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CURSO TÉCNICO SUBSEQUENTE EM AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL

COMPONENTE CURRICULAR:

INSTALAÇÕES
ELÉTRICAS
INDUSTRIAIS

PROFESSOR: UDIELLY FUMIAN CRUZ REIS


E-MAIL: UDIELLY.REIS@IFF.EDU.BR

BR 356, Km 3 – Cidade Nova – Itaperuna


Rio de Janeiro – Brasil - CEP: 28300-000
TEL.: (22) 3826 2300 – (22) 8826 0795
Site: www.iff.edu.br
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INTRODUÇÃO

Conhecer como se liga um motor trifásico não consiste simplesmente em conectá -lo a rede elétrica.
É também ter noções das características internas de cada tipo de motor, saber as normas que auxiliam o
bom funcionamento de todo conjunto e dão segurança, as determinações da concessionária de energia
elétrica local, enfim, uma série de coisas que farão o sucesso de todo o sistema.
Da mesma forma, os circuitos que comandarão os motores precisam ser de conhecimento bem
destacado, pois caso contrário, pequenos detalhes podem gerar uma série de problemas em efeito cascata
que poderão resultar em grandes prejuízos.
O Técnico em Automação Industrial deve conhecer todos estes aspectos, saber efetuar instalações
onde a imaginação e a criatividade são de fundamental importância, assim como indicar a aplicação correta
de cada caso.
O objetivo deste manual é trazer subsídio àqueles que estão iniciando nas atividades de instalações
elétricas industriais, tendo nesse momento o auxílio do professor, e servir de consulta e apoio àqueles que
já dominam a área.
Serão tratadas as principais características dos diversos tipos de motores elétricos monofásicos e
trifásicos, a forma de ligação de cada tipo específico, a maioria dos componentes que são empregados na
montagem de quadros de comando, os circuitos manuais e automáticos básicos para comandos em geral,
dimensionamento de componentes, sendo seguido por alguns exemplos práticos de máquinas e circuitos
automatizados que se utilizam exatamente desses sistemas, de forma a ampliar e auxiliar o aprendizado.
É muito importante salientar ainda que o bom aprendizado exige dedicação, participação e
persistência, seguida da experiência que se adquire ao longo do tempo e não pode ser mostrada em
nenhum livro.

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CAPITULO 1: NOÇÕES GERAIS SOBRE A ELETRICIDADE

São abordados neste Capítulo diversos aspectos sobre a eletricidade, de uma forma simplificada,
buscando oferecer uma visão geral sobre o assunto.
1.1 - ENERGIA
Energia é a capacidade de produzir trabalho e ela pode se apresentar sob várias formas:
• energia Térmica;
• energia Mecânica;
• energia Elétrica;
• energia Química;
• energia Atômica, etc.
Uma das mais importantes características da energia é a possibilidade de sua transformação de uma
forma para outra.
Por exemplo: a energia térmica pode ser convertida em energia mecânica (motores de combustão
interna), energia química em energia elétrica (pilhas) etc. Entretanto, na maioria das formas em que a
energia se apresenta, ela não pode ser transportada, ela tem que ser utilizada no mesmo local em que é
produzida.
1.2 - ENERGIA ELÉTRICA
A energia elétrica é uma forma de energia que pode ser transportada com maior facilidade. Para
chegar a uma casa, nas ruas, no comércio, ela percorre um longo caminho a partir das usinas geradoras de
energia.
A energia elétrica passa por 3 principais etapas:
a) Geração: - A energia elétrica é produzida a partir da energia mecânica de rotação de um eixo de uma
turbina que movimenta um gerador. Esta rotação é causada por diferentes fontes primárias, como por
exemplo, a força da água que cai (hidráulica), a força do vapor (térmica) que pode ter origem na queima do
carvão, óleo combustível ou, ainda, na fissão do urânio (nuclear).
b) Transmissão: - As usinas hidroelétricas nem sempre se situam próximas aos centros consumidores de
energia elétrica. Por isso, é preciso transportar a energia elétrica produzida nas usinas até os locais de
consumo: cidades, indústrias, propriedades rurais, etc. Para viabilizar o transporte de energia elétrica, são
construídas as Subestações elevadoras de tensão e as Linhas de Transmissão.
c) Distribuição: - Nas cidades são construídas as subestações transformadoras. Sua função é baixar a tensão
do nível de Transmissão (muito alto), para o nível de Distribuição. A Rede de Distribuição recebe a energia
elétrica em um nível de tensão adequado à sua Distribuição por toda a cidade, porém, inadequada para sua
utilização imediata para a maioria dos consumidores.
Assim, os transformadores instalados nos postes das cidades fornecem a energia elétrica
diretamente para as residências, para o comércio e outros locais de consumo, no nível de tensão (127/220
ou 220/380 Volts, por exemplo), adequado à utilização.
As etapas de Geração, Transmissão, Distribuição e da utilização da energia elétrica, podem ser assim
representadas:

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As instalações elétricas de baixa tensão são regulamentadas pela Norma Brasileira vigente, a NBR
5410 “Instalações Elétricas de Baixa Tensão” da ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas.
Essa Norma fixa os procedimentos que devem ter as instalações elétricas: PROJETO, EXECUÇÃO,
MANUTENÇÃO e VERIFICAÇÃO FINAL, a fim de garantir o seu funcionamento adequado, a segurança das
pessoas e de animais domésticos e aplica-se às instalações elétricas (novas e reformas das existentes)
alimentadas sob uma tensão nominal igual ou inferior a 1.000 Volts em Corrente Alternada (CA).
As Concessionárias de energia por sua vez, fornecem a energia elétrica para os consumidores de
acordo com a carga (kW) instalada e em conformidade com a legislação em vigor – Resolução no 456
“Condições Gerais de Fornecimento de Energia Elétrica”, da ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica,
que estabelece os seguintes limites para atendimento:
a) Tensão Secundária de Distribuição – Grupo B (Baixa Tensão): Quando a carga instalada na unidade
consumidora for igual ou inferior a 75 kW. Os consumidores do Grupo B são atendidos na tensão inferior a
2.300 Volts. No caso da CEMIG, os consumidores são atendidos na tensão 220/127 Volts (Trifásico);
b) Tensão primária de distribuição inferior a 69 kV: Quando a carga instalada na unidade consumidora for
superior a 75 kW e a demanda contratada ou estimada pelo interessado, para o fornecimento, for igual ou
inferior a 2.500 kW. Na maioria dos casos, os consumidores são atendidos geralmente na tensão de 13.800
Volts (Trifásico);
c) Tensão primária de distribuição igual ou superior a 69 kV: Quando a demanda contratada ou estimada
pelo interessado, para o fornecimento, for superior a 2.500 kW.
Abaixo o valor de tensão secundaria utilizado pelas concessionarias e indústrias:

No modulo de Instalações Elétricas Industriais, vamos conhecer uma grande parte dos componentes
que são empregados nas indústrias, como é feito o dimensionamento e instalação dentro das normas.

CAPITULO 2: COMPONENTES ELÉTRICOS INDUSTRIAIS

Este capítulo trata dos componentes mais destacados para as atividades de um eletricista industrial,
observando características genéricas. Dados mais completos de um componente são obtidos diretamente
com o fabricante através de catálogos.

2.1 - TOMADAS INDUSTRIAIS:

A tomada industrial é usada na alimentação de máquinas que requerem correntes de valores


maiores, normalmente acima de 16 A. Existem em diversas formas físicas e com variado número de polos
(3F + N + T, 2F + N, 3F + N etc). Modelo à prova de explosão, umidade, gases, vapores e pós.

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O índice de proteção dos fabricantes de Plugues e Tomadas é IP44 para os modelos de 16 A e 32 A e
IP67 para os modelos de 63 A e 125 A. A seguir tabelas com o detalhamento dos graus de proteção:
O primeiro algarismo se refere à proteção contra entrada de corpos sólidos e o segundo algarismo
contra a entrada de corpos l íquidos no interior.
Trata-se do grau de proteção (IP), apresentado na norma NBR IEC 60529 - "Graus de proteção para invólucros
de equipamentos elétricos (códigos IP)”.
Esse tipo de tomada atendem os mais diversos ambientes e aplicações, tanto para a indústria
quanto para instalações comerciais de acordo com as especificações de conformidade da norma IEC 60309 .
Tab. I - Graus de proteção contra a penetração de objetos sólidos estranhos indicados pelo primeiro numeral
característico
Numeral Descrição sucinta do grau de proteção
0 Não protegido
1 Protegido contra objetos sólidos de Ø 50 mm e maior
2 Protegido contra objetos sólidos de Ø 12 mm e maior
3 Protegido contra objetos sólidos de Ø 2,5 mm e maior
4 Protegido contra objetos sólidos de Ø 1,0 mm e maior
5 Protegido contra poeira
6 Totalmente protegido contra poeira
Tab. II - Graus de proteção contra a penetração de água indicados pelo segundo numeral característico
Numeral Descrição sucinta do grau de proteção
0 Não protegido
1 Protegido contra gotas d'água caindo verticalmente
2 Protegido contra queda de gotas d'água caindo verticalmente com invólucro inclinado até 15°
3 Protegido contra aspersão d'água
4 Protegido contra projeção d'água
5 Protegido contra jatos d'água
6 Protegido contra jatos potentes d'água
7 Protegido contra efeitos de imersão temporária em água
8 Protegido contra efeitos de imersão contínua em água
Na instalação destas tomadas é importante criar um padrão para a conexão dos fios evitando-se
problemas com sequência de fases e outros condutores.

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2.2 - CHAVES DE PARTIDA MANUAIS:

Para comandar um motor elétrico, é necessário um dispositivo de manobra que o ligue e/ou
desligue quando se desejar. Existem vários tipos de componentes para esse fim, cada um com sua
empregabilidade, vantagens e desvantagens. As chaves manuais são exemplos de dispositivos de manobras
para motores elétricos, sendo talvez a maneira mais simples e econômica de se fazer.
Fisicamente variam conforme sua aplicação e fabricante. O funcionamento elétrico das chaves
manuais, ou seja, como são fechados seus contatos internos dependerá da aplicação da chave. Elas
poderão ser específicas para determinada máquina ou aplicáveis em situações gerais.

2.3 -BOTOEIRAS, PEDALEIRAS E FIM DE CURSOS.

Estes são elementos de comando que servem para energizar ou desenergizar contatores, sendo que
comutam seus contatos NA ou NF através de acionamento manual. Podem variar quanto ao formato, e
proteção do acionador, quantidade e tipos de contatos, e reação ao acionamento, usados nos circuitos
elétricos industriais. As botoeiras são instaladas em portas de quadro de comando, em frente de máquinas
etc. As pedaleiras são utilizadas em máquinas onde o operador liga e/ou desliga o equipamento com o pé.
Já o fim de curso tem a maior aplicação como limitadores de deslocamento e proteção de máquinas. Cada
cor de botão indica um tipo de atividade, conforme descrito por norma, s endo que cada empresa pode
criar seu próprio padrão.

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2.4 - SINALIZADORES VISUAIS E SONOROS:

São componentes utilizados para indicar (através de som e/ou visualmente) o estado em que se
encontra um painel de comando ou processo automatizado. As informações mais comuns fornecidas
através destes dispositivos são: ligado, desligado, falha e emergência.
IDENTIFICACAO DE SINALEIROS SEGUNDO IEC 73 E VDE 0199

2.5 - SENSORES
Sensores são componentes que realizam uma comutação elétrica sem haver contato físico. Podem
atuar pela aproximação de algum material, ou, ainda, pela variação de alguma grandeza física, como
temperatura e pressão. São diversos os tipos de sensores, cada um com sua característica de acionamento.
Os sensores indutivos atuam pela aproximação de materiais metálicos; já os sensores capacitivos
atuam com a aproximação de qualquer tipo de material.
Existem também os sensores magnéticos, que fazem a comutação elétrica mediante a presença de um
campo magnético externo, proveniente de um imã permanente ou de um eletroímã. Os sensores ópticos
atuam quando ocorre a interrupção dos raios de luz provenientes de um emissor para um receptor,
devidamente alinhados.
Alguns sensores têm seu nome relacionado com a grandeza física que determina seu acionamento,
como, por exemplo, pressostato, termostato, fluxostato, vacuostatos, tacostatos, etc.
A ligação de um sensor a um circuito divide-se basicamente em dois tipos: sensores para ligação
direta – devendo-se observar sua tensão e corrente máxima – e sensores para ligação indireta, devendo-se
ligar com relés apropriados, onde estarão os contatos para comutação.
Para os sensores de proximidade, a distância para acionamento varia conforme modelo e fabricante.
Em sensores que necessitam de alimentação deve-se observar se são para AC ou DC.

PRESSOSTATO TERMOSTATO FLUXOSTATO SENSORES DE PROXIMIDADE

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2.6 – CONTATOR

Um contator nada mais é que uma chave liga e desliga, sendo que seu acionamento é
eletromagnético ao invés de manual, ou seja, ocorre através de um eletroímã.

