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Aluno (a): _____________________________________________________________________

Dia e Horário do Curso:___________________________ Professor (a): __________________________

Barra Mansa – Av Joaquim Leite, nº 01, Ed. Benedictus, SL. 205 – Centro.

Volta Redonda - Largo Nove de Abril nº 27 Ed. Cecisa II SL. 721 – Vila Santa Cecília. Tel.: 99952-3496
APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO


Introdução;

No Curso de Auxiliar Jurídico, o aluno vai aprender que o trabalho de um Auxiliar Jurídico pode ser interno
ou externo. Como o advogado sempre envolvido em processos e audiências o auxiliar jurídico auxilia na
organização e gestão das rotinas do escritório. No recebimento e envio de contrato, petições e intimações
processuais. Além de escritórios de advocacia o Auxiliar Jurídico também pode trabalhar em setores jurídicos,
recursos humanos, departamento pessoal de empresas públicas e privadas. Nesse caso o auxiliar jurídico auxilia
os advogados na gestão do setor, colhendo informações da empresa e de colaboradores para auxiliar para
montagem de processos, registrando fatos jurídicos ocorridos na empresa. Após o término do Curso de
Auxiliar Jurídico, além de poder trabalhar em empresas e escritórios de advocacia, você também poderá
trabalhar em fórum e tribunal de justiça. Este Curso de Auxiliar Jurídico é para quem deseja uma rápida
profissionalização mas não tem tempo disponível para fazer uma graduação, e aqueles que já atuam na área ou
até mesmo são graduados mas desejam se atualizar.

Objetivo do Curso de Auxiliar Jurídico:

O objetivo deste Curso de Auxiliar Jurídico é capacitar o aluno a prestar suporte jurídico a escritórios de
advocacia, departamentos empresariais, cartórios e outros. Sempre levando em conta o conhecimento jurídico
adquirido no Curso de Auxiliar Jurídico.

Certificação do Curso de Auxiliar Jurídico:

O aluno receberá o certificado reconhecido em todo território nacional de acordo com Art. 42 da Lei nº
9.394/96 (Diretrizes e Base da Educação Nacional) e Lei nº 11.741/08. Tendo referência no Decreto Federal nº
2.494/98 e Decreto nº 2.208/97. Comprovará a participação no curso e enriquecerá seu currículo ampliando
suas oportunidades no mercado de trabalho.

O ADVOGADO;

O advogado é o profissional que representa interesses e direitos


de pessoas, instituições e empresas em questões jurídicas, baseado na
legislação vigente no país. Esse profissional é procurado quando alguém
se sente lesado de alguma forma e pretende fazer uma acusação, ou
quando se é acusado e necessita de defesa.

Desta forma, é o advogado quem estuda os casos, organiza


provas orais e documentais, recomenda procedimentos e encaminha os
processos para a Justiça. Além disso, ele acompanha clientes em
audiências e elabora petições, contestações e recursos.

No entanto, um advogado não atua somente em casos de conflitos judiciais. Ele também pode fazer
acordos, negociações, consultorias, entre outras questões. O advogado deve ser comunicativo, questionador, ter
um bom relacionamento interpessoal, se interessar por desafios, possuir o hábito de ler e estudar
constantemente, e é claro, ter uma excelente argumentação para obter êxito em suas defesas.

Segundo estimativa do site Vagas, a média salarial de um Advogado é de R$ 3.418,00. No entanto, de


acordo com o nível de experiência e área de atuação, a remuneração desse profissional pode chegar a mais de
R$ 35 mil.

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Formação:

Para se tornar um advogado, é necessário cursar o bacharelado em Direito, que tem duração de cinco anos.
Durante a graduação, o estudante fará disciplinas como:

• Antropologia
• Sociologia
• Língua Portuguesa
• Psicologia
• Economia
• Ética
• Teoria do Estado
• Direito Ambiental
• Direito Civil
• Direito Constitucional
• Direito Penal
• Direito Público
• Direito Tributário
• Direito do Consumidor

O estágio não é obrigatório em todas as instituições de ensino, mas é recomendado para que o estudante
adquira experiência. Para se formar, é necessário apresentar o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). O
bacharel em Direito só pode começar a atuar como advogado após a aprovação no exame da Ordem dos
Advogados do Brasil (OAB), que é realizado 3 vezes por ano, para obter seu registro na instituição.

Atuação:

Um advogado tem diversas possibilidades de atuação. Existem algumas áreas que são mais tradicionais
e normalmente, são abordadas ainda durante a graduação:

• Direito Civil – O profissional irá cuidar da defesa de direitos civis do cliente, como assuntos
relacionados a herança, cobranças, danos morais, indenizações, contratos de compra e venda, entre
outros.
• Direito Penal – Atuação na defesa de clientes que foram vítimas de crimes ou são acusados de cometê-
los. O advogado também pode trabalhar com Direito Penal Empresarial, em casos de crimes como
sonegação fiscal, lavagem de dinheiro ou infrações em licitações.
• Direito Trabalhista e Previdenciário – O advogado irá representar clientes em processos de disputas
entre empresa e trabalhador ou prestar consultoria para empresas.
• Direito Tributário – Nesta área, o profissional lida com questões relacionadas a pagamentos de impostos
e tributos fiscais.
• Direito Eleitoral – O advogado é responsável pela legitimidade dos resultados nas urnas, acompanhando
campanhas, analisando a prestação de contas de candidatos e partidos e tudo que se refere ao sistema
eleitoral.
• Direito Empresarial – Quando o advogado presta assessoria jurídica para empresas, seja na abertura das
mesmas, na elaboração e análise de contratos, no desligamento de sócios, entre outros.
• Direito Ambiental – O profissional irá exercer atividades relacionadas à legislação ambiental,
elaborando laudos para adquirir as licenças necessárias, fazendo que as empresas se adequem à
legislação ambiental ou defendendo clientes envolvidos em crimes ambientais.
• Direito Administrativo – É a área em que o advogado irá lidar com os princípios e regras que fiscalizam
órgãos e agentes públicos.

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• Direito Constitucional – Quando o profissional se dedica ao estudo e interpretação da Constituição.

Nos últimos anos surgiram outras áreas, que necessitam de especialização para que o advogado esteja
qualificado, como Direito de Moda (envolve questões como trabalho escravo, plágio, sustentabilidade), Direito
Desportivo (regulamento de esportes), Direito Homoafetivo (relacionado à união de casais LGBT, adoção, entre
outros) ou Propriedade Intelectual (direito de receber recompensas financeiras sobre qualquer produção
intelectual na indústria, ciência, literatura ou artes). O profissional poderá trabalhar em escritórios de advocacia,
como empregado ou em conjunto com sócio, e empresas, de forma autônoma (sob seu próprio nome). Também
é possível optar pela carreira acadêmica.

Muitos preferem se dedicar a concursos públicos para seguir carreira de promotor, juiz ou delegado.
Essa área é atrativa pois oferece uma ótima remuneração e estabilidade profissional, o que resulta em concursos
altamente disputados.

OAB;

Entenda o que é OAB e a sua importância para o advogado:

Você sabe o que é OAB? A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) é


uma instituição que representa os advogados enquanto classe profissional, mas
não apenas isso. Suas funções também incluem proteger a Constituição e o
Estado de Direito. Neste conteúdo vamos falar sobre as funções, a natureza
jurídica e as obrigações da OAB, além de abordar aspectos relacionados ao
Estatuto da Organização e seu o Código de Ética.

O que a OAB faz?

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) é uma instituição que representa os advogados enquanto
classe profissional. Ela é encarregada de fiscalizar e orientar o exercício da advocacia, além de coibir práticas
que infrinjam o Código de Ética. A instituição também é responsável pela realização do Exame de Ordem, que
autoriza bacharéis em Direito a exercerem a atividade de advogado, caso sejam aprovados na prova. Suas
funções não se limitam, porém, à representação da classe da advocacia. A OAB também tem como função a
defesa da Constituição, dos direitos humanos, do Estado de Direito e da justiça social. Para isso, vamos voltar
ao tempo, falando da sua criação.

Criação e composição da OAB:

A OAB foi criada no ano de 1930, com a publicação do Decreto 19.408/30. A organização substituiu o
antigo Instituto de Advogados Brasileiros (IAB), devido a transformações que ocorreram com a Revolução de
1930, um movimento armado que depôs o presidente Washington Luís. Após a vitória do movimento armado
que levou Getúlio Vargas ao poder, um dos primeiros atos do novo presidente foi instituir o Decreto que criava
a OAB. Desde lá, a função primordial da instituição é fiscalizar, defender e representar a classe dos advogados.

Toda a sua atividade é regida pelo Estatuto da Advocacia e da OAB, que é composta pelos seguintes órgãos:

• Conselho Federal: é a principal entidade de representação da OAB em todo o país. Sediado em Brasília,
o Conselho tem como dever fiscalizar e orientar o exercício da profissão de acordo com o Código de
Ética e o Estatuto da instituição.
• Conselhos Seccionais: são setores distribuídos pelos diferentes estados federativos para representar a
OAB em cada um deles. Suas funções são designadas pelo Conselho Federal.
• Subseções: são partes autônomas dos Conselhos Seccionais instaladas nos principais centros regionais.

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• Caixas de Assistência dos Advogados: atuam ao lado de cada Conselho Seccional e têm a função de
prestar assistência aos advogados.

Natureza jurídica da OAB

Mais do que saber o que é OAB, é preciso compreender sua natureza jurídica. De acordo com o texto da
Lei n.º 8.906/94, a OAB é uma instituição com natureza jurídica de direito público. Trata-se de uma
organização com jurisdição própria para cada estado da federação. Embora a definição legal pareça bem
objetiva, há uma série de questões que envolvem o conceito e a natureza da OAB.

Com a publicação da Lei n.º 9.649/98, que determinava que instituições profissionais teriam natureza
privada, a personalidade jurídica da OAB foi colocada em cheque. A questão foi até levada ao Supremo
Tribunal Federal (ADIN n.º 1.717), que acabou decidindo que a OAB pertence à uma categoria ímpar
denominada como “serviço público independente”. Em outras palavras, de acordo com o STF, embora a OAB
tenha natureza jurídica de direito público, ela não pertence à administração indireta e não possui qualquer
relação de dependência com ela. Além disso, a entidade não tem como exercer o poder de polícia em nenhuma
situação excepcional ou não, uma vez que não pertence à administração pública.

Para evitar desentendimentos com relação à personalidade jurídica da OAB, o próprio Estatuto define a
OAB como um serviço público com personalidade jurídica própria e de forma federativa. Ademais, a OAB
conta com autonomia, tem fins lucrativos, imunidade tributária e seus funcionários deverão ser contratados pelo
regime da CLT sem a necessidade de concurso público.

Por que a OAB é importante para os advogados?

A OAB é importante em inúmeros sentidos para o advogado. Por meio da fiscalização e da orientação,
sua atuação favorece as melhores práticas dentro da profissão, prezando pela atuação ética do advogado. Além
disso, com o Exame da Ordem, a OAB seleciona profissionais qualificados para atuarem de acordo com a
melhor técnica jurídica. Somente advogados inscritos nos quadros da OAB podem exercer a profissão e
quaisquer atos realizados por profissionais não habilitados são considerados nulos.

Estatuto da OAB: direitos essenciais garantidos

O advogado que possui a carteira da OAB é considerado como advogado em todo o país. Porém, isso
não quer dizer que a sua atividade é ilimitada. O advogado só poderá cuidar de causas indefinidamente em sua
seccional, ou seja, no local que ele determinou como sendo o seu local de atuação. Nas demais seccionais, o
advogado pode atuar somente em cinco processos por ano. Caso queira representar em mais processos, é
necessário fazer uma inscrição suplementar e pagar uma nova anuidade.

Outro aspecto previsto no Estatuto da OAB diz respeito à prisão cautelar do advogado. Nesse caso, ele
deve ficar retido em uma sala de estado maior, que nada mais é do que uma sala em um estabelecimento militar.
Na ausência desse espaço, a prisão cautelar deve ser cumprida em domicílio. Nos casos de audiência em
que o advogado fica por mais de 30 minutos aguardando o início, ele terá direito a solicitar uma redesignação
da audiência. Note, no entanto, que esse tipo de situação é muito diferente do atraso de pautas, que ocorre
quando a autoridade judiciária se encontra no local, porém, por questões de audiências anteriores a pauta acaba
atrasando.

Em 2016, o Estatuto da OAB sofreu alterações e passou a prever uma série de direitos para a advogada
gestante ou lactante. Hoje, advogadas gestantes ou lactantes não precisam passar pelo raio X do fórum, contam
com vaga de estacionamento especial e possuem preferência em sustentações orais e realização de audiências.

Planilha de controle de processos e atividades judiciais:


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Mantenha o controle dos seus processos e prazos. Baixe grátis a nossa planilha exclusiva de controle de
atividades e processos judiciais.

Os deveres do advogado e o Código de Ética:

Um Novo Código de Ética da OAB foi editado em 2016. Ele dispõe sobre uma série de diretrizes
relativas ao exercício da profissão. A advocacia não é uma atividade mercantil. Por isso, a promoção e o
posicionamento do advogado no mercado devem atender a algumas regras específicas.

No que se refere ao Novo Código de Ética, vale a pena destacar as seguintes questões:

Materiais de divulgação

Na hora de divulgar os seus serviços jurídicos, o advogado deve observar algumas regras. Cartões de visita de
advogados, por exemplo, não devem conter fotos nem menção aos cargos já ocupados.

Veja como deve ser o cartão de visita do advogado moderno.

Materiais impressos não devem conter mais do que um minicurrículo e uma breve descrição das
qualificações do profissional, além de informações de contato. A divulgação do advogado deve sempre estar
pautada na descrição e na divulgação não comercial.

Pagamento de honorários

Uma das novidades trazidas pelo novo Código de Ética diz respeito ao pagamento de honorários
advocatícios com cartão de crédito. Hoje, o advogado já pode utilizar dessa modalidade desde que haja
credenciamento junto à operadora.

Profissionais que atuam na OAB

Quem atua na OAB deve obedecer à uma série de regras rigorosas. Esses profissionais não podem atuar
em processos, nem redigir pareceres em processos que estejam tramitando na OAB. Da mesma maneira, esses
profissionais não podem adquirir bens, nem realizar contratações onerosas com a OAB.

Promoção de serviços jurídicos na internet:

É facultado ao advogado realizar ações de marketing jurídico, porém essas ações devem ter caráter
informativo e a discrição e moderação são premissas essenciais. Nenhuma ação do advogado na web deve ser
caracterizada como captação de cliente, nem deve refletir sob qualquer forma a mercantilização da atividade.
Quando se trata das redes sociais, o advogado deve ser cauteloso para não promover seus serviços em
conjunto com outros que não possuam natureza jurídica. Por fim, o uso de qualquer mídia de massa com o
intuito de promoção das atividades é vedado pelo Código de Ética da OAB, bem como a compra de anúncios
com essa finalidade.

Prova da OAB/Exame da Ordem

O Exame da OAB já gerou inúmeros questionamentos pelos advogados. Há quem defenda que o exame
é inconstitucional, outros defendem que se trata de uma reserva de mercado. Há profissionais, contudo, que
enxergam o Exame da OAB como uma forma de manter uma boa qualificação dos profissionais, além de
dificultar a entrada de quem não se encontra apto para advogar no mercado.

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Qualquer pessoa com bacharelado em Direito pode realizar a prova a partir do nono período do curso. O
exame é realizado três vezes por ano e conta com duas fases, sendo uma de 80 testes de múltipla escolha e outra
dissertativa. Hoje, a prova conta com um alto índice de reprovação, o que serve de estímulo para que as
faculdades de Direito preparem melhor os alunos visando à aprovação.

Além de realizar o Exame, a OAB participa de todas as fases de concursos públicos envolvendo
carreiras jurídicas de acordo com a legislação.

Conclusão:

A OAB é um órgão que possui características e funções bastante específicas. Embora haja alguns
questionamentos que envolvem a atividade e a atuação do órgão, seu papel de organizar, defender e primar pela
alta qualidade do mercado jurídico é reconhecido pelos advogados.Como você pôde conferir, a OAB muito
relevante para qualquer operador do Direito.

ESTAGIÁRIO

O conhecimento adquirido na teoria ganha no estágio uma


perspectiva prática. É como estagiário de Direito que o estudante
aprende a executar as atividades da área, envolvendo-se com
profissionais já formados e com as práticas da profissão. O
estagiário de Direito pode atuar em escritórios de advocacia, no
setor jurídico de grandes empresas, em órgãos públicos, entre
outros lugares nos quais ele poderá vivenciar o dia a dia da
profissão escolhida. Mas, quais são as atividades do estagiário
dentro das regras da OAB? O estudante precisa estar credenciado?
Onde é o melhor lugar para fazer estágio? Quando posso começar o
estágio?

Qual é a importância do estágio durante a graduação?

O estágio de Direito deve ser visto como algo construtivo, já que você estará lidando com atividades do
seu interesse, e com o objetivo de aprender com quem já atua na área. É o melhor momento de conhecer a
carreira. Afinal, ninguém quer descobrir que não fez o curso certo depois de formado, certo? Essa é uma forma
eficaz de desvendar a profissão antes de encarar o mercado de trabalho, aplicar teorias estudadas em sala de
aula e ter clareza nas suas decisões quanto ao futuro. Seja para advogar, seja para lidar com qualquer outra
atividade (consultoria, direção jurídica, assessoria, etc), durante o estágio o seu networking tende a crescer, o
que pode trazer uma efetivação depois da formatura. Assim, se você não gostou de uma área e quer conhecer
outras, é mais fácil conseguir quando se tem bons contatos.

Além disso, o estágio proporciona o crescimento pessoal do estudante, pois essa é a hora de mostrar as
suas competências como advogado, sem falar na maturidade adquirida, a qual é consequência das
responsabilidades que o estagiário tem durante esse período.

Quais são as funções do estagiário de Direito?

De acordo com o Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), todos os atos que estão previstos
em seu artigo 1º podem ser firmados pelo estagiário de Direito, desde que ele esteja inscrito na OAB e trabalhe
em conjunto com um advogado ou defensor público habilitado. O estagiário inscrito pode postular todos os atos
do artigo em qualquer órgão do Poder Judiciário e de Juizados Especiais, além de ter a prerrogativa de realizar
atividades de consultoria, direção jurídica e assessoria. Tudo isso sempre amparado por um orientador.
Algumas funções jurídicas que podem ser praticadas pelo estagiário de Direito:
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• assinar cargas de autos em cartório;


• retirar e devolver autos;
• obter certidões e autos de processos;
• assinar determinados tipos de petição;
• praticar atos extrajudiciais de interesse do local no qual esteja estagiando.

A inscrição na OAB vai fornecer ao estudante um documento funcional, indispensável para qualquer ato
jurídico. O estagiário deve sempre agir com ética, competência e seriedade em suas atividades. Caso contrário,
sofrerá infrações por não atuar dentro das premissas reguladas pela Ordem. É por isso que o estágio também
serve para que o futuro profissional crie uma base ética na sua formação. As atividades do estagiário de Direito
devem ser supervisionadas e relacionadas ao que o aluno pretende para a sua carreira. Portanto, o quanto antes
você começar a estagiar, melhor.

Começar cedo é interessante, porque facilita uma possível mudança de área de exercício da profissão. O
importante é procurar exercer as suas atividades no campo do Direito que realmente deseja investir. É
importante conhecer os critérios estabelecidos pela instituição de ensino para a realização do estágio, pois
muitas exigem que o aluno tenha feito os primeiros períodos do curso. Isso porque, nos primeiros semestres, as
disciplinas abordam aspectos mais gerais. É geralmente a partir do segundo ano que as matérias mais
específicas começam a aparecer na grade, e o estudante começa a ter mais a oferecer nas atividades do estágio.

Qual é o melhor lugar para fazer estágio de Direito?

A experiência em atividades dentro de escritórios, órgãos públicos ou empresas podem ser remuneradas
ou não. Caso consiga estágios remunerados, preze pela afinidade com as atividades na hora de fazer a escolha,
pois nem sempre a maior bolsa é a que oferece a melhor vaga para o seu perfil: ou seja, não tome essa decisão
pautada apenas no valor da bolsa. Os escritórios de advocacia costumam ter altas demandas por estagiários,
pois é o espaço ideal para vivenciar a rotina de um advogado. Nos cartórios judiciais, por outro lado, é comum
que o estagiário não tenha tarefas de grande relevância, ficando encarregado de tarefas simples como a
organização de documentos e atendimento ao público.

No caso dos órgãos públicos, são abertos editais para as vagas. Destacamos alguns órgãos públicos
bastante requisitados para estágios:

• Tribunal Regional do Trabalho;


• Tribunal de Justiça;
• Defensorias;
• Ministério Público.

Nas Defensorias, por exemplo, você terá a chance de lidar com o público e com todo tipo de processo,
sendo um tipo de intensivo prático da profissão. Já no Ministério Público, apesar de não haver muita diferença
quanto às defensorias, o estagiário entende melhor as avaliações de inquéritos e a elaboração de denúncias.
Existem também opções de estágio dentro da própria faculdade, como é o caso do NPJ (Núcleo de Prática
Jurídica). A finalidade do núcleo é integrar teoria e prática. O NPJ possui regulamento e sede própria, onde os
estudantes prestam serviços de assistência jurídica por meio de parcerias com instituições filantrópicas e
beneficentes, além dos convênios com órgãos competentes.

O melhor lugar para fazer o estágio de Direito é a instituição em que você se sente bem para exercer as
atividades da melhor forma e que, portanto, esteja alinhada à sua área de atuação na futura carreira. Escolher a
área de atuação ainda no estágio é um passo importante para começar a busca um espaço no mercado de
trabalho após a faculdade ou até dar continuidade aos estudos na pós-graduação. Portanto, não abra mão da
grande oportunidade de ser um estagiário de Direito.
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ROTINAS DE ESCRITÓRIO DE ADVOCACIA;

Definir fluxos de trabalho, alinhar equipe, traçar estratégias de


atendimento ao cliente são tarefas que fazem parte do controle de
rotinas nos escritórios. O gestor deve se preocupar com prazos,
processos e tarefas para não incorrer em erros. Ele pode,
preferencialmente, se valer da tecnologia para ter mais benefícios na
hora de realizar esse controle. Veja os principais pontos sobre o tema e
melhore a gestão do seu escritório de advocacia!

Controle de prazos e processos: A principal questão enfrentada pelos


gestores no controle de rotinas nos escritórios é gerir prazos e
processos. Não basta apenas atender o cliente, realizar audiências,
escrever petições. É preciso acompanhar os andamentos para saber exatamente o que deve ser feito em cada
etapa processual. Perder um prazo é quase imperdoável para os advogados, motivo pelo qual esse controle deve
ser bastante eficiente. Muitos profissionais optam por realizar esse controle por meio de planilhas. Nelas, é
possível listar e acompanhar os prazos de cada processo, atribuir responsáveis pela tarefa e controlar os
encaminhamentos, tudo de forma online (computador, tablet ou smartphone). Caso o escritório tenha um
sistema de gestão jurídica, é tudo automatizado por ele.

Controle de tarefas

Além do controle de prazos e processos, os gestores de um escritório de advocacia deve controlar as


tarefas de cada profissional. Essa prática de controle de rotinas é fundamental para que saiba exatamente qual
seu papel no fluxo de trabalho. Além disso, esse controle envolve a avaliação das atividades realizadas, a
restrição de acesso a informações determinadas, e a gestão do tempo da etapa de cada tarefa. Assim como o
controle de prazos e processos, o gestor pode adotar as planilhas e as agendas para gerir tarefas, mas há também
a possibilidade de automatizar a atividade por meio do software jurídico. Seria mais fácil, inclusive, utilizar
esse programa para delegar tarefas de forma fácil e rápida, bem como se atualizar sobre as atividades com
muito mais facilidade.

Uso de tecnologia

Quando o controle de rotinas nos escritórios de advocacia é feito com o auxílio da tecnologia, as tarefas
repetitivas são eliminadas, já que serão realizadas pelas ferramentas, especialmente por um software jurídico, e
não pela equipe. Com um robô de automação integrado, é possível cadastrar os processos automaticamente e
consultá-los com facilidade, acompanhar os andamentos e manter-se atualizado de forma simples, por meio de
alertas e e-mails. O ponto principal do uso de tecnologia é concentrar as informações em um único local, o que
facilita muito na hora do controle de rotinas no escritório. Sabe-se, inclusive, que uma boa gestão de dados
passa pela centralização, que proporcionará ao gestor ter mais subsídios para tomar decisões e delegar
atividades.

Benefícios do controle de rotinas nos escritórios

Um bom controle de rotinas nos escritórios é feito com o auxílio da tecnologia, e vimos como isso
facilita a vida do gestor. Os benefícios são inúmeros, mas podemos listar alguns principais:

• Mapear e controlar todas as rotinas e processos por meio das ferramentas tecnológicas auxilia o
profissional a fazer uma gestão eficiente e produtiva;

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• Aumentar a produtividade da equipe faz com que o escritório cresça com mais facilidade e com melhor
custo-benefício;
• A unificação de informações e a padronização de procedimentos possibilita ao gestor tomar decisões
mais fundamentadas, o que é fundamental para a estratégia do escritório;
• No mesmo sentido, com os dados organizados, é possível gerar relatórios essenciais para uma boa
gestão;

Com o controle de rotinas realizado por meio de um software jurídico, a equipe não precisa ser “cobrada”
pessoalmente pelo gestor, o que melhora o clima no ambiente de trabalho. Realizar o controle de rotinas nos
escritórios de advocacia envolve saber como a gestão jurídica pode ser mais eficiente e profissional. A
tecnologia é um apoio grande para isso, mas é preciso estar disposto a aprimorar sempre. Leia nosso texto com
as principais dicas de gestão jurídica de um escritório e prepare-se!

GERENCIAMENTO DE ESCRITÓRIO;

1 Administrar é planejar:

Não é preciso ir muito a fundo para entender que a administração é


fundamental em qualquer empresa. Saber exatamente o que acontece no
seu escritório: como, quando, porque e quanto custa cada coisa,
determina o sucesso ou fracasso em longo prazo.

Você pode dizer: “Conheço escritórios não muito organizados que


ganham rios de dinheiro”. É verdade, alguns escritórios que têm a sua
frente um advogado muito respeitado no mercado pode até faturar alto.
Mas se colocarmos na ponta do lápis o quanto este escritório deixa de
ganhar com falta de planejamento e sua administração, o resultado pode
ser espantoso.

Advogados precisam enxergar seu escritório como uma empresa. Saber a diferença entre faturamento e
rentabilidade, discutir estratégias, orçamentos, objetivos e metas. Vamos ao que interessa, o que realmente você
precisa saber sobre administração de um escritório de advogados? As funções administrativas a grosso modo
são identificadas em quatro temas:

• Planejamento;
• Organização;
• Direção;
• Controle.

Planejar é definir os objetivos e decidir como alcançá-lo, programar as atividades e atingir as metas.
Alguns escritórios ainda adotam o método arcaico de administração às escuras e não planejam. Desta forma,
não se preparam para possíveis reveses e acabam por terem insucesso em seus objetivos.

Na área jurídica, planejar significa estabelecer os processos necessários à execução da atividade


principal (jurídica). Gerenciá-los e criar planos de contingenciamento de recursos ao longo do ano, pois há
recursos que entram com frequência, como pagamentos mensais e outros que entram em situações esporádicas,
por exemplo, sucumbência. Portanto, mãos à obra! Faça um documento traçando estratégias de mercado,
orçamentos, objetivos e metas. Planejar é pensar no presente e futuro.

2 Pilares da gestão

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• Pense sempre em três pilares para nortear as ações administrativas do escritório: clientes, gestão e
finanças.
• Aplique estratégias de relacionamento com o cliente;
• Para a gestão, divida em departamentos as áreas e atividades organizacionais dos profissionais.
• Já para as finanças tenha um planejamento e controle de faturamento x custos.

Detalharemos mais sobre cada nas dicas seguintes.

3 Definição e clareza de funções

Mapeie todas as funções e atividades para que cada pessoa tenha a sua e divida as tarefas conforme o
perfil de cada profissional. Não é necessário chegar ao mundo perfeito para começar, mas não se pode abrir
mão de tentar uma divisão ideal de tarefas e ir adaptando buscando sempre a melhorar. Portanto, identifique o
profissional correto para realizar determinadas incumbências e deixe claro quais são elas para todos os
envolvidos. Mesmo que seu escritório seja pequeno, é importante que cada um saiba o que tem que fazer, ainda
que acumule mais de uma função.

Dica: Estruture as funções e atividades em um organograma.

4 Estruturar processos

Imagine uma sequência de rotinas e processos. Quando um cliente é atendido em seu escritório e o
contrata, quais as rotinas que precisam ser realizadas? Inicia com o cadastro do cliente, quem faz este registro?
É importante identificar as principais rotinas do seu escritório. Para isso sugerimos que faça um mapa mental
destas rotinas, identificando o início e fim de cada processo.

O objetivo é ter a compreensão detalhada de todos os processos e uma visão sistêmica dos mesmos.
Assim você identificará as rotinas separadamente, o que facilitará na execução e monitoramento.

5 Ferramentas de controle

Para facilitar na gestão jurídica, escolha uma ferramenta para ter todas as rotinas e processos mapeados
e controlados. Busque por ferramentas que centralizem as rotinas do escritório em um único local, com controle
administrativo integrado.

Os principais pontos a considerar nos sistemas ou softwares de gestão jurídica são:

• Gestão de Prazos e Processos;


• Indicadores de Performance;
• Relatórios;
• Agenda;
• Controle Financeiro integrado ao processual;
• Integração com sites dos tribunais;
• Gerenciador Eletrônico de Documentos.

6 Definição do fluxo de trabalho e performance

Conhecer o fluxo de trabalho determinará a produtividade do seu escritório, pois envolve o indicador
tempo. Para defini-lo avalie as atividades realizadas do início ao fim, de um ou mais processos ou
procedimentos, e o seu tempo de realização. Você terá atividades que devem ser identificadas com fluxos de

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trabalho visíveis. Para o gerenciamento utilize softwares que facilitam a sistematização ou o meio manual, com
agendas e planilhas.

7 Informações padronizadas

A padronização das informações é organização que irá beneficiar em todos os outros processos, e
começa pela padronização de informações de cadastro. Tenha uma única nomenclatura para todas as
informações pertencentes a um grupo específico. Segmentando os grupos de informações segundo suas
características em comum. Padronizar evitará a duplicidade de informações e a busca intuitiva a qualquer dado.
Mas lembre-se, a padronização não deve significar perder a flexibilidade e tornar o escritório altamente
burocratizado.

Divida o escritório em áreas como: financeiro, administrativo, jurídica, entre outras. Mesmo que o
escritório ainda não tenha estas áreas específicas. Por exemplo, você poderá criar formulários para determinado
grupo de informações que estarão disponíveis em um sistema de gerenciamento. Como para clientes pessoa
física e outro para pessoa jurídica, com seus dados fundamentais incluídos no sistema.

Ou ainda a padronização de atos praticados pelos advogados seguindo sempre o mesmo formato, com
padronização de contrato, tipo, espécie e área do direito. Quando você padroniza a informação o acesso e
consulta se torna mais fácil, e permite analisar os processos e melhorá-los.

8 Financeiro: contingenciamento de recursos

A área financeira traduz a saúde de qualquer empresa. Seu escritório pode estar faturando bem em
determinados momentos e mesmo assim ter a saúde financeira comprometida, com custos elevados que
implicam no resultado líquido. Ter uma gestão jurídica eficiente na área financeira fará seu escritório crescer
com sustentabilidade. Para isso, estabeleça um Fluxo de Caixa – o que envolve uma contabilização detalhada de
todas as entradas e saídas de recursos. Pode ser trabalhoso, mas é indispensável fazer este controle.

O fluxo de caixa vai ajudar na descoberta de eventuais sazonalidades de recursos em que você tem mais
despesas ou mais receitas, como períodos de férias e recessos. Mais uma vez falamos em padronizar, isso serve
para as suas informações financeiras entre receitas fixas e variáveis, e em recebíveis em longo prazo.

Estabeleça um plano de contingenciamento de recursos pensando no futuro. Um extra para tempos


difíceis ou necessidade de investimentos. Pense na provisão para situações emergenciais e corriqueiras.
Registre todas as despesas, que além do controle, permitirá formar um histórico de evolução de despesas. E
muito importante: Separe os gastos pessoais dos gastos com o escritório.

9 Avalie e corrija

Por fim, implante um processo semestral ou bimestral de avaliação de resultados administrativos da sua
gestão jurídica e corrija os processos quando necessário. Reveja suas metas e estabeleça indicadores claros para
avaliar a evolução de seu escritório. Procure usar sempre os mesmos indicadores, com base nos relatórios e
evolução das informações objetivas, ao longo do tempo você terá a oportunidade de melhorar e adequar seu
negócio.

ÁREAS DO DIREITO;

Áreas do Direito mais tradicionais

1. Direito Civil

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APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

O Direito Civil é a maior área do Direito brasileiro. Nesse ramo da


advocacia, o profissional pode representar os interesses individuais
referentes a bens e propriedades, questões familiares (como divórcio e
heranças) e muito mais, dependendo da área de especialização.

É uma área tão grande que se recomenda se especializar em um


segmento dentro do Direito Civil. Algumas das especializações do Direito
Civil são: direito contratual, das pessoas, da família, das coisas, dos bens,
dos fatos jurídicos, das obrigações, das sucessões e responsabilidade civil.

2. Direito Ambiental

O advogado ambientalista, dentre inúmeras funções, pode acompanhar processos administrativos de


licenciamento ambiental e infrações ambientais, participar de processos judiciais civis e criminais que estão
vinculado à legislação ambiental e várias outras questões que envolvem a relação do homem com o meio
ambiente.

3. Direito Empresarial

Essa é uma área da advocacia voltada para os aspectos jurídicos do comércio. O advogado pode
defender os empresários e sociedades diante dos seus interesses comerciais e auxiliar em questões como
abertura e fechamento de um estabelecimento, elaboração de contratos e estatutos sociais, marcas, patentes e
processos de falência e recuperação de empresa.

4. Direito da Tecnologia da Informação

Nesta área, você lidará com questões jurídicas que envolvem a informática. Alguns exemplos de clientes
aqui são provedores de internet, empresas de software, bancos, usuários da internet e lojas virtuais.
Recentemente foi aprovado o Marco Civil da Internet, que tornou o advogado especialista em tecnologia da
informação mais cobiçado e procurado.

5. Direito do Consumidor

Nesse ramo da advocacia, o profissional pode defender tanto o cidadão em suas relações com
fornecedores de bens e serviços quanto os próprios fornecedores. A legislação básica do profissional da área é o
Código de Defesa do Consumidor.

6. Direito Contratual

O Direito Contratual é uma especialização do Direito Civil. Nesta área da advocacia, o profissional vai
auxiliar e representar pessoas físicas e jurídicas na elaboração e na assinatura de contratos.

7. Direito Penal

Para o advogado que deseja trabalhar em ações referentes a crimes e contravenções, o Direito Penal é a
especialização perfeita. Com ela, o advogado pode preparar e apresentar tanto a defesa quanto a acusação de
pessoas físicas ou jurídicas.

8. Direito Trabalhista

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APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

Essa é uma das áreas de atuação do advogado mais movimentadas no país! O advogado trabalhista atua
na representação de empresas ou pessoas em disputas entre empregado e empregador, questões sindicais e de
previdência social.

9. Direito Tributário

Neste tipo de direito, o advogado tributário cuida de normas e princípios relativos à arrecadação de
impostos e taxas, obrigações tributárias e atribuições dos órgãos fiscalizadores. Uma das missões do advogado
nesta área é defender os contribuintes (tanto pessoa física quanto jurídica) de eventuais equívocos no
recolhimento de tributos pela entidade arrecadadora.

Áreas da advocacia em alta:

1. Mediação, conciliação e arbitragem

O especialista nessa área aplica métodos não judiciais de resolução de conflitos de interesse nas relações
jurídicas. O profissional usa mediação, conciliação e arbitragem como uma forma de construir uma cultura de
pacificação, evitando o enfrentamento.

2. Advocacia eleitoral

O advogado eleitoral acompanha os candidatos durante a campanha, garantindo que suas ações estejam
de acordo com a legislação. É um trabalho que não acaba no dia da votação: ele segue fazendo defesas em
processos eleitorais ou em pedidos de cassação depois do eleito tomar posse.

3. Advocacia de relações institucionais

Responsável por acompanhar o cotidiano do Congresso Nacional, está sempre a par das novidades que
afetam a economia e, por consequência, as empresas para as quais trabalha. Como 2019 é um ano em que
muitas mudanças estão previstas, o trabalho desse profissional será necessário em diversas organizações.

4. Advocacia trabalhista

Os profissionais de advocacia trabalhista são responsáveis por assuntos que impactam a operação da
empresa. Nos últimos meses, com as alterações na legislação trabalhista devido a reforma trabalhista, tem sido
um profissional requisitado pelas empresas que querem fazer consultas para se adequar às novas regras do
mercado brasileiro.

5. Advocacia tributária

Por meio da advocacia tributária, os profissionais do Direito participam do controle, gestão,


planejamento e acompanhamento da legislação de empresas. A procura por esse tipo de profissional tem
crescido junto com as empresas que buscam regularizar dívidas com impostos e cumprir as exigências da
legislação.

Outras áreas de atuação/tipos de Direito

Área Pública: Outra área de atuação do Direito seguida por muitos bacharéis é a carreira pública, claro!
Em órgãos municipais, estaduais e federais são muitas as oportunidades para advogados, que atuam em
investigações ou fazendo mediação. Em geral, o profissional precisa ser aprovado em concurso. Então, vamos
às principais áreas do Direito dentro da área pública:

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APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

• Advocacia pública: consiste em defender cidadãos que não podem contratar advogados particulares,
como defensor público. Ou, ainda, como procurador, defendendo os interesses de municípios, estados
ou da União.
• Carreira Policial: o delegado p.ex., agente principal da polícia judiciária, elabora inquéritos, comanda
investigações e emite documentos, uma atividade fundamental para a ação penal.
• Magistratura: os conhecidos juízes julgam processos e expedem mandados de prisão, busca, apreensão,
dentre outros. Podem ser estaduais e federais.
• Ministério Público: os promotores de justiça do Ministério Público defendem interesses da sociedade,
fiscalizando o cumprimento de leis e promovendo ações perante ao juiz. Ocupa-se ainda de
representar interesses diversos como o das pessoas com deficiência, direitos da criança, causas sociais
como defesa do meio ambiente e do patrimônio histórico e cultural, dentre outros.

Advocacia Pro Bono

Apesar de não ser área específica da advocacia, não quis deixar de registrar a advocacia Pro Bono neste
post, para que você também considere adotar esse tipo de Direito na sua rotina profissional. Em latim, pro bono
significa “para o bem” – e, portanto, o termo nada mais é do que uma atividade voluntária oferecida pelo
profissional de advocacia com o objetivo de prestar serviços jurídicos gratuitamente a pessoas de baixa renda e
que, consequentemente, não têm meios para arcar com os custos de uma demanda judicial.

Compliance officer

Diante de uma tendência de dar mais transparência e lisura às empresas dos setores público e privado,
um profissional tem se tornado cada vez mais requisitado no mercado brasileiro: o compliance officer. Trata-se
do profissional responsável por assegurar que todos os processos da empresa estejam alinhados à legislação e às
regulamentações vigentes para o setor em que atua, aconselhando e protegendo a companhia de possíveis
riscos. Sua principal função é desenvolver programas de integridade, visando garantir a ética na conduta da
empresa. No setor público, é especialmente importante estabelecer programas anticorrupção.

É papel do compliance officer, ainda, notificar a Justiça em caso de descumprimento da Lei e dos
preceitos éticos por parte da empresa. O cargo de compliance officer não exige nenhuma formação específica.
Porém, os conhecimentos em Direito são parte fundamental da sua atuação, levando a uma preferência do
mercado por profissionais da área. O advogado que deseja atuar como compliance officer deve aprimorar seus
estudos em direito empresarial, buscando se aprofundar em questões relacionadas a negócios e gestão de
empresas.

Para quem já é formado em Direito, um bom complemento é a realização de um MBA. O profissional


também pode buscar complementar sua formação com cursos específicos (pós-graduações, especializações e
mestrados) sobre o segmento em que deseja atuar, como engenharia, saúde ou mercado financeiro.

Advocacia para startups

A maior diferença do Direito para startups se dá em relação à realidade e às exigências do setor. De


maneira geral, empreendedores precisam de soluções ágeis e rápidas, uma vez que o mercado em que estão
inseridos é extremamente dinâmico e não permite contratempos. Nesse sentido, é importante que o advogado
tenha em mente que a lei não acompanha o ritmo das inovações tecnológicas e, portanto, dos produtos e
serviços criados pelas startups. Com isso, muitas soluções que jovens empreendedores visam para o mercado
ainda não contam com regulamentação ou marcos legais, exigindo do profissional da advocacia preparo e jogo
de cintura. Afora isso, as necessidades jurídicas enfrentadas pelas startups não diferem daqueles exigidas por
empresas tradicionais, como:

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APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

• Direito trabalhista: gere as relações de trabalho entre a empresa e seus colaboradores;


• Direito tributário: lida com questões relacionadas aos tributos que incide sobre a atividade da startup
e ao regime de tributação mais adequado para cada empresa;
• Direito empresarial: auxilia nos processos necessários para abertura, funcionamento e, em alguns
casos, fechamento da empresa, além da relação entre os sócios;
• Direito do consumidor: rege a relação entre as empresas, seus clientes e as soluções que oferecem.

Por fim, é importante destacar que o Direito para startups exige que o advogado se familiarize com os
termos muitos próprios do universo dessas empresas. Isso é fundamental para que o profissional entenda e se
faça entender, não sendo pego de surpresa por expressões que não conhece e, ao mesmo tempo, dificultando a
compreensão de pessoas imersas em um ambiente pouco receptivo a formalidades.

Consultoria jurídica

A consultoria ou assessoria jurídica é um serviço prestado com o objetivo de ajudar os clientes em


assuntos relacionados ao universo jurídico e fornecer informações e opiniões de um especialista no tema,
independentemente da área do Direito em questão. Assim, a pessoa ou empresa que contrata uma consultoria
terá mais embasamento no tema para tomar decisões, evitando transtornos causados pelo desconhecimento de
conceitos legais. É importante lembrar que o assessor jurídico não é o profissional que vai atuar representando o
indivíduo ou a organização em processos. Em vez disso, ele vai auxiliar em assuntos legais que essas pessoas
ou empresas precisem resolver no cotidiano.

Este serviço deve trazer soluções relativamente contundentes e rápidas para resolver o problema do
cliente. Dessa forma, para assegurar que a consultoria será eficiente, é preciso que o profissional foque sua
atuação em áreas em que é especialista. Com relação ao atendimento, ele pode ser realizado de muitas formas
diferentes. Há profissionais que fazem consultas presenciais ou por telefone. Hoje em dia, também há cada vez
mais pessoas que oferecem o serviço de consultoria jurídica online.

Em se tratando do vínculo, é importante que este seja acordado previamente em contrato, podendo ser
uma consultoria avulsa, voltada principalmente para resolver questões mais pontuais, ou um contrato mensal
com valores predeterminados, em casos em que a assessoria seja algo mais recorrente para o cliente. Devido à
natureza da atividade, a consultoria jurídica só pode ser feita por um advogado. E não basta possuir o curso de
bacharelado em Direito: é necessário ter um registro ativo na OAB. Existe até mesmo um parecer emitido pela
Tribunal de Ética e Disciplina da OAB que dispõe sobre isso.

CONCEITO DE ARQUIVO E PROTOCOLO

Noções de protocolo e técnicas de arquivo

As atividades de recebimento de documentos, registro,


controle de tramitação e expedição de correspondências
constituem os serviços de protocolo. E as atividades de
arquivamento e empréstimo de documentos são os serviços de
arquivo. Então, não podemos separar os serviços de protocolo
dos serviços de arquivo. Daí ser comum, na estrutura
organizacional das instituições, a existência de setores,
normalmente denominados Arquivo e Protocolo, ou Arquivo e
Comunicação ou outro nome parecido, que respondem tanto
pelo protocolo como pelo arquivamento.

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APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

Em relação aos serviços de arquivo e protocolo, é importante destacarmos que as rotinas e


procedimentos para sua execução devem ser criados pela própria instituição, obedecendo a um critério
adequado às suas características. Não podemos predeterminar e nem impor qualquer rotina ou procedimento a
uma empresa, mas apenas sugerir. As atividades de recebimento de documentos, registro, controle de
tramitação e expedição de correspondências constituem os serviços de protocolo. E as atividades de
arquivamento e empréstimo de documentos são os serviços de arquivo.

Em relação aos serviços de arquivo e protocolo, é importante destacarmos que as rotinas e


procedimentos para sua execução devem ser criados pela própria instituição, obedecendo a um critério
adequado às suas características. Não podemos predeterminar e nem impor qualquer rotina ou procedimento a
uma empresa, mas apenas sugerir.

PROTOCOLO

É a denominação atribuída aos setores encarregados do recebimento, registro, distribuição e


movimentação e expedição de documentos. É também o nome atribuído ao numero de registro dado ao
documento ou, ainda, ao livro de registro de documentos recebidos e expedidos.

• RECEBIMENTO
• CLASSIFICAÇÃO (OSTENSIVO, SIGILOSO, PARTICULAR)
• REGISTRO (CADASTRO DE CONTROLE, AUTOMATIZADO OU MANUAL)
• MOVIMENTAÇÃO (DISTRIBUIÇÃO - EXPEDIÇÃO)
• ARQUIVO

Conjunto de documentos que, independentemente da natureza ou do suporte, são reunidos por


acumulação ao longo das atividades de pessoas físicas ou jurídicas, públicas ou privadas. Entidade
administrativa responsável pela custódia, pelo tratamento documental e pela utilização dos arquivos sob sua
jurisdição. Edifício em que são guardados os arquivos. Móvel destinado à guarda de documentos. Em
processamento de dados, conjunto de dados relacionados, tratados como uma totalidade.

ARQUIVO CORRENTE - Conjunto de documentos estreitamente vinculados aos objetivos imediatos para os
quais foram produzidos ou recebidos no cumprimento de atividades-fim e atividades-meio e que se conservam
junto aos órgãos produtores em razão de sua vigência e da freqüência com que são por eles
consultados.Unidade administrativa ou órgão encarregado do arquivo corrente.

ARQUIVO CENTRAL - Unidade responsável pelo controle dos documentos acumulados pelos diversos
setores e serviços de uma administração e pelos procedimentos técnicos a que devem ser submetidos.

ARQUIVO INTERMEDIÁRIO - Constituído de documentos que não sendo de uso corrente, aguardam em
armazenamentos, sua destinação final. Unidade ou órgão responsável pelo arquivo intermediário. Arquivo
Geral.

ARQUIVO HISTÓRICO - Conjunto de documentos custodiados em caráter definitivo, em função de seu


valor. Unidade administrativa ou órgão encarregado de arquivos permanentes.

MÉTODOS DE ARQUIVAMENTO

Os principais métodos de arquivamento utilizados podem ser apresentados da seguinte forma:

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APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

• Alfabético – é utilizado quando o elemento principal a ser considerado é o nome, pode ser chamado de
sistema direto, pois a pesquisa é feita diretamente no arquivo por ordem alfabética. Este método é
bastante rápido, direto e de fácil utilização.
• Geográfico – também é do sistema direto, onde a busca é realizada pelos elementos procedência ou
local, que estão organizados em ordem alfabética.
• Numérico – este método deve ser utilizado quando o elemento principal é um numero, sendo
considerado sistema indireto, pois, para localizar um documento faz-se necessário recorrer a um índice
alfabético de assunto que fornecerá o número sob o qual o documento foi organizado. Pode ser dividido
em três tipos: o numérico simples (para cada cliente existe um numero), o método numérico cronológico
(além do numero observa-se também a data do documento), e o método dígito-terminal (os documentos
são numerados sequencialmente, mas sua leitura apresenta uma peculiaridade que caracteriza o método,
ou seja os números são dispostos em três grupos de dois dígitos cada um e são lidos da direita para a
esquerda, formando pares). Este método é geralmente utilizado em arquivos com grande volume de
documentos com elemento principal número.
• Assunto ou ideográficos – este método é bastante utilizado, porém, não é de fácil aplicação porque
depende de interpretação dos documentos sob analise e diante disso requer grande conhecimento das
atividades institucionais e da utilização de vocabulários controlados. Podem ser apresentados alfabética
ou numericamente. No caso da apresentação alfabética, utiliza-se a ordem alfabético-enciclopédica,
quando os assuntos correlatos são agrupados sob títulos gerais e dispostos alfabeticamente; ou a ordem
dicionário, que ocorre quando os assuntos são dispostos alfabeticamente, seguindo-se a ordem
seqüencial das letras.

Planejamento de um Arquivo:

• Objetivos e atividades
• Para qual usuário
• Características dos documentos
• Pessoal disponível para o arquivo
• Material, equipamentos e área disponível
• Previsão de desenvolvimento no futuro
• Grau de economia
• Avaliação dos documentos
• Prazo de validade
• Tabela de temporalidade
• Plano para destruição
• Microfilmagem
• Critérios para avaliação
• Elaborar códigos de assuntos
• Cada setor analisa os documentos próprios
• Cada setor faz sua proposta sobre o prazo administrativo
• Prazos legais: consultar setor jurídico

MICROFILMAGEM

A microfilmagem é um sistema de gerenciamento e preservação de informações, mediante a captação


das imagens de documentos por processo fotográfico sendo juridicamente amparada. O microfilme reduz
drasticamente o volume dos arquivos, sendo um meio de armazenamento mais racional e prático,
proporcionando acesso eficiente, rápido, limpo e seguro às informações arquivadas e a baixo custo.

