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Curso de Pós-graduação a Distância

Perícia
Contábil

Autor:
José A. Moura Aranha

Revisora:
Neusa Oviedo Ramirez

Universidade Católica Dom Bosco Virtual


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SUMÁRIO

UNIDADE 1 – CONCEITOS ................................................................................... 04


1.1 Considerações iniciais ...................................................................................... 04
1.2 Diferenças e semelhanças entre auditoria e perícia contábil ............................ 13

UNIDADE 2 - FUNDAMENTO E LEGISLAÇÃO DA PERÍCIA CONTÁBIL ........... 17


2.1 Considerações iniciais ...................................................................................... 17
2.2 Normas profissionais do perito contábil ............................................................ 21
2.3 Normas Técnicas de Perícia Contábil ............................................................... 48

UNIDADE 3 - LAUDO E PARECER PERICIAL ..................................................... 64


3.1 Apresentação do laudo e do parecer pericial contábil ...................................... 65

UNIDADE 4 - CASOS APLICÁVEIS À PERÍCIA CONTÁBIL ................................ 73


4.1 Tipos de Perícia com relação à sua contratação .............................................. 73
4.2 Os vários tipos de perícia contábil .................................................................... 77

REFERÊNCIAS ...................................................................................................... 84

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APRESENTAÇÃO

O processo de convergência das normas contábeis brasileiras para o


padrão contábil internacional, iniciado com a criação do Comitê de
Pronunciamentos Contábeis em 2005, por meio da Resolução CFC nº 1.055/05 e
viabilizado apenas após a alteração da lei das sociedades por ação -Lei 6.404/1976,
promovidas por meio dos textos legais da Lei 11.638/2007, e da Lei 11.941/2009
que possibilitou o processo e exigiu do Conselho Federal de Contabilidade - CFC e
demais entidades de regulação contábil um incansável trabalho de revisão e
aperfeiçoamento das normas existentes.
O CFC considerou que a técnica legislativa utilizada no desenvolvimento
das Normas Brasileiras de Contabilidade poderia significar ou sugerir
procedimentos contábeis diferentes no Brasil, julgou necessário aprovar uma nova
estrutura de Normas Brasileiras de Contabilidade.
Neste contexto foram alteradas as nomenclaturas das normas de
contabilidade, profissionais e técnicas.
Por essa razão as normas profissionais do perito e as normas técnicas de
perícia, NBC P 01 e NBC T 13, respectivamente foram revogadas e deram lugar às
normas Profissionais NBC PP 01 e Técnicas NBC TP 01, aplicáveis da mesma
forma ao profissional perito-contador e à perícia contábil.
Como se trata de alterações recentes, até o momento não existe no
mercado literatura que contemple as alterações ocorridas.
O presente trabalho apresenta um ordenamento lógico ao conjunto de
normas já atualizadas bem como reúne na discussão a legislação aplicável ao
perito e à perícia contábil, existente em outros ordenamentos jurídicos, como o
Código de Processo Civil (CPC).
Além das discussões inseridas ao longo do trabalho são apresentadas
atividades de fixação, sugestões de vídeos e diversos modelos de laudos, termos
de diligências, propostas de honorários periciais, contrato de prestação de serviços
e outros.
Espera-se que o presente trabalho contribua para o aprimoramento
profissional do contador no fértil campo da perícia contábil.

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UNIDADE 1 - CONCEITOS

1.1 Considerações iniciais

A Contabilidade na sua evolução histórica tem sido considerada arte,


técnica de escrituração mercantil ou ciência. Observa-se nos cursos de bacharelado
em Ciências Contábeis, acadêmicos que afirmam que a contabilidade é uma ciência
exata, pelo fato dela utilizar da Matemática para os seus fins, essa afirmação é por
vezes, também empregada no meio profissional.
Há aqueles que veem a contabilidade apenas como um instrumento de
registro de fatos econômicos, não a considerando uma Ciência na sua essência, já
que ela possui objeto próprio, que é o patrimônio das entidades, e consiste em
conhecimentos obtidos por metodologia racional, com as condições de
generalidade, certeza e busca das causas, para solução de questões concretas.
A contabilidade tem sua origem nos primórdios da civilização humana,
quando ainda não existia a escrita e o emprego da moeda como medida de troca
era algo impensável.
Se pensarmos o cotidiano do homem primitivo, podemos imaginar a cena
quando este se depara com mais um início do inverno, ao prelúdio da primeira neve
ele recolhia seu rebanho para protegê-lo dos rigores do frio. Nesse ínterim, devido à
ociosidade que as circunstâncias lhe impunham, este então, para ocupar-se, passa
a contar seus animais separando uma pedrinha para cada um que possuía, uma
vez que os números ainda não existiam. Da mesma forma, no inverno seguinte o
processo se repetia, mas daí, já havia como comparar o rebanho do ano anterior
com o atual, e verificar a variação havida no seu rebanho.
Analisando esta situação sob a ótica contábil, verificamos a função básica
da contabilidade já no início da civilização: a avaliação, a mensuração e o controle
do patrimônio para fornecer informações sobre sua composição e suas variações.
Com a invenção da escrita e o advento da moeda encontramos registro da
primeira versão de balancete no Código de Direito Civil e Comercial de Hamurabi,
famoso imperador da Babilônia que reinou entre 1.792 a 1.750 a.C., código de
amplas proporções que abrange leis civis, políticas, militares e comerciais e
representa um dos maiores monumentos jurídicos da Antiguidade Oriental, podendo
ser visitado no Museu do Louvre, em Paris (figuras 1 e 2).
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Fig. 1 – Inscrição do Código de Hamurabi Fig. 2 – Código de Hamurabi
Fonte: http://migre.me/Xo1s Fonte: http://migre.me/Xo0C

No império Romano, por volta de 234 a.C., já se faziam contas do dinheiro


em caixa, grãos em armazéns, vinho, azeite e mármore; era fundamental o livro
“Codex Accepti et Expensi” onde eram registradas as receitas e despesas e o livro
“Kalendarium” em que se assentavam os vencimentos dos capitais e juros.
Por volta de 610 d.C., o profeta Maomé escreve o Corão e funda o Islã. Daí,
em menos de um século o Islamismo já havia se espalhado na maior parte do
Oriente Médio, norte da África e penetrado na Europa, mas este avanço foi detido
pelos francos de Carlos Magno. Em 765, os líderes islâmicos transferem sua capital
para a cidade de Bagdá, que passa a ser o maior centro de conhecimento. A
expansão do mundo árabe leva-os a encontrarem as cópias dos manuscritos de
Ptolomeu, salvas das incursões de vândalos, godos, hunos de Átila, anglos e
saxões, pelos seguidores de Nestorius (Patriarca Arcebispo de Constantinopla que
fora banido pelo Concílio de Éfeso, em 431, por heresia) que, durante o exílio,
levaram cópias de vários manuscritos antigos, e com isso o conhecimento grego
havia sido preservado.
Da Índia, os árabes levaram o conceito de zero e foi a combinação entre os
textos siríacos e indianos que estimulou o judeu Jacob Bem Tarik a fundar em
Bagdá, uma escola de astrologia onde o bibliotecário do califa e maior de todos os
matemáticos árabes Musa Al-Khwarizmi escreveu sua obra Al-Jabr Wa’l Mugabala,
da qual deriva o termo Al-Jabr, ou álgebra, conforme relatam Hendriksen e Van
Breda (1999).
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Em 1095, o Papa Urbano II no Concílio de Clermont na França, iniciou
pregação conclamando o povo para “empunhar a espada em defesa da Cruz”,
libertar Jerusalém, e conter a intolerância religiosa dos muçulmanos turcos
seldjúcidas, daí advêm as Cruzadas que abrem rotas comerciais mais seguras para
o Oriente dando impulso às cidades italianas de Florença, Gênova e Veneza a
estabelecem a supremacia comercial em toda a costa oriental do Mediterrâneo até
a Rússia Meridional.
Nessa época o mundo Ocidental sai do obscurantismo medieval e passa a
viver o Renascimento comercial, científico e das artes. O desenvolvimento
econômico, a supremacia comercial das cidades italianas e o intercâmbio cultural
com o Oriente, favorecem o surgimento das bases para o desenvolvimento da
contabilidade moderna.
Em 1202, o italiano Leonardo Fibonacci (figura 3), que viveu no norte da
África onde aprendeu tanto a língua como a matemática dos árabes, retorna para
Pisa, na Itália e escreve seu “Liber Abacci” (Livro de Cálculo) (figura 4), tratado de
aritmética e álgebra elementar, que muito auxiliou na popularização do sistema
numérico arábico na Europa, até então considerado uma heresia pela Igreja, uma
vez que o sistema numérico vigente era o greco-romano que usava letras para
contar e calcular. Segundo alguns historiadores, a obra de Finobacci demarca o
limite entre a era da contabilidade antiga e a era da contabilidade moderna.

Fig. 3 – Leonardo Fibonacci Fig. 4 – Líber Abacci


Fonte: http://migre.me/XodQ Fonte: http://migre.me/Xob8

A invenção da imprensa ocorrida na Alemanha contribuiu para a


disseminação do conhecimento, possibilitando, em 1494 em Veneza, a publicação
da importante obra escrita pelo frade franciscano Luca Pacioli “Summa de
Arithmética, Geometria, Proportioni et Proportionalitá”. A obra de Pacioli era,
basicamente, um tratado de matemática, que incluía um capítulo sobre o sistema de
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escrituração por partidas dobradas, método já conhecido e utilizado na época. Esse
capítulo intitulado “Particularis de Compustis et Scripturis” (Tratado de Computação
e de Escrituração) foi a primeira publicação a descrever o raciocínio no qual se
baseavam os lançamentos contábeis, expressando os termos débito e crédito.
As considerações de Pacioli sobre a contabilidade são tão relevantes e
atuais quanto há 500 anos, porque a contabilidade atual é, como naquele tempo,
débitos e créditos. Apesar de decorridos cinco séculos não podem dizer que a
contabilidade não evoluiu, mas sim afirmar que os primeiros contadores estavam
500 anos à frente do seu tempo (HENDRIKSEN e VAN BREDA, 1999).
Com o incremento do comércio em função das novas rotas estabelecidas
pelas Cruzadas, houve a demanda por maior controle dos capitais e a contabilidade
se firma como instrumento para fornecer informações úteis ao gerenciamento dos
negócios.
No final do século XV, com as descobertas de novas rotas comerciais pelos
navegadores, os centros comerciais deslocam-se do Mediterrâneo para os países
Ibéricos, e posteriormente, para os Países Baixos, onde o sistema das partidas
dobradas foi também difundido.
Outro fato econômico importante para o desenvolvimento da contabilidade
foi a Revolução Industrial no século XVIII, período que marca a transição da
produção doméstica para a produção fabril, demandando maior aporte de capitais
para constituição dos empreendimentos industriais. Surge então a necessidade de
um sistema de informações e de prestação de contas para os acionistas, além de
um sistema capaz de medir o tempo e o custo na produção de bens. Neste caso,
mais uma vez a contabilidade se faz presente.
Com a ascensão econômica dos Estados Unidos da América, no início do
século XX, as grandes corporações e um crescente mercado de capitais passaram
a demandar da contabilidade demonstrações e relatórios contábeis mais confiáveis
para os usuários na tomada de decisões.
Na atualidade, a Contabilidade seguindo uma tendência mundial, além do
seu enfoque no patrimônio, vem atendendo a uma necessidade de informações de
caráter social, veiculando, juntamente com os demonstrativos tradicionais, os
indicadores sociais relacionados à gestão do pessoal, clima social, ações de
preservação do meio ambiente e valor adicionado que a organização gera e retorna

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para a sociedade na forma de impostos, remuneração, encargos sociais, eventos
culturais e sociais.
Como podemos perceber neste pequeno relato da evolução histórica da
Contabilidade, seu desenvolvimento está diretamente relacionado com os fatos
históricos e econômicos marcantes no mundo ocidental, donde podemos concluir
que Ela é fruto do Capitalismo.
Ademais, a Contabilidade é reativa e não proativa, Ela sempre responde
aos estímulos dos vários setores da economia ou dos fatos históricos e
econômicos. Portanto, conhecer e entender o passado histórico da Contabilidade é
também entender a evolução das sociedades nos seus aspectos históricos e
econômicos.
Conhecer o passado é que nos possibilita entender o presente e daí,
podemos projetar o futuro para a Ciência da Contabilidade.
A exemplo da contabilidade, a Perícia Contábil é também muito antiga,
existindo desde tempos remotos da humanidade. Alberto (1996, p. 20-21) relata:

Em tese, podemos dizer que a perícia existe desde os mais remotos


tempos da humanidade, assim que esta, reunindo-se em sociedade,
iniciou o processo civilizatório – infindável, aliás – para caminhar da
animalidade para a racionalidade. [...] aquele que, seja pela
experiência ou pelo maior poderio físico, comandava a sociedade
primitiva era, a bem dizer, perito, juiz, legislador e executor ao
mesmo tempo, já que examinava (por sua ótica), julgava, fazia e
executava as leis. Obviamente, ainda não era a perícia, mas o
germe básico correspondente ao exame de situação, coisa ou fato
ali estava.

Tomando por base o que relata Alberto, podemos imaginar que na Babilônia
na vigência do Código de Hamurabi, monumento monolítico talhado em rocha com
282 leis em 3.600 linhas contendo artigos que fixavam diferentes regras da vida
cotidiana, poderia ter havido a figura do árbitro ou perito na solução das lides.
Ainda segundo Alberto (1996), há registros da atuação de árbitros no Antigo
Egito, na Índia e no primitivo Direito Romano. A figura do árbitro, eleito pelas partes,
fazia o papel de perito e juiz ao mesmo tempo, pois realizava a verificação direta
dos fatos, o exame do estado das coisas e lugares, decidia e homologava a decisão
final.
No direito Pátrio encontramos a primeira Lei que faz menção à figura do
árbitro ou perito. O Decreto nº 737, de 25 de novembro de 1850, em seu artigo 189,

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faz menção ao árbitro ou perito como auxiliar do juiz, em situação em que este
carece de informação para decisão final da lide, conforme a seguir transcrito:

Art. 189. O arbitramento terá lugar ou nos casos expressos no


Código (arts. 80, 82, 95, 194, 201, 209, 215, 749, 776 e outros), ou
quando o facto do qual depende a decisão final carece do juízo,
informação, ou avaliação dos homens da arte, ou peritos.

Ainda no referido Decreto, o artigo 138 admite como prova o arbitramento:

Art. 138. São admissiveis no Juízo Commercial as provas seguintes:


§ 1º As escripturas públicas e instrumentos, que são como tales
considerados pelo Código Commercial e leis civis.
§ 2 Os escriptos particulares.
§ 3º A confissão judicial.
§ 4º A confissão extrajudicial.
§ 5º O juramento suppletorio.
§ 6º O juramento in litem.
§ 7º As testemunhas.
§ 8º As presumpções.
§ 9º O arbitramento.
§ 10 O depoimento da parte.
§ 11 As vistorias.

No período colonial, afirma o douto professor Lopes de Sá (1997, p. 13-14),


era relevante a função contábil e das perícias, conforme claramente evidenciado no
Relatório de 19 de junho de 1779 do vice-rei Marquês de Lavradio a seu sucessor
Luís de Vasconcelos e Souza (Arquivo Nacional do Rio de Janeiro).
Oficialmente encontramos a introdução da perícia no ordenamento jurídico
brasileiro pelo Decreto-Lei 1.608, de 18 de setembro de 1939 que instituiu o Código
de Processo Civil, onde faz menção explícita ao Perito e aos exames periciais,
conforme artigo 129, seguinte:

Art. 129. Os exames periciais serão feitos por um perito, sempre


que possível técnico, de livre escolha do juiz.
Parágrafo único. O perito poderá ser recusado pelas mesmas
causas que justificam a recusa dos juízes e testemunhas e no caso
do art. 131, nº II.

Na reforma do Código de Processo Civil pela Lei 5.8691, de 11 de janeiro


de 1973, a figura do perito foi objeto de maior ênfase, sendo este elevado à
condição de auxiliar da justiça, conforme prescreve seu capítulo V, artigo 139:

1ATENÇÃO Esta Lei 5.869, de 11 de janeiro de 1973, que instituiu o Código de Processo Civil em
1973, foi revogada em 2015 pela Lei 13.105, de 16 de março de 2015, que estando no “vacatio legis”
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CAPÍTULO V - DOS AUXILIARES DA JUSTIÇA
Art. 139 - São auxiliares do juízo, além de outros, cujas atribuições
são determinadas pelas normas de organização judiciária, o
escrivão, o oficial de justiça, o perito, o depositário, o administrador
e o intérprete.

Sobre o perito, o mesmo diploma legal em seu artigo 145, determina que o
perito deve ser profissional de nível universitário, com o devido registro no órgão de
classe competente, portanto, na perícia contábil, cabe exclusivamente ao contador
a sua execução, conforme prescreve o Código de Processo Civil - CPC:

Art. 145 - Quando a prova do fato depender de conhecimento


técnico ou científico, o juiz será assistido por perito, segundo o
disposto no art. 421.
§ 1º - Os peritos serão escolhidos entre profissionais de nível
universitário, devidamente inscritos no órgão de classe competente,
respeitado o disposto no Capítulo Vl, seção Vll, deste Código.
§ 2º - Os peritos comprovarão sua especialidade na matéria sobre
que deverão opinar, mediante certidão do órgão profissional em que
estiverem inscritos.
§ 3º - Nas localidades onde não houver profissionais qualificados
que preencham os requisitos dos parágrafos anteriores, a indicação
dos peritos será de livre escolha do juiz.

A Lei 8.455, de 24 de agosto de 1992, introduz alterações na Lei 5.869/73,


essencialmente no que diz respeito à atuação do perito, portanto o CPC é
atualizado nos seus artigos 138, 146, 421 a 424, 427 e 433, que fazem referências
ao perito, aos assistentes técnicos e à prova pericial.
Observa-se que o ordenamento jurídico consubstanciado no CPC dá a
devida relevância à atuação do perito e dos assistentes técnicos, elevando-os à
categoria de auxiliares da justiça na produção de prova pericial.
O Decreto-Lei nº 7.661, de 21 de junho de 1945, que tratava sobre
falências, atualmente revogado pela Lei 11.101/2005, corroborava os dispositivos
do CPC ao consubstanciar no seu artigo 211 que:

Art. 211 - Os exames e verificações periciais de que trata esta lei,


devem ser feitos por contadores habilitados na forma da legislação
em vigor. Onde não os houver, serão nomeadas pessoas de notória
idoneidade, versadas na matéria.

Em 1931 o Governo Provisório de Getúlio Vargas editou o Decreto nº


20.158, de 30 de junho, regulamentando a organização do ensino comercial e

só surtirá efeito em março de 2016. Mas faz parte da história e evolução da sociedade, do processo,
do direito e do homem.
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regulamentando a profissão do contador. Em seu artigo 2º institui os cursos técnicos
de guarda-livros, atuário e de perito, entre outros, a seguir reproduzido:

Art. 2º O ensino comercial constará de um curso propedêutico e dos


seguintes cursos técnicos de secretário, guarda-livros,
administrador-vendedor, atuário e de perito e, ainda, de um curso
superior de administração e finanças e de um curso elementar do
auxiliar do comércio, compreendendo as seguintes disciplinas:

No governo de Eurico Gaspar Dutra, foram criados o Conselho Federal de


Contabilidade e os Conselhos Regionais de Contabilidade bem como definidas as
atribuições do contador e do guarda-livros. Os artigos 25 e 26 do Decreto-Lei nº
9.295, de 27 de maio de 1946, define os trabalhos técnicos de contabilidade bem
como define a quem compete executá-los:

Art. 25. São considerados trabalhos técnicos de contabilidade:


a) organização e execução de serviços de contabilidade em geral;
b) escrituração dos livros de contabilidade obrigatórios, bem como
de todos os necessários no conjunto da organização contábil e
levantamento dos respectivos balanços e demonstrações;
c) perícias judiciais ou extrajudiciais, revisão de balanços e de
contas em geral, verificação de haveres, revisão permanente ou
periódica de escritas, regulações judiciais ou extrajudiciais de
avarias grossas ou comuns, assistência aos Conselhos Fiscais das
sociedades anônimas e quaisquer outras atribuições de natureza
técnica conferidas por lei aos profissionais de contabilidade.
Art. 26 Salvo direitos adquiridos ex-vi do disposto no art. 2º do
Decreto nº 21.033, de 8 de fevereiro de 1932, as atribuições
definidas na alínea c do artigo anterior são privativas dos contadores
diplomados.

A partir do diploma legal retro citado, há a definição das atribuições do atual


técnico em contabilidade e o bacharel em ciências contábeis (contador). Entretanto,
os direitos adquiridos, mencionados no artigo 26, fazem referência aos detentores
do antigo título de perito, oriundos dos cursos de perito regulamentados pelo
Decreto nº 20.158/1931, ainda atuantes.
No âmbito geral da atividade pericial, foram aprovadas, em 26 de agosto de
1970, as Normas e Procedimentos de Perícia Judicial ou NPPJ’s, cujos estudos
foram inicialmente desenvolvidos pela Associação dos Peritos Judiciais do Estado
de São Paulo e que foram também adotadas, em meados de 1973, com pequenas
alterações, pela Associação dos Peritos Judiciais do Estado do Rio de Janeiro.
Atualmente as NPPJ’s compõem o conjunto de normas e procedimentos de perícia
judicial para os administradores.
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Segundo Alberto (1996), as NPPJ’s não obrigam os peritos a adotá-las,
entretanto devem ser encaradas como recomendações de conduta.
Finalmente, esta introdução faz um relato histórico da evolução da
contabilidade e da perícia contábil, bem como evidencia que a legislação passou a
regulamentar a função do perito e do perito assistente como auxiliares do judiciário
na produção de prova pericial, condição que deve ser considerada sempre como
distinção e reconhecimento de suas capacidades e honorabilidade, bem como
caracteriza as diferenças e semelhanças entre a auditoria e a perícia contábil.

Dica de aprofundamento

Convido você a assistir ao seguinte vídeo:


História da contabilidade. Disponível em:
<http://www.youtube.com/watch?v=qw5wbbPwXTg>. Acesso em: 09 nov.
2018.

