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Asunción - 15/07/13 DISCIPLINA:

FISIOLOGIA DA DIGESTÃO

AULA:
MICROBIOLOGIA DO RÚMEN

Prof. André Gustavo Leão


Pós-Doutorando em Zootecnia

Dourados - MS
29/08/13
INTRODUÇÃO

FISIOLOGIA DA DIGESTÃO DE
RUMINANTES

MICROBIOLOGIA DO RÚMEN
INTRODUÇÃO

Sucesso dos ruminantes no processo evolutivo

atribuído à existência de uma relação simbiótica do


hospedeiro com os microorganismos ruminais

KOZLOSKI (2009)
COMO?
INTRODUÇÃO

Animal = alimento + ambiente

Relação
benéfica
recíproca

PTN
AGVs microbiana

Crescimento dos microorganismos


DÚVIDAS?
CONSIDERAÇÕES...

1ª) Mamíferos não possuem enzimas capazes de digerir as


fibras dos alimentos, as quais podem ser fermentadas por
várias espécies de bactérias ruminais.

2ª) Celulose e outros polissacarídeos (hemicelulose e pectina),


presentes na parede celular de vegetais, representam a >
fonte potencial de energia para os animais herbívoros.

3ª) Microorganismos ruminais podem utilizar formas de


nitrogênio não protéico (uréia, sais de amônia, etc) para
síntese de suas proteína, as quais serão posteriormente
digeridas e metabolizadas pelo animal.
CONSIDERAÇÕES...

4ª) Nos ruminantes os alimentos ingeridos ficam sujeitos a


um processo fermentativo nos pré-estômagos antes de
alcançarem o abomaso e o intestino delgado.

Açúcares e proteínas solúveis = + rápido e total/te fermentados;

Amido = quase sempre é fermentado rapidamente;

Proteínas da parede celular = fermentadas lentamente e outras


passam intactas para o intestino;

Celulose e hemicelulose = frações dos alimentos + lentamente


fermentadas.
CONSIDERAÇÕES...

Seca = pastos (-7% PB)


deficiência de PDR
crescimento microbiano
fermentação adequada

+
COMO É O AMBIENTE RUMINAL?
O AMBIENTE RUMINAL

Ambiente favorável ao desenvolvimento microbiano:

- Meio anaeróbico (baixa concentração de O2);

- Temperatura (38 - 41ºC, média de 39ºC);

- pH (5,5 - 7,0) permanece relativamente constante;


- bactérias celulolíticas e protozoários (pH 6,2 ou + alto)
- bactérias aminolíticas (pH + ácido, em torno de 5,8)

- Presença permanente de substrato e atividade fermentativa.


DIVERSIDADE DA MICROBIOTA RUMINAL

- Habitam o rúmen grande nº de espécies de microrganismos


ativos: bactérias, protozoários e fungos;

- Espécie é considerada parte da microbiota ruminal ao:


- apresentar capacidade de efetivo crescimento no rúmen;
- ser anaeróbica;
- produzir subproduto(s) encontrado(s) no rúmen;

“Metabolismo compatível com as reações que ocorrem no


ambiente ruminal normal”

- Mesmo uma parcela menor da população ruminal pode ser


muito importante, se exercer um impacto ecológico sobre
outra.
BACTÉRIAS

Tamanho = 1 a 5 µm

Concentração = 109 - 1010/g de ingesta

Diversidade = > (nº de espécies e capacidade metabólica)

Bactérias ( 50% da biomassa microbiana do rúmen)


BACTÉRIAS

ARCURI et al. (2006)

Bactérias celulolíticas ou fibrolíticas (Gram-positivas)

Associam-se às fibras dos alimentos e degradam componentes da parede


celular dos vegetais (celulose e hemicelulose);
BACTÉRIAS

Bactérias amilolíticas e pectinolíticas (Gram-negativas)


Associam-se às partículas de grãos de cereais ou grânulos de amido e
degradam os carboidratos de natureza não-estrutural (amido e outros tipos
de carboidratos solúveis);
BACTÉRIAS

Continuação

Bactérias proteolíticas (aminolíticas)


A maior parte das espécies bacterianas ruminais degrada proteínas, mas
muitas são incapazes de crescer, tendo aminoácidos como único substrato.
BACTÉRIAS

Continuação

Gram-positivas
Metano

Anaeróbios facultativos
Associam-se principalmente à parede do rúmen. Digerem células epiteliais
mortas e apresentam importante atividade ureolítica, num ambiente situado
na interface entre o tecido bem oxigenado e o conteúdo ruminal anaeróbio.
BACTÉRIAS

Bactérias anaeróbias
facultativas aderidas
às células do epitélio ruminal
BACTÉRIAS

≤ 17% EM
DÚVIDAS?
PROTOZOÁRIOS

Tamanho = 20 a 200 µm

Concentração = 104 - 106/g de ingesta

Espécies = Entodinium, Diplodinium, Epidinium, Isotricha,


Dasytricha, etc.