Identificações utilizadas nos contatos auxiliares:


NC = normally closed (normalmente fechado); 1-2 = contato normalmente fechado.
NO = normally open (normalmente aberto); 3-4 = contato normalmente aberto.

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Embora o alto custo dos contatores, muitas são as vantagens de usá-los no lugar de chaves manuais.
Com eles é possível: Comando à distância de grandes cargas através de pequenas correntes,
velocidade de abertura e fechamento dos contatos elevada, automatização de circuitos e etc.
A tensão em que será energizada a bobina do contator vem impressa junto a ela. Existem, para
acionamento em CA 60 Hz, desde 24 até 600 V; para acionamento em CC desde 12 até 440 V. Estes limites
podem variar conforme o fabricante e/ou modelo.
Um contator poderá ter 2, 3 ou 4 contatos principais (embora o mais comum sejam 3), onde serão
chamados de contatores bipolares, tripolares ou tetrapolares. Já a quantidade de contatos auxiliares, bem
como a condição NA – NF, varia muito.
Alguns modelos de contatores trazem inclusive a possibilidade de acrescentar através de
blocos aditivos frontais e/ou laterais, outros contatos auxiliares.
Os contatores podem ter somente um dos tipos de contatos (Auxiliares ou principais) ou ambos.
Assim, classificam-se como contatores (ou ainda: de força, ou principal, ou bi, tri, tetrapolar)
aqueles que possuem os contatos principais (mesmo que tenham também contatos auxiliares) e,
contatores auxiliares aqueles que aí sim, só possuem contatos auxiliares. Este último exercerá funções
apenas no circuito de comando da instalação, como por exemplo, aumentar o número de contatos
auxiliares disponíveis de um contator tripolar (ligando-os em paralelo). Com função semelhante à dos
contatores auxiliares existem os relés de comando que mudam basicamente só na aparência física.
Dependendo do tipo de carga que um contator aciona, o desgaste de seus contatos será mais rápido
ou mais lento. Para que a vida útil de um contator seja a maior possível, os limites de corrente são
determinados em função do tipo de carga que os contatos acionarão, assim um único contator poderá
acionar diferentes potências dependendo do que for a carga. Isto é chamado de categoria de emprego, e
são divididas em 2 grupos:
 AC1 = cargas resistivas (cosϕ ≥ 0,95), aplicada em cargas ôhmicas ou pouco indutivas, como
aquecedores e fornos a resistência.
 AC2 = motores de anel (Ip/In ≅ 2,5), acionamento de motores de indução com rotor bobinado.
 AC3 = motores com rotor em curto (Ip/In ≅ 7,0). Aplicação de motores com rotor de gaiola em
cargas normais como bombas, ventiladores e compressores.
 AC4 = motores com acionamento intermitente (liga, desliga e freia constantemente), é para
manobras pesadas, como acionar o motor de indução em plena carga.
 AC14 = circuitos de comando até 72 VA;
 AC15 = circuitos de comando superiores à 72 VA; Categorias de corrente Contínua:
 DC1 = cargas resistivas;
 DC2 = motores CC, de excitação paralela, funcionamento normal;
 DC3 = motores CC, de excitação paralela, com frenagem, ...;
 DC4 = motores CC, de excitação série, funcionamento normal;
 DC5 = motores CC, de excitação série, com frenagem, ...;
 DC13 = circuitos de comando DC.
A posição ideal de funcionamento de um contator é com sua base fixa na vertical; porém, há certa
tolerância. Os valores mudam de marca a marca nas faixas de 22,5 a 30º. As demais posições podem ser
consultadas nos catálogos de fabricantes. Além da categoria de emprego, da tensão da bobina e do
número de contatos, existem outras características a serem observadas na escolha de um contator tais

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como corrente de emprego (Ie), tensão de emprego (Ue), tensão nominal de isolação (Ui), Potência
nominal de emprego (KW ou cv ou Hp), corrente térmica máxima (Ith), entre outros.
É importante saber ainda que, as partes de um contator (bobina, contatos) são vendidas separadas
para eventuais necessidades de reposição.

2.7 - TEMPORIZADORES

Os temporizadores possuem funcionamento semelhante a um contator auxiliar, diferenciando-se na


comutação dos contatos que não ocorrem simultaneamente à energização ou desenergização de sua
bobina. O atraso (tempo) pode ser regulado de acordo com a necessidade da instalação.
Os temporizadores mais usados são eletrônicos ou pneumáticos.
Alguns modelos são motorizados. Nem todos temporizadores necessitam de alimentação individual. Alguns
são usados como blocos aditivos e outros simplesmente ligados em série (como se fosse um interruptor
simples) com o componente a temporizar. Quanto ao funcionamento os tipos mais comuns são:
• Rele de retardo na energização (RE);
• Rele de retardo de desenergização (RD);
• Rele temporizador estrela triangulo;
• Rele Cíclico.

Temporizadores de modelos e fabricantes diversos

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2.8 - RELÉ FALTA DE FASE E SEQUÊNCIA DE FASE

Este relé é um componente eletroeletrônico que monitora um circuito elétrico verificando a


presença, ou não, das três fases. Desliga-o caso isso ocorra, evitando que a máquina funcione com falta.
Alguns modelos verificam também a presença do neutro, sendo então chamados de relé falta de
fase e neutro.
Outros modelos monitoram a falta e a sequência de fase R S T, evitando assim que máquinas que
não podem rodar sentido contrário sejam acionadas. Ex: (bombas, esteiras, compressores).
A ligação desses componentes exige um circuito apropriado com dispositivos de controle a distância
integrado (contator, por exemplo), pois a atuação ocorre com a modificação da posição de um contato
auxiliar, que então deve atuar em um circuito de comando. Normalmente o contato que deve ser
conectado em série ao circuito é o contato NA (normalmente aberto), pois fecha assim que recebe os
condutores energizados da rede elétrica.

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2.9 – MONITORES DE TENSÃO

Este relé é um componente eletroeletrônico que monitora um circuito elétrico verificando o valor
das tensões entre fase/fase e fase/neutro. Eles possuem triponts onde podem ser ajustadas as tensões
MIN e MAX admissível pelo equipamento. Desligando caso ocorra uma variação fora do ajustado, evitando
que a máquina funcione com sub ou sobre tensão. O nível de tensão deve variar entra 10% para mais ou
para menos.
A ligação desses componentes exige um circuito apropriado com dispositivos de controle a distância
integrado (contator, por exemplo), pois a atuação ocorre com a modificação da posição de um contato
auxiliar, que então deve atuar em um circuito de comando. Normalmente o contato que deve ser
conectado em série ao circuito é o contato NA (normalmente aberto), pois fecha assim que recebe os
condutores energizados da rede elétrica.

Monitor de tensão
2.10 - FUSÍVEIS

Fusível é um elemento de proteção que deve atuar em caso de curto-circuito. Os fusíveis utilizados
na proteção de circuitos com motores são do tipo retardado (tipo g), isto porque a fusão do elo não ocorre
instantaneamente após ser ultrapassada a corrente nominal do fusível, podendo nem queimar,
dependendo da duração e do valor atingido. Isto é para que o elo não rompa com o pico de partida dos
motores. Quando o valor de corrente ultrapassa em cerca de 10 vezes ou mais a capacidade nominal do
fusível, a atuação é praticamente instantânea.
Atenção: Nunca se deve substituir um fusível sob carga (corrente), pois o arco elétrico
provocado pode machucar e causar sérios danos. a)

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FUSÍVEL NH: é usado nos mesmos casos do Diazed, porém é fabricado de 6 a 1.250 A.
O conjunto é formado por fusível e base. A colocação e/ou retirada do fusível é feita com o punho
saca-fusível. Existe nele um sinalizador de estado (bom/queimado), porém não em cores diferentes, como
no Diazed.

CHAVE SECCIONADORA FUSIVEL NH

FUSÍVEL DIAZED
Diazed é o modelo de fusível utilizado em instalações industriais nos circuitos com motores. É do
tipo retardado e fabricado para correntes de 2 a 100 A. O conjunto de proteção Diazed é formado por:
tampa, anel de proteção – ou, alternativamente, cobertura de proteção –, fusível, parafuso de ajuste e
base unipolar ou tripolar (com fixação rápida ou por parafusos). O fusível possui na extremidade um
indicador que tem a cor correspondente à sua corrente nominal, que é a mesma cor do parafuso de ajuste.
O indicador desprendesse em caso de queima, podendo ser visto pelo visor da tampa. Seu interior é
preenchido com uma areia especial, de quartzo, que extingue o arco voltaico em caso de fusão.
O parafuso de ajuste tem a função de não permitir a substituição do fusível por outro de maior
valor, já que o diâmetro da extremidade que fica em contato com este é diferente para cada corrente
(exceção para 2, 4 e 6 A, quando o parafuso tem a mesma bitola, embora diferenciado nas cores). A fixação
deste parafuso é feita com uma chave especial chamada de chave para parafuso de ajuste (ou chave rapa).
Na base, a conexão do fio fase deve ser no parafuso central, evitando que a parte roscada fique
energizada quando sem fusível.

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BASE PARA FUSIVEL DIAZED
Dimensionando um fusível
Para determinar o fusível de um circuito que terá um motor elétrico, deve-se conhecer a corrente
nominal (In) do motor, a corrente de partida (Ip/In) e o tempo que o motor leva para acelerar totalmente.
Com base nisso consulta-se o gráfico tempo X corrente, na figura a seguir, fornecida pelo fabricante
de fusíveis.

Exemplo 1: motor trifásico. In = 10 A; Ip/In = 7,1; tempo de partida = 5 s.


- A corrente de partida será: 10 x 7,1 = 71 A;
- O fusível que suporta este valor por 5 s é o de 20 A;
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- Como 20 A é maior que a In (10 A), usa-se então o fusível de 20 A. Observação: Há casos em que a
corrente do motor é maior que a encontrada para o fusível no gráfico. Usa-se, então, o primeiro superior
à corrente nominal (In) do motor.

Exemplo 2: motor trifásico. In = 12 A; Ip/In = 5,2; tempo de partida = 10 s; com sistema de partida
para redução do pico de corrente em 4 vezes (25%).
- a corrente de partida será: 12 x 5,2 / 4 = 15,6 A;
- o fusível que suporta este valor por 10 s é o de 6 A;
- Como 6 A é menor que a corrente nominal do motor (In = 12 A), deve-se usar o fusível ligeiramente
superior, que é o de 16 A.
Importante: Existem fusíveis de atuação rápida que não são indicados para proteção de motores. Alguns
são fisicamente idênticos aos fusíveis Diazed e NH, mas não podem ser utilizados, pois queimarão no
momento da partida. O contrário também deve ser observado: não instalar fusíveis retardados em
equipamentos que exijam fusíveis rápidos.

2.11 – DISJUNTORES TERMOMAGNÉTICOS

Um disjuntor é um dispositivo eletromecânico, que funciona como um interruptor automático,


destinado a proteger uma determinada instalação elétrica contra possíveis danos causados por curto-
circuitos e sobrecargas elétricas. A sua função básica é a de detectar picos de corrente que ultrapassem o
adequado para o circuito, interrompendo-a imediatamente antes que os seus efeitos térmicos e mecânicos
possam causar danos à instalação elétrica protegida.
Uma das principais características dos disjuntores é a sua capacidade de poderem ser rearmados
manualmente, depois de interromperem a corrente em virtude da ocorrência de uma falha. Diferem assim
dos fusíveis, que têm a mesma função, mas que ficam inutilizados quando realizam a interrupção. Por outro
lado, além de dispositivos de proteção, os disjuntores servem também de dispositivos de manobra,
funcionando como interruptores normais que permitem interromper manualmente a passagem de corrente
elétrica.
Existem diversos tipos de disjuntores, que podem ser desde pequenos dispositivos que protegem a
instalação elétrica de uma única habitação até grandes dispositivos que protegem os circuitos de alta
tensão que alimentam uma cidade inteira.
A norma que regulamenta as curvas características dos disjuntores é a norma ABNT NBR NM
60898, os disjuntores para proteção de sobrecorrentes, os utilizados em instalações domésticas por
exemplo, possuem basicamente três tipos de curvas.
 A curva do Tipo B
 A curva do Tipo C
 A Curva do Tipo D
Essas curvas definem, basicamente, o tipo de carga elétrica que o disjuntor irá proteger e o
tempo de atuação do disjuntor.
Analisando de outra forma, as cargas elétricas resistivas têm comportamentos diferentes das
cargas indutivas, e uma das principais características que as diferem é a corrente Instantânea (que
surge no momento do acionamento destas cargas).
Esta corrente instantânea é que vai definir qual é a curva do disjuntor.
Lembrando que estas características de curvas instantâneas significa um aumento abrupto da
corrente no momento em que o circuito é energizado.