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APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

O Brasil possui legislação federal específica, que autoriza as atividades de


microfilmagem no país, estabelecendo que o microfilme reproduz os mesmos
efeitos legais dos documentos originais, podendo estes serem eliminados após
a microfilmagem.

O microfilme cópia se destina ao manuseio diário, ao passo que o original tem


por finalidade garantir a integridade e preservação das informações.

Vantagens

• Confiabilidade: durabilidade superior a 100 anos e reconhecimento legal.

• Norma ISO: o microfilme é uma mídia compatível. Garantia de imutabilidade.

• Baixo custo: armazenamento eficiente a um custo muito baixo por imagem.

• Reproduzível: facilidade de reproduzir um microfilme e de reversão ao papel.

• Digitalizável: pode ser convertido em dados eletrônicos.

TERMOS JURÍDICOS

A origem da maioria dos termos jurídicos:

A maior fonte dos vocábulos jurídicos é o Direito Romano e, consequentemente, se originam do latim,
língua que surgiu na região do Lácio, próxima a Roma Antiga. A palavra “Direito” é oriunda do latim directus,
“em linha reta”, sendo aplicável no sentido de seguir corretamente o conjunto de leis e normas vigentes em uma
sociedade.

Do latim jus, “lei, direito legal”, surgiram inúmeras derivações, como “justiça”, oriunda do latim justitia,
que significa “direito, equidade, administração da lei”, junção de justus, “correto, justo”, com jus. Seguindo a
mesma lógica, temos as palavras jurisprudência e julgamento. A primeira palavra vem do latim jurisprudentia,
“a ciência da lei” – jus mais prudentia, “conhecimento, previsão”. A segunda, por sua vez, vem do latim
judicare, “julgar”, composta por jus mais dicere, “dizer, falar”. .

A lista não termina por aí! Há também outras palavras que derivam da junção do termo jus com outras
expressões latinas, como juiz, judicial, judicante… Com esses exemplos, fica fácil compreender a origem de
diversas palavras que integram o famoso juridiquês. Para complicar ainda mais, muitas delas ainda são
utilizadas em latim, sem a conversão para a língua portuguesa.

No entanto, não se preocupe!

Para te ajudar, preparamos uma lista com 27 palavras/expressões e seus significados para que você já
fique ambientado com os jargões jurídicos.

Preparado(a)? Vamos juntos conhecer nosso glossário! Primeiramente, vamos recorrer ao latim para,
depois, desvendarmos o significado de termos da língua portuguesa que integram o juridiquês.

Glossário

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APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

Expressões em latim:

1- Data venia: expressão latina que significa “com a devida licença”, uma maneira respeitosa de iniciar uma
argumentação para contrariar a opinião de uma pessoa. É oriunda da junção do termo dare, “dar”, e venia,
“licença/permissão”.

2- Venire contra factum proprium: significa a vedação de comportamento contraditório, como forma de
preservar a boa-fé objetiva.

3- A quo: expressão utilizada para se referir ao Juízo de origem, ou ao Juiz ou Tribunal que proferiu uma
decisão que está sendo recorrida, ou ao termo inicial de um prazo.

4- Ad quem: expressão que é utilizada para se referir ao Juiz ou Tribunal para o qual um processo está sendo
encaminhada, ou para um Juiz ou Tribunal que julgará um recurso, ou ao termo final de um prazo.

5- Bis in idem: do latim bis, “repetição”, e in idem, “sobre o mesmo”. No Direito, a expressão é utilizada para
caracterizar a repetição de uma sanção sobre um mesmo fato.

6- Inaudita altera pars: quando um ato jurídico é realizado sem que a outra parte seja consultada.

7- In re ipsa: dano presumido, que prescinde de comprovação.

8- In dubio pro reo: implica dizer que, havendo dúvida por parte do juiz, ele deverá absolver o réu.

9-Iter criminis: caminho percorrido pelo autor até a execução do crime.

10- Juris tantum: presunção de veracidade de algum fato que admite prova em contrário.

11- Juris et de jure: presunção que não admite prova em contrário.

12- Lato sensu: em sentido amplo de uma palavra/expressão.

13- Stricto sensu: sentido restrito de uma palavra/expressão.

14- Pacta sunt servanda: os pactos/contratos devem ser respeitados.

Expressões em português

15- Acórdão: decisão final proferida por um tribunal superior em julgamento colegiado.

16- Memorial: são as alegações finais apresentadas pelas partes no processo, objetivando convencer o julgador.

17- Fazer carga: quando o representante legal de uma das partes retira o processo do órgão judicial para
praticar um ato ou requerer o que for de direito.

18- Impetrar: solicitar alguma providência judicial, normalmente utilizada quando do ajuizamento de alguma
ação, ou interposição de algum recurso.

19- Peça judicial: termo utilizado para indicar determinadas manifestações processuais, como petição inicial,
contestação e recursos.

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APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

20- Trânsito em julgado: expressão utilizada para designar uma decisão ou acórdão que não pode mais ser
recorrido.

21- Réu: palavra que serve para fazer referência à pessoa que é chamada para responder uma ação no polo
passivo.

22- Exordial: termo utilizado para fazer referência à peça (petição) inicial de um processo.

23- Alçada: limite de competência de um juízo ou tribunal para conhecer ou julgar demandas, conforme o valor
da ação.

24- Decisão interlocutória: decisão por meio da qual o juiz resolve uma questão incidental da ação.

25- Despacho: ato praticado pelo juiz para dar andamento ao processo, que não diz respeito ao mérito da causa.

26- Preparo: é o adiantamento das despesas decorrentes do processamento de um recurso.

27- Deserção: forma de sancionar a parte recorrente que não realiza o preparo recursal

Glossário de termos jurídicos

A contento – Diz-se de tudo que se fez satisfatoriamente, ou que se concluiu segundo os próprios desejos
anteriormente manifestados.

Abertura de falência – ato pelo qual se declara o estado de insolvência de um devedor comerciante e se autoriza
o processo de falência correspondente, com a nomeação do síndico, arrecadação dos bens e verificação dos
credores etc. A falência se abre no domicílio do devedor ou no lugar em que ele tem o seu principal
estabelecimento.

Abolitio criminis – Expressão latina utilizada em Direito Penal. Significa a extinção do crime devido à
publicação de lei que extingue o delito anteriormente previsto no ordenamento jurídico.

Ab-rogação – É a revogação total de uma lei ou decreto, de uma regra ou regulamento, por uma nova lei,
decreto ou regulamento. É ainda a ação de cassar, revogar, tornar nulo ou sem efeito um ato anterior. Em regra,
ab-rogação somente ocorre em virtude de lei ou regulamento que venha implantar novos princípios,
determinando a anulação ou cassação da lei, regulamento ou costume anteriormente vigentes.

Abuso de autoridade – 1. Abuso de poder conferido a alguém, seja poder público (administrativo), como poder
privado (pátrio poder, poder conjugal). 2. Excesso de limites nas funções administrativas cujas atribuições são
definidas e determinadas em lei. 3. Emprego de violência para execução de um ato, que se efetiva sob proteção
de um princípio de autoridade. A jurisprudência caracteriza a sua existência, quando ocorrem os seguintes
elementos: a) que o fato incriminado constitua crime; b) que o tenha praticado um funcionário público ou
pessoa investida de autoridade pública; c) que haja sido cometido no exercício de sua função; d) que não se
verifique motivo legítimo, que o justifique. O Código Penal prevê pena de detenção, de um mês a um ano, para
quem comete esse crime.

Abuso de poder – 1. Exorbitância dos poderes conferidos. Excesso de mandato. Exercícios de atos não
outorgados ou não expressos no mandato ou na procuração. 2. Prática de atos que excedem as atribuições
conferidas em lei ou que escapam à alçada funcional. Arbitrariedade. A Lei nº 4.898/65 regula o direito de
representação e o processo de responsabilidade administrativa civil e penal nos casos de abuso de poder.
21
APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

Ação – Direito que tem qualquer cidadão para buscar uma decisão judicial, por meio de um proceso.

Ação cautelar – Ou medida cautelar ou processo de medida cautelar. Tem a finalidade de, temporária e
emergencialmente, conservar e assegurar elementos do processo (pessoas, coisas e provas) para evitar prejuízo
irreparável que a demora no julgamento principal possa acarretar. A ação cautelar pode ser nominada (arresto,
seqüestro, busca e apreensão) e inominada, ou seja, a que o Código de Processo Civil não atribui nome, mas
sim o proponente da medida (cautelar inonimada de sustação de protesto, por exemplo). Pode ser preparatória,
quando antecede a propositura da ação principal, e incidental, proposta no curso da ação principal, como
incidente da própria ação.

Ação cível originária – É a ação cível que se inicia nos tribunais, e não nos juízos monocráticos, como as
demais ações cíveis. A competência para processar e julgar a ação cível originária tem natureza funcional e
funda-se na qualidade da parte ou na matéria de litígio. Por exemplo, a Constituição Federal atribui ao Supremo
Tribunal Federal a competência para processar e julgar o litígio entre Estados estrangeiros ou organismos
internacionais e a União, Estados, Distrito Federal e Territórios, inclusive entre os órgãos da administração
indireta.

Ação civil pública – É uma ação destinada a proteger interesses difusos ou coletivos, responsabilizando quem
comete danos contra os bens tutelados. Pode ser ajuizada pelo Ministério Público ou outras pessoas jurídicas,
públicas ou privadas, para proteger o patrimônio público e social, o meio ambiente, o consumidor para obter
reparação de danos. Por meio da ACP, pede-se que os réus sejam condenados à obrigação de fazer ou deixar de
fazer determinado ato, com a imposição de multa em caso de descumprimento da decisão judicial.

Ação de execução – Ação para obrigar cumprimento de um direito já reconhecido.

Ação de improbidade administrativa – Ação ajuizada contra pessoas físicas ou jurídicas que praticaram atos de
improbidade administrativa. Geralmente, além da imposição de sanções políticas (suspensão dos direitos
políticos, inelegibilidade), pede-se ainda que a pessoa devolva os recursos eventualmente desviados.

Ação de jurisdição voluntária – É aquela ação em que não há conflito entre duas partes adversárias. Por
exemplo, as ações declaratórias de direitos são ações de jurisdição voluntária.

Ação de reintegração de posse – Ação pela qual o possuidor de uma coisa avoca a proteção da Justiça para
reaver o que lhe foi usurpado ou espoliado.

Ação declaratória – É um pedido que a pessoa faz para que o Judiciário declare a existência (ou inexistência, se
o juiz assim entender) de uma relação ou situação jurídica. Por exemplo, ação de pedido de naturalização.

Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) – Ação que tem por objeto a declaração da
constitucionalidade de lei ou ato normativo federal. É proposta perante o Supremo Tribunal Federal. Somente
podem propor ADC o presidente da República, a Mesa do Senado Federal, a Mesa da Câmara dos Deputados
ou o procurador-geral da República.

Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) – Ação que tem por objeto principal a declaração de
inconstitucionalidade de lei ou ato normativo. É proposta perante o Supremo Tribunal Federal quando se tratar
de inconstitucionalidade de norma ou ato normativo federal ou estadual perante a Constituição Federal. Ou será
proposta perante os Tribunais de Justiça dos Estados quando se tratar de inconstitucionalidade de norma ou ato
normativo estadual ou municipal perante as Constituições Estaduais. Se julgada improcedente, a Corte
declarará a constitucionalidade da norma ou ato.

Ação penal – É a ação para examinar a ocorrência de crime ou contravenção. Pode ser privada, quando
promovida pela pessoa que foi ofendida, ou pública. Ela é privada quando é o próprio ofendido que pede a
22
APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

punição do ofensor, porque o bem violado é exclusivamente privado (por exemplo, um queixa por crime de
calúnia, que é espécie de crime contra a honra). A ação é penal pública quando os crimes têm reflexos na
sociedade, por isso o próprio Estado (Poder Judiciário) tem interesse na sua punição e repressão. Nesse caso,
ele vai agir por intermédio do Ministério Público. Só o MP pode propor a ação penal pública em juízo.

Ação popular – É o direito que assiste a cada cidadão de pleitear perante a Justiça a anulação ou declaração de
nulidade de atos lesivos ao patrimônio da União, dos Estados ou dos Municípios, bem como das entidades
autárquicas e das sociedades de economia mista. A Constituição Federal de 1988 ampliou o âmbito de
incidência da ação popular também às hipóteses de ofensa à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao
patrimônio histórico e cultural.

Ação regressiva – É fundada no direito de uma pessoa (direito de regresso) de haver de outrem importância por
si despendida ou paga no cumprimento de obrigação, cuja responsabilidade direta e principal a ele pertencia. A
ação tem por objetivo reaver a soma despendida nessa reparação da pessoa cujo dano foi por ela,
individualmente, causado.

Ação rescisória – Pede a anulação de uma sentença ou acórdão de que não cabe mais recurso. Pode ser usada
em dez casos previstos no Código de Processo Civil.

Acautelar – Ato de defender-se ou prevenir-se.

Acórdão – Decisão judicial proferida por um grupo de juízes.

Ad argumentandum tantum – Somente para argumentar.

Ad cautelam – Por cautela.

Ad hoc – Para isso. Diz-se de pessoa ou coisa preparada para determinada missão ou circunstância: secretário
ad hoc, tribuna ad hoc.

Ad nutum – Condição unilateral de revogação ou anulação de ato.

Ad referendum – Para aprovação.

ADCT – Ato das Disposições Constitucionais Transitórias.

Adição da denúncia – É o ato pelo qual o promotor público, após ter oferecido a denúncia, vem aditá-la para
incluir novos nomes ou novos fatos, que a ela se integram.

Aditamento – Adição. Acréscimo de informação, quando possível, a um documento com a finalidade de


complementá-lo ou esclarecê-lo.

Administração Pública – É o conjunto de órgãos e serviços do Estado, bem como a atividade administrativa em
si mesma, ou seja, a ação do Estado para satisfação de seus fins de conservação, de bem-estar individual dos
cidadãos e progresso social.

Advocacia administrativa – É patrocinar, direta ou indiretamente, interesse privado perante a administração


pública, valendo-se da qualidade de funcionário público (artigo 321 do Código Penal). Pena: detenção, de um a
três meses, ou multa. Se o interesse é ilegítimo: detenção, de três meses a um ano, mais multa.

Advogado dativo ou assistente judiciário – É o advogado nomeado por um juiz, no curso de uma ação, para
prestar assistência a uma pessoa que não possui condições de pagar as custas do processo ou os honorários do
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APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

advogado. Pode acontecer também de, mesmo a parte tendo advogado, este não comparecer a um ato judicial,
como por exemplo, na oitiva das testemunhas, e, aí, é necessário um defensor dativo.

Advocacia-Geral da União – Instituição que, diretamente ou através de órgão vinculado, representa a União,
judicial e extrajudicialmente. Cabe-lhe ainda as atividades de consulta e assessoramento jurídico do Poder
Executivo. Tem por chefe o advogado-geral da União.

Agravo – Recurso contra decisão interlocutória ou contra despacho de juiz ou membro de tribunal agindo
singularmente. Ver artigos 522 a 529 do Código de Processo Civil com redação dada pela Nova Lei de Agravo
(Lei nº 11.187/2005).

Agravo de instrumento – Recurso admitido contra decisões interlocutórias em que o agravo será processado
fora dos autos da causa onde se deu a decisão impugnada, formando razões e contra-razões dos litigantes para o
respectivo julgamento. Será interposto quando existir risco de a decisão causar lesão grave e de difícil
reparação à parte, nos casos em que ocorrer inadmissão da apelação e nos casos relativos aos efeitos em que a
apelação é recebida.

Agravo retido – Recurso admitido contra decisões interlocutórias em que o agravo permanecerá retido nos
autos a pedido do agravante e que deverá ser interposto nas decisões proferidas na audiência de instrução e
julgamento e das posteriores à sentença tendo seu exame apenas depois do julgamento do processo se houver
sido interposto recurso de apelação pelo vencido.

Ajuizar – Propor uma ação; ingressar em juízo.

Alvará de soltura – Ordem judicial que determina a liberdade de uma pessoa que se encontra presa; quando
cumprida ou extinta a pena, será posta, imediatamente, em liberdade (artigo 685 do Código de Processo Penal).

Amicus curiae – Amigo do tribunal, significando o terceiro no processo que é convocado pelo juiz para prestar
informações ou esclarecer questões técnicas, inclusive jurídicas, que interessam à causa.

Anistia – É o termo que se usa na linguagem jurídica para significar o perdão concedido aos culpados por
delitos coletivos, especialmente de caráter político, para que cessem as sanções penais contra eles e se ponha
em perpétuo silêncio o acontecimento apontado como criminoso (art. 107, II, Código Penal).

Antecipação de tutela – ver Tutela Antecipada.

Anulação – É o ato ou a decisão, de caráter judicial ou administrativo, que, reconhecendo a existência de vício
ou defeito em ato ou negócio jurídico, diante da solicitação de quem tenha interesse na sua ineficácia jurídica,
vem declará-lo inválido ou desfeito. É, pois, a declaração da inexistência do ato ou do negócio, que se indica
anulável ou que se apresenta inválido. A anulação do ato jurídico (decorre de sentença) torna inefetiva e
inexistente toda sua eficácia jurídica, seja perante os próprios agentes, que o compuseram, ou em relação a
terceiros, que possa ter interesse nele. A anulação do ato administrativo ou de autoridade (decorre de ato
administrativo, como portaria, decreto, estatuto ou regulamento) também tem a conseqüência de tornar cassado,
rescindido, sem vigência, o ato atingido por esta decisão.

Apelação – É um dos recursos de que se pode utilizar a pessoa prejudicada pela sentença a fim de que, subindo
a ação à superior instância, e, conhecendo o mérito da apelação, pronuncie uma nova sentença, confirmando ou
modificando a primeira decisão judicial.

Arbitragem – É uma forma para solucionar litígios, entre pessoas capazes de contratar, relativos a direitos
patrimoniais disponíveis. A arbitragem poderá ser de direito ou de eqüidade, a critério das partes. Poderão as
partes escolher, livremente, as regras de direito que serão aplicadas na arbitragem, desde que não haja violação
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APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

aos bons costumes e à ordem pública. Poderão, também, as partes convencionar que a arbitragem se realize com
base nos princípios gerais de direito, nos usos e costumes e nas regras internacionais de comércio. Lei da
Arbitragem, nº 9.307/96.

Aresto – Decisão de um tribunal; equivale a acórdão.

Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) – Proposta perante o Supremo Tribunal


Federal, tem por objetivo evitar ou reparar lesão a preceito fundamental, resultante de ato do Poder Público. Ver
a Lei nº 9.882/99 e Constituição Federal, art. 102, § 1º.

Argüição de Inconstitucionalidade – Também chamada de incidente de inconstitucionalidade. É o procedimento


decorrente do princípio da reserva de plenário, previsto no art. 97 da Constituição Federal, que proclama que
somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros do Tribunal ou do respectivo órgão especial poderá ser
reconhecida a inconstitucionalidade de ato normativo do Poder Público. Por meio da argüição de
inconstitucionalidade, as pessoas ou entidades descritas no art. 103 da Constituição impugnam atos ou
legislação de natureza normativa que contrariem os preceitos da Carta Magna.

Argüição de suspeição – Processo utilizado para afastar de causa um juiz, membro do Ministério Público ou
servidor da Justiça sobre o qual haja uma desconfiança de parcialidade ou envolvimento com a causa.

Arresto – Apreensão judicial de bens do devedor, ordenada pela justiça, como meio acautelador de segurança
ou para garantir o credor quanto à cobrança de seu crédito, evitando que seja injustamente prejudicado, pelo
desvio desses bens. Chamado também de embargo. Artigo 653 do Código de Processo Civil.

Assistência judiciária – Direito previsto na Constituição para as pessoas, comprovadamente pobres, que não
estiverem em condições de pagar as despesas ou custas judiciais, sem prejuízo do sustento próprio e de sua
família, de utilizar a atividade jurisdicional do estado. É promovida através da Defensoria Pública – incumbida
da orientação jurídica e a defesa, em todos os graus, daqueles necessitados que comprovarem insuficiência de
recursos. A assistência judiciária compreende também a isenção de taxas judiciárias, emolumentos, despesas de
editais, indenizações etc. Ver: artigos 5º, inciso LXXIV, e 134 da Constituição Federal; Lei nº 10.212/01; Lei nº
9.020/95; Lei Complementar nº 98/99 e Lei Complementar nº 80/94.

Ato administrativo – Designa todo o ato praticado por delegado dos poderes públicos no exercício de suas
funções administrativas, seja dirigindo os negócios públicos, que são atribuídos a sua competência, seja
promovendo todas as medidas e diligências indispensáveis a sua realização.

Ato jurídico – Denominação que se dá a todo ato lícito, que tenha por fim imediato adquirir, resguardar,
transferir, modificar ou extinguir direitos. A validade do ato jurídico requer agente capaz, objeto lícito e forma
prescrita ou não proibida em lei. Artigos 81 a 85 do Código Civil.

Audiência pública – Instrumento de atuação extrajudicial do Ministério Público com o objetivo de colher
subsídios para a instrução de procedimento ou inquérito civil público. O procurador convoca uma audiência
pública para que todas as partes interessadas, bem como representantes da sociedade civil, exponham suas
posições sobre assunto investigado. Pode haver ocasiões em que na audiência pública chegue-se a uma solução
intermediada pelo Ministério Público.

Autarquia – É o serviço autônomo, criado por lei, com personalidade jurídica, patrimônio e receita próprios,
para executar atividades típicas da Administração Pública, que requeiram, para seu melhor funcionamento,
gestão administrativa e financeira descentralizada. Artigo 5º do Decreto-Lei nº 200/67.

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APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

Auto-acusação falsa – É um dos crimes praticados contra a administração da justiça. Consiste em acusar-se,
perante a autoridade, de crime inexistente ou praticado por outrem. A pena prevista é de detenção, de três meses
a dois anos, ou multa (artigo 341 do Código Penal).

Auto-executoriedade administrativa – É poder da Administração Pública de executar as suas próprias decisões


sem haver necessidade da tutela judicial. Assim, a Administração Pública por si só cumpre as suas funções com
os seus próprios meios, ainda quando tal execução interfira na esfera privada do administrado. A auto-
executoriedade administrativa, também chamada de autotutela, subsiste na regra geral, salvo quando a lei
expressamente exclui tal poder, como, por exemplo, na desapropriação ou na cobrança da dívida ativa.

Autos – É o nome que se dá ao conjunto das peças que compõem um processo, incluindo todos os anexos e
volumes.

Autuação – É o ato que consiste em dar existência material a um processo ou procedimento: junta-se a inicial,
que pode ser, por exemplo, uma denúncia ou uma representação, com todos os documentos relativos ao caso;
põe-se uma capa, na qual constam indicações como nomes do autor e réu, ou do representante e representado,
mais a data, breve descrição do assunto e o número que aquele processo/procedimento recebeu.

Baixa dos autos – Expressão que significa a volta dos autos do grau superior para o juízo originário, após
julgamento do último recurso cabível e interposto.

Bem inalienável – É aquele que, por força de lei ou cláusula contratual, não pode ser objeto de alienação.

Bem público – Tanto pode ser tomado no sentido de coisa integrada ao domínio público, significando res
nullius, como pode significar todo benefício ou utilidade que se promove para o bem-estar da coletividade, isto
é, para seu sossego, para sua tranqüilidade e para a sua segurança.

Bens dominiais – Ou bens dominicais. Bens propriamente imobiliários, isto é, os bens imóveis, sobre os quais
incidem duas espécies de domínio: o direto (de senhor) e o útil (de possuidor). Mas, por extensão, também se
designam pela mesma expressão os bens móveis, sobre os quais também incidem os direitos de seu proprietário,
direitos que são diretos e direitos que são úteis, tal como ocorre nos imóveis.

Bens imóveis – Os que, por sua natureza de imobilidade ou fixação ao solo, seja natural ou artificial, mas de
modo permanente, dele não se possam mover, em seu todo, sem se desafazerem ou se destruírem. Desse modo,
em sentido próprio, por imóveis se entende o solo, como tudo que a ele se fixou em caráter permanente, sem a
intervenção do homem (naturalmente) ou por sua vontade (artificialmente).

Bens públicos – Os bens de uso comum e os pertencentes ao domínio particular da União, dos Estados
federados e dos Municípios. Em sentido lato, dizem-se públicos os bens destinados ao uso e gozo do povo,
como aqueles que o Estado reserva para uso próprio ou de suas instituições e serviços públicos. Os bens
públicos são inalienáveis, impenhoráveis e imprescritíveis.

Bens semoventes – São os bens constituídos por animais selvagens, domesticados ou domésticos.

Bis in idem – Significa imposto repetido sobre a mesma coisa, ou matéria já tributada.

Bitributação – Diz-se quando duas autoridades diferentes, igualmente competentes, mas exorbitando uma delas
das atribuições que lhes são conferidas, decretam impostos que incidem, seja sob o mesmo título ou sob nome
diferente, sobre a mesma matéria tributável, isto é, ato ou objeto. Na bitributação há uma competência
privativa, conferida ao poder que está autorizado a cobrar determinado imposto, e outra arbitrária, decorrente da
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APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

tributação, que se faz excedente e contrariamente, ao que se institui na Constituição. Não se confunde com o bis
in idem. A bitributação é vedada pela Constituição Federal. O bis in idem, embora imposto injusto e
antieconômico, não se diz proibido por lei.

Busca e apreensão – É a diligência policial ou judicial que tem por fim procurar coisa ou pessoa que se deseja
encontrar, para trazê-la à presença da autoridade que a determinou. A busca e apreensão se faz para procurar e
trazer a coisa litigiosa, a pedido de uma das partes, para procurar e apreender a coisa roubada ou sonegada.
Também se procede a diligência para procurar e trazer à presença da autoridade, que a ordenou, o menor, que
saiu do poder de seus pais ou tutores, para recolocá-lo sob o poder destes. Em regra, a busca e apreensão é de
natureza criminal. Mas admite-se em juízo civil e comercial, para trazer as coisas à custódia do juízo, onde se
discute quanto ao direito sobre elas.

Cabo eleitoral – São pessoas que, geralmente na época de campanha, a mando dos chefes ou líderes partidários,
devem conseguir mais integrantes para se filiarem ao partido político ou conseguir mais eleitores para votarem
nos candidatos da legenda. Ver Lei 4.737/65 (Código Eleitoral) e Lei 9.504/97 (estabelece normas para as
eleições).

Caducar – Ficar sem efeito ou sem valor, não surtir mais efeito, seja porque não se usou o direito que se tinha,
seja porque se renunciou a ele, seja porque se deixou de cumprir ato subseqüente, que era da regra.

Calúnia – Crime contra a honra, que consiste em imputar falsamente a alguém fato definido como crime
(Código Penal, artigo 138).

Câmaras de Coordenação e Revisão – Órgãos colegiados do Ministério Público Federal que tem as atribuições
de coordenar, integrar e revisar o exercício funcional dos membros do MPF. Há seis Câmaras. A 1ª CCR trata
de questões relativas à matéria constitucional e infraconstitucional; a 2ª CCR, de matéria criminal e controle
externo da atividade policial; a 3ª CCR, de consumidor e ordem econômica; a 4ª CCR trata de questões
referentes ao meio ambiente e patrimônio cultural; a 5ª CCR, patrimônio público e social; e a 6ª CCR, de índios
e minorias.

Capacidade civil – Capacidade significa a aptidão que a pessoa tem de adquirir e exercer direitos. Pelo Código
Civil toda pessoa é capaz de direitos e deveres na ordem civil; a incapacidade é a exceção, ou seja, são
incapazes aqueles discriminados pela legislação (menores de 16 anos, deficientes mentais etc). A capacidade
divide-se em dois tipos: a) capacidade de direito: em que a pessoa adquire direitos, podendo ou não exercê-los,
e b) capacidade de exercício ou de fato: em que a pessoa exerce seu próprio direito. Com isso, conclui-se que
todas as pessoas têm capacidade de direito, mas nem todas possuem a capacidade de exercício do direito.
Artigo 1º e seguintes do Código Civil.

Capacidade processual – É a capacidade de a pessoa ser parte (autor ou réu) e estar em juízo, ou seja, estar em
pleno gozo do exercício de seus próprios direitos na relação jurídica processual. A pessoa, jurídica ou natural,
possui na relação processual a capacidade de direito (adquire direitos) e a capacidade de exercício (gere seus
próprios direitos). Artigo 7º do Código de Processo Civil e artigos 1º a 5º do Código Civil (sobre capacidade e
incapacidade).

Carta precatória – É o expediente pelo qual o juiz se dirige ao titular de outra jurisdição que não a sua, de
categoria igual ou superior a de que se reveste, para solicitar-lhe que seja feita determinada diligência que só
pode ter lugar no território cuja jurisdição lhe está afeta. O juiz que expede a precatória é chamado de
deprecante e o que recebe, deprecado. A precatória, ordinariamente, é expedida por carta, mas, quando a parte o
preferir, por telegrama, radiograma, telefone e fax, ou em mão do procurador.

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APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

Carta rogatória – É o expediente pelo qual o juiz pede à Justiça de outro país a realização de atos jurisdicionais
que necessitam ser praticados em território estrangeiro. Tem como requisitos essenciais: a indicação dos juízes
de origem e de cumprimento do ato; o inteiro teor da petição, do despacho judicial e do instrumento do mandato
conferido ao advogado; a menção do ato processual, que lhe constitui o objeto; o encerramento com a
assinatura do juiz. Artigos 201 e seguintes do Código de Processo Civil.

Cidadania – Qualidade das pessoas que possuem direitos civis e políticos resguardados pelo Estado. Assim, o
vínculo de cidadania estabelece direitos e obrigações da pessoa com o Estado, facultando aos cidadãos
prerrogativas para o desempenho de atividades políticas (artigos 12 e 14 da Constituição Federal).

Citação – Citação é o ato pelo qual se chama a juízo o réu ou o interessado a fim de se defender.

Cláusula leonina – Que tenha o objetivo de atribuir a uma ou a alguma das partes contratantes vantagens
desmesuradas em relação às outras, seja concedendo-lhes lucros desproporcionais em relação a sua contribuição
contratual, em face da contribuição também prestada pelas demais partes, seja porque as isenta de quaisquer
ônus ou responsabilidades, somente lhes outorgando direitos. Também chamada de cláusula exorbitante.

Cláusula pétrea – Dispositivo constitucional imutável, que não pode ser alterado nem mesmo pela via de
Emenda à Constituição. O objetivo é impedir inovações em assuntos cruciais para a cidadania ou o próprio
Estado. A relação das cláusulas pétreas encontra-se no art. 60, § 4º, da Constituição Federal de 1988.

Cláusulas exorbitantes – São as que excedem do direito comum (privado) para consignar uma vantagem ou uma
restrição à administração ou ao contrato. Não seriam elas lícitas em um contrato de direito privado, porque
desigualariam as partes na execução do contrato. Porém, são absolutamente válidas em um contrato
administrativo, uma vez que decorrem da lei ou dos princípios que regem a atividade administrativa, dentre eles
a supremacia do interesse público sobre o privado. Visam estabelecer prerrogativas em favor de uma das partes,
quase sempre em favor da administração, objetivando, sempre, o perfeito atendimento do interesse público, o
qual se sobrepõe sempre sobre o particular. Ver artigo 58 da Lei nº 8.666/93.

Coação – 1. Ato de constranger alguém; mesmo que coerção. É a ação conduzida por uma pessoa contra outra,
no sentido de fazer diminuir a sua vontade ou de obstar a que se manifeste livremente, a fim de que o agente de
coação logre realizar o ato jurídico, de que participa a outra pessoa, consentindo esta com constrangimento ou
pela violência. 2. Um dos elementos fundamentais do direito, mostrando-se o apoio ou a proteção legal, que é
avocada pelo sujeito do direito, obrigando todos que tentem molestar seus direitos a respeitá-los.

Coisa julgada – A expressão é usada para designar o momento em que a decisão judicial se torna definitiva, não
sendo mais possível entrar com qualquer recurso contra ela. A coisa julgada torna imutável e indiscutível o que
o juiz ou tribunal decidiu.

Comarca – A circunscrição territorial, compreendida pelos limites em que se encerra a jurisdição de um juiz de
Direito.

Common law – Expressão que se refere à família jurídica originada na Inglaterra e que, pelo processo de
colonização, espalhou-se pelos países de língua inglesa, como os Estados Unidos. Originariamente, significa
“Direito Comum”, isto é, o direito costumeiro reconhecido pelos juízes. Contrapõe-se ao Civil Law, o direito de
raízes romântico-germânicas caracterizado pela predominância do direito positivo.

Competência – É a medida ou extensão do poder de jurisdição de um juiz. Ou seja, a competência diz que
causas, que pessoas, de que lugar, devem ser julgadas por determinado juiz.

Concessa venia – Com a devida permissão.

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APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

Concorrência pública – Concorrência no sentido de competência de preço ou procura, de melhor oferta, para
realização de um negócio ou execução de uma obra. A concorrência pública está limitada a regras formuladas
nas leis e regulamentos. Tem a finalidade de garantir o melhor serviço e o melhor preço, verificada pela
execução da medida.

Concussão – É um dos crimes praticados por funcionário público contra a administração. Consiste em exigir,
para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão
dela, vantagem indevida. A pena prevista é de reclusão, de dois a oito anos, e multa (artigo 316 do Código
Penal).

Condescendência criminosa – É um dos crimes praticados por funcionários públicos contra a administração.
Consiste em deixar o funcionário, por indulgência, de responsabilizar subordinado que cometeu infração no
exercício do cargo ou, quando lhe falte competência, não levar o fato ao conhecimento da autoridade
competente. Pena: detenção, de 15 dias a um mês, ou multa (artigo 320 do Código Penal).

Conflito de competência – É o pedido para que uma autoridade imediatamente superior àquela onde ele é
suscitado decida quem terá poder para agir em determinada situação. Por exemplo, numa ação penal contra um
morador da capital paulista, que tentou embarcar para o exterior com passaporte falso, tendo sido preso no
aeroporto de Guarulhos. O MPF de São Paulo oferece a denúncia, mas o juiz se dá por incompetente para julgar
a causa, alegando que a competência seria do juízo federal de Guarulhos. Quem vai decidir esse conflito é o
Tribunal Regional Federal da 3ª Região. Existem conflitos negativos de competência (quando ambas os juízes
dizem que não são competentes para julgar a causa) e conflitos positivos (quando dois juízes se dizem
competentes para a mesma causa).

Conselho Nacional de Justiça – Órgão de controle externo do Poder Judiciário, foi instituído pela Emenda
Constitucional nº 45 (Reforma do Judiciário). Compõe-se de 15 membros e possui como órgãos o Plenário, a
Presidência, a Corregedoria, as Comissões e a Secretaria-Geral. Saiba mais no endereço www.cnj.gov.br.

Conselho Nacional do Ministério Público – Criado pela Emenda Constitucional nº 45 (Reforma do Judiciário),
é responsável pelo controle da atuação administrativa e financeira do MP. O CNMP pode receber denúncias
contra membros ou órgãos do Ministério Público e determinar punições aos promotores e procuradores.
Presidido pelo procurador-geral da República, o Conselho é composto por mais 13 integrantes: quatro do MPU,
três do MP dos estados, dois juízes indicados pelo STF e pelo STJ, dois advogados indicados pela OAB e dois
cidadãos de notável saber jurídico e reputação ilibada, indicados um pela Câmara dos Deputados e outro pelo
Senado. Os conselheiros permanecem no cargo por dois anos e podem ser reconduzidos uma única vez. Cabe
ao Senado Federal julgar os membros do Conselho nos crimes de responsabilidade. Já as ações judiciais contra
a atuação dos conselheiros serão julgadas pelo STF. Saiba mais no endereço www.cnmp.gov.br

Consumidor – É toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final.
Equipara-se a consumidor a coletividade de pessoas, ainda que indetermináveis, que haja intervindo nas
relações de consumo.

Contencioso – Todo ato que possa ser objeto de contestação ou de disputa, opondo-se, por isso, ao sentido de
voluntário (em que não há contestação nem disputa) ou ao gracioso (em que não se admite contenda).

Contencioso administrativo – Assim se designa o órgão da Administração Pública a que se atribui o encargo de
decidir, sob o ponto de vista de ordem pública e tendo em face a utilidade comum, toda matéria obscura ou
controversa ou todos os litígios havidos com o poder administrativo.

Contenda – Litígio. Sinônimo de controvérsia, alteração, disputa.

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APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

Contrabando – Também chamado de descaminho. Segundo o Código Penal, contrabando significa importar ou
exportar mercadoria proibida ou iludir, no todo ou em parte, o pagamento de direito ou imposto devido pela
entrada, pela saída ou pelo consumo de mercadoria. Pena: de um a quatro anos de reclusão. Artigo 334.

Contraditório – Princípio constitucional que assegura a toda pessoa, uma vez demandada em juízo, o direito de
ampla defesa da acusação ou para proteção do seu direito (Constituição Federal, artigo 5º, inciso LV).

Contrafração – Falsificação de qualquer coisa ou ato; imitação fraudulenta, que se deseja inculcar como
legítima.

Contravenção – É uma infração penal classificada como um “crime menor”. Por isso, é punido com pena de
prisão simples e/ou de multa. Ex.: os jogos de azar são contravenções penais.

Contribuição de melhoria – É um tipo de tributo. Contribuição que o Estado exige, diretamente em função de
uma obra pública, dos proprietários de imóveis que foram beneficiados por ela.

Contribuição social – É um tipo de tributo que a União pode criar para custear os serviços de assistência e
previdência social. Um exemplo é a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira).

Corpus juris civilis – Ordenamento do Direito Civil.

Correição parcial – Providência administrativo-judiciária utilizada contra despachos que importarem em


inversão tumultuária do processo, desde que não haja recurso específico ao caso. Estão legitimados para propor
correição parcial o réu, o Ministério Público, o querelante.

Corrupção ativa – Crime praticado por particular contra a Administração em geral. Caracteriza-se pela oferta ou
promessa indevida a funcionário público, para determiná-lo a praticar, omitir ou retardar ato de ofício.

Corrupção passiva – Quando é o próprio funcionário quem solicita ou recebe, para si ou para outrem, direta ou
indiretamente, vantagem indevida, ou aceita promessa de tal vantagem, desde que tais fatos ocorrem em razão
da função, ainda que fora dela ou antes de assumi-la. A pena prevista para este crime é de reclusão, de um a
oito anos, e multa. A pena é aumentada em um terço, se, em conseqüência da vantagem ou promessa, o
funcionário retarda ou deixa de praticar qualquer ato de ofício ou o pratica infringindo dever funcional. Se o
funcionário pratica, deixa de praticar ou retarda ato de ofício, com infração de dever funcional, cedendo a
pedido ou influência de outrem, a pena é de detenção, de três meses a um ano, ou multa (artigo 317 do Código
Penal).

Crime – 1. Definido legalmente como a infração penal a que a lei comina pena de reclusão ou de detenção, quer
isoladamente, quer alternativa ou cumulativamente com a pena de multa. A doutrina define crime como o "fato
proibido por lei sob ameaça de uma pena" (Bento de Faria). 2. Ação ou omissão que venha a causar dano, lesar
ou expor a perigo um bem juridicamente protegido pela lei penal.

Crime culposo – É o crime que teve como causa a imprudência, negligência ou imperícia do agente, se prevista
e punida pela lei penal (artigo 18, II, do Código Penal - Decreto-Lei 2.848/40).

Crime de responsabilidade – A rigor, não é crime, mas conduta ou comportamento de inteiro conteúdo político,
apenas tipificado e nomeado como crime, sem que tenha essa natureza. Nem lhe corresponde, exatamente,
penas (de natureza criminal), ou sanções, do tipo das que caracterizam as infrações criminais propriamente
ditas, em geral restritivas da liberdade (reclusão ou detenção). A sanção aqui é substancialmente política: a
perda do cargo pelo infringente (eventualmente, a inabilitação para exercício de cargo público, a inegibilidade
para cargo político, efeitos não-penais, igualmente, dessas infrações). A Lei nº 1.079/50 regula o crime de
responsabilidade cometido por presidente da República, ministros de Estado e do STF, governadores e
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APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

secretários de Estado. O crime de responsabilidade dos prefeitos e vereadores tem sua base legal no Decreto-
Lei nº 201/67. Segundo a Constituição Federal de 1988, artigo 85, são crimes de responsabilidade os atos do
presidente da República que atentam contra a Constituição e especialmente contra: a existência da União; o
livre exercício dos Poderes Legislativo e Judiciário, do Ministério Público e dos poderes constitucionais das
unidades da federação; o exercício dos direitos políticos, individuais e sociais; a segurança interna do país; a
probidade na administração; a lei orçamentária; o cumprimento da lei e das decisões judiciais.

Crime doloso – É o crime voluntário, isto é, aquele em que o agente teve a intenção maldosa de produzir o
resultado ou assumiu o risco de produzi-lo (artigo 18, inciso I, do Código Penal).

Crime hediondo – Em Direito Penal, é um adjetivo que qualifica o crime que, por sua natureza, causa repulsa.
O crime hediondo é inafiançável e insuscetível de graça, indulto ou anistia, fiança e liberdade provisória. São
considerados hediondos: tortura; tráfico de drogas; terrorismo; homicídio, quando praticado em atividade típica
de grupo de extermínio, ainda que cometido por um só agente; homicídio qualificado; latrocínio; extorsão
qualificada pela morte; extorsão mediante seqüestro e na forma qualificada; estupro; atentado violento ao
pudor; epidemia com resultado morte; genocídio; falsificação; corrupção ou alteração de produto destinado a
fins terapêuticos ou medicinais. Considera-se também hediondo o crime de genocídio previsto nos artigos 1°, 2°
e 3° da Lei n° 2.889/56, tentado ou consumado (Veja Código Penal - Decreto-Lei n° 2.848/40).

Crime político – Todo fato culposo, seja praticado individualmente ou por grupo de pessoas, dirigido contra a
segurança do Estado, seja em referência a sua soberania, a sua independência ou à forma de seu governo.

Custos legis – Fiscal da lei.

Dano material – Assim se diz da perda ou prejuízo que fere diretamente um bem patrimonial, diminuindo o
valor dele, restringindo a sua utilidade, ou mesmo a anulando. Também chamado dano patrimonial.

Dano moral – Assim se diz da ofensa ou violação que não vem ferir os bens patrimoniais, propriamente ditos,
de uma pessoa, mas os seus bens de ordem moral, tais sejam os que se referem a sua liberdade, a sua honra, a
sua pessoa ou a sua família

Data venia – Com devido consentimento; dada a vênia. Expressão respeitosa com que se pede ao interlocutor
permissão para discordar de seu ponto de vista.

De facto – De fato. Diz-se das circunstâncias ou provas materiais que têm existência objetiva ou real. Opõe-se a
de jure.

De jure – De direito.

Decadência – Perda de um direito pelo decurso do prazo prefixado por lei ao seu exercício.

Decisão – Denominação genérica dos atos do juízo, provocada por petições das partes ou do julgamento do
pedido. Em sentido estrito, pronunciamento do juiz que resolve questão incidente.

Decisão interlocutória – É o ato pelo qual o juiz, no curso do processo, decide questão incidente (ou seja, que
não põe fim ao processo).

Decisão judicial – Todo e qualquer despacho proferido por um juiz ou tribunal, em qualquer processo ou ato
submetido a sua apreciação e veredito.

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APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

Decisão monocrática – Decisão proferida por um único juiz.

Defensoria Pública – É instituição essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a orientação


jurídica e a defesa, integral e gratuita, em todos os graus, daqueles necessitados que comprovarem insuficiência
de recursos. Constituição Federal: artigos 5º, LXXIV; 24, XIII; 134; ADCT, artigo 22. Lei nº 1.060/50.

Deferir – Acolher um requerimento, um pedido, uma pretensão.

Demanda – É todo pedido feito em juízo.

Denegar – Indeferir, negar uma pretensão formulada em juízo.

Denúncia – Peça de acusação formulada pelo Ministério Público contra pessoas que praticaram determinado
crime, para que sejam processadas penalmente. A denúncia dá início à ação penal pública.

Denunciação caluniosa – É um dos crimes contra a administração da justiça. Consiste em dar causa à
instauração de investigação policial, de processo judicial, instauração de investigação administrativa, inquérito
civil ou ação de improbidade administrativa contra alguém, imputando-lhe crime de que o sabe inocente. A
pena prevista é de reclusão, de 2 a 8 anos, e multa. A pena é aumentada de sexta parte, se o agente se serve de
anonimato ou de nome suposto. Se a imputação é de prática de contravenção, a pena é diminuída de metade.
Artigo 339 do Código Penal.

Denunciação da lide – Designação que se dá ao ato pelo qual o autor de uma demanda tenta trazer a juízo a
pessoa de quem houve a coisa ou o direito, a fim de defendê-lo contra a agressão ou a ofensa que se ousa atirar
sobre eles, ao mesmo tempo, para garantir o direito à evicção (perda). Código de Processo Civil: artigos 70 a
76.

Deportação – Pena que se impõe a uma pessoa, em regra por crime político, consistente em abandonar o país e
ir residir em outro local que lhe for determinado.

Deprecada – Denominação que se dá à carta precatória.

Deprecado – Designação dada ao juiz, ou juízo, para onde se enviou carta precatória a fim de aí ser cumprida.

Deprecante – Juiz que ordenou a expedição da carta precatória na qual se faz requisição da prática de diligência
ou ato na jurisdição do juiz deprecado.

Deprecar – Requisitar de juiz de jurisdição estranha à sua a prática de ato ou diligência, que se mostra
necessária ao andamento do processo, sob sua direção, no território sob jurisdição do juiz para quem se depreca.

Derrogação – É a ab-rogação; revogação; anulação parcial de uma lei.

Desacato – É um dos crimes praticados por particular contra a administração em geral. Consiste em desacatar
funcionário público no exercício da função ou em razão dela. A pena prevista é de detenção, de 6 meses a 2
anos, ou multa. Código Penal: art. 331.

Desaforamento – É o deslocamento de um processo, já iniciado, de um foro para outro, transferindo-se para este
a competência para dele conhecer e julgá-lo.

Descaminho – Desvio de mercadoria para não serem tributadas. Difere do contrabando por omitir mercadoria
que poderia entrar no país, o que não ocorre no primeiro caso. A lei fiscal não considera a distinção:
descaminho de mercadorias ou contrabando de mercadorias proibidas equivalem-se, desde que ambos resultem
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APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

de uma infração ou transgressão à lei, no sentido de introduzir clandestinamente mercadoria permitida ou


proibida, sem o pagamento de imposto devido ou contrariamente ao que impõe a lei. Código Penal: artigos 318
e 334.

Despacho – São todos os atos praticados no curso de um processo ou de um procedimento que não possuem
conteúdo decisório. Os despachos apenas ordenam a realização de determinadas providências, para dar
seguimento ao feito. Por exemplo, num procedimento administrativo, o procurador da República profere
despacho, determinando que seja enviado ofício a determinado órgão requerendo informações a respeito do
assunto que ele investiga.

Detração – É o ato de abater no período da pena privativa de liberdade e na medida de segurança o tempo de
prisão provisória, no Brasil ou no estrangeiro, o de prisão administrativa e o de internação em hospital de
custódia e tratamento psiquiátrico ou outro estabelecimento adequado. Ver artigo 42 do Código Penal.

Difamação – É um dos crimes contra a honra tipificados no ordenamento jurídico brasileiro. É a imputação
ofensiva atribuída contra a honorabilidade de alguém com a intenção de desacreditá-lo na sociedade em que
vive, e provocar contra ele desprezo ou menosprezo público. Diferença entre difamação e calúnia: na calúnia, o
fato imputado é considerado crime pelo nosso ordenamento jurídico (por exemplo, Fulano é corrupto); na
difamação, não, mas da mesma forma é uma ofensa à dignidade. Ver artigo 139 do Código Penal.

Dilação – Expressão usada para requerer a prorrogação de prazos processuais.

Diligência – Providências a serem executadas no curso de um processo, procedimento ou inquérito policial para
esclarecimento de questões relacionadas aos assuntos nele tratados. Por exemplo, em um inquérito que
investiga o crime de evasão de divisas por meio da utilização de “laranjas”, a Polícia Federal realiza diligências
para descobrir como os documentos daquelas pessoas foram parar nas mãos dos criminosos. Uma diligência
pode ser decidida por iniciativa do juiz (de ofício) ou atendendo requerimento do Ministério Público.

Direito de petição – A garantia constitucional dada a qualquer pessoa de apresentar requerimento ou representar
aos Poderes Públicos em defesa de direitos e contra abusos de autoridade.

Direitos coletivos – São os que pertencem a determinado grupo, categoria ou classe de pessoas, de início
indeterminadas, mas determináveis em algum momento posterior. Existe entre eles uma relação jurídica pré-
estabelecida, anterior a qualquer fato ou ato jurídico. Por exemplo, ação civil pública que pede a inexigibilidade
de fiador para estudantes inscritos no FIES.

Direitos difusos – São aqueles que possuem natureza indivisível e dizem respeito a uma massa indeterminada
de pessoas, que não podem ser individualizadas. Por exemplo, o direito ao meio ambiente ecologicamente
equilibrado é um direito tipicamente difuso, porque afeta um número incalculável de pessoas, que não estão
ligadas entre si por qualquer relação jurídica pré-estabelecida.

