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Revista Pedagógica

Ano 05 / nº 05 / maio de 2019 / Belo Horizonte – MG


FICHA TÉCNICA
Governador do Estado de Minas Gerais
Romeu Zema Neto

Secretária de Estado da Educação


Júlia Sant’Anna

Superintendente da Metropolitana A
Idalina Franco de Oliveira

Diretora do Instituto de Educação


Alexandra Morais

Concepção do projeto
Angela Machado Teles

Conselho Editorial
Angela Machado Teles
Ronaldo Campos

Pesquisa e texto final


Ronaldo Campos

Revisor
Daniel Rodrigues

Projeto gráfico e diagramação


Isabelle Gontijo

Impressão
FALTA!!

Tiragem
X exemplares
Distribuição dirigida e gratuita

Patrocínio
Chromos Colégio e Pré-Vestibular
Apresentação
Ângela Machado Teles, especialista, supervisora dos terceiros anos do ensino
médio do IEMG e editora da Revista Pedagógica do IEMG

A Revista Pedagógica do IEMG é um projeto idealizado por Ângela Ma-


chado Teles, Ronaldo Campos e Rosa Maria Vicente Ribeiro. Nasceu no Ins-
tituto de Educação de Minas Gerais, em agosto de 2012, sob forte influência
de projetos e eventos desenvolvidos desde as comemorações do primeiro cen-
tenário de criação da Escola Normal Modelo de Belo Horizonte (1906-2006).
A parceria estabelecida com o Chromos – Colégio e Pré-Vestibular foi funda-
mental para o sucesso deste projeto.
A proposta desta revista é resgatar o passado com base no estudo e nas pes-
quisas de fontes históricas variadas (materiais, escritas, iconográficas e orais).
Busca-se também divulgar os trabalhos desenvolvidos pelos nossos alunos e
professores durante o ano letivo. A revista publica textos de professores do
Instituto de Educação de Minas Gerais, de alunos e de colaboradores de ou-
tras instituições de ensino ou de pesquisa, que dialogam com o debate sobre
as questões educacionais/pedagógicas e os estudos sobre a memória, história,
patrimônio e cultura da cidade de Belo Horizonte.
Acreditamos que, ao rememorar o passado, não estamos apenas evitando
esquecer o que já foi vivido. A memória aqui não é vista como um relicário
nem reduzida a um mero sonho ou devaneio. É, pelo contrário, o espaço do
imaginário e da recriação da nossa condição como seres históricos. Ao recu-
perar e conservar a nossa história, podemos compreender de forma mais clara
os problemas do presente e pensar em bases mais sólidas e realistas em nossas
futuras ações.
Com a Revista Pedagógica do IEMG, buscamos construir um processo
em que cada aluno, professor e funcionário do IEMG tem o orgulho de fazer
parte e de preservar essa história, pois acreditamos que aqueles que deixam o
passado desaparecer não terão capacidade de compreender o presente e cons-
truir um futuro.
Desejamos a todos uma boa leitura.

Convite
Reforçamos aqui, mais uma vez, o convite para que todos enviem os seus
trabalhos para a REVISTA PEDAGÓGICA DO IEMG. A correspon-
dência deve ser endereçada à Rua Pernambuco, 47 – Bairro Funcionários/
Belo Horizonte – MG. Aos cuidados de Angela Machado Teles e Ronaldo
Campos (Editores da Revista Pedagógica do IEMG).

E-mail:
revistapedagogicadoiemg@gmail.com
Sumário
5 - O Instituto de Educação por meio dos versos

6 - O Prêmio Centenário

7 - Aos nossos eternos mestres, a gratidão

16 - André Rodrigues Costa Oliveira: um imortal entre nós

17 - A nossa homenagem ao professor Albanito

18 - Professores do IEMG: Teddy Almeida

20 - As poderosas do IEMG: uma amizade construída no Instituto que foi capaz de ultrapassar os muros
e vencer o tempo

22 - Antena: um jornal independente e Interestudantil

23 - Amae Educando: uma revista que marcou a educação brasileira

24 - Gentileza gera gentileza

25 - Palestra de Edina de Paula Bom Sucesso – Projeto “Gentileza gera gentileza”

26 - O perfil dos alunos dos terceiros anos do IEMG

29 - Pibid– uma história de desafios e conquistas

31 - A experiência do Pibid do curso de Pedagogia (anos iniciais) da FaE-UFMG no IEMG: metodologias


de alfabetização e letramento

32 - A história oral no ensino médio: um projeto de intervenção pedagógica nas aulas de história do
terceiro ano do ensino médio

35 - Pedagogia por projetos: uma prática inovadora

36 - Projeto de reciclagem de óleo de cozinha e fabricação de sabão caseiro

37- Projeto “Conscientização e conservação do patrimônio público escolar”

39 - Projeto “Aluno educado, IEMG preservado: uma questão de ética e cidadania”

40 - O museu como um espaço de ensino e aprendizagem

41 - Projeto “Feira de profissão” – UNA – UNIBH – IEMG

42 - Projeto “Mostra cultural: resgatando valores”

42 - Projeto “Passaporte da leitura e da escrita”

44 - “Num sei, só sei que foi assim”: O mercador de Veneza e o Auto da Compadecida

45 - Outros projetos

50 - Educação inclusiva: o papel do professor de apoio no processo de ensino e aprendizagem do aluno


com deficiência

51 - Ser jovem e professor no Brasil

53 - Ex-aluna do IEMG e do Chromos conquista 8º lugar em Enfermagem na UFMG


O Instituto de Educação por meio dos versos
Para comemorar o primeiro centenário da fundação da Escola Normal Modelo (1906 a 2006), a professora e supervisora
Quitéria Oliveira escreveu e apresentou a poesia intitulada “Ao IEMG Centenário” no seu projeto “Retalhinhos de Sonhos VI.”
Com uma linguagem concisa, a autora exalta a história e a importância do Instituto de Educação na época em que comple-
tava um século. O seu texto poético estimula nos leitores a emoção e o amor por essa importante instituição educacional do
nosso estado.

Ao IEMG Centenário (1906-2006)


Quitéria Oliveira, especialista em educação e supervisora do ensino fundamental do Instituto de Educação de Minas Gerais, turno manhã.

Oh! Baluarte Casa Rosada, Aos filhos teus, deixas com a mesma esperança e fantasia,
Que o tempo imperioso, uma mensagem entre o conto de fadas e o pranto.
não dissipe os teus encantos. de otimismo e bravura,
Fostes apoio e conforto nas jornadas, como um ancião, não menoscabem, Oh! Majestoso Instituto,
acalento para os que trilharam tua ju- a fraqueza e o desgaste que não perca jamais o teu cetro
ventude, a idade no seu ciclo se impõe. és o maior encanto e beleza.
esperança para os que trilham tua ple- Que sejas na altivez do bom exemplo,
nitude. Oh! Casa Rosada fazendo dos teus filhos, todos...
tens a energia de muitas vidas, Cidadãos verdadeiros...
És o sonho... que passaram e admiraram guardiões do tempo.
Sonho dourado! os teus encantos
Dos que ouvem ressoar o teu nome,
Mesmo nos longínquos rincões,
és a certeza,
de um futuro que vislumbra
uma manhã vitoriosa.

Como uma mãe, abraças


os teus filhos,
todos... sem sobrepujar nenhum.

Oh! Casa Rosada,


eterniza-te, para que sonhos,
sejam sonhados sempre.
O Prêmio Centenário

O Instituto de Educação de Minas Gerais


(IEMG) foi agraciado com o Troféu Centenário
na Solenidade da Semana Mundial do Serviço Le-
onístico 2016-2017, na Homenagem ao Centená-
rio do Lions Clube. Realizado pela Governadoria
(Maria Jorge Abrão de Castro - Governadora do
Distrito LC-4), pelos Clubes do Distrito LC-4
da Associação Mineira de Leonismo e por Ce-
sar Vanucci (Presidente da Academia Mineira de
Leonismo), com o apoio do Sistema FIEMG, do
sistema do comércio e do Sindicato da Indústria e
Laticínios do Estado de Minas Gerais.
Esse prêmio representa o reconhecimento da
importância do IEMG no cenário educacional mi-
neiro. O Instituto de Educação foi representado
pela diretora Alexandra Morais e pelos professores
Ronaldo Campos e Lane Lourdes Souza Costa. A
cerimônia foi realizada no Teatro Sesi Minas no
dia 22 de fevereiro de 2017. Participaram perso-
nalidades, autoridades e representantes de diversas
organizações. Outro grande destaque da noite foi
a entrega da Medalha Juscelino Kubitschek para
Elza de Moura, ex-aluna e professora da Esco-
la Normal Modelo de Belo Horizonte (IEMG).
Além da entrega dos troféus, houve homenagens
a pessoas ligadas à história do Lions Clube e apre-
sentações do Coral do Sesi Minas e da Orquestra
da Polícia Militar de Minas Gerais.
O Lion Clube é uma instituição de grande rele-
vância que tem por objetivo promover ações huma-
nitárias em mais de duzentos países em todo mun-
do e, atualmente, conta com mais de um milhão
de associados. (as fotos são do site oficial do Lions
Clube – Distrito LC-4 da Associação Mineira de
Leonismo de Belo Horizonte - MG).

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os nossos
eternos mestres,
a
gratidão
O Instituto de Educação de Minas Gerais (IEMG), por meio da Revista Pedagógica do
IEMG e de outras ações nos últimos anos, vem procurando resgatar a memória da nossa es-
cola, dos nossos funcionários e dos docentes aposentados. Queremos instituir um hábito e o
costume de reverenciar os que nos antecederam nessa laboriosa luta.

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O Instituto de Educação de Minas
Gerais é uma escola referência para todo
o nosso estado em virtude dos bons ín-
dices alcançados nas avaliações oficiais,
no Exame Nacional do Ensino Médio
(Enem) e nos demais concursos para o in-
gresso no ensino superior. Esse resultado
positivo é fruto do esforço do nosso corpo
docente, alunos e funcionários, mas é, sem
dúvida, também fruto do nosso passado
distante e recente, em que muitos contri-
buíram para o nosso crescimento. Todos
aqueles que nos antecederam, muitos ho-
mens e mulheres, com suas atitudes altru-
ístas e estoicas, outros muito mais práticos
e políticos, em suma, todos ao seu modo
de ser e de agir uniram os esforços para
que hoje pudéssemos festejar a memória
de uma escola vitoriosa. Uma trajetória
que começou em 1906, com a criação da
Escola Normal Modelo e com o trabalho
pioneiro de Aurélio Pires de Paula Ma- construção do conhecimento. de Educação de Minas Gerais/IEMG),
galhães Gomes. Diplomado pela Escola Ao longo da nossa história, tivemos diretora da Escola Estadual Luiz Peçanha
de Farmácia de Ouro Preto, professor de (e temos) muitos exemplos de professo- de Minas Gerais (de 1992 a 1999), vice-
português e francês, foi o nosso primeiro res com esse perfil. Por isso, a partir deste -diretora geral do IEMG (2000-2003) e
diretor. Responsável pela implementação número da revista, queremos prestar um diretora-geral do Instituto de Educação
das ideias de João Pinheiro que transfor- tributo de reconhecimento com o objeti- (2003-2012, quando se aposentou). Foi
maram radicalmente a educação no esta- vo de que os docentes mais jovens, assim uma professora extremamente dedicada
do de Minas Gerais. Nessa primeira fase como os nossos alunos, funcionários e e comprometida. Buscou sempre valori-
,destacam-se Arthur Joviano (português demais membros da comunidade esco- zar o bom relacionamento com os alunos.
e francês), Francisco de Paula Magalhães lar, participem conhecendo um pouco da Como gestora, destacou-se por ser pro-
Gomes (física, química, história natural trajetória e das realizações daqueles que ativa, ter maturidade profissional, saber
e higiene), Branca Thereza de Carvalho nos antecederam. Acreditamos que ape- gerenciar conflitos, ter a capacidade de
Vasconcellos (música), Cypriano de Car- nas respeitando o nosso passado teremos liderança, sempre ser capaz de dar e rece-
valho (física, química, história e educação forças para superar as dificuldades atuais e ber feedbacks de seus colaboradores, enco-
moral e cívica) e assim por diante. verdadeiramente enfrentar o nosso futuro. rajando-os a buscar bons resultados.
O que nos permite concluir que uma
escola é muito mais do que a sua estrutura
física. É um espaço para a formação, so-
cialização e integração do indivíduo. Para
que ocorra um desenvolvimento pleno e
permanente; para que os alunos fiquem
encantados diante do conhecimento; para
que escola produza uma educação de qua-
lidade; certamente, não há uma receita
pronta ou uma fórmula mágica. Contudo,
nós conhecemos um elemento imprescin-
dível nesse processo, a saber: um profes-
sor dedicado e comprometido. Segundo
os principais especialistas em educação, o
que torna o processo de ensino-aprendi-
zagem mais eficaz e atraente no cotidiano O professor de geografia, Vinicius José
da sala de aula é, sem sombra de dúvidas, Em primeiro lugar, é importante desta- Machado, foi o primeiro diretor-geral do
a didática adotada pelo professor aliada a car a atuação e o empenho de Marília Sar- Instituto de Educação de Minas Gerais
um interesse real dele em ajudar cada um ti. Ela é natural de Nova Lima. Formada eleito de forma democrática depois de um
dos seus alunos a desenvolver a capacida- em Pedagogia pelo Instituto de Educação longo período. A eleição ocorreu no dia 05
de de aprender; ou seja, o que faz a dife- de Minas Gerais e pós-graduada em Me- de junho de 2011. A posse foi em janeiro
rença no sucesso ou fracasso é a presença todologia do Ensino Superior. Começou a do ano seguinte. Mas, em virtude de pro-
de professores atuantes que não desistem sua carreira como professora da quarta sé- blemas de saúde, o professor Vinicius veio
mesmo quando o aluno não aprende ou rie do ensino primário na Escola Estadual a falecer no mesmo ano. O seu sucessor foi
não se interessa a aprender. Muito mais Luiz Peçanha do IEMG. Foi supervisora eleito de forma indireta pelo colegiado da
importante do que programas e conteú- pedagógica, professora de matérias peda- instituição.
dos, é ensinar o aluno a aprender, desen- gógicas, vice-diretora (de 1987 a 1991) da Apesar do curto espaço de tempo que
volver a sua autonomia no processo de Escola Estadual Luiz Peçanha (Instituto permaneceu na direção-geral, foi possível

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to pelo trabalho dos seus colaboradores. referência para os estudantes de Pedagogia
Estava sempre buscando o melhor para o e Psicologia. É também parte da história
Instituto de Educação. do IEMG. Foi professora e diretora desta
Ao relembrarmos os nossos recentes instituição. É graduada em Psicologia
diretores, somos tomados por um sen- pela Faculdade de Ciências Humanas
timento de saudade de outros tempos e da Fumec (1979) e em Pedagogia pela
outras pessoas. Quem trabalha mais tem- Universidade Federal de Minas Gerais
po no IEMG lembra ou já ouviu falar de (1962). Além disso tem especialização
Maria Conceição Aguilar. Ela foi eleita em Administração Pública (FGV-RJ),
diretora do Instituto em dezembro de Mestrado em Educação pela Faculdade
1996. A sua história se mistura com a do de Educação – UFMG (1976) e
nosso querido Casarão Dourado da Edu- Doutorado em Psicologia pela Pontifícia
vislumbrar algumas de suas características cação. Ingressou no IEMG ainda na pri- Universidade Católica de São Paulo
positivas como gestor. Dentre elas, pode- meira série, concluindo o magistério em (1985). Professora com grande experiência
mos destacar o seu real interesse em fa- 1963. Fez parte do coral de Dona Maria na área de Psicologia, com ênfase em
zer um trabalho de formação focado nas Guiomar Amorim Ferrara, a autora da Psicologia do Trabalho e Organizacional,
dificuldades dos professores e dos alunos. letra do hino do IEMG. Lecionou em vá- atuando principalmente nos seguintes
Como reconhecimento da sua atuação rias escolas estaduais. Em 1979, veio para temas: psicologia organizacional e do
em defesa dos direitos dos estudantes e o Instituto lecionar as disciplinas pedagó- trabalho, educação e trabalho, gestão
pela postura favorável à criação do grê- gicas para as alunas do magistério. de pessoas, identidade e subjetividade.
mio estudantil, no dia 16 de outubro de Outra figura muito importante da his- Como professora, atuou no Curso de
2012, com a refundação do Grêmio Livre tória do Instituto é Maria José Caldas. Administração Escolar do IEMG, na
Estudantil do Instituto de Educação de Ela foi aluna da Faculdade de Filosofia disciplina de psicologia educacional
Minas Gerais (IEMG), depois de mais de (hoje, UFMG), quando esta funciona- durante os anos de 1965 a 1985. Assumiu
15 anos desativado, em assembleia geral, va no turno da manhã do prédio da rua a direção-geral do IEMG entre os anos de
mais de 1.300 estudantes decidiram ho- Pernambuco, 47, na década de 1950. Em 1977 a 1979.
menageá-lo, passando a designar o grêmio 1957, ingressou no Instituto de Educação Outra figura emblemática do Instituto
do Instituto de Educação de Minas Ge- como professora do Jardim/Escola Esta- de Educação é o professor Raimundo No-
rais pelo nome “Grêmio Livre Estudantil dual Presidente Kennedy do IEMG. No nato Fernandes. Natural de Itamarandiba,
Professor Vinicius José Machado”. ano seguinte, atuou como professora subs- no Vale do Jequitinhonha (MG), teve
Orivaldo Diogo, professor de matemá- tituta de história no ensino ginasial. Nesse uma educação esmerada e é dono de uma
tica, fez parte da gestão de Marília Sarti. mesmo ano, trabalhou lado a lado com cultura invejável. Estudou no Seminá-
Chegou à direção substituindo o professor o professor Mário Casasanta, no Centro rio de Diamantina onde foi considerado
de geografia, Vinicius, que havia falecido. Regional de Pesquisa, que nessa época um excelente aluno pelos padres lazaris-
Como gestor, destacou-se por manter um também funcionava no IEMG. Nos anos tas. Durante o período de 1966 a 1978,
bom diálogo com os professores, sempre de 1956 a 1965, trabalhou na Secretaria no Instituto de Educação, destacou-se na
buscou encorajá-los a desenvolver as suas de Educação. Em 1965, assumiu a cadei- docência como professor de filosofia da
ideias. Demonstrava confiança e respei- ra de educação moral e cívica. Em segui- educação e atuou como diretor-geral desta
da, ocupou o cargo de coordenadora. Foi instituição. Ele acredita que “A boa escola
também vice-diretora no período de 1979 primária é tudo na formação de qualquer
a 1984. Graças ao seu empenho e dedica- cidadão.” Na sua opinião, em entrevista
ção conseguiu a doação do piano de calda recente, “um país cresce a partir da escola
pelo então governador de Minas Gerais, fundamental”, mas, “Acabaram com a es-
Aureliano Chaves. Esse valioso bem foi colas normais, que tinham o melhor cur-
entregue em 28 de setembro de 1978. rículo de formação humana no país”, res-
Iris Barbosa Goulart é uma autora saltou. Toda família brasileira, no passado,

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teve por aspiração formar pelo menos
uma filha como normalista, vocacionada.
Além dos nossos grandes gestores, ao
longo da história do Instituto de Edu-
cação de Minas Gerais, tivemos muitos
professores e especialistas em educação
que se destacaram. Os coordenadores
e supervisores, ao longo da história do
IEMG, se mostraram como profissionais
indispensáveis para o bom adiantamento
do processo pedagógico da escola. Entre
eles podemos citar Edna Rosendo e Ma- Nas séries iniciais do ensino fundamen-
risa Jamarino. Durante anos, trabalha- tal do IEMG, tivemos grandes mestres e
ram, respectivamente, como supervisora e grandes educadores que foram responsá-
orientadora. Foram responsáveis pelo en- veis pela formação de várias gerações de
sino fundamental, principalmente o sexto alunos. Profissionais que acreditam que
e o sétimo ano, no turno da tarde. Des- ensinar é muito mais do que transferir um
tacaram-se pela sua grande competência conhecimento estabelecido pela tradição.
e organização. Sempre estiveram atentas Ensinar – ainda mais nos primeiros anos
às mudanças no sistema educacional e aos de formação – é contribuir no processo de A professora Mônica Moreira pode ser
impactos da vida moderna no dia a dia construção das condições necessárias para definida pela sua intensa participação em
da escola. Junto com os professores, bus- que cada aluno possa pensar com autono- todos os aspectos da vida escolar. Com
cavam repensar e construir novas formas mia, criatividade e de forma crítica, cola- grande criatividade, era capaz de atrair a
de agir que possibilitassem uma dinâmica borando coletivamente para a construção atenção dos seus alunos, despertando a
contemporânea fundada em novos con- de uma sociedade mais justa e inclusiva. sua curiosidade. No dia a dia, as suas aulas
ceitos de educação, de competência e de eram marcadas por lições cativantes, dinâ-
habilidade e, consequentemente, de novas micas e únicas. Sempre ao lado dos alunos,
formas de saberes. nunca se colocava como a dona da verda-
Outras profissionais deste setor muito de. Construíam juntos o conhecimento.
importantes para a nossa escola foram, em Assim, quando os alunos se deparavam
primeiro lugar, Maria Hilda de Carvalho, com uma situação problemática, a profes-
que durante muitos anos exerceu o cargo sora Mônica se mostrava capaz de olhar o
de supervisora do Instituto. Com uma problema por um outro prisma. Revia suas
atuação muito clara e transparente, bus- diretrizes, buscando mudanças que abri-
cou construir no ambiente escolar propos- riam novas possibilidades que se adapta-
tas de ação que objetivavam a construção vam às necessidades dos educandos.
de um ambiente democrático na escola.

A professora Ivana Brandão foi muito


importante para o IEMG. Além do gran-
de conhecimento das matérias lecionadas,
sempre foi muito dedicada e apaixonada Nas primeiras décadas da sua história,
pelo seu trabalho. Como profissional, bus- a Escola Normal Modelo e, posterior-
Em seguida, temos a saudosa Maria cou manter-se atualizada sobre as novas mente, o Instituto de Educação, foi muito
José Belo. Profissional muito compro- tendências pedagógicas. Sempre com influenciado pelas ideias da Escola Nova,
metida e extremamente competente, tra- muita empatia com os alunos e pais, soube que considerava a educação musical algo
balhou no primeiro turno com o ensino avançar respeitando o ritmo de cada um. extremamente necessário e acessível para
médio. É sempre muito lembrada pela sua Sabia esperar por aqueles que tinham mais todos, e não apenas para os indivíduos
dedicação e amor ao Instituto, por realizar dificuldades ou eram mais lentos. Solucio- bem-nascidos e bem-dotados. (SANTA
um trabalho dinâmico junto aos professo- nava problemas práticos e resolvia as dú- ROSA, 1990, p. 14). Conferia-se ao ensi-
res e garantir que os alunos aprendam e se vidas concretas dos seus alunos a partir de no da música uma relevância nos sistemas
desenvolvam como seres humanos plenos, aulas que mesclavam, de modo bastante educacionais, como elemento de favoreci-
partindo do pressuposto de que todos têm criativo, a teoria e a prática, a técnica e o mento das atividades expressivas e criado-
direito e são capazes de aprender. conhecimento, a pesquisa e a descoberta. ras. Assim, ao longo da sua história cen-

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tenária, muitos professores desta área se
destacaram com brilhantismo. Ainda na
época da Escola Normal Modelo de Belo
Horizonte, uma das professoras de músi-
ca e canto, ilustre e muito respeitada nos
círculos sociais e intelectuais do estado
de Minas Gerais, foi a professora Maria
Guiomar Amorim Ferrara. Maestrina, re-
gente de coros, pintora, autora do hino do
IEMG e do livro Notas de uma professora
de música escolar, entre tantos outros. Nas-
ceu em Belo Horizonte, no ano de 1898.
Formou-se professora e estudou piano até
1930. Começou a sua carreira na Escola Tradicionalmente, os professores de Outro grande destaque é a professora
Normal, em 1930, quando foi nomeada matemática do IEMG se destacam pelo Vanda Kotoches. Com grande rigor e do-
professora substituta e, dois anos depois, trabalho e competência. Prova disso são as mínio dos conteúdos curriculares da ma-
nomeada para a cadeira de música e can- inúmeras medalhas e menções honrosas temática, é lembrada pela extrema orga-
to. Estudou com o maestro Vila Lobos conquistadas pelos nossos alunos e alunas nização e criatividade das suas aulas, pela
composição e regência de canto orfeônico. nas várias edições da Olimpíada Brasilei- sua capacidade de motivar os alunos, sem
Outra lembrança memorável é a do pro- ra de Matemática das Escolas Públicas nunca desistir daqueles que não tiraram
fessor Luiz Maia. Ele começou a lecionar (OBMEP). notas ou que aparentemente não se mos-
no Instituto de Educação como professor A professora Marilene Arteaga, forma- tram interessados.
contratado, assistente da cadeira de Canto da pela Universidade de Brasília (1981), Quem também sempre buscou inves-
Orfeônico. Com a aposentadoria da pro- lecionou matemática em dois turnos, no tir em novas estratégias de ensino era a
fessora Maria Guiomar Amorim, Maia ensino médio do IEMG, entre os anos de professora Maria de Lourdes Procópio.
prestou concurso e tornou-se professor 1998 e 2015. Também exerceu a função Natural de Astolfo Dutra, fez a graduação
titular da cadeira de Canto Orfeônico do de vice-diretora em parte desse período. em matemática na FAFIC de Cataguases.
IEMG. Em 1987, produziu o arranjo e Com grande experiência na área de edu- Excelente professora, não se preocupava
gravou junto com o coral do Instituto de cação matemática, destacou-se por uma apenas em ensinar o conteúdo. Buscava
Educação de Minas Gerais o hino. Du- atuação extremamente prática-reflexiva. ensinar os seus alunos a respeitar o próxi-
rante mais de 40 anos, abrilhantou o qua- Buscando resolver problemas práticos mo, trabalhar em equipe e serem criativos,
dro docente deste educandário. através da integração criativa entre técni- tornando-os cada vez mais interessados e
ca e conhecimento, entre teoria e prática. com vontade de aprender sempre mais.
Outro professor de matemática sempre Também se destacaram ao longo da
muito lembrado pelos seus ex-alunos e história do Instituto de Educação as pro-
colegas de profissão é Paulo Vainer, com fessoras Maria Stela Morais, Ida Maria
grande experiência na docência e uma só- Betti Menezes, Silvana Faria, Auxiliadora,
lida formação acadêmica. Trabalhou no as irmãs Marta e Donária e Maria do Ro-
rede federal, estadual e particular. No final sário Lanna. Grandes profissionais, deixa-
do processo de intervenção do Instituto ram saudades e influenciaram muitos dos
de Educação, ocupou o cargo de diretor seus alunos por meio da sua prática do-
geral desta instituição. Ficou por um cur- cente cotidiana. Ao longo das suas trajetó-
to período de tempo, sendo sucedido pela rias, romperam com a maneira tradicional
Marília Sarti. A sua principal caracterís- de lecionar – meramente transmissiva e
tica como professor de matemática é a reprodutiva. Transformaram a sala de aula
capacidade de redimensionar o seu traba- num espaço dinâmico de aprendizagem,
lho a partir de novos parâmetros. Grande onde o ato de ensinar conseguia encantar
conhecedor do sistema educacional e das o aluno, fazendo-o gostar de matemática
políticas vigentes. e, assim, aprender mais e com mais qua-
lidade.