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CURVA DE DISJUNTORES

A curva de disjuntores é uma característica importante, que determina o tipo de atuação,


tempo de acionamento e disparo da proteção de um disjuntor, entre outras coisas. Tanto o disjuntor
quanto o mini disjuntor, residencial ou industrial tem uma tabela que lista cada curva característica.
Curva do tipo B
No disjuntor de curva B, a corrente instantânea suportada será de 3 a 5 vezes a corrente
nominal.
Este disjuntor é utilizado para realizar a proteção de cargas resistivas como os chuveiros
elétricos, aquecedores, proteção de tomadas de Uso Geral as TUGs e assim por diante.
Curva do Tipo C
A curva Tipo C será mais robusto em relação a capacidade de suportar esta corrente
instantânea, ele irá suportar de 5 a 10 vezes a corrente nominal da carga.
Estes disjuntores serão utilizados em proteção de cargas indutivas que exijam correntes de
partidas “medianas” é o caso de motores, outro exemplo prático é o ar condicionado, motor de
bomba de piscina, reatores de lâmpadas fluorescentes , bombas de poço artesiano e cargas indutivas
similares.
Curva do Tipo D
A curva Tipo D terá por sua vez uma maior capacidade de suportar estas correntes
instantâneas, que neste caso poderá ser entre 10 e 20 vezes a corrente nominal.
Estes disjuntores serão utilizados por sua vez na proteção de grandes cargas indutivas onde
como motores de grande porte e transformadores mais robustos, um exemplo são as máquinas de
solda.

DIS JUNTORES DIN TERMOMAGNÉTICO DIS JUNTORES DE CAIXA MOLDADA

2.12 - RELE TÉRMICO DE SOBRECARGA

É um componente utilizado para proteger os motores elétricos de sobrecargas.


Existem basicamente dois tipos: Bimetálico e Eletrônico. Os bimetálicos possuem três elementos
pelos quais passa a corrente do motor. Quando é excedido o limite de corrente, ocorre o curvamento dos
elementos bimetálicos por efeito Joule e isso faz com que seja acionado um contato auxiliar que comuta de
posição, motivo pelo qual os relés térmicos devem ser usados com contatores ou componentes de
acionamento semelhante.
Os relés térmicos eletrônicos são instalados da mesma maneira que os bimetálicos, porém através
de TCs fazem a leitura da corrente, tendo estes valores monitorados por um circuito eletrônico. Se os
limites forem ultrapassados o circuito comuta o contato auxiliar. Cada relé térmico de sobrecarga é

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fabricado para uma faixa de corrente, sendo necessária sua regulagem conforme a carga acionada. Os relés
térmicos têm características de ação retardada, suportando sem problemas os picos de corrente da partida
dos motores elétricos. Após atuarem, é necessário fazer o rearme do relé. A maioria desses componentes
possui sinalizador de armado / desarmado.

2.13 - DISJUNTOR MOTOR:

O disjuntor motor é utilizado para conduzir ou interromper um circuito sob condições normais,
assim como interromper correntes sob condições anormais do circuito (curto-circuito; sobrecarga e queda
de tensão). Nesses disjuntores a corrente é ajustada no valor exato do motor. O acionamento destes
componentes é manual, através de botões ou alavanca.
Alguns dispositivos auxiliares podem ser acoplados a esses disjuntores para atender a finalidades
específicas. Exemplos:
- Bloco de contatos auxiliar usado para sinalização (elétrica ou sonora), intertravamento etc.;
- Bobina de impulso, usada para desligamento à distância etc.
- Bobina de subtensão, usada para desligamento a distância, proteção de quedas de tensão etc.

2.14 - RELÉ AUXILIAR

Quando se fala em relé auxiliar, geralmente se pensa em relés automotivos utilizados para proteger
o circuito de automóveis da queda de tensão fazendo toda a carga passar pelo relé ao invés do circuito
normal, porém o termo relé auxiliar não se aplica somente a relés automotivos, sendo um conceito mais
amplo do que se imagina.
Relé auxiliar é todo relé utilizado para desempenhar de forma secundária alguma tarefa de
chaveamento em um circuito, geralmente atuando em conjunto com outros dispositivos de comutação
como outro relé ou contator.

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No caso dos relés industriais, um relé auxiliar é utilizado quando se precisa aumentar o numero de
contatos, por exemplo, imagine que você possui um determinado sinal de entrada que provém de um
sensor e que a partir desse sinal seja necessário acionar diversos dispositivos (esteira s, sinais luminosos,
etc), porém a saída do sensor tem apenas um contato NA, neste caso a solução será conectar a saída do
sensor em um relé que irá multiplicar os pontos de acionamentos com mais contatos, por exemplo, um relé
de 4 Reversíveis (4NAF), desse modo quando a saída do sensor comutar seu contato acionará o relé fazendo
com que esse acione os demais dispositivos.
Outra aplicação comum à relés auxiliares, é a utilização para proteção de CLP’s (Controladores
Lógicos Programáveis), para a proteção tanto das entradas quanto das saídas do CLP, pois assim qualquer
imprevisto pode vir a danificar o relé primeiro ao invés da saída do CLP que possui um custo muito maior.
Utilizando o mesmo exemplo do sensor, a saída NA do sensor acionaria a entrada do CLP, porém entre o
CLP e o sensor adiciona-se um relé auxiliar que terá a função de proteger a entrada do CLP neste caso o relé
poderá ter apenas um contato NA ou 1 Reversível. O mesmo aplica-se a saída do CLP, onde se pode utilizar
um relé para multiplicação de acionamentos e/ou interface para acionamentos de cargas levemente
indutivas e/ou cargas eletromagnéticas, contatores de potência, válvulas solenoides, eletroímãs, etc.
Uma atenção deve se tomar quanto à tensão aplicada a bobina de acionamento CA ou CC, e o
numero de contatos auxiliares.

BASES E RELES AUXILIARES

2.15 - TRANSFORMADOR DE COMANDO

Usado na alimentação dos circuitos de comando, servem para fornecer um valor de tensão
desejado e também isolar elétricamente esses circuitos da rede elétrica. Geralmente possuem várias
opções de entrada e saída de tensão permitindo ligação nos valores desejados. Deve dimensionar a
potencia em Watts, de acordo com a carga a ser acionada. É importante aterrar um dos condutores da
saída do transformador e também colocar fusíveis tanto no primário como no secundário.

TRANSFORMADORES DE COMANDO

19
2.16 - CANALETAS PARA QUADRO DE COMANDO

Estas canaletas são usadas para a proteção de cabos e fios em painéis de comando e em máquinas
operatrizes. Protegem também todos os condutores instalados e distribuídos nas instalações elétricas em
geral. São fabricadas geralmente em PVC rígido na cor cinza. Existem os modelos :
Fechada, semifechada e aberta.

2.17 - TERMINAIS

Uma conexão realizada com cabo flexível não oferece boa garantia de contato. Para que isso
aconteça de forma mais eficiente, utilizam-se terminais prensados nas pontas desses condutores.
São diversos os tamanhos e modelos existentes, variando conforme o fabricante.
Tabela 5 – Terminais isolados

Macho e Macho e Olhal Anel Pino Luva Forquilha


fêmea fêmea (Garfo)

2.18 - CONECTOR SAK

É o modelo de conector mais utilizado em quadros de comando. Destina-se principalmente à


interligação dos circuitos elétricos que estão em diferentes locais, como, por exemplo, no cofre e no
painel da máquina. Os modelos podem ter pequenas diferenças conforme o fabricante, mas são formados
basicamente com as características mostradas na tabela a seguir.

POSTE EW-35 BORNE TRILHO COM POSTE, TAMPA E BORNE

2.19 - DISPOSITIVO DE PROTEÇÃO CONTRA SURTOS (DPS)

Os surtos elétricos acontecem devido a vários fatores, como as descargas atmosféricas que atingem
redes elétricas, partidas de grandes motores e outras anomalias que podem ocorrer nas instalações
elétricas.

20
O DPS é um dispositivo de proteção contra surtos elétricos, que é essencial para proteger os
equipamentos elétricos e eletrônicos, evitando com que eles queimem.
Existem três classes de DPS, mas o princípio de funcionamento de todos eles é basicamente o
mesmo, sendo que o dispositivo de proteção contra surto funciona a partir da interação entre seus
componentes e materiais internos, como o varistor que desempenha um trabalho fundamental para o
funcionamento do DPS.
O varistor é um resistor elétrico que depende da tensão para mudar o valor de sua resistência,
quanto maior a tensão menor a oposição à passagem da corrente elétrica, e quanto menor o valor da
tensão maior será a resistência. A maior vantagem do varistor é o seu tempo de resposta, que é
extremamente rápido.
Quando o surto acontece na rede a tensão é extremamente alta, com uma tensão tendendo ao
infinito passando pelo DPS sua resistência tende a zero, assim oferecendo um caminho com menor
oposição à passagem da corrente elétrica, escoando toda essa energia pelo sistema de aterramento, é
desta forma que o varistor atua dentro do dispositivo de proteção.
É importante entender que o DPS desvia o surto elétrico para o sistema de aterramento, este
desvio ocorre em uma velocidade muito rápida, em uma fração de segundos, des sa forma o disjuntor não
é acionado, pois o tempo não é suficiente para detectar esta fuga pelo sistema de aterramento, por isso o
DPS só funciona com fase conectado de um terminal e terra conectado no outro.
Quando o DPS é acionado ele fecha um curto entre fase e terra, porém este período de tempo é
extremamente curto, como citado anteriormente. Portando de forma alguma este curto causado pelo
dispositivo de proteção ocasiona em algum dano na instalação.
Assim como todo dispositivo o DPS também chega ao fim sua vida útil, quando seu circuito interno
já não consegue realizar o fechamento entre fase e terra com extrema velocidade.
O maior problema é em casos quando o dispositivo de proteção queima e o curto entre fase e terra
é permanente, por esse motivo existe a necessidade de possuir instalado no circuito um dispositivo de
desconexão.

CAPITULO 3: CONDUTORES ELÉTRICOS

3.1 - Introdução
Os metais são condutores de corrente elétrica. Entretanto determinados metais conduzem melhor
a corrente elétrica do que outros, ou seja, alguns oferecem menor resistência à passagem da corrente
elétrica.

21
A resistência elétrica de um condutor pode ser expressa pela fórmula:
Onde:

Observação: O inverso da resistência elétrica tem o nome de Condutividade.


Os metais mais usados para condução de energia elétrica são:
PRATA - utilizada em pastilhas de contato de contatores, relés, etc. Resistividade média é 0,016 Ωmm2/m
a 20ºC;
COBRE - utilizado na fabricação de fios em geral e equipamentos elétricos (interruptores, tomadas, etc).
Resistividade média do cobre duro é 0,0179 Ωmm2/m a 20ºC;
ALUMÍNIO - utilizado na fabricação de condutores para linhas e redes por ser mais leve e de custo mais
baixo. Os condutores de alumínio podem ser de:
CA – alumínio sem alma de aço
CAA - alumínio enrolado sobre um fio ou cabo de aço (“alma de aço”). Resistividade média é 0,028
Ωmm2/m a 20º C.
Observação: comparando os valores de resistividade do cobre e alumínio, pode ser verificado que o
cobre apresenta menor resistividade, consequentemente para uma mesma seção (mm2), os condutores de
cobre, conduz mais corrente elétrica.

3.2 – Considerações Básicas sobre os Condutores

Os condutores de metal podem ter os seguintes tipos de formação:


• Fio – formado por um único fio sólido;
• Cabo – formado por encordoamento de diversos fios sólidos.

Esses condutores podem ser isolados ou não:


• Isolação – é um termo qualitativo referindo-se ao tipo do produto da capa para isolar eletricamente o
condutor de metal;
• Isolamento – é quantitativo, referindo-se à classe de tensão para a qual o condutor foi projetado;
• Quando o condutor não tem isolação (capa) é chamado de condutor “Nu”.

22
A camada de isolação de um condutor pode ser de compostos termoplásticos como o PVC (Cloreto
de Polivinila) ou por termofixos (vulcanização) como o EPR (Borracha Etileno-propileno) e o XLPE
(Polietileno Reticulado) etc.
Os condutores isolados são constituídos em dois tipos: “à prova de tempo” e para instalações
embutidas.
Os primeiros só podem ser usados em instalações aéreas, uma vez que a sua isolação não tem a
resistência mecânica necessária para a sua instalação em eletrodutos.
Os outros podem ser usados em qualquer situação.
A escala de fabricação dos condutores adotada no Brasil é a “série métrica” onde os condutores são
representados pela sua seção transversal (área) em mm2 (leia-se: milímetros quadrados). Normalmente
são fabricados condutores para transportar a energia elétrica nas seções de 0,5 mm2 a 500 mm2. Os fios
são geralmente encontrados até a seção de 16 mm2.
A Norma vigente, a NBR 5410/04 prevê em instalações de baixa tensão, o uso de condutores
isolados (unipolares e multipolares) e cabos “nus” (utilizados principalmente em Aterramentos).
Um Condutor Isolado é constituído por um fio ou cabos recoberto por uma isolação.
Um Cabo Unipolar é constituído de um condutor isolado recoberto por uma camada para a
proteção mecânica, denominada cobertura.

