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Óleos Essenciais traz a tona o que temos de mais empolgante no Brasil - a
Óleos Essenciais traz a tona o que temos de mais
empolgante no Brasil - a sua riqueza aromática, a maior
do planeta. O livro é uma jornada multisensorial sobre os
óleos essenciais, que são os aromas verdes produzidos
pelas nossas plantas. Partindo do conhecimento do olfato e
a importância ecológica dos óleos essenciais, o livro
detalha como são produzidos os óleos essenciais pelas
principais plantas, posteriormente extraídos por nós e
podem ser utilizados de forma fantástica, mas segura, na
culinária, cosmética e na saúde. Óleos Essenciais traz ao
leitor diversas receitas simples e várias dicas de utilização.
Diversas fotos do livro foram aromatizadas com os próprios
óleos essenciais, dando uma dimensão inédita
ao leitor - a de poder cheirar, tocar, ver e sonhar.
inédita ao leitor - a de poder cheirar, tocar, ver e sonhar. Luiz Grossman receitas de

Luiz Grossman

receitas de

Gabriel Zitune Sandra Januário

inédita ao leitor - a de poder cheirar, tocar, ver e sonhar. Luiz Grossman receitas de

Luiz Grossman

Luiz Grossman receitas de Gabriel Zitune Sandra Januário

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Gabriel Zitune Sandra Januário

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Luiz Grossman

Engenheiro agrônomo, juntamente com minha esposa Janice, também agrônoma, no início da década de 90 iniciamos o cultivo de ervas aromáticas no nosso sítio. Em 2003, tivemos a sorte de poder transformar nossa fonte de prazer em negócio, fundando a Garden City, empresa voltada à exploração sustentável daquilo que temos de mais abundante e maravilhoso no país – a nossa biodiversidade, competitividade agrícola e riqueza aromática incontestável. A Garden City desde então trabalha com o plantio

e extração de óleos essenciais.

A Garden City resultou de uma idéia inédita, baseada num novo

paradigma – partimos do princípio que é mais fácil mover a fábrica do que baldear a produção agrícola. A destilaria, que extrai os óleos essenciais, foi projetada e construída sobre uma carreta de caminhão. Com isso evitamos perdas de rendimento e qualidade no transporte das matérias-primas, e pudemos alcançar várias safras agrícolas em diversas regiões do país e épocas do ano, neste caso podendo extrair óleos essenciais que um único micro-clima ou região não conseguiria prover. O controle de qualidade final dos óleos essenciais é efetuado na unidade de Ibiúna, em São Paulo, onde os óleos são processados,

envasados e analisados quanto às suas propriedades físicas e químicas

e atendimento às normas e regulamentos alimentares.

Eu dedico este livro, Aos meus pais, Pierre e Camille que são responsáveis pela minha paixão por livros, plantas e aromas.

À minha esposa, Janice, que com muito entusiasmo dividiu esse projeto comigo. Aos meus filhos, Laura e Marcel que aprenderam a amar e a respeitar

a natureza.

Luiz Grossman

Gabriel Zitune

Desde tenra idade, mesmo não alcançando a mesa, necessitando de

um banquinho para conquistar um campo de visão, não se deixava abater ou vencer. Tudo para acessar e explorar as panelas, os temperos, o calor do fogão

e mesmo a faca afiada.

Sempre pensando em misturar coisas, gerar cores e criar aromas ainda mais cativantes.

Assim Gabriel, o mago, decidiu há muito dominar os sabores para desafiar o paladar inesgotável.

E das experiências loucas e felizes, as comidas nasceram com as mais belas formas, tonalidades, cheiros e gostos.

Os anos incessantes de químicas calóricas ganharam espaço, fama e

admiração, a ponto de converter a sala de jantar de Gabriel no palco

dos melhores e mais agradáveis momentos de sua família.

E com a família vieram os amigos, com os amigos os admiradores e

com os admiradores vieram todos os curiosos ávidos em saborear

as delicias que, impreterivelmente, acabam deixando lembranças

perpétuas aos que degustam as nozes, a canela, o doce-azedo e tantas outras sensações que invadem e tomam não apenas o corpo

mas igualmente a alma.

O livro, portanto, revela um pouco dos segredos de Gabriel e

democratiza o acesso ao prazer, conferindo ao leitor uma oportunidade sem igual para gozar da boa comida, esta base indispensável da felicidade de qualquer lar.

Sandra Januário Formada em Matemática, com especialização na área de Análise de Sistemas onde atuei

Sandra Januário

Formada em Matemática, com especialização na área de Análise de Sistemas onde atuei por cerca de 10 anos. Em 1995 comecei a estudar com maior profundidade os Óleos Essenciais, desde então conheci uma grande paixão, os aromas.

Hoje atuo como aromaterapeuta e terapeuta floral, ministro palestras

e cursos sobre aromaterapia.

Agradeço ao Luiz e Janice Grossman pela oportunidade de

participação neste livro. Aos meus pais pela luz da vida. Ao meu esposo, Nelson, que sempre foi o maior incentivador do meu trabalho.

À minha filha, Ieda, que aprendeu a amar os aromas tanto quanto eu.

Sandra Januário

Agradecemos a todos os voluntários que cederam um pouco do bem mais precioso que possuimos: o tempo

Ary Diesendruk, fotografia Carlos Andreotti, tratamento de imagens e produção gráfica Cristina Galhardo, revisão do texto Ernesto Lippmann, apoio jurídico Estela Lerner, revisão do texto Gabriel Zitune, autoria Ivo Minkovicius, projeto gráfico Ivson Luiz Carneiro Miranda, fotografia Janice Grossman, pesquisa e apoio técnico Luiz Grossman, autoria Raquel (Unibes), revisão do texto Sandra Januário, autoria Simon Widman, revisão do texto Tatiane Zitune Chiouhami, evento

Nossos

agradecimentos:

Ariberto Venturini Dan Snitcovsky / Olga Madeiras Ceramittá Glyn Mara Figueira e Pedro Melillo de Magalhães/ CPQBA / UNICAMP Hideko Honma / Atelier Hideko Honma Laurent Serrigny / Horta em Casa Luiz Armando Figueiredo Jr. / Citrovita Masami Yoshizune Maurício Vieira Domingues Nilson Maia e Odair Obovi / Instituto Agronômico de Campinas Secretaria do Estado da Cultura de São Paulo Stefano Dranca Wanderley M. Miyata

A proposta deste livro Depois de um amplo levantamento bibliográfico localizamos cerca de 250 plantas

A proposta deste livro

Depois de um amplo levantamento bibliográfico localizamos cerca de 250 plantas com potencial para produção de óleos essenciais no Brasil, fazendo com que sejamos sem sombra de dúvida a mais promissora fonte de fragrâncias e de aromas naturais no mundo, no século 21. Deste amplo leque inicial foram selecionadas cerca de 30 plantas que atenderam a alguns critérios: as plantas deveriam ser cultivadas no Brasil, não sendo resultado de extrativismo. Algumas plantas, como no caso das frutíferas, foram inseridas no livro pelo seu potencial aromático fantástico, ainda que pouco se saiba sobre suas aplicações terapêuticas e segurança de uso. Plantas muito interessantes, tanto do ponto de vista aromático ou terapêutico, tais como a lavanda, tea tree e outras, foram deixadas fora deste texto, não porque fossem desinteressantes, mas por além de existir muita literatura mundialmente disponível sobre as mesmas, elas não atendiam a algum dos critérios básicos que nortearam o livro. Sempre que possível procuramos destacar as informações básicas

sobre a origem das plantas adotadas, suas propriedades aromáticas e terapêuticas para uso seguro e demos exemplos de como podemos adotar esses óleos no nosso dia-a-dia com receitas culinárias ou cosméticas. Seguindo a tradição holliwoodiana, que diz que é melhor não contar toda a estória em um único episódio, decidimos deixar de lado algumas plantas para o, quem sabe, volume II no futuro. Mais importante que o nosso texto, são as atividades filantrópicas da UNIBES, cujo trabalho permite indicar uma luz no final do túnel para centenas de adolecentes carentes, com educação, saúde e perspectiva de futuro, em São Paulo. Todos que trabalharam neste projeto, o fizeram de forma voluntária. Agradecemos aqui o empenho de todos, bem como aos leitores que além de dividir conosco o prazer sobre aromas de plantas, compartilharam também o apoio ao andamento dos projetos da Unibes. A total arrecadação da venda desta edição do livro é destinada aos projetos assistenciais oferecidos e mantidos pela Unibes.

arrecadação da venda desta edição do livro é destinada aos projetos assistenciais oferecidos e mantidos pela
Unibes, uma história de dedicação e solidariedade A história da Unibes começa bem antes de

Unibes, uma história de dedicação e solidariedade

A história da Unibes começa bem antes de

sua fundação, em 1976. Sua origem se situa mais precisamente nos anos de 1915 e 1916, com a criação da Sociedade Beneficente das Damas

Israelitas e, no ano seguinte, da Sociedade Be- neficente Amigos dos Pobres Ezra, as primeiras entidades assistenciais dos judeus em São Pau- lo. Na época, estava em pleno curso a Primeira Guerra Mundial e o número de imigrantes ju- deus que chegavam a São Paulo começou a au- mentar, dando início à formação de uma peque- na comunidade na cidade.

A Unibes é a soma de pelo menos sete dife-

rentes entidades que foram se constituindo ao longo do século XX. Além da Sociedade das Da- mas Israelitas, da Ezra e do Sanatório Ezra para tuberculosos, fazem parte dessa história de de- dicação e solidariedade a Sociedade Pró-Imigran-

te, a Policlínica Linath Hatzedek, o Lar da Crian- ça das Damas Israelitas, a Gota de Leite da B´nai B´rith e a Ofidas.

A Unibes é, de certa forma, a continuidade

de cada uma dessas entidades, cada qual com a sua missão específica. A sede da Unibes, à rua Rodolfo Miranda, situa-se nos prédios – depois

remodelados – onde funcionaram a Ofidas e a Policlínica. Quem visitar a creche da Unibes, na rua Jorge Velho, no bairro do Bom Retiro, vai certamente notar uma porta de madeira bem antiga logo à entrada. A porta maciça – bonita e acolhedora – e o casarão cuidadosamente con- servado são dois entre os muitos sinais que sim- bolizam a filosofia de uma entidade que une em total harmonia a tradição e renovação. A pre- servação dos valores fundamentais com a per- manente adequação às necessidades da popu- lação que dela necessita. Dentre os diversos projetos assistenciais mantidos pela entidade, a Unibes dispõe da Área da Criança e do Adolescente, oferecendo hoje cursos de Capacitação Profissional - em parce- ria com a Associação GMK de Assistência - de rotinas de escritório, webdesign, hotelaria e aten- dimento em cinema a 530 adolescentes caren- tes com idades entre 16 e 18 anos, que estejam freqüentando o ensino formal. Atenta às difi- culdades de inserção no mercado de trabalho, a instituição tem estabelecido com sucesso diver- sas parcerias com empresas privadas, auxilian- do os jovens a conseguir o primeiro emprego.

Outra frente de atuação é o Núcleo Sócio- Educativo, voltado à complementação escolar e que

Outra frente de atuação é o Núcleo Sócio- Educativo, voltado à complementação escolar e que desenvolve oficinas artísticas, culturais e esportivas e congrega 540 jovens, de 6 a 15 anos. Um projeto importante para as famílias de baixa renda, o Centro de Educação Infantil Betty Lafer, proporciona atendimento integral a 180 crian- ças em regime de semi-internato – social, edu- cacional, psicológico, odontológico e alimentar – na faixa de dois anos e meio a seis anos e onze meses, que moram ou têm pais que trabalham na região do Bom Retiro, onde está localizado. Mais do que simplesmente mantê-las, os pro- fissionais e voluntários da creche trabalham as potencialidades dos pequenos, estimulando a au- tonomia e a capacidade de resolver problemas. A programação é estendida às famílias por meio de convênios com a Prefeitura da cidade de São Paulo.

Outro braço forte da Unibes é o Departamen- to de Serviço Social Marcia Nigri que tem, na atualidade, 1.600 famílias da comunidade judaica matriculadas, resultando cerca de 6 mil pessoas atendidas por ano. Os cadastrados contam com um leque de variedades de serviços oferecidos, que envolve desde o suprimento das necessida- des básicas como atividades de lazer e culturais. Em 2005, a Unibes completa noventa anos de existência. Não é qualquer entidade que che- ga “nesta idade” tão em forma: elaborando a cada ano uma nova “receita” para enriquecer ainda mais o “cardápio” voltado à promoção so- cial e humana. Aproveitamos para convidar todos os inte- ressados a conhecer ou fazer uma visita a nossa instituição e a comemorar conosco este históri- co aniversário!

inte- ressados a conhecer ou fazer uma visita a nossa instituição e a comemorar conosco este
Prefácio Laurent Suaudeau Chef Quando o Luiz me chamou para participar na elaboração do prefácio

Prefácio

Laurent Suaudeau

Chef

Quando o Luiz me chamou para participar na elaboração do prefácio da sua obra

escrita sobre o desenvolvimento dos óleos essenciais, eu fiquei muito entusiasmado

para ajudar a desmistificar o uso dos óleos essenciais na gastronomia.

Em se tratando de um produto natural, eu vejo com bons olhos, o cozinheiro usar

de forma racional óleos essenciais na preparação de algumas iguarias culinárias.

Eu gostaria de citar um botânico e cientista do século XIX, Joseph Roques,

autor de um tratado sobre as plantas de uso especialmente aplicadas na medicina

doméstica e no regime alimentar, que falava que se deveria “agradar os grandes

cozinheiros, amáveis artistas, que possuem uma mão inteligente, sabendo cuidar

e manipular as especiarias, homens preciosos que andam na liderança da civilização”.

Portanto, toda evolução e utilização sensoriais de produtos de origem frutíferas

e herbáceas, podem ser melhores aproveitadas na cozinha. É importante o cozinheiro

de amanhã, ter um conhecimento mais profundo dos efeitos e do conteúdo

terapêutico das ervas, das especiarias, das frutas e legumes existentes em nossa volta.

Aplicar e desenvolver este trabalho no Brasil vai do bom senso, apesar de ter

poucas pessoas com poder de decisão, de se dar conta o quanto este país é rico neste

assunto.

Nós vivemos em um laboratório botânico a céu aberto, e infelizmente muitos ainda

persistem a querer desenvolver fábricas de automóveis, sem enxergar a riqueza debaixo de

nossos pés e da natureza em nossa volta.

Política ambiental é também política alimentar.

Parabéns Luiz, Gabriel e Sandra pelo trabalho que é uma iniciativa de um ato de cidadania.

Abraço,

Laurent

Sumário
Sumário

Sumário

23 19 Prefácio   142 Tomilho   148 Erva-doce e Funcho 25 Parte I -

23

19

Prefácio

 

142

Tomilho

 

148

Erva-doce e Funcho

25 Parte I - Sobre Óleos e Plantas,

154

Endro

 

por Luiz Grossman

158

Erva-cidreira

 

162

Salsão

 

26

Uma jornada sensorial pelo olfato

166

Anis e Anis estrela

34

Óleos essenciais, os aromas verdes

170

Segurelha

40

Óleos vegetais fixos, os óleos carreadores

174

Camomila azul

 

43

Os principais óleos carreadores para uso alimentício e cosmético

 

46

Óleos essenciais e as essências artificiais

178 Especiarias e Frutas

48

Usos e Aplicações

180

Louro

 

49

Cosmética

186

Gengibre

54

Aromaterapia

192

Pimenta do reino

57

Medicina e Saúde

198

Pimenta rosa

59

Propriedades Terapêuticas

202

Alho

63

Culinária

206

Cravo da índia

 

64

Produção de óleos essenciais

210

Canela do ceilão

72

Qualidade

216

Cardamomo

76

Os componentes dos óleos essenciais

220

Pimenta jamaica

82

Metabolismo dos óleos essenciais

224

Priprioca

84

Segurança no uso e toxicologia

228

Limão e Laranja

92

Guia de utilização dos óleos essenciais

236

Goiaba

 

238

Pitanga

97 Parte II - Os Óleos Essenciais,

 

por Luiz Grossman

243

Parte III - Receitas - Os Óleos Essenciais na Culinária,

 

por Gabriel Zitune

98

Ervas Aromáticas

 
 

100

Sálvia

265

Parte IV - Receitas - Os Óleos Essenciais na Cosmética,

106

Coentro

por Sandra Januário

114

Orégano e Manjerona

118

Manjericão

285

Glossário Médico/Cosmético

124

Menta

130

Alecrim

289

Bibliografia

136

Salsa

22

285 Glossário Médico/Cosmético 124 Menta 130 Alecrim 289 Bibliografia 136 Salsa 22
Parte I Sobre Óleos e Plantas por Luiz Grossman
Parte I Sobre Óleos e Plantas por Luiz Grossman

Parte I

Sobre Óleos e Plantas

por Luiz Grossman

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Uma jornada sensorial pelo olfato
Uma
jornada
sensorial
pelo
olfato
26 Uma jornada sensorial pelo olfato 27 O olfato é ainda hoje um dos mais importantes
26 Uma jornada sensorial pelo olfato 27 O olfato é ainda hoje um dos mais importantes
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O olfato é ainda hoje um dos mais importantes segredos da bio- logia. Muito pouco se sabe sobre o seu funcionamento, ou por que nosso organismo devota tamanha importância a esse sentido. Sabe-se que cerca de 3% do nosso genoma é de- dicado ao sistema olfativo, portanto como denota o geneticista norte-americano Dean Hamer, a capacidade de cheirar deve ser tremendamente importante para nós. O único outro sistema com tamanha importância gené- tica é o imunológico, que está associado diretamente à sobrevivência da nossa espécie, ou seja, ninguém duvida da importância do sistema imunológico. Mas como explicar que o ol- fato esteja enquadrado no mesmo patamar de importância? De fato, sabemos muito pouco sobre como funciona o sistema olfa- tivo. Do que conhecemos dos outros sistemas sensoriais, não conse- guimos tampouco justificar que o olfato possa funcionar, mas é fato notório que funciona. Conseguimos detectar o odor de qualquer coisa ao nosso alcance, e isso é sempre instantâneo. Ninguém nunca precisou aprender a cheirar – o sistema ol- fativo funciona por si só. Parece pouco, mas não é. Como compara o cientista italiano Luca Turim, tomemos como exem- plo nosso sistema digestivo, que evoluiu durante milhares de anos, com a proposta básica de desmontar rapidamente uma quan- tidade grande de moléculas presentes na comida, tais como carboidratos, proteinas e lipídeos – de modo que consigamos absorver seus componentes, num tempo bastante rápido para não morrer de fome. Isso é feito instantaneamente porque temos a chave de enzimas exata para decodificar cada tipo de molécula que nosso sistema digestivo encontra pela frente. Isso só é pos- sível porque já temos uma biblioteca genética de ins- truções para reprodução imediata das enzimas certas para o tipo de alimento que estarmos digerindo. Quan- do comemos macarrão, o nosso organismo “identifica”

