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CONHECIMENTOS BÁSICOS DE SAÚDE PÚBLICA

CONHECIMENTOS BÁSICOS DE SAÚDE III - as normas de fiscalização, avaliação e controle das


despesas com saúde nas esferas federal, estadual, distrital e
PÚBLICA municipal; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 29, de
2000)
Constituição da República Federativa do IV - as normas de cálculo do montante a ser aplicado pela
Brasil – Saúde União.(Incluído pela Emenda Constitucional nº 29, de 2000)
§ 4º Os gestores locais do sistema único de saúde poderão
Seção II admitir agentes comunitários de saúde e agentes de
DA SAÚDE combate às endemias por meio de processo seletivo público,
de acordo com a natureza e complexidade de suas
Art. 196. A saúde é direito de todos e dever do Estado, atribuições e requisitos específicos para sua atuação. .
garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem (Incluído pela Emenda Constitucional nº 51, de 2006)
à redução do risco de doença e de outros agravos e ao § 5º Lei federal disporá sobre o regime jurídico e a
acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua regulamentação das atividades de agente comunitário de
promoção, proteção e recuperação. saúde e agente de combate às endemias. (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 51, de 2006)
Art. 197. São de relevância pública as ações e serviços de § 6º Além das hipóteses previstas no § 1º do art. 41 e no § 4º
saúde, cabendo ao Poder Público dispor, nos termos da lei, do art. 169 da Constituição Federal, o servidor que exerça
sobre sua regulamentação, fiscalização e controle, devendo funções equivalentes às de agente comunitário de saúde ou
sua execução ser feita diretamente ou através de terceiros e, de agente de combate às endemias poderá perder o cargo
também, por pessoa física ou jurídica de direito privado. em caso de descumprimento dos requisitos específicos,
fixados em lei, para o seu exercício. (Incluído pela Emenda
Art. 198. As ações e serviços públicos de saúde integram Constitucional nº 51, de 2006)
uma rede regionalizada e hierarquizada e constituem um Art. 199. A assistência à saúde é livre à iniciativa privada.
sistema único, organizado de acordo com as seguintes § 1º - As instituições privadas poderão participar de forma
diretrizes: complementar do sistema único de saúde, segundo
diretrizes deste, mediante contrato de direito público ou
I - descentralização, com direção única em cada esfera de convênio, tendo preferência as entidades filantrópicas e as
governo; sem fins lucrativos.
II - atendimento integral, com prioridade para as atividades § 2º - É vedada a destinação de recursos públicos para
preventivas, sem prejuízo dos serviços assistenciais; auxílios ou subvenções às instituições privadas com fins
III - participação da comunidade. lucrativos.
§ 1º. O sistema único de saúde será financiado, nos termos § 3º - É vedada a participação direta ou indireta de empresas
do art. 195, com recursos do orçamento da seguridade ou capitais estrangeiros na assistência à saúde no País,
social, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos salvo nos casos previstos em lei.
Municípios, além de outras fontes. (Parágrafo único § 4º - A lei disporá sobre as condições e os requisitos que
renumerado para § 1º pela Emenda Constitucional nº 29, de facilitem a remoção de órgãos, tecidos e substâncias
2000) humanas para fins de transplante, pesquisa e tratamento,
§ 2º A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios bem como a coleta, processamento e transfusão de sangue
aplicarão, anualmente, em ações e serviços públicos de e seus derivados, sendo vedado todo tipo de
saúde recursos mínimos derivados da aplicação de comercialização.
percentuais calculados sobre: (Incluído pela Emenda Art. 200. Ao sistema único de saúde compete, além de
Constitucional nº 29, de 2000) outras atribuições, nos termos da lei:
I - no caso da União, na forma definida nos termos da lei I - controlar e fiscalizar procedimentos, produtos e
complementar prevista no § 3º; (Incluído pela Emenda substâncias de interesse para a saúde e participar da
Constitucional nº 29, de 2000) produção de medicamentos, equipamentos, imunobiológicos,
II - no caso dos Estados e do Distrito Federal, o produto da hemoderivados e outros insumos;
arrecadação dos impostos a que se refere o art. 155 e dos II - executar as ações de vigilância sanitária e
recursos de que tratam os arts. 157 e 159, inciso I, alínea a, epidemiológica, bem como as de saúde do trabalhador;
e inciso II, deduzidas as parcelas que forem transferidas aos III - ordenar a formação de recursos humanos na área de
respectivos Municípios; (Incluído pela Emenda saúde;
Constitucional nº 29, de 2000) IV - participar da formulação da política e da execução das
ações de saneamento básico;
III - no caso dos Municípios e do Distrito Federal, o produto V - incrementar em sua área de atuação o desenvolvimento
da arrecadação dos impostos a que se refere o art. 156 e científico e tecnológico;
dos recursos de que tratam os arts. 158 e 159, inciso I, VI - fiscalizar e inspecionar alimentos, compreendido o
alínea b e § 3º.(Incluído pela Emenda Constitucional nº 29, controle de seu teor nutricional, bem como bebidas e águas
de 2000) § 3º Lei complementar, que será reavaliada pelo para consumo humano;
menos a cada cinco anos, estabelecerá:(Incluído pela VII - participar do controle e fiscalização da produção,
Emenda Constitucional nº 29, de 2000) transporte, guarda e utilização de substâncias e produtos
I - os percentuais de que trata o § 2º; (Incluído pela Emenda psicoativos, tóxicos e radioativos;
Constitucional nº 29, de 2000) VIII - colaborar na proteção do meio ambiente, nele
II - os critérios de rateio dos recursos da União vinculados à compreendido o do trabalho.
saúde destinados aos Estados, ao Distrito Federal e aos
Municípios, e dos Estados destinados a seus respectivos
Municípios, objetivando a progressiva redução das Evolução das políticas de saúde no Brasil
disparidades regionais; (Incluído pela Emenda Constitucional
nº 29, de 2000)

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A crise do sistema de saúde no Brasil está presente no 5 . a conquista dos direitos sociais (saúde e previdência)
nosso dia a dia podendo ser constatada através de fatos tem sido sempre uma resultante do poder de luta, de
amplamente conhecidos e divulgados pela mídia, como : organização e de reivindicação dos trabalhadores brasileiros
e, nunca uma dádiva do estado, como alguns governos
-filas frequentes de pacientes nos serviços de saúde; falta de querem fazer parecer.
leitos hospitalares para atender a demanda da população;
6 . devido a uma falta de clareza e de uma definição em
-escassez de recursos financeiros, materiais e humanos relação à política de saúde, a história da saúde permeia e se
para manter os serviços de saúde operando com eficácia e confunde com a história da previdência social no Brasil em
eficiência; atraso no repasse dos pagamentos do Ministério determinados períodos.
da Saúde para os serviços conveniados;
7. a dualidade entre medicina preventiva e curativa sempre
-baixos valores pagos pelo SUS aos diversos procedimentos foi uma constante nas diversas políticas de saúde
médicos-hospitalares; implementadas pelos vários governos.

-aumento de incidência e o ressurgimento de diversas A seguir passaremos a analisar as políticas de saúde no


doenças transmissíveis; denúncias de abusos cometidos Brasil de acordo com os períodos históricos.
pelos planos privados e pelos seguros de saúde.
1500 ATÉ PRIMEIRO REINADO
Como analisar e compreender toda esta complexa
realidade do setor de saúde no país? Um país colonizado, basicamente por degredados e
aventureiros desde o descobrimento até a instalação do
Para que possamos analisar a realidade hoje existente é império, não dispunha de nenhum modelo de atenção à
necessário conhecer os determinantes históricos envolvidos saúde da população e nem mesmo o interesse, por parte do
neste processo .Assim como nós somos frutos do nosso governo colonizador (Portugal) , em criá-lo. Deste
passado e da nossa história, o setor saúde também sofreu modo, a atenção à saúde limitava-se aos próprios recursos
as influências de todo o contexto político-social pelo qual o da terra (plantas, ervas) e, àqueles que, por conhecimentos
Brasil passou ao longo do tempo. empíricos (curandeiros), desenvolviam as suas habilidades
na arte de curar. A vinda da família real ao Brasil criou a
Para analisarmos a história das políticas de saúde no país necessidade da organização de uma estrutura sanitária
faz-se necessário a definição de algumas premissas mínima, capaz de dar suporte ao poder que se instalava na
importantes, a saber: cidade do Rio de Janeiro.

-a evolução histórica das políticas de saúde está Até 1850 as atividades de saúde pública estavam limitadas
relacionada diretamente a evolução político-social e ao seguinte:
econômica da sociedade brasileira, não sendo possível
dissociá-los; 1 - Delegação das atribuições sanitárias as juntas
municipais;
-a lógica do processo evolutivo sempre obedeceu à ótica do 2 - Controle de navios e saúde dos portos;
avanço do capitalismo na sociedade brasileira, sofrendo a
forte determinação do capitalismo a nível internacional; Verifica-se que o interesse primordial estava limitado ao
estabelecimento de um controle sanitário mínimo da capital
-a saúde nunca ocupou lugar central dentro da política do do império, tendência que se alongou por quase um século.
estado brasileiro, sendo sempre deixada no periferia do O tipo de organização política do império era de um regime
sistema, como uma moldura de um quadro, tanto no que diz de governo unitário e centralizador, e que era incapaz de
respeito a solução dos grandes problemas de saúde que dar continuidade e eficiência na transmissão e execução a
afligem a população, quanto na destinação de recursos distância das determinações emanadas dos comandos
direcionados ao setor saúde. centrais. A carência de profissionais médicos no Brasil
Colônia e no Brasil Império era enorme, para se ter uma
Somente nos momentos em que determinadas endemias ou idéia, no Rio de Janeiro, em 1789, só existiam quatro
epidemias se apresentam como importantes em termos de médicos exercendo a profissão (SALLES, 1971). Em outros
repercussão econômica ou social dentro do modelo estados brasileiros eram mesmo inexistentes.
capitalista proposto é que passam a ser alvo de uma maior
atenção por parte do governo, transformando-se pelo menos A inexistência de uma assistência médica estruturada, fez
em discurso institucional, até serem novamente destinadas a com que proliferassem pelo país os Boticários
um plano secundário, quando deixam de ter importância. (farmacêuticos). Aos boticários cabiam a manipulação das
Podemos afirmar que de um modo geral os problemas de fórmulas prescritas pelos médicos, mas a verdade é que
saúde tornam-se foco de atenção quando se apresentam eles próprios tomavam a iniciativa de indicá-los, fato
como epidemias e deixam de ter importância quando os comuníssimo até hoje. Não dispondo de um aprendizado
mesmos se transformam em endemias. acadêmico, o processo de habilitação na função consistia
tão somente em acompanhar um serviço de uma botica já
- as ações de saúde propostas pelo governo sempre estabelecida durante um certo período de tempo, ao fim do
procuram incorporar os problemas de saúde que atingem qual prestavam exame perante a fisicatura e se aprovado, o
grupos sociais importantes de regiões socio-econômicas candidato recebia a “carta de habilitação”, e estava apto a
igualmente importantes dentro da estrutura social vigente; e instalar sua própria botica. (SALLES, 1971). Em
preferencialmente tem sido direcionadas para os grupos 1808, Dom João VI fundou na Bahia o Colégio Médico -
organizados e aglomerados urbanos em detrimento de Cirúrgico no Real Hospital Militar da Cidade de Salvador. No
grupos sociais dispersos e sem uma efetiva organização; mês de novembro do mesmo ano foi criada a Escola de
Cirurgia do Rio de Janeiro, anexa ao real Hospital Militar.
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das doenças epidêmicas, conseguindo inclusive erradicar a


INÍCIO DA REPÚBLICA 1889 ATÉ 1930 febre amarela da cidade do Rio de Janeiro, o que fortaleceu
o modelo proposto e o tornou hegemônico como proposta de
QUADRO POLÍTICO intervenção na área da saúde coletiva saúde durante
décadas.
Com a Proclamação da República, estabeleceu-se uma
forma de organização Jurídica-Política típica do estado Neste período Oswaldo Cruz procurou organizar a diretoria
capitalista. No entanto, essa nova forma de organização do geral de saúde pública, criando uma seção demográfica, um
aparelho estatal assegurou apenas as condições formais da laboratório bacteriológico, um serviço de engenharia
representação burguesa clássica, especialmente a adoção sanitária e de profilaxia da febre-amarela, a inspetoria de
do voto direto pelo sufrágio universal. A tradição de isolamento e desinfecção, e o instituto soroterápico federal,
controle político pelos grandes proprietários (o coronelismo) posteriormente transformado no Instituto Oswaldo Cruz.
impôs ainda normas de exercício do poder que
representavam os interesses capitalistas dominantemente Na reforma promovida por Oswaldo Cruz foram incorporados
agrários. Apenas a eleição do Presidente da República pelo como elementos das ações de saúde:
voto direto, de quatro em quatro ano, produziu lutas efetivas
em que se condensavam os conflitos no interior do sistema. - o registro demográfico, possibilitando conhecer a
composição e os fatos vitais de importância da população;
Os programas partidários nunca chegaram a se configurar - a introdução do laboratório como auxiliar do diagnóstico
numa perspectiva de âmbito nacional. De fato, das dezenove etiológico;
organizações políticas que atuaram até o movimento de - a fabricação organizada de produtos profiláticos para uso
1930, nenhuma excedeu a disciplina imposta pela defesa de em massa.
interesses regionais, embora pudessem compor,
eventualmente, alianças que dominaram as práticas políticas Em 1920, Carlos Chagas, sucessor de Oswaldo Cruz,
até aquela data. reestruturou o Departamento Nacional de Saúde, então
ligado ao Ministério da Justiça e introduziu a propaganda e a
QUADRO SANITÁRIO educação sanitária na técnica rotineira de ação, inovando o
modelo companhista de Oswaldo Cruz que era puramente
Naturalmente, a falta de um modelo sanitário para o país, fiscal e policial . Criaram-se orgãos especializados na luta
deixavam as cidades brasileiras a mercê das epidemias. No contra a tuberculose, a lepra e as doenças venéreas. A
início desse século, a cidade do Rio de Janeiro apresentava assistência hospitalar, infantil e a higiene industrial se
um quadro sanitário caótico caracterizado pela presença de destacaram como problemas individualizados. Expandiram-
diversas doenças graves que acometiam à população, como se as atividades de saneamento para outros estados, além
a varíola, a malária, a febre amarela, e posteriormente a do Rio de Janeiro e criou-se a Escola de Enfermagem Anna
peste, o que acabou gerando sérias consequências tanto Nery.
para saúde coletiva quanto para outros setores como o do
comércio exterior , visto que os navios estrangeiros não mais Enquanto a sociedade brasileira esteve dominada por uma
queriam atracar no porto do Rio de Janeiro em função da economia agro-exportadora, acentada na monocultura
situação sanitária existente na cidade. Rodrigues Alves, cafeeira, o que se exigia do sistema de saúde era,
então presidente do Brasil, nomeou Oswaldo Cruz, como sobretudo, uma política de saneamento destinado aos
Diretor do Departamento Federal de Saúde Pública, que se espaços de circulação das mercadorias exportáveis e a
propôs a erradicar a epidemia de febre-amarela na cidade do erradicação ou controle das doenças que poderiam
Rio de Janeiro prejudicar a exportação. Por esta razão, desde o final do
século passado até o início dos anos 60, predominou o
Foi criado um verdadeiro exército de 1.500 pessoas que modelo do sanitarismo campanhista (MENDES, 1992).
passaram a exercer atividades de desinfecção no combate
ao mosquito, vetor da febre-amarela. A falta de Gradativamente, com o controle das epidemias nas grandes
esclarecimentos e as arbitrariedades cometidas pelos cidades brasileiras o modelo campanhista deslocou a sua
“guardas-sanitários” causam revolta na população. Este ação para o campo e para o combate das denominadas
modelo de intervenção ficou conhecido como campanhista, endemias rurais, dado ser a agricultura a atividade
e foi concebido dentro de uma visão militar em que os fins hegemônica da economia da época. Este modelo de atuação
justificam os meios, e no qual o uso da força e da autoridade foi amplamente utilizado pela Sucam no combate a diversas
eram considerados os instrumentos preferenciais de ação. endemias (Chagas, Esquistossomose, e outras) , sendo esta
A população, com receio das medidas de desinfecção, posteriormente incorporada à Fundação Nacional de Saúde.
trabalho realizado pelo serviço sanitário municipal, revolta-se
tanto que, certa vez, o próprio presidente Rodrigues Alves O NASCIMENTO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL
chama Oswaldo Cruz ao Palácio do Catete, pedindo-lhe
para, apesar de acreditar no acerto da estratégia do No início do século a economia brasileira era basicamente
sanitarista, não continuar queimando os colchões e as agroexportadora, assentada na monocultura do café. A
roupas dos doentes. acumulação capitalista advinda do comércio exterior tornou
A onda de insatisfação se agrava com outra medida de possível o início do processo de industrialização no país, que
Oswaldo Cruz, a Lei Federal nº 1261, de 31 de outubro de se deu principalmente no eixo Rio-São Paulo.
1904, que instituiu a vacinação anti-varíola obrigatória para
todo o território nacional. Surge, então, um grande Tal processo foi acompanhado de uma urbanização
movimento popular de revolta que ficou conhecido na crescente, e da utilização de imigrantes, especialmente
história como a revolta da vacina. europeus (italianos, portugueses), como mão-de-obra nas
indústrias, visto que os mesmos já possuíam grande
Apesar das arbitrariedades e dos abusos cometidos, o experiência neste setor, que já era muito desenvolvido na
modelo campanhista obteve importantes vitórias no controle Europa . Os operários na época não tinham quaisquer
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garantias trabalhistas, tais como : férias, jornada de trabalho A esse respeito , dizem SILVA e MAHAR apud OLIVEIRA &
definida, pensão ou aposentadoria. TEIXEIRA (1989) :
"A lei Eloy Chaves não previa o que se pode chamar, com
Os imigrantes , especialmente os italianos( anarquistas), propriedade contribuição da união. Havia, isto sim, uma
traziam consigo a história do movimento operário na Europa participação no custeio, dos usuários das estradas de ferro,
e dos direitos trabalhistas que já tinham sido conquistados provenientes de um aumento das tarifas, decretado para
pelos trabalhadores europeus, e desta forma procuraram cobrir as despesas das Caixas. A extensão progressiva
mobilizar e organizar a classe operária no Brasil na luta pela desse sistema, abrangendo cada vez maior número de
conquistas dos seus direitos. Em função das péssimas usuários de serviços, com a criação de novas Caixas e
condições de trabalho existentes e da falta de garantias de Institutos , veio afinal fazer o ônus recair sobre o público em
direitos trabalhistas, o movimento operário organizou e geral e assim, a se constituir efetivamente em contribuição
realizou duas greves gerais no país ,uma em 1917 e outra da União. O mecanismo de contribuição tríplice ( em partes
em 1919. iguais) refere-se à contribuição pelos empregados,
empregadores e União foi obrigatoriamente instituído pela
Através destes movimentos os operários começaram a Constituição Federal de 1934 (alínea h, § 1o , art. 21)."
conquistar alguns direitos sociais. Assim que, em 24 de
janeiro de 1923, foi aprovado pelo Congresso Nacional a Lei No sistema das Caixas estabelecido pela lei Eloy Chaves, as
Eloi Chaves, marco inicial da previdência social no Brasil. próprias empresas deveriam recolher mensalmente o
Através desta lei foram instituídas as Caixas de conjunto das contribuições das três fontes de receita, e
Aposentadoria e Pensão (CAP’s). depositar diretamente na conta bancária da sua CAP.
(OLIVEIRA & TEIXEIRA, 1989).
A propósito desta lei devem ser feitas as seguintes
considerações: Além das aposentadorias e pensões , os fundos proviam os
serviços funerários, médicos, conforme explicitado no artigo
a lei deveria ser aplicada somente ao operariado urbano. 9o da Lei Eloy Chaves:
Para que fosse aprovado no Congresso Nacional, dominado
na sua maioria pela oligarquia rural foi imposta a condição 1o - socorros médicos em caso de doença em sua pessoa
de que este benefício não seria estendido aos trabalhadores ou pessoa de sua família , que habite sob o mesmo teto e
rurais. Fato que na história da previdência do Brasil perdurou sob a mesma economia;
até a década de 60, quando foi criado o FUNRURAL. Outra 2o - medicamentos obtidos por preço especial determinado
particularidade refere-se ao fato de que as caixas deveriam pelo Conselho de Administração;
ser organizadas por empresas e não por categorias 3o - aposentadoria ;
profissionais. 4o – pensão para seus herdeiros em caso de morte

A criação de uma CAP também não era automática, E ainda, no artigo 27, obrigava as CAPs a arcar com a
dependia do poder de mobilização e organização dos assistência aos acidentados no trabalho. A criação das
trabalhadores de determinada empresa para reivindicar a CAP’s deve ser entendida, assim, no contexto das
sua criação. reivindicações operárias no início do século, como resposta
do empresariado e do estado a crescente importância da
A primeira CAP criada foi a dos ferroviários, o que pode ser questão social.
explicado pela importância que este setor desempenhava na
economia do país naquela época e pela capacidade de Em 1930, o sistema já abrangia 47 caixas, com 142.464
mobilização que a categoria dos ferroviários possuía. segurados ativos, 8.006 aposentados, e 7.013 pensionistas.

Segundo POSSAS (1981) : “tratando-se de um sistema por


empresa, restrito ao âmbito das grandes empresas privadas A CRISE DOS ANOS 30
e públicas, as CAP's possuíam administração própria para
os seus fundos, formada por um conselho composto de A representatividade dos partidos obedecia a uma hierarquia
representantes dos empregados e empregadores." coerente com o peso dos setores oligárquicos que os
integravam. A política dos governadores foi a forma
A comissão que administrava a CAP era composta por três para qual se reorganizou a divisão do poder entre os
representantes da empresa , um dos quais assumindo a segmentos da classe dominante durante este período.
presidência do comissão, e de dois representantes dos Entre 1922 a 1930, sucederam-se crises
empregados, eleitos diretamente a cada três anos. econômicas e políticas em que se conjugaram fatores de
ordem interna e externa, e que tiveram como efeito a
O regime de representação direta das partes interessadas, diminuição do poder das oligarquias agrárias. Em particular,
com a participação de representantes de empregados e atuaram no Brasil as crises internacionais de 1922 a 1929,
empregadores, permaneceu até a criação do INPS (1967), tornando mais agudas as contradições e instalações contra a
quando foram afastados do processo administrativo. política dos governadores.
(POSSAS, 1981)
O QUADRO POLÍTICO
O Estado não participava propriamente do custeio das
Caixas, que de acordo com o determinado pelo artigo 3o da A crise de 1929 imobilizou temporariamente o setor agrário-
lei Eloy Chaves, eram mantidas por : empregados das exportador, redefinindo a organização do estado, que vai
empresas ( 3% dos respectivos vencimentos); empresas imprimir novos caminhos a vida nacional. Assim é que a crise
( 1% da renda bruta); e consumidores dos serviços das do café, a ação dos setores agrários e urbanos vão propor
mesmas. (OLIVEIRA & TEIXEIRA, 1989). um novo padrão de uso do poder no Brasil.

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Em 1930, comandada por Getúlio Vargas é instalada a  pensão em caso de morte. para os membros de
revolução, que rompe com a política do café com leite, entre suas famílias ou para os beneficiários, na forma do
São Paulo e Minas Gerais, que sucessivamente elegiam o art. 55:
Presidente da República. Vitorioso o movimento, foram  assistência médica e hospitalar , com internação
efetuadas mudanças na estrutura do estado. Estas até trinta dias;
objetivavam promover a expansão do sistema econômico  socorros farmacêuticos, mediante indenização pelo
estabelecendo-se, paralelamente, uma nova legislação que preço do custo acrescido das despesas de
ordenasse a efetivação dessas mudanças. Foram criados o administração .
“Ministério do Trabalho”, o da “Indústria e Comércio”, o
“Ministério da Educação e Saúde” e juntas de arbitramento § 2o - O custeio dos socorros mencionados na alínea c
trabalhista. não deverá exceder à importância correspondente ao total
de 8% , da receita anual do Instituto, apurada no exercício
Em 1934, com a nova constituição, o estado e o setor anterior, sujeita a respectiva verba à aprovação do Conselho
industrial através dele, instituiu uma política social de Nacional do Trabalho.
massas que na constituição se configura no capítulo sobre a
ordem econômica e social. A implantação do estado novo Os IAP’s foram criados de acordo com a capacidade de
representava o acordo entre a grande propriedade agrária e organização, mobilização e importância da categoria
a burguesia industrial historicamente frágil. profissional em questão. Assim, em 1933 foi criado o
primeiro instituto, o de Aposentadoria e Pensões dos
Coube ao Estado Novo acentuar e dirigir o processo de Marítimos (IAPM), em 1934 o dos Comerciários (IAPC) e dos
expansão do capitalismo no campo, de maneira a impedir Bancários (IAPB), em 1936 o dos Industriários (IAPI),e em
que nele ocorressem alterações radicais na estrutura da 1938 o dos Estivadores e Transportadores de Cargas
grande propriedade agrária. Em 1937 é promulgada (IAPETEL).
nova constituição que reforça o centralismo e a autoridade
presidencial (ditadura). Segundo NICZ (1982), além de servir como importante
mecanismo de controle social, os IAP’s tinham, até meados
O trabalhismo oficial e as suas práticas foram reforçadas a da década de 50, papel fundamental no desenvolvimento
partir de 1940 com a imposição de um sindicato único e pela econômico deste período, como “instrumento de captação
exigência do pagamento de uma contribuição sindical. de poupança forçada”, através de seu regime de
capitalização.
Em 1939 regulamenta-se a justiça do trabalho e em 1943 é
homologada a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT). Ainda, segundo NICZ (1982), as seguidas crises financeiras
dos IAP’s, e mesmo o surgimento de outros mecanismos
A maior parte das inversões no setor industrial foi feita na captadores de investimentos (principalmente externos),
região centro-sul (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte) fazem com que progressivamente a previdência social passe
reforçando ainda mais a importância econômica e financeira a ter importância muito maior como instrumento de ação
desta área na dinâmica das transformações da infra- político-eleitoreira nos governos populistas de 1950-64,
estrutura nacional, isto agravou desequilíbrios regionais, especialmente pela sua vinculação clara ao Partido
especialmente o caso do nordeste, com grandes êxodos Trabalhista Brasileiro (PTB), e a fase áurea de “peleguismo
rurais, e a proliferação das favelas nestes grandes centros. sindical”.