CONDUTORES ISOLADOS (FIOS)

(1) Condutor sólido de fio de cobre nu, têmpera mole.


(2) Camada interna (composto termoplástico de PVC) cor branca até a seção nominal de 6 mm 2.
(3) Camada externa (composto termoplástico de PVC) em cores.

CONDUTORES ISOLADOS (CABOS)

(1) Condutor formado de fios de cobre nu, têmpera mole (encordoamento).


(2) Camada interna (composto termoplástico de PVC) cor branca até a seção nominal de 6 mm 2.
(3) Camada externa (composto termoplástico de PVC) em cores.

Um Cabo Multipolar é constituído por dois ou mais condutores isolados, envolvidos por uma
camada para a proteção mecânica, denominada também, de cobertura.

(1) Condutor formado de fios de cobre nu, têmpera mole (encordoamento).


(2) Isolação (composto termoplástico de PVC) em cores.
23
(3) Capa interna de PVC.
(4) Cobertura (composto termoplástico de PVC) cor preta (cabos multipolares).

Um Cabo “Nu” é constituído apenas pelo condutor propriamente dito, sem isolação, cobertura ou
revestimento.

3.3 - Seção Mínima e Identificação dos Condutores de Cobre

As seções mínimas dos condutores de cobre para a Fase, o Neutro e para o condutor de Proteção
(PE), definas pela Norma NBR 5410/04, deverão ser:
a) Condutor Fase
- Circuito de Iluminação: 1,5 mm2
- Circuito de Força - Tomadas de Uso Geral ou Específico: 2,5 mm2
Observações:
• Nos cordões flexíveis para ligação de aparelhos eletrodomésticos, abajures, lustres e aparelhos
semelhantes, poderão ser usados, o condutor de 0,75 mm2;
• A seção correta do condutor de cobre deverá ser calculada conforme o subitem 3.3.2.
b) Condutor Neutro – este condutor deve possuir a mesma seção (mm2) que o condutor Fase, nos
seguintes casos:
- Em circuitos monofásicos a 2 e 3 condutores e bifásicos a 3 condutores, qualquer que seja a seção (mm2);
- Em circuitos trifásicos, quando a seção dos condutores Fase for inferior a 25 mm2;
- Em circuitos trifásicos, quando for prevista a presença de harmônicas, qualquer que seja a seção (mm2).
Observação: A Norma vigente, a NBR 5410/04, estabelece também, outro modo para o
dimensionamento do condutor Neutro, que não se aplica nesse Manual. Em caso de dúvidas, deve-se
consultar a Norma NBR 5410.
c) Condutor de Proteção (PE) – este condutor deverá ser dimensionado de acordo com a Tabela 4.1
pagina 39 :
A identificação dos condutores Fase, Neutro e Proteção, são feita através de cores padronizadas da
Isolação, com o objetivo de facilitar a execução e/ou manutenção/ reforma na instalação elétrica, bem
como, aumenta a segurança da pessoa que está lidando com a instalação elétrica.
A Norma NBR 5410 determina que os condutores isolados devem ser identificados pela cor da
Isolação, conforme a sua função:
• Condutor Neutro: a isolação deve ser sempre na cor azul claro;
• Condutor de Proteção (PE): a isolação deve ser na cor dupla verde amarela ou verde;
• Condutor Fase: a isolação deverá ser de cores diferentes dos condutores, Neutro e o de Proteção (PE).
Por exemplo: usar isolação de cores vermelha e/ou preta.

3.3.1 – Cálculo da Seção dos Condutores

Para a determinação da seção (mm2) mínima dos condutores, dois critérios básicos deverão ser
adotados:
1. Limite de Condução de Corrente.
2. Limite de Queda de Tensão.
IMPORTANTE: Os dois critérios deverão ser feitos separadamente.
24
O condutor a ser adotado, deverá ser o de maior Seção (mm2).
É importante observar que a seção mínima admissível dos condutores para instalações elétricas
residenciais, é aquela definida no subitem 3.3 página 23. Portanto após a elaboração dos dois critérios,
caso se chegue a um condutor de menor (mais fino) seção (mm2) do que aquele recomendado, deverá ser
adotado o condutor indicado (seção mínima) no subitem 3.3 página 23.

3.3.2.1 - Limite de Condução de Corrente de Condutores

Ao circular uma corrente elétrica em um condutor, ele aquece e o calor gerado é transferido para o
ambiente em redor, dissipando-se.
Se o condutor está instalado ao ar livre a dissipação é maior. Caso o condutor esteja instalado em
um eletroduto embutido na parede, a dissipação do calor é menor.
Quando existem vários condutores no mesmo eletroduto embutido, as quantidades de calor,
geradas em cada um deles se somam aumentando ainda mais a temperatura dentro desse eletroduto.
Os condutores são fabricados para operar dentro de certos limites de temperatura, a partir dos
quais começa a haver uma alteração nas características de Isolação/Isolamento, que deixam de cumprir as
suas finalidades.
A Tabela 3.2 (da Norma NBR 5410) a seguir, mostra as temperaturas características de condutores
utilizados em instalações elétricas residenciais.

A Norma da ABNT, NBR 5410 define que os condutores com isolamento termoplástico, para
instalações residenciais, sejam especificados para uma temperatura de trabalho de 70ºC (PVC/70ºC) e as
tabelas de capacidade de condução de corrente, são calculadas tomando como base este valor e a
temperatura ambiente de 30ºC.
A Tabela 3.3 (da Norma NBR 5410) a seguir, especifica a capacidade de condução de corrente
elétrica para condutores de cobre, instalados em eletrodutos embutidos alvenaria (na parede).

CAPACIDADE DE CONDUÇÃO DE CORRENTE, EM AMPERES, PARA CONDUTORES DE COBRE ISOLADOS,


ISOLAÇÃO DE PVC, TEMPERARATURA AMBIENTE DE 30ºC E TEMPERATURA DE 70ºC NO CONDUTOR.

25
Quando a temperatura ambiente for superior a 30ºC e/ou o número de condutores instalados no
mesmo eletroduto for superior a 3 (três), a Norma vigente, a NBR 5410 determina que os valores da Tabela
3.3 “Capacidade de Condução de Corrente” coluna “2 Condutores Carregados” deverão levar em
consideração os seguintes fatores de redução: de TEMPERATURAS (Tabela 3.4) e/ou NÚMEROS DE
CONDUTORES (Tabela 3.5), para determinar a nova Capacidade de Condução de Corrente do condutor.

26
De acordo com a Norma vigente, a NBR 5410 número de condutores carregados a ser considerado
é o de condutores efetivamente percorridos por corrente.
Assim tem-se:
• Circuito trifásico sem neutro = 3 condutores carregados;
• Circuito trifásico com neutro = 4 condutores carregados;
• Circuito monofásico a 2 condutores = 2 condutores carregados;
• Circuito monofásico a 3 condutores = 3 condutores carregados;
• Circuito bifásico a 2 condutores = 2 condutores carregados;
• Circuito bifásico a 3 condutores = 3 condutores carregados.

NOTAS: De acordo com a Norma NBR 5410, tem-se:


1) Quando num circuito trifásico com Neutro as correntes são consideradas equilibradas, o condutor
Neutro não deve ser computado, considerando-se, portanto, 3 condutores carregados.
2) O condutor utilizado unicamente como o condutor de Proteção (PE) não é considerado como carregado.
3) Serão aplicados simultaneamente os dois fatores (temperatura e número de condutores) quando as
duas condições se verificarem ao mesmo tempo.
4) Os fatores de correção de TEMPERATURA (Tabela 3.4) e de NÚMERO DE CONDUTORES (Tabela 3.5),
foram calculados admitindo-se todos os condutores vivos permanentemente carregados, com 100% (cem
por cento) de sua carga.
A seguir será apresentado um exemplo da utilização dessas Tabelas.
Determinar o condutor capaz de transportar uma corrente de 38 A, sendo que todos os condutores
do circuito estão permanentemente carregados, com 100% de sua carga, nos três casos indicados:
a) Dois condutores carregados instalados em eletroduto embutido em alvenaria e temperatura
ambiente de 30ºC;
b) Seis condutores carregados instalados em eletroduto embutido em alvenaria e temperatura
ambiente de 30ºC;
c) Seis condutores carregados instalados em eletroduto embutido em alvenaria e temperatura de
45ºC.
Solução:
a) 38 A - 2 condutores no eletroduto embutido em alvenaria - 30ºC.
Aplicação direta da Tabela 3.3 “Capacidade de Condução de Corrente” da página 25. Consultando a
primeira coluna “2 Condutores Carregados”, verifica-se que o condutor correto é o de 6 mm2.
b) 38 A - 6 condutores no eletroduto embutido em alvenaria - 30ºC.
Neste caso deve ser aplicado o Fator de Redução correspondente ao número de condutores no
mesmo eletroduto. Pela Tabela 3.4 página 26, o Fator de Redução para 6 condutores carregados é 0,57.
Dividindo a corrente elétrica pelo Fator de Redução, tem-se: I = 38 / 0,57 = 66,7 A

27
Consultando a Tabela 3.3 página 25 “Capacidade de Condução de Corrente” coluna “2 Condutores
Carregados”, verifica-se que o condutor correto é o de 16 mm2.
Ao invés de dividir a corrente pelo Fator de Redução, poderia ser feito também, a multiplicação do
Fator de Redução pelos valores tabelados, até se obter um número compatível com a corrente a ser
transportada. Entretanto este método poderá ser mais trabalhoso.
c) 38 A - 6 condutores no eletroduto embutido em alvenaria - 45ºC.
Neste caso devem ser aplicados os dois Fatores:
- 6 condutores - Fator de Redução é de 0,57 (Tabela 3.5);
- 45ºC - Fator de Redução é de 0,79 (Tabela 3.4).
I = 38 / (0,57 x 0,79) = 84,4 A
Consultando a Tabela 3.3 página 25 “Capacidade de Condução de Corrente, na coluna “2
Condutores Carregados”, verifica-se que o condutor apropriado é o de 25 mm2.

3.3.2.2 - Limite de Queda de Tensão

Como foi visto no subitem 3.1 página 20, todo condutor tem uma certa resistência elétrica. Quando
circula uma corrente elétrica por uma resistência, há uma dissipação de potência em forma de calor e,
consequentemente, uma queda de tensão no condutor.
Na figura a seguir, a carga C é alimentada por um circuito formado com condutores: um trecho com
um condutor de maior seção (mais grossos) sendo que será desconsiderada a resistência elétrica deste
condutor e com um trecho (A-B) de condutor de menor seção (mais fino), de resistência elétrica R.

Pela Lei de Ohm, a queda de tensão no trecho A-B é dada por:


UAB = ΔU = RI
A potência dissipada (perda de potência) no trecho A-B, é:
WAB = ΔUI = (RI) x I
WAB = ΔW = RI2
Devido a queda de tensão (ΔU), a tensão aplicada à carga será igual a U - ΔU.
Como a potência é determinada pelo produto da corrente pela tensão aplicada, teremos na carga:
W = (U - ΔU) x I
Observe que a potência na carga é menor, devido a queda de tensão ΔU no trecho A-B.

Exemplo: No Circuito da figura anterior, serão consideradas as seguintes situações:


a) O condutor de todo o circuito é composto somente do condutor de maior seção (mais grosso). Será
desconsiderado o valor de sua resistência elétrica (R = zero);
b) O circuito é composto de: uma parte com um condutor de maior seção (mais grosso) onde será
desconsiderado também, o valor de sua resistência elétrica (R = zero) e outra parte (trecho A-B) com um
condutor de menor seção (mais fino), com uma resistência elétrica de R = 1 Ω.
A tensão aplicada é U = 127 V e a corrente I = 10 A. Calcular as Potências na carga, a queda de
tensão e a perda de potência.
Solução:
a) Como o condutor de maior seção (mais grosso) praticamente não tem resistência elétrica, R = 0 W, não
há queda de tensão (ΔU), portanto não há perda de potência (ΔW).
a1) Queda de Tensão

28
ΔU = RI
ΔU = 0 Ω x 10 A
ΔU = 0 V (não há queda de tensão)
a2) Perda de Potência
ΔW = RI²
ΔW = 0 Ω x (10²) A
ΔW = 0 W (não há perda de potência)
a3) Potência na Carga
W = UI
W = 127 V x 10 A
W = 1.270 W (potência na carga)

b) O condutor de menor seção (mais fino, trecho A-B) tem uma resistência elétrica de R = 1 Ω. Portanto há
uma queda de tensão (ΔU) e perda de potência (ΔW) no condutor.
(No circuito com o condutor de maior seção, conforme visto no subitem a), o valor da resistência
elétrica foi desconsiderado (R = zero), portanto não há queda de tensão e perda de potência neste trecho.
No trecho de menor seção:
b1) Queda de Tensão
ΔU = RI
ΔU = 1 Ω x 10 A
ΔU = 10 V (queda de tensão no trecho)
b2) Perda de Potência
ΔW = RI²
ΔW = 1 Ω x (10²) A
ΔW = 100 W (perda de potência do trecho)
b3) Potência na Carga
W = (U - ΔU) x I
W = (127 - 10) V x 10 A
W = 117 x 10
W = 1.170 W (potência na carga)
NOTA: A resistência elétrica dos condutores depende de uma série de fatores, tais como, qualidade
do material, espessura do fio, temperatura de trabalho, frequência da rede, etc.

