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ACADEMIA ESTADUAL DE SEGURANÇA PÚBLICA DO CEARÁ – AESP|CE


NECROPAPILISCOPIA

GOVERNO DO ESTADO DO CEARÁ

CAMILO Sobreira de SANTANA


GOVERNADOR DO ESTADO DO CEARÁ

SECRETARIA DA SEGURANÇA PÚBLICA E DEFESA SOCIAL - SSPDS

ANDRÉ Santos COSTA - DPF


SECRETÁRIO DA SSPDS

ACADEMIA ESTADUAL DE SEGURANÇA PÚBLICA DO CEARÁ – AESP|CE

JUAREZ Gomes Nunes Júnior


DIRETOR-GERAL DA AESP|CE

IVANA Coelho Marques Figueiredo


DIRETORA DE PLANEJAMENTO E GESTÃO INTERNA DA AESP|CE

Francisca ASMENHA Cruz Furtado Torquato


COORDENADORA DE ENSINO E INSTRUÇÃO DA AESP|CE

José ROBERTO de Moura Correia


COORDENADOR PEDAGÓGICO DA AESP|CE

José Alexandre Soares NOGUEIRA


SECRETÁRIO ACADÊMICO DA AESP|CE

ALANA Dutra do Carmo


COORDENADORA DE ENSINO À DISTÂNCIA DA AESP|CE

CURSO DE APERFEIÇOAMENTO PARA AUXILIAR DE PERÍCIA CLASSE B DA PERÍCIA FORENSE DO ESTADO DO CEARÁ

DISCIPLINA
NECROPAPILISCOPIA

CONTEUDISTA
Laerte Gonçalves Silva

REVISÃO DE COERÊNCIA DIDÁTICA


Francisco MATIAS Filho
HELANA Paula Nascimento do Carmo
HELENA Guilherme
Marcos José dos Santos RIBEIRO
Paulo RAMON Rodrigues Tavares

FORMATAÇÃO
JOELSON Pimentel da Silva

• 2019 •

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NECROPAPILISCOPIA

SUMÁRIO

NECROPAPILISCOPIA ...................................................................................................................................................................... 4
1. APRESENTAÇÃO .......................................................................................................................................................................... 4
2. INTRODUÇÃO ............................................................................................................................................................................. 4
2.1 A origem do termo ............................................................................................................................................................... 5
2.2 A necessidade de especialização ......................................................................................................................................... 5
3. AVALIAÇÃO DAS CONDIÇÕES DOS CORPOS e CONDIÇÕES PARA COLETA. ................................................................................ 5
3.1 Classificação dos Corpos ...................................................................................................................................................... 5
3.2 Corpos com Rigidez Cadavérica ........................................................................................................................................... 6
3.3 Corpos Putrefatos ................................................................................................................................................................ 6
3.4 Falanges Saponificadas ........................................................................................................................................................ 6
3.5 Falanges Maceradas ............................................................................................................................................................. 7
3.6 Falanges Mumificadas .......................................................................................................................................................... 7
3.7 Falanges Carbonizadas ......................................................................................................................................................... 7
4. TÉCNICAS DE REABILITAÇÃO DO TEGUMENTO .......................................................................................................................... 7
4.1 Água Morna, Flexões e Seccionamentos ............................................................................................................................. 8
4.2 Regeneração Plástica das Falanges ...................................................................................................................................... 9
4.3 Aproveitamento de Luva Epidérmica ................................................................................................................................. 10
4.4 Enrijecimento dos Tecidos ................................................................................................................................................. 12
4.5 Desidratação dos Tecidos .................................................................................................................................................. 13
4.6 Hidratação dos Tecidos ...................................................................................................................................................... 13
4.7 Moldagem do Desenho Papilar .......................................................................................................................................... 14
4.8 Fervura do Tecido (Boiling Technique) ............................................................................................................................... 18
5. MÉTODOS DE COLETA DE IMPRESSÕES PAPILARES ................................................................................................................. 19
5.1 Coleta Pelo Método da Tinta E Papel ................................................................................................................................. 19
5.2 Método da Micro-Adesão ( Pó e Pincel) ............................................................................................................................ 20
REFERÊNCIAS ................................................................................................................................................................................ 22

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1. APRESENTAÇÃO

Como bem lembra Andrew H Príncipe: “Não importa o método empregado, devemos ter sempre em mente que o
propósito da coleta de impressões de cadáveres é, simplesmente, obter impressões mais nítidas possíveis, de cada um dos
dedos. Isso se torna evidente especialmente quando estamos diante de um cadáver de identidade ignorada ou quando as
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impressões forem comparadas com as impressões latentes reveladas em um local de furto.
Nos casos de corpos em bom estado de conservação as técnicas de coletas datiloscópicas já conhecidas em vivos
geralmente tem são suficientes, porém estas fracassam quando os corpos estão em condições severas ou já em estado de
putrefação. É principalmente nestes casos que aplicação das técnicas de necropapiloscopia se tornam importantes.
Procuramos nos deter mais nas práticas mais utilizadas e consideradas mais eficientes.
Assim o objetivo deste trabalho é oferecer conhecimentos que possibilitem a coleta e o registro dessas impressões de
maneira eficiente para uma identificação segura, rápida e de baixo custo.
Esperamos que este trabalho possa servir de base para futuras discussões na elaboração de padronização na área de
necropapiloscopia.

