativas, etc.

Devido a incidência desses encargos, o custo do financiamento é maior que a taxa inicialmente
contratada, tornando-se indispensável a sua inclusão na planilha de amortização para posterior
cálculo do custo efetivo do empréstimo, ou seja, da taxa efetiva do empréstimo, que é calculada
utilizando-se o conceito da Taxa Interna de Retorno. – TIR, que estudaremos com mais detalhes
no Módulo 8 - Análise de Investimentos.

Exemplo:

A uma pequena empresa são emprestados R$ 60.000,00, a serem pagos, sem carência, pelo
Sistema Francês de Amortização (SAC).

As condições do financiamento são as seguintes:

Prazo Total: 6 anos;

Periodicidade: Anual;

Taxa de Juros: 10 % a.a;


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113

Despesas Contratuais (DC) 1% ao final de cada ano, incidente sobre o saldo devedor.

Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF): 1% sobre o total do financiamento mais encargos,
pagos no ato da liberação do empréstimo.

 Qual é o custo efetivo anual cobrado pela agência financiadora?

 Elabore a planilha financeira.

Planilha de Financiamento - SAC


n SD A J DC IOF PMT
0 60.000 - - - 831 59.169
1 50.000 10.000 6.000 600 - 16.600
2 40.000 10.000 5.000 500 - 15.500
3 30.000 10.000 4.000 400 - 14.400
4 20.000 10.000 3.000 300 - 13.300
5 10.000 10.000 2.000 200 - 12.200
6 0 10.000 1.000 100 - 11.100
TOTAL - 60.000 21.000 2.100 831 -

IOF: 1% de ( 60.000 + 21.000 + 2.100 ) = 0,01. 83.100 = 831


PV = 60.000 – 831 = 59.169

Sequencia para o cálculo da Taxa Interna de Retorno = Custo Efetivo do Empréstimo.

59.169 [ g ] [ CF0 ]
16.600 [ CHS ] [ g ] [ CFJ ]
15.500 [ CHS ] [ g ] [ CFJ ]
14.400 [ CHS ] [ g ] [ CFJ]
13.300 [ CHS ] [ g ] [ CFJ ]
12.200 [ CHS ] [ g ] [ CFJ ]
11.100 [ CHS ] [ g ] [ CFJ ]
[ f ] [ IRR ] = 11,52% a.a

Resultado:O custo efetivo é de 11,52% a.a

6.5- Exercícios Propostos de Sistemas de Amortização

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114

1) Um banco de desenvolvimento empresta R$ 300.000,00, entregues no ato, sem prazo de


carência. O banco cobra taxa de juros de 18 % ao semestre. A restituição deverá ser feita em 12
prestações mensais.
Determine: Pelo Sistema Francês
 o valor acumulado dos juros, das amortizações e o saldo devedor até a 12ª prestação;
Resp: R$ 57.359,20, R$ 299.999,96 e R$ - 0,04

 o valor dos juros e da amortização pagos na última prestação e qual o saldo devedor?
Resp: R$ 811,13 e R$ 29.968,80 e R$ - 0,04

2) Uma empresa de alimentos pretende ampliar uma de suas unidades de produção. Feitas as
análises, observou-se que a empresa não dispõe do capital necessário para efetuar o
investimento inicial. O projeto necessita de um aporte de R$ 160.000,00. Assim o gerente
financeiro entrou em contato com um banco e conseguiu as seguintes condições:

Prazo Total: 3 anos;

Carência: 1 ano (com pagamento de juros);

Periodicidade: Semestral;

Taxa: 2% ao mês.

Elabore as Planilhas de Financiamento pelo Sistema Francês de Amortização e pelo SAC.

3) Um banco financia a importância de R$ 400.000,00, com um prazo de carência de 2 anos.


Sabendo-se que o banco utiliza o Sistema Francês, que a taxa de juros é de 2% ao mês e que a
devolução deve ser feita em 4 prestações anuais, construa:

 a planilha de financiamento com o pagamento dos juros;

 e a planilha de financiamento sem o pagamento dos juros, mas com correção do saldo
devedor, no período de carência.

4) Um banco de desenvolvimento empresta R$ 300.000,00, entregues no ato, sem prazo de


carência. O banco cobra12% ao ano de juros. A restituição deverá ser feita em 10 prestações
semestrais pela Tabela Price. Determinar:

 o valor acumulado dos juros e das amortizações até a 6° prestação; Resp: R$


85.801,37 e R$ 158.760,95.

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115

 o valor dos juros e da amortização pagos na 9° prestação; Resp: R$ 4.483,79 e R$


36.276,60
 o saldo devedor na 5° prestação. Resp: R$ 171.697,57.

5) Um empréstimo de R$ 300.000,00, entregue no ato, sem carência, à taxa de 1% ao mês,


será amortizado em 30 parcelas mensais pelo Sistema de Amortização Constante – SAC.

Determine:

 o saldo devedor da 20° prestação; Resp: R$:100.000,00

 os juros relativos a 20° prestação; Resp: R$: 1.100,00

 o valor da 18° prestação; Resp: 11.300,00

 os juros acumulados até a 12° prestação; Resp: R$ 29.400,00

 a amortização acumulada até a 12° prestação;

Resp: R$ 120.000,00

 o total pago até a 10° prestação. Resp: R$ 125.000,00

6) Um consultório médico foi financiado, em 3 anos, sem carência, com periodicidade semestral,
pela Tabela Price, a juros de 12% ao ano. Sendo de R$ 200.000,00 seu preço a vista, elabore a
planilha de financiamento.

7) Um banco concede um financiamento de R$ 80.000,00 para ser liquidado em 8 pagamentos


mensais pelo SAC. A operação é realizada com carência de 4 meses, sendo os juros
capitalizados neste período e incorporados ao saldo devedor. A taxa efetiva de juros é 24%a.a.
Construir a planilha deste financiamento.

8) Uma pessoa adquiriu de uma construtora um apartamento no valor de R$70.000 pagando


R$7.000,00 de entrada. O restante foi financiado a 24% a.a, para ser amortizado em 36 meses,
pela Tabela Price. Pede-se:

 o valor da parcela de juros referente à 18ª prestação;

Resp: R$ 775,04

 o valor total das amortizações pagas até 23ªprestação;

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Resp: R$ 21.897,85

 o saldo devedor após ter pago a penúltima prestação.

Resp: R$ 2.423,22

9) Uma empresa obteve um financiamento de R$75.000,00, para ser amortizado em 5 parcelas


anuais pelo SAC. O financiamento foi concedido sem carência.
A taxa de juros do banco é 24% a.a e o IOF de 2%, incidente sobre o valor do crédito e pago
quando da liberação dos recursos. O banco cobra ainda uma taxa de 1,5% ao final de cada ano,
incidente sobre o saldo devedor, a título de cobrir despesas administrativas de concessão de
crédito. Elabore a planilha do empréstimo levando-se em conta os encargos adicionais cobrados.

FIM DO MÓDULO 06!

BONS ESTUDOS!
“Quem nunca errou nunca experimentou nada novo”.

“No meio da dificuldade encontra-se a oportunidade”.

“O único homem que está isento de erros, é aquele que não arrisca acertar”.

“Procure ser um homem de valor, em vez de ser um homem de sucesso”.

(Albert Einstein)

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117

MÓDULO 07
7- Inflação, Deflação e Atualização Monetária

7.1-Introdução

“A inflação e a deflação são duas condições econômicas que afetam o valor do dinheiro de uma
nação. Um período inflacionário é uma época de preços em elevação, enquanto que um período
de deflação é uma época de preços em declínio”.

A inflação pode ser entendida como uma elevação generalizada e permanente dos níveis de
preços do sistema econômico, resultando em deterioração do poder aquisitivo da moeda e
depreciação dos valores dos ativos. A complexidade do cálculo da inflação decorre da
necessidade de aferir a variação de preços de produtos distintos fisicamente, e de serviços, que
variam a taxas diferenciadas.

Para o cumprimento dessa tarefa, existem diversos índices de preços que procuram medir a
inflação em toda a cadeia de produção e de comercialização, ou em partes relevantes da mesma.
Daí a existência de índices gerais, no atacado (indústria e agricultura), no varejo ( consumidores)
e na construção (insumos e materiais de construção).

O cálculo da inflação é efetuado por meio de uma média da variação dos preços pesquisados
para os diferentes produtos, ponderada pelas quantidades produzidas, consumidas ou
comercializadas dos bens, a partir de parâmetros primários obtidos das pesquisas de orçamentos
familiares e até de matrizes de relações inter-setoriais.

Os índices de preços mais importantes do país são aqueles produzidos pela Fundação Getúlio
Vargas (FGV), pelo IBGE e pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da Universidade
de São Paulo (FIPEUSP).

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118

7.2- Índices de Preços

Índices de preços são números que agregam e representam os preços de uma determinada cesta
de produtos. Sua variação mede, portanto, a variação média dos preços dos produtos da cesta.
Podem se referir a, por exemplo, preços ao consumidor, preços ao produtor, custos de produção
ou preços de exportação e importação.
A concepção dos índices varia de conformidade com a abrangência geográfica da pesquisa, com
o universo dos consumidores (classe de renda), com o período a que se refere, além de outros
fatores específicos para cada índice.

7.3- Por que existem tantos índices de preços no Brasil?

O longo período de convivência com inflação no Brasil fez com que se criassem diversos índices
agregados de preços para medi-la, bem como mecanismos de atualização monetária, que
funcionavam como repositores do poder aquisitivo da moeda, perdido no período anterior.

Os índices de preços foram construídos ao longo do tempo com diferentes finalidades.

O IPC-Fipe, por exemplo, foi criado pela Prefeitura do Município de São Paulo com o objetivo de
reajustar os salários dos servidores municipais.

O IGP-M foi criado para ser usado no reajuste de operações financeiras, especialmente as de
longo prazo, e o IGP-DI para balizar o comportamento dos preços em geral da economia.

O INPC é o índice balizador dos reajustes de salários, enquanto o IPCA corrige os balanços e
demonstrações financeiras trimestrais e semestrais das companhias abertas, além de ser o
medidor oficial da inflação no país.

Apesar dessa variedade, os índices calculados no país se classificam em três grupos principais:
os índices de preços ao consumidor de cobertura nacional apurados pelo Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE) (www.ibge.gov.br); os índices gerais de preços apurados pelo
Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV) (http://www.fgv.br); e os
índices de preços ao consumidor de São Paulo, apurado pela Fundação Instituto de Pesquisas
Econômicas (http://www.fipe.com.br).

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119

7.4 - Principais Índices Agregados de Preços no Brasil

IGP: Índice Geral de Preços, calculado pela Fundação Getúlio Vargas. É uma média ponderada
do índice de preços no atacado (IPA), com peso 6; de preços ao consumidor (IPC) no Rio e SP,
com peso 3; e do custo da construção civil (INCC), com peso 1. Usado em contratos de prazo
mais longo, como aluguel.
IGP-DI: O Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna, da FGV, reflete as variações de
preços de todo o mês de referência. Ou seja, do dia 1 ao 30 de cada mês. Ele é formado pelo IPA
(Índice de Preços por Atacado), IPC (Índice de Preços ao Consumidor) e INCC (Índice Nacional
do Custo da Construção), com pesos de 60%, 30% e 10%, respectivamente. O indicador apura as
variações de preços de matérias-primas agrícolas e industriais no atacado e de bens e serviços
finais no consumo.

IGP-M: Índice Geral de Preços do Mercado, também da FGV. Metodologia igual à do IGP-DI, mas
pesquisado entre os dias 21 de um mês e 20 do seguinte. O IGP tradicional abrange o mês
fechado. O IGP-M é elaborado para contratos do mercado financeiro

IGP-10: Índice Geral de Preços 10, também da FGV e elaborado com a mesma metodologia do
IGP e do IGP-M. A única diferença é o período de coleta de preços: entre o dia 11 de um mês e o
dia 10 do mês seguinte

IPC-RJ: Considera a variação dos preços na cidade do Rio de Janeiro. É calculado mensalmente
pela FGV (Fundação Getúlio Vargas) e toma por base os gastos de famílias com renda de um a
33 salários mínimos

IPC-Fipe: Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, da


USP, pesquisado no município de São Paulo. Reflete o custo de vida de famílias com renda de 1
a 20 salários mínimos. Divulga também taxas quadrissemanais.