3.3.2.2.1 – Queda de Tensão Percentual (%)


A Queda de Tensão pode ser expressa em valores percentuais (%), sendo o seu valor é calculado da
seguinte maneira:

Do exemplo do subitem 3.3.2.2 página 27, tem-se:


U de entrada = 127 V
∆U na carga = 10 V
U na carga = 127 - 10 = 117 V
A queda de tensão percentual era, portanto:

A Norma vigente, a NBR 5410 determina que a queda de tensão entre a origem de uma instalação e
qualquer ponto de utilização não deve ser maior do que 4%, para as instalações alimentadas diretamente
por um ramal de baixa tensão a partir de uma Rede de Distribuição de uma Concessionária de Energia
Elétrica (a CEMIG, por exemplo).

29
Neste Manual, será considerado que esses 4% de queda de tensão admissíveis serão assim
distribuídos:
Até o medidor de energia: 1%
Do medidor até o Quadro de Distribuição de Circuitos - QDC: 1%
A partir do QDC: 2%
O cálculo da queda de tensão através de fórmulas com os dados do circuito elétrico pode ser
relativamente trabalhoso.
Com o objetivo de facilitar os cálculos de queda de tensão, foram elaboradas tabelas, que são
utilizadas pelos seguintes procedimentos:

1 - Momento Elétrico (ME)


2 - Queda de Tensão em V/A.km

3.3.2.2.1.1 - Momento Elétrico (ME)

O Momento Elétrico (ME) é igual ao produto da corrente (A) que passa pelo condutor pela distância
total em metros (m) desse circuito:
ME = A.m
Estão apresentadas a seguir, Tabelas práticas do produto Ampère x Metro (A.m) para quedas de
tensão com diferentes valores percentuais (1%, 2% e 4%) e de tensões aplicadas, para condutores de cobre
com isolamento em PVC/70ºC.
A Tabela 3.6 apresenta o Momento Elétrico (A.m) utilizando os condutores em Eletroduto de
Material Não Magnético e a Tabela 3.7 apresenta o Momento Elétrico (A.m) utilizando os condutores em
Eletroduto de Material Magnético.

30
3.3.2.2.1.2 - Queda de Tensão em V/A.km

A Queda de Tensão em V/A.km, é dado pela expressão abaixo:

Onde ∆U = Queda de tensão em Volts


∆UV/A.km = Queda de tensão em V/A.km (Ver tabelas de fabricantes de condutores de cobre)
I = Corrente elétrica do circuito, em Ampères (A)
L = Comprimento do circuito em km

As Tabela 3.8 e 3.9 a seguir, apresentam os valores de queda de tensão em V/A.km, para
condutores de cobre com isolamento em PVC/70ºC.

31
TABELA 3.9

3.3.2.2.1.3 – Exemplos dos Cálculos de Queda de Tensão


A seguir está apresentado um exemplo para a utilização das Tabelas para o cálculo da queda de
tensão percentual, utilizando os dois métodos – Momento Elétrico (ME) e o de Queda de Tensão V/A.km:
a) Determinar a bitola dos condutores em eletrodutos a serem ligados a uma carga trifásica situada a 50
metros de distância e cuja corrente é de 25 A, a tensão do circuito é 220V e a queda de tensão não pode
ultrapassar a 4%;
b) Determinar a queda de tensão percentual com a utilização do cabo calculado no subitem a).
Serão calculados os valores de queda de tensão desse problema pelo método do Momento Elétrico
(ME) e de Queda de Tensão em V/A.km.
1 - Momento Elétricos (ME):
a) O Momento Elétrico (ME) neste caso é:
25 A x 50 m = 1.250 A.m
Consultando a Tabela 3.6 página 30 de “Eletroduto de Material não Magnético” na coluna referente
a circuitos trifásicos, 220 V e 4% de queda de tensão, tem-se:
Fio de 4 mm2 - Momento elétrico = 1.127 A.m
Fio de 6 mm2 - Momento elétrico = 1.648 A.m
O valor calculado de 1.250 A.m está situado entre estes dois valores. Neste caso deve-se escolher o
condutor de maior seção, ou seja, o fio de 6 mm2.
Pela Tabela 3.3 da página 25 “Capacidade de Condução de Corrente” coluna 3 condutores
carregados, o fio de 6 mm2, conduz 36 A.
b) Como o momento elétrico calculado (1.250 A.m), é menor que o do condutor utilizado (1.648
A.m), a queda de tensão será menor.
Para determinar o valor percentual da queda de tensão, basta fazer um cálculo com a “regra de
três”:
ME do condutor 1.648 A.m U% = 4%
ME calculado 1.250 A.m U1% = ?

2 - Queda de Tensão em V/A.km


Pela Tabela 3.3 da página 25 “Capacidade de Condução de Corrente” – Eletroduto Embutido –
coluna 3 Condutores Carregados, o fio 6 mm2 conduz 36 Ampères, portanto adequado em termos de
capacidade de condução de corrente para este circuito.
32
Pela Tabela 3.8 página 31 “Eletroduto de Material Não Magnético”, tem-se que o fio de 6 mm2,
para o circuito trifásico tem 6,14 V/A.km.
Transformando 50 metros em quilômetros = 50 metros = 0,05 km
1.000

Então,

A queda de tensão percentual será: 7,68 x 100% = 3,5 %


220

Como a queda máxima de tensão desejada é de 4%, o fio 6 mm2 é adequado.


Observação: Como foi visto acima neste exemplo, os 2 métodos utilizados levaram a valores
percentuais diferentes de queda de tensão. Isto é devido aos arredondamentos e aproximações dos
valores calculados das Tabelas.
Em caso de dúvidas, use os dois métodos e escolha o cabo de maior bitola ou então procure uma
literatura especializada, onde são estabelecidos os procedimentos técnicos e matemáticos mais precisos
para os cálculos de quedas de tensão em circuitos elétricos.
NOTA: Pelo método de Queda de Tensão em V/A.km, é necessário transformar os comprimentos
dos circuitos, dados em metros, para quilômetros, o que poderá ocorrer erros com mais facilidade nesta
transformação. Devido aos comprimentos dos circuitos elétricos residenciais serem normalmente de
pequenas dimensões, este Manual adotará para calcular a queda de tensão, o método do Momento
Elétrico (ME).

3.3.3 - Exemplos do Dimensionamento da Seção de Condutores

Como foi visto no subitem 3.3.2 página 24, “deverá sempre ser adotado o resultado que levar ao
condutor de maior seção (mm2)”. Assim, para o dimensionamento dos condutores de um circuito, deve ser
determinada a corrente (A) que circulará pelo mesmo e o seu Momento Elétrico (ME) (A.m). Consultando
as tabelas de “Capacidade de Condução Corrente” (Tabela 3.3 página 25) e a de “Momentos Elétricos” e o
subitem 3.3.1 página 24 escolhe-se a seção (mm2) do condutor que deverá ser utilizado.
Os exemplos a seguir, explica de maneira mais clara o cálculo das seções (mm2) dos condutores.

Exemplo 1: Uma residência, com a carga estabelecida a seguir, deverá ser alimentada através de
uma rede de baixa tensão, ligação a 2 fios, 127 V. Determinar a seção (mm2) e a quantidade (metros) dos
condutores para o ramal que vai do Quadro do Medidor do Padrão até o QDC através de um eletroduto
embutido na parede em linha reta.
A distância é de 6 m e a ΔU máxima admissível é de 1%.
CARGA NA RESIDÊNCIA
1 chuveiro: 4.400 VA
10 lâmpadas de 60 W: 600 VA
1 ferro elétrico: 1.000 VA
1 TV: 80 VA
Outros: 300 VA
TOTAL DA CARGA: 6.380 VA
Cálculo da corrente: 6.380 VA = 50,2 A
127 V
Cálculo do Momento Elétrico (ME):
ME = A x m
ME = 50,2 A x 6 m = 301 A.m (Ampère x metro)
Consultando a Tabela 3.6 na página 30 de Momentos Elétricos (127 V - 1% - Eletroduto de Material
não Magnético), verifica-se que o fio indicado é o de 10 mm2. O Momento Elétrico é de 332 A.m.
33
Consultando a Tabela 3.3 na página 25 “Capacidade de Condução de Corrente verifica-se que a
corrente máxima admissível para o fio de 10 mm2 com eletroduto instalado na parede (2 condutores
carregados) é de 57 A.
Resposta: 12 m de condutor de cobre de 10 mm2.
Exemplo 2:
Uma carga trifásica de 16 kW, 220 V, deve ser ligada a partir do QDC, está situada a 10 m de
distância deste. A fiação deverá ser instalada em um eletroduto não metálico aparente. Dimensionar os
condutores. ΔU máximo admissível, é de 2%.
Carga: 16 kW = 16.000 W
Cálculo da corrente: I = W / ( 3 x U )
I = 16.000 W = 42 A
( 3 x 220 V )
Cálculo do Momento Elétrico (ME):
ME = 42 A x 10 m = 420 A.m

Consultando a Tabela 3.6 página 30 “Momento Elétrico – Eletrodutos de Materiais Não Metálicos”
para o momento elétrico de 420 A.m (queda de tensão de 2% trifásico), verificamos que o fio indicado é o
de 4 mm2.
Entretanto, pela Tabela 3.3 página 25 “Capacidade de Condução de Corrente”, a corrente máxima
admissível para o fio de 4,0 mm² instalado em eletroduto é de 28 A.
Para a corrente calculada de 42 A, deveremos utilizar o fio de 10 mm², cuja corrente máxima
admissível é de 50 A.
Usando esse condutor de 10 mm² (2%, trifásico, o ME= 1.332 A.m), a queda de tensão percentual
no ramal será:
ME do condutor 10 mm² é 1.332 A.m U% = 2 %
ME calculado é 420 A.m U1% = ?
U1% = 420 x 2 = 0,63 %
1.332
Resposta: Fio 10 mm².

Exemplo 3:
Considerando um chuveiro elétrico de 4.400 Watts – 127 Volts em uma residência com 4 pessoas,
funcionando em média, 8 minutos para cada banho, durante 30 dias por mês. A distância do Quadro de
Distribuição de Circuitos – QDC, é de 20 metros.
Considerar a queda máxima de tensão admissível de 2%.
Dimensionar os cabos e a perda do consumo energia elétrica (kWh) nos cabos desse circuito elétrico do
chuveiro, durante um ano.
Solução:
Tem-se as seguintes fórmulas:
P=UxI
P = R x I²
I=U/R
E=Pxt
a) Cálculo da corrente elétrica:
I = 4.400 Watts = 34,6 A
127 Volts
b) Tempo médio mensal em horas, dos banhos das 4 pessoas:
4 banhos x 8 minutos/dia x 30 dias = 16 horas de banhos / mês
60 minutos

34
c) Energia (kWh) total consumida em banhos por mês: 4.400 Watts x 16 horas de banho/mês =
70.400 Watt hora = 70,40 kWh
d) Dimensionamento dos condutores:
O Momento Elétrico Me = 20 metros x 34,6 A = 692 A.m
Pela Tabela 3.6 página 30 de Momento Elétrico (A.m) coluna 127 V Monofásico com queda de
tensão de 2%, o condutor recomendado é do de 16 mm2, com o A.m de 996.
Pela Tabela 3.3 página 25 “Capacidade de Condução de Corrente”, a corrente máxima admissível
para o fio de 16,0 mm2 instalado em eletroduto é de 76 A.
A corrente elétrica calculada anteriormente para esse chuveiro de 4.400 W em 127 V, é de 34,6 A.
Consultando novamente a Tabela 3.3 página 25 “Capacidade de Condução de Corrente”, a corrente
máxima admissível para o fio de 6,0 mm2 instalado em eletroduto é de 41 A.
Pela Tabela 3.6 página 30 de Momento Elétrico (A.m) coluna 127 V Monofásico, com queda de
tensão de 2% do condutor de 6 mm2, o A.m é de 436.
Nota-se que, para a capacidade de condução de corrente elétrica, pode-se usar o fio de 6,0 mm2.
No entanto se for usado esse cabo de 6,0 mm2, tem-se uma queda de tensão maior do que os 2%
estipulados. Essa queda de tensão será:
ME do condutor 6 mm2 é 436 A.m U% = 2 %
ME calculado é 692 A.m U1% = ?
U1% = 692 x 2 = 3,17%
436
Como essa queda de tensão tem um valor maior do que os 2% estipulados, o condutor correto a ser
usado, é o de 16,0 mm2 de cobre.
(Exercício: refazer os cálculos desse item d) para o cabo 16,0 mm2.
e) Perda de energia elétrica nos condutores, durante 12 meses:
E=Pxt
P = R x I²
Substituindo P, na primeira fórmula, tem-se:
E = R x I² x t
Consultando a Tabela de resistência dos cabos, a Resistência elétrica média dos cabos são:
6 mm2 = 2,96 Ω/ km
16 mm2 = 1,22 Ω/ km
Observação: Como essa Tabela apresenta valores médios de Resistência Elétrica de condutores, em
uma situação real deve-se pegar os dados corretos dos condutores que serão utilizados, em um catálogo
do fabricante.
Se for usado o condutor de seção de 6 mm2, a perda de kWh nesses condutores será:
E = 2,96 Ω/ km x (34,6 A)² x 16 horas/mês
Calculando a Resistência elétrica dos 20 metros, tem-se:
1.000 metros = 2,96Ω
20 metros = x
x = 20 metros x 2,96 Ω = 0,0592 Ω
1000 Metros