2. INTRODUÇÃO

Os registros dão conta que o primeiro caso de identificação necropapiloscópica foi realizada por Juan Vuetich em,
1896. Nesta época, foi encontrado o cadáver de um desconhecido nas ruas de La Plata, na Argentina e que após o exame
datiloscópico foi identificado como sendo o ex-sentenciado Carlos Casali, libertado em agosto do mesmo ano do Presídio de
Sierra Chica.
Até os anos 80 os livros e apostilas de papiloscopia reservavam poucas páginas ao assuntos relacionados a coleta de
impressões de cadáveres. O assunto era geralmente abordado no final do capítulo de coleta de impressões digitais ou em
assuntos diversos. Nos cursos de formação ainda se dá pouca atenção ao tema, pois se resume a uma simples coleta de
impressões digitais entre um dos corpos recém-chegados aos institutos de medicina legal. Este quadro pode mudar em face a
importância que o tema vem adquirindo nos últimos anos.
Técnicas novas têm possibilitado a recuperação do tegumento papilar de corpos putrefatos, possibilitando a
identificações antes considerada impossíveis. Essas técnicas tem sido utilizadas na identificação de vítimas de crimes
bárbaros, e tamb[em na identificação de vitimas fatais de desastres em massa.
Desastres parecem fazer parte da história humanidade. Alguns são decorrentes das ações humanas, no entanto
aqueles as catástrofes naturais são consideradas invitáveis. Mas ultimamente o assunto vem ganhando o interesse do
governo, face o número de mortes.
Em 2004, no sudeste asiático, abalos sísmicos seguido de tsunamis, chegou provocar 295 mil óbitos. O ano de 2005 foi
marcado terremoto no Paquistão, que provocou a morte de cerca de 86.000 pessoas e pela devastação de um furação, nos
Estados Unidos, que resultou em 1.833 mortes. Em 2010, no Haiti, um terremoto causou a morte de cerca 200.000 pessoas. E
em 2011, no Japão, um terremoto seguido de tsunami, resultou em 27.856 vítimas fatais. O Brasil também faz parte das
estatísticas de desastres, pois no verão de 2011, ocorreram 902 mortes, em decorrência de deslizamento de terras, na
região serrana do Rio de Janeiro. O problema tem alcance social com graves conseqüências para milhões de pessoas e para o
país. O socorro e assistências aos sobreviventes, assim como a identificação de mortos requer ações enérgicas e rápidas a
fim de atenuar suas conseqüências. A papiloscopia tem um importante papel nestes casos, pela sua rapidez na identificação
de pessoas. Assim, o tema necropapiloscopia despertou o interesse do governo como um ação efetiva para atuação em casos
de desastres em massa.
A Interpol há muitos anos vem promovendo encontros anuais para padronização de procedimentos para Identificação
de Vitimas de Desastres (DVI). Desde 2009 Federação dos Papilooscopistas e Profissionais em Identificação (Fenappi) vem
organizando anualmente congressos abordando o tema. A Secretaria Nacional de Segurança Pública no ano de 2012 reuniu
diversos profissionais representantes da Perícia no Brasil, nos quais vem sendo elaborado procedimentos operacionais
padrão para Necropapiloscopia. Por indicação de representantes de entidades profissionais foram reunidos alguns
papiloscopistas para organização e consolidação desses procedimentos.
Este trabalho visa reunir diversas técnicas utilizadas para a identificação necropapiloscópica a fim de possibilitar uma
atuação rápida e eficaz na identificação de cadáveres por meio da papiloscopia.

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2.1 A origem do termo

A palavra necropapiloscopia surgiu, de certa forma, espontânea entre os profissionais da papiloscopia do Distrito
Federal ao se referir às técnicas empregadas na coleta de impressoes digiais de cadáveres em condições especiais.
Nos anos 90, grande quantidade de corpos eram encontrados nas regiões do serrado sendo, a maior parte,
decorrentes de latrocínios finalizados com incineração de carros e vitimas. Este fato fez com que aumentasse muito volume
os serviços de papiloscopia para identificação desses corpos. Tais casos oferecem um grande desafio face o grau de
ressecamento ou carbonização.
Gradativamente foi sendo necessário ampliar os conhecimentos de técnicas em face dos casos cada vez mais
complexos que iram surgindo. Em razão da eficácia essas técnicas fazendo parte das práticas diárias dos papiloscopistas.
Aos poucos, essas técnicas foram sendo difundidas para outras regiões do país, por meio de cursos ou palestras, com
a colaboração de órgãos federais, como a Secretaria Nacional de Segurança Pública e, em muitos casos, graças ao esforço e
iniciativa dos próprios papiloscopistas. Assim, gradativamente essas práticas passaram a ser de conhecimento geral entre os
papiloscopistas com a denominação perícias necropapiloscópicas.
Em Agosto de 2009, foi criado um plantão de necropapiloscopia para que fosse realizada a identificação também dos
corpos com identidade presumida, ou seja, que já ingressavam com um nome conhecido. A comparação é feita diretamente
no documento ou RG apresentado que acompanha o morto ou trazido por parente. São casos simples, porém exige maior
números de profissionais para fazer frente ao grande volume de corpos que ingressam diariamente.

2.2 A necessidade de especialização

A perícia necropapiloscópica tem por objetivo a identificação por meio da coleta e registro das impressões digitais,
palmares e plantares, de pessoas em fase post mortem.
A terminologia pode ser também utilizada para configurar mais um ramo da Papiloscopia: a Necropapiloscopia. E isso
por que possui objeto específico, a pele grossa, objetivos (recuperação do tecido e coleta de impressões), além de
conhecimentos e técnicas próprias para que possa ser exercida.
A Necropapiloscopia, realiza a identificação por meio de técnicas de confronto, com a peculiaridade que, em alguns
casos as análises são realizadas diretamente sobre o tegumento, seja sobre a derme, camada mais profunda da pele ou,
ainda, sobre a face interna da epiderme.
Ela requer de conhecimentos de histologia da pele grossa pois, conhecendo melhor a morfologia e constituição da
pele humana, é possível selecionar a técnica para obtenção das impressões. Também é que se domine o conhecimento das
propriedade dos elementos químicos utilizados na hidratação, secagem ou aumento de consistência do tecido epitelial.
A atividade tem atraído a atenção de muitos por sua especialidade. Ela requer adaptação ao ambiente de necrotério e
às rotinas de biossegurança, com utilização preventiva de equipamentos para proteção da saúde. Guardar o necessário sigilo,
discrição, profissional como requer a ética profissional.
O profissional é requerido curiosidade científica aliado ao trabalho perseverante além de resiliência para lidar com
casos de desastres em massa.

