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Eu e os Outros

Manual Eu e Os Outros (versão demo)

Um projecto de

Com o apoio de

(…)
Manual Eu e Os Outros (versão demo)

Índice

1. Introdução....................................................................................................................... 5
2. Descrição dos materiais....................................................................................... 7
2.1 As personagens.......................................................................................................................... 7
2.2 As histórias ............................................................................................................................... 15
3.Fundamentação Teórica ...................................................................................... 19
4.Metodologia de Intervenção ............................................................................. 27
4.1 As Regras e O Papel do Mestre de Jogo ................................................................................. 27
4.2 Constituição do grupo............................................................................................................... 29
4.3 Suporte Material ....................................................................................................................... 29
4.4 Organização do espaço............................................................................................................ 30
4.5 Organização do tempo de jogo ................................................................................................ 30
5.Estratégias de dinamização do Grupo ...................................................... 33
5.1.Ordem de participação dos jogadores no processo de decisão .............................................. 33
5.2. Atribuição de direitos ............................................................................................................... 35
5.3. Exploração das personagens .................................................................................................. 36
5.4. Dinâmicas de Grupo ................................................................................................................ 40
5.5. Tarefas intermédias ................................................................................................................. 43
6.A Reflexão ...................................................................................................................... 44
7. Exploração dos Temas / Histórias .............................................................. 48
7.1. História 1: Crescer ................................................................................................................... 48
7.2:História 2:A Amizade ................................................................................................................ 61
7.3:História 3:A Escola ................................................................................................................... 77
7.4:História 4: A Família ................................................................................................................. 89
7.5:História 5:Amores e desamores ............................................................................................. 104
7.6:História 6:A Lei e as drogas ................................................................................................... 117
7.7:História 7:Contexto Recreativo ............................................................................................... 128
7.8. História 8: O futuro ................................................................................................................ 140
8. Dinâmicas de Grupo............................................................................................ 151
9. Protocolo de Avaliação de Processo...................................................... 164
10.Referências............................................................................................................... 169
11.Bibliografia ............................................................................................................... 175

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

1. Introdução

O Projecto “Eu e os Outros” foi desenhado por uma equipa


técnica ligada à Linha Vida SOS Droga e surge integrado
no desenvolvimento do site juvenil “Tu Alinhas?”. Este
projecto tem por objectivo genérico promover a reflexão em
grupo sobre temas do desenvolvimento ligados à
adolescência, criando uma dinâmica de grupo geradora de
crescimento pessoal e social. Constitui-se como um instrumento promotor de
processos de tomada de decisão, confrontação no seio do grupo e exploração
de informação dirigido a grupos de jovens entre os 10 e os 18 anos. Tem por
base 8 histórias em suporte electrónico, cada uma delas abordando temas
ligados ao desenvolvimento pessoal e social. Os jogadores têm por objectivo de
jogo conduzirem um grupo de personagens, mediante um conjunto de decisões
partilhadas, na resolução de problemas do dia-a-dia.

As histórias estão organizadas por parágrafos, no final dos quais os jogadores,


assumindo o papel do personagem principal, são confrontados com várias
opções, das quais podem escolher apenas uma. Este processo de decisão no
seio de um grupo, bem como a exploração dos conteúdos que lhe estão
subjacentes serão objecto de análise neste manual. Neste sentido a estrutura
do manual comportará um breve enquadramento teórico, regras para a
utilização das narrativas interactivas, propostas de exploração dos temas de
cada uma das histórias e, finalmente, bibliografia de suporte.

Tratando-se de um material em constante adaptação a presente versão do


manual será progressivamente enriquecida com sugestões e exercícios e de
formas alternativas de dinamizar este material. Nunca é demais sublinhar que
mais importante do que os conteúdos e a estrutura da abordagem que aqui se
propõe, é a relação que se pode estabelecer a partir deste material e a
exploração da dinâmica dos jogadores em torno das decisões de vida que
compõem as diferentes histórias.

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2. Descrição dos materiais

2.1 As personagens

Como anteriormente foi dito, o material de suporte ao Projecto EU e os


OUTROS, é um conjunto de 8 narrativas interactivas que se desenvolvem em
torno da vida de 8 personagens. Estas personagens – 4 rapazes e 4 raparigas
– foram desenvolvidos na sequência da consulta a um conjunto alargado de
jovens da área de Lisboa. Foram organizadas sessões de auscultação a turmas
de jovens dos 2º e 3º ciclos do ensino básico no sentido de adequar o grafismo
do site ao gosto dos adolescentes. Desta auscultação resultou o desejo de que
o grupo integrasse figuras representativas de ambos os sexos, de diferentes
etnias, e representando diferentes culturas juvenis. O grupo daqui resultante
procurou integrar betos, surfistas, fashions, nerds, góticos, freaks e dreads.
Reservou-se um personagem que de algum modo pudesse representar o
estrangeiro, alguém que sendo oriundo de outro país permitisse trabalhar
temas ligados ao confronto de culturas.

Uma vez desenhados iniciou-se um processo de construção das personagens.


Foi proposto aos frequentadores do site TU-ALINHAS que caracterizassem
cada uma das oito personagens em aspectos tão diversos quanto nome e
idade, família, interesses e gostos, traços de personalidade, objectivos de vida.
Os elementos recolhidos foram então trabalhados pela equipa técnica de modo
a resultarem num todo coerente que passamos a apresentar:

Jamal (Surfista): Entre os amigos é conhecido pelo


Ike. É um dos mais velhos do grupo, com os seus 17
anos feitos no final de Junho o que o torna Caranguejo
de signo. Nasceu em Angola mas veio muito novo para
Portugal depois da morte da mãe. Vive com o pai, a
madrasta e o seu irmão Emanuel que vai em breve

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fazer 13 anos. O pai é empresário e a madrasta é doméstica. Está no 11º ano e


ainda não decidiu o que vai fazer da sua vida. Para já tenta tirar o máximo
proveito dela. Gosta de música e de vez em quando gosta de pegar na viola e
cantar para os amigos. Não é muito dado a modas. Gosta de se sentir
confortável nas suas roupas largas e descontraídas. Não tem uma cor favorita.
Não dispensa uma boa lasanha, mas não abusa porque preocupa-se em
manter a forma e não ultrapassar os seus 74 kg habituais. Nesse sentido uma
boa salada de tomate e queijo fresco enche-lhe igualmente as medidas. Adora
o mar, é um praticante fervoroso de surf e interessa-se por todas as actividades
na água. O seu sonho é participar um dia numa competição a sério. Para já
limitou-se a participar nalgumas provas locais as quais nem lhe saíram muito
mal. Adora nadar e gostaria um dia de experimentar fazer kite-surf. Gosta de
desporto em geral e no futebol a sua equipa favorita é o Belenenses. Não gosta
particularmente de ler, prefere um bom filme de aventura ou de terror. Tem uma
maneira de ser simpática e atenta a quem o rodeia. Os amigos consideram-no
corajoso, alegre e optimista. É muito enérgico por natureza, e talvez um pouco
aventureiro, no modo como se arrisca no mar. O seu grande medo é que
aconteça alguma coisa às pessoas de quem mais gosta, medo que lhe ficou
depois da morte da mãe. O mar é o seu refúgio e quando quer estar só pega na
prancha e vai para onde não esteja ninguém e deixa-se embalar pelas ondas.

Emanuel (Nerd): também conhecido por Imman é


irmão mais novo do Jamal, de um segundo casamento
do pai. Terá em breve 13 anos, e interessa-se por
informática. É do signo de caranguejo, já que nasceu
no final de Junho. É gorducho e pouco dado ao
exercício. Não se interessa particularmente por
desporto. Passa horas ao computador a jogar e a comunicar com os seus
inúmeros amigos da Interinternet. Nos últimos tempos tem-se dedicado aos
jogos on-line em particular aos de estratégia e de aventura tipo Dungon and
Dragons® onde joga com um guerreiro cujo nível e capacidades não param de
aumentar. Para falar verdade o Emanuel gostaria muito de ser como o seu
guerreiro mas à falta de melhor fica muito contente por o seu personagem ser
tão poderoso. Tal como o irmão gosta de lasanha e a sua bebida favorita é

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água. É um rapaz inibido que se solta quando fala de máquinas e jogos. Sente-
se pouco à-vontade com as raparigas. É dos melhores alunos da turma, com
especial gosto pela área científica. Tem dificuldade em se impor por isso às
vezes é gozado. O seu irmão procura protegê-lo mas ele também não gosta
que isso aconteça porque só faz com que da próxima vez ainda seja pior. Ele
anda a tentar descobrir o que pode fazer para ultrapassar este problema. Tem
pensado em começar a fazer um pouco mais de exercício e a aprender uma
arte marcial mas ainda não se decidiu.

Sabrina (Beta): É, tal como o Jamal, uma das mais


velhas do grupo. Tem 18 anos recentemente festejados
e é Gémeos de signo. Vive com os pais e os seus cinco
irmãos. Tem uma irmã mais velha (a Maria de 20 anos) e
quatro irmãos mais novos (o João de 10, a Inês de 8
anos o Mateus de 5 anos e a Maria de 2 anos). Ambos
os pais são médicos. É uma rapariga muito bonita, de
corpo harmonioso, que investe muito na sua imagem. Preocupa-se com a
maneira como veste. Interessa-se pelas coisas da moda e sonha poder um dia
vir a ser modelo. É boa aluna. Gosta de ler e de dançar. As suas raízes
africanas dão-lhe um ritmo e uma energia muito próprias. É católica praticante e
gosta de se envolver em causas sociais; sempre que pode faz voluntariado
numa instituição de crianças abandonadas ligada à sua paróquia. Não come
muito mas aprecia comida africana se possível com bastante picante. É
especialista e todo o tipo de saladas. Adora Colas mas evita beber com
frequência… só se for light. Em termos de actividade desportiva pratica natação
mas não ao nível competitivo. É ambiciosa e os amigos consideram-na
confiante, exigente, casmurra e independente. É muito acelerada, o que é
normal, tantas são as coisas em que anda metida. Não gosta de mostrar pontos
fracos e por isso é muito reservada nas coisas que se passam com ela não
dando confiança com facilidade. Esta maneira de ser não lhe tem facilitado a
vida no campo dos amores. Mantém uma paixão há já algum tempo que não
confessa a ninguém. Quando está mais triste é no seu quarto que se refugia,
entre a música e os livros... ou então arranja mais qualquer coisa para se
manter ocupada.

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João (Dread): É conhecido entre os amigos por Patas


pelo carácter brusco e algo conflituoso que tem. Os
amigos descrevem-no como muito impulsivo e
aventureiro no mau sentido – quer experimentar tudo a
que tem direito – mas também frontal e fiel aos seus
amigos. Fez 16 anos no mês de Novembro e é
Escorpião de signo. Tem uma estatura mediana – mede 1,70m – e tem um ar
pesado ainda que não passe dos 70Kg. Para isso muito contribuem as roupas
largas que gosta de usar. Azul é a sua cor favorita e não passa sem pizzas e
cervejas. Vive com os pais, uma tia e uma avó, mais os seus dois irmãos mais
novos (a Ana de 12 e o Kiko de 10 anos). A mãe é cabeleireira e o pai tem uma
oficina de carpintaria. O João tem um feitio desconfiado e algo reservado.
Quando os estudos não apertam muito – o João anda no 10º ano – costuma
ajudar um amigo num bar. Gosta muito de música e gostaria muito de vir a ter o
seu bar. Tem uma namorada chamada Lara mas não lhe é muito dedicado.
Gosta muito de Basquetebol e o seu ídolo ainda continua a ser o Michael
Jordan. Tem algum desgosto de não ter altura para vir a ser um grande jogador
mas isso não o impede de passar algumas horas no campo de jogos a lançar
umas bolas ao cesto e a desafiar quem por lá aparece. Embora se mostre forte
e destemido, não gosta nada de se aventurar no escuro. É um medo que não
confessa a ninguém. O João é um pouco radical nas ideias que defende.
Considera que havendo tanto desemprego no país, não se devia aceitar que
tantos estrangeiros se instalassem em Portugal. Já teve algumas discussões
amargas com os amigos por defender esta posição. Aliás ele considera que se
o governo não faz nada talvez as pessoas se devessem organizar para
tomarem elas medidas. Afinal são elas as lesadas. O João é conhecido por
assumir algumas posições provocatórias e de ter de responder por isso. Há um
segredo de família que envolve a morte de um familiar por problemas ligados a
drogas mas o João nunca quis falar sobre o assunto mesmo tendo sido uma
questão que o deitou muito abaixo.

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Daniel (Estrangeiro): É conhecido entre os amigos


por varias alcunhas (o China, o Estranja,... o Chato),
mas a mais frequente é Botekas. Nasceu em Macau e
só recentemente está a viver naquela localidade. Tem
15 anos e nasceu em Novembro o que faz dele um
Escorpião de signo. É muito falador, (talvez um pouco
demais) e dado à gabarolice, mas também é alegre e criativo. A sua
experiência de vida no estrangeiro, dá-lhe sempre muitos motivos para
comentários e pequenas histórias. Vive com a mãe e com a irmã, depois dos
pais se terem separado há alguns anos. A mãe gere um pequeno comércio
local e o pai é advogado. Tem dois irmãos, a Ana de 10 anos e o Rafael de 19
anos, mas este último vive com o pai para poder concretizar o curso de
engenharia informática para o qual entrou no ano passado. É alto para a sua
idade – mede 1,80m – e pesa 62 kg. É fã de futebol e sabe tudo sobre as
melhores equipas europeias e os craques do momento, nomeadamente o
David Beckam e o Del Piero que são os seus ídolos. A sua equipa favorita é a
Juventus e passa o tempo todo a dizer que o Beckam ainda há-de jogar um dia
em Itália. É um consumidor assíduo de Coca-Cola e adora bacalhau,
independentemente da maneira como seja cozinhado. Gosta de andar de
bicicleta e de passear. O seu sonho é conhecer o resto do mundo e procura
amealhar todo o dinheiro que possa, para fazer o inter-rail no Verão. Assim não
é raro vê-lo em biscates ajudando aqui e ali em pequenas obras lá no bairro.
Gosta de uma boa discussão e um dos seus temas favoritos é a liberalização
das drogas. Diz frequentemente que as leis do país são atrasadas e que se
devia aprender com as experiências dos países mais evoluídos. À conta disso
começa já a esboçar simpatias políticas não sendo raro ouvi-lo dizer que
qualquer dia se vai inscrever num partido onde possa dar voz às suas opiniões
neste e noutros campos dos direitos sociais. Contudo, dado o seu lado fala-
barato não é seguro de que ele saiba do que está a falar. É dado às
electrónicas mas parece fazer disso o seu segredo já que raramente fala disso
com os amigos. Parece pensar que é um interesse pouco cool.

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Maria (Freak): É conhecida entre os amigos por


Smile ou Sorriso. É uma jovem de 15 anos de
natureza tranquila, que se interessa um pouco por
tudo, e em especial pelo que tenha a ver com
pessoas. É de signo Carneiro mas é pouco dada a
confrontos. De facto poder-se-ia dizer que é uma
pacifista que detesta conflitos e discussões. É muito
extrovertida e dá-se bem com toda a gente. Adora
um bom petisco, em especial bacalhau com natas o que se traduz na sua
tendência para o gorducho (pesa 65 kg e mede 1,60m) que ela disfarça com
roupas largas e de tons alegres. Adora maçãs especialmente as verdes muito
ácidas que se delicia a comer em pequenas dentadas. Vive com os pais – a
mãe é professora mas está de momento desempregada e o pai é advogado:
tem dois irmãos, o Lu de 19 anos e o Carlos de 11 anos. Orienta os seus
estudos no sentido de um dia vir a entrar para o curso de Serviço Social. Gosta
de ir ao cinema, ler e escrever, investindo os seus tempos livres no jornal da
escola e em voluntariado na biblioteca local. É romântica e sensível
emocionando-se facilmente com as cenas dos filmes. Gosta muito da natureza
e tem como sonho dar a volta ao mundo de mochila às costas. Para já vai
organizando algumas saídas com os amigos aproveitando para os mobilizar
para as questões ecológicas. Os seus gostos musicais são muito variados mas
nos últimos tempos tem-se entusiasmado com a música Trance.

Alice (Fashion): Das mais novas do grupo a Alie


(é assim que é conhecida entre os amigos), tem
12 anos feitos em Março e pertence aos nativos
de peixes. A mãe é artista plástica e o pai é
advogado. É muito independente, passando
frequentemente por refilona. Adora dançar e ouvir
música. O seu prato favorito é canelones e é uma
apaixonada por chás de toda a espécie, uma
paixão que herdou da sua mãe. Outra das coisas que herdou da mãe é o gosto

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pelo desenho, dedicando uma parte do seu tempo a esboçar figuras de banda
desenhada. Adora tudo o que tenha a ver com fadas e elfos, dragões e
histórias de fantasia e aventura. Adorou o Eragon e anda a tentar ler o Senhor
dos Anéis... mas queixa-se que o livro é muito grosso. Não é muito persistente.
Esse é um dos seus pontos fracos. Outro é roer as unhas, coisa que tem
tentado combater nos últimos tempos. É sonhadora, bem-disposta, mas
sensível e dada a alguns amuos. Tem uma paixão enorme pelo Brad Pitt e nos
seus sonhos acordados gosta de se imaginar a namorar com ele. Gosta de se
refugiar no sótão onde a mãe guarda as coisas antigas da família e vasculhar
os baús e as arcas. Fica horas a folhear revistas antigas. Tem um segredo que
não conta a ninguém. Desde há algum tempo para cá que se apercebe que tem
tendência a trazer para casa coisas que não são suas. Não são coisas de valor,
mas é uma necessidade para a qual não encontra explicação. Isto parece
acontecer, não importa onde esteja, e tem-na deixado muito preocupada. Anda
a pensar que talvez precise de ajuda.

Catarina (Gótica): A Catarina não gosta de


alcunhas. Tem 14 anos e faz anos no final de
Janeiro – é Aquário de signo. Vive com a mãe e o
irmão mais velho, o João de 17 anos. Os pais
estão separados há uns anos e dão-se mal.
Ambos reconstruíram a sua vida afectiva, ainda
que a mãe não se tenha voltado a juntar e
mantenha só relações de namoro que não duram
muito tempo. A mãe trabalha como secretária de administração de uma grande
empresa e o pai é jornalista. A Catarina é uma rapariga desconfiada e meia
casmurra. Os amigos descrevem-na como estando sempre zangada com
qualquer coisa. Utiliza a sua enorme inteligência para questionar e argumentar
por tudo e por nada. Interessa-se por temas místicos e do ocultismo. Sempre
que pode aproveita para ler sobre estes temas. Não é católica e assume
posições muito críticas sobre as posições assumidas pela Igreja em relação ao
aborto e à contracepção. Considera-se ateia militante. Adora música da pesada
e gosta de cantar, tendo criado uma banda com uns amigos do bairro. De
qualquer modo não pretende fazer da música o seu futuro, estando inclinada

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para o design gráfico. Passa muito do seu tempo livre a fazer lettering,
símbolos muitos deles ligados à onda gótica em que anda. O seu grande medo
é não encontrar ninguém que venha a ser o seu grande amor. Até agora nunca
surgiu nenhum rapaz que a entusiasmasse e as poucas “curtes” em que se
meteu não lhe deixaram num sentimento muito positivo. O embaraço do dia
seguinte, misturado com alguma vergonha fizera com que não fosse uma
experiência muito repetida. Por isso, diz que não acredita nisso do amor e que
os rapazes são todos parvos. Às vezes dá consigo no chuveiro – seu lugar de
reflexão – a pensar se não haverá alguma coisa errada consigo. Para já vai
acreditando que só o tempo lhe poderá dar essa resposta.

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2.2 As histórias

O processo de construção das histórias iniciou-se com a definição de grandes


temas. Assumiu-se que cada tema se desenvolveria em torno de um
personagem diferente. O enredo geral determinava que todos eles estariam
ligados por relações de amizade ainda que de intensidade diferente. Viveriam
na mesma cidade e frequentariam a mesma escola ainda que em anos
diferentes. Os grandes temas, como já foi dito, deveriam traduzir aspectos
característicos da adolescência surgindo a relação com as substâncias
psicoactivas de forma integrada e não como elemento central da trama.

Deste modo, o primeiro a ser desenvolvido


tirou partido dos diferentes níveis etários
do grupo indo ao encontro de aspectos
relacionadas com o crescimento. Nesta
história em que a personagem principal é o
Jamal, são exploradas questões sobre o corpo e a estética, a liberdade em
função da idade, o retraimento social, os interesses diferenciados e os mitos
associados ao estatuto de ser crescido. No plano das substâncias psicoactivas
é abordado o recurso aos anorexígenos para a perda de peso, bem como o
álcool como substância associada a um estatuto de gente crescida.

A segunda história, desenvolve-se em


torno do tema da amizade explorando,
a partir da perspectiva da Maria,
questões ligadas ao processo de
integração social, aos estereótipos, às culturas juvenis, à vivência do conflito e
à gestão do segredo … No plano das substâncias psicoactivas é explorado o
recurso ao haxixe como factor de integração no grupo, sendo abordada a
percepção de normalidade deste tipo de consumo.

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

A terceira história desenvolve-se em torno do


contexto escola, incidindo sobre o tema do
bullying. A personagem central é o Emanuel,
tendo a Alice como personagem secundária. A
substância psicoactiva trabalhada é o tabaco, e reflecte-se sobre temas como a
prevenção, a pressão de pares, a gestão do segredo, a confiança, a relação
com adultos de referência entre outros.

A quarta história tem por base questões da


família, abordando questões como as
regras e rituais, diferenciação de papéis,
medos e expectativas. Mas aborda também a fidelidade entre amigos e o
abandono escolar. A personagem principal é o João e no plano das
substâncias psicoactivas é explorada a heroína.

A quinta história centra-se nas questões


associadas aos amores e paixões,
abordando questões como diferentes
níveis de profundidade de uma relação
afectiva, os ciúmes e a dependência, a
violência dentro dos casais e algumas questões ligadas à sexualidade. A
personagem principal é a Catarina e retoma-se a abordagem ao álcool desta
vez numa perspectiva mais focada nos seus efeitos.

A sexta história aborda as questões


ligadas às drogas e a lei,
desenvolvendo aspectos como o
enquadramento legal das substâncias,
o funcionamento das Comissões de
Dissuasão, a articulação entre as estruturas no terreno nomeadamente a
Polícia (Escola Segura) a Educação (Escola) e a Saúde (Consultas para
adolescentes). A personagem principal desta história é o Botekas e faz uma
abordagem transversal das diferentes substâncias psicoactivas.

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

A sétima história
desenvolve-se em torno
da vivência dos espaços
recreativos nocturnos
tendo por personagem central a Sabrina. As substâncias que serão abordadas
nesta história são o ecstasy, a cocaína e o binge drinking.

Finalmente a oitava história aborda o


tema do futuro desenrolando-se em
torno das preocupações com os
projectos de vida, as dificuldades
antecipadas, o medo de não corresponder às exigências numa conjugação que
pode conduzir à ideação suicida. A personagem central desta história é a Alice
e as substâncias que serão trabalhadas são os fármacos anti-depressivos e os
Alucionogéneos.

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3.Fundamentação Teórica

O “Eu e os Outros”, enquanto instrumento de intervenção preventiva, foi


estruturado com base num conjunto integrado de modelos teóricos. Por um
lado o modelo de influência social, inspirado na teoria da aprendizagem
social (Bandura, 1977) que considera a personalidade como fruto da interacção
entre três factores chave: ambiente, comportamentos e processos psicológicos
individuais. Este modelo atribui particular importância a factores sociais (como
os media, os pares ou a família) no início do consumo de substâncias
psicoactivas. Nesta perspectiva, o comportamento humano é orientado pelo
conhecimento, pelas intenções e, fundamentalmente, pelas pessoas que nos
são importantes. A observação do comportamento dos outros revela-se
determinante nas reacções emocionais e nas atitudes do indivíduo. A
aprendizagem por modelagem ganha especial enfoque neste modelo teórico. O
processo de modelagem consiste na aquisição de um comportamento através
da observação de um modelo (Bandura, 1977). Deste modo, uma das formas
de promover a aprendizagem, é facultar ao sujeito um contexto de grupo que
permita observação e modelação de comportamentos mediante um processo
reflexivo sobre atitudes e argumentos gerados em contexto de jogo. Por outro
lado o recurso a uma narrativa como base de intervenção permite um duplo
plano de identificação: por um lado o plano das personagens, mais distantes e
como tal mais passíveis de um investimento projectivo e, num plano mais
próximo, os colegas de jogo, na forma como interpretam e se posicionam face
às questões com que se deparam.

Para além da importância atribuída ao processo de modelagem, o modelo de


influência social também sublinha o poder preventivo da promoção de
competências de vida (Botvin, 1995) e de gestão das crenças normativas
(Hansen & O’Malley, 1966). No que respeita às competências de vida, as
temáticas exploradas nesta perspectiva envolvem a capacidade de resolução
de problemas, o desenvolvimento do pensamento crítico, a promoção de

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

competências de comunicação, a preocupação consigo próprio e o


desenvolvimento de estratégias de adaptação afectiva para lidar com o stress
(Botvin, 1995). A gestão das crenças normativas, por seu lado, foca a sua
abordagem nos sistemas sociais e na forma como estes afectam os indivíduos.
O termo crença normativa refere-se, por exemplo, à percepção do indivíduo
sobre a forma como os seus pares mais próximos se relacionam com as
substâncias e em que medida aprovam o seu uso. Assim, aquilo que é
assumido como certo ou errado num quadro normativo pode ser determinante
no rumo do nosso comportamento (Hansen & O’Malley, 1966). Segundo este
modelo, é na análise e manipulação deste tipo de crenças que a intervenção
preventiva deve actuar. A importância de factores como a percepção da
estimativa do uso de substâncias na população em geral, entre os jovens ou
entre pares e a influência dos media e da publicidade no uso de substâncias
psicoactivas constituem os factores centrais da intervenção. A promoção de
contextos de clarificação dessas crenças mediante um processo de pesquisa
guiado, enquadrado num contexto alargado de jogo em grupo, parece ser uma
estratégia integradora das componentes anteriormente expostas.

A segunda corrente de influência é denominada pelo OEDT no Prevention and


Evaluation Resources Kit (PERK) de Modelo Compreensivo/Social. Tal como
no modelo anterior, é atribuído grande ênfase aos processos de socialização
que envolvem o indivíduo. Tem a particularidade de atribuir uma forte
importância aos factores de risco e de protecção no desenvolvimento de
comportamentos aditivos (Jessor & Jessor, 1977), orientando-se em função
destes na estruturação das suas intervenções.

Os factores de risco são assim denominados na medida em que são eles os


percursores de determinada condição problemática (aumentam a probabilidade
do uso/abuso de substâncias psicoactivas) e podem estar associados ao
indivíduo (características pessoais) ou ao contexto ambiental (e/ou situacional)

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

onde o mesmo se encontra. Os factores de protecção são definidos como


aqueles que podem proteger o indivíduo de determinada situação problemática
(uso/abuso) e funcionam como amortecedor aos factores de risco. São, assim,
todos os factores (pessoais e circunstanciais) que inibam, reduzam ou atenuem
a probabilidade do uso/abuso de substâncias psicoactivas (Moreira, 2001).

As abordagens que centram a sua acção junto dos factores de protecção


privilegiam variáveis como o sentimento de pertença a um grupo (familiar ou de
pares) e o desenvolvimento de estratégias individuais como a resiliência para
lidar com a ansiedade social. Neste sentido, desenvolvem mecanismos de
socialização no grupo familiar ou educativo de forma a incrementar a adaptação
ao contexto envolvente. Hawkins, Lishner e Catalano (1985), sugerem que o
sentimento de pertença e a resiliência devem ser promovidos pela intervenção
preventiva de forma a proporcionar aos jovens oportunidades para se sentirem
reconhecidos, competentes e integrados no seu universo relacional. Segundo
este modelo, são estas as competências básicas para melhor preparar o futuro
e crescer de forma saudável. Neste sentido, este instrumento ao definir o grupo
como contexto de intervenção e o confronto de posições pessoais como ponto
de partida para a exploração da dinâmica do grupo, reforça o desenvolvimento
de competências pessoais e sociais como factores fundamentais para a gestão
de futuras situações de tensão no quotidiano dos jovens a envolver.

A terceira corrente de influência proposta, denominada cognitiva/informativa,


baseia-se na ideia de que os indivíduos se comportam em função do seu
conhecimento, das suas crenças e de normas subjectivas. Os comportamentos
derivam de um equilíbrio entre o conhecimento que o indivíduo tem sobre as
substâncias e os seus efeitos e a forma como ele percepciona as normas
sociais vigentes face à utilização dessas substâncias (Fishbein & Azjen, 1975).
Deste modo, se estiverem informados sobre as consequências negativas de
determinado comportamento deverão, racionalmente, fazer opções

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

comportamentais no sentido de o alterar. A compreensão do risco de doença e


a noção do benefício do comportamento de evitamento constituem os principais
factores para o desenvolvimento de uma atitude saudável. Segundo esta
corrente, a acção é regida por valores pessoais e pelas normas sociais tendo a
intenção um papel preditor para o comportamento. As actividades
desenvolvidas apostam na informação sobre as substâncias e os efeitos
associados ao seu consumo. A intenção de consumo e a percepção do risco
associado são igualmente bons indicadores de avaliação. Neste material
consideramos contudo que a informação ganha mais sentido quando traduzida
em conteúdos próximos à realidade dos jovens jogadores não apenas na
adequação dos termos usados mas, sobretudo, enquanto integrada num todo
mais lato de temas e dinâmicas de vida que não são dissociáveis entre si. A
exploração de alternativas e compreensão das consequências são igualmente
factores de enriquecimento da base de informação com que os jovens poderão
enfrentar os seus desafios futuros.

A quarta corrente de influência teórica é oriunda dos campos da promoção da


saúde e o seu contributo preventivo reside na noção alargada que o conceito
de saúde adquire. Assume-se como uma abordagem genérica uma vez que
cria uma base para qualquer tipo de intervenção mais específica. Contudo
pressupõe a noção de pro-actividade dos indivíduos na manutenção da sua
qualidade de vida, atitude esta que, na continuidade com o que foi dito
anteriormente incide não apenas nas áreas ditas de risco ou associadas à
doença, mas numa perspectiva global de saúde, física, psicológica, afectiva,
social e espiritual. Neste sentido o indivíduo é instado a procurar uma harmonia
entre as diversas esferas da sua vida e a não procurar refúgios compensatórios
numa área de maior sucesso. A abordagem neste material de diferentes temas
e vertentes relacionais permite aos jogadores uma leitura de como as esferas
se interligam e condicionam mutuamente.

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

Finalmente, um último modelo de referência é o construtivista,


(Lecannelier:2001), segundo o qual a sociedade está estruturada por um
conjunto de significados que servem de matriz para os sujeitos se interpretarem
a si e aos outros. A realidade e o sujeito ordenam-se e estruturam-se através
da linguagem, ou seja, o significado é atribuído em formato discursivo. A
criança, desde o início do seu desenvolvimento, participa activamente neste
jogo de ordenar e estruturar a sua experiência de vida em categorias narrativas.
A estruturação narrativa é um processo de sequencialização, articulação e
complexidade da experiência humana, concebida através da relação contínua
entre um domínio emocional e um domínio cognitivo/linguístico e que se traduz
numa trama histórica em constante expansão. Ricoeur chega mesmo a afirmar
que esta trama histórica em tudo se assemelha a uma história de ficção
(Ricoeur, 1990, 1999, cit in Lecannelier, 2001, p.2). A sua construção é, por
isso mesmo, um processo – na medida em que é um fluir constante de algo; um
processo com continuidade no tempo – é um fluxo contínuo que possui
aspectos nucleares que permanecem invariáveis e que constituem o “selo de
distinção” de cada pessoa; e, finalmente, é um processo contínuo e único – por
ser particular e de cada um.

Este processo de construção narrativa é também um processo de regulação


emocional pois permite à criança ordenar-se e ao mundo que a rodeia de
determinada maneira e antecipar a realidade a partir de experiências familiares.
Esta reformulação e reordenamento permitem-lhe transformar a sua
experiência emocional em sequências temporais com um início, um meio
(conflito) e um fim (resolução) e, por consequência, uma melhor compreensão
das suas acções e das dos outros.

O material de suporte a este projecto apresenta a estrutura de uma narração


interactiva que se constrói em função das decisões do jogador permitindo
ilustrar a dupla faceta do indivíduo enquanto narrador/observador e autor da

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

realidade que o envolve. O processo de interpretação, de decisão e de


reconstrução da narrativa está sempre presente ao longo de todo o projecto
servindo de pano de fundo ao esmiuçar dos diferentes conteúdos que dão
corpo à estrutura da narrativa.

Finalmente, uma última referência para a Teoria do Jogo, como quadro de


referência para a escolha deste formato na presente abordagem. Ao longo do
seu desenvolvimento, a criança confronta-se com um vasto mundo de objectos
e procedimentos que são atribuídos ao mundo dos adultos. Ao querer aceder a
esses estatuto, mesmo que de forma fantasiada a criança utiliza o jogo
(protagonizado) para poder representar esse papel. Os objectos e actos com
eles realizados passam a estar inseridos num novo sistema de relações da
criança com a realidade, numa nova actividade de sensações prazerosas
(Elkonin, 1998, p. 404). O jogo protagonizado apresenta-se, assim, como uma
actividade onde a criança se apropria do mundo dos adultos da maneira que
lhe é possível, face ao estádio de desenvolvimento em que se encontra. Por
outro lado, este tipo de jogo facilita a superação do egocentrismo cognitivo
postulado por Piaget (1990). Ao colocar-se no lugar do outro, a criança
abandona as suas posturas para adoptar as do adulto, nunca esquecendo que
é criança.

Deste modo, (…) o jogo apresenta-se como prática real não só da mudança de
postura ao adoptar o papel, mas também como prática de relações com o
companheiro de jogo do ponto de vista do papel representado pelo
companheiro; não só como prática real de acções com os objectos em
congruência com os significados atribuídos, mas também como prática de
coordenação dos pontos de vista sobre os significados desses objectos, sem os
manipular directamente. Esse é o processo de descentração permanente
(Elkonin, 1998, p. 412).

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

Para além da descentração cognitiva, o jogo protagonizado parece também


facilitar a posição da criança face ao mundo circundante, agilizando os
mecanismos através dos quais ela irá operar as suas mudanças de opinião e
critério. As experiências de Manuilenko (1948, cit in Elkonin, 1998) com
crianças em idade pré-escolar sublinham a pesquisa experimental do
desenvolvimento da conduta arbitrada. Elkonin define conduta arbitrada como
(...) a que se apresenta em conformidade com um modelo (independentemente
de se dar em forma de ato de outra pessoa ou de regra manifesta) e que se
verifica por confrontação com tal modelo. (Elkonin, 1998, p. 417). Como
objectivo, o experimentador pretendia avaliar a capacidade de uma criança
permanecer imóvel, utilizando como critério de medida o tempo. Dos resultados
obtidos por Manuilenko, Elkonin (1998) salienta a comparação entre duas
séries de grupos distintas: aqueles onde foi proposto que se representasse o
papel de sentinela e o outro onde era pedido à criança que se mantivesse
imóvel. Os resultados apontam para melhores performances nos grupos onde a
situação convidava ao protagonismo teatral, em todas as idades, ainda que
com particular vigor entre os quatro e os seis anos e com tendência a diminuir
com o tempo. Para além disso, ao introduzir a variável grupo (ou seja, repetir as
experiências num contexto de grupo), o experimentador verificou que a postura
de imobilidade foi mais forte no grupo do que na condição de solitário. Assim,
(...) há fundamento para supor que, ao representar um papel, o modelo de
conduta implícito neste papel, com o qual a criança compara e verifica a sua
conduta, parece cumprir simultaneamente duas funções no jogo: por uma parte
interpreta o papel; e, por outra, verifica o seu comportamento. (Elkonin, 1998, p.
420).

