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Alguém Para Abraçar

(Westcott 02)
Mary Balogh
Sinopse
Humphrey Wescott, Conde de Riverdale, morreu,
deixando para trás uma fortuna e um segredo
escandaloso que alterará para sempre a vida da sua
família ― enviando uma filha numa viagem de auto-
descoberta.
Com o casamento dos seus pais declarado
bígamo, Camille Westcott é agora ilegítima e sem
título. Procurando evitar as armadilhas da sua antiga
vida, ela sai de Londres para ensinar no orfanato em
Bath onde morava sua meia-irmã, recentemente
descoberta. Mas logo que se instala, ela tem de
pousar para um retrato encomendado por sua avó e
suportar um artista que mexe com todos os seus
nervos.
Professor de arte no orfanato que já fora a sua
casa, Joel Cunningham foi contratado para pintar o
retrato da nova e altiva professora. Mas à medida
que Camille pousa para Joel, o seu desprezo mútuo
logo se transforma em desejo. E é apenas o vínculo
entre eles que lhes permitirá enfrentar a dura
tempestade que vem a seguir.
Capítulo Um
Depois de vários meses a esconder-se, chafurdar
na miséria e negação, raiva e vergonha, e qualquer
outra emoção negativa que alguém quisesse
chamar, Camille Westcott finalmente assumiu o
controle da sua vida numa manhã ensolarada e
ventosa de julho. Com a idade de vinte e dois anos.
Ela não precisou assumir nada antes da grande
catástrofe, alguns meses antes, porque ela era uma
lady ― Lady Camille Westcott para ser exata, filha
mais velha do Conde e da Condesa de Riverdale ― e
as ladys não tinham ou precisavamde controle sobre
suas próprias vidas. Em vez disso, outras pessoas o
tinham: pais, criadas, enfermeiras, instrutores,
ajudantes, maridos, sociedade em geral ―
especialmente a sociedade em geral, com as suas
inúmeras regras e expectativas, a maioria delas não
escritas, mas, no entanto, reais e a ter em atenção.
Mas ela agora precisava se afirmar. Ela não era
mais uma dama. Ela agora era apenas a Srta.
Westcott, e nem tinha certeza do nome. Um
bastardo tinha direito ao nome do seu pai? A vida
surgiu à frente dela como um estranho assustador.
Ela não tinha ideia do que esperar. Não havia mais
regras, nem mais expectativas. Não havia mais
sociedade, nem mais lugar ao qual pertencesse. Se
ela não assumisse o controle e fizesse alguma coisa,
quem faria?
Era uma questão retórica, é claro. Ela não tinha
perguntado em voz alta no ouvido de ninguém, mas
ninguém teria uma resposta satisfatória para lhe
dar, mesmo que a tivesse. Então ela estava fazendo
algo sobre isso sozinha. Era isso ou se encolher num
canto escuro em algum lugar para o resto dos seus
dias. Ela não era mais uma dama, mas era, por
Deus, uma pessoa. Ela estava viva ― ela estava
respirando. Ela era alguém.
Camille e Abigail, sua irmã mais nova, moravam
com sua avó materna numa das imponentes casas
do prestigiado Royal Crescent em Bath. Estava no
topo de uma colina, acima da cidade,
esplendidamente visível a quilômetros de distância,
com sua extensa curva interior, de grandes casas
georgianas todas juntas como numa só, num parque
aberto, inclinado diante dele. Mas a visão funcionava
em ambos os sentidos. De qualquer janela virada
para a frente, os habitantes do Crescent podiam
contemplar a cidade e através do rio até aos
edifícios além para o campo e para as colinas à
distância. Era certamente uma das mais lindas
vistas de toda a Inglaterra, e Camille ficou
encantada com ela quando era criança, sempre que
sua mãe a trouxera juntamente com o seu irmão e
irmã em visitas prolongadas a seus avós. No
entanto, perdeu algo do seu encanto agora que ela
era forçada a viver ali no que parecia muito como o
exílio e a desgraça, embora nem ela nem Abigail
fizessem nada para merecer qualquer desses
destinos.
Ela esperou, naquela manhã ensolarada, até que
sua avó e sua irmã saíssem, como costumavam
fazer, para a Pump Room, perto da Bath Abbey para
se juntar ao passeio do mundo da moda. Não que o
mundo da moda fosse tão impressionante como já
havia sido no apogeu de Bath. Agora, um grande
número de habitantes,eram idosos que gostavam da
tranquilidade da vida ali, com arredores imponentes.
Mesmo os visitantes tendiam a ser pessoas mais
velhas que vinham para tomar as águas e imaginar,
com razão ou não, que sua saúde seria melhor por
suportar uma provação tão desagradável. Alguns
mergulhavam até ao pescoço, embora agora fosse
considerado um pouco extremo e antiquado.
Abigail gostava de ir ao Pump Room, pois aos
dezoitos anos ansiava por passeios e companhia e,
aparentemente, sua beleza jovem e requintada era
muito admirada, embora não recebesse muitos
convites para festas privadas ou até
entretenimentosmais públicos. Ela não era, afinal,
bastante respeitável, apesar do fato de que a Avó
assim o ser. Camille sempre se recusou firmemente
a acompanhá-las em qualquer lugar que pudessem
conhecer outras pessoas num ambiente social. Nas
raras ocasiões em que ela saiu, geralmente com
Abby, ela fê-lo com discrição, um véu sobre o seu
chapéu e puxado para o rosto, mais do que qualquer
outra coisa, ela temia ser reconhecida.
Não hoje, no entanto. E, ela prometeu a si
mesma, nunca mais. Ela terminou com a vida
antiga, e se alguém a reconhecesse e escolhesse a
ignorar, então ela faria o mesmo.
Era hora de uma nova vida e novos conhecidos. E
se houvesse alguns solavancos para ultrapassar, na
mudança de um mundo para outro, bem, então, ela
iria lidar com eles.
Depois que a Avó e Abby saíram, ela vestiu um
dos mais severos e conservadores dos seus vestidos
de caminhada, e vestiu um chapéu a combinar. Ela
colocou sapatos confortáveis, já que o tipo de
chinelos delicados que ela sempre usava, nos dias
em que ela viajava para todos os lugares de
carruagem, eram inúteis, agora,exceto para usar
dentro de casa. Finalmente, pegando suas luvas e a
bolsa, saiu para a rua de paralelepípedos sem
esperar que um servo abrisse e segurasse a porta
para ela e desconfiasse do seu estado solitário,
talvez até tentando detê-la ou enviar um lacaio
atrás dela. Ela ficou de fora durante alguns
instantes, assaltada por um terror repentino
próximo a pânico e se perguntando se, talvez,
depois de tudo, ela devesse voltar para dentro para
se esconder na escuridão e na segurança.
Em toda a sua vida, ela raramente havia
ultrapassado os limites de casa ou de um parque
muralhado, não acompanhada por um membro da
família ou um servo, muitas vezes por ambos. Mas
esses dias acabaram, embora a Avó, sem dúvida,
argumentasse a ideia. Camille ergueu os ombros,
ergueu o queixo e saiu na direção de Bath Abbey.
O seu verdadeiro destino, no entanto, era uma
casa em Northumberland Place, perto do Guildhall e
do mercado e da Ponte Pulteney, que atravessava o
rio Avon com elegância grandiosa. Era um edifício
indistinguível de muitos dos outros edifícios
georgianos com os quais a cidade abundava, sólido
e agradável aos olhos e de três andares, sem contar
o porão e o sótão, exceto que este era na verdade
três casas que tinham sido unidas numa só para
acomodar uma instituição.
Um orfanato, para ser precisa.
Foi onde Anna Snow, mais recentemente Lady
Anastasia Westcott, agora duquesa de Netherby,
passou sua infância.
Foi onde ela tinha ensinado durante vários anos
depois que cresceu. Foi a partir dalí que ela tinha
sido convocada para Londres por uma carta de
advogado. E foi em Londres que seus caminhos e
suas histórias haviam convergido, Camille e
Anastasia, aquela que se elevaria a alturas além das
suas fantasias mais loucas, a outra a ser
mergulhada nas profundidades mais fundas do que
dos seus piores pesadelos.
Anastasia, também uma filha do Conde de
Riverdale, tinha sido enviada ao orfanato ― por ele
― numa idade muito jovem, após a morte da sua
mãe. Ela cresceu lá, apoiada financeiramente, mas
muito ignorante de quem ela era. Ela nem sabia o
seu nome verdadeiro. Ela era Anna Snow, Snow era
o nome de solteira da mãe, embora também não
tivesse percebido isso. Camille, por outro lado,
nascida três anos depois de Anastasia, cresceu
numa vida de privilégio, riqueza e direito com Harry
e Abigail, seus irmãos mais novos.
Nenhum deles sabia da existência de Anastasia.
Bem, Mama sabia, mas sempre assumiu que o filho
de Papa, sustentado secretamente num orfanato em
Bath, era o filho dele com uma amante. Foi só
depois da sua morte, há vários meses que a verdade
surgiu.
E que verdade catastrófica que foi!
Alice Snow, mãe de Anastasia, era a esposa
legítima de Papa. Eles se casaram secretamente em
Bath, embora ela o tivesse deixado um ano ou mais
depois, quando a sua saúde piorou e retornou à casa
dos seus pais perto de Bristol, levando a filha deles
com ela. Ela tinha morrido, algum tempo depois de
tuberculose, mas só quatro meses depois que Papa
casou com Mama num casamento bígamo e ilegal. E
porque o casamento era nulo e sem efeito, todos os
aspetos desse casamento eram ilegítimos. Harry
perdeu o título que recentemente herdara, Mama
perdeu todo o estatussocial e voltou de novo para o
nome de solteira ― agora se chamava de Miss
Kingsley e morava com seu irmão, o clérigo tio
Michael, num vicariato em Dorsetshire. Camille e
Abigail não eram mais Lady Camille e Lady Abigail.
Tudo o que tinha sido deles havia sido retirado. O
primo Alexander Westcott ― ele era na verdade um
segundo primo ― herdara o título e as propriedades,
apesar do fato de ele ter genuinamente recusado
ambos, e Anastasia havia herdado todo o resto.
Todo o resto era a grande fortuna que Papa havia
acumulado depois do seu casamentobígamo com
Mama. Todo o resto também incluía Hinsford Manor,
a casa de campo em Hampshire onde eles sempre
viveram quando não estavam em Londres, e
Westcott House, a sua residência em Londres.
Camille, Harry, Abigail e a mãe deles não ficaram
com nada.
Como golpe final, Camille perdeu o seu noivo. O
visconde Uxbury a convocou no próprio dia em que
ouviram a notícia. Mas, em vez de oferecer a
simpatia e o apoio esperados, e em vez de levá-la
para o altar, com umalicença especial acenando na
mão, ele tinha sugerido que ela enviasse uma
notificação para os jornais anunciando o fim do seu
noivado para que não sofresse a vergonha adicional
de ser descartada. Sim, um golpe esmagador,
apesar de Camille nunca ter falado disso.
Justamente quando parecia que não poderia descer
mais baixo ou ter uma dor maior para suportar,
poderia haver e havia, mas a dor pelo menos era
algo que ela poderia manter para si mesma.
Então era ali que ela e Abigail estavam vivendo
em Bath sob a caridade da sua avó, enquanto Mama
definhava em Dorsetshire e Harry estava em
Portugal ou Espanha como um oficial subalterno com
o 95º Regimento de Infantaria, também conhecido
como As Espingardas, contra as forças de Napoleão
Bonaparte. Ele não poderia ter comprado a comissão
por conta própria, é claro. Avery, o duque de
Netherby, primo e tutor de Harry, comprou para ele.
Harry, na sua defesa, se recusou a permitir que
Avery o estabelecesse num regimento de cavalaria
mais prestigiado e, portanto, mais caro e deixou
claro que não permitiria que Avery comprasse
qualquer promoção para ele.
Que tipo de ironia seria ela acabar no lugar onde
Anastasia cresceu, Camille se perguntou, não pela
primeira vez, quando ela descia a colina. O orfanato
tinha agido como um ímã desde que ela veio para
ali, atraindo-a muito contra a sua vontade. Ela
passou porele algumas vezes com Abigail e
finalmente ― por causa dos protestos de Abby ―
entrou para se apresentar à responsável, Senhorita
Ford, que lhe deu uma visita à instituição enquanto
Abby permaneceu lá fora sem um acompanhante.
Tinha sido uma provação e um alívio, vendo
realmente o lugar, percorrendo o chão que
Anastasia deve ter percorrido mil vezes ou mais.
Não era o tipo de horror de uma instituição, que às
vezes se ouvia falar.
O prédio era espaçoso e limpo. Os adultos que
odirigiam pareciam bem vestidos e alegres. As
crianças que viu estavam decentemente vestidas e
bem-comportadas e pareciam estar bem
alimentadas. A maioria deles, explicou a Srta. Ford,
foi adequadamente e até mesmo generosamente
apoiada por um pai ou membro da família, embora a
maioria desses adultos escolheu permanecer
anônimo. Os outros eram apoiados por benfeitores
locais.
Um desses benfeitores, Camille tinha ficado
espantada ao saber, embora de nenhuma criança
específica, era a sua própria avó. Por algum motivo,
ela recentemente tinha visitadoe concordou em
equipar a sala de aula com uma grande estante e
livros para preenchê-la. Porque ela sentiu a
necessidade de fazê-lo, Camille não sabia, tal como
não compreendia a sua própria ##
constranger/forçar/obrigar/necessitar<<compulsão
para ver o prédio e realmente entrar. A Avó
certamente não se sentiria mais disposta em relação
a Anastasia do que ela. Aliás menos, na verdade.
Anastasia era pelo menos a meia-irmã de Camille,
mas ela não era nada para a Avó, além de ser a
evidência visível de um casamento que privara a sua
própria filha da identidade que aparentemente tinha
sido dela por mais de vinte anos. Meu Deus, Mama
tinha sido Viola Westcott, Condessa de Riverdale,
durante todos esses anos, embora na verdade o
único desses nomes para os quais tinha tido
qualquer reivindicação legal era Viola.
Hoje Camille voltava ao orfanato sozinha. Anna
Snow tinha sido substituída por outra professora,
mas a Senhorita Ford havia mencionado, de
passagem durante a anterior visita, que a Senhorita
Nunce talvez não permanecesse muito mais tempo
por lá. Camille havia insinuado com uma
impulsividade que a deixara intrigada e alarmada,
que ela podia estar interessada em preencher o
cargo, se a professora se demitisse. Talvez a
Senhorita Ford se estivesse esquecido ou não a
tivesse levado a sério. Ou talvez tenha julgado
Camille inadequada ao cargo. No entanto, ela não
havia informado Camille quando a Senhorita Nunce
realmente saiu.
Foi por acaso que a Avó viu o aviso para um novo
professor no jornal de ontem e o tinha lido em voz
alta para suas netas.
O que diabos, Camille se perguntou, enquanto se
aproximava do fundo da colina e virava em direção
de Northumberland Place, ela sabia sobre ensinar?
Especificamente, o que ela sabia sobre ensinar a
um grupo supostamente grande de crianças, de
todas as idades e habilidades e de ambos os sexos?
Ela franziu a testa, e um jovem casal se
aproximando dela ao longo do pavimento saiu
inteligentemente fora do seu caminho como se uma
presença terrível estivesse se debruçando sobre
eles. Camille nem se apercebeu.
Por que diabos ela deveria implorar para poder
ensinar órfãos no lugar onde Anastasia cresceu e
ensinou? Ela ainda antipatizava, ressentia e, sim,
até odiava a ex ― Anna Snow.
Não importava que ela soubesse que estava a ser
injusta.
Afinal, não era culpa de Anastasia que Papa se
comportasse tão desprezivelmente, e ela sofreu as
consequências por vinte e cinco anos antes de
descobrir a verdade sobre si mesma.
Também não importava que Anastasia tivesse
tentado abraçar os seus irmãos recém-descobertos
como família e que tivesse oferecido mais de uma
vez para partilhar tudo o que havia herdado com
eles e permitir que suas duas meias irmãs
continuassem a viver com a sua mãe em Hinsford
Manor, que agora pertencia a ela. Aliás, a sua
generosidade simplesmente tornou mais difícil
gostar dela. Como ousou lhes oferecer uma porção
do que sempre foi deles por direito, como se ela
estivesse fazendo um grande e gracioso favor? O
que de certa forma, ela estava.
Era uma hostilidade puramente irracional, é
claro, mas as cruas emoções não eram razoáveis. E
as emoções de Camille ainda eram tão cruas quanto
feridas abertas que nem sequer começaram a curar.
Então, porque exatamente ela estava indo ali?
Ela parou no passeio fora das portas principais do
orfanato durante alguns minutos, debatendo a
questão como se ela ainda não tivesse feito isso
ontem e ao longo deuma noite de sono agitado e
longos períodos de vigília. Foi só porque sentiu a
necessidade de fazer algofazer algo com a vida
dela? Mas não haviacom a vida dela? Mas não havia
outras coisas mais adequadas que ela poderia
foutras coisas mais adequadas que ela poderia fazer
em vezazer em vez disso? E se ela devedisso? E se
ela deveria ensinar, não haveria posições maisia
posições mais respeitáveisrespeitáveisrespeitáveis
aaa quequeque elaelaela pudessepudessepudesse
aspirar?aspirar?aspirar? HaviaHaviaHavia
escolasescolasescolas dedede meninas gentis em
Bmeninas gentis em Bath, e sempre havia gente á
procura dete á procura de governantas bem-
criadascriadas parapara asas suassuas filhas.filhas.
MasMas aa suasua necessidade de ir anecessidade
de ir ali hoje não tinha realmente nada a ver
comnada a ver com qualquer desejo de ensinar, não
é? Issoe ensinar, não é? Isso era … Bem, o queBem,
o que era?
A necessidade de calçar os sapatos deA
necessidade de calçar os sapatos de Anna Snow
paraAnna Snow para descobrir como eles eram? Que
pensamento absolutamentedescobrir como eles
eram? Que pensamento absolutamentedescobrir
como eles eram? Que pensamento absolutamente
horrível. Mas se ela ficasse mais tempo ahorrível.
Mas se ela ficasse mais tempo ali, ela perderia ai,
ela perderia a coragem e se encontraria
voltandopara tráscoragem e se encontraria
voltandopara trás, subindo a colina,subindo a colina,
perdida, derrotada,, abjeta e qualquer outra coisa
horrível queabjeta e qualquer outra coisa horrível
que pudesseudesse pensar.pensar. AlémAlém
disso,disso, ficarficar alii eraera
desconfortáveldesconfortável.
Embora fosse julho e o sol estivessejulho e o sol
estivesse a brilhar, ainda era, ainda era manhã e ela
estava à sombra do prédio. A ruamanhã e ela estava
à sombra do prédio. A rua tambémtambém estava
agindo como um tipo de funilndo como um tipo de
funil para um vento forte.
Ela deu um passo à frente,Ela deu um passo à
frente, levantou a pesada aldravatou a pesada
aldrava da porta, hesitou por apenas um momento,
e depoisporta, hesitou por apenas um momento, e
depois a deixouporta, hesitou por apenas um
momento, e depois cair. Talvez lhe recusassemcair.
Talvez lhe recusassem o emprego. Que grande
alívioemprego. Que grande alívio seria.
Joel Cunningham estava se sentindo no topo do
mundoJoel Cunningham estava se sentindo no topo
do mundoJoel Cunningham estava se sentindo no
topo do mundo quando ele saiu da cama naquela
manhã. O sol de julhoquando ele saiu da cama
naquela manhã. O sol de julhoquando ele saiu da
cama naquela manhã. O sol de julho entrou nos
seus aposentosem seus aposentos assim que ele
afastou as cortinasassim que ele afastou as cortinas
de cada janela para deixá-lo entrar, enchendo-os de
luz e calor. Mas não foi apenas o perfeito dia de
verão que levantou o seu humor. Esta manhã, ele
estava tomando tempo para apreciar a sua casa. Os
seus aposentos ― plural.
Ele tinha trabalhado arduamente nos doze anos
desde que ele deixou o orfanato aos 15 anos e se
instalou num pequeno quarto no último andar de
uma casa na Grove Street, a oeste do rio Avon.
Tinha trabalhado num talho enquanto frequentava a
escola de arte. O anônimo benfeitor que pagou a
sua permanência no orfanato ao longo da sua
infância pagou também as taxas escolares e cobriu o
custo dos suprimentos escolares básicos, embora,
para o resto, ele estivesse sozinho. Ele persistiu na
sua pintura, quer na escola e no emprego enquanto
trabalhava,sempre que podia.
Muitas vezes, depois de pagar seu aluguel, ele
teve que fazer a escolha entre comer e comprar
suprimentos extras, e comer nem sempre ganhou.
Mas esses dias estavam distantes. Ele estava
sentado no exterior do Pump Room, no quintal da
abadia numa tarde, alguns anos atrás, esboçando
um vagabundo empoleirado sozinho num banco
próximo e partilhando uma crosta de pão com os
pombos. Esboçar pessoas que ele via perto dele nas
ruas era algo que Joel adorava fazer e algo para o
qual, um dos seus professores de arte lhe dissera,
tinha um talento genuíno. Ele não tinha se
apercebido do cavalheiro sentado a seu lado até que
o homem falou. O resultado da conversa que se
seguiu foi uma encomenda para pintar um retrato
da esposa do homem. Joel estava com medo de
falhar, mas ele ficou satisfeito com a forma que a
pintura ficou. Ele não tentou fazer a dama parecer
mais nova ou mais bonita do que era, mas tanto o
marido quanto a esposa, ficaram genuinamente
encantados com o que eles chamavam de realismo
do retrato. Eles mostraram-no a alguns amigos e o
recomendaram a outros.
O resultado foi mais dessas encomendas e, em
seguida, ainda mais, até que ele foi bastante vezes
inundado por
##exigências/solicitar/requerer/desejar<<
demandas pelos seus serviços e desejou que
houvesse mais horas no dia. Ele conseguiu deixar o
seu emprego, há dois anos atrás, e aumentar os
seus honorários. Recentemente, ele os tinha
aumentado de novo, mas ninguém ainda se
queixara de que ele estava cobrando demais.
Chegara a hora de começar a procurar um estúdio
para trabalhar. Mas no mês passado, a família que
ocupava o resto do último andar da casa em que ele
tinha seu quarto tinha comunicado a sua saída, e
Joel perguntou ao senhorio se ele podia alugar todo
o andar, que estava completamente mobilado. Ele
teria o luxo de um estúdio considerável para
trabalhar, bem como uma sala de estar, um quarto
de dormir, uma cozinha que funcionava também
como sala de jantar e um banheiro.
Pareciaum verdadeiro palácio para ele.
A família se mudou na manhã anterior, na noite
passada, comemorou sua mudança de sorte,
convidando cinco amigos, todos do sexo masculino,
a partilhar as tortas de carne que comprou no talho,
um bolo da padaria ao lado, e algumas garrafas de
vinho. Tinha sido umas agradáveis boas-vindas.
― Você vai desistir do orfanato, suponho ―
Marvin Silver, o funcionário do banco que morava no
segundo andar, tinha dito depois de brindar o
sucesso contínuo de Joel.
― De ensinar lá, você quer dizer? ― perguntou
Joel.
― Você não é pago, não é? ― Marvin havia dito
― E parece que você precisa de todo o seu tempo
para cumprir com aquilo que você é pago, muito
bem, pelo que eu ouvi.
Joel ofereceu o seu tempo, duas tardes por
semana, na escola do orfanatoensinando arte para
aqueles que queriam fazer um pouco mais do que
era ensinado nas aulas de arte dadas pelo professor
regular. Na verdade, ensinar não era a palavra
correta para o que ele fazia com essas crianças. Ele
pensou no seu papel ser mais na natureza de
inspirá-los a descobrir e expressar a sua visão e
talento artístico individual. Ele costumava ansiar por
aquelas tardes. No entanto, elas não tinham sido tão
divertidas ultimamente, embora isso não tivesse
nada a ver com as crianças ou com sua vida cada
vez mais ocupada além das paredes do orfanato.
― Eu sempre vou ter tempo para ir lá ― ele
assegurou a Marvin, e um dos outros companheiros
deu-lhe uma palmada com muita alegria, nas
costas.
― E o que dizer da Sra. Tull? ― Perguntou ele,
erguendo as sobrancelhas ― Você está pensando
trazê-la para aqui para cozinhar e limpar para você,
entre outras coisas, Joel?
Como a Sra. Cunningham, talvez? Você
provavelmente pode permitir-se ter uma esposa.
Edwina Tull era uma bonita e amável viúva, cerca
de oito anos mais velha que Joel. Parecia ter sido
deixada bem de vida pelo seu falecido marido,
embora, nos três anos que Joel a conhecia, ele
suspeitava que ela entretinha outros amigos do sexo
masculino, além dele próprio, e que aceitou
presentes ― presentes monetários ― deles, como
fez com ele.
O fato de ele não ser, muito possivelmente, o seu
único amigo do sexo masculino não o incomodou
particularmente. Na verdade, ele ficou bastante feliz
por nunca ter havido qualquer sugestão de
compromisso entre eles. Ela era respeitável,
carinhosa e discreta, e lhe deu companhia feminina
regular e uma conversa animada, bem como bom
sexo. Ele estava satisfeito com isso. Seu coração,
infelizmente, há muito tempo estava noutro lugar, e
ele ainda não o tinha recuperado, embora o objeto
da sua devoção tivesse se casado recentemente com
outra pessoa.
― Estou bastante feliz em desfrutar do meu lar
expandido, sozinho, durante um tempo ainda ―
disse ele ― Além disso, acredito que a Sra. Tull está
bastante feliz com a independência dela.
Seus amigos acabaram com a comida e o vinho e
ficaram até depois da meia-noite. Tinha se sentido
muito bem em poder receber na sua própria casa e,
realmente, ter cadeiras suficientes para que todos
se sentassem.
Agora ele caminhavapelas divisões em que vivia
e trabalhava, com o sol da manhã e se divertia
novamente ao perceber que todo esse espaço era
seu. Ele havia percorrido um longo caminho em doze
anos. Ele ficou de pé diante do cavalete no estúdio e
olhou para o retrato que ele conseguiu deixar
apoiado. Além de alguns pequenos acabamentos,
estava pronto para ser entregue. Ele ficou
particularmente satisfeito com isso porque lhe tinha
dado problemas. A Sra.
Dance era uma dama apagada que
provavelmente nunca tinha sido bonita. Ela era
branda e amável e, no início, perguntou a si mesmo
como diabo ele iria pintá-la de tal forma que ela e
seu marido ficassem satisfeitos. Ele lutou com a
pergunta por várias semanas, enquanto ele a
esboçava e conversava com ela, e descobriu que sua
amabilidade era calorosa e genuína e que tinha sido
duramente conquistada: ela tinha perdido três dos
seus sete filhos na infância e outro, pouco antes de
terminar a escola. Uma vez que Joel apagou a
palavra preconceituosa “branda” como uma
característica, ele começoua vê-la como uma pessoa
genuinamente amável e teve grande prazer em
pintar o seu retrato. Ele esperava que tivesse
capturado o que ele viu como a essência do seu
bem, suficiente para que os outros também vissem.
Mas, embora seus dedos coçassem para pegar no
pincel, para fazer esses toques finais, ele teve que
resistir. Ele tinha combinado com a Srta. Ford, em ir
à escola do orfanato no início do dia de hoje, já que
ele tinha um encontro, com outro cliente, esta tarde,
o qual não conseguiu mudar para um horário
diferente. Mas mesmo o pensamento de ir cedo à
escola não conseguiu estragaro seu humor, pois ele,
hoje, teria a sala de aula para si epara o seu
pequeno grupo e,se fosse afortunado, durante o
resto do verão.
Enquanto a Srta. Nunce tinha ensinado na escola
do orfanato, Joel e o seu grupo tiveram que se
espremer num terço da sala de aula, estritamente
calculado ― ela realmente tinha medido com uma
longa fita emprestada de Roger, o porteiro, e
marcou com giz. Eles tinham se aglomerado com
seus cavaletes e todas as outras parafernálias
necessárias de uma aula de arte, enquanto ela
conduzia as suas lições nos outros dois terços. Seu
raciocínio tinha sido que ele tinha um terço do
número total de alunos, enquanto ela tinha dois
terços. O equipamento artístico não influenciou sua
visão.
Mas na semana passada, a Srta. Nunce demitiu-
se, antes que ela fosse expulsa á força.
Joel não estava lá no momento, mas não
lamentou sua partida. Não fora apenas a mulher se
intrometer no seu terço da sala, pisando
cuidadosamente a linha de giz para não a
esborratar, dar seu veredicto sobre as pinturas em
andamento e, invariavelmente, externar uma
opinião depreciativa. Ela era uma mulher opinativa,
sem alegria, que desprezava claramente todas as
crianças e os órfãos em particular. Parecia ter como
sua missão pessoal prepará-los para serem humildes
e servis e conhecerem o seu lugar ― esse lugar
sendo o nível inferior da escada social, ou talvez um
pouco baixo do degrau inferior. Às vezes ele
pensava que ela até se ressentia mesmo,tendo que
ensinar-lhes a ler, escrever e calcular. Ela tinha feito
todo o possível para reprimir sonhos e aspirações,
talentos e imaginação, o que, na opinião dela, era
inapropriado para a sua condição de órfãos.
Ela saiu depois que Mary Perkins foi correndo
para encontrar a senhorita Ford para lhe dizer que
Miss Nunce estava batendo em Jimmy Dale. Quando
a Srta. Ford chegou à cena, Jimmy estava parado na
esquina, de costas para a sala, se contorcendo de
dor de um traseiro dolorido. A Srta.
Nunce, ao que parece, o descobriu lendo um dos
novos livros ― infelizmente para ele, um dos
volumes maiores e mais pesados ― e realmente riu
sobre algo dentro das suas páginas.
Ela o pegou, instruiu-o a ficar de pé e se
debruçar sobre sua mesa, e sovou-o uma dúzia de
vezes com ele antes de enviá-lo para a esquina para
contemplar os seus pecados. Ela ainda estava
segurando o livro e arengando a classe sobre os
males do uso trivial do tempo e da leveza do espírito
vazio quando Miss Ford apareceu. Ao vê-la, a
senhorita Nunce virou o olhar triunfante sobre a
matrona.
― E isso ― ela declarou ― é o que acontece em
permitir livros na sala de aula.
Os livros, juntamente com uma grande estante
para exibi-los, foram doados há pouco por uma Sra.
Kingsley, uma rica e proeminente cidadã de Bath.
Miss Nunce tinha sido bastante enfática na sua
oposição, naquela ocasião. Livros, ela tinha avisado,
simplesmente dariam ideias aos órfãos.
A senhorita Ford havia atravessado a sala até
Jimmy, virou-o pelos ombros e perguntou porque
ele estava lendo na aula. Ele tinhaexplicado que seu
exercício aritmético estava terminado e que ele não
queria ficar ocioso. Com certeza, todas as suas
somas foram concluídas e todas estavam corretas.
Ela o enviou de volta ao assento depois de retirar o
xale e dobrá-lo várias vezes até um quadrado para
ele se sentar. Ela pediu aos monitores do dia que se
encarregassem da sala e convidou a senhorita
Nunce a sair, muito para o desapontamento das
crianças. Joel ficaria desapontado também se ele
estivesse lá. Mas então, o incidente não teria
acontecido se ele estivesse lá. Nenhuma criança no
orfanato era agredida. Era uma das regras imutáveis
de Miss Ford.
Menos de quinze minutos depois ― as crianças e
alguns dos funcionários de outras partes do prédio
ouviram a voz levantada da professora alternando
com silêncios que provavelmente indicavam que a
Srta. Ford estava falando ― Miss Nunce afastou-se
do prédio com Roger, alguns passos atrás dela, para
fechar a porta, para que ela não mudasse de ideia.
Joel se alegrou, não só porque achou difícil
trabalhar com ela, mas porque ele cuidava das
crianças ― todas elas.
Ele também ficou muito aliviado, porque Miss
Nunce tinha sucedido a Anna Snow, que tinha saído
alguns meses atrás, e que tinha sido tudo o que ela
não era. Anna tinha trazido a luz do sol para a sala
de aula.
Era Anna quem ele amava, embora tentasse
obstinadamente usar o tempo passado sempre que
ele considerava os seus sentimentos por ela. Ela era
uma mulher casada agora. Ela era a duquesa de
Netherby.

Capítulo Dois Depois que Joel chegou à escola, o


seu grupo de arte ― crianças com idades entre oito
e treze anos ― estava absorvido na pintura de uma
natureza morta que ele colocara na mesa. Eles
estavam usando óleos em tela, um desafio difícil
para a maioria deles. Ele caminhou silenciosamente
sobre a sala, observando os seus esforços enquanto
tentava não desarmar nenhum deles ou interromper
a sua concentração. No entanto, não demorou muito
para Winifred Hamlin quebrar. Sua mão disparou de
repente no ar, e Joel suspirou por dentro.
― O bule da Olga é menor do que a maçã dela,
Sr.
Cunningham ― disse ela sem esperar permissão
para falar, então porque levantou a mão?
Era realmente. O bule da Olga tinha sido pintado
com o cuidado meticuloso e possível que se poderia
utilizar numa miniatura. Sua maçã, por outro lado,
era redonda e vermelha, amarela e verde, brilhante
e exuberante ― e enorme. Na verdade, parecia mais
atraente e apetitosa do que o original, que estava na
mesa coberta de linho com o grande bule, uma
xícara, um prato e um livro.
― E assim é ― disse ele, apoiando uma mão no
ombro de Winifred ― Quando todos terminarem,
vamos lhe perguntar porque é assim. Nós também
perguntaremos a Paul porque os objetos na sua
pintura estão em linha reta e não se tocam. E
Richard nos contará por que, na sua tela, os objetos
são vistos de cima, como se estivesse sentado no
seu cavalete no teto. Se você terminou, Winifred,
você pode limpar os seus pincéis e paleta e colocá-
los no armário ― ele não acrescentou que ela
deveria arrumá-los corretamente. Ela fazia tudo
corretamente.
Na pintura de Winifred, ele viu que tudo estava
em perfeita proporção como o resto e posicionado
como os objetos reais estavam na mesa. A própria
mesa estava ausente, no entanto. Os objetos
pendurados no espaço. Ele perguntaria sobre isso
mais tarde.
Houve uma batida na porta e algumas das
crianças viraram as cabeças quando a abriram.
Vários não, mostrando uma admirável concentração
no seu trabalho.
A senhorita Ford entrou na sala com uma jovem
mulher de aparência severa, vestida elegantemente,
mas sem graça, da cabeça aos pés em castanho.
Uma nova professora? Já? O coração de Joel
afundou.
Ela parecia tão sem humor como a senhorita
Nunce, e ele estava esperando uma folga, mesmo
de um bom professor, já que era o meio do verão e
a maioria das escolas estava fechada até setembro.
Esta permaneceu aberta apenas porque estava no
local onde as crianças viviam e os mantia ocupados
e divertidos durante os longos e frequentes dias de
calor. Pelo menos, essa era a filosofia por trás de
mantê-la.
― Sr. Cunningham ― disse a senhorita Ford ―
posso apresentar a Srta. Westcott? Ela candidatou-
se ao cargo de professora, e concordamos
mutuamente com uma experiência de quinze dias.
Todas as cabeças giraram.
Westcott? Os olhos de Joel se aguçaram sobre a
nova professora.
Miss Ford confirmou suas suspeitas.
― Srta. Westcotté a irmã da duquesa de
Netherby ― explicou ― Elaestá atualmente morando
em Bath com sua avó, a Sra. Kingsley.
― Meia-irmã ― corrigiu a mulher, dando a
impressão de que, no que lhe dizia respeito, era
meio relacionamento a mais ― Como você está, Sr.
Cunningham?
Ela era, então, a esquiva Srta. Westcott, não era?
Joel tinha visto a outra ― a bonita. Anna ficou
encantada quando, aos vinte e cinco anos, descobriu
a família, mas as suas meias-irmãs tinham
desprezado as suas propostas de amizade e carinho.
Para profunda tristeza de Anna, elas se afastaram,
primeiro de Londres e depois da sua casa senhorial
para virem viver aqui em Bath. Ela se preocupou
com elas e escreveu, para perguntar a Joel se ele
poderia descobrir o seu paradeiro e descobrir se
tudo estava bem com elas, bem quanto era possível
estar, quando perderam tudo.
Ele descobriu quem era sua avó e a tinha visto
algumas vezes com a outra irmã, entrando na Pump
Room para se juntar ao mundo elegante, que ia lá
diariamente para tomar as águas e trocar fofocas.
Aliás, ele tinha sido apresentado a duas delas
numa festa dada pela própria Sra. Dance, cujo
retrato estava agora no cavalete no seu novo
estúdio. Ela o convidou para participar e trazer
algumas das suas pinturas menores para mostrar a
seus convidados numa amável tentativa de ajudá-lo
a adquirir mais clientes. Ele nunca colocou os olhos
sobre a outra neta, até agora. Ele havia assumido
que ela era reclusa. Ela era certamente a mais
pálida das duas ― e mais pálida do que Anna
também. Ela também parecia severa.
― Como você está, Srta. Westcott? ― Ele
perguntou.
Ela era alta e constituída numa escala generosa,
embora a sua imagem completa fosse bem
proporcionada e elegante.
Ela tinha cabelos escuros e uns agradáveis olhos
azuis, um maxilar bem definido e um queixo de
aparência obstinada.
Características audazes que a impediam que
fosse bonita. Ela não era feia, no entanto. Graciosa,
talvez fosse uma boa palavra para descrevê-la.
Parecia uma mulher nascida para comandar. Ela
parecia, de fato, como alguém que viveu a maior
parte da sua vida como Lady Camille Westcott, a
filha mais velha de um conde.
Ele não gostou dela imediatamente.
― Estou ansioso para trabalhar com você.
― Eu expliquei ― disse a senhorita Ford ― que
você geralmente vem aqui duas tardes por semana,
Sr.
Cunningham.
Srta. Westcott fez exatamente o que a senhorita
Nunce costumava fazer, embora não houvesse mais
uma linha de giz na sala. Ela se afastou da porta e
vagou entre os cavaletes, olhando as pinturas sobre
os ombros das crianças.
― O bule de Olga é menor do que sua maçã,
senhorita ― informou Winifred.
Srta. Westcott olhou-a com as sobrancelhas
levantadas, como se não pudesse acreditar na
evidência dos seus próprios ouvidos, que uma
criança realmente se dirigira a ela sem ser
convidada a fazê-lo. Então ela olhou para a mesa
onde a natureza morta tinha sido colocada, olhou
para a tela de Olga e demorou-se a examiná-la. Joel
conseguia sentir os seus pelos eriçarem. Miss Ford
cruzou as mãos na sua cintura.
― Mas a maçã parece boa o suficiente para
comer ― disse a Srta. Westcott ― ou talvez muito
boa para comer.
Talvez Olga veja como o objeto mais significativo
na mesa.
Você foi instruída a pintar os objetos como você
os vê ou como você os sente?
Irracionalmente, Joel sentiu-se ainda mais
irritado. Era possível que ela compreendesse, que
ela entendesse? De alguma forma ele não queria
isso. Ele queria se sentir justificado em não gostar
dela. Mas seria só porque ela não era amável com
Anna? Ou era porque ela parecia séria e sem humor
e ele não queria que ela estivesse próxima das
crianças? O que a senhorita Ford estaria a pensar?
― Sr. Cunningham nunca nos conta como pintar,
senhorita ― disse Richard Beynon ― Ele nos faz
pensar isso por nós mesmos. Ele nos diz que não
pode nos ensinar a ver as coisas da maneira que
queremos pintá-las.
― Ah ― disse ela ― Obrigada. E isso deveria ser
"ele nunca nos contará" ou "ele nunca mais nos
contará." Você já ouviu o enigma da dupla negativa
realmente fazer uma positiva?
O rosto de Richard se iluminou.
― Isso faz você querer arranhar sua cabeça,
senhorita, não é? ― Ele disse, sorrindo amplamente.
Apesar desse intercâmbio, ela ainda parecia séria
e sem humor quando voltou para o lado de Miss
Ford. Ela caminhou com uma postura ereta e
inflexível, como quando ela era criança e tivesse
sido obrigada a caminhar com um livro equilibrado
na sua cabeça.
― Perdoe-me Sr. Cunningham por interromper
sua aula ― disse ela ― Estou ansiosapara trabalhar
com você também.
Ele esperava que ela estendesse a mão para ser
cumprimentada. Em vez disso, ela inclinou a cabeça
graciosamente ― uma grande dama a ser
condescendente para com um inferior? ― e saiu da
sala com a senhorita Ford, que sorriu para ele antes
de fechar a porta.
Então o que foi isso? Ele se perguntou quando
franziu a testa para os painéis das portas. O que em
nome de Deus teria na sua cabeça para candidatar-
se a ensinar aqui, sobre todos os lugares? Na
própria sala de aula onde Anna tinha ensinado. No
orfanato onde Anna cresceu. Ela rejeitou a oferta de
carinho de Anna. No entanto, ela estava escolhendo
vir para aqui?
― Ela gostou da pintura de Olga, Winnystou da
pintura de Olga, Winny ― disse Richardisse Richard,
e ele estava mostrando a língua e revirandoe ele
estava mostrando a língua e revirando os olhos
quandoos olhos quando Joel se virou.
― E ela corrigiuorrigiu suasua
gramática,gramática, RichardRichard ― replicou
Winifred, encolhendo o rostoencolhendo o rosto.
― Se seus olhosSe seus olhos se mantiverem
assim, meu garotose mantiverem assim, meu garoto
― disse Joel ― você se cansará devocê se cansará
de ter que olhar seu nariz para oter que olhar seu
nariz para o resto da sua vida. E se você continuar
fazendo isso, Winresto da sua vida. E se você
continuar fazendo isso, Winifred,resto da sua vida. E
se você continuar fazendo isso, Win você terá um
rosto cheiovocê terá um rosto cheio de rugas
quando tivere rugas quando tiver vinte anos.
Todos vocês têm maiTodos vocês têm mais cinco
minutos para terminar de pintars cinco minutos para
terminar de pintar e depois passaremos à
discussão.mos à discussão.
Era sempre uma parte importante das suas
lições, fazeruma parte importante das suas lições,
fazeruma parte importante das suas lições, fazer
comcomcom quequeque seusseusseus
alunosalunosalunos olhassemolhassemolhassem
paraparapara ooo trabalhotrabalhotrabalho
unsunsuns dosdosdos outros, não para
classificáoutros, não para classificá-los de melhor ou
pior, mas paralos de melhor ou pior, mas para
observarem como a visão que cada um tinha de um
assuntoobservarem como a visão que cada um tinha
de um assuntoobservarem como a visão que cada
um tinha de um assunto era muito diferente de
todos os outros.o diferente de todos os outros. Não
necessariamentenecessariamente inferior, nem
necessariamente superior, apenas diferente.inferior,
nem necessariamente superior, apenas
diferente.inferior, nem necessariamente superior,
apenas diferente.
Ela era a irmã de Anna. Não, correçãoEla era a
irmã de Anna. Não, correção ― meiameia-irmã de
Anna.Anna. MasMas comocomo poderiapoderia
hahaverver umum relacionamentorelacionamento
tãotão próximo entre as duas mulheres? Anna era
toda graça e luz,entre as duas mulheres? Anna era
toda graça e luz,entre as duas mulheres? Anna era
toda graça e luz, calor e risada. Srta. Camillea.
Camille Westcott era. . diferente. . diferente.
Não inferior? NãoNão inferior? Não superior?
Apenas diferente?superior? Apenas diferente?
Sua avó e Abigail voltaram do passeio quando
CamilleSua avó e Abigail voltaram do passeio
quando CamilleSua avó e Abigail voltaram do
passeio quando Camille chegou em casa, toda
corada e sem fôlego do sol, do vento echegou em
casa, toda corada e sem fôlego do sol, do vento
echegou em casa, toda corada e sem fôlego do sol,
do vento e da subida da colina. Ambada subida da
colina. Ambas saíram da sala de estars saíram da
sala de estar para ficar no alto da escada a olhá-la
no que parecia uma mistura de consternação e
alívio.
― Camille? ― perguntou sua avó ― Onde você
esteve?
Por que você não esperou a carruagem e uma de
nós para acompanhá-la? Você nem aceitou uma
criada. Isso é estranho em você.
Teria sido muito diferente de lady Camille
Westcott, certamente. A avó não pareceu entender
completamente como tudo mudou.
― Eu encontrei um emprego ― disse ela, nem
sequer tentando baixar a voz para que nenhum
criado ouvisse. Eles saberiam, muito em breve, de
qualquer maneira. E essa pretensão de contínua
aristocracia deveria acabar.
― O quê? ― A mão da sua avó foi até a
garganta.
― Oh, Cam ― gritou Abigail, correndo pelas
escadas, as duas mãos estendidas ― O que você
fez? Que tipo de emprego?
― Não é a escola, com certeza ― disse a avó ―
Oh, eu sabia, assim que eu li esse aviso no jornal,
em voz alta, ontem, que eu deveria ter mordido a
língua e atirado o jornal no fogo. Não é a escola do
orfanato, sim Camille?
Depois que Camille voltou da primeira visita ao
orfanato, ela mencionou que disse a Miss Ford que
talvez estivesse interessada no lugar se alguma vez
estivesse disponível. Sua avó ficara horrorizada.
― Eu estive lá e falei com a senhorita Ford ―
disse Camille ― Ela concordou em me aceitar como
a nova professora ― Ela não acrescentou que a
matrona tivera dúvidas sobre suas qualificações e
falta de experiência e finalmente concordara em
dar-lhe uma experiência de quinze dias, sem
garantia de que ela lhe ofereceria emprego
permanente no final.
Tanto a avó como Abigail discutiram, lisonjearam
e adularam e até derramaram lágrimas por mais de
meia hora depois que Camille se juntou a elas na
sala de estar.
― Você não precisa trabalhar para viver, Camille
― argumentou sua avó ― Eu ofereci a vocês as duas
uma mesada quando você veio pela primeira vez
aqui, e você recusou. Agora devo insistir em que
você aceite, que você continue vivendo da maneira
como você está acostumada.
Suas vidas mudaram, é claro, mas não há
nenhuma razão no mundo para acreditar que foram
totalmente destruídas. Sua mãe sempre foi tida na
mais alta estima como Kingsley, e você e Abigail são
impecavelmente bem-criadas, Camille.
Vocês são jovens, talentosas e bonitas. Você é
minha neta. Eu sou muito respeitada na sociedade
de Bath e não sem influência, você sabe. Os
parentes do seu pai também não viraram as costas
para você. Pelo contrário, todos escreveram para
você, alguns deles mais de uma vez. Há todos os
motivos para acreditar que ambas serão capazes de
fazer casamentos perfeitamente decentes, mesmo
que você precise aspirar um pouco mais baixo do
que os títulos mais importantes da nobreza. Não só
você não precisa trabalhar Camille, aliás você pode
fazer um dano real se você fizer isso. Você pode
descobrir que você não será mais aceite por quem
você é.
― E quem é essa, Avó? ― Perguntou Camille. Ela
estava realmente incapaz de responder à pergunta
por si mesma, apesar de se estar a perguntar há
alguns meses. Sua avó também não conseguia
responder, ou talvez tivesse percebido a inutilidade
de discutir com a neta que ela sempre chamou de
teimosa, mesmo quando Camille era criança. Ela se
levantou e saiu do quarto, balançando a cabeça com
clara frustração.
E, claro, deixou Camille se sentindo culpada.
Talvez a Avó estivesse certa. Talvez suas vidas ― a
dela e a de Abigail ― se resolveriam em algo
semelhante com o que elas foram, se esquecessem
e permitissem que os membros da família
suavizassem o caminho para elas encontrarem um
nível de sociedade onde elas caberiam e que os
maridos se contentariam com sua criação e, não se
incomodariam muito sobre o seu nascimento. Talvez
a Abby ficasse feliz com essa solução. Camille
deveria ficar também. Qual era a alternativa, afinal?
Mas ela não conseguia se contentar com uma
pálida sombra da sua existência anterior. Bom céu,
ela era Lady Camille Westcott, filha de um conde.
Ela se movia livremente entre os escalões mais altos
da ton. Ela tinha sido noiva do muito bonito e muito
elegível Visconde Uxbury. Oh não, ela não se
contentaria. Ela preferia ensinar numa escola de
orfanato.
Houve um grande silencio na sala, ela percebeu
de repente, embora não estivesse sozinha. Mas o
silêncio não teria sido grande se ela estivesse, não
é?
― Cam ― disse Abigail, uma almofada macia
apertada no seu peito ― porque o orfanato? Porque
isso é tão atraente para você? Eu concordo que é
hora de suavizar nossa atitude com a Anastasia. Eu
pensei que nós duas concordáramos com isso,
depois que ela e Avery passaram aqui, no regresso a
casa, da viagem de bodas. Eu acho que devemos
escrever para ela de vez em quando e de alguma
forma esticar um ramo de oliveira. Ela é, afinal, a
esposa de Avery e a cunhada de Jéssica e nada do
que aconteceu é culpa dela. Ela faz parte da família,
quer nós queiramos ou não. Mas qual é o seu
fascínio por esse horrível lugar onde ela cresceu?
Avery, o duque de Netherby, não era,
estritamente falando, um membro da sua família, da
família de Papá, quer dizer. A tia Louise, irmã de
Papá, casou-se com o pai de Avery, e eles tiveram
Jéssica, sem dúvida uma prima direta.
Abigail e Jéssica, que era um ano mais nova que
ela, sempre foram as mais próximas em amizade e
ainda se escreviam com frequência. No entanto, ela
não era o único correspondente de Abby. As cartas
fluíam para casa, num fluxo constante, dirigidas a
ambas. Era uma vez, noutra vida, ler cartas e
responder a elas tinha sido uma parte regular do dia
de Camille, como era para qualquer gentil dama.
Agora ela lia as cartas, mas não respondia a
nenhuma.
Sua mãe escreveu sobre o quão ocupada ela
estava no vicariato, onde morava com tio Michael, e
na igreja e na aldeia. Suas cartas estavam cheias de
notícias alegres de uma vida plena e feliz. Camille
não podia suportar responder de maneira
semelhante. Consequentemente, ela simplesmente
enviou o seu amor através de Abby.
As raras cartas do seu irmão eram
decepcionantemente curtas, mas o que esperar de
um homem jovem sobre isso?
Elas consistiam em notícias alegres sobre
marchar com seu regimento em todo Portugal e até
mesmo na Espanha, buscando os esquivos
franceses, enquanto os esquivos franceses os
procuravam. Era, realmente, um jogo esplêndido e
uma grande aventura. Ele estava cercado por
amigos e colegas leais e divertidos e estava tendo o
tempo da sua vida.
Ele já estava na fila para a promoção para
tenente, e não duvidava que acontecesse antes do
outono, embora ele tivesse que esperar por uma
vaga adequada.
Camille sabia que os oficiais adquiririam
promoções muito mais rapidamente se pudessem
comprar. Harry não podia. Ela sabia também como
as vagas surgiam, e seu estômago agitou. Alguém
teria que morrer antes que Harry pudesse ser um
tenente. Vários, na verdade, desde que os primeiros
a preencher quaisquer vagas eram aqueles que
podiam comprá-las. Se Harry estava perto de ser
promovido, homens estavam morrendo em números
significativos. E isso significava que pelo menos,
ocasionalmente, o regimento alcançava os
franceses, ou os franceses o alcançava. E, pelo
menos ocasionalmente, havia escaramuças, até
batalhas acentuadas. No entanto, era tudo como
uma aventura, como um piquenique. Camille não
suportou responder no mesmo tom leve. Ela enviou
o seu amor através de Abby.
E havia todas as cartas das quais sua avó
acabara de lembrá-la, de pessoas que costumavam
ser a sua família e ainda eram num sentido
estritamente técnico. Eles eram a família do seu pai,
incluindo a condesa viúva de Riverdale, a mãe de
papá, E tia Matilda, sua irmã solteira. A viúva
sempre parecia a Camille estar com uma saúde
robusta, embora a tia Matilda escolhesse acreditar
de outra forma e, às vezes, parecer determinada a
se preocupar desnecessariamente.
Depois, havia a tia Louise, a duquesa viúva de
Netherby, que gostava de se destacar como líder da
família, apesar de ser a do meio de três irmãs. E a
prima Jéssica, sua filha, a amiga particular de Abby,
a meia-irmã de Avery. E havia cartas da tia Mildred,
as mais novas das irmãs de papá, e tio Thomas ―
Lord e Lady Molenor. Os únicos parentes que não
escreveram, de fato, foram os seus três filhos, todos
os quais ainda estavam na escola e não escreviam a
ninguém, exceto, aparentemente, a seu pai quando
precisavam de mais dinheiro. Todos os outros
escreveram com a implacável alegria de uma vida
feliz.
Mesmo o primo Alexander, o novo conde de
Riverdale, escreveu com jovialidades e
indagaçõesdelicadas sobre a sua saúde e felicidade.
Ele havia assinado a carta apenas Primo Alexander,
sem mencionar o título que Harry tinha perdido
recentemente para ele. Sua mãe, a prima Althea
Westcott e sua irmã, a prima Elizabeth, a viúva Lady
Overfield, também escreveram gentil e alegremente
sobre nada em particular.
Todos escreveram alegremente. Ninguém
escreveu nenhuma verdade significativa. Como se a
negação pudesse eliminar a realidade. Como se
tocar com a ponta dos pés sobre um desastre o
deixasse para sempre sem perturbações.
Camille sentiu um grande constrangimento na
sua antiga família. Não hostilidade ou rejeição, mas
sim. estranheza.
Ela não respondeu a nenhuma das cartas. Ela
enviou os seus cumprimentos por Abby.
Não havia cartas de ninguém fora da família.
Nada de uma das inúmeras damas que já tinham
sido suas amigas.
E nenhuma do Visconde Uxbury. Isso é que
erauma surpresa.
Abigail abandonou sua almofada e foi ficar de pé
na janela, olhando para fora. O silêncio tinha se
prolongado há muito tempo, Camille percebeu. Sua
irmã perguntou porque ela estava tão fascinada com
o lugar onde Anastasia cresceu.
― Eu não sei, Abby ― ela disse com um suspiro.
― Suponho que existem várias maneiras de lidar
com os tipos de mudanças que nossas vidas
sofreram nos últimos meses.
Pode-se aceitar e seguir em frente, tentando
manter a nova vida semelhante à antiga tanto
quanto possível. Pode-se negar a realidade e
continuar como se nada tivesse mudado.
Pode-se esconder e não pensar no que
aconteceu, o que eu tenho feito até hoje. Ou pode-
se sair e explorar a nova realidade, tentar dar
sentido a isso, tentar começar a vida novamente,
quase como se alguém tivesse acabado de nascer,
tentar… Ah, não sei como explicar isso. Só sei que,
se eu não enlouquecer, devo fazer algo. E de
alguma forma, isso envolve regressar ao início ou
mais para trás do que o início,daquilo que aconteceu
antes mesmo de eu nascer. Porque ele fez isso,
Abby? Porque ele se casou com Mamã quando já
estava casado com outra pessoa?
Abigail virou-se da janela e estava observando a
sua irmã com olhos preocupados. Ela não ofereceu
nenhuma resposta.
― Mas é claro, é óbvio ― disse Camille ―
Naqueles dias ele era extravagante e implacável e
nosso avô ainda estava vivo e cortou os seus
fundos, mas prometeu devolvê-los se ele se casasse
vantajosamente. E o Avô Kingsley estava ansioso
para casar Mama com um futuro conde e ofereceu
um dote que era irresistível. Suponho que papa
deve ter enfrentado um desagradável dilema quando
sua primeira esposa, sua verdadeira esposa, morreu
e o deixou com Anastasia. O que ele fez foi hediondo
para todos os envolvidos, incluindo os ainda não
nascidos … nós. Se ele então tivesse admitido a
verdade, talvez ele pudesse se voltar a casar com
Mamãe eles poderiam ter criado a sua filha como
deles e também nós teríamos nascido dentro do
casamento. Quão diferente todas as nossas vidas
seriam agora se ele tivesse feito isso. Porque ele
não fez?
― Talvez houvesse dificuldades legais se ele
tivesse admitido a bigamia ― disse Abigail ― Teria
havido? A bigamia é um crime? Seu título o
protegeria da punição? Oh, eu não sei nada sobre
essas coisas. Talvez ele estivesse com muita
vergonha de admitir a verdade. Mas isso é tudo
história. Não podemos alterá-la agonizando sobre
ela ou imaginando o quão diferente poderia ter sido
tudo. Porque você precisa ir para aquele orfanato,
Cam? Você está tentando. punir-se de alguma forma
pelo fato de que foi ela quem cresceu lá quando,
estritamente falando, deveriam ter sido nós?
Camille encolheu os ombros.
― Eu não consigo explicá-lo, até para mim
mesma, com mais clareza do que eu já fiz ― disse
ela ― Eu só sei que devo tentar, e eu realmente me
sinto melhor depois de ter ido lá, embora eu saiba
que aborreci você e à Avó. Eu me sinto revigorada.
― Mas como você será capaz de ensinar? ―
Perguntou Abigail ― Por onde você vai começar?
Nós tínhamos uma governanta, Cam. Nós sequer
fomos para a escola.
― Miss Ford me deu uma cópia do curso de
estudos que eu devo usar como orientação ― disse
Camille ― e ela falou comigo sobre isso e sobre as
crianças que frequentam a escola. Há mais de vinte
delas, e elas variam entre cinco e treze anos. Eu
posso fazê-lo ― Na verdade, a perspetiva a
aterrorizou sim, e a revigorou também. Ela não
tinha mentido sobre isso ― E os deveres serão leves
no próximo mês ou mais. É verão e é esperado que
eu faça muitas coisas recreativas com as crianças e
passear com elas sempre que puder.
― Oh, Cam ― disse Abigail.
― Não parece ser um lugar opressivo ― disse
Camille ― Há um professor de arte que vem duas
tardes por semana para ensinar a quem está
interessado,ensinar a quem está interessado, o Sr.
Cunningham. Eleo Sr. Cunningham. Ele
estavaestavaestava lálálá estaestaesta
manhã,manhã,manhã, emboraemboraembora
issoissoisso fossefossefosse
aparentementeaparentementeaparentemente
incomum. Olhei para algumas pinturas das criançasi
para algumas pinturas das crianças e pudei para
algumas pinturas das crianças ververver quequeque
eleeleele lheslheslhes permitepermitepermite
usarusarusar suasuasua
imaginaçãoimaginaçãoimaginação nnan
interpretação de um assunto.etação de um assunto.
― Oh, conheci o Sr. CunninghamOh, conheci o
Sr. Cunningham ― disse Abdisse Abigail, vindo
sentar novamente ― EleEle estavaestava nana
casacasa dada Sra.Sra. DanceDance quando fui lá
com a Avó. Lembralá com a Avó. Lembra? Eu
acredito que ele estava? Eu acredito que ele estava
pintando o retrato da Sra. Dance. Talvez ele ainda
esteja. Elepintando o retrato da Sra. Dance. Talvez
ele ainda esteja. Elepintando o retrato da Sra.
Dance. Talvez ele ainda esteja. Ele trouxe um par de
retratos ctrouxe um par de retratos completos com
ele para mostrarompletos com ele para mostrar a
seus convidados, e eles eram requintados. Ele
temseus convidados, e eles eram requintados. Ele
tem um talentoseus convidados, e eles eram
requintados. Ele tem real. Ele também erareal. Ele
também era bastante bonito.
Camille não tinha certCamille não tinha certeza
de que ela falaria exatamenteeza de que ela falaria
exatamente isso sobre ele. Ele era altoisso sobre
ele. Ele era alto ― mais alto do que ela, de
qualquermais alto do que ela, de qualquer forma ―
e solidamente construído, emboraidamente
construído, embora tivesse uma figurativesse uma
figura decente e masculina. Seu rosto era mais
agradável do quedecente e masculina. Seu rosto era
mais agradável do quedecente e masculina. Seu
rosto era mais agradável do que fascinantemente
bonito, pensou. Seu cabelo escuro
estavafascinantemente bonito, pensou. Seu cabelo
escuro estavafascinantemente bonito, pensou. Seu
cabelo escuro estava cortado, mas em nenhum dos
estilos curtos da moda, como ocortado, mas em
nenhum dos estilos curtos da moda, como ocortado,
mas em nenhum dos estilos curtos da moda, como o
Brutus, por exemplo. Seus o, por exemplo. Seus
olhos eram escuros e inteligenteslhos eram escuros
e inteligentes e ele tinha uma boca e um queixo
firmes, todos sugestivos dee ele tinha uma boca e
um queixo firmes, todos sugestivos dee ele tinha
uma boca e um queixo firmes, todos sugestivos de
uma certa força de caráter e vontade. Seu casaco,
ela tinhauma certa força de caráter e vontade. Seu
casaco, ela tinhauma certa força de caráter e
vontade. Seu casaco, ela tinha notado, embora fosse
adequado, também não assentava denotado,
embora fosse adequado, também não assentava
denotado, embora fosse adequado, também não
assentava de forma muito elegante e parecia um
pouco desgastforma muito elegante e parecia um
pouco desgastado. Suasforma muito elegante e
parecia um pouco desgast botasbotas nãonão
brilhavambrilhavam, não por faltafalta dede
esmalte,esmalte, elaela desconfiou, mas por ser,
mas por serem arranhadas com a idade. Ele eracom
a idade. Ele era um homem que parecia descuidado
com sua aparência, muito diferente dos cavalheiros
com quem ela tinha acompanhado,até alguns meses
atrás. Ela não teria lhe dado uma segunda olhadela
se tivessem cruzado na rua ― ou até mesmo uma
primeira olhada. Mas durante os poucos minutos que
ela tinha sido forçada a estar na sua companhia, ela
esteve consciente de uma espécie de energia
inquieta e masculinidade em estado bruto sobre ele,
e ela ficou um pouco chocada consigo mesma por
reparar. Não era nada como ela.
― Suponho ― disse ela, presa por um
pensamento súbito ― se ele estiver ensinando lá há
algum tempo, ele deve conhecer Anastasia.
Foi por isso que ela sentiu alguma hostilidade no
seu comportamento? Ele ressentiu o fato de que ela
estava prestes a tomar o lugar da Anastasia na sala
de aula? Mas é claro que ele conhecia Anastasia ―
Miss Ford a apresentou como sua irmã, não tinha? E
ela corrigiu Miss Ford dizendo que ela era a meia-
irmã de Anastasia.
― Posso convencer você para não voltar lá, Cam?
― disse Abigail ― A avó vai me levar para um
espetáculo na Upper Assembly Rooms amanhã à
noite. É provável que haja gente lá que não
frequente a Pump Room pelas manhãs. Venha
connosco. A maioria das pessoas é educada para
comigo.
Ninguém retrocede horrorizada quando descobre
quem eu sou. Ninguém me trata como uma leprosa.
E nem todos em Bath são idosos. Com certeza,
vamos fazer alguns amigos da nossa idade, com
tempo e um pouco de esforço. Talvez mesmo…
bem . ― ela sorriu e desviou o olhar.
Mas apenas a Sra. Dance, de todos os supostos
amigos da Avó, convidou Abby para sua casa. E
ainda não havia nenhum sinal que as damas mais
jovens iriam demonstrar abertura de maneira
amigável. E nenhum sinal de qualquer potencial
pretendente. Ah, pobre Abby.
― Você não vai me convencer a não ir à escola
na segunda-feira e todos os dias depois disso, Abby
― disse Camille ― Eu quero ir. Eu realmente quero.
Os olhos de Abigail se encheram de lágrimas.
― Cam ― ela meio sussurrou ― você se encontra
às vezes esperando acordar para descobrir que isso
é um sonho horrível? Ou pelo menos na esperança
de acordar?
― Não mais ― Camille levantou e sentou-se ao
lado da sua irmã, aproximando-a nos seus braços
enquanto ela fazia isso ― A vida nos chutou no
traseiro, Abby, e estou prestes a chutar de volta.
Duro. Eu vou ensinar numa escola do orfanato. Isso
irá mostrara todos.
Abigail quase se engasgou num soluço que se
transformou em riso. Camille riu com ela e sentiu-se
alegre pela primeira vez em… quanto tempo? Sentiu
que desde sempre.

Capítulo Três Na quarta-feira da semana


seguinte, Joel aproximou-se da escola com passos
lentos, como umestudante relutante, pensou com
desgosto. A nova professora estaria lá, a meia-irmã
empertigada e arrogante de Anna. Ele realmente
não estava ansioso para partilhar a sala de aula com
ela.
Qualquer esperança que ela ou a senhorita Ford
tivessem mudado de ideia desde a semana passada,
no entanto, foi banida assim que ele abriu a porta
da sala de aula e descobriu que ela e as crianças já
estavam lá, embora certamente ainda não fosse o
fim da hora de almoço. Parou bruscamente no
limiar, a mão ainda agarrando a maçaneta da porta.
O que diabo acontecia?
Os cavaletes para a classe dele já tinham sido
montados com cadeiras empurradas perfeitamente
na frente deles. Os materiais de arte foram
organizados de forma ordenada na mesa. Os
cavaletes ocuparam dois terços da sala. No outro
terço, as mesas estavam arrumadas em duas linhas
e empurradas juntas, muito próximas, para fazer
uma longa mesa, que estava cheia de um grande
monte de… coisas. As crianças estavam agrupadas
em volta delas, parecendo coradas, animadas e
ligeiramente desarrumadas. Srta.
Westcott ― era mesmo ela? ― estava no meio
deles, emitido ordens como um sargento do
exército, apontando com uma régua de madeira, do
material para várias crianças e de volta.
Todos os alunos pareciam estar pulando aosseus
comandos, como recrutas ansiosos, mesmo os mais
velhos, que muitas vezes gostavam de se comportar
como se a vida fosse demais para se incomodar.
Dois jovens de cinco anos estavam saltando para
cima e para baixo, com uma pouco contida
exuberância.
Ela estava vestindo um severo vestido castanho,
que era alto no pescoço e tinha mangas compridas,
apesar de estarem empurradas até os cotovelos.
Seu cabelo tinha sido penteado com severidade para
combinar com o vestido, mas sofreu uma quebra ao
longo do dia, e um caracol pendurou descontrolado
sobre o pescoço, enquanto outros fugitivos pareciam
ter sido empurrados ao acaso de volta para o seu
coque. Suas bochechas e até o nariz estavam um
pouco cor-de-rosa e brilhantes. Estava com uma
carranca e os seus lábios ficavam numa linha fina
quando não estava emitindo ordens.
Ela olhou para cima e viu ele.
― Boa tarde, Sr. Cunningham ― disse ela, como
se estivesse lançando um desafio ― Eu confio que
tudo foi organizado a seu gosto. Crianças, aqueles
artistas em ascensão entre vocês podem prosseguir
para a sua aula.
E o seu grupo, cujos alguns membros, ele
suspeitava, tinha optado por aulas de pintura
apenas para evitar qualquer alternativa acadêmica
que o outro lado da sala provavelmente oferecesse,
veio humildemente, mas sem o seu habitual
entusiasmo.
― Nós fomos ao mercado esta manhã, Sr.
Cunningham ― disse Winifred Hamlin ― e vimos
todos os produtos em todas as barracas e
escrevemos os preços.
― Mas não foi tão fácil quanto parece, senhor ―
disse Mary Perkins, intervindo ― porque algumas
coisas são um valorcada um, e outras coisas são
uma onça, uma libra ou meia libra, e algumas coisas
são por uma dúzia ou meia dúzia. Tivemos que olhar
com cuidado para ver o que os preços significavam.
― A dama dos doces nos deu um rebuçado a
cada um ― acrescentou Jimmy Dale, sua voz
agitada com entusiasmo.
Tommy Yarrow interviu.
― E ela não deixou,Srta. Westcott, pagar por
eles.
Mary riu ― Srta. Westcott disse que era melhor
nós prometermos comer nosso almoço quando
voltássemos aqui ou ela estaria com problemas com
Cook ― disse ela.
― Uma dama nos dá uma fita que estava um
pouco desgastada ― disse Richard ― e um homem
nos dá algumas contas que estava rachadas. Outra
senhora queria nos dar um repolho podre, mas Srta.
Westcott disse ‘obrigado, mas não, obrigado’ ―
porque sempre devemos ser educados, não importa
o que aconteça. O sapateiro nos deu alguns pedaços
de couro de sapatos que ele não poderia usar. Srta.
Westcott trouxe algumas coisas da sua casa, e a
Enfermeira nos deixou ficar com alguns pinos e
outras coisas dos seus suprimentos que são um
pouco velhos demais para usar, e Cook nos deu
algumas colheres e garfos curvados que ela guarda
para algum dia que façam falta.
― Mas ela os quer de volta, Richard ― lembrou
Winifred.
― O verbo dar fica deu, no tempo passado,
Richard ― disse Sra. Westcott severamente do outro
lado da sala ― E algumas contas estavam rachadas
― no plural.
― Nós vamos brincar deir às compras amanhã ―
Olga gritou acima do clamor geral.
Joel ergueu as mãos, com as palmas para fora,
mas sem sucesso.
― Devemos nos revezar como lojista ― disse
Winifred ― duas de cada vez. Todos os outros serão
compradores com uma lista. E os lojistas trarão tudo
na lista e somarão o custo total, e o comprador terá
que resolver isso também para ver se as duas
somas concordam.
― E os pequeninos que ainda não sabemsomar
serão emparelhados com os mais velhos que o
sabem ― acrescentou Mary.
― Certo ― disse Joel com firmeza ― Parece que
os vendedores no mercado precisarão de uma tarde
tranquila para se recuperar da vossa visita. E você
precisará de uma tarde tranquila se você não for
matar meus ouvidos e os da sua professora, e se
você quiser fazer algo que surpreenda o mundo da
arte com seu brilhantismo. Sente-se e vamos
discutir o que você vai pintar hoje.
Seus olhos se encontraram com a Srta. Westcott
quando as crianças se sentaram e uma medida de
paz e ordem desceu sobre a sala. Ela estava com os
lábios finos e ##guerreiro/agressivo<<beligerantes,
como se estivesse desafiando-o a queixar-se da
trivialidade da saída da manhã e do caos organizado
da sala de aula. Mas o problema era que estava
organizado. Não havia dúvida de que ela estava no
controle das crianças, excitadas como estavam. E
atingiu-o, admitiu relutantemente, que ela tinha
conseguido, uma maneira brilhante de realizar uma
aula de matemática e uma lição de vida ao mesmo
tempo. As crianças pensaram que era tudo um jogo.
Ele tinha desejado tanto que ela falhasse
imediatamente. Isso era horrível dele, agora que
pensava nisso. E de repente ele soube o que ela lhe
estava lembrando desde a semana passada. Uma
Amazona. Uma mulher guerreira, desprovida de
qualquer feminilidade suave. E, tendo pensado
nessa comparação infeliz e convencendo-se de que
era bastante apropriado, sentiu-se melhor e voltou a
cabeça para a lição.
Passaram-se duas horas, durante as quais ele foi
mais ou menos absorvido nos esforços artísticos dos
seus alunos quando eles assumiram um projeto
imaginativo ― a paisagem ou o lar dos seus sonhos
― depois de discutir algumas possibilidades. A
realidade não tinha que prevalecer, ele garantiu-
lhes. Se a grama na paisagem dos seus sonhos
fosse rosa, então que assim seja. Ele ajudou alguns
deles a esclarecer as suas imagens mentais e ajudou
outros a misturar a cor ou a sombra que eles
queriam, mas que não conseguiam fazer sozinhos.
Inevitavelmente, a grama fora da caixa quadrada de
Winifred de uma casa cinzenta era rosa, a única
concessão que ela parecia ter feito para a
imaginação.
Ele ensinou Paul a usar pinceladas para produzir
água fria e agitada em vez do azul liso tradicional no
lago diante da sua mansão em forma de cebola.
E ele percebeu que ascompras da amanhã
estavam organizadas nas mesasdo outro lado da
sala e tinha cartões anunciando os preços escritos
com uma excelente letra e o número ou quantidade
de cada item que aquele preço compraria. Ele notou
que a caixa "dinheiro" continha "moedas" de papelão
quadrado sobre as quais o valor foi escrito grande e
organizado. Amanhã, a Srta. Westcott explicou
como se dirigisse a um regimento recalcitrante,
todos os compradores receberiam uma quantidade
fixa de dinheiro de papelão para gastar, e as
restantesmoedas seriam deixadas na caixa para que
os comerciantes pudessem dar troco. Ninguém
poderia gastar mais dinheiro do que ele ou ela tinha.
Se tivessem comprado demais, teriam que decidir o
que renunciar.
Joel se perguntou se alguém do seu grupo
desejava estar criando moedas quadradas, em vez
de pintar os seus sonhos, embora nenhum deles se
queixasse, e não houvesse uma discernível falta de
concentração. Em geral, os seus esforços mostraram
uma maior mestria do que o habitual.
Ele seguiu a sessão de pintura com a discussão
habitual depois de terem examinado o trabalho uns
dos outros. Então ele supervisionou enquanto eles
esclareciam. Irritou-o, um pouco que ele observasse
com mais atenção do que o habitual para se
certificar de que eles devolviam os suprimentos,
apenas às duas prateleiras do armárapenas às duas
prateleiras do armário de armazenamento eio de
armazenamento e os arrumassem dede
maneiramaneira ordenadaordenada ee
organizada.organizada. AnnaAnna sempre o
repreendeu por encorajar o desmazelo noso
repreendeu por encorajar o desmazelo nos seuso
repreendeu por encorajar o desmazelo nos alunos e
por invadiralunos e por invadir as suas prateleiras, e
elesuas prateleiras, e ele sempre se defendeu, com
o prazer de irritácom o prazer de irritá-la ainda
mais, falando de liberdade artística.
Assim que eleAssim que ele mandou o seu grupo
sair, ele reparou quemandou o seu grupo sair, ele
reparou que eles se aproximaram do outro terço da
sala, em vez de seeles se aproximaram do outro
terço da sala, em vez de seeles se aproximaram do
outro terço da sala, em vez de se dirigirem parapara
aa liberdadeliberdade comocomo eleseles
normalmnormalmenteente teriamteriam feito. Nessa
altura, a Srta. Westcott tinha todas as
criançasaltura, a Srta. Westcott tinha todas as
criançasaltura, a Srta. Westcott tinha todas as
crianças sentadas num círculo no chão, em redor
dum círculo no chão, em redor da sua cadeira,
comcadeira, com as pernas cruzadas cas pernas
cruzadas com exceção de Mônica, cujas pernas
nãonica, cujas pernas não cruzavam e estava
deitadavam e estava deitada, mas permanecia
irritantemente, mas permanecia irritantemente
comcomcom ososos joelhosjoelhosjoelhos
elevadoselevadoselevados atéatéaté ásásás
orelhasorelhasorelhas enquantoenquantoenquanto
lutavalutavalutava contra perder o equilíbrio e
cairder o equilíbrio e cair para trás no chão. Ela
estavano chão. Ela estava sentadantadantada
nosnosnos seusseusseus
calcanharescalcanharescalcanhares comocomocomo
sugeridosugeridosugerido porporpor Srta.
Westcott ― Miss Nunce insistiuMiss Nunce
insistiu, sem sucesso, que Monicaque Monica
persistisse na posição de pernas crna posição de
pernas cruzadas até deixar de seruzadas até deixar
de ser teimosa e fazê-lo colo corretamente. Srta.
Westcott tinha pegadotinha pegado num livro da
novanova estanteestante ee eestava lendo comcom
umauma vozvoz estridente que, no entanto,
paestridente que, no entanto, parecia ter capturado
a atençãorecia ter capturado a atenção do seu
público.
Joel saiu sem ser notadosaiu sem ser notado.
Havia algo que ele precisava. Havia algo que ele
precisava fazer.
Depois de três dias na sala de aula, Camille
chegou à conclusão de que era a pior professora do
mundo.
Ela olhou para a sala agora vazia com uma
careta, ignorando a enraizada voz interna da sua
educação, que advertia que as rugas seriam o
resultado direto e inevitável de carrancas, caretas e
sorrisos excessivos. Essa voz interior, que durante
tanto tempo fora o seu guia diário de
comportamento gentil, agora a irritava
consideravelmente.
Ela franzia o cenho se quisesse.
Quando ela chegou na segunda-feira de manhã,
a sala de aula tinha sido organizada e ordenada em
filas de mesas direitas, uma mesa de professor
vazia, livros bem alinhados na estante de livros que
a Avó tinha doado, cavaletes empilhados
cuidadosamente no lado oposto da sala, ao lado da
janela, e os suprimentos dispostos com precisão
quase militar nas cinco prateleiras mais profundas e
largas do armário de armazenamento. No entanto,
agora… E não havia nenhum criado aqui para correr
atrás dela, apanhando o que ela deixou,
endireitando o que ela não se tinha incomodado em
arrumar por si mesma. Ela era assim.
Na verdade, nessa ocasião particular, ela e
aquele homem eram assim, mas ele tinha
saídoalegremente, logo que ele havia dispensado a
sua aula, deixando os cavaletes onde ela os havia
colocado mais cedo apenascomo boa vontade. Ele
nem mesmo tinha pronunciado nenhum tipo de
despedida.
Ela quase desejava que ele não tivesse limpado
tudo, exceto as pinturas e os cavaletes. Então ela
teria tido ainda mais que reclamar e poderia ter
pensado o absoluto pior dele, como ele sem dúvida
estava pensando dela.
Ela tinha odiado tê-lo aqui, ouvindo tudo o que
ela dizia, uma testemunha do caos da tarde, à
desordem, à falta de disciplina, à sua aparência…
Sua aparência.
Camille olhou para si mesma e teria feito uma
careta novamente se ainda não estivesse fazendo
isso. Ela usou o mais conservador dos seus vestidos,
como fez ontem e segunda-feira, mas… suas
mangas ainda estavam puxadas para cima de uma
maneira muito vulgar. Ela as baixou até aos pulsos,
demasiadas horas depois. As rugas dos cotovelos
aos pulsos podiam nunca sair. E, em nome de Deus
como estava o seu cabelo? O coque que ela tinha
feito tão implacavelmente esta manhã estava se
desintegrando desde então, e ela empurrou
impacientemente os cabelos que escapavam. Ela
tocou-o, com as duas mãos e percebeu que deveria
parecer como um monte de feno depois de um
furacão soprar no campo. E por quanto tempo esse
caracol esteve dependurado no seu pescoço?
E porque ela se importava? Ele era apenas um
homem, afinal de contas, e a experiência recente lhe
ensinara que homens eram criaturas desesperadas e
desprezíveis na melhor das hipóteses. Ele também
era um homem bastante desmazelado ― esse
casaco e aquelas botas! Ela não se importava nada,
o que tal homem pensasse dela. Ou qualquer
homem. Ela sentiu-se ofendida, porém, por ele a ter
deixado sozinha para lidar com as pinturas e
guardar os cavaletes, embora a desordem que ele
deixara não fosse nada comparada ao que ela criara
na sua terça parte da sala. As mesas estavam cheias
… de coisas prontas para a loja de amanhã.
Ela concebeu a ideia com a esperança de que as
crianças aprendessem algo prático que pudessem
aplicar nas suas vidas futuras depois de terem saído
dali e tivessem que providenciar as suas próprias
necessidades com aquilo que seria, provavelmente,
uma renda muito pequena ― a não ser por algum
milagre descobrissem serem eles próprios herdeiros
ou herdeiras de uma grande fortuna, como sua
antiga professora tinha descoberto. Uma vez que
isso era tão improvável quanto a ser atingido por
uma estrela cadente, eles precisavam aprender algo
sobre preços e quantidades e escolhas e como
esticar o dinheiro. Eles precisavam aprender a
diferença entre necessidades e luxos. Eles
precisavam.
Oh, meu deus, ela precisava aprender isso tudo
também. Ela estava aterrorizada e espantada no
mercado esta manhã. Ela tinha aprendido,
rapidamente, apenas um passo à frente das crianças
― em mais maneiras do que uma.
Amanhã… oh, ela temia pensar no amanhã. Basta
olhar para toda essa bagunça. Talvez ela nem
devesse voltar amanhã.
Talvez ela permanecesse com a Avó durante o
resto da sua vida natural, enterrada sob as cobertas
da cama.
Mas era um pensamento indigno do seu novo eu.
Ela ajustou os seus ombros e caminhou até o lado
da sala de arte para contemplar uma das pinturas.
Foi ali que Paul Hubbard tinha estado sentado. A
casa dos sonhos de Paul, ao que parecia, era uma
cebola púrpura com vista para um lago tempestuoso
com água cinza e ondas com cristas espumosas ―
fez Camille estremecer. A paisagem em volta era
sombria e cinza, embora as janelas da cebola
fossem brilhantes com cores e luz e, com certeza
calor. Como ele criou essa impressão? Havia um
estranho sol ou lua pendurada no céu preto. Ouera
um sol ou lua? Era uma esfera colorida,
surpreendentemente diferente da paisagem baixo,
assim como as janelas e, presumivelmente, o
interior da casa da cebola eram. Era…deveria, por
acaso, ser a Terra? Onde estariam então a cebola e
o lago tempestuoso? Ela estava franzindo o cenho
acerca da pintura bastante surreal e do seu
significado quando a porta se abriu abruptamente
atrás dela.
O Sr. Cunningham voltara, agarrando uma bolsa
de papel bojudo numa mão. Camille desejou ter
passado mais tempo fazendo algo sobre os seus
cabelos e se desprezou por pensar na sua aparência
antes de tudo. Ele parecia trazido pelo vento e sem
respiração e…viril. Que palavra horrível e chocante.
De onde veio esse pensamento?
Ele segurou a bolsa no alto.
― Para a sua loja ― disse ele ― Eu sugeriria um
penny por cada um, mas não três por um penny ou
quinze por seis peniques. Eu limitaria cada
comprador a um item. Dê-lhes uma breve lição
sobre escassez e sobre oferta e procura e qualquer
outra coisa que pareça apropriada. Nutrição, talvez.
Se um comprador comprasse o lote, ele ou ela .
provavelmente estaria perdendo a tarde
gemendo no quarto da enfermeira e tomando a
mistura indescritível que ela mantém à mão para as
doenças do estômago.
Camille olhou a bolsa com desconfiança,
caminhou na sua direção e a pegou. Continha doces
cozidos de cores vivas, um para cada criança, ela
adivinhou.
― Quem pagou por isto? ― Perguntou ela. Não
podia ter soado menos gracioso se tivesse tentado.
Ele sorriu para ela ― e, claro, ele tinha dentes
perfeitos, e também eram brancos. Oh Deus, ela
pensou ao mesmo tempo, ela teria que rever sua
opinião sobre ele e admitir que Abby estava certa ao
pensar que ele era bonito.
― Juro que eles não estavam beliscados ― ele
disse, levantando a mão direita, com a palma
aberta, como se fosse um juramento ― Um
conselheiro não entrará aqui nos próximos minutos
para me levar à prisão nem a você por estar na
posse de bens roubados.
― Cada uma das crianças, naturalmente, usará
uma preciosa moeda para comprar um desses
amanhã ― disse ela, e mais ainda ― Como eu devo
ensinar-lhes que o pouco dinheiro que eles têm deve
ser gasto em necessidades?
― Missangas, fitas e pele de sapato? ― Ele
ergueu as sobrancelhas.
― Feijões, cenouras e carne? ― disse ela ― Você
não é o único que os ensina a usar a imaginação, Sr.
Cunningham.
― Mas, quão maçante seria a vida ― disse ele ―
se nunca houvesse o luxo ocasional, deleite ou
extravagância.
― Isso é fácil para você dizer ― disse ela ― Eu
ouvi que você é um pintor de retratos da moda.
Você provavelmente tem sacos de dinheiro e tem
um passado com dinheiro ― Apesar da sua
aparência desmazelada. Ela tinha ouvido tudo sobre
artistas excêntricos ― Como eu. Mas eu, pelo
menos, estou tentando me comportar de maneira
responsável com essas crianças, que não têm nada,
nem mesmo, em muitos casos, uma identidade.
Ela virou-se de forma irregular para arranjar
espaço para os doces nas mesas e encontrou um
quadrado de papel sobre o qual escrever o preço,
bem como a informação que os compradores
estavam limitados à compra de um item cada.
Ela pensou que ele tivesse ido até que ele falou
novamente e ela percebeu que ele estava
empoleirado num canto da mesa do professor que
estava perto, um pé apoiado no chão enquanto o
outro balançava indolentemente. Seus braços
estavam cruzados sobre seu peito.
― Esta era a minha casa ― ele disse calmamente
― e as pessoas aqui são minha família. Eu cresci
aqui, Srta.
Westcott, depois de ter sido deixado, ainda bebê,
como lixo indesejável. Tenho um nome que pode ou
não ser do meu pai ou da minha mãe. Eu tive uma
educação decente aqui e nunca faltou as
necessidades da vida ou companheirismo e até
mesmo afeto. Eu fui apoiado até os quinze anos por
um benfeitor anônimo, como a maioria das crianças
aqui o são.
Eu saí, depois que emprego e alojamento foram
encontrados para mim. Eu também fui à escola de
arte, já que meu benfeitor era generoso o suficiente
para pagar as taxas. A porta aqui não foi trancada
para mim. Muito pelo contrário, de fato. Mas, para
todos os efeitos, eu estava sozinho para fazer o meu
próprio caminho na vida, com todo o conhecimento
de que, embora eu sempre chame este lugar da
minha casa e as pessoas aqui deminha família, na
realidade eu estou sem casa esem família.Nós,
órfãos, Srta. Westcott, conhecemos tudo sobre as
necessidades e a linha fina entre sobreviver e passar
fome. Não é provável que gastemos o pouco
dinheiro que podemos ganhar com nada além de
fitas, contas e doces. Mas também conhecemos o
valor, a necessidade da extravagância ocasional.
Sabemos que a vida não é tudo ou sempre cinza,
que também há cor. E sabemos que também temos
direito a alguma cor nas nossas vidas como, os mais
ricos elementos mais privilegiados da sociedade. Nós
somos pessoas. Pessoas.
Camille colocou o cartão junto ao saco de doces.
― Você está com raiva ― ela disse
desnecessariamente.
E agora ela se sentia tola. Mas ela não tinha
como saber, tinha? E ela se sentiu acusada,
desprezada, como se estivesse olhando estas
crianças como inferiores e sem nenhuma
importância. Ela estava tentando fazer exatamente
o contrário. Ela podia ter sido uma delas, em vez de
Anastasia.
― Sim ― disse ele.
― Eu não sou um dos ricos e privilegiados ―
disse ela.
― Nem ― disse ele ― você é órfã, Srta.
Westcott.
Não. Somente uma bastarda. Ela quase disse isso
em voz alta. Mas provavelmente ele também era
um. Certamente a maioria das crianças que estava
alio era ― a descendência de duas pessoas que não
estavam casadas entre si. Porque mais, a maioria
deles, foi trazida para aqui e apoiada em segredo?
Ele estava dizendo que ela nunca poderia entender.
E talvez ele estivesse certo.
― Você então conheceu Anastasia não apenas
como professora ― disse ela.
― Nós crescemos juntos ― ele disse a ela.
De alguma forma, suas palavras a deprimiam e a
faziam sentir-se ainda mais estranha. Mas estranha
para o quê?
― Vocês eram amigos?
― Os melhores ― disse ele. Tinha a sensação de
que ele ia dizer mais, mas ele não continuou.
Ela se virou para olhá-lo e pensou,
inesperadamente, sobre o quão diferente ele era do
Visconde Uxbury, com quem ela já teria se casado
se seu pai não tivesse morrido quando morreu. Lord
Uxbury era inegavelmente bonito, imaculado, digno,
o epítome da gentilidade. Ninguém jamais o pegaria
empoleirado na borda de uma mesa, um pé
balançando, os braços cruzados, as mãos dobradas
sob as axilas. Ninguém o pegaria com botas nas
quais ele não poderia ver o seu próprio reflexo. E
ninguém poderia pegá-lo sem os cabelos
rigorosamente cortados de acordo com a moda mais
recente. Era estranho, dada a sua aparência, que ela
nunca tivesse pensado em Lord Uxbury como um
homem, apenas como o marido ideal para uma
dama da sua posição e fortuna. Ele nunca a tinha
beijado, nem esperava que ele fizesse. Ela nunca
pensou no leito do casamento, exceto nos modos
mais vagos como um dever que seria cumprido
quando chegasse a hora. No entanto, ela pensou
nele como a perfeição em si, seu companheiro
perfeito.
Ela olhou os lábios e o queixo do Sr. Cunningham
e se viu pensando em beijos. Especificamente os
seus beijos. Foi realmente bastante alarmante. Sua
aparência a ofendia, mas talvez fosse a própria
ausência do folheado de gentilidade que fazia-a tão
consciente da sua masculinidade. Ela também se
ofendia com isso, pois havia algo de bruto sobre
isso. Um cavalheiro não devia tornar uma dama
consciente da sua masculinidade.
Ele não era um cavalheiro, porém, era? E ela não
era uma dama. Ela olhou nos olhos dele e
encontrou-os olhando diretamente para os seus.
Eram olhos muito escuros, assim como suas
sobrancelhas e seus cabelos. Até a sua aparência
tinha uma tonalidade ligeiramente azeitonada,
sugestiva de algum sangue estrangeiro na sua
ascendência. Italiano?
Espanhol? Grego? Os homens do Mediterrâneo
eram considerados apaixonados, não eram? E onde
é que ela ouviu uma coisa tão chocante?
A paixão era vulgar.
Ele conheceu Anastasia, cresceu aqui com ela,
tinha sido sua amiga, sua melhor amiga. Ele tinha
ensinado nesta sala de aula com ela. Talvez a
tivesse amado? Como ele se sentiu quando ela foi
embora, quando o grande sonho se tornou realidade
para ela, enquanto ele ficara para trás ― com todo o
conhecimento de que, embora eu sempre chame a
este lugar da minha casa e as pessoas aquide minha
família, na realidade eu estou sem casa e sem
família.
Perturbou-a que ele pudesse ter amado
Anastasia. Isso quase a magoou. Lembrou-a da sua
própria terrível perda.
― Porque você está aqui? ― Ele perguntou
abruptamente, rompendo um silêncio bastante
longo. Ele parecia ter ficado ofendido por algo
também.
― Aqui na escola do orfanato, você quer dizer? ―
Perguntou ela. Ele não respondeu e ela encolheu os
ombros ― Porque não aqui? Eu moro em Bath com
minha avó e devo fazer algo. Uma existência ociosa
não é mais adequada à minha posição. E o salário,
apesar de uma mera miséria, é pelo menos todo
meu.
Sua avó, fiel à sua palavra, insistiu em atribuir
uma generosa mesada tanto para ela quanto para
Abigail. Era mais do que o pai lhes havia dado.
Camille tinha enfiado o dinheiro deste mês num
pequeno cubículo no escritório no seu quarto, onde
estava determinada a que permanecesse.
Ela não aceitou o quarto de fortuna que
Anastasia havia oferecido, e ela não usaria o que a
avó deu, embora, claro, aceitasse a hospitalidade da
Avó todos os dias que ficava na casa no Royal
Crescent. Ela não sabia muito bem porque não
aceitava o dinheiro, assim como não sabia muito
bem porque tinha vindo aqui assim que ouviu falar
de uma vaga na escola. Mas pelo menos o salário
que ganharia com os seus próprios esforços, lhe
daria algum dinheiro para gastar.
Isso lhe dava um pouco de amor próprio, algum
senso de estar no comando da sua própria vida.
― Se você se opõe a eu estar aqui ― disse ela ―
você deveria ter falado depois que eu saí na semana
passada.
Talvez a senhorita Ford tivesse escrito a cancelar
o nosso acordo deuma experiência de duas
semanas.
Ele estava examinando a bota no seu pé
balançando, talvez percebendo o quão
desgraçadamente usada era. Mas seus olhos
moveram-se rapidamente para os seus, para as
suas palavras.
― Porque eu teria uma objeção? ― Ele perguntou
a ela.
― Talvez porque não sou Anna Snow ― disse ela.
Ela não sabia de onde essas palavras tinham
saído. Ela não era… ciumenta, era? Quão absurdo.
Mas as palavras tiveram um efeito notável. Seu pé
ficou parado de repente, e eles olharam fixamente
um para o outro por vários momentos
desconfortáveis.
― Você a odeia? ― ele perguntou.
― Você a ama?
Seus olhos se tornaram duros.
― Eu poderia te dizer que se metesse na sua
própria vida ― disse ele ― Em vez disso, lembro-lhe
que ela é casada e que seria errado eu cobiçar a
esposa de outro homem.
Mas ele não negou, ela reparou.
― Ela se casou com Avery, sim ― Ela o observou
de perto ― Sua escolha do marido irrita-o? Ele é
muito.
elegante. Quase afetado. E oh, tão indolente ―
E, de alguma forma, um pouco perigoso, embora ela
nunca tevesse entendido bem a impressão que ela
sempre teve dele ― E muito rico. Você o conheceu?
― Sim ― disse ele. ― Eu jantei com eles no
Royal York Hotel quando eles vieram a Bath, pouco
depois do casamento. Eu acredito que Anna está
feliz. Eu acredito que o duque de Netherby também.
Você veio aqui especificamente, para ensinar, em
vez de ir para outra escola, por causa de Anna? Só
por curiosidade, talvez para descobrir algo sobre a
irmã que você não sabia que tinha até
recentemente?
― Meia-irmã ― disse ela ― Eu poderia te dizer
que se metesse na sua própria vida. Em vez disso,
digo que, se eu estivesse curiosa, eu falaria com ela.
Ele se levantou abruptamente, atravessou a sala
para remover as pinturas dos cavaletes e colocá-las
contra a parede, e começou a dobrar e arrumar os
cavaletes enquanto Camille o observava.
― Mas você não fez isso, pois não? ― Ele disse
depois de um minuto ou dois de mais silêncio.
Como ele sabia disso? Ele e Anastasia se
comunicavam?
Ou ela tinha dito a ele quando esteve em Bath
com Avery?
― Ela é uma duquesa ― disse ela ― e eu não sou
ninguém. Não seria apropriado eu falar com ela ―
suas palavras pareciam ridículas assim que as
falara, mas não podiam ser retiradas.
Ele colocou um cavalete dobrado contra o outro e
virou a cabeça para olhar sobre ela por cima do
ombro.
― A autopiedade não é uma característica
atraente, Srta.
Westcott ― disse ele.
― Autopiedade? ― ela ergueu o queixo e olhou-o
― Eu pensei que era um caso de enfrentar a
realidade, Sr.
Cunningham.
― Então você pensou errado ― disse ele ― É
autopiedade, pura e simples. Anna teria aberto os
braços, ainda faria isso,para recebê-la como uma
irmã, não importando o meio relacionamento. Ela
partilharia sua fortuna com você, seu irmão e sua
irmã com a maior alegria.
Mas você não condescenderia a ter relações com
alguém que cresceu num orfanato, teria? E você
também não seria condescendente. Você preferia
morrer de fome. No entanto, você parece sentir essa
necessidade de calçar os seus sapatos para
descobrir se eles vão caber ou apertar os dedos dos
pés.
Ela olhou-o em choque e desagrado, as narinas
se inflamaram.
― Você presume saber muito sobre mim, Sr.
Cunningham ― disse ela ― e sobre as minhas
relações com a Anastasia, ou a falta delas. Ela
obviamente foi extremamente faladora ― Era
mortificante, para dizer o mínimo, que ele soubesse
tanto.
― Eu sou sua família ― disse ele.Agarrou outro
cavalete e não o dobrou gentilmente ― Os membros
da família confiam uns nos outros, especialmente
quando são feridos ou rejeitados por aqueles a
quem eles procuraram amizade. Mas peço desculpas
por meter o nariz onde não sou chamado.
Você tem todo o direito de ficar irritada. Vou
terminar de colocar as coisas aqui. Você deve estar
desejando voltar para casa.
Ela lamentava ele ter-se desculpado. A dor
permaneceu e ela não queria perdoar. A
autopiedade não é uma característica atraente.
― O que faz você pensar, Sr. Cunningham ― ela
perguntou nas suas costas ― que eu quero ser
atraente para você?
Ele fez uma pausa, o cavalete ainda nas mãos e
voltou a cabeça. No começo, ele parecia em branco,
e então ele sorriu lentamente e algo desconfortável
aconteceu com os seus joelhos.
― Estou certo de que é a última coisa que você
deseja ser ― disse ele.
Ou pode ser, suas palavras pareciam implicar.
Mas ele estava perfeitamente correto. Ela não queria
ser atraente para qualquer homem. Que ideia! Muito
menos ela queria atrair o professor de arte com sua
aparência desleixada e sorriso perverso, insolente e
seus olhos escuros e ousados, que pareciam ver até
à parte de trás do seu crânio e às profundezas da
sua alma. Ele, de alguma maneira, representava o
caos, e sua vida sempre foi caracterizada pela
ordem.
E onde aquilo a tinha levado, Deus?
Ela virou-se, colocou o chapéu e as luvas, pegou
o seu retículo e lançou um último olhar desesperado
sobre a bagunça que ela estava deixando para trás
na forma de uma loja de faz de conta. Ele não se
apressou em abrir a porta para ela, mas porque ele
deveria? Quando ela a abriu sozinha e passou por
ela, sua voz a deteve.
― Mas para o que importa ― disse ele ― acredito
que foi talvez um dia de sorte para as crianças,
quando você decidiu vir aqui, Srta. Westcott. Você é
uma professora talentosa.
Suas ideias para hoje e amanhã são pouco
óbvias. Elas ensinam uma série de habilidades em
vários níveis, mas as crianças acreditam que não
estão a fazer nada apenas a divertirem-se.
Camille não olhou para trás. Ela também não
agradeceu, nem tinha certeza de que ele não estava
zombando dela. Ela fechou a porta silenciosamente
atrás dela e partiu na longa e íngreme caminhada
até à casa da sua avó.
Ela sentiu vontade de chorar. Mas havia tantas
causas possíveis de um sentimento tão estranho ―
ela nunca chorou assim como tamém, nunca
desmaiou ― que ela simplesmente encolheu os
ombros, apertou os seus lábios juntos e alongou o
seu passo.
Ela só esperava que a causa predominante das
lágrimas que ela estava segurando não fosse
autopiedade. Como ele se atrevia a acusar disso ―
logo agora que ela saiu da miséria para fazer
alguma coisa?
Ele amou Anastasia? Ele ainda amava?
Não tinha nada a ver com isso. Ou qualquer
interesse.
A própria ideia.
E então pensou noutra coisa até casa.