3. AVALIAÇÃO DAS CONDIÇÕES DOS CORPOS e CONDIÇÕES PARA COLETA.

3.1 Classificação dos Corpos

Os corpos são classificados sob dois critérios:

 Estado de conservação: Corpos bem conservados, com mortes recentes, normalmente tem as mãos intactas,
similares às dos vivos. Favorecem a utilização de técnicas tradicionais, com tinta e papel. Corpos em estado de
decomposição significa falanges com tecidos com baixa resistência mecânica, delicadas ao manuseio, por isso
exigirão técnicas especiais de tratamento e coleta das impressões.

 Quantidade de água: Corpos mumificados, ressecados e queimados geralmente não possuem maciez necessária
para possibilitar umaa coleta de impressões, por isso, as falanges terão que ser hidratadas ou se terá que utilizar
técnicas especiais para registros como moldagens e fotografias. Por outro lado, corpos muito úmidos, como os
macerados e saponificados. A umidade excessiva das falanges impedem a boa coleta das impressões com tinta,
por isso terão que haver tratamento adequado para que esses tecidos sejam desidratados.

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As condições dos corpos e dos tecidos a serem trabalhados podem didaticamente serem divididas em 6 casos típicos:
Podemos resumi-los conforme quadro a seguir:

Normal Tecido úmido Tecido desidratado


Tecido resistente 1.Rigidez 3.Saponificado 5.Mumificados
Tecido frágil 2.Putrefato 4.Macerado 6.Carbonizado

3.2 Corpos com Rigidez Cadavérica

O corpo apresenta bom aspecto de conservação, com falanges intactas, porém com rigidez cadavérica instalada. Essas
condições, similares ao corpo com vida, favorecem a aplicação das mesmas técnicas utilizadas em pessoas com vida. Assim,
emprega-se a técnica da tinta e papel.
Entretanto, em alguns casos é necessário vencer a rigidez cadavérica e o enrugamento da pele nos desenhos digitais.
A rigidez cadavérica dificulta a movimentação das mãos e dedos do cadáver para a coleta, enquanto que as rugas alteram
qualidade da impressão.

3.3 Corpos Putrefatos

Se caracteriza por tecidos moles, forte odor, já com luvas epidérmicas soltas. Normalmente a putrefação é resultado
de vários fatores biológicos como bactérias, fungos ou fermentação.
As condições do tecido implica no manuseio cuidadoso das falanges, recomendando-se, antes de qualquer tentativa
de coleta a fotografia de cada dedo individualmente.
Teremos que providenciar o enrijecimento do tecido.
Dependendo das condições da pele pode-se tentar algumas técnicas porém inicie por um dos dedos (o mínimo).
Verifique o resultado, se for satisfatório prosseguir. Caso o resultado não tenha sido adequado providenciar outra forma de
reprodução, ou simplesmente, fotografia direta.
Em geral não é possível a coleta das impressões com tinta, por isso ter-se-á que usar técnicas especiais, como
moldagens, coleta por micro-adesão ou simplesmente fotografia.

3.4 Falanges Saponificadas

É o estado de corpos que passam por tempo relativamente longo enterrado e em contato com umidade. Favorece a
saponificação o solo argiloso impermeável e saturado de água.
O corpo fica na sua superfície uma adipocera (gordura com aspecto seroso), e sabão, responsável pela preservação do
corpo. Em alguns casos fica com aspecto rançoso, com uma cor branca e esverdeada.

A saponificação ocorre pela reação química, por hidrólise, entre os ácidos graxos, que presentes no tecido adiposo,
que com a umidade, reage com outros produtos do corpo em decomposição de natureza básica (hidróxido de sódio ou
potássio), libera o glicerol (glicerina) e sais ácidos graxos, a adipocera.

A solução do problema consistem basicamente na retirada da oleosidade das falanges, aplicando-se em seguida a
técnica de coleta mais adequada conforme a nitidez dos desenhos digitais e resistência mecânica da pele grossa para a
coleta.

Mão e dedos saponificados (DFNSP/SENASP)

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3.5 Falanges Maceradas

Ocorre quando corpos são submetidos à água por um tempo muito longo. A pele grossa se encharca e se expande,
normalmente, se soltando a epiderme em poucas horas.
A luva epidérmica, nessas condições se expande, como uma esponja, ficando cerca de 33% maior. Neste caso,
portanto, deverá ser lembrado de se fazer o correto ajuste do tamanho da imagem, no caso de uma pesquisa no AFIS.
Entre as dificuldades a serem sanadas estão o enrugamento da pele nas falanges o que dificulta sua reprodução, e o
encharmamento por líquidos, da pele. Isso impede aderência da tinta e do pó.
As providências as serem tomadas necessitarão saber o estado de conservação do corpo e o nível de nitidez dos
desenhos papilares. A providência a ser tomada pode variar desde a desidratação dos tecidos, aplicação da técnica da
fervura, até, tão somente a fotografia direta.
Se houver luva epidérmica intacta o aproveitamento destas muito facilitará a coleta das impressões.

3.6 Falanges Mumificadas

Logo após a morte se inicia a evaporação de água do corpo, continuando durante o processo de putrefação.
Dependendo da umidade relativa do ar local o corpo apresentará uma pele com aspecto de couro duro e ressecado, porém
ainda com certa maciez que possibilita uma coleta pelos pocessos normais.
Entretanto, no caso do mumificado, os corpos em que ocorre a evaporação rápida e intensa dos tecidos impedindo a
ação microbacteriana, preservando-os. Devido ao ressecamento ocorre uma retração e endurecimento dos tecidos, o que
geralmente impede a coleta da forma comum.
Será necessária hidratação dos dedos para que seja possível a coleta.
No entanto a hidratação apresenta alguns inconvenientes: 1) É um processo demorado. Pode levar alguns dias. 2) Será
necessário mutilar o corpo, ou seja, dissecção da mão ou falanges.
Apos hidratação utiliza-se qualquer um dos processos de coleta. Se esta não for Possível ou se a viscosidade do dedo
impedir a aderência da tinta realiza-sa a fotografia com luz oblíqua.
Em locais onde a excisão não será possível a alternativa é recorrer à modelagem dos dedos ou realizar macro-
fotografia dos desenhos papilares.