O jogo de papéis remete pois para outra dimensão: a presença do outro. Os


estudos oriundos da Etologia (Lorenz, 1973) fornecem diversos exemplos de
como a presença de outro elemento da mesma espécie provoca alterações
marcantes nos desempenhos comportamentais dos indivíduos. Na espécie
humana a questão da presença do outro assume contornos ainda mais
complexos, uma vez que é a única espécie que, de forma voluntária, se

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

organiza em grupos para observar, passivamente, os movimentos e


comportamentos de outrem (o teatro, por exemplo). Nestes agrupamentos, a
que Soeiro denominou de plateia grupal passiva (Soeiro 1990, p. 26) ocorrem
com frequência manifestações de agrado, regozijo (aplauso) e de
descontentamento (vaias). Deste enquadramento conceptual, Soeiro destaca
os papéis de protagonista e espectador como principais constituintes desta
dinâmica a que denominou de instinto de plateia (Soeiro 1990, p. 27). O termo
instinto é utilizado não por se tratar de uma característica inscrita numa
programação biológica mas pela necessidade que o Homem tem,
periodicamente, de ser avaliado pelos outros e de se comparar a si próprio com
um qualquer protagonista.

A utilização do jogo enquanto estratégia de intervenção preventiva permite de


forma integrada a exploração de conteúdos, papeis e competências num
contexto prazenteiro e criativo, objecto de um processo de reflexão e de
atribuição de sentidos. Contudo não deve ser encarado com uma actividade
menor, secundária a abordagem racional e centrada na problemática. Nas
palavras de Raul Melo (2006) “o Brincar para a saúde não é apenas servir o
jogo para consumo. É também fazer desse jogo um espaço de mestria senão
do exercício pelo menos da relação que lhe está subjacente.”

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

4.Metodologia de Intervenção

Agora que já temos uma noção genérica dos materiais de base ao projecto, é
altura de nos concentrarmos sobre a sua utilização. Para a adequada aplicação
deste material é necessário um Mestre de Jogo (MJ), um grupo de jovens, uma
história, um período de tempo estável e regular, um espaço equipado com
suporte informático – computador, datashow, leitor de CD-ROM - e acesso a
material de pesquisa (Internet, biblioteca). Alguns materiais secundários
poderão ser necessários dependendo das dinâmicas que o MJ decida propor
ao grupo em complemento ao trabalho de exploração da história escolhida.

4.1 As Regras e O Papel do Mestre de Jogo

O MJ tem sempre um papel muito específico, que se deve equilibrar entre a


disponibilidade para o grupo e o fazer parte do mesmo salvaguardando a
diferença de papéis. Ele será, essencialmente, o promotor de uma dinâmica
nova e o mediador das relações, assumindo-se, progressivamente, como
figura de referência para o grupo.

Tratando-se de um jogo que se desenvolve a partir de uma narrativa, o papel


do MJ é, partindo do texto existente, simplificá-lo de acordo com a capacidade
de elaboração do grupo que tem pela frente. A simplificação resulta natural se a
história, em vez de ser apresentada ao grupo para uma leitura passiva, for
objecto de uma narração por parte do MJ, narração na qual ele poderá
acrescentar ou retirar elementos que considere importantes para uma melhor
compreensão da história

A leitura é feita parágrafo a parágrafo, no final de cada um dos quais há uma


decisão a tomar dentro de um leque de hipóteses fornecido pelo texto.
Seguindo uma ordem pré-definida o MJ solicitará a diferentes jogadores que

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

assumam o papel do personagem principal da história e tomem a decisão,


auscultando ou não o grupo. Veremos mais adiante diferentes estratégias para
definir a ordem de participação dos jogadores na função decisória bem como
introduzir maior dinâmica no processo de decisão.

Outro aspecto do papel do MJ neste processo é o de estar atento à inter-acção


que se estabelece dentro do grupo, garantindo que a decisão é tomada pelo
decisor. A exploração das diferentes hipóteses poderá ser o ponto de partida
para pequenas conversas lançadas pelo MJ, no sentido de compreender a
argumentação dos diferentes intervenientes e a sua eventual generalização a
outros domínios. Este trabalho deverá ser equilibrado de acordo com a decisão
prévia do número de parágrafos a trabalhar durante a sessão. Esta decisão
prévia é de extrema importância pois é ela que determina a liberdade que o MJ
tem para promover a reflexão em torno dos diferentes temas emergentes. Se o
grupo for pequeno o MJ poderá optar por definir que a ronda – número de
parágrafos por sessão – corresponde a uma tomada de decisão por jogador. Se
o grupo for maior o número de decisões a tomar deverá ser adequado ao
tempo disponível, devendo o MJ ter o cuidado de anotar os jogadores que vão
tomando decisões de modo a garantir que na sessão seguinte não sejam os
mesmos a voltar a fazê-lo (a menos que adopte uma estratégia de participação
aleatória).

Em qualquer momento, o MJ poderá propor ao grupo, uma dinâmica que


permita uma melhor exploração do tema abordado por um parágrafo específico.
Um capítulo específico deste manual fornecerá sugestões para o
desenvolvimento de diferentes dinâmicas parágrafo a parágrafo, história a
história. Cabe ao MJ perceber como e quando esse corte com a narrativa
poderá ser bem aceite pelo grupo.

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

4.2 Constituição do grupo

Como anteriormente foi dito, esta abordagem é dirigida a grupos de jovens


dentro da faixa etária superior aos 10 anos. A dimensão do grupo é um factor
importante para o bom desenvolvimento da intervenção já que a argumentação
e a exploração conjunta de temas é central em todo o trabalho a desenvolver.
No decurso da fase de ensaio dos materiais, a equipa técnica trabalhou com
turmas de 2º e 3º ciclos do ensino básico com bons resultados. Contudo, para
um melhor aproveitamento da dinâmica do grupo a dimensão deste deverá ser
menor, situando-se na casa dos 12 elementos. Não se recomendam
precauções significativas na constituição do grupo, beneficiando a dinâmica de
diversidade de pontos de vista e de experiências de vida.

4.3 Suporte Material

Este projecto assenta sobre um suporte informático, requerendo a existência de


um computador ligado à internet de modo a permitir o acesso ao site www.tu-
alinhas.pt a partir do qual se poderá fazer correr a história escolhida.
Idealmente, sugere-se a utilização de um datashow que permita a projecção da
história de modo a que todos tenham acesso a ela em simultâneo. A ligação à
internet facilitará igualmente o processo de pesquisa complementar ao jogo.
Contudo, é possível aplicar este material a partir de CD-ROM e remeter a
pesquisa para processos mais tradicionais. Também a ausência de datashow
não impede a aplicação do material, requerendo do aplicador uma adaptação
do processo de aplicação, já que, não tendo o grupo acesso ao texto projectado
cabe ao MJ assumir de forma mais marcada a função de narração da história.
Ao limite, a própria ausência de computador não impede a aplicação do jogo já
que o MJ, dispondo de uma cópia impressa poderá narrar a história a partir do
texto, ainda que o processo se torne mais moroso uma vez que a procura dos
parágrafos a ler passará a ser manual.

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

4.4 Organização do espaço

O espaço deve ser organizado de modo a que os jogadores possam dispor-se


em U em torno do computador ou do datashow. Não deve haver segunda fila
de modo a facilitar a ordem de participação dos jogadores.
A sala deverá, igualmente, estar organizado de modo a que, se o MJ decidir
avançar com uma proposta de dinâmica que exija espaço, não precisar de
perder tempo a arrumar a sala, bastando-lhe para tal afastar as cadeiras dos
jogadores.

4.5 Organização do tempo de jogo

A organização do tempo de jogo poderá ser encarada em dois planos: o tempo


de sessão e o tempo de uma história.

O tempo de sessão deve ser sempre o mesmo, sugerindo-se um mínimo de 45


minutos. A sessão deve prever três momentos: (1) de aquecimento do grupo,
(2) de jogo e (3) de reflexão. Dentro do segundo momento poderá ainda ser
considerado um tempo de jogo dentro da narrativa e um segundo tempo de
dinâmica de grupo caso seja essa a opção do MJ.

O tempo de aquecimento do grupo corresponde ao estabelecimento de uma


ponte entre sessões, permitindo o recordar em que ponto se parou na sessão
anterior, quem já tomou decisões e quem as vai tomar nesta sessão e recordar
algumas regras que necessitem de ser clarificadas. É também este o momento
para repegar algum temas ou tarefa que tenha ficado para ser concretizada
pelo grupo entre sessões ou que aquando da ultima sessão não tenha podido
ser suficientemente trabalhada. Existem temas que o próprio MJ poderá
precisar de tempo para organizar ideias e só depois retomar a discussão no
grupo. Naturalmente, este tempo deve ser curto mas nem por isso deixa de ser
fundamental no processo de aplicação

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

O tempo de jogo ocupa de modo geral a maior parte da sessão. Tal como já
foi dito anteriormente, será benéfico que o MJ determine previamente quantas
decisões serão tomadas no decurso deste tempo de forma a ter uma noção de
como deve gerir o jogo. É fundamental que o MJ seja rigoroso na gestão deste
tempo porque se não o for o resultado será sempre de prejuízo no tempo de
reflexão, no qual o grupo deve conseguir fazer uma síntese dos aspectos mais
importantes da sessão. Esta síntese não se deve limitar aos conteúdos
abordados mas igualmente às atitudes adoptadas pelos diferentes jogadores no
decurso da tomada de decisão, sua ou dos seus colegas.

Existe ainda o tempo entre sessões que o MJ poderá aproveitar para lançar
questões que o grupo tenha de resolver, nomeadamente no plano da pesquisa,
do levantamento de opiniões, ou de outro tipo de dinâmica que requeira mais
tempo. Se optar por tirar proveito deste tempo, o MJ deverá ter a noção que na
sessão seguinte deverá prolongar o tempo de aquecimento para que o trabalho
entretanto desenvolvido, possa ser objecto de apresentação e discussão.

O tempo de história corresponde ao número de sessões definidas para


explorar uma determinada história. Este número poderá variar de acordo com
os conteúdos das histórias mas deverá ter um tempo mínimo respeitado para
qualquer história. Esse tempo deverá ser de 7 sessões que, à imagem do
tempo de sessão poderá igualmente ter um tempo de aquecimento, um de
desenvolvimento e um de reflexão final. O trabalho a desenvolver na fase de
aquecimento passa pela apresentação da história, dos personagens centrais,
das regras que regem o jogo, etc. Já o trabalho a desenvolver numa fase final
de reflexão passa por uma leitura global da história por oposição às reflexões
parcelares que se desenvolvem em cada sessão. Nesta reflexão deverá ser
integrado o processo de avaliação da história, no que toca à sua inteligibilidade,
pertinência, etc. Naturalmente, esta segunda componente deverá ter um
caracter individual para evitar influências mútuas.

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

É possível que face à definição de um número mínimo de sessões o MJ se


confronte com a situação de terminar a exploração linear de uma história antes
de atingir esse limite. Nesse caso propõe-se ao MJ que recue na história e
proponha ao grupo que explore outras decisões possíveis em momentos chave
da história, permitindo ao grupo de entre em contacto com temáticas não
trabalhadas no percurso decisório prévio.

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

5.Estratégias de dinamização do Grupo

A condução do jogo exige do MJ algumas decisões estratégicas no sentido de


garantir uma participação activa dos jogadores e a manutenção nos níveis de
motivação. Exploraremos aqui algumas dessas opções e suas implicações:

5.1.Ordem de participação dos jogadores no processo de


decisão

A ordem de participação dos jogadores poderá ter um papel importante na


manutenção dos níveis de motivação do grupo. Se a participação é sequencial
e um jogador toma a sua decisão no início do jogo, sabe de antemão que só
será chamado a tomar decisões numa fase distante ou até mesmo só noutra
sessão. Tal poderá acarretar algum desinteresse que deverá ser acautelado
pelo MJ.
Vejamos que alternativas se podem colocar ao MJ no plano da ordem de
participação dos jogadores:

Sequencial por ordem do posicionamento na sala – Esta é talvez a mais


básica das opções. Facilita em termos de clareza de regra mas dificulta face a
um grupo instável em que a mudança de lugar possa ocorrer. Se numa ronda,
nem todos os jogadores forem chamados a decidir, há que manter um registo
das participações para o caso de, na sessão seguinte os jogadores mudarem
de posição.

Sequencial por ordem alfabética de nomes – Esta opção poderá ter um


interesse adicional numa situação em que os elementos do grupo não se
conhecem muito bem. Aí, o processo de ordenação pode ir mudando de sessão
para sessão, percorrendo áreas de descoberto do outro, como por exemplo

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

nome de família, data de nascimento, local de residência, etc. Para um grupo


que já se conheça melhor, esta opção pode não trazer um ganho significativo.

Sequencial por ordem numérica (após atribuição prévia de números) -


Com esta opção o MJ pode introduzir alguma aleatoriedade, já que os números
são tirados ao acaso. Se se utilizar a regra de que o número não pode ser
revelado, nesse caso, há também a curiosidade de ver quem é o próximo a
decidir, podendo o MJ tirar proveito dessa situação para manter alguma
animação no grupo.

Aleatoriamente por extracção de números - O MJ poderá optar por distribuir


um número numa fase inicial mas, em vez de seguir uma ordem sequencial,
seguir uma ordem aleatória por extracção de números a partir de um saco
previamente organizado para o efeito, contendo a totalidade dos números em
jogo. O MJ deverá apenas ter o cuidado de não repor os números retirados de
modo a garantir que cada jogador só decide uma vez por ronda.

Aleatoriamente com repetição de números - O MJ poderá decidir que o


acaso faz parte do jogo e que com um limite definido – por exemplo 3 decisões
numa ronda – os jogadores poderão ser chamados a tomar mais do que uma
decisão por sessão. Se optar pela utilização dos números como critério de
ordenação, basta que o número retirado do saco possa ser reposto no saco
antes de nova extracção. Com esta opção o MJ garante que os níveis de
motivação se mantêm constantes ao longo da sessão – já que todos podem
decidir em qualquer momento – mas pode acarretar que algum jogador que não
tenha tanta sorte possa estar um longo período de tempo sem nunca poder
tomar qualquer decisão.

Emparelhamento de jogadores (em caso de grande grupo) - Quando o MJ


se confronta com um número grande de jogadores, que faça com que a
rotatividade da tomada de decisões seja mais espaçada e eventualmente
desmotivante, poderá optar por emparelhar os jogadores e criar a figura do par

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

decisório. A decisão deve ser tomada em consenso pelos dois jogadores


devendo o MJ acautelar um processo de desempate para situações extremas
de desentendimento. Esta opção agiliza este processo em situação de grande
grupo mas pode acarretar algumas dificuldades de participação com os
jogadores mais assertivos a imporem a sua posição a colegas mais inibidos. A
constituição dos pares poderá ser aleatória e mudar de sessão para sessão.

Naturalmente, poderão ser exploradas outras estratégias de ordenar a


participação dos jogadores. O importante é garantir que a atenção dos
jogadores é mantida e que a atenção não é dispersa na espera por uma
próxima oportunidade de participação. O MJ poderá optar por alternar as
estratégias de sessão para sessão de modo a evitar que o jogo caia num
processo rotineiro.

5.2. Atribuição de direitos

O MJ poderá definir um conjunto de direitos que poderão funcionar como um


elemento adicional de motivação para a exploração das diferentes histórias.
Estes direitos podem ser apresentados como universais (de todos os jogadores
por igual) ou como factores aleatórios a introduzir no início da sessão através
do recurso a um sorteio. Neste segundo caso o MJ informa quais os direitos
que irá colocar em jogo e organiza um conjunto de papéis contendo os direitos
seleccionados que uma vez dobrados são colocados num saco que deverá
passar por todos os jogadores para que tirem à sorte.
Alguns exemplos de direitos são:
y O direito de ser soberano: a decisão final é do jogador decisor. Este é o
direito básico do jogo, isto é, aquele a partir do qual o jogo se desenvolve;
y O direito de não ser pressionado pelo grupo: a decisão do jogador é
feita sem que este tenha de auscultar o grupo;
y O direito de auscultação: a decisão só é tomada depois de ouvido o
grupo.

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

O direito de delegação: o jogador atribui a outra pessoa a decisão que lhe


cabe tomar;
O direito de veto: o jogador que utiliza este direito contesta determinada
decisão tomada pelo decisor, recusando-a. A decisão continua com o decisor
mas não poderá ser a inicialmente tomada. O veto, uma vez utilizado não
poderá voltar a ser usado na mesma ronda;
O direito de não participação: o jogador opta por não tomar qualquer
decisão;
O direito de confronto: o jogador que utiliza este direito desafia o decisor
para um confronto de ideias sem a interferência do resto do grupo. No final o
grupo decide quem argumentou melhor e consequentemente qual a decisão a
tomar;

Esta estratégia traz como mais-valia o garante que a dinâmica não é linear e
que, mesmo fora da sua vez, cada jogador poderá influenciar activamente o
desenvolvimento da história. A utilização dos direitos permite, simultaneamente,
trabalhar a dinâmica do grupo de uma forma mais clara já que o recurso a um
direito significa sempre um desejo de alterar o curso natural de decisão.
Naturalmente, esta opção corresponde a introduzir um maior grau de
complexidade no jogo uma vez que cria condições para a confrontação, a
experimentação de sentimentos de que o MJ terá pouco ou nenhum controlo.
Daí que esta seja uma opção que sugerimos seja remetida para uma fase em
que o MJ se sinta já mais à vontade quer com a metodologia quer com o grupo
com que a está a trabalhar.

5.3. Exploração das personagens

Na tarefa de criar um clima inicial facilitador da intervenção, o MJ deverá


investir na exploração das personagens que servem de base ao jogo. As
personagens foram criados não para representarem figuras ideais, de gostos e
atitudes adequadas, mas aproximarem-se da realidade dos jogadores,

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

integrando aspectos positivos com outros menos saudáveis. Cabe ao MJ no


decurso da exploração dos personagens tirar proveito de algumas das
características apresentadas para promover uma reflexão sobre áreas tão
díspares quanto as Práticas Alimentares, a Identificação com Culturas Juvenis,
Interesses, Esquemas, Medos e Paranóias. Seguidamente apresentamos
alguns aspectos que poderão explorados a partir das particularidades de alguns
das personagens:

1. Jamal - O que caracteriza um surfer? Ser Africano. Perda da mãe.


Família reconstruída. As escolhas para o futuro. Alimentação (Lasanha
vs. salada). Preocupação com a forma física. Ser aventureiro num
contexto específico (o mar). Os medos (que aconteça alguma coisa às
pessoas de quem mais gosta).
2. Emanuel – O que é um NERD? O risco da obesidade (má alimentação,
pouco interesse pelo exercício físico); O carácter aditivo dos
computadores e da Internet; Realizar-se na fantasia; Ser-se
inibido/introvertido; (em relação ao sexo oposto). Ser-se
gozado/maltratado pelos colegas.
3. Sabrina - O que é ser-se Beta? Ter uma família numerosa. A
preocupação com o corpo. O interesse pelo mundo da moda. Ter raízes
africanas. Ser-se católica praticante. Fazer voluntariado. Alimentação
(não comer muito – dietas, produtos light); Ser-se ambicioso. Ocupar-se
para não pensar. Paixões platónicas.
4. João – O que é ser Dread? O carácter quezilento, o desejo de explorar
novas sensações (risk taker), alimentação desadequada (pizza, cerveja),
família nuclear numerosa, xenofobia, problemática da toxicodependência
na família,
5. Daniel – Ser estrangeiro. A gabarolice. Pais separados. Alimentação
(Coca-Cola). Os limites da exploração do Trabalho Infantil (biscates). O
sonho de viajar. A liberalização das drogas. Os interesses políticos.

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

6. Maria - O que é ser Freak? O evitamento de conflitos. Alimentação


(bacalhau com natas vs maças). Vivência do corpo; Desemprego de um
dos pais. A causa ecológica.
7. Alice – A excentricidade de um dos pais. Ser criativa e sonhadora. Não
ser muito persistente. Roer as unhas. Os heróis e as paixões. O roubo. A
necessidade de ajuda.
8. Catarina - o que é ser Gótica? Pais separados com conflito. Ser
desconfiada e casmurra. A necessidade de questionar e argumentar por
tudo e por nada. O misticismo e o ocultismo. Ser-se ateu. Não acreditar
no amor; Insegurança na orientação sexual.

São muitas as opções que o MJ tem para explorar os temas introduzidos pela
caracterização das personagens. Poderá (1) seleccionar um tema e trabalhá-
lo isoladamente promovendo uma pesquisa sobre o tema (ex. culturas juvenis),
o debate sobre uma questão particular (ex. liberalização das drogas), a
exploração da percepção dos jogadores sobre a frequência de determinados
aspectos (ex. o trabalho infantil, a insegurança face à orientação sexual) a
análise das implicações de alguns gostos (ex. alimentação); outra opção (2)
poderá passar por pedir aos jogadores que se caracterizem à semelhança
das personagens explorando depois os aspectos comuns e particulares no
grupo. Como variante deste procedimento o MJ poderá pedir aos jogadores que
imaginem como poderiam fazer uma campanha publicitária sobre si próprios.
Neste caso o importante não é a quantidade de informação mas aquela que é
importante para criar uma boa imagem nos outros. Esta abordagem deverá
permitir uma reflexão sobre a dificuldade da tarefa, nomeadamente a selecção
de aspectos que nos realcem. Se esta questão for demasiado inibidora, o MJ
poderá pedir que cada jogador execute a tarefa – fazer publicidade a alguém –
sobre um colega tirado à sorte. Neste caso a reflexão deverá incluir a reacção à
imagem que os outros têm de nós e o medo de desapontar o outro. Uma
terceira opção (3) poderá passar por pedir aos jogadores que escolham a
personagem com quem mais se identificam. Esta escolha poderá ser feita às
claras, isto é assumida perante os colegas ou ser feita às escuras, isto é,
mediante uma votação secreta. A primeira opção é objecto de maior pressão

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

social enquanto a segunda, permitindo a reflexão sobre os resultados globais,


poderá permitir uma reflexão mais protegida sobre o perfil que cada um das
personagens poderá ter, sem provocar grandes confrontos ou exposições.
Neste caso o MJ deverá ter a preocupação de garantir o direito à privacidade
ou, por oposição ser contentor em situações em que se verifique alguma perda
de limites face à intimidade de cada um. Finalmente uma última opção (4)
poderá passar pela organização de um pequeno role playing em que cada
jogador tenha que representar uma personagem, apresentando-se enquanto
tal. Neste caso deverá assumir-se que as personagens não se conhecem
funcionando o jogo como uma forma de exploração das mesmas, emprestando-
lhes particularidades imaginadas pelos jogadores. No final da experiência é
importante que os jogadores reflictam sobre a dificuldade de entrarem na
tarefa, de se identificaram com a sua personagem, se gostaram de interagir
com as dos outros, se as acharam credíveis ou apenas o prolongamento das
características dos jogadores que as representaram, etc.

Naturalmente que existirão outras maneiras de explorar as personagens que


poderão ser idealizadas e desenvolvidas pelos MJ’s. A partilha dessas
diferentes formas de trabalho poderá enriquecer este capítulo do Manual, pelo
que se agradece desde já a iniciativa de as enviarem através do site para a
equipa técnica que em função da sua pertinência as integrará em futuras
versões. Contudo, todas as formas possíveis de abordar esta tarefa devem
deixar bem claro que não existe tal coisa como a pessoa modelo, que a
imperfeição é o que nos torna humanos e nos dá espaço para a evolução. As
personagens procuram ilustrar precisamente este facto. A importância deste
trabalho em torno das personagens, mais do que criar um clima e aquecer o
grupo para a dinamização que se seguirá, é a de procurar encontrar uma
coerência nas histórias de vida recriadas que facilitem algum tipo de
identificação ao mesmo tempo de suportam o processo de descentração que se
deseja na intervenção.

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

5.4. Dinâmicas de Grupo

O MJ poderá recorrer a dinâmicas de grupo como forma de aquecer ou


preparar o grupo para o jogo ou como forma de reforçar alguma temática
emergente a partir do mesmo. O recurso às dinâmicas enquadra-se uma
perspectiva segundo a qual esta abordagem permite pôr em evidência os
mecanismos de funcionamento do grupo bem como uma maior
consciencialização dos papéis individuais, sendo então mais fácil intervir sobre
a própria dinâmica do grupo. Esse recurso deve ser sempre orientado em
função de um objectivo concreto e garantir um momento de reflexão que
permita o estabelecer de relações entre as experiências vivenciadas e os
conteúdos em discussão. Eis alguns princípios básicos à condução das
dinâmicas de grupo:

1. Não existem receitas na utilização deste tipo de recurso. O MJ deve ter a


noção que uma dinâmica que se adapta a um determinado grupo não se
adapta necessariamente a todos os outros. Escolher um jogo requer que
se leve em consideração parâmetros como os objectivos, a idade, a
motivação, os interesses e a própria dinâmica do grupo. O MJ deve
utilizar a sua sensibilidade e conhecimento do grupo para seleccionar o
jogo que promova a dinâmica necessária à abordagem do tema a
trabalhar. Nesse sentido é importante ir recolhendo diferentes jogos e
organizando o seu próprio dossier de dinâmicas, sempre que possível
com referência aos temas de reflexão.

2. O mesmo jogo pode ser utilizado com diferentes objectivos consoante a


sequência em que se integra ou as características do grupo a que se
destina. Pode inclusivamente ser utilizado mais do que uma vez no
trabalho de crescimento do grupo, permitindo a emergência de
conteúdos e reflexões diferentes bem como a noção de evolução entre
os dois momentos.

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

3. O MJ deverá escolher dinâmicas com as quais se sinta familiarizado. As


regras do jogo devem ser claramente definidas antes do seu início. Uma
vez esclarecidas, o jogo desenrola-se segundo as regras, sem que estas
devam ser alteradas. A opção por fazê-lo deve ser encarada muito
seriamente e só deve acontecer se servir algum objectivo muito
específico. É igualmente importante que a sua apresentação se processe
de forma espontânea, informal e com recurso à imaginação e humor. Em
caso de dúvida é preferível fazer uso da sua criatividade de modo a
evitar que a consulta de um manual ou guião transmita ao grupo uma
sensação de inconsistência ou insegurança.

4. Deve estimular-se o "espírito de grupo" salvaguardando, no entanto, as


características individuais de cada elemento. Deve ser respeitado o
desejo de não participação no jogo o que não implica necessariamente a
não participação na dinâmica do grupo. O MJ deverá garantir que o
jogador que se recuse a jogar poderá ter algum papel – observador,
elemento de apoio ao MJ, controlador do tempo, etc. – e que em função
desse papel possa ser chamado a participar na fase de reflexão.

5. O jogo, na dinâmica de grupo não visa o sucesso, mas a reflexão sobre o


processo. Frequentemente um insucesso resulta numa melhor reflexão
do que um sucesso. É contudo importante garantir que os jogadores
percebem quais são os parâmetros que determinam o fim do jogo e a
conclusão da tarefa.

6. O dinamizador não deverá ser tão directivo que tire espaço de acção e
de reflexão ao grupo, nem tão flexível que perca a noção do fio condutor
e do objectivo último da sessão. No primeiro caso fornecer-se-ia ao
grupo uma experiência demasiado rígida e, no segundo, uma experiência
demasiado desestruturante;

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

7. O espaço de uma dinâmica é do grupo e é essencial que este o sinta


como de aceitação. O dinamizador deve medir muito bem as suas
intervenções, que devem ser facilitadoras, conduzindo à estruturação do
estar em grupo e não emitindo juízos de valor;

8. É essencial que o dinamizador encontre espaços nos quais seja possível


reflectir sobre as suas próprias vivências e actuações, reflectindo sobre
elas, sobre as suas implicações, elaborando sentimentos e sensações
próprias e tentando encontrar novas formas, eventualmente necessárias,
de promover a relação com o grupo. O espaço de supervisão dos MJ’s
deverá assumir-se como um momento de partilha deste processo de
reflexão pessoal

No capítulo 8 será reunido um conjunto de propostas de dinamização em


função das diferentes histórias e a bibliografia incluirá sugestões de manuais e
sítios onde novas dinâmicas poderão ser pesquisadas.

O recurso ao role playing deverá ser sempre encarado pelo dinamizador como
uma opção de risco que apenas deve por em prática caso tenha alguma
experiencia anterior na utilização desta técnica e caso o grupo revele
maturidade suficiente. Os riscos estão associados a dificuldade de diferenciar a
representação da realidade podendo cair-se em projecções pessoais que
coloquem o dinamizador perante temas e questões de foro íntimo de algum
jogador que não são para serem geridas num grupo desta natureza. Também a
exposição ao ridículo podem condicionar o desempenho dos jogadores,
resultando a dinamização numa caricatura do que se pretende trabalhar.

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

5.5. Tarefas intermédias

O MJ poderá propor ao grupo a concretização de tarefas que permitam a


expressão individual face a determinado tema. Essas tarefas poderão ser
desenvolvidas no decurso da sessão ou, face à limitação do tempo, remetidas
para o período entre sessões. As tarefas intermédias podem envolver a
pesquisa, a recolha de opiniões, a produção de algum tipo de material, etc.
Como estratégia, este recurso permite por um lado transmitir que o trabalho que
se está a desenvolver é continuado, prolongando-se para além do tempo formal
de sessão e, por outro, permite a noção que o exterior ao grupo é igualmente
importante podendo ser integrado como factor de aferição de percepções e
atitudes.

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

6.A Reflexão

Como já foi referido anteriormente a reflexão é a ultima fase de uma sessão de


trabalho e reveste-se de uma importância fundamental neste tipo de
abordagem.

A Reflexão é o momento em que cada participante selecciona o que de mais


significativo ocorreu durante a acção, decide se o quer e pode partilhar com os
outros e procura a forma correcta de o fazer, confrontando-se com a reacção
dos outros. Para o fazer elabora o que inicialmente não passou de uma
vivência provocada e atribui-lhe significado em função de experiências
anteriores.

Para o melhor desenvolvimento do processo de reflexão é importante que todos


os participantes se disponham de modo a que todos se vejam. A distribuição
em círculo poderá reforçar a ideia de privacidade. A partilha é feita para dentro
do grupo e deve ser regida pelo MJ com base em 3 princípios:
Circularidade y à intervenção de alguém solicita-se aos outros que
comentem, contraponham ou simplesmente se posicionem;
Equidistância y o dinamizador não assume o partido de nenhuma posição,
explora-as requerendo sempre ao grupo que reaja;
Não normatividade y não há posições certas ou erradas, apenas pontos de
vista diferentes que merecem ser respeitados

A Reflexão deve desenvolver-se a 5 planos:

1. Plano vivencial do jogo – é essencialmente uma abordagem descritiva,


um relato que permita perceber como cada jogador percepcionou a tarefa
que lhe foi proposta: “Como foi?”

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

2. Plano afectivo y centra-se no relato de sentimentos, emoções ou


reacções associadas à dinâmica procurando perceber o impacto
emocional da dinâmica nos diferentes jogadores: “Como se sentiram?”,
“De que gostaram mais?”
3. Plano de avaliação da performance y procura avaliar a leitura inicial
dos jogadores, compreender as expectativas criadas em termos de
resultados e analisar o que os condicionou: “Ficaram contentes com o
resultado do jogo?”, “Era o que estavam à espera?”, “Porque acham que
correu desse modo?”
4. Plano temático y procura contextualizar a dinâmica dentro de grandes
temas, explorando em que áreas é que a experiência incidiu e quais os
aspectos mais importantes que poderiam ser retirados dela: “O que
acham que foi mais importante neste jogo?” “O que é que este jogo
trabalha?”
5. Plano de Reformulação y neste último plano, procura-se promover uma
reflexão sobre as aquisições que foram possíveis a partir do jogo: “Se
voltassem a jogar o que é que mudariam?”

No presente projecto, o MJ deverá dar especial atenção ao facto da dinâmica


se desenvolver a dois níveis. Por um lado existe a dinâmica da narrativa na
qual se enquadram a maior parte dos conteúdos a trabalhar, mas existe
igualmente o nível da dinâmica do próprio grupo onde a argumentação, o
respeito pelo posicionamento do outro, a recurso à utilização dos direitos de
cada jogador, são igualmente aspectos importantes a explorar. Se o MJ se
centrar preferencialmente no plano das aquisições tenderá a sobrevalorizar os
temas trabalhados e a menosprezar o funcionamento do grupo que neste caso
se situará no plano da performance. Os resultados obtidos não dizem respeito
ao plano quantitativo do número de parágrafos resolvidos mas ao modo como
essas decisões foram tomadas e as dificuldades sentidas para o conseguirem.

Para a condução do processo de reflexão o MJ pode socorrer-se de utensílios


de comunicação, que, estando presentes em qualquer nível de relação, uma

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

vez conscientes poderão garantir uma melhor condução do processo de


partilha. São 5 os utensílios à disposição do MJ:

Intervenções de Exploração y são intervenções que encorajam, que dão


espaço ao outro, que o incitam à participação activa, produzindo material de
reflexão e abrindo o espaço de relação. (Porquê…, Como…, Conta-me…, Fala-
me…) Sendo o tipo de intervenção mais frequente, a sua presença em excesso
pode resultar em confusão ou dispersão dado o volume de material a explorar.

Intervenções de Focagem y são intervenções que procuram clarificar os


conteúdos de comunicação resultantes da exploração, incitando à clarificação.
Por oposição às intervenções exploratórias, procuram fazer incidir a atenção
num determinado tema sentido como importante. (o que queres dizer é…? Será
que …? Entre este aspecto e aquele qual…?) Este tipo de intervenção resulta
em respostas curtas de síntese. Se a intervenção de exploração abre o campo
de partilha este tipo de intervenção procura reduzi-lo para uma melhor
exploração e compreensão a que se seguirá uma nova intervenção de
exploração.

Grande parte do processo de reflexão é feita com base neste dois instrumentos
permitindo um constante movimento de abertura e de focagem. Contudo, há
momentos particulares que exigem do MJ intervenções específicas.

Intervenções de Confronto y são aquelas que são directas, frontais, sem


serem brutais; elas incitam o outro a pôr-se em causa. (Vocês estão a dizer isto
mas eu observei aquilo…, parece-me que estão com dificuldades para falar do
que sentiram…) Este tipo de intervenção solicita ao grupo uma mudança de
nível de reflexão para planos de maior profundidade. São intervenções
frequentes em grupos defensivos que adoptam uma postura simplista ou em
grupos numa atitude de oposição ou de evitamento. Como recurso este formato
de abordagem ao grupo é arriscado já que um confronto desadequado poderá
colocar todo o grupo à defesa ou reforçar a atitude de oposição. O confronto

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

deve ser utilizado de forma moderada, recorrendo se possível ao humor, mas


sem assumir um carácter de troça ou desafio.

