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R.P.A.

- ENEM
Revisão Programada Anual

L C C H C NM T
LINGUAGENS CIÊNCIAS CIÊNCIAS DA MATEMÁTICA
E CÓDIGOS HUMANAS NATUREZA
CARO ALUNO

Desde 2010, o Hexag Medicina é referência na preparação pré-vestibular de candidatos às melhores uni-
versidades do Brasil.
Você está recebendo a R.P.A. (Revisão Programada Anual) do Hexag Medicina – caderno de questões do
1º dia e do 2º dia do Enem. Com o objetivo de verificar se você aprendeu os conteúdos estudados, este material
apresenta:
§§ indicação de temas e das competências e habilidades da matriz de referência do Enem. Em cada questão,
há explicação de como as habilidades são aplicadas.
§§ uma seleção de questões inéditas, adaptadas e PPL, ideais para exercitar a sua memória. Os assuntos esco-
lhidos possuem grande incidência nos últimos anos do Enem.

Aproveite e aprimore os seus conhecimentos.

Bons estudos!

Herlan Fellini
SUMÁRIO
LINGUAGENS, CÓDIGOS E SUAS TECNOLOGIAS

INGLÊS 7
ESPANHOL 37
GRAMÁTICA 51
INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS 75
LITERATURA 101
REDAÇÃO 137

CIÊNCIAS HUMANAS E SUAS TECNOLOGIAS

HISTÓRIA 157
GEOGRAFIA 227
FILOSOFIA E SOCIOLOGIA 305

CIÊNCIAS DA NATUREZA E SUAS TECNOLOGIAS


BIOLOGIA 347
FÍSICA 441
QUÍMICA 537

MATEMÁTICA E SUAS TECNOLOGIAS


MATEMÁTICA 621
L CBETWEEN
Inglês

ENGLISH AND
PORTUGUESE

RPA ENEM

L C
Competência 1 – Aplicar as tecnologias da comunicação e da informação na escola, no trabalho e em outros contextos relevantes para
sua vida.
H1 Identificar as diferentes linguagens e seus recursos expressivos como elementos de caracterização dos sistemas de comunicação.
H2 Recorrer aos conhecimentos sobre as linguagens dos sistemas de comunicação e informação para resolver problemas sociais.
H3 Relacionar informações geradas nos sistemas de comunicação e informação, considerando a função social desses sistemas.
H4 Reconhecer posições críticas aos usos sociais que são feitos das linguagens e dos sistemas de comunicação e informação.
Competência 2 – Conhecer e usar língua(s) estrangeira(s) moderna(s) (LEM) como instrumento de acesso a informações e a outras
culturas e grupos sociais.
H5 Associar vocábulos e expressões de um texto em LEM ao seu tema.
H6 Utilizar os conhecimentos da LEM e de seus mecanismos como meio de ampliar as possibilidades de acesso a informações, tecnologias e culturas.
H7 Relacionar um texto em LEM, as estruturas linguísticas, sua função e seu uso social.
H8 Reconhecer a importância da produção cultural em LEM como representação da diversidade cultural e linguística.
Competência 3 – Compreender e usar a linguagem corporal como relevante para a própria vida, integradora social e formadora da
identidade.
H9 Reconhecer as manifestações corporais de movimento como originárias de necessidades cotidianas de um grupo social.
H10 Reconhecer a necessidade de transformação de hábitos corporais em função das necessidades cinestésicas.
Reconhecer a linguagem corporal como meio de interação social, considerando os limites de desempenho e as alternativas de adaptação para
H11
diferentes indivíduos.
Competência 4 – Compreender a arte como saber cultural e estético gerador de significação e integrador da organização do mundo e
da própria identidade.
H12 Reconhecer diferentes funções da arte, do trabalho da produção dos artistas em seus meios culturais.
H13 Analisar as diversas produções artísticas como meio de explicar diferentes culturas, padrões de beleza e preconceitos.
H14 Reconhecer o valor da diversidade artística e das inter-relações de elementos que se apresentam nas manifestações de vários grupos sociais e étnicos.
Competência 5 – Analisar, interpretar e aplicar recursos expressivos das linguagens, relacionando textos com seus contextos, mediante
a natureza, função, organização, estrutura das manifestações, de acordo com as condições de produção e recepção.
H15 Estabelecer relações entre o texto literário e o momento de sua produção, situando aspectos do contexto histórico, social e político.
H16 Relacionar informações sobre concepções artísticas e procedimentos de construção do texto literário.
H17 Reconhecer a presença de valores sociais e humanos atualizáveis e permanentes no patrimônio literário nacional.
Competência 6 – Compreender e usar os sistemas simbólicos das diferentes linguagens como meios de organização cognitiva da
realidade pela constituição de significados, expressão, comunicação e informação.
H18 Identificar os elementos que concorrem para a progressão temática e para a organização e estruturação de textos de diferentes gêneros e tipos.
H19 Analisar a função da linguagem predominante nos textos em situações específicas de interlocução.
H20 Reconhecer a importância do patrimônio linguístico para a preservação da memória e da identidade nacional
Competência 7 – Confrontar opiniões e pontos de vista sobre as diferentes linguagens e suas manifestações específicas.
H21 Reconhecer em textos de diferentes gêneros, recursos verbais e não-verbais utilizados com a finalidade de criar e mudar comportamentos e hábitos.
H22 Relacionar, em diferentes textos, opiniões, temas, assuntos e recursos linguísticos.
H23 Inferir em um texto quais são os objetivos de seu produtor e quem é seu público alvo, pela análise dos procedimentos argumentativos utilizados.
Reconhecer no texto estratégias argumentativas empregadas para o convencimento do público, tais como a intimidação, sedução, comoção,
H24
chantagem, entre outras.
Competência 8 – Compreender e usar a língua portuguesa como língua materna, geradora de significação e integradora da organização
do mundo e da própria identidade.
H25 Identificar, em textos de diferentes gêneros, as marcas linguísticas que singularizam as variedades linguísticas sociais, regionais e de registro.
H26 Relacionar as variedades linguísticas a situações específicas de uso social.
H27 Reconhecer os usos da norma padrão da língua portuguesa nas diferentes situações de comunicação.
Competência 9 – Entender os princípios, a natureza, a função e o impacto das tecnologias da comunicação e da informação na sua vida
pessoal e social, no desenvolvimento do conhecimento, associando-o aos conhecimentos científicos, às linguagens que lhes dão suporte,
às demais tecnologias, aos processos de produção e aos problemas que se propõem solucionar.
H28 Reconhecer a função e o impacto social das diferentes tecnologias da comunicação e informação.
H29 Identificar pela análise de suas linguagens, as tecnologias da comunicação e informação.
H30 Relacionar as tecnologias de comunicação e informação ao desenvolvimento das sociedades e ao conhecimento que elas produzem
Aplicação dos conhecimentos - Sala
AULA 1 Tema: Terceira pessoa do singular e seu uso no simple present

Competência: 2 Habilidade: 5

Construção da habilidade: Dentro da competência da área 2 do Enem, do aluno será exigida a


capacidade de conhecer e usar línguas estrangeiras modernas como instrumento de acesso a informa-
ções e a outras culturas e grupos sociais.

MODELO 1

Home is where the heart is

The heart of psychosocial care is to be found in the home and it is here that the main trust of
external efforts to improve the wellbeing of vulnerable children must be directed. The best way to
support the wellbeing of young children affected by HIV/AIDS is to strengthen and reinforce the
circles of care that surround children. Some children — especially those living outside families,
on the streets or institutions, with chronically ill caregivers, and orphans — are more vulnerable
and especially require psychosocial care and support. However, this social support needs to be
provided in family settings, with the same characteristics of commitment, stability, and indivi-
dualized affectionate care. The primary aim of all psychosocial support programmes should be
an encouraging and enabling family support, including foster care, and placing and maintaining
young children in stable and affectionate family environments. Only secondarily should direct
services be provided to affected children.
RICHTER, L.; FOSTER, G.; SHERR, L. W here the heart is: meeting the psychosocial needs of young
children in the context of HIV/AIDS. Holanda: Bernard van Leer Foundation, 2006 (adaptado).

Se o trecho sublinhado precisasse ser transferido para a forma interrogativa, sua forma seria:
a) This social report doesn't need to de provided…?
b) This social report needs to be provided…?
c) Did this social report need to be provided…?
d) Does this social report needs to be provided…?
e) Does this social report need to be provided….?

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Tema: Terceira pessoa do singular e seu uso no simple present

Competência: 2 Habilidade: 5

Construção da habilidade: Dentro da competência da área 2 do Enem, do aluno será exigida a


capacidade de conhecer e usar línguas estrangeiras modernas como instrumento de acesso a informa-
ções e a outras culturas e grupos sociais.

MODELO 2

Home is where the heart is

The heart of psychosocial care is to be found in the home and it is here that the main trust1 of
external efforts2 to improve the wellbeing of vulnerable children must be directed. The best way to
support the wellbeing of young children affected by HIV/AIDS is to strengthen and reinforce the
circles3 of care that surround children. Some children — especially those living outside families,
on the streets or institutions, with chronically ill caregivers, and orphans — are more vulnerable
and especially require psychosocial care and support. However, this social support needs to be
provided in family settings, with the same characteristics of commitment, stability, and indivi-
dualized affectionate care. The primary aim4 of all psychosocial support programmes should be
an encouraging and enabling family support, including foster care, and placing and maintaining5
young children in stable and affectionate family environments. Only secondarily should direct
services be provided to affected children.
RICHTER, L.; FOSTER, G.; SHERR, L. W here the heart is: meeting the psychosocial needs of young
children in the context of HIV/AIDS. Holanda: Bernard van Leer Foundation, 2006 (adaptado).

Sinônimos são palavras que possuem significados semelhantes e contribuem para um repertório
vocabular diversificado quando utilizado de forma correta. Aponte a opção em que a troca do vo-
cábulo não realiza essa contribuição.
a) Confidence (ref1)
b) Struggle (ref2)
c) Spheres (ref3)
d) Goal (ref4)
e) Renewing (ref5)

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Tema: Terceira pessoa do singular e seu uso no simple present

Competência: 2 Habilidade: 5

Construção da habilidade: Dentro da competência da área 2 do Enem, do aluno será exigida a


capacidade de conhecer e usar línguas estrangeiras modernas como instrumento de acesso a informa-
ções e a outras culturas e grupos sociais.

MODELO 3

Scared fit

My body was telling me things I did not want to hear. In February 2010, my doctor confirmed what
my body was telling me. My not feeling well was a result of years of neglecting my body and diet.
At 62, I had developed high blood pressure, type 2 diabetes, and my cholesterol was going through
the roof. At 4' 10” and weighing 227 pounds, the problem was in the mirror looking back at me.
My doctor said, “lose weight, start eating healthy, and start exercising if you want to live to a ripe
old age”. Needless to say, I was scared I wouldn't see my grandkids and great-grandkids grow up.
PAZ, A. Disponível em: www.healthandfitnessmag.com. Acesso em: 28 fev. 2012.

A opção em que todos os verbos estão na forma do simple present é:


a) was, want, hear, lose, live
b) want, hear, lose, live, see
c) hear, lose, live, see, was
d) lose, live, see, was, want
e) live, see, was, want, hear

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Tema: Terceira pessoa do singular e seu uso no simple present

Competência: 2 Habilidade: 5

Construção da habilidade: Dentro da competência da área 2 do Enem, do aluno será exigida a


capacidade de conhecer e usar línguas estrangeiras modernas como instrumento de acesso a informa-
ções e a outras culturas e grupos sociais.

MODELO 4

Our currency

Australia was the first country in the world to have a complete system of bank notes made from
plastic (polymer). These notes provide much greater security against counterfeiting. They also
last four times as long as conventional paper (fibrous) notes.
The innovative technology with which Australian bank notes are produced — developed entirely
in Australia — offers artists brilliant scope for the creation of images that reflect the history and
natural environment of Australia. At the same time, the polymer notes are cleaner than paper
notes and easily recyclable. Australia's currency comprises coins of 5, 10, 20 and 50 cent and one
and two dollar denominations; and notes of 5, 10, 20, 50 and 100 dollar denominations.
AUSTRALIA GOVERNMENT. About Australia. Disponível em: www.newzealand.com. Acesso em: 7 dez. 2011.

Das possíveis conclusões a respeito do texto, não se enquadra:


a) A Austrália produz notas de plástico
b) O país recebe auxílio exterior inteiramente para a produção dessas notas
c) As notas de papel são mais difíceis de reciclar, o que justifica o uso das feitas de polímero
d) O país tem menor variedade de notas que de moedas
e) Os dados do texto foram publicados pelo governo australiano

12
Raio X - Análise Expositiva
1. Na forma interrogativa, o verbo auxiliar (do) inicia a oração concordando com o sujeito – this
social report – que está na terceira pessoa do singular. Dessa forma, este verbo auxiliar ganha -es
nesta flexão (does). Uma vez este verbo auxiliar aparecendo, o verbo principal deixa de ser flexio-
nado e torna a sua posição de infinitivo (need).
2.
Ao analisar os sinônimos, a referência 5, renewing, não substitui com êxito o termo maintaining
3.
Da sequência de termos, o verbo was é forma pretérita do verbo to be.
4.
O trecho entre travessões diz que as notas são produzidas e desenvolvidas inteiramente na Austrá-
lia, ao contrário do que a alternativa b aponta

Gabarito
1. E 2. E 3. B 4. B

13
Prescrição: Para resolver as questões de inglês, do Enem e obter um desempenho satisfatório, é
necessário dominar as técnicas de interpretação de texto em língua inglesa.

Aprofunde seus conhecimentos


1. (Enem 2017) Queens, George K. Healy, said. “Now we're
learning when you vent that window or the
The Four Oxen and the Lion
door, the fire is developing in, say, a minute.”
A Lion used to prowl about a field in whi- LIBRADO, R. Disponível em: www.nytimes.com.
ch Four Oxen used to live. Many a time he Acesso em: 15 jun. 2013 (adaptado).
tried to attack them; but whenever he came O texto aborda o tema dos incêndios resi-
near, they turned their tails to one another, denciais, que se propagam com mais rapidez
so that whichever way he approached them
atualmente por causa
he was met by the horns of one of them. At a) da composição sintética dos móveis.
last, however, they quarreled among them- b) da estrutura das construções atuais.
selves, and each went off to pasture alone in c) da acumulação demasiada de tecidos.
a separate corner of the field. Then the Lion d) dos recursos insuficientes de combate ao fogo.
attacked them one by one and soon made an e) da ventilação inapropriada dos cômodos.
end of all four.
Disponível em: www.aesopfables.com.
Acesso em: 1 dez. 2011. 3. (Enem 2017)
A fábula The Four Oxen and the Lion ilustra
um preceito moral, como se espera em tex-
tos desse gênero. Essa moral, podendo ser
compreendida como o tema do texto, está
expressa em:
a) O mais forte sempre vence.
b) A união faz a força.
c) A força carrega a justiça nas costas.
d) O ataque é a melhor defesa.
e) O inimigo da vida é a morte.

2. (Enem 2017)
As Furniture Burns Quicker, Fire-
fighters Reconsider Tactics
House fires have changed. The New York Fire
Department is rethinking its tactics for re-
sidential fires, while trying to hold onto its
culture of “aggressive interior firefighting"
- charging inside burning buildings as fast A proposta da capa da revista, associando as-
as possible. pectos verbais e visuais, transmite a seguin-
Plastic flllings in sofas and mattresses burn
te mensagem:
much faster than older fillings like cotton, a) O combate aos problemas decorrentes do
helping to transform the behavior of house aquecimento global é visto como uma guerra.
flres in the last few decades, fireflghters and b) O aquecimento global é mundialmente consi-
engineers say. With more plastic in homes, derado um problema insuperável e irreversível.
residential flres are now likely to use up all c) O problema do aquecimento global poderá
the oxygen in a room before they consume ser solucionado com a ajuda do Exército.
all flammable materiais. d) As grandes guerras provocaram devastação,
“Years ago you could break a window and it o que contribuiu para o aquecimento global.
took the fire several minutes to develop — e) O Exército está trabalhando no processo de
or tens of minutes”, a fire battalion chief in reposição de árvores em áreas devastadas.

14
4. (Enem 2017) I'm dying to believe that you're out there
Stand up and say it loud if you're out there
Synopsis
Tomorrow's starting now...now...now [...]
Filmed over nearly three years, WASTE LAND We can destroy Hunger
follows renowned artist Vik Muniz as he We can conquer Hate
journeys from his home base in Brooklyn Put down the arms and raise your voice
to his native Brazil and the world's largest We're joining hands today [...]
garbage dump, Jardim Gramacho, located LEGEND, J. Evolver. Los Angeles: Sony
on the outskirts of Rio de Janeiro. There Music, 2008 (fragmento).
he photographs an eclectic band of “catado-
res” — self-designated pickers of recyclable O trecho da letra de If You’re Out There revela
materiais. Muniz’s initial objective was to que essa canção, lançada em 2008, é um(a):
“paint” the catadores with garbage. Howe- a) convocação à luta armada.
ver, his collaboration with these inspiring b) apelo ao engajamento social.
characters as they recreate photographic c) atitude saudosista.
images of themselves out of garbage reveals d) crítica a atitudes impensadas.
both the dignity and despair of the catado- e) elogio à capacidade de aceitação.
res as they begin to re-imagine their lives.
Director Lucy Walker (DEVIL'S PLAYGROUND, 6. (Enem)
BLINDSIGHT and COUNTDOWN TO ZERO) and Are Twitter and Facebook Affec-
co-directors João Jardim and Karen Harley ting How We Think?
have great access to the entire process and,
in the end, offer stirring evidence of the Is constant use of electronic gadgets resha-
transformative power of art and the alchemy ping our brains and making our thinking
of the human spirit. shallower?
Disponível em: www.wastelandmovie. By Neil Tweedie
com. Acesso em: 2 dez. 2012
How many times do you click on your email
Vik Muniz é um artista plástico brasileiro ra- icon in a day? Or look at Facebook, or Twitter?
dicado em Nova York. O documentário Waste And how many times when reading on the in-
Land, produzido por ele em 2010, recebeu ternet do you click on a link navigating away
vários prêmios e: from the text that was the original object of
a) sua filmagem aconteceu no curto tempo de your enquiry? The web, it seems, is like an
três meses. electronic sweet shop, forever tempting us
b) seus personagens foram interpretados por in different directions. But does this mental
atores do Brooklyn. promiscuity, this tendency to flit around on-
c) seu cenário foi um aterro sanitário na peri- line, make us, well, thicker?
feria carioca. Nicholas Carr, the American Science writer,
d) seus atores fotografaram os lugares onde has mined this theme for his new book, “The
moram. Shallows”, in which he argues that new me-
e) seus diretores já pensam na continuidade dia are not just changing our habits but our
desse trabalho. brains. It turns out that the mature human
brain is not an immutable seat of personality
5. (Enem 2017) and intellect but a changeable thing, subject
to “neuroplasticity”. When our activities al-
If You’re Out There ter, so does the architecture of our brain. I'm
not thinking the way I used to think,” writes
If you hear this message
Carr. “I feel it most strongly when l’m rea-
Wherever you stand
ding.”
I'm calling every woman
Disponível em: www.telegraph.co.uk.
Calling every man Acesso em: 27 fev. 2012.
We're the generation
We can't afford to wait Neil Tweedie levanta vários questionamen-
The future started yesterday tos sobre a utilização de diferentes recursos
And we're already late tecnológicos disponíveis hoje em dia. A par-
We've been looking for a song to sing tir desses questionamentos e dos argumen-
Searched for a melody tos do escritor norte-americano Nicholas
Searched for someone to lead Carr, o texto sugere que:
We've been looking for the world to change a) o ato de clicar em ícones e manusear apare-
If you feel the same, we'll go on and say lhos prejudica o comportamento.
If you're out there b) o mundo virtual pode ser nocivo aos jovens,
Sing along with me if you're out there por ser muito promíscuo.

15
c) a internet contribui para o amadurecimento a) viver como imigrante em um país asiático.
intelectual dos usuários. b) definir quem ela é no que concerne à etnia.
d) o uso intenso de recursos tecnológicos pode c) compreender as culturas que a constituem.
afetar nosso cérebro. d) lidar com brincadeiras sobre sua aparência.
e) as redes sociais virtuais ajudam a melhorar e) lutar contra a discriminação nos Estados
nossa forma de pensar. Unidos.

7. (Enem) 9. (Enem)
Getting Every Child to School Hunger Games Review: Family Film Guide
Right now 67 million children are missing Parent Concerns: There is definitely violence
out on their right to an education. They in this film. The central Hunger Games may
can’t go to school because they have to work not be as bloody and brutal as author Suzan-
to survive, because they are girls or even be- ne Collins describes in the novel, but there’s
cause there are no schools where they live. a visceral reaction to seeing the kid-on-kid
Where will these children be when they grow violence rather than conjuring it in your own
up without the chance to learn? imagination. The tributes kill each other in
We’re working to make sure every child goes a host of ways, from spear, knife and arrow
to school. We’re helping build schools, train wounds to hand-to-hand battles that leave
teachers, advocating girl’s education and teens with their heads smashed in or necks
reaching children who have to work or are snapped. The editing is quick and the shots
caught up in emergencies with learning. never linger on anything overly graphic, but
You can help uphold every child’s right to there is blood and twenty-two adolescents,
an education. Make a donation today to not aged 12-18, die in the annual blood sport
only give children the chance to go to scho- pageant. Immature teens, even if they’ve
ol, but also save their lives and protect their read the books, may not be ready to handle
childhoods. to the film just yet. A good rule of thumb: if
Disponível em: www.supportunicef.org. they’re not old enough to be reaped into the
Acesso em: 20 maio 2013 (adaptado).
Hunger Games, theyYe probably not mature
Essa campanha pretende contribuir para di- enough to see it.
minuir a desigualdade social, uma vez que: ANGULO-CHEN, S. Disponível em: http://news.
moviefone.com. Acesso em: 28jun. 2012.
a) denuncia o trabalho de menores.
b) aponta motivos para a evasão escolar. Produções literárias e cinematográficas es-
c) divulga o número de crianças fora da escola. tão, muitas vezes, articuladas. No caso do
d) defende a reforma de políticas educacionais. filme Hunger Games, a autora da resenha
e) pede ajuda para garantir às crianças o direi- chama a atenção para a questão da violên-
to à educação. cia, que é mais:
a) detalhada do que a autora do livro gostaria
8. (Enem) que fosse.
b) brutal do que os pais permitiriam para seus
On the Meaning of Being Chinese filhos.
Ethnically speaking, I feel I am complica- c) amena do que os adolescentes imaginavam.
ted to classify, but who isn’t, right? To me, d) superficial do que o público poderia esperar.
being Chinese-Brazilian in America means a e) impactante do que a representada no livro.
history of living in three opposite cultures,
and sometimes feeling that I did not belong 1
0. (Enem)
in neither, a constant struggle that immi-
grants, and national citizens, face when
their appearance is foreign to natives in the
country. Jokingly, I say that I am Asian in
America, Brazilian in China, and a “gringa”
in Brazil. Nevertheless, I believe that dea-
ling with these hard to reconcile extremes
have somehow helped me to become more
comfortable with my identity.
BELEZA LI. Disponível em: www.aiisf.org.
Acesso em: 28 mar. 2014.

Nesse fragmento, Beleza Li resume sua experi-


ência de vida ao descrever a complexidade em:

16
Bansky é um grafiteiro famoso. Na obra pin- 1
2. (Enem)
tada em um muro da cidade de Claremont,
Califórnia, em 2007, ele fez uso de um tro-
cadilho com a palavra “change”, o que carac-
teriza seu grafite como um protesto contra a:
a) escolha da mendicância como forma de vida.
b) condição de vida das pessoas em miséria.
c) falta de solidariedade dos mais favorecidos.
d) marginalização das pessoas desabrigadas.
e) incapacidade de os mendigos mudarem de vida.

1
1. (Enem)
Mauritius: gender roles and statuses
Division of Labor by Gender. The economic
success of industry has led to low unemploy- Anúncios publicitários buscam chamar a
ment rates. This has changed the workplace atenção do consumidor por meio de recursos
and home life as women joined the workfor- diversos. Nesse pôster, os números indicados
ce. This industrialization also led to women correspondem ao(à)
being promoted faster. According to the Mi- a) comprimento do cigarro.
nister of Women, Family Welfare, and Child b) tempo de queima do cigarro.
Development, a quarter of all managers are c) idade de quem começa a fumar.
now women. d) expectativa de vida de um fumante.
Women are the traditional homekeepers of e) quantidade de cigarros consumidos.
the society. Between 1985 and 1991 the num-
ber of women working outside the home in- 1
3. (Enem)
creased from 22 percent to 41 percent. With
that trend continuing, hired housekeeping New vaccine could fight bnicotine addiction
and child care have become relatively new Cigarette smokers who are having trouble
and important industries. quitting because of nicotine's addictive po-
The Relative Status of Women and Men. Histo- wer may some day be able to receive a novel
rically, women have had subordinate roles in antibody-producing vaccine to help them
Mauritian society. However, the Constitution kick the habit.
specifically prohibits discrimination based on The average cigarette contains about 4 000
sex, and women now have access to education, different chemicals that — when burned
employment, and governmental services. and inhaled — cause the serious health pro-
In March 1998 the Domestic Violence Act was blems associated with smoking. But it is the
passed. This gave greater protection and legal nicotine in cigarettes that, like other addic-
authority to combat domestic abuse. In that tive substances, stimulates rewards centers
same year it also became a crime to abandon in the brain and hooks smokers to the plea-
one's family or pregnant spouse for more than surable but dangerous routine.
two months, not to pay food support, or to Ronald Crystal, who chairs the department
engage in sexual harassment. of genetic medicine at Weill-Cornell Medical
Women are underrepresented in the govern- College in New York, where researchers are
ment. The National Assembly has seventy se- developing a nicotine vaccine, said the idea
is to stimulate the smoker's immune system
ats, of which women hold five.
Disponível em: www.everyculture.com. to produce antibodies or immune proteins to
Acesso em: 4 fev. 2013. destroy the nicotine molecule before it rea-
ches the brain.
Questões como o papel de homens e mulhe- BERMAN, J. Disponível em: www.voanews.
res na sociedade contemporânea vêm sendo com. Acesso em: 2 jul. 2012.
debatidas de diferentes pontos de vista, in-
fluenciados por valores culturais específicos Muitas pessoas tentam parar de fumar, mas
de cada sociedade. No caso das Ilhas Mau- fracassam e sucumbem ao vício. Na tentati-
rício, esses valores sustentam a tomada de va de ajudar os fumantes, pesquisadores da
decisão em torno da: Weill-Cornell Medical College estão desen-
a) importância do reconhecimento da presença volvendo uma vacina que
feminina na estrutura familiar. a) diminua o risco de o fumante se tornar de-
b) manutenção da igualdade entre mulheres e pendente da nicotina.
homens no trabalho. b) seja produzida a partir de moléculas de nicotina.
c) proteção legal da mulher contra atos discri- c) substitua a sensação de prazer oferecida
minatórios. pelo cigarro.
d) representatividade da mulher em cargos po- d) ative a produção de anticorpos para comba-
líticos. ter a nicotina.
e) criação de auxílio à mulher abandonada pelo e) controle os estímulos cerebrais do hábito de
cônjuge. fumar.

17
1
4. (Enem) 1
6. (Enem)

Definidas pelos países membros da Organi-


zação das Nações Unidas e por organizações
internacionais, as metas de desenvolvimen-
to do milênio envolvem oito objetivos a se-
rem alcançados até 2015. Apesar da diversi-
Uma campanha pode ter por objetivo cons- dade cultural, esses objetivos, mostrados na
cientizar a população sobre determinada imagem, são comuns ao mundo todo, sendo
dois deles:
questão social. Na campanha realizada no
a) O combate a AIDS e a melhoria do ensino
Reino Unido, a frase “A third of the food we universitário.
buy in the UK ends up being thrown away" b) A redução da mortalidade adulta e a criação
foi utilizada para enfatizar o(a) de parcerias globais.
a) desigualdade social. c) A promoção da igualdade de gêneros e a er-
b) escassez de plantações. radicação da pobreza.
c) reeducação alimentar. d) A parceria global para o desenvolvimento e a
d) desperdício de comida. valorização das crianças.
e) custo dos alimentos. e) A garantia da sustentabilidade ambiental e o
combate ao trabalho infantil.
1
5. (Enem) THE DEATH OF THE PC
1
7. (Enem) The record industry
The days of paying for costly software upgra- The record industry is undoubtedly in crisis,
des are numbered. The PC will soon be obso- with labels laying off employees in continua-
lete. And BusinessWeek reports 70% of Ame- tion. This is because CD sales are plummeting
ricans are already using the technology that as youngsters prefer to download their music
will replace it. Merrill Lynch calls it “a $160 from the Internet, usually free of charge.
billion tsunami”. Computing giants including And yet it's not all gloom and doom. Some
labels are in fact thriving. Putumayo World
IBM, Yahoo!, and Amazon are racing to be the
Music, for example, is growing, thanks to its
first to cash in on this PC-killing revolution. catalogue of ethnic compilation albums, fea-
Yet, two little-known companies have a huge turing work by largely unknown artists from
head start. Get their names in a free report around the planet.
from The Motley Fool called, “The Two Words Putumayo, which takes its name from a val-
Bill Gates Doesn’t Want You to Hear…” ley in Colombia, was founded in New York in
Click here for instant access to this FREE 1993. It began life as an alternative clothing
report! company, but soon decided to concentrate
BROUGHT TO YOU BY THE MOTLEY FOOL on music. Indeed its growth appears to have
Disponível em: http://www.fool. coincided with that of world music as a genre.
com. Acesso em: 21 jul. 2010. Speak Up. Ano XXIII, nº 275 (fragmento).

Ao optar por ler a reportagem completa so- A indústria fonográfica passou por várias
bre o assunto anunciado, tem-se acesso a mudanças no século XX e, como consequên-
duas palavras que Bill Gates não quer que o cia, as empresas enfrentaram crises. Entre as
leitor conheça e que se referem: causas, o texto da revista Speak Up aponta:
a) aos responsáveis pela divulgação desta in- a) o baixo interesse dos jovens por alguns gê-
formação na internet. neros musicais.
b) as marcas mais importantes de microcompu- b) o acesso a músicas, geralmente sem custo,
tadores do mercado. pela Internet.
c) aos nomes dos americanos que inventaram a c) a compilação de álbuns com diferentes esti-
suposta tecnologia. los musicais.
d) aos sites da internet pelos quais o produto já d) a ausência de artistas populares entre as
pode ser conhecido. pessoas mais jovens.
e) as empresas que levam vantagem para serem e) o aumento do número de cantores desconhe-
suas concorrentes. cidos.

18
1
8. (Enem) Leia. 2
0. (Enem) Crystal Ball
I, too Come see your life in my crystal glass –
Twenty-five cents is all you pay
I, too, sing America. Let me look into your past –
I am the darker brother. Here’s what you had for lunch today:
They send me to eat in the kitchen Tuna salad and mashed potatoes,
When company comes, Collard greens pea soup and apple juice,
But I laugh, Chocolate milk and lemon mousse.
And eat well,
You admit I’ve got told it all?
And grow strong.
Well, I know it, I confess,
Tomorrow,
Not by looking, in my ball,
I’ll be at the table
When company comes. But just by looking at your dress.
SILVERSTEIN, S. Falling up. New York:
Nobody’ll dare Harper Collins Publishers, 1996.
Say to me,
“Eat in the kitchen,” A curiosidade a respeito do futuro pode
Then. exercer um fascínio peculiar sobre algumas
Besides, pessoas, a ponto de colocá-las em situações
They’ll see how beautiful I am inusitadas. Na letra da música Crystal Ball,
And be ashamed essa situação fica evidente quando é revela-
I, too, am America. do à pessoa que ela:
HUGHES, L. In: RAMPERSAD, A.; ROESSEL, D. (Ed.) The a) recebeu uma boa notícia.
collected poems of Langston Hughes. New York: Knopf, 1994. b) ganhou um colar de pedras.
c) se sujou durante o almoço.
Langston Hughes foi um poeta negro ameri- d) comprou vestidos novos.
cano que viveu no século XX e escreveu I, too e) encontrou uma moeda.
em 1932. No poema, a personagem descre-
ve uma prática racista que provoca nela um 2
1. (Enem) The six-year molars
sentimento de:
a) coragem, pela superação. The six-year molars are the first permanent
b) vergonha, pelo retraimento. teeth. They are the “keystone” of the dental arch.
c) compreensão, pela aceitação. They are also extremely susceptible to decay.
d) superioridade, pela arrogância. Parents have to understand that these teeth
e) resignação, pela submissão. are very important. Over 25% of 6 to 7 year
old children have beginning cavities in one
1
9. (Enem) of the molars.
The early loss of one of these molars causes
serious problems in childhood and adult life.
It is never easy for parents to make kids take
care of their teeth. Even so, parents have to
insist and never give up.
O texto aborda uma temática inerente ao
processo de desenvolvimento do ser huma-
no, a dentição.
Há informação quantificada na mensagem
quando se diz que as cáries dos dentes men-
cionados:
Aproveitando-se de seu status social e da a) acontecem em mais de 25% das crianças en-
possível influência sobre seus fãs, o famoso tre seis e sete anos.
músico Jimi Hendrix associa, em seu texto, b) ocorrem em menos de 25% das crianças en-
os termos love, power e peace para justificar tre seis e sete anos.
sua opinião de que: c) surgem em uma pequena minoria das crianças.
a) a paz tem o poder de aumentar o amor entre d) começam em crianças acima dos 7 anos.
os homens. e) podem levar dezenas de anos para ocorrer.
b) o amor pelo poder dever ser menor do que o
poder do amor.
c) o poder deve ser compartilhado entre aque-
les que se amam.
d) o amor pelo poder é capaz de desunir cada
vez mais as pessoas.
e) a paz será alcançada quando a busca pelo
poder deixar de existir.

19
2
2. (Enem) 2
4. (Enem)

A emissão de gases tóxicos na atmosfera traz


diversas consequências para nosso planeta.
De acordo com o gráfico, retirado do texto
Global warming is an international issue, Os cartões-postais costumam ser utilizados
observa-se que: por viajantes que desejam enviar noticias
a) as queimadas poluem um pouco mais do que os dos lugares que visitam a parentes e ami-
combustíveis usados nos meios de transporte. gos. Publicado no site do projeto ANDRILL,
b) as residências e comércios são os menores emis- o texto em formato de cartão-postal tem o
sores de gases de efeito estufa na atmosfera. propósito de:
c) o processo de tratamento de água contribui para a) comunicar o endereço da nova sede do pro-
a emissão de gases poluentes no planeta. jeto nos Estados Unidos.
d) os combustíveis utilizados nos meios de transpor- b) convidar colecionadores de cartões-postais a
tes poluem mais do que as indústrias. se reunirem em um evento.
e) os maiores emissores de gases de efeito estufa c) anunciar uma nova coleção de selos para an-
na atmosfera são as usinas elétricas. gariar fundos para a Antártica.
d) divulgar as pessoas a possibilidade de rece-
2
3. (Enem) Viva la Vida berem um cartão-postal da Antártica.
e) solicitar que as pessoas visitem o site do
I used to rule the world mencionado projeto com maior frequência.
Seas would rise when I gave the word
Now in the morning and I sleep alone 2
5. (Enem) How fake images change our
Sweep the streets I used to own memory and behaviour
I used to roll the dice For decades, researchers have been
Feel the fear in my enemy’s eyes exploring just how unreliable our own
Listen as the crowd would sing memories are. Not only is memory fick-
“Now the old king is dead! Long live the king!” le when we access it, but it’s also quite
One minute I held the key easily subverted and rewritten. Combine this
Next the walls were closed on me susceptibility with modern image-editing
And I discovered that my castles stand software at our fingertips like Photoshop,
Upon pillars of salt and pillars of sand and it’s a recipe for disaster. In a world
[…] where we can witness news and world events
MARTIN, C. Viva la vida, Coldplay. In: Viva la vida as they unfold, fake images surround us, and
or Death and all his friends. Parlophone, 2008. our minds accept these pictures as real, and
remember them later. These fake memories
Letras de músicas abordam temas que, de don’t just distort how we see our past, they
certa forma, podem ser reforçados pela re- affect our current and future behaviour too
petição de trechos ou palavras. O fragmento – from what we eat, to how we protest and
da canção Viva la vida, por exemplo, permite vote. The problem is there’s virtually nothing
conhecer o relato de alguém que we can do to stop it.
a) costumava ter o mundo aos seus pés e, de Old memories seem to be the easiest to ma-
repente, se viu sem nada. nipulate. In one study, subjects were showed
b) almeja o título de rei e, por ele, tem enfren- images from their childhood. Along with real
tado inúmeros inimigos. images, researchers snuck in manipulated
c) causa pouco temor a seus inimigos, embora photographs of the subject taking a hot-air
tenha muito poder. balloon ride with his or her family. After
d) limpava as ruas e, com seu esforço, tornou- seeing those images, 50% of subjects recalled
-se rei de seu povo. some part of that hot-air balloon ride – thou-
e) tinha a chave para todos os castelos nos gh the event was entirely made up.
quais desejava morar. EVELETH, R. Disponível em: www.bbc.com.
Acesso em: 10 jan. 2013 (adaptado).

20
A reportagem apresenta consequências do As instituições públicas fazem uso de avisos
uso de novas tecnologias para a mente hu- como instrumento de comunicação com o ci-
mana. Nesse contexto, a memória das pesso- dadão. Este aviso, voltado a passageiros, tem
as é influenciada pelo(a): o objetivo de:
a) alteração de imagens. a) solicitar que as malas sejam apresentadas
b) exposição ao mundo virtual. para inspeção.
b) notificar o passageiro pelo transporte de
c) acesso a novas informações.
produtos proibidos.
d) fascínio por softwares inovadores. c) informar que a mala foi revistada pelos ofi-
e) interferência dos meios de comunicação. ciais de segurança.
d) dar instruções de como arrumar malas de
2
6. (Enem) My brother the star, my mother the forma a evitar inspeções.
earth e) apresentar desculpas pelo dano causado a
mala durante a viagem.
my father the sun, my sister the moon,
to my life give beauty, to my
2
8. (Enem) The Road Not Taken (by Robert Frost)
body give strength, to my corn give Two roads diverged in a wood, and I —
goodness, to my house give peace, to I took the one less traveled by,
my spirit give truth, to my elders give And that has made all the difference.
wisdom. Disponível em: www.poetryfoundation.org.
Disponível em: www.blackhawkproductions.com.
Acesso em: 29 nov. 2011 (fragmento).
Acesso em: 8 ago. 2012.
Estes são os versos finais do famoso poema
Produções artístico-culturais revelam visões
The Road Not Taken, do poeta americano
de mundo próprias de um grupo social. Esse Robert Frost. Levando-se em consideração que
poema demonstra a estreita relação entre a a vida é comumente metaforizada como uma
tradição oral da cultura indígena norte-ame- viagem, esses versos indicam que o autor:
ricana e a: a) festeja o fato de ter sido ousado na escolha
a) transmissão de hábitos alimentares entre que fez em sua vida.
gerações. b) lamenta por ter sido um viajante que encon-
b) dependência da sabedoria de seus ancestrais. trou muitas bifurcações.
c) representação do corpo em seus rituais. c) viaja muito pouco e que essa escolha fez
d) importância dos elementos da natureza. toda a diferença em sua vida.
e) preservação da estrutura familiar. d) reconhece que as dificuldades em sua vida
foram todas superadas.
2
7. (Enem) NOTICE OF BAGGAGE INSPECTION e) percorre várias estradas durante as diferen-
To protect you and your fellow passengers, tes fases de sua vida.
the Transportation Security Administra-
tion (TSA) is required by law to inspect all 2
9. (Enem)
checked baggage. As part of this process,
some bags are opened and physically inspec-
ted. Your bag was among those selected for
physical inspection.
During the inspection, your bag and its
contents may have been searched for prohi-
bited items. At the completion of the inspec-
tion, the contents were returned to your bag.
If the TSA security officer was unable to open
your bag for inspection because it was locked,
the officer may have been forced to break
the locks on your bag. TSA sincerely regrets
having to do this, however TSA is not liable
for damage to your locks resulting from this
necessary security precaution.
For packing tips and suggestions on how to
secure your baggage during your next trip,
please visit:
www.tsa.gov
__________________________ Implementar políticas adequadas de alimen-
Smart Security Saves Time tação e nutrição é uma meta prioritária em
Transportation Security Administration. vários países do mundo. A partir da campa-
Disponível em: www.tsa.gov.
Acesso em: 13 jan. 2010 (adaptado). nha If you can’t read it, why eat it?, os leito-
res são alertados para o perigo de:

21
a) acessarem informações equivocadas sobre a for-
mulação química de alimentos empacotados.
b) consumirem alimentos industrializados sem
o interesse em conhecer a sua composição.
c) desenvolverem problemas de saúde pela fal-
ta de conhecimento a respeito do teor dos
alimentos.
d) incentivarem crianças a ingerirem grande
quantidade de alimentos processados e com
conservantes.
e) ignorarem o aumento constante da obesida-
de causada pela má alimentação na fase de
desenvolvimento da criança.

Gabarito
1. B 2. A 3. A 4. C 5. B
6. D 7. E 8. B 9. E 10. B
11. C 12. D 13. D 14. D 15. E
1
6. C 17. B 18. A 19. B 20. C
21. A 22. E 23. A 24. D 25. A
26. D 27. C 28. A 29. B

22
Aplicação dos conhecimentos - Sala
AULA 2 Tema: Gênero textual

Competência: 2 Habilidade: 5

Construção da habilidade: Dentro da competência da área 2 do Enem, do aluno será exigida a


capacidade de conhecer e usar línguas estrangeiras modernas como instrumento de acesso a informa-
ções e a outras culturas e grupos sociais.

MODELO 1

Last Monday was a really awful day. I got to school late because I had missed the bus. Then I had a
Math test and did badly because I hadn’t studied for it. Things went from bad to worse: while I was
waiting for the bus home I realised I had lost my money so I had to walk home. I really wanted to
go to the cinema with my parents that evening but by the time I got home they had already gone
out. I put my dinner in the oven, went to watch TV and fell asleep. When I woke up an hour later,
there was a terrible smell and smoke coming up the stairs: I had forgotten to take my dinner out
of the oven.
ACEVEDO, A.; GOWER, M. High Flyer. Longman, 1996.

O termo sublinhado indica uma ideia de:


a) gradação
b) causa
c) mudo
d) tempo
e) contraste

23
Tema: Gênero textual

Competência: 2 Habilidade: 5

Construção da habilidade: Dentro da competência da área 2 do Enem, do aluno será exigida a


capacidade de conhecer e usar línguas estrangeiras modernas como instrumento de acesso a informa-
ções e a outras culturas e grupos sociais.

MODELO 2

Slumdog Millionaire

Heartbreaking and exhilarating at the same time, about a Mumbai orphan who rises from rags to
riches on the strength of his lively intelligence. The film’s universal appeal presents the real India
to millions of moviegoers for the first time.
The real India, supercharged with a plot as reliable and eternal as the hills. The film’s surface is
so dazzling that you hardly realize how traditional it is underneath. But it’s the buried structure
that pulls us through the story like a big engine on a short train.
By the real India, I don’t mean an unblinking documentary like Louis Malle’s “Calcutta” or the
recent “Born Into Brothels.” I mean the real India of social levels that seem to be separated by
centuries. What do people think of when they think of India? On the one hand, Mother Teresa,
“Salaam Bombay!” and the wretched of the earth. On the other, the “Masterpiece Theater”-style
images of “A Passage to India,” “Gandhi” and “The Jewel in the Crown.”
The film uses dazzling cinematography, breathless editing, driving music and headlong momen-
tum to explode with narrative force, stirring in a romance at the same time.
EBERT, R. Disponível em: http://rogerebert.suntimes.com. Acesso em: 11 abr. 2011 (adaptado).

Falsos cognatos são palavras que apresentam um radical cujo significado destoa do esperado quan-
do empregado em outro idioma. São exemplos desse texto:
a) images, India
b) film, realize
c) film, India
d) time, realize
e) Images, time

24
Tema: Gênero textual

Competência: 2 Habilidade: 5

Construção da habilidade: Dentro da competência da área 2 do ENEM, do aluno será exigida a


capacidade de conhecer e usar línguas estrangeiras modernas como instrumento de acesso a informa-
ções e a outras culturas e grupos sociais.