3.7 Falanges Carbonizadas

Existem diversos níveis de ressecamento e de queimaduras. O grau de carbonizações e outros danos por queimaduras
geralmente ocorrem de maneira diferenciada pelo corpo. Mesmo quando o dedo é severamente danificado pela combustão
pode ser recuperado porque as impressões digitais por causa do calor as mãos tendem a fechar o punho, mantendo a ponta
dos dedos preservadas. Por isso é necessário antes avaliar as possibilidades de aplicação dos métodos de coleta tradicionais.
Apesar de ter ocorrido o incêndio muitas vezes o fogo não chega a atingir as pessoas tendo o óbito ocorrido por falta
de oxigênio ou intoxicação por fumaça.
A carbonização envolve a contaminação pela fuligem, perda de camadas superficiais e afinamento da cristas papilares.
Entretanto há casos em que a intensidade do fogo comprometem os desenhos papilares de tal forma que estes
podem ser destruídos diante do mais cuidadoso manuseio. Neste caso não há o que fazer a não ser a fotografia direta do
dedo.
Entretanto há casos que a queima pelo fogo provoca a rápida perda de líquidos, porém com os desenhos intactos,
essa situação é similar aos casos dos mumificados, requerendo, portanto, a adequada hidratação dos tecidos ou moldagem.

4. TÉCNICAS DE REABILITAÇÃO DO TEGUMENTO

Verificadas as condições do tecido aplicam-se as técnicas que deixarão os tecidos dérmicos e epidérmicos em
condições mais favoráveis para a coleta das impressões.
Dá-se prioridade a obtenção de impressões com tinta, considerando que essas terão de ser confrontadas com são
carteiras de identidade, individuais datiloscópicas e prontuários civis, cujas coletas via de regra, são obtidas pelo método
tradicional, com tinta e papel. O método ainda continua sendo o preferido devido a sua praticidade.
Para se fazer um confronto primeiro é necessário que haja compatibilidade de condições entre as partes examinadas.
Assim, o ideal que impressões questionadas e padrão tenham sido coletadas pelos mesmo método. Isso facilita o confronto.
Por essa razão primeiro se verificará a possibilidade de a coleta ser feita de for forma direta, com tinta.
Caso o método da tinta não funcione verifica-se a possibilidade de aplicar outros métodos como a microadesão ou
moldagens.
Se os outros métodos de coleta não forem viáveis ou o resultado não tiver qualidade suficiente será, então, realizada
a reabilitação dos tecidos das falanges ou palmas, conforme o caso. Após o tratamento uma nova coleta possa será feita.

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Se o tecido não permitir qualquer tipo de tratamento sem que se destrua, será então procedida a foto direta do tecido
epitelial.

Algumas técnicas de reabilitação do tecido para a coleta são:


 Água quente, flexões e Seccionamento dos tendões;
 Regeneração plástica das falanges;
 Aproveitamento de luva epidérmica;
 Enrijecimento de tecido.
 Desidratação dos tecidos;
 Hidratação dos tecidos;
 Moldagem;
 Fervura do tecido;

4.1 Água Morna, Flexões e Seccionamentos

Estas técnicas que tem objetivo diminuir a rigidez cadavérica dos membros visando facilitar a coleta das impressões.
Após o resfriamento, a rigidez é o primeiro fenômeno abiótico observável post-mortem. Nas primeiras horas se inicia
na cabeça, na região da face, mandíbula e nuca. Em seguida, após 2 ou 4 horas, se estende aos músculos do tórax e
abdômen. De 4 a 6 horas atingem os membros superiores, incluindo as mãos e dedos. Nesta ordem a rigidez vai se
instalando em todo o corpo, permanecendo por cerca de 36 horas.
A rigidez cadavérica nos membros superiores as vezes dificulta a movimentação das mãos e dedos,
conseqüentemente, interferindo no resultado da coleta das impressões.
Adaptando-se a posição do identificador em relação ao corpo, além de utilização suportes adaptados, como o uso de
pranchetas acanaladas, geralmente são suficientes para superar essas dificuldades.
No entanto, quando a dificuldade de coleta permanece, se faz necessário atenuar os da rigidez cadavérica. Para isso,
existem três opções indicadas:

a) Banho de água quente.

Xavier da Silva (citado por Chatterjee e Carvalho) recomenda imersão em água quente da mão e parte do antebraço,
por cerca de 1 minuto, seguida de flexões rápidas e continuadas, dos punhos e dedos, até que atinja a mobilidade natural.

b) Flexão das articulações

Quando a água quente não é suficiente é necessário flexionar os membros. Isso é feito forçando-se as articulações
com movimentos vigorosos, de um lado para o outro, até que haja mobilidade suficiente proceder à coleta.
Inicie flexionando as articulações na região do ombro, em seguida cotovelos, pulsos e finalmente as extremidades
digitais. Prossiga com as flexões até que haja a mobilidade das articulações suficiente para possibilitar a coleta das
impressões papilares.

c) Seccionamento dos tendões

As incisões me parece mais indicados para casos de rigidez intensa não resolvida com as flexões.
Stockis (citado por Carvalho), sugere que se faça pequenas incisões nos tendões flexores dos dedos e punhos, com um
bisturi. O procedimento é visto com uma certa reserva por Carvalho, admitindo-se que a rigidez é de origem articular e não
muscular.
Talvez por isso, tradicionalmente, o processo da flexão das articulações seja o mais utilizado e ao que parece, tem
atendido bem a necessidades da coleta.

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Flexionamento das articulações dos ombros (Dultra) dos cotovelos

dos punhos e finalmente ds dedos (Dultra)

4.2 Regeneração Plástica das Falanges

Muito freqüentemente surgem enrugamentos na polpa digital prejudicando a coleta das impressões. Neste caso é
necessário fazer com que a pele se expanda a até que os vincos e rugas desapareçam.
A técnica mais conhecida, para isso, é chamada de regeneração plástica da extremidade digital, que consiste na
injeção subcutânea de líquido para a distensão da polpa, fazendo-a inflar.
É necessário, antes de aplicá-la, verificar se o tecido das falanges tem resistência suficiente para que o líquido não
vaze.