A crescente massa assalariada urbana passa a se constituir Até o final dos anos 50, a assistência médica previdenciária
no ponto de sustentação política do novo governo de Getúlio não era importante. Os técnicos do setor a consideram
Vargas, através de um regime corporativista. secundária no sistema previdenciário brasileiro, e os
São promulgadas as leis trabalhistas, que procuram segurados não faziam dela parte importante de suas
estabelecer um contrato capital-trabalho, garantindo direitos reivindicações
sociais ao trabalhador. Ao mesmo tempo, cria-se a estrutura
sindical do estado. Estas ações transparecem como dádivas Em 1949 foi criado o Serviço de Assistência Médica
do governo e do estado, e não como conquista dos Domiciliar e de Urgência (SAMDU) mantido por todos os
trabalhadores. O fundamento dessas ações era manter o institutos e as caixas ainda remanescentes.
movimento trabalhista contido dentro das forças do estado.
É a partir principalmente da segunda metade da década de
A PREVIDÊNCIA SOCIAL NO ESTADO NOVO 50, com o maior desenvolvimento industrial, com a
conseqüente aceleração da urbanização, e o assalariamento
No que tange a previdência social, a política do estado de parcelas crescente da população, que ocorre maior
pretendeu estender a todas as categorias do operariado pressão pela assistência médica via institutos, e viabiliza-se
urbano organizado os benefícios da previdência. o crescimento de um complexo médico hospitalar para
prestar atendimento aos previdenciários, em que se
Desta forma, as antigas CAP’s são substituídas pelos privilegiam abertamente a contratação de serviços de
INSTITUTOS DE APOSENTADORIA E PENSÕES (IAP) terceiros.
.Nestes institutos os trabalhadores eram organizados por
categoria profissional (marítimos, comerciários, bancários) e Segundo NICZ (1982), em 1949, as despesas com
não por empresa. Em 1933, foi criado o primeiro assistência médica representaram apenas 7,3% do total
Instituto de Aposentadoria e Pensões : o dos Marítimos geral das despesas da previdência social. Em 1960 já sobem
(IAPM). Seu decreto de constituição definia , no artigo 46, os para 19,3%, e em 1966 já atingem 24,7% do total geral das
benefícios assegurados aos associados: despesas, confirmando a importância crescente da
assistência médica previdenciária.
 aposentadoria;

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SAÚDE PÚBLICA NO PERÍODO DE 30 A 60 públicos e de autarquias e que tivessem regimes próprios de


previdência.
Na era do estado novo poucas foram as investidas no setor
da saúde pública, destacando-se: Os trabalhadores rurais só viriam a ser incorporados ao
sistema 3 anos mais tarde, quando foi promulgada a lei
- Em 1930, foi criado o Ministério da Educação e Saúde 4.214 de 2/3/63 que instituiu o Fundo de Assistência ao
Pública, com desintegração das atividades do Departamento Trabalhador Rural (FUNRURAL).
Nacional de Saúde Pública (vinculado ao Ministério da
Justiça), e a pulverização de ações de saúde a outro A lei previa uma contribuição tríplice com a participação do
diversos setores como: fiscalização de produtos de origem empregado , empregador e a União. O governo federal
animal que passa para o Ministério da Agricultura (1934); nunca cumpriu a sua parte, o que evidentemente
higiene e segurança do trabalho (1942) que vincula-se ao comprometeu seriamente a estabilidade do sistema
Ministério do Trabalho. (POSSAS, 1981).
- Em 1941, instituiu-se a reforma Barros Barreto, em que se
destacam as seguintes ações: O processo de unificação só avança com movimento
revolucionário de 1964, que neste mesmo ano promove uma
instituição de órgãos normativos e supletivos destinados a intervenção generalizada em todos os IAPs, sendo os
orientar a assistência sanitária e hospitalar; conselhos administrativos substituídos por juntas
criação de órgãos executivos de ação direta contra as interventoras nomeadas pelo governo revolucionário. A
endemias mais importantes (malária, febre amarela, peste); unificação vai se consolidar em 1967.
fortalecimento do Instituto Oswaldo Cruz, como referência
nacional; descentralização das atividades normativas e O MOVIMENTO DE 64 E SUAS CONSEQUÊNCIAS
executivas por 8 regiões sanitárias;
destaque aos programas de abastecimento de água e O movimento de 64 contava com suportes políticos
construção de esgotos, no âmbito da saúde pública; extremamente fortes. A maioria da burguesia defendia a
atenção aos problemas das doenças degenerativas e internacionalização da economia e das finanças brasileiras,
mentais com a criação de serviços especializados de âmbito ampliando o processo que era ainda obstaculizado ,
nacional (Instituto Nacional do Câncer). segundo os capitalistas ,pela proposta populista de
fortalecimento das empresas estatais e de economia mista
A escassez de recursos financeiros associado a pulverização do governo João Goulart.
destes recursos e de pessoal entre diversos órgãos e
setores, aos conflitos de jurisdição e gestão, e superposição Havia ainda uma preocupação crescente em relação à
de funções e atividades, fizeram com que a maioria das proliferação do comunismo e do socialismo no mundo,
ações de saúde pública no estado novo se reduzissem a especialmente na América Latina, e que punha em risco os
meros aspectos normativos, sem efetivação no campo interesses e a hegemonia do capitalismo, especialmente do
prático de soluções para os grandes problemas sanitários americano nesta região, era o período da chamada guerra
existentes no país naquela época. fria.

Em 1953 foi criado o Ministério da Saúde, o que na verdade Diante destes fatos as forças armadas brasileiras articularam
limitou-se a um mero desmembramento do antigo Ministério e executaram um golpe de estado em 31 de março de 1964,
da Saúde e Educação sem que isto significasse uma nova e instalaram um regime militar, com o aval dos Estados
postura do governo e uma efetiva preocupação em atender Unidos. Um processo que se repetiu na maioria dos países
aos importantes problemas de saúde pública de sua da América Latina , configurando um ciclo de ditaduras
competência. militares em toda a região.

Em 1956, foi criado o Departamento Nacional de Endemias Houve o fortalecimento do executivo e o esvaziamento do
Rurais (DNERU), incorporando os antigos serviços nacionais legislativo.
de febre amarela, malária, peste.
Criaram-se atos institucionais, principalmente o de nº 5 de
A LEI ORGÂNICA DA PREVIDÊNCIA SOCIAL E O 1968, que limitavam as liberdades individuais e
PROCESSO DE UNIFICAÇÃO DOS IAPS constitucionais.
O êxito da atuação do executivo justificava-se na área
O processo de unificação dos IAPs já vinha sendo gestado econômica, com o chamado milagre brasileiro, movido a
desde de 1941 e sofreu em todo este período grandes capital estrangeiro.
resistências, pelas radicais transformações que implicava. O longo programa ideológico do movimento foi acionado
Após longa tramitação, a Lei Orgânica de Previdência Social com a retirada dos estudantes, especialmente os de nível
só foi finalmente sancionada em 1960, acompanhada de universitário, de qualquer autonomia representativa e
intenso debate político a nível legislativo em que os mantendo-os afastados de uma participação ativa nas
representantes das classes trabalhadoras se recusavam à transformações políticas. Posteriormente, o processo
unificação , uma vez que isto representava o abandono de prosseguiria pelo afastamento de professores, a partir de
muitos direitos conquistados, além de se constituírem os 1969, pela repressão brutal as manifestações estudantis,
IAPs naquela epóca em importantes feudos políticos e articuladas ou não a organizações políticas clandestinas. O
eleitorais. Finalmente em 1960 foi promulgada a lei 3.807, enquadramento ideológico completou-se pelo esvaziamento
denominada Lei Orgânica da Previdência Social, que veio dos estudos sociais, negando-se reconhecimento a profissão
estabelecer a unificação do regime geral da previdência de sociólogo e pela instauração de novas disciplinas como a
social, destinado a abranger todos os trabalhadores sujeitos Educação Moral e Cívica e OSPB, e, no âmbito superior,
ao regime da CLT, excluídos os trabalhadores rurais, os Estudo de Problemas Brasileiros, todas de filiação
empregados domésticos e naturalmente os servidores historicamente fascista missionária.

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CONHECIMENTOS BÁSICOS DE SAÚDE PÚBLICA

O regime militar que se instala a partir de 1964, de caráter No entanto, ao aumentar substancialmente o número de
ditatorial e repressivo, procura utilizar-se de forças policiais e contribuintes e consequentemente de beneficiários, era
do exército e dos atos de exceção para se impor. impossível ao sistema médico previdenciário existente
atender a toda essa população. Diante deste fato , o
AÇÕES DO REGIME MILITAR NA PREVIDÊNCIA SOCIAL governo militar tinha que decidir onde alocar os recursos
públicos para atender a necessidade de ampliação do
A repressão militar seria incapaz de sozinha justificar por sistema, tendo ao final optado por direcioná-los para a
um longo tempo um governo ditatorial. iniciativa privada, com o objetivo de coopitar o apoio de
setores importantes e influentes dentro da sociedade e da
Diante, deste quadro, o regime instituído procura atuar economia.
através da formulação de algumas políticas sociais na busca
de uma legitimação do governo perante a população. Um Desta forma, foram estabelecidos convênios e contratos com
outro aspecto importante do regime militar, diz respeito a a maioria dos médicos e hospitais existentes no país,
utilização da tecnoburocracia. Em consequência da pagando-se pelos serviços produzidos (pro-labore),o que
repressão e do desmantelamento de todas as organizações propiciou a estes grupos se capitalizarem, provocando um
da população civil, não podendo contar com a voz e não efeito cascata com o aumento no consumo de
querendo a participação organizada da sociedade civil, o medicamentos e de equipamentos médico-hospitalares,
regime militar ocupou-se de criar uma tecnocracia, formando um complexo sistema médico-industrial.
constituída de profissionais civis retirados do seio da
sociedade, e colocados sob a tutela do estado, para Este sistema foi se tornando cada vez mais complexo tanto
repensar sob os dogmas e postulados do novo regime do ponto de vista administrativo quanto financeiro dentro da
militar, a nova estrutura e organização dos serviços do estrutura do INPS, que acabou levando a criação de uma
estado, os tecnoburocracistas. Pessoas que realmente estrutura própria administrativa, o Instituto Nacional de
acreditavam estar fazendo o melhor, repensando a Assistência Médica da Previdência Social (INAMPS) em
sociedade brasileira de acordo com dados e pressupostos 1978.
teóricos, colocando como exemplo abstrato a participação da
sociedade. Assim, que dentro do objetivo de buscar apoio e Em 1974 o sistema previdenciário saiu da área do Ministério
sustentação social, o governo se utiliza do sistema do Trabalho, para se consolidar como um ministério próprio,
previdenciário. Visto que os IAP’s eram limitados a o Ministério da Previdência e Assistência Social. Juntamente
determinadas categorias profissionais mais mobilizadas e com este Ministério foi criado o Fundo de Apoio ao
organizadas política e economicamente, o governo militar Desenvolvimento Social (FAS) . A criação deste fundo
procura garantir para todos os trabalhadores urbanos e os proporcionou a remodelação e ampliação dos hospitais da
seus dependentes os benefícios da previdência social. rede privada, através de empréstimos com juros subsidiados
. A existência de recursos para investimento e a criação de
O processo de unificação previsto em 1960 se efetiva em 2 um mercado cativo de atenção médica para os prestadores
de janeiro de 1967, com a implantação do Instituto Nacional privados levou a um crescimento próximo de 500% no
de Previdência social (INPS), reunindo os seis Institutos de número de leitos hospitalares privados no período 69/84, de
Aposentadorias e Pensões, o Serviço de Assistência Médica tal forma que subiram de 74.543 em 69 para 348.255 em 84.
e Domiciliar de Urgência (SAMDU) e a Superintendência dos
Serviços de Reabilitação da Previdência Social. Algumas categorias profissionais somente na década de 70
é que conseguiram se tronar beneficiários do sistema
O Instituto Nacional de Previdência Social (INPS), produto da previdenciário, como os trabalhadores rurais com a criação
fusão dos IAP’s, sofre a forte influência dos técnicos do PRORURAL em 1971, financiado pelo FUNRURAL, e os
oriundos do maior deles, o IAPI. Estes técnicos, que passam empregados domésticos e os autônomos em 1972
a história conhecidos como “os cardeais do IAPI”, de
tendências absolutamente privatizantes criam as condições AÇÕES DE SAÚDE PÚBLICA NO REGIME MILITAR
institucionais necessárias ao desenvolvimento do “complexo
médico-industrial”, característica marcante deste período No campo da organização da saúde pública no Brasil foram
(NICZ, 1982). desenvolvidas as seguintes ações no período militar:
A criação do INPS propiciou a unificação dos diferentes
benefícios ao nível do IAP’s. Na medida em que todo o - Promulgação do Decreto Lei 200 (1967) , estabelecendo as
trabalhador urbano com carteira assinada era competências do Ministério da Saúde: formulação e
automaticamente contribuinte e beneficiário do novo sistema, coordenação da política nacional de saúde; responsabilidade
foi grande o volume de recursos financeiros capitalizados. O pelas atividades médicas ambulatoriais e ações preventivas
fato do aumento da base de contribuição, aliado ao fato do em geral; controle de drogas e medicamentos e alimentos;
crescimento econômico da década de 70 (o chamado pesquisa médico-sanitário;
milagre econômico), do pequeno percentual de - Em 1970 criou-se a SUCAM (Superintendência de
aposentadorias e pensões em relação ao total de Campanhas da Saúde Pública) com a atribuição de executar
contribuintes, fez com que o sistema acumulasse um grande as atividades de erradicação e controle de endemias,
volume de recursos financeiros. sucedendo o Departamento Nacional de Endemias Rurais
(DENERU) e a campanha de erradicação da malária.
Ao unificar o sistema previdenciário, o governo militar se viu - Em 1975 foi instituído no papel o Sistema Nacional de
na obrigação de incorporar os benefícios já instituídos fora Saúde, que estabelecia de forma sistemática o campo de
das aposentadorias e pensões. Um destes era a do ação na área de saúde, dos setores públicos e privados,
assistência médica, que já era oferecido pelos vários IAPs , para o desenvolvimento das atividades de promoção,
sendo que alguns destes já possuíam serviços e hospitais proteção e recuperação da saúde. O documento reconhece
próprios. e oficializa a dicotomia da questão da saúde, afirmando que
a medicina curativa seria de competência do Ministério da

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CONHECIMENTOS BÁSICOS DE SAÚDE PÚBLICA

Previdência, e a medicina preventiva de responsabilidade do


Ministério da Saúde. Devido a escassez de recursos para a sua manutenção, ao
aumento dos custos operacionais, e ao descrédito social em
No entanto, o governo federal destinou poucos recursos ao resolver a agenda da saúde, o modelo proposto entrou em
Ministério da Saúde, que dessa forma foi incapaz de crise.
desenvolver as ações de saúde pública propostas , o que
significou na prática uma clara opção pela medicina curativa, Na tentativa de conter custos e combater fraudes o governo
que era mais cara e que no entanto, contava com recursos criou em 1981 o Conselho Consultivo de Administração da
garantidos através da contribuição dos trabalhadores para o Saúde Previdenciária (CONASP) ligado ao INAMPS.
INPS.
O CONASP passa a absorver em postos de importância
Concluindo podemos afirmar que o Ministério da Saúde alguns técnicos ligados ao movimento sanitário, o que dá
tornou-se muito mais um órgão burocrato-normativo do que início a ruptura, por dentro, da dominância dos anéis
um órgão executivo de política de saúde. burocráticos previdenciários.

Tendo como referência as recomendações internacionais e a O plano inicia-se pela fiscalização mais rigorosa da
necessidade de expandir cobertura, em 1976 inicia-se o prestação de contas dos prestadores de serviços
Programa de Interiorização das Ações de Saúde e credenciados, combatendo-se as fraudes.
Saneamento (PIASS). Concebido na secretaria de
planejamento da presidência da república, o PIASS se O plano propõe a reversão gradual do modelo médico-
configura como o primeiro programa de medicina assistencial através do aumento da produtividade do
simplificada do nível Federal e vai permitir a entrada de sistema, da melhoria da qualidade da atenção, da
técnicos provenientes do “movimento sanitário” no interior do equalização dos serviços prestados as populações urbanas
aparelho de estado. O programa é estendido a todo o e rurais, da eliminação da capacidade ociosa do setor
território nacional, o que resultou numa grande expansão da público, da hierarquização, da criação do domicílio sanitário,
rede ambulatorial pública. da montagem de um sistema de auditoria médico-
assistencial e da revisão dos mecanismos de financiamento
1975 - A CRISE do FAS.
O modelo econômico implantado pela ditadura militar entra
em crise. Primeiro, porque o capitalismo a nível internacional O CONASP encontrou oposição da Federação Brasileira de
entra num período também de crise. Segundo, porque em Hospitais e de medicina de grupo, que viam nesta tentativa a
função da diminuição do fluxo de capital estrangeiro para perda da sua hegemonia dentro do sistema e a perda do
mover a economia nacional, o país diminuiu o ritmo de seu status.
crescimento que em períodos áureos chegou a 10% do PIB, Para se mencionar a forma desses grupos atuarem, basta
tornando o crescimento econômico não mais sustentável. citar que eles opuseram e conseguiram derrotar dentro do
governo com a ajuda de parlamentares um dos projetos mais
A idéia do que era preciso fazer crescer o bolo (a economia) interessantes de modelo sanitário, que foi o PREV-SAÚDE,
para depois redistribuí-lo para a população não se confirma que depois de seguidas distorções acabou por ser
no plano social. Os pobres ficaram mais pobres e os ricos arquivado. No entanto, isto, não impediu que o CONASP
mais ricos, sendo o país um dos que apresentam um dos implantasse e apoiasse projetos pilotos de novos modelos
maiores índices de concentração de renda a nível mundial. assistenciais, destacando o PIASS no nordeste.

A população com baixos salários, contidos pela política Devido ao agravamento da crise financeira o sistema
econômica e pela repressão, passou a conviver com o redescobre quinze anos depois a existência do setor público
desemprego e as suas graves consequências sociais, como de saúde, e a necessidade de se investir nesse setor, que
aumento da marginalidade, das favelas, da mortalidade trabalhava com um custo menor e atendendo a uma grande
infantil . O modelo de saúde previdenciário começa a parcela da população carente de assistência.
mostrar as suas mazelas:
Em 1983 foi criado a AIS (Ações Integradas de Saúde), um
- Por ter priorizado a medicina curativa, o modelo proposto projeto interministerial (Previdência-Saúde-Educação),
foi incapaz de solucionar os principais problemas de saúde visando um novo modelo assistencial que incorporava o
coletiva, como as endemias, as epidemias, e os indicadores setor público, procurando integrar ações curativas-
de saúde (mortalidade infantil, por exemplo); preventivas e educativas ao mesmo tempo. Assim, a
-aumentos constantes dos custos da medicina curativa, Previdência passa a comprar e pagar serviços prestados por
centrada na atenção médica-hospitalar de complexidade estados, municípios, hospitais filantrópicos, públicos e
crescente; universitários.
-diminuição do crescimento econômico com a respectiva
repercussão na arrecadação do sistema previdenciário Este período coincidiu com o movimento de transição
reduzindo as suas receitas; democrática, com eleição direta para governadores e vitória
- incapacidade do sistema em atender a uma população esmagadora de oposição em quase todos os estados nas
cada vez maior de marginalizados, que sem carteira primeiras eleições democráticas deste período (1982).
assinada e contribuição previdenciária, se viam excluídos do
sistema; O FIM DO REGIME MILITAR
-desvios de verba do sistema previdenciário para cobrir
despesas de outros setores e para realização de obras por O movimento das DIRETAS JÁ (1985) e a eleição de
parte do governo federal; Tancredo Neves marcaram o fim do regime militar, gerando
- o não repasse pela união de recursos do tesouro nacional diversos movimentos sociais inclusive na área de saúde,
para o sistema previdenciário, visto ser esse tripartide que culminaram com a criação das associações dos
(empregador, empregado, e união). secretários de saúde estaduais (CONASS) ou municipais
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CONHECIMENTOS BÁSICOS DE SAÚDE PÚBLICA

(CONASEMS),e com a grande mobilização nacional por universal e igualitário às ações e serviços para sua
ocasião da realização da VIII Conferência Nacional de promoção, proteção e recuperação”.
Saúde (Congresso Nacional,1986), a qual lançou as bases
da reforma sanitária e do SUDS (Sistema Único O SUS é definido pelo artigo 198 do seguinte modo:
Descentralizado de Saúde). “As ações e serviços públicos de saúde integram uma rede
regionalizada e hierarquizada, e constituem um sistema
Estes fatos ocorreram com a eleição da Assembléia Nacional único, organizado de acordo com as seguintes diretrizes:
Constituinte em 1986 e a promulgação da nova Constituição Descentralização , com direção única em cada esfera de
em 1988. governo;
Atendimento integral, com prioridade para as atividades
É preciso fazer um pequeno corte nesta seqüência para preventivas, sem prejuízo dos serviços assistenciais;
entender como o modelo médico neo-liberal procurou se
articular neste momento da crise. Participação da comunidade
Parágrafo único - o sistema único de saúde será financiado ,
O setor médico privado que se beneficiou do modelo com recursos do orçamento da seguridade social, da União,
médico-privativista durante quinze anos a partir de 64, tendo dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, além de
recebido neste período vultuosos recursos do setor público e outras fontes”.
financiamentos subsidiados , cresceu, desenvolveu e
“engordou”. O texto constitucional demonstra claramente que a
concepção do SUS estava baseado na formulação de um
A partir do momento em que o setor público entrou em crise, modelo de saúde voltado para as necessidades da
o setor liberal começou a perceber que não mais poderia se população, procurando resgatar o compromisso do estado
manter e se nutrir daquele e passou a formular novas para com o bem-estar social, especialmente no que refere a
alternativas para sua estruturação. Direcionou o seu modelo saúde coletiva, consolidando-o como um dos direitos da
de atenção médica para parcelas da população, classe CIDADANIA. Esta visão refletia o momento político porque
média e categorias de assalariados, procurando através da passava a sociedade brasileira, recém saída de uma
poupança desses setores sociais organizar uma nova base ditadura militar onde a cidadania nunca foi um princípio de
estrutural. governo. Embalada pelo movimento da diretas já , a
sociedade procurava garantir na nova constituição os direitos
Deste modo foi concebido um subsistema de ATENÇÃO e os valores da democracia e da cidadania.
MÉDICO-SUPLETIVA composta de 5 modalidades
assistenciais: medicina de grupo, cooperativas médicas, Apesar do SUS ter sido definido pela Constituição de 1988 ,
auto-gestão, seguro-saúde e plano de administração. Com ele somente foi regulamentado em 19 de setembro de 1990
pequenas diferenças entre si, estas modalidades se baseiam através da Lei 8.080.Esta lei define o modelo operacional do
em contribuições mensais dos beneficiários (poupança) em SUS, propondo a sua forma de organização e de
contrapartida pela prestação de determinados serviços. funcionamento Algumas destas concepções serão expostas
Estes serviços e benefícios eram pré-determinados, com a seguir. Primeiramente a saúde passa a ser definida de um
prazos de carências, além de determinadas exclusões, por forma mais abrangente : “A saúde tem como fatores
exemplo a não cobertura do tratamento de doenças determinantes e condicionantes, entre outros, a alimentação,
infecciosas. O subsistema de atenção médica-supletiva a moradia, o saneamento básico, o meio ambiente, o
cresce vertiginosamente. Na década de 80, de tal modo que trabalho, a renda, a educação, o transporte, o lazer e o
no ano de 1989 chega a cobrir 31.140.000 brasileiros, acesso aos bens e serviços essenciais: os níveis de saúde
correspondentes a 22% da população total, e apresentando da população expressam a organização social e econômica
um volume de faturamento de US$ 2.423.500.000,00 do país”.
(MENDES, 1992).
O SUS é concebido como o conjunto de ações e serviços de
Este sistema baseia-se num universalismo excludente, saúde, prestados por orgãos e instituições públicas federais,
beneficiando e fornecendo atenção médica somente para estaduais e municipais, da administração direta e indireta e
aquela parcela da população que tem condições financeiras das fundações mantidas pelo Poder Público. A iniciativa
de arcar com o sistema, não beneficiando a população como privada poderá participar do SUS em caráter complementar.
um todo e sem a perocupação de investir em saúde
preventiva e na mudança de indicadores de saúde. Foram definidos como princípios doutrinários do SUS:

Enquanto, isto, ao subsistema público compete atender a UNIVERSALIDADE - o acesso às ações e serviços deve ser
grande maioria da população em torno de 120.000.000 de garantido a todas as pessoas, independentemente de sexo,
brasileiros (!990), com os minguados recursos dos governos raça, renda, ocupação, ou outras características sociais ou
federal, estadual e municipal. pessoais;
EQUIDADE - é um princípio de justiça social que garante a
Em 1990 o Governo edita as Leis 8.080 e 8.142, conhecidas igualdade da assistência à saúde, sem preconceitos ou
como Leis Orgânicas da Saúde, regulamentando o SUS, privilégios de qualquer espécie .A rede de serviços deve
criado pela Constituição de 1988. estar atenta às necessidades reais da população a ser
atendida;
O NASCIMENTO DO SUS INTEGRALIDADE - significa considerar a pessoa como um
todo, devendo as ações de saúde procurar atender à todas
A constituinte de 1988 no capítulo VIII da Ordem social e na as suas necessidades.
secção II referente à Saúde define no artigo 196 que : “A Destes derivaram alguns princípios organizativos:
saúde é direito de todos e dever do estado, garantindo HIERARQUIZAÇÃO - Entendida como um conjunto
mediante políticas sociais e econômicas que visem a articulado e contínuo das ações e serviços preventivos e
redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso curativos, individuais e coletivos, exigidos para cada caso
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CONHECIMENTOS BÁSICOS DE SAÚDE PÚBLICA

em todos os níveis de complexidade do sistema; referência e


contra-refrência; O SUS ao longo da sua existência sempre sofreu as
PARTICIPAÇÃO POPULAR - ou seja a democratização dos consequências da instabilidade institucional e da
processos decisórios consolidado na participação dos desarticulação organizacional na arena decisória federal que
usuários dos serviços de saúde no chamados Conselhos aparecem para o senso comum como escassez de
Municipais de Saúde; financiamento.
DESENCENTRALIZAÇÃO POLÍTICA ADMINISTRATIVA
consolidada com a municipalização das ações de saúde, Independente da origem política e da respeitabilidade, os
tornando o município gestor administrativo e financeiro do ministros da saúde como será visto na seqüência deste
SUS; texto, foram transformados em reféns das indefinições e
rupturas que sempre colocaram à deriva as instituições de
Os objetivos e as atribuições do SUS foram assim definidas: saúde do Brasil.

identificação e divulgação dos fatores condicionantes e Apesar das dificuldades enfrentadas pode-se afirmar que ao
determinantes da saúde; nível da atenção primária o SUS apresentou progressos
formular as políticas de saúde; significativos no setor público, mas enfrenta problemas
fornecer assistência às pessoas por intermédio de ações de graves com o setor privado, que detém a maioria dos
promoção, proteção e recuperação da saúde, com a serviços de complexidade e referência a nível secundário e
realização integrada das ações assistenciais e das terciário. Estes setores não se interessam em integrar o
atividades preventivas. modelo atualmente vigente em virtude da baixa remuneração
executar as ações de vigilância sanitária e epidemiológica ; paga pelos procedimentos médicos executados, o que vem
executar ações visando a saúde do trabalhador; inviabilizando a proposta de hierarquização dos serviços.
participar na formulação da política e na execução de ações
de saneamento básico; OS GOVERNOS NEOLIBERAIS - A PARTIR DE 1992
participar da formulação da política de recursos humanos
para a saúde; A opção neoliberal, que se torna hegemônica no campo
realizar atividades de vigilância nutricional e de orientação econômico, procura rever o papel do estado e o seu peso
alimentar; na economia nacional, propondo a sua redução para o
participar das ações direcionadas ao meio ambiente; chamado estado mínimo, inclusive na área social, ampliando
formular políticas referentes a medicamentos, equipamentos, os espaços nos quais a regulação se fará pelo mercado
imunobiológicos, e outros insumos de interesse para a capitalista..
saúde e a participação na sua produção;
controle e fiscalização de serviços , produtos e substâncias A Constituição de 1988 procurou garantir a saúde como um
de interesse para a saúde; direito de todos e um dever do estado.
fiscalização e a inspeção de alimentos , água e bebidas para
consumo humano; No período de 1991 a 1994, com a eleição do Fernando
participação no controle e fiscalização de produtos Collor de Mello é implementada com toda a força uma
psicoativos, tóxicos e radioativos; política neoliberal-privatizante, com um discurso de reduzir o
incremento do desenvolvimento científico e tecnológico na estado ao mínimo. Embora no discurso as limitações dos
área da saúde; gastos públicos devessem ser efetivadas com a privatização
formulação e execução da política de sangue e de seus de empresas estatais, na prática a redução de gastos atingiu
derivados: a todos os setores do governo, inclusive o da saúde.

Pela abrangência dos objetivos propostos e pela existência Neste período o governo começa a editar as chamadas
de desequilíbrios socio-econômicos regioniais, a implantação Normas Operacionais Básicas (NOB), que são instrumentos
do SUS não tem sido uniforme em todos os estados e normativos com o objetivo de regular a transferência de
municípios brasileiros, pois para que isto ocorra é necessário recursos financeiros da união para estados e municípios, o
uma grande disponibilidade de recursos financeiros , de planejamento das ações de saúde, os mecanismos de
pessoal qualificado e de um efetiva política a nível federal, controle social, dentre outros. A primeira NOB foi editada em
estadual e municipal para viabilizar o sistema. 1991.

A Lei 8.080 estabeleceu que os recursos destinados ao SUS A NOB 01/91 sob o argumento da inviabilidade conjuntural
seriam provenientes do Orçamento da Seguridade Social . de regulamentar o artigo 35 da Lei 8.080 - que definia o
repasse direto e automático de recursos do fundo nacional
A mesma lei em outro artigo estabelece a forma de repasse aos fundos estaduais e municipais de saúde, sendo 50% por
de recursos financeiros a serem transferidos para estados e critérios populacionais e os outros 50% segundo o perfil
municípios, e que deveriam ser baseados nos seguintes epidemiológico e demográfico, a capacidade instalada e a
critérios : perfil demográfico ; perfil epidemiológico; rede de complexidade da rede de serviços de saúde, a contrapartida
serviços instalada; desempenho técnico; ressarcimento de financeira, etc - redefiniu toda a lógica de financiamento e,
serviços prestados. Este artigo foi substancialmente consequentemente, de organização do SUS, instituindo um
modificado com a edição das NOBs que regulamentaram a sistema de pagamento por produção de serviços que
aplicação desta lei. permanece, em grande parte, vigorando até hoje.

NOB é a abreviatura de Norma Operacional Básica, que Estados e municípios passaram a receber por produção de
trata da edição de normas operacionais para o serviços de saúde, nas mesmas tabelas nacionais existentes
funcionamento e operacionalização do SUS de competência para o pagamento dos prestadores privados, impondo um
do Ministério da Saúde, tendo sido editadas até hoje : a modelo de atenção à saúde voltado para a produção de
NOB-SUS 01/91, NOB-SUS 01/93, NOB-SUS 01/96, e que serviços e avaliado pela quantidade de procedimentos
serão mencionadas em outras partes deste texto.
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CONHECIMENTOS BÁSICOS DE SAÚDE PÚBLICA

executados, independentemente da qualidade e dos


resultados alcançados. Desde que começou a vigorar a CPMF, foram frequentes as
denúncias de desvios , por parte do governo, na utilização
Em 1993, outra NOB buscava um caminho de transição dos recursos arrecadados para cobrir outros deficits do
entre o anacrônico sistema implantado pela NOB 01/91 e o tesouro.
que era preconizado na Constituição Federal e nas Leis que
a regulamentaram o SUS. A NOB 01/93 criou critérios e Em 1997 o governo Fernando Henrique Cardoso intensificou
categorias deferenciadas gestão para a habilitação dos as privatizações de empresas estatais (a Companhia Vale do
municípios,e segundo o tipo de gestão implantado Rio Doce é privatizada) e colocou na agenda do Congresso
(incipiente, parcial, semi-plena) haveria critérios também Nacional a reforma previdenciária, administrativa e tributária
diferenciados de formas de repasse dos recursos financeiros na busca do chamado “estado mínimo”.