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que se trata de carboidratos, e passamos rapidamente a produzir enzimas no processo digestivo que possam lidar com os carboidratos. O que acontece quando comemos plástico? Nossa biblioteca genética de enzimas não sabe como di- gerir o plástico, e se essa fosse nossa única fonte de ali- mento, culminaria na nossa morte por fome. É sabido, por exemplo, que cachorros não conseguem digerir chocolate. Pela falta das enzimas que conseguem lidar com as moléculas de chocolate, os animais acabam doentes se ingerirem chocolate em quantidade. O nosso siste- ma digestivo é bastante rápido para decodificar instantaneamente os alimentos que digerimos, porém ele é somente tão bom quanto a nossa biblioteca genética de possibilidades permitir associar. Tomemos agora como exemplo o sistema imunológico. Nossos anticorpos foram projetados para lidar com qualquer novo pro- blema pela frente. Obviamente temos que enfrentar novas estirpes de vírus e bactérias a cada ano e não há como já termos as inúmeras possibilidades de anticorpos codifica- das na nossa biblioteca genética de imunologia. É por isso que leva um tempo maior, normalmente de alguns dias ou semanas, para que nosso organismo desenvolva um tipo de anticorpo capaz de combater o patógeno que nos ameaça. Ou seja, nosso sistema imunológico está preparado para improvisar e tentar inúmeras possibilidades até encontrar a chave que resolve o problema. Isso leva tempo, como já foi dito. Sabemos até agora que para processarmos rapidamente as informações ligadas a algum dos nossos sistemas, essas in- formações já deveriam estar “pré-programadas” no nosso código genético. Se as informações não foram progra- madas, podemos resolver o problema, mas isso leva tem- po. Voltemos ao sistema olfativo. Não importa qual o tipo de substância que nos ofereçam, sempre conse-

qual o tipo de substância que nos ofereçam, sempre conse- 29 guimos identificar o seu cheiro
qual o tipo de substância que nos ofereçam, sempre conse- 29 guimos identificar o seu cheiro
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guimos identificar o seu cheiro instantaneamente. É facil demons- trar que nossa biblioteca genética de aromas não foi progra- mada para lidar com todas as possibilidades de odores, pois conseguimos identificar, de pronto, mesmo cheiros de substâncias que não existem na natureza e foram criadas em laboratório, portanto são substâncias que nunca es- tiveram em contato com nosso mecanismo evolutivo, e não há como estarem incorporadas no nosso código ge- nético. Ou seja, como explicar o funcionamento do olfato, que consegue de imediato reconhecer praticamente qualquer aroma, mesmo que ele nunca tenha sido “visto” por qualquer antepassado nosso? Além de pouco entendermos do nosso senso de olfato, também o subestimamos. O aroma do produto é fundamental na nossa análise sensorial do gosto da comida. Calcula-se que 80% do sabor advém do aroma (sensibilização das celulas olfativas), ao invés do pa- ladar (sensibilização das celulas gustativas) . Isso pode ser ilustrado com o fato de que se você comer um alimento muito temperado quando atingido por forte gripe, a comida pare- ce completamente insossa. A gripe impacta diretamente o sis- tema olfativo, mas note que a inflamação das mucosas não impacta o sistema gustativo. Uma vez perguntei a um aromacologista — o profissional que estuda a ciência dos aromas, como podemos saber se um dado odor é bom para a nossa saúde. A resposta foi: “não se procupe, a mente sempre rejeita algum aroma que ela acredita não ser boa para o organismo”. Ou seja, por esta ótica conseguimos explicar por que algumas pessoas têm verdadeira aversão a alguns ti- pos de cheiro e outras não. O desafio mais importante da pesquisa em olfato é, além de tentar entender o seu funcionamento, deduzir como o senso do olfato interage com a razão e a emoção. Hoje, não há dúvidas de que

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essa relação é intensa e reciprocamente dependente. Sabe-se que seres humanos conseguem memorizar e identi- ficar cerca de 10 mil tipos de odores. Estimativas recentes calculam que possuimos cerca de 5 milhões de células ol- fativas receptoras. É o mesmo tamanho que possui um camundongo. Um rato possui cerca de 10 milhões de células, um coelho 20 milhões e certas raças de cães, até 220 milhões de receptores olfativos.

ANIMAL RECEPTORES OLFATIVOS Homem 5 milhões Camundongo 5 milhões Rato 10 milhões Cão perdigueiro 220
ANIMAL
RECEPTORES
OLFATIVOS
Homem
5
milhões
Camundongo
5
milhões
Rato
10
milhões
Cão perdigueiro
220 milhões

Muitos dos nossos genes olfativos, que controlam as células receptoras, têm cerca de 10 milhões de anos de idade, porém acredi- ta-se que não mais do que 400 estejam ativamente funcionando hoje. Nossos antepassados pré-históricos contavam muito mais com o sistema olfativo para sobrevivência do que contamos hoje. Tendemos a acreditar que seres humanos não de- pendem do senso olfativo como os animais. Mas na ver- dade, somos também muito sensíveis aos odores. Um dos problemas é que nosso posicionamento ereto, co- loca nosso nariz longe de onde boa parte dos odores

co- loca nosso nariz longe de onde boa parte dos odores 31 permanecem – as moléculas
co- loca nosso nariz longe de onde boa parte dos odores 31 permanecem – as moléculas
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permanecem – as moléculas mais pesadas, menos voláteis e mais com- plexas tendem a ficar próximas ao solo. É por isso que animais como cães e gatos, tendem a farejar o chão para capturar algum odor. Darwin, antes que se soubesse da existência de genes, teorizou que o relativamente grande córtex visual nos primatas superou o córtex olfativo, que, por sua vez, teve sua importância minimizada com o passar do tempo. Ele e outros cientistas da época concluíram que nossa posição ereta, favorecendo nosso senso visual e desfavorecendo na mes- ma magnitude nosso senso olfativo, acabou por colocar o olfato num segundo plano. Freud inclusive sugeriu que nosso bipedalismo foi o tri- unfo da visão sobre o olfato. Isso foi considerado verdade absoluta até a última década do século XX. O conceito que o sistema olfativo é im- portante, ou mesmo crucial para nossa existência, é parte do re- descobrimento deste senso. Muitos odores consistem de misturas de diferentes molécu- las, como é o caso dos óleos essenciais. Acredita-se que diferentes moléculas sensibilizam diferentes neurônios re- ceptores e o cérebro faz o cálculo: se as células F, G e Q foram sensibilizadas, então é provável que o cheiro seja de café. Você poderia imaginar que para cada diferente molécula temos um receptor definido e o memorizamos. Isso seria impossí- vel. O cérebro não faria mais nada a não ser detectar e armazenar odores. Na prática, guardamos apenas aqueles relacionados à nos- sa sobrevivência ou que estejam associados a eventos impor- tantes nas nossas vidas. Por exemplo, guardamos os chei- ros das frutas maduras, da comida pronta, da comida queimada, venenos, pessoas queridas ou parceiros se- xuais. Ainda que tenhamos habilidade em cheirar e associar o cheiro com alguma coisa pré-definida, poucas pessoas

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conseguem descrever um odor e ainda menos a memória de um odor. Tente lembrar ou descrever o cheiro de alho, da pimenta ou do seu perfume predileto. Alguns cientistas acreditam que haja uma falta de conectividade entre a parte do cérebro que trabalha os aromas daquela que envolve a razão ou que processa a linguagem – o córtex. Mas isso tem sido refutado em trabalhos recentes envolvendo tecnologia de imagem por ressonância magnética, que mapearam diversas áreas do cérebro onde houve aumento de ati- vidade após estímulos sensoriais olfativos. É mais provável que nossa educação tenha colocado o senso do olfato num segundo plano e simplesmente não fomos treinados o suficiente. Note, por exemplo, que em boa parte dos idiomas ocidentais – como o por- tuguês, espanhol e inglês - a palavra “cheiro” tanto pode representar algo agradável como sórdido. Já outras culturas - como de povos nativos da Nigéria e Camarões - possuem vocábulos específicos para descrever certos odores: um termo para o odor de cerveja produzida a partir de grãos velhos e outro usado para se referir à cerveja feita a partir de grãos novos de cevada de cor branca. A partir de agora, este livro inicia uma jornada, ten- do o seu estímulo olfativo em mente e as inúmeras oportunidades culinárias, terapêuticas ou de bem-es- tar proporcionados por essas maravilhosas misturas de aromas naturais produzidos pelas plantas e representa- dos nos óleos essenciais. Afivele o cinto de segurança e deixe o aroma das próximas páginas te envolver.

dos nos óleos essenciais. Afivele o cinto de segurança e deixe o aroma das próximas páginas
dos nos óleos essenciais. Afivele o cinto de segurança e deixe o aroma das próximas páginas

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34 Óleos essenciais, os aromas verdes 35 Muitos consideram o óleo essencial equivalente à alma da

Óleos essenciais, os aromas verdes

34 Óleos essenciais, os aromas verdes 35 Muitos consideram o óleo essencial equivalente à alma da
34 Óleos essenciais, os aromas verdes 35 Muitos consideram o óleo essencial equivalente à alma da
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Muitos consideram o óleo essencial equivalente à alma da planta - pois é exatamente a substância produzida pela planta que empres- ta o aroma e o sabor pelos quais ela é conhecida. Note que diferentemente dos azeites e óleos lipídicos (gordurosos), os óleos essenciais são produzidos em mínima quantidade e são bastante voláteis (por isso seu odor rapidamente ocupa todo o ambiente). Normalmente são necessárias várias centenas de quilogramas de plantas frescas para se produzir apenas um quilograma de óleo essencial. Isso é o mesmo que dizer que o uso de uma simples gota (ou menos) do produto, equivale aromaticamente a vários centenas de gramas da erva, o que abre inúmeras possibilidades culinárias e terapêuticas.

QUANTIDADE APROXIMADA DE PLANTA FRESCA PARA PRODUÇÃO DE 1 KG DE ÓLEO ESSENCIAL ÁREA EM
QUANTIDADE APROXIMADA DE
PLANTA FRESCA PARA PRODUÇÃO
DE 1 KG DE ÓLEO ESSENCIAL
ÁREA EM M 2 PARA
PRODUÇÃO DE 1KG
DE ÓLEO ESSENCIAL
Gengibre (raízes)
3000
kg
1500
m 2
Manjericão (folhas)
3000
kg
1500
m 2
Camomila (flores)
5000
kg
20.000 m 2
Louro (folhas)
1000
kg
1000
m 2

* valores médios, obtidos em cultivo pelo autor.

Os óleos essenciais têm constituição terpênica, e uma aparência ole- osa, por isso são assim denominados. Porém estes são completamente distintos dos tradicionais óleos vegetais, como o azeite de oliva, óleo de girassol, de soja etc. – que têm natureza glicídea, ou seja, são basicamente compostos por ácidos graxos e gorduras. Os óleos essenciais também são denominados óleos voláteis, pois na temperatura ambiente eles tendem a evaporar. Justamente por isso, percebemos o seu aroma praticamente de imedi- ato. Como um contraponto, os óleos gordurosos vegetais também são denominados fixos, por não volatilizarem à temperatura ambiente.

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O óleo essencial assume diferentes papéis, principalmente em fun- ção do órgão da planta onde foi produzido. Normalmente os óleos contidos nas folhas, raízes e cascas estão associados à sobrevi- vência da planta, atuando na defesa contra microrganismos, como fungos e bactérias. Já os óleos essenciais produzidos nas flores têm primariamente função de atrair agentes polinizadores, como pássaros e insetos. Quando insetos, morcegos e pássaros visitam flores para se alimentarem com pólem, eles usualmente polinizam as flores neste processo. A cor e o odor da flor são importantes instrumentos de atração destes agentes. O odor é particularmente fundamental para atrair polinizadores noturnos, tais como mariposas e morcegos. Portanto, flores polinizadas por esses agentes normalmente são muito odoríficas. A natu- reza dos odores também seleciona o tipo de agente polinizante. Veja como isso acontece na tabela abaixo:

TIPO DE AROMA FLORAL EMITIDO AGENTE POLINIZADOR ATRAÍDO Aromas doces e leves Abelhas e borboletas
TIPO DE AROMA
FLORAL EMITIDO
AGENTE POLINIZADOR
ATRAÍDO
Aromas doces e leves
Abelhas e borboletas
Doce e pesado
Mariposas
Musk ou frutas podres
Morcegos
Odores putrefáticos
Besouros e moscas
TIPOS DE ARMAZENAMENTO
DE ÓLEOS ESSENCIAIS
EXEMPLOS DE PLANTAS
Glândulas oleíferas
sobre ou sob as folhas
Tomilho, Orégano,
Sálvia, Alecrim
Células oleíferas
Louro, Canela, Cássia
Canais de resina entre as células
Anis, Funcho, Coentro
Reservatórios de óleo
Limão, Laranja, Bergamota
Coentro Reservatórios de óleo Limão, Laranja, Bergamota 37 Os óleos essenciais das folhas estão normalmente
Coentro Reservatórios de óleo Limão, Laranja, Bergamota 37 Os óleos essenciais das folhas estão normalmente
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Os

óleos essenciais das folhas estão normalmente contidos em glân-

dulas oleíferas, que facilmente se rompem. Não somente esses

óleos tornam as folhas inapetíveis para animais procurando uma refeição, como também se evaporam facilmente em dias quentes, tendo como função adicional a de esfriar a superfície das folhas nesse processo. Uma vez condensados no solo, tendem a impedir o crescimento de algumas ou- tras plantas competidoras. Óleos essenciais são misturas bastante complexas de vá-

rias substâncias simples. Cada componente contribui para o efei- to biológico da mistura como um todo. Desta forma, a proporção de cada componente pode afetar a sua ação. Por exemplo, o componente marcador do óleo de camomila azul é o camazuleno, que pode estar presente em proporções que vão de pouco mais de 1% até cerca de 15% dependendo de onde e como a planta foi cultivada. Há óleos essenciais que apresentam concentração de um único compo- nente em proporção quase total, como é caso do óleo essenci- al de erva-doce ou outras plantas cujos óleos têm centenas de componentes na mistura, como o gengibre ou a priprioca.

A

identificação dos componentes de um óleo essencial é

um processo demorado e complicado, no qual se utilizam apare- lhos sofisticados, tais como cromatógrafos a gás e espectrômetros de massa. Mesmo assim, essa análise está sujeita a erros amostrais, de interpretação, ou mesmo limitados ao estado da técnica dos aparelhos. É comum, com o passar dos anos, a “descoberta” de novos compo- nentes dentro de um óleo essencial. Na verdade eles sempre esti- veram lá, mas o fato é que conforme o progresso tecnológico vai melhorando a resolução dos aparelhos, torna-se possí- vel a identificação de mais componentes.

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PLANTA

ÓRGÃO ONDE SE PRODUZ O ÓLEO ESSENCIAL

Alecrim

Folha

Tomilho

Folha

Manjericão

Folha

Alho

Bulbo (raiz)

Raiz-forte

Raiz

Pimenta-do-reino

Fruto

Limão

Fruto

Erva-cidreira Folha Ylang-Ylang Flor Camomila Flor Louro Folha Funcho Semente Coentro Semente Salsa Planta
Erva-cidreira
Folha
Ylang-Ylang
Flor
Camomila
Flor
Louro
Folha
Funcho
Semente
Coentro
Semente
Salsa
Planta inteira
Mil-em-Ramas
Planta inteira
Rosa
Flor
Gerânio
Folha
Lavanda
Planta inteira
Copaíba
Caule
Canela Sassafrás
Caule
Pau-Rosa
Caule
Canela
Casca
Gerânio Folha Lavanda Planta inteira Copaíba Caule Canela Sassafrás Caule Pau-Rosa Caule Canela Casca 39
Gerânio Folha Lavanda Planta inteira Copaíba Caule Canela Sassafrás Caule Pau-Rosa Caule Canela Casca 39

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Óleos vegetais fixos •
Óleos
vegetais
fixos

os óleos carreadores

40 Óleos vegetais fixos • os óleos carreadores 41 A aplicação de óleos essenciais em alta
40 Óleos vegetais fixos • os óleos carreadores 41 A aplicação de óleos essenciais em alta
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A aplicação de óleos essenciais em alta concentração ou de forma repetitiva acaba provocando justamente efeitos indesejados, tais como a destruição das membranas das células, levando, por exemplo, à irritação da pele. Em baixa concentração, entre- tanto, estes componentes são integrados às membranas celulares e acabam influenciando as enzimas e receptores de proteínas que se localizam nestas regiões. Nunca deve- mos utilizar os óleos essenciais de forma pura. As diluições deverão variar conforme o tipo de aplicação. Por exemplo, algumas partes por mil para uso em aromaterapia ou algumas partes do óleo por milhão na culinária. Normalmente utilizamos óleos fixos, ou também chamados óleos ve- getais ou óleos carreadores, para veicular os óleos essenciais para consumo, seja para ingestão, odorização ambiental, massagem ou fim cosmético. Ainda que os óleos carreadores possam ser refinados, geralmen- te são utilizados os óleos prensados a frio, cuja técnica permite reter boa parte das propriedades terapêuticas, que normal- mente são destruídas durante o processo de refino. Os óleos carreadores são ricos em emolientes (substâncias que ajudam a proteger a pele da perda excessiva de umidade) e ácidos graxos essenciais (dos tipos ômega 3, 6 e 9). Neste caso o termo “essen- ciais” é confuso e advém não do fato que tenham qualquer seme- lhança com os óleos voláteis que são o tema principal deste livro. São assim denominados pois o nosso organismo não os produz, sendo por- tanto necessária sua ingestão por meio de alimentos. Os principais ácidos graxos contidos nos óleos vegetais po- dem ser divididos em insaturados e saturados. Os insaturados são principalmente representados pelos ácidos oleico, linolêico e linolênico, sendo os saturados representados pelo esteárico, palmítico, láurico e mirístico. Os insaturados são os mais interessantes do ponto de vista nutricional e para o tratamento de pele. Entretanto, justa-

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mente por serem insaturados, são mais reativos com o oxigênio (passíveis de oxidação), processo químico que chamamos popularmente de ran- ço, diminuindo a vida de prateleira (shelf life) destes óleos. Aqui vale a menção de que muitos dos óleos essenciais voláteis de plantas têm a propriedade antioxidativa, que é fundamental para a proteção dos óleos vegetais insaturados e proteção da pele ao ataque de radicais livres (veja quadro). Já foram publicados inúmeros trabalhos ci- entíficos demonstrando as propriedades antioxidantes de alguns óleos essenciais, principalmente aqueles contendo fenóis, de tal forma que o casamento entre os óleos essenciais - como tomi- lho, menta piperita, orégano, camomila azul, alho, gengibre, alecrim ou erva-cidreira - prolonga a vida útil dos produtos que estiveram sob con- tato. Por exemplo, foi demonstrado que se adicionarmos 0,2% de óleo essencial de alho no óleo vegetal de amendoim aumentamos a vida de prateleira do óleo de amendoim em 24,3 meses (a 20 ºC). Igualmente foi demonstrado que o óleo de gengibre tem mai- or poder antioxidante do que α-tocoferol (vitamina E) e BHT, os aditivos antioxidantes de referência no mercado.