Como proceder:

Inserir agulha na altura da prega interfalangiana a até o centro da polpa digital, injetando um colódio ou outro líquido
de consistência pegajosa como vaselina, parafina líquida, glicerina ou reconstituidor de tecidos, até que as rugas sejam
reduzidas, o suficiente para a coleta de impressões digitais com qualidade.
Stockis (citado por Chatterjee), recomenda usar como líquido a gelatina quente glicerinada. Misture uma parte de
gelatina por sete glicerina, aquecendo bem a mistura.

Cuidado para não espetar o próprio dedo com a agulha da seringa;

Fechar o orifício de entrada da agulha com um esparadrapo ou super cola. Deve ter o maior cuidado para não
transfixar o tecido evitando o vazamento de líquido.

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Injeção de líquido com a seringa na baixo da prega interfalngiana. (FBI).

Injetando ar:

Uma forma mais simples, recomendada por Xavier da Silva (Citado por Chatterjee), é inserir ar com a seringa de 5 cc.
Para isso, insira uma agulha bem fina, na extremidade do dedo, logo abaixo da unha, isso facilita o fechamento. Insira a
agulha até chegar à polpa digital. Cerca de 1 cc de ar injetado é suficente para produzir o efeito desejado. Após a injeção
fazer uma pequena massagem para ajudar a fechar o orifício aberto pela agulha.

4.3 Aproveitamento de Luva Epidérmica

Após a morte, inicia-se a autólise, ou seja , desagregação das células. por causa da acidificação do corpo. A putrefação
ocorre pela proliferação de germes aeróbios e anaeróbios. Visualmente a ação bacteriana é percebida pelo aparecimento de
uma mancha verde abdominal que irá se expandindo por todo corpo.
Neste estágio gorduras e músculos da pele, juntamente com os tecidos de outros órgãos, vão se desfazendo, ficando
com aspecto liquefeito. Entretanto, a camada mais externa, que tem contato direto com o ar, chamada camada córnea se
mantém preservada por um lapso de tempo maior que as demais camadas da pele. Provavelmente isso ocorre pelo fato dela
não ser irrigado por vasos sanguíneos, além de ser composta exclusivamente de queratina, o que lhe confere maior
resistência mecânica que outras camadas. Assim em certo estágio da putrefação ocorrerá naturalmente o chamado
destacamento de luvas, pelo desprendimento dessa camada das demais. A luva epidérmica mantém intacto os desenhos
digitais, palmares e plantares.
O procedimento consistirá então na coleta das impressões papilares a partir da luva epidérmica.

Se parte da luva estiver aderida Brenes (p.149) sugere a aplicação local de hidróxido de sódio (soda cáustica) de 1 a
3%, , por 10 a 20 minutos, caso não surta o resultado esperado, desprendimento terá que ser feito com um bisturi.

A) Materiais:

Material de limpeza (água e sabão), tesoura ou bisturi, álcool e material para coleta com tinta e papel, solução de
formol de 10 a 15%.

B) Procedimentos com luvas inteiras:

 Preencha a planilha;
 Verificar o estado da luva.
 Se tiver frágil será necessário endurecê-la. Para isso. Deixe a luva epidérmica imersa em formol ou alcool, por
aproximadamente 1 hora;
 Enxágüe e deixe secar.
 Verifique o estado da luva novamente.
 Recorte a luva epidérmica de cada dedo, na altura da 1ª ou 2ª falange;
 Calce no próprio dedo do identificador;
 Faça o entintamento e colete a impressão pelo processo convencional;

Observação:

Proceda com cada dedo individualmente para que não haja trocas. Colete pelo menos 3 vias.

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Recebendo o corpo (Dultra) Separando e verificando condições das luvas.

Fazer limpeza e secagem Recortar da luva epidérmica

calçar no dedo do identificado) Entintamento da luva epidérmica.

Conferindo o entintamento foi completo Obtendo a impressão no papel

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individuais (Dultra)

B) Procedimentos com luvas fragmentadas:

Quando parte da luva epidérmica ainda está aderida e ao serem destacadas saem fragmentadas, porém com os
desenhos digitais intactos.
Se isso ocorrer fixe o pedaço da luva epidérmica na luva cirúrgica do operador com esparadrapo e faça a coleta do
desenho digital pelo processo convencional.

Retirada da luva fragmentada (Dultra) Fixação com esparadrapo e

Coleta a partir do fragmento de pele Retirado final (Dultra)

4.4 Enrijecimento dos Tecidos

Tratamento mais comumente aplicada em corpos putrefatos, onde o manuseio irá destruí-los, o que torna
impraticável a coleta das impressões papilares.
A primeira coisa a fazer antes do manuseio é a fotografia da pele, mostrando os desenhos papilares. Esta providência
poderá ser o único meio de confronto, caso as cristas se desfaçam durante o manuseio.
Esse a tratamento irá dar maior firmeza ao tecido, possibilitando, assim, a coleta das impressões. Mas também se
torna quebradiço o que pode igualmente comprometer o trabalho final.
O tratamento é realizado como uma solução de formol diluído de 10% e 15%, em água. Entretanto, se o formol ficar
em contato com a peça por muito tempo isso tornará o tecido firme frágil e quebradiço. Por esse motivo, o processo deverá
ser supervisionado constantemente, para que o material fique em contato com a solução tempo suficiente para que fique
mais consistente para a coleta.
Geralmente uma hora de exposição é suficiente para que os tecidos fiquem com a resistência necessária para a coleta
das impressões (FBI).

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Chatterjee, alerta para não preservar as falanges em formol ou álcool, após a coleta uma vez que tais produtos
endurecerão os tecidos, o que dificultará muito o trabalho, caso necessite de novas coletas.
Uma alternativa é elaborar uma mistura em parte iguais de Fenol, Álcool e Glicerina, como meio conservante dessas
falanges. O Fenol age como forte desinfetante, sem nenhuma atuação de enrijecimento do tecido. O Álcool mantém a
desidratação do tecido e a Glicerina serve como meio de dispersão. Essa mistura além de ser um bom preservante, mantém
os tecidos flexíveis e macios. (Chapel, citado por Chatterjee).

Cuidado: Precaver-se do contato com a substância utilizando os meios recomendados na ficha do produto.
Este produto, em concentrações acima do previsto é considerado perigoso à saúde.