MODELO 3

Ebonics
The word ebonics is made up of two words. Ebony, which means black and phonics, which refers
to sound. It is a systematic rule-governed natural speech that is consistent as any other language
in sentence structure. This is referred to as syntax. What makes this speech pattern uniquely di-
fferent to “so called” American Standard English is its verb tense or lack of it. An example of this
can be seen in the sentence, “He is sick today”. This same sentence translated in ebonics would
read, “He sick today”. As1 you can see the verb has been omitted. However, this speech pattern
is consistently used. Major controversy has arisen whether or not ebonics is a separate language
or simply a dialect. In doing my research, I have found that most linguists take the position that
ebonics is a dialect. What distinguishes dialect from language is that in dialect two speakers share
most or some of the same vocabulary and is recognizable and understandable. In contrast, separa-
te languages are present only when the inability to communicate verbally occurs.
Disponível em: www.writework.com. Acesso em: 17 ago. 2011 (adaptado)

As conjunções podem assumir muitos papéis dentro de uma estrutura frasal, tal como na referên-
cia 1. O valor exercido e o valor comum desta conjunção é, respectivamente:
a) comparação e adversidade
b) comparação e tempo
c) comparação e conformidade
d) comparação e concessão
e) comparação e consequência

25
Tema: Gênero textual

Competência: 2 Habilidade: 5

Construção da habilidade: Dentro da competência da área 2 do ENEM, do aluno será exigida a


capacidade de conhecer e usar línguas estrangeiras modernas como instrumento de acesso a informa-
ções e a outras culturas e grupos sociais.

MODELO 4

Veja a tirinha:

As palavras scariest (primeiro quadro) e funniest (segundo) apresentam uma flexão que indica:
a) Grau aumentativo do substantivo
b) Grau comparativo do advérbio
c) Grau relativo do verbo
d) Grau superlativo do adjetivo
e) Grau diminutivo da conjunção

26
Raio X - Análise Expositiva
1.
A expressão from bad to worse, traduzida, significa “de mal a pior”, o que indica uma gradação.
2.
As palavras time (tempo) e realize (perceber) possuem uma estrutura idêntica às de time (equipe)
e realize (tornar real).
3.
O valor comum exprimido pela conjunção “As” é de comparação, porém no texto é de conformidade.
4.
A terminação -est se aplica apenas ao grau superlativo superior do adjetivo

Gabarito
1. A 2. D 3. C 4. D

27
Construção da habilidade: Dentro da competência da área 2 do Enem, do aluno será exigida a
capacidade de conhecer e usar línguas estrangeiras modernas como instrumento de acesso a informa-
ções e a outras culturas e grupos sociais.

Aprofunde seus conhecimentos


1. (Enem) This visiting was known “first-footing”,and
the luckiest first-foot into any house was a
Horse or cow
tall, dark and handsome man — perhaps as
Prior to taking retirement and selling off his a reward to the woman who traditionally had
land, a farmer needed to get rid of all the spent the previous day scrubbing her house
animals he owned, so he decided to call on (another Hogmanay ritual). Women or red
every house in his village. At houses where heads, however, were always considered bad
the man was the boss, he gave a horse; at luck as first-foots.
houses where the woman was the boss, he First-foots brought symbolic gifts to “han-
gave a dairy cow. dsel” the house: coal for the fire, to ensu-
Approaching one cottage, he saw a couple re that the house would be warm and safe,
gardening and called out, ‘Who’s the boss and shortbread or black bun (a type of fruit
around here?’ cake) to symbolise that the household would
‘I am,’ said the man. never go hungry that year.
The farmer said: ‘I have a black horse and First-footing has faded in recent years, par-
a brown horse. Which one would you like?’ ticularly with the growth of the major street
The man thought for a minute and said, ‘The celebrations in Edinburgh and Glasgow, al-
black one.’ though not the Scots love of a good party, of
‘No, no, get the brown one,’ said his wife. which there are plenty on the night!
The farmer said, ‘Here’s your cow.’ Disponível em: www.visitscotland.com.
TIBBALLS, G. The book of senior jokes. Acesso em: 23 nov. 2011.
Great Britain: Michael O’Mara, 2009 (adaptado)
A partir da leitura do texto sobre a come-
O texto relata o caso de um fazendeiro pres- moração do Ano-novo na Escócia, observa-se
tes a se aposentar e vender sua fazenda. O que, com o tempo, aspectos da cultura de um
aspecto cômico desse texto provém da povo podem ser
a) constatação pelo fazendeiro da razão de sua a) passados para outros povos.
aposentadoria. b) substituídos por outras práticas
b) opinião dos vizinhos referente à forma de se c) reforçados pelas novas gerações.
livrar dos animais. d) valorizados pelas tradições locais.
c) percepção do fazendeiro quanto à relação de e) representados por festas populares.
poder entre o casal.
d) agressividade da esposa relacionada a um 3. (Enem - PPL) Languages and cultures use
questionamento inocente. non-verbal communication which conveys
e) indecisão dos cônjuges quanto à melhor es- meaning. Although many gestures are simi-
colha a ser feita no momento. lar in Thai and English such as nodding for
affirmation many others are not shared. A
2. (Enem) good example of this is the ubiquitous “Thai
smile”. The “smile” carries a far wider range
First Footing of meanings in Thai than it does in English
culture. This can sometimes lead to serious
One of the major Hogmanay customs was communication breakdowns between Thais
“first-footing”. Shortly after “the bells” — and English speakers.
the stroke of midnight when public clocks An example from my own early experience
would chime to signal the start of the new in Thailand illustrates the point. When con-
year —, neighbours would visit one another’s fronting the Thai owner of a language scho-
houses to wish each other a good new year. ol with administrative problems, complaints

28
regarding student numbers in the class were test the efficiency of locomotion for a man
met by a beaming smile and little else. I took on a bicycle. And a man on a bicycle blew
this to mean lack of concern or an attempt the condor away. That’s what a computer is
to trivialise or ignore the problem. I left the to me: the computer is the most remarkable
discussion upset and angry by what appea- tool that we’ve ever come up with. It’s the
red to be the owner’s offhand attitude to my equivalent of a bicycle for our minds.
problems. JOBS, S. Disponível em: www.msnbc.msn.com.
It was only later when another native Acesso em: 28 fev. 2012 (adaptado)
speaking English teacher, with considera- Ao abordar o deslocamento de várias espé-
bly more experience of Thailand, explained cies, com base em um estudo que leu, Steve
that a smile meant an apology and the fact Jobs apresenta o computador como uma fer-
that the following day all my complaints had ramenta que
been addressed, that I fully understood the a) amplia a quantidade de energia gasta no
situation. planeta.
Disponível em: www.spring.org.uk. b) alcança a mesma velocidade de uma bicicleta.
Acesso em: 11 jul. 2011 (fragmento) c) altera a velocidade com a qual nos movemos.
d) torna os meios de transporte mais eficientes.
Viver em um país estrangeiro pode ser uma
e) aumenta o potencial de nossas mentes.
experiência enriquecedora, embora possa
também ser um desafio, pelo choque cultural.
6. (Enem PPL)
A experiência relatada pelo autor do texto re-
vela diferentes atribuições de sentido a um Turning Brown
determinado comportamento, mostrando que
A four-year-old boy was eating an apple in
naquela situação o sorriso indicava um(a)
a) forma educada de fazer uma reclamação. the back seat of the car, when he asked,
b) modo irônico de reagir a uma solicitação. “Daddy, why is my apple turning brown?”
c) jeito de reconhecer um erro e se desculpar. “Because,” his dad explained, “after you
d) tentativa de minimizar um problema. ate the skin off, the meat of the apple came
e) estratégia para esconder a verdade. into contact with the air, which caused it to
oxidize, thus changing the molecular struc-
4. (Enem PPL) ture and turning it into a different color.”
There was a long silence. Then the son asked
Tennesse Mountain Properties softly, “Daddy, are you talking to me?”
Disponível em: http://hayspost.com.
Description Acesso em: 10 nov. 2011.
Own a renovated house for less than $290
per month!!!!!!!! New windows, siding, Considerando os participantes da conversa
flooring (laminate throughout and tile in nessa piada, nota-se que o efeito de humor é
entry way and bathroom), kitchen cabi- obtido em função
nets, counter top, back door, fresh paint and a) da dificuldade que o pai estava enfrentando
laundry on main floor. Heat billsare very para dar uma resposta ao filho.
low due to a good solid house and an energy b) de o pai dizer que a maçã tem carne e que
efficient furnace. muda de cor em contato com o ar.
Disponível em: www.freerealestaeads.net c) de um menino de quatro anos entender uma
.Acesso em: 30 nov. 2011(adaptado). explicação científica sobre a oxidação.
d) do fato de a criança não saber por que a
Em jornais, há diversos anúncios que servem maçã que estava comendo era marrom.
aos leitores. O conteúdo do anúncio veicula- e) da escolha inadequada do tipo de linguagem
do por este texto interessará a alguém que para se conversar com uma criança.
esteja procurando
a) emprego no setor imobiliário. 7. (Enem PPL)
b) imóvel residencial para compra.
c) serviço de reparos em domicílio.
d) pessoa para trabalho doméstico.
e) curso de decorador de interiores.

5. (Enem PPL) I read a study that measured


the efficiency of I locomotion for various
species on the planet. The condor used the
least energy to move a kilometer. Humans
came in with a rather unimpressive showing
about a third of the way down the list ...
That didn’t look so good, but then someo- Placas como a da gravura são usadas para
ne at Scientific American had the insight to orientar os usuários de um espaço urbano.

29
Essa placa, especificamente, tem a função de avisar que somente
a) as despesas feitas com estacionamento são deduzidas.
b) os donos de carro entram no estacionamento do parque.
c) o proprietário autoriza a validação do estacionamento.
d) os rebocadores precisam de permissão para entrar no local.
e) os veículos autorizados podem estacionar naquela área.

8. (Enem PPL)

The art of happiness


Nearly every time you see him, he’s laughing or at least smiling. And he makes everyone else
around him feel like smiling. He’s the Dalai Lama, the spiritual and temporal leader of Tibet, a No-
bel Prize winner, and an increasingly popular speaker and statesman. Why is he so popular? Even
after spending only a few minutes in his presence you can’t help feeling happier. If you ask him
if he’s happy, even though he’s suffered the loss of his country, the Dalai Lama will give you an
unconditional yes. What’s more, he’ll tell you that happiness is the purpose of life, and that “the
very motion of our life is towards happiness”. How to get there has always been the question. He’s
tried to answer it before, but he’s never had the help of a psychiatrist to get the message across
in a context we can easily understand.
LAMA, D.; CUTLER, H. The Art of Happiness:
a handbook for living. Putnam Books, 1998.

Pelo título e pela sinopse do livro de Lama e Cutler, constata-se que o tema da obra é
a) o sucesso dos autores no Tibet.
b) a busca da felicidade no cotidiano.
c) o Prêmio Nobel recebido por Lama.
d) a liderança de Dalai Lama no Tibet.
e) a discussão de Lama e seu psiquiatra.

9. (Enem PPL) Cyberbullying is harassment through electronic means such as telephone text mes-
sages, social media such as Facebook and Twitter or online blogs and bulletin boards. In normal
bullying, students are given a daily break from the torment as bully and victim each go to their
separate homes. But for victims of cyberbullying, there is no reprieve, as the abuse enters into
their private lives. In the US, there are at least 44 states that have anti-bullying laws on the books.
While only six of them use the actual word “cyberbullying”, 31 others have laws that specifically
mention “electronic harassment”.

Prosecution in the UK is a little more difficult. While all schools are required to have anti-bullying
policies in place, cyberbullying itself is not named as a criminal offence. Offenders in the UK
would have to be charged under various other laws, including the Protection from Harassment Act
of 2003. This makes prosecution much more difficult.
Authorities agree that in order to stop cyberbullying, there has to be parental involvement. Pa-
rents need to be vigilant about their children’s access to technology. They should monitor their
children’s use of social media, especially children under the age of 14. Bullies are not going to
simply disappear, but parents can go a long way in protecting their children from being bullied.
Go! English, ano II, n. 14 (fragmento).

De acordo com o texto, nos Estados Unidos, alguns estados têm leis específicas para assédio via
meios eletrônicos. Já no Reino Unido, a instauração de processos contra praticantes de cyber-
bullying é mais difícil porque
a) as vítimas precisam recorrer a outras leis existentes, pois o cyberbullying não é considerado crime.
b) as leis que regulamentam o uso da internet e dos meios eletrônicos de comunicação são inexistentes.
c) os pais das vítimas não têm interesse em denunciar os agressores de seus filhos às autoridades com-
petentes.
d) os estudantes com idade inferior a 18 anos não podem sofrer acusações de prática de cyberbullying ou
bullying.
e) as leis como a de Proteção contra Atos de Assédio de 2003 estabelecem que o cyberbullying não é
crime.

30
1
0. (Enem PPL)

a) divisão de espaço com os pais.


b) perda da atenção dos pais.
c) submissão aos pais.
d) ausência dos pais.
e) semelhança com os pais.

1
1. (Enem PPL)

Movie: Hijras - The Third Gender


Director: Devika Urvashi Bhisé
Duration: 29 minutes

Hijras are the outcastes of Indian society and live on its fringes. These eunuchs (originally only
castrated males) were once employed by sultans and maharajas to guard the women in their harems.
Now shunned by society, they are treated with less respect than the Dalits, or untouchables. Consi-
dered neither men nor women, Hijras have no constitutional rights. Currently, there is an ongoing
debate in India regarding whether or not they should be granted the status of a third gender.
Most hijras are genetically born as men, but believe they are women within. The rest are hermaphro-
dites with some abnormality in genitalia. For those born men, becoming a hijra is a painful process
that involves removing the entire genitalia in a secret ceremony that is often undergone without
any anesthetic.
Currently, most hijras have only three ways in which they can make a living: prostitution, begging,
and as performing shamans removing bad luck and/or spells from suspicious Indian households. Sex
work is one of the only options for hijras because there are few employment opportunities available
to them. Hijras are most commonly seen knocking on car windows, begging for money at stoplights.
Although hijras are feared for their dissimilarities, they are also revered for their alleged mystical
abilities. Most Indian families seek their blessings during any auspicious ceremony such as a birth,
a wedding, or the building of a new house.
As pariahs of society, they are subjected to prejudice that is often translated into verbal abuse, hu-
miliation, extreme discrimination, and violence in public as well as private venues. I have documen-
ted a short film to create awareness of the plight of this segment of society and allow their voices
to be heard. I was privileged to share this community’s inner life and have tried to capture its stark
reality as a friend rather than a voyeur. The filming took place from June 2008 to September 2008
in various cities and locations in India.
Disponível em: www.engendered.org. Acesso em: 25 fev. 2012.

O filme Hijras - The Third Gender tem como objetivo chamar atenção para a situação vivida por um
segmento da sociedade indiana, os hijras. De acordo com o que se captura dessas vozes no filme e
do que se lê no texto, esse segmento reivindica
a) os mesmos direitos dos dalits, ou intocáveis.
b) o direito constitucional de sair da marginalidade.
c) um processo mais humano de mudança de sexo.
d) a regulamentação de suas atuais funções sociais.
e) o reconhecimento de suas habilidades místicas.

31
1
2. (Enem PPL)

BELL, D. Disponível em: www.candorville.com. Acesso em: 29 fev. 2012.

Com base nas informações verbais e no contexto social da tirinha, infere-se que o cliente
a) constrange e intimida o garçom, a fim de não pagar a conta devida.
b) está indisposto para conversar com o garçom sobre assuntos pessoais.
c) explica ao garçom que vai aguardar outra pessoa chegar ao restaurante.
d) mostra descontentamento com o serviço para não ter que pagar por ele.
e) demonstra bom humor, fazendo piada no momento de fechar a conta.

1
3. (Enem PPL)
Home is where the heart is
The heart of psychosocial care is to be found in the home and it is here that the main trust of
external efforts to improve the wellbeing of vulnerable children must be directed. The best way to
support the wellbeing of young children affected by HIV/AIDS is to strengthen and reinforce the
circles of care that surround children. Some children — especially those living outside families,
on the streets or institutions, with chronically ill caregivers, and orphans — are more vulnerable
and especially require psychosocial care and support. However, this social support needs to be
provided in family settings, with the same characteristics of commitment, stability, and indivi-
dualized affectionate care. The primary aim of all psychosocial support programmes should be
an encouraging and enabling family support, including foster care, and placing and maintaining
young children in stable and affectionate family environments. Only secondarily should direct
services be provided to affected children.
RICHTER, L.; FOSTER, G.; SHERR, L. W here the heart is: meeting the psychosocial needs of young
children in the context of HIV/AIDS. Holanda: Bernard van Leer Foundation, 2006 (adaptado).

Ao tratar dos problemas psicossociais dos portadores do vírus HIV/AIDS, o texto argumenta que
a) as crianças em ambiente familiar enfrentam melhor a doença.
b) o suporte das instituições traz mais benefícios que o familiar.
c) as famílias dos portadores do HIV aprendem umas com as outras.
d) a recuperação dos portadores do vírus HIV exige internamento.
e) o tratamento dos pacientes depende de financiamento externo.

1
4. (Enem)

Na tira da série For better or for worse, a comunicação entre as personagens fica comprometida em
um determinado momento porque:
a) as duas amigas divergem de opinião sobre futebol.
b) uma das amigas desconsidera as preferências da outra.
c) uma das amigas ignora que o outono é temporada de futebol.
d) uma das amigas desconhece a razão pela qual a outra a maltrata.
e) as duas amigas atribuem sentidos diferentes a palavra season.

32
1
5. (Enem) 36 hours in Buenos Aires
Contemporary Argentine history is a roller coaster of financial booms and cracks, set to gripping
political soap operas. But through all the highs and lows, one thing has remained constant: Buenos
Aires’s graceful elegance and cosmopolitan cool. This attractive city continues to draw food lovers,
design buffs and party people with its riotous night life, fashion-forward styling and a favorable
exchange rate. Even with the uncertain economy, the creative energy and enterprising spirit of
Porteños, as residents are called, prevail – just look to the growing ranks of art spaces, boutiques,
restaurants and hotels.
SINGER, P. Disponível em: www.nytimes.com. Acesso em: 30 jul. 2012.

Nesse artigo de jornal, Buenos Aires é apresentada como a capital argentina, que:
a) foi objeto de novelas televisivas baseadas em sua vida noturna e artística.
b) manteve sua elegância e espírito cosmopolita, apesar das crises econômicas.
c) teve sua energia e aspecto empreendedor ofuscados pela incerteza da economia.
d) foi marcada historicamente por uma vida financeira estável, com repercussão na arte.
e) parou de atrair apreciadores da gastronomia, devido ao alto valor de sua moeda.

1
6. (Enem)

A partir da leitura dessa tirinha, infere-se que o discurso de Calvin teve um efeito diferente do
pretendido, uma vez que ele:
a) decide tirar a neve do quintal para convencer seu pai sobre seu discurso.
b) culpa o pai por exercer influência negativa na formação de sua personalidade.
c) comenta que suas discussões com o pai não correspondem às suas expectativas.
d) conclui que os acontecimentos ruins não fazem falta para a sociedade.
e) reclama que é vítima de valores que o levam a atitudes inadequadas.

1
7. (Enem) National Geographic News
Christine Dell’ Amore
Published April 26, 2010

Our bodies produce a small steady amount of natural morphine, a new study suggests. Traces of
the chemical are often found in mouse and human urine, leading scientists to wonder whether
the drug is being made naturally or being delivered by something the subjects consumed. The
new research shows that mice produce the “incredible painkiller” – and that humans and other
mammals possess the same chemical road map for making it, said study co-author Meinhart Zenk,
who studies plant-based pharmaceuticals at the Donald Danforth Plant Science Center in St. Louis,
Missouri.
Disponível em: www.nationalgeographic.com. Acesso em: 27 jul. 2010.

Ao ler a matéria publicada na National Geographic para a realização de um trabalho escolar, um


estudante descobriu que:
a) os compostos químicos da morfina, produzidos por humanos, são manipulados no Missouri.
b) os ratos e os humanos possuem a mesma via metabólica para produção de morfina.
c) a produção de morfina em grande quantidade minimiza a dor em ratos e humanos.
d) os seres humanos têm uma predisposição genética para inibir a dor.
e) a produção de morfina é um traço incomum entre os animais.

33
1
8. (Enem)

Cartuns são produzidos com o intuito de satirizar comportamentos humanos e assim oportunizam
a reflexão sobre nossos próprios comportamentos e atitudes. Nesse cartum, a linguagem utilizada
pelos personagens em uma conversa em inglês evidencia a:
a) predominância do uso da linguagem informal sobre a língua padrão.
b) dificuldade de reconhecer a existência de diferentes usos da linguagem.
c) aceitação dos regionalismos utilizados por pessoas de diferentes lugares.
d) necessidade de estudo da língua inglesa por parte dos personagens.
e) facilidade de compreensão entre falantes com sotaques distintos.

1
9. (Enem) 23 February 2012 Last update at 16:53 GMT - BBC World Service

J. K. Rowling to pen first novel for adults

Author J. K. Rowling has announced plans to publish her first novel for adults, which will be “very
different” from the Harry Potter books she is famous for.
The book will be published worldwide although no date or title has yet been released. “The
freedom to explore new territory is a gift that Harry’s success has brought me,” Rowling said.
All the Potter books were published by Bloomsbury, but Rowling has chosen a new publisher for
her debut into adult fiction. “Although I’ve enjoyed writing it every bit as much, my next book will
be very different to the Harry Potter series, which has been published so brilliantly by Bloomsbury
and my other publishers around the world,” she said, in a statement. “I’m delighted to have a
second publishing home in Little, Brown, and a publishing team that will be a great partner in
this new phase of my writing life.”
Disponível em: www.bbc.co.uk. Acesso em: 24 fev. 2012 (adaptado).

J. K. Rowling tornou-se famosa por seus livros sobre o bruxo Harry Potter e suas aventuras, adap-
tados para o cinema. Esse texto, que aborda a trajetória da escritora britânica, tem por objetivo:
a) informar que a famosa série Harry Potter será adaptada para o público adulto.
b) divulgar a publicação do romance por J. K. Rowling inteiramente para adultos.
c) promover a nova editora que irá publicar os próximos livros de J. K. Rowling.
d) informar que a autora de Harry Potter agora pretende escrever para adultos.
e) anunciar um novo livro da série Harry Potter publicado por editora diferente.

34
2
0. (Enem)

A tira, definida como um segmento de história em quadrinhos, pode transmitir uma mensagem
com efeito de humor. A presença desse efeito no diálogo entre Jon e Garfield acontece porque:
a) Jon pensa que sua ex-namorada é maluca e que Garfield não sabia disso.
b) JodelI é a única namorada maluca que Jon teve, e Garfield acha isso estranho.
c) Garfield tem certeza de que a ex-namorada de Jon é sensata, o maluco é o amigo.
d) Garfield conhece as ex-namoradas de Jon e considera mais de uma como maluca.
e) Jon caracteriza a ex-namorada como maluca e não entende a cara de Garfield.

Gabarito
1. C 2. B 3. C 4. B 5. E
6. E 7. E 8. B 9. A 10. E
11. B 12. E 13. A 14. E 15. B
16. C 17. B 18. B 19. D 20. D

35
L C Espanhol

ENTRE ESPAÑOL
Y PORTUGUÉS

RPA ENEM

L C
38
ESPAÑOL

Prescrição: A prova de Espanhol do ENEM apresenta questões que exigem do candidato um


trabalho rígido com interpretação de textos. Os textos que possuem a maior incidência são
textos informativos periódicos.

Aplicação dos 2. (Enem 2018) El día en que lo iban a matar,


Santiago Nasar se levantó a las 5:30 de la

conhecimentos - Sala mañana para esperar el buque en que llega-


ba el obispo. Había soñado que atravesaba un
bosque de higuerones donde caía una llovi-
1. (Enem 2018) Revolución en la arquitectura zna tierna, y por un instante fue feliz en el
china Levantar rascacielos en 19 días sueño, pero al despertar se sintió por comple-
Un rascacielos de 57 pisos no llama atención to salpicado de cagada de pájaros. “Siempre
en la China de siglo XXI Salvo que se haya soñaba con árboles”, me dijo Plácida Linero,
construido en 19 días, claro. Y eso es preci- su madre, evocando 27 años después los por-
samente lo que ha conseguido Broad Sustai- menora de aquel lunes ingrato. “La semana
nable Building (BSB), una empresa dedicada anterior había soñado que iba solo en un avi-
a la fabricación de purificadores de aire y de ón de papel de estaño que volaba sin trope-
equipos de aire acondicionado para grandes zar por entre los almendros”, me dijo. Tenía
infraestructuras que ahora se ha empeñado una reputación muy bien ganada de intér-
en liderar una revolución con su propio mo- prete certera de los sueños ajenos, siempre
delo de arquitectura modular prefabricada. que se los contaran en ayunas, pero no había
Como subraya su presidente, Zhang Yue, es advertido ningún augurio aciago en esos dos
una fórmula económica, ecológica, segura y sueños de su hijo, ni en los otros sueños con
limpa. Ese último término, además, lo utili- árboles que él le había contado en las maña-
za tanto para referirse al polvo que se pro- nas que precedieron a su muerte.
duce en la construcción como a los gruesos MÁRQUEZ, G.G Crónica de una muerte anunciada. Disponível
sobres que suelen circular por debajo de las em: http://biblio3.url.edu.gt. Acesso em: 2 jan. 2015.
mesas en adjudicaciones y permisos varios.
“Quiero que nuestros edificios alumbren Na introdução do romance, o narrador resgata
una nueva era en la arquitectura, y que se lembranças de Plácida Linero relacionadas a
conviertan en símbolo de la lucha contra la seu filho Santiago Nasa.Nessa introdução, o
contaminación y el cambio climático, que es uso da expressão augurio aciago remete ao(à)
la mayor amenaza a la que se enfrenta la hu- a) relação mística que se estabelece entre Plá-
cida e seu filho Santiago
manidad”, sentencia.
b) destino trágico de Santiago, que Plácida foi
“Es como montar un Lego. Apenas hay sub- incapaz de prever nos sonhos.
contratación, lo cual ayuda a mantener un c) descompasso entre a felicidade de Santiago
costo bajo y un control de calidad estricto, y nos sonhos e seu azar na realidade.
nos permite eliminartambién la corrupción d) crença de Plácida na importância da inter-
inherente al sector”, explica la vicepresiden- pretação dos sonhos para mudar o futuro.
ta de BSB y responsable del mercado inter- e) presença recorrente de elementos sombrios
nacional, Jiang Yan. que se revelam nos sonhos de Santiago..
Disponível em: http://tecnologia.elpais.com.
Acesso em: 23 jun. 2015(adaptado) 3. (Enem 2018) ¿Qué es la X Solidaria?
La X Solidaria es una equis que ayuda a las
No texto, alguns dos benefícios de se utili-
personas más vulnerables. Podrás marcarla
zar estruturas pré-moldadas na construção
cuando hagas la declaración de la renta. Es
de altos edifícios estão expressos por meio
la casilla que se denomina “Fines Sociales”.
da palavra limpia. Essa expressão
Nosotros preferimos llamarla X Solidaria:
indica que, além de produzir menos resídu-
os, o uso desse tipo de estrutura §§ porque al marcarla haces que se destine
a) reduz o contingente de mão de obra. un 0,7% de tus impuestos a programas
b) inibe a corrupção na construção civil. sociales que realizan las ONG.
c) facilita o controle da qualidade da obra. §§ porque se benefician los colectivos más
d) apresenta um modelo arquitetônico conciso. desfavorecidos, sin ningún coste econó-
e) otimiza os custos da construção de edifícios.. mico para ti.

39
§§ porque NO marcarla es tomar una actitud 5. (Enem 2017) El Eclipse
pasiva, y dejar que sea el Estado quien
decida el destino de esa parte de tus im- Cuando Fray Bartolomé Arrazola se sintió
puestos. perdido aceptó que ya nada podría salvar-
§§ porque marcándola te conviertes en con- lo. La selva poderosa de Guatemala lo habia
apresado, implacable y definitiva. Ante su
tribuyente activo solidario.
ignorancia topográfica se sentó com tranqui-
As ações solidárias contribuem para o en-
lidade a esperar la muerte. Al despertar se
frentamento de problemas sociais. No texto,
encontró rodeado por un grupo de indígenas
a ação solidária ocorre quando o contribuinte de rostro impasible que se disponia a sacrifi-
a) delega ao governo o destino de seus impostos.
carlo ante un altar, un altar que a Bartolomé
b) escolhe projetos que terão isenção de impos-
le pareció como el lecho en que descansaria,
tos.
c) destina parte de seus impostos para custeio de an fin, de sus temores, de su destino, de sí
programas sociais. mismo. Tres años en el país le habian confe-
d) determina a criação de impostos para implan- rido un mediano dominio de las lenguas na-
tação de projetos sociais. tivas. Intentó algo. Dijo alguns palabras que
e) seleciona programas para beneficiar cidadãos fueron comprendidas. Entonces floreció en
vulneráveis socialmente.. él una idea que tuvo por digna de su talento
y de su cultura universal y de su arduo co-
4. (Enem 2016) Preámbulo a las instrucciones nocimiento de Aristóteles. Recrdó que para
para dar cuerda al reloj ese día se esperaba un eclipse total de sol. Y
dispuso, en lo más íntimo, valerse de aquel
Piensa en esto: cuando te regalan un reloj conocimiento para enganãr a sus opresores
te regalan un pequeño infiemo florido, una y salvar la vida. -Si me matáis - les dijo -
cadena de rosas, un calabozo de aire. No te puedo hacer que el sol se oscurezca en su
dan solamente el reloj, que los cumplas muy altura.Los indígenas lo miraron fijamente y
felices y esperamos que te dure porque es de Bartolomé sorprendió la incredulidad en sus
buena marca, suizo con áncora de rubíes; no ojos. Vio que se produjo un pequeño consejo,
te regalan solamente ese menudo picapedre- y esperó confiado, no sin cierto desdén. Duas
ro que te atarás a la muñeca y pasearás con- horas después el corázon de Fray Bartolomé
tigo. Te regalan — no lo saben, lo terrible es Arrazola chorreaba su sangre vehemente so-
que no lo saben —, te regalan un nuevo pe- bre la piedra de los sacrificios (brilante bajo
dazo frágil y precario de ti mismo, algo que la opaca luz de un sol eclipsado), mientras
es tuyo pero no es tu cuerpo, que hay que uno de los indígenas recitaba sin ninguna
atar a tu cuerpo con su correa como un bra- inflexión de voz, sin prisa, una por una las
infinitas fechas en que se producirían eclip-
cito desesperado colgándose de tu muñeca.
ses solares y lunares, que los astrónomos de
Te regalan la necesidad de darle cuerda to-
la comunidad maya habían previsto y ano-
dos los días, la obligación de darle cuerda
tado en sus códices sin la valiosa ayuda de
para que siga siendo un reloj; te regalan la
Aristóteles.
obsesión de atender a la hora exacta en las
MONTERROSO, A. Obras completas y otros cuentos.
vitrinas de las joyerías, en el anuncio por la
Bogotá: Norma, 1994 (adaptado)
radio, en el servicio telefónico. Te regalan el
miedo de perderlo, de que te lo roben, de que No texto, confrontam-se duas visões de
se te caiga al suelo y se rompa. Te regalan su mundo: a da cultura ocidental, representada
marca, y la seguridad de que es una marca por Frei Bartolomé Arrazola, e a da mítica
mejor que las otras, te regalan la tendencia pré-hispânica, representada pela comunida-
de comparar tu reloj con los demás relojes. de indígena maia. Segundo a narrativa,
No te regalan un reloj, tú eres el regalado, a) os catequizadores espanhóis avalizam os sa-
a ti te ofrecen para el cumpleaños del reloj. beres produzidos pelas comunidades indíge-
CORTÁZAR, J. Historias de cronopios y de famas.
nas hispanoamericanas.
Buenos Aires: Sudamericana, 1963 (fragmento). b) os indígenas da comunidade maia mostram-
-se perplexos diante da superioridade do co-
Nesse texto, Júlio Cortázar transforma pe- nhecimento aristotélico do frei espanhol.
quenas ações cotidianas em criação literária, c) o catequizador espanhol Arrazola apresenta-
a) denunciando a má qualidade dos relógios -se adaptado às culturas autóctones, ao pro-
modernos em relação aos antigos. mover a interlocução entre os conhecimen-
b) apresentando possibilidades de sermos pre- tos aristotélico e indígena.
senteados com um relógio. d) o episódio representa, de forma neutra, o
c) convidando o leitor a refletir sobre a coisifi- significado do conhecimento ancestral indí-
cação do ser humano. gena, quando comparado ao conhecimento
d) desafiando o leitor a pensar sobre a efemeri- ocidental.
dade do tempo. e) os conhecimentos acadêmicos de Arrazo-
e) criticando o leitor por ignorar os malefícios la são insuficientes para salvá-lo da morte,
do relógio. ante a sabedoria astronômica maia.

40
6. (Enem 2015) Los guionistas estadouniden- Y no puedo regresar.
ses introducen cada vez más el español en [...]
sus diálogos. Mis hijos no hablan conmigo,
Otro idioma han aprendido,
En lo últimos años, la realidade cultural y la
Y olvidado el español,
presencia creciente de migrantes de origen
Piensan como americanos,
latinoamericano en EE UU ha propiciado que
Niegan que son mexicanos,
cada vez más estadounidenses altern el in-
Aunque tengan mi color.
glés y el español en un mismo discurso.
LOS TIGRES DEL NORTE.Jaula de oro.
Un estudio publicado en la revista Vial-vigo Woodland Hills, Califórnia: Fonovisa, 1986 (fragmento).
International Journal of Applied Linguistics
se centra en las estrategias que usan los A letra de canção coloca em cena um dilema
guionistas de la versión original para incluir por vezes vivenciado por imigrantes. Esse
el español en el guión o a personajes de ori- dilema se configura no sentimento do pai
gen latinoamericano. em relação ao(à)
Los guionistas estadounidenses suelen usar a) diluição de sua identidade latino-americana,
subtítulos en inglés cuando el español que advinda do contato cotidiano com o outro.
aparece en la serie o pelicula es importante b) distanciamento dos filhos, gerado pela apro-
para el argumento. Si esto no ocurre, y sólo priação da língua e da cultura do outro.
hay interjecciones, aparece sin subtítulos. c) preconceito étnico-racial sofrido pelos imi-
En aquellas conversaciones que no tienen grantes mexicanos no novo país.
relevancia se añade en ocasiones el subtítulo d) desejo de se integrar à nova cultura e de se
Speaks Spanish(habla en español). comunicar na outra língua
“De esta forma, impiden al público conoocer e) vergonha perante os filhos de viver ilegal-
qué están diciendo los dos personajes que mente em outro país.
hablan español”, explica la autora del estu-
dio y profesora e investigadora en la Univer- 8. (Enem 2015)
sidad Pablo de Olavide (UPO) de Sevilla
Disponível em: www.agenciasinc.es.
Acesso em: 23 ago. 2012 (adaptado).

De acordo com o texto, nos filmes norte-ame-


ricanos, nem todas as falas em espanhol são
legendadas em inglês. Esse fato revela a
a) assimetria no tratamento do espanhol como
elemento da diversidade linguística nos Es-
tados Unidos.
b) escassez de personagens de origem hispâni-
ca nas séries e filmes produzidos nos Estados
Unidos
c) desconsideração com o público hispânico
que frequenta as salas de cinema norte-
-americanas.
d) falta de uma formação linguística específica
para os roteiristas e tradutores norte-ameri-
canos.
e) carência de pesquisas científicas sobre a in-
fluência do espanhol na cultura norte-ame- Disponível em: www.lacronicadeleon.es.
ricana. Acesso em: 12 mar. 2012 (adaptado).

A acessibilidade é um tema de relevância


7. (Enem 2016) tanto na esfera pública quanto na esfera
Aqui estoy estabelecido privada. No cartaz, a exploração desse tema
En los Estados Unidos, destaca a importância de se
Diez años pasaron ya, a) estimular os cadeirantes na superação de
En que crucé de mojado, barreiras.
Papeles no he arreglado, b) respeitar o estacionamento destinado a ca-
Sigo siendo un ilegal. deirantes.
Tengo mi esposa y mis hijos, c) identificar as vagas reservadas aos cadeiran-
Que me los traje muy chicos tes
Y se han olvidado ya, d) eliminar os obstáculos para o trânsito de ca-
De mi México querido, deirantes.
Del que yo nunca me olvido e) facilitar a locomoção de cadeirantes em esta-
cionamentos..
41
Prática dos 2. (Enem (Libras) 2017)

conhecimentos - E.O.
1. (Enem PPL 2017) En la República Demo-
crática del Congo menos del 29% de la po-
blación rural tiene acceso al agua potable,
y menos del 31% cuenta con servicios de
saneamiento adecuados. En un país cuya
situación ha sido calificada como “la peor
emergencia posible de África en las últimas
décadas”, las enfermedades hacen estragos
entre la población. La diarrea provoca cada
año la muerte del de los niños menores de
cinco años, y los brotes epidémicos de cólera Noticias de la Semana. jul. 2010 (adaptado).
causan más de muertes anuales, sobre todo
en las provincias de Katanga Oriental, Kivu A imagem da televisão, aliada ao conteúdo
del Norte u del Sur. Con el objetico de paliar verbal no anúncio, tem a função de
esta situación, la Fundación We Are Water a) promover a venda de aparelhos de LCD e o des-
ha llevado a cabo un proyecto de Unicef en carte de televisores considerados obsoletos.
b) incentivar a compra de um produto sem o
los distritos del sur y el este del país para
qual o aparelho de LCD será subutilizado.
mejorar el acceso al agua potable, la higiene
c) contrastar as características de aparelhos de
y el saneamiento en las comunidades rurales
televisão novos e antigos.
y semirrurales donde el cólera es endémico.
d) destacar a alta tecnologia empregada nos
Gracias a la excavación de pozos, el estable-
aparelhos de LCD.
cimiento de instalaciones para la extracción
e) demonstrar a superioridade dos aparelhos de
de agua y la formación de agentes de salud
LCD sobre os televisores convencionais.
para mejorar las prácticas de higiene de es-
tas comunidades, niños, mujeres y hom-
bres de aldeas y áreas cercanas a las ciuda- 3. (Enem PPL 2017)
des han mejorado su acceso al agua potable
y se verán libres de la amenaza del cólera.
VAN DER BERG. E. Disponível em: www.
nationalgeographic.com.es. Acesso em: 27 jul. 2012.

A partir das informações sobre as condições


de saneamento básico na República Demo-
crática do Congo e do gênero escolhido para
veiculá-las, a função do texto é
a) divulgar dados estatísticos sobre a realidade
do país.
b) levar ao conhecimento público as práticas
que visam a melhoria da saúde na região
c) alertar as pessoas interessadas em conhecer
a região sobre os problemas de saneamento.
d) oferecer serviços de escavação de poços e
acesso à água para a população da região.
e) orientar a população do país sobre ações de Disponível em: www.greenpeace.org. Acesso em: 2 jul. 2015.
saúde pública.
O texto publicitário objetiva a adesão do pú-
blico a uma campanha ambiental. A relação
estabelecida entre o enunciado “Lo que le
haces al planeta, te lo haces a ti” e os ele-
mentos não verbais pressupõe que as atitu-
des negativas do homem para com o planeta
a) aceleram o envelhecimento da pele.
b) provocam a ocorrência de seca.
c) aumentam o dano atmosférico.
d) prejudicam o próprio homem.
e) causam a poluição industrial.

42
4. (Enem (Libras) 2017) Familia de construc- 5. (Enem (Libras) 2017) Carta de despedida a
tores y mecenas Fidel (abril de 1965)

La inauguración del Museo Universidad de Me recuerdo en esta hora de muchas cosas,


Navarra, que desde hoy y durante un mes de cuando te conocí en casa de María Anto-
mantendrá una política de puertas abiertas, nia, de cuando me propusiste venir, de toda
se enmarca de forma indisoluble en el re- la tensión de los preparativos. Un día pasa-
cuerdo de una de las manifestaciones que, ron preguntando a quien se debía avisar en
hace 42 años, cambiaron la relación de Es- caso de muerte y la posibilidad real del he-
paña con el arte moderno y las vanguardias: cho nos golpeó a todos. Después supimos que
los Encuentros de Pamplona de 1972. Auspi- era cierto, que en una revolución se triunfa
ciados (y costeados) por los Huarte, la mis- o se muere (si es verdadera). Muchos com-
ma familia de constructores y coleccionistas pañeros quedaron a lo largo del camino ha-
de arte que ahora han impulsado el nuevo cia la victoria. Hoy todo tiene un tono menos
museo por medio de María Josefa Huarte, los dramático porque somos más maduros, pero
Encuentros llevaron a la España franquista el hecho se repite. Siento que he cumplido
del 72 — y en concreto a la Pamplona gris la parte de mi deber que me ataba a la Revo-
y adormecida del 72 — cosas como la mú- lución cubana en su territorio y me despido
sica de John Cage, el nuevo Arte Vasco, las de ti, de los compañeros, de tu pueblo que
locuras del Equipo Crónica o directamente ya es mío.
la ignominia de unas carpas hinchables de CHE GUEVARA. Disponível em: www.centroche.
colores frente a la fachada del mismísimo co.cu. Acesso em: 21 fev. 2012.
Gobierno Militar.
No fragmento da carta que escreveu a Fidel
Casi nadie daba crédito de lo que allí ocur- Castro antes de deixar Cuba, Che Guevara
ría: en pleno tardofranquismo, melenudos a) associa sua aceitação da morte a um convite
sedientos de caña cultural alternaban con que recebeu de Fidel Castro.
señoronas del régimen en los espectáculos y b) questiona se o triunfo de um processo revo-
exposiciones. Estallaron dos bombas. El Par- lucionário exige conflito armado.
tido Conmunista trató de evitar que los En- c) comenta o abalo que os dois sentiram diante
cuentros se celebrasen porque justificaban,
da possibilidade de morrer em combate.
de algún modo, la celebración de la cultura
d) destaca que os conflitos dramáticos são es-
en un país que no la permitía. Los Huarte,
quecidos com o passar do tempo.
empresarios navarros de la construcción, co-
e) salienta as imprudências que resultaram na
leccionistas, mecenas y productores de cine
morte de muitos companheiros.
de vanguardia, se convirtieron en eso, en
vanguardistas y propiciaron una de las ma-
nifestaciones más estrafalarias, necesarias 6. (Enem PPL 2017) Un gran disco rojo, si-
y, a la postre, decisivas de cara al futuro cul- lhuetas de manos y figuras animales que de-
tural de un país. coran las paredes de diferentes cuevas del
Disponível em: http://cultura.elpais.
norte de España son las pinturas rupestres
com. Acesso em: 23 jan. 2015. más antiguas jamás halladas.

