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Ciência Política

Planejamento Estratégico de Campanha eleitoral

Aula 1

Professor Ricieri Garbelini

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CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico
Conversa Inicial
Olá! Esta é a sua primeira aula de Planejamento Estratégico
de Campanha Eleitoral. Seja bem-vindo!

Confira no material online a apresentação desta aula com


o professor Ricieri.

Contextualizando
Para que qualquer projeto seja iniciado, seja ele profissional
ou pessoal, é necessário traçar os objetivos e as ações, de forma
a colocá-lo em prática. Na política não é diferente. Por meio de
reuniões familiares e conversas entre os afins é criado o alicerce
inicial do desenvolvimento de um projeto político. A política se
inicia quando o pretenso candidato e a sua família veem juntos
esta possibilidade, importando frisar que o aval da família é
primordial para o impulso da campanha. Além disso, é a família
que dá a motivação para que o candidato não desista a caminho
da corrida eleitoral.

O candidato deve observar suas vontades, sonhos e planos


para alcançar uma ideia de candidatura para qualquer cargo
político. Primeiramente ele precisa saber o motivo principal de
contar com os votos de seu eleitorado e se questionar das
seguintes formas...

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Por que votariam em mim? O que posso oferecer para a
sociedade? Sou um bom candidato? O que me distingue dos
outros candidatos?

Depois de encontradas as respostas para estas perguntas,


é preciso analisar vontades e riscos, forças e fraquezas de um
possível embate político. Na atualidade, a prática da política
partidária se encontra desgastada no meio da sociedade,
apresentando radicalização e resistência de grupos que, por
muitas vezes, podem dificultar a atividade e o debate político.

Pesquise

TEMA 1: Entrevista com o candidato


Qualquer planejamento deve ser iniciado com um bate papo. Por isso,
você precisa gerar uma entrevista com o candidato, nela devem constar todas
as informações que serão úteis na confecção do planejamento da campanha.
Nesta etapa você deve perguntar todas e quaisquer informações para o
candidato, desde algo positivo e até mesmo os negativos, pois você organizará
a campanha dele e precisará tanto atacar quanto se defender de qualquer coisa.

A pesquisa deve ser elaborada com perguntas de cunho pessoal, familiar,


profissional, rede de amigos, rede social etc. Você pode fazer a entrevista com
o candidato e logo em seguida com a sua família, redes sociais etc. Vale
ressaltar que o planejador de marketing político passa a ter um produto em suas
mãos, e qualquer informação é importante.

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Não tenha vergonha de explorar fatos, porque pode ser eles garantirão
boas informações para o decorrer da campanha.
As perguntas devem ser aprofundadas de tal maneira que possam ser
avaliadas e ajudar na tomada de decisão. Por isto, a liberdade entre você e seu
cliente deve ser grande.

Saiba mais sobre o processo de entrevista do candidato com a


explicação do professor no material online.

TEMA 2: Comportamento político: tomada de decisão


Para a possível segurança e defesa, o futuro candidato precisa refletir em
seus erros, vícios e virtudes; se o seu passado o condena, ou não, perante a
sociedade. Os boatos, vídeos e notícias ruins tendem a se espalhar muito rápido
pelas redes sociais e imprensa, em grandes proporções. O brasileiro, a cada dia,
está mais informado, e com opinião própria, recebendo atualizações com muita
agilidade. Atualmente, as informações políticas podem ter duplo sentido, para o
bem ou o mal de cada candidato.
O candidato precisa se preparar e montar uma equipe, contando com
familiares e amigos - que sejam “pessoas de confiança” - para iniciar o
planejamento e a preparação para uma possível pré-candidatura, majoritária ou
proporcional. Essa equipe precisa fazer um levantamento dos concorrentes para
um estudo de potencialidade de voto de cada um, assim como a quantidade de
votos por região e localidade, precisa conhecer as autoridades locais, líderes de
bairros, religiosos, pessoas que têm algum tipo de trabalho em prol da
sociedade.
Assim, um bom político não precisa apenas ser eleito, ele deve
trabalhar de forma eficaz depois de assumir o seu cargo, com um conjunto
de boas características e competências profissionais.

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Se o objetivo do candidato é conseguir uma carreira de sucesso, é preciso
ter em mente que o trabalho é árduo, o que exige uma boa interação com os
colegas e saber lidar com as limitações de cargos políticos.

