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SUMÁRIO
1. SANGUE ............................................................................................................... 1
1.1. Funções .................................................................................................... 1
1.2. Circulação Periférica .................................................................................. 1
1.3. Composição .............................................................................................. 3
2. ERITRÓCITOS ...................................................................................................... 4
2.1. Eritropoiese ............................................................................................... 5
2.2. Estrutura ................................................................................................... 6
3. HEMOGLOBINA.................................................................................................... 9
4. FERRO ................................................................................................................ 11
5. HEMATÓCRITO .................................................................................................. 12
6. ERITROGRAMA .................................................................................................. 14
6.1. Contagem de Eritrócitos............................................................................ 14
6.2. Dosagem de Hemoglobina ........................................................................ 15
6.3. Hematócrito ............................................................................................. 16
6.4. Volume Corpuscular Médio (VCM) ............................................................. 16
6.5. RDW (red cell distribution width) ................................................................ 17
6.6. Hemoglobina Corpuscular Média (HCM) .................................................... 17
6.7. Concentração de Hemoglobina Corpuscular Média (CHCM) ........................ 18
6.8. Anisocitose .............................................................................................. 19
6.9. Anisocromia ............................................................................................. 20
6.10. Poiquilocitose .......................................................................................... 21
7. LEUCÓCITOS ..................................................................................................... 23
7.1. Leucopoiese ............................................................................................ 23
7.2. Funções .................................................................................................. 24
7.3. Neutrófilos ............................................................................................... 26
7.4. Eosinófilos ............................................................................................... 27
7.5. Basófilos ................................................................................................. 28
7.6. Monócitos ................................................................................................ 29
7.7. Linfócitos ................................................................................................. 29
8. PLAQUETAS ....................................................................................................... 32
9. INTERPRETAÇÃO .............................................................................................. 33
9.1. Eritrograma.............................................................................................. 33
9.2. Leucograma ............................................................................................ 34
9.3. Plaquetograma ........................................................................................ 35
10. TÉCNICAS ...................................................................................................... 36
10.1. Materiais Utilizados no Laboratório de Hematologia .................................... 36
10.2. Contagem Manual de Eritrócitos ................................................................ 37
10.3. Microhematócrito...................................................................................... 38
10.4. Contagem Global de Leucócitos Manual .................................................... 39
10.5. Contagem Diferencial de Leucócitos Manual .............................................. 40
10.6. Dicas para Fazer a Distensão Sanguínea ................................................... 42
10.7. Corantes Hematológicos ........................................................................... 44
10.8. Como Descrever a Morfologia de um Leucócito .......................................... 45
10.9. Contagem Manual de Reticulócitos ............................................................ 46
10.10. Velocidade de Hemossedimentação ...................................................... 48
10.11. Testes da Antiglobulina Direto (Coombs Direto) ...................................... 50
10.12. Tipagem Sanguínea ............................................................................. 52
11. REFERÊNCIAS ............................................................................................... 54
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1. SANGUE

1.1. Funções

A principal função do sangue é a de transportar o oxigênio e outros


nutrientes como glicose, aminoácidos, proteínas, gorduras, água, eletrólitos e
elementos minerais até as células do organismo e remover o dióxido de carbono
e outros resíduos do metabolismo.
O sangue participa do ajuste do teor de água dos diversos compartimentos
líquidos do organismo e regula a concentração de íons H+ mediante trocas
iônicas e pela ação dos sistemas tampão, fundamentais à manutenção do pH
dentro de limites adequados à função das enzimas e organelas celulares.
O sangue distribui os hormônios produzidos pelas glândulas endócrinas,
por todo o organismo e participa dos mecanismos de regulação da temperatura
corporal. Concentra também um importante sistema de defesa do organismo
contra agentes invasores de diversas naturezas, incluindo-se as bactérias e
agentes químicos.
O sangue participa do transporte e eliminação de substâncias absorvidas
pelo organismo, inclusive os agentes farmacológicos, promovendo a sua
eliminação, através dos pulmões, dos rins, pele ou pelas fezes.

1.2. Circulação Periférica

O sistema circulatório consiste em um grande sistema fechado, constituído


por vasos que conduzem o sangue aos tecidos e destes de volta aos átrios, para
novo ciclo através do organismo.
A circulação se divide em dois segmentos, cuja continuidade é assegurada
pelo coração: a circulação sistêmica e circulação pulmonar.
A circulação sistêmica, também denominada grande circulação, transporta
o sangue a todos os tecidos do corpo. Além disso, também assegura a nutrição
dos vasos que constituem a pequena circulação, ou circulação pulmonar. Ela é
chamada de grande circulação ou circulação periférica.
A pequena circulação – circulação pulmonar – assegura o transporte do
sangue até os capilares pulmonares para a realização das trocas gasosas
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respiratórias com o ar contido nos alvéolos pulmonares. As vênulas e veias da


circulação pulmonar transportam o sangue oxigenado até o átrio esquerdo,
chegando no ventrículo esquerdo e, finalmente, ser bombeado para todos os
órgãos.
As artérias transportam o sangue bombeado pelo coração para os tecidos
sob alta pressão, a pressão arterial. Por essa razão, as suas paredes são
resistentes e o sangue flui rapidamente, pelo seu interior. À medida que as
artérias se afastam do coração, elas se ramificam continuamente, até formarem
as arteríolas que são os últimos ramos de pequenas dimensões do sistema
arterial. As arteríolas atuam como válvulas controladoras da liberação do sangue
para os capilares.
As paredes das arteríolas são musculares, fortes e podem fechar a
arteríola ou promover a sua dilatação e, desse modo, alterar o fluxo sanguíneo
para os capilares com o objetivo de suprir as necessidades de cada tecido.
As arteríolas se conectam à rede de capilares, que tem contato com todas
as células do organismo. Cada célula tem contato com pelo menos um vaso
capilar que serve à sua nutrição e à coleção dos resíduos do seu metabolismo.
As vênulas coletam o sangue dos capilares, formando assim veias
maiores, que acompanham regularmente o trajeto das artérias, em sentido
inverso. Nas porções periféricas da circulação, é frequente a existência de duas
veias para cada artéria. As veias levam o sangue dos tecidos de volta ao coração
e também atuam como reservatório de sangue.
As paredes venosas são delgadas porque as pressões existentes no
interior do sistema venoso são muito baixas. As paredes das veias também são
musculares, o que permite a sua contração ou a sua dilatação, conforme as
necessidades. Esse mecanismo faz com que o sistema venoso constitua um
reservatório de sangue, cuja capacidade pode ser controlada pelas
necessidades do organismo.
O revestimento interno do coração é o endocárdio, que se continua com o
endotélio, que reveste o sistema circulatório. O endotélio e o endocárdio são
as únicas estruturas que tem contato com o sangue. Por sua natureza e
propriedades especiais o endotélio ajuda a manter o sangue na forma líquida,
sem formar coágulos. O endotélio desempenha um papel primordial nos
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mecanismos que controlam a coagulação do sangue e a dissolução dos


coágulos formados no interior dos vasos (fibrinólise).
Várias substâncias secretadas pelo endotélio participam desse equilíbrio
cuja finalidade é manter a fluidez do sangue, sem permitir hemorragias ou a
formação de coágulos irregulares. Esse equilíbrio, chamado Hemostasia, é
essencial à manutenção da vida, pela preservação do transporte de nutrientes
às células e pela preservação dos mecanismos de eliminação dos detritos do
metabolismo celular.
Nas veias, o endotélio forma pregas ou cúspides a intervalos regulares,
que funcionam como válvulas unidirecionais e auxiliam a orientar a corrente do
sangue para o átrio.

1.3. Composição

Os órgãos são agregados de muitas células, unidas por estruturas


intercelulares de sustentação. Os grupos de células que desempenham uma
mesma função são denominados tecidos. O organismo humano é constituído por
cerca de 75 trilhões de células, organizadas em tecidos de diferentes tipos e
funções. As hemácias são as células mais numerosas, das quais existem cerca
de 25 trilhões.
ELEMENTOS
O sangue é um tecido PLASMA
CELULARES
líquido complexo, de alta
► Água
viscosidade, com grande teor de ► Proteínas
► Eritrócitos
água e composto por elementos ► Leucócitos ► Eletrólitos
► Lipídios
celulares e plasma. É formado ► Plaquetas ► Glicose
por uma fase celular, que ► Hormônios

compreende os eritrócitos (hemácias), leucócitos (glóbulos brancos) e as


plaquetas, que são fragmentos celulares. A outra fase do sangue é líquida, o
plasma sanguíneo, que contém 91% de água; contém ainda proteínas,
eletrólitos, gorduras, glicose, hormônios e numerosas outras substâncias.
O volume de sangue existente no sistema circulatório é chamado volemia
e tem relação com a idade, o peso e a massa corporal do indivíduo. Um adulto
pode ter de 4 a 6 litros de sangue no organismo. O volume total de sangue na
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idade adulta corresponde a aproximadamente 60 mL para cada quilograma de


peso. O volume relativo de sangue é maior nas crianças que nos adultos.
Uma criança recém-nascida tem 85 mL de sangue para cada kg de peso
corporal, enquanto um organismo adulto tem 60 mL.
O volume de sangue relativo ao peso do organismo é cerca de 40% maior,
nas crianças recém-nascidas. A volemia dos indivíduos é um importante
parâmetro na avaliação das perdas sanguíneas agudas, em situações de
emergência ou após traumatismos e, pode auxiliar no cálculo do volume de
reposição.

2. ERITRÓCITOS

Os eritrócitos ou hemácias são as células encontradas em maior


quantidade no sangue e que lhe conferem a cor vermelha. O constituinte mais
importante da hemácia é a hemoglobina, que transporta o oxigênio mediante
ligação química com as suas moléculas.

Existem, em média, 4,5 milhões de hemácias em cada mililitro de sangue,


no homem e cerca de 4 milhões, na mulher. Quando a quantidade de hemácias
no sangue está diminuída, o paciente tem anemia; se estiver aumentada o
fenômeno se chama poliglobulia ou policitemia.
A sobrevida média das hemácias no sangue circulante é de 100 a 120
dias; a medula óssea produz hemácias continuamente, para a renovação do
contingente no sangue circulante.
A principal função das hemácias é abrigar a hemoglobina para o transporte
de oxigênio aos tecidos. A hemácia também transporta o dióxido de carbono
para eliminação nos alvéolos pulmonares.
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2.1. Eritropoiese

No segundo mês da vida fetal o sangue já apresenta eritrócitos, leucócitos


e plaquetas. Durante o quarto mês, a formação das células do sangue se
processa no fígado e no baço do feto (fase hepática de fabricação do sangue).
Na metade da gestação, a medula óssea, tecido que preenche o interior
dos ossos longos e chatos, começa a produzir o sangue (fase mieloide). A
produção de sangue na medula óssea continua após o nascimento e se mantém
durante toda a vida do indivíduo.
A medula óssea contém um tipo de célula “matriz”, chamada célula
reticular primitiva, que funciona como uma fonte permanente de células
sanguíneas. A célula reticular primitiva origina o hemocitoblasto. Este, por sua
vez, origina as hemácias, alguns tipos de leucócitos e as plaquetas.