E = 0,0592 Ω x (34,6 A)² x 16 horas/mês = 1.134 Wh/mês


Em 12 meses:
1.134 Wh/mês x 12 meses = 13.608 Wh/ano ou 13,6 kWh/ano

Usando o condutor correto, o de seção de 16 mm2, a perda de kWh nesses condutores será:

E = 1,22 Ω / km x (34,6 A)² x 16 horas/mês

Calculando a Resistência elétrica dos 20 metros, tem-se:

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1.000 metros 1,22 Ω
20 metros x

x = 20 metros x 1,22 Ω = 0,0244 Ω


1000 Metros
E = 0,0244 Ω x (34,6 A)² x 16 horas/mês = 467 Wh/mês
Em 12 meses:
467 Wh/mês x 12 meses = 5.604 Wh/ano ou 5,6 kWh/ano

CAPITULO 4: ATERRAMENTO ELÉTRICO, TIPOS E USOS.

Uma instalação elétrica interna está sujeita a defeitos e acidentes de diversas naturezas, sendo,
portanto, necessária a existência de um sistema de proteção e segurança adequados, a fim de evitar
maiores danos.
A instalação elétrica deverá ser executada de acordo com Normas e materiais adequados e de
qualidade.
É inadmissível deixar de utilizar dispositivos de proteção, materiais de qualidade e os
procedimentos estabelecidos em Normas, com o objetivo de diminuir os custos (R$) de uma instalação
elétrica. Isto poderá ficar muito mais caro no futuro. Quanto mais investir, maior será a proteção e
segurança de uma instalação elétrica interna.
A Norma vigente, a NBR 5410/04 – “Instalações Elétricas de Baixa Tensão” da ABNT, estabelece os
critérios para garantir a segurança de pessoas, de animais domésticos, de bens e da própria instalação
elétrica, contra os perigos e danos que possam ser causados pelas instalações elétricas, tais como:
• Proteção contra choques elétricos;
• Proteção contra sobrecorrente;
• Proteção contra sobretensões e subtensões;
Proteção contra falta de fase.
Em caso de dúvidas, deve-se consultar a Norma vigente da ABNT, NBR 5410/04 – “Instalações
Elétricas de Baixa Tensão”.
Antes de executar uma Proteção de um equipamento elétrico, deverá ser lido com atenção o
manual desse equipamento. Caso esse equipamento necessite de uma Proteção complementar além das
exigidas na Norma vigente NBR 5410/04, deve ser feita essa Proteção, conforme estipulado no manual do
equipamento.
Denomina-se “Aterramento Elétrico”, a ligação intencional de um componente através de um meio
condutor com a Terra.
Por exemplo: ligar a carcaça de um motor elétrico, através de um condutor, com a Terra.
Todo equipamento elétrico deve, por razões de segurança, ter o seu corpo (parte metálica)
aterrado. Também os componentes metálicos das instalações elétricas, tais como, os Quadros de
Distribuição de Circuitos – QDC, os eletrodutos metálicos, caixas de derivação, etc, devem ser
corretamente aterradas.
Quando há um defeito na parte elétrica de um equipamento que está corretamente aterrado, a
corrente elétrica escoa para o solo (Terra). Alguns tipos de solos são melhores condutores de corrente
elétrica, pois têm uma menor Resistividade Elétrica. A Resistividade é em função do tipo de solo, umidade
e Temperatura.
Os Aterramentos Elétricos podem ser:
a) Aterramento por razões funcionais: o Aterramento é necessário para que o equipamento elétrico
funcione corretamente;
b) Aterramento do equipamento por razões de proteção e segurança: neste caso, o Aterramento
protege as pessoas e/ou animais domésticos contra os choques elétricos.

36
O caso bastante comum de choque elétrico, é um fio desencapado encostando-se à estrutura
metálica de um aparelho energizado. Estando o aparelho aterrado, a corrente elétrica poderá ser desviada
para a Terra, evitando o choque elétrico. Através do Aterramento, a corrente elétrica tem um caminho
mais fácil para escoar para a Terra.
O aterramento tem como função proteger os equipamentos elétricos, usuários e também garantir o
bom funcionamento do circuito. Existem tipos de aterramento distintos, sendo alguns deles com variações.
Todo Aterramento elétrico tem um valor de Resistência (ohms). O valor da resistência do Aterramento é
muito importante. Quanto menor o valor é melhor, pois aumenta a segurança – a corrente elétrica de falta
escoa para a terra com mais facilidade. Para isso, deve seguir os procedimentos sobre os aterramentos nas
Normas vigentes NBR 5410. (Um valor base para medição do aterramento deve ser menos que 10ohms).
Aqui você irá aprender quais são esses tipos de aterramento, quando são usados e suas aplicações.
O não cumprimento dos itens contidos na norma pode colocar em risco os usuários e equipamentos
além de poder ocorrer o mau funcionamento do circuito.
Simbologia:
Primeira letra – situação da alimentação em relação à terra.
T- Um ponto diretamente enterrado;
I- Isolação de todas as partes vivas em relação à terra ou aterramento através de uma impedância.
Segunda letra: situação das massas da instalação em relação à terra.
T- Massas diretamente aterradas, independentemente do aterramento eventual de um ponto de
alimentação;
N- Massas ligadas diretamente ao ponto de alimentação aterrado o que em corrente alternada o
ponto normalmente aterrado é o ponto neutro.
Outras letras: Disposição do condutor neutro e do condutor de proteção.
S- Função de neutro e de proteção asseguradas por condutores distintos.
C- Função de neutro e de proteção combinadas em um único condutor.
Esquemas de aterramento
Esquema TN:
Possui um ponto da alimentação diretamente aterrado, sendo as massas ligadas a esse
ponto através de condutores de proteção. Este esquema possui três variantes de acordo com a disposição
do condutor neutro e do condutor de proteção, que são:
Esquema TN-S:
O condutor neutro e o condutor de proteção são distintos, sendo o neutro aterrado logo na entrada
e levado até a carga, em paralelo um outro condutor PE é utilizado como terra e é conectado à carcaça dos
equipamentos.

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Esquema TN-C:
As funções de neutro e de proteção são combinadas em um único condutor em toda a instalação,
dessa forma este esquema mesmo sendo normalizado não é indicado em certas instalações, uma vez que o
Terra e o neutro são constituídos pelo mesmo condutor.
Esquema TN-C-S

A função do condutor neutro e de proteção são combinadas em um único condutor e em uma parte da
instalação.

Esquema TT:
Este esquema possui um ponto da alimentação diretamente aterrado, estando as massas da
instalação ligadas a um eletrodo de aterramento eletricamente distinto do eletrodo de aterramento da
fonte, ou seja, os equipamentos são aterrados com uma haste própria, diferente da usada para o neutro.

No caso da corrente de falta, o percurso da corrente fase massa inclui o terra, que limita o valor da
corrente devido ao alto valor da resistência de terra, é importante lembrar que essa corrente não é
suficiente para o seccionamento dos dispositivos de proteção, mas é uma corrente perigosa para os
usuários.

38
Esquema IT:
Este esquema é parecido com o TT, porém o aterramento da fonte é realizado através de uma
impedância com um valor elevado. Com isso limita-se a corrente de modo a não permitir que a primeira
falta desligue o sistema. As massas da instalação são aterradas com as seguintes possibilidades:
Massas aterradas no mesmo eletrodo de aterramento da alimentação, se existente.

Massas aterradas em eletrodo de aterramento próprio, seja porque não há eletrodo de


aterramento da alimentação, outra possibilidade é porque o eletrodo de aterramento das massas é
independente do eletrodo de aterramento da alimentação.
Muitas instalações residenciais no Brasil não possuem um sistema adequado de aterramento,
mesmo sendo obrigatório de acordo com as normas de instalações elétricas, é importante que você saiba a
importância de ter um esquema de aterramento nas instalações.
Portanto contrate um profissional da área, para que possa escolher e executar o esquema
adequado, pois é necessário um projeto construído e embasado em dados recolhidos e parâmetros
tabelados, além de levar em consideração a resistividade do solo.

SEÇÃO MÍNIMA DO CONDUTOR DE PROTEÇÃO (FIO TERRA).

TABELA 4.1

CAPITULO 5: ACIONAMENTO DE MOTORES ELÉTRICOS DE INDUÇÃO

Nesta apostila utilizaremos os motores de indução monofásicos e trifásicos com rotor do tipo gaiola
de esquilo por serem os mais comuns na indústria. Este nome é dado devido ao tipo de rotor utilizado
(rotor em curto-circuito). Um estudo completo sobre este tipo de máquina elétrica é tema de um curso de
máquinas elétricas. Apesar disso, algumas características básicas são interessantes ao estudo dos
comandos elétricos.
Basicamente, o motor de indução com rotor do tipo gaiola de esquilo é composto por duas partes:
→ Estator: Circuito magnético do motor elétrico, geralmente do tipo ranhurado, onde ficam alojadas as
bobinas que mediante ligação apropriada, produzem o campo magnético girante.

39
→ Rotor: enrolamento constituído por barras (de cobre ou alumínio) curto-circuitadas nas extremidades. A
corrente no circuito do rotor é induzida pela ação do campo girante do estator. O motor de indução em
funcionamento significa que o campo magnético formado no circuito do rotor irá então perseguir o campo
girante do estator.
Quando o motor é energizado, ele funciona como um transformador com o secundário em curto-
circuito, portanto exige da rede elétrica uma corrente muito maior que a nominal, podendo atingir cerca
de 8 vezes o valor da mesma.
As altas correntes de partida causam inconvenientes, pois, exige dimensionamento de cabos com
diâmetros bem maiores do que o necessário. Além disso, podem ocorrer quedas momentâneas do fator de
potência, que é monitorado pela concessionária de energia elétrica, causando elevação das contas de
energia.

5.1 - MOTOR DE INDUÇÃO TRIFÁSICO

Os motores de indução trifásicos podem ser adquiridos com 3, 6, 9 ou 12 terminais externos. No


caso do motor de 6 terminais existem dois tipos de ligação:

→ Triângulo: Com a tensão nominal do enrolamento de fase igual a 220 V;


Estrela: Com o enrolamento conectado em estrela a tensão de linha passa a ser √3 vezes a tensão do
enrolamento em Δ (√3 . 220 = 380V);
→ Triângulo: Com a tensão nominal do enrolamento de fase igual a 380 V;
Estrela: Com o enrolamento conectado em estrela a tensão de linha passa a ser √3 vezes a tensão do
enrolamento em Δ (√3 . 380 = 660V).

No caso do motor de 12 terminais, existem quatro tipos possíveis de ligação:

→ Triângulo em paralelo: a tensão nominal é 220 V.


→ Estrela em paralelo: a tensão nominal é 380 V.
→ Triângulo em série: a tensão nominal é 440 V.
→ Estrela em série: a tensão nominal é 760 V.
A união dos terminais segue uma determinada ordem padrão. Existe uma regra prática para fazê-lo:
numeram-se sempre os terminais de fora com 1, 2 e 3 e ligam-se os terminais restantes. No caso do motor
de 12 terminais deve-se ainda associar as séries e os paralelos com as bobinas correspondentes, como por
exemplo, (1-4 com 7-10).