Para ter uma ideia, assista a seguir um vídeo do “Política Sem Mistérios” que
explica de modo simples quais são as funções dos Três Poderes, no link:
https://www.youtube.com/watch?v=E7EjZgcp1bM

O professor complementa a explicação deste tema no material online.

TEMA 3: Possibilidade para se lançar a candidatura


Após testar as possibilidades para ser um candidato sem causar qualquer
risco a si e à própria família, pode ser feito um teste para conhecer as reais
chances. Vamos conhecer quais são elas, segundo Kuntz (2006):

 Você tem o apoio de sua família? Ela está disposta a assumir as


responsabilidades do lar e, além disso, ajudar na campanha?
 Será que sua família vai aguentar as ofensas de que você será alvo sem
se perturbar?
 Sua vida regressa pode ser totalmente investigada? Como foram seus
negócios? Suas declarações de imposto de renda? Seus parentes
próximos? Fontes e renda? Sua saúde física e mental? Tudo isso pode
ser comentado por qualquer veículo de comunicação?
 Quem são os dez maiores aliados nessa batalha? Quais são os dez
adversários mais ferrenhos? Você tem certeza de que seu grupo de
aliados é mais forte, mais coeso e mais competente?
 E os fantasmas do passado? Os esqueletos do armário? Seus ex-amigos,
empregados, sócios, namorados(as), cônjuges ou velhos desafetos
sabem algo que a imprensa, ou seus adversários, não possam saber?

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 (Depois da descoberta do teste DNA essa pergunta ganhou relevância).
Se teve filhos fora do casamento, está tudo bem resolvido? Você não está
sujeito a desgastantes processos por falta de pagamento de pensão
alimentícia ou de reconhecimento de paternidade?
 Você está física e emocionalmente preparado para enfrentar uma
campanha eleitoral?
 Tem suporte financeiro suficiente? Se não, quem irá financiar sua
campanha? Se você é empresário, quem vai tomar conta dos seus
negócios? Se é empregado, tem emprego garantido em caso de derrota?
 Você tem condições de formar uma equipe na qual possa confiar a
estruturação, organização e administração de sua campanha, mantendo
autoridade sobre ela?
 Gosta de política? Sente prazer em participar do processo eleitoral?
 Você e sua equipe acreditam nas condições de saírem vitoriosos na
eleição, mesmo que para isso tenham que trabalhar até o limite da
exaustão?

E assim, no caso de respostas positivas a essas perguntas, é possível seguir


em frente com a candidatura. Ao pensar em política, automaticamente pensa-se
em vocação e profissão e, no caso da primeira, existe a identificação do indivíduo
com interesses ligados à sociedade e uma habilidade para representá-los; na
segunda, existe uma busca de sobrevivência com uma remuneração que o cargo
público representativo tem.

Vamos entender melhor sobre este tema assistindo o professor Ricieli?


Assista no material online.

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TEMA 4: Qualificação exigida pela Constituição
De acordo com a Constituição Federal, de 1988, para concorrer a um
cargo político, a qualificação exigida aos candidatos é de não ser analfabeto, ser
maior de idade e brasileiro. No Brasil, cargos públicos tais como presidente e
vice-presidente de República, senador, governador e vice-governador de Estado
e deputados tanto federal quanto estadual, exigem dos seus candidatos a
seguinte qualificação: nacionalidade brasileira, o pleno exercício dos direitos
políticos, o alistamento eleitoral, o domicílio eleitoral na circunscrição, a filiação
partidária e a idade mínima de 35 anos para presidente e vice-presidente da
República, 30 anos para governador de estado, 21 anos para deputados e
prefeitos e 18 anos para vereadores.

Você pode acessar a Constituição de 1988 para saber outras


informações:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/ConstituicaoCompilado.htm

TEMA 5: Pesquisa social


Além dos analfabetos, não podem ser eleitos os que tenham perdido
mandatos por infringir a lei, os condenados criminalmente e os que tiveram suas
contas relativas ao exercício de cargos rejeitados por irregularidades.
A Justiça Eleitoral (TSE) diz que:
aquele que, satisfeitas as condições de elegibilidade e não
incorrendo em qualquer situação de inelegibilidade, tem seu registro
deferido pela Justiça Eleitoral, para participar de um pleito eleitoral.
Durante o processo eleitoral, busca conquistar a simpatia do
eleitorado para que este – por meio de seu voto – o legitime como
seu representante, no exercício de cargo ou do Poder Legislativo
ou do Poder Executivo. (GLOSSÁRIO ELEITORAL DO TRIBUNAL
SUPERIOR ELEITORAL. Disponível em: www.tse.jus.br. Acesso em: 22
jul.2015.)