Exercício 1
1. Fibonacci introduziu no ocidente o conceito do zero. Qual era o sistema
numérico utilizado no ocidente?
a) Algarismos gregos
b) Algarismos primos
c) Algarismos arábicos
d) Algarismos romanos

2. Com o Líber Abacci de Fibonacci, o conhecimento matemático foi difundido


no ocidente, gradativamente o sistema de algarismos foi sendo substituído.
Quais algarismos utilizamos atualmente? Responda à questão e faça uma
reflexão como seria a contabilidade na atualidade utilizando os algarismos
vigentes antes do Líber Abacci.
a) Algarismos gregos
b) Algarismos primos
c) Algarismos arábicos
d) Algarismos romanos

3. Na Idade Média (476 d.C a 1.453 d.C) ocorreu um movimento religioso


conhecido como Peregrinação ou Guerra Santa que no final contribuiu para o
desenvolvimento da contabilidade. Algumas das contribuições das Cruzadas
para o desenvolvimento da contabilidade foram:
a) Guerras religiosas e a língua árabe
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b) Rotas comerciais e o desenvolvimento do comércio
c) Desenvolvimento das artes e da agricultura
d) Desenvolvimento bélico e desenvolvimento industrial

4. No Código Civil de 1939, foi introduzia oficialmente a perícia no


ordenamento jurídico brasileiro. Qual referência o Código faz sobre o campo
pericial?
a) Laudo pericial e o perito
b) Exames periciais e vistoria
c) Exames periciais e o perito
d) Juízes e vistoria

1.2 Diferenças e semelhanças entre auditoria e perícia contábil

É importante ressaltar que perícia contábil não pode ser entendida como
auditoria contábil, apesar de apresentarem pontos comuns, variam quanto à
natureza das causas e efeitos, de espaço e tempo (SÁ, 1997).
O enfoque no trabalho de auditoria são os registros contábeis, financeiros e
patrimoniais, os controles internos nas organizações, documentos e controles
operacionais e demonstrações contábeis. O trabalho é realizado normalmente por
amostragem observando a materialidade e a relevância.
O trabalho pericial envolve a totalidade dos fatos, dos documentos, das
informações e de todo e qualquer meio que possa ser utilizado como elemento de
prova.
Sem a pretensão de esgotar o assunto, a seguir é apresentado o quadro 1
onde estão resumidas as semelhanças e diferenças entre a perícia contábil e a
auditoria contábil sob o ponto de vista de uma abordagem comparativa externa.

Quadro 1 – Auditoria X Perícia: Semelhanças


Semelhanças
Auditoria Perícia
O auditor deve estabelecer uma As duas preveem o planejamento
estratégia global de auditoria que como item necessário à
defina o alcance, a época e a execução do trabalho. O que
direção da auditoria, para orientar difere uma da outra são os
objetivos de cada área de
o desenvolvimento do plano de
atuação.
auditoria.
Ao definir a estratégia global, o
auditor deve:
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Planeja- (a) identificar as características do Objetiva conhecer o objeto da
mento trabalho para definir o seu perícia, definir a natureza, a
alcance; oportunidade e a extensão dos
exames a serem realizados,
(b) definir os objetivos do relatório
estabelecer condições para que o
do trabalho; trabalho seja cumprido no prazo,
(c) considerar os fatores que no identificar potenciais problemas e
julgamento profissional do riscos e identificar a legislação
auditor são significativos para aplicável. (NBC TP 01)
orientar os esforços da equipe
do trabalho;
(d) considerar os resultados das
atividades preliminares do
trabalho de auditoria; e
(e) determinar a natureza, a época
e a extensão dos recursos
necessários para realizar o
trabalho
 Itens 7 e 8 da NBC TA 300

Expressa uma conclusão com a


finalidade de aumentar o grau de
confiança dos outros usuários
previstos, que não seja a parte
Atém-se ao objeto e utiliza-se da
responsável, acerca do resultado
Escopo totalidade dos fatos, documentos,
da avaliação ou mensuração de
do informações e de qualquer meio
determinado objeto de acordo com
trabalho de prova. (NBC TP 01 e Código
os critérios aplicáveis.
de Processo Civil)
O resultado da avaliação ou
mensuração de um objeto é a
informação resultante da
aplicação de critérios ao objeto
 Itens 7 e 8 da NBC TA 01
Os procedimentos de perícia
contábil visam fundamentar as
conclusões que serão levadas ao
O objetivo da auditoria é aumentar laudo pericial contábil ou parecer
Objetivo o grau de confiança nas pericial contábil, e abrangem,
do demonstrações contábeis por total ou parcialmente, segundo a
trabalho parte dos usuários. natureza e a complexidade da
 Item 3 da NBC TA 200 matéria, exame, vistoria,
indagação, investigação,
arbitramento, mensuração,
avaliação e certificação.
Investidores, credores por Poder Judiciário e as partes
Usuários empréstimos, fornecedores e interessadas no processo,
da outros credores comerciais, quando a perícia for judicial, e o
Informa- clientes, empregados, governo e contratante, quando a perícia for
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ção suas agências e o público. extrajudicial.
 Item 9 da NBC T 1
Há a hipótese de impedimento e
incompatibilidade.
Não poderão realizar auditoria
independente o Auditor
Independente – Pessoa Física, os
O Perito pode escusar-se ou ser
Impedi- sócios e os demais integrantes do
recusado por impedimento e
mento quadro técnico de Auditor
suspeição. (NBC PP 01 e
e Independente – Pessoa Jurídica
Código de Processo Civil
Suspeição quando ficar configurada, em sua
atualizado)
atuação na entidade auditada,
controladoras ou integrantes de
um mesmo grupo econômico.
(Artigo 22 da Instrução CVM nº
308, de 14/05/1999)
O auditor é o único responsável Responsabilidade recai sobre o
por expressar opinião de auditoria perito. É responsável pelo
Equipe e essa responsabilidade não é trabalho de sua equipe técnica.
de reduzida pela utilização do Pode contratar os serviços de
trabalho trabalho de especialista profissionais de outras profissões
contratado pelo auditor. regulamentadas.
 Item 3 da NBC TA 620 (NBC PP 01)
Fonte: Elaboração Própria

Quadro 2 – Auditoria X Perícia: Diferenças


Diferenças
Auditoria Perícia
O Relatório, de conformidade com os
Auditores independentes, informa se as
demonstrações contábeis foram elaboradas,
em todos os aspectos relevantes, de acordo O laudo pericial contábil e o parecer pericial
com os requisitos da estrutura de relatório contábil devem contemplar o resultado final
financeiro aplicável. Essa avaliação deve de todo e qualquer trabalho alcançado por
Escopo
incluir a consideração dos aspectos meio de elementos de prova inclusos nos
do
qualitativos das práticas contábeis da autos ou adquiridos em diligências que o
trabalho
entidade, incluindo indicadores de possível perito tenha efetuado, por intermédio de
tendenciosidade nos julgamentos da peças contábeis e quaisquer outros
administração. documentos, tipos e formas. (NBC TP 01)
Não é abrangente, considera os aspectos de
materialidade e relevância. (NBC TA 700 em
audiência pública)
A opinião expressa pelo auditor é O laudo pericial contábil e o parecer pericial
referente a se as demonstrações contábil são documentos escritos, nos quais
contábeis foram elaboradas, em todos os os peritos devem registrar, de forma
aspectos relevantes, em conformidade
abrangente, o conteúdo da perícia e
Opinião com a estrutura de relatório financeiro
particularizar os aspectos e as minudências
profissional aplicável.
que envolvam o seu objeto e as buscas de
Não é abrangente, leva em consideração
elementos de prova necessários para a
os aspectos da relevância, ou seja,
conclusão do seu trabalho. (NBC TP 01)
somente o que é relevante foi objeto da
auditoria. (NBC TPA 200)
Duração O trabalho de auditoria é contínuo e repetitivo O trabalho de perícia tem a duração do
do limitado a 5 anos e respeitando um intervalo tempo definido no planejamento. (CPC
trabalho mínimo de 3 anos para recontratação. NBC TP 01)

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 Artigo 312 da Instrução CVM nº 308, de
14/05/1999
Relaciona- Poder Judiciário (juiz) e as partes (autor e
mento do Com toda a equipe da entidade auditada réu) em processos judiciais e o contratante
trabalho em perícias extrajudiciais.
Divulgação
Divulgação em jornais de grande circulação.
externa do Não há divulgação externa. O laudo ou
Divulgação nos “sites” das empresas
resultado do parecer são restritos aos autos
auditadas.
trabalho
Local de
Escritório da entidade auditada e no escritório
realização do Escritório do Perito.
do auditor
trabalho

Tem autoridade disposta na lei, atua como


Não tem autoridade no processo da entidade auxiliar do judiciário nos processos judiciais.
auditada. Limita-se a emitir opinião sobre as (Código de Processo Civil - CPC)
Autoridade
demonstrações contábeis e sobre os Mas nas perícias extrajudiciais se refere a
controles internos da auditada. instruções para processos específicos e a
autoridade é limitada.

Fonte: Elaboração Própria

Exercício 2
1. Analise os enunciados abaixo e escolha a sequência correta segundo
façam referência à Auditoria ou à Perícia:
1 – Auditoria
2 – Perícia

Pode escusar-se ou ser recusado por impedimento e suspeição.


O trabalho tem a duração do tempo definido no planejamento.
Identifica as características do trabalho para definir o seu alcance.
Atém-se ao objeto e utiliza-se da totalidade dos fatos, documentos,
informações e de qualquer meio de prova.
A emissão da opinião não é abrangente, considera os aspectos de
materialidade e relevância.
a) 2/2/1/2/1
b) 1/2/2/1/2
c) 2/1/1/1/2
d) 1/1/2/1/2

2 Art. 31-A O prazo estabelecido no art. 31 desta Instrução é de até 10 (dez) anos consecutivos

caso: I – a companhia auditada possua Comitê de Auditoria Estatutário - CAE em funcionamento


permanente; e II – o auditor seja pessoa jurídica. § 1º Para a utilização da prerrogativa prevista no
caput, o CAE deverá estar instalado no exercício social anterior à contratação do auditor
independente. § 2º Adotada a prerrogativa prevista no caput, o auditor independente deve proceder
à rotação do responsável técnico, diretor, gerente e de qualquer outro integrante da equipe de
auditoria com função de gerência, em período não superior a 5 (cinco) anos consecutivos, com
intervalo mínimo de 3 (três) anos para seu retorno.
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UNIDADE 2 - FUNDAMENTOS E LEGISLAÇÃO DA PERÍCIA
CONTÁBIL

Três coisas devem ser feitas por um juiz: ouvir atentamente, considerar sobriamente
e decidir imparcialmente.
(Sócrates)
2.1 Considerações iniciais

A contabilidade é regida por um conjunto de princípios e normas contábeis,


bem como por leis que estabelecem procedimentos de contabilidade que, aliás,
prejudicam a aplicação de uma contabilidade sadia e pura, embasada unicamente
nos princípios contábeis.
Da mesma forma, a perícia contábil segue normas e uma legislação
pertinente, a exemplo do que foi abordado nas considerações iniciais deste
trabalho.
Dentro do ordenamento que regula a matéria, o Conselho Federal de
Contabilidade – CFC é o órgão responsável pelas normas sobre perícia contábil
enquanto que no ordenamento jurídico o CPC introduziu procedimentos que devem
ser observados pelos peritos, bem como procedimentos que devem ser observados
na produção da prova pericial, neste caso são normas extensivas aos peritos de
todas as áreas de conhecimento.
As normas editadas pelo CFC sobre o assunto são as normas profissionais
que dizem respeito ao profissional contador no exercício da função de perito e as
normas funcionais sobre perícia contábil.
O CFC tem atuado na produção de normas sobre perícia e sobre o perito,
neste sentido editou em 22 de outubro de 1992, pela Resolução CFC nº 731/92 a
Norma Brasileira de Contabilidade NBC T 13 que tratava da Perícia Contábil sendo
esta alterada pelas Resoluções CFC nº 858, de 21 de outubro de 1999, Res. CFC
nº. 985/2003; Res. CFC nº. 1021/2005 e Res. CFC nº. 1041/2005. Recentemente,
em 2009, esta norma foi revogada pela Resolução CFC nº 1.243 de 10 de
dezembro de 2009, que também foi revogada pela NBCTP 01 de 19 de março de
2015, que dá nova redação à NBC TP 01 – Perícia Contábil.
Sobre a atuação profissional do contador quando investido na função de
perito o CFC editou pela Resolução CFC nº 733, de 22 de outubro de 1992, a
Norma Brasileira de Contabilidade a NBC P2 – Normas Profissionais do Perito

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Contábil. Esta norma foi posteriormente revisada pela Resolução CFC nº 857 de 21
de outubro de 1999; Res. CFC nº. 1050/2005; Res. CFC nº. 1051/2005; Res. CFC
nº. 1056/2005 e Res. CFC nº. 1057/2005. E, foi revogada pela Resolução CFC n°
1.244, de 10 de dezembro de 2009, que também foi revogada pela NBCPP 01 de
19 de março de 2015, que dá nova redação à NBC PP 01 – Perito Contábil.
As alterações introduzidas na Lei 6.404/76 pela Lei 11.638, de 28 de
dezembro de 2007, e a Lei 11.941/2009, possibilitaram ao Comitê de
Pronunciamento Contábil, em parceria com os diversos órgãos normatizadores da
ciência contábil e fiscalizadores da atividade comercial e financeira do Brasil,
promoverem alterações relevantes nas normas de contabilidade com o objetivo de
adequá-las ao padrão contábil internacional. Dentro desse propósito, o CFC vem
atuando de maneira vigorosa revendo todo o seu arcabouço de normas e
adequando-as ao referido padrão.
Como entidade membro associado da Federação Internacional de
Contadores – IFAC, o Conselho Federal de Contabilidade – CFC, foi autorizado a
traduzir as normas internacionais de auditoria e demais publicações.
Nesse sentido, em consonância com o processo de harmonização contábil,
o CFC está revisando as normas de auditorias com a tradução e implementação
das normas internacionais do International Auditing and Assurance Standards Board
– IAASB, cujo processo se deu a partir do final do ano de 2009, com vigência a
partir do início do ano de 2010.
Para dar início ao processo de tradução e implementação das normas de
auditoria, o CFC julgou necessário rever a técnica legislativa utilizada no
desenvolvimento das Normas Brasileiras de Contabilidade, no sentido de adequá-
las à linguagem utilizada nas normas internacionais. Para isso foi aprovada a
Resolução CFC 1.156, de 13 de fevereiro de 2009, que dispõe sobre a Estrutura
das Normas Brasileiras de Contabilidade, que passou por revisão e foi revogada
pela Resolução CFC 1374 de 08 de dezembro de 2011 que deu nova redação à
NBCTG – Estrutura Conceitual para elaboração e divulgação de relatório contábil-
financeiro.
A Resolução CFC 1.156/09, alterou a nomenclatura das Normas Brasileiras
de Contabilidade – NBC’s, passando a adotar as seguintes estruturas, conforme
artigos 4º e 5º a seguir:

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Art. 4º As Normas Brasileiras de Contabilidade Profissionais se
estruturam conforme segue:
a) Geral – NBC PG – são as normas gerais aplicadas aos
profissionais da área contábil;
b) do Auditor Independente – NBC PA – são aplicadas
especificamente aos contadores que atuem como auditor
independente;
c) do Auditor Interno – NBC PI – são aplicadas especificamente
aos contadores que atuem como auditor interno;
d) do Perito – NBC PP – são aplicadas especificamente aos
contadores que atuem como perito contábil.
Art. 5º As Normas Brasileiras de Contabilidade Técnica se
estruturam conforme segue:
a) Societária – NBC TS – são as Normas Brasileiras de
Contabilidade convergentes com as Normas Internacionais;
b) do Setor Público – NBC TSP – são as Normas Brasileiras de
Contabilidade aplicadas ao Setor Público, convergentes com as
Normas Internacionais de Contabilidade para o Setor Público;
c) Específica – NBC TE – são as Normas Brasileiras de
Contabilidade que não possuem Norma Internacional
correspondente, observando as NBC TS;
d) de Auditoria Independente de Informação Contábil Histórica –
NBC TA – são as Normas Brasileiras de Auditoria convergentes com
as Normas Internacionais de Auditoria Independente (ISAs) emitidas
pela Federação Internacional de Contadores (IFAC);
e) de Revisão de Informação Contábil Histórica – NBC TR – são as
Normas Brasileiras de Revisão convergentes com as Normas
Internacionais de Revisão (ISREs), emitidas pela IFAC;
f) de Asseguração de Informação Não Histórica – NBC TO – são
as Normas Brasileiras de Asseguração convergentes com as
Normas Internacionais de Asseguração (ISAEs), emitidas pela IFAC;
g) de Serviço Correlato – NBC TSC – são as Normas Brasileiras
para Serviços Correlatos convergentes com as Normas
Internacionais para Serviços Correlatos (ISRSs) emitidas pela IFAC;
h) de Auditoria Interna – NBC TI – são as Normas Brasileiras
aplicadas aos trabalhos de auditoria interna;
i) de Perícia – NBC TP – são as Normas Brasileiras aplicadas aos
trabalhos de perícia.

Esta resolução foi revogada pela Resolução CFC 1.298/2010, que também
foi revogada pela Resolução CFC 1328/2011, e foi alterada pela Resolução
1.443/2013. Estas normas dispõem sobre a estrutura das Normas Brasileiras de
Contabilidade, e explicitam que “as Normas Brasileiras de Contabilidade, sejam elas
Profissionais ou Técnicas, estabelecem preceitos de conduta profissional e padrões
e procedimentos técnicos necessários para o adequado exercício profissional. A
estrutura das normas passa a ser Normas Profissionais.

Art. 3º As Normas Brasileiras de Contabilidade Profissionais se


estruturam conforme segue: I – Geral – NBC PG – são as Normas
Brasileiras de Contabilidade aplicadas indistintamente a todos os
profissionais de Contabilidade; II – do Auditor Independente –
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NBC PA – são as Normas Brasileiras de Contabilidade aplicadas,
especificamente, aos contadores que atuam como auditores
independentes; III – do Auditor Interno – NBC PI – são as Normas
Brasileiras de Contabilidade aplicadas especificamente aos
contadores que atuam como auditores internos; IV – do Perito –
NBC PP – são as Normas Brasileiras de Contabilidade aplicadas
especificamente aos contadores que atuam como peritos contábeis.

E Normas Técnicas

Art. 4º As Normas Brasileiras de Contabilidade Técnicas se


estruturam conforme segue: I – Geral – NBC TG – são as Normas
Brasileiras de Contabilidade convergentes com as normas
internacionais emitidas pelo International Accounting Standards
Board (IASB); e as Normas Brasileiras de Contabilidade editadas
por necessidades locais, sem equivalentes internacionais; II – do
Setor Público – NBC TSP – são as Normas Brasileiras de
Contabilidade aplicadas ao Setor Público, convergentes com as
Normas Internacionais de Contabilidade para o Setor Público,
emitidas pela International Federation of Accountants (IFAC); e as
Normas Brasileiras de Contabilidade aplicadas ao Setor Público
editadas por necessidades locais, sem equivalentes internacionais;
III – de Auditoria Independente de Informação Contábil Histórica
– NBC TA – são as Normas Brasileiras de Contabilidade aplicadas à
Auditoria convergentes com as Normas Internacionais de Auditoria
Independente emitidas pela IFAC; IV – de Revisão de Informação
Contábil Histórica – NBC TR – são as Normas Brasileiras de
Contabilidade aplicadas à Revisão convergentes com as Normas
Internacionais de Revisão emitidas pela IFAC; V – de Asseguração
de Informação Não Histórica – NBC TO – são as Normas
Brasileiras de Contabilidade aplicadas à Asseguração convergentes
com as Normas Internacionais de Asseguração emitidas pela IFAC;
VI – de Serviço Correlato – NBC TSC – são as Normas Brasileiras
de Contabilidade aplicadas aos Serviços Correlatos convergentes
com as Normas Internacionais para Serviços Correlatos emitidas
pela IFAC; VII – de Auditoria Interna – NBC TI – são as Normas
Brasileiras de Contabilidade aplicáveis aos trabalhos de Auditoria
Interna; VIII – de Perícia – NBC TP – são as Normas Brasileiras de
Contabilidade aplicáveis aos trabalhos de Perícia; IX – de Auditoria
Governamental – NBC TAG – são as Normas Brasileiras de
Contabilidade aplicadas à Auditoria Governamental convergentes
com as Normas Internacionais de Auditoria Governamental emitidas
pela Organização Internacional de Entidades Fiscalizadoras
Superiores (INTOSAI). Parágrafo único. As normas de que trata o
inciso I do caput são segregadas em: a) Normas completas que
compreendem as normas editadas pelo CFC a partir dos
documentos emitidos pelo CPC que estão convergentes com as
normas do IASB, numeradas de 00 a 999; b) Normas simplificadas
para PMEs que compreendem a norma de PME editada pelo CFC a
partir do documento emitido pelo IASB, bem como as ITs e os CTs
editados pelo CFC sobre o assunto, numerados de 1000 a 1999; c)
Normas específicas que compreendem as ITs e os CTs editados
pelo CFC sobre entidades, atividades e assuntos específicos,
numerados de 2000 a 2999.

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O resultado desse trabalho é que a partir do início de janeiro de 2010, os
profissionais de auditoria devem observar um novo conjunto de normas de auditoria,
resultado da atuação do CFC em traduzir as Normas Internacionais, portanto são as
Normas Brasileiras de Auditoria convergentes com as Normas Internacionais de
Auditoria Independente (ISAs) emitidas pela Federação Internacional de Contadores
(IFAC).
No que é pertinente à perícia contábil, o CFC, diante da constante evolução
e a crescente importância da atividade pericial e considerando que o momento
exige atualização e aprimoramento das normas endereçadas à sua regência,
resolveu revogar a norma profissional NBC P2 e a norma técnica NBC T-3, editando
para isso normas técnicas de perícia e normas profissionais do perito contábil,
respectivamente, pelas Resoluções CFC nº 1.243/09 e 1.244/09, ambas revogadas
pelas NBCTP01 NBCPP01 respectivamente e publicadas no Diário Oficial de 18 de
março de 2015.
Nesse processo de atualização, as normas profissionais e técnicas de
perícia, conforme item IV do art. 3º e item VIII do art. 4º da Resolução CFC
1328/2011, tiveram suas estruturas alteradas para Normas Brasileiras de
Contabilidade – NBC PP, que se refere às normas profissionais do Perito e Normas
Brasileiras de Contabilidade – NBC TP normas técnicas de Perícia, ou seja, NBC
PP – do Perito e NBC TP – da Perícia.

2.2 Normas profissionais do perito contábil

O Conselho Federal de Contabilidade (CFC) consolidou em 2015 a Norma


Brasileira de Contabilidade NBC PP 01 que trata das funções do perito contábil,
organizada nos seguintes pontos: objetivo, conceito, alcance, habilitação
profissional, impedimento e suspeição que traz como subitem a suspeição e
impedimento legal, responsabilidade item que abrange a responsabilidade civil e
penal, zelo profissional, utilização de trabalho de especialista, honorários e no tema
honorários sugere a elaboração da proposta, quesitos suplementares, apresentação
da proposta de honorários, levantamento de honorários, execução de honorários
periciais, despesas supervenientes na execução da perícia; esclarecimentos,

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modelos e vigência. Cada item da norma do profissional contador na função de
perito, será comentado a seguir destacando pontos relevantes.