4.5 Desidratação dos Tecidos

Para em corpos macerados e casos similares. Há necessidade de retirar o excesso de liquido das falanges para
execução da coleta.

A desidratação do tecidos se dá:


 Para conferir mais resistência à pele em estado de decomposição;
 Para possibilitar a aderência da tinta;
 Retornar a pele à sua dimensão original.

Procedimento:

O processo mais simples é apresentado por Dultra, que recomenda deixar o tecido imerso em álcool a 70%, em média
por 30 minutos. Muitas vezes é suficiente, para o caso de luvas epidérmicas.
Outros produtos são sugeridos como, Brenes recomenda deixar a pele imersa em solução de formol a 15% , por cerca
duas horas.
A desidratação excessiva, quando o tecido já está muito putrefeito, reduz o relevo das cristas papilares, o que pode
dificultar a coleta das impressões. Por essa razão o tempo de imersão deverá ser suficiente para obter o efeito desejado.

4.6 Hidratação dos Tecidos

É o procedimento recomendado em caso de corpos mumificados, carbonizados, ou casos similares de ressecamento


do tecido epitelial. O seu objetivo é intumescer as falanges e amolecer os tecidos de modo a facilitar a qualidade da coleta
das impressões papilares do cadáver.

Excisão dos dedos

Essa é realizada para possibilitar a hidratação dos dedos individualmente, tarefa que pode levar alguns dias.
Outra vantagem é com os dedos ou mãos excisados, o papiloscopista fica livre de ter que lidar com o corpo inteiro.
No entanto, em alguns locais, há restrições de que isso seja feito por um médico legista ou sob sua supervisão. Se isso
acontecer, solicite que o médico providencie essas excisões e, se possível, acompanhe o procedimento para que possa ser
feito da melhor forma possível em proveito das coletas das impressões quês serão obtidas das falanges posteriormente.
A dissecção é feita altura das juntas, entre a primeira e segunda falange. O polegar, é exceção, já que a retirada se faz
abaixo da primeira falange.
Os dedos devem ser retirados depositados, um a um, em recipientes plásticos previamente rotulados. Todo o cuidado
e atenção é fundamental para que não haja troca de dedos.
Após cerca de três horas de hidratação verifique o estado dos tecidos, faça a experiência da coleta. Se o resultado for
ruim deixe por mais tempo. Repita o processo até que a coleta esteja boa qualidade

Procedimentos:

Limpar e verificar a possibilidade de retirar as luvas epidérmicas, inteira ou fragmentada.


Verificar a possibilidade de fazer
Fazer a imersão do tecido em uma solução com água destilada misturada com glicerina. Em torno de 24 horas em
imersão são suficientes para que o tecido adquira ao seu estado normal.
A glicerina é um liquido viscoso, inodoro, incolor e higroscópico. Possui propriedade umectantes, ou seja, aumenta a
umidade da pele e a torna mais resistente. É reconhecido como segura para consumo humano, portanto não provoca riscos
à saúde do profissional ao manuseá-la.

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Outros processos:

Para a mesma situação Brenes recomenda, para o caso de dedos duros e enrugados o emprego o uso de substâncias
básica - HIDRÓXIDO DE SÓDIO (soda cáustica) ou HIDRÓXIDO DE POTÁSSIO (potassa cáustica), ambas de 1 a 3%, em água.
(FBI).

Cuidado: Há que considerar o potencial risco a saúde na manipulação desses químicos. Tratam de produtos
altamente corrosivos. A exposição a tais produtos, na sua composição pura, podem causar de úlceras, queimaduras e
cegueira. Consulte sempre as FISPQ – Fichas de Informações de Segurança dos Produtos Químicos, antes da manipulação de
um novo produto.
Sugestão prática é utilizada por Dultra, que recomenda uso para esses casos do detergente caseiro, desses vendidos
nas casas comerciais, pois na sua fórmula consta a substância hidróxido de sódio, já pronta, na proporção requerida, de 3%.
Esses produtos dissolvem as gorduras. Isso significa que dependendo da concentração e tempo de exposição o dedo
irá murchar, fazendo surgir enrugamentos na pele. Tal inconveniente é corrigido com a injeção subcutânea. Mas antes é
preciso verificar se o epitélio possui resistência suficiente para se proceder a uma coleta.
As gorduras soltas também podem impedir a coleta. Assim, será necessário o enxágue com água.
Se a pele ficar muito mole e flácida a falange pode ser imersa em álcool ou formol por alguns minutos. Isso a tornará
mais firme.
Barberá sugere a hidratação com uma solução de crescente de amoníaco e em água, por 5 dias iniciando em 50%,
logo 60%, 70%, 80% e 90%. Porém há que considerar o efeito corrosivo do amoníaco sobre o tecido quando em exposição
prolongada, portanto esse procedimento é desaconselhável se os tecidos se encontram muito frágeis.
Schimidt e outros, em 1994, da Universidade de Indianápolis, Estados Unidos, relata, em um caso de corpo com
membros mumificados, a utilização da fórmula composta de 10 gramas de carbonato de sódio (Na2CO3); 316 ml de etanol
(álcool puro); 684 ml de água destilada. Ou seja, 1% de carbonato de sódio, dissolvido em 68,4% de água, acrescidos de
31,6% de álcool. Esta formulação é a mesma empregada por Ruffer e Walker, na hidratação de tecidos de múmias egípcias,
com diferença estes utilizaram a composição de 5% de carbonato de sódio. Após a imersão por 24 horas de imersão os
tecidos se tornaram flexíveis e macios, condições adequadas para a coleta de datilogramas.

4.7 Moldagem do Desenho Papilar

Em países, como Europa e Estados Unidos, é a técnica preferida, por se relativamente rápida e pouco invasiva ao
corpo.
O método se destaca por ser fácil aplicação e de bons resultados.

Entre as vantagens da moldagem destacam-se:

1 – Evita-se mutilações;
2 – Evita contato e infecções;
3 – Evita ter que lidar com produtos químicos;
4 – Os resultados são mais rápidos.