ICV-Dieese: Índice do Custo de Vida do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos


Socioeconômicos, também medido na cidade de São Paulo. Reflete o custo de vida de famílias
com renda média de R$ 2.800 (há também índices para a baixa renda e a intermediária)

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INPC: Índice Nacional de Preços ao Consumidor, média do custo de vida nas 11 principais
regiões metropolitanas do país para famílias com renda de 1 até 8 salários mínimos, medido pelo
IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística)

IPCA: Índice de Preços ao Consumidor Amplo, também do IBGE, calculado desde 1980,
semelhante ao INPC, porém refletindo o custo de vida para famílias com renda mensal de 1 a 40
salários mínimos. A pesquisa é feita nas mesmas 11 regiões metropolitanas. Foi escolhido como
alvo das metas de inflação ("inflation targeting") no Brasil
INCC: Índice Nacional do Custo da Construção, um dos componentes das três versões do IGP, o
de menor peso. Reflete o ritmo dos preços de materiais de construção e da mão-de-obra no setor.
Utilizado em financiamento direto de construtoras/incorporadoras

7.4 -. A Matemática Financeira e a Inflação

De maneira simplista, o processo inflacionário de uma economia pode ser entendido pela
elevação generalizada dos preços dos vários bens e serviços.

Em sentido contrário, diante de uma baixa predominante dos preços de mercado dos bens e
serviços, tem-se o fenômeno definido por deflação.

7.4.1- Índices de Preços e Taxas de Inflação:

Um índice de preços é resultante de um procedimento estatístico que, entre outras aplicações,


permite medir as variações ocorridas nos níveis gerais de preços de um período para outro.
Assim, o índice de preços representa uma média global das variações de preços que se
verificaram num conjunto de determinados bens, ponderada pelas quantidades respectivas.

Ilustrativamente, abaixo estão relacionados os valores do IGP (Índice Geral de Preços) referentes
aos meses de maio a dezembro de determinado ano.
Mês maio junho julho agosto setembro outubro novembro dezembro

649,7 703,3 1.152,6


IGP 800,31 903,79 1.009,67 1.353,79 1.576,56
9 8 3

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121

Pela evolução desses índices de preços, pode ser constatado como os preços gerais da
economia variaram no período. Para tanto, relaciona-se o índice do fim do período que se deseja
estudar com o do início.

Por exemplo, a taxa de inflação do 2 o semestre medida pelo IGP está refletida na evolução
apresentada entre o índice de junho (início do semestre) e o de dezembro (fim do semestre).
Assim:

Inflação do 2o semestre = = 2,2414 – 1 = 124,14%

A inflação verificada no mês de outubro atinge:

Inflação de outubro = = 14,16%

Dessa maneira, a taxa de inflação, a partir de índices de preços, pode ser medida pela seguinte
expressão:

Onde:

I = taxa de inflação obtida a partir de determinado índice de preços;

P = índice de preços utilizado para o cálculo da taxa de inflação;

n, n – t = respectivamente data de determinação da taxa de inflação e o período anterior


considerado.

7.5 – Taxa Efetiva x Taxa Real de Juros x Taxa de Inflação

 Taxa Efetiva ( aparente ou nominal ), é a taxa sem a dedução da inflação.

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122

 Taxa Real , é aquela que expurga o efeito da inflação no período. Dependendo dos casos,
a taxa real pode assumir valores negativos. Podemos afirmar que a taxa real corresponde à taxa
efetiva corrigida pelo índice inflacionário do período.

Existe uma relação entre a taxa efetiva, a taxa real e o índice de inflação no período. Vejamos:

1+ ief = (1+ ir )( 1+ iinf )


Onde,

ief → é a taxa efetiva


ir → é a taxa real
iinf → é a taxa de inflação no período
Seguem alguns exemplos para compreensão do uso da fórmula.
Exemplo 1. Certa aplicação financeira obteve rendimento efetivo de 6% ao ano. Sabendo que a
taxa de inflação no período foi de 4,9%, determine o ganho real dessa aplicação.
Solução: A solução do problema consiste em determinar o ganho real da aplicação corrigido pelo
índice inflacionário do período, ou seja, determinar a taxa real de juros dessa aplicação financeira.
Temos que:

Aplicando a fórmula que relaciona os três índices, teremos:

Portanto, o ganho real dessa aplicação financeira foi de 1% ao ano.


Exemplo 2. Certa categoria profissional obteve reajuste salarial de 7% ao ano. Sabendo que a
inflação no período foi de 10%, determine o valor do reajuste real e interprete o resultado.
Solução: Temos que

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123

Aplicando a fórmula, teremos:

Como a taxa real foi negativa, podemos afirmar que essa categoria profissional teve perdas
salariais do período, uma vez que o reajuste salarial foi abaixo do índice inflacionário do período.

Exercícios Propostos

1) Calcular a taxa efetiva anual que uma financeira deve empregar em seus contratos de
empréstimos, se ela deseja ganhar 10 % a.a. de juros reais e sabendo que a inflação prevista
será de 6 % a.a.
2) Uma empresa aplicou R$150.000,00 num banco que lhe devolveu o montante de R$
185.000,00 no final de 8 meses. Considerando que a inflação média mensal no período foi de
1,5% a.m, determine a taxa real mensal de juros.
3) O salário de um funcionário público era R$ 500,00 e, depois de um aumento anual concedido
pelo Governo, passou a ser R$ 615,00. Qual a taxa aparente (efetiva) e qual a taxa anual real do
aumento desse funcionário se a inflação do período foi de 10%?
4) Um terreno é posto a venda por R$ 30.000,00 a vista. Qual é a prestação mensal para a venda
financiada em 24 prestações, se o proprietário quer juros reais de 6% a.a e se a inflação prevista
for de10% a.a?
5) Quanto deve ser aplicado em Caderneta de Poupança, em 1 ano, para que se tenha R$ 20.000,00 no final
do período? Considerar juros reais de 6% ao ano mais correção monetária, conforme o quadro abaixo:
Trimestres Correção Monetária
Primeiro 3,0%
Segundo 2,4%
Terceiro 2,6%
Quarto 2,2%

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124

FIM DO MÓDULO 07

BONS ESTUDOS!

“Por mais longa que seja a caminhada o mais importante é dar o primeiro passo”.

(Vinícius de Moraes)

Módulo 08

8. DEPRECIAÇÃO

8.1 - Conceitos

Os bens que constituem o ativo de uma empresa estão sujeitos a constantes desvalorizações,
devido, principalmente, ao desgaste e ao envelhecimento. A diferença entre o preço de compra de
um bem e seu valor de troca (valor residual) no fim de certo tempo, chama-se depreciação.

Por exemplo, uma máquina que foi comprada por $ 4.000 e, após 10 anos, pode ser revendida
por $ 500,00, teve uma depreciação de $3.500,00.

Existem ainda, bens que sofrem desvalorização total após certo tempo, isto é, não possuem valor
residual, geralmente são os bens imateriais: marca de fábrica, patentes, royalties, etc.

A legislação brasileira estabelece limites mínimos para o cálculo do tempo de depreciação dos
bens do ativo das empresas. Por exemplo, para móveis e máquinas, em geral, a depreciação
anual pode ser calculada à taxa máxima de 10% a.a. (Tempo mínimo de dez anos), enquanto os
veículos podem ser depreciados em até 20 % a.a. A tabela a seguir apresenta alguns bens e as
respectivas vidas úteis e taxas anuais de depreciação admitidas pela legislação.

A depreciação pode ser real ou teórica. A depreciação real é aquela que corresponde à diferença
entre os valores do bem no início e no fim de um período (ano). A depreciação teórica é baseada
em previsões do tempo de vida útil do bem e de seu valor residual.
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125

É praticamente impossível calcular a depreciação real, pois seria necessário que, ao cabo de
cada período, se fizesse uma avaliação total do patrimônio da empresa e preços constantes, isto
é, descontada a inflação.

Seria um trabalho bastante oneroso e, portanto, antieconômico. Por isso, na prática, faz-se a
depreciação de conformidade com a tabela admitida pela legislação, ou seja, usa-se a
depreciação teórica.

8.2 - Ativo Imobilizado

Ativo Imobilizado - é representado pelos direitos que tenham por objeto os Bens destinados ao
uso nas atividades da empresa (não à venda – apesar de poderem vir a ser vendidos) ou à
manutenção de suas atividades, inclusive os de propriedade industrial ou comercial.

Exemplo: Máquinas, Imóveis, Equipamentos, Móveis e Utensílios, Veículos, Computadores,


Instalações etc. São bens que podem servir a vários ciclos operacionais da empresa.

Um terreno, no qual se pretenda construir uma nova instalação, também é um ativo imobilizado
por ser adquirido com a intenção de ser utilizado no processo operacional da empresa.

O Ativo Imobilizado pode ser tangível ou intangível, sendo tangíveis aqueles elementos que
possuem um corpo físico, como máquinas, equipamentos, veículos etc.

Os elementos intangíveis do Ativo Imobilizado são aqueles que não possuem um corpo físico,
mas envolvem direitos de propriedade, como marcas, patentes, direitos autorais.

A depreciação dos bens do ativo imobilizado representa o desgaste ou a perda da capacidade de


utilização (vida útil) dos elementos tangíveis ali classificáveis, resultantes do desgaste pelo uso,
da ação da natureza ou de obsolescência normal (provocada pela evolução tecnológica).

8.3 - Tempo, Vida útil e Taxa

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126

Os elementos tangíveis do Ativo Imobilizado têm suas vidas úteis estimadas, limitadas no tempo,
produzindo, ao final, um valor residual, ou seja, um valor de venda após o seu uso.

O tempo de vida útil de um bem será determinado de acordo com o prazo durante o qual é
possível a sua utilização nas operações da empresa (e a produção de seus rendimentos).

Portanto, o valor depreciável será o valor de aquisição do bem e todos os gastos necessários
para colocá-lo em funcionamento, se for o caso, menos o seu valor residual (valor a ser
recuperado no final de sua vida útil).

Os prazos usualmente admitidos e as respectivas taxas de depreciação são:

8.4 - Métodos de Depreciação

 Método Linear ( ou cotas constantes )

O método de depreciação linear é o método mais simples e mais utilizado. Consiste apenas em
dividir o total a depreciar pelo número de anos de vida útil do bem.
Fórmula:

PV – Valor do Bem ; R = Valor Residual; n = vida útil

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127

É o método que contabiliza, como despesa ou custo, uma parcela constante do valor do bem
em cada período.

Exemplo: A empresa comprou, no início de janeiro, um veículo com vida útil estimada de 5
anos ( n ) pelo valor de $ 30.000,00 ( PV ), sem valor residual estimado ( R= 0 ).

Qual será o valor da depreciação?

No final do primeiro ano, deverá reconhecer a despesa de depreciação de


$ 30.000,00 : 5 = $ 6.000,00 por ano.

Para calcularmos o valor da depreciação mensal, para efeito de apuração de resultados


mensais, basta dividir o valor da depreciação anual por 12: R$ 6.000,00 : 12 = R$ 500,00 por
mês.
Se considerarmos um valor residual de R$ 3.000,00 o valor anual da depreciação será:

($ 30.000,00 - $ 3.000,00) : 5 = $ 5.400,00 por ano.

Para calcularmos o valor da depreciação mensal, para efeito de apuração de resultados


mensais, basta dividir o valor da depreciação anual por 12: R$ 5.400,00 : 12 = R$ 450,00 por
mês.