Protozoários ( 40% da biomassa microbiana do rúmen)

Obs.: Alguns protozoários são celulolíticos, mas os principais


substratos utilizados pela fauna ruminal como fonte de
energia são os açúcares e amidos.
FUNGOS

Fungos = animais alimentados com dietas fibrosas;

Quantidade =  8% da biomassa microbiana do rúmen;

Espécies = Neocallismastix frontallis, Sphaeromonas


communis, Piromonas communis, etc.

Obs.: Existem evidências de que os fungos degradam os


carboidratos estruturais e são capazes de atacar
os tecidos vasculares lignificados.
FUNGOS
DÚVIDAS?
ESTABELECIMENTO DOS MICRORGANISMOS
NO RÚMEN

Desenvolvimento do rúmen
como câmara de
fermentação
(Efeito dieta)
MAS COMO SE ESTABELECEM:
BACTÉRIAS, PROTOZOÁRIOS E FUNGOS?
ESTABELECIMENTO DOS MICRORGANISMOS
NO RÚMEN
Bactérias:
- colonização + rápida dentre as populações ruminais;
- podem ser transportadas por meio de aerosóis;
- contato com animais adultos
- tipo de dieta.

Protozoários:
- saliva é a principal fonte de protozoários;
- contato com animal faunado (principal via de transmissão);

Fungos:
- contato com animais adultos;
- via saliva;
- pelo ar (microgotículas do aerossol de vapor (expiração);
- ingeridos juntos com alimentos contaminados.
EXIGÊNCIAS DOS MICRORGANISMOS PARA
SEU ADEQUADO CRESCIMENTO
Bactérias:
- > parte dos requerimentos é comum para muitas espécies;
- diferentes espécies apresentam afinidade específica para
diferentes frações dos carboidratos dietéticos ou substratos
intermediários da fermentação ruminal (Tabela 1);

Protozoários:
- requerimento nutricional pouco estudado;
- muito semelhantes aos de bactérias;

Fungos:
- crescimento estimulado por aminoácidos, AGVs, etc;
- germinação dos zoosporos estimulada por ácido acético e
carboidraos fermentáveis.
DISTRIBUIÇÃO ESPACIAL DOS
MICRORGANISMOS NO RÚMEN

Microbiota dividida em populações:

População do líquido ruminal (25%)


- colonizam alimentos recém-ingeridos ou superfícies recém
expostas, o que lhes atribui grande atividade metabólica;
- zoósporos recém-liberados de esporângios (até que haja a
adesão a uma partícula de alimento).

Microrganismos aderentes à fração sólida da digesta (75%);


- degradam alimentos fibrosos (maioria celulolíticas);
- protozoários ciliados (estratégia de sobrevivência: tempo de
geração > à taxa de passagem da fase líquida)

População ligada à parede do rúmen.


DÚVIDAS?
INTERAÇÕES ENTRE POPULAÇÕES DA
MICROBIOTA RUMINAL

Predação:

- característica de protozoários;
- reduz a biomassa bacteriana livre no conteúdo ruminal;
- aumenta a perda de N pelo hospedeiro;
- reduz o fluxo de proteína microbiana para o ID
(tanto pela redução da população bacteriana, quanto pela
retenção dos protozoários do rúmen);

Bom ou ruim?

Obs.:
- predação das bactérias pode reduzir a taxa de colonização
das partículas do alimento ingerido e consequentemente, a
taxa de degradação da fibra.
INTERAÇÕES ENTRE POPULAÇÕES DA
MICROBIOTA RUMINAL

Competição:

- populações de bactérias ruminais específicas e fungos;


- bactérias controlando a população de fungos;
- interações entre fungos ruminais e bactérias fibrolíticas são
complexas e não necessariamente antagônicas.