Radicais livres são moléculas ativas presentes em todo lugar, tanto internamente ou externamente às células. Os radicais são moléculas cujos átomos de oxigênio perderam um elétron por variados motivos, entre eles oxidação ou exposição aos raios ultravioleta solares. Por isso, essas moléculas acabam ficando muito reativas e conseqüentemente sedentas de outros elétrons. Quando adquirem elétrons das moléculas celulares, acabam destruindo a estrutura e funcionalidade das células, por exemplo, provocando a peroxidação lipídica das mitocôndrias (organela responsável entre outros pela respiração celular), resultando na destruição de membranas celulares e liberação de materiais que degeneram outras células. Na pele este é um dos processos responsáveis pelo envelhecimento precoce. Nos alimentos, é o processo responsável pelo ranço e deterioração acelerada do alimento.

pelo ranço e deterioração acelerada do alimento. 43 Os principais óleos carreadores para uso alimentício e
pelo ranço e deterioração acelerada do alimento. 43 Os principais óleos carreadores para uso alimentício e
pelo ranço e deterioração acelerada do alimento. 43 Os principais óleos carreadores para uso alimentício e

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Os principais óleos carreadores para uso alimentício e cosmético

ÓLEO VEGETAL

Óleo de amendoim

Arachys hypogea

Óleo de gergelim

Sesamum indicum

Óleo de Canola

Brassica napus

Óleo de cenoura

(Daucus carota)

Óleo de girassol

Helianthus annus

DESCRIÇÃO

Cerca de 82% dos ácidos graxos são insaturados, tais como o ácido oleico e linoleico. Apenas 11% são representados pelos ácidos esteárico e palmítico, saturados. Pode ser ingerido ou utilizado em massagem de terapias relacionadas à artrite, em todos os tipos de pele. O óleo de amendoim pode ser utilizado sobre a pele sem estar misturado a outros óleos vegetais. Os usuários devem dedicar um cuidado especial a este óleo, tendo

em vista que o amendoim é alergênico a muitas pessoas.

O óleo contém cerca de 41% de ácido linoleico, 39% de ácido oleico (constituído

portanto de cerca de 80% ácidos insaturados), 9% palmítico e 5% esteárico além de vitaminas A, B e E. É empregado na hidratação e proteção da pele. A Vitamina E é um antioxidante natural, sendo importantíssima para retardar o envelhecimento da pele. Possui, além disso, aminoácidos e cálcio, o componente sesamol, um filtro solar natural. Não usar o óleo de gergelim puro sobre a pele – o ideal é combina-lo com outros óleos carreadores, não incluindo mais do que 10% do mesmo. Pode ser usado em todos os tipos de pele, mas é particularmente interessante para pessoas com problemas de reumatismo, artrite, eczema e psoríase.

O óleo de canola é extraído das sementes da colza, planta da família da mostarda. É bastante rico em ácidos graxos insaturados, tais como 60% de ácido oleico, 22% de ácido linoleico, 10% de ácido linolênico e apenas 4% e 2% respectivamente de ácidos palmítico e

esteárico, ambos saturados. Pode ser usado até 100% sem necessidade de combinação com outros agentes carreadores. Tem boa capacidade de higienização e ação leve sobre a pele.

O óleo de cenoura é uma novidade no mercado. É necessário o uso de solvente para

sua extração. Ele contribui bastante para a pele, pois é composto de betacarotenóides,

ácido graxo linoleico (poliinsaturado), tocoferóis e confere coloração alaranjada ao produto final. Há poucos trabalhos sobre a eficácia do óleo, mas sabemos que ele tem efeito “semi-secante”. Não use o óleo de cenoura para fins alimentícios.

O óleo de girassol é bastante concentrado em ácidos graxos insaturados com cerca de

70% de ácido linoleico e 19% de ácido oleico que possuem propriedades de hidratar e restaurar a pele. Tem ação emoliente e re-epitelizante. O óleo de girassol pode ser

utilizado sobre a pele sem estar misturado a outros óleos vegetais.

ÓLEO VEGET AL DESCRIÇÃO Óleo de Vitis vinifera O óleo de sementes de uva é

ÓLEO VEGETAL

DESCRIÇÃO

Óleo de

Vitis vinifera

O

óleo de sementes de uva é um dos óleos mais concentrados em ácidos graxos poli-

sementes de uva

insaturados de todas as fontes alimentícias de óleo existentes. A soma de ácidos oleico e linoleico pode ultrapassar 95%. Até pouco tempo atrás o óleo de uva era somente usado em dietas alimentícias especiais. Além de rico em insaturados, o óleo tem propriedades muito interessantes do ponto de vista cosmético e alimentício: é

macio, sendo rapidamente absorvido pela pele, não sendo gorduroso ou pegajoso. O óleo de uva ajuda a balancear o pH da pele além de ser hipoalergênico e rico em vitamina E e proantocianidinas, importantes agentes antioxidantes. Este óleo tem 50% mais capacidade antioxidante que o óleo de gergelim por exemplo. O óleo de uva é recomendado para peles secas e peles sensíveis ou que sofreram irritações.

Óleo de abacate

(Persea americana)

Azeite de oliva

Olea oleracea

Foi publicado uma ampla análise na revista Cosmetic & Toiletries (uma das mais importantes do setor cosmético) falando muito bem do óleo. Pode ser usado em shampoos. Nesse caso, devido ao aumento de estabilidade, eliminação de bactérias e efeito "anti-druffing". Como creme de pele, ajuda a eliminar células mortas, diminui o envelhecimento e aumenta a hidratação. Ajuda também no combate à psoríase. A sua concentração é 24% palmítico e 50% de ácido oleico, ou seja, praticamente não contém ácidos graxos polinsaturados (o oleico é monoinsaturado e o palmítico, saturado). Não use o óleo de abacate para fins alimentícios.

O

azeite de oliva contém cerca de 85% de ácido oleico, 5% linoleico, 7% de palmítico,

e

2% esteárico, ou seja cerca de 90% insaturado. O azeite de oliva é o principal óleo

na culinária e provavelmente o veículo preferido para diluição dos óleos essenciais destinados à ingestão. O azeite de oliva é também particularmente relevante na massagem, pois tendo como principais componentes os ácidos graxos insaturados, ajuda na hidratação e restauração da pele. Tem ação leve e boas propriedades para higienização da pele. Não usar o azeite de oliva puro sobre a pele. O ideal é combiná- lo com outros óleos carreadores, não incluindo mais do que 10% do mesmo. É particularmente interessante para pessoas com pele seca.

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Óleo de soja

Glycine max

O óleo de soja é rico em ácidos graxos insaturados, tais como 51% de ácido linoleico,

29% de ácido olêico e 7% linolêico. Com textura pesada, altamente viscoso, é eficiente na higienização da pele, tendo ação leve, não-cáustica sobre a mesma. Ainda que

possa ser usado sem estar combinado a outros óleos carreadores, o ideal é misturá-lo para diminuir o excesso de gordura e viscosidade.

estar combinado a outros óleos carreadores, o ideal é misturá-lo para diminuir o excesso de gordura

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46 Óleos essenciais e as essências artificiais 47 Óleos essenciais são sempre as substâncias naturais obtidas

Óleos essenciais e as essências artificiais

46 Óleos essenciais e as essências artificiais 47 Óleos essenciais são sempre as substâncias naturais obtidas
46 Óleos essenciais e as essências artificiais 47 Óleos essenciais são sempre as substâncias naturais obtidas
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Óleos essenciais são sempre as substâncias naturais obtidas a partir das plantas. Já as essências ou aromas podem ser de origem natu- ral ou artificial, mas há uma grande distinção – designamos óleos essenciais à versão pura concentrada tal qual foi ex- traída das plantas. Normalmente designamos as essências

e aromas naturais à combinação do óleo essencial com

um veículo carreador (solvente). Enquanto as essências têm aplicação generalizada, os aromas normalmente referem-

se à versão alimentícia, adicionando, também, além do odor,

sabor ao alimento. As essências artificiais são imitações das es- sências naturais, construídas a partir da combinação artificial dos principais componentes químicos encontrados no óleo essencial da planta. Dificilmente uma essência artificial consegue reproduzir a fragrância do verdadeiro óleo essencial natural. Nem tampouco poderá oferecer o largo espectro de aplicações funcionais que a sinergia entre os di- versos componentes do óleo essencial natural consegue trazer. Como ilustração, o óleo essencial da pétala de rosa contém cerca de 430 componentes químicos orgânicos, enquanto a essência de rosa sintetizada em laboratório contém apenas cerca de 30 substâncias químicas. Somente a natureza conse- gue criar o odor da flor de jasmin ao anoitecer. Por que preferi- mos óleos essenciais e não essências artificiais? A resposta dada por Robert Tisserland é simples: os produtos sintéticos não contêm a energia vital, o impulso adicional da vida que somente encontramos em seres vivos. Por outro lado, a dinâmica do mercado e a necessidade de produtos com preços mais baixos e competitivos obrigam a maior parte das indústrias, hoje em dia, a trabalhar com componen- tes sintéticos, tanto em fragrâncias cosméticas como em aromas alimentícios. Ervas aromáticas e seus óleos essenciais são privilegi- ados pelos seus usos em aromas, cores, terapia e culiná- ria, trazendo bem-estar, frescor ou extremo sabor sobre tudo onde tocam. Não há termo de comparação entre a versão do aroma criada pela natureza e aquela criada pelo homem em laboratório.

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Usos e
Usos
e

Aplicações

48 Usos e Aplicações 49 Cosmética O casamento entre os óleos vegetais e a cosmética data
48 Usos e Aplicações 49 Cosmética O casamento entre os óleos vegetais e a cosmética data
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Cosmética

O casamento entre os óleos vegetais e a cosmética data

de milênios atrás. Os egípcios já usavam óleo de cedro para embalsamar e também em cerimônias religiosas. Sabiam das propriedades terapêuticas e cosméticas de varias ma- deiras, flores e plantas aromáticas. Óleos essenciais foram centrais nas civilizações árabe, babilônica, chinesa e india- na. Os gregos pensavam que os perfumes eram destinados aos deuses e os romanos, amantes do banho, usavam óleos nas massa-

gens. A palavra “perfume” se origina da frase em latim “par fumare”, que significa, através da fumaça.

A

fragrância é também o componente mais importante numa for-

mulação cosmética, do ponto de vista do consumidor. Mesmo pro- dutos anunciados como “neutros” contém pequena quantidade de fragrância para mascarar o odor da matéria prima de base. Assim como um acorde musical, perfumes são compostos de notas – notas de saída, de corpo e de fundo, de acordo com a volatilidade dos componentes utilizados. Podemos tam- bém olhar as notas conforme sua relativa tenacidade, ou seja, o tempo que os óleos continuam emitindo odores em contato com a pele até que seu aroma desapareça por completo. Quando se cheira o perfume de um frasco, absorvemos inicialmente o aroma das notas de saída, a seguir o nosso olfato detecta as notas de corpo e, finalmen- te, depara-se apenas com as notas de fundo ou de base. As notas de fundo são as mais profundas, misteriosas e antigas de todos os ingredientes usados em perfumaria. To- das as civilizações trabalharam com elas durante séculos. Lida-se hoje com ingredientes que Cleópatra usou no seu atelier e que eram transportados nas rotas de especiarias sobre o lombo de camelos.

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O sândalo tem tido uso contínuo por pelo menos 4 mil anos. As notas de fundo não somente duram mais do que as demais, como também fazem com que as outras durem mais. Por isso são chamadas de fixadores. As notas de fundo servem de ânco- ra para as demais notas. São elas que respondem pela profundidade da partitura, pela sensualidade e pelo tom mais selvagem. A maior parte dos óleos essenciais florais e algumas ervas são representantes da classe de notas de corpo. Elas são consideradas as responsáveis pelo tom de romance, paixão e sensualidade do perfume. As notas de corpo ou de alma fornecem corpo à composição, dando calor e senso de complexidade. As notas de corpo podem ser combinadas para gerar uma mistura sofisticada, radian- te, narcótica e exótica. São as notas que servem de ponte entre as pesadas notas de fundo e as leves notas de saída. As notas de saída representam o convite para iniciarmos a jornada olfativa. São as notas que causam a primeira impres- são, antes que se dissipem no etéreo. Normalmente deixam uma impressão de superficialidade no perfume. As notas de saída são as mais fáceis de agradar: familiares, sem complexi- dade, fortes mas não pesadas. São também as mais usadas em culinária, já que nesta arte dificilmente o objeto demorará horas para ser apreciado e consumido. Mas não se iluda, o seu papel é muitís- simo importante. É a nota de saída que empresta a definição para a com- posição e seu ponto de partida para a imaginação de quem a cheira. A composição de um perfume, assim como a culinária, deve ser um processo de tentativa, erro e ajustes. Alguns começam construindo do alto para baixo, outros ao inverso, de baixo para cima, iniciando pelas notas de fundo. Costuma-se dizer que desta forma a composição fica mais fácil. É a ordem natural das coisas. Assim como perfumistas invo- cam a metáfora da composição musical para construir

invo- cam a metáfora da composição musical para construir 51 um perfume, compositores não hesitam em
invo- cam a metáfora da composição musical para construir 51 um perfume, compositores não hesitam em

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um perfume, compositores não hesitam em invocar o perfume como metáfora para sua composição – com harmonia, sinergia e estética. Ou como melhor definiu Guy de Massapassant “…Quando ouvia aquela sonata, não podia mais dizer se estava respirando música ou ouvindo um aroma…”

AGUDO
AGUDO
GRAVE
GRAVE
respirando música ou ouvindo um aroma…” AGUDO GRAVE Adaptado do Odorfone de Piesse (1820 - 1882),
respirando música ou ouvindo um aroma…” AGUDO GRAVE Adaptado do Odorfone de Piesse (1820 - 1882),

Adaptado do Odorfone de Piesse (1820 - 1882), citado em “Handbook of Perfums & Flavours”, 1990

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NOTAS DE SAÍDA

NOTAS DE CORPO

NOTAS DE FUNDO

Manjericão

Camomila Romana

Camomila Azul

Limão

Manjerona

Sálvia esclarea

Louro

Erva doce

Alecrim

Cardamomo

Orégano

Coentro

Laranja

Tomilho

Cedro

Anis

Lavanda

Baunilha

Pimenta

Ylang Ylang

Estragão

Menta

Café

Gengibre

Canela

 

Cravo

TOM DA COMPOSIÇÃO COM NOTAS DE FUNDO

ÓLEO ESSENCIAL

Amadeirado

Sândalo

Herbáceo

Vetiver

Doce

Baunilha

Suntuoso

Copaíba, Baunilha

TOM DA COMPOSIÇÃO COM NOTAS DE CORPO

ÓLEO ESSENCIAL

Frutal

Rosa, Gerânio, Camomila

Clássico

Rosa, Jasmim, Neroli (flor de laranjeira)

Exótico

Ylang Ylang

Radiante

Melissa Brasileira

Fresco

Sálvia esclarea

TOM DA COMPOSIÇÃO COM NOTAS DE SAÍDA

ÓLEO ESSENCIAL

Cítreo

Laranja azeda, Bergamota

Verde

Menta

Temperado

Coentro, Pimenta

Floral

Lavanda, Pau-rosa

Seco

Cedro

azeda, Bergamota Verde Menta Temperado Coentro, Pimenta Floral Lavanda, Pau-rosa Seco Cedro 53
azeda, Bergamota Verde Menta Temperado Coentro, Pimenta Floral Lavanda, Pau-rosa Seco Cedro 53

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Aromaterapia

Por milhares de anos as culturas orientais queimaram ervas na forma de incenso, em rituais religiosos e espiritu- ais. Os árabes foram pioneiros na técnica de destilação de óleos essenciais, método que se emprega até hoje com pequenas modificações. Na Alemanha do século XVI, Jerome de Bruswick documentou 25 óleos essenciais com fim medicinal, também utilizados até hoje. Mas a ciência da aromaterapia como praticada atualmente, veio ao mundo em 1937 com os trabalhos do químico francês Reneé Gattefosse e seu famoso livro Aromatherapie. A aromaterapia condensa as energias presentes nos óleos essenci- ais extraídos de plantas, aplicando em banhos, inalações, massa- gens, compressas para se transformar numa relaxante e agradá- vel experiência holística. Os óleos essenciais usam a conexão corpo-mente para estimular uma resposta emocional a um estímulo externo. Aromacologia, a ciência que estuda os aromas para fins me- dicinais e psico-fisiológicos, mostra que a exposição a certos aro- mas estimulam várias regiões do cérebro. Os sensores olfativos trans- mitem a informação para processamento em áreas do cérebro que processam o aprendizado, as emoções, balanço hormonal e mecanismos de sobrevivência. O uso de óleos essenciais, além das propriedades analgésicas e anti-sépticas, também pode diretamente afetar a personalidade, o comportamento, aumentar o estado de alerta e a capacidade mental. Muitos aplicam os conhecimentos de aromaterapia com finalidade de relaxar, e amenizar os problemas rela- cionados aos distúrbios físicos, musculres, circulatórios, digestivos, respiratórios, emocionais e da pele. Também

digestivos, respiratórios, emocionais e da pele. Também 55 tem alcance na busca por maior harmonia, relaxamento,
digestivos, respiratórios, emocionais e da pele. Também 55 tem alcance na busca por maior harmonia, relaxamento,
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tem alcance na busca por maior harmonia, relaxamento, sensação de prazer e beleza física. Há, porém, muita controvérsia sobre o uso de óleos essen- ciais em saúde. Embora seja do conhecimento popular que muitos óleos essenciais são ferramentas poderosas para re- dução de stress e de outros problemas simples do cotidia- no, neste trabalho procuramos adotar linha de fundamen- tação científica, ou seja, focamos os usos e aplicações de óleos essenciais que estejam baseados em evidências cien- tíficas de eficiência na resposta e segurança aos usuários. Apesar do uso bastante disseminado dos óleos essenciais no mun- do, pouco ainda se sabe sobre seus mecanismos de ação. O que segura- mente sabemos é que a pele é muito permeável aos óleos essenciais, exa- tamente por causa da alta lipofilicidade, tanto dos óleos como da pele. O caráter lipofílico é provavelmente o responsável pelo largo espec- tro de atividades biológicas. Essa afinidade lipofílica oferece um diferencial poderoso no tratamento de mazelas de ordem emo- cional relacionadas ao cotidiano, se notarmos, por exemplo, que o sistema nervoso central é basicamente constituído por tecidos ricos em lipídios - o que facilita a troca dos compo- nentes dos óleos entre o sangue e estes tecidos, permitindo, por- tanto, uma maior rapidez de absorção e sensibilização. Os componentes da mistura do óleo essencial e a sinergia da com- posição são responsáveis pela eficácia ou não do óleo essencial para uma dada finalidade. O nível de cada componente também pode afe- tar a eficácia do óleo. Tomemos como exemplo o óleo essencial de alecrim. Dois dos seus principais componentes são o cineol e α-pineno. Enquanto o primeiro causa um efeito espasmolítico, o segundo induz um efeito espasmogênico, antagônicos. Portanto, diferentes graus de espasmólise podem ser verificados conforme a origem e composição do óleo de alecrim.