Em função da criação do SUS e do comando centralizado do A crise de financiamento do SUS agrava a operacionalização
sistema pertencer ao Ministério da Saúde , o INAMPS do sistema, principalmente no que se refere ao atendimento
torna-se obsoleto e é extinto em 1993. hospitalar. A escassez de leitos nos grandes centros urbanos
passa a ser uma constante. Os hospitais filantrópicos,
Também em 1993 em decorrência dos péssimos resultados especialmente as Santas Casas de Misericórdia, de todo o
da política econômica especialmente no combate do país tomam a decisão de criar planos próprios de saúde,
processo inflacionário, da falta de uma base de apoio atuando no campo da medicina supletiva A Santa Casa de
parlamentar, e de uma série de escândalos de corrupção, o Belo Horizonte faz o mesmo e lança o seu plano de saúde, o
Presidente Fernando Collor de Mello sofreu um processo de que implica numa diminuição de leitos disponíveis para o
Impeachment, envolvendo uma grande mobilização SUS.
popular ,especialmente estudantil, o que levou a perda do
seu mandato presidencial, tendo assumido a presidência o Os Hospitais Universitários, último reduto da assistência
então vice-presidente, Itamar Franco. médica hospitalar de excelência a nível do SUS, também
entram em crise.
Em 1994, o então Ministro da Previdência Antônio Brito, em
virtude do aumento concedido aos benefícios dos Em 1997 os Hospitais Universitários do país “são forçados” a
previdenciários do INSS, e alegando por esta razão não ter reduzir o número de atendimentos, e induzidos pelo próprio
recursos suficientes para repassar para a área de saúde, governo à privatização como solução para resolver a crise
determinou que à partir daquela data os recursos recolhidos financeira do setor.
da folha salarial dos empregados e empregadores seria
destinado somente para custear a Previdência Social. O motivo da crise foi o baixo valor pago pelos serviços
prestados pelos hospitais conveniados ao SUS e a demora
Apesar de estar descumprindo 3 Leis Federais que na liberação desses recursos. As dívidas dos hospitais
obrigavam a previdência a repassar os recursos financeiros universitários ultrapassaram a quantia de 100 milhões de
para o Ministério da Saúde, o Ministério da Previdência a reais (Abril / 1997). Muitos deles operavam com a metade
partir daquela data não mais transferiu recursos para a área do número de funcionários necessários ao seu
da saúde, agravando a crise financeira do setor. funcionamento.

Em 1995 Fernando Henrique Cardoso assume o governo , O HOSPITAL DAS CLÍNICAS DA UFMG vivenciou toda esta
mantendo e intensificando a implementação do modelo crise, apresentando naquela época o seguinte quadro :
neoliberal , atrelado a ideologia da globalização e da débitos com os fornecedores R$ 9 milhões (maio/97) ;
redução o do “tamanho do estado” . déficit de 487 funcionários ; várias enfermarias foram
fechadas, dos 432 leitos disponíveis somente 150 estavam
A crise de financiamento do setor saúde se agrava, e o sendo utilizados.
próprio ministro da Saúde (1996) reconhece a incapacidade
do governo em remunerar adequadamente os prestadores Em consequência desta crise, a Congregação da
de serviços médicos e de que a cobrança por fora é um fato. FACULDADE DE MEDICINA DA UFMG tomou uma decisão
inédita, suspendendo a continuidade do curso médico em
Na busca de uma alternativa econômica como fonte de junho de 1997 em virtude da inviabilidade do processo de
recurso exclusiva para financiar a saúde , o então Ministro aprendizagem decorrente do não funcionamento do
da Saúde - Adib Jatene - propõe a criação da CPMF hospital-escola.
(contribuição provisória sobre movimentação financeira). O
ministro realizou um intenso lobby junto aos congressistas Toda esta crise obrigou à direção do Hospital a buscar novas
para a sua aprovação pelo congresso nacional, o que fontes de arrecadação, principalmente através de convênios
aconteceu em 1996 , passando a imposto a vigorar à partir com planos privados de saúde e com a prefeitura municipal
de 1997. Ë importante mencionar que o imposto teria uma de Belo Horizonte. O governo edita a NOB-SUS
duração definida de vigência que seria por um período de 01/96 ,o que representa um avanço importante no modelo de
um ano, e que os recursos arrecadados somente poderiam gestão do SUS, principalmente no que se refere a
ser aplicados na área de saúde. consodolidação da Municipalização. Esta NOB revoga os
modelos anteriores de gestão propostos nas NOB anteriores
No final de 1996 , o ministro da saúde sentiu que os seus ( gestão incipiente, parcial e semiplena) , e propõe aos
esforços para aumentar a captação de recursos para a municípios se enquadrarem em dois novos modelos :
saúde tinham sido em vão, pois o setor econômico do Gestão Plena de Atenção Básica e Gestão Plena do
governo deduziu dos recursos do orçamento da união Sistema Municipal. Estes modelos propõem a transferência
destinados para a saúde os valores previstos com a para os municípios de determinadas responsabilidades de
arrecadação da CPMF, e que acabou ocasionando o seu gestão. É possível constatar as diferenças existentes nos
pedido de demissão do cargo neste mesmo ano. dois modelos de gestão, sendo a gestão plena do sistema
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CONHECIMENTOS BÁSICOS DE SAÚDE PÚBLICA

municipal o de maior abrangência, transferindo um número serviços, reorganizando a prática assistencial em novas
maior de responsabilidades para os municípios , bases e critérios.
especialmente no que se refere gestão direta do sistema
hospitalar , não incluído no modelo de gestão plena da Essa perspectiva faz com que a família passe a ser o objeto
atenção básica. precípuo de atenção, entendida a partir do ambiente onde
vive. Mais que uma delimitação geográfica, é nesse espaço
Esta NOB reformular e aperfeiçoar a gestão do SUS, na que se constróem as relações intra e extrafamiliares e onde
medida em que redefine: se desenvolve a luta pela melhoria das condições de vida –
permitindo, ainda, uma compreensão ampliada do processo
os papéis de cada esfera de governo e, em especial, no saúde/doença e, portanto, da necessidade de intervenções
tocante à direção única; de maior impacto e significado social.”
os instrumentos gerenciais para que municípios e estados
superem o papel exclusivo de prestadores de serviços e A NOB passa a vigorar efetivamente somente à partir de
assumam seus respectivos papéis de gestores do SUS; janeiro de 1998. Em 1998 as privatizações alcançam o setor
os mecanismos e fluxos de financiamento, reduzindo de energia elétrica e sistema de telecomunicações
progressiva e continuamente a remuneração por produção ( Telebrás). No congresso são aprovadas as reformas
de serviços e ampliando as transferências de caráter global, administrativa e da previdência. Apesar de assumir todos
fundo a fundo, com base em programações ascendentes, os compromissos com a agenda econômica da
pactuadas e integradas; globalização , o país sofre as consequências de ataques
a prática do acompanhamento, controle e avaliação no SUS, especulativos de investidores internacionais, que lucraram
superando os mecanismos tradicionais, centrados no com as altas taxas de juros oferecidos pela política
faturamento de serviços produzidos, e valorizando os econômica do governo.
resultados advindos de programações com critérios
epidemiológicos e desempenho com qualidade; Em outubro de 1998 , Fernando Henrique Cardoso é reeleito
os vínculos dos serviços com os seus usuários, privilegiando para mais 4 anos de governo. Tendo em vista a crise
os núcleos familiares e comunitários, criando, assim, econômica vivida pelo Brasil e outros países “emergentes” o
condições para uma efetiva participação e controle social. governo FHC aumenta ainda mais os juros para beneficiar
os especuladores internacionais e propõe para o povo um
É fundamental destacar que uma das alterações mais ajuste fiscal prevendo a diminuição de verbas para o
importante introduzidas pela NOB 96 refere-se a forma de orçamento de 1999, inclusive na área de saúde. O corte
repasse dos recursos financeiros do governo federal para os previsto nesta área foi de cerca de R$ 260 milhões. A
municípios, que passa a ser feito com base num valor fixo propósito desta redução o Ministro da Saúde, José Serra,
per-capita (PAB) e não mais vinculado a produção de divulgou um comunicado com o seguinte teor: “ entre 1994
serviços , o que possibilita aos municípios desenvolverem e 1998 o gasto com saúde, em relação ao PIB, caiu 12,4% .
novos modelos de atenção à saúde da população. O total das outras despesas , no entanto, subiu 22,6% . Em
valores constantes, as despesas da saúde aumentaram
O PAB (Piso Assistencial Básico) consiste em um montante 17,9% enquanto as outras despesas do orçamento, em seu
de recursos financeiros destinado ao custeio de conjunto , cresceram 56,2%”.
procedimentos e ações de assistência básica, de
responsabilidade tipicamente municipal. Esse Piso é definido A mesma nota do Ministério afirma sobre o CPMF que: “a
pela multiplicação de um valor per capita nacional arrecadação do CPMF cobrada a partir de 23 de janeiro de
( atualmente ) pela população de cada município (fornecida 1997 não beneficiou a Saúde. O que houve foi desvio de
pelo IBGE) e transferido regular e automaticamente ao fundo outras fontes, ou seja, a receita do CPMF foi destinada à
de saúde ou conta especial dos municípios. Além disto, o saúde mas foram diminuídas as destinações à saúde
município poderá receber incentivos para o desenvolvimento decorrentes de contribuições sobre os lucros e do COFINS”.
de determinadas ações de saúde agregando valor ao PAB . ( extraído da FOLHA DE SÃO PAULO, 6/11/98, p.4)
As ações de saúde que fornecem incentivo são : Programa
de Agentes Comunitários de Saúde (PACS); Programa de O governo FHC procura firmar um acordo com o FMI diante
Saúde da Família(PSF); Assistência Farmacêutica básica; do agravamento da crise financeira, a qual se refletiu na
Programa de combate as Carências Nutricionais; ações diminuição da atividade produtiva do país e no número
básicas de vigilância sanitária; ações básicas de vigilância desempregados ( 7,4% segundo dados do IBGE 11/98).
epidemiológica e ambiental.
Em novembro de 1998 , o governo regulamentou a lei
Importante afirmar que os percentuais não são cumulativos, 9656/98 sobre os planos e seguros de saúde, que fora
quando a população coberta pelo PSF e pelo PACS ou por aprovada pelo congresso nacional em junho daquele ano. Se
estratégias similares for a mesma. por um lado houve uma limitação nos abusos cometidos
pelas empresas , por outro a regulamentação oficializa o
Percebe-se claramente a intenção da NOB/96 de fortalecer a universalismo excludente, na medida em que cria quatro
implantação do PSF e do PACS. Segundo o documento do modelos diferenciados de cobertura de serviços , a saber:
próprio Ministério da Saúde intitulado Saúde da Família: uma
estratégia para a reorientação do modelo assistencial : Plano ambulatorial - compreende a cobertura de consultas
em número ilimitado, exames complementares e outros
“...O PSF elege como ponto central o estabelecimento de procedimentos, em nível ambulatorial, incluindo
vínculos e a criação de laços de compromisso e de co- atendimentos e procedimentos caracterizados como
responsabilidade entre os profissionais de saúde e a urgência e emergência até as primeiras 12 horas;
população.Sob essa ótica, a estratégia utilizada pelo PSF
visa a reversão do modelo assistencial vigente, Por isso, sua Plano Hospitalar sem obstetrícia - compreende atendimento
compreensão só é possível através da mudança do objeto em unidade hospitalar com número ilimitado de diárias,
de atençao, forma de atuação e organização geral dos inclusive UTI, transfusões, quimioterapia e radioterapia entre
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CONHECIMENTOS BÁSICOS DE SAÚDE PÚBLICA

outros, necessários durante o período de internação. Inclui atendimento das necessidades de saúde da população,
também os atendimentos caracterizados como de urgência e ofertando serviços com qualidade adequados às
emergência que evoluírem para internação ou que sejam necessidades, independente do poder aquisitivo do/a
necessários à preservação da vida, orgãos ou funções; cidadão/ã. O SUS se propõe a promover a saúde,
priorizando as ações preventivas, democratizando as
Plano Hospitalar com obstetrícia - acresce ao Plano informações relevantes para que a população conheça seus
Hospitalar sem obstetrícia, a cobertura de consultas, exames direitos e os riscos à sua saúde. O controle da ocorrência de
e procedimentos relativos ao pré-natal, à assistência ao doenças, seu aumento e propagação (Vigilância
parto e ao recém-nascido durante os primeiros 30 dias de Epidemiológica) são algumas das responsabilidades de
vida ; atenção do SUS, assim como o controle da qualidade de
remédios, de exames, de alimentos, higiene e adequação de
Plano odontólogico - cobertura de procedimentos instalações que atendem ao público, onde atua a Vigilância
odontológicos realizados em consultórios; Sanitária.
Plano referência - representa a somatória dos quatro tipos
de plano anteriores; Complementariedade do Setor Privado:
O setor privado participa do SUS de forma complementar,
O plano básico que prevê unicamente o atendimento por meio de contratos e convênios de prestação de serviço
ambulatorial é o mais barato , acessível e o que oferece ao Estado - quando as unidades públicas de saúde não são
menos cobertura, por outro lado o Referencial é o mais suficientes para garantir o atendimento a toda a população
completo, mais caro e o que oferece todo o tipo de cobertura de uma determinada região.
tanto a nível ambulatorial quanto hospitalar.
A Constituição definiu que quando, por insuficiência do setor
Estes fatos demonstram claramente que o compromisso da público, for necessário a contratação de serviços privados,
Medicina Supletiva é primordialmente com o ganho isto se deve dar sob três condições:
financeiro e com o lucro do capital , e não com a saúde dos 1 - A celebração do contrato conforme as normas de direito
cidadãos .Prova maior disto é afirmação das seguradoras de público;
que os planos deverão aumentar seus preços em até 20% 2 - A instituição privada deverá estar de acordo com os
para se adaptarem as novas regras. princípios básicos e normas técnicas do SUS;
No início de 1999, o país atravessa uma grave crise cambial 3 - A integração dos serviços privados deverá se dar na
provocada pelos efeitos da globalização e da política mesma lógica do SUS em termos de posição definida na
econômica do governo. Este procura responder mais uma rede regionalizada e hierarquizada dos serviços.
vez com um novo acordo de empréstimo junto ao FMI, e no Dentre os serviços privados, devem ter preferência os
plano interno com uma nova política recessiva, ditada pelo serviços não lucrativos (hospitais Filantrópicos -Santas
FMI, o que gera uma diminuição do PIB e um aumento ainda Casas), conforme determina a Constituição. Assim cada
maior do desemprego no país. gestor deverá planejar primeiro o setor público e na
sequência, complementar a rede assistencial com o setor
No bojo do pacote recessivo propõe e aprova no congresso privado não lucrativo, com os mesmos conceitos de
em Março de 99 o aumento da CPMF de 0,20 para 0,38 % , regionalização, hierarquização e universalização.
aquele imposto criado para ser provisório e que deveria ser
destinado unicamente para a saúde.

ORGANIZAÇÃO E FUNCIONAMENTO DO SUS Sistema Único de Saúde - SUS: conceitos,


fundamentação legal, financiamento,
O Sistema Único de Saúde - SUS - foi criado pela princípios, diretrizes e articulação com
Constituição Federal de 1988 e regulamentando pelas Leis serviços de saúde (Lei nº 8080/90 e Lei nº
nº 8080/90 (Lei Orgânica da Saúde) e nº 8142/90, com a
finalidade de alterar a situação de desigualdade na 8142/90).
assistência à saúde da população, tornando obrigatório o
atendimento público a qualquer cidadão, sendo proibidas 1. INTRODUÇÃO
cobranças de dinheiro sob qualquer pretexto. Os ideais históricos de civilidade, no âmbito da saúde,
consolidados na Constituição de 1988, concretizam-se, na
Do SUS fazem parte os centro e postos de saúde, hospitais - vivência cotidiana do povo brasileiro, por intermédio de um
incluindo os universitários, laboratórios, hemocentros crescente entendimento e incorporação de seus princípios
(bancos de sangue), além de fundações e institutos de ideológicos e doutrinários, como, também, pelo exercício de
pesquisa, como a FIOCRUZ - Fundação Oswlado Cruz e o seus princípios organizacionais.
Instituto Vital Brazil. Através do Sistema Único de Saúde,
todos os cidadãos têm direito a consultas, exames, Esses ideais foram transformados, na Carta Magna, em
internações e tratamentos nas Unidades de Saúde direito à saúde, o que significa que cada um e todos os
vinculadas ao SUS, sejam públicas (da esfera municipal, brasileiros devem construir e usufruir de políticas públicas -
estadual e federal), ou privadas, contratas pelo gestor econômicas e sociais – que reduzam riscos e agravos à
público de saúde. saúde. Esse direito significa, igualmente, o acesso universal
(para todos) e
O SUS é destinado a todos/as os/as cidadãos/ãs e é equânime (com justa igualdade) a serviços e ações de
financiado com recursos arrecadados através de impostos e promoção, proteção e recuperação da saúde (atendimento
contribuições sociais pagos pela população e compõem os integral).
recursos do governo federal, estadual e municipal.
A partir da nova Constituição da República, várias iniciativas
O Sistema Único de Saúde tem como meta tornar-se um institucionais, legais e comunitárias foram criando as
importante mecanismo de promoção da eqüidade no
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CONHECIMENTOS BÁSICOS DE SAÚDE PÚBLICA

condições de viabilização plena do direito à saúde. fundo a fundo, com base em programações ascendentes,
Destacam-se, neste sentido, no âmbito jurídico institucional, pactuadas e integradas;
as chamadas Leis Orgânicas da Saúde (Nº. 8.080/90 e d. a prática do acompanhamento, controle e avaliação no
8.142/90), o Decreto Nº.99.438/90 e as Normas SUS, superando os mecanismos tradicionais, centrados no
Operacionais Básicas (NOB), editadas em 1991 e 1993. faturamento de serviços produzidos, e valorizando os
resultados advindos de programações com critérios
Com a Lei Nº 8.080/90, fica regulamentado o Sistema Único epidemiológicos e desempenho com qualidade;
de Saúde - SUS, estabelecido pela Constituição Federal de e. os vínculos dos serviços com os seus usuários,
1988, que agrega todos os serviços estatais - das esferas privilegiando os núcleos familiares e comunitários, criando,
federal, estadual e municipal - e os serviços privados (desde assim, condições para uma efetiva participação e controle
que contratados ou conveniados) e que é responsabilizado, social.
ainda que sem exclusividade, pela concretização dos
princípios constitucionais. As Normas Operacionais Básicas, 3. CAMPOS DA ATENÇÃO À SAÚDE
por sua vez, a partir da avaliação do estágio de implantação
e desempenho do SUS, se voltam, mais direta e A atenção à saúde, que encerra todo o conjunto de ações
imediatamente, para a definição de estratégias e levadas a efeito pelo SUS, em todos os níveis de governo,
movimentos táticos, que orientam a operacionalidade deste para o atendimento das demandas pessoais e das
Sistema. exigências ambientais, compreende três grandes campos, a
saber:
2. FINALIDADE
a. o da assistência, em que as atividades são dirigidas às
A presente Norma Operacional Básica tem por finalidade pessoas, individual ou coletivamente, e que é prestada no
primordial promover e consolidar o pleno exercício, por parte âmbito ambulatorial e hospitalar, bem como em outros
do poder público municipal e do Distrito Federal, da função espaços, especialmente no domiciliar;
de gestor da atenção à saúde dos seus munícipes (Artigo b. o das intervenções ambientais, no seu sentido mais
30, incisos V e VII, e Artigo 32, Parágrafo 1º, da Constituição amplo, incluindo as relações e as condições sanitárias nos
Federal), com a conseqüente redefinição das ambientes de vida e de trabalho, o controle de vetores e
responsabilidades dos Estados, do Distrito Federal e da hospedeiros e a operação de sistemas de saneamento
União, avançando na consolidação dos princípios do SUS. ambiental (mediante o pacto de interesses, as
normalizações, as fiscalizações e outros); e
Esse exercício, viabilizado com a imprescindível cooperação c. o das políticas externas ao setor saúde, que interferem
técnica e financeira dos poderes públicos estadual e federal, nos determinantes sociais do processo saúde-doença das
compreende, portanto, não só a responsabilidade por algum coletividades, de que são partes importantes questões
tipo de prestação de serviços de saúde (Artigo 30, inciso relativas às políticas macroeconômicas, ao emprego, à
VII), como, da mesma forma, a responsabilidade pela gestão habitação, à educação, ao lazer e à disponibilidade e
de qualidade dos alimentos.
um sistema que atenda, com integralidade, à demanda das
pessoas pela assistência à saúde e às exigências sanitárias Convém ressaltar que as ações de política setorial em
ambientais (Artigo 30, inciso V). saúde, bem como as administrativas - planejamento,
Busca-se, dessa forma, a plena responsabilidade do poder comando e controle - são inerentes e integrantes do contexto
público municipal. Assim, esse poder se responsabiliza como daquelas envolvidas na assistência e nas intervenções
também pode ser responsabilizado, ainda que não ambientais. Ações de comunicação e de educação também
isoladamente. Os poderes públicos estadual e federal são compõem, obrigatória e permanentemente, a atenção à
sempre co-responsáveis, na respectiva competência ou na saúde.
ausência da função municipal (inciso II do Artigo 23, da
Constituição Federal). Essa responsabilidade, no entanto, Nos três campos referidos, enquadra-se, então, todo o
não exclui o papel da família, da comunidade e dos próprios espectro de ações compreendidas nos chamados níveis de
indivíduos, na promoção, proteção e recuperação da saúde. atenção à saúde, representados pela promoção, pela
Isso implica aperfeiçoar a gestão dos serviços de saúde no proteção e pela recuperação, nos quais deve ser sempre
país e a própria organização do Sistema, visto que o priorizado o caráter preventivo.
município passa a ser, de fato, o responsável imediato pelo
atendimento das necessidades e demandas de saúde do É importante assinalar que existem, da mesma forma,
seu povo e das exigências de intervenções saneadoras em conjuntos de ações que configuram campos clássicos de
seu território. atividades na área da saúde pública, constituídos por uma
agregação simultânea de ações próprias do campo da
Ao tempo em que aperfeiçoa a gestão do SUS, esta NOB assistência e de algumas próprias do campo das
aponta para uma reordenação do modelo de atenção à intervenções ambientais, de que são partes importantes as
saúde, na medida em que redefine: atividades de vigilância epidemiológica e de vigilância
sanitária.
a. os papéis de cada esfera de governo e, em especial, no
tocante à direção única; 4. SISTEMA DE SAÚDE MUNICIPAL
b. os instrumentos gerenciais para que municípios e estados
superem o papel exclusivo A totalidade das ações e de serviços de atenção à saúde, no
de prestadores de serviços e assumam seus respectivos âmbito do SUS, deve ser desenvolvida em um conjunto de
papéis de gestores do SUS; estabelecimentos, organizados em rede regionalizada e
c. os mecanismos e fluxos de financiamento, reduzindo hierarquizada, e disciplinados segundo subsistemas, um
progressiva e continuamente a remuneração por produção para cada município Ä o SUS-Municipal Ä voltado ao
de serviços e ampliando as transferências de caráter global, atendimento integral de sua própria população e inserido de

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CONHECIMENTOS BÁSICOS DE SAÚDE PÚBLICA

forma indissociável no SUS, em suas abrangências estadual


e nacional. O poder público estadual tem, então, como uma de suas
responsabilidades nucleares, mediar a relação entre os
Os estabelecimentos desse subsistema municipal, do SUS- sistemas municipais; o federal de mediar entre os sistemas
Municipal, não precisam ser, obrigatoriamente, de estaduais. Entretanto, quando ou enquanto um município
propriedade da prefeitura, nem precisam ter sede no não assumir a gestão do sistema municipal, é o Estado que
território do município. Suas ações, desenvolvidas pelas responde, provisoriamente, pela gestão de um conjunto de
unidades estatais (próprias, estaduais ou federais) ou serviços capaz de dar atenção integral àquela população
privadas (contratadas ou conveniadas, com prioridade para que necessita de um sistema que lhe é próprio.
as entidades filantrópicas), têm que estar organizadas e
coordenadas, de modo que o gestor municipal possa garantir As instâncias básicas para a viabilização desses propósitos
à população o acesso aos serviços e a disponibilidade das integradores e harmonizadores são os fóruns de negociação,
ações e dos meios para o atendimento integral. integrados pelos gestores municipal, estadual e federal - a
Comissão Intergestores Tripartite (CIT) - e pelos gestores
Isso significa dizer que, independentemente da gerência dos estadual e municipal - a Comissão Intergestores Bipartite
estabelecimentos prestadores de serviços ser estatal ou (CIB). Por meio dessas instâncias e dos Conselhos de
privada, a gestão de todo o sistema municipal é, Saúde, são viabilizados os princípios de unicidade e de
necessariamente, da competência do poder público e eqüidade.
exclusiva desta esfera de governo, respeitadas as
atribuições do respectivo Conselho e de outras diferentes Nas CIB e CIT são apreciadas as composições dos sistemas
instâncias de poder. Assim, nesta NOB gerência é municipais de saúde, bem assim pactuadas as
conceituada como sendo a administração de uma unidade programações entre gestores e integradas entre as esferas
ou órgão de saúde (ambulatório, hospital, instituto, fundação de governo. Da mesma forma, são pactuados os tetos
etc.), que se caracteriza como prestador de serviços ao financeiros possíveis - dentro das disponibilidades
Sistema. Por sua vez, gestão é a atividade e a orçamentárias conjunturais - oriundos dos recursos das três
responsabilidade de dirigir um sistema de saúde (municipal, esferas de governo, capazes de viabilizar a atenção às
estadual ou nacional), mediante o exercício de funções de necessidades assistenciais e às exigências ambientais.
coordenação, articulação, negociação, planejamento,
acompanhamento, controle, avaliação e auditoria. O pacto e a integração das programações constituem,
fundamentalmente, a conseqüência prática da relação entre
São, portanto, gestores do SUS os Secretários Municipais e os gestores do SUS.
Estaduais de Saúde e o Ministro da Saúde, que
representam, respectivamente, os governos municipais, A composição dos sistemas municipais e a ratificação
estaduais e federal. dessas programações, nos Conselhos de Saúde respectivos,
permitem a construção de redes regionais que, certamente,
A criação e o funcionamento desse sistema municipal ampliam o acesso, com qualidade e menor custo. Essa
possibilitam uma grande responsabilização dos municípios, dinâmica contribui para que seja evitado um processo
no que se refere à saúde de todos os residentes em seu acumulativo injusto, por parte de alguns municípios (quer por
território. No entanto, possibilitam, também, um elevado risco maior disponibilidade tecnológica, quer por mais recursos
de atomização desordenada dessas partes do SUS, financeiros ou de informação), com a conseqüente
permitindo que um sistema municipal se desenvolva em espoliação crescente de outros.
detrimento de outro, ameaçando, até mesmo, a unicidade do
SUS. Há que se integrar, harmonizar e modernizar, com As tarefas de harmonização, de integração e de
eqüidade, os sistemas municipais. modernização dos sistemas municipais, realizadas com a
devida eqüidade (admitido o princípio da discriminação
A realidade objetiva do poder público, nos municípios positiva, no sentido da busca da justiça, quando do exercício
brasileiros, é muito diferenciada, caracterizando diferentes do papel redistributivo), competem, portanto, por especial, ao
modelos de organização, de diversificação de atividades, de poder público estadual. Ao federal, incumbe promovê-las
disponibilidade de recursos e de capacitação gerencial, o entre as Unidades da Federação.
que, necessariamente, configura modelos distintos de
gestão. O desempenho de todos esses papéis é condição para a
consolidação da direção única do SUS, em cada esfera de
O caráter diferenciado do modelo de gestão é transitório, vez governo, para a efetivação e a permanente revisão do
que todo e qualquer município pode ter uma gestão processo de descentralização e para a organização de redes
plenamente desenvolvida, levando em conta que o poder regionais de serviços hierarquizados.
constituído, neste nível, tem uma capacidade de gestão
intrinsecamente igual e os seus segmentos populacionais 5. RELAÇÕES ENTRE OS SISTEMAS MUNICIPAIS
dispõem dos mesmos direitos.
Os sistemas municipais de saúde apresentam níveis
A operacionalização das condições de gestão, propostas por diferentes de complexidade, sendo comum estabelecimentos
esta NOB, considera e valoriza os vários estágios já ou órgãos de saúde de um município atenderem usuários
alcançados pelos estados e pelos municípios, na construção encaminhados por outro.
de uma gestão plena.
Em vista disso, quando o serviço requerido para o
Já a redefinição dos papéis dos gestores estadual e federal, atendimento da população estiver localizado em outro
consoante a finalidade desta Norma Operacional, é, município, as negociações para tanto devem ser efetivadas
portanto, fundamental para que possam exercer as suas exclusivamente entre os gestores municipais.
competências específicas de gestão e prestar a devida
cooperação técnica e financeira aos municípios.
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CONHECIMENTOS BÁSICOS DE SAÚDE PÚBLICA