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Na área de língua portuguesa, redação Conceição Schetini é natural de Ponte
e literatura luso-brasileira, muitos pro- Nova (Minas Gerais). Graduada pela Fa-
fessores também se destacaram. Grandes culdade de Letras da UFMG. Fez mes-
profissionais conseguiram estabelecer um trado em São Paulo. Atuou durante um
vínculo afetivo com os seus alunos e re- longo tempo no ensino médio do IEMG,
alizaram inúmeras ações que possibilita- como professora de língua portuguesa, re-
ram estabelecer novas formas de ensino dação e literatura. Sempre muito preocu-
e aprendizagem. Esse é o caso do nosso pada com os alunos, buscou ao longo da
querido e saudoso professor Albanito (ho- sua carreira estabelecer uma relação pró-
menageado nesta edição). xima a eles, com o objetivo de entender
quais são as suas principais dificuldades
acadêmicas. Buscou sempre ajudar em
possíveis situações pessoais que podem
interferir negativamente no processo de
ensino-aprendizagem. Conceição Scheti- colega de trabalho. Mudou-se para Belo
ni também construiu uma relação agradá- Horizonte na metade da década de 1950.
vel com os seus colegas de trabalho, pais e Graduou-se em História pela PUC Mi-
funcionários do instituto para que pudes- nas. Começou a lecionar no Instituto em
sem potencializar o processo educacional 1985. Atuou também como coordenador
com o apoio e a participação de todos. de área e membro do colegiado.
Construiu uma aprendizagem significa-
tiva. Nesse contexto, ela desafiava os seus
alunos, ajudando-os a construir novos ra-
ciocínios e novos padrões de pensamento.
Vários outros professores de língua
portuguesa, redação e literatura luso-bra-
sileira também se destacaram no IEMG.
Praticamente, todos possuíam a capa-
cidade de rever, pensar e (re)significar a
sua prática docente, a sua relação com os
alunos e com o conhecimento estabeleci-
do. Grandes mestres deixaram saudades e
marcaram os seus alunos de forma indelé-
vel, principalmente, por serem capazes de
sentir empatia pelos educandos. Buscando
se colocar no lugar deles e, assim, tentar
resolver a situação mediante a perspectiva
do outro. Nesse contexto, destacaram-se
grandes profissionais do IEMG, dentre
A professora Leila Sandra Pimenta é eles podemos citar a professora Eusmália,
natural de Belo Horizonte e se graduou Maria Geralda, Maria do Carmo, Sueli
pela Faculdade de Letras da UFMG. Mota, entre muitos outros.
Sempre procurou seguir tendências ino- No setor de história, podemos destacar
vadoras da educação. É dotada de grande Antônio de Pádua, autor do livro IEMG
capacidade de se adaptar e renovar suas – Casarão Rosada da Educação. Certamen-
técnicas de acordo com as necessidades de te, é um dos mais queridos e lembrados
cada sala de aula (de cada grupo de alu- professores de história. Ele é natural de
nos). Busca dar uma atenção especial para Paranaíba (Piauí). Muito carismático, é
aqueles alunos com mais dificuldade. um profissional competente e excelente

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Muito lembrada pela paixão pela his- Maria José Duarte é graduada pela
tória e pela arte de ensinar, Maria Edna FAFICH (UFMG). Com aulas dinâmi-
Lima Feitosa é graduada em História pela cas e criativas, sempre encantava os alu-
Pontifícia Universidade Católica de Mi- nos com suas aulas de história. Destaca-se
nas Gerais/PUC Minas, turma de 1983. pelo seu extremo domínio de sala de aula,
Ingressou no IEMG ainda nos anos 1980. determinação e dedicação. Sempre muito
Considerada uma fonte de inspiração para ética e coerente, buscava por meio do seu
os alunos ao promover o desenvolvimento trabalho contribuir no processo de cons-
de um pensamento autônomo destes. Re- cientização dos alunos, respeitando as suas
alizou um trabalho diferenciado ao aplicar as necessidades, os seus direitos e as con-
o conceito de sala de aula ampliada por dições reais do educando.
meio das atividades de campo e de visita
técnica em que a aprendizagem é enten-
dida como um processo contínuo, que alia
teoria e prática de modo dinâmico (esse
tema foi abordado no terceiro número da mo e alto-astral. No seu trabalho diário,
Revista Pedagógica do IEMG). conseguiu motivar os alunos transforman-
do-os em agentes produtores do conheci-
mento. Rompeu com a visão tradicional
da educação, além de tornar mais praze-
roso o processo de ensino-aprendizagem.
Patrícia Maria de Melo tem formação
na área da Psicologia e é também gradua-
da em Ciências da Informação (Bibliote-
conomia – UFMG). No Instituto, atuou
como professora e extraclasse (na biblio-
teca da instituição).
José Carlos Fontes Leite é natural de
Ervália. Professor de história e advogado.
Foi secretário-geral do IEMG e vice-di-
retor do terceiro turno. Buscou aprimorar
seu trabalho constantemente, com base na
reflexão sistemática, na autoavaliação e no
estudo. Ofereceu, assim, várias oportuni-
dades para que os seus alunos pudessem
melhorar o desempenho acadêmico. Para
isso, o professor José Carlos permaneceu
ao longo de todos esses anos aos desejos
e necessidades dos alunos, possibilitando
ferramentas para que estes se saiam bem
nos estudos.
Mariângela Firpi graduou em Psico-
logia da Educação pela Fafich (UFMG).
Certamente, como professora de matérias Muito querida pelos pais e alunos, a
pedagógicas do curso de Magistério do professora Benevides trabalhou com a
IEMG se destacou pelo seu comprometi- disciplina de ensino religioso desde as sé-
mento, pela sua energia positiva, entusias- ries iniciais. Foi responsável pela formação
de grande parte dos nossos alunos. Muito
preocupada com a formação ética-demo-
crática do educando, sempre se colocava
aberta a um diálogo ecumênico, respei-
tando a alteridade e o direito do outro de
pensar diferente. Buscava contribuir para
uma escola mais inclusiva e solidária, onde
os alunos deveriam buscar ajudar a dimi-
nuir ou acabar com as ideias preconcebi-
das e atitudes discriminatórias. Ao longo
da sua carreira como professora evitou o
proselitismo religioso, respeitando as di-
retrizes de um Estado laico.
Na área de Geografia, muitos profes-
sores se destacaram, entre eles: Zariff BI,
Norma de Ávila Neves, Nair Brum, Re-
gina Duani, Roberta Veloso Clementino,

13
Regina, Cida, cada um deles ao seu modo excepcionais. Contribuíram para a for-
foi capaz de transformar o espaço da sala mação integral do indivíduo. A educação
de aula em um lugar mais humanizado, física é muito importante no cotidiano es-
ético, inclusivo e de maior interação. colar por despertar nos alunos o interesse
pelas atividades físicas e esportivas, pelo
trabalho em equipe e por estimular em
cada educando atitudes importantes para
a vida em sociedade, por exemplo, o res-
peito mútuo, a dignidade e a solidariedade
para com o próximo. Além disso, permite
que crianças e jovens conheçam e respei-
tem a cultura corporal dos diferentes gru-
pos. Esse é o caso da professora Consuelo.
Ela atuou tanto da docência como na ges-
tão (vice-diretora do turno manhã). Em
ambas as situações, sempre buscou agir Certamente, o fracasso ou o suces-
com dedicação e empenho. Extremamen- so de uma relação pedagógica está (par-
te sociável e paciente, conseguia envolver cialmente) relacionado à empatia que
todos os alunos e apresentava uma ação se estabelece entre o professor e os seus
pedagógica dinâmica e interativa. Mes- alunos. Essa qualidade é característica
mo que alguns alunos não praticassem as da professora Belkiss Durães de Maga-
Flexibilidade, paciência e proatividade atividades físicas-esportivas por prazer ou lhães. Com graduação pela PUC Minas,
são algumas das características da profes- por real interesse e vontade, a professora trabalhou no Instituto de Educação por
sora de geografia Zariff Marçal, por acre- Consuelo Fuzessy agia com extrema pa- um longo período. Além de lecionar no
ditar que a pedagogia tradicional não con- ciência, propondo intervenções que não turno da manhã, também foi vice-dire-
segue alcançar os objetivos pretendidos. A eram baseadas no senso comum, mas em tora durante algumas gestões. Em ambas
professora Zariff sempre buscou estimular metodologias e teorias pedagógicas ade- as situações, com os alunos e com os seus
os seus alunos a aprenderem mais sobre quadas. colegas professores, conseguiu estabelecer
o assunto ou tema. Sempre buscou inovar Outro professor de destaque na área uma relação de empatia. No processo de
na forma de apresentar o conteúdo pro- de educação física foi Albino Cruz Neto. ensino-aprendizagem, trabalhou de modo
gramático. Conseguiu, assim, despertar o Além de lecionar para o ensino funda- prático, buscando vincular a teoria às ati-
interesse dos alunos e tornou a aprendi- mental e médio, exerceu também o cargo vidades laboratoriais, às pesquisas de cam-
zagem significativa para eles. Além disso, de vice-diretor. Destacava-se pela sua ex- po e ao debate de ideias. Valorizou sempre
conseguiu estabelecer um diálogo com as periência e pelo grande tempo de prática a avaliação formativa.
outras disciplinas. A interdisciplinaridade docente na área. Isso permitia superar as
certamente foi o seu maior legado no Ins- principais dificuldades encontradas du-
tituto de Educação. rante o processo de ensino-aprendizagem
dos esportes. Essa vivência esportiva pos-
sibilitou, ao longo da sua jornada como
professor, desenvolver certas habilidades
e competências para lidar com os alunos,
principalmente com os adolescentes do
ensino médio.
O professor de educação física Vicente
também possuía essa sabedoria desenvol-
vida por anos de magistério. Com lide-
rança e bastante domínio de classe e do
conteúdo, sempre foi um referencial para
os seus alunos e colegas. Considerado um
profissional bastante batalhador e empe-
nhado, empre incentivou os alunos a con- A professora de ciências do ensino fun-
seguirem o seu melhor. damental Maria Luiza Cunha trabalhou
Os professores de ciências biológicas no Instituto de Educação Minas Gerais.
Graduada pela PUC Minas, a profes- que lecionaram no ensino fundamental Graduada pelo Centro Universitário Me-
sora de geografia Norma de Ávila Neves e médio do Instituto de Educação são todista Izabela Hendrix, durante a sua
é alegre, dinâmica e proativa. Durante o profissionais dotados de uma grande di- jornada como professora, buscou uma
período em que lecionou no IEMG, mos- versidade de competências, que incluem atualização didático-científico continuada
trou-se capaz de perceber as principais o domínio do conhecimento específico, que proporcionasse aos alunos uma práti-
dificuldades dos alunos. E, a partir dessa a capacidade de transmitir esse saber de ca pedagógica significativa e desafiadora.
constatação, conseguia definir os métodos forma clara e objetiva, a capacidade de Como professora, buscou, por meio da
e as técnicas pedagógicas adequadas para sempre estarem se renovando, inovando resolução de problemas reais da socieda-
melhorar o desempenho deles. as suas práticas pedagógicas, o relaciona- de, trabalhar os conteúdos programáticos
Na área de educação física, os professo- mento cordial e harmonioso com os alu- respeitando os limites e as capacidades
res, ao longo de sua história, se mostraram nos, entre outros aspectos. individuais de cada um dos educandos.

14
Conseguiu sempre articular interdiscipli- Para finalizar essa homenagem aos
narmente os conteúdos das ciências bioló- professores que dedicaram a sua vida ao
gicas e biologia com os de outras áreas do Instituto de Educação, não podíamos es-
saber. Promoveu, assim, um aprendizado quecer daqueles que todos os dias traba-
que vai além do campo específico de atua- lham pensando em garantir as condições
ção dessa ciência. necessárias para que gestores, professores
e alunos possam realizar os seus objeti-
vos. Eles não são professores de formação,
mas foram importantíssimos em todo
esse processo. É importante lembrar que
,desde agosto de 2009, através da Lei Fe-
deral 12.014, ocorreu alteração no arti-
go 61 da LDB, que reconheceu todos os
funcionários de escola como profissionais
da educação. Isso significa que desde que
uma visão panorâmica dos conteúdos, cumpridos os requisitos de formação e
plena de significações tanto para a vida habilitação, os funcionários de escola, que
cotidiana quanto para uma formação não são professores, também passam a
cultural mais rica. Sempre pretendeu integrar uma das categorias profissionais
mediar e articular ,de forma consciente, dos educadores — juntamente com pro-
o conhecimento científico acadêmico fessores e especialistas em educação. Essa
e as questões práticas trazidas pelos lei é importante, uma vez que valoriza a
alunos, estimulando os seus interesses e atuação de todos aqueles que diariamente
instigando-os à pesquisa. Buscou depurar contribuem direta ou indiretamente com
aqueles interesses menos relevantes em a formação das nossas crianças e jovens.
vista dos objetivos gerais da escola. Além disso, cada um dos nossos funcioná-
Olinda Rosa da Cunha, com os alunos rios conhecia os procedimentos certos de
do segundo ano (turma 2008 do turno cada atividade e necessidade da nossa es-
manhã) do Instituto de Educação, foram cola. Eles fizeram muito mais do que aju-
responsáveis pelo projeto de replantio das dar na limpeza, manutenção e organiza-
Outra grande colega e professora de palmeiras do pátio interno desta institui- ção da escola. São homens e mulheres que
ciências (biologia) que deixou marcas no ção escolar. Como professora, foi capaz se dedicaram integralmente ao IEMG.
Instituto foi Marisa Nogueira Cambraia. de conduzir uma série de experimentos Sempre com extremo carinho, amor e vo-
Estudou na Faculdade de Filosofia, Ci- e de observações acerca da natureza viva. cação, realizaram as suas atividades para
ências e Letras. Frequentou o Colégio de Professora e alunos, no cotidiano do ano que outros pudessem realizar os seus so-
Aplicação e tem profundas ligações com letivo, foram capazes de explorar não ape- nhos. Por isso, somos gratos e queremos
a história da nossa instituição. Dotada nas a sua dimensão exata e didática, como que recebam o nosso carinho e admiração
de profundo conhecimento e desenvol- também eventuais desvios do esperado. pelo trabalho que desempenharam. Vocês
tura acerca dos conteúdos fundamentais Isso possibilitava a articulação das obser- são merecedores da nossa admiração pelo
da área, o que lhe permitiu, ao longo da vações com a teoria e com o fazer prático, empenho, carinho, amor e trabalho dedi-
sua carreira, abordá-los a partir de múlti- estimulava o trabalho em equipe, o de- cado à nossa escola.
plos pontos de vista. Também acreditava senvolvimento do protagonismo juvenil Um escola tão antiga como o Instituto
que os conteúdos das ciências biológicas no processo de ensino-aprendizagem, ao de Educação já teve muitos funcionários.
podiam ser apreendidos como caminhos mesmo tempo que evidenciava o modo Lembrar de todos é uma tarefa difícil.
para que os alunos atinjam seus próprios científico de pensar. Além disso, a profes- Certamente, ocorrerão alguns esqueci-
objetivos pessoais. Sempre respeitou (e sora Olinda, nas suas aulas, sempre valori- mentos, mas queremos lembrar na histó-
sempre trabalhou) a partir das capacida- zou os aspectos regionais da nossa fauna e ria de Maria Saraiva Carvalho, Cidinha
des, competências e limitações dos seus da flora. Para tanto, utilizou (sempre que Corrêa, Glória Belo e Amália Rosangela,
alunos e em harmonia com os objetivos possível) estudos de meio. Contudo, não as grandes profissionais que passaram pelo
específicos propostos pelo Instituto de desprezou as observações e conclusões casarão rosado da educação.
Educação. mais universais, orientando os estudantes
A professora Vany Martins Leite para a percepção de padrões biológicos
buscou sempre oferecer aos seus alunos gerais.

15
André Rodrigues Costa Oliveira:
um imortal entre nós
Foi com imenso contentamento que
recebemos a notícia da posse de André
Rodrigues Costa Oliveira na Academia
Latino-Americana de Ciências Humanas
(ALACH) como Membro Imortal. A ce-
rimônia ocorreu no dia 9 de dezembro de
2017.
A ALACH é uma associação de âmbi-
to e abrangência em todos os países lati-
no-americanos. Possui um caráter cívico,
cultural, científico, filosófico, progressista
e evolucionista. O culto aos heróis e o res-
peito aos antepassados são os seus pilares
principais. De acordo com o portal oficial
da instituição, a ALACH “foi inspirada
por seus fundadores na forma idealizada
no começo do século XVII, quando in-
telectuais franceses instituíram a Acade-
mia Francesa (Académie Française), sendo
ela uma associação composta pelas mais
proeminentes pessoas conhecedoras dos
assuntos relativos ao idioma francês, no
nosso caso, constituída de personalidades
que se destacaram nos quatro campos de
suas atividades relacionados como Cole-
giados Acadêmicos de Ciências Huma-
nas, como também nos moldes do Institut
de France”.
André Rodrigues Costa Oliveira é ju-
rista, escritor. Doutor em Direito Público,
Comendador pelo IMB. Atua em diferen-
tes Unidades da Federação e em áreas di-
versas do Direito. É também Especialista
em Administração, Marketing e Negócios
pelo Instituto COPPEAD/UFRJ.
No dia da sua posse como membro
imortal da ALACH, André Rodrigues
Costa Oliveira fez questão de destacar o
imprescindível papel do Instituto de Edu-
cação de Minas Gerais. Nas palavras do
próprio imortal: “o IEMG me acolheu aos
7 anos de idade, me alimentou (física e
espiritualmente), concluiu o meu processo
de alfabetização, me ensinou o amor pela
cultura e pelos livros, além de valores e de
vários conceitos sem os quais eu não teria
jamais chegado aonde estou agora — e
sem os quais, sinceramente, eu sei lá aon-
de estaria agora. Quero dedicar a minha
Cadeira número 46 ao meu colégio, aos
meus professores e aos meus colegas. Sem
palavras para agradecer o quanto foram
essenciais. Dizer apenas e tão somente um
obrigado é muito pouco.” (As fotos fazem
parte do arquivo pessoal de André Rodri-
gues Costa Oliveira).

16
A nossa homenagem ao professor
Albanito
Albanito Vaz Júnior é um dos professores mais queridos e Minas Gerais (Sinpro Minas), na gestão 2016-2020. Publicou
lembrados do Instituto de Educação de Minas Gerais (IEMG). importantes artigos na revista do sindicato. Esteve ativamente
As suas aulas e os seus trabalhos são os assuntos principais de envolvido nas recentes lutas a favor de uma educação de qualida-
qualquer encontro de ex-alunos do Instituto de Educação. Quem de e de um país mais justo e soberano.
pode esquecer dos florilégios meticulosamente pensados e apre- Como professor, sempre se preocupou em transmitir o conhe-
sentados ao som de valsas no auditório do Instituto? Com o seu cimento sem esquecer da formação ético-moral dos seus alunos.
jeito único, inspirou centenas de alunas do magistério no Institu- Conservava a disciplina da sala com muito bom humor e caris-
to de Educação. Provocou a curiosidade e o amor pela literatura ma. Foi um professor extremamente engajado, dedicado e apai-
em meninos e meninas do Colégio Batista Mineiro. xonado pelo ato de ensinar. Caracterizado pelos alunos e colegas
Nasceu no ano de 1934 e faleceu em 27 de abril de 2018. For- de trabalho como um homem extremamente culto e dono de
mou-se em 1957, em Letras Clássicas pela Faculdade de Filoso- grande oratória. Era dono de uma alegria contagiante e sempre
fia, Ciências e Letras da Universidade Federal de Minas Gerais estava de braços abertos para acolher os novos alunos ou os novos
(UFMG). Como educador e professor de língua portuguesa e colegas. Ninguém ficava imune ao conviver com ele. Como pode
literatura, trabalhou por décadas no Instituto de Educação de ser comprovado no depoimento de Selma Medeiros, aluna de
Minas Gerais e no Colégio Batista Mineiro. Aposentou-se com- Albanito, da turma C, no período 1969-1971, no curso Normal
pulsoriamente na rede estadual ao setenta anos de idade, mas do Instituto de Educação de Minas Gerais (IEMG):
continuou lecionando na rede particular de ensino. Contribuiu
efetivamente na aprendizagem e na formação de milhares de es- “Envelhecer é perder amores e morrer de saudades.
tudantes. Nos últimos anos de sua vida, exerceu o cargo de dire- E aí, quando você descobre, aos 65 anos, que perdeu
tor do Sindicato dos Professores da rede particular do Estado de um professor do segundo grau, daqueles bem carrascos,
que fazia ler e escrever, e contracenar, montar, produzir,
dirigir, iluminar, ler, reler, escrever. (...) e depois de ou-
vir uma amiga dizer que o amava, você descobre que o
amou também. Que passou a vida inteira amando e nem
sabia. Descobre ainda que ele é quase imortal, pois ele
estará em você enquanto puder fazer pelo menos um
pouco do que ele ensinou.”