2.2.1 Objetivo
A Norma Profissional do Perito PP 01 é bastante clara em seu objetivo em
que estabelece o seguinte: “Esta Norma estabelece critérios inerentes à atuação do
contador na condição de perito”.
Cabem aqui algumas considerações bem como reforçar o ponto de vista do
legislador em estabelecer o objetivo acima:
a) Encontramos no Decreto-Lei nº 9.295, de 27 de maio de 1946, em
seus artigos 25 e 26, a definição dos trabalhos técnicos de
contabilidade bem como a quem compete executá-los:

Art. 25. São considerados trabalhos técnicos de contabilidade:


a) organização e execução de serviços de contabilidade em geral;
b) escrituração dos livros de contabilidade obrigatórios, bem como
de todos os necessários no conjunto da organização contábil e
levantamento dos respectivos balanços e demonstrações;
c) perícias judiciais ou extrajudiciais, revisão de balanços e de
contas em geral, verificação de haveres revisão permanente ou
periódica de escritas, regulações judiciais ou extrajudiciais de
avarias grossas ou comuns, assistência aos Conselhos Fiscais das
sociedades anônimas e quaisquer outras atribuições de natureza
técnica conferidas por lei aos profissionais de contabilidade.
Art. 26 Salvo direitos adquiridos ex-vi do disposto no art. 2º do
Decreto nº 21.033, de 8 de fevereiro de 1932, as atribuições
definidas na alínea c do artigo anterior são privativas dos contadores
diplomados.

b) A Lei 13.105/2015, o novo código de processo Civil - CPC também


confirma o ponto de vista do legislador ao afirmar no caput do art.
156, que “O juiz será assistido por perito quando a prova do fato
depender de conhecimento técnico ou científico”; e no §1º do art. 156
Os peritos serão nomeados entre os profissionais legalmente
habilitados e os órgãos técnicos ou científicos devidamente inscritos
em cadastro mantido pelo tribunal ao qual o juiz está vinculado. A
grande alteração deste novo código de processo civil está no fato de
permitir perícias por “órgãos técnicos ou científicos” como prevê o
§2º do artigo 156.

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§ 2o Para formação do cadastro, os tribunais devem realizar consulta
pública, por meio de divulgação na rede mundial de computadores
ou em jornais de grande circulação, além de consulta direta a
universidades, a conselhos de classe, ao Ministério Público, à
Defensoria Pública e à Ordem dos Advogados do Brasil, para a
indicação de profissionais ou de órgãos técnicos interessados.

Os profissionais habilitados a que se refere a legislação, no caso de


perícia contábil, é o contador, bacharel em ciências contábeis, registrado no
conselho de classe.
c) Tendo em vista que profissionais de outras áreas (administradores e
economistas, por exemplo, e técnicos em contabilidade) têm atuado
em perícia contábil, o qual fere os dispositivos acima, o Superior
Tribunal de Justiça – STJ tem se pronunciado a favor dos que
procuram valer os seus direitos corroborando com o que prescreve a
legislação citada. Por isso emitiu os seguintes pronunciamentos,
dando provimento a recursos sobre a matéria:

Recurso Especial 5302/SP, de 25.02.1991:


A Perícia Contábil deverá ser feita por profissional de nível superior,
qualidade que não tem o Técnico em Contabilidade. Igualmente não
está legalmente habilitado para essa tarefa o Administrador.
Acórdão: Por unanimidade, foi dado conhecer e provimento do
recurso.

d) Em outro julgamento, o STJ deu provimento, conforme segue:

Recurso Especial 49650/SP


Recurso Especial 1994/001610-1, de 06/09/1994
Perícia Contábil. Cabe a profissional de nível universitário
devidamente inscrito no órgão de classe. Arts. 145, par. 1. do COD
DE PR. CIVIL e 26 do Decreto-lei 9.295/46. Precedente da 3ª.
Turma do ST: RESP-5.302. Recurso Especial conhecido e provido.
Acórdão:
Por unanimidade, conhecer do recurso especial e lhe dar
provimento.

e) Confirmando mais uma vez o seu posicionamento o STJ assim


decidiu sobre a lide:

Recurso Especial 15566/ES


Recurso Especial 1996/0076697-5, 18/08/1997
Processual Civil. Perícia contábil. Profissional habilitado: Contador, e
não Técnico em Contabilidade ou Administrador.
Precedentes do STJ e do extinto TFR. Recurso provido.
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I – A Perícia Contábil deve ser efetuada por contador (profissional
portador de diploma universitário) devidamente inscrito no Conselho
de Contabilidade, e não por Técnico em Contabilidade ou
Administrador de empresas.
II – Inteligência do Par. 1. do art.145 do CPC e do art. 26 do Del.
9.245/1946.
III – Precedentes do STJ, RESP 5.302/SP, RESP 49.650/SP e do
antigo TFR: AG 53.660/SP.
IV – Recuso Especial conhecido e provido
Acórdão:
Por unanimidade, conhecer do recurso e dar-lhe provimento.

Pelo visto não há dúvidas de que a perícia contábil é de competência do


bacharel em ciências contábeis, neste caso do contador e não do técnico em
contabilidade, profissional de nível de 2º grau, ou de qualquer outra profissão de
áreas afim, como administração ou economia. Outro aspecto relevante é que a
execução da perícia estava restrita à pessoa física, hoje no novo formato do código
de processo civil já existe a alusão de pessoa jurídica na perícia contábil.
E, em função destas confusões acerca de a quem cabe elaborar perícias, e,
para resolver problemas de competência e qualificação o § 2o do artigo 157 do novo
CPC, prevê que “Será organizada lista de peritos na vara ou na secretaria, com
disponibilização dos documentos exigidos para habilitação à consulta de
interessados, para que a nomeação seja distribuída de modo equitativo, observadas
a capacidade técnica e a área de conhecimento”.

2.2.2 Conceitos
A perícia contábil é de exclusividade do contador podendo sua atuação ser
como perito ou perito assistente, portanto é necessário o entendimento de cada
uma dessas atribuições.
O perito contábil é o contador devidamente registrado no Conselho
Regional da classe e possuidor de profundo conhecimento da matéria pericial
contábil. Trata-se do profissional que atua na área de perícia contábil, seja judicial
ou extrajudicial. A NBC PP 01 possui 4 conceitos referentes ao perito, a saber:

Perito é o contador, regularmente registrado em Conselho Regional


de Contabilidade, que exerce a atividade pericial de forma pessoal,
devendo ser profundo conhecedor, por suas qualidades e
experiências, da matéria periciada. Perito oficial é o investido na
função por lei e pertencente a órgão especial do Estado destinado,
exclusivamente, a produzir perícias e que exerce a atividade por
profissão. Perito do juízo é nomeado pelo juiz, árbitro, autoridade

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pública ou privada para exercício da perícia contábil. Perito-
assistente é o contratado e indicado pela parte em perícias
contábeis.

Para os profissionais que pretendam ou venham a exercer a perícia, basta a


observação das condições e exigências acima, entretanto para os requisitos
educacionais, ou seja, ser profundo conhecedor da matéria periciada, a sua
identificação dependerá do alcance da experiência e da observação dos autores, já
que estes não se encontram sistematizados. O profissional que julgar não deter o
conhecimento técnico-científico requerido deve declarar-se impedido para o
trabalho, para não se sujeitar ao impedimento técnico-científico, conforme previsto
no item 21 da PP 01.
Cabe ressaltar que as exigências legais determinam que, o profissional
deve possuir formação educacional em nível universitário, deve estar legalmente
habilitado ao exercício profissional, mediante registro no Conselho Regional de
Contabilidade. Porém possuir formação em nível superior, não significa
necessariamente ter conhecimento aprofundado sobre a matéria em litígio visto que
a contabilidade possui centenas de cargos e funções que requerem conhecimento
específico e nenhum profissional se identifica com todas as frentes e especialidades
da contabilidade. O perito deve comprovar sua habilitação como perito em
contabilidade por intermédio de Certidão de Regularidade Profissional emitida pelos
Conselhos Regionais de Contabilidade. O perito deve anexá-la no primeiro ato de
sua manifestação e na apresentação do laudo ou parecer para atender ao disposto
no Código de Processo Civil. É permitida a utilização da certificação digital, em
consonância com a legislação vigente e as normas estabelecidas pela Infraestrutura
de Chaves Públicas Brasileiras – ICP-Brasil (NBC PP 01 aprovada em 27 de
fevereiro de 2015).

2.2.3 Alcance
Aplica-se ao perito o Código de Ética Profissional do Contador, a NBC PG
100 – Aplicação Geral aos Profissionais da Contabilidade e a NBC PG 200 –
Contadores que prestam Serviços (contadores externos) naqueles aspectos não
abordados por esta Norma.
Para os profissionais que pretendam ou venham a exercer a perícia, se faz
necessário atender as condições e exigências nomeadas no item anterior. Para os

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requisitos de experiência profissional e conhecimento individual. Isso significa dizer
que nenhum profissional deve assumir uma perícia se não tem conhecimento da
matéria periciada sob pena de se expor e sabotar a própria carreira, por esta razão
a competência técnica e científica não mais faz parte da norma. Para assumir a
responsabilidade de executar a perícia é condição sine qua non o conhecimento
aprofundado da matéria.

2.2.4 Habilitação profissional


A habilitação profissional diz respeito à capacidade de exercer a função de
perito, e a norma exige que o comprove sua habilitação por meio da Certidão de
regularidade emitidas pelos Conselhos Regionais de Contabilidade (CRC), confira o
item
7. O perito deve comprovar sua habilitação como perito em
contabilidade por intermédio de Certidão de Regularidade
Profissional emitida pelos Conselhos Regionais de Contabilidade. O
perito deve anexá-la no primeiro ato de sua manifestação e na
apresentação do laudo ou parecer para atender ao disposto no
Código de Processo Civil. É permitida a utilização da certificação
digital, em consonância com a legislação vigente e as normas
estabelecidas pela Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileiras –
ICP-Brasil.

E, a respeito do perito assistente a norma versa que

8. A indicação ou a contratação de perito-assistente ocorre quando a


parte ou a contratante desejar ser assistida por contador, ou
comprovar algo que dependa de conhecimento técnico-científico,
razão pela qual o profissional só deve aceitar o encargo se
reconhecer estar capacitado com conhecimento suficiente,
discernimento, com irrestrita independência e liberdade científica
para a realização do trabalho.

2.2.5 Impedimento e suspeição do perito


No exercício da perícia o contador deve declinar do trabalho pericial em
caso em que julgar não possuir os conhecimentos técnicos ou por suspeição, o que
não denigre a imagem do profissional, pelo contrário, demonstra senso de ética, o
que lhe engrandece.
A norma explicita que:

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9. Impedimento e suspeição são situações fáticas ou circunstanciais
que impossibilitam o perito de exercer, regularmente, suas funções
ou realizar atividade pericial em processo judicial ou extrajudicial,
inclusive arbitral. Os itens previstos nesta Norma explicitam os
conflitos de interesse motivadores dos impedimentos e das
suspeições a que está sujeito o perito nos termos da legislação
vigente e do Código de Ética Profissional do Contador.
10. Para que o perito possa exercer suas atividades com isenção, é
fator determinante que ele se declare impedido, após nomeado ou
indicado, quando ocorrerem as situações previstas nesta Norma,
nos itens abaixo.
11. Quando nomeado, o perito do juízo deve dirigir petição, no prazo
legal, justificando a escusa ou o motivo do impedimento ou da
suspeição.
12. Quando indicado pela parte e não aceitando o encargo, o perito-
assistente deve comunicar a ela sua recusa, devidamente justificada
por escrito, com cópia ao juízo.

O impedimento do perito contábil é o mesmo que impede o Juiz de exercer


a função conforme previsto no capítulo II do CPC artigos 146 a 148 e na Norma
Profissional do Perito.

Art. 148. Aplicam-se os motivos de impedimento e de suspeição:


I - ao membro do Ministério Público;
II - aos auxiliares da justiça;
III - aos demais sujeitos imparciais do processo.
§ 1o A parte interessada deverá arguir o impedimento ou a
suspeição, em petição fundamentada e devidamente instruída, na
primeira oportunidade em que lhe couber falar nos autos.
§ 2o O juiz mandará processar o incidente em separado e sem
suspensão do processo, ouvindo o arguido no prazo de 15 (quinze)
dias e facultando a produção de prova, quando necessária.
§ 3o Nos tribunais, a arguição a que se refere o § 1o será
disciplinada pelo regimento interno.
§ 4o O disposto nos §§ 1o e 2o não se aplica à arguição de
impedimento ou de suspeição de testemunha.

O impedimento, a recusa ou a suspeição são fatos previstos nos Arts. 148 e


467 e 468 do Novo Código de Processo Civil, portanto, escusar-se do encargo é um
direito do perito, devidamente amparado na Lei e pela norma do profissional que é
mais específico e aplicável ao contador na função de Perito.

Art. 467. O perito pode escusar-se ou ser recusado por


impedimento ou suspeição.
Parágrafo único. O juiz, ao aceitar a escusa ou ao julgar procedente
a impugnação, nomeará novo perito.
Art. 468. O perito pode ser substituído quando:
I - faltar-lhe conhecimento técnico ou científico;
II - sem motivo legítimo, deixar de cumprir o encargo no prazo que
lhe foi assinado.
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§ 1o No caso previsto no inciso II, o juiz comunicará a ocorrência à
corporação profissional respectiva, podendo, ainda, impor multa ao
perito, fixada tendo em vista o valor da causa e o possível prejuízo
decorrente do atraso no processo.
§ 2o O perito substituído restituirá, no prazo de 15 (quinze) dias, os
valores recebidos pelo trabalho não realizado, sob pena de ficar
impedido de atuar como perito judicial pelo prazo de 5 (cinco) anos.
§ 3o Não ocorrendo a restituição voluntária de que trata o § 2o, a
parte que tiver realizado o adiantamento dos honorários poderá
promover execução contra o perito, na forma dos arts. 513 e
seguintes deste Código, com fundamento na decisão que determinar
a devolução do numerário.

No desenvolvimento do trabalho pericial, a independência do profissional


faz-se necessária. Conforme Ornelas (2000, p. 146), “É absolutamente necessária a
independência funcional no desenvolvimento de qualquer trabalho pericial contábil.
O único compromisso do perito é com a verdade dos fatos”.
Outro fato relevante que contribui para independência do perito no exercício
da perícia é o depósito prévio dos honorários formulado por proposta do perito ao
Magistrado.
O profissional contábil, conforme previsto no Código de Ética, tem o dever
de manifestar, a qualquer tempo, a existência de impedimento para o exercício da
profissão.
Neste caso, a norma é de eficácia plena obrigando compulsoriamente o
profissional a segui-la sob pena de cometer infração ética.
Como o impedimento só ocorre após a nomeação do perito pelo Juiz, e
após este haver tomado conhecimento do contido nos autos, a recusa, por uma
questão de natureza ética, deve ser realizada por escrito, de forma polida, em
reconhecimento à distinção e honorabilidade a ele formulada pelo Magistrado.

2.2.5.1 Suspeição e impedimento legal

A norma profissional do CFC enumera as situações fáticas ou


circunstanciais que impossibilitam o perito de exercer, regularmente, suas funções
ou realizar atividade pericial em processo judicial ou extrajudicial, inclusive arbitral.
Neste caso a norma reforça a condição anterior de independência do perito,
ao especificar as circunstâncias de impedimento e suspeição a que se sujeita o
perito.

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13. O perito do juízo deve se declarar impedido quando não puder
exercer suas atividades, observados os termos do Código de
Processo Civil.
14. O perito-assistente deve declarar-se suspeito quando, após
contratado, verificar a ocorrência de situações que venham suscitar
suspeição em função da sua imparcialidade ou independência e,
dessa maneira, comprometer o resultado do seu trabalho.
15. O perito do juízo ou assistente deve declarar-se suspeito
quando, após nomeado ou contratado, verificar a ocorrência de
situações que venham suscitar suspeição em função da sua
imparcialidade ou independência e, dessa maneira, comprometer o
resultado do seu trabalho em relação à decisão.

A norma explicita aqui e sem contradição ao Código de Processo Civil


(CPC)
16. Os casos de suspeição a que está sujeito o perito do juízo são
os seguintes:
(a) ser amigo íntimo de qualquer das partes;
(b) ser inimigo capital de qualquer das partes;
(c) ser devedor ou credor em mora de qualquer das partes, dos
seus cônjuges, de parentes destes em linha reta ou em linha
colateral até o terceiro grau ou entidades das quais esses façam
parte de seu quadro societário ou de direção;
(d) ser herdeiro presuntivo ou donatário de alguma das partes ou
dos seus cônjuges;
(e) ser parceiro, empregador ou empregado de alguma das
partes;
(f) aconselhar, de alguma forma, parte envolvida no litígio acerca
do objeto da discussão; e
(g) houver qualquer interesse no julgamento da causa em favor
de alguma das partes.

No item 17 ainda há a previsão de que “O perito pode ainda declarar-se


suspeito por motivo íntimo”.

2.2.6 Responsabilidade
O exercício profissional exige um comportamento qualitativo que resulta na
perfeição dos serviços, bem como na atenção e responsabilidade que devem ser
dispensadas. Estes são deveres fundamentais do profissional contábil seja como
contabilista, auditor ou perito.
O Código de Ética é enfático ao afirmar no seu artigo 2º, inciso I, que:

Art. 2º - São deveres do Profissional da Contabilidade:


I – exercer a profissão com zelo, diligência, honestidade e
capacidade técnica, observada toda a legislação vigente, em
especial aos Princípios de Contabilidade e as Normas Brasileiras de
Contabilidade, e resguardados os interesses de seus clientes e/ou
empregadores, sem prejuízo da dignidade e independência
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profissionais; (Redação alterada pela Resolução CFC nº 1.307/10,
de 09/12/2010)

A Norma NBC PP 01 coaduna com o Código de Ética, e afirma que:

18.O perito deve conhecer as responsabilidades sociais, éticas,


profissionais e legais, às quais está sujeito no momento em que
aceita o encargo para a execução de perícias contábeis judiciais e
extrajudiciais, inclusive arbitral.
19. O termo “responsabilidade” refere-se à obrigação do perito em
respeitar os princípios da moral, da ética e do direito, atuando com
lealdade, idoneidade e honestidade no desempenho de suas
atividades, sob pena de responder civil, criminal, ética e
profissionalmente por seus atos.

A responsabilidade civil e criminal do contador e do contador na função de


perito está prevista no código civil e no código penal.
Enfatizando, é dever do Perito, bem como do Perito Assistente, honrar sua
função, seguindo as Normas Profissionais e a Legislação e, quando profissional, os
preceitos constantes do Código de Ética Profissional.
Ao abordar sobre responsabilidade a Norma enfatiza a relevância da
atuação do perito nomeado ou contratado na produção da prova pericial para
solução da lide.
Afirma mais uma vez a necessidade do cumprimento dos princípios éticos,
em especial, os estabelecidos no Código de Ética Profissional do Contabilista.
Outro ponto interessante é a colocação da independência profissional, o
que fortalece a postura do perito diante de interesses antiéticos que possam surgir
no decorrer dos trabalhos. O perito nomeado ou contratado não deve sujeitar-se a
influências de quem quer que seja, caso contrário sua carreira e independência
ficarão comprometidas.
Confirmando o exposto, a Norma em seus itens 20 a 22, menciona as
condições que devem ser observadas no que tange à responsabilidade,

20. A responsabilidade do perito decorre da relevância que o


resultado de sua atuação pode produzir para a solução da lide.
21. Ciente do livre exercício profissional, deve o perito do juízo,
sempre que possível e não houver prejuízo aos seus compromissos
profissionais e as suas finanças pessoais, em colaboração com o
Poder Judiciário, aceitar o encargo confiado ou escusar-se do
encargo, no prazo legal, apresentando suas razões.
22. O perito do juízo, no desempenho de suas funções, deve
propugnar pela imparcialidade, dispensando igualdade de
tratamento às partes e, especialmente, aos peritos-assistentes. Não
se considera parcialidade, entre outros, os seguintes:
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(a) atender às partes ou assistentes técnicos, desde que se
assegure igualdade de oportunidades; ou
(b) fazer uso de trabalho técnico-científico anteriormente
publicado pelo perito do juízo.

Diante das condições previstas tanto no Código de Ética como na Norma


Profissional do Perito, o profissional que agir de maneira contrária, incorrerá nas
sanções previstas nos referidos normativos bem como arcará com as sanções civis
e penais.

2.2.6.1 Responsabilidade Civil e Penal


O profissional que agir com dolo ou culpa estará sujeito às penalidades civis
e criminais que podem ser imputadas com base no Código Civil e no Código Penal,
conforme a seguir:
1. Artigo 158 CPC Art. 158. O perito que, por dolo ou culpa, prestar
informações inverídicas responderá pelos prejuízos que causar à parte e
ficará inabilitado para atuar em outras perícias no prazo de 2 (dois) a 5
(cinco) anos, independentemente das demais sanções previstas em lei,
devendo o juiz comunicar o fato ao respectivo órgão de classe para
adoção das medidas que entender cabíveis;
2. Artigo 342 do Código Penal - o referido Código estabelece pena de
reclusão de um a três anos àquele que fizer afirmações falsas ou negar
ou calar a verdade, como testemunhas, perito, tradutor ou intérprete em
processo judicial, policial ou administrativo ou em juízo arbitral. (grifo
nosso).
3. Artigo 347 do Código Penal - no que diz respeito à fraude processual,
prevê pena de detenção de 3 (três) meses a 2 (dois) anos, e multa para
aquele que inovar artificiosamente, na pendência de processo civil ou
administrativo, o estado de lugar, de coisa ou de pessoa, com o fim de
induzir a erro o juiz ou perito. O texto é claro quanto à aplicação da pena
a terceiro que induzir o perito, porém o mesmo pode ser aplicado ao
perito que agir da mesma forma.
4. Código de Ética do Contabilista - se sujeita também às penalidades
previstas no artigo 12 do Código de Ética Profissional, as quais podem
ser: advertência reservada, censura reservada ou censura pública.