Intervenções de ressonância afectiva y são intervenções que se dirigem aos


sentimentos, às atitudes e aos valores. Passam também pela entoação e pela
comunicação não-verbal, que em complemento aos conteúdos verbais e
incitam à consciência de si. (o que sentiste…, de facto é difícil…, foi
complicado…). Este tipo de intervenção é importante como forma de validação
de um sentimento ou de uma experiência em momentos em que a tensão do
grupo cresce na sequência da partilha de um conteúdo de maior carga
emocional. São intervenções menos frequentes mas de enorme importância
porque alargam o campo de exploração do grupo a planos mais profundos.

Intervenções de Transfere y são aquelas que estabelecem paralelos com


outras situações em tempos e contextos diferentes - esta reflexão também se
aplica a outros contextos? Em que outras situações isto já vos aconteceu? Este
tipo de intervenções permitem um processo de generalização que ajudem o
grupo a extravasar o contexto do jogo para um plano mais alargado das suas
vidas. Deverão ser utilizadas numa fase mais tardia da reflexão após a análise
e exploração dos diferentes planos da vivência.

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

7. Exploração dos Temas / Histórias

7.1. História 1: Crescer


Personagem central: Jamal

Existe um conjunto de grandes temas que se distribuem ao longo desta história.


Listaremos num primeiro momento esses temas, trabalhando, depois de uma
forma mais específica, cada um dos parágrafos explorando pequenas questões
que poderão ser orientadoras do processo de exploração da narrativa. Deste
modo os temas gerais são:
1. A preocupação do irmão mais velho com o comportamento do irmão
mais novo.
2. A internet/computador como recurso de risco quando mal utilizada –
diminuição de competências sociais, componente aditiva da utilização do
computador, alienação do eu pela criação de personalidades alternativas,
estabelecimento de relações virtuais, etc.
3. Desenvolvimento de uma má relação com o corpo em função da estética.
A importância particular deste processo na fase da adolescência.
4. A alimentação equilibrada
5. O recurso a substâncias como forma de controlo do apetite.

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

6. A capacidade de descentração e de se colocar no lugar do outro


7. Acessibilidade de bebidas alcoólicas a menores. Implicações da
convivência em contexto recreativo
8. O choque de gerações (pais/filhos; mais velhos/mais novos)
9. A gestão de conflitos (ocultar, confrontar, ou deixar andar)
10. A projecção no futuro
11. Os mitos ligados ao estatuto de adulto: consumo de álcool, a sexualidade
Estes temas são explorados com maior e menor clareza no decurso da
narrativa, contudo é no processo de exploração dos temas, que os conteúdos
poderão emergir de forma mais consistente cabendo ao MJ não apenas a
auscultação do grupo sobre estas matérias, mas acompanhá-los na recolha de
informação adicional que permita a consolidação ou a mudança de percepções.

Exploração de conteúdos de reflexão por parágrafo

Parágrafo 1 – (a chegada)
Temas: O atraso do Jamal: (1) a relação com o tempo: (a) ser-se
desorganizado, (b) calcular mal o tempo necessário para fazer as coisas, (c)
não se preocupar em chegar a horas, (2) a relação com o outro: (a) capacidade
de espera, (b) capacidade de transmitir ao outro o que se sente e pensa sobre
a espera; O aspecto da Sabrina: (1) a espontaneidade vs. a inconveniência (2)
a importância de criar clima antes de abordar um tema eventualmente delicado.
Ir comer primeiro qualquer coisa: (1) adiar o tema que motivou o encontro (2)
prolongar a espera da amiga
Proposta de actividade: em que é que reparam quando chegam a algum
lado?

Parágrafo 2 – (preparar a festa)


Temas: O Imman passa o tempo agarrado à internet: Exploração dos receios
do Jamal – o isolamento social (a perda de apetência por estar com as pessoas

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

quando o contacto por computador é mais fácil e protegido), a dependência dos


computadores como fonte de bem-estar (jogar, conhecer pessoas, aprender,
etc.), a perda de controlo sobre os conteúdos existentes na internet (os bons e
os maus conteúdos, tomar por verdade tudo o que se encontra na internet, os
maus encontros, etc.); As preocupações entre irmãos: Ser o mais velho e
preocupar-se com os mais novos vs. ser o mais novo e ser o objecto da
preocupação dos outros.
Proposta de actividade: (1) identificação de riscos – (a) aumento da inibição nos
contactos directos, (b) criação de personalidades alternativas mais atractivas,
(c) desenvolvimento de relações virtuais (desconhecimento de quem está do
outro lado) (d) carácter aditivo da internet (perda de noção do tempo,
sobreposição do computador a qualquer outro interesse da pessoa, dificuldade
de resistir ao estabelecer de contacto, etc.) (2) identificação de aspectos
positivos na utilização da internet. Pesquisar o site www.miudossegurosna.net

Parágrafo 3, 16, 18, 20, 93 – (ir comer qualquer coisa)


Temas: Escolhas saudáveis de alimentação: O pequeno-almoço com
lacticínio (leite, queijo, iogurte), fruta (sumo ou peça) e pão (de mistura). Comer
entre refeições (barra de cereais, peça de fruta+bolacha com pouco açúcar e
gordura, iogurte líquido) A importância de saber ler os rótulos para saber as
calorias existentes no produto. Ter consciência dos valores diários
recomendados dos principais grupos de nutrientes: quantidade de açúcar
(consumo diário inferior a 10 mg) e de sal (consumo diário inferior a 5 mg). O
Risco da publicidade enganosa: informação parcial que esconde conteúdos
menos saudáveis. Comprimidos para emagrecer: explorar o conhecimento do
grupo sobre este tema. Atitudes: qual o limite da relação de amizade para se
meter na vida do outro? Varia com os temas? E com as pessoas? Compensar
os exageros: as avarias também fazem parte do comportamento saudável;
funcionar entre o 8 e o 80; o castigo por oposição ao “pecado”
Proposta de actividade: (1) exploração dos hábitos de alimentação dos
jogadores (2) exploração do site www.plataformacontraaobesidade.dgs.pt (3) treino de
leitura de rótulos de produtos alimentares

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

Parágrafo 4 – (reparar no ar cansado)


Temas: A atitude da Sabrina: (a) negar o mau aspecto, (b) não ter consciência
da sobrecarga, (c) a utilização adequada do ginásio – ter em atenção o tipo de
exercício, a carga, a intensidade, a regularidade – em função da condição
física.

Parágrafo 5 – (insistes no ar cansado)


Temas: Concurso de beleza: (a) capacidade de se pôr no lugar do outro e
avaliar o significado, (b) a importância de se insistir num tema que preocupa vs.
reconhecer o direito do outro em se proteger de coisas de que não quer falar.
Proposta de actividade: explorar o que é que entusiasma ou entusiasmaria os
jogadores

Parágrafo 7 e 36 – (Mostras-te preocupado…)


Temas: Níveis de preocupação: colocação do problema num plano físico,
psicológico ou social. Atitudes: gradientes de moralismo (entre a preocupação
centrada na pessoa e a centrada na quebra das normas) Reacção ao
descrédito: a tua opinião não é valorizada pela tua amiga. Ficas aborrecido(a)?
Depende do Tema?

Parágrafo 8, 10, 11, 13 – (procurar informação…)


Temas: 1. Os anorexígenos: substâncias que pertencem ao grupo de
estimulantes do SNC. Os seus efeitos vão no sentido do aumento do ritmo da
pessoa, associado a um sentimento de euforia e perda de apetite entre outros.
Tem como efeitos secundários dores de cabeça, má disposição, taquicardia e
por vezes insónia, grande fadiga e inquietação. Em situações extremas podem
conduzir a psicoses tóxicas com sintomatologia delirante e alucinatória 2. As
substâncias de abuso têm frequentemente uma utilidade medicinal: (a) as
boas intenções não anulam o risco; (b) a ilusão de controlo sob o efeito das
substâncias psicoactivas. 3. A importância da informação: (a) o
conhecimento como ponto de partida para a alteração de crenças (b) o que se

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

faz com o que se aprende. 4. Sobrevalorizar, Contextualizar ou Deixar


Andar: exploração de atitudes (a) qual seria a minha posição? (b) sou assim de
um modo geral? (c) sou assim especificamente neste tema; 5. A anorexia
nervosa: perturbação do comportamento alimentar, frequente na adolescência,
caracterizada por uma alteração da imagem corporal (considerar-se demasiado
pesada, independentemente da realidade) que resulta num conjunto de
comportamentos disfuncionais conducentes à perda de peso – dietas, provocar
o vómito, abuso de substâncias psicoactivas. Em situações extremas envolve
riscos para a própria vida.

Parágrafo 9 – (insiste no ar cansado…)


Temas: Entre ser amigo e ser chato: exploração das duas posições – (a)
como é que eu reagiria se fossem assim comigo, (b) seria eu capaz de ser
assim com alguém

Parágrafo 11, 34, 38 (alertas para uma boa alimentação…)


Temas: O limite da pressão: a partir de quando se reconhece que a vida é do
outro? Atitude: zanga, negação, disponibilidade para ajudar; O limite da
ajuda: exploração sobre o tipo de ajuda que se pode dar a alguém naquela
situação Reacção: a Sabrina é casmurra. Como se dão com pessoas assim?
Proposta de actividade: o barómetro de casmurrice – 1. construir um quadro
em que cada pessoa se classifica no plano da casmurrice (utilizando uma
escala de Likert de 1 a 6); 2. entregar um quadro com os nomes das pessoas
do grupo e pedir a cada jogador que caracterize os colegas. No final entregam-
se os diferentes quadros e trabalha-se conjuntamente os resultados. O grupo
reflecte sobre a justiça dos mesmos e explora se cada um se revê naquelas
classificações ou se fica surpreendido com os resultados.

Parágrafo 12 – (Mostras interesse nos comprimidos …)


Temas: A curiosidade: exploração da importância da curiosidade na
experimentação das substâncias psicoactivas. Os limites de um conselho:

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

explorar situações em que um conselho não foi suficiente para evitar uma
situação complicada.

Parágrafos 13 e 15 (Mostras-te disponível para ajudar…)


Temas: Os limites de uma atitude mais confrontativa: (a) nem sempre ter
razão é suficiente, (b) por vezes o confronto só aumenta a defesa/oposição do
outro, (c) para se poder desenvolver uma relação de ajuda, a relação ajuda
(garantir que se preserva a relação para poder retomar o tema numa melhor
oportunidade) (d) nem tudo tem de ser dito numa única conversa

Parágrafo 17, 19, 21 e 92 – (Segues para o bar do Joca/ Pista de


dança…)
Temas: Futuros profissionais: explorar em relação a cada jogador, (a) os
interesses (b) os sonhos (c) as expectativas (d) as expectativas dos outros em
relação a si.
Proposta de actividade: remeter para o tempo entre sessões a organização
de um quadro de expectativas (suas e dos familiares) face ao futuro.

Parágrafo 6, 22 e 23 (pensas nos comes e bebes)


Temas: A alimentação associada a festas: os salgados e os doces. A
importância da estética (jogar com as cores dos alimentos ou com as formas
dos mesmos), das texturas e dos cheiros para além das questões práticas.
Disponibilizar bebidas alcoólicas para a festa do irmão de 13 anos: (a)
Levantamento de implicações; (b) Sujeito à crítica dos outros – “preso por ter
cão e preso por não ter” (c) Banalização do consumo de bebidas alcoólicas (d)
cocktails de fruta. Confronto com os limites: (a) aceitar, recusar ou procurar o
compromisso, (b) quando os nossos desejos entram em choque com os limites
dos outros,: como se reage? A esquiva da Sabrina – ao remeter para o Jamal
a decisão sobre o tema, deixa-o com a responsabilidade toda. É justo?
Incomodar-vos-ia?

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

Parágrafo 25, 27, 29, 80, 85, 86 e 91 – (não disponibilizas


bebidas alcoólicas…)
Temas: Confronto com os outros: como se justifica uma decisão pouco
popular – factores externos (a lei) factores internos (crenças pessoais faz mal à
saúde), Argumentação: que argumentos se podem contrapor à lei?
Alternativas: o que pode fazer esquecer a ausência do álcool?

Parágrafo 26, 28, 30, 31 – (organizar a festa à noite… levantar


estratégias)
Temas: Descentração: poder perceber que outras pessoas se poderão
confrontar com dificuldades diferentes para lidar com problemas que para nós
parecem simples. Persistência: lutar por um objectivo ou desistir facilmente.
Estratégias de lidar com os problemas: confrontar os problemas, contornar,
negar… explorar de sugestões alternativas para ultrapassar as dificuldades
para organizar a festa nocturna.
Proposta de actividade: remeter para o período entre sessões a exploração
em casa da reacção dos pais a uma situação como aquela; pesquisa sobre
qual seria a estratégia que a eles mais lhe agradaria; levantamento das
hipóteses que cada jogador teria de ser autorizado a participar numa festa
deste género;

Parágrafo 32 – (levantamento de argumentos para os pais…)


Temas: Natureza dos argumentos: coação, ameaça, sedução, racionalidade,
negociação/troca,

Parágrafo 33 – (comentas o mundo da moda…)


Temas: Sacrifícios para se ser/manter bonita: qual é o limite do sacrifício?
Os fins justificam os meios? Opiniões discordantes: confronto com uma visão
discordantes sobre uma coisa de que se gosta muito. Qual o impacto no nosso
interesse? Qual o impacto na relação com essa pessoa?

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

Parágrafo 35 – (acusas de tomar droga…)


Temas: Definição de dependência: Psicológica vs. Física – Os anorexígenos /
anfetaminas provocam grande tolerância (isto é, a mesma quantidade de
substância deixa de produzir o mesmo efeito a partir de um curto espaço de
tempo, requerendo mais quantidade para produzir o mesmo efeito) e grande
dependência psicológica envolvendo depressão e ansiedade associado a um
forte desejo de voltar a consumir a substância.
Proposta de actividade: fazer um levantamento do tipo de dependências
conhecido (de substâncias psicoactivas e não só)

Parágrafo 37 – (definir o tema da festa…)


Temas: GET BIG - net-te a caminho do futuro: (a) prazer em crescer – gostar
de descobrir novas coisas (b) urgência em crescer – querer ter mais direitos,
poder fazer mais coisas que os mais velhos já fazem (c) estatuto – o que faz os
outros reconhecerem-nos como mais velhos? e o que nos faz sentir mais
novos? (d) reverso do crescer – o que não é tão agradável no Crescer?

Parágrafo 39, 42 – (gostavas de experimentar…)


Temas: Reproduzir comportamentos dos outros: curiosidade, não ficar
atrás, valorizar a opção do outro. Tomada de decisão: (a) antecipação de
consequências (b) avaliação da relação risco / benefício, (c) avaliação de
alternativas

Parágrafo 24 e 47 – (tratar da animação…)


Temas: Actividades: ideias para animar a festa – levantamento de sugestões.
Graffitis: estética, mensagem, julgamento social
Proposta de actividade: levantamento dos graffitis da zona; perceber qual a
mensagem subjacente; criar uma mensagem (individual ou em grupo),
concretizá-la (numa parede, no computador, no papel…)

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

Parágrafo 40, 57 e 58 – (tratar do presente…)


Temas: Escolher: (a) pensar em função dos gostos de quem recebe ou de
quem oferece (b) em função do que dá prazer ou do que é útil Virtualidade:
cuidar no real ou em simulação – poderes e limites de cada um. Dadas as
características do Imman que outra prenda poderia fazer sentido

Parágrafo 41, 43, 44, 45, 46 – (decides tomar os comprimidos…)


Temas: Efeitos no organismo: (a) características pessoais – peso, idade,
constituição física (b) aspectos contextuais – o que se tem no estômago;
Aceitação das consequências: remeter para o exterior (a
culpa/responsabilidade – Sabrina, acaso) ou para si próprio (estupidez, má
opção, …) Impacto desta leitura – (por ser azar pode ser que para a próxima
seja diferente, por ser uma má escolha para a próxima não a faço);
Aprendizagem pelos erros: há coisas que só se aprendem experimentando?
Há coisas que não se querem aprender porque o risco seria demasiado
grande? Vale sempre a pena aprender não importa o quê? Exploração dos
limites de cada um
Proposta de actividade: o que é que nunca arriscarias fazer? Fazer um
levantamento externo ao grupo (em casa, junto aos amigos). Compreensão da
percepção individual dos riscos

Parágrafo 48 e 50 – (fazer sair o Imman para a festa)


Temas: Motivar: Como convencer alguém a largar o computador, (ou algo de
que se gosta muito e ao qual se está agarrado). O efeito hipnótico dos ecrãs.

Parágrafo 52 – (mentir aos pais…)


Temas: A Mentira como desejo de moldar o mundo aos nossos desejos:
serão todas as mentiras iguais? Quais são as implicações do mentir? As
mentiras que puxam novas mentiras para evitar que a primeira seja descoberta.

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

Parágrafo 51 e 54 (a prenda do Imman)


Temas: Prós e Contras entre o virtual e o real: explorar as vantagens e as
desvantagens entre o mundo simulado e o real. A vantagem de poder recusar o
que não se gosta no mundo virtual, voltando atrás, acabando o jogo ou
seguindo instruções de quem já jogou. A desvantagem de não sentir as
vivências proporcionadas pelo virtual.

Parágrafo 55 (optar pela mentira)


Temas: Risco: Porquê correr riscos? Quando é que vale a pena?
Proposta de actividade: levantamento de riscos. Quais os riscos que nunca
aceitaria correr? Qual o maior risco que corri na minha vida?

Parágrafo 59 (não criar ondas…)


Temas: Desistir: (a) falta de confiança – em si ou nos outros, (b) realismo – o
desgaste do confronto não compensa os ganhos (c) pessimismo – não vale a
pena, (d) experiências negativas passadas
Proposta de actividade: organizar um gradiente de perseverança em que
cada jogador se avalia numa escala de 1 a 6 sobre a sua capacidade de não
desistir e lutar pelas coisas. Quais os argumentos que utilizam para não
desistir. Onde/em que domínio é que cada um se apercebe que é mais
combativo

Parágrafo 61 (começa a festa…)


Temas: Reacção aos estranhos: (a) vergonha, (b) receio de não gostem de
nós/do julgamento que façam (c) medo de que nos possam fazer mal (d) receio
de não se saber comportar/ não saber o que dizer
Proposta de actividade: dinâmica de Grupo – Guia e o Cego

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

Parágrafo 62, 63, 64, 66, 67, 68, 88, 89 (dar-se a conhecer…)
Temas: A Exposição: (a) a coragem de se assumir como se é; (b) o medo do
julgamento dos outros; (c) desigualdade de atitudes – é mais fácil quando todos
participam (d) a descoberta de semelhanças/ dificuldades partilhadas –
“pensava que só eu é que sentia assim” (e) a importância das diferenças como
aspectos complementares entre duas pessoas

Parágrafo 71, 72 (partilhas as preocupações)


Temas: Contexto: (a) condicionamento dos contextos sobre os conteúdos de
uma conversa, (b) importância de criar um bom clima para abordar certos
temas, Saber perguntar: (a) as perguntas que condicionam as respostas (b) os
entraves à comunicação – o que é dito que retira toda a vontade de continuar a
conversa Atitude: (a) desvalorizar, (b) insistir, (c) dramatizar, (d) disponibilizar-
se…
Proposta de actividade: fazer um levantamento das atitudes que retiram logo
a vontade de continuar uma conversa

Parágrafo 73 (perguntas sobre a Internet)


Temas: Privacidade: (a) o direito a guardar para si coisas pessoais, (b) o
desejo de tranquilizar o outro, expondo-se a ele. Tempo e Controlo: (a) quanto
tempo é suficiente e a partir de quando é que se torna demais, (b) consciência
da passagem do tempo (c) capacidade de parar quando se atinge o tempo
certo
Proposta de actividade: fazer um levantamento de estratégias de controlo

Parágrafo 74 (tentas perceber melhor…)


Temas: A necessidade de ficar só: (a) tristeza, (b) aborrecimento, (c)
sentimento de incompreensão (d) perplexidade com o futuro e com a mudança,
A importância de viver os sentimentos menos agradáveis: (a) os contrastes

58
Manual Eu e Os Outros (versão demo)

de dão significado às coisas; (b) a irrealidade das coisas perfeitas (negação das
coisas más)

Parágrafo 75 (… onde arranjou o álcool?)


Temas: Atitude: Alinhar, reagir ou deixar andar Resistir a um desafio:
capacidade de dizer NÃO.
Gerir o compromisso: (a) entre a lealdade ao Joca e a amizade.

Parágrafo 77 (aceitas o convite…)


Temas: Os copos e as miúdas como solução dos problemas: os mitos
contra a tristeza – (a) o álcool como anti-depressivo e desinibidor; (b) a
sexualidade como factor de compensação e de valorização pessoal, (c) utilizar
as pessoas (d) resolver por agora adiando para depois os verdadeiros
problemas… O corpo em mudança: o peso do acne na auto-imagem O
evitamento como defesa: o medo da rejeição; o que não vejo não desejo;

Parágrafo 78 (bebes tu…)


Temas: O uso e o abuso: o consumo responsável, a perda de controlo, a
embriaguez, a ressaca; Lidar com as consequências (a) descarregar nos
outros, (b) contextualizar (c) desvalorizar e partir para a próxima.

Parágrafo 79 (Fazes um balanço)


Temas: Poder contar com o outro: o resultado da partilha, Pesar o positivo e
o negativo:(a) o que deve ser mantido, (b) o que pode ser melhorado Valorizar
o que foi possível – o ideal como inimigo do bom, especialmente quando toca
à ajuda ao outro.

Parágrafo 81, 82, 84 (agradeces e recusas…)


Temas: Atitude:(a) ser cúmplice, (b) ser passivo / deixa andar, (c) ser firme,
Evitar o Confronto: consequências do adiamento de um problema (confronto

59
Manual Eu e Os Outros (versão demo)

com as regras) Gestão do Conflito:(a) impor, (b) explicar, (c) propor


alternativas, (d) sugerir soluções

Parágrafo 87 (ficas a pensar no que acabaste de ouvir …)


Temas: Consciencialização: (a) o outro como espelho – pensar em mim a
partir do que percebo no outro, (b) oferecer-se como referência – de que serve
ao outro a nossa experiência? Como transmiti-la sem parecer paternalista
Contextualização: ajudar a ver um problema em função do tempo e do
contexto (a) as mudanças que já ocorreram e as que ainda estão para vir (b)
comparação com outras pessoas da mesma idade (c) explorar o que já foi
tentado e o que ainda pode ser feito em relação ao problema; Reconhecer e
validar o que o outro está a sentir – a valorização do outro como factor
reconfortante
Proposta de actividade: levantamento do modo como cada um se vê, como
gostaria de ser, o que faz para se aproximar do seu ideal.

60
Manual Eu e Os Outros (versão demo)

7.2:História 2:A Amizade


Personagem Principal: Maria

Existe um conjunto de grandes temas que se distribuem ao longo desta história.


Listaremos num primeiro momento esses temas, trabalhando, depois de uma
forma mais específica, cada um dos parágrafos explorando pequenas questões
que poderão ser orientadoras do processo de exploração da narrativa. Deste
modo os temas gerais são:
1. Gestão de Conflitos dentro de um grupo de amigos – diferentes
posicionamentos face ao conflito (evitamento, confronto, negação,
mediação, etc.);
2. Preocupação com o olhar dos outros face à sua imagem corporal;
3. Ritmos pessoais e o respeito pelo outro;
4. Gestão afectiva de diferentes graus de intimidade - entre relações
preferenciais e relações grupais;
5. O consumo de cannabis – percepções de (a)normalidade, função de
partilha, contextos de consumo, pressão de pares, efeitos da substância;

61
Manual Eu e Os Outros (versão demo)

6. Reacção ao que é diferente – respeito pelas opções individuais dentro do


grupo;
7. Exploração de culturas juvenis e contextos específicos de cada uma
8. Estratégias de integração
Estes temas são explorados com maior e menor clareza no decurso da
narrativa, contudo é no processo de exploração dos temas, que os conteúdos
poderão emergir de forma mais consistente cabendo ao MJ não apenas a
auscultação do grupo sobre estas matérias, mas acompanhá-los na recolha de
informação adicional que permita a consolidação ou a mudança de percepções.

Exploração de conteúdos de reflexão por parágrafo

Parágrafo 1, 8, 9, 10, 11 – (o acordar/preparar para sair)


Temas: As rotinas matinais: (1) o banho, (2) o pequeno-almoço, (3) a escolha
da roupa; A gestão do tempo: falha da noção do tempo, pensar que ainda há
tempo para mais um pouco de sono;
Proposta de actividade: quais são os rituais matinais de cada um? O que é
que tomas ao pequeno-almoço? O que é que fazes enquanto tomas o
pequeno-almoço.

Parágrafo 2, 4, 12, 13, 70, 81 – (a escolha da roupa)


Temas: Preocupação com a imagem: ser prática, ser vaidosa, ser exigente ou
despreocupada. Cuidado pessoal: a preocupação com a imagem sobrepõe-se
à higiene pessoal

Parágrafo 3 – (dormir mais um bocadinho)


Temas: Gestão do atraso: (1) corresponder à responsabilidade em desfavor
do seu cuidado pessoal; (2) cuidar de si em desfavor dos compromissos
assumidos; As consequências de uma má decisão

62
Manual Eu e Os Outros (versão demo)

Parágrafo 5, 6, 7 – (Avisar a amiga)


Temas: O respeito pelo outro: pensar na amiga vs. poupar recursos (sms)

Parágrafo 14, 76 – (o encontro com a Catarina)


Temas: Níveis de proximidade: opção entre momentos de maior intimidade
com um(a) amigo(a) mais próximo(a) ou preferir a diluição no grupo. Factores
de Identificação: o que nos faz sentir mais próximos dos nossos amigos a)
gostos comuns, b) mesmo nível socio-económico, c) objectivos comuns, d)
ideais/valores comuns, e) não querer ficar sozinho... A Influência das culturas
juvenis nas amizades: exploração da ideia de que um grupo de pertença
possa interferir numa amizade. Levantamento de situações conhecidas pelos
elementos do grupo.
Proposta de actividade: explorar as subculturas juvenis conhecidas: os punks,
os dreads, os rastafari, os góticos, os freaks, os emo, os betos, os surfers, os
skaters, … O que os distingue? Interesse? Estilo? Música? Rivalidades?
(sugere-se pesquisa na Wikipédia, Google scholar, e outros motores de busca
semelhantes)

Parágrafo 15, 18, 23 – (ficas mais um bocadinho, tentas


convencer a Catarina a ficar)
Temas: Resistir à influência da amiga, não querer alinhar nas atitudes de
rejeição, poder pensar pela sua cabeça. A Confiança na relação que permite
escolher diferente - ter de escolher entre duas partes; o medo de magoar a
amiga; A Frontalidade: ter de escolher entre dizer a verdade e magoar o outro,
ou evitar o confronto com situações potencialmente tensas. A Tolerância à
frustração – ser ou não capaz de suportar algo desagradável em prole de
manter o grupo unido.

Parágrafo 16 – (Procuram o resto da malta)


Temas: Conciliar amizades: a dificuldade de manter a harmonia num grupo
com pessoas com características antagónicas. O desejo de perpetuar o grupo

63
Manual Eu e Os Outros (versão demo)

para sempre: ciclo de vida de um grupo a) a constituição a partir de um


objectivo comum, b) a instabilidade que resulta da adaptação necessária entre
os membros c) a fase de estabilidade e produtividade com base no bom
entendimento entre os membros d) a cisão ou desdobramento do grupo.

Parágrafo 21, 24, 29 – (Instalas-te na praia)


Temas: Actividades de praia: a) a protecção/prevenção b) a diversão c) o
relaxar ao sol, d) refrescar do calor, e) convívio, f) apreciar o que nos rodeia.
Cuidar de si: atitudes de protecção – cremes, beber líquidos, seleccionar a
alimentação; Jogos de Praia: quais e onde, diferentes actividades em função
da idade, construir com areia, incomodar e ser incomodado, Lagartar ao sol –
tempo de exposição em função da hora do dia, Observar o que nos rodeia: as
pessoas, o mar, explorar a praia... Tomar Banho: entre o risco e o perigo, o
fora de pé, não se estar só nas ondas, regras de sobrevivência
Proposta de actividade: explorar com os jogadores o que mais gostam de
fazer quando estão na praia, o que não gostam que aconteça

Parágrafo 17, 20, 22, 25, 50 – (Sabes o que se está a passar –


fazer um charro)
Temas: Consumo de Haxixe: O que sabem da substância a) apresentação, b)
efeitos, c) riscos associados d) crenças e) percepção de normalidade – entre o
seu grupo de referência, comunidade, grupo etário, etc. Atitude face ao
consumo: Passivo (não faz nada), Assertivo (discutes, argumentas), Agressivo
(cortas relações, afastas-te)
Proposta de actividade: pesquisar no site www.tu-alinhas-pt informação sobre
esta substância. Esta tarefa pode ser concretizada no período entre sessões.

Parágrafo 27, 41 – (Dizes-lhe a verdade)


Temas: Confrontação de imagens – arriscar dizer ao outro o que se pensa
dele. A importância de ser honesto consigo. A capacidade de suportar o choque
do outro e ajudar a reconstruir uma melhor atitude. A tentação de fugir ao

64
Manual Eu e Os Outros (versão demo)

confronto com o outro e alimentar uma imagem de si desadequada. A Imagem


de si: Como se constrói? O que a mantém? Os outros como espelhos de nós.
Proposta de actividade: o Jogo do Totem

Parágrafo 28, 36 – (o Botekas conta um segredo)


Temas: Receber um segredo: atitudes a evitar a) gozar, b) desvalorizar c)
fazer comentários moralistas ou culpabilizantes, d) dar conselhos. Perfil de
Confiança: quais as características da pessoa a quem se confia um segredo.
Proposta de actividade: propor ao grupo que, individualmente, cada jogador
escreva três características que considere fundamentais em alguém para ser
merecedor de confiança.

Parágrafo 30 – (Despedes-te do Botekas)


Temas: O peso do silêncio: a dificuldade de encontrar as palavras certas para
ajudar o outro a lidar com o sentimento doloroso. A dificuldade de suportar o
silêncio. Dar espaço ao outro para pensar vs. fugir da situação tensa.

Parágrafo 31 – (Comentas o Mr. Músculos)


Temas: A praia como um contexto de exposição aos outros: a exibição, a
privacidade, a vergonha. O Body Building / Musculação / Culturismo – As
práticas: forma isométrica (contracção mantida), isocinética (com velocidade
angular constante) ou isotônica (alternância de contracções concêntricas e
excêntricas), contínua ou intervalada, leve, moderada ou intensa, com recursos
aeróbios ou anaeróbios. As motivações: sentir-se bem consigo (ter um corpo
bem feito); impressionar os outros (sexualidade, competição, impor respeito,
…); aumentar a competência física/desportiva (desportos de contacto físico,
combate, etc.). O investimento – entre um lado saudável e o excesso. O desejo
de resultados rápidos. O equilíbrio dos programas de treino (frequência,
intensidade, combinação de exercícios). A competição – existência de
campeonatos nos quais se avalia o desenvolvimento muscular e para os quais

65
Manual Eu e Os Outros (versão demo)

se desenvolve um trabalho específico de treino e de práticas alimentares. As


questões de género: analisar a prática em função do sexo.

Parágrafo 32 – (Comentas a atitude cansativa do Botekas)


Temas: A procura da forma certa de dizer as coisas: A diferença entre saber
o que se quer dizer e encontrar a forma certa de se dizer. Ser frontal. Dar
exemplos. Atenuar a intensidade do que se quer dizer. “É porque sou teu
amigo(a).”
Proposta de actividade: (1) propor um role playing. Pedir que um conjunto de
voluntários represente a situação e solicitar à plateia que experimente formas
diferentes de conduzir a conversa explorando os prós e os contras de cada
uma das situações. (2) Em alternativa o dinamizador poderá propor ao grupo
que se organize em trios em que um jogador tem a tarefa de comunicar ao
outro uma informação difícil de dar (que ele é chato, que cheira mal da boca,
que não o querem na equipa, etc.) o outro deverá reagir à situação enquanto o
terceiro jogador observa e devolve, no final da representação, o sentimento que
lhe ficou de assistir à conversa. Todos os jogadores passam por todos os
papéis. No final o dinamizador conduzirá uma conversa em torno das diferentes
experiências vividas. Para facilitar esta dinâmica, o dinamizador pode organizar
previamente pedaços de papéis com os conteúdos que devem ser
comunicados de modo a evitar que a situação fique dependente da imaginação
dos jogadores.

Parágrafo 34 – (Está na altura de te ires embora)


Temas: O sentimento de ter conseguido falar sobre o que era preciso ser
falado.

Parágrafo 35, - (Comentas a moche)


Temas: O espaço próprio: o desejo de proximidade física vs. a necessidade
de espaço próprio. A variação desta necessidade ao longo da vida.

66
Manual Eu e Os Outros (versão demo)

Proposta de actividade: levantamento dos comportamentos que os jogadores


têm quando estão na praia.

Parágrafo 37, 84 – (Convidas o Botekas para irem até ao bar)


Temas: A tristeza de pessoas que nos são queridos(as). A descoberta de
coisas que não sabíamos de pessoas que são nossas amigas. A cerveja sem
álcool: as estratégias de mercado para introduzir um produto junto a grupos
etários mais baixos ou junto a populações mais resistentes. A associação de
sabores à cerveja sem álcool para a tornar menos agressiva. A banalização de
um comportamento que facilita a instalação de outro. O menor teor calórico da
cerveja sem álcool como um factor positivo. A reacção ambivalente dos
habituais consumidores de cerveja à cerveja sem álcool.

Parágrafo 38, 40, 46, 47, 50, 52, 56, 58, 63, 65 e 78 – (Conversa
com a Catarina e o Jamal)
Temas: Atitudes face ao risco de conflito: 1) envolvimento no conflito – dar
opinião que obriga a tomar uma posição contra ou a favor de alguém de quem
se gosta; 2) o silêncio como forma de evitar o conflito; 3) desvalorização dos
sinais de conflito; 4) procura de mais informação que permita uma tomada de
posição mais segura; 5) ganhar tempo para poder pensar melhor sobre o
assunto. Consequências do conflito: necessidade de negociação, ruptura,
clarificação, mediação, questionamento de lealdades, etc. Congruência entre
causa e consequência: 1) ter uma reacção exagerada face ao
desencadeante; 2) ter uma relação branda face à gravidade; 3) ser firme vs ser
tolerante; 4) ser contingente ao acontecimento vs. reagir mais tarde

Parágrafo 42 – (Ignoras o assunto)


Temas: Fugir aos conflitos: consequências de evitar sempre os conflitos. O
não envolvimento nas questões que nos dizem respeito fazem-nos passar ao
lado das relações e dos problemas. O medo – de ser injusto, de magoar, de

67
Manual Eu e Os Outros (versão demo)

não saber lidar com as coisas, de não suportar as consequências, etc. - como
factor que não permite desenvolver as relações.
Proposta de actividade: levantamento junto aos jogadores das situações de
que se tem medo nas relações com os amigos. O dinamizador deverá ter o
cuidado de não permitir que se goze com o medo expresso e garantir que quem
não tem aquele medo explique como faz para não deixar aquela situação
tornar-se tão assustadora para si.