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Outra forma de explicarmos a eficácia dos óleos essenciais está na teoria reflectorial, ou seja, pela criação de um estímulo olfativo agradável, ou simplesmente pelo estímulo do sistema olfati- vo, que está intimamente ligado ao sistema límbico (órgão responsável pelas emoções, sexualidade e sensações em todos os animais) e ao hipocampo, que acreditamos ser responsável pela codificação das informações na memó- ria, abre-se um canal direto para acesso ao nosso centro de processamento de emoções. Trata-se de uma forma de abrir uma porta de acesso ao nosso lado emocional ou psíqui- co, já que muitas das desordens psicossomáticas tem, reconhecida- mente, origem emocional. Além da eficácia dos óleos para tratamento de diversas doenças, prin- cipalmente quando esse tratamento está relacionado ao antagonismo a patógenos ou acesso ao sistema límbico, podemos ainda contar com dupla eficácia, tal como o açúcar, que não só provoca uma sensação de bem-estar pelo gosto doce, mas também induz reações em cadeia com a insulina no organismo. Por que en- tão as moléculas de aroma não poderiam também interagir a nível molecular ao mesmo tempo que provocam bem-estar?

a nível molecular ao mesmo tempo que provocam bem-estar? 57 Medicina e Saúde Muito embora a
a nível molecular ao mesmo tempo que provocam bem-estar? 57 Medicina e Saúde Muito embora a
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Medicina e Saúde

Muito embora a maior utilização dos óleos essenciais se dê nas áreas de alimentos e cosméticos, mais recentemen- te temos visto um aumento na prescrição de preparações galênicas com uso de óleos essenciais. Infelizmente muito do que se prega com relação às suas propriedades é empírico ou mesmo inverídico. Com o trabalho recente de Pierre Franchomme e colaboradores foi possível estabelecer bases sólidas para traçar um paralelo entre as estruturas físico- químicas dos compostos aromáticos e suas propriedades medicinais. Baseado no estudo das cargas elétricas e da polaridade das moléculas aromáticas, identificou-se que alguns óleos possuem carga negativa, descobrindo-se posteriormente que seu uso implica no relaxamento dos indivíduos. Outros óleos possuem carga positiva, e verificou- se que são estimulantes. De forma análoga, a cultura oriental classifica os alimentos em Yin e Yang. Ou seja, a ciência oci- dental corroborou tecnicamente, o que já se pregava na sabe- doria oriental há milhares de anos. A parte prática importante deste trabalho, é que por meio de uma análise simples de carga e lipofilicidade dos componentes do óleo essencial podemos inferir algumas potenciais propriedades que os óleos essenciais irão assumir. Com os trabalhos de Franchomme descobriu-se que as moléculas negativas são antiinflamatórias e antiespasmódicas, atuam como atenuadores de problemas hepáticos, do sistema nervoso, do siste- ma gastro-intestinal e outros. Por outro lado, as moléculas po- sitivas, agem mais no aumento do nível energético do orga- nismo, por exemplo, sendo efetivos contra infecções virais, stress, atenuadores dos efeitos do câncer, entre outros. Após essas constatações iniciais, foi possível mapear as moléculas e grupos químicos, relacionando-os com sua

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maior ou menor funcionalidade. Atualmente, com o uso de cromatógrafos a gás e espectrômetros de massa, é possível separar os componentes dos óleos essenciais e, por conseguinte, identificá-los. O re- sultado desta análise é normalmente apresentada de for- ma gráfica, ao que chamamos de cromatograma. Os cromatogramas, que funcionam como carteira de identidade para cada óleo, são ferramentas de fundamen- tal importância, pois, como já foi dito, um óleo essencial pode ter moléculas com atividades conflitantes.

essencial pode ter moléculas com atividades conflitantes. 59 Propriedades Terapêuticas Ação antibacteriana As
essencial pode ter moléculas com atividades conflitantes. 59 Propriedades Terapêuticas Ação antibacteriana As
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Propriedades Terapêuticas

Ação antibacteriana

As principais moléculas que possuem propriedade antibacteriana comprovada são o carvacrol, o timol e o eugenol, todos do grupo dos fenóis. Logo após os fenóis, em ordem decrescente de funcionalidade, se situam os ál- coois monoterpênicos, tais como o linalol, geraniol, terpineol, mentol e outros, seguido pelo grupo dos aldeídos, tais como o citral, geranial, citronelal, cuminal e outros. O grupo das cetonas tais como a verbenona, tujona,mentona e carvona, e o grupo dos ésteres, tais como estragol e anetol completam o quadro das moléculas bactericidas.

Ação antifúngica

Os mesmos grupos listados com ação antibacteriana valem para o combate às infecções fúngicas, embora o tratamento para estes últimos seja bem mais demorado.

Ação antiviral

A sinergia entre álcoois monoterpênicos com cineol (grupo dos óxidos) é muito eficiente no tratamento de patologias virais no trato respiratório. Outros grupos de moléculas cuja combinação traduz em maior eficácia contra vírus é o óxido de linalol + linalol, as cetonas, aldeídos e éteres. Cabe ressaltar que os agentes virais são em geral bastante suscetíveis à ação das moléculas aromáticas.

Ação antiparasitária

Assim como os antibacterianos, o grupo dos fenóis aqui exerce maior importância. Os álcoois monoterpênicos, algumas moléculas do grupo das cetonas e óxidos também apresentam certas propriedades com- provadas como agentes antiparasitários.

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Ação inseticida

É do conhecimento popular que a citronela é um importante agente inseticida. Na verdade, o componente por trás dessa qualidade é o citronelal, um aldeído presente tanto na citronela quanto no eucaliptus citriodora, este último muito cultivado no Brasil. Outras moléculas de destaque são o eugenol e o aldeído cinâmico (presente na canela).

Ação antiinflamatória e anti-histamínica

As moléculas de carga negativa são as principais componentes deste grupo. Como exemplo mais significativo temos o camazuleno (faz parte do óleo essencial de camomila azul, que é extensamente cultivada no sul do Brasil), e o α-bisabolol, presente em muitas plantas, em parti- cular na candeia (árvore nativa brasileira). Alguns aldeídos, tais como citral, citronelal, cuminal e ou- tras moléculas também apresentam propriedades imunomodulantes. Na classe dos anti-histamínicos são de particular impor- tância o camazuleno e o di-hidro-camazuleno.

Ação expectorante e mucolítica

Alguns óleos essenciais vêm sendo utilizados há muito tempo pelas

suas propriedades expectorantes. Óleos ricos em cineol, tais como eucaliptus globulus, alecrim ou louro são três possibilidades bas- tante interessantes. Na presença de agentes infecciosos, em geral as mucosas produzem secreções, que dificultam o combate aos agentes causadores. A dissolução destes complexos lipídico-coloidais

é ajudada pela presença de moléculas cetônicas, tais como

a verbenona, a tujona, a carvona, a mentona e a pulejona.

a verbenona, a tujona, a carvona, a mentona e a pulejona. 61 Ação antiespasmódica Dois grandes
a verbenona, a tujona, a carvona, a mentona e a pulejona. 61 Ação antiespasmódica Dois grandes
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Ação antiespasmódica

Dois grandes grupos de moléculas apresentam atividade espasmódica: o grupo dos éteres e o grupo dos ésteres. O primeiro, de carga positiva tem notável atividade antiespas- módica. O segundo grupo, de carga negativa, tem proprie- dades antiinflamatória, antiepileptizante e anticonvulsiva.

Agentes antiarrítmicos

Algumas moléculas do grupo dos ésteres também atuam como reguladores cardíacos. É o caso, por exemplo, dos ésteres contidos no óleo essencial de Ylang Ylang.

Ação analgésica e anestésica

Visto que a dor é o sintoma da doença e não sua causa, diferen- tes tipos de óleos essenciais vão atuar de forma distinta, elimi- nando ou diminuindo a fonte do problema e desta forma atuan- do como neutralizadores de dor. Por exemplo:

O eugenol, um componente presente no óleo de manjeri-

cão, cravo e outras plantas é particularmente efetivo no com-

bate a dores de origem dentária.

O

mentol, principal componente da menta (Menta arvensis),

tem maior eficiência no tratamento de dores de cabeça.

O

paracimeno é um analgésico particularmente efetivo contra do-

res de origem muscular e ósteo-articulares. Várias outras moléculas, ou óleos essenciais com ações globais sedativas, vão ajudar a acalmar espasmos (camomila romana ou óleo de folhas de tangerina) ou atuar como analgésicos contra fortes dores (tal como o Ylang Ylang).

Ação calmante

Muitos óleos essenciais são utilizados como calmantes para os problemas relacionados ao sistema nervoso. Os aldeídos contidos nos óleos essenciais de plantas cítricas e da melissa são muito aplicados nesse sentido. Alguns trabalhos sinalizam atividades hipnóticas ao linalol, principal componente do pau-rosa ou de alguns quimiotipos do coentro ou do manjericão.

Ação antitumoral

Como já pregaram diversos autores, não é possível esperar que o uso exclusivo de óleos essenciais possa ser uma alternativa no tratamento oncológico. Porém alguns óleos podem atuar de forma adjuvante, tais como os que possuem lactonas sesquiterpênicas, como a camomila azul, que possui germacreno, substância que possui atividade citotóxica contra leucócitos mutantes. Os estudos iniciais apontam para uma interação entre carga elétrica das moléculas aromáticas e as células neoplásicas.

Ação digestiva

As propriedades eupépticas ou carminativas de diversas moléculas aromáticas fazem com que elas ajam como estimulantes de apetite e facilitadores do processo digestivo. Assim, o cuminal, presente no óleo essencial de cominho, e o anetol, presente no óleo essencial de anis e de outras plantas, possuem propriedades carminativas.

A mentona, a carvona e a verbenona têm propriedades colagogas e colerética, que

ativam a secreção biliar.

O mentol e o tujonol-4 são hepatoestimulantes.

Algumas cetonas possuem propriedade cicatrizante capaz de agilizar a recuperação dos

tecidos afetados.

Diversas outras propriedades são referenciadas aos óleos essenciais, com maior ou me- nor ênfase, maior ou menor suporte de literatura científica. Na verdade, há muito ainda por ser descoberto, já que as aplicações médicas dos óleos essenciais com embasamento científico é uma tendência ainda recente.

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embasamento científico é uma tendência ainda recente. 62 Culinária 63 As ervas e especiarias são particularmente
embasamento científico é uma tendência ainda recente. 62 Culinária 63 As ervas e especiarias são particularmente

Culinária

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As ervas e especiarias são particularmente importantes do ponto de vista do estímulo sensorial alimentar. Se pudermos agrupar quimicamente os componentes aromáticos e gustativos dos óleos essenciais das ervas aromáticas, veremos dois grandes grupos – o das substâncias voláteis e o das não-voláteis. Enquanto as substâncias voláteis, que são na verda- de os óleos essenciais, são os grandes responsáveis pelo odor da especiaria, as substâncias não-voláteis são normalmente responsáveis pela pungência e sabor pronunciado. Portanto, equivale dizer que os óleos essenciais não possuem os componentes responsáveis pela ardên- cia, tais como o gengiberol e shogaol no gengibre, a capsicaina na pimenta e assim por diante. Somente os óleo-resinas, parentes próximos dos óleos essenciais, porém cujo extrato foi obtido através de solvente ao invés de vapor d’água (como nos óleos essenciais), são capazes de apresentar plenamente as duas dimensões sensoriais. Além da propriedade aromática, alguns óleos essenciais são particularmente poderosos agentes antioxidantes. Radicais livres presentes por exemplo em carnes e peixes promovem

a peroxidação de lipídeos, resultando na destruição das membranas celulares e descarga de

materiais que provocam a deterioração e ranço dos alimentos em questão. Óleos vegetais fixos tendem também a se oxidar com facilidade. A adição de quantidade mínima de óleos essenciais, tais como orégano, camomila, alho, gengibre, tomilho, louro ou alecrim, todos com propriedades antioxidantes, ajuda a conservar o produto por muito mais tempo.

O uso de plantas aromáticas e seus óleos essenciais na cozinha é tão antigo quanto à sua utilização em fragrâncias e perfumes. Os óleos essenciais são perfeitamente solúveis em azeite de oliva, outros óleos vegetais

e álcool etílico, por isso fica mais fácil administrar seu uso. Cabe ao chef utilizar a sua

criatividade para compor com as diversas notas fornecidas por cada diferente óleo essenci-

al, tal como o perfumista faz para compor seus perfumes.

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de óleos
de
óleos

Produção

essenciais

64 de óleos Produção essenciais 65 Os métodos usados para extração de óleos essenciais evoluíram com
64 de óleos Produção essenciais 65 Os métodos usados para extração de óleos essenciais evoluíram com
65
65

Os métodos usados para extração de óleos essenciais evoluíram com

progresso tecnológico, mas tanto os processos antigos como os novos podem ser agrupados, basicamente, em três categorias:

o

Expressão Destilação Os conquistadores mouros do sul da Espanha trouxeram con- sigo um aparato para
Expressão
Destilação
Os conquistadores mouros do sul da Espanha trouxeram con-
sigo um aparato para preparação da água de rosa, no início do
século XI. Voltando um pouco ao século VIII, uma pessoa cha-

O método de expressão a frio é o mais simples dos três grupos. O óleo essencial é expelido através de pressão. É o caso principalmente dos óleos essenciais de plantas cítricas, cujas glândulas se encontram na casca dos frutos. As cascas são esmagadas e o óleo essencial é ejetado na forma de um fino spray. Apesar da importância do método de expressão para obtenção de óleos vegetais fixos, à exceção dos óleos essenciais de citrus, o método não é praticamente utilizado no universo de óleos essenciais.

mada Marcus Graecus desenvolveu um produto líquido infla- mável denominado Fogo Grego, provavelmente à base de terebintina ou álcool, mas que é um produto indiscutivelmente obtido por processo de destilação. No extremo oriente, mais precisa- mente no Japão, Bornéo e Formosa, a cânfora já era conhecida pelo menos desde o século XVI. Há registros confiáveis que o mentol obtido da menta já era utilizado como remédio desde os primórdios da era Cristã. É portanto justo afirmar que a humanidade tem usado o processo de destilação há pelo menos 2 mil anos. Hoje em dia, agrupamos sobre o termo destilação um conjunto de três técnicas distintas, porém versando sob

o mesmo princípio básico: destilação a seco, hidrodifusão

e destilação por arraste a vapor que serão brevemente descritas a seguir.

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Todas as técnicas se valem do princípio que os componentes volá- teis do óleo, após contato com vapor de água ou água em ebuli- ção, evaporam pelo aumento de temperatura, troca de calor e pela destruição das glândulas que os mantêm presos ao material vegetal, sendo carregados para cima pelo vapor de água fornecido. A seguir a mistura gasosa de vapor de água e óleo é resfriada dentro de condensadores e ambos se tornam uma mistura líquida com duas fases distintas. Como o óleo essencial e a água têm normalmente densida- de, cor e viscosidade diferentes, é possível separá-los fisica- mente sem maior dificuldade. Cabe ressaltar que o óleo essencial é o produto principal deste processo. A água odorizada, que é o sub-produto, é denominada de hidrolato. Não se trata de uma água qualquer: ela con- tém uma boa parte dos voláteis solúveis em água, tais como álcoois e outros, portanto perfazendo uma água muito aromática. Infeliz- mente não é possível armazenar hidrolatos por muito tempo, uma vez que o processo fermentativo se inicia imediatamente. Por esse motivo, à exceção de água de rosas e outros poucos produtos, praticamente não se encontram hidrolatos à venda no mercado. A técnica de destilação a seco por alta pressão é empregada nos casos onde a temperatura necessária para evaporação dos óle- os seja muito alta. É o método mais rápido de extração, mas somente pode ser usado em casos onde o óleo não se deteriora com altas tempe- raturas (o que normalmente ocorre). Esta forma de extração é usada para destilar óleos essenciais de várias madeiras, mas se conside- rarmos o universo global de produção de óleos essenciais, é técnica pouco empregada. Na técnica de hidro-destilação com água mais vapor, ou “método do alambique”, o material vegetal se encon- tra em contato direto com a água em ebulição, e uma vez evaporados, o mesmo princípio da técnica de arraste

vez evaporados, o mesmo princípio da técnica de arraste 67 a vapor se aplica para a
vez evaporados, o mesmo princípio da técnica de arraste 67 a vapor se aplica para a
67
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a vapor se aplica para a separação. É o método mais usado nos países de terceiro mundo, justamente por ser mais fácil e econômico para se implementar – porém se traduz em óleos de baixa qualidade. Na destilação por arraste a vapor, o vapor é introduzido no sistema por via indireta, ou seja, o material vegetal se situa em dornas e o vapor de água é alimentado através de caldeira, entrando nas dornas pela parte inferior. O va- por, ao subir pelo material vegetal, destrói as glândulas oleíferas e arrasta o óleo essencial consigo, por isso o nome da técnica, que depois será condensado e obedece ao mesmo princípio já descrito. Cabe ressaltar que para o mesmo material vegetal, diferentes técnicas de extração conferem diferentes resultados ao óleo essencial, tanto do ponto de vista quantitativo como qualitativo. Plantas cultivadas em regiões diferentes, ou mesmo na mesma região sob diferentes téc- nicas, ou colhidas em momento distinto, também se traduzem em óleos essenciais diferentes.

também se traduzem em óleos essenciais diferentes. Unidade móvel de destilação da Garden City com o

Unidade móvel de destilação da Garden City com o qual o autor efetiva a extração dos óleos essenciais enfocados no livro.