Capítulo Quatro Quando Camille chegou a casa,


com calor e sem fôlego e com uma dor de lado, logo
baixo das costelas, a avó estava na sala de estar
tomando o seu chá enquanto Abigail estava de pé,
já preparando uma xícara para a irmã e bastante
cheia de notícias.
Camille afundou numa cadeira, tirou os sapatos e
ignorou a desgraça do seu cabelo, pior aindadepois
de ter sido achatado pelo seu chapéu. Já alguém se
acostumou com aquela colina? E ela se acostumaria
a ser uma mulher trabalhadora? Ou ela morreria de
cansaço antes de ter uma chance de descobrir?
Bem, ela não morreria de exaustão, e isso era tudo.
Isso seria muito malvado dela. Seria a derrota final.
Ela pegou na xícara e no pires de Abigail, com uma
palavra de agradecimento e acenou para o prato de
bolo e biscoitos.
― Você deveria comer, Camille ― disse sua avó
― Você irá perder peso.
― Mais tarde, talvez, Avó ― disse ela ― Tudo o
que preciso agora é uma bebida ― E ela
provavelmente poderia aguentar com a perda de
pelo menos uns três quilos. Seria menos peso para
arrastar pela colina todas as tardes.
― Oh, Cam, uma notícia tão maravilhosa ― disse
Abigail, afundando no sofá e agarrando uma
almofada ao peito ― Você nunca vai adivinhar.
― Provavelmente não ― Camille concordou
depois de tomar o primeirosorvo de chá quente e
fechando os olhos com pura felicidade ― Mas você
certamente me dirá.
― Havia uma carta da tia Louise esta manhã ―
disse a irmã ― Toda a família está chegando, Cam,
para comemorar o 70º aniversário da Avó Westcott.
Eu tinha esquecido completamente.
― Aqui? ― Camille olhou-a com espanto ― Todos
eles?
― Aqui, sim ― disse Abigail ― Em Bath. E sim,
todos exceto os três meninos da tia Mildred. Foi a
ideia da tia Matilda, pois acredita que será bom para
a Avó tomar um curso das águas, durante uma
semana ou mais, como fortificante da sua saúde,
embora a Avó nunca pareça estar doente, exceto na
imaginação da tia, não é? Mas todos gostam da ideia
de vir de qualquer maneira. Os meninos estão indo
para uma festa em casa dos amigos da escola,
durante uma semana ou mais, e a tia Mildred
aparentemente escreveu a tia Louise que ela e tio
Thomas se sentirão como peixes fora da água se
eles permanecerem em casa. Então eles estão vindo
também. A tia Louise diz que Jéssica está fora de si
com entusiasmo. O Reverendo e a Sra. Snow estão
voltando para sua aldeia perto de Bristol depois de
passarem cerca de um mês na Morland Abbey, e
Anastasia e Avery vão acompanhá-los e então vêm
para aqui para as comemorações.
― O Reverendo e a Sra. Snow? ― perguntou sua
avó.
― Os avós da Anastasia, Avó ― explicou Abigail
― Os pais da sua mãe, lembra? Anastasia e Avery
foram visitá-los depois do casamento antes de
passarem aqui.
― Ah, sim ― disse Avó ― Anastasia se chamava
Anna Snow quando você a encontrou pela primeira
vez, não era assim?
A xícara e o pires de Camille ficaram esquecidos
na sua mão.
― Ah, e tia Louise convidou o primo Alexander ―
acrescentou Abigail, como se ela ainda não tivesse
dito mais do que o suficiente ― e ele e a prima
Elizabeth e sua mãe também virão. Ela também
escreveu para Mama, mas não espero que ela
venha. Você acha que ela pode?
Porquê aqui? Camille estava se perguntando.
Porque Bath de todos os lugares? Ela não conseguia
se lembrar da sua avó ter vindo aqui antes ou ter
sido feito qualquer sugestão para que ela tomasse
as águas. E toda a família?
Mesmo Althea Westcott, cujo marido tinha sido
apenas um primo do Avô Westcott, e seus filhos,
Alexander e Elizabeth?
Eles haviam sido incluídos, ela supôs, porque
Alex era agora o Conde de Riverdale. O que havia de
tão especial sobre um aniversário de setenta anos?
Mas ela só tinha que fazer a pergunta a si própria
para que a resposta fosse óbvia. O aniversário da
Avó era apenas uma desculpa para permitir que
todos descessem, em massa, sobre os membros
perdidos da família para reaproximá-los. Ela deveria
estar tão entusiasmada quanto a Abby. Mas ela
ainda não estava pronta para ser reaproximada. Ela
não tinha certeza de que alguma vez estaria. Eles
eram seus parentes de sangue, mas agora estavam
separados por uma barreira de coral. Ela era a única
que podia ver isso?
― Não ― ela disse, percebendo que Abigail
estava ansiosamente esperando uma resposta para
sua pergunta ― Eu duvido que Mama virá ― sua
mãe não estava relacionada de nenhuma maneira
com os Westcotts, embora, por quase um quarto de
século, ela tivesse carregado seu nome e
aparentemente fosse sua nora, cunhada, tia ou
prima para cada um deles.
― Você não está feliz com a sua chegada, Cam?
― Perguntou Abigail.
Eles foram gentis e solidários desde o início.
Tanto a avó Westcott quanto a tia Louise lhes
ofereceram uma casa ― até á sua mãe. Mama tinha
virado as costas para eles, no entanto, levando
Camille e Abigail com ela. Agora eles estavam vindo
para Bath. Mas eles não podiam ver que mama tinha
feito a única coisa possível? Não havia um deles que
não tivesse um título ― exceto a prima Althea, que,
no entanto, agora tinha a distinção de ser a mãe do
conde de Riverdale. Todos eram de linhagem
impecável. Todos tinham olhado Anastasia com
indignação quando ela foi exibida no salão da casa
de Avery naquele dia, mais infame. Eles teriam
continuado a fazê-lo, mesmo depois de saber que
ela era a filha de Papa, se ela também tivesse sido
sua filha ilegítima.
Eles não conseguiam ver que era exatamente o
que Camille, Harry e Abigail eram? O Visconde
Uxbury tinha visto num piscar de olhos. O resto da
ton teria feito o mesmo se tivessem tido a chance.
Não havia como voltar para eles. Era ilusório pensar
que poderia haver. Na verdade, era quase cruel que
eles viessem e elevassem as esperanças de Abby.
Mas como poderia ela, Camille, impor o seu
próprio senso de alienação a sua irmã? Quem fê-la
Deus?
― Estou feliz por você ― disse ela, forçando um
pouco de calor no seu sorriso ― Você tem sentido
muito falta de Jéssica, não é?
― Eu sinto falta de Mama ― disse Abigail,
parecendo tão sombria de repente que Camille
sentiu como se um buraco tivesse surgido no seu
estômago. Mas foi um lapso momentâneo da parte
de Abby, e ela sorriu brilhantemente novamente ―
Sinto falta de todos, não apenas de Jéssica, e será
adorável vê-los novamente e provavelmente ser
incluída em algumas das comemorações. Não é
maravilhoso que tenham escolhido Bath? Você acha
que é, pelo menos em parte, por causa de nós? ―
sua voz era melancólica.
Camille obviamente não tinha entendido
completamente a profundidade do sofrimento da sua
irmã. Abby estava quase sempre calma e alegre. Era
fácil supor que a mudança no seu status e modo de
vida não a tivesse afetado profundamente. Afinal,
ela nunca tinha sido apresentada à sociedade
educada e, portanto, não sabia a totalidade do que
estava perdendo. Mas, claro que estava sofrendo.
De fato, ela havia perdido a Mama e Papano ano
passado, e ela tinha apenas dezoito anos. Tinha
ficado desapontada quando a morte de Papa tinha
forçado o adiamento da temporada de apresentação
que ela esperava na primavera passada, embora
nunca se tivesse queixado. Em vez disso, ela
mudouos seus pensamentos para a próxima
primavera e esperar ansiosamente pela sua estreia
tardia na sociedade e a chance de ser vista,
cortejada e casada com um cavalheiro de elevado
título. Essas esperanças e sonhos haviam sido
cruelmente desfeitos, e agora tudo o que ela podia
ansiar, eram os passeios na Pump Room com sua
avó ou um concerto ocasional e, até menos
frequentemente, um convite para uma casa
particular. E a fraca chance de, eventualmente, ela
fazer aqui alguns jovens amigos e, talvez, se ela
fosse muito afortunada, encontrar um respeitável
admirador que ignorasse o estigma do seu
nascimento. Era de espantar que ela estivesse tão
entusiasmada com a chegada da família aqui?
― Eu não sei porque eles escolheram Bath ―
disse Camille ― Talvez todos eles concordem com a
tia Matilda sobre a saúde da Avó.
A avó Kingsley deve ter decidido que era hora de
mudar o assunto.
― Elaine Dance nos contou no concerto na outra
noite que o Sr. Cunningham estava prestes a
entregar o seu retrato terminado ― disse ela ― Esta
manhã ela nos convidou para ir vê-lo.
― É incrível, Cam ― disse Abigail, iluminando-se
novamente ― Não pude tirar meus olhos dele. Eu
queria contemplar isso para sempre.
De uma pintura da Sra. Dance?
― Elaine não era a mais linda das garotas,
mesmo quando era jovem ― disse a avó ― e ela se
deixou ir nos últimos anos, ganhou peso e um
queixo duplo, bem como rugas e cabelo desbotado.
E todas essas coisas aparecem no retrato. Nada foi
disfarçado. Seu queixo não foi reduzido a um. Seu
cabelo não foi pintado de uma tonalidade mais
escura ou mais brilhante. E, no entanto, ela parece.
Qual é a palavra que eu estou procurando, Abigail?
― Bonita? Vibrante? ― sugeriu Abigail ― Ele a
pintou de dentro para fora, Cam, e ela realmente é a
mais amável, mais amigável das senhoras. O Sr.
Cunningham capturou isso, e isso transcende sua
aparência externa. Não tenho ideia de como ele fez
isso.
― Eu enviei um recado para ele quando voltamos
― disse a Avó ― convidando-o para passar aqui
amanhã à tarde. Tenho retratos do seu vovô e de
mim e da sua mãe um ano antes do casamento e do
seu tio Michael e tia Melanie, que foi pintado há
quatro anos, pouco antes de morrer. No entanto,
não tenho nenhum dos meus três netos. Eu gostaria
de contratar o Sr. Cunningham para pintar vocês
duas, e talvez Harry também quando essas guerras
acabarem e ele regressar a casa.
Foi a última gota para Camille. Há apenas uma
semana, ela assumiu o controle do seu próprio
destino, descartando tudo o que era familiar do seu
passado para forjar uma nova vida. Agora, a família
de Papa estava prestes a descer sobre eles, em
massa, sem dúvida com a ideia de enfiá-las, de
alguma forma, em algum tipo de vida gentil. E a avó
Kingsley iria tê-las pintadas pelo pintor mais
elegante de Bath e sem dúvida exibi-las num lugar
proeminente para a sociedade de Bath ver e
admirar. Ela duvidava que a sociedade de Bath
ficasse impressionada.
Ela não queria nada disso. Ela particularmente
não queria que o Sr. Cunningham a pintasse. Não
podia imaginar nada mais humilhante. E ela não
estava sendo autopiedosa.
Ela queria ficar sozinha para lutar pela sua nova
vida.
― Deixe-o pintar Abby ― disse ela ― Ela é a
bela.
Era uma razão errada para dar.
― Oh, Cam ― gritou Abigail, pondo-se depé e
sentando-se no braço da cadeira de Camille, antes
de envolver ambos os braços sobre ela e pousando
uma bochecha no topo da sua cabeça ― Você
também é linda.
― Eu não posso ter uma de vocês pintadasem a
outra ― disse a Avó ― E sempre pensei que você
era particularmente bonita, Camille.
Infelizmente, havia alguns laços que não podiam
ser cortados simplesmente porque alguém desejava
ficar sozinho.
Se o Sr. Cunningham aceitar a encomenda, ela
teria que ficar sentada muito calma por horas a fio,
enquanto ele olhava-a com aqueles olhos escuros e
intensos e veria todas as suas imperfeições e
pintaria cada uma delas, assim como ele,
aparentemente, fez com a Sra. Dance. Oh, seria
intolerável. Ela ficaria totalmente à sua mercê. Ela
morreria.
Não, ela não faria. Ela ficaria sentada com um
rosto sério durante o tempo todo necessário e o
desafiaria a tentar pintá-la de dentro para fora, o
que quer que issosignificasse.
Ele não sabia nada sobre oEle não sabia nada
sobre oEle não sabia nada sobre o seu euseu euseu
eu interior, e ele nuncainterior, e ele nuncainterior,
e ele nunca saberia. Ela iria cuidar disso.saberia. Ela
iria cuidar disso.
Sentia-se tão ressentidase tão ressentidacom o
Sr. Cunningham como seo Sr. Cunningham como se
fosse ele a sugerir pintar seu retrato.a sugerir pintar
seu retrato.
Joel recebeu duas cartas de potenciais clieJoel
recebeu duas cartas de potenciais clientes
naquelantes naquela manhã. Uma era de um Sr.
Coxmanhã. Uma era de um Sr. Cox-Phillips, que
vivia nas colinasPhillips, que vivia nas colinas
acimaacimaacima dedede Bath,Bath,Bath,
ondeondeonde a maioria das casas erama maioria
das casas erama maioria das casas eram
mansõesmansõesmansões habitadas por ricosdas
por ricos. Joel teria que contratar uma carruagem.
Joel teria que contratar uma carruagem para levá-lo
lá, mas ele escreveria mais tarde e sugeriria umlo
lá, mas ele escreveria mais tarde e sugeriria umlo
lá, mas ele escreveria mais tarde e sugeriria um dia
na próxima semana. A outra carta era da Sra.
Kipróxima semana. A outra carta era da Sra.
Kingsley,próxima semana. A outra carta era da Sra.
Ki que queria que ele fosseque queria que ele fosse
esta tarde às quatro e meia paraesta tarde às quatro
e meia para discutir a pintura dasura das suas duas
netas. As irmãs mais novassuas duas netas. As
irmãs mais novas de Anna, isso era. Ou suasde
Anna, isso era. Ou suas meias-irmãs, para ser
preciso. Airmãs, para ser preciso. A mais jovem das
duasmais jovem das duas era a linda Miss Abigail
Westcott,linda Miss Abigail Westcott, quem ele
conheceu brevemente, em casa daSra. Dance há
algumasele conheceu brevemente, em casa daSra.
Dance há algumasele conheceu brevemente, em
casa daSra. Dance há algumas semanas. A outra era
asemanas. A outra era a Amazona da escola do
orfanatoa da escola do orfanato. Ele se perguntou se
ela sabiase perguntou se ela sabia o destino que a
esperava. E seo destino que a esperava. E se
perguntou se queria a tarefa dqueria a tarefa de
pintá-la. Ter quela. Ter que partilhar uma sala de
aula comuma sala de aula com ela duas tardes por
semana podia ser oela duas tardes por semana
podia ser o máximo da sua companhia que ele
poderia tolerar.sua companhia que ele poderia
tolerar.sua companhia que ele poderia tolerar.
Ele responderiaresponderia aa Sra.Sra.
Kingsley,Kingsley, nono entanto,entanto,
porqueporque havia uma coisa sobre o possível
trabalhocoisa sobre o possível trabalho que o atraía.
Aque o atraía. A maioriamaioria dasdas
pessoaspessoas emem seus retratos,retratos,
comocomo seriaseria dede sese esperar em Bath,
eram pessoas de meia idade ou até idosos,esperar
em Bath, eram pessoas de meia idade ou até
idosos,esperar em Bath, eram pessoas de meia
idade ou até idosos, nenhumnenhumnenhum
dosdosdos quaisquaisquais eraeraera
famosofamosofamoso porporpor suasuasua
beleza.beleza.beleza. ElEleEl tinha ficado um tanto
preocupado, no início, em pintá-los, pois temia que
ele desapontasse os destinatários e arruinasse sua
reputação antes mesmo de ter uma. Ele não pintaria
retratos de vaidade, aqueles que lisonjeavam a
pessoa, e ele sempre deixara isso bem claro
antecipadamente. Ele pintaria a pessoa como ele
avia. Ele se surpreendeu, na verdade, gostando de
pessoas mais velhas, que, invariavelmente, tinham
uma profundidade de caráter desenvolvida ao longo
de anos de experiência. Ele adorava conversar com
as pessoas enquanto as esboçava, observando seus
rostos, observando suas mãos, seus olhos, a
linguagem do seu corpo e mente, e depois decidir
como ele ia capturar a essência deles na tela. E ficou
satisfeito com os resultados até agora.
No entanto, ele há muito que queria pintar
alguém jovem e adorável, e a Srta. Abigail Westcott
era ambos.
Infelizmente, ele não poderia pintá-la sem pintar
sua irmã também. No entanto, enquanto ele
caminhava para cumprir o compromisso, foi forçado
a admitir que havia algo sobre ela que o intrigava ao
mesmo tempo que o irritava. Seria um desafio
interessante tentar capturar em tela a essência de
Srta. Camille Westcott, quem ele esperava ser uma
das piores professoras do mundo, mas na realidade
era totalmente possível que fosse uma das melhores
e que, apesar de pareceraltiva, escolheu ensinar
numa escola de orfanato.
Talvez ela tivesse outras surpresas para ele.
A casa da Sra. Kingsley estava quase no meio do
Royal Crescent. Ele bateu com aaldrava contra a
porta e foi admitido num salão espaçoso por um
mordomo, que o fez, desconfortavelmente,
consciente do desmazelo da sua aparência, com um
olhar de relance da cabeça aos pés antes de sair
para ver se a Sra. Kingsley estava em casa, como se
não estivesse perfeitamente consciente do fato de
ela estar.
Além disso, essa era a hora exata em que ela
pedira que ele chegasse.
Alguns minutos depois, ele foi acompanhado ao
andar de cima para a sala de estar, onde a senhora
da casa e a mais jovem das suas netas o
aguardavam. Não havia nenhum sinal da mais
velha, embora já devesse estar em casa de volta da
escola. A Sra. Kingsley estava de pé, e com o olho
praticado de um artista, Joel observou a sua figura
esbelta e direita, suas mãos idosas e com joias
entrelaçadas diante dela, o seu rosto alinhado e
bonito e o cabelo meio cinza e meio-branco enrolado
num elegante coque. Ela mesma, seria interessante
para pintar.
― Sr. Cunningham ― disse ela.
― Senhora ― Ele inclinou a cabeça, primeiro
para ela e depois para a moça mais nova ― Srta.
Westcott.
― É agradável da sua parte que tenha vindo
prontamente com um aviso tão recente ― disse a
Sra.
Kingsley ― Eu percebo que você é um homem
ocupado.
Minha neta e eu vimos o retrato da Sra. Dance,
feito por você, ontem de manhã e ficamos
encantadas com ele.
― Obrigado ― disse ele. A neta estava sorrindo
para ele e concordava com a cabeça. Ela era como
ele se lembrava dela, pequena, esbelta e delicada.
Ela tinha cabelos claros e olhos azuis e era
requintadamente bonita. Ela parecia mais com Anna
do que a irmã mais velha.
― Você capturou a sua natureza gentil ea sua
semelhança, Sr. Cunningham ― disse ela ― Eu não
teria pensado que era possível fazer isso com
apenas tinta.
― Obrigado ― ele disse novamente ― Um retrato
é de uma pessoa inteira, não apenas da aparência
externa.
― Mas eu realmente não sei como isso pode ser
feito ― disse ela.
Ela era ainda mais bonita quando seu rosto
estava corado e animado, como estava agora. A
visão dela fê-lo ainda mais ansioso pela chance de
pintá-la se a encomenda fosse formalmente feita.
Mas quando ele estava a pensar nisso, a porta se
abriu atrás dele e Camille Westcott entrou na sala,
parecendo trazer o ar ártico com ela. Ele virou e
inclinou a cabeça para ela.
Ela estava usando o vestido castanho de ontem e
o penteado severo de ontem, ambos arrumados
hoje, mas paradoxalmente, ainda menos atraentes.
Ela também tinha o olhar severo de ontem no seu
rosto.
― Srta. Westcott ― ele disse ― espero que o seu
dia tenha corrido bem. As crianças compraram tudo
o que viram?
― Oh, muitas vezes ― ela disse a ele ― Manhã e
tarde.
Na hora do almoço, a cozinheira precisou enviar
um emissário para ameaçar as consequências
terríveis se as mesas da sala de jantar não
estivessem totalmente ocupadas em dois minutos ou
menos. Passei o meu dia a evitar lutas sobre as
compras ou separando-os depois de terem
começado, e sobre as contas também, pois a soma
do comerciante do que era devido para uma
transação era, muitas vezes, bastante diferente do
que o comprador estava oferecendo,e, claro, ambos
insistiam que estavam certos. Os compradores
discutiam com grande ferocidade, mesmo quando o
comerciante exigia menos do que ele ou ela estava
oferecendo.
Joel sorriu.
― Foi então um grande sucesso ― disse ele ― Eu
tinha certeza de que seria.
― Quando você esteve comprando doces no
mercado ― ela disse, franzindo o cenho para ele ―
você deveria ter contado o número exato para cada
criança para comprar um.
Você realmente comprou três a mais e não
causou nenhum problemaaté que Richard tivesse a
brilhante ideia de levá-los a três crianças que ainda
não frequentam a escola. Ele mesmo insistiu em
usar três dos seus preciosos pennies para comprá-
los e assim envergonhar todas as outras crianças.
Como resultado, eles ficaram pouco satisfeitos
com ele. Assim como eu quando ele assassinou a
língua inglesa pelo menos três vezes ao ser tão
gentil.
― Camille ― perguntou sua avó ― o que é isso
sobre uma loja?
― Você realmente não quer saber, Avó ― ela
passou por Joel e sentou-se ― Foi apenas uma ideia
de uma lição mal concebida da minha parte.
Srta. Camille Westcott, pensou Joel, parecia
muito mais bonita quando estava irritada. E muito
mais empertigada e com o queixo teimoso e os
lábios apertados. Aquelas crianças provavelmente
não se divertiram assim hámuito tempo, ou
aprenderam tanto.
― Sente-se, Sr. Cunningham ― disse a Sra.
Kingsley, indicando outra cadeira ― Espero
convencê-lo a pintar as minhas duas netas, embora
eu esteja bem consciente de que seus serviços estão
em grande
##exigências/solicitar/requerer/desejar<<
demanda no momento.
― Seria um prazer, senhora ― disse ele ― Você
tem em mente um retrato de grupo ou retratos
individuais?
― Meu neto está na Península com seu regimento
― disse ela ― Se ele estivesse aqui, eu escolheria
um retrato dos três. Por enquanto, preferiria que as
minhas netas fossem pintadas separadamente para
que um retrato de Harry possa ser adicionado,
depois que ele volte para casa.
O neto, Joel lembrou das primeiras cartas de
Anna, perdeu o título de conde e a fortuna na
descoberta da sua ilegitimidade, e abandonou a
Inglaterra para lutar nas guerras. Ela estava muito
chateada com tudo isso. A sua boa sorte tinha sido
uma má sorte para o seu irmão e irmãs, e ela não
tinha sido tão exuberantemente feliz como poderia
ser esperado, quando o sonho de uma vida se
tornou realidade para ela.
― Não desejo sentar-me para um retrato, Sr.
Cunningham ― informou a mais velha Srta.
Westcott ― Só farei isso para agradar a minha avó.
Mas eu não quero ouvir nenhuma bobagem de
capturar minha essência, o que, aparentemente, é o
que você fez ou tentou fazer com a Sra.
Dance. Você pode pintar o que vê e acabar com
isso.
― Cam ― disse sua irmã reprovadoramente.
― Estou perfeitamente certa de que o Sr.
Cunningham sabe o que está fazendo, Camille ―
disse a avó.
A Srta. Westcott olhou-o acusadoramente, como
se ele fosse o único a discutir com ela. Ele se
perguntou como ela seria como Lady Camille
Westcott, quando quase todo mundo teria sido seu
inferior e sempre disponível ao seu chamado. Ela
deve ter sido uma força a ser tida em conta.
― Eu vou sentar-me para você, Sr. Cunningham
― disse ela ― mas espero que não seja por horas a
fio. Quanto tempo demora?
― Deixe-me explicar algo do processo ― disse
ele ― Eu falo com as pessoas que estou prestes a
pintar e observo-as enquanto as escuto. Eu tento
conhece-las tanto quanto possa. Eu faço esboços
enquanto conversamos e depois, finalmente, quando
me sinto pronto, faço um esboço final e depois pinto
o retrato disso. É um processo lento e demorado.
Não pode ser apressado. Ou diferente. É um
pouco caótico, talvez, mas é a maneira que eu
trabalho.
Na verdade, não havia nada ordenado sobre o
processo criativo. Poderíamos comprometer o tempo
e o esforço e a disciplina, mas, além disso, tinha
pouco controle sobre a arte que vinha derramada de
uma… alma? Ele não tinha certeza de que essa seria
a palavra certa, mas nunca tinha podido pensar
numa que fosse mais precisa, pois a sua arte não
parecia surgir de nenhuma parte consciente da sua
mente.
A Srta. Westcott estava olhando-o muito
atentamente.
― Pinte Abby primeiro ― disse ela ― Você pode
me observar duas tardes por semana na sala de
aula e me conhecer dessa forma. Você pode até me
apresentar uma lista escrita de perguntas se
desejar, e responderei tudo o que considerar
pertinente. Eu permitirei que você descubra tudo o
que puder sobre mim, mas não espere conhecer-
meSr.
Cunningham. Não é possível e eu não permitiria
se fosse.
Ela entendeu, ele percebeu com alguma
surpresa. Ela sabia a diferença entre conhecer algo
sobre alguém e realmente conhecer essa pessoa. Ela
estava começando a intrigá-lo mais do que um
pouco.
― Você vai aceitar o trabalho, então, Sr.
Cunningham? ― Perguntou a Sra. Kingsley ― E
começar com Abigail? Eu vou ter um quarto
reservado aqui para seu uso. Talvez possamos
concordar com um cronograma que respeite os seus
outros compromissos. E quanto aos termos do
contrato, eu suponho que você gostaria de algo por
escrito, como eu faria.
― Sim para tudo, senhora ― disse ele, olhando
para a irmã mais nova, que estava corada de prazer.
Pela primeira vez apercebeu-se que ela talvez
fossemais um desafio do que ele tinha pensado.
Seria uma alegria pintar juventude e beleza, mas
não era a sua maneira de pintar apenas o que via
com os seus olhos. Havia alguma profundidade de
caráter atrás do rosto amável e ansioso da senhorita
Abigail Westcott, ou era muito jovem para ter
adquirido alguma? Seria sua tarefa descobrir.
― Vamos até a biblioteca para discutir detalhes
― disse a Sra. Kingsley ― Vou tratar de mandar
alguns refrescos para lá.
Mas foi Camille Westcott quem teve a última
palavra antes de sair da sala.
― Você sabia que Anastasia está vindo para
aqui? ― Ela perguntou a ele.
Ele parou no seu caminho.
― Ela e Avery ― disse ela ― e todo o resto da
família Westcott. Eles estão chegando para
comemorar o aniversário de setenta anos da
Condessa Viúva de Riverdale, minha outra avó. Você
não sabia, não é?
― Não ― disse ele. Não, ele não tinha ouvido
falar de Anna há mais de uma semana. Eles não se
escreviam tão frequentemente como quando ela
saiu pela primeira vez de Bath. Eles permaneceram
amigos íntimos, mas o fato de eles serem de
gêneros diferentes complicou o seu relacionamento
agora que ela estava casada. Além disso, ela estava
feliz agora e não precisava do seu apoio emocional
como tinha precisado no início ― Não, eu não tinha
ouvido.
― Eu pensei que não ― ela deu-lhe um meio
sorriso.
Você a ama? Ela perguntou ontem quando ele lhe
perguntou se odiava Anna. Ela era muito inteligente
para não ter notado que ele tinha evitado a resposta
à pergunta. Assim como ela não respondeu à dele.
Anna tinha rejeitado a única oferta matrimonial
que ele fez, há alguns anos atrás, presumivelmente
porque ela não o amava. Ela tinha lhe dito, na
ocasião, que pensava nele como umumum
irmão.irmão.irmão. ElaElaEla aceitouaceitouaceitou
aaa ofertaofertaoferta dedede
Netherby,Netherby,Netherby, presumivelmente,
porque ela o amava e não pensava neleporque ela o
amava e não pensava nele como um irmão. Era tão
simplecomo um irmão. Era tão simples quanto isso.
Ele não sofrias quanto isso. Ele não sofria por amor
não correspondido. Sua vida estava cheia e ativa
eamor não correspondido. Sua vida estava cheia e
ativa eamor não correspondido. Sua vida estava
cheia e ativa e realmente muito maisrealmente
muito mais feliz do que ele jamais esperoufeliz do
que ele jamais esperou. Mas ele preferiria que ela
não voltassepreferiria que ela não voltasse a Bath
logo que após a últimaa Bath logo que após a última
vez.
― QuandoQuando vovocêcê achaacha queque
podepode começar?começar? ― A Sra.
Kingsley perguntou enquanto eles desciam as
escadas.Kingsley perguntou enquanto eles desciam
as escadas.Kingsley perguntou enquanto eles
desciam as escadas.
JoelJoel estavaestava regressando,regressando,
descendodescendo, umauma meiameia horahora
depois, esperando chegar lá em baixo antes que as
nuvensdepois, esperando chegar lá em baixo antes
que as nuvensdepois, esperando chegar lá em baixo
antes que as nuvens baixas sobre a sua cabeça
decidissem deixar cair a chuvaa sua cabeça
decidissem deixar cair a chuvaa sua cabeça
decidissem deixar cair a chuva sobre ele. Ele se
perguntou o quee perguntou o que Anna teria a
dizer quandoAnna teria a dizer quando soubesse que
estava pintando os retratos das suas irmãs. E ova
pintando os retratos das suas irmãs. E ova pintando
os retratos das suas irmãs. E o que ela pensaria do
fato de que Camille edo fato de que Camille estava
ensinando nastava ensinando na escola.escola.
Bolas,Bolas, eleele sentiasentia faltafalta das cartas
longasongas ee quasequase diárias que trocavamam
quando Anna deixou Bath.
Srta. Camille Westcott seria difícil de
pintar.Westcott seria difícil de pintar.
Como ele conseguiriaconseguiria
penetrarpenetrar todatoda essaessa
hostilidadehostilidade paraparapara
descobrirdescobrirdescobrir aaa pessoapessoapessoa
real,real,real,
especialmenteespecialmenteespecialmente
quandoquandoquando ela estava
determinadadeterminada aa que ele não tivesse
sucesso?sucesso? EraEra completamente possível
que ela fosse o scompletamente possível que ela
fosse o seu maior desafioeu maior desafio artístico
até ao momentoartístico até ao momento. Quando
ele alcançou o fundo da. Quando ele alcançou o
fundo da colina e caminhou rapidamente na direção
dacolina e caminhou rapidamente na direção da
Bath AbbeyBath Abbey, a chuva começou a cair, não
muito, mchuva começou a cair, não muito, mas em
grandes gotas queas em grandes gotas que
prometiam um aguaceiro a qualquer momento. Ele
sentiu os primeiros movimentos da excitação que
um trabalho particularmente intrigante sempre
despertava nele. Não acontecia muitas vezes, mas
ele adorava quando acontecia.
Isso fê-lo sentir mais como um artista e menos
como um mero trabalhador, embora ele esperasse
que nunca fosse só isso.
Ele se abrigou na abadia assim que os céus se
abriram e sentou-se num banco traseiro. Ele
descobriu que estava realmente ansioso para
partilhar a sala de aula amanhã.
Isso não acontecia desde que Anna saiu.