MOTOR 12 TERMINAIS – QUATRO TENSÕES DISPONIVEIS


40
5.2 - MOTOR DE INDUÇÃO MONOFÁSICO

Os motores monofásicos de fase auxiliar são um dos vários tipos de motores monofásicos
existentes. Utilizados principalmente em máquinas como motobombas, compressores, furadeiras, serras,
cortadores de grama etc., são, em geral, máquinas de pequeno porte, já que são fabricados normalmente
em potências de até 2 cv. É raro serem encontrados acima desta potência, pois a utilização de motores
trifásicos fica economicamente mais viável.
O estator desses motores é constituído resumidamente por dois bobinados, chamados bobinado
principal (ou de trabalho) e bobinado auxiliar (ou de partida; arranque). Na partida do motor, os dois
bobinados ficam energizados; tão logo o rotor atinja sua velocidade, o bobinado de arranque é desligado,
permanecendo em funcionamento somente as bobinas de trabalho.
A bobina de arranque do motor possui ligado em série consigo um capacitor e um interruptor
automático (e é normalmente feita com fio mais fino). O interruptor automático (na maioria dos motores
formados por um interruptor centrífugo associado a um platinado, embora não seja o único modelo
existente) desliga a bobina de arranque após a partida do motor. Já o capacitor faz com que surja no
interior do motor um campo magnético girante, que impulsionará o motor a partir.
Para que possa funcionar em duas tensões diferentes (127 ou 220 V), a bobina de trabalho desses
motores é dividida em duas, tendo a possibilidade de as partes serem conectadas em série ou em paralelo,
de acordo com a tensão da rede elétrica. Cada parte deve receber no máximo 127 V, que corresponde à
menor tensão de funcionamento do motor. A inversão da rotação é feita invertendo-se o sentido da
corrente na bobina auxiliar, ou seja, troca-se o terminal 5 pelo 6.
Os motores monofásicos podem vir com 2, 4 e 6 terminais.
 2 TERMINAIS: são fabricados com somente uma tensão (127 ou 220V) e um único sentido
de rotação;
 4 TERMINAIS: são fabricados para funcionar nas duas tensões (127 ou 220 ou *440V) e um
único sentido de rotação.
 6 TERMINAIS: são fabricados para funcionar nas duas tensões (127 ou 220 ou *440V) e com
opção de sentido de rotação.
*em motores monofásicos com potência elevada acima 5,0cv, são fabricados para tensões de
220/440V, sendo o 440 V, utilizado só para partida SERIE-PARALELO.

5.3 - CARACTERISTICAS DA PLACA

Uma última característica importante do motor de indução a ser citada é a sua placa de
identificação, que traz informações importantes e, algumas estão listadas a seguir:
→ CV: Potência mecânica do motor em cv. É a potência que o motor pode fornecer, dentro de suas
características nominais.
→ Ip/In: Relação entre as correntes de partida e nominal;
→ Hz: Frequência da tensão de operação do motor;
→ RPM: Velocidade do motor na frequência nominal de operação;
→ V: Tensão de alimentação;
→ A: Corrente que o motor absorve da rede quando funcionam à potência nominal, com tensão e
frequência nominal;
41
→ F.S: Fator de serviço: Fator que aplicado à potência nominal, indica a carga permissível que pode
ser aplicada continuamente ao motor, sobre condições especificadas.

CAPITULO 6: SISTEMAS DE PARTIDA

Ao ligar um motor elétrico em uma rede, deve-se obrigatoriamente seguir algumas


recomendações da concessionária local e de normas técnicas, a fim de conseguir que todo o conjunto
funcione com o máximo rendimento. As maneiras de ligar um motor são basicamente divididas em dois
grupos: partida direta e partida indireta. Já as formas de comandar os motores são variadas, e não existe
um esquema definido, somente padrões (normas) de instalação.

6.1 - PARTIDA DIRETA

A partida direta consiste em energizar o motor com a tensão de funcionamento desde o


instante inicial. É o sistema mais simples, fácil e barato de instalar, sendo também aquele que oferece o
maior conjugado de partida do motor. Porém, neste sistema, a corrente de partida do motor é
grande, fato que impossibilita sua aplicação com motores de potência muito elevada.
Existem limites de potência para cada tensão de rede, conforme determinação da concessionária
local, sendo na maioria dos casos de 5 cv nas redes de 220/127 V e de 7,5 cv nas redes de 380/220 V.
A partida de um motor trifásico de gaiola deverá ser direta, por meio de contatores. Deve-se ter
em conta que para um determinado motor, as curvas de conjugado e corrente são fixas, independente
da carga, para uma tensão constante.
No caso em que a corrente de partida do motor é elevada podem ocorrer as seguintes
consequências prejudiciais:
a) Elevada queda de tensão no sistema de alimentação da rede. Em função disto, provoca a
interferência em equipamentos instalados no sistema;
b) O sistema de proteção (cabos, contatores) deverá ser superdimensionado, ocasionando um
custo elevado;
c) A imposição das concessionárias de energia elétrica que limitam a queda de tensão da rede.
Caso a partida direta não seja possível, devido aos problemas citados acima, pode-se usar sistema
de partida indireta para reduzir a corrente de partida:
- chave estrela-triângulo;
- chave compensadora;
- chave série-paralelo;
- partida eletrônica (soft-starter).

42
6.2 - PARTIDA INDIRETA

A alta corrente de partida solicitada por motores trifásicos pode causar queda de tensão e
sobrecarga na rede, aquecimento excessivo dos condutores e uma série de outros fatores prejudiciais à
instalação elétrica. Isso piora à medida que aumenta a potência dos motores. Nesses casos, deve-se ter a
preocupação de reduzir a corrente de partida do motor, aplicando-lhe uma tensão inferior à nominal no
instante da partida. Assim, a potência do motor fica reduzida e, conseqüentemente, sua corrente. Depois
que o motor atinge rotação nominal eleva-se sua tensão ao valor correto. Desta forma, não haverá
grande pico de corrente na partida.
São sistemas mais caros e trabalhosos, além do inconveniente de o motor não poder partir com
plena carga, devido à redução do conjugado. As reduções de corrente, potência e conjugado são
proporcionais ao quadrado da redução da tensão, isto é: reduzindo a tensão duas vezes reduz-se a
corrente, a potência e o conjugado quatro vezes.
Esses sistemas só terão efeito se forem comutados corretamente, ou seja, somente quando o
motor atingir rotação nominal troca-se para a tensão plena. Caso contrário, o segundo pico de corrente
que ocorre no momento em que o motor passa a receber a tensão nominal será muito alto, tornando o
sistema sem função.
Essa comutação pode ser feita através de chave manual diretamente pelo operador
– que deverá estar orientado – ou automaticamente por um temporizador.

Fonte: WEG. Manual de motores elétricos.


Os tipos de partida com tensões reduzidas mais convencionais são: partida estrela- triângulo,
partida série-paralelo, partida compensadora , soft-starter (chave de partida suave) e inversor de
frequência.

6.3 - PARTIDA ESTRELA – TRIANGULO

Em instalações elétricas industriais, principalmente aquelas sobrecarregadas, podem ser usadas


chaves estrela-triângulo como forma de suavizar os efeitos de partida dos motores elétricos. Só é possível
o acionamento de um motor elétrico através de chaves estrela-triângulo se este possuir no mínimo seis
terminais acessíveis e dispuser de dupla tensão nominal, tal como 220/380 V, 380/660 V ou 440/760 V.
O procedimento para o acionamento do motor é feito, inicialmente, ligando-o na configuração
estrela até que este alcance uma velocidade próxima da velocidade de regime, quando então esta conexão
é desfeita e executada a ligação em triângulo. A troca da ligação durante a partida é acompanhada por
uma elevação de corrente, fazendo com que as vantagens de sua redução desapareçam se a comutação
for antecipada em relação ao ponto ideal.
Durante a partida em estrela, o conjugado e a corrente de partida ficam reduzidos a 1/3 de seus
valores nominais. Neste caso, um motor só pode partir através de chave estrela-triângulo quando o seu
conjugado, na ligação em estrela, for superior ao conjugado da carga do eixo. Devido ao baixo conjugado
de partida a que fica submetido o motor, as chaves estrela-triângulo são mais adequadamente
empregadas em motores cuja partida se dá em vazio.

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A seguir, algumas vantagens e desvantagens das chaves estrela-triângulo:
a) Vantagens
→ custo reduzido;
→ elevado número de manobras;
→ corrente de partida reduzida a 1/3 da nominal;
→ dimensões relativamente reduzidas.
b) Desvantagens
→ aplicação específica a motores com dupla tensão nominal e que disponham de seis terminais
acessíveis;
→ conjugado de partida reduzido a 1/3 do nominal;
→ a tensão da rede deve coincidir com a tensão em triângulo do motor;
→ o motor deve alcançar, pelo menos, 90% de sua velocidade de regime para que, durante a
comutação, a corrente de pico não atinja valores elevados, próximos, portanto, da corrente de partida com
acionamento direto.
Objetivo: Demonstrar uma dos importantes métodos para diminuir picos de corrente durante a
partida de um motor de indução trifásico.

6.4 - PARTIDA SÉRIE-PARALELO

Sistema possível para motores de 9 e/ou 12 terminais. Divide-se em dois tipos: série-paralelo
triângulo, aplicável às redes de 220 V, e série-paralelo estrela, para redes de 380 V. Para partida em série-
paralelo é necessário que o motor seja religável para duas tensões, a menor delas igual a da rede e a outra
duas vezes maior.
A partida do motor é feita com as bobinas conectadas em série, fazendo com que a tensão se divida
entre elas. Depois que o motor atinge rotação nominal, faz-se a troca das ligações para paralelo,
recebendo, assim, cada bobina a tensão total. A corrente de partida fica reduzida em quatro vezes, e o
mesmo acontece com o conjugado e a potência. Assim, é extremamente recomendado fazer a partida a
vazio e somente em máquinas com baixo conjugado resistente de partida.
A seguir, algumas vantagens e desvantagens das chaves série-paralelo:
a) Vantagens
→ custo reduzido;
→ elevado número de manobras;
→ corrente de partida reduzida a 1/4 da nominal;
→ dimensões relativamente reduzidas.
b) Desvantagens
→ aplicação específica a motores com dupla tensão nominal e que disponham de 9 ou 12 terminais
acessíveis;
→ conjugado de partida reduzido a 1/4 do nominal;
→ a tensão da rede deve coincidir com a tensão em série do motor;
→ o motor deve alcançar, pelo menos, 90% de sua velocidade de regime para que, durante a
comutação, a corrente de pico não atinja valores elevados, próximos, portanto, da corrente de partida com
acionamento direto.

44
6.5 - PARTIDA COMPENSADA

A chave compensadora é composta, basicamente, de um autotransformador com várias derivações,


destinadas a regular o processo de partida. Este autotransformador é ligado ao ci rcuito do estator. O ponto
estrela do autotransformador fica acessível e, durante a partida, é curto-circuitado e esta ligação se desfaz
logo que o motor é conectado diretamente à rede.
Normalmente, este tipo de partida é empregado em motores de potência elevada, acionando
cargas com alto índice de atrito, tais como britadores, máquinas acionadas por correias, calandras e
semelhantes.
As derivações, normalmente encontradas nos autotransformadores de chaves compensadoras, são
de 50%, 65% e 80%.
Na partida compensada, os valores da corrente na rede e no motor são diferentes, por terem
tensões diferentes. A maior corrente será no motor, por ter a menor tensão, já que a potência de entrada
é a mesma de saída (considerando um transformador ideal).

Relativamente às chaves estrela-triângulo, podem-se enumerar algumas vantagens e desvantagens


da chave compensadora.
a) Vantagens:
→ na derivação 65%, a corrente de partida na linha se aproxima do valor da corrente de
acionamento, utilizando chave estrela-triângulo;
→ a comutação da derivação de tensão reduzida para a tensão de suprimento não acarreta
elevação da corrente, já que o autotransformador se comporta, neste instante, semelhantemente a uma
reatância que impede o crescimento da mesma;
→ variações gradativas de tape, para que se possa aplicar a chave adequadamente à capacidade do
sistema de suprimento.
b) Desvantagens:
→ custo superior ao da chave estrela-triângulo;
→ dimensões normalmente superiores às chaves estrela-triângulo, acarretando o aumento no
volume dos Centros de Controle de Motores (CCM).

TABELA DE COMPORTAMENTO DA CORRENTE NO AUTO-TRANSFORMADOR


45
6.5.1 AUTOTRANSFORMADOR DE PARTIDA TRIFÁSICO

Usado na partida indireta do tipo compensada, este autotransformador é responsável pela


diminuição da tensão aplicada no motor no instante inicial. O valor da tensão de saída desses
autotransformadores é expresso em percentagem, normalmente nos valores 50, 65 e 80%.
Os autotransformadores têm a seguinte identificação em seus terminais:
R, S, T → bornes de alimentação do autotransformador.
50, 65 ou 80% → bornes de saída
0 (zero) ou Y (estrela) → bornes que devem ser curto-circuitados no momento da partida, ou seja,
deve-se ligar as bobinas em estrela. No dimensionamento do autotransformador devem ser levados em
conta: a tensão nominal da rede, a potência nominal do motor, o número máximo de partidas por hora
(normalmente 10 para motores de baixa potência), o tempo aproximado de cada partida e os taps de
saída necessários.
Os autotransformadores são providos de um microtermostato, que deve ser conectado ao circuito
auxiliar para que impossibilite o uso do equipamento quando a temperatura atingir valor elevado (em
torno de 110°C).