Eritroblasto Eritroblasto Eritroblasto Eritrócito


Proeritroblasto Reticulócito
basófilo policromático ortocromático maduro

Medula óssea Sangue periférico

O hemocitoblasto se divide em células menores, os proeritroblastos, que


por sua vez se dividem para formar os eritroblastos. Estas últimas células sofrem
diversas transformações até que perdem o núcleo, para se constituir nas
hemácias. O processo de formação do sangue é denominado eritropoiese; e é
regulada por um hormônio de natureza glicoproteica, a eritropoetina (EPO).
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Do total, 90% da produção de EPO é realizada pelo tecido renal, mais


especificamente pelas células intersticiais peritubulares. Os 10% restantes são
produzidos no fígado. Quando os rins se tornam hipóxicos (diminuição de O2),
liberam a EPO, que liga-se ao receptor de eritropoetina (EpoR) expresso nos
precursores eritroides na medula óssea, estimulando a proliferação e
diferenciação dessas células.

2.2. Estrutura

As hemácias têm a forma de um disco bicôncavo com o diâmetro médio


de 8 mícrons, espessura de 2 mícrons na periferia e de 1 mícron na região
central. As hemácias do ser humano não têm núcleo, o que parece ser uma
adaptação à função de carrear hemoglobina no seu interior.
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Existe um excesso de membrana, em relação ao conteúdo celular, que


permite à hemácia alterar a sua forma na passagem pelos capilares do
organismo, sem sofrer ruptura.
O organismo do recém-nascido tem maior quantidade de hemácias que o
organismo adulto. Nas duas primeiras semanas de vida o número de hemácias
circulantes se estabiliza em valores iguais aos dos adultos normais. A quantidade
de hemácias no sistema circulatório é controlada pelo organismo, de modo a
oferecer suficientes glóbulos para o suprimento das necessidades de oxigênio
dos tecidos.
Quando a medula óssea produz hemácias rapidamente, para compensar
grandes perdas, numerosas células são liberadas no sangue, os reticulócitos,
antes de se tornarem eritrócitos maduros. As células jovens transportam o
oxigênio com eficiência, porém são mais frágeis e a sua vida útil é menor.
A medula óssea normal produz em média, de 400 a 500 mL de hemácias
a cada 30 dias. A vida das hemácias é relativamente longa, em comparação com
outras células sanguíneas; duram em média, entre 100 e 120 dias na circulação.
Ao final desse período as suas membranas tornam-se frágeis; as hemácias mais
velhas são removidas da circulação.
A destruição e a produção de hemácias se equilibram, não havendo
anemia ou poliglobulia. Para produzir novas hemácias, a medula óssea aproveita
os restos das hemácias envelhecidas e destruídas.
O ferro contido na hemoglobina é reaproveitado, para formar novas
moléculas. Células fagocitárias do baço, fígado, gânglios linfáticos e da própria
medula óssea, encarregam-se de destruir as hemácias envelhecidas e lançam o
ferro na circulação, para o seu reaproveitamento pelo organismo.
A produção das hemácias na medula óssea exige a presença da vitamina
B12 (cianocobalamina), de um fator da mucosa do estômago chamado fator
intrínseco e do ácido fólico.
Quando a hemoglobina está carregada de oxigênio, a combinação química
resultante, chamada oxi-hemoglobina, confere ao sangue uma tonalidade
vermelho-vivo, a cor do sangue arterial. Quando a hemoglobina não está
inteiramente combinada ao oxigênio, é chamada hemoglobina reduzida e tem a
tonalidade vermelha mais escura, do sangue venoso.
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Várias doenças da circulação podem causar redução do fluxo sanguíneo


nos vasos periféricos, provocando deficiência para absorver O2 no sangue,
quando passa nos pulmões e também podem aumentar a produção dos
eritrócitos.
Quando a produção é aumentada fica evidente na insuficiência cardíaca e
em doenças pulmonares, porque a hipóxia tecidual do aumento da produção dos
eritrócitos aumenta o hematócrito do volume total do sangue.
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3. HEMOGLOBINA

A hemoglobina é o principal componente das hemácias. É um composto


de cor vermelha, com peso molecular elevado, da ordem de 68.000 Dalton. A
hemoglobina começa a ser produzida nos proeritroblastos da medula óssea, pela
utilização do ferro captado da circulação.

O ferro da circulação sanguínea é obtido da digestão dos alimentos


ingeridos e durante o processo de renovação das hemácias envelhecidas.
Quando a hemoglobina está carregada de oxigênio, a combinação química
resultante é a oxi-hemoglobina, que confere ao sangue a sua cor característica.
A hemoglobina não combinada ao oxigênio tem tonalidade mais escura e menos
brilhante.
A hemoglobina é formada à partir da combinação
de quatro moléculas ou radicais heme com uma
proteína, a globina. O radical heme é um complexo
metálico que contém ferro, no estado ferroso. O ferro é
o responsável pela cor do pigmento.
As moléculas do oxigênio combinam-se com o
ferro da hemoglobina, mediante ligação química especial,
facilmente reversível, que favorece a sua liberação nos tecidos do organismo.
A globina é uma proteína, em cuja superfície fixam-se os quatro pequenos
grupos de moléculas dos radicais heme. A molécula da globina consiste de dois
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pares de cadeias de polipeptídios; um par chamado polipeptídio alfa (α) e um par


chamado polipeptídio beta (β).
A molécula da hemoglobina, portanto, é formada pela união de quatro
polipeptídios e quatro radicais heme. A cadeia alfaglobina (polipeptídio alfa)
é constituída por um conjunto de 141 aminoácidos, enquanto a cadeia
betaglobina (polipeptídio beta) inclui 146 aminoácidos.
A estrutura química da molécula da hemoglobina foi identificada por Perutz
e Kendrew que, em 1962 receberam o prêmio Nobel de química, pelos seus
trabalhos com aquele pigmento.
Cada molécula ou radical heme pode combinar com uma molécula de
oxigênio, para maior aproveitamento da hemoglobina. Uma única molécula da
hemoglobina (Hb) pode, portanto, transportar quatro moléculas de oxigênio.
A quantidade normal de hemoglobina em um indivíduo adulto é de 13 a 17
g/dL. Existe, normalmente, uma relação entre o valor do hematócrito e a
concentração de hemoglobina, geralmente expressa em tabelas existentes nos
laboratórios de hematologia. A relação é de aproximadamente 1:3, entre a
concentração da hemoglobina e o valor do hematócrito. Assim, se um paciente
tem uma hemoglobina de 15 g/dL, o seu hematócrito será de aproximadamente
15 x 3 = 45 (45%).
A hemoglobina formada pela combinação química de quatro moléculas ou
radicais heme, com dois polipeptídios alfa e dois polipeptídios beta é a chamada
hemoglobina A (HbA), que é a forma mais comum no organismo humano. Ela
representa cerca de 98% do total de hemoglobina do organismo adulto. Os 2%
restantes, correspondem à hemoglobina A2 (HbA2).

HEMOGLOBINA COMPOSIÇÃO
A 2 globinas α + 2 globinas β
A2 2 globinas α + 2 globinas δ
F 2 globinas α + 2 globinas γ

A hemoglobina A2 tem na sua globina, dois pares de cadeias de


polipeptídios alfa e dois pares de cadeias delta, que a tornam diferente da
hemoglobina A. Durante a vida fetal, a hemoglobina do ser humano é a
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hemoglobina Fetal (HbF). Esta, tem a sua globina constituída por dois pares de
cadeias de polipeptídios alfa e dois pares de cadeias gama.
Esta modificação da molécula da hemoglobina altera as suas
características fundamentais. A hemoglobina F tem uma afinidade pelo oxigênio
extremamente elevada, bem maior que a da hemoglobina A.
Aquela elevada afinidade da hemoglobina F pelo oxigênio permite ao feto
extrair oxigênio facilmente da circulação materna, apesar da pressão parcial de
oxigênio relativamente baixa no sangue da placenta.
A hemoglobina F existe em grandes concentrações no sangue de recém-
natos e vai desaparecendo gradualmente durante o primeiro ano de vida, sendo
substituída pela hemoglobina A.
A hemoglobina A, a hemoglobina A2, e a hemoglobina F, são variações
normais da hemoglobina humana. Caso persista, após o primeiro ano de vida,
uma grande quantidade de hemoglobina F em circulação, ter-se-á uma condição
anormal, em relação à hemoglobina e suas funções no organismo.

4. FERRO

Um indivíduo adulto tem cerca de 4 a 5 g de ferro no organismo, distribuído


sob a forma de hemoglobina (65%), como ferritina e hemossiderina (29%), como
mioglobina (4%), em diversas enzimas celulares ou livre no plasma sanguíneo
(0,3%).
Nas regiões pobres, em que a alimentação é deficiente, é comum a falta
de ferro no organismo, que pode acometer mais de 50% dos indivíduos.
As mulheres no período menstrual e pacientes com perda crônica de
sangue apresentam déficit de ferro que se não reposto pela ingestão alimentar
pode produzir anemia por deficiência crônica daquele elemento.
As crianças, especialmente durante o primeiro ano de vida, as gestantes e
os idosos são particularmente sensíveis ao teor de ferro da alimentação. O
organismo absorve o ferro ao nível do duodeno e do jejuno, principalmente sob
a forma “não heme” (95%).
Após a absorção intestinal o ferro alcança a circulação do sistema porta.
Mediante combinação com a glicoproteína transferrina o ferro é transportado
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para a medula óssea. O ferro que não é imediatamente usado para a produção
da hemoglobina fica armazenado no tecido hemopoiético sob a forma de ferritina.
Quando há excesso de ferro no sangue, ele é depositado nas células,
particularmente, nos hepatócitos e em algumas células reticuloendoteliais da
medula óssea. Dentro do citoplasma da célula ele combina com uma proteína, a
apoferritina, formando assim a ferritina. Este ferro que fica armazenado na
forma da ferritina é chamado ferro de depósito.
Os humanos tipicamente armazenam ferro no interior de uma proteína
chamada ferritina. A forma do ferro na ferritina é o ferro III. Ao se ligar com a
ferritina, o ferro se torna solúvel em água. Diversas doenças resultam da
deposição de ferro III em tecidos em uma forma insolúvel. Estes depósitos de
ferro são chamados hemossiderina. Embora estes depósitos frequentemente
não causem sintomas, eles podem causar uma lesão ao órgão.
O organismo tende a reciclar toda a hemoglobina. As moléculas da globina
são fragmentadas nos seus aminoácidos, para nova utilização. A degradação do
radical heme consiste na conversão em porfirinas, pelo sistema
reticuloendotelial. As porfirinas são metabolizadas em biliverdina que é
transformada em bilirrubina no fígado para posterior eliminação pela bile.