De acordo com o texto, a inauguração do Mu- Hasta ahora se creia que – com una antigüe-
seo Universidad de Navarra rememora um dad de entre y años – las pinturas ru-
momento significativo da história da Espa- pestres más antiguas estaban en cuevas de
nha, quando Francia y Portugal.
a) reuniões comunistas movimentaram um es- Las fechas en las que, según el nuevo halla-
paço artístico. zgo, se dibujaron estas pinturas coinciden
b) encontros artísticos construíram um espaço con la primera migración conocida de los
democrático. humanos modernos (los Homo sapiens) a
c) acontecimentos políticos permitiram uma Europa desde África. Pero hace años, sus
mudança social. primos los neandertales todavía vivían en lo
d) celebrações culturais questionaram um go- que hoy es España.
verno autoritário.
e) manifestações vanguardistas propiciaram En estas pinturas pueden estar alguna de
um futuro cultural. las claves para entender el desarrollo de la
historia humana. Pero si, por el contrario,
se comprueba que los artistas fueron los
neandertales, el hallazgo “añade un nuevo
elemento a nuestro conocimiento sobre sus
capacidades y su sofisticación”. Eso indicaría

43
que el pensamiento humano, abstracto y la comunidad maya habían previsto y ano-
avanzado, y probablemente también el len- tado en sus códices sin la valiosa ayuda de
guaje, surgieron cientos de miles de años Aristóteles.
antes de lo que se creía. Monterroso, A. Obras completas y otros cuentos.
Disponível em: www.bbc.co.uk. Acesso Bogotá: Norma, 1994 (adaptado).
em: 15 jun. 2012 (adaptado).
No texto, confrontam-se duas visões de
A pintura rupestre é uma arte pré-histórica mundo: a da cultura ocidental, representada
por meio da qual nossos ancestrais retrata- por Frei Bartolomé Arrazola, e a da mítica
vam seu entorno, seu cotidiano, suas cren- pré-hispânica, representada pela comunida-
ças. O achado arqueológico apresentado no de indígena maia. Segundo a narrativa,
texto pode ser de grande relevância por a) os catequizadores espanhóis avalizam os sa-
a) oferecer informações sobre o movimento mi- beres produzidos pelas comunidades indíge-
gratório dos Homo sapiens e dos neander- nas hispanoamericanas.
b) os indígenas da comunidade maia, mostram-
tais. -se perplexos diante da superioridade do co-
b) comprovar a sofisticação artística e a capaci- nhecimento aristotélico do frei espanhol.
dade criativa dos neandertais. c) o catequizador espanhol Arrazola apresenta-
c) ressignificar o conhecimento sobre o desen- -se adaptado às culturas autóctones, ao pro-
volvimento do pensamento e da linguagem. mover a interlocução entre os conhecimen-
d) ampliar a variedade de imagens representa- tos aristotélicos e indígena.
das por pinturas rupestres. d) o episódio representa, de forma neutra, o sig-
e) atestar o grau de parentesco primitivo entre nificado do conhecimento ancestral indígena,
Homo sapiens e neandertais. quando comparado ao conhecimento ocidental.
e) os conhecimentos acadêmicos de Arrazola são
insuficientes para salvá-lo da morte, ante a sa-
7. (Enem 2017) El eclipse bedoria astronômica da cultura maia.
Cuando Fray Bartolomé Arrazola se sentió
perdido aceptó que ya nada podría salvar- 8. (Enem (Libras) 2017) Salta, 11 de enero de
lo. La selva poderosa de Guatemala lo había 1843.
apresado, implacable y definitiva. Ante su Sr. Tenente Manuel Isidoro Belzu
ignorancia topográfica se sentó con tranqui- Jirón de Puka-Cruz/La Paz/Bolívia
lidad a esperar la muerte. Al despertar se en- Manuel, mi querido Manuel:
contró rodeado por un grupo de indígenas de
rostro impasible que se disponía a sacrificar- Dejé que mi caballo me guiara por senderos
lo ante un altar, un altar que a Bartolomé le en espiral y aquí estoy, sola, en un vallecito
pareció como el lecho en que descansaría, al escondido entre las sierras. Todo esverdea,
fin, de sus temores, de su destino, de sí mis- todo azulea. Salpica el blanco. Los azahares
mo. Tres años en el país le habían conferido de los naranjos... [...] Y te extraño, mucho,
un mediano dominio de las lenguas nativas. muchísimo, como nunca, Manuel. ¿Tuve que
Intentó algo. Dijo algunas palabras que fue- hacer este viaje para darme cuenta? Valía la
ron comprendidas. Entonces floreció en él pena, entonces.
una idea que tuvo por digna de su talento MERCADER, M. Juanamanuela mucha
mujer. Barcelona: Planeta, 1983.
y de su cultura universal y de su arduo co-
nocimiento de Aristóteles. Recordó que para A saudação utilizada na introdução da carta,
ese día se esperaba un eclipse total de sol. Y além de estabelecer interação, aporta um ca-
dispuso, en lo más íntimo, valerse de aquel ráter intimista ao texto, ao
conocimiento para engañar a sus opresores a) reforçar a estrutura formal de apresentação
y salvar la vida. – Si me matáis – les dijo do destinatário.
– puedo hacer que el sol se oscurezca en su b) antecipar as características psicológicas do
altura. Los indígenas lo miraron fijamente y destinatário.
Bartolomé sorprendió la incredulidad en sus c) expressar o carinho do emissor pelo destina-
ojos. Vio que se produjo un pequeño consejo, tário.
d) evidenciar a importância da mensagem.
y esperó confiado, no sin cierto desdén. Dos
e) enfatizar a solidão do emissor.
horas después el corazón de Fray Bartolomé
Arrazola chorreaba su sangre vehemente so-
bre la piedra de los sacrifícios (brillante bajo 9. (Enem 2017) El carpintero
la opaca luz de un sol eclipsado), mientras Orlando Goicoechea reconoce las maderas
uno de los indígenas recitaba sin ninguna por el olor; de qué árboles vienen, qué edad
inflexión de voz, sin prisa, una por una las tienen, y oliéndolas sabe si fueron cortadas
infinitas fechas en que se producirían eclip- a tiempo o a destiempo y les adivina los po-
ses solares y lunares, que los atrónomos de sibles contratiempos.

44
Al cabo de tantos años de trabajo, Orlando se 1
1. (Enem 2ª aplicação 2016)
ha dado el lujo de comprarse un video, y ve
una película tras otra.
No sabía que eras loco por cine le dice el vecino.
Y Orlando le explica que no, que a él ni le va
ni le viene, pero gracias al video puede dete-
ner las películas para estudiar los muebles.
Galeano, E. Disponível em: http://elcajondesastre.
blogcindarrio.com. Acesso em: 18 abr. 2012.

No conto de Galeano, a expressão ni le va ni


le viene encerra uma opinião a respeito de
cinema que
a) desconstrói a ideia central do conto sobre a
importância das atividades de lazer.
b) contradiz a percepção que o narrador tem
em relação à profissão exercida por Orlando.
c) revela o descaso do narrador com relação ao
ofício desempenhado por Orlando.
d) reforça a impressão do vizinho de que Orlan-
do gostava de filmes. Disponível em: www.sasia.org.ar. Acesso em: 30 maio 2016.
e) evidencia a extrema devoção do carpinteiro
ao seu ofício. Essa propaganda foi criada para uma cam-
panha de conscientização sobre a violência
1
0. (Enem 2017) Aquí estoy establecido, contra a mulher.
En los Estados Unidos, As palavras que compõem a imagem indicam
Diez años pasaron ya, que a
En que crucé de mojado, a) violência contra a mulher está aumentando.
Papeles no he arreglado, b) agressão à mulher acontece de forma física e
Sigo siendo un ilegal. verbal.
Tengo mi esposa y mis hijos, c) violência contra a mulher é praticada por
Que me los traje muy chicos, homens.
Y se han olividado ya, d) agressão à mulher é um fenômeno mundial.
De mi México querido, e) violência contra a mulher ocorre no ambien-
Del que yo nunca me olvido, te doméstico.
Y no puedo regresar.
[...] 1
2. (Enem PPL 2016)
Mis hijos no hablan conmigo,
Otro idioma han aprendido,
Y olvidado el español,
Piensan como americanos,
Niegan que son mexicanos,
Aunque tengan mi color.
Los Tigres del Norte. Jaula de oro. Woodland
Hills, Califórnia: Fonovisa, 1986 (fragmento).

A letra de canção coloca em cena um dilema


por vezes vivenciado por imigrantes. Esse Disponível em: www.e-faro.info.
dilema se configura no sentimento do pai Acesso em: 19 nov. 2012 (adaptado).
em relação ao(à)
a) diluição de sua identidade latino-americana, A charge apresenta uma interpretação dos
advinda do contato cotidiano com o outro. efeitos da crise econômica espanhola e ques-
b) distanciamento dos filhos, gerado pela apro- tiona o(a)
priação da língua e da cultura do outro. a) decisão política de salvar a moeda única eu-
c) preconceito étnico-racial sofrido pelos imi- ropeia.
grantes mexicanos no novo país. b) congelamento dos salários dos funcionários.
d) desejo de se integrar à nova cultura e de se c) apatia da população em relação à política.
comunicar na outra língua. d) confiança dos cidadãos no sistema bancário.
e) vergonha perante os filhos de viver ilegal- e) plano do governo para salvar instituições fi-
mente em outro país. nanceiras.

45
1
3. (Enem PPL 2016) El 70% eran palestinos. Necesariamente, la
maratón discurrió en varios tramos frente al
muro erigido por Israel, y atravesó dos cam-
pos de refugiados.
ALANDETE, D. Disponível em: http://blogs.elpais.
com. Acesso em: 22 abr. 2013 (adaptado).

No texto são abordadas as circunstâncias em


que aconteceu a primeira maratona realiza-
da na Cisjordânia (Palestina). Os envolvidos
nessa maratona propuseram um lema e con-
LÓPEZ, A. Pescado. Disponível em: http://blogs. feccionaram faixas nas quais reivindicavam
publico.es. Acesso em: 25 ago. 2014.
a
A charge tem a função de denunciar ironica- a) garantia de segurança em provas de atletis-
mente o(a) mo e no cotidiano.
a) rebeldia dos filhos em relação à alimentação. b) melhoria das vias de acesso e das instalações
b) contaminação dos alimentos ingeridos pela esportivas.
sociedade. c) presença dos palestinos em competições in-
c) inadequação dos hábitos alimentares da so- ternacionais.
ciedade atual. d) punição dos culpados por atos de terrorismo.
d) autoritarismo das mães na escolha da ali- e) liberdade de ir e vir e de praticar esportes.
mentação dos filhos.
e) falta de habilidade da mulher moderna no 1
5. (Enem 2ª aplicação 2016) Ante las situa-
preparo das refeições. ciones adversas algunas personas sufren se-
cuelas a lo largo de toda la vida. Otras, la
1
4. (Enem PPL 2016) Dejad a la gente correr mayoría, se sobreponen y la intensidad de
No habrá maratón en los próximos años en las emociones negativas van decreciendo con
la que los corredores no sientan la mezcla el tiempo y se adaptan a la nueva situación.
de temor y de respeto por las víctimas que Hay un tercer grupo de personas a las cuales
se desprende, inevitablemente, del atenta- la vivencia del trauma las hace crecer per-
do terrorista perpetrado en Boston el 15 de sonalmente y sus vidas adquieren un nuevo
abril de 2013. Ello es un acto casi reflejo de sentido y salen fortalecidas.
inquietud, de pérdida de cierta inocencia en Investigadores de la Unidad de Psicología
un evento convocado para unir a personas Básica de la Universidad Autónoma de Bar-
de procedencias muy distintas, sin importar
celona (UAB) han analizado las respuestas
más circunstancias, ideologías o credos.
de estudiantes de la Facultad de Psicología
Antes de la Primera Maratón de Cisjordania, en diferentes cuestionarios para evaluar su
los organizadores y participantes de esta se nivel de satisfacción con la vida y encontrar
reunieron en Belén en una vigilia en la que, relaciones con su resiliencia y con la capa-
con velas, homenajearon a las víctimas de la cidad de reparación emocional, uno de los
masacre orquestada por los hermanos Tsar- componentes de la inteligencia emocional,
naev. “Toda la gente tiene el derecho a cor- que consiste en la habilidad de controlar las
rer”, se leía en sus pancartas. propias emociones y las de los demás.
La Primera Maratón de Cisjordania, organi- “Algunas de las características de las perso-
zada por el grupo independiente Derecho al nas resilientes pueden ser entrenadas y me-
Movimiento, lucía como lema una breve cita joradas, como la autoestima y la regulación
de la Declaración Universal de los Derechos de las propias emociones. Con este aprendi-
Humanos: “Toda persona tiene derecho a zaje se podría dotar de recursos a las perso-
circular libremente”. Los agentes de policía nas para facilitar su adaptación y mejorar su
palestinos habían redoblado la seguridad, calidad de vida”, explica Joaquín T. Limone-
en una medida más de puro acto reflejo que
ro, profesor del Grupo de investigación en
otra cosa.
Estrés y Salud de la UAB y coordinador del
Muchas son las cargas del pueblo palestino, estudio.
a nivel de gobernanza interna y por impo- Disponível em: www.tendencias21.net.
siciones en Israel, pero un ataque terrorista Acesso em: 28 jul. 2012 (adaptado).
a los corredores no era realmente una po-
sibilidad. Finalmente participaron con total A reportagem cita uma pesquisa que tem
normalidad 650 corredores, de 28 países. como tema o comportamento das pessoas
diante das adversidades.

46
De acordo com o texto, um dos objetivos da conviven en Lima, y hoy, como todo 27 de
investigação com os alunos da Faculdade de mayo, son recordadas como parte del Día del
Psicologia é Idioma Nativo. En la capital existe al me-
a) entender de que forma os traumas sofridos nos medio millón de habitantes que se co-
servem de suporte para a resolução dos pro- munican a través de siete de las 47 lenguas
blemas que surgirão ao longo da vida. indígenas que existen en todo el Perú. Solo
b) compreender como a adaptação das emoções en el caso de quechuahablantes, en Lima
negativas contribui para o desenvolvimento podemos encontrar al menos 477 mil, más
da inteligência emocional. de 26 mil cuya lengua originaria es el aima-
c) analisar os vínculos entre a satisfação exis- ra, 1.750 ashaninka, 2.500 shipibo-konibo
tencial, a flexibilidade e a habilidade de y 700 jaqaru. Agustín Panizo, lingüista del
recuperar-se emocionalmente. Ministerio de Cultura, destacó que si bien
d) verificar de que forma as pessoas exercitam en los últimos años se ha avanzando en el
e melhoram a autoestima e o controle das reconocimiento del derecho de que cada ciu-
emoções. dadano hable su idioma nativo, todavía hace
e) sistematizar maneiras de dotar as pessoas de falta más difusión sobre la importancia de
recursos para lidar com as emoções próprias respetarlas y preservarlas. Según datos del
e alheias. Ministerio de Cultura, en el Perú existen 47
lenguas indígenas habladas por más de cua-
tro millones de habitantes. No obstante, se
1
6. (Enem 2016) Inestabilidad estable
calcula que al menos 37 lenguas nativas se
Los que llevan toda la vida esforzándose por han extinguido y que 27 de las sobrevivien-
conseguir un pensamiento estable, con su- tes están en peligro de desaparecer.
ficiente solidez como para evitar que la in- Disponível em: http://elcomercio.
certidumbre se apodere de sus habilidades, pe. Acesso em: 10 jul. 2015.
todas esas lecciones sobre cómo asegurarse
A diversidade linguística é anualmente tra-
el porvenir, aquellos que nos aconsejaban
tada no Día del Idioma Nativo, em Lima. No
que nos dejáramos de bagatelas poéticas y
texto, o desafio apontado em relação a essa
encontráramos un trabajo fijo y etcétera,
questão é
abuelos, padres, maestros, suegros, bancos
a) delinear o quantitativo de línguas nativas
y aseguradoras, nos estaban dando gato por
remanescentes.
liebre.
b) despertar para a necessidade de proteger as
Y el mundo, este mundo que nos han creado, línguas indígenas.
que al tocarlo en la pantalla creemos estar c) incentivar a comemoração da sobrevivência
transformando a medida de nuestro deseo, das línguas nativas.
nos está modelando según un coeficiente de d) fazer o levantamento estatístico dos falantes
rentabilidad, nos está licuando para inte- das línguas nativas.
grarnos a su metabolismo reflejo. e) manter a sociedade atualizada sobre a reali-
FERNÁNDEZ ROJANO, G. Disponível em: http:// dade linguística peruana.
diariojaen.es. Acesso em: 23 maio 2012.
18. (Enem 2ª aplicação 2016) Desde Nápoles
O título do texto antecipa a opinião do autor
hasta Johannesburgo, desde Buenos Aires
pelo uso de dois termos contraditórios que
hasta Barcelona, los actos de xenofobia y ra-
expressam o sentido de
cismo indican que nos encontramos ante un
a) competitividade e busca do lucro, que carac-
fenómeno global. Definida por la Real Acade-
terizam a sociedade contemporânea.
mia de la Lengua como el “odio, repugnancia
b) busca de estabilidade financeira e emocio-
y hostilidad a los extranjeros”, la xenofobia
nal, que marca o mundo atual.
va de la mano con los flujos migratorios por
c) negação dos valores defendidos pelas gera- razones económicas o ambientales, y el des-
ções anteriores em relação ao trabalho. plazamiento forzado provocado por los con-
d) necessidade de realização pessoal e profis- flictos armados internos y las guerras. El
sional no sistema vigente. otro, el que viste, habla y tiene otra cultura y
e) permanência da inconstância em uma socie- una religión diferente es visto con sospecha,
dade marcada por contínuas mudanças. desconfianza y temor en los países del lla-
mado primer mundo. Los políticos de dere-
1
7. (Enem PPL 2016) Medio millón de personas cha y los grandes medios “ensalzan lo propio
en Lima habla una lengua indígena y denigren lo ajeno” contribuyendo a crear
Quechua, aimara, ashaninka, cauqui, jaqaru, un clima de miedo y odio hacia el extraño y
matsigenka y shipibo-konibo son lenguas desconocido.
TAMAYO, G. E. Disponível em: www.alainet.org.
originarias que tienen algo en común: todas
Acesso em: 23 fev. 2012.

47
No texto, a relação entre o fenômeno discri- Nessa notícia, publicada no jornal argentino
minatório e a postura de políticos de direita Página 12, citam-se comentários de Estela
e de grandes meios de comunicação tem a Carlotto, presidente da associação Abuelas
função de de Plaza de Mayo, com relação a uma decisão
a) denunciar as práticas que encobrem as di- do tribunal argentino. No contexto da fala,
ferenças. a expressão “una de cal y otra de arena” é
b) tornar públicas as razões econômicas da utilizada para
xenofobia. a) referir-se ao fato de a decisão judicial não
c) criticar aqueles que favorecem a aparição implicar a sua imediata aplicação.
do medo. b) destacar a inevitável execução da sentença.
d) reclamar das atitudes tomadas pelos países c) ironizar a parcialidade da Justiça nessa ação.
desenvolvidos. d) criticar a coleta compulsória do material ge-
nético.
e) apontar as causas que determinam os flu-
e) enfatizar a determinação judicial como algo
xos migratórios.
consolidado.

19. (Enem 2016) La Sala II de la Cámara de


2
0. (Enem PPL 2016) De tal palo, tal astilla
Casación Penal ordenó que Marcela y Feli-
pe Noble Herrera, los hijos adoptivos de la Cuando Michael Acuña ingresó en la Academy
dueña de Clarín, se sometan “a la extracción of Cuisine, en el estado de Maryland, ya hacía
directa, con o sin consentimiento, de míni- muchos soles que era un excelente cocinero.
mas muestras de sangre, saliva, piel, cabello Es que sus padres, Manuel y Albita, fueron
u otras muestras biológicas” que les perte- propietarios de El Mesón Tico, en Madrid, y,
nezcan de “manera indubitable” para poder desde niño, Michael no salía de la cocina.
determinar si son hijos de desaparecidos. Ya graduado, trabajó en Washington, en
El tribunal, así, hizo lugar a un reclamo de Filomena’s Four Seasons, entre otros pres-
las Abuelas de Plaza de Mayo y movió un ca- tigiosos lugares. Cuando su familia regresó
sillero una causa judicial que ya lleva diez a su país, Costa Rica, y abrió Las Tapas de
años de indefinición. Sin embargo, simultá- Manuel, al este de San José – la capital –,
neamente, fijó un límite y sólo habilitó la pronto se les reunió.
comparación de los perfiles genéticos de los
El éxito no se hizo esperar: inmediata am-
jóvenes con el ADN de las familias de perso- pliación, primero, y luego un segundo res-
nas “detenidas o desaparecidas con certeza” taurante, esta vez al oeste de la ciudad, con
hasta el 13 de mayo de 1976, en el caso de tablado flamenco y un alegre bar.
Marcela, y hasta el 7 de julio del mismo año
en el de Felipe. La obtención del material Más de veinticinco tapas, clientes fieles que
genético no será inmediata, ya que algunas llegan una y otra vez, y una calidad constan-
de las partes apelarán y el tema inevitable- te, testimonian la razón de su éxito.
ROSS, M. American Airlines Nexos. n. 1, mar. 2003.
mente desembocará a la Corte Suprema, que
tendrá la palabra final sobre la discusión de O título do texto traz uma expressão idiomá-
fondo. tica. Essa expressão, vinculada às informa-
“Es una de cal y otra de arena, es querer quedar ções do texto, reforça que o sucesso alcançado
bien con Dios y con el diablo”, resumió la pre- por Michael Acuña deve-se ao fato de ele ter
sidenta de Abuelas, Estela Carlotto, su primera a) estudado em uma instituição renomada.
impresión de la resolución que firmaron Guil- b) trabalhado em restaurantes internacionais.
lermo Yacobucci, Luis García y Raúl Madueño. c) aberto seu primeiro empreendimento individual.
Aun así la evaluó como “un paso importante” d) voltado às raízes gastronômicas de seu país
de origem.
porque determina que “sí o sí la extracción
e) convivido desde a infância no universo culi-
de sangre o de elementos que contengan ADN
nário da família.
debe proceder’. “Lo que nos cayó mal”, acotó,
es “la limitación” temporal que permitirá que
la comparación se haga sólo con un grupo de 2
1. (Enem 2016) Agua
familias. “Seguimos con la historia de que acá al soñar que un cántaro
hay de primera y de segunda. ¿Por qué todos en la cabeza acarreas,
los demás casos siempre se han comparado con será éxito y triunfo lo que tú veas.
el Banco (de Datos Genéticos) completo y en Bañarse en un río
éste no?”, se preguntó. donde el agua escalda,
HAUSER, I. Disponível em: www.pagina12.com.ar. es augurio de enemigos
Acesso em: 30 maio 2016. y de cuchillo en la espalda.

48
Bañarse en un río de agua puerca,
es perder a alguien cerca. Gabarito
ORTIZ, A.; FLORES FARFÁN. J. A. Sueños
mexicanos. México: Artes de México. 2012. 1. B 2. B 3. D 4. E 5. C
O poema retoma elementos da cultura popu- 6. C 7. E 8. C 9. E 10. B
lar mexicana que refletem um dos aspectos
11. B 12. E 13. B 14. E 15. C
que a constitui, caracterizado pela
a) percepção dos perigos de banhar-se em rios 16. E 17. B 18. C 19. C 20. E
de águas poluídas.
b) crença na relevância dos sonhos como pre- 21. B 22. C
monições ou conselhos.
c) necessidade de resgate da tradição de carre-
gar água em cântaros.
d) exaltação da importância da preservação da
água.
e) cautela no trato com inimigos e pessoas
traiçoeiras.

2
2. (Enem 2016) Preámbulo a las instrucciones
para dar cuerda al reloj
Piensa en esto: cuando te regalan un reloj
te regalan un pequeño infierno florido, una
cadena de rosas, un calabozo de aire. No te
dan solamente el reloj, que los cumplas muy
felices y esperamos que te dure porque es de
buena marca, suizo con ancora de rubíes; no
te regalan solamente ese menudo picapedre-
ro que te atarás a la muñeca y pasearás con-
tigo. Te regalan – no lo saben, lo terrible es
que no lo saben –, te regalan un nuevo peda-
zo frágil y precario de ti mismo, algo que es
tuyo pero no es tu cuerpo, que hay que atar
a tu cuerpo con su correa como un bracito
desesperado colgándose de tu muñeca. Te re-
galan la necesidad de darle cuerda todos los
días, la obligación de darle cuerda para que
siga siendo un reloj; te regalan la obsesión
de atender a la hora exacta en las vitrinas
de las joyerías, en el anuncio por la radio,
en el servicio telefónico. Te regalan el miedo
de perderlo, de que te lo roben, de que se
te caiga al suelo y se rompa. Te regalan su
marca, y la seguridad de que es una marca
mejor que las otras, te regalan la tendencia
de comparar tu reloj con los demás relojes.
No te regalan un reloj, tú eres el regalado,
a ti te ofrecen para el cumpleaños del reloj.
CORTÁZAR, J. Historias de cronopios y de famas.
Buenos Aires: Sudamericana, 1963 (fragmento).

Nesse texto, Júlio Cortázar transforma pe-


quenas ações cotidianas em criação literária,
a) denunciando a má qualidade dos relógios
modernos em relação aos antigos.
b) apresentando possibilidades de sermos pre-
senteados com um relógio.
c) convidando o leitor a refletir sobre a coisifi-
cação do ser humano.
d) desafiando o leitor a pensar sobre a efemeri-
dade do tempo.
e) criticando o leitor por ignorar os malefícios
do relógio.

49
L C Gramática

ENTRE
LETRAS

RPA ENEM

L C
Competência 1 – Aplicar as tecnologias da comunicação e da informação na escola, no trabalho e em outros contextos relevantes para
sua vida.
H1 Identificar as diferentes linguagens e seus recursos expressivos como elementos de caracterização dos sistemas de comunicação.
H2 Recorrer aos conhecimentos sobre as linguagens dos sistemas de comunicação e informação para resolver problemas sociais.
H3 Relacionar informações geradas nos sistemas de comunicação e informação, considerando a função social desses sistemas.
H4 Reconhecer posições críticas aos usos sociais que são feitos das linguagens e dos sistemas de comunicação e informação.
Competência 2 – Conhecer e usar língua(s) estrangeira(s) moderna(s) (LEM) como instrumento de acesso a informações e a outras
culturas e grupos sociais.
H5 Associar vocábulos e expressões de um texto em LEM ao seu tema.
H6 Utilizar os conhecimentos da LEM e de seus mecanismos como meio de ampliar as possibilidades de acesso a informações, tecnologias e culturas.
H7 Relacionar um texto em LEM, as estruturas linguísticas, sua função e seu uso social.
H8 Reconhecer a importância da produção cultural em LEM como representação da diversidade cultural e linguística.
Competência 3 – Compreender e usar a linguagem corporal como relevante para a própria vida, integradora social e formadora da
identidade.
H9 Reconhecer as manifestações corporais de movimento como originárias de necessidades cotidianas de um grupo social.
H10 Reconhecer a necessidade de transformação de hábitos corporais em função das necessidades cinestésicas.
Reconhecer a linguagem corporal como meio de interação social, considerando os limites de desempenho e as alternativas de adaptação para
H11
diferentes indivíduos.
Competência 4 – Compreender a arte como saber cultural e estético gerador de significação e integrador da organização do mundo e
da própria identidade.
H12 Reconhecer diferentes funções da arte, do trabalho da produção dos artistas em seus meios culturais.
H13 Analisar as diversas produções artísticas como meio de explicar diferentes culturas, padrões de beleza e preconceitos.
H14 Reconhecer o valor da diversidade artística e das inter-relações de elementos que se apresentam nas manifestações de vários grupos sociais e étnicos.
Competência 5 – Analisar, interpretar e aplicar recursos expressivos das linguagens, relacionando textos com seus contextos, mediante
a natureza, função, organização, estrutura das manifestações, de acordo com as condições de produção e recepção.
H15 Estabelecer relações entre o texto literário e o momento de sua produção, situando aspectos do contexto histórico, social e político.
H16 Relacionar informações sobre concepções artísticas e procedimentos de construção do texto literário.
H17 Reconhecer a presença de valores sociais e humanos atualizáveis e permanentes no patrimônio literário nacional.
Competência 6 – Compreender e usar os sistemas simbólicos das diferentes linguagens como meios de organização cognitiva da
realidade pela constituição de significados, expressão, comunicação e informação.
H18 Identificar os elementos que concorrem para a progressão temática e para a organização e estruturação de textos de diferentes gêneros e tipos.
H19 Analisar a função da linguagem predominante nos textos em situações específicas de interlocução.
H20 Reconhecer a importância do patrimônio linguístico para a preservação da memória e da identidade nacional
Competência 7 – Confrontar opiniões e pontos de vista sobre as diferentes linguagens e suas manifestações específicas.
H21 Reconhecer em textos de diferentes gêneros, recursos verbais e não-verbais utilizados com a finalidade de criar e mudar comportamentos e hábitos.
H22 Relacionar, em diferentes textos, opiniões, temas, assuntos e recursos linguísticos.
H23 Inferir em um texto quais são os objetivos de seu produtor e quem é seu público alvo, pela análise dos procedimentos argumentativos utilizados.
Reconhecer no texto estratégias argumentativas empregadas para o convencimento do público, tais como a intimidação, sedução, comoção,
H24
chantagem, entre outras.
Competência 8 – Compreender e usar a língua portuguesa como língua materna, geradora de significação e integradora da organização
do mundo e da própria identidade.
H25 Identificar, em textos de diferentes gêneros, as marcas linguísticas que singularizam as variedades linguísticas sociais, regionais e de registro.
H26 Relacionar as variedades linguísticas a situações específicas de uso social.
H27 Reconhecer os usos da norma padrão da língua portuguesa nas diferentes situações de comunicação.
Competência 9 – Entender os princípios, a natureza, a função e o impacto das tecnologias da comunicação e da informação na sua vida
pessoal e social, no desenvolvimento do conhecimento, associando-o aos conhecimentos científicos, às linguagens que lhes dão suporte,
às demais tecnologias, aos processos de produção e aos problemas que se propõem solucionar.
H28 Reconhecer a função e o impacto social das diferentes tecnologias da comunicação e informação.
H29 Identificar pela análise de suas linguagens, as tecnologias da comunicação e informação.
H30 Relacionar as tecnologias de comunicação e informação ao desenvolvimento das sociedades e ao conhecimento que elas produzem
Aplicação dos conhecimentos - Sala
AULAS 1 E 2 Tema: Variação Linguística

Competência: 8 Habilidade: 26

Construção da habilidade: Reconhecer que também são consideradas variantes linguísticas as


diferenças entre português brasileiro e português de Portugal

MODELO 1

Pela primeira vez na vida teve pena de haver tantos assuntos no mundo que não compreendia e
esmoreceu. Mas uma mosca fez um ângulo reto no ar, depois outro, além disso, os seis anos são
uma idade de muitas coisas pela primeira vez, mais do que uma por dia e, por isso, logo depois,
arribou. Os assuntos que não compreendia eram uma espécie de tontura, mas o Ilídio era forte.

Se calhar estava a falar de tratar da cabra: nunca esqueças de tratar da cabra. O Ilídio não gostava
que a mãe o mandasse tratar da cabra. Se estava ocupado a contar uma história a um guarda-
-chuva, não queria ser interrompido. Às vezes, a mãe escolhia os piores momentos para chamá-lo,
ele podia estar a contemplar um segredo, por isso, assustava-se e, depois, irritava-se. Às vezes,
fazia birras no meio da rua. A mãe envergonhava-se e, mais tarde, em casa, dizia que as pessoas
da vila nunca tinham visto um menino tão velhaco. O Ilídio ficava enxofrado, mas lembrava-se dos
homens que lhe chamavam reguila, diziam ah, reguila de má raça. Com essa memória, recuperava o
orgulho. Era reguila, não era velhaco. Essa certeza dava-lhe forças para protestar mais, para gritar
até, se lhe apetecesse.
PEIXOTO, J. L. Livro. São Paulo: Cia. das Letras, 2012.

No texto, observa-se o uso característico do português de Portugal, marcadamente diferente do uso


do português do Brasil. O trecho que confirma essa afirmação é:
a) “Pela primeira vez na vida teve pena de haver tantos assuntos no mundo que não compreendia e es-
moreceu.
b) “Os assuntos que não compreendia eram uma espécie de tortura, mas o Idílio era forte.
c) “Essa certeza dava-lhe forças para protestar mais, para gritar até, se lhe apetecesse.”
d) “Se calhar estava a falar de tratar da cabra: nunca esqueças de tratar da cabra.”
e) “O Ilídio não gostava que a mãe o mandasse tratar da cabra.”

53
Tema: Conjunções Pronomes

Competência: 8 Habilidade: 27

Construção da habilidade: Saber usar os sistemas de referencialidade do português, como os


pronomes oblíquos.

MODELO 2

Fazer 70 anos

Fazer 70 anos não é simples.


A vida exige, para o conseguirmos,
perdas e perdas no íntimo do ser,
como, em volta do ser, mil outras perdas.
[...]
Ó José Carlos, irmão-em-Escorpião!
Nós o conseguimos...
E sorrimos
de uma vitória comprada por que preço?
Quem jamais o saberá?
ANDRADE, C. D. Amar se aprende amando. São Paulo: Círculo do Livro, 1992 (fragmento).

O pronome oblíquo “o”, nos versos “A vida exige, para o conseguirmos” e “Nós o conseguimos”,
garante a progressão temática e o encadeamento textual, recuperando o segmento
a) “Ó José Carlos”.
b) “perdas e perdas”.
c) “A vida exige”.
d) “Fazer 70 anos”.
e) “irmão-sem-Escorpião”

54
Tema: Pronomes Gêneros textuais: Resenha

Competência: 6 Habilidade: 18

Construção da habilidade: Reconhecer as características que compõem os gêneros textuais


(mais especificamente, nessa questão, o gênero resenha).

MODELO 3

João/Zero (Wagner Moura) é um cientista genial, mas infeliz porque há 20 anos atrás foi humilha-
do publicamente durante uma festa e perdeu Helena (Alinne Moraes), uma antiga e eterna paixão.
Certo dia, uma experiência com um de seus inventos permite que ele faça uma viagem no tempo,
retornando para aquela época e podendo interferir no seu destino. Mas quando ele retorna, desco-
bre que sua vida mudou totalmente e agora precisa encontrar um jeito de mudar essa história, nem
que para isso tenha que voltar novamente ao passado. Será que ele conseguirá acertar as coisas?
Disponível em: http://adorocinema.com. Acesso em: 4 out. 2011.
Uma atualização gramatical que atualiza os eventos apresentados na resenha, contribuindo para
despertar o interesso do leitor pelo filme é
a) o emprego do verbo haver, em vez de ter, em “há 20 anos atrás foi humilhado”.
b) a descrição dos fatos com verbos no presente do indicativo, como “retorna” e “descobre”.
c) a repetição do emprego da conjunção “mas” para contrapor ideias.
d) a finalização do texto com a frase de efeito “Será que ele conseguirá acertar as coisas?”.
e) o uso do pronome de terceira pessoa “ele” ao longo do texto para fazer referência ao protagonista
“João/Zero”.

55
Tema: Uso de conectivos

Competência: 8 Habilidade: 27

Construção da habilidade: Localizar no texto elementos que operam como conectivos.

MODELO 4

Da timidez

Ser um tímido notório é uma contradição. O tímido tem horror a ser notado, quanto mais a ser no-
tório. Se ficou notório por ser tímido, então tem que se explicar. Afinal, que retumbante timidez é
essa, que atrai tanta atenção? Se ficou notório apesar de ser tímido, talvez estivesse se enganando
junto com os outros e sua timidez seja apenas um estratagema para ser notado. Tão secreto que
nem ele sabe. É como no paradoxo psicanalítico, só alguém que se acha muito superior procura
o analista para tratar um complexo de inferioridade, porque só ele acha que se sentir inferior é
doença.
[...]
O tímido tenta se convencer de que só tem problemas com multidões, mas isto não é vantagem.
Para o tímido, duas pessoas são uma multidão. Quando não consegue escapar e se vê diante de uma
plateia, o tímido não pensa nos membros da plateia como indivíduos. Multiplica-os por quatro,
pois cada indivíduo tem dois olhos e dois ouvidos. Quatro vias, portanto, para receber suas gafes.
Não adianta pedir para a plateia fechar os olhos, ou tapar um olho e um ouvido para cortar o des-
conforto do tímido pela metade. Nada adianta. O tímido, em suma, é uma pessoa convencida de
que é o centro do Universo, e que seu vexame ainda será lembrado quando as estrelas virarem pó.
VERISSIMO, L. F. Comédias para se ler na escola. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.

Entre as estratégias de progressão textual presentes nesse trecho, identifica-se o emprego de ele-
mentos conectores. Os elementos que evidenciam noções semelhantes estão destacados em:
a) “Se ficou notório por ser tímido” e “[...] então tem que se explicar”.
b) “então tem que se explicar” e “[...] quando as estrelas virarem pó”.
c) “[...] ficou notório apesar de ser tímido [...] e “[...] mas isto não é vantagem [...].
d) “[...] um estratagem para ser notado [...]” e “Tão secreto que nem ele sabe”.
e) “[...] como no paradoxo psicanalítico [...]” e “[...] porque só ele acha [...]”.

56
Raio X - Análise Expositiva
1.
Na frase da opção [D], a expressão “estava a falar”, conjugação perifrástica com verbo auxiliar
seguido de preposição e um verbo principal no infinitivo, é bastante comum no português de Por-
tugal, diferente do Brasil que usa, preferencialmente, a construção com o gerúndio.
2.
É correta a opção [D], pois o pronome oblíquo “o”, nos versos “A vida exige, para o conseguirmos”
e “Nós o conseguimos”, recupera o segmento “Fazer 70 anos”: para conseguirmos fazer 70 anos,
Nós conseguimos fazer 70 anos.
3.
O uso do presente do indicativo para descrever fatos ocorridos no passado (chamado presente his-
tórico ou narrativo) confere mais vivacidade ao texto e realça os acontecimentos que estão sendo
descritos. Dessa forma, o narrador volta ao momento dos acontecimentos, narra como se presen-
ciasse as cenas, tornando o texto mais dinâmico e criando maior expectativa ao leitor. Assim, é
correta a opção [B].
4.
É correta a opção [C], pois tanto a locução prepositiva “apesar de” como a conjunção coordenativa
adversativa “mas” apresentam noção de oposição.

Gabarito
1. D 2. D 3. B 4. C

57
Prescrição: Para resolver os exercícios dessa aula, será necessário instrumentalizar conhecimentos
a respeito de linguagem coloquial (usos orais) e de linguagem prescritiva (usos relacionados à
gramática normativa). Isso envolve saber diferenciar usos linguísticos espaciais (regionais), temporais
(históricos), sociais e também situacionais.

Prática dos conhecimentos - E.O.


1. (Enem) TEXTO I

Antigamente

Antigamente, os pirralhos dobravam a língua diante dos pais e se um se esquecia de arear os den-
tes antes de cair nos braços de Morfeu, era capaz de entrar no couro. Não devia também se esque-
cer de lavar os pés, sem tugir nem mugir. Nada de bater na cacunda do padrinho, nem de debicar
os mais velhos, pois levava tunda. Ainda cedinho, aguava as plantas, ia ao corte e logo voltava aos
penates. Não ficava mangando na rua nem escapulia do mestre, mesmo que não entendesse pata-
vina da instrução moral e cívica. O verdadeiro smart calçava botina de botões para comparecer todo
liró ao copo d’água, se bem que no convescote apenas lambiscasse, para evitar flatos. Os bilontras
é que eram um precipício, jogando com pau de dois bicos, pelo que carecia muita cautela e caldo
de galinha. O melhor era pôr as barbas de molho diante de um treteiro de topete, depois de fintar
e engambelar os coiós, e antes que se pudesse tudo em pratos limpos, ele abria o arco.
ANDRADE, C. D. Poesia e prosa. Rio de janeiro: nova Aguilar, 1983 (fragmento).

TEXTO II

Palavras do arco da velha

Expressão Significado
Cair nos braços de Morfeu Dormir
Debicar Zombar, ridicularizar
Tunda Surra
Mangar Escarnecer, caçoar
Tugir Murmurar
Liró Bem-vestido
Copo d’água Lanche oferecido pelos amigos
Convescote Piquenique
Bilontra Velhaco
Treteiro de topete Tratante atrevido
Abrir o arco Fugir

FLORIN, J. L. As línguas mudam. In: Revista Língua Portuguesa, n. 24, out. 2007 (adaptado).

Na leitura do fragmento do texto Antigamente constata-se, pelo emprego de palavras obsoletas,


que itens lexicais outrora produtivos não mais o são no português brasileiro atual. Esse fenômeno
revela que
a) a língua portuguesa de antigamente carecia de termos para se referir a fatos e coisas do cotidiano.
b) o português brasileiro se constitui evitando a ampliação do léxico proveniente do português europeu.
c) a heterogeneidade do português leva a uma estabilidade do seu léxico no eixo temporal.
d) o português brasileiro apoia-se no léxico inglês para ser reconhecido como língua independente.
e) o léxico do português representa uma realidade linguística variável e diversificada.

58
2. (Enem) a) registro de palavras como “estranheza” e
“cegava”.
b) emprego de regência não padrão em “chegar
em casa”.
c) uso de dupla negação em “não entender na-
dinha”.
d) emprego de palavras como “descrencei” e
“ladineza”.
e) uso de substantivo “bichos” para retomar
“pessoas”.

4. (Enem) – Não, mãe. Perde a graça. Este ano,


a senhora vai ver. Compro um barato.
– Barato? Admito que você compre uma lem-
brancinha barata, mas não diga isso a sua
mãe. É fazer pouco-caso de mim.
– Ih, mãe, a senhora está por fora mil anos.
Não sabe que barato é o melhor que tem, é
um barato!
– Deixe eu escolher, deixe...
– Mãe é ruim de escolha. Olha aquele blazer
furado que a senhora me deu no Natal!
– Seu porcaria, tem coragem de dizer que
sua mãe lhe deu um blazer furado?
– Viu? Não sabe nem o que é furado? Aquela
cor já era, mãe, já era!
Nesse texto, busca-se convencer o leitor a ANDRADE, C. D. Poesia e prosa. Rio de
mudar seu comportamento por meio da as- Janeiro: Nova Aguilar, 1998.
sociação de verbos no modo imperativo à
a) indicação de diversos canais de atendimento. O modo como o filho qualifica os presentes é
b) divulgação do Centro de Defesa da Mulher. incompreendido pela mãe, e essas escolhas
c) informação sobre a duração da campanha. lexicais revelam diferenças entre os interlo-
d) apresentação dos diversos apoiadores. cutores, que estão relacionadas
e) utilização da imagem das três mulheres. a) à linguagem infantilizada.
b) ao grau de escolaridade.
c) à dicotomia de gêneros.
3. (Enem) Entrei numa lida muito dificultosa.
d) às especificidades de cada faixa etária.
Martírio sem fim o de não entender nadinha
e) à quebra de regras da hierarquia familiar.
do que vinha nos livros e do que o mestre
Frederico falava. Estranheza colosso me ce-
gava e me punha tonto. Acho bem que foi 5. (Enem) No ano de 1985 aconteceu um aci-
desse tempo o mal que me acompanha até dente muito grave em Angra dos Reis, no
hoje de ser recanteado e meio mocorongo. Rio de Janeiro, perto da aldeia guarani de
Com os meus, em casa, conversava por trin- Sapukai. Choveu muito e as águas pluviais
ta, tinha ladineza e entendimento. Na rua e provocaram deslizamentos de terras das en-
na escola – nada; era completamente afrá- costas da Serra do Mar, destruindo o Labora-
sico. As pessoas eram bichos do outro mun- tório de Radioecologia da Central Nuclear Al-
do que temperavam um palavreado grego de mirante Álvaro Alberto, construída em 1970
tudo. num lugar que os índios tupinambás, há
Já sabia juntar as sílabas e ler por cima toda mais de 500 anos, chamavam de Itaorna. O
coisa, mas descrencei e perdi a influência de prejuízo foi calculado na época em 8 bilhões
ir à escola, porque diante dos escritos que de cruzeiros. Os engenheiros responsáveis
o mestre me passava e das lições marcadas pela construção da usina nuclear não sabiam
nos livros, fiquei sendo um quarta-feira de que o nome dado pelos índios continha in-
marca maior. Alívio bom era quando chegava formação sobre a estrutura do solo, minado
em casa. pelas águas da chuva. Só descobriram que
Itaorna, em língua tupinambá, quer dizer
BERNARDES, C. Rememórias dois. Goiânia: Leal, 1969.
‘pedra podre’, depois do acidente.
O narrador relata suas experiências na pri- FREIRE, J. R. B. Disponível em: www.taquiprati.
com.br. Acesso em: 1 ago. 2012 (adaptado).
meira escola que frequentou e utiliza cons-
truções linguísticas próprias de determinada
região, constatadas pelo

59
Considerando-se a história da ocupação na 7. (Enem) Como estamos na “Era Digital”, foi
região de Angra dos Reis mencionada no tex- necessário rever os velhos ditados existentes
to, os fenômenos naturais que a atingiram e adaptá-los à nova realidade. Veja abaixo...
poderiam ter sido previstos e suas consequ- 1. A pressa é inimiga da conexão.
ências minimizadas se 2. Amigos, amigos, senhas à parte.
a) o acervo linguístico indígena fosse conheci- 3. Para bom provedor uma senha basta.
do e valorizado. 4. Não adianta chorar sobre arquivo deletado.
b) as línguas indígenas brasileiras tivessem 5. Mais vale um arquivo no HD do que dois
sido substituídas pela língua geral. baixando.
c) o conhecimento acadêmico tivesse sido prio- 6. Quem clica seus males multiplica.
rizado pelos engenheiros. 7. Quem semeia e-mails, colhe spams.
d) a língua tupinambá tivesse palavras adequa- 8. Os fins justificam os e-mails.
das para descrever o solo. Disponível em: www.abusar.org.br.
Acesso em: 20 maio 2015 (adaptado).
e) o laboratório tivesse sido construído de
acordo com as leis ambientais vigentes na No texto, há uma reinterpretação de ditados
época. populares com o uso de termos da informá-
tica. Essa reinterpretação
6. (Enem) a) torna o texto apropriado para profissionais
TEXTO I da informática.
Um ato de criatividade pode contudo gerar b) atribui ao texto um caráter humorístico.
um modelo produtivo. Foi o que ocorreu com c) restringe o acesso ao texto por público não
a palavra sambódromo, criativamente forma- especializado.
da com a terminação -(ó)dromo (= corrida), d) deixa a terminologia original mais acessível
que figura em hipódromo, autódromo, cartó- ao público em geral.
dromo, formas que designam itens culturais e) dificulta a compreensão do texto por quem
não domina a língua inglesa.
da alta burguesia. Não demoraram a circular,
a partir de então, formas populares como
8. (Enem) A tendência dos nomes
rangódromo, beijódromo, camelódromo.
AZEREDO, J. C. Gramática Houaiss da língua O nome é uma das primeiras coisas que não
portuguesa. São Paulo: Publifolha, 2008. escolhemos na vida. Estará inscrito nos regis-
tros: na maternidade, no RG, no CPF, no obi-
TEXTO II
tuário etc. Enfim, uma escolha que não fize-
Existe coisa mais descabida do que chamar
mos nos acompanha do berço ao túmulo, pois
de sambódromo uma passarela para desfile
na lápide se dirá que ali jaz Fulano de Tal.
de escolas de samba? Em grego, -dromo quer
SILVA, D. Língua, n. 77, mar. 2012.
dizer “ação de correr, lugar de corrida”, dai
as palavras autódromo e hipódromo. É certo Algumas palavras atuam no desenvolvimen-
que, às vezes, durante o desfile, a escola se to de um texto contribuindo para a sua pro-
atrasa e é obrigada a correr para não perder gressão. A palavra “enfim” promove o enca-
pontos, mas não se desloca com a velocidade deamento do texto, tendo sido utilizada com
de um cavalo ou de um carro de Formula 1. a intenção de
GULLAR, F. Disponível em: www1.folha. a) explicar que os nomes das pessoas são esco-
uol.com.br. Acesso em: 3 ago, 2012. lhidos no nascimento.
b) ratificar que os nomes registrados no nasci-
Há nas línguas mecanismos geradores de
mento são imutáveis.
palavras. Embora o Texto II apresente um
c) reiterar que os nomes recebidos são impor-
julgamento de valor sobre a formação da pa-
tantes até a morte.
lavra sambódromo, o processo de formação d) concluir que os nomes acompanham os indi-
dessa palavra reflete víduos até a morte.
a) o dinamismo da língua na criação de novas e) acrescentar que ninguém pode escolher o
palavras. próprio nome.
b) uma nova realidade limitando o aparecimen-
to de novas palavras.
9
. (Enem) História da máquina que faz o mundo
c) a apropriação inadequada de mecanismos de
rodar
criação de palavras por leigos. Cego, aleijado e moleque,
d) o reconhecimento da impropriedade semânti- Padre, doutor e soldado,
ca dos neologismos. Inspetor, juiz de direito,
e) a restrição na produção de novas palavras Comandante e delegado,
com o radical grego. Tudo, tudo joga o dinheiro
Esperando bom resultado.