Essa relação, mediada pelo estado, tem como instrumento As necessidades reais não atendidas são sempre a força
de garantia a programação pactuada e integrada na CIB motriz para exercer esse papel, no entanto, é necessário um
regional ou estadual e submetida ao Conselho de Saúde esforço do gestor estadual para superar tendências
correspondente. A discussão de eventuais impasses, históricas de complementar a responsabilidade do município
relativos à sua operacionalização, deve ser realizada ou concorrer com esta função, o que exige o pleno exercício
também no âmbito dessa Comissão, cabendo, ao gestor do segundo papel.
estadual, a decisão sobre problemas surgidos na execução
das políticas aprovadas. No caso de recurso, este deve ser Finalmente, o quarto, o mais importante e permanente papel
apresentado ao Conselho Estadual de Saúde (CES). do estado é ser o promotor da harmonização, da integração
Outro aspecto importante a ser ressaltado é que a gerência e da modernização dos sistemas municipais, compondo,
(comando) dos estabelecimentos ou órgãos de saúde de um assim, o SUS Estadual.O exercício desse papel pelo gestor
município é da pessoa jurídica que opera o serviço, sejam requer a configuração de sistemas de apoio logístico e de
estes estatais (federal, estadual ou municipal) ou privados. atuação estratégica que envolvem responsabilidades nas
três esferas de governo e são sumariamente caracterizados
Assim, a relação desse gerente deve ocorrer somente com o como de:
gestor do município onde o seu estabelecimento está
sediado, seja para atender a população local, seja para a. informação informatizada;
atender a referenciada de outros municípios. b. financiamento;
O gestor do sistema municipal é responsável pelo controle, c. programação, acompanhamento, controle e avaliação;
pela avaliação e pela auditoria dos prestadores de serviços d. apropriação de custos e avaliação econômica;
de saúde (estatais ou privados) situados em seu município. e. desenvolvimento de recursos humanos;
No entanto,quando um gestor municipal julgar necessário f. desenvolvimento e apropriação de ciência e tecnologias; e
uma avaliação específica ou auditagem de uma entidade g. comunicação social e educação em saúde.
que lhe presta serviços, localizada em outro município, O desenvolvimento desses sistemas, no âmbito estadual,
recorre ao gestor estadual. depende do pleno funcionamento do CES e da CIB, nos
quais se viabilizam a negociação e o pacto com os diversos
Em função dessas peculiaridades, o pagamento final a um atores envolvidos. Depende, igualmente, da ratificação das
estabelecimento pela prestação de serviços requeridos na programações e decisões relativas aos tópicos a seguir
localidade ou encaminhados de outro município é sempre especificados:
feito pelo poder público do município sede do
estabelecimento. a. plano estadual de saúde, contendo as estratégias, as
prioridades e as respectivas metas de ações e serviços
Os recursos destinados ao pagamento das diversas ações resultantes, sobretudo, da integração das programações
de atenção à saúde prestadas entre municípios são dos sistemas municipais;
alocados, previamente, pelo gestor que demanda esses b. estruturação e operacionalização do componente estadual
serviços, ao município sede do prestador. Este município do Sistema Nacional de Auditoria;
incorpora os recursos ao seu teto financeiro. A orçamentação c. estruturação e operacionalização dos sistemas de
é feita com base na programação pactuada e integrada entre processamento de dados, de informação epidemiológica, de
gestores, que, conforme já referido, é mediada pelo estado e produção de serviços e de insumos críticos;
aprovada na CIB regional e estadual e no respectivo d. estruturação e operacionalização dos sistemas de
Conselho de Saúde. vigilância epidemiológica, de vigilância sanitária e de
vigilância alimentar e nutricional;
Quando um município, que demanda serviços a outro, e. estruturação e operacionalização dos sistemas de
ampliar a sua própria capacidade resolutiva, pode requerer, recursos humanos e de ciência e tecnologia;
ao gestor estadual, que a parte de recursos alocados no f. elaboração do componente estadual de programações de
município vizinho seja realocada para o seu município. abrangência nacional, relativas a agravos que constituam
riscos de disseminação para além do seu limite territorial;
Esses mecanismos conferem um caráter dinâmico e g. elaboração do componente estadual da rede de
permanente ao processo de negociação da programação laboratórios de saúde pública;
integrada, em particular quanto à referência intermunicipal. h. estruturação e operacionalização do componente estadual
de assistência farmacêutica;
6. PAPEL DO GESTOR ESTADUAL i. responsabilidade estadual no tocante à prestação de
serviços ambulatoriais e hospitalares de alto custo, ao
São identificados quatro papéis básicos para o estado, os tratamento fora do domicílio e à disponibilidade de
quais não são, necessariamente, exclusivos e seqüenciais. A medicamentos e insumos especiais, sem prejuízo das
explicitação a seguir apresentada tem por finalidade permitir competências dos sistemas municipais;
o entendimento da função estratégica perseguida para a j. definição e operação das políticas de sangue e
gestão neste nível de Governo. hemoderivados; e k. manutenção de quadros técnicos
permanentes e compatíveis com o exercício do papel de
O primeiro desses papéis é exercer a gestão do SUS, no gestor estadual;
âmbito estadual.O segundo papel é promover as condições l. implementação de mecanismos visando a integração das
e incentivar o poder municipal para que assuma a gestão da políticas e das ações de relevância para a saúde da
atenção a saúde de seus munícipes, sempre na perspectiva população, de que são exemplos aquelas relativas a
da atenção integral. O terceiro é assumir, em caráter saneamento, recursos hídricos, habitação e meio ambiente.
transitório (o que não significa caráter complementar ou
concorrente), a gestão da atenção à saúde daquelas 7. PAPEL DO GESTOR FEDERAL
populações pertencentes a municípios que ainda não
tomaram para si esta responsabilidade. No que respeita ao gestor federal, são identificados quatro
papéis básicos, quais sejam:
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CONHECIMENTOS BÁSICOS DE SAÚDE PÚBLICA

a. exercer a gestão do SUS, no âmbito nacional; suficiente de informações específicas, e que agreguem o
b. promover as condições e incentivar o gestor estadual com conjunto de ações e serviços de atenção à saúde, relativo a
vistas ao desenvolvimento dos sistemas municipais, de grupos prioritários de eventos vitais ou nosológicos;
modo a conformar o SUS-Estadual; h. a adoção, como referência mínima, das tabelas nacionais
c. fomentar a harmonização, a integração e a modernização de valores do SUS, bem assim a flexibilização do seu uso
dos sistemas estaduais compondo, assim, o SUS-Nacional; diferenciado pelos gestores estaduais e municipais, segundo
e prioridades locais e ou regionais;
d. exercer as funções de normalização e de coordenação no i. o incentivo aos gestores estadual e municipal ao pleno
que se refere à gestão nacional do SUS. exercício das funções de controle, avaliação e auditoria,
mediante o desenvolvimento e a implementação de
Da mesma forma que no âmbito estadual, o exercício dos instrumentos operacionais, para o uso das esferas gestoras
papéis do gestor federal requer a configuração de sistemas e para a construção efetiva do Sistema Nacional de
de apoio logístico e de atuação estratégica, que consolidam Auditoria;
os sistemas estaduais e propiciam, ao SUS, maior eficiência j. o desenvolvimento de atividades de educação e de
com qualidade, quais sejam: comunicação social;
k. o incremento da capacidade reguladora da direção
a. informação informatizada; nacional do SUS, em relação aos sistemas complementares
b. financiamento; de prestação de serviços ambulatoriais
c. programação, acompanhamento, controle e avaliação; e hospitalares de alto custo, de tratamento fora do domicílio,
d. apropriação de custos e avaliação econômica; bem assim de disponibilidade de medicamentos e insumos
e. desenvolvimento de recursos humanos; especiais;
f. desenvolvimento e apropriação de ciência e tecnologias; e l. a reorientação e a implementação dos sistemas de
g. comunicação social e educação em saúde. vigilância epidemiológica, de vigilância sanitária, de
vigilância alimentar e nutricional, bem como o
O desenvolvimento desses sistemas depende, igualmente, redimensionamento das atividades relativas à saúde do
da viabilização de negociações com os diversos atores trabalhador e às de execução da vigilância sanitária de
envolvidos e da ratificação das programações e decisões, o portos, aeroportos e fronteiras;
que ocorre mediante o pleno funcionamento do Conselho m. a reorientação e a implementação dos diversos sistemas
Nacional de Saúde (CNS) e da CIT. de informações epidemiológicas, bem assim de produção de
serviços e de insumos críticos;
Depende, além disso, do redimensionamento da direção n. a reorientação e a implementação do sistema de redes de
nacional do Sistema, tanto em termos da estrutura, quanto laboratórios de referência para o controle da qualidade, para
de agilidade e de integração, como no que se refere às a vigilância sanitária e para a vigilância epidemiológica;
estratégias, aos mecanismos e aos instrumentos de o. a reorientação e a implementação da política nacional de
articulação com os demais níveis de gestão, destacando-se: assistência farmacêutica;
a. a elaboração do Plano Nacional de Saúde, contendo as p. o apoio e a cooperação a estados e municípios para a
estratégias, as prioridades nacionais e as metas da implementação de ações voltadas ao controle de agravos,
programação integrada nacional, resultante, sobretudo, das que constituam risco de disseminação nacional;
programações estaduais e dos demais órgãos q. a promoção da atenção à saúde das populações
governamentais, que atuam na prestação de serviços, no indígenas, realizando, para tanto, as articulações
setor saúde; necessárias, intra e intersetorial;
b. a viabilização de processo permanente de articulação das r. a elaboração de programação nacional, pactuada com os
políticas externas ao setor, em especial com os órgãos que estados, relativa à execução de ações específicas voltadas
detém, no seu conjunto de atribuições, a responsabilidade ao controle de vetores responsáveis pela transmissão de
por ações atinentes aos determinantes sociais do processo doenças, que constituem risco de disseminação regional
saúde-doença das coletividades; ou nacional, e que exijam a eventual intervenção do poder
c. o aperfeiçoamento das normas consubstanciadas em federal;
diferentes instrumentos legais, que regulamentam, s. a identificação dos serviços estaduais e municipais de
atualmente, as transferências automáticas de recursos referência nacional, com vistas ao estabelecimento dos
financeiros, bem como as modalidades de prestação de padrões técnicos da assistência à saúde;
contas; t. a estimulação, a indução e a coordenação do
d. a definição e a explicitação dos fluxos financeiros próprios desenvolvimento científico e tecnológico no campo da
do SUS, frente aos órgãos governamentais de controle saúde, mediante interlocução crítica das inovações
interno e externo e aos Conselhos de Saúde, com ênfase na científicas e tecnológicas, por meio da articulação intra e
diferenciação entre as transferências automáticas a estados intersetorial;
e municípios com função gestora; u. a participação na formulação da política e na execução
e. a criação e a consolidação de critérios e mecanismos de das ações de saneamento básico.
alocação de recursos federais e estaduais para investimento,
fundados em prioridades definidas pelas programações e 8. DIREÇÃO E ARTICULAÇÃO
pelas estratégias das políticas de reorientação do Sistema;
f. a transformação nos mecanismos de financiamento federal A direção do Sistema Único de Saúde (SUS), em cada
das ações, com o respectivo desenvolvimento de novas esfera de governo, é composta pelo órgão setorial do poder
formas de informatização, compatíveis à natureza dos executivo e pelo respectivo Conselho de Saúde, nos termos
grupos de ações, especialmente as básicas, de serviços das Leis Nº 8.080/90 e Nº 8.142/1990.
complementares e de procedimentos de alta e média
complexidade, estimulando o uso dos mesmos pelos O processo de articulação entre os gestores, nos diferentes
gestores estaduais e municipais; níveis do Sistema, ocorre, preferencialmente, em dois
g. o desenvolvimento de sistemáticas de transferência de colegiados de negociação: a Comissão Intergestores
recursos vinculada ao fornecimento regular, oportuno e Tripartite (CIT) e a Comissão Intergestores Bipartite (CIB).
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CONHECIMENTOS BÁSICOS DE SAÚDE PÚBLICA

Dentro da previsibilidade de Contribuições Sociais na esfera


A CIT é composta, paritariamente, por representação do federal, no âmbito da Seguridade Social, uma fonte
Ministério da Saúde (MS), do Conselho Nacional de específica para financiamento do SUS - a Contribuição
Secretários Estaduais de Saúde (CONASS) e do Conselho Provisória sobre Movimentações Financeiras - está criada,
Nacional de Secretários Municipais de Saúde (CONASEMS). ainda que em caráter provisório. A solução definitiva
depende de uma reforma tributária que reveja esta e todas
A CIB, composta igualmente de forma paritária, é integrada as demais bases tributárias e financeiras do Governo, da
por representação da Secretaria Estadual de Saúde (SES) e Seguridade e, portanto, da Saúde.
do Conselho Estadual de Secretários Municipais de Saúde
(COSEMS) ou órgão equivalente. Um dos representantes Nas esferas estadual e municipal, além dos recursos
dos municípios é o Secretário de Saúde da Capital. A oriundos do respectivo Tesouro, o financiamento do SUS
Bipartite pode operar com subcomissões regionais. conta com recursos transferidos pela União aos Estados e
pela União e Estados aos Municípios. Esses recursos devem
As conclusões das negociações pactuadas na CIT e na CIB ser previstos no orçamento e identificados nos fundos de
são formalizadas em ato próprio do gestor respectivo. saúde estadual e municipal como receita operacional
Aquelas referentes a matérias de competência dos proveniente da esfera federal e ou estadual e utilizados na
Conselhos de Saúde, definidas por força da Lei Orgânica, execução de ações previstas nos respectivos planos de
desta NOB ou de resolução específica dos respectivos saúde e na PPI.
Conselhos são submetidas previamente a estes para
aprovação. As demais resoluções devem ser encaminhadas, Transferências Intergovernamentais e Contrapartidas
no prazo máximo de 15 dias decorridos de sua publicação,
para conhecimento, avaliação e eventual recurso da parte As transferências, regulares ou eventuais, da União para
que se julgar prejudicada, inclusive no que se refere à estados, municípios e Distrito Federal estão condicionadas à
habilitação dos estados e municípios às condições de gestão contrapartida destes níveis de governo, em conformidade
desta Norma. com as normas legais vigentes (Lei de Diretrizes
Orçamentárias e outras).
FINANCIAMENTO DAS AÇÕES E SERVIÇOS DE SAÚDE
O reembolso das despesas, realizadas em função de
Responsabilidades atendimentos prestados por unidades públicas a
beneficiários de planos privados de saúde, constitui fonte
O financiamento do SUS é de responsabilidade das três adicional de recursos. Por isso, e consoante à legislação
esferas de governo e cada uma deve assegurar o aporte federal específica, estados e municípios devem viabilizar
regular de recursos, ao respectivo fundo de saúde. estrutura e mecanismos operacionais para a arrecadação
desses recursos e a sua destinação exclusiva aos
Conforme determina o Artigo 194 da Constituição Federal, a respectivos fundos de saúde.
Saúde integra a Seguridade Social, juntamente com a
Previdência e a Assistência Social. No inciso VI do parágrafo Os recursos de investimento são alocados pelo MS,
único desse mesmo Artigo, está determinado que a mediante a apresentação pela SES da programação de
Seguridade Social será organizada pelo poder público, prioridades de investimentos, devidamente negociada na
observada a "diversidade da base de financiamento". Já o CIB e aprovada pelo CES, até o valor estabelecido no
Artigo 195 determina que a Seguridade Social será orçamento do Ministério, e executados de acordo com a
financiada com recursos provenientes dos orçamentos da legislação pertinente.
União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e
de Contribuições Sociais. Tetos financeiros dos Recursos Federais

Fontes Os recursos de custeio da esfera federal, destinados às


ações e serviços de saúde, configuram o Teto Financeiro
As principais fontes específicas da Seguridade Social Global (TFG), cujo valor, para cada estado e cada município,
incidem sobre a Folha de Salários (Fonte 154), o é definido com base na PPI. O teto financeiro do estado
Faturamento (Fonte 153 - COFINS) e o Lucro (Fonte 151 - contém os tetos de todos os municípios, habilitados ou não a
Lucro Líquido). qualquer uma das condições de gestão.

Até 1992, todas essas fontes integravam o orçamento do O Teto Financeiro Global do Estado (TFGE) é constituído,
Ministério da Saúde e ainda havia aporte significativo de para efeito desta NOB, pela soma dos Tetos Financeiros da
fontes fiscais (Fonte 100 - Recursos Ordinários, provenientes Assistência (TFA), da Vigilância Sanitária (TFVS) e da
principalmente da receita de impostos e taxas). A partir de Epidemiologia e Controle de Doenças (TFECD).
1993, deixou de ser repassada ao MS a parcela da
Contribuição sobre a Folha de Salários (Fonte 154, O TFGE, definido com base na PPI, é submetido pela SES
arrecadada pelo Instituto Nacional de Seguridade Social - ao MS, após negociação na CIB e aprovação pelo CES. O
INSS). valor final do teto e suas revisões são fixados com base nas
negociações realizadas no âmbito da CIT - observadas as
Atualmente, as fontes que asseguram o maior aporte de reais disponibilidades financeiras do MS - e formalizado
recursos ao MS são a Contribuição sobre o Faturamento em ato do Ministério.
(Fonte 153 - COFINS) e a Contribuição sobre o Lucro
Líquido (Fonte 151), sendo que os aportes provenientes de O Teto Financeiro Global do Município (TFGM), também
Fontes Fiscais são destinados praticamente à cobertura de definido consoante à programação integrada, é submetido
despesas com Pessoal e Encargos Sociais. pela SMS à SES, após aprovação pelo CMS. O valor final
desse Teto e suas revisões são fixados com base nas
negociações realizadas no âmbito da CIB - observados os
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CONHECIMENTOS BÁSICOS DE SAÚDE PÚBLICA

limites do TFGE – e formalizado em ato próprio do Secretário programação e negociados na CIT, cujo resultado é
Estadual de Saúde.. deliberado pelo CNS.

Todos os valores referentes a pisos, tetos, frações, índices, 11.1.6.A elaboração da programação observa critérios e
bem como suas revisões, são definidos com base na PPI, parâmetros definidos pelas Comissões Intergestores e
negociados nas Comissões Intergestores (CIB e CIT), aprovados pelos respectivos Conselhos. No tocante aos
formalizados em atos dos gestores estadual e federal e recursos de origem federal, os critérios, prazos e fluxos de
aprovados previamente nos respectivos Conselhos (CES e elaboração da programação integrada e de suas
CNS). reprogramações periódicas ou extraordinárias são fixados
em ato normativo do MS e traduzem as negociações
As obrigações que vierem a ser assumidas pelo Ministério efetuadas na CIT e as deliberações do CNS.
da Saúde, decorrentes da implantação desta NOB e que
gerem aumento de despesa, serão previamente discutidas 11.2. Controle, Avaliação e Auditoria
com o Ministério do Planejamento e Orçamento e o
Ministério da Fazenda. 11.2.1. O cadastro de unidades prestadoras de serviços de
saúde (UPS), completo e atualizado, é requisito básico para
PROGRAMAÇÃO, CONTROLE, AVALIAÇÃO E programar a contratação de serviços assistenciais e para
AUDITORIA realizar o controle da regularidade dos faturamentos.
Compete ao órgão gestor do SUS responsável pelo
11.1. Programação Pactuada e Integrada – PPI relacionamento com cada UPS, seja própria, contratada ou
conveniada, a garantia da atualização permanente dos
11.1.1. A PPI envolve as atividades de assistência dados cadastrais, no banco de dados nacional.
ambulatorial e hospitalar, de vigilância sanitária e de
epidemiologia e controle de doenças, constituindo um 11.2.2. Os bancos de dados nacionais, cujas normas são
instrumento essencial de reorganização do modelo de definidas pelos órgãos do MS, constituem instrumentos
atenção e da gestão do SUS, de alocação dos recursos e de essenciais ao exercício das funções de controle, avaliação e
explicitação do pacto estabelecido entre as três esferas de auditoria. Por conseguinte, os gestores municipais e
governo. estaduais do SUS devem garantir a alimentação permanente
e regular desses bancos, de acordo com a relação de dados,
Essa Programação traduz as responsabilidades de cada informações e cronogramas previamente estabelecidos pelo
município com a garantia de acesso da população aos MS e pelo CNS.
serviços de saúde, quer pela oferta existente no próprio
município, quer pelo encaminhamento a outros municípios, 11.2.3. As ações de auditoria analítica e operacional
sempre por intermédio de relações entre gestores constituem responsabilidades das três esferas gestoras do
municipais, mediadas pelo gestor estadual. SUS, o que exige a estruturação do respectivo órgão de
controle, avaliação e auditoria, incluindo a definição dos
11.1.2. O processo de elaboração da Programação Pactuada recursos e da metodologia adequada de trabalho. É função
entre gestores e Integrada entre esferas de governo deve desse órgão definir, também, instrumentos para a realização
respeitar a autonomia de cada gestor: o município elabora das atividades, consolidar as informações necessárias,
sua própria programação, aprovando-a no CMS; o estado analisar os resultados obtidos em decorrência de suas
harmoniza e compatibiliza as programações municipais, ações, propor medidas corretivas e interagir com outras
incorporando as ações sob sua responsabilidade direta, áreas da administração, visando o pleno exercício, pelo
mediante negociação na CIB, cujo resultado é deliberado gestor, de suas atribuições, de acordo com a legislação que
pelo CES. regulamenta o Sistema Nacional de Auditoria no âmbito do
SUS.
11.1.3. A elaboração da PPI deve se dar num processo
ascendente, de base municipal, configurando, também, as 11.2.4. As ações de controle devem priorizar os
responsabilidades do estado na busca crescente da procedimentos técnicos e administrativos prévios à
eqüidade, da qualidade da atenção e na conformação da realização de serviços e à ordenação dos respectivos
rede regionalizada e hierarquizada de serviços. pagamentos, com ênfase na garantia da autorização de
internações e procedimentos ambulatoriais - tendo como
11.1.4. A Programação observa os princípios da integralidade critério fundamental a necessidade dos usuários - e o
das ações de saúde e da direção única em cada nível de rigoroso monitoramento da regularidade e da fidedignidade
governo, traduzindo todo o conjunto de atividades dos registros de produção e faturamento de serviços.
relacionadas a uma população específica e desenvolvidas
num território determinado, independente da vinculação 11.2.5. O exercício da função gestora no SUS, em todos os
institucional do órgão responsável pela execução destas níveis de governo, exige a articulação permanente das
atividades. Os órgãos federais, estaduais e municipais, bem ações de programação, controle, avaliação e auditoria; a
como os prestadores conveniados e contratados têm suas integração operacional das unidades organizacionais, que
ações expressas na programação do município em que desempenham estas atividades, no âmbito de cada órgão
estão localizados, na medida em que estão subordinados ao gestor do Sistema; e a apropriação dos seus resultados e a
gestor municipal. identificação de prioridades, no processo de decisão política
da alocação dos recursos.
11.1.5. A União define normas, critérios, instrumentos e
prazos, aprova a programação de ações sob seu controle - 11.2.6. O processo de reorientação do modelo de atenção e
inscritas na programação pelo estado e seus municípios – de consolidação do SUS requer o aperfeiçoamento e a
incorpora as ações sob sua responsabilidade direta e aloca disseminação dos instrumentos e técnicas de avaliação de
os recursos disponíveis, segundo os valores apurados na resultados e do impacto das ações do Sistema sobre as
condições de saúde da população, priorizando o enfoque
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CONHECIMENTOS BÁSICOS DE SAÚDE PÚBLICA

epidemiológico e propiciando a permanente seleção de (SAS/MS) com base em normas da direção nacional do
prioridade de intervenção e a reprogramação contínua da SUS.
alocação de recursos.
O acompanhamento da execução das ações programadas é a) Programa de Saúde da Família (PSF):
feito permanentemente pelos gestores e periodicamente acréscimo de 3% sobre o valor do PAB para cada 5% da
pelos respectivos Conselhos de Saúde, com base em população coberta, até atingir 60% da população total do
informações sistematizadas, que devem possibilitar a município;
avaliação qualitativa e quantitativa destas ações. A avaliação acréscimo de 5% para cada 5% da população coberta
do cumprimento das ações programadas em cada nível de entre 60% e 90% da população total do município; e
governo deve ser feita em Relatório de Gestão Anual, cujo acréscimo de 7% para cada 5% da população coberta
roteiro de elaboração será apresentado pelo MS e apreciado entre 90% e 100% da população total do município.
pela CIT e pelo CNS. Esses acréscimos têm, como limite, 80% do valor do PAB
original do município.
CUSTEIO DA ASSISTÊNCIA HOSPITALAR E a. Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS):
AMBULATORIAL acréscimo de 1% sobre o valor do PAB para cada 5% da
população coberta até atingir 60% da população total do
Os recursos de custeio da esfera federal destinados à município;
assistência hospitalar e ambulatorial, conforme mencionado acréscimo de 2% para cada 5% da população coberta
anteriormente, configuram o TFA, e os seus valores podem entre 60% e 90% da população total do município; e
ser executados segundo duas modalidades: Transferência acréscimo de 3% para cada 5% da população coberta
Regular e Automática (Fundo a Fundo) e Remuneração por entre 90% e 100% da população total do município.
Serviços Produzidos.
Esses acréscimos têm, como limite, 30% do valor do PAB
Transferência Regular e Automática Fundo a Fundo original do município.
Consiste na transferência de valores diretamente do Fundo c) Os percentuais não são cumulativos quando a população
Nacional de Saúde aos fundos estaduais e municipais, coberta pelo PSF e pelo PACS ou por estratégias similares
independente de convênio ou instrumento congênere, for a mesma. Os percentuais acima referidos são revistos
segundo as condições de gestão estabelecidas nesta NOB. quando do incremento do valor per capita nacional único,
Esses recursos podem corresponder a uma ou mais de uma utilizado para o cálculo do PAB e do elenco de
das situações descritas a seguir. procedimentos relacionados a este Piso.