Direitos individuais homogêneos – São os que decorrem de um único fato gerador, atingindo as pessoas
individualmente ao mesmo tempo e da mesma forma, mas sem que se possa considerar que eles sejam restritos
a um único indivíduo. Os direitos dos consumidores são típicos direitos individuais homogêneos. Por exemplo:
as ações que pedem a ilegalidade da cobrança mensal de assinatura de telefone. É um direito que diz respeito ao
titular de cada conta, mas a situação que gera a ilegalidade – cobrança da assinatura mensal – é a mesma para
todos que utilizam aquele serviço.

Divisas – qualquer valor comercial que permita a efetuação de pagamentos no exterior sob a forma de
compensação.

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APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

Dolo – No sentido penal, é a intenção de praticar ato criminoso, com consciência e vontade, que se constitui em
crime ou delito, seja por ação ou omissão.

Domínio público – Soma de bens pertencentes às entidades jurídicas de Direito Público, como União, Estados e
Municípios, que se destinam ao uso comum do povo ou os de uso especial, mas considerados improdutivos.
Constitui-se, assim, do acervo de bens particularmente indispensáveis à utilidade e necessidade pública, pelo
que se consideram subordinados a um regime jurídico excepcional, decorrente do uso a que se destinam,
reputados de utilidade coletiva. São inalienáveis e imprescritíveis.

Doutrina – Conjunto de princípios expostos nos livros de Direito, em que firmam teorias ou se fazem
interpretações sobre a ciência jurídica.

Duplo grau de jurisdição – Princípio da organização do Judiciário que determina a existência de instância
inferior e superior. A primeira instância se constitui no juízo onde se inicia a ação principal, que vai da citação
inicial válida até a sentença. A segunda instância é aquela em que se recebe a causa em grau de recurso que será
julgada pelo tribunal.

Economicidade – É a relação entre custo e benefício a ser observada na atividade pública, posta como princípio
para o controle da Administração Pública (artigo 70, Constituição Federal).

Edital – Ato pelo qual se faz publicar pela imprensa, ou nos lugares públicos, certa notícia, fato ou ordem, que
deva ser divulgada ou difundida, para conhecimento das próprias pessoas nele mencionadas, bem como às
demais interessadas no assunto.

Efeito suspensivo – Suspensão dos efeitos da decisão de um juiz ou tribunal, até que o tribunal tome a decisão
final sobre um recurso.

Embargos – São um tipo de recurso ordinário para contestar a decisão definitiva. Os mais comuns são os
embargos declaratórios. Recurso impetrado ao próprio juiz ou tribunal prolator da sentença ou do acórdão, para
que os declare, reforme ou revogue; defesa do executado, oposta aos efeitos da sentença e destinada a impedir
ou desfazer a execução requerida pelo exeqüente; defesa do executado por dívida fiscal, equivalente à
contestação.

Embargos à execução – Meio pelo qual o devedor se opõe à execução, seja ela fundada em título judicial
(sentença) ou em título extrajudicial (duplicata, cheque, contrato), com a finalidade de convertê-lo.

Embargos de declaração – Ou embargos declaratórios. Recurso contra decisão que contém obscuridade,
omissão ou contradição, tendo como finalidade esclarecer, tornar clara a decisão. Em qualquer caso, a
substância do julgado, em princípio, será mantida, visto que os embargos de declaração não visam modificar o
conteúdo da decisão. Porém, a jurisprudência tem admitido, excepcionalmente, os embargos com efeito
infringente, ou seja, para modificar a decisão embargada, exatamente quando se tratar de equívoco material e o
ordenamento jurídico não contemplar outro recurso para a correção de flagrante equívoco.

Embargos de divergência – Recurso cabível quando ocorre divergência de turmas ou seções dos tribunais.

Embargos de terceiro – Meio defensivo utilizado por quem intervém na ação de outrem por haver sofrido
alteração na sua posse ou direito, em virtude de arresto, depósito, penhora, seqüestro, venda judicial,
arrecadação, partilha etc.

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APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

Embargos infringentes – É o recurso cabível quando não for unânime o julgado proferido em apelação e em
ação rescisória. Se o desacordo for parcial, os embargos serão restritos à matéria objeto da divergência. Ver
artigos 530 a 534 do Código de Processo Civil.

Ementa – Súmula que contém a conclusão do que diz o enunciado de uma decisão do judiciário ou do texto de
uma lei, relacionado com uma sentença.

Emolumento – Pela Constituição Federal de 1988, é a remuneração que os notários e os oficiais registradores
recebem pela contraprestação de seus serviços. É uma contribuição paga por toda pessoa que se favoreça de um
serviço prestado por uma repartição pública, tal como o que decorre de uma certidão por esta fornecida.

Empresas de economia mista – São as empresas que aliam o poder público com o privado, ou seja, são as
empresas que o Estado participa (com capital e direito a voto), conjuntamente com o particular.

Empresa pública – É a entidade dotada de personalidade jurídica de direito privado, com patrimônio próprio e
capital exclusivo da União ou de suas entidades da administração indireta, criada por lei para desempenhar
atividades de natureza empresarial que o governo seja levado a exercer, por motivos de conveniência ou
contingência administrativa, podendo tal entidade revestir-se de qualquer das formas admitidas em Direito. Ver
artigo 5º, inciso II, do Decreto-Lei Nº 200/67.

Enriquecimento ilícito – Ou sem causa. É o que se promove empobrecendo injustamente outrem, sem qualquer
razão jurídica, isto é, sem ser fundado numa operação jurídica considerada lícita ou uma disposição legal.

Entrância – Hierarquia das áreas de jurisdição (comarcas) que obedece às regras ditadas pela Lei de
Organização Judiciária de cada estado, como, por exemplo, movimento forense, densidade demográfica,
receitas públicas, meios de transporte, situação geográfica e fatores socioeconômicos de relevância.

Erga omnes – Contra todos, a respeito de todos ou em relação a todos.

Estado de defesa – Instrumento que o presidente da República pode utilizar, ouvidos o Conselho da República e
o Conselho de Defesa Nacional, para preservar ou prontamente restabelecer, em locais restritos e determinados,
a ordem pública ou a paz social ameaçadas por grave e iminente instabilidade institucional ou atingidas por
calamidades de grandes proporções na natureza. É instituído através de decreto, que deverá indicar a sua
duração, as áreas a serem abrangidas e as respectivas medidas coercitivas. Ver artigo 136 da Constituição
Federal.

Estado de Direito – É o que assegura que nenhum indivíduo está “acima da lei”. Diz-se que um país vive sob
Estado de Direito quando sua Constituição e suas leis são rigorosamente observadas por todos,
independentemente do cargo político, posição social ou prestígio.

Estado de emergência – Declaração emanada do Poder Público, pondo o país ou nação em situação de
vigilância ou de defesa contra as ameaças de perturbações ou contra as perturbações ou atentados a sua
integridade política ou territorial.

Estado de sítio – Instrumento que pode ser utilizado pelo presidente da República, nos casos de: comoção grave
de repercussão nacional ou ocorrência de fatos que comprovem a ineficácia de medida tomada durante o estado
de defesa; e declaração de estado de guerra ou resposta à agressão armada estrangeira. A decretação do estado
de sítio é solicitada pelo presidente da República ao Congresso Nacional, ouvidos o Conselho da República e o
Conselho de Defesa Nacional. Ver artigos 137 a 139 da Constituição Federal.

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APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

Estágio confirmatório ou estágio probatório – É o período de exercício, após nomeação, em que se apura se o
nomeado tem condições para ser efetivado no cargo. A tal período, com referência a magistrados e membros do
Ministério Público, denomina-se de vitaliciamento.

Estelionato – Segundo o artigo 171 do Código Penal, é “obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em
prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio
fraudulento". O estelionato é uma figura delituosa que através de meios fraudulentos, ilícitos, procura se auto-
beneficiar em detrimento de outrem, ou seja, é induzir ou manter alguém em erro para se beneficiar.

Ex nunc – De agora em diante; a partir do presente momento. Quer dizer que a decisão não tem efeito
retroativo, ou seja, vale do momento em que foi proferida em diante.

Ex officio – Por obrigação do ofício; oficialmente. Ato que se executa por dever do ofício.

Ex tunc – Desde o início; desde então. Refere-se a efeitos provenientes desde o início da nulidade. Quer dizer
que a decisão tem efeito retroativo, valendo também para o passado.

Ex vi legis – Por força da lei; em virtude da lei.

Exação – Arrecadação ou cobrança de valores pertencentes ao fisco, promovida por pessoa a quem se atribui o
encargo de os receber e guardar.

Exceção da verdade – Meio de defesa que se faculta ao acusado por crime de calúnia ou injúria para provar o
fato atribuído por ele à pessoa que se julga ofendida e o processou por isso. Somente se admite se o ofendido é
funcionário público e a ofensa é relativa ao exercício de suas funções. Artigo 139, parágrafo único, do Código
Penal.

Exceção de suspeição – Assim se diz da alegação de suspeita de parcialidade que possa ser feita contra juiz,
contra o órgão do Ministério Público, contra o escrivão ou serventuário da justiça ou contra o perito nomeado
para funcionar na causa.

Exceptio veritatis – Exceção da verdade.

Excesso de exação – É um dos crimes praticados por funcionário público contra a administração em geral,
consistindo na exigência de tributo ou contribuição social que sabe ou deveria saber indevido, ou, quando
devido, emprega na cobrança meio vexatório ou gravoso, que a lei não autoriza. Ver artigo 316, parágrafo 7º,
do Código Penal.

Excesso de poder – É a expressão usada para indicar todo ato que é praticado por uma pessoa, em virtude de
mandato ou função, fora dos limites da outorga ou da autoridade que lhe é conferida.

Expulsão – Medida administrativa tomada pelo presidente da República para retirar do território nacional um
estrangeiro que se mostra prejudicial aos interesses do País. Diferente da extradição, que é julgada pelo
Supremo Tribunal Federal, a pedido do país de origem do estrangeiro, a expulsão é uma decisão tomada pelo
Poder Executivo.

Extemporâneo – Intempestivo, fora do tempo oportuno.

Extra petita – Além do pedido. Diz-se do julgamento proferido em desacordo com o pedido ou natureza da
causa.

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APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

Extradição – É o ato pelo qual um Estado entrega a outro, por solicitação deste, um indivíduo para ser
processado e julgado perante seus tribunais.

Extrajudicial – Locução empregada para designar atos que se fazem ou se processam fora do juízo, isto é, sem a
presença do juiz.

Facultas agendi – Direito de agir. O exercício do direito subjetivo.

Falso testemunho – É a afirmativa consciente de uma pessoa a respeito de fatos inverídicos ou contrários à
verdade, prestada perante autoridade judiciária que a convocou para depor. Para que constitua delito, é
necessário que a pessoa altere intencionalmente a verdade, a fim de ocultá-la.

Feito – É o mesmo que processo, procedimento, ação etc.

Flagrante delito – É o exato momento em que o agente está cometendo o crime, ou, quando após sua prática, os
vestígios encontrados e a presença da pessoa no local do crime dão a certeza deste ser o autor do delito, ou
ainda, quando o criminoso é perseguido após a execução do crime. Para ocorrer o flagrante é necessária a
certeza visual ou evidência do crime. O flagrante pode ser impróprio, quando há perseguição, ou presumido,
quando não há perseguição mas o criminoso é apontado pelo próprio ofendido ou é encontrado em situação que
faça presumir sua culpabilidade. Ver artigo 301 e seguintes do Código de Processo Penal.

Foro especial ou privilegiado – É aquele que se atribui competente para certas espécies de questões ou ações,
ou em que são processadas e julgadas certas pessoas. O foro especial é determinado por lei e não se pode ir a
ele sem que o caso, em razão da matéria ou da pessoa, lhe seja atribuído.

Fraude processual – É um dos crimes contra a administração da justiça. Consiste em inovar artificiosamente, na
pendência de processo civil ou administrativo, o estado de lugar, de coisa ou de pessoa, com o fim de induzir a
erro o juiz ou o perito. A pena prevista é de detenção, de três meses a dois anos, e multa. Se a inovação se
destina a produzir efeito em processo penal, ainda que não iniciado, as penas aplicam-se em dobro. Ver artigo
347 do Código Penal.

Freios e contrapesos – Da expressão checks and balances, significa o sistema em que os Poderes do Estado
mutuamente se controlam, como, por exemplo, o Legislativo julga o presidente da República e os ministros do
Supremo Tribunal Federal nos crimes de responsabilidade; o presidente da República tem o poder de veto aos
projetos de lei e o Poder Judiciário pode anular os atos dos demais Poderes em casos de inconstitucionalidade
ou de ilegalidade.

Fumus boni juris – Fumaça do bom direito. Expressão que significa que o alegado direito é plausível. É
geralmente usada como requisito ou critério para a concessão de medidas liminares, cautelares ou de
antecipação de tutela, bem como no juízo de admissibilidade da denúncia ou queixa, no foro criminal.

Função jurisdicional – É uma das funções do Estado. A função jurisdicional compete ao Poder Judiciário. A
jurisdição como função "expressa o encargo que têm os órgãos estatais de promover a pacificação de conflitos
interindividuais, mediante a realização do direito justo e através do processo" (Cintra, Grinover e Dinamarco).

Garantia constitucional – É a denominação dada aos múltiplos direitos assegurados ou outorgados aos cidadãos
de um país pelo texto constitucional.

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APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

Golpe de Estado – Expressão usada para designar o ato de força posto em prática pelo próprio governo a fim de
se sustentar no poder. Ou o atentado ou conspiração levada a efeito para derrubar o poder ou governo instituído,
compondo outro em seu lugar.

Grau de jurisdição – É o mesmo que instância. Traduz a ordem de hierarquia judiciária, que se divide em
inferior e superior. A inferior corresponde, normalmente, aos juízes, que compõem a primeira instância; a
superior corresponde aos tribunais.

Grau de parentesco – É a medida da distância ou o espaço, havido entre os parentes, e regrado de uma geração a
outra, adotada para evidência da proximidade ou remoticidade, que prende ou vincula os parentes entre si. A
contagem de grau é feita de dois modos: na linha reta e na linha colateral. Na linha reta, o grau é determinado,
na ascendência ou descendência, pela evidência de cada geração, tendo por base o autor comum. Assim, o pai e
o filho estão no primeiro grau, porque entre eles há apenas uma geração. O avô e o neto têm parentesco de
segundo grau. Na linha colateral, há que se subir até que se encontre o tronco comum e dele descer até a pessoa
cujo parentesco se quer graduar. Assim, os irmãos são colaterais em segundo grau, porque se remontam até o
pai e, descendo em seguida, duas gerações se registram. O grau de parentesco por afinidade, resultante da
aliança promovida, opera-se de igual modo, sendo cada cônjuge ligado aos parentes do outro pelos mesmos
graus em que estes se encontrem.

Habeas corpus – Medida que visa proteger o direito de ir e vir. É concedido sempre que alguém sofrer ou se
achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de
poder. Quando há apenas ameaça a direito, o habeas corpus é preventivo. O direito ao habeas corpus é
assegurado pela Constituição, artigo 5º, inciso LXVIII.

Habeas data – É uma ação impetrada por alguém que deseja ter acesso a informações relativas a sua pessoa, que
estejam em posse de qualquer órgão público federal, estadual ou municipal. O habeas data também serve para
pedir a retificação ou o acréscimo de dados aos registros (CF, art. 5º, inciso LXXII, regulamentado pela Lei nº
9.507, de 12/11/97).

Hipossuficiente – Aquele que tem direito à assistência judiciária.

Homicídio – Morte de uma pessoa causada por outra, de forma dolosa ou culposa. A tipificação é feita pelo
Código Penal, no artigo 121 (homicídio simples), parágrafos 2º (homicídio qualificado) e 3° (homicídio
culposo).

Homicídio culposo – Que resulta de ato negligente, imprudente ou inábil do agente, embora não tenha tido a
intenção criminosa.

Homicídio doloso – Quando há a vontade homicida do agente, manifestada na deliberação de matar ou na


intenção indeterminada de matar.

Homicídio qualificado – Designação dada à figura delituosa do homicídio já enumerado pela lei penal com os
elementos qualificativos. A qualificação do homicídio, assim, apresenta o crime agravado ou de maior
gravidade, em vista da intensidade do dolo, da natureza dos meios utilizados para executar o homicídio, do
modo de ação ou desejo de fugir à punição. Revela, assim, o grau de perversidade do agente ou a visível
maldade de sua prática.

Homologação – Decisão pela qual o juiz aprova ou confirma uma convenção particular ou ato processual
realizado, a fim de lhe dar firmeza e validade para que tenha força obrigatória, pelos efeitos legais que produz.

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APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

Impeachment – Impedimento. Processo político-criminal para apurar a responsabilidade dos governadores e


secretários de Estado, ministros de Estado, do Supremo Tribunal Federal, os comandantes das Forças Armadas,
do presidente e do vice-presidente da República cuja pena é a destituição do cargo.

Impetrar – Requerer ou solicitar a decretação de qualquer medida judicial, que venha assegurar o exercício de
um direito ou a execução de um ato. Ex.: impetrou mandado de segurança; impetrou habeas corpus.

Imprescritível – Qualidade ou indicação de tudo que não é suscetível de prescrição ou que não está sujeito a ela.

Improbidade – Qualidade do homem que não procede bem, por não ser honesto.

Improbidade administrativa – Ato praticado por agente público, contrário às normas da moral, à lei e aos bons
costumes, com visível falta de honradez e de retidão de conduta no modo de agir perante a administração
pública direta, indireta ou fundacional de qualquer dos Poderes da União, dos estados, do Distrito Federal, dos
municípios, de território, de empresa incorporada ao patrimônio público ou de entidade para cuja criação ou
custeio o erário haja concorrida ou concorra com mais de 50% do patrimônio ou da receita anual. Entre os atos
que configuram a improbidade administrativa estão aqueles que importem em enriquecimento ilícito, no
recebimento de qualquer vantagem econômica, direta ou indireta, em superfaturamento, em lesão aos cofres
públicos, pela prática de qualquer ação ou omissão, dolosa ou culposa, que viole os deveres de honestidade,
imparcialidade, legalidade e lealdade às instituições.

Improbus litigator – Litigante desonesto. O que entra em demanda sem direito, por ambição, malícia ou
emulação.

Impugnar – Contestar, combater argumentos ou um ato, dentro de um processo, apresentando as razões.

Imunidade – São regalias e privilégios outorgados a alguém, para que se isente de certas imposições legais, não
sendo obrigado a fazer ou a cumprir certos encargos ou obrigações. É atribuída a certas pessoas em face de
funções públicas exercidas (parlamentares, diplomatas). A imunidade coloca as pessoas sob proteção especial.

In casu – No caso em apreço; em julgamento.

In pari causa – Em causa semelhante.

In rem verso – Para a coisa.

In verbis – Nestas palavras.

Inaudita altera par – Sem ouvir a outra parte

Inamovibilidade – Prerrogativa constitucional assegurada aos magistrados e membros do Ministério Público,


salvo por promoção aceita, remoção a pedido, ou em virtude de decisão do tribunal competente, diante do
interesse público. Por essa prerrogativa, magistrados e membros não podem ser removidos a pedido ou por
permuta, ou de ofício, mediante decisão do órgão colegiado competente.

Incapacidade – Falta de qualidades ou ausência de requisitos indispensáveis para o exercício ou gozo de


direitos.

Incapacidade civil – São as pessoas que não estão aptas ao exercício ou gozo de seus direitos. A incapacidade
pode ser absoluta ou relativa. São absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida civil os
39
APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

menores de 16 anos; os que, por enfermidade ou deficiência mental, não tiverem o necessário discernimento
para a prática desses atos; os que, mesmo por causa transitória, não puderem exprimir sua vontade. São
relativamente incapazes os menores de 16 anos e maiores de 18 anos; os ébrios habituais, os viciados em
tóxicos, e os que, por deficiência mental, tenham o discernimento reduzido; os excepcionais, sem
desenvolvimento mental completo; os pródigos, entre outros. Ver artigos 3º a 5º do Código Civil.

Incidente de uniformização de jurisprudência – Instituto que objetiva uniformizar a interpretação do direito no


âmbito dos tribunais. Tem cabimento nos julgamentos de recursos, de reexame necessário e também nos casos
de competência originária do tribunal. O incidente pode ser suscitado por membro do órgão julgador, pelas
partes interessadas e pelo Ministério Público. No incidente de uniformização, a causa não é julgada. Apenas
haverá pronunciamento do tribunal quanto ao dissídio, fixando a tese jurídica. Caberá ao órgão do qual proveio
o incidente julgá-lo, preponderando o entendimento de que estará vinculado à interpretação fixada pela corte.
São três os pressupostos para a instauração do incidente: estar o julgamento em curso; haver divergência prévia
na interpretação do direito, devidamente demonstrada; e depender a solução do julgamento, total ou
parcialmente, da uniformização da tese. Uma vez suscitado, será admitido conforme critérios de conveniência e
oportunidade, inexistindo direito processual à sua instauração. Ver artigo 476 do Código de Processo Civil.

Incompetência – Falta de competência; falta de autoridade ou dos conhecimentos necessários para o julgamento
de alguma coisa.

Inconstitucionalidade – É a contrariedade da lei ou de ato normativo (resolução, decretos) ao que dispõe a


Constituição. Essa incompatibilidade pode ser formal (não foram observadas as regras necessárias ao processo
de elaboração e edição legislativa) quanto material (diz respeito ao próprio conteúdo da lei ou do ato normativo,
se ele está conforme os princípios e normas constitucionais).

Independência funcional – Cada procurador, no exercício de suas funções, tem inteira autonomia. Não fica
sujeito a ordens de quem quer que seja, nem a superiores hierárquicos. Se vários membros do MPF atuam em
um mesmo processo, cada um pode emitir sua convicção pessoal acerca do caso; não estão obrigados a adotar o
mesmo entendimento do colega. Em decorrência desse princípio, a hierarquia no MPF é considerada com
relação a atos administrativos e de gestão. Ex.: somente o procurador-geral da República pode designar
procuradores para atuarem numa força-tarefa. Após a designação, no entanto, o procurador-geral não tem
nenhum poder de dizer quais medidas o procurador deve adotar em seu trabalho.

Indiciar – Proceder a imputação criminal contra alguém.

Indivisibilidade – Princípio do Ministério Público, significa que membros não se vinculam aos processos nos
quais atuam, podendo ser substituídos uns pelos outros. Essa possibilidade apenas se confirma entre membros
de um mesmo ramo, ou seja, procuradores da República não substituem procuradores do Trabalho ou
promotores de Justiça. Tal substituição se dá apenas no MPF.

Infraconstitucional – Toda regra que não conste do texto constitucional é inferior a ela, pois a Constituição é a
lei suprema de um país, exercendo supremacia hierárquica sobre todas as outras leis. Desse modo, ainda que
tenham sido editadas para regulamentar algum artigo da Constituição, elas são consideradas
infraconstitucionais.

Infligir – Aplicar pena ou castigo.

Injunção – Na técnica constitucional, indica-se o pedido e a eventual concessão de mandado, a favor do


prejudicado, sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades
constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania. Ver artigo 5º, inciso
LXXI, da Constituição Federal.

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APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

Injúria – É um dos crimes contra a honra tipificado no Código Penal, artigo 140. Entende-se ofensa que venha
atingir a pessoa, em desrespeito a seu decoro, a sua honra, a seus bens ou a sua vida.

Inquérito – Procedimento para apurar se houve infração penal. A partir do inquérito se reúnem elementos para
que seja proposta ação penal.

Inquérito Civil Público – É o procedimento interno instaurado pelo Ministério Público Federal para a
investigação de danos ou ameaça de dano a bens de interesse difuso, coletivo ou individuais homogêneos.
Geralmente o ICP é preliminar ao ajuizamento das ações civis públicas.

Instância – Grau da hierarquia do Poder Judiciário. A primeira instância, onde em geral começam as ações, é
composta pelo juiz de direito de cada comarca, pelo juiz federal, eleitoral e do trabalho. A segunda instância,
onde são julgados recursos, é formada pelos tribunais de Justiça e de Alçada, e pelos tribunais regionais
federais, eleitorais e do trabalho. A terceira instância são os tribunais superiores (STF, STJ, TST, TSE) que
julgam recursos contra decisões dos tribunais de segunda instância.

Interdição – É um ato judicial pelo qual se declara a incapacidade de determinada pessoa natural, maior, de
praticar certos atos da vida civil. Está regulada nos artigos 1.768 a 1.778 do Novo Código Civil (Lei nº
10.406/02).

Interesses coletivos ou difusos – São interesses comuns de pessoas não ligadas por vínculos jurídicos, ou seja,
questões que interessam a todos, de forma indeterminada.

Interpelação judicial – Instrumento judicial pelo qual a pessoa faz petição dirigida ao juiz, para pedir
esclarecimentos acerca da conservação e ressalva de seus direitos ou manifestar qualquer intenção de modo
formal. O objetivo da interpelação é que o juiz intime o requerido, tornando, assim, presumivelmente certa a
ciência, por este, da vontade ou declaração de conhecimento de quem requer a intimação. Ver artigo 867 e
seguintes do Código de Processo Civil.

Intervenção federal – É a medida de caráter excepcional e temporário que afasta a autonomia dos estados, DF
ou municípios. A intervenção só pode ocorrer nos casos e limites estabelecidos pela Constituição Federal:
quando houver coação contra o Poder Judiciário, para garantir seu livre exercício; quando for desobedecida
ordem ou decisão judiciária; quando houver representação do procurador-geral da República.

Instrução – Fase processual em que o juiz, ouvidas as partes, fixa os pontos controvertidos sobre que incidirá a
prova. Instrução criminal: fase processual penal destinada a deixar o processo em condições para o julgamento.
Ver artigos 451 e seguintes do Código de Processo Civil e artigos 394 a 405 do Código de Processo Penal.

Intimação – É o ato pelo qual se dá ciência a alguém dos atos e termos do processo, para que faça ou deixe de
fazer alguma coisa. São efetuadas de ofício, em processos pendentes, salvo disposição em contrário. Ver artigos
234 a 242 do Código de Processo Civil.

Isonomia – Igualdade legal para todos. Princípio de que todos são iguais perante a lei, que todos serão
submetidos às mesmas regras jurídicas (artigo 5º da Constituição Federal).

Juiz togado – Juiz com formação jurídica obrigatória, ocupante do cargo em caráter vitalício. A maioria
pertence à carreira da magistratura. Outros vêm da advocacia e do Ministério Público (a Constituição reserva
um quinto dos cargos nos tribunais a estas duas áreas).

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APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

Juiz classista – Juiz não togado, ou leigo, denominado vogal, em exercício de representação paritária de
empregados e empregadores junto à Justiça do Trabalho.

Juizados especiais – Órgãos jurisdicionais criados pela União, no Distrito Federal e nos territórios, e pelos
estados, providos por juízes togados, ou togados e leigos, competentes para a conciliação, o julgamento e a
execução de causas cíveis de menor complexidade e infrações penais de menor potencial ofensivo, mediante os
procedimentos oral e sumariíssimo, permitidos, nas hipóteses previstas em lei, a transação e o julgamento de
recursos por turmas de juízes de primeiro grau. Ver artigo 98 da Constituição Federal e Lei n° 9.099/95.

Julgamento – Ato da decisão jurisdicional efetuado pelo Juiz ou pelo Tribunal ao resolver uma causa.

Jure et facto – Por direito e de fato.

Júri – Designação dada à instituição jurídica, formada por homens de bem, a que se atribui o dever de julgar
acerca de fatos, levados ou trazidos a seu conhecimento. Tribunal especial competente para julgar os crimes
dolosos contra a vida.

Juris tantum – De direito somente. O que resulta do próprio direito e somente a ele pertence.

Jurisdição – Extensão e limite do poder de julgar de um juiz.

Jurisprudência – É a interpretação reiterada, de mesmo sentido, que os tribunais dão às leis, nos casos concretos
que são levados a julgamento.

Justiça Federal – Órgão do Poder Judiciário constituída pelos Tribunais Regionais Federais e os Juízes Federais.
Ver artigos 106 a 110 da Constituição Federal.

Lato sensu – Em sentido amplo.

Lavrar – Exarar por escrito; escrever, redigir; escrever uma sentença, uma ata; emitir; expressar.

Legítima defesa – Toda ação de repulsa levada a efeito pela pessoa a ataque injusto a seu corpo ou a seus bens,
quando outro meio não se apresenta para evitar o perigo ou a ofensa que dela possa resultar. Ver artigo 25 do
Código Penal.

Lei – 1. Regra geral e permanente a que todos estão submetidos. 2. Preceito escrito, formulado solenemente
pela autoridade constituída, em função de um poder, que lhe é delegado pela soberania popular, que nela reside
a suprema força do Estado.

Lei marcial – Que submete, durante o estado de guerra, todas as pessoas a regime especial, com a suspensão de
garantias civis e políticas, asseguradas, em tempos normais, pelas leis constitucionais.

Lei Orgânica do Ministério Público da União – Lei Complementar nº 75/93, que dispõe sobre a organização e o
funcionamento do Ministério Público da União. Trata das disposições gerais, estabelece suas principais funções
e seus instrumentos de atuação.

Leis excepcionais – São leis editadas para reger fatos ocorridos em períodos anormais. Ex.: guerra, epidemia,
inundações, etc. São leis auto-revogáveis, pois perdem a eficácia pela cessação das situações que as ensejaram.

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APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

Leis temporárias – São leis que contam com período certo de duração. São leis auto-revogáveis, pois possuem
data certa para perder a vigência.

Lex legum – Constituição.

Libelo – Exposição articulada por escrito em que a pessoa, expondo a questão que se objetiva e as razões
jurídicas em que se funda, vem perante a justiça pedir o reconhecimento de seu direito, iniciando a demanda
contra outrem; petição inicial.

Liberdade assistida – Regime de liberdade aplicada aos adolescentes autores de infração penal ou que
apresentam desvio de conduta, em virtude de grave inadaptação familiar ou comunitária, para o fim de vigiar,
auxiliar, tratar e orientar.

Liberdade condicional – Benefício concedido aos condenados, mediante determinados requisitos, antecipando o
seu retorno ao convívio em sociedade. Ver artigos 83 a 90 do Código Penal e artigo 131 da Lei de Execução
Penal.

Liberdade de pensamento – Liberdade de opinião, em virtude da qual se assegura ao indivíduo o direito de


pensar e de exprimir seus pensamentos, suas crenças e suas doutrinas.

Liberdade de reunião – É conseqüência da liberdade de associação e faz parte das liberdades individuais.

Liberdade política – Direito que se confere ao povo de se governar por si mesmo, escolhendo livremente seus
governantes e instituindo por sua vontade soberana os órgãos que devem exercitar a soberania nacional.

Liberdade provisória – É aquela concedida em caráter temporário ao acusado a fim de se defender em


liberdade. Pode a qualquer momento ser revogada, caso o acusado infrinja alguma das condições que lhe forem
impostas pelo benefício (não comparecimento obrigatório perante a autoridade quando intimado; mudança de
residência por mais de oito dias sem comunicação à autoridade do lugar onde se encontra).

Licenciamento ambiental – Segundo a Resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) nº


237/97, artigo 1º, inciso I, é o procedimento administrativo pelo qual o órgão ambiental competente licencia a
localização, instalação, ampliação e operação de empreendimentos e atividades utilizadoras de recursos
ambientais consideradas efetivas ou potencialmente poluidoras ou daquelas que, sob qualquer forma, possam
causar degradação ambiental considerando as disposições legais e regulamentares e as normas técnicas
aplicadas ao caso.

Licitação – Ato em forma de concorrência, tomada de preços, convite, concurso ou leilão, promovido pela
Administração Pública direta ou indireta, entre os interessados habilitados na compra ou alienação de bens, na
concessão de serviço ou obra pública, em que são levados em consideração qualidade, rendimento, preço, prazo
e outras circunstâncias previstas no edital ou no convite.

Lide – Litígio, processo, pleito judicial. É a matéria conflituosa que está sendo discutida em juízo.

Liminar – Pedido de antecipação dos efeitos da decisão, antes do seu julgamento. É concedido quando a
demora da decisão causar prejuízos. Ao examinar a liminar, o ministro relator também avalia se o pedido
apresentado tem fundamentos jurídicos aceitáveis.

Litis contestatio – Contestação da lide.

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APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

Litisconsórcio – Reunião ou presença de mais de uma pessoa no processo que figuram como autores ou réus,
vinculados pelo direito material questionado. Ver artigos 46 a 49 do Código de Processo Civil.

Litisconsorte – Participante de um litisconsórcio; ativo – quando for autor; passivo – quando réu.

Locupletamento – Enriquecimento.

Ma-fé – Consciência da ilicitude na prática de um ato com finalidade de lesar direito de terceiro.

Malversação – Toda administração que é má, que é ruinosa, que é abusiva, onde se desperdiçam seus valores ou
se dilapidam bens. É ainda a administração em que o administrador, conscientemente, desvia valores ou subtrai
bens em seu benefício, locupletando-se abusivamente à custa do dono do negócio administrado. Na
administração pública em que bens são furtados ou desviados há ocorrência de peculato.

Mandado – Ordem escrita da autoridade. É chamado de mandado judicial quando expedido por juiz ou ministro
de tribunal. Tem nomes específicos de acordo com o objetivo: prender, soltar etc.

Mandado de busca e apreensão – Ordem do juiz, mandando que se apreenda coisa em poder de outrem ou em
certo lugar, para ser trazida a juízo e aí ficar sob custódia do próprio juiz, mesmo que em poder de um
depositário por ele designado ou do depositário público. Um mandado de busca e apreensão também pode ser
expedido para pessoas, principalmente menores abandonados ou quando os pais estão em demanda de divórcio
ou anulação de casamento.

Mandado de citação – Ato mediante o qual se chama a juízo, por meio de oficial de justiça, o réu ou o
interessado, a fim de se defender.

Mandado de injunção – Garantia constitucional concedida sempre que a falta de norma regulamentadora torne
inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à
soberania e à cidadania. Compete ao STF o processo e julgamento originário do mandado de injunção quando a
elaboração da norma regulamentadora for atribuição do presidente da República, do Congresso Nacional, da
Câmara dos Deputados, do Senado Federal, das mesas de uma dessas casas legislativas, do Tribunal de Contas
da União, de um dos Tribunais Superiores, ou do próprio STF. Ver artigo 5º, inciso LXXI, da Constituição
Federal.

Mandado de segurança – É a ação que tem por objetivo garantir o reconhecimento judicial de um direito líquido
e certo, incontestável, que está sendo violado ou ameaçado por ato manifestamente ilegal ou inconstitucional de
uma autoridade. Ver artigo 5º, incisos LXIX e LXX, da Constituição Federal, Lei nº 1.533/51 e Lei n° 4.348/64.

Mandamus – Mandado de segurança.

Mandato – Opera-se o mandato quando alguém recebe de outrem poderes, para, em seu nome, praticar atos, ou
administrar interesses, sendo a procuração o seu instrumento. Ver artigos 653 e seguintes do Código Civil.

Manifestação – Em Direito Administrativo, parecer, opinião sobre determinado assunto. Em Direito Processual,
opinião da parte em atos do processo. Em Direito Político, expressão de agrado ou desagrado em reuniões
populares de natureza política.

Manutenção de posse – Remédio legal usado pelas pessoas que se vêem perturbadas em sua posse, para que
nela se conservem e se mantenham, livres de qualquer perturbação ou molestação. A pessoa a quem se assegura

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APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

a posse ou é mantida nela diz-se manutenida.

Medida cautelar – O mesmo que liminar. É um ato de precaução. É o pedido para antecipar os efeitos da
decisão, antes do seu julgamento. É concedida quando a demora da decisão causar prejuízos (periculum in
mora). Ao examinar a liminar, o ministro relator também avalia se o pedido apresentado tem fundamentos
jurídicos aceitáveis (fumus boni iuris).

Medida de segurança – Medida de defesa social aplicada a quem praticou um crime, tentou praticá-lo ou
prepara-se para praticá-lo, desde que o agente revele periculosidade social e probabilidade de que voltará a
delinqüir.

Medida disciplinar – Correção imposta administrativamente ao funcionário por transgressão a preceito


regulamentar ou a bem da ordem e da disciplina. A medida disciplinar vai desde a repreensão até a demissão,
dependendo da gravidade do ato que tenha sido praticado.

Medida liminar – Decisão judicial provisória proferida nos 1º e 2º graus de jurisdição, que determina uma
providência a ser tomada antes da discussão do feito, com a finalidade de resguardar direitos. Geralmente
concedida em ação cautelar, tutela antecipada e mandado de segurança.

Mens legis – O espírito da lei.

Mérito – É o assunto principal que está sendo discutido em um processo; é a questão que deu origem à própria
existência daquela ação. Nele é que se funda o pedido do autor.

Meritum causae – Mérito da causa.

Minervae suffragium – Voto de minerva.

Ministério Público – Instituição permanente, essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a


defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis. O
Ministério Público abrange o Ministério Público da União (Ministério Público Federal, Ministério Público do
Trabalho, Ministério Público Militar e Ministério Público do Distrito Federal e Territórios) e o Ministério
Público Estadual. O chefe do MPU é o procurador-geral da República, que também chefia o MPF. Ver Capítulo
IV (Das Funções Essenciais à Justiça), Seção I (Do Ministério Público), da Constituição Federal – artigos 127 a
130.

Ministério Público da União – Instituição que abrange quatro ramos com áreas de atuação, organização espacial
e administração distintas, embora regidos pela mesma lei complementar, a de nº 75/93. Alguns órgãos, no
entanto, são comuns entre os ramos: o Conselho de Assessoramento Superior, a Escola Superior do Ministério
Público da União, a Auditoria Interna e a Secretaria do MPU. Mas, quando se trata de atribuições, as diferenças
entre os ramos do MPU ficam evidentes.

Ministério Público do Distrito Federal e Territórios – Atua em causas correspondentes àquelas em que oficiam
os ministérios públicos estaduais. Ou seja, apesar de pertencer à estrutura do MPU, o MPDFT não cuida de
matérias da competência da Justiça Federal, mas das que competem às Justiças Estaduais. Promotores de
Justiça e procuradores de Justiça são as designações de seus membros.

Ministério Público do Trabalho – Trata de matérias decorrentes das relações de trabalho que envolvam interesse
público, fiscalizando o cumprimento da legislação e procurando regularizar e mediar as relações entre
empregados e empregadores. Além disso, o MPT também pode ser árbitro ou mediador em dissídios coletivos,

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APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

fiscalizar o direito de greve nas atividades essenciais e propor ações pedindo a nulidade de cláusulas ilegais em
contratos trabalhistas e acordos coletivos. Atuam no MPT os procuradores do Trabalho.

Ministério Público Federal – Atua nas causas de competência da Justiça Federal e nas de competência do
Superior Tribunal de Justiça e Supremo Tribunal Federal, sempre que estiverem em discussão bens, serviços ou
interesses da União, de suas entidades autárquicas e empresas públicas federais.

Ministério Público Militar – Atua exclusivamente em matéria criminal, apurando e buscando a punição dos
autores de crimes militares praticados por integrantes das Forças Armadas no exercício de suas atividades, bem
como todas as infrações cometidas contra o patrimônio da FFAA.

Modus operandi – Maneira de agir.

Mutatis mutandis – Com as devidas alterações.

Negativa de autoria – A defesa fundada na afirmação de que não foi o réu o autor do fato.

Negligência – É a inércia psíquica, a indiferença do agente que, podendo tomar as devidas cautelas exigíveis,
não o faz por displicência, relaxamento ou preguiça mental. Ver artigo 18, inciso II, do Código Penal.

Nepotismo – Patronato ou favoritismo na nomeação dos integrantes da administração Pública. É o termo


utilizado para designar o favorecimento de parentes em detrimento de pessoas mais qualificadas, especialmente
no que diz respeito à nomeação ou elevação de cargos. O Conselho Nacional do Ministério Público, por meio
das Resoluções nº 1/2005 e nº 7/2006, vedam a prática a membros e servidores da instituição.

Nexo causal – É a ligação da conduta ao resultado nos crimes materiais.

Non bis in idem – Sem repetição. Locução latina empregada para significar que não se devem aplicar duas
penas sobre a mesma falta.

Norma – Regra, modelo, paradigma, forma ou tudo que se estabelece em lei ou regulamento para servir de
padrão na maneira de agir.

Notificação – Aviso judicial pelo qual se dá conhecimento a uma pessoa de algum fato, que também é de seu
interesse, a fim de que possa usar das medidas legais ou das prerrogativas que lhe sejam asseguradas por lei.

Notícia-crime –É o fato criminoso que chega ao conhecimento da autoridade competente para investigá-lo.

Notitia criminis – Comunicação do crime.

Nulidade – Ineficácia de um ato jurídico, resultante da ausência de uma das condições necessárias para sua
validade.

Numerus apertus – Número ilimitado.

Numerus clausus – Número limitado.

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APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

OAB – Ordem dos Advogados do Brasil, órgão de classe dos advogados. O seu registro nela é obrigatório no
Brasil para o exercício da advocacia. Ver Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil, Lei n°
8.906/94.

Obligatio faciendi – Obrigação de fazer.

Obligatio non faciendi – Obrigação de não fazer.

Occasio legis – Oportunidade da lei.

Oficial de Justiça – É o serventuário da Justiça encarregado de proceder às diligências que se fizerem


necessárias ao andamento do julgamento da causa e ordenadas pela autoridade judiciária.

Ofício – Comunicação escrita e formal entre autoridades da mesma categoria, ou de inferiores a superiores
hierárquicos; comunicação escrita e formal que as autoridades e secretarias em geral endereçam umas às outras,
ou a particulares, e que se caracteriza não só por obedecer a determinada fórmula epistolar, mas, também, pelo
formato do papel (formato ofício). Cartório, tabelionato.

Onus probandi – Ônus da prova.

Paciente – Em Direito Penal, designa a pessoa que sofrerá a condenação. É, assim, indicativo de réu.

Parecer – É a manifestação do Ministério Público em uma ação, por meio da qual ele diz sua opinião sobre o
pedido do autor, com base no que a lei dispõe sobre aquele assunto. O parecer do Ministério Público não obriga
o juiz a proferir sentença segundo a posição do órgão.

Pari passu – Simultaneamente.

Parquet – Expressão francesa que designa Ministério Público.

Parte – São os sujeitos do processo. As denominações que as partes recebem variam em função do tipo de ação
proposta. Ex: ação penal (autor e réu); mandado de segurança (impetrante, impetrado); queixa-crime
(querelante e querelado).

Patrimônio público – Conjunto de bens que pertencem ao domínio do Estado e que se institui para atender a
seus próprios objetivos ou para servir à produção de utilidades indispensáveis às necessidades coletivas.

Pátrio poder – É o complexo de direitos que a lei confere aos pais, sobre a pessoa e os bens do filho.

Peças – Instrumentos de um processo.

Peculato – É um dos crimes praticados por funcionário público contra a administração em geral. Caracteriza-se
pela apropriação efetuada pelo funcionário público de dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel, público ou
particular, de que tem a posse em razão do cargo, ou desviá-lo, em proveito próprio ou alheio. A pena prevista
para este crime é de reclusão, de 2 a 12 anos, e multa. Aplica-se a mesma pena, se o funcionário público,
embora não tendo a posse do dinheiro, valor ou bem, o subtrai, ou concorre para que seja subtraído, em
proveito próprio ou alheio, valendo-se de facilidade que lhe proporciona a qualidade de funcionário. Ver artigos
312 e 313 do Código Penal.

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APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

Pedido – É um dos requisitos da petição inicial. Deve ser certo ou determinado. Pode ser genérico quando se
tratar de ações universais, se não puder o autor individualizar na petição os bens demandados; quando não for
possível determinar, de modo definitivo, as conseqüências do ato ou do fato ilícito e quando a determinação do
valor da condenação depender de ato que deva ser praticado pelo réu. Ver os artigos 286 a 294 do Código de
Processo Civil.

Pedido de reconsideração – Direito de petição que se assegura ao servidor público de modificar decisão
superior prejudicial aos seus interesses.

Periculum in mora – Perigo na demora.

Permissa venia – Com o devido respeito.

Pessoas jurídicas de direito privado – São pessoas jurídicas de direito privado: as associações; as sociedades e
as fundações. Iniciam sua personalidade jurídica com a inscrição do ato constitutivo no respectivo registro,
precedida, quando necessário, de autorização do Poder Executivo. Ver artigo 44 e seguintes do Código Civil.

Pessoas jurídicas de direito público externo – São pessoas jurídicas de direito público externo os Estados
estrangeiros e todas as pessoas que forem regidas pelo direito internacional público. Ver artigo 42 do Código
Civil.

Pessoas jurídicas de direito público interno – São a União, os estados, o Distrito Federal e os territórios, os
municípios, as autarquias e as demais entidades de caráter público criadas por lei. Se não existir disposição em
contrário, as pessoas jurídicas de direito público, a que se tenha dado estrutura de direito privado, regem-se, no
que couber, quanto ao seu funcionamento, pelas normas do Código Civil.

Petição – De forma geral, é um pedido escrito dirigido ao tribunal. A petição Inicial é o pedido para que se
comece um processo. Outras petições podem ser apresentadas durante o processo para requerer o que é de
interesse ou de direito das partes.

Plágio – Apresentação, como própria, de trabalho ou obra intelectual produzida por outrem.

Plebiscito – Manifestação da vontade popular, expressa por meio de votação acerca de assunto de vital interesse
político ou social, antes de publicação da lei. Revela-se a deliberação direta do povo, em que reside o poder
soberano do Estado sobre matéria que é submetida a seu veredicto.

Poder constituinte – É o poder de criar ou modificar normas constitucionais. O poder de elaboração de uma
nova Constituição compete ao poder constituinte originário. Já o poder de alterar o texto de uma Constituição já
em vigor cabe ao poder constituinte derivado ou constituído.

Poder de polícia – Atividade da administração pública que, limitando ou disciplinando direito, interesse ou
liberdade, regula a prática de ato ou a abstenção de fato, em razão de interesse público concernente à segurança,
à higiene, à ordem, aos costumes, à disciplina da produção e do mercado, ao exercício de atividades
econômicas dependentes de concessão ou autorização do Poder Público, à tranqüilidade pública ou ao respeito à
propriedade e aos direitos individuais ou coletivos. É regular o exercício do poder de polícia quando
desempenhado pelo órgão competente nos limites da lei aplicável, com observância do processo legal e,
tratando-se de atividade que a lei tenha como discricionária, sem abuso ou desvio de poder.

Polícia judiciária – Denominação dada ao órgão policial que tem por missão averiguar fatos delituosos
ocorridos ou contravenções verificadas para que os respectivos delinqüentes ou contraventores sejam punidos.

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APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

Prazo dilatório – É aquele em que as partes, de comum acordo, podem reduzir ou prorrogar. Ver artigo 181 do
Código de Processo Civil.

Precário – O que não se mostra em caráter efetivo ou permanente, mas é feito, dado, concedido ou promovido
em caráter transitório, revogável.

Precatória – Pedido feito por um juiz a outro, por carta ou por qualquer outro meio, para que se cumpra em sua
jurisdição ato forense de interesse do juiz deprecante (que fez o pedido). Corresponde à própria carta precatória.

Precatório – É o nome que se dá ao documento expedido pelo Poder Judiciário contra o Poder Público para que
este efetue o pagamento de seus débitos oriundos de condenação em sentenças transitadas em julgado. O
precatório informa o valor da dívida, sua origem, credor e devedor. Requisição feita pelo juiz de execução da
decisão irrecorrível contra Fazenda Pública, federal ou estadual ou municipal, para que as dívidas sejam pagas
aos respectivos credores.

Preclusão – Perda do direito de manifestar-se no processo, por não tê-lo feito na forma devida ou na
oportunidade devida.

Prejudicado – Na terminologia processual, e como adjetivo, designa a situação de certos atos ou medidas que,
em vista de certas circunstâncias, tornaram-se improfícuas ou inúteis.

Preliminar – São questões que devem ser decididas antes do mérito, porque dizem respeito à própria formação
da relação processual. Por exemplo, a discussão sobre a competência de um juiz para julgamento de uma causa
constitui espécie de preliminar; assim também a legitimidade da parte para fazer aquele pedido. Por isso, o
julgamento das preliminares pode impedir o próprio julgamento do mérito, caso sejam julgadas procedentes.

Preposto – Representante de alguém em uma ação.

Prescrição – Perda da ação atribuída a um direito, que fica assim juridicamente desprotegido, em conseqüência
do não uso dela durante determinado tempo; decadência em função do prazo vencido.

Prescrição da pretensão punitiva – A prescrição da pretensão punitiva refere-se à perda do direito do Estado de
punir ou de executar a pena pelo decurso do tempo, extinguindo a punibilidade do acusado ou condenado.

Presunção – Dedução, conclusão ou conseqüência que se tira de um fato conhecido para se admitir como certa,
verdadeira e provada a existência de um fato desconhecido ou duvidoso.

Pretório – Sede de qualquer tribunal.

Prevaricação – É um dos crimes praticados por funcionário público contra a administração em geral que
consiste em retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo contra disposição
expressa de lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal. A pena prevista é de detenção, de três meses a
um ano, e multa. Ver artigo 319 do Código Penal.

Prevenção – Critério que mantém a competência de um magistrado em relação a determinada causa, pelo fato
de tomar conhecimento da mesma em primeiro lugar. Ver artigos 106, 107 e 219 do Código de Processo Civil.

Prima facie – À primeira vista.