5. HEMATÓCRITO

A quantidade de hemácias existente no sangue é um indicador de grande


importância na avaliação clínica dos indivíduos. A sua expressão mais simples
é o hematócrito. O hematócrito representa o percentual ocupado pelas
hemácias no sangue.
O volume de hemácias no sangue tem relação direta com a quantidade de
hemoglobina; o hematócrito é, portanto, um indicador indireto da capacidade do
sangue transportar oxigênio aos tecidos.
O hematócrito é expresso por um valor percentual. O hematócrito normal
é de 40 a 50% para os homens e de 35 a 45% para as mulheres.
Quando colocamos uma quantidade de sangue em um tubo de vidro e
centrifugamos esse tubo, por 3 minutos, as células se depositam no tubo, de
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acordo com a sua densidade. As hemácias se depositam no fundo do


tubo, em virtude de sua maior densidade. Sobre estas, deposita-se uma
finíssima camada de glóbulos brancos e plaquetas e, na parte superior
do tubo, fica o plasma.
Vemos então que, se considerarmos o volume que enche o tubo
como o valor 100, a altura da coluna de hemácias será o hematócrito.
Nas anemias a altura da coluna das hemácias será menor e na
policitemia àquela altura será maior.
Os laboratórios dispõem de réguas calibradas para a avaliação do
hematócrito. Colocando-se o tubo capilar centrifugado sobre a régua, faz-se a
leitura direta do valor do hematócrito.

Normal Anemia Poliglobulia

Sob diversas circunstâncias, perdas sanguíneas menores podem ser


compensadas ou repostas pela administração de líquidos acelulares aos
pacientes. O método se denomina hemodiluição.
A hemodiluição, em determinados casos, como na cirurgia cardíaca, por
exemplo, pode reduzir o hematócrito até valores de 20 a 25%. Aceita-se que não
se deve reduzir o hematócrito abaixo de 15%, porque a quantidade de oxigênio
transportado pode não ser suficiente para atender todas as necessidades do
organismo.
O grau de hemodiluição ou “anemia intencional”, aceito para cada indivíduo
deve ser criteriosamente avaliado, levando-se em consideração as suas
condições gerais. A hemodiluição tem grande aplicação nas emergências
hemorrágicas e na cirurgia das doenças do coração.
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6. ERITROGRAMA

O eritrograma é uma das partes que compõem o hemograma e avalia a


massa eritrocitária circulante e também os seus precursores produzidos na
medula óssea. É composto por vários parâmetros, uns determinados
diretamente e outros derivados dessas determinações.
Dependendo da marca do equipamento e da metodologia/tecnologia
utilizada nas análises, as informações aqui presentes podem ser diferentes em
alguns aspectos.
Análise direta:

► Contagem de eritrócitos;
► Dosagem de hemoglobina.
► VCM;

Parâmetros derivados:

► Hematócrito;
► HCM;
► CHCM;
► RDW.

Quando analisados em conjunto, esses parâmetros dão pistas importantes


para o diagnóstico de vários distúrbios como as anemias e as poliglobulias.

6.1. Contagem de Eritrócitos

Os eritrócitos do sangue periférico são contados pelo aparelho


(impedância) e o resultado é dado em µL (microlitro) ou mm³ (milímetro cúbico).
A quantidade normal de eritrócitos, assim como outros parâmetros do
eritrograma, varia de acordo com o sexo e idade do indivíduo.
Valores de referência para adultos:

► Masculino: 4,5 – 6,1 milhões/µL;


► Feminino: 4,0 – 5,4 milhões/µL.
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Observações:
a) Outras formas de expressar o resultado são: x106/µL ou T/L (Tera por
Litro);
b) Esses valores também podem variar de acordo com a população
estudada, região geográfica, etnia etc.

Termos utilizados:

► Eritrocitose ou poliglobulia: aumento da quantidade de eritrócitos;


► Eritrocitopenia: diminuição da quantidade de eritrócitos.

A contagem de eritrócitos deve sempre ser analisada em conjunto com os


outros dados do eritrograma, nunca de forma isolada.
Além disso, nunca usá-la como parâmetro para dar o diagnóstico de
anemia, pois existem casos de anemias com eritrocitose e de eritrocitopenias
sem anemia.

6.2. Dosagem de Hemoglobina

A dosagem de hemoglobina também é feita no aparelho automatizado de


hematologia, por meio de espectrofotometria. A quantidade normal de
hemoglobina varia, principalmente, de acordo com o sexo e idade do indivíduo.
Valores de referência para adultos:

► Masculino: 14 – 18 g/dL;
► Feminino: 12 – 16 g/dL.

Obs.: Esses valores podem variar de acordo com a população estudada,


região geográfica, etnia etc.

Anemia
Segundo a OMS, o diagnóstico de anemia se dá quando a hemoglobina
está abaixo do valor mínimo de referência.
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► Masculino: < 13 g/dL;


► Feminino: < 12 g/dL.

Então, esse é o parâmetro para determinar se uma pessoa está ou não


anêmica.
Porém, só com essa informação não é possível saber a causa primária da
anemia, sendo necessária uma investigação mais detalhada com outros exames
complementares.
Digamos que, saber que o paciente tem anemia, é apenas a ponta do
iceberg.

6.3. Hematócrito

É a proporção de eritrócitos circulantes em relação à quantidade total de


sangue do indivíduo. Seu valor é expresso em porcentagem.
Ainda é relativamente comum vermos alguns laboratórios ou bancos de
sangue realizarem a técnica manual para sua determinação (microhematócrito),
porém, os contadores automatizados também já liberam seu resultado
simultaneamente com os outros.
Atualmente, na automação, o hematócrito é um parâmetro derivado do
número e do volume dos eritrócitos, ou seja, Hematócrito = Eritrócitos x VCM.
Valores de referência para adultos:

► Masculino: 40 – 50%;
► Feminino: 35 – 45%.

É o melhor parâmetro para avaliar a viscosidade sanguínea e também as


alterações de volemia plasmática.

6.4. Volume Corpuscular Médio (VCM)

Historicamente, quando o hemograma era feito de forma manual, o VCM


era um coeficiente calculado da seguinte forma: VCM = Hematócrito ÷ Eritrócitos.
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Os contadores eletrônicos, além de contar, também medem os volumes de


cada eritrócito, de forma individual, gerando um valor médio desses volumes,
que é o VCM.
Seus valores variam conforme a faixa etária, mas não variam entre os
sexos.
Valores de referência para adultos: 80 a 100 fL (fentolitros).

Termos utilizados:

► Microcitose: VCM < 80 fL;


► Macrocitose: VCM > 100 fL.

6.5. RDW (red cell distribution width)

O RDW é um parâmetro que veio junto com a automação, não existindo


na era do hemograma manual.
Indica a variabilidade de volumes dos eritrócitos, ou seja, se a população
de eritrócitos está homogênea ou heterogênea.
O computador do equipamento recebe as medidas, uma a uma, dos
eritrócitos e gera uma curva de frequência (histograma) e seu coeficiente de
variação.
Valores de referência: 11,5 – 14,5%.

Termo utilizado: Anisocitose: RDW > 14,5%;

Obs.: Valores abaixo do normal não têm significado clínico, pois indicariam
um “excesso de homogeneidade” na população eritroide.
Sua avaliação é útil no diagnóstico diferencial das anemias e outras
doenças hematológicas.

6.6. Hemoglobina Corpuscular Média (HCM)

O HCM significa a quantidade média de hemoglobina por eritrócito,


atualmente calculado pelo equipamento eletrônico.
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É obtido pela seguinte fórmula: HCM = Hemoglobina ÷ Eritrócitos.


Algumas marcas de equipamento utilizam a HCM para definir os termos:

► Hipocromia: HCM < 24 pg;


► Hipercromia: HCM > 33 pg.

6.7. Concentração de Hemoglobina Corpuscular Média (CHCM)

CHCM por impedância

A CHCM é calculada pela fórmula: CHCM = Hemoglobina ÷ Hematócrito


(ou CHCM = HCM ÷ VCM).
Seu valor é expresso em porcentagem (mais comumente utilizada) ou em
g/dL de eritrócitos.

Valores de referência para adultos: 31 – 36% ou g/dL.

Nos equipamentos, como vimos acima, o hematócrito é calculado com


base na quantidade de eritrócitos e o VCM (parâmetros medidos diretamente).
Sendo assim, a CHCM baseia-se nesses três parâmetros e é afetada por
anormalidades em qualquer uma dessas três medidas.
O aumento verdadeiro da CHCM geralmente ocorre em pacientes com
esferocitose. Fora casos especiais, uma CHCM acima de 36% deve ser
investigada.
A CHCM geralmente é utilizada para verificar o desempenho técnico do
analisador.

CHCM por laser scatter

Alguns contadores, além de calcularem a CHCM tradicional, medem a


concentração de hemoglobina de cada eritrócito, no mesmo momento em que
eles são contados e o volume verificado. Com isso, um novo parâmetro é
fornecido: a média da concentração de hemoglobina celular.
P á g i n a | 19

6.8. Anisocitose

Anisocitose = variação dos tamanho dos eritrócitos.


A anisocitose ocorre pela presença de micrócitos ou macrócitos. A
anisocitose é uma característica da maioria das anemias; quando em grau
acentuado, tanto micrócitos quanto macrócitos podem estar presentes.

Macrocitose (VCM > 100 fL)

São células maiores que as normais. Podem ser maduros ou jovens, sendo
estes últimos policromáticos, com colorações vitais ou pontilhado basófilo. O
predomínio desses elementos constitui a macrocitose.
A presença de macrócitos hipocrômicos indica a discordância entre a
formação celular e o material utilizado para a elaboração da hemoglobina. Os
macrócitos podem ter contorno oval ou arredondado, sendo o significado
diferente nas duas situações.
A macrocitose ocorre associada à reticulocitose, em fumantes, na
deficiência de B12, e folatos e em casos de demanda de nutrientes como na
gravidez. Os eritrócitos do recém-nascido apresentam acentuada macrocitose
quando comparados com os do adulto. Os eritrócitos fetais também são maiores
que os do adulto. Discreta macrocitose é uma característica fisiológica da
gravidez e também é encontrada em adultos idosos.