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A norma Profissional do Perito (PP) prevê que a legislação cívil determina
responsabilidades e penalidades para o profissional que exerce a função de perito,
as quais consistem em multa, indenização e inabilitação. A legislação penal
estabelece penas de multa e reclusão para os profissionais que exercem a atividade
pericial que vierem a descumprir as normas legais.
Quanto ao Código de Ética, o Conselho Federal de Contabilidade aprovou a
Resolução CFC n.º 803/96, que prevê no art. 12, Inciso IV como pena mais severa,
a censura pública, a nosso ver, penalidade muito branda, carecendo a classe de
contabilistas de um código com mais rigor na aplicação das penalidades, como a
cassação do registro a exemplo do que é aplicado a outras categorias profissionais.
Essa fragilidade do Código de Ética, para o bem da classe contábil, foi
corrigida com a sanção, pelo Presidente da República, da Lei nº 12.249, de 11 de
junho de 2010, que entre outras providências alterou o Decreto-Lei nº 9.295, de 27
de maio de 1946, no que diz respeito às penalidades em seu artigo 27, passando a
ter a seguinte redação:

DAS PENALIDADES
Art. 27. As penalidades ético-disciplinares aplicáveis por infração
ao exercício legal da profissão são as seguintes: (Redação dada
pela Lei nº 12.249, de 2010)
a) multa de 1 (uma) a 10 (dez) vezes o valor da anuidade do
exercício em curso aos infratores dos arts. 12 e 26 deste Decreto-
Lei; (Redação dada pela Lei nº 12.249, de 2010)
b) multa de 1 (uma) a 10 (dez) vezes aos profissionais e de 2 (duas)
a 20 (vinte) vezes o valor da anuidade do exercício em curso às
empresas ou a quaisquer organizações contábeis, quando se tratar
de infração dos arts. 15 e 20 e seus respectivos parágrafos;
(Redação dada pela Lei nº 12.249, de 2010)
c) multa de 1 (uma) a 5 (cinco) vezes o valor da anuidade do
exercício em curso aos infratores de dispositivos não mencionados
nas alíneas a e b ou para os quais não haja indicação de penalidade
especial; (Redação dada pela Lei nº 12.249, de 2010)
d) suspensão do exercício da profissão, pelo período de até 2 (dois)
anos, aos profissionais que, dentro do âmbito de sua atuação e no
que se referir à parte técnica, forem responsáveis por qualquer
falsidade de documentos que assinarem e pelas irregularidades de
escrituração praticadas no sentido de fraudar as rendas públicas;
(Redação dada pela Lei nº 12.249, de 2010)
e) suspensão do exercício da profissão, pelo prazo de 6 (seis)
meses a 1 (um) ano, ao profissional com comprovada incapacidade
técnica no desempenho de suas funções, a critério do Conselho
Regional de Contabilidade a que estiver sujeito, facultada, porém, ao
interessado a mais ampla defesa; (Redação dada pela Lei nº
12.249, de 2010)
f) cassação do exercício profissional quando comprovada
incapacidade técnica de natureza grave, crime contra a ordem
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econômica e tributária, produção de falsa prova de qualquer dos
requisitos para registro profissional e apropriação indevida de
valores de clientes confiados a sua guarda, desde que homologada
por 2/3 (dois terços) do Plenário do Tribunal Superior de Ética e
Disciplina; (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010)
g) advertência reservada, censura reservada e censura pública nos
casos previstos no Código de Ética Profissional dos Contabilistas
elaborado e aprovado pelos Conselhos Federal e Regionais de
Contabilidade, conforme previsão do art. 10 do Decreto-Lei no 1.040,
de 21 de outubro de 1969. (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010)

As alterações, além de corrigir a deficiência do Código de Ética, reforçam a


autoridade dos Conselhos que passam a dispor de
mecanismos que contemplam penalidades mais
rigorosas como a suspensão e em último caso a
cassação do registro.
Não obstante as penalidades a que está sujeito o
perito, cabe lembrar que o perito nomeado desfruta de
confiança do magistrado, portanto, uma ação de dolo,
culpa ou de indução ao erro processual se revestiria de
um caráter um tanto grave, tendo em vista a confiança
depositada.
Fonte: http://migre.me/18o5M
A Norma Profissional não especifica as penalidades mencionadas, porém
faz um alerta sobre a responsabilidade civil e penal a que se sujeita o perito,
conforme seus itens 23 e 24:

Responsabilidade civil e penal


23. A legislação civil determina responsabilidades e penalidades
para o profissional que exerce a função de perito, as quais
consistem em multa, indenização e inabilitação.
24. A legislação penal estabelece penas de multa, detenção e
reclusão para os profissionais que exercem a atividade pericial que
vierem a descumprir as normas legais.

Além da sujeição às sanções mencionadas, o profissional poderá responder


ainda por prejuízos causados a terceiros devido sua atuação por culpa ou dolosa,
incorrendo em ações de natureza cível como por danos morais, por exemplo.
A alteração no texto legal levou à adequação do texto do código de ética
por meio da Resolução CFC nº 1.307/10, de 09 de dezembro de 2010, e a
construção de mais duas resoluções que normatizam a conduta do profissional de

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contabilidade como colaborador interno da instituição, como colaborador externo e o
código de conduta geral, do profissional.
Em determinado trabalho pericial, o perito nomeado emitiu laudo com
opinião tendenciosa favorecendo a autora, e por isso, foi processado e condenado a
pagar indenização à parte prejudicada.

Exercício 3

1. A perícia contábil é de exclusividade do contador podendo sua atuação ser


como perito ou perito assistente, portanto é necessário o entendimento de
cada uma dessas atribuições. Com base na afirmação marque a alternativa
correta:
a) O Perito é o Contador nomeado pelo Juiz para atuar em perícia judicial ou como
contratado pela parte, nos casos da perícia extrajudicial, ou ainda como escolhido
para atuar na perícia contábil arbitral.
b) O perito é o contratado e indicado pelas partes para atuar em perícia judicial ou
extrajudicial.
c) Perito assistente é nomeado pelo magistrado em perícias contábeis, em
processos judiciais e extrajudiciais, inclusive arbitral.
d) Perito é o contador, (bacharel em contabilidade) regularmente registrado em
Conselho Regional de Contabilidade, que exerce a atividade pericial de forma
pessoal, devendo ser profundo conhecedor, por suas qualidades e experiências, da
matéria periciada.

2. Quais fatores podem levar ao impedimento na atuação do perito?


a) Ser parte no processo, ter atuado como perito contador contratado no processo,
ter parente de quarto grau no processo.
b) Receber dádivas de interessados no processo, ter interesse indireto no resultado
do trabalho pericial e ter mantido nos últimos 3 anos alguma relação de trabalho
com alguma das partes do processo.
c) Subministrar meios para atender às despesas do litígio, ser parte do processo,
ter parente consanguíneo de até quarto grau com interesse no processo.
d) Receber dádivas de interessados no processo, subministrar meios para atender
às despesas do litígio, ter parente consanguíneo ou afim, em linha reta ou colateral
de até terceiro grau com interesse no processo.

3. O profissional perito que agir com dolo ou culpa estará sujeito às


penalidades civis e criminais que podem ser imputadas com base no CPC, no
Código Penal e no Código de Ética.
I – Código de Processo Civil – CPC
II – Código Penal
III – Código de Ética
Pena de reclusão de um a três anos.
Suspensão do exercício da profissão, pelo período de até 2 (dois) anos,
aos profissionais que, dentro do âmbito de sua atuação e no que se referir
à parte técnica, forem responsáveis por qualquer falsidade de documentos
que assinarem [...]

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Advertência reservada, censura reservada e censura pública.
Indenização pelos prejuízos que causar à parte, se por dolo ou culpa
prestar informações inverídicas e inabilitação, por 2 (dois) anos, para
funcionar em outras perícias.
Cassação do exercício profissional quando comprovada incapacidade
técnica de natureza grave [...]

Assinale a sequência correta:


a) II, III, III, I e III.
b) I, III, I, I e II.
c) II, II, I, II e II.
d) II, III, II, I e II.

2.2.7 Zelo profissional


A omissão e a negligência acontecem pela falta de uma conduta
caracterizada pelo cuidado que exige absoluta presença. Trata-se de um dever
ético revestido da vontade de dedicar-se nos trabalhos confiados por terceiros.
Portanto, exercer o encargo que lhe foi confiado com zelo revela a conduta
ética por parte do profissional na busca da verdade.
Exercer a profissão com zelo é condição prevista no inciso I do artigo 2º do
Código de Ética do Contabilista, portanto a Norma Profissional além de resgatar
essa condição do Código atribui outras condições que devem ser observadas pelo
Contador quando investido da função de perito nomeado, contratado ou assistente.
Orientando o Profissional sobre o que observar quanto ao zelo profissional
a Norma define em seus itens 25 a 31, as seguintes condições que devem ser
observadas:

ZELO PROFISSIONAL
25. O termo “zelo” para o perito refere-se ao cuidado que o mesmo
deve dispensar na execução de suas tarefas, em relação à sua
conduta, documentos, prazos, tratamento dispensado às
autoridades, aos integrantes da lide e aos demais profissionais, de
forma que sua pessoa seja respeitada, seu trabalho levado a bom
termo e, consequentemente, o laudo pericial contábil e o parecer
pericial contábil sejam dignos de fé pública.
26. O zelo profissional do perito na realização dos trabalhos periciais
compreende:
a) cumprir os prazos fixados pelo juiz em perícia judicial e nos
termos contratados em perícia extrajudicial, inclusive arbitral;
b) assumir a responsabilidade pessoal por todas as informações
prestadas, quesitos respondidos, procedimentos adotados,
diligências realizadas, valores apurados e conclusões apresentadas
no Laudo Pericial Contábil e no Parecer Pericial Contábil;
c) prestar os esclarecimentos determinados pelo juiz ou pelo árbitro,
respeitados os prazos legais ou contratuais;
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d) propugnar pela celeridade processual, valendo-se dos meios que
garantam eficiência, segurança, publicidade dos atos periciais,
economicidade, o contraditório e a ampla defesa;
e) ser prudente, no limite dos aspectos técnico-científicos, e atento
às consequências advindas dos seus atos;
f) ser receptivo aos argumentos e críticas, podendo ratificar ou
retificar o posicionamento anterior.
27. A transparência e o respeito recíproco entre o perito e o perito
assistente pressupõem tratamento impessoal, restringindo os
trabalhos, exclusivamente, ao conteúdo técnico-científico.
28. O perito é responsável pelo trabalho de sua equipe técnica, a
qual compreende os auxiliares para execução do trabalho
complementar do laudo pericial contábil e/ou parecer técnico
contábil.
29. Sempre que não for possível concluir o laudo pericial contábil no
prazo fixado pelo juiz, deve o perito do juízo requerer a sua dilação
antes de vencido aquele, apresentando os motivos que ensejaram a
solicitação.
30. Na perícia extrajudicial, o perito deve estipular os prazos
necessários para a execução dos trabalhos, junto com a proposta de
honorários e com a descrição dos serviços a executar.
31. A realização de diligências durante a elaboração do laudo
pericial, para busca de provas, quando necessária, deve ser
comunicada às partes para ciência de seus assistentes.

Dispensar cuidados na execução da tarefa da qual foi incumbido bem como


os cuidados e o tratamento que deve dispensar é o mínimo que o profissional deve
observar porque qualquer falha pode ser caracterizada como omissão ou
negligência profissional, que no caso não é só uma questão ética, mas também
uma transgressão legal.
Portanto o profissional não se deve deixar levar por questões de cunho
pessoal, mantendo seu trabalho no âmbito puramente técnico.
Importante também, no que diz respeito ao cumprimento dos prazos
regulamentares, o que pode ensejar a destituição do profissional (perito) ou o
desentranhamento do parecer do perito assistente, no caso de entrega fora do
prazo.
Outro ponto que deve merecer atenção por parte do perito que a Norma
enfatiza, é quando o perito recorre aos serviços de profissionais de outras
categorias. Neste caso, o perito contratado ou nomeado deve ser zeloso em
verificar se os contratados estão regularmente inscritos nos seus respectivos
conselhos profissionais, bem como deve dispensar atenção e zelo com relação aos
trabalhos executados pela equipe técnica que porventura venha a auxiliá-lo.
Além do zelo referido anteriormente, o perito nomeado ou contratado, bem
como do perito assistente são responsáveis pelos trabalhos realizados por
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especialistas contratados para a realização de parte da perícia, porém essa
obrigação não exime o especialista contratado da sua responsabilidade pelo que
executou.
Quando parte do objeto da perícia requerer conhecimento de especialistas
de outras áreas, não cabe a presunção que o perito ou do perito assistente são
incapacitados para a realização do feito, devendo neste caso, o fato ser
formalmente relatado no laudo pericial contábil ou no parecer pericial contábil para
conhecimento do magistrado, das partes ou dos contratantes.

2.2.8 Utilização de trabalho de especialista


O trabalho conjunto de especialistas de outras áreas é comum nos
trabalhos de perícia, e deve avançar muito no futuro devido à evolução da
tecnologia.
Sobre o perito contratar os serviços de profissionais de outras áreas a
Norma aborda o seguinte em seu item 32:

UTILIZAÇÃO DE TRABALHO DE ESPECIALISTA


32. O perito pode valer-se de especialistas de outras áreas para a
realização do trabalho, quando parte da matéria-objeto da perícia
assim o requeira. Se o perito utilizar informações de especialista,
inclusive se anexar documento emitido por especialista, o perito é
responsável por todas as informações contidas em seu laudo ou
parecer.

Não obstante o perito valer-se do trabalho de profissionais de outras


especialidades, a perícia neste caso, será sempre contábil, mesmo que a
participação do especialista seja preponderante para a elaboração do laudo contábil
pericial ou do parecer pericial contábil.
O CFC através da Norma Profissional determina que o perito ao contratar
os serviços de profissionais de outras profissões regulamentadas, deve certificar-se
de que eles se encontram em situação regular perante o seu conselho profissional.
Tal procedimento reveste-se da obrigação do Perito atuar com zelo na produção da
prova pericial.

2.2.9 Honorários profissionais


A fixação dos honorários deve iniciar com a avaliação da extensão dos
trabalhos periciais, considerando a complexidade da matéria, o risco, a relevância a

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estimativa de tempo que vai ser despendido em termos de horas de serviços e o
pessoal técnico a ser empregado.
O estabelecimento dos honorários deve levar em conta as recomendações
mencionadas, para que o valor não seja vil, fato que compromete a isenção e a
qualidade técnica dos trabalhos, além de favorecer a corrupção e desvalorizar o
profissional. Portanto, a justa remuneração é imprescindível para a independência
do profissional.
Sobre os honorários profissionais a Norma Profissional do Perito menciona
em seus itens 47 a 56, as seguintes orientações:

HONORÁRIOS
33. Na elaboração da proposta de honorários, o perito deve
considerar os seguintes fatores: a relevância, o vulto, o risco, a
complexidade, a quantidade de horas, o pessoal técnico, o prazo
estabelecido e a forma de recebimento, entre outros fatores.

O perito deve apresentar sua proposta de honorários devidamente


fundamentada e explicitará a sua proposta no contrato que, obrigatoriamente,
celebrará com o seu cliente, observando as normas estabelecidas pelo Conselho
Federal de Contabilidade. O perito pode requerer a liberação parcial dos honorários
quando julgar necessário para o custeio de despesas durante a realização dos
trabalhos. Os honorários periciais fixados ou arbitrados e não quitados podem ser
executados, judicialmente, pelo perito em conformidade com os dispositivos do
Código de Processo Civil.
O Código de Processo Civil em seu artigo 95 versa sobre a remuneração do
perito e do assistente técnico, preconiza o seguinte:

Art. 95. Cada parte adiantará a remuneração do assistente técnico


que houver indicado, sendo a do perito adiantada pela parte que
houver requerido a perícia ou rateada quando a perícia for
determinada de ofício ou requerida por ambas as partes.
§ 1o O juiz poderá determinar que a parte responsável pelo
pagamento dos honorários do perito deposite em juízo o valor
correspondente.
§ 2o A quantia recolhida em depósito bancário à ordem do juízo será
corrigida monetariamente e paga de acordo com o art. 465, § 4o.
§ 3o Quando o pagamento da perícia for de responsabilidade de
beneficiário de gratuidade da justiça, ela poderá ser:
I - custeada com recursos alocados no orçamento do ente público e
realizada por servidor do Poder Judiciário ou por órgão público
conveniado;
II - paga com recursos alocados no orçamento da União, do Estado
ou do Distrito Federal, no caso de ser realizada por particular,
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hipótese em que o valor será fixado conforme tabela do tribunal
respectivo ou, em caso de sua omissão, do Conselho Nacional de
Justiça.
§ 4o Na hipótese do § 3o, o juiz, após o trânsito em julgado da
decisão final, oficiará a Fazenda Pública para que promova, contra
quem tiver sido condenado ao pagamento das despesas
processuais, a execução dos valores gastos com a perícia particular
ou com a utilização de servidor público ou da estrutura de órgão
público, observando-se, caso o responsável pelo pagamento das
despesas seja beneficiário de gratuidade da justiça, o disposto no
art. 98, § 2o.
§ 5o Para fins de aplicação do § 3o, é vedada a utilização de
recursos do fundo de custeio da Defensoria Pública.

Nos casos em que houver necessidade de desembolso para despesas


supervenientes, como viagens e estadas, para a realização de outras diligências, o
perito deve requerer ao juízo ou solicitar ao contratante o pagamento das despesas,
apresentando a respectiva comprovação, desde que não estejam contempladas ou
quantificadas na proposta inicial de honorários.

2.2.9.1 Elaboração de proposta de honorários

A precificação de um serviço deve guardar uma relação de


proporcionalidade ao seu nível de exigência, aos riscos envolvidos, ao tempo que
vai requerer, aos benefícios dele decorrentes, à qualidade dele exigido e o pessoal
técnico necessário. Estes são alguns dos elementos que devem ser considerados
na formação dos honorários e que devem fundamentar a proposta a ser
apresentada ao magistrado ou à parte contratada.
A Norma Profissional apresenta nos seus itens 57 e 58 os procedimentos
na elaboração de proposta de honorários, que devem ser observados pelo
profissional perito nomeado, perito contratado bem como é aplicável também ao
perito assistente, conforme se observa:

Elaboração de proposta
57. O perito deve elaborar a proposta de honorários estimando,
quando possível, o número de horas para a realização do trabalho,
por etapa e por qualificação dos profissionais considerando os
trabalhos a seguir especificados:
a) retirada e entrega do processo ou procedimento arbitral;
b) leitura e interpretação do processo;
c) elaboração de termos de diligências para arrecadação de provas
e comunicações às partes, terceiros e peritos-assistentes;
d) realização de diligências;

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e) pesquisa documental e exame de livros contábeis, fiscais e
societários;
f) elaboração de planilhas de cálculos, quadros, gráficos,
simulações e análises de resultados;
g) elaboração do laudo;
h) reuniões com peritos assistentes, quando for o caso;
i) revisão final;
j) despesas com viagens, hospedagens, transporte, alimentação,
etc.;
k) outros trabalhos com despesas supervenientes.

O profissional deve precificar seu trabalho ao máximo da realidade no


sentido de evitar reajustes posteriores, o que é bom evitar; entretanto, há situações
em que se faz necessário uma precificação posterior, como a apresentação de
quesitos suplementares formulados pelo juiz ou pelas partes.
Segundo Sá (2002) nem todos os magistrados conseguem avaliar preços
dos serviços tendo em vista que lhes faltam em geral o conhecimento o que os leva
provir pela menor remuneração.

2.2.9.2 Quesitos suplementares


A Norma corrobora as afirmações ao orientar no seu item 35 sobre a
necessidade de uma precificação posterior quando houver quesitos suplementares:

Quesitos suplementares
35. O perito deve ressaltar, em sua proposta de honorários, que esta
não contempla os honorários relativos a quesitos suplementares e,
se estes forem formulados pelo juiz e/ou pelas partes, pode haver
incidência de honorários suplementares a serem requeridos,
observando os mesmos critérios adotados para elaboração da
proposta inicial.

Como a norma prevê o perito deve ressaltar, que na proposta de honorários


apresentada não contempla os honorários relativos a quesitos suplementares
porque estes podem demandar novos procedimentos e acarretar novos custos.
Podem ocorrer situações em que são requeridos quesitos de
esclarecimentos, o que pode ou não ensejar novos honorários, devendo, neste
caso, o profissional estar atento, analisando com zelo se a formulação não se refere
a quesitos suplementares. No caso de quesitos suplementares a proposta de
honorários deve ser revista para uma remuneração justa pelo trabalho.
Formulada a proposta de honorários, esta deve ser apresentada ao
magistrado ou à parte contratada com a devida fundamentação, devendo o

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orçamento ser precedido de um minucioso levantamento, elaborado e demonstrado
com clareza, podendo ser um documento anexo à proposta.
No caso do perito assistente a Norma orienta estabelecer a relação de
serviços mediante Contrato Particular de Prestação de Serviços Profissionais de
Perícia Contábil.

2.2.9.3 Apresentação da proposta de honorários


Quanto aos procedimentos, o CFC consignou na Norma Profissional os
itens 36 e 37, conforme a seguir transcritos:

Apresentação da proposta de honorários


36. O perito deve apresentar sua proposta de honorários
devidamente fundamentada.
37. O perito deve explicitar a sua proposta no contrato que,
obrigatoriamente, celebrará com o seu cliente, observando as
normas estabelecidas pelo Conselho Federal de Contabilidade. No
final desta Norma, há um modelo de contrato que pode ser utilizado
(Modelo n.º 10).

Conhecidas as despesas da perícia, o respectivo valor deve ser antecipado


pelas partes e ficará consignado em juízo.
O depósito consignado em juízo além da tranquilidade proporcionada ao
perito para a execução dos trabalhos, contribui para a condição de independência
que deve existir.
O perito nomeado ou contratado não deve aceitar remuneração aviltante,
neste caso deve argumentar e demonstrar suas razões embasado em fatos e
documentos; se nomeado pelo Juiz, fazê-lo através de pedido de reconsideração do
despacho.
A remuneração do trabalho pericial contábil pode ser vista sob dois
enfoques: uma relativa ao perito no que diz respeito à função pericial e a outra sob
a ótica do trabalho pericial, ou seja, se o trabalho se refere à perícia extrajudicial,
arbitral ou semijudicial.
O profissional quando investido da função de perito nomeado pelo Judiciário
ou como na função de perito assistente das partes poderá ter sua remuneração
fixada pelo magistrado, neste caso o ato processual denomina-se arbitramento.
Entretanto, salvo quando se tratar de trabalho pericial na justiça gratuita, o
magistrado pode determinar que o perito nomeado ofereça orçamento de sua
remuneração que deve ser fixada no início dos trabalhos, e cujo valor
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correspondente deve ser depositado em juízo para posterior levantamento, após a
entrega do laudo pelo perito.