17
Professores do IEMG: Teddy Almeida

Teddy Almeida Guimarães é natural de grande destaque no cenário nacional, e mineira de Hard Rock, Concreto.
Belo Horizonte (Minas Gerais) e gradu- gravaram quatro discos. Era uma banda
ado em física (licenciatura) pela Pontíficia de Thrash Metal que se caracterizava por
Universidade Católica de Minas Gerais um som pesado e agressivo, que afirma-
(2010). É especialista em física moderna va uma identidade não acomodada e uma
pela Universidade Federal de Ouro Pre- crítica contundente ao conservadorismo
to (2014). Astrônomo, músico e professor mineiro no Brasil pós-ditadura. Em 1995,
com experiência na área de física, com ên- após o lançamento de “Blood on the Ro-
fase em áreas clássicas de fenomenologia cks” (1991), a banda parou as atividades.
e suas aplicações; conhecimento geral na Ficou inativa até o ano de 2001. Nessa
área da astronomia e astrofísica, com ên- época, Teddy tocou em bares e clubes de
fase no ensino de Física. Minas Gerais com a banda Fluid, além de
Ele é professor de física do ensino mé- ter participado da banda Refen. No início
dio do Instituto de Educação de Minas dos anos 2000, houve o retorno da banda
Gerais. com o lançamento de “Ode to Death”, pela
A sua carreira como músico profissio- Cogumelo Records. O guitarrista Leadro
nal teve início no ano de 1986, em Belo foi substituído pelo Igor, “Vermelho”, que
Horizonte, juntamente com três amigos: também foi substituído por Rogério Sena.
Paulo Caetano (guitarra/vocais), Casito O restante da banda se manteve igual ao
(vocais/baixo) e Leandro (guitarra). Eles original. Em 2007, Teddy Almeida subs-
formaram o “WitchHammer”, que teve tituiu o baterista Alysson Hell na banda

18
A história do Concreto
Com base no site oficial da banda
(www.bandaconcreto.com.br), é possível
traçar um breve panorama da sua trajetó-
ria histórica. É considerada pela crítica es-
pecializada como uma das melhores ban-
das de hard rock do país. A sua formação
atual é constituída pelos músicos: Marcelo
Loss (baixo e voz), Túlio de Paula (gui-
tarra e voz), Fidélis (guitarra e vocais) e
Teddy Almeida (bateria). Com mais de
vinte anos de estrada, a banda Concreto
estreou em 1993 na capital mineira. No
ano seguinte, lançou o seu primeiro single,
ainda em vinil, Azra International, selo de
Los Angeles. Dois anos depois, participou
do CD coletânea Garimpo, da gravado-
ra Paradoxx Music. Em 1998, a banda
lançou o seu primeiro CD, com o título
A Calma da Alma, que foi produzido de
forma independente e com uma média de
mais de 3000 cópias vendidas, além de um
videoclipe divulgado em diversos canais e
programas musicais. O segundo CD foi
lançado no ano de 2001. No ano seguinte,
participou do Festival Pop Rock Brasil, no
estádio do Mineirão/BH, e lançou o víde-
oclipe da música “O Medo”, que estreou
na MTV no dia 02 de dezembro. Em Café de Belo Horizonte, onde o público Em 2008, a banda lançou seu quarto
2003, participou da 6a edição do Porão do conheceu a sua nova formação com o ba- CD Quanto Custa a Vida. Em 2013, gra-
Rock, Estádio Mané Garrincha (Brasília). terista Teddy Almeida. Ganhou o prêmio vou um DVD ao vivo executando músi-
O terceiro CD foi lançado em 2004. É um de melhor banda de Rock no Prêmio Mi- cas de todos os discos. O ano de 2017 foi
trabalho de alto nível, contendo 15 faixas neiro da Música Independente, em festa marcado pela participação da banda Con-
que mostram bastante profissionalismo, no Chevrolet Hall (BH). Em 2007, a ban- creto no Bloco dos Camisa Preta, ao lado
intitulado de Volume lll. Dois anos de- da Concreto foi selecionada para o projeto do Kamikaze.
pois, a banda se apresentou no Hard Rock “Conexão Telemig Celular”.

CURIOSIDADE
A mãe do professor Teddy Almeida estudou no Instituto de Educação de Minas Gerais nos anos de 1970 como
pode ser comprovado pelas imagens abaixo, cedidas gentilmente pelo professor para a nossa revista.

19
As poderosas do IEMG: uma amizade
construída no Instituto que foi capaz de
ultrapassar os muros e vencer o tempo
Texto de Patrícia Regina Silva e Rosely Veiga, ex-alunas do IEMG. Rosely Veiga, atualmente, é professora de inglês do ensino médio do
IEMG, turnos manhã e tarde.

Todos nós sabemos que a função pri- tempo, às reviravoltas da vida, aos impac-
mordial da escola é sistematizar e disse- tos provocados pelas nossas próprias mu-
minar os conhecimentos historicamente danças e escolhas. Mas isso não aconteceu
elaborados e compartilhados por uma com a nossa professora de inglês, Rosely
determinada sociedade. Além disso, é um Veiga, e suas amigas de colégio: Alessan-
importantíssimo espaço de socialização. É dra Gino, Sâmara Garcia da Costa, Maria
o local onde conhecemos pessoas fora do da Conceição Ramalho, Patrícia Regina
nosso círculo familiar, estabelecemos vín- Silva, Walneia Chiari, Frances Giovani
culos afetivos, aprendemos a obedecer a Guido, Gláucia Costa e Cláudia Cos-
regras, a criar rotinas, a viver em grupo e a ta. Elas realizaram, no ano passado, uma
descobrir quem somos. A escola é o lugar reunião para comemorar o aniversário dos
das nossas primeiras e mais significativas quase quarenta anos de formatura da sua
amizades. turma de normalista. Ela e suas colegas
A amizade gerada no ambiente escolar fizeram uma festa para relembrar o pas-
é muito importante na formação do indi- sado, rir muito, rever fotos, trocar bilhetes,
víduo, pois essa convivência no ambiente matar a saudade e se divertir como se o
escolar proporciona experiências positivas tempo não tivesse passado. O grupo de
e prazerosas, tornando as aulas, os estudos amigas que se reuniram no mês de abril
e as provas algo muito mais suave. Além de 2017 se autointitulam “As poderosas
disso, os alunos, ao estabelecerem laços do IEMG”.
de amizade, se tornam mais seguros por Patrícia Regina Silva explica o motivo
terem alguém com quem podem contar da escolha desse nome e da grande admi- lema do IEMG: “Educar-se para Educar”.
durante as aulas e além da escola. Longe ração pelo nosso casarão rosado da edu- Esse ideal foi transmitido durante a nossa
da família e inseridos no espaço escolar, cação. O nome “As poderosas do IEMG” formação e nos deu o poder de acreditar
eles conseguirão realizar a transferência foi escolhido por simbolizar tudo aquilo que podemos transformar o mundo pela
dos sentimentos para apoiar um ao outro que somos e acreditamos. É um nome que educação plena do cidadão. Somos toma-
nas tarefas, trabalhos escolares e estudos nos define como um grupo de amigas, das por um misto de sentimento, atitude e
para as provas. colegas, irmãs e parceiras. Somos podero- ação que nos possibilita aprender, ensinar
Algumas amizades da infância e da sas porque tivemos a honra de estudar no e (re)aprender todos os dias coisas novas
adolescência podem ter ficado no meio Instituto de Educação de Minas Gerais que poderão transformar a vida dos nos-
do caminho por não resistirem à prova do (IEMG) e temos gravado na nossa alma o sos alunos e das pessoas que nos cercam.

20
De acordo com Patrícia Regina Silva,
nós somos educadoras formais ou não.
Todas nós somos fruto de um tempo
em que valores éticos e morais não eram
banalizados. Eram elementos estrutu-
rantes fundamentais para a constituição
do nosso ser. Somos pessoas formadas e
informadas. Somos mulheres, que sem
dificuldades com os gêneros, lutam cari-
nhosa e ferozmente pela igualdade de ser-
mos humanos. Somos poderosas, mas sem
arrogância. Isso porque aprendemos, no
nosso centenário casarão rosado da edu-
cação, que educar e aprender são verbos
similares, complementares e paralelos, que
se misturam com os fenômenos “osmóti-
cos”, aprendidos nas aulas de ciências do
querido professor Ribeiro.
Acreditamos na escola como um nós, que ficaram inscritas no nosso DNA. de todo escalão, mães, pais, responsáveis.
espaço transformador, onde podemos Acreditamos que, para construir um Também somos agentes dessa disparidade
aprender a ser pessoas melhores e mais futuro brilhante, não podemos abandonar e dessa mudança necessária e coletiva.
solidárias. Aprendemos muito com o que aprendemos e o que somos. Por (Todas as imagens utilizadas para ilustrar
todos os nossos mestres (desde o Grupo isso, temos uma profunda reverência pela o texto foram cedidas pelas autoras
Escolar Luiz Pessanha, diga-se de história do IEMG. Temos respeito pelo Patrícia Regina Silva e Rosely Veiga).
passagem... e que passagem!). Pessoas capital humano desta casa simbolizada
especiais e inesquecíveis, como a querida pelo próprio espaço físico. Isso explica o
Dona Dorinha, a nossa professora de nosso amor e admiração por estas paredes,
português. E a nossa amada Dona Maria colunas, salas, funcionários e estudantes
José Caldas, professora de educação de todos os tempos.
moral e cívica. Temos também a Dona A crença no lema “Educar-se para
Cidinha, professora de educação física e educar” nos faz questionar a afirmação de
tantos outros. Mestres inesquecíveis que que estaríamos vivendo a decadência da
marcaram efetivamente a nossa vida. educação e do ensino público. Vivemos
Contudo, é importante lembrar um mundo em transformação. Estamos
também que não estamos presas ao passado assistindo à construção de uma nova era
e nem somos tomadas por um sentimento e de um novo século. Temos que superar
de nostalgia onde o passado é superior ao esse mundo caótico, cheio de dificuldades,
presente. Somos pessoas do nosso tempo. a partir da reflexão e da ação. É um
E isso se refere ao nosso tempo de estudo, processo que exige a participação de todos
de vida e até as referências anteriores a - estudantes, professores, funcionários

21
Antena: um jornal independente
e Interestudantil
Na época da produção do terceiro
número da Revista Pedagógica do
IEMG, recebemos com muita satisfação
um exemplar de um jornal estudantil
publicado no início dos anos sessenta
do século XX. A doação foi feita por
Maria Vicente, ex-aluna e irmã de nossa
queridíssima e saudosa, Rosa Maria
Ribeiro Vicente.
Antena foi um jornal de estudantes
publicado em 1961. Possuía uma linha
editorial bastante independente e
buscava realizar a intermediação entre
alunos, diretores e professores das escolas
envolvidas. O periódico tinha uma
proposta audaciosa ao propor um trabalho
interestudantil reunindo alunos de várias
instituições, a saber: colégios de Aplicação,
Estadual, Municipal e Instituto de
Educação. Foi um espaço para a discussão
de temas importantes. Contou com
amplo apoio da sociedade e do comércio
da capital mineira devido à grande
quantidade de anúncios apresentados logo
na primeira edição.
O jornal Antena foi uma proposta
que rompeu com o projeto de um jornal
escolar tradicional ao não se restringir
apenas a uma instituição de ensino. Essa
experiência pedagógica foi bastante
inovadora ao propor situações de ensino
e de aprendizagem mais abrangentes
,que iam além do conteúdo específico das
disciplinas regulares. Assim, quando os
alunos saiam de sua escola para entender
a escola do outro(a), tornava-se possível
conhecer e interagir com a cidade, com os
seus habitantes e os principais problemas. das alunas: “nasci, como todos, pequeno; mestres [...].” Destaca-se como ponto
Isso também possibilitou, de certa fui jornal mural, depois mimeografado. alto da instituição a formação de novas
maneira, complementar as atividades Agora cresci, tornei-me intercolegial. Não professoras. Em 1961, o IEMG tinha “17
regulares que aconteciam no dia a dia serei mais, de agora em diante, o jornal turmas, sendo 7 do 1º ano e as 10 restantes
escolar. Por meio de discussões, análise de “O pica pau”, a seriedade de minha nova igualmente entre o 2º e o 3º.” Sobre as
textos diversos, notícias, seção feminina, missão fez-me mudar de nome. Agora sou alunas, o periódico nos informa que “as
coluna de cinema, reflexões sobre a arte e ‘Antena”. moças são responsáveis pela maioria das
ações das quais os alunos daquela época Na primeira edição, destacam-se três atividades do estabelecimento, tais como:
participavam, sempre podemos encontrar momentos. O primeiro é a reportagem de conferências, exposições, teatro e agora
tanto um “olhar” para a sociedade e para os capa sobre o IEMG, intitulada “Instituto: um conjunto musical que muito promete.”
seus mecanismos como um outro “olhar” um mundo em miniatura”. De acordo Como um órgão independente, o jornal
centrado na discussão das relações entre com o texto, o Instituto de Educação, Antena chama atenção para os problemas
eles, nos interesses e nas necessidades de dirigido pelo professor José Mesquita de do IEMG: a má gestão da cantina, os
todos que participaram do jornal Antena. Carvalho, possuía cerca de 4500 alunos. problemas da gráfica e o estado precário
De acordo com a equipe responsável A gestão da escola foi avaliada naquela de alguns móveis de madeira. Essa matéria
pela edição, o jornal Antena nasceu “da época como excelente pela unanimidade é finalizada com uma entrevista dada pela
própria ânsia de liberdade e sentimento de docentes e discentes. De acordo com aluna Juerma C. Brant Ribeiro, presidente
de independência”. Foi o resultado de um a matéria, “à direção atual se deve o do Conselho de Estudantes do Instituto
longo processo que teve início no dia a dia perfeito entrosamento entre alunos e de Educação, na qual ela explica como foi

22
Amae Educando:
uma revista que marcou a
educação brasileira
o processo eleitoral; a função, objetivos; e
as suas principais propostas para conduzir
o Conselho.
A leitura do primeiro número do jornal
Antena também nos possibilita ter acesso
aos primeiros artigos de profissionais
importantes do jornalismo e da crítica
literária brasileira. Na página 2, destaca-
-se um texto opinativo sobre o problema
fundiário no Brasil, escrito pela jovem
Sônia Maria Viegas. Um texto corajoso
e bem fundamentado em autores como
Sérgio Buarque de Holanda e Caio Prado
Júnior.
Sônia Maria Viegas Andrade (1944-
1989) anos mais tarde vai se destacar como
professora do Departamento de Filosofia
da Faculdade de Filosofia e Ciências
Humanas da UFMG. Autora do belo A
vereda trágica do Grande Sertão: Veredas
(Edições Loyola, 1985), que recebeu o
Prêmio “Cidade de Belo Horizonte”, da
Prefeitura Municipal. Criou e dirigiu
o Núcleo de Filosofia, publicou artigos
em diversos jornais e revistas da capital
mineira e brilhou nos cursos e sessões
comentadas do Savassi Cine Clube.
Postumamente, foram publicados os
livros, Sessão de Cinema comentado (1990),
Amor e criatividade (1994), Mito (1994). O prédio da rua Pernambuco, número os professores sobre as reformas políticas
Outro destaque do jornal Antena é a 47, no bairro Funcionários, área nobre e propostas de programas de ensino e
coluna de cinema assinada pelo jovem da capital mineira, é o berço de muitas curriculares, apresentando em suas páginas
estudante Boris Feldman. De modo histórias: foi construído originalmente as evoluções das teorias e atendendo às
sintético e bem elaborado, ele destaca a para abrigar o Ginásio Mineiro; foi a sede demandas pedagógicas do professorado.
produção dos primeiros filmes dos irmãos do Tribunal de Relação (hoje Tribunal Com a adesão de outras colegas do
José Haroldo Perreira e Maurício Gomes de Justiça de Minas Gerais); abrigou a curso, foi criada a Associação Mineira de
Leite. Escola Normal Modelo; foi o espaço de Administração Escolar (AMAE), que,
Muito antes de cursar engenharia na atuação da professora e escultora belga em 1989, se transformou em Fundação
Universidade Federal de Minas Gerais e Jeanne Louise Milde; viu nascer o curso Amae para Educação e Cultura. A revista
de escrever a sua primeira coluna sobre de Administração Escolar do Instituto de sempre acreditou no papel transformador
automóveis para a sucursal mineira do Educação de Minas Gerais, transformado, da educação na contribuição para definir o
jornal Última Hora. Provavelmente, em 1970, no curso de Pedagogia do futuro do país e do mundo.
esse é um dos seus primeiros textos Instituto de Educação de Minas Gerais e, A revista Amae Educando se transformou
publicados. Boris Feldman é formado em em 1994, na Faculdade de Educação da em um dos períodicos mais importantes
Engenharia e Comunicação. Trabalhou Universidade do Estado de Minas Gerais. da área. Atualizou-se constantemente e
como engenheiro na fábrica de motores Dentre todas essas histórias, uma se manteve junto ao professor na sala de
Metal Leve por vinte anos. Editou vários completou cinquenta anos em 2017. aula, promovendo jornadas pedagógicas,
cadernos de automóveis em jornais diários. Estamos falando da revista Amae Educando, encontros, congressos nacionais, cursos,
Comandou o caderno Vrum do jornal que possui uma trajetória vitoriosa. oficinas, assessorias e publicações. Mesmo
Estado de Minas por aproximadamente Resultado da perseverança e do grande com todas as crises econômicas e políticas
34 anos. Mais tarde, produziu o programa empenho de todas as pessoas envolvidas, a das últimas décadas, durante mais de
com o mesmo nome para a TV Alterosa/ revista foi criada no Instituto de Educação quarenta anos, conseguiu manter uma
SBT, transmitido em rede nacional. Isso de Minas Gerais (IEMG), no ano de 1967, circulação nacional efetiva, voltada para
sem esquecer os inúmeros programas de por alunas que cursavam Administração os profissionais da área e contando com a
rádio produzidos e apresentados por ele. Escolar. Tendo por objetivo de informar colaboração de especialistas de todo o País.

23
Gentileza gera gentileza
Quitéria Oliveira, especialista em educação e supervisora do ensino fundamental do Instituto de Educação de Minas Gerais, turno manhã.

O mundo tem passado por profundas ambiente familiar ou de trabalho mais palhando? Posso ajudar? Ser gentil envol-
transformações e por diversos conflitos, agradável? Como agregar valores como ve amadurecimento, valores e bom senso.
competições e disputas que têm raízes gentileza e respeito ao nosso dia a dia? O trânsito é um dos principais pro-
econômicas, sociais e culturais. Temos Como buscar uma percepção mais pro- blemas da vida moderna e palco de mui-
a sensação de que ele está mais violento, funda do nosso papel na sociedade? Como ta intolerância, mas é, também um bom
intolerante e carente de gentilezas. Pare- investir na melhoria das relações inter- espaço para pensar e por em prática atos
ce que estamos cada vez mais impotentes pessoais incorporando atitudes e valores de gentileza. Permite-nos entender o im-
diante desse turbilhão de emoções. Parece éticos? Certamente, a educação (formal pacto das nossas ações na nossa vida e na
que nos falta tempo. Vivemos correndo e informal) é um importante processo de vida dos outros. Assim, por exemplo, num
sem nos importarmos com aqueles que formação desses hábitos cotidianos. dia de grande movimento, quando você
estão próximos de nós. Muitas vezes es- Segundo Dalai Lama, apesar de agir resolve dar passagem para outro carro, tal
quecemos até dos valores éticos e morais, algumas vezes de modo negativo, o ser atitude pode ser um ato de gentileza que
só importando com as “nossas” coisas, com humano tem uma natureza boa e solidá- ajuda alguns e atrapalha outros. Prejudica
os “nossos” interesses. Assim, até os hábi- ria. Por isso não faz sentido nos tornarmos muitas outras pessoas quando essa ação é
tos cotidianos mais simples que formam predadores de nós mesmos, pois, o homem repetida sucessivamente mais de dez ve-
a boa educação e civilidade (por exemplo, é um animal racional, que pensa, tem sen- zes. Isso porque, ao ajudá-los, você estará
cumprimentar as pessoas, se desculpar timentos, se arrepende e tem consciência também prejudicando os outros moto-
quando cometemos uma indelicadeza ou do que faz. Dessa forma, é possível usar a ristas que esperam atrás de você. Fazer o
indiscrição e, assim por diante) foram razão humana para transformar a fera em oposto também não é correto, pois seria
praticamente esquecidos em nome desses um bicho manso e gentil. Mas é necessá- uma atitude egoísta e individualista igual
“novos tempos”. rio aprender a (e precisamos nos educar à do motorista que para em fila dupla e
Nesse mundo conectado e globalizado, para) mudar o mundo e as nossas atitu- nem olha para trás.
a violência está cada vez mais aparente. des. É também importante conscientizar Atos de gentileza estão por todos os
Mas a violência não é uma criação do nos- as pessoas de que gentileza e respeito são lados; os de não gentileza também. Para
so tempo. Ela sempre existiu e continuará virtudes, que podem ser cultivados em to- a monja Coen, no seu portal “www.mon-
existindo, independentemente da nossa das as pessoas, lugares e momentos. jacoen.com.br”, há duas maneiras de se
vontade. Por exemplo, nos livros de his- A gentileza implica, necessariamente, o chegar mais perto da gentileza. Uma delas
tória, as guerras e conflitos são muito mais outro. Começa na família, dentro de casa, é buscar uma percepção mais profunda do
frequentes do que as soluções pacíficas e bem cedo por meio da educação. Está in- nosso papel. A outra é trabalhar de dentro
os períodos de paz. Contudo, na contem- serida no nosso processo de socialização, para fora, investindo em gestos mais su-
poraneidade, a violência adquiriu novas manifestando-se em todas as esferas, es- tis. De acordo com a autora, é importan-
formas e se torna cada vez mais sutil, o pontaneamente, na vida diária, nos peque- te acordar cedo com bom humor e feliz.
que pode estar contribuindo para nos tor- nos gestos que devemos investir. Nasce da Preparando-se de modo positivo para os
narmos cada vez mais embrutecidos. reciprocidade e provoca em nós olhares acontecimentos do dia a dia. Estar prepa-
Esse contexto gera em nós vários subjetivos que produzem questionamen- rado é estar de mãos abertas.
questionamentos. Como tornar o nosso tos: o que fazer? Como fazer? Estou atra-

24
Palestra de Edina de Paula Bom Sucesso
— projeto “Gentileza gera gentileza”
Em 30 de outubro de 2016, como parte Federal de Minas Gerais (1983). Ministra (2008), Relações interpessoais e qualidade de
do projeto elaborado pela especialista em cursos e palestras sobre qualidade de vida, vida no trabalho (2007), Competências em
educação do IEMG, Quitéria Oliveira, recursos humanos, relações interpessoais consultoria — a teoria, na prática (2005),
foi realizada, no auditório da Acelor e saúde do trabalhador. A partir de entre outros.
Mital, para professores e funcionários do 1984, começou a prestar serviços a várias Na palestra, intitulada “Autoestima
Instituto de Educação de Minas Gerais, empresas públicas e privadas nas áreas de e Felicidade”, Edina de Paula de Bom
uma palestra com a doutora Edina de desenvolvimento organizacional, cultura Sucesso destacou a questão da autoestima
Paula Bom Sucesso. e clima, desenvolvimento de líderes como um fator importante na vida e no
A palestrante é bacharela em Ciências e formação de equipes. Atualmente, trabalho dos profissionais da educação.
da Psicologia pela Universidade Federal é diretora da Ergon — Consultoria e Segundo a palestrante, a autoestima é a
de Minas Gerais (1971), tem Mestrado Educação Continuada. Publicou vários maneira como a pessoa se sente em relação
em Administração pela Faculdade de livros citados, dentre eles: Afeto e limite a si mesma. É o modo como lidamos com
Ciências Econômicas da Universidade — Uma vida melhor para pais e filhos aquilo que a vida nos deu. É um estado
interior, decorrente de experiências de
vida, que levam a pessoa a sentir-se digna
de respeito e felicidade.
Para Edina de Paula Bom Sucesso, é
fundamental que as pessoas consigam
ampliar a curiosidade intelectual e
buscar novas informações que permitam
rever crenças e valores arraigados, que
indiquem a necessidade de adotar novos
pontos de vista. É importante enxergar
o mundo que nos cerca a partir de uma
outra perspectiva. É fundamental também
buscar novas linguagens, alterar velhos
hábitos, desenvolver e aplicar novas
competências. Ser feliz implica um novo
aprendizado, novas formas de se relacionar
com os outros. É preciso adotar sempre
uma posição mais ética, que respeite a
alteridade. Em suma, ser feliz implica o
nosso amor próprio, o autorespeito e a
autoaceitação.