Microcitose (VCM < 80 fL)

São células menores que as normais. São em geral hipocrômicos. É


necessário distinguir os micrócitos hipocrômicos dos micrócitos da anemia
hemolítica constitucional (microesferocitose hereditária), os quais são normo ou
hipercrômicos.
Pode ocorrer nas anemias por deficiência de ferro, anemias das doenças
crônicas, talassemias e anemias sideroblásticas. Os eritrócitos das crianças
sadias são menores que os dos adultos; o tamanho eritrocitário deve, portanto,
ser interpretado de acordo com a idade do indivíduo.
P á g i n a | 20

6.9. Anisocromia

Presença de eritrócitos com coloração ou grau de hemoglobinização


diferentes, variando entre hipocromia, normocromia e hipercromia. É
característica das anemias sideroblásticas, podendo também ser encontrada nas
terapias pós-transfusionais e de reposição de ferro. A anisocromia pode ocorrer
pela presença de eritrócitos pobres ou ricos em hemoglobina (eritrócitos
hipocrômicos ou hipercrômicos).

Normocromia

São eritrócitos com quantidade normal de hemoglobina, corando-se, pelos


métodos habituais, de róseo com uma zona central clara, correspondente à sua
concavidade. Nos diferentes tipos de anemias, os eritrócitos podem sofrer
variações em seu conteúdo hemoglobínico e consequentemente, na intensidade
de sua coloração. Este estado patológico constitui anisocromia eritrocítica, que
indica insuficiência da medula óssea.

Hipocromia

São eritrócitos que encontram-se pálidos ou descorados, sobretudo na


zona central, em virtude da quantidade de hemoglobina, anormalmente escassa.
A predominância destes elementos constitui a hipocromia. A hipocromia ocorre
em geral, nas anemias por deficiência, a falta de absorção ou armazenamento
de ferro (anemias primárias ou secundárias, microcíticas ou normocíticas).

Hipercromia

São eritrócitos apresentando-se intensamente corados e em muitos casos,


sem a zona central, clara, observada normalmente em consequência de seu
conteúdo hemoglobínico anormalmente intenso. A predominância destes
elementos constitui a hipercromia.
A hipercromia ocorre em geral, nas anemias por deficiência, falta de
absorção ou de armazenamento de vitamina B12 e ácido fólico (anemia
P á g i n a | 21

perniciosa), e também observada na anemia hemolítica autoimune


(microesferócitos hipercrômicos).

6.10. Poiquilocitose

Poiquilocitose ou pecilocitose refere-se à presença de poiquilócitos no


sangue. Poiquilócitos são eritrócitos de formas anormais. Os eritrócitos normais
são discos ovais e achatados, mais finos no centro.
Os poiquilócitos podem ser uma distorção dessa forma, ou outra
totalmente diferente. Geralmente, pode-se referir como poiquilocitose quando há
aumento dos eritrócitos anormais, de qualquer das formas possíveis, que
perfaçam 25% ou mais da população total.

Confira as imagens (leia o código ou clique na imagem):

Drepanócitos (forma de foice): Os eritrócitos


adquirem essa forma devido a presença da Hemoglobina
S, que polimeriza e se precipita na membrana da célula,
ocasionando a deformação. É encontrado nas doenças falciformes. Doença
falciforme é um termo genérico que engloba um grupo de anemias hemolíticas
crônicas hereditárias, dentre elas a anemia falciforme (saiba mais sobre a
anemia falciforme).
Esferócitos: São eritrócitos com a biconcavidade reduzida. Quando
visualizados no microscópio perdem a zona clara central, são mais densos e
ocorre redução do diâmetro, em comparação com os demais eritrócitos. Por isso,
também são chamados de microesferócitos. Pode ser causado por defeitos
genéticos nas proteínas de membrana ou pode ser adquirida, aparecendo nos
casos de anemia hemolítica autoimune.
Eliptócitos/Ovalócitos: São eritrócitos que apresentam formas ovaladas
e eliptocíticas. As causas dessa alteração são defeitos genéticos nas proteínas
do citoesqueleto da célula. Na eliptocitose hereditária praticamente todas as
hemácias têm essa forma. Porém, pode ser encontrada uma pequena
quantidade de eliptócitos/ovalócitos nas talassemias, anemia ferropriva e anemia
megaloblástica.
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Hemácias em alvo (codócitos): Sinônimo de hemácias em alvo. A


hemácia apresenta dupla biconcavidade de tal maneira que, quando projetada
em um plano, a hemoglobina é visualizada em uma pequena faixa periférica e,
geralmente, na parte central, o que lhe dá o aspecto “em alvo”. Podem ser
encontrados nas hemoglobinopatias (SS, SC), talassemias, hepatopatias, em
pacientes esplenectomizados e na anemia ferropriva.
Dacriócitos (forma de lágrima): São eritrócitos em forma de gota ou
lágrima. A deformação ocorre quando as células passam nas fenestrações entre
cordões e sinus medulares do baço, sofrendo estiramento além dos limites da
elasticidade. É muito comum na mielofibrose, devido à hematopoese
extramedular (o baço produz células sanguíneas devido a hipocelularidade da
medula óssea). Pode ser encontrado também nas talassemias, anemias
hemolíticas e em pacientes esplenectomizados.
Acantócitos: São hemácias com a membrana irregular, apresentando
espículas irregularmente distribuídas. In vitro pode ser artefato. In vivo decorre
de hepatopatias, diminuição da função do baço e esplenectomia.
Equinócitos: São hemácias com a membrana irregular, apresentando
espículas regularmente distribuídas. In vitro pode ser artefato. In vivo decorre de
hiperuremia, tratamento com heparina IV, hipotireoidismo e após transfusões
sanguíneas.
Estomatócitos: São eritrócitos com o halo central semelhante a uma boca
de peixe. O termo stoma significa boca. Pode ser um artefato da distensão
sanguínea. Pode estar presente em hepatopatias, sangue de recém-nascidos e
na estomatocitose hereditária, uma anemia hemolítica congênita muito rara.
Esquizócitos: São eritrócitos fragmentados, irregularmente contraídos e
mordidos. São causados por traumas mecânicos, válvulas cardíacas artificiais,
agressão térmica nas queimaduras e agressão química pelo uso de fármacos
oxidantes. Se a fragmentação for significativa, o paciente irá apresentar
manifestações clínicas de anemia hemolítica. Aparecem também em condições
clínicas como coagulação intravascular disseminada (CIVD), púrpura
trombocitopênica trombótica (PTT) e Síndrome Hemolítico-Urêmica (SHU).
P á g i n a | 23

7. LEUCÓCITOS

Os leucócitos são as células que constituem uma parte importante do


sistema de defesa do organismo, para combater os diversos agentes
agressores, tóxicos ou infecciosos, como bactérias, fungos, vírus e parasitas.
Este sistema de defesa funciona em associação aos macrófagos dos tecidos e
às células do sistema linfoide. Os leucócitos são as unidades móveis do sistema
protetor do organismo; podem migrar para os locais onde a sua ação seja
necessária.
Existem no sangue normal entre 4.000 e 10.000 leucócitos por cada
mililitro. Há cinco tipos de leucócitos maduros, divididos em dois grupos
principais: os granulócitos e os agranulócitos.
Os granulócitos apresentam numerosas granulações no citoplasma. São
os neutrófilos, os eosinófilos e os basófilos.
Os leucócitos agranulócitos têm o citoplasma homogêneo, sem
granulações no seu interior. São os monócitos e os linfócitos. A sobrevida
média dos leucócitos no sangue circulante é curta. A maior parte deles fica
armazenada na medula óssea.
São lançados na circulação quando necessário. A vida média dos
leucócitos circulantes é de 6 a 8 horas; quando estão localizados nos tecidos, a
vida média aumenta para cerca de dois a três dias.

7.1. Leucopoiese

Os leucócitos se originam de uma célula-tronco hematopoiética que tem o


potencial de gerar as células-tronco primitivas das linhas de células vermelhas,
das plaquetas e dos leucócitos.
No embrião, uma célula primitiva com características mal definidas serve
de “matéria prima” para a produção de sete tipos celulares diferentes.
A célula reticular primitiva se origina daquele tipo celular embrionário e dá
origem a dois tipos principais de células: 1. Células reticuloendoteliais e 2.
Hemocitoblastos. Este último tipo celular origina os eritrócitos, os leucócitos e as
plaquetas.
P á g i n a | 24

As células-tronco formadoras de granulócitos e monócitos correspondem


as células reticulares primitivas que estão dispersas em redes no interior da
medula óssea e nos tecidos linfoides. Estes, estão localizados principalmente no
baço, timo, gânglios linfáticos e placas de Peyer do intestino, além da própria
medula óssea.
Os hemocitoblastos se diferenciam para originar três linhagens diferentes
de células sanguíneas: a linhagem dos eritrócitos, a linhagem dos leucócitos que
apresentam granulações no citoplasma (granulócitos) e a linhagem das
plaquetas, através os megacariócitos.
Os três tipos de leucócitos granulócitos descendem do mesmo
hemocitoblasto. Numa etapa inicial os hemocitoblastos originam os mieloblastos.
Este último dá origem aos promielócitos que são semelhantes aos mieloblastos,
mas já apresentam granulações no citoplasma.
Conforme a coloração dos grânulos citoplasmáticos os promielócitos
podem ser neutrófilos, eosinófilos e basófilos. Os promielócitos a seguir originam
as células chamadas mielócitos que sofrem grandes transformações,
especialmente no núcleo, para originar os tipos celulares que serão liberados no
sangue: neutrófilos, eosinófilos e basófilos.
Os neutrófilos jovens têm o núcleo em forma de bastão, enquanto as
formas mais maduras têm o núcleo com diversos segmentos unidos por
filamentos delgados. O núcleo dos eosinófilos é dividido em dois lobos, enquanto
o núcleo dos basófilos quase não se modifica e permanece arredondado,
ocupando a maior parte da célula.
O tecido linfoide, que constitui a estrutura básica do baço, do timo e dos
linfonodos é encarregado da produção dos linfócitos. Os linfoblastos se
diferenciam para formar os linfócitos.