60
Matuto, senhor de engenho, Para se entender o trecho como uma unidade
Praciano e mandioqueiro, de sentido, é preciso que o leitor reconheça
Do agreste ao sertão a ligação entre seus elementos. Nesse texto,
Todos jogam seu dinheiro a coesão é construída predominantemente
Se um diz que é mentiroso pela retomada de um termo por outro e pelo
Outro diz que é verdadeiro. uso da elipse. O fragmento do texto em que
há coesão por elipse do sujeito é:
Na opinião do povo a) “[…] a palavra gripe nos chegou após uma
Não tem quem possa mandar série de contágios entre línguas.”
Faça ou não faça a máquina b) “Partiu da Itália em 1743 a epidemia de gri-
O povo tem que esperar pe […]”.
Por que quem joga dinheiro c) “O primeiro era um termo derivado do latim
Só espera mesmo é ganhar. medieval influentia, que significava ‘influ-
ência dos astros sobre os homens’.”
Assim é que muitos pensam d) “O segundo era apenas a forma nominal do
Que no abismo não cai verbo gripper […]”.
Que quem não for no Juazeiro e) “Supõe-se que fizesse referência ao modo
Depois de morto ainda vai, violento como o vírus se apossa do organis-
Assim também é crença mo infectado.”
Que a dita máquina sai.
1
1. (Enem) Secretaria de Cultura
Quando um diz: ele não faz,
Já outro fica zangado EDITAL
Dizendo: assim como Cristo NOTIFICAÇÃO — Síntese da resolução publi-
Morreu e foi ressuscitado cada no Diário Oficial da Cidade, 29/07/2011
Ele também faz a máquina — página 41 — 511ª Reunião Ordinária, em
E seu dinheiro é lucrado. 21/06/2011.
Resolução nº 08/2011 — TOMBAMENTO dos
CRUZ, A. F. Disponível em: www.jangadabrasil.
org. Acesso em: 5 ago. 2012 (fragmento). imóveis da Rua Augusta, nº 349 e nº 353, es-
quina com a Rua Marquês de Paranaguá, nº
No fragmento, as escolhas lexicais remetem 315, nº 327 e nº 329 (Setor 010, Quadra 026,
às origens geográficas e sociais da literatura Lotes 0016-2 e 00170-0), bairro da Consola-
de cordel. ção, Subprefeitura da Sé, conforme o processo
Exemplifica essa remissão o uso de palavras administrativo nº 1991-0.005.365-1.
como Folha de S. Paulo, 5 ago. 2011 (adaptado).
a) cego, aleijado, moleque, soldado, juiz de di-
reito. Um leitor interessado nas decisões governa-
b) agreste, sertão, Juazeiro, matuto, senhor de mentais escreve uma carta para o jornal que
engenho. publicou o edital, concordando com a reso-
c) comandante, delegado, dinheiro, resultado, lução sintetizada no Edital da Secretaria de
praciano. Cultura. Uma frase adequada para expressar
d) mentiroso, verdadeiro, joga, ganhar. sua concordância é:
e) morto, crença, zangado, Cristo. a) Que sábia iniciativa! Os prédios em péssimo
estado de conservação devem ser derruba-
dos.
1
0. (Enem) Gripado, penso entre espirros em
b) Até que enfim! Os edifícios localizados nesse
como a palavra gripe nos chegou após uma
trecho descaracterizam o conjunto arquite-
série de contágios entre línguas. Partiu da tônico da Rua Augusta.
Itália em 1743 a epidemia de gripe que dis- c) Parabéns! O poder público precisa mostrar
seminou pela Europa, além do vírus propria- sua força como guardião das tradições dos
mente dito, dois vocábulos virais: o italia- moradores locais.
no influenza e o francês grippe. O primeiro d) Justa decisão! O governo dá mais um passo
era um termo derivado do latim medieval rumo à eliminação do problema da falta de
influentia, que significava “influência dos moradias populares.
astros sobre os homens”. O segundo era ape- e) Congratulações! O patrimônio histórico da
nas a forma nominal do verbo gripper, isto cidade merece todo empenho para ser pre-
é, “agarrar”. Supõe-se que fizesse referência servado.
ao modo violento como o vírus se apossa do
organismo infectado.
RODRIGUES, S. “Sobre palavras”.
Veja, São Paulo, 30 nov. 2011.

61
1
2. (Enem) A aptidão física, em termos gerais, e bebendo água salgada
pode ser definida como a capacidade que um nas cacimbas onde passava.
indivíduo possui para realizar atividades fí- BORGES, J. F. Dicionário dos sonhos e outras histórias
sicas. Ter uma boa amplitude nos movimen- de cordel. Porto Alegre: LP&M, 2003 (fragmento).
tos das diversas partes corporais é um dos
Literatura de cordel é uma criação popular
componentes da aptidão física relacionada
em verso, cuja linguagem privilegia, tema-
à saúde, pois permite maior disposição para
ticamente, histórias de cunho regional, len-
atividades da vida diária, como, por exem-
das, fatos ocorridos para firmar certas cren-
plo, maior facilidade para alcançar os pró-
ças e ações destacadas nas sociedades locais.
prios pés.
A respeito do uso das formas variantes da
NAHAS, M. V. Atividade física, saúde e qualidade de
linguagem no Brasil, o verso do fragmento
vida: conceitos e sugestões para um estilo de vida
ativo. Londrina: Midiograf, 2006 (adaptado). que permite reconhecer uma região brasilei-
ra é
O componente da aptidão física destacado no a) “muito alegre e divertido”.
texto é b) “Passava o dia na feira”.
a) força. c) “levando umas panelas”.
b) agilidade. d) “que minha mãe comprava”.
c) equilíbrio. e) “nas cacimbas onde passava”.
d) velocidade.
e) flexibilidade.

1
3. (Enem) Dúvida

Dois compadres viajavam de carro por uma


estrada de fazenda quando um bicho cruzou
a frente do carro.
Um dos compadres falou:
– Passou um largato ali!
O outro perguntou:
– Lagarto ou largato?
O primeiro respondeu:
– Num sei não, o bicho passou muito rápido.
Piadas coloridas. Rio de Janeiro: Gênero, 2006.

Na piada, a quebra de expectativa contribui


para produzir o efeito de humor. Esse efeito
ocorre porque um dos personagens
a) reconhece a espécie do animal avistado.
b) tem dúvida sobre a pronúncia do nome do
réptil.
c) desconsidera o conteúdo linguístico da per-
gunta.
d) constata o fato de um bicho cruzar a frente
do carro.
e) apresenta duas possibilidades de sentido para
a mesma palavra.

1
4. (Enem) O cordelista por ele mesmo

Aos doze anos eu era


forte, esperto e nutrido.
Vinha do Sítio de Piroca
muito alegre e divertido
vender cestos e balaios
que eu mesmo havia tecido.

Passava o dia na feira


e à tarde regressava
levando umas panelas
que minha mãe comprava

62
1
5. (Enem)

As palavras e as expressões são mediadoras dos sentidos produzidos nos textos. Na fala de Hagar,
a expressão “é como se” ajuda a conduzir o conteúdo enunciado para o campo da
a) conformidade, pois as condições meteorológicas evidenciam um acontecimento ruim.
b) reflexibilidade, pois o personagem se refere aos tubarões usando um pronome reflexivo.
c) condicionalidade, pois a atenção dos personagens é a condição necessária para a sua sobrevivência.
d) possibilidade, pois a proximidade dos tubarões leva à suposição do perigo iminente para os homens.
e) impessoalidade, pois o personagem usa a terceira pessoa para expressar o distanciamento dos fatos.

Gabarito
1. E 2. E 3. D 4. D 5. A
6. A 7. B 8. D 9. B 10. E
11. E 12. E 13. C 14. E 15. D

63
Aplicação dos conhecimentos - Sala
AULAS 3 E 4 Tema: Gêneros discursivos

Competência: 1 Habilidade: 3

Construção da habilidade: Dentro da competência da área 1 do Enem, será exigida a capacidade


de aplicar as tecnologias da comunicação e da informação na escola, no trabalho e em outros contex-
tos relevantes para vida do aluno.

MODELO 1

(Enem) Descubra e aproveite um momento todo seu. Quando você quebra o delicado chocolate, o
irresistível recheio cremoso começa a derreter na sua boca, acariciando todos os seus sentidos.
Criado por nossa empresa. Paixão e amor por chocolate desde 1845.
Veja, n. 2.320, 8 mai. 2013 (adaptado).

O texto publicitário tem a intenção de persuadir o público-alvo a consumir determinado produto


ou serviço. No anúncio, essa intenção assume a forma de um convite, estratégia argumentativa
linguisticamente marcada pelo uso de
a) conjunção (quando).
b) adjetivo (irresistível).
c) verbo no imperativo (descubra).
d) palavra do campo afetivo (paixão).
e) expressão sensorial (acariciando).

65
Tema: Gêneros discursivos

Competência: 1 Habilidade: 3

Construção da habilidade: Relacionar informações geradas nos sistemas de comunicação e in-


formação, considerando a função social desses sistemas.

MODELO 2

(Enem) O Flamengo começou a partida no ataque, enquanto o Botafogo procurava fazer uma for-
te marcação no meio campo e tentar lançamentos para Victor Simões, isolado entre os zagueiros
rubro-negros. Mesmo com mais posse de bola, o time dirigido por Cuca tinha grande dificuldade
de chegar a área alvinegra por causa do bloqueio montado pelo Botafogo na frente da sua área.
No entanto, na primeira chance rubro-negra, saiu o gol. Após cruzamento da direita de Ibson, a
zaga alvinegra rebateu a bola de cabeça para o meio da área. Kléberson apareceu na jogada e cabe-
ceou por cima do goleiro Renan. Ronaldo Angelim apareceu nas costas da defesa e empurrou para
o fundo da rede quase que em cima da linha: Flamengo 1 a 0.
Disponível em: http://momentodofutebol.blogspot.com (adaptado).

O texto, que narra uma parte do jogo final do Campeonato Carioca de futebol, realizado em 2009,
contém vários conectivos, sendo que
a) “após” é conectivo de causa, já que apresenta o motivo de a zaga alvinegra ter rebatido a bola de
cabeça.
b) “enquanto” tem um significado alternativo, porque conecta duas opções possíveis para serem
aplicadas no jogo.
c) “no entanto” tem significado de tempo, porque ordena os fatos observados no jogo em ordem
cronológica de ocorrência.
d) “mesmo” traz ideia de concessão, já que “com mais posse de bola”, ter dificuldade não é algo
naturalmente esperado.
e) “por causa de”z indica consequência, porque as tentativas de ataque do Flamengo motivaram o
Botafogo a fazer um bloqueio.

66
Tema: Gêneros discursivos

Competência: 1 Habilidade: 3

Construção da habilidade: Dentro da competência da área 1 do Enem, será exigida a capacidade


de aplicar as tecnologias da comunicação e da informação na escola, no trabalho e em outros contex-
tos relevantes par vida do aluno.

MODELO 3

Observe a charge:

O humor da tira decorre da reação de uma das cobras com relação ao uso de pronome pessoal reto,
em vez de pronome oblíquo. De acordo com a norma padrão da língua, esse uso é inadequado, pois
a) contraria o uso previsto para o registro oral da língua.
b) contraria a marcação das funções sintáticas de sujeito e objeto.
c) gera inadequação na concordância com o verbo.
d) gera ambiguidade na leitura do texto.
e) apresenta dupla marcação de sujeito.

67
Tema: Gêneros discursivos

Competência: 1 Habilidade: 3

Construção da habilidade: Dentro da competência da área 1 do Enem, será exigida a capacidade


de aplicar as tecnologias da comunicação e da informação na escola, no trabalho e em outros contex-
tos relevantes par vida do aluno.

MODELO 4

(Enem)
Agora eu era herói
E o meu cavalo só falava inglês.
A noiva do cowboy
Era você, além das outras três.
Eu enfrentava os batalhões,
Os alemães e seus canhões.
Guardava o meu bodoque
E ensaiava o rock para as matinês.
CHICO DUARQUE. João e Maria, 1977 (fragmento).

Nos terceiro e oitavo versos da letra da canção, constata- se que o emprego das palavras cowboy e
rock expressa a influência de outra realidade cultural na língua portuguesa. Essas palavras cons-
tituem evidências de
a) regionalismo, ao expressar a realidade sociocultural de habitantes de uma determinada região.
b) neologismo, que se caracteriza pelo aportuguesamento de uma palavra oriunda de outra língua.
c) jargão profissional, ao evocar a linguagem de uma área específica do conhecimento humano.
d) arcaísmo, ao representar termos usados em outros períodos da história da língua.
e) estrangeirismo, que significa a inserção de termos de outras comunidades linguísticas no português.

68
Raio X - Análise Expositiva
1.
Na primeira frase do texto publicitário, o uso do imperativo nos termos verbais “descubra” e
“aproveite” configura o uso da função apelativa da linguagem sob a forma de um convite, tentando
persuadir o público-alvo a consumir determinado tipo de chocolate. Assim, é correta a opção [C].
2.
A conjunção subordinativa “mesmo” indica concessão, pois estabelece uma relação de oposição ao
que seria esperado. Apesar de o Flamengo ter maior posse de bola, tinha dificuldade em chegar à
área alvinegra. “Mesmo” ser substituído por “embora” ou “ainda que”. “Após” e “enquanto” esta-
belecem circunstância de tempo, “no entanto”, adversidade e “por causa de”, causa, o que invalida
as outras opções
3.
No segundo quadro, o pronome pessoal “eles” é inadequado, pois deve ser usado para desempe-
nhar função de sujeito. Como o verbo “arrasar” é transitivo, o pronome deveria ser substituído
pelo pronome oblíquo “os” em função de objeto direto. Segundo a norma padrão da língua, a frase
deveria ser substituída por “Vamos arrasá-los!”.
4.
É correta a alternativa [E]. Os estrangeirismos são geralmente introduzidos na língua ao mesmo
tempo em que um conceito novo, ou pertencente à outra cultura (como é o caso de cowboy ou
rock). Se o uso for suficientemente frequente e duradouro, é comum o aparecimento de um termo
ou expressão equivalente, ou a adaptação à escrita e à pronúncia do português, como aconteceu,
entre muitos outros casos, com líder e futebol.

Gabarito
1. C 2. D 3. B 4. E

69
Prescrição: Para resolver os exercícios dessa aula, serão necessários conhecimentos a respeito dos
principais gêneros discursivos presentes em nosso sistema linguístico. Além disso, conhecer alguns
produtos culturais nacionais (música, pintura e literatura) irá contribuir para uma maior efetividade na
resolução de exercícios que “cruzam” os gêneros discursivos (intertextualidade).

Prática dos conhecimentos - E.O.


1. (Enem) A palavra e a imagem têm o poder de No trecho “Mas lá, como aqui, o reality gera
criar e destruir, de prometer e negar. A pu- controvérsia”, o termo destacado foi utiliza-
blicidade se vale deste recurso linguístico- do para estabelecer uma ligação com outro
-imagético como seu principal instrumento. termo presente no texto, isto é, fazer refe-
Vende a ficção como o real, o normal como rência ao
algo fantástico; transforma um carro em um a) vencedor, que é um poeta árabe.
símbolo de prestigio social, uma cerveja em b) poeta, que mora na região da Arábia.
uma loira bonita, e um cidadão comum num c) mundo árabe, local em que há o programa.
astro ou estrela, bastando tão somente utili- d) Brasil, lugar onde há o programa BBB.
zar o produto ou serviço divulgado. 1Assim, e) programa, que há no Brasil e na Arábia.
fazer o banal tomar-se o ideal é tarefa ordi-
nária da linguagem publicitária. 3. (Enem) Os filhos de Ana eram bons, uma
ALMEIDA, W. M. A linguagem publicitária e o coisa verdadeira e sumarenta. Cresciam, to-
estrangeirismo. Língua Portuguesa, n. 35, jan. 2012.
mavam banho, exigiam para si, malcriados,
Alguns elementos linguísticos estabelecem instantes cada vez mais completos. A cozi-
relações entre as diferentes partes do texto. nha era enfim espaçosa, o fogão enguiçado
Nesse texto, o vocábulo “Assim” (ref. 1) tem dava estouros. O calor era forte no aparta-
a função de mento que estavam aos poucos pagando. Mas
a) contrariar os argumentos anteriores. o vento batendo nas cortinas que ela mesma
b) sintetizar as informações anteriores. cortara lembrava-lhe que se quisesse podia
c) acrescentar um novo argumento. parar e enxugar a testa, olhando o calmo ho-
d) introduzir uma explicação. rizonte. Como um lavrador. Ela plantara as
e) apresentar uma analogia. sementes que tinha na mão, não outras, mas
essas apenas.
LISPECTOR, C. Laços de família. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.
2. (Enem) O American Idol islâmico

Quem não gosta do Big Brother diz que os A autora emprega por duas vezes o conectivo
reality shows são programas vazios, sem cul- mas no fragmento apresentado. Observando
tura. No mundo árabe, esse problema já foi aspectos da organização, estruturação e fun-
resolvido: em The Millions’ Poet (“O Poeta cionalidade dos elementos que articulam o
dos Milhões”), líder de audiência no golfo texto, o conectivo mas
pérsico, o prêmio vai para o melhor poeta. O a) expressa o mesmo conteúdo nas duas situa-
programa, que é transmitido pela Abu Dhabi ções em que aparece no texto.
TV e tem 70 milhões de espectadores, é uma b) quebra a fluidez do texto e prejudica a com-
competição entre 48 poetas de 12 países ára- preensão, se usado no início da frase.
bes — em que o vencedor leva um prêmio de c) ocupa posição fixa, sendo inadequado seu
US$ 1,3 milhão. uso na abertura da frase.
Mas lá, como aqui, o reality gera controvér- d) contém uma ideia de sequência temporal
sia. O BBB teve a polêmica dos “coloridos” que direciona a conclusão do leitor.
(grupo em que todos os participantes eram e) assume funções discursivas distintas nos
homossexuais). E Millions’ Poet detonou dois contextos de uso
uma discussão sobre os direitos da mulher
no mundo árabe. 4. (Enem) Carnavália
GARATTONI, B. O American Idol islâmico. Repique tocou
SuperInteressante. Edição 278, maio 2010 (fragmento). O surdo escutou
E o meu corasamborim
Cuíca gemeu, será que era meu, quando ela

70
passou por 6. (Enem) A colocação pronominal é a posição
mim? que os pronomes pessoais oblíquos átonos
[…] ocupam na frase em relação ao verbo a que
ANTUNES, A.; BROWN, C.; MONTE, M. se referem. São pronomes oblíquos átonos:
Tribalistas, 2002 (fragmento). me, te, se, o, os, a, as, lhe, lhes, nos e vos,
Esses pronomes podem assumir três posi-
No terceiro verso, o vocábulo “corasam-
ções na oração em relação ao verbo. Prócli-
borim”, que é a junção coração + samba +
se, quando o pronome é colocado antes do
tamborim, refere-se, ao mesmo tempo, a ele-
verbo, devido a partículas atrativas, corno o
mentos que compõem uma escola de samba pronome relativo. Ênclise, quando o prono-
e a situação emocional em que se encontra o me é colocado depois do verbo, o que acon-
autor da mensagem, com o coração no ritmo tece quando este estiver no imperativo afir-
da percussão. mativo ou no infinitivo impessoal regido da
Essa palavra corresponde a um(a) preposição “a” ou quando o verbo estiver no
a) estrangeirismo, uso de elementos linguísticos gerúndio. Mesóclise, usada quando o verbo
originados em outras línguas e representati- estiver flexionado no futuro do presente ou
vos de outras culturas. no futuro do pretérito.
b) neologismo, criação de novos itens linguís- A mesóclise é um tipo de colocação prono-
ticos, pelos mecanismos que o sistema da minal raro no uso coloquial da língua por-
língua disponibiliza. tuguesa. No entanto, ainda é encontrada em
c) gíria, que compõe uma linguagem originada contextos mais formais, como se observa em:
em determinado grupo social e que pode vir a) Não lhe negou que era um improviso.
a se disseminar em uma comunidade mais b) Faz muito tempo que lhe falei essas coisas.
ampla. c) Nunca um homem se achou em mais apertado
d) regionalismo, por ser palavra característica lance.
de determinada área geográfica. d) Referia-se à D. Evarista ou tê-la-ia encontra-
e) termo técnico, dado que designa elemento de do em algum outro autor?
área específica de atividade. e) Acabou de chegar dizendo-lhe que precisava
retornar ao serviço imediatamente
5. (Enem) Cultivar um estilo de vida saudável
é extremamente importante para diminuir o 7. (Enem) MORUMBI PRÓXIMA AO COL. PIO XII
risco de infarto, mas também como de pro- Linda residência rodeada por maravilhoso
blemas como morte súbita e derrame. Signi- jardim com piscina e amplo espaço gourmet.
fica que manter uma alimentação saudável 1 000 m2 construídos em 2 000 m2 de ter-
e praticar atividade física regularmente já reno, 6 suítes. R$ 3 200 000. Rua tranquila:
reduz, por si só, as chances de desenvolver David Pimentel. Cód. 480067 Morumbi Palá-
vários problemas. Além disso, é importante cio Tel.: 3740-5000
para o controle da pressão arterial, dos níveis Folha de São Paulo. Classificados, 27 fev. 2012 (adaptado).
de colesterol e de glicose no sangue. Tam-
bém ajuda a diminuir o estresse e aumentar Os gêneros textuais nascem emparelhados a
a capacidade física, fatores que, somados, necessidades e atividades da vida sociocul-
reduzem as chances de infarto. Exercitar-se, tural. Por isso, caracterizam-se por uma fun-
nesses casos, com acompanhamento médico ção social específica, um contexto de uso, um
e moderação, é altamente recomendável. objetivo comunicativo e por peculiaridades
ATALIA, M. Nossa vida. Época. 23 mar. 2009. linguísticas e estruturais que lhes conferem
determinado formato. Esse classificado pro-
As ideias veiculadas no texto se organizam cura convencer o leitor a comprar um imóvel
estabelecendo relações que atuam na cons- e, para isso, utiliza-se
trução do sentido. A esse respeito, identifi- a) da predominância das formas imperativas dos
ca-se, no fragmento, que verbos e de abundância de substantivos.
a) A expressão “Além disso” marca uma sequen- b) de uma riqueza de adjetivos que modificam
ciação de ideias. os substantivos, revelando as qualidades do
b) o conectivo “mas também” inicia oração que produto.
exprime ideia de contraste. c) de uma enumeração de vocábulos, que visam
c) o termo “como”, em “como morte súbita e conferir ao texto um efeito de certeza.
derrame”, introduz uma generalização. d) do emprego de numerais, quantificando as
d) o termo “Também” exprime uma justificativa. características e aspectos positivos do pro-
e) o termo “fatores” retoma coesivamente “ní- duto.
veis de colesterol e de glicose no sangue” e) da exposição de opiniões de corretores de
imóveis no que se refere à qualidade do pro-
duto

71
8. (Enem) Devemos dar apoio emocional especí- Um texto é construído pela articulação dos
fico, trabalhando o sentimento de culpa que vários elementos que o compõem. Tal arti-
as mães têm de infectar o filho. O principal culação pode se dar por meio de palavras ou
problema que vivenciamos é quanto ao alei- de expressões que remetem a outras ou, ain-
tamento materno. Além do sentimento muito da, a segmentos maiores já apresentados ou
forte manifestado pelas gestantes de ama- a serem ainda apresentados no decorrer do
mentar seus filhos, existem as cobranças da texto.
família, que exige explicações pela recusa em A análise do modo como esse texto foi cons-
amamentar, sem falar nas companheiras na truído revela que a expressão
maternidade que estão amamentando. Esses a) O “um problema” (ref. 1) remete o leitor para
conflitos constituem nosso maior desafio. As- “A origem dos vapores de água na atmosfera
sim, criamos a técnica de mamadeirar. O que superior de Saturno” (ref. 2), segmento que
é isso? É substituir o seio materno por amor, se encontra na frase seguinte.
oferecendo a mamadeira, e não o peito! b) “A descoberta” (ref. 3) retoma “um proble-
PADOIN, S. M. M. et al. (Org.) Experiências ma que ficou sem solução durante 14 anos.”
interdisciplinares em Aids: interfaces de uma (ref. 1), segmento que aparece na primeira
epidemia.SantaMaria: UFSM, 2006 (adaptado). frase do texto.
O texto é o relato de uma enfermeira no c) “O volume despejado” (ref. 4) retoma “a
composição química do planeta que orbita.”
cuidado de gestantes e mães soropositivas.
(ref. 5), segmento apresentado na frase ime-
Nesse relato, em meio ao drama de mães que
diatamente anterior.
não devem amamentar seus recém-nascidos,
d) “O fenômeno” (ref. 6) remete o leitor para
observa-se um recurso da língua portuguesa,
“transparência dos vapores” (ref. 7), seg-
presente no uso da palavra “mamadeirar”,
mento que é apresentado na frase seguinte.
que consiste
e) O “esse encargo e achado” (ref. 8) retoma
a) na manifestação do preconceito linguístico.
“avanço da tecnologia” (ref. 9), segmento
b) na recorrência a um neologismo.
presente na porção anterior do texto.
c) no registro coloquial da linguagem.
d) na expressividade da ambiguidade lexical.
e) na contribuição da justaposição na formação 1
0. (Enem) Era uma vez
Um rei leão que não era rei.
de palavras
Um pato que não fazia quá-quá.
9. (Enem) Cientistas solucionam origem de Um cão que não latia
partículas de água em Saturno. O telescópio Um peixe que não nadava.
espacial Herschel resolveu 1um problema que Um pássaro que não voava.
ficou sem solução durante 14 anos. 2A ori- Um tigre que não comia.
gem dos vapores de água na atmosfera su- Um gato que não miava.
perior de Saturno encontra-se nas partículas Um homem que não pensava...
que saem de uma de suas luas, a Enceladus, E, enfim, era uma natureza sem nada.
e chegam até o planeta. 3A descoberta faz Acabada. Depredada.
com que a Enceladus torne- se conhecida, a Pelo homem que não pensava.
partir de agora, como a única lua do Siste- Laura Araújo Cunha CUNHA, L. A. In: KOCH, I.
ma Solar capaz de influenciar 5a composição V.; ELIAS, V. M. Ler e escrever: estratégias de
produção textual. São Paulo: Contexto, 2011.
bioquímica do planeta que orbita.4O volume
despejado a cada segundo não é pouco. A São as relações entre os elementos e as partes
Enceladus chega a expelir aproximadamen- do texto que promovem o desenvolvimento
te 250 kg de vapores de água que se for- das ideias. No poema, a estratégia linguísti-
mam na região polar sul. Desse total, uma ca que contribui para esse desenvolvimento,
parte é perdida no espaço e entre 3% a 5% estabelecendo a continuidade do texto, é a
deslocam-se até Saturno. 6O fenômeno, de a) escolha de palavras de diferentes campos se-
certo modo, pôde ser compreendido graças mânticos.
ao 9avanço da tecnologia. Os astrônomos não b) negação contundente das ações praticadas
conseguiram detectá-lo até o momento por pelo homem.
causa da 7transparência dos vapores. Coube c) intertextualidade com o gênero textual fá-
às ondas infravermelhas do Herschel 8esse bula infantil.
encargo e achado. A primeira vez que um te- d) repetição de estrutura sintática com novas
lescópio da ESA (Agência Espacial Europeia) informações.
detectou água na atmosfera superior de Sa- e) utilização de ponto final entre termos de
turno foi em 1997. uma mesma oração.
Disponível em: www1.folha.uol.com.
br. Acesso em: 26 jul. 2011.

72
1
1. (Enem) Eu sei que a gente se acostuma. Mas TEXTO II
não devia. Palavras do arco da velha
A gente se acostuma a morar em apartamen-
tos de fundos e a não ter outra vista que não Expressão Significado
as janelas ao redor. E, porque não tem vista, Cair nos braços de Morfeu Dormir
logo se acostuma a não olhar para fora. E, Debicar Zombar, ridicularizar
porque não olha para fora, logo se acostuma Tunda Surra
a não abrir todas as cortinas. E, porque não Mangar Escarnecer, caçoar
abre as cortinas, logo se acostuma a acender
Tugir Murmurar
mais cedo a luz. E, à medida que se acostu-
ma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a Liró Bem-vestido
amplidão. Copo d’água
Lanche ofereci-
COLASANTI, M. Eu sei, mas não devia. do pelos amigos
Rio de Janeiro, Rocco, 1996. Convescote Piquenique
Bilontra Velhaco
A progressão é garantida nos textos por de-
terminados recursos linguísticos, e pela co- Treteiro de topete Tratante atrevido
nexão entre esses recursos e as ideias que Abrir o arco Fugir
eles expressam. Na crônica, a continuidade
FLORIN, J. L. As línguas mudam. In: Revista Língua
textual é construída, predominantemente, Portuguesa, n. 24, out. 2007 (adaptado).
por meio
a) do emprego de vocabulário rebuscado, possi- Na leitura do fragmento do texto Antiga-
bilitando a elegância do raciocínio. mente constata-se, pelo emprego de palavras
b) da repetição de estruturas, garantindo o pa- obsoletas, que itens lexicais outrora produti-
ralelismo sintático e de ideias. vos não mais o são no português brasileiro
c) da apresentação de argumentos lógicos, atual. Esse fenômeno revela que
constituindo blocos textuais independentes. a) a língua portuguesa de antigamente carecia
d) da ordenação de orações justapostas, dis- de termos para se referir a fatos e coisas do
pondo as informações de modo paralelo. cotidiano.
e) da estruturação de frases ambíguas, cons- b) o português brasileiro se constitui evitando
truindo efeitos de sentido apostos. a ampliação do léxico proveniente do portu-
guês europeu.
c) a heterogeneidade do português leva a uma
1
2. (Enem) TEXTO I
estabilidade do seu léxico no eixo temporal.
Antigamente d) o português brasileiro apoia-se no léxico in-
glês para ser reconhecido como língua inde-
Antigamente, os pirralhos dobravam a lín- pendente.
gua diante dos pais e se um se esquecia de e) o léxico do português representa uma reali-
arear os dentes antes de cair nos braços de dade linguística variável e diversificada.
Morfeu, era capaz de entrar no couro. Não
devia também se esquecer de lavar os pés, 1
3. (Enem) — Ora dizeis, não é verdade? Pois
sem tugir nem mugir. Nada de bater na ca- o Sr. Lúcio queria esse cravo, mas vós lho
cunda do padrinho, nem de debicar os mais não podíeis dar, porque o velho militar não
velhos, pois levava tunda. Ainda cedinho, tirava os olhos de vós; ora, conversando com
aguava as plantas, ia ao corte e logo vol- o Sr. Lúcio, acordastes ambos que ele iria es-
tava aos penates. Não ficava mangando na perar um instante no jardim...
rua nem escapulia do mestre, mesmo que MACEDO, J. M. A moreninha.
não entendesse patavina da instrução moral Disponível em: www.dominiopublico.com.br.
Acesso em: 17 abr. 2010 (fragmento).
e cívica. O verdadeiro smart calçava botina
de botões para comparecer todo liró ao copo O trecho faz parte do romance A moreninha,
d’água, se bem que no convescote apenas de Joaquim Manuel de Macedo. Nessa parte
lambiscasse, para evitar flatos. Os bilontras do romance, há um diálogo entre dois perso-
é que eram um precipício, jogando com pau nagens. A fala transcrita revela um falante
de dois bicos, pelo que carecia muita cautela que utiliza uma linguagem
e caldo de galinha. O melhor era pôr as bar- a) informal, com estruturas e léxico coloquiais.
bas de molho diante de um treteiro de tope- b) regional, com termos característicos de uma
te, depois de fintar e engambelar os coiós, e região.
antes que se pudesse tudo em pratos limpos, c) técnica, com termos de áreas específicas.
ele abria o arco. d) culta, com domínio da norma padrão.
ANDRADE, C. D. Poesia e prosa. Rio de janeiro: e) lírica, com expressões e termos empregados
nova Aguilar, 1983 (fragmento). em sentido figurado

73
1
4. (Enem)
Gabarito
1. B 2. C 3. E 4. B 5. A
6. D 7. B 8. B 9. A 10. D
11. B 12. E 13. D 14. A 15. C

Nessa charge, o recurso morfossintático que


colabora para o efeito de humor está indica-
do pelo(a)
a) emprego de uma oração adversativa, que
orienta a quebra da expectativa ao final.
b) uso de conjunção aditiva, que cria uma rela-
ção de causa e efeito entre as ações.
c) retomada do substantivo “mãe”, que desfaz
a ambiguidade dos sentidos a ele atribuídos
d) utilização da forma pronominal “la”, que
reflete um tratamento formal do filho em
relação à “mãe”.
e) repetição da forma verbal “é”, que reforça a
relação de adição existente entre as orações

1
5. (Enem) Tarefa
Morder o fruto amargo e não cuspir
Mas avisar aos outros quanto é amargo
Cumprir o trato injusto e não falhar
Mas avisar aos outros quanto é injusto
Sofrer o esquema falso e não ceder
Mas avisar aos outros quanto é falso
Dizer também que são coisas mutáveis...
E quando em muitos a não pulsar
– do amargo e injusto e falso por mudar –
então confiar à gente exausta o plano
de um mundo novo e muito mais humano.
CAMPOS, G. Tarefa. Rio de Janeiro:
Civilização Brasileira, 1981.

Na organização do poema, os empregos da


conjunção “mas” articulam, para além de
sua função sintática,
a) a ligação entre verbos semanticamente se-
melhantes.
b) a oposição entre ações aparentemente in-
conciliáveis.
c) a introdução do argumento mais forte de
uma sequência.
d) o reforço da causa apresentada no enunciado
introdutório.
e) a intensidade dos problemas sociais presen-
tes no mundo.

74
L C Interpretação de textos

ENTRE
TEXTOS

RPA ENEM

L C
Competência 1 – Aplicar as tecnologias da comunicação e da informação na escola, no trabalho e em outros contextos relevantes para
sua vida.
H1 Identificar as diferentes linguagens e seus recursos expressivos como elementos de caracterização dos sistemas de comunicação.
H2 Recorrer aos conhecimentos sobre as linguagens dos sistemas de comunicação e informação para resolver problemas sociais.
H3 Relacionar informações geradas nos sistemas de comunicação e informação, considerando a função social desses sistemas.
H4 Reconhecer posições críticas aos usos sociais que são feitos das linguagens e dos sistemas de comunicação e informação.
Competência 2 – Conhecer e usar língua(s) estrangeira(s) moderna(s) (LEM) como instrumento de acesso a informações e a outras
culturas e grupos sociais.
H5 Associar vocábulos e expressões de um texto em LEM ao seu tema.
H6 Utilizar os conhecimentos da LEM e de seus mecanismos como meio de ampliar as possibilidades de acesso a informações, tecnologias e culturas.
H7 Relacionar um texto em LEM, as estruturas linguísticas, sua função e seu uso social.
H8 Reconhecer a importância da produção cultural em LEM como representação da diversidade cultural e linguística.
Competência 3 – Compreender e usar a linguagem corporal como relevante para a própria vida, integradora social e formadora da
identidade.
H9 Reconhecer as manifestações corporais de movimento como originárias de necessidades cotidianas de um grupo social.
H10 Reconhecer a necessidade de transformação de hábitos corporais em função das necessidades cinestésicas.
Reconhecer a linguagem corporal como meio de interação social, considerando os limites de desempenho e as alternativas de adaptação para
H11
diferentes indivíduos.
Competência 4 – Compreender a arte como saber cultural e estético gerador de significação e integrador da organização do mundo e
da própria identidade.
H12 Reconhecer diferentes funções da arte, do trabalho da produção dos artistas em seus meios culturais.
H13 Analisar as diversas produções artísticas como meio de explicar diferentes culturas, padrões de beleza e preconceitos.
H14 Reconhecer o valor da diversidade artística e das inter-relações de elementos que se apresentam nas manifestações de vários grupos sociais e étnicos.
Competência 5 – Analisar, interpretar e aplicar recursos expressivos das linguagens, relacionando textos com seus contextos, mediante
a natureza, função, organização, estrutura das manifestações, de acordo com as condições de produção e recepção.
H15 Estabelecer relações entre o texto literário e o momento de sua produção, situando aspectos do contexto histórico, social e político.
H16 Relacionar informações sobre concepções artísticas e procedimentos de construção do texto literário.
H17 Reconhecer a presença de valores sociais e humanos atualizáveis e permanentes no patrimônio literário nacional.
Competência 6 – Compreender e usar os sistemas simbólicos das diferentes linguagens como meios de organização cognitiva da
realidade pela constituição de significados, expressão, comunicação e informação.
H18 Identificar os elementos que concorrem para a progressão temática e para a organização e estruturação de textos de diferentes gêneros e tipos.
H19 Analisar a função da linguagem predominante nos textos em situações específicas de interlocução.
H20 Reconhecer a importância do patrimônio linguístico para a preservação da memória e da identidade nacional
Competência 7 – Confrontar opiniões e pontos de vista sobre as diferentes linguagens e suas manifestações específicas.
H21 Reconhecer em textos de diferentes gêneros, recursos verbais e não-verbais utilizados com a finalidade de criar e mudar comportamentos e hábitos.
H22 Relacionar, em diferentes textos, opiniões, temas, assuntos e recursos linguísticos.
H23 Inferir em um texto quais são os objetivos de seu produtor e quem é seu público alvo, pela análise dos procedimentos argumentativos utilizados.
Reconhecer no texto estratégias argumentativas empregadas para o convencimento do público, tais como a intimidação, sedução, comoção,
H24
chantagem, entre outras.
Competência 8 – Compreender e usar a língua portuguesa como língua materna, geradora de significação e integradora da organização
do mundo e da própria identidade.
H25 Identificar, em textos de diferentes gêneros, as marcas linguísticas que singularizam as variedades linguísticas sociais, regionais e de registro.
H26 Relacionar as variedades linguísticas a situações específicas de uso social.
H27 Reconhecer os usos da norma padrão da língua portuguesa nas diferentes situações de comunicação.
Competência 9 – Entender os princípios, a natureza, a função e o impacto das tecnologias da comunicação e da informação na sua vida
pessoal e social, no desenvolvimento do conhecimento, associando-o aos conhecimentos científicos, às linguagens que lhes dão suporte,
às demais tecnologias, aos processos de produção e aos problemas que se propõem solucionar.
H28 Reconhecer a função e o impacto social das diferentes tecnologias da comunicação e informação.
H29 Identificar pela análise de suas linguagens, as tecnologias da comunicação e informação.
H30 Relacionar as tecnologias de comunicação e informação ao desenvolvimento das sociedades e ao conhecimento que elas produzem
Aplicação dos conhecimentos - Sala
AULA 1 Tema: Arte (Leitura de imagens)

Competência: 4 Habilidade: 12

Construção da habilidade: Na questão a seguir, é necessário que o vestibulando lembre que,


historicamente, os objetos de cerâmica apresentavam funções utilitárias (especialmente urnas cerimo-
niais, como a que vemos no texto II). Já a cerâmica em seus usos contemporâneos entra em um campo
mais artístico e escapa das funções utilitárias

MODELO 1

TEXTO I TEXTO II

As duas imagens são produções que têm a cerâmica como matéria-prima. A obra Estrutura vertical
dupla se distingue da urna funerária marajoara ao
a) evidenciar a simetria na disposição das peças.
b) materializar a técnica sem função utilitária.
c) abandonar a regularidade na composição.
d) anular possibilidades de leituras afetivas.
e) integrar o suporte em sua constituição.

77
Tema: Arte (leitura de magens)

Competência: 4 Habilidade: 12

Construção da habilidade: Na questão a seguir, é necessário reconhecer que determinados ins-


trumentos que habitualmente não são utilizados como elementos artísticos podem ser mobilizados em
circunstâncias ou performances específicas.

MODELO 2

TEXTO I

TEXTO II

Stephen Lund, artista canadense, morador em Victoria, capital da Colúmbia Britânica (Canadá),
transformou-se em fenômeno mundial produzindo obras de arte virtuais pedalando sua bike. Se-
guindo rotas traçadas com o auxílio de um dispositivo de GPS, ele calcula ter percorrido mais de
10 mil quilômetros.
Disponível em: www.booooooom.com. Acesso em: 9 dez. 2017 (adaptado).

Os textos destacam a inovação artística proposta por Stephen Lund a partir do(a)
a) deslocamento das tecnologias de suas funções habituais.
b) perspectiva de funcionamento do dispositivo de GPS.
c) ato de guiar sua bicicleta pelas ruas da cidade.
d) análise dos problemas de mobilidade urbana.
e) foco na promoção ctultural da sua cidade.

78
Tema: Gêneros textuais: Crônicas

Competência: 7 Habilidade: 22

Construção da habilidade: A crônica é um gênero que apresenta dados de marca jornalística


(apresentação de dados do cotidiano). É a partir da percepção de mudanças cotidianas que surge a
fundamentação da crítica que o autor elabora.

MODELO 3

Vez por outra, indo devolver um filme na locadora ou almoçar no árabe da rua de baixo, dobro uma
esquina e tomo um susto. Ué, cadê o quarteirão que estava aqui? Onde na véspera havia casinhas
geminadas, roseiras cuidadas por velhotas e janelas de adolescentes, cheias de adesivos, há apenas
uma imensa cratera, cercada de tapumes. [...]

Em breve, do buraco brotará um prédio, com grandes garagens e minúsculas varandas, e será bati-
zado de Arizona Hills, ou Maison Lacroix, ou Plaza de Marbella, e isso me entristece. Não só porque
ficará mais feio meu caminho até a locadora, ou até o árabe na rua de baixo, mas porque é meu
bairro que morre, devagarinho. Os bairros, como os homens, também têm um espírito. [...]