Capítulo Cinco Ela estava a algumas horas de


sobreviver à sua primeira semana de ensino, pensou
Camille, no início da tarde seguinte. Mas poderia ela
fazer tudo de novo na próxima semana e na semana
seguinte e assim por diante? Se, nesse caso, ela
continuasse após a experiência de quinze dias.
Como as pessoas conseguiam trabalhar para
viver, dia após dia durante toda a vida? Bem, ela
descobriria. Ela podia ser demitida no final da
semana que vem, mas ela não desistiria por si
mesma, e ela iria encontrar outra coisa para fazer se
ela fosse considerada incapaz de ensinar ali. Pois, se
ela aprendeu alguma coisa na última semana e
meia, era que, quando alguém toma aquele primeiro
passo decisivo na vida, era preciso continuar
avançando ― ou se retirar e ser sempre derrotado.
Ela não se retiraria.Ela não seria derrotada.
E foi isso.
Ela tinha feito uma procura introspetiva na noite
passada, depois de ler a alegre e carinhosa carta da
tia Louise, cheia de planos para o que todos fariam
em Bath e, depois de ouvir a avó e a Abigail falar
toda a noite sobre a miríade de prazeres que elas
poderiam ansiar. A chegada de pessoas tão ilustres
colocaria toda a sociedade de Bath curiosas, o que a
avó previu, e todos estariam ansiosos para fazer
parte de qualquer entretenimento no qual se poderia
esperar que aparecessem. Camille e Abigail,
finalmente, podiam sair das sombras em que
haviam ficado à espreita e ser reconhecidas como
parte da família.
Camille não tinha certeza de que queria que isso
acontecesse. Ela não tinha certeza de que deveria
acontecer.
Ela sabia que não estava pronta para confiar na
influência da sua família para atraí-la para uma
espécie de vida que não poderia ser mais do que
uma sombra do seu eu anterior. Ela ainda não sabia
o que queria ou mesmo quem era, mas tinha
certeza, pelo menos pensou quetivesse, que
precisava ficar atenta até descobrir as respostas.
Será que ela, alguma vez, as descobriria?
Ela tomou uma nova decisão antes de se deitar
para a noite. Como resultado, ela levantou-se na
primeira luz da manhã para escrever uma carta e
fazer alguns outros preparativos, e ainda poder
chegar cedo à escola para ter uma palavra com Miss
Ford. Ela tinha sabido através de uma observação
casual feita durante o almoço no início da semana,
que o quarto que fora de Anastasia quando viveu e
ensinou ali ainda estava desocupado. Parecia ser
considerado como algum tipo de santuário. E ali,
Camille quase podia imaginar os visitantes a serem
informados, enquanto viam o edifício, onde a
duquesa de Netherby morava quando era conhecida,
como apenas Anna Snow. Camille perguntou esta
manhã se ela poderia se mudar para o quarto e
pagar com os seus ganhos. A senhorita Ford a olhou
com uma intensidade desconcertante por vários
momentos silenciosos antes de perguntar se ela já
tinha visto o quarto. Camille não tinha, e a senhorita
Ford a levou lá.
Era chocantemente pequeno. Seu camarim no
Hinsford Manor seguramente era maior. O mobiliário
consistia numa cama estreita, uma cómoda
igualmente estreita de quatro gavetas, uma
pequena mesa com uma cadeira de madeira vertical
e um lavatório com uma tigela e um jarro sobre ela.
Havia três ganchos afixados na parede atrás da
porta, um espelho na porta e um tapete pequeno ao
lado da cama.
Camille engoliu em seco, para não fazer algum
som inadvertido de angústia, pensou em mudar de
ideia e, então, antes que pudesse, perguntou
novamente se poderia ter o quarto. A senhorita Ford
tinha dito que sim, e Camille tinha ido em busca do
porteiro para perguntar se ele poderia fazer arranjos
para ir buscar a bolsa e a mala que ela tinha
empacotado mais cedo da casa no Royal Crescent.
Ela também lhe entregou a carta que escreveu para
sua avó e Abigail antes de partir para a escola.
Ela tinha embalado nas malas apenas o que
considerava o essencial para sua nova vida, mas
mesmo assim ela se perguntou se haveria espaço
para tudo no quarto. As malas haviam chegado
antes do almoço, com uma nota escrita por Abby,
embora ela ainda não tivesse tido tempo para
desfazer as malasou ler a carta. Na verdade, ela
evitava isso, deliberadamente.
Camille sentiu-se um pouco doente do estômago
e ficou feliz que não tivera tempo para comer
qualquer coisaao almoço. Mesmo agora, ela poderia
mudar de ideia se quisesse, é claro. Ou amanhã, ou
no dia seguinte. Não era como se ela tivesse feito
algo irrevogável. Exceto que ela sabia que se ela
admitisse a derrota neste ponto, então ela logo
admitiria em todos os outros pontos.
Ela não mudaria de ideia. Se Anastasia conseguiu
viver e trabalhar ali, então ela também conseguiria.
No início da tarde, sentia-se exausta e, como de
costume, desordenada e inadequada. As crianças,
em contraste, estavam tão animadas e barulhentas
como tinham sido toda a semana. As crianças,
alguma vez falavam numvolume menor do que um
grito? Alguma vez ficavam sem energia?
E então a porta da sala de aula se abriu para
admitir o Sr. Cunningham, e Camille sentiu que sua
chegada era a última gota. Como se ela não tivesse
o suficiente que pensar sem se perguntar o que ele
pensava sobre ela como professora e como pessoa,
e sem saber que ele estaria assistindo e ouvindo,
como ela o convidara a fazer, para que ele pudesse
pintar o infernal retrato para a Avó. Ela até se
ofereceu para responder a quaisquer perguntas
escritas com as quais ele desejasse apresentar.
Certamente ele não ousaria. Ela olhou-o como se ele
já tivesse feito algo para ofendê-la, e ele tinha. Ele
tinha vindo.
Ele parou no limiar, como tinha feito há dois dias,
com uma mão na maçaneta da porta, e olhou para a
cena diante dele com um grande espanto. Como
bem poderia.
― Estamos aprendendo a tricotar, Sr.
Cunningham ― Jane Evans, uma das mais jovens e
mais pequenas das garotas, gritou em voz alta e
estridente um momento antes de começar a chorar:
― Senhorita, deixei cair todos os meus pontos.
Novamente? Foi a terceira ou quarta vez? Istonão
tinha sido uma boa ideia, pensou Camille quando ela
se apressou para ajudar.
― Então eu vejo ― respondeu o mestre de arte
― É uma colmeia industrial aqui. Os meninos
também?
Uma típica observação masculina. Que Camille
nem sequer dignificou com outro olhar. De qualquer
maneira, ela estava ocupada pegando pontos.
― Em alguns países, senhor ― Cyrus North
informou-o ― são apenas os homens e os meninos
que tricotam, enquanto as mulheres e as meninas
giram a lã. A Srta.
Westcott nos contou, quando Tommy disse que
apenas as garotas é que tricotavam e costuravam.
De que outra forma, ela conseguiria persuadir os
meninos a não se amotinar?
― Estamos fazendo uma corda, senhor ― gritou
Olga Norton. O seu segmento já tinha uns
centímetros de comprimento, ela e algumas das
outras garotas mais velhas, que já aprenderam a
tricotar tinham uma prática considerável. Elas
foram, tão capazes como dispostas, a ser ajudantes
de Camille na tarefa gigantesca de mostrar aos
meninos e às meninas mais novas como era feito e
resgatá-los de dificuldades e de percalços quase
constantes.
Paul Hubbard estava correndo atrás da sua bola
de lã, que tinha caído do seu colo para rodar
alegremente no chão e ir-se desenrolando.
― Ah, uma corda. Sim, é claro ― disse o Sr.
Cunningham com alegria, seguindo até a sala e
fechando a porta atrás dele ― Em vinte seções
diferentes. Porque não vi de relance? Sinto-me
obrigado a perguntar, no entanto.
Porquê uma corda?
Ele estava claramente se divertindo, às custas
dela, pensou Camille. Realmente era a ideia mais
louca que já tinha tido.
Um coro de vozes levantou-se em resposta, e um
conjunto de pontos foram descartados e meia dúzia
de bolas de lã rolaram em busca da de Paul. Era
incrível, talvez, que a maioria das crianças tivessem
alguns pontos de tricot nas suas agulhas e que
quase todos tivessempelo menos uma pequena
franja do que parecia, a grosso modo, com tecido de
malha tricotada dependurado nelas.
Ele estava sorrindo. Como se atreveu ele? Ele
estava minando a sua autoridade.
― Nós fizemos outro passeio esta manhã ―
explicou Camille, silenciando, pelo menos durante
um momento, o clamor em volta dela ―
Caminhamos pela ponte e pela Great Pulteney
Street para Sydney Gardens. Todos foram
obedientes ao comando para caminhar em fila, dois
a dois, de mãos dadas com um parceiro. No entanto,
infelizmente cada par escolheu uma velocidade
diferente e um momento diferente para se apressar
ou diminuir a velocidade ou para parar
completamente para observar algo de interesse.
Fiquei muito mais surpresa, do que posso dizer, que
quando chegamos aos jardins, descobrir que todos
estavam presentes e contabilizados, mesmo que
alguns ainda estivessem a pouca distância. E o
mesmo aconteceu no nosso regresso à escola. Eu
não ficaria chocada se descobrisse que perdi um
aluno ou três no caminho.
― Oh, não três, senhorita ― Winifred informou ―
Estávamos andando dois a dois, de mãos dadas.
Somente Winifred.
― Uma boa observação, Winifred ― disse Camille
― Dois alunos ou quatro, então.
― Ou você poderia ter perdido alguns de nós no
labirinto, senhorita ― Jimmy Dale adicionou a uma
enxurrada de riso ― Todos nós entramos nele,
senhor, e todos nós nos perdemos porque corremos
em pânico e ouvíamos uns aos outros em vez de
elaborar um sistema, o que a Srta.
Westcott disse depois de termos feito. Ela teve
que entrar lá para resgatar os últimos quatro ou
talvez ainda estivéssemos lá, e todos teríamos
perdido nosso almoço e Cook teria ficado zangada.
― Srta. Westcott não se perdeu no labirinto? ―
perguntou o Sr. Cunningham. Ele ainda estava
sorrindo, os braços cruzados sobre o peito e ainda
se divertindo enormemente. E ele estava ainda mais
bonito do que Camille queria que ele estivesse. O
que será que ele estaria pensando dela? Paul havia
recuperado sua bola de lã e perseguia outra fazendo
com que os dois comprimentos de lã se cruzassem.
― Ela se perdeu ― disse Richard ― mas
encontrou os quatro que estava desaparecidos e
trouxe-os através de um sistema. Ela não esteve lá
mais de dez minutos.
― Onze ― disse Winifred.
― Os quatro que estavamdesaparecidos, Richard.
Plural ― disse Camille ― Estamos tricotando uma
corda, Sr.
Cunningham, para que todos possam se segurar
sempre que caminharmos. Para além de manter
todos juntos e seguros, elanos ensinará cooperação.
Os alunos mais velhos terão que encurtar seu passo
para acomodar os mais novos, e os caminhantes
mais rápidos terão que diminuir a velocidade um
pouco, enquanto os retardatários terão que manter
um ritmo constante.
O Sr. Cunningham estava olhando-a com olhos
risonhos, e Tommy anunciou que ele tinha mais dois
pontos na agulha do que tinha tido quando começou
a fila e perguntou se isso era bom.
― Artistas ― disse Camille com firmeza ― vocês
ficarão encantados em saber que é hora de ir à
vossa lição de arte.
Houve uma leve animação e alguns protestos de
que as peças nunca cresceriam osuficiente para
serem juntadas numa corda se não estivessem
atricotar. Mas, em poucos minutos, a aula de arte
estava em andamento. O Sr.
Cunningham estava ensinando hoje a seu grupo
uma habilidade real. Ele estava demonstrando com
carvão no papel, como alcançar a perspetiva e a
profundidade. Os que faziam tricot que se
mantinham no lado de Camille, estabeleceram-se
num ritmo constante e os alunos gradualmente
dominaram a arte dgradualmente dominaram a arte
de tricotar de uma ponta ae tricotar de uma ponta a
outra, com uma tensão regular e scom uma tensão
regular e sem pontos adicionados ouem pontos
adicionados ou soltos. A maioria seguiu. A maioria
seguiu a sua sugestão para desenrolar umsua
sugestão para desenrolar um
comprimentomprimento dede lãlã antesantes
queque realmenterealmente
precisassem,precisassem, dede modo que a bola
não fosse constantementemodo que a bola não
fosse constantemente empurrada para oempurrada
para o chão e se desenrolasse. Passadochão e se
desenrolasse. Passado uma hora, Camille sentiuuma
hora, Camille sentiu-se capaz de pegar um
livrocapaz de pegar um livro e ler em voz alta para
uma salae ler em voz alta para uma sala
relativamente tranquilarelativamente tranquila.
Ela estava um passo mais perto de
sobreviverstava um passo mais perto de sobreviver
à suastava um passo mais perto de sobreviver
primeira semana.
E agora ela estava totalmente e oficialmente
exaustaE agora ela estava totalmente e oficialmente
exausta ―E agora ela estava totalmente e
oficialmente exausta com malas ainda para
desembalarcom malas ainda para desembalar no
andar de cima. Elano andar de cima. Ela ainda
estavastava meiomeio convencidaconvencida dede
queque deveriadeveria serser aa piorpior professora
do mundo. Masprofessora do mundo. Mas
haviahavia um certo sentimento deum certo
sentimento de triunfo pois ela tinha feito o que tinha
planeadotriunfo pois ela tinha feito o que tinha
planeado fazer. Ela atéfazer. Ela até foi um passo
além do quefoi um passo além do que planeara
originalmente. Ela estavaplanejara originalmente.
Ela estava sozinha.sozinha. NaNa segundasegunda-
feira, ela começaria a suasua segundasegunda
semana de ensino e talvez fizesse melhorna de
ensino e talvez fizesse melhor.
Eles estavam tricotando uma corda em mais de
vinteEles estavam tricotando uma corda em mais de
vinteEles estavam tricotando uma corda em mais de
vinte partes. Quem pôsumauma ideia tão insana na
cabeça dela? Issotão insana na cabeça dela? Isso
proporcionou a Joela Joel uma diversão infinita para
o resto dadiversão infinita para o resto da tarde.
Não teria sido menostarde. Não teria sido menos
dispendioso, menos problemáticodispendioso, menos
problemático e beme bem maismais rápidorápido se
comprassese comprasse uma ou, melhormelhor
ainda,ainda, perguntasse a Roger se
haviaperguntasse a Roger se havia uma com o
comprimento emcomprimento em algum lugar do
prédio? Ela devealgum lugar do prédio? Ela deveria
ter solicitado a Miss Fordcitado a Miss Ford para usar
algum do dinheiro que estava reservado para
suprimentos escolares extras. Joel se perguntou se
ela sabia que era Anna quem havia montado esse
fundo muito recentemente e que prometeu
reabastecê-lo sempre que ele diminuía. Quem, ele
se perguntou, iria juntar todas as peças numa,
quando elas estiverem terminadas? Será que ela já
tinha pensado nisso?
E porquê roxo brilhante?
Mas, talvez, ele pensou à medida que a tarde
passava, era realmente uma ideia brilhante que ela
tinhatido, assim como a loja tinha sido também.
Tricotar era uma habilidade útil para se ter, tanto
para meninos como para meninas, mas como
poderia persuadir os meninos e as meninas
relutantes a querer aprender e manter a tarefa, a
menos que alguém pudesse interessá-las na
produção de algum objeto específico? E como
poderia persuadir as crianças, especialmente as
mais velhas, a caminhar pelas ruas de Bath
apegadas a uma corda roxa que as ligassem como
um cordão umbilical e que permitisse ao professor
manter os olhos neles mais facilmente, a menos que
se pudesse dar-lhes um interesse verdadeiro no
assunto? Como seria conceber um projeto prático
sobre o qual todos poderiam trabalhar,
independentemente da idade e do gênero, e sobre o
qual o mais velho e mais experiente poderia ajudar
os mais novos e mais hesitantes? Ela realmente
estava ensinando muito mais do que a própria
habilidade básica. E as crianças estavam excitadas…
sobre aprender a tricotar.
O seu próprio grupo estava bastante atento ao
ensinar alguns dos truques para criar profundidade e
perspetiva. Mas quando eles começaram a trabalhar
no exercício que ele organizou, eles também
ouviram a história que ela estava lendo e uma paz
incomum desceu na sala de aula, quebrada apenas
ocasionalmente por um grito de angústia de um dos
que estavam a tricotar. Cada vez que acontecia,
uma das outras crianças ia, silenciosamente, ao
resgate para que Srta.
Westcott pudesse continuar com a história. O ar
de contentamento na sala foi especialmente
extraordinário para uma tarde de sexta-feira em
julho.
Parecia proibida e sem humor como sempre,
pensou Joel, observando-a secretamente enquanto
vigiava seu próprio grupo, oferecendo sugestões e
comentários silenciosos, conforme necessário. Ela
falou como um sargento do exército, mesmo quando
leu em voz alta. Ela não mostrou nenhum brilho e
calor que caracterizara Anna e fê-la tão amada na
sala de aula. As crianças deveriam estar tão
miseráveis como tinham estado sob o breve reinado
de Miss Nunce. Que não estivessem era um enigma.
Srta. Westcott era um enigma. Ela parecia uma
coisa, mas era outra.
Ele não tinha ideia de como ia pintar o seu
retrato. Se ele a pintasse como a via, não haveria
nenhuma insinuação da professora criativa que, de
algum modo, cativou as crianças de diferentes
idades e os animou a aprender. E ninguém
adivinharia olhando para tal pintura que ela seria
capaz de um certo cáustico senso de humor ― Eu
não ficaria chocada se descobrisse que perdi um
aluno ou três no caminho.
Ele se perguntou se seria possível conhecê-la
bem o suficiente para pintar um retrato credível. Ela
permitiria que ele se aproximasse o suficiente? E ele
realmente queria? Parte dele ressentia o fato de
que, embora diferente de Anna, em maneiras e
métodos, ela estava seguramente capturando o
coração das crianças que ele ainda pensava como
sendo de Anna. Ele ressentia o fato de que, quando
olhou para o outro lado da sala, era a irmã de Anna
que via e a irmã de Anna que ouvia. Ela não tinha a
beleza e encanto de Anna. Mas… Sobretudo, talvez,
ele ressentisse o fato de que ele poderia
simplesmente gostar de Srta. Camille Westcott.
Parecia desleal para com Anna.
Uma série de crianças, incluindo seis do seu
grupo, levaram o seu tricô com eles quando a aula
terminou. Eles estavam ansiosos para completar a
corda para que pudessem usá-la. Eles estavam,
voluntariamente, atribuindo-se o dever de casa. O
sol estava prestes a cair do céu?
Quando Joel arrumou seu lado da sala e se virou
para se despedir daSrta. Westcott, viu que estava
sentada numa das pequenas mesas, franzindo a
testa sobre um bocado de tricô nas suas mãos.
― Um elo fraco na sua corda? ― Perguntou.
― Oh, parece perfeito ― disse ela, sem olhar
para cima ― Por algum milagre há o número correto
de pontos na agulha.
No entanto, um foi abandonado cerca de oito
linhas atrás, e um foi adquirido numa inocente volta
duas linhas atrás. Eu deixo você para fazer a
aritmética.
― Eles se anulam mutuamente ― ele disse,
sorrindo e se aproximando. O comprimento mais
curto do tecido de malha parecia consideravelmente
menos que perfeito. Alguns dos pontos tinham sido
tricotados folgadamentee se assemelhavam a um
laço grosseiro, enquanto outros tinham sido muito
apertados e estavam todos juntos. O resultado foi
que a tira parecia um pouco como uma cobra
artrítica ― Você vai fechar os olhos?
― Certamente que não ― disse ela bruscamente,
enquanto ela lhe deu um olhar fulminante ― Eu vou
fazer as correções. Cedric Barnes tem apenas cinco
anos e ele fez o seu melhor. No entanto, ele deve
ter algo que pareça pelo menos meio decente ou ele
pode perder a confiança.
Joel ergueu as sobrancelhas enquanto a via tecer
o ponto caído pelas filas. Ele voltou-se para sair,
mas hesitou.
― Você não está ansiosa para ir para casa? ― Ele
perguntou ― Numa tarde de sexta-feira?
― Eu estou em casa ― disse a ele enquanto
tricotava ao longo da fila, a fim de desfazer a volta
que não deveria ser um ponto. Ela não explicou.
― O que quer dizer? ― Ele perguntou.
― Eu me mudei para cá ― ela disse ― Era muito
longe para andar de um lado para o outro todos os
dias. Peguei o quarto que costumava serde
Anastasia.
Ele olhou para o topo da sua cabeça, paralisado
com desagrado e algo que parecia muito como fúria.
Que diabos estava ela fazendo? Nada era sagrado?
Ela estava tentando entrar diretamente nos sapatos
de Anna e… a apagar? E porque ela persistia em
chamar Anna de Anastasia, mesmo que fosse o seu
nome correto?
― Esse quarto é bastante pequeno, não é? ― Ele
disse.
― Tem uma cama, uma mesa e uma cadeira e
espaço de armazenamento suficiente para os
pertences que trouxe para aqui ― disse ela ― Tem
um lavatório, tigela e jarro e ganchos na parede e
um espelho na parte de trás da porta. Era grande o
suficiente para a Anastasia. Eu diria que será grande
o suficiente para mim.
Ele cruzou os braços sobre o peito.
― Porquê? ― Ele perguntou, e se questionou se
parecia tão hostil quanto se sentia.
― Eu lhe disse o porquê ― ela deixou cair a volta
novamente ao seu lugar original e estava puxando a
malha em volta disso. Quando ele não disse nada,
ela enrolou a bola de lã e pressionou-a firmemente
nas extremidades das agulhas antes de fixar a
pequena etiqueta com o nome que ela preparou
para o tricô e levá-lo ao armário, onde ela colocou
numa prateleira com os outros que foram deixados
para trás ― Eu não tenho que me explicar a você.
― Não ― ele concordou ― você não ― E foi um
pouco ridículo ele se sentir ofendido. Anna já tinha
ido embora há muito tempo. Ela morava numa
mansão ducal e provavelmente não precisaria mais
do quarto ali. Ele se virou para sair.
― Anastasia encontrou sua família aos vinte e
cinco anos ― disse ela, mexendo com as prateleiras
já arrumadas do armário ― e teve que aprender a
se adaptar a parentes que eram essencialmente
estranhos para ela. Lembro-me de que, quando ela
descobriu a verdade sobre si mesma, o seu instinto
foi dar as costas à nova realidade e voltar para aqui.
Eu esperei com todo o meu coração, que ela
fizesse exatamente isso para que pudéssemos
esquecê-la e continuar com nossas vidas como
sempre tivemos. Isso não teria sido possível, é
claro, mesmo que ela voltasse aqui. Não teria sido
possível para nós ou para ela. O conteúdo de uma
caixa de Pandora nunca pode ser colocado de novo
uma vez que foi libertado. Eu tenho que fazer o
ajuste ao contrário. Eu tenho que aprender a não
pertencer a pessoas que sempre foram minha
família. Eu tenho que aprender a ser uma órfã. Não
literalmente, talvez, mas para todos os efeitos.
― Você não é uma órfã em nenhum sentido da
palavra ― ele disse com dureza, irritado com ela de
novo e desejando que ele tivesse partido quando
pretendia fazê-lo ― Você tem parentes de ambos os
lados e sempre os conheceu. Você tem uma mãe
ainda viva e uma irmã e um irmão. Você tem uma
meia-irmã que a amaria se você permitisse. No
entanto, você insiste em cortar-se de todos eles,
como se eles não a desejassem e se mudando para
um orfanato como se você pertencesse a este lugar.
― Eu sei que não pertenço ― disse ela ― exceto
no sentido de ensinar aqui. Não espero que você
entenda, Sr.
Cunningham. Você não tem a experiência para
entender o que aconteceu comigo, assim como eu
não tenho a experiência para entender o que
aconteceu com você ao longo da sua vida.
― É aí que entra a empatia humana ― disse ele
― Se não a tivéssemos e cultivássemos, Srta.
Westcott, não entenderíamos nem simpatizaríamos
com ninguém, pois somos todos únicos na nossa
experiência.
Ela virou a cabeça em direção a ele, suas
sobrancelhas levantadas, enquanto as pontas dos
dedos de uma mão tamborilavam numa prateleira.
― Você está certo, é claro ― disse ela ― Algo
catastrófico aconteceu à minha vida tal como a
conhecia, Sr.
Cunningham. Nos meses desde então, eu acordei
em miséria e negação e, sim, autopiedade. Você
estava certo sobre isso.
Não vou fazer mais isso. E não vou me apegar a
parentes que sejam gentis, mas que, possivelmente,
me causem mais mal do que bem, embora não seja
intencionalmente. Devo descobrir por mim mesma
quem eu sou e a onde pertenço e, para fazer isso,
devo colocar uma certa distância entre mim e eles,
pois eles me mimariam se eu permitisse. Alguma
distância, não uma total. Eu visitarei a minha avó e
Abigail.
Eu verei os meus parentes Westcott quando eles
vierem aqui, supostamente para comemorar um
aniversário. Eu lhe disse que todos estão vindo, não
apenas Anastasia e Avery? Para o 70º aniversário da
Avó Westcott? Mas… eu devo e vou aprender a ficar
sozinha. Eu posso fazer isso melhor se morar aqui.
Por favor, não quero incomodá-lo. Você deve estar
ansioso para ir para casa.
Ele ficou de pé e olhou-a durante alguns
instantes, irritado, não gostava dela. Não a
entendia. Não queria entender. Ao diabo com tudo.
Porque a sua avó materna não vivia na selva da
Escócia? Ele não precisava nada disto. Ele precisava
superar Anna com toda a dignidade que podia reunir
e no seu próprio tempo.
― É melhor você vir e tomar chá comigo ― ele
disse abruptamente, surpreendendo a si mesmo ―
Você já esteve no Sally Lunn's? Você não viveu até
que você tenha provado uma das iguarias que tem
seu nome. Eles são famosos.
Seus lábios se apertaram.
― Ainda não fui paga, Sr. Cunningham ― disse
ela.
Bom Deus, ela estava sem dinheiro? Ele sabia
que ela tinha sido cortada inteiramente pelo
testamento do seu pai e que ela se recusara a
partilhar alguma fortuna de Anna.
Mas… literalmente sem dinheiro?
― Convidei você a ir tomar um chá comigo, Srta.
Westcott ― disse ele ― Isso significa que eu vou
pagar a conta. Vá buscar o seu chapéu.
― Se esta é a sua maneira de reunir informações
sobre mim, para que você possa pintar um retrato
convincente de mim, Sr. Cunningham ― disse ela
antes de sair da sala à frente dele ― tenho que
avisá-lo que não vou facilitar. Mas se você conseguir
me conhecer, me avise o que você descobrir.
Não tenho ideia de quem sou.
Ele a encarou durante alguns instantes, meio
irritado, meio intrigado, e com a certeza que essa
era a última coisa que queria fazer numa sexta-feira
à tarde. Mas apesar de si mesmo, ele se viu sorrindo
antes de segui-la para fora da sala.
Não tenho ideia de quem sou.
Havia aquele senso de humor seco novamente ―
dirigido contra si mesma.
Capítulo Seis Sally Lunn's salão de chá, na casa
mais antiga de Bath, ficava na North Parade
Passage, bastante perto da abadia e da Pump Room.
Era um prédio alto e estreito com uma janela de
proa que salientava para a rua. No interior, era
minúsculo.
As mesas estavam lotadas, lado a lado, e todas
pareciam estar ocupadas, como era frequentemente.
Joel não vinha muitas vezes, até há pouco tempo,
ele não tinha podido pagar a extravagância, mas ele
foi reconhecido por uma garçonete, que sorriu
calorosamente e indicou uma mesa vazia no canto
mais distante.
A Srta. Westcott chamou a atenção enquanto se
moviam entre as mesas para chegar à tal mesa. O
mesmo aconteceu durante a caminhada até ali, e ele
achou tão desconfortável naquele momento quanto
agora. Outros clientes se afastaram do caminho para
dar mais espaço para que ela passasse e a
observassem depois que ela passara. Não era tanto
a sua aparência, concluiu Joel, como o ar de nobre
arrogância e direito com que ela se cobria. Era inato,
ele supunha, e completamente inconsciente, mas
não se manifestava na sala de aula. No exterior, no
entanto, ela esperava que as pessoas se afastassem
e abrissem caminho para ela, mas ela reconheceu e
não agradeceu a ninguém. Joel ficou intensamente
irritado enquanto murmurava obrigado pelos dois e
seguiu-a até a mesa. Ele desejou fervorosamente
não ter feito um convite tão impulsivo.
Ela se sentou de costas para a parede, e ele
pegou a cadeira de frente para ela na pequena
mesa. Ele pediu um bule de chá e duas Sally Lunns
para, de repente, esbugalhada e confusa garçonete.
Ela realmente fez uma espécie de reverência quando
se afastou da mesa. Srta.
Westcott parecia inconsciente da sua existência.
― Espero que você esteja com fome ― disse ele
― Embora o meu palpite seja que você perdeu o
almoço para comprar lãs roxas e agulhas para
tricotar uma corda em mais de vinte segmentos.
― Estou satisfeita por lhe divertir, Sr.
Cunningham ― disse ela ― O comerciante estava
preso com a lã quando o cliente que a pediu não
gostou do brilho da cor e comprou cinza em vez
disso. Ele me ofereceu um preço baixo e eu aceitei,
já que eu estava usando o dinheiro do orfanato.
O dinheiro de Anna. No entanto seria cruel dizer-
lhe isso, embora ele gostaria de baixar-lhe a crista.
― Espero que o produto final divirta metade de
Bath ― disse ele ― E as crianças contarão a história
por detrás dele a qualquer pessoa que pare a olhar
ou comentar, e todos ficarão encantados.
Ela olhou-o, as narinas ligeiramente inflamadas,
e ele percebeu que ela não estava divertida.
― Como é que se consegue que eles falem
apenas quando solicitados? ― Perguntou
abruptamente ― E não oferecer informações
voluntárias até que tenham sido solicitadas?
― É perfeitamente fácil de fazer ― disse ele ―
Você precisa fazê-los sentir-se pequenos, sem valor
e oprimidos.
Isso ajuda se o seu nome for Nunce e se você
nunca fizer nada com eles que seja do menor
interesse deles.
Ela continuou a olhar, lábios apertados. Que
enigma ela era. Ele esperava que ela fosse pelo
menos tão má como Miss Nunce. Qualquer um que
olhasse para ela agora esperaria também. Ela não
era bonita, pensou. Mas havia algo sobre o seu
maxilar firme e queixo, seu nariz reto e seus olhos
azuis com pestanas escuros que a faziam mais
bonita do que qualquer um deles e sugeria
inteligência e firmeza de caráter.
― Você é uma falha abjeta ― ele disse a ela,
sorrindo ― As crianças não são mudas na sua
presença. E eles estão aprendendo e se divertindo.
Eles gostam de você, uma morte segura para
qualquer possibilidade de impor disciplina rígida.
― Se isso é verdade ― disse ela ― que eles
gostam de mim, quero dizer, não tenho ideia do
porquê.
Foi uma surpresa para ele também. Talvez as
crianças pudessem ver além da seriedade da
aparência externa para… o quê?
― Como a Sra. Kingsley e sua irmã se sentem
sobre sua mudança para o orfanato? ― Ele
perguntou para mudar o assunto.
― Eu não contei a elas ― disse ela ― Eu fiz as
minhas malas cedo, esta manhã, e escrevi-lhes uma
carta, e eu saí cedo para perguntar a Miss Ford
sobre o quarto vazio.
Quando ela concordou em me deixar alugar,
perguntei a Roger se alguém poderia ser enviado
para buscar as minhas coisas e entregar a carta.
Abby enviou uma resposta com o homem que trouxe
as minhas malas, mas ainda não tive a chance de lê-
la. Eu não preciso, no entanto, adivinhar que ela
está chateada. Primeiro, nosso pai morreu. Então
nosso irmão partiu para lutar na Península. Nossa
mãe foi morar com nosso tio em Dorsetshire. Agora
eu me mudei.
― Então ela não sente a sua ##
constranger/forçar/obrigar/necessitar<<compulsão
de se afastar de tudo o que é familiar para ficar
sozinha? ― Perguntou.
― Não ― disse ela ― Mas eu respeito seu direito
de remodelar sua vida como ela entender. Tudo o
que peço é que o meu direito de fazer o mesmo seja
respeitado. Talvez seja egoísta da minha parte
abandoná-la e aborrecê-la e virar as costas para a
hospitalidade da minha avó. É, sem dúvida, de fato.
Mas às vezes não temos escolha senão ser egoísta
se quisermos. sobreviver. Essa é uma palavra muito
extravagante, embora não consiga pensar numa
melhor.
― Você se sente ameaçada pelo fato de a família
do seu pai ter decidido vir a Bath para comemorar
um aniversário? ― Perguntou-lhe.
― Não exatamente ameaçada ― disse ela,
franzindo o cenho quando ela considerou sua
pergunta ― Somente… uma interferência. Como se
eu fosse incapaz de resolver tudo isto sozinha. Como
se eu fosse apenas uma… ― Uma mulher
desamparada? ― Ele sugeriu.
― Uma mulher mimada ― disse ela ― Como eu
sou. Ou como sempre fui. É estranho como eu
nunca percebi até recentemente. Sempre pensei em
mim mesma como forte e contundente.
― Talvez você sempre estivesse certa sobre você
― disse ele ― Foi necessário ter tido uma grande
força para fazer o que você fez esta semana,
quando você realmente não precisava.
― Força? ― ela disse ― Ou apenas estupidez?
Mas Abby está fora de si com o entusiasmo de que
todos estão vindo aqui. Por sua causa, devo me
alegrar também de que eles estão determinados a
nos trazer de volta à família.
― É por isso que eles estão vindo? ― Ele
perguntou.
Mas seu chá chegou naquele momento e impediu
que ela respondesse. O bule era grande, o Sally
Lunns era enorme. Joel ergueu o bule e colocou o
chá, enquanto a srta.
Westcott considerava seu bolo de chá com um
pouco de espanto. Ele tinha sido cortado pela
metade e torrado, e havia porções generosas de
manteiga e geleia para espalhar sobre ele.
― Oh, meu Deus ― disse ela ― Acabei de
lembrar que perdi tanto o café da manhã como o
almoço. Esteé um dos famosos Sally Lunns?
― E eu espero que você coma todos os bocados
― Ele sorriu para ela.
Ela olhou-o com alguma gravidade depois de
tomar uma mordida, mastigar e engolir.
― Não pense, Sr. Cunningham ― ela disse ― que
eu não sei o que você está fazendo e porque você
me trouxe aqui e me ofereceu chá e…e isto. E oh,
Deus é delicioso. Você pensa em me fazer falar de
mim e da minha vida, para que você possa me
pintar de forma a me expor ao mundo como eu não
desejo ser exposta.
― Eu não pinto nus ― ele não conseguiu resistir
em dizer a ela, e sua boca, que estava aberta para
dar uma outra mordida, fechou ― Talvez você
simplesmente parecesse cansada e um pouco
perdida, Srta. Westcott, e eu tive pena de você e
trouxe você aqui para animar você. Talvez, tendo
me achado sentado à sua frente, iniciei
umaconversa, porque mesmo um homem, que não é
um cavalheiro, não convida uma dama para o chá e
depois engole a comida sem lhe dizer uma palavra.
Ele poderia deixá-la com a impressão de que a
comida era mais importante que ela.
Ela olhou-o antes de comer outro bocado.
― O ponto é ― disse ela ― que as famílias
aristocráticas não reconhecem os seus ramos
ilegítimos, Sr. Cunningham.
A aristocracia é toda sobre a sucessão e
propriedade, posição e fortuna. A legitimidade é
tudo. Se a família do meu pai soubesse desde o
início que ele não era casado com minha mãe e que,
portanto, eramos ilegítimos, eles a ignorariam e
fingiriam que não existíamos. Foi o que minha mãe
fez há mais de vinte anos com Anastasia, embora
soubesse da sua existência, e é o que os outros
teriam feito se soubessem.
Certamente, o que eu teria feito. Quando foi
admitida no salão da casa de Avery, onde todos nos
reunimos alguns meses atrás, a pedido do advogado
do meu irmão, todos ficaram indignados e, com
razão. Ela não era claramente uma de nós. Fiquei
mais enfurecida do que qualquer outra pessoa.
― E porque foi isso? ― Ele perguntou, enquanto
ela espalhava manteiga e geleia na outra metade da
sua Sally Lunn.
Ele esperava que ela, de repente não percebesse
de novo, que estava fazendo o que tinha assegurado
que não faria, falando sobre si mesma. Mas não era
apenas o retrato dela que fazia-o querer ouvir mais.
Ele ficou fascinado por ouvir a história desse dia,do
ponto de vista dela. Ele tinha ouvido isso na época,
de Anna, na longa carta que ela tinha escrito apenas
algumas horas depois.
― Eu era a dama perfeita ― disse ela ― De
concepção.
Eu estava muito consciente de quem era meu pai
e o que era devido a mim como sua filha. Desde a
infância, fiz todos os esforços para fazer e ser tudo o
que ele esperaria de Lady Camille Westcott. Eu era
uma criança obediente e prestei toda atenção à
minha enfermeira e à minha governanta. Eu falei,
pensei e me comportei como uma dama deveria.
Pretendia crescer para ser perfeita. Eu não
pretendia deixar espaço na minha vida para
acidentes ou catástrofes. Eu acho que realmente
acreditei que nunca estaria exposta a problemas de
qualquer tipo se eu mantivesse o código de
comportamento estrito, estabelecido para damas da
minha classe. Nunca houve um osso rebelde no meu
corpo ou um pensamento rebelde na minha mente.
Meu mundo era estreito, mas totalmente seguro.
Era um mundo que não permitia que uma
mulher,vestida de forma barata das classes baixas,
fosse admitida na minha presença e da minha
família e, na verdade, fosse convidada a sentar-se
no nosso meio.
Fiquei indignada quando aconteceu.
Joel terminou o seu bolo de chá e bebeu o resto
do chá sem responder imediatamente. Bom Deus,
ela deve ter sido detestável, mesmo, em nome do
que ela foi criada para considerar direito. Mas, tendo
aspirado a perfeição no mundo estreito em que
nasceu, ela estava encontrando a situação em que
agora se achava desconcertante, para dizer o
mínimo. Ele se sentou na sua cadeira e olhou-a com
renovado interesse. Tal mulher deveria ser amarga e
quebradiça. Ela, pelo contrário, não se desmoronou
nem se incomodou contra a injustiça de tudo, ou, se
ela tivesse, agora tinha acabado com isso. Ela não
se envolveu em autopiedade, apesar da acusação
que ele fez há alguns dias. Ela não estava
interessada em aproveitar a chegada iminente da
sua família para tentar recuperar algo semelhante
com a sua antiga vida.
Embora, talvez, essas palavras, algo semelhante,
pareçam ser a chave. A perfeição, como ela tinha
conhecido, já não era possível para Camille
Westcott, e ela não estava disposta a se contentar
com nada menos. Ela deveria procurar algo
totalmente novo em vez disso. Não era fácil gostar
da mulher, mas ele sentia um respeito por ela.
No entanto, ele corrigiu o pensamento
imediatamente, pois quando ela estava na sala de
aula, corada e animada e em pleno modo sargento
do exército e cercada de caos organizado, ele quase
gostava dela, na verdade, ele quase se sentiu
atraído por essa professora nela. Talvez porque,
esse eu, sugerisse alguma paixão subjacente.
Agora, esse era um pensamento surpreendente.
― Você tem uma maneira desconcertante de me
olhar tão diretamente que eu sinto, como se você
pudesse ver diretamente na minha alma, Sr.
Cunningham ― disse ela ― Suponho que seja o
artista em você. Eu agradeceria que você parasse.
Ele pegou o bule e reabasteceu as duas xícaras.
― Porque você acha que você estava tão
dedicada ao dever e à perfeição? ― perguntou ele ―
Mais do que sua irmã, por exemplo.
Ela hesitou quando mexeu uma colher de açúcar
no seu chá.
― Eu era a filha mais velha do meu pai ― disse
ela ― Eu não era um filho e, portanto, não era seu
herdeiro. Suponho que meu nascimento foi uma
deceção para ele. Mas eu sempre pensei que, se eu
fosse a dama perfeita, ele poderia, pelo menos,
orgulhar-se de mim. Eu pensei que ele poderia me
amar.
Bom Deus. Ela não parecia ser a espécie de
mulher que alguma vez na vida ansiasse por amor.
Que vista mesquinho a dele.
― E ele o era? ― perguntou ele ― E amou-a?
Ela ergueu o olhá-lo e segurou-o. nos seus olhos,
claramente, a sua característica mais bonita, ele
detectou alguma dor muito profundamente
escondida atrás de uma atitude severa.
― Ele só amou a si mesmo ― disse ela ― Todos
estavam cientes disso. Ele geralmente era
desprezado, até mesmo odiado pelas pessoas que
eram vítimas do seu egoísmo.
Desejei amá-lo. Eu desejava ser aquela que
acharia o caminho para seu coração e fosse a sua
favorita. Quão tola eu era. Eu nem era mesmo a sua
filha mais velha, era? E Harry, seu único filho, não
era seu herdeiro. Tudo sobre a minha vida era uma
mentira e permaneceu assim até depois da sua
morte. O que eu estabeleci como meu principal
objetivo na vida era toda uma miragem num vasto e
vazio deserto.
Impulsivamente, Joel esticou uma mão sobre a
mesa para cobrir a parte de trás da dela enquanto
esta descansava sobre a toalha de mesa. Ele soube,
imediatamente, que cometera um erro, pois sentiu
uma ligação instantânea com a mulher que era
Camille Westcott, e ele realmente não queria nada
disso. E ele a ouviu respirar fundo e sentiu sua mão
se contrair, embora não a tirasse. Ele também não
retirou imediatamente a sua.
― Você deve ter esperado que tudo mudasse
para melhor, depois que se casasse com o Visconde
Uxbury ― disse ele ― Você o amou?
Ela puxou a mão dela para longe da dele.
― É claro que não o amei ― disse ela com
desprezo ― Pessoas da minha classe… pessoas da
aristocracia não se casam por amor, Sr.
Cunningham, ou até mesmo acreditam num conceito
tão vulgar como paixão romântica. Nós…eles se
casam por posição e prestígio e para a continuação
de linhagens, segurança e a união de fortunas e
propriedades. O Visconde Uxbury era a combinação
perfeita para Lady Camille Westcott, pois ele era um
cavalheiro perfeito, assim como ela era uma dama
perfeita. Eles combinavam no nascimento e na
fortuna.
Ela estava falando de si mesma na terceira
pessoa e no tempo passado, ele percebeu.
― E ele rejeitou você ― disse ele ― quando de
repente você e a combinação com você não eram
mais perfeitas.
― É claro ― disse ela ― Mas ele não me rejeitou.
Ele foi o cavalheiro consumado até ao fim. Ele me
deu uma chance de rejeitar aele.
― E então você fez ― disse ele.
― Sim ― disse ela ― Claro.
Ele se perguntou se ela acreditava em tudo isso,
que ela não amara o homem com quem se casaria,
que o que Uxbury fizera era a coisa compreensível e
correta, de que mesmo ao romper com ela ele tinha
sido o cavalheiro perfeito. Ele se perguntou se ela
não tinha rancor. Ele se perguntou o quanto ela
tinha sido magoada.
― Eu apostaria que o odeia ― disse ele.
Ela olhou-o com os lábios apertados por vários
momentos.
― Gostaria imensamente de amarrá-lo pelos
polegares se tivesse a oportunidade ― disse ela.
Ele se recostou na cadeira e riu da inesperada
resposta.
Ela franziu o cenho e seus lábios se apertaram
mais, se isso fosse possível.
― Você deve ter ficado bastante satisfeita, então,
com o que aconteceu com ele ― disse ele ― a
menos que você preferisse fazer o seu próprio
castigo.
Houve outro momento de silêncio, durante o qual
sua expressão não mudou.
― O que aconteceu com ele? ― Ela perguntou, e
Joel percebeu que ela não sabia. Ninguém tinha
escrito para contar a ela. Mas então, quem teria
feito isso? Ele se perguntou se deveria manter a
boca fechada, mas já era tarde demais.
― O duque de Netherby bateu-lhe até ele perder
os sentidos ― disse ele.
― Avery? ― Ela franziu a testa ― Você deve
estar enganado.
― Eu não estou ― disse ele ― Anna escreveu
para me contar sobre isso.
Ela colocou a xícara sobre o pires com um pouco
de barulho, sua mão não está bastante firme.
― O que foi que ela contou? ― perguntou ela ―
Atrevo-me a dizer que ela entendeu tudo errado.
― O ViscondeUxbury apareceu num baile, para o
qual não tinha sido convidado ― disse Joel ― Era
em honra de Anna e foi realizado na casa de
Netherby em Londres. Uxbury insultou Anna quando
ela descobriu quem ele era e recusou-se a dançar
com ele, e depois fez algumas observações
grosseiras sobre você, Netherby e o novo conde,
Alexander, acredito que é esse o nome dele? ―
disse ele ― Jogaram-no para fora. No dia seguinte,
ele desafiou Netherby.
― Para um duelo? ― Ela olhou-o, claramente
petrificada.
― Como ele é que foi desafiado, Netherby teve a
escolha de armas ― disse Joel ― Ele não escolheu
nada de armas.
― Punhos? ― ela disse ― Mas teria sido uma
matança qualquer arma que ele escolhesse.
― Netherby, aparentemente, não especificou os
punhos ― disse ele ― embora isso fosse o que todos
os envolvidos deveriam ter assumido. O duelo foi
travado cedo numa manhã em Hyde Park, ante uma
grande multidão de cavalheiros. Netherby terminou
com Uxbury muito rapidamente e humilhou-o
completamente.
Ela olhou de repente desdenhosa.
― Bem, agora eu sei que você está falando sem
sentido ― disse ela ― Quem encheu a cabeça de
Anastasia com essa tagarelice? Ela é realmente tão
crédula? Era mais provável o contrário. Você
conheceu Avery. Ele é pequeno de estatura e leve
de forma e com maneiras indolentes. Ele não pensa
em nada além da sua linda aparência, suas caixas
de rapé e dos seus monóculos. Só estou surpresa
por não ter sido literalmente abatido, se a disputa
realmente aconteceu, o que duvido seriamente. O
Visconde Uxbury é alto e solidamente construído e
tem reputação de ser adepto de todos os desportos
masculinos, incluindo esgrima e boxe.
― A prima dele, Elizabeth, eu acredito. disse a
Anna sobre o duelo antes que acontecesse ― disse
Joel ― Anna viu tudo.
― Bem, agora eu sei que você é crédulo também
― disse ela, repudiando-o com um olhar
descolorado ― As damas nunca conhecem essas
reuniões vergonhosas e ilegais entre cavalheiros, Sr.
Cunningham. É realmente bastante inconcebível que
alguma assista a uma.
― Recorde-se que Anna não era uma dama até
recentemente ― disse ele ― e provavelmente nunca
será uma muito adequada. Ela foi lá no horário
designado e subiu a uma árvore para assistir. A
prima dela também foi. O seu antigo noivo recebeu
uma sova completa, Srta. Westcott. Ele estava
vestido aparentemente com camisa e calção e botas
e tinha um sorriso tolo no rosto e uma oferta de
misericórdia nos seus lábios se Netherby estivesse
preparado para se rastejar até ele e pedir desculpas.
Netherby recusou a oferta gentil. Ele estava vestido
apenas em calções. Anna deveria ter caído da árvore
com o choque, mas ela é feita de matéria rija.
― Você deve pensar que eu nasci ontem, Sr.
Cunningham ― disse ela ― se você espera que
eu acredite nisso.
― Eu gostaria de ter estadolá para ver isso por
mim mesmo ― disse ele ― Aparentemente Uxbury
fez uma pose para a admiração dos espectadores e
se aproximou dele e mandou uma série de golpes
letais, ou golpes que teriam sido letais se algum
deles tivesse atingido o seu alvo.
Srta. Westcott franziu a testa novamente.
― Avery ficou muito ferido?
― Ele atirou Uxbury ao chão com um único
pontapé no lado da sua cabeça ― disse ele.
Seus lábios enrolaram-se com desprezo.
― E então, para que, Uxbury e os espectadores,
não pensassem que foi um golpe casual e que nunca
mais se podia repetir, ele voltou a fazê-lo com o
outro péno outro lado da cabeça depois que o
visconde se pôs de pé ― disse Joel ― Quando
Uxbury optou por provocá-lo e dizer outra vez
insultos sobre Anna e sobre você, Netherby se
lançou no ar, colocou os dois pés baixo do queixo de
Uxbury e derrubou-o de vez. O corpo dele,
aparentemente é uma arma perigosa, Srta.
Westcott. Ele depois disse a Anna que, quando
estudante, foi treinado em algumas artes marciais
do Extremo Oriente por um antigo mestre chinês.
Ela continuou a encará-lo, sem palavras, mas
Joel podia ver que estava começando a acreditar
nele. Ele terminou o seu chá, que infelizmente quase
estava frio.
― E Anastasia e Elizabeth e uma grande reunião
de cavalheiros testemunharam a humilhação de Lord
Uxbury? ― perguntou.
― E o conde também ― ele disse a ela ― Ele era
o padrinho de Netherby.
― Alexander ― ela murmurou. Ela encostou-se
na cadeira ― E foi feito para vingar a mim, assim
como Anastasia?
― Principalmente você, eu acredito ― disse Joel,
embora ele não estivesse absolutamente certo de
que era estritamente verdade. Netherby, afinal, se
casou com Anna nesse mesmo dia ― De acordo com
Anna, todos os que se reuniram lá, ficaram
encantados com o fato de Netherby estar preparado
para lutar contra o que se esperava ser uma batalha
perdida por sua honra. Todos ficaram muito
satisfeitos por ter vingado o que Uxbury tinha feito
com você. Ele nunca foi um cavalheiro perfeito,
Srta. Westcott. Ele sempre teria sido indigno de
você. Você teve uma fuga apertada e afortunada
dele.
Lágrimas brotaram nos olhos dela, Joel ficou
alarmado ao ver, e ambas as mãos vieram para
cobrir sua boca. De repente, ele estava consciente
do que o rodeava, do murmúrio de vozes atrás dele.
Ele esperava que ela não estivesse prestes a chorar
na frente de todas as pessoas abarrotadas no salão
de chá. Seu alarme aumentou quando seus ombros
tremiam.
Mas não foram soluços que escaparam dela
enquanto baixava as mãos, mas gargalhadas,
muitas gargalhadas.
― Oh ― ela disse com um suspiro ― eu gostaria
de estar lá também. Oh, sorte da Anastasia e de
Elizabeth. Ele foi nocauteado por dois pés descalços
no queixo dele?
― Até desmaiar ― disse ele.
― Anastasia e Elizabeth foram apanhadas? ―
Perguntou ela.
― Não ― disse ele ― mas Anna confessou.
― Para Avery? ― seu riso diminuiu e ela fez uma
careta ― Isso foi imprudente. Ele não terá gostado.
― Ele se casou com ela uma hora depois ― disse
ele.
Ela olhou-o, seus olhos repletos de gargalhadas
novamente. Joel ficou olhando para ela,
perguntando-se sobre a atenção que ela estava
tirando dos outros ocupantes da sala. Mas, por
muito que fosse, ela parecia inconsciente disso. Ele
olhou-a, mais do que um pouco abalado, pois
parecia uma mulher diferente quando ria. Ela
parecia jovem e vívida e… Qual era a palavra que
estava procurando? Linda? Ela não era
isso.Deslumbrante.
Era isso. Ela parecia deslumbrante, e ele estava
um pouco atordoado. Ela fez a beleza parecer
branda.
Sua risada rapidamente morreu, no entanto.
― Você deve ter reunido informações suficientes
sobre mim para pintar uma dúzia de retratos ―
disse ela aborrecida de repente ― Desejo que você
pinte esse retrato infernal e acabe logo com isso.
― Para que você possa se livrar de mim? ― disse
ele ― Infelizmente, você não teria isso, mesmo se
eu estivesse pronto para pintar você esta noite. Nós
ainda estaríamos partilhando a sala de aula duas
tardes, a cada semana.
Mas ainda não estou pronto. Quanto mais eu
aprendo sobrevocê, mais eu percebo que não
conheço você de maneira nenhuma. E, por sua
própria admissão, você também não se conhece.
Ela se levantou abruptamente, toda formalidade
fria novamente.
― O Sally Lunn estava delicioso ― disse ela ― e
o chá estava quente e forte como eu gosto.
Obrigado por me trazer aqui, Sr. Cunningham. Foi
simpático da sua parte. Mas é hora de voltar… para
casa. Tenho algumas malas para desfazer e uma
carta para ler.
Tudo o que poderia preencher meia hora se ela
perdesse tempo. A não ser que as malas de que
falara fossem na verdade um par de pesados baús.
Era tudo possível, ele supôs.
Ela saiu do salão de chá à frente dele,
aparentemente desconhecendo,outra vez, os olhos
que a seguiam e das pessoas que se afastavam do
caminho quando passava por elas. Ela ficou no
passeio, esperando por ele enquanto ele pagava a
conta.
― Nós estamos indo pelo mesmo caminho ― ele
disse quando ela teria se despedido dele e partido
sozinha ― Eu tenho que atravessar a ponte Pulteney
para chegar a casa.
Ela assentiu bruscamente e partiu a um ritmo
acelerado. Mas depois de um minuto, ela falou: ―
Toda a nossa conversa foi sobre mim ― disse ela,
enquanto ele tomava um passo ao lado dela ―
como, sem dúvida, você pretendia. Mas e você, Sr.
Cunningham? Você se ressente da minha mudança
para o quarto da Anastasia?
A pergunta o surpreendeu, apesar de ele ter se
ressentido.
― Porque eu deveria? ― Ele perguntou a ela ―
Ela não precisa mais dele.
― Eu acredito que você a ama ― disse ela ― Eu
acho que, ao contrário de mim, você acredita no
amor romântico.
Estou certa?
― Que eu acredito no amor? ― ele disse ― Sim
eu acredito. Que eu amo Anna? Tempo errado, Srta.
Westcott.
Ela é uma dama casada e eu respeito os laços do
casamento.
E talvez nunca tenha sido amor romântico que eu
senti mesmo por ela. Ela assegurou-me a única vez
que eu pedi para ela se casar comigo, há alguns
anos atrás, que o amor que sentimos um pelo outro
era como o de irmãos. Nenhum de nós tinha uma
família própria, mas crescemos aqui juntos e
eramospraticamente inseparáveis. Atrevo-me a dizer
que ela estava certa. E estou muito feliz, agora, que
ela não se casou comigo. Eu teria me enredado com
o que aconteceu com ela recentemente, e eu teria
odiado isso.
― No entanto, você poderia ter vivido uma vida
de luxo como seu marido ― disse ela.
― Viver no luxo não é tudo ― disse ele.
― Como você sabe disso ― ela perguntou ― a
menos que você tenha tentado?
― Você sente falta? ― ele perguntou a ela.
Ela considerou sua resposta quando
atravessaram o pátio da abadia e caminharam
paralelamente ao rio em direção a Northumberland
Place.
― Sim ― disse ela ― Eu estaria mentindo se eu
dissesse que não. Oh, eu sei o que você está prestes
a dizer. Eu poderia continuar a viver em luxo com
minha avó. E eu sei que eu poderia ser ricamente
independentemente, se eu concordasse em permitir
que a Anastasia partilhasse um quarto da fortuna
comigo. Eu não espero que você entenda porque eu
não posso aceitar. Não tenho a certeza de que eu
própria entenda.
Mas, estranhamente, ele estava começando a
entender.
― Eu acho que é porque você concorda comigo,
Srta.
Westcott ― disse ele ― que viver em luxo não é
tudo. E eu acho que é porque os homens na sua
vida foram singularmente cruéis com você.
― Homens? ― perguntou ela.
― Seu pai ― disse ele ― Seu noivo.
― É sorte, então, no caso do meu antigo noivo ―
disse ela, virando o rosto ― que eu não acredite no
amor. Eu poderia ter meu coração partido se eu
fizesse.
Ela manteve o rosto desviadono resto do
caminho, como se achasse tudo do outro lado do
seu, fascinante para contemplar. E Joel percebeu
algo mais sobre a Srta. Camille Westcott. Ela teve
seu coração quebrado, por um homem que ela
achou perfeito, quando na realidade ele era um
idota de primeira ordem, assim como seu pai tinha
sido. Era incrível que ela ainda estivesse de pé e não
estivesse insana em algum lugar num asilo.
Eles se despediram quando chegaram ao fim de
Northumberland Place, embora ela ainda não
olhasse completamente para ele antes de se virar
para caminhar com passos firmes em direção ao
orfanato. Joel a observou ir, meio esperando que ela
levantasse uma mão para limpar uma lágrima da
sua bochecha. Ela não fez isso. Talvez ela sentisse
os seus olhos nas suas costas.
Por Deus, pensou, era uma pessoa fascinante.
Iria ser necessário algum conhecimento, algum
entendimento. Pela primeira vez num longo tempo,
ele começou a duvidar das suas habilidades
artísticas. Como ele alguma vez a compreenderia
direito? E o que ele faria se nunca pudesse, pintá-la
de qualquer maneira?
se você me conhecer, me avise o que você
descobrir. Não tenho ideia de quem sou.
Ele sorriu para si mesmo, das palavras
lembradas, quando ela se virou para as portas do
orfanato e ele seguiu seu o caminho. Ele convidou
Edgar Stephens para partilhar uma refeição com ele
esta noite, e ele é que iria cozinhar. E ele tinha
prometido chamar Edwina mais tarde.
No entanto, tudo o que ele realmente queria
fazer, ele percebeu, era fechar-se no seu estúdio,
pegar papel e carvão, e começar a desenhar antes
de algumas das suas impressões fugazes de Srta.
Camille Westcott, não serem mais recuperáveis
aquela parte da memória que produzia alguns dos
seus melhores trabalhos.
Capítulo Sete Se Camille já ouviu alguém
alegando ter chorado até dormir, ela chamaria essa
pessoa de mentirosa. Como alguém poderia
adormecer quando o peito estava cheio de soluços e
o travesseiro estava incrivelmente húmido, para não
mencionar quente, quando o nariz estava bloqueado
e quando estava tão afundada nas profundezas da
miséria que a noção de autopiedade não chegava a
englobar isso? E quando se sabia, que seria um
susto perfeito pela manhã com pálpebras e lábios
inchados, nariz vermelho e tez manchada?
Ela não chorou até dormir. Mas ela chorou e teve
que se deitar na cama com um lenço meio enfiado
na boca, para que não despertasse todos no prédio.
Ela tentou se lembrar da última vez que chorou e
não conseguiu se lembrar de nenhuma dessas
ocasiões, desde que tinha sete anos e guardou a sua
parca mesada durante dois meses inteiros, até que
ela pudesse comprar um lenço de homem de fino
linho.
Ela passou então horas e dias, cuidadosamente,
bordando a inicial do título do seu pai, R de
Riverdale, num canto com Eu te amo, Papa, baixo,
toda a mensagem decorada com rodopios floridos e
arabescos e algumas pequenas flores. Foi a primeira
vez que ela lhe deu um presente de aniversário.
Ele olhou-o no grande dia, agradeceu e o colocou
no bolso.
A sua falta de entusiasmo tinha sido bastante
desinflada quando ela esperava, até mesmo
antecipava, prazer, espanto, orgulho, homenagens,
abraços quentes, agradecimentos efusivos e amor
eterno derramarem-se dele. Quão boba uma criança
de sete anos de idade poderia ser. E vulnerável.
Poucos dias depois, ela entrou no estúdio do seu
pai com algum recado, agora esquecido, e viu o
lenço amarrotado na sua mesa. Quando ela
começou a dobrá-lo cuidadosamente, ela descobriu
que tinha sido usado para limpar a sua caneta e
estava manchado de tinta, que nunca iria sair. Ela
correu escadas acima, ela tinha sido ensinada que
uma dama nunca corre de nenhum lugar,enfiou-
seentre a cama e a parede no quarto das crianças
que ela partilhava com Abigail,chorou e chorou até
que vomitasse, embora não dissesse a ninguém o
que a tinha feito tão infeliz.
Era de esperar que ela tivesse aprendido a lição
com esse episódio. Mas parecia que não. Ela se
lembrava, na ocasião, de se convencer que os seus
pontos de bordar deveriam ter sido mal-executados,
e ela tinha trabalhado incansavelmente para
melhorar as suas habilidades.
Ela nem sabia exatamente porque chorava agora.
O quarto era pequeno e a cama estreita e pouco
macia e deveria ter esperado até segunda-feira
porque não sabia o que ia fazer o dia todo de
amanhã e domingo. Mas, certamente, nenhum
desses fatos a teria reduzido às lágrimas pela
primeira vez em quinze anos. Ela aborreceu Abby e
a Avó vindo ali. Mas também não era isso. Ela ficou
confusa durante uma semana de ensino e não tinha
ideia de como ela iria passar por outra e outra.
Também não era isso.
Admita a verdade, Camille.
Ela chorou porque seu coração tinha sido
quebrado, embora isso também não fosse
completamente verdade. Seu coração não estava
envolvido no seu noivado. Ela não tinha amado o
Visconde Uxbury. Era apenas que ele parecia
perfeito, o cavalheiro perfeito, o pretendente
perfeito: bem-nascido, elegante, rico, maduro,
firme, com mentalidade séria, moralmente ereto…
Ela podia continuar e continuar.
Também não doera que ele fosse alto, bem
construído e bonito, embora não tivesse sido atraída
por ele, por esses fatos triviais. Não houve nada
trivial sobre as opiniões e ações de Lady Camille
Westcott. Ele parecia perfeito. Ele tinha parecido,
embora nunca tivesse pensado conscientemente,
tudo o que ela teria gostado que o seu pai tivesse
sido. Ele era confiável, o próprio Rochedo de
Gibraltar. Todo o seu futuro foi construído sobre
essa pedra.
E ele a decepcionou. Oh, não tanto em forçar o
fim do seu noivado. Ela tinha entendido o motivo
disso, embora a sua rejeição a tivesse surpreendido
e machucado. Não, foi o que aconteceu depois, o
que ela soube apenas hoje. Ele tinha dito algo sobre
ela, depois de ter ido sem ser convidado a um baile
em honra de Anastasia, algo tão insultante que
Avery e Alexander o tinham expulso da casa. Ele
também tinha dito coisas vergonhosas sobre ela
durante seu duelo com Avery, nos ouvidosdo que
era, sem dúvida, uma grande multidão de
cavalheiros, já para não falar de Elizabeth e
Anastasia.
Tinha sido chocantemente rude da parte dele.
Ah, e muito mais do que rude. Tinha sido cruel. E
parecia tão distante do caráter do homem que ela
pensava que ele seria.
Ouvir isso tinha quebrado as últimas ilusões
sobre o cavalheiro perfeito e aristocrata com quem
ela esperava passar o resto da sua vida. Na
verdade, sim, não era uma frase muito incorreta…
Ele havia quebrado seu coração. Uma pessoa não
precisavater amado um homem para ter o coração
partido.
Talvez fosse porque o Visconde Uxbury agora
representava, de alguma forma, a sua vida inteira
como tinha sido, embora ela não soubesse disso na
época. Tudo foi construído não sobre pedra, mas
sobre areia. E, como até mesmo o castelo de areia
mais cuidadosamente construído, desmoronou e
caiu.
Ela riu com genuína alegria quando ouviu a
história da humilhação de Uxbury nas mãos de
Avery, ou melhor, nos pés de Avery. Tinha ficado
muito feliz ao saber que depois de insultá-la, ele
tinha parecido um tolo perante os seus pares.
Ela, afinal, era apenas humana. Mas enquanto
ela estava caminhando de volta de Sally Lunn's com
o Sr. Cunningham, a angústia de tudo tinha chegado
perto de esmagá-la, e ela sentiu o seu coração se
partir. Seu pai e o ViscondeUxbury eram muito
diferentes um do outro, ainda assim, pareciam o
mesmo afinal. Ela poderia confiar em alguém
novamente?
Estaria elatão sozinha no mundo como se sentia?
Estariam todos, essencialmente sozinhos?
Ah, sim, havia uma grande autopiedade na sua
angústia. E odiava isso. Odiava.
Ela dormiu, eventualmente, depois de lavar o
rosto e virar o travesseiro e endireitar e alisar as
cobertas, embora fosse um sono agitado pontuado
por breves momentos de vigília, durante os quais
lutou por se lembrar onde estava.
Depois que ela acordou pela manhã, lavou-se e
vestiu-se, voltou a encarar a questão do que faria
durante o dia todo.
Ela nem sabia, ela não perguntou, se tinha o
direito de ir à sala de jantar para o café da manhã.
Ela considerou caminhar até ao Royal Crescent para
se explicar pessoalmente a sua avó e a Abby, mas
havia uma leve chuva caindo de um céu cinza como
chumbo, ela podia ver através da sua janela, e
parecia terrível e triste por aí. Além disso, o que
mais poderia dizer do que tinha escrito? Ela as veria
na próxima semana e também a família quando
chegassem. Ela não se recusaria a ver nenhum
deles. Isso seria grosseiro.
Ela reorganizou os seus pertences nas gavetas e
nos ganchos, havia apenas espaço suficiente, se ela
mantivesse os seus artigos de higiene pessoal
lotados no banheiro e colocasse o seu livro e
materiais de escrita sobre a mesa. Ela colocou as
malas vazias á porta. Ela perguntaria a Roger se
haveria algum espaço de armazenamento onde
pudesse guardá-las. E pronto, isso levou vinte
minutos, talvez menos.
Ela pegou uma pilha de livros da sala de aula e
passou um tempo, passando por eles e decidindo
qual seria o mais adequado para ler em voz alta na
próxima semana. Foi uma decisão bastante
complicada, pois as histórias deveriam atrair
meninos e meninas e crianças de todas as idades.
No entanto, na semana passada, ela escolheu
bastante aleatoriamente, e tudo o que leu foi bem-
recebido.
Provavelmente estava preparada demais. Mas o
que mais ela deveria fazer? Fez uma lista escrita do
que queria ensinar na próxima semana, era uma
lista formidável, e passou algum tempo estourando
seu cérebro para obter ideias sobre como fazer isso.
Sua mente permaneceu teimosamente em branco.
Na semana passada, ela ensinou com quase
nenhuma preparação ou previsão, mas tudo tinha
procedido razoavelmente bem, só um pouco caótico.
Mas como ela poderia correr o risco de usar o
mesmo método na próxima semana?
Ela franziu o cenho pensando numa memória
repentina.
O que exatamente ele tinha dito ontem? Você é
uma falha abjeta. As crianças não estão mudas na
sua presença. E eles estão aprendendo e se
divertindo e gostando de você. Ele tinha sorrido
quando disse isso, algo que um cavalheiro nunca
faria, e ficando perturbadoramente elegante e
atraente no processo. Ah, e viril também. Atraente?
Essa era uma palavra que não costumava estar no
seu vocabulário. Viril nunca esteve. De alguma
forma, não eram palavras gentis.
Elas eram um pouco vulgares. Ela realmente não
queria pensar em nenhum homem tão atraente ou
viril. Mas ele tinha lhe dito que não era um
insucesso,enquanto aparentemente dizia que era.
Camille suspirou em voz alta. Ah, isso era tudo
desesperadamente complicado, e ainda não era
mesmo o meio da manhã. Meu Deus, deveria ter ido
tomar o café da manhã. Certamente o seu aluguel
incluía refeições. Seu quarto parecia mais pequeno e
mais aborrecido a cada momento que passava. Era
hora de sair e explorar a sua nova casa. Ou era sua
casa? Será que o fato de ela estar alugando um
quarto permitia que vagasse por todo o edifício à
vontade? Mas ela não poderia permanecer confinada
a este espaço um momento mais. Pareceria demais
como esconder-se, e ela tinha feito isso durante
muito tempo na casa da Avó. Ela agora era a recém-
criada, recém-confiante Camille Westcott, não era?
Ninguém parecia horrorizado enquanto
caminhava.
Ninguém foi correndo para Miss Ford. A casa
cantarolava com sons de jovens vozes e risadas e
alguns lamentos de indignação ou angústia. Era um
grande prédio ― três grandes casas de três andares
transformadas numasó ― e tinha mantido grande
parte da elegância que as casas individuais
deveriam ter tido quando construídas pela primeira
vez.
Também foi decorada com pintura leve e cortinas
afastadas das janelas e almofadas brilhantes que
emprestavam um ar geral de alegria. Esta não era
uma instituição sombria, como tinha percebido
durante a visita que a Srta. Ford tinha dado, logo
após a sua chegada a Bath.
As acomodações habitadas consistiam em
dormitórios acolhedores nos andares superiores para
cinco ou seis crianças, e cada uma tinha uma sala
de estar equipada com cadeiras, mesas e almofadas
e alguns brinquedos. A ideia era dar a cada grupo de
crianças algum senso de lar e família, supôs Camille.
E cada grupo tinha o seu próprio conjunto de mães
domésticas, que lhes ofereciam um sentido familiar
quanto possível nas circunstâncias. Era a mãe
doméstica que cuidava das crianças dia e noite
quando não estavam na escola e supervisionava a
sua brincadeira e as levava para caminhadas em
dias não escolares. Havia alguns quartos menores
no térreo, presumivelmente para os visitantes, além
da sala de aula e da sala de jantar. Algumas
crianças jogavam juntas agora, silenciosamente,
numa delas. A maioria, no entanto, foi reunida na
grande sala comum ou sala de jogos, estando muito
molhado para que elas saíssem para o jardim
murado na parte de trás, para brincar. No geral, não
era uma situação de vida,de casa, completamente
desagradável para as cerca de quarenta crianças
que moravam ali.
Camille cumprimentou as mães domésticas que
estavam supervisionando e pairou incerta na
entrada. Mas três dos seus alunos mais jovens
queriam apresentá-la à sua família de bonecas de
pano, e outros dois, um menino e uma menina,
queriam que ela visse a torre que eles construíram
de cubos de madeira, que Roger tinha esculpido e
pintado para eles. Dois meninos estavam tricotando
sob o olho de águia de Winifred Hamlin, que
também estava trabalhando na sua própria tira, já
com cerca de dezoito centímetros de comprimento e
aparentemente sem uma falha. Os meninos
chamaram Camille para mostrar-lhe quanto
progresso eles fizeram desde ontem.
Havia dois bebês em berços separados. Num, um
bebê de talvez quatro ou cinco meses, estava
brincando alegremente com os dedos dos pés e
agitando seus braços em excitação, sempre que um
adulto ou uma das crianças se inclinava sobre ele
para fazer cócegas no queixo e tagarelar com ele. O
outro, talvez um mês ou dois, mais velho, deitou-se
de costas e soluçou discretamente e recusou-se a
ser entretido ou consolado.
― Ela está aqui apenas há uma semana ―
explicou uma das mães domésticas quando Camille
se aproximou ― Ela vai se acalmar em breve.
― Talvez ― sugeriu Camille ― ela quer colo.
― Oh, eu não duvido disso ― A jovem mulher
riu, não com crueldade, enquanto se curvava para
alisar a cabeça da criança e murmurar algo calmo ―
Mas não podemos dar toda a nossa atenção a uma
criança quando todas estão clamando por isso.
Não estavam todos. A maioria das crianças
parecia perfeitamente feliz com a companhia uns
dos outros. No entanto, a equipe estava
definitivamente ocupada. Eles também eram
alegres, como Camille já notara antes. Mas mesmo
assim… ― Posso pegá-la? ― perguntou ela. Se a
criança estivesse chorando lustrosamente, ela
poderia estar menos preocupada. Mas havia uma
desesperança sombrianos sons suaves que ela fazia
― Não tenho mais nada para fazer e me sinto um
pouco inútil.
― Certamente, Srta. Westcott ― disse a mãe
doméstica ― Isso é agradável de você. Mas você
não deve se sentir obrigada.
― Qual é o nome dela? ― perguntou Camille.
― Sarah ― a mulher disse a ela.
Camille nunca pensou muito em bebês, ou em
crianças, até à semana passada. Ela cresceu
esperando ser uma mãe, é claro. Seria um dos seus
deveres presentear seu marido com filhos para
sucessão e filhas para se casar com outras famílias
influentes. Mas ser mãe quando se era uma dama
da ton não envolvia necessariamente cuidardas
crianças ou consolá-las ou entretê-las. Havia
enfermeiras e instrutoras para fazer isso.
Havia uma manta dobrada no pé do berço. A sala
não estava fria apesar da tristeza do tempo lá fora,
mas um bebê precisava de aconchego. Ou então,
Camille pensava que sim.
Ela espalhou o cobertor sobre a metade inferior
do colchão, moveu o bebê com cautela sobre ele,
envolveu-o firmemente sobre ela como um casulo e
ergueu-a nos seus braços. A criança continuou a
chorar suavemente, e Camille, agindo puramente
por instinto, bom céu, ela não sabia nada, segurou-a
contra o ombro e esfregou uma mão sobre suas
costas, murmurando palavras suaves contra sua
cabeça.
― Tudo correrá bem Sarah ― disse ela. Palavras
tolas.
Como poderia? Alguma coisa correria bem? Ela
beijou uma bochecha macia e sentiu, de alguma
forma, como se o estômago ou o coração dela
tivessem virado. O choro parou enquanto Camille
deu uma volta à sala, entrando e saindo dos grupos
de crianças, e depois, além, entrou no corredor mais
silencioso. A trouxa nos seus braços ficou mais
quente até que ela percebeu que a criança estava
dormindo. E agora sentiu um pouco como se fosse
ela a chorar. Novamente? Ela iria se transformar
num regador?
Não, não isso. Definitivamente, certamente não
isso.
Que ideia!
Ela voltou para a sala de jogos e sentou-se numa
poltrona profunda num canto, segurando perto o
bebê dormindo nos seus braços. As crianças ao seu
redor estavam todas ocupadas com alguma
atividade. As mães domésticas estavam ocupadas.
Duas meninas se inclinaram sobre os lados do berço
do outro bebê, fazendo-o dar uma gargalhada e rir.
Todos pareciam limpos e razoavelmente arrumados.
Era, pensou Camille, um lugar razoavelmente
feliz, ou pelo menos um lugar que não era mais
miserável do que muitas casas familiares, mesmo as
dos ricos.
― Você vê, o problema é que as crianças podem
se apegar demais se tiverem colo demais ― disse
uma das outras mães domésticas, inclinando-se
para baixo na frente da cadeira de Camille e
sorrindo com ternura para o bebê dormindo. Ela era
Hannah, lembrou Camille, maçãs do rosto cheias,
olhos brilhantes, resistente, bonita de uma maneira
saudável e bastante sofisticada ― Ensinam-nos isso,
quando estamos sendo treinadas. Mas também nos
ensinam que eles precisam de amor, aprovação,
fraldas secas e mãos que não se apegam a aquilo
tudo que eles tocam. Não é um trabalho fácil. A
enfermeira diz que é um pouco como caminhar
numa corda bamba todos os dias úteis das nossas
vidas.
Agradecemos a sua ajuda, embora você não se
sinta obrigada a oferecer. Pensei, quando a vi pela
primeira vez, que você era muito diferente da sua
irmã, mas acho que talvez eu estivesse errada. Srta.
Snow ― a duquesa de Netherby ― era muito amada
aqui.
A enfermeira era um membro sênior da equipe
responsável por todas as necessidades de saúde das
crianças.
Camille assentiu e sorriu, pelo menos, era um
sorriso ou uma careta. Ela não tinha certeza de qual.
Ninguém esperava gostar dela? Isso significa que
eles gostaram de qualquer maneira? Ou, pelo
menos, Hannah gostou? Ela ergueu Sarah um pouco
mais alto nos seus braços quando Hannah se
afastou e olhou para o rosto dormindo.
― Senhor ― alguém chamou com voz ansiosa ―
venha e veja nossa torre.
E ali estava ele, de pé na entrada da porta, com
o seu aspeto normalmente desleixado e uma
expressão animada no rosto, no entanto, ele não
reparou que Camille estava sentada calmamente no
seu canto. Sr. Cunningham. Ele parecia
perfeitamente em casa, mesmo sendo o único ser
masculino adulto presente. Mas é claro que ele se
sentiria em casa. Ele cresceu ali com Anastasia,
como sua melhor amiga, e depois se apaixonou por
ela e queria se casar com ela. Ele ainda a amava,
suspeitava Camille. Mas isso era motivo para não
gostar dele? Ela tinha algum motivo para não gostar
de Anastasia?
Ele atravessou a sala, desarrumou o cabelo de
um menino enquanto passava, e se baixou para
admirar a torre de madeira. Ele estava segurando o
que parecia um bloco de desenho e um bastão de
carvão numa mão. E Camille lembrou algumas das
palavras que ele falou ontem ― Uxbury insultou
Anna quando ela descobriu quem ele era e se
recusou a dançar com ele… … Quando ela descobriu
quem ele era… O visconde Uxbury, ou seja, o
homem que tinha sido o noivo de Camille, mas a
rejeitou depois de ter sabido a verdade sobre seu
nascimento. Anastasia se recusou a dançar com ele
porque ele tinha machucado sua meia-irmã? Ela,
Camille?
O Sr. Cunningham colocou o seu livro no chão,
para ajudar a construir as reentrâncias sobre o topo
da torre, até que o menino cujo cabelo ele tinha
desarrumado veio e derrubou tudo com um golpe do
seu braço e uma risadinha. Houve gritos de
indignação das crianças que a construíram e o Sr.
Cunningham levantou-se, rugindo ferozmente,
agarrou a criança, atirou-a para o ar e pegou-a no
caminho para baixo.
O garoto gritou com susto e contentamento e
depois ajudou o Sr. Cunningham e os outros dois a
recolher os tijolos caídos e começar de novo.
Outras crianças reivindicaram sua atenção e ele
passou algum tempo com cada grupo, antes de
trocar algumas palavras com uma das mais antigas
mães domésticas. Ele trouxe para a cozinheira
alguns ovos frescos do mercado, Camille ouviu-o
dizer, e havia questionado um convite para ficar
para o almoço.
― Mas você não precisa de um convite, Joel ―
disse a mulher ― Você sabe disso. Não para voltar
para casa.
Ele riu e sentou-se numa cadeira, as suas costas
meias viradas para Camille, ele ainda não a tinha
visto, e começou a desenhar algo no seu caderninho
de esboços. O bebê no seu berço, talvez, agora ele
tinha ambos os pés apertados nas mãos e estava
balançando de um lado para o outro, tagarelando
para si mesmo. Ou talvez as meninas absorvidas no
seu jogo com as bonecas de pano. Ou, talvez,
Caroline Williams, de seis anos, uma das crianças
mais jovens da escola, que parecia estar lendo alto,
de um grande livro para uma boneca velha,
pronunciando as palavras e seguindo-as ao longo da
página com o dedo indicador. Camille sabia que, de
fato, ela tinha dificuldade em ler, algo que teria que
ser abordado na próxima semana.
O bebê nos seus braços deu um soluço e Camille
olhou para baixo quando uma pequena mão acenou
no ar e veio descansar contra seu peito e apertar o
tecido do seu vestido, apesar que a criança não
acordou. E então ela acordou. Ela se contraiu, abriu
os olhos, olhou solenemente para Camille e… deu
um sorriso amplo, brilhante e desdentado. Sentia-se
como um dos presentes aleatórios e inativos da
vida, pensou Camille, devolvendo o sorriso, atingida
com uma felicidade inesperada. Foi um sentimento
totalmente desconhecido. Ela nunca cultivou
felicidade, ou infelicidade.
Eles foram interrompidos por Hannah, que veio
buscar a bebê para mudar a sua fralda antes de
alimentá-la.
― As crianças foram mandadas lavar as mãos
antes do almoço ― disse ela a Camille ― Você vai
querer ir comer também, Srta. Westcott. Eu acho
que Sarah cansou você. Ela logo se habituará aqui.
Todos eles se habituam.
O Sr. Cunningham estava parado perto quando
Camille se levantou. Ele finalmente a viu e parecia
estar esperando para entrar na sala de jantar com
ela.
― Virgem Maria e a criança, você o que acha? ―
perguntou ele, segurando o seu caderninho de
esboços, a página de cima voltada para ela, para
que ela pudesse ver o que estava desenhando ― Ou
isso é um título demasiado papista para o seu
gosto?
Era um esboço de carvão de uma mulher sentada
numa cadeira baixa, um bebê, envolvidonum
cobertor, dormindo nos seus braços. O desenho era
áspero, mas sugeria uma forte ligação emocional
entre a criança e a mulher, que estava olhando
fixamente para ela, algo como adoração no seu
rosto. A criança era inequivocamente Sarah, e a
mulher, Camille percebeu com uma sacudida, era
ela mesma, embora não como alguma vez se tenha
visto em qualquer espelho.
― Mas você nem me viu quando você entrou ―
ela protestou ― E você estava sentado quase de
costas para mim enquanto você esboçava.
― Oh, eu vi você, Srta. Westcott ― disse ele ―
E, como qualquer professor que se preze, tenho
olhos na parte de trás da minha cabeça.
Ela não teveEla não teve uma chance contra ele,
pensou Camille,uma chance contra ele, pensou
Camille, não entendendo o que queria dizer. Dentro
de alguns minutosnão entendendo o que queria
dizer. Dentro de alguns minutosnão entendendo o
que queria dizer. Dentro de alguns minutos eee
comcomcom apenasapenasapenas papelpapelpapel
eee carvão,carvão,carvão, eleeleele haviahaviahavia
reproduzidoreproduzidoreproduzido exatamente
como ela estavaexatamente como ela estava se
sentindo enquanto segurasentindo enquanto
segurava aquelaaquela criança.criança. QuaseQuase
honradhonrada. QuaseQuase lágrimas.lágrimas.
QuaseQuase maternal.maternal.maternal.
PraticamentePraticamentePraticamente
adorável.adorável.adorável. ElaElaEla
olhouolhouolhou paraparapara ele,ele,ele, umumum
pouco perturbada. Epouco perturbada. E ela
desejou, de repente, que ele nãoela desejou, de
repente, que ele não fosse tão atraente. Não que ele
fosse. Não que ele fosse exatamenteexatamente
atraente, apenas de boa aparência. O que ela
realmede boa aparência. O que ela realmente
desejava erante desejava era que ele não fosseue
ele não fosse interessanteinteressante. Porque ele
era, e ela não. Porque ele era, e ela não gostou nem
umumum pouco.pouco.pouco. ElaElaEla nãonãonão
estavaestavaestava
acostumadaacostumadaacostumada aaa caracterizar
osss homenshomenshomens dedede
acordoacordoacordo comcomcom seuseuseu
aspetoaspetoaspeto físico.
Embora não fosse tudo físico com ele, pois nãoo
fosse tudo físico com ele, pois não?
― Vamos almoçarVamos almoçar? ― Ele
perguntou, indicando au, indicando a porta.
Eles eram os últimos dois na sala.os últimos dois
na sala.
― Posso ter o esboço?Posso ter o esboço? ―
Perguntou.
― Virgem Maria eVirgem Maria e a criança? ―
Ele disse.
― Posso?
Ele tirou-oo dodo livro e entregoulivro e
entregou-o,, segurando os seussegurando olhos
enquanto pegava neleolhos enquanto pegava nele.
-Obrigada ― disse ela.disse ela.
-Não é um crime, vocêNão é um crime, você
sabe ― disse ele ―― amar uma criança.
Joel tinha deixado a casa de Edwina mais cedo do
queJoel tinha deixado a casa de Edwina mais cedo
do queJoel tinha deixado a casa de Edwina mais
cedo do que de costume, na noite passadana noite
passada, apesar dos seus protestosseus protestos
sonolentos. Ele estava trabalhando numa pintura,
ele tinha dito a ela, e estava queimando por dentro
com a necessidade de voltar para ela antes que sua
visão esmorecesse. Ele nem sequer estava
mentindo, embora ele sentisse um pouco como se
estivesse, pois, o acordo com a Sra. Kingsley tinha
sido que ele começaria com sua neta mais nova na
próxima semana e deixaria a mais velha até mais
tarde, talvez até ao outono.
Ele tinha estado até ao amanhecer, trabalhando à
luz de velas, capturando o seu rosto cheio de risada
e depois seu rosto que ela evitou, rasgado de
lágrimas, dois lados da mesma moeda. Mas, ao
contrário de uma moeda, ela tinha mais de dois
lados. Quantos mais, ele ainda não sabia.
Ele tinha arrebatado algumas horas de sono, mas
se levantou antes do que ele pretendia, inquieto e
impaciente com os dois retratos que ele devia
terminar antes de se envolver demais no novo
projeto. Ele comeu o café da manhã de pé e,
olhando para um dos retratos no seu cavalete,
tentando sentir a excitação de um retratado quase
capturadoem tinta, com apenas alguns pequenos
ajustes que restavam ser feitos. Então ele se sentou
e escreveu para informar o Sr. Cox-Phillips que ele o
visitaria na terça-feira.
Ele realmente não queria aceitar tudo. Ele queria
terminar os projetos pendentes e depois concentrar-
se nos dois retratos que tinham capturado o seu
interesse muito mais do que esperava. Mas não
poderia recusar a possibilidade de outra encomenda.
Quem sabia quando eles se esqueceriam
completamente e deixá-lo sem mais renda?
Ele tinha a intenção de se fixar na pintura depois
de selar a carta, mas a sua mente estava agitada
com uma miríade de pensamentos e devia ao
assunto do retrato melhor que isso. Talvez mais
tarde. Talvez ele estivesse apenas cansado. Ele
tinha, talvez uma hora de sono na casa de Edwina,
talvez duas aqui depois do amanhecer. Finalmente,
ele parou de fingir para si mesmo, embora ele ainda
não admitia o motivo. Ele foi ao orfanato, pegando
alguns ovos frescos no mercado no caminho. Não
havia nada tão notável sobre sua visita, afinal. Ele
sempre foi lá sem aviso prévio, para conversar com
a equipe que esteve lá durante a maior parte da sua
vida e para brincar com as crianças. Eles eram sua
família.
E se ele fosse, pelo menos parcialmente, para ver
como Camille Westcott estava lidando com seu
primeiro dia inteiro lá, então não era surpreendente,
pois ela era uma colega de trabalho, e ela era a irmã
de Anna. E ele devia pintar o seu retrato, mesmo
que fosse sua irmã a primeira.
O jardim estava deserto, é claro, já que o
chuvisco ainda estava caindo a fazer julho se sentir
mais como abril. Ele abriu caminho para a sala de
jogos e viu-a imediatamente, apesar de estar quase
transbordando de crianças ocupadas e seus
supervisores adultos, e ela estava sentada
calmamente num canto. Ela nunca deixaria de
surpreendê-lo? Ela estava segurando um bebê
dormindo. Se ele não estivesse enganado, era
aquele que foi descoberto no primeiro andar, cedo,
há uma semana ou mais, com mil libras em notas de
banco colocadas sob o cobertor em que a criança
estava embrulhada ― uma fortuna incrivelmente
grande em dinheiro com um pedaço de papel no
qual foram escritas as palavras Sarah Smith. Cuide
dela.
Joel brincou com várias crianças, mas todo o
tempo ele esteve consciente da mulher e do bebê no
canto. Ele tinha trazido um bloco de esboços com
ele, como costumava fazer, embora ele não usasse
isso frequentemente. Ele sempre foi mais um
participante do que um observador ali. Mas desta
vez era diferente e, finalmente, ele não podia resistir
mais. Ele se sentou para esboçar. Ele nem teve que
olhar para eles enquanto trabalhava. Ele ficou
maravilhado com o fato de ter visto outro aspeto de
Camille Westcott que ele nunca teria suspeitado.
Toda a sua postura de quietude descontraída e sua
separação no canto da sala falavam de amor
maternal.
Claro que ela não sabia disso. Ela franziu a testa
quando viu o esboço, depois que Hannah tirou o
bebê dela.
Ele viu o momento em que ela se reconheceu e
ficou rígida com descontentamento e talvez
negação. Seus lábios apertaram-se quando ele lhe
disse que não havia crime em amar uma criança. No
entanto, ela pediu o esboço, o que ele queria
acrescentar ao portfolio dela, que ele tinha
começado cedo esta manhã. Ele entregou a ela com
relutância e se perguntou se ela iria queimá-lo ou
pendurá-lo no seu quarto ou escondê-lo no fundo de
uma gaveta.
Eles se sentaram na mesa do pessoal na sala de
jantar com a enfermeira e a senhorita Ford, mas
eles permaneceram lá depois que as outras duas
deixaram o local.
― Você já, alguma vez, descobriu algo sobre o
seu parentesco, Sr. Cunningham? ― Perguntou-lhe.
― Não ― disse ele.
― Você já desejouque pudesse? ― perguntou
ela.
Ele considerou a questão, não que ele não tivesse
feito isso cem ou mil vezes antes, mas ele tinha
sentimentos ambivalentes sobre isso.
― Talvez eu me arrependa se eu alguma vez
descobrir ― disse ele ― Talvez não fossem pessoas
agradáveis. Talvez eles viessem de famílias
desagradáveis. No entanto, é apenas humano
desejar respostas.
― Você acha que Anastasia se arrependeu por
descobrir? ― perguntou.
― Eu acredito que ela se arrependeu durante um
tempo ― disse ele ― Mas ela não teria encontrado e
se casado com o Duque de Netherby se ela tivesse
permanecido Anna Snow, professora órfã de
crianças órfãs na provincial Bath. E isso teria sido
uma tragédia, pois ela está feliz com ele. Ela
também descobriu avós maternos que afinal não a
abandonaram. E ela tem uma avó paterna e tias e
primos que abriram seus corações para ela e a
atraíram para uma família maior. No geral, não
acredito que ela tenha muitos arrependimentos.
― No geral? ― Ela estava olhando para a xícara
de chá, que estava suspensa entre o pires e a sua
boca.
― Sua nova vida trouxe alguma infelicidade
também ― disse ele ― Ela foi firmemente rejeitada
pelos próprios membros da família que ela mais
anseia amar. E o que piora para ela, é que ela sabe
que trouxe uma miséria catastrófica para essas
pessoas, mas não lhe foi permitidofazer qualquer
tipo de compensações.
― Você está tentando me fazer sentir-me
culpada, Sr.
Cunningham? ― perguntou.
― Você fez a pergunta ― ele lembrou ― Deveria
ter dado a resposta com açúcar adicionado para
disfarçar um pouco da amargura? Você se sente
culpada?
― Estou cansada desta conversa, Sr.
Cunningham ― disse ela.
― E eu estou cansado de ser o Sr. Cunningham
― disse ele ― Meu nome é Joel.
― Eu fui ensinada para dirigir-me a todos, fora
do meu círculo familiar interno, com a cortesia
adequada ― disse ela.
― Você provavelmente teria chamado seu
marido, Uxbury,toda sua vida se você se tivesse
casado com ele ― disse ele.
― Provavelmente ― ela concordou ― O que me
foi ensinado não tem grande valor agora, verdade?
Eu sou Camille ― Ela colocou a xícara no pires,
ainda meio cheia ― Eu vejo que a chuva parou. Eu
preciso sair daqui. Você gostaria de dar um passeio?
Com ela? Ela o irritou mais de metade do tempo
e intrigou-o por grande parte do restante. Ele não
acreditava que gostasse dela. Ele certamente não
queria passar a tarde de sábado rondando as ruas
de Bath com ela. Ele tinha melhores coisas para
fazer, nada menos que a conclusão de um retrato
para que ele pudesse continuar com o dela e da sua
irmã.
― Muito bem ― ele se achou dizendo, no
entanto, quando se pôs de pé.

Capítulo Oito Estava frio e ventando, mas pelo


menos não estava chovendo. Camille estabeleceu a
direção e caminhou em direção ao rio, o Sr.
Cunningham ― Joel ― ao seu lado. Ele não estava
falando, e ela não sentiu nenhuma inclinação para
continuar uma conversa. Ela não podia explicar a si
mesma porque o queria com ela, mas ela estava
satisfeita por uma coisa. Ela nunca tinha sugerido a
um homem que desse um passeio com ela. Ela
também nunca tinha chamado nenhum homem,
além da sua família, pelo seu primeiro nome. Não
que ela tivesse chamado o Sr. Cunningham pelo
dele, para já.
― Joel ― ela disse, e ficou surpresa ao perceber
que falou em voz alta.
― Camille ― ele respondeu.
E nenhum homem fora da sua família já a tinha
chamado pelo seuprimeiro nome ― nem mesmo o
Visconde Uxbury depois de terem sido prometidos.
Mas, em vez de se sentir desconfortável, sentiu-se
libertada. Ela não estava mais vinculada pelas
regras antigas. Ela poderia definir as suas próprias.
Ela queria companhia, e ela conseguiu através dos
seus próprios esforços.
Eles atravessaram a ponte Pulteney e
caminharam para a extensão ampla e majestosa da
Rua Great Pulteney. Ela não tinha nenhum destino
em mente, apenas a necessidade de caminhar,
respirar ar fresco de… ― Eu acredito que estamos
sendo molhados pela chuva novamente ― ele disse,
interrompendo os seus pensamentos quando eles
estavam a menos de meio caminho ao longo da rua.
E, incômodo, ele estava certo. Era uma chuva
muito leve, mas as nuvens não pareciam
promissoras, o que Camille teve que admitir. De
qualquer forma, podia-se ficar tão molhado com
chuviscos como numa chuva constante se se
permanecese lá o tempo suficiente.
Ela olhou para cima e para baixo em ambos os
lados da rua, mas era residencial. Não havia
nenhum lugar para se abrigar, e realmente apenas
os Jardins de Sydney à frente deles, não era um
bom lugar para se ir com a chuva.
― Suponho que é melhor voltar atrás ― disse
ela.
Mas ela não queria ir para casa ainda. Ela deveria
ter sabido melhor, ao mudar o seu lugar de
residência numa sexta-feira com um fim de semana
se aproximando. O problema era que ela não tinha
experiência em ser impulsiva e espontânea, ou
tomar suas próprias decisões. Ela estava prestes a
sugerir Sally Lunn’s novamente para uma xícara de
chá, embora estivesse mais longe do que o orfanato,
mas lembrou-se que não tinha dinheiro. Duplo
incómodo! O chuvisco estava estável agora.
― Eu vivo do outro lado da ponte ― disse ele.
― Então é melhor você se apressar para casa ―
disse ela ― e eu farei o mesmo. Não é muito longe.
Naquele momento, o chuvisco passou a chuva.
Ela ficaria encharcada, pensou Camille consternada,
e isso iria ensiná-la a não se aventurar sem um
guarda-chuva. Ela não estava acostumada a ir a
lugares a pé. Ele a pegou pela mão antes que ela
pudesse se mover e os virou na direção de onde
vinham.
― Depressa ― ele disse, e eles trotaram metade
e galoparam a outra metade, pela rua Great
Pulteney. Ele ainda estava segurando sua mão
quando ele virou para outra rua antes de chegarem
à ponte, e eles correram também, cabeça para
baixo, e a … rir largamente.
Ambos ficaram sem fôlego quando ele parou
numa das casas e soltou a sua mão o suficiente para
procurar no bolso por um monte de chaves, com
uma das quais ele destrancou a porta. Ele a abriu,
agarrou a mão novamente e a puxou para dentro,
de tal maneira que colidiram na entrada, ombro a
ombro. Ele a libertou novamente para fechar a porta
com um estrondo, mergulhando-os na semi
escuridão de um hall de entrada. Eles ainda estavam
rindo, até não estarem. Não era um corredor
particularmente pequeno, mas parecia muito isolado
e muito silencioso, em contraste com o exterior, e
estar ali parecia muito impróprio. Claro, ela deveria
ter continuado em linha reta quando ele virou na
esquina.
― Estava mais perto que o orfanato ― disse ele,
encolhendo os ombros.
― Aqui é onde você mora? ― Ela perguntou,
como se ele tivesse a chave para a casa de outra
pessoa.
― No último andar ― ele disse, indicando a
escada bastante íngreme à frente deles.
Ele não a convidou para lá com tantas palavras,
mas não podiam ficar para sempre no corredor
quando não parecia que a chuva fosse parar em
breve. Camille subiu as escadas, e ele foi atrás dela.
Parecia e soava que a casa estava deserta. Como o
silêncio pode ser tão alto? E tão acusador?
― Alguém mais mora aqui? ― perguntou ela.
― Dois amigos meus ― disse ele ― Ambos
solteiros, um no térreo e o outro no primeiro. Eu
estou mais perto do céu, ou assim eu me consolo,
quando esqueço algo e tenho que escalar todo o
caminho de volta para obtê-lo.
Dois homens. Três, contando-o. Isso, pensou
Camille, era muito impróprio. Lady Camille Westcott
teria tido um ataque de vapores…exceto que ela
nunca foi do tipo de vapores. E ela não teria andado
sozinha com ele de, qualquer forma, para ser
apanhada na chuva e, mesmo que tivesse, ela não
teria permitido que a mão dela fosse agarrada e a
sua pessoa fosse arrastada, para uma
corridadeselegante ao longo da rua para ser
transformada num espetáculo público e vulgar para
quem assistisse. A experiência certamente não a
teria tornado impotente com gargalhadas.
Mas Lady Camille Westcott não existia mais. E,
oh, o riso partilhado lhe fez bem.
Ela teve que esperar no alto da escada, enquanto
ele se movia atrás dela e destrancava outra porta.
Havia um hall de entrada mais estreito além disso,
sem dúvida apenas um corredor simples quando o
prédio tinha sido uma única casa.
Três portas se abriam para o corredor, uma de
cada lado e uma em frente. Ada sua direita estava
fechada. A porta em frente estava aberta para
mostrar uma espaçosa sala de estar, ela podia ver lá
um sofá e uma cadeira e uma grande janela que
estava deixando entrar a luz, apesar das nuvens e
da chuva. A porta da esquerda também estava
aberta, e Camille podia ver que era um quarto de
dormir. Uma cama larga, grosseiramente composta,
dominava o espaço e fazia-a saber de repente que
seus aposentos estavam tão desertos e silenciosos
como o resto da casa. Ela duvidava que ele
mantivesse um servo ou empregada doméstica.
― Isso é tudo seu? ― Perguntou-lhe.
― Aluguei todo o andar, sim ― disse ele ― Eu
tive apenas o quarto de dormir durante doze anos,
mas na semana passada a família que ocupava o
resto do andar mudou-se e consegui alugar tudo.
Ainda não me recuperei da novidade de ter todo
esse espaço para mim. Isso me faz sentir muito
opulento.
― O quarto de dormir ― disse ela ― é um pouco
maior do que o meu quarto no orfanato ― embora
não seja muito. E tinha sido sua casa durante doze
anos. Antes disso, ele tinha, presumivelmente,
partilhado um dormitório com quatro ou cinco outros
meninos no orfanato. Seus pensamentos abordaram
o tamanho de Hinsford Manor, onde ela cresceu e
afastou-os. Mas na verdade, quão vastamente
diferentes, suas experiências de vida tinham sido.
― Foi minha área de dormir, minha sala de estar
e meu estúdio ― disse ele ― Foi onde eu armazenei
as minhas pinturas e suprimentos. Pouco espaço
para mim.
Eles ficaram lado a lado, naporta, olhando para
dentro.
Ele deve ter sentido a estranheza da situação
assim como ela sentiu. Ambos se afastaram,
apressadamente.
― E agora você pinta naquela sala? ― Ela
perguntou, balançando a cabeça para a sala à frente
― Há muita luz ― Não ― ele indicou a porta fechada
― Meu estúdio está lá. É o mais apreciado dos meus
novos aposentos. Meu domínio privado. Deixe-me
levar o seu chapéu e capa e dependurá-los para
secar. Vou acender o fogo na cozinha e colocar a
chaleira para o chá. Venha sentar-se à mesa
enquanto espera.
Ele dependurou as suas coisas em ganchos no
corredor, e ela o seguiu até àsala e através de outra
porta até à cozinha e área de jantar. Ele jogou o
casaco húmido num braço do sofá à passagem, e
pegou uma jaqueta que tinha sido jogada sobre as
costas do mesmo. A jaqueta era ainda mais
desmazelada e mais sem forma do que o casaco e
deu-lhe um olhar confortável e domesticado, que de
alguma forma enfatizava a sua virilidade e fazia-a
ainda mais consciente de que estava sozinha com
um homem no seu lar, numa casa vazia, dois
andares acima da rua.
Ele ocupou-se, fazendo começar um fogo e
enchendo a chaleira de um cântaro de água no
canto enquanto Camille se sentava a mesa de jantar
e observava-o. Ele pôs um pouco de chá de uma
lata num grande bule e pegou duas xicaras e
piresdiferentes de um armário e uma garrafa de
leite e uma tigela de açúcar de outro. Ele encontrou
algumas colheres numa gaveta.
― Você tomou o seu chá sem leite ontem e no
almoço mais cedo ― disse ele ― Você prefere
assim?
― Sim ― disse ela ― Porém, vou querer um
pouco de açúcar.
Ele deitou algumas gotas de leite numa das
xicaras e trouxe a tigela de açúcar para a mesa. Ele
hesitou um momento e sentou-se na cadeira ao lado
dela. Demoraria um tempo ainda para que a chaleira
fervesse. Ele estava tão desconfortável quanto ela,
pensou Camille. Isso foi muito diferente de estar na
Sally Lunn's.
― As pessoas vêm aqui para ter os seus retratos
pintados? ― Ela perguntou a ele.
― Não ― disse ele ― Era impossível até à
semana passada. Simplesmente não havia espaço
suficiente. Existe agora, mas minha política geral
não mudará. Meu estúdio é meu lugar privado.
Era a segunda vez que ele tinha dito isso. Ele
estava impedindo qualquer pedido que ela pudesse
fazer para ver as suas pinturas?
― Mas alguém vem aqui? ― perguntou ela.
― Os companheiros dos dois andares baixo
fizeram-me companhia no passado ― disse ele ―
bem como alguns outros amigos meus. Eu
finalmente consegui devolver o cumprimento e
convidá-los todos aqui na semana passada, no dia
seguinte à minha mudança, para uma espécie de
boas-vindas.
― Todos homens? ― perguntou ela ― Não há
mulheres?
― Sem mulheres ― disse ele.
― Eu sou a primeira, então?
O silêncio, ela percebeu novamente, nem sempre
era realmente silencioso. Atuou como uma espécie
de câmara de eco para palavras não consideradas
que acabavam de ser pronunciadas. E teve um
batimento e fez um aborrecido e ruidoso som. Ou
talvez fosse o seu próprio coração que podia ouvir.
― Você é a primeira, Camille ― ele disse com um
sorriso ligeiro e torto ― Por causa da chuva ―
acrescentou. Ele deu ao nome dela a pronúncia
francesa adequada ― eel no fim em vez de ill, como
a sua família tendia a fazer. Ela gostava do som do
seu nome nos seus lábios.
Seus olhos se encontraram e se seguraram, e
Camille se encontrou a pensar, tolamente, se outros
cavalheiros do seu conhecimento eram tão
masculinos quanto ele e ela não tinha notado. O
Visconde Uxbury? Não, ele certamente não era,
apesar de um rosto bonito e um físico esplêndido.
Ela teria notado. Bom céu, ela teria se casado com
ele, mas nunca sentiu nem um pouco de… desejo
por ele. Então foi isso que sentiu pelo Sr.
Cunningham ― Joel? Ou era ela que ainda estava
sem fôlego, com aquela corrida seguida pela subida
das escadas?
― Eu suponho ― disse ela ― que você planeou
estar ocupado pintando esta tarde. Mas, em vez
disso, você concordou em vir caminhar comigo
quando eu poderia ter adivinhado que a chuva
voltaria.
― Eu tenho um retrato para terminar ― disse ele
― Dois deles, na verdade. Ambos estão quase
concluídos. Mas não há uma especial pressa.
― E então será a nossa vez? ― perguntou ela ―
Abigail e o meu? Você já ficou sem trabalho? A
possibilidade é um pouco assustadora? ― No
passado, ela nunca tinha pensado em estar sem
dinheiro.
― Ainda não aconteceu ― disse ele ― e eu tento
guardar um pouco comigo para dias piores como se
diz. Às vezes, queria que houvesse mais tempo para
pintar, para o meu próprio prazer. Provavelmente
haverá outro trabalho na próxima semana, embora
eu não saiba quantos retratos envolverá.
― Na próxima semana? ― ela disse.
― Na terça-feira ― ele disse ― eu concordei em
falar com um Sr. Cox-Phillips. Ele mora a alguma
distância, afastado de Bath, no alto das colinas,
onde a maioria das casas são mansões. Eu atrevo-
me a dizer que ele é muito rico e pode pagar o que
eu cobro.
― Cox-Phillips? ― Ela franziu a testa em
pensamento ― Você conhece ele?
― Não ― ele disse ― mas ele deve me conhecer
ou pelo menos ter ouvido falar de mim. Minha fama
deve estar se espalhando ― ele sorriu para ela e
levantou-se para verificar a chaleira, embora ainda
não estivesse fervendo ― Você conhece ele?
― Eu sei quem ele é ― disse ela ― ou, pelo
menos, eu suponho que ele deve ser o homem que
eu penso. Ele era alguém importante no governo há
vários anos, um conhecido do meu tio, o falecido
Duque de Netherby. Lembro-me da minha tia Louise
falando sobre ele. Ela costumava descrevê-lo como
irrascível. Ele tem alguma ligação familiar com o
Visconde Uxbury.
― Irrascível? ― Joel disse, sentando-se
novamente ― Isso não é bom para mim. Ele pode
não gostar de ser informado de que deve aguardar
alguns meses até eu ter tempo de pintar para ele.
― Você deve desempenhar o papel do artista
temperamental ― disse ela ― e sobrepor a sua
vontade contra a dele.
― Quem diz que deveria desempenhar um papel?
― Ele perguntou, sorrindo de novo ― Se ele for
desagradável, eu apenas vou recusar qualquer
trabalho que tenha em mente.
Talvez eu nem vá até lá.
― A palavra irrascível amedrontou você? ―
perguntou ela ― Mas sua curiosidade certamente
supera o seu medo.
Espero que sim, de qualquer forma. Quero ouvir
tudo sobre a sua visita quando você chegar à escola
na quarta-feira, assumindo, isto é, que você
sobreviva à provação.
Ele olhou-a sem responder, e seus dedos
tamborilaram de leve na mesa.
― Preciso do meu bloco de desenho ― disse ele
― Você deve fazer isso com mais frequência,
Camille.
― Fazer o quê? ― ela podia sentir suas
bochechas se aquecerem com a intenção do seu
olhar.
― Sorrir ― disse ele ― Com um certo grau de
travessura nos seus olhos. A expressão transforma
você. Ou talvez seja apenas outra faceta do seu
personagem que eu não vi antes.
Eu deixei meu caderninho no orfanato,
infelizmente, embora eu tenha outros no estúdio.
― Travessura?
― Claro que você não está fazendo isso mais ―
disse ele ― Eu não deveria ter chamado sua atenção
para isso.
― A chaleira está fervendo ― ela disse, e
pressionou as duas palmas nas suas bochechas
quando ele se levantou e virou as costas. Mas a
coisa era que ela realmente estava sorrindo e
brincando e preferindo apreciar a imagem dele
confrontando o parente chato de Lord Uxbury, seus
joelhos batendo com o susto, mas o seu
temperamento artístico chegando para o resgate. E
agora ela provavelmente estava corando. Ela o
observou derramar a água fervente no bule e cobri-
lo com uma tampa para manter o chá quente
enquanto macerava. Ela nunca viu um homem fazer
chá. No entanto, ele não pareceu tão efeminado ao
fazê-lo, apesar do fato de que a tampa tinha
margaridas bordadas por toda parte. Pelo contrário,
na verdade.
― A travessura é para crianças, Sr. Cu… Joel.
― E para os adultos que estão dispostos a
relaxar e simplesmente serem felizes ― disse ele,
virando-se para recuar contra o balcão, com os
braços cruzados sobre o peito.
― Você acha que eu não estou disposta? ― Ela
perguntou a ele.
― Você está?
― As damas não são criadas para cultivar a
felicidade ― disse ela ― Há coisas mais importantes.
― Há?
Ela franziu a testa.
― O que é felicidade? ― perguntou ela ― Como
se consegue, Joel?
Ele não respondeu imediatamente. Seus olhos
travaram e nenhum desviou o olhar. Camille engoliu
á medida que ele se afastava do balcão e se
aproximava dela. Ele colocou uma mão na mesa ao
lado dela e a outra na parte de trás da cadeira. Ele
respirou como se dissesse alguma coisa, mas depois
se inclinou sobre ela e a beijou.
De alguma forma, ela sabia o que ia acontecer,
no entanto, quando aconteceu, ela ficou tão
surpresa, tão chocada, que ela ficou lá e não fez
nada para evitar isso. Não durou muito,
provavelmente não mais do que alguns segundos.
Mas durante esses segundos, ela percebeu que seus
lábios estavam ligeiramente separados sobre os
seus e que havia calor neles e na sua respiração
contra sua bochecha. Ela estava
surpreendentemente consciente do cheiro masculino
dele e de uma sensação de formigamento e anseio
e… desejo que era chocantemente físico.
E então ele recuou a cabeça, e seus olhos, mais
escuros e mais intensos do que o habitual, olhavam
para os dela, sua expressão era ##
incompreensível/insondável/impenetrável<<inescrut
ável.
Camille falou antes que ele falasse.
― É assim que alguém consegue a felicidade? ―
Perguntou ela.Deus, ela acabou de ser beijada. Nos
lábios.
Ela não conseguia se lembrar de alguma vez ter
sido beijada lá antes, nem mesmo por sua mãe. Se
ela foi, fazia tanto tempo que a lembrança
desaparecera no passado sombrio e distante.
― Não necessariamente a felicidade em si ― ele
endireitou ― Mas às vezes um beijo é, pelo menos,
prazeroso.
Às vezes não é.
― Desculpe-me ter desapontado você ― disse
ela, toda altivez instintiva ― Mas nunca fui beijada
antes. Não tenho ideia de como agir sobre isso.
― Eu não estava dizendo que não foi um prazer
te beijar, Camille ― disse ele ― Mas eu certamente
não pretendia fazê-lo, e não deveria ter acontecido.
Eu a trouxe aqui para sair da chuva, mas foi
desconsiderado e imprudente. Sabe, mesmo um
homem que não é um cavalheiro entende que não
deve trazer uma mulher virtuosa para os seus
aposentos, e que, se ele trouxer por alguma razão
convincente, como uma chuva pesada, então ele
não deveria aproveitar-se dela beijando-a.
― Eu não sinto que tenha se aproveitado ― disse
ela.
Talvez ela devesse, mas não o fez. Aconteceu, e
no geral, ela não estava arrependida. Foi outra
experiência nova para adicionar a todos as outras
nos últimos meses, e ela sabia que iria reviver esses
poucos segundos por dias, talvez mais.
Isso era muito patético dela?
Ele ficou onde estava durante alguns instantes
mais, sua expressão ##
incompreensível/insondável/impenetrável<<inescrut
ável, antes de se afastar para derramar seu chá. Ele
trouxe as xícaras e pires para a mesa e pousou o
chá sem leite diante dela. Ele se sentou enquanto
ela mexia uma colher de açúcar.
― Seu noivo nunca te beijou? ― Ele perguntou ―
Não era um pouco estranho?
Ela devia ter sido beijada, apenas porque estava
noiva para se casar? Mas não era sobre isso que o
seu noivado tinha sido.
― Eu acredito que não ― disse ela.
― Você teria passado a vida sem ser beijada? ―
Ele perguntou a ela.
― Provavelmente ― disse ela.
― Mas você certamente teria desejado filhos ―
disse ele ― Ele teria desejado herdeiros, não teria?
― É claro ― disse ela ― E nós dois teríamos
cumprido o nosso dever. Mas precisamos falar sobre
esse assunto? Eu acho extremamente
desconfortável ― Ela mexeu o chá novamente.
Ele não iria deixar o assunto cair, no entanto.
― O que eu acho estranho ― disse ele ― é que
há uma classe de pessoas a quem o casamento e as
relações conjugais são bastante impessoais,
desprovidos de sentimentos reais ou de qualquer
tipo de paixão. Ou felicidade.
― Eu queria ser perfeita ― lembrou ela, embora
houvesse algo muito árido na palavra em contraste
com o sentimento real e a paixão e a felicidade de
que ele falara. Ela achou que sua mão tremia
quando tentou levantar a xícara.
― Camille ― ele disse, e ela podia sentir seus
olhos muito atentos nela, porém ela não olhou-o ―
O que aconteceu com você, certamente deve ter
sido, a melhor coisa que poderia ter acontecido.
Ela se levantou, enviando a sua cadeira contra o
chão, e correu para a sala de estar, onde ela virou
cegamente para a direita, em vez da esquerda, e
encontrou-se na sala da janela ao invés do corredor,
onde ela poderia ter apanhado a sua capa e chapéu
e afastar-se de lá, com chuva ou sem chuva.
Ela parou, abraçando a si mesma e olhando para
a chuva sem realmente vê-la.
― Camille ― Sua voz veio logo atrás dela.
― Suponho que você não gostou de mim mesmo
antes de me conhecer ― disse ela ― Anastasia, ela
escreveu e contou tudo sobre mim? E você não
gostou de mim quando nos encontramos, eu vi no
seu rosto quando Miss Ford nos apresentou. E eu sei
que você se ressentiu da minha volta, na sala de
aula, vendo as pinturas dos seus alunos. Desde
então, você viu o quão, insuficientemente, eu ensino
e controlo minha classe, e você se ressente do fato
de eu estar agora morando emseu quarto no
orfanato. Ainda não gostei muito de você, Sr.
Cunningham, mas não fui cruel com você.
Você pode ter uma opinião pobre sobre a vida de
privilégios em que cresci, mas pelo menos me
ensinaram maneiras decentes.
― Camille ― ele disse ― eu não tinha nenhuma
intenção de ser cruel. Eu diria que as minhas
palavras foram mal escolhidas.
Ela riu com dureza ― e ouviu, horrorizada, o que
parecia mais um soluço do que um riso.
― Oh, realmente? ― Ela disse ― E que palavras
eram essas?
― Você estava indo para uma vida de
propriedade e frio dever ― disse ele ― Você,
certamente não pode acreditaragora, que você teria
ficado feliz com o Visconde Uxbury.
― Você não entende, verdade? ― Ela disse,
olhando para baixo e vendo a chuva realmente
pulando da estrada ― Eu não esperava felicidade.
Ou queria isso. Eu também não esperava
infelicidade. Meus sentimentos nunca foram
questionados ou em tumulto até há alguns meses
atrás.
Agora não há nada além de turbulência. E
infelicidade.
Miséria. Autopiedade, se você quiser, foi o que
você chamou mais cedo, esta semana. Isso é melhor
do que o que eu tinha?
Sério, Joel? É melhor?
Ela se virou quando falou e olhou-o quando
percebeu que ele estava tão perto dela.
― Você teria se casado com um homem que, de
forma pública e maliciosa, insultou o seu nome
assim que soube algo sobre você que o ofendeu,
mesmo que você não fosse de modo algum culpada
― disse ele ― Como ele a teria tratado se você já
estivesse casada?
Ela tentava há vários meses não se fazer essa
pergunta.
― Eu nunca vou saber, vou? ― ela disse.
― Não ― disse ele ― mas você pode ter uma
ideia certa e sem dúvidas.
Ela se abraçou mais forte.
― No entanto, você ainda acha que eu mereço o
que aconteceu comigo ― disse ela.
Ele franziu a testa.
― Isso ― disse ele ― não foi o que eu disse.
Certamente não foi o que eu quis dizer. Às vezes, o
bem pode decorrer do desastre. Você se educou
toda a vida para não sentir emoção.
Você acreditou que é isso que as damas perfeitas
fazem.
Talvez você esteja certa. Mas se é verdade,
então, as damas perfeitas serão, certamente, de
lastimar.
― Minha mãe é uma dama perfeita ― disse ela. E
porque ele não respondeu imediatamente, as
palavras ecoaram na sua cabeça. Foi tudo isso que
sua mãe foi? A concha vazia de uma dama perfeita?
Camille sempre quis imitar o seu equilíbrio e
dignidade inabaláveis. Sua mãe nunca esteve à
mercê da emoção. Ela nunca foi feliz ou infeliz. Ela
tinha sido um modelo de perfeição para a filha mais
velha. Só agora, Camille se perguntava, o que tinha
ficado de baixo desse exterior disciplinado. Só agora
ela se perguntava se tinha sido uma miséria
beirando o desespero, pois mama tinha estado
casada com papa quase um quarto de século antes
de saber que nãoestavam casados de verdade, e
papa devia ter sido miserável parase viver como
marido.
― Você sente falta dela? ― Ele perguntou
suavemente.
Abby sentia. Ela disse isso há alguns dias. Ela,
Camille, também sentia a sua falta?
― Eu não tenho certeza de saber quem ela é
mais do que eu sei quem eu sou ― disse ela, e
sentiu tonturas com a verdade das palavras que
falou. Ah, como poderia, o que estava a acontecer
com ela ser o melhor que poderia ter acontecido?
Ela estendeu a mão para pousar na sua jaqueta,
bem baixo do ombro ― Você me abraçará, por
favor? Preciso de alguém para me abraçar ― Ela
teria ficado horrorizada, com certeza, se tivesse
parado para ouvir suas próprias palavras de
fraqueza. Elas iam contra tudo o que ela sempre foi
e tudo o que ela estava tentando ser agora.
Ele deu um rápido passo em frente, envolveu
seus braços fortemente sobre ela e a atraiu contra
si. Ela virou a cabeça para descansar a bochecha no
seu ombro e se inclinou sobre ele, de todas as
maneiras que era possível se inclinar. E parecia-lhe
que ele era toda força sólida e confiabilidade e a
altura perfeita, mais alto que ela, mas não se
elevava sobre ela. Ele estava quente e cheirava
bem, não de uma colônia cara, mas de limpeza
básica e masculinidade.
Ele apoiou a cabeça contra a dela e abraçou-a
como ela precisava ser abraçada. Ele não tentou
beijá-la novamente, e ela não sentiu nenhum desejo
que sentira na cozinha há pouco tempo. Em vez
disso, ela se sentiu confortada da cabeça aos pés. E
gradualmente ela sentiu um anseio sem nome, algo
com o qual ela não tinha experiência anterior,
embora não o físico que sentira anteriormente.
― Porque Anastasia não se apaixonou por você?
― Ela perguntou no seu ombro.
Ele tomou o seu tempo a responder.
― Bobagem dela, não? ― Ele disse.
― Sim ― ela disse, e pensou sobre o homem
com quem Anastasia se casara. Ela não podia
imaginar pedir a Avery para abraça-la. E ela
certamente não podia imaginar que ele fosse assim.
Por um lado, ele era de constituição pequena e leve
e não se sentiria tão reconfortante. Por outro lado,
não havia um calor discernível nele. Algumas coisas
realmente eram um mistério. Porque Anastasia se
apaixonou por ele e não por Joel? Não tinha nada a
ver com o fato de Avery ser rico, pois Anastasia o
era quandose casou com ele. Avery era um duque, é
claro, enquanto Joel era um pintor de retratos que
usava casacos surrados e sentia-se opulento, porque
podia alugar todo o último andar de uma casa em
Bath. Mas também não era isso. Camille estava
convencida disso.
Apesar do muito que gostaria de pensar mal de
Anastasia, ela não podia negar que estava muito
claro que sua meia-irmã adorava Avery com todo o
seu ser.
Ela libertou-se relutantemente dos seus braços.
― Desculpe-me ― disse ela ― Não, quero dizer,
obrigada.
Eu estava passando durante um momento de
fraqueza. Não vai acontecer novamente.
― Eu pensei que, talvez, fossem apenas os
órfãos que às vezes desejassem ser abraçados ―
disse ele ― Não me ocorreu que as pessoas que
cresceram com ambos os pais podiam, às vezes,
sentir um desejo semelhante.
― Aquele bebê que eu estava segurando antes,
Sarah ― disse ela ― Antes de pegá-la, ela estava
chorando com a convicção desesperada de que
ninguém jamais a abraçaria.
Ela machucou o meu coração.
― Mas você a abraçou ― disse ele.
― O que eu deveria fazer? ― Perguntou
retoricamente ― O que eu deveria fazer, Joel?
Ele não lhe respondeu porque, claro, não havia
resposta.
― Nosso chá ficará frio ― disse ele.
― Eu acho que é melhor eu ir para casa ― disse
ela ― Você estava certo antes. Este foi um erro e
peço desculpas por forçá-lo a me acompanhar na
minha caminhada e, em seguida, deixá-lo com
pouca opção, a não ser me trazer aqui.
― A chuva está mais pesada do que quando
chegamos ― disse ele. Mas ele não tentou dissuadi-
la de sair ― Eu tenho um guarda-chuva, um
grande,tamanho de homem. Podemos nos juntar
debaixo dele.
― Eu preferiria ir sozinha ― disse ela.
Ele acenou com a cabeça e foi buscar a capa e o
chapéu, que ainda estavam um pouco húmidos. Ela
estava a chapinhar na rua alguns minutos depois, o
guarda-chuva que ele insistiu que ela trouxesse com
ela mantendo-a seca, embora ela pudesse ouvir a
chuva batendo nele. Ela tinha sido beijada e ela
tinha sido abraçada esta tarde, ambas novas
experiências. Ela também implorou para ser
abraçada e se entregou ao conforto que outro ser
humano tinha oferecido, mesmo que apenas por um
minuto mais ou menos.
Agora sentiu vontade de chorar, mais uma vez.
Ela não faria isso, é claro. Ela chorou ontem à
noite, e isso foi mais do que suficiente para durar
por mais quinze anos, pelo menos. Mas ela não
devia se colocarnovamente, na posição de precisar
ser abraçada pelo Sr. Joel Cunningham, que
acreditava que o desastre que ela conheceu no início
deste ano foi o melhor que lhe poderia ter
acontecido. Ela certamente não lhe daria mais
nenhuma oportunidade de beijá-la, ou a ela mesma
a oportunidade de convidar o seu beijo. Pois ela
certamente não colocaria toda a culpa, ou mesmo a
maior parte, sobre os seus ombros.
Ela desejou que não tivesse que encontrá-lo
novamente, na próxima semana na sala de aula,
onde ela teria que se comportar como se nada
tivesse acontecido entre eles. Não aconteceu assim
no entanto. De alguma forma, em algum momento,
ela iria passar por tudo isto, isto… seja lá o que for e
sair do outro lado. Mas como seria esse outro lado?
Inclinou o guarda-chuva para proteger o rosto da
chuva e correu.