7.2. Funções

Os leucócitos funcionam como um exército de defesa do organismo. Eles


não apenas destroem os agentes invasores, mas são também destruídos, nessa
guerra defensiva. O organismo mobiliza novos e maiores contingentes de
leucócitos para continuar a batalha até a vitória. O resultado clínico dessa
batalha é a inflamação.
P á g i n a | 25

Durante a formação do processo inflamatório há um aumento do fluxo de


sangue para o local da injúria ou da localização das bactérias, há também
extravasamento de líquidos, proteínas e fibrinogênio dos capilares para o
interstício que levam à coagulação local.
Para realizar com perfeição essa função de defesa do organismo, os
leucócitos precisam de grande mobilidade. Eles atravessam com facilidade os
poros dos capilares, migrando para o local dos tecidos, onde a sua função de
defesa seja necessária. Essa propriedade de migrar através dos poros dos
capilares é chamada diapedese.
Os neutrófilos são importantes na proteção do organismo contra agressões
agudas, enquanto os monócitos são importantes na fase crônica da inflamação.
Quando um agente estranho (bactérias, por exemplo) invade o organismo, libera
certas substâncias químicas; os leucócitos são atraídos por aquelas substâncias
e migram para o local de onde elas provêm.
Essa propriedade dos leucócitos é denominada quimiotaxia. A
quimiotaxia é importante na atuação dos leucócitos em conjunção com o sistema
imunológico. Os eosinófilos são importantes na detoxificação (Detoxificação é
qualquer processo para a eliminação de substâncias consideradas tóxicas ao
organismo, que ocorre em todas as células do corpo, mas principalmente nas do
fígado e do intestino. As principais vias de eliminação das toxinas são pela urina,
fezes, suor.) de proteínas estranhas e nos mecanismos da alergia.
A função dos basófilos parece estar relacionada à liberação de heparina
no local da agressão, para impedir a coagulação do sangue e permitir a chegada
de novos leucócitos.
Os monócitos têm grande capacidade de migração para o local dos
agentes invasores, onde se intumescem rapidamente, aumentando seu tamanho
em até cinco vezes, adquirindo então a denominação de macrófagos, por sua
grande capacidade de digerir os invasores do organismo.
Os linfócitos atuam como "patrulheiros" do organismo. Eles migram
continuamente para os tecidos, através dos poros dos capilares e retornam à
circulação, como que "buscando" agentes invasores, para a sua identificação e
estimulação imediata dos mecanismos de defesa.
A maior parte dos leucócitos fica armazenada na medula óssea e demais
órgãos produtores; uma pequena parcela circula no sangue. O tempo de vida
P á g i n a | 26

dos leucócitos no sangue circulante é curto, geralmente de seis a oito horas;


quando migram para os tecidos sua vida média é de dois a três dias. Na presença
de infecções sua vida média é ainda menor, em função do seu consumo na
produção do processo inflamatório.
A mobilização desse sistema de defesa do organismo é muito rápida, após
o primeiro contato com um agente agressor, de qualquer tipo.
A cirurgia cardíaca com circulação extracorpórea se acompanha de um
interessante fenômeno relacionado aos leucócitos. O contato das células com os
oxigenadores e os tubos plásticos em que o sangue circula, ativa os leucócitos,
que liberam substâncias vasoativas na corrente sanguínea e participam de uma
reação inflamatória generalizada do organismo, que acompanha aqueles
procedimentos cirúrgicos.

7.3. Neutrófilos

Os neutrófilos são produzidos na medula óssea,


como os demais granulócitos. Sua vida média na
medula óssea, no sangue periférico e nos tecidos é
curta e, em determinadas circunstâncias, pode durar
apenas algumas horas.
Quando os neutrófilos maduros são lançados na
circulação, uma parcela se situa junto ao endotélio vascular e se move livremente
entre o sangue e os tecidos do organismo.

Mielócito Metamielócito Neutrofilo Neutrófilo


Mieloblasto Promielócito
neutrófilo neutrófilo bastonete segmentado

Quando os neutrófilos são lançados no local da inflamação, o número


deles no sangue aumenta de 4 a 5 vezes. Isso é chamado de neutrofilia.
Nos tecidos, os neutrófilos exercem a sua função primária de englobar e
digerir micro-organismos invasores. Esse processo é conhecido como
fagocitose. Em uma lesão tecidual causada por bactérias, traumatismo,
substâncias químicas, calor ou outros fatores, os tecidos lesados liberam
substâncias que provocam as alterações denominadas “inflamação”.
P á g i n a | 27

A inflamação consiste de vários fenômenos, dentre os quais temos a


vasodilatação local, a coagulação do líquido nos espaços intersticiais, o aumento
da permeabilidade dos capilares, a migração de grande quantidade de
granulócitos e monócitos para o local do dano e o edema celular.
Os agentes químicos que participam do estabelecimento do processo
inflamatório incluem a histamina, a bradicinina, a serotonina, as prostaglandinas
e substâncias “mensageiras” denominadas citocinas ou interleucinas.
Durante o processo da inflamação, os neutrófilos são atraídos pelos
produtos químicos dos invasores e migram em grandes quantidades para a área
afetada. Os neutrófilos são as primeiras células a alcançar os focos de infecção,
seguidos pelos monócitos.
Os neutrófilos destruídos durante a “batalha” contra os invasores são
fagocitados pelos macrófagos dos tecidos. Em geral, os neutrófilos têm a
capacidade de fagocitar duas a vinte bactérias, antes de ficarem inativos.

7.4. Eosinófilos

Os eosinófilos são também produzidos nos tecidos


hemopoiéticos da medula óssea e constituem cerca de
5% de todos os leucócitos do sangue circulante.
Participam dos mecanismos de defesa contra
corpos estranhos e parasitas ao migrar para as áreas
onde há corpos estranhos ou parasitas.
Uma das infecções muito comuns no terceiro mundo é a esquistossomose,
que em algumas áreas chega a acometer um terço da população.

Mielócito Metamielócito
Mieloblasto Promielócito Eosinófilo
eosinófilo eosinófilo

O parasita pode afetar qualquer parte do corpo. Os eosinófilos atacam


esses parasitas de diversos modos, como por exemplo, mediante a liberação de
formas de oxigênio altamente reativas que podem ser letais, pela liberação de
enzimas hidrolíticas produzidas nos seus grânulos e pela liberação de uma
P á g i n a | 28

proteína especial, denominada “principal”, também produzida nas granulações


do citoplasma dos eosinófilos.
Os eosinófilos estão ainda envolvidos nas reações alérgicas do organismo.
Os eosinófilos possuem receptores para as imunoglobulinas IgE e IgG e para
algumas proteínas do sistema do complemento.
Células revestidas por aquelas imunoglobulinas ou pelo complemento
podem ser fagocitadas pelos eosinófilos.
A maior parte dos eosinófilos vive nos tecidos ao invés da corrente
sanguínea, principalmente na pele, pulmões e vias aéreas, locais preferenciais
para determinadas manifestações alérgicas.

7.5. Basófilos

Os basófilos, como os demais granulócitos, são


produzidos na medula óssea a partir dos
hemocitoblastos. São as células menos numerosas
dentre os leucócitos; correspondem a apenas 1% do seu
total.
Os basófilos possuem quimiotaxia, como os
neutrófilos; têm também alguma atividade fagocítica. Sua principal função,
porém, consiste em liberar heparina nas áreas de invasão do organismo, para
evitar a formação de coágulos e permitir a fácil migração dos neutrófilos para a
defesa contra a invasão.

Mielócito Metamielócito
Mieloblasto Promielócito Basófilo
basófilo basófilo

Os basófilos também liberam histamina no local da inflamação, que produz


vasodilatação e aumenta o diâmetro dos poros dos capilares, facilitando a
migração dos demais leucócitos.
Os basófilos e os mastócitos têm um papel importante em alguns tipos de
reações alérgicas.
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7.6. Monócitos

Os monócitos são produzidos na medula óssea em


menor quantidade e nos tecidos linfoides. Ao contrário
dos demais tipos de leucócitos, sua forma circulante é
considerada imatura.
Ao deixar a corrente sanguínea, os monócitos
alcançam os tecidos, onde sofrem a fase final da sua
maturação para originar os macrófagos.

Monoblasto Promonócito Monócito Macrófago

A célula dos macrófagos tem uma quantidade de estruturas contendo


enzimas, que favorecem a sua função de “digerir” os agentes invasores.
São necessários de 3 a 4 dias para que os monócitos recém-formados
possam deixar a medula óssea. Essas células são produzidas em grandes
quantidades.
Embora os macrófagos se distribuam por todo o organismo, existe uma
maior concentração dessas células nos espaços sinusoidais do fígado baço e
pulmões.

7.7. Linfócitos

Os linfócitos são produzidos nos tecidos linfoides e,


em menor quantidade nos tecidos hemopoiéticos da
medula óssea.
São os leucócitos mais complexos e atuam em
conjunto com o sistema imunológico, na resposta às
invasões por agentes estranhos. Os linfócitos constituem
a base da imunidade adquirida.
Existem dois tipos funcionais de leucócitos: os linfócitos T e os linfócitos B.
Ambos podem ser produzidos nos tecidos linfoides e na medula óssea.
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Os linfócitos T ativados podem destruir um agente invasor do organismo,


enquanto os linfócitos B produzem anticorpos contra os agentes invasores.

Linfócito
Linfoblasto Prolinfócito Plasmócito
maduro

Os linfócitos T completam a sua maturação no timo, onde adquirem a


capacidade de reconhecer os diferentes antígenos e controlar a produção de
anticorpos pelo sistema de defesa. Os linfócitos T participam ativamente dos
mecanismos relacionados à imunidade celular.
Receptores existentes na sua superfície são capazes de identificar
antígenos específicos. Ao reconhecer um antígeno os linfócitos T estimulam os
linfócitos B a produzir anticorpos específicos para aquele antígeno.
Um grupo de células T chamadas células auxiliares atuam no sistema
imunitário. Elas produzem as citocinas que são mediadores proteicos e atuam
sobre outras células do sistema imunológico e da medula óssea.
As principais citocinas produzidas pelas células T auxiliares são as
interleucina-2, interleucina-3, interleucina-4, interleucina-5, interleucina-6 e o
interferon-gama. A maioria das interleucinas aumenta quando há um processo
inflamatório em atividade.
Os linfócitos B se localizam preferencialmente nos gânglios linfáticos.
Quando ativados pelos linfócitos T se diferenciam em plasmócitos, que são as
células diretamente responsáveis pela produção de anticorpos. As funções dos
linfócitos B e dos plasmócitos se relacionam exclusivamente com a produção de
anticorpos. Quando uma bactéria ou um vírus, por exemplo, invadem o
organismo, estimulam uma resposta imunológica.
Os neutrófilos e os macrófagos travam a primeira batalha para a sua
destruição. Sob a ação dos macrófagos, os invasores liberam os antígenos da
sua superfície que estimulam a ação dos linfócitos T.
Os linfócitos T estimulados, liberam agentes químicos que promovem a
ativação dos linfócitos B que, por sua vez, transformam-se em plasmócitos e
produzem anticorpos contra os antígenos da superfície do agente invasor.
P á g i n a | 31