Extração com solvente Há vários processos de extração, cada qual com uma finalidade e técnica
Extração com solvente
Há vários processos de extração, cada qual com uma finalidade
e técnica distinta. Veja na ilustração abaixo uma simplificação:
MATERIAL VEGETAL
extração
extração
extração
com água
com
com
(destilação)
etanol
solvente
TINTURA/
CONCRETO/
ÓLEO ESSENCIAL
EXTRATOS
ÓLEO-RESINA
(forma líquida)
(forma líquida)
(forma pastosa)
extração
com
destilação
etanol
ÓLEO ESSENCIAL
ABSOLUTO
(forma líquida)
(forma líquida)
A preparação de tinturas a partir de material vegetal não tem
expressão fora do universo farmacêutico, principalmente devido à
grande desproporção entre a quantidade de óleo essencial e água na
matéria-prima, sendo a baunilha talvez a única exceção notável.
A técnica de extração de óleos essenciais por solvente normal-
mente utiliza um ou vários solventes, conforme o tipo de mate-
rial que se deseja trabalhar. Os solventes mais utilizados são
o éter de petróleo, acetato de etila, diclorometano, aceto-
na, etanol ou hexana e suas várias combinações. Alguns
solventes por serem muito tóxicos, não podem ser utili-
zados na fabricação de aromas para aditivos alimenta-
res. A maior parte dos solventes tem periculosidade no
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res. A maior parte dos solventes tem periculosidade no 68 69 manuseio, sendo muito inflamáveis, além
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manuseio, sendo muito inflamáveis, além de tóxicos. O processo de extração deve retirar praticamente todo o resíduo do solvente do produto final, para que tenha condições de atender aos re- quisitos de produtos para a saúde, sejam cosméticos, sejam alimentos. As várias dificuldades operacionais, aliadas ao custo elevado dos solventes, fazem com que esse tipo de obtenção de óleo essencial fique direcionado apenas às plantas cujo rendimento de extração, por destilação, seja muito baixo, ou quando o componente desejado não seja arrastado pela técnica de destilação. De qualquer forma, os ren- dimentos com solvente são muito mais elevados, porém o arraste de

componentes normalmente não é seletivo. Acaba trazendo, além do óleo essencial, os componentes responsáveis pela pungência, pigmentos e com- ponentes indesejados, o que obriga um posterior processo de retifica- ção do produto.

O

produto da extração por solvente chama-se concreto no

caso das fragrâncias, ou óleo-resina no caso dos aromas ali- mentícios. O concreto, assim denominado devido à sua con- sistência pastosa ou sólida, será posteriormente extraído com etanol, para que possa ser utilizado em perfumes. Da mesma

forma, a óleo-resina para fins de aromatização de alimentos será destilada para evaporação do solvente e obtenção do óleo essencial na forma líquida.

A

dificuldade e periculosidade na extração com solventes convencio-

nais deu espaço para um novo tipo de processo, denominado extra-

ção por gás carbônico supercrítico. Apesar de ser também consi- derado um solvente, não é perigoso no manuseio nem é agres- sivo ao meio ambiente. O método de extração é completa- mente distinto dos anteriores, fazendo-se o uso das vali- osas propriedades do gás carbônico (CO 2 ) no estado supercrítico. Definimos estado supercrítico a fase da subs- tância que, sujeita à combinação de altíssima pressão e

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certas temperaturas, faz com que o CO 2 assuma características e propriedades tanto do estado líquido quanto gasoso. Neste pon- to, testam-se infinitas combinações de variações na tempera- tura e pressão para induzir propriedades desejadas de solvên- cia. Isso quer dizer que podemos selecionar certos compo- nentes como alvo, seja para isolá-los da mistura porque te- nham valor, ou para retificar a mistura desejada, caso o objetivo seja retirá-los. O CO 2 seletivamente retira o óleo essencial e a fração leve das resinas, rejeitando proteí- nas, ceras, carboidratos, pigmentos e clorofila, extrain- do precisamente o aroma e o sabor que justamente o processo de destilação muitas vezes não consegue fa- zer. Durante o processo de destilação, sempre há de- gradação do material celular, incluindo proteínas e outros componentes. Isso gera quantidades de nitro- gênio e compostos sulfúricos, traduzindo em notas de mal odor. Outra vantagem é o aparecimento de notas de saída (voláteis) e de fundo que seriam per- didas no processo de destilação. Esses componentes, cujo peso molecular se situa entre 200 e 400, são muito importantes. Por exemplo, o gingerol e shogaol, que são os componentes mais importantes do aroma e sabor do gengibre, aqui aparecem e estão completa- mente ausentes no processo de destilação.

importantes do aroma e sabor do gengibre, aqui aparecem e estão completa- mente ausentes no processo
importantes do aroma e sabor do gengibre, aqui aparecem e estão completa- mente ausentes no processo

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72 Qualidade 73 Padrões de qualidade e Identificação Como já foi dito, os óleos essenciais são

Qualidade

72 Qualidade 73 Padrões de qualidade e Identificação Como já foi dito, os óleos essenciais são
72 Qualidade 73 Padrões de qualidade e Identificação Como já foi dito, os óleos essenciais são
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Padrões de qualidade e Identificação

Como já foi dito, os óleos essenciais são misturas complexas de vários componentes químicos voláteis, produzidos pelas plantas. Inclusive plantas da mesma espécie, como quais- quer outros seres vivos, têm ampla variação genética, que se somado aos diferentes estímulos ambientais, tais como diferentes estágios de maturação, clima, solo, geografia, condição nutricional, nível de stress e outros, acabam se traduzindo em óleos essenciais com ampla variação. Para lidarmos comercialmente com os diferentes tipos de óleos essenciais, ou mesmo com as diversas possibilidades de variação de um mesmo tipo de óleo, foram definidos padrões de qualidade. A compara- ção de um óleo com o padrão estipulado é de particular importância para a indústria, para que as fórmulas de produtos que contenham o óleo como matéria-prima não tenham que ser constantemente re- ajustadas em função de cada safra. Obviamente a categorização de um óleo essencial contra um padrão permite também a detecção de adulterações ou misturas entre óleos de menor e maior valor, o que aumenta a segurança do produto. Os padrões estipulados nada mais são do que valores limítrofes (para cima , baixo ou ambos) de propriedades físicas e químicas dos óleos. Por exemplo, o índice de refração, medido por um aparelho simples chamado refratômetro, é o grau de desvio que a luz sofre ao atravessar o meio do óleo. Além da refração, são usualmente necessários a medição do ângulo de rotação óptica, densidade e índice de acidez. Para cada tipo de óleo, são estabelecidos os limites má- ximos e mínimos permitidos para cada propriedade. Diversas entidades, em geral associações, estabelecem padrões de qua- lidade para óleos essenciais. As principais entidades são a ISO (International Standards Association), ASTM (American Society for Testing Materials), as farmacopéias de vários países, o FCC (Food Chemicals Codex), dentre outras.

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Quando um óleo essencial atende o padrão FCC – Food Chemicals Codex –, equivale dizer que suas principais propriedades físico-químicas foram determinadas e se encontram dentro do limite permissível para aquele óleo essencial. Ele, portanto, poderá ser utilizado como ingrediente em alimentos. Isso também significa dizer que o produto é seguro e não foi adulterado.

dizer que o produto é seguro e não foi adulterado. Hoje em dia, com a evolução

Hoje em dia, com a evolução tecnológica e progresso nos estudos da funcionalidade e toxicidade de certos com- ponentes presentes no óleo essencial, há necessidade de garantir não somente a qualidade do óleo, mas também se faz necessário iden- tificar a presença de certos componentes dentro de cada lote de óleo essencial. Por exemplo, é o camazuleno que confere boa parte das pro- priedades antiinflamatórias ao óleo de camomila azul e também o componente que dita o preço final do produto. Quanto mais camazuleno o óleo de camomila possuir, mais alto será o preço do óleo. Com aparelhos tais como cromatógrafos a gás e espectrômetros de massa, ficou possível determinar quais são os componentes de qualquer óleo essencial e sua abundância relativa aos demais. Hoje, apesar dos cromatogramas não se- rem muito usados como determinadores de padrão para os óleos essenciais, seu uso é praticamente obrigatório para rápida avaliação de adulteração ou identificação dos principais componentes. O único fator limitante é o fato que esses aparelhos têm custo muito alto e demandam técnicos especializados para sua operação, dificultando sua difusão no mercado. Apesar da boa fé de muitos produtores de óleos essenci- ais, nem sempre se consegue produzir um óleo dentro de um padrão previamente estipulado. Ora porque o padrão possa ter sido criado sem levar em conta a variabilidade real da planta no mundo, dos distintos óleos essenciais que os diferentes quimiotipos daquela espécie produzem,

que os diferentes quimiotipos daquela espécie produzem, 75 ora porque o processo de produção daquele produtor
que os diferentes quimiotipos daquela espécie produzem, 75 ora porque o processo de produção daquele produtor
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ora porque o processo de produção daquele produtor possa ser um tanto diferente da média mundial. Nestes casos e também nos casos onde se procura excluir ou concentrar algum compo- nente químico, é possível, através da técnica chamada reti- ficação do óleo essencial, redestilá-lo, de forma fracionada, eliminando alguns componentes e concentrando outros de maior interesse.

Embalagens e Armazenamento

Os óleos essenciais reagem com embalagens plásticas e sofrem de- terioração ou processo de oxidação sob contato com o oxigênio do ar e volatilização se a embalagem é mantida aberta. O processo oxidativo é acelerado sob a presença de luz ou aumento de temperatura. É, por- tanto, fundamental que os óleos essenciais sejam comercializados e armazenados ao abrigo da luz, com mínimo de ar e dentro de embalagens de vidro ou alumínio. O óleo essencial armazena- do em refrigerador normalmente preserva melhor suas carac- terísticas originais, durando pelo menos o dobro do tempo. Consideramos razoável o prazo de validade de um ano para uma embalagem de óleo essencial depois de aberta, e de dois anos se armazenada em refrigerador. No caso de embalagens de vidro, é recomendável o uso de vidros tingidos com cor âmbar, para bloquear a incidência de luz. No caso do alumínio, a proteção à incidência de luz e quebra, são automáticas, porém não se recomenda manter óleos essenciais em embala- gens de alumínio por longo período. A deterioração do óleo essencial não somente afeta seu odor e sabor, mas principalmente suas propriedades tera- pêuticas. Há estudos que comprovam a perda da eficácia terapêutica e do poder bactericida em óleos essenciais armazenados de forma incorreta.

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Os dos óleos
Os
dos
óleos

componentes

essenciais

76 Os dos óleos componentes essenciais 77 Os óleos essenciais, como já foi dito, são na
76 Os dos óleos componentes essenciais 77 Os óleos essenciais, como já foi dito, são na
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Os óleos essenciais, como já foi dito, são na verdade um coquetel de pelo menos uma centena de compostos distintos, cuja única característica em comum é sua volatilidade dentro da mesma faixa de temperatura e pressão. Os componentes têm ca- racterísticas bastante distintas, uns podendo ser tóxicos e outros não, uns mais lipofílicos do que outros, e toda a funcionalidade terapêutica e olfativa está diretamente relacionada ao grupo químico que um dado composto faça parte. Outra grande contribuição foi dada por Pierre Franchomme e seus colaboradores, no sentido de podermos inferir algumas propriedades terapêuticas de um óleo a partir do conhecimento dos seus principais componentes, e principalmente da categorização, ou seja, em quais grupos químicos cada um desses com- ponentes está associado. Ainda que este texto seja voltado ao público leigo, achamos fun- damental uma introdução aos principais grupos químicos relacio- nados aos óleos essenciais. A grosso modo, existem três gran- des grupos de compostos químicos nos óleos essenciais: os hidrocarbonetos terpênicos, os compostos oxigenados e suas sub-categorias e outros grupos de menor relevância.

Os hidrocarbonetos terpênicos

É a maior categoria de componentes em óleos essenciais, se consi- derarmos a quantidade relativa destes componentes frente aos de- mais. Se são bastante relevantes do ponto de vista terapêutico, do ponto de vista olfativo esse grupo passa a ser bem menos importante do que os compostos oxigenados, largamente responsáveis pelo odor e sabor dos óleos essenciais. Os terpenos consistem de moléculas contendo so- mente átomos de carbono e hidrogênio. Quando as ca-

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deias são curtas, com 10 átomos de carbono, são chamados de monoterpenos. Como exemplo de monoterpenos temos o mirceno, canfeno e sabineno. Quando as cadeias possuem 15 átomos de carbono, são denominados sesquiterpenos. Como exem- plo podemos citar o bisaboleno, camazuleno e farneseno. Como você deve ter percebido, os nomes químicos dos terpenos normalmente terminam em <eno> o que torna relativamente fácil associar o nome à sua classe química. Os monoterpenos são moléculas simples, leves, altamente voláteis. Exatamente por isso são as primeiras a serem percebidas pelo nosso olfato. Da mesma forma, são as mais fáceis de extrair e, caso predominem absolutamente dentro de um óleo essencial, isso pode significar que o óleo foi destilado por pouco tempo ou em condições não ideais, não permitindo que as demais moléculas — menos voláteis, mais pesadas — que demoram um pouco mais para volatilizar, mas que também são mais ricas aromaticamente, pudessem também estar presentes. A ausência de sesquiterpenos ou compostos oxigenados em óleos essenciais que normalmente os possuem, se traduz num aroma mais pobre do óleo essencial, o que inevitavelmente representa um menor valor de mercado. Isso não se aplica, naturalmente, nos casos de óleos essenciais que possuem somente monoterpenos pre- sentes, tais como o de pinus.

Os compostos oxigenados

Álcoois

Representam o grupo mais variado de derivados dos terpenos. Normalmente possuem 10 átomos de carbono, por isso são denominados de álcoois monoterpênicos. São os grandes responsáveis pelo odor e gosto dos óleos essenciais e, como veremos a seguir, os componentes mais

essenciais e, como veremos a seguir, os componentes mais 79 solúveis em água. Como exemplo temos
essenciais e, como veremos a seguir, os componentes mais 79 solúveis em água. Como exemplo temos
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solúveis em água. Como exemplo temos os componentes linalol, nerol e geraniol. Todos os nomes de álcoois terminam em <ol>. Infeliz- mente, os fenóis também têm a mesma terminação, o que causa uma certa confusão.

Aldeídos

São os álcoois parcialmente oxidados. Os aldeídos são os responsáveis pelo aroma frutal dos óleos essenciais. Os nomes químicos terminam em <al> ou com a palavra <aldeído>. Por exemplo, citral, citronelal e cinamaldeído.

Cetonas

As cetonas são componentes estáveis, normalmente não oxidáveis e fonte das principais preocupações do ponto de vista toxicológico, como veremos a seguir. Os nomes químicos dos compostos do grupo das cetonas normalmente terminam com <ona>, tais como a tujona, fenchona, carvona. Há, porém, exceções, como a cânfora.

Ésteres

Assim como os aldeídos, os ésteres são responsáveis pelo aroma frutal intenso. Os ésteres estão mais associados aos óleos essenciais obtidos a partir de flores e frutos madu- ros. Os ésteres são facilmente degradados nas altas tem- peraturas do processo de destilação. Por esse motivo, não

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são muitas as flores e frutas que conseguem ter o seu óleo essencial representando o seu verdadeiro aroma. O processo de extração mais comumente utilizado, que é a destilação, normalmente destrói essas moléculas. Os nomes químicos das moléculas dessa classe normal- mente terminam com <ila>, como hidrato de metila e acetato de butila.

Fenóis

São os principais componentes germicidas e antioxidantes. Infelizmen- te também trazem inúmeras preocupações com toxicologia, pois são mo- léculas muito reativas e, em grandes quantidades, muito irritantes ao nosso organismo. A terminação <ol> identifica a maior parte dos nomes químicos dessa classe, por exemplo, timol, carvacrol e eugenol.

Éteres e Óxidos

Tanto os éteres como os óxidos possuem um átomo de oxigênio entre dois átomos de carbono. Não há uma fórmula universal para a rápida identificação destas classes a partir dos nomes químicos. Como exemplo de óxido, o componente mais conhecido é o cineol, princi- palmente presente no óleo de eucaliptus e inúmeras outras plan- tas, e o óxido de bisabolol. No que se refere aos éteres, temos como exemplos o anetol, safrol, apiol e estragol, todos com implicações toxicológicas importantes.

todos com implicações toxicológicas importantes. 81 Outros compostos oxigenado s Outros compostos oxigenados
todos com implicações toxicológicas importantes. 81 Outros compostos oxigenado s Outros compostos oxigenados
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Outros compostos oxigenados

Outros compostos oxigenados de menor importância em óleos essenciais são os furanos, as lactonas, os peróxidos e os ácidos. Damos aqui particular destaque às furanocumarinas, um tipo particular de composto presente principalmente a partir da extração por prensagem a frio de frutas cítricas, que tem implicação direta na fotoxicidade dérmica se aplicados so- bre a pele e seguida de exposição à luz solar.

Outros compostos não-oxigenados

Compostos Sulfúricos São componentes muito reativos, mas não são encontrados em muitos óleos essenciais. Um exemplo é a dialila-disulfida, compo- nente do óleo essencial de alho e responsável por sua caracterís- tica pungente. Os nomes químicos de moléculas desta classe normalmente contêm o radical <sulf> no meio do nome.