Piso Assistencial Básico (PAB) Essa revisão é proposta na CIT e votada no CNS. Por
O PAB consiste em um montante de recursos financeiros ocasião da incorporação desses acréscimos, o teto
destinado ao custeio de procedimentos e ações de financeiro da assistência do estado é renegociado na CIT e
assistência básica, de responsabilidade tipicamente apreciado pelo CNS.
municipal. Esse Piso é definido pela multiplicação de um
valor per capita nacional pela população de cada município A ausência de informações que comprovem a produção
(fornecida pelo IBGE), e transferido regular e mensal das equipes, durante dois meses consecutivos ou
automaticamente ao fundo de saúde ou conta especial dos quatro alternados em um ano, acarreta a suspensão da
municípios e, transitoriamente, ao fundo estadual, conforme transferência deste acréscimo.
condições estipuladas nesta NOB. As transferências do PAB
aos estados correspondem, exclusivamente, ao valor para Fração Assistencial Especializada (FAE)
cobertura da população residente em municípios ainda não É um montante que corresponde a procedimentos
habilitados na forma desta Norma Operacional. ambulatoriais de média complexidade, medicamentos e
insumos excepcionais, órteses e próteses ambulatoriais e
O elenco de procedimentos custeados pelo PAB, assim Tratamento Fora do Domicílio (TFD), sob gestão do estado.
como o valor per capita nacional único – base de cálculo
deste Piso - são propostos pela CIT e votados no CNS. O órgão competente do MS formaliza, por portaria, esse
Nessas definições deve ser observado o perfil de serviços elenco a partir de negociação na CIT e que deve ser objeto
disponíveis na maioria dos municípios, objetivando o da programação integrada quanto a sua oferta global no
progressivo incremento desses serviços, até que a atenção estado.
integral à saúde esteja plenamente organizada, em todo o
País. O valor per capita nacional único é reajustado com a A CIB explicita os quantitativos e respectivos valores desses
mesma periodicidade, tendo por base, no mínimo, o procedimentos, que integram os tetos financeiros da
incremento médio da tabela de procedimentos do Sistema assistência dos municípios em gestão plena do sistema de
de Informações Ambulatoriais do SUS (SIA/SUS). saúde e os que permanecem sob gestão estadual. Neste
último, o valor programado da FAE é transferido, regular e
A transferência total do PAB será suspensa no caso da não- automaticamente, do Fundo Nacional ao Fundo Estadual de
alimentação, pela SMS junto à SES, dos bancos de dados Saúde, conforme as condições de gestão das SES definidas
de interesse nacional, por mais de dois meses consecutivos. nesta NOB. Não integram o elenco de procedimentos
cobertos pela FAE aqueles relativos ao PAB e os definidos
Incentivo aos Programas de Saúde da Família (PSF) e de como de alto custo/complexidade por portaria do órgão
Agentes Comunitários de Saúde (PACS) competente do Ministério (SAS/MS).
Fica estabelecido um acréscimo percentual ao montante do
PAB, de acordo com os critérios a seguir relacionados, Teto Financeiro da Assistência do Município
sempre que estiverem atuando integradamente à rede
municipal, equipes de saúde da família, agentes um montante que corresponde ao financiamento do
comunitários de saúde, ou estratégias similares de garantia conjunto das ações assistenciais assumidas pela SMS. O
da integralidade da assistência, avaliadas pelo órgão do MS TFAM é transferido, regular e automaticamente, do Fundo
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CONHECIMENTOS BÁSICOS DE SAÚDE PÚBLICA

Nacional ao Fundo Municipal de Saúde, de acordo com as SIA/SUS definidos na CIT e formalizados por portaria do
condições de gestão estabelecidas por esta NOB e destina- órgão competente do Ministério (SAS/MS).
se ao custeio dos serviços localizados no território do
município (exceção feita àqueles eventualmente excluídos Remuneração Transitória por Serviços Produzidos
da gestão municipal por negociação na CIB). O MS é responsável pela remuneração direta, por serviços
produzidos, dos procedimentos relacionados ao PAB e à
Teto Financeiro da Assistência do Estado (TFAE) FAE, enquanto houver municípios que não estejam na
É um montante que corresponde ao financiamento do condição de gestão semiplena da NOB 01/93 ou nas
conjunto das ações assistenciais sob a responsabilidade da condições de gestão municipal definidas nesta NOB
SES. O TFAE corresponde ao TFA fixado na CIT e naqueles estados em condição de gestão convencional.
formalizado em portaria do órgão competente do Ministério
(SAS/MS). Esses valores são transferidos, regular e Fatores de Incentivo e Índices de Valorização
automaticamente, do Fundo Nacional ao Fundo Estadual de O Fator de Incentivo ao Desenvolvimento do Ensino e da
Saúde, de acordo com as condições de gestão Pesquisa em Saúde (FIDEPS) e o Índice de Valorização
estabelecidas por esta NOB, deduzidos os valores Hospitalar de Emergência (IVH-E), bem como outros fatores
comprometidos com as transferências regulares e e ou índices que incidam sobre a remuneração por produção
automáticas ao conjunto de municípios do estado (PAB e de serviços, eventualmente estabelecidos, estão
TFAM). condicionados aos critérios definidos em nível federal e à
avaliação da CIB em cada Estado. Esses fatores e índices
Índice de Valorização de Resultados (IVR) integram o teto financeiro da assistência do município e do
Consiste na atribuição de valores adicionais equivalentes a respectivo estado.
até 2% do teto financeiro da assistência do estado,
transferidos, regular e automaticamente, do Fundo Nacional CUSTEIO DAS AÇÕES DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA
ao Fundo Estadual de Saúde, como incentivo à obtenção de Os recursos da esfera federal destinados à vigilância
resultados de impacto positivo sobre as condições de saúde sanitária configuram o Teto Financeiro da Vigilância Sanitária
da população, segundo critérios definidos pela CIT e fixados (TFVS) e os seus valores podem ser executados segundo
em portaria do órgão competente do Ministério (SAS/MS). duas modalidades:
Os recursos do IVR podem ser transferidos pela SES às
SMS, conforme definição da CIB. Transferência Regular e Automática Fundo a Fundo e
Remuneração de Serviços Produzidos.
Remuneração por Serviços Produzidos
Consiste no pagamento direto aos prestadores estatais ou Transferência Regular e Automática Fundo a Fundo
privados contratados e conveniados, contra apresentação de Consiste na transferência de valores diretamente do Fundo
faturas, referente a serviços realizados conforme Nacional de Saúde aos fundos estaduais e municipais,
programação e mediante prévia autorização do gestor, independente de convênio ou instrumento congênere,
segundo valores fixados em tabelas editadas pelo órgão segundo as condições de gestão estabelecidas nesta NOB.
competente do Ministério (SAS/MS). Esses recursos podem corresponder a uma ou mais de uma
das situações descritas a seguir.
Esses valores estão incluídos no TFA do estado e do
município e são executados mediante ordenação de Piso Básico de Vigilância Sanitária (PBVS)
pagamento por parte do gestor. Para municípios e estados Consiste em um montante de recursos financeiros destinado
que recebem transferências de tetos da assistência (TFAM e ao custeio de procedimentos e ações básicas da vigilância
TFAE, respectivamente), conforme as condições de gestão sanitária, de responsabilidade tipicamente municipal. Esse
estabelecidas nesta NOB, os valores relativos à Piso é definido pela multiplicação de um valor per capita
remuneração por serviços produzidos estão incluídos nos nacional pela população de cada município (fornecida pelo
tetos da assistência, definidos na CIB. IBGE), transferido, regular e automaticamente, ao fundo de
saúde ou conta especial dos municípios e, transitoriamente,
A modalidade de pagamento direto, pelo gestor federal, a dos estados, conforme condições estipuladas nesta NOB.
prestadores de serviços ocorre apenas nas situações em
que não fazem parte das transferências regulares e O PBVS somente será transferido a estados para cobertura
automáticas fundo a fundo, conforme itens a seguir da população residente em municípios ainda não habilitados
especificados. na forma desta Norma Operacional.

Remuneração de Internações Hospitalares O elenco de procedimentos custeados pelo PBVS, assim


Consiste no pagamento dos valores apurados por intermédio como o valor per capita nacional único – base de cálculo
do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS), deste Piso - , são definidos em negociação na CIT e
englobando o conjunto de procedimentos realizados em formalizados por portaria do órgão competente do Ministério
regime de internação, com base na Autorização de (Secretaria de Vigilância Sanitária - SVS/MS), previamente
Internação Hospitalar (AIH), documento este de autorização aprovados no CNS. Nessa definição deve ser observado o
e fatura de serviços. perfil de serviços disponíveis na maioria dos municípios,
objetivando o progressivo incremento das ações básicas de
Remuneração de Procedimentos Ambulatoriais de Alto vigilância sanitária em todo o País. Esses procedimentos
Custo/ Complexidade integram o Sistema de Informação de Vigilância Sanitária do
Consiste no pagamento dos valores apurados por intermédio SUS (SIVS/SUS).
do SIA/SUS, com base na Autorização de Procedimentos de
Alto Custo (APAC), documento este que identifica cada Índice de Valorização do Impacto em Vigilância Sanitária
paciente e assegura a prévia autorização e o registro (IVISA)
adequado dos serviços que lhe foram prestados. Consiste na atribuição de valores adicionais equivalentes a
Compreende procedimentos ambulatoriais integrantes do até 2% do teto financeiro da vigilância sanitária do estado, a
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CONHECIMENTOS BÁSICOS DE SAÚDE PÚBLICA

serem transferidos, regular e automaticamente, do Fundo d. Reorganização das unidades sob gestão pública (estatais,
Nacional ao Fundo Estadual de Saúde, como incentivo à conveniadas e contratadas), introduzindo a prática do
obtenção de resultados de impacto significativo sobre as cadastramento nacional dos usuários do SUS, com vistas à
condições de vida da população, segundo critérios definidos vinculação de clientela e à sistematização da oferta dos
na CIT, e fixados em portaria do órgão competente do serviços.
Ministério (SVS/MS), previamente aprovados no CNS. Os e. Prestação dos serviços relacionados aos procedimentos
recursos do IVISA podem ser transferidos pela SES às SMS, cobertos pelo PAB e acompanhamento, no caso de
conforme definição da CIB. referência interna ou externa ao município, dos
demaisserviços prestados aos seus munícipes, conforme a
Remuneração Transitória por Serviços Produzidos PPI, mediado pela relação gestorgestor com a SES e as
demais SMS.
Programa Desconcentrado de Ações de Vigilância f. Contratação, controle, auditoria e pagamento aos
Sanitária (PDAVS) prestadores dos serviços contidos no PAB.
Consiste no pagamento direto às SES e SMS, pela g. Operação do SIA/SUS quanto a serviços cobertos pelo
prestação de serviços relacionados às ações de PAB, conforme normas do MS, e alimentação, junto à SES,
competência exclusiva da SVS/MS, contra a apresentação dos bancos de dados de interesse nacional.
de demonstrativo de atividades realizadas pela SES ao h. Autorização, desde que não haja definição em contrário da
Ministério. Após negociação e aprovação na CIT e prévia CIB, das internações hospitalares e dos procedimentos
aprovação no CNS, e ambulatoriais especializados, realizados no município, que
observadas as condições estabelecidas nesta NOB, a continuam sendo pagos por produção de serviços.
SVS/MS publica a tabela de procedimentos do PDAVS e o i. Manutenção do cadastro atualizado das unidades
valor de sua remuneração. assistenciais sob sua gestão, segundo normas do MS.
j. Avaliação permanente do impacto das ações do Sistema
Ações de Média e Alta Complexidade em Vigilância sobre as condições de saúde dos seus munícipes e sobre o
Sanitária seu meio ambiente.
Consiste no pagamento direto às SES e às SMS, pela k. Execução das ações básicas de vigilância sanitária,
execução de ações de média e alta complexidade de incluídas no PBVS.
competência estadual e municipal contra a apresentação de a. Execução das ações básicas de epidemiologia, de
demonstrativo de atividades realizadas ao MS. Essas ações controle de doenças e de ocorrências mórbidas, decorrentes
e o valor de sua remuneração são definidos em negociação de causas externas, como acidentes, violências e outras,
na CIT e formalizados em portaria do órgão competente do incluídas no TFECD.
Ministério (SVS/MS), previamente aprovadas no CNS. b. Elaboração do relatório anual de gestão e aprovação pelo
CMS.
CONDIÇÕES DE GESTÃO DO MUNICÍPIO
As condições de gestão, estabelecidas nesta NOB, Requisitos
explicitam as responsabilidades do gestor municipal, os a. Comprovar o funcionamento do CMS.
requisitos relativos às modalidades de gestão e as b. Comprovar a operação do Fundo Municipal de Saúde.
prerrogativas que favorecem o seu desempenho. c. Apresentar o Plano Municipal de Saúde e comprometer-se
a participar da elaboração e da implementação da PPI do
A habilitação dos municípios às diferentes condições de estado, bem assim da alocação de recursos expressa na
gestão significa a declaração dos compromissos assumidos programação.
por parte do gestor perante os outros gestores e perante a d. Comprovar capacidade técnica e administrativa e
população sob sua responsabilidade. condições materiais para o exercício de suas
responsabilidades e prerrogativas quanto à contratação, ao
A partir desta NOB, os municípios podem habilitar-se em pagamento, ao
duas condições: controle e à auditoria dos serviços sob sua gestão.
a. GESTÃO PLENA DA ATENÇÃO BÁSICA; e e. Comprovar a dotação orçamentária do ano e o dispêndio
b. GESTÃO PLENA DO SISTEMA MUNICIPAL. realizado no ano anterior, correspondente à contrapartida de
recursos financeiros próprios do Tesouro Municipal, de
Os municípios que não aderirem ao processo de habilitação acordo com a legislação em vigor.
permanecem, para efeito desta Norma Operacional, na f. Formalizar junto ao gestor estadual, com vistas à CIB,
condição de prestadores de serviços ao Sistema, cabendo após aprovação pelo CMS, o pleito de habilitação, atestando
ao estado a gestão do SUS naquele território municipal, o cumprimento dos requisitos relativos à condição de gestão
enquanto for mantida a situação de não-habilitado. pleiteada.
g. Dispor de médico formalmente designado como
GESTÃO PLENA DA ATENÇÃO BÁSICA responsável pela autorização prévia,controle e auditoria dos
procedimentos e serviços realizados.
Responsabilidades h. Comprovar a capacidade para o desenvolvimento de
a. Elaboração de programação municipal dos serviços ações de vigilância sanitária.
básicos, inclusive domiciliares e comunitários, e da proposta i. Comprovar a capacidade para o desenvolvimento de ações
de referência ambulatorial especializada e hospitalar para de vigilância epidemiológica.
seus munícipes, com incorporação negociada à j. Comprovar a disponibilidade de estrutura de recursos
programação estadual. humanos para supervisão e auditoria da rede de unidades,
b. Gerência de unidades ambulatoriais próprias. dos profissionais e dos serviços realizados.
c. Gerência de unidades ambulatoriais do estado ou da
União, salvo se a CIB ou a CIT Prerrogativas
definir outra divisão de responsabilidades. a. Transferência, regular e automática, dos recursos
correspondentes ao Piso da Atenção Básica (PAB).

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CONHECIMENTOS BÁSICOS DE SAÚDE PÚBLICA

b. Transferência, regular e automática, dos recursos gestão, bem como avaliar o impacto das ações do Sistema
correspondentes ao Piso Básico de Vigilância Sanitária sobre a saúde dos seus munícipes.
(PBVS). e. Comprovar a dotação orçamentária do ano e o dispêndio
c. Transferência, regular e automática, dos recursos no ano anterior correspondente à contrapartida de recursos
correspondentes às ações de epidemiologia e de controle de financeiros próprios do Tesouro Municipal, de acordo com a
doenças. legislação em vigor.
d. Subordinação, à gestão municipal, de todas as unidades f. Formalizar, junto ao gestor estadual com vistas à CIB, após
básicas de saúde, estatais ou privadas (lucrativas e aprovação pelo CMS, o pleito de habilitação, atestando o
filantrópicas), estabelecidas no território municipal. cumprimento dos requisitos específicos relativos à condição
de gestão pleiteada.
GESTÃO PLENA DO SISTEMA MUNICIPAL g. Dispor de médico formalmente designado pelo gestor
como responsável pela autorização prévia, controle e
Responsabilidades auditoria dos procedimentos e serviços realizados.
a. Elaboração de toda a programação municipal, contendo, h. Apresentar o Plano Municipal de Saúde, aprovado pelo
inclusive, a referência ambulatorial especializada e CMS, que deve conter as metas estabelecidas, a integração
hospitalar, com incorporação negociada à programação e articulação do município na rede estadual e respectivas
estadual. responsabilidades na programação integrada do estado,
b. Gerência de unidades próprias, ambulatoriais e incluindo detalhamento da programação de ações e serviços
hospitalares, inclusive as de referência. que compõem o sistema municipal,
c. Gerência de unidades ambulatoriais e hospitalares do bem como os indicadores mediante dos quais será efetuado
estado e da União, salvo se a CIB ou a CIT definir outra o acompanhamento.
divisão de responsabilidades. i. Comprovar o funcionamento de serviço estruturado de
d. Reorganização das unidades sob gestão pública (estatais, vigilância sanitária e capacidade para o desenvolvimento de
conveniadas e contratadas), introduzindo a prática do ações de vigilância sanitária.
cadastramento nacional dos usuários do SUS, com vistas à j. Comprovar a estruturação de serviços e atividades de
vinculação da clientela e sistematização da oferta dos vigilância epidemiológica e de controle de zoonoses.
serviços. k. Apresentar o Relatório de Gestão do ano anterior à
e. Garantia da prestação de serviços em seu território, solicitação do pleito, devidamente aprovado pelo CMS.
inclusive os serviços de referência aos não-residentes, no l. Assegurar a oferta, em seu território, de todo o elenco de
caso de referência interna ou externa ao município, dos procedimentos cobertos pelo PAB e, adicionalmente, de
demais serviços prestados aos seus munícipes, conforme a serviços de apoio diagnóstico em patologia clínica e
PPI, mediado pela relação gestorgestor com a SES e as radiologia básicas.
demais SMS. m. Comprovar a estruturação do componente municipal do
f. Normalização e operação de centrais de controle de Sistema Nacional de Auditoria (SNA).
procedimentos ambulatoriais e hospitalares relativos à n. Comprovar a disponibilidade de estrutura de recursos
assistência aos seus munícipes e à referência intermunicipal. humanos para supervisão e auditoria da rede de unidades,
g. Contratação, controle, auditoria e pagamento aos dos profissionais e dos serviços realizados.
prestadores de serviços ambulatoriais e hospitalares,
cobertos pelo TFGM. Prerrogativas
h. Administração da oferta de procedimentos ambulatoriais a. Transferência, regular e automática, dos recursos
de alto custo e procedimentos hospitalares de alta referentes ao Teto Financeiro da Assistência (TFA).
complexidade conforme a PPI e segundo normas federais e b. Normalização complementar relativa ao pagamento de
estaduais. prestadores de serviços assistenciais em seu território,
i. Operação do SIH e do SIA/SUS, conforme normas do MS, inclusive quanto a alteração de valores de procedimentos,
e alimentação, junto às SES, dos bancos de dados de tendo a tabela nacional como referência mínima, desde que
interesse nacional. aprovada pelo CMS e pela CIB.
j. Manutenção do cadastro atualizado de unidades c. Transferência regular e automática fundo a fundo dos
assistenciais sob sua gestão, segundo normas do MS. recursos correspondentes ao Piso Básico de Vigilância
k. Avaliação permanente do impacto das ações do Sistema Sanitária (PBVS).
sobre as condições de saúde dos seus munícipes e sobre o d. Remuneração por serviços de vigilância sanitária de
meio ambiente. média e alta complexidade e, remuneração pela execução
l. Execução das ações básicas, de média e alta do Programa Desconcentrado de Ações de Vigilância
complexidade em vigilância sanitária, bem como, Sanitária (PDAVS), quando assumido pelo município.
opcionalmente, as ações do PDAVS. e. Subordinação, à gestão municipal, do conjunto de todas
m. Execução de ações de epidemiologia, de controle de as unidades ambulatoriais especializadas e hospitalares,
doenças e de ocorrências mórbidas, decorrentes de causas estatais ou privadas (lucrativas e filantrópicas), estabelecidas
externas, como acidentes, violências e outras incluídas no no território municipal.
TFECD. f. Transferência de recursos referentes às ações de
epidemiologia e controle de doenças, conforme definição da
Requisitos CIT.
a. Comprovar o funcionamento do CMS.
b. Comprovar a operação do Fundo Municipal de Saúde. CONDIÇÕES DE GESTÃO DO ESTADO
c. Participar da elaboração e da implementação da PPI do As condições de gestão, estabelecidas nesta NOB,
estado, bem assim da alocação de recursos expressa na explicitam as responsabilidades do gestor estadual, os
programação. requisitos relativos às modalidades de gestão e as
d. Comprovar capacidade técnica e administrativa e prerrogativas que favorecem o seu desempenho.
condições materiais para o exercício de suas
responsabilidades e prerrogativas quanto à contratação, ao A habilitação dos estados às diferentes condições de gestão
pagamento, ao controle e à auditoria dos serviços sob sua significa a declaração dos compromissos assumidos por
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CONHECIMENTOS BÁSICOS DE SAÚDE PÚBLICA

parte do gestor perante os outros gestores e perante a q. Apoio logístico e estratégico às atividades à atenção à
população sob sua responsabilidade. saúde das populações indígenas, na conformidade de
critérios estabelecidos pela CIT.
A partir desta NOB, os estados poderão habilitar-se em duas
condições de gestão: Requisitos comuns às duas condições de gestão
a. GESTÃO AVANÇADA DO SISTEMA ESTADUAL; e estadual
b. GESTÃO PLENA DO SISTEMA ESTADUAL.
Os estados que não aderirem ao processo de habilitação, a. Comprovar o funcionamento do CES.
permanecem na condição de gestão convencional, b. Comprovar o funcionamento da CIB.
desempenhando as funções anteriormente assumidas ao c. Comprovar a operação do Fundo Estadual de Saúde.
longo do processo de implantação do SUS, não fazendo jus d. Apresentar o Plano Estadual de Saúde, aprovado pelo
às novas prerrogativas introduzidas por esta NOB, exceto ao CES, que deve conter:
PDAVS nos termos definidos pela SVS/MS. Essa condição as metas pactuadas;
corresponde ao exercício de funções mínimas de gestão do a programação integrada das ações ambulatoriais,
Sistema, que foram progressivamente incorporadas pelas hospitalares e de alto custo, de epidemiologia e de controle
SES, não estando sujeita a procedimento específico de de doenças – incluindo, entre outras, as atividades de
habilitação nesta NOB. vacinação, de controle de vetores e de reservatórios – de
saneamento, de pesquisa e desenvolvimento tecnológico, de
Responsabilidades comuns às duas condições de educação e de
gestão estadual comunicação em saúde, bem como as relativas às
ocorrências mórbidas decorrentes de causas externas;
a. Elaboração da PPI do estado, contendo a referência as estratégias de descentralização das ações de saúde
intermunicipal e coordenação da negociação na CIB para para municípios;
alocação dos recursos, conforme expresso na programação. as estratégias de reorganização do modelo de atenção; e
b. Elaboração e execução do Plano Estadual de Prioridades os critérios utilizados e os indicadores por meio dos quais
de Investimentos, negociado na CIB e aprovado pelo CES. é efetuado o acompanhamento das ações.
c. Gerência de unidades estatais da hemorrede e de a. Apresentar relatório de gestão aprovado pelo CES,
laboratórios de referência para controle de qualidade, para relativo ao ano anterior à solicitação do pleito.
vigilância sanitária e para a vigilância epidemiológica. b. Comprovar a transferência da gestão da atenção
d. Formulação e execução da política de sangue e hospitalar e ambulatorial aos municípios habilitados,
hemoterapia. conforme a respectiva condição de gestão.
e. Organização de sistemas de referência, bem como a c. Comprovar a estruturação do componente estadual do
normalização e operação de câmara de compensação de SNA.
AIH, procedimentos especializados e de alto custo e ou alta a. Comprovar capacidade técnica e administrativa e
complexidade. condições materiais para o exercício de suas
f. Formulação e execução da política estadual de assistência responsabilidades e prerrogativas, quanto a contratação,
farmacêutica, em articulação com o MS. pagamento, controle
g. Normalização complementar de mecanismos e e auditoria dos serviços sob sua gestão e quanto à avaliação
instrumentos de administração da oferta e controle da do impacto das ações do Sistema sobre as condições de
prestação de serviços ambulatoriais, hospitalares, de alto saúde da população do estado.
custo, do tratamento fora do domicílio e dos medicamentos e b. Comprovar a dotação orçamentária do ano e o dispêndio
insumos especiais. no ano anterior, correspondente à contrapartida de recursos
h. Manutenção do cadastro atualizado de unidades financeiros próprios do Tesouro Estadual, de acordo com a
assistenciais sob sua gestão, segundo normas do MS. legislação em vigor.
i. Cooperação técnica e financeira com o conjunto de c. Apresentar à CIT a formalização do pleito, devidamente
municípios, objetivando a consolidação do processo de aprovado pelo CES e pela CIB, atestando o cumprimento
descentralização, a organização da rede regionalizada e dos requisitos gerais e específicos relativos à condição de
hierarquizada de serviços, a realização de ações de gestão pleiteada.
epidemiologia, de controle de doenças, de vigilância d. Comprovar a criação do Comitê Interinstitucional de
sanitária, bem assim o pleno exercício das funções gestoras Epidemiologia, vinculado ao Secretário Estadual de Saúde.
de e. Comprovar o funcionamento de serviço de vigilância
planejamento, controle, avaliação e auditoria. sanitária no estado, organizado segundo a legislação e
j. Implementação de políticas de integração das ações de capacidade de desenvolvimento de ações de vigilância
saneamento às de saúde. sanitária.
k. Coordenação das atividades de vigilância epidemiológica f. Comprovar o funcionamento de serviço de vigilância
e de controle de doenças e execução complementar epidemiológica no estado.
conforme previsto na Lei nº 8.080/90.
l. Execução de operações complexas voltadas ao controle de GESTÃO AVANÇADA DO SISTEMA ESTADUAL
doenças que possam se beneficiar da economia de escala.
m. Coordenação das atividades de vigilância sanitária e Responsabilidades Específicas
execução complementar conforme previsto na Lei nº a. Contratação, controle, auditoria e pagamento do conjunto
8.080/90. dos serviços, sob gestão estadual, contidos na FAE;
n. Execução das ações básicas de vigilância sanitária b. Contratação, controle, auditoria e pagamento dos
referente aos municípios não habilitados nesta NOB. prestadores de serviços incluídos no PAB dos municípios
o. Execução das ações de média e alta complexidade de não habilitados;
vigilância sanitária, exceto as realizadas pelos municípios c. Ordenação do pagamento dos demais serviços
habilitados na condição de gestão plena de sistema hospitalares e ambulatoriais, sob gestão estadual;
municipal. d. Operação do SIA/SUS, conforme normas do MS, e
p. Execução do PDAVS nos termos definidos pela SVS/MS. alimentação dos bancos de dados de interesse nacional.
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CONHECIMENTOS BÁSICOS DE SAÚDE PÚBLICA

a. Transferência regular e automática do Índice de


Requisitos Específicos valorização do Impacto em Vigilância Sanitária (IVISA).
a. Apresentar a programação pactuada e integrada a. Remuneração por serviços produzidos na área da
ambulatorial, hospitalar e de alto custo, contendo a vigilância sanitária.
referência intermunicipal e os critérios para a sua a. Normalização complementar, pactuada na CIB e aprovada
elaboração. pelo CES, relativa ao pagamento de prestadores de serviços
b. Dispor de 60% dos municípios do estado habilitados nas assistenciais sob sua contratação, inclusive alteração de
condições de gestão estabelecidas nesta NOB, valores de procedimentos, tendo a tabela nacional como
independente do seu contingente populacional; ou 40% dos referência mínima.
municípios habilitados, desde que, nestes, residam 60% da a. Transferência de recursos referentes às ações de
população. epidemiologia e de controle de doenças.
c. Dispor de 30% do valor do TFA comprometido com
transferências regulares e automáticas aos municípios. OS SISTEMAS DE INFORMAÇÃO EM SAÚDE
(Municipais, Estaduais, Federais)
Prerrogativas
a. Transferência regular e automática dos recursos Com a descentralização do gerenciamento de saúde por
correspondentes à Fração Assistencial Especializada (FAE) parte do governo federal, e a criação do SUS foi necessário
e ao Piso Assistencial Básico (PAB) relativos aos municípios o uso SIS (sistemas de informação de saúde)já usado em
não-habilitados. outros países pela OMS que coleta ,processa, analisa e
a. Transferência regular e automática do Piso Básico de transmite informações necessárias para planejar, organizar,
Vigilância Sanitária (PBVS) referente aos municípios não operar e avaliar os serviços públicos de saúde no país. Bem
habilitados nesta NOB. como criar meios para que as ações aconteçam de forma
a. Transferência regular e automática do Índice de eficaz.
Valorização do Impacto em Vigilância Sanitária (IVISA).
a. Remuneração por serviços produzidos na área da Assim, no Brasil, existem 6 principais sistemas de
vigilância sanitária. informação em saúde: o Sistema de Informações sobre
a. Transferência de recursos referentes às ações de Mortalidade (SIM), o Sistema de Informações sobre
epidemiologia e controle de doenças. Nascidos Vivos (SINASC), o Sistema de Informação de
Agravos de Notificação (SINAN), o Sistema de Informações
GESTÃO PLENA DO SISTEMA ESTADUAL Hospitalares do SUS (SIH-SUS), o Sistema de Informações
Ambulatoriais do SUS (SIA-SUS) e o Sistema de Informação
Responsabilidades Específicas da Atenção Básica (SIAB).
a. Contratação, controle, auditoria e pagamento aos
prestadores do conjunto dos serviços sob gestão estadual, Esses sistemas são considerados como redutores de
conforme definição da CIB. incertezas e um instrumento para priorizar ações com
a. Operação do SIA/SUS e do SIH/SUS, conforme normas responsabilidade e eficácia necessárias, uma vês que a
do MS, e alimentação dos bancos de dados de interesse responsabilidade passou a ser dividida entre o governo
nacional. federal, estadual e municipal, contudo, tem sido observado
grande avanço no que se refere ao acesso e às
Requisitos Específicos possibilidades de análise dos principais sistemas de
a. Comprovar a implementação da programação integrada informação em saúde disponíveis no Brasil.
das ações ambulatoriais, hospitalares e de alto custo,
contendo a referência intermunicipal e os critérios para a sua O processamento desses sistemas vem, gradativamente,
elaboração. passando para Estados e/ou municípios, permitindo que
a. Comprovar a operacionalização de mecanismos de ocorra essa a análise, mas é ai que se encontra um
controle da prestação de serviços ambulatoriais e problema, a alimentação desse banco de dados muitas
hospitalares, tais como: centrais de controle de leitos e vezes não é feita efetivamente, alguns dados ficam
internações, de procedimentos ambulatoriais e hospitalares subnotificados; ou muitas vezes nem chegam a existir, pois
de alto/custo e ou complexidade e de marcação de consultas alguns municípios não têm condições de manter esse banco
especializadas. de dados atualizado seja por falta de pessoal treinado e
especializado, computadores e etc.
a. Dispor de 80% dos municípios habilitados nas condições
de gestão estabelecidas nesta NOB, independente do seu Surge aí então um problema, pois é dele, que provem a
contingente populacional; ou 50% dos municípios, desde maioria dos instrumentos e fichas que as equipes preenche
que, nestes, residam 80% da população. e tem como fonte de informações. Os profissionais de saúde,
a. Dispor de 50% do valor do TFA do estado comprometido em sua maioria, o tem como uma ferramenta de trabalho
com transferências regulares e automáticas aos municípios. poderosa para melhoria de perfil epidemiológico, mas que é
subutilizado. Esta subutilização se dá devido a: limitações e
Prerrogativas falhas do sistema; por ser puramente quantitativo; pela
a. Transferência regular e automática dos recursos fragilidade no conhecimento das equipes e despreparo para
correspondentes ao valor do Teto Financeiro da Assistência extrair toda sua capacidade; por uma ausência de
(TFA), deduzidas as transferências fundo a fundo realizadas treinamentos; e pela falta de incentivo para análise dos
a municípios habilitados. dados em nível local. Um bom SIS depende da periodicidade
a. Transferência regular e automática dos recursos do fluxo de fornecimento dos dados e de um criterioso
correspondentes ao Índice de Valorização de Resultados preenchimento dos instrumentos de coleta. Além disto, que
(IVR). proporcione relatórios e resultados viáveis para utilização no
a. Transferência regular e automática do Piso Básico de planejamento de atividades das unidades. Mas é necessário
Vigilância Sanitária (PBVS) referente aos municípios não que as pessoas envolvidas na sua manutenção tenham
habilitados nesta NOB. clareza sobre suas possibilidades para assim conseguir
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CONHECIMENTOS BÁSICOS DE SAÚDE PÚBLICA