25
O perfil dos alunos dos
terceiros anos do IEMG
Ângela Machado Teles, especialista, supervisora dos terceiros anos do ensino médio do IEMG e editora da Revista Pedagógica do IEMG

No primeiro semestre de 2018, o setor que pretendem seguir após a conclusão pulação feminina está proporcionalmente
de supervisão dos terceiros anos do ensi- da sua formação escolar. Isso permitiu um mais presente no ensino médio do que a
no médio, do turno manhã, do Instituto conhecimento direto da realidade da nos- masculina. De acordo com o IBGE, Pes-
de Educação de Minas Gerais (IEMG), sa escola. quisa Nacional por Amostra de Domicí-
coordenado por Angela Machado Teles, Em virtude das características da pes- lios (Pnad), 2011, as mulheres com mais
com o apoio do Centro Universitário quisa e dos seus objetivos, foi escolhida a de dez anos de idade estudam em média
UNA, Débora Cançado, consultora de metodologia de pesquisa quantitativa e, durante 7,5 anos, número superior ao de-
Relacionamento, realizou uma ampla e consequentemente, utilizou-se o modelo sempenho dos homens, que é de 7,1 anos
pioneira pesquisa que mapeou o perfil dos de questionário estruturado com ques- de estudo. Outra pesquisa que comprova
alunos do IEMG, objetivando oferecer o tões pré-formuladas (perguntas fechadas/ essa afirmação é o estudo “Estatísticas de
serviço mais adequado aos anseios indivi- múltipla escolha com alternativas), isto Gênero 2014”, também do IBGE. Segun-
duais de cada um dos educandos. é, foram utilizadas questões nas quais as do essa investigação, em 2010, 12,5% das
Como o objetivo principal dessa pes- respostas foram dadas por meio de al- mulheres com 25 anos ou mais tinham
quisa foi mapear e diagnosticar qual é o ternativas já especificadas no escopo da completado o ensino superior. Entre os
principal interesse de carreira (de curso pergunta. Após a coleta de dados, ocorreu homens, o percentual era de 9,9%. En-
universitário) dos alunos do Instituto de a organização, tabulação e análise, per- tre as jovens de 18 a 24 anos, 15,1% fre-
Educação, optou-se por uma pesquisa mitindo construir uma análise estatística quentava um curso de graduação frente a
de levantamento. Isso em função do fato descritiva. 11,4% dos homens na mesma idade.
desse modelo de investigação permitir re- O percentual de mulheres que respon- A maior escolaridade das mulheres está
alizar um questionamento direto aos edu- deram ao questionário é maior do que o vinculada a um maior acesso à informa-
candos desta instituição. Assim, ao longo de homens. Foram entrevistados 273 alu- ção. Isso reflete nos dados da pesquisa:
de algumas semanas, a partir da aplicação nos (homens e mulheres). Desse total, 181 76% das alunas já definiram a sua carreira/
de questionários (estruturados), foram so- são do sexo feminino e 92 do sexo mas- curso, enquanto que o percentual dos ho-
licitados aos alunos dos terceiros anos do culino. Essa proporção não chega a ser mens é de 67%.
ensino médio, do turno manhã, determi- uma grande novidade, pois sabemos , por Esta pesquisa também buscou com-
nadas informações sobre o curso/carreira meio das pesquisas estatísticas, que a po- preender quais eram as carreiras/profis-
sões/ursos que despertam mais interesse
no aluno concluinte do ensino médio do
IEMG. No nosso ranking, os cursos de
Direito (76 alunos), Medicina (60 alu-
nos), Psicologia (53 alunos), Administra-
ção (34 alunos), Enfermagem (31 alunos),
Biomedicina (31 alunos) e Fisioterapia
(31 alunos) foram os mais buscados pelos
273 alunos do terceiro ano entrevistados
nessa pesquisa. De acordo com os dados
tabulados, os cursos de graduação que ofe-
recem estabilidade e um campo vasto de
áreas de atuação foram os mais procuradas
pelos estudantes; ou seja, as carreiras que
se destacaram na pesquisa, normalmente,
são vistas pelos alunos (e também pela so-
ciedade) como profissões com certa esta-

2) 3)

26
bilidade e que (apesar da crise) têm um dos cursos e as estruturas das faculdades, o tenham uma resposta definitiva sobre a
mercado de trabalho “garantido”. que lhe dará efetivamnte um bom suporte. profissão, a feira permitiu ampliar o co-
Curiosamente, a maioria dos alunos Na feira, ele também poderá obter infor- nhecimento das áreas mais interessantes
fizeram a sua opção sem ter contato dire- mações sobre as profissões que interessam para eles.
to com a profissão escolhida. Por não ser mais e ter também indicações sobre os lo- Outro fator preocupante levantado
uma escolha simples, é muito importante cais onde existam esses profissionais para pela pesquisa e que, por si justificaria todo
buscar informações sobre a carreira que se conhecer a forma como trabalham. o investimento na realização da feira de
pretende seguir. É preciso conhecer como Com relação à sua profissão de interes- profissões dentro do espaço da escola, foi
é o seu exercício, o mercado de trabalho, se, os alunos entrevistados disseram que a pequena contribuição dos professores na
a faixa salarial, o campo de atuação pro- têm mais dúvidas sobre o mercado de tra- escolha profissional do aluno. Isso tam-
fissional, etc. Em resumo, ao entrar em balho, o cotidiano da profissão, as áreas de bém pode indicar um descompasso entre
contato com a profissão, o aluno pode- atuação e a remuneração. Certamente, es- a escola e os alunos. O conteúdo progra-
rá descobrir aquilo de que gosta ou não, sas dúvidas poderiam ter sido sanadas por mático pode não interessar o aluno (e não
permitindo avaliar os seus reais talentos e meio de pesquisas. Esses questionamen- ser usado como critério de escolha da sua
habilidades, refletindo aquilo que de fato tos, aliados à grande quantidade de opções futura carreira) por dissociar teoria e prá-
faz bem. E se essas habilidades e compe- para estudar, podem ser para muitos jo- tica. Podemos inferir que, provavelmente,
tências são adequadas para a carreira esco- vens um forte obstáculo na hora de esco- o conhecimento escolar é extremamente
lhida. Isso evita frustrações, desistência do lha. Contudo, não são intransponíveis. Por teórico e sem relação direta com as ques-
curso escolhido e prejuízos futuros. exemplo, algumas empresas já permitem tões práticas.
Atualmente, o número de profissões que jovens passem alguns dias por lá para No gráfico 6, podemos perceber que de
cresce cada vez mais e o mercado de tra- conhecer as várias opções de cada carreira. fato a ênfase num conhecimento muito
balho torna-se cada vez mais exigente e Outra alternativa escolhida pelo Instituto teórico é um problema para os alunos que
competitivo. Por essa razão, torna-se preo- de Educação para superar esse problema pedem aulas experimentais, visitas com a
cupante o fato de a maioria dos alunos não foi o projeto feira de profissões (no ano de escola, palestras e oficinas. Há um forte
terem tido contato direto com a profissão 2018, na sua terceira edição), uma vez que desejo em tornar as aulas mais significa-
escolhida. Certamente, esse fator foi fun- por meio desse evento foi possível apre- tivas e práticas, que despertem o interesse
damental para a elaboração do projeto de sentar mais informações sobre as áreas e a participação ativa, nas quais o profes-
feira de profissões no IEMG. O contato para os nossos estudantes. Isso incentiva sor age de modo a enfatizar aspectos prá-
com alunos e professores de universidades também a pesquisa e o estudo (leitura) so- tico-reflexivo. Ao unir teoria e prática, é
pode ajudar a sanar essa deficiência, pois, bre as carreiras, o que permitirá descobrir possível despertar o interesse de alunos e
o aluno, durante a feira, terá uma visão ge- quais áreas estão em desuso e saber como fazer o ensino ter mais lógica diante do
ral de como são as aulas, a grade curricular o mercado reage a elas. Mesmo que não mundo. Além disso, ao trabalhar a teoria

27
junto com a prática é possível demonstrar No item 9, os fatores determinantes cada dez estudantes gostariam de ingres-
ao aluno como os conceitos funcionam na para a escolha de uma faculdade, os alu- sar no ensino superior assim que conclu-
vida real. Pois, se o conteúdo não for sig- nos destacam o valor das mensalidades, a íssem o ensino médio. Entretanto, 76%
nificativo para o aluno, será armazenado avaliação do MEC e a localização. O item deles afirmam que adiariam a entrada
de maneira isolada, podendo este esquecê- principal não se aplica à UFMG, mas às na educação superior por não ter condi-
-lo em seguida, ocorrendo apenas a apren- instituições particulares. Essa preocupa- ções de pagar (62%) ou não obter bolsa
dizagem mecânica. ção com o custo da formação superior não ou financiamento estudantil (14%). Nes-
Com relação à faculdade que preten- chega a ser uma novidade. De acordo com se contexto, o valor da mensalidade pas-
dem cursar, as mais tradicionais e im- pesquisa de 2017, elaborada a pedido da sa a ser primordial para definir a escolha.
portantes se destacam: a Universidade Associação Brasileira de Mantenedoras Contudo, os alunos buscam um ensino de
Federal de Minas Gerais (UFMG) com de Ensino Superior (Abmes), que entre- qualidade, certamente por isso, utilizam
259 indicações; seguida com 235 citações vistou 1,2 mil pessoas (entre pais e estu- a nota e a avaliação realizada pelo MEC
pela Puc Minas. O terceiro lugar (167) fi- dantes do ensino médio - em São Paulo, nas universidades particulares. Assim, eles
cou com a Ciências Médicas. Certamente, Rio, Salvador e Porto Alegre), sete em acreditam equilibrar custo e benefício.
essa escolha está mais relacionada ao fato
dessas instituições serem extremamente
renomadas e bem conceituadas. Como os
alunos, na sua maioria, não tiveram conta-
to direto com a sua profissão/curso (ques-
tão 2 da pesquisa), a resposta para o item 7
foi espontânea e baseada em informações
prévias. Isso permite, por sua vez, compre-
ender quais são as instituições univesitá-
rias que têm uma imagem mais positiva
no mercado.
O item número 8 da pesquisa pode
deixar ainda mais claro que a escolha da
universidade ou faculdade ideal foi, em
sua maioria, baseada em informações de
uma rede social (Facebook). O guia do
estudante, que apresenta uma criteriosa
avaliação dos cursos e instituições univer-
sitárias, foi praticamente ignorado pelos
alunos do Instituto. Entretanto, o MEC é
o terceiro (ao lado de eventos) mais citado
como fonte de informações para funda-
mentar a decisão.

28
Pibid – uma história de desafios e conquistas
Eva Martins Régis, graduada em História pela PUC Minas e professora de história do ensino fundamental e médio
do Instituto de Educação de Minas Gerais – IEMG (turnos manhã e noite)

O Programa Institucional de Bolsa de


Iniciação à Docência (Pibid) não é sim-
plesmente um programa que distribui
bolsa de estudos para alunos de gradua-
ção da área de licenciatura. É um projeto
altamente transformador. Além de esta-
belecer uma ponte entre a universidade e
as escolas públicas de ensino básico, con-
tribui para uma formação mais completa
dos graduandos e ajuda na renovação das
práticas pedagógicas dos professores su-
pervisores, além de contribuir de forma
significativa na melhoria de qualidade
do processo de ensino-aprendizagem das
nossas escolas.
O Pibid é uma proposta que une te-
oria e prática. É um fazer que a todo o
momento dá um novo significado para as
nossas práticas e para os nossos conceitos
didático-pedagógicos. Foi uma proposta
construída coletivamente pelo Ministé-
rio da Educação (MEC), Secretaria de
Educação Superior (SESu), Coordenação
de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível
Superior (CAPES) e Fundo Nacional de
Desenvolvimento da Educação (FNDE).
Pode ser definido como uma ação do go-
verno federal com o objetivo de fomentar
a iniciação à docência de estudantes de
licenciaturas, preparando-os para a for- tribui para a valorização do magistério; é a oportunidade de ter acesso à novíssi-
mação docente. Busca elevar a qualidade Torna as escolas públicas protagonistas ma produção universitária, repensar a sua
da formação de professores nos cursos de nesse processo de formação inicial para o prática e dinamizar as suas aulas. Para o
licenciaturas e inserir os futuros profissio- quadro de magistério. Para isso, o progra- segundo, é o momento de ir além da te-
nais no cotidiano das escolas de rede pú- ma estabeleceu parcerias com escolas de oria, buscar uma formação que ultrapasse
blica do ensino básico. educação básica da rede pública de ensino, os limites das disciplinas oferecidas pelo
Para alguns especialistas, é considerado concedendo bolsa aos estudantes de gra- curso. Possibilita-se aos dois participar
a única política de formação de profes- duação dos cursos de licenciaturas e aos de eventos científicos, palestras, cursos,
sores que de fato fez diferença no Brasil, professores supervisores das escolas par- seminários, etc. Em síntese, o Pibid foi
porque conseguiu unir e articular teoria e ceiras, possibilitando que se dediquem aos um espaço de grandes transformações e
prática. Quebrou a dicotomia entre elas, projetos de iniciação à docência desenvol- de grandes desafios porque possibilitou a
rompendo com a noção de que são entida- vidos em parceria com as instituições de formação do outro com o outro, por meio
des separadas. Propôs um modelo intera- educação superior. Isso permite um papel da participação, da presença e do diálogo.
tivo, além de estabelecer uma importante mais ativo no processo de ensino-apren- O que para alguns especialistas parecia
parceria entre a universidade e as escolas dizagem e um contato mais aprofundado impossível não era. Os alunos do ensino
de educação básica. com as novas metodologias de trabalho médio deixaram a postura de passividade
Com o Pibid o aluno de licenciatura em sala de aula, rompendo com aborda- e se tornaram também sujeitos do seu pró-
tem a oportunidade de vivenciar o dia a gens tradicionais pautadas exclusivamente prio conhecimento. O professor foi além
dia de uma escola. Os estudantes, ao se- nos livros didáticos e estruturadas a partir do mero facilitador e transmissor de um
rem inseridos no universo das escolas pú- de aulas expositivas que utilizam apenas a saber livresco. A escola se tornou um cam-
blicas de educação básica (desde o início voz, o quadro e o giz. São criados meios po onde teoria e prática estabeleciam um
da sua formação acadêmica), podem de- para uma maior interação com os alunos e diálogo. Um local que poderia receber o
senvolver de modo significativo e con- a construção de uma aprendizagem signi- que era discutido na academia. Assim, em
textualizado atividades didático-pedagó- ficativa e inserida no cotidiano deles. um período relativamente curto, consegui-
gicas sob a orientação de um docente da Para o professor da educação básica mos participar de três encontros universi-
licenciatura e de um professor supervisor das escolas parceiras e o graduando de li- tários para mostrar o resultado de todo
na escola. Isso incentiva a formação de cenciatura, o Pibid é muito mais do que esse trabalho; mostrar (e comprovar) que
professores para a educação básica e con- uma experiência prática. Para o primeiro, é possível romper com as certezas dadas

29
e problematizar o conhecimento históri- do de existência desse programa, já aco- Na fase atual, a primeira fase do programa
co, tornando-o significativo para alunos e lhemos vários grupos do Pibid de diversas será voltada para alunos do primeiro ao
professores. áreas do conhecimento, tanto da PUC quarto semestre da graduação. A segunda
Até 2010, o programa atendia apenas Minas quanto da UFMG. destinada aos alunos do quinto período
às universidade públicas. No primeiro ano, De 2015 a 2017, o Pibid PUC Minas em diante.
atendia apenas às áreas específicas, como manteve no IEMG três equipes na área Por fim, gostaria de deixar registrado
Física, Química, Biologia e Matemática de História, supervisionadas pelos pro- o meu agradecimento a todos os pibidia-
para o ensino médio. Isso porque havia fessores Edva Martins Régis, Luiz Carlos nos que por algum tempo estiveram aqui
uma grande carência de professores para Duri e Ronaldo Campos. Diversos traba- construindo a sua formação, colaborando
lecionarem nessas áreas. Com as novas lhos foram realizados por essas três equi- com as nossas atividades pedagógicas e
políticas públicas de valorização do ma- pes nesse período. Apesar da História ser contribuindo com uma formação con-
gistério e o aumento da demanda, soma- a única área atuando no Instituto, muitos tinuada dos nossos professores. Ressal-
dos aos bons resultados já alcançados pelo professores se engajaram voluntariamente tamos também a generosidade da nossa
programa, no ano de 2009, ocorreu a ex- em nossos projetos, construindo uma rica escola, que sempre acolheu com carinho e
pansão do Pibid. Isso significou que todas experiência interdisciplinar. respeito esses alunos de graduação, fazen-
as áreas da educação básica seriam aten- Esse programa de iniciação à docência do parte também da formação deles. Por
didas. Em 2010, foi publicado o primeiro já vinha sofrendo diversos ataques e cor- fim, não podemos nos esquecer do papel
edital que possibilitou a participação das tes de bolsas desde 2015, o que levou ao da Pontifícia Universidade Católica de
universidades e faculdades privadas no surgimento do movimento #FicaPIBID. Minas Gerais (PUC Minas) em todo esse
programa. Na PUC Minas, a implantação Em 2017, o governo anunciou a reestru- processo, por meio das professoras Lorene
do Pibid ocorreu entre os anos de 2010 e turação do Pibid e a criação da Residência dos Santos e Júlia Calvo, que foram par-
2012. Aqui, no Instituto de Educação de Pedagógica. A primeira fase do programa ceiras e motivadoras. Fica aqui o nosso
Minas Gerais (IEMG), em todo o perío- se encerrou no primeiro bimestre de 2018. muito obrigado.

30
A experiência do Pibid do curso de Pedagogia
(anos iniciais) da FaE-UFMG no IEMG:
metodologias de alfabetização e letramento
Valéria Barbosa de Resende, doutora em Educação e professora adjunta da UFMG, e Maria da Piedade Fonseca de Brito,
graduada em Pedagogia pela PUC/MG e professora regente do 3ºano/9o A do IEMG

O subprojeto "Pedagogia anos iniciais a entrada da professora Estael Carvalho


do Pibid-FaE/UFMG", desenvolve ativi- como voluntária. Além disso foram aten-
dades no Instituto de Educação de Minas didas 8 crianças que não estavam total-
Gerais desde 2015 sob a coordenação da mente alfabetizadas, totalizando 60 crian-
doutora em Educação e professora adjun- ças envolvidas no projeto.
ta da UFMG, Valéria Barbosa de Resen- No primeiro semestre, foi trabalhada
de e supervisão da professora Maria da a temática de terror e suspense e, no
Piedade Fonseca de Brito, graduada em segundo semestre, a temática sobre os escola. A metodologia de trabalho utiliza-
Pedagogia pela PUC/MG, o propósito é jogos olímpicos. A equipe desenvolveu da na turma do 1o ano do ciclo da alfabe-
fomentar a iniciação à docência das alunas Sequências Didáticas envolvendo os tização da professora Maria Cecília, que
de Pedagogia da FaE/UFMG, estabele- seguintes gêneros textuais: SD do gênero gentilmente aceitou o convite para fazer
cendo uma relação de trabalho colabora- notícia; SD do gênero entrevista; SD do parte do projeto como voluntária, também
tivo e diferenciado da universidade com a gênero quadrinha; SD do gênero contos; partiu da leitura de gêneros textuais, reali-
escola pública. SD do gênero verbete. zada pelas monitoras, considerando que as
Inicialmente, quero tornar público todo Foram elaboradas avaliações voltadas crianças, com idade de 6 anos, ainda não
meu agradecimento e carinho à coordena- para a competência leitora das crianças dominavam o sistema de escrita. Desse
dora Valéria, minhas estimadas colegas de e a produção escrita de relatórios indivi- modo, garantiu-se a inserção das crianças
trabalho que se propuseram a ajudar e par- duais, ,favorecendo o planejamento das nas práticas sociais de escrita, ou seja, no
ticipar dos projetos e aos bolsistas que pro- atividades adequadas para cada turma e processo de letramento (SOARES, 2016).
porcionaram a todos os alunos momentos grupo. A partir das avaliações diagnósti- Além da leitura, estudo da estrutura com-
prazerosos e de muito aprendizado. cas e o uso de SDs, foi possível garantir posicional e finalidade dos gêneros textu-
A metodologia de trabalho desenvolvi- uma ação docente mais consistente na sala ais autobiografia e quadrinhas, também
da baseia-se no ensino de gêneros textuais de aula, resultando na aprendizagem das foram elaboradas sequências de atividades
por meio de sequências didáticas, que, se- crianças. Os alunos tiveram a oportuni- voltadas para o desenvolvimento da cons-
gundo Schneuwly & Dolz (2004, p. 97), “é dade de realizar entrevistas com pessoas ciência fonológica, envolvendo a reflexão
um conjunto de atividades escolares orga- relacionadas a esportes, como a professora metalinguística de rimas, sílabas e letras
nizadas, de maneira sistemática, em torno de Educação Física Ângela Olivieri, que iniciais de palavras. As palavras selecio-
de um gênero textual oral ou escrito”. Para foi muito amável e prestativa em atender nadas para reflexão metalinguística eram
os autores, esse procedimento se consti- nosso convite e a nadadora Fernanda do provenientes dos textos lidos em sala de
tui como um conjunto de atividades de Minas Tênis Clube. Além disso, os alunos aula. Concluiu-se que a organização das
ensino, com foco em gêneros específicos, puderam conhecer o parque gráfico de um sequências didáticas permitiu um trata-
planejado progressivamente, com objeti- jornal ( Jornal O TEMPO) e o cotidiano mento sistemático dos gêneros autobio-
vos delimitados, organizado em torno de de uma redação. grafia, conto e quadrinha, promovendo a
uma atividade de linguagem, cujo objetivo Como fechamento das atividades de- alfabetização na perspectiva do letramen-
é propiciar a construção de conhecimen- senvolvidas em 2016, foram apresentados to das crianças do ciclo da alfabetização.
to oral ou escrito sobre um determinado em evento realizado na biblioteca infantil Os produtos finais das sequências didáti-
gênero textual. Os autores explicam ainda do Prédio Carandaí, os produtos finais das cas desenvolvidas nas duas turmas foram
que, para ensinar um gênero, deve-se fazer Sequências Didáticas com as produções os livros produzidos por eles, que foram
com que os alunos aprendam a dominá-lo, textuais dos alunos: Livro de Contos; Li- apresentados para as outras turmas e co-
conhecendo e compreendendo-o, para en- vro de Quadrinhas; Glossário de Espor- munidade escolar na Feira Cultural.
tão produzi-lo no ambiente escolar e fora tes; Jornal Criatividade do PIBID (nome Os trabalhos desenvolvidos pela equipe
dele. escolhido em votação pelas turmas). do Pibid no IEMG foram apresentados
No 1º semestre de 2016, além da turma Em 2017, na turma do 3o ano, traba- na Semana do Conhecimento 2015, 2016
de referência (3ºano/9oA), a equipe assu- lhou-se com os gêneros autobiografia e e 2017 (quando recebeu prêmio de desta-
miu o desafio de atender às crianças que conto. Na descrição dos módulos, privi- que acadêmico), promovidas pela Pró-rei-
ainda não tinham consolidado o proces- legiou-se os seguintes aspectos: estudo toria da UFMG, 20º COLE- Unicamp/
so de alfabetização de todas as turmas do da estrutura composicional dos gêneros, SP, Simpósio Internacional de Ensino
3ºano (26 crianças), a partir de demanda análise de coerência e coesão, pontuação, de Língua Portuguesa, IV FIAL- Fórum
colocada pela equipe gestora do IEMG paragrafação e ortografia. As atividades Ibero-Americano de Literacias, em Braga,
em reunião, totalizando 52 crianças en- foram trabalhadas em grupo, com ênfa- no Instituto de Educação da Universidade
volvidas no projeto. No 2º semestre de se nas estratégias de releitura, reescrita e de Minho-Portugal, IV fórum Ibero-A-
2016, foram desenvolvidas atividades em revisão, que culminavam na socialização mericano sobre Literacias e Aprendiza-
duas turmas do 3ºano/9o(52 crianças) com da produção final para outras turmas da gem em Madri.