Às vezes, no fim da tarde, quando ouço o sino da igreja da Caiubi badalar seis vezes, quase acredito
que estou numa cidade do interior. Aí saio para devolver os vídeos, olho para o lado, percebo que o
quarteirão desapareceu e me dou conta de que estou em São Paulo, e que eu mesmo tenho minha
cota de responsabilidade: moro no segundo andar de um prédio. [...] Ali embaixo, onde agora fica
a garagem, já houve uma cratera, e antes dela o jardim de uma velhota e a janela de um adoles-
cente, cheia de adesivos.
PRATA, A. Perdizes. In: Meio intelectual, meio de esquerda. São Paulo: Editora 34, 2010.

Na crônica, a incidência do contexto social sobre a voz narrativa manifesta-se no(a)


a) decepção com o progresso da cidade de São Paulo.
b) sentimento de nostalgia causado pela demolição das casas antigas.
c) percepção de uma descaracterização da identidade do bairro.
d) necessidade de uma autocrítica em relação aos próprios hábitos.
e) descontentamento com os estrangeirismos da nova geografia urbana.

79
Tema: Gêneros textuais: Textos jornalísticos

Competência: 7 Habilidade: 22

Construção da habilidade: Reconhecer dentre as modalidades de texto jornalístico o que é uma


notícia de divulgação (as notícias tem caráter prioritariamente referencial).

MODELO 4

Cores do Brasil

Ganhou nova versão, revista e ampliada, o livro lançado em 1988 pelo galerista Jacques Ardies,
cuja proposta é ser publicação informativa sobre nomes do “movimento arte naïf do Brasil”, como
define o autor. Trata-se de um caminho estético fundamental na arte brasileira, assegura Ardies.
O termo em francês foi adotado por designar internacionalmente a produção que no Brasil é cha-
mada de arte popular ou primitivismo, esclarece Ardies. O organizador do livro explica que a obra
não tem a pretensão de ser um dicionário. “Falta muita gente. São muitos artistas”, observa. A
nova edição veio da vontade de atualizar informações publicadas há 26 anos. Ela incluiu artistas
em atividade atualmente e veteranos que ficaram de fora do primeiro livro. A arte naïf no Brasil 2
traz 79 autores de várias regiões do Brasil.
WALTER SEBASTIÃO. Estado de Minas, 17 jan. 2015 (adaptado).

O fragmento do texto jornalístico aborda o lançamento de um livro sobre arte naïf no Brasil. Na
organização desse trecho predomina o uso da sequência
a) injuntiva, sugerida pelo destaque dado à fala do organizador do livro.
b) argumentativa, caracterizada pelo uso de adjetivos sobre o livro.
c) narrativa, construída pelo uso de discurso direto e indireto.
d) descritiva, formada com base em dados editoriais da obra.
e) expositiva, composta por informações sobre a arte naïf.

80
Raio X - Análise Expositiva
1.
Uma das propostas da cerâmica contemporânea é ativar outros sentidos para além da função uti-
litária. Neste aspecto a pesquisa da artista sugere tais possibilidades estéticas e de apreciação da
obra.
2.
A compreensão e pesquisa sobre as possibilidades de produção de uma determinada ideia sobre
a criação de arte é parte fundamental do contexto da produção da arte e das particularidades da
arte contemporânea, onde os materiais artísticos tradicionais não são prioridade e muitas vezes
não respondem aos diferentes formatos e realizações. Dá lugar a deslocamentos e outras funções
às tecnologias, materiais, procedimentos etc.
3.
Ao longo do texto, o narrador expressa surpresa face às transformações que acontecem no espaço
urbano pelo qual circula (“Ué, cadê o quarteirão que estava aqui?”), percepção da inevitabilidade
do processo de mudança (“Em breve, do buraco brotará um prédio’) e da progressiva descaracte-
rização da identidade do bairro em que mora (“percebo que o quarteirão desapareceu onde agora
fica a garagem, já houve uma cratera, e antes dela o jardim de uma velhota e a janela de um ado-
lescente, cheia de adesivos”). Assim, é correta a opção [C].
4.
É correta a opção [E], já que se trata de um texto que visa à divulgação de nomes do movimento
arte naïf do Brasil, cujos conceitos são também apresentados de forma objetiva e com o máximo
de neutralidade.

Gabarito
1. A 2. A 3. C 4. E

81
Prescrição: Para resolver os exercícios dessa aula, será necessário trabalhar conhecimentos básicos
sobre verbos, conjunções, sistemas de referencialidade te quadrinhos.

Prática dos conhecimentos - E.O.


1. (Enem) Querido Sr. Clemens,
Sei que o ofendi porque sua carta, não datada de outro dia, mas que parece ter sido escrita em 5
de julho, foi muito abrupta; eu a li e reli com os olhos turvos de lágrimas. Não usarei meu maravi-
lhoso broche de peixe-anjo se o senhor não quiser; devolverei ao senhor, se assim me for pedido...
OATES, J. C. Descanse em paz. São Paulo: Leya, 2008.

Nesse fragmento de carta pessoal, quanto à sequenciação dos eventos, reconhece-se a norma-
-padrão pelo(a)
a) colocação pronominal em próclise.
b) uso recorrente de marcas de negação.
c) emprego adequado dos tempos verbais.
d) preferência por arcaísmos, como “abrupta” e “turvo”.
e) presença de qualificadores, como “maravilhoso” e “peixe-anjo”.

2. (Enem) Quarto de despejo


Carolina Maria de Jesus

Do diário da catadora de papel Carolina Maria de Jesus surgiu este autêntico exemplo de literatura-
-verdade, que relata o cotidiano triste e cruel da vida na favela. Com uma linguagem simples, mas
contundente e original, a autora comove o leitor pelo realismo e pela sensibilidade na maneira de
contar o que viu, viveu e sentiu durante os anos em que morou na comunidade do
Canindé, em São Paulo, com seus três filhos.
Ao ler este relato — verdadeiro best-seller no Brasil e no exterior — você vai acompanhar o duro
dia a dia de quem não tem amanhã. E vai perceber com tristeza que, mesmo tendo sido escrito na
década de 1950, este livro jamais perdeu a sua atualidade.
JESUS, C. M. Quarto de despejo: diário de uma favelada. São Paulo: Ática, 2007.
Identifica-se como objetivo do fragmento extraído da quarta capa do livro Quarto de despejo
a) retomar trechos da obra.
b) resumir o enredo da obra.
c) destacar a biografia da autora.
d) analisar a linguagem da autora.
e) convencer o interlocutor a ler a obra.

3. (Enem) O exercício da crônica


Escrever prosa é uma arte ingrata. Eu digo prosa fiada, como faz um cronista; não a prosa de um
ficcionista, na qual este é levado meio a tapas pelas personagens e situações que, azar dele, criou
porque quis. Com um prosador cotidiano, a coisa fia mais fino. Senta-se diante de sua máquina,
acende um cigarro, olha através da janela e busca fundo em sua imaginação um fato qualquer, de
preferência colhido no noticiário matutino, ou da véspera, em que, com duas artimanhas peculia-
res, possa injetar um sangue novo.
MORAES, V. Para viver um grande amor: crônicas e poemas. São Paulo: Cia. das Letras, 1991.

Nesse trecho, Vinicius de Moraes exercita a crônica para pensá-la como gênero e prática. Do ponto
de vista dele, cabe ao cronista
a) criar fatos com a imaginação.
b) reproduzir as notícias dos jornais.
c) escrever em linguagem coloquial.
d) construir personagens verossímeis.
e) ressignificar o cotidiano pela escrita.

82
4. (Enem)

Essa tirinha revela que um dos impactos sociais provenientes do uso das Tecnologias de Informa-
ção e Comunicação tem como consequência o(a)
a) falta de percepção da realidade.
b) crítica da sociedade aos poderes midiáticos.
c) contestação das informações disponibilizadas.
d) questionamento sobre a reputação das grandes mídias.
e) indignação do telespectador com os meios de comunicação.

5. (Enem)

As tecnologias provocam mudanças comportamentais.


Em relação ao seu uso exagerado, o texto critica a
a) busca por relacionamentos superficiais.
b) falta de tempo para o descanso.
c) necessidade de manter-se conectado.
d) quantidade excessiva de informações on-line.
e) tendência do internauta a permanecer isolado.

6. (Enem)

83
Em relação aos impactos das Tecnologias de Informação e Comunicação na contemporaneidade,
essa tirinha faz uma crítica ao(à)
a) leitura obrigatória dos jornais on-line.
b) modo de vida anterior ao século 20.
c) realização constante de protestos na internet.
d) virtualização exagerada das relações humanas.
e) consumo desmedido no mercado virtual.

7. (Enem) A inteligência está na rede


Pergunta: Há tecnologias que melhoram a vida humana, como a invenção do calendário, e outras
que revolucionam a história humana, como a invenção da roda. A internet, o iPad, o Facebook, o
Google são tecnologias que pertencem a que categoria?
Resposta: À das que revolucionam a história. O que está acontecendo no mundo de hoje é seme-
lhante ao que se passou com a sociedade agrária depois da prensa móvel de Gutenberg. Antes, o
conhecimento estava concentrado em oligopólios. A invenção de Gutenberg começou a democrati-
zar o conhecimento, e as instituições do feudalismo entraram num processo de atrofia.
A novidade afetou a Igreja Católica, as monarquias, os poderes coloniais e, com o passar do tempo,
resultou nas revoluções na América Latina, nos Estados Unidos, na França. Resultou na democra-
cia parlamentar, na reforma protestante, na criação das universidades, do próprio capitalismo.
Martinho Lutero chamou a prensa móvel de “a mais alta graça de Deus”. Agora, mais uma vez, o
gênio da tecnologia saiu da garrafa. Com a prensa móvel, ganhamos acesso à palavra escrita. Com a
internet, cada um de nós pode ser seu próprio editor. A imprensa nos deu acesso ao conhecimento
que já havia sido produzido e estava registrado. A internet nos dá acesso ao conhecimento contido
no cérebro de outras pessoas em qualquer parte do mundo. Isso é uma revolução. E, tal como acon-
teceu no passado, está fazendo com que nossas instituições se tornem obsoletas.
TAPSCOTT, D. Entrevista concedida a Augusto Nunes. Veja, 21 abr. 2011 (adaptado).

Segundo o pesquisador entrevistado, a internet revolucionou a história da mesma forma que a


prensa móvel de Gutenberg revolucionou o mundo no século XV. De acordo com o texto, as duas
invenções, de maneira similar, provocaram o(a)
a) ocorrência de revoluções em busca por governos mais democráticos.
b) divulgação do conhecimento produzido em papel nas diversas instituições.
c) organização das sociedades a favor do acesso livre à educação e às universidades.
d) comércio do conhecimento produzido e registrado em qualquer parte do mundo.
e) democratização do conhecimento pela divulgação de ideias por meio de publicações.

8. (Enem) Doutor dos sentimentos


Veja quem é e o que pensa o português António Damásio, um dos maiores nomes da neurociência
atual, sempre em busca de desvendar os mistérios do cérebro, das emoções e da consciência

Ele é baixo, usa óculos, tem cabelos brancos penteados para trás e costuma vestir terno e gravata.
A surpresa vem quando começa a falar. António Damásio não confirma em nada o clichê que se
tem de cientista. Preocupado em ser o mais didático possível, tenta, pacientemente, com certa
graça e até ironia, sempre que cabível, traduzir para os leigos estudos complexos sobre o cérebro.
Português, Damásio é um dos principais expoentes da neurociência atual.

Diferentemente de outros neurocientistas, que acham que apenas a ciência tem respostas à com-
preensão da mente, Damásio considera que muitas ideias não provêm necessariamente daí. Para
ele, um substrato imprescindível para entender a mente, a consciência, os sentimentos e as emo-
ções advém da vida intuitiva, artística e intelectual. Fora dos meios científicos, o nome de Damásio
começou a ser celebrado na década de 1990, quando lançou seu primeiro livro, uma obra que fala
de emoção, razão e do cérebro humano.
TREFAUT, M. P. Disponível em: http://revistaplaneta.terra.com.br. Acesso em: 2 set. 2014 (adaptado).

Na organização do texto, a sequência que atende à função sociocomunicativa de apresentar objeti-


vamente o cientista António Damásio é a
a) descritiva, pois delineia um perfil do professor.
b) injuntiva, pois faz um convite à leitura de sua obra.
c) argumentativa, pois defende o seu comportamento incomum.
d) narrativa, pois são contados fatos relevantes ocorridos em sua vida.
e) expositiva, pois traz as impressões da autora a respeito de seu trabalho.

84
9. (Enem) O jogo do aprendizado obrigatoriamente estar impecável e linda to-
O governo da Irlanda do Norte parece ter dos os dias a enfeitar o mundo. Feminismo
encontrado uma boa solução para prender a não tem nada a ver com não ter filhos, e sim
atenção dos alunos durante as aulas. O de- com a escolha de como e quando esses filhos
partamento regional de cultura, artes e la- virão, e se virão. Feminismo não tem nada
zer decidiu comprar e distribuir um jogo de a ver com não ser feminina. E nem com ser.
blocos eletrônico para mais de 200 escolas e Feminismo tem a ver com liberdade, com eu,
30 bibliotecas do país, segundo o jornal The você, elas e eles podermos todos viver e ser,
Guardian. O jogo permite aos participantes sem ninguém dando pitaco em como deve-
mos nos portar, como devemos nos vestir, o
explorar um vasto terreno composto de blo-
que devemos dizer, o que devemos fazer com
cos, com possibilidade de adaptar o ambien-
nossos corpos. Outra coisa importante: nem
te do jeito que preferirem, de modo a criar e todas as feministas estão de acordo a res-
destruir vários tipos de estruturas tridimen- peito de todos os tópicos. Cada um constrói
sionalmente. seu feminismo. O feminismo não é um livro
de regras, mas uma discussão, uma conversa,
A flexibilidade do jogo foi elogiada por pais um processo. Chega de reproduzir conceitos
de crianças autistas, que encontraram nele sem sequer parar para pensar neles.
um espaço no qual podiam se exprimir em AVERBUCK, C. Carta Capital, 28 set. 2015 (adaptado).
segurança, progredindo em meses o que ti-
nham levado anos para conseguir em sessões No texto, entre as estratégias argumentati-
de terapia. Uma prova de que videogames vas empregadas para a defesa de um ponto
podem ensinar e trazer diversão para um de vista, a autora recorre à
público bem abrangente, diferentemente do a) definição de feminismo pelo que ele não é
estigma de “vício” com o que são normal- para confrontar discursos antifeministas.
mente associados. b) contradição na caracterização do feminismo
MENDONÇA, F. M. Carta Capital, abr. 2015 (adaptado). para contemplar visões antagônicas.
c) menção a situações cotidianas das mulheres
Ao relacionar tecnologia e educação e evi- para representar o universo feminino.
denciar uma mudança de paradigma por d) formulação de perguntas para as quais o lei-
meio dessa relação, o texto indica que o in- tor terá de encontrar respostas no texto.
vestimento em jogos tem o objetivo de e) explicitação de diferentes opiniões para che-
a) proporcionar meios eficazes de conhecimen- gar a um consenso sobre o feminismo.
to.
b) tornar os jogos de videogame mais fáceis. 1
1. (Enem) O comportamento do público, em
c) assegurar um novo público para os games. geral, parece indicar o seguinte: o texto da
d) promover a integração de alunos autistas. peça de teatro não basta em si mesmo, não
e) retirar o rótulo negativo dos games. é uma obra de arte completa, pois ele só se
realiza plenamente quando levado ao palco.
1
0. (Enem) Feminismo pra quê? Para quem pensa assim, ler um texto dramá-
Mas será que você sabe o que é feminismo? tico equivale a comer a massa do bolo antes
de ele ir para o forno. Mas ele só fica pron-
É assustadora a quantidade de gente que to mesmo depois que os atores deram vida
não sabe o que é feminismo. Ninguém tem a àquelas emoções; que cenógrafos compuse-
obrigação de saber, é claro, mas a partir do ram os espações, refletindo externamente os
momento em que você decide opinar sobre conflitos internos dos envolvidos; que os fi-
um assunto, é de bom tom saber do que se gurinistas vestiram os corpos sofredores em
trata. As pessoas são “contra” o feminismo movimento.
sem sequer saber o que significa. Feminis- LACERDA, R. Leitores. Metáfora, n. 7, abr. 2012.
mo não prega ódio, feminismo não prega a
dominação das mulheres sobre os homens. Em um texto argumentativo, podem-se en-
Feminismo clama por igualdade, pelo fim contrar diferentes estratégias para guiar o
da dominação de um gênero sobre outro. leitor por um raciocínio e chegar a deter-
Feminismo não é o contrário de machismo. minada conclusão. Para defender sua ideia
Machismo é um sistema de dominação. Fe- a favor da incompletude do texto dramático
minismo é uma luta por direitos iguais. Fe- fora do palco, o autor usa como estratégia
minismo não tem nada a ver com deixar de argumentativa a
usar batom, salto ou cercear sua liberdade a) comoção.
sexual. Ninguém vai confiscar sua cartei- b) analogia.
rinha de feminista se você usar rímel. Mas c) identificação.
te abre para a possibilidade de só usar ma- d) contextualização.
quiagem quando quiser, não porque tem que e) enumeração.

85
12. (Enem) A origem da capoeira está ligada à entre pessoas que estejam muito distantes,
escravidão brasileira, pois nasceu como ele- em diferentes fusos horários.
mento de resistência à opressão do negro BRASIL. MEC/Proinfo. Disponível em: www.eproinfo.
escravo naquela época. Considerados como mec.gov.br. Acesso em: 17 jan. 2014 (adaptado).
mercadorias, os negros eram submetidos à O texto evidencia que um dos fatores deter-
vontade e aos desmandos de seus senhores. minantes para a escolha do e-mail como uma
O castigo, a humilhação e o medo foram for- forma de comunicação é o(a)
mas de manutenção e controle desse siste- a) presença do interlocutor.
ma. A forma mais importante de resistência b) emergência do contato.
a essas condições de vida foram as fugas. A c) disponibilidade dos meios de comunicação.
capoeira surge nesse contexto como elemen- d) alcance espaço-temporal da mensagem.
to de resistência física, diante da necessi- e) relação entre os interlocutores.
dade de autodefesa à opressão, utilizando
seu corpo para confrontar seus opressores; e 1
4. (Enem) Uma noite em 67, de Renato Terra e
resistência cultural, proveniente da necessi- Ricardo Calil. Editora Planeta, 296 páginas.
dade do negro escravo de se fazer humano, Mas foi uma noite, aquela noite de sábado
reconstruindo sua identidade. 21 de outubro de 1967, que parou o nosso
Disponível em: http://ebookbrowsee.net. país. Parou pra ver a finalíssima do III Festi-
Acesso em: 28 jan. 2014 (adaptado).
val da Record, quando um jovem de 24 anos
O contexto do surgimento da prática da ca- chamado Eduardo Lobo, o Edu Lobo, saiu
poeira no Brasil marca física, histórica e carregado do Teatro Paramount em São Paulo
culturalmente essa manifestação corporal, depois de ganhar o prêmio máximo do fes-
caracterizando-a como uma tival com Ponteio, que cantou acompanhado
a) prática corporal de controle das ações huma- da charmosa e iniciante Marília Medalha.
nas. Foi naquela noite que Chico Buarque entoou
b) forma de reconstrução identitária como de- sua Roda viva ao lado do MPB-4 de Magro, o
fesa do negro. arranjador. Que Caetano Veloso brilhou can-
c) atividade física esportiva de cunho competi- tando Alegria, alegria com a plateia ao som
tivo entre negros. das guitarras dos Beat Boys, que Gilberto Gil
d) maneira de adaptação da cultura negra à so- apresentou a tropicalista Domingo no par-
ciedade escravocrata. que com os Mutantes.
e) manifestação cultural das relações simétri- Aquela noite que acabou virando filme, em
2010, nas mãos de Renato Terra e Ricardo
cas entre escravos e senhores.
Calil, agora virou livro. O livro que está sen-
do lançado agora é a história daquela noite,
1
3. (Enem) Você sabe a diferença entre comuni- ampliada e em estado que no jargão jorna-
cação síncrona e assíncrona? lístico chamamos de matéria bruta. Quem
A forma síncrona permite a comunicação viu o filme vai se deliciar com as histórias
entre as pessoas em tempo real, ou seja, o – e algumas fofocas – que cada um tem para
emissor envia uma mensagem para o recep- contar, agora sem os cortes necessários que
tor e este a recebe quase que instantanea- um filme exige. E quem não viu o filme tem
mente, como numa conversa por telefone. diante de si um livro de histórias, pensando
São exemplos deste tipo de comunicação o bem, de História.
chat e a videoconferência. VILLAS, A. Disponível em: www.cartacapital.com.
Já a forma assíncrona dispensa a participa- br. Acesso em: 18 jun. 2014 (adaptado).
ção simultânea das pessoas, ou seja, o emis-
sor envia uma mensagem ao receptor, o qual Considerando os elementos constitutivos dos
poderá ler e responder esta mensagem em gêneros textuais circulantes na sociedade,
outro momento. São exemplos deste tipo de nesse fragmento de resenha predominam
comunicação o correio eletrônico, o fórum e a) caracterizações de personalidades do con-
a lista de discussão. texto musical brasileiro dos anos 1960.
Correio eletrônico — o que é e-mail? b) questões polêmicas direcionadas à produção
Correio eletrônico, ou simplesmente e-mail musical brasileira nos anos 1960.
(abreviatura de electronic mail), é uma fer- c) relatos de experiências de artistas sobre os
ramenta que permite compor, enviar e re- festivais de música de 1967.
ceber mensagens, textos, figuras e outros d) explicações sobre o quadro cultural do Brasil
arquivos pela internet. É um modo assín- durante a década de 1960.
crono de comunicação, ou seja, independe e) opiniões a respeito de uma obra sobre a cena
da presença simultânea do remetente e do musical de 1967.
destinatário da mensagem, sendo muito prá-
tico quando a comunicação precisa ser feita

86
15. (Enem) TEXTO I
Frevo: Dança de rua e de salão, é a grande
alucinação do Carnaval pernambucano. Tra-
ta-se de uma marcha de ritmo frenético, que
é a sua característica principal. E a multidão
ondulando, nos meneios da dança, fica a fer-
ver. E foi dessa ideia de fervura (o povo pro-
nuncia frevura, frever) que se criou o nome
frevo.
CASCUDO, L. C. Dicionário do folclore brasileiro.
São Paulo: Global, 2001 (adaptado).

TEXTO II
Frevo é Patrimônio Imaterial da Humanida-
de
O frevo, ritmo genuinamente pernambuca-
no, agora é do mundo. A música que hipno-
tiza milhões de foliões e dá o tom do Carna-
val no estado foi oficialmente reconhecida
como Patrimônio material da Humanidade.
O anúncio foi feito em Paris, nesta quarta-
-feira, durante cerimônia da Organização
das Nações Unidas para a Educação, a Ciên-
cia e a Cultura (Unesco).
Disponível em: www.diariodepernambuco.
com.br. Acesso em: 14 jun. 2015.

Apesar de abordarem o mesmo tema, os tex-


tos I e II diferenciam-se por pertencerem a
gêneros que cumprem, respectivamente, a
função social de
a) resumir e avaliar.
b) analisar e reportar.
c) definir e informar
d) comentar e explanar.
e) discutir e conscientizar.

Gabarito
1. C 2. E 3. E 4. B 5. C
6. D 7. E 8. A 9. A 10. A
11. B 12. B 13. D 14. E 15. C

87
Aplicação dos conhecimentos - Sala
AULA 2 Tema: Gêneros textuais

Competência: 7 Habilidade: 21

Construção da habilidade: O reconhecimento de gêneros textuais, gesto muito frequente nas


provas do ENEM, será trabalhado neste exercício. Vale lembrar, portanto, que, todo texto apresenta
características pontuais que o vinculam a um determinado "tipo textual"

MODELO 1

(Enem) A trajetória de Liesel Meminger é contada por uma narradora mórbida, surpreenden-
temente simpática. Ao perceber que a pequena ladra de livros lhe escapa, a Morte afeiçoa-se à
menina e rastreia suas pegadas de 1939 a 1943. Traços de uma sobrevivente: a mãe comunista,
perseguida pelo nazismo, envia Liesel e o irmão para o subúrbio pobre de uma cidade alemã, onde
um casal se dispõe a adotá-los por dinheiro. O garoto morre no trajeto e é enterrado por um coveiro
que deixa cair um livro na neve. É o primeiro de uma série que a menina vai surrupiar ao longo
dos anos. O único vínculo com a família é esta obra, que ela ainda não sabe ler.
A vida ao redor é a pseudorrealidade criada em torno do culto a Hitler na Segunda Guerra. Ela
assiste à eufórica celebração do aniversário do Führer pela vizinhança. A Morte, perplexa diante
da violência humana, dá um tom leve e divertido à narrativa deste duro confronto entre a infância
perdida e a crueldade do mundo adulto, um sucesso absoluto – e raro – de crítica e público.
Disponível em: www.odevoradordelivros.com. Acesso em: 24 jun. 2014.

Os gêneros textuais podem ser caracterizados, dentre outros fatores, por seus objetivos. Esse frag-
mento é um(a)
a) reportagem, pois busca convencer o interlocutor da tese defendida ao longo do texto.
b) resumo, pois promove o contato rápido do leitor com uma informação desconhecida.
c) sinopse, pois sintetiza as informações relevantes de uma obra de modo impessoal.
d) instrução, pois ensina algo por meio de explicações sobre uma obra específica.
e) resenha, pois apresenta uma produção intelectual de forma crítica.

89
Tema: Quadrinhos e interpretção de texto

Competência: 8 Habilidade: 25

Construção da habilidade: O exercício trabalha a partir da ideia de que as competências lin-


guísticas do falante envolvem conseguir reconhecer marcas linguísticas que determinam usos que
pertencentes ao campo formal versus os que pertencem ao campo informal

MODELO 2

(Enem)

Pela evolução do texto, no que se refere à linguagem empregada, percebe-se que a garota
a) deseja afirmar-se como nora por meio de uma fala poética
b) utiliza expressões linguísticas próprias do discurso infantil.
c) usa apenas expressões linguísticas presentes no discurso formal.
d) se expressa utilizando marcas do discurso formal e do informal.
e) usa palavras com sentido pejorativo para assustar o interlocutor.

90
Tema: Gêneros textuais

Competência: 7 Habilidade: 21

Construção da habilidade: O exercício trabalha a partir da ideia de que as competências


linguísticas do falante envolvem conseguir vincular informações existentes entre dois tipos de
texto, percebendo neles alguma definição de ideia geral

AL.
MODELO 3

(Enem) TEXTO I

TEXTO II

Imaginemos um cidadão, residente na periferia de um grande centro urbano, que diariamente


acorda às 5h para trabalhar, enfrenta em média 2 horas de transporte público, em geral lotado,
para chegar às 8h ao trabalho. Termina o expediente às 17h e chega em casa às 19h para, aí sim,
cuidar dos afazeres domésticos, dos filhos etc. Como dizer a essa pessoa que ela deve praticar
exercícios, pois é importante para sua saúde? Como ela irá entender a mensagem da importância
do exercício físico? A probabilidade de essa pessoa praticar exercícios regularmente é significa-
tivamente menor que a de pessoas da classe média/alta que vivem outra realidade. Nesse caso,
a abordagem individual do problema tende a fazer com que a pessoa se sinta impotente em não
conseguir praticar exercícios e, consequentemente, culpada pelo fato de ser ou estar sedentária.
FERREIRA, M. S. Aptidão física e saúde na educação física escolar: ampliando o enfoque. RBCE, n. 2, jan. 2001 (adaptado).

O segundo texto, que propõe uma reflexão sobre o primeiro acerca do impacto de mudanças no
estilo de vida na saúde, apresenta uma visão
a) medicalizada, que relaciona a prática de exercícios físicos por qualquer indivíduo à promoção da saúde.
b) ampliada, que considera aspectos sociais intervenientes na prática de exercícios no cotidiano.
c) crítica, que associa a interferência das tarefas da casa ao sedentarismo do indivíduo.
d) focalizada, que atribui ao indivíduo a responsabilidade pela prevenção de doenças.
e) geracional, que preconiza a representação do culto à jovialidade.

91
Tema: Gêneros textuais

Competência: 7 Habilidade: 21

Construção da habilidade: O exercício trabalha a partir da ideia de que as competências


linguísticas do falante envolvem conseguir reconhecer marcas linguísticas que determinam usos que
pertencentes ao campo formal versus o que pertencem ao campo informal

MODELO 4

(Enem)

A utilização de determinadas variedades linguísticas em campanhas educativas tem a função de


atingir o público-alvo de forma mais direta e eficaz. No caso desse texto, identifica-se essa estra-
tégia pelo(a)
a) discurso formal da língua portuguesa.
b) registro padrão próprio da língua escrita.
c) seleção lexical restrita à esfera da medicina.
d) fidelidade ao jargão da linguagem publicitária.
e) uso de marcas linguísticas típicas da oralidade.

92
Raio X - Análise Expositiva
1.
O texto apresenta uma breve apreciação e descrição de uma obra literária com o objetivo de apre-
sentá-la de forma sintetizada, apontando, guiando e convidando o leitor a conhecer o livro na
integra. Assim, é correta a opção [E] que define o fragmento como uma resenha por apresentar
uma produção intelectual de forma crítica. .
2.
A formalidade do discurso da garota é interrompida no último quadro, quando usa a expressão “vai
ter de tomar jeito”, típica da linguagem informal, para insinuar que, quando casar com Hamlet,
Hagar deve melhorar o seu comportamento.
3.
A descrição da rotina comum às camadas da população que são sujeitas a sobrecarga laboral diária,
dificuldades de locomoção entre local de trabalho e residência e execução de tarefas domésticas
revela que a probabilidade de essa parcela praticar exercícios regularmente é quase impossível.
Ou seja, o texto apresenta uma visão ampliada, que considera aspectos sociais intervenientes na
prática de exercícios no cotidiano, como se afirma em [B].
4.
É correta a opção [E], pois o uso de expressões como “está difícil largar” e “ir se acostumando” no
anúncio revela que marcas linguísticas típicas da oralidade em campanhas educativas têm a função
de atingir o público-alvo de forma mais direta e eficaz.

Gabarito
1. E 2. D 3. B 4. E

93
Prescrição: Para resolver os exercícios dessa aula, será necessário instrumentalizar conhecimentos
a respeito de linguagem coloquial (usos orais) e de linguagem prescritiva (usos relacionados à
gramática normativa). Isso envolve saber diferenciar usos linguísticos espaciais (regionais), temporais
(históricos), sociais e também situacionais.

Prática dos conhecimentos - E.O.


1. (Enem)

Esse texto é uma propaganda veiculada nacionalmente.


Esse gênero textual utiliza-se da persuasão com uma intencionalidade específica. O principal ob-
jetive desse texto é
a) comprovar que o avanço da dengue no país está relacionado ao fato de a população desconhecer os
agentes causadores.
b) convencer as pessoas a se mobilizarem, com o intuito de eliminar os agentes causadores da doença.
c) demonstrar que a propaganda tem um caráter institucional e, por essa razão, não pretende vender
produtos.
d) informar à população que a dengue é uma doença que mata e que, por essa razão, deve ser combatida.
e) sugerir que a sociedade combata a doença, observando os sintomas apresentados e procurando auxílio
médico.

2. (Enem) E a sujeira virou arte


Dia após dia, a poluição invisível dos canos de descarga vai grudando nos muros junto à fuligem de
fogueiras acesas por moradores de rua, até que não seja mais possível distinguir o limpo original do
sujo acumulado. É nesse momento que surge o artista visual Drin Cortes, 27. Com um pano úmido,
um pincel e uma garrafa de água — e nada além —, ele tem transformado a paisagem da capital
mineira ao usar a técnica do grafite reverso, que consiste em apagar a sujeira para criar desenhos que
dialogam com a problemática da cidade. O trabalho [atual] consiste em desenhar rostos de pessoas

94
desaparecidas, que tenham em sua história 4. (Enem) O valor das coisas
alguma relação com as drogas. “Esse lugar
respira o problema da droga. O usuário de Você deve ter notado que a revista custa R$
crack muitas vezes é tratado de forma hostil. 13. Não é pouco, eu sei. É mais que boa par-
Essa é uma forma de as pessoas passarem por te das revistas — e olha que muitas delas
aqui e olharem duas vezes para aquilo que a têm papel mais grosso, mais brilhante, uma
sujeira esconde. E que, na verdade, elas não atitude mais arrogante, mais de quem sabe
veem porque não querem”, diz. de tudo. Se você desembolsou R$ 13 para ler
SIMÕES, L. Disponível em: www.otempo.com.br. estas linhas, é porque, de alguma maneira,
Acesso em: 3 fev. 2015 (adaptado). você enxergou valor aqui neste trabalho que
A arte pode representar padrões de beleza ou nós fazemos. Temos muito orgulho disso, e
ter o propósito de questioná-los, permitindo muita consciência da responsabilidade que
que a sociedade reveja valores e preconcei- isso implica.
tos. O artista Drin Cortes utiliza da técnica
do grafite reverso com o objetivo de Esta edição fala muito deste assunto: o va-
a) ressaltar o descaso do poder público com a lor das coisas. Ficar antenados nas ideias
transformadoras que estão mudando a lógi-
limpeza.
ca de tudo é nossa obrigação aqui na revis-
b) evidenciar a humanidade dos usuários de
ta. Acreditamos que, assim, entregaremos a
drogas.
você uma publicação que ajude a entender as
c) apresentar a estética da paisagem urbana.
coisas e a tomar as decisões certas para viver
d) destacar a poética dos espaços públicos.
bem. É esse o meu compromisso com você.
e) debater o perigo da poluição.
Prometo que vamos trabalhar duro todos os
3. (Enem) Chamou-me o bragantino e levou- dias para que a revista valha cada centavo
-me pelos corredores e pátios até ao hospício que você gasta conosco.
propriamente. Aí é que percebi que ficava e Grande abraço,
Diretor de Redação.
onde, na seção, na de indigentes, aquela em
BURGIERMAN, D. R. Superinteressante,
que a imagem do que a Desgraça pode so-
ed. 317, abr. 2013 (adaptado).
bre a vida dos homens é mais formidável. O
mobiliário, o vestuário das camas, as camas, As cartas ao leitor, publicadas em revistas,
tudo é de uma pobreza sem par. Sem fazer valem-se de diversas estratégias argumenta-
monopólio, os loucos são da proveniência tivas, por meio das quais se busca construir
mais diversa, originando-se em geral das uma relação de cumplicidade entre revista e
camadas mais pobres da nossa gente pobre. público-alvo e promover a adesão do leitor
São de imigrantes italianos, portugueses e à publicação. Nessa carta, constrói-se uma
outros mais exóticos, são os negros roceiros, imagem de revista que
que teimam em dormir pelos desvãos das ja- a) busca o menor preço para garantir economia
nelas sobre uma esteira esmolambada e uma ao leitor.
manta sórdida; são copeiros, cocheiros, mo- b) respeita o leitor e tem consciência de sua
ços de cavalariça, trabalhadores braçais. No responsabilidade em fazer um trabalho de
meio disto, muitos com educação, mas que qualidade.
a falta de recursos e proteção atira naquela c) assume diante do leitor sua diferença em re-
geena social. lação a outras revistas que estão no merca-
BARRETO, L. Diário do hospício e O cemitério dos vivos. do.
São Paulo: Cosac & Naify, 2010. d) privilegia ideias transformadoras que estão
No relato de sua experiência no sanatório mudando a lógica de tudo no mundo.
onde foi interno, Lima Barreto expõe uma e) justifica seu investimento porque precisa me-
realidade social e humana marcada pela ex- lhorar seu padrão gráfico.
clusão. Em seu testemunho, essa reclusão
demarca uma 5. (Enem) Inspiração no lixo
a) medida necessária de intervenção terapêuti- O paulistano Jaime Prades, um dos precur-
ca. sores do grafite e da arte urbana, chegou ao
b) forma de punição indireta aos hábitos desre- lixo por sua intensa relação com as ruas de
grados. São Paulo. “A partir da década de 1980, pas-
c) compensação para as desgraças dos indiví- sei a perceber o desastre que é a ecologia
duos. urbana. Quando a gente fala em questão am-
d) oportunidade de ressocialização em um novo biental, sempre se refere à natureza, mas a
ambiente. crise ambiental urbana é forte”, diz Prades.
e) conveniência da invisibilidade a grupos vul- Inspirado pela obra de Frans Krajcberg, há
neráveis e periféricos. quatro anos Jaime Pradez decidiu construir

95
uma árvore gigante no Parque do Ibirapuera c) persuadir o leitor especializado a se benefi-
ou em outro local público, feita com sobras ciar do exercício da paternidade, com base
de madeira garimpadas em caçambas. “Elas nos dados comparados.
são como os intestinos da cidade, são vís- d) dar ciência ao leitor especializado da valida-
ceras expostas”, conta Prades. “Percebi que de da investigação, com base na reputação
cada pedaço de madeira carregava a memó- da instituição promotora.
ria da árvore de onde ela veio. Percebi que e) instruir o leitor leigo a respeito da validade
não estava só reciclando, e sim resgatando”. relativa da investigação, com base nas de-
Sua árvore gigante ainda não vingou, mas clarações da pesquisadora.t
a ideia evoluiu. Agora, ele pretende criar
uma plataforma na internet para estimular 7. (Enem) Boa parte dos usuários da internet
outros artistas a fazer o mesmo. “Teríamos — em especial aqueles que têm perfis em
uma floresta virtual planetária, na qual se redes sociais – já receberam alguma notícia
colocariam essas questões de forma poética, por meio dessas ferramentas antes mesmo
criando uma discussão enriquecedora.” da publicação nos grandes portais, rádio ou
VIEIRA, A. National Geographic Brasil, n. 65-A, 2015. televisão. Na maioria das vezes, uma pessoa
que presenciou o fato descreve o que acon-
O texto tematiza algumas transformações teceu e o assunto se espalha pela rede. Essa
das funções da arte na atualidade. No tra- é uma rotina cada vez mais comum à me-
balho citado, do artista Jaime Prades, con- dida que aumenta o acesso à internet e às
sidera-se a mídias sociais, além da mudança de perfil
a) reflexão sobre a responsabilidade ambiental dos blogs, que já estão na rede há mais de 10
homem. anos. Os pesquisadores atualmente debatem
b) valorização da poética em detrimento do a relevância dos conteúdos colaborativos nos
conteúdo. meios de comunicação, como discernir notí-
c) preocupação com o belo encontrado na na- cias reais de spam (lixo eletrônico) e como
tureza. essa forma de publicar notícias pode melho-
d) percepção da obra como suporte da memó- rar os jornais e demais mídias. Todo cidadão
ria. pode ser um produtor de notícias, e lidar
e) reutilização do lixo como forma de consumo. com esse cenário em que as notícias vêm de
todos os falos é um desafio.
6. (Enem) Ser pai faz bem para a pressão! SANTANA, A. E. Disponível em: www.ebc.com.br.
Uma pesquisa feita pela Brigham Young Uni- Acesso em: 18 maio 2013 (adaptado).
versity, nos EUA, indica que a paternidade
pode ajudar a manter a pressão arterial bai- Ao valorizar a descentralização da produção
xa. Os dados foram medidos em 198 adul- de informações, o texto explicita que o prin-
tos, monitorados por aparelhos anexados ao cipal impacto das comunidades virtuais na
braço, em intervalos aleatórios, durante 24 comunicação contemporânea é o(a)
horas. Comparada às do grupo de adultos a) crescimento do número de leitores.
sem filhos, a média dos pais foi inferior em b) agilidade na veiculação de notícias.
4,5 pontos para a pressão arterial diastólica. c) aproximação entre leitores e editores.
Julianne Holt-Lunstad, autora do estudo, diz d) possibilidade da visão correta do fato.
que outros fatores (como atividades físicas) e) aumento da qualidade das publicações.
também colaboram para reduzir esses níveis
e que o objetivo da pesquisa é comprovar 8. (Enem) Doutor dos sentimentos
como fatores sociais colaboram para a saú- Veja quem é e o que pensa o português An-
de do corpo. “Isso não significa que quan- tónio Damásio, um dos maiores nomes da
to mais crianças você tiver, melhor será sua neurociência atual, sempre em busca de des-
pressão sanguínea. Os resultados estão co- vendar os mistérios do cérebro, das emoções
nectados a essa relação de parentesco, mas e da consciência
sem considerar o número de sucessores ou Ele é baixo, usa óculos, tem cabelos brancos
situação profissional”, pondera Julianne. penteados para trás e costuma vestir terno e
ALVES, I. Vivasaúde, n. 83, s.d. gravata. A surpresa vem quando começa a fa-
lar. António Damásio não confirma em nada
O texto apresenta resultados de uma pesqui- o clichê que se tem de cientista. Preocupado
sa científica, objetivando em ser o mais didático possível, tenta, pa-
a) informar o leitor leigo a respeito dos resul- cientemente, com certa graça e até ironia,
tados obtidos, com base em dados monitora- sempre que cabível, traduzir para os leigos
dos.
estudos complexos sobre o cérebro. Portu-
b) sensibilizar o leitor acadêmico a respeito da
guês, Damásio é um dos principais expoen-
paternidade, com apoio nos comentários da
tes da neurociência atual.
pesquisadora.
96
Diferentemente de outros neurocientistas, 1
0. (Enem) TEXTO I
que acham que apenas a ciência tem res-
postas à compreensão da mente, Damásio Terezinha de Jesus
considera que muitas ideias não provêm ne- De uma queda foi ao chão
cessariamente daí. Para ele, um substrato im- Acudiu três cavalheiros
prescindível para entender a mente, a consci- Todos os três de chapéu na mão
ência, os sentimentos e as emoções advém da
vida intuitiva, artística e intelectual. Fora dos O primeiro foi seu pai
meios científicos, o nome de Damásio come- O segundo, seu irmão
çou a ser celebrado na década de 1990, quan- O terceiro foi aquele
do lançou seu primeiro livro, uma obra que
A quem Tereza deu a mão
fala de emoção, razão e do cérebro humano.
TREFAUT, M. P. BATISTA, M. F. B. M.; SANTOS, I. M. F. (Org.). Cancioneiro
Disponível em: http://revistaplaneta.terra.com.br. da Paraíba. João Pessoa: Grafset, 1993 (adaptado).
Acesso em: 2 set. 2014 (adaptado).
TEXTO II
Na organização do texto, a sequência que
atende à função sociocomunicativa de apre- Outra interpretação é feita e partir das con-
sentar objetivamente o cientista António dições sociais daquele tempo. Para a ama e
Damásio é a para a criança para quem cantava a cantiga,
a) descritiva, pois delineia um perfil do profes- e música falava do casamento como um des-
sor. tino natural na vida da mulher, na sociedade
b) injuntiva, pois faz um convite à leitura de brasileira do século XIX, marcada pelo pa-
sua obra. triarcalismo. A música prepara a moça para
c) argumentativa, pois defende o seu comporta- o seu destino não apenas inexorável, mas
mento incomum. desejável; o casamento, estabelecendo uma
d) narrativa, pois são contados fatos relevantes hierarquia de obediência (pai, irmão mais
ocorridos em sua vida. velho, marido), de acordo com a época e cir-
e) expositiva, pois traz as impressões da autora cunstâncias de sua vida.
a respeito de seu trabalho.
Disponível em: http://provsjose.blogspot.
com.br. Acesso em: 5 dez. 2012.
9.
O comentário do Texto II sobre o Texto I evo-
ca a mobilização da língua oral que, em de-
terminados contextos,
a) assegura existência de pensamentos contrá-
rios à ordem vigente.
b) mantém a heterogeneidade das formas de re-
lações sociais.
c) conserva a influência sobre certas culturas.
d) preserva a diversidade cultural e comporta-
mental.
e) reforça comportamentos e padrões culturais.