extrair o seu potencial e transformar em uma realidade local, Informática do SUS (DATASUS), em conjunto com a
detectando focos prioritários, levando a um planejamento Coordenação de Saúde da Comunidade/Secretaria de
das suas atividades e a um norteamento e execução das Assistência à Saúde (COSAC/SAS), para auxiliar o
ações das equipes de forma adequada. acompanhamento e avaliação das atividades realizadas
pelos agentes comunitários de saúde (ACS), agregando e
O SIAB principal sistema de informação da atenção básica processando os dados advindos das visitas domiciliares,
ou primaria, muitas vezes apresenta debilidades e bem como, do atendimento médico e de enfermagem
deficiências, mas alguns profissionais também apresentam realizado na unidade de saúde e nos domicílios.
dificuldades na hora de manipulá-lo, tanto na alimentação do
SIS quanto na análise crítica de seus relatórios, pois isto não É composto por um programa de computa dor (software) e
é adotado como rotina nas unidades. Nas informações em por algumas fichas (A, B, C, D) e relatórios (SSA-2,SSA-4,
Saúde é possível obter dados sobre a rede hospitalar e PMA-2, PMA-4 e A1 ao A4). A ficha A representa a ficha de
ambulatorial do SUS e sobre alguns dos principais cadastro familiar e, portanto, contém dados básicos de
informações de saúde e agravos como: mortalidade, características sócio-econômicas, de saúde (morbidade
internações hospitalares, morbidade hospitalar e produção referida) e moradia das famílias e seus indivíduos. As fichas
ambulatorial. B são utilizadas pelos ACS para o acompanhamento
domiciliar de grupos prioritários, como: hipertensos,
E a partir disso se perde muito do planejamento e das ações diabéticos, gestantes, hansenianos e tuberculosos.
em função da subnotificaçaõ de doenças e agravos de
saúde, o que reduz a eficácia da gestão da atenção básica. A ficha C presta-se ao acompanhamento das condições de
saúde e seguimento médico de crianças menores de dois
Mas a partir do momento em que esses dados forem anos, sendo o próprio Cartão da Criança fornecido pelo
eficazes e retratem a realidade da atenção básica brasileira Ministério da Saúde. A ficha D é utilizada por toda a equipe
teremos com certeza um melhor planejamento das ações, do Programa Saúde da Família (PSF) para o registro das
poderemos identificar a falhas e mostrar as soluções viáveis atividades diárias (consultas médicas e de enfermagem,
a cada problema detectado. Os Sistemas de informação são solicitação de exames complementares,encaminhamentos),
o melhor caminho para a gestão não só da atenção básica, bem como para a notificação de algumas doenças (por
mas de toda a saúde nacional. Como conseqüência, exemplo: pneumonia em menores de cinco anos).
devemos esperar um melhor aproveitamento das
informações disponíveis, de forma a auxiliar efetivamente o Já os relatórios representam um consolidado dos dados
processo de decisão nos diferentes níveis do Sistema Único presentes nas fichas de cadastro e acompanhamento: (1)
de Saúde. Poderemos notar um maior empenho na solução SSA2 – consolida- do dos dados das fichas A, B, C e D; (2)
dessas doenças e agravos, pois o sistema estaria ligado via SSA4 – consolidado dos dados contidos nos relatórios SSA2
governos municipais, estaduais, e federal, levando assim a de um município; (3) PMA2 – consolidado das fichas D; (4)
um comum acordo quanto ao planejamento, à execução, PMA4 – consolidado dos relatórios PMA2 do município; (5)
avaliação, situação a que se encontra no momento, situação relatórios A1 ao A4 – consolidado dos dados presentes nas
futura, e o processo de transformação, o que levaria ao diversas fichas A. Os números 1, 2, 3 e 4 referem-se aos
encontro de uma solução para a problemática da atenção níveis de agregação correspondente: 1 – micro-área, 2 –
básica. área, 3 – seguimento e 4 – município.
Sistema de Informação Hospitalares – SIH
Quanto ao software SIAB, o mesmo utiliza três formulários
de entrada dos dados: um para o cadastramento familiar, um
O SIH-SUS contém informações que viabilizam efetuar o
para as informações de saúde e outro para as informações
pagamento dos serviços hospitalares prestados pelo SUS,
de produção e marcadores para avaliação.
através da captação de dados em disquete das Autorizações
de Internação Hospitalar - AIH - relativas a mais de
Diferentemente de outros sistemas de informação em saúde,
1.300.000 internações/mês.
o SIAB caracteriza-se por ser um SIS territorializado, ou seja,
fornece in-dicadores populacionais (morbidade, mortalidade
Sendo o sistema que processa as AIHs, dispõe de
e de serviços) de uma determinada área de abrangência.
informações sobre recursos destinados a cada hospital que
Propõe, com isso, que se conheçam as condições de saúde
integra a rede do SUS, as principais causas de internações
dessa população adscrita, bem como os fatores
no Brasil, a relação dos procedimentos mais freqüentes
determinantes do processo saúde-doença.
realizados mensalmente em cada hospital, município e
estado, a quantidade de leitos existentes para cada
Representa, então, potencialmente, uma fonte de dados de
especialidade e o tempo médio de permanência do paciente
grande valor para a realização do diagnóstico de saúde de
no hospital.
determinada área de abrangência, norteando o planejamento
e avaliação de ações em saúde.
Suas informações facilitam as atividades de Controle e
Avaliação e Vigilância Epidemiológica em âmbito nacional e
Sistema de Informações sobre Mortalidade – SIM
estão disponíveis para consulta, através de produtos
desenvolvidos pelo DATASUS, gerados a partir do
O Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) foi criado
processamento da AIH: o BDAIH, o VALAIH, o CD-ROM, o
pelo Ministério da Saúde em 1975 para a obtenção regular
MS-BBS, através das tabulações disbonibilizadas via
de dados sobre mortalidade no País. A partir da criação do
Internet, bem como o SÍNTESE.
SIM foi possível a captação de dados sobre mortalidade, de
forma abrangente e confiável, para subsidiar as diversas
Sistema de Informação da Atenção Básica – SIAB
esferas de gestão na saúde pública. Com base nessas
informações é possível realizar análises de situação,
O Sistema de Informação da Atenção Básica (SIAB) foi
planejamento e avaliação das ações e programas na área.
criado em 1998 pelo Departamento de Informação e

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CONHECIMENTOS BÁSICOS DE SAÚDE PÚBLICA

O SIM proporciona a produção de estatísticas de Nesta perspectiva, muitas ações estão sendo desenvolvidas
mortalidade e a construção dos principais indicadores de no país. Uma delas é a disponibilização para estados e
saúde. A análise dessas informações permite estudos não municípios de um sistema informatizado que permite o
apenas do ponto de vista estatístico e epidemiológico, mas cadastramento de portadores, o seu acompanhamento, a
também sócio-demográfico. garantia do recebimento dos medicamentos prescritos, ao
mesmo tempo que, a médio prazo, poderá ser definido o
Declaração de Óbito (DO) perfil epidemiológico desta população, e o conseqüente
desencadeamento de estratégias de saúde pública que
Preenchimento das Declarações de Óbito - DO levarão à modificação do quadro atual, a melhoria da
Fluxo dos documentos qualidade de vida dessas pessoas e a redução do custo
Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos – SINASC social.

Descrição O sistema informatizado permite cadastrar e acompanhar os


Contém informações sobre as características dos nascidos portadores de hipertensão arterial e/ou diabetes mellitus,
vivos, das mães, da gestação e do parto. captados no Plano Nacional de Reorganização da Atenção à
hipertensão arterial e ao Diabetes Mellitus, em todas as
Sistema de Informações de Agravos Notificáveis – unidades ambulatoriais do Sistema Único de Saúde, gerando
SINAN informações para os gerentes locais, gestores das
secretarias municipais, estaduais e Ministério da Saúde.
Descrição O Sistema de cadastramento e acompanhamento dos
Visa o controle de algumas doenças e agravos de notificação portadores, Sistema HiperDia, é uma ferramenta útil para
compulsória com base em informações sobre o número de profissionais da rede básica e para gestores do SUS no
casos segundo semanas epidemiológicas. enfrentamento destas doenças.
Sistema de Informações sobre o Programa Nacional de
Imunização – SIPNI Sistema de Informação do Cancer da Mulher - SISCAM
Os elevados índices de incidência e mortalidade por câncer
O SIPNI é um conjunto de ferramentas desenvolvidas pelo do colo do útero no Brasil justificam a implementação de
DATASUS, sob a orientação do PNI, para permitir que os ações nacionais voltadas para a prevenção e o controle do
gestores de imunização façam o acompanhamento das câncer (promoção, prevenção, diagnóstico, tratamento,
ações de realizadas no âmbito local e em todo país. reabilitação e cuidados paliativos), tendo como base as
diretrizes da Política Nacional de Atenção Oncológica (GM
O fato de as ferramentas do SIPNI requererem senha para 2439/05).
descompactação se dá por estratégia da Coordenação Geral
do PNI, uma vez que, só assim, ela pode garantir que todas É fato bem conhecido que a mortalidade por câncer do colo
as instâncias que utilizam tais ferramentas estejam do útero é evitável, uma vez que as ações para seu controle
trabalhando com as mesmas versões homologadas. Essa contam com tecnologias para o diagnóstico e tratamento de
decisão foi tomada, no passado, considerando a lesões precursoras, permitindo a cura em aproximadamente
manifestação de interessados de todas as instâncias: estado 100% dos casos diagnosticados na fase inicial.
/ regional / município / distrito. No Brasil, o Ministério da Saúde com o objetivo de
implementar ações de controle para o câncer de colo do
SISPRE-NATAL útero, desenvolveu em 1997 um projeto piloto em seis
localidades (Curitiba, Brasília, Recife, Rio de Janeiro, Belém)
O SisPreNatal é um software desenvolvido pelo Datasus, e no Estado de Sergipe em janeiro de 1998. Em 1998, com a
com a finalidade de permitir o acompanhamento adequado introdução do Sistema de Informações de Controle do
das gestantes inseridas no Programa de Humanização no Câncer do Colo do Útero (SISCOLO) este projeto foi
Pré-Natal e Nascimento (PHPN), do Sistema Único de intensificado e em 1999/2000 foram criadas coordenações
Saúde. No SisPreNatal está definido o elenco mínimo de estaduais do Programa Viva Mulher, que neste início
procedimentos para uma assistência pré-natal adequada. priorizava o câncer de colo do útero em relação aos outros
tipos de câncer.
Permite o acompanhamento das gestantes, desde o início da
gravidez até a consulta de puerpério. Fez parte dessa procura a implementação de estratégias
importantes, tais como a padronização de procedimentos e
Sistema de Cadastramento e Acompanhamento de de condutas que garantam a qualidade dos processos
Hipertensos e Diabéticos – HIPERDIA técnicos e operacionais para o controle do câncer. Um dos
principais instrumentos que auxiliam a consolidação das
O Ministério da Saúde, com o propósito de reduzir a ações de um programa de controle de câncer é a utilização
morbimortalidade associada a essas doenças, assumiu o de um sistema informatizado para gerenciamento das
compromisso de executar ações em parceria com estados, informações oriundas das unidades de saúde, o qual deve
municípios e Sociedade Brasileiras de Cardiologia, ser atualizado constantemente. Assim para atender ao
hipertensão, Nefrologia e Diabetes, aprimoramento do Sistema de Informação do Câncer do
Colo do Útero (SISCOLO), tanto na sua vertente tecnológica
Federações Nacionais de Portadores de hipertensão arterial como em decorrência da implantação da “Nomenclatura
e Diabetes, Conass e Conasems para apoiar a Brasileira para Laudos Citopatológicos Cervicais e Condutas
reorganização da rede de saúde, com melhoria da atenção Preconizadas”, o Departamento de Informática do SUS -
aos portadores dessas patologias através do Plano de DATASUS, em parceria com o INCA, desenvolveu a nova
Reorganização da Atenção à Hipertensão Arterial e ao versão do SISCOLO (4.2).
Diabetes Mellitus.

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CONHECIMENTOS BÁSICOS DE SAÚDE PÚBLICA

III - a assistência às pessoas por intermédio de ações


LEI Nº 8.080, DE 19 DE SETEMBRO DE de promoção, proteção e recuperação da saúde, com a
1990 realização integrada das ações assistenciais e das
atividades preventivas.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, faço saber que o Art. 6º Estão incluídas ainda no campo de atuação do
Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte lei: Sistema Único de Saúde (SUS):
DISPOSIÇÃO PRELIMINAR I - a execução de ações:
a) de vigilância sanitária;
Art. 1º Esta lei regula, em todo o território nacional, as ações b) de vigilância epidemiológica;
e serviços de saúde, executados isolada ou conjuntamente, c) de saúde do trabalhador; e
em caráter permanente ou eventual, por pessoas naturais ou d) de assistência terapêutica integral, inclusive
jurídicas de direito Público ou privado. farmacêutica;
II - a participação na formulação da política e na
TÍTULO I execução de ações de saneamento básico;
DAS DISPOSIÇÕES GERAIS III - a ordenação da formação de recursos humanos na
área de saúde;
Art. 2º A saúde é um direito fundamental do ser humano, IV - a vigilância nutricional e a orientação alimentar;
devendo o Estado prover as condições indispensáveis ao V - a colaboração na proteção do meio ambiente, nele
seu pleno exercício. compreendido o do trabalho;
VI - a formulação da política de medicamentos,
§ 1º O dever do Estado de garantir a saúde consiste na equipamentos, imunobiológicos e outros insumos de
formulação e execução de políticas econômicas e sociais interesse para a saúde e a participação na sua produção;
que visem à redução de riscos de doenças e de outros VII - o controle e a fiscalização de serviços, produtos e
agravos e no estabelecimento de condições que assegurem substâncias de interesse para a saúde;
acesso universal e igualitário às ações e aos serviços para a VIII - a fiscalização e a inspeção de alimentos, água e
sua promoção, proteção e recuperação. bebidas para consumo humano;
§ 2º O dever do Estado não exclui o das pessoas, da família, IX - a participação no controle e na fiscalização da
das empresas e da sociedade. produção, transporte, guarda e utilização de substâncias e
produtos psicoativos, tóxicos e radioativos;
Art. 3º A saúde tem como fatores determinantes e X - o incremento, em sua área de atuação, do
condicionantes, entre outros, a alimentação, a moradia, o desenvolvimento científico e tecnológico;
saneamento básico, o meio ambiente, o trabalho, a renda, a XI - a formulação e execução da política de sangue e
educação, o transporte, o lazer e o acesso aos bens e seus derivados.
serviços essenciais; os níveis de saúde da população § 1º Entende-se por vigilância sanitária um conjunto de
expressam a organização social e econômica do País. ações capaz de eliminar, diminuir ou prevenir riscos à saúde
Parágrafo único. Dizem respeito também à saúde as ações e de intervir nos problemas sanitários decorrentes do meio
que, por força do disposto no artigo anterior, se destinam a ambiente, da produção e circulação de bens e da prestação
garantir às pessoas e à coletividade condições de bem-estar de serviços de interesse da saúde, abrangendo:
físico, mental e social. I - o controle de bens de consumo que, direta ou
indiretamente, se relacionem com a saúde, compreendidas
TÍTULO II todas as etapas e processos, da produção ao consumo; e
DO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE II - o controle da prestação de serviços que se
DISPOSIÇÃO PRELIMINAR relacionam direta ou indiretamente com a saúde.
§ 2º Entende-se por vigilância epidemiológica um
Art. 4º O conjunto de ações e serviços de saúde, prestados conjunto de ações que proporcionam o conhecimento, a
por órgãos e instituições públicas federais, estaduais e detecção ou prevenção de qualquer mudança nos fatores
municipais, da Administração direta e indireta e das determinantes e condicionantes de saúde individual ou
fundações mantidas pelo Poder Público, constitui o Sistema coletiva, com a finalidade de recomendar e adotar as
Único de Saúde (SUS). medidas de prevenção e controle das doenças ou agravos.
§ 3º Entende-se por saúde do trabalhador, para fins
§ 1º Estão incluídas no disposto neste artigo as instituições desta lei, um conjunto de atividades que se destina, através
públicas federais, estaduais e municipais de controle de das ações de vigilância epidemiológica e vigilância sanitária,
qualidade, pesquisa e produção de insumos, medicamentos, à promoção e proteção da saúde dos trabalhadores, assim
inclusive de sangue e hemoderivados, e de equipamentos como visa à recuperação e reabilitação da saúde dos
para saúde. trabalhadores submetidos aos riscos e agravos advindos das
§ 2º A iniciativa privada poderá participar do Sistema Único condições de trabalho, abrangendo:
de Saúde (SUS), em caráter complementar. I - assistência ao trabalhador vítima de acidentes de
trabalho ou portador de doença profissional e do trabalho;
CAPÍTULO I II - participação, no âmbito de competência do Sistema
Dos Objetivos e Atribuições Único de Saúde (SUS), em estudos, pesquisas, avaliação e
controle dos riscos e agravos potenciais à saúde existentes
Art. 5º São objetivos do Sistema Único de Saúde SUS: no processo de trabalho;
III - participação, no âmbito de competência do Sistema
I - a identificação e divulgação dos fatores Único de Saúde (SUS), da normatização, fiscalização e
condicionantes e determinantes da saúde; controle das condições de produção, extração,
II - a formulação de política de saúde destinada a armazenamento, transporte, distribuição e manuseio de
promover, nos campos econômico e social, a observância do substâncias, de produtos, de máquinas e de equipamentos
disposto no § 1º do art. 2º desta lei; que apresentam riscos à saúde do trabalhador;
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CONHECIMENTOS BÁSICOS DE SAÚDE PÚBLICA

IV - avaliação do impacto que as tecnologias provocam mediante participação complementar da iniciativa privada,
à saúde; serão organizados de forma regionalizada e hierarquizada
V - informação ao trabalhador e à sua respectiva em níveis de complexidade crescente.
entidade sindical e às empresas sobre os riscos de
acidentes de trabalho, doença profissional e do trabalho, Art. 9º A direção do Sistema Único de Saúde (SUS) é
bem como os resultados de fiscalizações, avaliações única, de acordo com o inciso I do art. 198 da Constituição
ambientais e exames de saúde, de admissão, periódicos e Federal, sendo exercida em cada esfera de governo pelos
de demissão, respeitados os preceitos da ética profissional; seguintes órgãos:
VI - participação na normatização, fiscalização e
controle dos serviços de saúde do trabalhador nas I - no âmbito da União, pelo Ministério da Saúde;
instituições e empresas públicas e privadas; II - no âmbito dos Estados e do Distrito Federal, pela
VII - revisão periódica da listagem oficial de doenças respectiva Secretaria de Saúde ou órgão equivalente; e
originadas no processo de trabalho, tendo na sua elaboração III - no âmbito dos Municípios, pela respectiva
a colaboração das entidades sindicais; e Secretaria de Saúde ou órgão equivalente.
VIII - a garantia ao sindicato dos trabalhadores de
requerer ao órgão competente a interdição de máquina, de Art. 10. Os municípios poderão constituir consórcios
setor de serviço ou de todo ambiente de trabalho, quando para desenvolver em conjunto as ações e os serviços de
houver exposição a risco iminente para a vida ou saúde dos saúde que lhes correspondam.
trabalhadores.
§ 1º Aplica-se aos consórcios administrativos
CAPÍTULO II intermunicipais o princípio da direção única, e os respectivos
Dos Princípios e Diretrizes atos constitutivos disporão sobre sua observância.
§ 2º No nível municipal, o Sistema Único de Saúde
Art. 7º As ações e serviços públicos de saúde e os (SUS), poderá organizar-se em distritos de forma a integrar e
serviços privados contratados ou conveniados que integram articular recursos, técnicas e práticas voltadas para a
o Sistema Único de Saúde (SUS), são desenvolvidos de cobertura total das ações de saúde.
acordo com as diretrizes previstas no art. 198 da
Constituição Federal, obedecendo ainda aos seguintes Art. 11. (Vetado).
princípios:
I - universalidade de acesso aos serviços de saúde em Art. 12. Serão criadas comissões intersetoriais de
todos os níveis de assistência; âmbito nacional, subordinadas ao Conselho Nacional de
II - integralidade de assistência, entendida como Saúde, integradas pelos Ministérios e órgãos competentes e
conjunto articulado e contínuo das ações e serviços por entidades representativas da sociedade civil.
preventivos e curativos, individuais e coletivos, exigidos para
cada caso em todos os níveis de complexidade do sistema; Parágrafo único. As comissões intersetoriais terão a
III - preservação da autonomia das pessoas na defesa finalidade de articular políticas e programas de interesse
de sua integridade física e moral; para a saúde, cuja execução envolva áreas não
IV - igualdade da assistência à saúde, sem compreendidas no âmbito do Sistema Único de Saúde
preconceitos ou privilégios de qualquer espécie; (SUS).
V - direito à informação, às pessoas assistidas, sobre
sua saúde; Art. 13. A articulação das políticas e programas, a cargo
VI - divulgação de informações quanto ao potencial dos das comissões intersetoriais, abrangerá, em especial, as
serviços de saúde e a sua utilização pelo usuário; seguintes atividades:
VII - utilização da epidemiologia para o estabelecimento
de prioridades, a alocação de recursos e a orientação I - alimentação e nutrição;
programática; II - saneamento e meio ambiente;
VIII - participação da comunidade; III - vigilância sanitária e farmacoepidemiologia;
IX - descentralização político-administrativa, com IV - recursos humanos;
direção única em cada esfera de governo: V - ciência e tecnologia; e
a) ênfase na descentralização dos serviços para os VI - saúde do trabalhador.
municípios;
b) regionalização e hierarquização da rede de serviços Art. 14. Deverão ser criadas Comissões Permanentes
de saúde; de integração entre os serviços de saúde e as instituições de
X - integração em nível executivo das ações de saúde, ensino profissional e superior.
meio ambiente e saneamento básico;
XI - conjugação dos recursos financeiros, tecnológicos, Parágrafo único. Cada uma dessas comissões terá por
materiais e humanos da União, dos Estados, do Distrito finalidade propor prioridades, métodos e estratégias para a
Federal e dos Municípios na prestação de serviços de formação e educação continuada dos recursos humanos do
assistência à saúde da população; Sistema Único de Saúde (SUS), na esfera correspondente,
XII - capacidade de resolução dos serviços em todos os assim como em relação à pesquisa e à cooperação técnica
níveis de assistência; e entre essas instituições.
XIII - organização dos serviços públicos de modo a
evitar duplicidade de meios para fins idênticos. CAPÍTULO IV
Da Competência e das Atribuições
CAPÍTULO III Seção I
Da Organização, da Direção e da Gestão Das Atribuições Comuns

Art. 8º As ações e serviços de saúde, executados pelo


Sistema Único de Saúde (SUS), seja diretamente ou
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CONHECIMENTOS BÁSICOS DE SAÚDE PÚBLICA

Art. 15. A União, os Estados, o Distrito Federal e os I - formular, avaliar e apoiar políticas de alimentação e
Municípios exercerão, em seu âmbito administrativo, as nutrição;
seguintes atribuições: II - participar na formulação e na implementação das
políticas:
I - definição das instâncias e mecanismos de controle, a) de controle das agressões ao meio ambiente;
avaliação e de fiscalização das ações e serviços de saúde; b) de saneamento básico; e
II - administração dos recursos orçamentários e c) relativas às condições e aos ambientes de trabalho;
financeiros destinados, em cada ano, à saúde; III - definir e coordenar os sistemas:
III - acompanhamento, avaliação e divulgação do nível a) de redes integradas de assistência de alta
de saúde da população e das condições ambientais; complexidade;
IV - organização e coordenação do sistema de b) de rede de laboratórios de saúde pública;
informação de saúde; c) de vigilância epidemiológica; e
V - elaboração de normas técnicas e estabelecimento d) vigilância sanitária;
de padrões de qualidade e parâmetros de custos que IV - participar da definição de normas e mecanismos de
caracterizam a assistência à saúde; controle, com órgão afins, de agravo sobre o meio ambiente
VI - elaboração de normas técnicas e estabelecimento ou dele decorrentes, que tenham repercussão na saúde
de padrões de qualidade para promoção da saúde do humana;
trabalhador; V - participar da definição de normas, critérios e
VII - participação de formulação da política e da padrões para o controle das condições e dos ambientes de
execução das ações de saneamento básico e colaboração trabalho e coordenar a política de saúde do trabalhador;
na proteção e recuperação do meio ambiente; VI - coordenar e participar na execução das ações de
VIII - elaboração e atualização periódica do plano de vigilância epidemiológica;
saúde; VII - estabelecer normas e executar a vigilância
IX - participação na formulação e na execução da sanitária de portos, aeroportos e fronteiras, podendo a
política de formação e desenvolvimento de recursos execução ser complementada pelos Estados, Distrito
humanos para a saúde; Federal e Municípios;
X - elaboração da proposta orçamentária do Sistema VIII - estabelecer critérios, parâmetros e métodos para o
Único de Saúde (SUS), de conformidade com o plano de controle da qualidade sanitária de produtos, substâncias e
saúde; serviços de consumo e uso humano;
XI - elaboração de normas para regular as atividades de IX - promover articulação com os órgãos educacionais e
serviços privados de saúde, tendo em vista a sua relevância de fiscalização do exercício profissional, bem como com
pública; entidades representativas de formação de recursos humanos
XII - realização de operações externas de natureza na área de saúde;
financeira de interesse da saúde, autorizadas pelo Senado X - formular, avaliar, elaborar normas e participar na
Federal; execução da política nacional e produção de insumos e
XIII - para atendimento de necessidades coletivas, equipamentos para a saúde, em articulação com os demais
urgentes e transitórias, decorrentes de situações de perigo órgãos governamentais;
iminente, de calamidade pública ou de irrupção de XI - identificar os serviços estaduais e municipais de
epidemias, a autoridade competente da esfera administrativa referência nacional para o estabelecimento de padrões
correspondente poderá requisitar bens e serviços, tanto de técnicos de assistência à saúde;
pessoas naturais como de jurídicas, sendo-lhes assegurada XII - controlar e fiscalizar procedimentos, produtos e
justa indenização; substâncias de interesse para a saúde;
XIV - implementar o Sistema Nacional de Sangue, XIII - prestar cooperação técnica e financeira aos
Componentes e Derivados; Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios para o
XV - propor a celebração de convênios, acordos e aperfeiçoamento da sua atuação institucional;
protocolos internacionais relativos à saúde, saneamento e XIV - elaborar normas para regular as relações entre o
meio ambiente; Sistema Único de Saúde (SUS) e os serviços privados
XVI - elaborar normas técnico-científicas de promoção, contratados de assistência à saúde;
proteção e recuperação da saúde; XV - promover a descentralização para as Unidades
XVII - promover articulação com os órgãos de Federadas e para os Municípios, dos serviços e ações de
fiscalização do exercício profissional e outras entidades saúde, respectivamente, de abrangência estadual e
representativas da sociedade civil para a definição e controle municipal;
dos padrões éticos para pesquisa, ações e serviços de XVI - normatizar e coordenar nacionalmente o Sistema
saúde; Nacional de Sangue, Componentes e Derivados;
XVIII - promover a articulação da política e dos planos XVII - acompanhar, controlar e avaliar as ações e os
de saúde; serviços de saúde, respeitadas as competências estaduais e
XIX - realizar pesquisas e estudos na área de saúde; municipais;
XX - definir as instâncias e mecanismos de controle e XVIII - elaborar o Planejamento Estratégico Nacional no
fiscalização inerentes ao poder de polícia sanitária; âmbito do SUS, em cooperação técnica com os Estados,
XXI - fomentar, coordenar e executar programas e Municípios e Distrito Federal;
projetos estratégicos e de atendimento emergencial. XIX - estabelecer o Sistema Nacional de Auditoria e
coordenar a avaliação técnica e financeira do SUS em todo o
Seção II Território Nacional em cooperação técnica com os Estados,
Da Competência Municípios e Distrito Federal. (Vide Decreto nº 1.651, de
1995)
Art. 16. A direção nacional do Sistema Único da Saúde
(SUS) compete: Parágrafo único. A União poderá executar ações de
vigilância epidemiológica e sanitária em circunstâncias
especiais, como na ocorrência de agravos inusitados à
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CONHECIMENTOS BÁSICOS DE SAÚDE PÚBLICA