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Além disso, o Título de Eleitor deve estar em dia, estar em gozo de seus
direitos políticos, e ser filiado a um partido político ao menos 1 ano antes da
eleição e residir na localidade, ou seja, o domicílio eleitoral onde vai concorrer,
também, pelo menos 1 ano.
É importante frisar que para aquele que desejar seguir em uma carreira
política, é preciso se planejar com antecedência, para que consiga cumprir com
todas as exigências necessárias para ter a sua candidatura aprovada e assim
poder disputar o pleito.

Mais uma vez o professor faz a explicação. Assista à videoaula no material


online!

A pesquisa social ou investigação social é uma das etapas mais


temidas pelos candidatos. É nela que vamos ‘vasculhar’ sua vida para
descobrir quem é, o que faz e por que faz.

Nesta etapa também será exigida a apresentação de um histórico de


antecedentes criminais. No período de investigação social, é interessante dar
uma volta pelo seu bairro, conversar com os vizinhos, coletar informações sobre
seus clientes e depois visitar sua casa. Ideal também é dar uma passadinha na
escola onde você estudou, falar com diretores e professores. Ter amigos e um
bom relacionamento social ajuda bastante.
Essa pesquisa social cabe muito a você levantar para informações sobre
seu cliente. Lembrando mais uma vez você está criando um produto e quanto
mais dados levantar, melhor será para conseguir votos para a campanha.
Ética é fundamental nesse trabalho, a partir de agora você terá uma ficha
completa de seu cliente podendo fazer bons ataques e com certeza se preparar
para boas defesas!

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Vamos juntos assistir à videoaula do nosso último tema de estudo no
material online!

Trocando ideias
Acesse o fórum da disciplina e opine para seus colegas: se você fosse
candidato e uma equipe de reportagem fizesse uma matéria relacionada à sua
vida pessoal, com informações falsas, porém boas, qual seria a sua atitude?

Aproveite e debata sobre esta questão no fórum!

Na Prática
Agora é a sua vez: pesquisar!

Faça uma pesquisa sobre os principais políticos da sua cidade, escolha 3


no máximo. Pesquise sobre a trajetória política dele e veja se os perfis
pesquisados se aplicam ao que você estudou até aqui.

Síntese
Foi apresentado neste capítulo como o cidadão comum pode ingressar na
política, apontando os questionamentos básicos que devem ser realizados para
que o arrependimento não venha depois de um investimento financeiro.
Evidenciou-se ainda a importância do apoio familiar.
Agora, confira à sintetização do professor no material online.

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Referências

KUNTZ, R. A. Marketing Político: Manual de Campanha Eleitoral. São


Paulo: Global, 2006.
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988.
Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em:
15 jul. 2015.

LEI nº 4.737, de 15 de julho de 1965. Institui o Código Eleitoral.


Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l4737.htm. Acesso em:
15 jul. 2015.

LEI nº 9.096, de 11 de setembro de 1995. Dispõe sobre partidos


políticos, regulamenta os arts. 17 e 14, § 3º, inciso V, da Constituição
Federal. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9096.htm.
Acesso em: 15 jul. 2015.

LEI nº 9.504, de 30 de setembro de 1997. Estabelece normas para as


eleições. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9504.htm.
Acesso em: 15 jul. 2015.

LEI COMPLEMENTAR nº 64, de 18 de maio de 1990. Estabelece, de


acordo com o art. 14, § 9º da Constituição Federal, casos de inelegibilidade,
prazos de cessação, e determina outras providências. Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/LCP/Lcp64.htm. Acesso em: 15
jul.2015.

SEGUNDO VEREADOR MAIS JOVEM DO BRASIL É DO PSD. Tem só


19 anos e muitas ideias. Disponível em: http://psd.org.br/noticia/segundo-
vereador-mais-jovem-do-brasil-e-do-psd-tem-so-19-anos-e-muitas-ideias/.
Acesso em: 22 jul.2015.

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