Parágrafo 43 – (Confrontas-te com a zanga do Botekas)


Temas: O que é ser Amigo? Quais são os limites da amizade? O que distingue
um amigo de um conhecido? O que se espera de um amigo? Diferentes papéis
para diferentes feitios. Lidar com a zanga de alguém: como nos sentimos,
como reagimos, o que dizemos? A importância da zanga como forma de
conduzir a uma relação mais forte. O medo de que a zanga estrague a relação.
Como se repara uma relação depois de uma zanga? Ser firme apesar da zanga
ou recuar para a evitar. Dar espaço/tempo ao outro para poder pensar sobre as
coisas.

Parágrafo 44 – (Não juras guardar segredo)


Temas: O medo da intimidade: receio de não saber lidar com os conteúdos do
segredo; Falta de tacto – não ter a noção da importância da decisão de
partilhar o segredo, não ser capaz de escolher a atitude certa para receber o
segredo do outro; Não querer ter o papel de confidente: achar que não se
tem o perfil para lidar com as questões dos outros. Diferentes tipos de
segredo: nem todos os segredos devem ser aceites sobretudo se põem em
causa a segurança ou a saúde de alguém.

Parágrafo 45, 47 – (Dizes ao Botekas para não ser gabarola)


Temas: Compreender o comportamento: tentar perceber porque é que
alguém tem a necessidade de ser gabarolas – não ter a noção de o fazer, achar
que se é realmente melhor do que os outros, querer ganhar o reconhecimento

68
Manual Eu e Os Outros (versão demo)

dos outros, não querer parecer ignorante ou incapaz, etc. Processo de


mudança: perceber que não se muda só porque os outros querem. A mudança
implica tempo e fases. 1) reconhecimento da necessidade de mudar, 2)
levantamento de ganhos e perdas resultantes da mudança; 3) aceitação dos
custos da mudança; 4) definição e concretização de uma estratégia de
mudança; 5) perpetuação da mudança.

Parágrafo 49, 60 – (Conversa com o Patas e o Botekas)


Temas: Aceitação das diferenças: não impor ao outro os nossos padrões não
implicando com isso a aceitação do comportamento do outro; Definição de
Limites: a liberdade de cada um é limitada pelo impacto nos outros. A
clarificação dos limites permite ao outro decidir sabendo as implicações da sua
escolha nas suas relações com os outros. A comunicação como a melhor
forma de gerir conflitos. O consumo de haxixe como factor de exclusão – entre
quem consome e quem não consome – e de inclusão – entre pessoas que
consomem e que deste modo se sente mais parte do grupo de consumo
(quando o consumo ocorre em grupo/em contexto recreativo)

Parágrafo 51, 53, 55, 57, 61 – (Deixaste ficar a conversar)


Temas: Ajudar os amigos a encontrar pontos em comum: os gostos comuns
ajudam a ultrapassar as barreiras à relação. A Entreajuda: Ajudar nem sempre
significa ter a resposta podendo traduzir-se no promover o contacto com quem
a tenha e esteja na disposição de ajudar. (A entreajuda e a entre-a-ajuda).

Parágrafo 54 – (A estratégia não é adequada)


Temas: O Humor como forma de quebrar a tensão. Ainda que seja uma
estratégia de risco – pode ser confundida com o gozar com a situação – o
humor pode ajudar a criar um clima mais propício a um entendimento. Rituais
de redução de tensão – o cachimbo da paz, os cumprimentos, as refeições
antes dos negócios, etc.

69
Manual Eu e Os Outros (versão demo)

Parágrafo 58 – (Sugeres conversar com eles)


Temas: Ser persistente: não desistir à primeira dificuldade, sobretudo face às
implicações da decisão que estão prestes a tomar. Participação de todos:
quando o conflito envolve várias partes é importante que todos possam
participar em conjunto no esforço de resolução do problema. De outra forma
quem não participa pode sempre pôr em causa as conquistas conseguidas ou
levar questões que não foram exploradas na conversa em que não
participaram.

Parágrafo 59 – (Propões reunir mais informação)


Temas: Reunir informação: nem toda a informação na Internet é de qualidade.
Ter cuidado com a escolha das fontes.

Parágrafo 62, 64 – (Não confias promoves a aproximação do


Botekas e da Catarina)
Temas: Ser Incoerente: Dificuldade de ter um pensamento estratégico. Às
vezes um insucesso numa área pode permitir um sucesso noutra área. Correr
riscos. A possibilidade de Reformular uma opinião quando se percebe um erro.

Parágrafo 68, 71 – (Dás-lhes uma lição de moral)


Temas: O Moralismo: por muito que se tenha razão o moralismo por vezes
apenas reduz a disponibilidade do outro para escutar. Os perigos do
consumo: é frequente cair-se no erro de enunciar os perigos associados ao
consumo, contudo ao perigo está igualmente associado a noção de desafio –
às regras, aos riscos, aos adultos, etc. - que tem um efeito de atracção para o
consumo. Por outro lado, o facto de alguns efeitos nocivos do haxixe não serem
imediatos, resulta na desvalorização dos argumentos contra o consumo.
Formas alternativas de prazer: pode ser importante perceber o que leva estes
jovens a precisarem de sentir outras sensações para além daquelas que a praia
lhes estava a dar.

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

Proposta de actividade: solicitar ao grupo que reúna argumentos que


considerem válidos para convencer alguém a não consumir haxixe e promover
uma discussão em torno dos resultados obtidos. Se se desejar criar um enredo
mais animado, o dinamizador poderá propor a criação de um tribunal dividindo
os jogadores em advogados de defesa e em advogados de acusação aos
jovens consumidores, atribuindo a um terceiro grupo a função de jurado que
deverá tomar uma decisão final. Se desejar tornar a dinâmica ainda mais
realista poderá procurar especialistas que esclareçam dúvidas do tribunal. Será
igualmente possível recorrer a testemunhas ainda que a utilização de
consumidores em intervenções preventivas seja desaconselhada dado o risco
de efeito perverso que o consumidor pode ter sobre o jovem enquanto modelo
negativo de comportamento.

Parágrafo 70 – (Nenhuma das soluções te agrada)


Temas: O Perfeccionismo: explorar os motivos que levam alguém à procura
de soluções extremas e não se contentar com as soluções mais acessíveis.

Parágrafo 72 – (Telefonas a uma amiga)


Temas: A utilização de roupa que não é do próprio: Qual é o sentimento de
utilizar uma peça de roupa que pertence a outra pessoa. Formatos de corpo
diferentes, estilos diferentes. Haverá diferenças entre rapazes e raparigas neste
aspecto de usar roupa de outra pessoa?
c

Parágrafo 73, 74 – (Compras um facto de banho novo)


Temas: A relação custo / benefício: Compensa gastar o dinheiro no facto de
banho?
Proposta de actividade: organizar uma lista de argumentos a favor e contra a
compra do novo facto de banho e proceder a uma discussão de grupo. Fazer
um levantamento no grupo de jogadores das situações em que cada um
consideraria possível que aquela situação lhe acontecesse. Explorar a mesma

71
Manual Eu e Os Outros (versão demo)

questão não aplicada a facto de banho mas a outro bem. Que bens justificariam
uma decisão deste tipo?

Parágrafo 75, 77, 79 e 95 (Perguntam-te se queres dar uma


passa)
Temas: Tomada de decisão: o jovem é frequentemente chamado a tomar uma
decisão em escassos segundos sobre aceitar ou passar o charro. Por vezes a
falta de tempo para pesar os prós e os contras conduz a más decisões.
Levantamento de razões para aceitar consumir e razões para não aceitar. A
pressão de pares: muitos dos primeiros consumos resultam para além da
curiosidade, da pressão que os outros exercem sobre o jovem, mesmo que não
seja activamente, ridicularizando, frequentemente de forma passiva ao colocar
a pessoa face ao receio sobre a reacção dos outros face à sua opção de
consumir ou não. A capacidade de dizer não: existem múltiplas maneiras de
dizer não (não afirmativo, não explicado, “agora não”, “não posso” vs. “não
quero” ou “não preciso”, etc.). Pode ser importante explorar estas diferentes
formas antes de se confrontar com este tipo de situação. Os sinais do
consumo: existem um conjunto de sinais que traem o consumo de haxixe mas
que podem ser confundidos com e conduzirem a desconfianças muito
delicadas. O sinal mais evidente é frequentemente o receio do próprio
consumidor de ser identificado e que o leva a comportar-se de forma pouco à
vontade. O efeito desinibidor da substância é também por vezes fácil de se
observar. Fazer opções: quando duas realidades são incompatíveis – estar
com quem consome dificulta estar com quem não consome
Proposta de actividade: dinâmica de grupos: O Jogo do Porteiro

Parágrafo 78 (Desvalorizas dizendo que toda a gente fuma)


Temas: Mitos e Crenças: os comportamentos de cada um são fortemente
influenciados por crenças, que nem sempre são correctas e que jogam um
papel importante como factores protectores ou factores de risco face aos
consumos. Uma boa forma de ajudar a prevenir ou a evitar novos consumos é
confrontar as crenças com a realidade através da pesquisa de informação.

72
Manual Eu e Os Outros (versão demo)

Levantamento de crenças sobre o consumo de haxixe ou derivados da


cannabis.

Parágrafo 83, 84 (o Confronto)


Temas: As opções em situação de conflito: 1) ambas as partes ganham –
chegar a uma solução de benefício mútuo envolvendo frequentemente
cedências de parte a parte. 2) uma parte sobrepõe-se à outra – alguém impõe o
seu poder ao outro obrigando-o a recuar ou a assumir erros sem nada em
troca. 3) ambas as partes perdem – situações em que há rupturas, como
zanga, destruição, penalização mútua. A importância de um mediador face ao
conflito – alguém que arbitre a situação tornando-a leal e justa. A dificuldade de
ser árbitro em causa própria. Não é mediador quem quer mas quem é
respeitado e escolhido por ambas as partes.

Parágrafo 85 (os Papagaios de Vento)


Temas: os Hobbies: as coisas em que gostamos de investir o nosso tempo
livre e nas quais desenvolvemos competências especiais: a paciência, a
persistência, a coordenação, conhecimentos de aerodinâmica, conhecimentos
de resistência de materiais, conhecimentos sobre a natureza do vento –
correntes, direcção, estabilidade… Diferentes tipos de papagaio: as asas, os
hexágonos, o formato de arpão, os multiplanos. As diferentes aplicações do
papagaio de vento: 1) Histórica – como estratégia de observação do inimigo,
2) Desportiva – Kytesurf 3) Laser – ocupação de tempos livres, 4) Modelismo –
aproximação a actividades de construção de modelos de voo com ou sem
motor.
Proposta de actividade: propor ao grupo a construção de papagaios de papel.
Poderá pesquisar sites em busca de modelos e instruções e organizar com o
grupo um dia para a largada conjunta dos trabalhos produzidos.

73
Manual Eu e Os Outros (versão demo)

Parágrafo 87, 88, 89, 90 (nos campos de Voley)


Temas: As actividades desportivas de praia – o voley, o futebol, andebol,
basquete… A transposição para um espaço aberto de modalidades típicas de
recintos fechados. O impacto da prática desportiva no desenvolvimento físico
– diferentes desportos realçam grupos musculares distintos. A apreciação
estética de um corpo vs a atracção – será uma consequência da outra? Poderá
uma apreciação ser feita de forma neutra sem segundas intenções. A
apreciação de alguém do mesmo sexo pressupõe tendências homossexuais? A
Homossexualidade – orientação sexual de quem sente atracção física,
emocional e estética por outro ser do mesmo sexo; O carácter duradouro da
orientação (não ser uma experiência passageira); a adolescência como uma
fase de estabilização / questionamento da orientação sexual. A identidade
pessoal e social com base nessa atracção, manifestando-se em
comportamentos e aderindo a uma comunidade de pessoas que compartilham
da mesma orientação sexual; Homofobia – desenvolvimento de reactividade a
pessoas, situações ou temáticas relativas à homossexualidade.
Proposta de actividade: pedir ao grupo que reflicta sobre quais as
modalidades que melhor desenvolvem o corpo, em função da sua estética
pessoal. Ter em consideração a diferença de género.

Parágrafo 91, 96, 97 (Saber mais dos Esteróides)


Temas: Os Esteróides Anabolizantes (EA) são produtos químicos mas,
também podem ser produtos naturais que contêm hormonas masculinas - a
testosterona. Estas substâncias promovem o crescimento muscular
(características anabólicas) e aumentam os caracteres masculinos
(características androgénicas). Os EA são drogas legais frequentemente
utilizados em medicina para tratar a fraqueza muscular no pós-operatório. Os
EA são utilizados na generalidade das modalidades desportivas e nos ginásios
para obter um desenvolvimento rápido da massa muscular e diminuir os
períodos de recuperação entre esforços. Os EA são proibidos na prática
desportiva*. Um atleta que acusa a utilização de EA é suspenso e penalizado.
São normalmente injectados ou consumidos em comprimidos, mas também
podem ser colocados debaixo da língua (sub-lingual). Os efeitos dos EA são

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

diferentes de homem para mulher. Dependem, também, da idade e da fase de


desenvolvimento em que se encontra o teu corpo. Os Suplementos
Nutricionais são utilizados pelos praticantes desportivos com o objectivo de
ultrapassar o desequilíbrio nutricional resultante do esforço físico e como forma
de optimização do seu rendimento desportivo. Muitos dos suplementos
nutricionais, comercializados actualmente, contêm, intencionalmente ou não,
substâncias incluídas na Lista de substâncias e métodos proibidos da Agencia
Mundial Antidopagem. O mercado negro e os produtos não rotulados deverão
representar um cuidado particular; os atletas não deverão usar nada que tenha
uma origem desconhecida mesmo que venha de um treinador ou de um atleta
amigo. (conteúdos retirados do site do IDP).

Parágrafo 93, 94 (Comentas o que estás a sentir)


Temas: Crises de Ansiedade – na sequência do consumo de cannabis
verificam-se por vezes a sensação de aperto do peito, taquicardia, respiração
acelerada que traduzem um pico de ansiedade que no extremo poderá atingir o
ataque de pânico. Este efeito pode resultar da intensificação da sintomatologia
normal - aumento da frequência cardíaca, maior sensibilidade aos estímulos
externos – por interferência de características psicológicas individuais - maior
insegurança, baixa auto-estima, desconfiança, medo, etc. Estados
confusionais – algumas pessoas, em função de características psicológicas
prévias, podem, sob o efeito da cannabis, desenvolver estados de perturbação
psicológica que envolvem confusão no tempo e no espaço, auto-referenciação
e até mesmo delírio. Dá-se a este estado o nome de psicose cannabica, estado
este que poderá assumir um carácter mais estável sem remissão total. Os
jovens referem-se a este estado com “sentir-se queimado” traduzindo a
incapacidade de concentração, investimento e de se proteger de ideação
persecutória. As diferentes apresentações da Cannabis no mercado em que,
para além do haxixe prensado (pedra, sabonete) surge o pólen (aparência de
planta fresca com flor e folha), as bolotas (planta prensada enriquecida com
óleo de haxixe), e o óleo de haxixe – (formato líquido), têm facilitado o
surgimento destas situações, com os jovens consumidores a experimentarem

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tipos de cannabis com uma concentração de THC (tetrahidrocannabinol) várias


vezes mais elevada pensando tratar-se da concentração habitual.

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

7.3:História 3:A Escola


Personagem Principal: Emanuel

Existe um conjunto de grandes temas que se distribuem ao longo desta história.


Listaremos num primeiro momento esses temas, reflectindo, depois de uma
forma mais específica sobre cada um dos parágrafos explorando pequenas
questões que poderão ser orientadoras do processo de exploração da
narrativa. Deste modo os temas gerais são:
1. O Bullying – lidar com maus-tratos fortuitos;
2. A espiral da agressividade;
3. Os sinais de sofrimento – perturbações do sono, insucesso, problemas
de concentração;
4. Actividade física e saúde;
5. Os efeitos do tabaco;
6. As medidas de prevenção do tabagismo em locais públicos;

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

7. A confiança na capacidade de ajuda dos outros (Família, Professores,


Amigos);
8. A capacidade de se fazer respeitar;
9. Corresponder (ou não) às expectativas dos outros;
10. O sentimento de incompreensão;
11. Preconceitos;
12. Entreajuda, a protecção dos iguais;
13. Delegar ou resolver os próprios problemas.
Estes temas são explorados com maior ou menor clareza no decurso da
narrativa, contudo é no processo de exploração dos temas, que os conteúdos
poderão emergir de forma mais consistente cabendo ao MJ não apenas a
auscultação do grupo sobre estas matérias, mas acompanhá-los na recolha de
informação adicional que permita a consolidação ou a mudança de percepções.

Exploração de conteúdos de reflexão por parágrafo

Parágrafo 1, 4, 7, 51 – (na escola a fazer tempo)


Temas: A ocupação dos tempos livres na escola. A actividade física e a saúde
– a importância de um corpo activo como contraponto ao sedentarismo e aos
maus hábitos alimentares. Os interesses de cada um. As actividades individuais
e de grupo, as espontâneas e as organizadas. A participação dos alunos na
mudança da escola – criação de espaços com os quais os jovens de
identifiquem.
Proposta de actividade: (1) pedir a cada jogador que identifique o que mais
gosta nos tempos livres da escola – conversar, jogar à bola, ouvir música, ler...
(2) propor aos jogadores que imaginem a escola ideal ou espaços específicos
da mesma. A construção poderá ser conjunta ou em pequenos grupos. As
ideias deverão ser reunidas e avaliadas pelos jogadores face aos custos,
viabilidade, aceitação, etc. (3) pesquisar se na escola decorre o Programa
Fitnessgram (geralmente da responsabilidade do grupo docente de Educação
Física). Se sim, perceber se é possível que os participantes acedam ao

78
Manual Eu e Os Outros (versão demo)

programa e avaliem a sua condição física. Se não pesquisar no sítio


www.labes.fmh.utl.pt/programas/fitnessgram.

Parágrafo 2 – (Ficas a curtir o som)


Temas: O Hip-Hop como estilo musical. As características deste estilo por
comparação com outros: acid,, afro, country, folk, indy, house, metal (heavy,
dark), pop, rap, reggie, rock, techno, trash ... Os cravas: a pressão para que se
dê algo que os próprios podem obter por si próprios. As várias possibilidades
de resposta – dar, recusar, encaminhar...
Proposta de actividade: pedir a cada jogador que identifique o seu estilo
musical, cantores/grupos preferidos.

Parágrafo 3, 6, 8, 11, 12, 13, 14, 44 – (Arranjar um cigarro)


Temas: A pressão dos mais fortes sobre os mais frágeis. A agressão física. O
sentimento de insegurança e desprotecção. Atitudes face à pressão: confronto,
evitamento estratégico, submissão.

Parágrafo 5 – (não voltas mais)


Temas: O Fugir ao problema. Consequências desta opção. O adiar das
questões até ao próximo encontro, o aumento da tensão e do medo, a limitação
nos percursos (evitar os locais por onde andam os agressores)

Parágrafo 9 – (a proibição de fumar)


Temas: A lei: presentemente a lei proíbe o consumo de tabaco em espaços
públicos, restringindo-o a contextos privados, ao exterior ou a espaços
equipados com extractores de ar com capacidade claramente definida. A
mesma lei obriga as tabaqueiras a informar os consumidores dos efeitos
nocivos do tabaco. As atitudes face à pressão – ser pedagógico, confrontar,
ser agressivo. A importância de saber ler o oponente e adequar a atitude face
aos riscos. A diferença entre a coragem e a inconsciência.

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

Proposta de actividade: solicitar aos jogadores que recolham informação


sobre a lei do tabaco, a história desta substância, a sua forma de produção, os
perigos para a saúde, etc.

Parágrafo 10 – (a aula de Educação Física)


Temas: A importância do exercício físico. A resistência de algumas pessoas
ao exercício por não quererem expor as suas limitações, ou evitarem
comentários dos colegas ao seu aspecto. A importância da actividade física no
bem-estar físico e mental – a actividade física como uma forma de cuidado
pessoal, descarga de energia excedente, e espaço de realização. A
competência física e a competitividade: algumas pessoas face à sua
competitividade, perdem a noção do limite dos outros exigindo níveis de
eficácia que não estão ao alcance destes reforçando a resistência destes à
prática desportiva. A variedade de modalidades poderá permitir que cada
pessoa encontre o seu próprio desporto. As diferentes competências
trabalhadas em cada modalidade: força, agilidade, estratégia, concentração,
cooperação, etc. A defesa pessoal: as artes marciais como factor de protecção
e reforço da auto-estima e do auto-controlo.
Proposta de actividade: solicitar aos jogadores que construam um quadro
com as modalidades que mais gostam e as competências por elas trabalhadas.
É importante que todos contribuam. Listagem dos desportistas preferidos em
diferentes modalidades.

Parágrafo 15, 56 – (Procuras os teus amigos)


Temas: Os malefícios do tabaco – os efeitos do tabaco no organismo. Os
componentes mais lesivos no cigarro. O impacto do consumo (1) a curto prazo:
o cheiro, hálito, a energia, a capacidade física, acne, dependência física,
despesa financeira (2) a médio prazo: alterações ao nível da sexualidade,
fertilidade, problemas respiratórios e cardiovasculares, alteração da saúde oral,
potenciação de risco de doenças oncológicas (3) ao longo do tempo: problemas
oncológicos. As campanhas: as características que as campanhas devem ter:
mensagens simples mas significativas para o grupo alvo. Imagem apelativa,

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

acessibilidade e visibilidade da informação, a credibilidade da informação (evitar


a mensagem que assusta mas não é demonstrável – frequentemente os jovens
sentem que os adultos os tentam enganar para os demover de
comportamentos de risco). As campanhas contra: despertar a atenção de
quem tem um estilo de oposição. Pesquisar: www.help-eu.com (em português),
www.smokefreekids.info (inglês), www.quitbecause.org.uk (inglês).

Proposta de actividade: (1) solicitar aos jogadores que pensem numa


campanha de prevenção do tabagismo: produzir um poster para uma
campanha, idealizar outras acções, pensar nos recursos necessários para as
organizar. (2) propor um calculo das despesas com o tabaco que um fumador
faz ao fim de 1 mês, 1 ano, 5 anos, 20 anos; o dinamizador poderá explorar a
percepção do grupo quanto à quantidade de tabaco fumado por um fumador
regular e utilizar o valor médio como referencia para o cálculo. Comparar a
despesa de um fumador que consome 1 maço de tabaco por dia com o
consumo de 3 maços por dia ao fim do mês.

Parágrafo 16, 19, 23, 86, 87, 88 – (Vais procurar um cigarro)


Temas: A proibição da compra de cigarros por menores. Os adultos que
pedem aos menores para comprar cigarros. As penalizações previstas para os
vendedores. Mentir ou respeitar a lei. A multiplicidade de marcas e tipos de
cigarro: as cores que traduzem diferentes concentrações de nicotina, monóxido
de carbono e alcatrão; a falsa ideia de que existem cigarros que fazem menos
mal. A promoção do tabaco: porque é que a publicidade foi proibida e formas
alternativas de promover o consumo de tabaco e de determinadas marcas: os
filmes/novelas, as fotografias, a utilização das marcas de tabaco associadas a
outro tipo de produtos (ex. Camel, Marlboro…). A dificuldade de parar: a
dependência do tabaco: física e psicológica – a rapidez da instalação da
dependência (surge em muitos casos antes do consumo regular). Substância
de iniciação a outras drogas (com igual peso que o álcool). Apoios e métodos
para deixar de fumar. Pesquisar: Linha SOS Deixar de Fumar (808.20.88.88)
ou www.parar.internet e www.help-eu.com.

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

Parágrafo 17, 18 – (Encontras o pai quando estás no quiosque)


Temas: A tomada de decisão / gestão de um conflito interno: Entre dois
males: contar uma verdade que vai trazer dificuldades ou mentir e prolongar o
problema. A escolha de um mal menor.

Parágrafo 20, 21 – (Reacção do pai)


Temas: A gestão das expectativas dos outros. Conseguir corresponder ao que
esperam de nós. O sentimento de incompreensão. O confronto com o
inevitável – emoções associadas.
Proposta de actividade: solicitar aos jogadores que imaginem o tipo de
emoções que se vive numa circunstância destas e como é que estas emoções
se traduzem em sinais externos de comportamento. (2) o dinamizador poderá
propor um pequeno role-playing no qual os jogadores ensaiem maneiras de
contar o que se está a passar ao pai de diferentes formas em busca da mais
eficaz a traduzir o que o Emanuel está a sentir naquele momento.

Parágrafo 22 e 27 – (no balneário)


Temas: A higiene pessoal: cuidar de si depois do exercício físico: tomar
banho, mudar de roupa, repor os níveis energéticos do organismo (beber uma
bebida isotónica, comer algum alimento (barras de cereais, banana, …). A
vergonha: a dificuldade de expor o seu corpo nas mudanças pubertárias – a
presença ou a ausência dos primeiros caracteres sexuais secundários. O medo
da comparação. Como lidar com a aflição dos outros – desvalorizar, dar ideias
para resolver o problema, ouvir, dar conselhos, dizer piadas para desanuviar,
dizer que tem de se ser forte. O sentimento de impotência de não poder
ajudar. O medo que contagia: quando achamos que as coisas que acontecem
aos outros também nos vão acontecer. Os assaltos e roubos: como reagir e
lidar com estas situações – lutar, fugir, negociar, evitar as agressões dando os
valores que o assaltante nos pede, esperar pela melhor oportunidade para a
vingança, denunciar a alguém. O sentimento de revolta pelas coisas injustas
que acontecem.

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

Parágrafo 24 – (na sala de convívio)


Temas: A participação dos estudantes/jovens na dinâmica da
escola/instituição – as associações de estudantes. Vantagens e desvantagens.
Reflexão sobre a realidade específica deste contexto de aplicação. As normas:
as leis (norma formal) e a percepção da normalidade (norma informal). O
choque das duas: o debate entre o benefício público e o direito pessoal. A
importância de contrariar a norma informal com a exploração dos dados de
prevalência de fumadores (20 a 30% de prevalência de fumadores em
Portugal).
Proposta de actividade: (1) solicitar aos jogadores que imaginem a sala de
convívio ideal. Cada jogador poderá propor uma actividade. Pensar quais das
ideias dadas são realizáveis e quais os passos necessários para as concretizar.
(2) Explorar com os jogadores qual a ideia que têm de normalidade do
consumo de tabaco. (qual a percentagem de portugueses que fumaram no
ultimo mês). Confronto com os dados nacionais. Comparação dos dados gerais
com dados nos jovens.

Parágrafo 25, 28, 29 – (em casa)


Temas: O impacto das preocupações no bem-estar das pessoas. Entre o
benefício colectivo e o sacrifício individual. A necessidade de descontrair –
actividades a que as pessoas recorrem quando estão tensas.
Proposta de actividade: Listar um conjunto de actividades que ajudem a
descontrair.

Parágrafo 26, 29, 30 – (na internet)


Temas: O mensager© e outros pontos de interesse na internet. A publicidade,
os download, os sites sobre sexo, os jogos on-line, os vírus informáticos. Os
chats – encontrar os amigos ou procurar novas relações. Coisas boas e coisas
más da internet. A perda da noção de tempo e o carácter aditivo da internet. O
ciberbullying: o sentimento de impotência face ao comportamento dos outros;
os maus-tratos à distância; o desconhecimento dos autores; o ridicularizar.

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

Proposta de actividade: Pesquisar o site www.miudossegurosna.net

Parágrafo 31 – (ouves música)


Temas: As letras das músicas com que nos identificamos.
Proposta de actividade: Criar em conjunto uma letra de rap que exprima o
sentimento que esta história provoca (2) Listar músicas que o grupo identifique
como tendo letras com que se identifiquem. (3) Organizar uma sessão de
escuta de músicas e leitura das letras.

Parágrafo 33, 40 – (reagindo ao Jamal)


Temas: As coisas que mais nos irritam: as bocas, as alcunham, as injustiças,
etc. Como lidamos com quem nos irrita – responder com o mesmo tipo de
provocação, chorar, fugir, bater, desvalorizar, etc.
Proposta de actividade: pedir aos jogadores que escrevam num papel o que
mais os irrita que lhes seja dito, não se identificando. Os papéis são dobrados e
misturados num saco e cada um à vez tira o seu papel e lê o que tem escrito
falando dessa irritação como se fosse a sua. Não pode gozar com o que lhe
coube em sorte. Apenas pode falar da irritação que lhe causa aquela situação e
o que faz para lidar com ela. Durante o jogo nenhum jogador poderá revelar o
que escreveu no papel que pôs inicialmente no saco.

Parágrafo 34, 36, 37, 38, 39 – (reagindo ao cão)


Temas: O sentimento de loucura. A perda de sentido das coisas que nos
rodeiam. As emoções que estão associadas ao estado de confusão. O sonho /
pesadelo – o sonho como parte do sono, os sonhos de que nos lembramos e
os que não nos lembramos e pensamos que não sonhámos, a lógica especial
dos sonhos, diferente da lógica do real, o valor simbólico dos sonhos –
raramente a mensagem dos sonhos é directa. O sonho como forma de tentar
resolver problemas do dia-a-dia. Os sonhos de repetição.

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

Proposta de actividade: pedir que cada jogador tente lembrar-se do sonho


mais estranho que já teve. Evitar interpretações ou comentários de gozo. (2)
Pedir que os jogadores procurem um sentido no sonho do Emanuel.

Parágrafo 34, 35, 39, 41 – (Fumas)


Temas: O efeito do tabaco no organismo – 3 grandes áreas de impacto:
respiratória, cardiovascular, e cancro. As alterações ao nível da resistência
física em função da pior oxigenação. A diferença entre o tabaco planta, o
cigarro (o processo de fabrico que incluem a adição de outras substâncias) e o
fumo do cigarro (efeito da combustão)
Proposta de actividade: investigar as substâncias presentes no fumo do
tabaco. Produtos onde existem as várias substâncias presentes no fumo – ex.
amónia, ou acetona, cádmio etc. – características e perigosidade.

Parágrafo 42, 45, 49, 53, 59 – (Não querer falar)


Temas: Não querer falar de um assunto – mentir, dizer frontalmente, mudar de
assunto, inventar uma desculpa para ter de ir embora.

Parágrafo 43, 46, 52, 54, 70, 72, 79 – (Reagindo ao buller)


Temas: o Bullying: definição e causas. As diferentes componentes do bullying
– o buller, o alvo da agressão, a plateia. Reagir ao prolongar dos maus-tratos –
enfrentar, questionar, subjugar-se, procurar aliados, denunciar. O crescendo
de violência. As perdas...
Proposta de actividade: (1) pesquisar na internet mais informações sobre o
bulliyng. Elaborar uma lista de comportamentos de defesa; (2) Visionar spots
ligados ao tema e promover uma discussão a partir deles:
http://www.youtube.com/watch?v=fNumIY9D7uY – Ciberbullying;
http://www.youtube.com/watch?v=nWJut7KQhI4 – Formas de ajuda por terceiros;
http://www.youtube.com/watch?v=1j6YA03hm4k – Bullying verbal / Bullying no feminino;
http://www.youtube.com/watch?v=xPboK6yWKno – Situações de Bulliyng;

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

http://www.youtube.com/watch?v=jtz9o09Gjnc – Pedidos de ajuda; (3) pesquisar na


internet sítios que abordem o tema como o portal da juventude
(www.juventude.gov.pt) a Aventura Social (FMH)
(http://www.aventurasocial.com/main.php).

Parágrafo 47, 50, 59, 60, 61, 85 – (Confiar num amigo/a)


Temas: Falar com alguém sobre o que nos incomoda. Características
importantes para incutir confiança em alguém – não recriminar, não julgar,
não interpretar, não ter pena, reconhecer as dificuldades e situar-se face a elas,
respeitar a privacidade. As consequências de não confiar em ninguém – ficar
sozinho com o problema, mais medo, achar que o problema é seu para atrair os
maus-tratos.

Parágrafo 48 – (fazer o teste)


Temas: o impacto dos problemas não resolvidos no rendimento escolar. A
desconcentração, a perda de confiança, a instabilidade/agitação motora

Parágrafo 55, 57, 58 – (Quadro do desporto escolar)


Temas: A competição: a necessidade de ganhar, o prazer de jogar, o medo de
perder. Ter de ser o melhor. O desafio como forma de se auto-avaliar. A
importância do reconhecimento dos outros. A ansiedade da competição. O
evitamento de situações de competição. A compulsão pelo jogo. A pressão
dos colegas: aceitar jogar para agradar aos outros, recusar a situação por uma
questão de respeito por ti, agradar a ideia de integrar um grupo ganhador.
Formas indirectas de maus-tratos: rebaixar, ridicularizar, chamar nomes,
ameaçar, etc.

Parágrafo 61, 63, 64, 71, 73, 74, 76 – (Falar com o pai)
Temas: Dificuldade de chegar aos pais. Medo de ser repreendido ou
criticado. A distância entre pais e filhos. Os pais de uns e os pais dos outros.

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

A ideia de que os dos outros são melhores que nos nossos, mais protectores,
mais compreensivos, mais tolerantes, etc. O receio de que as pessoas não
aprendem e reagem sempre da mesma maneira – as más experiências
anteriores que nos limitam. O sentimento de vergonha. Permitir-se ser
surpreendido pelo outro. A aproximação entre a família e a escola. O
conforto de ser protegido e encorajado. O papel de quem presencia no
desenvolvimento de uma situação de bullying – (1) reagir negativamente resulta
frequentemente na suspensão da acção agressiva, especialmente se essa
reprovação for feita em grupo; (2) rir da situação, reforça a posição do bullie
tornando quem assiste seu cúmplice; (3) manter-se neutro com medo de ser
tomado com alvo, facto que reforça a posição do bullie por efeito de plateia.
Proposta de actividade: pensar em comportamentos que o pai pudesse ter
numa situação destas. Antecipar consequências.

Parágrafo 62, 65, 67, 70, 72, 77 – (Falar com o professor)


Temas: Confiar vs. Delegar. O sentimento de vergonha. Atitude
dependente/passiva: pedir ajuda para que o outro resolva o problema. Os
adultos referência.
Proposta de actividade: pedir que cada jogador, que sem se identificar,
escreva num papel em quem confiaria na escola para contar um problema. O
pedido pode ser desdobrado entre professores e alunos. No final o grupo,
trabalha os dados para perceber quem são as pessoas-referência eleitos pela
turma.

Parágrafo 66 – (generalização)
Temas: A importância de perceber que não se pode generalizar um aspecto
negativo a todas as pessoas do mesmo grupo de pertença.
Proposta de actividade: pedir ao grupo que faça um levantamento de
situações que conheçam em que a generalização é injusta.