Estes anticorpos neutralizam o invasor ou, pelo menos o torna mais


sensível à ação destruidora dos neutrófilos.
Em virtude de seu peculiar mecanismo de ação, os linfócitos são os
iniciadores das reações de rejeição dos órgãos transplantados. Os antígenos do
órgão transplantado são reconhecidos pelos linfócitos e identificados como
estranhos ao organismo em que vivem. Estimulam então a produção de
anticorpos que vão atacar o órgão transplantado.
Por essa razão, o controle da rejeição inclui drogas supressoras da
atividade do sistema imunológico. A rejeição dos transplantes se deve
principalmente ao complexo de antígenos HLA. Há cerca de 150 diferentes tipos
de antígenos, porém seis deles estão presentes nas membranas celulares dos
diferentes órgãos.
É praticamente impossível que duas pessoas tenham os mesmos seis
antígenos. Qualquer um deles pode estimular o organismo receptor a produzir
anticorpos contra ele e, desse modo, iniciar um processo de rejeição.
Drogas potentes, como os corticosteroides, a ciclosporina e outros
fármacos, em diversas combinações podem controlar a rejeição por depressão
do sistema imunológico do receptor.
P á g i n a | 32

8. PLAQUETAS

As plaquetas não são células, mas sim elementos celulares (fragmentos


de células), formados a partir de uma célula gigante medular chamada
megacariócito. São corpúsculos ligeiramente arredondados, liberados no sangue
pela fragmentação dos megacariócitos da medula óssea.

Existem no sangue normal entre 150.000 e 450.000 plaquetas por cada


microlitro, das quais cerca de 30.000 formam-se a cada dia. A sobrevida média
das plaquetas na circulação é de 10 dias. As plaquetas são fundamentais aos
processos de interrupção da perda sanguínea (hemorragia), da formação e da
retração do coágulo.
A atuação das plaquetas depende das suas propriedades de adesão e
agregação. As plaquetas têm uma participação essencial nos fenômenos da
coagulação do sangue e são capazes de liberar diversas substâncias, das quais,
algumas, como o tromboxano A2 tem propriedades vasoconstritoras, enquanto
outras agem como enzimas e hormônios, como as prostaglandinas que, dentre
outras, tem propriedades vasodilatadoras.
P á g i n a | 33

9. INTERPRETAÇÃO

9.1. Eritrograma

PARÂMETRO AUMENTO DIMINUIÇÃO


► Policitemia vera
► Hipóxia tecidual ► Anemias
Hemoglobina
► Grande altitude ► Leucemias
Eritrócitos
► Doenças cardíacas ► Hemorragias agudas
► Doenças pulmonares

► Anemias
► Desidratação
Hematócrito ► Diluição
► Poliglobulias
► Gravidez

► Anemias megaloblásticas
► Etilismo ► Deficiência de ferro
VCM ► Hepatopatias ► Hemoglobinopatias
► Mielodisplasias ► Talassemias
► Terapia antiretroviral

HCM ► Esferocitose ► Anemias

► Esferocitose
CHCM ► Problemas com o ► Anemias
equipamento

► Variação do tamanho e ► Sem significado


RDW
formas dos eritrócitos clínico
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9.2. Leucograma

PARÂMETRO AUMENTO DIMINUIÇÃO


► Infecções ► Quimioterapia
Leucócitos ► Inflamação ► Infecções
totais ► Leucemias ► Aplasia de medula
► Linfomas óssea
► Infecções
► Gravidez ► Infecções virais e
► Estresse algumas bacterianas
► Esforço físico intenso ► Medicamentos
► Doenças inflamatórias ► Deficiência de
Neutrófilos
► Leucemias Vitamina B12
► Neoplasias ► Mielodisplasias
► Queimaduras intensas ► Aplasia de medula
► Picada de artrópodes e óssea
cobras
► Doenças alérgicas
► Estresse
► Infecções parasitárias
► Acompanha a
► Câncer
Eosinófilos neutrofilia na
► Neoplasias
infecção e inflamação
mieloproliferativas
► Corticoides
► Síndrome hipereosinofílica
► Neoplasias
mieloproliferativas crônicas
(LMC, policitemia vera,
Basófilos ► Não se aplica
trombocitemia essencial e
mielofibrose primária)
► Processos alérgicos

► Acompanha a neutrofilia na
infecção e inflamação
► Aplasia de medula
► Endocardite subaguda
Monócitos óssea
► Tuberculose
► Quimioterapia
► Brucelose
► Leucemias

► Radio e
quimioterapia
► Infecções virais e algumas
► Imunossupressão
bacterianas
Linfócitos ► Linfoma de Hodgkin
► Leucemias linfoides agudas
► HIV/AIDS
e crônicas
► Lúpus Eritematoso
Sistêmico
P á g i n a | 35

9.3. Plaquetograma

PARÂMETRO AUMENTO DIMINUIÇÃO

► Pseudoplaquetopenia
► Neoplasias ► Viroses febris
mieloproliferativas ► Dengue
crônicas (LMC, ► Esplenomegalia
policitemia vera, ► Aplasia de medula
trombocitemia essencial óssea
e mielofibrose primária) ► Leucemias
Contagem de ► Linfomas ► Mielodisplasias
plaquetas ► Após esplenectomia ► Infiltração neoplásica da
► Processos inflamatórios medula óssea
► Anemia ferropriva ► Quimioterapia
► Doenças reumáticas ► Púrpuras
► Infecções ► CIVD
► Pós-operatório ► Síndrome urêmico-
► Após hemorragia hemolítica
► Trombocitopatias

VPM ► Destruição periférica ► Falta de produção


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10. TÉCNICAS

10.1. Materiais Utilizados no Laboratório de Hematologia

Vídeo
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10.2. Contagem Manual de Eritrócitos

Fundamento
Diluir a amostra (sangue total) em solução diluidora de hemácias (Líquido de Hayem).

Procedimento
1. Pipetar 4,0 mL do líquido diluidor em um tubo de ensaio ou frasco pequeno;
2. Pipetar 0,02 mL (20 µL) de sangue e transferir para o tubo contendo o líquido diluidor;
3. Homogeneizar e aguardar cerca de 5 minutos;
4. Encher a câmara de Neubauer com a solução, tendo o cuidado de homogeneizar
novamente antes da pipetagem;
5. Levar a câmara ao microscópio para efetuar a contagem de hemácias. Focalizar com a
objetiva de 10x e fazer a contagem com a objetiva de 40x, utilizando o quadrante central
da câmara de Neubauer.
6. Fazer a contagem de 5 quadrados (1/5 da área de contagem) e somar as parcelas.

Cálculos

10.000 x Y* = nº de hemácias/µL
*Y = soma dos 5 quadrados contados na câmara de Neubauer

Valores de Referência
► Homem – 4.500.000 a 6.100.000/µL (4,5 – 6,1 T/L)
► Mulher – 4.000.000 a 5.400.000/µL (4,0 – 5,4 T/L)

Interpretação
Ver Capítulo 9.
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10.3. Microhematócrito

Fundamento
Volume ocupado pelas hemácias numa amostra de 100 mL de sangue total.

Procedimento
1. Preencher um tubo capilar com sangue total, até cerca de 2/3 do seu comprimento.
2. Limpar a parede externa do tubo capilar com um papel absorvente.
3. Vedar a extremidade vazia (limpa) com uma massinha ou fechá-la no calor.
4. Colocar o tubo capilar na centrífuga de microhematócrito com a parte vedada voltada para
fora, equilibrando-o com outro tubo.
5. Tampar a centrífuga.
6. Centrifugar durante 5 minutos numa velocidade de 3.500 rpm ou superior.
7. Fazer a leitura do resultado, utilizando a tabela própria para microhematócrito.

O menisco inferior (hemácias) deve coincidir com a linha “zero” e o menisco superior (plasma)
deve coincidir com a linha “cem”. A leitura é feita onde ocorre separação entre as duas fases
(interface).

Valores de Referência
► Homem – 40 a 50%
► Mulher – 35 a 45%

Interpretação
Ver Capítulo 9.

Vídeo
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P á g i n a | 39
10.4. Contagem Global de Leucócitos Manual

Fundamento
O sangue é diluído com um fluido que cause a hemólise dos eritrócitos, mas que não tenha
efeito sobre os leucócitos e core os núcleos pelo azul de metileno ou violeta de genciana.
► Líquido de Turk Ácido acético – Lisa as hemácias.
► Azul de Metileno ou Violeta de Genciana – Cora os núcleos dos leucócitos.

Procedimento
1. Pipetar 0,4 mL do líquido de Turk em um tubo de ensaio.
2. Pipetar 0,02 mL (20 µL) de sangue e transferir para o tubo contendo o líquido de Turk.
3. Homogeneizar e aguardar cerca de 20 minutos para que haja lise das hemácias.
4. Encher a câmara de Neubauer com a solução, tendo o cuidado de homogeneizar
novamente antes da pipetagem.
5. Levar a câmara ao microscópio para efetuar a contagem de leucócitos.
6. Focalizar com a objetiva de 10x e fazer a contagem com a objetiva de 10 ou 40x, utilizando
os 4 quadrantes laterais da câmara de Neubauer.
7. Fazer a contagem de todos os quadrantes e somar as parcelas.

Cálculo

Y* x 50 = nº de leucócitos/µL
*Y = número de leucócitos contados na câmara

Valores de Referência
► Adultos – 4.000 a 10.000/µL

Interpretação
Veja Capítulo 9.
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10.5. Contagem Diferencial de Leucócitos Manual

Fundamento
É a contagem de 100 leucócitos em uma distensão sanguínea, diferenciando-os segundo
suas variedades morfológicas.

Procedimentos
► CONFECÇÃO DA DISTENSÃO SANGUÍNEA
1. Colocar uma gotícula de sangue em uma lâmina limpa e seca.
2. Com o auxílio de uma lâmina extensora, colocar a gota de sangue em contato com sua
borda, formando um ângulo de 45°, esfregar uma lâmina sobre a outra rapidamente, antes
que o sangue seque ou coagule.
3. Esperar a lâmina secar.
4. Identificar a lâmina pela cabeça do esfregaço com o auxílio de um lápis.
5. Fazer a coloração.