Capítulo Nove Joel manteve-se ocupado no


domingo e segunda-feira.
Ele terminou um dos seus retratos no domingo, e
subiu ao Royal Crescent na segunda-feira para
começar a esboçar e falar com Abigail Westcott. O
seu retrato seria um prazer para trabalhar e um
pouco de desafio também, porque assim que
começou a falar, sentiu uma vulnerabilidade por trás
da sua beleza e doçura e uma tristeza
cuidadosamente guardada. Levaria algum tempo e
habilidade para conhecê-la completamente.
Mas enquanto ele se mantinha ocupado sua
mente estava em tumulto. Porque diabos ele beijou
Camille? Ela perguntou-lhe como se conseguia a
felicidade, e como um garoto desastrado com
apenas uma coisa na sua mente, ele tinha agido
como se houvesse apenas uma possível resposta.
A coisa era que ele se tinha surpreendido tanto
quanto ela. E então, como se isso não tivesse sido
suficientemente ruim, ele passou a machucá-la,
horrivelmente, com aquela observação mal
recomendada sobre o grande desastre da sua vida,
tendo sido a melhor coisa que poderia ter acontecido
com ela.
Ele nem sequer gostou da noite com Edwina no
domingo. Na verdade, ele voltou para casa cedo
sem ter ido para a cama com ela.
Ele passou a segunda-feira à tarde e a noite
desenhando Camille de memória, rindo na chuva,
sentada na sua mesa de cozinha após ser beijada,
de pé na janela da sala de estar, braços
embrulhados defensivamente sobre si própria,
olhando para a rua sem a ver. Ele não queria ficar
obcecado por pintá-la já. Ele queria poder se
concentrar na sua irmã.
Mas talvez não estivesse pintando aquela que o
estava obcecando.
Ele estava realmente feliz na terça-feira para ter
algo para distraí-lo. Ele contratou uma carruagem e
foi visitar o Sr. Cox-Phillips. A casa estava em
tamanho,entre um solar e uma mansão, em design
majestosa e situada dentro de jardins espaçosos e
bem cuidados, com uma visão ampla e panorâmica
sobre a cidade baixo e o país circundante a
quilômetros de distância. Joel, tendo instruído o
cocheiro a esperá-lo, esperando que ele não fosse
demorar muito, já que a conta ficaria cada vez
maior, levou, no entanto, alguns minutos para
admirar a casa, o jardim e a vista antes de bater à
porta.
Ele ficou aguardando durante dez minutos no
salão de entrada, sendo observado por uma coleção
de severos bustos de mármore com olhos sem
visão, enquanto o mordomo idoso, inevitavelmente,
foi ver se seu patrão estava em casa.
Joel foi, eventualmente, admitido numa biblioteca
de teto alto. Todas as paredes estavam repletas de
livros, do chão ao teto, onde não houvesse uma
janela, porta ou lareira. Uma grande mesa de
carvalho dominava um canto da sala. No outro lado,
um impressionante sofá de couro em frente a uma
lareira de mármore, onde um fogo queimava apesar
do calor do verão. Poltronas de couro a combinar
flanqueavam-no.
Numa das cadeiras e quase engolido por ela, os
joelhos cobertos por uma manta de lã e uma
bengala de prata apertada numa das suas mãos
enrugadas, sentava-se um cavalheiro de olhos
duros, com sobrancelhas carregadas que parecia ter
pelo menos uns cem anos de idade. Os seus olhos
olharam para Joel cruzar a sala até ele parar ao lado
do sofá.
Outro homem, quase igualmente idoso e
presumivelmente algum tipo de criado de quarto,
estava atrás da cadeira do cavalheiro e também
observava a aproximação de Joel.
― Sr. Cox-Phillips? ― Disse Joel.
― E quem mais eu provavelmente seria? ―
Perguntou o cavalheiro, as sobrancelhas de besouro
se juntaram com um cenho franzido ― Venha e
fique aqui, jovem ― ele bateu sua bengala no tapete
antes dos seus pés ― Orville, abra as malditas
cortinas. Eu mal consigo ver minha mão na frente do
meu rosto.
Ambos, Joel e o criado de quarto, fizeram o que
lhes foi dito. Joel encontrou-se de pé num raio de
luz solar a poucos metros da cadeira do velho
homem, enquanto o seu ocupante tomava seu
tempo olhando-o para cima e para baixo e
estudando seu rosto. A longa inspeção fez com que
Joel se perguntasse, com uma risada interna, quem
ia pintar quem.
― Então foi o italiano depois de tudo, não foi? ―
O velho disse abruptamente. Não pareceu o tipo de
pergunta que exigia uma resposta.
― Perdão, senhor? ― Joel o olhou
educadamente.
― O italiano ― disse o velho com impaciência ―
O pintor que pensou que com a sua aparência
morena e o seu sotaque,que atraíam as damas, e os
nomes estrangeiros que terminavam em vogais,
esconderiam o fato de que o talento que tinha não
teria preenchido um dedal.
― Eu lamento que ― disse Joel ― não esteja
entendendo você, senhor. Não conheço o homem a
quem você se refere.
― Eu me refiro, jovem ― o velho senhor lhe
disse ― a seu pai.
Joel ficou enraizado no local.
― Eu suponho ― disse o velho ― que eles não
lhe disseram nada.
― Eles? ― Joel sentia-se um pouco como se
estivesse olhando através de um túnel escuro, o que
era estranho quando ele estava de pé na luz do sol.
― Essas pessoas naquela instituição onde você
cresceu ― disse o velho ― Seria uma maravilha se
não o fizessem.
Poucas pessoas podem segurar as suas línguas,
mesmo quando juram segredo. Especialmente
então.
Joel desejava ter sido convidado para se sentar
ou, pelo menos, ficar de pé na sombra. Havia um
zumbido apagado nos ouvidos.
― Quer dizer, senhor ― ele perguntou ― que
você sabe quem era ou é o meu pai? E minha mãe?
― Seria estranho se eu não a conhecesse ―
disse Cox-Phillips ― quando era minha própria
sobrinha, a filha única da minha única irmã e mais
problemática para a mãe do que valia a pena.
Mortos, a maioria deles agora. Nunca espere viver
oitenta e cinco anos, jovem. Todo mundo que já
significou alguma coisa para você acaba morrendo, e
os únicos que sobraram são os biltres e abutres que
pensam que, porque partilham algumas gotas do
seu sangue, têm direito ao seu dinheiro quando você
morre. Bem, eles não vão ter o meu, não enquanto
estou vivo para ter uma opinião sobre o assunto, o
que irei ter esta tarde, quando meu advogado
chegar aqui.
A maioria do que ele disse passou por Joel. Sua
mente estava lidando com apenas uma coisa.
― Minha mãe era sua sobrinha? ― ele perguntou
― Ela está morta? E o meu pai?
― Ela nunca disse a sua mãe quem ele era ―
disse o velho ― Teimosa como uma mula era aquela
garota. Ela só dizia quem ele não era,e esse era
todo o homem provável e improvável que sua mãe
poderia pensar, incluindo o Italiano, embora como
ela conheceu o seu nome para dizer em voz alta, eu
não sei. Minha irmã enviou a garota para o
confinamento e pagou muito dinheiro por seus
cuidados por seis meses também, mas a menina
morreu de qualquer maneira no parto. O bebê, você,
sobreviveu, mais foi uma pena. Teria sido melhor
para todos os interessados, você incluído, se você
tivesse morrido com ela. Nada faria por isso, mas
minha irmã teve que trazê-lo de volta aqui, apesar
de tudo o que eu tinha a dizer em contrário. A sua
filha herdou a sua teimosia. Ela sabia que não
poderia trazê-lo para esta casa para viver e explicar
para todos os que iriam com certeza perguntar e,
estranho, se não o fizessem. Ela deveria ter deixado
você onde estava. Ela levou você, em vez disso,
para esse orfanato e pagou para o manter lá. Ela
mesma pagou pela escola de arte que você queria ir,
mesmo que eu dissesse a ela que tinha penas em
vez de cérebro. Imaginei, no entanto, que deveria
ter sido o italiano. Onde mais você teria a noção
disparatada que poderia ter uma vida decente a
pintar? Eles, provavelmente, tentaram você ter
melhor sentido no orfanato.
― Minha… Vovó vive aqui com você? ―
Perguntou Joel.
― Você não está ouvindo, jovem? ― Disse Cox-
Phillips, agudamente ― Ela morreu sete, oito anos
atrás. Há quanto tempo, Orville?
― Sra. Cunningham faleceu há oito anos atrás,
senhor ― disse o criado.
― Faleceu ― disse o velho com um pouco de
desgosto ― Ela morreu. Pegou uma gripe,
desenvolveu febre e morreu numa semana. Eu
esperava que ela deixasse tudo o que tinha para
você, mas ela deixou isso para mim ― ele olhou
para Joel e de repente ficou ainda mais irritado ―
Porque diabo você está de pé, jovem, me forçando a
olhar para você? Sente-se, sente-se.
Joel sentou-se na beira do sofá e respirou
profundamente.
― E o meu pai? ― Ele perguntou ― O artista
italiano?
― Artista ― o velho bufou com desdém ―
Apenas na sua própria imaginação. Ele desapareceu
com pressa. Digo que a minha sobrinha lhe contou
as suas boas novas e ele apanhou um susto e fugiu
rapidamente, para nunca mais ser visto de novo e
boa viagem. Eu diria que ele também está morto.
Não posso dizer que me importe de um jeito ou de
outro.
― Você é meu tio-avô, então ― disse Joel,
obviamente.
Suas orelhas ainda estavam zumbindo. Sua avó
tinha sido a Sra. Cunningham. Provavelmente era o
nome da sua mãe também.
― Você está indo bem o suficiente por si mesmo,
pelo que ouvi dizer ― disse o velho ― Um tolo e o
seu dinheiro sempre podem ser separados quando
alguém se oferece para imortalizá-lo em tinta, é
claro. Suponho que você lisonjeia os que o pagam
bem e faz com que pareçam vinte anos mais novos
que eles e, muitas vezes, melhores do que nunca.
― Eu estudo os meus retratados com muito
cuidado e esboço-os de várias maneiras antes de os
pintar ― disse Joel ― Eu viso a precisão da
aparência e uma revelação de caracter no retrato
acabado. É um processo longo e meticuloso, que eu
faço com integridade.
― Toquei-te na ferida, não foi? ― Perguntou o
velho.
― Você tocou ― admitiu Joel. Ele não negaria o
fato.
Pareciaincrível para ele que, após vinte e sete
anos, ele tinha sabido quem era por seu próprio tio-
avô, mas a conversa seguiu para a sua arte como se
uma revelação tão repentina e demolidora não
valesse importância qualquer coisa para ele.
Por que ele havia sido convocado ali?
Era como se Cox-Phillips tivesse lido seu
pensamento.
― Você esperava, eu suponho, que estava
trazendo você aqui para que você me pintasse ―
disse ele.
― Sim, senhor ― disse Joel, embora seu tio-avô
não o trouxesse ali, verdade? A carruagem
contratada provavelmente continuava esperando lá
fora, a conta aumentando cada vez mais a cada
minuto que passava ― Eu certamente não esperava
que estivesse vindo aqui para descobrir a minha
identidade. Minha avó nunca veio me ver.
― Oh, ela planeou várias vezes ir vê-lo ― disse o
velho com uma onda desdenhosa da sua mão livre
― Eu disse a ela que ela era uma tola sempre que
ia. Ela, depois, ficava sempre triste por dias.
Mas ela nunca se fez saber por ele. Ela se
entristecia ao vê-lo de longe, mas nunca considerou
como uma criança que cresceu sem saber nada
sobre seu nascimento ou sua família poderia sentir.
A solidão, a sensação de abandono, o sentimento de
inutilidade, a ausência total de raízes… Mas não era
hora de pensar em nada disso. Nunca era. Tais
pensamentos apenas puxavam parauma espiral de
escuridão.
Era preciso lidar com a realidade da vida
cotidiana e encontrar bênçãos diárias para
agradecer.
Mas se ele pudesse ter apenas um abraço da sua
avó… Não teria sido o suficiente, não é? Era melhor
que ela nunca se tivesse revelado. Possivelmente.
― Eu não quero ser pintado ― disse a ele seu
tio-avô ― especialmente se você não pudesse ser
persuadido a me lisonjear. Não haveria tempo
suficiente de qualquer maneira, se você fizer todo o
estudo e esboços antes mesmo de colocar tinta na
tela. Numa semana ou duas, espero morrer.
O criado de quarto fez um movimento
involuntário com uma mão, um protesto sem
palavras nos lábios.
― Você não precisa se preocupar, Orville ― disse
o seu patrão ― Você ficará bem o suficiente para o
resto da sua vida, como você sabe, e você não vai
me ter para o preocupar por mais tempo. Estou
morrendo, jovem. Meu médico é um tolo. Todos os
médicos o são, na minha experiência, mas desta vez
ele entendeu direito. Eu não estou ainda no meu
último suspiro, mas não estou longe disso, e se você
acha que estou buscando simpatia, você também é
um idiota. Quando você tem oitenta e cinco anos e
cada último pedaço da sua saúde o abandonou e
quase todos os que você já conheceu estão mortos,
então é hora de acabar logo com todo o negócio.
― Lamento que você não esteja bem, senhor ―
disse Joel.
― Que diferença isso faz para você? ― Perguntou
Cox-Phillips, e então ele alarmou tanto a Joel quanto
o criado, cacarejando com gargalhadas e depois
tossindo até parecer duvidoso, que fosse poder
suspirar novamente. Ele fez, no entanto ― Na
verdade, jovem, isso vai fazer uma grande diferença
para você.
Joel olhou-o com uma careta. Ele não era um
velho simpático e talvez nunca tivesse sido, mas ele
era, ao que parecia, a única ligação viva com a mãe
e a avó de Joel, cujo nome ele usava. Este homem
era seu tio-avô. Era uma verdade muito vertiginosa
para ser completamente digerida.
No entanto, parecia que havia muito pouco
tempo para digerir isso. Ele estava prestes a perder
o único parente vivo que provavelmente já
conheceria, mas ele o encontrou há alguns minutos
atrás.
― Eu tenho quatro parentes vivos ― disse o
velho ― um dos quais é você, mesmo que você seja
um bastardo. Os outros três nunca mostraram o
menor interesse em mim até completar 80 anos. Um
homem de oitenta anos sem esposa ou filhos ou
netos ou irmãos próprios, se torna uma pessoa de
grande interesse para aqueles que se apegam aos
galhos exteriores da sua árvore genealógica. Essas
pessoas começam a se perguntar o que acontecerá
com seus pertences e seu dinheiro quando ele
morrer, o que é quase certo para ser logo ou mais
cedo. E com o interesse, vem um profundo carinho
para o parente idoso e uma preocupação ansiosa por
sua saúde. Tudo é treta, é claro. Eles podem se
pendurar que eu não me importo.
Um dos três parentes a quem o velho se referia
seria o Visconde Uxbury?
― Eu vou deixar tudo para você, jovem ― disse
Cox-Phillips ― Será escrito o meu novo testamento
esta tarde, e eu terei pessoas suficientes para
atestar a solidez da minha mente e a ausência de
coerção que, mesmo o advogado mais inteligente
vai achar impossível revogar os meus desejos finais.
Joel estava de pé, sem qualquer consciência de
se ter levantado.
― Ah, não, senhor ― disse ele ― Isso é absurdo.
Eu nem te conheço. Você não me conhece. Não
tenho nenhuma reivindicação sobre você e não
desejo nenhuma. Você não mostrou interesse em
mim por vinte e sete anos. Porque você deveria
mostrar algum agora?
O velho apertou as duas mãos sobre a cabeça da
sua bengalae baixou o queixo sobre elas.
― Por Deus, Orville ― disse ele ― acho que ele
quer dizer isso. O que você acha?
― Eu acredito que sim, senhor ― concordou o
criado.
― É claro que quero dizer ― disse Joel ― Não
tenho nenhum desejo, senhor, de cortar os seus
parentes legítimos de uma parte do que quer que
você tenha paradeixar-lhes. Se você pretende
ignorá-los por despeito, não vou deixar você me
usar como seu instrumento. Não quero parte da sua
fortuna.
― Você acha que é uma fortuna? ― Perguntou
Cox-Phillips.
― Eu não sei nem me importo ― assegurou Joel
― O que eu sei, é que eu não tive nenhuma parte
de você ou da minha avó todos os anos da minha
vida e que eu não quero nenhuma parte dos seus
bens agora. Você acredita que seria compensação
suficiente? Você acredita que vou me lembrar de
você mais gentilmente se você comprar minha
gratidão e carinho? Eu não detecto nenhum tipo de
sentimento afetivo em você ao encontrar-se,
finalmente, cara a cara comigo, apenas uma
confirmação do que suspeitou todos esses anos, de
que meu pai era, ou é, um pintor italiano que você
desprezou. Você não me traria aqui hoje, agora
percebo, se você não tivesse concebido essa ideia
diabólica de me usar para dar uma rasteira sobre
seus parentes. Não irei fazer parte disso. Bom dia
para você, senhor.
Ele se virou e saiu da sala. Com cada passo no
tapete, ele esperava ser chamado de volta, mas ele
não foi. Ele encontrou o caminho para o andar de
baixo e atravessou o corredor, depois dos bustos
cegos para o terraço, onde a carruagem contratada
o aguardava.
― Volte para Bath ― ele disse bruscamente
enquanto abriu a porta e sentou-se dentro.
A fúria deu lugar a uma corrida mental confusa
que não poderia se transformar em qualquer
aparência de ordem, à medida que a carruagem o
transportou de volta para a cidade. Sua mãe morreu
dando á luz em segredo. Bom Deus, ele nem sabia
seu primeiro nome ou nada sobre ela, exceto que
ela o tinha concebido fora do casamento e se
recusou teimosae firmemente a nomear seu pai. Sua
avó o levou para o orfanato e se certificou de que
ele tivesse tudo o que ele precisava, até uma
educação artística depois dos quinze anos, mas se
afastou dele. Ela olhou-o de longe, mas não lhe deu
nenhuma oportunidade de olhá-la e saber que havia
alguém neste mundo a quem ele pertencia. Seu pai
era, presumivelmente, um artista de nacionalidade
italiana que esteve em Bath para pintar. Parecia ter
sido a aparência dele, pensou Joel, que convenceu
Cox-Phillips, seu tio-avô, que era assim. Ele não
conhecia o nome do homem, no entanto, ou se ele
estava vivo ou morto.
Ele pagou a carruagem fora dos seus aposentos,
mas não entrou. Não haveria espaço suficiente nem
ar suficiente.
Ele se afastou a pé pela rua sem ter nenhum
destino em particular.
Caroline Williams estavaCaroline Williams estava
frequentando a escola háa escola há um ano e, de
alguma forma, conseguiu enganar que sabiaano e,
de alguma forma, conseguiu enganar que sabia ler.
Elaano e, de alguma forma, conseguiu enganar que
sabia gostava de escolher os livros que Camille lia
na aula e recitácolher os livros que Camille lia na
aula e recitá-colher os livros que Camille lia na aula
e recitá los de memória,memória,memória,
masmasmas asasas vezesvezesvezes suasuasua
memóriamemóriamemória estavaestavaestava
comcomcom defeito.defeito. DeDe algumaalguma
forma,forma, osos mémétodostodos dede
ensinoensino queque funcionaram comcom
outrasoutras cricriançasnças nãonão tinhamtinham
funcionadofuncionado com ela.ela.ela.
CamilleCamilleCamille pensoupensoupensou nonono
problemaproblemaproblema atéatéaté quequeque
alalgoal que poderia ajudar surgiupoderia ajudar
surgiu no domingo, quando ela estava na salano
domingo, quando ela estava na sala de jogos
segurando Sarah novamente. Caroline estava lendde
jogos segurando Sarah novamente. Caroline estava
lendode jogos segurando Sarah novamente. Caroline
estava lend uma história para a boneca,uma história
para a boneca, não aquela escrita no livro,não
aquela escrita no livro, no entanto, mas ela estava
inventando umaentanto, mas ela estava inventando
uma,com imaginação eimaginação e coerência
consideráveiscoerência consideráveis á medida que
avançava.
Agora,gora,gora, CamilleCamilleCamille
estavaestavaestava sentadasentadasentada
numanumanuma dasdasdas mesasmesasmesas
dasdasdas alunas pequenas. O resto d. O resto das
crianças tinha sido dispensadaas crianças tinha sido
dispensada pelo dia, mas Caroline tinha sido
convidaoline tinha sido convidada a ficar e
contarficar e contar umaumauma dedede
suassuassuas própriasprópriaspróprias
históriashistóriashistórias paraparapara aaa
professora,professora,professora, quequeque aaa
escreveu palavra por palavra em letras grandespor
palavra em letras grandes e visíveis,por palavra em
letras grandes deixando um espaço em branco no
centro de cada uma dasdeixando um espaço em
branco no centro de cada uma dasdeixando um
espaço em branco no centro de cada uma das
quatro páginas. Caroline, intrigada pelo fato de que
era suaquatro páginas. Caroline, intrigada pelo fato
de que era suaquatro páginas. Caroline, intrigada
pelo fato de que era sua própria história, estava
lendo de volta para Camille, o dedoia história,
estava lendo de volta para Camille, o dedoia
história, estava lendo de volta para Camille, o dedo
identificando cadacada palavra.palavra. EE
pareciaparecia realmente,realmente que ela estava
lendo.
― Você escreveu aquiVocê escreveu aqui foi,
senhorita ― ela disse, olhandoela disse, olhando
para cima ― quando realmente elaquando
realmente ela correu.
― Erro meu ― disse Camille, embora tivesse sido
deliberado. E Caroline passou no teste, como fez
novamente com os outros três erros deliberados.
― Excelente, Caroline ― disse Camille ― Agora
você pode ler a sua própria história, bem como, para
outras pessoas, quando você quiser. Você pode
adivinhar para que são os espaços?
A criança balançou a cabeça.
― Os livros mais interessantes têm imagens, não
têm? ― disse Camille ― Você pode escolher suas
partes favoritas da sua história e desenhar suas
próprias imagens.
Os olhos da menina ficaram iluminados.
Mas a porta se abriu naquele momento, e Camille
virou a cabeça com um aborrecimento para ver qual
criança havia retornado para interrompê-las e com
que propósito. Não era uma criança, no entanto. Era
Joel Cunningham, que olhou para a sala, entrou
quando viu que estava ela lá, e depois parou
bruscamente quando viu que não estava sozinha.
― Peço desculpas ― disse ele ― Continue.
― Você irá perder o seu chá se eu continuar
contigo por mais tempo ― disse ela a Caroline
enquanto se levantava ― Você quer levar a sua
história com você para ler e ilustrar?
Ou devemos mantê-la segura numa prateleira
aqui até amanhã?
Caroline queria levá-la para ler para a boneca. E
ela desenharia as imagens enquanto sua boneca
assistia. Ela deu a Joel um sorriso largo e brilhante
quando ele abriu a porta para deixá-la sair, sua
história apertada no seu peito.
― Estou tentando convencê-la a ler ― explicou
Camille quando ele fechou a porta de novo ― Ela
tem tido alguma dificuldade e estou experimentando
uma ideia.
― Parece que você pode ter tido algum sucesso
― disse ele ― Ela parecia muito ansiosa para levar
essa história com ela. No meu tempo, teríamos feito
tudo o que fosse possível para evitar ter que levar
as tarefas escolares para além desta sala.
Camille sentia-se horrivelmente consciente de si
mesma.
Ela não o tinha visto desde sábado, quando ela
tinha corrido pelas ruas chuvosas de mãos dadas
com ele, rindo sem motivo, exceto que ela estava
gostando e acabando sozinha nos seus aposentos
com ele. E se isso não era chocante o suficiente, ela
permitiu que ele a beijasse e, talvez pior, ela pediu
que ele a abraçasse. Ela tinha sido atormentada
pelas lembranças desde então e tinha receado ficar
cara a cara com ele novamente.
― O que você está fazendo aqui? ― Ela
perguntou, apertando as mãos firmemente na sua
cintura e endireitando os ombros. Ela podia ouvir a
gravidade da sua voz.
― Eu vim para ver se você ainda estava na sala
de aula ― ele disse, passando os dedos pelos
cabelos, um gesto fútil, já que era tão curto. Havia
algo intenso, quase selvagem, sobre seus olhos, ela
percebeu, e a maneira como ele estava segurando-
se, como se houvesse uma bola inteira de energia
enrolada dentro dele pronto para explodir.
― O que é? ― Perguntou ela.
― Eu fui visitar Cox-Phillips esta manhã ― disse
ele ― Ele não tinha nenhum trabalho para me
oferecer. Ele tem oitenta e cinco anos e está às
portas da morte.
― Isso é bastante duro ― Camille franziu a testa.
― Com a autorização do seu médico ― disse ele
― Ele espera morrer dentro de uma semana ou
duas. Ele está colocando sua casa em ordem, por
assim dizer. Seu advogado o ia ver esta tarde sobre
o seu testamento.
― Lamento, foi uma viagem desperdiçada ―
disse ela ― Mas porque ele o convidou para lá, se
não queria contratar os seus serviços como pintor?
Porque ele não impediu você de ir lá se ele de
repente se viu doente demais para o ver?
― Ah, ele me viu bem o suficiente ― disse ele ―
Ele até fez o seu criado retirar as cortinas para que
ele pudesse ter luz suficiente para um olhar mais
atento ― ele riu de repente e Camille levantou as
sobrancelhas ― Ele mudaria o seu testamento esta
tarde para cortar os três parentes que esperam
herdar. Estou supondo que o Visconde Uxbury é um
deles.
― Ah ― disse ela ― Ele não vai gostar disso. Mas
o que isso tem a ver com você?
― Não aqui ― Ele se afastou bruscamente ―
Saia comigo.
Onde? Ela quase fez a pergunta em voz alta. Mas
era óbvio que ele estava profundamente perturbado
por alguma coisa, e de todas as pessoas, ele se
voltou para ela. Ela hesitou apenas por um mero
momento.
― Espere aqui ― disse ela ― enquanto eu busco
o meu chapéu.
Capítulo Dez Joel agarrou a mão de Camille sem
nenhum pensamento consciente quando eles
deixaram o prédio e caminharam pela rua. Ele tinha
apenas um propósito em mente, ir para casa. Foi só
quando eles cruzaram a ponte que ele se perguntou,
por fim, porque ele se voltou para Camille Westcott
de todas as pessoas. Marvin Silver ou Edgar
Stephens certamente estariam em casa em breve, e
eles eram bons amigos, bem como vizinhos. Edwina
provavelmente estava na sua casa. Ela era amiga e
amante. E, falhando qualquer um desses três,
porque não Miss Ford?
Mas esperou pelo final do dia escolar e por
Camille, enquanto caminhava pelas ruas de Bath,
pelo que deveria ter sido horas. Ela o ouviria. Ela
entenderia. Ela sabia o que era ter uma vida virada
de cabeça para baixo. E agora ele a estava levando
a sua casa com ele, mesmo depois do que
aconteceu lá a última vez, estava? Seu ritmo
diminuiu.
― Eu não devo levá-lo aos meus aposentos ―
disse ele ― Você prefere que continuemos andando?
― Não ― Ela estava franzindo a testa ― Alguma
coisa o aborreceu. Eu irei para casa com você.
― Obrigado ― disse ele.
Poucos minutos depois ele estava encostado na
porta fechada dos seus aposentos enquanto Camille
dependurava o chapéu e o xale. Parecia dias, em
vez de horas, desde que ele tinha saído daqui esta
manhã. Ela entrou na sala de estar primeiro e se
virou para olhar para ele, esperando que ele falasse
primeiro.
Ele se afundou numa das cadeiras sem
considerar como estava a ser mal-educado, colocou
os cotovelos sobre os joelhos e segurou a cabeça
com ambas as mãos.
― Cox-Phillips é meu tio-avô ― disse ele ― Foi
sua irmã, minha avó, que me levou para o orfanato
depois que sua filha, minha mãe, morreu me dando
à luz. Ela era solteira, é claro, o nome dela era
Cunningham. Minha avó foi extremamente boa para
mim. Ela pagou generosamente o meu sustento até
eu ter quinze anos, e então, quando ouviu falar do
meu anseio deir à escola de arte, ela pagou as
minhas taxas de lá. Ela também me amou. Ela me
observou de longe, várias vezes ao longo dos anos,
e ficava tão afetada que sofria de depressão durante
dias.
― Joel. ― ela disse, mas ele não conseguiu parar
agora que tinha começado.
― Ela não podia deixar-me vê-la, é claro ― disse
ele ― Ela não podia aparecerno orfanato e revelar-
se para mim. Eu teria subido no telhado e gritado a
informação para todos em Bath ouvir. Ou alguém
poderia a ter visto ir e vir e fazer perguntas
estranhas. Ela poderia me amar de longe e gastar
dinheiro comigo para mostrar o quanto ela se
importava, mas não podia arriscar a contaminação
com nenhum contato pessoal. Algo poderia raspar
sobre ela e provado ser fatal para sua saúde ou sua
reputação. Eu era, afinal de contas, filho bastardo
de uma mulher caída que por acaso era a sua filha
e, aparentemente, de um artista italiano de talento
questionável que morava em Bath por tempo
suficiente, para virar a cabeça da filha e engravidá-
la antes de fugirpara que não fosse forçado a fazer o
que é honrado e casar com ela e me tornar
respeitável.
― Joel. ― ela disse.
― Você sabe o que eu estava fazendo hoje entre
o tempo que a carruagem me trouxe de volta até
chegar á sala de aula? ― ele perguntou, olhando
para ela. Ele não esperou por ela arriscar um palpite
― Eu vagueei pelas ruas, contorcendo e coçando-me
mentalmente como se estivesse a tentar livrar-me
de uma coceira. Eu sentia-me, sinto como se eu
estivesse coberto de piolhos e pulgas e percevejos e
outros vermes. Ou talvez a sujeira contaminante
esteja dentro de mim e nunca podereime livrar
disso. Deve ser isso penso eu, pois nunca serei nada
além de um bastardo a ser evitado por todas as
pessoas respeitáveis, não sou?
Bom Deus, de onde tudo isso veio?
― Joel ― ela disse com a sua voz do seu
sargento ― pare com isso. Imediatamente.
Ele olhou-a sem expressão e percebeu de
repente que estava sentado enquanto ela ainda
estava de pé no meio da sala. Ele se levantou.
― Sim, senhora ― ele disse, e fez um
cumprimento zombador ― Eu sinto como se
estivesse batendo na borda de um vasto universo e
estou prestes a cair na infinita escuridão do espaço
vazio. E que tal isso para hipérbole,
madameprofessora? Eu não deveria ter trazido você
aqui. Eu não deveria ter deixado você de pé
enquanto eu estava sentado. Você pensará que eu
não sou cavalheiro e que certa, você estará. E eu
não deveria estar jorrando todo este patético
disparate no seu ouvido. Nós quase não nos
conhecemos, afinal. Eu asseguro que eu não sou
geralmente isto.
― Joel ― disse ela ― pare.
E desta vez ele parou enquanto ela franzia a
testa para ele e então deu alguns passos na sua
direção. Se ele não estivesse receoso de que, em
qualquer momento, ele pudesse desmaiar, ou cair
da borda do universo, e se os seus dentes não
estivessem a bater, ele poderia ter adivinhado a sua
intenção. Mas as suas mãos estavam contra seu
peito e depois nos seus ombros, e então seus braços
estavam sobre seu pescoço antes que ele pudesse
fazê-lo, e então era tarde demais para não
aproveitar o conforto que ela ofereceu. Seus braços
foram sobre ela como faixas de ferro e
pressionaram-na contra ele, como se apenas
segurando-a pudesse se manter de pénuma só peça.
Ele podia sentir o calor e a vida abençoada dela,
pressionada contra ele dos ombros até aos joelhos.
Sua cabeça estava no seu ombro, o rosto virado
contra o pescoço, a respiração quente contra sua
pele. Ele enterrou o rosto no seu cabelo e sentiu-se
quase seguro.
Você me pode abraçar, por favor? Preciso de
alguém para me abraçar, ela disse-lhe isso, há
alguns dias atrás neste mesmo lugar. Agora ele
estava fazendo o mesmo pedido sem palavras.
Por que exatamente ele estava tão chateado? Ele
sempre soube que alguém o tinha entregue no
orfanato, que quem quer que fosse escolheu não o
manter, com a grande probabilidade de ser
ilegítimo, o produto indesejado de uma união ilícita,
algo vergonhoso que devia ser escondido e negado
pelo resto da vida. Sim, algo, quase como se ele
fosse um ser inanimado e, portanto, sem identidade
ou sentimentos reais. Um bastardo. Ele sempre
soube, mas ele nunca tinha pensado muito. Era
exatamente como as coisas eram e sempre seriam.
Não fazia sentido pensar nisso. Tendo sabido agora,
porém, o nome e a identidade da mulher que o
abandonara e seu relacionamento com ela, ela fora
sua avó, e sabendo, como ela o via em segredo e
ficava depois deprimida por dias, sem nunca ter
ficado deprimida o suficiente para vir e abraçá-lo,
tudo nele entrou em erupção de dor. Porque agora,
era tudo real. E aquele homem, seu tio-avô, insultou
a pouca dignidade que ele tinha, querendo usá-lo
para vingar-se de parentes legítimos que ele
acreditava que o negligenciaram.
Joel sabia tudo sobre negligência. No entanto ele
não aprovava, necessariamente, a vingança,
especialmente quando ele tinha sido nomeado como
o agente vingador.
Assim como uma coisa inanimada novamente.
Ela usava um sabão doce, algo sutil, mas não
excessivamente floral. Ele podia sentir o cheiro nos
cabelos.
Ela não era delgada, como era sua irmã e
Edwina, e como Anna era. Mas seu corpo estava
lindamente proporcionado e dotado de forma
voluptuosa. Ela era calorosa, estimulante e muito
feminina, apesar do fato de que, num primeiro
momento, ela o fizera pensar em guerreiras
amazonas, e apesar de ter acabado de falar com ele,
com uma voz que um sargento do exército poderia
estar orgulhoso.
Eles não podiam ficar apertados juntos para
sempre, ele percebeu depois de um tempo, o que
era uma pena. Ele suspirou e moveu a cabeça
enquanto ela levantou a sua, e eles se olharam sem
falar. Ela mantinha a sua feminilidade muito bem
escondida a maior parte do tempo, mas as suas
defesas estavam baixas no momento. Ela estava
quente e dócil nos seus braços, e seus olhos
estavam esfumados sob as pálpebras ligeiramente
caídas.
Ele a beijou, de boca aberta e carente, e apertou-
a novamente. Ele pressionou a língua nos seus
lábios fechados e eles se separaram para permitir
que ele acariciasse a carne quente e húmida atrás
deles. Ela estremeceu e abriu a boca e sua língua
mergulhou no calor interior. Ele sentiu-se
endurecido nos inícios da excitação quando suas
mãos se moviam sobre ela com uma necessidade
que, de algum modo, era sexual. Mas… ela estava
oferecendo conforto porque ele estava
desconcertado e sofrendo. Como poderia tirar
proveito dessa generosidade de espírito? Ele não
podia, é claro.
Relutantemente, afrouxou-a e deu um passo para
trás.
― Sinto muito ― disse ele ― Isso foi inadequado.
Perdoe-me, por favor. E nem sequer convidei você
para se sentar.
― Desculpe-me também ― ela disse enquanto se
afastava dele para se sentar no sofá ― Lamento que
tenha sido tão perturbador para você ter descoberto
que sua avó o apoiou, mas não o reconheceu
abertamente. No entanto, é assim que o mundo
funciona. Teria sido estranho se ela se tivesse dado
a conhecer a você. No entanto, ela tinha
sentimentos por você, apesar de tudo, e ela fez o
melhor por você.
― As suas suaves sensibilidades me fizeram bem
― disse ele ― E o seu melhor.
― Bem, elas fizeram ― Ela estava segura de si
novamente e parecia a severa e adequada dama
com quem ele estava mais acostumado. Ela sentou-
se com uma postura rigidamente correta e um
franzido entre as sobrancelhas, ela franzia o cenho
com bastante frequência.
― O orfanato é bom. Eu suponho, que a escola
de arte também. Você é um artista talentoso, mas
você faria o mesmo que você faz agora se você não
tivesse ido para lá? Ela pagou as suas taxas. Você
poderia ter ido de outra forma? Ou você teria
passado a sua vida cortando carne num talho
enquanto o seu talento desaparecia sem
desenvolvimento e sem uso? Ela não podia mostrar
seu carinho abertamente.
Não é assim, na sociedade educada, que os
bastardos sejam abertamente reconhecidos. E é
exatamente isso que você é, Joel. Assim como é
exatamente o que eu sou. Nenhum de nós é
culpado. Simplesmente é. Sua avó fez o que podia,
garantir que você tivesse todas as necessidades da
vida numa boa casa, como a que você cresceu e
para ajudar a tornar os seus sonhos realidade
quando você teve idade suficiente para sair.
― Todas as necessidades ― Ele ficou com as
mãos nas costas, olhando para ela. Ele não queria
ouvir desculpas para sua avó. Ele queria se sentir
irritado e ofendido, e queria que alguém se sentisse
ofendido por ele ― Tudo menos amor.
― Então, você preferiria não saber o que
descobriu hoje?
― Ela perguntou, sua expressão severa ― Você
preferia ter vividosem sequer ter a certeza de que o
seu nome era legítimo? Você desejaria não ter ido a
essa casa hoje?
Ele pensou sobre isso.
― Suponho que não ― ele disse com relutância
― Mas o que eu descobri, Camille, além dos fatos
mais breves? Minha mãe nunca disse quem foi o
meu pai. Cox-Phillips concluiu que ele era o pintor
italiano apenas com a evidência do meu aspeto e do
fato de eu pintar. Eu não sei nada sobre a minha
mãe e quase nada sobre a minha avó. Meu tio-avô é
oirrascívelque você disse que costumava ser. Eu não
desejo saber nada sobre os seus outros três
parentes, que provavelmente são os meus também.
E eu não imagino que eles ficariam encantados em
saber qualquer coisa sobre o seu parente há muito
perdido, um bastardo de orfanato, também.
― O Sr. Cox-Phillips convidou você a passar lá,
apenas para lhe dizer a verdade sobre você antes de
morrer? ― Perguntou.
Ele olhou-a. Ele não tinha contado? Não, ele
supôs que não tinha.
― Ele queria me incluir no seu testamento esta
tarde ― disse ele ― Ele queria me deixar tudo.
Apenas para vencer aqueles outros três. Eu disse
que não, absolutamente não.
Eu não deixaria ele usar-me dessa maneira.
Ela olhou-o.
― Suponho que estou feliz por ter finalmente
descoberto algo sobre a minha identidade ― disse
ele ― Mas minha mãe e minha avó estão mortas e
se meu pai ainda estiver vivo, não tenho como o
encontrar. Quanto ao tio da minha mãe, ele
aparentemente sabiahá vinte e sete anos onde eu
estava e não mostrou interesse em se dar a
conhecer. Eu estive muito bem sem ele e posso
continuar a fazê-lo durante uma semana ou duas
até ele morrer.
― Oh, Joel ― Ela suspirou e relaxou como uma
mulher novamente. Ela se recostou no sofá ― Você
está sofrendo muito. E você está tentando se
endurecer contra a dor e até mesmo negar que ela
está aí. Você vai se sentir muito melhor se você
admitir isso.
― E esta é uma pérola de sabedoria de alguém
que sabe? ― Ele disse.
A cor inundou suas bochechas e ele ficou
imediatamente contrito. Ele agora ia atacar a própria
pessoa que procurou para conforto? Ela o tinha dado
com uma generosidade irresistível.
― Sim, exatamente ― disse ela ― É um pouco
vergonhoso estar sofrendo, não é? Como
sedevêssemos ter feito algo para merecer. Ou como
se estivéssemos admitindo alguma fraqueza de
caráter ao não conseguir sacudir a dor.
Mas esconder isso pode-nos transformar em
mármore com nada alémde vazio e uma dor não
reconhecida. Você acredita que o Sr. Cox-Phillips
estava exagerando quando disse que tinha apenas
uma semana ou duas para viver?
― Não ― disse ele ― Era claramente o que seu
médico lhe tinha dito e o que ele acreditava. E ele
parece longe de bem. Ele tem oitenta e cinco anos e
parecem cem. Ele está cansado de viver. Ele
superou a todos os que já significaram algo para ele
e provavelmente também tudo.
― Ele tentou convencê-lo a não sair? ―
Perguntou ela ― Ele pediu que você o voltasse a
visitar?
― Não às duas perguntas ― disse ele ― Ele me
convidou para lá puramente por um capricho
bastante mal-intencionado, Camille. Eu me recusei a
participar no seu jogo quando ele provavelmente
esperava que eu saltasse com a chance de herdar
qualquer fortuna que ele tivesse. Esse foi o fim do
assunto. Não houve grande sentimento de ambos os
lados quando ele me disse quem eu era. Ele não me
apertou no seu peito como o seu sobrinho perdido.
Mas então, eu nunca estavaperdido, pois não?
Apenas bagagem não reclamada e indesejada. Ele
não teve a menor pretensão de sentir por mim
qualquer sentimento que ele alegou que sua irmã
sentia. Sim, foi um pouco perturbador descobrir a
verdade sobre mim de forma tão abrupta,
inesperada e desapaixonada. Não posso negar isso.
Minha cabeça e cada emoção estavam num turbilhão
depois que eu o deixei. Eu sei que andei pelas ruas
durante horas, embora não poderia lhe dizer
exatamente onde fui. Quando eu explodi sobre você,
eu me comportei como um louco e a arrastei aqui,
quando provavelmente era a última coisa que você
quisesse fazer depois de um dia de aulas. Mas você
está errada quando diz que ainda estou sofrendo. Eu
não estou, e eu tenho que agradecer a você por
isso. Você foi a bondade em pessoa. Mas não vou
prender você mais tempo. Vou acompanhá-la de
volta a casa.
― Joel, você está falando um absoluto disparate
― a sombria professora voltou para enfrentá-lo do
sofá ― Você vai ter que voltar. Você deve perceber
isso.
― De voltar? ― ele disse ― Lá em cima, para a
casa de Cox-Phillips, você quer dizer?
Absolutamente não. Para qual propósito? Não tenho
mais nada para dizer a ele e no que lhe diz respeito,
não tenho mais uso para ele. Ele terá que encontrar
alguém para quem deixar seu dinheiro se ele
realmente odeia tanto os seus parentes. Essa é a
sua preocupação, não a minha. Deixe-me levá-la
para casa ― Edgar e Marvin voltariam do trabalho
em breve e podia ser mais difícil, depois retirá-la
sem ser vista.
Ela não se moveu, e agora ela era a Amazona e a
professora. Ela realmente era uma mulher
desconcertante.
― Ele é a sua última ligação viva com sua mãe ―
disse ela ― Enquanto ele está vivo, ele pode te
contar mais, mas não parece que esteja vivo
durante muito tempo. Ele lhe disse o nome dela?
Ele olhou-a com aberta hostilidade antes de se
afastar para olhar através da janela. Ela não iria
deixar isso passar, ia? Ele já devia saber disso.
― Cunningham ― disse ele.
Ele a ouvi estalar a língua.
― Seu primeiro nome ― disse ela.
― O que isso importa? ― ele perguntou a ela ―
De qualquer maneira, um garoto não chama sua
mãe pelo seu primeiro nome.
― Mas ele sabe isso ― disse ela ― E você nunca
a chamou de outra coisa, não é? Nunca houve
ninguém para chamar Mama.
Não. Ele ficou surpreso com o poço da dor que o
atravessou. Nunca houve. Talvez essa tenha sido
uma das piores coisas sobre o crescimento de um
órfão. Não havia Mama ou Papa. E por Deus, não
haveria autopiedade. Não mais disso, de qualquer
maneira. Depois de algumas horas a chafurdar nela,
ele já estava cansado disso.
― Ela tinha os cabelose os olhos escuros como
você? ― Perguntou ela ― Ou, talvez, ela era loira e
de olhos azuis?
Ou. ― ― Se ela tivesse o cabelo escuro ― ele
disse ― Cox-Phillips não teria tanta certeza de que
foi o Italiano que me gerou.
― Qual o nome dele? ― Perguntou ela.
― Algo longo e impronunciável que termina em
vogais ― disse ele ― Ele não se lembra disso. Ele
provavelmente nunca tentou saber. Para um homem
como Cox-Phillips, todos os estrangeiros são seres
inferiores para serem desprezados.
― Sua mãe te viu antes de morrer? ― Perguntou
ela ― Foi ela quem te chamou de Joel? Porque esse
nome específico?
Ele virou-se, zangado agora, apesar que, ele lhe
devia tudo menos raiva.
― Você imagina ― ele perguntou a ela ― que
aquele velho grosso na sua mansão na colina
saberia as respostas a tais perguntas? Você imagina
que ele se importa? Você imagina que eu me
importo?
― Sim para a última pergunta ― disse ela ― Eu
acho que você se importa ou que vai se importar,
talvez quando for tarde demais para obter qualquer
resposta. Apenas algumas semanas atrás, acredito
que eu teria dito que nada poderia ser pior do que o
que aconteceu comigo e com Abigail e Harry. Mas
algo poderia, eu percebo agora. Se a nossa mãe
soubesse desde cedo que ela não era legalmente
casada, ela poderia ter deixado meu pai, e é
completamente possível que pudessemos ter
acabado num orfanato, talvez até em três
separados, e não nos dissessem nada sobre nós,
exceto nosso nome. Talvez nem mesmo esse. Nosso
pai não era um bom homem. Eu entendo agora que
ele era incapaz de me amar, não importa o quão
muito eu tentasse. Ele amava apenas a si mesmo.
Mas pelo menos eu sei quem ele era. Eu sabia e
conheci minha mãe e meu irmão e minha irmã. Eu
sei quem eu sou. Eu ainda não sei quem vou ser
porque minhas circunstâncias mudaram tão
drasticamente, mas sei de onde eu vim e acho
que,percebo agora, totalmente pela primeira vez, o
quão importante isso é ― Ela fez uma pausa ―
Lamento que seu sofrimento tenha deixado isso
claro para mim.
Ele olhou-a durante alguns instantes percebendo
que ela acabava de chegar a uma espécie de
epifania. Ela era uma aristocrata arrogante e uma
educadora severa e uma Amazona teimosa e…
Camille. Ele dirigiu-se sem dizer uma palavra para o
estúdio, onde pegou um caderninho de esboços e
um pedaço de carvão, e voltou para a sala para
sentar-se na cadeira da qual ele tinha se levantado
alguns minutos atrás.
Sem olhar para ela, ele desenhou um esboço
rápido e cru de uma mulher com cabelo ligeiramente
desarrumado e um olhar de intensidade apaixonada
no seu rosto. Era o que ele pensava como parte de
Camille.
― É sempre esta, a sua resposta, para algo que
você não deseja falar? ― Perguntou ela ― É a sua
fuga da realidade?
Ele continuou esboçando por um tempo.
― Talvez ― disse ele ― seja a minha maneira de
ordenar os meus pensamentos. Talvez seja minha
fuga para a realidade. Ou talvez seja a minha
maneira de preencher o tempo até me permitir
acompanhar você a casa.
― Você acha que quer se livrar de mim ― disse
ela, aparentemente sem dúvidas pelo pequeno
insulto ― Mas são os seus pensamentos
preocupantes sobre os quais você quer se livrar.
Você sabe que sempre se arrependerá se não voltar.
― Você percebe o quão incrivelmente fascinante
você é, Camille? ― ele perguntou ― E como é
irritante?
― Disparates ― disse ela ― Eu nunca cultivei a
beleza ou encanto, muito menos vontades
femininas. Cultivei somente a vontade de fazer o
que acredito estar correto em todas as
circunstâncias.
Ele olhou-a e sorriu. Ela parecia púdica.
― Você vai perceber o seu próprio fascínio ―
disse ele ― depois de eu ter pintado você.
― Então sua pintura não valerá nada ― disse ela
― Eu pensei que você se recusasse a lisonjear os
seus retratados.
Por que você faria uma exceção a mim?
Continuou olhando-a durante alguns instantes,
para que pudesse desenhar bem as sobrancelhas.
Elas pareceriam muito pesadas na maioria das
mulheres, mas elas ficavam realmente bem com os
seus cabelos escuros e características fortes. Ele não
percebeu isso antes. Estranhamente, ele nem
sempre era uma pessoa observadora quando olhava
apenas com os seus olhos. Ele muitas vezes não via
as pessoas claramente, a menos que, e até começar
a esboçar, pintar e aproveitar o que sua intuição
dizia sobre elas.
― Você, de todas as pessoas, não será pintada
com lisonjas ― ele assegurou antes de olhar para
baixo para o seu esboço ― Você será pintada como
você é quando todas as poses e defesas e máscaras
forem removidas.
Mas ele a conheceria completamente? Ou
entendê-la-ia completamente? Nunca ninguém o fez,
verdade? Nunca ninguém se conheceu a si
profundamente. Então como se poderia esperar
conhecer outro ser humano? Foi uma perceção
desconfortável, quando ele se orgulhava de
entender as pessoas dos seus retratos.
― Estou horrivelmente alarmada ― ela falou
bruscamente semse alarmar de todo ― Você é muito
hábil em mudar um assunto.
― Havia um para mudar? ― Ele perguntou,
sorrindo para ela novamente.
― Você tem que voltar ― disse ela ― Você tem
que falar com o Sr. Cox-Phillips e descobrir tudo o
que puder sobre você. Você sempre se arrependerá
se não o fizer. É verdade que sua avó o tratou mal,
Joel, mas é igualmente verdade que ela o tratou
muito bem. É tudo uma questão de perspetiva.
Você deve descobrir mais para que você possa
entender melhor. Você deve descobrir tudo o que
puder sobre sua mãe.
Se ela tivesse vivido, tudo poderia ter sido
diferente. Talvez ela seja uma pessoa que você
precise amar, mesmo que nunca a conheça
pessoalmente. Pelo menos você pode descobrir tudo
o que puder.
― Bobagemsentimental ― disse ele ― Ele
concluiria que eu tinha mudado a minha opinião
sobre estar no seu testamento e tivesse
rastejadoaté lá para me congratular com ele. Ele
assumiria que a avareza me tinha alcançado.
― Então diga-lhe que ele está errado ― disse ela
― Você deve ir. Eu irei com você.
Joel deixou de lado o seu bloco de esboço, de
qualquer maneira, ele não conseguia desenhar o seu
queixo teimososem fazê-la parecer uma caricatura,
e se recostou na cadeira. Ele cruzou os braços sobre
o peito e descansou um tornozelo no outro joelho.
Ele deveria ter procurado Edwina.
Ou Miss Ford. Ou voltar para aqui e cismar
sozinho. Sua primeira impressão de Srta. Camille
Westcott foi a certa. Ela era arrogante e
desagradável.
― Para segurar minha mão, eu suponho ― disse
ele ― Me empurrar para a frente com um dedo
afiado nas minhas costas. Para me impelir com as
perguntas que eu preciso fazer. Para repreender o
velho se ele me fizer chorar.
Seus lábios virtualmente desapareceram. Ela se
sentou em linha reta e estava fazendo a coisa da
postura perfeita outra vez. Sua espinha
presumivelmente não precisava do apoio da parte
de trás do sofá. Era de aço.
― Eu pensei oferecer apoio moral ― disse ela ―
Você claramente não precisa disso. Assim como eu
não preciso da sua escolta de volta ao orfanato, Sr.
Cunningham. Eu diria que não vou ser abordada
mais de quatro ou cinco vezes enquanto ando
sozinha e, sem dúvida,os meus gritos trarão
cavalheiros correndo para o meu resgate. Você fará
o que quiser com relação ao Sr. Cox-Phillips.
Aprendi que você é teimoso como uma mula. Não
me importa um cominho o que você faz.
Ela se levantou e Joel saltou. Ele estava entre ela
e o corredor, então ela ficou de pé onde estava,
segurando seu olhar, seu maxilar como granito. A
Amazona num clima
##guerreiro/agressivo<<beligerante. Se tivesse
tido uma lança na mão… ― Eu fiz uma sopa ontem
― disse ele ― Eu comi um pouco a noite passada e
não me envenenei. Deixe-me aquecer. Comprei um
pouco de pão na padaria, no início desta manhã,
também. Fique e coma comigo.
― Para segurar sua mão? ― Ela perguntou.
― Preciso de uma mão para segurar a tigela e a
outra para colher a sopa ― disse ele ― Peço
desculpas pelo que disse. Você tem sido
extraordinariamente gentil em chegar aqui e ouvir
as minhas divagações. Infelizmente, eu paguei sua
bondade com mau humor. Fique? Por favor?
Tinha sido um convite puramente impulsivo. O
que eles falariam se ela concordasse? E quais eram
as chances de Edgar ou Marvin baterem na sua
porta por qualquer motivo?
Ou que um ou ambos a veriam ou a ouviriam
deixá-lo mais tarde? Mas ele não queria ficar
sozinho ainda.
E se a sopa tivesse engrossado a tal ponto que
precisaria ser cinzelada com uma faca afiada? Ele
não era o melhor cozinheiro do mundo.
― Que tipo de sopa? ― Ela perguntou.

Capítulo Onze A carruagem contratada


aguardava Camille quando a escola foi dispensada
para o dia, na quinta-feira. Joel saltou quando ela
apareceu e colocou-a dentro. Ela ergueu as
sobrancelhas para o exterior descascado, desbotado,
os assentos surrados, ligeiramente rasgados no
interior e o cheiro um tanto errado, que mesmo as
janelas abertas não conseguiam dissipar. Mas ela
não disse nada. Pelo menos, parecia razoavelmente
limpa. Ela não olhou muito para os cavalos.
― Você não mudou de ideia, então? ― Ela
perguntou enquanto ele se sentava ao seu lado.
― Oh, eu mudei ― disse ele ― Uma hora atrás. E
duas horas antes disso, e meia hora antes disso, e
assim de volta à noite anterior. Desta vez, mudei de
ideia para ir.
Ele parecia e soava alegre, mas ela não se
enganava. Ele concordara, antes de ela sair dos seus
aposentos, há dois dias atrás, que ele voltaria a casa
do Sr. Cox-Phillips e lhe disse com uma boa graça
que ela poderia acompanhá-lo se quisesse. Ele tinha
sugerido que eles fossem hoje, após a aula.
― E você escreveu para informá-lo que você iria?
― Ela perguntou quando a carruagem entrou em
movimento e deu a Camille um antecipado, de quão
ineficaz as molas seriam.
― Não ― disse ele ― Porque eu deveria dar-lhe
aviso prévio? E não é como se ele fosse a qualquer
lugar, não é?
Exceto para o túmulo.
Ela virou a cabeça para olhar reprovadoramente
para ele. Ele estava de repente sombrio e um pouco
pálido, sua cabeça se virou para a janela ao seu
lado. Ela respirou fundo para falar, mas ele parecia
ter querido ficar sozinho com os seus pensamentos,
e ela não desejava tornar-se uma mulher rabugenta.
Algo aconteceu com ela na terça-feira. Ela não
chegaria tão longe como dizer que se apaixonara.
Ela não acreditava em tal coisa. Mas ela tinha ido
aos seus aposentos por vontade própria, e ela o
tinha escutado e se moveu para os seus braços para
confortá-lo. E ela o beijou. Sim, ela o fez.
Tinha sido uma coisa ativa da sua parte, não
apenas algo que ela permitiu. E ela sentiu o corpo
duro do homem, os braços, os lábios, a boca e a
língua, e ela tinha ficado…sim, ela tinha.
Não era preciso negar isso. Tinha ficado
desapontada quando ele parou abruptamente e
pediu desculpas. Ela gostaria de explorar a
experiência um pouco mais profundamente.
Ela não estava apaixonada, mas sentiu-se mais
como uma mulher desde terça-feira. O que pedia a
pergunta, o que ela sentiu antes? Ele era
extremamente bonito, tinha decidido, e
poderosamente atraente, o que quer que isso
quisesse dizer, e ela tinha respondido a ele como
mulher. E continuava a responder, embora estivesse
intrigada também.
Ela não conhecia o idioma nem a experiência
para explicar exatamente o que ela queria dizer.
Talvez fosse apenas que ela se importasse.
Tinha sido no meio da noite e crescia o anoitecer
quando voltou para casa, e ele tinha insistido em
acompanhá-la. A sopa, grossa com vegetais e um
pouco de carne bovina, tinha sido muito boa, o pão
estava crocante e fresco. Depois de comer, eles
tomaram o chá na sala de estar, onde conversaram
e conversaram até que a luz desaparecendo além da
janela chamou a atenção deles. Ele estava
esboçando a maior parte do tempo, embora ele não
lhe tivesse mostrado nada.
Depois, ela nem se lembrava de tudo sobre o que
tinham falado. Ela sabia que tinham falado sobre a
sua infância, de livros que ambos leram, de Sarah,
com quem Camille passava algum tempo todos os
dias. Ele tinha falado sobre o seu amor pela pintura
de paisagens, apesar de acreditar que seu talento
real era pintar retratos, e ela tinha observado o seu
rosto quando falava de contemplar uma cena, não
esboçá-la como faria com um assunto humano, mas
de alguma forma se tornando parte dela até que
sentisse isso de dentro e, finalmente, poderia pintá-
la. Pintura para ele, ela tinha percebido então, não
era um hobby nem apenas uma maneira de ganhar
a vida. Era uma paixão e uma ##
constranger/forçar/obrigar/necessitar<<compulsão.
Em certo sentido, era quem ele era. Ela o
invejava. Ela nunca se apaixonara por nada na sua
vida. Ela nunca se permitiu ser. Ela deliberadamente
evitou qualquer excesso de sentimento como sendo
deselegante. Era quase como se ela tivesse medo da
paixão e onde ela poderia levá-la.
Ele não gostava que a vida fosse muito fácil,
concluiu Camille. Ele gostava do desafio de vivê-la e
empurrar os seus limites em vez de apenas existir e
sobreviver. Talvez, essa fosse uma das razões pelas
quais ele não tinha mostrado o menor interesse pela
fortuna, que ele poderia ter herdado do seu tio-avô.
O dinheiro tornaria sua vida muito mais fácil, o
dinheiro sempre o fazia, mas ele não estava
interessado.
Quantas pessoas, voluntariamente, recusaram
uma fortuna e não hesitaram absolutamente em
fazê-lo?
Sua própria pergunta a prendeu. Ela fez
exatamente isso. Anna tinha oferecido um quarto de
tudo o que o pai deixara, uma grande fortuna, e
Camille recusou.
A carruagem deixou Bath e lutou pela colina
acima. Ela virou a cabeça em direção a Joel.
― Eu recebi uma carta esta manhã ― disse ela ―
Bem, duas na verdade, mas Abby escreve todos os
dias.
― Sim, ela me contou isso nesta mesma manhã.
Eu estava lá, trabalhando no seu retrato ― ele
disse, afastando-se da janela para olhá-la ― É
surpreendente. O que ela encontra para escrever?
Você responde?
― Damas são criadas para escrever cartas ―
disse ela ― Ela me conta tudo sobre o dia dela.
Hoje, sua carta estava cheia da sua sessão com
você ontem, entre outras coisas. E sim, eu
respondo. Claro que eu o faço. Ela é minha irmã. Eu
escrevo todas as noites e falo sobre o meu dia.
― E amanhã ― disse ele ― sua carta estará
cheia desta viagem comigo?
― Sim ― disse ela ― e do progresso da corda
roxa e da melhoria notável nas habilidades de leitura
de Caroline e dos dez minutos que eu pude gastar
com Sarah antes do almoço, contando os dedos dos
pés e beijando cada um deles por sua vez e tirando
dois sorrisos inteiros dela.
Ele olhou-a até o ponto de desconforto. Não que
o passeio de carruagem fosse confortável mesmo
sem esse olhar. Ela não ficaria surpresa se isto lhe
sacudisse todos os dentes fora.
― Você recebeu duas cartas hoje? ― Ele
finalmente perguntou.
― A outra era da minha mãe ― disse ela ― Ela
escreveu diretamente para mim na escola. Ela só
escreveu, tanto a Abby como a mim no passado,
mas Abby lhe disse que eu estava morando no
orfanato. Ela está preocupada comigo.
Mas ela não escreveu para me repreender ou me
dizer o quão tola eu era ou da indelicadeza para com
a Abby e a Avó. Ela entende e honra a minha
decisão.
Camille ficou surpresa com isso, e mais do que
um pouco tocada. Não esperava, nem a carta. Ela
nem queria uma carta da própria mãe, até que a
viu. E desde que a leu, sentiu, oh, uma confusão de
emoções. O ressentimento ainda era uma delas.
Mama tinha ido para o conforto do tio Michael, mas
também para longe das suas próprias filhas.
― Porque ela não ficou aqui com você e a mãe
dela? ― Perguntou Joel.
― Foi, pelo menos em parte, por nossa causa ―
disse ela ― Ela pensou que a vida aqui seria
intolerável para nós, ou mais do que seria de
qualquer maneira, se em todos os lugares que
fossemos, tivéssemos que ser apresentadas como as
filhas da Senhorita Viola Kingsley.
― Em todos os lugares em que você foi ― disse
ele ― Mas você não foi a lugar nenhum, verdade?
Você foi uma reclusa até que você foi ao orfanato
para ensinar.
― Como você sabe disso? ― Ela perguntou,
franzindo o cenho para ele.
― Eu nunca vi você ― disse ele ― Eu vi sua irmã
algumas vezes e fui apresentado a ela no soireé da
Sra.
Dance. A primeira vez que vi você,estava na sala
de aula quando a senhorita Ford a levou para lá. A
estadia da sua mãe teria tornado a vida mais difícil
para você?
― Eu não sei ― ela deu de ombros ― Mas Abby
sentiu falta dela.
― E você? ― Ele perguntou.
― Eu não sei ― ela disse de novo, e era sua vez
de olhar pela janela do lado da carruagem para
desencorajar novas conversas, embora ela fosse a
única que tinha abordado o assunto. Na verdade,
era uma coisa boa, ela tinha lido a carta da mãe no
início da manhã antes da escola. Ela conseguiu não
chorar por isso, ela tinha uma classe de crianças
para enfrentar. Teria feito diferença se Mama tivesse
ficado? Abby tinha apenas dezoito anos, pouco mais
do que uma criança.
E quanto a própria Camille… Bem, às vezes
sentia que tinha sido lançada na escuridão exterior.
Ela sentiu quando chegou a Bath, que não poderia
haver mais nada a perder. Mas havia. Sua mãe tinha
ido embora.
A carruagem estava fazendo uma curva
acentuada entre dois postes de pedra e, em
seguida, seguindo um caminho de entrada sinuoso,
até uma mansão de tamanho modesto aparecer à
direitacom uma vista panorâmica para baixo aberta
à esquerda e um jardim cuidadosamente planeado e
bem cuidado alongado de cada lado.
― É isto ― disse Joel desnecessariamente.
Ele ajudou Camille a apear, instruiu o cocheiro a
aguardar e se aproximou para bater a aldrava
contra a porta da frente. Ele parecia sombrio
novamente, e ela sabia que ele preferiria estar em
qualquer outro lugar da Terra. No entanto, não
podia sentir pena de que o incitasse a vir. Ela
realmente acreditava que ele ficaria sempre
arrependido se não o fizesse. Claro, o Sr. Cox-
Phillips podia se recusar a vê-lo ou a responder a
qualquer pergunta se ele os admitisse. Mas pelo
menos Joel poderia consolar-se no futuro com o
conhecimento de que ele tinha feito tudo o que
podia.
Um idoso mordomo admitiu-os num salão cheio
de bustos de mármore, com certeza projetado, para
tornar o visitante casual desconfortável o suficiente
para fugir. Todos tinham focos de olhos vazios, mas
olhavam de qualquer jeito.
Camille olhou em volta depois que o mordomo
tinha ido ver se o seu patrão estava recebendo. Ele
parecia ter estado a ponto de se recusar até mesmo
a verificar, até que os olhos dele pousaram sobre
Camille e, sem pensar conscientemente, ela tinha se
revertido num papel familiar e se tornara Lady
Camille Westcott sem pronunciar uma palavra. Ele
inclinou a cabeça deferente e seguiu o seu caminho.
― Ele pode ter sido instruído a me jogar fora se
eu tivesse o descaramento de voltar ― disse Joel
com um sorriso que não compensava o olhar tenso
no seu rosto.
― Então é uma coisa boa que eu tenha vindo
também ― disse ela ― Eu tenho os meus usos. Não
creio, durante um momento, que esses bustos de
mármore sejam de mármore ou autênticos. Se eles
vieram da Itália ou da Grécia ou de qualquer lugar
além de uma oficina inferior na Inglaterra, ficaria
muito surpresa.
― Concordamos com isso ― ele concordou.
O mordomo voltou e convidou-os para segui-lo.
Eles foram admitidos numa biblioteca, que
respeitava o nome. Até onde ela podia ver de uma
só vez, não havia um espaço nas paredes que não
estivesse ocupado com prateleiras, e certamente
não havia um espaço nessas prateleiras para até um
livro mais. A sala estava na semiescuridão, cortinas
pesadas foram colocadas nas janelas, talvez para
preservar os livros ou talvez para proteger os olhos
do velho da luz solar brilhante.
Havia já, três pessoas na sala, além do
mordomo, que se retirou depois de admiti-los e
fechar a porta atrás dele. Havia o que parecia ser
um homem muito velho e enrugado na cadeira junto
à lareira, o fogo estava aceso, embora o ar estivesse
sufocando. Ele até tinha uma manta pesada
cobrindo-o da cintura para baixo e uma touca de
dormir com uma borla na cabeça. Atrás da sua
cadeira tinha um indivíduo sobriamente revestido,
cada linha do seu corpo disse a Camille, que ele não
poderia ser mais nada que um criado de quarto.
O terceiro ocupante da sala foi mostrado em
silhueta contra a lareira, de modo que, até se
mexer, ele apareceu apenas como um homem alto,
de ombros largos e bem formado, vestido com o
melhor da moda de Londres. Quando ele se moveu,
para sair alguns passos do fogo e em direção à
porta, ele também se revelou um homem
extremamente bonito, com uma expressão
arrogante e condescendente no seu rosto.
― Isso é suficiente perto, companheiro ― ele
disse, olhando Joel da cabeça aos pés com um
desprezo insolente e o auxílio de um monóculo ―
Posso ver que o mordomo deveria ter sabido melhor
do que vir perguntando, se poderia admitir você
quando o meu primo não está suficientemente bem
para tomar uma decisão informada. Eu vou ter uma
palavra com os criados sobre permitir que qualquer
peticionário rasca, seja admitido e que pense, em
aproveitar-se da idade avançada do Sr. Cox-Phillips
e da sua saúde frágil.
Felizmente para ele, essas pessoas terão agora
que passar por mim no futuro, já que estou aqui
para protegê-lo. Você pode se retirar com a…dama
― ele virou os olhos desdenhosos para Camille, que
tinha ficado atrás de Joel, meio escondida nas
sombras.
Ela sentiu-se perto de desmaiar, embora não do
calor da sala. O treinamento de anos a impediu de
fazer qualquer coisa tão negligente ou de se
humilhar de outra forma.
― Como você está, Lord Uxbury? ― disse ela,
saindo das sombras e olhando-o diretamente nos
olhos.
Ele deixou cair o seu monóculo, e seus olhos
arregalaram. Foi um breve revés. Ele se recuperou
rapidamente, e um olhar zombador substituiu o seu
olhar de choque.
― Bem, pela minha vida, se não é a Srta.
Westcott ― ele disse, enfatizando seu título, ou, em
vez disso, a sua falta, e sujeitando-a a uma
observação da cabeça aos pés.
Ela o viu pela última vez na Westcott House, em
Londres, na tarde do dia em que descobriu a
verdade sobre o seu pai e seu casamento bígamo
com sua mãe. Ela o recebeu e disse-lhe o que
acabara de descobrir, esperando que ele ficasse
preocupado com a situação e determinação em
continuar o seu casamento. Isso tinha sido míope
dela, é claro, pois ele era tão defensor da correção
social quanto ela, e estaria fora de questão para ele
se casar com uma bastarda.
Ele saiu precipitadamente e escreveu-lhe quase
imediatamente sugerindo que ela enviasse um aviso
para os jornais da manhã, rompendo o seu noivado.
Agora ele parecia tanto familiar como… estranho.
Como se ele fosse alguém de outra vida há muito
tempo atrás, o que, em certo sentido, ele era. Ela
nunca antes tinha visto aquele olhar de desprezo no
seu rosto dirigido a ela. Ela nunca tinha
testemunhado ele ser rancoroso. Mas ela lembrou
que ele a insultou abertamente na sua ausência, no
baile de Avery, e novamente em Hyde Park durante
o duelo. E ela lembrou com intensa satisfação que
Avery, que deve ser uma cabeça mais baixa do que
ele e, com certeza, mais leve, o derrubou com os
seus pés descalços.
― Desculpe… Visconde Uxbury, não é? ― Disse
Joel ― Mas o meu assunto é com o Sr. Cox-Phillips.
Quando falei com ele há alguns dias, ele parecia
perfeitamente capaz de falar por si mesmo e de me
pedir pessoalmente para sair se ele assim o desejar.
Camille olhou-o com alguma surpresa. Ele não
era tão alto quanto o visconde, e não tinha um físico
tão esplêndido ou um rosto tão obviamente bonito.
Na verdade, ele parecia ainda mais gasto do que o
habitual, em contraste com o esplendor da roupa da
Bond Street de Lord Uxbury.
Mas ele parecia de repente muito sólido e
impassível. E ele não olhou de modo algum
preocupado por ter sido chamado de companheiro e
um peticionário rasca. Ele falou com calma e firme
cortesia.
― Se esta não é a primeira vez que você veio
incomodar o meu primo ― disse o visconde ― então
é uma coisa muito boa que eu tenha vindo. E a Srta.
Westcott não é uma companhia adequada para
ninguém nesta casa ou em qualquer outra habitação
respeitável.
― Você voltou, então, não foi? ― Disse o
cavalheiro idoso ao lado do fogo ― Você mudou de
opinião, não é?
― Não mudei, senhor ― assegurou Joel ― Eu vim
por um assunto diferente.
― Não se aflija, primo ― disse o visconde, as sua
maneira transformada em algo completamente mais
calmante e deferente ― Eu acompanharei este
sujeito e a… flausina dele para fora … ― Eu vou me
afligir, maldito seja, Uxbury ― disse o velho com
irritação ― se você continuar me tratando como se
eu tivesse mais do que apenas um pé no túmulo.
Como se atreve a me tratar como se eu tivesse uma
mente imbecil, e não mais de meia hora depois de
pisar na minha casa? Não é convidado, posso
acrescentar. Vá e encontre um quarto de hóspedes
para ficar por algumas noites, se você deve ficar,
enquanto você ainda tem a primeira escolha.
Atrevo-me a dizer que os outros dois reclamantes da
minha fortuna estão lançando os seus cavalos na
esperança de chegarem aqui o mais rápido possível.
― Eu vou por este sujeito e a sua mulher fora
antes que eu faça isso, Primo ― disse o Visconde
Uxbury ― Seu médico não gostaria que você .
― O meu médico ― disse o velho cavalheiro,
fechando uma das mãos sobre o botão de uma
bengala ao seu lado e batendo-a fracamente no
chão ― de qualquer das formas, não quer que eu
seja atormentado até á morte alguns dias antes de
eu bater a bota, por parentes que fingem acreditar
que têm os meus melhores interesses no coração. E
eu pago um mordomo para mostrar aos hóspedes
dentro e fora. Eu acredito que eu o pago
generosamente. Não pago, Orville?
― Você faz, senhor ― assegurou seu criado.
― Fora ― O Sr. Cox-Phillips ergueu a bengala a
poucos centímetros do chão e acenou-a na direção
do visconde ― E vocês dois, venham e se sentem.
Joel e Camille ficaram de lado para deixar o
visconde Uxbury passar. Ele olhou arrogantemente e
com um veneno considerável, de um para o outro,
enquanto passava e Camille não conseguiu resistir a
expressar o próprio despeito.
― Espero que você não tenha sofrido nenhum
dano permanente do chute que levou no queixo,
Lord Uxbury ― disse ela.
Sua mandíbula endureceu, e ele saiu da sala.
Camille encontrou os olhos de Joel brevemente, e foi
possível que ela visse a sugestão de um sorriso lá.
Mas então ele gesticulou em direção ao pesado sofá
em frente à lareira, adjacente à cadeira do Sr. Cox-
Phillips. Ela foi e sentou-se, e Joel tomou o seu lugar
ao lado dela.
― Posso apresentar a Srta. Camille Westcott,
uma amiga e colega que foi gentil o suficiente para
me acompanhar aqui hoje, senhor? ― Disse Joel.
Os olhos do cavalheiro voltaram-se para Camille
e a examinaram de perto, sob as sobrancelhas
espessas.
― Eu não tenho uma mente imbecil, jovem
senhora, apesar da minha idade e enfermidade ―
disse ele ― Você já esteve noiva daquele
meuparente, eu lembro. A filha de Riverdale, eu
acredito ― o falecido Riverdale.
― Isso é correto, senhor ― disse ela ― Eu rompi
o noivado depois que se descobriu que o meu pai já
estavacasado, quando ele se casou com a minha
mãe e que, portanto, minha irmã, meu irmão e eu
ficamos ilegítimos.
― Hmm ― disse ele ― Esse foi o motivo, foi?
Não foi desportivo de Uxbury chamá-la de flausina
agora mesmo, embora não me surpreenda. Uma
doninha desagradável de uma criança ele era,
lembro-me. Não que eu o visse com frequência. Eu
me esforçava para não fazê-lo. As famílias tendem a
ser coleções pestilentes de pessoas que
simplesmente partilham algum sangue, mas o meu
sempre foi pior do que a maioria. Ou todas as
pessoas pensam isso? Qual é a sua ligação com o
Cunningham? A palavra colega não tem sentido sem
uma explicação.
― Eu ensino na escola do orfanato onde ele
cresceu ― explicou ― Ele também oferece os seus
serviços como professor lá. Eu ofereci-me para
acompanhá-lo aqui quando ele decidiu voltar.
― Você o convenceu, não foi? ― Ele disse ― Que
ele era um idiota para recusar a chance de herdar a
maior parte da minha fortuna apenas por causa de
um pouco de orgulho.
― Eu não fiz isso, senhor ― disse ela.
― E, no entanto ― ele disse ― você poderia ter
tido uma esplêndida vingança contra Uxbury, ao
convencer o seu colega para fazê-lo afastar-se, do
que ele pensa herdar ― A sua touca deslizou quase
por cima de um dos seus olhos, e sua mão deslizou
da cabeça da bengala, que caiu no tapete ― Orville,
reorganize essas malditas almofadas atrás de mim.
Onde elas estão?
O criado levantou as almofadas atrás e para
ambos os lados do velho cavalheiro, moveu-o
gentilmente de volta contra elas, endireitou a touca,
enfiou o cobertor com mais segurança sobre a
cintura e pegou a bengala.
― Eu voltei ― disse Joel quando o criado
retomou o seu lugar atrás da cadeira ― para
descobrir mais sobre a minha mãe e a minha avó,
senhor. E não houve menção do meu avô.
Mas talvez você não esteja se sentindo bem o
suficiente… ― Um desperdício inútil de espaço e ar
― disse o Sr.
Cox-Phillips ― Henry Cunningham herdou uma
soma de dinheiro e estabeleceu-se o resto da vida
sem o aproveitar ou investir, ou gastar qualquer
coisa com a minha irmã ou sobrinha. Um amável
idiota que veio ficar aqui, durante uma semana, logo
após o casamento e saiu daqui quase vinte anos
depois, no seu caixão. Fiquei feliz em passar muito
desse tempo em Londres.
― Henry ― disse Joel ― E qual era o nome da
minha avó, senhor? E a minha mãe?
― Minha irmã era Mary ― disse o homem velho
― Minha sobrinha era Dorinda. Ela deve ter sido
nomeada pelo idiota do seu pai. Quem mais teria
chamado uma pobre menina de Dorinda?
― O que você pode me falar sobre ela? ―
Perguntou Joel ― Como ela parecia?
― Não é nada como você, jovem ― o Sr. Cox-
Phillips asseguroubruscamente ― Ela era pequena,
loura e de olhos azuis, linda e tão boba como as
garotas são. Ela levou a minha irmã, numa dança
alegre, antes de seguir o sujeito estrangeiro, mas a
dança ficou menos feliz quando ele desapareceu da
face da terra e ela começou a crescer e negando
tudo,sobre as estrelas, que poderia ser negado.
Quando as negações não tinham mais uso, ela
jurou a sua mãe que ele não era o único, mas não
queria dizer quem era.
Se não fosse o pintor, porém, deve ter havido
outro italiano em Bath. Não há dúvida da sua
linhagem.
― Você não se lembra do nome dele? ―
Perguntou Joel.
― Eu nunca fiz o menor esforço para saber ou
para memorizá-lo ― disse o velho, parando durante
alguns instantes enquanto sua respiração entrou e
saiu ― Porque eu deveria?
Ele estava baixo da minha consideração. Ele
deveria estar baixo da consideração da minha
sobrinha também, mas ele era um demônio bonito e
ela era muito parecida com seu pai, nada no seu
cérebro ― seus olhos se fecharam e sua cabeça caiu
contra as almofadas enquanto ele recuperou a
respiração novamente.
― Nós devemos deixar você descansar, senhor ―
disse Joel, levantando-se.
Os olhos do velho cavalheiro se abriram.
― Foi uma coisa boa para você ― ele disse com
irritação ― que você apareceu aqui logo após
Uxbury. Eu, sem dúvida, não teria permitido você
entrar de outra forma. Você se fez perfeitamente
claro, alguns dias atrás, e não tenho motivos para
me sentir gentil em relação a si.
― Então eu devo agradecer que o meu timing
tenha sido tão bom ― disse Joel ― Eu não vou
incomodar você mais, senhor. Obrigado por me
contar o que você sabia sobre a minha mãe e os
meus avós.
Os olhos se fecharam de novo. Mas o Sr. Cox-
Phillips falou mais uma vez.
― Orville ― disse ele ― alguém que vá ao quarto
da minha irmã buscar aquela miniatura que ela
sempre manteve ao lado da sua cama. Atrevo-me a
dizer que ainda está lá.
Não sei onde mais estaria. Dá ao Sr. Cunningham
á saída.
Fico feliz em me livrar disso.
O criado deu alguns passos em frente e puxou a
corda do sino ao lado da lareira.
― Uma miniatura? ― Perguntou Joel.
― Da minha sobrinha ― disse o velho, sem abrir
os olhos.
Camille levantou-se e virou-se para sair. O pobre
homem parecia muito cansado e muito doente. Mas
Joel levantou o cenho para ele.
― Quem pintou isso senhor? ― Ele perguntou.
-Ah ― Houve um estrondo da cadeira, que
Camille percebeu que era uma risada ― Você pode
culpar ou agradecer a sua avó que você existe,
jovem. Ela levou Dorinda para ele. Ele era italiano e
bonito e falava com aquele acento tolo que os
italianos tendem a afetar, e pareceu que ele devia
ser um artista de talento superior. Ele a pintou.
Ele claramente não tinha mais nada a dizer.
Depois de observá-lo durante alguns instantes mais,
Joel olhou passivamente para Camille e caminhou ao
lado dela da sala e pelas escadas. Eles esperaram,
silenciosamente, no corredor até o mordomo chegar
e entregar um pequeno pacote de pano para Joel,
antes de abrir a porta para eles.
A carruagem esperara.