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

Parágrafo 66, 70, 72, 75, 78 – (a entreajuda)


Temas: Conhecer pessoas que partilham o mesmo problema. Encontrar
soluções em conjunto. Perceber que não se é o único com esse problema.
Partilhar soluções que resultaram em situações semelhantes.

Parágrafo 71 – (esperar pela altura certa para falar com


alguém)
Temas: O sentimento de urgência que nos leva a escolhermos os momentos
errados para ter conversas importantes. Criar o ambiente certo para uma
conversa – não recorrer ao telemóvel para ter uma conversa importante. A
defesa de dizer coisas que nos embaraçam sem estarmos a ver o outro.
Proposta de actividade: propor ao grupo um jogo em que os jogadores
formam pares e devem ter uma conversa em torno de um tema significativo a
escolher pelo dinamizador (um pedido de ajuda, por exemplo). Atribuir aos
pares formas diferentes de comunicar o pedido – (1) de costas um para o outro,
(2) sem poderem falar, (3) cada um no seu extremo da sala, (4) à distância com
recurso ao telemóvel, (5) face a face, (6) por escrito em papel, (7) por escrito
em sms, etc. O pedido de ajuda deve ser claro e definido previamente para que
todos estejam a concretizá-lo ao mesmo tempo. No final reflecte-se sobre o
impacto dos diferentes canais.

Parágrafo 81, 82, 83 – (denunciar a situação)


Temas: Expor o bullie à opinião dos outros: envolver os outros num problema
que é de todos. Evitar que o problema seja de cada um isoladamente.
Proposta de actividade: pedir a cada jogador que escreva um artigo de jornal
no qual denuncie uma situação hipotética de bulliyng.

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

7.4:História 4: A Família
Personagem Principal: João

Existe um conjunto de grandes temas que se distribuem ao longo desta história.


Listaremos num primeiro momento esses temas, trabalhando, depois de uma
forma mais específica, cada um dos parágrafos explorando pequenas questões
que poderão ser orientadoras do processo de exploração da narrativa. Deste
modo os temas gerais são:
1. A dinâmica famílias – regras e rituais;
2. Projectos e limites;
3. O peso económico do consumo de Tabaco;
4. A escalada de consumos que conduz à dependência;
5. Os esquemas associados à toxicodependência;
6. O sistema de tratamento;
7. O abandono escolar;

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

8. Programas de formação alternativos;


9. A confiança;
10. O segredo;
11. A ajuda informal através dos pares.
Estes temas são explorados com maior e menor clareza no decurso da
narrativa, contudo é no processo de exploração dos temas, que os conteúdos
poderão emergir de forma mais consistente cabendo ao MJ não apenas a
auscultação do grupo sobre estas matérias, mas acompanhá-los na recolha de
informação adicional que permita a consolidação ou a mudança de percepções.

Exploração de conteúdos de reflexão por parágrafo

Parágrafo 1, 14, 23 – (Chegada da mãe)


Temas: A dinâmica familiar – horas de chegada a casa, estados de espírito,
entreajuda, tarefas, etc.
Proposta de actividade: propor a cada jogador que sintetize as características
da sua família dentro de alguns dos parâmetro acima descritos. Quem compõe
a família. Quem é o bem-disposto da família, quem é o rabugento, quem ajuda,
quem arruma...

Parágrafo 2, 4, 6, 7, 9, 10 – (saída de casa)


Temas: A Autonomia: poder ou não sair quando se quer. O Controlo:
necessidade ou não de se dizer para onde se vai; sentimentos associados –
pressão, irritação, (in)segurança, etc.; As necessidades dos outros – perceber
que as regras familiares (dizer para onde se vai) servem para garantir a
segurança e a estabilidade da família. O Respeito: ser ou não capaz de
cumprir com a dinâmica da família respeitando a diferença de estatuto entre
pais e filhos. Avisar antes de sair: dar a saber por onde se anda; aceitar a
definição de limites. Cumprir com as combinações.
Proposta de actividade: (1) saber como é que as mães de cada um reagiriam
se lhes dissessem para se meter na sua vida. Quais poderiam ser as

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

consequências (2) fazer um exercício de imaginação e projectarem-se no futuro


tentando prever a atitude que tomariam se um filho lhes dissesse para que se
metessem na vida deles.

Parágrafo 3 – (falar com a mãe)


Temas: A proximidade entre os elementos da família. A importância de manter
momentos dedicados à partilha do que se passou ou do que se deseja no
futuro. Os momentos de combinação familiar como espaços para antecipar
expectativas e organizar tarefas. Formas de evitar discussões em cima dos
acontecimentos antevendo as actividades previstas para um determinado
período de tempo.
Proposta de actividade: (1) perceber junto ao grupo se existem nas suas
famílias tempos de partilha/conversa (às refeições, espontaneamente quando
calha, existem momentos definidos para conversar / combinar coisas) (2)
perceber com quem é que cada um se sente mais próximo para falar sobre as
suas coisas (ninguém, a mãe, o pai, um irmão, outro elemento da família).

Parágrafo 5 – (ir para o quarto)


Temas: O espaço de intimidade: a importância de ter um espaço próprio, não
necessariamente um quarto só seu mas um espaço que identifique como seu.
A relação entre espaço psicológico e espaço físico. Como ocupamos o nosso
espaço (a arrumação/organização, o preenchimento, a invasão do espaço do
outro, etc.) O cheiro a fumo: o impacto do consumo de tabaco no ambiente de
uma casa. A diferença entre fumar e gostar do cheiro a fumo. O consumo
passivo de tabaco: o impacto do consumo dos outros nas pessoas que estão
próximas a quem fuma.
Proposta de actividade: dinâmica de grupo: (1) A Ocupação de Espaço; (2)
Pára agora.

Parágrafo 8, 11 – (no café)


Temas: Os pontos de encontro: os locais de frequência habitual, Quem para
lá. Porque se escolhem estes sítios. Pela frequência, pelo estilo de lugar, pela

91
Manual Eu e Os Outros (versão demo)

proximidade, pelo não cumprimento das regras, pelos esquemas que por lá se
fazem, etc.

Parágrafo 12 – (jogar consola)


Temas: Os jogos favoritos – estilos diferentes – de aventura, combate,
estratégia, competição desportiva. As competências trabalhadas: a destreza
manual, rapidez de decisão, persistência, cálculo, domínio da língua
estrangeira, etc. A violência nos jogos. Jogar sozinho, com os amigos, online,
etc. Superar-se batendo recordes. A perda de noção do tempo. A importância
da definição de limites de tempo

Parágrafo 13 – (arrumar o quarto)


Temas: As tarefas de que não se gosta. Viver na confusão, vs. manter o seu
espaço pessoal organizado. Saber onde estão as coisas. A iniciativa pessoal vs
a imposição familiar. A descoberta de coisas do passado. Como e onde se
guardam as recordações do passado. Do que é que se lembram do tempo do
1º ciclo ou do pré-escolar. As alcunhas e os nick-name – quem as pôs, porquê,
as que gostamos, as que nos envergonham e as que nos irritam.

Parágrafo 15 – (o jantar)
Temas: O jantar em família vs cada um come à sua hora. As interferências:
comer com a televisão ligada, atender o telefone/telemóvel durante a refeição.
Quem fala à hora do jantar sobre o quê – os filhos contam as novidades e
actualizam os pais? Os jovens interessam-se pelas actividades dos pais? Só se
fala da escola? Não se fala? É um tempo agradável ou aborrecido. Pratos
favoritos. A importância da alimentação na dinâmica familiar – é o único
momento em que estão todos juntos, ser um momento de festa pelo prazer que
todos têm.

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

Parágrafo 16 – (farto da escola)


Temas: A integração na escola: junto aos colegas, aos professores e à cultura
escolar. A motivação: a capacidade de perceber a aplicação directa dos
conteúdos aos projectos de vida futuros e imediatos. A importância das
características pessoais dos professores na motivação dos alunos. A
capacidade de investir a longo prazo – apostar agora para recolher os frutos
mais tarde. O imediatismo como factor de desequilíbrio.

Parágrafo 17, 19, 21, 22 – (interesse na moto)


Temas: A importância de ter um sonho. Capacidade de traçar objectivos e
definir os passos necessários para o atingir. A dependência de terceiros e a
gestão da frustração. A procura de vias alternativas. A comparação com os
outros – o que se tem e o que os outros têm como factor de pressão na família.
A dificuldade de aceitar as limitações. O impacto económico do consumo do
tabaco. As atitudes num contexto de negociação – a imposição, a
compreensão, a procura de alternativas. Equacionar o custo/benefício de cada
solução.
Proposta de actividade: (1) organizar um levantamento de sonhos entre o
grupo de participantes. Equacionar com o grupo a exequibilidade de cada um.
(2) Proceder ao cálculo do custo médio do consumo de tabaco para alguém
que fume a) um maço de tabaco por dia, b) três maços de tabaco por dia. Fazer
esse calculo para uma família em que ambos os pais fumam tabaco.

Parágrafo 18 – (a sobrecarga do pai)


Temas: Os sacrifícios necessários para a manutenção do equilíbrio financeiro
familiar. Qual o nível de preocupação dos filhos com as dificuldades laborais
dos pais? O sentimento de ausência dos pais por parte dos filhos. A
importância do tempo de qualidade.

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

Parágrafo 20 – (passas os olhos pela matéria)


Temas: Os métodos de estudo: sublinhar, fazer resumos, repetir e decorar,
fazer exercícios, etc. Os factores de distracção: a música, a televisão, as
revistas, outras pessoas, etc. O espaço de trabalho: à secretária, na cama, no
café, etc. O tempo de estudo – períodos curtos com pequenos intervalos,
períodos longos únicos, etc. Tomado de ponta: as coisas que fazemos que
nos marcam aos olhos dos outros.
Proposta de actividade: explorar com os jogadores os seus métodos de
estudo pedindo a cada um deles que comente a forma como o Colas se
organizou para preparar o seu próximo teste.

Parágrafo 24 – (não cumprir horários)


Temas: Questionar as regras familiares – consequências. Comparações entre
direitos – consciência da diferença de estatutos.

Parágrafo 25, 26, 27, 29 – (desejo de reencontrar o amigo)


Temas: A dificuldade/capacidade de esperar. O reencontro com alguém que já
não se vê há muito tempo. Amizades perdidas.

Parágrafo 28, 31, 37 – (chegar à escola)


Temas: Resistência às coisas de que não gostamos. Aproveitar o que nos
distrai – as motos, uma conversa... Os sonhos que nos distraem. Lidar com
uma má imagem junto aos professores. O sentimento de injustiça vs. uma
situação compreensível.

Parágrafo 30, 33 – (cumprimentar o professor)


Temas: A boa educação vs o desafio. A desconfiança do professor. Atitudes –
ignorar, provocar, confrontar, esclarecer...

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

Parágrafo 32, 36, 39 e 40 (pedido de dinheiro)


Temas: Emprestar ou não o dinheiro. Implicações – pôr em causa a amizade,
não voltar a ver o dinheiro, questionar uma relação que após tanto tempo sem
se verem é reatada desta forma. Os sacrifícios em prole das amizades.
Querer saber ou não para o que é – os amigos confiam e não precisam de
saber; mesmo sendo amigo tenho de saber para o que é. Ter medo de ficar a
saber de mais. Não se querer meter na vida do amigo. Antecipar que não é
para boa coisa. Diferentes formas de dizer não.

Parágrafo 34 – (encontro com o Xavier)


Temas: Reagir à surpresa. Pensar em si ou nos outros. Procurar um espaço
mais tranquilo para uma conversa. As mil coisas em que se pensa num
reencontro.
Proposta de actividade: pedir aos jogadores que identifiquem um
reencontro que desejassem muito (um amigo que foi para longe, um familiar,
uma pessoa muito significativa). Em seguida pode pedir que cada um pense em
coisas que lhe gostasse de dizer quando se reencontrassem. O dinamizador
pode propor que se representem alguns destes encontros, se considerar que o
grupo tem maturidade suficiente para o fazer. Deve ter o cuidado de se centrar
mais no plano cognitivo de compreensão das diferentes coisas que nos passam
pela cabeça num reencontro e menos nas emoções que, podendo ser intensas,
serão mais difíceis de controlar pelo dinamizador

Parágrafo 35 – (esperar pelos amigos)


Temas: Como compreender a recusa. Sentimento de menor à-vontade e de
perda dos laços. Vergonha do mau aspecto? O evitamento como forma de
defesa.

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

Parágrafo 36 – (explicação sobre o dinheiro)


Temas: O jogo a dinheiro. As apostas e os riscos. Apostar o dinheiro que se
não tem. O jogo como dependência/vício. A recusa/negação deste tipo de
problema. Tipos de ajuda.

Parágrafo 38, 45, 50 – (convite para beber um copo)


Temas: A troca de seringas – o sentido de trocar seringas nas farmácias. Uma
medida para reduzir os riscos de transmissão de infecções por via sanguínea.
Os tratamentos injectáveis. O estigma da toxicodependência. Aceitar ou não,
trocar as seringas do amigo. Necessidade de explicação ou passividade. A
compreensão dos sinais dos outros – a agitação do amigo como sinal de
tensão ou de ansiedade.

Parágrafo 41 – (explicação sobre as seringas)


Temas: A diabetes. As causas da doença – insuficiência na metabolização de
insulina. A necessidade de controlo constante dos níveis de açúcar no sangue.
As doenças crónicas – uma doença para o resto da vida. Necessidade de
aceitar a doença e de assumir alguns cuidados. O sentimento de se ser
diferente que provoca vergonha e receio da reacção dos outros. Como ajudar
pessoas que tenham este tipo de doenças a lidar melhor com os seus
problemas.
Proposta de actividade: propor ao grupo que tente identificar outras doenças
crónicas conhecidas. Pessoas conhecidas que tenham doenças crónicas.
Exploração na internet de associações de apoio a doenças específicas.

Parágrafo 42, 43, 48 – (conversa no bar)


Temas: O consumo de heroína: a substância – opiáceo de efeito depressor do
SNC. Tipos de consumo – fumado, injectado. Dependência física e psicológica
– o sofrimento do próprio e das famílias. A síndrome de abstinência (ressaca) –
o tempo necessário à reposição dos níveis de endorfina no corpo – dores fortes
e mal-estar geral. A dificuldade de parar os consumos. Tendência a negar o

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

problema e a adiar a paragem (só mais um consumo para despedida). O perigo


de overdose – morte por consumo de uma dose demasiado forte para o
organismo (paragem cardíaca). O calão da toxicodependência (chuto, haxe,
charros, fuminhos, careta)
Proposta de actividade: pesquisa na internet sobre a substância.

Parágrafo 44 – (saber um pouco mais)


Temas: Atitude: saber um pouco mais antes de assumir uma posição. A
escalada do consumo – a passagem progressiva de umas drogas para outras
(do haxixe à heroína) e de um tipo de consumo a outro (do fumado ao
endovenoso) e a instalação progressiva da dependência (um dia descobri que
já me sentia mal se não consumisse). A diferenciação e a normatividade – os
que consomem e os que não consomem (os caretas).

Parágrafo 46, 51, 55 – (não te envolveres)


Temas: A necessidade de se proteger de uma situação potencialmente
dolorosa. As experiências anteriores como orientação para as nossas decisões.
A noção de limite pessoal (o que eu suporto e o que não suporto). A
importância de respeitar esses limites mesmo quando isso se traduz em não
ajudar o outro. Os perigos de não respeitar os limites pessoais – envolver-se
em situações que não são suportáveis. O problema do outro tornar-se o nosso
problema. Não ter distância suficiente para tomar boas decisões.

Parágrafo 47 – (pedido de ajuda)


Temas: Diferentes tipos de ajuda – medicamentosa, psicológica, social,
jurídica, etc. Qualidade do pedido de ajuda – pedir ajuda para não se sentir mal
mas não haver intenções de parar realmente o consumo. Ajuda especializada
(Instituto da Droga e Toxicodependência / ONG’s e IPSS ligadas a esta área)
vs. Ajuda generalista (Centros de Saúde). Tratamento continuado ou
medicação esporádica. Grupos de Auto-ajuda (Narcóticos Anónimos /
Alcoólicos Anónimos).

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

Proposta de actividade: pesquisa na internet sobre respostas de tratamento.

Parágrafo 49, 53, 54 – (procuras informação)


Temas: Como se procura a informação. Sites oficiais e sites de organizações
não governamentais. Informação fidedigna vs. informação tendenciosa. O
recurso à linha de apoio 1414 – chamada telefónica, e-mail ou chat.
Proposta de actividade: consultar o site www.tu-alinhas.pt à procura de
informação. Fazer um telefonema para a linha 1414 procurando sugestões para
a ajuda a um amigo.

Parágrafo 52 – (mostras-te compreensivo)


Temas: Reconhecer que a dependência das substâncias é muito mais
complicada que uma simples questão de força de vontade. A personalidade das
pessoas facilita ou reduz o risco de dependência das drogas – há pessoas com
mais propensão para correr riscos (risk takers). As substâncias consumidas
podem ter um efeito medicamentoso para pessoas com patologia mental
encoberta.

Parágrafo 56, 57, 58, 61, 63 – (conversa com o Sr. Joaquim / café
com a Maria)
Temas: Corresponder ao pedido de alguém – (in)disponibilidade,
(im)paciência. Educação – “por favor também se usa”. Ser brusco ou seco nas
respostas. As suspeitas sobre o amigo – ser honesto ou ser leal. Impacto da
suspeita na relação.

Parágrafo 59 – (pedes mais dinheiro à mãe)


Temas: A gestão do dinheiro: a rapidez com que o dinheiro se gasta. Ter ou
não mesada/semanada – luxo de quem tem posses ou um treino importante
mesmo em famílias com menos recursos. Os sermões das mães.

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

Parágrafo 59, 60, 62, 77, 80 – (café com a Maria)


Temas: O risco de abandono escolar: O impacto no futuro. A falta de formação
de base condiciona o futuro profissional. As soluções a curto prazo vs. o
investimento. Estratégias de motivação para o percurso escolar – definição de
projectos, grupos de estudo (entre-ajuda), seguir uma via profissionalizante,
…:O Programa Integrado de Educação e Formação (PIEF), enquanto
medida de excepção que se apresenta como remediação depois de terem sido
rejeitadas outras respostas existentes quer no sistema educativo quer na
formação profissional. O PIEF concretiza-se, mediante a elaboração de um
Plano de Educação e Formação (PEF) com subordinação aos seguintes
princípios: Individualização, tendo em conta a idade, a situação pessoal, os
interesses e as necessidades de inserção escolar e social do menor, com base
em diagnóstico inicial; Acessibilidade, permitindo a intervenção e a integração
do menor em qualquer momento do ano lectivo; Flexibilidade, permitindo a
integração do menor em percursos de educação e formação ou de educação
extra-escolar, nomeadamente em acções susceptíveis de certificação ou de
creditação no quadro de percurso subsequente; Continuidade, procurando
assegurar uma intervenção permanente e integrada, através da frequência de
actividades de desenvolvimento de competências, designadamente de carácter
vocacional, de acordo com os recursos e as ofertas dos serviços e entidades
tutelados ou apoiados pelos Ministérios da Educação e da Segurança Social e
do Trabalho, em especial quando concluído o 2.º ciclo do ensino básico sem
possibilidade de ingresso imediato em percurso subsequente; Faseamento da
execução, permitindo o desenvolvimento da intervenção por etapas
estruturantes do percurso educativo e formativo do menor; Celeridade,
permitindo a obtenção de certificados escolares em período de tempo mais
curto, nomeadamente de um ano e de dois anos para a conclusão dos 2º e 3º
ciclos do ensino básico, respectivamente; Actualização, permitindo a revisão e
alteração do plano, em função das alterações de situação e de necessidades
do menor, disponibilizando-lhe apoio psicopedagógico e favorecendo-lhe a
frequência de actividades de orientação escolar e profissional. Lidar com a
preocupação dos amigos.

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

Proposta de actividade: (1) promover um debate para discutir de que formas a


Maria pode ajudar o seu amigo. (2) pesquisar www.peti.gov.pt para explorar as
alternativas de formação.

Parágrafo 65, 66, 67, 68, 70, 71, 78 – (crise familiar)


Temas: A acusação – a injustiça, o tom de voz com que é feita, a
agressividade. A conjugação de sinais. O dilema entre esclarecer e pôr o amigo
em causa e proteger o amigo mantendo a crise. Atitudes – passividade (não
fazer nada), agressividade (subir o tom, contra-atacar), assertividade (pedir
para falar). A necessidade de pensar rápido vs. ganhar tempo para pensar
melhor (confiem em mim) – nem sempre ocorre a melhor resposta na altura. A
desconfiança mesmo perante a verdade.

Parágrafo 69 – (contas a situação do Xavier)


Temas: O confronto entre lealdades: a família é mais importante que uma
amizade? Na adolescência, com a crescente autonomização da família as
amizades tornam-se mais importantes do que a família?

Parágrafo 72, 75, 79, 89 – (Conversa com o Xavier)


Temas: Confrontar o problema. Atitude face à reacção do Xavier – ser passivo
(arranjar o dinheiro), ser assertivo (recusar o empréstimo propondo
alternativas), ser agressivo (passares-te da cabeça). Reagir à pressão:
diferentes formas de ajudar – corresponder ao pedido ou recusando aquele
pedido específico de ajuda. Ajuda especializada: o Instituto da Droga e
Toxicodependência – o que é, para o que serve. Os diferentes departamentos
– prevenção, tratamento e reabilitação, monitorização formação e investigação.
Os Centros de Resposta Integrados e as respostas locais. A mediateca (onde
se pode ir procurar informação na área da toxicodependência), a Linha 1414 e
os sites oficiais. As comissões de dissuasão. A alcoologia.

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

Parágrafo 73, 76 – (ir dar uma volta)


Temas: A importância de organizar ideias para melhor ajudar. Afastar-se do
problema como forma de olhar a situação com maior distância. Pedir a opinião
dos outros como forma de alargar a visão do problema. A utilização da Linha
1414 como forma de apoio em termos informativos e em apoio à tomada de
decisão. O horário: das 10h às 20h. As regras: confidencialidade e anonimato.
A importância de saber o que se quer perguntar. As chamadas brancas e as
brincadeiras como formas de bloquear e desperdiçar um serviço público
gratuito.
Proposta de actividade: o dinamizador pede aos jogadores que se organizem
de modo a seleccionar os aspectos mais importantes da situação, escolham um
porta-voz, liguem para a linha 1414 e peçam uma orientação para a situação.
Podem também recorrer ao e-mail. A pessoa que fizer a ligação deve depois
explicar aos colegas qual o resultado da sua conversa com o técnico da linha.

Parágrafo 74, 77, 80 – (Questões para pensar)


Temas: O sofrimento da mãe do Xavier: justificação para esconder ou
motivação para a mudança. A falta de informação que não nos ajuda a decidir –
a importância de pesquisar e ouvir uma opinião técnica. A importância de
contar com ajuda no processo de tratamento. A questão das recaídas como
parte do processo de cura. A necessidade de contar com um elemento de
controlo externo numa doença de perda de controlo (falar com a mãe). A
vergonha e o medo de desapontar. A possibilidade de recomeçar, desenhando
um projecto que ajude a suportar o tratamento.

Parágrafo 77 – (Desvalorização)
Temas: A perda de confiança em si. O sentimento de que ninguém acredita. A
necessidade de recomeçar a sua formação e credibilização pessoal. A
valorização das oportunidades desperdiçadas.

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

Parágrafo 78 – (Passas-te da cabeça)


Temas: O limite da tolerância. A irritação como modo de tornar claro ao outro
que está a ultrapassar os seus limites. A diferença entre zanga/agressividade e
violência. Acreditar no outro como base da capacidade de ajuda. Ser honesto
consigo vs. ser hipócrita.

Parágrafo 81, 84 – (Resolver as pontas soltas)


Temas: A importância de enfrentar as questões por muito dolorosas que sejam.
O perigo de deixar uma mágoa que fica a marcar para sempre a relação futura
(o questionar da confiança dos teus pais). Abrir o jogo com os pais para que
eles saibam o que te propões fazer (ajudar o Xavier). O papel da comunidade
na integração dos toxicodependentes. A reinserção começa na atitude da
comunidade. O suporte à família do doente.

Parágrafo 83 – (Os centros de tratamento)


Temas: As diferentes formas de ajuda técnica – medicamentosa, psicológica,
social, jurídica. Os tratamentos de substituição – medicamentos que substituem
a heroína nos seus efeitos permitindo uma progressiva desabituação. A
desabituação – medicação sintomática que ajuda o toxicodependente a
suportar os efeitos da ressaca. A abertura de processo e o direito ao
anonimato. O percurso do tratamento – a importância do trabalho terapêutico
de consolidação da paragem depois do final dos consumos (prevenção da
recaída). O trabalho de reabilitação social (os centros de dia, a formação
profissional, o apoio à inserção na vida activa (UNIVAS).

Parágrafo 85 – (A importância da família)


Temas: A evolução da visão da família ao longo da adolescência – do papel
central na pré-adolescência para uma progressiva autonomia. A família como
importante factor de protecção na toxicodependência. A função de referência
de valores, definição de limites e suporte na persecução dos projectos de vida.

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

O equilíbrio certo entre a proximidade/partilha e a necessidade de privacidade.


O trabalho familiar – vantagens e desvantagens.

Parágrafo 88 – Saber como foi com a família


Tema: percursos de exclusão – As soluções temporárias (ir para casa do tio
endireitar, fugir dali, …) As soluções que mudam o contexto mas não a pessoa;
O insucesso escolar como sinal precoce de percursos de exclusão; Interesses
alternativos – os esquemas; A espiral de acontecimentos negativos – castigos,
suspensões, zangas.
Proposta de actividade: dinâmica de grupos: O Jogo dos Problemas

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

7.5:História 5:Amores e desamores


Personagem Principal: Catarina

Existe um conjunto de grandes temas que se distribuem ao longo desta história.


Listaremos num primeiro momento esses temas, trabalhando, depois de uma
forma mais específica, cada um dos parágrafos explorando pequenas questões
que poderão ser orientadoras do processo de exploração da narrativa. Deste
modo os temas gerais são:
1. O amor e as paixões;
2. A atracção;
3. Maus-tratos dentro da relação de casal;
4. A agressividade associada ao consumo de álcool;
5. O ciúme doentio;
6. Associações de apoio à vítima;
7. O comportamento de perseguição;
8. Jogos de sedução;
9. A sexualidade;

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

10. A contracepção;
11. A lealdade na amizade;
12. Fidelidade numa relação;
13. Papel do telemóvel;
14. Doenças/infecções Sexualmente Transmissíveis (DST’s/IST’s).

Exploração de conteúdos de reflexão por parágrafo

Parágrafo 1, 7, 9, 11, 12, 14 – (o telemóvel toca junto ao jardim)


Temas: O Papel do Telemóvel na vida das pessoas – as mensagens, a
acessibilidade; As chamadas não identificadas – (1) a curiosidade de saber
quem é, (2) a irritação pela repetição; As brincadeiras ao telefone – a
diversão de quem telefona. O impacto em quem atende – irritação, medo,
desconfiança, etc. Reacções possíveis – não atender, atender e pedir para
parar com a brincadeira, procurar identificar quem liga, desligar o telemóvel,
mudar de número.

Parágrafo 2 – (és apanhada)


Temas: Fugir ao diálogo – aspectos de evitamento de diálogo sem razões
aparentes; falar com os amigos sem iniciativa. As características mais
marcantes dos nossos amigos – a energia, a alegria, o mau feitio, a
maluqueira…
Proposta de actividade: propor aos jogadores que façam uma lista de amigos
significativos e escrevam uma característica marcante para cada um deles.

Parágrafo 3, 6, 8, 87 – (interessada no assunto)


Temas: A atracção: o que nos faz reparar em alguém – aspectos físicos (cor
dos olhos, cabelos, as mãos, as pernas, o peito, …) aspectos afectivos (ser
meigo, ser forte e seguro, …) aspectos comportamentais ou de atitude (ser
cuidadoso, ser educado, ser rebelde…). Reacções à sorte dos outros –

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

entusiasmo, cautela, inveja, ciúme, etc. O que nos faz avançar para a
intimidade numa relação, aspectos educacionais. As diferenças ao nível do
género: não apenas o que varia no que atrai mas também nas reacções face à
atracção.

Parágrafo 4 – (Vais ter com a Maria)


Temas: A aparência: os piercings, os penteados, a roupa, a maquilhagem,
tatuagens, etc. A importância destes aspectos na atracção. Sinais de
identificação entre pessoas que pertencem ao mesmo grupo ou à mesma
cultura juvenil. A paixão: o carácter impulsivo, a intensidade, o pensamento
invasivo, as emoções associadas (entusiasmo, euforia, ansiedade, etc.)
Proposta de actividade: propor aos jogadores que individualmente definam
quais os ingredientes fundamentais para uma paixão. Depois confrontem as
listas que foram feitas. Não excluir nenhum ingrediente por muito estranho que
seja.
Parágrafo 5 – (Não estás para conversas)
Temas: A falta de disposição para conversas – estar triste, não lhe apetecer
certo tipo de conversas, necessidade de tempo para pensar em coisas suas,
outras coisas mais interessantes ocupam a atenção…

Parágrafo 10 – (conversas sobre as chamadas)


Temas: As mensagens de desconhecidos na internet. Os jogos de sedução e
os desafios para encontros. As descrições pessoais – ser mais bonito, mais
velho, mais novo, ser do outro sexo, ser melhor. As coisas que só se dizem
porque não se conhece o outro. (ser mais arrojado(a)/corajoso(a), mostrar-se
mais aberto a algumas ideias, não se sentir tão envergonhado ou inibido, etc.).
O receio do confronto com o real – ter medo que o outro não goste do que
encontre, medo que ele não seja quem diz que é, medo do desenvolvimento do
encontro para situações não controláveis. A curiosidade: idealizar o outro –
achá-lo mais perfeito. Imaginar o que poderia acontecer de bom. Um

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

admirador secreto: sentimento de valorização pessoal. As questões de


segurança: quem é o outro que está do outro lado?

Parágrafo 13, 16 – (mudas de conversa)


Temas: Sentir-se pouco à-vontade com a sexualidade/intimidade do outro –
embaraço, vergonha, nojo, etc.

Parágrafo 15 e 25 – (vais para a escola)


Temas: O desafio para um jogo – correr no escuro. Confiar em si e confiar em
quem o protege. A insegurança de estar de olhos fechados e não controlar o
que se está a passar. O sentimento de exposição ao ridículo.
Proposta de actividade: dinâmica de grupos: Corrida no escuro

Parágrafo 17, 18 – (saber do futuro)


Temas: As previsões sobre o futuro: crenças, ingenuidade. Os medos e
desejos que se colocam nas predições. A predisposição criada por uma
previsão. Fontes de leitura do futuro – a linha da mão, os signos, os astros, as
runas, etc. Explorar as questões monetárias dos jovens, ou seja, as mesadas; a
forma como gerem o dinheiro.

Parágrafo 19 – (vais à banca dos feirantes)


Temas: O interesse dos feirantes – o artesanato, os preços baixos, a vontade
de ajudar quem faz pela vida, o gosto no regatear, a curiosidade pelo que
vendem, uma boa oportunidade. As características mais marcantes dos
nossos amigos – a energia, a alegria, o mau feitio, a maluqueira…
Proposta de actividade: propor aos jogadores que façam uma lista de amigos
significativos e escreva uma característica marcante para cada um deles.

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

Parágrafo 20, 43 – (depois da aula)


Temas: As bebidas isotónicas vs bebidas energéticas – a distinção:
composição, objectivos, efeitos. Diferenças: enquanto as primeiras se
destinam a repor os líquidos, hidratos de carbono e electrólitos após o exercício
as segundas são hipertónicas, com concentração de nutrientes superior às do
sangue, provocando mais sede. Riscos: Nas primeiras, serem usadas sem
desgaste físico, pode desequilibrar o metabolismo – já que não havendo nada a
repor o que é ingerido aumenta as concentrações existentes. Já nas segundas,
a presença de cafeína e taurina pode aumentar a frequência cardíaca,
diarreias, úlceras gástricas. Sendo bebida para matar a sede, aumenta-a e
conduz ao aumento do consumo. A publicidade enganosa – utilização dos
efeitos positivo associados ao aumento de resistência física e mental sem
referencia às consequências associadas ao abuso destas substâncias com o
aumento dos níveis de ansiedade, agitação psicomotora, dores de cabeça
insónias, entre outras. As misturas com outro tipo de substâncias: a Taurina
associada às bebidas alcoólicas pode retardar os efeitos do álcool criando a
ilusão de maior resistência e aumentando o risco de coma alcoólico. O convite
de um estranho – o desafio, o risco, a excitação… Reacções possíveis –
aceitar, recusar, ignorar, partilhar, evitar, etc. Responder – capacidade de
expressão, capacidade de disfarçar o que se sente, capacidade de esperar pelo
momento certo.
Proposta de actividade: pesquisa www.plataformacontraaobesidade.dgs.pt ou
www.scielo.br

Parágrafo 21, 22, 23 – (afrodisíacos)


Temas: Substâncias que aumentam o desejo sexual vs. substâncias que
podem aumentar o desempenho sexual (ostras, trufa, aipo…) . Semelhanças e
diferenças. Mitos e crenças. Aspectos morais – a vergonha, a culpa, a
reprovação…
Proposta de actividade: explorar com os jogadores o conhecimento nesta
área com o levantamento de uma lista de produtos naturais com influência no
funcionamento sexual. Pesquisa sobre os mecanismos fisiológicos
responsáveis pelos efeitos destas substâncias no organismo.

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

Parágrafo 24 – (o que farias no meu lugar)


Temas: A orientação sexual – heterossexualidade, homossexualidade,
bissexualidade. O desenvolvimento psicossexual – adolescência como
período para a estabilização da orientação sexual. Percepções da
homossexualidade – processo natural de se reconhecer atraído por uma
pessoa do mesmo sexo, doença, comportamento desviante, comportamento
imoral, etc. O preconceito e o estereótipo. Reacções à homossexualidade –
vergonha, incómodo, nojo, ódio. A homofobia – aversão/ódio à
homossexualidade. Os papéis de género: as expectativas em termos do
comportamento sexual em função do sexo. As “coisas” que se dizem
“tipicamente masculinas” ou “tipicamente femininas.” Descentração: a
capacidade de nos colocar na “pele” do outro quando temos de tomar decisões.

Parágrafo 26 – (é melhor esquecer isso)


Temas: A pressão dos outros no sentido de fazer algo que não se quer ou se
tem medo (ser necessário arriscar para evoluir). A importância da capacidade
de dizer não.

Parágrafo 27 – (vontade de descobrir quem é)


Temas: A curiosidade de desvendar o desconhecido. O perigo de ser alguém
com más intenções. A comparação com os outros (ser mais ou ser menos
destemido, corajoso, curioso, tonto, …)

Parágrafo 28 – (as aulas)


Temas: As disciplinas que dizem mais aos alunos. A internet como recurso
(1) o potencial de informação, a facilidade de contacto (2) os riscos da má
utilização (pornografia, downloads não autorizados, os trabalhos feitos com
copy paste de textos retirados na internet, os blind dates). O que distrai nas
aulas – os pensamentos, as piadas, a agitação, os telemóveis, etc.