Mutualismo:

- entre bactérias que degradam carboidratos e metanogênicas;


- entre fungos e protozoários;
INTERAÇÕES ENTRE POPULAÇÕES DA
MICROBIOTA RUMINAL

ARCURI et al. (2006)


DÚVIDAS?
EFEITOS DA DIETA NA MANUTENÇÃO E NA
ESTABILIDADE DA MICROBIOTA RUMINAL

Microbiota ruminal
(estabelecida plenamente)

Fatores

desenvolvimento e estabilidade

Composição da dieta = + comum e + importante (estabilidade)

Frequência de fornecimento da dieta


Quantidade e forma que o alimento é fornecido
(forragem madura x grãos)
EFEITOS DA DIETA NA MANUTENÇÃO E NA
ESTABILIDADE DA MICROBIOTA RUMINAL

Padrões de variação diária de populações de bactérias

Diluição inicial Taxa de crescimento


ingresso de alimento fresco, concentração de nutrientes
água e volumes >s de saliva crescimento da microbiota
< taxa de diluição

taxa de crescimento dos microrganismos


acréscimo de nutrientes que, excede à taxa de diluição
(> volume de água e saliva)
EFEITOS DA DIETA NA MANUTENÇÃO E NA
ESTABILIDADE DA MICROBIOTA RUMINAL

Compostos secundários: substâncias antinutricionais


- grande nº de forragens tropicais e grãos;
- suplementos protéicos (Ex: farelo de algodão - gossipol)

Precursores da lignina
- tóxicos para bactérias celulolíticas;

Taninos condensados
- inibem a digestão de carboidratos;
- reduzem digestibilidade da proteína dietética;

Saponinas
Glicosídeos cianogênicos
Aminoácidos modificados (mimosina)
DÚVIDAS?
ADITIVOS ALIMENTARES

Aditivos alimentares

- substâncias orgânicas ou inorgânicas (alimentação animal);

- fornecidos em pequenas quantidades;

- tem funções de preservação ou promoção do crescimento;

- Ex: probióticos e ionóforos.


ADITIVOS ALIMENTARES

Probióticos
- substâncias produzidas por organismo que estimulava outro;

- efeito indireto e benéfico ao hospedeiro;

- visa restabelecer a microbiota natural, e retornar o animal à


sua condição normal de crescimento, saúde e nutrição;

- alternativa + atraente ao uso de antibióticos ionóforos, por


conterem microrganismos vivos ou não (Ex: Lactobacillus sp);

- Leveduras (Sacharomyces): cerveja, vinho e pão - “aceitos”;

- Efeitos: nº de bactérias, especialmente celulolíticas;


concentração residual de O2 do conteúdo ruminal.
ADITIVOS ALIMENTARES

Ionóforos

- antibióticos que deprimem ou inibem seletivamente o


crescimento de microrganismos.

- Ex: monensina e lasalocida;

- bactérias Gram-positivas (fibrolíticas e metanogênicas) +


sensíveis do que as Gram-negativas (amilolíticas), por não
possuírem estrutura que inibe a dissolução do ionóforo na
membrana;
Bom ou ruim?

Bactérias Gram Negativas = papel > importância na produção de


AGVs de melhor aproveitamento pelo animal (ácido propiônico).
ADITIVOS ALIMENTARES

Bactérias gram-positivas (cujo invólucro celular é composto apenas de


parede celular) são + inibidas que as gram-negativas (cujo invólucro
celular é formado por parede celular e membrana externa)
ADITIVOS ALIMENTARES
ADITIVOS ALIMENTARES

A ação de ionóforos na fermentação ruminal se observa de


várias maneiras:

- a produção de CH4 é reduzida de 30 a 50% por meio de um


efeito indireto, ao reduzir a população de bactérias fibrolíticas
que liberam hidrogênio;

- alteração da taxa de acetato:propianato (A:P), dependendo


da dieta. Ex: animais que consomem forragem (taxas A:P de
até 4:1), e a monensina pode diminuir essa relação (2,5:1);

- redução da degradação de proteína dietética no rúmen,


devido à redução da população de bactérias proteolíticas,
fermentadoras preferenciais de aminoácidos.
ADITIVOS ALIMENTARES

REDUÇÃO
ADITIVOS ALIMENTARES

REDUÇÃO NA REDUÇÃO NOS


APROVEITAMENTO
PRODUÇÃO DE CUSTOS COM
DE ENERGIA
METANO ALIMENTAÇÃO
ADITIVOS ALIMENTARES
ADITIVOS ALIMENTARES
CONSIDERAÇÕES...