2.2.9.4 Levantamento dos honorários


Os honorários e demais despesas para realização da perícia fazem parte
dos custos processuais, cabendo às partes prover tais despesas, cujo valor deverá
ser antecipado, que ficará consignado em juízo.
Depositado o valor em juízo, cabe ao perito requerer o levantamento dos
honorários periciais no momento em que requerer a juntada do laudo pericial aos
autos.
Na Justiça Estadual e Federal a prática usual é pagar 50% dos honorários
na retirada dos autos e o restante após a entrega do laudo e análise das partes
enquanto que na Justiça do Trabalho o pagamento somente acontece, na melhor
das hipóteses, após o final do trabalho, caso contrário no decorrer de 3 a 6 meses,
tendo em vista que geralmente é justiça gratuita.
A Norma Profissional orienta no item 38 e 39 o procedimento que o perito
deve adotar para o levantamento dos honorários:

Levantamento dos honorários


38. O perito pode requerer a liberação parcial dos honorários
quando julgar necessário para o custeio de despesas durante a
realização dos trabalhos.
Despesas supervenientes na execução da perícia
39. Nos casos em que houver necessidade de desembolso para
despesas supervenientes, como viagens e estadas, para a
realização de outras diligências, o perito deve requerer ao juízo ou
solicitar ao contratante o pagamento das despesas, apresentando a
respectiva comprovação, desde que não estejam contempladas ou
quantificadas na proposta inicial de honorários.

Na eventualidade de desembolso para despesas como viagens e estadias


para a realização de outras diligências não previstas na proposta inicial de
honorários, o perito deve requerer ao juízo ou junto ao contratante o pagamento das
referidas despesas, as quais deverão ser comprovadas mediante documentação.
Caso os honorários periciais forem fixados por petição judicial, o perito pode
executá-los com embasamento nos dispositivos do CPC.
Como se pode observar o Conselho Federal de Contabilidade tem atuação
louvável em demonstrar preocupação em garantir o espaço da categoria
profissional, através da edição das Normas Profissionais amplamente discutidas

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neste trabalho, o que permite considerar que a classe contábil é a única categoria
profissional que conta com um arcabouço de normas para o pleno exercício de suas
funções na condição de perito.
Esta autorregulação, além de ser uma atitude pioneira, objetiva preservar os
interesses da própria sociedade, uma vez que é a sociedade quem concede à
classe as prerrogativas profissionais para que estas funcionem como medidas
protetoras dos seus interesses diretos, através de uma atuação ética de forma que
os serviços à sua disposição sejam excelentes, eficazes e moralmente inatacáveis,
somente com esse conjunto de conhecimentos científicos é que a perícia contábil
pode ser útil.
Embora devam trabalhar para o esclarecimento da verdade o perito nomeado
e o perito assistente têm funções distintas nos autos. Enquanto que o perito
nomeado como perito do juízo trabalha somente para a causa, não importando a
quem assiste a razão, o perito assistente é compromissado com a parte que o
contratou, concordando ou contestando dentro dos autos, com a posição do perito
nomeado.
Para um melhor entendimento, o quadro 02 resume as características e
funções do perito do juízo e o perito assistente.

Quadro 2 - Características e funções do perito do juízo e do perito contador


assistente
Perito-contador nomeado (perito do juízo) Perito contador assistente
Nomeado pelo juiz Indicado pela parte

Confiança do juiz De confiança da parte

Sujeita-se às regras de impedimento e suspeição


Não está sujeito às regras de
impedimento e suspeição.
A seu critério poderá ou não trabalhar em Aguardará o posicionamento
conjunto com o perito assistente do perito contador nomeado
(perito do juízo) para
realização do trabalho em
conjunto.
Emite laudo pericial contábil Emite parecer pericial contábil

Substituído por decisão do juiz Substituído pela parte que o


contratou

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Honorários homologados pelo juiz Honorários contratados
diretamente com a parte

Compromisso com a causa, não se importando a Compromisso com a causa,


quem assiste a razão mas se reportará com a parte
que o contratou.
Fonte: Adaptado de Morais e França (2000, p. 101)

2.2.10 Esclarecimentos
A exemplo do que requer do Perito no que diz respeito ao zelo, este tem o
dever de prestar esclarecimentos quando solicitado pelas partes do processo ou
quando determinado pelo magistrado ou árbitro.
Sobre esclarecimento a Norma define no seu item 41 que:

ESCLARECIMENTOS
41. O perito deve prestar esclarecimentos sobre o conteúdo do
laudo pericial contábil ou do parecer técnico-contábil, em
atendimento à determinação do juiz ou árbitro que preside o feito, os
quais podem não ensejar novos honorários periciais, se forem
apresentados para obtenção de detalhes do trabalho realizado, uma
vez que as partes podem formulá-los com essa denominação, mas
serem quesitos suplementares.

Prestar esclarecimentos diz respeito ao que já foi acordado e contratado,


outros esclarecimentos como detalhamento e não esclarecimentos adicionais que
possam vir a requerer novos procedimentos e demandam em novos custos.

2.2.11 Sigilo
Sobre o sigilo, é bom lembrar que o CFC aprovou pela Resolução CFC nº
803, de 10 de outubro de 1996 o Código de Ética do Contabilista que prevê em seu
artigo 2° o dever que o profissional contábil deve dispensar na guarda do sigilo em
razão do exercício profissional, conforme a seguir transcrito:

Art. 2º São deveres do Profissional da Contabilidade:


I – exercer a profissão com zelo, diligência, honestidade e
capacidade técnica, observada toda a legislação vigente, em
especial aos Princípios de Contabilidade e as Normas Brasileiras de
Contabilidade, e resguardados os interesses de seus clientes e/ou
empregadores, sem prejuízo da dignidade e independência
profissionais; (Redação alterada pela Resolução CFC nº 1.307/10,
de 09/12/2010)
II – guardar sigilo sobre o que souber em razão do exercício
profissional lícito, inclusive no âmbito do serviço público,
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ressalvados os casos previstos em lei ou quando solicitado por
autoridades competentes, entre estas os Conselhos Regionais de
Contabilidade;
III – zelar pela sua competência exclusiva na orientação técnica dos
serviços a seu cargo;
IV – comunicar, desde logo, ao cliente ou empregador, em
documento reservado, eventual circunstância adversa que possa
influir na decisão daquele que lhe formular consulta ou lhe confiar
trabalho, estendendo-se a obrigação a sócios e executores;
V – inteirar-se de todas as circunstâncias, antes de emitir opinião
sobre qualquer caso;
VI – renunciar às funções que exerce, logo que se positive falta de
confiança por parte do cliente ou empregador, a quem deverá
notificar com trinta dias de antecedência, zelando, contudo, para que
os interesses dos mesmos não sejam prejudicados, evitando
declarações públicas sobre os motivos da renúncia;
VII – se substituído em suas funções, informar ao substituto sobre
fatos que devam chegar ao conhecimento desse, a fim de habilitá-lo
para o bom desempenho das funções a serem exercidas;
VIII – manifestar, a qualquer tempo, a existência de impedimento
para o exercício da profissão;
IX – ser solidário com os movimentos de defesa da dignidade
profissional, seja propugnando por remuneração condigna, seja
zelando por condições de trabalho compatíveis com o exercício
ético-profissional da Contabilidade e seu aprimoramento técnico.
X – cumprir os Programas Obrigatórios de Educação Continuada
estabelecidos pelo CFC; (Criado pelo Art. 5º, da Resolução CFC nº
1.307/10, de 09/12/2010)
XI – comunicar, ao CRC, a mudança de seu domicílio ou endereço e
da organização contábil de sua responsabilidade, bem como a
ocorrência de outros fatos necessários ao controle e fiscalização
profissional.
(Criado pelo Art. 6º, da Resolução CFC nº 1.307/10, de 09/12/2010)
XII – auxiliar a fiscalização do exercício profissional. (Criado pelo
Art. 7º, da Resolução CFC nº 1.307/10, de 09/12/2010)

O sigilo é uma postura necessária por parte do profissional, além dos


demais itens que versam sobre os deveres do profissional de contabilidade. Sobre o
sigilo, a Constituição Federal no seu art. 5º, inciso XIV estabelece que "é
assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando
necessário ao exercício profissional". Também o Código Civil Brasileiro no seu art.
229 afirma que "ninguém pode ser obrigado a depor sobre fato a cujo respeito, por
estado ou profissão, deva guardar segredo". Na função de perito, o contador tem o
dever moral e ético mais acentuado ainda pelo fato de o mesmo ter acesso a
informações privilegiadas à respeito dos envolvidos no processo que está sendo
discutido, seja no âmbito da perícia judicial ou da extrajudicial.

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Cabe ressaltar que a norma olvidou que o sigilo deve abranger também
aqueles que fiscalizam (item 27) as atividades executadas pelos peritos, bem como
leva ao entendimento que os que julgam os processos administrativos e éticos
também devem fazê-lo.
A NBCPP que versa sobre a conduta do perito possui os seguintes modelos
em anexo que fazem parte do documento e auxiliam o contador na elaboração
destes. Modelos exemplificativos:
Modelo n.º 1 – Escusa em perícia judicial;
Modelo n.º 2 – Renúncia em perícia arbitral;
Modelo n.º 3 – Renúncia em perícia extrajudicial;
Modelo n.º 4 – Renúncia à indicação em perícia judicial;
Modelo n.º 5 – Renúncia à indicação em perícia arbitral;
Modelo n.º 6 – Renúncia em assistência em perícia extrajudicial;
Modelo n.º 7 – Petição de honorários periciais contábeis;
Modelo n.º 8 – Petição de juntada de laudo pericial contábil e pedido de
levantamento de honorários;
Modelo n.º 9 – Petição de juntada de laudo trabalhista e pedido de
arbitramento de honorários; e
Modelo n.º 10 – Contrato particular de prestação de serviços profissionais.

Exercício 4

1. [PERITO – 2003 – POLÍCIA CIVIL/CE – UECE – Q. 48]. A quem incumbe a


indicação dos assistentes técnicos?
a) Perito
b) Juiz
c) Parte Requerente e/ou Requerida
d) Desembargador

2. [PERITO – 2003 – POLÍCIA CIVIL/CE – UECE – Q. 49]. A quem compete


indeferir os quesitos impertinentes?
a) Perito
b) Juiz
c) Parte Requerente e/ou Requerida
d) Desembargador

3. [PERITO – 2003 – POLÍCIA CIVIL/CE – UECE – Q.50]. Qual a alternativa que


NÃO faz parte dos requisitos profissionais exigidos para execução de uma
perícia contábil?
a) Registro na Associação dos Peritos Contadores

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b) Registro no Conselho Regional de Contabilidade
c) Nível Superior
d) Conhecimento Técnico

4. Marque a alternativa INCORRETA.


a) Apenas o Juíz nomeará o perito em processos judiciais.
b) O assistente técnico está sujeito a impedimento e suspeição.
c) O perito do Juízo e assistente técnico deverão cumprir os prazos estabelecidos
pelo juiz.
d) O sigilo é uma postura necessária por parte do profissional de contabilidade,
independente do cargo ou função que exerça.

5. [PERITO – 2003 – POLÍCIA CIVIL/CE – UECE – Q.56]. São penalidades


quando da transgressão do Código de ética do Contabilista, EXCETO:
a) Advertência reservada
b) Advertência pública
c) Censura reservada
d) Censura pública

6. [PERITO-CRIMINAL – 2009 – POLÍCIA CIVIL/RO – FUNCAB – Q.52]. Qual o


conceito contemporâneo de Perícia?
a) Perícia é a diligência realizada por peritos concursados, excluindo-se as relativas
a fatos atípicos.
b) Perícia é uma diligência realizada por profissional com reconhecida experiência,
a fim de esclarecer certos fatos, objeto do litígio judicial, não cabendo a diligência
no interesse extrajudicial.
c) Exame, verificação da verdade, realizado exclusivamente por peritos.
d) Como metodologia, é a diligência com aplicação da essência de alguma ciência
na busca da verdade sobre coisas ou seres no estado em que se encontram.
e) O laudo da lavra do perito aborda com sua sabedoria, o fato, suas
consequências, sem avaliar suas evoluções.

7. O Conselho Federal de Contabilidade – CFC é o órgão responsável pelas


Normas Brasileiras de Contabilidade. Sobre as Normas Brasileiras de
Contabilidade pertinentes ao perito e à perícia contábil podemos afirmar que
são, respectivamente:
a) NBC P 01 e NBC T 13
b) NBC P 02 e NBC T 13
c) NBC PP e NBC TP
d) NBC PP e NBC TP
e) NBC PP e NBC TR

8. O Código de Processo Civil – CPC, Lei 13.105/2015, em seu artigo, 149


define os auxiliares do juízo, além de outros. Segundo o referido artigo, são
auxiliares da justiça:
a) O escrivão, o árbitro, o perito, o depositário, o intérprete e o oficial de justiça.
b) O escrivão, o chefe de secretaria, o oficial de justiça, o perito, o depositário, o
administrador, o intérprete, o tradutor, o mediador, o conciliador judicial, o partidor, o
distribuidor, o contabilista e o regulador de avarias.
c) O escrivão, o perito, o depositário, o administrador, o oficial de justiça e o árbitro.
d) O escrivão, o perito, o oficial de justiça, o árbitro, o delegado de polícia e o
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agente policial.
e) O escrivão, o perito, administrador, o árbitro, o oficial de justiça e o intérprete.

9. As Normas Brasileiras de Contabilidade – NBC são divididas em dois


grupos: As Normas Brasileiras de Contabilidade Profissionais e as Normas
Brasileiras de Contabilidade Técnicas. As Normas Brasileiras de
Contabilidade Profissionais se estruturam conforme segue:
a) NBC PG, NBC PA, NBC PI, NBC PP
b) NBC PG, NBC PT, NBC PI, NBC PP
c) NBC PI, NBC TS, NBC TSP, NBC TE
d) NBC TS, NBC TSP, NBC TE, NBC PT
e) NBC PG, NBC PA, NBC PF, NBC PD

10. No exercício da perícia o profissional pode declinar de realizar o trabalho


pericial por se declarar impedido ou por suspeição. Acerca do impedimento e
suspeição, indique a alternativa que contém a sequência correta:
1 – Impedimento
2 – Suspeição
( ) A matéria em litígio não ser de sua especialidade.1
( ) Ser herdeiro presuntivo ou donatário de alguma das partes ou dos seus
cônjuges.2
( ) Houver qualquer interesse no julgamento da causa em favor de alguma das
partes.2
( ) Ter o perito da parte atuado para a outra parte litigante na condição de
consultor técnico ou contador responsável, direto ou indireto em atividade
contábil ou em processo no qual o objeto de perícia seja semelhante àquele
da discussão, sem previamente comunicar ao contratante.2
A sequência correta é:
a) 2, 1, 2, 1
b) 1, 2, 2, 1
c) 1, 1, 1, 2
d) 2, 1, 1, 1
e) 2, 2, 1, 2

Dica de Aprofundamento

Sugiro que você assista ao vídeo Jornal Perícia Contábil DF. Disponível em:
<http://www.youtube.com/watch?v=D-r-3r72VWM&feature=related> Acesso em: 09 nov.
2018.

2.3 Normas Técnicas de Perícia Contábil


Até 31 de dezembro de 2009 as normas técnicas de perícia contábil eram
consubstanciadas pela NBC T 13, que foi aprovada pela Resolução CFC nº 731, de

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22 de outubro de 1992 e alterada pela Resolução CFC nº 858, de 21 de outubro de
1999. Em 10 de dezembro de 2009, em prosseguimento ao processo de revisão
das Normas Brasileiras de Contabilidade, o CFC editou e aprovou pela Resolução
CFC nº 1.243 a Norma Brasileira de Contabilidade - NBC TP 01 que passou a partir
de 01 de janeiro de 2010 a orientar as regras e procedimentos técnico-científicos a
serem observados pelo perito e perito assistente, quando da elaboração da Perícia
Contábil, seja no âmbito judicial, extrajudicial ou arbitral. Em 2015, a Res. CFC nº
1.243, foi revogada pela NBCTP 01 de 19 de março de 2015, que dá nova redação
à NBC TP 01 – Perícia Contábil.
A NBC TP 01 trata dos objetivos, conceito, execução, procedimentos,
planejamento que possui os subitens: objetivos do planejamento, desenvolvimento,
riscos e custos, equipe técnica, cronograma; Termo de diligência que inclui sua
estrutura, laudo e parecer pericial contábil que inclui diversos outros subitens
pertinentes ao Laudo e Parecer e por fim os modelos e vigência da norma.
Prosseguindo com o escopo do trabalho serão comentados os itens da
referida norma.

2.3.1 Objetivo
As regras e procedimentos técnico-científicos a serem observados pelo
perito no desenvolvimento da perícia contábil estão consubstanciados no item 01 da
NBC TP 01, que estabelece:

OBJETIVO
1. Esta Norma estabelece regras e procedimentos técnico-científicos
a serem observados pelo perito, quando da realização de perícia
contábil, no âmbito judicial, extrajudicial, mediante o esclarecimento
dos aspectos e dos fatos do litígio por meio de exame, vistoria,
indagação, investigação, arbitramento, mensuração, avaliação e
certificação.

2.3.2 Conceito
Definidos os procedimentos e regras, a NBC TP 01 em seus itens 2 a 5,
define os conceitos de perícia conforme segue:

CONCEITO
2. A perícia contábil constitui o conjunto de procedimentos técnico-
científicos destinados a levar à instância decisória elementos de
prova necessários a subsidiar a justa solução do litígio ou
constatação de um fato, mediante laudo pericial contábil e/ou

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parecer técnico-contábil, em conformidade com as normas jurídicas
e profissionais, e com a legislação específica no que for pertinente.
3. O laudo pericial contábil e o técnico-contábil têm por limite o
próprio objeto da perícia deferida ou contratada.
4. A perícia contábil é de competência exclusiva de contador em
situação regular perante o Conselho Regional de Contabilidade
(CRC) e de sua jurisdição.
5. A perícia judicial é exercida sob a tutela do Poder Judiciário. A
perícia extrajudicial é exercida no âmbito arbitral, estatal ou
voluntária. A perícia arbitral é exercida sob o controle da lei de
arbitragem. Perícias oficial e estatal são executadas sob o controle
de órgãos de Estado. Perícia voluntária é contratada,
espontaneamente, pelo interessado ou de comum acordo entre as
partes.

A norma ao conceituar procedimentos "técnicos e científicos", segundo Sá


(1997), não deveria referir-se a "procedimentos técnicos", porque o técnico é
inerente a cada profissional, e sim a "procedimentos tecnológicos", pois o
tecnológico é objetivo e inspirado em princípios científicos.
Na opinião de Ornelas (2000), a conceituação como "científico", seria
quando os procedimentos estariam voltados para a produção de ciências, o que não
ocorre, porque nesse caso, o perito está apenas realizando uma lide utilizando os
conhecimentos científicos da contabilidade para atingir determinado fim, que neste
caso é a prova pericial. Ornelas (2000) comenta também que a NBC, ao referir-se
aos procedimentos, não leva ao entendimento do que seria científico.
Os pontos de vista dos autores corroboram o que consubstancia a letra “c”
do artigo 26 do Decreto-Lei nº 9.295, de 27 de maio de 1946, que define que os
trabalhos de perícia são técnicos e não mencionam que os mesmos são científicos
conforme se observa:

Art. 25. São considerados trabalhos técnicos de contabilidade:


a) [...];
b) [...];
c) perícias judiciais ou extrajudiciais, revisão de balanços e de
contas em geral, verificação de haveres revisão permanente ou
periódica de escritas, regulações judiciais ou extrajudiciais de
avarias grossas ou comuns, assistência aos Conselhos Fiscais das
sociedades anônimas e quaisquer outras atribuições de natureza
técnica conferidas por lei aos profissionais de contabilidade.

Portanto, os procedimentos referem-se a questões puramente técnicas.


Quanto à competência profissional, o item 4 da NBC TP 01 expõe que a
perícia contábil é de competência exclusiva do Contador registrado em Conselho

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Regional de Contabilidade. A condição de que os trabalhos técnicos de perícia é
prerrogativa do contador tem fundamento também do artigo 26 do Decreto-Lei
9.295/46, conforme se observa:

Art. 26 – Salvo direitos adquiridos ex-vi do disposto no art. 2º do


Decreto 21.033, de 08 de fevereiro de 1932, as atribuições definidas
na alínea do artigo anterior são privativas dos contadores
diplomados.

A competência exclusiva do contador na realização da perícia contábil tem


encontrado respaldo no Superior Tribunal de Justiça - STJ, que tem dado
provimento a recursos confirmando a prerrogativa ao bacharel em ciências
contábeis, conforme já abordado.
No item 5 da NBC TP 01, há definições dos diversos tipos de perícia.
A perícia judicial é quando realizada dentro dos procedimentos processuais
do Poder Judiciário. Neste caso, a perícia será
meio de prova que irá informar e esclarecer o
Magistrado que tem a função de julgar e, por não
possuir os conhecimentos técnicos requeridos
nomeia o perito, profissional revestido das
qualidades de especialista e dos requisitos de
moralidade e honestidade.
Fonte: http://migre.me/15qbK
A perícia extrajudicial acontece fora do Judiciário, acontece por
necessidade e de acordo com as partes que procuram solucionar determinada
questão com base no parecer do perito, ou dos peritos que as partes contratam,
quando a situação for de maior complexidade.
A perícia arbitral, conforme a Norma define, é aquela exercida sob o
controle da lei de arbitragem, ou seja, da lei nº 9.307, de 23 de setembro de 1996,
conhecida como “Lei Marco Maciel”, que pode ser utilizada diante de qualquer
impasse, controvérsia ou desentendimento decorrente de um contrato.
A controvérsia por arbitragem é decidida por um ou mais árbitros escolhidos
pelas partes, em número ímpar. O árbitro pode ser qualquer pessoa em sua
capacidade civil plena e que tenha a confiança das partes e que deve atuar de
maneira independente, imparcial, não ter interesse no resultado da demanda e não
estar vinculado a nenhuma das partes.

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A perícia administrativa, segundo a opinião de Magalhães et all (1995), é
quando se tratar do exame decisivo de uma situação de contas em caráter
administrativo. É quando o responsável pelos negócios de uma entidade, diante de
uma questão em que tem dúvidas, solicita os subsídios do contador para dirimi-las.
Alberto (1996) define como perícia semijudicial aquela realizada dentro do
aparato institucional do Estado, porém fora do Poder Judiciário, cuja finalidade é ser
meio de prova nos ordenamentos institucionais usuários.
Alberto (1996, p. 54) afirma que:

Esta espécie de perícia subdivide-se, segundo o aparato estatal


atuante, em policial (nos inquéritos), parlamentar (nas comissões
parlamentares de inquérito ou especial) e administrativo-tributária
(na esfera da administração pública tributária ou conselhos de
contribuintes).

Neste aspecto, a classificação na espécie semijudicial difere da Norma, pois


a classifica como perícia administrativa. Alberto (1996, p. 54) justifica seu ponto de
vista da seguinte forma:

Classificamo-las em semijudiciais porque as autoridades policiais,


parlamentares ou administrativas têm algum poder jurisdicional,
ainda que relativo e não com a expressão e extensão do poder
jurisdicional classicamente enquadrável como pertencente ao Poder
Judiciário, e, ainda, por estarem sujeitas a regras legais e
regimentais que se assemelham às judiciais.