► COLORAÇÃO DA DISTENSÃO SANGUÍNEA


► CORANTE DE LEISHMAN
1. Cobrir a lâmina totalmente com o corante de Leishman;
2. Deixar agir durante 3 a 5 minutos;
3. Após, adicionar igual quantidade de água sobre o corante de Leishman e deixar agir por 15
minutos;
4. Quando se adiciona a água o corante não deve ser retirado da lâmina;
5. Após os 15 minutos, retirar a solução corante-água da lâmina e lavá-la em água corrente
de modo abundante;

► CORANTE PANÓTICO RÁPIDO


1. Organizar os recipientes com as soluções 1, 2 e 3 em ordem crescente;
2. Submergir a lâmina na solução nº 1 durante 5 s (5 imersões de 1 s cada) e deixar escorrer
bem;
3. Submergir a lâmina na solução nº 2 durante 5 s (5 imersões de 1 s cada) e deixar escorrer
bem;
4. Submergir a lâmina na solução nº 3 durante 5 s (5 imersões de 1 s cada) e deixar escorrer
bem;
5. Lavar com água destilada.
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► MICROSCOPIA
1. Examinar com objetiva de imersão (100x), fazendo a contagem diferencial de 100
leucócitos, no corpo da distensão (veja imagem abaixo).

Cabeça Corpo Cauda

Resultado
Expresso em número relativo (%) e absoluto (/mm3 ou /µL) com base na contagem global de
leucócitos.

Valores de Referência (ADULTO)

VALOR RELATIVO (%) VALOR ABSOLUTO (/µL)

Neutrófilos bastonetes 1–5 40 – 550

Neutrófilos segmentados 40 – 70 1.600 – 7.700

Eosinófilos 1–5 40 – 550

Basófilos 0–2 0 – 200

Monócitos 2 – 10 80 – 1.100

Linfócitos 20 – 40 800 – 4.400

Interpretação
Ver Capítulo 9.
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10.6. Dicas para Fazer a Distensão Sanguínea

O laboratório de hematologia evolui muito nas últimas décadas, com as contagens celulares
geradas por aparelhos automatizados substituindo as técnicas manuais. A tradicional revisão da
contagem diferencial de leucócitos de cada amostra, através da análise microscópica, caiu em
desuso na maioria dos laboratórios que possuem tais aparelhos.
O motivo para isso é a maior precisão das contagens automatizadas em comparação com os
métodos de contagem manual. Apesar disso, sabe-se que a superioridade da contagem
automatizada é limitada a amostras com leucócitos maduros e bem caracterizados. Na presença
de qualquer alteração nas células e de leucócitos imaturos deve-se realizar a revisão da lâmina
hematológica para um diagnóstico mais preciso.

1. Fique de olho nos flags

Os analisadores hematológicos fornecem informações qualitativas na forma de “flags”, ou


alarmes, que alertam o analista clínico para a presença de possíveis resultados errôneos devido a
variáveis interferentes, assim como a presença de células anormais.
Baseado nisso, apenas amostras com resultados acima ou abaixo dos valores de referência
e/ou com a presença de flags, precisam ser revisadas microscopicamente.

2. Componentes essenciais

Para ter valor significativo, o esfregaço sanguíneo deve ser bem realizado. Quatro
componentes são essenciais para o resultado final:

1. A qualidade da distensão;
2. A qualidade da coloração;
3. A qualidade do microscópio;
4. A experiência do microscopista.

3. Fazendo o esfregaço sanguíneo

O esfregaço manual é feito colocando-se uma gota de sangue em um lado da lâmina, e


espalhando-a rapidamente com uma outra lâmina ou extensora, em um determinado ângulo. Uma
boa distensão é grossa na extremidade onde a gota foi colocada e torna-se progressivamente mais
fina, com uma boa separação das células na outra extremidade. Ela deve ocupar a área central e
não tocar nas margens da lâmina. Produzir uma distensão sanguínea de qualidade requer prática.
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4. Fatores que influenciam na qualidade

► Velocidade - Quanto mais rápida a lâmina distensora for movida, maior e mais fina será a
distensão. Quanto mais lenta a lâmina for movida, menor e mais grossa a distensão será.
► Ângulo - Um ângulo maior que 30° deixa a distensão mais grossa; menor que 30° a
distensão fica mais fina.
► Tamanho da gota de sangue - Uma pequena gota de sangue (10-15 µL) é o suficiente
para preparar uma distensão com comprimento adequado; uma gota grande pode fazer
com que a distensão se estenda além do comprimento da lâmina.
► Hematócrito - A viscosidade (hematócrito) do sangue, também irá afetar a distensão. O
sangue de um paciente com anemia terá uma menor viscosidade e a distensão ficará muito
fina se o ângulo não for aumentado. O oposto também é verdadeiro no caso de um paciente
com policitemia.

5. Distensões muito finas ou muito grossas são um problema


Quando são muito finas (causadas por gota pequena, movimento lento ou ângulo menor) as
distensões podem fazer com que os eritrócitos pareçam esferócitos e também aumentar o número
de leucócitos, como monócitos e neutrófilos, na cauda. O resultado é uma contagem diferencial
incorreta.
Em casos em que a distensão fique muito grossa, a área de contagem será muito pequena.
Pelo menos 10 campos, onde 50% dos eritrócitos não se sobrepõem, são necessários para uma
contagem diferencial precisa.

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P á g i n a | 44
10.7. Corantes Hematológicos

Os corantes para esfregaços sanguíneos são uma mistura de corantes de características


neutras, dependentes do pH da solução corante, que em condições apropriadas coram os
componentes nucleares e citoplasmáticos dos leucócitos, com predominância de tons vermelhos
(quando ácidos) e azulados diversos (quando básicos).
Primeiramente temos que entender as características do pH desses corantes:
O azul de metileno é um corante básico que reage com componentes ácidos das células e
tecidos, os quais incluem grupos fosfatos, ácidos nucléicos, grupos sulfatos de glicosaminoglicanos
e grupos carboxila das proteínas. Estruturas celulares que se coram com corantes básicos são
denominadas basófilas. São exemplos: heterocromatina, nucléolo, RNA ribossômico, matriz
extracelular da cartilagem. Cor: azul.
A eosina é um corante ácido que reage com componentes básicos das células e tecidos.
Quando usada juntamente com corantes básicos como o azul de metileno, coram o citoplasma,
filamentos citoplasmáticos e fibras extracelulares. A eosina geralmente cora as estruturas em
vermelho ou rosa.

► Corante básico → cora estruturas ácidas, chamadas basófilas


► Corante ácido → cora estruturas básicas, chamadas acidófilas/eosinófilas

May-Grunwald-Giemsa, Leishman e Wright

O corante de May-Grunwald (1902) é uma mistura de eosina e azul de metileno (não


oxidados), que quimicamente se transforma em eosinato de azul de metileno.
Giemsa (Alemanha) desenvolveu, no mesmo período, um corante que leva seu nome e que
hoje se sabe ser uma mistura de azur II (mistura equimolar de azur 1 e azul de metileno) e eosinato
de azur II (corante formado pela combinação equimolar de azur 1, azul de metileno e eosina
amarelada).
Esses dois corantes são utilizados através de um método de coloração mais demorado, em
que, após fixação e coloração pelo May-Grunwald, se processa uma segunda coloração com
solução de Giemsa, obtendo-se um resultado final melhor e mais detalhado.
A necessidade de um único corante, que pudesse corar globalmente os elementos celulares
com os detalhes do MG-Giemsa, levou ao desenvolvimento de novos corantes: Leishman
(Inglaterra,1901) e Wright (Inglaterra,1902). São corantes basicamente idênticos, compostos de
eosina amarelada e produtos de oxidação do azul de metileno. A diferença entre ambos se restringe
ao fato de que o processo de maturação é mais longo na feitura do corante Leishman (em pó).
Estes corantes são dissolvidos em álcool (em geral metanol).
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10.8. Como Descrever a Morfologia de um Leucócito

Saber descrever a morfologia dos leucócitos pode ajudar muito o médico, dando um alerta
ou confirmando uma suspeita. Porém, a descrição deve ser bem feita e realizada por um
profissional altamente qualificado.

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10.9. Contagem Manual de Reticulócitos

Os reticulócitos são os precursores dos eritrócitos. Contêm no seu interior, restos de material
reticular que não apresenta afinidade por um corante comum, sendo que sua visualização somente
é possível com corantes supra vitais como é o caso do Azul de Cresil Brilhante.

Materiais
► Tubo de ensaio;
► Lâminas de microscopia;
► Pipetas;
► Banho-Maria a 37°C;
► Microscópio;
► Óleo para imersão.

Reagente
Azul de Cresil Brilhante.

Procedimento
1. No tubo de hemólise colocar 100 µL da solução corante;
2. Em seguida acrescentar 50 µL do sangue colhido por punção venosa com anticoagulante;
3. Misturar e colocar em banho-maria durante 20 minutos;
4. Retirar do banho-maria. Misturar novamente e fazer esfregaços da maneira usual;
5. Secar e examinar ao microscópio sob imersão;
6. Contar 1000 hemácias, em vários campos microscópicos (~10 campos), anotando o
número de reticulócitos encontrados;
7. Expressar o resultado em porcentagem.

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P á g i n a | 47
Cálculos
► 𝑅𝑒𝑡𝑖𝑐𝑢𝑙ó𝑐𝑖𝑡𝑜𝑠 (%) = (𝑅𝑒𝑡𝑖𝑐𝑢𝑙ó𝑐𝑖𝑡𝑜𝑠 𝑐𝑜𝑛𝑡𝑎𝑡𝑜𝑠)/(1000 ℎ𝑒𝑚á𝑐𝑖𝑎𝑠) 𝑥 100
► 𝑅𝑒𝑡𝑖𝑐𝑢𝑙ó𝑐𝑖𝑡𝑜𝑠 (µ𝐿) = (𝑅𝑒𝑡𝑖𝑐𝑢𝑙ó𝑐𝑖𝑡𝑜𝑠 (%) 𝑥 𝐸𝑟𝑖𝑡𝑟ó𝑐𝑖𝑡𝑜𝑠 (µ𝐿))/100

Valores de referência
► Relativo: 0,5 a 2,0%;
► Absoluto: 25.000 – 75.000/µL.

