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Monstros e Monstrengos do Brasil : ensaio sobre a zoologia fantástica

brasileira nos séculos XVII e XVIII. Publicado em 1937 é uma continuação do

livro Zoologia Fantástica do Brasil, de 1934, que aborda os séculos XVI e

XVII. esmo que o livro ten!a como subt"tulo os séculos que indicam o

bali#amento da sua obra, $auna% c!e&a a relatos e boatos do in"cio do

século XIX. 'oi lançado ori&inalmente como (arte do tomo XXXI da Revista

do Museu Paulista

$auna% aborda em tre#e ca("tulos os relatos de via)antes e livros

(ublicados na *uro(a de su(ostos via)antes que (assaram (elo +rasil e

deiaram re&istrados encontros com criaturas que adquiriam caracter"sticas

de monstros ou eram sim(lesmente eem(los de maravil!as naturais que

com(rovavam a &rande#a e sa(i-ncia de eus e o descon!ecimento sobre uma re&ião /e0tica além da 2ronteira da civili#ação.

 !istoriador a(resenta uma contetuali#ação !ist0rica e &eo&r5ca

de cada obra e autor de onde ira selecionar as (artes que incluem

elementos que estão dentro da temtica da cri(to#oolo&ia. 6 (reocu(ação

de $auna% é c!ecar e reetir sobre a veracidade dos boatos, tetos e

autores e ele não deia barato o absurdo e ilo&icidade de al&uns dos

relatos, a(resentado comentrios sarcsticos e mesmo a(resentando (roblemas da (r0(ria estrutura da aventura do via)ante com o monstro (ra

com(rovar sua 2alsidade.

8e&uindo a !i(0tese levantada (ela !istoriadora ar% el Priore 1 (ara

e(licar o que teria atra"do $auna% a dedicar duas obras a cri(to#oolo&ia

brasileira colonial, o autor estava 2amiliari#ado com os temas 2antsticos na

literatura (or ter sido o tradutor de *d&ar 6llan Poe e *.$.6. o:man (ara

do editora Brasil<, el!oramentos na década de ;(or =>. onde 8e )unta também a isso lançou a indicação seu Zoologia de um Fantástica cole&a

ar&entino ao estudo do tema e a etrema erudição do autor e con!ecimento

da documentação sobre o +rasil, que deia o leitor contem(or?neo

abismado com o &rau de con!ecimento demonstrado (elo autor sobre um

cam(o tão vasto e a é(oca (ouco estudada. Monstros e Monstrengos é

contem(or?nea aos nascentes estudos sobre !ist0ria das mentalidades que

sur&iam na 'rança, mas não se&ue a mesma lin!a te0rica.  ob)etivo de

$auna% é, antes de tudo, a(resentar as crenças #ool0&icas euro(éias em

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contato com crenças locais contem(or?neas as &randes nave&aç@es = ,

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deiando claro ao leitor o as(ecto de verdade e mentira dos relatos e sua

intenção de incentivar novas (esquisas que recorressem a este ti(o de

documentação.

A interessante notar na obra a (ersist-ncia de al&umas criaturas e os modos quase id-nticos de se descrever e a(resentar suas caracter"sticas,

como série 2antsticas de cobras e outros ré(teis que a(resentavam

caracter"sticas incr"veis, decalcadas de mitos medievais, em (arte é como

se con2orme o mundo 2osse mais con!ecido os seus anti&os animais

mitol0&icos não morressem mas mi&rassem (ara as 2ronteiras do con!ecido

(ara constarem em documentos de via)antes e (seudoBvia)antes

incentivados (or editores em busca de um lucro 2cil num assunto de

&rande a(elo na *uro(a e com (oucas (reocu(aç@es com a veracidade do material (ublicado, como observa $auna% ao comentar as aventuras de Co!n

+roDne na +a!ia, onde o su(osto soldado en2renta uma cobra &i&ante.

6 documentação selecionada (or $auna% (ara escrever este livro é

bem diversi5cada, ele não (rivile&ia tam(ouco descarta autores mais

con!ecidos em (rol de obras raras ou viceBversa, mas (rocura na seleção de

(artes que se encaiam com o tema do livro valori#ando a qualidade da

descrição e a (r0(rio (ra#er (ro(orcionado (ela leitura de tal ti(o de relato.

entre as obras e autores que tiveram trec!os selecionados (ara este

livro estão os !iálogos das grandezas do Brasil, de 6mbr0sio 'ernandes

+randão. s relatos escritos de dois 2reis ca(uc!in!os, 2rei Eludio

dF6bbeville e 2rei Ivo dF *vreu.  livro Rela"#o de dez anos de viage$ na

%uro&a, 'sia, 'frica e ($érica tudo &or $eio de cartas ocasional$ente

escritas de lugar e$ lugar, a diversas &ersonalidades )dalgas de Gicardo

'lecHnoe, suas Viagens, escritos illiam de 8imão am(ier de e Vasconcelos, Viage$ * volta o misterioso do globo, 'rancisco a Viage$ Eoréal * +ova e

olanda e -ratado sobre os ventos, o alemão Coão Jieu!o: e seu livro

Viage$ &itoresca ao Brasil, $ar.ti$a e terrestre, Raridades da natureza e

da arte, divididas &elos /uatro ele$entos, escritos e dedicados * $a0estade

d1%l Rei +osso 2en3or d 4ose&3 i de Pedro Joberto de 6ucourt e Padil!a. 

curioso livrin!o sus(eito +arrativa i$&ressionadora das e5traordinárias

aventuras e sofri$entos de seis desertores da artil3aria da guarni"#o de

2anta elena, no ano de 6788, realizada sob 0ura$ento &erante o 9onsel3o

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de Investiga"#o reunido e$ 2anta elena, a 6 de deze$bro de 6;<6, &or

4o3n Bro=ne, u$ dos sobreviventes, escrito su(ostamente (or Co!n +roDne.