Muitas vezes os tecidos estão demasiado frágeis para receber hidratações ou injeções de intumescimento.
Principalmente nessas situações é recomendado utilizar a técnica da moldagem e fotografia desses dedos.
O exame de confronto papiloscópico poderá ser realizado diretamente nos moldes, nas impressões ou fotografias
obtidas deles.
A modelagem é recomendada especialmente no caso de corpos mumificados ou carbonizados, quando dedos estão
inteiros porém totalmente endurecidos, impossibilitando, assim a coleta com tinta ou pó. Neste caso poderá haver excisão.

Moldagem com materiais especiais.

Existem materiais similares aos utilizados em odontologia. É o caso do Accutrans™, produto a base de silicone, nas
cores preto, branco, marron, e transparente. Possui diversos aplicadores conforme a largura da superfície. Possui dois
volumes: Um principal e um catalisador.
O mesmo princípio funciona o Mikrosil™. Tratam-se de materiais importados mas que são vendidos comercialmente
por representantes no Brasil.

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Aplicador accutrans (Arrowed Forensics) Demonstração de resultados (Arrowed Forensics)

Moldagem com cola de PVA

O mesmo trabalho pode ser feito com a cola de PVA. A cola tem que ser grossa, do tipo aplicado utilizado para.colar
madeira.
Sua vantagem é ser de fácil aquisição dos materiais. Entretanto, sua secagem é demorada podem levar mais de 40
minutos, se as partes não estiverem secas suficientemente.

O processo:

1 - Aplique um pó branco com um pincel sobre a pele, na região do desenho digital, com um pincel. Passe com
bastante força para atingir os sulcos, com o pó. Outra alternativa é aplica óleo fino.
2 - Passe tinta preta, de coleta, de forma bem leve de forma que atinja somente as cristas papilares.
3 – Aplique uma camada de cola, com uma espátula ou trincha. Verifique se não ficaram bolhas. Elas devem ser
removidas.
4 – Aguarde cerca de 30 ou 40 minutos e remova a película de PVA.
5 – Ela ficará curva, então procure torná-la plana. Ponha sob uma película transparente para proteger.
6 – Anote o número do corpo e do dedo.

Dedo natural entintado(Clemil Araujo) Cola de PVA aplicada

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Cola apos secagem, 40 minutos depois da aplicação

Pós preto oxido Aplicação de pós sobre o molde de PVA

Retirada do excesso Com algodão umedecido

Resultado final apos limpeza. (Clemil Araujo)

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Modelagem de dedos mumificados:

À esquerda, um exemplo de deformação da polpa digital devido à mumificação. À esquerda, modelagem da falange. (Cataneo)

Retirada do molde

À esquerda, uma impressão obtida. À direita a impressão ante-mortem do desaparecido. (Cataneo)

Coleta sobre a luva de látex:

Essa técnica é uma variação da técnica de moldagem e da tinta.


Nos casos de dedos mumificados, a técnica da tinta e papel, não funciona, pela falta de maleabilidade.
O problema fica resolvido quando, no lugar do papel, utilizamos uma superfície que se amolde a conformação do
dedo, por exemplo o látex.
Sua vantagem principal é a obtenção rápida da impressão, possibilitando a sua análise de qualidade no ato da coleta.
Por esse motivo método se torna bastante recomendado no caso de identificação de vitimas de desastres, quando há grande
volume de corpos a identificar.
Entretanto o método não pode ser empregado se os dedos estiverem enrugados. Nestes casos terá que se aplicar
técnicas de hidratação do tecido e injeções, cujo resultado é mais demorado.

a) Material

 Luvas de látex
 Superfície macia ou acolchoada;
 Material de coleta de impressões;
 Caneta ou pincel atômico;
 Tesoura;
 Sacos plásticos pequenos;

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b) Procedimento:

 Calçar uma luva extra na mão esquerda especialmente para receber a impressão;
 Proceda ao método da tinta normalmente;
 No ato da coleta, deposite a impressão do dedo sob a luva de látex extra na regiões tênar ou hipotênar da palma
do próprio identificador. Outra alternativa é utilização de uma superfície de espuma capaz de fazer a moldagem do
dedo;
 O trabalho será facilitado se feito com dois papiloscopistas;
 Retire a luva; selecione as impressões com melhor qualidade;
 Identifique imediatamente o número do dedo e o do corpo;
 Recorte-as e deposites em sacos transparentes devidamente identificados.
 Proceda da mesma forma com todos os dedos restantes.

4.8 Fervura do Tecido (Boiling Technique)

A técnica da fervura é recomendada pela Interpol e FBI. Indicada especialmente para os casos de cadáveres na fase
coliquativa e que não é mais possível utilizar a luva epidérmica do cadáver (figura). A técnica, portanto, é aplicada na derme
especialmente em caso de corpos macerados.
Apos longo tempo imersos em água, 7 dias ou mais, as cristas papilares viram uma massa homogênea sem
possibilidade de discernimento de linhas. O Choque térmico produz uma espécie de intumescimento provisório da pele, que
dura cerca de 3 a 5 minutos, suficiente para se realizar a coleta das impressões.
Devido ao estado delicado das cristas recomenda-se utilizar na coleta, o método da micro-adesão.

Corpo e Mãos maceradas (Uhle)

Limpeza Água fervente

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Aplicação da água Resultado final (Uhle)

a) Material

 Panela elétrica ou comum


 Resistência de aquecimento ou fogão a gás.
 Lupa
 Material de limpeza (O álcool isopropílico, sabão, esponja, água de torneira
 Toalhas descartáveis);
 Material para coleta de impressões digitais ou palmares.
 Fita transparente ou folhas de transparência

b) Procedimentos:

 Faça as fotografias necessárias antes de aplicar a técnica para não o caso da técnica não funcionar.
 Inspecione as condições da pele grossa responsável pelas impressões papilares;
 Limpe retirando possíveis resíduos com esponja, água morna e detergente;
 Aqueça água em uma panela. A quantidade de água deve ser suficiente para mergulhar a mão sem transbordar.
 Quando a começar a ferver, retire a panela de água fervente posicionando-a atrás da cabeça do cadáver.
 Posicione ao lado do cadáver próximo a cabeça. Levante a mão do cadáver para cima até que esteja atrás da
cabeça e dentro da panela quente.
 Deixe a mão na panela de água por 5 a 10 segundos. Observe se as linhas papilares estão visíveis, caso esteja
enxugue e faça a coleta e do contrário repita o procedimento.