Capítulo Doze Joel deslizou o pacote para baixo,


do lado do assento ao lado da janela. Era chamado
de miniatura, mas parecia um pouco maior do que
isso. Ele esperaria para desembrulhá-la, até ficar
sozinho.
Henry e Mary Cunningham.Dorinda Cunningham.
Três estranhos. Todos mortos. Eles não se
sentiam como pessoas que estavam de alguma
forma ligadas a ele, embora partilhasse o seu nome
e o seu sangue. Sua mãe pareceria mais real
quando olhasse para a sua imagem? Ou menos? Ele
sentiria a mão do pai na composição e nas
pinceladas? Ele veria no seu rosto que ela estava
olhando para o pai dele e o que estaria a sentir? Ele
sentiu-se doente de apreensão com o pensamento
de desembrulhar o pacote.
Quase desejava que o retrato não existisse ou
que Cox-Phillips não se lembrasse disso.
A carruagem ficou em movimento e ele lembrou
que ele não era o único cujas emoções foram
despertadas durante esta visita. Camille tinha ido
ali, com ele, depois de um dia inteiro de aulas para
oferecer apoio moral, apenas para encontrar-se
horrivelmente insultada pelo homem com quem
esteve perto de se casar.
― Sinto muito ― disse ele.
― Sobre o Visconde Uxbury me chamando de
flausina?
― Ela disse ― Sobre o que ele disse que eu não
era adequada para estar naquela casa? Porque você
lamentaria? Você não disse isso. Nem me arrastou
até aqui.
― Apesar do velho ditado sobre paus e pedras ―
disse ele ― as palavras realmente magoam. E você
já o teve em alta estima, para concordar em se
casar com ele.
― Eu sempre pensei que, acima de tudo, ele
fosse um cavalheiro ― disse ela ― Dói saber que eu
estava tão errada. E sempre dói ser acusada de ser
algo que não se é. No entanto, não posso deixar de
lembrar que quando Anastasia foi admitida no salão
de Avery e lhe oferecido assento, fiquei indignada
porque ela não era adequada para estar naquela
casa com pessoas respeitáveis, entre as quais eu. Às
vezes, as palavras de outras pessoas se tornam
espelhos desconfortáveis em que nos
contemplamos.
― Eu devo repetir o que eu disse antes ― disse
ele ― Esse homem é completamente indigno de
você, Camille. Ele é uma pessoa completamente
desagradável, e você teve uma fuga afortunada
dele. O que eu realmente pedia desculpas, no
entanto, era sobre a minha própria negligência em
não esmagar aquele nariz aristocrático dele e
enegrecer ambos os olhos. Eu deveria ter feito isso
por você, e empurrar os dentes dele pela garganta
baixo. Fui envergonhado pelo duque de Netherby.
― O que Avery fez foi muito esplêndido no seu
contexto ― disse ela, estendendo a mão para a
correia de couro desgastada enquanto a carruagem
saia da entrada para a estrada ― De acordo, com a
sua descrição, ele foi desafiado a um duelo e a
honra e o orgulho ditaram que ele aceitasse. O
contexto de hoje era diferente. Ambos eram
convidados de um moribundo e na presença dele e
na sua casa. Teria sido inapropriado começar uma
luta com o Visconde Uxbury ou mesmo se
##contratar/aliciar/alistar/recrutar/empregar/seduzi
r<< engajar em palavras acaloradas. Ele não se
comportou como um cavalheiro. Você sim. Você se
comportou com dignidade e restrição, e por isso,
agradeço-lhe.
― Você teve a última palavra, porém ― disse ele,
sorrindo com a memória ― esperando que ele se
recuperasse do chute no queixo.
― Eu menti ― ela sorriu de repente, uma
expressão brilhante e maliciosa ― Eu não esperava
tal coisa. Mas queria que ele soubesse que eu sei.
― Bem, lamento que tudo tenha acontecido ―
disse ele ― Foi um agradecimento pobre por sua
bondade em me acompanhar aqui.
― Eu suponho ― disse ela ― que foi uma
punição por forçar a minha companhia sobre você.
Embora, não sinto muito por ter vindo. O Sr. Cox-
Phillips está muito doente de fato, não está?
― Sim ― ele concordou, e foi assaltado por uma
onda totalmente inesperada de quase pânico. Sua
mãe e seus avós estavam mortos, e seu tio-avô, sua
última ligação com eles, estava morrendo. Não
poderia haver dúvidas sobre isso.
― Você vai voltar mais uma vez? ― Ela
perguntou.
Parte dele queria fazê-lo agora, inclinar-se para a
frente e bater com urgência no painel frontal e
instruir o cocheiro a voltar.
― Muito provavelmente não ― disse ele ― Há
mais perguntas que gostaria de fazer. Perguntas
anedóticas.
Gostaria de ouvir histórias sobre sua infância com
sua irmã, minha avó, sobre a chegada do meu avô
na casa, sobre a infância e crescimento da minha
mãe. Ele deve ter histórias para contar, não deve?
Mas eu duvido que ele estaria disposto a contá-las,
mesmo que ele estivesse em forma e bem. Porque
ele deveria, afinal? Ele não me conhece. Eu sou
apenas o filho bastardo de uma sobrinha, por quem
ele não parece ter sentido muito carinho. De
qualquer forma, ele não está em forma nem bem e
não me diria tanto quanto ele disse hoje, se ele não
tivesse sido irritado pelo comportamento do seu
parente. Além disso, Uxbury claramente veio para
ficar, e o velho parece acreditar que os outros dois
reclamantes da sua propriedade e fortuna não
estarão longe dele. Não tenho vontade de enfrentar
nenhum deles.
― Mesmo que sejam seus parentes também? ―
Ela disse.
― Exatamente por causa disso ― ele admitiu ―
Não estou orgulhoso de que Uxbury esteja de
alguma forma ligado comigo. Eu nem sei como e
não estou muito interessado em saber.
― Mas eu queria que as circunstâncias lhe
permitissem esmagar o nariz e enegrecer os dois
olhos dele e empurrar os dentes pela garganta baixo
dele ― acrescentou.
Ele sorriu, lembrando-se de como, na Sally
Lunn’s, ela desejara que pudesse amarrar o homem
pelos polegares. Ela riu, talvez lembrando o mesmo,
e então eles estavam de mãos dadas e quase se
dobraram com as gargalhadas. Ele não sabia porque
eles estavam tão divertidos, exceto que tinha sido
uma visita miserável e emocionalmente carregada
de várias maneiras, e a vida tinha uma maneira de
se reafirmar diante do insulto e da doença e da
morte iminente.
― Obrigado por vir comigo, Camille ― ele disse
quando pôde, e apertou a mão, que ainda estava na
dele, e entrelaçando os seus dedos.
― Tenho receado que não devia ter convencido
você a vir aqui ― disse ela ― Realmente não era da
minha conta.
― Soubedos nomes da minha mãe e seus pais ―
disse ele ― Não é um grande negócio, mas mesmo
esse conhecimento me dá mais identidade.
― E você tem a pintura ― ela disse ― Sim, eu
tenho isso ― ele concordou ― Mas eu tenho medo
de olhar para ela.
Ela inclinou a cabeça para um lado enquanto
olhava-o e franziu o cenho durante alguns instantes.
― Eu acredito que eu também teria no seu lugar
― disse ela ― Você vai olhá-la quando estiver
pronto.
― Não é só a pintura ser da minha mãe ― disse
ele ― É também que foi pintada pelo meu pai. Ou
pelo homem que era supostamente meu pai.
― Eles devem ter estado juntos, um bom tempo,
quando ele estava pintando o seu retrato ― disse
ela ― Ela terá olhadopara ele e ele para ela durante
horas. É perfeitamente compreensível que eles se
apaixonassem.
― Porém ele não a amava, verdade? ― Ele disse,
e fechou os olhos durante alguns instantes ― Não
faz sentido tentar romantizar o que aconteceu entre
eles. Ele fugiu assim que descobriu que oseu caso
teve consequências, eu. Eu não sou o produto de
uma grande paixão entre amantes condenados, que
morreram de corações partidos depois de serem
arrancados. Era tudo muito mais mundano. Luxúria
purae simples, eu acho. E covardia.
― Você não conhece todos os fatos ― disse ela.
― Não, eu não conheço ― ele admitiu. Ele
saberia melhor quando ele visse a pintura? Ele
sentiria se tinha sido amor, nos olhos da sua mãe,
nas pinceladas do seu pai?
Provavelmente não. O que aconteceu entre esses
dois tinha morrido com eles, e era assim que devia
ser. Possivelmente.
Exceto que ele ficou para se perguntar ― No
entanto, conheço algo sobre o filho que eles
conceberam. Eu nunca abandonaria uma mulher que
eu tivesse engravidado. Ou o nosso filho.
Eles viajaram o resto do caminho em silêncio,
suas mãos ainda entrelaçadas, os seus ombros
tocando-se à medida que a carruagem balançava e
saltava sobre a estrada.
Quando eles voltaram para o orfanato, ele
abQuando eles voltaram para o orfanato, ele abriu a
porta eriu a porta e pulou no passeio antes deantes
de se virar para ajudá-la a descerla a descer.
― Obrigado por virObrigado por vir ― ele disse
novamente.
― Volte lá novamenteVolte lá novamente ― ela
disse a ele, masela disse a ele, mas não se ofereceu
para acomofereceu para acompanhá-lo, desta vez,
ou insistirnou insistirno ponto.
Ela correu para dentro e fechou a porta.Ela
correu para dentro e fechou a porta.
DepoisDepois dada escola,escola, numnum diadia
dada semana,semana, quandoquando asas crianças
estavam todoscrianças estavam todos fora jogando
ou ocupadasocupadas de outra forma, noutro lugar
e a sala de jogos estavaem outro lugar e a sala de
jogos estava vazia, Camillevazia, Camille sentou-
sese nono velhovelho e negligenciado piano,,
queque tinhatinha sidosido empurradoempurrado
parapara umum cantocanto, e
tocousuavementesuavemente parapara sisi mesma.
Ela nunca tinha sido mais do quea nunca tinha sido
mais do que tolerantementetolerantemente
habilidosa, mas tocar piano era ums tocar piano era
um conhecimento necessárioconhecimento
necessário para uma jovem bembem-educada ee
elaela tinhatinha persistido.persistido. ElaEla sentia
falta de tocarsentia falta de tocar, bem como bordar
e pintar aquarela,como bordar e pintar aquarela,
tudo de acordo comcom asas regrasregras
estabelecidasestabelecidas pelapela sua governanta.
Às vezes, ela desejava poderes, ela desejava poder
voltar e revivervoltar e reviver a sua infância com
maisinfância com mais espírito interrogativo, mesmo
rebelde, masmo rebelde, mas não podia ser feito.
Regressar nuncanão podia ser feito. Regressar
nunca era possível, e não tinha sentido chafurdar-se
em arrependimentos pelo que
poderiaarrependimentos pelo que poderia ter sido.
Quando ela olhou porQuando ela olhou por cima
do piano, depois de algunsdepois de alguns minutos,
foi para descobrirminutos, foi para descobrir que
três crianças tinhamque três crianças tinham
entrado na sala, despercebidasdespercebidas, ee
estavamestavam perfeitamenteperfeitamente
imóveis,imóveis observando-a.a.a. ElesElesEles
iriamiriamiriam voltarvoltarvoltar paraparapara aaa
suasuasua brincadeira rapidamente, ela pensou
depois de sorrir vagamente para eles e voltar sua
atenção para outra peça lembrada, mas depois
disso, havia mais duas crianças a observarem, assim
como as três primeiras e uma das mães domésticas.
Na próxima vez que ela olhou para cima, ela foi
forçada à conclusão, assustada,de que certamente
não devia haver uma criança no jardim ou em
qualquer outra parte do edifício. A sala de jogos
estava tão cheia quanto ela já tinha visto.
Ela mudou para tocar algumas músicas folclóricas
que todos conheciam, todos no seu velho mundo,
mas, aparentemente, não no novo. Ela escolheu
algumas das melodias mais simples e ensinou a
melodia e as palavras dos primeiros versos. As
garotas logo estavam cantando juntamente com ela
enquanto os meninos olhavam cautelosamente uns
para os outros e ficavam em silêncio e sem se
mexer.
A música sob a forma de canções folclóricas,
hinos simples e algumas danças tornou-se uma
parte do currículo escolar a partir daquele dia, e
Camille logo tinha planeado uma maneira de trazer
os meninos. Ela fez isso, revendo o seu
conhecimento sobre cânticos de trabalho dos
marinheiros e explicando-os como música
exclusivamente masculina. Na verdade, durante um
tempo ela proibiu as meninas de cantá-las, algo que
se mostrou altamente bem-sucedido quando as
garotas arderam de ressentimento e os garotos se
aperaltaram e cantaram alto e vigorosamente e, não
necessariamente, musicalmente.
Não era canto que ela estava ensinando, cedo na
tarde de sexta-feira, depois da visita à casa do Sr.
Cox-Phillips. Era dança. Tudo começou durante a
manhã, quando Camille tinha revelado a corda
tricotada roxa, cujas várias partes ela teceu juntas,
durante grande parte da noite, até se tornar numa
só. Não podia ser revelada, é claro, sem ser usada
imediatamente. Eles tinham saído até Bath Abbey,
onde Camille tinha dado uma breve palestra sobre a
arquitetura da igreja antes de se dirigir para os
banhos Romanos, a poucos metros da abadia e
baixo da Pump Room. Tanto a expedição quanto a
corda tinham sido um enorme sucesso, a última
atraindo a atenção divertida de vários transeuntes.
Nem uma criança tinha ficado para trás ou avançou
sem os outros, e uma contagem de cabeças
ocasional tinha satisfeito Camille cada vez que ela
ainda tinha o número correto de crianças.
O regresso à escola foi adiado pela presença, no
pátio da abadia, de alguns músicos, primeiro um
flautista, que as crianças acharam fascinante,
principalmente, suspeitou Camille, porque assisti-lo
e escutando-o encurtou o dia da escola e depois por
uma trupe de enérgicos dançarinos, que realizaram
os passos de várias danças vigorosas e intrincadas
ao acompanhamento da flauta e do violino. As
crianças tinham ficado genuinamente encantadas
por eles e teria sido, nada menos, que cruel arrastá-
los antes que a atuação acabasse.
No caminho de volta para a escola, algumas das
crianças mais velhas lembraram, o momento, em
que um antigo professor tinha ensinado a dançar.
Miss Snow não tinha continuado as lições, a duquesa
de Netherby, Winifred Hamlin interrompeu o aluno
para lembrá-lo, porque ela não podia cantar a
música e ensinar os passos ao mesmo tempo.
E a senhorita Nunce não tinha porque…bem,
porque.
Se eles desejassem aprender a dançar, Camille
tinha dito de forma precipitada, então ela iria
ensiná-los. E perceberam que, na trupe que
acabavam de assistir, havia exatamente tantos
bailarinos como bailarinas? Uma das mães
domésticas recentemente contratada, admitiu ter
alguma habilidade no piano e pôde ser persuadida a
tocar enquanto a professora ensinava os passos. A
sua oferta tinha sido recebida com tanto
entusiasmo, uma torcida pública no meio da rua que
teria escandalizado a Lady Camille Westcott mesmo
sem a adição notável da corda roxa, que ela tinha
decidido não perder mais tempo, e começar
imediatamente após o almoço. Ursula Trask, a mãe
doméstica em questão, concordou em tocar para
eles, embora ela tivesse avisado que seus dedos
estavam enferrujados e que poderia atingir tantas
notas erradas como corretas.
Foi só quando ela já estava quente, incomodada,
desgrenhada e gritando instruções enquanto tentava
ensinar os passosdeSir Roger de Coverley, que
Camille lembrou que este era um dos dias para a
instrução de arte. Era surpreendente que ela tivesse
esquecido, quando ela pensou pouco mais além de
Joel Cunningham e a sua viagem até ascolinas
durante a última noite, ela tinha dormido e acordado
várias vezes, e grande parte desta manhã também.
Mas ela tinha realmente esquecido e não se
lembraria agora, se ela não o tivesse visto de
repente em pé, ou melhor, inclinando-se na entrada
com um ombro apoiado, um pé cruzado sobre outro
tornozelo, os braços cruzados no peito e com um
sorriso no rosto.
Ela parou de gritar abruptamente, a música
vacilou e as crianças foram saltando em todas as
direções.
― Ah! ― disse ela ― Oh, Deus. Crianças.
Artistas. É hora da sua aula de pintura.
Ela estava horrivelmente consciente da sua
aparência e da dele. Desde quando os homens
desleixados começaram a parecer incrivelmente
atraentes enquanto os imaculadamente bem
vestidos se limitavam a parecer… bem,
imaculadamente bem vestidos? Embora não fosse
exatamente, homens desleixados, pois não? ― mas
um certo homem desleixado.
Era realmente muito intrigante.
Houve sons de protesto dos alunos de arte
mesmo, surpreendentemente, dos meninos. Joel
ergueu uma mão, palma para fora e afastou-se da
porta ― Dançando? ― Ele disse ― Não era ensinado
aqui desde os dias de Miss Rutledge. A maioria de
vocês nem se lembrará dela. Mas todos deveriam
saber como dançar. Entre outras coisas, é uma
forma de arte. Uma aula de dança pode ser
considerada uma aula de arte. Podem prosseguir,
então, eu darei o meu apoio à Srta. Westcott.
As crianças aplaudiram e Camille desejou ter
percebido antes de começar que saber como dançar,
era algo diferente de saber ensinar a dançar. Havia
tanto para ensinar. Havia os passos e as figuras, é
claro, mas também havia coisas como a elegância,
graça e o posicionamento correto da cabeça e das
mãos a considerar e, até mesmo, a expressão do
rosto.
E era diferente para meninos e meninas. Este
poderia ser o seu maior fracasso em duas semanas
de sucessos duvidosos, exceto que as crianças
obviamente estavam se divertindo o suficiente para
querer continuar. E as crianças mais novas, as mães
domésticas e até Roger e Miss Ford continuavam
metendo suas cabeçasna porta, sorrisos nos rostos.
Depois que Joel explicou que, quando ele
aprendeu a dançar, todos se moviam com grande
entusiasmo e pulavam nos seus passos e sem
respeito pelo estilo ou graça, o processo tornou-se
mais fácil e muito mais divertido. Ele ensinou aos
garotos os passos. Camille ensinou as meninas.
Juntos, eles empurraram e cutucaram, lideraram
e persuadiram, intimidaram e aplaudiram os alunos
para realizarem uma dança que tinha alguma
semelhança com o Sir Roger de Coverley. E, desde
que, todos acabaram corados e com olhos brilhantes
e clamando por mais lições com diferentes danças
outro dia, Camille supôs que eles tinham conseguido
algum sucesso depois de tudo.
Ela dispensou a classe mais cedo, em vez de
mandá-los todos de volta para a sala de aula, por
apenas meia hora. Ela agradeceu a Ursula por tocar
o piano e voltou para a sala de aula para a arrumar.
Joel a seguiu até lá.
― Este não é o último dia do seu período
experimental de duas semanas? ― Perguntou ele.
― É ― ela fez uma careta ― A senhorita Ford me
disse durante o almoço que, se eu quiser ficar
durante os próximos vinte anos, não colocará
nenhum obstáculo no meu caminho.
É porque ninguém mais se candidatou à posição,
você não acha?
― O que eu suponho ― disse ele ― é que é
porque você é uma excelente professora e as
crianças te adoram.
― Não consigo imaginar o porquê ― disse ela,
organizando os livros na estante ― Parece que não
trouxe nada além de caos para a sala de aula. E não
tenho ideia do que estou fazendo.
Ele sorriu para ela.
― Você já ouviu falar da valsa? ― Ele perguntou.
― A valsa? ― Ela franziu a testa ― Claro.
― Você dançou? ― Ele perguntou.
― Claro.
― É dito ser tanto arriscada como
irremediavelmente romântica ― disse ele ― Ou são
ambos? Qual é, na sua opinião?
Nunca a considerou particularmente romântica.
Mas então, ela nunca achou nada romântico.
Romance não era para pessoas como Lady Camille
Westcott. Ela também nunca tinha achado arriscada.
Se fosse dançada corretamente, com ênfase na
graça e na elegância, então era uma dança
perfeitamente irrepreensível. Seus parceiros sempre
foram escolhidos com muito cuidado, é claro. Ela
valsou várias vezes com o Visconde Uxbury, e
ninguém era mais adequado do que ele, até que,
começasse a chamá-la de flausina. Era isso que ele
a chamara, ela se perguntou, quando Avery e
Alexander o tiraram do baile em Londres?
― Ou não é nenhuma? ― perguntou Joel quando
não respondeu imediatamente.
― Eu acredito ― disse ela ― que poderiaser a
dança mais romântica, já concebida.
― Poderia? ― ele disse ― Mas nunca foi na sua
experiência?
― Não procurei romance no chão do salão de
baile, ― disse ela.
― Ou em qualquer outro lugar? ― Ele estava de
costas contra a mesa do professor, com os braços
cruzados. Ele estava quase sempre relaxado e
inclinado, com os braços cruzados. Seria isso parte
da sua atração, a sua total falta de formalidade e
estudada elegância?
― Ou em qualquer outro lugar ― disse ela
severamente ― Você nunca viu a valsa ser
executada?
― Eu nunca tinha ouvido falar disso até
recentemente ― disse ele ― Ensine-me.
O quê?
― Aqui? ― ela disse ― Agora? Mas não há
música e há mesas em todos os lugares. Além
disso… ― As mesas são facilmente arrumadas ―
disse ele, e para desânimo de Camille, ele começou
a empurrá-las para criar algo como um espaço no
centro da sala ― A música deve ser fácil de
fornecer. Você tem voz, não tem?
― Eu sei ― disse ela ― Mas ninguém, depois de
me ter ouvido, me pressionou para agraciar
qualquer reunião com um solo.
― Um aviso justo ― disse ele ― Mas não há uma
reunião de pessoas aqui. Você deve conhecer uma
melodia que corresponda à valsa.
― Eu devo? ― ele não iria deixar isso, iria?
Ele caminhou para o lado dela, pegou o livro que
ela segurava nas suas mãos, colocou-o onde estava
na prateleira, e estendeu uma mão para a dela.
― Senhora ― ele disse ― você me dará a grande
honra de valsar comigo? ― e ele fez, para ela, um
gesto com a perna razoavelmente elegante com
botas arranhadas e tudo ― botas para valsar? ― e
curvou-se com um floreio.
― Você soa como alguém do século passado ―
ela disse a ele ― Eu espero ver rendas e babados,
uma peruca com pó e sapatos com fivelas ― mas
ela colocou a mão na dele, e com a maior relutância
permitiu que ela fosse levada para o espaço
desocupado.
― Tudo o que falta ― ele disse, mostrando o
sorriso para ela novamente ― é você me ensinar
como fazê-lo.
― É relativamente fácil ― disse ela duvidosa ―
mas primeiro você tem que saber como fazer.
segure-me ― Ela pegou a mão direita dele e
colocou-a contra a parte de trás da sua cintura
antes de colocar a sua mão esquerda noombro dele.
Ela colocou a outra mão dentro da dele e levantou-
as até a altura dos ombros ― Deve sempre haver
espaço entre nós, não muito ou não nos poderemos
nos mover juntos com qualquer simetria, mas não
pouco que nos toquemos em qualquer lugar para
além de onde já estamos tocando ― ela se
aproximou um pouco mais perto dele, arqueando
sua coluna um pouco para que ela pudesse olhar
para ele.
Meu deus, porque ela simplesmente não disse
um firme não? De repente, lembrou-se, de ele lhe
dizer ontem à tarde, que nunca abandonaria uma
mulher que tivesse engravidado, ou à criança. Ela
não acreditava que ela já tivesse ouvido aquela
palavra falada em voz alta antes, engravidado. Ela
ficou chocada até aos dedos dos pés, e ela ficou
chocada novamente agora. Ela olhou-o como se as
palavras tivessem acabado de sair da sua boca.
― Eu gosto desta dança ― disse ele.
Ela apertou os lábios juntos. Isso não
funcionaria.
― E então há os passos ― disse ela
severamente. E havia todas as variações nos passos
que tornavam a dança emocionante e graciosa e
poderia, ela supôs, torná-la irremediavelmente
romântica se alguém estivesse inclinado a uma
sensação romântica.
― Um-dois-três, um-dois-três ― ela contou, e
eles se moveram juntos como se não tivessem uma
única perna entre os dois que não fosse de madeira.
― Isso é tão emocionante quanto esperar secar a
tinta de óleo ― disse ele.
― Normalmente, se dança os passos com os
dedos dos pés e a umpasso mais rápido e com
ritmo, graça e elegância ― disse ela ― e com
música. E nem sempre se dá três passos para um
lado e três de volta. Movemo-nos sobre o chão, e às
vezes gira-se também.
― O segredo é, eu suponho ― ele disse ― nunca
ficar tão tonto que se derrube e nunca pisar os
dedos doparceiro, especialmente se esse é o
homem.
― O homem lidera ― disse ela ― e a mulher
segue.
― Tudo parece fácil o suficiente ― disse ele,
espalhando a mão com mais firmeza contra a parte
de trás da cintura ― Forneça a música, madame, e
eu me esforçarei para levá-la ao grande romance da
valsa.
Era estranho, era desajeitado, era impossível.
Onde ele conduzia, sem qualquer sinal para lhe dar
uma pista, nem sempre ela podia seguir. Pareciam
possuir mais do que o número necessário de pés, e
os extras eram muito grandes.
Eles dançaram até que seus braços quase não
eram suficientemente longos. Eles dançaram
próximo o suficiente para irem um contra o outro,
peito contra peito, antes de saltarem
apressadamente para se afastarem. Camille la-la-la-
ed até que ela estivesse sem fôlego, protestou que
ele estava acelerando o ritmo em vez de manter a
batida constante que tinha definido e la-la-ed
novamente. Ele riu.
E, de repente, eles conseguiram. Estavam
dançando como casal. Eles tinham os passos eo
ritmo. Estavam valsando. E sorrindo nos olhos um
do outro com um certo triunfo encantado. Mas
Camille estava ficando sem fôlego novamente, e
perdeu-o completamente quando ele a virou numa
volta arrebatadora. Ela gritou, apesar de ter
completado a volta com sucesso, com todos os
dedos dos pés intatos. Ela riu para ele com pura
alegria, e ele riu de volta.
E então, de repente, eles não estavam mais a
rir.Ela também não estava cantando.Nem eles
estavam dançando.Nem havia mais o espaço
necessário entre eles.
Eles estavam peito com peito, a mão dele se
espalhava contra suas costas, a mão dela metade no
ombro, metade no pescoço, as pontas dos dedos
tocando a carne nua, a outra mão cruzada contra o
seu coração. Eles estavam olhando os olhos um do
outro, a poucos centímetros de distância, ambos
sem fôlego, ambos com os corações em batida
rápida, ambos.
E esse foi o preciso momento em que a porta da
sala de aula se abriu, abruptamente, para admitir
Miss Ford, seguida de perto pela prima Elizabeth,
Lady Overfield, irmã de Alexandre e Anastasia,
duquesa de Netherby.

Capítulo Treze Aqui estava um momento, em


que cinco pessoas pararam, assustadas. Então… ―
Eu tenho ensinado ao Sr. Cunningham os passos da
valsa.
― Srta. Westcott tem me ensinado a valsa.
Eles falaram simultaneamente antes de se
afastarem apressadamente, e registou-se, mais
plenamente, na mente de Joel quem essas damas
eram, duas delas de qualquer maneira. Ele nunca
viu a terceira antes.
― Anna! ― Exclamou, e caminhou em direção a
ela, ambas as mãos esticadas ― Você já está aqui ―
ele recebeu uma das suas longas cartas ontem de
manhã, e nela informou que ela e Netherby
esperavam estar em Bath no início da próxima
semana para as celebrações de aniversários da sua
avó. Mas não hoje.
― Joel! ― Ela o encontrou a meio caminho,
colocou as mãos nas dele e apertou-as com tanta
força quanto ele apertava as dela ― Podemos
concluir, que os meus avós ficaram repentinamente
com saudades de casa e decidiram sair alguns dias
antes do planeado.
O primeiro pensamento coerente de Joel era que
o casamento combinava com ela. Ela estava vestida
com uma elegância simples, mas obviamente cara,
como a mudança no seu status tornara inevitável,
mas a mudança mais notável desde a última vez
que ela ficou nesta sala como professora, era o
brilho da saúde e de vitalidade que ela parecia
exalar.
Seu rosto parecia mais cheio e sua pequena
figura era menos fina. Outra mudança foi em si
mesmo. Ele não se sentiu imediatamente com o
coração partido e ressentido com o fato, de que,
outro homem devia ser pelo menos parcialmente
responsável pela melhoria da sua aparência. Foi
uma descoberta surpreendente. Finalmente a tinha
esquecido?
Camille, entretanto, cumprimentava a outra
dama, que estava segurando uma das suas mãos
com as suas e sorria calorosamente para ela. Ela era
visivelmente mais velha do que Camille e Anna, mas
era elegante e tinha um rosto amável e bem-
afeiçoado. Ele poderia arriscar um palpite sobre
quem ela era, já que Anna escreveu muito sobre a
prima Elizabeth, Lady Overfield, nos primeiros dias.
― Chegamos tarde esta manhã ― Anna estava
explicando ― depois de levar os meus avós para
casa em Wensbury. Esperávamos que fôssemos os
primeiros da família a chegar, mas não foi
assim.Após o almoço, fomos todos visitar a Sra.
Kingsley. Nós deixamos a prima Althea, tia Louise e
Jessica lá com ela e Abigail, enquanto Elizabeth e eu
viemos aqui para ver Camille, e Avery e Alexander
voltaram para o hotel. Deixe-me fazer as
apresentações.
Lizzie, este é o meu querido amigo Joel
Cunningham, que cresceu aqui comigo e ensina arte
aqui, algumas tardes por semana. Elizabeth é Lady
Overfield, Joel, a irmã de Alexandre, ele é o Conde
de Riverdale, como você deve se lembrar.
Ele não estava enganado, então.
― Você é a senhora que foi morar com Anna em
Londres até ela se casar ― disse ele, apertando a
mão dela.
― E você, o Sr. Cunningham ― disse ela ― é o
amigo a quem ela escreveu longas e longas cartas
todos os dias. Estou encantada em conhecê-lo.
― E eu, a senhora ― ele assegurou a ela.
A senhorita Ford saiu da sala em silêncio e
fechou a porta depois dela, enquanto Joel e Lady
Overfield trocavam gracejose Camille e Anna se
entreolhavam. Uma parte da sua atenção estava
nelas, essas meio-irmãs, que cresceram
inconscientes da existência uma da outra. Anna
ficou encantada ao descobrir que tinha três meio-
irmãos e queria amá-los e partilhar a sua fortuna
herdada com eles em medidas iguais. Mas, é claro, a
situação era muito menos brilhante do ponto de
vista deles, pois a descoberta da sua existência
tinha trazido, simultaneamente, o conhecimento da
sua própria ilegitimidade. Privou-os dos seus títulos,
das suas casas e fortunas.
― Camille ― Anna disse enquanto se afastava
dele e de Lady Overfield. Joel estava consciente da
sua hesitação sobre, se esticava as mãos, como
tinha feito com ele, ou se aproximava-se de Camille
para abraçá-la. Mas ela hesitou muito e acabou por
não fazer nada. Pobre Anna.
― Anastasia ― Camille, ele estava ciente, estava
representando um dos seus papéis menos atraentes,
a dama rígida, fria e digna, enquanto ela apertava
as suas mãos na sua cintura e inclinava a cabeça, a
linguagem do seu corpo colocou um escudo sobre si
mesma que desencorajou firmemente quer um
aperto de mão ou um abraço. Pobre Camille.
Surpreendeu Joel, de que ele podia ver os dois
pontos de vista, enquanto que até recentemente ele
tinha sido capaz de ver apenas o de Anna e tinha
estado predisposto a não gostar de Camille.
― Abigail escreveu a Jéssica e disse-lhe que você
tinha vindo para aqui ― disse Anna ― primeiro para
ensinar e depois para viver também. Tenho ansiado
em vir e te ver aqui. Agora mesmo, a Srta. Ford
contou a Lizzie e a mim que lhe ofereceu o trabalho
por, pelo menos, nos próximos vinte anos e espera
que você não pense que ela estava brincando ― ela
sorriu brilhantemente, mas Joel podia ver a tensão,
a cautela que ela estava sentindo.
― Eu acredito ― disse Camille ― que é porque
ninguém mais se candidatou ao cargo.
― Eu acredito antes que ― Anna disse a ela,
ainda sorrindo ― você se mostrou querida às
crianças com um ensino inovador e imaginativo.
― É gentileza sua dizer isso ― disse Camille com
rigidez, e apesar de não ter zombado, ela chegou
perto disso, pensou Joel. Ele poderia tê-la sacudido,
e a Anna também, pois enquanto Anna estava
tentando dizer algo gentil e generoso para a irmã,
ela estava muito perto de parecer condescendente.
Seu relacionamento não ia melhorar se elas
continuassem assim.
Lady Overfield deve ter tido o mesmo
pensamento.
― É mesmo de você, Camille ― disse ela ― para
assumir algo tão desafiador e fazê-lo bem. Eu a
aplaudo, embora você possa achar o resto da família
mais desaprovador. Você estava aprendendo a
valsa, Sr. Cunningham?
― Foi uma dança que Anna teve que aprender
quando ela foi para Londres ― disse ele ― Eu tinha
uma descrição completa das lições nas suas cartas,
incluindo a sua parte nelas, senhora. Eu acredito
que você demonstrou a dança com seu irmão.
― Oh, Deus, sim ― ela disse, seus olhos
cintilando ― O professor de dança de Anna era
ridiculamente pomposo. Ele ainda estaria ensinando
a ela a se posicionar corretamente se Alex e eu não
tivéssemos entrado para demonstrar como
realmente é feito, com algum prazer, bem
como,com um pouco de graça.
― E se Avery não tivesse chegado para insistir
que eu valsasse com ele ao invés de com o Sr.
Robertson, o instrutor de dança ― disse Anna ― Eu
nem tinha ouvido falar da valsa antes de ir para
Londres.
― Eu também nunca tinha ouvido falar disso até
você ter ido para Londres ― disse Joel ― Mas a
Srta. Westcott estava ensinando as crianças uma
dança country esta tarde, e depois de terem sido
dispensadas, implorei que ela me ensinasse a valsa.
Eu considero as suas instruções e os meus esforços
um sucesso incondicional. Eu não pisei os seus
dedos dos pés nem mesmo uma vez.
Todos riram, exceto Camille, que representava
uma estátua de mármore liso e com os lábios
apertados. Bom Deus, se não tivessem sido
interrompidos, teria acabado beijando-a e ela a ele
senão estivesse muito enganado. O ar entre eles e
em voltadeles, tinha estado bastante estaladiço.
Tinha sido percetível? Mas como não poderia ter
sido?
― Avery reservou uma sala de jantar privada
para a família no Royal York Hotel ― disse Anna,
dirigindo-se a Camille ― A avó e a tia Matilda não
estarão aqui até à próxima semana, mas a tia
Mildred e o tio Thomas estão provavelmente a
caminho e podem até chegar amanhã.
Abigail concordou em jantar connosco amanhã à
noite. A Sra.
Kingsley infelizmente tem outro compromisso.
Você também vai, Camille? Nós gostaríamos que
fosse, acima de tudo.
O comportamento de Camille não mudou, mas
hesitou apenas durante um momento.
― Obrigada ― disse ela ― Eu vou.
― Oh, esplêndido ― Anna parecia novamente
como se ela pudesse correr para tomar as mãos da
meia-irmã nas suas, mas não fez isso. Joel se
perguntou se elas alguma vez ficariam confortáveis
uma com a outra. Não que Camille tentasse, embora
tivesse aceitado o convite. Anna virou-se para ele ―
E você virá também, Joel? Abigail nos disse que
você vai pintar o seu retrato e o de Camille e já
esteve na casa da sua avó várias vezes para fazer
esboços preliminares.
Quero saber todas as suas novidades. Deve ter
passado quase duas semanas desde a última vez
que ouvi de você.
Era para ser um jantar familiar, pensou Joel. Ele
seria um estranho. Ele olhou para Camille, que
estava olhando-o com firmeza, sua expressão não
lhe indicava se ela iria receber sua presença bem ou
se ressentir. Mas a sua aprovação era importante?
― Abigail nos contou algo dos seus métodos
como pintor de retratos, Sr. Cunningham ― disse
Lady Overfield ― Eles parecem muito diferentes da
norma. Eu também adoraria ouvir mais. Por favor,
venha.
― Muito bem ― disse Joel ― Obrigado.
― Avery enviará a carruagem para você, Camille
― disse Anna ― E não há motivo para protestar,
como posso ver, que você está prestes a fazer. Eu
concordaria com você que a distância daqui ao Royal
York Hotel não é grande. Mas ele me disse para
informá-la, não foi, Lizzie? que ele enviaria a
carruagem, e você o conhece bem o suficiente para
entender que não vai aceitar um não como resposta.
Se eu levar uma recusa de volta para ele, será certo
que ele dirá, parecendo infinitamente entediado, que
você pode escolher caminhar se quiser, mas que a
carruagem a vai acompanhar ao seu lado de
qualquer maneira.
Pela primeira vez, os lábios de Camille se
curvaram para o que era quase um sorriso.
― Obrigada ― disse ela.
― Sete horas, então? ― Anna disse ― Sete
horas, Joel?
― Eu estarei lá ― prometeu.
As senhoras se despediram logo depois, e Joel
caminhouAs senhoras se despediram logo depois, e
Joel caminhouAs senhoras se despediram logo
depois, e Joel caminhou até a porta para mantêaté a
porta para mantê-la aberta para elas.
― FoiFoi umum prazer,prazer, Sr.Sr.
CunninghamCunningham ―― disse Lady
Overfield,eld, estendendoestendendo aa mãomão
parapara eleele novamentenovamente
quandoquando parou na entrada ―― Eu vou
implorar a Anna que meEu vou implorar a Anna que
me sente ao seu lado amanhã à noiteseu lado
amanhã à noite.
Anna finalmente esteAnna finalmente estendeu
as mãos para Camille, que asndeu as mãos para
Camille, que as levou desajeitadamente.levou
desajeitadamente.
― Estou tão feliz que você venhaEstou tão feliz
que você venha ― disse Annadisse Anna ― Todos
teriam ficado desapontados se não viessedo
desapontados se não viesse.
Joel fechou a porta depois deles.Joel fechou a
porta depois deles.
― Oh,Oh, issoisso foi desconfortávelfoi
desconfortável ― AnnaAnna dissedisse comcom
umum suspiro quando partiram na carruagem para
o Royal Yorksuspiro quando partiram na carruagem
para o Royal Yorksuspiro quando partiram na
carruagem para o Royal York Hotel em George
StreetHotel em George Street ― Mas o que você
acha, Lizzie?Mas o que você acha, Lizzie?
― Eu acho que ela deue ela devia estar usando o
vestido maiso vestido mais simples e mais
monótono que ela possuisimples e mais monótono
que ela possui ― disse Elizabethdisse Elizabeth ―
que seu cabelo estavaque seu cabelo estava o mais
desarrumado do que eu algumamais desarrumado
do que eu alguma vez já vi, que seu rosto estava
mais fino do que costumavavez já vi, que seu rosto
estava mais fino do que costumavavez já vi, que seu
rosto estava mais fino do que costumava ser, e que
ela estava um pouco corada eser, e que ela estava
um pouco corada e desconfortável com
aesconfortável com a nossa aparição
repentina.repentina. EuEu tambémtambém
achoacho queque
interrompemosinterrompemosinterrompemos
umaumauma liçãoliçãolição dedede valsavalsavalsa
quequeque estavaestavaestava
prestesprestesprestes aaa culminar num
abraço.culminar num abraço.
― Eu não fui a única que pensouão fui a única
que pensou assim, entãoassim, então ― disse Anna
― Mas, realmenteMas, realmente Lizzie, Joel e
Camille?
― Você acha que é um par estranho? ― Elizabeth
perguntou.
― Estranho nem sequer chega para começar a
descrevê-lo ― disse Anna.
― Você poderia estar um pouco ciumenta? ―
Elizabeth perguntou ― Não, perdoe-me. Ciumenta é
a palavra errada, pois se alguém já foi totalmente
dedicada ao marido como você é com Avery, eu
ficaria surpresa em ouvir isso.
Protetora, então. Essa é uma palavra melhor.
Você está pouco protetora dele, Anna?
― Ah, talvez ― Anna admitiu depois de pensar
um momento ― Eu desejo amar Camille, Lizzie, mas
acho tão difícilgostar dela. Isso faz sentido? Joel
certamente merece o melhor. E agora me sinto
desleal com a minha irmã por ter dito isso. Não, não
é ciúme, Lizzie. Eu nunca amei Joel dessa maneira.
Mas eu o amei e o amo, de qualquer das formas.
― Eu não acredito que alguém realmente goste
de Camille ― Elizabeth disse enquanto a carruagem
diminuiu na subida no hotel ― exceto, eu espero,
Abigail e provavelmente Harry e sua mãe. Mas…
quando Miss Ford a descrevia como professora, mal
podia acreditar que ela estava descrevendo a
Camille que eu conhecia. Dançando com as
crianças?
Cantando com elas? Preparando-as para tricotar
uma corda roxa? Ficando emocionalmente ligada a
um bebê abandonado? É possível que ela esteja se
tornando humana?
― Eu não a conheço há muito tempo ― Anna
falou infeliz ― Na verdade, eu a vi apenas algumas
vezes no total. Ela não gosta de mim, e isso é
bastante compreensível. Mas eu a admiro
imensamente pelo que ela está fazendo. Deve ser
muito difícil para ela. No entanto, ela está fazendo
isso bem.
Oh, Lizzie, eu anseio por gostar dela, bem como
amá-la. Será possível? Mas Camille e Joel? Não
consigo, por nada neste mundo, imaginá-los como
um casal.
― Ele realmente é bastante bonito, não é? ―
Elizabeth disse, sorrindo de soslaio para a
companheira.
― Joel? ― Anna olhou-a com surpresa.
― Você cresceu com ele ― disse Elizabeth ―
Para você, ele é uma espécie de irmão. Demorou um
tempo para eu perceber, o quão devastadoramente
bonito Alex éaos olhos das outras mulheres. Para
mim, ele sempre foio meu jovem irmão, alto e de
boa aparência.
― Joel é bonito? ― Anna franziu a testa ― Ele é
mesmo?
― E Camille seria extraordinariamente bela ―
disse Elizabeth ― se ela não estivesse sempre tão
empenhada em parecer uma ameixa.
― Talvez ela nem sempre seja assim ― disse
Anna ― Ela está indo bem como professora. As
crianças gostam dela. Eu sei o quão exigente é o
trabalho de ensinar, Lizzie, e o quão difícil é ganhar
o apreço e o respeito dos nossos alunos. Eles devem
ter visto aspetos dela que eu e você não vimos. E
aquele bebê se ilumina com alegria quando vê
Camille, de acordo com Miss Ford. Talvez Joel tenha
visto esses outros lados dela também.
― Por um breve momento depois que Miss Ford
abriu a porta ― Elizabeth disse quando chegaram ao
hotel ― eu não reconheci a mulher como Camille.
― Oh ― disse Annadisse Anna ― eu também
não.
CamilleCamilleCamille correucorreucorreu
paraparapara aaa estanteestanteestante
paraparapara terminarterminarterminar dedede
endireitar os livros.os.os. ExcetoExcetoExceto
quequeque aaa tarefatarefatarefa jájájá
tinhatinhatinha sido completada e não restava nada
a fazer.completada e não restava nada a fazer.
― Eu devo parecer umEu devo parecer um
espantalho ― disse eladisse ela.
― Em contraste com a sua primaEm contraste
com a sua prima e a sua irmã?a sua irmã? ― Ele
disse ― Isso é porque você esteve muito envolvida
no trabalhoque você esteve muito envolvida no
trabalhoque você esteve muito envolvida no
trabalho do dia para se preocupar com sua aparêdia
para se preocupar com sua aparência. No
entanto,ncia. No entanto, umauma
aparênciaaparência levementelevemente
despenteada,despenteada, não faz,
necessariamente, com que uma pessoaa parpareça
um espantalho.
LigeiramenteLigeiramente despenteada. Suas
palavrasras nãonão erameram tranquilizadoras.
― Meia-irmã ―― disse ela, franzindo o cenho
―― Machucou você, vê-la tão feliz?la tão feliz?
― Não ― disse eledisse ele ― Machucou você?
A felicidade,felicidade, um tipoipo dede
contentamentocontentamento profundo,profundo,
cercara Anastasia com um brilho que era quase
visível, eAnastasia com um brilho que era quase
visível, eAnastasia com um brilho que era quase
visível, e Camille não acreditava que fosse apenas a
aquisição de bensCamille não acreditava que fosse
apenas a aquisição de bensCamille não acreditava
que fosse apenas a aquisição de bens e fortunas que
a causaram. Avery tinha tido algo a ver come
fortunas que a causaram. Avery tinha tido algo a ver
come fortunas que a causaram. Avery tinha tido
algo a ver com isso. O que ela poderiisso. O que ela
poderia ver em Avery, exceto umaa ver em Avery,
exceto uma aborrecida afetação? Exceto que ele tin?
Exceto que ele tinha derrubado o visconde
Uxburyderrubado o visconde Uxbury com os
seusseus péspés descalçosemdescalçosem
defesadefesa dela,, aa honrahonra dede Camille.
Devia haverhaverhaver algoalgoalgo
terrivelmenteterrivelmenteterrivelmente
erradoerradoerrado comcomcom ela,ela,ela, pensou
Camille, que não podia sentir nem atrair amor.
Erapensou Camille, que não podia sentir nem atrair
amor. Erapensou Camille, que não podia sentir nem
atrair amor. Era possível que sua busca pela
perfeição tivesse de alguma forma amortecido uma
parte essencial de si mesma?
― Não ― disse ela, trocando as posições de dois
livros por nenhuma outra razão,de que lhe dar algo
para fazer ― Porque deveria?
Ele a teria beijado. Ela o teria beijado de volta.
Mas eles foram interrompidos. Agora ela estava
ressentida. Ou aliviada. E horrivelmente
envergonhada. Porque ele não foi embora? Ele
estava aí na porta. Tudo o que ele tinha que fazer
era abrir, sair e deixá-la para mover as mesas e as
cadeiras de volta para onde pertenciam. Ela olhou-o.
Ele estava de costas contra a porta, os braços
cruzados, olhando para ela.
― Não consigo me obrigar a olhá-la ― ele disse
abruptamente.
Ela olhou fixamente para ele durante um
momento antes de perceber que seus pensamentos
não estavam se movendo nas mesmas linhas que os
seus.
― Eu não consegui desembrulhar ontem na
carruagem.
Eu pensei que precisava estar sozinho. Mas eu
estive sozinho toda a noite e nesta manhã, antes
desubir ao Royal Crescent para fazer mais esboços
da sua irmã. Eu nem uma vez olhei durante o
caminho. Agora, não posso aguentar a ideia de ir
para casa sozinho sabendo que está lá e que não
tenho coragem de lidar com isso. Deve haver algo
de errado comigo.
E se ela nunca soubesse da sua própria mãe? E
se, de repente e de forma inesperada, ela tivesse
sido apresentada com um retrato dela, todo bem
embrulhado? Ela certamente seria, toda dedos e
polegares, na sua ânsia de arrancar o embrulho que
manteve essa imagem fora da sua visão. Seria?
Ela também teria medo de olhar? Para ver o
rosto que ela nunca olhou na vida real e nunca veria
mais? Para ver o rosto de uma estranha, que ela
não podia acreditar,o bastante, que fosse mesmo a
sua mãe? Para ficar cara a cara com a solidão que
ela passou toda a vida a negar? Ela pensou na sua
própria mãe, no ressentimento que ela tinha dela
por ter ido, deixando as suas duas filhas para trás
em Bath. Mas pelo menos Mama estava viva. Pelo
menos Camille poderia trazer a sua imagem à
mente, completa com voz e toque, gestos
característicos e fragrâncias.
― Você acha que tenho? ― Ele perguntou ― É
apenas uma pintura, afinal, e provavelmente nem
mesmo uma boa, se Cox-Phillips tivesse razão sobre
o talento do meu pai.
― Você quer que eu abra o pacote com você? ―
Perguntou ela.
Ele não respondeu imediatamente, mas
continuou a franzir a testa para ela.
― Não posso te pedir isso ― disse ele.
Mas ele não disse não. Ele a queria, não, ele
precisava tê-la com ele. Ela ficou um pouco abalada
pelo frenesi de… alegria que sentia. Quando é que
alguém precisou dela?
― Você não pediu ― disse ela ― Eu ofereci.
― Então, sim ― disse ele. Mas ele sorriu de
repente ― E se eu descobrir que preciso ficar
sozinho?
― Então vou voltar para aqui ― Ela encolheu os
ombros ― Eu preciso do exercício de qualquer
maneira.
― Depois de toda a dança? ― Ele ainda estava
sorrindo.
― Vou pegar o meu chapéu e xale ― disse ela, e
saiu da sala.
Ele não contou a Anastasia sobre a descoberta da
sua identidade. Ele não falou a ela sobre o retrato
da sua mãe.
Ele não pediu que ela fosse com ele para lhe dar
a coragem de olhar para aquilo Não que ele tivesse
perguntado a ela, Camille, exatamente, mas ela
sabia que ele queria que ela estivesse com ele. Oh,
ela desejava, desejava, desejava não odiar a
Anastasia. Na sua cabeça não a odiava, mas o seu
coração não parecia suavizar. Ela devia fazer um
esforço decidido para ser civilizada amanhã à noite e
durante a próxima semana. Mas ela já era civilizada.
Ela devia ir além da civilidade, então. Ela devia
iniciar uma conversa com Anastasia, mostrar algum
interesse nela, encontrar um terreno comum que
pudessem partilhar, a escola, talvez, e os alunos
que ambas ensinaram. Ela aprenderia a gostar da
mulher nem que fosse a última coisa que tivesse
que fazer.
Talvez, com o tempo, ela pudesse chamar sua
irmã sem ter sempre que adicionar a palavra meia
para estabelecer a distância adequada entre elas.
Eles não conversaram durante a caminhada de
Grove Street ou quando ele destrancou a porta da
casa e ela começou a subir na frente dele. Ao
contrário das outras duas vezes que ela esteve ali,
no entanto, uma porta no primeiro andar se abriu
abruptamente quando ela virou no pilar para
continuar para cima, e uma cabeça de homem
apareceu na porta.
― É você, Joel? ― Perguntou ― Eu me pergunto
se você . oh, perdoe-me ― E sua cabeça
desapareceu de volta para dentro e a porta fechou
antes que Camille ou Joel pudessem dizer uma
palavra.
― Marvin Silver, meu vizinho ― disse Joel ―
Sinto muito, Camille. Eu não esperava que ele
estivesse em casa ainda. Eu não queria que isto
acontecesse com você por nada neste mundo,
especialmente quando você me faz um favor tão
grande.
― Não importa ― disse ela ― E eu me ofereci
para vir, se você se lembra.
Ela esperou por ele destrancar a porta para os
seus aposentos e depois dependurou o chapéu e
entrou na sala de estar.
― Vou falar com ele ― disse ele ― Ele não
contará a ninguém.
― Não importa, Joel ― ela disse novamente ―
Estou cheiae cansada das regras rígidas da correção
que sempre governaram o meu comportamento. O
que elas já fizeram por mim?
― Bem ― ele disse ― se você pode ser tão
corajosa e decidida, então eu também. Aquilo está
no estúdio. Aquilo.
Vês? Não consigo mesmo nomeá-lo. Gostaria
fervorosamente que Cox-Phillips não tivesse
pensado nisso ontem.
― Traga-o aqui, então ― disse ela ― e eu vou
olhar com você. Ou vou virar as costas e olhar pela
janela enquanto você faz isso sozinho, se preferir.
― Não ― disse ele ― Lá.
Ela levantou as sobrancelhas. No estúdio? Não
era o seu santuário? O único lugar que ele não levou
ninguém?
Ele virou-se para ela, fora da porta fechada e
estendeu uma mão para a dela.
― Venha comigo. Por favor ― disse ele.

Capítulo Catorze Joel pôs a mão de Camille na


sua e a levou para o estúdio. Era uma coisa
incrivelmente difícil de fazer. Ele nunca convidou
ninguém, antes, para o seu espaço de trabalho,
mesmo quando era apenas um quarto cheio de
gente.
O seu trabalho, o retrato quase completo da Sra.
Wasserman estava no cavalete, os dezoito
esboços de carvão que ele tinha feito dela
espalhados na mesa ao lado. Foi um momento
estranho para ele perceber o que o incomodava por
dias, o detalhe que faltava que lhe permitiria
completar o retrato e assinar seu nome, satisfeito de
que era o melhor que poderia ter feito. Apesar de
ela estar sempre elaborada e cuidadosamente
penteada, havia invariavelmente uma minúscula
mecha de cabelo que escapava do resto e
encaracolava na sua testa, além da borda externa
da sua sobrancelha esquerda. Estava certamente em
cada um dos esboços, mas estava ausente do
retrato. Ela não parecia ela própria sem isso. E uma
omissão tão pequena fez toda a diferença.
Mas não era por isso que ele tinha ido ali e
levado Camille com ele. Ele tirou o retrato da Sra.
Wasserman do cavalete e colocou-o sobre a mesa
ao lado dos esboços. Então, ele caminhou até ao
canto da sala atrás da porta e pegou o pacote
embrulhado que tinha apoiado contra a parede
ontem, e colocou-o no cavalete em vez disso.
― Venha ver ― ele disse enquanto tirava o pano
com cuidado e o deixava cair no chão. Ela apareceu
silenciosamente ao lado dele.
Sua primeira reação, talvez fosse defensiva, era
puramente crítica. Ela tinha sido formalmente
posadanuma cadeira com braços dourados, um
cotovelo descansando sobre uma pequena mesa
coberta por pano, ao lado dela, com a mão
pendurada graciosamente sobre o colo, segurando
um leque de marfim fechado. A sua outra mão
estava pousada nas costas de um pequeno cachorro
no seu colo, seus olhos quase invisíveis sob o seu
longo pelo. Estava meio sorridente para o
observador com uma expressão cuidadosamente
elaborada. Havia uma certa rigidez sobre isso e
sobre sua pose em geral, e Joel sabia que ela tinha
sido pintada em vida e que tinha ficado quieta,
provavelmente por horas a fio, enquanto o artista a
pintava. Ela era bonita, delicada, graciosa e
totalmente irreal. Olhando para ela, viu apenas a
beleza, a delicadeza, a graça, a perfeição do cabelo
e a aparência, o vestido e a expressão, e nada da
própria pessoa.
Os olhos olharam para fora, mas não fizeram
nada para atrair o observador para dentro. Não
havia qualquer indício de caráter, de humor, de
vitalidade, de individualidade.
Podíamos ver essa jovem mulher, até admirar a
sua beleza e o cuidado com que ela e seus adereços
e o ambiente foram arrumados e pintados. Mas não
podíamos conhecê-la.
Sua segunda reação foi de fora da pintura, onde
ele estava de pé, agora, era a figura invisível do
pintor. Não havia nenhuma dica, nem na expressão
facial nem na postura da mulher ou na forma como
ela havia sido pintada, de qualquer ligação de
ternura, de intimidade, de paixão, de amor entre o
pintor e o individuo. Ele esperava que existisse? Ele
temia que não fosse assim?
Sua terceira reação, a que ele estava resistindo,
era que essa era sua mãe. Ela era loira, de olhos
azuis, aparentemente pequena e delicada, bonita de
uma maneira nova e jovem, sem qualquer
individualidade, para separá-la de centenas de
outras jovens da sua idade. Ela era sua mãe.
Ela morreu dando à luz, a ele. Ele se perguntou
quantos anos tinha tido. Ela não parecia ter mais de
dezoito anos no retrato, provavelmente mais jovem.
E a mão que a pintara, a mão invisível, apesar de
ter tocado muitas vezes essa tela, era do seu pai.
Sua quarta reação foi que a pintura não tinha
sido assinada. Ele nem sequer percebeu que estava
esperando por alguma pista, por menor que fosse,
da identidade do seu pai.
Tornou-se consciente novamente de Camille de
pé ao lado dele, olhando a pintura com ele, mas não
falando, pelo que ele estava agradecido.
― Cox-Phillips estava certo sobre uma coisa ―
disse ele, surpreso ao ouvir sua voz soar bastante
normal ― O pintor não era particularmente
talentoso ― Porque ele escolheu isso para dizer,
acima de tudo? O pintor era seu pai, pelo menos,
com toda probabilidade ele era ― Ele deixou o
observador com indícios de quem ela era. Não me
refiro à sua identidade.
Isso deve ser incontestável. Quero dizer, ela, seu
caráter e personalidade. Eu vejo uma garota bonita.
Isso é tudo. Eu não sinto… ― A ligação do filho com
a mãe? ― Ela disse suavemente depois que ele tinha
circulado uma mão ineficazmente no ar sem
encontrar as palavras que precisava.
― Esperava? ― Ele disse ― Esperava eu
conhecê-la assim que a visse? Para reconhecê-la
como parte de mim?
Não é culpa do pintor, é verdade, ela é apenas
uma estranha, uma década mais nova do que eu. Eu
me pergunto se o cão era dela ou do pintor. Ou era
uma invenção da sua imaginação? Mas não há outra
evidência de que ele tivesse imaginação ou que
poderia pintar algo que não estivesse diante dos
seus olhos. Ele a pintou enquanto ela estava
sentada lá, ante ele. Ela teve que ficar quieta por
um longo período de tempo e provavelmente em
várias sessões.
Ele estendeu a mão para tocar a pintura, mas,
em vez disso, colocou a ponta dos dedos na parte
superior do quadro.
― Não há provas ― disse ele ― que ele a amava
ou sentia algo por ela. Eu esperava que houvesse?
Uma grande paixão transmitida na tela por um
pintor profundamente enamorado do seu retratado,
para ser transmitida ao observador mais de um
quarto de século depois? ― Ele fechou os olhos e
baixou a cabeça ― É uma imagem bonita.
Durante toda a vida, havia um vazio, um vazio
onde seus pais deveriam ter estado. Ele nunca tinha
abordado isso. Ele continuou com a sua vida, e tinha
pouco do que se queixar. No geral, a vida tinha sido
boa para ele. Mas o vazio sempre esteve lá, uma
espécie de vazio no centro do seu ser.
Agora, havia algo para se encaixar naquele vazio,
e trouxe dor com ele. Tão perto, pensou. Ah, tão
perto. Eles estavam tão perto dele, esses dois,
pintor e retratada, pai e mãe, porém tão
eternamente inalcançáveis.
― Joel ― Sua voz era um sussurro de som ao
lado dele.
Por que diabos ele estava se desfazendo em
pedaços por uma mera pintura?E nem era uma
muito boa. Ele poderia ter vivido o resto da sua
vida, sabendo nada mais do que ele já sabia sobre
si,sem sentir nenhuma dor maior do que esse vazio.
Porque saber um pouco é pior do que saber nada?
Por saber um pouco, tornou-o ganancioso pormais
quando não havia mais para descobrir?
Ele encontraria um lugar para dependurar a
pintura, ele decidiu, em algum lugar proeminente,
onde ele iria vê-la todos os dias, onde não seria
mais algo quase a temer, mas ao contrário, uma
parte diária do seu ambiente. Devia dependurar em
algum lugar onde outras pessoas também a veriam,
e ele iria apontar para qualquer um dos seus amigos
que viessem aqui: ― Ah sim, essa é a minha mãe
quando ela era muito jovem. Ela era bonita, não
era? O pintor foi o meu pai. Ele era italiano. Ele
voltou para a Itália antes de saber que eu estava a
caminho e ela nunca o avisou. Um pouco trágico,
sim. Suponho que tenha havido um motivo. A
discussão dos amantes, talvez. Ela morreu, me
dando à luz, você sabe.
Talvez ela pretendesse escrever para ele depois.
Talvez ele esperasse ouvir dela e achou que ela
tivesse esquecido dele e estava muito orgulhoso
para voltar. Um mito confortável cresceria em volta
dos poucos fatos que conhecia.
Ele se virou para olhar para Camille.
― Eu não vou pintar você com um sorriso
inventado no seu rosto ― ele disse a ela ― ou com
um leque numa mão que não tem nenhuma função
senão ser decorativo. Não vou preparar um pequeno
brinquedo, como um cachorro no colo, para
despertar o sentimento no observador. Eu não vou
pintar você com olhos planos e uma perfeição não
natural de características e coloração.
― Eles teriam que ser muito pouco naturais ―
disse ela ― E eu não gosto de cachorrinhos. Eles
ladram.
Ele sorriu para ela e depois riu, e então a
alcançou e atraiu-a contra ele com tanta força, que
sentiu o ar sair dos seus pulmões. Ele não afrouxou
o seu abraço, mas a apertou como se ela fosse a
sua única âncora num mar turbulento.
Ela se deixou segurar e colocou os seus braços
sobre ele. Seu rosto virado contra o pescoço dele.
Durante longos momentos, ele enterrou o rosto dele
contra os seus cabelos e respirou a segurança
abençoada dela.
― Me desculpe ― disse ele então ― Estou me
comportando como se eu fosse a única pessoa a ter
sofrido. E como posso chamar isto de sofrimento? Eu
deveria estar regozijando.
― Há coisas piores do que não conhecer seus
pais ― disse ela ― Às vezes, conhecê-los é pior ―
ela suspirou, sua respiração quente contra sua
garganta e levantou a cabeça ― Mas isso não é
realmente verdade, é claro. Como posso saber o que
teria sido como não conhecer meu pai? Como você
pode saber o que seria conhecer o seu? Não
podemos escolher as nossas vidas, podemos? Temos
alguma liberdade em como as vivemos, mas nada
sobre as circunstâncias em que nos encontramos
quando nascemos. E eu não acho que esta seja uma
observação muito original.
― Camille ― ele disse, sorrindo para ela.
― Mas aqui estamos os dois ― disse ela, meio
sorrindo de volta ― de pé e de alguma forma
vivendo as nossas vidas.
Por que estamos tão sombrios? Devemos nos
revolver nas tragédias do passado? Quando saí da
casa da minha avó há pouco mais de duas semanas,
e fui ao orfanato, ao escritório da senhorita Ford,
decidi que, para mim pelo menos, a resposta era
não. Definitivamente não. Nunca mais.
― Eu tenho uma identidade, finalmente ― disse
ele ― Tudo está bem.
Ele fechou as mãos no seu rosto, e olharam para
os olhos um do outro, meio sorrindo, por longos
momentos. Ela fechou os próprios, brevemente,
quando ele riscou a linha das suas sobrancelhas com
seus polegares e correu um deles ao longo do seu
nariz, e abriu-os novamente quando ele passou
suavemente ambos os polegares ao longo dos seus
lábios, parando nos cantos exteriores. As pontas dos
dedos dela pousaram levemente contra os pulsos
dele. Ele sorriu mais completamente para ela,
respirou para falar, mudou de ideia e depois falou de
qualquer maneira.
― Venha para acama comigo ― disse ele.
Ele se arrependeu das palavras imediatamente,
poisEle se arrependeu das palavras imediatamente,
pois asEle se arrependeu das palavras
imediatamente, pois suas mãos apertaramsuas
mãos apertaram os seus pulsos, e ele pensou que
tinhaos seus pulsos, e ele pensou que tinha
arruinado a frágil ligação que existianado a frágil
ligação que existia entre eles. Ela não seentre eles.
Ela não se afastou dele, no entanto, ou afastou as
mãafastou dele, no entanto, ou afastou as mãos
deledele do seu rosto. E quando ela falou, não
erosto. E quando ela falou, não era com indignação
ou ultrajera com indignação ou ultraje.
― Sim ― disse ela.disse ela.
ElesElesEles deixaramdeixaramdeixaram ooo
retratoretratoretrato dedede suasuasua
mãemãemãe nonono cavalete,cavalete,cavalete,
descoberto, e atravessardescoberto, e atravessaram
o corredor para entrar noam o corredor para entrar
no quarto de dormir, não se tocando.de dormir, não
se tocando.
― Eu não sou o mais arro sou o mais arrumado
dos mortais ― ele disse enquanto Camille ouviu a
porta se fechar atrás dela.enquanto Camille ouviu a
porta se fechar atrás dela.enquanto Camille ouviu a
porta se fechar atrás dela.
AAA cama tinha sido feita, mas os cobertores
pendiamcama tinha sido feita, mas os cobertores
pendiamcama tinha sido feita, mas os cobertores
pendiam mais para baixo de um lado dobaixo de um
lado do que do outro, e um travesseiro, e um
travesseiro aindaaindaainda
carregavacarregavacarregava aaa
marcamarcamarca dadada cabeça,cabeça,cabeça,
presumivelmentepresumivelmentepresumivelmente
dadada noite passada. Um livro estavassada. Um
livro estava aberto e de face para baixoa aberto e de
face para baixo numa mesa ao lado da cama.
Camille coçouuma mesa ao lado da cama. Camille
coçou-se para marcar ase para marcar a página,
fechar o livro e verifipágina, fechar o livro e verificar
se a lombada não tinha sidonão tinha sido
danificada. Alguns outros livros estavam
espalhadodanificada. Alguns outros livros estavam
espalhados no chãodanificada. Alguns outros livros
estavam espalhado com roupa enrugadaenrugada,
provavelmente a sua camisa de dormir.sua camisa
de dormir.
Mas, pelo menos, não havia sinalMas, pelo
menos, não havia sinal percetível de
poeirapercetível de poeira.
― Nunca tive que arrumar até recentementee
que arrumar até recentemente ― disse ela ― Eu
sempre tive criados para fazer tudo por mim,
excetoEu sempre tive criados para fazer tudo por
mim, excetoEu sempre tive criados para fazer tudo
por mim, exceto respirar ― seueu cabelocabelo
tinhatinhacausado os seusseus problemasproblemas
particularesparticularesparticulares nasnasnas
últimasúltimasúltimas semanas.semanas.semanas.
ElaElaEla nãonãonão estavaestavaestava
acostumada a escovar e a arrumáacostumada a
escovar e a arrumá-lo sozinha. E porque osE porque
os vestidos, quase sempre tinham que abrir e fechar
nas costas, quando os cotovelos não se dobravam
nessa direção e não havia olhos na parte de trás da
cabeça?
Mas porque eles estavam falando e pensando em
tais coisas, permitindo que a estranheza e
autoconsciência entrassem no quarto com eles? Ela
tomou uma decisão, uma impulsiva, era verdade,
pois a sua sugestão tinha sido totalmente
inesperada, mas não queria voltar atrás. Ela
acreditou que, durante vinte e dois anos, esteve
apenas meio viva, talvez nem mesmo assim, que ela
deliberadamente suprimiu tudo sobre si mesma que
fazia-a humana. Agora, de repente, ela queria viver.
E ela queria amar, mesmo que essa palavra fosse
um mero eufemismo para o desejo. Ela viveria,
então, e ela iria gostar. Ela não pararia para pensar,
para duvidar, para se sentir estranha.
Ela se virou para ele. Ele estava olhando
firmemente de volta, como se lhe desse a chance de
mudar de ideia se ela desejasse. Como ela poderia
ter pensado nele menos do que lindo? Seus cabelos,
muito escuros, como seus olhos, certamente
cresceram em apenas duas semanas desde que o
conhecia. Suas características faciais eram todas
sugestivas de firmeza e força. Sua linhagem italiana
era muito óbvia na sua aparência, mas também era
a linhagem inglesa, embora ele não parecesse nada
como a jovem no retrato. Mas não era apenas a
aparência dele. Ele era discreto e de fala suave, e
aparentemente desinteressado em perseguições e
vícios masculinos, havia, no entanto, algo muito
sólido sobre ele e muito masculino. Ela não podia
explicar o que era exatamente e nem sequer tentou.
Ela simplesmente sentiu isso.
Ele era lindo e ela o queria. Era realmente tão
simples, e tão chocante, como isso. Ela não se
importava com a parte chocante. Ela queria ser
livre. Ela queria experimentar a vida.
― Camille ― disse ele ― se você está tendo
duvidas… ― Eu não estou ― ela assegurou, e deu
um passo mais perto dele quando ele deu um para
ela ― Eu quero ir para a cama com você.
Ele colocou as mãos levemente sobre seus
ombros e as moveu pelos braços dela. Durante um
momento, ela lamentou não ser tão delgada e
delicadamente feminina como Abby, e como era
Anastasia. Mas ela afastou esses pensamentos tolos
e duvidosos. Ela era uma mulher, não importa o que
ela parecia, e era a ela que ele pedira para ir para a
cama, não as outras duas. Ela deslizou as mãos sob
o casaco para descansar em cada lado da cintura.
Seu corpo era firme e quente.
Ele começou a remover os grampos dos seus
cabelos, lenta e metodicamente, colocando-os sobre
a mesa ao lado do livro aberto. Ela poderia ter feito
isso mais rápido. Então, provavelmente, ele poderia.
Mas não se tratava de velocidade, ela percebeu, ou
eficiência. Isso era sobre curtir o desejo e construí-
lo, sua primeira lição de sensualidade. Oh, ela não
sabia nada sobre a sensualidade, e queria saber
tudo. Tudo isso. Ela inclinou-se para ele, colocando
o seu peito contra os músculos firmes do peito dele
e segurando os olhos dele enquanto as suas mãos
trabalhavam. Ela meio sorriu para ele. A tensão
construída na sala era quase uma coisa tangível.
― Estou supondo ― disse ela ― que você tenha
alguma experiência com tudo isso. Espero que sim,
porque um de nós precisa saber o que fazer.
Suas mãos se acalmaram nos seus cabelos, e
seus olhos sorriram de novo para o dela enquanto o
resto do rosto não.
Era uma expressão bastante devastadora, que
seguramente só seria apropriada no quarto de
dormir. Isso fez os seus joelhos se sentirem fracos e
o quarto parecer um pouco deficiente em ar
respirável.
― Eu não sou virgem, Camille ― ele disse a ela,
e quando ele tirou um grampo mais, seu cabelo caiu
em cascata por suas costas e sobre seus ombros ―
Meu Deus.
Seu cabelo é bonito.
Ela não o usava solto, fora do seu quarto de
vestir, desde que tinha doze anos, mas às vezes, em
raros momentos de vaidade, pensou que era uma
pena. Ela sempre pensou que seu cabelo era a sua
melhor característica. Era grosso, pesado e
ligeiramente ondulado.
― Você é linda ― ele disse, seus dedos tocando
os seus cabelos, seus olhos nos dela.
Ela não o contradisse. Em vez disso, ela disse
algo tolo, embora ela quisesse dizer isso e não iria
retirar, mesmo que pudesse.
― Você também ― disse ela.
Ele segurou o rosto com as mãos enquanto ela
agarrou seus cotovelos, e ele a beijou, seus lábios
se abriram, sua boca permanecia na dela, sua língua
examinando seus lábios e a carne por trás, entrando
na sua boca, circulando sua própria língua, tocando
suavemente a sua boca para que ela sentisse uma
dor de puro desejo físico, entre suas coxas e dentro
dela. Ele moveu as mãos atrás da sua cintura,
pressionou-as para baixo para agarrar as suas
nádegas, e a atraiu contra ele, de modo que ela
sentiu a chocante masculinidade dele, a evidência
física do seu desejo por ela.
Suas próprias mãos flutuaram para os lados
durante um momento e depois se acomodaram nos
seus braços.
― Mmm ― ele recuou um pouco e inclinou-se por
trás dela para tirar as colchas ― Deixe-me despir
você.
Ela deixou que ele fizesse, não tentou ajudá-lo, e
não se deixou sentir envergonhada quando as
roupas foram despidas uma a uma com uma
tentadora lentidão. Ele estava olhando para ela,
bebendo-a com olhos que cresciam mais pesados
com o desejo. Ele a chamou de linda quando estava
com todas as suas roupas. Ela se sentiu bonita fora
delas, linda aos olhos dele, de qualquer maneira, e
por enquanto isso era tudo o que importava. Seu
coração bateu no seu peito e seu corpo zumbiu com
antecipação e seu sangue pulsou com desejo.
Quem teria pensado nisso? Oh, quem teria? Não
ela, certamente. Não até… quando? Há algumas
horas, quando ela valsou com ele? Alguns dias
atrás, quando ela correu rindo pela chuva com ele?
Há pouco tempo, quando o viu olhar o rosto da mãe
pela primeira vez?
― Deite-se ― ele disse quando não estava
usando nada e ele estava voltando sua atenção para
remover suas próprias roupas.
Ela não se ofereceu para despi-lo. Ela não saberia
como fazer isso. Ela deitou-se na cama em vez
disso, um joelho dobrado, o pé plano no colchão, um
braço baixo da cabeça.
Nem sequer lhe ocorreu puxar a colcha da cama
sobre ela para esconder a sua nudez. Ele a observou
enquanto se despia, os olhos vagueando sobre ela e
ela o observava.
Seus ombros e braços estavam firmemente
musculados.
Assim como seu peito. Estava levemente
salpicado com pelos escuros. Ele tinha uma cintura
estreita, magro e com pernas longas. Se ele era
imperfeito, como ela, ela não sabia disso e não teria
importado de qualquer maneira. Ele era Joel, e era
para Joel que ela olhava, não um qualquer ideal
romântico de físico masculino perfeito. Ela respirou
devagar quando viu a evidência do seu desejo por
ela e, pela primeira vez, teve medo, embora não
com o tipo de medo que poderia a levar a pular da
cama para agarrar suas roupas e se afastar do
quarto. Pelo contrário, era o tipo de medo do
desconhecido, que poderia ser descrito com precisão
como um anseio dolorido para o que nunca antes
experimentara e estava prestes a experimentar
agora.
Ela nunca tinha visto uma imagem de uma
estátua grega ou romana, porque, claro, tinham sido
esculpidas nuas, uma coisa chocante de fato e para
se manter longe dos olhos de uma dama. Mas ele
parecia como ela imaginava que essas estátuas
deveriam ser, exceto que ele era um homem
bronzeado, vivo e que respirava, enquanto elas
ficariam com o mármore branco frio com olhos sem
ver, como aqueles bustos no corredor da casa do Sr.
Cox-Phillips. Talvez fosse perfeito depois de tudo.
Seus olhos, aqueles olhos que não podiam pertencer
a nenhuma estátua, estavam escuros e quentes
sobre ela.
E então ele se deitou ao lado dela, colocou-a nos
seus braços e a virou contra ele. Ela sentiu todo o
choque da sua nudez quente e masculina contra a
sua, mas ela não estava prestes a encolher-se, para
longe disso agora, quando a construção longa e
lenta do desejo estava no fim, e o calor urgente da
paixão e da carnalidade estava prestes a começar, e
suas mãos começaram a explorar e a despertar, e
suas bocas se encontraram, abertas, quentes e
exigentes. Ela também não ia ser uma receptora
passiva. Todos os desejos e paixões da sua
feminilidade suprimida, brotaram nela e
derramaram-se quando ela fez amor com uma
fervorosa ânsia de combinar a dele.
Mas, em última instância, ficou chocada em
quietude quando seu corpo cobriu o dela, o peso
dele pressionando-a, os joelhos empurrando entre
as suas coxas e abrindo as pernas e as suas
mãosindo para as nádegas. Ela apertou as suas
pernas contra ele enquanto ele pressionava a
entrada e a penetrou, devagar, mas com firmeza, e
não parou até sentir-se esticada, até que ela temeu
que ele não pudesse ir mais fundo sem provocar
uma dor terrível.Até que a dor aconteceu, de
repente e afiada, e de fato havia um lugar mais
profundo para ele vir e ele foiali, duro e grosso, e
sua virgindade tinha desaparecido.
Ele deslizou as mãos de baixo dela e encontrou
as dela e entrelaçou os dedos, em cada lado da sua
cabeça. Ele ergueu a cabeça para contemplar os
seus olhos, bonitos e entreabertos, o seu peso cheio
nela. E ele a beijou enquanto seu corpo se ajustou à
falta de familiaridade e ela apertou os músculos
internos contra ele para possuí-lo e possuir o que
estava acontecendo entre eles. Ela nunca se
arrependeria disso, pensou deliberadamente. Ela
não se importava o que a consciência e o senso
comum lhe dissessem depois. Ela sentiu como se
estivesse despertando de um sono duradouro,
durante o qual ela sonhara, mas nunca fora
participante ativa na sua própria vida.
Ela pensou que ele estava deixando seu corpo e
quase gritara com protesto e arrependimento. Mas
ele se retirou apenas para voltar, claro. E aconteceu
uma e outra e outra vez, até se estabelecer num
ritmo firme e constante numa ligeira dor e um
grande golpe de prazer, e os sons sugadores
dahumidade, combinados numa experiência como
nenhuma outra, mas que ela não queria nunca que
acabasse. E não acabou porque poderia ter sido
vários minutos ou apenas dois ou três. Mas,
finalmente, o ritmo se tornou mais rápido e mais
profundo, e ele soltou as suas mãos para as deslizar
debaixo dela mais uma vez para mantê-la firme e
imóvel. O prazer virou do seu núcleo para preencher
seu ser, embora ela quisesse que ele não parasse
ainda, ah, ainda não. Ela não queria que o mundo
retomasse o seu curso decadente, com isto por trás
dela, por toda parte, para ser vivido novamente
apenas na memória.
Ele manteve-se firme, profundo e tenso contra
ela de modo que quase, durante um momento, oh,
quase… Mas ela não descobriu o que quase
aconteceu, pois ele suspirou algo sem palavras
contra o lado da sua cabeça, e ela sentiu um jorro
de calor no fundo, e ele se debruçou sobre ela. Ela
envolveu oa seus braços sobre ele e fechou os olhos
e deixou-se relaxar também. Quase foi bom o
suficiente. Oh, muito bom o suficiente.
Depois de alguns minutos muito curtos, ele se
afastou dela para se deitar ao seu lado, um braço nu
em baixo da cabeça dela o outro dobrado pelo
cotovelo e descansando nos olhos dele. O ar da
tarde ficou agradavelmente fresco contra o corpo
húmido de Camille. Havia uma dor dentro, embora
não fosse desagradável. Ele cheirava suavemente a
suor e a algo mais acentuado e sedutoramente
masculino. Ela podia dormir, pensou, se os
cobertores da cama estivessem sobre eles, mas ela
não queria se mover para puxá-los e talvez
perturbar o adorável rescaldo da paixão.
― E eu nem conseguirei responder, com
indignação justa ― disse ele ― quando Marvin agitar
as sobrancelhas e fizer observações sugestivas
sobre esta tarde, como ele certamente irá fazer.
Camille sentiu-se de repente gelada com a
sugestão de sordidez.
― Sinto muito, Camille ― continuou ele ― Eu
deveria ter sabido que eu estava me sentindo muito
carente hoje para arriscar pedir a você que viesse
aqui comigo. Você não deve se culpar. Você foi a
bondade em pessoa. Prometa-me que você não se
culpará?
Ele tirou o braço dos seus olhos e virou a cabeça
para olhar para ela. Ele estava franzindo a testa e
parecia infeliz, e culpado? Muito diferente do modo
como ela estava se sentindo há alguns minutos
atrás.
― Claro que não vou me culpar ― disse ela,
sentando-se e balançando as pernas do outro lado
da cama ― Ou você também. É algo que fizemos
por consentimento mútuo. Eu queria a experiência e
agora eu tive isso. Não há duvidas de culpa. Devo
voltar para casa.
― Sim, você deve ― disse ele ― Mas obrigado.
Ela se sentiu consciente desta vez, vestindo as
suas roupas enquanto ele se sentava do lado da
cama e começou a se vestir também. Consciente de
si mesma, fria e repentinamente infeliz. Se sua
educação como uma dama lhe ensinara algo, era
certamente que os homens e as mulheres eram
muito diferentes uns dos outros, que os homens têm
necessidades que precisam ser satisfeitas com
alguma frequência, mas que não envolviam, de
modo algum, as suas emoções.
O que ela pensou enquanto eles estavam fazendo
amor, oh, essa era uma frase tola e inapropriada,
afinal. Mas o que ela pensou? Que eles estavam
embarcando na grande paixão do século? Que eles
estavam apaixonados? Ela nem sequer acreditava
no amor romântico. E ele certamente não estava
apaixonado por ela.
Nenhum deles falou novamente até que eles
estavam no salão, ela amarrando as fitas do seu
chapéu enquanto ele observava, e arrumando seu
xale sobre os ombros e se virando para a porta. Ele
passou por ela para abri-la, mas não fez isso de
imediato.
― Eu posso ver que eu te aborreci ― disse ele ―
Realmente sinto muito, Camille.
E ela fez algo que era totalmente não planeado e
totalmente sem razão. Ela ergueu uma mão e
estalou-lhe no rosto com a palma aberta e sem
luvas. E então, ela correu do quarto e desceu a
escada sem um olhar para trás e sem uma ideia
clara do porquê.
Exceto que, pedindo desculpas e dizendo que não
devia ter acontecido, ele tinha rebaixado o que para
ela tinha sido, talvez, a mais bela experiência da sua
vida.
Oh, que idiota ela era! Que idiota ingênua.