Ja cate&oria de monstros descritos na obra encontramosK animais

com (ro(riedades 2antsticas como não (oder ser queimado, a(resentar cores di2erentes, venenos mort"2eros, a(resentar de2ormaç@es internas com

0r&ãos a mais ou a menos, (ro(riedades incomuns como (ertencer a tr-s

elementos da nature#a ;ar, &ua e terra<, outros são animais comuns mas

com e(licaç@es (seudoBcient"5cas absurdas (ara suas (ro(riedades ;reais

e atribu"das<, sendo assim considerados monstros (or (airarem na 2ronteira

do con!ecido. 6l&uns (odem ser identi5cados 2acilmente (elo leitor, quer

se)a (elo nome atual que se manteve ou a descrição e caracter"sticas como

cor e com(ortamento, não raro encontramBse relatos de animais que eistem na realidade mas estão tão mau descritos ou com tantas 2antasias

/e(licando a sua eist-ncia que tornam a identi5cação quase im(oss"vel.

Jas criaturas 2antsticas encontramBse a 2-ni, dra&@es, monstro do

Eamin!o do ar, &i&antes, an@es, curu(iras, !a% ;um ti(o de mant"cora<,

ser(entes &i&antes, !omensB(eie.

Eomo nota dilon Jo&ueira de atos 3 , a literatura dos via)antes é

muito desi&ual, a am(litude de qualidade das descriç@es e e(ressão dos sentimentos é tão am(la quanto é am(la a quantidade de relatos. s

ob)etivos das obras também são di2erentes, encontraBse desde e(ress@es

da relação do euro(eu com o territ0rio descon!ecido como a vontade de

com(reensão da nature#a (ensada dentro de uma estrutura cient"5ca. 6s

obras selecionadas (or $auna% se encontram bem neste conteto !ist0rico

onde aos (oucos a ci-ncia moderna começa a e(licar o descon!ecido,

ainda re(leto da ci-ncia medieval e anti&a que era testada no Jovo undo,

como os inLmeros relatos de teste de sala$andris$o ;não queimar< em la&artos diversos que eram atirados no 2o&o. *iste uma (reocu(ação de

al&uns autores de a(resentar su(ostas (rovas a suas a5rmaç@es al&umas

até su(ostamente re2erendadas (ela 6cademia de Ei-ncias de 'rança.

6s caracter"sticas e 2unç@es sociais do monstro nas sociedades

!umanas (odem ser encontradas nos relatosK o cor(o do monstro incor(ora

o medo, o dese)o, a ansiedade e a 2antasia de uma cultura, ele sem(re

esca(a e mesmo se 2or morto rea(arece em al&um outro lu&ar. 6 maior

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(arte das di2erenças monstruosas é de nature#a seual, (ol"tica, econMmica,

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cultural e étnica, não raro os monstros servem também de aviso (ara que determinadas 2ronteiras do con!ecimento não se)am violadas 4 . >s $onstros indaga$ a nossa &erce&"#o de $undo, e co$o n?s inter&reta$os errado o /ue tenta$os entender %les nos &ede$ /ue reavalie$os nossas conce&"@es culturais sobre ra"a, gAnero, se5ualidade, nossa &erce&"#o da diferen"a,C %les nos &ergunta$ &or /uA n?s os cria$os D

8e&undo ar% el Priore os monstros das colMnias serviam (ara que os colonos (ro)etassem suas an&Lstias seculares em de2ormaç@es monstruosas, os relatos recol!idos (or $auna% (ermitem a descoberta do que si&ni5cavam os monstros (ara quem teve contato ou os criou N .

6s duas obras de $auna% sobre a #oolo&ia 2antstica, ou cri(to#oolo&ia, servem ao mesmo tem(o de com(-ndio das crendices e invencionismos dos via)antes coloniais B (ermitindo a reeão sobre as e(eri-ncias sociais do (er"odo B como também um documento das (reocu(aç@es de um !istoriador em com(reender a realidade brasileira em diversos as(ectos. Zoologia Fantástica e Monstros e Monstrengos su&erem e indicam a im(ort?ncia do estudo deste ti(o de documentação (ara construção da ist0ria.

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1 ar% el Priore. Introdu"#o InK $6OJ6, 62onso dF*scra&nolle. onstros e onstren&os do +rasil. 8ão PauloK Eom(an!ia das Qetras, 199R. (.=>

= dilon Jo&ueira de atos. (&resenta"#o. InK $6OJ6, 62onso dF*scar&nolle. Soolo&ia 'antstica do +rasil. 8ão PualoK *O8P, 1999. (.14

3 dilon Jo&ueira de atos. (&resenta"#o. InK $6OJ6, 62onso dF*scar&nolle. Soolo&ia 'antstica do +rasil. 8ão PualoK *O8P, 1999. (.1=

4 Ce:re% Cerome Eo!en. Monster 9ulture 2even -3esesC. InK E*J, Ce:re% Cerome. onster $!eor%T innea(olisK Oniversit% o2 innesota Press, 199N. ((.3B=U

U Ce:re% Cerome Eo!en. Monster 9ulture 2even -3esesC. InK E*J, Ce:re% Cerome. onster $!eor%T innea(olisK Oniversit% o2 innesota Press, 199N. (.=>

N ar% el Priore. Introdu"#o InK $6OJ6, 62onso dF*scra&nolle. onstros e onstren&os do +rasil. 8ão PauloK Eom(an!ia das Qetras, 199R. ((.==,=3.