Exemplo:
Calcular o valor da depreciação de uma máquina de R$ 400.000,00, sabendo que a vida útil é de
5 anos, e o valor residual de R$ 50.000,00.
Solução:

Plano de Depreciação

n Valor de Depreciação Depreciação Residual


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128

Acumulada
0 -x- -x- R$ 400.000,00
1 R$ 70.000,00 R$ 70.000,00 R$ 330.000,00
2 R$ 70.000,00 R$ 140.000,00 R$ 260.000,00
3 R$ 70.000,00 R$ 210.000,00 R$ 190.000,00
4 R$ 70.000,00 R$ 280.000,00 R$ 120.000,00
5 R$ 70.000,00 R$ 350.000,00 R$ 50.000,00

 Método de Depreciação da Taxa Constante

O método de depreciação da taxa constante consiste em estabelecer uma taxa constante de


depreciação, a qual é calculada sobre o valor do bem no fim de cada exercício.
Fórmula:

Exemplo:
Determinar a taxa constante e elaborar o plano de depreciação de um bem adquirido por R$
400.000,00, com vida útil de 5 anos e valor residual de R$ 50.000,00.
Solução:

Plano de Depreciação:

Valor de Depreciação
n Taxa Fixa Residual
Depreciação Acumulada
0 -x- -x- -x- R$ 400.000,00
1 34,0246% R$ 136.098,40 R$ 136.098,40 R$ 263.901,60
2 34,0246% R$ 89.791,46 R$ 225.889,86 R$ 174.110,14
3 34,0246% R$ 59.240,28 R$ 285.130,14 R$ 114.869,86
4 34,0246% R$ 39.084,01 R$ 324.214,15 R$ 75.785,85
5 34,0246% R$ 25.785,83 R$ 349.999,98 R$ 50.000,02

Método da Soma dos Dígitos (Método de Cole)

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129

O método de depreciação de Cole consiste em estabelecer uma fração a ser depreciada a


cada ano. A fração terá como numerador a quantidade de depreciação que ainda precisamos
fazer, incluindo a que estamos fazendo, e o denominador será a soma numérica dos anos da
vida útil.

Ou seja, consiste em somar os algarismos desde a unidade até o algarismo que representa o
número de anos da vida útil do bem.

Exemplo: A empresa comprou, no início de janeiro, um veículo com vida útil estimada de 5
anos ( n ) pelo valor de $ 30.000,00 ( PV ), sem valor residual estimado ( R= 0 ).

Solução:
1 + 2 + 3 + 4 + 5 = 15,

Ou pela fórmula:

Quota do 1º. Ano = 5/15 x $ 30.000 = $ 10.000


Quota do 2º. Ano = 4/15 x $ 30.000 = $ 8.000
Quota do 3º. Ano = 3/15 x $ 30.000 = $ 6.000
Quota do 4º. Ano = 2/15 x $ 30.000 = $ 4.000
Quota do 5º. Ano = 1/15 x $ 30.000 = $ 2.000
soma = $ 30.000

Neste método, o valor mensal da depreciação:


no primeiro ano, seria de R$ 10.000,00 : 12 = R$ 833,33.
no segundo ano, seria de R$ 8.000,00 : 12 = R$ 666,67.
no terceiro ano, seria de R$ 6.000,00 : 12 = R$ 500,00.
no quarto ano, seria de R$ 4.000,00 : 12 = R$ 333,33.
no quinto ano, seria de R$ 2.000,00 : 12 = R$ 166,67.

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130

Exemplo:

Elaborar o plano de depreciação de um equipamento adquirido por R$ 400.000,00 (PV), cujo


valor residual, após 5 anos ( n ), é de R$ 50.000,00 ( R ), utilizando o método de cole.

Solução:

DT = Depreciação Total = PV – R = 400.000 – 50.000 = 350.000

Plano de Depreciação:

n Fração Valor de Depreciação Depreciação Acumulada Residual


0 -x- -x- -x- R$ 400.000,00
1 5/15 R$ 116.666,67 R$ 116.666,67 R$ 283.333,33
2 4/15 R$ 93.333,33 R$ 210.000,00 R$ 190.000,00
3 3/15 R$ 70.000,00 R$ 280.000,00 R$ 120.000,00
4 2/15 R$ 46.666,67 R$ 326.666,67 R$ 73.333,33
5 1/15 R$ 23.333,33 R$ 350.000,00 R$ 50.000,0

FIM DO MÓDULO 08

BONS ESTUDOS!

“Por mais longa que seja a caminhada o mais importante é dar o primeiro passo”.

(Vinícius de Moraes)

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131

MÓDULO 09

9 - ANÁLISE DE INVESTIMENTOS - ENGENHARIA ECONÔMICA

9.1 – Conceituação.

Por definição, a Engenharia Econômica corresponde à área do conhecimento cujo objeto é a


decisão sobre alternativas financeiras de investimentos.

Quando da realização de um determinado investimento, levantamos várias alternativas para sua


execução final. Ao conjunto de determinados métodos utilizados para otimizar as alternativas
propostas denominamos Análise de Investimentos e ao processo de otimização, Engenharia
Econômica.

A Engenharia Econômica compreende a análise econômico-financeira, através de métodos


determinísticos ou probabilísticos, de alternativas de investimento.

Um estudo de Análise de Investimentos compreende:


a) - um investimento a ser realizado; por exemplo:
 Fazer uma rede de abastecimento de água com tubos grossos ou finos;
 Efetuar o transporte de materiais manualmente ou comprar uma correia transportadora;
 Substituição de um equipamento por outro;
 Construção de uma nova fábrica;
 Lançamento de um novo produto;
 Reposição de equipamentos;
 Condições de trabalho dos funcionários;
 Atendimento a novos padrões de qualidade;
 Construir uma rede de abastecimento de água.
 Comprar um veículo a prazo ou a vista
b) - enumeração das alternativas tecnicamente viáveis;
c) - análise de cada alternativa;
d) - comparação de cada alternativa;
e) - escolha da melhor alternativa.

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132

A decisão da implantação de um projeto deve considerar:


 Critérios econômicos: rentabilidade do investimento;
 Critérios financeiros: disponibilidade de recursos;
 Critérios imponderáveis: fatores não conversíveis em dinheiro(boa vontade de um
fornecedor, boa imagem da empresa,etc.).

As técnicas da Engenharia Econômica baseiam-se na ciência denominada Matemática


Financeira que, com já visto, descreve as relações da equivalência de capital sob a ótica do
binômio Tempo e Dinheiro.

Para que qualquer alternativa seja considerada num processo de decisão há que se estudar a
sua viabilidade e, deste modo, responder aos seguintes questionamentos:

1. Qual o incremento de riqueza que uma alternativa propiciará sendo implementada?


2. Qual o tempo de retorno do capital inicialmente aplicado?
3. Qual a máxima taxa de desconto possível de ser adotada e o projeto permanecer viável?
4. Qual a taxa de rentabilidade adotada em proposta de investimento?
5. Qual a taxa de rentabilidade de uma aplicação financeira?

Cabe ao analista de investimentos propor, desenvolver e hierarquizar o conjunto de alternativas


de investimentos disponíveis. Porém, deve ter em mente que a decisão de eleger qualquer delas
é prerrogativa do empresário, ou do decisor, a quem caberá a palavra final sobre aquela a ser
eleita e a melhor oportunidade em deflagrar esse processo.

Dada a assertiva acima, toda a metodologia de análise de investimentos se apoia no sistema de


juros compostos quando trata do estabelecimento de padrões de comparação de capital ou na
decisão quanto à escolha da melhor das alternativas propostas de projetos de investimentos.

9.2 – Análise de Viabilidade

9.2.1 - Conceito de Viabilidade.


Estudar a viabilidade de um projeto significa:
 Quantificar suas premissas;
 Construir a projeção dos fluxos de caixa;
 e verificar se o projeto propicia um aumento de riqueza.

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133

9.2.2 – Premissas.
As premissas que permitem analisar a viabilidade de um projeto, geralmente, são as seguintes:
1) O orçamento de investimento;
2) As projeções operacionais;
3) O horizonte do prazo do investimento ou tempo de vida do projeto;
4) O custo de capital, ai considerando o capital próprio e o de terceiros;
5) As fontes de recursos disponíveis.

9.2.2.1 - Orçamento de Investimento


O orçamento de investimentos considera dois tipos de capitais: o investimento em capital fixo ou
Imobilizado e o investimento em capital de giro.

O investimento em capital fixo ou imobilizado engloba todo aquele investimento que não entrará
no “giro” dos negócios tais como: terrenos, obras civis, equipamentos, despesas de engenharia,
montagens, administração do projeto, despesas financeiras durante a construção, etc.
Contabilmente, esse capital é apropriado no item Ativo Não Circulante do balanço patrimonial.

O capital de giro é representado pelos recursos necessários à operação quotidiana do projeto. Ele
compreende: os investimentos em: necessidades mínimas de caixa; salários e encargos sociais
necessários para os primeiros períodos de operação do projeto; estoques de matérias primas, de
produtos em elaboração e de produtos acabados; custos administrativos; financiamento de
vendas; etc. Contabilmente, esse tipo de capital é apropriado em contas do ativo circulante.

9.2.2.2 – Projeções Operacionais


As projeções operacionais de um projeto de investimento são constituídas pelas estimativas de:
 Demanda do Produto;
 Preço de Venda do Produto;
 Custos de Produção a cada nível de demanda.

A demanda do produto corresponde à previsão da quantidade do mesmo a ser vendida a cada


período de tempo. Normalmente, esta quantidade varia com o tempo. Ela, comumente, é
crescente até alcançar a quantidade máxima de produção instalada e, decrescente quando o
produto fica tecnologicamente ultrapassado ou prescindível pelos consumidores.

O preço de vendas pode ser estimado de dois modos:


i) acompanhando o preço praticado pelas empresas líderes de mercado;
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134

ii) ou, impondo o próprio preço ao mercado.

Finalizando, é importante analisar o custo de produção a ser incorrido a cada nível de demanda.
Considerando que, em especial, os custos variáveis oscilam com a quantidade produzida, há de
se observar e analisar qual a quantidade ótima de produção que permite realizar o lucro máximo.

E, para tanto, observar quais as quantidades de produção que permitem economia de escala* e
a quantidade ou ponto ótimo de produção a partir do qual se entra num processo de deseconomia
de escala.

9.2.2.3 – Horizonte do Investimento.


Por definição, horizonte de investimento, tempo de vida ou de operação de um projeto
corresponde ao espaço de tempo que se pretende operar um empreendimento ou o tempo que o
leva à obsolescência. Teoricamente, o horizonte de investimento de qualquer ativo financeiro ou
de um ativo real depende do tempo estabelecido para obter um melhor retorno. Assim, quando se
compra ações, regra geral, os analistas recomendam ter um horizonte de longo prazo.

Embora as ações possam ser vendidas a qualquer momento, o ideal é que o investidor participe
neste mercado com uma estratégia de ganhar dinheiro no longo prazo. Não convém aplicar hoje
em ações o dinheiro que será usado para pagar a prestação da casa própria amanhã, por
exemplo.

Esta é uma recomendação natural para investimentos de maior risco. Também não se deve
comprar um imóvel sabendo que será necessário vendê-lo em seis meses. É melhor esperar um
momento adequado, que pode ser de seis meses, mas também pode não ser.

É interessante notar que, ao termino da vida do projeto, havendo Investimento Fixo e/ou Capital
de Giro residual, eles devem ser incorporados ao fluxo de caixa, como uma entrada de caixa, ao
final do mesmo.

Economia de escala*
As economias de escala representam ganhos, em termos de custos de produção, que
as organizações obtêm com o aumento da sua dimensão e da quantidade produzida. Estes
ganhos ocorrem devido à existência de custos fixos na produção. Aumentando o nível de

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135

produção, esses custos fixos diluem-se por um número maior de unidades produzidas fazendo
assim baixar o custo médio de produção.

A existência de economias de escala é a razão que justifica a grande dimensão


das empresas pertencentes aos setores de atividade com elevados custos fixos. Por exemplo,
uma refinaria de petróleo necessita de equipamentos de grande dimensão e complexidade
tornando os custos fixos muito elevados obrigados as empresas a produzir elevadas quantidades
de forma a diluírem esses custos fixos por um número elevado de unidades, baixando assim o
custo médio de produção.

Obviamente que os ganhos com economias de escala têm limites: por um lado porque estes são
cada vez menores à medida que se aumenta a produção tornando-se insignificantes a partir de
determinada altura; por outro lado porque a partir de certa altura são ultrapassados pelos custos
de complexidade associados ao aumento de dimensão.

9.2.2.4 – O Custo de Capital


O custo de Capital é, matematicamente, definido como a taxa “ï” a ser adotada nos estudos
financeiros da empresa, para o desconto de seus projetos. Esta taxa, denominada de taxa de
rentabilidade, é taxa de remuneração desejada pelos proprietários pela remuneração do capital
próprio aplicado. Pode receber, também, as denominações de: taxa de mínima atratividade, taxa
de oportunidade, custo de oportunidade, taxa de desconto da empresa. Conceitualmente, a taxa
de juros difere da Taxa de Oportunidade, mesmo que, matematicamente, o tratamento a ser dado
a estes dois tipo de taxas possa ser idêntico.
Isto porque, por definição, a taxa de juros corresponde à remuneração do capital paga pela
utilização de um capital de terceiros. A Taxa de Oportunidade, por sua vez, é a taxa estabelecida
para a remuneração da aplicação de capital próprio. Ela corresponde à menor taxa de
remuneração desejada por uma empresa, ou um capitalista, para a remuneração de seus
recursos, ao serem consideradas alternativas que apresentem a mesma taxa de risco.