Capítulo Quinze Antes que a manhã estivesse a


meio, Joel tinha arrumado e limpo os seus
aposentos, pendurou o retrato da sua mãe no que
ele achou o melhor lugar, na parede da sala,
completou a pintura da Sra. Wasserman, caminhou
até ao mercado e voltou para reabastecer o seu
fornecimento de comida, e decidiu que ele era o pior
tipo de canalha do mundo.
Não tinha sido sedução, ela tinha dito que foi
consensual. Mas sentiu-se inquieto como se fosse
sedução, depois que ela saiu, pois ele tinha estado
necessitado e ela o consolou. Então ela deu-lhe uma
bofetada no rosto e correu antes que ele pudesse
perguntar porquê. Era óbvio o porquê, no entanto.
Ela se arrependeu do que tinha feito, assim que
acabou, e o pensamento racional voltou, e ela o
culpou. Não era inteiramente justo, talvez, mas oh,
ele se sentiu culpado.
Ele sentiu-se como o vilão com o coração mais
negro.
Pior, lembrou-se depois que ela partiu que
prometeu jantar com Edwina e passar a noite com
ela. Ele tinha ido lá e ficou no pequeno corredor
dentro da sua porta da frente e terminou tudo com
ela, de repente, de forma bastante abrupta, e sem
sensibilidade ou tato. Nunca houve um compromisso
real entre eles e nunca um laço emocional mais forte
que a amizade e o gozo mútuo pelo sexo, mas ele
sentiu-se terrivelmente culpado de qualquer
maneira. Ela tinha uma refeição pronta para ele, e
ela estava vestida com tanta alegria e sorrindo
vivamente. E ela se comportou bem e com
dignidade depois que ele fez o seu discurso breve,
contundente e não ensaiado, e não tentou mantê-lo
nem exigir que ele se explicasse. Ela não bateu a
porta atrás dele.
Alguma vez houve um vilão pior do que ele?
Para terminar uma noite perfeitamente deliciosa,
embora ainda fosse cedo, na sua voltaele tinha
encontrado Marvin Silver na escada a sorrir-lhe e a
olhar para trás, enquanto ele passava. Ele sentiu-
se… sujo.
Não foi o melhor dia da sua vida.
Joel levantou-se e observou o retrato da sua
mãe, imaginando o que deveria fazer consigo
mesmo durante o resto do dia. Claro, havia aquele
convite para jantar no Royal York esta noite. Ele fez
uma careta com o próprio pensamento. Ele podia ir
ao orfanato para se desculpar novamente com
Camille, mas ele não sabia exatamente o que dizer,
e ele não imaginava que ela ficaria encantada em
vê-lo.
Em outras palavras, ele poderia adicionar
covardia abjeta às suas outras falhas. Ele poderia
ficar em casa e esboçá-la, corada, ##
desespero/apressado/impaciente<< afobada e
animada ao ensinar às crianças o Roger de Coverley,
corada e com espirito guerreiro enquanto lhe
ensinava os passos da valsa, corada e vividamente
triunfante alguns minutos depois de a ter girado
imprudentemente numa volta. Mas quando ele
tentou colocar as imagens em foco, ele podia vê-la
apenas como ela ficava na cama, gloriosamente,
voluptuosamente nua e feminina com o cabelo
caído.
Fazer um pouco de cozido?
Aquele velho estava morrendo. Ele poderia não
querer voltar a olhar para Joel, e ele certamente não
gostaria de ser incomodado com mais perguntas. Se
Uxbury ainda estivesse na casa, e ele
provavelmente estaria, sem dúvida, faria tudo o que
estivesse ao seu alcance para manter Joel fora, e
talvez já estivessem os dois outros familiares
igualmente hostis.
Mesmo o mordomo seria difícil de passar. Voltar
lá, então, seria um desperdício inútil de tempo e
dinheiro.
Ele foi assim mesmo.
Ele, no entanto, tinha acertado corretamente
sobre uma coisa. Ele não viu o Sr. Cox-Phillips.
Quando a carruagem contratada apareceu na
frente da casa, a porta se abriu, por coincidência, e
um jovem empregado desajeitado saiu para fora,
com um monte de algo que parecia com crepe preto
nos seus braços. O mordomo veio atrás dele e ficou
no limiar, observando como o jovem amarrou as
tiras pretas sobre a aldrava da porta,
presumivelmente para abafar o som dela. Quando
Joel desceu da carruagem, o mordomo olhou-o, seus
olhos sombrios e bastante avermelhados. Joel deu
dois passos na direção dele e parou.
― Sinto muito ― disse ele.
O mordomo não disse nada.
― Quando? ― Perguntou Joel.
― Há uma hora ― disse o mordomo.
― Ele sofreu? ― Os lábios de Joel sentiam-se
rígidos.
― Ele estava na biblioteca ― disse o mordomo ―
onde ele insistiaser trazido todos os dias. Eu estava
tomando o seu café da manhã quando ele me disse
para não me incomodar se tudo o que eu pudesse
trazer a ele, era algo que cheirava a água de louça
suja. Ele repreendeu o Sr. Orville por esquecer de
enrolar o cobertor sobre as pernas dele. Quando o
Sr.
Orville lhe informou que já estava envolvido com
ele, quente e apertado, ele olhou-o, e então pareceu
surpreso, e então ele se foi ― Ele parecia
desconcertado, e as lágrimas brotaram nos seus
olhos.
― Sinto muito ― disse Joel novamente. Se ele
tivesse vindo ontem…, mas ele não tinha. Ele sentiu
uma curiosa sensação de perda, embora o Sr. Cox-
Phillips não fosse mais que um estranho que estava
relacionado com ele. Ele também contou a Joel o
nome da sua mãe e lhe deu um pequeno retrato
dela, e ambos eram, Joel percebeu pela primeira
vez, presentes inestimáveis ― Sinto muito pelo seu
sofrimento.
Você esteve com ele muito tempo?
― Cinquenta e quatro anos ― disse o mordomo
― O Sr.
Orville está colocando-o na sua cama.
Joel assentiu e voltou para a carruagem. Ele foi
parado, no entanto, por outra voz, altiva e
imperiosa.
― Você novamente, companheiro? ― Perguntou
o Visconde Uxbury ― Você veio implorar de novo,
suponho, mas você veio tarde demais, estou feliz
em informá-lo. Retire-se antes que eu o tenha
jogado fora da minha propriedade.
Joel virou-sesese paraparapara olharolharolhar
curiosamentecuriosamentecuriosamente
paraparapara eleeleele eee perguntou-se
brevemente quem iria fazer o lançamento. Ose
brevemente quem iria fazer o lançamento. Ose
brevemente quem iria fazer o lançamento. O
mordomo?mo?mo? OOO jovemjovemjovem
magromagromagro quequeque
terminouterminouterminou com ascom ascom as
tirastirastiras dedede creperepe pretopreto ee
estavaestava sese escondendoescondendo nana
casacasa atatrás do mordomo? Uxbury? E? E a
minha propriedade? Demorou menos? Demoro de
uma hora para reivindicáde uma hora para
reivindicá-lapara si mesmo, não foilapara si mesmo,
não foi? Joel imaginou o que os outros dois
reclamantes teimaginou o que os outros dois
reclamantes teriam a dizerriam a dizer sobre isso.
― Você deixou a sua flausina para trás hoje, não
é?Você deixou a sua flausina para trás hoje, não é?
―Você deixou a sua flausina para trás hoje, não é?
Disse Uxbury.
― Você acabou deVocê acabou de sofrer o
falecimento de um familiarsofrer o falecimento de
um familiar ― disse Joel ― Por respeito pelo falecido
Sr. CoxPor respeito pelo falecido Sr. Cox-Phillips e
sePhillips e seus fiéis servos, eu deixarei essefiéis
servos, eu deixarei esse insulto grosseiro, parapara
com uma dama, passar Uxbury.Uxbury.Uxbury.
MasMasMas tometometome cuidadocuidadocuidado
paraparapara nuncanuncanunca o repetir ou
qualqueou qualquer outra coisa no meu ouvido
novamente.
Eu posso me sentir obEu posso me sentir
obrigado a reorganizar as característicasrigado a
reorganizar as características do seu rosto ― Você
pode prosseguirVocê pode prosseguir ― ele
acrescentou ao cocheirocentou ao cocheiro
sorridente, quando ele voltou para a carruagem e
subiu paraquando ele voltou para a carruagem e
subiu paraquando ele voltou para a carruagem e
subiu para dentro.
Certamente, seria uma falsaCertamente, seria
uma falsa autoindulgência sentirautoindulgência
sentir-se enlutado pela morte de um estranho. Ele
se sentiu enlutadopela morte de um estranho. Ele se
sentiu enlutadopela morte de um estranho. Ele se
sentiu enlutado de qualquer maneira.de qualquer
maneira.
Camille reorganizou seu quarto. Ela penCamille
reorganizou seu quarto. Ela pendurou o esboço,rou
o esboço, Madonna e criança, por cima daMadonna e
criança, por cima da mesa e ficou olhandmesa e
ficou olhando por alguns minutos. Ela brincou com o
café da manhã e o comeu só porque não
desperdiçaria comida neste lugar. Ela tocou o
pianoforte na sala de jogos e cantou com um
punhado de crianças que se agruparam sobre ela,
quatro garotas e dois meninos.
Ela levou Sarah para o jardim e sentou-se num
cobertor com ela, brincando, fazendo-lhe cócegas
para fazê-la rir, esfregando o nariz no dela, falando
sem sentido com ela e, de outra forma, fazendo
uma idiota de si mesma. Winifred juntou-se a elas e
informou-a com sinceridade de quão importante era
para os bebês que brincassem com eles, os
tocassem e os segurassem, mesmo que não se
lembrassem quando crescessem.
Depois de Sarah ter adormecido e ter sido levada
para dentro, Camille pegou numa ponta de uma
longa corda de saltar enquanto uma sucessão de
meninas e um garoto saltavam por ela. Ela juntou-
se ao cântico estranho que acompanhava o salto.
Winifred informou-a de que ela era boa nodesporto.
Quando várias crianças lhe perguntaram o que
iriam tricotar agora que a corda roxa estava
completa, ela sugeriu uma manta de bebê feita de
quadrados e, depois de uma visita ao escritório da
Srta. Ford, ela foi para a loja de lã com um garoto e
duas garotas para comprar suprimentos.
Winifred que era, inevitavelmente, um deles,
informou-a que ela incluiu a Srta. Westcott nas suas
orações noturnas porque ela era uma pessoa boa e
atenciosa.
A criança estava mexendo com os nervos de
Camille com sua retidão. Ela não era exatamente
impopular com as outras crianças, embora não
tivesse um amigo particular. Mas Camille ficou um
pouco horrorizada ao reconhecer algo de si mesma
na garota, e ela se perguntou porque ela era como
era. Ela estava tentando ser muito boa, mesmo
perfeita, para que alguém a amasse? E ter o efeito
oposto sobre as pessoas, do que ela esperava? O
pensamento de alguma forma doeu no coração de
Camille.
Ela fez mil e uma outras coisas ao longo do dia,
incluindo uma meia hora de lenta leitura, durante o
qual não virou uma única página. Ela escreveu a
Abby, lembrou-se de que ela a estaria vendo esta
noite e rasgou a carta.
E durante todo o seu dia, ocupado e agitado, sua
mente estava atormentada por duas coisas. Ontem,
ela tentou não deixar seus pensamentos se
afastarem daquela palavra. E esta noite. Ela não
tinha visto a maioria da família do seu pai desde
aquele dia desastroso que mudou sua vida para
sempre. Ela temia vê-los novamente. No entanto,
durante todo o dia, ela resistiu à tentação de se
apressar até o Royal Crescent para escolher algo
mais elegante para usar do que qualquer coisa que
ela tinha com ela no quartoe implorar à empregada
pessoal da avó para pentear adequadamente os
seus cabelos.
Seu coração batia, um pouco antes das sete
horas, quando foi levada para a sala de jantar
privada no Royal York Hotel, razão pela qual ela se
manteve rígida, queixo erguido, suas feições
educadas numa máscara de gentilidade. A sala já
estava cheia de pessoas, a maioria dos quais se pôs
de pé e cumprimentou-a com entusiasmo. Mas
Camille viu apenas uma delas.
― Camille! ― Sua mãe estava apressada em
direção a ela, ambas as mãos esticadas.
― Mãe! ― Houve um momento em que elas
poderiam ter se abraçado, mas os braços da sua
mãe estavam esticados na frente e não para os
lados e elas apertaram as mãos dela em vez disso.
Ao invés de um abraço alegre, havia uma
estranheza esquisita. E Camille ouviu a palavra que
ela usara ― Mãe ― como se houvesse um eco na
sala. NãoMama ― Você veio.
― Eu vim ― disse sua mãe, apertando as mãos
com força enquanto seus olhos procuravam o rosto
de Camille ― Parecia uma boa ideia ver minhas
filhas, novamente, e celebrar o aniversário da sua
avó, ao mesmo tempo. Cheguei esta tarde.
― Você pode acreditar? ― Abigail, olhos
brilhando de felicidade, abraçou Camille ― Nunca na
vida fui mais surpreendida.
Mas Camille não teve chance de responder,
exceto para abraçar sua irmã em troca. Outros se
aglomeravam e diziam-lhe o quão bem ela estava, e
como estavam encantados em vê-la, e todos
estavam calorosos e sorridentes e provavelmente
tão desconfortáveis quanto Camille.
Tia Mildred e tio Thomas, Lord e Lady Molenor,
chegaram no início do dia. Eles eram um casal calmo
e de bom humor, exceto quando seus meninos
entraram num das suas frequentes confusões,e não
mostraram nenhum sinal de cansaço após a longa
viagem do norte da Inglaterra. Logo se apropriaram
da mãe de Camille e ficaram conversando com ela.
Tia Mildred estava segurando a mão dela, Camille
podia ver. As ex-cunhadas já gozaram de uma
estreita amizade. A tia Louise, a Duquesa viúva de
Netherby e a prima Jéssica, sua filha, estavam ali
desde anteontem, tendo deixado a Morland Abbey
ao mesmo tempo que Avery e Anastasia e os avós
da dessa última. Jéssica e Abigail logo se sentaram
felizes uma ao lado da outra, suas cabeças quase
tocando enquanto conversavam. Parecia bastante
como nos velhos tempos.
E ah, era bom vê-los todos novamente, pensou
Camille.
Apesar de tudo, eles eram família.
A prima Althea chegou ontem de manhã com
Alexander, o Conde de Riverdale, seu filho e a prima
Elizabeth, Lady Overfield, sua filha. Tia Louise e a
prima Elizabeth, Anastasia e Avery conversavam uns
com os outros enquanto Alexander tirou uma
cadeira da mesa para Camille, embora o jantar não
fosse servido por outros quinze ou vinte minutos
ainda.
― Eu espero ― ele disse enquanto se sentava ao
lado dela ― que você não tenhaum rancor
duradouro contra mim, Camille.
― Porque eu deveria? ― Ela perguntou, embora
a resposta fosse, é claro, óbvia.
― Eu tirei o título de Harry ― disse ele.
― Não ― ela assegurou ― você não fez tal coisa.
Meu pai fez isso quando ele casou com Mama
enquanto ainda estava casado com a mãe de
Anastasia. Nada doque aconteceu foi sua culpa,
Alexander.
― Você deve saber ― disse ele ― que eu nunca
cobicei o título e aguardava o dia em que o jovem
Harry se casasse e produzisseuma dúzia de filhos e
me afastasse da posição incômoda de ser o
herdeiro. Eu queria que uma recusa simples pudesse
ter resolvido tudo ― seu sorriso era um pouco
pesaroso.
O primo Alexander era um homem
extremamente bonito, alto e moreno também, os
três requisitos para o príncipe por excelência dos
contos de fadas. Ele também era uma pessoa
completamente agradável. Talvez fosse esse o fato
que impediu Camille de se ressentir dele como de
Anastasia, que era igualmente sem culpa. Não que
ela alguma vez tivesse dado à meia-irmã a
oportunidade de ser agradável ou não.
― Mesmo que eu pudesse ter recusado o título,
porém ― disse ele ― não teria ficado com Harry.
Entendi que ele foi ferido na península, mas está
fazendo uma rápida recuperação?
― Assim ele afirma ― disse ela ― Não ouvimos
nada de nenhuma fonte oficial, o que provavelmente
é uma boa notícia.
― Camille ― ele disse com sinceridade: ― eu
acho que posso entender o quanto você sofreu,
embora possa parecer presunçoso da minha parte
dizer isso. Eu diria que não sei a metade disso, mas
admiro o que você está fazendo, vivendo sozinha,
ganhando a vida, mesmo indo fazê-lo no lugar onde
Anna cresceu. Mas … posso fazer uma sugestão?
― Se eu disser não ― ela disse com um pouco de
rigidez ― eu me perguntarei pelo resto da noite o
que você quereria sugerir.
Ele sorriu.
― Você é muito amada por sua avó e suas tias ―
disse ele ― e pelo resto de nós também. Você
sempre foi. Você não pode ser expulsa da família
agora, nesta altura, apenas porque as circunstâncias
mudaram. Você não pode de repente se tornar mal-
amada. Seu próprio caminho pessoal, bem como o
do Harry e Abigail, é mais difícil do que era, é claro.
Ninguém pode negar que isso mudou para sempre
nas suas vidas. Mas não retires algum conforto do
fato de que você ainda é amada, que a sua posição
como neta e sobrinha e prima nesta família não foi
de modo algum diminuída, que estamos todos aqui
para apoiá-la de todas as maneiras que somos
capazes. Individualmente, todos nós exercemos
poder e influência. Juntos, somos bastante
formidáveis, e não invejaria ninguém que tentasse
frustrar a nossa vontade.
Deixe-se ser amada, Camille. Deixe-se… Não, fico
por aqui, pois realmente diz tudo. Deixe-se ser
amada.
― Eu não sabia ― disse ela ― que eu tinha dito a
qualquer um para parar de me amar, Alexander.
Mas chega de falar de mim. Quediferença ser o
Conde de Riverdale fez na sua vida? Você fez de
Brambledean sua casa?
Embora fosse a casa principal do conde, Court
Brambledean nunca foi a favorita do pai de Camille.
Nem ele nem elas passaram muito tempo lá, e ele
também não gastou muito dinheiro na sua
manutenção. Tanto a casa como o parque tinham
caído num estado de ruínas e todos, exceto o menor
mínimo de servos, tinham saído. Havia um
mordomo, mas nunca tinha sido diligente nos seus
deveres. Camille tinha ouvido que as fazendas não
prosperavam como deveriam e que havia
descontentamento entre os agricultores inquilinos e
dificuldades e sofrimentos reais entre os
trabalhadores. Alexander herdou-o com o título,
enquanto a fortuna de Papa, que poderia tê-lo
ajudado a recuperar, tinha ido para Anastasia com
tudo o que não estava ligado ao titulo.
― Ainda não ― disse ele ― embora eu tenha
passado algum tempo lá. De alguma forma, eu vou
ter que encontrar uma maneira de .
Mas ele ficou impedido de dizer mais pela
chegada de Joel e a atenção que Anastasia chamou
sobre ele, quando ela exclamou com agrado, pôs-se
de pé e apressou-se para ele para pegar o seu braço
e apresentá-lo aos que ainda não o conheciam. Ele
parecia distintamente desconfortável, pensou
Camille, ao ter sido forçado a entrar numa sala de
estranhos aristocráticos apenas para que a atenção
de todos se concentrasse nele. Ele estava vestido
adequadamente para uma ocasião noturna, embora
ele parecia apenas um pouco menos gasto do que
ele normalmente parecia.
Inconscientemente, Camille flexionou a mão
direita debaixo da mesa. Ela ainda podia sentir a
picada da bofetada que ela causara ontem.
Provavelmente ela magoou sua mão, pelo menos
tanto quanto ela tinha magoado o rosto dele. Ela
bateu-lhe porque ele se desculpou novamente,
porque ele havia assumido que havia algo para se
desculpar. E assim arruinou as suas lembranças do
que aconteceu, fez com que parecesse um erro
sórdido, pelo qual ele assumiu toda a culpa. Ele a
magoou muito mais profundamente do que sua
bofetada poderia ter magoado a ele, embora ela se
desprezasse, desde então, por se deixar machucar.
Ele não era, nem tão bonito quanto Alexander, nem
tão magnífico como Avery, nem tão amável quanto o
Tio Thomas. Como ela pode ter permitido que ele a
machucasse?
Ela olhou-o, rosto corado e lábios apertados e,
paradoxalmente,com um pouco de frio na cabeça
como se estivesse em perigo de desmaiar.
Disparate, pensou, organizando-se. Perfeito
disparate!
Anastasia apresentou-o a Alexander.
― Riverdale ― ele disse, e inclinou a cabeça em
reconhecimento da introdução antes de virar os
olhos para Camille. Eles eram graves e muito
escuros. Parecia que, talvez, ele não tivesse dormido
bem ontem à noite. Boa. Ela estava contente ―
Camille.
― Joel ― Mas havia outra coisa. Ela podia sentir
isso assim que seus olhos se encontraram. Havia
mais do que constrangimento e remorso nos seus
olhos. Qual é o problema? Ela quase fez a pergunta
em voz alta.
O jantar foi servido logo após sua chegada, e a
conversa enquanto eles comiam, era animada e
geral. A tia Mildred falou das façanhas dos seus
meninos durante o verão, Jessica falou sobre sua
temporada de estreia no próximo ano e Avery
observou, com um suspiro, que ele supôs que ela
esperava que ele e Anastasia organizassem um
grande baile para ela na Archer House, mama
contou algumas histórias sobre sua vida com tio
Michael no vicariato em Dorsetshire, A tia Louise
comentou como foram agradáveis, o Reverendo e a
Sra. Snow, os avós maternos da Anastasia, e a
forma como ela desfrutou da sua companhia em
Morland Abbey nos últimos dois meses, Camille
contou algumas anedotas da sala de aula, Abigail
descreveu as sessões que teve com Joel enquanto
ele a desenhava e preparava-se para pintar o
retrato dela, e Joel, em resposta às perguntas de
Elizabeth, descreveu o processo pelo qual ele
produzia os retratos dos seus clientes.
Foi só depois que os pratos foram removidos da
mesa e o café e o porto foram servidos, para que
todos se sentassem mais à vontade e divididos em
grupos de conversação menores. Depois de alguns
minutos, durante os quais Tio Thomas expressou a
sua esperança, para Camille e a prima Althea, que
ele e a tia Mildred poderiam permanecer em casa,
por pelo menos,um ano depois de voltarem para lá,
dentro de duas semanas, Camille ouviu Anastasia
fazer a pergunta que a incomodava toda a noite.
― O que é, Joel? ― Perguntou ela ― Algo está
preocupando você.
― Parece, como se estivesse preocupado? ―
Perguntou em troca.
― Sim, na verdade ― disse ela ― Eu te conheço
bem, lembre-se.
Camille sentiu-se irritada consigo mesma por se
sentir esfaqueada no coração e por,
vergonhosamente,escutar, enquanto o tio Thomas
continuava conversando com a prima Althea.
― Devo admitir ter ficado um pouco abalado esta
manhã ― disse Joel ― Eu fui visitar um velho muito
doente, do meu conhecimento, apenas para
descobrir que ele morreu uma hora antes de eu
chegar lá. Desde então que me tenho repreendido
por não ter ido ontem.
― Oh, Joel! ― As palavras de Camille, de vários
lugares baixo da mesa, saíram chocadas dela ― Sr.
Cox-Phillips morreu?
― Sim ― disse ele, olhando-a tristemente ―
Uma hora antes de eu chegar lá. Seu mordomo
estava triste. Ele tinha lágrimas nos olhos. Peço
desculpas ― acrescentou, olhando para todos os
outros, obviamente desconfortável por ter voltado a
ser o foco da atenção ― Este não é um assunto para
tal ocasião.
― Mas o quanto isso foi difícil para você? ― disse
Elizabeth ― Ele era um amigo seu, Sr. Cunningham?
― Ele era o meu tio-avô ― disse ele depois de
uma breve hesitação ― O irmão da minha avó.
― Joel? ― Anastasia inclinou-se para o outro lado
da mesa, os olhos arregalados ― Seu tio-avô? Sua
avó?
― Ele me convidou para o visitar ― explicou Joel
― Eu assumi que desejava discutir comigo uma
encomenda de retrato, mas quando eu fui, no início
desta semana, ele me disse que foi a sua irmã,
agora falecida, que me levou ao orfanato quando
bebê depois que a minha mãe morreu no parto.
Então você vê, Anna, você não foi a única que
descobriu a sua filiação este ano.
― Cox-Phillips? ― Tia Louise franziu a testa em
pensamento ― Ele costumava estar no governo em
algum cargo, não era? Netherby, meu marido,
conheceu-o. Eu assumi que ele tivesse falecido há
muito tempo. Não que eu tenha gasto um
pensamento por ele em anos, devo confessar.
Se a memória me servir corretamente, porém,
ele tinha uma ligação com o Visconde Uxbury.
Lembro-me de ouvir isso quando Uxbury começou a
mostrar interesse em Camille.
Parecia a Camille que todos, exceto Avery,
decididamente não olharam para ela.
Avery, implacavelmente resplandecente em cetim
e renda, muito tempo depois de terem passado de
moda, com a maioria dos outros cavalheiros,
sentava-se com elegância, um copo de porto numa
mão, um monóculo incrustado com joias na outra, o
cabelo liso e loiro como um halo brilhante sobre sua
cabeça. Seus olhos semifechados estavam fixos em
Camille.
― Sim, ele era ― disse Joel ― Uxbury está lá na
casa agora.
― Quanto menos se falar dele, melhor ― disse a
tia Mildred ― Eu não me sinto gentil com esse
jovem.
― Ele deve ser o herdeiro de Cox-Phillips, então
― disse Avery ― Isso poderá ser uma notícia
indesejada para você, Camille, embora eu suponha
que ele não passará uma grande quantidade de
tempo aqui como seu vizinho próximo. Ele não me
parece como o tipo de fazer a sua casa permanente
em Bath.
― Talvez ― disse Camille ― ele ficará
desanimado com a possibilidade de que você venha
na minha defesa novamente, Avery, com os seus
pés descalços.
Seus olhos brilharam com apreciação, e sua mão
se fechou sobre o monóculo.
― Ah, você já ouviu falar sobre esse pequeno
episódio, não foi? ― ele disse.
― O que é isso sobre os pés descalços? ― Tia
Louise perguntou bruscamente.
― Você não gostaria de saber, Louise ― disse tio
Thomas com firmeza ― Mais exatamente, você não
gostaria que Jéssica ou Abigail soubessem.
― Saber o que? ― Jéssica gritou, inclinando-se
sobre a mesa para fixar o seu olhar ansioso sobre o
meio-irmão ― O que você fez para o Visconde
Uxbury, Avery? Espero que você o tenha socado no
nariz, sem antes remover os anéis. Espero que você
o tenha trespassado nas costelas com a ponta da
sua espada. Espero que você tenha atirado nele.
― Isso é bastante, Jéssica ― tia Louise disse
severamente.
― Ele é um homem completamente
desagradável, tia Louise ― disse Anastasia ― e eu
só posso aplaudir os desejos sanguinários de Jéssica
por seu destino. Ele foi horrível comigo no meu
primeiro baile e ele foi horrível com Camille, pior, de
fato, porque ele estava noivo dela. Estou tão
contente, Camille, que você escapou das suas garras
atempo, embora eu receie que você estivesse infeliz
naquele momento. Avery vingou você, e eu não me
importo quantas damas sabem como ele fez isso e
ficaram chocadas. E se Avery não o tivesse vingado,
então Alex teria. Eles te amam.
Houve um breve silêncio sobre a mesa enquanto
Anastasia olhava para Camille e Camille franzia o
cenho para ela. Ela piscou, sentindo aquela
sensação de calor atrás dos olhos que às vezes
pressagiava lágrimas. Ela assentiu bruscamente.
― Eu não estou chocada ― disse a sua mãe ―
Estou encantada.
― Mas … pés descalços, Avery? ― disse Abigail.
― Você vê ― ele disse suavemente, levantando o
copo para examiná-la através dele e soando
horrivelmente aborrecido naquela maneira irritante
dele ― eu não tinha escolha. Eu tinha tirado as
minhas botas. E as minhas meias.
― Sr. Cunningham ― disse a Tia Mildred ―
aceite meus parabéns por ter finalmente descoberto
a sua identidade e os meus pêsames pela perda do
seu tio-avô, logo que você o encontrou.
E a atenção de todos se voltou para Joel.
― Obrigado, senhora ― disse ele.

Capítulo Dezasseis Depois de sentir uma grande


apreensão nervosa, sobre estar numa reunião
familiar de pessoas tão ilustres, a maioria das quais
ele não conhecia antes, Joel achou as suas boas-
vindas graciosas, até calorosas. Ele poderia ter,
quase, gostado da noite se Camille não estivesse lá,
parecendo um pouco como uma majestosa
Amazona, para impossibilitar que ele deixasse a sua
grande sensação de culpa, pelo menos durante
algumas horas. Felizmente, talvez, o jantar foi
servido logo após sua chegada, e ele se encontrou
sentado entre Lady Overfield e Lady Molenor, com
Anna na frente dele e Camille mais ao longo da
mesa do mesmo lado que ele, onde ele não
precisava estar constantemente olhando para ela.
Mas ele precisava conversar com ela, para se
desculpar, novamente, tentar limpar o ar entre eles,
se possível. Eles ainda tinham que partilhar uma
sala de aula, ocasionalmente,afinal, e ele tinha que
pintar o seu retrato.
Além disso, ontem poderia ter tido
consequências, e ele não fecharia a sua mente à
possibilidade, assim como ele não fez, para sua
vergonha, mesmo ontem. Ele sabia muito sobre
crianças ilegítimas e indesejadas, e nenhum desses
adjetivos jamais se aplicaria a nenhum filho dele.
Sua chance surgiu quando a ex-condessa de
Riverdale, mãe de Camille, decidiu que era hora de
que ela e sua filha mais nova voltassem para casa e
Netherby levantou uma mão, na verdade, era um
dedo indicador frouxo, para convocar um servo e
instruí-lo a ter a carruagem ducal trazida de volta.
― Ele vai entregar a Camille no Northumberland
Place primeiro, se isso for do seu agrado, tia Viola ―
disse ele ― antes de levá-la e Abigail até ao Royal
Crescent.
― Realmente não é longe para eu caminhar ―
disse Camille.
― Mesmo assim ― disse Netherby com uma
espécie de cansaço altivo, esperando claramente
que as palavras fossem suficientes para resolver o
assunto. Nunca deixava de surpreender Joel que
Anna se casasse com ele. Ele era todo esplendor e
afetação. No entanto, Joel sabia que havia muito
mais sobre o duque de Netherby do que se via.
Havia as artes marciais do Extremo Oriente que
aperfeiçoou, por exemplo, o que aparentemente o
transformou numa arma humana letal.
E havia o fato de que amava Anna, embora não
fosse algo que, particularmente, tivesse agradado a
Joel, no início.
― Eu vou passarpor Northumberland Place no
meu caminho para casa ― disse Joel ― Eu, de boa
vontade, te escoltarei à sua porta, Camille, a menos
que você prefira ir na carruagem.
Anna inclinou-se por cima da mesa e Lady
Overfield virou a cabeça para ela e
sorriu,também,sem motivo aparente.
― Vou caminhar para casa com Joel, Avery ―
disse Camille com rigidez.
Joel permaneceu, trocando amabilidades com
Lord Molenor, enquanto ela se despediu dos seus
parentes e prometeu a sua mãe que iria até o Royal
Crescent,no dia seguinte à tarde.
― Provavelmente vou te ver lá, Camille ― disse
Anna ― Eu sei que tia Louise e tia Mildred querem
visitar a tia Viola.
Há algo que eu gostaria de lhe dizer.
Camille deu um aceno rápido e frio, Joel viu.
O ar exterior tinha esfriado com a descida da
escuridão, mas ainda estava quase quente. As
estrelas estavam brilhantes. Não havia um sopro de
vento. O silêncio da rua parecia alto, depois do
clamor das vozes na sala de jantar.
― Você não esperava ver sua mãe? ― Perguntou
Joel, apertando as mãos atrás das costas enquanto
caminhavam.
― Não, não esperava ― disse ela ― Eu não
acreditava,de todo,que ela viesse. Ela não deu
nenhuma sugestão na carta que escreveu, esta
semana. Ela sente-se como uma estranha.
― No entanto, ela deve ter sido um membro
próximo da família Westcott por mais de vinte anos
― disse ele ― Ela ainda está na mente dos outros.
Isso foi claro de se ver.
Assim como você e sua irmã.
― Alexander disse uma coisa estranha para mim
antes do jantar ― disse ela ― e antes de você
chegar. Foi na intenção de uma sugestão, que eu
me permita ser amada.
Nunca pensei sobre a diferença entre amar e ser
amado, embora eu aprendi, no início da
escolaridade, a distinção entre as vozes ativas e
passivas dos verbos. Eu acho que sempre me
comportei na voz ativa. É mais fácil fazer algo por si
mesmo, do que esperar que alguém o faça. Pode-se
esperar para sempre, e mesmo que não o fizesse,
aquilo poderia não ficar tão bem feito como se
fossemos nós a fazê-lo. Sempre gostei de estar no
controle. É mais fácil amar que esperar para ser
amado, ou confiar nesse amor, mesmo que seja
oferecido.
― Você ama os seus parentes Westcott, então?
― Ele disse.
― Sim, é claro ― disse ela, encolhendo os
ombros ― Embora eu tenha tendência a evitar usar
a palavra amor, pois é usada para cobrir uma
infinidade de emoções e atitudes diferentes, não é?
Eles são a minha família. O fato de eu não me
permitir mais depender deles não altera isso.
― O Conde de Riverdale sugeriu que você não
lhes permitia amá-la em troca, mesmo que eles
desejassem fazê-lo? ― perguntou ele.
― Eu não sei o que isso significa ― disse ela.
Ele lembrou-se dela, dizendo-lhe que durante
toda sua infância ela desejara o amor do seu pai,
que tentara se transformar na espécie de dama
perfeita que ele adoraria. Ela ficou muito mais
danificada por aquele homem do que ela percebeu.
O fato dele a ter feito, conscientemente, sua
ilegítima, foi o menor dos seus pecados contra ela.
― Estava claro para mim esta noite ― disse ele
― talvez porque eu sou, realmente um estranho,e
posso julgar desapaixonadamente, que os seus
familiares ficaram afetados pelo que aconteceu com
você, sua mãe, irmã e irmão. A dor que eles sentem
é talvez a mais profunda, pelo fato de que eles se
sentem, em grande parte, incapazes de diminuir o
vossofardo. Eles querem apreciá-la e tornar as vossa
vidas mais fáceis novamente, menos dolorosas, mas
há limites para o que podem fazer. No entanto, eles
podem e realmente adoram você. Sua irmã parece
disposta a aceitar isso. Você e sua mãe se mantêm
mais distantes, e dói tanto a vocês quanto a eles.
Ela não respondeu imediatamente, e ele ouviu os
seus passos na rua silenciosa e deserta.
― Não que seja da minha conta ― disse ele
tardiamente.
― Eu devo fazer isto sozinha ― disse ela ― Eu
preciso fazer isto sozinha.
― Eu sei ― ele disse, e tirou as mãos e estendeu
uma, sem um pensamento consciente, para pegar
uma das dela ― Mas talvez você possa encontrar
algum meio termo. Talvez você já esteja fazendo
isso, na verdade. Você foi passar a noite com eles
hoje. Amanhã você vai ver alguns deles novamente,
na casa da sua avó. Depois, você voltará ao seu
quarto no orfanato, e na segunda-feira você
ensinará novamente. A independência e a aceitação
do amor oferecido não precisam ser mutuamente
exclusivas.
Ela não tirou a sua mão, como ele meio
esperava. Seus dedos enrolaram sobre os dele em
vez disso.
― Mas o que diabos estou eu fazendo, falando
sobre mim? ― Ela disse de repente ― E você, Joel?
Você voltou àquela casa novamente hoje? Sinto
muito, você chegou tarde de mais. Você deve ter se
sentido miserável. Por mais estranho que pareça,
gostei bastante do Sr. Cox-Phillips. Eu acho que
você também, mesmo que tenha tido boas razões
para não o fazer. Você deve sentir alguma tristeza.
Eu vi no seu rosto assim que você chegou esta noite
que algo havia acontecido.
Assim como Anna tinha. Ele apertou a sua mão.
― Com a cabeça não posso sofrer ― disse ele ―
Mas a cabeça nem sempre governa o coração, não
é? Seu mordomo rígido e impassível estava
derramando lágrimas, Camille, e um criado mais
novo estavaenvolvendo a aldrava da porta em crepe
preto. Alguém morreu, alguém relacionado comigo,
quando toda a minha vida assumi que nunca
descobriria ninguém. Aborrecido como ele era, ele
me deu o que eu acredito, seja o presente mais
precioso que já recebi. Ele me deu o retrato da
minha mãe. E ele era uma… pessoa. Sim, sinto-me
enlutado, desolado e tolo.
― Oh, tolo não ― disse ela, virando a cabeça
para olhá-lo ― Ele procurou você antes que fosse
tarde demais.
Ele até admitiu você uma segunda vez, embora
você tivesse rejeitado o seu plano para um novo
testamento, da primeira vez. Ele respondeu às suas
perguntas mesmo que ele estivesse muito doente. E
sim, ele se lembrou do retrato da sua mãe e o deu a
você.
Mas eles estavam perto do orfanato, e ele devia
falar sobre o que, certamente, era o mais
importante em ambas as mentes. Ele parou de
andar e colocou a sua outra mão na dele.
― Camille ― ele perguntou ― porque você bateu
no meu rosto? O que aconteceu não foi sedução…
verdade?
Ela respirou fundo e arrancou as mãos.
― Não, não foi ― disse ela, enunciando cada
palavra com clareza ― Mas quando você se
desculpou, pareceu que você pensou que fosse. Isso
barateou o que aconteceu. E isso me fez sentir que
eu deveria ter parecido frígida ou totalmente
inadequada, se você pôde ter interpretado tão mal.
Eu estava chateada. Mais do que isso, fiquei com
raiva.
Bom Deus, ele tinha interpretado mal, mas não
por nenhum dos motivos que ela sugeriu.
― Eu pensei que você foi generosa, dada e gentil
― disse ele ― Você uma vez me pediu para abraçá-
la, mas eu pedi muito mais de você. Temia ter me
aproveitado de você e que você pudesse se
arrepender e ressentir-se de eu ter exigido tanto.
Camille, você pode estar grávida. Eu poderei ter
feito isso com você. Eu poderei tê-la forçado a um
casamento, que você não sonharia em entrar de
vontade própria.
Ela apertou as mãos na cintura e ficou olhando
para ele.
Ele não conseguia ver na escuridão se ela ficou
pálida, mas ele apostou que ela ficou.
― Você nem pensou nisso, não é? ― ele
perguntou a ela ― Que você pudesse estar grávida.
― Claro … ― ela começou, mas não terminou o
que começou a dizer.
― Não ― disse ele ― Eu não pensei que você
tinha.
― Claro que sim ― ela protestou ― Ah, claro que
eu pensei. Como eu não poderia?
Ela se virou para caminhar em frente, e ele
tomou um passo para o lado dela. O que fazer amor
significou para ela?
Ela lhe deu um tapaporque suas desculpas
tinham barateado o que aconteceu. Barateado o
quê? Ela certamente não poderia ter sentimentos
mais profundos para com ele do que simpatia e o
desejo de conforto. Poderia?
E o que fazer amor significou para ele? Teria ele,
meramente, alcançado, cegamente, alguém para
segurá-lo, no último abraço? Cegamente? Qualquer
mulher teria servido, então? E se a resposta fosse
não, como certamente era, então, o que isso
significava? O que isso diria sobre os seus
sentimentos por ela?
― Você me avisará imediatamente se descobrir
que há consequências? ― disse ele, com a voz baixa
― Nós dois sofremos a ilegitimidade de maneiras
diferentes. Nós dois sabemos como isso pode
devastar uma vida. Nós não vamos condenar um
filho nosso a isso, Camille. Promete-me?
Eles estavam fora da porta do orfanato, e ela se
virou para ele, seu rosto inexpressivo, sua maneira
desprovida de qualquer dos papéis que ela adotou
para atender a várias circunstâncias. O silêncio se
estendeu por vários momentos.
― Eu prometo ― disse ela ― Estou cansada,
Joel, e você também deve estar. Obrigado por me
acompanhar até em casa.
Ele assentiu, mas antes que pudesse se virar, ela
ergueu as duas mãos e agarrou seu rosto e beijou-o
suavemente nos lábios.
― Você não tem nadVocê não tem nada sobre o
que se sentir culpado, Joelo que se sentir culpado,
Joel ― ela disse, sua voz de repente ferozsse, sua
voz de repente feroz ― Nada. Você é um. Você é um
homem decente e sinto muito, mais do que pode
imaginare sinto muito, mais do que pode imaginar,e
sinto muito, mais do que pode imaginar que o Sr.
Cox-Phillips morreu antes dePhillips morreu antes de
você o poder conhecervocê o poder conhecer
melhor. Mas pelo menos você o conheceu e,
atrmelhor. Mas pelo menos você o conheceu e,
através dele, vocêavés dele, você sabe mais sobre
osos seus pais e avós e você mesmo. Você estáseus
pais e avós e você mesmo. Você está menos sozinho
do que sempre estevenos sozinho do que sempre
esteve, mesmo que nenhum, mesmo que nenhum
deles esteja vivo. Reconfortedeles esteja vivo.
Reconforte-se. Há conforto. Eu ase. Há conforto. Eu
acho que comeceicomecei aa perceberperceber
issoisso porpor mim mesmomesmo estaesta
noite.noite. Há conforto.
E ela se virou sem mais uma palavra, abriu a
porta coma se virou sem mais uma palavra, abriu a
porta coma se virou sem mais uma palavra, abriu a
porta com a chave e entrou antes de fechar a porta
silenciosamentea chave e entrou antes de fechar a
porta silenciosamentea chave e entrou antes de
fechar a porta silenciosamente atrás dela.
Joel foioi deixadodeixado emem pépé nono
passeiopasseio com,com, milmil diabos,diabos
lágrimas nos olhos.lágrimas nos olhos.
Há conforto.
CamilleCamilleCamille acordouacordouacordou
cedocedocedo nanana manhãmanhãmanhã
seguintseguintseguinte e imediatamente ficou
surpresaente ficou surpresa com o fato de ter
dormido. Acom o fato de ter dormido. A últimaúltima
coisacoisa dede queque se lembrou, desdedesde aa
noitenoite passadapassada, foicolocar a cabeça no
travesseiro. Todos os acontecimentosa cabeça no
travesseiro. Todos os acontecimentosa cabeça no
travesseiro. Todos os acontecimentos dos últimos
dias, que poderiam ter surgido na sua menteque
poderiam ter surgido na sua mente, eque poderiam
ter surgido na sua mente mantê-la jogandoo ee
virandovirando aa noitnoitee inteira,inteira,
deviadeviam tê-la esgotado até ao ponto de tornáo
ponto de torná-la quase comatosala quase
comatosa, em vez disso.
Ela levantou-se cheia de energia, lavou-se,
vestiu-se e foi a um primeiro serviço da igreja.
Quando voltou, passou um tempo na sala de aula,
preparando uma aula de leitura que poderia ser
adaptada a cada grupo etário amanhã de manhã. E
então ela tomou o café da manhã na sala de jantar.
Lá, ela soube que Sarah tinha tido uma noite
agitada quando dois dentes empurraram as
gengivas inferiores e as tornaram vermelhas e
inchadas. A mãe doméstica dela estava a andar num
dos salões de visitantes com ela quando Camille as
encontrou. A criança estava batendo nos seus
braços, gemendo e recusando-se a ser consolada.
Ela virou a cabeça quando Camille apareceu e
estendeu os braços.
Camille não tinha ideia de como consolar um
bebê que estava febril, irritado, com dor e,
provavelmente, desesperadamente cansado
também. Mas ela devia fazer alguma coisa. Ela
pegou o cobertor em que a criança estava enredada,
sacudiu-o e espalhou-o no sofá e tirouSarah dos
braços de Hannah para colocá-la sobre ele antes de
envolvê-la firmemente.
― Ela não vai ficar com ele ― advertiu Hannah ―
Ela vai cansá-la a qualquer momento, Srta.
Westcott.
― Talvez ― concordou Camille ― Mas você
parece exausta. Vá tomar café da manhã e relaxar
por um tempo.
Hannah apressou-se, como se com medo que
Camille mudasse de ideia. Camille pegou o bebê,
sorriu nos olhos enquanto fazia isso, e passou a
embalá-la com vigorosos balanços dos seus braços.
Sarah parou de chorar, embora seu rosto ainda
estivesse encolhido.
― Shhh ― Camille ergueu-a um pouco mais alto
nos seus braços e sorriu para ela de novo ―
Acalme-se agora, querida ― ela procurou na sua
mente por uma canção de ninar, não conseguia
lembrar-se de uma única, talvez ela nunca tivesse
conhecido nenhuma, e cantarolou, em vez disso, a
melodia da valsa com a qual, ela e Joel dançaram,
alguns dias atrás, uma hora ou duas antes de
fazerem amor.
Sarah olhou fixamente para ela até que as suas
pálpebras começaram a cair, e finalmente, fecharam
completamente e permaneceram fechadas. Camille
a balançou por mais algum tempo, antes de se
baixar cautelosamente numa cadeira. Ela segurou o
pacote macio, quente e dormindo no seu peito e
engoliu o que parecia muito, com um nó na
garganta.
Deixe-se ser amada.
Sarah, que estava cada vez mais receptiva às
outras pessoas no orfanato, era, no entanto, um
bebê quieto que não sorria nem tagarelava muito,
mesmo quando não estava nascendo os dentes, e
não exigia atenção. No entanto, sempre que Camille
aparecia na sala de jogos, seu rosto se iluminava
com reconhecimento, e ela sorria amplamente ou
estendia os braços ou ambas as coisas.
Sarah a amava. Não era só que Camille tivesse
gostado da criança, de tal forma, que ansiava todos
os dias para vê-la, segurá-la e conversar com ela.
Não, não era apenas um tipo de carinho
unidirecional. Sarah a amava.
Joel havia mencionado alguma coisa ontem à
noite que ela rapidamente afastou da sua mente,
assim como fez quando se lembrou, depois de terem
ido dormir juntos. Ela até prometeu ontem à noite,
que lhe falaria, sem demora, se descobrisse que era
necessário casar-se com ele. Ela não acreditava que
seria necessário. Quais eram as probabilidades de
que, fazer amor uma vez, ela tivesse concebido?
Eram de poucas a nenhuma. Bem, talvez não
nenhuma. Mas elas eram poucas, no entanto. Mas e
se… E se dentro de um ano, dentro de nove meses,
ela tivesse um filho próprio para segurar assim?
Dela e de Joel.
Não, ela não poderia desejar, poderia? Ela não
era do tipo maternal.
No entanto, agora desejava, ansiava… Mas um
filho próprio substituiria Sarah no seu coração?
Um amor poderia substituir outro? Ou o amor
expandia para abranger outra pessoa, e outra, e
assim por diante sem fim?
Ela nunca pensou em amor. Ela sempre o
descartou como parte do caos incerto que
ameaçava, além dos limites da sua existência
ordenada, disciplinada e muito correta. Havia amor
de mãe e irmãos e outros membros da família, é
claro. Havia amor de pai. Mas esses amores, ou
aquele amor, o amor poderia ser múltiplo? Ou único
e sempre singular? Aqueles amores tinham sido
todos amarrados com o dever,em sua mente, e
nunca tinham sido permitidos a liberdade de tocar o
seu coração.
Sua vida teria sido diferente se Papa a tivesse
amado?
Papa nunca se permitiu ser amado, e a sua vida
foi enormemente empobrecida como resultado.
Quanto dela, era filha do seu pai?
Deixe-se ser amada, disse Alexander.
Houve um toque na porta e estaabriu, para
revelar Abigail e sua mãe. Os olhos de Camille se
arregalaram quando entraram na sala.
― Camille? ― Sua mãe disse suavemente ― Foi-
nos dito que você estava aqui com um bebê febril.
Abigail apressou-se, pela sala, para olhar para o
bebê, com um sorriso suave de deleite no seu rosto.
― Oh, Cam ― ela disse ― ela é adorável. Olha só
para essas bochechas gordinhas.
― Estão a nascer-lhe os dentes ― explicou
Camille ― e manteve a sua mãe doméstica de pé a
maior parte da noite.
Acabei de a embalar para dormir.
Sua mãe também se aproximou para olhar o
bebê e depois fixamente para Camille.
― E você se sentiu obrigada a dar à sua
cuidadora a chance de tomar café da manhã e
relaxar, Camille? ― disse ela.
― Ela começou a gostar de mim ― disse Camille
quase com desculpa ― Sarah, isto é . o bebê. E
devo confessar que eu comecei a gostar dela. Eu
não estava esperando você. Eu ia à Avó, esta tarde,
para visitá-la.
― E eu imploro que você venha de qualquer jeito
― disse sua mãe, sentando-se no sofá ― Mas
haverá outros visitantes, e eu queria você, vocês as
duas, para mim por um tempo.
Abigail foi sentar-se ao lado dela.
― Você se ressente da minha volta aqui? ― disse
sua mãe. Ela ainda falava suavemente em
deferência ao bebê dormindo.
― Ah, não, mamãe ― protestou Abigail.
Sua mãe estendeu a mão para cobrir as suas
mãos cruzadas com uma das suas.
― Eu estava me referindo a Camille ― disse ela
― Você não estava inteiramente feliz em me ver na
noite passada, Camille.
Oh, ela não tinha estado, pois não? Ela tinha
estado feliz, mas também… ressentida? Sua mãe
sempre tinha sido perfeita a seus olhos, a pessoa
que, acima de todas as outras, ela tentara imitar.
Mas não havia tal, como a perfeição na natureza
humana. Sua mãe tornou-se humana para ela, nos
últimos meses, e foi um choque para a sua
sensibilidade. Os pais não deveriam ser humanos.
Era suposto serem… seus pais. Que pensamento
tolo.
― Abby tinha e tem dezoito anos, mãe ― disse
ela ― Apenas saída da sala de aula, ainda não
lançada na sociedade. Ela tinha perdido,
recentemente, Papa e acabava de saber a terrível
verdade sobre si mesma. Acabava de ver Harry
perder tudo e ir à guerra. E eu . ― ela engoliu em
seco ― Tinha acabado de ser desprezada pelo
homem com quem esperava casar.
― E eu fui embora ― disse sua mãe ― e deixei
vocês duas aqui sozinhas com apenas sua avó para
confortar-vos.
― Oh, mãe ― disse Abigail ― A vovó foi
maravilhosa para nós. E você explicou porque você
teve que sair. Você fez isso por nós, para que nós
não fôssemos, tão obviamente, vistas como as filhas
de alguém que nunca tinha se casado. Ainda não
acredito que as pessoas a tivessem julgado com
tanta dureza, mas você fez isso por nossa causa.
Sua mãe apertou as mãos de Abigail e olhou para
Camille.
― Foi o que eu disse ― disse ela ― Foi o que eu
disse a mim mesma também. No entanto, naquela
altura, não tenho a certeza de quenão me deixei
enganar sobre o que eu disse ser a verdade. A
verdade era que eu tinha que fugir, não estar
sozinha, talvez, desde que eu fui ter com o vosso tio
Michael, mas longe…de vocês. Eu não suportaria o
fardo de ser vossa mãe e ver os seus mundos
caírem sobre os seus ouvidos. Não podia suportar
ver o seu sofrimento. Eu tinha muito de mim para
lidar com isso. Então eu deixei vocês, para nutrir a
minha própria miséria. Foi terrivelmente egoísta de
mim.
― Não, mamãe ― protestou Abigail.
Camille olhou para Sarah, que estava agitada,
ligeiramente, embora ainda estivesse dormindo.
― Você voltou para ficar? ― perguntou ela.
― Mas o tio Michael precisa de você ― disse
Abigail.
― Não ― sua mãe sorriu ― Ele estava indo muito
bem sem mim, e ele está iniciando, eu acredito, um
namoro muito gentil e muito gradual com uma
senhora que atualmente é empregada como
governanta. Minha presença no vicariato
provavelmente desacelerou o processo, e isso é uma
grande pena, pois acredito que eles realmente
amam um ao outro.
― Você está aqui para ficar, então ― disse
Camille ― porque você sente que deveria sair de lá
― seu tom foi mais amargo do que pretendia.
Sua mãe suspirou.
― Eu não estou tão sem dinheiro quanto eu
pensava ― disse ela ― Eu soube, pelo Sr. Brumford,
o advogado do seu pai, vocêse lembrará, e de Harry
depois dele. Parece que o dote que levei para o meu
casamento deve ser devolvido para mim, uma vez
que o casamento nunca ocorreu, não de uma forma
legal. Foi uma soma considerável, e ganhou uns
juros consideráveis em quase um quarto de século.
Não é uma grande fortuna, mas é certamente
suficiente para me permitir viver de forma
independente com as minhas filhas, aqui em Bath ou
noutro lugar.
― Isso é parte do dinheiro que foi para Anastasia
há alguns meses atrás? ― Perguntou Camille
bruscamente.
Sua mãe hesitou.
― Sim ― disse ela ― Mas foi julgado como meu,
não dela.
Ela certamente não vai sentir falta dele. Ela ainda
tem a maior parte da fortuna do seu pai. E ela é
casada com Avery.
― Você contestou o testamento? ― Perguntou
Camille.
― Não ― disse sua mãe ― A notícia foi uma
surpresa para mim.
Camille olhou-a. O dinheiro veio da Anastasia,
então. Ela tinha encontrado uma maneira de dar-
lhes algo da sua fortuna sem fazê-los sentir-se em
dívida com ela. Ela encontrou uma maneira de dar
uma parte da sua fortuna a Mama. No começo, ela
queria dividir toda a fortuna em quatro, de maneira
a incluir Camille, Abigail e Harry, eles recusaram-se,
mas não fez qualquer menção de Mama, além de
sugerir que ela e eles continuassem a viver em
Hinsford Manor, que ela agora possui.
Sua mãe virou os olhos para Abigail sem mover a
cabeça e depois voltou a olhar para Camille. Então,
ela também pensou nisso. Mas decidiu aceitar o
dinheiro de qualquer maneira, para que ela pudesse
fornecer uma casa novamente para ela e suas filhas.
E talvez ela estivesse certa em aceitar.
Parecia justo. O dote foi pago pelo Avô Kingsley
no casamento de Mama para papá. Mas não houve
casamento real. Papa não tinha direito a esse
dinheiro. Portanto, Anastasia também não, nem aos
juros que tinham obtido ao longo dos anos.
― Vamos morar juntas novamente, mãe? ―
Perguntou Abigail, com a voz dolorida de esperança.
― Você gostaria disso? ― Perguntou sua mãe ―
Não seria nada tão grande como a casa no Royal
Crescent.
Duas lágrimas escorreram pelas bochechas de
Abigail.
― Eu gostaria ― disse ela ― Se é o que você
quer, Mama.
Mama sorriu para ela e apertou as mãos
novamente.
― Eu vou ficar aqui ― disse Camille, alisando a
cabeça de Sarah enquanto ela mexia-se
silenciosamente novamente.
― Eu entendo ― disse sua mãe ― Eu te respeito
e o que você está fazendo, Camille.
Camille levantou a cabeça e olhou-a.
― Estou feliz que você tenha vindo ― disse ela.
Isso levaria a uma mudança no seu pensamento,
ver sua mãe como uma pessoa e não apenas como
sua mãe e de Abby e Harry. Mas tudo na sua vida,
nos últimos dias, estava causando uma mudança no
seu pensamento. Ela se perguntou se a vida seria
uma coisa estável outra vez.
Sarah abriu os olhos e preparou-se para
expressar o seu descontentamento vocalmente. Mas
seu olhar se concentrou em Camille e ela sorriu
amplamente em vez disso.
― Olá, querida ― disse Camille, e inclinou a
cabeça para beijar sua bochecha.
Sua mãe e sua irmã olharam em silêncio.

Capítulo Dezassete A tia Louise tinha ido com tia


Mildred e tio Thomas visitar um velho conhecido que
encontraram na igreja durante a manhã, Camille foi
informada quando chegou à casa no Royal Crescent
durante a tarde. Alexander pegou Avó, a Mama ea
sua própria mãe para uma viagem a Beechen Cliff,
com o argumento de que o tempo estava muito bom
para ser desperdiçado dentro de casa. Elizabeth,
Jéssica, Anastasia e Avery estavam em casa com
Abigail.
Avery logo manobrou Elizabeth para a janela da
sala de estar, e os dois ficaram ali, conversando,
olhando e apontando para várias coisas lá fora.
Abigail e Jéssica estavam sentadas lado a lado no
sofá. Camille pegou uma cadeira perto delas e
Anastasia se juntou a elas. Era corajoso dela,
Camille teve que admitir, silenciosamente, para si
mesma. Ela e Abigail eram as meia-irmãs que
tinham desprezado os seus avanços de afeição de
irmãos, e até Jéssica, que era sua cunhada e vivia
com ela e com Avery, bem como com a tia Louise, a
ressentiam no início e talvez ainda agora.
Tudo era injusto, é claro. Embora Anastasia,
agora se vestisse melhor, ela certamente não fazia
desfile da sua riqueza. Vestia-se com elegância
simples e discreta. E ela se comportava com calma
dignidade. Ela também estava bonita e feliz, embora
um pouco incerta no momento. Era cada vez mais
difícil não gostar dela. E um pouco impossível
também.
― Eu esperava ter a oportunidade de uma
conversa privada com minhas irmãs esta tarde ―
disse ela, primeiro olhando para Avery e depois
olhando para cada uma delas ― Nós estaremos
fazendo algum tipo de anúncio, para toda a família,
esta semana, mas eu queria que vocês três fossem
as primeiras a saber que Avery e eu esperamos um
filho e que estamos entusiasmados com isso. Nós
esperamos que vocês fiquem satisfeitas também,
com a perspectiva de serem tias.
Todos olharam para ela, como se estivessem
paralisadas com o choque. Mas não era realmente
tão surpreendente.
Anastasia e Avery tinham se casado há alguns
meses, e havia um certo olhar sobre Anastasia, um
brilho de contentamento e bem-estar físico que
deveria ter falado por si. Tal anúncio de uma irmã
para outras três certamente deveria estar
provocando gritos de prazer excitados, mas Jéssica
parecia mais como se tivesse levado um soco no
queixo, Camille sentia-se como um mero
observador, e Abigail ― ah, querida Abby! ― estava
se recuperando ela mesma. Ela colocou as mãos,
como numaoração, contra os seus lábios e sorriu
lenta e radiantemente em volta dos seus dedos até
que seus olhos brilhassem.
― Oh, Anastasia ― ela disse com um calor calmo
― quão maravilhoso! Estou tão satisfeita por você. E
obrigado por nos contar primeiro. Isso foi
terrivelmente doce de você. Deus, eu vou ser tia
Abigail. Mas isso me faz parecer bastante idosa.
Devo insistir em tia Abby. Oh, diga-nos, você
espera que seja um menino ou uma menina? Mas é
claro que você deve desejar um menino, um
herdeiro do ducado.
― Avery diz que não se importa com o que
venha, apenas que venha ― disse Anastasia, e
Camille podia ver agora a excitação borbulhante que
ela tinha mantido na distância ― Se for uma
menina, desta vez, ela será amada e tão querida
quanto um herdeiro. E realmente, você sabe,
Abigail, eu não pensaria num menino como o
herdeiro, mas apenas como meu filho e de Avery.
Jéssica pegou algum do entusiasmo da Abby e
estava inclinada para a frente no sofá.
― É por issoque, há algum tempo, você estava
sendo preguiçosa e dormindo todas as manhãs? ―
Perguntou ela.
― Preguiça. Foi assim que Avery desculpou meu
atraso?
― Anastasia perguntou, fazendo uma careta e
depois rindo.
― Oh, Deus ― continuou Jéssica ― Eu também
serei uma tia, Abby. Ou uma meia-tia, de qualquer
forma. Existe uma meia-tia?
Do outro lado da sala, Camille encontrouo olhar
preguiçoso de Avery. Ela desviou o olhar antes de
ele voltar para a janela.
― Estou muito satisfeita por você, Anastasia ―
disse ela, e ficou abalada pelo olhar de ansiedade
lançado por sua meia-irmã,antes de colocar um
simples sorriso.
― Você está, Camille? ― disse ela ― Obrigada.
Depois que o bebê nascer, você e Abigail devem vir
e ficar durante um tempo na Morland Abbey, se a
Srta. Ford puder ser persuadida a ficar sem você na
escola, e se você puder ser persuadida a passar sem
ela. Quero que os meus filhos conheçam todos os
seus parentes e que os vejam com frequência,
especialmente suas tias e seu tio. A família é uma
coisa tão preciosa.
Camille não pensou que estivesse dando um
sermão.
Anastasia estava apenas falando do coração e da
experiência solitária de ter crescido num orfanato
sem saber que tinha alguma família. O próprio
coração de Camille estava pesado.
Ela sabia o quão precioso um bebê sesentia nos
seus braços, mesmo que não fosse seu. Sarah não
era sua, e o de Anastasia não seria. Oh, quão
maravilhoso deveria ser…, mas a força do seu anseio
maternal a assustou.
Abigail e Jéssica estavam rindo alegremente,
como nos velhos tempos. Elas estavam sugerindo
nomes para o bebê e ficando cada vez mais
estranhos a cada momento. Anastasia estava rindo
com elas. Avery estava falando algo para Elizabeth e
apontando para o oeste. O esplendor da sua
aparência contrastava marcantemente com a
simplicidade de Anastasia. Ele estava usando um
anel em quase todos os dedos, enquanto as suas
únicas joias eram seu anel de casamento. Sensata
Anastasia. Ela escolheu não competir com ele. Ou
talvez tenha sido uma escolha inconsciente.
Camille decidiu sair antes que sua mãe e sua avó
voltassem da sua excursão. Se ela ficasse, haveria
chá e pelo menos uma hora de conversa, e então,
Alexander ou Avery insistiriam em acompanhá-laa
sua casa. Ela tomou a decisão de passar algum
tempo com a família na próxima semana, mas não
desejava ser sugada de volta para a confusão, à
custa da sua independência recém-conquistada. Ela
não escapou completamente, no entanto. Avery se
afastou da sua conversa com Elizabeth quando
Camille se levantou.
― Eu devo dar a mim mesmo a honra de escoltar
você, Camille ― ele anunciou, da maneira frouxa
que o caracterizava ― Deixarei a carruagem para
você e Jéssica, Anna.
― Realmente não há necessidade ― disse
Camille bruscamente ― Estou bastante acostumada
a caminhar em Bath desacompanhada. Ainda não
encontrei nem um lobo.
― Ah ― ele disse, levantando o monóculo até
meio do seu olho ― mas não era uma pergunta,
Camille. E, na minha experiência, há muito pouco o
que precisamos de fazer.
Estremecemos ao pensar em ordenar a nossa
vida sobre tal noção de dever.
Ela conhecia bem Avery para perceber que nunca
valia apena argumentar com ele. Ela se despediu de
todos os outros.
― Eu me pergunto ― ela disse, acidamente,
quando eles estavam no passeio, fora da casa, e a
porta se fechou atrás deles ― se você disse a
Anastasia se ela casaria com você e, quando ela
recusou, você informou que não tinha sido uma
pergunta.
― Eu estou ferido de coração ― ele disse,
oferecendo-lhe o braço dele ― que você me achasse
tão sem charme e apelo pessoal que Anna não teria
dito sim, no instante em que eu disse que ela
deveria se casar comigo.
Ela pegou seu braço e olhou-o, evitando o desejo
de rir.
― Como você a persuadiu? ― Perguntou ela.
― Bem, foi assim, você vê ― ele disse, levando-a
para a Brock Street e, presumivelmente, em direção
à inclinação de Gay Street para a cidade, uma rota
que ela normalmente evitava ― A condessa viúva e
as tias e os primos, com uma ou duas exceções,
tentavam convencê-la de que a coisa mais sensata
que podia fazer era casar com Riverdale.
― Alexander? ― disse ela, atônita. Mas sim, teria
sentido. Um casamento entre os dois teria reunido a
propriedade envolvida e a fortuna para sustentá-la.
― Eu lhe ofereci uma alternativa ― disse Avery
― Eu informei que ela poderia ser a Duquesa de
Netherby, em vez disso, se quisesse.
― Só isso? ― Ela perguntou a ele ― Em frente a
todos?
― Eu não caí de joelhos, senão faria um
espetáculo de mim mesmo ― disse ele ― Mas agora
que você fez umarachadurana minha autoestima,
Camille, eu devo considerar o fato de que meu título
superou o de Riverdale e a minha fortuna muito
superou a dele. Você acha que esses fatos pesaram
fortemente com Anna? ― ele olhou-a, de lado, com
olhos preguiçosos.
― Nem durante um momento ― disse ela.
― Você não a considera mercenária ou calculista,
então?
― Ele perguntou.
― Não ― disse ela.
― Ah! ― disse ele ― Você sabe, Camille, é tão
bom que Bath possua fontes termais, que se dizem
que efetuam curas milagrosas,quer as águas sejam
bebidas ou que se mergulhem nelas. De outra
forma, certamente seria uma cidade fantasma ou
nunca teria existido de toda forma. Estas colinas são
uma abominação, não são? Eu nem tenho certeza de
que seja seguro para você segurar meu braço. Temo
que, a qualquer momento, eu perca o controle e
caianuma tentativa desesperada de manter as
minhas botas no mesmo ritmo que o resto da minha
pessoa.
― Às vezes você é muito absurdo, Avery ― disse
ela.
Ele voltou a cabeça para ela novamente.
― Você está de acordo com sua irmã sobre esse
assunto ― disse ele ― É o que ela frequentemente
diz a mim.
― Meia-irmã ― disse ela bruscamente.
Ele não respondeu, enquanto eles desciam a Gay
Street.
Camille teve que admitir, na privacidade da sua
mente, que se sentia bem em ter o apoio do braço
de um homem novamente. E Avery sentiu-se,
surpreendentemente, firme e forte quando
considerou o fato de que ele era apenas uns
centímetros mais alto do que ela e que era de
constituição leve e graciosa. Mas … ele tinha
derrubado o Visconde Uxbury com os pés descalços.
― Avery ― ela perguntou ― porque você insistiu
em vir comigo?
― O fato de eu ser seu cunhado não é motivo
suficiente?
― perguntou ele. Curiosamente, ela nunca
pensou nele em termos desse relacionamento ― Ah,
peço desculpas,meio cunhado. Mas isso me faz
parecer menor do que sou e, você sabe, sou muito
sensível sobre a minha altura.
Ela sorriu, mas não virou o rosto para ele nem
respondeu á sua pergunta. Estavam quase na parte
mais íngreme da descida.
― A coisa é, você vê, Camille ― ele disse, sua
voz mais suave do que tinha sido ― que, embora
meu pai tenha se casado com sua tia, anos atrás, e
assim nos fez numa espécie de primos, eu senti um
certo carinho de primo, desde então por você,
Abigail e Harry, e, embora eu conheça Anna por
apenas alguns meses, e pode parecer injusto que eu
não sinta menos por ela, na realidade, minha
querida, eu gosto muito dela. Se você me perdoar a
vulgaridade, a ex-Lady Camille Westcott talvez não
o fizesse, mas a presente Camille, possivelmente
fará,eu irei ainda mais longe para dizer que eu estou
completamente apaixonado por ela. Mas isso é só se
você, realmente, perdoar a vulgaridade. Se você não
perdoar, manterei esta embaraçosa admissão, para
mim mesmo.
Camille sorriu novamente, embora ela se sentisse
um pouco abalada. No entanto, fazia um certo
sentido, pensou, que o frio, distante, cínico, ##
incompreensível/insondável/impenetrável<<inescrut
ável, totalmente autossuficiente duque de Netherby
se apaixonasse tão solidamente como uma tonelada
de tijolos, se alguma vez caísse. Quem, no entanto,
poderia ter previsto que aconteceria com alguém
como Anastasia,que parecia tão desgastada quanto
Joel, quando apareceu pela primeira vez em
Londres. Esse último pensamento a deixou ainda
mais abalada.
― O que você está tentando dizer, Avery? ― Ela
perguntou a ele.
― Santo Deus ― ele disse ― espero estar
fazendo mais do que tentar, Camille, quando eu
enfrentei os perigos de uma colina tão suicida. O
que estou dizendo é que Anna entende.
Eu acredito que a sua compreensão, paciência e
amor serão infinitas se for necessário, assim como
sua angústia. Ela me ama tanto quanto eu a amo,
disso não tenho dúvidas. Ela está tão
exuberantemente feliz com o nascimento iminente
do nosso filho quanto eu estou aterrorizado. Ela ama
e é amada por um grande círculo de membros da
família tanto do lado da mãe quanto do pai. Seus
avós maternos adoram-na e são adorados em troca.
Ela tem tudo o que apenas nos seus sonhos mais
loucos poderia ter,na maior parte da sua vida.
Não, correção. Quase tudo.
― Avery ― ela disse enquanto alcançavam terra
plana ― Eu fui cortês quando você e ela visitaram a
casa da minha avó, ao voltar da sua viagem de
casamento. Eu fui cortês na última noite. Desejei-lhe
o melhor esta tarde. Eu disse a ela que eu estava
encantada por ela, e eu quis dizer isso. Porque não
deveria? Como poderia eu desejar-lhe mal? Seria
monstruoso de mim. E porque só a mim? Serão
Abby, Jéssica e Harry destinatários desta
admoestação?
Ele estremeceu teatralmente.
― Minha querida Camille ― disse ele ― espero
nunca admoestar ninguém. Parece que exigiria uma
grande despesa de energia. Anna anseia o amor, o
amor total e incondicional, de vocês quatro, mas o
seu em particular. Você é mais forte, mais forte do
que os outros. Ela a admira mais e a ama mais,
embora ela me repreenda quando digo tal coisa e
me lembra que o amor não pode ser medido por
grau. Seria de esperar que ela ficasse desgostosa ou
desdenhosa ou qualquer outra coisa negativa,
quando ouviu que você estava ensinando onde ela
havia ensinado e depois que estava morando onde
ela havia morado. Em vez disso, ela chorou, Camille,
não com vexação, mas com orgulho, admiração,
amor e convicção de que você teria sucesso e
provaria que todos os seus críticos estavam errados.
Camille não conseguiu se lembrar de nenhuma
outra ocasião, em que Avery tivesse falado tanto, e
a maior parte sem a sua habitual e aborrecida
afetação.
― Avery ― disse ela ― há uma diferença entre o
que se sabe e se determina com a cabeça e o que se
sente com o coração. Eu fui ensinada e sempre me
esforcei para viver de acordo com o primeiro. Eu
sempre acreditei que o coração é selvagem e pouco
confiável, essa emoção é melhorada em nome do
sentido e da dignidade. Eu sou tão nova para a
minha vida atual, como Anastasia é para a dela. E
não tenho certeza de que os primeiros vinte e dois
anos da minha vida valham qualquer coisa. De
muitas maneiras eu me sinto como uma criança
indefesa. Mas enquanto os bebês estão descobrindo
os dedos das mãos e dos pés e as bocas, eu estou
descobrindo o coração e os sentimentos. Me dê
tempo.
O que diabos ela estava dizendo? E a quem ela
estava dizendo? Avery, de todas as pessoas? Ela
sempre desprezava seu esplendor indolente.
― O tempo não é meu para dar, Camillepo não é
meu para dar, Camille ―― ele disse enquanto se
voltaram para Northumberland Placeram para
Northumberland Place ― Ou pararam para
Northumberland Place tomar. Mas eu me pergunto
se a chegada de Anna em suaMas eu me pergunto
se a chegada de Anna em suaMas eu me pergunto
se a chegada de Anna na sua vida, estava no seu
caminho como umaem seu caminho como uma
bênção, tanto quantobênção, tanto quanto a sua
chegada foina minhana minha. É quase suficiente
para fazer comquase suficiente para fazer com que
se acrediteacredite nono destino,destino, nãonão é?
é? EE sese esseesse nãonão éé umum
pensamentopensamentopensamento
selvagemselvagemselvagem eee
caótico,caótico,caótico, eueueu
estremeçoestremeçoestremeço em pensar qual.
Camille, o que aconteceu com você certamente
deve terCamille, o que aconteceu com você
certamente deve terCamille, o que aconteceu com
você certamente deve ter sido a melhor coisa que
poderia ter acontecido.sido a melhor coisa que
poderia ter acontecido.
. . eu me pergunto se a chegada de Anna na sua
vida,. . eu me pergunto se a chegada de Anna na
sua vida,. . eu me pergunto se a chegada de Anna
na sua vida, estava no seu caminhestava no seu
caminho como uma bênção, tanto quanto a suao
como uma bênção, tanto quanto a sua chegada
foina minha.na minha.
Dois homens muito diferentes, dizendoDois
homens muito diferentes, dizendo essencialmente
aessencialmente a mesma coisa, que a maior
catástrofe da sua vida talvez fosseque a maior
catástrofe da sua vida talvez fosseque a maior
catástrofe da sua vida talvez fosse também a sua
maiortambém a sua maior bênção.
― Ah ― disse Averydisse Avery ― o pretendente
abandonado se nãoo pretendente abandonado se
não me engano.
Ela olhou-o interrogativamente e depois para
aEla olhou-o interrogativamente e depois para aEla
olhou-o interrogativamente e depois para a
frentefrentefrente paraparapara ondeondeonde
eleeleele estavaestavaestava
olhando.olhando.olhando. JoelJoelJoel
estavaestavaestava foraforsalvodododo orfanato.
― O quê? ― Ela disse, franzindo o cenho.Ela
disse, franzindo o cenho.
Mas Joel a avistou e caminhouMas Joel a avistou
e caminhou na direção dela ao longoeção a ela ao
longo do passeio. Ele pare. Ele parecia um pouco
desgrenhado e gastocia um pouco desgrenhado e
gasto.
― Aíestá vocêvocê ― ele disse quando ainda
estava a umaestava a uma certa distância ―
Finalmente.Finalmente.
Joel tinha estado num serviço matutino da igreja,
mas decidiu passar o resto do dia em casa. Ele
sentiu o desejo de trabalhar apesar do fato de ser
domingo. Ele estava pronto para pintar Abigail
Westcott. Ele não conseguiu, literalmente, fazer
isso, é claro, porque primeiro ele teria que colocá-la
na roupa certa e com o penteado certo e na luz e no
ambiente certo. Ele faria isso um dia na próxima
semana, se o seu tempo não estiver muito ocupado
com a visita da sua família.
Mas ele poderia e trabalharia num esboço
preliminar.
Isso era diferente de todos os outros esboços que
ele fazia sobre os seus retratados. Eram impressões
fugazes, muitas vezes capturando apenas uma
faceta de caráter ou humor que o atingira. Neles, ele
não tentou obter uma impressão abrangente de
quem era essa pessoa. O esboço preliminar estava
muito mais próximo do que seria o esboço final e
depois o retrato. Nele, ele tentou colocar aquelas
fugazes e infinitas impressões para formar algo que
capturava toda a pessoa. Antes que ele pudesse
fazê-lo, no entanto, ele tinha que decidir qual era o
traço de caráter predominante e quanto de cada um
seria incluído, e, mais significativamente, como.
Tinha que decidir também, a melhor maneira de
colocar o seu retratado para capturar o caráter. Era
um estágio complicado e crucial do processo e
precisava de um equilíbrio fino de pensamento
racional, intuição e concentração total.
Ele começou no domingo de manhã, em vez de
guardar o dia de descanso, porque ele estava
cansado dos pensamentos fragmentados e
revoltados, provocados pelos vários eventos nas
últimas semanas e queria recuperar sua familiar
rotina silenciosa. E logo ele foi absorvido no esboço.
Ele queria pintá-la sentada, reta, mas inclinada
ligeiramente para a frente, olhando diretamente
para o observador como se estivesse prestes a falar
ou rir a qualquer momento. Ele queria o seu rosto
ligeiramente corado, que osseus lábios se
separassem um pouco, seus olhos brilhantes de
ansiedade e… ah, os olhos deveriam ser a chave
para o todo, como costumavam ser nos seus
retratos, mas mais do que nunca com ela. Pois tudo
sobre ela, sugeria luz e alegria e a alegre
expectativa de que a vida lhe traria coisas boas e
uma ânsia de dar felicidade em troca. Mesmo os
olhos deveriam sugerir essas coisas, embora eles
devam fazer muito mais do que isso. Pois ele não
deve dar a impressão de que ela era apenas uma
garota bonita, basicamente superficial, que não
sabia nada sobre a vidae, suas muitas vezes, duras
realidades. Nos olhos, deve haver a vulnerabilidade
que ele sentiu nela, a melancolia, a perplexidade,
até a dor, mas a força essencial da esperança no
poder da bondade para vencer o mal, ou, talvez, se
essas palavras fossem muito fortes para o que ele
sentiu numa menina tão nova, o poder da luz para
superar a escuridão, então.
Ele sentiu isso corretamente? Havia as
profundidades de caráter nela, que ele achava que
existia? Ou ela era apenas uma garota doce que
sofreu tristeza nos últimos meses? Ele conversou
com ela por um número de horas. Ele tinha feito
numerosos esboços. Ele a tinha observado, na noite
anterior, no jantar. Ele conhecia muitos fatos. Mas,
como sempre, ele deveria esboçar e pintar com
intuição e confiar que era mais verdade que todos os
fatos que ele acumulara. Os fatos erravam muito.
Aos fatos escapavam o que estava embaixo desses
fatos. Fatos perdiam o espírito.
Ele sentiu uma grande ternura por Abigail
Westcott, como sentia por todos os seus retratados.
Pois não havia nada como o processo de pintar o
retrato de alguém, para ajudar alguém a conhecer a
pessoa por dentro e, sabendo, não podia deixar de
sentir empatia.
Acabou de terminar o esboço e deu um passo
atrás do seu cavalete para vê-lo com um pouco mais
de objetividade, quando uma batida soou na porta e
o surpreendeu, de volta à realidade. Ele não tinha
ideia de que horas eram, mas sabia que, quando ele
se imergia no seu trabalho, horas desapareciam sem
deixar vestígios e deixá-lo-iam sentindo que
certamente ele tinha começado há apenas alguns
minutos atrás. Seu estômago parecia vazio, um sinal
seguro de que ele devia ter perdido uma refeição,
por mais de uma hora ou duas. Talvez fosse Marvin
ou Edgar, que vinham para resgatá-lo e arrastá-lo
para comer em algum lugar.
Também não era. O homem que estava de pé ao
lado da sua porta era um estranho, um homem mais
velho, de um rosto firme e ereto e um semblante
severo e bonito. Ele tinha o chapéu na mão. Seu
cabelo escuro estava prateado nas têmporas.
― Sr. Joel Cunningham? ― Perguntou.
― Sim ― Joel ergueu as sobrancelhas.
― Seu vizinho baixo, abriu a porta à minha
batida ― o homem explicou ― e sugeriu que eu
subisse.
O que Edgar deveria ter feito, pensou Joel, era
chamá-lo. Obviamente ele julgou o homem
respeitável o suficiente para entrar.
― Eu expliquei ― o homem disse como se
estivesse lendo seus pensamentos ― que eu sou um
advogado e tenho negócios pessoais de alguma
importância com você.
― Num domingo? ― disse Joel.
― O assunto é algo delicado ― disse o homem ―
Posso entrar? Eu sou Lowell Crabtree do escritório
de advogados de Henley, Parsons e Crabtree.
Joel ficou de um lado e gesticulou para o homem.
Ele indicou o caminho para a sala de estar e
ofereceu-lhe um assento. Ele começou a ter uma
premonição horrível.
― Eu sou o advogado encarregado da
propriedade do falecido Sr. Adrian Cox-Phillips ―
disse Crabtree ― Eu entendo que você já foi
informado do seu triste falecimento na manhã de
ontem.
― Eu fui ― disse Joel, sentando-se na frente
dele.
― É a minha prática habitual ― disse o advogado
― ler o testamento para a família depois que a
pessoa falecida for sepultada,na terça-feira, neste
caso particular.
Tão cedo? Joel franziu o cenho. Ele decidiu ontem
à noite que tentaria descobrir quando o funeral
deveria ser e participar, embora ele não se desse a
conhecer aos outros participantes. Ele não imaginou
que o Visconde Uxbury notasse a sua presença.
― Foi o desejo do Sr. Cox-Phillips ― explicou
Crabtree ― que ele fosse sepultado o mais rápido
possível e com o menor espalhafato possível. Ele
tem … três parentes vivos, todos os quais estão
atualmente hospedados na sua casa. Dois deles
insistiram, particularmente, em não esperar até
depois do funeral para ler o testamento. Eles
precisam retornar às suas vidas ocupadas assim que
homenageassem o seu parente.
Joel leu alguma desaprovação na maneira rígida
do homem.
― Eles insistiram que eu o leia amanhã de
manhã ― disse Crabtree ― Os meus parceiros
seniores consideraram oportuno convencer-me em
concordar, embora segunda-feira, especialmente
segunda-feira de manhã, seja um momento
inconveniente, chegando naturalmente depois do
domingo, o que sempre guardei,bastante
estritamente, como o dia de descanso dos Judeus
com a Sra. Crabtree e os nossos filhos. No entanto,
segunda-feira de manhã será. O Sr. Cox-Phillips
extraiu uma promessa de mim quando fiz negócios
com ele alguns dias atrás. Ele me instruiu a
encontrar e falar com você, em particular, antes de
ler o testamento aos seus parentes.
A sensação de pressentimento de Joel ficou mais
forte.
― Para que fim? ― Ele perguntou, embora a
pergunta fosse sem dúvida desnecessária. Tendo
dito tanto, o advogado dificilmente estava prestes a
parar ali e se despedir ― Embora relacionado com
Sr. Cox-Phillips, eu sou apenas o filho bastardo da
sua sobrinha.
Crabtree tirou alguns papéis de uma pasta de
couro que tinha com ele, os rodeou nas suas mãos e
olhou com severidade solene para Joel.
― De acordo, com o seu testamento ― disse ele
― generosas pensões devem ser pagas a alguns dos
seus servos que estiveram com ele durante muitos
anos, e pagamentos, igualmente generosos, devem
ser feitos aos outros. Uma soma considerável foi
deixada para um orfanato no Northumberland Place,
ao qual fez grandes doações anuais durante quase
trinta anos. O resto da sua propriedade e fortuna, o
Sr. Cunningham, incluindo sua casa nas colinas
acima de Bath e outra em Londres, que atualmente
é arrendada, foi deixada para você.
Havia um zumbido nos ouvidos de Joel. Nunca
lhe ocorreu … Bom Deus.
― Mas eu recusei ― disse ele ― Quando ele
ofereceu mudar o seu testamento no meu favor, eu
recusei.
― Mas ele mudou de qualquer forma ― disse
Crabtree ― Não posso colocar um valor monetário
exato na sua herança, no momento, Sr.
Cunningham. Isso foi bastante súbito e eu precisarei
trabalhar sobre o assunto. Eu sugiro que você venha
ao meu escritório, um dia desta semana, e eu
posso, pelo menos, dar-lhe uma ideia de onde seus
investimentos estão e qual é o seu valor
aproximado. Mas é uma fortuna considerável,
senhor.
― Mas e os parentes do meu tio-avô? ―
Perguntou Joel, levantando as sobrancelhas.
― Eu acredito ― disse o advogado, uma certa
nota de satisfação na sua voz ― que o Visconde
Uxbury, o Sr. Martin Cox-Phillips e o Sr. Blake
Norton ficarão desapontados. É completamente
possível que um ou mais deles contestem o
testamento. No entanto, eles ficarão mais
desapontados se o fizerem. O Sr. Cox-Phillips teve o
cuidado de escolher seis homens altamente
respeitáveis, para testemunhar a assinatura do seu
novo testamento. Eles incluem o seu médico, o
vigário da sua igreja paroquial e dois dos seus
vizinhos mais próximos, um dos quais é um
proeminente Membro do Parlamento, enquanto o
outro é um barão, o sexto da sua linha. Mais um,
que éum juiz, cuja palavra nem mesmo os mais
ousados advogados sonham em questionar.
O Sr. Crabtree não demorou. Depois de entregar
sua mensagem, ele se levantou, apertou Joel pela
mão, expressou a esperança de vê-lo em breve no
seu escritório, desejou-lhe um bom dia e se foi.
Joel trancou a porta atrás dele, voltou para a sala
de estar e ficou de pé na janela, olhando para fora,
mas sem ver nada, nem mesmo a partida do
advogado ao longo da rua.
Não, não tinha pensado uma vez, que seu tio-avô
continuaria com seu plano de tirar seus parentes
legítimos do seu testamento, mesmo depois que ele,
Joel, lhe dissera em termos inequívocos que não
desejava ser usado como um peão num jogo de
despeito.
Ele tinha feito isso de qualquer maneira.
Seu tio-avô tinha contribuído para o orfanato
durante quase trinta anos. Vinte e sete para ser
exato? Essa era a idade de Joel. Por quê? Sua avó
sempre o apoiava lá.
Será que foi, apenas por despeito dos outros
três, que o determinaram a mudar o seu testamento
a favor de Joel?
Por que ele não se fez saber há muito tempo?
Vergonha?
Por que ele convocou Joel para falar sobre a
mudança planeada? E será que ele inventou essa
história, como se quer dizer, mostrar o dedo do
meio, a três homens que nunca mostraram carinho
por ele além do seu dinheiro? Terá sido o seu
verdadeiro motivo, o desejo de deixar tudo para um
parente mais próximo, neto, embora ilegítimo, da
sua irmã, de quem ele claramente gostava? No final,
ele não conseguiu resistir a olhar para Joel apenas
uma vez antes de morrer?
Joel lembrou-se de ficar de pé, pelo que parecia
muito tempo naquele raio de sol, enquanto os olhos
do velho se moviam sobre ele da cabeça aos pés,
talvez procurando alguma semelhança com sua irmã
ou sua sobrinha.
Era tarde demais para fazer as perguntas. Havia
a dor de lágrimas não derramadas, na garganta de
Joel.
Seu primeiro instinto tinha sido repudiar o
testamento, dizer a Crabtree que ele ainda não
queria nada, que ele não aceitaria o que lhe restava.
Teria sido possível? A resposta não importou, no
entanto, porque ele tinha encontrado uma reflexão
mais honesta que, afinal, ele não queria recusar.
Aquela casa era dele. Aparentemente, havia
outra em Londres. Ele não conhecia a extensão da
fortuna que ele tinha herdado, mas o advogado
tinha dito que era considerável. Joel não tinha ideia
de que tipo de quantidade incluía uma fortuna
considerável, mas mesmo algumas centenas de
libras pareceriam vastas para ele. Ele suspeitava
que haveria mais do que isso. Milhares, talvez?
Ele era rico.
E quem, nos seus sonhos mais secretos, não
deseja que uma poupança inesperada venha na sua
direção, apenas uma vez, na vida? Quem não
sonhou secretamente com tudo o que poderia ter e
com tudo o que poderia fazer com uma fortuna
inesperada?
Ele e Anna, e as outras crianças também,
jogaram o jogo várias vezes durante os seus anos
de crescimento. O que você faria, se alguém lhe
desse dez libras, cem libras, mil libras, um milhão
de libras… E pensando em Anna levou-o a pensar
em Camille. E, de repente, ele sentiu a necessidade
esmagadora, quase pânico de vê-la, para dizer a
ela, para. . Ele não parou de analisar.
Ele pegou o chapéu e a chave e saiu dos seus
aposentos sem olhar para trás. Ele lembrou, quando
estava atravessando a ponte, que ela estava indo
até o Royal Crescent esta tarde para visitar sua
mãe. Ela teria voltado? Ela ficaria ali para jantar?
Talvez para dormir?
Ela não estava em nenhum lugar no orfanato, e
ninguém sabia com certeza quando voltaria, embora
não tivesse dito nada sobre não voltar esta noite.
Ele caminhou pelo passeio, lá fora, por alguns
minutos, perguntando-se, se deveria subir ao
Crescent para falar com ela lá ou simplesmente ir
para casa. Seria peculiar se ele fosse lá, e perdê-la
se ela chegasse em casa por uma rota diferente da
que ele tomaria. Ele ainda estava indeciso quando
ela virou para rua. Joel correu para ela, nem
percebeu que não estava sozinha.
― Aqui está você ― ele disse, todo o seu ser
inundado de alívio ― Finalmente.