Correção
Na prática, a contagem de reticulócitos deve levar em consideração a anemia do paciente.
Para isso faz-se a contagem de reticulócitos corrigida, considerando o hematócrito do paciente em
relação ao hematócrito padrão de:
► Homem: 45%
► Mulher: 40%

𝐻𝑒𝑚𝑎𝑡ó𝑐𝑟𝑖𝑡𝑜 𝑑𝑜 𝑝𝑎𝑐𝑖𝑒𝑛𝑡𝑒
𝑅𝑒𝑡𝑖𝑐𝑢𝑙ó𝑐𝑖𝑡𝑜𝑠 𝑐𝑜𝑟𝑟𝑖𝑔𝑖𝑑𝑜𝑠 (%) = 𝑅𝑒𝑡𝑖𝑐𝑢𝑙ó𝑐𝑖𝑡𝑜𝑠 (%) 𝑥
𝐻𝑒𝑚𝑎𝑡ó𝑐𝑟𝑖𝑡𝑜 𝑝𝑎𝑑𝑟ã𝑜

Valores de referência da correção


► Indivíduos normais: aproximadamente 1%;
► Anemia com hematócrito de 35%: de 2 a 3%;
► Anemia com hematócrito ≤ 25%: de 3 a 5%.

Interpretação
Reticulocitose: (produção aumentada) hemorragia aguda, anemias hemolíticas, tratamento
de anemia nutricional e hipóxia.
Reticulocitopenia: (produção diminuída) anemias carenciais, anemia aplástica, leucemias,
doença renal, carcinoma metastático, anemias microcíticas.
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10.10. Velocidade de Hemossedimentação

Fundamento
Os eritrócitos em suspensão no plasma apresentam queda livre e, portanto, sedimentam.
Interferem na velocidade em que se processa essa queda, a composição do plasma e fatores
inerentes ao próprio eritrócito.
Quanto aos últimos, eles são praticamente desprezíveis e merecem destaque as hemácias
falciformes e a ocorrência de “rouleaux”, formando agregados de eritrócitos (com área superficial
menor e mais pesados).
Portanto, a VHS depende, praticamente, apenas das proteínas plasmáticas. A ocorrência de
um número diminuído de eritrócitos no sangue examinando (anemia) determina um aparente
aumento na velocidade de hemossedimentação, devendo, pois, o valor da leitura ser corrigido para
os diferentes graus de anemias.

Técnicas
1- Método de Wintrobe-Landsberg

Utiliza-se um tubo de diâmetro interno constante e com uma escala graduada em milímetros
(Tubo de Wintrobe). O tubo é preenchido convenientemente com sangue oxalatado (*) até a marca
zero e deixado em posição vertical por 1 hora, após o que, lê-se diretamente na escala descendente
do tubo, a distância percorrida pelos eritrócitos.
(*) sangue colhido com anticoagulante, não necessariamente, o oxalato.

Valores de referência em 1 hora:


► Homens: 0 - 9 mm
► Mulheres: 0 - 20 mm
► Crianças: 0 - 13 mm

2- Método de Westergreen

Neste método emprega-se a pipeta de Westergreen, graduada de 0 a 200 mm, que é


preenchida com sangue oxalatado (*) até a marca zero. A pipeta é fixada na posição vertical em
um suporte próprio e a leitura da VHS é feita na 1ª e na 2ª hora.
(*) sangue colhido com anticoagulante, não necessariamente, o oxalato.
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3- Método de Westergreen, modificado

O sangue venoso é colhido em EDTA (bi ou tripotássico). A seguir, dilui-se o sangue em


solução salina a 0,85%, na proporção de 4 partes de sangue para 1 parte de salina; pode-se ainda
fazer a diluição em citrato de sódio (3,8%), também na proporção de 4:1. Após a diluição do sangue,
preenche-se normalmente a pipeta de Westergreen.

Valores de referência em 1 hora:


Faixa etária Homem Mulher
< 50 anos ≤ 15 mm ≤ 20 mm
> 50 anos ≤ 20 mm ≤ 30 mm
> 85 anos ≤ 30 mm ≤ 42 mm

Interpretação
Valores elevados: doenças infecciosas e inflamatórias, câncer, idade avançada, gravidez,
anemia, pós-operatório, hipercolesterolemia, hipoalbuminemia, mieloma múltiplo.
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10.11. Testes da Antiglobulina Direto (Coombs Direto)

O teste de Coombs ou Teste da Antiglobulina Direto (TAD) é uma técnica laboratorial para
determinar se os eritrócitos foram fixados in vivo (opsonizados) por imunoglobulinas, complemento,
ou ambos. É usado principalmente na investigação de:

► Reações transfusionais hemolíticas;


► Doença hemolítica do recém-nascido;
► Anemia hemolítica autoimune;
► Hemólise induzida por drogas.

Os anticorpos ditos incompletos ‘imunes”, quando em contato com hemácias que contenham
o antígeno correspondente, fixam-se na membrana das mesmas, bloqueando o antígeno; não têm,
entretanto, a capacidade de aglutinar estas hemácias. O soro de Coombs (soro antiglobulina
humana) é capaz de promover a aglutinação dessas hemácias, ditas sensibilizadas.

Tipo de amostra utilizada


Sangue total colhido com o anticoagulante EDTA (tampa roxa/lilás).

Reagentes necessários
► Reagente de antiglobulina humana (soro de Coombs) – antiglobulina poliespecífica, anti-
IgG ou anti-complemento;
► Reagente controle negativo (salina ou albumina 6%);
► Reagente controle positivo (hemácias sensibilizadas com IgG ou complemento).

Técnica em tubo
1. Prepare uma suspensão salina (2 - 5%) das hemácias a serem testadas (paciente);
2. Lavagem:
a. Coloque 2 gotas (100 µL) desta suspensão em 1 tubo;
b. Adicione solução fisiológica até preencher 2/3 do tubo;
c. Centrifugue a 3000 RPM por cerca de um minuto;
d. Despreze o sobrenadante com cuidado para deixar o “botão” de hemácias no fundo do
tubo;
e. Repita esse passo mais duas vezes (total = 3 lavagens); na última vez, com auxílio de
um papel de filtro/toalha, despreze toda a salina;
f. Quando se tratar de sangue umbilical, lave as hemácias no mínimo oito vezes;
3. Adicione 2 gotas (100 µL) do reagente de antiglobulina humana e homogeneíze;
4. Centrifugue em rotação baixa (~1000 RPM) por 15 segundos;
P á g i n a | 51
5. Leitura:
a. Agitar levemente o tubo;
b. Observe se há aglutinação das hemácias;
c. Faça a semiquantificação do resultado (0, +, ++, +++).

Técnica em gel
1. Prepare uma suspensão de hemácias a 1%:
a. Centrifugue o tubo com a amostra para sedimentar as hemácias;
b. 1000 µL da solução de diluição (consulte a marca do kit);
c. 10 µL das hemácias concentradas por centrifugação;
2. Pipete 50 µL da suspensão no microtubo do cartão específico para Coombs (consulte a
marca do kit);
3. Centrifugue de acordo com as recomendações da marca do kit;
4. Realize a leitura e faça a semiquantificação.

Resultado
► Sem aglutinação visível = teste negativo.
► Presença de aglutinação (+, ++ e +++) = teste positivo.

Notas importantes!
► O teste inicial deve ser realizado utilizando-se o reagente poliespecífico. Se o TAD for negativo
com esse reagente, nenhum teste adicional é necessário. Se o TAD for positivo com a
antiglobulina poliespecífica, é necessário utilizar os reagentes monoespecíficos (anti-IgG e anti-
complemento) para saber qual globulina está presente.
► O TAD é positivo quando aglutinação é observada tanto imediatamente após a centrifugação
quanto após a centrifugação seguida de incubação à temperatura ambiente;
► Hemácias sensibilizadas por IgG geralmente reagem imediatamente, enquanto que as
sensibilizadas pelo complemento podem ser melhor demonstradas após a incubação à
temperatura ambiente;
► Um TAD negativo não necessariamente significa que não há moléculas de globulinas fixadas
nas hemácias. Os reagentes antiglobulina poliespecífica e anti-IgG detectam de 150 a 500
moléculas de IgG por célula, mas alguns pacientes podem apresentar hemólise quando a
sensibilização por IgG está abaixo desse nível.
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10.12. Tipagem Sanguínea

Existem duas formas de se fazer a tipagem sanguínea do sistema ABO: em lâminas ou tubos
de ensaio. Quando essa é feita em lâmina há um grande risco de o resultado dar errado. Veja
alguns motivos:
► Pode não haver uma equivalência entre o soro e o sangue. Às vezes há mais antígenos do
que anticorpos, ou vice versa. Isso interfere direto no resultado. No tubo as chances de isso
acontecer são menores já que é feita uma diluição com salina.
► O encontro, na lâmina, de antígeno e anticorpo ocorre ao acaso, portanto pode haver falta
de aglutinação porque não houve uma homogeneização correta. No tubo a
homogeneização é feita na centrífuga, o que diminui a chance de não acontecer o encontro.

Procedimento

1. Faz-se uma diluição com solução salina (0.9% NaCl):

2. Depois, distribui-se 50 μL em cada tubo (no caso três) e coloca-se uma gota de cada soro
(A, B e D) *Uma gota do soro equivale a ~50 μL.

Anti-A Anti-B Anti-D

3. Agora centrifuga-se por 30 segundos. *Dica: Como sobrou um tubo que estava com a
diluição, use-o para equilibrar a centrífuga, já que ele também tem 50 μL.
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4. Se houver aglutinação: Ficará no fundo do tubo um concentrado de hemácias. Vire o tubo
aos poucos e olhe contra seu jaleco. Se não formar um fio é porque aglutinou.

5. Se não houver aglutinação: Fazendo o mesmo processo citado acima, se formar um fio
quando estiver virando aos poucos é porque não aglutinou.

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P á g i n a | 54

11. REFERÊNCIAS

Dacie and Lewis, Practical Haematology, 9th edition, Edited by SM Lewis, BJ


Bain, I Bates, Chapter 4: Preparation and staining methods for blood and bone
marrow smears, pág. 50.

Stone KD, Prussin C, Metcalfe DD. IgE, Mast Cells, Basophils, and Eosinophils.
The Journal of allergy and clinical immunology. 2010.

A. V. Hoffbrand; P. A. H. Moss. Fundamentos em Hematologia. Artmed, 6ª ed.,


2012. (Tradução: Renato Failace).

ZAGO, M. A., et al. Tratado de Hematologia. Atheneu Rio, 2014.

MARTINS, M. A., et al. Clínica Médica. Manole, vol. 3, 2009.

FIGUEIREDO, A. K. B.; SANTOS, F. A. V; SOARES E SÁ, L. H; SOUSA, N. D.


L. Anemia falciforme: abordagem diagnóstica laboratorial. Rev. Ciênc. Saúde
Nova Esperança – Jun. 2014;12(1):96-103.

YANAGUIZAWA, M. et al. Diagnóstico por imagem na avaliação da anemia


falciforme. Rev. Bras. Reumatol., 2008, vol.48, n.2, pp. 102-105. ISSN 0482-
5004.
P á g i n a | 55

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