31
A história oral no ensino médio: um projeto
de intervenção pedagógica nas aulas de
história do terceiro ano do ensino médio
Pesquisa e texto produzido coletivamente por Ronaldo Campos (mestre em filosofia pela UFMG, graduado em história e filosofia pela UFMG
e professor de história do IEMG), Mateus Roque (graduando em história pela PUC Minas), Pedro Pereira (graduado em história pela PUC
Minas), Stephanie Prieto (graduada em história pela PUC Minas), Yasmin Araujo (graduada em história pela PUC Minas), Yasmin Pedrosa
(graduada em história pela PUC Minas). Redação final de Ronaldo Campos.

zação das diversas identidades e culturas em constante reconstrução. Não pode ser
plurais, com a inclusão no sistema educa- vista como um simples arquivo mecânico
cional e com uma representação mais ade- em que são registrados os fatos que efeti-
quada dos vários sujeitos sociais nos livros vamente vivemos. Pelo contrário, a nossa
didáticos. memória é bastante complexa. As nossas
A história oral é um método de pes- lembranças são muito mais elaborações
quisa que busca registrar as memórias e a partir dos fatos vividos do que propria-
lembranças de pessoas, a partir de recursos mente o fato em si mesmo, pois, ao lem-
eletrônicos, em um contexto de diálogo. É brarmos de um fato marcante na nossa
destinada a reunir testemunhos, promover vida, “os elementos de nossa memória são
análises dos processos sociais atuais, faci- filtrados e reelaborados conforme as cir-
litando a compreensão do meio imediato. cunstâncias do presente” (SANTIAGO;
Possibilita também a elaboração de docu- MAGALHÃES, 2015, p. 36). Assim, a
Este artigo é o resultado do projeto de mentos históricos (fontes históricas) via nossa memória pode ser caracterizada
intervenção pedagógica intitulado “A voz registros eletrônicos. É um procedimen- como uma estrutura dinâmica e individu-
ocultada das mulheres nas aulas de His- to metodológico qualitativo, entendido al (por ela ser única) e, ao mesmo tempo,
tória”, que foi desenvolvido em 2017, por como um “recurso moderno usado para a coletiva (uma vez que nos remete às ex-
alunos de graduação do curso de História elaboração de registros, documentos, ar- periências sociais), isto é, a memória “é a
vinculados ao Pibid – PUC Minas, apli- quivamento e estudos referentes à expe- fonte que abastece as lembranças, que, por
cado no Instituto de Educação de Minas riência social de pessoas e grupos. Ela é sua vez, fundamenta as histórias que con-
Gerais (IEMG), sob a orientação do pro- sempre uma história do tempo presente e tamos” (SANTIAGO; MAGALHÃES,
fessor de história do ensino médio. também reconhecida como história viva. 2015, p. 37).
O objetivo dessa proposta é o de in- (MEIHY; HOLANDA, 2007, p. 17). Como afirmou Bosi (2003, p. 39), “a
troduzir novas questões metodológicas e Entretanto, a história oral não pode ser memória é um cabedal infinito do qual só
historiográficas no cotidiano das aulas de entendida como um ato ou procedimento registramos um fragmento.” O lembrar ou
história do terceiro ano do ensino médio, único que inviabilizaria todos os outros. o esquecer significa efetivamente recons-
possibilitando redescobrir o processo his- truir ou repensar, com imagens e ideias
tórico a partir de novos objetos e novas de hoje, experiências do passado. Nesse
abordagens, fomentando um contato mais Memória e história oral sentido, por mais clara que possa ser uma
próximo e aprofundado dos alunos com o lembrança, ela não é a mesma imagem
objeto central da disciplina: o ser humano A nossa memória não é homogênea que ocorreu no passado. Isso porque a for-
inserido no tempo e no espaço. ou monolítica. Não é nem fixa nem es- ma como percebemos o tempo e o mundo
Nas novas propostas e práticas peda- tática, nem estável nem permanente. É foi (e é) transformada junto com as nossas
gógicas do ensino de história, o passado multifacetada, provisória, fragmentada e ideias, juízos de realidade e de valor.
distante perdeu em parte a sua hegemo-
nia como objeto digno da disciplina. No
entanto, é importante frisar que os acon-
tecimentos de tempos longínquos ou re-
motos não podem ser desprezados, como
se fossem materiais inúteis, velhos e sem
relação com a atualidade. Esses fatos ain-
da são importantes para a formação do
aluno e para o entendimento de todo o
processo histórico. O que ocorre é que tais
fatos vêm dividindo o espaço com o tem-
po presente (com uma história imediata).
A metodologia de pesquisa denominada
história oral vem ao encontro desse novo
tempo. É um importante instrumento
educativo, pois contribui com a valori-

32
O projeto de história oral

Esse projeto foi realizado em três eta-


pas no ano letivo de 2017. Tomamos o
cuidado de manter a coerência com as
propostas e o conteúdo do terceiro ano
do ensino médio. A execução se adap-
tou perfeitamente à rotina da escola e
das turmas. A maior parte das atividades
propostas ocorreram nos horários destina-
dos às aulas de história. Os alunos foram
divididos em grupos de até cinco alunos.
Optamos por trabalhar com apenas qua-
tro (A, B, E e G – turno da manhã) de um
total de doze turmas. Isso em virtude dos
limites pessoais, técnicos, de tempo e por a anulação) da relevância do protagonis-
envolver apenas uma única disciplina do mo popular nas análises de determinados
terceiro ano. Acreditávamos também que eventos históricos.
era preciso antes começar com algo me- Diante dessa situação, era importante
nor para que fosse possível testar as suas mostrar aos alunos que o conhecimento
potencialidades. histórico, desde as últimas décadas do sé-
Nessas turmas, inicialmente, foi rea- culo XX, passou por grandes transforma-
lizado uma verificação do conhecimento ções. Muitos historiadores buscaram rede-
dos alunos sobre o nosso processo histó- finir os objetos e os métodos de trabalho
rico e a análise crítica do material didáti- da ciência histórica. Isso levou à “redesco-
co-pedagógico utilizado pela escola. Isso berta” dos chamados “ausentes” da história
possibilitou perceber que, na maior parte a partir da utilização de novas fontes de
das turmas, predominavam concepções pesquisa, resultando em múltiplas aborda-
tradicionais de história e uma forte ten- gens e no resgate dessas vozes silenciadas.
dência para a exaltação de grandes nomes. Supera-se, assim, as dualidades das aná-
Para os alunos, com exceções como Cle- lises históricas, valorizando as dinâmicas
ópatra, Xica da Silva, Princesa Isabel ou das estruturas sociais e culturais. lução dessa questão implicava necessaria-
Maria Antonieta, a história foi (e ainda é) A partir desse ponto e em conjunto mente uma compreensão mais dinâmica e
feita por homens e para homens que qua- com os alunos das turmas citadas, elabora- significativa da história com a valorização
se sempre são brancos, de origem europeia mos uma questão para nortear todo o pro- de aspectos sociais e culturais. Era preciso
e pertencentes à elite dominante. O foco jeto, a saber: é possível reconstruir o passa- ampliar e ressignificar as vozes e as histó-
central dessa “história” é a história política do de um povo a partir da memória e das rias daqueles que tradicionalmente eram
que se fundamenta basicamente nas fon- lembranças individuais e coletivas de seus excluídos dos nossos livros didáticos. As-
tes escritas oficiais e na grande valorização habitantes? Acreditávamos que a resposta sim, ao escrever ou narrar a história dessas
dos grandes nomes, dos vencedores dos era afirmativa, pois a memória, por meio pessoas, estamos retirando-as do silêncio
líderes políticos em detrimento das ques- da oralidade das pessoas de um determi- em que estavam sentenciadas. Ao mesmo
tões relativas ao gênero, às minorias e à di- nado lugar, é de fato um poderoso instru- tempo, estamos afirmando que a história
versidade sociocultural. Havia a percepção mento na construção da história cotidiana não precisa enfatizar apenas o econômico
de que a história tinha uma única versão, desse grupo social. Além disso, a memória ou o político. A história não é um bloco
uma única verdade, como se não houvesse parte de uma realidade presente determi- único, estático. É múltipla e diversa. Na
outras histórias, outras interpretações dos nada, de um presente ávido pelo passado, afirmação de Marguerite Yourcenar, “tudo
mesmos fatos. Tal concepção acarretava, cuja percepção nós sabemos que não nos é história!”. Tudo tem a sua história, pois,
muitas vezes, a diminuição (e até mesmo pertence mais (BOSI, 2003, p. 20). A so- como nos explica Perrot (2008), a história

33
não é somente o que acontece, a sequên-
cia dos fatos, das mudanças, das revolu-
ções, das acumulações que tecem o devir
das sociedades. É também o relato que se
faz de tudo isso. Optamos por um recorte
temporal que privilegiou a cidade de Belo
Horizonte na segunda metade do século
XX, tendo por foco a história de vida das
mulheres comuns que fazem (ou fizeram)
parte da população da capital mineira e
que essas histórias tivessem importância
na vida e na história dos alunos envolvi-
dos nesse projeto. A escolha das mulheres
como objeto de pesquisa teve por objeti-
vo romper com um padrão recorrente na
nossa produção historiográfica que, se-
gundo o historiador brasileiro Paulo Re-
zzutti, apaga, reconta, deturpa ou diminui
a participação das mulheres nos grandes grupo, em especial dois alunos. Um ficou visando um texto mais claro. Busca-se o
(e também nos pequenos) episódios da encarregado de conduzir o depoimento. O “tom vital” da entrevista. Esse é um re-
história. outro ficou responsável pela parte técnica curso usado para requalificar a entrevista
Por ser algo novo, foi necessário rea- da gravação e por atividades de apoio. segundo a sua essência, pois cada depoi-
lizar oficinas e aulas expositivas dialoga- Ao finalizar a gravação, o grupo co- mento possui um sentido geral mais im-
das com o objetivo de instrumentalizar e meçou o processo de transcrição do texto. portante, uma espécie de eixo. Na terceira
familiarizar os alunos com os conceitos, Por ser algo bastante complexo, essa fase e última fase, o texto deve ser apresentado
ideias, técnicas e práticas referentes à me- do projeto demandou mais tempo e foi em sua versão final devidamente autoriza-
todologia da história oral. Durante esse dividida em três momentos. A primeira do pelo depoente.
momento, foi possível esclarecer algumas etapa, denominada “transcrição absoluta”,
questões e dúvidas das turmas, tais como: buscou reproduzir com fidelidade tudo
por que realizar este projeto? Por que ele que aconteceu e foi dito sem que houvesse Resultados
é importante? Que questões esse projeto cortes nem acréscimos. Em seguida, re-
poderá solucionar? Que resultados busca- alizou-se a conferência do texto. Foi ne- Utilizar a história oral nas aulas regula-
mos? Como pretendemos alcançar esses cessário ouvir a gravação várias vezes. A res das turmas do terceiro ano do ensino
objetivos? escuta da entrevista foi feita simultanea- médio nos permitiu apresentar aos alunos
Com uma compreensão mais clara mente à leitura da transcrição para corri- a importância das experiências e dos rela-
da proposta e devidamente orientados, gir possíveis erros, conferir a pontuação, tos de pessoas comuns na construção do
os alunos elaboraram um plano de ação localizar omissões ou acréscimos indevi- saber histórico. Isso contribuiu para dar
que incluía um projeto e um cronograma. dos. Poderiam ser realizadas entrevistas um novo significado para a história estu-
Também definiram o nome da pessoa que posteriores para preencher prováveis lacu- dada (Brasil República e História Geral
seria entrevistada e um texto justificando a nas ou esclarecer algumas incoerências e – séculos XIX-XXI) ao longo do ano le-
escolha. Depois do aceite da pessoa esco- inconsistências. tivo. Possibilitou também compreender a
lhida, com base na sua biografia, o grupo A segunda fase, a textualização, é o história como um processo dialético e não
elaborou um roteiro para a entrevista (um momento da passagem da linguagem oral linear, rompendo com visões mais tradi-
questionário semiestruturado com estru- para a linguagem escrita, sem que ocorra a cionais. Além disso, o processo de ensino-
tura flexível, aberta, com linguagem e vo- perda da identidade do depoimento. Nes- -aprendizagem ocorreu de modo mais di-
cabulário adequados ao entrevistado). Por se momento, são eliminadas as perguntas nâmico, colaborando com o protagonismo
ser um momento-chave, a preparação para do texto, retirados os erros gramaticais, juvenil dentro de uma perspectiva da sala
a gravação da entrevista envolveu todo o as palavras sem sentido, os sons e ruídos, de aula ampliada.

34
Pedagogia por projetos: uma prática inovadora
Ronaldo Campos, mestre em filosofia pela UFMG, graduado em história e filosofia pela UFMG e professor de história do IEMG

Nos últimos anos no Brasil, em todos ser horizontal, partindo da realidade do aprendizagem significativa, na qual o alu-
os níveis da educação formal, observamos educando, das suas vivências. O professor no encontrará um sentido no seu objeto de
o crescimento do processo de ensino- não é mais nem a fonte do conhecimento pesquisa. Para isso, ele precisa de ter uma
-aprendizagem a partir de projetos. Apesar nem o transmissor de um saber livresco. consciência crítica articulada à prática,
de ser um tema bastante difundido, ainda Isso porque (devido a amplitude quase que é desafiadora e transformadora. Isso
há muitas dúvidas com relação à chama- infinita do conhecimento produzido na significa que quando o aluno aprende algo
da pedagogia por projetos. A expressão modernidade, das limitações humanas, do novo, ele tem acesso a um conhecimento
“metodologia de projetos” (ou “método de tempo e dos recursos disponíveis) ele não que se relaciona de forma substantiva e
projetos”) apareceu pela primeira vez nas consegue dominar todo “o conhecimen- não arbitrária a um determinado aspecto
obras de John Dewey (1916) e William to”. Ele precisa provocar no aluno – de- da sua estrutura cognitiva. É uma meto-
Kilpatrick (1918), que estavam inseridas vidamente instrumentalizado com técni- dologia que possibilita a prática reforçar à
no movimento da “Escola Nova”. No Bra- cas e métodos de pesquisa – o desejo, a teoria; é construída a partir da prática.
sil, foi Anísio Teixeira que introduziu essa curiosidade para investigar, problematizar, A educação no mundo atual cada vez
questão com o movimento “ensino para argumentar, saber correlacionar, produ- mais tem que responder às necessidades
todos”, sob forte influência do movimento zir, resolver problemas, ir para além dos e aos desafios propostos pelo indivíduo,
escolanovista. conteúdos, criar e projetar, encontrando pela família, pela sociedade, pelas políticas
Essa prática pedagógica pode ser de- sentido naquilo que está estudando. As- nacionais e internacionais. Os desafios da
finida como uma proposta metodológica sim, o professor deve criar as situações de escola são cada vez maiores e mais com-
que busca desenvolver no aluno compe- aprendizagem e as mediações necessárias. plexos. Nesse sentido, a instituição escolar
tências e habilidades – tais como auto- O aluno deve ser capaz de aprender a co- tem que propor novas formas de ensinar,
nomia, criatividade, análise, síntese e po- nhecer, aprender a fazer; aprender a viver de produzir o conhecimento e de avaliar a
der de decisão – que garantam um bom e aprender a ser. partir de uma dimensão mais formativa,
desempenho pessoal, acadêmico e pro- Nesse sentido, a sala de aula também buscando uma formação integral do alu-
fissional. Além disso, pode contribuir na se transformou. Não é apenas o espaço e no. É importante que o educando se torne
criação de condições necessárias para que o tempo. É a própria relação estabeleci- mais ativo nesse processo e que o conhe-
ocorra o protagonismo juvenil, considera- da entre as partes envolvidas no processo cimento tenha um significado e uma apli-
do por muitos como uma exigência desse de ensino-aprendizagem. É o contexto cabilidade maior para ele. Para concretizar
mundo globalizado e conectado. O edu- no qual são combinados conhecimento esses novos caminhos, o Instituto de Edu-
cando deve descobrir-se como sujeito no e trabalho em equipe, visando encontrar cação de Minas Gerais realiza constante-
processo histórico, inserindo a educação soluções para problemas concretos e\ou mente projetos que buscam essa educação
como um momento do processo de hu- significativos para o aluno. mais dinâmica, significativa e formativa.
manização. Por essa razão, a metodologia por pro-
Pelo fato do foco dessa proposta estar jetos é uma forma de aprender partindo
no aluno, o professor deve fazer uma me- de questões reais e complexas apresen-
diação pedagógica que quebre com a es- tadas pelo cotidiano dos envolvidos no
trutura rígida e vertical, na qual ao aluno processo de ensino-aprendizagem. Isso
apenas escutar e obedecer. O diálogo deve permite, por sua vez, a construção de uma

35
Projeto de reciclagem de óleo de cozinha
e fabricação de sabão caseiro
Luisa Unda, professora de química dos terceiros anos do ensino médio do IEMG

A escola é um importantíssimo espaço de discussão e debate, aos alunos articular teoria e prática, gerando um conhecimento
podendo apresentar, nesse processo de investigação, caminhos significativo sobre as reações orgânicas e as funções envolvidas
alternativos por meio da adoção de pequenas ações para superar no processo de saponificação. O projeto despertou neles a curio-
questões e problemas que afligem um dado grupo social. Con- sidade e o interesse entre os diversos níveis de escolarização, au-
tudo, para que isso ocorra, é fundamental que a escola abandone xiliando a compreensão dos fenômenos químicos.
em parte a educação acadêmica tradicional e passe a elaborar es- As aulas experimentais, aliadas à resolução de problemas pre-
tratégias que vinculem teoria e prática para solucionar questões sentes no cotidiano dos alunos, são estratégias pedagógicas para
concretas do dia a dia do aluno. a construção de novos conhecimentos, respeitando os saberes já
Nessa perspectiva, foi realizado, no Instituto de Educação de adquiridos pelos alunos. Essa proposta de intervenção prática
Minas Gerais (IEMG), na última semana de novembro e pri- certamente facilitou o processo de ensino-aprendizagem, por-
meira semana de dezembro de 2017, o projeto de reciclagem de que permite que o educando busque soluções de situações que
óleo de cozinha e fabricação de sabão caseiro pela área de quí- abordem o seu dia a dia e, assim, pode estimular a descoberta de
mica do ensino médio. O projeto é de autoria e foi coordenado novos caminhos, desenvolvendo sua capacidade crítica e analíti-
pela professora de química, Luisa. Participaram todas as turmas ca. Isso contribui para o desenvolvimento do raciocínio lógico,
do terceiro ano do ensino médio, turno da manhã. Buscando unir a estimulação do pensamento, a criatividade e da capacidade de
teoria e prática, é um bom exemplo de uma experiência de suces- solucionar situações-problemas concretos.
so que conseguiu ser ao mesmo tempo motivadora e produtiva.
Permitiu ampliar o conhecimento sobre reações químicas, des- Como fazer o sabão reciclando o óleo de cozinha
pertando no aluno o interesse pela pesquisa científica.
Esse projeto enquadra-se dentro de uma proposta de inter- Para produzir uma travessa retangular com trinta e dois peda-
venção prática para alunos dos terceiros anos do ensino médio, ços de sabão, foram necessários quatro litros de óleo de cozinha
na disciplina de química, do Instituto de Educação de Minas usados, um pote de soda cáustica, um litro de água e um litro de
Gerais. É uma proposta realizada a partir de uma contextuali- álcool 90 graus. Em um balde de plástico, foram adicionados a
zação e problematização articulada diretamente com a realidade, soda caustica e um litro de água em temperatura ambiente. É
na qual os alunos podem compreender que as transformações necessário (com uma colher de madeira) mexer sem parar essa
químicas ocorrem também no meio em que vivem. Foi precedida mistura até que se dissolva. Em seguida, mexendo sempre com
por uma série de situações problematizadoras que auxiliaram a uma colher de madeira, deve-se adicionar o óleo de cozinha.
pesquisa e a ampliação dos horizontes conceituais dos alunos. Quando essa mistura começar a engrossar, deve-se misturar o
O sabão é produto da hidrólise ou de uma reação de saponifi- litro de álcool. Em todos os momentos em que se acrescentar um
cação de uma gordura animal ou vegetal. Quimicamente, as gor- novo item, deve-se continuar mexendo bem. Assim que come-
duras e os óleos são chamados de triglicerídeos ou triacilgliceróis. çar a engrossar, a mistura deve ser transferida para uma vasilha
É possível fabricar sabão para uso doméstico a partir do reapro- retangular de plástico e deve permanecer em repouso até o dia
veitamento do óleo de cozinha. Em virtude da falta de conheci- seguinte, quando já é possível cortar o sabão.
mento de grande parte da nossa população, o óleo usado nos lares
dos brasileiros, no comércio e no setor industrial é descartado na
rede de esgoto da nossa cidade, podendo contaminar os nossos
lençóis freáticos e provocar graves problemas ambientais. Isso
porque, em virtude da sua alta carga orgânica, provoca o entupi-
mento dos canos e o encarecimento dos processos das estações de
tratamento, além de poluir e prejudicar a oxigenação das águas.
O processo de decomposição anaeróbia do óleo emite metano
(CH4) e dióxido de carbono (CO2), além de agravar o efeito e
contribuir para o aquecimento terrestre.
O objetivo desse projeto é mostrar aos alunos o uso correto
para esse resíduo e, ao mesmo tempo, produzir nos alunos uma
clara compreensão acerca do conteúdo teórico da disciplina a
partir da realidade concreta dos alunos. É um projeto desenvolvi-
do pelos próprios alunos (organizados em pequenos grupos) com
a coordenação da professora de química, no mês de setembro de
2017. Buscou-se ampliar a autonomia motora e intelectual dos
educandos. O objetivo geral era explorar a reação de saponifica-
ção e as funções orgânicas oxigenadas ao produzir sabão caseiro
e, ao mesmo tempo, explorar os principais conceitos e valores
relacionados à química orgânica. Foram colocados em prática os
conceitos teóricos adquiridos nas aulas do terceiro bimestre. Foi
também um importante momento para realizar atividades ex-
perimentais fundamentadas teoricamente. A proposta viabilizou

36
Projeto “Conscientização e conservação
do patrimônio público escolar”
Luiz Carlos Duri, graduado em história (UNIBH) e professor de ensino de história no ensino fundamental (IEMG)

Belo Horizonte, como todas as grandes cebendo que, além de um espaço escolar, buscar as informações e a elaborar o co-
cidades brasileiras, passou por profundas é um importante patrimônio histórico. nhecimento por si mesmo. Estimulou-se
transformações ao longo dos seus mais Para desenvolver o senso de preservação a sua capacidade criativa. Isso não signi-
de cem anos de idade. O crescimento de- do patrimônio público, na primeira parte ficou abandoná-lo à própria sorte. Todo o
sordenado e a falta de políticas públicas do projeto, foi realizada, utilizando aulas processo de construção desse projeto foi
no setor do patrimônio histórico levaram expositivas dialogadas, visitas guiadas em mediado e acompanhado pelo professor.
à descaracterização de parte significativa todo o espaço do IEMG e debates em sala Ele é um facilitador que mostra para os
da capital mineira. O Instituto de Educa- de aula. Em um segundo momento, de- seus alunos as melhores metodologias de
ção, na rua Pernambuco, é um dos poucos pois de retornar para a sala de aula e com trabalho, deixando que eles descubram a
exemplos restantes dos prédios originais o material coletado, foi explicado e dis- melhor maneira de absorvê-las.
da inauguração da nova capital de Minas. cutido o tema “IEMG: conscientização e O produto final desse projeto foram
Possui uma grande importância histórica conservação do patrimônio público esco- dezenas de textos que buscam pensar o
e cultural para todos no estado. É crucial lar”. De forma interdisciplinar, na terceira conceito de patrimônio histórico e a his-
a sua preservação para as futuras gerações. fase do projeto, foi proposto aos alunos a tória do IEMG. Para muitos alunos, é
Pensando em todas essas questões, rea- produção de um texto referente ao tema uma primeira tentativa de sistematizar o
lizamos, em 2019, um projeto de educa- estudado. Os melhores textos de cada sala conhecimento produzido de modo autô-
ção patrimonial cujo objetivo principal é foram expostos num grande painel e pu- nomo. É importante, também, como uma
sensibilizar os estudantes do sétimo ano blicados nesta edição. maneira de entender o que pensam os
do ensino fundamental do Instituto de Nesse projeto, trabalhamos também a estudantes e permitir que eles tenham a
Educação da necessidade de recuperar e ideia do protagonismo do aluno no pro- chance de serem ouvidos e de se expres-
preservar o espaço físico da escola. Mos- cesso de construção do conhecimento. sarem.
tramos aos jovens que eles podem contri- Durante todas as atividades propostas, Em todos os textos, podemos perceber
buir muito por meio de ações simples no buscou-se romper com a ideia de que o que os alunos se sentem como parte da
seu dia a dia. professor é o centro de todas as atividades escola e com a sensação de que eles tam-
O projeto “Conscientização e conser- educacionais. O aluno se torna protago- bém podem fazer a diferença em todo o
vação do patrimônio público escolar bus- nista do seu processo de aprendizagem, o processo de preservação e conservação do
cou, em um primeiro momento, levar os que significa, por sua vez, vê-lo como um IEMG. Esse sentimento ficou mais claro
alunos a descobrirem a história, a impor- ser autônomo. Para que isso ocorra, o alu- depois que eles se apropriaram da história
tância artística e cultural do IEMG, per- no foi estimulado em todo o processo a e da importância do Instituto.

37
t

O Instituto de Educação de Minas Gerais


Cauã Conrado de Almeida, aluno do 7º ano A do ensino fundamental do IEMG

Eu entendo que um patrimônio avenida Afonso Pena, deixando o prédio quase todos os alunos do Instituto.
público é um lugar que pertence a todos da rua Pernambuco para a Escola Normal Aqui, nessa escola, acontecem muitas
os cidadãos. O Instituto de Educação Modelo (como se chamava antigamente o atividades importantes para todos os
de Minas Gerais é um bom exemplo. IEMG). alunos. Por exemplo, o dia em que o
Foi construído em 1897 para ser o No Instituto de Educação, vários fatos professor de história Luiz realizou o “Dia
Ginásio Mineiro, uma tradicional escola importantes aconteceram e marcaram a da Gentileza”, no dia 13 de novembro de
de Ouro Preto. Um ano depois serviu história de muitas pessoas. Muitos alegres, 2018. Foi muito importante para todos os
para abrigar o Tribunal de Relação, o alguns tristes. Em 1953, um incêndio estudantes. Por isso, tenho muito orgulho
fórum de Belo Horizonte. Em 1909, o destruiu toda a ala esquerda da escola. de estudar no Instituto e pretendo estudar
governador transferiu o fórum para a Destruiu a biblioteca e acabou afetando aqui. Obrigado, IEMG!