Capítulo Dezoito ― Ele não ligou para o que eu


disse ― disse Joel, agarrando as duas mãos de
Camille e apertando com força ― Ele fez,de
qualquer maneira.
Camille olhou, interrogativamente, enquanto
devolvia o aperto das suas mãos. Mas,
estranhamente, ela sabia exatamente sobre o que
ele estava falando.
― Ele me deixou tudo ― disse ele ― além de
alguns legados para servos fiéis e para o orfanato,
Camille, para o qual ele esteve doando somas
anuais toda a minha vida.Bom Deus, ele me deixou
tudo ― nesse momento ele tomou consciência de
Avery, que estava em silêncio ao lado dela ― Peço
desculpas. Eu não vi você aí.
― Santo Deus ― disse Avery fracamente ― Estou
a entender que você acabou de herdar a fortuna de
Cox-Phillips? Permita-me felicitá-lo.
― Você não entende ― disse Joel, suas mãos
deslizando das de Camille ― Quando ele me
informou na nossa primeira reunião, alguns dias
atrás, que ele pretendia mudar o seu testamento a
meu favor, eu recusei a oferta de forma bastante
inflexível.
― Cox-Phillips informou você? Você recusou sua
oferta?
― Disse Avery. Inevitavelmente, o seu monóculo
surgiu na sua mão, embora não o tivesse levantado
até aos olhos ― Os homens ricos e poderosos dizem
muito mais do que perguntam, meu querido amigo.
Em muitos casos, é por issoque eles são ricos e
poderosos.
― Não me ocorreu ― disse Joel ― que ele
ignoraria a minha palavra.
― Joel ― disse Camille ― sinto muito.
O monóculo de Avery virou na sua direção, até
ao olho desta vez.
― Extraordinário ― disse ele ― Deve ser de
família. Você recusou uma parte da fortuna do seu
pai alguns meses atrás, Camille, assim como Harry e
Abigail, Anna teria recusado tudo isso se pudesse,
agora você está lamentando com este pobre
homem, porque ele acabou de herdar uma fortuna.
Basta me alegrar com o fato de que nenhum
sangue Westcott corre nas minhas veias, embora
algum irá, nas veias dos meus filhos, lembro-me.
― Peço desculpas ― disse Joel novamente ― Se
eu o tivesse visto, Netherby, não teria contado as
minhas notícias como fiz.
― E eu tenho a impressão distinta, de que minha
presença contínua aqui, como a escolta da minha
prima, será decididamente demais ― disse Avery ―
Eu vou assumir que ela foi entregue, com
segurança, em casa e me retirarei.
Ele passou a fazer isso sem mais uma palavra,
retornando do jeito que eles vieram.
― Deve parecer estranho ― disse Joel, franzindo
o cenho sobre ele ― que eu nem tenha percebido
que ele estava com você.
― Estou lisonjeada ― disse Camille ― Avery
geralmente atrai todos os olhares onde quer que vá.
É esse senso extraordinário de presença que ele
cultivou. Os outros bem que podem ser invisíveis.
Mas isso não é o que é importante agora. Joel, como
você soube sobre o testamento?
― Esses três parentes do meu tio-avô insistiram
que o testamento seja lido amanhã de manhã ―
disse ele ― mesmo antes do funeral na terça-feira.
Mas ele deixou instruções específicas, para que o
seu procurador, me procurassede antemão e me
informasse em particular do conteúdo do
testamento, em vez de me convocar para a leitura
oficial.
Talvez ele tenha esperado, me poupar de
qualquer desagrado, que a minha presença possa
suscitar.
― Era desejável ― disse Camille ― que o
advogado do meu pai tivesse exercido um critério
semelhante.
― O Sr. Crabtree, o advogado do meu tio-
avô,veio aos meus aposentos esta tarde ― disse
Joel ― embora seja domingo.
― Então os outros três não saberão até amanhã
de manhã ― disse ela.
― Não ― ele franziu a testa ― Eu não imagino
que eles ficarão satisfeitos. Mas Crabtree assegurou-
me que se eles tentarem contestar o testamento,
não terão sucesso.
― Eu realmente gostaria de poder estar
escondida, em algum lugar, naquela sala amanhã ―
disse ela ― como Anastasia esteve escondida nos
ramos de uma árvore em Hyde Park na manhã do
duelo. Gostaria de poder ver o rosto do Visconde
Uxbury quando o testamento for lido. Você está
muito infeliz com a herança?
Ele hesitou durante alguns instantes.
― Estou quase com vergonha de admitir isso ―
disse ele ― mas não acredito que esteja.
Anastasia cresceu neste orfanato, pensou
Camille, olhando para elee descobriu recentemente
que era a única herdeira de uma grande riqueza.
Joel cresceu aqui e acabou de descobrir que ele era
o único herdeiro de uma fortuna.
Quais eram as probabilidades? Elas devem ser
milhões para um, talvez bilhões. Ou talvez não. Era,
afinal, um orfanato no qual uma série de crianças
eram apoiadas por ricos benfeitores, mães, pais ou
outros parentes. Aconteceu, de qualquer forma. Ela,
por outro lado, entrou na direção oposta. Mas ela
não estava prestes a afundar em autopiedade.
― Então eu estou feliz por você ― ela disse,
mesmo quando percebeu que tudo mudaria agora,
que ela provavelmente estava prestes a perder esse
amigo recém-criado, que ela apenas começara a
pensar como tal.
Seus olhos procuraram o seu rosto.
― Converteu-se num dia encantador depois de
tudo ― disse ele, olhando para o céu azul, do qual
todas as nuvens da manhã tinham desaparecido ―
Vamos dar um passeio? Ou você já andou bastante?
Você acabou de vir do Royal Crescent, suponho.
Mas… junto ao rio? Não está longe e há alguns
assentos lá.
― Muito bem ― ela disse, e eles passaram pelo
orfanato.
Mas em vez de atravessar a Pulteney Bridge
quando chegaram lá, eles desceram o caminho para
passear ao lado do rio, além do açude, que era
como uma grande flecha em toda a sua largura, na
direção da Bath Abbey. O sol brilhou na água e
sorriu calorosamente sobre eles. Alguns patos
balançaram na superfície do rio. As crianças se
lançaram e gritaram ao longo do caminho, os
acompanhantes que os acompanhavam a um ritmo
mais tranquilo. Um par de crianças do outro lado,
estavam puxando um barco de brinquedo numa
corda paralela ao banco. Dois homens idosos
ocuparam o primeiro assento que passaram. Um
deles estava jogando migalhas de pão para os
patos. Um casal de meia-idade desocupou o próximo
assento, imediatamente, antes de alcançá-lo, e
sentaram-se.
― Você realmente está muito feliz com o que
aconteceu, então? ― Perguntou Camille, quase as
primeiras palavras que ambos falaram desde que
começaram a andar.
― É muito básico de mim, não é? ― Disse ele ―
Eu rejeitei o que eu pensei que fosse uma oferta, há
alguns dias, porque eu não queria ser usado como
um peão num jogo de invenção de Cox-Phillips e
porque abominava a ideia de permitir que os meus
afetos fossem comprados, quando eu teria dado eles
livremente e com prazer, durante toda a minha
infância. Ele deixou tudo para mim, assim mesmo.
Eu não sei porquê, e nunca vou saber agora. Minha
primeira reação, nesta tarde, foi horror e negação.
Mas devo confessar que foi apenas uma reação
momentânea. Então a realidade me atingiu, eu era
rico. Eu sou rico. Pelo menos, eu acredito que sou.
Crabtree não podia me dizer o quão grande era a
fortuna, mas ele me assegurou que é considerável,
e inclui essa mansão na colina e até mesmo uma
casa em Londres.
Como alguém pode resistir a uma fortuna quando
é empurrada para ela? Eu continuo pensando em
como isso pode mudar minha vida, de como isso
mudaráa minha vida.
Ele estava inclinado para a frente no assento, os
antebraços apoiados nas coxas, as mãos penduradas
entre elas, olhando para o rio, sua expressão
intensa. Camille podia sentir a excitação esmagada
e sentia-se, de alguma forma, gelada apesar do
calor do sol. Sim, sua vida mudaria e ele mudaria.
Não havia nenhuma dúvida sobre isso.
― Eu poderia viver naquela casa se eu
escolhesse ― disse ele ― com criados. E com a
minha própria carruagem.
Eu poderia ir a Londres. Eu tenho uma casa lá,
embora esteja arrendada no momento. Londres.
Posso ver isso finalmente. Eu poderia ir ao País de
Gales ou à Escócia. Eu poderia ir ao País de Gales e
à Escócia, e a todo o mundo. Eu poderia reduzir a
pintura de retratos e pintar mais paisagens apenas
para mim.
― Você poderia comprar um novo casaco e botas
novas ― disse ela.
Ele virou a cabeça bruscamente para ela, como
se ele tivesse se lembrado de que ela estava lá.
― Você resistiu a uma fortuna ― disse ele ― Ou
um quarto de fortuna pelo menos. Como você fez
isso, Camille, quando a alternativa era a penúria?
Na verdade, não teria recebido caridade, não é?
Seu pai tinha feito um testamento após o
nascimento de Anastasia, mas tinha negligenciado
fazer outro durante os vinte e cinco anos que se
seguiram. Ele sempre agiu como se fosse a sua
família legítima, Mama e ela e Harry e Abby, embora
ele nunca tivesse mostrado nenhum amor real por
nenhum deles. Talvez ele tivesse acreditado.
Certamente ele tinha a intenção de vê-los
provisionados. Talvez ele tivesse esquecido o
testamento anterior. Ou talvez ele sempre quis fazer
outro, mas nunca tivesse conseguido fazer isso. Ou…
talvez ele tivesse gostado, deliberadamente, da
piada do que aconteceria depois da morte dele.
Quem sabe? Mas, certamente, Anastasia estava
sendo justa, não meramente caritativa, na sua
crença de que os quatro deveriam partilhar a parte
da sua propriedade e fortuna, que não estava ligada
ao título. Eles podiam ter aceitado sem se sentirem,
indevidamente, em dívida com ela.
― Você vê, eu não era a única interessada ―
disse ela ― Harry perdeu muito mais do que eu. Ele
era o Conde de Riverdale, Joel. Ele era
fabulosamente rico. Ele tinha sido criado para o tipo
de vida que ele tinha começado a viver. Ele teria
cumprido as suas responsabilidades, mesmo que ele
ainda tivesse a fazer alguns disparates. Tudo, o
próprio fundamento da sua vida, foi arrebatado. E
minha mãe perdeu muito mais do que nós. Ela se
casou bem e cumpriu seus deveres como condessa e
esposa e mãe por mais de vinte anos, antes que
tudo, até o nome dela, fosse tirado. E, de forma
bastante injusta, teve que suportar a culpa de ter
dado à luz três filhos ilegítimos. Ela não recebeu
nada, embora nos tenha contado, hoje, que o dote
que meu avô deu ao meu pai quando ela se casou,
foi devolvido com todos os juros que acumulou. Ela
poderá viver de forma independente, embora
modestamente, afinal. Eu suspeito que foi
Anastasia, em vez do seu advogado, que pensou
naquela maneira de nos ajudar.
Até Abby perdeu mais do que eu. Ela deveria
fazer a sua apresentação à sociedade na próxima
primavera, com todas as perspetivas brilhantes que
teriam oferecido para o futuro dela. Em vez disso,
ela teve a juventude tirada dela e todas as suas
esperanças.
― A esperança é algo que acende os seus olhos
de dentro ― disse ele ― Ela não desistiu, Camille.
Talvez ela tenha a sorte de ser tão jovem. Ela
ajustará as suas esperanças às suas circunstâncias.
E a juventude não foi tirada dela. Ela exala
juventude.
Ele estava olhando muito diretamente para ela,
sua cabeça virada para trás no seu ombro. Ela
sentiria falta dele, pensou, e repreendeu-se por se
ter permitido se apegar a ele em tão pouco tempo.
Ela era tão carente? Claro, houve a complicação de
que ela tivessefeito amor com ele e que gostara da
experiência e que ele era poderosamente atraente.
― Você é uma pessoa incrivelmente forte,
Camille ― disse ele ― Mas, às vezes, você constrói
uma parede sobre você. Você está fazendo isso
agora. Essa é a única maneira de se manter em
paz?
Ela estava prestes a pronunciar uma réplica
irritada.
Mas ela estava cansada. Seus pés estavam
doloridos.
― Sim ― disse ela.
Seus olhos continuaram a procurar seu rosto.
― Ainda atrás da parede ― ele disse ― você é
incrivelmente compassiva. E de coração leal.
Um pequeno garoto passou, naquele momento,
jogando um aro de metal e fazendo um grande
barulho. Uma mulher, sua governanta? Sua mãe? ―
o chamou de alguma distância para diminuir a
velocidade.
Camille sentiu um pouco como se fosse chorar.
Estava se tornando um sentimento cada vez mais
familiar, como se as lágrimas que ela não
derramara, desde os sete anos de idade até há uma
semana ou mais, estivessem determinadas a
compensar o tempo perdido.
Joel sentou-se de volta para que seu ombro
tocasse o dela e olhou para o rio.
― Ou ― disse ele ― eu poderia vender as casas,
investir todo o dinheiro em algum lugar e esquecê-
lo. Seria possível?
Estaria sempre lá, acenando e tentando-me? Ou
eu poderia dar tudo. Mas, então, arrependeria-me
sempre, de ter feito isso? O que você acha, Camille?
Você já se arrependeu de ter dito que não?
Ela fez? Ela nunca se permitiu pensar nisso. Mas
o pensamento tinha se infiltrado de qualquer
maneira, especificamente a perceção de que ela
tivesse virado as costas para mais do que apenas o
dinheiro. Ela não esqueceria facilmente aquele olhar
fugaz de anseio no rosto de Anastasia, mais cedo,
quando Camille lhe deu os parabéns por estar
grávida. E ela não esqueceria a repreensão de
Avery, enquanto caminhavam pela colina no
caminho para casa, e era o que tinha acontecido. E
ela não esqueceria a sugestão de Alexander de que
ela se permitisse ser amada.
Era isso que o dinheiro significava para a
Anastasia? Amor?
Foi isso que ela, Camille, tinha rejeitado?
Joel virou a cabeça novamente quando não
respondeu imediatamente. Seus rostos estavam
muito próximos, desconfortavelmente próximos.
Seus olhos pareciam intensamente escuros sob a
aba do chapéu.
― Uma resposta honesta? ― Ele disse.
― Não me arrependo desse caminho de auto-
descoberta em que estou ― disse ela ― embora seja
incrivelmente doloroso.
― É? ― Seus olhos caíram nos seus lábios.
― Você também sentirá dor ― disse ela ― Ser
forçado a sair da vida que sempre se teve, sem
muita introspeção é doloroso. A maioria das pessoas
nunca tem que fazê-lo. A maioria das pessoas nunca
realmente se conhece.
― E você se conhece agora? ― Seus olhos
sorriram, de repente, sob a aba do chapéu ― Você
não se conheciano dia em que fomos ao Sally
Lunn's. Você me disse isso.
Ela sabia de algo agora, com uma clareza mental,
e era algo que teria surpreendido Lady Camille
Westcott no âmago.
Ela queria que ele a beijasse, apesar de estarem
num lugar horrivelmente público. Ela queria voltar
para a cama com ele novamente. Era isto
autoconhecimento? Ela era promíscua?
Mas não. Ela nunca quis algo semelhante com
nenhum outro homem, e não podia imaginar querer
alguma vez. E o que isso dizia sobre si mesma?
― Estou aprendendo ― disse ela.
Seu olhar não mudou. Era mais desconcertante,
mas ela não se afastava dele nem desviava a vista.
Ela não era mais aquelaafetada aristocrata, oh-tão-
correta. Era um lindo dia e ela estava sentada, junto
ao rio, num caminho público com um homem que
ela desejava de uma maneira muito chocante, mas
ela não se sentia nem chocada nem envergonhada.
Mesmo que ele mudasse e se mudasse para um
mundo onde ela não o poderia seguir. Ela tinha
guardado os seus sentimentos durante toda a vida e
onde isso a tinha levado?
Seus lábios tocaram os dela muito brevemente
antes de parecer lembrar onde estavam, sentados
de novo, seu ombro contra o dela. O garoto com o
aro veio rugindo de volta, ao longo do caminho, a
mesma mulher que o chamara,atrás dele. Uma mãe-
pato estava deslizando pelo rio, cinco patinhos vindo
atrás dela numa linha ligeiramente torta.
Uma criança gemeu com deleite e apontou para
eles enquanto ela saltava a cavalo nos ombros do
seu pai, e sua mãe, punha uma mão atrás dela, para
que ela não saltasse para trás.
― Joel ― disse Camille ― leve-me para casa com
você.
Ele não deveria ter feito isso, é claro, maEle não
deveria ter feito isso, é claro, mas como eleEle não
deveria ter feito isso, é claro, ma poderia ter dito
não,poderia ter dito não, quando era o que ele
queria também?quando era o que ele queria
também?
Joel não fazia ideia sJoel não fazia ideia se as
suas idas e vindas fosseme as suas idas e vindas
fossem notadas por algum dos vizinhos da rupor
algum dos vizinhos da rua, mas, certamente, desta
vez,certamente, desta vez, tiveramtiveramtiveram
sortesortesorte dentrodentrodentro dadada
casa.casa.casa. OuOuOu seusseusseus
outrosoutrosoutros inquilinosinquilinosinquilinos
estavam fora, ou eles estavam ocupandoestavam
fora, ou eles estavam ocupando-se discretamente
emtamente nos seus próprios aposentosseus
próprios aposentos.
Camille não fez nenhuma pretensão de ter vindo
com eleCamille não fez nenhuma pretensão de ter
vindo com eleCamille não fez nenhuma pretensão de
ter vindo com ele por qualquer outro motivo do qpor
qualquer outro motivo do que o óbvio. Tendo
removido eue o óbvio. Tendo removido e
dependurado o chapéudependurado o chapéu e o
xale, ela se virou para o quarto ee o xale, ela se
virou para o quarto e olhou ao redor. Ele estava feliz
por ter limpo e arrumadoolhou ao redor. Ele estava
feliz por ter limpo e arrumadoolhou ao redor. Ele
estava feliz por ter limpo e arrumado ontem. Ele até
mudou a roupa de cama.ontem. Ele até mudou a
roupa de cama.
Ela se despiu hoje, de forma metódica e eficEla
se despiu hoje, de forma metódica e eficiente, deEla
se despiu hoje, de forma metódica e efic costas para
ele. PraticamentePraticamente nãonão
trocaramtrocaram umauma palavrapalavra depois
de deixar o bancodepois de deixar o banco junto ao
rio. Seu cabelo caiu porjunto ao rio. Seu cabelo caiu
por último. Ela puxou os. Ela puxou os grampos,
colocou-os sobre a mesa aoos sobre a mesa ao lado
do seu livro e sacudiu alado do seu livro e sacudiu a
cabeça. Seu cabelo era escuro,cabeça. Seu cabelo
era escuro, grosso e brilhantegrosso e brilhante e
caiu em ondas quasee caiu em ondas quase até aaté
a cintura.cintura.
Apesar da plenitude da sua figuraApesar da
plenitude da sua figura, evidente através de
suasevidente através das suas roupas, nunca
adivinhariaadivinharia que ela fosse tão
voluptuosamentetão voluptuosamente bela. E
jovem. Na maioria das personalidadesE jovem. Na
maioria das personalidades que ela adotouque ela
adotou paraparapara ooo mundomundomundo
exterior,exterior,exterior, elaelaela
pareciapareciaparecia semsemsem
idade,idade,idade, masmasmas certamente não era
jovem. Agora ela parecianão era jovem. Agora ela
parecia a sua sua idade, ela devia ser cinco anos
maisdevia ser cinco anos mais nova do que ele, e
jovem e vibrantee jovem e vibrante e tão desejável
que o sangue parecia estar cantando atravése tão
desejável que o sangue parecia estar cantando
atravése tão desejável que o sangue parecia estar
cantando através das suas veias e enchendode suas
veias e enchendo-o com um desejo quase doloroso.o
com um desejo quase doloroso.
Ela puxou para trás a colcha da cama e deitou-
se, aparentemente sem autoconsciência, enquanto
ele acabou de se despir e se juntou a ela na cama.
Ela virou-se para o lado dele e alcançou-o. Ela era
virgem na primeira vez, é claro, e um pouco
passiva, embora de forma alguma fria ou encolhida.
Hoje, ela fez amor com um feroz abandono que ele
logo combinou, suas mãos, sua boca, até os dentes
dela, por cima dele enquanto ele se dedicava à
tarefa totalmente desnecessária de despertá-la. Ele
rolou sobre ela e empurrou para dentro dela mais
cedo do que a delicadeza adequada teria ditado,
mas não muito cedo, por Deus. Ela estava quente,
molhada e ansiosa, e ela combinava com ele, golpe
a golpe, com os quadris rodantes e os músculos
internos e as mãos esticadas e as pernas torcidas
até que ela gritou sua libertação um momento antes
de ele se derramar dentro dela.
― Camille ― Ele saiu dela, moveu-se para o lado
dela sem tirar os braços dela, colocou seu corpo
quente e húmido contra o dele, e sorriu enquanto
suspirava e deslizava para um sono profundo e
totalmente relaxado.
Ele tinha desfrutado de sexo regular com Edwina,
por dois anos ou mais, sem sentir a necessidade de
examinar os seus sentimentos ou se perguntar
sobre os dela ou considerar as suas obrigações. Ele
fez todos os três enquanto se deitava lá, confortável
e saciado e balançando à beira do sono, mas não
adormecendo. Ela cheirava a um sabão suave, que
já tinha notado antes e a suor e a mulher. Ela
cheirava maravilhosamente.
Ela acordou um pouco mais tarde, e moveu a
cabeça para trás o suficiente para contemplá-lo. Ele
se perguntou se estava no caminho de outra
bofetada no rosto, mas não, ela foi a única que
pediu para ser trazida aqui e pelo que aconteceu
entre eles. Além disso, ela explicou que deu um tapa
naquela outra vez, porque ele pediu desculpas e, por
isso, diminuiu o que, para ela, tinha sido uma
experiência maravilhosa.
― Nãoestou a ponto de me desculpar ― disse
ele.
Ela sorriu devagar. Começou nos seus olhos e se
espalhou pela boca, um sorriso preguiçoso, divertido
e feliz.
E, oh, Deus, quando é que aquela horrível mulher
Amazona, ele se lembrou de algumas semanas
atrás,se metamorfoseou nessa mulher infinitamente
desejável nos seus braços e na sua cama?
― Uma pena ― disse ela ― Eu poderia ter
esbofeteado a sua outra bochecha e equilibrado um
pouco as coisas.
Camille Westcott fazendo piadas?
Ele a beijou, movendo seus lábios calorosa e
preguiçosamente sobre os dela e, por consentimento
tácito, eles fizeram amor novamente, lentamente
desta vez, sem pressa para chegar onde estavam
indo, aproveitando seu tempo, desfrutando cada
momento, cada toque e carícia ao longo do caminho.
E quando chegou a hora de juntarem seus corpos,
ele a pôs em cima dele, colocando os seus joelhos
para abraçar os quadris dele e a penetrou antes de
cavalgarem juntos por longos minutos de puro
prazer até o desejo tornar a situação em algo mais
urgente e eles chegaram ao clímax juntos. Ele ficou
profundo, e ela apertou-se fortemente sobre ele e
depois abriu-se enquanto ele derramava sua
semente nela mais uma vez.
Ele a acompanhou a casa no meio da noite,
depois de terem comido, falado, rido e a esboçado e
ela fez rostos de gárgulas, o que ele desenhou, e
eles riram mais, como um par de crianças, e fizeram
amor mais uma vez, totalmente vestidos, exceto nos
lugares essenciais, no sofá.
Eles se casariam, pensou ele, enquanto
caminhavam.
Eles certamente não se afastariam do fato de que
em três vezes diferentes ele tinha feito mais
provável que a tivesse engravidado. Mas ele não
perguntou. Ele não tinha certeza da sua resposta. E,
tolamente, ele não sabia como fazer isso.
Havia uma grande turbulência para ele enfrentar
nos próximos dias. Ela tinha a sua família para se
preocupar na próxima semana. Ele esperaria. E não
havia muita pressa de qualquer maneira. Um bebê
levava nove meses para nascer, não era?
Eles disseram boa noite quando chegaram ao
orfanato, e ela entrou com a sua chave e fechou a
porta atrás dela sem olhar para ele. Ele deveria ter
perguntado de qualquer maneira. Mas já era tarde
demais.
Todos os homens se sentiram acanhados e
ligeiramente húmidos,com pânico quando chegou a
hora de propor casamento?
Ele caminhou para casa com a cabeça baixa e
achou-se ansiando, ilogicamente, por sua antiga
vida, há apenas duas semanas atrás, quando as
únicas complicações a serem tratadas eram um
amor sobrando do qual ele não se conseguia livrar e
não haver horas suficientes no dia para pintar todos
os retratos que as pessoas queriam.

Capítulo Dezanove Viola Kingsley, anteriormente


condessa de Riverdale, a mãe de Camille, escolheu
acompanhar sua própria mãe e Abigail na Pump
Room na manhã de terça-feira. Foi um movimento
corajoso, já que era a primeira vez, que aparecia na
sociedade de Bath, da qual muitos membros a
conheciam bem, já que o escândalo do seu
casamento inválido tinha fornecido suficientes
fofocas para manter, as educadas salas de estar,
ocupadas até à exclusão de qualquer outra coisa,
durante uma semana ou mais, há apenas alguns
meses atrás.
Ela foi, porque não podia se esconder para
sempre, e porque sua mãe e filha mais nova tinham
enfrentado as fofocas antes dela e a fizeram sentir-
se uma covarde, e porque sua filha mais velha
entrou no novo mundo com incrível coragem e
determinação para torná-lo dela próprio.
Ela se perguntou, como poderia ter dado à luz a
crianças tão admiráveis, Harry estava na Península
lutando contra as forças de Napoleão Bonaparte e
arriscando sua vida todos os dias, e ser tão
abjetamente tímida, encolhendo-se no vicariato do
seu irmão, onde não era realmente necessária, e
onde estava impedindo o seu caminho para a
felicidade com uma senhora que o merecia.
Ela não foi recebida na Pump Room com a
deferência lisonjeira que, uma vez, a havia
comandado como condessa, mas tampouco recebeu
o corte direto. Alguns dos amigos da sua mãe a
saudaram gentilmente e, alguns outros, assentiram
educadamente, enquanto alguns simplesmente
fingiam não a ter visto. Logo, no entanto, sua ex-
sogra, a Condessa viúva Riverdale, chegou com
Matilda e Louise e Jéssica. A condessa viúva, tendo
recebido o sorriso brilhante de Abigail e reverência,
com um sorriso, uma mão sob o queixo, e um
comentário que ela parecia tão bonita como sempre,
amarrou um braço em Viola, se inclinou sobre ele e
juntou-se ao passeio da manhã na sala com ela,
acenando graciosamente de um lado para o outro
enquanto andavam.
Matilde e Louise vieram atrás delas, todos
acenando com chapéus de penas e altivez
benevolente.
Abigail, que ainda não tinha jovens amigos em
Bath, Viola tinha sabido desde a sua chegada,
felizmente fez o passeio com Jéssica, os braços
ligados, a cabeça inclinada uma para a outra, seus
sorrisos brilhantes e genuínos.
Quando Avery e Anastasia chegaram, pouco
tempo depois, um zumbido de excitação aumentou o
nível de ruído na sala. Avery não era apenas um
duque, algo que teria causado uma agitação por si
só, mas ele também era… Bem, ele era o Duque de
Netherby, e ninguém adotou o papel de aristocrata
aborrecido, arrogante e brilhante, melhor do que
ele. E todos os presentes conheciam a história da
sua duquesa, que cresceu e ensinou num orfanato a
pouca distância da Pump Room até que foi
descoberto, no início desta primavera, que ela era a
filha legítima de um conde e rico além da crença.
Sua história punha a de Cinderela na sombra.
Eles tornaram-se o foco da atenção admirável de
todos, embora os bons costumes, levassem a
maioria das pessoas a manter a distância e se
contentar com reverências deferentes e profundas e
sorrisos quentes.
― Como ele faz isso, eu não sei ― disse a
condessa viúva, balançando a cabeça na direção de
Avery ― já que ele não faz nenhuma tentativa de
ganhar a adulação de todos ao seu redor, mas
parece que ele está quase aborrecido demais para
viver. No entanto, ele tem essa presença incrível.
― Ele tem ― concordou Viola ― Mas eu sempre o
amarei, mãe. Ele salvou Harry de um destino
terrível, depois que o pobre menino correu para se
alistar como soldado particular.
E ele comprou a comissão de Harry para ele. Eu
acho que foi a melhor solução para o meu filho,
naquelas circunstâncias, apesar de sofrer ansiedade
diária por sua segurança, como eu imagino que
milhares de outras mães em toda a terra fazem.
Ele é feliz? Avery, quero dizer.
A viúva olhou bruscamente para o caminho.
― Eu acredito que ele é, Viola ― disse ela ― Ele
nos irritou consideravelmente, é claro, quando
estávamos no meio de fazer elaborados planos para
o casamento deles e, ele, simplesmente a levou uma
manhã, sem uma palavra a nenhum de nós e se
casou com ela por licença especial numa igreja
insignificante, que ninguém jamais ouviu falar, com
Elizabeth e seu secretário como testemunhas. Mas…
bem, se Louise é levada a acreditar, e eu atrevo-me
a dizer que ela é, uma vez que ela mora com eles,
eles se adoram. Sim, ele está feliz Viola, e ela
também.
Viola assentiu com a cabeça, e elas seguiram o
curso lento sobre a sala, balançando a cabeça para
as pessoas enquanto passavam, ocasionalmente
parando para trocar algumas palavras. Quando elas
completaram o circuito uma vez, no entanto, eles se
encontraram cara a cara com Avery e sua esposa, e
Anastasia surpreendeu Viola.
― Você dará uma volta á sala comigo. Tia Viola?
― Perguntou ela.
Tia Viola. Viola não era tal coisa, mas Matilda e
Mildred e Louise, suas ex-cunhadas, certamente
eram tias de Anastasia. A jovem tinha escolhido
chamá-la disso, Viola supôs, embora hesitante, em
vez de dirigir-se a ela pela única alternativa, Miss
Kingsley.
― Claro ― disse Viola, e elas partiram lado a
lado. Era difícil, tão difícil, não se ressentir da
garota, de cuja existência Viola teve conhecimento
durante anos, quando ela assumiu que a menina era
uma filha ilegítima do seu marido.
Ela até tratou de um arranjo generoso para ela,
depois da morte do seu marido, um gesto que
provavelmente precipitou a descoberta da verdade.
― Eu acredito ― ela disse com firmeza,
começando a conversa ― que devo agradecer a
você, Anastasia, pelo fato de que o meu dote fosse
devolvido com juros, permitindo-me manter uma
casa para mim e para as minhas filhas, onde
poderemos viver de forma independentemente.
― Você deve saber ― disse Anastasia ― que
você tem direito a pelo menos isso. O que aconteceu
com você foi insuportável.
― Eu vou aceitar ― disse Viola ― porque eu
concordo que o dinheiro do dote deveria ser meu.
No entanto, duvido que o Sr. Brumford tenha
pensado nisso. Eu acredito que foi você, e eu
agradeço.
Elas foram interrompidas por duas senhoras que
desejavam cumprimentar a duquesa de Netherby…
e, claro, a Srta. Kingsley. A duquesa de Netherby
devolveu, cordialmente as suas saudações, mas não
mostrou nenhuma inclinação para envolver as duas
mulheres na conversa. Elas seguiram em frente.
― Eu moro na Morland Abbey com Avery ― disse
Anastasia ― Continuarei a fazê-lo pelo resto da
minha vida, ou numa das suas outras inúmeras
casas, incluindo Archer House em Londres. No
entanto, sou dona de Hinsford Manor e da Westcott
House em Londres. Acredito ter persuadido Alex de
que seria apropriado para ele ficar em Westcott
House sempre que ele estiver na cidade, pois ele é o
titular do título.
Mas Hinsford, que é extremamente bonita, está
desabitada, e as pessoas que moram no bairro estão
infelizes com isso. Eles olham para trás, com
nostalgia, aos anos em que você e sua família
moravam lá.
Viola endureceu.
― Eles dificilmente ficariam encantados de ver a
volta de Miss Kingsley e Misses Westcott ― disse
ela.
― Eu acredito que você está errada ― disse
Anastasia, balançando a cabeça para um casal que
os teria detido com o menor encorajamento ―
Perdoe-me, mas concluí da minha única visita que
meu pai nunca foi muitoapreciado. Eu igualmente
concluí que você era. Simpatia e compreensão são
muito fortes do seu lado. Alguns, daqueles com
quem falei, foram frios comigo um fato, do qual,
tomei conforto em vez de me ofender. Sua lealdade
reside em você, independentemente da mudança do
seu estatus, que eles atribuem bastante ao meu pai.
― Eles são gentis ― disse Viola, quase subjugada
com uma grande onda de nostalgia por sua casa, ou
o que tinha sido sua casa por mais de vinte anos. E
por seus amigos e vizinhos lá.
― Tia Viola ― disse Anastasia, e depois parou ―
Oh, você acha ofensivo quando eu a chamo assim?
Não sei como a chamar. Não consigo abordá-la
como Miss Kingsley.
― Eu não estou ofendida ― disse Viola.
― Obrigada ― disse Anastasia ― Tia Viola, você
voltará para casa? Por favor? Isso significaria muito
para mim. Eu não suponho que esse argumento
pesará muito com você, mas. pelo bem de Abigail?
Eu conheci algumas das suas amigas lá, e elas
estavamgenuinamente melancólicas sobre a sua
ausência e o motivo desta. Uma delas até derramou
lágrimas e saiu da sala, enquanto a mãe tentava me
convencer de que ela estava com um resfriado. Pelo
bem de Camille também, embora não me
surpreenda se ela preferisse ficar aqui, em vez de ir
com você.
Viola franziu a testa e sacudiu a cabeça.
― Você terá filhos, Anastasia ― disse ela ― O
seu filho mais velho, obviamente, herdará de Avery,
eventualmente.
Mas os mais jovens terão que ser providos
também.
― Avery irá provê-los a todos, não importa
quantas crianças tenhamos ― disse Anastasia ― Ele
é bastante inflexível sobre isso. Ele me avisou que
você usaria esse argumento. Ele me disse para
dizer-lhe para pensar num mais convincente, se
você puder ― ela sorriu, mas havia ansiedade nos
seus olhos ― Por favor, você vai para casa e a
considerará sua? Eu estabeleci um testamento,
Avery tendo insistido que, o que eu trouxe para o
casamento,permanece meu para ser feito como eu
escolher. Estou deixando Hinsford para Harry e seus
descendentes. Não haverá sentido argumentar
contra isso. Está feito e permanecerá assim.
Então, se você for para casa, você estará apenas
mantendo a futura casa do seu filho em ordem para
ele.
Viola respirou fundo para falar, soltou a
respiração e puxou-a novamente.
― Você tornou quase impossível para mim dizer
não ― disse ela.
― Você deve dizer não, porém ― disse
Anastasia, parecendo ferida ― se você realmente
não quer morar lá. Mas, por favor, não se recuse por
nenhum outro motivo. Não me castigue a esse nível.
― Punir você? ― Viola franziu a testa ― É isso
que eu estaria fazendo? Mas eu suponho que você
está certa. Eu queria que você não fosse assim…uma
jovem amável, Anastasia. Seria muito mais fácil não
gostar de você se não fosse.
Por alguma razão, ambas riram.
― No entanto, a oferta é feita por razões egoístas
― disse Anastasia ― Eu quero me sentir feliz com
tudo na minha vida, mas no momento eu me sinto
feliz apenas comquase tudo. Não consigo fechar
essa lacuna, a menos que eu possa de alguma
forma corrigir o que eu sei não foi minha culpa nem
sua. Pense nisso, tia Viola. Fale com Camille e
Abigail sobre isso, e com a Sra. Kingsley, se quiser.
Fale com Avery e com todos os outros. É seu direito
de viver na casa que meu pai forneceu para você.
Não é certo que seja tirado de você por causa da
sua maldade. Ele foi maldoso, apesar de ficar triste
em dizê-lo.
Viola suspirou.
― Ele era meu marido, Anastasia ― disse ela ― E
embora, eu saiba, agora, que ele nunca o foi
verdadeiramente, é difícil para mim ser desleal aos
votos que fiz quando me casei com ele. Ele era
como ele era, e ele fez alguma coisa certa, pelo
menos. Ele gerou quatro jovens impecáveis.
― Quatro? Você me inclui? ― Anastasia olhou-a,
seus olhos com suspeita. Mas elas completaram o
circuito da sala e Avery estava caminhando para
encontrá-las, seus olhos preguiçosos levando as
lágrimas não derramadas da sua esposa. Viola
sentiu uma onda de inveja pelo tipo de amor que
conhecera, fugazmente, uma vez, antes que seu pai
lhe apresentasse o parceiro de casamento perfeito
― Vou pensarVou pensar sobre sua sugestão,
Anastasia ― disse ela ― Avery, tenho eueu, que
agradecer a ascensão de Harry acensão de Harry a
tenente?
― Eu, tia? ― ele ficou atônito ― HarryHarry
deixoudeixou perfeitamente claroperfeitamente claro
no começo, que ele me permitiria comprarque ele
me permitiria comprar a sua comissão, mas nada
mais. Compreendi que elsua comissão, mas nada
mais. Compreendi que ele quissua comissão, mas
nada mais. Compreendi que el dizer isso, que ele
ficaria ofendido de morte se eu interviessedizer isso,
que ele ficaria ofendido de morte se eu
interviessedizer isso, que ele ficaria ofendido de
morte se eu interviesse para comprar promoções
para ele. Respeitei amprar promoções para ele.
Respeitei a suasuavontade. E ele foi promovido?
― Uma carta chegou onteUma carta chegou
ontem dirigida a Camille e Abigailm dirigida a
Camille e Abigail ― disse ela ― Ele pareceu bastante
animado. E obrigado porEle pareceu bastante
animado. E obrigado porEle pareceu bastante
animado. E obrigado por nãonãonão
interferir.interferir.interferir. ÉÉÉ maismaismais
importanteimportanteimportante quequeque
eleeleele adquiraadquiraadquira umaumauma
sensação de autoestimautoestima, do que
conquistar um alto nível emar um alto nível no seu
regimento.
― É de se esperar que ele ganhe os doisesperar
que ele ganhe os dois ― disse eledisse ele ― Eu
tenho grande fé no jovem Harrytenho grande fé no
jovem Harry.
Joel manteve-se ocupado durante a primeira
metade dase ocupado durante a primeira metade da
semana, numa tentativa de não se surpreender com
onuma tentativa de não se surpreender com o
novonuma tentativa de não se surpreender com o
fato na sua vida. Ele não queria ser o tipo que iria
sair efato na sua vida. Ele não queria ser o tipo que
iria sair efato na sua vida. Ele não queria ser o tipo
que iria sair e desperdiçar uma fortuna nfortuna
numa vida desenfreada e arruinaruma vida
desenfreada e arruinar o seu próprio carácterseu
próprio carácter no processo. E seria muito fácil dno
processo. E seria muito fácil de fazer, eleele
tinhatinha percebidopercebido comcom
alarme,alarme, no riorio nono domingo.domingo. OO
dinheiro teve uma tentação imediata e quase
irresistível.tentação imediata e quase
irresistível.tentação imediata e quase irresistível.
Ele também não queria pensar muito sobre
CamEle também não queria pensar muito sobre
Camille, ouEle também não queria pensar muito
sobre Cam melhor, o que devia a Camille. Ele lhe
deviae devia a Camille. Ele lhe devia casamento.
Tercasamento. Ter um caso com ela era, de alguma
forma, bem diferente de ter um caso com Edwina.
Com Edwina tinha sido como um jogo em que
ambos conheciam as regras e não desejavam mudá-
las. Com Camille, não era um jogo. Ele sabia que
tinha dormido com ele não apenas pelo simples gozo
do sexo. E também não tinha sido isso com ele. O
problema era que ele não sabia exatamente o que
tinha sido. Amor?
Mas,frequentemente o irritava enormemente e,
para ser justo, ele acreditava que ele, também a
irritava às vezes.
Independentemente do que existisse entre eles,
é claro, ele devia-lhe casamento. Ele simplesmente
não queria pensar nisso ainda. Sua cabeça sentia-se
um pouco como se tivesse sido invadida por vespas
ou zangões.
Mas, bom Deus, o sexo tinha sido extremamente
agradável.
Ele passou a maior parte da segunda-feira
trabalhando.
Ele esteve na casa do Royal Crescent durante a
manhã, explicando a Abigail Westcott como ele
planeava que elaposassepara ele pintar. Ele a enviou
para mudar para o seu vestido favorito, não
necessariamente o mais elegante ou o melhor ou o
mais admirado ou mesmo o mais bonito, mas aquele
em que se sentia mais como ela mesma. Enquanto
isso, ele escolheu uma cadeira e o seu
posicionamento correto em relação à luz e aos
outros aspectos da sala. Sua mãe estava lá,
tomando o lugar da empregada, que geralmente se
sentava silenciosamente num canto, como
acompanhante.
Abigail voltou vestindo um vestido de algodão
azul claro, que parecia bem usado e ligeiramente
desbotado. Sua mãe olhou-a com um pouco de
perplexidade, mas Joel sabia imediatamente que era
perfeito. Seu cabelo estava penteado de forma
simples e não tirou nada da pura e jovem beleza do
seu rosto. Tinha dúvidas sobre o alegre estofamento
floral da cadeira que ele escolheu, mas quando ela
se sentou nela, inclinando-se ligeiramente para a
frente e olhou-o com seu rosto feliz, ansioso e seus
olhos cintilantes e ligeiramente feridos, ele sabia
que a pintura que ele queria, estava diante dos seus
olhos, e, simplesmente precisava ser combinada
com o esboço que ele tinha feito ontem, e depois
transferida para tela no seu estúdio.
― Não, senhora ― ele explicou quando Miss
Kingsley perguntou se ele estava pintando aqui em
casa ― Quando eu pinto ao vivo, minha mente fica
muito apanhada em obter todos os detalhes finos
corretamente, e o meu espírito é silenciado. E o meu
retratado torna-se rígido e de madeira numa pose e
uma expressão. Não, vou esboçar o que vejo, o
mais rápido possível e, em seguida, pintar no meu
estúdio. Se eu precisar ver o original novamente,
como provavelmente farei, então vamos configurar
novamente esta cena.
Ele passou toda a tarde na pintura e a noite
também até que a luz ficou muito fraca. Ele estava
um pouco desconfortável de que tudo estava
acontecendo tão rápido.
Cada etapa do processo, geralmente, demorava
mais tempo.
Mas a inspiração era algo que devia se confiar,
acima de tudo. Ele tinha aprendido isso nos últimos
dez ou mais anos.
E ele estava inspirado agora. Ele viu a garota
como ela era e como ela devia aparecer na sua tela,
e ele não conseguia pintar rápido o suficiente, para
que ele não perdesse aquela luz em si mesmo que
lhe faria justiça. Como capturar a luz, a esperança e
vulnerabilidade em tela, sem perder o equilíbrio
entre as três e sem ceder à tentação de pintar a
mera mundana, uma garota muito bonita, no seu
caso?
Um aviso sobre o falecimento, apareceu nos
jornais de Bath, na manhã de terça-feira, e
identificou Joel pelo nome, como o grande sobrinho
do falecido e o principal beneficiário do seu
testamento. O Sr. Cox-Phillips foi descrito no aviso
como um dos homens mais ricos de Somerset e, de
fato, em todo o oeste da Inglaterra.
Joel foi ao funeral. Estavanuma igreja,numa
aldeia ao norte de Bath, onde, aparentemente, seu
tio-avô rezava regularmente, até aos últimos seis
meses, quando a saúde deteriorada, o mantivera em
casa. Joel ficou um pouco surpreso com o quão bom
foi assistir ao funeral. Ele sentou-se sozinho num
banco na parte de trás, e ficou atrás da pequena
multidão que se reunia em volta do túmulo no
cemitério e depois para o enterro. Uxbury estava lá,
fazendo um espetáculo de tristeza dignificada, assim
como os dois homens com ele. Joel não pensou que
Uxbury o tivesse visto até que, quando Joel se
afastou, no final, para voltar à sua carruagem que o
esperava, o homem fez um olhar firme sobre ele.
Joel não fez nenhuma exibição de dor durante as
cerimônias, embora sentisse alguma. Talvez, ele
pensou na carruagem no caminho de volta para
Bath, era a tristeza do arrependimento pelo que
poderia ter sido. Se ele tivesse sabidoda verdade, há
um ano,mesmo seis meses atrás, talvez ele pudesse
ter algum tipo de relacionamento com o homem, em
cuja casa seus avós e sua mãe viveram. Agora era
muito tarde.
Ele foi aos escritórios de Henley, Parsons e
Crabtree pela tarde. O Sr. Crabtree parecia ter a
satisfação em informá-lo de que os parentes do Sr.
Cox-Phillips realmente pretendiam contestar o
testamento com todo o vigor da sua influência
combinada. Eles não conseguiriam, ele disse a Joel
novamente. Eles permaneceram em Bath, no
entanto, embora tivessem saído da casa. Enquanto
isso, o advogado produziu alguns papéis e os
espalhou sobre a sua mesa, entrou numa extensa
explicação, do que Joel teria gostado de traduzir
para inglês inteligível e concluiu com uma estimativa
aproximada da fortuna total, que poderia ter feito a
mandíbula de Joel cair se ele não estivesse
apertando os dentes tão forte.
Ele teria pintado até ao esquecimento para o
resto do dia se sua porta não tivesse sido, quase
sempre, derrubada, desde o momento em que ele
voltou para casa. Todo mundo que ele já chamou de
amigo, e alguns que eram meros conhecidos,
chegaram para dar os pêsames por sua perda e
felicitá-lo por sua boa sorte. Até a senhorita Ford
veio do orfanato, acompanhada pelo Roger, o
porteiro. Ela fechou a escola pelo resto da semana,
ela informou-o. Ela supôs que ele teria coisas mais
importantes para fazer na quarta e sexta-feira do
que ensinar seus alunos de arte, e Srta.
Westcott tinha certamente. A condessa viúva de
Riverdale tinha chegado a Bath com a sua filha mais
velha, Lady Matilda Westcott, e a família estava
ocupada celebrando e desejava incluir Srta.
Westcott nas suas atividades. A própria senhorita
Ford foi convidada para se juntar à família no chá
público nos Upper Assembly Rooms na quinta-feira à
tarde, e participar de uma reunião privada lá, no
sábado à noite.
Anna e Netherby visitaram os aposentos de Joel
também, não muito tempo depois de Miss Ford ter
saído, a primeira vez que Anna já esteve lá. Ela o
abraçou forte, enquanto Netherby olhava
complacentemente, exclamou com prazer pelo
tamanho dos seus aposentos, examinou o retrato da
sua mãe e sentou-se ao lado dele, no sofá,
acariciando sua mão e assegurando-lhe que, se a
sua experiência fosse algo para comparar, ele logo
se recuperaria do seu desconcerto e reconciliariaa
sua vida com a nova realidade, sem se perder no
processo.
― Pois esse é o maior medo ― disse ela, ecoando
o que ele sentia ― Começamos a acreditar que não
nos conhecemos a nós próprios. É um sentimento
aterrador. Mas é claro que você é quem você
sempre foi, e você conseguirá chegar ao outro lado
mais ou menos intacto.
― É a parte que menosme preocupa ― disse ele,
e ambos riram.
Netherby informou-lhe que deveria comparecer
ao chá público nos Upper Assembly Rooms, na
quinta-feira para que todos pudessem se orgulhar
de ter conhecido o homem que se tornara a
sensação de Bath.
― Não há nada como um passado com uma
educação em orfanatos, para dar uma aura de
romance irresistível a uma história como a sua ―
disse com um suspiro cansativo.
Anna riu do seu marido.
― E você também deve participar na reunião no
sábado ― disse ela a Joel ― Camille ensinou a você
a valsa e eu, simplesmente, devo ver por mim
mesma quão apto você foi como aluno.
― Eu posso subir e ver a casa sempre que quiser
― disse Joel impulsivamente ― Eu acredito que eu
prefiro não ir sozinho ― Mas, não, não seria para
convidar Anna para acompanhá-lo, ou mesmo Anna
e Netherby ― Os jardins parecem extensos e bem
cuidados, e a vista é espetacular.
Talvez alguns da sua família desejem ir lá
comigo, para um piquenique,talvez, que eu
providenciarei é claro. Na tarde de sexta-feira?
Ele ficou impressionado com o fato vertiginoso de
que poderia pagar essa extravagância.
― Oh, Joel ― disse Anna ― Isso seria
maravilhoso. Não é Avery?
― Posso prever com confiança ― disse Netherby
― que sua propriedade recém-adquirida será
atacada por Westcotts na sexta-feira, Cunningham.
Então isso estava resolvido, parecia.
Camille não veio aos seus aposentos. Mas é claro
que não fez isso. Ele esperava que fosse? Parecia,
para Joel, muito mais do que dois dias desde que a
viu. Agora, com a escola cancelada para o resto da
semana, ele não a veria até a tarde de quinta-feira.
Parecia uma eternidade.
Ele também não foi ter com ela. Ele não sabia
porquê.
Ele sentia-se um pouco… tímido? Essa não era a
palavra certa. Mas algo aconteceu no domingo para
mudar tudo, e ele estava se sentindo um pouco,
bem, em pânico. E ele estava se sentindo muito
assoberbado com todo o resto, para resolver os seus
sentimentos por ela e fazer o que devia ser feito.
Exceto que não era exatamente o que devia ser
feito, era? Certamente, era o que ele queria fazer.
Francamente, ele não sabia mais nada, menos do
que o significado do amor. E a sua obrigação para
com Camille não era apenas sobre o amor, de
qualquer maneira. Ela podia estar grávida dele. E
mesmo que não estivesse… E então seus
pensamentos se perseguiram um ao outro, na sua
cabeça.
Na manhã de quarta-feira, não com o melhor
humor, ele foi, com um passo firme e dentes
apertados, a um alfaiate, a um sapateiro e a um
mercante.

Capítulo Vinte Camille meio que esperava ver


Joel na segunda-feira, enquanto dizia a si mesma
que não o esperava. Ela meio que esperava por ele
na terça-feira, depois que sua atenção foi atraída
para o aviso do falecimento, no jornal da manhã.
Era também o dia do funeral, sabia. Ele não veio,
mesmo que a senhorita Ford lhe dissesse que tinha
idovisitá-lo, e que, ela viu a carruagem do duque e
da duquesa de Netherby se aproximar da casa
quando saiu. Miss Ford também lhe disse que
cancelou a escola pelo resto da semana, para que
Camille pudesse passar algum tempo com a sua
família durante a sua breve visita a Bath.
Ele não precisaria vir na quarta-feira, então, com
a escola fechada. E, na verdade, ele não veio.
Camille tentou dizer a si mesma que não estava
desapontada. Ela tentou, de fato, não pensar em
desapontamento como possibilidade. Porque ele
deveria ter vindo a qualquer momento durante esses
três dias, afinal? Só porque ela o convidou para
levá-la para a cama e ele fez o que ela pediu?
Ah, mas não pareceu tão sórdido naquela
ocasião. E nesse tempo, ou, pelo menos, entre
tempos, eles tinham falado, rido e até foram bobos
e se comportaram como os melhores amigos.
Oh, ela não sabia nada! Ele não veio.
Ela esteve ocupada durante esses dias. Ela
ensinou na segunda e na terça-feira. O foco principal
da atenção era o cobertor de malha, que havia
disparado a imaginação das crianças. Algumas das
garotas queriam aprender crochê para que
pudessem ajudar a tecereventualmente, os
quadrados juntos e fazer uma barra bonita sobre o
produto acabado.
Alguns queriam aprender a bordar para que
pudessem implementar a ideia, que um dos meninos
teve, de desenhar o nome de cada trabalhador no
quadrado correspondente.
Alguns meninos se afastaram para medir os
berços dos bebês e calcular o tamanho de cada
quadrado e quantos precisariam tricotar para fazer
um cobertor do tamanho certo. Outro dos meninos,
fez um projeto para o cobertor usando as quatro
cores de lã com as quais estavam trabalhando.
Durante as sessões de tricô, as crianças se
revezaram lendo histórias para os outros.
Camille brincou com Sarah sempre que podia e
deu uma certa atenção a Winifred, tendo percebido
que era isso que a garota desejava. Ela chegou até o
Royal York Hotel na tarde de segunda-feira, tendo
recebido uma nota da tia Louise para informá-la de
que sua avó e tia Matilda chegaram. Ela foi a uma
recepção que a avó materna deu à noite de terça-
feira e se surpreendeu, quase aproveitando.
Sentiu-se, traiçoeiramente, como nos velhos
tempos para se misturar e conversar educadamente
com os convidados cuidadosamente selecionados da
Avó.
Sua mãe levou-a de lado, no final da noite, e
sentaram-se juntas numa poltrona enquanto a mãe
lhe dizia que iria voltar para Hinsford.
― Para viver? ― Camille franziu a testa.
― Sim ― disse sua mãe ― Anastasia implorou-
me para fazê-lo, e da maneira inteligente e tácita
que ela tem, parece que eu lhe vou fazer um favor
em ir. Ela nunca mais viverá lá, agora que é casada
com Avery, mas odeia vê-la vazia e saber como seu
vazio afeta a moral das pessoas que trabalham lá e
o espírito social do povoado. Nossos vizinhos e
amigos falaram gentilmente com ela, e… bem,
Camille, ela deixou em testamento, Hinsford Manor,
para Harry e apontou que, se eu for viver lá, eu vou
mantê-la habitável para a minha própria família. Eu
disse a ela que eu pensaria sobre isso, mas na
verdade não pensei muito. Eu vou para casa.
Camille sentiu que ia chorar, mas ela se viu
voltando para a velha Camille, rígida e reservada e
não mostrando seus sentimentos.
― Abigail está vindo comigo ― continuou sua
mãe ― Ela precisa de mim e ela precisa da sua casa.
Vamos lá, e… ver o que acontece. Nada será o
mesmo, é claro, e pode não ser fácil viver a vida
antiga, quando a vida antiga não pode ser
totalmente recapturada. Seremos Miss Kingsley e
Miss Abigail Westcott em vez da condessa de
Riverdale e Lady Abigail.
Mas… bem… ― ela encolheu os ombros e sorriu
pesarosamente ― Você virá também, Camille? Ou
você prefere sua vida aqui?
Casa. Camille sentiu-se de repente inundada de
nostalgia. E tentação. Mas, como sua mãe acabara
de dizer, não havia retorno real.
― Eu não sei, mãe ― disse ela ― Eu vou ter que
pensar sobre isso.
E ela caiu, como uma pedra numa lagoa, nas
profundidades sombrias da depressão. Ela estava
morando num quarto pequeno e triste num prédio
ao qual ela não pertencia. Ela estava ensinando por
instinto apenas, sem ideia do que estava fazendo ou
planeando como iria prosseguir nas próximas
semanas, meses e anos? Ela estava apaixonada por
um homem cuja ausência, nos últimos dias, sugeria
que ela não significava nada para ele, além de uma
amante casual e um homem que quase,
inevitavelmente, mudaria para uma nova vida agora
que era rico. Ela adorava um bebê que não era seu.
Ela se cortou, deliberadamente, de todos os que a
amariam se ela lhes desse a chance,porque ela não
sabia quem era e não queria ser sufocada por um
amor protetor que a impedisse de descobrir. O
futuro bocejou com vazio e incerteza assustadores.
E ela se odiava. Ela odiava o fato de que não podia
mais se manter unida, quando tinha feito isso toda a
vida, não percebendo, que o que a mantinha unida
era um núcleo vazio de nada. Ela odiava a sua
própria autopiedade. Ela odiava o fato de que ela
estava abjetamente apaixonada por um homem,
que tinha feito amor três vezes, há apenas dois dias,
e não fez nenhuma tentativa de vê-la desde então.
Ela odiava… ― Eu vou ter que pensar sobre isso ―
ela disse novamente quando percebeu que os olhos
da sua mãe estavam fixos sobre ela ― Mas estou
feliz que você e Abby vão para casa, mamãe. E
estou feliz por Harry. Você a odeia?
― Anastasia? ― sua mãe sacudiu a cabeça
lentamente ― Não, eu nãoa odeio, Camille. Ela é
sua irmã e, como eu disse a ela, nesta manhã, seu
pai deixou um valor muito maior do que uma grande
fortuna. Ele gerou quatro filhos impecáveis.
― Quatro ― Camille respirou devagar ― Como
você pode ser tão indulgente?
― Porque a alternativa só me prejudicará ― disse
sua mãe.
A prima Althea e a Sra. Dance vieram se juntar a
elas naquele momento, e elas não disseram mais
nada sobre o assunto.
Na manhã de quarta-feira, Camille se juntou á
sua família para o café da manhã no hotel. Eles não
se demoraram sobre a refeição, já que, vários deles,
iam fazer uma excursão a Bathampton, a poucos
quilômetros de distância, onde eles iriam apreciar
um almoço tardio antes de voltar. Camille
permaneceu para acenar ás três carruagens no seu
caminho e depois se virou para Anastasia, que
estava de pé na calçada, também, ouvindo algo que
Avery estava dizendo para ela.
― Anastasia ― disse Camille antes que pudesse
mudar de ideia ― você gostaria de vir comigo e ver
as lojas ao longo da rua Milsom?
Avery ergueu as sobrancelhas e franziu os lábios.
Anastasia olhou-a com grandes olhos surpresos.
― Oh, eu quero, Camille ― disse ela ― Apenas
me dê um momento para buscar o meu chapéu e
retículo.
Avery olhou fixamente para Camille e conversou
por alguns minutos sobre o tempo.
― Pois o clima sempre oferecerá uma oferta
infinita de conversas fascinantes ― disse ele ―
especialmente quando alguém tem a sorte de morar
na Inglaterra. Ou infeliz, como é o caso mais
provável.
As duas damas partiram, alguns minutos depois,
para baixo, em direção a Milsom Street, a rua
comercial mais elegante de Bath. Elas caminharam
lado a lado, falando. do tempo, quando falavam de
todo. Foi apenas quando elas se viraram para a
Milsom Street que Camille mudou o assunto.
― Você prefere se chamada de Anna em vez de
Anastasia? ― Perguntou abruptamente.
― Anna parece mais como eu ― disse Anastasia
― Eu nem sabia, até alguns meses atrás, que não
era o meu nome completo. Eu prefiro Anna, mas
não me ressinto com Anastasia. É meu nome, afinal.
― Devo chamar-lhe de Anna, de agora em diante
― disse Camille ― E, uma vez que, é mais curto
chamá-la de irmã em vez de meia-irmã, também
farei isso.
Ah, isso foi difícil. Isso foi muito difícil. Se seus
lábios estivessem mais rígidos, ela não seria capaz
de movê-los.
Anna virou a cabeça e sorriu para ela.
― Obrigado, Camille ― disse ela ― Você é muito
gentil.
Eu costumava andar por esta rua,
ocasionalmente, pelo puro prazer de olhar nas
janelas e sonhar com o que eu compraria se eu
tivesse dinheiro sem limites. Uma vez eu economizei
por vários meses para comprar um par de luvas de
couro preto, que eram tão macias que pareciam
mais como veludo fino.
Eu costumava vir e olhar para elas todas as
semanas. Mas.
― Deixe-me adivinhar ― disse Camille ― Quando
você finalmente poupou o suficiente e veio comprar
as luvas, elas já não estavam.
― Ah, elas ainda estavam lá ― disse Anna ― Eu
experimentei-as e elas se encaixaram… bem, como
uma luva.
Senti alguns momentos de triumfo e alegria total,
e depois descobri que não podia justificar tal
extravagância. Deixei-as no balcão com uma infeliz
comerciante e segui o caminho.
― Ah, mas você matou um sonho ― protestou
Camille.
― Eu acredito que eu simplesmente provei ―
disse Anna ― que ter um sonho e estar na jornada
para atingi-lo, às vezes, traz mais felicidade do que
realmente alcançá-lo. Nós temos um hábito, não
temos, de pensar que a felicidade é um estado
futuro se apenas esta e aquela condição
acontecerem?
E a maior parte da vida nos passa sem que
percebamos o quanto podemos estar felizes neste
momento presente, ou quase felizes. Tive uma boa
vida como garota e jovem adulta, apesar do que
estava perdendo. E eu tive um sonho.
Elas tinham observado chapéus numa janela e
agora passaram para uma livraria.
― Você não está feliz agora, então? ― Perguntou
Camille.
― Oh, eu estou ― assegurou Anna ― Mais feliz
do que eu fui a minha vida inteira. Mas não é uma
felicidade completa, Camille. Nada é. Isto é a vida
humana, onde não existe tal coisa como a perfeição.
Mas estou feliz. Hoje você me fez mais feliz. Parece
absurdo, não é, quando tudo que você fez foi
convidar-me a caminhar com você e me informar
que a partir de hoje você me chamará de Anna e
irmã? Camille, somos irmãs. Isso é incrivelmente
precioso para mim.
Camille se sentiu culpada, pois não podia dizer o
mesmo. Ela, porém, estava determinada a
conseguir, para agir como se Anna fosse sua irmã,
na esperança de que, com o tempo, ela também a
sentisse de verdade.
― Eu fui muito infeliz, Anna ― por todos os
motivos óbvios ― disse ela ― Mas, de uma maneira
estranha, esse fato é encorajador, pois antes de
tudo isso acontecer, eu tinha dedicado a minha vida
a alcançar a perfeição. Eu queria ser a dama perfeita
acima de tudo. A felicidade não significava nada
para mim. Nem o amor. Eles me assustavam,
porque sugeriam o caos e a impossibilidade de
alcançar a perfeição.
Agora que fiquei desesperadamente infeliz, eu
entendo que posso ser feliz também e que eu posso
amar e ser amada, e que, a menos que eu permita
que essas coisas aconteçam comigo, eu estarei meio
viva. Oh, porque estamos olhando livros e falamos
sobre coisas tão estranhas?
― Porque somos irmãs ― disse Anna ― Esta foi
sempre a minha loja favorita em Bath. Eu gastei
dinheiro aqui quando eu tinha algum de sobra.
Sempre amei os livros e o fato de que eu possa lê-
los e ponderá-los, mantê-los e vê-los, cheirá-los e
relê-los. Que tesouro eles são.
― Há uma cafeteria um pouco baixona rua ―
disse Camille ― Vamos lá?
Poucos minutos depois, elas estavam sentadas
uma frente à outra, numa pequena mesa cheirando
o aroma maravilhoso das duas xícaras de café que
tinham sido colocadas diante delas.
― Anna ― disse Camille enquanto mexia uma
colher de açúcar ― Estou feliz com o bebê. Eu vou
gostar de ser uma tia. Há um bebê no orfanato. Ela
faz o meu coração doer. Eu acredito que eu amo
todas as crianças lá, mas há algo sobre ela… Bem.
― ela olhou para cima ― Eu queria que o meu pai
tivesse confessado a verdade depois da morte da
sua mãe.
Gostaria que ele tivesse se casado com a minha
mãe, corretamente, depois disso, e te trouxessem
para sua casa.
Eu teria tido uma irmã mais velha. Eu não teria
sido a mais velha, e talvez eu não me sentisse
obrigada a ganhar o perdão do meu pai por não ser
um filho. Eu acho que eu teria gostado de ser uma
irmã mais nova, e acho que talvez eu a admirasse.
Talvez não. Talvez nós tivéssemos nos chateado
incessantemente.
― Eu desejei isso também ― disse Anna ― ou
que ele tivesse admitido a verdade e me
reconhecesse e me deixasse com os meus avós.
Gostaria que ele tivesse feito outro testamento.
Gostaria que ele tivesse se casado com sua mãe
corretamente para que Harry pudesse ter mantido o
título do conde. Eu não me sinto desleal com Alex ao
dizer isso, pois até ele, talvez especialmente ele,
desejava que fosse assim.
Mas não é assim, nada disso, e temos que levar a
vida como está. Camille . ― ela se inclinou para a
frente da mesa ― Você o ama? Ele ama você?
Camille olhou-a. Ela sabia que Anna não estava
se referindo a Alexander.
― Joel? ― ela disse. E ela ouviu um gorgulho na
sua garganta e sentiu seus olhos crescerem e disse
o que ela duvidava que teria dito a outra alma do
mundo, até mesmo a Abby ― Sim. E não. Sim, acho
que eu sim, mas não, ele não.
Passamos algum tempo juntos no domingo,
depois que Avery me acompanhou para casa e… Eu
não acredito que algum dia estive mais feliz. Mas eu
não o vejo desde então. Todas as coisas importantes
estão acontecendo na sua vida e, ultimamente, ele
se voltou para mim quando precisou de um amigo
em quem confiar, mas não o vejo desde domingo.
Sentiu-se mais horrível, mais ameaçador colocar
em palavras, para não mencionar abjeta.
― Então ele deve estar apaixonado ― disse Anna
― Eu sempre soube que ele era um idiota. Isso
prova isso.
Não havia lógica nem conforto nas suas palavras.
Camille franziu a testa, respirou fundo e virou a
xícara no pires sem levantá-la. Ela devia chegar ao
ponto desta reunião não planeada.
― Eu queria conversar com você sobre algo em
particular ― disse ela.
Anna sentou-se na cadeira.
― Estou feliz por ter vivido no orfanato ― disse
Camille ― Estou feliz por ter ensinado lá. Eu já
aprendi muito sobre você, sobre mim, sobre onde eu
pertenço e não pertenço.
Sobre ser pobre. Posso continuar, pois sempre fui
teimosa e não desisto de um desafio facilmente. Mas
há uma alternativa e eu, pelo menos, considero isso.
Minha mãe quer que eu vá para casa, Hinsford, com
ela e Abigail. Ela não me pressionará, e não tomarei
uma decisão apressada. Mas… Ela olhou finalmente
para cima e encontrou os olhos da sua irmã. Seria
incrivelmente difícil continuar. Mas Alexander havia
recomendado que ela se deixasse amar. Avery
sugeriu algo parecido.
― Se eu vou ou fico. ― ela disse ― você
está.Você ainda está disposta a partilhar a fortuna
que você herdou de Papa?
― Oh ― Anna expeliu a respiração com um longo
suspiro ― Você deve saber que eu estou, Camille.
Se sua mãe lhe disse que vou deixar Hinsford para
Harry, você certamente deve ter adivinhado que eu
também deixarei três quartos da minha fortuna para
o meu irmão e irmãs. Não é caridade, Camille. Não é
a minha tentativa de comprar o vosso amor. É justo.
Somos todos igualmente filhos do nosso pai.
― Então vou ficar com a minha parte ― disse
Camille depois de respirar devagar ― Não porque eu
preciso ou tenha, necessariamente, a intenção de
usá-lo, mas porque… ― ela engoliu
desajeitadamente ― Porque você está oferecendo.
Os olhos de Anna se encheram de lágrimas, e
Camille percebeu que estava mordendo o lábio
superior.
― Obrigada ― seus lábios murmuraram as
palavras, embora muito pouco soasse ― Isso será
feito imediatamente.
Não importa o testamento. Os testamentos
podem ser alterados. Devo escrever para o Sr.
Brumford. Eu me pergunto se Abigail… Mas não
importa. Oh, estou muito feliz ― ela olhou para
baixo ― E eu seria ainda mais feliz se não
tivéssemos permitido que nosso café ficasse frio.
― Ugh ― disse Camille, e ambas riram um tanto
tremendo.
Não era fácil permitir-se ser amada, pensou
Camille, tornar-se vulnerável. Ela realmente,
realmente, não queria ficar com o dinheiro, porque
seu pai não deixara, nem qualquer outra coisa, nem
ela poderia nunca o perdoar, embora ela se
lembrasse do que a mãe dela tinha dito na noite
passada. Mas agora o dinheiro era de Anna, e
partilhar isso com irmãs e irmãos era importante
para ela. E aceitar Anna com mais do que apenas a
sua cabeça tornou-se necessário. De alguma forma,
ela devia encontrar uma maneira de abrir o seu
coração, mas isso foi pelo menos um começo. Se
alguém pudesse dar amor apenas recebendo, então,
que assim fosse.
E, no entanto, deveria ela continuar com sua
nova vida, se tivesse riquezas numa conta bancária,
em algum lugar para tentá-la? Mas talvez ela
voltasse para casa com Mama e Abby. Lá, ela estaria
longe de Joel. Ah, e a vida seria familiar para ela.
Ela poderia desistir da luta.
Ela era uma covarde, afinal?
― Eu suponhoEu suponho ― Anna disse,
franzindo o cenhoAnna disse, franzindo o cenho ―
que nós poderíamos pedir quepedir que tirem estas
xícaras e tragamcaras e tragam duas novas. Eles
vão pensar. Eles vão pensar que somos estranhas,
mas o que dizers, mas o que dizer disso? Eu sou
duquesa, afinal. E tenho algo para comedisso? Eu
sou duquesa, afinal. E tenho algo para
comemorardisso? Eu sou duquesa, afinal. E tenho
algo para come com uma das minhas irmãscom uma
das minhas irmãs.
Elala ergueuergueu umum braçobraço pparaara
convocarconvocar aa garçonete,garçonete, ee
ambas riram novamente.s riram novamente.
Joel nunca esteve dentro dos Upper Assembly
RoomsJoel nunca esteve dentro dos Upper Assembly
Rooms,Joel nunca esteve dentro dos Upper
Assembly Rooms pois eles eram, emem
grandegrande parteparte, reservados dasdas
classesclasses superiores. Os chás da tarde estavam
abertos a qualquersuperiores. Os chás da tarde
estavam abertos a qualquersuperiores. Os chás da
tarde estavam abertos a qualquer pessoapessoa
queque pagassepagasse aa assinaturaassinatura
e,e, comocomo nono casocaso destadesta quinta-
feira,feira,feira, aaa qualquerqualquerqualquer
pessoapessoapessoa quequeque
tivessetivessetivesse sidosidosido
especificamenteespecificamente
convidada.convidada. EElele vestiuvestiu oo
novonovo casacocasaco queque comprou no dia
anteriorno dia anterior, um que estava pronto e,
portanto,, um que estava pronto e, portanto, não
era tãoo formidávelformidável quantoquanto oo
obsequiosoobsequioso alfaiate, assegurou-lhelhe
queque fariafaria osos outrosoutros doisdois que
Joel encomendara. A atitudeencomendara. A atitude
do alfaiate indicou a Joel que eleate indicou a Joel
que ele tinha lido o artigo na manhã de telido o
artigo na manhã de terça-feira e reconheceu ofeira e
reconheceu o nome do seu novo cliente. Joel estava
satisfeito com o casacoseu novo cliente. Joel estava
satisfeito com o casacoseu novo cliente. Joel estava
satisfeito com o casaco dede qualquerqualquer
jeitojeito ee decidiudecidiu queque elele,e, pelopelo
menos,men não se desonrava quandodesonrava
quando entrou nos lugares sagrados e
temidos.entrou nos lugares sagrados e temidos.
Agora, se houvesse um par de botas prAgora, se
houvesse um par de botas prontas para se
adequarontas para se adequar a ele… EleEleEle
estavaestavaestava sesese
sentindosentindosentindo
ridiculamenteridiculamenteridiculamente
nervoso.nervoso.nervoso. EleEleEle também
desejava ter procurado Camille antes de htambém
desejava ter procurado Camille antes de hoje.
Istotambém desejava ter procurado Camille antes
de h seria incômodo, vê-la pela primeira vez desde
domingo, num ambiente público e cercado por toda
a família. Domingo!
Parecia um pouco como um sonho. Porque diabos
não tinha ido vê-la desde então? Ele estava se
comportando como um aluno desastrado com a sua
primeira paixão.
Ele chegou cinco ou seis minutos depois do
tempo designado por medo de ser cedo e, claro,
teve que fazer algo como uma grande entrada ou o
que parecia ser uma. As salas superiores estavam
lotadas e zumbiam com conversas. Ele estava no
limiar do salão de chá e olhou em busca de rostos
familiares. Ele viu Miss Ford primeiro e pôde ver que
ela estava sentada entre um grupo de mesas
ocupadas pelos Westcotts. Anna ergueu o braço
para atrair a sua atenção e sorria amplamente. Ele
abriu caminho em direção a eles.
A duquesa viúva de Netherby tomou a decisão de
apresentá-lo a sua mãe e irmã, a condessa viúva de
Riverdale e Lady Matilda Westcott. Joel fez a sua
reverência para as duas damas, cumprimentou
todos os outros e sentou-se numa mesa com Lady
Overfield, seu irmão, o conde e a mãe de Camille.
Foi só quando ele se sentou que viu Camille pela
primeira vez. Ela estava sentada quase costas com
costas com ele, na mesa ao lado, com a Sra.
Kingsley e o Sr. e Sra.
Dance. Ele olhou-a e abriu a boca para falar, mas
ela estava representando o seu antigo eu, hoje, toda
formalidade aristocrática e rigidez, enquanto
inclinava sua cabeça para ele com uma altivez
condescendente e virou as costas.
Ela estava irritada com ele, não estava? Porque
ela se arrependia do domingo passado? Porque
desejava que ele soubesse que isso foi então, e isto
era agora, e nunca o dois deveriam se misturar?
Porque ele não tinha ido vê-la? Porque ele não a
avistou imediatamente quando entrou na sala?
Ele deu atenção à conversa na sua própria mesa
e esticou os ouvidos para ouvir a da próxima.
Pouco depois, quando Riverdale pronunciou uma
exclamação abafada, uma careta no rosto, os olhos
fixos na entrada. Joel virou a cabeça para olhar. O
visconde Uxbury estava de pé com os dois homens
que estavam no funeral com ele. Eles estavam
olhando pela sala para uma mesa vazia. De repente,
os olhos de Uxbury se dirigiram a Camille, ou
pareceu a Joel, e permaneceu sobre ela enquanto se
afastava dos outros dois e se dirigia para a mesa.
Outros membros da família começaram a vê-lo e
estavam caindo silenciosamente, mas ele parecia
não estar consciente deles. Ele tinha apenas um
objeto nas suas vistas. Ele parou na mesa de
Camille, levantou o monóculo e olhou-a,
insolentemente, através dele.
― Eu me pergunto ― ele disse ― se os seus
acompanhantes e os outros respeitáveis cidadãos de
Bath, aqui presentes, percebem que estão
esfregando os ombros com um bastardo, Srta.
Westcott.
O que? O que diabos? O homem estava tão
ofendido pela piada que ela lhe tinhafeito, há alguns
dias, que ele estava disposto a violar toda aparência
de boas maneiras para se vingar dela?
Uxbury não falou alto, Joel percebeu depois. Ele
não havia atraído muita atenção para ele. A
conversa, exceto a das mesas ocupadas pelo grupo,
continuou como de costume, enquanto os talheres
tilintavam, alegremente, contra a porcelana e os
garçons com aventais brancos que, levavam
bandejas, se aproximavam das mesas. No entanto,
Riverdale se levantou do seu lugar e colocou seu
guardanapo de linho sobre a mesa. Netherby estava
fazendo o mesmo na sua mesa. Então, Lord
Molenor. noutro minuto, eles teriam conduzido o
visconde lá para fora e lidariam com ele ali, de uma
maneira perfeitamente bem-criada, dado que, seria
provável, que eles pudessem ser observados por
pessoas que chegassem ou saíssem ou passassem
na rua. Eles também, muito provavelmente, teriam
marcado um encontro para encontrá-lo em
particular, como fez Netherby uma vez antes, em
Londres.
Joel não era bem-educado. Ele não sabia nada
das regras que governavam o comportamento de
um cavalheiro, especialmente na presença de
damas. Ele se levantou, deu dois passos para a
frente e esmagou o punho na boca de Uxbury.
O visconde, tomado pela surpresa, caiu
pesadamente num banho de sangue, agarrando uma
mão agitada sobre a toalha da mesa atrás dele
enquanto ele tentava em vão salvar-se. Sua queda
foi seguida por um barulhento banho de louças,
talheres e esmagamento de produtos de vidro e
bolos de creme e chá. Um dos bolos pousou de
cabeça para baixo na ponte do seu nariz.
Houve gritos, caos em geral. Todos estavam de
pé.
Alguns tentavam escapar do perigo. A maioria
estava esticando os pescoços para ver o que
aconteceu. Outros estavam se aproximando para ter
uma vista melhor. Joel flexionou os nódulos
picantes.
― Oh, bravo ― Riverdale disse calmamente sob o
burburinho.
― Muito bem feito . ― concordou lady Overfield.
― Santo Deus ― disse o duque de Netherby, e
de alguma forma ― como o homem fez isso? ―
todosem volta dele ficaram em silêncio e aqueles
mais distantes mandaram calar os outros para que
pudesse ouvir ― Novas botas, meu querido amigo?
Elas podem ser embaraçosamente escorregadias por
um tempo, eu acho. Muito ruim que você tenha feito
um espetáculo de si mesmo, embora eu creia que
você está entre amigos aqui, que farão todos os
esforços para esquecer tudo e nunca o lembrar
disso. Permita-me ajudá-lo a pôr-se a pé.
― Ele deve ter batido a sua boca na beira de
uma mesa ao cair, Netherby ― disse o Conde de
Riverdale ― e partiu um dente. Ah, Visconde
Uxbury, não é?
Uxbury não estava inconsciente. Ele se levantou
sem ajuda, afastando a mão de Netherby enquanto
fazia isso. Ele tirou um grande lenço do bolso e
segurou-o na boca sangrenta. Seu rosto estava
branco giz. Seus dois parentes vieram até ele e
estavam tomando um braço cada um para levá-lo
para fora. Ele ficou em silêncio depois de olhar para
Joel e falando com ele, sua voz abafada pelo lenço.
― Você vai ouvir do meu advogado ― disse ele.
― Eu espero por isso ansiosamente ― disse Joel.
Ele estava de pé, ele percebeu, quase ombro a
ombro com Camille. Ele virou a cabeça para ela, e
ela virou a dela para ele.
― Obrigada ― ela murmurou antes de se voltar
para sentar-se. Ela não era a aristocrata altiva
agora. Ela era a dama de mármore com a aparência
para combinar com o título.
Os três homens saíram sem mais incidentes,
todos se sentaram novamente, a conversa zumbiu,
os garçons correram para limpar os detritos,
arrumando a mesa com linho fresco e trazendo chá
e comida frescos, e em poucos minutos, alguém que
chegasse ao Upper Rooms não teria sabido que algo
muito deselegante acabara de acontecer lá.
Na verdade, parecia provável para Joel que
muitas pessoas que estiveram lá o tempo todo
também não perceberam. Uma série de conversas
provavelmente estavam no tópico de, quão
perigosas as botas e os sapatos novos poderiam ser,
antes que as solas estivessem devidamente
arranhadas pelo uso.
Talvez fossebom que não tivesse conseguido
comprar, ontem um par pronto.
― Eu tenho uma dívida de gratidão para consigo,
Sr.
Cunningham ― disse a mãe de Camille ― Estou
profundamente envergonhada por ter aprovado o
cortejo deste jovem com a minha filha.
― Eu entendo que vamos fazer um piquenique
amanhã, Sr. Cunningham ― disse Lady Overfield ―
Estou ansiosa por isso, enormemente. Confesso ter
uma grande curiosidade para ver sua nova casa.