AUTOTRANSFORMADOR DE PARTIDA TRIFÁSICO.

Métodos de partida X Motores

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CAPITULO 7: SIMBOLOGIA

Ao desenharmos um circuito elétrico, onde aparecem vários componentes, representamos esses


através de símbolos, com o objetivo de facilitar a construção do desenho. Embora existam normas que
padronizam esses símbolos, a realidade é que encontramos nas indústrias uma variedade muito grande de
símbolos para um mesmo componente, pois algumas empresas preferem criar simbologia própria do que
seguir determinada norma. Apesar de tudo, com uma boa observação, é possível para o profissional da
área decifrar todos os símbolos que eventualmente se possa encontrar.
A simbologia a seguir é a adotada para este manual:

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CAPITULO 8: DIAGRAMAS ELÉTRICOS INDUSTRIAIS

Para o comando, regulação e proteção dos motores elétricos, que constituem os elementos de
potência das instalações elétricas industriais, empregam-se diferentes dispositivos tais como: contatores,
disjuntores, reguladores, relés (proteção, auxiliares), eletroímãs, sinalizadores, engates eletromagnéticos,
alarmes, freios mecânicos, etc., interligados por condutores elétricos. Estes dispositivos se conectam
eletricamente a uma instalação elétrica em geral destinada a efetuar as operações requeridas em uma
ordem determinada.
Os diagramas elétricos são desenhados, basicamente, desenergizado e mecanicamente não
acionados. Quando um diagrama não for representado dentro desse princípio, nele devem ser indicadas
as alterações. Os diagramas dividem-se em três grandes grupos para fins didáticos:

Diagrama Esquemático

Destinado a facilitar o estudo e a compreensão do funcionamento de uma instalação ou parte dela.


Os elementos do diagrama dispõem-se de forma que possam facilitar sua interpretação e não seguindo a
disposição espacial real. Isto quer dizer que diversos elementos condutores de corrente e os dispositivos
de comando e proteção estão representados conforme a sua posição no circuito elétrico e independente
da relação construtiva destes elementos. Os diagramas esquemáticos são classificados em 3 tipos:

Diagrama Unifilar

Representação simplificada, geralmente unipolar das ligações, sem o circuito de comando, onde só
os componentes principais são considerados. Em princípio todo projeto para uma instalação elétri ca
deveria começar por um diagrama unifilar.

Diagrama Multifilar

É a representação da ligação de todos os seus componentes e condutores. Em contraposição ao


unifilar, todos os componentes são representados, sendo que a posição ocupada não precisa obedecer a
posição física real em que se encontram. Como ambos os circuitos, (principal e auxiliar) são representados
simultaneamente no diagrama, não se tem uma visão exata da “função” da instalação, dificultando, acima
de tudo a localização de uma eventual falha, numa instalação de grande porte.
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Diagrama Funcional (Elementar)

A medida que os diagramas multifilares foram perdendo a utilidade, foram sendo substituídos pelos
funcionais. Este tipo de diagrama representa com clareza os processos e o modo de atuação dos contatos,
facilitando a compreensão da instalação e o acompanhamento dos diversos circuitos na localização de
eventuais defeitos.
Basicamente o Diagrama Funcional é composto por 2 circuitos:
Circuito Principal ou de Força Onde estão localizados todos os elementos que tem interferência
direta na alimentação da máquina, ou seja, aqueles elementos por onde circula a corrente que alimenta a
respectiva máquina.
Circuito Auxiliar ou de Comando Onde estão todos os elementos que atuam indiretamente na
abertura, fechamento e sinalização dos dispositivos utilizados no acionamento da máquina, em condições
normais e anormais de funcionamento.
Os diagramas funcionais são os mais importantes do ponto de vista de projeto, permitindo obter
uma ideia de conjunto sobre o sistema de comando adotado, que é a base de partida, proporcionando os
dados fundamentais para a posterior realização dos diagramas de interligação, nos trabalhos de
montagem como também a preparação da lista de materiais.
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Diagrama de Blocos

Outro tipo de diagrama explicativo utilizado muitas vezes é o denominado Diagrama de Blocos.
Consiste essencialmente em um desenho simples cujo objetivo é apresentar o princípio de funcionamento
de uma instalação elétrica industrial. A necessidade dos diagramas de blocos está muitas vezes no
interesse em conhecer o funcionamento de uma instalação sem ter que analisar detalhadamente o
diagrama funcional completo, o que levaria muito tempo.

CAPITULO 9: SISTEMAS DE PARTIDA PARA MOTORES TRIFÁSICOS – ESQUEMAS

Basicamente existem duas maneiras para dar partida em um motor elétrico trifásico: ligação direta
a plena tensão ou ligação indireta com tensão reduzida. Para isso, há necessidade de um circuito elétrico
para fazer o acionamento. O circuito é de acionamento manual ou automático.
A seguir, apresenta-se uma série de diagramas básicos que mostram como funciona cada tipo de
circuito. Para a utilização em alguma máquina, muito provavelmente será necessário fazer algumas
alterações nos circuitos de comando quando se tratar de instalações automáticas.
Na apostila iremos trabalhar alguns modelos de partidas automáticas.

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9.1 - PARTIDA DIRETA TRIFÁSICA / MONOFÁSICA

Circuito de força: partida direta sem reversão


Circuitos de comando: 01 – um botão liga e outro desliga; 02 – dois Botões ligam e dois desligam;
03 – Comando com sinalização ligado, desligado e relé térmico de sobrecarga desarmado.
Dimensionamento dos componentes: ⇒ F01= (IP/IN) x IN) x Tp*. *Tp: tempo de partida
⇒ K1≥ IN x FS; *(IP/IN) X IN = Ip: corrente de partida
⇒ F02= IN (x FS).

DIAGRAMA DE FORÇA TRIFÁSICO DIAGRAMA DE COMANDO 01 DIAGRAMA DE FORÇA


MONOFÁSICO

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DIAGRAMA DE COMANDO 02 DIAGRAMA DE COMANDO 03

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9.2 - PARTIDA DIRETA COM REVERSÃO

Circuitos de comando: 01 – reversão simples com intertravamento elétrico.


Dimensionamento dos componentes: ⇒ F01= (IP/IN) x IN) x Tp.
⇒ K1 e K2 ≥ IN x FS
⇒ F02= IN (x FS).

DIAGRAMA DE FORÇA DIAGRAMA DE COMANDO

9.3 - PARTIDA ESTRELA-TRIÂNGULO

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Circuito de força: partida estrela-triângulo sem reversão
Circuitos de comando: 01 – Circuito com temporizador ON-delay e sinalização partida/funcionamento;
02 – Circuito com temporizador YD e sinalização partida/funcionamento;
Dimensionamento dos componentes: ⇒ F1= (Ip / 3 ) x Tp seg.
⇒ K1 e K2 ≥ (In / 3 ) x FS
⇒ K3 ≥ (In / 3) x FS.; ⇒ F2 = (In / 3 ) (x FS).

DIAGRAMA DE FORÇA

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COMANDO 01

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COMANDO 2

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Circuito de força: partida estrela-triângulo com reversão
Circuitos de comando: 01 – circuito com reversão simples e sinalização partida/funcionamento
Dimensionamento dos componentes: ⇒ F01= (Ip / 3 ) x Tp.
⇒ K1 e K2 ≥ IN x FS
⇒ K3 ≥ (IN / 3 ) x FS
⇒ K4 ≥ (In / 3) x FS
⇒ F02 = (In / 3 ) x FS

DIAGRAMA DE FORÇA

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DIAGRAMA DE COMANDO
Observação: * No dimensionamento dos fusíveis, o valor encontrado não deve ser inferior à corrente
nominal do motor.

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9.4 - PARTIDA SÉRIE PARALELO
Circuito de força: partida série-paralelo estrela sem reversão
Circuito de comando: 01 – circuito com temporizador ON-delay
Dimensionamento dos componentes: ⇒ F01 = (Ip/4) x Tp.
⇒ K3 ≥ (IN / 4) x FS
⇒ K1, K2 e K4 ≥ (IN / 2) x FS
⇒ F02 e F03 = (IN / 2) x FS

DIAGRAMA DE FORÇA

62
DIAGRAMA DE COMANDO
Observações:
*O esquema de força refere-se a motores 12 pontas (4 tensões – 220, 380, 440 e 760 V). Para
motores 9 terminais estrela (ver Ligação série-paralelo), basta desprezar os números de terminais 10,
11 e 12 no esquema. ** No dimensionamento dos fusíveis, o valor encontrado não deve ser inferior à
corrente nominal do motor.

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Circuito de força: partida série-paralelo triângulo sem reversão
Circuitos de comando: 01 – circuito com temporizador ON-delay
Dimensionamento dos componentes: ⇒ F01 = (Ip / 4) x Tp
⇒ K1, K3 ≥ (IN / 2) x FS
⇒ K2 ≥ IN / (4 x  3 ) x FS
⇒ K4 ≥ IN / (2 x  3 ) x FS
⇒ F4 = (IN / 2) x FS

DIAGRAMA DE FORÇA

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DIAGRAMA DE COMANDO
Observações:
* O esquema de força refere-se a motores 12 pontas (4 tensões – 220, 380, 440 e 760 V). Para motores 9
terminais triângulo (Ligação série-paralelo), basta desprezar os números de terminais 10, 11 e 12 no
esquema.

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9.5 - PARTIDA COMPENSADA

Circuito de força: partida compensada sem reversão


Circuito de comando: 01 – circuito com temporizador ON-delay e sinalização de
partida/funcionamento;
Dimensionamento dos componentes: TAP80% ⇒ F01 = (Ip x a²) x Tp. a: secundário do Trafo /100
⇒ K1 ≥ (IN) x FS
⇒ K2 ≥ (IN x a²) x FS
⇒ K3 ≥ (IN / a – a² ) x FS
⇒ F02 = IN (x FS)

DIAGRAMA DE FORÇA

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DIAGRAMA DE COMANDO

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CAPITULO 10: CARACTERÍSTICAS DE DESEMPENHO DOS MOTORES ELÉTRICOS

MOTOR MONOFÁSICO DE FASE AUXILIAR – DESEMPENHOS MÉDIOS

Para a velocidade em vazio foi tomada a velocidade de sincronismo, embora na prática esta seja
ligeiramente menor.

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MOTOR TRIFÁSICO IP55 USO GERAL: 2 PÓLOS – 60 HZ

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4 POLOS - 60HZ

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6 POLOS – 60 HZ

71
8 POLOS – 60 HZ

FONTE EBERLE – MOTORES TRIFÁSICOS

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A tabela que segue mostra o limite de condução de corrente elétrica pelos condutores, no sistema
métrico, a capacidade de condução de corrente para cabos isolados até 3 condutores carregados, e
maneiras de instalar n°s. 1, 2, 3, 5 e 6 da norma NBR 5410.

As normas da ABNT aplicáveis a fios e cabos são:


· NBR-6880 para condutores de cobre para cabos isolados.
· NBR-6148 para fios e cabos com isolação sólida extrudada de cloreto de polivinila para tensões até
750V-especificações.
Todos os condutores elétricos devem estar devidamente protegidos contra sobrecargas e curtos -
circuitos. A proteção deverá ser feita através de fusíveis ou disjuntores adequados. Tais dispositivos de
proteção deverão ser dimensionados de acordo com a capacidade de condução de corrente do condutor
estabelecida pela norma vigente e que, também, é fornecida pelo fabricante, muitas vezes na própria
embalagem do produto.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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CEEE-RS. Regulamento de instalações consumidoras; Fornecimento de tensão secundária, rede de
distribuição aérea. Porto Alegre: 1992.
EBERLE. Motores elétricos trifásicos para uso industrial. Caxias do Sul: 1998.
HELLERMANN. Catálogo de produtos. São Paulo: 1999/2000.
______. Líder mundial em acessórios para cabos e fios. São Paulo: s.d.
HORBACH FILHO, Nelson. Instalações elétricas. s.n.t.
MAMEDE FILHO, João. Instalações elétricas industriais. 3. ed. Rio de Janeiro: LTC, 1989.
MARTIGNONI, Alfonso. Ensaios de máquinas elétricas. Porto Alegre: Globo, 1980.
______. Máquinas de corrente alternada. Porto Alegre: Globo, 1972.
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PIRELLI. Catálogo de condutores. s.d.
______. Tabelas e diagramas elétricos. Rio de Janeiro: 1982.
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______. CD Dispositivos de Controle e Distribuição, s.n.t.
STECK. Plugs e tomadas blindadas Brasikon. São Paulo: s.d.
TELEMECANIQUE. Catálogo de produtos, s.n.t.
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WESTINGHOUSE. Divisão Blindex. Comando e sinalização; complementar.
Diadema: s.d.
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http://www.schneider-eletric.com.br
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http://www.isotrans.com.br
http://www.margirius.com.br
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