MOLÉCULAS DE

CARGA POSITIVA

Monoterpenos saturados ou pouco insaturados (anti-sépticos) Álcoois e fenóis (antiinfecciosos) Fenóis metil-éteres (antiinfecciosos) Aldeídos benzênicos (antiinfecciosos) Óxidos (antiparasitários, expectorantes) Lactonas (reguladores hormonais) Ácidos (antiinfecciosos)

TÔNICOS E ESTIMULANTES EM GERAL

MOLÉCULAS DE

CARGA NEGATIVA

Cetonas (mucolíticos, cicatrizantes) Aldeídos (antiinfecciosos) Ésteres (antiespasmódicos) Terpenos polinsaturados (anti- histamínicos, antialérgicos)

CALMANTES

E RELAXANTES

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82 Metabolismo dos óleos essenciais 83 Imediatamente após a massagem, inalação ou ingestão, a maior par-

Metabolismo dos óleos essenciais

82 Metabolismo dos óleos essenciais 83 Imediatamente após a massagem, inalação ou ingestão, a maior par-
82 Metabolismo dos óleos essenciais 83 Imediatamente após a massagem, inalação ou ingestão, a maior par-
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Imediatamente após a massagem, inalação ou ingestão, a maior par- te dos óleos essenciais já é absorvida pelo sangue. Conseguimos detectar níveis consideráveis de óleo essencial no sangue após 5 minutos da sua aplicação. O pico normalmente ocorre após 20 minutos. O destino principal dos óleos é o fígado, que metaboliza (modifica) os componentes do óleo através de enzimas. Os componentes modificados são redistribuídos aos músculos e tecidos adiposos. Vale ressaltar que os com- ponentes mais solúveis em água tendem a permanecer um tempo maior circulando no sangue e músculos, mas a seguir são destinados primariamente aos rins, onde serão excretados pelo trato urinário. Há pequena quantidade de excreção também pela boca, fezes e pele. Os componentes mais lipossolúveis atingem rapidamente o sistema nervoso central, o fígado e tecidos adiposos em geral, onde tendem a ser armazenados por prazo maior. Respeitando-se os níveis de concentração máximos sugeridos neste livro, e aplicados na forma de massagem, inalação ou sim- plesmente como aromatizantes alimentícios, os óleos essenciais não devem ser fonte de preocupação ao usuário.

MOLÉCULAS HIDROSSOLÚVEIS (POLARES) MOLÉCULAS LIPOSSOLÚVEIS (APOLARES) Aldeídos Ésteres Moléculas Cetonas
MOLÉCULAS
HIDROSSOLÚVEIS (POLARES)
MOLÉCULAS
LIPOSSOLÚVEIS (APOLARES)
Aldeídos
Ésteres
Moléculas
Cetonas
Moléculas
Sesquiterpenos
negativas
Cumarinas
negativas
Lactonas
Óxidos
Moléculas
Terpenos
Fenóis
Moléculas
positivas
Fenóis
Álcoois
positivas
Tendem a permanecer mais tempo
no sangue e a seguir são excretadas.
O destino final são os músculos.
Tendem a ser armazenadas por mais
tempo no organismo. Atuam
diretamente sobre o sistema nervoso
central (doenças psicossomáticas e
de ordem emocional)

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no uso e
no
uso
e

Segurança

toxicologia

84 no uso e Segurança toxicologia 85 Embora o uso apropriado de óleos essenciais seja normalmente
84 no uso e Segurança toxicologia 85 Embora o uso apropriado de óleos essenciais seja normalmente
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Embora o uso apropriado de óleos essenciais seja normalmente se- guro, existem alguns tipos de óleos que têm grupos químicos pro- blemáticos e devem ser evitados em tratamentos de saúde ou preparações cosméticas. A forma como o óleo essencial é administrado é de suma importância: não somente o método de aplicação está diretamente relacionado ao efeito que desejamos obter, mas também há maior ou menor risco de toxicidade de acordo com o método utilizado. Por exemplo, de maior para menor toxicidade potencial, estão ordenadas as formas de administração: oral, retal, vaginal, cutânea, inalação. Quando se administra um óleo essencial por via oral, a concentração dos seus com- ponentes no sangue será cerca de 10 vezes maior se comparada à con- centração da administração por via dérmica. A aplicação de óleos essenciais por meio de massagem ou inalação é forma segura de ministrar os princípios ativos, desde que se respeite as doses recomendadas a seguir. A administração de óleos essenciais por via oral, quando esses forem aplicados para fins de aromatização de alimentos, é muito segura, pois as doses usa- das são muito baixas. Estudos recentes mostram que a concentração dos compo- nentes voláteis no sangue após aplicação dérmica, através de mas- sagem, é máxima após cerca de 20-30 minutos. Após 90 minutos, a concentração cai a níveis próximos de zero. Ou seja, a massagem é uma forma muito eficiente e rápida para se administrar o óleo es- sencial com segurança. Alguns fatores podem influenciar na efi- ciência da aplicação. Se aplicarmos o óleo essencial com ca- lor e em pele descoberta, boa parte do óleo será volatilizada antes de ser absorvido. Se a pele estiver machucada, a absorção é muito mais acelerada. Se a pele estiver lim- pa e hidratada, a absorção também é mais rápida. A pele tem permeabilidade distinta a diferentes tipos de

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componentes: os mais voláteis e mais lipofílicos têm absorção mais rápi- da do que componentes menos voláteis e mais hidrofílicos. A administração dos óleos essenciais por inalação, além de bastante segura, é talvez o canal mais eficiente para atingir o sistema nervoso central. Portanto, tem maior rapidez para provocar efeito relaxante ou estimulante do que outros mé- todos. Também é particularmente interessante para atingir doenças de ordem psicossomática. A quantidade inalada de óleo essencial é ampliada se o paciente aumentar a velocida- de ou a profundidade da respiração.

aumentar a velocida- de ou a profundidade da respiração. Óleos essenciais contendo cetonas: neurotóxicos 87
aumentar a velocida- de ou a profundidade da respiração. Óleos essenciais contendo cetonas: neurotóxicos 87
aumentar a velocida- de ou a profundidade da respiração. Óleos essenciais contendo cetonas: neurotóxicos 87

Óleos essenciais contendo cetonas: neurotóxicos

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Normalmente os óleos essenciais contendo altos teores de cetonas devem ser evitados, tendo em vista diversos trabalhos documentando os efeitos neurotóxicos destes óleos. O uso extremado e por longo prazo destes óleos pode também provocar dano ao fígado. Vale ressaltar que nem todas as cetonas encontradas nos óleos essenciais são tóxicas, como por exemplo a fenchona, presente no funcho amargo, que é praticamente atóxica. A cetona mais abundante nos óleos essenciais é a tujona, que deve ser utilizada, sempre que necessário, com extremo cuidado. Deve-se dar preferência a algumas fontes de tujona de menor risco, como o óleo essencial de sálvia. Mesmo assim, este não deve ser utilizado por crianças ou mulheres grávidas.

Alto teor Metil-nonil cetona EVITAR USO Arruda (Ruta graveolens) Losna (Artmisia absinthum) Poejo (Mentha pulegium)
Alto teor
Metil-nonil cetona
EVITAR USO
Arruda (Ruta graveolens)
Losna (Artmisia absinthum)
Poejo (Mentha pulegium)
Cetona artemisia
Pulejona
Sálvia (Salvia officinalis)
Lavanda spike (Lavandula latifolia)
Cânfora (Cinamomum camphora)
Tujona
Cânfora
Cânfora
Teor Baixo
RISCO BAIXO
Mil-em-ramas (Achilea millefolium)
Alecrim (Rosmarinus officinalis) quimiotipo cânfora
Menta piperita (Mentha X piperita)
Tujona
Cânfora
Mentona
Relativamente
Alecrim (Rosmarinus officinalis) quimiotipo verbenona
Eucalipto (Eucalyptus globulus)
Vetiver (Vetiveria zizanoides)
Verbenona
sem Problemas
Pinocarvona
Vetivona

Teor Moderado USAR COM ATENÇÃO

Óleos essenciais contendo fenóis: hepatotóxicos

Os óleos essenciais que contêm fenóis são ocasionalmente usados por sua grande eficácia como antimicrobianos ou agentes antioxidantes. Eles não serão problemáticos se as dosagens forem baixas, como no caso do seu uso como antioxidantes, ou no caso do uso terapêutico se os tratamentos não forem muito prolongados. Caso contrário, poderão acumular, provocan- do problemas ao fígado. O tempo máximo recomendável para tratamentos em doses terapêuticas usando fenóis é de 2 a 4 dias, o que normalmente é bem tolerado pelas pessoas.

 

PLANTA

TIPO DE FENOL

COMENTÁRIO

 

Segurelha

Carvacrol/ Timol

(Satureja

hortensis)

 

• Dose oral inferior a 3 gotas em tratamentos clínicos.

 
 

Orégano

Carvacrol

• Evitar a aplicação externa.

(Origanum vulgaris)

• Sem problema no uso como aromatizante alimentar

 

Tomilho

Carvacrol/ Timol

(Thymus vulgaris)

Cravo-da-Índia

 

• Pode provocar severa irritação dérmica.

(Syzygium aromaticum)

Eugenol

• Sem problema se ingerido oralmente ou quando usado como aromatizante

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se ingerido oralmente ou quando usado como aromatizante 88 89 Óleos essenciais que provocam danos ao
se ingerido oralmente ou quando usado como aromatizante 88 89 Óleos essenciais que provocam danos ao
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Óleos essenciais que provocam danos ao fígado

Excesso de exposição a hidrocarbonetos monoterpênicos pode provocar dano ao fígado. Óleos essenciais contendo acima de 90% de monoterpenos, tais como o óleo de junípero, devem ser evitados. O fígado apresenta bem mais tolerância aos monoterpenos alcoólicos, mais hidrofílicos que os primeiros. Por isso recomenda-se para uso mais pro- longado, óleos essenciais com maior predominância de monoterpenos alcoólicos, tais como sálvia esclarea, lavanda ou tea tree.

Óleos essenciais com efeitos carcinogênicos

Em altas doses e por tempo prolongado alguns óleos essenciais têm provocado efeito carcinogênico sobre cobaias. Estudos com óleo essencial de canela sassafrás, planta nativa brasileira, prati- camente extinta devido à exploração irracional da mesma, evi- denciaram carcinogenicidade. Isso também foi verificado com estragol (componente presente em alguns óleos essenciais). Vale notar que a dose que teoricamente provocaria tumores em seres humanos seria da ordem de 30g de estragol por dia, para uma pessoa com cerca de 70 kg. Note que a dose recomendada do uso destes produtos seja para saúde, seja na alimentação – é milhares, se- não, milhões de vezes menor, de modo que é muito pouco provável que o uso dos óleos essenciais listados no livro, nas doses reco- mendadas, possam provocar algum tipo de risco.

Óleos essenciais que provocam sensibilidade e irritação dérmica

Os óleos essenciais são instrumentos extremamente poderosos e concentrados. Mesmo em doses muito pe-

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quenas, se em contato direto com a pele podem provocar irritação severa. Isso é especialmente válido para óleos com alto teor de fenóis, tais como orégano, manjerona, tomilho, segurelha ou cravo-da-índia. Algumas pessoas têm pré-disposição para desenvolvi- mento de reações alérgicas. Se já tiverem hipersensibilidade à alguma substância em particular, o corpo responde pro- duzindo anticorpos. Num segundo contato, o corpo reco- nhece a substância (antígeno) e responde imediatamente com uma reação devido à produção imediata de anticorpos em excesso. Dentre os óleos essenciais, os óleos de cravo-da-índia e ca- nela são normalmente responsáveis por essas reações exacerbadas, mes- mo quando utilizados sobre a pele em pequenas quantidades. Para aplicações em cosmética e aromaterapia por meio de massa- gem, e no caso específico de pessoas com histórico de alergias, é con- veniente testar a sensibilidade do indivíduo à exposição de peque- nas doses do óleo essencial, aplicando uma ou duas gotas do óleo diluída em álcool, sobre emplastro colocado sob a articula- ção do cotovelo, e aguardando 24 horas, aplicando novamente e aguardar mais 24 a 48hs, seguindo com o tratamento somente após a certeza de que não apareceram reações alérgicas. A fotossensibilidade também é uma reação adversa importante de alguns óleos essenciais, principalmente aqueles contendo cumarinas e furanocumarinas. A reação apenas acontece com exposição à luz. Os óleos cítricos obtidos por expressão são exemplos de óleos com cumarinas e furanocumarinas em abundância. Evitar seu uso em aplicações dérmicas. Enquanto a utilização de óleos essenciais bastante di- luídos na forma de aromatizantes para alimentos, ou seja, na culinária, não deve provocar problemas, vale a pena seguir as diretrizes básicas para o uso dos óleos em cos- mética e saúde.

básicas para o uso dos óleos em cos- mética e saúde. Pontos importantes • Um óleo
básicas para o uso dos óleos em cos- mética e saúde. Pontos importantes • Um óleo

Pontos importantes

Um óleo essencial normalmente é uma mistura complexa de mais de 100 componentes orgânicos. Estes componen- tes são responsáveis pelo aroma, propriedades terapêuticas e muitas vezes pela toxicidade do óleo.

Os componentes de um óleo essencial podem estar presen- tes em quantidade muito pequena – mas mesmo assim, se forem suficientemente potentes, podem ser responsáveis pelo efeito terapêutico ou tóxico.

Os óleos essenciais são muito sensíveis aos efeitos da luz, calor, umidade e principalmente ar – e devem ser armaze- nados em recipientes de vidro, de preferência escuros para evitar sua degradação.

Em geral, a toxicidade de um óleo essencial depende da dose. Quanto mais se utiliza o componente, maior risco ele traz. Um pequeno teste sobre as axilas ou abaixo do coto- velo, com intervalo de 24 horas é uma boa forma de averi- guar o potencial de eventuais reações alérgicas.

Óleos essenciais ingeridos em pequenas doses (como aromatizantes alimentares) ou ministrados através de mas- sagens ou inalação nas doses recomendadas não deverão acarretar problemas.

Os óleos essenciais, devido ao seu alto valor, são freqüentemente adulterados. Para evitar comprar gato por lebre, procure adquirir seus produtos sempre de fornecedo- res confiáveis de óleos essenciais e prefira óleos com padrão alimentar FCC (Food Chemicals Codex). Óleos essenciais den- tro do padrão alimentar custam um pouco mais, mas são praticamente impossíveis de falsificar.

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Guia de dos óleos
Guia
de
dos
óleos

utilização

essenciais

92 Guia de dos óleos utilização essenciais 93 Como utilizar óleos essenciais em cosméticos e odorização

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Como utilizar óleos essenciais em cosméticos e odorização de ambiente

Água de banho

Adicione 5-15 gotas de óleo essencial em banheira com água morna.

Loção corporal

Adicione ½ - 1 colher de chá de óleo essencial por 500 ml de óleo de semente de uva ou óleo de girassol

Velas

Acenda vela e aguarde a parafina começar a derreter. Adicione 1-2 gotas de óleo essencial sobre a parafina líquida

Odorizante de carpete

1 colher de chá de óleo essencial misturada a ½ xícara de bicarbonato de sódio e ½ xícara de amido. Misturar bem e deixar a mistura descansar por 30 minutos. Pulverize sobre o carpete , aguarde 30 minutos e aspire o pó.

Bolas de algodão

Coloque 1-3 gotas de óleo essencial em cada bola de algodão. Espalhar as bolas por gavetas ou closet.

Águas faciais

6-8 gotas de óleo essencial para cada 30 ml de água

Sachets herbais

Adicione várias gotas de óleo essencial sobre cada sachet pronto

Difusores de aroma

Adicione 6-8 gotas de óleo essencial na água dos umidificadores

Amaciante de roupas

Adicione 2-3 gotas de óleo essencial por litro de água. Adicione uma xícara da mistura na máquina de lavar roupa.

Lâmpadas

Coloque algumas gotas do óleo essencial sobre lâmpadas ainda frias, para repelir insetos.

Massagem

5-15 gotas de óleo essencial por 30 ml de óleo vegetal fixo (girassol, semente de uva etc.)

Água de colônia

Adicione 15 gotas de óleo essencial em 50 gotas de álcool etílico ou vodka e 30-40 gotas de água destilada. Deixe descansar por 2-3 semanas. Agite bem antes de usar.

Pouporri

Adicione algumas gotas de óleo essencial sobre pouporri. Cubra por 2 semanas antes de usar.

Spray odorizante

4 gotas de óleo essencial por xícara de água morna (não quente). Use difusor novo e evite aplicar sobre móveis.

Lareiras

Adicione 1 gota de óleo essencial sobre cada pedaço de lenha, ½ hora antes de acender fogo.

sobre cada pedaço de lenha, ½ hora antes de acender fogo. Tabela adaptada do livro 375

Tabela adaptada do livro 375 Essential Oils and Hydrosols , por Jeanne Rose

Como administrar óleos essenciais para fins terapêuticos

VIA DÉRMICA Como regra geral, nunca ultrapasse a máxima concentração de 2,5% de óleo essencial diluído sobre o óleo carreador apropriado, quando utilizado em massagens. Não deixar de verificar se o tipo de óleo pode provocar problemas de sensitização, carcinogenicidade, neurotoxicidade, etc. Quantidade sugerida de óleo essencial a ser diluído em 10g de óleo carreador:

Adultos 75 mg (aprox. 3 gotas) Jovens 50 mg (aprox. 2 gotas) Crianças 25 mg (aprox. 1 gota) Máximo de 3 vezes ao dia Evitar a aplicação de óleos essenciais em bebês, idosos ou durante a gravidez. Os óleos essenciais têm excelente capacidade de difusão por via dérmica. Quando aplicados diretamente sobre a pele provocam alta concentração do princípio ativo no sangue em poucos minutos. Usar a via dérmica quando desejar o efeito antiinflamatório, desodorante, inseticida, anti- séptico ou repelente. Os óleos essenciais devem ser aplicados de forma diluída em óleos carreadores, na sola dos pés, evitando-se assim absorção imediata pelo fígado. Há diversos óleos vegetais carreadores, tais como óleo de sementes uva, girassol, amêndoa, canola e outros. O usuário deve preferir os óleos prensados a frio, ao invés dos extraídos com uso de solventes ou refinados. Os óleos refinados, no entanto, tendem a apresentar menor odor.

VIA ORAL As moléculas de óleo, por serem pequenas e lipofílicas, são rapidamente absorvidas pelos tecidos do trato digestivo e tendem a migrar para o fígado, onde serão metabolizadas. Quando desejar alcançar algum dos efeitos abaixo, a via oral é possível. Efeito colerético, carminativo, expectorante, mucolítico, espasmolítico, antiinflamatório, estimulador de apetite, diurético, calmante e estimulador do sistema nervoso. Os óleos essenciais podem ser ingeridos através de cápsulas gelatinosas ou misturados com mel ou açúcar.

INALAÇÃO Difusores de aroma elétricos ou velas podem ser usados para veiculação do óleo essencial. Neste caso, conseguimos alcançar tanto os efeitos da via oral como os da aplicação dérmica. Já que as concentrações dos óleos nesta forma de administração são bem mais baixas, há menores riscos de toxicidade, sensibilidade dérmica e reações alérgicas. Uma sessão típica normalmente dura de 10 a 15 minutos.