2.3.3 Execução

Neste tópico, a norma orienta sobre os procedimentos que devem ser


observados pelo perito e pelo perito assistente na execução da perícia judicial,
extrajudicial, administrativa, arbitral ou semijudicial. Referidos procedimentos
servem de guia para se evitar ocorrências de falhas que podem comprometer o
trabalho pericial.
No item 6 a norma orienta sobre os procedimentos da relação entre o perito,
as partes e assistentes técnicos, evidenciando que a relação deve ser profissional e
cordial, o planejamento deve ser efetuado em conjunto e o acesso a documentos
deve ser franqueado, conforme a seguir:

6. Ao ser intimado para dar início aos trabalhos periciais, o perito do


juízo deve comunicar às partes e aos assistentes técnicos: a data e
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o local de início da produção da prova pericial contábil, exceto se
designados pelo juízo.
(a) Caso não haja, nos autos, dados suficientes para a
localização dos assistentes técnicos, a comunicação deve ser feita
aos advogados das partes e, caso estes também não tenham
informado endereço nas suas petições, a comunicação deve ser
feita diretamente às partes e/ou ao Juízo.
(b) O perito assistente pode, tão logo tenha conhecimento da
perícia, manter contato com o perito do juízo, colocando-se à
disposição para a execução da perícia em conjunto.
(c) Na impossibilidade da execução da perícia em conjunto, o
perito do juízo deve permitir aos peritos assistentes o acesso aos
autos e aos elementos de prova arrecadados durante a perícia,
indicando local e hora para exame pelo perito assistente.
(d) O perito assistente pode entregar ao perito do juízo cópia do
seu parecer técnico-contábil, previamente elaborado, planilhas ou
memórias de cálculo, informações e demonstrações que possam
esclarecer ou auxiliar o trabalho a ser desenvolvido pelo perito do
juízo.

A conduta do profissional com relação aos colegas deve ser pautada nos
princípios de consideração, respeito, apreço e solidariedade, condição prevista no
artigo 9º do Código de Ética Profissional. Sobre o perito assistente, o item 7 da NBC
TP 01 recomenda como deve ser a sua relação com o advogado da parte que o
contratou, com o objetivo de inteirar-se do processo e obter os subsídios que irão
dar embasamento ao seu trabalho. Dessa forma, os procedimentos do perito
assistente, segundo a Norma devem ser:

7. O perito assistente pode, logo após sua contratação, manter


contato com o advogado da parte que o contratou, requerendo
dossiê completo do processo para conhecimento dos fatos e melhor
acompanhamento dos atos processuais no que pertine à perícia.

No que se refere ao zelo profissional, o item 8 da Norma somente reforça o


que especifica a norma profissional, uma vez que o profissional terá acesso ao
processo, tendo em algumas circunstâncias que fazer a carga dos autos, portanto
deve mantê-lo sob sua guarda com zelo e segurança. Neste caso a Norma
recomenda: “O perito, enquanto estiver de posse do processo ou de documentos,
deve zelar por sua guarda e segurança e ser diligente”.
Ao devolver os autos, o perito deve solicitar a baixa da carga feita em
cartório solicitando algo que comprove a devolução.
O perito na execução do trabalho pericial deve ater-se ao seu escopo e
realizá-lo no prazo previsto, aliás, essa é condição prevista nas normas
profissionais pertinentes ao perito.
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Cumprimento do prazo fixado ou contratado é aspecto importante, caso não
observado, pode ensejar a destituição do perito e sujeitá-la à aplicação de multa e
comunicação do magistrado ao Conselho Regional de Contabilidade, além de
outras penalidades cíveis e criminais previstas em lei. Nesse sentido, a norma no
seu item 09 é enfática ao recomendar: “Para a execução da perícia contábil, o perito
deve ater-se ao objeto e ao lapso temporal da perícia a ser realizada”.
Caso a execução do trabalho não se dê dentro do lapso temporal, o perito
pode requerer ao Juiz, prorrogação do prazo, entretanto a concessão da
prorrogação ficará ao prudente arbítrio do Magistrado, razão pela qual é prudente
observar o prazo definido no planejamento e que consta da proposta.
O perito no desenvolvimento do trabalho pericial pode se ver diante da
necessidade de ter acesso a documentos e informações relacionadas ao objeto da
perícia, para isso deve requisitá-los por escrito, mediante termo de diligência. O
item 10 da NBC TP 01 confirma esse posicionamento ao afirmar que: “Mediante
termo de diligência, o perito deve solicitar por escrito todos os documentos e
informações relacionadas ao objeto da perícia”.
Na execução do trabalho pericial, caso o perito encontre eventual recusa no
atendimento à diligência ou havendo qualquer outra dificuldade, deve comunicar ao
Magistrado, com a devida comprovação ou justificativa, em se tratando de perícia
judicial, ou no caso de perícia extrajudicial, à parte contratante. No item 11 a norma
explica que a eventual recusa no atendimento a diligências solicitadas ou qualquer
dificuldade na execução do trabalho pericial deve ser comunicada, com a devida
comprovação ou justificativa, ao juízo, em se tratando de perícia judicial; ou à parte
contratante, no caso de perícia extrajudicial.
O item 12 da norma técnica NBC TP 01 orienta que na eventualidade de
encontrar óbices na execução do trabalho pericial, o perito deve utilizar os meios
que lhe são facultados pela legislação e normas concernentes ao exercício de sua
função, com vistas a instruir o laudo pericial contábil ou parecer técnico-contábil
com as peças que julgarem necessárias. Nos itens a seguir da norma se referem
ainda à execução da perícia contábil a saber

13. O perito deve manter registro dos locais e datas das diligências,
nome das pessoas que o atender, livros e documentos ou coisas
vistoriadas, examinadas ou arrecadadas, dados e particularidades
de interesse da perícia, rubricando a documentação examinada,
quando julgar necessário e possível, juntando o elemento de prova
original, cópia ou certidão.
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14. A execução da perícia, quando incluir a utilização de equipe
técnica, deve ser realizada sob a orientação e supervisão do perito
do juízo, que assume a responsabilidade pelos trabalhos, devendo
assegurar-se de que as pessoas contratadas sejam profissionais e
legalmente capacitadas à execução.
15. O perito deve documentar os elementos relevantes que serviram
de suporte à conclusão formalizada no laudo pericial contábil e no
parecer técnico-contábil, quando não juntados aos autos, visando
fundamentar o laudo ou parecer e comprovar que a perícia foi
executada de acordo com os despachos e decisões judiciais e as
Normas Brasileiras de Contabilidade.

Conforme observado, a Norma é bastante objetiva ao recomendar os


cuidados que o perito deve adotar na execução do trabalho pericial. Documentar os
elementos que serviram de suporte à formalização do laudo pericial é mais um
cuidado preconizado pela norma
A norma técnica NBC TP 01 estabelece os procedimentos técnicos-
científicos necessários à execução e fundamentação do processo pericial e no item
16 lista estes procedimentos como sendo exame, vistoria, indagação,
investigação, arbitramento, mensuração, avaliação e certificação.
Os papéis utilizados no trabalho pericial devem compor um dossiê que pode
a qualquer tempo responder a consultas e por eventualidade, rever o executado.
Portanto manter os registros é uma cautela que deve nortear o trabalho do perito.
O dossiê deve conter documentos que vão desde os fatos iniciais,
notificações, termos de compromisso, cópia do laudo bem como a comprovação de
sua entrega em cartório.
Cabe observar que a norma é mais enfática nas recomendações ao
trabalho do perito nomeado ou contratado, entretanto recomenda os mesmos
procedimentos de execução ao perito assistente.
Observar os requisitos da norma é o dever do contador quando investido da
função de perito ou de assistente, obviamente não deverá haver distinção no que
compete o cumprimento do que prescreve a NBC TP 01.
A guarda de toda a documentação que serviu de embasamento ao trabalho
pericial, além de constituir uma fonte de informação própria e para terceiros, é uma
proteção do profissional, portanto, manter cópia dos documentos que se referem à
perícia é uma prática salutar.

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2.3.4 Procedimentos
A Norma, ao referir-se aos procedimentos, é objetiva ao recomendar os
cuidados mínimos que o perito deve tomar na realização dos trabalhos, caso não
observados, pode ter sua atuação dificultada e comprometida.
O que a norma faz é orientar o perito a adotar procedimentos que evitem
ocorrência de falhas que venham a comprometer o trabalho pericial.
Em seu item 16, a NBC TP 01 especifica os procedimentos periciais que
irão fundamentar as conclusões que serão levadas ao laudo ou parecer pericial
contábil, e explicita um a um nos itens 17 a 24 descritos a seguir:
a) Exame: é a análise de livros e registro das transações e documentos;
b) Vistoria: é a diligência que objetiva a verificação e a constatação de
situação, coisa ou fato, de forma circunstancial;
c) Indagação: é a busca de informações, mediante entrevista com
conhecedores do objeto ou de fato relacionado à perícia;
d) Investigação: é a pesquisa que busca trazer ao laudo pericial contábil
ou parecer técnico-contábil o que está oculto por quaisquer circunstâncias;
e) Arbitramento: é a determinação de valores, quantidades ou a solução
de controvérsia por critério técnico-científico;
f) Mensuração: é o ato de qualificação e quantificação física de coisas,
bens, direitos e obrigações;
g) Avaliação: é o ato de estabelecer o valor de coisas, bens, direitos,
obrigações, despesas e receitas;
h) Certificação: é o ato de atestar a informação trazida ao laudo ou
parecer ao parecer pelo perito, conferindo-lhe caráter de autenticidade pela
fé pública atribuída a este profissional.
Os procedimentos elencados na verdade são as técnicas do trabalho
pericial, de forma sucinta, que definem e indicam a fundamentação do laudo, após
os procedimentos de diligências e coleta dos elementos.
A Lei 13.105/2015 em seu artigo 464 especifica como prova pericial o
exame, vistoria e avaliação, enquanto que o CFC foi inovador ao elaborar norma
pericial com procedimentos condizentes com a realidade econômica, social e
tecnológica atualmente requerida.
Os itens 25 a 29 da NBC TP 01 tratam do relacionamento do perito com o
perito assistente no que diz respeito ao laudo pericial contábil e o parecer pericial

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contábil, cabendo observar que o laudo é de competência do perito nomeado ou
contratado enquanto que o parecer pericial contábil é de competência do perito
assistente.
O relacionamento entre perito e perito assistente deve ser cordial e pautado
pela ética. Posicionamento salutar é a recomendação do item 28 e 66 em que o
perito e o perito assistente assinam em conjunto o laudo pericial contábil, peça
pericial de responsabilidade do perito nomeado ou contratado. Neste caso, entende-
se que o perito pode dar acesso ao perito assistente, e em conjunto discutir o laudo.
A discussão técnica propicia a diminuição das possibilidades de erros, entretanto o
perito assistente ao assinar o laudo não poderá emitir parecer pericial contrário ao
referido laudo. A norma prevê que “Quando se tratar de laudo pericial contábil,
assinado em conjunto pelos peritos, há responsabilidade solidária sobre o referido
documento”, e ainda que o perito assistente, “ao apor a assinatura, em conjunto
com o perito do juízo, em laudo pericial contábil, não pode emitir parecer técnico-
contábil contrário a esse laudo”.

2.3.5 Planejamento
Como em qualquer atividade, o planejamento é essencial, não seria
diferente no caso da perícia. Conhecer o que pretendem as partes, as peças que
compõem os autos são condições básicas para o planejamento.
Ao se referir ao planejamento, a Norma é bastante objetiva ao recomendar
os cuidados e procedimentos mínimos que o perito deve tomar na realização dos
trabalhos, se não observados, pode ter sua atuação dificultada e comprometida. As
orientações e recomendações constam dos itens 31 a 46 da NBC TA 01, que
versam sobre os objetivos, desenvolvimento do planejamento, no planejamento
deve prever os riscos e custos, a equipe técnica e o cronograma de execução da
perícia. De acordo com a NBCTP01 os objetivos do planejamento da Perícia são:
 conhecer o objeto e a finalidade da perícia, a fim de permitir a adoção
de procedimentos que conduzam à revelação da verdade, a qual
subsidiará o juízo, o árbitro ou o interessado a tomar a decisão a respeito
da lide;
 definir a natureza, a oportunidade e a extensão dos procedimentos a
serem aplicados, em consonância com o objeto da perícia;

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 estabelecer condições para que o trabalho seja cumprido no prazo
estabelecido;
 identificar potenciais problemas e riscos que possam vir a ocorrer no
andamento da perícia;
 identificar fatos importantes para a solução da demanda, de forma que
não passem despercebidos ou não recebam a atenção necessária;
 identificar a legislação aplicável ao objeto da perícia;
 estabelecer como ocorrerá a divisão das tarefas entre os membros da
equipe de trabalho, sempre que o perito necessitar de auxiliares;
 facilitar a execução e a revisão dos trabalhos.

No desenvolvimento do planejamento do trabalho pericial, o perito deve


realizar exame dos autos para coleta de informações bem como identificar a
necessidade ou não de realizar diligência para verificação de livros, documentos,
registros, laudos e pareceres já realizados, procedimentos necessários para
determinar a natureza do trabalho a ser executado. E, como prevê a norma os
“documentos dos autos servem como suporte para obtenção das informações
necessárias à elaboração do planejamento da perícia”.
No desenvolvimento do planejamento ainda há de se levar em conta

Em caso de ser identificada a necessidade de realização de


diligências, na etapa de elaboração do planejamento, devem ser
considerados, se não declarada a preclusão de prova documental, a
legislação aplicável, documentos, registros, livros contábeis, fiscais
e societários, laudos e pareceres já realizados e outras informações
que forem identificadas como pertinentes para determinar a
natureza do trabalho a ser executado. Quando necessário, o
planejamento deve ser realizado pelo perito do juízo ainda que o
trabalho venha a ser realizado de forma conjunta. Quando
necessário, o planejamento da perícia deve ser mantido por
qualquer meio de registro que facilite o entendimento dos
procedimentos a serem aplicados e sirva de orientação adequada à
execução do trabalho. Quando necessário, o planejamento deve ser
revisado e atualizado sempre que fatos novos surjam no decorrer da
perícia. (NBCTP01/2015)

Os riscos e custos fazem parte do trabalho pericial e o planejamento deve


prever estes itens, e uma vez procedido o exame dos autos e a coleta das
informações pertinentes, o perito tem os elementos necessários para avaliar os
riscos decorrentes de responsabilidade civil, os custos com pessoal bem como

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encargos de depreciação e manutenção de escritório. Os riscos podem ser a
substituição do perito por parte do Magistrado caso fique evidenciada a falta de
conhecimentos técnicos para a realização do trabalho ou ainda penalidades cíveis
ou criminais. A norma sugere que o perito, na fase do planejamento, com vistas a
elaborar a proposta de honorários, “deve avaliar os riscos decorrentes das suas
responsabilidades e todas as despesas e custos inerentes e ressaltar que, na
hipótese de apresentação de quesitos suplementares, poderá estabelecer
honorários complementares” (NBCTP 01/2015).
A equipe técnica é de reponsabilidade do perito do juízo e quando for
verificada a necessidade de utilização de trabalho de terceiros pela perícia, este
estará constituído por uma equipe de apoio ou de trabalho de especialistas de
outras áreas de conhecimento. A supervisão e responsabilidade pelos trabalhos
serão do perito. A norma estabelece que “quando a perícia exigir a necessidade de
utilização de trabalho de terceiros (equipe de apoio, trabalho de especialistas ou
profissionais de outras áreas de conhecimento), o planejamento deve prever a
orientação e a supervisão do perito, que responderá pelos trabalhos executados,
exclusivamente, por sua equipe de apoio.
A fase de planejamento permite levantar praticamente todas as etapas
necessárias no desenvolvimento da perícia, portanto, na elaboração do cronograma
da atividade pericial o perito deve levar em consideração que o trabalho pericial tem
início antes da formulação da proposta de honorários, uma vez que para isso é
necessário especificar as etapas do trabalho que serão realizados. Um bom
planejamento permite um conhecimento prévio de todas as etapas, salvo aquelas
que somente serão identificadas quando da execução da perícia.
Não obstante um bom planejamento, pode surgir a necessidade de quesitos
suplementares ou de outras condições que somente serão conhecidas no
andamento dos trabalhos. Essa situação requer ajustes no planejamento.
As etapas que contemplam o trabalho pericial compreendem o momento que
antecede a proposta de honorários, ou seja, a análise preliminar, até a entrega do
laudo, devendo o cronograma evidenciar as etapas, as épocas em que os trabalhos
serão executados, bem como todos os itens necessários como: diligências a serem
feitas, deslocamentos, necessidade de trabalho de terceiros, pesquisas que serão
realizadas, elaboração de cálculos e planilhas, respostas aos quesitos, prazo para

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entrega do laudo e/ou oferecimento do parecer, de forma a assegurar que todas as
etapas necessárias à realização da perícia sejam cumpridas.

2.3.6 Termo de diligência


A segunda etapa de execução do trabalho pericial são as ações de
diligências para a obtenção das provas, que são meios jurídicos pelos quais se
chega à verdade. A norma explica que o Termo de diligência é o instrumento por
meio do qual “o perito solicita documentos, coisas, dados e informações
necessárias à elaboração do laudo pericial contábil e do parecer técnico-contábil”.

Serve também para determinar o local, a data e a hora do início da


perícia, e ainda para a execução de outros trabalhos que tenham
sido a ele determinados ou solicitados por quem de direito, desde
que tenham a finalidade de orientar ou colaborar nas decisões,
judiciais ou extrajudiciais. O termo de diligência deve ser redigido
pelo perito e apresentado diretamente ao perito assistente, à parte,
a seu procurador ou terceiro, por escrito e juntado ao laudo. O perito
deve observar os prazos a que está obrigado por força de
determinação legal e, dessa forma, definir o prazo para o
cumprimento da solicitação pelo diligenciado.

Porém, caso ocorra a negativa da entrega dos elementos de prova


formalmente requeridos pelo termo de diligência, o perito deve se dirigir
diretamente a quem o nomeou, contratou ou indicou, explicando os fatos e
solicitando as providências cabíveis, sob pena de perder o prazo da perícia.
A perícia é elemento de prova judicial e as diligências destinam-se à
obtenção de provas que possam estar fora dos autos.
Corroborando esse pensamento, temos em Sá (1997, p. 14), a seguinte
definição de perícia contábil:

Perícia contábil é a verificação de fatos ligados ao patrimônio


individualizado visando oferecer opinião, mediante questão
proposta. Para tal opinião realizam-se exames, vistorias,
indagações, investigações, avaliações, arbitramentos, em suma todo
e qualquer procedimento necessário à opinião.

Os meios para o esclarecimento dos aspectos e dos fatos de litígios a


serem observados pelo perito, segundo o item 01 da norma técnica NBC TP 01 são
o exame, vistoria, indagação, investigação, arbitramento, avaliação ou certificação.
A norma ainda define a estrutura do termo de diligência, a NBC TP 01, no
seu item 39, e, especifica quais os elementos que deve conter:
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a) identificação do diligenciado;
b) identificação das partes ou dos interessados, e, em se tratando
de perícia judicial ou arbitral, o número do processo ou
procedimento, o tipo e o juízo em que tramita;
c) identificação do perito com indicação do número do registro
profissional no Conselho Regional de Contabilidade;
d) indicação de que está sendo elaborado nos termos desta
Norma;
e) indicação detalhada dos documentos, coisas, dados e
informações consignando as datas e/ou períodos abrangidos,
podendo identificar o quesito a que se refere;
f) indicação do prazo e do local para a exibição dos documentos,
coisas, dados e informações necessários à elaboração do laudo
pericial contábil ou parecer técnico contábil, devendo o prazo ser
compatível com aquele concedido pelo juízo, contratante ou
convencionado pelas partes, considerada a quantidade de
documentos, as informações necessárias, a estrutura organizacional
do diligenciado e o local de guarda dos documentos;
g) a indicação da data e hora para sua efetivação, após atendidos
os requisitos da alinea (e) quando o exame dos livros, documentos,
coisas e elementos tiver de ser realizado perante à parte ou ao
terceiro que detém em seu poder tais provas;
h) local, data e assinatura.

A perícia contábil geralmente desenvolve trabalhos técnicos de origem


contenciosa e controvertida, portanto o conjunto de normas e procedimentos
previstos nos normativos, tanto as do CPC com as pertinentes ao Perito e a Perícia
emanadas pelo CFC, constituem no arcabouço jurídico e normativo profissional
para o desenvolvimento e execução do trabalho pericial. Esse arcabouço de normas
foi desenvolvido e aperfeiçoado ao longo do tempo e constitui na atualidade
material de qualidade inquestionável, cuja finalidade é trazer à luz a verdade dos
fatos, portanto útil à disposição da sociedade.

Exercício 5

1. [PERITO CRIMINAL – ADMINISTRAÇÃO – 2007 – SEAD/PA – CESPE/UNB – Q.


39] No desenvolvimento dos trabalhos periciais, há vários procedimentos
indicados, relativos à verificação da documentação a ser examinada. A esse
respeito, assinale a alternativa correta:
a) Os peritos assistentes não devem ser procurados preliminarmente, sob pena de
comprometimento da independência do perito nomeado pelo juiz.
b) O perito nomeado pelo juiz pode verificar, diretamente na empresa que é parte
no processo, qualquer documento que julgue relevante para a elaboração de seu
laudo.

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c) O acesso aos documentos contábeis internos da empresa objeto da perícia está
condicionado aos limites impostos previamente pelo juiz que nomear o perito.
d) O juiz não pode determinar a entrega de documentos contábeis da empresa ao
perito nomeado, pois, como parte interessada, a empresa só disponibilizará o que
lhe for conveniente.

2. [PERITO CRIMINAL – ÁREA CIÊNCIAS CONTÁBEIS – 2009 – POLÍCIA


CIVIL/RO – FUNCAB – Q. 51]. Por quesito, entende-se justamente a pergunta
ou interrogação formulada para que seja respondida pelos peritos. Qual das
alternativas NÃO está adequada à quesitação judicial?
a) Os peritos não devem limitar-se a responder os quesitos formulados, se
constatarem a necessidade de aduzir algo que deles não conste.
b) Em um exame pericial de livros contábeis, os quesitos formulados não podem se
estender de modo a transformar a exibição parcial em exibição total.
c) O Juiz pode indeferir quesitos impertinentes.
d) Quesitos pertinentes são os que, legalmente autorizados, se apoiam em fatos e
circunstâncias que se relacionam com a matéria constante dos autos.
e) Os peritos devem responder a quesitos quanto à matéria e à questão do mérito.