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

Parágrafo 31, 33, 36 – (acorrer ao pedido da mãe da Filipa)


Temas: Corresponder a um pedido de ajuda. Medo de não saber ajudar. Não
se querer ver envolvido(a) em confusões. Apoiar quem ajuda, servir de suporte.
Proposta de actividade: pedir ao grupo que defina as características pessoais
que facilitam a ajuda a alguém. Fazer o mesmo em relação às características
que dificultam a ajuda.

Parágrafo 30, 32, 35, 38, 39, 42 – (com a mãe da Filipa)


Temas: A relação de ajuda – ouvir mais do que falar. Clarificar a situação com
perguntas simples e sem comentários moralistas. Explorar as iniciativas já
adoptadas e respectivos resultados. Explorar recursos não equacionados. Dar
suporte à concretização de novas iniciativas e ajudar a manter decisões
tomadas (consistência das decisões). Valorizar as emoções, mas ser contentor
(não deixar que a gestão da situação se mantenha sob o domínio da
emocionalidade). Sentimento de impotência face ao sofrimento do outro – ficar
bloqueado, ter vontade de fugir, dizer disparates, etc.… Os limites da
capacidade de ajuda. A alternância entre ciclos de afectividade e
agressividade.

Parágrafo 34, 38, 40, 45, 92 – (outras opiniões)


Temas: A violência no namoro – a associação da violência ao consumo de
álcool. Os efeitos do álcool potenciadores do comportamento agressivo – a
desinibição, o aumento da impulsividade; nem toda a violência no casal está
associada ao consumo de álcool – (1) relações conflituosas, (2) o ciúme, (3)
influência de modelos sociais, (4) crenças sobre a tolerância da agressão do
homem à mulher. Recursos em situação de violência no namoro – a Comissão
para a Igualdade de Género (CIG), a Associação de Apoio à Vítima (APAV), a
Polícia, a Igreja, o Médico de Família, outras ONG’s.
Proposta de actividade: (1) explorar com os jogadores diferentes sites sobre a
violência no casal www.cig.gov.pt, www.apav.pt entre outras (2) ensaiar um
contacto para as linhas de apoio (CIG – 800.202.148 ou APAV – 707.20.00.77)

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

apresentando uma situação previamente trabalhada pelo grupo com o


dinamizador. Análise do tipo de resposta obtido e da utilidade deste recurso (3)
explorar no site do IDT os efeitos desinibidores do álcool.

Parágrafo 37 – (falar com a filha)


Temas: A importância de esclarecer as coisas antes de fazer um drama delas.
A falta de coragem: o medo da reacção dos outros. Saber o que se quer dizer
mas não se saber como dizê-lo. A negação das situações como defesa contra
o que magoa: a repetição de uma ideia errada como forma de a tentar tornar
verdadeira. A relação mãe/filha: direitos e deveres. Meter-se na vida de alguém.
Proposta de actividade: fazer um levantamento dos riscos associados ao
tomar a iniciativa de falar com a filha. Explorá-los com recurso à dramatização.
Escolher dois elementos entre os jogadores que estejam dispostos a
representar a mãe e a filha durante a conversa sobre o tema. Permitir a troca
de actores de modo a explorar como diferentes estilos requerem respostas
diferentes.

Parágrafo 41 – (porque é que ele é bêbado?)


Temas: O preconceito – atitudes que resultam de ideias erróneas que fazemos
de alguma coisa ou de alguém com base em estereótipos. O alcoolismo como
doença e a sua incidência na adolescência.

Parágrafo 44, 46, 49, 55 – (Nova mensagem do Gustavo)


Temas: Gerir a persistência do desafio – o desgaste, a banalização ou a
cedência. Estratégias – confronto clarificador, afastar-se da fonte do desafio
(desligar o telemóvel, mudar de número), alargar os apoios (falar com outras
pessoas, pedir opiniões), etc. Aceitar o desafio
Proposta de actividade: identificação das emoções associadas ao aceitar do
convite – excitação, medo, curiosidade, (in)segurança, alegria, ansiedade, etc.
– e os comportamentos associados – rir como uma tonta, morder os lábios,

111
Manual Eu e Os Outros (versão demo)

andar aos pulos pela rua, torcer as mãos, etc. Cada jogador deverá pensar na
situação e identificar como teria tendência a comportar-se se estivesse no lugar
da Catarina.

Parágrafo 47, 48, 50 – (partilhar a mensagem com a Maria)


Temas: Os limites da amizade – o que se conta e o que se guarda. Ser
reservado, ter confiança, tratar de forma diferente os temas ligados às relações
afectivas e/ou à sexualidade. O direito à intimidade. Aceitar a opinião dos
amigos. Detestar conselhos, etc.

Parágrafo 51, 53, 58, 59, 60, 87 – (com o Gustavo)


Temas: A atracção – determinantes: beleza física, as semelhanças e a
valorização que o outro faz de nós. O papel da auto-estima na atracção.
Quanto mais baixa mais sensível à valorização do outro. A vivência do tempo
– passa depressa quando se gosta e lentamente quando não se gosta do que o
preenche. A paixão – a vivência do fascínio que se sobrepõe à racionalidade e
à identidade (fazer coisas que não têm nada a ver connosco, sentir-se tonto e
incapaz de evitar pensar no outro, etc.). O medo de se envolver – fugir de
situações potencialmente agradáveis.

Parágrafo 52, 54, 62 – (a curte da Maria com o Guga)


Temas: Diferentes graus de envolvimento afectivo/ sexual: o namoro, a curte,
a transe, a amizade colorida, etc. O álcool (shots) como facilitador de
comportamentos sexuais menos controlados – desinibição, aumento da
impulsividade. O mito do álcool aquecer – na prática o álcool arrefece. As
expectativas em relação ao acto sexual: deixar as coisas correrem ou procurar
que as situações se aproximem da forma como foram imaginadas. O
significado do acto sexual: o prazer, a demonstração de um sentimento
profundo, a procriação, etc. Os riscos associados a relações sexuais
desprotegidas – a importância do preservativo (masculino ou feminino) – a

112
Manual Eu e Os Outros (versão demo)

gravidez, as infecções sexualmente transmitidas. A pressão do desejo –


capacidade de dizer não: clareza e consistência da mensagem.
Proposta de actividade: (1) pesquisa das orientações fornecidas em diferentes
sites quanto à vivência saudável da sexualidade: www.sida.pt (CN Luta contra a
SIDA/infecção VIH) ou www.apf.pt (Ass para o Planeamento Familiar) (2) Fazer
uma pesquisa no www.google.pt sobre DST’s/IST’s, procurando elaborar uma
listagem de todas, definindo-as de acordo com a forma de contágio, sintomas,
formas de tratamento.

Parágrafo 56, 57 – (o preservativo feminino)


Temas: A importância da partilha de responsabilidade numa sexualidade
segura. A não dependência da mulher das crenças do homem quanto ao
impacto do preservativo na prazer do homem durante o acto sexual. A
possibilidade do preservativo feminino poder ser colocado com grande
antecedência (antes de sair de casa) permite uma maior protecção à mulher
face a situações de risco. Aprofundar formas de adquirir este tipo de
preservativos.

Parágrafo 61, 68, 69, 90 – (criticas a Maria)


Temas: Quanto tempo é necessário para acontecer o quê na relação? O viver
a relação muito depressa – pouco tempo entre o conhecer e o avançar para
uma relação sexual. Condicionantes para a evolução rápida da relação – o
julgamento do outro (não avançar é ser careta ou retrógrado, menino(a) da
mamã ou coisas do género) o julgamento do grupo – necessidade de
aprovação social (valorização do correr riscos pelos adolescentes), julgamento
pessoal em função das crenças dominantes – só tem valor quem ultrapassa
determinadas experiências de que a sexualidade faz parte. (fantasia de que o
estatuto se atinge através das experiências; indiferenciação entre a qualidade e
a quantidade). Precocidade das experiências – quando se é suficientemente
maturo (psicologicamente e fisicamente) para avançar para a relação sexual?

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

Parágrafo 63, 64, 66, 67, 93 – (a agressão à Filipa)


Temas: O ciúme patológico – incapacidade de pensar de forma racional a
interferência de outras pessoas do mesmo sexo na relação do casal. Medo de
perda e fantasias de traição que conduzem à desconfiança constante e à
agressão. A importância de dar ajuda (apoio psicológico) ao agredido mas
também ao agressor. A existência de pessoas que apesar de agredidas não
conseguem deixar de gostar do agressor. A tristeza associada à situação de
agressão – dúvida sobre se terá havido culpa ou responsabilidade no ter sido
agredido(a). O controlo da vida pessoal por parte do agressor – a perda de
intimidade com a invasão dos contactos mantidos: telemóvel, página pessoal,
etc. As confidentes: são sempre do mesmo sexo? Podem ser do oposto? O
mito – “o ciúme é sinal de amor” – as agressões não devem ser entendidas
como provas de interesse ou afecto positivo
Proposta de actividade: pesquisa informação sobre Grupos de Ajuda Mútua
no âmbito da violência – instituições que trabalham nesta área

Parágrafo 65, 70, 75 – (o Guga está no hospital)


Temas: Quando acontece algo de mal a uma pessoa próxima. A ansiedade de
não saber noticias sobre o estado de saúde. A urgência de acorrer.

Parágrafo 71, 72, 73, 74, 75, 76, 77, 79, 80, 82, 83 –
(Desmascarando o Guga)
Temas: Sentimento face à revelação – revolta, tristeza, medo de magoar a
amiga, zanga, ódio, etc. Variação do sentimento em função do amor-próprio:
mais triste se mais desvalorizada, mais zangada se mais segura de si. A
reacção face à traição – agressividade (bater no Guga), passividade (aceitar a
encenação), assertividade (confronta-lo, falas com a Maria). Planos de reacção
– física, verbal, pública ou privada. A perda de controlo face à zanga – não
conseguir parar. Gozar com os sentimentos dos outros.

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

Parágrafo 76, 78, 81 – (Alinhas na encenação)


Temas: Entre uma amizade e um namoro. Submeter-se em prole do outro
(entre a falta de respeito por si próprio e o altruísmo). Medo de não ter valor
suficiente perante a amiga (evitar a perda de ser trocada). Auto-punição – quem
mandou acreditar que a relação com o Gustavo poderia dar certo. A esperança
de não perder o Gustavo alinhando com a representação dele: a paixão fala
mais alto que a amizade.

Parágrafo 85 – (Ouvir o que ele tem para dizer)


Temas: A tese do “amor moderno” – relações sem compromisso, multi-
relações com conhecimento mútuo. A importância de viver intensamente
enquanto se pode como justificação de comportamentos pouco correctos
socialmente. Inconsciência ou insensibilidade ao sentimento provocado no
outro.

Parágrafo 88, 89 – (mais pormenores da curte da Maria)


Temas: A capacidade de dizer NÃO. A dificuldade de fazer parar alguém que
não quer parar. As razões para dizer não: (1) ter bebido, (2) não haver
preservativo, (3) não ser o contexto/clima certo, (4) haver pressão. A aflição de
não ser capaz de se impor ao outro – o medo do abuso por perda de controlo.
A coragem de se impor vs a submissão. A diferença de experiência no decurso
da relação sexual. Ser cuidadoso ou só pensar em si. As marcas de uma má
experiência. Os mitos que estão por detrás do desrespeito – as raparigas
quando dizem não, estão a fazer-se difíceis; quando se vestem de determinada
maneira estão a convidar à sexualidade; se vão sair apenas com rapazes são
interpretadas de forma negativa…
Proposta de actividade: pesquisa os 13 mitos em www.amorverdadeiro.com.pt

Parágrafo 91 – (o que vai fazer a seguir?)


Temas: A importância de pensar que há um depois da crise imediata que
requer alguma precaução. A possibilidade de retaliação posterior, perseguições

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

e esperas. A existência de situações de violência posterior que obriga a


intervenção policial, judicial ou de protecção social. O impacto de uma má
experiência em relações futuras – a importância do apoio psicológico.

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

7.6:História 6:A Lei e as drogas


Personagem Principal: Daniel

Existe um conjunto de grandes temas que se distribuem ao longo desta história.


Listaremos num primeiro momento esses temas, trabalhando, depois de uma
forma mais específica cada um dos parágrafos explorando pequenas questões
que poderão ser orientadoras do processo de exploração da narrativa. Deste
modo os temas gerais são:
1. A Legislação sobre as Drogas – posse, tráfico, etc;
2. A descriminalização do consumo vs. a liberalização do consumo;
3. As estratégias de Dissuasão – as Comissões de Dissuasão da
Toxicodependência;
4. O papel da Escola Segura;
5. A Justiça;
6. Interesses – a arte;
7. O Trabalho Infantil;
8. A lealdade na amizade;
9. A responsabilidade;

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

10. Ajuda espontânea vs. Ajuda especializada;


11. Crise Familiar.
Estes temas são explorados com maior e menor clareza no decurso da
narrativa, contudo é no processo de exploração dos temas, que os conteúdos
poderão emergir de forma mais consistente cabendo ao MJ não apenas a
auscultação do grupo sobre estas matérias, mas acompanhá-los na recolha de
informação adicional que permita a consolidação ou a mudança de percepções.

Exploração de conteúdos de reflexão por parágrafo

Parágrafo 1 – (no jardim junto à escola à espera dos amigos)


Temas: Mudanças de ciclo na escola: a adaptação a novos horários e a novos
colegas

Parágrafo 2, 4 e 6 – (Interesse pela arte)


Temas: Estilos de arte plástica: a fotografia, a colagem, a pintura, a
escultura... Combinação de diferentes materiais. A integração das novas
tecnologias na arte. As exposições: comportamento em locais públicos;
diversidade de gostos na apreciação das obras expostas

Parágrafo 3, 7, 9 – (Trabalhar no Sábado)


Temas: A exploração do Trabalho Infantil: definição, enquadramento legal,
causas. O Trabalho como ocupação juvenil (biscates) – a) motivações –
integração num grupo de adultos (estatuto), desenvolvimento de massa
corporal, autonomia económica; o prazer de construir ou produzir alguma coisa
b) fazer sacrifícios – o equilíbrio entre o custo e o benefício das escolhas c)
posicionamento da família face ao trabalho dos jovens – trabalho no seio da
família, trabalho para/com um amigo da família, desconhecimento da família,
etc. d) os limites legais para o trabalho infantil (a convenção 182 da OIT) e)
tipos de trabalho e diferente aceitação social em função de faixa etária ou grupo
social (preconceitos, o nível de risco, o nível de remuneração, etc.)

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

Proposta de actividade pedir aos jogadores que (1) identifiquem áreas em que
poderiam ou já fizeram biscates (tomar conta de crianças, cozinhar, lavar
carros, fazer limpezas, etc.) (2) identificarem causas pelas quais eram capazes
de sacrificarem o seu tempo livre (3) identifiquem tipos de trabalho socialmente
aceites ou que causem resistência social (4) pesquisar informação sobre a
Exploração do Trabalho Infantil (www.peti.gov.pt)

Parágrafo 5 – (Despachas o teu amigo)


Temas: Percursos no Consumo de Drogas – partilhar haxixe comprado por
amigos, comprar a sua própria substância de consumo, intensificar o consumo
em quantidade ou frequência, alterar o contexto de consumo do recreativo para
o privado, mudar de substância. Riscos associados à compra – Riscos Legais,
Riscos na Qualidade da Substância (a substância – já por si danosa para a
saúde: ser misturada com produtos: também eles: prejudiciais à saúde por
vendedores menos escrupulosos para aumentar os ganhos), Indução para
mudança de substância (os vendedores por vezes propõem aos compradores a
experimentação de substâncias que promovam uma maior dependência e
como tal garantirem maior lucro). A consciência dos riscos – a ilusão de
imunidade, a protecção da sorte, o não ter nada a perder, o calculismo.

Parágrafo 7, 8, 11 e 12 – (Pesando a importância da amizade)


Temas: As escolhas que as responsabilidades obrigam a fazer. O que permite
que se escolha trabalhar em vez de estar com os amigos: a necessidade, o
sentimento de responsabilidade, o medo das consequências, a
segurança/confiança de que os amigos compreendem, a certeza de haver
outros momentos para estar com eles, a capacidade de esperar por esses
momentos.

Parágrafo 9 – (A autonomia financeira)


Temas: Ter o seu próprio dinheiro – semanadas/mesadas; Gestão do
dinheiro – quanto tempo dura, em que é que normalmente é gasto; O que se

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

faz quando ele se gasta – pede-se mais, pede-se emprestado, vende-se


alguma coisa, recorre-se a esquemas?
Proposta de actividade construir com o grupo um quadro com informações
sobre a gestão de dinheiro. Ter em atenção os riscos associados às diferenças
sociais que poderão criar constrangimentos. A não quantificação de valores
recebidos pode permitir uma reflexão sobre comportamentos
independentemente dos montantes.

Parágrafo 10 – (Fazer sacrifícios)


Temas: As coisas que nos obrigam a crescer/ter mais responsabilidade – as
necessidades que nos obrigam a ganhar consciência de coisas que de outro
modo não teríamos – o valor do dinheiro, a contribuição de todos, a
necessidade de partilhar as coisas que se têm. O impacto da separação dos
pais: menor disponibilidade financeira, afectiva, conflitos, dispersão, tristeza,
medos, redução das tensões anteriores, reorganização familiar.

Parágrafo 13, 14, 15 e 16 – (Reacções ao João)


Temas: Gerir o Orgulho: O que é necessário para reconhecer um erro e o que
nos impede de o fazer? – o medo do julgamento do outro, a segurança no seu
valor, a dificuldade de ver o ponto de vista dos outros.
Proposta de actividade propor ao grupo um debate entre os prós e os contras
do orgulho, organizando uma metade dos jogadores a favor e outra metade
contra devendo cada parte reunir argumentos em defesa e em acusação ao
orgulho. No final o grupo dá o seu veredicto. (2) poderá igualmente propor ao
grupo que faça um levantamento de todos os sentimentos passíveis de serem
sentidos em reacção ao João organizando esses sentimentos segundo critérios
a definir pelo grupo (ex. positivos/negativos, aceitáveis/reprováveis,
intensos/frágeis, construtivos/destrutivos)

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

Parágrafo 17, 18, 19, 20, 21, 23, 24, 25 – (Reacções à


aproximação da polícia)
Temas: Diferentes reacções aos problemas – o fugir, o enfrentar, o negar, o
distorcer a realidade, a bajulação, a agressividade, etc. Características
pessoais e contextos que levam a escolhas diferentes. Rigidez (ser sempre
igual) ou adaptabilidade (fazer escolhas diferentes consoante as situações).
Sentimentos e atitudes face à autoridade: submissão, oposição, respeito,
colaboração, ódio, inveja, desconfiança, etc.

Parágrafo 20, 32, 36 – (depois de uma tentativa falhada)


Temas: Reacções a um falhanço ou a um disparate – o sentimento de ridículo,
a vergonha, a raiva contra si ou contra os outros, rir de si próprio, apalhaçar,
etc.

Parágrafo 22, 26, 28, 32, 33, 37, 40 – (para que se quer as
mortalhas)
Temas: Responder à autoridade: mentir, ser frontal, procurara alguma
desculpa. Generalização – reacções a diferentes tipos de autoridade: a polícia,
os pais, os professores, o treinador… Tipos de poder: pela força, pelo
estatuto, pela relação que estabelece, …
Proposta de actividade explorar com o grupo diferentes fontes de autoridade
por eles conhecidas e as formas como eles exercem o poder. Quais aquelas
com quem se simpatiza mais e aquelas com que se simpatiza menos e
perceber quais os factores que condicionam essa simpatia

Parágrafo 27, 29, 31, 33, 38 – (para que quer saber essa
informação)
Temas: A missão e as responsabilidades da Polícia: (1) proteger, dissuadir,
identificar potenciais riscos e infractores, aconselhar os cidadãos face aos
riscos e perigos. (2) A Missão específica da Escola Segura (3) o processo de
identificação: obrigatoriedade por força da Lei, sendo para menores de 16

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

anos, regulada no art. 50º, da Lei 166/99 (Lei Tutelar Educativa) e para maiores
de 16 anos no art. 250º do Código Processo Penal (CPP);
Proposta de actividade a turma pode explorar o site da PSP (www.psp.pt) em
busca da informação sobre a Escola Segura

Parágrafo 30 – (surpresa de saberem tanto de ti)


Temas: Ser anónimo: não se saber quem uma pessoa é – ou ser-se popular
ou público – toda a gente sabe que se é. Sentimentos associados à perda do
anonimato – orgulho, vaidade, medo, zanga, tristeza, vergonha, etc.
Proposta de actividade partindo do esclarecimento de que a linha 1414
respeita o anonimato das pessoas que ligam, o dinamizador poderá explorar
com o grupo vantagens e desvantagens de assim ser e como se sentiriam se a
sua identidade fosse descoberta e revelada, imaginando situações em que isso
pudesse ter de acontecer.

Parágrafo 32, 61 – (fumar uns charrinhos/a culpa é da lei)


Temas: A legislação sobre a droga – a confusão entre descriminalização, e
despenalização e liberalização ou legalização. O compreensivo da lei – a
perigosidade da substância face à fase de desenvolvimento dos jovens e
crianças, o impacto dos efeitos produzidos a curto, médio e longo prazo
(alteração da percepção e do relacionamento social (euforia, paranóia),
dependência psicológica, escalada dos consumos, desmotivação, riscos de
descompensação psicótica) não necessariamente em todas as pessoas mas
claramente num número significativo delas. O carácter precoce do inicio dos
consumos de haxixe (não pode ser uma substância de livre consumo acima dos
16 anos porque uma parte significativa dos consumidores está abaixo dessa
idade). A confusão entre as vantagens medicinais da substância e a sua
utilização para consumo livre – alguns defensores da liberalização da
substância recorrem a este argumento para sublinhar a sua utilidade – quase
todas as substâncias de consumo têm utilidades medicinais e começaram por
ser conhecidas em função dessa utilidade. O livre acesso às substâncias
resultou na adulteração dessa utilidade e na adopção de medidas restritivas.

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

Outras realidades no Mundo – as leis sobre o consumo de droga noutros


países.
Proposta de actividade: dinâmica de grupo: O Julgamento (da droga) (2)
pesquisa ao site do Observatório Europeu da Droga e Toxicodependência
(www.emcdda.europa.eu) para pesquisa sobre realidades internacionais

Parágrafo 35 – (insistes em não te identificares)


Temas: Os limites da oposição: o castigo, a imposição do poder. Tipos de
castigo – físico, restritivo, compensatório… A importância de castigar –
perceber que há limites, perceber que as ameaças são cumpridas e reais e
como tal devem ser levadas a sério. A importância da contingência entre o
castigo e o comportamento castigado – de modo a evitar sentimentos de
incompreensão/injustiça face aos castigos. Adequar os castigos à gravidade
do comportamento que lhe deu origem – de modo a evitar sentimentos de
injustiça.

Parágrafo 39, 41, 42, 44 – (já na Esquadra)


Temas: Reacções face à responsabilidade – negá-la, assumi-la, delegá-la…
Diferenciação entre posse para consumo próprio ou para tráfico (crime) –
a diferenciação faz-se em função da quantidade de substância em posse,
sendo considerado crime acima de 10 vezes a quantidade média de consumo
que varia de substância para substância – no caso do haxixe a dose individual
média é assumida como 0,5 gr. sendo o limite legal de posse para consumo os
5 gr. Aspectos processuais de um Auto de crime – identificação do menor,
contacto com o responsável legal, pesagem e confirmação do teor da
substância, descrição objectiva da ocorrência, envio para o Tribunal de
Menores. Não sendo em situação de crime as autoridades poderão encaminhar
directamente para as Comissões de Dissuasão da Toxicodependência.

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

Parágrafo 42, 44, 45, 51, 55, 58 – (Objectividade do Auto)


Temas: A diferença entre o observado e o inferido – o auto da polícia, obriga
a que este possa sempre comprovar o conteúdo do Auto. A informação não
verificada é um testemunho mas não pode alterar a informação do que foi
observado pelos agentes. A defesa do observado – muitas investigações são
postas em causa face à mudança de posição das testemunhas. Os agentes
podem ser postos em causa por familiares dos menores com acusações de
coação ou intimidação que no limite podem implicar processos disciplinares e a
expulsão.

Parágrafo 43, 48, 49, 52 – (Retiras-te)


Temas: A necessidade de fugir – o medo (o julgamento dos outros, a reacção
da família), a antecipação de consequências insuportáveis, reagir mal sob
pressão, precisar de tempo para pensar melhor. A irracionalidade – a
necessidade de protecção é mais primária do que a preservação da amizade.

Parágrafo 46 – (Não estás a ser simpático)


Temas: O sentimento de Incompreensão: quando se atribuem significados
diferentes aos comportamentos. Erro de comunicação vs. Erro de interpretação.
O Paternalismo: atitude de proteccionismo em que se relativiza a atitude do
outro – a irritação por não se ser levado a sério.

Parágrafo 47, 50, 53, 54, 59 – (O que pode acontecer ao teu


amigo)
Temas: As penas associadas ao Crime de Tráfico: as contra-ordenações
associadas a uma situação de posse de substâncias psicoactivas para
consumo próprio. O envolvimento da família. O encaminhamento do processo
para outras estruturas – as comissões de protecção de crianças e jovens em
risco, as comissões de dissuasão da toxicodependência. A diferença entre
uma contra-ordenação e uma pena. A necessidade de um representante legal
para a validação de um testemunho.

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

Parágrafo 56 – (Perguntas ao Patas o que vai fazer)


Temas: O Desafio: medir forças, demonstração da impotência do outro. O
Crescendo do Conflito – face à incapacidade de resolver um conflito, as partes
vão subindo o tom e intensidade das ameaças. A importância de parar este
crescendo com um time out . A possibilidade de recorrer a uma opinião neutra
na resolução do problema (mediador).

Parágrafo 57, 62, 64, 68 – (No Tribunal)


Temas: Falar sobre os problemas – O que é que eu sinto sobre o problema
(plano emocional), como o compreendo (enquadramento na experiência
anterior), o que penso (plano cognitivo), o que quero dizer (plano decisório), o
que posso dizer (filtro social), saber como dizer (plano funcional). A iniciativa –
esperar que o outro diga alguma coisa ou ir ao encontro do outro. A Relação
de ajuda – como apoiar alguém que está em sofrimento? – (1) ouvir mais do
que falar, (2) ajudar o outro a expressar o que sente – perguntas abertas (3)
ajudar o outro a perceber os aspectos mais importantes do seu problema –
intervenções de síntese ou de focagem, (4) ajudar o outro a sentir-se
compreendido – intervenções de ressonância afectiva, (5) ajudar o outro a não
se conformar ou defender por detrás da superficialidade ou simplificação –
intervenções de confronto e finalmente, (6) ajudar o outro a generalizar as suas
conclusões alargando-as a outros contextos e situações – intervenções de
transfere. Entraves à ajuda: moralidade, julgamento, crítica, humilhação,
paternalismo, …
Proposta de actividade: propor ao grupo que faça uma pesquisa sobre como
está organizada a Justiça Portuguesa: os vários tipos de tribunais existentes e
o tipo de processos sobre os quais se debruçam (2) pedir a cada jogador que
reflicta sobre as características que uma pessoa teria de ter para que lhe
confiassem um problema seu.

Parágrafo 60 – (Recusas-te a assumir responsabilidade)


Temas: As consequências – implicações associadas ao retirar-se da situação
– (1) na relação com o Tito, (2) na relação com o Patas, (3) na relação com o

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

resto do grupo quando souberem da situação, (4) com o resto da escola, (5)
com a família caso o Patas cumpra com a sua ameaça.

Parágrafo 63, 65, 66, 67 – (Chamados ao Juiz)


Temas: A função de Juiz – Competências e responsabilidades do Tribunal. O
confronto com uma pessoa conhecida numa situação embaraçosa – a
surpresa, a vergonha, o medo, a confusão… o Testemunho: o papel da
testemunha num julgamento, a responsabilidade, o compromisso com a
verdade. Dar o dito por não dito: a alteração de depoimento.

Parágrafo 69, 70 – (Achas que tens responsabilidade pelo que


aconteceu)
Temas: A Culpabilidade: o sentimento de culpa. A resposta à culpa – o pedir
desculpa, o evitar o outro… O enfoque moral da culpa associada ao pecado ou
à falta. A Responsabilidade: a habilidade de (cor)responder. Resposta à
responsabilidade – a obrigação de melhorar uma resposta insatisfatória como
forma de corrigir a insuficiência. O enfoque na competência pessoal e social.

Parágrafo 71, 72, 75, 76, 85, 87 – (Na comissão de Dissuasão)


Temas: Enquadramento Institucional das Comissões de Dissuasão – Da
responsabilidade do IDT, em articulação com os Governos Civis. Competências
e missão das CDT’s. Constituição orgânica. A confiança em técnicos
desconhecidos – contar a verdade ou alterá-la para melhorar a imagem. O
papel da psicologia. Consequências da não colaboração – desdobramento
das sessões de recolha de dados para o relatório, inclusão da informação de
não colaboração no relatório. Não se pode ajudar quem não quer ser
ajudado – a pessoa que precisa de ajuda tem o poder de ser deixar ajudar.

126
Manual Eu e Os Outros (versão demo)

Parágrafo 73 e 74, 82, 83, 86 – (Conversa com a família)


Temas: O confronto: o medo de ser acusado/envergonhado publicamente. A
importância da mediação técnica do psicólogo. O contacto com o sofrimento
dos outros. A procura de uma forma de corresponder a esse sofrimento. A
demonstração por palavras ou por comportamentos.

Parágrafo 73, 78, 79, 80 – (Consulta para adolescentes)


Temas: O Apoio Psicológico: objectivos e funcionamento e enquadramento
institucional. Os sentimentos associados – vergonha, o medo de
rotulação/estigmatização, a desvalorização pessoal, etc. As diferenças de uma
intervenção de suporte de um tratamento à toxicodependência. As respostas
para a juventude na área da saúde: os Gabinetes de Apoio à Juventude e os
Gabinetes de Saúde Juvenil.
Proposta de actividade: (1) a turma pode ligar para alinha 1414 ou enviar um
e-mail para o site do IDT (www.tu-alinhas.pt) em busca da informação sobre
consultas para adolescentes associadas ao consumo de haxixe. (2) o
dinamizador poderá promover uma pesquisa – na internet ou através de
contacto directo com as estruturas locais – sobre as respostas no âmbito da
saúde juvenil: Centro de Saúde, Instituto Português da Juventude e à Câmara
Municipal

Parágrafo 81 – (O que te vai acontecer)


Temas: O normal desenvolvimento dos processos nas CDT’s – abertura de
processo, atribuição de uma contra-ordenação em função do relatório
produzido pelo psicólogo, período de avaliação. Anulação do processo em
função de boa evolução. Análise da situação em caso de reincidência.
Extremos da intervenção das CDT’s.

127
Manual Eu e Os Outros (versão demo)

7.7:História 7:Contexto Recreativo


Personagem Principal: Sabrina

Existe um conjunto de grandes temas que se distribuem ao longo desta história.


Listaremos num primeiro momento esses temas, trabalhando, depois de uma
forma mais específica cada um dos parágrafos explorando pequenas questões
que poderão ser orientadoras do processo de exploração da narrativa. Deste
modo os temas gerais são:
1. Estereótipos ligados ao mundo da droga;
2. Gestão do stress;
3. Expectativas familiares face ao futuro profissional;
4. Pressão de pares;
5. Contexto recreativo nocturno;
6. Substâncias de consumo recreativo: Cocaína, Álcool (shots), Ecstasy,
Haxixe;
7. Trabalho das Equipas de rua;
8. Sexualidade (flirt e predação sexual);
9. Responsabilidade pelos amigos;

128
Manual Eu e Os Outros (versão demo)

10. Funcionamento do Serviço de Emergência.


Estes temas são explorados com maior e menor clareza no decurso da
narrativa, contudo é no processo de exploração dos temas, que os conteúdos
poderão emergir de forma mais consistente cabendo ao MJ não apenas a
auscultação do grupo sobre estas matérias, mas acompanhá-los na recolha de
informação adicional que permita a consolidação ou a mudança de percepções.

Exploração de conteúdos de reflexão por parágrafo

Parágrafo 1 – (Nos bastidores do desfile)


Temas: O sentimento de realização pessoal: explorar junto aos jogadores
momentos e contextos em que tenham sentido algo parecido. A exposição ao
público – satisfação vs. vergonha. O público como validador das nossas
qualidades/capacidades. O exibicionismo como extremo da satisfação por
exposição pública.

Parágrafo 2, 5, 9 – O sonho de ser modelo


Temas: A importância dos sonhos – orientar as opções de vida, refúgio para
quando as coisas correm mal. Acreditar nos sonhos – optimismo, realismo ou
cepticismo. Tipos de sonhos – realização pessoal, afectiva, posse, conquista,
etc… Brincar ao faz de conta. Os requisitos para atingir os sonhos. A reacção
dos outros aos nossos sonhos
Proposta de actividade: explorar com os jogadores quais são os sonhos deles
explorando os requisitos necessários para cada um deles – formação,
qualidades físicas, contactos, etc.

Parágrafo 3 – Comentas a Maluqueira


Temas: A homossexualidade (masculina e feminina) – a associação à patologia
(ter pancada); a confusão entre orientação e comportamento (ser homossexual
não significa ser exibicionista ou exuberante). Padrões de comportamento

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

exuberantes – regras de conduta diferentes – que rótulos se atribuem (ter


pancada, ser gay, serem esquisitos, etc.).

Parágrafo 4, 8 – Pensas na questão do stress


Temas: O que é o stress – causas e consequências. Estratégias de lidar com o
stress – as substâncias como forma de lidar com o stress: os estimulantes SNC
para lidar com o cansaço, os depressores do SNC para reduzir a tensão…

Parágrafo 6, 7, 10, 11, 15, 16, 17, 18 – Gerir as expectativas dos


outros
Temas: Gerir o confronto entre diferentes perspectivas: abdicar, adiar o
confronto ou lutar pelo ideal. Riscos e ganhos. Avaliar os prós e os contras
como passo para uma melhor decisão. A tradição familiar e o seu papel –
orientar, traçar limites, dar suporte. O medo de decepcionar – a anulação
pessoal. A negociação. A procura do compromisso. A capacidade de esperar
pela oportunidade.

Parágrafo 12, 19, 20, 21 – Conciliar a moda e os amigos


Temas: O preço de seguir os sonhos. Compatibilidade entre estilos de vida e
amizades. O peso das amizades nas decisões de futuro. A consciência de que
as relações não permanecem sempre iguais. As relações novas que tomarão o
lugar das antigas. A necessidade de largar para poder dar espaço a relações
coisas. O sentimento associado ao esfriar de uma relação – zanga, traição,
tristeza, insegurança, etc. O impacto da distância nas relações.

Parágrafo 13 – Cuidar da imagem


Temas: Múltiplas formas de manter o peso – o controlo sobre o que se come, o
recurso a substâncias que retiram o apetite e aceleram o metabolismo – riscos
e benefícios. A insónia e a aceleração. Efeitos secundários dos medicamentos.
Alternativas naturais.

130
Manual Eu e Os Outros (versão demo)

Parágrafo 14, 22, 23 – Os estereótipos em torno do mundo da


moda
Temas: A beleza, os excessos, o carácter selectivo, a competitividade. Um
mundo que depende muito da imagem. As questões ligadas ao
envelhecimento.