Essa Taxa Mínima de Atratividade ( TMA ): É a taxa de juros mínima por que convém o investidor
optar em determinado projeto de investimento.

Em síntese:
“Custo de oportunidade é o que deixa de ganhar por não se poder fazer o investimento
correspondente àquela oportunidade.” Se um banco paga uma taxa de juros de 2% a.m, este é o
custo de oportunidade em deixar o dinheiro em casa em vez de aplicar neste banco.

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136

Taxa Mínima de Atratividade é a taxa mínima de juros que uma proposta de investimento deve
oferecer para que o projeto de investimento seja atrativo. O investidor estabelece a sua taxa
mínima de retorno para que determinado investimento seja atrativo, em detrimento de não realizar
outros projetos.

Exemplos:

Pessoa Física: - taxa de juros da caderneta de poupança;


Pessoa Jurídica:
- taxa de juros dos bancos comerciais;
- taxa de juros dos bancos de investimentos;
- valorização dos títulos públicos;
- valorização de estoques;
- rentabilidade da empresa.

9.2.2.5 – Fontes de Recursos.


Consideram-se fontes de recursos os fornecedores dos capitais necessários à implantação de um
projeto e, basicamente, são:
 Capital Próprio;
 Capital de Terceiros.

O custo do capital próprio corresponde à remuneração desejada pelo proprietário da empresa ou


pelo acionista pela utilização do capital empregado em qualquer projeto capital empregado.

O custo de capital de terceiros corresponde à remuneração do aporte de capitais provenientes de


empréstimos de curto prazo ou de financiamentos de longo prazo.

9.3 – O Fluxo de Caixa.

9.3.1 – Conceituação.
A análise da viabilidade financeira de investimentos é realizada realizando o estudo do fluxo de
caixa projetado e associado a cada uma das alternativas desenvolvidas.

Conceitua-se fluxo de caixa, como uma série de pagamentos e recebimentos de dinheiro,


distribuídos no tempo. O processo de análise financeira e a elaboração do fluxo de caixa
projetado podem ser realizados disponíveis as seguintes informações:
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137

 Avaliação da variação da demanda do produto durante o horizonte de projeto;


 Preço de Venda do Produto;
 Custos de Produção a cada nível de demanda;
 Alíquotas dos tributos incidentes sobre o lucro e o faturamento;
 Utilização do capital próprio ou de terceiros;
 Valor residual dos ativos imobilizados a serem alienados;
 Taxa de mínima atratividade ou de retorno do capital;
 Horizonte do projeto.

9.3.2 - Diagrama de Fluxo de Caixa – DFC.

O “diagrama de fluxo de caixa” é um instrumento que permite visualizar clara e concisamente


uma série de fluxos de caixa. Graficamente ele é representado em um gráfico cartesiano onde,
em abscissas, fica determinada a linha dos tempos e, em ordenadas, o valor monetário de cada
fluxo de caixa singular.

Neste diagrama, receitas ou entradas de dinheiro são representadas por setas voltadas para
cima, sinal (+). Pagamentos ou saídas de dinheiro representadas por setas voltadas para baixo,
sinal (-). O diagrama de fluxo de caixa, então, expressa graficamente o resultado ou saldo das
movimentações de caixa havidas em determinado período.

Recomenda-se, especialmente ao iniciante no assunto, elaborar o diagrama de fluxo de caixa dos


projetos em análise visando facilitar o acompanhamento e entendimento do comportamento do
fluxo associado a cada alternativa em análise e realizar um adequado tratamento matemático ao
processo de cálculo.
9.3.2.1 – Premissas e Convenções.

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138

A correta montagem dos diagramas de fluxo de caixa – DCF exigem o cumprimento das
seguintes premissas:

i - O fluxo de caixa de um período equivale à soma algébrica das entradas e saídas de caixa que
ocorrem durante o mesmo.
ii - Lançar como investimento, apenas os capitais demandados pelo projeto;
iii - A priori, não há a consideração de risco ou incerteza.
iv - O montante de capital próprio empregado no projeto e o pagamento de dividendos;
v - A entrada de capital de dívidas, juros e amortizações, não vinculados ao projeto;
vi - O reinvestimento de fundos gerados pelos projetos.
vii - Decisões financeiras realizadas antes do início anterior do projeto em análise.

A representação gráfica dos fluxos de caixa deve atender às seguintes convenções:

 Seta voltada para cima representando um fluxo de caixa superavitário ou positivo;


 Seta voltada para baixo representando um fluxo de caixa negativo ou deficitário;
 Todo fluxo de caixa é lançado no diagrama no momento final do período em que tenha
ocorrido.

9.4 – Disponibilidade de Recursos.


Os investimentos podem ser classificados, também, segundo a restrição de capital o que permite
analisar a viabilidade de sua realização. São classificados em três categorias:

 Investimentos Dependentes,
 Investimentos Independentes,
 Investimentos Mutuamente Exclusivos.

a) Investimentos Dependentes.

Diz-se que uma proposta de investimentos é economicamente dependente de outra quando os


fluxos de caixa esperados da primeira proposta podem sofrer influência com a aceitação da
segunda.

b) Investimentos Independentes.

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139

Dois investimentos são considerados independentes quando é tecnicamente viável realizar um


deles, seja ou não aceito o segundo. E, que as receitas líquidas esperadas do primeiro não são
afetadas pela aceitação ou rejeição do segundo investimento.

Havendo disponibilidade financeira para a execução simultânea de dois projetos distintos, não há
necessidade em compará-los. Mas, simplesmente, verificar se ambos promovem o aumento de
riqueza dos proprietários.

c) Investimentos Mutuamente Exclusivos

Dois investimentos são ditos mutuamente exclusivos quando as receitas oriundas do primeiro
cessarem, completamente, havendo a aceitação do segundo. Ou, quando for tecnicamente
impossível implantar um deles em havendo a decisão de executar o outro.

Em Resumo:
Dizemos que dois ou mais investimentos são independentes quando a aceitação/rejeição de um
deles não altera a aceitação/rejeição do outro
Dizemos que dois ou mais investimentos são mutuamente excludentes quando ao se aceitar um
deles, significa rejeitar os outros.
Por exemplo, se possuirmos um terreno de esquina, poderemos construir um posto de gasolina
ou um prédio de apartamentos, mas não os dois.
Surge, então, uma questão correlata: dados dois ou mais projetos mutuamente excludentes, qual
é o melhor?
A resposta é simples: aquele que tiver maior VPL

9.5 - O Processo de Decisão.


Todas as decisões sobre análise de investimentos ou propostas de projetos de investimentos são
tomadas a partir do desenvolvimento de propostas de alternativas de investimentos.
Inexistindo alternativas, não há opção de escolha e, portanto, não há decisão a tomar.

Quando se comparam alternativas de investimentos, apenas as diferenças existentes entre elas é


que são relevantes para análise.

Como as alternativas competem entre si, uma serve de referência para a outra no processo de
seleção. Ao ser considerada a competição de alternativas, o objetivo é definir o projeto vencedor,

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140

aquele que mais aumenta a riqueza dos proprietários. Isto quer dizer que são comparados,
apenas, projetos mutuamente exclusivos.

Decisões separáveis devem ser tomadas separadamente. Não há por que considerar num
processo de decisão projetos definidos como independentes com aqueles mutuamente
exclusivos.

É preciso manter a visão clara e não entrar em comparações irrelevantes e que perturbem um
processo decisório.

Os métodos discutidos neste módulo permitem amparar a tomada de decisão financeira ao


estabelecer parâmetros capazes de permitir a comparação e hierarquização das alternativas de
investimento segundo o incremento de riqueza proporcionado por cada uma das alternativas ou a
rentabilidade das mesmas.

São eles:
 Valor Presente Líquido - VPL;
 Taxa Interna de Retorno – TIR;
 Retorno do Capital ou Pay-Back;
 Valor Anual Uniforme Equivalente – VAUE, ou Custo Anual Uniforme Equivalente ou
Beneficio Anual Uniforme Equivalente;
 Índice de Lucratividade – IL;
 Relação Benefício / Custo – B/C
.
É muito possível que a adoção de um único método, isoladamente, não satisfaça as exigências
de um bom processo decisório.

Visando melhor amparar o processo decisório, recomenda-se ao analista que elabore a


hierarquização das alternativas considerando, conjuntamente, vários dos métodos apresentados
e não se limitar a simples adoção de apenas um deles, procedimento que vem a enriquecer a
qualidade de sua análise.

9.6 - Métodos de Análise de investimento.

9.6.1 - Método do Valor Presente Líquido – VPL

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141

O VPL, em inglês chamado de NPV – Net Present Value, é considerado uma técnica sofisticada
de análise de investimento.

O VPL é obtido descontando o fluxo de caixa a uma taxa especificada, trazendo, dessa forma,
todos os valores para a situação inicial – a um valor presente líquido. Essa taxa especificada
normalmente corresponde a uma de retorno mínimo que deve ser obtido por um projeto.

O VPL, consiste então em calcular o valor presente de uma série de pagamentos (ou
recebimentos), iguais ou diferentes a uma mesa taxa de juros (geralmente a TMA) e deduzir
deste valor o fluxo inicial (valor do empréstimo, do financiamento ou do investimento).

Sob o ponto de vista do VPL, o projeto é considerado viável quando o resultado do cálculo for
maior do que zero, pois isso quer dizer que o projeto dará um retorno maior do que a taxa
especificada.

A equação matemática (algébrica) do VPL é dada por:

Onde:
 CFj = valor fluxo de caixa de ordem j;
 i = taxa de desconto;
 CF0 = valor do fluxo de caixa inicial (data 0) ou valor o investimento.

Se VPL > 0, então haverá um ganho adicional (expresso em valores de hoje) em relação ao
mesmo investimento aplicado à taxa de desconto, isto é, o investimento será atrativo; caso
contrário ( VPL < 0 ), teremos uma perda (expressa em valores de hoje) e o
investimento não será atrativo.

Em resumo:
VPL > 0 Atesta-se a viabilidade econômica do projeto
VPL < 0 Atesta-se a inviabilidade do empreendimento
VPL = 0 Neste caso, a situação é indiferente, podendo aceitar ou não
Importante:

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142

 Quando se consideram alternativas de investimento com durações idênticas, escolhe-se a


de maior valor presente líquido
 No caso de comparar propostas de durações diferentes, alguma hipótese será exigida
sobre o que será feito após o término da proposta de menor duração. ( Veremos um
exemplo depois )

OBS:
Um investimento vale a pena quando cria valor para seus proprietários. Por isso que as propostas
de investimento ou projetos deverão valer mais do que o seu custo, uma vez implantado.

Esta diferença entre o valor de mercado de um investimento e seu custo é denominada valor
presente líquido, abreviadamente VPL.
O processo de avaliação de um investimento descontando seus fluxos de caixa futuros, usando o
custo de capital, é chamado de avaliação de fluxo de caixa descontado.

Observe-se que toda vez que se consegue investir uma quantia exatamente à taxa de
atratividade, o valor presente do projeto como um todo será nulo. Um valor atual positivo indica,
pois, que está investindo a uma taxa superior à taxa de atratividade. O inverso ocorre para
valores presentes negativos.

Por outro lado, o valor presente de um fluxo de caixa indica a diferença entre o valor atual das
quantias futuras envolvidas e o investimento inicial.

Justifica-se o método apresentado, pois um valor atual positivo significa que as quantias futuras,
descontadas à taxa mínima de atratividade, superam o investimento inicial necessário - o que
torna atrativa a proposta.

Por outro lado, um valor atual negativo significa que se está investindo mais do que se irá obter, o
que é, evidentemente, indesejável; em outras palavras, a mesma quantia, se fosse investida à
taxa de atratividade, renderia mais do que no projeto em questão.

Exemplo 1:
Examinar se pelo método do VPL, o projeto a seguir pode ser aceito, adotando-se uma TMA de
8% a.m:
Investimento inicial = 8.000 UM;
Vida útil = 10 meses;
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143

Receitas líquidas mensais = 900 UM;


Valor residual ( valor de venda ) = 2.000 UM.
tem-se o seguinte fluxo de caixa.