Patrimônio escolar
Gabriela Pains Câmara, aluna do 7º ano B do ensino fundamental do IEMG

O patrimônio escolar é o conjunto de Ouro Preto para a nova capital. Mas de chegar à forma que tem hoje, o prédio
de todos os bens móveis e imóveis que ele acabou sendo a sede do Tribunal da passou por duas grandes reformas. Depois
formam (e que estão) no espaço físico da Relação, o fórum de Belo Horizonte. da junção da Escola Normal com a Escola
escola. O patrimônio público pertence ao Foi projetado pelo arquiteto membro de Aperfeiçoamento, foi criado o Instituto
povo por isso todos nós devemos zelar por da Comissão de Construção da Nova de Educação de Minas Gerais (IEMG),
ele. Capital, Edgar Nascentes Coelho. em 28 de janeiro de 1946.
O Instituto de Educação de Minas Em 08 de março de 1909, por decisão O Instituto é um importante patrimônio
Gerais (IEMG) faz parte do patrimônio do então governador de Minas Gerais, público que deve ser preservado. Devemos
histórico do estado de Minas Gerais Júlio Bueno Brandão, o fórum foi evitar que ele seja estragado, porque se ele
devido ao seu grande valor histórico, transferido para a sua sede definitiva na for destruído, a gente perde e se prejudica
artístico e cultural. O seu prédio foi avenida Afonso Pena, cedendo o prédio muito. O IEMG deve ser cuidado, amado
construído inicialmente para abrigar o da rua Pernambuco, 47, para a Escola e respeitado como o nosso segundo lar.
Ginásio Mineiro, que foi transferido Normal Modelo (hoje IEMG). Mas antes

Patrimônio público escolar


Thalita Sampaio, aluna do 7º ano D do ensino fundamental do IEMG

Um patrimônio público escolar é o O Instituto de Educação de Minas portantes e uma grande biblioteca.
conjunto dos bens móveis e imóveis que Gerais é um grande patrimônio público Andando pela escola, pode-se observar
formam a parte física da escola. Todo o que começou a ser construído no ano de muito vandalismo, depredação e pichação
material existente na escola deve ser pre- 1897 para abrigar o Ginásio Mineiro, mas nas paredes e nos muros. Apesar dessas
servado e não vandalizado. A depredação acabou abrigando o Tribunal da Relação, partes ruins, a nossa escola é muito bonita
do patrimônio público não é algo certo de o fórum de Belo Horizonte. O Instituto e boa. O que está faltando é a conscien-
se fazer, mas é muito comum nas escolas tem muito história. No ano de 1953, por tização da importância da preservação, o
e nos outros espaços públicos da cidade. exemplo, aconteceu um fato marcante e respeito com a história do IEMG e edu-
Sendo o patrimônio público pertencente triste. Um grande incêndio destruiu quase cação dos alunos com relação ao bem pú-
ao povo, cabe a todos zelar por ele, preser- toda a totalidade da ala direita do prédio. blico. Acredito que os alunos do Instituto
vando-o para as futuras gerações. Desapareceram laboratórios, arquivos im- devem preservar mais o nosso patrimônio,
pois ele é muito imptortante.

Patrimônio público escolar


Hillary Cristina da Silva Romano, aluna do 7º ano F do ensino fundamental do IEMG

Patrimônio público é o conjunto de a todos. É um bem público. des não podem ser pichadas ou sujas. As
bens. O patrimônio histórico compreende O Instituto foi criado em 1906 para mesas, cadeiras e carteiras não podem ser
os bens materiais e imateriais que fazem ser uma escola de formação de professo- quebradas ou danificadas. Na minha opi-
parte da cultura de um povo. Por exemplo, ras que só era frequentada por meninas. nião, devemos preservá-lo e tratá-lo com
numa escola, o prédio, os móveis, os livros, Hoje, é uma escola para todos: meninos muito carinho. Obrigado, IEMG, por to-
a história, etc. formam o seu patrimô- e meninas. das as coisas boas que você nos proporcio-
nio, que deve ser preservado. No caso do O IEMG, por ser um patrimônio pú- na todos os dias.
IEMG, deve ser cuidado porque pertence blico, deve ser preservado. As suas pare-

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Patrimônio público
Nayara Lorrany Alves dos Reis, aluna do 7º ano E do ensino fundamental do IEMG

Patrimônio público é basicamente toda a Minas Gerais. Por isso devemos sas que hoje em dia não se encontra mais
tudo aquilo que é nosso. O que é públi- preservá-lo. Mas algumas pessoas não em lugar nenhum.
co. Deve ser cuidado e preservado, não pensam assim e acabam destruindo par- No Instituto de Educação, várias pes-
pode ser depredado, mas muitas pessoas tes das salas de aulas e de outros espaços soas se dedicam ao cuidado e à preserva-
não cuidam dele. da escola. ção dele, pois ele é muito importante. Al-
O Instituto de Educação de Minas O IEMG foi construído antes de gumas pessoas (alunos) não ligam muito
Gerais (IEMG) é um patrimônio públi- 1900. É uma das mais tradicionais esco- para a sua história e nem para a sua im-
co escolar muito importante. O prédio las de Belo Horizonte. É a maior escola portância como patrimônio. Acredito que
da escola é um bem histórico-cultural do estado de Minas Gerais. No início, era isso deva mudar, porque a nossa escola é
tombado. Isso significa que ele não pode uma escola de formação de professores muito boa. Nós temos professores e alu-
ser nem modificado, nem demolido. ,que preparava apenas moças para traba- nos excelentes. Devemos preservar a nos-
Deve ser preservado, evitando que seja lhar nas escolas primárias. É um prédio sa escola e mostrar a sua importância para
destruído ou queimado. O Instituto faz antigo que é considerado um patrimônio todos de Minas Gerais.
parte da história de Belo Horizonte e de histórico e artístico. Nele há muitas coi-

Projeto “Aluno educado,


IEMG preservado:
uma questão de ética e cidadania”
Maria da Piedade Fonseca de Brito, graduada em Pedagogia pela PUC Minas e
professora do 3ºano A do ensino fundamental do IEMG

O descaso com a preocupação em destruir o patrimônio escolar. O projeto trabalhos desenvolvidos pelos alunos
relação às escolas públicas já vem sendo tem como objetivo levar a comunidade e, principalmente, promovendo e
discutido há muitos anos, entretanto ações escolar a adotar atitudes de respeito pelas estimulando a camaradagem e o respeito
para minimizar os problemas da falta diferenças das pessoas - respeito esse mútuo. Cria-se, assim um ambiente mais
de cuidados com o patrimônio público necessário ao convívio em sociedade - harmonioso e agradável para troca de
escolar podem partir da própria escola e promover a conscientização quanto à experiências e desenvolvimento cognitivo
em prol de um ambiente conservado valorização, conservação e preservação e humano de todos os envolvidos.
e preservado, resgatando, assim, a do IEMG, compreendendo “lugar Sendo o projeto bastante amplo, estima-
valorização e a conscientização dos alunos público” como patrimônio de todos, cujo se que se desenvolva para além do
e de toda comunidade escolar quanto zelo também é dever de todos. Os eixos ano letivo de 2017, visto que deve ser
à importância da escola. As constantes norteadores do projeto são efetividade, contínuo e sistemático. O compromisso
depredações do espaço escolar confirmam cidadania, respeito mútuo, justiça, diálogo, com a construção da cidadania pede
que grande parte dos nossos alunos não solidariedade e conservação patrimonial. necessariamente uma prática voltada para
estão conscientes de sua participação As metodologias e atividades buscam a compreensão da realidade social e dos
e importância na conservação do envolver o aluno e a comunidade de direitos e responsabilidades em relação à
patrimônio escolar. forma que se crie um ambiente que reúna vida pessoal, coletiva e ambiental. Educar
A concretização desse projeto, que elementos de motivação para incentivar para a cidadania requer, portanto, que
tem como público-alvo alunos do 1º ao as atividades diárias, trabalhando-se de questões sociais sejam apresentadas para a
5º ano do ensino fundamental, equipe forma interdisciplinar, valorizando o aprendizagem e reflexão dos alunos.
pedagógica, funcionários e pais do IEMG, relato de experiências e os conhecimentos Espera-se, com o desenvolvimento
passa pela compreensão de que práticas prévios dos alunos, encorajando a desse projeto, levar os educandos, ainda
pedagógicas são sociais e políticas. autonomia, estimulando trabalhos em em formação, a valorizar principalmente
Porém de nada adianta abordarmos equipe, possibilitando a participação dos as relações interpessoais, nas quais o
temas amplos relacionados à preservação alunos em tomadas de decisões sobre grande desafio é conseguir se colocar no
ambiental, patrimonial e ética sem partir as atividades propostas, nomeando-se lugar do outro, compreender seu ponto
de questões conhecidas e vivenciadas pelos monitores de turma para observar e ajudar de vista e suas motivações, desenvolvendo
alunos, como: desrespeitar seus colegas os colegas na organização dos espaços atitudes de solidariedade e capacidade de
e professores, sujar paredes, quebrar e da escola, estimulando e valorizando conviver com as diferenças.
rabiscar carteiras, quebrar torneiras, enfim, a arte na escola com a exposição de

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O museu como um espaço de ensino e aprendizagem
Paulo Emílio Bittencourt, mestre em educação pela FAE/UFMG, graduado em história pela UFMG
e professor de história no ensino fundamental do Instituto de Educação de Minas Gerais

Atividades de campo são recursos o prédio, que é tombado pelo Instituto


pedagógicos que funcionam como um Estadual do Patrimônio Histórico e Ar-
catalisador de interesses e um pode- tístico, integra o Circuito Cultural da
roso motivador para o aluno. Além do Praça da Liberdade e está sob a gestão
aspecto lúdico e divertido da atividade da Superintendência de Museus e Ar-
em si, a participação ativa do aluno em tes Visuais da Secretaria de Estado de
seu processo de aprendizagem, com ele Cultura de Minas Gerais. A constitui-
próprio produzindo conhecimento acer- ção do seu importante acervo teve início
ca de determinados conteúdos escola- na época de criação do Arquivo Público conhecimento. Isso oportuniza aos edu-
res, aumenta o interesse e a assimilação Mineiro, ou seja, antecede em mais de candos uma relação direta com a reali-
desses conteúdos quando trabalhados oitenta anos a sua inauguração. São pin- dade (observação direta dos documentos
em sala de aula. As atividades de campo turas históricas, achados arqueológicos, e obras de arte). Com a visita ao Museu
oferecem um aprendizado, por meio da mobiliário, conjunto de moedas e de ar- Mineiro, buscou-se a apreensão de con-
experimentação, de várias habilidades, mas, imagens sacras e equipamentos li- teúdos escolares e o desenvolvimento de
sendo uma ação propícia para o traba- túrgicos, datados dos séculos dezoito e habilidades, trabalhar, de forma inter-
lho interdisciplinar. Enfim, atividades dezenove. disciplinar, conteúdos escolares e sociais
de campo quebram a rotina escolar e Esta atividade foi organizada pelo num espaço que por si só é um rico es-
proporcionam aos estudantes diferentes professor de história, Paulo Emílio Bit- paço histórico e cultural do município.
perspectivas de conteúdos e aprendiza- tencourt, com o aval da supervisão (Qui- O seu prédio e o seu entorno, assim
gens, favorecendo uma participação ati- téria Oliveira) e da direção do IEMG, como nossa própria escola, o Instituto
va e protagonista do aluno em relação à com o objetivo de complementar a for- de Educação de Minas Gerais, são his-
construção de seu conhecimento. mação integral do estudante. Antes da tóricos, e representam tanto a formação
O objeto deste projeto é o Museu visita, os alunos passaram por um pre- do município de Belo Horizonte quan-
Mineiro, em Belo Horizonte. A escolha paro prévio na escola, onde foram abor- to da república brasileira. Muitos dos
desse espaço cultural para a realização dados temas relativos aos objetivos da alunos não tiveram a oportunidade, ou
deste projeto se deu pelo fato de pos- excursão. Foram realizadas cinco visitas o interesse, de usufruírem desse espaço.
suir um rico acervo sobre a história da ao todo, em cinco dias diferentes, sem- Assim, com este projeto, foi possível de-
cultura material do povo mineiro, dando pre no horário da manhã, ou seja, o ho- senvolvimento de habilidades, a apreen-
espaço às diferentes expressões artísti- rário de aula regular dos alunos. Nessas são de conteúdos escolares e a fruição
cas e culturais dos povos que formam a visitas, os alunos foram acompanhados do espaço público ao trabalhar com as
cultura mineira. Integrante do Circuito por guias do museu. Ao fim da visita, noções de preservação do patrimônio
Cultural da Praça da Liberdade, o Mu- os alunos e equipe retornaram à escola, público, histórico e natural; as noções de
seu Mineiro está localizado em um am- onde ocorreu uma reunião no jardim da cidadania e respeito ao outro e à escola;
biente privilegiado, cercado de prédios entrada principal da escola. Posterior- o resgate da contribuição de diferentes
históricos e de elementos da história e mente, em ambiente escolar, foi elabo- povos na formação do estado de Minas
cultura de Minas Gerais. Segundo seu rada uma síntese do conhecimento pro- Gerais; a apreciação de elementos cul-
site: “O Museu Mineiro está localiza- duzido entre alunos e equipe. turais, históricos, arquitetônicos e artís-
do na Avenida João Pinheiro, trezentos A metodologia utilizada neste traba- ticos de Minas Gerais; a apreensão de
e quarenta e dois, ao lado do Arquivo lho de campo ao Museu Mineiro parte conteúdos escolares relativos ao museu e
Público Mineiro. Seu riquíssimo acervo da ideia de que a cidade (onde se insere seu entorno; a apropriação saudável, lú-
documenta, de forma material e simbó- a escola e o aluno) é um espaço dedica- dica e produtiva do espaço público pelos
lica, momentos distintos da formação da do à formação do homem e cidadão. A alunos/cidadãos; a fruição e diversão no
cultura do Estado. Atualmente, são mais educação formal deve ir além da sala de processo educativo; e, por fim, a apro-
de dois mil e seiscentos objetos, reuni- aula, buscando outros espaços para que ximação entre equipe, alunos, escola e
dos em trinta e seis coleções vindas de ocorra uma aprendizagem significativa comunidade.
acervos particulares e de outras institui- e participativa, que possibilita aos estu-
ções. Antiga sede do Senado Mineiro, dantes ampliar e aprofundar o campo de

40
Projeto “Feira de profissão” – UNA – UNIBH – IEMG
Ângela Machado Teles, especialista, supervisora dos terceiros anos do ensino médio do IEMG e editora da Revista Pedagógica do IEMG

A "Feira de profissão" é um projeto


elaborado pela especialista em educação
Ângela Machado Teles, em parceria com
a UNA-UNIBH. Foi realizado no dia 12
de setembro de 2018. Esse evento tem
grande relevância, principalmente por
ajudar os alunos do último ano do ensino
médio no processo de escolha da sua fu-
tura carreira, ao proporcionar uma visão
ampla dos cursos de graduação. Permite
também a conscientização da importân-
cia do estudo, da dedicação e do foco no
processo para o Enem, Prouni, Fies, Sisu.
Além disso, possibilita uma visão mais
pormenorizada da estrutura da educação
universitária, nesse caso, conhecer a filo-
sofia de trabalho da Universidade UNA.
A primeira Feira de Profissão, reali-
zada em 2015 ,foi um evento de grande
sucesso e relevância, pois contribuiu efe-
tivamente no processo de escolha dos alu-
nos quanto ao curso, carreira e profissão.
Apresentou, de modo claro – por alunos
e professores especialistas – as principais
características do curso, as questões de
mercado, em suma, todos os elementos
que facilitam a sua decisão na escolha do
curso de graduação (nível superior). As-
sim, a nossa meta, na II Feira de Profissão
UNA/IEMG foi a de trazer mais uma vez
a universidade para dentro da escola, pos-
sibilitando o encontro e a troca de experi-
ência dos nossos alunos com os alunos da
graduação e da pós-graduação, professo-
res e demais profissionais.
A versão 2017 da feira foi mais ousada
,pois buscou estender a participação para
os alunos dos segundos anos do ensino
médio do IEMG e do ensino médio das
escolas estaduais próximas. Foram apro-
ximadamente três mil alunos atendidos
em 2017. No pátio interno do IEMG,
no auditório, no anfiteatro, no salão no-
bre, na biblioteca e em algumas salas de
aulas, foram montados estandes ou cria-
dos espaços para apresentar os cursos de
graduação da UNA. Nesses espaços, os
alunos tiveram acesso a palestras, rodas
de conversa, aplicação de testes voca-
cionais, entre outros. Foi uma importante
oportunidade para que eles tirassem as
suas dúvidas sobre os cursos e carreiras,
conhecessem os principais projetos de-
senvolvidos pelos cursos, além de terem
a chance de fazer a inscrição para o ves-
tibular da UNA e conhecer as principais
formas de financiamento de um curso uni-
versitário de graduação.

41
t

Projeto "Mostra cultural: resgatando valores"


Quitéria Oliveira, especialista em educação e supervisora do ensino fundamental do Instituto de Educação de Minas Gerais, turno da manhã

Vivemos um tempo novo: a era da dar um sentido pedagógico para as pro- (sinalizados no decorrer deste ano letivo)
tecnologia, das grandes inovações que postas de trabalho. Partindo desse ponto, para o teatro, dança, música e outras ha-
tornam tudo mais rápido e efêmero. Es- o projeto Mostra Cultural pretendeu es- bilidades artísticas; integrar a família no
tamos envolvidos num mundo marcado timular um novo olhar sobre a literatura contexto escolar; favorecer a conscienti-
pela tecnologia que ao mesmo tempo que a partir de uma proposta interdisciplinar. zação sobre a conservação do ambiente
nos fascina, também nos assusta. Quere- Foram escolhidos cinco livros: A corren- físico da escola e das inter-relações esta-
mos desenvolver habilidades e competên- te da vida, de Walcyr Carrasco; O diabo belecidas no ambiente escolar.
cias para usá-la da melhor forma possível, dos números, de Hans Magnus; O Vampiro Este projeto ocorreu no ano letivo
mas isso exige de nós um tempo cada vez que descobriu o Brasil, de Ivan Jaf; 1808, de 2017 e envolveu mais diretamente as
maior. Sentimo-nos também culpados de Laurentino Gomes; Os Miseráveis, de turmas de oitavo e nono ano do ensino
por dedicar tanto tempo a ela em detri- Victor Hugo (adaptação de José Angeli). fundamental (turno da manhã). Partici-
mento de coisas importantes para a nossa O objetivo principal é resgatar junto param também professores, supervisão
formação enquanto sujeitos pensantes e aos alunos o gosto pela leitura e pela es- pedagógica, funcionários, vice-direção
cidadãos plenos. Estamos deixando de crita, motivando-os a usar a tecnologia de e pais. O objetivo principal foi pensar
lado o hábito da leitura, que nos propor- forma consciente e a seu favor. Além dis- a escola como um espaço de satisfação,
ciona prazer, cultura, amplia a nossa visão so, o projeto permitiu incentivar a socia- alegria, cultura, lazer e interação entre
de mundo e os nossos conhecimentos. lização por meio do trabalho em equipe, os alunos, família, professores e demais
Sabemos que o uso das novas tecno- no qual aprenderam a respeitar a opinião membros da comunidade escolar que
logias em sala de aula é um caminho sem do outro, reconhecer e valorizar os seus vivenciam intensamente o cotidiano dos
volta. Por isso, é importante que o profes- limites e as suas capacidades. Buscou-se alunos e da escola.
sor se torne capaz de mediar esse uso e ampliar a cultura e os talentos dos alunos

Projeto "Passaporte da leitura e da escrita"


Quitéria Oliveira, especialista em educação e supervisora do ensino fundamental do Instituto de Educação de Minas Gerais, turno da manhã

Um dado impressionante: segundo transmiti-la aos outros. Por isso, o maior mundo de histórias e palavras. Para isso,
a pesquisa de Betty Hart e Todd Risley, desafio para o ensino da língua portuguesa o professor de língua portuguesa deve ga-
“As crianças de lares com nível socioeco- é criar as condições necessárias para que a rantir que os alunos compreendam e pro-
nômico alto, quando completavam quatro leitura se torne um hábito ativo. duzam textos cada vez mais complexos
anos de idade, estavam expostas a 30 mi- O desenvolvimento da comunicação desde o início do letramento.
lhões de palavras e as crianças de famílias oral e escrita é fundamental para a apren- Na hora da leitura, os alunos precisam
de baixa renda alcançavam menos de um dizagem. O incentivo à leitura deve co- ser capazes de tomar uma posição frente
terço deste repertório” (BRASIL, 2016, meçar cedo. Começa com os incentivos ao que leem e perceberem não só o que
p. 26). E que diferença isso pode fazer na familiares e prossegue na escola com a está explícito, mas o que está subentendi-
vida dessas crianças? Provavelmente, toda alfabetização. Em seguida, continua em do, compreendendo as intenções do autor
a diferença do mundo! todos os níveis da educação básica, que e as suas motivações para apresentar a in-
Sabemos que as palavras são as ferra- tratam a leitura e a escrita em todas as formação de determinado modo. Na hora
mentas básicas para compreender o mun- matérias, e não apenas nas disciplinas de de redigir, têm de saber definir quem será
do que nos rodeia, para entender o que se língua portuguesa e literatura. As rodas o destinatário, qual o propósito de escri-
passa, em suma, as palavras são os instru- de leitura, o contato diário com artigos e ta e como fazer isso de um jeito eficiente.
mentos para construir o nosso pensamento reportagens de jornais e revistas podem Estão inclusos o gênero mais adequado, as
e a nossa ação. Quanto maior o número de ajudar a criança a compreender, selecionar, normas e os padrões socialmente aceitos.
palavras que você conhece, compreende, lê escrever e editar, despertando-a para um Infelizmente, poucos conseguem. Avalia-
e escreve, mais autonomia e independên-
cia terá, menores serão as chances de se
enganar ou ser enganado. Logo, quando se
deixa de ser criança, sem aprender a gostar
de ler, a vida do aluno torna-se árdua. Nos
casos contrários, a pessoa passa a ter curio-
sidade, rapidez, imaginação fértil, vontade
de embarcar nos livros, nas histórias e faz
isso com prazer e habilidade de leitor. Pas-
sa a ter acesso a tudo o que foi produzido
e registrado pela humanidade ao longo
da história. Ao dominar as habilidades
e competências da leitura e da escrita, a
pessoa passa a ter o direito de registrar a
sua própria história e tem a capacidade de