Parágrafo 16 – Fazer as coisas às escondidas.


Temas: Cumprir as obrigações como conquista do direito a poder ir ao encontro
dos seus sonhos. Esconder ou confrontar. A revelação – risco e
consequências. Não querer pensar sobre os assuntos. Acreditar que a sorte
protege.

Parágrafo 18 – A crença no destino


Temas: Pensamento optimista – “o mundo conspira a nosso favor”. Acreditar
que as coisas acontecem se “estiver escrito”. A importância de saber ler os
sinais e aproveitar as oportunidades.

Parágrafo 24, 25 – Escutar a conversa


Temas: A privacidade. O direito a ter um espaço (físico e/ou psicológico)
próprio. Meter-se na vida dos outros – ouvir conversas, mexer nas coisas. O
sentimento associado à violação de privacidade – desrespeito, ofensa, tristeza,
desvalorização, etc. Entre a zanga e a vergonha quando pensamentos
pessoais são revelados.

Parágrafo 26, 27, 30, 32:O rapaz por detrás da cortina


Temas: Reacção face a estranhos – o fascínio, o risco, o sentimento de
ameaça. Estratégias de protecção – retirada, recusar propostas, garantir a
presença de outras pessoas que lhe dêem confiança, ganhar tempo para
conhecer melhor o estranho. A sedução – o prazer do elogio. Resistir à
pressão.

131
Manual Eu e Os Outros (versão demo)

Parágrafo 28 – Fumar em locais fechados


Temas: Proibição de fumar em espaços públicos. Condições especiais –
espaços com ventilação própria. Não cumprir com a regra – o desafio vs fazer
cumprir a regra – exercício de cidadania. Como dizer – agressivo, assertivo,
passivo. A gestão de conflitos

Parágrafo 29 – Fazer-se respeitar


Temas: A humilhação – sentir-se rebaixado pela atitude do outro. Não reagir
com medo de desencadear a reacção do outro – agressividade, desilusão,
abandono, etc. Os limites da tolerância – aceitar tudo, não permitir que se
ultrapasse determinado nível: a agressão verbal, a ameaça, a agressividade
física… O desafio – aceitá-lo vs. recusar dar provas de valor ou coragem para
ganhar a aprovação do outro. A função de relaxação das substâncias
psicoactivas.

Parágrafo 30, 31, 35, 36, 37 – Reagir ao convite para sair


Temas: O desejo de dar uma imagem de acordo com a expectativa do outro.
Parecer mais forte, mais velha(o), mais autónoma(o). A escolha entre a
novidade e o amigo de sempre. A autorização e o refazer combinações – ser
honesta na justificação vs. inventar uma desculpa. Os dois lados da situação –
de quem desmarca e a quem recebe a desmarcação. Sentimentos associados.
A recusa preventiva – dizer um não para evitar ter de dizer muitos mais.

Parágrafo 33, 34, 42, 44,49, 52 – Reagir ao convite para


consumir
Temas: Aceitar ou não aceitar – condicionantes: (1) Informação (sobre efeitos
imediatos e a médio ou longo prazo) (2) pressão social – a exposição à reacção
dos outros, a percepção de normalidade (face a experiencias anteriores ou às
regras do contexto/local onde se está) (3) crenças – ideias associadas ao
consumo de substâncias – ganhar estatuto, ser visto como mais arrojado,
desinibido ou aberto a novas experiencias, etc… (4) estado de espírito – estar

132
Manual Eu e Os Outros (versão demo)

eufórico, triste, zangado… (5) motivação prévia – o desejo, curiosidade ou


intenção de experimentar. A capacidade de dizer NÃO – os vários tipos de não
– firme, inseguro, “agora não”, o “não” que é um “sim”, o não agido (retirada),
etc.

Parágrafo 34, 51, 52 – A importância dos outros na nossa


protecção
Temas: A segurança que vem de fora. A existência de alguém que ajuda a
aumentar o controlo sobre a situação – por ser mais velha, ter mais experiência,
ter mais poder. Ter no grupo de amigos alguém que desempenhe este papel.

Parágrafo 38 – Relaxação
Temas: Estratégias de relaxação – a música, a concentração nas sensações
do corpo (zonas de tensão, contracção/descontracção de músculos, ritmo da
respiração), tarefas simples e repetitivas (ex. fazer colares), a meditação, etc.
Proposta de actividade: explorar com os jogadores quais as estratégias que
cada jogador tem para se descontrair e reflectir sobre o que têm em comum.
Caso tenha recursos para isso – dominar as técnicas ou ter acesso a
profissionais que o façam ex. centro de saúde) poderá propor a aprendizagem
de técnicas específicas.

Parágrafo 40 – Contexto Recreativo Nocturno


Temas: As componentes de um espaço recreativo – (1) a frequência – as
pessoas que lá estão (2) a cultura – estar associado a um determinado tipo de
pessoas que partilham formas de estar idênticas (espaços gay-friendly,
espaços conotados com a cultura africana, espaços ligados a sub-culturas
juvenis – gótico, punk, etc.) (3) a estética – o investimento no espaço de modo
a torná-lo mais atractivo para os frequentadores (4) o tipo de música, (5) a
facilidade para que determinadas situações aconteçam – espaços conotados
com a possibilidade de envolvimento sexual, espaços associados a confrontos
físicos, espaços associados ao consumo de substâncias psicoactivas. (6)

133
Manual Eu e Os Outros (versão demo)

acessibilidade – conseguir lá chegar e conseguir entrar (7) ser um espaço in.


Os itinerários na noite – do café, para o bar, para a discoteca, para o after
hours. As coisas boas da noite – a descontracção, o ritmo, o anonimato, os
amigos,

Parágrafo 41, 44, 57 – Dar um pulo ao balcão


Temas: A promoção do consumo de álcool – as happy hours, as lady nights e
outras estratégias que levem a beber mais por menos dinheiro. Os shots como
estratégia de atingir mais rapidamente um estado de desinibição alcoólica. A
estranheza de alguém beber água. Os rituais – demonstrar que se aguenta
bem o álcool. Diferenças de género na relação com o álcool – as mulheres
são mais sensíveis ao efeito do álcool. Da desinibição à perda de
consciência – entre a euforia produzida pelo álcool em pequenas quantidades
à perda da noção do que se faz que resulta do consumo de quantidades
elevadas de álcool.

Parágrafo 42, 49, 50, 51 – Com o grupo do Paulo


Temas: O consumo de Cocaína: os efeitos estimulantes e a sua associação à
noite. A desinibição e o menor auto-controlo associado a comportamentos
sexuais de risco e ao aumento da agressividade. O sentimento de exclusão
que resulta de não alinhar com o que os outros estão a fazer. Ganhar tempo
como estratégia de resolução de problemas. O calão ligado às drogas: qual a
importância de o dominar.
Proposta de actividade: propor ao grupo que explore o site www.tu-alinhas.pt
para compreender o efeito da Cocaína e avaliar o seu grau de conhecimento
sobre o calão ligado à droga.

Parágrafo 43 – Ir ter com a Lígia


Temas: Os jogos de sedução e o assédio – a “conversa da treta”. As
dificuldades de comunicação – entre os sinais de mal-estar ou desinteresse da
pessoa assediada e as interpretações que conduzem à continuação do

134
Manual Eu e Os Outros (versão demo)

comportamento por parte de quem assedia. As crenças que conduzem a estas


falhas de comunicação: “o não quer dizer sim”, “se estão na discoteca/bar é
para encontrarem companhia”, “quem se veste de forma arrojada está à
procura de envolvimento sexual”, etc. O sentimento provocado pelo assédio –
impotência, ameaça, vulgaridade, culpa

Parágrafo 45, 46, 48, 53, 58, 59 – à volta do Ecstasy


Temas: Os efeitos da substância – sensação de mais energia, maior
proximidade aos outros e predisposição à relação (não necessariamente
sexual), aumento da temperatura corporal. Riscos de colapso cardíaco, e
hipertermia, experiências de pânico e ansiedade. A importância da água e do
descanso para repor os níveis metabólicos – o aproveitamento comercial desta
necessidade. O risco de misturas – a desidratação provocada pelo álcool
agrava o desequilíbrio provocado pelo consumo de ecstasy aumentando o
perigo de hipertermia.
Proposta de actividade: propor ao grupo que explore o site www.tu-alinhas.pt
para compreender o efeito do Ecstasy e avaliar o seu grau de conhecimento
sobre o calão ligado à droga.

Parágrafo 47, 56, 60, 61, 62, 63, 64, 66, 67 – A equipa de rua
Temas: O trabalho desenvolvido por técnicos fora dos gabinetes, junto às
pessoas que precisam de ajuda, nos lugares que elas frequentam. O trabalho
desenvolvido em contexto recreativo: a Prevenção no sentido de evitar ou
retardar o consumo e a Redução de Riscos no sentido de evitar danos maiores
quando a pessoa já decidiu consumir. As principais características da Redução
de Riscos – (1) não ser controladora; (2) dar informação para que as pessoas
tenham mais consciência dos riscos, decidam melhor e saibam proteger-se sem
impedir ou evitar que as pessoas façam o que decidiram fazer; (3) não ser
moralista – não fazer julgamento da decisão dos outros, (4) não desvalorizar o
consumo.

135
Manual Eu e Os Outros (versão demo)

Parágrafo 54 – Arranjas-me um?


Temas: O desejo/curiosidade de experimentar como factor de risco para o
consumo. A exploração das motivações que estão na base desse desejo: (1)
curiosidade (2) querer sentir um determinado efeito (3) querer ser como os
outros, (4) Não querer passar por totó (5) querer impressionar alguém (6)
querer desafiar, … O risco associado à impureza das substâncias – a noção de
que as substâncias consumidas são adulteradas com aditivos que aumentem o
lucro dos vendedores. No caso do ecstasy o risco é maior porque a alteração
do composto químico pode resultar num produto perigoso para a saúde do
consumidor que o toma acreditado que está a tomar MDMA.

Parágrafo 54 – Perguntas se é sempre assim


Temas: O risco de construir uma imagem do todo a partir de uma parte. A
imaturidade que leva ao desaproveitar boas condições de vida. A baixa
resistência à frustração que conduz ao desejo de ter tudo ou à incapacidade de
aceitar quando as coisas não correm como se quer. A perda de controlo. Não
dar valor às coisas que são fáceis de conseguir.

Parágrafo 65, 68, 69 – Cuidados a ter


Temas: (1) Ir para a discoteca confortável – roupas que permitam o respirar da
pele e o arrefecimento do corpo, sapatos que não facilitem acidentes (entorses,
escorregadelas, etc.). (2) levar óculos escuros para proteger os olhos
fragilizados pela noite no caso de sair da discoteca já de dia. (3) parar
regularmente para descansar; (4) beber água para repor os sais minerais
perdidos, (5) Se se sentir mal disposto procurar espaços arejados e tranquilos
(6) não misturar substâncias porque elas aumentam os riscos que isoladamente
cada uma já tem; (6) se não está em condições de guiar, deixar o carro ou a
mota e peça boleia ou vá de transportes; (7) não abandonar os amigos que já
não estão capazes de tomar conta de si.

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

Parágrafo 70, 73 – Ida à casa de banho


Temas: A confusão que às vezes se gera nestes locais. A diversidade das
pessoas. A sexualidade nos contextos recreativos – o engate, os
comportamentos de risco (não utilização de preservativo, a perda de controlo
sob o efeito de substâncias psicoactivas), diferentes orientações sexuais, etc.
As mensagens preventivas – qual o tipo informação e a quantidade de
informação que é aceite naquele contexto?
Proposta de actividade: pedir aos vários jogadores que produzam cartazes
sobre o tema Redução de Riscos face ao consumo de drogas que pudesse
estar num bar ou numa discoteca

Parágrafo 71, 72, 74, 75, 76, 81, 82 – Tentando ajudar


Temas: Estratégias de ajuda: (1) distrair, (2) procurar espaços arejados, (3)
sentar a pessoa e colocar-lhe a cabeça entre as pernas, (4) recorrer a ajuda
técnica, (5) pedir ajuda a amigos, (6) estar atento(a) aos sinais vitais e à
respiração, (7) ser capaz de explicar o que se passou com a(o) amiga(o). Os
recursos de apoio – os amigos, a família, os técnicos de saúde, as forças de
segurança, … Face ao vómito – repor líquidos em pequenas quantidades com
um pouco de açúcar. Se inconsciente – deitar de lado para reduzir risco de
sufocar.
Proposta de actividade: promover uma ligação a um serviço de emergência,
tendo o cuidado de reflectir com o grupo as informações a dar ao técnico que
atender e começando o telefonema por esclarecer que se trata de uma situação
de aprendizagem da adequada utilização dos recursos.

Parágrafo 79 – Causas de uma má disposição


Temas: Reacção orgânica: indigestão, doença, alergia, fraqueza acentuada,
substâncias psicoactivas, misturas de substâncias. O risco de colocarem
alguma substância na bebida: existem relatos que são de difícil demonstração.
A importância de acautelar vs. a importância de evitar paranóias.

137
Manual Eu e Os Outros (versão demo)

Parágrafo 80, 82, 83 – Entregar ao cuidado de alguém


Temas: A ajuda de estranhos – confiar ou não. O que te leva a confiar –
desespero, intuição, demonstração de conhecimento, referências comuns, … O
que te leva a desconfiar – a possibilidade de ter sido ele a pôr qualquer coisa
na bebida da tua amiga, ser tão disponível numa situação em que as pessoas
não gostam muito de se envolver.

Parágrafo 84, 85, 88, 89 – A chegada de reforços


Temas: Resumir os acontecimentos – contar tudo ou não falar de aspectos que
podem ser embaraçosos. Contar os factos ou falar das suspeitas. Lidar com as
reacções dos outros – a crítica, os preconceitos, a decepção, …:com tristeza,
zanga, indiferença, frontalidade, etc. A capacidade de pedir desculpa. O
sentimento positivo de se sentir compreendida. Explorar as implicações da
situação – reacção dos pais, ser ou não um caso de polícia, valer ou não a
pena ir às urgências.

Parágrafo 86 – Reagir às bocas


Temas: Os estereótipos – generalizações indevidas de casos particulares;
constelações de atributos normalmente negativos; forma económica de
catalogar as pessoas e seleccionar respostas sociais; os erros de atitude que
se dão em função dos estereótipos. O sentimento de injustiça associada aos
estereótipos.
Proposta de actividade: promover uma reflexão em torno dos estereótipos
pedindo aos jogadores que procurem lembrar-se se situações semelhantes
associadas a outros grupos sociais.

Parágrafo 87, 90, 91 – Avisar os pais da Lígia


Temas: Os prós e os contras. O direito de saberem se a filha está em risco: o
facto de ela ser menor. Colocar a amiga em maus lençóis. O direito da Lígia
decidir como e o que quer contar aos pais. A coragem para enfrentar situações
desagradáveis.

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

Parágrafo 93, 94, 95, 96, 97 – Curtir o ambiente


Temas: Tirar proveito das características de um espaço recreativo nocturno –
curtir o som, dançar, observar as pessoas, conhecer novas pessoas, … A
aproximação de desconhecidos – o medo das intenções subjacentes, a
indiferença, a curiosidade, … A desconfiança que nos faz ver os outros como
ameaças. O desejo de ler os desejos dos outros – prós e contras.
Proposta de actividade: aproveitar a ideia do personagem e propor aos
jogadores que imaginem o tipo de imagens que se associariam a cada desejo,
dando total liberdade de imaginação ou recorrendo a categorias como cores,
sinais de transito, etc.

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

7.8. História 8: O futuro


Personagem central: Alice

Existe um conjunto de grandes temas que se distribuem ao longo desta história.


Listaremos num primeiro momento esses temas, trabalhando, depois de uma
forma mais específica, cada um dos parágrafos explorando pequenas questões
que poderão ser orientadoras do processo de exploração da narrativa. Deste
modo os temas gerais são:
1. Perspectivas do futuro: determinismo versus livre arbítrio;
2. O ambiente e as preocupações ecológicas
3. A autonomia, a responsabilidade e a capacidade de tomar decisões;
4. A autenticidade do ser humano e a sua individualidade;
5. O inesperado, o óbvio, o acaso e o absurdo;
6. O consumo de alucinogéneos – percepções de (a)normalidade,
contextos de consumo, pressão de pares, efeitos da substância;
7. O poder de um grupo face aos poderes individuais;
8. Exigir, ceder e conciliar nas relações interpessoais;

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

9. A frustração e o regozijo da despedida – o respeito pela emancipação do


outro.
Estes temas são explorados com maior e menor clareza no decurso da
narrativa, contudo é no processo de exploração dos temas, que os conteúdos
poderão emergir de forma mais consistente cabendo ao MJ não apenas a
auscultação do grupo sobre estas matérias, mas acompanhá-los na recolha de
informação adicional que permita a consolidação ou a mudança de percepções.

Exploração de conteúdos de reflexão por parágrafo

Parágrafo 1 – (a chegada a casa no fim do dia)


Temas: A ocupação do tempo livre: os diferentes interesses que nos
preenchem o tempo: o computador, a televisão, os livros, os jogos, os jogos de
paciência, as colecções, a música, etc. A utilização da internet: o uso e o
abuso; as potencialidades da internet; a possibilidade de conversação em
tempo real com todo o mundo; a globalização social e cultural;
Proposta de actividade: cada elemento do grupo deve elencar alguns dos
seus amigos virtuais, salientando a sua zona de residência no globo. De
seguida proceder à análise dos dados e eleger aquele que tem o amigo mais
distante.

Parágrafo 2, 6 – (Desligas o computador e vais dar uma


volta/abres o embrulho)
Temas: A curiosidade: a impulsividade movida pela curiosidade; a capacidade
de lidar com a frustração; As actividades entediantes; o equilíbrio entre as
actividades dentro e fora de casa; Estar informado: a importância de conhecer
o interlocutor e saber quais as suas intenções.

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

Parágrafo 3, 4, 5 – (Metes-te na conversa/ Manténs-te no chat


sem dizer nada)
Temas: O destino; o determinismo e a incapacidade de controlarmos o nosso
futuro; o livre arbítrio e a responsabilização pelas tomadas de decisão;
partilhar a nossa opinião versus observar e avaliar a opinião dos outros.
Proposta de actividade: dinamizar debate sobre determinismo vs.
indeterminismo no grupo de jogo.

Parágrafo 7 – (Abres o embrulho)


Temas: A dúvida e a incerteza: o não perceber o que se está a passar; perder
o controlo sobre os acontecimentos; o que fazer numa situação em que não se
possui todas as informações relevantes para formular um juízo de valor;
procurar informação adicional.

Parágrafo 8, 9, 88 – (Voltas para casa pensativa/ Telefonas à


Catarina para saber a sua opinião)
Temas: A reflexão e o pensar como formas de organizar o pensamento; O
acaso e as coincidências: as coisas que acontecem quando menos se
espera; atitudes face ao inesperado; a reflexão solitária e o pensar em
conjunto com amigos. As figuras de referência: a quem recorres quando
precisas de ajuda? Quais as características das pessoas a quem recorres? São
mais velhas? Mais experientes? Mais sensatas? São mais inteligentes? Já te
desenrascaram em situações anteriores?

Parágrafo 10 – (Ida aos correios)


Temas: A reacção dos outros; aquilo que aparentam saber e o que sabem
verdadeiramente; as perguntas com segundas intenções; o que se diz, o que
não se diz e o seu impacto na relação com os outros.

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

Parágrafo 11,12, 89 (Consultar computador/Ignorar o intrigante


sussurrar)
Temas: A curiosidade e o inesperado: renunciar à satisfação da curiosidade;
A dificuldade em estabelecer raciocínios lógicos quando as evidências não
fazem sentido; O resistir à curiosidade: A partilha de confidências e a opinião
de quem se confia; o equilíbrio entre a opinião dos outros e a vontade própria;
A responsabilidade: Os objectos perdidos ou abandonados: ficar com eles,
entregá-los ao cuidado de alguém ou chamar a atenção dos responsáveis.

Parágrafo 13, 26 – (Seguem para a baixa)


Temas: A angústia de não encontrar um amigo: a preocupação com um ente
querido; a frustração de desconhecer o seu paradeiro e a ineficácia das
estratégias da sua localização; o tipo de estratégias de procura.

Parágrafo 14 – (Sigam para o jardim)


Temas: A preocupação dos outros: o sentimento de culpa do Botekas por
perder o rasto do Patas; a gestão da culpabilidade; a responsabilização do
grupo; o pedir ajuda. A Música Trance (ou Transe) – o que a caracteriza (a
batida, o som sintetizado e electrónico), as suas raízes na música acid house e
no Techno. Os seus derivados – o GoaTranse e o Transe Psicadélico

Parágrafo 15,16, 18 – (Café no bar do Joca com a


Catarina/partilha sobre a misteriosa encomenda)
Temas: O apoio dos amigos: A partilha de confidências e a opinião de quem
se confia; o equilíbrio entre a opinião dos outros e a vontade própria. A
curiosidade e o inesperado: renunciar à satisfação da curiosidade; A
dificuldade em estabelecer raciocínios lógicos quando as evidências não fazem
sentido.

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

Parágrafo 17 – (Propões que procurem o Patas)


Temas: O pensar e o agir: a importância da reflexão na preparação da acção;
o primeiro passo; a acção como apaziguadora da ansiedade; a importância de
estabelecer raciocínios lógicos antes de agir.

Parágrafo 19, 32 – (Abandonam o local)


Temas: O desconforto e a desconfiança de certos locais: a fuga como
opção para lidar com o medo; o grupo como factor protector.

Parágrafo 20, 27, 28, 31, 33, 34, 36 – (Falam com o mestre
africano)
Temas: O misticismo e a adivinhação do futuro: a idade como sinal de
experiência; o respeito pelos mais velhos; a capacidade de prever o futuro; o
crédito e a desconfiança no desconhecido; a importância de uma linguagem
clara e eficaz no processo de comunicação interpessoal.

Parágrafo 7, 21, 22, 90 – (O IDT como remetente)


Temas: O Instituto da Droga e da Toxicodependência: A instituição; as áreas
de missão; A componente preventiva.
Proposta de actividade: após pesquisa e recolha de dados sobre a instituição,
dinamizar um debate com o grupo sobre as principais funções do Instituto da
Droga e da Toxicodependência.

Parágrafo 23, 51 – (Perguntam pelo vosso amigo)


Temas: A linguagem não verbal: o corpo e o comportamento como canais de
comunicação; as expectativas face ao outro; as (falsas) aparências.

144
Manual Eu e Os Outros (versão demo)

Parágrafo 24, 38, 45, 50, 91 – (A caminho dos correios)


Temas: A estranheza face ao inesperado: reacção face a questões
filosóficas; a identidade de cada um; As defesas maníacas: o recurso ao
humor/agressividade para lidar com a insegurança e incerteza; a reacção face
à dúvida. O Direito à Privacidade – divide-se no Direito de não ser
monitorizado, entendido como direito de não ser visto, ouvido, etc., o Direito de
não ser registado, entendido como direito de não ter imagens gravadas,
conversas gravadas, etc. e o Direito de não ser reconhecido, entendido como
direito de não ter imagens e conversas anteriormente gravadas publicadas na
Internet ou noutros meios de comunicação. (retirado da Wikipédia em
14/05/2010)

Parágrafo 25, 29, 93 – (encontro com o Jamal)


Temas: O julgamento prévio: as expectativas face ao outro; a dedução de
conclusões face ao conhecimento que se tem do outro; as profecias auto-
confirmatórias; o ser e o parecer. As diferenças geracionais: os choques que
resultam da diferença de vivências, ritmos e atitudes. A crítica fácil. Não querer
envelhecer assim.

Parágrafo 30 – (acenam afirmativamente)


Temas: O sentido da vida: a reflexão sobre questões filosóficas; a identidade
de cada um; ser ou não ser, eis a questão!
Proposta de actividade: após visionamento do filme: O sentido da vida, dos
Monty Python, promover debate com o grupo sob o tema: o sentido da vida.

Parágrafo 30, 37, 39, 53 – (os cogumelos mágicos)


Temas: As substâncias alucinogéneas: são substâncias que pertencem à
família dos perturbadores do SNC. Podem ter diversas apresentações. As mais
conhecidas são o LSD e os cogumelos mágicos. Têm por efeitos alterar a
percepção da realidade por intensificação da percepção (hiperestesia) ou por
alucinação (percepção de um estímulo não presente); Normalmente as

145
Manual Eu e Os Outros (versão demo)

expectativas face à substância prendem-se com a vivência de uma experiência


psicadélica ou de revelação pessoal; os riscos do consumo são elevados uma
vez que o indivíduo invade uma parte do seu aparelho psíquico que lhe é
vedada podendo confrontar-se com experiencias de carga emocional muito
intensa (bad trips) podendo mesmo estar na origem de uma psicose tóxica. Do
ponto de vista antropológico estas substâncias, no seu formato natural,
estavam muito associadas a rituais religiosos havendo uma crença de que os
seus efeitos permitiriam uma maior proximidade com os deuses.
Proposta de actividade: propõe-se a pesquisa de mais informação no www.tu-
alinhas.pt ou no www.idt.pt.

Parágrafo 40, 42 – (local da festa)


Temas: O cuidado com o meio ambiente: a perspectiva ecológica da vida
urbana; a importância de respeitar o meio ambiente; o prazer, o abuso e a
noção de responsabilidade. A sensação de ser observado: o direito à
privacidade; o desconforto de se ser observado; a diferença entre sensação e
percepção; o sexto sentido humano.

Parágrafo 41, 43, 47 – (avisar os pais do Patas)


Temas: A família como factor protector: a família como suporte afectivo; a
dinâmica familiar; Tal pai, tal filho – o inato e o adquirido; A polícia como
factor protector: o papel protector da polícia; a noção de regra e lei; o respeito
pelas formalidades; o limite da acção policial; A noção de loucura: o normal e
o patológico; as expectativas face às evidências. O que é a loucura? E a
normalidade?
Proposta de actividade: proposta de pesquisa do site da polícia judiciária em
relação a situações de desaparecimento de pessoas
http://www.policiajudiciaria.pt/PortalWeb/page/%7BDCDD1912-D7D2-4827-A009-
5595BA832575%7D

146
Manual Eu e Os Outros (versão demo)

Parágrafo 44 – (Ouves o Patas com atenção)


Temas: A congruência do discurso do interlocutor: o delírio e a
incongruência; a sensação de se ser perseguido; a confidencialidade e a
importância de se guardar um segredo; a confiança no outro e o respeito pela
sua privacidade. A diferença entre a ilusão (em que o estimulo é percebido de
forma alterada), a alucinação (em que é percepcionado um estimulo que não
está presente) e o delírio (em que é organizada uma compreensão alterada da
realidade com base estímulos inexistentes ou na análise perturbada de
deturpada de estímulos existentes. A paranóia sentimento de perseguição
associado a desconfiança e ameaça.

Parágrafo 40, 42, 46, 48, 49 – (local da festa)


Temas: O cuidado com o meio ambiente: a perspectiva ecológica da vida
urbana; a importância de respeitar o meio ambiente; o prazer, o abuso e a
noção de responsabilidade. A sensação de ser observado: o direito à
privacidade; o desconforto de se ser observado; a diferença entre sensação e
percepção; o sexto sentido humano. A surpresa, a estupefacção e o alívio: o
que se procura pode estar onde menos se espera; o alívio depois da
preocupação; as estratégias de controlo da ansiedade.

Parágrafo 54 – (não queres saber da última)


Temas: a sensação de dejá vu: a sensação de já ter no passado vivenciado
uma situação presente; a capacidade de predição do futuro; o extra-sensorial.

Parágrafo 55 – (retiras-te para te organizares)


Temas: a necessidade de um retiro: face à confusão o silêncio ajuda a
reorganização de ideias. A importância do tempo pessoal. Os nossos refúgios:
os sítios onde nos sentimos melhor.
Proposta de actividade: (1) cada elemento do grupo deve elencar algumas
estratégias que usa para se acalmar no seu dia-a-dia e partilhar aquelas que
considera particularmente indicadas em situações de tensão eminente. (2) cada

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

elemento pensa qual é o seu refúgio – as características que ele tem – calmo,
longe, bonito, com vista, com história, etc.

Parágrafo 56, 57, 59, 62, 65, 75 – (dialogo com o Imman)


Temas: noção de identidade e autonomia: ser ou não ser, eis a questão! O
que é ser? O que é ser autónomo? Como se pode ter a certeza que se é? Em
que evidências nos baseamos para podermos afirmar que somos realmente
qualquer coisa? As coincidências: obra do acaso versus ironia do destino; a
capacidade de previsão face às evidências; O real e o imaginário: a
capacidade de distinguir a realidade da fantasia.

Parágrafo 58, 59, 60 – (tentam contactar o Emanuel)


Temas: a reflexão: o pensar e o agir; a importância de reflectir na ponderação
do agir; o partilhar; o ponderar; a importância de estar bem informado; a
capacidade de análise da informação; distinguir informação supérflua da
relevante; A opinião de todos é importante: o grupo como um todo; a
importância da presença e participação de todos; a falta de um elemento.

Parágrafo 61, 63, 64, 66, 67, 68, 69, 70, 77, 79 – (o que os outros
acham)
Temas: A opinião de cada um: as expectativas sobre a opinião do outro face
ao que se conhece dele; as surpresas e as confirmações; as estratégias de
cada para resolver um dilema: o estilo agressivo, passivo, mais ou menos
assertivo…
Proposta de actividade: apresentar aos jogadores as reacções de cada
personagem, numa folha de papel, retirando os aspectos que permitam
identificar, dentro das descritas acima, qual o tipo de reacção que cada uma
tem. Uma vez lidas as 8 reacções os jogadores deverão tentar atribuir cada
reacção a um personagem e justificar a sua escolha. Só depois deste processo
é que o dinamizador deverá dar continuidade à aplicação permitindo que eles
explorem as respostas incluídas no material.

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

Parágrafo 71; 73, 74, 76, 78 – (balanço final)


Temas: Balanço final: o saldo positivo de viver esta aventura; as coisas menos
boas;
Proposta de actividade: debate em torno do tema: Quem sou eu?

Parágrafo 72 – (ouves a ideia do Patas)


Temas: A perseverança: o acreditar de que se é capaz; a capacidade de
interferir nas coisas que nos acontecem;

Parágrafo 80 – (FIM)
Temas: A despedida: A frustração e o regozijo da despedida; o respeito pela
emancipação do outro. A missão de prevenir: o que é prevenir? A importância
de promover a saúde no espaço escolar;

Parágrafo 84, 85, 86, 87 – (Comer um gelado)


Temas: Informação nutricional: A diferença entre o gelado e o sorvete – a
presença de leite no segundo. O carácter light do gelado – os teores de açúcar
e de gordura com que o gelado é feito. Os aditivos – os corantes (naturais ou
artificiais), os aromatizantes (naturais ou sintetizados), os conservantes. A
produção caseira – misturas de sabor, prevalência da fruta e do leite. A atitude
face ao prazer: (1) tudo de uma vez, (2) capacidade de adiar (3) o equilíbrio

Parágrafo 81 – (pegas no livro)


Temas: O prazer de ler: o tipo de livro: romance, policial, histórico, biográfico,
ficção científica, fantasia, etc. Os elementos para um bom livro: o enredo, as
personagens, o ritmo da acção, a capacidade de descrever os ambientes e as
pessoas. A ideia de recuar no tempo – poder evitar coisas, voltar a viver
coisas de que se gostou muito, dar conselhos a alguém

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

Proposta de actividade: (1) propor ao grupo uma reflexão individual sobre a)


como se imaginam daqui a 15 anos b) se pudesse andar para trás no tempo e
dar um conselho a si próprio com menos 5 anos, qual seria? (2) fazer um
levantamento dos livros que cada um mais gostou de ler.

Parágrafo 82, 83 – (Dás a tua opinião)


Temas: A influência da atitude negligente do Homem em relação ao
ambiente nos acidentes naturais que têm ocorrido – a poluição e o buraco de
ozono, o aquecimento global. A participação de cada um – formas de contribuir
para um melhor ambiente – poupar água, poupar energia, separação do lixo,
Proposta de actividade: propor ao grupo uma reflexão sobre (1) o que é que
cada um (individualmente e na família) põe em prática para a protecção do
ambiente (2) outras coisas que possam ser feitas – individualmente,
colectivamente – para sensibilizar e aumentar o cuidado das pessoas em torno
deste tema. Sugere-se a exploração do site da Quercus para uma melhor
atitude face ao ambiente http://www.quercus.pt

Parágrafo 92 – (tentas ligar para o IDT)


Temas: O sentimento de irritação quando não se consegue falar com quem se
quer ou obter a resposta que se deseja: (1) o caricato da situação, (2) a
persistência de continuar a tentar; (3) a reacção à ideia de estar a ser gozado,
(4) saber qual o momento para desistir
Proposta de actividade: as linhas telefónicas de ajuda (112, 1414, entre
outras) são frequentemente objecto de diversão de jovens e crianças que ligam
para estes serviços com o único intuito de se divertir. Propor ao grupo que se
imagine na situação de atendimento e explore sentimentos e reacções
associadas à situação

150
Manual Eu e Os Outros (versão demo)

8. Dinâmicas de Grupo

É Obvio… Parece-me… Acho Que… – Jogo de grupo. Cada elemento diz o


seu nome e numa primeira fase diz algo que é óbvio em relação ao colega do
lado direito. O que é óbvio tem de ser algo que é observável. Numa segunda
passagem do processo de apresentação cada jogador dá outra informação
sobre si (onde nasceu, por exemplo) e terá desta vez de dar um parecer sobre
o seu vizinho com base numa observação, devendo ser uma inferência feita a
partir de algo que seja óbvio. Finalmente numa terceira passagem o jogador
acrescenta um ultimo elemento de apresentação (por exemplo, o prato favorito
ou o livro que anda a ler) e finalmente acrescenta uma impressão que lhe fica
do seu vizinho, sendo que esse parecer é intuitivo e não se baseia em nenhum
facto. Temas de Reflexão: Reflectir na diferença dos três níveis de
apresentação e como se confunde frequentemente os factos com os pareceres
e as impressões subjectivas. O receio de magoar o outro. O confronto com a
impressão que o outro tem de nós…

Apresentação Complementar – Jogo de pares/ em grupo. Material: folhas de


papel cortadas em metades (com formatos diferentes), cartas de jogar
emparelhadas, etc. Descrição: Formam-se pares. Durante um período de tempo
definido pelo orientador - em função de desejar uma apresentação mais
profundo ou mais superficial - os dois jogadores apresentam-se um ao outro
dentro dos temas por eles escolhidos. No final desse período de conhecimento
mútuo retorna-se ao grupo. Cada jogador deverá apresentar o parceiro com
quem este assumindo-se como se fosse ele, isto é, falando sempre na primeira
pessoa. No sentido de dar um maior dinamismo à actividade o orientador do
grupo poderá criar formas de emparelhamento jogadas, como por exemplo dar
aleatoriamente (ou distribuir ao acaso pela sala) cartas de um naipe aos
jogadores e pedir que encontrem o seu correspondente noutro naipe. Outro
exemplo será o de cortar folhas de papel em duas metades, dando ao corte
formatos diferentes - ex. corte oblíquo, em serrilha, arredondado, etc. - distribuir
essas metades pela sala e pedir aos jogadores que recolham uma e procurem

151
Manual Eu e Os Outros (versão demo)

o seu complemento. A partir daí dá-se início ao jogo de apresentação. Haverá


outras alternativas possíveis de serem desenvolvidas a partir da criatividade de
cada orientador. Temas de Reflexão: A importância de nos pormos no lugar
dos outros e a compreensão que resulta da preocupação de dar coerência ao
personagem que se desempenha; dar atenção aos temas escolhidos na
apresentação; reflectir sobre áreas estereótipos, grupos de referência, pontos
comuns, etc.