saúde, que possam escapar do controle da direção estadual VII - formar consórcios administrativos intermunicipais;
do Sistema Único de Saúde (SUS) ou que representem risco VIII - gerir laboratórios públicos de saúde e
de disseminação nacional. hemocentros;
IX - colaborar com a União e os Estados na execução
Art. 17. À direção estadual do Sistema Único de Saúde da vigilância sanitária de portos, aeroportos e fronteiras;
(SUS) compete: X - observado o disposto no art. 26 desta Lei, celebrar
I - promover a descentralização para os Municípios dos contratos e convênios com entidades prestadoras de
serviços e das ações de saúde; serviços privados de saúde, bem como controlar e avaliar
II - acompanhar, controlar e avaliar as redes sua execução;
hierarquizadas do Sistema Único de Saúde (SUS); XI - controlar e fiscalizar os procedimentos dos serviços
III - prestar apoio técnico e financeiro aos Municípios e privados de saúde;
executar supletivamente ações e serviços de saúde; XII - normatizar complementarmente as ações e
IV - coordenar e, em caráter complementar, executar serviços públicos de saúde no seu âmbito de atuação.
ações e serviços: Art. 19. Ao Distrito Federal competem as atribuições
a) de vigilância epidemiológica; reservadas aos Estados e aos Municípios.
b) de vigilância sanitária;
c) de alimentação e nutrição; e CAPÍTULO V
d) de saúde do trabalhador; Do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena
V - participar, junto com os órgãos afins, do controle dos
agravos do meio ambiente que tenham repercussão na (Incluído pela Lei nº 9.836, de 1999)
saúde humana; Art. 19-A. As ações e serviços de saúde voltados para o
VI - participar da formulação da política e da execução atendimento das populações indígenas, em todo o território
de ações de saneamento básico; nacional, coletiva ou individualmente, obedecerão ao
VII - participar das ações de controle e avaliação das disposto nesta Lei. (Incluído pela Lei nº 9.836, de 1999)
condições e dos ambientes de trabalho; Art. 19-B. É instituído um Subsistema de Atenção à
VIII - em caráter suplementar, formular, executar, Saúde Indígena, componente do Sistema Único de Saúde –
acompanhar e avaliar a política de insumos e equipamentos SUS, criado e definido por esta Lei, e pela Lei no 8.142, de
para a saúde; 28 de dezembro de 1990, com o qual funcionará em perfeita
IX - identificar estabelecimentos hospitalares de integração. (Incluído pela Lei nº 9.836, de 1999)
referência e gerir sistemas públicos de alta complexidade, de Art. 19-C. Caberá à União, com seus recursos próprios,
referência estadual e regional; financiar o Subsistema de Atenção à Saúde
X - coordenar a rede estadual de laboratórios de saúde Indígena. (Incluído pela Lei nº 9.836, de 1999)
pública e hemocentros, e gerir as unidades que permaneçam Art. 19-D. O SUS promoverá a articulação do
em sua organização administrativa; Subsistema instituído por esta Lei com os órgãos
XI - estabelecer normas, em caráter suplementar, para responsáveis pela Política Indígena do País. (Incluído pela
o controle e avaliação das ações e serviços de saúde; Lei nº 9.836, de 1999)
XII - formular normas e estabelecer padrões, em caráter Art. 19-E. Os Estados, Municípios, outras instituições
suplementar, de procedimentos de controle de qualidade governamentais e não-governamentais poderão atuar
para produtos e substâncias de consumo humano; complementarmente no custeio e execução das
XIII - colaborar com a União na execução da vigilância ações. (Incluído pela Lei nº 9.836, de 1999)
sanitária de portos, aeroportos e fronteiras; Art. 19-F. Dever-se-á obrigatoriamente levar em
XIV - o acompanhamento, a avaliação e divulgação dos consideração a realidade local e as especificidades da
indicadores de morbidade e mortalidade no âmbito da cultura dos povos indígenas e o modelo a ser adotado para a
unidade federada. atenção à saúde indígena, que se deve pautar por uma
abordagem diferenciada e global, contemplando os aspectos
Art. 18. À direção municipal do Sistema de Saúde de assistência à saúde, saneamento básico, nutrição,
(SUS) compete: habitação, meio ambiente, demarcação de terras, educação
sanitária e integração institucional. (Incluído pela Lei nº
I - planejar, organizar, controlar e avaliar as ações e os 9.836, de 1999)
serviços de saúde e gerir e executar os serviços públicos de Art. 19-G. O Subsistema de Atenção à Saúde Indígena
saúde; deverá ser, como o SUS, descentralizado, hierarquizado e
II - participar do planejamento, programação e regionalizado.(Incluído pela Lei nº 9.836, de 1999)
organização da rede regionalizada e hierarquizada do § 1o O Subsistema de que trata o caput deste artigo terá
Sistema Único de Saúde (SUS), em articulação com sua como base os Distritos Sanitários Especiais Indígenas.
direção estadual; (Incluído pela Lei nº 9.836, de 1999)
III - participar da execução, controle e avaliação das § 2o O SUS servirá de retaguarda e referência ao
ações referentes às condições e aos ambientes de trabalho; Subsistema de Atenção à Saúde Indígena, devendo, para
IV - executar serviços: isso, ocorrer adaptações na estrutura e organização do SUS
a) de vigilância epidemiológica; nas regiões onde residem as populações indígenas, para
b) vigilância sanitária; propiciar essa integração e o atendimento necessário em
c) de alimentação e nutrição; todos os níveis, sem discriminações. (Incluído pela Lei nº
d) de saneamento básico; e 9.836, de 1999)
e) de saúde do trabalhador; § 3o As populações indígenas devem ter acesso
V - dar execução, no âmbito municipal, à política de garantido ao SUS, em âmbito local, regional e de centros
insumos e equipamentos para a saúde; especializados, de acordo com suas necessidades,
VI - colaborar na fiscalização das agressões ao meio compreendendo a atenção primária, secundária e terciária à
ambiente que tenham repercussão sobre a saúde humana e saúde. (Incluído pela Lei nº 9.836, de 1999)
atuar, junto aos órgãos municipais, estaduais e federais Art. 19-H. As populações indígenas terão direito a
competentes, para controlá-las; participar dos organismos colegiados de formulação,
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CONHECIMENTOS BÁSICOS DE SAÚDE PÚBLICA

acompanhamento e avaliação das políticas de saúde, tais Art. 23. É vedada a participação direta ou indireta de
como o Conselho Nacional de Saúde e os Conselhos empresas ou de capitais estrangeiros na assistência à
Estaduais e Municipais de Saúde, quando for o saúde, salvo através de doações de organismos
caso. (Incluído pela Lei nº 9.836, de 1999) internacionais vinculados à Organização das Nações Unidas,
de entidades de cooperação técnica e de financiamento e
CAPÍTULO VI empréstimos.
DO SUBSISTEMA DE ATENDIMENTO E INTERNAÇÃO
DOMICILIAR § 1° Em qualquer caso é obrigatória a autorização do
órgão de direção nacional do Sistema Único de Saúde
(Incluído pela Lei nº 10.424, de 2002) (SUS), submetendo-se a seu controle as atividades que
Art. 19-I. São estabelecidos, no âmbito do Sistema forem desenvolvidas e os instrumentos que forem firmados.
Único de Saúde, o atendimento domiciliar e a internação § 2° Excetuam-se do disposto neste artigo os serviços
domiciliar. (Incluído pela Lei nº 10.424, de 2002) de saúde mantidos, sem finalidade lucrativa, por empresas,
§ 1o Na modalidade de assistência de atendimento e para atendimento de seus empregados e dependentes, sem
internação domiciliares incluem-se, principalmente, os qualquer ônus para a seguridade social.
procedimentos médicos, de enfermagem, fisioterapêuticos,
psicológicos e de assistência social, entre outros CAPÍTULO II
necessários ao cuidado integral dos pacientes em seu Da Participação Complementar
domicílio. (Incluído pela Lei nº 10.424, de 2002)
§ 2o O atendimento e a internação domiciliares serão Art. 24. Quando as suas disponibilidades forem
realizados por equipes multidisciplinares que atuarão nos insuficientes para garantir a cobertura assistencial à
níveis da medicina preventiva, terapêutica e reabilitadora. população de uma determinada área, o Sistema Único de
(Incluído pela Lei nº 10.424, de 2002) Saúde (SUS) poderá recorrer aos serviços ofertados pela
§ 3o O atendimento e a internação domiciliares só iniciativa privada.
poderão ser realizados por indicação médica, com expressa
concordância do paciente e de sua família. (Incluído pela Lei Parágrafo único. A participação complementar dos
nº 10.424, de 2002) serviços privados será formalizada mediante contrato ou
convênio, observadas, a respeito, as normas de direito
CAPÍTULO VII público.

DO SUBSISTEMA DE ACOMPANHAMENTO DURANTE O Art. 25. Na hipótese do artigo anterior, as entidades


TRABALHO DE PARTO, PARTO E PÓS PARTO IMEDIATO filantrópicas e as sem fins lucrativos terão preferência para
(Incluído pela Lei nº 11.108, de 2005) participar do Sistema Único de Saúde (SUS).
Art. 19-J. Os serviços de saúde do Sistema Único de
Saúde - SUS, da rede própria ou conveniada, ficam Art. 26. Os critérios e valores para a remuneração de
obrigados a permitir a presença, junto à parturiente, de 1 serviços e os parâmetros de cobertura assistencial serão
(um) acompanhante durante todo o período de trabalho de estabelecidos pela direção nacional do Sistema Único de
parto, parto e pós-parto imediato. (Incluído pela Lei nº Saúde (SUS), aprovados no Conselho Nacional de Saúde.
11.108, de 2005)
§ 1o O acompanhante de que trata o caput deste artigo § 1° Na fixação dos critérios, valores, formas de
será indicado pela parturiente. (Incluído pela Lei nº 11.108, reajuste e de pagamento da remuneração aludida neste
de 2005) artigo, a direção nacional do Sistema Único de Saúde (SUS)
§ 2o As ações destinadas a viabilizar o pleno exercício deverá fundamentar seu ato em demonstrativo econômico-
dos direitos de que trata este artigo constarão do financeiro que garanta a efetiva qualidade de execução dos
regulamento da lei, a ser elaborado pelo órgão competente serviços contratados.
do Poder Executivo. (Incluído pela Lei nº 11.108, de 2005) § 2° Os serviços contratados submeter-se-ão às
Art. 19-L. (VETADO) (Incluído pela Lei nº 11.108, de normas técnicas e administrativas e aos princípios e
2005) diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS), mantido o
equilíbrio econômico e financeiro do contrato.
TÍTULO III § 3° (Vetado).
DOS SERVIÇOS PRIVADOS DE ASSISTÊNCIA À SAÙDE § 4° Aos proprietários, administradores e dirigentes de
entidades ou serviços contratados é vedado exercer cargo
CAPÍTULO I de chefia ou função de confiança no Sistema Único de
Do Funcionamento Saúde (SUS).

Art. 20. Os serviços privados de assistência à saúde TÍTULO IV


caracterizam-se pela atuação, por iniciativa própria, de DOS RECURSOS HUMANOS
profissionais liberais, legalmente habilitados, e de pessoas
jurídicas de direito privado na promoção, proteção e Art. 27. A política de recursos humanos na área da
recuperação da saúde. saúde será formalizada e executada, articuladamente, pelas
diferentes esferas de governo, em cumprimento dos
Art. 21. A assistência à saúde é livre à iniciativa privada. seguintes objetivos:

Art. 22. Na prestação de serviços privados de I - organização de um sistema de formação de recursos


assistência à saúde, serão observados os princípios éticos e humanos em todos os níveis de ensino, inclusive de pós-
as normas expedidas pelo órgão de direção do Sistema graduação, além da elaboração de programas de
Único de Saúde (SUS) quanto às condições para seu permanente aperfeiçoamento de pessoal;
funcionamento. II - (Vetado)
III - (Vetado)
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CONHECIMENTOS BÁSICOS DE SAÚDE PÚBLICA

IV - valorização da dedicação exclusiva aos serviços do § 5º As atividades de pesquisa e desenvolvimento


Sistema Único de Saúde (SUS). científico e tecnológico em saúde serão co-financiadas pelo
Sistema Único de Saúde (SUS), pelas universidades e pelo
Parágrafo único. Os serviços públicos que integram o orçamento fiscal, além de recursos de instituições de
Sistema Único de Saúde (SUS) constituem campo de prática fomento e financiamento ou de origem externa e receita
para ensino e pesquisa, mediante normas específicas, própria das instituições executoras.
elaboradas conjuntamente com o sistema educacional. § 6º (Vetado).

Art. 28. Os cargos e funções de chefia, direção e CAPÍTULO II


assessoramento, no âmbito do Sistema Único de Saúde Da Gestão Financeira
(SUS), só poderão ser exercidas em regime de tempo
integral. Art. 33. Os recursos financeiros do Sistema Único de
Saúde (SUS) serão depositados em conta especial, em cada
§ 1° Os servidores que legalmente acumulam dois esfera de sua atuação, e movimentados sob fiscalização dos
cargos ou empregos poderão exercer suas atividades em respectivos Conselhos de Saúde.
mais de um estabelecimento do Sistema Único de Saúde
(SUS). § 1º Na esfera federal, os recursos financeiros,
§ 2° O disposto no parágrafo anterior aplica-se também originários do Orçamento da Seguridade Social, de outros
aos servidores em regime de tempo integral, com exceção Orçamentos da União, além de outras fontes, serão
dos ocupantes de cargos ou função de chefia, direção ou administrados pelo Ministério da Saúde, através do Fundo
assessoramento. Nacional de Saúde.
§ 2º (Vetado).
Art. 29. (Vetado). § 3º (Vetado).
Art. 30. As especializações na forma de treinamento em § 4º O Ministério da Saúde acompanhará, através de
serviço sob supervisão serão regulamentadas por Comissão seu sistema de auditoria, a conformidade à programação
Nacional, instituída de acordo com o art. 12 desta Lei, aprovada da aplicação dos recursos repassados a Estados e
garantida a participação das entidades profissionais Municípios. Constatada a malversação, desvio ou não
correspondentes. aplicação dos recursos, caberá ao Ministério da Saúde
aplicar as medidas previstas em lei.
TÍTULO V
DO FINANCIAMENTO Art. 34. As autoridades responsáveis pela distribuição
CAPÍTULO I da receita efetivamente arrecadada transferirão
Dos Recursos automaticamente ao Fundo Nacional de Saúde (FNS),
observado o critério do parágrafo único deste artigo, os
Art. 31. O orçamento da seguridade social destinará ao recursos financeiros correspondentes às dotações
Sistema Único de Saúde (SUS) de acordo com a receita consignadas no Orçamento da Seguridade Social, a projetos
estimada, os recursos necessários à realização de suas e atividades a serem executados no âmbito do Sistema
finalidades, previstos em proposta elaborada pela sua Único de Saúde (SUS).
direção nacional, com a participação dos órgãos da
Previdência Social e da Assistência Social, tendo em vista as Parágrafo único. Na distribuição dos recursos
metas e prioridades estabelecidas na Lei de Diretrizes financeiros da Seguridade Social será observada a mesma
Orçamentárias. proporção da despesa prevista de cada área, no Orçamento
da Seguridade Social.
Art. 32. São considerados de outras fontes os recursos
provenientes de: Art. 35. Para o estabelecimento de valores a serem
transferidos a Estados, Distrito Federal e Municípios, será
I - (Vetado) utilizada a combinação dos seguintes critérios, segundo
II - Serviços que possam ser prestados sem prejuízo da análise técnica de programas e projetos:
assistência à saúde;
III - ajuda, contribuições, doações e donativos; I - perfil demográfico da região;
IV - alienações patrimoniais e rendimentos de capital; II - perfil epidemiológico da população a ser coberta;
V - taxas, multas, emolumentos e preços públicos III - características quantitativas e qualitativas da rede
arrecadados no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS); e de saúde na área;
VI - rendas eventuais, inclusive comerciais e industriais. IV - desempenho técnico, econômico e financeiro no
§ 1° Ao Sistema Único de Saúde (SUS) caberá metade período anterior;
da receita de que trata o inciso I deste artigo, apurada V - níveis de participação do setor saúde nos
mensalmente, a qual será destinada à recuperação de orçamentos estaduais e municipais;
viciados. VI - previsão do plano qüinqüenal de investimentos da
§ 2° As receitas geradas no âmbito do Sistema Único rede;
de Saúde (SUS) serão creditadas diretamente em contas VII - ressarcimento do atendimento a serviços prestados
especiais, movimentadas pela sua direção, na esfera de para outras esferas de governo.
poder onde forem arrecadadas. § 1º Metade dos recursos destinados a Estados e
§ 3º As ações de saneamento que venham a ser Municípios será distribuída segundo o quociente de sua
executadas supletivamente pelo Sistema Único de Saúde divisão pelo número de habitantes, independentemente de
(SUS), serão financiadas por recursos tarifários específicos e qualquer procedimento prévio.
outros da União, Estados, Distrito Federal, Municípios e, em § 2º Nos casos de Estados e Municípios sujeitos a
particular, do Sistema Financeiro da Habitação (SFH). notório processo de migração, os critérios demográficos
§ 4º (Vetado). mencionados nesta lei serão ponderados por outros

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CONHECIMENTOS BÁSICOS DE SAÚDE PÚBLICA

indicadores de crescimento populacional, em especial o de serviços, formação de recursos humanos e para


número de eleitores registrados. transferência de tecnologia.
§ 3º (Vetado).
§ 4º (Vetado). Art. 42. (Vetado).
§ 5º (Vetado).
§ 6º O disposto no parágrafo anterior não prejudica a Art. 43. A gratuidade das ações e serviços de saúde fica
atuação dos órgãos de controle interno e externo e nem a preservada nos serviços públicos contratados, ressalvando-
aplicação de penalidades previstas em lei, em caso de se as cláusulas dos contratos ou convênios estabelecidos
irregularidades verificadas na gestão dos recursos com as entidades privadas.
transferidos.
CAPÍTULO III Art. 44. (Vetado).
Do Planejamento e do Orçamento
Art. 45. Os serviços de saúde dos hospitais
Art. 36. O processo de planejamento e orçamento do universitários e de ensino integram-se ao Sistema Único de
Sistema Único de Saúde (SUS) será ascendente, do nível Saúde (SUS), mediante convênio, preservada a sua
local até o federal, ouvidos seus órgãos deliberativos, autonomia administrativa, em relação ao patrimônio, aos
compatibilizando-se as necessidades da política de saúde recursos humanos e financeiros, ensino, pesquisa e
com a disponibilidade de recursos em planos de saúde dos extensão nos limites conferidos pelas instituições a que
Municípios, dos Estados, do Distrito Federal e da União. estejam vinculados.

§ 1º Os planos de saúde serão a base das atividades e § 1º Os serviços de saúde de sistemas estaduais e
programações de cada nível de direção do Sistema Único de municipais de previdência social deverão integrar-se à
Saúde (SUS), e seu financiamento será previsto na direção correspondente do Sistema Único de Saúde (SUS),
respectiva proposta orçamentária. conforme seu âmbito de atuação, bem como quaisquer
§ 2º É vedada a transferência de recursos para o outros órgãos e serviços de saúde.
financiamento de ações não previstas nos planos de saúde, § 2º Em tempo de paz e havendo interesse recíproco,
exceto em situações emergenciais ou de calamidade os serviços de saúde das Forças Armadas poderão integrar-
pública, na área de saúde. se ao Sistema Único de Saúde (SUS), conforme se dispuser
em convênio que, para esse fim, for firmado.
Art. 37. O Conselho Nacional de Saúde estabelecerá as
diretrizes a serem observadas na elaboração dos planos de Art. 46. o Sistema Único de Saúde (SUS), estabelecerá
saúde, em função das características epidemiológicas e da mecanismos de incentivos à participação do setor privado no
organização dos serviços em cada jurisdição administrativa. investimento em ciência e tecnologia e estimulará a
transferência de tecnologia das universidades e institutos de
Art. 38. Não será permitida a destinação de subvenções pesquisa aos serviços de saúde nos Estados, Distrito
e auxílios a instituições prestadoras de serviços de saúde Federal e Municípios, e às empresas nacionais.
com finalidade lucrativa.
Art. 47. O Ministério da Saúde, em articulação com os
DAS DISPOSIÇÕES FINAIS E TRANSITÓRIAS níveis estaduais e municipais do Sistema Único de Saúde
(SUS), organizará, no prazo de dois anos, um sistema
Art. 39. (Vetado). nacional de informações em saúde, integrado em todo o
§ 1º (Vetado). território nacional, abrangendo questões epidemiológicas e
§ 2º (Vetado). de prestação de serviços.
§ 3º (Vetado).
§ 4º (Vetado). Art. 48. (Vetado).
§ 5º A cessão de uso dos imóveis de propriedade do
Inamps para órgãos integrantes do Sistema Único de Saúde Art. 49. (Vetado).
(SUS) será feita de modo a preservá-los como patrimônio da
Seguridade Social. Art. 50. Os convênios entre a União, os Estados e os
§ 6º Os imóveis de que trata o parágrafo anterior serão Municípios, celebrados para implantação dos Sistemas
inventariados com todos os seus acessórios, equipamentos Unificados e Descentralizados de Saúde, ficarão rescindidos
e outros à proporção que seu objeto for sendo absorvido pelo
§ 7º (Vetado). Sistema Único de Saúde (SUS).
§ 8º O acesso aos serviços de informática e bases de
dados, mantidos pelo Ministério da Saúde e pelo Ministério Art. 51. (Vetado).
do Trabalho e da Previdência Social, será assegurado às
Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde ou órgãos Art. 52. Sem prejuízo de outras sanções cabíveis,
congêneres, como suporte ao processo de gestão, de forma constitui crime de emprego irregular de verbas ou rendas
a permitir a gerencia informatizada das contas e a públicas (Código Penal, art. 315) a utilização de recursos
disseminação de estatísticas sanitárias e epidemiológicas financeiros do Sistema Único de Saúde (SUS) em finalidades
médico-hospitalares. diversas das previstas nesta lei.

Art. 40. (Vetado) Art. 53. (Vetado).

Art. 41. As ações desenvolvidas pela Fundação das Art. 54. Esta lei entra em vigor na data de sua
Pioneiras Sociais e pelo Instituto Nacional do Câncer, publicação.
supervisionadas pela direção nacional do Sistema Único de
Saúde (SUS), permanecerão como referencial de prestação

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CONHECIMENTOS BÁSICOS DE SAÚDE PÚBLICA

Art. 55. São revogadas a Lei nº. 2.312, de 3 de com os critérios previstos no art. 35 da Lei n° 8.080, de 19
setembro de 1954, a Lei nº. 6.229, de 17 de julho de 1975, e de setembro de 1990.
demais disposições em contrário.
§ 1° Enquanto não for regulamentada a aplicação dos
Brasília, 19 de setembro de 1990; 169º da critérios previstos no art. 35 da Lei n° 8.080, de 19 de
Independência e 102º da República. setembro de 1990, será utilizado, para o repasse de
recursos, exclusivamente o critério estabelecido no § 1° do
mesmo artigo.
LEI Nº 8.142, DE 28 DE DEZEMBRO DE § 2° Os recursos referidos neste artigo serão
1990. destinados, pelo menos setenta por cento, aos Municípios,
afetando-se o restante aos Estados.
§ 3° Os Municípios poderão estabelecer consórcio para
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, faço saber que o execução de ações e serviços de saúde, remanejando, entre
Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte lei: si, parcelas de recursos previstos no inciso IV do art. 2°
desta lei.
Art. 1° O Sistema Único de Saúde (SUS), de que trata a Art. 4° Para receberem os recursos, de que trata o art.
Lei n° 8.080, de 19 de setembro de 1990, contará, em cada 3° desta lei, os Municípios, os Estados e o Distrito Federal
esfera de governo, sem prejuízo das funções do Poder deverão contar com:
Legislativo, com as seguintes instâncias colegiadas:
I - Fundo de Saúde;
I - a Conferência de Saúde; e II - Conselho de Saúde, com composição paritária de
II - o Conselho de Saúde. acordo com o Decreto n° 99.438, de 7 de agosto de 1990;
§ 1° A Conferência de Saúde reunir-se-á a cada quatro III - plano de saúde;
anos com a representação dos vários segmentos sociais, IV - relatórios de gestão que permitam o controle de
para avaliar a situação de saúde e propor as diretrizes para que trata o § 4° do art. 33 da Lei n° 8.080, de 19 de
a formulação da política de saúde nos níveis setembro de 1990;
correspondentes, convocada pelo Poder Executivo ou, V - contrapartida de recursos para a saúde no
extraordinariamente, por esta ou pelo Conselho de Saúde. respectivo orçamento;
§ 2° O Conselho de Saúde, em caráter permanente e VI - Comissão de elaboração do Plano de Carreira,
deliberativo, órgão colegiado composto por representantes Cargos e Salários (PCCS), previsto o prazo de dois anos
do governo, prestadores de serviço, profissionais de saúde e para sua implantação.
usuários, atua na formulação de estratégias e no controle da
execução da política de saúde na instância correspondente, Parágrafo único. O não atendimento pelos Municípios,
inclusive nos aspectos econômicos e financeiros, cujas ou pelos Estados, ou pelo Distrito Federal, dos requisitos
decisões serão homologadas pelo chefe do poder estabelecidos neste artigo, implicará em que os recursos
legalmente constituído em cada esfera do governo. concernentes sejam administrados, respectivamente, pelos
§ 3° O Conselho Nacional de Secretários de Saúde Estados ou pela União.
(Conass) e o Conselho Nacional de Secretários Municipais
de Saúde (Conasems) terão representação no Conselho Art. 5° É o Ministério da Saúde, mediante portaria do
Nacional de Saúde. Ministro de Estado, autorizado a estabelecer condições para
§ 4° A representação dos usuários nos Conselhos de aplicação desta lei.
Saúde e Conferências será paritária em relação ao conjunto
dos demais segmentos. Art. 6° Esta lei entra em vigor na data de sua
§ 5° As Conferências de Saúde e os Conselhos de publicação.
Saúde terão sua organização e normas de funcionamento Art. 7° Revogam-se as disposições em contrário.
definidas em regimento próprio, aprovadas pelo respectivo
conselho. Brasília, 28 de dezembro de 1990; 169° da Independência e
Art. 2° Os recursos do Fundo Nacional de Saúde (FNS) 102° da República.
serão alocados como:
I - despesas de custeio e de capital do Ministério da
Saúde, seus órgãos e entidades, da administração direta e Decreto n.º 7.508 de 28 de junho de 2011
indireta;
II - investimentos previstos em lei orçamentária, de
iniciativa do Poder Legislativo e aprovados pelo Congresso Regulamenta a Lei no 8.080, de 19 de setembro de 1990,
Nacional; para dispor sobre a organização do Sistema Único de Saúde
III - investimentos previstos no Plano Qüinqüenal do - SUS, o planejamento da saúde, a assistência à saúde e a
Ministério da Saúde; articulação interfederativa, e dá outras providências.
IV - cobertura das ações e serviços de saúde a serem
implementados pelos Municípios, Estados e Distrito Federal. A PRESIDENTA DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que
lhe confere o art. 84, inciso IV, da Constituição, e tendo em
Parágrafo único. Os recursos referidos no inciso IV vista o disposto na Lei no 8.080, 19 de setembro de 1990,
deste artigo destinar-se-ão a investimentos na rede de
serviços, à cobertura assistencial ambulatorial e hospitalar e DECRETA:
às demais ações de saúde.
CAPÍTULO I
Art. 3° Os recursos referidos no inciso IV do art. 2° DAS DISPOSIÇÕES PRELIMINARES
desta lei serão repassados de forma regular e automática
para os Municípios, Estados e Distrito Federal, de acordo Art. 1o Este Decreto regulamenta a Lei no 8.080, de 19 de
setembro de 1990, para dispor sobre a organização do

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CONHECIMENTOS BÁSICOS DE SAÚDE PÚBLICA

Sistema Único de Saúde - SUS, o planejamento da saúde, a § 2o A instituição de Regiões de Saúde situadas em áreas de
assistência à saúde e a articulação interfederativa. fronteira com outros países deverá respeitar as normas que
regem as relações internacionais.
Art. 2o Para efeito deste Decreto, considera-se:
I - Região de Saúde - espaço geográfico contínuo constituído Art. 5o Para ser instituída, a Região de Saúde deve conter,
por agrupamentos de Municípios limítrofes, delimitado a no mínimo, ações e serviços de:
partir de identidades culturais, econômicas e sociais e de
redes de comunicação e infraestrutura de transportes I - atenção primária;
compartilhados, com a finalidade de integrar a organização, II - urgência e emergência;
o planejamento e a execução de ações e serviços de saúde; III - atenção psicossocial;
II - Contrato Organizativo da Ação Pública da Saúde - acordo de IV - atenção ambulatorial especializada e hospitalar; e
colaboração firmado entre entes federativos com a finalidade de V - vigilância em saúde.
organizar e integrar as ações e serviços de saúde na rede
regionalizada e hierarquizada, com definição de
Parágrafo único. A instituição das Regiões de Saúde
responsabilidades, indicadores e metas de saúde, critérios de
observará cronograma pactuado nas Comissões
avaliação de desempenho, recursos financeiros que serão
Intergestores.
disponibilizados, forma de controle e fiscalização de sua
execução e demais elementos necessários à implementação
integrada das ações e serviços de saúde; Art. 6o As Regiões de Saúde serão referência para as
III - Portas de Entrada - serviços de atendimento inicial à transferências de recursos entre os entes federativos.
saúde do usuário no SUS;
IV - Comissões Intergestores - instâncias de pactuação Art. 7o As Redes de Atenção à Saúde estarão
consensual entre os entes federativos para definição das compreendidas no âmbito de uma Região de Saúde, ou de
regras da gestão compartilhada do SUS; várias delas, em consonância com diretrizes pactuadas nas
V - Mapa da Saúde - descrição geográfica da distribuição de Comissões Intergestores.
recursos humanos e de ações e serviços de saúde ofertados
pelo SUS e pela iniciativa privada, considerando-se a Parágrafo único. Os entes federativos definirão os seguintes
capacidade instalada existente, os investimentos e o elementos em relação às Regiões de Saúde:
desempenho aferido a partir dos indicadores de saúde do
sistema; I - seus limites geográficos;
VI - Rede de Atenção à Saúde - conjunto de ações e II - população usuária das ações e serviços;
serviços de saúde articulados em níveis de complexidade III - rol de ações e serviços que serão ofertados; e
crescente, com a finalidade de garantir a integralidade da IV - respectivas responsabilidades, critérios de acessibilidade e
assistência à saúde; escala para conformação dos serviços.
VII - Serviços Especiais de Acesso Aberto - serviços de saúde
específicos para o atendimento da pessoa que, em razão de Seção II
agravo ou de situação laboral, necessita de atendimento Da Hierarquização
especial; e
VIII - Protocolo Clínico e Diretriz Terapêutica - documento Art. 8o O acesso universal, igualitário e ordenado às ações e
que estabelece: critérios para o diagnóstico da doença ou do serviços de saúde se inicia pelas Portas de Entrada do SUS
agravo à saúde; o tratamento preconizado, com os e se completa na rede regionalizada e hierarquizada, de
medicamentos e demais produtos apropriados, quando acordo com a complexidade do serviço.
couber; as posologias recomendadas; os mecanismos de
controle clínico; e o acompanhamento e a verificação dos Art. 9o São Portas de Entrada às ações e aos serviços de saúde
resultados terapêuticos, a serem seguidos pelos gestores do nas Redes de Atenção à Saúde os serviços:
SUS.
I - de atenção primária;
CAPÍTULO II II - de atenção de urgência e emergência;
DA ORGANIZAÇÃO DO SUS III - de atenção psicossocial; e
IV - especiais de acesso aberto.
Art. 3o O SUS é constituído pela conjugação das ações e
serviços de promoção, proteção e recuperação da saúde Parágrafo único. Mediante justificativa técnica e de acordo
executados pelos entes federativos, de forma direta ou com o pactuado nas Comissões Intergestores, os entes
indireta, mediante a participação complementar da iniciativa federativos poderão criar novas Portas de Entrada às ações
privada, sendo organizado de forma regionalizada e e serviços de saúde, considerando as características da
hierarquizada. Região de Saúde.