42
ções que medem as habilidades de leitu- ensão. Nesse momento, foram avaliadas estritamente verbal e o não verbal. A ofici-
ra, como a Prova Brasil, revelam que há as questões de gramática, a organização na literária buscou apresentar as propostas
muito a ser feito. O indicador é um sinal textual e ortográfica (o domínio sobre as de modo lúdico, a partir de experimenta-
de que dificilmente serão escritores com- questões de escrita e aspectos discursivos), ção e criação com a linguagem literária. O
petentes os que não leem bem, pois não elementos considerados como dificuldade objetivo era permitir uma maior consci-
escreverão bem. Saber ler é condição para de grande parte dos alunos do ensino fun- ência dos procedimentos e dos recursos
uma boa escrita. É preciso “gerar” um con- damental. Todo o trabalho desenvolvido poéticos, incentivando a descoberta de
junto de condições didáticas que autori- não ocorreu como algo fechado, pronto e processos de autoria. Podemos citar ainda
zem e habilitem o aluno a assumir a sua acabado. A proposta foi se adaptando ao outros procedimentos, tais como: o clipe
responsabilidade como leitor. contexto escolar, percorrendo e buscando (apresentou informações complementa-
Não basta só ler para responder às ações focadas nas necessidades dos alunos. res de diferentes naturezas sobre assuntos
questões explicitadas. Do mesmo modo, O professor contribuiu efetivamente com abordados); as leituras complementares
não adianta escrever apenas para o profes- criatividade e domínio de conteúdo na (textos específicos para complementar a
sor corrigir. Para inverter essa lógica, ain- melhoria do ensino e no desenvolvimento abordagem dos conteúdos dos títulos tra-
da presente na escola, uma saída é propor do hábito de leitura. balhados); a pesquisa (a investigação sobre
situações didáticas desafiadoras, como ler Pela amplitude desse projeto, cada autores e obras, a escolha de textos e leitu-
textos interativos que não têm os alunos conteúdo foi abordado a partir de novas ras compartilhadas, a produção escrita ou
como público-alvo e obras literárias de propostas de textos, sempre com etapas oral, com foco na autonomia dos alunos
peso, reescrever uma história conhecida e de revisão, buscando refletir os aspectos em situações de aprendizagem extraclas-
produzir algo autoral. Contudo, desenvol- notacionais (relativos às regras de uso da se).
ver os comportamentos de leitores e escri- língua), aspectos discursivos (relativos ao
tores leva tempo. Por isso, essas atividades contexto de produção) e o jeito mais eficaz
devem ser propostas ao longo do ensino de levar os alunos a aprender os padrões
fundamental como atividades permanen- de escrita e superar os problemas que en-
tes, sequências, propostas e projetos didá- frentam ao escrever. Por exemplo, o aluno
ticos. deve ser capaz de reproduzir uma história
Os objetivos da produção individual e por escrito ou oralmente de acordo com
da produção coletiva são diferentes. Elas uma lista de problemas e dificuldades pre-
se complementam. Por isso, os alunos viamente estabelecidos, que levaram em
devem redigir individualmente a partir conta tanto os padrões de escrita como
do sexto ano do ensino fundamental. O as características do gênero escolhido. Ao
bom desempenho deles está relacionado solicitar a reescrita de uma história co-
à familiaridade com os textos e ao tempo nhecida ou ler um conto e pedir que os
de experiência como leitores e escritores. alunos reescrevam o final, é importante
Dessa forma, torna-se necessário incluir explicar que a atividade foi essencial para
mais experiências de leitura e escrita nas a realização do planejamento de todas as
aulas, em todos os contextos e componen- aulas. Isso ajuda a turma a avançar nessa
tes curriculares. Assim, a partir de ativi- linguagem.
dades como palestras de autores, oficinas, Dos recursos didáticos para garantir o
gincanas, saraus, teatro no pátio da esco- efetivo letramento do aluno, todos eram
la, painéis nos corredores, com textos de bastante divertidos e diferentes. Contri-
humor, poesias, curiosidade e notícias, é buíram, dessa forma, para a inter-relação
possível desenvolver o prazer da leitura. É com os alunos e para um aprendizado
preciso mostrar a importância pela leitura mais personalizado. Destaca-se a roda de
na linguagem literária e teatral, resgatan- leitura, que visou garantir uma formação
do o senso crítico e sua influência sobre plural do leitor. Foi utilizada, ao fim de
o comportamento humano; identificar cada etapa, a leitura de um gênero especí-
a adequação do uso da língua escrita em fico (crônica, conto, letra de música, char-
veículos diferentes; desenvolver a sínte- ge, etc.) ,proporcionando o trânsito entre
se; utilizar recursos coesivos; apresentar a textos canônicos e não canônicos, entre o
leitura com entonação, pausas, emoção e
encantamento; formar um leitor com au-
tonomia, para buscar, na leitura, um recur-
so de aprendizagem dinâmica e eficiente.
Eses aspectos foram comprovados duran-
te a realização, no ano letivo de 2017, do
projeto "Passaporte da leitura e da escri-
ta.",
O projeto teve início a partir da rea-
lização da sondagem das capacidades de
leitura e escrita dos alunos, pois muitas
vezes, os alunos não conseguem desen-
volver as habilidades e competências nas
outras disciplinas por falta dessa compre-

43
“Num sei, só sei que foi assim”:
O mercador de Veneza e o Auto da Compadecida
Dan Almeida, professor de língua portuguesa e língua estrangeira no Instituto de Educação de Minas Gerais - IEMG

Ler é, sem sombra de dúvidas, extre- obras. acessível ,sem sair do contexto pedagógi-
mamente importante na vida de todos. Tentando ir na contramão desse pro- co. Lançada a “pulga atrás da orelha”, de-
Quando se fala em leitura, especialmente cesso, levei para a sala de aula do ensino ve-se observar todos os questionamentos
no ensino fundamental, enfrentamos uma fundamental importantes obras da lite- que surgiram em sala de aula durante as
grande resistência da maior parte dos alu- ratura universal. Inicialmente, optei por discussões. Em seguida, foi apresenta-
nos, principalmente devido ao acesso às William Shakespeare, o maior escritor e da a sugestão de leitura da obra. Após a
novas tecnologias e, em muitas das vezes, dramaturgo da língua inglesa, para inse- realização da leitura, partimos para ou-
às poucas oportunidades no ambiente fa- ri-los nesse universo. Busquei formar nos tra discussão para sanar dúvidas e fazer
miliar. A falta de hábito de leitura torna alunos as habilidades e competências para uma avaliação. A partir daí, foi possível
o vocabulário mais precário, aumenta as compreender a obra literária de forma observar o desempenho e o interesse dos
dificuldades de compreensão e os erros mais ampla e significativa. Além disso, a alunos. Nesse momento, foi apresenta-
ortográficos, gerando poucas produções introdução dessas obras literárias possibi- da a proposta de uma pesquisa histórica
significativas por parte dos alunos. litou a diversificação e o dinamismo das (contexto) e bibliográfica em que a peça
A escola tem um papel decisivo no pro- aulas de língua estrangeira, sem deixar, foi escrita. Em seguida, propus tirar a obra
cesso de resgatar o valor dos livros e da obviamente, de realizar o diálogo com do papel e passar para o palco. Tudo isso
leitura como parte formadora e transfor- obras da literatura brasileira. Pois é dessa feito com o olhar atento para que as fases
madora do conhecimento e, consequen- fonte que busco inspiração para fazer as não fossem atropeladas.
temente, da sociedade. Nesse sentido, reflexões e trazê-las de alguma forma para É importante ressaltar que esse traba-
pensamos ser dever da instituição escolar, a nossa realidade. Nesse projeto, fiz alusão lho ganhou um sentido maior ao ser reali-
juntamente com os professores, direção e à cultura nordestina, trazendo a literatura zado de modo interdisciplinar, envolvendo
equipe pedagógica, propiciar aos alunos de cordel e transversalmente o autor pa- todas as disciplinas do período letivo. As-
momentos em que possam realizar ativi- raibano Ariano Suassuna, com a obra Auto sim, a disciplina de inglês trabalhou com a
dades voltadas para esse fim. Os elos que da Compadecida. Tanto a obra do bardo in- obra de William Shakespeare, O Mercado
se criam por meio da leitura são sublimes glês (O mercador de Veneza) quanto a de de Veneza. A língua portuguesa lidou com
e tirá-los das entrelinhas e passar para a Suassuna trazem em seu enredo, além de a literatura de cordel, rima, métrica e po-
ação e atuação, é eterno. outros conflitos do ser humano, um julga- esia. A história analisou o contexto histó-
Ler não é apenas decodificar os signos. mento, cada um com sua maneira peculiar rico, especialmente do Cristianismo e do
Ler é atravessar o texto interagindo com o de ser, ver, interpretar e escrever o mundo. Renascimento. A disciplina de arte: os de-
autor na busca e na produção de sentidos. Ao propor esse diálogo, tive por obje- senhos e as xilogravuras. A geografia ficou
É ser competente para compreender e de- tivo conhecer novos autores e outras cul- encarregada das pesquisas de mapas e tra-
cifrar a realidade. É saber interpretar sím- turas, estimulando nos alunos o hábito e jetos feitos pelos navegadores. Enquanto
bolos, imagens, gestos, etc., promovendo o prazer pela leitura de gêneros diferentes que as ciências: a peste negra; a matemáti-
petições, interferências e a comunicação dos habituais. Além de desenvolver o seu ca: os pesos, medidas, juros simples e com-
das várias formas do texto entre si, ou seja, senso crítico por meio de outras lingua- postos; o ensino religioso: o preconceito, o
possibilitando a intertextualidade. gens; aumentar o vocabulário; conhecer julgamento e os debates; e, a educação fí-
As carências são facilmente percebidas outras culturas; vivenciar novas emoções sica realizou os ensaios. Isso permitiu re-
na minha prática cotidiana como profes- e desenvolver a disciplina a partir da en- alizar uma avaliação significativa a partir
sor de língua moderna estrangeira (inglês) cenação teatral; estimular a criatividade; de uma concepção de conhecimento que
do ensino fundamental. Apesar da sua ex- favorecer as relações sociais; e promover a não é nem estática nem cumulativa, mas
trema importância para a trajetória e para interdisciplinaridade. dinâmica, contraditória e criativa, na qual
a construção do conhecimento, os clássi- Metodologicamente, o trabalho teve o aluno é visto e tratado como o sujeito de
cos da literatura mundial não fazem parte início com o incentivo à leitura, aguçan- todo o processo de aprendizagem, um ser
da realidade escolar desses alunos. Contu- do a curiosidade dos alunos. Nessa fase de ativo, que não só memoriza ou reproduz
do, isso não significa que o corpo discente descobertas, é importante falar das obras conhecimentos, mas também os constrói.
da escola é incapaz de compreender tais literárias escolhidas numa linguagem

Outros projetos
“PUC de portas abertas”
Participação dos alunos do terceiro ano de relacionamento da PUC Minas com os as principais características/modalidades
na mostra de cursos e profissões, em 10 de jovens do ensino médio e pré-vestibula- dos seus cursos de graduação, para que
maio de 2017 e 08 de maio de 2018. res, que tem como objetivo mostrar para estejam mais preparados e conscientes no
O Programa PUC Aberta é um evento esses jovens a estrutura da universidade e momento da escolha profissional.

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Outros projetos
Projeto de história:
“Brasil 517 anos: Pátria Educadora?”

Atividade interdisciplinar, coordenada pelo professor de his-


tória Antônio Amaro, com o apoio pedagógico da professora de
história Geralda Rodrigues Ferreira. É orientado pelos profes-
sores Antônio Amaro, Geralda Rodrigues Ferreira e Ronaldo
Campos. Participaram todos os alunos do ensino médio (manhã
e tarde), nos dias 13 de maio e 04 de junho. Foram apresentadas
danças, peças de teatro, performance, instalações artísticas, traba-
lhos acadêmicos e jogos pedagógicos.
De acordo com a professora Geralda Rodrigues, “a história é
uma ciência importantíssima para a formação integral do aluno
por contribuir na sua formação e por possibilitar uma compre-
ensão mais ampla da realidade. Contudo, hoje temos uma gran-
de dificuldade em trabalhar as nossas práticas pedagógicas por
falta de estrutura e condições técnicas. Levar nossos alunos a
serem protagonistas da própria aprendizagem é uma proposta
desafiadora e, por isso, lançar uma proposta de estudo que gera
autonomia se torna de suma importância. O desenvolvimento de
projetos gera autonomia e ajuda a estimular a pesquisa e, conse-
quentemente, o entendimento da sua importância no processo
histórico. É também a partir da observação do presente que po-
demos transformar e construir uma história nova.”

Projeto
“Palestra: Orientação Profissional e Carreira”
Coordenado pela área de supervisão dos terceiros anos do
ensino médio, Ângela Machado Teles, em parceria com a Uni-
versidade FUMEC, de Belo Horizonte. Realizado no dia 20 de
junho de 2017, no auditório do Instituto de Educação, com a
participação do palestrante professor Marco Antônio Rodrigues.
A palestra, a partir de recursos audiovisuais, buscou despertar
nos educandos a sua potencialidade e as limitações com o intuito
de inspirá-los para realizar uma escolha profissional e acadêmica
mais eficiente. Além de conhecer o perfil do profissional, o mer-
cado de trabalho e as novas tendências profissionais, os educan-
dos tiveram a oportunidade de conhecer, de forma mais detalha-
da e precisa, a faixa salarial de diversas profissões, a estrutura dos
cursos e da universidade, além de poderem tirar dúvidas.
Na palestra, o professor Marco Antônio Rodrigues destacou
que, atualmente, a empregabilidade é um atributo do sujeito.
Depende de cada um, visto que o ato de trabalhar e de ser útil
pode assumir muitas formas. Vivemos em um mundo em cons-
tante transformação, que exige de cada um de nós a capacidade
de ressignificar o conceito de trabalho e de buscar adquirir novas
competências. A capacidade de empreender é uma delas. Quem
não conseguir se adequar a esse novo mundo do trabalho ficará
com a empregabilidade limitada.

45
Feira de Ciências

Coordenada pela área de ciências, foi realizada em dois mo-


mentos. No ensino médio, terceiros anos, a feira ocorreu em 24
de junho de 2017. Destaque para os trabalhos das professoras
Rafaela Cardoso Ribeiro e Joyce Leite (ensino médio – turno
manhã). No ensino fundamental, anos iniciais, ocorreu em 28
de outubro do mesmo ano. Esse projeto buscou estimular nos
alunos o interesse pelas ciências ao aliar teoria e prática, des-
pertando a curiosidade e permitindo a introdução/utilização da
metodologia científica de pesquisa.
As feiras de ciências do Instituto de Educação têm como
objetivo principal articular as diversas disciplinas de cada um
dos períodos cursados pelos alunos. Buscam abordar temas que
possam ser trabalhados de forma interdisciplinar em suas múl-
tiplas dimensões: conceitual, procedimental, atitudinal e factual.
O aluno tem a possibilidade de aprender de forma significativa.
Por isso, foram privilegiados temas como meio ambiente e suas
vertentes: água, lixo, plantas e animais, tecnologia, corpo humano
e alimentação. Os alunos buscaram a fundamentação em textos
informativos, instrucionais, jornalísticos e artigos científicos.
O projeto “Feira de Ciências” é muito importante para o aluno,
uma vez que a preparação para a feira contribui para o desenvol-
vimento do protagonismo do aluno. O professor orienta, corrige
possíveis desvios, mas toda pesquisa, investigação e socialização
dos resultados é de responsabilidade de cada um dos educandos.
O estudante entende, de forma lúdica ao longo desse processo,
a metodologia científica. Aprende a formular perguntas, a diag-
nosticar e propor hipóteses para problemas reais. Rompe com
os paradigmas de uma educação tradicional e se coloca como o
sujeito do conhecimento, aplicando conceitos que aprendeu nas
aulas. Ao mesmo tempo, altera os seus procedimentos e suas ati-
tudes diante do aprender. Ele deixa de repetir os textos decorados
retirados da internet para apresentar um conteúdo significativo
para ele e para a sua comunidade escolar.

Projeto Simulado do Enem

Coordenado pela área de supervisão dos terceiros anos do en-


sino médio, Ângela Machado Teles. Realizado bimestralmente
para as turmas de terceiro ano do ensino médio (turno da manhã)
Primeiro Simulado do 9º ano do ensino fundamental, coorde-
nado pela supervisão do 9º ano, Quitéria Oliveira. Realizado no
dia 25 de junho de 2017.
O projeto simulado permite que o aluno vivencie de forma
concreta um dia de prova e contribui para uma melhor prepara-
ção para o Enem e para os principais vestibulares do Brasil. Para
isso, foi realizado, no final de cada bimestre, um simulado com
90 questões de anos anteriores ou que tenham o perfil exigido
pelo exame de todas as disciplinas, mais a redação (exceto no
quarto bimestre), aplicados em circunstâncias similares ao exame
nacional. Isso permite aos alunos avaliarem os seus conhecimen-
tos. Os professores e a coordenação pedagógica também podem
diagnosticar o aprendizado individual dos estudantes, realizando
possíveis correções na preparação deles e implementando novas
ideias ou sugestões.
Esse projeto de intervenção contribuiu para melhorar o de-
sempenho individual dos alunos ao prepará-los para enfrentar
os desafios de uma prova longa e complexa. Permitiu ao aluno
ter acesso a questões atualizadas, pertinentes ao exame nacio-
nal. Além disso, pôde também lidar com a interdisciplinaridade
e criar estratégias para a resolução da prova, ou seja, o simulado
subsidia a aprendizagem dos estudantes.

46
Projeto "Festa Julina",

A festa julina do IEMG é realizada


sempre no encerramento do primeiro
semestre, no final da segunda semana de
julho. É um evento que reúne e envolve
todos os turnos e séries do Instituto de
Educação de Minas Gerais, com o obje-
tivo de incentivar nos alunos o gosto pelas
tradições culturais-artísticas brasileiras. É
um importante momento de realizar uma
atividade interdisciplinar com todos os
estudantes da escola. Em virtude do fato,
essa festa consegue reunir elementos cul-
turais dos povos que participaram do nos-
so processo de colonização, a saber afri-
canos, indígenas e europeus. É um evento
que traz a marca da assimilação de várias
culturas ao longo do tempo, por isso mes-
mo, é tida como tipicamente brasileira, ou
seja, como fruto de várias misturas. Além
disso, contribui para que os alunos possam
compreender a importância do trabalho
em equipe e da união, possibilitando mo-
mentos de descontração e socialização.

Projeto Semana da Consciência Negra


A consciência negra é comemorada no dia 20 de novembro.
Todos os anos, professores do Instituto de Educação de Minas
Gerais trabalham temas relacionados à história da África e dos
africanos, à vida dos negros no Brasil, à cultura afro-brasileira,
à presença do povo negro no processo histórico de formação da
sociedade nacional. Todo trabalho é realizado de forma interdis-
ciplinar, enfatizando as aulas dialogadas e envolvendo os alunos
na perspectiva de um protagonismo juvenil, respeitando o lugar
de fala dos sujeitos históricos.
Os vários povos africanos que foram trazidos compulsoria-
mente para o Brasil foram muito importantes na construção da
cultura nacional. Encontramos a presença africana em muitos
aspectos da nossa identidade brasileira, por exemplo, na dança,
música, religião, culinária e na forma como falamos o nosso idio-
ma. Contudo, a presença e a importância deles não têm o mesmo
peso.
No mês de novembro, realiza-se a culminância dos vários pro-
jetos realizados ao longo do ano no ensino fundamental e médio.
Esse trabalho envolve alunos, professores, especialistas em edu-
cação, direção, vice-direção e demais membros da comunidade
escolar. O objetivo é conhecer e valorizar a cultura afro-brasi-
leira; reconhecer a importância da cultura e do povo africano no
processo de formação da cultura e da identidade brasileira. Isso
permite criar um espaço privilegiado para discutir questões rela-
tivas à população afrodescendente no Brasil, buscando repensar
as nossas ações e atitudes diante de ações de desrespeito com os
afrodescendentes. Foram realizadas mostras, oficinas e roda de
conversa em todo o espaço do IEMG.

47
Projeto “Jogos Interclasses”

Esse projeto da área de educaçao físi- superação e trabalho coletivo. Além disso, alunos matriculados e frequentes no en-
ca do Instituto de Educação foi realizado buscou divulgar e desenvolver o esporte sino médio do Instituto de Educação de
em parceria com o grêmio estudantil “A no Instituto de Educação; difundir os be- Minas Gerais. Foi fundamental que os
Liga”. Foi coordenado pelos professores nefícios do esporte como fonte educadora; participantes estivessem em plena condi-
Alexandre Bloise Santana, Raimundo incentivar a participação dos estudantes e ção de saúde. Cada turma pôde inscrever
Gerson Tavares Filho e Vanessa Soares aumentar o número de praticantes da mo- apenas 1 (uma) única equipe por sala.
Staino de Noronha. dalidade; promover a integração social e Os jogos nesse torneio foram dispu-
O público-alvo foi formado pelos desportiva entre os participantes; propi- tados nas seguintes modalidades e cate-
alunos dos segundos e terceiros anos do ciar aos alunos o contato com o esporte gorias: natação (mista) – revezamento;
ensino médio, turno da manhã, em 2017. competitivo saudável; e, reforçar valores xadrez (misto), peteca (misto), queimada
Consistiu de jogos internos com o obje- como convivência, respeito às regras e es- (misto), vôlei (misto), futsal (feminino),
tivo de incentivar a prática desportiva no pírito de equipe, contribuindo com a for- futsal (masculino), basquetebol (misto),
meio estudantil, valorizando os benefícios mação integral do aluno-atleta. dama (misto), handeboll (misto). Todas as
educacionais e comportamentais ineren- O campeonato foi antecedido de duas partidas foram regidas de acordo com as
tes ao esporte, como amizade, cooperação, semanas de jogos amistosos, que serviram regras oficiais de cada modalidade, obser-
disciplina, ética, inclusão, integração, par- como preparação para os jogos oficiais. vando-se as adaptações do Regulamento
ticipação, respeito mútuo, solidariedade, Participaram apenas dos jogos internos Geral.

Projeto “Gincana de Matemática”


A Gincana de Matemática é um proje-
to anual, realizado desde 2017. É coorde-
nado pela professora Ana Cristina. Con-
tou com a participação dos professores de
matemática Marcel, Joyce, André, Denise
e Marcelo. Com brincadeiras divertidas e
descontraídas, os alunos do ensino médio
vivenciaram, de forma prática e lúdica, vá-
rios desafios matemáticos (situações-pro-
blemas dentro dos conteúdos desenvolvi-
dos em sala de aula).
Ocorreu em duas etapas. Priorizou o
desenvolvimento global dos educandos
ao desenvolver nos alunos o trabalho co-
laborativo; promoveu uma aprendizagem
mais prazerosa e o ensino da matemática
a partir de estratégias diferenciadas (fora
do espaço da sala de aula).

48
Projeto “Feira de Cultura” no ensino fundamental

Trabalho interdisciplinar realizado no


dia 25 de novembro de 2017 pelas tur-
mas dos oitavos e nonos anos do ensino
fundamental. Foi coordenado pela su-
pervisora, Quitéria Oliveira. A partir das
ideias de “aprender fazendo” e “aprender a
aprender”, esse projeto buscou aliar teoria
e prática por meio de uma aprendizagem
significativa, estimulando o trabalho em
equipe e a socialização do conhecimento.
Despertou nos educandos as suas voca-
ções e revelou capacidades, criatividades e
habilidades científicas ao pensar e desen-
volver soluções criativas para problemas
concretos ou desafios teóricos. Além disso,
incentivou nos alunos a tomada de atitude
fundada a partir de princípios do método
científico: pensar, julgar e agir cientifica-
mente.

Projeto “Dia D”
Realizado bimestralmente com as tur-
mas dos terceiros anos (turno da manhã).
Coordenado pela supervisão dos terceiros
anos do ensino médio, vice-direção turno
manhã e pela comissão de formatura, com
o apoio da “.Org”. O dia D já é uma tradi-
ção do terceiro ano do ensino médio. Essa
atividade tem que ser compreendida de
forma especial, e não simplesmente como
mais uma atividade rotineira da escola. É
um tempo de descontração e de convívio
social para um jovem marcado pelas pres-
sões da escola, família e sociedade.
É um bom momento para que o aluno
do terceiro ano amplie a sua criatividade e
os laços com os seus colegas das mais di-
versas salas. É uma atividade acompanha-
da pela supervisora dos terceiros anos do
ensino médio e pela direção da escola. Há
uma intencionalidade clara nesta ativida-
de ao buscar pensar em como aproveitar
algo que aconteceu durante estes momen-
tos para ser usado na contextualização de
um conteúdo que será trabalhado na pró-
xima aula.