Princípio da individualização da pena – Por esse princípio, a pena deve ser individualizada nos planos
legislativo, judiciário e executório, evitando-se a padronização da sanção penal. Para cada crime tem-se uma

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APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

pena que varia de acordo com a personalidade do agente, o meio de execução etc. Ver artigo 5º, inciso XLVI,
da Constituição Federal.

Princípio do devido processo legal – Previsto pelo artigo 5º, inciso LIV, da Constituição Federal, garante que o
indivíduo só será privado de sua liberdade ou terá seus direitos restringidos mediante um processo legal,
exercido pelo Poder Judiciário, por meio de um juiz natural, assegurados o contraditório e a ampla defesa.

Princípios – Os princípios são mandamentos que se irradiam sobre as normas, dando-lhes sentido, harmonia e
lógica. Eles constituem o próprio “espírito” do sistema jurídico-constitucional. Alguns exemplos: a
administração pública é regida por princípios como os da moralidade, legalidade, publicidade, impessoalidade e
eficiência; o Direito Penal é regido pelo princípio da presunção de inocência e pelo da irretroatividade da lei
penal (uma lei não pode punir atos praticados antes da sua edição); o Direito Tributário, pelo princípio da
igualdade tributária e pelo princípio da anterioridade (nenhum tributo pode ser cobrado no mesmo exercício
financeiro em que foi publicada a lei que o instituiu ou aumentou).

Prisão em flagrante – É uma medida cautelar de natureza processual que dispensa ordem escrita da autoridade
judicial. Aquele que está cometendo o crime, acabou de praticar a infração, que é perseguido em situação que
se faça presumir ser o autor do crime, ou que é encontrado com instrumentos, armas ou demais objetos do
delito, encontra-se em flagrante delito próprio, impróprio, quase flagrante ou flagrante presumido e deve ser
preso pelas autoridades ou pode ser detido por qualquer um do povo. Ver artigos 301 e 302 do Código de
Processo Penal.

Prisão especial – É a prisão realizada em quartéis ou prisão especial de pessoas que, devido ao cargo que
exercem ou nível cultural que possuem, devem ser recolhidas em locais especiais quando presas
provisoriamente. Ver artigo 295 e 296 do Código de Processo Penal.

Prisão preventiva – É a que se efetiva ou se impõe como medida de cautela ou de prevenção, no interesse da
Justiça, mesmo sem haver ainda condenação. O tempo em que a pessoa ficou em prisão preventiva é
computado posteriormente ao período a que foi condenado.

Prisão preventiva para extradição – Processo que garante a prisão preventiva do réu em processo de extradição
como garantia de assegurar a aplicação da lei. É condição para se iniciar o processo de extradição.

Prisão temporária – Espécie de prisão provisória ou cautelar, que restringe a liberdade de locomoção de uma
pessoa, por tempo determinado e durante o inquérito policial, a fim de investigar a ocorrência de crimes graves.
Ver Lei nº 7.960/89.

Privilegium fori – Privilégio de foro.

Privilegium immunitatis – Privilégio de imunidade.

Procedimento administrativo – É a autuação de uma representação feita ao Ministério Público. A representação


é separada conforme sua natureza (cível ou criminal), recebe número e é encaminhada ao procurador. A partir
daí, o procurador responsável irá tomar todas as medidas necessárias à apuração dos fatos: requisita
informações, determina diligências ou, se for o caso, encaminha cópia do procedimento à Polícia Federal para
instauração do inquérito policial. Não existe prazo para encerrar um procedimento administrativo na área cível,
apenas na criminal, que é de 30 dias, conforme Resolução nº 77, editada pelo Conselho Superior do MPF em
2004.

Processo – Atividade por meio da qual se exerce concretamente, em relação a determinado caso, a função
jurisdicional, e que é instrumento de composição das lides; pleito judicial; litígio; conjunto de peças que
documentam o exercício da atividade jurisdicional em um caso concreto; autos.
50
APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

Processo administrativo – Processo relativo a servidor no exercício de suas atribuições. Pode ser um pedido de
benefício ou a apuração de denúncia por infração praticada, por exemplo.

Procurador do Estado – Pessoa que exerce a representação judicial e a consultoria jurídica da respectiva
unidade federada. Os Procuradores dos Estados são organizados em carreira, na qual o ingresso depende de
concurso público de provas e títulos, com a participação da Ordem dos Advogados do Brasil em todas as suas
fases. Ver artigo 132 da Constituição Federal.

Procurador federal – Representante de órgãos da administração indireta da União – autarquias, fundações e


agências reguladoras - em questões judiciais e extrajudiciais. São servidores do Poder Executivo Federal.

Procurador da República – Membro da carreira inicial do Ministério Público Federal. Oficia perante os juízes
das Varas da Justiça Federal de primeira instância.

Procurador de Justiça – Membro do Ministério Público Estadual ou do Ministério Público do Distrito Federal e
Territórios.

Procurador do Distrito Federal – Pessoa que exerce a representação judicial e a consultoria jurídica do Distrito
Federal. Os procuradores do DF são organizados em carreira, na qual o ingresso depende de concurso público
de provas e títulos, com a participação da OAB em todas as suas fases. Ver artigo 132 da Constituição Federal.

Procurador-geral da República – Chefe do Ministério Público Federal e do Ministério Público da União. É


escolhido pelo presidente da República, entre os integrantes da carreira maiores de 35 anos, e aprovado pelo
Senado Federal. Tem mandato de dois anos, permitidas reconduções. Sua destituição, pelo presidente da
República, depende de autorização do Senado. O procurador-geral da República é processado e julgado pelo
STF. No Supremo Tribunal Federal, o procurador-geral da República tem assento no plenário, à direita do
presidente. É ouvido na maioria dos processos e pode atuar como parte em ação.

Procurador regional da República – Atua nos Tribunais Regionais Federais. Ocupa o segundo nível da carreira
dos membros do MPF.

Procuradoria da República – Instância do Ministério Público Federal onde atuam os procuradores da República
perante a Justiça Federal de primeiro grau. Sediada na capital do estado. Pode haver ainda unidades
descentralizadas do MPF nos municípios onde houver Vara Federal – as Procuradorias da República
Municipais.

Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão – É o órgão responsável pela coordenação do ofício dos direitos
do cidadão no MPF. Nesse ofício são tratadas questões relacionadas aos direitos constitucionais da pessoa
humana, visando a garantia do seu efetivo respeito pelos Poderes Públicos e pelos prestadores de serviços de
relevância pública. Dos direitos constitucionais defendidos pelos procuradores dos direitos do cidadão podemos
destacar a liberdade, igualdade, dignidade, saúde, educação, assistência social, acessibilidade, direito à
informação e livre expressão e segurança pública, dentre outros. A PFDC proporciona informações e subsídios
à atuação dos procuradores regionais dos direitos do cidadão e dá encaminhamento aos procedimentos
administrativos pertinentes a sua área temática. A PFDC também interage com órgãos do Estado e
representantes da sociedade civil em busca de soluções ou melhoramentos na efetivação dos direitos dos
cidadãos.

Procuradoria Geral da República – Terceira instância do Ministério Público Federal onde atuam os
subprocuradores-gerais da República, perante o Superior Tribunal de Justiça, e o procurador-geral da
República, perante o Supremo Tribunal Federal e Tribunal Superior Eleitoral. Sediada em Brasília, é o centro
administrativo-institucional do MPF. A Procuradoria Geral da República também é a sede da Procuradoria
Geral Eleitoral.
51
APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

Procuradoria Regional da República – Segunda instância do Ministério Púbico Federal onde atuam os
procuradores regionais da República perante os Tribunais Regionais Federais.

Proferir – Decretar, enunciar.

Prolação – Ato pelo qual se profere ou se enuncia o que é feito. Significa publicação.

Promotor – Membro do Ministério Público Estadual, que exerce suas funções como representante da sociedade,
na defesa dos interesses individuais e sociais indisponíveis.

Promotor natural – Princípio reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal como decorrente das cláusulas da
independência funcional da inamovibilidade dos integrantes do MP. Significa que somente o promotor natural é
que deve atuar no processo, o que impede a chefia da instituição de efetuar designações casuísticas, afastando
um procurador e designando outro para atuar naquela causa. Um procurador somente se afasta de um processo
por algum dos motivos previstos em lei ou quando mudam de área de atuação ou cidade.

Protelar – Procrastinar, prolongar abusivamente, adiar propositadamente.

Provas – Demonstração da existência ou da veracidade daquilo que se alega como fundamento do direito que se
defende ou que se contesta. Todo meio lícito e apto a firmar a convicção do juiz na sua decisão.

Provimento – Admissão do recurso pela autoridade judiciária a quem foi proposto. No Direito Administrativo,
significa investidura ou nomeação pela qual alguém é provido em um cargo ou ofício.

Quadrilha – Grupo com o mínimo de três pessoas que possuem como objetivo a prática de ato ilícito
estabelecido em lei como crime. Ver artigo 288 do Código Penal.

Qualificação do crime – Nova configuração atribuída ao crime para que se lhe aplique pena maior ou mais
agravada.

Queixa – 1. Exposição do fato criminoso feita pelo próprio ofendido, ou por quem tiver legitimidade para
representá-lo. 2. Petição inicial nos crimes de ação privada ou crimes de ação pública em que a lei admite a
ação privada.

Queixa-crime – Exposição do fato criminoso, feita pela parte ofendida ou por seu representante legal, para
iniciar processo contra o autor ou autores do crime. A queixa-crime pode ser apresentada por qualquer cidadão
— é um procedimento penal de caráter privado, que corresponde à denúncia na ação penal pública.

Qui tacet, consentire videtur – Quem cala consente.

Quinto constitucional – Diz-se da parte que a Constituição reserva a membros do Ministério Público e a
advogados na composição dos tribunais. Num tribunal constituído, por exemplo, de 20 juízes, 4 lugares devem
ser preenchidos por integrantes do Ministério Público (2) e por advogados (2).

Quorum – Número mínimo de juízes ministros necessário para os julgamentos.

Reclamação – Pedido para o reconhecimento da existência de um direito ou a queixa contra atos que
prejudicam direitos do reclamante. A reclamação é feita contra o ato injusto, para que seja desfeito ou para que
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APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

se repare a injustiça. A reclamação pode ser dirigida contra a própria autoridade que praticou o ato, desde que
em função administrativa.

Reclusão – Prisão com isolamento (regime fechado).

Recomendação – Documento enviado a órgãos públicos para que cumpram determinados dispositivos
constitucionais ou legais. É uma das formas de atuação extrajudicial do MP.

Reconvenção – É uma das possibilidades de resposta do réu. Este poderá propor, dentro do mesmo processo,
uma outra ação através de petição escrita, dirigida ao juiz da causa, dentro do prazo de 15 dias, contra o autor.
Ver artigos 34; 109; 253, parágrafo único; 297; 315 a 318; 354; 836, inciso II, do Código de Processo Civil.

Recurso – Instrumento para pedir a mudança de uma decisão, na mesma instância ou em instância superior.

Recurso especial – Recurso ao Superior Tribunal de Justiça, de caráter excepcional, contra decisões de outros
tribunais, em única ou última instância, quando houver ofensa à lei federal. Também é usado para pacificar a
jurisprudência, ou seja, para unificar interpretações divergentes feitas por diferentes tribunais sobre o mesmo
assunto. Uma decisão judicial poderá ser objeto de recurso especial quando: contrariar tratado ou lei federal, ou
negar-lhes vigência; julgar válida lei ou ato de governo local contestado em face de lei federal; der a lei federal
interpretação divergente da que lhe haja atribuído outro tribunal.

Recurso extraordinário – De competência do Supremo Tribunal Federal, de cabimento restrito às causas


decididas em única ou última instância, quando a decisão recorrida: a) contrariar dispositivo da Constituição; b)
declarar a inconstitucionalidade de tratado ou lei federal; c) julgar válida lei ou ato de governo local contestado
em face da Constituição (artigo 102, inciso III, parágrafo 3º).

Recurso ordinário criminal – Cabe recurso ao Supremo Tribunal Federal de decisão única ou de última
instância da Justiça Militar. O prazo para apresentação do recurso é de três dias.

Recurso ordinário em habeas corpus – O recurso só subirá ao Supremo, vindo de Tribunais Superiores, quando
o pedido for negado naquelas instâncias. Não cabe recurso ordinário ao STF de decisão que tenha concedido o
habeas corpus, apenas recurso especial.

Referendo – É uma forma de consulta popular sobre um assunto de grande relevância, na qual o povo
manifesta-se sobre uma lei - seja ordinária, complementar ou emenda à Constituição - após aprovada pelo
Legislativo. Assim, o cidadão apenas ratifica ou rejeita o que lhe é submetido.

Reincidência – Em matéria penal, verifica-se a reincidência quando o agente comete novo crime, depois de
transitar em julgado a sentença que, no País ou no estrangeiro, o tenha condenado por crime anterior. Ver artigo
63 do Código Penal.

Reintegração – Ato ou efeito de reintegrar(-se); readmissão em cargo público com ressarcimento de todas as
vantagens a ele inerentes, por força de decisão judicial ou administrativa.

Relator – Ministro ou juiz a quem compete examinar o processo e resumi-lo num relatório, que servirá de base
para o julgamento. O relator é designado por sorteio e tem prazo de 30 dias para examinar o processo e
encaminhá-lo ao revisor.

Relatório – Exposição resumida do processo, lida pelo relator no início da sessão de julgamento. Após a leitura,
é dada a palavra aos representantes das partes e, em seguida, o relator pronuncia seu voto.

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APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

Remição de pena – Consiste na redução de um dia de pena por três dias trabalhados, pelo condenado que
cumpre pena em regime fechado ou semi-aberto (artigo 126, parágrafo 1º, da Lei de Execução Penal).

Representação – 1. É toda notícia de irregularidade que é levada ao conhecimento do Ministério Público.


Qualquer cidadão pode representar ao MPF, podendo fazê-lo por escrito ou pessoalmente na Procuradoria. A
representação também pode ser feita por pessoas jurídicas, entidades privadas, entidades de classe, associações
civis ou órgãos da administração pública. A partir da representação ocorre uma investigação do Ministério
Público. 2. Em matéria eleitoral, representação é a denúncia de irregularidade apresentada pelo MPE à Justiça
Eleitoral.

Repristinação – Instituto pelo qual se restabelece a vigência de uma lei revogada pela revogação da lei que a
tinha revogado. Ex: a lei "A" é revogada pela lei "B"; advém a lei "C", que revoga a lei "B" e diz que a lei "A"
volta a viger. Deve haver dispositivo expresso, não existindo repristinação automática (nem a Constituição
Federal pode repristinar automaticamente uma lei).

Res judicata – Coisa julgada.

Res judicata pro veritate habetur lat – A coisa julgada é tida por verdade. Axioma jurídico segundo o qual
aquilo que foi objeto de julgamento definitivo não pode ser novamente submetido à discussão.

Responsabilidade civil – Obrigação que uma pessoa tem de assumir, por determinação legal, as conseqüências
jurídicas advindas dos seus atos. Pode ser oriunda de negócio jurídico, de ato ilícito ou de lei. Ver artigos 15,
159, 160, 1.518 a 1.553, do Código Civil, Lei n° 5.250/67, Lei n° 6.453/77.

Revel – Réu que não comparece em juízo para defender-se.

Revelia – Sem conhecimento ou sem audiência da parte revel, do réu.

Revisão criminal – Pedido do condenado para que a sentença seja reexaminada, argumentando que ela é injusta,
em casos previstos na lei. A revisão criminal é ajuizada quando já não cabe nenhum outro recurso contra a
decisão.

Revisor – Ministro que confirma, completa ou corrige o relatório do ministro relator. É sempre o ministro mais
antigo no tribunal depois do relator. Existe revisor nos seguintes processos: ação rescisória; revisão criminal;
ação penal; recurso ordinário criminal; declaração de suspensão de direitos.

Segredo de Justiça – Característica de certos atos processuais desprovidos de publicidade, por exigência do
decoro ou interesse social. Nesses casos o direito de consultar os autos e de pedir certidão fica restrito às partes
e seus advogados.

Sentença – Decisão do juiz que põe fim a um processo.

Seqüestro – É uma das medidas destinadas a conservar os direitos dos litigantes. Constitui-se na apreensão e no
depósito de bens móveis, semoventes ou imóveis, ou de frutos e rendimentos destes.

Sine qua non – Indispensável.

Sigilo funcional – É o dever imposto ao funcionário público para que não viole nem divulgue segredo de que
teve conhecimento em razão de sua função.

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APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

Sonegar – Ocultar ou deixar de declarar a existência de certa coisa para a subtrair ou livrar do destino que deve
ser dado; ou deixar de cumprir dever a que não é lícito se furtar, pela entrega de determinada coisa, em regra,
representada em dinheiro.

Stricto sensu – Em sentido estrito.

STF – Supremo Tribunal Federal, órgão máximo da Justiça no Brasil. Ver artigos 101 a 103 da Constituição
Federal.

STJ – Superior Tribunal de Justiça. Ver artigos 104 e 105 da Constituição Federal.

Sub judice – Sob juízo; em trâmite judicial. Diz-se da causa sobre a qual o juiz ainda não se pronunciou.

Suborno – É um dos resultados da corrupção. É a oferta ou o recebimento, para si ou para outrem, direta ou
indiretamente, de vantagem indevida, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela. Ver
artigo 317 do Código Penal.

Subprocurador-geral da República – Atua nos processos que tramitam no Superior Tribunal de Justiça e no
Supremo Tribunal Federal, sendo neste último por designação do procurador-geral da República.

Sucumbência – Princípio que atribui à parte vencida em um processo judicial o pagamento de todos os gastos
decorrentes da atividade processual.

Súmula – É um extrato, um resumo, um compêndio das reiteradas decisões exaradas pelos tribunais superiores
versando sobre uma determinada matéria.

Superveniência – Acontecimento jurídico que, em princípio, vem modificar ou alterar uma situação firmada em
fato anterior, para que se possa tomar uma nova orientação ou para que se permita a adoção de medida que
desfaça ato, ou medida anterior, ou que venha imprimir novo rumo à solução de uma contenda judicial.

Sursis – É o mesmo que suspensão condicional da pena. Aplica-se à execução da pena privativa de liberdade,
não superior a dois anos, podendo ser suspensa, por dois a quatro anos, desde que: o condenado não seja
reincidente em crime doloso; a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e personalidade do agente, bem
como os motivos e as circunstâncias autorizem a concessão do benefício; não seja indicada ou cabível a
substituição por penas restritivas de direitos. Ver artigos 77 a 82 do Código Penal e artigos 156 a 163 da Lei de
Execução Penal.

Suspeição – Situação, expressa em lei, que impede os juízes, representantes do Ministério Público, advogados,
serventuários ou qualquer outro auxiliar da Justiça de, em certos casos, funcionarem no processo em que ela
ocorra, em face da dúvida de que não possam exercer suas funções com a imparcialidade ou independência que
lhes competem.

Suspensão de segurança – Pedido feito ao presidente do STF para que seja cassada liminar ou decisão de outros
tribunais, em única ou última instância, em mandado de segurança. A suspensão só poderá ser concedida, por
meio de despacho fundamentado, nos casos de lesão à ordem, à saúde, à segurança e à economia pública. A
causa deve ser fundada em questão constitucional, caso contrário, a ação deve ser ajuizada no STJ.

Taxa – É um tipo de tributo. Contribuição que o Estado exige diretamente em função de um serviço
determinado e específico, como uma taxa judiciária.

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APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

Tergiversação – Pratica tergiversação o advogado que, simultânea ou sucessivamente, defende e patrocina as


mesmas partes, sendo passível de sanção penal. Ver artigo 335, parágrafo único, do Código Penal.

Termo de Ajustamento de Conduta – Instrumento extrajudicial por meio do qual as partes se comprometem,
perante os procuradores da República, a cumprirem determinadas condições, de forma a resolver o problema
que estão causando ou a compensar danos e prejuízos já causados. O TAC antecipa a resolução de problemas
de uma maneira mais rápida e eficaz do que se o caso fosse a juízo. Se a parte descumprir o acordado no TAC,
o procurador da República pode entrar com pedido de execução, para o juiz obrigá-lo a cumprir o determinado
no documento.

Tipicidade – É típico o fato que se enquadra perfeitamente na descrição legal de um crime; é a reunião de todos
os elementos de um crime. É a concretização daquele fato abstratamente descrito como criminoso pela lei.

Tipo penal – É a descrição abstrata, estabelecida em norma penal incriminadora, de comportamentos do agente
capazes de violar bem juridicamente protegido.

Título executivo – É o documento que se apresenta perante um juiz para se requerer a execução de uma dívida
ou obrigação a que se comprometeu o devedor. O título comprova a existência daquela dívida. São requisitos
obrigatórios de todo título executivo a liquidez, certeza e exigibilidade. Podem ser judiciais (quando derivam de
atos firmados em um processo judicial) ou extrajudiciais.

Tráfico internacional de pessoas – Promover, intermediar ou facilitar a entrada, no território nacional, de pessoa
que venha exercer a prostituição ou a saúda de pessoa para exercê-la no exterior. A pena é reclusão, de três a
oito anos, e multa. Ver artigo 231 do Código Penal.

Tráfico de influência – É um dos crimes praticados por particular contra a administração em geral. Consiste em
solicitar, exigir, cobrar ou obter, para si ou para outrem, vantagem ou promessa de vantagem, a pretexto de
influir em ato praticado por funcionário público no exercício da função. A pena prevista é de reclusão, de dois a
cinco anos, e multa. A pena é aumentada da metade, se o agente alega ou insinua que a vantagem é também
destinada ao funcionário. Ver artigo 332 do Código Penal.

Transação penal – Nos crimes de menor potencial ofensivo, em que a pena mínima cominada for igual ou
inferior a um ano, abrangidas ou não pela Lei dos Juizados Especiais Criminais, o Ministério Público, ao
oferecer a denúncia, poderá propor a suspensão do processo, por dois a quatro anos, desde que o acusado não
esteja sendo processado ou não tenha sido condenado por outro crime, e considerados os demais requisitos que
autorizariam a suspensão condicional da pena. Ver artigo 89 da Lei nº 9.099/95.

Transitar em julgado – Expressão usada para uma decisão (sentença ou acórdão) de que não se pode mais
recorrer, seja porque já passou por todos os recursos possíveis, seja porque o prazo para recorrer terminou.

Tribunal do júri – É o tribunal composto de um juiz de direito, que é o seu presidente, e de 21 jurados que serão
sorteados dentre os alistados, sete dos quais constituirão o conselho de sentença em cada sessão de julgamento.
O serviço do júri será obrigatório, devendo os jurados, escolhidos dentre cidadãos de notória idoneidade, serem
cidadãos maiores de vinte e um anos. Constitucionalmente são assegurados para as atividades do Tribunal do
Júri a) a plenitude de defesa; b) o sigilo das votações; c) a soberania dos veredictos; d) a competência para o
julgamento dos crimes dolosos contra a vida. Ver artigo 5°, inciso XXXVIII, da Constituição Federal e os
artigos 433 a 438 do Código de Processo Penal.

Tribunal Regional Federal – Segunda instância da Justiça Federal. Composta por desembargadores, oriundos da
magistratura federal, bem como membros do Ministério Público Federal e advogados (quinto constitucional).
Existem atualmente cinco TRFs. A 1ª Região, com sede em Brasília, tem jurisdição sobre os estados do Acre,
Amapá, Amazonas, Bahia, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Piauí, Rondônia, Roraima,
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APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

Tocantins e Distrito Federal. O TRF-2, com sede no Rio de Janeiro, abrange os estados do Rio de Janeiro e
Espírito Santo. A 3ª Região tem sede em São Paulo e tem jurisdição sobre São Paulo e Mato Grosso do Sul. A
4ª Região, sediada em Porto Alegre, abrange os estados da Região Sul. E a 5ª Região, cuja sede fica em Recife,
abarca os estados do Ceará, Alagoas, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe.

Tributo – Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que
não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente
vinculada. A natureza jurídica específica do tributo é determinada pelo fato gerador da respectiva obrigação,
sendo irrelevantes para qualificá-la: a denominação e demais características formais adotadas pela lei; a
destinação legal do produto da sua arrecadação. São tributos: impostos, taxas e contribuições de melhoria. Ver
artigos 3° a 5° do Código Tributário Nacional e artigo 145 da Constituição Federal.

Turpis causa – Causa torpe.

Tutela – Encargo ou autoridade que se confere a alguém, por lei ou por testamento, para administrar os bens e
dirigir e proteger um menor que se acha fora do pátrio poder, bem como para representá-lo ou assistir-lhe nos
atos da vida civil; defesa, amparo, proteção; tutoria; dependência ou sujeição vexatória.

Tutela antecipada – É a antecipação de um ou mais pedidos feitos pelo autor na ação. Exige alguns requisitos,
como a possibilidade de que a demora no julgamento da causa resulte em prejuízo irreparável à parte, bem
como a existência de provas que convençam o juiz da veracidade da alegação. Ver artigo 273 e parágrafos do
Código de Processo Civil.

Última instância – Aquela que põe termo final ao processo e de cuja decisão não cabe mais recurso, salvo o
extraordinário, na forma da lei.

Ultra petita – Além do pedido. Expressão empregada para qualificar a decisão judicial que ultrapassa o
interesse manifestado pelas partes na ação.

Una voce – Consensual.

Única instância – Instância que não se gradua em mais de uma ou onde o processo se subordina a uma única
jurisdição.

Unidade – Um princípio institucional do Ministério Público (artigo 127, parágrafo 1º, da Constituição da
República). Diz-se que o MP é uno porque os procuradores integram um só órgão, sob a direção de um só
chefe. A unidade só existe dentro de cada Ministério Público, inexistindo entre o MPF e o MP Estadual ou entre
o MP de cada estado.

Uniformização de jurisprudência – Ato pelo qual o tribunal, reconhecendo a divergência do objeto submetido a
julgamento, pede a interpretação fundamental de seus pares para a controvérsia, registrando em súmula a
decisão.

Usucapião – Na definição de Clóvis Beviláquia, é a aquisição do domínio pela posse continuada. Modalidade
de aquisição de coisa imóvel ou móvel em razão do decurso do tempo desde que atendidos determinados
requisitos definidos na lei civil. Por exemplo, o usucapião de imóvel: aquele que, por 20 anos, sem interrupção,
nem oposição, possuir como seu um imóvel, adquirir-lhe-á o domínio, independentemente de título de boa-fé
que, em tal caso, se presume, podendo requerer ao juiz que assim o declare por sentença, a qual lhe servirá de
título para transcrição no Registro de Imóveis. Ver artigos 550 a 553 e 618 a 619 do Código Civil; artigos 183,
191 da Constituição Federal e artigos 9° e seguintes do Estatuto da Cidade (Lei n° 10.257/01).
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APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

Usufruto – É o direito real de fruir as utilidades e frutos de uma coisa, enquanto temporariamente destacado da
propriedade. Pode recair em um ou mais bens, móveis ou imóveis, abrangendo-lhe, no todo ou em parte, os
frutos e utilidades. O usufruto de imóveis deve ser registrado no Cartório de Registro de Imóveis. Ver artigos
1.390 e seguintes do Código Civil.

Usura – Cobrança manifestamente desproporcionada de juros.

Usurpação – É uma ação forçada para retirar uma coisa de alguém, ou ainda, exercer sem qualquer legitimidade
uma função.

Vacatio legis – Período de tempo entre a publicação da lei e a sua vigência.

Vara – É uma divisão na estrutura judiciária que corresponde à lotação de um juiz. No caso da Justiça Federal,
funciona da seguinte maneira: o Estado é chamado de Seção Judiciária; as cidades formam as Subseções
Judiciárias, as quais, por sua vez, são divididas em Varas. Cada Vara está sob a responsabilidade de um juiz
titular.

Vênia – Pedido de licença ou de permissão para contestação ou contradição respeitosa.

Verbi gratia (v.g.) – Por exemplo; e.g.

Vista – Ato pelo qual alguém recebe os autos de um processo como direito de tomar conhecimento de tudo o
que nele se contém. Ex.: pedir vista, dar vista.

Violação de sigilo funcional – É um dos crimes praticados por funcionário público contra a administração em
geral. Consiste em revelar fato de que tem ciência em razão do cargo e que deva permanecer em segredo, ou
facilitar-lhe a revelação. A pena prevista é de detenção, de seis meses a dois anos, ou multa, se o fato não
constitui crime mais grave. Nas mesmas penas deste artigo incorre quem a) permite ou facilita, mediante
atribuição, fornecimento e empréstimo de senha ou qualquer outra forma, o acesso de pessoas não autorizadas a
sistemas de informações ou banco de dados da Administração Pública; b) se utiliza, indevidamente, do acesso
restrito. Se da ação ou omissão resulta dano à Administração Pública ou a outrem, a pena será de reclusão, de
dois a seis anos, e multa. Ver artigo 325 do Código Penal.

Violência arbitrária – É um dos crimes praticados por funcionário público contra a adminstração em geral.
Consiste na prática de violência, no exercício de função ou a pretexto de exercê-la. A pena prevista é de
detenção, de seis meses a três anos, além daquela correspondente à violência. Ver artigo 322 do Código Penal.

Voluntas legis – A vontade da lei.

Voto – Posição individual do juiz ou ministro manifestada no julgamento de um processo.

Writ – Termo inglês que significa mandado, ordem escrita. Quando utilizado na terminologia jurídica brasileira,
refere-se sempre ao mandado de segurança e ao habeas corpus.

Zona eleitoral – Divisão que abrange os eleitores de determinada região no Estado ou no município.
Geralmente é fixada em razão do número de eleitores: ultrapassado um limite máximo, que é fixado pelo TSE,
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APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

cria-se nova zona eleitoral. Desse modo, uma zona eleitoral pode abranger vários municípios. Ou, ao contrário,
nas capitais e cidades com milhares de habitantes, podem existir várias zonas eleitorais.

AUDIÊNCIA

A escuta pessoal das partes pelo juiz é o


cerne de qualquer audiência no Direito, seja qual
for a especialidade. Todavia, o advogado deve
saber que cada tipo de audiência tem suas
peculiaridades e demanda abordagens e estratégias
específicas. No post de hoje, falaremos sobre os 3
principais tipos de audiência para que o
profissional se prepare adequadamente.

Audiência de conciliação ou mediação:

A conciliação e a mediação são formas adequadas


de resolução de conflitos diferentes da sentença
judiciária, uma vez que nelas as partes entram em
consenso. Este tipo de audiência contribui para descongestionar o Poder Judiciário, uma vez que não exigem
uma decisão do juiz, apenas a homologação do acordo.

No processo civil brasileiro, a audiência de conciliação ou mediação é essencial para a celeridade do


processo, e o juiz deve propor o acordo às partes quando for cabível, uma vez que há matérias que não são
passíveis de conciliação ou mediação. Quando a petição inicial preenche os requisitos essenciais e não há
improcedência liminar do pedido, o juiz designa tal audiência com pelo menos 30 dias de antecedência. Ela
pode não se realizar caso ambas as partes demonstrem desinteresse na conciliação ou mediação ou quando a
autocomposição não for admitida. Quando se realiza, as partes devem ser acompanhadas pelos advogados ou
defensores públicos, salvo no juizado especial em causas de até 20 salários mínimos.

O advogado, nessa audiência, deve conversar com seu cliente previamente a respeito da vontade de se
entrar em consenso, preparando-o para as possíveis contrapropostas. É uma situação em que as duas partes
devem abrir mão de sua rigidez e estarem dispostas a contribuir para uma solução comum e boa para todos. O
papel do advogado é, por isso, fundamental na preparação do cliente.

Se houver acordo, o juiz realiza a homologação e o processo acaba. Não havendo consenso, inicia-se o
prazo para que o Réu apresente a sua contestação.

Audiência de instrução e julgamento

Essa audiência ocorre em dia e hora designados pelo juiz. Participam dela o juiz, as partes, seus
respectivos advogados, testemunhas e os auxiliares da justiça. A primeira medida tomada pelo juiz é uma nova
tentativa de conciliação das partes. Se ocorrer, homologa-se o acordo e o processo é finalizado. Se não,
procede-se a produção de provas orais, com os interrogatórios, depoimentos pessoais das partes e inquirição de
testemunhas. Só depois da instrução o juiz profere sua decisão.

Em algumas situações ela poderá ser adiada, como no caso de impedimento de uma das partes em
participar dela. A impossibilidade deve ser justificada e comprovada até a abertura da audiência, e quem deu
causa ao adiamento será o responsável pelas despesas acrescidas. O advogado participa ativamente desse tipo

59
APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

de audiência ao realizar atividades próprias do seu exercício profissional, como formulação de perguntas,
dedução de alegações, fiscalização do trabalho do juiz etc.

Antes dessa audiência, além de se preparar treinando sua persuasão e sabendo tudo sobre o processo, as
partes e as alegações, o advogado também deve preparar seu cliente para se portar perante o juiz.

Audiência de justificação

A audiência de justificação é uma audiência para que o juiz obtenha informações adicionais sobre as
alegações do autor, e ocorre em dois momentos do processo civil brasileiro:

Ação de reintegração ou manutenção de posse

O juiz poderá designar audiência de justificação para que o autor justifique suas alegações se achar que a
petição inicial e seus documentos não são suficientes para provar sua posse e o esbulho por parte do réu. Nesta
audiência, o réu não é chamado para se defender, mas para comparecer e participar, caso queira.

Tutela de urgência

A audiência de justificação acontece para dar maior segurança à concessão da tutela de urgência, e é designada
nos casos em que os pressupostos para a concessão da tutela (perigo de dano ou risco ao resultado útil do
processo, e probabilidade do direito) não podem ser demonstrados na petição inicial, sendo necessária colheita
de prova.

PROCESSO JUDICIAL

O que é Processo Judicial? Sujeitos, Fases,


Classificação e Exemplo.

Um processo judicial se trata de uma ação


jurídica iniciada, geralmente por um advogado,
onde se espera que um juiz de direito ou mesmo
um tribunal, emita uma decisão sobre a violação
de um direito.

Após falarmos sobre lei ordinária, lei


complementar e medida provisória, chegou a
hora de falar um pouco sobre processos judiciais.

Podemos definir um processo como instrumento legal que objetiva eliminar conflitos através da justiça,
através da aplicação das fontes do direito brasileiro, tendo como pilares a lei e a jurisprudência.

Sujeitos de um Processo Judicial

Para que haja um processo judicial e seu caso seja julgado, deverão haver inicialmente três sujeitos envolvidos:

Autor do processo: acusa o réu, formula a demanda, deve ser legalmente capacitado, geralmente um
advogado. É deverá provar que o réu cometeu o a falta perante a justiça;

Réu: É o acusado, ele deverá provar sua inocência perante o juiz;


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APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

Juiz: É o responsável por julgar o processo e emitir a sentença final sobre o caso. Deve possuir plenos
poderes legais investidos pelo próprio Estado, para julgar tal demanda.

Fases de um Processo Judicial:

Para quem não trabalha na área jurídica, compreender o andamento de um processo judicial pode ser
uma tarefa bastante complicada. Além da linguagem técnica muito específica, o desenrolar dos processos
dificilmente é o mesmo: a depender da matéria envolvida (direito criminal, direito de família, etc.), as fases são
completamente diferentes. Para te ajudar a entender melhor como funcionam os processos judiciais, preparamos
esse artigo explicando o passo a passo básico dos procedimentos. Vamos conferir?

1. Petição inicial: o começo de tudo

2. Citação: o direito de defesa do réu

3. Réplica: o direito de resposta do autor

4. Fase probatória: quem alega tem que provar

5. Sentença: a decisão final do juiz

6. Recursos: a arma do vencido

7. Cumprimento de sentença: colocando a decisão em prática

1. Petição inicial: o começo de tudo

O primeiro passo de todo processo é a petição inicial. Nesse documento, o autor — ou seja, quem
ajuizou a ação — irá expor os fatos que o levaram a entrar com a ação, bem como quais dos seus direitos foram
violados. Além disso, é nesse momento que o autor formula os seus pedidos principais ao juiz: se quer uma
indenização, se quer que o réu faça ou se abstenha de fazer algo, etc.

Vejamos um exemplo: uma pessoa compra uma televisão que não funciona. Com a ajuda de seu
advogado, ela irá formular a petição inicial dando os detalhes da compra: de quem comprou, como percebeu o
defeito, dentre outros detalhes importantes para o entendimento do caso. Ao final do documento, ela formula o
seu pedido: a devolução do dinheiro pago.

Se a questão do processo for urgente (como no caso de uma pessoa precisar de tratamento médico
imediatamente, por exemplo), é possível formular um pedido especial para o juiz na petição inicial. Nesse caso,
o juiz irá analisar esse pedido assim que receber o documento e tomar a sua decisão — que não é definitiva,
podendo ser modificada posteriormente, a depender das provas produzidas no processo.

2. Citação: o direito de defesa do réu

Assim que o juiz recebe a petição inicial, ele verifica se os seus requisitos formais estão de acordo com a
lei. Caso estejam, passa-se à próxima fase do processo judicial: a citação do réu para que ele tome
conhecimento da ação. Nesse momento, por exemplo, um oficial de justiça vai à residência do réu (ou à sede da
pessoa jurídica) e entrega um mandado de citação, ou seja, uma ordem do juiz para que ele compareça a uma
audiência de conciliação.

Nessa audiência, as partes tentarão chegar a um acordo, com a ajuda de um conciliador profissional.
Caso não cheguem ao consenso, depois da audiência começa o prazo para que o réu apresente a sua versão dos
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APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

fatos por meio de um documento chamado contestação. Nele, o réu pode alegar várias matérias para se
defender: desde vícios formais da petição inicial (como, por exemplo, que o documento foi apresentado ao juízo
errado) até novos fatos que desconstroem a versão do autor.

3. Réplica: o direito de resposta do autor

Depois que o réu apresenta a sua defesa, comumente o próximo passo do processo é a réplica. Esse é o
nome da manifestação por meio do qual o autor contrapõe os argumentos que o réu alegou em sua contestação.

4. Fase probatória: quem alega tem que provar

Agora que as partes apresentaram todos os seus argumentos, passamos a uma das fases mais importantes
de um processo judicial: a fase probatória. Nesse momento, o juiz convoca as partes para que indiquem quais
provas pretendem produzir para corroborar a sua versão dos fatos. Assim, se há testemunhas dos fatos
discutidos no processo, é nesse momento que uma das partes (o autor ou o réu) deve indicá-las para prestar
depoimento. Se for necessário fazer perícias, por exemplo, também é nessa fase que ela deverá ser requerida.

Como regra, quem alega é quem deve comprovar — ou seja, cabe ao autor comprovar a sua versão dos
fatos, enquanto ao réu cabe apenas comprovar algum fato que tire o crédito da versão do autor. Em alguns casos
especiais, contudo, essa responsabilidade pode ser invertida: o réu é quem deverá provar que o autor está
errado. É o caso, por exemplo, dos processos que envolvem direito do consumidor. É importante destacar que
nem todas as provas indicadas pelas partes são aceitas. O juiz analisa a pertinência e a necessidade de cada uma
delas e autoriza ou não a sua produção. Depois que todas as provas foram devidamente autorizadas, produzidas
e juntadas no processo, o juiz chamará as partes para, em última chance, argumentarem sobre elas. Essa será a
última vez que elas poderão se manifestar no processo antes da sentença.

5. Sentença: a decisão final do juiz

Agora, chegamos à parte mais importante do processo: a sentença. É nesse ato que, depois de analisar
todos os argumentos e provas, o juiz toma a sua decisão final. Além de decidir sobre os pedidos da petição
inicial, o juiz também condena a parte perdedora ao pagamento das chamadas verbas sucumbenciais. Isso
significa que todos os gastos efetuados ao longo do processo — tanto com honorários de advogado, quanto com
taxas cobradas ao longo do procedimento —deverão ser arcadas pela parte perdedora.

6. Recursos: a arma do vencido

Ainda que a sentença seja a decisão final do juiz, ainda é possível recorrer contra essa decisão. Assim, a
parte insatisfeita poderá apresentar um recurso de apelação, buscando reverter a sentença. Esse recurso não será
julgado pelo mesmo juiz, mas por, via de regra, Desembargadores de um Tribunal. Eles terão poderes para
rever o processo e, se for o caso, modificar a decisão do juiz.

Também é possível recorrer da decisão desses desembargadores, nos casos em que ela contrariar a
Constituição ou alguma lei federal. Nesse caso, os recursos são direcionados ao Supremo Tribunal Federal ou o
Superior Tribunal de Justiça, respectivamente.

7. Cumprimento de sentença: colocando a decisão em prática

Depois que todos os recursos interpostos forem julgados, diz-se que a decisão transitou em julgado. Isso
significa que, a partir desse momento, ela é definitiva e pode ser colocada em prática. É claro que, em alguns
casos, é permitido colocar a sentença em prática antes do trânsito em julgado: nos casos em que há urgência,
por exemplo, não é preciso esperar o julgamento de todos os recursos. A parte pode consultar o seu advogado
para verificar se esse é o seu caso.
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APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

Durante a fase do cumprimento de sentença, o credor deve exigir do devedor que cumpra o que a
sentença determinou. Assim, em um caso em que o juiz ordenou que o réu pagasse uma quantia ao autor, por
exemplo, é nessa fase que são apresentados os cálculos e o devedor é intimado para depositar o que deve. O
processo tem seu fim quando a sentença é definitivamente cumprida.

Classificação dos Processos Judiciais:

As três principais formas de classificação de um processo são: Processo de Conhecimento, Processo


Cautelar e Processo de Execução, como seguem abaixo:

• Processo de Conhecimento: Neste o juiz deve processar e julgar uma determinada ação processual. O
qual se subdivide em:
• Declaratório – declara-se a existência ou não de relação jurídica, para a continuação ou não do processo
em si;
• Condenatório – confirma-se a existência da relação jurídica do caso e se apresenta a consequente
punição do réu;
• Constitutivo – é possível, por meio de sentença previamente proferida, alterar a relação jurídica
estabelecida.
• Processo Cautelar: comumente utilizado em casos que requerem certa urgência. Desta forma, detém
certas particularidades e características sendo elas: auxiliar, subsidiário, instrumental e provisório;
• Processo de Execução: providência judicial a qual expõe o cumprimento e o reconhecimento legal de
uma obrigação. Entretanto, não promove o cumprimento desta, ato este que é proferido no próprio
processo.

Salvo em casos raros e muito específicos, a presença de um advogado em um processo judicial é mais que
essencial, sendo, na verdade, até obrigatória, para que as partes (acusatória e defensiva) estejam devidamente e
legalmente representadas.

Exemplo de Processo Judicial

Um exemplo de processo judicial está presente na constituição federal em artigo 184 parágrafo 3º, trata-
se do instrumento do processo judicial de desapropriação, que será regulamentado por lei complementar.

Gestão Jurídica de Processos;

Gestão de processos jurídicos: o guia definitivo

A dura crise econômica que o país atravessa e também o crescimento exponencial da concorrência na
área jurídica fizeram com que advogados e administradores se movimentassem para criar diferenciais e
aumentar a produtividade de suas práticas. Para isso, muitos escritórios e empresas decidiram investir em
tecnologia e também em modernas técnicas de gestão de processos de jurídicos. O conhecimento jurídico é uma
condição necessária, porém, insuficiente para se manter crescendo nesse cenário. É isso mesmo: conhecer a lei,
a jurisprudência e a doutrina não basta para cativar o cliente e aumentar o número de processos distribuídos
para a sua banca.

É preciso dar respostas rápidas às demandas do usuário do serviço, cumprir todos os prazos, cobrar
honorários modestos e a verdade é que nada disso pode ser viabilizado sem uma competente gestão de
processos jurídicos. Confira mais detalhes em nosso guia definitivo sobre o assunto!

1. Evolução dos escritórios de advocacia:

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APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

Em 1828 foram inauguradas as duas primeiras faculdades de Direito do país: uma no Largo de São
Francisco, em São Paulo e a outra em Olinda, Pernambuco. Desde então, a carreira passou por uma série de
momentos importantes no sentido da criação e manutenção das prerrogativas do advogado, como foi o caso da
criação da OAB, em 1930, e a publicação do Código de Ética da Advocacia, em 1934.

Nos tempos atuais, entretanto, o desafio da advocacia é outro. Em meio a um período agitado da história
em que observamos a chamada revolução digital e, com ela, a criação de um mundo mais dinâmico e fluido,
muitos escritórios de advocacia lutam para manter as portas abertas. Isso acontece por uma combinação de
fatores. Os grandes escritórios têm investido pesado em sistemas de gestão, inteligência jurídica e robôs,
diminuindo sua necessidade por mão de obra jurídica e administrativa. Com uma estrutura mais enxuta, é
possível cobrar honorários menores com ainda mais eficiência na tramitação da causa.

Inclusive, esse não é o único fator responsável pelo acirramento na concorrência. Os grandes escritórios
também têm investido em modernas técnicas de gestão advindas ou adaptadas da iniciativa privada. O
segmento jurídico não é exatamente vanguardista quando o assunto é tecnologia e gestão. Tradicionalmente, as
técnicas e produtos mais modernos são implementados primeiro no setor privado e depois é que chegam aos
escritórios de advocacia. É importante criarmos uma distinção entre a advocacia e as demais carreiras que
compõem o setor privado da economia, já que, de acordo com a legislação pertinente, o advogado exerce uma
atividade que é pública e não uma atividade empresarial ou comercial.

Como consequência disso, há uma série de regras que limitam a atuação profissional do advogado. A
título de exemplo, podemos citar o fato de que o advogado deve atender seus clientes com o requisito da
pessoalidade, deve fazer publicidade de suas atividades de uma forma bem mais discreta, não pode receber
pagamentos no cartão de crédito por seus serviços, entre outras.

Assim, é natural que entidades como escritórios de advocacia e o próprio Estado demorem um pouco
mais para terem acesso às novidades. Muitas vezes, quando surge uma nova tecnologia, há um período de
discussões controvertidas sobre a possibilidade de aplicação do invento ao mundo do Direito. Em outros casos,
é necessário realizar algumas adaptações para que esses benefícios sejam trazidos também para o jurídico. Em
suma, a tecnologia e as mais modernas práticas de gestão podem até demorar, mas elas chegam para ficar! Foi
assim com o aparelho de fax, com o pager, com o telefone celular e, é claro, está sendo assim com os softwares
de gestão, projetados especialmente para a área.

2. Necessidade de realizar uma gestão no escritório

Antes de qualquer outra coisa é necessário destacar a imensa importância da gestão, não apenas em um
escritório jurídico, mas também no departamento jurídico de empresas e até mesmo dentro dos órgãos públicos
e procuradorias. Lamentavelmente, a esmagadora maioria dos advogados formados no Brasil sai da faculdade
sem ter conhecimentos em outras áreas, como marketing, gestão financeira, recursos humanos, gestão de
documentos e contabilidade. A verdade é que a ementa dos cursos de Direito no Brasil geralmente não
contempla tais matérias e, quando o aluno se forma, acaba descobrindo da pior forma possível que a advocacia
envolve muito mais do que apenas o Direito.

O conhecimento intelectual é um elemento muito importante dentro da prestação de um serviço jurídico.


No entanto, sem elementos básicos de gestão, é simplesmente impossível tocar um escritório, já que não
conseguiremos obter a mistura entre recursos materiais e humanos necessária para a realização das tarefas. Por
último, é importante sinalizar que existe uma diferença entre gestão e administração. Administrar é resolver os
problemas do escritório na medida em que eles vão aparecendo. Nesse sentido, todos os advogados e
funcionários são administradores. A gestão, por sua vez, já é um conceito bem mais amplo, que inclui o
planejamento estratégico e o desenvolvimento de políticas internas mais amplas.

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APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

3. Quais processos precisam melhorar?

Toda mudança realizada na empresa ou no escritório deve ser precedida de uma análise sobre o
funcionamento da organização no presente. O autoconhecimento é uma característica muito importante para
perceber o que vai bem e o que não vai. A partir daí, já é possível direcionar o foco para melhorar processos.

3.1. Organização de tarefas - No tópico anterior, falamos da figura híbrida do advogado ambivalente, isto é:
aquele que atua nas causas e também tem funções administrativas dentro da empresa ou escritório, como ficar
responsável pela folha de pagamento, negociar contratos com fornecedores de serviços, ou comprar papel para
as impressoras. No entanto, se tem uma coisa que a indústria moderna nos ensinou foi que a especialização em
tarefas é sinônimo de produtividade. Por isso, se você não pode contratar um profissional para resolver questões
administrativas, financeiras e de recursos humanos, ao menos, tente organizar a rotina dos seus colaboradores.

Listar as tarefas em uma agenda é um bom começo, mas recomenda-se também que o profissional
separe as tarefas que precisam ser realizadas em blocos de afinidade ou importância. Por último, resta lembrar
que a tecnologia, como sempre, pode fazer com que tudo isso seja muito mais fácil, já que muitos softwares têm
ferramentas de agendas, calendários e timesheet.

3.2. Produção de peças jurídicas - A redação de petições iniciais, contestações, recursos, pareceres, memoriais
escritos, entre muitas outras peças, é uma das atividades mais importantes realizadas pelo profissional do
direito. Quando a esse aspecto, o gestor jurídico do segmento deve ter duas preocupações básicas: a qualidade
do conteúdo e a produtividade do profissional encarregado. Como já tivemos a oportunidade de mencionar, a
alta produtividade e desempenho do escritório é que vai permitir com que ele possa reduzir seus custos e
repassar esse benefício para o cliente, aumentando a sua competitividade no mercado e, por isso, não podemos
deixar esse assunto em segundo plano.

