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Fichamento

Texto: O novo triangulo. Os casais e a tecnologia

IMBER-BLACK, Evan. O novo triangulo. Os casais e a tecnologia. In:


____Casais em Perigo. Novas diretrizes para terapeutas. Trad. BURGUNO,
Daniel Ángel Etcheverry. Porto Alegre: Artmed, p. 61-75. 2002

 “A influencia da tecnologia no relacionamento de casais tem chegado


aos nossos consultórios”. P. 61
 “Tem começado a desafiar e a dar novas formas à comunicação entre
os casais.” P.62

Vozes da “Terra da Tecnologia”

 “Os avanços mais recentes da tecnologia estão penetrando na ida dos


casais a uma velocidade superior à nossa capacidade em medir o
impacto que eles tinham nos relacionamentos.”P.62

Relatos de sessões:
 “Meu marido, Kevin, chega em casa todos os dias às 20 horas.
Antigamente, ele me cumprimentava”, disse Sandra com tristeza. “Agora
ele vai direto para o escritório dele. Primeiro, escuta os recados na
secretária eletrônica, depois confere se chegaram e-mails e lê os faxes.
Ele engole a janta e desaparece na frente do computador até que, enfim,
vai dormir. Perdi meu marido para a tecnologia e estou cansada disso.”
P. 62
 “Meu marido, Alan, e meu filho de 11 anos, Jake, passam todo o tempo
livre em frente ao computador. Eles têm suas próprias páginas na
internet, seja lá o que isso for”, reclamou Donna. “Eu não faço idéia de
como isso funciona, nem quero saber.Estou cansada de que todo o
nosso dinheiro seja investido em mais e mais equipamentos para o
computador. Há sempre novidades chegando em casa. Não há lugar
para mim no relacionamento deles com essas malditas maquinas.” P.63
Quem é responsável: as pessoas ou a tecnologia?

 “Muitos dos que fazem terapia falam sobre a tecnologia que entrou nas
vidas e nos seus lares como se ela fosse responsável por eles, e não o
contrário.” P.64

A tecnologia na vida diária

 “(...) Tento sempre descobrir como é um dia típico na vida do casal,


procurando modelos de interação que se repitam: áreas de conflito,
proximidade e distanciamento. (...) Eu os questiono sobre o lugar que a
tecnologia ocupa no cotidiano deles. A menos que a tecnologia tenha se
convertido em uma das principais fontes de conflito ou em uma forma de
agressão mútua, a maioria dos casais não inclui na descrição do seu
dia-a-dia as diversas formas em que ela afeta o relacionamento.” P.64
 “Perguntas e discussões nas sessões de terapia sobre a possibilidade
de a presença de três aparelhos de televisão, dois computadores e um
aparelho de fax estar corroendo ou incrementando o relacionamento do
casal oferecem uma boa oportunidade para dar início a um processo de
reflexão sobre o lugar que a tecnologia ocupa na vida diária do casal.”
P.64
 “(...) A tecnologia pode ser uma fonte de estresse para as famílias e para
os casais, pode também ser um apoio de importância diário.” P.65

A tecnologia e o limite entre trabalho e família

 “Ter um escritório em casa pode acabar com o limite entre lar e


escritório (Fraenkel, 1998), consumindo o tempo do casal ou da família.”
P. 65
 “As perguntas de um terapeuta em relação à profissão, às metas
financeiras, às idéias das diversas gerações sobre o vínculo entre
trabalho e relacionamentos matrimoniais e aos valores da cultura em
que estão inseridos poderão ajudar os casais a determinar quanto tempo
de trabalho em casa ajusta-se e quem eles querem ser como indivíduos,
como casal e como família.” P.65

A tecnologia e os rituais diários


 “Os rituais diários da vida de muitos casais têm sido fortemente afetados
pela tecnologia.” P.66
 “Uma jovem esposa de um casal em busca de ajuda terapêutica, afirmou
com tristeza durante a primeira sessão que um significado ritual noturno
de chá e diálogo simplesmente desapareceu quando o marido instalou
uma antena parabólica que trazia todos os eventos esportivos para
dentro de sua sala.” P. 66
 “O marido de outro casal queixou-se amargamente do fato de que sua
mulher, uma bem sucedida corretora de fundos públicos, insiste em
levar seu telefone celular quando eles saem para jantar às sextas-feiras,
prática esta que, ironicamente, ele iniciara a fim de terem alguns
momentos juntos em meio às suas vidas agitadas.” P.66
 “65% das famílias americanas não mais se reúnem para o jantar (Imber-
Black e Roberts, 1998)”. P.66
 “Os diálogos na terapiade casais sobre os rituais cotidianos permitem
que eles comecem a pensar na possibilidade de criar um limite em torno
do horário de jantar, do qual o telefone e a televisão ficam excluídos.”
P.66
 “A tecnologia também pode ser utilizada para criar novos rituais diários
significativos.”

Como entrou a tecnologia na vida do casal?