Capítulo Vinte e Um Camille estava tomando sol


na manhã seguinte. Ela estava sentada num banco
de pedra enquanto Sarah ficou de pé, pegando
lâminas de grama e puxando-as antes de olhar para
Camille, completamente orgulhosa de si mesma.
Winifred estava sentada de pernas cruzadas no
chão, observando-a. Várias outras crianças estavam
lá fora, envolvidas em vários jogos. Todos estavam
curtindo o breve feriado da escola, embora a maioria
das crianças tivesse saudado alegremente Camille.
Ela não tinha sido convidada. A família estava
indo para a casa do Sr. Cox-Phillips, agora de Joel,
esta tarde para um piquenique e provavelmente um
passeio pela casa.
Ela não tinha sido convidada.
Ontem, na sua primeira exibição completa em
público, ela tinha sido chamada de bastarda. Ela
abraçou os cotovelos com as duas mãos e sorriu
para o bebê, cujo sorriso triunfante mostrava seus
dois novos dentes inferiores. Joel, como um
cavaleiro errante, tinha golpeado o Visconde Uxbury
na sua defesa. E de alguma forma, as palavras de
Avery haviam encoberto todo o escândalo potencial,
pelo menos temporariamente. Era demais esperar, é
claro, que absolutamente ninguém fora do grupo da
família tivesse visto o que aconteceu ou ouvisse as
palavras fatais. Joel foi o único que agiu e ele tirou
sangue e, possivelmente, um dente do visconde.
E então ele se sentou novamente com Mama,
Elizabeth e Alexander e continuou com seu chá e
conversa como se nada tivesse acontecido. Ele não
falou uma palavra para ela.
Ele não a convidou para o piquenique de hoje.
Se ele tivesse pegado uma corneta, sobre um
telhado e gritasse através dela, a sua mensagem
não poderia ser mais clara do que o silêncio dele.
Bem então. Ela ajustou seus ombros e desejou que
o banco não fosse tão duro.
― Eu rezei todas as noites para que os dentes de
Sarah saíssem ― Winifred disse enquanto o bebê
ergueu os braços e Camille a pegou e a colocou no
colo ― e eles saíram.
A piedade ocasional de Winifred poderia ser ainda
mais irritante do que o seu senso de rigor. Mas
Camille sorriu.
― É bom saber ― disse ela ― que as orações são
respondidas. Ela está bastante satisfeita agora.
E então, de repente, ele estava lá, parado em
frente ao banco no seu velho casaco e botas
arranhadas, olhando para elas, um sorriso nos
olhos. Sua cabeça bloqueou o sol e fez Camille se
sentir fria. E Sarah, a criança traiçoeira, gaguejou e
ergueu os braços novamente. Ele a inclinou para
cima, segurou-a acima da sua cabeça, enquanto ela
ria e babavano seu pescoço e baixou-a para sentá-la
num braço.
― Bom dia, senhoras ― disse ele.
― Sarah tem dois dentes ― disse Winifred ― Eu
rezei para que eles saíssem e eles saíram.
― Boa garota ― ele disse, dando um tapinha no
ombro com a mão livre. Mas Hannah estava vindo
buscar Sarah. Era hora da sua alimentação. Winifred
entrou com elas. Joel ficou onde estava, os olhos
fixos em Camille.
― Eu recebi uma nota de Anna esta manhã. Ela
me disse que você não está indo para o piquenique.
Maldita Anna, pensou Camille, usando uma
palavra chocante, na sua mente, ela não sonharia
em falar em voz alta.
― Não ― disse ela ― Eu tenho outras coisas para
fazer.
Ele cruzou os braços e olhou-a.
― Desculpe, Camille ― disse ele ― Eu tenho me
comportado como um burro. É só que . bem, a Terra
moveu-se no domingo. Moveu-se mais do que o
costume, quero dizer.
Eu.
― Está tudo bem ― disse ela ― Você não precisa
explicar ou pedir desculpas se for essa a sua
intenção. O domingo foi minha sugestão, se você se
lembrar, e não me arrependo de nenhuma maneira.
Foi muito agradável. Mas isso é passado e é sempre
sábio deixar o passado e concentrar-se no presente
e no futuro que possa ser razoavelmente planeado.
― Maldição ― ele disse ― eu machuquei você.
― Eu ficaria agradecida se você mudasse a sua
linguagem ― disse ela, ignorando o fato de que sua
mente usara, conscientemente, a mesma palavra há
apenas um minuto ou mais.
― Porque você não vai? ― ele perguntou.
Ela olhou duro para ele.
― Eu não fui convidada ― disse ela ― No meu
mundo, no meu anterior mundo, não se vai a
eventos para os quais não se é convidada.
Ele arranhou a cabeça, deixando o cabelo
confuso.
Estava crescendo, ela notou.
― Bom Deus, Camille ― disse ele ― você era
fundamental para todo o plano que não me ocorreu
que você precisaria de um convite.
A indignação guerreou com outra coisa. Ela era
fundamental para todo o plano? O que é que isso
queria dizer?
― Eu quero que você veja ― disse ele ― Eu subi
lá na quarta-feira e vi a casa e o jardim.Jardim é
realmente uma palavra enganosa. É mais como um
parque. Ecasa é a palavra errada também. É enorme
e terrivelmente impressionante. Meu tio-avô pode
ter sido idoso, mas nada foi negligenciado e
permitido crescer desmazeladamente. Ainda não
posso acreditar que seja minha. Ainda não consigo
me imaginar vivendo lá. Mas as ideias caíram na
minha cabeça enquanto eu estava lá e eu desejei
que você estivesse comigo.
― Não Anna? ― Ela disse rigidamente.
Ele suspirou em voz alta.
― Eu não pensei nela, nenhuma vez, enquanto
eu estive lá ― disse ele ― Eu queria você.
― Eu pretendo estar ocupada hoje ― ela olhou
para baixo nas suas mãos.
― Fazendo o quê? ― Perguntou.
― Essa não é sua preocupação ― disse ela.
― Sim, é ― disse ele ― Não há escola hoje, nem
família.
Você está planeando estar ocupada,fazendo
nada, apenas para me punir. Eu mereço ser punido.
Tenho estado tímido em vir ter com você, desde de
domingo, mas eu deveria ter vindo, especialmente
porque queria vir. E se eu estou parecendo
horrivelmente confuso e contraditório e idiota, isso é
porque eu sou todas essas coisas. Camille, venha ―
ele se agachou diante dela e pegou as suas mãos
antes de se lembrar das crianças brincando e
gritando que os rodeavam e colocou as mãos nos
joelhos em vez disso ― Por favor?
Ele tinha estadotímido em vir?
Ela olhou-o por longos momentos.
― Eu vou para casa ― ela disse abruptamente ―
Minha mãe está voltando a Hinsford Manor para
morar. Anna a persuadiu. Abby está indo com ela. E
eu também ― ela não tinha ideia se dizia a verdade.
Certamente não. Mas como ela poderia ficar.
Ele franziu o cenho enquanto os seus olhos
procuravam o seu rosto.
― Venha esta tarde de qualquer maneira ― disse
ele ― Venha com a sua família. Você tem apenas
alguns dias aqui com eles e é um local encantador
para um piquenique. Parece que vai continuar sendo
um lindo dia também. Venha, Camille, se não por
minha causa, então por causa deles e por você.
Ela franziu o cenho para ele e ele de repente
sorriu.
― Mas venha por minha causa tambéms venha
por minha causa também ― disse eledisse ele ― A
Terra realmente se moveuTerra realmente se moveu
no domingo. E eu acho queacho que para você
também.
― Eu irei ― disse ela rigidamentedisse ela
rigidamente ― Vou pedir a algVou pedir a alguém da
família para me levar nuda família para me levar
numa das carruagens.
Ele levantou-sese.
― Obrigado ―― disse ele.
Mas ela notou algoMas ela notou algo, de
repente, e agarrou a sua mão direita com as suas.
Seus dedos, se não estavam rasgados,direita com as
suas. Seus dedos, se não estavam rasgados,direita
com as suas. Seus dedos, se não estavam rasgados,
estavam vermelhos o bastante para parecer
doloridos.vermelhos o bastante para parecer
doloridos.vermelhos o bastante para parecer
doloridos.
― Eu acho ―― ele disse ― que a boca dele
parece e separece e se sente muito pior.
― Espero ― dissdisse ela ― que ele realmente
tenha perdidoque ele realmente tenha perdido um
dente.
O juiz Fanshawe tinhaO juiz Fanshawe tinha
convocado Joel na quartaconvocado Joel na quarta-
feira, logo depois que voltou de ser medido
paravoltou de ser medido para novas roupas enovas
roupas e botas. O juiz era umbotas. O juiz era um
cavalheiro idoso, muito dobradouito dobrado pela
idade, e enviou o seu servo para chamaro seu servo
para chamar Joel para a ruJoel para a rua, onde ele
estava esperandoonde ele estava esperando, fora da
sua carruagemfora da sua carruagem. Ele tinha dito
a Joel que nunca tinha sido tãonunca tinha sido tão
ofendido na sua vidaofendido na sua vida, do que
quando descobriu queque quando descobriu que o
Visconde Uxbury, o Sr. MartinVisconde Uxbury, o Sr.
Martin Cox-PhillipsPhillipsPhillips eee ooo Sr.Sr.Sr.
BlakeBlakeBlake NortonNortonNorton
estavamestavamestavam
contestandocontestandocontestando ooo
testamento.
― Eu anseio com grande alegriaEu anseio com
grande alegria esmagá-los em pó sob alos em pó
sob a minha bota, se eles persistirem, o que,
infelizmente, temo quebota, se eles persistirem, o
que, infelizmente, temo quebota, se eles
persistirem, o que, infelizmente, temo que eles não
vão fazer quando eles examinarem mais de perto a
lista de testemunhas ― disse ele ― Eu era uma
deles e mesmo os outros são formidáveis. Você
pode, com segurança, considerar sua a herança, Sr.
Cunningham.
Ele agitou a mão de Joel com um aperto
surpreendentemente forte, antes de voltar para
dentro da carruagem com a ajuda do seu servo e
seguir seu caminho.
Então, por impulso, Joel subiu para ver a sua
nova propriedade, que, provavelmente, venderia
assim que todos os assuntos do testamento fossem
resolvidos. Ele falou com o mordomo, Sr. Nibbs, e
assegurou-lhe que todos os servos poderiam
permanecer, até novo aviso, e que o Sr. Crabtree
seria informado para pagar os seus salários. Nibbs
havia mostrado a casa, antes de chamar o jardineiro
chefe para levá-lo através dos jardins. Depois, Joel
passou outra hora vagando pela casa por conta
própria. Era tudo muito maior e mais imponente do
que ele tinha percebido e intimidante também. Mas
algo aconteceu quando ele finalmente ficou na
biblioteca, atrás da cadeira, onde seu tio-avô estava
sentado, com as mãos apoiadas nas costas altas. Ele
sentiu… uma ligação, uma saudade, embora não
pudesse colocar nenhum sentimento em palavras
claras na sua mente.
Sua mãe cresceu ali. Seus avós viveram ali, bem
como o tio-avô dele. Ele não sentiu a presença de
fantasmas exatamente, mas sentiu… bem, uma
ligação. Era a única coisa que sempre esteve
ausente na sua vida. Não que ele estivesse
reclamando. Sua vida, até agora, tinha sido muito
abençoada, mesmo queele omitisse os
acontecimentos das últimas semanas. Mas … Bem,
ele se apaixonou. E, talvez por uma associação de
pensamento, desejara que Camille estivesse com
ele. Ele estava bastante cheio de pensamentos,
ideias e necessidades… Ele informou o Sr. Nibbs do
piquenique de sexta-feira e avisou-o de que os
convidados desejariam uma visita à casa.
Ele tinha pedido que algumas cadeiras e
cobertores fossem levados para o gramado da
frente, se o tempo o permitisse, e que arranjos
fossem feitos para cavalos e carruagens. Ele tinha
assegurado ao mordomo, no entanto, que tinha
contratado os serviços de um fornecedor em Bath
para que a equipe de cozinheiros e cozinha não
precisasse ser atirada em consternação. Ele não
tinha certeza de que eles seriam capazes de atender
a uma grande festa de aristocratas depois de ter
trabalhado, há algum tempo, com um ancião doente
que, provavelmente, não tinha grande
entretenimento. Ele tinha dado apenas uma ordem
antes de partir.
― Se você pudesse providenciar, para que esses
bustos de olhos cegos fossem removidos do
corredor, assim que humanamente possível Sr.
Nibbs ― ele disse ― eu seria muito agradecido a
você.
O mordomo estava muito bem treinado para
sorrir, mas Joel teria jurado que ele estava fazendo
isso interiormente.
― Vou dar a ordem, senhor ― disse ele ― Eles
foram um presente de casamento para o Sr. e a Sra.
Cunningham, mas o Sr. Cox-Phillips nunca gostou
muito deles.
E agora Joel estava de volta, andando pelo
terraço diante da casa, observando que os gramados
tinham sido cortados recentemente, que cinco
cadeiras tinham sido colocadas num semicírculo no
gramado,para que ninguém tivesse que se afastar
da vista. Havia uma pilha arrumada de cobertores,
de um lado delas. E o que diabos ele estava
fazendo? Joel imaginou. Ele não tinha ideia de como
receber qualquer grupo maior do que uma reunião
noturna dos seus amigos do sexo masculino, nos
seus aposentos. Quando o fornecedor lhe perguntou
o que especificamente ele queria para comer e
beber, ele ficou deprimido, ele esperava que não
tivesse feito isso literalmente, e pediu conselhos. Ele
tinha tido dinheiro suficiente para pagar o
piquenique, mas apenas isso. Suas escassas
economias foram destruídas, e ele só podia esperar
que o juiz Fanshawe estivesse correto.
Ele teria uma conta de alfaiataria e de sapateiro
para pagar dentro das próximas duas semanas.
Felizmente, ele não teve muito tempo para
cismar. Uma carruagem estava triturando o cascalho
da entrada e outra estava logo atrás. Joel entrou
nos degraus da porta da frente e ficou com as mãos
cruzadas atrás dele, tentando fingir que era o
grande mestre de tudo o que ele examinava. Ele
desejou que suas botas não estivessem tão
arranhadas.
Tudo procedeu notavelmente bem, depois disso.
Todos estavam de bom humor e todos admiravam a
casa, as vistas e o jardim. A governanta deu-lhes
um passeio pela casa, embora a condessa viúva de
Riverdale, decidisse permanecer na sala de estar
depois que eles chegaram lá, e Lady Matilda
Westcott escolheu ficar também para oferecer sais
apesar dos protestos vociferantes da sua mãe.
Todos seguiram os seus caminhos separados depois
que o passeio terminou, a maioria da família
passeando ao ar livre através dos gramados, através
do barranco de rosas, descendo no jardim pelo
rochedo inclinado, atrás da casa até a floresta,
através da qual passava um caminho
cuidadosamente cultivado.
― Joel ― disse Anna, ligando um braço ao seu
antes de todos se reunirem no gramado principal
para o chá de piquenique ― este é um lugar
bastante requintado, não é? E pensar que crescemos
lá embaixo, e nunca o percebemos.
Você se arrepende… Oh, não importa.
― Sim, eu sei ― disse ele ― Se só se pudesse
chegar atrás no tempo e saber. Mas não pode ser
feito, e foi escolha dele permanecer desconhecido
para mim. No entanto, eu devo a decência da minha
educação a eles, podia ter sido muito pior. E devo a
minha avó a minha carreira. Não teria acontecido se
não tivesse sido capaz de ir à escola de arte.
― Você sempre foi muito talentoso ― disse ela ―
Mas você provavelmente está certo. O que você vai
fazer? Você vai morar aqui?
― Matraquear sozinho por uma mansão tão
vasta? ― Ele disse ― É difícil imaginar.
― Sozinho, Joel? ― Ela disse, e ele estava
consciente de que olhos dela estavam descansando
sobre Camille, que estava maravilhosamente bonita
com um leve vestido de musselina e um chapéu de
palha que Joel não tinha visto antes e que mal
olhava na sua direção desde o seu cumprimento
inicial, rígido, quando chegou com sua avó materna,
sua mãe e irmã.
― Não decidi o que fazer sobre a casa ― disse
ele ― Eu estava decidido a vendê-la, mas. . Bem,
minha mãe cresceu aqui, e.
Ela apertou seu braço.
― Demore o tempo que precisar para decidir ―
disse ela ― Tudo ficará bem. Eu prometo.
― Oh, você promete, não é? ― Ele disse.
― Eu prometo ― Ela riu e soltou-o para se juntar
a duas das suas tias.
A comida do piquenique parecia perfeição para
Joel, e todos pareciam concordar com ele. Todos o
elogiaram, e ele riu e disse a verdade.
― Deixei tudo nas mãos do fornecedor ― disse
ele ― Quando me mostraram uma lista de
possibilidades, nem sabia qual era a maioria dos
itens. Todos tinham nomes extravagantes. Então eu
tive que deixar a escolha para os especialistas e
estou aliviado, ao descobrir, que eu reconheço os
alimentos, mesmo que não os nomes.
Todos riram com ele e era hora da sua pequena
surpresa. Os servos vieram da casa com bandejas
de champanhe e Joel propôs um brinde à condessa
viúva, que estava sentada numa das cadeiras sob a
sombra de uma árvore, embora Lady Matilda tivesse
feito várias tentativas de segurar um guarda-sol
sobre a cabeça.
― Eu não conheço a data exata do seu
aniversário, senhora ― disse ele ― mas eu desejo a
você uma feliz semana de aniversário ― E todos
tocaram os seus copos e ecoaram o brinde.
― Meu aniversário é hoje, jovem ― disse a viúva
― e até agora tem sido perfeito. Não consigo
imaginar um cenário mais agradável para o meu chá
de aniversário ou comida mais deliciosa ou
companhia mais agradável. Obrigada.
O brinde e as suas palavras sinalizaram o fim da
visita.
As carruagens foram chamadas e todos se
juntaram no terraço esperando por elas,
conversando alegremente entre si, agradecendo Joel
novamente e felicitando-o no seu novo lar.
E ainda ele e Camille não haviam trocado mais do
que aquela saudação inicial. Ela o tinha evitado toda
a tarde. Ou talvez ele a tivesse evitado.
― Camille ― ele disse ― posso persuadi-la a ficar
um pouco mais? Há algumas coisas que eu gostaria
de mostrar.
Você pode voltar para casa comigo mais tarde.
Ele não falou alto. Ele não esperava mais
ninguém além dela ouvir. Mas parecia que todos o
faziam, e um silêncio geral caiu entre eles, enquanto
todos, ao que parecia, olhavam primeiro para ele,
então para Camille e depois voltando para ele.
― Não é coisa, Sr. Cunningham ― disse Lady
Matilda ― para uma única dama .
― Eu acredito que minha neta é capaz de tomar
suas próprias decisões, Matilda ― disse a condessa
viúva.
― É claro que sim ― concordou lady Molenor ―
Se ela.
― Talvez, Sr. Cunningham ― Elizabeth, Lady
Overfield, disse ― você me permitirá ficar também.
Eu adoraria passar uma hora tranquila na biblioteca
olhando todos esses livros.
Se for o caso de Camille escolher ficar.
Todos os olhos viraram para ela. A cor estava
forte nas suas bochechas. Essa mandíbula teimosa
estava em evidência completa, assim como os lábios
estavam numa linha fina.
― Sim, certamente ― disse ela.
Eles ficaram no terraço, os três, observando as
carruagens se deslocarem pela entrada. Lady
Overfield deu um sorriso para Joel. Os olhos dela
brilhavam.
― Eu me tornarei invisível ― disse ela ― Eu diria
que poderia passar uma semana naquela biblioteca
sem ficar sem livros para ver, então você não deve
se sentir apressado. E eu sei o caminho ― Ela deu
um sorriso para Camille, pegou suas saias, subiu os
degraus e desapareceu na casa.
― Eu suponho que escandalizei a todos ― disse
ele ― Eu não sei como mecomportar como um
cavalheiro, verdade?
Ele a ouviu segurar a respiração e libertá-la.
― Porque você queria que eu ficasse? ― Ela
perguntou a ele.
Porque ele era o pior covarde do mundo. E
porque ele não queria que ela voltasse para casa,
Hinsford Manor, com sua mãe e sua irmã.
Ele fechou a curta distância entre eles e a tomou
com determinação pela mão.
― Eu disse-lhe que vim aqui na quarta-feira ―
disse ele, saindo com ela ao longo do terraço e ao
redor do lado da casa ― e desejei que você
estivesse comigo. Hoje você esteve aqui comigo e
uma dúzia de outras pessoas e quase deixei você ir
com eles. Minha mente é como um ninho de
zangões, Camille. Há muito zumbido dentro dela.
Isso é uma mistura de imagens? Isso irá dizer-lhe o
estado da minha mente, talvez. Você atravessou a
floresta aqui atrás, mais cedo? O caminho sobe
bastante, mas vale a pena escalar. Há todos os tipos
de lugares para se sentar e relaxar e simplesmente
aproveitar as vistas.
― Eu não vim tão longe ― ela disse enquanto
subiam.
Eles chegaram à parte que, particularmente, o
atingira na quarta-feira ― uma clareira entre as
árvores, que tinha sido transformada num pequeno
jardim de flores com um assento de ferro forjado no
meio. A partir dali, podia-se ver, entre uma
estrutura de galhos de árvores sobre o telhado da
casa, para a deslumbrante elegância branca dos
edifícios georgianos de Bath. Ele a levou para o
assento e se sentaram lado a lado.
― Eu pensei, que talvez venderia este lugar ―
disse ele ― mas não posso fazer isso, Camille. É a
única ligação real que tenho com a minha família.
Não consigo ver-me vivendo sozinho aqui, mas
posso ver todo tipo de possibilidades, nenhuma das
quais pensei saber, se elas são possíveis ou
praticáveis ou qualquer outra coisa. Eu imagino uma
escola de arte aqui, ou um lugar para retiros de
arte, talvez.
Possivelmente para algumas crianças do
orfanato, talvez para outras crianças também, talvez
para adultos. Imagino uma escola de música, ou
uma casa de retiro, para vários instrumentos e para
voz. Mesmo para a dança. Ou um retiro de escrita.
Eu imagino trazer aqui, especialistas de renome,
para dar cursos de instrução sobre uma variedade
de assuntos diferentes e para oferecer
demonstrações e concertos. Mais do que tudo, eu
vejo e ouço crianças correndo lá em baixo no
gramado, aqui jogando esconde-esconde entre as
árvores, atravessando a casa fazendo barulho e
rastreando sujeira. Felizes, livres.
― Seus próprios filhos? ― Ela perguntou, e ele
soube assim que ele virou a cabeça para olhar para
ela, que ela estava desejando que pudesse morder a
língua. Suas bochechas estavam coradas.
― Entre outros ― disse ele ― Eu gostaria de ter
filhos meus. Gostaria de dar-lhes o que nunca
conheci, um pai e uma mãe. Mas também vejo
outras crianças aqui, aproveitando um feriado e a
chance de dar um salto num lugar onde há muito
espaço para correr.
Ela não disse nada.
― Claro ― ele disse ― é uma distância
considerável de Bath, e eu nunca estive em nenhum
outro lugar além de lá.
Parece um pouco isolado aqui. Amplo, aberto.
Lindo também, no entanto. Perto do céu.
― Você não ficaria isolado ― disse ela ― se
sempre houvesse algo acontecendo aqui e pessoas
constantemente indo e vindo. E, Joel, você poderia
pagar a sua própria carruagem para levá-lo de ida e
volta para a cidade.
― Então eu poderia ― disse ele, embora não
fosse a primeira vez que ele pensava nisso ― Eu
poderia ter cavalos.
E talvez um cão ou dois e um gato ou três.
Talvez coelhos.
Quando menino, acredito que desejava um
animal de estimação quase tanto quanto desejava
uma família. Nunca foram permitidos no orfanato,
por razões muito óbvias. Mas sempre pensei que a
presença de animais de estimação seria muito boa
para as crianças. Cães e gatos, eu ouvi dizer,
sempre te amarão, mesmo quando os humanos não.
Os animais de estimação podem ser aconchegados
epode-se ler para eles. Eles não julgam. Eles…
simplesmente amam. Você acha que eu poderia
falar com a Srta. Ford para permitir que algumas
crianças viessem aqui para ficar por alguns dias de
cada vez, para lições e música, brincar, cavalgar e
brincar com gatos e cachorros e coelhos? Estou
sendo muito ingênuo? Construindo castelos no ar?
Castelos de areia?
Estou sendo um idiota?
― Você consideraria ter um pequeno orfanato
aqui mesmo? Perguntou ela.
Ele pensou nisso por um tempo.
― Não ― disse ele ― Se houvesse filhos aqui,
permanentemente, eles teriam que pertencer a
mim.
― Seus próprios filhos ― disse ela.
― Ou adotados ― Ele estava emterreno novo, ali.
Ele não pensou nisso antes ― Possivelmente… Sarah
― disse ele.
Seus olhos se encontraram e seguraram. Ele a
viu engolir e ele observou seus olhos se encherem
de lágrimas antes de virar a cabeça.
― E Winifred ― disse ela.
― Winifred? ― Ele franziu a testa.
― Ela não é uma criança terrivelmente simpática,
verdade? ― Disse ela ― Ela é justa, piedosa,
arrumada e julgadora. Eu me reconheço nela, Joel,
até ao ponto da dor.
Ela quer, desesperadamente, ser amada e
acredita que o amor deve ser obtido com bom
comportamento. Ela não entende que os seus
esforços estão afastando o amor ao invés de atrai-
lo.
― Você gostaria de adotá-la? ― Perguntou.
Ela olhou-o com os olhos em branco.
― Você foi o único a falar de adoção ― disse ela
― e de trazer as crianças aqui como suas. Eu
simplesmente falava hipoteticamente. Eu só queria
que ela pudesse se conhecer amada. Mais do que
amada. Escolhida ― ela piscou os olhos e levantou-
se abruptamente ― Elizabeth ficará sem livros para
divertir-se. Vamos voltar para baixo.
E o momento, a ponta sobre a qual ele estava
balançando, passou. Era apenas isso. As ideias
haviam desaparecido da sua mente e ele estava
bastante inseguro de qualquer uma delas. Ele não
tinha certeza de nada.
Não, isso não era verdade. Ele estava muito, com
muita certeza de uma coisa. Ele estava
desesperadamente apaixonado por ela. E ele queria
desesperadamente casar com ela.
Mas ainda assim o momento não parecia certo.
Ele não queria que, uma proposta de casamento,
soasse como se tivesse acabado de tropeçar da sua
mente para a boca e para os seus lábios.
Ele se levantou ao lado dela e pegou sua mão
novamente.
― Obrigado por ficar ― disse ele ― Obrigado por
ouvir.
Eles voltaram para a casa em quase silêncio.

Capítulo Vinte e Dois Depois de voltar, de ter


levado Sarah, Winifred e outras duas crianças
pequenas para ver os patos no rio e alimentá-los
com migalhas de pão, na manhã seguinte, Camille
sentou-se ao lado de Miss Ford e a enfermeira para
o almoço.
― Alguma dessas crianças já foi adotada? ―
Perguntou durante uma pausa na conversa. Ela
nunca tinha ouvido falar disso, mas então, ela não
estava ali há muito tempo.
― Ocasionalmente ― disse a Srta. Ford ― Os
bebês, quero dizer. As pessoas que procuram
crianças adotivas raramente procuram algo acima de
alguns meses de idade.
Este não é o tipo de orfanato sobre o qual,
empregadores sem escrúpulos, lançam as suas
visões para mão-de-obra barata.
― Qual é o procedimento para adoção? ―
Perguntou Camille.
― Na maioria dos casos ― disse a senhorita Ford
― o verdadeiro pai, ou quem está apoiando a
criança aqui, é consultado e concede ou retém a
permissão. Se a resposta for sim, os detalhes legais
são tratados pelo nosso advogado, mas o conselho
diretor é muito cuidadoso para investigar os
potenciais pais. Aqui, oferecemos amor, segurança e
uma boa qualidade de cuidados, como você sabe.
Nós tentamos garantir que seja para a vantagem da
criança se tornar parte de uma família.
― E se os pais reais são desconhecidos? ―
Perguntou Camille.
― Nós seguimos o mesmo procedimento de
investigação cuidadosa ― disse a Srta. Ford ― Ter
as nossas crianças adotadas parece um pouco como
desistir dos nossos próprios filhos, você sabe. Nós
faremos isso de bom gosto se for para benefício da
criança, mas nunca é fácil dizer adeus.
Compreensivelmente, a maioria dos pais adotivos
não quer voltar aqui para visitas.
― Você se lembra de Sammy e os seus cachos
dourados?
― perguntou a enfermeira, e ela e a Srta. Ford
estavam em reminiscências de bebês que tinham
perdido para a adoção.
Camille voltou para o seu quarto e escreveu a
Harry para felicitá-lo por sua promoção. Era a
primeira vez que escrevia diretamente para ele. Foi
doloroso. Harry tinha sido o Conde de Riverdale. Ela
estava sempre irritada com ele porque ele estava
tendo o tempo da sua vida, cercado por
companheiros que contavam mais com interesseiros
do que amigos reais, usando apenas uma braçadeira
negra em deferência à morte do pai enquanto
Mama, Abby e ela usavam tudo preto. Mas ele tinha
sido um menino de bom coração, alegre, inteligente
e afetuoso. Ela o amava muito sem perceber
completamente isso. E ela o amou agora e sentiu a
dor do que aconteceu com ele. Suas cartas eram
sempre espirituosas, mas qual era a realidade? Ele
ainda estaria vivo para ler sua carta? Seu medo por
ele sempre estava lá, profundamente suprimido,
mas muito real.
O preço do amor, ela pensou, era uma dor. Valia
a pena? Seria melhor não amar?
No meio da tarde, ela caminhou até o Royal
Crescent, como tinha feito ontem, antes do
piquenique, para invadir o seu guarda-roupa em
busca de algo mais adequado para vestir na noite do
baile, do que qualquer uma das poucas roupas que
pendiam no seu quarto no orfanato. Sentia-se um
pouco, como cavar numa vida passada, que tinha
deixado para trás, há mais de alguns meses, mas
havia algo inegavelmente atraente sobre isso. Que
mulher não gostava de se vestir e parecer bem, pelo
menos de vez em quando?
Ela escolheu um vestido de renda prateada sobre
cetim azul, sua cintura bem baixo do peito, seu
decote baixo, as mangas curtas e inchadas. A
bainha estava profundamente estilhada e bordada
com fio de prata. Ela vestiu longas luvas de prata,
chinelos de prata e levaria um delicado leque que
abriu para revelar uma pintura brilhantemente
colorida de graciosos querubins alados, pairando
acima de um jovem romanticamente lindo e
louro,que parecia ter sido gravemente ferido por um
dos dardos do Cupido. Isso divertiu Camille, embora
ela nunca tivesse pensado nisso antes, imaginar que
o presioneiror do leque talvez tivesse o destino do
amor de um jovem, literalmente, na palma da mão.
Suas únicas joias eram o colar de pérolas que seu
pai lhe deu na sua apresentação, na verdade, foi o
secretário dele que lhe tinha entregue, e os brincos
correspondentes que tinham sido o presente da sua
mãe. A cabeleireira da sua avó penteou o seu cabelo
com intricadas reviravoltas e cachos e algumas
mechas ondeadasque se pousaram ao longo do seu
pescoço e sobre as suas orelhas.
Durante um momento, olhando-se no espelho,
sentiu uma onda de nostalgia por esse mundo
familiar que tinha deixado para trás tão
abruptamente. Mas surpreendeu-a, aperceber-se,
que não voltaria agora, mesmo que pudesse. Ela
não acreditava que ela gostasse, particularmente,
da pessoa que tinha sido então, e certamente não
gostou da pessoa de quem estava noiva. Ela se
virou e foi ao quarto de Abigail, onde encontrou a
sua irmã como uma relíquia de primavera num
vestido amarelo bem pálido, que Camille não tinha
visto antes. Estava fervente de excitação e
ansiedade.
― Será como umverdadeiro baile, você acha? ―
Ela perguntou ― Oh, você parece adorável, Cam. Eu
sempre quis ter crescido tão alta quanto você ―
Abby tinha participado de algumas reuniões locais
no país, mas não bailes formais. Ela nunca teve uma
temporada de apresentação.
― Não será como um aperto de Londres,
suponho ― disse Camille ― mas entendo que toda a
sociedade educada de Bath foi convidada, e eu
imagino que seja promovido como o maior evento
do verão. Os Westcotts têm mais do que a sua
parcela de títulos entre eles, afinal. Será bem
frequentado.
― Você pensa . ― Abigail parou e arranjou o seu
xale e pegou o seu leque ― Você acha que podemos
ter alguns parceiros, Cam? Além do tio Thomas e
Alexander, é claro?
― Eu acho ― disse Camille ― que nossas tias
assumirão o dever de ser anfitriãs, Abby. A anfitriã
não gosta de ver encalhadas a decorar o seu salão
de baile. Isso reflete mal sobre ela.
― Elas nos encontrarão parceiros, então? ―
Abigail enrugou o nariz.
― É a maneira como as coisas estão dispostas ―
disse Camille ― E às vezes, cavalheiros pedem para
serem apresentados. Não é assim que é feito, você
sabe, eles se apressarem e pedir uma dança quando
não houve nenhuma apresentação.
Ela esperava que estivesse falando a verdade.
Ela esperava que sua irmã tivesse parceiros de
dança e que não fossem apenas homens
casados,mais velhos que tivessem sido forçados a
isso, ou tivessem tido piedade dela. Ela não se
importava com ela. Ela ficaria bastante contente,
apenas em assistir as festividades e passar um
pouco mais de tempo com sua família, antes de
voltarem para casa. E, como Abby acabara de dizer,
tio Thomas e Alexander e até Avery sem dúvida
dançariam com ela. E…Joel?
Ela tentou muito, o dia todo, não pensar em
ontem. O que exatamente ele tinha dito? Ele
provavelmente nem se conhecia a si mesmo, porém,
ele tinha comparado a sua mente com um ninho de
zangões. Mas . eu gostaria de ter filhos meus.
Gostaria de dar-lhes o que nunca tive, um pai e uma
mãe. E falou sobre a adoção de crianças. Ele havia
mencionado Sarah. E então, depois de parecer estar
construindo algo, ele aalgo, ele a agradeceu por ter
vindo eagradeceu por ter vindo e escutar e liderou o
caminho da colinaliderou o caminho da colina.
Ah, ela iria para casaAh, ela iria para casa, para
Hinsford com Mama e Abby.para Hinsford com
Mama e Abby.
Ela simplesmente deEla simplesmente desistiria
da luta e seria abjeta. Não, elaeria abjeta. Não, ela
não seria. Ela ficaria na escola. Ela ficaria na escola.
Ela ficaria firme e… Talvez elaEla ficaria firme e…
Talvez ela arranjasse o seu próprio estabseu próprio
estabelecimento em algum lugar eelecimento em
algum lugar e viver dedede formaformaforma
independente.independente.independente. ElaElaEla
poderiapoderiapoderia fazêfazêfazê-lo com o
dinheiro que ela receberiadinheiro que ela receberia
de Anna. Ela poderia viver muitoEla poderia viver
muito bem disso,isso,isso, nanana
verdade.verdade.verdade. ElaElaEla tinhatinhatinha
certezacertezacerteza dedede que atéque atéque até
umumum quarto da fortuna do seu pai era uma
soma muiquarto da fortuna do seu pai era uma
soma muito boto boa. Sim, talvez ela faria
exatamente isso ou…faria exatamente isso ou… Ah,
Joel.
Abigail estava pronta paAbigail estava pronta
para descer as escadas, e logo elara descer as
escadas, e logo elas estavam na carruagerruagem
com a mãe e a avó a caminho dam com a mãe e a
avó a caminho das UpperUpper AssemblyAssembly
RoomsRooms,, emboraembora aa distânciadistância
fossefosse muitomuito curta.Mama
segurousegurousegurou aaa mãomãomão dedede
AbbyAbbyAbby firmementefirmementefirmemente,
notou Camille.e. ElaEla mesmamesma abriuabriu ee
fechoufechou oo lequeleque no colo e perguntou se
haveria valsas.perguntou se haveria valsas.
Joel tornou-sese umauma celebridadcelebridadee
local.local. EleEle jájá eraera conhecido por algumas
pessoas, é claro, como um pintor deconhecido por
algumas pessoas, é claro, como um pintor
deconhecido por algumas pessoas, é claro, como um
pintor de retratos, e essas pessoas conseguiram
apontáretratos, e essas pessoas conseguiram
apontá-lo para todoslo para todos os outros como o
órfão, sem dinheiro, que acabou sendo oos outros
como o órfão, sem dinheiro, que acabou sendo oos
outros como o órfão, sem dinheiro, que acabou
sendo o sobrinho-neto perdido, alguns até disseram
o neto,perdido, alguns até disseram o neto, do
muitoperdido, alguns até disseram o neto, rico Sr.
Cox-Phillips, que morava numa das mansões
nasPhillips, que morava numa das mansões
nasPhillips, que morava numa das mansões nas
colinas. O cavalheiro idoso descobriu a verdade no
momentocolinas. O cavalheiro idoso descobriu a
verdade no momentocolinas. O cavalheiro idoso
descobriu a verdade no momento certo, ou então a
história correu, e deixou cada último centavo dos
seus milhões para o jovem, que ele conseguiu
apertar no seu peito pela primeira e última vez
quase com a respiração moribunda.
A celebridade de Joel tinha sido melhorada mais
do que diminuída quando a história começou a
circular e depois incendiou as salas de estar da
moda, que ele tinha golpeado o Visconde Uxbury no
rosto durante um chá nos Upper Rooms, derrubando
todos os dentes pela garganta, no processo, por
insultar uma dama.
Foi com grande trepidação, então, que Joel se
aproximou desses mesmos salões no sábado à noite,
desconfortável com roupas e sapatos noturnos e se
perguntando se era imperativo, que um homem
dançasse em tal evento, quando ele nunca dançava
no orfanato. E também se perguntando, se haveria
cantos sombrios suficientes para se esconder. E
perguntando, se era tarde demais para se virar e
voltar para casa. Mas ele estava, mortalmente,
cansado da sua própria covardia. Uma coisa era
certa. Ele não podia voltar à sua vida antiga e
confortável. Muito bem, então. Ele continuaria com a
nova.
Além disso, Camille poderia muito bem ir para
Hinsford Manor amanhã, com a mãe e a irmã, e ele
não permitiria que isso acontecesse sem uma briga,
ou sem pelo menos falar com ela primeiro.
Ele caminhou propositadamente até a porta dos
salões, deu seu nome ao boxer uniformizado, que
meio que enchia a entrada, pelo menos uma pessoa
em Bath, ao que parecia, não o conhecia de vista, e
entrou.
Todo o cidadão de Bath, exceto o boxer na porta,
devia ter sido convidado, pensou nos próximos
minutos. O salão de chá estava abarrotado, o salão
de baile estava cheio e, se ele não chamasse a
atenção para onde quer que fosse, então sua
imaginação era muito mais vívida do que ele tinha
percebido.
Uma orquestra numa plataforma elevada estava
ajustando os seus instrumentos, embora a dança
não tivesse começado. O lugar zumbiu com
conversa e risada, e se alguém, simplesmente,
abrisse um alçapão no chão, Joel com prazer
desapareceria por ele, sem sequer verificar os
degraus primeiro.
E então, lady Molenor o reclamou, toda joias
brilhantes e penas balançando no cabelo e modos
graciosos, e ela foi seguida de perto pela duquesa
viúva de Netherby, formidável num vestido azul-real
e um turbante correspondente com uma joia do
tamanho de um ovo de pisco preso na frente disso.
Eles insistiram com ele para cumprimentar a
condessa viúva de Riverdale, que estava sentada no
salão de baile numa cadeira que se parecia com um
trono, recebendo, alegremente, a homenagem e
cumprimentos de aniversário de todos, enquanto
Lady Matilda Westcott, sua filha, abanava um leque
próximo do seu rosto, toda preocupação solícita com
o conforto da sua mãe. Anna, parecendo muito
adorável, em rosa profundo, chegou a abraçá-lo e
Lady Jéssica Archer e a Srta. Abigail Westcott
reviraram seus leques para ele e
sorrirambrilhantemente antes de sair de braços
dados para mostrar a sua beleza ante a multidão
reunida. E… Camille estava lá, de pé, no momento,
um pouco para o lado da sua avó, sozinha.
― Eu não acredito ― ele disse, aproximando-se
dela ― que eu já tenha visto uma mulher mais
bonita.
Ela olhou-o durante um momento e ele percebeu
o quão extravagante e bobas as suas palavras
deviam ter soado. Mas então ela sorriu lentamente,
uma expressão que começou com os olhos
dançantes.
― Ou eu, um homem mais bonito ― disse ela ―
Joel, você esteve fazendo compras. Foi muito
doloroso?
― Excruciantemente sim ― ele disse, sorrindo
para ela ― Mas eu andei todo o caminho até aqui e
os meus sapatos, ainda não fizeram bolhas em
todos os meus dedos dos pés.
Ou nos meus calcanhares. Nem a minha gravata
arranhou o meu pescoço.
― Você realmente está esplêndido ― disse ela.
― Camille ― ele disse, preocupado ― você
realmente vai para casa com sua mãe e sua irmã?
Ela não respondeu imediatamente.
― Não ― ela disse então ― Seria uma admissão
de derrota, e eu me recuso a ser derrotada.
― Boa garota ― ele disse, como se estivesse
falando com um dos alunos da escola.
― Mas, Joel ― ela disse, abrindo o leque e
adicionando, imediatamente, um floreado de cor
maravilhoso ao delicado azul e prata das suas
roupas ― Aceitei a oferta de Anna de um quarto da
fortuna do meu pai. Ainda não sei o que farei com
isso, se fizer algo.
― Ah ― ele disse, e ele não sabia se estava feliz
ou triste ― O que fê-la mudar de ideia?
― Estou tentando fazer meu coração seguir a
ordem que minha cabeça estabeleceu ― disse ela ―
Estou tentando amá-la, Joel. Estou tentando pensar
nela como minha irmã, não apenas como minha
meia-irmã. partilhar a sua fortuna é crucial para a
felicidade dela.
Ele não teve chance de responder. Houve um
aumento de movimento em volta deles, e ele
percebeu que a orquestra tinha ficado em silêncio e
os casais estavam se juntando na pista de dança.
― Meu par, eu acredito, Camille ― disse o Conde
de Riverdale, acenando gentilmente a Joel e
estendendo a mão em direção á prima.
― Sim, Alexander. Obrigada ― disse ela.
E Joel ficou sozinho novamente até Lady
Overfield aproximar-se ao lado dele.
― Lembro-me de Anna contando-me sobre as
danças que foram realizadas no orfanato quando sua
velha professora ainda estava lá ― disse ela ― Ela
conhecia os passos de tudo, exceto a valsa.
Suponho que o senhor Cunningham também. Com o
risco de parecer imperdoavelmente atiradiça, você
gostaria de tentar esta comigo? Osalão está muito
lotado. Eu atrevo-me a dizer, que estaremos
perdidos entre as massas, e absolutamente ninguém
nos verá.
E se Camille era a mulher mais linda quE se
Camille era a mulher mais linda que já tinha visto,e
já tinha visto, Joel pensou, e ele poderia,e poderia,
claro, ser parcial, certamente,certamente, Lady
Overfield era a mais gentil.Lady Overfield era a mais
gentil.
― Euuu fareifareifarei ooo meumeumeu
melhormelhormelhor paraparapara nãonãonão aaa
envergonhar,envergonhar,envergonhar, senhora ―
ele disse, sorrindoele disse, sorrindo pesarosamente
para ela quandopara ela quando ofereceu seu
braço.ofereceu seu braço.
― Fiquei encantado em saber, ontemFiquei
encantado em saber, ontem ― disse Alexanderdisse
Alexander depois de liderar Camildepois de liderar
Camille pelo salão ― que a prima Viola estárima
Viola está voltando a Hinsford para viver e que
Abigail está indo comHinsford para viver e que
Abigail está indo comHinsford para viver e que
Abigail está indo com ela. Você vai também,
Camille?ela. Você vai também, Camille?
― Não ― disse eladisse ela ― exceto em visita
ocasional. Mas euvisita ocasional. Mas eu não
desaprovo. Eu também estou feliz por elasEu
também estou feliz por elas.
― Seu futuro está aqSeu futuro está aqui? ― Ele
perguntou, olhando alémEle perguntou, olhando
além do seu ombro, para opara onde Joel estava
levando Elizabethnde Joel estava levando Elizabeth.
― Por enquanto, simPor enquanto, sim ― disse
ela ― Eu realmente gostoEu realmente gosto de
ensinar, embora seja a atividade mais caótica e
alarmantede ensinar, embora seja a atividade mais
caótica e alarmantede ensinar, embora seja a
atividade mais caótica e alarmante em que alguma
vez estive envolvida e às vezesem que alguma vez
estive envolvida e às vezes me pergunto ome
pergunto o que estou fazendo.
Ele olhou-a e sorriu.Ele olhou-a e sorriu.

Aparentemente,Aparentemente,Aparentemente, aaa
senhoritasenhoritasenhorita FordFordFord lhelhelhe
ofereceuofereceuofereceu ooo emprego, pelo
menospelo menos, nos próximos vinte anos ――
disse ele ― Eu acredito que sejaseja uma
altarecomendação.
― EE você,você, AlexaAlexander? ― Perguntou-
lhe ―― Você vai restaurar o destinorestaurar o
destino Brambledean Court? Ou, como Papa, vomo
Papa, você nem vai tentar?
― Oh, eu vou tentar ― ele disse a ela ― É meu
dever, afinal. Devo me casar com uma esposa rica.
A dança estava prestes a começar, e era uma
intrincada dança típica, durante a qual, haveria
poucas oportunidades para uma conversa privada.
Ele ainda estava sorrindo. Os olhos dele estavam
brilhando, como se ele tivesse brincado.
Camille esperava que fosse uma piada. Alexander
sempre foi um homem honrado e gentil. Embora ela
nunca tivesse acreditado em amor romântico, ela
sempre esperava que, quando ele se casasse, seria
por amor com uma dama que o combinava em
temperamento e amabilidade e aparência. A
arrepiou, que ele pudesse colocar seu dever para o
povo de Brambledean, que seu pai tinha tão
vergonhosamente negligenciado, antes da sua
própria felicidade. A velha Camille teria entendido e
aplaudido. A nova Camille queria gritar em protesto.
Mas a música começou.
Abby, ela viu, estava dançando com Avery. E
tudo tinha sido cuidadosamente calculado, ela
percebeu à medida que a noite avançava. Um duque
e um conde dançaram o conjunto de abertura com
as duas filhas ilegítimas do antecessor do conde e,
assim, mostraram aos acompanhantes que elas
eram perfeitamente respeitáveis, que uma
desconsideração para com elas, poderia resultar em
desprezo dos nobres e suas famílias. Nem a Camille
ou a Abigail faltaram parceiros durante toda a noite,
e enquanto Camille dançava tanto com Avery quanto
com o Tio Thomas, Abigail dançou todas as danças,
exceto a primeira, com homens que não faziam
parte da família, a maioria jovem e solteira. Abby
podia lembrar-sedesta noite, como a mais feliz da
sua vida.
Aqui, é claro, era Bath, não Londres, e Abby nem
sempre poderia esperar o tipo de apoio familiar que
estava por trás dela hoje á noite. Mas mesmo
assim… Bem, talvez tenha havido alguma esperança
depois de tudo. Talvez o que aconteceu não foi o
desastre desalinhado que parecia na ocasião, e até
muito recentemente.
Joel desapareceu do salão de baile depois de
dançar a abertura, com bastante credibilidade, com
Elizabeth. Camille pensou que ele deveria ter saído,
até que ela entrou no salão de chá, depois, no braço
do tio Thomas e viu que ele estava sentado com a
senhorita Ford e um grupo de damas que pareciam
depender de cada uma das suas palavras. Seus
olhos se encontraram com os dela na sala. Ela se
sentou de costas para ele e se juntou à conversa na
sua própria mesa.
Dez minutos passaram antes de sentir uma mão
sobre o ombro dela.
― Eu acredito que a próxima dança é uma valsa
― disse Joel, dirigindo-se a ela depois de assentir
uma saudação para os outros ocupantes da mesa ―
Você vai dançar comigo, Camille?
― Sim ― Ela se levantou e colocou o guardanapo
sobre a mesa ― Obrigada.
― Ou talvez ― ele disse enquanto caminhavam
na direção do salão de baile ― você se sentiria mais
segura se simplesmente passeássemos em volta do
perímetro da sala.
Percebo que é uma atividade favorita de várias
pessoas.
― Você se tornou um covarde, Sr. Cunningham?
― Ela perguntou, abrindo o seu leque e abanando-o
sobre o seu rosto.
― De todo, Srta. Westcott ― disse ele ― Eu me
tornei cavalheiresco. Eu não quero fazer um
espetáculo de você no salão de dança. Sem
mencionar colocar em perigo os dedos dos seus pés.
― Você está dizendo, por acaso ― ela perguntou-
lhe ― que você não confia nas minhas habilidades
de ensino, Sr.
Cunningham?
― Eu acredito, que é nas minhas habilidades de
aprendizado que eu duvido ― disse ele ― Mas estou
disposto a dar uma chance se você estiver.
― Dar uma chance? ― Ela franziu a testa para
ele ― Que tipo de linguagem é essa, Sr.
Cunningham?
― A da sarjeta? ― Ele sugeriu.
E eles se dissolveram em gargalhadas, o que não
era de todo gentil, e Camille passou um braço pelo
dele.
― Como Lady Overfield comentou anteriormente
― disse ele ― o salão estará, sem dúvida, tão lotado
que ninguém nos notará nem quaisquer
imperfeições nas nossas habilidades de dança.
Isso se mostrou menos verdadeiro do que
qualquer um poderia ter desejado. A valsa, ao que
parecia, ainda não era tão elegante em Bath quanto
em Londres, e a maioria dos convidados preferia
assistir ou então permanecer na sala de chá. Uma
série de casais tomou a pista, mas havia espaço
suficiente para que todos dançassem livremente
sem medo de colisões, e um espaço suficiente para
que todos fossem observados.
― Isto ― disse Joel quando a música começou ―
não foi a ideia mais brilhante que já tive.
― Sim ― ela disse, olhando muito diretamente
no seu rosto ― foi.
A mão dele estava quente contra a parte de trás
da sua cintura, o ombro firme sob sua a mão. A
outra mão dele, apertando a sua, sentiu-se grande e
reconfortante, e ele cheirava bem a algo indefinível,
a sabão de barbear, talvez, camisa nova ou o tecido
do casaco, talvez. E a Joel. Ela tinha certeza de que
poderia ter sido conduzida ali com os olhos
vendados e sabia exatamente quem a segurava na
posição de valsa. O calor do corpo a envolveu e ela
lembrou no último domingo com uma dor de anseio.
Ela adorava o fazer amor dele.
Seu olhar era intenso, e ela se perguntou se ele
estava tendo pensamentos semelhantes. Oh, Joel,
ela perguntou-lhe em silêncio, o que você quis dizer
ontem?
Eles voltaram a balançar com pernas de madeira
quando a música começou ― um, dois, três, um,
dois, três, três para um lado, três de volta ― e
Camille viu um rubor começar a subir no seu
pescoço debaixo do seu plastrão e algo como o
pânico surgiu nos olhos dele. Ela sorriu para ele e
riu suavemente.
E de repente eles estavam valsando, novamente,
como começaram a fazer na sala de aula, mas sem
as inibições do espaço e os limites da sua
respiração, enquanto ambos cantavam e dançavam.
Desta vez, uma orquestra completa e o salão de
baile nos Upper Rooms os empurraram para a
frente, e eles dançaram e giraram num mundo que
era deles e apenas deles, seus olhos um no outro,
sorrisos nos seus lábios.
Era estranho estar consciente do ambiente
envolvente e sozinha dentro dele ao mesmo tempo.
Ela sabia que Anna estava dançando com Avery,
Alexander e Elizabeth e Abby e Jéssica com
parceiros desconhecidos, apesar de Abby e Jéssica
ainda não terem feito as suas apresentações oficiais
e não estarem autorizadas, mesmo se já tivessem, a
valsar em Londres até que tivessem sido dado o
aceno de aprovação de uma das anfitriãs do
Almack's Club. Ela estava consciente de outras
dançarinas e o redemoinho de cores dos vestidos e o
flash das joias à luz das velas. Ela estava consciente
de que os membros mais velhos da sua família e
outras pessoas estavam de pé para assistir. Ela
estava consciente do cheiro de velas e perfumes,
dos sons dos pés dançantes e das sedas suaves e
dos cetins sob a batida da música. Ela estava
consciente de que ela e Joel estavam atraindo mais
do que a sua atenção justa, talvez por causa de
quem ela era, mais provavelmente por causa de
quem Joel acabara de se tornar.
E, no entanto, todas essas impressões apenas
formaram um fundo distante para o mundo da
música e do movimento e, sim, do romance, no qual
dançavam.
O sentimento mais maravilhoso do mundo, ela
pensou sem tentar analisar o pensamento ou
desconfiar dele ou ter medo por ele, o sentimentoo
sentimento mais maravilhoso do mundo erahoso do
mundo era estar apaixonada.
QuandoQuandoQuando aaa músicamúsicamúsica
terminou,terminou,terminou, ososos doisdoisdois
mundosmundosmundos sesese juntaram, e Camille
tirou a mão do ombro de Joel, tirou ajuntaram, e
Camille tirou a mão do ombro de Joel, tirou
ajuntaram, e Camille tirou a mão do ombro de Joel,
tirou a mão da mão dele e sorriu com pesar para
ele.mão da mão dele e sorriu com pesar para ele.
― Eu acredito, Sr. CunninghamEu acredito, Sr.
Cunningham ― ela disseisse ― que eu devo ser a
melhor professormelhor professora do mundo.
― Somente, Srta. WestcottSrta. Westcott ―
disse ele ― porque vporque você tem o melhor
aluno do mundoo melhor aluno do mundo.
Eles sorriam, elegantemente,Eles sorriam,
elegantemente, um para o outro.um para o outro.
― Não há nenhum lugar aqui que seja remNão
há nenhum lugar aqui que seja remotamenteNão há
nenhum lugar aqui que seja rem privado, verdade?
―― Ele disse ― Venha dar uma volta comigodar
uma volta comigo, lá fora, Camille?
No final da noite, quando estava escuro lá fora?
Sem umNo final da noite, quando estava escuro lá
fora? Sem umNo final da noite, quando estava
escuro lá fora? Sem um acompanhante?
Semacompanhante? Sem.
― Vou pegar oo meu xale ― disse ela.
Os sons da música, das vozes e das risadas
diminuíramOs sons da música, das vozes e das
risadas diminuíramOs sons da música, das vozes e
das risadas diminuíram logo que pisaram ao ar livre.
Havia a mera luzao ar livre. Havia a mera luz de
uma luade uma lua nova sobre a cabeça. Mas o céu
estava sem nuvens e havianova sobre a cabeça. Mas
o céu estava sem nuvens e havianova sobre a
cabeça. Mas o céu estava sem nuvens e havia mais
do que suficiente luz das estrelas para ver. O ar
perdmais do que suficiente luz das estrelas para ver.
O ar perdeumais do que suficiente luz das estrelas
para ver. O ar perd o calor do dia, mas estava
maispara oo calor do dia, mas estava maispara o
quente do queque frio. Não havia vento
discernível.ernível.
― É lindo aqui foraÉ lindo aqui fora ― disse ela,
levantando o rosto paradisse ela, levantando o rosto
para o céu.
― É ― ele concordou enquanto caminhavam pela
curta distância ao longo da rua Bennett para o
Circus.
Atravessaram a estrada para o grande jardim
circular no centro e caminharam dentro dos trilhos.
Ao seu redor, subiram os três segmentos curvos
maciços do círculo de casas com seu design elegante
e clássico. Havia muito poucas luzes atrás de
qualquer uma das janelas. Era tarde.
― Eu pintei o dia todo ― ele disse a ela ― Eu
pintei furiosamente e sem uma pausa e consegui
esse foco total que eu sempre aponto quando estou
criando. Eu pintei a sua irmã, dos esboços que fiz,
da memória, e daquela parte de mim que eu nunca
posso descrever em palavras. O retrato não está de
forma alguma terminado, mas estou muito satisfeito
com ele. Há algo assim… delicado sobre ela, que eu
sempre receei nunca conseguir capturar, em
pensamento ou em visão ou na tela. Mas acho que
peguei sua beleza, sua alegria em viver, sua
vulnerabilidade, sua tristeza, sua esperança
inextinguível. Oh, eu poderia empilhar palavra em
palavra e ainda não expressar o que eu sinto sobre
ela.
Nunca pintei nada tão rápido. Mas não é
desprezível ou superficial ou… ― sua voz fugiu.
― Eu espero ansiosa para vê-lo quando terminar
― disse ela, com a voz afetada. Estavam a passear
pelo perímetro interno do jardim.
Ele suspirou.
― O que eu estava tentando fazer ― disse ele ―
era concentrar a minha mente numa coisa, de modo
que todos os pensamentos que provocaram e
atormentaram-me, por dias, fossem silenciados. Eu
fui mais bem-sucedido do que esperava. Mas a coisa
é, Camille, que em algum lugar, atrás da minha
concentração, numa única coisa, os meus
pensamentos estavam sendo organizados e
ordenados para que, quando eu, finalmente, me
afastei da tela, eu soube uma coisa com perfeita
clareza… bem, duas coisas, na verdade.
Ela virou a cabeça para olhar para ele. Ela estava
usando ambas as mãos para segurar as bordas do
seu xale, mas colocou uma das suas mãos na dele e
entrelaçou os dedos. Ela segurou ambas as bordas
do xale com a outra mão. Ela não disse nada. Mas o
que ele esperava que ela dissesse? Ela pensaria que
a trouxera para falar sobre o dia da pintura.
― Uma coisa que eu sabia, a coisa menor ―
disse ele ― era que eu realmente vou manter essa
casa e usar o meu dinheiro para fazer algo com isso,
que vai partilhar a generosidade e a beleza, algo
que levantará os espíritos das pessoas e alimentar
suas almas. Particularmente crianças, embora não
exclusivamente. Eu não sei nem o quê ou como,
ainda, mas eu vou. E irei para lá para dar calor de
lar, bem como todo o resto. Eu vou ter animais lá
e… pessoas.
Bom Deus, ele era um covarde. Ele não sabia
disso, sobre ele mesmo, até recentemente. Ele
puxou o braço dela debaixo do dele, as mãos ainda
apertadas. Ele parou de andar e eles enfrentaram
para fora, olhando para a subida íngreme de Gay
Street.
― A outra coisa que eu sabia com perfeitaclareza
― disse ele ― era que eu te amo, que eu quero você
na minha vida, o que quer que ela seja, que eu
quero me casar com você e ter filhos com você e
fazer uma família com você, naquela casa, com
crianças dos nossos próprios corpos e crianças
adotadas, cães e gatos e… bem, cobras e ratos
também, talvez, se tivermos filhos ou filhas
intrépidas. Não tenho a certeza de poder te
perguntar. Você viveu uma vida muito diferente.
Você cresceu como a filha de um conde numa
casa aristocrática. Você é uma dama da cabeça aos
pés. Quando eu vi você esta noite, pensei que você
fosse a mulher mais linda que eu já vi, não exagerei
isso. Eu também pensei que você fosse a mais
grandiosa, a mais remota, a mais inalcançável.
Parecia presunçoso amar você.
― Joel ― disse ela, reduzindo sua eloquência ―
Você pode ter certeza.
Ele olhou-a inexpressivamente na quase
escuridão. Ele poderia ter certeza? Ele ouviu o eco
das suas próprias palavras ― não tenho certeza de
poder te pedir isso.
― Posso? ― Perguntou.
― Você precisará de uma dama para dirigir essa
casa enquanto a sua cabeça está entre as nuvens ―
disse ela ― Uma coisa que eu posso fazer com os
olhos vendados e as mãos amarradas atrás das
costas é dirigir uma casa. Eu posso achar que é
assustador criar crianças gritando e cães latindo e
ratos chiando e artistas ausentes, mas se eu
consegui entrar num orfanato e começar a ensinar
numa sala de aula cheia de crianças de todas as
idades e níveis de habilidade, se eu consegui que
elas tricotassem uma corda roxa como um projeto
coletivo e marchessem todos sobre Bath agarrando-
se a ela, se eu posso ensinar um certo artista
distraído a valsa, eu posso fazer qualquer coisa.
― Mas … ― Ele estava apertando os dedos e a
mão com muita força, ele percebeu antes de relaxar
seu aperto ― Você quer, Camille?
Ela suspirou, um som de longo sofrimento
exagerado.
― A coisa é, Joel ― disse ela ― que eu realmente
sou uma dama por educação e não posso ignorar o
treinamento de uma vida em poucos meses. Eu fiz
isso uma vez, chocantemente, quase uma semana
atrás, quando pedi que me levasse para casa com
você. Eu não acredito que eu poderia fazer isso de
novo. Não poderia pedir-lhe que se casessecomigo.
Uma dama não o faz, você sabe. Essa é a tarefa de
um cavalheiro.
Ele olhou-a. Escuridão ou sem escuridão, não
havia confusão com a expressão no seu rosto.
― Eu não sou cavalheiro ― ele disse, seus olhos
se acomodando nos seus lábios.
― Eu acho que é tarefa de um homem, Joel ―
disse ela ― mesmo que ele também não seja gentil
ou distinto. Você é, definitivamente, um homem. Foi
a primeira impressão que tive de você quando nos
encontramos na sala de aula, e me ofendeu, pois
nunca pensei, conscientemente, em nenhum outro
homem, nem mesmo no Visconde Uxbury. Pareceu-
me que você era muito… masculino.
Ele se perguntou se ela estava corando. Era
impossível saber na escuridão. Mas se ela estivesse,
seus olhos certamente não estavam vacilando com
os dele.
― Deve ser minha herança italiana ― disse ele ―
Você acha que temos algum tipo de público atrás de
qualquer uma dessas janelas escuras sobre nós?
― Eu não sei nem me importo ― disse ela.
― Muito bem, então ― E como ele era,
aparentemente, um homem e muito homem,
mesmo que não um cavalheiro, e meio italiano para
beneficiar, ele deveria fazer a coisa corretamente.
Ele se baixou num joelho e segurou a sua mão nas
dele. Ele se sentiu bobo… e depois não se sentiu.
Ele olhou-a ― Camille, você se casará comigo?
Porque eu a amo com todo meu coração e
realmente, realmente não quero viver o resto da
minha vida sem você. Porque espero que você sinta
a mesma coisa por mim. Gostaria de ter composto e
memorizado algum tipo de discurso polido que você
poderia ter citado aos nossos netos, se a sua
resposta for sim, quero dizer. Embora eu me atrevo
a dizer, que já teria esquecido todas as palavras até
agora. Maldição, Camille, você vai?
Ela estava rindo suavemente. Ele adorava o riso
dela. Na verdade, ele amava a Amazona, o sargento
militar, a cintilante professora, a Madonna com a
criança e essa deusa aristocrática no seu vestido de
baile azul e cabelos bem arranjados. Ele amava a
mulher com quem ele fez amor nos seus aposentos
e a mulher que implorou para ser abraçada quando
se sentiu chateada.
― Bem, eu vou ― disse ela, soltando sua mão e
inclinando-se sobre ele para tomar o rosto nas suas
mãos e beijá-lo suavemente nos lábios ― Mas se
levante. Você estará arruinando suas esplêndidas
roupas noturnas.
― Você vai? ― Ele se levantou e a pegou pela
cintura.
― Eu vou ― disse ela ― mas só porque eu te
amo e não posso suportar a ideia de viver sem você.
Não por qualquer outro motivo.
― Você vai ― Ele olhou-a durante um momento
e depois inclinou o rosto para o céu ― Ela vai ― Ele
a levantou do chão e virou duas vezes com ela
enquanto ela ria para ele ― Ela vai.
Ele não achou que tivesse falado alto. Parte da
sua mente estava consciente de que poderia haver
dorminhocos nas casas sobre o Circus, e eles
podiam não gostar de ser despertado pelas vozes do
jardim central. Mas, de algum lugar, na escuridão
era impossível saber exatamente onde ou mesmo
em que direção, veio o som de alguém batendo
palmas devagar.
Eles se olharam, ele e Camille, quando ele a
colocouno chão, os olhos arregalados de choque e
depois se encheram de diversão. Ele a aproximou e
segurou-a contra ele enquanto ela punha os seus
braços no seu pescoço, e eles riram suavemente.

Capítulo Vinte e Três O casamento de Srta.


Camille Westcott com o Sr. Joel Cunningham foi
marcado para uma data no início de setembro, seis
semanas após o baile de aniversário nos Upper
Assembly Rooms. Aconteceria na Bath Abbey, uma
escolha um tanto surpreendente, talvez, quando a
noiva era filha ilegítima de um conde e o noivo era o
filho ilegítimo de uma dama, sem grande significado
social e um artista italiano que poucas pessoas se
lembravam e nenhum poderia identificar pelo nome.
Mas a noiva era reconhecida e estimada pela
poderosa família Westcott e pelo formidável duque
de Netherby, casado com um deles e pela Sra.
Kingsley, viúva de um dos cidadãos mais ricos e
proeminentes de Bath e avó materna da noiva. E o
noivo era o sobrinho-neto do falecido Sr. Cox-
Phillips, um político proeminente no seu tempo e
rico cidadão de Bath, que reconheceu o noivo no seu
testamento, deixando-lhe as duas casas e a sua
fortuna. A história de Joel e, por associação, de
Camille, capturaram a imaginação de Bath, pelo
menos temporariamente, e os convites para o
casamento eram cobiçados.
Toda a família Westcott deveria voltar a Bath
para a ocasião. Assim como o Reverendo Michael
Kingsley, que muitas pessoas lembraram da sua
infância, e a sua noiva, neta de um baronete, com
sua irmã. Outros parentes da Kingsley também
eram esperados. Miss Ford, desfrutando de uma
fama própria como a matrona do orfanato onde a
Duquesa de Netherby e o Sr. Cunningham
cresceram e Srta.
Westcott ensinou até muito recentemente,
também foi convidada, assim como toda a equipe do
orfanato e todas as crianças. Muitas pessoas
lembraram que tinham visto muitas dessas crianças
com bastante frequência durante o verão, saindo em
várias excursões numa fila ordenada, enquanto se
apegavam a uma corda de um surpreendente tom
roxo. O rumor dizia que os noivos estavam adotando
dois dos órfãos como seus próprios filhos.
O noivo também convidou uma série de amigos
pessoais, bem como a equipe de um determinado
talho e todos os palestrantes e muitos dos ex-alunos
da escola de arte, que ele tinha frequentado há dez
anos. E foram convidados vários cidadãos, incluindo
amigos da Sra.
Kingsley e pessoas para quem o noivo pintou
retratos.
Uma pessoa de grande importância não
compareceria. O tenente Harry Westcott estava na
Península com seu regimento e não teria podido
viajar para casa a tempo, mesmo que ele pudesse
ter recebido licença ou quisesse. Uma carta chegou
para Camille alguns dias antes do casamento, no
entanto, em que ele expressou seus melhores
desejos para a felicidade da sua irmã e sua
confiança na sua escolha de companheiro, embora o
surpreendesse. Ele também mencionou o fato de
que ele tinha estado, recentemente, numa grande
batalha campal, que tinha sido rápida, antes da
inevitável derrota do inimigo. Ele sofreu uma
variedade de cortes e contusões durante as
hostilidades, mas os cirurgiões do regimento, que
eram bons, o remendaram e assegurou-lhe que em
pouco tempo ele estaria tão bom quanto novo, com
a adição de algumas cicatrizes interessantes para
atrair as damas. Ele enviou o seu amor a sua mãe e
a Abby e a qualquer outra pessoa que gostasse de o
ter.
Estranhamente, pensou Camille quando dobrou a
carta, Harry era o único que parecia um pouco
duvidoso com a escolha dela, isso o tinha
surpreendido. A ninguém mais o fez. Na verdade,
todo mundo parecia feliz por ela. Talvez eles
reconhecessem que ela tinha mudado, e talvez eles
percebessem que as mudanças eram melhores.
Talvez eles pudessem ver que ela estava
apaixonada, assim como, era perfeitamente óbvio
que Anna estava apaixonada por Avery.
Talvez, pensou com um sorriso e uma risada
suave, todos amavam um apaixonado. Ela levou a
carta de Harry até aos seus lábios e disse uma
oração silenciosa por sua segurança.
Joel havia avisado seu senhorio: ele se mudaria
para a casa na colina depois do casamento. Ele
terminou o retrato de Abigail, para o deleite e até
mesmo a admiração de todos os que o viram,
embora sua avó não o exibisse até que Camille
também estivesse pintada. Joel deixou isso para
depois do casamento. Ele não tinha certeza se o seu
relacionamento íntimo com ela, tornaria o seu
retrato mais fácil ou difícil de pintar, mas ele sempre
aceitou um desafio e este, certamente, seria o maior
até ao momento.
Camille deu o seu aviso a Miss Ford, mas
assegurou-lhe que ensinaria até ao dia do
casamento, se necessário. Ela ficou animada em
descobrir que houve duas outras aplicações muito
promissoras, depois que o cargo lhe fora oferecido,
e que uma dessas candidatas ainda estava
disponível e ansiosa para trabalhar. Camille
conheceu-a e aprovou a sua natureza ensolarada,
disposição sensata e conhecimento entusiástico
sobre todo tipo de assuntos, acadêmicos e outros, e
o amor óbvio pelas crianças. Mesmo assim, Camille
sentiu uma pena de arrependimento por ter que sair
tão cedo. Ela ainda veria as crianças. Ela os iria
visitar e vários deles iriam até a casa na colina, por
várias razões. Joel já estava inventando um
esquema ambicioso para reuni-los todos lá durante
o Natal para festas, jogos e presentes e a celebração
do nascimento de um bebê.
Os arranjos legais para a adoção de Sarah e
Winifred estavam bem encaminhados. Sarah não
precisava ser consultada, é claro, era muito jovem
para expressar uma opinião. No entanto, que ela
amasse Camille acima de qualquer outra pessoa foi
reconhecido por todos, como foi o fato de que
Camille adorava o bebê, tanto quanto ela poderia
amar qualquer filho.
Ainda não havia um filho dela. Ela descobriu uma
semana depois do seu noivado.
Winifred, aos nove anos de idade, tinha idade
suficiente para ser consultada. Na verdade, era
imperativo que os seus desejos fossem conhecidos.
Ela tinha vivido no orfanato toda a vida. Era a única
casa que conhecera, as pessoas ali, a única família.
Poderia ser que ela escolhesse ficar, em vez de se
lançar no desconhecido vários anos antesque fosse
necessário que ela o fizesse, de qualquer maneira.
Camille levou-a para uma das salas de visitas, uma
semana depois do seu noivado, e fechou a porta.
― Winifred ― ela disse quando ambas estavam
sentadas ― você provavelmente já ouviu falar que o
Sr. Cunningham e eu vamos nos casar.
― Já, Srta. Westcott ― disse Winifred, sentada
na borda da almofada do sofá, com as mãos
cruzadas no colo ― Estou muito feliz por você.
― Obrigada ― disse Camille ― Você
provavelmente não sabe que, depois de nos
casarmos e nos mudarmos para nossa casa na
colina, levaremos Sarah connosco como nossa filha
adotada.
As mãos finas da menina apertaram-se uma na
outra.
― Estou muito feliz por ela ― disse ela ― Eu orei
por ela, e as minhas orações foram respondidas.
― Pedimos a Miss Ford ― disse Camille ― e Miss
Ford pediu aos membros do conselho de diretores
se, também era possível para nós, te adotar. Eles
concederam permissão, mas desde que você tem
idade suficiente para ter uma opinião sobre o
assunto, eu me comprometi a ser a única a falar em
particular com você. A escolha será sua, Winifred.
Você pode permanecer aqui onde você sempre
pertenceu e onde você está segura e confortável, ou
você pode vir connosco e ser nossa filha e a irmã
mais velha de Sarah. Nós lhe daremos uma casa,
amor e cuidaremos de você e proveremos você
quando crescer. Não importa o que você decida
fazer quando chegar esse momento, você sempre
será nossa filha, e nossa casa sempre será sua. Nós
sempre amaremos você.
Os olhos de Winifred olharam para ela, de um
rosto pálido e fino.
― Mas porque você me escolheu? ― Ela
perguntou com uma voz que era mais aguda do que
o habitual ― Eu sempre tento ser boa e aprender as
minhas lições e ser arrumada e ajudar os outros e
dizer as minhas orações, mas as outras pessoas
nem sempre gostam de mim porque ainda sou uma
pecadora. Não sou digna de tal honra, Srta.
Westcott. Sarah.
― Winifred ― Camille foi sentar-se ao lado dela e
colocou uma mão sobre as duas apertadas dela.
Estavam geladas ― Deixe-me dizer-lhe algo sobre o
amor. É incondicional. Você sabe o que é isso?
A criança assentiu. Ela não tirou os olhos do
rosto de Camille.
― O amor não precisa ser ganho ― disse Camille
― Você é realmente uma boa garota, conscienciosa
e piedosa. Essas são qualidades admiráveis e
ganharam a minha aprovação.
Elas, por si só, não ganharão necessariamente o
meu amor, no entanto. O amor não é a recompensa
pelo bom comportamento. O amor apenas é o que é.
Eu quero que você saiba que se você escolher ser
minha filha e do Sr.
Cunningham, nós a amaremos,
independentemente de tudo.
Você não precisaria sentir que deve estar no seu
melhor comportamento a cada momento. Você não
precisaria sentir que deve provar-se digna ou temer
que a enviaremos de volta aqui se você não
cumprisse as nossas expectativas. Não temos
expectativas, Winifred. Nós simplesmente te
amamos e queremos que você faça parte de uma
família connosco, Sarah e outras crianças que
possamos ter no futuro. Nós queremos que você
seja feliz. Queremos que você possa correr e
brincar, conversar e rir e fazer o que quiser, desde
que não seja perigoso para si ou para os outros.
Queremos que você seja a pessoa que você escolher
ser. Eu amo você, Winifred.
Os olhos ainda a encaravam. A pele ainda estava
pálida.
― Eu não sou bonita ― ela sussurrou.
Seu cabelo castanho caiu em duas tranças sobre
as suas orelhas e ombros. Sua testa era larga, seus
olhos e outras características faciais não eram
dignas de nota. Era um rosto pequeno e ainda não
tinhamcrescido os seus dentes permanentes. Ela era
magra, até um pouco torcida. Na verdade, ela não
era uma criança bonita.
― A maioria das meninas e mulheres não são ―
disse Camille, resistindo à tentação de protestar e
talvez perder todas as chances de ganhar a
confiança da criança ― Muitas são lindas, no
entanto. Você percebeu isso? Algumas mulheres são
simples, quase feias, mas ninguém nunca percebe
isso, exceto talvez depoisdum primeiro encontro. Há
tanta bondade e luz, gentileza, felicidade e
vitalidade que brotam de dentro delas que a sua
aparência exterior se transforma em beleza.
― Posso ser linda? ― Perguntou Winifred.
― Sim, claro ― disse Camille. E talvez até
mesmo bonita com o tempo, com uma aparência
tipo delicada de elfo ― Você já está bem no
caminho.
― Eu seria Winifred Cunningham? ― perguntou a
criança.
― Eu acredito que gostaríamos disso ― disse
Camille ― embora a escolha seja sua. Hamlin pode
ser uma parte da sua identidadepara ser
abandonada.
― Winifred Cunningham ― a menina sussurrou ―
Eu chamaria você de mamãe?
― Eu gostaria disso acima de tudo ― disse
Camille, embora ela já tivesse nove anos de idade ―
Você deseja pensar sobre isso, Winifred? É uma
decisão enorme para você e não quero pressionar
nada sobre você que possa se arrepender mais
tarde. Eu quero que você saiba, no entanto, que
você será amada independentemente disso.
― Eu não preciso de tempo ― Winifred voltou a
apertar as mãos, muito apertadas, no colo, e
Camille retirou a sua ― Quando ouvi dizer que você
iria se casar com o Sr.
Cunninghame partir daqui,assim comoa senhorita
Snow partiu,para se casar com o duque de
Netherby, chorei um pouco e rezei com força para
ser feliz por você. Mas não consegui me sentir muito
feliz. Foi egoísta de mim, mas estou sendo
recompensada de qualquer maneira. Srta.
Westcott… Eu vou ter uma mãe e um pai? E uma
irmã? Eu serei Winifred Cunningham, parte da
família Cunningham?
― E o duque e a duquesa de Netherby serão sua
tia e tio ― disse Camille ― E também há outros.
O rosto de Winifred ficou ainda mais pálido, se
possívelifred ficou ainda mais pálido, se possível.
― Você gostaria de ser abraçada?Você gostaria
de ser abraçada? ― Perguntou CamillePerguntou
Camille ― Você gostaria que eu abraçasse você?
gostaria que eu abraçasse você?
A criança assentiu e se contorceu nos braços de
Camillesentiu e se contorceu nos braços de
Camillesentiu e se contorceu nos braços de Camille e
se agarrou forte. Ela acaboue se agarrou forte. Ela
acabou, de alguma forma,, no colo de
Camille,Camille, comcom asas pernaspernas
abertas,abertas, corpocorpo magromagro ee
braçosbraços urgentes. Camille beijou a parte muito
bgentes. Camille beijou a parte muito branca, muito
direitaranca, muito direita na parte superior da sua
cabeça e descparte superior da sua cabeça e
descansou sua bochechaansou sua bochecha lá.lá.lá.
ElaElaEla fariafariafaria ooo quequeque seuseuseu
paipaipai nuncanuncanunca tinhatinhatinha
feito,feito,feito, pensou,pensou,pensou, fechando os
olhos. E porque ele tinha sido o perdedorfechando
os olhos. E porque ele tinha sido o perdedor, na
suafechando os olhos. E porque ele tinha sido o
perdedor incapacidade de amar ou aceitar o amor,
ela o pincapacidade de amar ou aceitar o amor, ela
o perdoou porincapacidade de amar ou aceitar o
amor, ela o p toda a dor que ele lhetoda a dor que
ele lhe causou e amou-o de qualquer maneira.de
qualquer maneira.
Joel estava familiarizado com Bath Abbey, por
dentro eJoel estava familiarizado com Bath Abbey,
por dentro eJoel estava familiarizado com Bath
Abbey, por dentro e por fora. Ele sempre
admiravapor fora. Ele sempre admirava a sua beleza
e estudsua beleza e estudaraa sua
arquiteturaarquiteturaarquitetura eee
decoraçãodecoraçãodecoração
intrincadaintrincadaintrincada comcomcom
grandegrandegrande atençãoatençãoatenção eee
admiração. Ele tinhatinha vagado por dentro, e
muitas vezes sevagado por dentro, e muitas vezes
se sentou lá por longos minutossentou lá por longos
minutos, absorvendo a atmosfera de paz,
absorvendo a atmosfera de paz eee
exaltaçãoexaltaçãoexaltação quequeque eleeleele
nãonãonão sentirasentirasentira ememem
nenhumnenhumnenhum outrooutrooutro
lugar,lugar,lugar, mesmomesmo emem outrasoutras
igrejas.igrejas. EleEle tinhatinha estadoestado lálá
emem algunsalguns serviços, mas sempr, mas
sempre se sentou tão perto da portae se sentou tão
perto da porta quanto possível, mais um observador
do que um participante.possível, mais um
observador do que um participante.possível, mais
um observador do que um participante.
Em suasuasuas fantasiasfantasiasfantasias
maismaismais loucas,loucas,loucas, eleeleele
nãonãonão podepodepoderia ter imaginado que ia se
casarimaginado que ia se casar lá, os bancos quase
se encheramlá, os bancos quase se encheram de
pessoas humildes e elegantes que vieram
testemunhar ode pessoas humildes e elegantes que
vieram testemunhar ode pessoas humildes e
elegantes que vieram testemunhar o eventoevento e
partilhare partilhar a sua alegria e aalegria e a dada
noiva.noiva. Várias fileiras foram ocupadas por
crianças, perto de explodir de excitação, mas no seu
melhor comportamento sob os olhos de águia de
Miss Ford,das suas mães domésticas e da nova
professora. Mesmo assim, alguns deles saltaram nos
seus assentos e apontaram os dedos para Joel e
sorriram largamente para ele enquanto caminhava
para a frente com Martin Silver, o seu padrinho,
para sentar-se e aguardar a chegada da sua noiva.
Winifred e Sarah, com vestidos novos, sentaram-
se do outro lado do corredor, Sarah no colo de
Abigail, sugando dois dedos e parecendo como se
estivesse prestes a adormecer, embora tirasse os
dedos e desse um grande sorriso para Joel quando o
viu. Winifred, suas tranças enroladas numa coroa
sobre a sua cabeça, olhou-o com os olhos
arregalados e parecendo tensa com ansiedade.
Ele sentiu um pouco o mesmo e piscou para ela
antes de se sentar.
Ele pensou, com saudade do seu fiel casaco
antigo e botas e as velhas gravatas, que nunca
tinham sido tão apertadas como esta tinha sido.
Tudo mudou desde que ele se colocou sob o cuidado
de Sr. Orville, o antigo criado do seu tio-avô, agora
o seu próprio. Talvez nunca mais conhecesse o
conforto nas suas roupas, a menos que ele
aprendesse a bater o pé, algo que ele estava
achando praticamente impossível, sob os olhos
amáveis e reprovadores do profissional cavalheiro.
Ele tinha que admitir, no entanto, que o jovem
inteligente que franzia a testa para ele do espelho,
atualmente, parecia realmente bastante arrojado.
Hoje, ele pensou com uma careta interior de
desconforto, ele não parecia nada além de
magnífico. E ele podia verificar aquela impressão,
quando desejasse, apenas contemplando o alto
brilho das suas novas botas Hessian. Ele,
cuidadosamente, não olhou para baixo.
― Ela chegou ― Marvin murmurou para ele,
inclinando-se um pouco mais perto e, realmente, os
dois clérigos, um era o Reverendo Michael Kingsley,
o tio de Camille, ambos magníficos em vestes
clericais, chegavam na frente, a congregação estava
subindo, e o órgão estava começando algo solene e
emocionante. Joel levantou-se e virou-se.
Ela estava se aproximando pela nave no braço do
Conde de Riverdale. Ela estava vestida com
elegância simples, com um vestido de cor marfim e
um pequeno chapéu debruado a palha com flores
sobre a coroa. Ao aproximar-se, Joel podia ver que o
corpete e a bainha do seu vestido estavam
incrustados com pérolas. Ela usava chinelos e luvas
em ouro baço. Na verdade, porém, ele não deu
muita atenção á sua aparência. Ele viu apenas
Camille. Ela não estava usando nenhuma das suas
personagens reconhecíveis hoje. Hoje ela estava
sem máscaras, sem defesas, ou isso lhe pareceu.
Hoje ela era simplesmente ela mesma. Hoje ela era
uma noiva, sua noiva. Seus olhos o procuraram e se
concentraram nele enquanto se aproximava, e ela
sorriu.
Alguém deve ter acendido uma dúzia de
candelabros por cima. O pensamento fantasioso
baniu o seu terror e ele sorriu de volta para ela. Ele
estava em Bath Abbey, cercado por pessoas de
grande importância e pessoas que simplesmente
eram importantes para ele. Suas filhas estavamno
corredor do lado dele e sua noiva estava quase ao
seu lado, e realmente não havia palavras… Eles
viraram-se juntos, e a igreja e a congregação
estavam atrás deles e apenas os clérigos e o altar e
a grande solenidade da ocasião diante deles.
― Caros irmãos e irmãs. ― Foram algumas das
palavras mais solenes, mais inspiradoras e mais
alegres na língua inglesa quando faladas no início do
serviço nupcial. Já tinham sido ditas, e o serviço era
para ele e para Camille.
Joel falou apenas com ela quando fez seus votos,
e ela falou apenas com ele. Mas havia momentos na
vida, sua valsa nos Upper Rooms tinha sido um e
este era outro, quando se apercebia,
simultaneamente, de duas realidades, de estar
sozinho ou pelo menos sozinho com outra pessoa e
ainda cercado por outras pessoas, tudo em
harmonia de pertencer a amigos, família,
comunidade e a raça humana.
Esses foram momentos preciosos, para serem
vividos ao máximo e apreciados na memória pelo
resto da vida.
E então eles eram marido e mulher e ninguém os
poderia separar. Eles assinaram o registo na
sacristia e esperaram, enquanto suas assinaturas
fossem testemunhadas, e saíram novamente, o
braço dela atraiu o dele, para olhar sobre seus
amigos e familiares e simpatizantes e passar pela
nave e sair para o espaçoso pátio, que Bath Abbey
partilhava com os banhos Romanos e a Pump Room.
Ele viu rostos na congregação desta vez, todos
sorrindo calorosamente, alguns, a mãe de Camille,
as suas duas avós, Anna, com lágrimas nos olhos.
Sarah ainda estava à beira do sono, mas ela
estendeu os braços enquanto eles se aproximavam e
Joel a pegou de Abigail e a segurou contra seu
ombro. Winifred olhou-os com olhos ansiosos, e
Camille inclinou-se sobre ela para beijar sua
bochecha e depois a pegou pela mão. E eles
caminharam pela nave, os quatro, uma família
remendada, unida pela poderosa cola do amor e da
esperança.
Joel sorriu para sua esposa, bom Deus, ela era
sua esposa, e segurou o seu braço mais forte ao seu
lado.
― Camille ― ele disse sob o som do hino alegre
que o órgão estava tocando ― minha esposa.
― Ah, sim ― disse ela, sem fôlego, quando
atravessaram as grandes portas para a luz do sol ―
Sim, eu sou.
Uma carruagem aberta estavaesperando por
elesdo outro lado das colunas clássicas, no final do
pátio, para levá-los ao café da manhã decasamento
nos Upper Rooms, mas primeiro eles teriam que
atravessar pela multidão deconvidados que tinha
escapado para a frente deles, armados com pétalas
de flores para lhes atirar e de espectadores curiosos,
que se tinham reunido para assistir ao espetáculo.
― Eles ficarão horrivelmente desapontados se
não atravessarmos por ali ― disse Joel, soltando o
braço de Camille e segurando sua mão. Sarah
estava apertada e segura no seu outro braço. Ele se
inclinou parasegura no seu outro braço. Ele se
inclinou para frente esegura no seu outro braço. Ele
se inclinou para sorriu para Winifredsorriu para
Winifred ― Pronta?
― Sim, papai ―― disse ela, sorrindo de volta
para ele.disse ela, sorrindo de volta para ele.
― Segure firmeSegure firme ― disse Camille.
EEE eleseleseles estavamestavamestavam
fora,fora,fora,
atravessandoatravessandoatravessando aaa
multidão,multidão,multidão, rindorindorindo
descontroladamentedescontroladamente. As
risadinhas de Winifred eram agudas. As risadinhas
de Winifred eram agudas e totalmente alegres. Até
mesmo Sarah estava rindo como see totalmente
alegres. Até mesmo Sarah estava rindo como see
totalmente alegres. Até mesmo Sarah estava rindo
como se o jogo tivesse sido projetado para sua
diversão exclusiva.sse sido projetado para sua
diversão exclusiva.sse sido projetado para sua
diversão exclusiva.
― Feliz? ― Joel gritou quando as pétalas
choveram sobreJoel gritou quando as pétalas
choveram sobreJoel gritou quando as pétalas
choveram sobre eles e se apegaram às suas
roupas.eles e se apegaram às suas roupas.
― Feliz ― disse sua esposa.disse sua esposa.
― Feliz! ― sua filha mais velha gritou.sua filha
mais velha gritou.
Não havia outras palavras além da óbvia. Mas
porNão havia outras palavras além da óbvia. Mas
por queNão havia outras palavras além da óbvia.
Mas por precisaria haver,,, quandoquandoquando
houvehouvehouve
sentimentossentimentossentimentos ememem
superabundância, queque foramforam
partilhadoscompartilhados pelopelos mais próximos
e mais queridoe mais queridos?
Os sinos da abadia estavam espalhandonos da
abadia estavam espalhando as boas novasas boas
novas de um casal recém-casado.
Sim, isso era realmente a felicidade.Sim, isso era
realmente a felicidade.

FIM