3. [ANALISTA – PERÍCIA EM CÁLCULOS JUDICIAL – 2008 – SERPRO –


CESPE/UNB] Julgue os enunciados a seguir, acerca do conceito, da função e
das características da perícia como prova judicial.
I. A perícia é a prova destinada a levar ao juiz elementos instrutórios sobre algum
fato que dependa de conhecimentos especiais de ordem técnica ou científica.
II. Quando o juiz, de ofício ou a requerimento da parte, inspeciona pessoas ou
coisas a fim de esclarecer fato que interesse à decisão do processo judicial, está
realizando também uma perícia judicial.
III. A prova pericial, como espécie do gênero prova judicial, caracteriza-se por sua
submissão ao princípio da persuasão racional, o que leva à vedação de que o juiz
indefira a realização de uma perícia, sob o argumento de sua desnecessidade.
IV. A prova pericial só é cabível quando o fato a ser provado exigir conhecimentos
especiais de natureza técnica ou científica, sendo imprópria para a demonstração
da existência de fatos que podem ser conhecidos e descritos pelas pessoas por
meio de sua experiência social ordinária.
V. A perícia única é a regra do sistema processual; caso seja complexa, isto é,
abranja mais de uma área de conhecimento especializado, o juiz poderá nomear
mais de um perito para a tarefa.
VI. O juiz não fica vinculado aos fundamentos e à conclusão à que chegou o perito
no laudo, tampouco às opiniões dos assistentes técnicos das partes, mas, em
qualquer caso, deve fundamentar o motivo do acolhimento ou não acolhimento do
laudo e das críticas dos assistentes técnicos.
a) V / F / F / V / F / F
b) V / F / F / F / V / V
c) V / F / F / V / V / V

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d) F / F / F / V / F / V

4. [ANALISTA – PERÍCIA EM CÁLCULOS JUDICIAL – 2008 – SERPRO –


CESPE/UNB] Acerca dos peritos e dos assistentes técnicos, julgue os
enunciados a seguir:
I. O perito e os assistentes técnicos devem assinar, em dia, hora e lugar designados
pelo juiz, o termo de compromisso de cumprimento do encargo que lhes foi
atribuído.
II. Os assistentes técnicos são auxiliares das partes do processo e não do perito.
III. Os assistentes técnicos, assim como os peritos, estão sujeitos à recusa das
partes, em virtude de impedimentos e suspeições.
a) F / V / F
b) F / V / V
c) V / V / F
d) F / F / F

5. [ANALISTA – PERÍCIA EM CÁLCULOS JUDICIAL – 2008 – SERPRO –


CESPE/UNB] A respeito das consequências do trabalho pericial, julgue os
enunciados a seguir:
I. Quando o perito, sem motivo legítimo, deixar de cumprir o encargo no prazo que
lhe fora designado, o juiz comunicará a ocorrência à corporação profissional
respectiva, podendo, ainda, impor multa ao perito e à corporação. Nesse caso, a
multa será fixada tendo em vista o valor da causa e o possível prejuízo decorrente
do atraso no processo.
II. O perito que, por dolo ou culpa, prestar informações inverídicas responderá
pelos prejuízos que causar à parte e ficará inabilitado, por dois anos, para outras
perícias, incorrendo na sanção que a lei penal estabelecer.
a) Apenas o enunciado I está correto.
b) Apenas o enunciado II está correto.
c) Todos os enunciados estão corretos.
d) Nenhum enunciado está correto.

Dica de aprofundamento

Assista ao vídeo Jornal Perícia em foco. Disponível em:


<http://www.youtube.com/watch?v=-qOEUBBvs8U>. Acesso em: 09 nov. 2018.

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UNIDADE 3 - LAUDO E PARECER PERICIAL

A sabedoria é filha da dor, e nasce com muitas lágrimas.


(Ésquilo)

A perícia contábil é de competência exclusiva do contador devidamente


registrado no Conselho Regional de Contabilidade quando investido da condição de
perito seja por nomeação judicial ou contratado pelas partes.
O trabalho pericial requer a nomeação ou contratação do profissional que
neste caso é designado como perito, cabendo a cada uma das partes contratarem o
profissional de sua estrita confiança, que será designado como perito assistente.
Portanto, o profissional contábil com formação de nível superior poderá
assumir, atuar ora como perito do Juízo ou como perito assistente.
O documento escrito que deverá ser produzido e que reportará os fatos
patrimoniais, indagações, investigações, avaliações, exames e arbitramento é o
laudo quando elaborado pelo Perito do Juízo e Parecer Técnico quando elaborado
pelo perito assistente.
Dada a designação do contador quando investido da função de perito ou de
assistente produzirá peças com diferentes denominações, cabendo ao perito a
emissão do Laudo Pericial Contábil e ao perito assistente a emissão do Parecer
Técnico-Contábil.
As condições expostas estão confirmadas na alínea “c” do artigo 25 do
Decreto-Lei nº 9.295/46 ao determinar que o Laudo Pericial Contábil e o Parecer
Técnico-Contábil somente serão elaborados por contador que esteja devidamente
registrado e habilitado em Conselho Regional de Contabilidade.
Essa distinção entre Laudo Pericial Contábil e Parecer Técnico-Contábil,
pode ser assim conceituada:
 Laudo Pericial Contábil: É de competência exclusiva do perito e
deve expressar de forma circunstanciada, clara e objetiva, as sínteses do
objeto da perícia, os estudos, as observações e as diligências realizadas,
os critérios adotados e os resultados fundamentados, e as suas
conclusões.
 Parecer Técnico-Contábil: Trata-se da peça escrita de competência
exclusiva do perito assistente, que expressa de forma consubstanciada,
clara e objetiva, os estudos, as observações e as diligências que realizou
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e as conclusões fundamentadas dos trabalhos e sobre o laudo pericial
contábil, no caso de perícia judicial contábil.
Portanto, os termos diferem dependendo da função do profissional que o
emitiu: se perito ou perito assistente.
A NBC TP 01 nos itens 47 a 49 transcreve o artigo 25 do Decreto-Lei
9.295/1946, e determina quem elabora os documentos e conceitua laudo e parecer.

47. O Decreto-Lei n.º 9.295/46, na alínea “c” do Art. 25, determina


que o laudo pericial contábil e o parecer técnico-contábil somente
sejam elaborados por contador ou pessoa jurídica, se a lei assim
permitir, que estejam devidamente registrados e habilitados em
Conselho Regional de Contabilidade. A habilitação é comprovada
mediante Certidão de Regularidade Profissional emitida pelos
Conselhos Regionais de Contabilidade.
48. O laudo pericial contábil e o parecer técnico-contábil são
documentos escritos, nos quais os peritos devem registrar, de forma
abrangente, o conteúdo da perícia e particularizar os aspectos e as
minudências que envolvam o seu objeto e as buscas de elementos
de prova necessários para a conclusão do seu trabalho.
49. Os peritos devem consignar, no final do laudo pericial contábil ou
do parecer técnico-contábil, de forma clara e precisa, as suas
conclusões.

3.1 Apresentação do laudo e do parecer pericial contábil

O laudo pericial contábil e o parecer pericial contábil são documentos


abrangentes escritos que retratam a manifestação da realidade concreta de todo o
esforço investigativo do profissional contábil quando investido na função de perito.
A apresentação do laudo e do parecer pericial contábil requerem uma
redação em uma linguagem que possibilite aos julgadores e às partes
conhecimento e interpretação dos resultados obtidos nos trabalhos periciais
contábeis.
Deve se utilizar uma linguagem acessível, uma vez que os interlocutores,
geralmente, são desprovidos dos conhecimentos técnicos que envolvem a lide. Por
esse motivo, o uso de termos técnicos pertinentes à profissão contábil quando seja
necessário inseri-los no texto, devem ser acrescidos de esclarecimentos adicionais.
Tendo em vista que o laudo pericial contábil e o parecer pericial contábil
têm o escopo de atender às necessidades dos julgadores e das partes interessadas
bem como do objeto da lide, estes deverão ser redigidos de forma direta com
conteúdo claro e limitando-se ao assunto da demanda, de forma que possibilite a
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quem for julgar, a proferir justa decisão. Tanto o laudo como o parecer técnico-
contábil devem estar isentos de elementos que conduzam a duvidosa interpretação,
que possam induzir os julgadores e interessados a erro.
Dessa forma o laudo e o perecer pericial contábil devem contemplar de
forma límpida e objetiva o resultado final do trabalho pericial alcançado por meio de
elementos de prova inclusos nos autos ou obtidos em diligências, seja por
intermédio de peças contábeis e quaisquer outros documentos, tipos e formas.
O trabalho pericial envolve questões de origem contenciosa e controvertida,
neste caso, por razões diversas, palavras e termos ofensivos podem ser inseridos
nos autos. Nos casos em que o perito se sentir ofendido por expressões injuriosas,
de forma escrita ou verbal, a norma orienta quais providências devem ser adotadas.
Sendo a ofensa escrita ou verbal, por qualquer dos peritos, o perito ofendido pode
requerer à autoridade competente que mande riscar os termos ofensivos dos autos
ou que seja cassada a palavra. Pode ainda, ser comunicado o ocorrido mediante
protocolo ao Conselho Regional de Contabilidade da sua jurisdição. A norma, no
item 62 explica a terminologia e as providências cabíveis.

62. Palavras e termos ofensivos: o perito que se sentir ofendido por


expressões injuriosas, de forma escrita ou verbal, no processo,
poderá tomar as seguintes providências:
(a) sendo a ofensa escrita ou verbal, por qualquer das partes,
peritos ou advogados, o perito ofendido pode requerer da autoridade
competente que mande riscar os termos ofensivos dos autos ou
cassada a palavra;
(b) as providências adotadas, na forma prevista na alínea (a), não
impedem outras medidas de ordem civil ou criminal.

O perito e o perito assistente não devem emitir laudo ou parecer com


opinião de julgamento, ou seja, emitir opinião pessoal ou fazer juízo de valor.
Julgamento cabe ao magistrado, o perito deve ater-se a responder aos quesitos
formulados de forma clara e nas limitações dos assuntos da tese formulada, de
forma que possibilite a justa decisão por parte de quem for julgar.
Orientações a respeito da elaboração do laudo e do perecer constam na
NBC TP 01

50. O laudo e o parecer são, respectivamente, orientados e


conduzidos pelo perito do juízo e pelo perito assistente, que
adotarão padrão próprio, respeitada a estrutura prevista nesta
Norma, devendo ser redigidos de forma circunstanciada, clara,
objetiva, sequencial e lógica.

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51. A linguagem adotada pelo perito deve ser clara, concisa,
evitando o prolixo e a tergiversação, possibilitando aos julgadores e
às partes o devido conhecimento da prova técnica e interpretação
dos resultados obtidos. As respostas devem ser objetivas,
completas e não lacônicas. Os termos técnicos devem ser inseridos
no laudo e no parecer, de modo a se obter uma redação que
qualifique o trabalho pericial, respeitadas as Normas Brasileiras de
Contabilidade.
52. Tratando-se de termos técnicos atinentes à profissão contábil,
devem, quando necessário, ser acrescidos de esclarecimentos
adicionais e recomendada a utilização daqueles consagrados pela
doutrina contábil.
53. O perito deve elaborar o laudo e o parecer, utilizando-se do
vernáculo, sendo admitidas apenas palavras ou expressões
idiomáticas de outras línguas de uso comum nos tribunais judiciais
ou extrajudiciais.
54. O laudo e o parecer devem contemplar o resultado final
alcançado por meio de elementos de prova inclusos nos autos ou
arrecadados em diligências que o perito tenha efetuado, por
intermédio de peças contábeis e quaisquer outros documentos, tipos
e formas.

3.1.1 Estrutura do laudo e do parecer pericial contábil

A materialização de todo o esforço técnico e intelectual desenvolvido pelo


perito ou pelo perito assistente são, respectivamente, o laudo e o parecer pericial
contábil. Portanto o profissional deve valorizá-lo, não bastando apresentá-lo com
conteúdo correto e fiel ao fim a que se propõe, deve oferecê-lo de forma bem
apresentada.
O CFC de maneira zelosa, fez constar na NBC TP 01, item 65, orientações
mínimas que devem ser observadas na estrutura do laudo e do parecer pericial
contábeis:
(a) identificação do processo e das partes;
(b) síntese do objeto da perícia;
(c) resumo dos autos;
(d) metodologia adotada para os trabalhos periciais e esclarecimentos;
(e) relato das diligências realizadas;
(f) transcrição dos quesitos e suas respectivas respostas para o laudo pericial
contábil;
(g) transcrição dos quesitos e suas respectivas respostas para o parecer
técnico-contábil, onde houver divergência das respostas formuladas pelo
perito do juízo;
(h) conclusão;
(i) termo de encerramento, constando a relação de anexos e apêndices;
(j) assinatura do perito: deve constar sua categoria profissional de contador,
seu número de registro em Conselho Regional de Contabilidade,
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comprovado mediante Certidão de Regularidade Profissional (CRP) e sua
função: se laudo, perito do juízo e se parecer, perito assistente da parte. É
permitida a utilização da certificação digital, em consonância com a
legislação vigente e as normas estabelecidas pela Infraestrutura de
Chaves Públicas Brasileiras - ICP-Brasil;
(k) para elaboração de parecer, aplicam-se o disposto nas alíneas acima, no
que couber.

3.1.2 Assinatura em conjunto


Conforme definido no item 66 da NBC TP 01, quando o perito assistente
assinar o laudo pericial contábil junto com o perito, não poderá emitir parecer
pericial contrário ao laudo. Neste caso há responsabilidade solidária sobre o
referido documento.

3.1.3 Esclarecimentos sobre laudo e do parecer técnico-contábil em audiência


Esclarecimentos são informações prestadas pelo perito aos pedidos de
esclarecimento sobre laudo e parecer, determinados pelas autoridades
competentes, por motivos de obscuridade, incompletudes, contradições ou
omissões. Os esclarecimentos podem ser prestados de forma escrita ou oral.
 de forma escrita: os pedidos de esclarecimentos deferidos e
apresentados ao perito, no prazo legal, devem ser prestados por
escrito.
 de forma oral: os pedidos de esclarecimentos deferidos e
apresentados no prazo legal, ao perito para serem prestados em
audiência podem ser de forma oral ou escrita.

O trabalho pericial pode envolver questões técnicas muitas vezes


pertinentes à profissão contábil que podem ensejar, por parte do magistrado ou das
partes, a necessidade da presença do perito ou do perito assistente na audiência. O
conteúdo do laudo ou do parecer pericial deve ser explicado de maneira ordenada e
pormenorizada.
Ao responder os esclarecimentos, o perito deve limitar as respostas a
quesitos integrantes do laudo pericial contábil ou do parecer pericial contábil, às
explicações sobre o conteúdo da lide ou sobre a conclusão.

69. O perito deve observar as perguntas efetuadas pelo juízo e/ou


pelas partes, no momento próprio dos esclarecimentos, pois tal ato
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se limita às respostas a quesitos integrantes do laudo ou do parecer
e às explicações sobre o conteúdo da lide ou sobre a conclusão.

3.1.4 Encaminhamento do laudo pericial e do parecer técnico-contábil

O encaminhamento do laudo pericial e do parecer pericial contábeis deve


sempre ser dirigido ao magistrado responsável pelo processo objeto da perícia
contábil realizada ou a quem contratou a perícia extrajudicial.
O laudo pericial e o parecer pericial contábeis devem conter uma primeira
página de endereçamento ou de apresentação, na qual se identificará o Magistrado
ou quem a contratou, se perícia extrajudicial. Na referida página serão ainda
especificados o processo e as partes envolvidas, e se trata de laudo pericial contábil
ou de parecer pericial contábil.
A entrega do laudo pericial contábil ou do parecer pericial contábil deve ser
efetuada mediante entrega do original no setor de protocolo do respectivo fórum do
Poder Judiciário, na Secretaria ou no Cartório, conforme o caso. Ficará no poder do
perito, ou do perito assistente, uma segunda via protocolada como prova do
trabalho entregue.
Ainda se faz necessário entender as terminologias específicas da perícia
contábil dispostas na norma para entender e atender ao que a mesma se propõe.
Então em relação à norma técnica da Perícia os termos abaixo relacionados dizem
respeito a:
Forma circunstanciada: a redação pormenorizada, minuciosa, efetuada
com cautela e detalhamento em relação aos procedimentos e aos resultados do
laudo e do parecer.
Síntese do objeto da perícia e resumo dos autos: o relato ou a
transcrição sucinta, de forma que resulte em uma leitura compreensiva dos fatos
relatados sobre as questões básicas que resultaram na nomeação ou na
contratação do perito.
Diligência: todos os atos adotados pelos peritos na busca de documentos,
coisas, dados e informações e outros elementos de prova necessários à elaboração
do laudo e do parecer, mediante termo de diligência, desde que tais provas não
estejam colacionadas aos autos. Ainda são consideradas diligências as
comunicações às partes, aos peritos assistentes ou a terceiros, ou petições
judiciais.

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Critério: é a faculdade que tem o perito de distinguir como proceder em
torno dos fatos alegados para julgar ou decidir o caminho que deve seguir na
elaboração do laudo e do parecer.
Metodologia: conjunto dos meios dispostos convenientemente para
alcançar o resultado da perícia por meio do conhecimento técnico-científico, de
maneira que possa, ao final, inseri-lo no corpo técnico do laudo e parecer.
Conclusão: é a quantificação, quando possível, do valor da demanda,
podendo reportar-se a demonstrativos apresentados no corpo do laudo e do parecer
ou em documentos. É na conclusão que o perito registrará outras informações que
não constaram na quesitação, porém, encontrou-as na busca dos elementos de
prova inerentes ao objeto da perícia.
Apêndices: são documentos elaborados pelo perito contábil; e Anexos são
documentos entregues a estes pelas partes e por terceiros, com o intuito de
complementar a argumentação ou elementos de prova.
Esclarecimentos: havendo determinação de esclarecimentos do laudo ou
do parecer sem a realização de audiência, o perito deve fazer, por escrito,
observando em suas respostas os mesmos procedimentos adotados quando da
feitura do esclarecimento em audiência, no que for aplicável.
Os peritos devem, na conclusão do laudo e do parecer, considerar as
formas explicitadas nos itens seguintes: omissão de fatos: o perito do juízo não
pode omitir nenhum fato relevante encontrado no decorrer de suas pesquisas ou
diligências, mesmo que não tenha sido objeto de quesitação e desde que esteja
relacionado ao objeto da perícia; a conclusão com quantificação de valores é
viável em casos de: apuração de haveres; liquidação de sentença, inclusive em
processos trabalhistas; resolução de sociedade; avaliação patrimonial, entre outros;
pode ocorrer que, na conclusão, seja necessária a apresentação de alternativas,
condicionada às teses apresentadas pelas partes, casos em que cada uma
apresenta uma versão para a causa. O perito deve apresentar as alternativas
condicionadas às teses apresentadas, devendo, necessariamente, ser identificados
os critérios técnicos que lhes deem respaldo; a conclusão pode ainda reportar-se
às respostas apresentadas nos quesitos; a conclusão pode ser, simplesmente,
elucidativa quanto ao objeto da perícia, não envolvendo, necessariamente,
quantificação de valores.

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A NBC Técnica da Perícia que versa sobre os procedimentos técnicos do
processo pericial possui os seguintes modelos em anexo à NBCTP que fazem parte
do documento e auxiliam o contador na elaboração dos mesmos. Modelos
exemplificativos:
Modelo n.º 1 – Termo de Diligência na Perícia Judicial;
Modelo n.º 2 – Termo de Diligência na Perícia Extrajudicial;
Modelo n.º 3 – Termo de Diligência na Perícia Arbitral;
Modelo n.º 4 – Planejamento para Perícia Judicial.

Exercício 6
1. O documento escrito, que deverá ser produzido pelo perito, reportará
determinados fatos. Quais?
a) Fatos patrimoniais, indagações, arbitramento, censura, interpelações e
admoestação.
b) Fatos patrimoniais, indagações, investigações, avaliações, exames e
arbitramento.
c) Fatos patrimoniais, indagações, interpelações, avaliações, exames e
arbitramento.
d) Fatos patrimoniais, censura, investigações, avaliações, exames e arbitramento.

2. O bacharel em ciências contábeis pode atuar como perito, perito assistente


ou em arbitragem. O documento produzido pelo profissional é o laudo. É
correto afirmar que:
a) Laudo Pericial Contábil é de competência do perito assistente.
b) Laudo Pericial Contábil é de competência do perito.
c) Parecer Pericial Contábil é de competência do árbitro.
d) Parecer Pericial é de competência do perito nomeado pelo Juiz.

3. Com relação ao Laudo ou Parecer Técnico-Contábil é INCORRETO afirmar


que:
a) O laudo pericial contábil e o parecer pericial contábil são documentos escritos,
nos quais os peritos devem registrar, de forma abrangente, o conteúdo da perícia e
particularizar os aspectos e as minudências que envolvam o seu objeto e as buscas
de elementos de prova necessários para a conclusão do seu trabalho.
b) Obriga a Norma que os peritos, no encerramento do laudo pericial contábil ou do
parecer pericial contábil, consignem, de forma clara e precisa, as suas conclusões.
c) O perito e o perito assistente podem emitir laudo ou parecer com opinião de
julgamento.
d) A conclusão no laudo pode ser, simplesmente, elucidativa quanto ao objeto da
perícia, não envolvendo, necessariamente, quantificação de valores.

4. A materialização de todo o esforço técnico e intelectual desenvolvido pelo


perito ou pelo perito assistente são respectivamente, o laudo e o parecer
Técnico-contábil. Orientações mínimas que devem ser observadas na
71
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estrutura do laudo e do parecer Técnico-contábeis, são:
a) Identificação do processo e das partes, síntese do objeto da perícia, transcrição e
resposta aos quesitos.
b) Identificação do processo e das partes, assinatura da parte contratante,
transcrição e resposta aos quesitos.
c) Identificação do processo e das partes, introdução ao processo, transcrição e
resposta aos quesitos.
d) Identificação do processo e das partes, conclusão com a opinião do perito sobre
qual das partes tem razão na lide, transcrição e resposta aos quesitos.

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UNIDADE 4 - CASOS APLICÁVEIS À PERÍCIA CONTÁBIL

Nenhum problema pode ser resolvido pelo mesmo estado de consciência que
o criou.
(Albert Einstein)

4.1 Tipos de Perícia com relação à sua contratação

O objetivo da perícia contábil é esclarecer aspectos técnicos-contábeis e


produzir elemento de prova com base em fatos fundamentados para a convicção do
julgador.
Para subsidiar a justa solução do litígio, a perícia contábil leva à instância
decisória elementos de prova mediante o laudo pericial contábil e/ou parecer
pericial contábil que devem ser elaborados em conformidade com as normas
jurídicas e profissionais, bem como com a legislação específica no que for
pertinente.
Com relação à sua contratação, a perícia contábil assume o caráter de
judicial, extrajudicial e arbitral e deve conter os mesmos atributos pertinentes à
qualidade, confiabilidade e imparcialidade por parte do perito.