5. MÉTODOS DE COLETA DE IMPRESSÕES PAPILARES

Apés a preparação tissular diferentes métodos poderão ser utilizados para o registro dos desenhos papilares para
identificação. O registros se faz ou por coleta de impressoes ou por meio de foto.

5.1 Coleta Pelo Método da Tinta E Papel

Sempre que as condições do corpo permitam, o método da tinta é a primeira opção. É ainda o mais utilizado, nos
órgãos de Identificação oficial do Brasil.
Seguir orientações contidas nos Procedimentos Operacionais Padrão para coleta com tinta para vivos e
Procedimentos de Necropapiloscopia da Sensp/Mj.

Seguem as Orientações:

 Coletar pelo método tradicional (da tinta e papel) quando os corpos estiverem conservados ou quando, apesar de
estarem em condições especiais, for ainda possível a coleta com qualidade por esse método;
 Preencher a planilha datiloscópica com os dados disponíveis, certificando-se se o número do corpo foi o mesmo do
registrado na placa de identificação durante a fotografia;
 Coletar as individuais datiloscópicas em quantidade suficiente de modo a disponibilizar pelo menos uma original
para: o posto local; o Instituto de Identificação da Unidade da Federação e outras possíveis Unidades da Federação
ou a Polícia Federal e outros, conforme a necessidade;

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 Coletar impressões palmares e plantares no caso da possibilidade de obtenção dessas impressões Ante Mortem
para confronto (exemplos: ficha palmar criminal, fragmentos plantares revelados em locais de residência dos
desaparecidos);*
 Coletar, além das digitais, as impressões palmares e plantares, quando se tratar de estrangeiros, em face da
possibilidade de envio dessas impressões a outros países e para a Interpol;
 Verificar a qualidade das impressões obtidas;
 Realizar a etapa de procedimentos especiais se o material coletado não apresentar qualidade suficiente para o
confronto;
 Descartar o material utilizado em lixeiras apropriadas e fazer a limpeza e a desinfecção do material não
descartável. (POP Necro/Senap).

5.2 Método da Micro-Adesão ( Pó e Pincel)

O método da micro-adesão foi relatado por Príncipe e Verbeque para ser utilizado quando o método da tinta e papel
não funcionam de forma satisfatória.
O método se iniciou no Brasil nos anos de 1990.

Vantagens do processo:

1 – Melhor resultado quando os corpos estão em estado avançado de decomposição;


2 – Melhores resultados em coleta da derme e parte interna de luva epidérmica;
3 - Os pontos característicos são mais pronunciados e tem maior nitidez;
4 – Possibilita cobrir mais facilmente todo o desenho digital;
5 – Possibilita fácil substituição no caso de erros na coleta algum dedo;
6 – Melhor resultado em peles finas finas ou desgastadas;
7 – Melhor resultado para nas impressões de crianças.

Recomendações da SENASP:

Realizar a coleta pelo método da micro-adesão nas falanges em que o método com tinta não surtiu o resultado
esperado;
Preparar o material para a coleta: pó preto, pincel, fitas adesivas transparente, etc.;
- Aplicar o pó com o pincel e decalcar com a fita o desenho digital de cada falange;
- O datilograma deverá ser fixado na planilha datiloscópica no espaço correspondente ao seu quirodáctilo;
- Após a colagem dos datilogramas na planilha esta deve ser protegida da poeira e da sujeira, o que poderá ser feito
com um invólucro transparente.
O mesmo procedimento é realizado com as palmas e plantas dos pés. (POP de Necropapiloscopia)

Material:

1 – pó de carvão ou grafite; 2-pinceis de fibras delicadas; 3- Etiquetas adesivas de fundo branco, 4 - fita transparente.

Procedimento:
 Limpar os dedos
 Passar o pó de carvão nos dedos da mão direita. Use um pincel ou pedaço de algodão;
 Retire o excesso do pó;
 Aplique etiqueta adesiva cobrindo toda a polpa digital;
 Retire a etiqueta.
 Posteriormente coletados em uma etiqueta adesiva, pelo procedimento de coleta rolada ou rodada.

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Limpeza dos dedos (DFNSP/Senasp) Impregnação do pincel

Aplicação do pó (DFNSP/Senasp) Transferência para fita adesiva (Uhle)

Proteção das impressões Coletadas

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Montagem das impressões Coletadas

Seleção das melhores e ajuste de coletas anteriores (DFNSP/SENASP)

REFERÊNCIAS

Araújo, C J – Identificação Neonatal - Revista Impressões, nº 02, pag. 24 a 28 – INI/DPF - Abril de 1999;
Araújo, C J, Identificação Papiloscópica, MJ-SENASP, 2000;
Barberá, F A e Turégano, J V de L y – Policía Científica – 3 Edicao – 1998 – Valencia – Espanha;
Carvalho, H. VEIGA de – Manual de Técnica Tanatológica – Ed. Tipografia Rosolillo. São Paulo. 1950;
Cattaneo, Cristina e Marco Grandi – Antropologia e Odontologia Forense - Guida Allo Studio Di Resti Umani. Milão – Itália.
Monduzzi Editore. 2004;
Dultra, Marco Aurélio Luz Dultra – Manual de Necropapiloscopia – DPT/BA – 2009;
Identificação Do Distrito Federal, Instituto Nacional De – Manual de identificação papiloscópica, II/DF - 2005;
Identificação, Instituto Nacional De – Manual de identificação papiloscópica, – DPF/DF - 1987;
Kehdy, Carlos, Elementos de Datiloscopia, Edições e Publicações Brasil, publicado em 1957;
Morais, Jurema A. P. – Apostila de Perícia Necropapiloscópica, 2003.

PESQUISAS A SITES DE INTERNET:


http://pt.wikipedia.org/wiki/Anexo:Lista_dos_maiores_desastres_naturais
http://pt.wikipedia.org/wiki/Resiliência_(psicologia);
http://appes.com.br/portal/curiosidades/547-identificacao-cadaverica.html;

Fotos obtidas de DPT/BA; SENASP; DPF e IAI.

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