1
1. (Enem) TEXTO I

Nesse cartaz publicitário de uma empresa de


papel e celulose, a combinação dos elemen-
tos verbais e não verbais visa
a) justificar os prejuízos ao meio ambiente, ao
vincular a empresa à difusão da cultura.
b) incentivar a leitura de obras literárias, ao re-
ferir-se a títulos consagrados do acervo mun-
dial.
c) seduzir o consumidor, ao relacionar o anun-
ciante às histórias clássicas da literatura uni-
versal. TEXTO II
d) promover uma reflexão sobre a preservação
ambiental ao aliar o desmatamento aos clás- Speto
sicos da literatura.
e) construir uma imagem positiva do anuncian- Paulo César Silva, mais conhecido como Spe-
te, ao associar a exploração alegadamente to, é um grafiteiro paulista envolvido com
sustentável à produção de livros. o skate e a música. O fortalecimento de sua

97
arte ocorreu, em 1999, pela oportunidade 1
3. (Enem) O hoax, como é chamado qualquer
de ver de perto as referências que trazia há boato ou farsa na internet, pode espalhar
tempos, ao passar por diversas cidades do vírus entre os seus contatos. Falsos sorteios
Norte do Brasil em uma turnê com a banda de celulares ou frases que Clarice Lispector
O Rappa. nunca disse são exemplos de hoax. Trata-
Revista Zupi, n. 19, 2010. -se de boatos recebidos por e-mail ou com-
partilhados em redes sociais. Em geral, são
O grafite do artista paulista Speto, exposto mensagens dramáticas ou alarmantes que
no Museu Afro Brasil, revela elementos da acompanham imagens chocantes, falam de
cultura brasileira reconhecidos crianças doentes ou avisam sobre falsos ví-
a) na influência da expressão abstrata. rus. O objetivo de quem cria esse tipo de
b) na representação de lendas nacionais. mensagem pode ser apenas se divertir com
c) na inspiração das composições musicais. a brincadeira (de mau gosto), prejudicar a
imagem de uma empresa ou espalhar uma
d) nos traços marcados pela xilogravura nor-
ideologia política.
destina.
Se o hoax for do tipo phishing (derivado
e) nos usos característicos de grafismos dos
de fishing, pescaria, em inglês) o problema
skates. pode ser mais grave: o usuário que clicar
pode ter seus dados pessoais ou bancários
1
2. (Enem) É viajando pelo mundo que os dois roubados por golpistas. Por isso é tão im-
profissionais do Living Tongues lnstitute portante ficar atento.
for Endangered Languages reúnem subsí- VIMERCATE, N. Disponível em: www.techtudo.com.br.
dios para formar os chamados “dicionários Acesso em: 1 maio 2013 (adaptado).
falantes” de idiomas em fase de extinção,
com poucos falantes no planeta. “A maioria Ao discorrer sobre os hoaxes, o texto suge-
re ao leitor, como estratégia para evitar essa
das línguas do mundo é oral, o que significa
ameaça,
que não estão escritas ou seus falantes não
a) recusar convites de jogos e brincadeiras fei-
costumam escrevê-las. E, apesar de os proje- tos pela internet.
tos tradicionais dos linguistas serem os de b) analisar a linguagem utilizada nas mensa-
escrever gramáticas e dicionários, gostamos gens recebidas.
de pensar em línguas vivas, e saber que as c) classificar os contatos presentes em suas re-
pessoas as estão falando. Então, se você vai des sociais.
a um dicionário, deve ser capaz de ouvi-lo. d) utilizar programas que identifiquem falsos
Foi com isso em mente que criamos os dicio- vírus.
nários para oito de algumas das línguas mais e) desprezar mensagens que causem comoção
ameaçadas do mundo”, disse o linguista K.
David Harrison. Para os ativistas de cada co- 1
4. (Enem)
munidade com idioma ameaçado, esse dicio-
nário é uma ferramenta que pode ser usada
para disseminar o conhecimento da língua
entre os mais jovens. Para todas as outras
pessoas interessadas, é a oportunidade de
encontrar sons e formas de discursos huma-
nos desconhecidos para grande parte da po-
pulação do globo. É a diversidade linguística
escondida e que agora pode ser revelada.
Disponível em: http://revistalingua.uol.com.
br. Acesso em: 28 jul. 2012 (adaptado).
Rompendo com as paredes retas e com a geo-
Considerando o projeto dos “dicionários fa-
metrização clássica acadêmica, os arquitetos
lantes”, compreende-se que o trabalho dos
modernistas desenvolveram seus projetos
linguistas apresentado no texto objetiva
graças também a um momento de industria-
a) destacar a importância desse tipo de iniciati-
lização e modernização do Brasil. Observan-
va para a reconstituição de línguas extintas.
do a imagem apresentada, analisa-se que
b) ratificar a tradição oral como instrumento de
a) Niemeyer projetou os edifícios de Brasília
preservação das línguas no mundo. com a intenção de impor a arquitetura sobre
c) demonstrar a existência de registros linguís- a natureza, seguindo os princípios da arqui-
ticos sob risco de desaparecer. tetura moderna.
d) preservar a memória cultural de um povo por b) o Palácio da Alvorada, em Brasília, na posi-
meio de registros escritos. ção horizontal, permite fazer uma integração
e) estimular projetos voltados para a escrita de do edifício com a paisagem do cerrado e o
gramáticas e dicionários. horizonte, um conceito de vanguarda para a
arquitetura da época.
98
c) Niemeyer projetou o Palácio da Alvorada com d) a segunda tela, ao diminuir o destaque da
colunas de linhas quebradas e rígidas, com o cruz, nega a importância da religião no pro-
propósito de unir as tendências recentes da cesso dos descobrimentos.
arquitetura moderna, criando um novo estilo. e) a tela de Victor Meirelles contribuiu para
d) os prédios de Brasília são elevados e susten- uma visão romantizada dos primeiros dias
tados por colunas, deixando um espaço livre dos portugueses no Brasil.
sob o edifício, com o objetivo de separar o
ambiente externo do interno, trazendo mais
harmonia à obra.
e) Niemeyer projetou os edifícios de Brasília Gabarito
com espaços amplos, colunas curvas, janelas
largas e grades de proteção, separando os jar- 1. D 2. C 3. E 4. B 5. A
dins e praças da área útil do prédio.
6. A 7. B 8. A 9. E 10. E
15. (Enem) Distantes uma da outra quase 100
anos, as duas telas seguintes, que integram 11. D 12. B 13. B 14. B 15. E
o patrimônio cultural brasileiro, valorizam a
cena da primeira missa no Brasil, relatada
na carta de Pero Vaz de Caminha. Enquanto
a primeira retrata fielmente a carta, a se-
gunda — ao excluir a natureza e os índios
— critica a narrativa do escrivão da frota de
Cabral. Além disso, na segunda, não se vê a
cruz fincada no altar.

Ao comparar os quadros e levando-se em con-


sideração a explicação dada, observa-se que
a) a influência da religião católica na catequiza-
ção do povo nativo é objeto das duas telas.
b) a ausência dos índios na segunda tela signi-
fica que Portinari quis enaltecer o feito dos
portugueses.
c) ambas, apesar de diferentes, retratam um
mesmo momento e apresentam uma mesma
visão do fato histórico.

99
L C Literatura

ENTRE
LETRAS

RPA ENEM

L C
Competência 1 – Aplicar as tecnologias da comunicação e da informação na escola, no trabalho e em outros contextos relevantes para
sua vida.
H1 Identificar as diferentes linguagens e seus recursos expressivos como elementos de caracterização dos sistemas de comunicação.
H2 Recorrer aos conhecimentos sobre as linguagens dos sistemas de comunicação e informação para resolver problemas sociais.
H3 Relacionar informações geradas nos sistemas de comunicação e informação, considerando a função social desses sistemas.
H4 Reconhecer posições críticas aos usos sociais que são feitos das linguagens e dos sistemas de comunicação e informação.
Competência 2 – Conhecer e usar língua(s) estrangeira(s) moderna(s) (LEM) como instrumento de acesso a informações e a outras
culturas e grupos sociais.
H5 Associar vocábulos e expressões de um texto em LEM ao seu tema.
H6 Utilizar os conhecimentos da LEM e de seus mecanismos como meio de ampliar as possibilidades de acesso a informações, tecnologias e culturas.
H7 Relacionar um texto em LEM, as estruturas linguísticas, sua função e seu uso social.
H8 Reconhecer a importância da produção cultural em LEM como representação da diversidade cultural e linguística.
Competência 3 – Compreender e usar a linguagem corporal como relevante para a própria vida, integradora social e formadora da
identidade.
H9 Reconhecer as manifestações corporais de movimento como originárias de necessidades cotidianas de um grupo social.
H10 Reconhecer a necessidade de transformação de hábitos corporais em função das necessidades cinestésicas.
Reconhecer a linguagem corporal como meio de interação social, considerando os limites de desempenho e as alternativas de adaptação para
H11
diferentes indivíduos.
Competência 4 – Compreender a arte como saber cultural e estético gerador de significação e integrador da organização do mundo e
da própria identidade.
H12 Reconhecer diferentes funções da arte, do trabalho da produção dos artistas em seus meios culturais.
H13 Analisar as diversas produções artísticas como meio de explicar diferentes culturas, padrões de beleza e preconceitos.
H14 Reconhecer o valor da diversidade artística e das inter-relações de elementos que se apresentam nas manifestações de vários grupos sociais e étnicos.
Competência 5 – Analisar, interpretar e aplicar recursos expressivos das linguagens, relacionando textos com seus contextos, mediante
a natureza, função, organização, estrutura das manifestações, de acordo com as condições de produção e recepção.
H15 Estabelecer relações entre o texto literário e o momento de sua produção, situando aspectos do contexto histórico, social e político.
H16 Relacionar informações sobre concepções artísticas e procedimentos de construção do texto literário.
H17 Reconhecer a presença de valores sociais e humanos atualizáveis e permanentes no patrimônio literário nacional.
Competência 6 – Compreender e usar os sistemas simbólicos das diferentes linguagens como meios de organização cognitiva da
realidade pela constituição de significados, expressão, comunicação e informação.
H18 Identificar os elementos que concorrem para a progressão temática e para a organização e estruturação de textos de diferentes gêneros e tipos.
H19 Analisar a função da linguagem predominante nos textos em situações específicas de interlocução.
H20 Reconhecer a importância do patrimônio linguístico para a preservação da memória e da identidade nacional
Competência 7 – Confrontar opiniões e pontos de vista sobre as diferentes linguagens e suas manifestações específicas.
H21 Reconhecer em textos de diferentes gêneros, recursos verbais e não-verbais utilizados com a finalidade de criar e mudar comportamentos e hábitos.
H22 Relacionar, em diferentes textos, opiniões, temas, assuntos e recursos linguísticos.
H23 Inferir em um texto quais são os objetivos de seu produtor e quem é seu público alvo, pela análise dos procedimentos argumentativos utilizados.
Reconhecer no texto estratégias argumentativas empregadas para o convencimento do público, tais como a intimidação, sedução, comoção,
H24
chantagem, entre outras.
Competência 8 – Compreender e usar a língua portuguesa como língua materna, geradora de significação e integradora da organização
do mundo e da própria identidade.
H25 Identificar, em textos de diferentes gêneros, as marcas linguísticas que singularizam as variedades linguísticas sociais, regionais e de registro.
H26 Relacionar as variedades linguísticas a situações específicas de uso social.
H27 Reconhecer os usos da norma padrão da língua portuguesa nas diferentes situações de comunicação.
Competência 9 – Entender os princípios, a natureza, a função e o impacto das tecnologias da comunicação e da informação na sua vida
pessoal e social, no desenvolvimento do conhecimento, associando-o aos conhecimentos científicos, às linguagens que lhes dão suporte,
às demais tecnologias, aos processos de produção e aos problemas que se propõem solucionar.
H28 Reconhecer a função e o impacto social das diferentes tecnologias da comunicação e informação.
H29 Identificar pela análise de suas linguagens, as tecnologias da comunicação e informação.
H30 Relacionar as tecnologias de comunicação e informação ao desenvolvimento das sociedades e ao conhecimento que elas produzem
Aplicação dos conhecimentos - Sala
SEMANA 1 Tema: Classicismo

Competência: 4 Habilidade: 12

Construção da habilidade: Dentro da competência da área 4 do Enem, será exigida a capacidade


de compreender a arte como saber cultural e estético gerador de significação e integrador da organi-
zação do mundo e da própria identidade, com base na escola literária do Classicismo. .

MODELO 1

POUSSIN, Nicolas. Triomphe de Netune. 1634.


Disponível em: https://www.wikiart.org/pt/nicolas-poussin/triumph-of-neptune-1634

A obra de Poussin possui elementos do movimento classicista, pois


a) valoriza elementos ligados à imaginação, criação e irrealidade.
b) contempla a beleza das formas, o antropocentrismo e o rigor estético antigo.
c) analisa o comportamento humano e social com objetividade.
d) retrata as relações interpessoais com subjetividade.
e) difunde ideais individualistas ligados a fundamentos materialistas.

103
Tema: Romantismo

Competência: 4 Habilidade: 12

Construção da habilidade: Dentro da competência da área 4 do Enem, será exigida a capacidade


de compreender a arte como saber cultural e estético gerador de significação e integrador da organi-
zação do mundo e da própria identidade, com base na escola literária romântica.

MODELO 2

A obra de Caspar David Friedrich faz parte da escola literária romântica. Nesse sentido, pode-se
afirmar que a obra
a) estabelece uma ruptura com a pintura neoclássica, com ênfase nos sentimentos do artista e a valori-
zação da natureza.
b) cria uma continuidade no movimento das obras clássicas com rigor estético.
c) valoriza os itens subjetivos da arte moderna para desenvolver a sua ideia principal.
d) difunde novos pensamentos após o neoclassicismo e exalta o cientificismo.
e) contempla a valorização do humanismo, utilizando a figura do ser humano como foco principal do
movimento.

104
Tema: Indianismo

Competência: 5 Habilidade: 15

Construção da habilidade: Dentro da competência da área 4 do Enem, será exigida a capaci-


dade de compreender a arte como saber cultural e estético gerador de significação e integrador da
organização do mundo e da própria identidade, com base na escola literária romântica em sua face
indianista.

MODELO 3

Canção do exílio
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores. (...)
(...) Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Gonçalves Dias, 1843.
Disponível em: https://mundoeducacao.bol.uol.com.br/literatura/primeira-geracao-romantismo-brasileiro.htm (ADAPTADO).

O poema constitui a primeira fase romântica da literatura brasileira. Essa obra demonstra as se-
guintes características da época:
a) a valorização do pensamento clássico ao pensar na própria terra como algo singular.
b) o sofrimento por não estar no seu lugar de origem, delimitando um sofrimento exacerbado.
c) a utilização de uma linguagem rebuscada, desempenhando as qualidades de lugar descrito pelo poeta.
d) a contemplação de ideias geográficas sobre a ideia principal do poema pelo autor.
e) a exaltação da natureza e do nacionalismo, valorizando a liberdade e a pátria

105
Tema: Ultrarromantismo

Competência: 5 Habilidade: 16

Construção da habilidade: Dentro da competência da área 4 do Enem, será exigida a capaci-


dade de compreender a arte como saber cultural e estético gerador de significação e integrador da
organização do mundo e da própria identidade, com base na escola literária romântica em sua face

MODELO 4

Longe do meu lado


A paixão já passou em minha vida
Foi até bom mas ao final deu tudo errado
E agora carrego em mim
Uma dor triste, um coração cicatrizado

E olha que tentei o meu caminho


Mas tudo agora é coisa do passado
Quero respeito e sempre ter alguém
Que me entenda e sempre fique ao meu lado
Mas não, não quero estar apaixonado.

A paixão quer sangue e corações arruinados


E saudade é só mágoa por ter sido
Feito tanto estrago
E essa escravidão e essa dor
Não quero mais
Quando acreditei que tudo era um fato consumado
Veio a foice e jogou-te longe
Longe do meu lado
Legião Urbana. A tempestade ou o livro dos dias.
Disponível em: https://www.vagalume.com.br/legiao-urbana/longe-do-meu-lado.html

A canção da banda Legião Urbana representa características da estética da chamada geração ultrar-
romântica na literatura brasileira. Entre essas marcas, destaca-se a
a) realização de estrofes com rimas marcadas no decorrer da canção.
b) estabelecimento de ideias semelhantes ao movimento neoclássico da Literatura.
c) valorização do egocentrismo, pessimismo e sentimentalismo, demonstrando descrença do amor e a
tristeza.
d) contemplação de ideias sobre o amor de forma objetiva e idealizada de si próprio.
e) determinação de ideais subjetivos voltados para a felicidade expressa no amor.

106
Tema: Realismo

Competência: 5 Habilidade: 15

Construção da habilidade: Dentro da competência da área 4 do Enem, será exigida a capacidade


de compreender a arte como saber cultural e estético gerador de significação e integrador da organi-
zação do mundo e da própria identidade, com base na escola literária realista.

MODELO 5

Não consultes dicionários. Casmurro não está aqui no sentido que eles lhe dão, mas no que lhe
pôs o vulgo de homem calado e metido consigo. Dom veio por ironia, para atribuir-me fumos de
fidalgo. Tudo por estar cochilando! Também não achei melhor título para a minha narração — se
não tiver outro daqui até ao fim do livro, vai este mesmo. O meu poeta do trem ficará sabendo que
não lhe guardo rancor. E com pequeno esforço, sendo o título seu, poderá cuidar que a obra é sua.
Há livros que apenas terão isso dos seus autores; alguns nem tanto.
ASSIS, Machado de. Dom Casmurro.
Disponível em: http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/ua000194.pdf

O fragmento do primeiro capítulo da obra de Machado de Assis configura algumas das principais
características do movimento realista, como
a) a valorização da objetividade em oposição ao movimento romântico e a presença da ironia.
b) a necessidade de se expressar de forma subjetiva para que o leitor consiga tirar as suas próprias con-
clusões.
c) o aprimoramento das práticas românticas, como o pessimismo e a exacerbação do tédio.
d) o desenvolvimento de ideais voltados para o neoclassicismo, como o rigor estético e a preocupação
com as formas.
e) o processo de ruptura com as escolas literárias precedentes e a valorização do subjetivismo.

107
Tema: Prosa romântica

Competência: 5 Habilidade: 15

Construção da habilidade: Dentro da competência da área 4 do Enem, será exigida a capacidade


de compreender a arte como saber cultural e estético gerador de significação e integrador da organi-
zação do mundo e da própria identidade, com base na escola literária romântica.

MODELO 6

“Mais rápida que a corça selvagem, a morena virgem corria o sertão e as matas do Ipu, onde cam-
peava sua guerreira tribo, da grande nação tabajara. O pé grácil e nu, mal roçando, alisava apenas
a verde pelúcia que vestia a terra com as primeiras águas.”
“Diante dela e todo a contemplá-la está um guerreiro estranho, se é guerreiro e não algum mau
espírito da floresta. Tem nas faces o branco das areias que bordam o mar; nos olhos o azul triste
das águas profundas. Ignotas armas e tecidos ignotos cobrem-lhe o corpo.”
ALENCAR, José de. Iracema. 1865.
Disponível em: https://www.todamateria.com.br/iracema/

No fragmento da prosa romântica de José de Alencar, parte de uma trilogia, o autor narra o mo-
mento em que a indígena se encontra com o colonizador. A reação da personagem define
a) o espanto pelo fato de nunca ter visto a imagem de um homem europeu anteriormente.
b) a idealização da mulher no movimento indianista pela descrição de suas características.
c) a conformação de ver um homem que já havia visto anteriormente.
d) a subjetividade expressa pelo romantismo, pois se define em detalhes a aparência do homem que avis-
tou.
e) o pensamento europeu desenvolvido da época, pois os indígenas já possuíam costume com tal cultura.

108
Tema: Naturalismo

Competência: 5 Habilidade: 15

Construção da habilidade: Dentro da competência da área 4 do Enem, será exigida a capacidade


de compreender a arte como saber cultural e estético gerador de significação e integrador da organi-
zação do mundo e da própria identidade, com base na escola literária realista, em sua face naturalista.

MODELO 7

“Daí a pouco, em volta das bicas era um zunzum crescente; uma aglomeração tumultuosa de
machos e fêmeas. Uns, após outros, lavavam a cara, incomodamente, debaixo do fio de água que
escorria da altura de uns cinco palmos.”
AZEVEDO, Aluisio. O Cortiço. 1890.
Disponível em: http://objdigital.bn.br/Acervo_Digital/Livros_eletronicos/cortico.pdf

Aluisio Azevedo, importante nome do Naturalismo, aborda uma das características desse movi-
mento no fragmento em questão, que é
a) a idealização do ser humano como algo subjetivo, voltando os seus pensamentos para o entendimento
romântico.
b) a realização de falas ligadas ao objetivismo, com enfoque nos ideais neoclássicos.
c) a evidenciação do zoomorfismo, a animalização das pessoas devido ao cientificismo exagerado desta
corrente.
d) a diferenciação entre homens e mulheres, valorizando a figura feminina demasiadamente.
e) a antecipação de uma ruptura com os ideais cientificistas, demonstrando maior sentimentalismo.

109
Tema: Pré Modernismo

Competência: 4 Habilidade: 13

Construção da habilidade: Dentro da competência da área 4 do Enem, do aluno será exigida a


capacidade de compreender a arte como saber cultural e estético gerador de significação e integrador
da organização do mundo e da própria identidade, com base no pré-modernismo.

MODELO 8

Observe o poema de Augusto dos Anjos:

Saudade

Hoje que a mágoa me apunhala o seio,


E o coração me rasga atroz, imensa,
Eu a bendigo da descrença, em meio,
Porque eu hoje só vivo da descrença.

À noute quando em funda soledade


Minh’alma se recolhe tristemente,
P’ra iluminar-me a alma descontente,
Se acende o círio triste da Saudade.

E assim afeito às mágoas e ao tormento,


E à dor e ao sofrimento eterno afeito,
Para dar vida à dor e ao sofrimento,

Da saudade na campa enegrecida


Guardo a lembrança que me sangra o peito,
Mas que no entanto me alimenta a vida.

Observando a rigidez da métrica, a melancolia e o ceticismo em relação ao amor, Augusto dos An-
jos destacou-se no pré-modernismo. Todavia uma de suas características não está presente neste
poema, que é:
a) a exaltação ao sentimento nacionalista.
b) o retorno de mecanismos barrocos como as antíteses.
c) a utilização de termos em grego ou latim.
d) a precisão das assonâncias e aliterações.
e) a utilização de termos médicos e científicos.

110
Raio X - Análise Expositiva
1.
O classicismo tem como algumas de suas principais características o rigor estético pela Antiguida-
de Clássica, a valorização da beleza do corpo humano, que determina o antropocentrismo, e a busca
pela perfeição.
2.
A obra traz em questão o romantismo na arte, marcado pela ruptura dos padrões preestabelecidos
pelo neoclassicismo, tendo como base temas como o nacionalismo, a angústia e a solidão.
3.
O autor Gonçalves Dias é o principal representante da primeira geração romântica, marcada pela
exaltação da natureza, das belezas do Brasil, isto é, um nacionalismo objetivo. Nesse contexto,
cria-se uma poesia voltada para o índio e para a natureza brasileira, com linguagem simples e
acessível a todos os públicos da época.
4.
O Ultrarromantismo - ou geração byroniana – é marcada pelo forte egocentrismo, em que o poeta,
assim como na música de Legião Urbana, demonstra pessimismo quanto ao amor, a desilusão e a
tristeza, a constante idealização da mulher e o sentimento não alcançado.
5.
Machado de Assis, o mais importante escritor realista, tem marcas específicas em suas obras, como
a presença constante de ironia, objetividade ao tratar com o leitor e a narração em primeira pes-
soa, mudanças significativas em oposição aos ideais românticos anteriores da época.
6.
Iracema, em suas palavras, descreve a total estranheza pela figura do homem europeu colonizador.
Dessa forma, é possível afirmar que a sua reação define total espanto, ao passo que esta expressa,
pela descrição, a visão de algo até então desconhecido pela personagem.
7.
Devido ao cientificismo exacerbado, o Naturalismo transformou o homem e a sociedade em objetos
de experiências, isto é, os naturalistas, como o autor em questão, buscam analisar os seres huma-
nos de modo totalmente científico, por esses fatores que ocorre a animalização das pessoas, sendo
determinadas como “machos” e “fêmeas”, a título de exemplo no texto.
8.
A característica de Augusto dos Anjos ausente no poema é a utilização de termos médicos e cien-
tíficos.

Gabarito
1. B 2. A 3. E 4. C 5. A
6. A 7. C 8. E

111
Prescrição: Para resolver os exercícios dessa aula, será necessário estabelecer relações entre um texto literário
e o momento em que foi produzido; analisar os procedimentos de construção do texto literário, associando-os
à forma como os artistas de determinadas geração concebem a arte; e refletir sobre como os valores sociais e
humanos presentes na cultura do lugar em que vive são integrados ao patrimônio literário nacional.

Prática dos conhecimentos - E.O.


TEXTOS PARA A PRÓXIMA QUESTÃO o conhecido autor de O guarani e Iracema,
tido como o pai do romance no Brasil. Além
Texto I de criar clássicos da literatura brasileira
Ouvia: com temas nativistas, indianistas e históri-
Que não podia odiar cos, ele foi também folhetinista, diretor de
E nem temer jornal, autor de peças de teatro, advogado,
Porque tu eras eu. deputado federal e até ministro da Justiça.
E como seria Para ajudar na descoberta das múltiplas fa-
Odiar a mim mesma cetas desse personagem do século XIX, parte
E a mim mesma temer. de seu acervo inédito será digitalizada.
HILST, H. Cantares. São Paulo: Globo, 2004 (fragmento). História Viva, n. 99, 2011.

2. Com base no texto, que trata do papel do es-


Texto II
critor José de Alencar e da futura digitaliza-
Transforma-se o amador na cousa amada
ção de sua obra, depreende-se que:
Transforma-se o amador na cousa amada,
a) a digitalização dos textos é importante para que
por virtude do muito imaginar;
os leitores possam compreender seus romances.
não tenho, logo, mais que desejar,
b) o conhecido autor de O guarani e Iracema foi
pois em mim tenho a parte desejada.
importante porque deixou uma vasta obra
Camões. Sonetos. Disponível em: http://www.
jornaldepoesia.jor.br. Acesso em: 03 set. 2010 (fragmento). literária com temática atemporal.
c) a divulgação das obras de José de Alencar,
por meio da digitalização, demonstra sua im-
1. Nesses fragmentos de poemas de Hilda Hilst portância para a história do Brasil Imperial.
e de Camões, a temática comum é: d) a digitalização dos textos de José de Alencar
a) o “outro” transformado no próprio eu lírico, terá importante papel na preservação da me-
o que se realiza por meio de uma espécie de mória linguística e da identidade nacional.
fusão de dois seres em um só. e) o grande romancista José de Alencar é im-
b) a fusão do “outro” com o eu lírico, havendo, portante porque se destacou por sua temáti-
nos versos de Hilda Hilst, a afirmação do eu ca indianista.
lírico de que odeia a si mesmo.
3. O mulato
c) o “outro” que se confunde com o eu líri-
co, verificando-se, porém, nos versos de Ca- Ana Rosa cresceu; aprendera de cor a gramá-
mões, certa resistência do ser amado. tica do Sotero dos Reis; lera alguma coisa;
d) a dissociação entre o “outro” e o eu lírico, sabia rudimentos de francês e tocava modi-
porque o ódio ou o amor se produzem no nhas sentimentais ao violão e ao piano. Não
imaginário, sem a realização concreta. era estúpida; tinha a intuição perfeita da
e) o “outro” que se associa ao eu lírico, sendo virtude, um modo bonito, e por vezes lamen-
tratados, nos Textos I e II, respectivamente, tara não ser mais instruída. Conhecia muitos
o ódio o amor. trabalhos de agulha; bordava como poucas, e
dispunha de uma gargantazinha de contralto
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO que fazia gosto de ouvir.
Uma só palavra boiava à superfície dos seus
“Ele era o inimigo do rei”, nas palavras de pensamentos: “Mulato”. E crescia, crescia,
seu biógrafo, Lira Neto. Ou, ainda, “um ro- transformando-se em tenebrosa nuvem, que
mancista que colecionava desafetos, azucri- escondia todo o seu passado. Ideia parasita,
nava D. Pedro II e acabou inventando o Bra- que estrangulava todas as outras ideias.
sil”. Assim era José de Alencar (1829-1877), — Mulato!

112
Esta só palavra explicava-lhe agora todos Sem que desfrute os primores
os mesquinhos escrúpulos, que a sociedade Que não encontro por cá;
do Maranhão usara para com ele. Explicava Sem qu’inda aviste as palmeiras
tudo: a frieza de certas famílias a quem vi- Onde canta o Sabiá.
sitara; as reticências dos que lhe falavam de DIAS, G. Poesia e prosa completas. Rio
seus antepassados; a reserva e a cautela dos de Janeiro: Aguilar, 1998.
que, em sua presença, discutiam questões de
TEXTO II
raça e de sangue.
AZEVEDO, A. O Mulato. São Paulo: Ática, 1996 (fragmento). Canto de regresso à Pátria
O texto de Aluísio Azevedo é representativo
Minha terra tem palmares
do Naturalismo, vigente no final do século
Onde gorjeia o mar
XIX. Nesse fragmento, o narrador expressa
Os passarinhos daqui
fidelidade ao discurso naturalista, pois:
a) relaciona a posição social a padrões de com- Não cantam como os de lá
portamento e à condição de raça. Minha terra tem mais rosas
b) apresenta os homens e as mulheres melhores E quase tem mais amores
do que eram no século XIX. Minha terra tem mais ouro
c) mostra a pouca cultura feminina e a distri- Minha terra tem mais terra
buição de saberes entre homens e mulheres.
d) ilustra os diferentes modos que um indiví- Ouro terra amor e rosas
duo tinha de ascender socialmente. Eu quero tudo de lá
e) critica a educação oferecida às mulheres e os Não permita
maus-tratos dispensados aos negros. Deus que eu morra
Sem que volte para lá
4. São características das obras do Classicismo:
a) o individualismo, a subjetividade, a idealiza- Não permita Deus que eu morra
ção, o sentimento exacerbado. Sem que volte pra São Paulo
b) o egocentrismo, a interação da natureza com Sem que eu veja a rua 15
o eu, as formas perfeitas. E o progresso de São Paulo
c) o contraste entre o grotesco e o sublime, a ANDRADE, O. Cadernos de poesia do aluno
valorização da natureza, o escapismo. Oswald. São Paulo: Círculo do Livro. s/d.
d) a observação da realidade, a valorização do
eu, a perfeição da natureza.
5. Os textos I e II, escritos em contextos históri-
e) a retomada da mitologia pagã, a pureza das
formas, a busca da perfeição estética. cos e culturais diversos, enfocam o mesmo mo-
tivo poético: a paisagem brasileira entrevista a
distância. Analisando-os, conclui-se que:
TEXTOS PARA A PRÓXIMA QUESTÃO a) o ufanismo, atitude de quem se orgulha ex-
TEXTO I cessivamente do país em que nasceu, e o
tom de que se revestem os dois textos.
Canção do exílio b) a exaltação da natureza é a principal carac-
Minha terra tem palmeiras, terística do texto B, que valoriza a paisagem
tropical realçada no texto A.
Onde canta o Sabiá;
c) o texto B aborda o tema da nação, como o
As aves, que aqui gorjeiam,
texto A, mas sem perder a visão crítica da
Não gorjeiam como lá. realidade brasileira.
d) o texto B, em oposição ao texto A, revela
Nosso céu tem mais estrelas, distanciamento geográfico do poeta em rela-
Nossas várzeas tem mais flores, ção à pátria.
Nossos bosques tem mais vida, e) ambos os textos apresentam ironicamente a
Nossa vida mais amores. paisagem brasileira.

[...] TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO

Minha terra tem primores, Pobre Isaura! Sempre e em toda parte esta
Que tais não encontro eu cá; contínua importunação de senhores e de es-
Em cismar – sozinho, a noite – cravos, que não a deixam sossegar um só mo-
Mais prazer eu encontro la; mento! Como não devia viver aflito e atribu-
lado aquele coração! Dentro de casa contava
Minha terra tem palmeiras ela quatro inimigos, cada qual mais porfiado
Onde canta o Sabiá. em roubar-lhe a paz da alma, e torturar-lhe
Não permita Deus que eu morra, o coração: três amantes, Leôncio, Belchior, e
Sem que eu volte para lá; André, e uma êmula terrível e desapiedada,

113
Rosa. Fácil lhe fora repelir as importunações 7. Quincas Borba situa-se entre as obras-pri-
e insolências dos escravos e criados; mas que mas do autor e da literatura brasileira. No
seria dela, quando viesse o senhor?!... fragmento apresentado, a peculiaridade do
GUIMARÃES, B. A escrava Isaura. São texto que garante a universalização de sua
Paulo: Ática, 1995 (adaptado). abordagem reside:
a) no conflito entre o passado pobre e o pre-
sente rico, que simboliza o triunfo da apa-
6. A personagem Isaura, como afirma o títu- rência sobre a essência.
lo do romance, era uma escrava. No trecho b) no sentimento de nostalgia do passado de-
apresentado, os sofrimentos por que passa a vido à substituição da mão de obra escrava
protagonista: pela dos imigrantes.
a) assemelham-se aos das demais escravas do país, c) na referência a Fausto e Mefistófeles, que re-
o que indica o estilo realista da abordagem do presentam o desejo de eternização de Rubião.
tema da escravidão pelo autor do romance. d) na admiração dos metais por parte de Rubião,
b) demonstram que, historicamente, os proble- que metaforicamente representam a durabili-
mas vividos pelas escravas brasileiras, como dade dos bens produzidos pelo trabalho.
Isaura, eram mais de ordem sentimental do e) na resistência de Rubião aos criados estrangei-
que física. ros, que reproduz o sentimento de xenofobia.
c) diferem dos que atormentavam as demais
escravas do Brasil do século XIX, o que reve- Leia os poemas apresentados a seguir.
la o caráter idealista da abordagem do tema MALVA-MAÇÃ
pelo autor do romance. A P...
d) indicam que, quando o assunto era o amor, as De teus seios tão mimosos
escravas brasileiras, de acordo com a aborda- Quem gozasse o talismã!
gem lírica do tema pelo autor, eram tratadas Quem ali deitasse a fronte
como as demais mulheres da sociedade. Cheia de amoroso afã!
e) revelam a condição degradante das mulhe- E quem nele respirasse
res escravas no Brasil, que, como Isaura, A tua malva-maçã!
de acordo com a denúncia feita pelo autor, Dá-me essa folha cheirosa
eram importunadas e torturadas fisicamente Que treme no seio teu!
pelos seus senhores. Dá-me a folha… hei de beijá-la
Sedenta no lábio meu!
Não vês que o calor do seio
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO
Tua malva emurcheceu...
[...]
Capítulo III AZEVEDO, Álvares de. Lira dos vinte anos. In:
Obra completa. Organização de Alexei Bueno.
Um criado trouxe o café. Rubião pegou na Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2000. p. 269.
xícara e, enquanto lhe deitava açúcar, ia dis- Há uma flor que está em redor de mim,
farçadamente mirando a bandeja, que era de uma flor que nasce nos cabelos da aurora
prata lavrada. Prata, ouro, eram os metais e desce sobre as águas e os ombros
que amava de coração; não gostava de bron- de todos nós. Não, não quero amar
ze, mas o amigo Palha disse-lhe que era ma- senão a natureza quando ela se abre
téria de preço, e assim se explica este par de como uma flor e suas corolas à madrugada;
figuras que aqui está na sala: um Mefistófe- eu não quero amar, senão a mulher
les e um Fausto. Tivesse, porém, de escolher, que está em redor de mim, a mulher
escolheria a bandeja, – primor de argenta- que me acolhe com seus braços
ria, execução fina e acabada. O criado espe- e me oferece o que há de mais íntimo,
rava teso e sério. Era espanhol; e não foi sem a sua pérola e sonho à madrugada.
resistência que Rubião o aceitou das mãos de GARCIA, José Godoy. Poesia. Brasília:
Thesaurus, 1999. p. 153.
Cristiano; por mais que lhe dissesse que es-
tava acostumado aos seus crioulos de Minas, 8. Nos poemas transcritos, a representação da
e não queria línguas estrangeiras em casa, figura feminina se assemelha por apresentar:
o amigo Palha insistiu, demonstrando-lhe a a) a sensualidade da mulher metaforizada pe-
necessidade de ter criados brancos. Rubião los elementos da natureza.
cedeu com pena. O seu bom pajem, que ele b) a idealização de uma mulher única enfatiza-
queria por na sala, como um pedaço da pro- da pela fidelidade do eu lírico.
víncia, nem o pode deixar na cozinha, onde c) o distanciamento da mulher exemplificado
por sua indiferença aos apelos do eu lírico.
reinava um francês, Jean; foi degradado a
d) a simplicidade da mulher evidenciada por
outros serviços. suas qualidades morais.
ASSIS, M. Quincas Borba. In: Obra completa. V.1. e) o exotismo da mulher emoldurado pela des-
Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1993 (fragmento). crição de um cenário idílico.

114
A questão a seguir toma por base um frag- TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO
mento de Glória moribunda, do poeta ro-
mântico brasileiro Álvares de Azevedo O texto a seguir foi retirado do último capí-
(1831-1852). tulo do romance Lucíola, de José de Alencar.
Nele, o romancista narra os momentos finais
É uma visão medonha uma caveira? vividos pela heroína, ao lado de Paulo,
Não tremas de pavor, ergue-a do lodo. o seu amado.
Foi a cabeça ardente de um poeta,
Outrora à sombra dos cabelos loiros. De joelhos à cabeceira eu suplicava-lhe que
Quando o reflexo do viver fogoso bebesse o remédio que a devia salvar.
Ali dentro animava o pensamento, (...)
Esta fronte era bela. Aqui nas faces O dia se passou na cruel agonia que só com-
Formosa palidez cobria o rosto; preendem aqueles que ajoelhados à borda de
Nessas órbitas — ocas, denegridas! — um leito viram finar-se gradualmente uma
Como era puro seu olhar sombrio! vida querida.
Agora tudo é cinza. Resta apenas Quebrado de fadiga e vencido por uma vigília
A caveira que a alma em si guardava, de tantas noites, tinha insensivelmente ador-
Como a concha no mar encerra a pérola, mecido, sentado como estava à beira da cama,
Como a caçoula a mirra incandescente. com os lábios sobre a mão gelada de Lúcia e
Tu outrora talvez desses-lhe um beijo; a testa apoiada no encosto do leito. O sono
Por que repugnas levantá-la agora? foi curto, povoado de sonhos horríveis; acor-
Olha-a comigo! Que espaçosa fronte! dei sobressaltado e achei-me reclinado sobre
Quanta vida ali dentro fermentava, o peito de Lúcia, que se sentara de encontro
Como a seiva nos ramos do arvoredo! às 251 almofadas para suster minha cabeça ao
E a sede em fogo das ideias vivas colo, como faria uma terna mãe com seu filho.
Onde está? onde foi? Essa alma errante Mesmo adormecido ela me sorria, me falava,
Que um dia no viver passou cantando, e cobria-me de beijos:
Como canta na treva um vagabundo, – Se soubesses que gozo supremo é para mim
Perdeu-se acaso no sombrio vento, beijar-te neste momento! Agora que o corpo
Como noturna lâmpada apagou-se? está morto e a carne álgida, não sente nem a
E a centelha da vida, o eletrismo dor nem o prazer, é a minha alma só que te
Que as fibras tremulantes agitava beija, que se une à tua e se desprende par-
Morreu para animar futuras vidas? cela por parcela para embeber em teu seio.
Sorris? eu sou um louco. As utopias, E seus lábios ávidos devoravam-me o ros-
Os sonhos da ciência nada valem. to de carícias, bebendo o pranto que corria
A vida é um escárnio sem sentido, abundante de meus olhos:
Comédia infame que ensanguenta o lodo. Se alguma coisa me pudesse salvar ainda, se-
Há talvez um segredo que ela esconde; ria esse bálsamo celeste, meu amigo!
Mas esse a morte o sabe e o não revela. Eu soluçava como uma criança.
Os túmulos são mudos como o vácuo. – Beija-me também, Paulo. Beija-me como
Desde a primeira dor sobre um cadáver, beijarás um dia tua noiva! Oh! agora posso
Quando a primeira mãe entre soluços te confessar sem receio. Nesta hora não se
Do filho morto os membros apertava mente. Eu te amei desde o momento em que
Ao ofegante seio, o peito humano te vi! Eu te amei por séculos nestes poucos
Caiu tremendo interrogando o túmulo... dias que passamos juntos na terra. Agora que
E a terra sepulcral não respondia. a minha vida se conta por instantes, amo-te
em cada momento por uma existência intei-
(Poesias completas, 1962.)
ra. Amo-te ao mesmo tempo com todas as
afeições que se pode ter neste mundo.
9. No verso Morreu para animar futuras vidas?, Vou te amar enfim por toda a eternidade.
sob forma interrogativa, o eu lírico sugere A voz desfaleceu completamente, de extenu-
com o termo animar que: ada que ela ficara por esse enérgico esforço.
a) a morte de uma pessoa deve ser festejada Eu chorava de bruços sobre o travesseiro, e
pelos que ficam. as suas palavras suspiravam docemente em
b) o verdadeiro objetivo da morte é demonstrar minha alma, como as dulias dos anjos devem
o desvalor da vida. ressoar aos espíritos celestes.
c) a vida do poeta é mais consistente e anima- ALENCAR, José de. Lucíola. Rio de
da que todas as outras. Janeiro: Ática, 1992. p. 124-126.
d) a alma que habitou o corpo talvez possa re-
encarnar em novo corpo.
e) outras pessoas passam a viver melhor quan-
do um homem morre.

115
1
0. Representada por personagens de uma obra c) a apresentação da personagem Capitu ser
do estilo romântico, a cena retratada no tex- feita no romance de maneira muito objetiva,
to deixa entrever a: sem expressão dos sentimentos que a vincu-
a) necessidade do apego à vida para viver ape- lavam ao homem que a amava.
nas o momento. d) os aspectos psicológicos de Capitu serem
b) intensidade de um amor que transcende o apresentados apenas pelos comentários de
plano físico. José Dias, o que lhe torna a caracterização
c) descrição da natureza associada aos personagens. muito subjetiva.
d) necessidade de não fugir à realidade para vi- e) o amado de Capitu não conseguir enxergar
ver um grande amor. nela características mais precisas e menos
e) visão maniqueísta da vida, declarada pela heroína. misteriosas, o que o faz descrevê-la de forma
bastante idealizada.
1
1. “A sociedade, no meio da qual me eduquei,
fez de mim um homem à sua feição. Habi- TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO
tuei-me a considerar a riqueza como a pri-
(...) Um poeta dizia que o menino é o pai do
meira força viva da existência e os exemplos
homem. Se isto é verdade, vejamos alguns
ensinavam-me que o casamento era meio
lineamentos do menino.
tão legítimo de adquiri-la, como a herança e
Desde os cinco anos merecera eu a alcunha
qualquer honesta especulação.”
de “menino diabo”; e verdadeiramente não
No enredo de SENHORA, tal como se depre- era outra coisa; fui dos mais malignos do
ende do trecho transcrito, há uma aproxima- meu tempo, arguto, indiscreto, traquinas e
ção entre casamento e: voluntarioso. Por exemplo, um dia quebrei
a) recomendações divulgadas pela igreja. a cabeça de uma escrava, porque me nega-
b) normas impostas aos escravos.
ra uma colher do doce de coco que estava
c) costumes copiados dos indígenas.
fazendo, e, não contente com o malefício,
d) leis do tempo da colônia.
e) práticas da organização social burguesa. deitei um punhado de cinza ao tacho, e, não
satisfeito da travessura, fui dizer à minha
1
2. Tanto na prosa de José de Alencar quanto na mãe que a escrava é que estragara o doce
“por pirraça”; e eu tinha apenas seis anos.
poesia de Gonçalves Dias, a figura do índio é
Prudêncio, um moleque de casa, era o meu
caracterizada:
a) com os atributos da honradez de um cavalei- cavalo de todos os dias; punha as mãos no
ro medieval. chão, recebia um cordel nos queixos, à guisa
b) enquanto um herói pagão movido pelas for- de freio, eu trepava-lhe ao dorso, com uma
ças da natureza. varinha na mão, fustigava-o, dava mil voltas
c) como uma mescla de ingenuidade e violência a um e outro lado, e ele obedecia, – algumas
incontrolável. vezes gemendo – mas obedecia sem dizer
d) por meio de uma fiel descrição de seus valo- palavra, ou, quando muito, um – “ai, nho-
res naturais. nhô!” – ao que eu retorquia: “Cala a boca,
e) da mesma forma como o representava An- besta!” – Esconder os chapéus das visitas,
chieta em suas peças. deitar rabos de papel a pessoas graves, pu-
xar pelo rabicho das cabeleiras, dar beliscões
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO nos braços das matronas, e outras muitas fa-
Ultimamente ando de novo intrigado com o çanhas deste jaez, eram mostras de um gê-
enigma de Capitu. Teria ela traído mesmo o nio indócil, mas devo crer que eram também
marido, ou tudo não passou de imaginação expressões de um espírito robusto, porque
dele, como narrador? Reli mais uma vez o ro- meu pai tinha-me em grande admiração; e
mance e não cheguei a nenhuma conclusão. se às vezes me repreendia, à vista de gente,
Um mistério que o autor deixou para a pos- fazia-o por simples formalidade: em particu-
teridade. lar dava-me beijos.
(Fernando Sabino, O bom ladrão.) Não se conclua daqui que eu levasse todo o
resto da minha vida a quebrar a cabeça dos
13. No texto de Sabino, o narrador questiona a outros nem a esconder-lhes os chapéus; mas
traição de Capitu. Lendo o texto de Machado, opiniático, egoísta e algo contemptor dos
pode-se entender que esse questionamento homens, isso fui; se não passei o tempo a
decorre de: esconder-lhes os chapéus, alguma vez lhes
a) os fatos serem narrados pela visão de uma puxei pelo rabicho das cabeleiras.
personagem, no caso, o narrador em primei- (Machado de Assis. Memórias póstumas de Brás Cubas.)
ra pessoa, que fornece ao leitor o perfil psi-
cológico de Capitu. 1
4. É correto afirmar que:
b) a personagem ser vista por José Dias como a) se trata basicamente de um texto naturalis-
“oblíqua e dissimulada”, o que gerou mal- ta, fundado no Determinismo.
-estar no apaixonado de Capitu, deixando de b) o texto revela um juízo crítico do contexto
vê-la como uma mulher de encantos. escravista da época.