 “Quando questiono os casais sobre que tipo de tecnologia eles querem


introduzir em sua rotina, tenho a impressão deque a tecnologia os
domina, em vez de eles terem uma participação ativa na decisão do que
adquirir.” P. 67
 “Em alguns casais, parece que um dos membros toma todas as
decisões sobre que novos aparelhos eletrodomésticos devem ter em
casa. Uma jovem iniciou a primeira sessão reclamando furiosamente
que seu noivo tinha lhe presenteado com um moderno e pequeno
telefone celular no dia dos namorados, quando o que ela queria era um
romântico frasco de perfume.” P. 67

Os neoludistas versus os tecnocratas


 “Frequentemente, um dos cônjuges dedica-se a incrementar a presença
e o uso de tudo aquilo que a tecnologia tem para oferecer, enquanto o
outro envolve-se menos com isso.” P.67
 “O que poderia começar como uma simples diferença de interesses
pode se transformar, de modo imediato, em posicionamentos
diametralmente opostos.” P.68
 Os terapeutas precisam ajudar os casais a superar a polarização –
frequentemente estatística e crescente – de seus posicionamentos
frente ao lugar que a tecnologia ocupa em sua vida, para que possam
ter uma compreensão mais profunda do assunto.”P.68

O mais rápido não significa necessariamente o melhor

 “Exigências de respostas interpessoais imediatas e disponibilidade


permanente são resultados da presença da tecnologia em nosso dia-a-
dia.” P.68
 “Como a autêntica interação entre um casal e a construção de um
relacionamento confiável requer um processo de conhecimento mútuo
ao longo o tempo, o fato de esperar respostas imediatas, resultado do
uso de telefones celulares, e-mails, faxes e outras formas de
comunicação rápida, pode impedir conversações mais profundas e
reflexivas.” P. 69
 “Quando me reúno com indivíduos ou com casais que se mostram
impacientes em cada momento da interação, não considero mais que
essa impaciência tenha surgido nas famílias de origem. Ao contrário,
tentamos olhar juntos para as formas em que a tecnologia mudou suas
expectativas relativas ao tempo que leva para obter respostas de um
filho ou de um cônjuge.” P. 69

Tecnologia e parentalidade

 “A tecnologia tem um efeito poderoso e frequentemente desconhecidos


sobre a relação entre pais e filhos.” P. 69
 “É importante que a tecnologia seja empregada como um recurso e que
não se permita que ela crie uma barreira entre as gerações.” P.69
 “Nas famílias em que há um pai e uma mãe, quando um deles tem mais
interesse do que o outro em tudo aquilo que o mundo virtual pode
oferecer, então o tempo, as atividades e o relacionamento com os filhos
pode ser moldado com base nesse entusiasmo compartilhado ou com o
pai ou com a mãe e criar um distanciamento em relação ao outro.” P.69
 “O consultório do terapeuta pode vir a ser o lugar onde é possível
examinar os custos e os benefícios dos novos desenvolvimentos
tecnológicos no relacionamento entre pais e filhos e, ao mesmo tempo,
com esses custos e benefícios afetam a vida do casal.” P.69

Sexo e internet

 “Nos dias de hoje, existem aproximadamente 70 mil sites de sexo na


rede.” (Quim, 1998) P. 70
 “Como um círculo vicioso, a demanda de sexo via internet levou a
inovações na área da computação.” (Swartz 1998) P.70
 “Intrigantes diferenças de gênero tornam-se evidentes no fato de que a
maioria dos homens que visita sites de sexo on-line prefere aqueles com
imagens de sexo explícito às salas de bate-papo, enquanto que as
mulheres preferem essas ultimas aos sites com imagens eróticas.”
(Numbers, 1998, p.23) P. 70
 “A disponibilidade de sexo virtual tem criado um novo problema para a
terapia de casais: a “infidelidade virtual”. P.70
 “(...) quando alguém descobre que seu parceiro tem um amante virtual,
segue-se uma crise matrimonial que leva os casais a procurar ajuda
terapêutica.” P. 70

Fazendo com que um relacionamento amoroso via internet faça sentido

Relato de caso:

 “Nunca pensei que iríamos precisar de ajuda de terapia conjugal e,


menos ainda, por um assunto como este,” Alan afirmou confuso. P. 70
 “Quando descobri, faz um ano, que Elionor estava utilizando o nosso
computador para ter ‘encontros sexuais’, fiquei completamente
apavorado.” P. 71
 “Devagar, Elionor levantou a cabeça e começou a falar. “Acho que estou
tão confusa quanto Alan em relação a isto.” P.71
 “Três meses depois de iniciada a terapia, quando começamos a nos
concentrar mais no pouco tempo que eles tinham passado juntos
durante todos esses anos, como tinham se distanciado um do outro e
como era necessário para eles construírem um relacionamento mais
intimo, o nosso trabalho deu uma virada surpreendente.” P.71
 “Alan e Elionor então entre os casais que atendi nos últimos anos cuja
entrada na terapia foi precipitada pela infidelidade virtual.” P.74
 “No momento atual, nossos preconceitos de que o desenvolvimento de
qualquer relacionamento significativo requer contato frente à frente pode
nos impedir que de escutar o que um relacionamento virtual pode
significar para os envolvidos.” P.74
 “Nosso desafio como terapeutas de casais é o de usar o que já sabemos
sobre os relacionamentos e, ao mesmo tempo, o de permanecer abertos
às experiências dos nossos clientes de maneira a não forçá-los a
pertencer a categorias preexistentes e potencialmente irrelevantes.”
P.74

Conclusão

 “A terapia conjugal contemporânea tem condições de ser o lugar onde é


possível deter e transformar a dor não-prevista provocada pela
tecnologia, dor esta que ainda não conseguimos dominar.”P.74
 “Os terapeutas conjugais podem criar um ponto de encontro que
possibilite aos esposos tomarem decisões de modo consciente sobre o
lugar que desejam que a tecnologia ocupe no seu cotidiano e nos seus
relacionamento.” P.75.