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Uma sessão típica normalmente dura de 10 a 15 minutos. 94 95 Todas as monografias apresentadas
Uma sessão típica normalmente dura de 10 a 15 minutos. 94 95 Todas as monografias apresentadas
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Todas as monografias apresentadas na “Parte II - Os Óleos Essenciais”, procuram enfocar as propriedades terapêuticas já clinicamente com- provadas e publicadas através de trabalhos científicos. Cabe ressaltar que muitas vezes encontramos diversos trabalhos realçando uma mesma propriedade terapêutica, ou even- tualmente, ensaio clínico que demonstra que aquele uso em especial traz resultados muito satisfatórios. Nestes ca- sos procuramos destacar o uso com os símbolos (+), (++), (+++) ou (++++), que refletem, ainda que de forma relati- va, porém hierárquica, os usos mais vantajosos dos óleos em questão.

Como utilizar as indicações para uso alimentício

Como a quantidade de óleo essencial utilizada para fim culinário é muito pequena e se fôsse utilizado diretamente sobre os alimentos, obri- garia o leitor praticamente a montar um laboratório para manipula- ção, exigindo conhecimento e prática química, que fogem do obje- tivo deste livro, usaremos de um artifício habitualmente feito por profissionais da área, que é a pré-diluição do óleo essencial em “soluções-estoque”, que chamaremos de aromatizantes. Será este o produto usado nas sugestões oferecidas em todas as monografias e receitas culinárias contidas no livro. Salvo poucas exceções, como é o caso dos aromatizantes produzidos pela empresa Garden City, não é factível que o leitor adquira aromatizantes prontos para cada óleo essencial enfocado neste livro. Assim indicamos abaixo uma forma prática para você prepará-los. A quantidade resultante da preparação de cada aromatizante é sufi- ciente para contemplar múltiplas receitas. Se armazenado adequada- mente (ao abrigo da luz e umidade) durará muito tempo.

Como preparar o seu próprio aromatizante

Compre uma garrafa de 1000ml do óleo vegetal de sua preferência.

Adicione um frasco de 10ml de óleo essencial puro e indicado para fins culinários.

Misture bem.

Armazene corretamente.

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96 Parte II 97 Os Óleos Essenciais por Luiz Grossman
96 Parte II 97 Os Óleos Essenciais por Luiz Grossman
96 Parte II 97 Os Óleos Essenciais por Luiz Grossman

Parte II

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Os Óleos Essenciais

por Luiz Grossman

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98 Ervas Aromáticas 99

Ervas

Aromáticas

98 Ervas Aromáticas 99
98 Ervas Aromáticas 99

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98 Ervas Aromáticas 99
101 Sálvia ( Salvia officinalis , L. e Salvia sclarea , L.) A sálvia é
101 Sálvia ( Salvia officinalis , L. e Salvia sclarea , L.) A sálvia é

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Sálvia

Sálvia

(Salvia officinalis, L. e Salvia sclarea, L.)

A sálvia é originária das regiões secas e pedregosas do sul da Europa, onde podemos encontrar diversas variedades ainda na forma nativa. O gênero científico Salvia deriva do

latim salvere salvus, cujo significado

é “ajuda a manter as pessoas sadias”,

pois a sálvia é usada desde o tempo da Grécia e Roma antigas como planta medicinal.

a manter as pessoas sadias”, pois a sálvia é usada desde o tempo da Grécia e

Os romanos, em particular, também a denominavam de Erva Sacra. Foi adjetivada durante toda a Antigüidade e Idade Média com todas as virtudes. Era a panacéia para tudo. Lia-se na fachada da escola de medicina de Salerno, no século XII: “Como pode morrer aquele que tem sálvia em seu jardim?”

A sálvia é um arbusto de pequeno porte, que cresce até 50 cm de altura, com caule

lenhoso e ramos de crescimento anual. Tanto pode ser propagada por sementes como por estacas. A planta prefere solos neutros e férteis. A colheita dos ramos inicia-se antes da floração e pode ser feita a cada seis meses. A primeira colheita ocorre aproximadamente um ano após o plantio.

Aroma

O óleo essencial de sálvia abarca na verdade óleos essenciais de grupos distintos de plan-

tas do mesmo gênero, a Salvia officinalis, a Salvia sclarea e a Salvia lavandulifolia. Enquanto

a finalidade principal da primeira é aromatização de alimentos, as outras duas têm aplicação principal na área cosmética e de aromaterapia.

O óleo essencial de Salvia officinalis é de cor amarelo, tendo uma nota fresca, herbá-

cea, canforácea e ardente no sabor.

O óleo essencial de Salvia sclarea é de coloração amarela ou esverdeada, com odor herbáceo

e tenaz. Além da nota de frescor devido ao linalol e acetato de linalila, seus principais

componentes, há também um tom de fundo que lembra o tabaco ou o chá. Uma vez que o mercado oferece a versão sintética de linalol, esse óleo acaba sendo adulterado com freqüência.

O óleo essencial de Salvia lavandulifolia tem coloração amarelada, com odor herbáceo

canforado. Devido à imensa quantidade de adulteração, o mercado perdeu a confiança neste óleo, que ainda por cima não apresenta propriedades extraordinárias, como os dois primeiros.

Saúde

O óleo essencial de sálvia é tradicionalmente usado para recuperar a perda do apetite,

diarréia, gastrite, flatulência laringite, faringite, estomatite e inflamação da mucosa oral. A sálvia é muito recomendada como reguladora do ciclo menstrual, por incluir substâncias do tipo estrogênico.

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por incluir substâncias do tipo estrogênico. 102 103 Propriedades comprovadas clinicamente •
por incluir substâncias do tipo estrogênico. 102 103 Propriedades comprovadas clinicamente •

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Propriedades comprovadas clinicamente

Expectorante, mucolítico

Salvia sclarea

Lipolítico (+++), anticelulítico

Antiinfeccioso. Antibacteriano específico (contra bactérias Gram positivas (+++).

Antiviral (+++)

Antipirético

Colagogo (++)

Cicatrizante

Regulador circulatório

Emenagogo

Antidiabético

Salvia officinalis

Antilipêmico

Antiespasmódico

Neurotônico

Emenagogo (++++)

Combate a depressão, tensão nervosa, sedativo, afrodisíaco, enxaqueca,

stress, fadiga.

 

Óleo essencial de Salvia officinalis contém: cetonas monoterpênicas α e β

tujonas monoterpenos α-pineno, mirceno, canfeno, limoneno, ocimeno, alo-ocimeno, p-canfeno (35-60%), álcoois α-terpineol (0,1-9%), linalol (0,5- 12%), óxidos óxido de cariofileno (1,1%), delta-terpineol, 1,8-cineol, Sesquiterpenos aromadendreno, β-cariofileno, α-humuleno, α-malieno, viridiflorol, Fenol: timol; Ésteres: acetato de bornila, acetato de sabinila e acetato de linalila.

O

óleo essencial de Salvia sclarea contém monoterpenos α-pineno, mirceno,

canfeno, limoneno, ocimeno, alo-ocimeno, p-canfeno, álcoois linalol óxi- dos óxido de cariofileno (1,1%), delta-terpineol, 1,8-cineol, Sesquiterpenos germacreno, β-cariofileno, Ésteres: acetato de bornila, acetato de sabinila,

e

acetato de linalila.

As principais reações adversas estão associadas ao uso oral, podendo provo-

Benefícios Psico-emocionais (Salvia Sclarea)

Mecanismo de Ação e Ingredientes Ativos

Reações Adversas

car quelites, estomatites, irritações locais, vômito, insônia, taquicardia, tre-

mores e danos ao sistema renal.

Indicações

• Gripe, Bronquite e sinusite

Salvia officinalis

• Aftose, enterite viral

• Insuficiência biliar (+++)

• Meningite viral e nefrite viral (++)

• Artrite reumatóide (+)

• Amenorréia (++++), pré-menopausa (+++), herpes genital

• Herpes labial, celulite

• Problemas de circulação

Evitar uso oral em doses terapêuticas Concentração máxima de uso tópico: 0,1%

 

• Amenorréia (++++), pre-menopausa (+++)

Salvia sclarea

• Problemas circulatórios, varizes.

• Micose cutânea

• Fatiga nervosa

Recomendação

• Recomenda-se não administrar o óleo essencial de salvia officinalis por via

oral, em doses terapêuticas, devido as tujonas presentes no óleo.

Comentários

• O óleo essencial é considerado seguro para uso alimentar pelo FDA (Food and Drug Administration)

Cosmética

Em perfumaria, o óleo essencial de Salvia officinalis combina bem com outros óleos essenciais, tais como de lavandim, alecrim, citrus e pau-rosa.

O óleo essencial de Salvia sclarea é mais usado em perfumaria, como produto indepen-

dente ou como modificador do óleo essencial de bergamota ou lavanda. Também combina muito bem com coentro, cardamomo, citrus e lavanda.

O perfume Starring for Men, da Avon, provavelmente usa a sálvia como um dos ingredi-

entes da sua fragrância.

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a sálvia como um dos ingredi- entes da sua fragrância. 104 Culinária 105 O óleo essencial
a sálvia como um dos ingredi- entes da sua fragrância. 104 Culinária 105 O óleo essencial

Culinária

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O óleo essencial de Salvia officinalis é usado em licores, molhos, alimentos enlatados e

pickles, sendo de particular destaque seu papel como ingrediente do vermute. Devido ao seu

alto conteúdo de tujonas, componente tóxico para seres humanos, seu uso é restrito, porém permissível em pequenas quantidades.

O óleo essencial de Salvia sclarea, bem menos problemático, também é utilizado como

aromatizante em licores e vinhos.

SÁLVIA

GOTAS DE AROMATIZANTE / 100g DE ALIMENTOS

Bebidas alcoólicas

1-2

Massas

8-14

Condimentos

5-7

Azeites

2-3

Sorvetes

4-6

Gelatinas

1-2

Molhos

60-90

Carnes

23-50

Bebidas não-alcoólicas

3-4

Doces

6-9

107 (Coriandrum sativum, L.) Coentro O coentro é originário do Sul da Europa, na região
107 (Coriandrum sativum, L.) Coentro O coentro é originário do Sul da Europa, na região

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(Coriandrum sativum, L.)
(Coriandrum sativum, L.)

Coentro

O coentro é originário do Sul da Europa, na região do Mediterrâneo. O nome do genero coriandrum se origina da palavra Koris, que significa percevejo em latim. A planta ainda se dissimina de forma selvagem, como também é extensivamente cultivada em muitos países.

em latim. A planta ainda se dissimina de forma selvagem, como também é extensivamente cultivada em

O coentro é de porte arbustivo, com cerca de 60 cm de altura. A propagação da planta é re-

lativamente fácil, efetuada por meio de sementes. O óleo essencial é extraído das sementes, sendo utilizado para aromatizar perfumes, alimentos e mascarar odores na indústria farmacêutica.

Aroma

O óleo essencial de coentro é obtido a partir da destilação dos frutos maduros (semen-

tes) do coentro. Os frutos são esmagados imediatamente antes da destilação.

O óleo de coentro é incolor, ou de cor amarelo-pálida, com aroma doce, levemente

picante. O sabor do óleo de coentro também é leve, doce e pouco picante. Infelizmente, os principais componentes do óleo essencial de coentro estão disponíveis na forma sintética, portanto o óleo essencial é freqüentemente adulterado. A boa notícia é que os óleos adulterados freqüentemente não oferecem o sabor e a profundiade que o óleo essencial natural apresenta.

Saúde

O óleo essencial de coentro é usado como agente antináusea, anti-reumatismo, perda

de apetite, tratamento antiflatulência

Propriedades clinicamente comprovadas

Mecanismo de Ação e Ingredientes Ativos

• Óleo essencial positivo (estimulante)

• Estimulante estomacal

• Neurotônico

• Antiinfeccioso

• Antiinflamatório

• Os constituintes principais do óleo essencial são Álcoois monoterpênicos d-linalol ou coriandrol(60-85%), 20% de hidrocarbonetos monoterpênicos:

geraniol, borneol, monoterpenos d-pineno, a-pineno, p-cimeno, limoneno, Ésteres acetato de geranila. Cetonas Monoterpênicas: cânfora; Aldeídos

trans-2-tridecenaltido.

• O óleo essencial confere propriedades carminativas, estomáticas, analgési- cas e antiespasmódicas, além de ação bactericida e fungicida. O principal componente é o linalol, além de vários outros monoterpenos.

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é o linalol, além de vários outros monoterpenos. 108 Reações Adversas Cosmética Indicações Comentários 109
é o linalol, além de vários outros monoterpenos. 108 Reações Adversas Cosmética Indicações Comentários 109

Reações Adversas

Cosmética

Indicações

Comentários

109

• Entre os compostos presentes no óleo essencial figuram linalol, borneol e pinenos, que quando ingeridos em excesso provocam quadros de narcolepsia. Também podem chegar a ser convulsivantes e provocar dermatites de con- tato, devido às furanocumarinas também presentes. Foram evidenciados efeitos abortivos em cobaias, de modo que desaconselhamos seu uso em grávidas ou lactentes.

• Dispepsias (+++)

• Cistite (++)

• Gripe (++)

• Fadiga generalizada (+++)

• Artrose

• O óleo essencial é considerado seguro para uso alimentar pelo FDA (Food

and Drug Administration)

Na perfumaria, as suas notas quentes e doces se misturam bem com sálvia esclarea e bergamota em colônias, com as notas florais do jasmim e com a canela, e produz efeitos muito interessantes em perfumes do “tipo oriental”. O óleo essencial de coentro também combina bem com neroli (flor de laranjeira), petigrain (flor de laranjeira), sândalo, ylang ylang e gengibre. A utilização principal do óleo essencial do coentro na área cosmética é como componente das fragrâncias, utilizadas em sabonetes, loções e perfumes. O nível máximo em perfumes gira em torno de 0,6%. O óleo essencial de coentro não provoca reações sensíveis ou irritações na pele até o nível testado em seres humanos de 6%. Como exemplo da utilização do óleo essencial de coentro em perfumes, temos a Água da Hungria, da Kanitz, e Ops!, do Boticário.

Culinária Nas composições aromáticas, ele combina bem com óleos essenciais de anis, cardamomo, bergamota,

Culinária

Nas composições aromáticas, ele combina bem com óleos essenciais de anis, cardamomo, bergamota, cravo-da-índia, sálvia esclarea, noz-moscada, ou bases de frutas como pera, pêssego e ameixa. A combinação com óleo de bergamota é bastante conhecida no seg- mento de balas. O óleo essencial é bastante utilizado para aromatizar bebidas alcoólicas, balas, tabaco, pickles e molhos para carne.

110

COENTRO

GOTAS DE AROMATIZANTE / 100g DE ALIMENTOS

Bebidas alcoólicas

42-48

Massas

21-25

Condimentos

18-44

Confeitaria

4-6

Sorvetes

16-19

Gelatinas

10-13

Carnes

17-27

Bebidas não-alcoólicas

1-4

Doces

17-19

Sorvetes 16-19 Gelatinas 10-13 Carnes 17-27 Bebidas não-alcoólicas 1-4 Doces 17-19 111

111

113 Tanto o orégano como a manjerona já eram conhecidas e utilizadas pelos romanos. Os
113 Tanto o orégano como a manjerona já eram conhecidas e utilizadas pelos romanos. Os

113

113 Tanto o orégano como a manjerona já eram conhecidas e utilizadas pelos romanos. Os gregos

Tanto o orégano como a manjerona já eram conhecidas e utilizadas pelos romanos. Os gregos consideravam a manjerona símbolo da felicidade. A palavra orégano é de origem grega e significa “adorno da montanha”.

Orégano e Manjerona

(Origanum vulgare, L. e Origanum majorana, L.)

grega e significa “adorno da montanha”. Orégano e Manjerona ( Origanum vulgare , L. e Origanum

O orégano pode ser propagado por divisão de touceira ou por sementes. A manjerona é

quase exclusivamente propagada através de sementes, sendo uma planta anual de porte

um pouco menor do que o orégano, com altura de cerca 60-70 cm. Ambas as plantas exigem solos férteis, invernos secos e livres de geadas.

Aroma

O orégano e a manjerona são plantas do mesmo gênero e, portanto, parentes muito

próximas. Entretanto, como se verá a seguir, os princípios ativos e qualidade do óleo essen-

cial são distintos. Ambas são provavelmente originárias dos países do leste Europeu. Diferentemente do orégano, a maior parte da manjerona produzida é destinada à pro-

dução de temperos e não de óleos essenciais. É importante ressaltar que boa parte do óleo essencial conhecido como Manjerona Espanhola não é na verdade destilado a partir da manjerona, mas sim de uma espécie completamente distinta (Thymus masticina), com princípios ativos também distintos e parente próxima do tomilho.

O óleo essencial de manjerona é de cor amarela, com odor picante, canforáceo e

amadeirado, semelhante ao cardamomo. O sabor tem as mesmas nuances, mas também apresenta um fundo amargo. Há muita confusão no mercado de óleo essencial de manjerona. Não somente existem espécies distintas produtoras do “mesmo” óleo essencial — tais como orégano, tomilho e a própria manjerona, todos vendidos como sendo óleo de manjerona — como também en- contramos grande quantidade de adulteração do mesmo óleo no mercado. No caso do orégano, o óleo essencial também é proveniente de várias plantas distintas. Curiosamente, a principal fonte de óleo de orégano não é o próprio orégano, mas sim o tomilho. Este óleo essencial tem coloração marrom-avermelhada. O óleo essencial de orégano

tem uma nota herbácea, refrescante e outra nota mais densa, de corpo, proveniente dos fenóis (lembra o odor hospitalar, medicinal). O sabor dá uma sensação de queima, sendo aceitável somente depois de grande diluição. O óleo essencial de orégano é muito usado em perfumaria, principalmente pela nota medicinal. O principal componente, o carvacrol, é tam- bém um poderoso antioxidante, ajudando a preservar os alimentos e auxiliando na formula- ção de produtos cosméticos com finalidade de impedir o envelhecimento precoce da pele. Visto que a versão sintética do carvacrol não é encontrada a baixos preços no mercado, esse óleo acaba não sendo propositadamente adulterado, porém assim como a manjerona, muitas são as plantas que produzem o óleo essencial de “orégano”, de modo que todo o cuidado é pouco na hora de comprá-lo. Procure sempre fornecedores confiáveis de óleos

114

essenciais e prefira óleos com padrão FCC (Food Chemicals Codex).

e prefira óleos com padrão FCC ( Food Chemicals Codex ). Saúde 115 O óleo essencial
e prefira óleos com padrão FCC ( Food Chemicals Codex ). Saúde 115 O óleo essencial

Saúde

115

O óleo essencial de manjerona é usado para combater a tosse, problemas na bexiga e cólicas gastro-intestinais. Também é conhecido pelas propriedades antimicrobianas e inseticidas.

Propriedades clinicamente comprovadas

Benefícios Psico-emocionais

• Antiinfeccioso, anti-séptico (++)

• Podoroso agente antifúngico.