Algebricamente temos:

Utilizando a HP 12C, temos:


8000 [ CHS ] [ g ] [ CF0 ]
900 [ g ] [ CFj ]
9 [ g ] [ Nj ]
2900 [ g ] [ CFj ]
8[i]
[ f ] [ NPV ] → - 1.034,54 < 0 →INVIÁVEL

Exemplo 2:

Uma indústria pretende adquirir equipamentos no valor de US$55000,00, que deverão


proporcionar receitas líquidas a partir de 2005 conforme tabela a seguir:

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144

Ano Receitas líquidas (US$)


2005 15500
2006 18800
2007 17200
2008 17200
2009 17200
2010 13500

Sabendo-se que o valor de revenda dos equipamentos no ano 2010 é estimado em US$9000,00
e que a taxa mínima de atratividade - TMA é igual a 21% a. a., pede-se analisar pelo método do
VPL, se o investimento planejado é rentável.
Solução:
Temos:
Investimento inicial = CFo = 55000
Receitas: CF1 = 15500, CF2 = 18800, CF3 = CF4 = CF5 = 17200; no sexto ano a receita será
CF3 = 13500 + 9000 = 22500, pois teremos 13500 do ano mais o preço de revenda 9000.
Teremos então:
VPL para uma taxa de juros i = 21 % a. a. = 21 /100 = 0,21 a. a. (1 + i ) = 1 + 0,21 = 1,21
Substituindo na fórmula do VPL vem:
VPL = VP - CFo = 15500 / 1,211 + 18800 / 1,21 2 + 17200 / 1,21 3 + 17200 / 1,214 + 17200 / 1,215 +
22500 / 1,21 6 - 55000
Usando uma calculadora científica ,teremos:
VPL = 12809,92 + 12840,65 + 9708,95 + 8023,93 + 6631,34 + 7169,19 - 55000 = + 2183,99

Ora, como o Valor Presente Líquido - VPL é um valor positivo, infere-se que o investimento é
rentável e poderá ser feito, pois a taxa efetiva ( interna ) de retorno –TIR, será certamente
superior aos 21% a. a. (21% ao ano) esperados pela indústria.

Usando a calculadora financeira HP 12C, a sequência de comandos seria:


[ f ] [ REG ] = [ f ] [ CLX ] ( limpa a memória, para evitar que fique algum resíduo )
55000 [ CHS ] [ g [ [ CFo ]
15500 [ g [ [ CFj ]
18800 [ g [ [ CFj ]
17200 [ g [ [ CFj ]

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145

3 [ g [ [ Nj ]
22500 [ g [ [ CFj ]
21 [ i ] ( lembre-se que a taxa i é 21% )
[ f ] [ NPV ]  Aparecerá no visor da calculadora o valor 2.183,99

Exemplo 3:
Os fluxos de caixa de três projetos de investimento agropecuário, abaixo relacionados, estão
sendo analisados por um investidor. Avalie pelo método do VPL qual opção ele deverá tomar.
Sabe-se que a taxa mínima de atratividade é de 8,5%a.a.

Pequena Propriedade:
26000 [ CHS ] [ g ] [ CF0 ]
3600 [ g ] [ CFj ]
3800 [ g ] [ CFj ]
4100 [ g ] [ CFj ]
4350 [ g ] [ CFj ]
4800 [ g ] [ CFj ]
8,5 [ i ]
[ f ] [ NPV ] → - 9.913,11 < 0 →INVIÁVEL
Média Propriedade:
45000 [ CHS ] [ g ] [ CF0 ]
12000 [ g ] [ CFj ]
12950 [ g ] [ CFj ]
14600 [ g ] [ CFj ]
15300 [ g ] [ CFj ]
16800 [ g ] [ CFj ]
8,5 [ i ]
[ f ] [ NPV ] → 10.703,66 > 0 →VIÁVEL
Grande Propriedade:
85000 [ CHS ] [ g ] [ CF0 ]

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36000 [ g ] [ CFj ]
37500 [ g ] [ CFj ]
48000 [ g ] [ CFj ]
49600 [ g ] [ CFj ]
55000 [ g ] [ CFj ]
8,5 [ i ]
[ f ] [ NPV ] → 89.981,47 > 0 →VIÁVEL
Resp: Ele Deveria investir na Grande Propriedade, uma vez que, o retorno será maior.

Exemplo 4:
Um investidor tem a oportunidade de comprar um duplex por $ $ 80.000 e gostaria de um retorno
de pelo menos 13%. O investidor espera manter o duplex por cinco anos e depois vendê-lo por
$ 130.000 e prevê os fluxos de caixa no diagrama abaixo. Calcule o VPL para determinar se o
investimento resultaria em retorno ou prejuízo.
Figura : Fluxo de caixa

80000 [ CHS ] [ g ] [ CF0 ]


500 [ CHS ] [ g ] [ CFj ]
4500 [ g ] [ CFj ]
5500 [ g ] [ CFj ]
4500 [ g ] [ CFj ]
130000 [ g ] [ CFj ]
13 [ i ]
[ f ] [ NPV ] → 212,18 > 0 →VIÁVEL

Exemplo 5:

Avalie o investimento abaixo, calculando o VPL e considerando uma TMA de 27% ao ano.
 ¨ Investimento inicial: R$150.000,00;

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147

 ¨ Entradas mensais de caixa: R$18.000,00 do 1º ao 5º mês e R$20.000,00 do 6º ao 11º


mês
 ¨ Reinvestimento no 7º mês: R$30.000,00;
 ¨ Valor residual: R$25.000,00 Transformação da Taxa Anual em
Mensal:
 ¨ Vida útil: 1 ano. 27 [ i ] 360 [ n ] 30 [ RS ] → 2,01%
a.m
25000
............. ..............
18000 20000
0 . 7
1 5 6 11 12
30000
CF0= 150000
Resolução com a HP:
150000 [ CHS ] [ g ] [ CF0 ]
18000 [ g ] [ CFj ]
5 [ g ] [ Nj ]
20000 [ g ] [ CFj ]
10000 [ CHS ] [ g ] [ CFj ]
20000 [ g ] [ CFj ]
4 [ g ] [ Nj ]
25000 [ g ] [ CFj ]
2,01 [ i ]
[ f ] [ NPV ] → 29.791,75 ( + ) > 0 →VIÁVEL

Exemplo 6:

Uma pessoa deseja obter uma rentabilidade mínima de 10% ao ano para aplicar seus R$
50.000,00 pelos próximos 3 anos. Pesquisou em 3 bancos cujas propostas de retiradas são
apresentadas na tabela abaixo. Diga em qual banco deve ela deve investir?

ANO BANCO A BANCO B BANCO C


1 22.000 20.000 8.000
2 22.000 23.000 28.000
3 22.000 23.000 32.000
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VPL 4.710,74 4.470,32 4.455,30

SOLUÇÃO:
BANCO A:
50000 [ CHS ] [ g ] [ CFO ] 22000 [ g ] [ CFj ] 3 [ g ] [ Nj ] 10 [ i ]
[ f ] [ NPV ]  4.710,74 ( + ) > 0 VIÁVEL

BANCO B:
50000[ CHS ][ g ][ CFO ] 20000[ g ][ CFj ] 23000 [ g ] [ CFj ] 2 [ g ] [ Nj ]
10 [ i ]
[ f ] [ NPV ]  4.470,32 ( + ) > 0 VIÁVEL

BANCO C:
50000[ CHS ][ g ][ CFO ] 8000[ g ][ CFj ] 28000 [ g ] [ CFj ] 32000 [ g ] [ CFj ] 10 [ i ]
[ f ] [ NPV ]  4.455,30 ( + ) > 0 VIÁVEL
Resp: Deve investir no Banco A, pois possui um valor maior do VPL.

Exemplo 7:
A empresa Doce Mundo, pretende ampliar a sua produção de pirulitos. Para que isso ocorra a
mesma terá que adquirir uma nova máquina, exigindo um investimento inicial de R$ 60.000,00.

Para elaborar a projeção do fluxo de caixa do projeto, considerou-se que:

a) O custo fixo estimado é de R$ 10.000,00 / ano;


b) O custo unitário de produção é de R$ 0,05;
c) O preço unitário de venda é de R$ 0,10;
d) No 1° ano do financiamento estima-se produzir e vender 200 mil pirulitos;
e) Estima-se um crescimento médio da produção e das vendas na ordem de 40% ao ano;
f) A capacidade máxima de produção da máquina é de 600 mil pirulitos / ano.

Pede-se:

I) Montar o fluxo de caixa do projeto no horizonte de 6 anos;

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149

II) Analisar a viabilidade econômica do projeto, utilizando-se dos critérios: VPL e


TIR, levando em consideração uma taxa mínima de atratividade (custo de oportunidade do
capital) de 12% ao ano;

n q RT CF CV CT VALOR LIQUIDO
p.q Cunit.q (CF + CV) (RT – CT)
0 - - - - - 60.000
1 200.000 20.000 10.000 10.000 20.000 0
2 280.000 28.000 10.000 14.000 24.000 4.000
3 392.000 39.200 10.000 19.600 29.600 9.600
4 548.800 54.880 10.000 27.440 37.440 17.440
5 600.000 60.000 10.000 30.000 40.000 20.000
6 600.000 60.000 10.000 30.000 40.000 20.000
SOLUÇÃO:
60000 [ CHS ] [ g ] [ CFO ]
0 [ g ] [ CFj ]
4000 [ g ] [ CFj ]
9600 [ g ] [ CFj ]
17440 [ g ] [ CFj ]
20000 [ g ] [ CFj ]
2[ g ] [ Nj ]
12 [ i ]
[ f ] [ NPV ]  - 17.413,54 ( - ) < 0 INVIÁVEL

Exemplo 8:

É proposta a venda de determinada máquina para fins rentáveis; o comprador em perspectiva


tem uma taxa mínima de atratividade de 10% a.a. A máquina proporcionará uma receita líquida
de R$ 20.000,00 no primeiro ano, diminuindo em seguida à base de R$ 1.000,00 ao ano por
mais 11 anos. O valor estimado de revenda daqui a 12 anos é de R$ 26.000,00. Até quanto
estaria o comprador disposto a pagar pela máquina?

20000 35000
19000 10000
0 .
1 2 11 12

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150

CF0= ?

SOLUÇÃO
20000 [ g ] [ CFj ]
19000 [ g ] [ CFj ]
18000 [ g ] [ CFj ]
17000 [ g ] [ CFj ]
16000 [ g ] [ CFj ]
15000 [ g ] [ CFj ]
14000 [ g ] [ CFj ]
13000 [ g ] [ CFj ]
12000 [ g ] [ CFj ]
11000 [ g ] [ CFj ]
10000 [ g ] [ CFj ]
35000 [ g ] [ CFj ]
10 [ i ]
[ f ] [ NPV ]  114.657,02
Resp: R$114.657,02, é o valor máximo que o comprador estará disposto a pagar pela
máquina, pois corresponde ao valor presente das receitas líquidas futuras.

Exemplo 9:
Sejam dois investimentos representados pelos fluxos de caixa que se seguem: 00.0

Qual é o melhor projeto, admitindo que o investidor possui R$ 200,00 para aplicar? Taxa de
Mínima de Atratividade = 10%
SOLUÇÃO:
PROJETO A:
100 [ CHS ] [ g ] [ CFO ]

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151

30 [ g ] [ CFj ]
5[ g ] [ Nj ]
10 [ i ]
[ f ] [ NPV ]  13,72  R$ 14,00
PROJETO B:
200 [ CHS ] [ g ] [ CFO ]
58 [ g ] [ CFj ]
5[ g ] [ Nj ]
10 [ i ]
[ f ] [ NPV ]  19,87 → R$ 20,00

COMENTÁRIOS:

A primeira coisa que é preciso notar é que se trata de investimentos de quantias distintas.
Assim sendo, cumpre pensar sobre o que o interessado fará com os R$ 100,00 que sobrarão
caso ele se decida pelo projeto A.
Se ele puder aplicar todos os seus R$ 200,00 em dois projetos do tipo A, o valor presente de seu
investimento será duas vezes R$ 14,00, o que dá R$ 28,00.
Como isto é superior a R$ 20,00, ele deverá optar pelos projetos A.