O Que Eu Sei do Meu Nome – Jogo de Grupo. Descrição: Pedir aos


jogadores que se apresentem e digam o que sabem sobre o seu nome - porque
foi escolhido pelos pais, origens do nome, histórias verdadeiras ou imaginadas
em torno do seu nome Temas de Reflexão: A descoberta das origens das
pessoas a partir no nome, as culturas e etnias e os nomes, os costumes, outros
povos, etc.

Cumprimentos Rituais – Jogo de grupo Materiais: Pedaços de papel, cada


um com uma forma de cumprimento. Deverá haver dois papéis por cada forma
diferente de cumprimento. Exemplos de comprimentos: aperto de mão, beijo,
continência, aceno de cabeça, esfregar narizes, high five e low five (com uma
ou duas mãos), back low five, etc. O dinamizador poderá começar esta
dinâmica por fazer um levantamento de todos os tipos de cumprimento
conhecidos e construir o emparelhamento de cumprimentos com base nessa
listagem. Após receberem o seu papel cada jogador deverá misturar-se com os
outros cumprimentando-os com a sua forma própria de cumprimento
(ensinando-lhes o seu gesto) e aprendendo a forma de cumprimento dos outros
(repetindo o gesto do outro). Quando os dois jogadores que têm a mesma
forma de cumprimento se encontram poderão retirar-se do círculo facilitando o
jogo àqueles que ainda não encontraram os seus pares. Temas de reflexão: O
papel dos cumprimentos ritualizados como forma de redução de riscos de
confronto face à ameaça do desconhecido. A curiosidade pelo que é diferente.
O desinteresse pelo outro que não é igual. A passividade vs a pró-actividade. A
exposição ao ridículo.

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

Jogo do Totem – Jogo individual Material: Grelha. Cada jogador recebe uma
grelha com 5 linhas nas quais deverá colocar o nome de 4 amigos aos quais
juntará ao seu próprio nome. Deverá atribuir um animal a cada um e justificar
com características pessoais. No final põe-se em comum as escolhas de todas
as pessoas e comparam-se as atribuições feitas, à procura de coerências e
contrastes. Em alternativa, para evitar que haja pessoas que não sejam
escolhidas para a atribuição do animal, o dinamizador constrói as grelhas com
nomes pré-definidos e distribui ao acaso. Neste caso deverá deixar uma coluna
não preenchida para que cada jogador possa colocar nela o seu nome, caso
não faça parte da lista de nomes que constam na sua grelha. Temas de
reflexão: O que pensamos dos outros e o que os outros pensam de nós;
associar as nossas características a animais; receio de magoar o outro; a auto-
estima e a auto-imagem

O Guia e o Cego – Jogo de pares. Material: Vendas. O dinamizador solicita ao


grupo que se organize em pares, fornecendo uma venda a cada um. Os pares
deverão organizar-se de modo a haver um cego e um guia, cuja tarefa é
proporcionar o maior número possível de experiencias ao cego. O jogo deverá
jogar-se em silêncio. A condução do cego é feita através do contacto de uma
mão deste com o ombro do guia. Sempre que este pretenda que o cego sinta a
textura de alguma coisa, retira a mão deste do seu ombro e leva-a à superfície
a explorar, repondo-a de novo no seu ombro, terminada a exploração. O
dinamizador poderá dar sugestões aos guias no decurso do jogo, tipo
experimentar diferentes consistências (água, terra, algodão, etc.), diferentes
sentidos (cheiro, tacto, audição …) diferentes níveis de intensidade (andar
depressa, mudanças bruscas de movimento, situações inesperadas, etc.). O
tempo de jogo poderá variar de acordo com o planeamento e a riqueza do meio
a explorar. Os jogadores deverão poder trocar de papel. Temas de reflexão: A
confiança em si e no outro, a capacidade de reconhecer os estímulos, o medo
do desconhecido, a preferência entre o papel de guiar ou de descobrir a
realidade circundante enquanto cego.

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

Responder com uma Pergunta – Jogo de competição entre dois grupos. O


dinamizador começa por definir um tema em torno do qual decorra cada
confronto. Os grupos começam por definir uma ordem de participação dos seus
elementos. Com base no tema o primeiro elemento de uma equipa fará uma
pergunta ao outro grupo, o qual, através do seu jogador número um deverá
responder com uma nova pergunta dentro do tema definido. O segundo
elemento do primeiro grupo deverá então responder com uma nova pergunta e
assim por diante, alternadamente. As respostas devem ser dadas dentro de um
período de 15 segundos. Se tal não acontecer é atribuído um ponto à última
equipa a ter conseguido colocar uma pergunta. Não se pode repetir perguntas
feitas anteriormente. Os temas poderão ir mudando caso o dinamizador
considere que se esgotaram as perguntas passíveis de serem feitas. A ordem
de resposta dentro dos grupos também pode ir mudando. (ex. Tema: cinema:
viste o filme de ontem? Qual aquele sobre extraterrestres? Esse não deu na
semana passada? Achas que era esse? …) Temas de reflexão: A dificuldade
de pensar suficientemente rápido, a pressão da competição, a necessidade de
controlo para não responder à questão do outro grupo em vez de fazer uma
nova pergunta, a irritação quando fazem uma pergunta em que já tinhas
pensado para tu fazeres.

Círculo Do “Mata Moscas” – Jogo de grupo. Descrição: Os jogadores


deverão formar um círculo à distância de um braço, uns dos outros. O jogo
começa com um elemento a agachar-se enquanto os seus dois vizinhos lhe
matam uma mosca sobre a cabeça batendo palmas. Imediatamente o vizinho
do lado direito daquele que se agachou, se agachará por sua vez, repetindo-se
as palmas sobre a sua cabeça (quem estava agachado, levantou-se entretanto
tendo de bater as palmas sobre a cabeça de quem se agachou ao seu lado.
Este processo repete-se até que alguém se engane. Aquele que se enganar sai
de jogo. Temas de reflexão: Controlo do impulso; a alternância do
comportamento motor, a rapidez do jogo, a distracção de estar a observar os
outros e esquecer-se de jogar; a competitividade…

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

Jogo do Porteiro – Jogo aos pares. O dinamizador começa por organizar os


jogadores em pares. A um deles deverá ser dito que é o porteiro cuja missão é
não deixar ninguém passar. O outro jogador é uma pessoa que tem uma
enorme urgência/necessidade de entrar para o local à guarda do porteiro.
Exemplos: ter de ir à casa de banho, ter alguém em perigo de vida, precisar de
saber se alguém está lá dentro, etc. O jogador que enfrenta o porteiro deverá
definir o contexto e explicá-lo ao colega antes de iniciarem o jogo. Cabe ao
porteiro justificar a recusa da passagem e ao outro jogador argumentar sobre a
necessidade de passar. O dinamizador deverá dar entre 5 a 10 minutos para a
tarefa de acordo com as capacidades dos jogadores e com ao risco de
conflitualidade. No final do primeiro exercício os jogadores trocam de papel.
Temas de reflexão: A pressão de pares, a capacidade de dizer não; o
crescente de agressividade face à frustração; a difícil tarefa de recusar quando
se quer facilitar; ser consistente e coerente; quando faltam argumentos; os
confrontos no feminino e no masculino.

Jogo da Ocupação de Espaço – Jogo individual/colectivo. Cada jogador deve


escolher um lugar fixo na sala e procurar ocupar o máximo espaço possível.
Seguidamente o dinamizador solicitará que, sem sair do mesmo sítio, se tente
ocupar o mínimo espaço possível. Comparar a sensação de cada parte do
exercício voltando a repeti-lo agora só em metade da sala, depois num quarto
da sala e assim sucessivamente até concretizar o exercício no canto da sala.
Finalmente o dinamizador pedira ao grupo que tentem ocupar o máximo espaço
possível em grupo e seguidamente o mínimo espaço possível Temas de
reflexão: A importância do espaço pessoal; diferentes necessidades de
espaço: características pessoais vs características culturais; o incómodo de
partilhar cada vez menos espaço com os outros, as estratégias de cada um
para ocupar espaço face à proximidade do outro. A diferença entre ocupar
espaço individualmente e colectivamente. O dentro e o fora: ocupar espaço
delimitando territórios

Pára Agora – O dinamizador começa por pedir um voluntário para se colocar


no centro da sala de olhos fechados. Seguidamente um conjunto de colegas

155
Manual Eu e Os Outros (versão demo)

distribuídos em círculo pelos pontos cardeais a uma distância de, pelo menos, 5
metros. À vez, e após indicação do dinamizador, os colegas vão avançar
lentamente (pequenos passos) na direcção do jogador de olhos fechados, que
os mandará parar quando quiser definindo deste modo a distância a que quer
manter esse colega. O exercício repete-se até todos os colegas terem
avançado e sido mandados parar. No final, o jogador poderá destapar os olhos
e verificar qual o território que definiu para si. Repetir o jogo com todos os
jogadores do grupo e comparar resultados. Temas de Reflexão: O espaço
pessoal: as distâncias de segurança; diferenças pessoais; a proximidade; o
sentimento de ameaça: a distribuição diferente do espaço em função da
localização e da relação que se tem com quem se aproxima.

Balão Cola – Jogo de grupo. Materiais: Balões. Descrição: Formam-se pares


e dá-se-lhes um balão para ser enchido. A tarefa do par é a de ir transportando
o balão a dois. O contacto com o balão vai variando de acordo com a
criatividade do dinamizador podendo ir da cabeça à anca, passando pelas
costas, braços, etc. O dinamizador poderá dar instruções que dificultem a tarefa
do grupo como sentarem-se sem deixar cair do balão, porem-se de gatas,
subirem a uma cadeira, etc. Os jogadores que forem perdendo o balão sentam-
se no chão. O jogo termina quando apenas sobrar um par em jogo. Temas de
Reflexão: A distância crítica: se se afastam o balão cai, se se aproximam o
balão rebenta; o paralelismo com as relações de afecto: a dependência vs o
desapego; fazer coisas em conjunto: a harmonia e a coordenação. Os riscos
que conduzem à perda de contacto com o outro. Respeitar o ritmo do outro;
procurar um ritmo conjunto.

O Julgamento (da droga) – Jogo entre grupos. O dinamizador deverá começar


por organizar os jogadores em 4 grupos: os advogados de defesa, os de
acusação, os juízes e os especialistas. A droga vai a julgamento e os juízes
deverão gerir a sessão dando tempo aos advogados primeiro para organizarem
a sua argumentação e depois para a expor. Os especialistas deverão
aprofundar o tema e apresentá-lo de forma rigorosa e científica sem tomar
partido. Poderão ser questionados pelos advogados de defesa ou de acusação.

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

Cabe aos juízes tomarem uma decisão no final do jogo e proferir a sentença
Temas de reflexão: A importância de saber defender o seu ponto de vista, a
diferença entre uma opinião (crença) e um facto; conseguir ter uma perspectiva
alargada antes de tomar posições.

O Jogo dos Vizinhos – Jogo de grupo. Material: Cadeiras dispostas em


círculo alargado. O grupo deverá colocar-se em círculo, sentados em cadeiras.
O dinamizador pede um voluntário, que se deverá colocar no meio do círculo
sem lugar para se sentar. O seu objectivo é recuperar um lugar. Para tal,
deverá dirigir-se a qualquer participante, colocando-lhe a seguinte questão:
“Gostas dos teus vizinhos?”, referindo-se aos dois elementos que estão em
cada um dos lados da pessoa a quem se dirige. Caso este responda
afirmativamente, todo o grupo, com excepção do interrogado e dos seus
vizinhos, deverá levantar-se e correr para uma cadeira que se encontre distante
daquela onde estava sentado. Não é permitido sentar-se na cadeira que se
encontra ao seu lado. Quando a resposta é negativa, acrescenta-se a pergunta:
“Então, que vizinhos gostavas de ter?”. Quando a resposta surgir, do tipo
“gostaria de ter vizinhos que tenham calças de ganga” ou “quero vizinhos de
olhos azuis” ou ainda “quero vizinhos simpáticos”, os dois vizinhos terão
sempre que ceder os lugares e todos os elementos que possuam a
característica indicada deverão procurar ficar com um dos dois lugares
anteriormente ocupados pelos vizinhos. Haverá sempre um elemento que fica
sem lugar, cabendo-lhe então reiniciar o processo. O dinamizador deverá
garantir que o tipo de características solicitadas para os vizinhos vai variando,
indo de aspectos físicos, para gostos, interesses, e finalmente, características
pessoais. Temas de reflexão: O jogo como divertimento; a possibilidade de
nos darmos a conhecer de uma forma divertida; a curiosidade face ao outro; o
respeito pelo outro e pelo grupo, o receio de decepcionar que me leva a dizer
que gosto dos vizinhos, e o desejo de provocar que me leva a pedir novos
vizinhos. O sentimento de ridículo e de exposição por se estar no centro sem
cadeira…

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

Sentar nos joelhos – Jogo de grupo, não requer material. Os jogadores


dispõem-se em círculo numa roda muito fechada. À ordem do dinamizador,
todos os elementos do grupo deverão tentar sentar-se nos joelhos do elemento
que estiver posicionado imediatamente antes deles. Se a tarefa for conseguida
o dinamizador poderá então solicitar que todos os elementos do grupo retirem
um pé do chão. Temas de reflexão: A necessidade de coordenação entre
todos; a conjugação de esforços; a proximidade física;

Cadeia de Mãos Trocadas – Jogo de grupo. Os jogadores sentam-se em


círculo, próximos uns dos outros. Cada jogador deverá colocar a sua mão
direita sobre a perna esquerda do jogador da direita e a mão esquerda em cima
da perna direita do jogador da esquerda. Com a cadeia formada o jogador
dinamizador começa o jogo batendo uma pequena palmada na perna do
vizinho que terá continuidade através de uma pequena palmada da mão que se
situa imediatamente a seguir e pela outra seguinte e assim sucessivamente.
Sempre que um jogador bater duas vezes seguidas o sentido do jogo inverte-se
devendo jogar não a mão seguinte mas aquela que está imediatamente antes.
Cada vez que um jogador se engane na sua vez de jogar perde retirando a mão
com que se enganou. O jogo prossegue até ficarem apenas três jogadores.
Temas de reflexão: A necessidade de concentração e capacidade de controlo;
a competição; o sentimento de frustração; a impulsividade; a capacidade de
provocar o engano do adversário.

Jogo dos Problemas – Jogo de grupo. Materiais: Autocolantes. Cada jogador


recebe um pedaço de papel autocolante que lhes é apresentado como um
problema de que cada um se quer desembaraçar. A instrução é de uma vez em
movimento por uma sala, ao sinal do orientador, todos os jogadores tentem
colar o seu autocolante nas costas de outros jogadores, descarregando assim o
seu problema em alguém, evitando simultaneamente que o façam consigo.
Poderá ser feita nesta altura uma primeira reflexão sobre quem tem mais
autocolantes nas costas e o que justifica esta situação (estar no centro, estar
desatento, ter mais dificuldade em se proteger, etc.) Após um primeiro ensaio o
orientador dará instruções a três ou quatro jogadores limitando a sua

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

capacidade de se deslocar ou de se defender - exemplo: obrigatoriedade de


ficar sempre no mesmo sítio, deslocar-se a pé coxinho ou com passos muito
pequeninos, ter a mão direita no bolso, estar de olhos vendados. Dadas as
instruções, repete-se o jogo. No final desta segunda experiência poderá ser
feita uma segunda reflexão em torno de como as limitações de base atraem
mais problemas. Finalmente o orientador poderá definir dois grupos e,
mantendo as regras e as instruções, repetir o jogo. No final de cada acção
contam-se o número de autocolantes presos nas costas de cada jogador. O
orientador poderá impor um limite de tempo para que a colagem dos
autocolantes se efectue. Temas de análise: Comparação dos autocolantes a
problemas; a tendência para que aqueles que estão limitados acumulem
autocolantes; os elementos frágeis e as estratégias de ataque e de
defesa/protecção.

Corrida no Escuro – Jogo individual. Material: vendas de flanela preta. Joga-


se em silêncio. Cada participante depois de vendado corre para uma parede,
onde outro elemento o deverá segurar impedindo-o de colidir com esta. Num
primeiro momento, poderá ser o orientador do grupo a segurar os participantes
que correm, de forma a transmitir ao grupo uma maior segurança. Temas de
reflexão: a dependência face ao outro quando eu me sinto em risco; o correr
sem hesitar, fuga para a frente; ou a impossibilidade de se mover: o medo
paralisante; confrontar as discrepâncias entre o sentimento que a situação
suscita (ex. "isto não me mete medo nenhum") com a sua vivência (ex.: "afinal
não era assim tão fácil").

Um Lugar por um Sorriso – Jogo de grupo. Todos os elementos estão


sentados em círculo, à excepção de um que, em pé, não tem lugar. Para
conseguir arranjá-lo deverá dirigir-se a alguém, colocar-se na sua frente e dizer,
"O teu lugar por um sorriso". A esse jogador cabe a tarefa de, sem o menor
esboço de sorriso, responder olhando o outro jogador nos olhos, "Gosto muito
de ti mas não te posso sorrir. Se queres um lugar vais bater a outra porta". Se
não o conseguir, isto é, se no decurso desta frase se rir, perde o lugar,
cabendo-lhe agora a si a tarefa de fazer rir outra pessoa para ficar com o lugar

159
Manual Eu e Os Outros (versão demo)

dela. Durante a tentativa de conseguir um lugar, o jogador não poderá repetir o


mesmo pedido mais do que duas vezes à mesma pessoa, devendo, em caso
de insucesso passar a outra. No processo de pedido, o dinamizador poderá
impor a regra de que, o jogador do meio está impedido de fazer cócegas ao
parceiro. Variante: O dinamizador poderá criar a figura do cúmplice que é um
jogador que do lado de fora do círculo procura ajudar o jogador sem cadeira a
fazer rir os elementos sentados. Nesse caso o cúmplice também não poderá
tocar nos elementos sentados enquanto ajuda. Temas de reflexão: Será
importante começar por ouvir as pessoas que passaram pelo centro; trabalhar
os temas ligados à sensação de ridículo, rejeição, frustração; o sentimento de
quem diz "não" a alguém que é seu amigo; a importância de pensar em si ao
pensar nos outros; a pressão do grupo e a influência nas decisões; a
capacidade de resistir à sedução de quem está no meio, a persistência dos
participantes.

Escrever Bem nas Costas – Jogo de Grupo Material: Folhas de papel para
prender nas costas dos jogadores, canetas. Descrição: Cada jogador tem
presa nas costas uma folha de papel. Com a caneta que possui deverá
escrever nas costas dos restantes colegas o que mais gostam nele, enquanto o
mesmo acontece consigo próprio. No final, cada jogador deverá ler o que
escreveram sobre si e deverá comentar. Ninguém é obrigado a fazê-lo,
podendo simplesmente reservar para si próprio os sentimentos despertos pelo
que lhe foi dirigido. Temas de Reflexão: O que os outros pensam de nós; a
comparação entre a imagem que provocamos nos outros e a nossa própria
opinião; as expectativas e o desejo de agradar; o receio daquilo que os outros
pensam de nós.

Anjo da Guarda – Jogo de pares Material: Pedaços de papel com os nomes


dos jogadores. Papel e canetas Descrição: O dinamizador começa por
escrever os nomes dos participantes em pedaços de papel que deposita numa
caixa. Cada participante sorteia um papel (como em um amigo secreto).
Ninguém poderá retirar seu próprio nome. Se tal acontecer, refaz-se o sorteio.
Cada participante será o anjo daquele que sorteou e, portanto, também terá

160
Manual Eu e Os Outros (versão demo)

seu anjo. Os nomes não devem ser revelados até o término do jogo. O papel de
cada anjo é de aproximar-se, dar atenção e interagir-se com a pessoa que lhe
saiu em sorte, de forma subtil, sem que esta perceba imediatamente quem é
seu anjo. Uma caixa de papel ou post-its poderá ser posta à disposição dos
jogadores para que possam ir deixando mensagens aos seus protegidos. A(s)
caixa(s) devem ser deixadas em locais que permitam que as mensagens
possam ser deixadas sem levantar suspeitas. No final, cada um tenta adivinhar
quem é o seu anjo. Temas de Reflexão: Cuidar e ser cuidado; tratar bem sem
dar nas vistas; sentir-se bem a demonstrar atenção; curiosidade por quem o
protege; decepção por não ter sido reconhecido…

A Mensagem – Jogo entre pares. Material: Folhas com esquema gráfico a


reproduzir. Papel e canetas (uma por cada par) Descrição: Dividir o grupo em
pares. Pede-se para que um elemento de cada par se retire da sala para que
os demais recebam as instruções. Solicita-se àqueles que ficaram na sala que
ajudem a arrumar o espaço, colocando as cadeiras do par uma de costas para
a outra, deixando alguma distância entre os conjuntos para que não haja
interferência entre os pares. Aos elementos que ficarem na sala o dinamizador
deverá dizer que cada um será o receptor de uma mensagem que o seu colega
irá transmitir. Deverão sentar-se de costas para ele e usar a folha de papel para
anotar a mensagem que o emissor, seu colega, lhe irá transmitir. Não poderão
fazer perguntas ao emissor, nem interrompê-lo, em nenhuma situação. Não
poderão emitir qualquer tipo de reacção que demonstre a maneira como está a
receber (ou não) a mensagem.
Aos elementos que estiverem fora da sala o dinamizador entregará uma folha
contendo um conjunto de figuras que correspondem à “mensagem” que
deverão transmitir ao seu colega. O objectivo do emissor será descrever o
melhor possível as figuras que constam na sua folha para que o receptor as
reproduza na sua folha de anotações. O emissor não deverá deixar que o
receptor veja a folha com as figuras. Não é permitido qualquer tipo de
comunicação para além das instruções do emissor para o receptor. Terminada
a tarefa, cada colega pode mostrar ao outro, tanto a folha da mensagem
original quanto aquela que foi recebida. O instrutor poderá propor que cada par

161
Manual Eu e Os Outros (versão demo)

fixe a mensagem recebida na parede, a fim de seja escolhida a melhor. Após a


primeira reprodução os papeis invertem-se e repete-se o jogo. Variante: (1) o
dinamizador poderá utilizar vários modelos com diferente organização das
figuras a descrever de modo a reduzir o impacto das informações captadas de
outros emissores. (2) o dinamizador, utilizando o mesmo modelo para todos os
pares, poderá colocar números de ordem nas figuras a reproduzir, fazendo
variar essa ordem de folha para folha Temas de Reflexão: a dificuldade de
passar e receber a mensagem; factores que facilitam e dificultam a
transmissão; a dificuldade de não ter ou não poder dar feedback; a diferença
entre a expectativa e o resultado final.

Razões Para Dizer Não – Jogo de pares ou de pequeno grupo. Material: Lista
de desafios. Descrição: O dinamizador começa por fornecer a cada par ou
pequeno grupo um conjunto de propostas de desafios para a concretização de
comportamentos socialmente questionáveis. À vez um jogador colocará aos
restantes o desafio cabendo a cada um encontrar uma razão para recusar sem
poder repetir qualquer das razões anteriores. Naturalmente algumas dos
desafios são apetecíveis e o dinamizador pode reconhecê-lo mas em jogo está
a capacidade de resistir e nesse caso a aceitação do desafio é a resposta mais
fácil. Temas de Reflexão: A dificuldade de dizer não quando dá vontade de
dizer sim; a dificuldade de ser criativo na justificação para a recusa; a mudança
da ordem na resposta e o aumento da dificuldade na tarefa; a argumentação
para convencer os outros a aderir: é mais fácil desencaminhar…

A Queda da Árvore – Jogo de pares. Descrição: Formam-se pares. Os dois


elementos de cada par colocam-se frente a frente, devendo um deles (a
árvore), de braços cruzados sobre o peito e pés juntos, deixar-se cair para a
frente, com o corpo rígido. O parceiro deverá amparar a queda, segurando o
participante que cai ao nível dos ombros, garantindo que este não dobra o
corpo pela cintura. Uma vez amparada a queda, deverão retomar a posição
inicial e repetir o exercício, procurando aumentar gradualmente a distância
entre os dois elementos, sem nunca comprometer a segurança daquele que
cai. Quem segura deve transmitir o maior sentimento de segurança possível

162
Manual Eu e Os Outros (versão demo)

promovendo, no entanto, a progressão no risco. Quando assim o entender, o


dinamizador deverá dar indicações para que se invertam os papeis. Temas de
Reflexão: O prazer do risco vs o desprazer do medo; a (in)segurança de quem
segura face à insegurança de quem é segurado; a responsabilidade de quem
segura face ao (des)conforto de quem é segurado; a dependência face ao
outro; os limites da confiança no outro; a activação de mecanismos de
protecção próprios.

Chamada às Cegas – Jogo de pares jogado por todo o grupo ao mesmo


tempo. Materiais: Vendas. Descrição: Formam-se pares. Um jogador é
vendado e colocado num local longe do colega de equipa. Ao sinal do
orientador todos os jogadores sem vendas deverão começar a chamar em voz
baixa os seus colegas usando apenas o nome. A tarefa destes é distinguir a
voz do parceiro entre as restantes e segui-la até o encontrar. No final do jogo,
os jogadores trocam de papel e recomeça o jogo. Temas de Reflexão: a
confusão e o sentimento de estar perdido ou até mesmo abandonado; a
vontade de poder chamar mais alto; facilitar a vida ao outro e o tornar a
conquista menos valiosa; dificultar a vida ao outro e o tornar um jogo numa
experiência desagradável.

163
Manual Eu e Os Outros (versão demo)

9. Protocolo de Avaliação de Processo

A aplicação deste projecto deve pressupor um processo avaliativo que forneça


quer ao aplicador quer à equipa técnica de suporte, quer ainda à coordenação
central do projecto, uma noção quanto à evolução do processo de
implementação. Naturalmente, que o modelo de Avaliação que preconizamos é
mais vasto e complexo do que o que vamos propor nas próximas linhas. Este,
pressupõe um trabalho prévio de avaliação diagnóstica da situação bem como
um trabalho final de avaliação de impacte. Consideramos que estes dois
campos fundamentais de avaliação requerem uma abordagem mais técnica e
aprofundada que não se justifica ver desenvolvida neste manual, que, como já
foi dito pretende ter um carácter mais prático. Assim sendo, centrar-nos-emos
aqui essencialmente na avaliação de processo, mais concretamente nos
procedimentos que o aplicador deve assegurar ao longo das diferentes fases
de aplicação. Serão apresentados os instrumentos que consideramos
importantes ser utilizados para reunir informação e incluiremos em anexo os
respectivos questionários e grelhas.

9.1 Ficha de Inscrição – Ficha para recolha de dados pessoais dos


participantes no projecto. Permite manter um ficheiro actualizado de informação
sobre as pessoas directamente envolvidas no processo e agilizar processos de
comunicação posterior. É uma ficha a preencher por cada aplicador logo no
início do ano de trabalho (Setembro – 1ª Formação).

9.2 Ficha de Caracterização de Estabelecimento – Ficha de recolha


de dados sobre os grupos de aplicação de cada instituição – escola e ATL,
grupo comunitário, etc. – equipas de trabalho, funções, universo de
utentes/alunos, etc. Permite ao aplicador definir um quadro geral do universo
sobre o qual irá incidir a sua intervenção fornecendo um ponto de comparação
para análises futuras. É uma ficha que deverá ser preenchida no início do ano
de trabalho, aquando do processo de planeamento (Outubro). O preenchimento

164
Manual Eu e Os Outros (versão demo)

desta ficha poderá fornecer bons elementos de reflexão para o trabalho inicial
de definição de objectivos.

9.3 Ficha de Caracterização de Grupo de Aplicação – Ficha de


recolha de dados dos grupos sobre os quais incidirá a aplicação, recolhendo
elementos como a idade, sexo, escolaridade, tipologia da família, profissão da
mãe. (a aplicar após o início do ano de trabalho (Outubro). Trata-se de uma
ficha que surge na sequência natural da anterior, estreitando o enfoque na
análise. Mais do que contextualizar a intervenção, caracterizando o universo
alargado, aqui o aplicador centra-se sobre os indivíduos que integram o grupo
sobre o qual intervirá. Naturalmente não se pretende uma recolha de dados
exaustiva, mas apenas uma caracterização genérica do grupo.

9.4 Ficha de Planeamento – Esta ficha serve de suporte ao trabalho de


planeamento recolhendo dados sobre a caracterização dos objectivos da
intervenção, temas, sequência, período, regularidade, intensidade previstas
horário de aplicação e de acompanhamento, equipe de aplicadores, etc. (a
aplicar após o início do ano de trabalho (Outubro). Novamente, trata-se de um
instrumento que se destina a sistematizar o trabalho do aplicador fornecendo-
lhe um guião de reflexão que oriente o processo de planeamento e facilite o
trabalho de supervisão.

9.5 Ficha de Preparação da Aplicação – Esta ficha serve de suporte ao


planeamento de cada sessão, antecipando o número de parágrafos e os temas
a explorar, tipo de participação e direitos em jogo, actividades complementares,
materiais necessários, riscos e estratégias de minimização associados às
temáticas. (a utilizar antes de cada sessão de jogo). O facto de preencher esta
ficha permite ao aplicador, estabelecer uma análise do percurso que foi fazendo
ao longo da aplicação, comparando a preparação das sessões em momentos
diferentes de intervenção, quer em termos de fase de familiarização com a
metodologia, quer em termos da mudança de história ou de grupo de
intervenção.

165
Manual Eu e Os Outros (versão demo)

9.6 Ficha de Aplicação – Ficha genérica na qual os aplicadores vão


anotando os dados quantitativos das diversas sessões – o número da sessão,
aplicadores, o número de jogadores que estiveram presentes, os temas ou
dinâmicas desenvolvidos – e onde é feita uma avaliação simples de satisfação
– grau de participação dos jogadores, grau de concordância da intervenção
com o planeamento prévio e nível de desempenho do aplicador. Funciona
como um sumário do percurso de aplicação. (a utilizar no final de cada sessão).
Sendo uma ficha que permite a leitura imediata das várias sessões efectuadas,
fornece ao aplicador uma noção global da evolução do processo.

9.7 Ficha Pós-sessão (entrega facultativa) – Ficha mais específica onde o


aplicador poderá anotar pormenores e observações da aplicação. Funciona
como um diário de bordo do aplicador (a utilizar no final de cada sessão). Trata-
se de um instrumento de carácter mais pessoal e foi pensado para que o
aplicador em duas ou três linhas guarde as primeiras impressões causadas
pela aplicação. É nesta ficha que o aplicador poderá anotar dúvidas, ideias que
lhe surjam para sessões seguintes, pormenores que exijam um trabalho mais
específico junto a um ou outro jogador, ou até mesmo aspectos pessoais que o
aplicador queira rever em termos de atitude ou simplesmente de gestão de
informação. Este material é um óptimo auxiliar para o processo de supervisão e
fornecerá ao aplicador um excelente auxiliar de memória face às múltiplas
preocupações que o poderão envolver o seu dia-a-dia profissional.

9.8 Questionários de Formação – (por material/por sessão) – Permite a


recolha de informação sobre a satisfação dos formandos, sobre a formação
recebida em termos de estrutura, conteúdos, metodologia, relação
estabelecida, grau de habilitação proporcionado, etc. a aplicar na sequência de
cada formação (Setembro, Janeiro, …) Tratando-se, naturalmente de um
instrumento cuja aplicação é da responsabilidade da equipa técnica, é através
deste questionário que o aplicador dará feedback do grau de eficácia da
formação e do sentimento de aptidão para o desenvolvimento do projecto.

166
Manual Eu e Os Outros (versão demo)

9.9 Questionário Final de Projecto + Ficha de Participação –


Questionário onde se recolhe uma avaliação global do projecto cobrindo todas
as áreas de intervenção, desde o planeamento, acompanhamento, formação,
aplicação, articulação, etc. a aplicar no final do processo de aplicação
(Maio/Junho, …) Este questionário terá uma versão dirigida aos Aplicadores na
qual se recolherá a avaliação global de todo o processo e uma versão diferente
direccionada aos Jogadores na qual se solicitará que seja feita a avaliação da
satisfação proporcionada, procurando-se fazer um levantamento dos aspectos
considerados mais importantes e aqueles que devem ser objecto de revisão
posterior.

Paralelamente a este processo de recolha de dados, decorrerá igualmente a


avaliação de impacto que envolverá a aplicação de instrumentos a definir até
ao início do processo de aplicação com um momento prévio à intervenção e um
posterior à mesma. Serão atempadamente fornecidos aos Aplicadores os
referidos instrumentos e solicitada a sua colaboração na aplicação junto aos
elementos do grupo em que intervirá.

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

10.Referências

Transversalmente a todas as histórias aconselha-se a exploração dos sites:


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y www.labes.fmh.utl.pt/programas/fitnessgram - o Programa Fitness Gram foi trazido para


Portugal pela Faculdade de Motricidade Humana em parceria com o Ministério da
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Género.

y juventude.gov.pt/Portal/SaudeSexualidadeJuvenil/GabinetesApoioSexualidadeJuvenil -
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y juventude.gov.pt/Portal/SaudeSexualidadeJuvenil/GabinetesApoioSexualidadeJuvenil -
IPJ.

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y www.100porcentocool.pt - ANEBE – condutor 100% cool.

y www.tudosobrerodas.org - Fundação Filos sobre intervenção em contexto recreativo.

y check-in.apdes.net - Associação APDES sobre intervenção em contexto recreativo.

y www.geracaomaisnanoite.blogspot.com - Blog da Associação Amato Lusitano sobre


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y novellos.blogspot.com - Blog da Associação Existências sobre intervenção em contexto


recreativo.

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Manual Eu e Os Outros (versão demo)

y projecto-subtil.blogspot.com - Blog da Caritas Diocesana da Guarda referente ao seu


projecto de intervenção em contexto recreativo.

y viveanoite.blogspot.com - Blog da Associação Terras da Gardunha referente ao seu


projecto de intervenção em contexto recreativo.

y www.gaf.pt/projectos/pdf_projectos/gaf-desdobravel-linhas_e_rabiscos.pdf - Gabinete de
Apoio à Família referente ao seu projecto de intervenção em contexto recreativo.

y www.inem.pt - Instituto Nacional de Emergência Médica.

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y www.cruzvermelha.pt/cvp_t/noticias/not_20mar07.asp - Cruz Vermelha Portuguesa -
Projecto Copos quem decides és tu.

História 8

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y www.policiajudiciaria.pt/PortalWeb/page/%7BDCDD1912-D7D2-4827-A009-
5595BA832575%7D - Polícia Judiciária sobre procedimentos face ao desaparecimento de
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