A ferramenta mais eficiente para aumentar a produtividade em termos de elaboração de peças jurídicas é
um software integrado de gestão jurídica que tenha a funcionalidade de auxiliar em processos mecânicos. O
programa de computador pode evitar que um profissional altamente capacitado perca o seu tempo procurando
pelo enunciado de súmula ou pela jurisprudência da qual precisa para fundamentar sua peça. O recurso oferece
uma série de modelos já prontos elaborados para casos semelhantes. É muito mais fácil ter que enfrentar apenas
peculiaridades e pontos controversos do que construir uma petição do zero, não é mesmo?

Além disso, um bom software de gestão de processos jurídicos também pode ajudar o advogado a
preencher o endereçamento e a qualificação das partes envolvidas no processo. Como o software é integrado, as
informações relativas a cada processo são mantidas e atualizadas em tempo real no sistema. Isso significa que o
sistema já preenche automaticamente algumas informações básicas, como o nome das partes, de seus
procuradores, seus documentos, residência, profissão, estado civil, número do processo e a vara perante a qual a
demanda tramita.

Vamos supor que um advogado demore cerca de 10 minutos para qualificar as partes em uma petição.
Se esse mesmo advogado redigir 5 petições em um dia, terá trabalhado desnecessariamente durante 50 minutos.
A essa altura do campeonato, você poderia indagar o seguinte: “mas para quê tanta pressa”? Por mais difícil
que seja de enxergar, a grande verdade é que fazer mais em menos tempo não está relacionado à pressa e sim à
produtividade. Com o tempo que “sobrou”, podemos fazer aquilo que importa de verdade: administrar o
escritório, atender o cliente e, é claro, redigir outras peças que aguardam sua atenção.

3.3. Gerenciamento de documentos - Um dos maiores entraves ao aumento da produtividade em escritórios de


advocacia é, de fato, o mau gerenciamento de documentos. Você já parou para pensar quanto tempo cada
advogado da sua banca perde todos os dias procurando por um documento? Mesmo que o advogado consiga
encontrar a pasta física com os papéis de que precisa imediatamente, o que nem sempre acontece, ainda assim,
ele acaba perdendo tempo ao procurar fisicamente pela informação desejada. Se o arquivo fosse digital, seria
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APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

possível realizar uma busca com base em palavras-chave. Outra ferramenta interessante oferecida pelos
recursos tecnológicos é a possibilidade de consulta simultânea de documentos. Isso é especialmente importante
para aqueles processos grandes em que atuam vários profissionais.

Em alguns casos, o profissional precisa apenas de uma informação simples contida, por exemplo, no
dispositivo da sentença. Quando sai para procurar a pasta do processo, no entanto, o advogado acaba
descobrindo que o processo está sendo consultado por um colega. Quem nunca passou por uma situação dessas,
não é mesmo? A digitalização dos documentos mais importantes da empresa permite que um número
virtualmente ilimitado de funcionários do escritório tenha acesso simultâneo a qualquer peça ali contida, a partir
dos seus computadores.

Além da economia de dinheiro com papel e toner, o escritório ou departamento jurídico ganha
principalmente com a agilidade com que a informação pode ser consultada. Por fim, não poderíamos terminar o
tópico relativo à gestão de documentos sem falar da segurança. Perder ou inutilizar um documento importante
pode causar um prejuízo enorme para a parte e, é claro, para o advogado responsável pela sua guarda. Por isso,
o mais seguro é digitalizar o documento. Isso evita que informações importantes para o escritório e para os
clientes sejam perdidas. Sabemos que os acidentes acontecem, desde os mais bobos, como uma mancha de café
até os mais catastróficos, como um incêndio.

A tecnologia de cloud computing e os softwares jurídicos integrados formam uma coalizão perfeita para
aumentar a segurança e a acessibilidade desses dados. Hoje, já é possível manter apenas cópias digitais da
maior parte dos documentos, como petições judiciais, pareceres e notas fiscais. Em que pese o esforço das
autoridades públicas em criar uma infraestrutura necessária para conferir validade jurídica a documentos de
existência exclusivamente eletrônica, ainda hoje, há alguns documentos que não podem ser digitalizados.

É o que acontece, por exemplo, com os títulos de crédito, como notas promissórias, cheques e letras de
câmbio. Nesse caso, a destruição do meio físico — isto é, do papel — ocasiona também a destruição do valor
nele contido. Nesses casos, é recomendável que tais documentos sejam mantidos no cofre.

3.4. Gerenciamento de relacionamento com o cliente - Trata-se de uma questão muito importante para todo e
qualquer escritório de advocacia. O atendimento a quem paga os honorários é tão importante que não pode ser
realizado de forma intuitiva e com base em critérios pessoais dos diferentes advogados que atuam na banca.
Pelo contrário, o ideal é criar uma estratégia eficiente no trato com os clientes, de modo a padronizar o
atendimento. Quando o assunto é relacionamento com o cliente, a dica é procurar conhecer cada uma das
pessoas que contratam os serviços do escritório.

Assim, você pode superar as expectativas do cliente, conversando com ele nos seus termos, a partir do
seu ponto de vista e levando em consideração as suas necessidades, políticas internas e preferências. Outro fator
importantíssimo que deve permear todo o relacionamento com o cliente é a confiança. Não podemos nos
esquecer de que o advogado presta um serviço bastante delicado e, por vezes, tem poderes para falar em nome
do cliente que representa, inclusive, no sentido de transigir ou desistir do processo.

3.5. Gerenciamento de processos e casos - O acompanhamento de um processo judicial do início ao fim pode
ser uma tarefa extremamente penosa. O advogado de defesa, por exemplo, geralmente costuma ter pouco tempo
para se familiarizar com a petição inicial e elaborar uma contestação. A partir daí, a tarefa não vai ficando mais
fácil com o tempo. É preciso ficar atento a todas as intimações que ocorrem no processo para evitar a preclusão
ou prescrição de um ato processual.

Um bom software jurídico pode fazer com que todo esse complexo emaranhado de ações no sentido de
monitorar processos seja bem mais fácil. A começar pelo registro do processo no sistema. Basta o advogado
inserir o número do processo que o software realiza automaticamente uma pesquisa no banco de dados do

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APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

tribunal em questão, completando todas as outras informações, como valor da causa, nome das partes, seus
procuradores, qualificação etc.

3.6. Dados de informação - Outro processo bastante importante que muitos escritórios acabam negligenciando
é a formação de um banco de dados com informações importantes sobre o escritório. O objetivo aqui é fazer
com que a gestão possa ter acesso a uma série de informações históricas que podem ser relevantes para a
tomada de decisões no âmbito administrativo.

4. Resultados da gestão

4.1. Mais resolução dos processos, menos serviço operacional - O que importa de verdade quando estamos
patrocinando os interesses do cliente? Uns dirão que é o processo, mas essa resposta é no mínimo estranha, já
que todo estudante de direito aprende no primeiro ou segundo ano do curso o princípio da instrumentalidade do
processo. Quanto mais tempo e esforço o advogado dedica a uma demanda judicial, maior a probabilidade de
que o seu cliente venha a ser beneficiado na sentença. Isso não é nenhum segredo. O problema é que muitos
advogados não têm tempo para se dedicar ao processo porque estão ocupados demais com os processos sob a
sua responsabilidade. Parece contraditório, mas é a pura verdade!

Não faz o menor sentido empregar mão de obra altamente especializada e cara para realizar tarefas
mecânicas e repetitivas, como numerar páginas, consultar andamento, ler diário oficial etc. Inclusive, esse tipo
de tarefa não precisa nem ser realizada por uma pessoa, já que os softwares de gestão jurídica são plenamente
capazes de automatizar o trabalho sem causar nenhum prejuízo ao escritório. O que acontece é justamente o
contrário: as tarefas que envolvem repetição estão mais susceptíveis a erros humanos, de modo que a
automatização só tem benefícios a trazer.

A função do advogado é prestar um serviço que traga valor para o cliente. Para fazer isso, temos que
conhecer o cliente e saber exatamente aquilo que ele quer. O problema é que, geralmente, o advogado está
ocupado demais, numerando páginas ou procurando informações, e deixa de lado o mais importante!

Agora, quando cada profissional faz aquilo que deveria estar fazendo e empregamos a tecnologia para
realizar trabalhos mecânicos e repetitivos que não devemos delegar a um ser humano, aí sim tudo funciona
bem.

4.2. Motivação de equipe - Diversos estudos apontam que a produtividade de uma empresa é diretamente
proporcional à motivação de seus colaboradores. O problema é que nem todos os trabalhadores do escritório
acordam motivados todos os dias, não é mesmo?

Por isso, se queremos aumentar a produtividade do escritório, temos que criar um ambiente que favoreça
a motivação e o engajamento dos trabalhadores. Muitas empresas e escritórios estabelecem metas, bonificações
e plano de carreira para os funcionários. Isso tudo funciona, mas não podemos parar por aí! O grande segredo
para engajar advogados associados e funcionários administrativos é trazê-los para dentro da empresa, não do
ponto de vista físico, mas do ponto de vista psicológico e afetivo. É importante que o colaborador se sinta parte
da empresa ou do escritório e conheça as consequências que o seu trabalho gera para a organização e por que
ele é importante dentro da dela.

4.3. Redução de burocracia

Geralmente, empregamos o termo “burocracia” de forma pejorativa, para fazer referência a


procedimentos trabalhosos e de necessidade questionável. No entanto, o termo é composto pela expressão
francesa, “bureau”, que significa escritório, e pela expressão grega “kratos”, que significa regras. Burocracia,
portanto, é apenas o conjunto de procedimentos, regras e práticas vigentes dentro de uma organização. Nesse
sentido, todo escritório, empresa ou repartição pública precisa de burocracia. O que procuramos criticar e
67
APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

combater é o excesso de burocracia, uma doença crônica em nosso país, mas que tem dado sinais de melhorias
ao longo dos últimos anos graças ao apoio da tecnologia e também a algumas leis, que ajudaram a transformar a
realidade da Justiça e do jurisdicionado.

Outro grande equívoco é supor que o excesso de burocracia só ocorre no trato com terceiros. Muitas
empresas e escritórios que não digitalizam documentos e não modernizam suas práticas acabam sendo
soterradas por papéis e formalidades.

4.4. Qualidade de atendimento ao cliente - No início desse tópico, tivemos a oportunidade de mencionar que
muitos advogados acabam não tendo tempo para realizar as diligências que gostariam para representar seus
clientes da melhor forma possível, porque estão presos a tarefas burocráticas. O mesmo também acontece
quando o assunto é a qualidade do atendimento fornecido ao cliente. Junto com a resolução da lide, o
atendimento é um dos aspectos mais importantes avaliados pelo cliente no momento de contratar um advogado.

Muitos advogados acabam pecando nesse quesito pela falta de tempo para se dedicarem a cada um de
seus clientes individualmente. Com a correta gestão e com o emprego de ferramentas tecnológicas importantes,
é possível sim dedicar uma boa quantidade de atenção a eles.

5. Como desenvolver a gestão em escritório de advocacia - O melhor a se fazer é confiar a gestão do escritório
a um profissional, isto é: incluir um administrador nos quadros do escritório ou solicitar que a empresa envie
um profissional para o departamento jurídico. Assim como você não confiaria em um médico para erguer um
edifício ou em um pintor para pilotar uma aeronave, também não é bom deixar a gestão de um escritório sob a
responsabilidade de um advogado, a não ser que ele tenha noções mais avançadas de administração.

No entanto, se o escritório não puder ou não quiser contratar um profissional especializado é importante
eleger um advogado ou sócio que tenha noções de gestão ou, ao menos, que esteja disposto a se dedicar de
verdade a essa atividade, estudando e se mantendo atualizado.

6. Automação dos procedimentos jurídicos - Por fim, vale esclarecer que, ao longo de todo o texto, fizemos
uma série de menções a produtos tecnológicos que podem auxiliar a gestão de processos jurídicos. Fizemos isso
por um motivo muito simples: os dois assuntos estão intimamente relacionados.

Seria impossível abordar uma temática sem tocar na outra, já que os softwares especializados na área
jurídica já são uma realidade e é praticamente impossível atuar com a mesma eficiência e produtividade sem
poder contar com as vantagens de ter um software integrado para a gestão de processos de jurídicos.

ORGANIZAÇÃO JUDICIÁRIA

Organização Judiciária é o nome dado a como a justiça é hierarquicamente organizada, a fim de melhor
estruturar suas instâncias e evitar conflitos. Resumo de Organização do Poder Judiciário.

Conceito: O poder judiciário é aquele responsável por interpretar e julgar as causas. Seu funcionamento
se dá por meio de instâncias. A primeira instância é o órgão que analisará e julgará inicialmente a ação
apresentada ao Poder Judiciário. As decisões por ela proferidas poderão ser submetidas à apreciação da
instância superior, composta por órgãos colegiados. Em outras palavras, se trata da garantia do duplo grau de
jurisdição. Além dos recursos, cabe às instâncias superiores, em decorrência de sua competência originária,
apreciar ações em razão da matéria ou dos cargos ocupados pelos envolvidos. A organização do Poder
Judiciário está baseada na divisão da competência entre os vários órgãos que o integram nos ramos estadual e
federal. A Justiça Estadual cabe o julgamento das ações não compreendidas na competência da Justiça Federal,
comum ou especializada. É, deste modo, competência residual. Além disso, os Estados possuem sua Justiça
Militar, na qual a função é julgar os crimes próprios cometidos pelos policiais militares. A Justiça Federal é
formada pelos tribunais regionais federais e juízes federais. Sua competência é de julgar ações em que a União,
68
APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

as autarquias ou as empresas públicas federais forem interessadas. Existe a Justiça federal comum e a
especializada, que é composta pelas Justiças do Trabalho, Eleitoral e Militar.

Supremo Tribunal Federal – STF

O STF é órgão máximo do Poder Judiciário. Entre suas principais atribuições está a de julgar:

• ações diretas de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal ou estadual;


• ações declaratórias de constitucionalidade de lei ou ato normativo federal
• a arguição de descumprimento de preceito fundamental decorrente da própria Constituição e a
extradição solicitada por Estado estrangeiro.
• infrações penais comuns, o presidente da República e seu vice, os membros do Congresso Nacional,
seus próprios ministros e o procurador-geral da República.

Superior Tribunal de Justiça -STJ

O STJ é a corte responsável por disciplinar a interpretação da lei federal em todo o Brasil, seguindo os
princípios constitucionais. Portanto, é a última instância da Justiça brasileira para as causas infraconstitucionais,
sendo o órgão de convergência da Justiça comum.

Tribunal Superior Eleitoral

Tribunal Superior Eleitoral possui a finalidade de acompanhar a legislação eleitoral juntamente com os
Tribunais Regionais Eleitorais. É responsável de expedir instruções para a execução da lei que rege o processo
eleitoral. Desse modo, garante a organização das eleições e o exercício dos direitos políticos da população.

Tribunal Superior do Trabalho – TST

O TST tem como principal função uniformizar a jurisprudência trabalhista no país. Possui o poder de julgar
recursos contra decisões de Tribunais Regionais do Trabalho -TRTs e dissídios coletivos de categorias
organizadas em nível nacional, tambem de mandados de segurança, embargos opostos a suas decisões e ações
rescisórias.

Superior Tribunal Militar

O Superior Tribunal Militar possui funções judiciais e administrativas, mas é especializada em processar e
julgar crimes que envolvam militares como da Marinha, Exército e Aeronáutica.

Tribunais Regionais Federais – TREs

Os TREs possuem a competência desses tribunais processar e julgar os juízes federais da sua área e os membros
do Ministério Público da União.

Tribunais Regionais do Trabalho – TRTs

Os TRTs que fazem parte da Justiça do Trabalho no Brasil, em conjunto com as Varas do Trabalho e com o
Tribunal Superior do Trabalho. Usualmente, correspondem à segunda instância na tramitação, mas detém
competências originárias de julgamento, em casos de dissídios coletivos, ações rescisórias, mandados de
segurança, entre outros.

Tribunais Regionais Eleitorais – TRE

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APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

Os TREs possuem a responsabilidade pela organização, fiscalização e execução do processo eleitoral nas áreas
sob sua jurisdição.

Tribunais de Justiça

Os Tribunais de Justiça dos Estados e do Distrito Federal são dispostos de acordo com os princípios e normas
das constituições estaduais e da Lei Orgânica do Distrito Federal. Julgam, em grau de recurso ou em razão de
sua competência originária, as matérias comuns que não se encaixam na competência das justiças federais ou
especializadas. Além disso, em segunda instância, as matérias da Justiça Estadual Militar.

Para melhor visualização de como funciona esse poder vejamos o esquema abaixo:

TRIBUNAIS

Um tribunal (do latim: tribunalis,


significando "dos tribunos") é um órgão cuja
finalidade é exercer a jurisdição, ou seja,
resolver litígios com eficácia de coisa
julgada. Alguns tribunais podem ter
competências para cumprir atos não
contenciosos.

Quais são os Tribunais Superiores e quais as


suas funções?

No Brasil, possuímos cinco tribunais


superiores, todos eles sediados em Brasília,
os quais possuem as seguintes funções:

1. Supremo Tribunal Federal (STF)


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APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

Provavelmente o mais famoso dos tribunais superiores, o Supremo Tribunal Federal (STF) é certamente
a corte de maior destaque no país. Composto por apenas onze ministros, o STF é o “guardião da Constituição
Federal”, segundo dispõe o artigo 102 da própria Constituição. Assim, a fim de fazer cumprir essa função
principal de defesa da Constituição, o inciso III do artigo 102 da Constituição prevê como de competência do
STF o julgamento dos recursos extraordinários, que são recursos manejados contra decisões já julgadas em
única ou última instância pelos tribunais inferiores, que possuem repercussão geral das suas questões
constitucionais, que podem versar exclusivamente sobre:

• Dispositivo constitucional;
• Declaração de inconstitucionalidade de tratado ou lei federal;
• Julgamento sobre a validade de lei ou ato de governo local contestado em face da Constituição;
• Julgamento sobre a validade de lei local contestada em face de lei federal.

Em suma, essas hipóteses expostas são as que versam sobre questões constitucionais que chegam ao
Supremo por meio de recursos a decisões oriundas de outros tribunais. Além delas, compõem o rol de
competências que permitem que o STF atue na defesa da Constituição, de modo originário, ou seja, diretamente
pelo Supremo, sem análise anterior por outros Tribunais:

• O julgamento das arguições de preceito fundamental (§2º do artigo 102), que são ações propostas
com o objetivo de proteger os valores supremos do Estado e da Sociedade contidos na Constituição
contra atos do próprio Poder Público;
• O julgamento do mandado de injunção, quando a elaboração da norma regulamentadora for
atribuição do Presidente da República, do Congresso Nacional, da Câmara dos Deputados, do Senado
Federal, das Mesas de uma dessas Casas Legislativas, do Tribunal de Contas da União, de um dos
Tribunais Superiores, ou do próprio Supremo Tribunal Federal;
• O julgamento das ações diretas de inconstitucionalidade e ações declaratórias de constitucionalidade,
bem como os pedidos de medida cautelar ligados a elas.

Além disso, há ainda a possibilidade de o Supremo Tribunal Federal julgar originariamente as


“reclamações constitucionais”. Estes instrumentos jurídicos são utilizados para atacar atos jurídicos que
contrariem certas decisões do STF de caráter vinculante (de observância obrigatória) ou quando o ato poderia
ser praticado apenas pelo próprio Supremo. Com isso, podem ser manejados propostas tanto contra decisões
judiciais, como contra atos dos Poderes Executivo ou Legislativo.

Por outro lado, o Supremo Tribunal Federal também possui competências originárias não ligadas a
questões constitucionais, as quais lhe foram concedidas por conta da relevância do tema ou das partes
envolvidas. Por exemplo, cabe ao STF o julgamento, nas infrações penais comuns, de diversas autoridades de
alto escalão do Governo Federal, como é o caso do Presidente da República, seu Vice-Presidente, membros do
Congresso Nacional, os próprios Ministros da corte, o Procurador-Geral da República. Cabe também a ele o
julgamento, nos crimes de responsabilidade e nas infrações penais comuns, dos Ministros de Estado e dos
Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, com algumas ressalvas, e, ainda, dos membros dos
Tribunais Superiores ou do Tribunal de Contas da União e os chefes de missão diplomática de caráter
permanente.

Outros exemplos relevantes de competência originária do STF não ligados a questões constitucionais
são o processamento e julgamento de:

• Extradição solicitada por Estado estrangeiro, como ocorreu nos famigerados casos do ativista Cesare
Battisti e no do banqueiro Salvatore Cacciola, nos quais a Itália requereu as suas extradições por
crimes lá cometidos;
• Ações em que todos os membros da magistratura sejam direta ou indiretamente interessados; e
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APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

• Os conflitos de competência entre o Superior Tribunal de Justiça e quaisquer tribunais.

Portanto, percebe-se que o julgamento de tais casos é atribuído ao Supremo Tribunal Federal por conta
da maior parcimônia que se espera da mais alta corte do país, presumindo-se a sua maior imparcialidade e
blindagem a interesses alheios. Por fim, ainda cabe ao Supremo Tribunal Federal julgar por meio de recurso
ordinário: (i) o habeas corpus, o mandado de segurança, o habeas data e o mandado de injunção decididos em
única instância pelos demais tribunais superiores, se a decisão for denegatória; e (ii) o crime político.

Ademais, o STF tem algumas atribuições mais ligadas à Administração Pública, como requerer a
intervenção da União nos Estados ou no Distrito Federal, nas hipóteses previstas na Constituição, o pedido de
(ver na CF) proposição de leis complementares. Ainda, cabe ao STF a elaboração da Lei Complementar que
regerá a magistratura em todo o país, por meio do Estatuto da Magistratura. Outra função importante é a criação
de súmulas vinculantes, as quais poderão ser editadas por decisão de pelo menos 2/3 dos seus membros, após
reiteradas decisões sobre a matéria constitucional que ela versar, vinculando todos as instâncias do três poderes
ao seu cumprimento.

2. Superior Tribunal de Justiça (STJ)

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) é outro de nossos tribunais superiores. Este é composto por no
mínimo 33 ministros e sua principal função é a de guardião da Legislação Federal. Este Tribunal Superior se
originou na Constituição de 1988, sendo que antes toda a sua competência era do Supremo Tribunal Federal.
Desse modo, a principal competência que ele detém é o de julgar os recursos especiais, recursos estes que são
interpostos em causas decididas em única ou última instância pelos tribunais ordinários (Tribunais Regionais
Federais, Tribunais de Justiça dos Estados e Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios), quando a
decisão recorrida for:

• Contrária a tratado ou lei federal, ou, ainda, negar-lhes vigência;


• Julgar válido ato de governo local contestado em face de lei federal;
• Der interpretação divergente a lei federal daquela dada por outro tribunal.

Com isso, o STJ também tem o objetivo de uniformizar as decisões (jurisprudência) dos tribunais
ordinários em todo o país que versarem sobre legislação federal. Entretanto, o STJ, assim como o STF, também
possui algumas competências originárias que objetivam retirar o julgamento de autoridades ou temas
importantes das instâncias ordinárias do Poder Judiciário. Dentre elas, destacamos as seguintes causas de
competência originária do Superior Tribunal de Justiça:

(i) julgamento, nos crimes comuns, dos Governadores dos estados e do Distrito Federal, e, nestes e nos
de responsabilidade, os desembargadores dos Tribunais de Justiça dos Estados e do Distrito Federal, os
membros dos Tribunais de Contas dos Estados e do Distrito Federal, os dos Tribunais Regionais Federais, dos
Tribunais Regionais Eleitorais e do Trabalho, os membros dos Conselhos ou Tribunais de Contas dos
Municípios e os do Ministério Público da União que oficiem perante tribunais;

(ii) os mandados de segurança e os habeas data contra ato de Ministro de Estado, dos Comandantes da
Marinha, do Exército e da Aeronáutica ou do próprio Tribunal;

(iii) a homologação de sentenças estrangeiras para que surtam efeitos no Brasil.

É ainda de competência originária do STJ, tal qual ocorre no STF, o julgamento de reclamações contra
atos jurídicos de quaisquer Poderes do Estado que contrariem certas decisões suas de observância obrigatória
ou que invadam a sua competência. Você já imaginava que dentre os tribunais superiores o STJ é responsável
por tudo isso?

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APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

3. Tribunal Superior do Trabalho (TST)

Um dos mais conhecidos tribunais superiores do povo brasileiro, o Tribunal Superior do Trabalho (TST)
é composto por 27 Ministros e tem como principal função a uniformização das decisões que versem sobre
questões trabalhistas, constituindo o órgão máximo da Justiça do Trabalho. De tal forma, como a Justiça do
Trabalho é especializada – destacada das demais, possuindo competência para julgar apenas questões
trabalhistas –, os recursos contra as decisões dos Tribunais Regionais do Trabalho, que são as cortes ordinárias
da Justiça Trabalhista, são julgados pelo TST.

Cabe ainda ao TST a conciliação e o julgamento de dissídios coletivos que excedam a jurisdição dos
Tribunais Regionais do Trabalho – isto é, quando a abrangência territorial da questão extrapole as fronteiras da
região de alcance de um TRT.

Destaca-se que o Tribunal Superior do Trabalho também possui a competência para julgar reclamações
contra atos jurídicos de quaisquer Poderes do Estado que tenham o objetivo de preservar a sua competência e
garantir a autoridade de suas decisões, da mesma forma como ocorre com o STJ e o STF.

4. Tribunal Superior Eleitoral (TSE)

Como também ocorre com a Justiça do Trabalho, a Justiça Eleitoral é especializada, julgando apenas
questões ligadas ao direito eleitoral. Assim, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é o seu órgão máximo. Dessa
forma, o TSE julga os recursos especiais contra as decisões dos Tribunais Regionais Eleitorais, que podem ser
interpostos em caso de decisões proferidas contra expressa disposição de lei ou quando houver divergência na
interpretação de lei entre dois ou mais tribunais eleitorais. O TSE julga também os recursos ordinários contra
decisões dos TRE’s, quando elas tiverem por objeto questões sobre a expedição de diplomas nas eleições
federais e estaduais e quando julgarem improcedente habeas corpus ou mandado de segurança.

Dentre as principais competências originárias do Tribunal Superior Eleitoral, tem-se a apuração da


eleição para Presidente e Vice-Presidente da República, bem como o julgamento de eventuais impugnações e
recursos que versem sobre a candidatura das chapas para referidos cargos. Também compete ao TSE o
processamento e julgamento do registro e da cassação de registro de partidos políticos e dos seus diretórios
nacionais.

5. Superior Tribunal Militar (STM)

Por último, mas não menos importante, temos um de nossos tribunais superiores menos conhecidos. O
Supremo Tribunal Militar é composto por 15 ministros. Contudo, apesar de ser um Tribunal Superior, o STM
tem como principal competência o julgamento das apelações e demais recursos interpostos contra as decisões
de primeiro grau da Justiça Militar da União. Outra competência importante que eles possuem é a de julgar
originariamente os Oficiais Generais nos crimes militares.

Os magistrados que compõem os tribunais superiores são chamados de ministros. A nomenclatura


utilizada tem uma origem histórica, com o objetivo de dar maior status aos ocupantes desses cargos. Por outro
lado, em grande parte dos países, os integrantes das supremas cortes são denominados simplesmente juízes –
por exemplo, Estados Unidos e Argentina.

Ressalta-se também que após a nomeação, o Ministro do Tribunal Superior, via de regra, ocupa
vitaliciamente o cargo, tornando-se Ministro aposentado quando se aposentar, o que poderá ocorrer por vontade
própria, desde que cumpridos os requisitos legais, ou compulsoriamente aos 75 anos.

1) STF

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APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

A escolha dos Ministros do Supremo Tribunal Federal é feita livremente pelo Presidente da República, e, em
seguida, o indicado é sabatinado pelo Senado Federal, que deverá aprovar por maioria absoluta dos seus
membros a indicação. Se aprovado o indicado, então o Presidente da República o nomeará.

A Constituição coloca os seguintes requisitos para o ingresso no cargo de Ministro do Supremo Tribunal
Federal: ser brasileiro nato; ter mais de 35 anos e menos de 65; notável saber jurídico; e reputação ilibada.

2) STJ

Segundo determina a Constituição, o Superior Tribunal de Justiça é composto por no mínimo 33 Ministros,
vagas estas que são distribuídas da seguinte forma:

1/3 para Juízes dos Tribunais Federais;

1/3 para Desembargadores dos Tribunais de Justiça;

1/6 para Advogados;

1/6 para membros do Ministério Público Federal, Estadual, do Distrito Federal e Territórios.

A escolha dos Ministros do STJ também é feita pelo Presidente da República, mas deve respeitar uma
lista tríplice que lhe é apresentada. Após a escolha, o escolhido é sabatinado pela Comissão de Constituição e
Justiça do Senado. Se aprovado neste órgão, a votação deverá ser referendada pelo pleno do Senado, e só então
ele será nomeado pelo Presidente da República.

As listas tríplices são formadas das seguintes formas:

Dentre os Juízes dos Tribunais Regionais Federais e Desembargadores dos Tribunais de Justiça, após os
interessados se candidatarem, os seus nomes serão votados pelos próprios Ministros do STJ, de modo que os
três mais votados comporão a lista tríplice que será encaminhada ao Presidente da República;

Dentre os Advogados, os interessados deverão se candidatar perante o Conselho Federal da OAB, assim, os
Conselheiros Federais da OAB votarão nos candidatos e os seis mais votados formarão uma lista sêxtupla que
será encaminhada para o Superior Tribunal de Justiça, por conseguinte, será feita uma nova votação pelos
Ministros do STJ e os três integrantes da lista sêxtupla mais votados comporão a lista tríplice que será
encaminhada para o Presidente da República;

Dentre os Membros dos Ministérios Públicos, os seus Conselhos Superiores indicam os candidatos que serão
submetidos à votação pelos Ministros do Superior Tribunal de Justiça, assim, os três candidatos mais votados
comporão a lista tríplice que será encaminhada para o Presidente da República.

Os requisitos para o ingresso no cargo de Ministro do Superior Tribunal de Justiça são: ser brasileiro nato ou
naturalizado; ter mais de 35 anos e menos de 65; notável saber jurídico; e reputação ilibada. Os advogados
devem também comprovar mais de 10 anos de efetiva atividade profissional, enquanto os membros do
Ministério Público devem comprovar o efetivo exercício do cargo por mais de 10 anos.

3) TST

O Tribunal Superior do Trabalho tem as suas vagas distribuídas assim como os tribunais ordinários, ou seja, 1/5
das vagas destinadas a advogados e membros do Ministério Público do Trabalho – o chamado quinto
constitucional –, e o restante para magistrados de carreira (concursados) dos Tribunais Regionais do Trabalho.

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APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

As vagas são preenchidas da mesma forma que as do Superior Tribunal de Justiça, com a escolha feita pelo
Presidente da República dentre a lista tríplice que lhe é apresentada pelo próprio Tribunal (neste caso, o TST) e
pendente de aprovação por maioria absoluta do Senado para que possa ser nomeado. A única diferença é que os
candidatos às vagas para magistrados deverão ser Juízes do Trabalho, e os candidatos às vagas para Membros
do Ministério Público deverão ser do Ministério Público do Trabalho. Já a formação da lista sêxtupla de
advogados ocorre da mesma forma como para a vaga de Ministro do STJ.

Por fim, os requisitos para se tornar Ministro do Superior Tribunal do Trabalho são os mesmos para o ingresso
no cargo de Ministro do Superior Tribunal de Justiça.

4) TSE

O Tribunal Superior Eleitoral possui sete Ministros, dentre eles: três Ministros do Supremo Tribunal
Federal; dois Ministros do Superior Tribunal de Justiça; e dois advogados indicados pelo Supremo Tribunal
Federal e nomeados pelo Presidente da República. A escolha dos Ministros do STF e do STJ se dá por votação
secreta nos próprios Tribunais. Quanto à escolha dos advogados, o Supremo Tribunal Federal escolhe dentre os
candidatos seis para comporem a lista a ser encaminhada ao Presidente da República, que nomeará os
escolhidos. Ao contrário dos demais Tribunais Superiores, os Ministros do TSE possuem um mandato por
tempo determinado de dois anos.

5) STM

Os quinze Ministros do Superior Tribunal Militar são nomeados pelo Presidente da República, após
serem aprovados pelo Senado Federal. O principal traço distintivo deste Tribunal Superior é que os seus
membros não são necessariamente bacharéis em Direito. Afinal, dez dos seus Ministros são militares, dentre os
quais três são oficiais-generais da Marinha, quatro oficiais-generais do Exército e três oficiais-generais da
Aeronáutica. Já as outras cinco vagas são destinadas a civis, com mais de dez anos de efetiva atividade
profissional, sendo três para advogados de conduta ilibada e notório saber jurídico, uma para juiz auditor da
Justiça Militar e uma para membro do Ministério Público Militar.

NOÇÕES GERAIS DE CONTRATOS

Noções Gerais e Princípios dos Contratos – Direito Civil

Conceito de Contrato. Contrato pode ser definido como um negócio


jurídico bilateral onde, observando os princípios da boa-fé e da função
social, as partes, dotadas de autonomia de suas vontades, estipulam
um dever jurídico a ser cumprido.

Requisitos para a Validade dos Contratos. ...

Princípios do Direito Contratual.

O contrato é instrumento jurídico de grande relevância no mundo


contemporâneo, possibilitando o intercâmbio de riquezas e a
acomodação de diversos interesses.

De modo geral, pode-se dizer que é o exemplo por excelência dos


negócios jurídicos, fazendo brotar para os contratantes as mais diversas obrigações, desde de que observem
para tanto os requisitos exigidos para a sua constituição válida.

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APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

São instrumentos jurídicos de constituição, transmissão e extinção de direitos na área econômica. Em


sentido amplo todas as figuras jurídicas que nascem do acordo de vontade podem ser chamadas de contrato.
Mas no sentido que vamos estudar limitamos sua acepção às relações jurídicas patrimoniais do campo do
direito das obrigações.

Conceitos:

“é uma espécie de negócio jurídico cuja formação depende da presença de pelo menos duas partes. É negócio
jurídico bilateral ou plurilateral.”(Orlando Gomes)

“acordo de vontades com a finalidade de produzir efeitos jurídicos”.(Caio Mário)

Hoje toda a convenção nestes termos é dotada de força vinculante e mune o credor para perseguir em juízo a
prestação prometida em espécie ou em equivalente.

Contrato no Direito Contemporâneo:

A noção de igualdade formal dos indivíduos, que possibilitava a crença no equilíbrio dos contratantes
perdeu sua credibilidade nos tempos atuais. A notória desigualdade entre contratantes fez com que o Estado
interferisse no instituto, limitando a autonomia da vontade, a liberdade de contratar e de determinar ao conteúdo
da relação contratual, a ponto de se pensar em contrato até mesmo sem a existência de um acordo de
vontade(v.g., prorrogação compulsória da locação).

Na prática há confusão com relação a palavra contrato, que designa não só o negócio jurídico bilateral
gerador de obrigações como também o instrumento que o formaliza, isto é, o documento escrito, a escritura, etc.
Mas é necessário saber que não é a forma que cria o contrato, mas sim o acordo de vontade, existindo, por
exemplo, contratos verbais. O contrato distingue-se da lei por ser fonte de obrigações e gerar direito subjetivo,
enquanto alei é fonte de direito objetivo. Ambos seguem regras próprias e distintas.

Função Econômica e Social do Contrato:

Toda a vida econômica se utiliza deste instrumento, que oferece as partes a possibilidade de
disciplinarem seus interesses . Aproxima o homem e reduz suas diferenças. Promove a circulação de riquezas, a
colaboração, previne riscos e viabiliza empreendimentos. A função sócio-econômica do contrato justifica a
proteção jurídica do instituto.

Princípios Fundamentais da Relação Contratual:

- Princípio da Obrigatoriedade ou Irretratabilidade (“pacta sunt servanda”): decorre da função social do contrato
e da própria manifestação livre da vontade das partes. Fixa tal princípio que não é lícito o arrependimento após
a formação do contrato. Uma vez perfeito, só se desfaz o contrato por nova manifestação de vontade, desta vez
no sentido de desconstituí-lo. Significa, no dizer de Caio Mário, a “irreversibilidade da palavra empenhada”,
não podendo os participantes escaparem das conseqüências do negócio, a não ser por novo acordo de vontades.
O Estado apenas excepcionalmente pode interferir para abrandar a questão da obrigatoriedade.

Princípio da Intangibilidade: da mesma forma como o negócio não pode ser desfeito senão por intermédio de
novo acordo de vontade, também não pode sofrer alteração o conteúdo da relação e as cláusulas do negócio.
Uma vez estabelecidas, revestem-se do atributo da imutabilidade.

- Princípio Consensualista: a despeito do ocorrido no passado, sobretudo no Direito Romano, em nosso Direito
vige a idéia de que o simples acordo de vontades é suficiente para o nascimento dos contratos, que independem
de manifestação material para serem válidos. Formam-se do simples consenso (“solo consensu”), excetuando-se
76
APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

apenas os contratos nos quais, por seu reflexo e repercussão, a lei exige a adoção da forma prescrita em lei.
Hoje a declaração tem mais peso que as formalidades, apesar de subsistirem situações em que as exigências de
forma são necessárias para a validade dos contratos.

- Princípio da Autonomia da Vontade: os contratantes são livres para, através da livre manifestação de vontade
decidirem se desejam ou não contratar, com quem contratar e o conteúdo do contrato, sempre que a lei não
limitar a atuação das partes. Este princípio não é absoluto, estando limitado pela ordem pública e pela
intervenção estatal, ora impondo-se a contratação, ora determinando parte de seu conteúdo, ora concedendo ao
juiz a faculdade de rever o contrato. Neste campo intervencionista encontramos a teoria da imprevisão, que
iremos estudar.

- Princípio da Boa-Fé: a linguagem não deve prevalecer sobre a verdadeira intenção dos contratantes (art. 85
CC), bem como deve haver lealdade e cooperação entre os contratantes para que cada um possa cumprir com o
que dele se espera na relação. Há que se observar os procedimentos éticos médios na relação contratual. Fala-se
atualmente em princípio da boa-fé objetiva, sobretudo no que diz respeito às relações de consumo.

- Princípio da Relatividade dos Efeitos do Contrato: o contrato é “res inter alios acta”, o que significa que seus
efeitos internos se produzem exclusivamente entre as partes, não beneficiando ou prejudicando terceiros,
segundo a regra geral. A existência do contrato é fato que não pode ser negado pelas outras pessoas, mas os
efeitos operam somente entre as partes. Há contudo contratos que escapam a regra geral, não sendo portanto
este princípio absoluto.

Pressupostos e Requisitos de Validade dos Contratos.

Como negócio jurídico que é. O contrato está sujeito à pressupostos e requisitos de validade, cuja inobservância
acarreta a sua ineficácia, em sentido amplo.

Pressupostos: são as condições que devem existir, no momento em que o contrato se realiza, para que se
torne possível a formação válida de um contrato. De acordo com este raciocínio, todo contrato pressupõe a
capacidade das partes, a idoneidade do objeto e legitimação para realizá-lo (capacidade específica).

Requisitos: para conceder validade ao contrato a lei exige que ao longo de seu desenvolvimento estejam
presentes outros elementos. São na verdade requisitos complementares, que devem estar presentes durante todo
o curso da relação contratual.

São requisitos de validade dos contratos:

Subjetivos:

A capacidade das partes: não apenas a genérica, mas também a específica. A falta da capacidade gera a
ineficácia;

Consentimento: acordo válido entre as partes, originado da integração das intenções manifestadas por cada
um contratante. Deve haver consenso quanto ao negócio celebrado e seu conteúdo, estando as partes
perfeitamente ajustadas. A vontade deve ser livre e consciente, declarada com o propósito real de realizar o
negócio.

Objetivos:

a) O objeto deve ser possível material e juridicamente. Deve, de modo geral, ser viável. Ressalte-se que a
impossibilidade objetiva que invalida o contrato é aquela que existe no momento de sua constituição. A
impossibilidade superveniente tem outros efeitos, tornando o contrato inexeqüível, com ou sem perdas e danos.
77
APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

b) O objeto deve ser determinado, pelo gênero, espécie , quantidade, etc. Não se exige que seja desde o início
do contrato determinado, podendo ser determinável em um momento posterior. O que não pode ocorrer é que
seja indeterminável por todo o sempre, o que impossibilitaria o cumprimento do contrato.

c) O objeto deve ser economicamente apreciável.

Formais:

Em princípio os contratos celebram-se “solo consensu”, salvo quando alei impõe como essencial a
obediência a uma determinada forma prescrita em lei.

Invalidade e Ineficácia dos Contratos.

Se o negócio não observa os pressupostos e requisitos da relação contratual, o contrato (que é um


negócio jurídico) é privado de seus efeitos.

INEFICÁCIA (em sentido estrito):

contrato que, embora válido, não produz , temporária ou definitivamente, total ou parcialmente, os seus efeitos,
em razão da existência de um obstáculo que não diz respeitos aos elementos intrínsecos de sua validade. Ex.:
contrato sobre o qual pende condição suspensiva.

Fala-se ainda em inexistência do contrato quando lhe faltam os elementos básicos de configuração. Os contratos
inexistentes não possuem qualquer relevância jurídica, não se admitindo conversão ou confirmação do mesmo
por carecer do mínimo para ser ato negocial.

LEI, COSTUME E DOUTRINA

A LEI

A lei é um processo de formação do Direito que se traduz numa


declaração solene e directa da norma juridica, efectuada por uma
autoridade competente. É a mais importante fonte de direito.

COSTUME

No costume a norma forma-se espontaneamente no meio social. É a


própria comunidade que desempenha o papel que no caso da lei é
desempenhado por certas autoridades competentes para legislar.

A base do costume é a repetição de certas práticas sociais que podemos


designar por uso. Mas não basta um uso para que exista costume. É necessário que essa prática seja
acompanhada de uma consciência da sua obrigatoriedade. A comunidade deve estar convencida de que aquela
prática não é algo de arbitrário, mas antes vinculativa e essencail à comunidade. Este elemento denomina-se
“animus“. O costume é assim formado por dois elementos: o corpus e o animus. O corpus é a prática constante;
o animus é a convicção da obrigatoriedade dessa prática.

O direito consuetudinário é, assim, um direito não deliberadamente produzido, sendo considerado por
alguns autores como a fonte de direito por excelência. Outros autores entendem que o costume só constituirá
verdadeira fonte de direito quando o Estado reconhecer que as normas juridicas podem nascer da vontade
popular. É de notar que entre nós a lei estabelece que os Tribunais devem aplicar também as normas formadas
por via consuetudinária.
78
APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

O Código Civil não fala do costume no capítulo destinado às fontes de direito. É por isso que esta norma
(artigo 348.º do Código Civil) assume particular importância, uma vez que muitos autores vêm nela o pleno
reconhecimento por parte do legislador da validade e da eficácia das norma fundadas no costume.
Historicamente, o costume é a mais importante fonte de direito. Contudo, a partir do século XVIII, os
pensadores começaram a desacreditar tudo o que tinha que ver com a organização espontânea da sociedade.
Assim sendo, o costume passou a ser olhado com alguma suspeita, restringindo-se muito o seu alcance e
possibilidade de actuação. É desta forma que em 1769, surge em Portugal a Lei da Boa Razão da autoria do
Marquês de Pombal, no âmbito da qual se considerava o costume como fonte de direito mas restringia-se muito
o seu âmbito de actuação. Para que o costume pudesse ser considerado fonte de direito teria que ter os seguintes
requisitos:

– não podia ser contrário a uma lei expressa;

– teria que ter, pelo menos 100 anos;

– teria que ser conforme à Boa Razão.

O nosso Código Civil não apresenta o costume como fonte imediata de direito, e apenas admite que os usos
possam vir a ter relevância juridica quando a lei para eles remeta, ou seja, como fontes mediatas de direito.

Ver a este propósito artigo 3.º do Código Civil

DOUTRINA

A doutrina compreende as opiniões e pareceres dos jurisconsultos sobre a regulamentação adequada das
diversas situações sociais. Consiste em artigos, monografias, escritos cientificos, os quais se debruçam sobre
problemas juridicos, quer referentes à criação do direito, quer à sua aplicação. Alturas houve em que o labor
doutrinário foi elevado à categoria de verdadeira fonte de direito. Foi o que aconteceu em Roma em que a
certos jurisconsultos era dado o poder de ditar soluções obrigatórias para a resolução de casos concretos.

Entre nós, quando muito a doutrina é fonte mediata de direito, na medida em que contribui para a
formação e revelação do direito.

JURISPRUDÊNCIA;

Define-se como a orientação geral seguida pelos tribunais no julgamento dos diversos casos que lhe são
submetidos; mas também pode ser definida como o conjunto de decisões [1] dos tribunais sobre os litigios que
lhe são submetidos. Uma questão que importa saber é se esses modos de decidir têm validade para além do caso
que decidem e se criam regras para o futuro. É o que acontece nos EUA e na Inglaterra em que a jurisprudência
é fonte de direito. Entre nós não é assim que se verifica. O juiz tem unicamente que julgar em conformidade
com a lei e com a sua consciência (artigo 8. do Código Civil), sendo perfeitamente irrelevante que a sua decisão
contrarie outra decisão tomada por um outro tribunal, ainda que de categoria mais elevada.

Nas situações normais a jurisprudência não é fonte de direito. Contudo, ao longo do tempo e na medida
em que se vai explicitando uma consciência juridica geral, contribui para a formulação de verdadeiras normas
juridicas. Ao principio de que a jurisprudência não é fonte de direito há que juntar uma importante excepção.
Em certas circunstâncias as decisões do tribunais superiores devem ser consideradas autênticas fonte de direito.
É o caso dos Assentos. É ao Supremo Tribunal de Justiça que cabe proferir assentos. São requisitos para esta
formulação:

– haver contridão entre decisões de tribunais superiores relativamente à mesma questão fundamental de direito;

79
APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

– as decisão não terem sido preferidas uma em recurso da outra;

– as decisões terem sido proferidas no domínio da mesma legislação.

O acordão que resolve o conflito designa-se por assento e é publicado na 1.ª série do Diário da
República e no Boletim do Ministério da Justiça. A partir desse momento esse assento passa a ser obrigatório
para todos os tribunais. Os assentos constituem assim uma verdadeira norma juridica, embora formada por via
jurisprudencial (pela via dos tribunais).

Jurisprudência é um termo jurídico, que


significa o conjunto das decisões, aplicações e
interpretações das leis. Também é descrita como a
ciência do Direito e do estudo das leis. A
jurisprudência surgiu com o Direito Inglês, que foi
desenvolvido para ir contra os costumes locais que não
eram comuns. Para combater isso, o rei enviava juízes
que presidia o juri e constituiu um sistema de regras em
tribunais separados. O direito inglês apresentou-se
então como direito jurisprudencial, onde predominava a
regra do precedente.

O real significado de jurisprudência significa "a


ciência da lei". A jurisprudência pode ter outros significados, como a decisão de um tribunal que não pode ser
recorrida, ou um conjunto de decisões dos tribunais, ou a orientação que resulta de um conjunto de decisões
judiciais proferidas num mesmo sentido sobre uma dada matéria ou de uma instância superior como o STJ ou
TST. Jurisprudência pode ser uma lei baseada em casos, ou à decisões legais que se desenvolveram e que
acompanham estatutos na aplicação de leis em situações de fato.

A obediência à jurisprudência é tradição dos países que seguem a tradição Anglo saxônica do Direito,
como os sistemas jurídicos inglês e americano e é menos frequente em países que seguem a tradição Romana,
como Portugal, Brasil, Espanha e etc. A jurisprudência pode se referir a várias áreas do Direito. Por exemplo, a
jurisprudência trabalhista se refere às normas, leis e decisões tomadas no âmbito do trabalho.

CARTÓRIOS

No Brasil, o termo passou a designar uma gama maior de competências


além do tabelionato de notas, incluindo o registro civil de pessoas físicas e
jurídicas, o registro de imóveis, o registro de títulos e documentos, os ofícios de
protesto de títulos, e também os cartórios judiciais (varas) onde tramitam os
processos de fóruns de qualquer natureza. Os cartórios extrajudiciais são aqueles
que não estão ligados diretamente ao Poder Judiciário, que por sua vez
denominam-se "cartórios judiciais".

Até a proclamação da República, o registro civil no Brasil era


desempenhado pela Igreja, devido ao regime de padroado. Posteriormente, a função passou aos cartórios.

Com a Constituição Federal (CF) de 1988, as antigos "serventias extrajudiciais"[2] passaram a ser
chamados oficialmente de Serviços Notariais e de Registro (art. 236). Entretanto, a denominação informal de
"cartório" extrajudicial ainda é comum. No passado, os cartórios eram considerados propriedade familiar e sua
sucessão se dava de modo hereditário. A partir da nova CF, o ingresso na atividade passou a exigir concurso
público, embora a implementação desta regra tenha demorado para ocorrer de fato.

80
APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

A atividade notarial e registral foi regulamentada em 1994 pela Lei Federal n. 8.935. A partir de então,
temas como novidades de comunicação, informatização, formas de arquivamento de documentos,
independência responsável da titularidade do serviço público, prestação de serviço a contento, foram
desenvolvidos no referido diploma legal.[3] De acordo com a norma, estes Serviços têm por fim "garantir a
publicidade, autenticidade, segurança e eficácia dos atos jurídicos" (art. 1º). Os titulares dos Serviços Notoriais
e de Registro (art. 3º) são chamados notário (ou tabelião) e oficial de registro (ou registrador), e podem se
enquadrar nas seguintes categorias (art. 5º):

I - tabeliães de notas;

II - tabeliães e oficiais de registro de contratos marítimos;

III - tabeliães de protesto de títulos;

IV - oficiais de registro de imóveis;

V - oficiais de registro de títulos e documentos e civis das pessoas jurídicas;

VI - oficiais de registro civis das pessoas naturais e de interdições e tutelas;

VII - oficiais de registro de distribuição.