No entanto, se não houver a possibilidade de duplicar o investimento em A, como ocorre


frequentemente na prática (raras vezes tem sentido fazer duas fábricas iguais e nem sempre
compensa duplicar uma delas), será razoável assumir as seguintes alternativas

Aplicar R$ 200,00 no projeto B, cujo valor presente é de R$ 20,00;

Aplicar R$ 100,00 em A e os R$ 100,00 restantes à taxa de atratividade. O valor presente dessa


composição seria R$ 14,00, uma vez que investir à taxa de atratividade implica um valor atual
nulo. Neste caso a escolha recairia em B.

O importante aqui é entender que a decisão depende daquilo que se vai fazer com o montante
não investido no projeto mais barato.

Evidentemente, poderia se supor o investimento do restante a uma taxa diferente da taxa de


atratividade.
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152

O critério de escolher a alternativa de maior valor atual assume, implicitamente, que o


investimento dos saldos se faz à taxa de atratividade.

Exemplo 10:
Um homem está considerando a compra de um automóvel; duas oportunidades parecem-lhe
atrativas; a de um carro com dois anos de idade e a de outro com quatro anos. Qualquer que seja
a escolha, ele pretende manter o automóvel por um ano e então comprar o modelo novo. O carro
mais velho é oferecido a um preço de R$ 6.000,00 à vista e o mais novo a R$ 4.000,00 de
entrada e R$ 700,00 mensais, durante 6 meses. As despesas estimadas, supondo quilometragem
média de 2.000 km/mês, são as seguintes:
Carro mais novo:
Combustível, Manutenção, etc.: R$ 200,00/ mês.
Valor de Revenda: R$ 6.800,00
Carro mais velho:
Combustível, Manutenção, etc.: R$ 250,00/mês
Valor de Revenda: R$ 4.800,00

A taxa mínima de atratividade do comprador é de 1% a.m. Qual a alternativa que deverá ser
escolhida?
Solução:
1. Valor Atual dos Custos do Carro mais Velho

6000 [ CHS ] [ g ] [ CFO ]


250 [ CHS ] [ g ] [ CFj ]
11 [ g ] [ Nj ]
4550 [ g ] [ CFj ]
1[i]
[ f ] [ NPV ]  - R$ 4.554,01

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153

4000 [ CHS ] [ g ] [ CFO ]


900 [ CHS ] [ g ] [ CFj ]
6 [ g ] [ Nj ]
200 [ CHS ] [ g ] [ CFj ]
5 [ g ] [ Nj ]
6600 [ g ] [ CFj ]
1[i]
[ f ] [ NPV ]  - R$ 4.273,19

Resp: Conclui-se que é mais econômico comprar o carro mais novo, pois possui menor
custo. (- R$ 4.273,19 < - R$ 4.554,01 )

9.6.1.1 - Elaboração do Fluxo de Caixa Operacional (FCO) de um Projeto de Investimento


Usando o VPL

Para elaborar o FCO de um projeto de investimento você precisa, ao final de cada ano de:
Receitas (R), Custos(C), depreciação (Dep), a alíquota (T) do Imposto de Renda (IR), etc.

O imposto de renda IR devido pelo lucro do projeto será igual a:


IR = (R - C - Dep) × T.

Deduzindo o imposto de renda IR do lucro bruto operacional LB, onde LB = R - C ,


correspondente obtemos o Fluxo de Caixa Operacional FCO:
FCO = LB - IR = R - C - (R - C - Dep) × T ⇒ FCO = (R - C) × (1 - T) + Dep × T .
Adicionando ao FCO as atividades investimento em ativos fixos, valor residual e capital de giro
obtém-se o fluxo de caixa FC do projeto, também conhecido como fluxo de caixa líquido, em
qualquer ano de um investimento.

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154

Exemplo: As estimativas do projeto de expansão da empresa “Roda Viva” são as seguintes:

• Prazo de análise de cinco anos;


• Investimento na data zero igual a 2.750.000 UM;
• Depreciação total e linear durante os cinco anos;
• Alíquota do imposto de renda igual a 35%;
• Valor residual nulo, na data terminal do investimento.

O quadro abaixo mostra as receitas anuais e os custos anuais(em 1.000 UM):

Verificar se este investimento deve ser aceito pelo método do VPL, considerando a taxa mínima
requerida (TMA) pela empresa “Roda Viva” de 12% a.a.
Solução: Para verificar se este investimento deve ser aceito, inicialmente construímos o fluxo de
caixa como mostra o quadro abaixo.
Os resultados registrados no quadro abaixo foram

obtidos como segue:


 Como a depreciação será total e linear durante os cinco anos, o valor da depreciação
anual será igual ao valor do investimento dividido por 5 ou 2.750,00 = 550,00

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155

5
 O fluxo de caixa operacional FCO do primeiro ano igual a R$ 901,00 foi obtido pela fórmula
FCO = (R - C) × (1 - T) + Dep × T, ou seja,
FC0 = (2.550,00 -1.460,00) × (1 - 0,35) + 550,00 × 0,35 = 901,00 .
Os FCO’s dos quatro anos restantes foram obtidos da mesma maneira.
Finalmente, construímos o FC do projeto registrado na última linha do quadro acima. Agora,
vamos calcular o VPL do fluxo de caixa FC e tem-se:

Como o VPL > 0 , logo este investimento deve ser aceito a uma TMA de 12%aa.

9.6.1.2 - Análise Incremental

Dentro do procedimento de seleção de projetos mutuamente excludentes, todos com o mesmo


prazo de análise, vimos que escolher o projeto com menor investimento não assegura que se
escolha o projeto que adicionará maior valor à empresa.

Tendo como objetivo a maximização do retorno do capital investido, a Análise Incremental


permitirá escolher o melhor projeto que demandar o maior desembolso tendo financeiramente
justificado cada incremento de capital.

9.6.1.3 - Procedimento da Análise Incremental

Os n projetos P1 , P2 , ... , Pn do grupo são projetos mutuamente excludentes, individualmente


aceitos e ordenados pelo valor crescente do Investimento, de forma que o investimento do projeto
Pj é maior que o do projeto P j – 1 . O procedimento análise incremental aplicado com o método
do VPL é o seguinte:

1) O projeto com menor investimento P1 é o primeiro projeto desafiado.


2) O projeto P1 é desafiado com o projeto desafiante P2 construindo o fluxo de caixa
incremental Δ (P2 – P1 ) , obtido como resultado da diferença entre os fluxos de caixa dos
projetos P2 menos P1 .
3) Depois de calcular o VPL do fluxo de caixa incremental Δ (P2 – P1 ) é aplicado o critério:

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156

 Se VPL de (P2 – P1) > 0, então o fluxo de caixa incremental Δ (P2 - P1) deve ser aceito,
pois o incremento de investimento será recuperado, remunerado com a TMA requerida e
gerará lucro extra. Ao aceitar o fluxo de caixa incremental Δ (P2 - P1) afirmamos que o
Projeto 2 é melhor que o Projeto 1, e que o Projeto 1 deve ser abandonado.

 Caso contrário, se VPL de (P2 – P1) < 0 o fluxo de caixa incremental Δ (P2 – P1 ) não deve
ser aceito, pois o Projeto 1 é melhor que o Projeto 2 que deve ser abandonado.

4) Este procedimento é repetido até esgotar os n projetos de investimento.


5) Finalizando o procedimento, o projeto vencedor será escolhido como o melhor projeto do grupo
de projetos mutuamente excludentes.

Exemplo. Com o lançamento do novo produto a empresa “Minas Catarina” espera aumentar sua
participação no mercado. Foram analisados e preparados três projetos:

1) Produzir por terceiros.

2) Produzir na própria empresa “Minas Catarina”, aproveitando o equipamento existente,


realizando uma operação manual.

3) Produzir na própria empresa “Minas Catarina” construindo numa área livre do terreno da
empresa “Minas Catarina”, adquirindo o equipamento necessário.
Os fluxos de caixa semestrais depois dos impostos dos três projetos estão no quadro abaixo.
Usando o método do VPL considerando a TMA de 8,5% ao semestre, selecionar o melhor projeto,
aplicando o procedimento da análise incremental.

Solução: As quatro primeiras colunas do quadro seguinte mostram os fluxos de caixa dos três
projetos, ordenados de forma crescente pelo valor de investimento

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157

Começamos por desafiar o Projeto 1 com o Projeto 2 preparando o fluxo de caixa incremental
Δ (P2 – P1) registrado na quinta coluna do quadro acima.

Calculando do VPL de (P2 – P1), temos:

Como VPL(P2 – P1 ) = 8.715,00 > 0 , podemos afirmar que o Projeto 2 é melhor que o Projeto 1 e
o Projeto 1 deve ser abandonado.

Com a HP 12, teríamos:


24000 [ CHS ] [ g ] [ CFO ]
4000 [ g ] [ CFj ]
4500 [ g ] [ CFj ]
5000 [ g ] [ CFj ]
5500 [ g ] [ CFj ]
6500 [ g ] [ CFj ]
7500 [ g ] [ CFj ]
2[ g ] [ Nj ]
8000 [ g ] [ CFj ]
8,5 [ i ]
[ f ] [ NPV ]  8.714, 57  8.500,00
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158

Em sequência, o Projeto 2 é desafiado com o Projeto 3, inicialmente, preparando do fluxo de


caixa incremental Δ (P3 – P2) na sexta coluna do quadro acima.

Calculando o VPL de (P3 – P2), temos:

Como VPL (P3 – P2) = 4.034,00 > 0 , podemos afirmar que o Projeto 3 é melhor que o Projeto 2 e
o Projeto 2 deve ser abandonado.
Com a HP 12, teríamos:
40000 [ CHS ] [ g ] [ CFO ]
4000 [ g ] [ CFj ]
5500 [ g ] [ CFj ]
6500 [ g ] [ CFj ]
8000 [ g ] [ CFj ]
9000 [ g ] [ CFj ]
9500 [ g ] [ CFj ]
11500 [ g ] [ CFj ]
12500 [ g ] [ CFj ]
8,5 [ i ]
[ f ] [ NPV ]  4.033,55  4.034,00

Conclusão: O Projeto 3 é o melhor dos três projetos.

9.6.2 - Taxa Interna de Retorno – TIR

A Taxa Interna de Retorno é a taxa de desconto que torna o valor presente líquido de um fluxo de
caixa igual a Zero. Taxa Interna de Retorno será obtida igualando a equação do Valor Presente
Líquido a zero, isto é,

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159

O método consiste em determinar, para cada investimento que se pretenda realizar, a taxa de
juros que proporciona um fluxo de caixa equivalente ao que se espera obter com o projeto.

A taxa de retorno, é a taxa de juros que torna nulo o valor presente de um investimento.

A taxa de retorno de uma proposta de investimento é a taxa de juros para a qual o valor presente
dos recebimentos resultante do projeto é exatamente igual ao valor presente dos
desembolsos.

Isto significa dizer que a taxa interna de retorno é aquela que torna nulo o valor presente líquido
do projeto. Ou ainda, é aquela que torna o valor dos lucros futuros equivalente aos gastos
realizados com o projeto, caracterizando assim, como a taxa de remuneração do capital investido.
Exemplo 1: Calcular a taxa interna de retorno (custo do capital para o tomador do empréstimo),
correspondente a um empréstimo de 15.000 UM, a ser liquidado em quatro pagamentos mensais
de 4.500 UM; 5.000 UM; 3.500 UM e 5.500 UM. O fluxo de caixa desta operação, é representado
como segue:

Resolução com a HP-12C:


15000 [ CHS ] [ g ] [ CFO ]
4500 [ g ] [ CFj ]
5000 [ g ] [ CFj ]
3500 [ g ] [ CFj ]
5500 [ g ] [ CFj ]
[ f ] [ IRR ]  8,81%
Logo, a taxa interna de retorno deste empréstimo é 8,81% ao mês.

Exemplo 2:
A respeito de um projeto, os seguintes dados são conhecidos:

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160

Investimento inicial = 30.000 UM;


Valor residual = 5.000 UM;
Vida econômica = 10 anos;
Receita anual = 13.000 UM;
Custo operacional anual = 6.000 UM.
Calcular a taxa interna de retorno (anual) desse investimento.

Resolução com a HP-12C:


30000 [ CHS ] [ g ] [ CFO ]
7000 [ g ] [ CFj ]
9[ g ] [ Nj ]
12000 [ g ] [ CFj ]
[ f ] [ IRR ]  20,15%
Logo, a taxa interna de retorno deste empréstimo é 20,15% ao mês.