116
c) o narrador se apresenta bastante sisudo e 1
6. Para o narrador, os olhos de Capitu eram
amargo, bem ao gosto machadiano. “olhos de ressaca, como a vaga que se retira
d) o texto apresenta papéis sociais ambíguos da praia, nos dias de ressaca”.
das personagens em foco. Entende-se, então, que ele:
e) os comportamentos desumanos do narrador a) começava a nutrir sentimento de repulsa em
são sutilmente desnudados. relação a ela, como está sugerido em [seus
olhos] “entrassem a ficar crescidos, cresci-
1
5. No texto a seguir, Machado de Assis faz uma dos e sombrios, com tal expressão que...”
crítica ao Romantismo: Certo não lhe falta b) se sentia fortemente atraído por ela, como
imaginação; mas esta tem suas regras, o as- comprova o trecho: “Traziam não sei que
tro, leis, e se há casos em que eles rompem fluido misterioso e enérgico, uma força que
arrastava para dentro...”
as leis e as regras é porque as fazem novas,
c) passou a desconfiar da sinceridade dela, como
é porque se chama Shakespeare, Dante, Go- está exposto em: “mas dissimulada sabia, e
ethe, Camões. queria ver se se podiam chamar assim.”
Com base nesse texto, notamos que o autor: d) começava a vê-la como uma mulher comum,
a) preocupa-se com princípios estéticos e acre- sem atrativos especiais, como demonstra o
dita que a criação literária deve decorrer de trecho: “eu nada achei extraordinário...”
uma elaborada produção dos autores. e) deixava de vê-la como uma mulher enig-
b) refuga o Romantismo, na medida em que os mática, como está sugerido em: “Olhos de
autores desse período reivindicaram uma es- ressaca? Vá, de ressaca. É o que me dá ideia
tética oposta à clássica. daquela feição nova.”
c) entende a arte como um conjunto de prin-
cípios estéticos consagrados, que não pode 1
7. Ao afirmar que Capitu tinha olhos de “cigana
ser manipulado por movimentos literários oblíqua”, José Dias a vê como uma mulher:
específicos. a) irresistível.
d) defende a ideia de que cada movimento lite- b) inconveniente.
rário deve ter um programa estético rígido e c) compreensiva.
inviolável. d) evasiva.
e) entende que Naturalismo e o Parnasianismo e) irônica.
constituem soluções ideais para pôr termo à
falta de invenção dos românticos. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO

Antes de concluir este capítulo, fui à jane-


TEXTO PARA AS PRÓXIMAS DUAS QUESTÕES la indagar da noite por que razão os sonhos
hão de ser assim tão tênues que se esgarçam
Tinha-me lembrado a definição que José
ao menor abrir de olhos ou voltar de corpo,
Dias dera deles, “olhos de cigana oblíqua e
e não continuam mais. A noite não me res-
dissimulada”. pondeu logo. Estava deliciosamente bela, os
Eu não sabia o que era oblíqua, mas dissimu- morros palejavam de luar e o espaço morria
lada sabia, e queria ver se se podiam chamar de silêncio. Como eu insistisse, declarou-
assim. Capitu deixou-se fitar e examinar. -me que os sonhos já não pertencem à sua
Só me perguntava o que era, se nunca os jurisdição. Quando eles moravam na ilha
vira; eu nada achei extraordinário; a cor e que Luciano lhes deu, onde ela tinha o seu
a doçura eram minhas conhecidas. A demo- palácio, e donde os fazia sair com as suas
ra da contemplação creio que lhe deu outra caras de vária feição, dar-me-ia explicações
ideia do meu intento; imaginou que era um possíveis. Mas os tempos mudaram tudo. Os
pretexto para mirá-los mais de perto, com sonhos antigos foram aposentados, e os mo-
os meus olhos longos, constantes, enfiados dernos moram no cérebro da pessoa. Estes,
neles, e a isto atribuo que entrassem a ficar ainda que quisessem imitar os outros, não
crescidos, crescidos e sombrios, com tal ex- poderiam fazê-lo; a ilha dos Sonhos, como
pressão que... a dos Amores, como todas as ilhas de todos
os mares, são agora objeto da ambição e da
Retórica dos namorados, dá-me uma compa-
rivalidade da Europa e dos Estados Unidos.
ração exata e poética para dizer o que foram
Machado de Assis - D. Casmurro palejavam: tornavam pálidos
aqueles olhos de Capitu. Não me acode ima-
gem capaz de dizer, sem quebra da dignida-
1
8. Assinale a alternativa correta sobre “D. Cas-
de do estilo, o que eles foram e me fizeram. murro.”
Olhos de ressaca? Vá, de ressaca. É o que me a) A linguagem concisa e objetiva do autor são
dá ideia daquela feição nova. Traziam não recursos usados a fim de não prejudicar o
sei que fluido misterioso e enérgico, uma desenvolvimento linear da narrativa.
força que arrastava para dentro, como a vaga b) O aproveitamento da mitologia segue o prin-
que se retira da praia, nos dias de ressaca. cípio da mimese (“imitação”) de tradição
(Machado de Assis, Dom Casmurro.) clássico-renascentista.

117
c) A idealização da natureza é prova da influ-
ência que o Romantismo exerceu sobre o es- Gabarito
tilo machadiano.
d) A crítica ao determinismo cientificista é ín- 1. A 2. D 3. A 4. E 5. C 6. C
dice do estilo naturalista de Machado de Assis.
e) A digressão permite ao narrador interromper 7. A 8. A 9. D 10. B 11. E 12. A
o fluxo narrativo para tecer comentários crí-
ticos em tom irônico. 13. A 14. B 15. A 16. B 17. D 18. E
19. E 20. D
1
9. (...) desde que Jerônimo propendeu para ela,
fascinando-a com a sua tranquila seriedade
de animal bom e forte, o sangue da mestiça
reclamou os seus direitos de apuração, e Rita
preferiu no europeu o macho de raça superior.
O cavouqueiro, pelo seu lado, cedendo às im-
posições mesológicas, enfarava a esposa, sua
congênere, e queria a mulata, porque
a mulata era o prazer, a volúpia,
era o fruto dourado e acre destes sertões
americanos, onde a alma de Jerônimo apren-
deu lascívias de macaco e onde seu corpo po-
rejou o cheiro sensual dos bodes.
(Aluísio Azevedo, O Cortiço)

Tendo em vista as características naturalis-


tas e cientificistas, sobretudo do Determinis-
mo, que predominam no romance O cortiço,
o trecho (assinale o item não pertinente):
a) explicita a personagem que age de acordo
com os impulsos característicos de sua raça.
b) põe em evidência o zoomorfismo, em que se
destacam os elementos instintivos de prazer,
sensualidade e desejo.
c) faz alusão à competição entre os mais fortes
(europeus) e os mais fracos (brasileiros).
d) ressalta o homem sucumbindo aos fatores
preponderantes do meio.
e) condena veladamente o sexo e defende indi-
retamente os princípios morais.

2
0. Assinale a alternativa que contém a afirma-
ção correta sobre o Naturalismo no Brasil.
a) O Naturalismo usou elementos da natureza sel-
vagem do Brasil do século XIX para defender
teses sobre os defeitos da cultura primitiva.
b) A valorização da natureza rude verificada
nos poetas árcades se prolonga na visão na-
turalista do século XIX, que toma a natureza
decadente dos cortiços para provar os male-
fícios da mestiçagem.
c) O Naturalismo no Brasil esteve sempre ligado
à beleza das paisagens das cidades e do inte-
rior do Brasil.
d) O Naturalismo, por seus princípios cientí-
ficos, considerava as narrativas literárias
exemplos de demonstração de teses e ideias
sobre a sociedade e o homem.
e) O Naturalismo do século XIX no Brasil difun-
diu na literatura uma linguagem científica e
hermética, fazendo com que os textos literá-
rios fossem lidos apenas por intelectuais.

118
119
Aplicação dos conhecimentos - Sala
SEMANA 2 Tema: Modernismo

Competência: 4 Habilidade: 13

Construção da habilidade: Dentro da competência da área 4 do Enem, será exigida a capacidade


de compreender a arte como saber cultural e estético gerador de significação e integrador da organi-
zação do mundo e da própria identidade, com base na primeira fase do modernismo.

MODELO 1

O trovador

Sentimentos em mim do asperamente


dos homens das primeiras eras...
As primaveras do sarcasmo
Intermitentemente no meu coração arlequinal...
Intermitentemente...
Outras vezes é um doente, um frio
na minha alma doente como um longo som redondo...
Cantabona! Cantabona!
Dlorom...
Sou um tupi tangendo um alaúde!
ANDRADE, M. In: MANFIO, D. Z. (Org.) Poesias completas de Mário de Andrade. Belo Horizonte: Itatiaia, 2005.

Durante a 1ª fase do modernismo surgiu o Manifesto Antropofágico, que pregava a absorção das
influências. As características desse manifesto podem ser visíveis em versos como:
a) Sentimentos em mim do asperamente
b) Intermitentemente no meu coração arlequinal
c) Outras vezes é um doente, um frio
d) Cantabona! Cantabona! / Dlorom...
e) Sou um tupi tangendo um alaúde!

121
Tema: Modernismo

Competência: 4 Habilidade: 13

Construção da habilidade: Dentro da competência da área 4 do Enem, será exigida a capacidade


de compreender a arte como saber cultural e estético gerador de significação e integrador da organi-
zação do mundo e da própria identidade, com base na segunda fase do modernismo.

MODELO 2

Observe o poema:

Mulher Proletária

Mulher proletária - única fábrica,


Que o operário tem, (fábrica de filhos)
Tu
Na tua superprodução de máquina humana
Forneces anjos para o Senhor Jesus,
Forneces braços para o senhor burguês.
Mulher proletária,
O operário, teu proprietário
Há de ver, há de ver:
A tua produção,
A tua superprodução,
Ao contrário das máquinas burguesas
Salvar o teu proprietário.
Dentre as muitas características deste(a) autor(a), cuja geração modernista estava mais voltada às
denúncias contra a desigualdade social, nota-se o jogo de palavras bem elaborado tal qual um(a)
parnasiano(a). Trata-se de:
a) Jorge de Lima
b) Cecília Meireles
c) Jorge Amado
d) Clarice Lispector
e) Graciliano Ramos

122
Tema: Modernismo

Competência: 4 Habilidade: 13

Construção da habilidade: Dentro da competência da área 4 do ENEM, será exigida a capaci-


dade de compreender a arte como saber cultural e estético gerador de significação e integrador da
organização do mundo e da própria identidade, com base na terceira fase do modernismo.

MODELO 3
Uma esperança Foi então que farejando o mundo que é comível,
saiu de trás de um quadro uma aranha. Não uma
Aqui em casa pousou uma esperança. Não a clás-
aranha, mas me parecia “a” aranha. Andando
sica, que tantas vezes verifica-se ser ilusória, em-
pela sua teia invisível, parecia transladar-se ma-
bora mesmo assim nos sustente sempre. Mas a
ciamente no ar. Ela queria a esperança. Mas nós
outra, bem concreta e verde: o inseto.
também queríamos e, oh! Deus, queríamos menos
Houve um grito abafado de um de meus filhos:
que comê-la. Meu filho foi buscar a vassoura. Eu
– Uma esperança! E na parede, bem em cima de
disse fracamente, confusa, sem saber se chegara
sua cadeira! Emoção dele também que unia em
infelizmente a hora certa de perder a esperança:
uma só as duas esperanças, já tem idade para isso.
Antes surpresa minha: esperança é coisa secreta – É que não se mata aranha, me disseram que
e costuma pousar diretamente em mim, sem nin- traz sorte...
guém saber, e não acima de minha cabeça numa – Mas ela vai esmigalhar a esperança! - respon-
parede. Pequeno rebuliço: mas era indubitável, lá deu o menino com ferocidade.
estava ela, e mais magra e verde não poderia ser. – Preciso falar com a empregada para limpar
– Ela quase não tem corpo, queixei-me. atrás dos quadros – falei sentindo a frase des-
– Ela só tem alma, explicou meu filho e, como locada e ouvindo o certo cansaço que havia na
filhos são uma surpresa para nós, descobri com minha voz. Depois devaneei um pouco de como
surpresa que ele falava das duas esperanças. eu seria sucinta e misteriosa com a empregada:
Ela caminhava devagar sobre os fiapos das lon- eu lhe diria apenas: você faz o favor de facilitar
gas pernas, por entre os quadros da parede. Três o caminho da esperança.
vezes tentou renitente uma saída entre dois O menino, morta a aranha, fez um trocadilho, com o
quadros, três vezes teve que retroceder caminho. inseto e a nossa esperança. Meu outro filho, que es-
Custava a aprender. tava vendo televisão, ouviu e riu de prazer. Não havia
– Ela é burrinha, comentou o menino. dúvida: a esperança pousara em casa, alma e corpo.
– Sei disso, respondi um pouco trágica. Mas como é bonito o inseto: mais pousa que vive, é
– Está agora procurando outro caminho, olhe, um esqueletinho verde, e tem uma forma tão delica-
coitada, como ela hesita. da que isso explica por que eu, que gosto de pegar
– Sei, é assim mesmo. nas coisas, nunca tentei pegá-la.
– Parece que esperança não tem olhos, mamãe, é Uma vez, aliás, agora é que me lembro, uma es-
guiada pelas antenas. perança bem menor que esta, pousara no meu
– Sei, continuei mais infeliz ainda. braço. Não senti nada, de tão leve que era, foi só
Ali ficamos, não sei quanto tempo olhando. Vi- visualmente que tomei consciência de sua pre-
giando-a como se vigiava na Grécia ou em Roma o sença. Encabulei com a delicadeza. Eu não mexia
começo de fogo do lar para que não se apagasse. o braço e pensei: “e essa agora? que devo fazer?”
– Ela se esqueceu de que pode voar, mamãe, e Em verdade nada fiz. Fiquei extremamente quie-
pensa que só pode andar devagar assim. ta como se uma flor tivesse nascido em mim.
Andava mesmo devagar – estaria por acaso feri- Depois não me lembro mais o que aconteceu. E,
da? Ah não, senão de um modo ou de outro es- acho que não aconteceu nada.
correria sangue, tem sido sempre assim comigo. (LISPECTOR, Clarice. Uma esperança. In: Felicidade
clandestina. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.)

Clarice Lispector é uma escritora que explora os monólogos internos de seus personagens em seu
estilo de escrita. Isto produz um efeito de fragmentação de enredo e pouca necessidade de compre-
ender o ambiente, já que o foco se torna os pensamentos e sentimentos dos personagens envolvidos.
Em relação ao conto, é correto afirmar que sua construção acontece, principalmente em função:
a) da descrição do convívio familiar.
b) de um fato ao mesmo tempo simples e inusitado.
c) do pessimismo gerado pela narradora personagem.
d) de dois possíveis sentidos atribuídos a um mesmo vocábulo.
e) da imprecisão do ambiente

123
Tema: anos 80 — o poema pós-utópico

Competência: 4 Habilidade: 13

Construção da habilidade: Dentro da competência da área 4 do Enem, do aluno será exigida a


capacidade de compreender a arte como saber cultural e estético gerador de significação e integrador
da organização do mundo e da própria identidade, com base na literatura dos anos 80.

MODELO 4

Veja a letra da canção Ideologia, de Cazuza:

Meu partido O meu prazer


É um coração partido Agora é risco de vida
E as ilusões Meu sex and drugs
Estão todas perdidas Não tem nenhum rock ‘n’ roll
Os meus sonhos Eu vou pagar
Foram todos vendidos A conta do analista
Tão barato que eu nem acredito Pra nunca mais
Ah! Eu nem acredito Ter que saber
Quem eu sou
Que aquele garoto Ah! Saber quem eu sou
Que ia mudar o mundo
Mudar o mundo Pois aquele garoto
Frequenta agora Que ia mudar o mundo
As festas do Grand Monde Mudar o mundo
Agora assiste a tudo
Meus heróis Em cima do muro
Morreram de overdose Em cima do muro!
Meus inimigos
Estão no poder Meus heróis
Ideologia! Morreram de overdose
Eu quero uma pra viver Meus inimigos
Ideologia! Estão no poder
Eu quero uma pra viver Ideologia!
Eu quero uma pra viver
Ideologia!
Pra viver

Um dos artistas mais famosos dos anos 80 na música foi Cazuza. Suas letras, carregadas dos mais
variados temas, atravessaram gerações. O tema presente na canção trata
a) de inversão da realidade produzida pelos ideólogos, tal como na concepção de Marx, e que consiste
numa necessidade do proletariado.
b) de visão de mundo que os seres humanos necessitam para se adaptarem a um mundo em que as utopias
perderam sua força mobilizadora.
c) de elemento que contribui para maior coesão social na medida em que explicita as contradições da
sociedade de classes.
d) de fato social sem importância para a construção da subjetividade na sociedade atual e na qual todos
são reduzidos à condição de consumidores.
e) da reviravolta de sua vida particular em virtude da AIDS.

124
Tema: Anos 90 e 2000

Competência: 4 Habilidade: 13

Construção da habilidade: Dentro da competência da área 4 do Enem,t será exigida a capaci-


dade de compreender a arte como saber cultural e estético gerador de significação e integrador da
organização do mundo e da própria identidade, com base na literatura dos anos 90 e 2000.

MODELO 5

Segue, abaixo, a letra da banda Mamonas


Assassinas, chamada Pelados em Santos:

Mina, seus cabelo é da hora Eu não sei o que faço


Seu corpão violão Pra essa mulé eu conquistchar
Meu docinho de coco Porque ela é lindia
Tá me deixando louco Mutcho mar do que lindia
Very, very beautiful
Minha Brasília amarela
Tá de portas abertas Você me deixa doidião
Pra mode a gente se amar Oh, yes! Oh, no!
Pelados em Santos Meu chuchuzinho
Oh, yes! No, no, no, no!
Pois você, minha pitchula Eu te I love you!
Me deixou legalzão
Não me sintcho sozinho Pera aí que tem mais
Você é meu chuchuzinho Um poquinho de u
Music is very good Uuuuu

(Oxente ai, ai, ai!) Tchê


Mas comigo ela não quer se casar
(Oxente ai, ai, ai!) Ao longo da literatura brasileira, diversas ca-
Na Brasília amarela com roda gaúcha racterísticas são criadas, mantidas e descar-
Ela não quer entrar tadas pelos movimentos sucessores. Consi-
(Oxente ai, ai, ai!) derando a afirmativa, não se evidencia nesta
letra:
É feijão com jabá a) a valorização do personagem nacional como
A desgraçada num quer compartilhar protagonista – Arcadismo
Mas ela é lindia b) a idealização da mulher amada – Romantismo
Mutcho mar do que lindia c) a assonância como recurso de musicalidade –
Very, very beautiful Simbolismo
d) a implementação de personagens irônicos –
Você me deixa doidião Pré-modernismo
Oh, yes! Oh, no! e) o Antropofagismo – Modernismo, primeira
Meu docinho de coco geração
Music is very porreta

(Oxente Paraguai!)
Pos Paraguai ela não quis viajar
(Oxente Paraguai!)
Comprei um Reebok e uma calça Fiorucci
Ela não quer usar
(Oxente Paraguai!)

125
Raio X - Análise Expositiva
1.
O Movimento Antropofágico prezava pela busca e absorção das influências adquiridas, o que é de-
clarado no verso “Sou um tupi tangendo um alaúde!”, exemplificando o objetivo proposto.
2.
As questões de métrica e jogo de palavras são características específicas de Jorge de Lima.
3.
No decorrer do texto, a autora explora a ambiguidade do termo esperança no diálogo entre os per-
sonagens e também dentro dos monólogos internos.
4.
A sequência de fatos demonstram a necessidade de reação do eu lírico, mas para tal, este precisa
de algo que lhe dê impulso para lutar por suas utopias.
5.
A implementação de personagens irônicos não é uma característica do pré-modernismo

Gabarito
1. E 2. A 3. D 4. B 5. D

126
Prescrição: Para resolver os exercícios dessa aula, será necessário estabelecer relações entre um texto literário
e o momento em que foi produzido; analisar os procedimentos de construção do texto literário, associando-os
à forma como os artistas de determinadas geração concebem a arte; e refletir sobre como os valores sociais e
humanos presentes na cultura do lugar em que vive são integrados ao patrimônio literário nacional.

Prática dos conhecimentos - E.O.


1. (Enem) Famigerado 2. (Enem) Confidência do itabirano

Com arranco, [o sertanejo] calou-se. Como De Itabira trouxe prendas diversas que ora
arrependido de ter começado assim, de evi- [te ofereço:
dente. Contra que aí estava com o fígado em esta pedra de ferro, futuro aço do Brasil;
más margens; pensava, pensava. Cabismedi- este São Benedito do velho santeiro Alfredo
tado. Do que, se resolveu. Levantou as fei- [Durval;
ções. Se é que se riu: aquela crueldade de este couro de anta, estendido no sofá de
dentes. Encarar, não me encarava, só se fito [visitas;
à meia esguelha. Latejava-lhe um orgulho este orgulho, esta cabeça baixa.
indeciso. Redigiu seu monologar.
O que frouxo falava: de outras, diversas pes- Tive ouro, tive gado, tive fazendas.
soas e coisas, da Serra, do São Ão, travados Hoje sou funcionário público.
assuntos, insequentes, como dificultação. A Itabira é apenas uma fotografia na parede.
conversa era para teias de aranha. Eu tinha Mas como dói.
de entender-lhe as mínimas entonações, se- ANDRADE, C. D. Sentimento do mundo. São
Paulo: Cia. das Letras, 2012 (fragmento).
guir seus propósitos e silêncios. Assim no
fechar-se com o jogo, sonso, no me iludir, O poeta pensa a região como lugar, pleno de
ele enigmava. E, pá: afetos. A longa história da ocupação de Mi-
– Vosmecê agora me faça a boa obra de que- nas Gerais, iniciada com a mineração, deixou
rer me ensinar o que é mesmo que é: fasmis- marcas que se atualizam em Itabira, peque-
gerado... faz-me-gerado... falmisgeraldo... na cidade onde nasceu o poeta. Nesse senti-
familhas-gerado...? do, a evocação poética indica o(a):
ROSA, J. G. Primeiras estórias. Rio de a) pujança da natureza resistindo à ação humana.
Janeiro: Nova Fronteira, 1988. b) sentido de continuidade do progresso.
c) cidade como imagem positiva da identidade
A linguagem peculiar é um dos aspectos que mineira.
conferem a Guimarães Rosa um lugar de des- d) percepção da cidade como paisagem da me-
taque na literatura brasileira. No fragmento mória.
lido, a tensão entre a personagem e o narra- e) valorização do processo de ocupação da re-
dor se estabelece porque: gião.
a) o narrador se cala, pensa e monologa, ten-
3. (Enem)
tando assim evitar a perigosa pergunta de O corpo no cavalete
seu interlocutor. é um pássaro que agoniza
b) o sertanejo emprega um discurso cifrado, exausto do próprio grito.
com enigmas, como se vê em “a conversa era As vísceras vasculhadas
para teias de aranhas”. principiam a contagem
c) entre os dois homens cria-se uma comunica- regressiva.
ção impossível, decorrente de suas diferen- No assoalho o sangue
ças socioculturais. se decompõe em matizes
d) a fala do sertanejo é interrompida pelo gesto que a brisa beija e balança:
o verde – de nossas matas
de impaciência do narrador, decidido a mu-
o amarelo – de nosso ouro
dar o assunto da conversa. o azul – de nosso céu
e) a palavra desconhecida adquire o poder de o branco o negro o negro
gerar conflito e separar as personagens em CACASO. In: HOLLANDA, H. B (Org.). 26 poetas
planos incomunicáveis. hoje. Rio do Janeiro: Aeroplano, 2007.

127
Situado na vigência do Regime Militar que Enquanto eu tiver perguntas e não houver
governou o Brasil, na década de 1970, o poe- respostas continuarei a escrever. Como co-
ma de Cacaso edifica uma forma de resistên- meçar pelo início, se as coisas acontecem
cia e protesto a esse período, metaforizando: antes de acontecer? Se antes da pré-pré-
a) as artes plásticas, deturpadas pela repressão -história já havia os monstros apocalípticos?
e censura. Se esta história não existe, passará a existir.
b) a natureza brasileira, agonizante como um Pensar é um ato. Sentir é um fato. Os dois
pássaro enjaulado. juntos – sou eu que escrevo o que estou es-
c) o nacionalismo romântico, silenciado pela crevendo. […] Felicidade? Nunca vi palavra
perplexidade com a Ditadura. mais doida, inventada pelas nordestinas que
d) o emblema nacional, transfigurado pelas andam por aí aos montes.
marcas do medo e da violência. Como eu irei dizer agora, esta história será
e) as riquezas da terra, espoliadas durante o o resultado de uma visão gradual – há dois
aparelhamento do poder armado. anos e meio venho aos poucos descobrindo
os porquês. É visão da iminência de. De quê?
4. (Enem) Mãos dadas Quem sabe se mais tarde saberei. Como que
estou escrevendo na hora mesma em que sou
Não serei o poeta de um mundo caduco. lido. Só não inicio pelo fim que justificaria o
Também não cantarei o mundo futuro. começo – como a morte parece dizer sobre a
Estou preso à vida e olho meus companheiros. vida – porque preciso registrar os fatos an-
Estão taciturnos mas nutrem grandes tecedentes.
[esperanças. LISPECTOR, C. A hora da estrela.
Entre eles, considero a enorme realidade. Rio de Janeiro: Rocco, 1988 (fragmento).
O presente é tão grande, não nos afastemos. A elaboração de uma voz narrativa peculiar
Não nos afastemos muito, vamos de mãos acompanha a trajetória literária de Clarice
dadas. Lispector, culminada com a obra A hora da
estrela, de 1977, ano da morte da escritora.
Não serei o cantor de uma mulher, de uma Nesse fragmento, nota-se essa peculiaridade
[história. porque o narrador:
Não direi suspiros ao anoitecer, a paisagem a) observa os acontecimentos que narra sob
[vista na janela. uma ótica distante, sendo indiferente aos
Não distribuirei entorpecentes ou cartas de fatos e às personagens.
[suicida. b) relata a história sem ter tido a preocupação
Não fugirei para ilhas nem serei raptado por de investigar os motivos que levaram aos
[serafins. eventos que a compõem.
O tempo é a minha matéria, o tempo c) revela-se um sujeito que reflete sobre ques-
[presente, os homens presentes, tões existenciais e sobre a construção do
a vida presente. discurso.
d) admite a dificuldade de escrever uma histó-
ANDRADE, C. D. Sentimento do mundo.
ria em razão da complexidade para escolher
São Paulo: Cia. das Letras, 2012.
as palavras exatas.
Escrito em 1940, o poema Mãos dadas revela e) propõe-se a discutir questões de natureza fi-
um eu lírico marcado pelo contexto de opres- losófica e metafísica, incomuns na narrativa
são política no Brasil e da Segunda Guerra de ficção.
Mundial. Em face dessa realidade, o eu lírico:
a) considera que em sua época o mais impor- 6. (Enem) Aquele bêbado
tante é a independência dos indivíduos. — Juro nunca mais beber – e fez o sinal da
b) desvaloriza a importância dos planos pesso- cruz com os indicadores. Acrescentou: — Ál-
ais na vida em sociedade. cool.
c) reconhece a tendência à autodestruição em O mais, ele achou que podia beber. Bebia
uma sociedade oprimida. paisagens, músicas de Tom Jobim, versos de
d) escolhe a realidade social e seu alcance indi- Mário Quintana. Tomou um pileque de Se-
vidual como matéria poética. gall. Nos fins de semana embebedava-se de
e) critica o individualismo comum aos românti- Índia Reclinada, de Celso Antônio.
cos e aos excêntricos. — Curou-se 100% de vício – comentavam os
amigos.
5. (Enem) Tudo no mundo começou com um Só ele sabia que andava bêbado que nem um
sim. Uma molécula disse sim a outra molécu- gambá. Morreu de etilismo abstrato, no meio
la e nasceu a vida. Mas antes da pré-história de uma carraspana de pôr do sol no Leblon,
havia a pré-história da pré-história e havia o e seu féretro ostentava inúmeras coroas de
nunca e havia o sim. Sempre houve. Não sei o ex-alcoólatras anônimos.
quê, mas sei que o universo jamais começou. ANDRADE, C. D. Contos plausíveis. Rio
[…] de Janeiro: Record, 1991.

128
A causa mortis do personagem, expressa no sangrentos, que se molhavam depressa e
último parágrafo, adquire um efeito irônico queriam esconder-se. Os objetos surgiam
no texto porque, ao longo da narrativa, ocor- empastados e brumosos. Voltava a abrigar-
re uma: -me sob o pano escuro, mas isto não atenua-
a) metaforização do sentido literal do verbo va o padecimento. Qualquer luz me deslum-
“beber”. brava, feria-me como pontas de agulha [...].
b) aproximação exagerada da estética abstra- Sem dúvida o meu espectro era desagra-
cionista. dável, inspirava repugnância. E a gente da
c) apresentação gradativa da coloquialidade da casa se impacientava. Minha mãe tinha a
linguagem. franqueza de manifestar-me viva antipatia.
d) exploração hiperbólica da expressão “inúme- Dava-me dois apelidos: bezerro-encourado e
ras coroas”. cabra-cega.
e) citação aleatória de nomes de diferentes ar- RAMOS, G. Infância. Rio de Janeiro:
Record, 1984. (fragmento)
tistas.
O impacto da doença, na infância, revela-se
7. (Enem) Verbo ser no texto memorialista de Graciliano Ramos
QUE VAI SER quando crescer? Vivem pergun- através de uma atitude marcada por:
tando em redor. Que é ser? É ter um corpo, a) uma tentativa de esquecer os efeitos da doença.
um jeito, um nome? Tenho os três. E sou? b) preservar a sua condição de vítima da negli-
Tenho de mudar quando crescer? Usar outro gência materna.
nome, corpo ou jeito? Ou a gente só prin- c) apontar a precariedade do tratamento médi-
cipia a ser quando cresce? É terrível, ser? co no sertão.
Dói? É bom? É triste? Ser: pronunciado tão d) registrar a falta de solidariedade dos amigos
depressa, e cabe tantas coisas? Repito: ser, e familiares.
ser, ser. Er. R. Que vou ser quando crescer? e) recompor em minúcias e sem autopiedade, a
Sou obrigado a? Posso escolher? Não dá para sensação da dor.
entender. Não vou ser. Não quero ser. Vou
crescer assim mesmo. Sem ser. Esquecer. 9. (Enem) TEXTO I
ANDRADE, C. D. Poesia e prosa. Rio de
Janeiro: Nova Aguilar, 1992. Poema de sete faces
Mundo mundo vasto mundo,
A inquietação existencial do autor com a au- Se eu me chamasse Raimundo
toimagem corporal e a sua corporeidade se seria uma rima, não seria uma solução.
desdobra em questões existenciais que têm Mundo mundo vasto mundo,
origem: mais vasto é meu coração.
a) no conflito do padrão corporal imposto con- ANDRADE, C. D. Antologia poética. Rio de
tra as convicções de ser autêntico e singular. Janeiro: Record, 2001 (fragmento).
b) na aceitação das imposições da sociedade se-
guindo a influência de outros. TEXTO II
c) na confiança no futuro, ofuscada pelas tra-
dições e culturas familiares. CDA (imitado)
d) no anseio de divulgar hábitos enraizados, Ó vida, triste vida!
negligenciados por seus antepassados. Se eu me chamasse Aparecida
e) na certeza da exclusão, revelada pela indife- dava na mesma.
rença de seus pares. FONTELA, O. Poesia reunida. São Paulo: Cosac
Naify; Rio de Janeiro: 7Letras, 2006.
8. (Enem) Cegueira Orides Fontela intitula seu poema “CDA”, si-
Afastou-me da escola, atrasou-me, enquan- gla de Carlos Drummond de Andrade, e entre
to os filhos de seu José Galvão se interna- parênteses indica “imitado” porque, como
vam em grandes volumes coloridos, a doen- nos versos de Drummond:
ça de olhos que me perseguia na meninice. a) apresenta o receio de colocar os dramas pes-
Torturava-me semanas e semanas, eu vivia soais no mundo vasto.
na treva, o rosto oculto num pano escuro, b) expõe o egocentrismo de sentir o coração
tropeçando nos móveis, guiando-me às apal- maior que o mundo.
padelas, ao longo das paredes. As pálpebras c) aponta a insuficiência da poesia para solu-
inflamadas colavam-se. Para descerrá-las, eu cionar os problemas da vida.
ficava tempo sem fim mergulhando a cara na d) adota tom melancólico para evidenciar a de-
bacia de água, lavando-me vagarosamente, sesperança com a vida.
pois o contato dos dedos era doloroso em ex- e) invoca a tristeza da vida para potencializar
cesso. Finda a operação extensa, o espelho a ineficácia da rima.
da sala de visitas mostrava-me dois bugalhos

129
1
0. (Enem) Logia e mitologia d) Renovando o significado das palavras, o
Meu coração tempo permite às gerações perpetuar seus
de mil e novecentos e setenta e dois valores e suas crenças.
Já não palpita fagueiro e) Como produto da criatividade humana, a
sabe que há morcegos de pesadas olheiras linguagem tem seu alcance limitado pelas
que há cabras malignas que há intenções e gestos.
cardumes de hienas infiltradas
no vão da unha da alma
um porco belicoso de radar 1
2. (Enem) Prima Julieta
e que sangra e ri Prima Julieta irradiava um fascínio singular.
e que sangra e ri Era a feminilidade em pessoa. Quando a co-
a vida anoitece provisória nheci, sendo ainda garoto e já sensibilíssimo
centuriões sentinelas ao charme feminino, teria ela uns trinta ou
do Oiapoque ao Chuí. trinta e dois anos de idade.
CACASO. Lero-lero. Rio de Janeiro: 7Letras;
Apenas pelo seu andar percebia-se que era
São Paulo: Cosac & Naify, 2002.
uma deusa, diz Virgílio de outra mulher. Pri-
O título do poema explora a expressividade de ma Julieta caminhava em ritmo lento, agi-
termos que representam o conflito do momen- tando a cabeça para trás, remando os belos
to histórico vivido pelo poeta na década de braços brancos. A cabeleira loura incluía re-
1970. Nesse contexto, é correto afirmar que: flexos metálicos. Ancas poderosas. Os olhos
a) o poeta utiliza uma série de metáforas zoo-
de um verde azulado borboleteavam. A voz
lógicas com significado impreciso.
b) “morcegos”, “cabras”, e “hienas” metafori- rouca e ácida, em dois planos: voz de pessoa
zam as vítimas do regime militar vigente. da alta sociedade.
c) o “porco” , animal difícil de domesticar, re- MENDES, M. A idade do serrote. Rio de Janeiro: Sabiá, 1968.
presenta os movimentos de resistência.
d) o poeta caracteriza o momento de opressão Entre os elementos constitutivos dos gêne-
através de alegorias de forte poder de impacto. ros, está o modo como se organiza a pró-
e) “centuriões” e “sentinelas” simbolizam os pria composição textual, tendo-se em vista
agentes que garantem a paz social experi- o objetivo de seu autor: narrar, descrever,
mentada. argumentar, explicar, instruir. No trecho,
reconhece-se uma sequência textual
11. (Enem) Ai, palavras, ai, palavras a) explicativa, em que se expõem informações
Que estranha potência a vossa! objetivas referentes à prima Julieta.
Todo o sentido da vida b) instrucional, em que se ensina o comporta-
Principia a vossa porta: mento feminino, inspirado em prima Julieta.
O mel do amor cristaliza c) narrativa, em que se contam fatos que, no
Seu perfume em vossa rosa; decorrer do tempo, envolvem prima Julieta.
Sois o sonho e sois a audácia, d) descritiva, em que se constrói a imagem de
Calúnia, fúria, derrota... prima Julieta a partir do que os sentidos do
A liberdade das almas, enunciador captam.
ai! Com letras se elabora... e) argumentativa, em que se defende a opinião
e dos venenos humanos do enunciador sobre prima Julieta, buscan-
sois a mais fina retorta: do-se a adesão do leitor a essas ideias.
frágil, frágil, como o vidro
e mais que o aço poderosa! 1
3. (Enem) Ó meio-dia confuso,
Reis, impérios, povos, tempos, ó vinte-e-um de abril sinistro,
pelo vosso impulso rodam... que intrigas de ouro e de sonho
MEIRELES, C. Obra poética. Rio de Janeiro: houve em tua formação?
Nova Aguilar, 1985 (fragmento).
Quem ordena, julga e pune?
O fragmento destacado foi transcrito do Ro- Quem é culpado e inocente?
manceiro da Independência, de Cecília Mei- Na mesma cova do tempo
reles. Centralizada no episódio histórico da cai o castigo e o perdão.
Inconfidência Mineira, a obra, no entanto, Morre a tinta das sentenças
elabora uma reflexão mais ampla sobre a se- e o sangue dos enforcados...
guinte relação entre o homem e a linguagem:
— liras, espadas e cruzes
a) A força e a resistência humanas superam os
danos provocados pelo poder corrosivo das pura cinza agora são.
palavras. Na mesma cova, as palavras,
b) As relações humanas, em suas múltiplas es- o secreto pensamento,
feras, têm seu equilíbrio vinculado aos sig- as coroas e os machados,
nificado das palavras. mentira e verdade estão.
c) O significado dos nomes não expressa de for- [...]
ma justa e completa a grandeza da luta do MEIRELES, C. Romanceiro da Inconfidência. Rio
homem pela vida. de Janeiro: Aguilar, 1972. (fragmento)

130
O poema de Cecília Meireles tem como ponto 1
5. (Enem) Primeiro surgiu o homem nu de ca-
de partida um fato da história nacional, a beça baixa. Deus veio num raio. Então apa-
Inconfidência Mineira. Nesse poema, a rela- receram os bichos que comiam os homens.
ção entre texto literário e contexto históri- E se fez o fogo, as especiarias, a roupa, a
co indica que a produção literária é sempre espada e o dever. Em seguida se criou a fi-
uma recriação da realidade, mesmo quando losofia, que explicava como não fazer o que
faz referência a um fato histórico determi- não devia ser feito. Então surgiram os nú-
nado. No poema de Cecília Meireles, a recria- meros racionais e a História, organizando os
eventos sem sentido. A fome desde sempre,
ção se concretiza por meio:
das coisas e das pessoas. Foram inventados o
a) do questionamento da ocorrência do próprio
calmante e o estimulante. E alguém apagou a
fato, que, recriado, passa a existir como for- luz. E cada um se vira como pode, arrancan-
ma poética desassociada da história nacional. do as cascas das feridas que alcança.
b) da descrição idealizada e fantasiosa do fato BONASSI, F. 15 cenas do descobrimento de Brasis.
histórico, transformado em batalha épica que In: MORICONI, I. (Org.). Os cem melhores contos
exalta a força dos ideais dos Inconfidentes. do século. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.
c) da recusa da autora de inserir nos versos o
A narrativa enxuta e dinâmica de Fernando
desfecho histórico do movimento da Incon-
Bonassi configura um painel evolutivo da
fidência: a derrota, a prisão e a morte dos história da humanidade. Nele, a projeção do
Inconfidentes. olhar contemporâneo manifesta uma per-
d) do distanciamento entre o tempo da escrita cepção que:
e o da Inconfidência, que, questionada po- a) recorre à tradição bíblica como fonte de ins-
eticamente, alcança sua dimensão histórica piração para a humanidade.
mais profunda. b) desconstrói o discurso da filosofia a fim de
e) do caráter trágico, que, mesmo sem corres- questionar o conceito de dever.
ponder à realidade, foi atribuído ao fato his- c) resgata a metodologia da história para de-
nunciar as atitudes irracionais.
tórico pela autora, a fim de exaltar o heroís-
d) transita entre o humor e a ironia para cele-
mo dos Inconfidentes. brar o caos da vida cotidiana.
e) satiriza a matemática e a medicina para des-
1
4. (Enem) No poema “Procura da poesia”, Carlos mistificar o saber científico.
Drummond de Andrade expressa a concepção
estética de se fazer com palavras o que o escul- 1
6. (Enem) TEXTO I
tor Michelangelo fazia com mármore. O frag-
mento a seguir exemplifica essa afirmação. Voluntário
“(...) Rosa tecia redes, e os produtos de sua peque-
Penetra surdamente no reino das palavras. na indústria gozavam de boa fama nos arre-
Lá estão os poemas que esperam ser escritos. dores. A reputação da tapuia crescera com a
(...) feitura de uma maqueira de tucum ornamen-
Chega mais perto e contempla as palavras. tada com a coroa brasileira, obra de ingênuo
Cada uma gosto, que lhe valera a admiração de toda a
tem mil faces secretas sob a face neutra comarca e provocara a inveja da célebre Ana
e te pergunta, sem interesse pela resposta, Raimunda, de Óbidos, a qual chegara a for-
pobre ou terrível, que lhe deres: mar uma fortunazinha com aquela especia-
trouxeste a chave?” lidade, quando a indústria norte-americana
Carlos Drummond de Andrade. A rosa do povo.
reduzira à inatividade os teares rotineiros
Rio de Janeiro: Record, 1997, p. 13-14. do Amazonas.
SOUSA, I. Contos amazônicos.
São Paulo: Martins Fontes, 2004.
Esse fragmento poético ilustra o seguinte
tema constante entre autores modernistas: TEXTO II
a) a nostalgia do passado colonialista revisitado. Relato de um certo oriente
b) a preocupação com o engajamento político e
social da literatura. Emilie, ao contrário de meu pai, de Dorner
c) o trabalho quase artesanal com as palavras, e dos nossos vizinhos, não tinha vivido no
despertando sentidos novos. interior do Amazonas. Ela, como eu, jamais
atravessara o rio. Manaus era o seu mundo
d) a produção de sentidos herméticos na busca
visível. O outro latejava na sua memória.
da perfeição poética.
Imantada por uma voz melodiosa, quase en-
e) a contemplação da natureza brasileira na cantada, Emilie maravilha-se com a descri-
perspectiva ufanista da pátria. ção da trepadeira que espanta a inveja, das
folhas malhadas de um tajá que reproduz a
fortuna de um homem, das receitas de curan-
deiros que veem em certas ervas da floresta

131
o enigma das doenças mais temíveis, com as aprumado, de guarda-chuva no braço e ca-
infusões de coloração sanguínea aconselha- chimbo na boca, dobrou a esquina e foi di-
das para aliviar trinta e seis dores do corpo minuindo o passo até se sentar no chão da
humano. “E existem ervas que não curam calçada. Algumas pessoas que passavam para-
nada”, revelava a lavadeira, “mas assanham ram para ajudar, mas ele nem conseguia falar.
a mente da gente. Basta tomar um gole do lí- d) Vítima
quido fervendo para que o cristão sonhe uma Idade: entre 40 e 45 anos
única noite muitas vidas diferentes”. Esse re- Sexo: masculino
lato poderia ser de duvidosa veracidade para Cor: branca
outras pessoas, mas não para Emilie. Ocorrência: Encontrado desacordado na Rua
da Abolição, quase esquina com Padre Vieira.
HATOUM, M. São Paulo: Cia. das Letras, 2008.
Ambulância chamada às 12h34min por ho-
As representações da Amazônia na literatura mem desconhecido. A caminho.
brasileira mantêm relação com o papel atri- e) Pronto socorro? Por favor, tem um homem
buído à região na construção do imaginário caído na calçada da rua da Abolição, quase
nacional. Pertencentes a contextos históri- esquina com a Padre Vieira. Ele parece des-
cos distintos, os fragmentos diferenciam-se maiado. Tem um grupo de pessoas em vol-
ao propor uma representação da realidade ta dele. Mas parece que ninguém aqui pode
ajudar. Ele precisa de uma ambulância rápi-
amazônica em que se evidenciam
a) aspectos da produção econômica e da cura do. Por favor, venham logo!
na tradição popular.
1
8. Leia o poema:
b) manifestações culturais autênticas e da re-
podem ficar com a realidade
signação familiar.
c) valores sociais autóctones e influência dos esse baixo astral
estrangeiros. em que tudo entra pelo cano
d) formas de resistência locais e do cultivo das eu quero viver de verdade
superstições. eu fico com o cinema americano
e) costumes domésticos e levantamento das O poeta Paulo Leminski neste poema usa de
tradições indígenas. procedimento redundante em sua obra. As-
sinale a alternativa que identifica esse pro-
1
7. (Enem) Dario vinha apressado, guarda-chuva cedimento.
no braço esquerdo e, assim que dobrou a es- a) intertextualidade.
quina, diminuiu o passo até parar, encostan- b) ironia.
do-se à parede de uma casa. Por ela escorre- c) crítica à sociedade de massa.
gando, sentou-se na calçada, ainda úmida da d) fuga à realidade.
chuva, e descansou na pedra o cachimbo. e) desejo de viver intensamente.
Dois ou três passantes rodearam-no e inda-
garam se não se sentia bem. Dario abriu a 1
9. Leia o poema:
boca, moveu os lábios, não se ouviu resposta. o bicho alfabeto
O senhor gordo, de branco, sugeriu que devia tem vinte e três patas
sofrer de ataque. ou quase
TREVISAN, D. Uma vela para Dario. Cemitério de Elefantes.
por onde ele passa
Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1964 (adaptado).
nascem palavras
No texto, um acontecimento é narrado em e frases
linguagem literária. Esse mesmo fato, se re-
latado em versão jornalística, com caracte- com frases
rísticas de notícia, seria identificado em: se fazem asas
a) Aí, amigão, fui diminuindo o passo e tentei palavras
me apoiar no guarda-chuva... mas não deu. o vento leve
Encostei na parede e fui escorregando. Foi
mal, cara! Perdi os sentidos ali mesmo. Um o bicho alfabeto
povo que passava falou comigo e tentou me passa
socorrer. E eu, ali, estatelado, sem conseguir fica o que não se escreve
falar nada! Cruzes! Que mal! (Paulo Leminski)
b) O representante comercial Dario Ferreira, 43
anos, não resistiu e caiu na calçada da Rua Identifique a alternativa correta.
da Abolição, quase esquina com a Padre Viei- a) A metalinguagem, presente no poema trans-
ra, no centro da cidade, ontem por volta do
crito, é um recurso exclusivo da poesia con-
meio-dia. O homem ainda tentou apoiar-se
no guarda-chuva que trazia, mas não conse- temporânea.
guiu. Aos populares que tentaram socorrê-lo b) Aproximando o alfabeto a um ser capaz de
não conseguiu dar qualquer informação. se movimentar o poeta favorece a ideia cen-
c) Eu logo vi que podia se tratar de um ata- tral do poema: tudo o que tem a ver com
que. Eu vinha logo atrás. O homem, todo palavras está sujeito a mudanças.