4.1.1 Perícia judicial


É aquela realizada dentro dos procedimentos processuais do Judiciário, ou
seja, é a perícia exercida sob a tutela da justiça.
Enquanto perícia judicial, esta pode ser demandada nas instâncias da
justiça estadual, federal ou do trabalho, podendo, quanto à espécie, ser cível,
criminal ou trabalhista.
A ocorrência da perícia contábil na Justiça Federal visa a produção de
prova pericial que irá auxiliar na solução de litígio entre a União e/ou suas diversas
entidades vinculadas e os cidadãos e demais entidades privadas. Esta pode ser nas
Varas Federais na produção de provas envolvendo quaisquer direitos ou obrigações
em que uma das partes da lide seja a União ou qualquer uma das suas entidades
vinculadas e pode ser na Justiça do Trabalho onde as perícias são voltadas para
dirimir dúvidas sobre cálculos de indenizações trabalhistas e reclamações

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pertinentes aos direitos de empregados e litígios entre empregados e empregadores
de diversas espécies.
A Justiça Estadual constitui um campo bastante fértil para o trabalho
pericial, pois a perícia pode ser demandada nas suas mais diversas Varas como:
 Varas de Falências e Concordatas pela necessidade de perícias
contábeis para instrução de processos de falência ou de recuperação
judicial;
 Varas Cíveis, que envolve várias especialidades de perícias, como por
exemplo, na apuração de haveres em dissolução de sociedades e fundo
de comércio, litígios entre sócios, prestação de contas, ações de
consignações, sistema financeiro, sistema financeiro da habitação,
revogatórias de locação;
 Varas Criminais onde o trabalho pericial envolve questões
relacionadas com fraudes e adulteração de documentos contábeis,
desfalques e apropriação indébita, entre outras;
 Varas de Órfãos e Sucessões referem-se a perícias na apuração de
haveres e prestação de contas de inventariantes, tutores e curadores, por
exemplo;
 Varas da Fazenda Pública: são realizadas perícias relacionadas com
litígios que envolvem o Ente da federação nas questões de direitos
patrimoniais e de reparação de danos ou questionamentos sobre tributos;
 Varas de Famílias na produção de provas relativas à apuração de
capacidade econômica para efeito de pensão alimentícia, avaliações
patrimoniais, dentre outras.
Nesses casos, a Justiça recorre ao perito contábil quando o juiz demanda
um laudo pericial contábil especializado ou para atender à solicitação de uma das
partes ou de ambas envolvidas no litígio.
Quando a produção da prova pericial é realizada por determinação do juiz,
a perícia é denominada perícia de ofício, e quando é solicitada pelas partes,
denomina-se perícia requerida.
Em qualquer situação, o perito tem que se ater ao fato de que, além da
condição legal, da capacidade técnica e da idoneidade, tem uma responsabilidade
enorme, uma vez que suas afirmações envolvem interesses e valores
consideráveis.
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4.1.2 Perícia extrajudicial
Ao contrário da perícia judicial, a perícia extrajudicial é aquela realizada fora
da tutela do Poder Judiciário.
A perícia extrajudicial é contratada por necessidade e escolhida pelo
interessado ou de forma consensual entre as partes. Neste caso, ainda não há
litígio.
A perícia extrajudicial, conforme Alberto (1996, p. 54), “subdivide-se,
segundo as finalidades intrínsecas para as quais foram designadas, em
demonstrativas, discriminatórias e comprobatórias”.
As demonstrativas têm a finalidade de demonstrar a veracidade ou não do
fato ou coisa previamente especificada na consulta; enquanto que as
discriminatórias têm a finalidade de colaborar, nos justos termos, com os interesses
de cada um dos envolvidos na matéria potencialmente duvidosa ou conflituosa, e as
comprobatórias têm por objetivo a comprovação das manifestações patológicas da
matéria periciada, por exemplo, fraudes, desvios ou simulações (ALBERTO, 1996).
Essa forma de perícia é mais comum na apuração de haveres de herança
ou em dissolução de sociedades, na resolução de causas que provocam perdas e
danos, ou em outras situações em que a presença do Poder Judiciário não é
requerida.

4.1.3 Perícia arbitral


A arbitragem foi instituída por meio da Lei 9.307, de 23 de setembro de
1996, instrumento para dirimir litígios relativos a direitos patrimoniais disponíveis,
podendo esta ainda, a critério das partes, ser de direito ou de equidade.
Como o procedimento arbitral somente poderá ocorrer quando se tratar de
litígios envolvendo direitos patrimoniais disponíveis, se durante a arbitragem houver
dúvida sobre a natureza do bem, o procedimento deverá ser suspenso, cabendo ao
judiciário decidir sobre a lide.
Na arbitragem, as partes poderão escolher livremente as regras de direito
que serão aplicadas, desde que não haja violação dos bons costumes e da ordem
pública, poderão também, convencionar que a arbitragem se realize com base nos
princípios gerais do direito, nos usos e costumes e nas regras internacionais de
comércio.

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Sobre a arbitragem, Gorczevski (1999 p. 41), leciona:

A arbitragem abrange, como sistema de solução de pendências,


desde pequenos litígios pessoais, até as grandes controvérsias
empresariais ou estatais, em todos os planos do Direito, que,
expressamente, não estejam excluídos da Legislação. (...) A
arbitragem é um meio pacífico de solução de conflitos por um
terceiro escolhido pelas partes.

Lima (1997 p. 5) explica que a arbitragem é prática alternativa,


extrajudiciária, de pacificação (antes do que da solução) de conflito de interesses
envolvendo direitos patrimoniais e disponíveis, fundada no consenso (princípio
universal da autonomia da vontade), através da atuação de terceiro, ou de terceiros,
estranhos ao conflito, mas de confiança e escolha das partes em divergência. Já
Figueira Júnior (1999 p. 30), a arbitragem é um “método alternativo de solução dos
conflitos de natureza patrimonial disponível”. Cretella Júnior, afirma que a
arbitragem é um
[...] sistema especial de julgamento, com procedimento, técnica e
princípios informativos especiais e com força executória reconhecida
pelo direito comum, mas a este subtraído, mediante o qual duas ou
mais pessoas físicas, ou jurídicas, de direito privado ou de direito
público, em conflito de interesses, escolhem de comum acordo,
contratualmente, uma terceira pessoa, o árbitro, a quem confiam o
papel de resolver-lhes a pendência, anuindo os litigantes em aceitar
a decisão proferida.

As pessoas capazes de contratar poderão valer-se da arbitragem para


dirimir litígios relativos a direitos patrimoniais disponíveis.
Quanto à pessoa do árbitro, conforme o artigo 13 da Lei 9.307, pode ser
qualquer pessoa capaz e que tenha a confiança das partes, devendo sempre ser
nomeados em número ímpar.

Art. 13. Pode ser árbitro qualquer pessoa capaz e que tenha a
confiança das partes. § 1º As partes nomearão um ou mais árbitros,
sempre em número ímpar, podendo nomear, também, os
respectivos suplentes.
§ 2º Quando as partes nomearem árbitros em número par, estes
estão autorizados, desde logo, a nomear mais um árbitro. Não
havendo acordo, requererão as partes ao órgão do Poder Judiciário
a que tocaria, originariamente, o julgamento da causa a nomeação
do árbitro, aplicável, no que couber, o procedimento previsto no art.
7º desta Lei.
§ 3º As partes poderão, de comum acordo, estabelecer o processo
de escolha dos árbitros, ou adotar as regras de um órgão arbitral
institucional ou entidade especializada. § 4º Sendo nomeados vários
árbitros, estes, por maioria, elegerão o presidente do tribunal

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arbitral. Não havendo consenso, será designado presidente o mais
idoso. § 4o As partes, de comum acordo, poderão afastar a
aplicação de dispositivo do regulamento do órgão arbitral
institucional ou entidade especializada que limite a escolha do
árbitro único, coárbitro ou presidente do tribunal à respectiva lista de
árbitros, autorizado o controle da escolha pelos órgãos competentes
da instituição, sendo que, nos casos de impasse e arbitragem
multiparte, deverá ser observado o que dispuser o regulamento
aplicável. (Redação dada pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência) §
5º O árbitro ou o presidente do tribunal designará, se julgar
conveniente, um secretário, que poderá ser um dos árbitros. § 6º No
desempenho de sua função, o árbitro deverá proceder com
imparcialidade, independência, competência, diligência e discrição.
§ 7º Poderá o árbitro ou o tribunal arbitral determinar às partes o
adiantamento de verbas para despesas e diligências que julgar
necessárias.

Perceba que a lei de arbitragem possui uma atualização de 2015 por meio do
texto legal da Lei nº 13.129.
Para a solução do litígio, as partes podem submeter ao juízo arbitral,
através da câmara de arbitragem, laudos periciais contábeis que devem ser
elaborados observando as normas aplicáveis às demais formas de perícia.
Em qualquer esfera em que a perícia é requerida, diversas são as
motivações para o trabalho pericial, cujo resultado será materializado no laudo
pericial contábil ou no parecer pericial contábil.
Há ainda o que pode ser definido como perícia semijudicial, quando a
perícia é executada sob o controle de órgão do estado, como, por exemplo, a
perícia administrativa das Comissões Parlamentares de Inquérito – CPI’s, ou
quando se tratar de perícia criminal e do Ministério Público.

4.2 Os vários tipos de perícia contábil


Sem a pretensão de esgotar as possibilidades de possíveis casos em que a
perícia contábil é aplicável, serão apresentadas situações para as quais se requer o
trabalho pericial contábil.
Há de se notar, pelos casos que serão apresentados, que o campo de
atuação do perito é vasto.

4.2.1 Perícia contábil em ação de desapropriação


As desapropriações de bens geralmente ocorrem no interesse do Ente
Público, quando o objeto é considerado de utilidade pública sendo indenizado o
proprietário.
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Ocorre que em muitos casos o bem é avaliado abaixo do seu valor
comercial, principalmente quando ocorre discrepância na avaliação do “fundo de
comércio” e “lucros cessantes”. Esses são casos comuns que requerem o trabalho
pericial contábil.

4.2.2 Perícia contábil no Sistema Financeiro da Habitação - SFH

No Sistema Financeiro da Habitação podem ser suscitadas ações em que o


mutuário requer a revisão do contrato, como, por exemplo, o exame da retidão da
cobrança do coeficiente de equiparação salarial (CES), do plano de equiparação
salarial (PES), da tabela P RICE ou SAC, das penalidades acima do que permite a
legislação e de outras proposições pertinentes ao tema.

4.2.3 Perícia contábil em ação de prestação de contas

Prestação é, etimologicamente, satisfação de débito, desobrigação,


retribuição, pagamento. Juridicamente é objeto de obrigação, ato ou fato que
compete ao devedor prestar, para liberar-se de encargo.
Contas significam a demonstração por meio de cifras, da totalidade de
operações realizadas em certo negócio, de seus créditos e débitos.
Ação de prestação de contas é o direito atribuído a alguma pessoa, de vir
em juízo para exigir que outra, obrigada em razão de negócio, se libere,
demonstrando por meio de cifras a totalidade das operações realizadas naquele,
discriminando-as e apurando o saldo existente. Ou ainda o direito de alguém em
razão de negócio, fazê-lo.
Nos artigos 550 a 553 do CPC de 2015, (914 a 919 do CPC de 1973), a
matéria encontra-se disciplinada na estrutura que teve ao longo dos tempos,
inserida como procedimento especial, dividido em dois conforme quem delas se
socorre, se aquele com direito às contas, ou aquele obrigado a elas.
Dessa forma, no que está disciplinado como procedimento especial a
aquele com direito às contas, temos nos artigos CPC:

Art. 550. Aquele que afirmar ser titular do direito de exigir contas
requererá a citação do réu para que as preste ou ofereça
contestação no prazo de 15 (quinze) dias.

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§ 1o Na petição inicial, o autor especificará, detalhadamente, as
razões pelas quais exige as contas, instruindo-a com documentos
comprobatórios dessa necessidade, se existirem. § 2o Prestadas as
contas, o autor terá 15 (quinze) dias para se manifestar,
prosseguindo-se o processo na forma do Capítulo X do Título I deste
Livro. § 3o A impugnação das contas apresentadas pelo réu deverá
ser fundamentada e específica, com referência expressa ao
lançamento questionado. § 4o Se o réu não contestar o pedido,
observar-se-á o disposto no art. 355. § 5o A decisão que julgar
procedente o pedido condenará o réu a prestar as contas no prazo
de 15 (quinze) dias, sob pena de não lhe ser lícito impugnar as que
o autor apresentar. § 6o Se o réu apresentar as contas no prazo
previsto no § 5o, seguir-se-á o procedimento do § 2o, caso contrário,
o autor apresentá-las-á no prazo de 15 (quinze) dias, podendo o juiz
determinar a realização de exame pericial, se necessário.

O Código é fático quanto à necessidade do exame pericial contábil,


conforme se observa no § 5°. O artigo 551 do CPC estabelece:

Art. 551. As contas do réu serão apresentadas na forma adequada,


especificando-se as receitas, a aplicação das despesas e os
investimentos, se houver. § 1o Havendo impugnação específica e
fundamentada pelo autor, o juiz estabelecerá prazo razoável para
que o réu apresente os documentos justificativos dos lançamentos
individualmente impugnados. § 2o As contas do autor, para os fins
do art. 550, § 5o, serão apresentadas na forma adequada, já
instruídas com os documentos justificativos, especificando-se as
receitas, a aplicação das despesas e os investimentos, se houver,
bem como o respectivo saldo.

Tanto aquele que tem o direito de exigir a prestação de contas como aquele
que tem a obrigação de fazê-la, podem recorrer ao Poder Judiciário e exigir a quem
tiver a obrigação de fazê-la ou aceitá-la.

Art. 552. A sentença apurará o saldo e constituirá título executivo


judicial. Art. 553. As contas do inventariante, do tutor, do curador,
do depositário e de qualquer outro administrador serão prestadas
em apenso aos autos do processo em que tiver sido nomeado.
Parágrafo único. Se qualquer dos referidos no caput for condenado
a pagar o saldo e não o fizer no prazo legal, o juiz poderá destituí-lo,
sequestrar os bens sob sua guarda, glosar o prêmio ou a
gratificação a que teria direito e determinar as medidas executivas
necessárias à recomposição do prejuízo.

Além dos casos enumerados no CPC no Código Civil de 2002, estão


presentes inúmeras situações em que a perícia contábil pode atuar como, por
exemplo: Tutela, Curatela, Sucessão provisória, Administrador, Depositário,

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Mandatário, Gestor de negócios, Testamenteiro, Herdeiros em posse de bens da
herança, Inventariante, Editor.
A seguir exemplos de trabalho pericial contábil em processo judicial de
prestação de contas.

Tese:
A ré, beneficiária do Plano de Saúde vinculado ao município, solicitou
cobertura para gastos médicos. O Instituto julgou o pedido improcedente. Diante da
negativa, a ré requereu judicialmente a cobertura de gastos médicos, tendo
encontrado amparo e obteve a liberação de R$ 70.764,16, obrigando-se à
prestação de contas em 60 dias. A ré não cumpriu a obrigação assumida na
sentença.
Diante da situação, o instituto, com base nos artigos 914 e 915 do CPC,
impetrou com ação de prestação de contas, por ter o direito de exigi-la.
A ré apresentou as contas, o instituto pronunciou-se pela contestação das
mesmas e solicitou a realização da prova pericial contábil. O juiz nomeia a perita,
profissional contadora e o instituo indica o perito assistente.
Foram apresentados os seguintes quesitos:

Quesito 1:
Como se justificaria a emissão de uma NF do mesmo talão, com numeração
maior e data posterior, no caso, as notas 21038 e 21039 no dia 03.12.98 e as
21040 e 21041 no dia 02.12.98, emitidas pela farmácia VITI VITI e as NFs 446
do dia 16.01.99 e 450 do dia 29.12.98 emitidas pela drogaria DA SAÚDE?
Quesito 2:
No que concerne às NFs constantes dos autos, pode-se determinar que a
mercadoria constante da 1ª via da NF corresponde aos produtos descritos na via
fixa do talonário e, se tais mercadorias foram lançadas no livro de registro de
saídas?
Quesito 3:
O laboratório TAL emitiu declaração dizendo que somente vendia a injeção
LUPRON DEPOT para uma farmácia em Campo Grande, qual seja a drogaria
do ZÉ. Entretanto, existem NFs de venda do referido produto das farmácias DA
SAÚDE e DA DROGONA. Em face disto, é possível verificar a entrada do

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produto no estoque das referidas farmácias ou se existem NFs de compra de tal
produto pelas farmácias supramencionadas e com que data?
Quesito 4:
Se verificar que a injeção LUPRON DEPOT, adquirida pelas farmácias
mencionadas, não foi adquirida do laboratório fabricante, é possível determinar
se tal produto fora adquirido em outra drogaria? Em caso afirmativo, se o fora
feito através de regular emissão de NF, em que data e a que preço?
Quesito 5:
Caso o produto acima tenha sido adquirido de outra drogaria a preço ao
consumidor e vendida à ré pelo mesmo preço ou por um preço infimamente
superior, não estaria inviabilizando a atividade econômica, tendo em vista que
deverá recolher impostos sobre o valor da mercadoria adquirida a preço final ao
consumidor?
Quesito 6:
Relativamente à NF 268565, da drogaria do ZÉ, é possível verificar se havia a
quantidade de produto descrita na nota do controle de estoque da referida
farmácia na data de emissão da nota, ou seja, em 13.11.98? Em havendo, é
possível determinar se a mercadoria constante da via do consumidor
corresponde ao produto descrito na via fixa do talonário?
Quesito 7:
Consta na 1ª via da NF 008 emitida pela drogaria do ZÉ, o preenchimento dos
campos: base de cálculo do ICMS e valor do mesmo. Pode-se depreender que a
4ª via da mesma nota, não tem tais campos preenchidos. Como explicar, então,
a inexistência de exata correspondência fiel de duas vias da mesma NF?
Quesito 8:
Consta dos presentes autos, NF emitida pela empresa PRÓ-X, de um cateter e
de uma sonda foley. Ocorre que a NF emitida já se encontrava vencida. Assim
sendo, é regular a emissão de NF com data posterior ao seu vencimento?
Não foi possível o acesso ao laudo pericial, entretanto, pelos quesitos, há
suspeita da apresentação de documentação fraudulenta na prestação de contas,
motivo que ensejou o trabalho pericial contábil.

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4.2.4 Perícia em ação de lucros cessantes
Lucros cessantes decorrem de prejuízos causados pela interrupção de
qualquer atividade de uma empresa, profissional liberal, autônomo ou de qualquer
outra atividade econômica.

4.2.5 Ações na Justiça do Trabalho


O âmbito da Justiça do Trabalho constitui um vasto campo de atuação da
perícia contábil, na verificação das reclamações que são postuladas, como registros
de empregados, salários e direitos inerentes às relações trabalhistas.

Exercício 7
1. A perícia judicial é aquela realizada dentro dos procedimentos processuais
do Judiciário. Com relação à perícia judicial, é correto afirmar que:
a) Quanto à espécie pode ser: cívil, criminal, trabalhista ou arbitral.
b) A ocorrência da perícia contábil na Justiça Federal visa a produção de prova
pericial que irá auxiliar na solução de litígio entre a União, os Estados, o Distrito
Federal e os Municípios.
c) Varas de Falências e Concordatas pela necessidade de perícias contábeis têm
como exemplos perícias na apuração de haveres em dissolução de sociedades e
fundo de comércio.
d) Varas de Órfãos e Sucessões referem-se a perícias na apuração de haveres e
prestação de contas de inventariantes, tutores e curadores.

2. A arbitragem foi instituída por meio da Lei 9.307, de 23 de setembro de


1996. Com relação à arbitragem é INCORRETO afirmar que:
a) Como o procedimento arbitral, somente poderá ocorrer quando se tratar de
litígios envolvendo direitos patrimoniais disponíveis.
b) Na arbitragem as partes poderão escolher, livremente, as regras de direito que
serão aplicadas, desde que não haja violação dos bons constumes e da ordem
pública.
c) Quanto à pessoa do árbitro, conforme o artigo 13 da Lei 9.307, pode ser qualquer
pessoa capaz e que tenha a confiança das partes, devendo sempre ser nomeados
em número par.
d) Para a solução do litígio as partes podem submeter ao juízo arbitral, através da
câmara de arbitragem, laudos periciais contábeis que devem ser elaborados em
observância das normas aplicáveis às demais formas de perícia.

3. A perícia extrajudicial é contratada por necessidade e escolhida pelo


interessado ou de forma consensual entre as partes. É correto afirmar que a
perícia extrajudicial subdivide-se em:
a) Demonstrativas, discricionárias e comprobatórias.
b) Demonstrativas, descritivas e comprobatórias.
c) Demonstrativas, disciplinares e comprobatórias.
d) Demonstrativas, discriminatórias e comprobatórias.

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4. Associe corretamente:
I – Perícia Contábil em ação de desapropriação
II – Perícia contábil no Sistema Financeiro da Habitação
III - Perícia contábil em ação de prestação de contas
IV - Ações na Justiça do Trabalho
Situação em que o mutuário requer a revisão do contrato, como, por
exemplo, o exame da retidão da cobrança do coeficiente de equiparação
salarial (CES), do plano de equiparação salarial (PES), da tabela PRICE
ou SAC, das penalidades acima da permitida pela legislação e de outras
proposições pertinentes ao tema.
Competem, nos termos do art. 914 do CPC, a quem tiver o direito de
exigi-las ou a obrigação de prestá-las.
O fato geralmente ocorre no interesse do Ente Público, quando o objeto é
considerado de utilidade pública sendo indenizado o proprietário.
Verificação nas reclamações que são postuladas, como registros de
empregados, salários e direitos inerentes às relações trabalhistas.

Assinale a sequência correta:


a) II, III, I e IV.
b) I, III, IV e II.
c) III, II, I e IV.
d) II, I, III e IV.

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REFERÊNCIAS

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Civil). Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil/Decreto-Lei/1937-
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______. Lei n. 13.105, de 16 de março de 2015. Código de Processo Civil.


Publicado no Diário oficial em 17 de março de 2015. Disponível em:
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em: 22 jun. 2018.

______. Lei 13.256/2016, de 5 de fevereiro de 2016. Altera a Lei nº 13.105, de 16


de março de 2015 (Código de Processo Civil), para disciplinar o processo e o
julgamento do recurso extraordinário e do recurso especial, e dá outras
providências. Publicado no Diário oficial em 17 de março de 2015.

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