Exemplo 3:
A gerência de novos investimentos da empresa “Maxell” está realizando a análise do projeto para
lançamento de um novo produto no mercado. Verificar se o projeto de investimento cujo fluxo de
caixa anual após os impostos está no quadro abaixo, pelo método da TIR, considerando uma taxa
mínima de atratividade (TMA) de 10% a.a.

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161

Resolução com a HP-12C:


400000 [ CHS ] [ g ] [ CFO ]
100000 [ g ] [ CFj ]
5[ g ] [ Nj ]
[ f ] [ IRR ] 7,93 %
Como a TIR = 7,93% a.a é menor que a TMA = 10% a.a, o projeto não deve ser aceito.

Exemplo 4:
A compra de determinada máquina está sendo considerada por uma empresa; tem custo inicial
de R$ 150.000,00. Foi estimado que proporcionará um excesso de receitas sobre despesas nos
próximos 12 anos, começando com R$ 30.000,00 no primeiro e decrescendo à base de R$
1.500,00 por ano, devido ao aumento dos custos. O valor de revenda daqui a 12 anos é previsto
ser R$ 39.000,00. Qual a taxa de retorno fornecida pelo investimento na máquina?
Solução:

150000 [ CHS ] [ g ] [ CFO ]


30000 [ g ] [ CFj ]
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162

28500 [ g ] [ CFj ]
27000 [ g ] [ CFj ]
25500 [ g ] [ CFj ]
24000 [ g ] [ CFj ]
22500 [ g ] [ CFj ]
21000 [ g ] [ CFj ]
19500 [ g ] [ CFj ]
18000 [ g ] [ CFj ]
16500 [ g ] [ CFj ]
15000 [ g ] [ CFj ]
52500 [ g ] [ CFj ]
[ f ] [ IRR ] → 13,03% a.a → Taxa Interna de Retorno

Exemplo 5:
Um investidor comprou 100 ações por R$ 3.500,00. Recebeu os primeiros dividendos de R$ 2,00
por ação no final do ano 3, e continuou a receber tal quantia por mais 3 anos (4 ao todo). Após
isso passou a receber o dobro por mais 3 anos. Após os 9 anos vendeu as ações por R$
7.500,00. Qual foi a taxa de retorno da operação?
Solução:

3500

3500 [ CHS ] [ g ] [ CFO ]


0 [ g ] [ CFj ]
2 [ g ] [ Nj ]
200 [ g ] [ CFj ]
4 [ g ] [ Nj ]
400 [ g ] [ CFj ]

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163

2 [ g ] [ Nj ]
7900 [ g ] [ CFj ]
[ f ] [ IRR ] → 12,67% a.a → Taxa Interna de Retorno

9.6.2.1- Investimentos Incrementais


Exemplo 6:
Escolher o melhor projeto pelo método da TIR aplicando a Análise Incremental, considerando
uma TMA de 15% a.a.

Solução:
Calculando a TIR do Projeto 1, você encontra 23,89% a.a.
A TIR do Projeto 1 é maior que a TMA de 15% a.a, o Projeto 1 deve ser aceito.
Do mesmo modo você calcula da TIR do Projeto 2 obtêm 21,56% a.a e é maior que a TMA de
15% a.a , logo o Projeto 2 deve ser aceito.

O fluxo de caixa incremental Δ (P2 – P1 ) foi obtido, calculando P2 – P1 em cada ano. No ano
zero (260.000) – (210.000) = (50.000); ao final do primeiro ano 70.000 – 65.000 = 5.000 e assim
por diante. A TIR do fluxo de caixa incremental Δ (P2 – P1 ) é igual a 12,31% a.a.

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164

Como a TIR de Δ (P2 – P1 ) é menor que a TMA de 15% a.a, logo, o Projeto 1 é melhor que o
Projeto 2.

OBS: Quando se comparam dois projetos de investimento, nem sempre o que tem maior taxa de
retorno é aquele que deve ser escolhido. Um exemplo servirá para explicar isto melhor.

Exemplo 7.
Sejam os projetos A e B representados pelos fluxos a seguir.

Uma certa firma, cuja taxa de atratividade é de 100% e cujo orçamento para projetos é de R$
200,00 deve escolher entre os dois projetos A e B, sendo que não é possível repetir o projeto A .
Solução:

É fácil de ver que as taxas de retorno dos dois projetos são de 300% para A e 250% para B.
Como ambas são superiores a 100% (taxa de atratividade), eles satisfazem.
PROJETO A: 100 [ CHS ] [ g ] [ CF0 ] 400 [ g ] [ CFj ] [ f ] [ IRR ] → 300%
PROJETO B: 200 [ CHS ] [ g ] [ CF0 ] 700 [ g ] [ CFj ] [ f ] [ IRR ] → 250%

Resta escolher entre eles. Se a firma optasse por A, sobrariam outros R$ 100,00 no seu
orçamento. Partindo da hipótese de que esta quantia seria aplicada à taxa de atratividade, no final
do ano 1, além dos R$ 400,00 gerados pelo investimento em A, mais R$ 200,00 adviriam à
empresa pela simples aplicação à taxa de atratividade. No total, R$ 600,00 seriam obtidos.

É óbvio que sob estas premissas mais valeria investir todos os R$ 200,00 no projeto B ( total de
700,00 ).
Assim, pode-se concluir que a comparação direta entre dois projetos pelo método de taxa de
retorno só é válida se eles tiverem o mesmo investimento inicial. Nesse caso, o de maior taxa de
retorno é o melhor.
Sempre que as quantias a serem investidas diferirem, cumpre fazer uma hipótese quanto à
aplicação da soma não investida no projeto mais barato. Uma das hipóteses mais coerentes com
a filosofia da taxa de atratividade é de que tal aplicação será a esta taxa.

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165

Partindo dessas ideias, pode-se deduzir que o importante na análise entre projetos é medir suas
diferenças. No exemplo dado, esta análise seria do seguinte tipo:

Em outras palavras, o que se quer saber é se compensa aplicar mais R$ 100,00 em B do que em
A, para obter mais R$ 300,00. A taxa de retorno incremental de B sobre A é de 200%, ou seja,
superior à taxa de atratividade. A aplicação dos R$ 100,00 adicionais seria pois mais do
justificada.

Note-se que a utilização de um método que analise as diferenças é bastante sutil. O processo
decompõe o projeto B em duas partes:

O ponto crucial é que a taxa de retorno do investimento adicional tem que ser maior que a taxa de
atratividade ( no exemplo isto aparece 200%).

Caso o projeto B gerasse apenas R$ 550,00, em vez de R$ 700,00 no final do ano 1, não
compensaria investir mais R$ 100,00 para obter R$ 150,00 a mais. A firma deveria optar pelo
investimento em A e aplicar o restante à taxa de atratividade

No caso de alternativas de investimento mutuamente exclusivas deve-se examinar a taxa de


retorno obtida no acréscimo de investimento de uma em relação à outra. Sempre que essa taxa

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166

for superior à taxa mínima de atratividade, o acréscimo é vantajoso. Isto faz com que a proposta
escolhida não seja necessariamente a de maior taxa de retorno.

Exemplo 8.

Considere-se um empresário que possui a taxa mínima de atratividade de 8% ao ano. Surge em


sua empresa a oportunidade de uma redução de custos no processo de fabricação; um
investimento de R$ 10.060,00 trará uma redução de custos de R$ 3.000,00 durante 5 anos, sem
valor residual. Um investimento de R$ 20.000,00 trará redução de R$ 5.550,00 nas mesmas
condições. Sendo os dois investimentos mutuamente exclusivos, qual deverá ser feito?

Solução:

PR0POSTA A:10000 [ CHS ] [ g ] [ CF0 ] 3000 [ g ] [ CFj ] 5 [ g ] [ Nj ] [ f ] [ IRR ] →14,99%→15%


PR0POSTA B:20000 [ CHS ] [ g ] [ CF0 ] 5550 [ g ] [ CFj ] 5 [ g ] [ Nj ] [ f ] [ IRR ] →12,01%→12%

A taxa de retorno da primeira proposta A é de 15% ao ano e a da proposta B é de 12% ao ano


Ambas são superiores à taxa mínima de atratividade de 8% ao ano. O acréscimo de investimento
da segunda proposta em relação à primeira, proporcionará o acréscimo de rendimento de R$
5.550,00 - R$ 3.000,00 = R$ 2.550,00 ao ano. O fluxo de caixa incremental correspondente seria:

( B – A ): 9940 [ CHS ] [ g ] [ CF0 ] 2550 [ g ] [ CFj ] 5 [ g ] [ Nj ] [ f ] [ IRR ] → 8,92%→ 9%

Como a taxa de retorno correspondente é, aproximadamente, 9% ao ano, superior a taxa mínima


de atratividade de 8% a. a., sendo portanto, a proposta B a mais vantajosa e deve ser escolhida.

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167

CONSIDERAÇÕES: Se a alternativa A for escolhida, o empresário investirá R$ 10.060,00,


rendendo 15% ao ano; o restante dos R$ 20.000,00 será empregado à taxa mínima de
atratividade, rendendo 8% ao ano.
Considere-se agora a alternativa B, que exige investimento de R$ 20.000,00. Ela pode ser
dividida em duas parcelas conforme os fluxos de caixa que seguem:

É fácil ver que esses fluxos de caixa somados reproduzem o fluxo de caixa da proposta B. A
primeira parcela, idêntica à proposta A, corresponde à taxa de retorno de 15% ao ano. A segunda,
correspondente ao investimento incremental ∆ (B-A), fornecerá, como foi visto, a taxa de 9% ao
ano. Portanto, se a proposta B for a escolhida, a parcela adicional de R$ 9.940,00 será
empregada a uma taxa maior que a mínima de atratividade, mostrando ser, esta proposta,
superior.

Exemplo 9.
Suponha-se que além das propostas do exemplo anterior, existam mais duas, uma com
investimento de R$ 25.000,00, que trará redução nos custos de R$ 6.800,00 por ano, e outra de
R$ 30.000,00 com redução de R$ 8.500,00 anuais nos custos. Analise as múltiplas alternativas.

Solução:

O incremento de investimento da proposta A em relação à B já foi estudado. Viu-se que B é


vantajoso. A terceira proposta C apresenta em relação à segunda um aumento de investimento ∆
(C - B) de R$ 5.000,00 e uma economia extra de 6.800.00 - 5.550,00 = R$ 1.250,00 anuais,
conforme o fluxo de caixa seguinte:
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( B – C ): 5000 [ CHS ] [ g ] [ CF0 ] 1250 [ g ] [ CFj ] 5 [ g ] [ Nj ] [ f ] [ IRR ] → 7,93%

Como a taxa de retorno de 7,93% ao ano, é inferior à taxa mínima de atratividade do empresário,
de 8% ao ano, ela não é atrativa, portanto, a proposta C, é eliminada. Compara-se agora a quarta
proposta D com a segunda B e não mais com a terceira, que já foi eliminada.

O fluxo de caixa do investimento incremental é:

( D – B ): 10000 [ CHS ] [ g ] [ CF0 ] 2950 [ g ] [ CFj ] 5 [ g ] [ Nj ] [ f ] [ IRR ] → 14,53%

Como a taxa de retorno é 14,53% ao ano, conclui-se que o melhor investimento é o de R$


30.000,00, sendo a sua taxa de retorno de cerca de 12% ao ano. Na forma de tabela ter-se-ia:

Note-se que o investimento incremental da qua

rta

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proposta é tomado em relação à segunda, já que a terceira, não tendo sido aceita, é eliminada
por completo da análise.

O método da taxa de retorno pode ser usado para comparar alternativas “do mesmo nível de
investimento” e com durações diferentes pelo confronto puro e simples das taxas de retorno das
alternativas.

Automaticamente se está supondo re-investimento à mesma taxa após o término da vida da


proposta de menor duração. Nos demais casos devem-se efetuar uma análise incremental e
utilizar o mínimo múltiplo comum das vidas.

9.6.3 - Valor Anual Uniforme Equivalente – VAUE ou Valor Presente Líquido Anualizado –
VPLa,
Trata-se de uma variação do VPL, cuja função é demonstrar quanto de ganho líquido um projeto
de investimento poderá propiciar período a período. Esta técnica somente é usada quando se
comparam projetos com fluxos de caixa de vidas úteis diferentes,
Este método procura encontrar uma série anual uniforme equivalente de um fluxo de caixa do
investimento, considerando uma dada taxa mínima de atratividade.