Seção I Art. 10. Os serviços de atenção hospitalar e os ambulatoriais


Das Regiões de Saúde especializados, entre outros de maior complexidade e
densidade tecnológica, serão referenciados pelas Portas de
Art. 4o As Regiões de Saúde serão instituídas pelo Estado, Entrada de que trata o art. 9o.
em articulação com os Municípios, respeitadas as diretrizes
gerais pactuadas na Comissão Intergestores Tripartite - CIT Art. 11. O acesso universal e igualitário às ações e aos
a que se refere o inciso I do art. 30. serviços de saúde será ordenado pela atenção primária e
deve ser fundado na avaliação da gravidade do risco
§ 1o Poderão ser instituídas Regiões de Saúde individual e coletivo e no critério cronológico, observadas as
interestaduais, compostas por Municípios limítrofes, por ato especificidades previstas para pessoas com proteção
conjunto dos respectivos Estados em articulação com os especial, conforme legislação vigente.
Municípios.
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CONHECIMENTOS BÁSICOS DE SAÚDE PÚBLICA

Parágrafo único. A população indígena contará com e os prazos do planejamento municipal em consonância com
regramentos diferenciados de acesso, compatíveis com suas os planejamentos estadual e nacional.
especificidades e com a necessidade de assistência integral
à sua saúde, de acordo com disposições do Ministério da CAPÍTULO IV
Saúde. DA ASSISTÊNCIA À SAÚDE

Art. 12. Ao usuário será assegurada a continuidade do cuidado Art. 20. A integralidade da assistência à saúde se inicia e se
em saúde, em todas as suas modalidades, nos serviços, completa na Rede de Atenção à Saúde, mediante
hospitais e em outras unidades integrantes da rede de atenção referenciamento do usuário na rede regional e interestadual,
da respectiva região. conforme pactuado nas Comissões Intergestores.

Parágrafo único. As Comissões Intergestores pactuarão as Seção I


regras de continuidade do acesso às ações e aos serviços Da Relação Nacional de Ações e Serviços de Saúde -
de saúde na respectiva área de atuação. RENASES

Art. 13. Para assegurar ao usuário o acesso universal, Art. 21. A Relação Nacional de Ações e Serviços de Saúde -
igualitário e ordenado às ações e serviços de saúde do SUS, RENASES compreende todas as ações e serviços que o SUS
caberá aos entes federativos, além de outras atribuições que oferece ao usuário para atendimento da integralidade da
venham a ser pactuadas pelas Comissões Intergestores: assistência à saúde.

I - garantir a transparência, a integralidade e a equidade no Art. 22. O Ministério da Saúde disporá sobre a RENASES em
acesso às ações e aos serviços de saúde; âmbito nacional, observadas as diretrizes pactuadas pela CIT.
II - orientar e ordenar os fluxos das ações e dos serviços de Parágrafo único. A cada dois anos, o Ministério da Saúde
saúde; consolidará e publicará as atualizações da RENASES.
III - monitorar o acesso às ações e aos serviços de saúde; e
IV - ofertar regionalmente as ações e os serviços de saúde. Art. 23. A União, os Estados, o Distrito Federal e os
Municípios pactuarão nas respectivas Comissões
Art. 14. O Ministério da Saúde disporá sobre critérios, Intergestores as suas responsabilidades em relação ao rol
diretrizes, procedimentos e demais medidas que auxiliem os de ações e serviços constantes da RENASES.
entes federativos no cumprimento das atribuições previstas
no art. 13. Art. 24. Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios
poderão adotar relações específicas e complementares de
CAPÍTULO III ações e serviços de saúde, em consonância com a
DO PLANEJAMENTO DA SAÚDE RENASES, respeitadas as responsabilidades dos entes pelo
seu financiamento, de acordo com o pactuado nas
Art. 15. O processo de planejamento da saúde será Comissões Intergestores.
ascendente e integrado, do nível local até o federal, ouvidos
os respectivos Conselhos de Saúde, compatibilizando-se as Seção II
necessidades das políticas de saúde com a disponibilidade Da Relação Nacional de Medicamentos Essenciais –
de recursos financeiros. RENAME

§ 1o O planejamento da saúde é obrigatório para os entes Art. 25. A Relação Nacional de Medicamentos Essenciais -
públicos e será indutor de políticas para a iniciativa privada. RENAME compreende a seleção e a padronização de
§ 2o A compatibilização de que trata o caput será efetuada medicamentos indicados para atendimento de doenças ou
no âmbito dos planos de saúde, os quais serão resultado do de agravos no âmbito do SUS.
planejamento integrado dos entes federativos, e deverão
conter metas de saúde. Parágrafo único. A RENAME será acompanhada do
§ 3o O Conselho Nacional de Saúde estabelecerá as Formulário Terapêutico Nacional - FTN que subsidiará a
diretrizes a serem observadas na elaboração dos planos de prescrição, a dispensação e o uso dos seus medicamentos.
saúde, de acordo com as características epidemiológicas e
da organização de serviços nos entes federativos e nas Art. 26. O Ministério da Saúde é o órgão competente para
Regiões de Saúde. dispor sobre a RENAME e os Protocolos Clínicos e Diretrizes
Terapêuticas em âmbito nacional, observadas as diretrizes
Art. 16. No planejamento devem ser considerados os pactuadas pela CIT.
serviços e as ações prestados pela iniciativa privada, de
forma complementar ou não ao SUS, os quais deverão Parágrafo único. A cada dois anos, o Ministério da Saúde
compor os Mapas da Saúde regional, estadual e nacional. consolidará e publicará as atualizações da RENAME, do
respectivo FTN e dos Protocolos Clínicos e Diretrizes
Art. 17. O Mapa da Saúde será utilizado na identificação das Terapêuticas.
necessidades de saúde e orientará o planejamento integrado
dos entes federativos, contribuindo para o estabelecimento Art. 27. O Estado, o Distrito Federal e o Município poderão
de metas de saúde. adotar relações específicas e complementares de
medicamentos, em consonância com a RENAME,
Art. 18. O planejamento da saúde em âmbito estadual deve ser respeitadas as responsabilidades dos entes pelo
realizado de maneira regionalizada, a partir das necessidades financiamento de medicamentos, de acordo com o pactuado
dos Municípios, considerando o estabelecimento de metas de nas Comissões Intergestores.
saúde.
Art. 19. Compete à Comissão Intergestores Bipartite - CIB de Art. 28. O acesso universal e igualitário à assistência
que trata o inciso II do art. 30 pactuar as etapas do processo farmacêutica pressupõe, cumulativamente:
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CONHECIMENTOS BÁSICOS DE SAÚDE PÚBLICA

V - referências das regiões intraestaduais e interestaduais de


I - estar o usuário assistido por ações e serviços de saúde do atenção à saúde para o atendimento da integralidade da
SUS; assistência.
II - ter o medicamento sido prescrito por profissional de
saúde, no exercício regular de suas funções no SUS; Parágrafo único. Serão de competência exclusiva da CIT a
III - estar a prescrição em conformidade com a RENAME e pactuação:
os Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas ou com a
relação específica complementar estadual, distrital ou I - das diretrizes gerais para a composição da RENASES;
municipal de medicamentos; e II - dos critérios para o planejamento integrado das ações e
IV - ter a dispensação ocorrido em unidades indicadas pela serviços de saúde da Região de Saúde, em razão do
direção do SUS. compartilhamento da gestão; e
§ 1o Os entes federativos poderão ampliar o acesso do III - das diretrizes nacionais, do financiamento e das
usuário à assistência farmacêutica, desde que questões de questões operacionais das Regiões de Saúde situadas em
saúde pública o justifiquem. fronteiras com outros países, respeitadas, em todos os
§ 2o O Ministério da Saúde poderá estabelecer regras casos, as normas que regem as relações internacionais.
diferenciadas de acesso a medicamentos de caráter
especializado. Seção II
Do Contrato Organizativo da Ação Pública da Saúde
Art. 29. A RENAME e a relação específica complementar
estadual, distrital ou municipal de medicamentos somente Art. 33. O acordo de colaboração entre os entes federativos
poderão conter produtos com registro na Agência Nacional para a organização da rede interfederativa de atenção à saúde
de Vigilância Sanitária - ANVISA. será firmado por meio de Contrato Organizativo da Ação Pública
da Saúde.
CAPÍTULO V
DA ARTICULAÇÃO INTERFEDERATIVA Art. 34. O objeto do Contrato Organizativo de Ação Pública
Seção I da Saúde é a organização e a integração das ações e dos
Das Comissões Intergestores serviços de saúde, sob a responsabilidade dos entes
federativos em uma Região de Saúde, com a finalidade de
Art. 30. As Comissões Intergestores pactuarão a garantir a integralidade da assistência aos usuários.
organização e o funcionamento das ações e serviços de
saúde integrados em redes de atenção à saúde, sendo: Parágrafo único. O Contrato Organizativo de Ação Pública
da Saúde resultará da integração dos planos de saúde dos
I - a CIT, no âmbito da União, vinculada ao Ministério da entes federativos na Rede de Atenção à Saúde, tendo como
Saúde para efeitos administrativos e operacionais; fundamento as pactuações estabelecidas pela CIT.
II - a CIB, no âmbito do Estado, vinculada à Secretaria
Estadual de Saúde para efeitos administrativos e Art. 35. O Contrato Organizativo de Ação Pública da Saúde
operacionais; e definirá as responsabilidades individuais e solidárias dos
III - a Comissão Intergestores Regional - CIR, no âmbito entes federativos com relação às ações e serviços de saúde,
regional, vinculada à Secretaria Estadual de Saúde para os indicadores e as metas de saúde, os critérios de
efeitos administrativos e operacionais, devendo observar as avaliação de desempenho, os recursos financeiros que
diretrizes da CIB. serão disponibilizados, a forma de controle e fiscalização da
sua execução e demais elementos necessários à
Art. 31. Nas Comissões Intergestores, os gestores públicos implementação integrada das ações e serviços de saúde.
de saúde poderão ser representados pelo Conselho
Nacional de Secretários de Saúde - CONASS, pelo Conselho § 1o O Ministério da Saúde definirá indicadores nacionais de
Nacional de Secretarias Municipais de Saúde - CONASEMS garantia de acesso às ações e aos serviços de saúde no âmbito
e pelo Conselho Estadual de Secretarias Municipais de do SUS, a partir de diretrizes estabelecidas pelo Plano Nacional
Saúde - COSEMS. de Saúde.
§ 2o O desempenho aferido a partir dos indicadores
Art. 32. As Comissões Intergestores pactuarão: nacionais de garantia de acesso servirá como parâmetro
para avaliação do desempenho da prestação das ações e
I - aspectos operacionais, financeiros e administrativos da dos serviços definidos no Contrato Organizativo de Ação
gestão compartilhada do SUS, de acordo com a definição da Pública de Saúde em todas as Regiões de Saúde,
política de saúde dos entes federativos, consubstanciada considerando-se as especificidades municipais, regionais e
nos seus planos de saúde, aprovados pelos respectivos estaduais.
conselhos de saúde;
II - diretrizes gerais sobre Regiões de Saúde, integração de Art. 36. O Contrato Organizativo da Ação Pública de Saúde
limites geográficos, referência e contrarreferência e demais conterá as seguintes disposições essenciais:
aspectos vinculados à integração das ações e serviços de
saúde entre os entes federativos; I - identificação das necessidades de saúde locais e
III - diretrizes de âmbito nacional, estadual, regional e regionais;
interestadual, a respeito da organização das redes de II - oferta de ações e serviços de vigilância em saúde,
atenção à saúde, principalmente no tocante à gestão promoção, proteção e recuperação da saúde em âmbito
institucional e à integração das ações e serviços dos entes regional e inter-regional;
federativos; III - responsabilidades assumidas pelos entes federativos
IV - responsabilidades dos entes federativos na Rede de perante a população no processo de regionalização, as quais
Atenção à Saúde, de acordo com o seu porte demográfico e serão estabelecidas de forma individualizada, de acordo com o
seu desenvolvimento econômico-financeiro, estabelecendo as perfil, a organização e a capacidade de prestação das ações e
responsabilidades individuais e as solidárias; e dos serviços de cada ente federativo da Região de Saúde;
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CONHECIMENTOS BÁSICOS DE SAÚDE PÚBLICA

IV - indicadores e metas de saúde; Art. 42. Sem prejuízo das outras providências legais, o
V - estratégias para a melhoria das ações e serviços de Ministério da Saúde informará aos órgãos de controle interno
saúde; e externo:
VI - critérios de avaliação dos resultados e forma de
monitoramento permanente; I - o descumprimento injustificado de responsabilidades na
VII - adequação das ações e dos serviços dos entes prestação de ações e serviços de saúde e de outras
federativos em relação às atualizações realizadas na obrigações previstas neste Decreto;
RENASES; II - a não apresentação do Relatório de Gestão a que se
VIII - investimentos na rede de serviços e as respectivas refere o inciso IV do art. 4º da Lei no 8.142, de 1990;
responsabilidades; e III - a não aplicação, malversação ou desvio de recursos
IX - recursos financeiros que serão disponibilizados por cada financeiros; e
um dos partícipes para sua execução. IV - outros atos de natureza ilícita de que tiver conhecimento.

Parágrafo único. O Ministério da Saúde poderá instituir Art. 43. A primeira RENASES é a somatória de todas as
formas de incentivo ao cumprimento das metas de saúde e à ações e serviços de saúde que na data da publicação deste
melhoria das ações e serviços de saúde. Decreto são ofertados pelo SUS à população, por meio dos
entes federados, de forma direta ou indireta.
Art. 37. O Contrato Organizativo de Ação Pública de Saúde
observará as seguintes diretrizes básicas para fins de Art. 44. O Conselho Nacional de Saúde estabelecerá as
garantia da gestão participativa: diretrizes de que trata o § 3o do art. 15 no prazo de cento e
oitenta dias a partir da publicação deste Decreto.
I - estabelecimento de estratégias que incorporem a
avaliação do usuário das ações e dos serviços, como Art. 45. Este Decreto entra em vigor na data de sua
ferramenta de sua melhoria; publicação.
II - apuração permanente das necessidades e interesses do
usuário; e Brasília, 28 de junho de 2011; 190o da Independência e 123o
III - publicidade dos direitos e deveres do usuário na saúde da República.
em todas as unidades de saúde do SUS, inclusive nas
unidades privadas que dele participem de forma DILMA ROUSSEFF
complementar.

Art. 38. A humanização do atendimento do usuário será fator Lei n.º 12.401, de 28 de abril de 2011
determinante para o estabelecimento das metas de saúde
previstas no Contrato Organizativo de Ação Pública de
Saúde. Altera a Lei no 8.080, de 19 de setembro de 1990, para
dispor sobre a assistência terapêutica e a incorporação de
Art. 39. As normas de elaboração e fluxos do Contrato tecnologia em saúde no âmbito do Sistema Único de Saúde -
Organizativo de Ação Pública de Saúde serão pactuados SUS.
pelo CIT, cabendo à Secretaria de Saúde Estadual
coordenar a sua implementação. A PRESIDENTA DA REPÚBLICA Faço saber que o
Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
Art. 40. O Sistema Nacional de Auditoria e Avaliação do
SUS, por meio de serviço especializado, fará o controle e a Art. 1o O Título II da Lei n o 8.080, de 19 de setembro de
fiscalização do Contrato Organizativo de Ação Pública da 1990, passa a vigorar acrescido do seguinte Capítulo VIII:
Saúde.
“CAPÍTULO VIII
§ 1o O Relatório de Gestão a que se refere o inciso IV do art. DA ASSISTÊNCIA TERAPÊUTICA E DA INCORPORAÇÃO
4o da Lei no 8.142, de 28 de dezembro de 1990, conterá DE
seção específica relativa aos compromissos assumidos no TECNOLOGIA EM SAÚDE”
âmbito do Contrato Organizativo de Ação Pública de Saúde.
§ 2o O disposto neste artigo será implementado em “Art. 19-M. A assistência terapêutica integral a que se refere
conformidade com as demais formas de controle e a alínea d do inciso I do art. 6o consiste em:
fiscalização previstas em Lei.
I - dispensação de medicamentos e produtos de interesse
Art. 41. Aos partícipes caberá monitorar e avaliar a execução para a saúde, cuja prescrição esteja em conformidade com
do Contrato Organizativo de Ação Pública de Saúde, em as diretrizes terapêuticas definidas em protocolo clínico para
relação ao cumprimento das metas estabelecidas, ao seu a doença ou o agravo à saúde a ser tratado ou, na falta do
desempenho e à aplicação dos recursos disponibilizados. protocolo, em conformidade com o disposto no art. 19-P;
II - oferta de procedimentos terapêuticos, em regime
Parágrafo único. Os partícipes incluirão dados sobre o domiciliar, ambulatorial e hospitalar, constantes de tabelas
Contrato Organizativo de Ação Pública de Saúde no sistema elaboradas pelo gestor federal do Sistema Único de Saúde -
de informações em saúde organizado pelo Ministério da SUS, realizados no território nacional por serviço próprio,
Saúde e os encaminhará ao respectivo Conselho de Saúde conveniado ou contratado.”
para monitoramento.
CAPÍTULO VI “Art. 19-N. Para os efeitos do disposto no art. 19-M, são
DAS DISPOSIÇÕES FINAIS adotadas as seguintes definições:
I - produtos de interesse para a saúde: órteses, próteses,
bolsas coletoras e equipamentos médicos;

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CONHECIMENTOS BÁSICOS DE SAÚDE PÚBLICA

II - protocolo clínico e diretriz terapêutica: documento que superior a 180 (cento e oitenta) dias, contado da data em
estabelece critérios para o diagnóstico da doença ou do que foi protocolado o pedido, admitida a sua prorrogação por
agravo à saúde; o tratamento preconizado, com os 90 (noventa) dias corridos, quando as circunstâncias
medicamentos e demais produtos apropriados, quando exigirem.
couber; as posologias recomendadas; os mecanismos de § 1o O processo de que trata o caput deste artigo observará,
controle clínico; e o acompanhamento e a verificação dos no que couber, o disposto na Lei n o 9.784, de 29 de janeiro
resultados terapêuticos, a serem seguidos pelos gestores do de 1999, e as seguintes determinações especiais:
SUS.” I - apresentação pelo interessado dos documentos e, se
cabível, das amostras de produtos, na forma do
“Art. 19-O. Os protocolos clínicos e as diretrizes terapêuticas regulamento, com informações necessárias para o
deverão estabelecer os medicamentos ou produtos atendimento do disposto no § 2o do art. 19-Q;
necessários nas diferentes fases evolutivas da doença ou do II - (VETADO);
agravo à saúde de que tratam, bem como aqueles indicados III - realização de consulta pública que inclua a divulgação
em casos de perda de eficácia e de surgimento de do parecer emitido pela Comissão Nacional de Incorporação
intolerância ou reação adversa relevante, provocadas pelo de Tecnologias no SUS;
medicamento, produto ou procedimento de primeira escolha. IV - realização de audiência pública, antes da tomada de
decisão, se a relevância da matéria justificar o evento.
Parágrafo único. Em qualquer caso, os medicamentos ou § 2o (VETADO).”
produtos de que trata o caput deste artigo serão aqueles
avaliados quanto à sua eficácia, segurança, efetividade e “Art. 19-S. (VETADO).”
custo-efetividade para as diferentes fases evolutivas da
doença ou do agravo à saúde de que trata o protocolo.” “Art. 19-T. São vedados, em todas as esferas de gestão do
SUS:
“Art. 19-P. Na falta de protocolo clínico ou de diretriz
terapêutica, a dispensação será realizada: I - o pagamento, o ressarcimento ou o reembolso de
medicamento, produto e procedimento clínico ou cirúrgico
I - com base nas relações de medicamentos instituídas pelo experimental, ou de uso não autorizado pela Agência
gestor federal do SUS, observadas as competências Nacional de Vigilância Sanitária - ANVISA;
estabelecidas nesta Lei, e a responsabilidade pelo II - a dispensação, o pagamento, o ressarcimento ou o
fornecimento será pactuada na Comissão Intergestores reembolso de medicamento e produto, nacional ou
Tripartite; importado, sem registro na Anvisa.”
II - no âmbito de cada Estado e do Distrito Federal, de forma
suplementar, com base nas relações de medicamentos “Art. 19-U. A responsabilidade financeira pelo fornecimento
instituídas pelos gestores estaduais do SUS, e a de medicamentos, produtos de interesse para a saúde ou
responsabilidade pelo fornecimento será pactuada na procedimentos de que trata este Capítulo será pactuada na
Comissão Intergestores Bipartite; Comissão Intergestores Tripartite.”
III - no âmbito de cada Município, de forma suplementar, com
base nas relações de medicamentos instituídas pelos Art. 2o Esta Lei entra em vigor 180 (cento e oitenta) dias
gestores municipais do SUS, e a responsabilidade pelo após a data de sua publicação.
fornecimento será pactuada no Conselho Municipal de
Saúde.” Brasília, 28 de abril de 2011; 190 o da Independência e 123o
da República.
“Art. 19-Q. A incorporação, a exclusão ou a alteração pelo
SUS de novos medicamentos, produtos e procedimentos, DILMA ROUSSEFF
bem como a constituição ou a alteração de protocolo clínico
ou de diretriz terapêutica, são atribuições do Ministério da
Saúde, assessorado pela Comissão Nacional de
Incorporação de Tecnologias no SUS.
Lei n.º 12.466, de 24 de agosto de 2011
§ 1o A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias
no SUS, cuja composição e regimento são definidos em Acrescenta arts. 14-A e 14-B à Lei no 8.080, de 19 de
regulamento, contará com a participação de 1 (um) setembro de 1990, que “dispõe sobre as condições para a
representante indicado pelo Conselho Nacional de Saúde e promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização
de 1 (um) representante, especialista na área, indicado pelo e o funcionamento dos serviços correspondentes e dá outras
Conselho Federal de Medicina. providências”, para dispor sobre as comissões intergestores
§ 2o O relatório da Comissão Nacional de Incorporação de do Sistema Único de Saúde (SUS), o Conselho Nacional de
Tecnologias no SUS levará em consideração, Secretários de Saúde (Conass), o Conselho Nacional de
necessariamente: Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) e suas
I - as evidências científicas sobre a eficácia, a acurácia, a respectivas composições, e dar outras providências.
efetividade e a segurança do medicamento, produto ou
procedimento objeto do processo, acatadas pelo órgão PRESIDENTA DA REPÚBLICA Faço saber que o
competente para o registro ou a autorização de uso; Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
II - a avaliação econômica comparativa dos benefícios e dos
custos em relação às tecnologias já incorporadas, inclusive Art. 1o O Capítulo III do Título II da Lei n o 8.080, de 19 de
no que se refere aos atendimentos domiciliar, ambulatorial setembro de 1990, passa a vigorar acrescido dos seguintes
ou hospitalar, quando cabível.” arts. 14-A e 14-B:

“Art. 19-R. A incorporação, a exclusão e a alteração a que se “Art. 14-A. As Comissões Intergestores Bipartite e Tripartite
refere o art. 19-Q serão efetuadas mediante a instauração de são reconhecidas como foros de negociação e pactuação
processo administrativo, a ser concluído em prazo não
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CONHECIMENTOS BÁSICOS DE SAÚDE PÚBLICA

entre gestores, quanto aos aspectos operacionais do


Sistema Único de Saúde (SUS).

Parágrafo único. A atuação das Comissões Intergestores


Bipartite e Tripartite terá por objetivo:

I - decidir sobre os aspectos operacionais, financeiros e


administrativos da gestão compartilhada do SUS, em
conformidade com a definição da política consubstanciada
em planos de saúde, aprovados pelos conselhos de saúde;
II - definir diretrizes, de âmbito nacional, regional e
intermunicipal, a respeito da organização das redes de
ações e serviços de saúde, principalmente no tocante à sua
governança institucional e à integração das ações e serviços
dos entes federados;
III - fixar diretrizes sobre as regiões de saúde, distrito
sanitário, integração de territórios, referência e
contrarreferência e demais aspectos vinculados à integração
das ações e serviços de saúde entre os entes federados.”

“Art. 14-B. O Conselho Nacional de Secretários de Saúde


(Conass) e o Conselho Nacional de Secretarias Municipais
de Saúde (Conasems) são reconhecidos como entidades
representativas dos entes estaduais e municipais para tratar
de matérias referentes à saúde e declarados de utilidade
pública e de relevante função social, na forma do
regulamento.

§ 1o O Conass e o Conasems receberão recursos do


orçamento geral da União por meio do Fundo Nacional de
Saúde, para auxiliar no custeio de suas despesas
institucionais, podendo ainda celebrar convênios com a
União.
§ 2o Os Conselhos de Secretarias Municipais de Saúde
(Cosems) são reconhecidos como entidades que
representam os entes municipais, no âmbito estadual, para
tratar de matérias referentes à saúde, desde que vinculados
institucionalmente ao Conasems, na forma que dispuserem
seus estatutos.”

Art. 2o Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 24 de agosto de 2011; 190 o da Independência e


123o da República.

DILMA ROUSSEFF

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