DIREITOS E DEVERES DO CIDADÃO

Como prevê a Constituição Federal, o cidadão brasileiro possui


uma série de direitos garantidos por lei. Do mesmo modo,
necessita cumprir deveres também pré-estabelecidos, sob o risco
de pagar multas e, até mesmo, de ser preso.

No entanto, por uma questão ou outra, o cidadão nem sempre vê


seus direitos respeitados. Cabe destacar que esse desrespeito não
advém somente de um terceiro, mas também pode ocorrer por
parte do Estado,que deixa de cumprir o que está previsto na Lei.

Diante de situações assim, uma das alternativas que o cidadão tem é tratar de garantir seus direitos
judicialmente. Também de maneira judicial, pode se defender quando acusado de cometer alguma infração
prevista na Constituição.

Principais direitos do cidadão:

De acordo com a Constituição Federal, o cidadão é amparado por leis e ainda conta com respaldo do
Estado em situações envolvendo educação, saúde e trabalho, por exemplo. Veja os principais direitos do
cidadão:

• Direitos fundamentais: a Constituição Federal prevê que todo cidadão tenha acesso aos direitos
fundamentais, como saúde, educação, moradia, trabalho, previdência social, segurança, proteção à
maternidade e à infância, assistência aos desamparados, lazer, vestuário, alimentação e transporte.

81
APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

• Direitos iguais: mulheres e homens têm direitos iguais conforme a Constituição. Isso se aplica a
questões relacionadas à família, como responsabilidades com os filhos, ou também em situações de
trabalho.
• Liberdade de expressão: todo cidadão possui a liberdade de expressar sua opinião, deixar de fazer ou
fazer o que tem vontade. No entanto, desde que esteja dentro dos limites previstos por Lei, e que não
cause danos físicos ou morais a terceiros. A liberdade de expressão também se aplica à escolha ou
não de religião, assim como à liberdade sexual.
• Ser tratado com humanidade: nenhum ser humano pode ser submetido à tortura ou a situações
degradantes, tanto física como psicologicamente.

Vale lembrar que, no caso de crianças, adolescentes e idosos, além dos direitos previstos na Constituição
Federal, esse coletivo também é amparado por leis específicas previstas no Estatuto da Criança e do
Adolescente (ECA) e no Estatuto do Idoso.

Principais deveres do cidadão:

Ao mesmo tempo em que possui direitos garantidos por lei, o cidadão também é obrigado a cumprir
certos deveres. Do contrário, pode enfrentar distintos tipos de punição.

• Cumprir as leis: a Constituição Federal também estabelece uma série de leis de conduta ao cidadão, as
quais se aplicam a ambientes sociais, de trabalho e familiar, por exemplo. Sempre que essas leis
forem desrespeitadas, a pessoa comente uma infração e fica à mercê das punições previstas, como
multas e prisões.
• Respeitar o direito alheio: assim como a pessoa tem direitos garantidos por lei, também precisa respeitar
os direitos sociais e individuais de outras pessoas. Isso se aplica a questões de religião, sexualidade,
ideologia política, integridade física e moral, entre outros.
• Educação, sustento e saúde dos filhos: os pais são os responsáveis pelo sustento, educação e sustento do
filho menor de 18 anos. O descumprimento da obrigação pode gerar, até mesmo, detenção.
• Proteger a natureza: toda a ação que colocar em perigo ou causar danos à fauna (floresta) ou à flora
(animais) está em desacordo com a Constituição Federal e também com o Código Florestal. As
punições preveem o pagamento de multa e prisão.
• Votar: o voto é obrigatório no Brasil. O cidadão que descumpre o dever pode ter que pagar multa, ter o
título de eleitor suspenso, ser impedido de tirar passaporte e de participar de concursos públicos.
• Colaborar com as autoridades: descumprir com os deveres não se trata apenas de desrespeitar o que está
previsto por lei. O cidadão que deixa de colaborar com as autoridades pode ser considerado cúmplice
de uma irregularidade, como um crime, por exemplo.
• Proteger o patrimônio: qualquer ação que danifique o patrimônio alheio, seja ele público ou privado, é
um ato considerado ilegal e passível de punição.

DIREITO CONSTITUCIONAL

O Direito Constitucional é uma área do Direito recente quando em


comparação a outras áreas como o Direito Civil ou o Direito Penal.
Não que as demais áreas não tenham se modificado
consideravelmente ao longo do desenvolvimento das sociedades.
Contudo, algumas áreas foram estruturadas ou seccionadas antes
das outras. Assim, algumas discussões particulares também foram
mais recentes, como no caso do Direito Constitucional, que se
direciona ao estudo da efetivação das normas constitucionais.

Diz-se que o Direito Constitucional é mais recente, porque as


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APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

Constituições dos Estados não datam de longo tempo. Isto não significa, todavia, que não houvesse normas
anteriores e superiores. Não havia, entretanto, preocupação igual com o estabelecimento de normas positivas
hierarquicamente superiores.

1. O que é Direito Constitucional

O Direito Constitucional tem por objeto as normas constitucionais. Decorre, então, da elaboração das
Constituições nos Estados-Nação. É, portanto, bastante recente na História do Direito. A primeira Constituição
conhecida, nos termos hoje considerados, é a Constituição dos Estados Unidos, de 1787. Logo em seguida,
surgiram outras Constituições, como a da França do pós-Revolução Francesa, em 1791. No Brasil, a primeira
Constituição data de 1824.

Barroso [1] descreve o movimento de evolução do Direito no sentido da elaboração de normas


constitucionais, iniciando com as seguintes palavras: No princípio era a força. Cada um por si. Depois vieram a
família, as tribos, a sociedade primitiva. Os mitos e os deuses – múltiplos, ameaçadores, vingativos. Os líderes
religiosos tornam-se chefes absolutos. Antigüidade profunda, pré-bíblica, época de sacrifícios humanos,
guerras, perseguições, escravidão. Na noite dos tempos, acendem-se as primeiras luzes: surgem as leis,
inicialmente morais, depois jurídicas. Regras de conduta que reprimem os instintos, a barbárie, disciplinam as
relações interpessoais e, claro, protegem a propriedade. Tem início o processo civilizatório. Uma aventura
errante, longa, inacabada. Uma história sem fim.

2. O que é constitucionalismo

A concepção mais difundida e defendida de democracia é aquela na qual o modelo político consolida
decisões através da atribuição de poder à maioria de seus membros. O exercício desse poder, ainda que
emanado do povo, é efetivado por meio de representações. Contudo, o advento, durante o século XX, de
regimes como nazismo e o fascismo, coloca em questionamento a supremacia da lei pela lei. Ambos os regimes
alcançaram poder através de instrumentos legais próprios de uma sociedade democrática, para, então, suprimir
os elementos democráticos de direito. Essa realidade evidenciou que as proposições de conteúdo positivista,
então hegemônicas, não eram suficientes à garantia da aplicação de justiça em seu aspecto moral. Revelou-se
necessário, dessa forma, encontrar novas teorias e instrumentos legais que viabilizassem a segurança do bem
coletivo e da manutenção da democracia mesmo diante da vontade da maioria.

Após a Segunda Guerra Mundial, despontaram, então, teorias em defesa do poder das Cartas
Constitucionais. E foram então intituladas de constitucionalismos, impactando a forma como o Direito
Constitucional era vislumbrado. Todavia, mesmo entre essa corrente houve divergências, tendo se subdivido em
duas vertentes principais:

constitucionalismo garantista ou “neoconstitucionalismo” – um progresso de teorias juspositivistas; e

constitucionalismo principialista – um progresso de teorias jusnaturalistas.

Entre os teóricos de ambos os expoentes, destacaram-se, sobretudo, Dworkin, Alexy e Ferrajoli. Suas
teses adentraram, então, o ordenamento jurídico brasileiro e ganharam novos contornos na redemocratização do
país e na promulgação da Constituição de 1988. Apesar da aceitação dessas teorias, por óbvio, não são tomadas
como verdades absolutas. E ainda comportam críticas, no círculo da teoria e hermenêutica jurídica nacional.

Principialismo versus Garantismo Jurídico

A dimensão formal da democracia serve à legitimação da representação. Não garante, por sua vez, a
adequação das normas ao contexto ou ao bem coletivo, o que somente pode ser alcançado através de uma
dimensão substancial. O espectro do conteúdo normativo na democracia política é o foco do paradigma
83
APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

constitucional. Esse paradigma, no pós-guerra, foi estabelecido como um “sistema de limites e vínculos
substanciais – o princípio da igualdade, a dignidade da pessoa e os direitos fundamentais – às decisões de
qualquer maioria” [2]. Colocam-se como elementos limítrofes à tomada de decisões princípios que determinam
obrigações e proibições.

A validade das normas, portanto, passa, a partir dos movimentos pós-guerra, a integrar elementos
formais e substanciais. A produção legislativa não se atém somente aos pré-requisitos formais ou estruturais; é
imprescindível que represente valores coerentes com o paradigma constitucional democrático. É necessário
ressaltar, contudo, que não há definição prévia das condições de validade da norma ou do grau de justiça
exprimido por elas segundo a teoria do direito; há somente há definição do que seria válido ou inválido.
Segundo Ferrajoli, “é válida toda e qualquer norma produzida em determinado ordenamento em conformidade
e em coerência com as normas formais e substanciais, quaisquer que sejam, sobre sua produção normativa” [3].

Direito Constitucional

3. Constituição Federal Brasileira de 1988

O preâmbulo da Constituição Federal de 1988 dispõe:

Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembléia Nacional Constituinte para instituir um
Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a
segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade
fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e
internacional, com a solução pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL.

Ou seja, traz como objetivos da Carta Constitucional e, consequentemente, do Direito Constitucional, o


exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a
igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos .

Para tanto, a Constituinte de 1988 decidiu dividir a Carta Maior brasileira em 9 títulos:

• Dos princípios fundamentais


• Dos direitos e garantias fundamentais
• Da organização do Estado
• Da organização dos poderes
• Da defesa do Estado e das instituições democráticas
• Da tributação e do orçamento
• Da ordem econômica e financeira
• Da ordem social
• Das disposições constitucionais gerais

Princípios do Direito Constitucional

Os princípios do Direito Constitucional estão elencados juntos aos princípios fundamentais da Constituição
Federal, do art. 1º, CF/88, ao art. 4º, CF/88. Em primeiro lugar, afora as críticas da realidade, compreende-se,
em teoria, que o poder emana do povo, evocando a concepção de um Estado Democrático de Direito. E este
poder, então, é exercido por meio de representação, seja através de eleições ou diretamente.

O art. 1º, CF/88, apresenta, desse modo, os fundamentos sob os quais opera esse poder, quais sejam:

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APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

• a soberania do Estado;
• a cidadania;
• a dignidade da pessoa humana;
• os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa;
• o pluralismo jurídico.

Garantias Fundamentais da Constituição de 1988

A Constituição Federal de 1988 é conhecida como a Constituição Cidadã. Isto porque dá grande
prevalência aos direitos inerentes à pessoa humana e aos direitos de cidadania. Assim, traz direitos e garantias
fundamentais que assegurem a persecução da igualdade, da isonomia e da equidade no Direito. E o Direito
Constitucional, portanto, deve ser interpretado considerando essas premissas e garantias fundamentais.

Os direitos e garantias fundamentais representam, além de garantias materiais, garantias formais


inspirados nos princípios constitucionais e nos pactos de direitos humanos. Consolidados no ordenamento
jurídico, então, procuram também dar efetividade ao princípio da dignidade humana, sob o qual operam as
normas de Direito brasileiro.

Os direitos e garantias fundamentais apresentam algumas características, como, por exemplo:

• inalienabilidade;
• imprescritibilidade;
• irrenunciabilidade;
• universalidade;
• limitabilidade;
• historicidade;
• inviolabilidade;
• concorrência;
• complementaridade;

E podem ser encontrados nos seguintes artigos:

• Direitos e deveres individuais e coletivos (art. 5º, CF);


• Direitos sociais (art. 6º ao art. 11, CF);
• Direitos da nacionalidade (art. 12 e art. 13, CF);
• Direitos políticos (art. 14 ao art. 16, CF).

Enfim, o Direito Constitucional é uma importante área do Direito, na medida em que fornece as bases
para as demais áreas, mas também indica questões específicas, como os recursos constitucionais. E, na medida
em que os problemas sociais surgem, também levantam-se questões acerca das previsões constitucionais. Por
essa razão, é essencial um entendimento dos seus conceitos básicos.

DIREITO CIVIL

Direito vem do latim directum, que significa em linha reta, aquilo ou aquele que segue uma regra. Civil
origina da palavra latina civilis relativa a cidadão. Então, o direito civil é o direito do cidadão. É matéria
abrangente e disciplina direitos e deveres das nossas relações, sejam com pessoas ou coisas. Direito civil é um
termo abrangente e corriqueiramente usado. Mas, em essência, você sabe o que ele significa?

Vamos buscar a etimologia das palavras “direito” e “civil” para nos auxiliar.

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APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

A palavra direito tem muitos significados, mas sua origem latina vem do radical directum, que quer dizer “em
linha reta”, ou seja, conforme uma regra. Civil origina da palavra latina civilis, relativa a cidadão.
Simplificando, direito civil pode ser traduzido como “direito do cidadão”.

A importância do direito civil

O direito civil é matéria abrangente e disciplina direitos e deveres das nossas relações, sejam com
pessoas ou coisas. As relações familiares também estão inclusas. Cuida do nascimento até a morte do indivíduo.
Ainda que muitas vezes não percebamos, o direito civil se faz presente em nosso dia a dia. No cotidiano,
quando alguém, em uma conversa, diz: “tenho um imóvel” ou “sou divorciado”, está fazendo uso de uma
faculdade prevista no código civil. No primeiro exemplo, faz relação à propriedade e no outro ao estado civil.
Deu para entender a importância dessa área para a sociedade? Pablo Gagliano e Rodolfo Filho conceituam
direito civil como o ramo do Direito que disciplina todas as relações jurídicas da pessoa, seja umas com as
outras (físicas e jurídicas), envolvendo relações familiares e obrigacionais, seja com as coisas (propriedade e
posse).

O direito civil tem como finalidade regular a vida em sociedade, dando um norte do que se pode ou não
fazer para que a ordem social seja mantida. É considerado a principal matéria do direito privado.

Código civil brasileiro

Um código é a organização de várias regras jurídicas advindas da


mesma natureza. Essas regras são agrupadas sistematicamente,
centralizando as normas aplicáveis a determinados tipos de relação.
Atualmente, utilizamos o código civil que foi aprovado em 2002 e
passou a valer no ano seguinte.

O seu antecessor, o antigo código de 1916, tinha referências francesas,


apresentando um caráter mais individualista e patrimonial – sendo,
inclusive, criticado por alguns doutrinadores como “um código que se
preocupava “com o ‘ter’, e não com o ‘ser’”.

Distanciando-se dele, nosso atual código, que foi influenciado pelo


alemão, tenta se afastar desse conceito e apresenta três princípios
básicos: eticidade, socialidade e operabilidade.

Princípio da eticidade

A eticidade traz os valores éticos para os valores jurídicos, aproximando a importância das leis morais
para a convivência em sociedade. Significa dizer que os negócios jurídicos devem ser tratados com honestidade
e lealdade, sem intenção de enganar.

Cito abaixo alguns artigos onde podemos observar a eticidade:

113. Os negócios jurídicos devem ser interpretados conforme a boa-fé e os usos do lugar de sua celebração.”

309. O pagamento feito de boa-fé ao credor putativo é válido, ainda provado depois que não era credor.”

422. Os contratantes são obrigados a guardar, assim na conclusão do contrato, como em sua execução, os
princípios de probidade e boa-fé.”

1638. “Perderá por ato judicial o poder familiar o pai ou a mãe que:
86
APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

(…)

III – praticar atos contrários à moral e aos bons costumes;”

Princípio da socialidade

Este princípio visa afastar o caráter individual do antigo código civil de 1916, trazendo a ideia da função
social, prevalecendo os interesses coletivos aos individuais. Assim, num conflito entre direitos coletivos e
individuais, os coletivos terão peso maior por possuir maior abrangência, com resguardo dos direitos
fundamentais da pessoa humana. Esse princípio guarda grande relação com o princípio da eticidade, pois as
regras sociais também devem ser éticas, não sendo possível separá-las.

O princípio de nossa conduta não são deveres e valores postos como fins, mas paixões operando como causas
eficientes. A sociabilidade, contudo, só se torna coesa e ordenada no momento em que nos deixamos seduzir
por um discurso que falseia esse dado natural, descrevendo nossa conduta por referência a uma suposta nobreza
e destinação moral. Este autoengano ou esta hipocrisia é, portanto, necessária ao bom funcionamento da
sociabilidade. É ela que nos determina — o amor-próprio como causa motora — no sentido da adesão aos
valores requeridos pela ordem social.”

A socialidade pode ser observada nos artigos:

Art. 421. “A liberdade de contratar será exercida em razão e nos limites da função social do contrato,
observado o disposto na Declaração de Direitos de Liberdade Econômica.”

Art. 1240. “Aquele que possuir, como sua, área urbana de até duzentos e cinqüenta metros quadrados, por
cinco anos ininterruptamente e sem oposição, utilizando-a para sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o
domínio, desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural”.

Princípio da operabilidade

Por fim, o princípio da operabilidade buscou simplicidade dos institutos jurídicos e maior efetividade das
decisões, viabilizando o cumprimento e inserindo algumas normas chamadas “abertas”, que possibilita uma
ampla interpretação, sem restrição da Lei. Com esses princípios em mente, nosso código de 2002 está dividido
da seguinte maneira:

Parte geral do Código Civil de 2002

Das pessoas

Trata da personalidade e seus direitos, da capacidade, ausência e sucessão. Trata também das pessoas jurídicas,
associações, fundações e domicílio.

Disponível nos artigos de 1º a 78.

Dos bens

Trata dos bens móveis, imóveis, fungíveis e consumíveis, singulares e coletivos. Trata também de bens
reciprocamente considerados e bens públicos.

Disponível nos artigos de 79 a 103.

Dos fatos jurídicos


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APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

Trata dos negócios jurídicos e seus efeitos e defeitos. Trata também do erro, dolo, coação, estado de perigo,
lesão, fraude contra credores, invalidade dos negócios, atos lícitos e ilícitos, prescrição e decadência e da prova.

Disponível nos artigos de 104 a 232.

Parte especial do Código Civil de 2002

Direito das obrigações

Trata de relações entre devedor e credor, modalidades das obrigações, adimplemento e extinção da obrigação.
Trata também do inadimplemento e seus efeitos, dos contratos e suas espécies, do mandato, do seguro, do jogo
e da aposta, da fiança, da promessa de compra e venda, dos títulos de crédito, da responsabilidade civil e das
preferências dos direitos creditórios. Disponível nos artigos de 233 a 965.

Direito de empresa

Trata do empresário, dos tipos de empresa, das sociedades, do estabelecimento, do nome empresarial, dos
prepostos, gerentes, contabilistas e outros auxiliares, da escrituração e disposições gerais. Disponível nos
artigos de 966 a 1.195. Se você se interessa por esse tema, sugiro a leitura do artigo sobre direito empresarial.

Direito das coisas

Trata da posse e seus efeitos, dos direitos reais, da propriedade, do direito de construir, do condomínio e seus
tipos. Trata também da superfície, da servidão, do usufruto, do uso, da habitação, do direito do promitente
comprador, penhor, hipoteca e anticrese. Disponível nos artigos de 1.196 a 1.510. Saiba mais sobre Lei 13.777,
ou Lei Multipropriedade aqui no blog da Aurum.

Direito de família

Trata do casamento e sua dissolução, relações de parentesco, do direito patrimonial, da pensão alimentícia e
daexecução de alimentos. Além desses, do bem de família, da união estável, da tutela, curatela e dos interditos.
Disponível nos artigos de 1.511 a 1.783. Se você quiser saber especificamente sobre direito de família, aqui no
blog da Aurum tem um artigo inteiramente dedicado a esse tema.

Direito de sucessão

Trata das sucessões, ordem de vocação hereditária, testamentos, legados, substituições e do inventário e
partilha. Disponível nos artigos de 1.784 a 2.027.

O que é contrato para o direito civil?

Conceitualmente, o contrato pode ser definido como um acordo de vontade entre as partes.
Complementando esse conceito, Anderson Schereiber nos ensina que: “o contrato é usualmente definido pela
doutrina brasileira como o acordo de vontades destinado a criar, modificar ou extinguir obrigações”. Significa
dizer que, ainda hoje, o contrato é aprendido sob a ótica da sua gênese voluntarista (o acordo de vontades) a que
todos os seus efeitos são remetidos.

No entanto, a doutrina vem trazendo um duplo significado ao contrato. Além do acordo de vontades, ela
traz a ideia da formação e desenvolvimento de uma relação jurídica com a efetiva atuação das partes em prol da
finalidade em comum. Nesse caso, o contrato é o fruto do exercício de autonomia das partes.

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APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

Principais desafios do direito civil

Tendo como base que uma das fontes da norma jurídica são os costumes, nem sempre é possível que a
legislação acompanhe as constantes modificações em nossa sociedade, principalmente na velocidade em que a
modernidade traz inovações (saiba mais sobre o futuro da advocacia). Citamos como exemplo a questão do
casamento entre pessoas do mesmo sexo, que embora já seja considerada uma entidade familiar por força de
uma decisão do STF, não tem previsão em nosso código civil. Outros desafios a serem enfrentados são o da
eutanásia, da fertilização extra uterina, da pesquisa científica de células tronco, entre outros.

Atividades de um advogado especialista em direito civil

O advogado representa os interesses individuais das pessoas. Esses interesses podem ter relação com
propriedades, com a área familiar, como os divórcios, as sucessões e outras questões relativas à vida das
pessoas. A área cível é a mais abrangente do direito. Advogar no direito civil é desafiador e encantador ao
mesmo tempo. Nós encontramos situações que muitas vezes são próximas à nossa realidade.

Para advogar nessa área são necessários muito estudo e atualização, além de exigir que o profissional
esteja antenado às necessidades que surgem junto da modernização do direito e da advocacia.

DIREITO ADMINISTRATIVO

Conceito

Direito Administrativo é o ramo do direito público que


trata de princípios e regras que disciplinam a função
administrativa e que abrange entes, órgãos, agentes e
atividades desempenhadas pela Administração Pública
na consecução do interesse público 1.

Função administrativa é a atividade do Estado de dar cumprimento aos comandos normativos para
realização dos fins públicos, sob regime jurídico administrativo (em regra), e por atos passíveis de controle. A
função administrativa é exercida tipicamente pelo Poder Executivo, mas pode ser desempenhada também pelos
demais Poderes, em caráter atípico. Por conseguinte, também o Judiciário e o Legislativo, não obstante suas
funções jurisdicional e legislativa (e fiscalizatória) típicas, praticam atos administrativos, realizam suas
nomeações de servidores, fazem suas licitações e celebram contratos administrativos, ou seja, tomam medidas
concretas de gestão de seus quadros e atividades.

Função administrativa relaciona-se com a aplicação do Direito, sendo consagrada a frase de Seabra
Fagundes no sentido de que “administrar é aplicar a lei de ofício”. A expressão administração pública possui,
segundo Di Pietro 2, no entanto, dois sentidos:
o sentido subjetivo, formal ou orgânico: em que é grafada com letras maiúsculas, isto é, Administração
Pública, e que indica o conjunto de órgãos e pessoas jurídicas aos quais a lei atribui o exercício da função
administrativa do Estado; e o sentido objetivo, em que o termo é grafado com minúsculas (administração
pública), sendo usado no contexto de atividade desempenhada sob regime de direito público para consecução
dos interesses coletivos (sinônimo de função administrativa).

São fontes do Direito Administrativo:

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APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

• os preceitos normativos do ordenamento jurídico, sejam eles decorrentes de regras ou princípios,


contidos na Constituição, nas leis e em atos normativos editados pelo Poder Executivo para a fiel
execução da lei;
• a jurisprudência, isto é, reunião de diversos julgados num mesmo sentido. Se houver Súmula
Vinculante, a jurisprudência será fonte primária e vinculante da Administração Pública;
• a doutrina: produção científica da área expressa em artigos, pareceres e livros, que são utilizados como
fontes para elaboração de enunciados normativos, atos administrativos ou sentenças judiciais;
• os costumes ou a praxe administrativa da repartição pública.

Ressalte-se que só os princípios e regras constantes dos preceitos normativos do Direito são
considerados fontes primárias. Os demais expedientes: doutrina, costumes e jurisprudência são geralmente
fontes meramente secundárias, isto é, não vinculantes; exceto no caso da súmula vinculante, conforme
sistemática criada pela Emenda Constitucional nᵒ 45/04, que é fonte de observância obrigatória tanto ao Poder
Judiciário, como à Administração Pública direta e indireta, em todos os níveis federativos.

Princípios

Princípios são mandamentos de otimização, que se caracterizam pelo fato de poderem ser cumpridos em
diferentes graus. A medida imposta para o cumprimento do princípio depende: (a) das possibilidades reais
(fáticas), extraídas das circunstâncias concretas; e (b) das possibilidades jurídicas existentes. Com o pós-
positivismo os princípios foram alçados dos Códigos às Constituições, ganhando status de normas jurídicas de
superior hierarquia. Antes eram tidos como pautas supletivas das lacunas do ordenamento, conforme orientação
do art. 4ᵒ da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, mas com o avanço da hermenêutica jurídica
sabe-se que eles não são só sugestões interpretativas, pois eles têm caráter vinculante, cogente ou obrigatório 4.

São princípios do Direito Administrativo expressos no caput do art. 37 da Constituição:

• legalidade;
• impessoalidade;
• moralidade;
• publicidade; e
• eficiência, sendo que este último foi acrescentado pela Emenda Constitucional nᵒ 19/98.

A legalidade administrativa significa que a Administração Pública só pode o que a lei permite. Cumpre
à Administração, no exercício de suas atividades, atuar de acordo com a lei e com as finalidades previstas,
expressas ou implicitamente, no Direito. Impessoalidade implica que os administrados que preenchem os
requisitos previstos no ordenamento possuem o direito público subjetivo de exigir igual tratamento perante o
Estado. Do ponto de vista da Administração, a atuação do agente público deve ser feita de forma a evitar
promoção pessoal, sendo que os seus atos são imputados ao órgão, pela teoria do órgão.

Publicidade é o princípio básico da Administração que propicia a credibilidade pela transparência.


Costuma-se diferenciar publicidade geral, para atos de efeitos externos, que demandam, como regra, publicação
oficial; de publicidade restrita, para defesa de direitos e esclarecimentos de informações nos órgãos públicos.
Moralidade é o princípio que exige dos agentes públicos comportamentos compatíveis com o interesse público
que cumpre atingir, que são voltados para os ideais e valores coletivos segundo a ética institucional.

Eficiência foi um princípio introduzido pela Reforma Administrativa 5 veiculada pela Emenda
Constitucional nᵒ 19/98, que exige resultados positivos para o serviço público e satisfatório atendimento das
necessidades públicas. Além dos princípios constitucionais, existem princípios que foram positivados por lei,
como, por exemplo, no âmbito federal, também se extraem do art. 2ᵒ da Lei nᵒ 9.784/99: finalidade, motivação,

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APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica e interesse


público.

Poderes

Para realizar suas atividades, a Administração Pública detém prerrogativas ou poderes. Conforme
clássica exposição de Celso Antônio Bandeira de Mello 6, tais poderes são poderes-deveres, ou seja, poderes
subordinados ou instrumentais aos deveres estatais de satisfação dos interesses públicos ou da coletividade.

São poderes administrativos:

• o discricionário;
• os decorrentes da hierarquia;
• o disciplinar;
• o normativo; e
• o de polícia.

Poder discricionário é a prerrogativa que tem a Administração de optar, dentre duas ou mais soluções,
por aquela que, segundo critérios de conveniência e oportunidade, melhor atenda ao interesse público no caso
concreto. Entende-se, no geral, que vinculação 7 não é propriamente um poder, mas uma sujeição da
Administração ao império da lei. Da hierarquia, decorrem os seguintes poderes: ordenar atividades, controlar ou
fiscalizar as atividades dos subordinados, rever as decisões, com a possibilidade de anular atos ilegais ou de
revogar os inconvenientes e inoportunos, com base na Súmula 473/STF, punir ou aplicar sanções disciplinares,
avocar ou chamar para si atribuições, delegar e editar atos normativos internos.

Poder disciplinar é o que compete à Administração para apurar supostas infrações funcionais e, se for o
caso, aplicar as sanções administrativas. Ele abrange tanto as relações funcionais com os servidores públicos,
como às demais pessoas sujeitas à disciplina da Administração Pública 8.

Poder normativo envolve a edição pela Administração Pública de atos com efeitos gerais e abstratos,
como decretos regulamentares, instruções normativas, regimentos, resoluções e deliberações. Poder
regulamentar é, portanto, uma espécie de poder normativo. Poder de polícia consiste “na atividade de
condicionar e restringir o exercício dos direitos individuais, tais como propriedade e a liberdade, em benefício
do interesse público” 9. São atributos do poder de polícia: discricionariedade, autoexecutoriedade e
coercibilidade.

Estrutura da Administração Pública

Na organização administrativa do Estado, há a divisão estrutural entre entes da Administração Direta e


entes da Administração Indireta. Os entes da Administração Direta compreendem as pessoas jurídicas políticas:
União, Estados, Distrito Federal e Municípios, e órgãos que integram tais pessoas pelo fenômeno da
desconcentração. Desconcentração indica, na definição de Hely Lopes Meirelles 10, a repartição de funções
entre vários órgãos (despersonalizados) de uma mesma administração, sem quebra de hierarquia.

Os critérios de desconcentração são:

• em razão da matéria: em que há a criação de órgãos para tratar de assuntos determinados, como, no
âmbito federal, os Ministérios da Justiça, da Saúde, da Educação etc.
• em razão do grau: nos distintos escalões de patamares de autoridade, como, por exemplo, diretoria,
chefias etc.

91
APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

• pelo critério territorial: que toma por base a divisão de atividades pela localização da repartição, como
nas administrações regionais das Prefeituras.

Já os entes da Administração Indireta são constituídos por descentralização por serviços, em que o Poder
Público cria ou autoriza a criação por meio de lei de pessoa jurídica de direito público ou privado e a ele atribui
a titularidade e a execução de determinado serviço público, conforme sistemática do art. 37, XIX, da
Constituição.

Integram a Administração Indireta: as autarquias, as fundações, as sociedades de economia mista, as


empresas públicas e mais recentemente as associações públicas constituídas pelos consórcios públicos,
conforme tratamento dado pela Lei nᵒ 11.107/2005.

Ato administrativo

Considera-se ato administrativo, segundo Di Pietro, a declaração do Estado ou de quem o represente,


que produz efeitos jurídicos imediatos, com observância de lei, sob regime jurídico de direito público e sujeita a
controle do Poder Judiciário 11.

Tendo em vista o regime jurídico administrativo, os atos administrativos possuem os seguintes atributos:

• presunção de legitimidade e veracidade;


• imperatividade, pois se impõem aos seus destinatários, independentemente de sua concordância;
• autoexecutoriedade, podendo a Administração como regra executar suas decisões, sem a necessidade
de submetê-las previamente ao Poder Judiciário.

São espécies de atos administrativos, segundo conhecida classificação de Hely Lopes Meirelles 12:

• negociais, que visam à concretização de negócios jurídicos públicos ou de atribuição de certos


direitos e vantagens aos particulares, como as licenças e autorizações;
• normativos, os quais consubstanciam determinações de caráter geral para a atuação administrativa,
como ocorre nos regimentos e deliberações;
• enunciativos, que atestam uma situação existente, por exemplo, nos atestados, certidões, pareceres e
votos;
• ordinatórios, que ordenam a atividade administrativa interna. Por exemplo: em instruções, circulares
e ordens de serviço;
• punitivos, que contém sanção imposta pela Administração, como: imposição de multa administrativa,
interdição de atividade e punição de servidores públicos.

A doutrina geralmente extrai, com variações, os seguintes elementos dos atos administrativos: sujeito
(associado à competência, conforme classificação extraída da Lei de Ação Popular); objeto, forma, motivo e
finalidade.

Além da existência dos elementos, o ato administrativo para ser válido deve obedecer a requisitos de
validade, ou seja: (1) o sujeito deve ser capaz e competente; (2) o objeto deve ser lícito, possível, determinado
ou determinável e de acordo com a moralidade; (3) se houver exigência específica de determinada forma, sua
observância é obrigatória; (4) o motivo deve ser existente e adequado 13; e (5) a finalidade deve ser prevista em
lei e de acordo com o interesse público. Atos administrativos que possuam vícios insanáveis deve ser
anulados, ao passo que os vícios sanáveis admitem, a critério da Administração Pública, a convalidação. Se não
for mais conveniente e oportuna a manutenção do ato que não contempla direito ao particular, é possível a sua
revogação.

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APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

Trata-se do conteúdo da Súmula nᵒ 473 do STF, segundo a qual:

• a administração pública pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam
ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogá-los, por motivo de conveniência e
oportunidade, respeitados direitos adquiridos e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial.

Processo administrativo

A diferença entre processo e procedimento é polêmica na doutrina. O termo processo advém do latim
procedere, que significa curso ou marcha para frente. Trata-se de um conjunto sequencial de ações que
objetivam alcançar determinado fim. Entende-se que enquanto o processo é o conjunto de atos coordenados
para a obtenção de um provimento individualizado, procedimento é o modo de realização do processo, ou seja,
o rito processual 14, sendo os conceitos de processo e procedimento inter-relacionados.

No âmbito administrativo, a Administração atua quase sempre por meio de processos, que são
encadeamentos de atos, sendo exigência constitucional que sejam recheados de oportunidade de defesa e de
contraditório antes da edição da decisão final, isto é, do ato administrativo final do procedimento. Como
disciplina genérica do processo administrativo na esfera federal há a Lei nᵒ 9784/99, que estabelece “normas
básicas sobre o processo administrativo no âmbito da Administração Federal direta e indireta”. A Lei de
Processo Administrativo 15 aplica-se subsidiariamente às regras contidas em leis que preveem procedimentos
específicos, a exemplo da lei de licitações, ao estatuto dos servidores, ao código de propriedade industrial, à lei
de defesa da concorrência, ao tombamento e à desapropriação.

DIREITO PENAL

O direito penal ou direito criminal é a disciplina de direito


público que regula o exercício do poder punitivo do
Estado, tendo por pressuposto de ação delitos (isto é,
comportamentos considerados altamente reprováveis ou
danosos ao organismo social, afetando bens jurídicos
indispensáveis à própria conservação e progresso da
sociedade) e como consequência as penas.

O direito penal varia de acordo com a jurisdição, e difere


do direito civil, onde a ênfase se concentra principalmente
na resolução de litígios e compensação de vítimas do que
na punição .

História

O direito penal passou por várias fases de evolução, sofrendo influência do direito romano, grego antigo,
canônico e também de outras escolas como a Escola Clássica do Direito Penal e a positiva. Essas influências
serviram de base para o direito penal moderno, justificando a criação de princípios penais atuais sobre o erro,
culpa, dolo etc.: daí, a importância do conhecimento da história do direito penal.

Função do direito penal

Tradicionalmente, entende-se que o direito penal visa a proteger os bens jurídicos fundamentais (todo
valor reconhecido pelo direito) No crime de furto, por exemplo, o resultado é representado pela ofensa ao bem
jurídico. "patrimônio"; no homicídio, há lesão ao bem jurídico "vida humana"; na coação, uma violação à
93
APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

liberdade individual. Essa seria a tríade fundamental de bens jurídicos tutelados coativamente pelo Estado: vida,
liberdade e propriedade. Além de proteger os bens jurídicos vitais para a sociedade, também existe o
entendimento de que o direito penal garante os direitos da pessoa humana frente ao poder punitivo do Estado.
Esta forma de encarar as funções do direito penal vem da tradição liberal, como explicitada pelo penalista
espanhol Dorado Montero.[3] Ainda que alguns questionem sua função garantista de direitos individuais, deve
ela ser levada em conta na formulação das normas penais, a fim de poder evitar que o Estado de polícia se
manifeste e se sobreponha ao Estado de direito. Como diz Zaffaroni, em toda ordem jurídica, ainda que
democrática, o Estado de Polícia está sempre presente e pode conduzir, a qualquer momento, a um regime
autoritário, seja de direita ou de esquerda, em detrimento das liberdades humanas.

Crítica à função protetiva de bens jurídicos fundamentais

Em face de algumas investigações no campo da criminologia e ainda das contribuições da sociologia, da


ciência política e da filosofia, especula-se que essa função protetiva é meramente simbólica. Não há
comprovação empírica de que, efetivamente, o direito penal proteja valores ou bens jurídicos, nem de que a
referência a essa tarefa protetiva possa servir de fundamento legitimante de sua atuação. Da mesma forma, não
é comprovado o contrário. Diante dessa situação, a doutrina penal tem posto em dúvida a validade dessas
normas, na medida em que apenas se fundamentem em finalidades programáticas, sem correspondência com a
realidade de um Estado democrático de direito, que exige que as normas interventivas sejam precedidas de
ampla discussão e só possam ser editadas se vinculadas a elementos concretos de legitimação. Essa afirmação,
no entanto, encontra o argumento de que a produção das leis que determinam tais normas, sobre as quais está
fundamentado o Estado democrático de direito, foram produzidas justamente através do que alegam não ter
havido, ou seja, a ampla discussão. É bem verdade que a evolução do pensamento humano não pode aceitar que
as leis sejam inflexíveis frente a argumentos novos e mais apropriados, não obstante, o Estado democrático de
direito só pode existir se as leis vigentes são respeitadas. Os novos argumentos precisam, então, serem
avaliados e discutidos amplamente, sem casualidades, vícios e principalmente sem prejuízo do que já há
estabelecido em lei.

Buscando sedimentar as normas penais em substratos apreensíveis, o professor Wolfgang Naucke,


catedrático da Universidade de Frankfurt (Alemanha), postula pela substituição dos bens ou valores jurídicos
pelo conceito de "direito subjetivo". A incriminação, dessa forma, só estaria legitimada se voltada à proteção de
direitos subjetivos reconhecidos, mas não de bens ou valores jurídicos simbólicos. A proteção à pessoa por
meio da incriminação do homicídio, por exemplo, estaria legitimada porque a ela se reconhece em todos os
continentes o direito subjetivo à vida. O conjunto desses direitos subjetivos constituiria, segundo Wolfgang
Naucke, a base de toda ordem jurídica democrática.

Embora sob outros enfoques, a crise da função protetiva do direito penal vem sendo também discutida
na América Latina, principalmente por Eugenio Raúl Zaffaroni na Argentina[4] e Juarez Tavares no Brasil:[5] o
primeiro, catedrático da Universidade de Buenos Aires; o segundo, catedrático da Universidade do Estado do
Rio de Janeiro. Mesmo, porém, que se adote a noção de bem jurídico como objeto de proteção do direito penal,
parece ser necessário proceder-se a uma redução de seu conceito, a fim de diferenciá-lo das simples funções,
com as quais não deve ser confundido. Não se enquadrariam, assim, no conceito de bem jurídico meros
sentimentos, sensações, opiniões, moralidade como tal, amor, ódio, fidelidade, controle do tráfego, controle de
circulação de pessoas etc. Portanto, segundo essa óptica, não se deve falar de função ético-social do direito
penal, ao alegarem que o direito penal, como dizem, qualquer direito deveria separar com bastante nitidez as
linhas divisórias do que seja legal e do que seja ético ou moral; sendo que, dessa forma, só o que possa ser legal
como contribuição do consenso exercido em um Estado democrático pode ser legitimamente exigido.

Entretanto, esse pensamento ignora que as diretrizes morais e éticas dominantes, sob as quais se
fundamentam todas as sociedades desde os primórdios da civilização, hoje eleitas democraticamente na forma
de legisladores, devem prevalecer, ou a sociedade e sua função deixaria de existir, instalando-se a desordem
anárquica, não sendo portanto edificante para a evolução do pensamento e condutas humanas, e
94
APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

impossibilitando a manutenção da vida, liberdade e propriedade, deveres atuais do Estado. Outra corrente
conclui que, sem um código de conduta moral, não há sociedade, apenas caos.

Crítica à função de garantia do indivíduo

Há pensadores que entendem que, embora seja louvável a política de controle da criminalidade, como
recurso a assegurar a todas as pessoas o pleno exercício de seus direitos subjetivos, não pode ela, porém, iludir,
dizem, a população com a ideia de que com a simples incriminação de certas condutas se construirá uma
sociedade verdadeiramente protegida e livre de qualquer mazela ou perturbação. Dizem que a sociedade será
protegida na medida em que o Estado atenda aos direitos dos cidadãos, dentre os quais se incluem,
indistintamente, todas as pessoas. Este pensamento, entretanto, é combatido por outra corrente que entende ser
o indivíduo responsável por seus atos nos termos da lei, e o Estado tem a obrigação de zelar para que as leis
possam ser aplicadas para regular as relações entre os indivíduos, ou seja, preservar a sociedade e o Estado de
direito, sendo que a tutela excessiva do Estado mostrou-se desastrosa e, quando aguda, produz ditaduras de
direita ou de esquerda.

O direito penal, como arma jurídica do Estado, não pode ser o principal meio de controle e garantia dos
direitos individuais e coletivos, pois a repressão e a força do Estado não conseguem, quando única política
aplicada, diminuir o nível de criminalidade dentro de uma nação. O Estado democrático de direito tem outros
meios de se evitar o alto índice de criminalidade, como o investimento em educação e segurança pública, sendo
o direito penal o ramo do direito de extremo poder quando todos os outros ramos nada conseguiram fazer.

Enquanto alguns pensam que a sociedade não deve esperar que as penas severas sancionadas pelo Juízo
criminal venham causar temor nos indivíduos ao ponto de respeitarem entre si seus direitos individuais e
coletivos, outros defendem que o indivíduo imputável perante a lei consegue medir de forma pragmática a
gravidade de determinadas ofensas através do peso que a sociedade imputa a essas condutas.

O poder executivo do Estado tem o dever constitucional de garantir e executar os direitos individuais e
coletivos das pessoas na sociedade, sendo sua a real competência de trabalhar para garantir o direito a
educação, saúde mental e corporal, direitos trabalhistas, a manutenção dos bens públicos, o incentivo ao lazer e
os diversos meios de se evitar a atuação do direito penal.

Limitações ao direito penal

Prevalecem, no Direito Penal, exigências ético-sociais da plena garantia do respeito aos direitos
humanos do indivíduo. Assim sendo, são necessários: o respeito à dignidade da pessoa humana (princípio da
dignidade da pessoa humana e humanidade das penas); o caráter estritamente pessoal da pena (princípio da
pessoalidade); o respeito ao princípio da proporcionalidade; e a ampla e contraditória defesa (princípio do
devido processo legal da instrução criminal). Deve-se, sempre, ter em mente que o direito penal, por ser o mais
gravoso meio de controle social, deve ser usado sempre em último caso (ultima ratio) e visando sempre ao
interesse social, não podendo transformar-se em instrumento de repressão à serviço dos governantes, a exemplo
do que ocorre nos Estados policiais.

O direito penal, sendo a ultima ratio, não deve ser acionado para reprimir atos ilícitos insignificantes
para a sociedade, de caráter estritamente privado e sem valor para a sociedade local. Isso quer dizer que o crime
deve ser necessariamente uma conduta ilícita geradora de um dano a algum bem jurídico público ou privado
capaz de despertar a fúria do interesse coletivo, de forma a movimentar o Poder Judiciário e aplicar o devido
processo legal. O direito penal não deve ser usado para punir crimes como furtos de alimentos em pequenas
quantidades por ocasião de fome do delinquente, por exemplo, devendo ser invocados os princípios da
insignificância e proporcionalidade na análise dos crimes e imputamento de penas.

Fontes do direito penal


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APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

O Estado é a fonte material do direito penal, uma vez que é o legislador quem cria as normas penais;
essas normas, por sua vez, são dadas a conhecimento por meio de leis, denominadas fontes formais imediatas
do direito penal. As principais fontes do direito penal são o Código Penal e o Código de Processo Penal de cada
país, bem como a legislação penal complementar.

Entre as fontes auxiliares, estão a doutrina (conjunto de teses e correntes jurídicas defendidas por juristas e
estudiosos do Direito) e a jurisprudência (conjunto de decisões judiciais concretas, formando os precedentes
judiciais), acumuladas em determinada jurisdição. Dentro do chamado direito material, aquele derivado das
leis, essas são as fontes primordiais do direito penal. No Brasil, esta ideia é reforçada pelo chamado "princípio
da reserva legal", que estabelece:

• na Constituição Federal de 1988, artigo 5º, II[6]: "Ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer
alguma coisa senão em virtude de lei".
• no Código Penal, artigo 1.º [7]: "Não há crime sem lei anterior que o defina. Não há pena sem prévia
cominação legal".

As fontes secundárias do direito penal são:

• os costumes;
• a analogia;
• a equidade;
• os princípios gerais do Direito; e
• os tratados e convenções internacionais.

Princípios do direito penal

Anterioridade da Norma ou Princípio da Legalidade: Esse princípio é baseado no artigo 1º do Código Penal,
que diz que há a exigência de uma lei anterior que defina a prática de um ato reprovável como crime. Caso o
ato não seja caracterizado crime, então o praticante não será condenado[8]. Devido Processo Legal: Um juiz
não pode condenar um acusado qualquer, de maneira arbitrária, pois quem praticou o crime tem o direito de ter
um julgamento justo. Apenas após o julgamento e todo processo legal é que poderá ser definido o destino do
criminoso.

Princípio da Inocência: Diz que todo cidadão é inocente, até que se prove o contrário. Ou seja, o individuo
é considerado inocente enquanto a Justiça não o considera culpado. Retroatividade da Lei mais Benéfica: Uma
lei penal pode retroagir apenas se for para benefício do réu. Entretanto, em caso contrário, se a lei se tornar
mais severa, não será aplicada ao réu. Direito à Defesa: Diz que qualquer pessoa tem direito à defesa,
independentemente do crime praticado e das suas circunstâncias. Caso a pessoa não tenha como pagar pela sua
defesa, o Estado a proporcionará.

Princípio da Legalidade: Limita o poder punitivo do Estado, não havendo crime, caso não haja lei que
defina a infração penal e lhe imponha uma pena. Ou seja, o Estado não podera punir o indíviduo, caso o ato
praticado por ele não for considerado crime perante a lei[9].

Princípio da Intervenção Mínima: O Direito Penal deve intervir de maneira mínima na sociedade. Se recorre
a ele apenas quando os meios de controle estatal e jurídicos não forem suficientes.

Princípio da Fragmentariedade: Estabelece que nem toda ameaça de lesão ou lesão praticada são
proibidas de acordo com a lei penal, como da mesma forma, nem tudo tem sua proteção. O Código Penal se
limita aos fatos mais graves e que sugerem maior importância, tendo caráter seletivo de ilicitude.

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APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

Princípio da Culpabilidade: Diz que só ha crime se o ato causar reprovabilidade[10].

Princípio da Humanidade: O Estado é vedado de aplicar penas cruéis, como a capital e a prisão perpétua,
pois essas sanções atingem a dignidade da pessoa humana. Prioriza-se a ressocialização do condenado através
da execução penal, e não a sua degradação.

Princípio da Dignidade da Pessoa Humana: Previsto na Constituição Federal de 1988, esse princípio
defende a dignidade do homem, que o protege de ações indevidas e arbitrárias do Estado.

Princípio da Insignificância: Analisa a proporção entre a gravidade da conduta do criminoso, e a


necessidade da intervenção estatal sobre isso. Fatos que não acarretam perigo à vida, à segurança e à
integridade humana são ignorados pela lei.

Princípio da Adequação Social: Condutas socialmente permitidas, adequadas ou até mesmo toleradas não
devem ser tipificadas pela lei penal, mas somente aquelas condutas de relevância social. O princípio seleciona
os comportamentos, além de determinar valores aos mesmos.

Princípio do in dúbio pro reo: Caso haja dúvida sobre a acusação da prática de uma infração penal, o
acusado, em seu julgamento final, deverá ser absolvido. Quando não houver provas suficientes, acata-se a
interpretação mais favorável ao réu.

Princípio da Igualdade: Este princípio prioriza a igualdade material acima da formal, buscando a não
discriminação e proibindo diferenças de tratamento, como está prescrito na Constituição Federal de 1988.

Princípio da Exclusiva Proteção dos Bens Jurídicos: Conhecido como da ofensividade ou da lesividade,
ocorre quando há lesão ou ameaça ao bem jurídico protegido por lei. Esse bem jurídico poder ser a vida, a
liberdade e a propriedade.

Princípio da Efetividade: O Direito Penal, quando na sua intervenção, deve sempre ser eficaz e agindo de
maneira preventiva e, se necessário for, repreensiva.

Princípio da Proporcionalidade: Diz que pena aplicada deverá ser proporcional a prática antijurídica
cometida. Ou seja, a punição para o indivíduo deve ser na mesma proporção do crime praticado por ele.

Princípio do ne bis in idem: Segundo este principio, o individuo não poderá ser julgado ou punido mais de
uma vez pelo mesmo crime[11].