Esse método pode ser utilizado também para converter o desembolso de um fluxo de caixa e os
seus benefícios no custo anual uniforme equivalente e no benefício anual uniforme equivalente,
respectivamente.

Assim, uma vez transformados os custos e os benefícios de um fluxo de caixa em seus


respectivos valores anuais uniforme equivalente podemos compará-los.

Em que:
= Fluxo de Caixa do Projeto;

i = Taxa de Juros do Projeto;


n = Tempo de Vida do Projeto.
Sendo que o primeiro termo do lado direito da expressão é o valor atual de um fluxo de caixa e o
segundo termo é o fator de recuperação do capital de uma série uniforme.

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Para analisar o resultado por este método, a alternativa que resultar no maior resultado positivo,
será a alternativa correta. (VAUE > 0 => Viável ; VAUE < 0 => Inviável )

Quando envolve apenas custos, quanto mais próximo de ZERO melhor.

A determinação do índice só é possível utilizando as formulas dos juros compostos, a partir dos
conceitos de Valor Presente – PV; Valor Futuro – FV e o valor das prestações ou pagamentos
uniformes – PMT.

Com o Valor Presente – PV do fluxo de caixa da série não uniforme do projeto considerado,
procede-se a anualização do fluxo, considerando para isso o VPL como valor atualizado
submetido ao horizonte do planejamento a uma determinada taxa de desconto – TMA, obtendo-
se assim, o fluxo de caixa anual uniforme equivalente ao tempo de duração do projeto.

O melhor projeto é aquele com o menor custo ou a maior receita anual.

Para determinação do VPLA, deve-se seguir os seguintes passos:


1) Calcular o VPL dos projetos em análise, usando a TMA da empresa como taxa de desconto;

VPL = Valor Presente Líquido; FCk = fluxos de caixa verificados no projeto; i= taxa de desconto do projeto
(TMA); k = vida útil do projeto.

2) Transformar o VPL dos projetos em anuidades usando como taxa de desconto a TMA da empresa;

VPL = Valor Presente Líquido;


VPLA = Valor Presente Líquido Anualizado;
n = número de períodos do projeto;;
i = taxa de desconto do projeto (TMA).

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3) Tomar a decisão de investimento optando pelo projeto que apresentar o maior VPLA. Esse método tem a
vantagem de ajustar todos os projetos de vidas úteis diferentes, comparando-os pela anualização dos valores
presentes líquidos. No entanto, esse método não considera a possibilidade de projetos, de vida útil mais
curta, terem seus fluxos de caixa excedentes reaplicados em novos projetos de investimento gerando fluxos
ou projetos de investimento incrementais.

Exemplos:

1) A empresa dispõe de R$ 180.000,00 e se apresentam dois equipamentos parecidos para


comprar um:

 Marca A) Exigem um investimento inicial (compra e instalação) de R$ 140.000,00, e


proporciona um lucro líquido anual de R$ 50.000,00, durante 7 anos.

 Marca B) Exigem um investimento inicial (compra e instalação) de R$ 180.000,00, e


proporciona um lucro líquido anual de R$ 65.000,00, durante 7 anos.

Calcule a melhor alternativa, sob uma TMA da empresa de 30% a.a.

Solução:

VAUE(A)

140000 [ CHS ] [ PV ] 7 [ n ] 30 [ i ] [ PMT ] → 49.962.31

50.000,00 - 49.962.31 = 37,69

VAUE(B)

180000 [ CHS ] [ PV ] 7 [ n ] 30 [ i ] [ PMT ] → 64.237,25

65.000,00 - 64.237,25 = 762,75

Resposta: A alternativa B é a recomendada economicamente: dará lucro anual de R$


762,75 por 7 anos.

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2) Idem exemplo 1), se a empresa só dispuser de R$ 160.000,00, mas poderá tomar


emprestado R$ 20.000,00, e pagar depois de um ano, sob a taxa de juros de 40%.

Solução:

A alternativa A continua com a mesma análise, enquanto que a B fica com duas saídas no seu
fluxo de caixa, uma inicial de R$ 160.000,00 e outra, no primeiro ano de R$ 20.000,00(1,40) = R$
28.000,00, .

VAUE(B)

28000 [ CHS ] [ FV ] 1 [ n ] 30 [ i ] [ PV ] → 21.538,46 ( DATA 0 )

160.000,00 + 21.538,46 = 181.538,46

181.538,46 [ CHS ] [ PV ] 7 [ n ] 30 [ i ] [ PMT ] → 64.786,29

65.000,00 - 64.786,29 = 213,71

Resposta: A alternativa B ainda continua recomendada economicamente.

9.6.4 – Payback Simples e Payback Descontado

Por esse método a viabilidade de um investimento é medida em razão do tempo necessário para
que o somatório das parcelas anuais de receita seja igual ao investimento inicial, isto é, trata-se
do tempo necessário para recuperação do capital investido no projeto.
Assim, se um investimento carece de uma aplicação inicial de R$ 100.000,00 e apresenta um
perfil de entradas líquidas de caixa anuais de R$ 10.000,00, o tempo necessário para
recuperação desse investimento é de 10 anos, ou seja, o período de payback é de 10 anos.

Esse método é bastante utilizado pela facilidade de uso e compreensão, porém apresenta três
falhas importantes que comprometem o resultado da análise.
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Em primeiro lugar esse método ignora a distribuição dos fluxos de caixa dentro do período de
recuperação. Com isto, fluxos de caixa com maior concentração de fluxos financeiros no início do
período são considerados iguais a outros tenham tal concentração no final do período de
recuperação.

Assim, o método desconsidera uma regra básica do investidor, onde este prefere o dinheiro agora
(hoje) do que mais tarde (num período de tempo posterior). Além disso, o método não avalia ou
leva em consideração a vida útil do projeto, isto é, o tempo durante o qual o projeto gerará
resultados.

Com isso, fluxos de caixa que possam ocorrer após o período de payback não são levados em
consideração. Isto pode levar projetos de significativos fluxos financeiros de longo prazo a serem
preteridos em prol de projetos de pouco retorno, mas fluxo rápido.

Outro aspecto trata-se do fato desse método não considerar o valor do dinheiro no tempo, isto é,
recursos financeiros de valor nominal igual, mas em períodos de tempo diferentes não são
equivalentes.

Além disso, o método não estabelece critérios para definição do período de recuperação do
investimento, tal escolha é arbitrária.

Desse modo, o método de payback deve ser evitado, ou, no máximo, usado como complemento
de análise, associado a outros métodos mais adequados.

Método do Período de Payback Descontado

Esse método é uma derivação do Payback Simples (clássico). Ele tenta sanar ou minorar o
principal problema do modelo clássico, que é a desconsideração do valor do dinheiro no tempo.

Por esse método, os fluxos de caixa periódicos devem ser descontados à TMA, para só então
serem comparados com o capital inicialmente investido. Com o processo de desconto dos fluxos
de caixa, os valores monetários podem então ser comparados na mesma época, isto é com
valores equivalentes.

No entanto, esse método ainda não considera as questões relacionadas com a vida útil do
projeto, indicando que projetos que tenham fluxos de caixa maiores nos primeiros períodos sejam
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174

preferidos aos demais, mesmo que estes apresentem uma vida útil mais longa e um maior
volume de fluxos de caixa positivos ao longo de sua vida útil.

A forma mais fácil de calculá-lo é simplesmente acumulando as entradas e saídas e determinando


o período em que houve a transição de um valor positivo para negativo.

 Exemplo: Payback Simples de Fluxos de Caixa iguais:


– Investimento = 150.000
– Fluxo de Caixa = 57.900 Anuais

ANO FL CX FL CX
ACUM
0 - 150.000 -
150.000
1 57.900 -
92.100
2 57.900 -
34.200
3 57.900 +
23.700
O Payback está entre os anos 2 e 3 como podemos observar pelo fluxo de caixa acumulado
4
Payback = Investimento = 150.000 = 2,59 anos57.900 +
81.600
Fluxo de Caixa 57.900
5 57.900 +
139.500
Ou: 2 + 34200 = 2 + 0,59 = 2,59 anos
57900

Os pontos fracos desse método são:


 Não considera o valor do dinheiro no tempo,
 Não considera os fluxos de caixa após a recuperação do capital,
 Não pode ser aplicado quando o fluxo de caixa não é convencional. Um fluxo de caixa não
convencional é aquele em que existe mais de uma mudança de sinal (negativo para
positivo ou vice-versa).

9.6.4.2 - Payback Descontado

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175

O método do Payback pode, também, ser aprimorado quando incluímos o conceito do valor do
dinheiro no tempo. Isso é feito no método do Payback Descontado que calcula o tempo de
Payback ajustando os fluxos de caixa por uma taxa de desconto.

 Exemplo
– Investimento = 150.000
– Fluxos de Caixa = 57.900 iguais para 5 anos
– Taxa de Desconto = 18% ao ano

 O Payback está entre ano 3 e o ano 4, como podemos observar pelo fluxo de caixa
acumulado ajustado.

 Assim, temos: Payback = 3 + 24.109 / 29.864 = 3,81 anos.

9.6.5 – Método do Índice de Lucratividade – IL

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177

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9.6.5.1 – Comparando o IL com o VPL e a TIR

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9.7- Método do Benefício - Custo ( B/C )

A Análise Custo-Benefício é uma ferramenta de tomada de decisão para obter,


sistematicamente, informações úteis sobre efeitos desejáveis e não desejáveis
de projetos. Como o nome sugere, esta análise envolve adicionar os benefícios
de uma ação e então compará-los com os custos associados à mesma.

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Quando usar esta ferramenta?


Esta ferramenta pode ser usada em várias situações, como decidir contratar
ou não novos membros para o time, avaliar um projeto novo ou alguma
mudança, determinar a viabilidade de compra de capital, etc. porém, é
importante ressaltar que a análise custo x benefício é melhor utilizada para
decisões financeiras simples e rápidas; para problemas mais complexos,
métodos mais robustos são utilizados.

Os objetivos da Análise são, entre outros:

1. Maximizar os benefícios para um dado conjunto de custos

2. Maximizar os benefícios quando tanto os benefícios quanto os custos


variam

3. Minimizar custos para atingir certo nível de benefícios

Como usar esta ferramenta?

I. Passo 1: liste custos e benefícios


A primeira fase consiste em fazer um branstorming sobre todos os custos envolvidos e em
seguinte listá-los; o mesmo deve ser feito em relação aos benefícios. Durante o brainstorming,
considere o tempo de vida do projeto. Como serão os custos e benefícios ao longo do tempo?

II. Passo 2: Atribua valores monetários aos custos


Custos incluem os custos dos recursos físicos necessários e também os custos do esforço
humano envolvido. É importante levar em conta todos os custos possíveis, tanto os imediatos –
como investimentos, em alguns casos – quanto os de longo prazo, como treinamentos,
manutenção, contratação e despesas gerais.

III. Passo 3: Atribuir valores monetários aos benefícios


Este passo não é tão direto quanto o passo 2. Primeiro, pode ser difícil predizer os lucros
acuradamente, principalmente quando o produto é novo. Além disso, somados aos benefícios
financeiros existem benefícios intangíveis que são importantes, como impacto ambiental,
satisfação dos empregados, segurança, etc. Como definir um valor monetário para esses
impactos? Neste ponto deve-se consultar um especialista e stakeholders e assim decidir quais
valores serão atribuídos.

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IV. Passo 4: comparar custos e benefícios


Finalmente, os valores dos custos e benefícios são comparados e o resultado
será usado para decidir o curso de ação. Se o projeto tem longa duração, deve-se considerar
as taxas de juros incorridas ao longo do tempo.

Método:

bn = benefícios ao final do ano n

cn = custos ao final do ano n

N = número de anos (horizonte do projeto)

i = taxa de juros

Custos podem consistir de um investimento inicial (I) e custos operacionais


anuais (C’). Assim, considerando que o investimento será feito nos K primeiros
anos e os custos anuais ocorrerão do ano K+1 até N:

Então, calcula-se a razão entre benefícios e custos:

Se esta razão for maior que 1 [ BC(i) > 1 ], os benefícios do projeto superam os
custos.

FIM DO MÓDULO 09

BONS ESTUDOS!
"Um homem de sucesso é antes de tudo um colecionador de oportunidades”
“O que brilha mais que o ouro- resposta: a luz. O que brilha mais que a luz? –resposta: a
troca de ideias.
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