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Eneida é um grande poema épico que foi escrito no século I a.C.

pelo poeta romano


Virgílio e publicado após sua morte em 19 a.C. Ele escreveu a obra durante 12 anos.
Eneida é considerada um clássico da literatura mundial que inspirou diversos poetas
posteriores como Dante Alighieri e Luís de Camões.

A Narrativa
Eneida narra a história de Roma, desde a origem, o poder e a expansão do Império
Romano. A obra recebe esse nome uma vez que está relacionada com as façanhas e
feitos realizados pelo herói troiano: Enéas.
Enéas (ou Enéias), o protagonista da obra, foi um troiano sobrevivente da Guerra de
Troia. Portanto, é considerado um herói mítico que lutou no cerco de Troia contra os
gregos. Ainda que ele seja humano, foi visto por muitos como um semideus.
Em Cartago, Enéas é recebido por Dido, rainha de Cartago, que acaba por se apaixonar
por ele.
Enéas narra a Guerra de Troia para Dido e como conseguiu fugir com seu pai e filho por
ordem da Deusa Vênus.
Durante uma caçada, houve uma grande tempestade. Nesse momento, Dido e Enéas se
abrigaram numa caverna e se amaram ali.
Após o evento, Enéas recebe uma mensagem do Deus Júpiter que lhe revela seu destino.
Ele precisava deixar Cartago e fundar uma cidade na região do Lácio. A ideia central
era substituir a cidade arrasada de Troia.
Ele tenta fugir da cidade sem que a rainha perceba. Todavia, Dido vê os navios saindo
da cidade e acaba por se suicidar.
Ao chegar na região do Lácio, o rei Latino lhe oferece aliança e a mão de sua filha.
Entretanto, isso gera grande polêmica sobretudo em Turno, que amava Lavínia, a filha
do rei.
Turno tenta atingir os troianos cercando o acampamento e colocando fogo. Com a ajuda
do deus Netuno, o fogo é apagado.
Após esse evento, há um combate entre Turno e Enéas, que acaba com a morte de
Turno. Por fim, Enéas funda uma colônia troiana no Lácio e se casa com Lavínia.
Durante seu governo ele conseguiu unir os romanos e os troianos.

Estrutura da Obra
Eneida foi escrita em latim, em versos e com uma métrica singular. Ou seja, com seis
grupos de três sílabas, sendo duas breves e uma longa. Esse tipo de métrica é chamado
de hexâmetro datílico.
Virgílio a produziu dessa maneira, uma vez que a sonoridade da epopeia incluía um
esquema rítmico para ser lido em voz alta. Ele se inspirou nas epopeias clássicas gregas
do poeta Homero: as obras Ilíada e Odisseia.
Quando à estrutura, a obra é formada por 12 livros (ou capítulos), também chamados de
cantos.
Que tal saber mais sobre o Gênero Épico e a Epopeia?

Personagens da Obra
Eneida é constituída por diversos personagens, que são tanto humanos como deuses.
Humanos
 Enéas: troiano, protagonista da história.
 Ascânio: filho de Éneas.
 Anquises: pai de Éneas.
 Dido: rainha de Cartago.
 Turno: inimigo de Éneas.
Deuses
 Apolo: filho de Zeus e irmão gêmeo de Ártemis. Ele é o deus do Sol e protetor das
artes.
 Vênus: deusa do amor e da beleza.
 Éolo: filho de Hipotas. Ele é o deus dos ventos.
 Júpiter: o “pai dos deuses”. Ele é o deus dos céus, da chuva, da luz e do raio.
 Juno: mulher de Júpiter. Ela é deusa dos deuses e protetora do casamento e dos filhos.
 Mercúrio: deus mensageiro do comércio, das estradas e da eloquência.
 Netuno: filho do deus Saturno. Ele é o deus dos mares.
Saiba mais sobre os Deuses Romanos.
Trechos da Obra
Para conhecer melhor a linguagem e a estrutura da Eneida, confira abaixo um trecho de
cada livro:
Livro I
“Eu, que entoava na delgada avena
Rudes canções, e egresso das florestas,
Fiz que as vizinhas lavras contentassem
A avidez do colono, empresa grata
Aos aldeãos; de Marte ora as horríveis
Armas canto, e o varão que, lá de Tróia
Prófugo, à Itália e de Lavino às praias
Trouxe-o primeiro o fado.”
Livro II
“Prontos, à escuta, emudeceram todos,
Ao passo que exordia o padre Enéias
Do excelso toro: — Mandas-me, ó rainha,
Renove a dor infanda; o como os Danaos
D’Ílio a pujança e o reino lamentável
Derrocaram; misérias que eu vi mesmo
E em que fui grande parte.”
Livro III
“Depois que em mal os deuses derribaram
Ásia e a nação priaméia, altivos muros
E Ílio a neptúnia em fumo resolvendo,
A buscar nos suadiu celeste aviso
Vários desterros e desertos climas;
E no Ida frígio, ao pé da mesma Antandro
Fabricámos as naus, do fado incertos,
Do rumo e pousadia.”
Livro IV
“Já traspassada, em veias cria a chaga,
E se fina a rainha em cego fogo.
O alto valor do herói, sua alta origem
Revolve; estampou n’alma o gesto e as falas;
Do cuidado não dorme, não sossega.
A alva espanca do pólo a noite lenta,
Lustrando o mundo a lâmpada febéia;
Louca à irmã confidente então se explica:
“Suspensa que visões, Ana, me aterram?”
Livro V
“Firme o herói já dirige ao meio a frota,
Com o Aquilão talhando as negras vagas;
Olha atrás, e da pobre Elisa os muros
Em chamas vê luzindo. A causa os Teucros
De tanto incêndio estranham; mas conhecem
O amor poluto como dói, o que ousa
Femínea raiva, e triste agouro tiram.”
Livro VI
“Assim pranteia, e às naus demite as rédeas;
Vai-se a Cumas eubóica e manso aborda.
Tenaz dente as fundeia; ao largo aproam,
E as curvas popas a ribeira cobrem.
Moços na praia hespéria ardidos saltam:
Quem sementes de chama em siliciosas
Veias cata; quem, denso alvergue às feras,
Esmoita a selva, e os rios mostra achados.”
Livro VII
“Tu não menos, Caieta ama de Enéias,
Nossas praias morrendo eternizaste;
Guarda o lugar teu nome, e se isto é glória,
Na magna Hespéria os ossos te assinala.”
Livro VIII
“Mal Turno, os cornos rouco estrepitando,
Pendões arvora no laurente alcáçar,
E os brutos afogueia e incita as armas,
Revolto o Lácio em trépido tumulto
Se conjura, e esbraveja a mocidade.”
Livro IX
“Entretanto que ao longe isto sucede,
A Satúrnia do Olimpo Íris despacha
A Turno audaz: que em vale e sacro bosque
Do avô Pilumno acaso descansava.”
Livro X
“De par em par o onipotente Olimpo,
Concílio o pai divino e rei dos homens
Chama à sidérea corte; excelso as terras
Fita e o campo troiano e os lácios povos.”
Livro XI
“Já do oceano a aurora despontava.
Bem que urja o tempo de inumar seus mortos
E o turbe o funeral, no primo eôo
Piedoso o vencedor cumpria os votos.”
Livro XII
“Mal embebe, enfuriado o herói vozeia:
“Que! tu me escaparás dos meus com presa!...
Nesta ferida imola-te Palante,
Palante vinga-se em teu ímpio sangue.”
No peito aqui lhe esconde o iroso ferro:
Gelo os órgãos lhe solve, e num gemido
A alma indignada se afundou nas sombras.”