Classificações do Direito penal

O direito penal objetivo é o conjunto de normas impostas pelo Estado, a cuja observância os indivíduos
podem ser compelidos mediante coerção. É o conjunto de normas que a todos vincula, constituindo um padrão
de comportamento, em razão do qual se dirá se uma conduta é correta ou incorreta no plano jurídico. Por outro
lado, o direito penal subjetivo refere-se à titularidade única e exclusiva do Estado de punir as condutas
elencadas como criminosas. Dessa forma, o Estado é o único titular do "direito de punir" (jus puniendi).

O direito penal comparado se ocupa do estudo comparativo e analógico entre as legislações e sistemas
jurídicos dos diversos países na área penal. O Direito penal material é onde se encontras as leis penais, ou seja,
é o próprio Código Penal. O direito Penal formal define como será o processo que vai desde às investigações do
crime até o julgamento do réu.

O direito Penal comum pune e julga pessoas comuns da sociedade.

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APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

O Direito Penal Especial pune e julga pessoas de esperas especiais da sociedade, como políticos e militares.

Teorias do Direito Penal

Com o decorrer do tempo, surgem novas faces de estudo para o direito penal. Algumas delas visam a
enrijecer o sistema e dar tratamento mais duro ao criminoso, entendendo que a lei estabelecida deva ser
integralmente aplicada, sem prejuízo de penas alternativas, mas de forma a sinalizar, para a sociedade, de forma
pragmática, a graduação da gravidade do delito através da graduação da severidade das penas impostas.

Já outras entendem ser ineficiente e mesmo gerador de mais violência o ato de punir o criminoso,
defendendo, ao invés disso: a humanização do direito; a definição de responsabilidades; a conciliação entre
agressor e vítima; a reparação de danos; e o tratamento dos criminosos com mais dignidade, como explicitado
pelos chamados direito penal mínimo e justiça restaurativa

DIREITO TRIBUTÁRIO

O direito tributário é o segmento do


direito financeiro que define como serão
cobrados dos cidadãos (contribuintes) os
tributos e outras obrigações a ele
relacionadas,[1] para gerar receita para o
Estado (fisco). Tem como contraparte o
direito fiscal ou orçamentário, que é o
conjunto de normas jurídicas destinadas à
regulamentação do financiamento das
atividades do Estado. Direito tributário e
direito fiscal estão ligados, por meio do
direito financeiro, ao direito público.

Ocupa-se das relações jurídicas entre o


Estado e as pessoas jurídicas de direito
privado e físicas concernentes à instituição, à imposição, à escrituração, à fiscalização e à arrecadação dos
tributos. No Brasil, dentre tais tributos incluem-se ao menos os impostos, as taxas e as contribuições de
melhoria.

O ramo do Direito que se ocupa das relações entre o fisco e as pessoas sujeitas às imposições tributárias
de qualquer espécie, limitando o poder de tributar e protegendo o cidadão contra os abusos desse poder. O
Internal Revenue Code é a base legal primária da lei fiscal federal nos Estados Unidos. O Código de
Regulamentação Federal é a interpretação regulatória do Departamento do Tesouro das leis tributárias federais
aprovadas pelo Congresso, que carregam o peso da lei se a interpretação for razoável. Tratados fiscais e
jurisprudência no Tribunal Fiscal dos EUA e em outros tribunais federais constituem o restante do direito
tributário nos Estados Unidos.

Para atingir sua finalidade de promover o bem comum, o Estado exerce funções para cujo custeio é
preciso de recursos financeiros ou receitas. As receitas do Estado provêm de atividades econômico-privadas dos
entes públicos, de monopólios, de empréstimos, e principalmente da imposição tributária (fiscal, parafiscal e
extrafiscal). O direito de tributar do Estado decorre do seu poder de império pelo qual pode fazer "derivar" para
seus cofres uma parcela do patrimônio das pessoas sujeitas à sua jurisdição e que são chamadas "receitas
derivadas" ou tributos, divididos em impostos, taxas e contribuições.

Tanto o Estado, ao "exigir", como a pessoa sob sua jurisdição, ao "contribuir", deve obedecer a
determinadas normas, cujo conjunto constitui o direito tributário. O direito tributário cria e disciplina assim
98
APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

relações jurídicas entre o Estado na sua qualidade de fisco e as pessoas que juridicamente estão a ele sujeitas e
se denominam contribuintes ou responsáveis. Se para obter esses meios o fisco efetuasse arrecadações
arbitrárias junto às pessoas, escolhidas ao acaso, não se poderia falar de um direito tributário.

A característica de uma imposição sob os princípios do Estado de Direito está exatamente na disciplina
da relação tributária por meio da norma jurídica. A lei outorga ao Estado a pretensão ou direito de exigir de
quem está submetido à norma, uma prestação pecuniária que chamamos de tributo, que é resultante do poder de
tributar. O direito tributário é assim um direito de levantamento pecuniário entre os jurisdicionados, porém
disciplinado sobre a base dos princípios do Estado de Direito.

A Constituição de 1988 está vigente até hoje, encontramos nela os artigos 145 a 162, referentes às
tributações, os quais definem as limitações ao poder de tributar do Estado, organiza o sistema tributário e
detalha os tipos de tributos e a quem cabe cobrá-los. Hoje os impostos são divididos em federais, estaduais e
municipais, os quais incidem sobre renda, patrimônio e consumo das pessoas físicas e jurídicas.[9]

A Constituição Federal estabelece a competência tributária, conceito que atribui a um determinado ente
o poder de tributar. Tal poder foi dividido entre os entes federativos: União, Estados, Distrito Federal e
Municípios. Tal medida consagrou o princípio do federalismo. O poder de tributar, porém, diz respeito à
cobrança dos tributos. Segundo Richard Musgrave (1976), entende-se por Sistema Tributário como sendo o
complexo orgânico formado pelos tributos instituídos em um país ou região autônoma e os princípios e normas
que os regem. Por consequência, podemos concluir que o Sistema Tributário Brasileiro é composto dos tributos
instituídos no Brasil, dos princípios e das normas que regulam tais tributos.

O Código Tributário Nacional dispõe sobre o sistema tributário brasileiro e institui normas gerais de
direito tributário aplicáveis à União, Estados e Municípios. Em seu artigo 3º, preceitua que tributo é "toda
prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de
ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada". Os tributos
formam a receita da União, Estados e Municípios e abrangem impostos, taxas, contribuições e empréstimos
compulsórios. Eles podem ser diretos ou indiretos. No primeiro caso, são os contribuintes que devem arcar com
a contribuição, como ocorre no Imposto de Renda. Já os indiretos incidem sobre o preço das mercadorias e
serviços.

Recente emenda à constituição brasileira de 1988 inseriu a Contribuição de iluminação pública. Embora
o Supremo Tribunal Federal ainda não tenha se manifestado sobre a sua natureza, acreditam os doutrinadores
que se trata de uma contribuição.

Função dos tributos

No Brasil, os tributos podem ter função:

Fiscal: Quando têm, como objetivo, a arrecadação de recursos financeiros para o Estado. Imposto sobre a
Renda e Proventos de Qualquer Natureza, por exemplo.

Extrafiscal: Quando o objetivo é interferir no domínio econômico, buscando regular determinados setores da
economia. As mudanças no Imposto sobre Produtos Industrializados possuem essa função. Há, também, o
chamado tributo extrafiscal proibitivo, com alíquotas elevadíssimas, com o objetivo de inibir ou frear certas
atividades econômicas, que, embora lícitas, são consideradas nocivas à sociedade, como é o caso da produção e
venda de cigarro. Tributo extrafiscal proibitivo é o dever preestabelecido por uma regra jurídica que o Estado
utiliza como instrumento jurídico para impedir ou desestimular, indiretamente, um ato ou fato que a ordem
jurídica permite.

99
APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

Parafiscal: Quando ocorre a delegação, pela pessoa política (União, Estados-Membros, Distrito Federal e
Municípios), mediante lei, da capacidade tributária ativa a terceira pessoa (de direito público ou privado), de
forma que esta arrecade o tributo, fiscalize sua exigência e utilize-se dos recursos auferidos para a consecução
de seus fins. Por exemplo, a contribuição anual paga pelos advogados à Ordem dos Advogados do Brasil
(OAB).

Tipos de tributos

Existem duas teorias em relação à quantidade de tributos no Brasil: a teoria tripartida e a teoria
pentapartida. A teoria tripartida é pautada no Código Tributário Nacional (CTN), que diz, em seu artigo 5º, que
os tributos são impostos, taxas e contribuições de melhoria. Essa teoria atualmente é falha, pois o CTN é
anterior a Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Sendo assim, não é a teoria mais aceita
atualmente. A teoria pentapartida, teoria majoritariamente aceita pelos doutrinadores e pelo Supremo Tribunal
Federal, é aquela que, além de aceitar as três espécies clássicas que o CTN mostra, também aceita o empréstimo
compulsório e as contribuições especiais, institutos que a constituição brasileira de 1988 trouxe.

Impostos

São tributos cuja obrigação tem, por fato gerador, uma situação independente de qualquer atividade
estatal específica relativa ao contribuinte. Os impostos se caracterizam por serem de cobrança compulsória e
por não darem um retorno ao contribuinte sobre o fato gerador. Por exemplo, um imposto sobre posse de
automóvel não necessariamente será revertido em melhorias das condições das vias urbanas ou rodovias.

Taxas

As taxas são tributos incidentes sobre um fato gerador e que são aplicados em contrapartida a esse fato
gerador, ou seja, a taxa é a contrapartida que o contribuinte paga em razão de um serviço público que lhe é
prestado ou posto à sua disposição. Além da contrapartida de um serviço público prestado ou posto à
disposição, as taxas também estão relacionadas ao poder de polícia da administração, englobando fiscalizações
e licenciamentos em geral. Uma taxa só pode ser instituída por uma entidade tributante da mesma competência.
Não necessariamente o contribuinte da taxa vai usar o serviço, apenas terá o serviço à disposição.

"Constituição Brasileira de 1988 – Artigo 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os municípios poderão
instituir os seguintes tributos:"

"II – taxas, em razão do exercício do poder de polícia ou pela utilização, efetiva ou potencial, de serviços
públicos específicos e divisíveis, prestados ao contribuinte ou postos à sua disposição"

A taxa é compulsória, pois visa a resguardar o interesse público; não pode haver a recusa na prestação
do serviço. Exemplo: coleta de lixo urbano. A contraprestação pelo serviço é devida independentemente da
vontade do contribuinte (artigo 145, II, da Constituição Brasileira de 1988). Não há finalidade lucrativa, a
prestação pecuniária existe somente para cobrir os custos da atividade. Desse modo, a taxa pode ser definida
como um tributo, sendo instituída unilateralmente pelo poder público, obrigando o particular à sua incidência
nos casos de algumas atuações estatais específicas, decorrentes do poder de polícia ou na prestação de alguns
serviços públicos específicos.

Tarifa

A tarifa (também chamada de preço público) é a contraprestação devida pela prestação de serviços
públicos, regida pelo direito privado, por empresas públicas, sociedades de economia mista, empresas
concessionárias e permissionárias de serviços públicos (artigos 2° e 3° do Código de Defesa do Consumidor).
Diferentemente da taxa, a tarifa (ou preço público) é facultativa, ou seja, somente poderá ser cobrada caso haja
100
APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

a efetiva utilização do serviço público ofertado; ela não pode ser imposta. A finalidade lucrativa existe como o
principal interesse do particular em explorar uma atividade pública. A tarifa não possui natureza jurídica de
tributo. Exemplos: transporte coletivo urbano e telefonia.

Contribuições de melhoria

As contribuições de melhoria são tributos que têm, como fato gerador, o benefício decorrente das obras
públicas. São cobradas somente na região beneficiada pela obra. Não necessariamente essas contribuições
refletem em "melhoria", uma vez que algumas obras públicas em determinadas regiões tendem a desvalorizar
os imóveis locais. O fundamental para o fato gerador é o benefício decorrente da obra pública. Assim, a
contribuição de melhoria é instituída para custear obras públicas das quais decorra valorização de bens imóveis.
Tem, como limite total da cobrança, o custo da obra, e, como limite individual, a valorização acrescida a cada
imóvel.

Contribuições Especiais

Também chamadas de contribuições sociais ou parafiscais, estão previstas nos artigos 149 e 149-A da
Constituição brasileira de 1988, sendo tributos cuja característica principal é a finalidade para a qual é destinada
sua arrecadação. Podem ser: sociais, de intervenção no domínio econômico, de interesse de categorias
econômicas ou profissionais e para custeio do serviço de iluminação pública (COSIP).

As contribuições especiais possuem finalidade e destino certo.

Empréstimo compulsório

Segundo o artigo 148 da Constituição brasileira de 1988, a União poderá instituir, mediante lei complementar,
empréstimos compulsórios:

• para atender às despesas extraordinárias, decorrentes de calamidade pública, de guerra externa ou sua
iminência;
• no caso de investimento público de caráter urgente e de relevante interesse nacional.

Princípios tributários

O direito tributário é regido por alguns princípios, dos quais trata a Constituição Federal. Os princípios
tributários norteiam a competência dos entes políticos, e junto com as imunidades, que são regras que proíbem
a tributação sobre certos bens, pessoas ou fatos, determinam os limites ao poder de tributar destes entes
políticos. Os princípios tratados pela Constituição Brasileira estão elencados abaixo:

Princípio da legalidade

O texto do referido art. 150, I da CF estabelece que "é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal
e aos Municípios exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça". O princípio da legalidade tributária
limita a atuação do poder tributante em prol da justiça e da segurança jurídica dos contribuintes. Seria temeroso
permitir que a Administração Pública tivesse total liberdade na criação e aumento dos tributos, sem garantia
alguma que protegesse os cidadãos contra os excessos cometidos.

O princípio da legalidade tributária nada mais é que uma reverberação do princípio encontrado no art.
5º, II da CF onde lemos que "ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude
de lei", o constituinte quis deixar bem claro a total submissão dos entes tributantes ao referido princípio, para
que não restasse dúvida de natureza alguma. A lei a que se refere o texto constitucional é lei em sentido estrito,
entendida como norma jurídica aprovada pelo legislativo e sancionada pelo executivo, ao contrário da lei em
101
APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

sentido amplo que se entende como qualquer norma jurídica emanada do Estado que obriga a coletividade,
assim os tributos só podem ser criados ou aumentados através de lei “strictu sensu”.

Na própria CF encontramos algumas exceções em relação ao princípio da legalidade: o Poder Executivo


tem liberdade de alterar as alíquotas dos impostos sobre exportação, importação, produtos industrializados e
sobre operações financeiras através de decreto. É importante frisar que em relação à criação de tributos não
existem exceções, ou seja, todos os tributos devem ser criados por lei (em sentido estrito).

Cabe lembrar também que o STF sempre admitiu o uso de medidas provisórias para trato de todas as
matérias submetidas à "reserva de lei ordinária", já que, entende aquele pretório, as MP´s têm força de lei,
podendo, portanto, instituir, majorar, isentar, enfim, tratar de todos os assuntos enumerados no artigo 97 do
CTN. Desde que as medidas Provisórias sejam aprovadas até o final do exercício.

Princípio da igualdade ou da isonomia

O princípio da isonomia consigna que a lei não deve dar tratamento desigual a contribuintes que se encontrem
em situação equivalente. Está expresso no artigo 150, II da CF dizendo que: "É vedado à União, aos Estados,
aos Municípios e ao Distrito Federal instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em
situação equivalente, proibida qualquer distinção em razão da ocupação profissional ou função por ele exercida,
independente da denominação jurídica dos rendimentos, títulos ou direitos."

Princípio da irretroatividade

O princípio da irretroatividade da lei é princípio geral de direito, salvo quando interpretativa ou para
beneficiar. A jurisprudência brasileira, de acordo com a súmula 584 do Supremo Tribunal Federal, vinha
consagrando, mormente em Imposto de Renda, a irretroatividade da lei fiscal. Ora, no Brasil, o IR está calcado
no dualismo: ano-base da declaração. Dessa forma, ano-base é de 1º de janeiro a 31 de dezembro, sendo que o
ano da declaração é o momento em que nas palavras de Sacha Calmon Navarro Coelho o contribuinte "recata
os fatos tributáveis, dimensiona a base imponível, aplica as alíquotas, obtém o quantum devido e recolhe o
imposto, sob a condição suspensiva de, a posteriori, o fisco concordar com o imposto declarado".

Princípio da anterioridade de exercício

O princípio da anterioridade exige que a lei que criou ou majorou o tributo haja existência antes do
início do exercício financeiro em que ocorrer o fato imponível do tributo. Na legislação brasileira, este princípio
está regulado pelo art. 150, III, b da Constituição Federal. A regra geral determina que não poderá ser cobrado
tributo no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou. As
exceções ao princípio da anterioridade de exercício estão elencadas no mesmo artigo, em seu § 1º: são os
impostos federais de função regulatória (Imposto de importação e Imposto de Exportação, IOF e IPI), imposto
extraordinário de guerra (art. 154, II, CF) e o empréstimo compulsório destinado a atender a despesas
extraordinárias decorrentes de calamidade pública, de guerra externa ou sua iminência (art. 148, I, CF).

Princípio da anterioridade mínima (nonagesimal)

O princípio da noventena ou da anterioridade mínima, como também é chamado, proíbe que os impostos
sejam majorados antes de decorridos noventa dias da data em que haja sido publicada a lei. Este princípio foi
inserido no ordenamento jurídico pela emenda constitucional nº 42, de 2003, publicada no DOU de 31.12.03.
São exceções ao princípio da anterioridade nonagesimal o II, o IE, o IOF, o imposto extraordinário de guerra,
os empréstimos compulsórios, o IPTU, o IPVA e o IR.

Princípio da anualidade
102
APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

O princípio da anualidade explana que deverá haver a inclusão da lei tributária material na lei
orçamentária. Dessa forma a lei tributária material deverá ser anterior à lei orçamentária. A anualidade
compreende a anterioridade da lei e a autorização orçamentária. No entanto, este princípio não mais tem
guarida na Constituição Federal, no entanto, o mesmo é um velho princípio que vem desde o império, passando
pela primeira república, sendo que foi ignorado pelo Estado Novo, e voltando na Constituição de 1946,
submergindo novamente na Constituição de 1967. Embora na esfera federal não exista tal princípio, nada obsta
que o princípio da anualidade seja aclamado pela Constituição estadual dos Estados-membros, exigindo o
princípio para os tributos locais, ampliando as garantias do contribuinte estadual. O mesmo ocorre com os
Municípios e com o Distrito Federal, uma vez que os mesmo poderão, em suas leis orgânicas, criar o princípio
da anualidade. Assim a anualidade continua existindo em matéria orçamentária.

Princípio do não-confisco

O princípio da vedação ao confisco é uma derivação do direito de propriedade, é uma limitação negativa
ao poder de tributar imposta ao Estado, proibindo-o de usar os tributos para confiscar os bens ou o patrimônio
de particulares.

Princípio da liberdade de tráfego

Pelo princípio da liberdade de tráfego, não pode a lei tributária limitar o tráfego interestadual ou
intermunicipal de pessoas e bens, salvo o pedágio de via conservada pelo Poder Público.

Princípio da uniformidade geográfica

Pelo princípio da uniformidade geográfica, disposto no art. 151 da Constituição brasileira, é vedado à
União instituir tributo que não seja uniforme em todo o território nacional ou que implique distinção ou
preferência em relação a Estado, ao Distrito Federal ou a Município, em detrimento de outro, admitida a
concessão de incentivos fiscais destinados a promover o equilíbrio do desenvolvimento socioeconômico entre
as diferentes regiões do País.

Princípio da não concessão de privilégios a títulos federais

A União não pode tributar a renda das obrigações da dívida pública dos Estados, do Distrito Federal e
dos Municípios, bem como a remuneração e os proventos dos respectivos agentes públicos, em níveis
superiores aos que fixar para suas obrigações e para seus agentes.

Princípio da capacidade contributiva

O princípio da capacidade contributiva estabelece que, "sempre que possível, os impostos terão caráter
pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração
tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos
individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte". Ao
criar os impostos, o legislador deve levar em conta, sempre que possível, a situação particular de cada
contribuinte, permitindo com isso que seja realizada a justiça tributária ao não exigir imposto acima do
suportável. O princípio da capacidade contributiva é realizado, por exemplo, no imposto de renda, onde existem
alíquotas diferenciadas e se permitem várias deduções de acordo com a situação do contribuinte.

Princípio da pessoalidade

A imposição tributária deve levar em consideração as características pessoais do contribuinte.


Entretanto, tal providência nem sempre se afigura possível, principalmente no que se refere aos impostos que

103
APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

tributam o consumo (ICMS e IPI, por exemplo), mas para dar cumprimento à pessoalidade a Constituição
Federal prevê a seletividade.

Princípio da não cumulatividade

O princípio da não cumulatividade é aplicável nos casos do ICMS e do IPI. Por este princípio, o imposto
devido em cada operação relativa a circulação de mercadorias ou prestação de serviços será compensado com o
montante cobrado nas anteriores; Este instituto foi estendido para o PIS e para a COFINS, através das Leis nº
10.637/02 e 10.833/03, respectivamente.

Princípio da seletividade

Este princípio é de cumprimento obrigatório no caso do Imposto sobre Produtos Industrializados e


facultativo no caso do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços. Em função da importância e
necessidade de um produto se tem a diminuição da carga tributária, e aos que tem menos importância aumenta-
se a carga tributária. O Estado seleciona tais produtos.

Imunidades

As imunidades tributárias são normas jurídicas contidas no texto da Constituição que estabelecem a
incompetência da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios para instituição de tributos em
determinas situações. As situações em que as aludidas pessoas integrantes da administração direta não possuem
competência para esta instituição estão discriminadas no inciso VI do artigo 150 da Constituição e dizem
respeito às hipóteses de instituição de tributos sobre:

• patrimônio, renda ou serviços de pessoas jurídicas de direito público interno;


• templos de qualquer culto;
• patrimônio, renda ou serviços de partidos políticos e de suas fundações, das entidades sindicais dos
trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos;
• livros, jornais, periódicos e o papel destinado à sua impressão;
• fonogramas e videofonogramas musicais produzidos no Brasil contendo obras musicais ou
literomusicais de autores brasileiros e/ou obras em geral interpretadas por artistas brasileiros bem
como os suportes materiais ou arquivos digitais que os contenham, salvo na etapa de replicação
industrial de mídias ópticas de leitura a laser. [13]

Fontes do direito tributário

As fontes do direito tributário são geralmente divididas em duas categorias, materiais e formais:[14]

Fontes materiais

As fontes materiais são os fatos do mundo real sobre os quais haverá a incidência tributária. São os fatos
geradores da incidência tributária, como os produtos industrializados, as operações de crédito entre outros.

Fontes formais

São basicamente os atos normativos que adicionam regras tributárias ao sistema. Podem assim ser consideradas
fontes formais de direito tributário as normas constitucionais, emendas constitucionais, leis complementares,
leis ordinárias, medidas provisórias, leis delegadas, decretos legislativos e resoluções.

As fontes formais merecem ainda uma subdivisão em principais (ou primárias ou imediatas) e secundárias:

104
APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

As fontes formais principais são aquelas que modificam de maneira real o ordenamento jurídico. Exemplos
são: Constituição Federal, emenda constitucional, lei complementar, lei ordinária, lei delegada, decreto
legislativo, resolução e similares. As fontes secundárias por sua vez não modificam de maneira prática o
ordenamento jurídico, estas apenas garantem a executividade das fontes primárias como por exemplo decreto
regulamentar, regulamento, instruções ministeriais, ordens de serviço, normas complementares entre outras.

Formação da obrigação tributária

A imposição de pagar o tributo surge do vínculo que se estabelece entre o particular (devedor - sujeito
passivo - contribuinte) quando há a ocorrência de um fato gerador: a situação prevista em lei, que faz com que
surja o vínculo entre o particular e o Estado (a obrigação tributária). O particular fica determinado a pagar uma
prestação de cunho patrimonial, prevista na legislação. A prestação pode servir para pagar tributo, ou
penalidade, dependendo de como é definido pela lei o ato praticado pelo particular. O contribuinte pode ainda
ser instado a fazer coisa no interesse do Fisco, ou deixar de praticar algum ato de acordo com a lei.

Processo de determinação e de exigência de créditos tributários da União

Caso o contribuinte não cumpra a obrigação tributária espontaneamente, poderá ser objeto de
lançamento de ofício do crédito inadimplido, sendo que o processo de determinação e exigência de créditos
tributários da União é, atualmente, regulamentado pelo Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. Um dos
princípios a nortear as disposições do Decreto é o insculpido no inciso LV, do art. 5º da Constituição Federal
que garante aos litigantes o contraditório e a ampla defesa, como os meios e recursos a eles inerentes.

A constituição e exigência do crédito tributário, quando formalizadas em auto de infração, é


competência de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil e deve ser instruído com todos os termos,
depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito (arts. 25 e 31).

Regularmente intimado, ao sujeito passivo é facultado o pagamento da exigência ou sua contestação por
meio da apresentação de impugnação formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se
fundamentar. A impugnação instaura a fase litigiosa do procedimento suspende a exigibilidade do crédito (art.
56) A impugnação mencionará a autoridade julgadora a quem é dirigida, a qualificação do impugnante, os
motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir.
A impugnação deverá ainda expor as diligências ou perícias pretendidas, bem como os motivos que as
justifiquem acompanhadas dos quesitos referentes aos exames desejados e, em caso de perícia, da indicação e
qualificação do perito. Não atendidos tais requisitos, os pedidos de diligência ou perícia serão considerados não
formulados. Por fim, deve ser indicado se a matéria já foi submetida à apreciação judicial.

É importante assinalar que a prova documental deverá ser apresentada na impugnação, precluindo o
direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, salvo se demonstrada a impossibilidade de
apresentação por motivo de força maior. Também é possível a apresentação posterior nas hipóteses de a prova
referir-se a fato ou direito superveniente ou ainda destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas
aos autos. A juntada posterior de documentos deverá ser requerida à autoridade julgadora com a demonstração
fundamentada da ocorrência das excepcionalidades citadas (art. 57).

A matéria que não tenha sido expressamente contestada será considerada não impugnada (art. 58).
Como consequência, o crédito a ela referente não terá sua exigibilidade suspensa. Instaurado o litígio pela
apresentação da impugnação, compete às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento o julgamento
do processo. As Delegacias de Julgamento são órgãos de deliberação interna, têm natureza colegiada e integram
a estrutura da Secretaria da Receita Federal do Brasil (art. 61). A competência das Delegacias de Julgamento
abrange, além do julgamento de impugnação a auto de infração e notificação de lançamento, os relativos a
manifestação de inconformidade em processos relativos à compensação, restituição e ressarcimento de tributos
e a impugnação de ato declaratório de suspensão de imunidade e isenção.
105
APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

O sujeito passivo poderá recorrer de decisão de primeira instância que lhe for total ou parcialmente
contrária, no prazo de trinta dias da ciência da decisão. O recurso possui efeito suspensivo na parte recorrida
(art. 73). A competência para o julgamento do recurso voluntário é do Conselho Administrativo de Recursos
Fiscais (art. 75).

Direito fiscal

A expressão direito fiscal era utilizada por doutrinadores portugueses e franceses e foi empregada pela
doutrina brasileira nos primeiros trabalhos que versaram sobre o assunto que hoje é mais frequentemente
referido por direito tributário. Em sentido comum, direito fiscal ainda é hoje usado no Brasil como sinônimo de
direito tributário. Nesse sentido, Fisco designa o Tesouro e Fiscal o agente público cuja função é policiar a
arrecadação tributária no país. Analisando tecnicamente a questão Aliomar Baleeiro afirmou que "...embora
etimologicamente, o direito fiscal dê compreensão mais ampla que a de Direito Tributário, ambos são
considerados sinônimos na linguagem científico-jurídico moderna...". Como referência para essa regra o
mesmo autor cita a correspondências entre as expressões internacionais droit fiscal, fiscal law, Steuerrecht e
diritto tributario, adotadas pela Associação Internacional de Direito Financeiro e Fiscal, com sede em Haia.

Nos meios técnicos administrativos e contábeis do Brasil, o uso como sinônimo das expressões direito
fiscal e direito tributário tem gerado alguma confusão. Seria mais viável se fosse reconhecido tecnicamente,
dentro do país, que direito tributário se refere a legislação sobre tributos, (receita tributária ou receita
orçamentária), enquanto direito fiscal se torna mais apropriado no que concerne a despesa pública (despesa
orçamentária) — ambos como ramificações do direito financeiro interno. Assim, quando um especialista
brasileiro falasse em "ajuste fiscal", ficaria claro que ele estava se referindo a uma economia nas despesas. E
um hipotético acerto amplo na política de tributos, por outro lado, quase sempre é expresso como "reforma
tributária".

Em contabilidade do Brasil, pode-se fazer a seguinte correspondência:

• Contabilidade tributária, com direito tributário;


• Contabilidade pública, com direito financeiro.

DIREITO DE FAMILIA

Direito de família é um ramo do


direito que trata das questões e litígios entre
entes da comunidade familiar. Possui normas
jurídicas que trabalham de acordo com
orientação constitucional do conceito de
família, levando em conta o entendimento
jurisprudencial, em âmbito jurídico, e
transformações sociais, no âmbito da
sociologia. É um dos ramos que o advogado
mais tem espaço para atuar e potenciais
clientes para atender. O direito de família tem
o objetivo de regular as regras, obrigações e
direito no convívio familiar.

São casos envolvendo casamento,


separação, divórcio, guarda dos filhos, pensão
alimentícia, adoção. Ainda trata do reconhecimento de união estável, partilha de bens, testamentos e
inventários, entre outros. Em contrapartida, o advogado tem de saber lidar minuciosamente com as
complexidades de cada causa. Com efeito, o direito de família possui o componente que deve ser tratado com
106
APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

muita acuidade: a passionalidade. Neste sentido, em demandas que envolvem direito de família, o advogado
exerce não só um papel técnico, mas também atua com o objetivo de equilibrar os ânimos e conferir
racionalidade a decisões tão relevantes.

Componente emocional no direito de família

Como destaquei acima, a carga emocional que as causas de direito de família carregam são de grande
tamanho e precisam serem tratadas com muita polidez. Não somente em causas entre duas pessoas que têm ou
tiveram alguma relação romântica, mas também em casos com envolvimento entre pais e filhos e a família
extensa. Ou seja, aqueles que não participam do núcleo familiar, mas também mantém laços de afinidade com a
unidade familiar. Pode-se afirmar que, racionalmente, e até filosoficamente, os atores envolvidos nas causas do
direito de família são como espelhos da sociedade. É exatamente por essa volatilidade e subjetividade que os
profissionais do direito, em todas as esferas, não levam as decisões baseadas estritamente teorizadas e
racionalizadas. É preciso considerar também o cenário sócio econômico-cultural e afetivo das partes envolvidas
no processo.

Tipos de famílias no Brasil

O artigo 226 da Constituição Federal de 1988 estabelece que: “A família, base da sociedade, tem especial
proteção do Estado”.

A Constituição também definiu o conceito de família, a fim de aplicar a legislação pertinente:

Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade
familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento” (Art 226, § 3º)

E complementa:

Entende-se, também, como entidade familiar a comunidade formada por qualquer dos pais e seus
descendentes.”. (Art 226 § 4º)

Outro princípio fundamental da lei é a igualdade de direitos e deveres entre homem e mulher, no que tange a
família:

5º: Os direitos e deveres referentes à sociedade conjugal são exercidos igualmente pelo homem e pela
mulher” (Art. 226 § 5º).

Evidentemente que nestes mais de 20 anos desde a promulgação da Constituição Federal, em 05 outubro
de 1988, houve grande mutação social na moral e costumes, fortemente influenciada pela cultura ocidental e
pela própria evolução antropológica.

Com vistas a se ajustar às modificações sociais, inúmeros outros tipos de famílias abarcam o seio da sociedade
brasileira, tais como:

• União estável;
• Monoparental (mãe ou pai solteiro);
• Multiparental, composta, pluriparental ou mosaico (composta por membros provenientes de outras
famílias);
• Parental ou anaparental (todos possuem vínculo sanguíneo);
• Eudemonista (união de indivíduos por afinidade);
• Homoafetiva;
107
APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

• Homoparentalidade (família homoafetiva com a adoção de filhos).

Conceito de família no censo do IBGE - Um ponto importante a se destacar foi a definição que o IBGE
(Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) determinou para conceituar família na realização no último
censo, em 2010: Grupo de pessoas ligadas por laços de parentesco ou relacionamento romântico que vivem
numa unidade doméstica”

O que ficou registrado como “família tradicional” representou metade da população (50,1%). E isso há 9
anos. Com certeza, com a evolução sociológica e antropológica, estes números já estão ultrapassados (porém
são os dados oficiais mais recentes). Há de se prestar atenção que, já em 2010, o IBGE constatou 19 laços de
parentescos. Uma evolução de quase 100% em dez anos, quando comparada ao censo do ano 2000, que
registrou 11 laços. O próximo censo está previsto para o ano que vem, 2020 (os censos, geralmente, são
realizados de dez em dez anos). E, afirmativamente, os dados serão atualizados.

Cultura e misticismo

É fato que a cultura ocidental tem uma relação muito mais distante e apartada quando se refere ao
assunto “morte”. E em um país como o Brasil, com grande miscigenação racial e religiosa, contando ainda com
o componente subjetivo da superstição, evita-se ao máximo falar em questões legais, como o testamento, por
exemplo. Não é difícil encontrar pessoas, ao apresentar o assunto, expressar logo: “Vamos mudar de assunto,
por favor. Morte chama morte”.

Essa pesquisa encomendada pelo Sindicato dos Cemitérios e Crematórios Particulares do Brasil
(Sincep) e realizado pelo Studio Ideias confirma o tabu de se falar de morte no país. O brasileiro ainda não
possui a cultura de falar sobre morte num âmbito genérico e coletivo, não necessariamente a sua morte ou de
alguém da família. De tratar a morte como mais um acontecimento da vida, aliás, o último e o inevitável. Até
por conta disso, seria de suma validade que essa cultura fosse mudada e muitos problemas posteriores à morte
dos patriarcas de uma família, por exemplo, seriam evitados. Como resultado do misticismo, na maior parte das
vezes, as questões de direito de família que envolvem sucessões não são tratadas de forma preventiva mas sim
após o evento morte, resultando em processos muito mais desgastantes e morosos, com toda a carga emocional
gerada pela perda de um ente querido.

Atuação do advogado em direito de família

São relevantes as discussões em direito de família e, por envolver questões tão particulares, o papel do
advogado extrapola a aplicação da lei e o acesso à justiça: em demandas de direito de família, o advogado
fornece também tranquilidade e conforto em um momento quase sempre difícil aos consulentes. Desta forma,
podemos dividir a atuação do advogado em:

• Consultiva, no que se refere a planejamentos sucessórios, elaboração de contratos e testamentos ou


até mesmo opiniões legais sobre a postura juridicamente correta em situações concretas
• Conciliadora, para as situações em que se busca evitar um litígio judicial, levando ao órgão
jurisdicional ou extrajudicial competente a decisão tomada pelas partes para a homologação;
• Ou ainda Contenciosa, quando a única solução para o caso advém da propositura de uma ação
judicial.

Conclusão: Há muito mais de se falar sobre o Direito de Família. Com suas divisões e especificidades, é um
tema que interessa não somente aos operadores do direito, mas a toda a sociedade. Afinal é certo que, cedo ou
tarde, teremos questões de direito de família para solucionar.

DIREITO EMPRESARIAL

108
APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

O direito empresarial, muitas vezes chamado de Direito


Comercial, é um ramo do direito que tem como objetivo cuidar
do exercício da atividade econômica organizada de
fornecimento de bens ou serviços, a chamada empresa. Seu
objeto de estudo é resolver os conflitos de interesses
envolvendo empresários ou relacionados às empresas.

O que é sociedade empresária?

A definição está no artigo 982 e no artigo 966 do Código Civil, que considera “empresária” a sociedade de
quem exerce atividade própria de empresário. Ou seja, daquele que realiza profissionalmente atividade
econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. Antes de efetivamente adentrar
ao tema, cabe tecer algumas breves considerações acerca do direito empresarial. Principalmente o conceito, que
orientará toda a estrutura e encaminhamento do presente artigo.

O que é direito empresarial?

O direito empresarial, muitas vezes chamado de Direito Comercial, tem como objetivo justamente
cuidar do exercício da atividade econômica organizada de fornecimento de bens ou serviços, que é a chamada
empresa. Além disso, é importante ressaltar que o seu objeto de estudo é resolver os conflitos de interesses
envolvendo empresários ou relacionados às empresas que eles exploram.

No que se refere a Constituição Federal, a carta magna dispôs que a exploração de atividades
econômicas deve ser atribuída à iniciativa privada. Portanto, aos particulares fica o papel primordial,
reservando ao Estado apenas uma função supletiva.

Código Comercial Brasileiro

Tramita hoje em dia proposta de um novo Código Comercial, encabeçada pelo Professor Fábio Ulhoa
Coelho, muito bem recebida nos meios jurídico, político e empresarial. A proposição culminou na apresentação
do PL 1.572/2011 à Câmara dos Deputados, que visa a instituir um novo Código Comercial no Brasil. A ideia é
uma tentativa de unificação legislativa, superando problemas trazidos pelo Código Civil de 2002. Agora que
você já tem em mente o conceito, vou compartilhar um pouco de como surgiu o direito empresarial.

História do direito empresarial

O estudo da origem do direito empresarial inicia na visão das relações primitivas de natureza econômica
ou comercial. As civilizações primitivas somente depois de certo momento de sua evolução desenvolveram o
comércio. Outro fator que incentivou o comércio e, por conseguinte, o direito empresarial, é a especialização de
algumas pessoas em produzir certos bens, ferramentas, utensílios domésticos e vestimentas. Desse modo, elas
ultrapassavam as necessidades de consumo – o que fez surgir a procura da troca de seus produtos por outros
bens de que necessitavam.

Primeiras normas comerciais

É justamente neste momento histórico, quando as pessoas adotam um fator comum de troca, que as
relações comerciais surgiram. Assim, também começaram a ser criadas as normas que impunham condutas
iguais para todos os que se envolvessem. A relação comercial entre as pessoas já era prevista desde o tempo do
Código de Hamurabi. Ele continha formas primitivas de ajustes de pessoas, que se aproximavam da sociedade,

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APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

em setores de produção econômica. O Código de Hamurabi previa ainda em seu art. 99 regras que
disciplinavam os efeitos das sociedades.

Do mesmo modo, como recorda Celso Marcelo de Oliveira, o Código de Manu (Índia, 1400 a.C.),
também mencionava a relação comercial:

Quando vários homens se reúnem para cooperar, cada um com o seu trabalho, em uma mesma empresa, tal é
a maneira por que deve ser feita a distribuição das partes”.

Seguindo na linha histórica, e ainda na lição de Arnaldo Rizzardo, no ano de 1409, na cidade de
Gênova, surgiu a primeira sociedade por ações. O fato ocorreu quando a então Banca di San Giorgio fracionou
o seu capital em títulos de crédito, todos de igual valor. Ainda a título de exemplo, o mútuo bancário teve
origem nas bancas que eram instaladas nas entradas das feiras livres. Elas constituíam grandes acontecimentos
de circulação de dinheiro e de outros valores, guardados em locais protegidos, que se chamaram casas
bancárias. Desse modo, como os valores não eram retirados de imediato, passou a surgir a prática do
empréstimo dos excedentes. No Brasil o incremento da expansão das atividades ocorreu com a vinda da
família imperial, com a Lei de Abertura dos Portos de 28/01/1808.

Áreas de atuação do direito empresarial

De uma maneira geral, o direitopossibilita que o operador atue em diversas áreas e matérias. No direito
empresarial, esta situação não é diferente.

A gama de atuação no direito empresarial permite ao advogado e advogada que atue:

• Na abertura de sociedades empresárias (início);


• Na fusão de sociedade empresárias (meio);
• Na dissolução de sociedades empresárias (fim);
• E na recuperação da sociedade empresárias (crise).

Enfim, o advogado ou a advogada podem atuar em todo o processo de construção e criação de uma
sociedade empresária. Ou até mesmo na crise da sociedade, em processos de recuperação judicial. Não
obstante, a atuação poderá ser apenas consultiva, com pareceres e avaliações as empresas, saindo um pouco da
via judicial. O direito empresarial ainda permite ao operador do direito atuar, por exemplo, no ramo de marcas,
patentes, registros de empresa e propriedade intelectual. Como disse no início do texto, a amplitude que o
direito empresarial traz ao operador é incontável.
Outro tema que sempre é discutido e que também permite a atuação do advogado no direito empresarial
é relacionado ao sistema de franquias – ou franshing. As áreas de atuação no direito empresarial são inúmeras e
cada uma delas possui extensas particularidades próprias. Vale citar, por exemplo:

• Tipos de sociedade (rural, entre cônjuges, em conta de participação, sociedade simples, sociedades em
nome coletivo, sociedade em comandita simples, sociedade limitada, sociedade anônima);
• Debêntures;
• Direitos e deveres dos acionistas e integralização das ações;
• Assembleias;
• Tributos e contribuições às operações cooperativas;
• Registo de sociedade;
• Escrituração e contabilidade;
• Direito de propriedade intelectual;
• Títulos de créditos;
• Direito falimentar e recuperacional.
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APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

• Características do direito empresarial

O Direito Empresarial, conforme mencionado anteriormente, regula e estuda as atividades econômicas.


Desde o advento do Código Civil de 2002, houve a unificação do ramo do direito que disciplina as atividades
privadas, tanto as dirigidas para os negócios em geral como as que tratam especificamente da finalidade
lucrativa. Diante disso, a unificação trouxe um fim à dicotomia histórica do direito privado, e ficou abolida a
dualidade de regramento das obrigações e de diversos tipos contratuais.

Vale o destaque para a característica própria do direito empresarial como instrumento de


desenvolvimento econômico e social das sociedades contemporâneas. É no direito empresarial, por exemplo,
que estão as regras jurídicas especiais para a disciplina do mercado. Entre elas, a livre iniciativa, a propriedade
privada, a autonomia da vontade e a valorização do trabalho humano. Por exemplo, a livre-iniciativa é o
princípio fundamental do direito empresarial, previsto expressamente no art. 170 da CF/1988, que menciona a
valorização do trabalho humano como um meio de assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da
justiça social. Do mesmo modo, a livre concorrência, também prevista expressamente CF/1988, assim como a
propriedade privada.

Contudo, atualmente uma das principais características que norteiam o direito empresarial é a
preservação da empresa, muito em alta, principalmente, pela Lei de Falência e Recuperação Judicial
(11.101/2005).

Direito empresarial e outros ramos do direito

O direito empresarial possui relação com praticamente todos os demais ramos do direito. Um dos que
merecem destaque é o Direito Civil, até pelo fato de o Código Civil ter reservado dispositivos dedicados à
matéria comercial, seja sobre títulos de crédito, empresa, empresário. Em relação ao Direito Público, a conexão
entre as áreas do direito está principalmente na sociedade anônima e sua participação com as concessões de
serviço público. Até mesmo em áreas com pouca relação, como Direito Penal, o direito empresarial está
presente nos crimes falimentares e concorrência desleal. (Se interessa por direito penal? Saiba mais sobre o
Código Penal Brasileiro!)

Entretanto, os ramos do direito que possuem muita relação com o direito comercial são, sem dúvida, o
Direito Tributário, Direito do Trabalho e Direito Econômico. O primeiro, em função da contabilidade mercantil
e seus efeitos quanto à incidência dos tributos. O segundo, em função das relações entre os empregados e os
empregadores. O terceiro, por conta da regulação que envolve as atividades comerciais ao limitar o preço de
mercadorias, proibir a comercialização de certos produtos importados.

Mudanças trazidas pelo Novo CPC ao direito empresarial

Aqui vale a pena chamar atenção às mudanças trazidas pelo novo Código de Processo Civil, de 2015, no
âmbito do Direito Empresarial. Isso porque as regras do Novo CPC aplicam-se indistintamente aos litígios
cíveis e empresariais, a despeito de haver ações e procedimentos que são próprios de cada regime. O CPC/15
trouxe, por exemplo, inovação no incidente de desconsideração da personalidade jurídica e a ação de dissolução
parcial de sociedade. Se você quiser saber mais sobre esse assunto, indico o texto do colega Fernando Cascaes,
sobre direito empresarial e societário.

A importância do advogado empresarial

Você já leu acima que o direito empresarial regula as transações de produção e circulação de bens e
serviços, habitualmente exercidas por profissionais, com o objetivo de lucro. Justamente por isso, é muito
importante ter um advogado para acompanhar essas atuações. O advogado que atua no direito empresarial é
fundamental para prestar assessoria jurídica para sociedades que buscam estarem de acordo com as leis
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APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

trabalhistas e cumprindo com suas obrigações fiscais. Além disso, para planejar o projeto, analisar o cenário
econômico e os concorrentes.

Além disso, o advogado é fundamental na elaboração dos contratos com fornecedores, com empregados
e com sócios. Também é responsável por negociar e captar recursos para a empresa, com busca por investidores
experientes. A escolha da organização societária para o modelo de negócio é fundamental e passa por uma
análise dos advogados das empresas. Afinal, o processo poderá ser complexo e demandar uma reorganização na
estrutura da empresa. Enfim, o fato é que o advogado que atua em junto às sociedades empresárias com o
direito empresarial garante maior segurança em uma negociação e em operações mais complexas. Por isso, é
importante para as empresas contarem com esses profissionais, além de ser uma boa área de atuação.

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da Advocacia. Nele, você tem acesso a conteúdos gratuitos e aprofundados sobre temas que vão contribuir para
que o seu trabalho tenha cada vez mais excelência e para que você conquiste mais e melhores clientes.

Conclusão

As relações comerciais e a tentativa de regular as referidas relações remontam desde o tempo do Código
de Hamurabi e demonstram a importância de se resolverem os conflitos de interesses envolvendo empresários
ou relacionados às empresas que eles exploram. Além disso, o direito empresarial permite que o operador do
direito atue em inúmeras áreas e cada uma delas com particularidades próprias. Por fim, é preciso que as
empresas tenham sempre em mente a importância de um acompanhamento de um advogado, com vistas a
deixar, principalmente, as questões societárias, tributárias e trabalhistas em dia!

DIREITO COMERCIAL

O Direito comercial pode ser


conceituado como: "o conjunto das
atividades que, em determinado país e em
dada conjuntura histórica, se aplica o
direito comercial desse país, e muitas
dessas atividades não se podem,
justamente, definir como comerciais".

Por este motivo é que devem ser


estudadas as condições para o exercício
da atividade comercial e as condições
para estrangeiros, visando atingir o
equilíbrio social, quando existe conflito
de interesses nas relações que envolvam o
comércio ou o comerciante.

O Estado se vale do instrumento Direito Comercial, que compreende leis, princípios, doutrina e jurisprudência.
Assim, é possível avaliar cada problema e suas implicações, sabendo se o efeito da aplicação de uma disposição
legal é justo, injusto, atual ou ultrapassado, permitindo solucionar o problema específico e dar tratamento
adequado para manter o equilíbrio social.

Para que seja atingido tal objetivo é preciso esclarecer o que é empresa e sociedade comercial,
empresário comercial e comerciante, suas espécies e como se qualificam, para então abordarmos o exercício da
atividade comercial, que abrange as condições para comerciar, a matrícula, os direitos dos comerciantes, os
autorizados para o comércio (capazes, incapazes, impedidos e proibidos), bem como a quem se estendem as

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APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

proibições, e que conseqüências acarreta sua violação. Por fim, o tema 'Condições para o exercício de
atividades comerciais para estrangeiros', as possibilidades para os residentes no País e no exterior.

I - A EMPRESA

O conceito econômico de empresa, segundo o Prof. Ferri, é dado: "A empresa é um organismo
econômico, isto é, se assenta sobre uma organização fundada em princípios técnicos e leis econômicas.
Objetivamente considerada, apresenta-se como uma combinação de elementos pessoais e reais, colocados em
função de um resultado econômico, e realizada em vista de um intento especulativo de uma pessoa, que se
chama empresário. Como criação de atividade organizativa do empresário e como fruto de sua idéia, a empresa
é necessariamente aferrada à sua pessoa, dele recebendo os impulsos para seu eficiente funcionamento". O
conceito jurídico de empresa se assenta no conceito econômico. Ferri apresenta observações, lembrando os
ângulos mais expressivos da empresa, pelos quais se interessa o direito:

• A empresa como expressão da atividade do empresário: a atividade do empresário está sujeita a


normas precisas, que subordinam o exercício da empresa a determinadas condições ou
pressupostos ou o titulam com particulares garantias. São as disposições legais que se referem à
empresa comercial, como o seu registro e condições de funcionamento.
• A empresa como idéia criadora, a que a lei concede tutela: são as normas legais de repressão à
concorrência desleal, proteção à propriedade imaterial (nome comercial, marcas, patentes etc.).
• A empresa como um complexo de bens: forma o estabelecimento comercial, regulando a sua
proteção (ponto comercial), e a transferência de sua propriedade.
• A empresa e suas relações com os dependentes: segundo princípios hierárquicos e disciplinares
nas relações de emprego, matéria que hoje se desvinculou do direito comercial para se integrar
no direito do trabalho.