49
Educação inclusiva: o papel do professor de
apoio no processo de ensino e aprendizagem
do aluno com deficiência
Sebastiana Oliveira de Jesus, professora de apoio (ensino médio) do Instituto de Educação de Minas Gerais

capacidade, no sentido de limitação. São


coisas diferentes, embora possam se rela-
cionar. A deficiência é inerente à condição
física ou intelectual de uma determinada
pessoa, por exemplo, a cegueira, a surdez e
a síndrome de Down. A incapacidade (ou
limitação) é definida como a redução da
capacidade de integração social, que pode
ser minimizada ou até eliminada com a
utilização de adaptações para o desem-
penho de atividades. Por exemplo, em um
“cadeirante”, há a deficiência física, mas a
incapacidade de se locomover pela cidade
de forma autônoma dependerá da exis-
tência de rampas e de outros recursos que
garantam a sua acessibilidade.
Deve-se ressaltar que a terminologia
correta é pessoa com deficiência. Deve-se,
por sua vez, evitar o emprego de termos
De acordo com o censo 2010 realizado como "portador de deficiência", "portador
pelo IBGE, cerca de 23,9% da população considerado normal para o ser humano.” de necessidades especiais", "deficiente". O
brasileira possui pelo menos um tipo de O mesmo decreto, no artigo quinto, ga- termo pessoa com necessidades especiais
deficiência, seja ela: visual, auditiva, mo- rante à pessoa com deficiência: “estabele- é correto. Mas é importante destacar que
tora e mental ou intelectual. A prevalên- cimento de mecanismos e instrumentos uma pessoa com necessidades especiais
cia da deficiência varia de acordo com a legais e operacionais que assegurem às pode ser, por exemplo, alguém que sofreu
natureza dela. Os tipos de deficiência pessoas portadoras de deficiência o pleno um acidente de trânsito e ficou, tempora-
também sofrem variação de acordo com exercício de seus direitos básicos que, de- riamente, com problemas de locomoção.
a faixa etária das pessoas, mas podem correntes da Constituição e das leis, pro- Pode ser também um aluno superdotado
ocorrer em todos os grupos de idade. Pode piciam o seu bem-estar pessoal, social e que tem necessidades especiais educa-
existir desde o nascimento da pessoa ou econômico.” No artigo seguinte, também cionais, mas não é necessariamente uma
ser adquirida no decorrer da sua vida. Há assegura “respeito às pessoas portadoras pessoa com deficiência. Em decorrência
um número bastante expressivo de pes- de deficiência, que devem receber igual- dessas situações, foram criadas leis que
soas com deficiência que exige de todos dade de oportunidades na sociedade por buscam garantir uma inclusão mais uni-
atitudes e ações que garantam a inclusão reconhecimento dos direitos que lhes são versal dos cidadãos.
desses indivíduos. O acesso aos direitos de assegurados, sem privilégios ou paterna- O Instituto de Educação de Minas
todas essas pessoas pode se dar baseado no lismos.” Gerais (IEMG) é umas das mais tradi-
direito fundamental do ser humano, com É importante ressaltar aqui que não cionais escolas do estado mineiro. Há
base nas características próprias desse seg- podemos confundir deficiência com in- muito tempo adota uma postura pedagó-
mento populacional.
É importante garantir a inclusão da
pessoa com deficiência, diminuindo ou
mesmo eliminando a distância que há en-
tre as condições das pessoas com deficiên-
cia e as das pessoas sem deficiência. Isso é
possível por meio da adoção de leis e de
políticas públicas que garantam a existên-
cia de um Estado de direito e a realização
dos direitos humanos a todos os cidadãos.
O decreto no 3.298, de 20 de dezem-
bro de 1999, no artigo terceiro, parágrafo
primeiro, define deficiência como “toda
perda ou anormalidade de uma estrutura
ou função psicológica, fisiológica ou ana-
tômica que gere incapacidade para o de-
sempenho de atividade, dentro do padrão

50
gica inclusiva, que possibilita o acesso e a desses alunos em escolas regulares, ga- professores poderão cooperar entre si nes-
permanência dos alunos com deficiência. rantindo a sua integração e socialização. se processo.
O fluxo de alunos com deficiência tem Isso é fundamental para a formação de Acompanho os alunos em todas as au-
aumentado significativamente. Todos es- um cidadão pleno. O direito à educação las e busco realizar ações de apoio para sa-
ses alunos precisam do acompanhamento é comum a todas as pessoas. Para que isso nar, ou pelo menos minimizar, as dificul-
de um professor de apoio. Esse direito é se torne possível, é preciso que exista uma dades deles. Busco ou crio soluções para
garantido pela Constituição Federal, que articulação entre os setores da educação, que todos consigam aprender, indepen-
define o direito à educação dessas prefe- saúde e assistência social, potencializando dentemente de suas diferenças e especifi-
rencialmente na rede regular de ensino o campo de ação/atuação de cada um de- cidades. Ajudo os estudante a vencerem os
(artigo número 208, parágrafo terceiro). les. obstáculos que eles encontram no dia a dia
Sou professora de apoio na inclusão es- No dia a dia da sala de aula, ao atuar da escola. Para isso são desenvolvidas ati-
colar desde 2013 no IEMG. Acredito na como professora de apoio, ou seja, como vidades na sala de recursos, por exemplo, o
capacidade e potencialidade de todos os mediadora no processo de desenvolvi- uso de jogos pedagógicos adaptados e de
meus alunos. Trabalhei com alunos com mento e aprendizado do aluno com de- tecnologia assistiva. Esta última é um ter-
transtorno global do desenvolvimento ficiência, compartilhando informações, mo ainda novo, utilizado para identificar
(TGD), deficiência intelectual, paralisia auxiliando o professor regente e a equipe todo o conjunto de recursos e ações que
cerebral, retardo mental (RM), transtorno pedagógica da escola no trabalho com ajudam a garantir ou ampliar habilidades
do espectro autista (TEA), transtorno do estes alunos, todo o trabalho é feito de funcionais de pessoas com deficiência,
déficit de atenção, hiperatividade, etc. Sei forma integrada. Cada um mantem a sua promovendo uma vida mais independente
o quanto é importante a inclusão efetiva função própria e, quando necessário, os e garantindo a inclusão dessa pessoa.

Ser jovem e professor no Brasil


Mateus Roque da Silva, membro do Pibid e Graduando em História pela PUC Minas.

Quando decidi revelar minha escolha calços e, finalmente, ao ingressar na uni- tadamente importantes, mas colocando a
pela carreira de professor, a reação dos versidade, percebe-se uma série de novos práxis erroneamente em segundo plano.
meus amigos e familiares, seguiu-se, quase desafios cotidianos que nos forçam a uma Tomando como exemplo concreto as áre-
que imediatamente, da celebre frase: “Mas superação constante dentro da construção as da saúde, realizando uma simples com-
professor? Você vai morrer de fome!” – profissional. Evidentemente essa trajetó- paração, percebe-se a disparidade presente
bom, a boa notícia é que por enquanto ria também se enquadra a outras áreas de em relação à questão discutida. Médicos,
continuo bem e comendo regularmente, formação. Contudo, com o passar do tem- enfermeiros, dentistas, etc., conhecem
acreditem. Entretanto, com essas e inúme- po dentro da universidade, começa-se a muito mais a fundo seu objeto e espaço de
ras outras sentenças, percebe-se um gran- compreender que aprender o as temáticas trabalho do que os licenciandos. É notório
de preconceito e desprestígio estabelecidos específicas de determinado curso, como que ambas as áreas partem de demandas
socialmente no Brasil. É evidente que esse o que foi o império no Brasil, quais são e prorrogativas totalmente díspares, mas
discurso não se restringe apenas ao meu as regras gramaticais, como se aplicam as a formação mais ampla e concreta de um
círculo de convivência, uma vez que isso é leis de Newton em determinado contexto, profissional, em todos os casos, deve ser
facilmente percebido por meus colegas de dentre tantos outros assuntos complexos, pautada de modo que consiga privilegiar, a
profissão e essa lógica na sociedade con- não demonstram os reais desafios no tor- todo momento, a teoria e a prática.
temporânea nos inibe a exercer uma das nar-se professor. Os reais desafios estão Essa questão explanada é de conheci-
mais importantes profissões pertinentes à em compreender as dinâmicas humanas mento geral das instituições e, sobretudo,
formação de uma sociedade. dentro do ambiente escolar, na compre- de órgãos e fundações federais de ensino
Como nos lembra Leandro Karnal, ensão das singularidades dos estudantes, etc. Nesse sentido, visando ir de encon-
um homem pode facilmente passar sua conhecimentos que só podem ser oferta- tro a essa problemática, algumas medidas
vida sem necessariamente se relacionar dos por meio da prática pedagógica em vêm sendo tomadas nos últimos anos,
com um arquiteto, com um engenheiro sala de aula e em constante contato com pois é notório que os estágios obrigató-
ou mesmo um psiquiatra, mas não po- os agentes mais importantes dessa ação, rios não são suficientes para consolidar
deria consolidar sua formação, enquanto os alunos. Dessa forma, ser professor é es- essa formação. Atualmente, propostas
um cidadão consciente, sem passar pelas sencialmente trabalhar com o humano, e a como o “Programa de Residência Peda-
mãos de um professor, seja ele no âmbito consequência de tudo isso é compreender, gógica” (2018) vêm ganhando espaço nos
formal ou mesmo informal. Nesse senti- diariamente, as diferenciações de aprendi- debates da CAPES referente à formação
do, o questionamento inicial se mantém, zagem e relações pessoais presentes den- de professores no Brasil. Este programa,
tentando compreender de quais formas tro desse ambiente. por exemplo, tem como objetivo central
a sociedade e instâncias governamentais É evidente que essas oportunidades aperfeiçoar os estágios curriculares já
pensam a educação como um todo, so- práticas e contínuas são muitas vezes existentes, proporcionando a imersão do
bretudo seus profissionais. Retomando às deixadas de lado dentro do universo aca- licenciando em escolas básicas a partir da
referidas questões iniciais, após conseguir, dêmico, sobretudo na área das licencia- segunda metade do curso. Contudo, essa
com muita persistência, superar esses per- turas, privilegiando outras vivências, no- imersão irá proporcionar ao estudante,

51
entre outras atividades, a regência da sala e espaço profissional, a escola. Por meio de um fracasso iminente são quase que
de aula, a intervenção pedagógica, sempre disso, nos vemos confrontados cotidiana- inevitáveis. E é exatamente nesse ponto
com o devido acompanhamento do pro- mente não apenas pela sala de aula, mas que tento expressar essa importância. A
fessor da escola, experiente na mesma área por todo âmago institucional da escola. E, profissão docente, portanto, é um campo
de conhecimento (CAPES, 2018). por sua vez, são esses desafios cotidianos de trabalho extremamente complexo de se
Predecessor ao supracitado, o Pibid, nos convidam a dialogar com as realida- conceber, mas, uma vez que sua práxis seja
também fomentado pela CAPES, vem há des concretas presentes nesses espaços, bem fundamentada, pode proporcionar
alguns anos cumprindo um papel funda- pois ser professor é exercer uma profissão uma transformação na vida de pessoas ou
mental, enquanto uma prática pedagógica essencialmente permeada por desafios e mesmo de todo um grupo social.
e efetiva, na tentativa de driblar o referido múltiplos desdobramentos diários. Não abordei, e nem poderia, todos os
problema. Um dos seus pilares fundamen- Não sou nenhum especialista em edu- desafios que enfrentamos nesse campo
tais é a valorização da profissão docente, cação, tampouco um professor com vasta profissional, o que vai desde as condições
incentivo à formação de professores e experiência em sala de aula, mas tento do ambiente escolar, a baixa verba advinda
contribuição com a articulação entre te- expor, neste pequeno texto, os problemas do governo, entre uma infinidade de ques-
oria e prática (CAPES, 2008). E foi por com os quais um jovem professor, ainda tões, mas tentei esboçar a importância da
meio desse programa que uma parcela no seu processo de formação profissio- prática pedagógica durante a formação
significativa de estudantes de todo o país nal, se esbarra corriqueiramente. Percebo docente. É notório que a educação no
conseguiu ampliar suas vivências de forma que passar anos discutindo a diversidade, Brasil carece de mais projetos e investi-
mais pragmática e coesa. a inclusão social, as questões de gênero, mentos, o que não se resolve em um piscar
Desse modo, essas práticas e iniciativas entre tantas outras questões, sem poder de olhos, é algo muito mais processual e
proporcionam aos professores da escola vivenciar esses conflitos durante minha merece os devidos cuidados e amparos.
básica e aos graduandos um contato dire- formação me deixaria em enorme defasa- Nesse sentido, é muito importante que
to com o mundo da educação por meio de gem. Para manter a mesma abordagem de estejamos engajados nessa luta, que nos
uma nova óptica. Esses novos olhares que exemplos já explorados no presente texto, proponhamos a cobrar sas devidas ins-
se enriquecem com encontros semanais na voltemos nossas observações para as áreas tâncias as melhorias necessárias, de forma
universidade, no caso do Pibid, de pales- da saúde. Um determinado médico, hipo- que possamos começar a pensar em uma
tras, simpósios, oficinas e demais eventos tético, que saia da universidade sem nunca educação cada vez mais inclusiva, forma-
nos ajudam a pensar o sistema educa- ter operado alguém durante sua residência dora e de qualidade no Brasil.
cional do país, nos colocando, ao mesmo e, ao se formar, ir diretamente para uma
tempo, em contato com o nosso objeto sala de cirurgia, é evidente que as chances

52
Ex-aluna do IEMG e do Chromos conquista 8º lugar
em Enfermagem na UFMG
Foram três anos de Ensino Médio mais
uma preparação específica para o Enem,
com muito estudo e a certeza de estar
escolhendo o curso que sempre desejou.
O resultado para Isabella de Oliveira,
ex-aluna do IEMG e do Chromos, foi a
conquista do 8º lugar no curso de Enfer-
magem da UFMG em 2019.
Isabella conta que desde pequena teve
interesse pela área da saúde. “Minha mãe
era técnica de enfermagem no Hospital
João XXIII, então cresci acompanhando
o ambiente hospitalar. Quando entrei de
fato na Enfermagem percebi que havia me
encontrado como estudante e futura pro-
fissional”, explica.
Sobre os anos de estudo no IEMG,
Isabella diz que eles foram fundamentais
para consolidação dos objetivos dela para
o futuro. “A UFMG valoriza alunos que
possuem uma bagagem rica de conheci-
mento. O IEMG me ensinou muito dis-
so, reconhecer de onde estou vindo e para
onde quero ir. Além disso, eu sempre sou-
be escutar o que os professores tinham a
dizer, pois aprendizado também é socia-
lizar com novas culturas. Essa escola me
permitiu contato com pessoas e comuni-
dades diferentes da que eu pertencia”,
completa.
A preparação para o Enem demandou
bastante empenho e dedicação. Para isso,
Isabella realizou o Extensivo Pré-Enem
do Chromos, além dos cursos de curta
duração oferecidos pelo Preparatório, vol-
tados para bioquímica, física, atualidades,
matemática e redação, que foram de ex-
trema importância, principalmente na reta
final. “Normalmente, quando você está na
reta final para o Enem, o cansaço é maior,
mas esses cursos me permitiam estudar no parando para o Enem neste ano, Isabella meiro ano na UFMG e vislumbra as pos-
final de semana sem que fosse maçante. dá um recado especial: “Vai parecer difícil sibilidades que o curso oferece. “Quando
Os professores nos divertiam ensinando. agora, mas tem um segredo. O segredo é entrei em Enfermagem achei que só havia
Era um programa prazeroso que até hoje confiar que vai dar certo, pode ser na pri- um caminho para mim, mas percebi que
sinto falta, sem contar que o conteúdo era meira ou nas outras tentativas, mas, acre- na UFMG os caminhos se expandem. Por
complementar e reforçava o que já havia dite, você não é diferente daqueles que isso, ainda não sei em qual área irei atuar.
aprendido durante o ano, então não havia passaram. A sensação de ser aprovado é CTI e pronto-socorro estão no topo da
pressão para aprender coisas novas no fi- tão grande que vai esquecer que foi can- minha lista, porém, também já penso em
nal do curso”, relembra. sativo, e assim como eu vai sentir falta. A mestrado e em tentar residência, mas está
Para Isabella, esse processo comple- UFMG é um ambiente enorme cheio de um pouquinho longe ainda, dá tempo de
to de preparação possibilitou que os dias pessoas e coisas para descobrir, não tenha pensar”, brinca.
de prova do Enem, que normalmente são vergonha da profissão que escolher e esco- A história de Isabella com certeza serve
tensos, fossem mais tranquilos. “Sem- lha por você, porque toda trajetória foi sua de inspiração para quem está se preparan-
pre fui muito ansiosa, mas nesse ano em e toda emoção também será. Boa prova e do para o Enem e sonha com uma vaga
questão estava bem tranquila. Acho que não se esqueça do que você aprendeu, pois em um dos cursos da UFMG. Para pro-
quanto mais treinava com simulados, mais vai levar para a vida toda”. fessores e equipes do IEMG e do Chro-
segura ficava”, conta. Isabella segue com muitas expectativas mos fica a satisfação e a certeza de terem
Para os estudantes que estão se pre- quanto à carreira escolhida em seu pri- contribuído para esta jornada de sucesso.

53
Identificação das fotografias utillizadas nesta revista:

Apresentação: Foto 1 e 1b - Ronaldo Campos (2018). Instituto que foi capaz de ultrapassar os muros e vencer o
O Instituto de Educação por meio dos versos: Foto 2a - tempo: Fotos 62 a 68: fotos acervo pessoal de Patrícia Regina
acervo IEMG; Foto 2b - Ronaldo Campos (2018). Silva e Rosely Veiga.
O Prêmio Centenário: Foto 3, 4, 5 e 6: Lions Clube - Amae Educando: uma revista que marcou a educação
Distrito LC-4. brasileira: fac-símile da edição 83 da revista Amae Educando
Uma pessoa muito especial: a professora Rosa Maria Vicente (Ronaldo Campos).
Ribeiro no cruzeiro no Mar de Mármara, na Turquia (foto do Antena: um jornal independente e Interestudantil: fac-
acervo Ronaldo Campos). símile do jornal “Antena” (Ronaldo Campos).
Aos nossos eternos mestres, a gratidão: Foto 7 (reprodução) Gentileza gera gentileza: Fotos 71 a 74: Angela Machado
da revista Nova Escola (editora Abril), de autoria do fotógrafo Teles (2017).
Falci (setembro de 1993); Foto 8: arquivo pessoal Ângela Pibid – uma história de desafios e conquistas: Fotos 74 a 82:
Machado Teles; Foto 9; arquivo pessoal Marília Sarti; Foto 10 Equipe Pibid-PUC Minas – História IEMG (2017-2018).
e 11: Ronaldo Campos (2011); Foto 12 e 12b: arquivo pessoal A experiência do Pibid do curso de Pedagogia (anos iniciais)
pessoal Orivaldo Diogo; Foto 13: arquivo pessoal Instituto de da FaE-UFMG no IEMG: metodologias de alfabetização e
Educação de Minas Gerais (IEMG); Foto 14: Ronaldo Campos letramento: Foto 82b: acervo Revista Pedagógica do IEMG.
(2004); Foto 15a e 15b: arquivo pessoal Instituto de Educação A história oral no ensino médio: um projeto de intervenção
de Minas Gerais (IEMG); Foto 16 e 17: arquivo pessoal Ângela pedagógica nas aulas de história do terceiro ano do ensino
Machado Teles; Foto 18: arquivo pessoal Mônica Moreira; Foto médio: Fotos 83 a 89: Equipe Pibid-PUC Minas – História
19: arquivo Instituto de Educação de Minas Gerais; Foto 20: IEMG (2017-2018).
reprodução; Foto 21: arquivo pessoal Ângela Machado Teles; Pedagogia por projetos: uma prática inovadora.: Fotos 90 a
Foto 22: Silvana Faria (2008); Foto 23: arquivo pessoal Vanda 93: projetos realizados no ensino fundamental e médio no IEMG
Kotoches; Foto 24: arquivo pessoal Maria de Lourdes Procópio; em 2017 e 2018 (fotos arquivo pessoal Ronaldo Campos); Foto
Foto 25: arquivo pessoal Maria Stela Morais; Foto 26: arquivo 93 c: Alexandra Morais; Foto 93d: Acervo IEMG.
pessoal Ida Maria Betti Menezes; Foto 27: arquivo pessoal Projeto de reciclagem de óleo de cozinha e fabricação de
Ronaldo Campos (2004); Foto 28 e 29: arquivo pessoal Leila sabão caseiro: Fotos 94 a 97: projeto realizado por Luisa Unda
Sandra Pimenta; Foto 30 e 30b: arquivo pessoal Conceição no ensino médio no IEMG em 2017 e 2018 (fotos arquivo
Schetini; Fotos 31 e 32: arquivo pessoal Maria Edna Feitosa; pessoal de Ângela Machado Teles).
Fotos 33, 34 e 35: Maria José Duarte; Foto 36: arquivo pessoal Projeto “Conscientização e conservação do patrimônio
José Carlos Fontes Leite; Foto 37: arquivo pessoal Mariângela público escolar”: Foto: Museu da Escola no Instituto de
Firpe; Foto 38: foto do site Baile Pronto (2008); Foto 39: Silvana Educação (Ronaldo Campos/2011).
Farias (2008); Foto 40: arquivo pessoal Norma de Ávila Neves; O museu como um espaço de ensino e aprendizagem: Foto
Foto 41: Silvana Farias (2008); Foto 42: Maria Luiza Cunha; 98 de Márcia Melo e fotos 99 a 101 de Paulo Emílio Bittencourt.
Foto 42: arquivo pessoal Ângela Machado Teles; Foto 43: arquivo Projeto “Feira de Profissão” – UNA – UNIBH - IEMG:
pessoal Marisa Nogueira Cambraia; Foto 44: arquivo pessoal Fotos 102 a 112, acervo Ângela Machado Teles, 2016, 2017 e
Vany Martins Leite; Foto 45: arquivo pessoal Vany Martins
Leite – Feira de profissões Expominas (2011); Foto 48: arquivo
pessoal Olinda Rosa da Cunha; Foto 49 arquivo pessoal Maria
Saraiva Carvalho; Foto 50: arquivo pessoal Cidinha Corrêa.
Magistra – a escola da escola: Ângela Machado Teles e
2018.
Projeto "Passaporte da leitura e da escrita",: Fotos 113, 114,
114a e 115, 115b, 115c Quitéria Oliveira (2017).
Projeto de história: “Brasil 517 anos: Pátria Educadora?”:
Fotos 116, 117 e 118, Geralda Rodrigues Ferreira (2017 e 2018).
6
a
Ronaldo Campos, em visita à Magistra, sendo recepcionados por Projeto “Palestra: Orientação Profissional e Carreira” : Foto
Paula Cambraia de Mendonça Viana (foto 1, acervo Magistra). 119, 120, 121, 122, 123, Ângela Machado Teles (2017).
Espaço Magistra Escola Tradicional (fotos 2 e 3, de Osvaldo- Feira de Ciências: Fotos 126 a 130 da Feira de Ciências do
Afonso, fonte (https://www.educacao.mg.gov.br/images/stories/ ensino fundamental, de Quitéria Oliveira (2017).
noticias/2013/Fevereiro/espaco-magistracredito-osvaldo- Projeto Simulado do Enem: Fotos 131, 132 e 133 do Primeiro
afonso-0003.jpg). Simulado do 9º ano do ensino fundamental, de Quitéria Oliveira
André Rodrigues Costa Oliveira: um imortal entre nós: (2017).
Fotos 51 e 52: arquivo pessoal de André Rodrigues Costa Projeto "Festa Julina": Foto 134, 135, 135b, 135c, 135d :
Oliveira. Angela Machado Teles;Fotos 135, 136, 137 de Andrea Luciana.
A nossa homenagem ao professor Albanito: Foto 53: Projeto "Semana da Consciência Negra": Fotos 138 a 144 de
arquivo pessoal de Sheila Brasileiro. Foto 54: arquivo pessoal de Andrea Luciana.
Marcelo_Botao (foto 2003) Projeto “Gincana de Matemática”: Fotos 145 a 152 de Ana
Aconteceu no IEMG: Olimpíada de Matemática da Cristina.
OBMEC (fotos de 1 a 2 de Ângela Machado Teles). Projeto “Feira de Cultura” no ensino fundamental: Fotos 152
Professores do IEMG: Teddy Almeida: Fotos 55 a 59: as a 154: Quitéria Oliveira.
fotos promocionais da Banda Concreto estão disponíveis no Projeto “Dia D”: Fotos 156 a 160: site org formaturas.
site: http://www.bandaconcreto.com.br/site/release/. As fotos da Educação inclusiva: o papel do professor de apoio no processo
apresentação e gravação do clip no IEMG são de Marcelo Souza. de ensino e aprendizagem do aluno com deficiência: Foto161a e
As demais fotos são do arquivo pessoal do professor e músico 161b: acervo Sebastiana Oliveira de Jesus.
Teddy Almeida. Fotos 60 e 61: acervo pessoal de Teddy Almeida. Ser jovem e professor no Brasil: Foto162: Ronaldo Campos
As poderosas do IEMG: uma amizade construída no (2017).

54 - 54 -
aprovações 2019
cefet - COLTEC - cmbh
1ª chamada

CEFET 1ª chamada

317 +DAS45%
VAGAS
aprovações

COLTEC 1ª chamada

110 +DAS60%
VAGAS
aprovações

CMBH 1ª chamada

de 40%
6 15 DAS VAGAS
aprovações

1º LUGAR GERAL COLTEC


1º COLTEC - Análises Clínicas ampla
4º LUGAR GERAL cefet
1º cefet - meio ambiente ampla
MARIA BEATRIZ TURCI CARDOSO

54 - 55
o verdadeiro
líder na ufmg 2019
1º em 11 das 13 Engenharias
1º, 2º, 3º, 4º e 5º Medicina
MOD. 4.2 MOD. 4.2 MOD. 4.1 MOD. 1.1
e 3.1
MOD. 1.2

1º, 2º, 4º e 5º Direito


MOD. 2.2
e 4.1
MOD. 1.2,
3.1 e 3.2
MOD. 2.2
e 3.2
MOD. 3.2

1706
aprovaÇões até 11ª chamada

1º MEDICINA
AYESKA BARBOSA
MOD. 4.2

56
Este projeto é uma parceria com

Instituto de Educação de Minas Gerais – IEMG


Rua Pernambuco – Funcionários
Belo Horizonte – MG, 30130-150
(31) 3273-7511
57