• Analgésico (++)

• Estimulante estomacal, diurético (+)

• Ajuda no combate à exaustão mental, ansiedade, insônia, tensão nervosa e

stress.

Ingredientes Ativos

Monoterpenos: α e β-pineno, simeno, sabineno, mirceno, paracimeno,

terpinoleno, α e β felandreno; Sesquiterpenos: β-cariofileno, α-humuleno.

Álcoois monoterpênicos: linalol, terpineno-1-ol-4, cis-trans-terpineol,

tujanol. Ésteres: Acetato de terpenila, de linalila, e de geranila. Fenóis: Trans-

anetol, carvacrol.

Reações Adversas

• Não foram reportadas reações adversas ao uso de óleo essencial de orégano

e manjerona.

Indicações

• Hipertireoidismo

• Problemas cárdio-vasculares(taquicardia, arritmia, hipertensão arterial).

• Problemas digestivos (úlceras gastro-intestinais, colites, etc.)

• Problemas neuro-psíquicos (ansiedade, stress, agitação, psicose, insônia, epilepsia, vertigens).

• Reumatismo muscular e artrose (+++)

• Infecções respiratórias ( sinusite, otite, bronquite, coqueluche) e digestivas

(aftas, diarréias, enterocolites) (+++)

Comentário

Ó óleo essencial é considerado seguro para uso alimentar pelo FDA (Food and

Drug Administration)

Cosmética

Cosmética O óleo essencial de orégano é utilizado como componente de fragrâncias para detergentes, sabonetes, cremes

O óleo essencial de orégano é utilizado como componente de fragrâncias para detergentes,

sabonetes, cremes e loções, com uso máximo reportado na ordem de 0,2%.

O óleo essencial de orégano é geralmente considerado não-irritante, não sensibilizante e

não fototóxico para a pele humana, o que faz com que tenha bastante flexibilidade no uso. O mais do que conhecido perfume Alfazema Suissa, da Perfumaria Suissa, utiliza o óleo essencial de orégano como um dos componentes da sua fragrância.

Culinária

O óleo essencial da manjerona é principalmente utilizado em molhos para carnes, enlatados

e normalmente aplicado para introduzir um sabor fresco, levemente aromático-medicinal e uma nota quente. É também utilizado tanto em bebidas alcoólicas e não-alcoólicas como em

sobremesas.

116

MANJERONA

GOTAS DE AROMATIZANTE / 100g DE ALIMENTOS

Bebidas alcoólicas

1-2

Massas

5-7

Condimentos

5-7

Azeites

80-120

Sorvetes

1

Gelatinas

1

Molhos

7-10

Carnes

6-15

Bebidas não-alcoólicas

1-2

Salgadinhos

2

1 Gelatinas 1 Molhos 7-10 Carnes 6-15 Bebidas não-alcoólicas 1-2 Salgadinhos 2 117

117

119 (Ocimum basilicum, L.) Manjericão Várias espécies do gênero Ocimum têm sido cultivadas há mais
119 (Ocimum basilicum, L.) Manjericão Várias espécies do gênero Ocimum têm sido cultivadas há mais

119

(Ocimum basilicum, L.)
(Ocimum basilicum, L.)

Manjericão

Várias espécies do gênero Ocimum têm sido cultivadas há mais de 3 mil anos. O manjericão é originário da Índia e alcançou a Europa através do Oriente Médio.

cultivadas há mais de 3 mil anos. O manjericão é originário da Índia e alcançou a

Há registros do uso medicinal do manjericão desde 1060 a.C. pela China, para trata- mento de problemas gástricos, renais e outros. Na medicina chinesa, o manjericão também é recomendado para melhorar a circulação sangüínea e acalmar a dor proveniente de pica- das de insetos e cobras.

É planta muito suscetível a geadas ou excesso de calor e prefere solos férteis.

A propagação do manjericão se dá através de sementes. Normalmente não se aduba

com intensidade, pois o excesso de vigor diminui a produção de óleo da planta. No Brasil costuma-se fazer duas colheitas com intervalo de cerca de dois meses, desde que na pri- meira colheita a planta retenha cerca de 1/3 da sua altura, para permitir a rebrota.

Aroma

O óleo essencial é de cor amarelo-clara, com odor doce-picante, fresco, com um tom

balsâmico-amadeirado. É um componente clássico nos perfumes do grupo do orégano, por muitas décadas. Combina muito bem com os mais variados tipos de óleos essenciais, prin- cipalmente os de origem cítrica. Há vários quimiotipos de óleo de manjericão, por exemplo o tipo Linalol (sweet basil), o mesmo monoterpeno que é componente do pau-rosa, que valoriza tremendamente o óleo essencial e o coloca num patamar de preço mais alto. O tipo metil-chavicol ou estragol (Reúnion), cujos componentes conferem um odor mais exótico, em tom de anis, e tipo eugenol, com um tom mais medicinal.

Saúde

O óleo essencial é tradicionalmente usado para o tratamento de verminoses e fungos,

acne, problemas relacionados ao apetite, flatulência e espasmos estomacais.

120

ao apetite, flatulência e espasmos estomacais. 120 Propriedades clinicamente comprovadas 121 • Óleo
ao apetite, flatulência e espasmos estomacais. 120 Propriedades clinicamente comprovadas 121 • Óleo

Propriedades clinicamente comprovadas

121

• Óleo positivo (estimulante)

Quimiotipo Estragol

• Antiespasmódico (++++)

• Antiinflamatório (+++)

• Analgésico (++)

• Vasodilatador (+)

• Antiinfeccioso (+)

• Óleo positivo (estimulante)

Quimiotipo Linalol

• Estimulante geral, hepatoestimulante (++)

• Descongestionante (próstata, útero)

• Antiarterioesclerótico

• Antiespasmódico (+++)

Quimiotipo Eugenol

• Antiinfeccioso (++)

Benefícios Psico-emocionais

Ingredientes Ativos

Reações Adversas

Indicações

• Ajuda na concentração mental

• Acalma o sistema nervoso

• Ajuda no combate a depressões leves, ansiedade, insônia, fadiga mental,

histeria.

• Óleo Essencial é composto por linalol (até 75%), estragol (até 87%) e eugenol (até 55-60%). Outros componentes são o-cimeno, cineol, sesquiterpenos (epi-bi-ciclosesquifelandreno), lineol, linalol, cinamato de metila, cânfora, citronela.

• O óleo do manjericão quando excessivamente rico em estragol deve ser usado com bastante cautela, pois pode causar hipoglicemia.

Concentração máxima de uso tópico: 2%

• Aerofagia (+++), gastrite, insuficiência pancreática, hepatites virais, espasmos gastro-intestinais (+++)

• Infecções urinárias (+)

• Encefalite viral, nefrite viral

• Poliomelite

• Espasmódico (+++) Ansiedade (++)

• Artrite reumatóide

• Infeccções virais

• Varizes

Quimiotipo Estragol

• Insuficiência hepato-biliar, gastrite, úlcera (++)

Indicações

• Congestão prostática (++)

Cistite

• Congestão uterina (+)

Quimiotipo Linalol

• Insuficiência coronariana, hipotensão (+)

• Eczemas (+)

• Depressão

• Colite espasmódica (+++)

• Enterocolite infecciosa

• Espasmódico

Quimiotipo Eugenol

Cosmética

Comentário

Ó óleo essencial é considerado seguro para uso alimentar pelo FDA (Food and

Drug Administration)

para uso alimentar pelo FDA (Food and Drug Administration) O óleo essencial de manjericão é bastante

O óleo essencial de manjericão é bastante usado em perfumes, sabonetes, tinturas de

cabelo, cremes dentais e enxaguatórios bucais. Alguns perfumes brasileiros, tais como

Portinari e Uomini ambos do Boticário, e Denin, da Unilever, têm como componente im- portante o óleo essencial de manjericão.

Culinária

O óleo essencial de manjericão tem sabor pronunciado e é utilizado em muitos compo-

nentes, tais como aromatizante de azeites, licores e diversos alimentos.

122

aromatizante de azeites, licores e diversos alimentos. 122 MANJERICÃO GOTAS DE AROMAZANTE / 100g DE ALIMENTOS

MANJERICÃO

GOTAS DE AROMAZANTE / 100g DE ALIMENTOS

Bebidas alcoólicas

1

Massas

7-9

Condimentos

5-7

Azeites

60-80

Sorvetes

1

Gelatinas

3-4

Carnes

7-11

Bebidas não-alcoólicas

1

Vegetais Processados

1

Salgadinhos

14-20

Sopas

56-72

Doces

3

123

Menta ( Mentha arvensis , L., Mentha piperita , L. e Mentha spicata , L.)
Menta ( Mentha arvensis , L., Mentha piperita , L. e Mentha spicata , L.)
Menta ( Mentha arvensis , L., Mentha piperita , L. e Mentha spicata , L.)

Menta

(Mentha arvensis, L., Mentha piperita, L. e Mentha spicata, L.)

125

O nome menta origina-se de uma língua arcaica, pré-grega e romana. Na mitologia grega, mentha deriva de minthes, belíssima ninfa que foi transformada na planta menta por Proserpina, a esposa de Platão, após crise de ciúmes.

belíssima ninfa que foi transformada na planta menta por Proserpina, a esposa de Platão, após crise

Conhecemos cerca de vinte espécies do gênero menta, cada qual com propriedades químicas e aparência distintas. Como fator de complicação, as várias espécies de menta se cruzam facilmente, gerando centenas de híbridos possíveis, o que dificulta muito a sua identificação correta. Algumas espécies de menta, infelizmente aquelas de propriedades terapêuticas mais estudadas e sabor pronunciado, como é o caso da Menta piperita, não conseguem fotoperíodo necessário para o pleno crescimento vegetativo no Brasil. As mentas mais cultivadas no país são as espécies spicata, aquatica e arvensis – esta última devido ao altíssimo teor de mentol no óleo essencial é destinada quase que exclusivamente para a produção da indústria cosmética (pastas dentrifícias) e alimentícia (gomas de mascar e balas).

A Mentha spicata tem ramos e folhas glabras, sem pecíolos. A Mentha aquatica, como

o próprio nome indica, gosta de brejos mas não tem uma conotação comercial. A Mentha

arvensis, caracterizada por possuir pecíolo nas folhas, é talvez a principal menta cultivada

no país. Teve seus anos dourados após a Segunda Guerra Mundial e até o início da década de 70, quando o Brasil foi o principal produtor mundial deste óleo essencial. Hoje o plantio foi relevado a segundo plano, dado a maior lucratividade de outras grandes culturas, como

a soja, ou pela entrada massiva do produto originário da Índia e China, com baixos preços, qualidade inferior, porém muito mais competitivos.

A propagação das mentas se dá normalmente por via vegetativa, ou seja, através de

mudas enraizadas dos estalões subterrâneos ou superficiais. São plantas que exigem solos

férteis e bem drenados.

126

São plantas que exigem solos férteis e bem drenados. 126 Aroma 127 O óleo essencial de
São plantas que exigem solos férteis e bem drenados. 126 Aroma 127 O óleo essencial de

Aroma

127

O óleo essencial de menta é de cor amarelo-pálida, quase transparente, com forte

odor de fresco e amargo ao mesmo tempo. Em contato com as mucosas do nariz e da boca produz um sabor refrescante, típico da menta. Vale ressaltar que a coloração verde esperada pelos consumidores em um óleo de menta é na verdade um corante adicionado

ao produto.

O mentol, normalmente o principal componente do óleo essencial, é muito utilizado

como componente já individualizado, principalmente pela indústria de tabaco e cosmé- ticos. Devido à alta concentração de mentol no óleo essencial, muitas vezes ele cristaliza à temperatura ambiente dentro do óleo bruto. Muitos produtores de óleo essencial de menta preferem vender o mentol além da mistura completa do óleo essencial, auferindo maiores ganhos, e essa separação é feita facilmente através do resfriamento do óleo

essencial. Note que mesmo após essa separação, apesar de ainda sobrar muito mentol no óleo — cerca da metade — o óleo essencial passa a ser denominado óleo essencial desmentolizado. Este óleo desmentolizado ainda pode passar por processo de retificação, buscando, por exemplo, transformar o sabor amargo da mentona (cetona) em mentol, para melhorar o valor aromático do produto.

Saúde

O óleo essencial de menta é tradicionalmente usado pelas propriedades antivirais,

espasmolíticas, atividade colerética, colagoga, antiúlcera, antiinflamatória, antiflatulenta, antipruriginosa, antiemética, analgésica das mucosoas e outras. A aplicação externa do

óleo essencial tem efeito positivo sobre a dor de cabeça.

Propriedades clinicamente

comprovadas

Benefícios Psico-emocionais

Ingredientes Ativos

Reações Adversas

128

Indicações

Comentário

• Antiinflamatório(+++)

• Calmante

• Mucolítico (+++)

• Colagogo, colerético (+++)

• Tônico digestivo (++)

• Cicatrizante (++)

• Antiespasmódico

• Eficiente no tratamento contra a bactéria causadora da tuberculose

Alivia a dor de cabeça.

Ação antifúngica

Combate a debilidade geral

Combate a letargia, fadiga mental

Combate a depressão, choque e stress nervoso.

Principais componentes: Mentol (33-90%), acetato de metila (10-20%), mentona (9-31%),

Monoterpenos α-pineno, β-pineno, canfeno, mirceno, limoneno, α- felandreno. Sesquiterpenos: β-cariofileno, α-elemeno, farneseno, β- burboneno. Álcoois Monoterpênicos: mentol, linalol, borneol, trans-tujanol, di-hidrocarveol; Álcoois alifáticos: octan-3-ol, farnesol, elemol, cadinol. Ésteres: acetato de dihidrocarvila; Óxidos: cineol; Cetonas: carvona, dihidrocarvona, mentona.

O óleo essencial de menta é neurotóxico e abortivo em grandes quantida- des. O mentol pode provocar reações alérgicas (dermatites de contato, do- res de cabeça, etc.) em alguns indivíduos. Não deve ser aplicado em bebês ou mulheres grávidas.

Concentração máxima de uso tópico: 3%

Infecção das vias respiratórias, bronquites agudas e crônicas (+++)

Digestão difícil, insuficiência biliar (++)

Cistite

Nervosismo

Cicatrização

Ó óleo essencial é considerado seguro para uso alimentar pelo FDA (Food and

Drug Administration)

para uso alimentar pelo FDA (Food and Drug Administration) Cosmética 129 O óleo essencial de menta
para uso alimentar pelo FDA (Food and Drug Administration) Cosmética 129 O óleo essencial de menta

Cosmética

129

O óleo essencial de menta é normalmente utilizado como componente na criação de

fragrâncias para dentrifícios, exaguatórios bucais, sabonentes, detergentes, cremes, loções

e perfumes. O uso máximo reportado para óleo essencial de Mentha spicata e Mentha arvensis gira ao redor de 0,4%-0,8 % em perfumes, respectivamente.

Culinária

O óleo essencial de menta é extensivamente usado em gomas de mascar, balas, doces,

bebidas alcoólicas (licores por exemplo), sobremesas, gelatinas e molhos doces. O nível máximo reportado gira em torno de 0,132% de óleo de Menta spicata em produtos de

confeitaria.

MENTA

GOTAS DE AROMATIZANTE / 100g DE ALIMENTOS

Bebidas alcoólicas

60-96

Massas

56-120

Confeitaria

260

Azeites

15-20

Sorvetes

38-44

Gelatinas

20-80

Carnes

2-3

Bebidas não-alcoólicas

16-40

Doces

128-480

(Rosmarinus officinalis, L.) Alecrim Há muita controvérsia sobre a etimologia do nome do alecrim. Em
(Rosmarinus officinalis, L.) Alecrim Há muita controvérsia sobre a etimologia do nome do alecrim. Em
(Rosmarinus officinalis, L.)
(Rosmarinus officinalis, L.)

Alecrim

Há muita controvérsia sobre a etimologia do nome do alecrim. Em latim, Ros Marinus significa “orvalho do mar”, mas em grego, Rhos significa arbusto e Myrinos, aromático . Qualquer combinação parece bastante apropriada para nomear a planta. Na Grécia antiga o alecrim era considerado um tônico para o cérebro e a memória. O hábito de se colocar um ramo de alecrim atrás da orelha vem dos antigos estudantes gregos, em busca de boa sorte nos exames escolares.

um ramo de alecrim atrás da orelha vem dos antigos estudantes gregos, em busca de boa

131

O alecrim é possivelmente a planta aromática de maior popularidade no mundo oci-

dental. Talvez porque não sendo muito exigente quanto ao clima, vegeta em praticamente

qualquer parte do mundo, ou como disse o inglês Thomas Moore, “Quanto ao alecrim, deixo espalhar pelos muros de meu jardim, não somente porque as abelhas o apreciam, mas também porque é a erva consagrada às recordações e por decorrência, à amizade”. Por amizade ou pela extrema versatilidade, o alecrim entra em inúmeras receitas culinárias, formulações cosméticas e tratamentos de saúde.

É planta nativa do Mediterrâneo, onde se encontra de forma silvestre, mas também é

extensamente cultivada, principalmente nos países que costeiam o Mediterrâneo. As mu-

das são propagadas a partir de estacas ou de sementes. As originárias a partir de sementes demoram bem mais tempo para poderem ser transplantadas. As estacas devem ter cerca de 15-20 cm de comprimento e são enfincadas em sacos plásticos, onde, após enraizamento, são transplantadas ao local definitivo.

A colheita se dá em plantas com cerca de 50 cm de altura, onde são retirados os ramos

semi-lenhosos, que são postos à sombra para evitar a perda de aroma.

Aroma

O óleo essencial de alecrim é de coloração amarelo-pálida, com nota fresca, amadeirada,

que lembra a menta. As notas frescas, no entanto, evaporam rapidamente, deixando um odor amadeirado-balsâmico levemente amargo no ar.

Saúde

O óleo essencial de alecrim é usado como tônico estimulante, carminativo, no trata-

mento de indigestão, dores estomacais, dores de cabeça, resfriados e tensão nervosa.

132

dores de cabeça, resfriados e tensão nervosa. 132 Propriedades clinicamente comprovadas Benefícios
dores de cabeça, resfriados e tensão nervosa. 132 Propriedades clinicamente comprovadas Benefícios

Propriedades clinicamente comprovadas

Benefícios Psico-emocionais

• Expectorante, mucolítico (+++)

• Antiinfeccioso – bactericida (+++)

• Fungicida (+++)

• Antioxidante

• Controle de aflatoxina em alimentos

• Uso recomendado para fadiga, tensão nervosa

• Amnésia, histeria, depressão

• Tensão pré-menstrual

• Letargia

133

Ingredientes Ativos

• Principais componentes: α-pineno (25%),