É preciso compreender, ainda segundo Ferri, que: "A disciplina jurídica da empresa é a disciplina da
atividade do empresário, e a tutela jurídica da empresa é a tutela jurídica dessa atividade. Essas considerações
levam-nos a compreender que, no ângulo do direito comercial, empresa, na acepção jurídica, significa uma
atividade exercida pelo empresário. Disso decorre inevitavelmente que avulta no campo jurídico a proeminente
figura do empresário".

A tendência de Despax é a de dissociar a noção de empresário da noção de empresa, fonte das incertezas
que cercam a noção jurídica da empresa, como ele próprio observa, pois "de mais a mais, com efeito, o direito
considera a empresa como uma entidade autônoma distinta da pessoa do empresário, e, em certos casos, até
mesmo opõe o interesse desta ao interesse daquele".

II - SOCIEDADES COMERCIAIS

Tanto as pessoas físicas ou naturais (o homem), como as pessoas jurídicas de Direito Privado pelo
regime jurídico do Direito Comercial, podem adquirir a qualidade de comerciantes. A pessoa, física ou natural,
adquire essa qualidade, quando comercialmente capaz, pelo exercício da mercancia, como profissão habitual.

As sociedades comerciais, para que adquiram essa qualidade, não necessitam dessa formalidade, tanto basta que
atendam às regras legais relativas ao registro do respectivo contrato na Junta Comercial. Por esse ato solene,
são as sociedades tidas como legalmente nascidas e habilitadas para o exercício efetivo do comércio, a que se
destinam.

III - EMPRESÁRIO COMERCIAL OU COMERCIANTE

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APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

O empresário é figura central da empresa. Muitos autores não distinguem o empresário comercial da
antiga figura do comerciante. Giuseppe Valeri declara que "praticamente a figura genérica do empresário
comercial coincide hoje com aquela do comerciante, conhecida do velho direito". Não há dúvida de que o
empresário comercial, na linguagem do direito moderno, é o antigo comerciante, nesse aspecto as expressões
são sinônimas. Mas é preciso compreender, por outro lado, que a figura do comerciante se impregnou de um
profundo ressaibo exclusivista, egocêntrico, resultante do individualismo que marcou historicamente o direito
comercial. Nesse sentido, mais ideológico do que científico ou jurídico, é que se deve distinguir o empresário
moderno do comerciante antigo.

Quando falamos de empresário como elemento da empresa, que tem deveres e obrigações para com a
organização produtiva não o reverenciamos como um suserano feudal, como concebíamos o antigo
comerciante, senhor absoluto de seu próprio interesse. Hoje, o empresário comercial tem em seus empregados e
não servos, como não há muito eram os empregados, mas colaboradores integrados todos, e com interesses bem
definidos, no sucesso da empresa.

3.1- EMPRESÁRIO COMERCIAL

O empresário comercial é o Sujeito que exercita a atividade empresarial. É ainda, como observa Ferri,
no todo ou cm parte, o capitalista, que desenvolve uma atividade organizada e técnica. É um servidor da
organização de categoria mais elevada, à qual imprime o selo de sua liderança, assegurando a eficiência e o
sucesso do funcionamento dos fatores organizados. Dois elementos fundamentais servem para caracterizar a
figura do empresário: a iniciativa e o risco. O poder de iniciativa pertence-lhe exclusivamente: cabe-lhe
determinar o destino da empresa e o ritmo de sua atividade. Mas já se acentua em alguns países, como na
França e na Alemanha, a redução desse poder de iniciativa do empresário comercial, impondo-se-lhe, através da
lei, a divisão desse poder de iniciativa, concedendo-se participação na direção da empresa a representantes dos
empregados. Contudo, isso é verdade para determinadas empresas.

O empresário pode valer-se, e normalmente se vale, da atuação e colaboração de outrem, mas a ele cabe
a decisão, a ele compete, no caso de diversidade de perspectiva, escolher o caminho que lhe pareça mais
conveniente. Compensando o poder de iniciativa, os riscos são todos do empresário comercial: goza ele das
vantagens do êxito e amarga as desventuras do insucesso e da ruína.

3.1.1- DEFINIÇÃO DE EMPRESÁRIO COMERCIAL

Tendo o direito comercial visto a empresa como uma atividade organizada não pode, contudo, formular
uma definição legal adequada. Valeu-se da figura do empresário, que é definida no Código Civil italiano: "É
empresário quem exercita profissionalmente uma atividade econômica organizada para o fim de produção ou
troca de bens ou de serviços". Essa definição de empresário ingressou doutrinariamente no direito brasileiro
pelos autores do Projeto de Código de Obrigações de 1965 no art. 1106: "É empresário quem exerce
profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços".
Exclui-se desse conceito quem exerce profissão intelectual, ainda que com o concurso de auxiliares ou
colaboradores.

No sistema desse Projeto não se caracteriza o empresário rural (atividade destinada à produção: agrícola,
silvícola, pecuária, e conexas): "São próprias de empresário comercial: atividade industrial destinada à
produção de bens ou de serviços; atividade intermediária na circulação de bens; atividade de transporte, por
terra, água ou ar; atividade bancária; atividade seguradora; outras atividades auxiliares". No sistema do Projeto
de Código Civil (Projeto de lei n0 634/75) abandonou-se a classificação dos empresários em civis e comerciais;
cogita-se ali apenas de empresário. Mas passa a existir o empresário obrigatoriamente inscrito no Registro das
Empresas e empresário dele dispensado (arts. 1003 e 1007). O empresário dispensado do registro obrigatório é
precisamente o que, no Projeto de Código de Obrigações de 1965, foi tratado de empresário civil, isto é, o
empresário rural. Reza o art. 1007: "Considera-se empresário rural o que exerce atividade destinada à produção
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APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

agrícola, silvícola, pecuária e outras conexas, como a que tenha por finalidade transformar ou alienar os
respectivos produtos, quando pertinentes aos serviços rurais".

3.1.2- ESPÉCIES DE EMPRESÁRIO COMERCIAL

O empresário comercial pode exercitar a atividade empresarial individualmente: será então um


empresário comercial individual. À firma individual, do empresário individual, registrada no Registro do
Comércio, chama-se também de empresa individual. A transformação de firma individual em pessoa jurídica é
uma ficção do direito tributário, somente para o efeito do imposto de renda. Mas a empresa comercial pode,
também, revestir-se de forma societária: a sociedade comercial exercita a atividade empresária. Ao exercício da
empresa dessa forma se tem chamado de empresa coletiva.

Pelo Decreto-lei n9 486/69 foi dado conceito ao "pequeno comerciante", ou seja, ao pequeno
empresário. Considera-se pequeno comerciante, para efeitos da dispensa de escrituração, a pessoa natural
inscrita no Registro do Comércio, que exercer em um só estabelecimento atividade artesanal ou outra atividade
em que predomine o seu próprio trabalho ou de pessoas da família, e que auferir receita bruta anual não
superior a cem vezes o maior salário mínimo mensal, vigente no país, e cujo capital efetivamente empregado no
negócio não ultrapassar vinte vezes o valor daquele salário mínimo.

3.2- A ANTIGA FIGURA DE COMERCIANTE

Adotamos o sistema que estrutura o direito comercial sobre o conceito de empresa e da figura do
empresário comercial. Não podemos, em uma época de transição em que progride o direito comercial, deixar de
atender à antiga doutrina, sob pena de tornar seriamente lacunosas estas dissertações. No campo do direito
comercial, tanto o comerciante como o ato de comércio que ele profissionalmente pratica constituem conceitos
de direito positivo. O que importa é a definição legal de comerciante.

A definição de comerciante mais largamente difundida é a do art. lº do Código francês de 1807: "São
comerciantes aqueles que exercem atos de comércio e deles fazem profissão habitual". Como se vê, para
compreendê-la é necessário descer à análise preliminar do que sejam atos de comércio. Como o conceito desses
atos é eminentemente legal, a noção de comerciante decorre, por conseqüência, da própria lei. Sobre o conceito
legal de atos de comércio o Código francês edificou o conceito de comerciante, que pratica os atos de comércio.
Mas sua simples prática não caracteriza o comerciante, pois o ato de comércio pode ser exercitado por quem
não o seja. Foi necessário acrescer para caracterizar a figura do comerciante, o esclarecimento de que a prática
de atos de comércio tem que ser efetuada em massa, isto é, deve ser ele um profissional dos atos de comércio.

Impõe-se, portanto, para a qualificação de comerciante que alguém profissionalmente exercite atos de
comércio. A definição, em conseqüência, torna-se válida quando à prática de atos de comércio se acrescer o
profissionalismo de seu exercício, que o Código francês reforça com a expressão habitual: "É comerciante
quem faz do exercício dos atos de comércio profissão habitual". O reforço de expressão, com o uso do adjetivo
habitual, tem sido severamente criticado. Ripert e Van Ryn consideram redundância.

"A profissão não se confunde com o hábito: a repetição de atos de comércio independentes um do outro
é necessária para criar um hábito, mas não uma profissão, a qual implica uma atividade inspirada por um móvel
geral idêntico. De outra parte, o adjetivo habitual não acresce nada ao sentido da palavra profissão; seria um
erro, por exemplo, deduzir que é necessária, para a aquisição da qualidade de comerciante, uma repetição de
atos de comércio suficientemente importante e prolongada, opinião de alguns, inconciliável com aquela,
geralmente admitida, na qual um comerciante adquire esta qualidade desde quando inicia sua atividade".

É através dos fatos que, atendendo aos pressupostos legais, se qualifica alguém como comerciante. É
necessário, pois, indagar se alguém é comerciante pelos atos de comércio que pratica. Verificada a prática de
atos de comércio, deve-se provar que essa prática configura uma profissão. Profissão é a atividade pela qual o
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APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

indivíduo obtém seus meios de vida. Não é necessário que dela obtenha todos os recursos, pois é admissível a
acumulação de atividades, fora do âmbito do serviço público. O simples registro no Registro do Comércio, com
firma individual, não cria a profissão e não lhe dá a condição de comerciante. O registro não é constitutivo, mas
simplesmente declaratório da qualidade de comerciante. Se houver prova de que o inscrito no Registro do
Comércio não exercita profissionalmente atos de comércio, não adquire ele a condição de comerciante.

3.3- SISTEMAS DE QUALIFICAÇÃO DE COMERCIANTE.

No sistema objetivo ou da comercialidade, que conceitua comerciante como o que pratica atos de
comércio, encontramos quatro formas legislativas destinadas a qualificar o comerciante. São os sistemas:
francês, espanhol antigo, suíço e germânico.

a- SISTEMA FRANCÊS

O sistema francês é o adotado no Brasil. É comerciante o que pratica a mercancia (atos relativos ao
exercício do comércio), independente de registro prévio. Na legislação francesa o legislador não menciona o
valor jurídico do registro do comércio, neste caso, o registro não outorga a condição de comerciante, mas
apenas a presume.

b- SISTEMA ESPANHOL

Contrariamente ao sistema francês, que faz repousar o critério de qualificação de comerciante sobre,
apenas, o exercício profissional e habitual de atos de comércio, o Código espanhol de 1829 o assenta sobre a
matricula e sobre o exercício profissional. É o que ressalta o Código espanhol: "Se reputan en derecho
comerciantes los que, teniendo capacidad legal para ejercer el comercio, se han inscrito en la matrícula de
comerciantes y tienen por ocupación habitual e ordinaria el tráfico mercantil fundado en él su estado político".

Hoje, porém, o Código espanhol abandonou a matricula, situando a qualificação apenas na prática
habitual do comercio: "São comerciantes os que, tendo capacidade legal para exercer o comércio, se dedicam a
ele habitualmente".

c- SISTEMA SUÍÇO

O sistema suíço, deduzido do Código de Obrigações, vigente desde 1893 diz:

"Aquele que faz o comércio, explora uma fábrica ou exerce em forma comercial qualquer outra indústria é
obrigado a requerer a inscrição de sua razão de comércio no registro do lugar onde tem o seu principal
estabelecimento".

O registro e o exercício do comércio são condições obrigatórias para a qualificação de comerciante.


Mas, esse artigo acresce: "Aquele que, sob uma razão de comércio, explore um negócio sem estar sujeito à
inscrição é, não obstante, autorizado a requerer essa inscrição no registro do lugar de seu principal
estabelecimento".

Em síntese, o direito suíço estabelece duas formas de registro: um obrigatório e outro facultativo. O
primeiro cabe àqueles que exercitam uma atividade de comércio; o segundo, àqueles que, não sendo
propriamente comerciantes, constituem uma razão comercial para explorar uma atividade. Adquirem, assim,
pelo registro, a qualidade de comerciantes, sem o qual não a teriam.

d- SISTEMA GERMÂNICO

O sistema germânico, expresso no § 1º do Código vigente, diz:


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APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

"Comerciante, no sentido do Código, é aquele que exerce uma atividade comercial. É considerado como
exercendo uma atividade comercial toda empresa profissional que tem por objeto uma das categorias de
negócios seguintes...".

E passa o Código a enumerar nove tipos de empresas, a começar pela categoria de negócio de "aquisição
e a revenda de coisas móveis (mercadorias) ou de valores móveis, sem distinguir se as mercadorias serão
revendidas sem modificação ou após modificação ou trabalho". O § 2º determina que "uma empresa industrial,
na qual o gênero e amplitude requeiram uma exploração repousando sobre bases comerciais, é considerada
como exercendo uma atividade comercial, no sentido do Código, mesmo na ausência de condições do § 1º,
alínea 2, na medida em que a razão social do empresário estiver registrada no Registro do Comércio. O
empresário é obrigado a fazer o registro, segundo as prescrições em vigor para o registro de razões sociais
comerciais".

Daí Escarra, aludindo ao sistema alemão, ter sintetizado que mesmo uma profissão que não figure na
enumeração das profissões comerciais pode conferir àquele que a exerce a qualidade de comerciante se este
último tiver o cuidado de fazer registrar sua firma no Registro do Comércio, e com a condição de que essa
profissão seja explorada comercialmente.

Assim, somente é comerciante quem exerce uma das atividades comerciais enumeradas na lei, divididas
em três categorias: comerciantes forçados (em virtude de exercerem atividades mercantis); comerciantes por
matrícula, em virtude de inscrição no registro; e comerciantes facultativos (agricultores e silvicultores).

3.4- QUALIFICAÇÃO DE COMERCIANTE NO DIREITO COMERCIAL BRASILEIRO

O Código Comercial brasileiro não copiou servilmente a definição francesa, como ocorreu com os de
outros países. Traçou-lhe o perfil, segundo os elementos que o art. 4º oferece: "Ninguém é reputado
comerciante para efeito de gozar da proteção que esse Código liberaliza em favor do comércio, sem que se
tenha matriculado em algum dos Tribunais do Comércio do império, e faça da mercancia profissão habitual".

IV - CONDIÇÕES PARA O EXERCICIO DA ATIVIDADE COMERCIAL

No sentido do Direito Comercial, comerciante é a designação atribuída a toda pessoa que tenha
capacidade para exercer a mercancia e faça do comércio, por sua própria conta, sob seu nome individual, ou
firma, profissão habitual. Nessa razão, é a título de profissão, isto é, como carreira, que constitua, assim, um
estado principal da pessoa, que deve a mesma praticar o comércio para adquirir a qualidade de comerciante.

Não se deve concluir que o comerciante não possa exercer outra atividade, ficando adstrito à prática de
atos mercantis. Excetuados os atos vedados por lei, os atos ilícitos, quaisquer outros atos jurídicos, ou negócios
jurídicos, podem ser praticados por ele. Em vista das disposições legais e dos princípios doutrinários delas
extraídos, concorrem para a qualificação de empresário comercial individual os seguintes requisitos: a
capacidade legal; o exercício de atos de comércio por sua conta ou em nome próprio; e a habitualidade dessa
prática, a título de profissão.

A qualidade de comerciante não se revela simplesmente pela prática de atos de comércio. É necessário
que este comércio seja exercido a título de profissão, por conta própria e em nome da pessoa que o instituiu e
mantém. Os atos de comércio, que dão a qualidade de comerciante, quando praticados habitualmente, são os
atos de comércio objetivos, que a própria lei declara como comerciais, ou lhes dá tal caráter. Embora os sócios
solidários não comerciem, sob nome individual, mas sob firma, consideram-se comerciantes. Não são, entanto,
comerciantes, os sócios comanditários, os sócios de indústrias, os sócios cotistas, e os acionistas das sociedades
por ações (sociedades anônimas).

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APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

A matéria 'capacidade e habilitação', como pressupostos do exercício da atividade empresarial, é


regulada pela lei civil e, portanto, constitui matéria civil. Podem ser comerciantes no Brasil, diz o art. 1º do
Código Comercial, "todas as pessoas que, na conformidade das leis deste Império, se acharem na livre
administração de suas pessoas e bens, e não forem expressamente proibidas neste Código". Desse preceito
destacamos três temas principais: capacidade legal; incapacidade e proibidos de comerciar.

4.1- COMERCIANTES MATRICULADOS

Sob o regime do Código Comercial brasileiro, a condição fundamental para o exercício do comércio,
como profissão habitual, parecia decorrer da matrícula nos Tribunais de Comércio, hoje Juntas Comerciais.
Com o evento do dec. nº 916/1890, que institui o registro de firmas comerciais, estabeleceu-se o sistema de que
há comerciantes matriculados e comerciantes não-matriculados. Nesta razão asseguram-se: aos matriculados, as
prerrogativas e vantagens instituídas nas Leis Comerciais; para os não-matriculados, simplesmente as
vantagens; e para ambos, se firmou a exigência precípua, de que a profissão habitual seria o fundamento para a
qualidade de comerciante.

Pelo Código Comercial eram as prerrogativas:

1- Passar procuração pelo próprio punho e por eles assinada, ou feita por outrem e somente por eles assinada
(art. 21).

2- Passar e assinar escrito particular de obrigação, de qualquer valor, desde que para o mesmo não se exija
prova por escritura pública, com inteira fé contra quem os tiver assinado (art. 22).

3- Ter força probante os seus livros mercantis (art. 24).

4- Ser nomeado administrador e fiscal, no caso do artigo 310 do Código Comercial.

5- Ter foro privilegiado, ou seja o foro comercial para as causas oriundas de dívidas mercantis ou contratos
comerciais.

6- Ficar subordinado ao processo de falência (art. 908).

Atualmente, as prerrogativas legais, decorrentes da matrícula reduzem-se:

1- Fazer parte dos colégios comerciais, quando maiores de 30 anos, elegendo os deputados e suplentes às Juntas
Comerciais e podendo ser eleitos para elas, se brasileiros e em gozo de seus direitos civis e políticos.

2- Passar procuração somente por eles assinada.

3- Serem recolhidos à sala livre, em caso de prisão.

A matrícula do comerciante é promovida perante a Junta Comercial da circunscrição a que pertence o


comerciante. E se processará mediante requerimento dirigido pelo interessado à mesma Junta, contendo:

1- O nome, idade, naturalidade e domicílio do suplicante, e, sendo sociedade, os nomes individuais dos sócios
que a compõe e a firma adotada.

2- O lugar ou domicílio do estabelecimento.

3- O gênero de negócio. E se o exerce por grosso ou a retalho.

118
APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

4- O seu requerimento deve justificar que goza de crédito comercial e que se acha habilitado para bem cumprir
as obrigações impostas aos comerciantes matriculados, além de ser selado com estampilha estadual de
requerimento.

5- As sociedades comerciais devem juntar a prova de que têm arquivado na Junta Comercial os contratos
institucionais.

8- Para sociedades comerciais e pessoas sujeitas à autorização são necessárias provas, que deverão ser
produzidas por certidões autênticas, fornecidas pela secretaria da Junta Comercial, onde se acham os
documentos originais arquivados.

9- O atestado a ser incluído no requerimento, para que prove o requerente sua idoneidade comercial, deve ser
firmado por dois comerciantes matriculados, devendo serem suas firmas reconhecidas por tabelião.

V - DIREITOS DOS COMERCIANTES

Quando se alude aos direitos dos comerciantes, entende-se os direitos especiais, que lhe são
assegurados, segundo os preceitos das leis comerciais. São, portanto, aqueles que se encontram assinalados ou
instituídos no Código Comercial e nas leis subseqüentes. As vantagens asseguradas aos comerciantes, as quais
se convertem em direitos, que vêm em seu benefício, são:

1- Requerer a falência de seus devedores comerciantes, quando insolventes. Em certos casos, mesmo, pode
instruir seu pedido com a conta de débito, regularmente extraída de seus próprios livros de escrituração.

2- Fazer concordatas judiciais com os seus credores em caso de insolvência.

3- Fazer prova, a seu favor, contra comerciantes, ou mesmo não comerciantes, com os seus próprios livros.

4- Merecer inteira fé os escritos que assinar, qualquer que seja o seu valor, desde que se não exija a prova deles
por escritura pública.

5- Assegurar-se no privilégio da marca de comércio ou nome comercial, que tenha adotado para distinguir seus
produtos ou seu estabelecimento comercial, impedindo que outros os usem.

VI - AUTORIZAÇÃO PARA COMERCIAR

A autorização para o menor comerciar é instituto eminentemente comercial. O menor adquire a


capacidade para comerciar através da autorização expressa do pai, da mãe ou do tutor, independentemente de
sua capacidade civil. Aos 18 anos, dessa forma, pode o menor devidamente autorizado praticar todos os atos
necessários para o desempenho da profissão mercantil. Importante ressaltar:

- A autorização paterna não se confunde com emancipação.

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- O menor autorizado pelo pai a comerciar não se emancipa.

- A autorização resulta do exercício do pátrio poder.

- O menor contínua menor, não adquirindo capacidade plena.

119
APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

O pai, conseqüentemente, pode a qualquer momento cassar a autorização, suspendendo o exercício do


comércio do filho menor, ressalvados os direitos adquiridos de terceiros. A autorização, portanto, se distingue
da emancipação, pois esta é irrevogável. Se o filho menor se estabelecer, com economia própria, tendo mais de
16 anos, convém relembrar, esse fato por si se emancipa o menor, nos termos da lei civil.

Assim, o pai que não desejar ver seu filho comerciar, deve impedi-lo de se estabelecer com economia
própria, sob pena de ver extinto seu pátrio poder pela conseqüente emancipação. Os autores, em geral,
consideram a autorização irrevogável. Inglez de Souza sustenta que "a autorização para comerciar corresponde
a uma verdadeira emancipação". Otávio Mendes afirma que: "concedida a autorização para comerciar, o menor
esta emancipado, é maior, pessoa 'sui juris', com patrimônio próprio e responsabilidade autônoma". J. X.
Carvalho de Mendonça e Waldemar Ferreira se alinham nessa corrente, equiparando a autorização à
emancipação, para considerá-la irrevogável. Outro problema que surge em relação à autorização para o menor
comerciar é a indagação se a mesma pode ser restrita.

O pai, na autorização concedida, pode limitá-la a certos atos de comércio, ou ela necessariamente é
irrestrita, não podendo ser condicionada. Desde que a autorização é emanação do pátrio poder, o pai pode
limitá-la a um só tipo do comércio. O pai, por exemplo, pode conceder autorização para o filho menor
comerciar apenas um determinado ramo, em que os riscos sejam restritos. Por isso não equiparamos, em nosso
modo de entender, a autorização à emancipação, nem damos os efeitos desta àquela.

VII - CAPACIDADE LEGAL

A capacidade legal, ou jurídica da pessoa é determinada pela lei civil, assim, a capacidade para
comerciar decorre desta. Portanto, quem não tiver capacidade para adquirir direitos e contrair obrigações não
possui a capacidade mercantil. Esta é compreendida em sentido mais estrito, pois alguns, mesmo capazes
civilmente, não podem comerciar, ou estão impedidas de exercer a mercancia. Segundo o Código Comercial,
art. 1º, podem comerciar:

1- Todas as pessoas que na conformidade das leis deste Império se acharem na livre administração de suas
pessoas e bens e não forem expressamente proibidas neste Código.

2- Os menores legalmente emancipados.

3- Os filhos famílias, que tiverem mais de 18 anos de idade, com autorização dos pais, provada por escritura
pública. O filho maior de 21 anos, que for associado do pai, e o que, com a sua aprovação, provada por escrito,
levantar algum estabelecimento comercial, será reputado emancipado e maior para todos os efeitos nas
negociações mercantis.

4- As mulheres casadas maiores de 18 anos, com autorização de seus maridos para poderem comerciar com o
próprio nome, provada por escritura pública. As que se acharem separadas da coabitação dos maridos por
sentença de divórcio perpétuo não precisam da sua autorização.

7.1- A MULHER CASADA

A mulher casada não é incapaz, possui plena capacidade, mesmo na constância do casamento. O
preceito do art. 6º do Código Civil, que declarava a mulher casada "incapaz relativamente a certos atos, ou à
maneira de os exercer", foi revogado, com o advento da Lei n9 4.121/62 (Estatuto da Mulher Casada). É
importantíssimo ressaltar que a Constituição Federal de 1988, considerada a "Constituição Cidadã", traz em seu
Título II, dos Direitos e Garantias Fundamentais, em seu Capítulo I, dos Direitos e Deveres Individuais e
Coletivos, art. 5º: "Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos
brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à

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APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

segurança e à propriedade, nos termos seguintes: I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos
termos desta Constituição; (...)".

Desta forma, não resta dúvida que a proibição para a mulher casada comerciar está mais que revogado e
não mereceria mais qualquer discussão. Tanta foi a vontade do legislador em igualar direitos e obrigações de
homens e mulheres que, não apenas determinou no caput do art. 5º que "todos são iguais perante a lei", como,
para não deixar dúvidas e frisar sua vontade, logo no primeiro inciso acrescentou que "homens e mulheres são
iguais em direitos e obrigações".

7.1.1- A MULHER CASADA - NO PASSADO

Durante longo período a mulher ficou submetida ao poder marital, não possuindo sequer plena
capacidade jurídica. Foi o sistema adotado pelo Código Civil que recebeu as maiores críticas. Considerar a
mulher incapaz relativamente a certos atos, na mesma categoria dos maiores de 16 e menores de 21 anos, dos
pródigos e dos silvícolas, mesmo nos idos de 1916 em que foi promulgado, constituía manifestação do mais
anacrônico e retrógrado preconceito em relação à inferioridade da mulher em face do poder marital. A Lei nº
4121/62, corrigiu e modernizou a lei civil brasileira, reformulando o problema da mulher casada dentro da
sociedade conjugal, de forma a consagrar e. princípio de sua igualdade perante o marido.

No regime anterior, antes de 1962, era a mulher casada, no âmbito do direito comercial, classificada e
estudada entre os incapazes para comerciar. Concebia-se o instituto da autorização marital como um tema
fascinante, e indagava-se se a autorização concedida pelo marido para a esposa comerciar se inscrevia entre os
direitos absolutos do marido, ou era um direito relativo, suscetível, quando negada a autorização ou revogada,
de suprimento judicial. Uns entendiam, como Bento de Faria, que "se o marido não ministra os meios de
subsistência à mulher e aos filhos e resolve revogar por perversidade a autorização que lhe havia outorgado
para comerciar, poderá fazê-lo, mas assistirá também à mulher o direito de suprir essa autorização, assim
revogada e implicitamente recusada".

7.1.2- A MULHER CASADA - CRÍTICAS À NOVA LEGISLAÇÃO

A evolução recente do direito pátrio superou a tese da proibição do exercício do comércio para a mulher
casada, mas de tal forma se impregnou do tema que o estudo do direito comercial dele ainda não se
desvencilhou de todo. Autores existem, como o Prof. Eunápio Borges, que consideram subsistente, mesmo após
o advento da Lei nº 4121, a necessidade da autorização marital para a mulher casada comerciar:

"... a exigência da autorização marital para o exercício do comércio é norma especial, que se justifica pela
natureza e pelos riscos da profissão mercantil. A mulher estaria impedida de exercer o comércio sem a
autorização do marido porque sem essa outorga, por força do inciso IV do novo art. 242 do Código Civil, ela
não pode (como não podia antes) 'contrair obrigações que possam importar em alheação dos bens do casal'".
Em 'nota', acrescenta que: "por isto, o marido também deve ter autorização da esposa".

7.1.3- A MULHER CASADA - PROBLEMAS JURÍDICOS ATUAIS

Um aspecto novo do problema foi, todavia, criado pela Lei n9 4.121, que desejamos pôr aqui em
destaque. O art. 3º, dessa lei, determinou expressamente que: "pelos títulos de dívida de qualquer natureza,
firmados por um só dos cônjuges, ainda que casados pelo regime de comunhão universal, somente responderão
os bens particulares do signatário e os comuns até o limite de sua meação".

Tal preceito subverte inteiramente o atual sistema do direito civil, fundado no regime legal da comunhão
universal de bens, no casamento. Instituindo a separação dos bens, quanto à responsabilidade decorrente dos

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APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

títulos de dívida de qualquer natureza firmados por um só cônjuge, a lei criou dificílimos problemas práticos,
enfraquecendo desmesuradamente o crédito dos cônjuges, isoladamente considerados.

Em primeiro lugar, não se sabe como apurar, na constância do regime de comunhão universal de bens,
sem a dissolução da sociedade conjugal, pela morte ou desquite sem o respectivo inventário de bens, qual seja a
meação do marido e da mulher. A meação do patrimônio há de ser do patrimônio líquido deduzidas todas as
dívidas. Questiona-se como numa execução ou em face de qualquer problema de crédito, se poderá mensurar o
valor da meação ideal do marido ou da mulher.

Esse problema surge no plano judicial, quando, por exemplo, a mulher se opõe à penhora de bens do
casal, sob a alegação da defesa de que a sua meação não foi comprometida pelas obrigações assumidas pelo
marido. Isso tem constituído um quebra-cabeça para os advogados e juízes, com profundas perturbações para o
crédito do casal. Outra conseqüência que observamos consiste na exigência da outorga do marido ou da mulher
no saque, endosso, aval de títulos de crédito, ou vinculação a qualquer obrigação. E, assim, não se pode mais
falar apenas na autorização do marido para a mulher comerciar, mas também na autorização da mulher para o
marido comerciar, quando este tenha necessidade de assentar o seu crédito comercial em todo o patrimônio do
casal. Diz Requião: "A tal absurdo levou o exagero da nova lei".

Assim, para a segurança de terceiros, é conveniente, senão imprescindível, que as Juntas Comerciais, em
vista do disposto no aludido art. 3º, tanto na declaração de firmas individuais, como no caso das sociedades
comerciais em relação aos sócios solidários, exijam que se esclareça se a responsabilidade do comerciante ou
do sócio casado, seja o marido ou a mulher, se estende apenas à meação, ou, em caso contrário, se abrange todo
o patrimônio do casal. E, em caso positivo, devem exigir a autorização do outro cônjuge, permitindo seja a
totalidade do patrimônio comum comprometida nesse comércio. Essa medida hoje se impõe, pois o terceiro, ao
contratar com o comerciante casado ou com a mulher casada, não sabe se o crédito respectivo está lastreado
apenas na metade ou na totalidade do patrimônio do casal.

VIII - INCAPACIDADE

Os incapazes, em princípio, não podem comerciar. Excluída a mulher casada dentre os incapazes, resta-nos para
o estudo a posição do menor e do interdito frente à atividade comercial.

8.1- O MENOR COMERCIANTE

Para que o menor de 21 anos de idade e menor de 18 anos possa exercer validamente a mercancia, duas
condições se estabelecem legalmente:

-> Que se tenha o menor emancipado.

A emancipação torna o menor capaz para todos os efeitos civis. Entra livremente na administração de
seus bens, podendo, sem restrições, dirigir sua pessoa. Pode, assim, adquirir direitos e contrair obrigações. Para
todos os efeitos está legalmente habilitado a praticar atos jurídicos, como se tivesse atingido a maioridade.

-> Que esteja suficientemente autorizado por seus pais, ou quando órfãos, por quem os represente, sob
aprovação judicial.

Em regra, a autorização para comerciar está com o pátrio poder. Assim, tanto pode ser dada pelo pai,
como, na sua falta, pela mãe. E, quando o menor é órfão, é ela deferida pelo tutor, com a aprovação judicial. O
regime de capacidade do menor, segundo o Código Civil, distingue o menor absolutamente incapaz (os
menores de 16 anos) e o relativamente incapaz (os maiores de 16 e menores de 21 anos). Aos 21 anos, portanto,
cessa a menoridade (art. 9º), ficando habilitado o indivíduo para todos os atos da vida civil e,
conseqüentemente, também para a atividade comercial. Porém, ao menor não é dado invocar sua menoridade
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APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

para eximir-se de obrigação, se do documento assinado não fez constar a sua menoridade, fazendo-se passar por
maior. O Código Civil em seu art. 155 enuncia:

"O menor, entre 16 e 21 anos, não pode, para se eximir de uma obrigação, invocar a sua idade, se dolosamente
a ocultou, inquirido pela outra parte, ou se, no ato de se obrigar, espontaneamente se declarou maior".

O menor relativamente incapaz pode adquirir a capacidade antes de completar 21 anos. O Código Civil, em seu
art. 9º, § 1º, enumera essas hipóteses:

"Cessará, para os menores, a incapacidade: I - por concessão do pai, ou, se for morto, da mãe, e por sentença do
juiz, ouvido o tutor, se o menor tiver 18 anos cumpridos; II - pelo casamento; III - pelo exercício do emprego
público efetivo; IV - pela colação de grau científico em curso de ensino superior; V - pelo estabelecimento civil
ou comercial, com economia própria".

O Código Comercial alude à categoria do filho-família, que existia no direito antigo. Este, embora com
mais de 21 anos, necessitava de autorização paterna para comerciar. A dependência em que vivia o filho para
com o pai colocava-o no estado de incapacidade para os atos da vida civil. Essa figura não existe, convém
repetir, no direito moderno, pois os filhos depois de 21 anos adquirem plena capacidade para a prática de
quaisquer atos jurídicos.

O Código Comercial, em seu art. 1º, 2, alude também à emancipação, atribuindo plena capacidade aos
menores legitimamente emancipados para o exercício do comércio. O preceito do art. 9º, § 1º, V, do Código
Civil, tem levado os autores a divergências interpretativas, com respeito ao menor comerciante. Economia
própria é o estado econômico de independência do menor, que decorre da propriedade de bens que o mesmo
adquire proveniente de seu trabalho, de herança não administrável pelo pai ou alguma doação ou legado nessas
condições. Tendo a disposição desses bens e se estabelecendo, em exercício profissional do comércio, o menor
adquire plena capacidade.

O Código Comercial, no art. 1º, 3, alínea 2, já aludia à emancipação do filho maior de 21 anos que fosse
associado ao comércio do pai, e o que, com sua aprovação, provada por escrito, levantasse algum
estabelecimento comercial. O preceito da lei civil alude ao estabelecimento comercial levantado com economia
própria, mas sem a autorização paterna. Constitui, como se vê, hipótese diferente. O preceito da lei comercial,
fundado na autorização paterna não induz à aquisição da plena capacidade, pois sendo um estatuto restritamente
comercialista, limita seus efeitos ao âmbito mercantil.

Quando o pai autoriza o menor, com mais de 18 anos, a comerciar, não o emancipa para todos os atos da
vida, mas somente o autoriza a praticar o comércio, seu efeito é limitado. A norma do Código Civil, ao
contrário, faz cessar a incapacidade, tornando o menor plenamente capaz, tanto para os atos da vida civil como
para os da profissão comercial. Basta que se estabeleça, mesmo sem autorização paterna.

O Código Civil, em seu art. 9º, § 1º, declara que:

"Cessará a incapacidade do menor com estabelecimento comercial com economia própria".

Cessará para o menor, genericamente, com mais de 16 anos. O menor relativamente incapaz (de 16 a 21
anos) adquire plena capacidade para exercer o comércio, ao se estabelecer com economia própria, mesmo sem
autorização paterna. Alguns comercialistas não pensam assim, consideram que o Código Comercial, no art. 1º,
alínea 3, tendo determinado que o menor, com mais de 18 anos, necessita de autorização paterna para levantar
algum estabelecimento comercial, fixou a idade mínima de 18 anos para a habilitação mercantil.

Acresce que a Lei de Falências adotou tal critério para sujeição do menor comerciante ao processo
falencial, dispondo no art. 3º, II, que:
123
APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

"pode ser declarada a falência do menor, com mais de 18 anos, que mantém estabelecimento comercial com
economia própria".

Mas a lei especial, que é a Lei de Falências, não revogou, nesse passo, a lei geral, que é o Código Civil.
Outros, mais audazes, sustentam que a lei falencial no preceito indicado criou norma interpretativa do Código
Civil, tese esdrúxula e mesmo absurda, pois a lei falimentar jamais poderia, nesse sentido, ser supletiva do
Código Civil. Desta forma, que o menor com 16 anos, estabelecendo-se com economia própria, mesmo sem
autorização paterna, emancipa-se, podendo ser comerciante. Isto porque a capacidade, segundo o sistema de
direito privado, constitui matéria civil, e aí o direito comercial, como direito especial que é, vai buscar, para seu
uso, os princípios nele fixados. Não deve haver, portanto, uma capacidade comercial e outra civil.

O menor que se estabelecer com 16 anos em negócio civil adquire capacidade; o menor que se
estabelecer com 16 anos em negócio comercial também adquire capacidade. O contrário seria um nonsense,
afetando inclusive o preceito constitucional de que todos são iguais perante a lei. A capacidade, nas normas que
lhe são peculiares, não distingue o comerciante do não-comerciante.

8.2- SUPRIMENTO DE AUTORIZAÇÃO

Perquire-se, por outro lado, se o juiz, em face da negativa paterna, de autorizar o filho menor a
comerciar, pode supri-la. A resposta há de ser negativa. A autorização é um corolário do pátrio poder; somente
o pai ou a mãe no exercício do pátrio poder é que podem autorizar o filho menor.

Cabe, por conveniente, também, lembrar o art. 155 do Código Civil, que dispõe que "o menor, entre 16
e 21 anos, não pode, para se eximir de uma obrigação, invocar a sua idade, se dolosamente a ocultou, inquirido
pela outra parte, ou se no ato de se obrigar, espontaneamente se declarou maior". A ninguém é lícito se
locupletar da própria torpeza.

8.3- O MENOR COMO SÓCIO DE SOCIEDADE COMERCIAL

É claro que o menor entre 18 e 21 anos pode ser sócio de sociedade comercial, desde que emancipado,
ou com 16 anos quando se emancipar pelo seu estabelecimento com economia própria. Acionista, todavia, pode
tornar-se, em qualquer idade, desde que de ações integralizadas. Não poderia subscrever ações não-
integralizadas, pois firmaria um contrato do qual poderiam decorrer sérias responsabilidades, com negativa
repercussão em seu patrimônio. Não devemos perder de vista que a ação de sociedade anônima constitui um
título de crédito, que dá ao seu proprietário também um status corporativo.

O pai representará o filho absolutamente incapaz no gozo desse status, como o de votar nas assembléias
gerais, pois tem o poder de administração sobre os bens do filho menor. Sendo as ações coisa móvel, pode o pai
negociá-las sem autorização do juiz. Questiona-se se o menor que veio a se tornar sócio de uma sociedade
comercial pode manter-se nesse status. Referimo-nos às sociedades chamadas de pessoas, que são as
constituídas tendo em vista a qualidade das pessoas que nelas se associam, inclusive as sociedades limitadas.

O Código, no art. 308, estipula que quando a sociedade dissolvida por morte de um dos sócios tiver de
continuar com os herdeiros do falecido (art. 335, n9 4), se entre os herdeiros algum ou alguns forem menores,
estes não poderão ter parte nela, ainda que sejam autorizados judicialmente; salvo sendo legitimamente
emancipados. O Registro do Comércio, exercido pelas Juntas Comerciais, não deve arquivar atos constitutivos
de sociedades de pessoas nos quais figurem menores. No Processo MIC n9 13.182/71, em que se recorreu ao
Ministro contra decisão da Junta Comercial do Estado da Paraíba, que negou arquivamento de alteração
contratual, foi decidido que "ex vi do disposto no art. 308 do Código Comercial, é vedada a participação de
menores, excetuando-se os legitimamente emancipados, em sociedade, ainda que na condição de herdeiro do
cotista falecido". (Boletim Informativo do DNRC, ns. 15-16, 1971).

124
APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

Dessa forma, os sócios de sociedades constituídas em função das pessoas, tais como as em nome
coletivo, comandita simples, capital e indústria e sociedades por cotas de responsabilidade limitada, não podem
ser menores, salvo se forem, quando maiores de 18 anos e menores de 21 anos, devidamente emancipados.
Admitir que o menor, nas condições apontadas, possa associar-se em sociedade limitada, levará, pelos mesmos
fundamentos, a admitir-se que possa ele associar-se, como sócio comanditário em sociedade em comandita
simples, pois este também incide na limitação de sua responsabilidade como simples prestador de capital. E isso
seria absurdo em face da lei.

8.4- A INCAPACIDADE DO INTERDITO PARA EXERCER O COMÉRCIO

Os interditos (sejam: o louco de todo o gênero; o surdo-mudo)

SEGURIDADE SOCIAL

O que é Seguridade Social?

Dentro do conceito de que o governo deve


oferecer assistência mínima à população em algumas
áreas, a Seguridade Social é o conjunto de políticas
sociais que viabilizam essa prestação de serviços.

Para que a Seguridade Social aconteça, ela


precisa da participação direta e indireta de todos na
administração e custeio dela. Ela é garantida pela
Constituição Federal de 1988, que passou a
reconhecer e ampliar os direitos individuais e da
sociedade no geral. A CF define a Seguridade Social
como um “conjunto de ações por parte dos poderes
públicos e da sociedade, destinadas a assegurar os direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência
social.”

Na prática, a Seguridade Social tem um sistema de proteção social para quem não tem meios para prover
suas necessidades pessoais básicas, nem de seus familiares. Isso pode acontecer por diversos fatores, como
desemprego, doenças ou invalidez, por exemplo. Seria, assim, uma forma de conseguir amparar o cidadão.

Quais os três pilares da Seguridade Social?

Você já pensou como muitas pessoas se sustentariam na velhice sem nem mesmo a aposentadoria do
INSS? Ou como seria o país sem o acesso à Saúde ou qualquer serviço da Assistência Social? Ainda que o
salário mínimo da aposentadoria e as políticas públicas dos sistemas de saúde e de assistência social se mostrem
insuficientes para atender a toda a população, a Seguridade Social se divide em três pilares:

• Assistência Social;
• Saúde;
• Previdência Social.

Os três pilares garantem este atendimento mínimo aos segurados que não têm como se sustentar por
conta própria. Caso o cidadão esteja dentro dos requisitos (de precisar de algum tipo de apoio), poderá receber
benefícios e ter acesso a serviços da assistência social e da saúde. De acordo com o artigo 196 da Constituição

125
APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

Federal, todas as pessoas têm direito à Saúde. Neste campo, o papel do governo não se restringe apenas ao
atendimento à população, que é feito através do Sistema Único de Saúde (SUS). Ele é financiado pelo setor
público e instituições privadas.

Ele também atua em ações de prevenção e vigilância sanitária, saneamento básico, proteção do meio
ambiente, incentivo à ao desenvolvimento científico e tecnológico para o tratamento e prevenção de doenças.
Também cabe ao governo verificar a produção de itens e de medicamentos e a realização de procedimentos.

A Previdência Social é o único recurso à população que é pago apenas para quem contribui ou já
contribuiu financeiramente para o Regime Geral de Previdência Social (RGPS) ou para Regimes Próprios de
Previdência Social (RPPS). Diferença entre Previdência Social e Seguridade Social. A Previdência Social é um
dos pilares da Seguridade Social. É por meio da Previdência que o governo oferece auxílio a desempregados,
mulheres em licença-maternidade, aposentados e pessoas com doenças ou invalidez.

Também existe o salário-família e auxílio-reclusão para dependentes de quem tem baixa renda, além da
pensão por morte do segurado, companheiros ou dependentes.

Custeio da Seguridade Social

A Seguridade Social é financiada pelos setores público, privado e pela própria população. O governo dá
sua participação através da União, estados, municípios e do Distrito Federal. Do outro lado, as contribuições
sociais são pagas pelos empregadores e entidades, por meio do desconto no salário e demais rendimentos.

Saúde e Assistência Social

O atendimento é disponibilizado para todos, tanto na saúde quanto na assistência social e não depende
de contribuição financeira do cidadão para que ele tenha acesso. Na área da saúde, a Seguridade Social garante
o acesso a hospitais de urgência e emergência e disponibilização de medicamentos. O custeio dos serviços
públicos de Saúde se dão pela União, que destina um montante determinado em um percentual do Produto
Interno Bruto (PIB).

Municípios e o Distrito Federal financiam a Saúde através do recebimento dos impostos cobrados e um
percentual do Fundo de Participação dos Municípios. Já os estados e o Distrito Federal também contribuem
com impostos e 12% do Fundo de Participação dos Estados.

Custeio da Previdência Social

Já a Previdência Social, como dito antes, é paga pelos empregadores e entidades por meio de um
desconto proporcional ao salário do funcionário ou aos ganhos do empreendimento no ano. Além do desconto
pela folha de pagamento, quem não tem vínculo empregatício pode custear a Previdência Social pagando um
carnê separadamente, como forma de garantir seu tempo de contribuição para garantir os benefícios.

A dificuldade com a gestão dos direitos previdenciários provocou, ao longo dos anos, um desequilíbrio
no orçamento da máquina pública, o que exigiu ajustes com as Emendas Constitucionais 20/1998 e 41/2002.
Além delas, a reforma da Previdência foi recentemente promulgada pelo Congresso Nacional, em novembro de
2019, como forma de fazer com que o balanço financeiro entre contribuição e concessão de benefícios volte a
se equilibrar.

Junto da reforma estão as alterações da chamada PEC paralela, com propostas a serem aprovadas e
inseridas às novas regras definidas na reforma.

PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL
126
APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

Os princípios constitucionais são aqueles que guardam os valores fundamentais da ordem jurídica. Nos
princípios constitucionais condensa-se bens e valores considerados fundamentos de validade de todo sistema
jurídico. Sabe-se que os princípios, ao lado das regras, são normas jurídicas. Os princípios, porém, exercem
dentro do sistema normativo um papel diferente dos das regras. As regras, por descreverem fatos hipotéticos,
possuem a nítida função de regular, direta ou indiretamente, as relações jurídicas que se enquadrem nas
molduras típicas por elas descritas. Os princípios consagrados constitucionalmente, servem, a um só tempo,
como objeto de interpretação constitucional e como diretriz para a atividade interpretativa, como guias a nortear
a opção de interpretação.

Serve o princípio como limite como limite de atuação do jurista. No mesmo passo em que funciona
como vetor de interpretação, o princípio tem como função limitar a vontade subjetiva do aplicador do direito.

Os princípios constitucionais estão contidos nos artigos 1º ao 4º da Constituição Federal:

Dos Princípios Fundamentais

Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do
Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos:

I - a soberania;

II - a cidadania;

III - a dignidade da pessoa humana;

IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa;

V - o pluralismo político.

Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente,
nos termos desta Constituição.

Art. 2º São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário.

Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:

I - construir uma sociedade livre, justa e solidária;

II - garantir o desenvolvimento nacional;

III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais;

IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de
discriminação.

Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos seguintes princípios:

I - independência nacional;

II - prevalência dos direitos humanos;

III - autodeterminação dos povos;


127
APOSTILA DO CURSO DE AUXILIAR JURÍDICO

IV - não-intervenção;

V - igualdade entre os Estados;

VI - defesa da paz;

VII - solução pacífica dos conflitos;

VIII - repúdio ao terrorismo e ao racismo;

IX - cooperação entre os povos para o progresso da humanidade;

X - concessão de asilo político.

Parágrafo único. A República Federativa do Brasil buscará a integração econômica, política, social e cultural
dos povos da América Latina, visando à formação de uma comunidade latino-americana de nações.

PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS FUNDAMENTAIS

São normas constitucionais estruturantes do Estado brasileiro, constituindo seus atributos basilares.

Princípio democrático – Está ligado à ideia de soberania popular, em que o poder político pertence ao povo,
que o exerce por meio de representantes ou diretamente.

Princípio Republicano – Diz respeito à forma de governo escolhida pelo Estado brasileiro, caracterizado pela
temporariedade do mandato, eletividade e responsabilidade do chefe de estado e governo.

Princípio federativo – Refere-se à forma de Estado adotada pelo Brasil, caracterizada por uma ordem soberana
e diversas ordens políticas autônomas.

Além dos princípios estampados nos artigos 1º ao 4º da Constituição Federal, podemos observar outros
princípios destinados a melhor aplicabilidade dos direitos constitucionais.

PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS GERAIS

Princípio da Legalidade: Refere-se à ideia de que os órgãos, as pessoas e autoridades devem se submeter
aos preceitos legais. Existem dois tipos de legalidade:

A legalidade genérica (art. 5º, II), na qual a pessoa pode fazer tudo que a lei não proíbe. A legalidade
administrativa (art. 37, caput), que é exatamente o inverso, ou seja, o administrador só pode atuar se houver
previsão legal.

Princípio da Igualdade: No texto da Constituição, encontramos a Igualdade formal, que prevê a


igualdade a todos, bem como encontramos a Igualdade Material, no qual consiste em conceder tratamento
diferenciado a pessoas que se encontram em situações diferentes.

Princípio do Devido Processo Legal (due processo of law): Este princípio é analisado sob dois prismas:
o devido processo legal, que busca assegurar a regularidade do procedimento, e deste derivam a demanda,
contraditório, ampla defesa e igualdade entre as partes; e o devido processo legal material, que tem por função
assegurar o exame de atos legislativos, administrativos e judiciais, tendo como corolário o princípio da
proporcionalidade, representada pelo tripé necessidade, adequação e proporcionalidade em sentido estrito.

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