132
c) Paulo Leminski, representante da poesia c) da nostalgia de um tempo marcado pela ex-
marginal, enfatiza no poema a inutilidade periência concreta do amor.
da palavra escrita. d) de uma atitude reflexiva do sujeito poético a
d) Ao apresentar o alfabeto como um bicho respeito do amor como ideia.
com número ímpar de patas Leminski cria e) de versos predominantemente descritivos de
a ideia de um desequilíbrio que prejudica a uma paisagem estática que reflete o íntimo
expressão poética. do sujeito lírico.
e) A ausência de metáforas e de rimas é carac-
terística não apenas do poema citado, mas TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO
de toda a obra de Paulo Leminski. Epigrama 2
És precária e veloz, Felicidade.
2
0. Leia os versos de Cecília Meireles, extraídos
Custas a vir e, quando vens, não te demoras.
do poema Epigrama nº 8.
Foste tu que ensinaste aos homens que havia
Encostei-me a ti, sabendo bem que eras [tempo,
[somente onda. e, para te medir, se inventaram as horas.
Sabendo bem que eras nuvem, depus a
[minha vida em ti. Felicidade, és coisa estranha e dolorosa:
Como sabia bem tudo isso, e dei-me ao teu Fizeste para sempre a vida ficar triste:
[destino frágil, Porque um dia se vê que as horas todas
fiquei sem poder chorar, quando caí. [passam,
O eu lírico reconhece que a pessoa em quem e um tempo despovoado e profundo persiste.
depôs sua vida representava: (Cecília Meireles)
a) uma relação incerta, por isso os desenganos
2
2. Assinale a afirmação errônea sobre o poema.
vividos seriam inevitáveis.
a) Ao dialogar com a figura da Felicidade, o
b) um sentimento intenso, por isso tinha cer-
“eu” poético personifica-a.
teza de que não sofreria.
b) A Felicidade é caracterizada por elementos
c) um caso de amor passageiro, por isso se sen-
paradoxais.
tia enganado.
c) As horas foram inventadas como tentativa
d) uma angústia inevitável, por isso seria me-
lhor aquele amor. de substituição da Felicidade.
e) uma opção equivocada, por isso sempre teve d) Constata-se que o tempo é tão fugaz quanto
medo de amar. a Felicidade.
e) A Felicidade acaba sendo responsável pelo
vazio existencial.
2
1. Venturosa de sonhar-te,
à minha sombra me deito. Considere o poema abaixo, de Ana Cristina
(Teu rosto, por toda parte, César (1952-1983).
mas, amor, só no meu peito!) Fisionomia
não é mentira
— Barqueiro, que céu tão leve! é outra
Barqueiro, que mar parado! a dor que dói
Barqueiro, que enigma breve, em mim
o sonho de ter amado! é um projeto
de passeio
Em barca de nuvens sigo:
e o que vou pagando ao vento em círculo um malogro
para levar-te comigo do objeto
é suspiro e pensamento. em foco
a intensidade
— Barqueiro, que doce instante! de luz
Barqueiro, que instante imenso, de tarde
não do amado nem do amante: no jardim
mas de amar o amor que penso! é outra
MEIRELES, Cecília. Canções. Obra poética. Rio a dor que dói
de Janeiro: José Aguilar, 1972. p. 564.

A poesia de Cecília Meireles constitui “esbo- 2


3. O título do poema está relacionado ao eu lí-
ços de quadros metafísicos”, o que pode ser rico por um conflito de natureza:
comprovado no texto por meio: a) amorosa.
a) da exaltação do ente amado em sua plenitu- b) social.
de de beleza. c) física
b) do sofrimento causado pelo distanciamento d) existencial.
entre os amantes. e) imaginária.

133
2
4. (Enem) Vei, a Sol a) satirizadas, pois as várias formas de se falar
Ora o pássaro careceu de fazer necessidade, o português no Brasil ferem a língua portu-
fez e o herói ficou escorrendo sujeira de uru- guesa autêntica.
bu. Já era de madrugadinha e o tempo es- b) questionadas, pois o povo brasileiro esquece
tava inteiramente frio. Macunaíma acordou a sintaxe da língua portuguesa.
tremendo, todo lambuzado. Assim mesmo c) subestimadas, pois o português “gostoso” de
examinou bem a pedra mirim da ilhota para Portugal deve ser a referência de correção
vê si não havia alguma cova com dinheiro linguística.
enterrado. Não havia não. Nem a correnti- d) reconhecidas, pois a formação cultural brasi-
nha encantada de prata que indica pro es- leira é garantida por meio da fala do povo.
colhido, tesouro de holandês. Havia só as e) reelaboradas, pois o povo “macaqueia” a lín-
formigas jaquitaguas ruivinhas. gua portuguesa original.
Então passou Caiuanogue, a estrela da ma-
nhã. Macunaíma já meio enjoado de tanto 2
6. (Enem) Cena
viver pediu pra ela que o carregasse pro céu. O canivete voou
Caiuanogue foi se chegando porém o herói E o negro comprado na cadeia
fedia muito. Estatelou de costas
– Vá tomar banho! – ela fez. E foi-se embora. E bateu coa cabeça na pedra
Assim nasceu a expressão “Vá tomar banho”
ANDRADE, O. Pau-brasil. São Paulo: Globo, 2001.
que os brasileiros empregam se referindo a
certos imigrantes europeus. O Modernismo representou uma ruptura com
ANDRADE, M. Macunaíma: o herói sem nenhum os padrões formais e temáticos até então vi-
caráter. Rio de Janeiro: Agir, 2008.
gentes na literatura brasileira. Seguindo es-
O fragmento de texto faz parte do capítulo ses aspectos, o que caracteriza o poema Cena
VII, intitulado “Vei, a Sol”, do livro Macu- como modernista é o(a):
naíma, de Mário de Andrade, pertencente a) construção linguística por meio de neologismo.
à primeira fase do Modernismo brasileiro. b) estabelecimento de um campo semântico
Considerando a linguagem empregada pelo inusitado.
narrador, é possível identificar: c) configuração de um sentimentalismo conci-
a) resquícios do discurso naturalista usado pe- so e irônico.
los escritores do século XIX. d) subversão de lugares-comuns tradicionais.
b) ausência de linearidade no tratamento do e) uso da técnica de montagem de imagens jus-
tempo, recurso comum ao texto narrativo da tapostas.
primeira fase modernista.
c) referência à fauna como meio de denunciar 2
7. (Enem)
o primitivismo e o atraso de algumas regiões
do país.
d) descrição preconceituosa dos tipos popula-
res brasileiros, representados por Macunaí-
ma e Caiuanogue.
e) uso da linguagem coloquial e de temáticas
do lendário brasileiro como meio de valori-
zação da cultura popular nacional.

2
5. (Enem) Evocação do Recife
A vida não me chegava pelos jornais nem pe-
los livros
Vinha da boca do povo na língua errada do
povo
Língua certa do povo
Porque ele é que fala gostoso o português do
Brasil
Ao passo que nós
O que fazemos
É macaquear
A sintaxe lusíada…
BANDEIRA, M. Estrela da vida inteira. Rio O poema de Oswald de Andrade remonta à
de Janeiro: Nova Fronteira, 2007.
ideia de que a brasilidade está relacionada
Segundo o poema de Manuel Bandeira, as ao futebol. Quanto à questão da identidade
variações linguísticas originárias das classes nacional, as anotações em torno dos versos
populares devem ser: constituem:

134
a) direcionamentos possíveis para uma leitura crí- O primitivismo observável no poema ante-
tica de dados histórico-culturais. rior, de Oswald de Andrade, caracteriza de
b) forma clássica da construção poética brasileira. forma marcante:
c) rejeição à ideia do Brasil como o país do futebol. a) o regionalismo do Nordeste.
d) intervenções de um leitor estrangeiro no exercí- b) o concretismo paulista.
cio de leitura poética. c) a poesia Pau-Brasil.
e) lembretes de palavras tipicamente brasileiras
d) o simbolismo pré-modernista.
substitutivas das originais.
e) o tropicalismo baiano.
2
8. (ENEM) Só é meu 3
0. (Enem) “Poética”, de Manuel Bandeira, é
O país que trago dentro da alma. quase um manifesto do movimento moder-
Entro nele sem passaporte nista brasileiro de 1922. No poema, o autor
Como em minha casa. elabora críticas e propostas que representam o
[...] pensamento estético predominante na época.
As ruas me pertencem.
Mas não há casas nas ruas, Poética
As casas foram destruídas desde a minha in- Estou farto do lirismo comedido
fância. Do lirismo bem comportado
Os seus habitantes vagueiam no espaço Do lirismo funcionário público com livro de
À procura de um lar. ponto
Só é meu expediente protocolo e
O mundo que trago dentro da alma. [manifestações de apreço ao Sr. diretor.
BANDEIRA, M. “Um poema de Chagall”. In: Estou farto do lirismo que para e vai averi-
Estrela da vida inteira: poemas traduzidos. Rio de guar no dicionário
Janeiro: Nova Fronteira,1993 (fragmento). [o cunho vernáculo de um vocábulo
Abaixo os puristas
..................................................................
Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbedos
O lirismo difícil e pungente dos bêbedos
O lirismo dos clowns de Shakespeare

— Não quero mais saber do lirismo que não


é libertação.
(BANDEIRA, Manuel. Poesia Completa e
Prosa. Rio de Janeiro: Aguilar, 1974.)

A arte, em suas diversas manifestações, des- Com base na leitura do poema, podemos afir-
perta sentimentos que atravessam fronteiras mar corretamente que o poeta:
culturais. Relacionando a temática do texto a) critica o lirismo louco do movimento moder-
com a imagem, percebe-se a ligação entre a: nista.
a) alegria e a satisfação na produção das obras b) critica todo e qualquer lirismo na literatura.
modernistas. c) propõe o retorno ao lirismo do movimento
b) memória e a lembrança passadas no íntimo clássico.
do enunciador. d) propõe o retomo ao lirismo do movimento
c) saudade e o refúgio encontrados pelo ho- romântico.
mem na natureza. e) Propõe a criação de um novo lirismo.
d) lembrança e o rancor relacionados ao seu
ofício original.
e) exaustão e o medo impostos ao corpo de
todo artista.
Gabarito
1. E 2. D 3. D 4. D 5. C
2
9. (Enem) ERRO DE PORTUGUÊS
Quando o português chegou 6. A 7. A 8. E 9. C 10. D
Debaixo de uma bruta chuva
Vestiu o índio 11. B 12. D 13. D 14 C 15. D
Que pena! 16. A 17. B 18. B 19. B 20 A
Fosse uma manhã de Sol
O índio tinha despido 21. D 22. C 23. D 24. E 25. D
O português.
26. E 27. A 28. B 29. C 30. E
Oswald de Andrade. Poesias reunidas. Rio
de Janeiro: Civilização Brasileira, 1978.

135
L C Redação

ENTRE
FRASES

RPA ENEM

L C
Competência 1 – Demonstrar domínio da modalidade escrita formal da Língua Portuguesa.

Competência 2 – Compreender a proposta de redação e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema,
dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo em prosa.

Competência 3 – Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista.

Competência 4 – Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação.

Competência 5 – Elaborar proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos.
Aula 1

Competências 1 e 2

A redação do Enem é corrigida a partir da análise de cinco competências, sendo atribuído o valor de 200 pontos
para cada uma delas, totalizando 1000 pontos.
Cabe ao candidato o conhecimento pleno das competências e níveis de proficiência, a fim de que atinja o
grau máximo na avaliação.

Fonte: Matriz de Referência – Cartilha de Redação Inep.

Avisos importantes

139
Competência 1
Demonstrar domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa.

Em primeiro lugar, você deve se atentar ao fato de que a escrita formal é a modalidade da língua associada
a textos dissertativo-argumentativos. Assim, você será alertado sobre a obrigatoriedade de usar a modalidade
formal já na proposta de redação: “A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos cons-
truídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua
portuguesa sobre o tema...”.
Desse modo, o avaliador corrigirá sua redação, nessa Competência, considerando os possíveis problemas
de construção sintática e a presença de desvios (gramaticais, de convenções da escrita, de escolha de registro e de
escolha vocabular).
Em relação à construção sintática, você deve estruturar as orações e os períodos de seu texto sempre bus-
cando garantir que eles estejam completos e contribuam para a fluidez da leitura.
Quanto aos desvios, você deve estar atento aos seguintes aspectos:
§§ Convenções da escrita: acentuação, ortografia, separação silábica, uso do hífen e uso de letras maiús-
culas e minúsculas.
§§ Gramaticais: concordância verbal e nominal, flexão de nomes e verbos, pontuação, regência verbal e
nominal, colocação pronominal, pontuação e paralelismo.
§§ Escolha de registro: adequação à modalidade escrita formal, isto é, ausência de uso de registro informal
e/ou de marcas de oralidade.
§§ Escolha vocabular: emprego de vocabulário preciso, o que significa que as palavras selecionadas são
usadas em seu sentido correto e são apropriadas para o texto.

Esteja muito atento à construção sintática das orações e aos problemas de acentuação, pontuação, concor-
dância e ortografia;
Dê preferência ao emprego de períodos menores, em que as subordinações e orações intercaladas possam
ficar mais claras e organizadas aos olhos do leitor;
RELEIA o seu rascunho antes de passar a limpo procurando eliminar quaisquer desvios da norma padrão e usos
lexicais da informalidade.

140
Competência 2
Compreender a proposta de redação e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento para desenvolver o
tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo.

A sua redação atenderá às exigências de elaboração de um texto dissertativo-argumentativo, se combinar


dois princípios de estruturação:

Importante
Leia com atenção a proposta da redação e os textos motivadores, para compreender bem o que está sendo solicitado.
Evite ficar preso às ideias desenvolvidas nos textos motivadores, porque foram apresentadas apenas para
despertar uma reflexão sobre o tema.
Não copie trechos dos textos motivadores. Lembre-se de que eles foram apresentados apenas para desper-
tar seus conhecimentos sobre o tema. Além disso, a recorrência de cópia é avaliada negativamente e fará com que
seu texto tenha uma pontuação mais baixa.
Reflita sobre o tema proposto para definir qual será o foco da discussão, isto é, para decidir como abordá-lo,
qual será o ponto de vista adotado e como defendê-lo.

141
Utilize informações de várias áreas do conhecimento, demonstrando que você está atualizado em relação
ao que acontece no mundo. Essas informações devem ser usadas de modo produtivo no seu texto, evidenciando
que elas servem a um propósito muito bem definido: ajudá-lo a validar seu ponto de vista. Isso significa que essas
informações devem estar articuladas à discussão desenvolvida em sua redação.

Leia com MUITA ATENÇÃO o recorte temático proposto, buscando elaborar uma redação que atende integralmente
ao que se pede;
Construa seus parágrafos de modo a deixar claro que seu texto possui uma introdução, desenvolvimento conclu-
são;
Utilize ao menos um repertório pessoal na redação que esteja vinculado ao tema e que seja proveniente de
outras áreas do conhecimento: literatura, história, sociologia, filosofia, direito, cinematografia, música, etc. .

Proposta 1
Texto I
A cada dez adultos no Brasil, quatro estão inadimplentes, de acordo com a Serasa Experian. Além de
assistirem ao crescimento de suas dívidas como bola de neve (pela incidência diária de multa, juros e correção
monetária), as pessoas com o nome sujo na praça perdem o acesso a empréstimos bancários, cheque especial e
cartão de crédito.
Uma explicação para a alta inadimplência está na situação econômica do país, historicamente delicada,
com salários baixos e desemprego elevado. Mas essa não é a única causa. As contas não pagas também têm um
componente individual: o chamado analfabetismo financeiro. A expressão, que remete ao analfabetismo funcional,
é recente e vem sendo utilizada por universidades e instituições como o Banco Mundial.
A pessoa é considerada analfabeta financeira quando não lida com o dinheiro de forma plenamente cons-
ciente e racional. Ela, por exemplo, não tem ideia de quanto gasta por mês. Não se preocupa em classificar suas
despesas (alimentação, transporte, educação, telefone, lazer) nem em saber o peso que cada categoria tem no
orçamento pessoal. Compra por impulso e não reflete se o produto é necessário e urgente. O analfabeto financeiro
faz parcelamentos ignorando o peso dos juros no preço final. Entra no cheque especial e paga apenas o valor
mínimo da fatura do cartão de crédito sem perceber que em ambas as situações está contraindo empréstimo — e
empréstimo caro.
https://www12.senado.leg.br/noticias/especiais/especial-cidadania/despreparo-financeiro-da-populacao-e-preocupante (19.09.2019)

Texto II
As figuras do ‘homem provedor’ e da ‘mulher que cuida da casa’ estão em discussão e não é de hoje. A
presença feminina no mercado de trabalho colaborou para o começo do debate. No entanto, algumas crenças
antigas permeiam nossa sociedade até os dias de hoje. Alguns exemplos podem estar ao nosso redor. Frases como
“Precisa arranjar um marido rico” ou “Você não conseguirá pagar as contas após o divórcio” ainda são comuns.
Para a educadora financeira Luciana Ikedo é comum que os homens evoluam financeiramente e na carreira,
enquanto as mulheres estagnam ou regridem. “E, de repente, a gestão financeira está integralmente nas mãos
do marido. E a mulher passa a ter essa crença de que não consegue arcar com os próprios custos de vida sozinha,
prendendo-se a relacionamentos que já acabaram por medo da instabilidade financeira”, ressalta.

142
Do ponto de vista psíquico, a educação financeira para meninas desde a primeira infância promove maior
liberdade de escolha na vida adulta. “Penso que, para mudarmos, é preciso educar financeiramente as mulheres
para fazer com que elas assumam o protagonismo financeiro. Quando tomamos as rédeas de nossas vidas finan-
ceiras, naturalmente perdemos o medo de arcar com as próprias contas e percebemos que a liberdade financeira é
uma das coisas mais preciosas que podemos almejar”, avalia Luciana Ikedo.
https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/comportamento/educacao-financeira-para-meninas-promove-maior-
-liberdade-de-escolha-na-vida-adulta,80e50b286abee735c45aee3c53c8c18c2spyh3hw.html (24.09.2019)

Texto III

Texto IV
O mercado financeiro deu um salto de desenvolvimento nos últimos anos, com o surgimento de (muitas)
novas corretoras e casas de análise, o que é ótimo para os investidores e para o desenvolvimento do mercado
financeiro do país. Por outro lado, atraiu também empresas mal-intencionadas e que atuam à margem do conjunto
de regras que regulamentam o setor.
“O mercado que opera na sombra, não temos números exatos, mas tem crescido e o número de denúncias
na CVM no primeiro trimestre já foi praticamente igual ao ano passado inteiro”, conta Rogerio Vicentin de Oliveira,
chefe da coordenação de educação financeira da superintendência de orientação e proteção aos investidores da
Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão que fiscaliza o mercado de valores mobiliários no país.
https://valorinveste.globo.com/educacao-financeira/noticia/2019/05/19/golpes-financeiros-crescem-
-veja-dicas-para-evitar-cair-em-ciladas-na-hora-de-investir.ghtml (19/05/2019)

A partir da leitura dos textos motivadores seguintes e com base nos conhecimentos construídos ao longo
de sua formação, redija um texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa
sobre o tema A NECESSIDADE DE SE VALORIZAR A EDUCAÇÃO FINANCEIRA ENTRE A POPULAÇÃO,
apresentando proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma
coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.

143
Proposta 2
Texto I
A estatísticas do Ministério da Saúde são incontestáveis. A queda da cobertura vacinal atingiu patamares
alarmantes. A aplicação da tríplice viral caiu mais de 10 pontos desde 2011, chegando a cerca de 90% em 2018 –
abaixo das metas estabelecidas internacionalmente. Estamos falando de uma importante proteção contra o saram-
po, cujo surto atinge estados como São Paulo. A mesma curva descendente ocorre na aplicação de outras vacinas.
https://gauchazh.clicrbs.com.br/opiniao/noticia/2019/09/as-doencas-erradicadas-estao-voltando-a-assombrar-nossos-filhos-e-filhas-
-ck0bi5sr103wk01l5unzjs7w9.html (09/09/2019)

Texto II

Texto III
O sarampo era considerado uma doença erradicada no Brasil desde 2016, quando a Organização Mundial da
Saúde(OMS) identificou que o país estava há um ano sem registro de casos do vírus. Mas isso mudou em 2018: bole-
tins recentes da entidade advertem que está em curso um surto da doença, altamente contagiosa e que pode levar à
morte crianças pequenas ou causar sequelas graves.
O Ministério da Saúde, por sua vez, informou haver alto risco de retorno da poliomielite em pelo menos 312
cidades brasileiras. A doença era considerada erradicada na América do Sul desde 1994, após décadas provocando
milhares de casos de paralisia infantil. A preocupação com a pólio se dá pelo fato de que, embora não tenha havido
casos recentes no Brasil, identificou-se um registro da doença na vizinha Venezuela e a circulação do vírus em outros
23 países do mundo nos últimos três anos.
Os alertas acima colocam em evidência doenças que estavam controladas graças à vacinação em massa, mas
que ameaçam provocar estragos na saúde pública brasileira caso a imunização sofra baixas. “Por não termos mais
contato com algumas doenças infecciosas, a percepção é que elas deixaram de existir e que a vacinação é inútil. Mas
poucas intervenções da medicina foram tão eficazes como as vacinas, capazes de erradicar doenças que antes mata-
vam muitas pessoas”, avalia o pesquisador do Serviço de Bacteriologia do Instituto Butantan, Paulo Lee Ho.
(Laís Modelli. “Sarampo, pólio, difteria e rubéola voltam a ameaçar após erradicação no Brasil”.
www.bbc.com, 07.07.2018. Adaptado.)

144
A partir da leitura dos textos motivadores seguintes e com base nos conhecimentos construídos ao longo de
sua formação, redija um texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa so-
bre O REAPARECIMENTO DE DOENÇAS ERRADICADAS NO BRASIL, apresentando proposta de intervenção
que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos
para defesa de seu ponto de vista.

Proposta 3

Texto I
No Brasil, 82 mil pessoas são registradas como desaparecidas todos os anos Números estão no anuário
lançado nessa terça-feira, em Brasília, pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública O Fórum Brasileiro de Segurança
Pública lançou o anuário com estatísticas sobre o tema. Um dos levantamentos aponta que, ao longo do ano pas-
sado, as autoridades de segurança registram mais de 82 mil desaparecimentos de pessoas. O Comitê Internacional
da Cruz Vermelha orienta e apoia familiares de desaparecidos em todo o mundo. A coordenadora regional das
Atividades de Proteção do Comitê, Marianne Pecassou, avalia que esse número pode não refletir a realidade. O
cientista político Tulio Kahn, que é pesquisador associado ao Fórum de Segurança Pública, concorda que o dado
poderia ser melhor. De acordo com ele, nem sempre as famílias ou os próprios órgãos de segurança deixam de
notificar quando uma pessoa é encontrada.
http://radios.ebc.com.br/reporter-nacional/2019/09/no-brasil-82-mil-pessoas-sao-registradas-como-desaparecidas-todos-osanos.
Acessado em 08/08/2019.

Texto II
Rio - Aos 14 anos de idade, Pam Mariano foi avisada que um cartaz com o seu rosto estava colado em um
poste de Copacabana, com uma única palavra: ‘Desaparecida’. O telefone de contato era o de sua mãe, que um ano
antes havia sentenciado que não queria uma filha homossexual em casa. Expulsa após uma surra, virou moradora
de rua e encontrou na prostituição a única maneira de sobreviver.
Sua história não é exceção. A recusa de pais em aceitar a sexualidade dos filhos tem repercutido nas esta-
tísticas de jovens desaparecidos. É o que indica levantamento da Delegacia de Descoberta de Paradeiros (DDPA)
obtido por O DIA. Desde 2015, 3.084 adolescentes, entre 12 e 17 anos, desapareceram de casa no Município do
Rio, sendo que 2.817 foram encontrados.
https://odia.ig.com.br/rio-de-janeiro/2019/06/5651520-jovens-lesbicas-fogem-da-intolerancia-fami-
liar-e-aumentam-estatistica-de-desaparecidos.html#foto=1 (10.06.2019)

Texto III
Ivanise da Silva reclama que os cadastros nacionais de desaparecidos para adultos e crianças, lançados da
década passada, não foram atualizados e não podem ser utilizados para ajudar a localizar as pessoas e produzir
uma estatística confiável. Ela participou da elaboração das duas plataformas e lembra que o funcionamento desses
serviços está previsto em lei. “Aquilo foi para inglês ver”, salienta. “O cadastro nacional de veículos funciona e até
acha carro roubado no Paraguai. Por que não temos cadastro para pessoas desaparecidas?”, pergunta.

145
A Lei nº 13.812/2019, sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro em março, descreve no artigo 3º que “a
busca e a localização de pessoas desaparecidas são consideradas prioridade com caráter de urgência pelo poder
público e devem ser realizadas preferencialmente por órgãos investigativos especializados, sendo obrigatória a
cooperação operacional por meio de cadastro nacional, incluídos órgãos de segurança pública e outras entidades
que venham a intervir nesses casos”. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), de 1990, prevê no Artigo
nº 87 o funcionamento de “serviço de identificação e localização de pais, responsável, crianças e adolescentes
desaparecidos”.
Para Marianne Pecassou a disponibilidade e a troca de informações são fundamentais para resolver casos
de desaparecimento. Além disso, é necessário ter ações preventivas e esclarecimento da opinião pública. “Alertar
ajuda a prevenir”, sublinha. “Não queremos piedade, mas precisamos de solidariedade.
https://www.nsctotal.com.br/noticias/mais-de-82-mil-pessoas-desapareceram-no-ultimo-ano-segundo-anuario (15.09.2019)

Texto IV
A partir da leitura dos textos motivadores seguintes e com base nos conhecimentos construídos ao longo
de sua formação, redija um texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa
sobre o tema O DRAMA DE PESSOAS DESAPARECIDAS NO BRASIL, apresentando proposta de intervenção
que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos
para defesa de seu ponto de vista. .

146
Aula 2

Competências 3, 4 e 5

Competência 3
Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto
de vista.

É preciso, para alcançar a melhor avaliação da competência 3, a apresentação de uma ideia a ser defendida
com argumentos que justifiquem a posição assumida.
Essa competência trata da inteligibilidade do seu texto, ou seja, de sua coerência, de sua plausibilidade
entre as ideias apresentadas. A inteligibilidade depende de alguns fatores:
§§ Relação de sentido entre as partes do texto
§§ Precisão vocabular
§§ Seleção de argumentos
§§ Progressão temática adequada ao desenvolvimento do tema (planejamento)
§§ Adequação entre conteúdo do texto e mundo real

147
Construa uma tese que já anuncie ao leitor quais serão seus argumentos:

Ex.: Nesse sentido, torna-se fundamental preservar a cultura popular brasileira para assegurar o reco-
nhecimento identitários¹ dos indivíduos e para combater os preconceitos manifestos no senso comum².
Nesse exemplo, as ideias sublinhadas anunciadas na tese deverão ser desenvolvidas, respectivamente nos
segundo e terceiro parágrafos.
Elabore seus parágrafos de desenvolvimento com sua opinião (introduzida pelo tópico frasal) e com explica-
ções, informações e fatos que a comprovem. Para isso, utilize a estrutura do parágrafo-padrão.

Além disso, vale ressaltar que – mesmo diante das denúncias – as ações Tópico Frasal
do Estado ao enfrentar o problema também se revelam pouco eficazes.
Isso se deve ao fato de não haver um sistema que organize os dados coletados
por diferentes entidades – como a polícia Federal e delegacias regionais – e, com
eles, produza ações estratégicas de combate às quadrilhas. Esse cenário contraria Desenvolvimento
o código civil brasileiro, que determina a ampliação e aperfeiçoamento das políti-
cas de repressão ao tráfico humano no país.
Nesse sentido, nota-se que o problema também carece de ações na esfera da
Conclusão do
administração pública.
parágrafo

148
Competência 4
Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação.

Os aspectos a serem avaliados nessa competência dizem respeito à estruturação lógica e formal entre as
partes da redação. A organização textual exige que as frases e os parágrafos estabeleçam entre si uma relação
que garanta a sequenciação coerente do texto e a interdependência das ideias. É imprescindível que sejam bem
estabelecidas a estruturação de parágrafos, a estruturação de períodos e a referenciação.

§§ C
apriche na coesão entre os períodos e parágrafos de seu texto. Lembre-se que as ideias devem
estar sempre muito bem amarradas;
§§ U
se a coesão referencial para retomar termos apresentados anteriormente, evitando ao máximo
a repetição de palavras.
Há muitas pessoas sem saneamento básico. Tal problema...
Não há assistência às vítimas. Na maior parte dos casos, elas estão sujeitas...
... muitos ainda não reconhecem os transtor-
Isso porque...
nos mentais entre os adolescentes.
90% da população não conhece o termo. Esse dado evidencia o quanto...

§§ U
se os conectivos para ligar seus períodos e parágrafos. Evite repetir conectivos: a pontuação máxi-
ma também depende de um repertório amplo de operadores argumentativos.
Em primeiro lugar, vale salientar / Além disso, vale afirmar / Primeiramente,
ENUMERAÇÃO e ADIÇÃO
pode-se afirmar/ Além disso, convém observar que...
Logo, é fundamental / Portanto, não se pode afirmar.../ Assim, cabe ao Minis-
CONCLUSÃO
tério...
Em virtude disso/ Isso ocorre porque/ Isso se deve ao fato/ Tal situação
EXPLICAÇÃO
ocorre, pois...
EXEMPLIFICAÇÃO Prova disso, um exemplo disso, por exemplo

149
Competência 5
Elaborar proposta de solução para o problema abordado, respeitando os valores humanos e considerando a diver-
sidade sociocultural.

Faça uma proposta concreta. Pense em ações possíveis e evite clichês.


Não se esqueça de nenhum dos elementos: AGENTE, AÇÃO, MEIO, FINALIDADE. Lembre-se também de
que ao menos 1 desses elementos precisa estar DETALHADO.

FINALIDADE c/
AGENTE AÇÃO MEIO
detalhamento
com o objetivo de aumentar o
deve alertar a população por meio da ampliação de
Logo, o Ministério da Saú- número de pessoas vacinadas no
sobre a importância da va- campanhas que mostrem os
de país, evitando o reaparecimento
cinação, riscos à saúde das gerações
de doenças antes erradicadas.
AGENTE AÇÃO MEIO c/detalhamento FINALIDADE
por intermédio de atividades com a finalidade aprimorar a
instruir os alunos a como li-
Em paralelo, cabe às es- lúdicas – como debates, rodas capacidade de filtragem de in-
dar com as informações que
colas de conversas e oficinas de pes- formações entre crianças e ado-
aparecem na internet,
quisa – lescentes.

O quinto aspecto a ser avaliado no seu texto é a apresentação de uma proposta de intervenção para o
problema abordado. Por isso, a sua redação deve apresentar uma tese sobre o tema, apoiada em argumentos con-
sistentes, e uma proposta de intervenção para o problema abordado. Considerando seu planejamento de escrita,
seu projeto de texto, avaliado na competência 3, sua proposta deve ser coerente com a tese desenvolvida e com
os argumentos utilizados, já que expressa sua visão, como autor, das possíveis soluções para a questão discutida.
Além disso, é necessário também, ao idealizar sua proposta de intervenção, respeitar os direitos humanos, ou seja,
não romper com os valores de cidadania, liberdade, solidariedade e diversidade cultural.
A proposta de intervenção deve refletir os conhecimentos de mundo de quem a redige e, quando muito bem
elaborada, deve conter não apenas a exposição da ação interventiva sugerida, mas também o ator social compe-
tente para executá-la, de acordo com o âmbito da ação escolhida: individual, familiar, comunitário, social, político,
governamental e mundial.
Além disso, a proposta de intervenção deve conter o meio de execução da ação e seu possível efeito, bem
como o detalhamento da ação ou do meio para realizá-la.

150
Ao redigir seu texto, evite propostas vagas ou muito genéricas; busque ações mais concretas, mais específi-
cas ao tema e consistentes com o desenvolvimento de suas ideias.
Antes de elaborar sua proposta, procure responder às seguintes perguntas: O que é possível apresentar
como proposta de intervenção para o problema abordado pelo tema? Quem deve executá-la? Como viabilizar essa
proposta? Qual efeito ela pode alcançar?
A proposta de intervenção também deve refletir os conhecimentos de mundo de quem a redige e, quando
muito bem elaborada, deve conter não apenas a exposição da ação interventiva sugerida, mas também o ator
social competente para executá-la, de acordo com o âmbito da ação escolhida: individual, familiar, comunitário,
social, político, governamental e mundial. Além disso, a proposta de intervenção deve conter o meio de execução
da ação e o seu possível efeito, bem como algum outro detalhamento.
O seu texto será avaliado, portanto, com base na composição e no detalhamento da proposta que você
apresentar.
Resumindo: seu texto será avaliado, portanto, com base na composição e no detalhamento da proposta
que você apresentar.
Redação no Enem 2018. Cartilha do Participante.

Proposta 1

Texto I
Saúde mental é um conceito vago que engloba desde transtornos como dislexia, autismo, síndrome de
Down, demência senil, depressão, que se manifestam de diferentes formas e com diferentes sintomas, até distúr-
bios psicológicos e de comportamento – ansiedade e estresse, por exemplo – diretamente relacionados com as
condições de vida impostas pela sociedade atual.
Embora seja uma patologia tão abrangente, é longa a tradição de lidar mal com as pessoas que têm “pro-
blemas mentais”. Num passado não tão remoto assim, quem nascia com uma doença psiquiátrica ou a desen-
volvesse durante a vida era trancafiado num quarto, isolado de toda a família, e os parentes procuravam evitar a
aproximação de vizinhos e amigos, porque essas enfermidades eram motivo de vergonha.
Os asilos criados com o intuito de prestar assistência a esses doentes não conseguiram colocar em prática
a proposta de atendimento. Em São Paulo, o Juqueri foi uma organização típica dessa fase. Muitos portadores
de doenças psiquiátricas internados nessa instituição concebida para prestar-lhes atendimento especializado, ali
permaneceram até morrer.
Atualmente, a Política Nacional de Saúde Mental vigente no Brasil e instituída por lei federal defende o
atendimento dessas pessoas fora dos hospitais e enfatiza a necessidade de sua reabilitação psicossocial. Para
que isso seja realizado de forma eficaz, é necessária a implantação de medidas de apoio não só ao paciente, mas
também à sua família.
Disponível em: <www12.senado.leg.br/emdiscussao/edicoes/regulacao-economica/desperdicio-de-alimentos>.

Texto II
Mudanças bruscas de comportamento, abuso de substâncias e irritabilidade. Se essa descrição corresponde
a alguém próximo a você, talvez essa pessoa precise de ajuda de um profissional de saúde mental.
Segundo Rodrigo Leite, coordenador dos ambulatórios do IPq (Instituto de Psiquiatria) do Hospital das
Clínicas da USP, ninguém sabe muito bem como se comportar no momento em que se depara com uma situação
como essa.

151
Mas a primeira coisa a se fazer é prestar atenção ao início dos sintomas. “Não precisa esperar a pessoa
quebrar a casa inteira para ver que tem algo errado”, diz Leite. “Os transtornos não começam do dia para a noite.
Seguem um curso, que começa com alterações mais leves, que, se não são tratadas, vão evoluindo para alterações
comportamentais mais grosseiras.”
https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2018/11/como-identificar-problemas-mentais-e-ajudar-as-pessoas-a-buscar-ajuda.
shtml (08.11.2018)

Texto III

https://laboro.edu.br/saude-mental-e-a-cobranca-da-sociedade/ Acesso em 28.09.2019.

Texto IV
Art. 1º Esta Lei institui a Política Nacional de Prevenção da Automutilação e do Suicídio, a ser implementada
pela União, pelos Estados, pelos Municípios e pelo Distrito Federal.
Art. 2º Fica instituída a Política Nacional de Prevenção da Automutilação e do Suicídio, como estratégia
permanente do poder público para a prevenção desses eventos e para o tratamento dos condicionantes a eles
associados.
Parágrafo único. A Política Nacional de Prevenção da Automutilação e do Suicídio será implementada pela
União, em cooperação com os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, e com a participação da sociedade civil
e de instituições privadas. Art. 3º São objetivos da Política Nacional de Prevenção da Automutilação e do Suicídio:
I – promover a saúde mental;
II – prevenir a violência autoprovocada;
III – controlar os fatores determinantes e condicionantes da saúde mental;
IV – garantir o acesso à atenção psicossocial das pessoas em sofrimento psíquico agudo ou crônico, espe-
cialmente daquelas com histórico de ideação suicida, automutilações e tentativa de suicídio;
V – abordar adequadamente os familiares e as pessoas próximas das vítimas de suicídio e garantir-lhes
assistência psicossocial;
VI – informar e sensibilizar a sociedade sobre a importância e a relevância das lesões autoprovocadas como
problemas de saúde pública passíveis de prevenção;
VII – promover a articulação intersetorial para a prevenção do suicídio, envolvendo entidades de saúde,
educação, comunicação, imprensa, polícia, entre outras;
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2019/lei/L13819.htm (26.04.2019)

152
A partir da leitura dos textos motivadores seguintes e com base nos conhecimentos construídos ao longo
de sua formação, redija um texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa
sobre o tema DIFICULDADES NA PROMOÇÃO DA SAÚDE MENTAL NO BRASIL, apresentando proposta de
intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumen-
tos e fatos para defesa de seu ponto de vista.

Proposta 2

Texto I
Erotização precoce nada mais é do que a exposição prematura de conteúdos e estímulos a indivíduos que
ainda não têm maturidade suficiente para compreendê-los e elaborá-los. Pois bem, ilustremos com uma situação
relativamente comum nos dias de hoje: se um menino ou uma menina, ainda pequenos, são apresentados a uma
cena de sexo explícito, seja ela televisionada ou assistida ao vivo, muito provavelmente eles, além de não entende-
rem completamente do que se trata, serão invadidos por uma gama de sentimentos e fantasias a respeito do ato,
que pode gerar desde uma excitação exacerbada que provoca ansiedade, até sentir medo por acharem que se trata
de algo violento, que machuca, gera dor. Em ambas as situações – ou em quaisquer outras possíveis impressões
que os pequenos possam vir a ter em relação ao que viram – o impacto dessa apresentação tão adiantada em suas
vidas acaba por trazer interpretações equivocadas, deixando marcas importantes nesse processo.
https://labedu.org.br/sobre-os-riscos-da-erotizacao-precoce-na-infancia-2/ (12.06.2017)

Texto II
Recentemente, Gabriella Abreu Severino, mais conhecida como Melody, tornou-se novamente alvo de polê-
micas, dessa vez envolvendo seu último clipe e sua aparência em fotos do Instagram. A menina sofre um processo
de erotização e adultização por conta do modo que se portava e como se vestia em publicações nas redes sociais
e nos vídeos – sendo que ela tem só 11 anos de idade. Melody era assediada online por meio de comentários de
conotação pornográfica e chegou a ter sua conta suspensa após um grande número de críticas quanto ao apelo
sexual das fotos. Em seu último videoclipe, já fora do ar, a cantora mirim faz caras e bocas, usa um figurino sensual
e aparece com a maquiagem carregada, lhe dando a aparência de uma pessoa mais velha.
O MdeMulher conversou com Deborah Moss, neuropsicóloga e especialista em psicologia do desenvolvi-
mento, a respeito desse comportamento das crianças e pré-adolescentes que têm um histórico de comportamento
igual ao de Melody. Buscamos compreender, sobretudo, as consequências que essas atitudes podem ter no futuro,
influenciando o desenvolvimento sexual, psicológico e emocional das jovens.
Deborah fala sobre o quão importante é a fase da infância para o desenvolvimento humano e alerta sobre
o seu encurtamento, fenômeno potencializado pela popularização da internet em meio às crianças. “As crianças
de hoje em dia já querem logo ser adultas. Elas acabam tendo que passar por toda a infância sem ter aquela parte
lúdica”.
https://mdemulher.abril.com.br/estilo-de-vida/psicologa-fala-sobre-os-riscos-da-adultizacao-e-erotizacao-de-meninas/ (24.01.2019)

153
Texto III
O Projeto de Lei 10583/18 inclui medidas de prevenção à erotização precoce nas escolas públicas do Brasil.
O texto define erotização precoce como a prática de exposição prematura de conteúdo, estímulos e comporta-
mentos a indivíduos que ainda não têm maturidade suficiente para compreensão e elaboração de tais ações. Pela
proposta, da deputada Mariana Carvalho (PSDB-RO), entre os objetivos das medidas estão: a) prevenir e combater
a prática da erotização infantil (sexualização precoce) no comportamento e aprendizado social das crianças; b)
capacitar docentes e equipe pedagógica para a implementação das ações de discussão, prevenção, orientação e
solução do problema; c) orientar envolvidos em situação de erotização precoce, visando à recuperação da atuação
comportamental, o pleno desenvolvimento e a convivência harmônica no ambiente social; d) envolver a família no
processo de construção da cultura do combate à erotização infantil.
Carvalho aponta que é necessário definir o que é erotização precoce, pois não se trata de isolar a criança
de sua sexualidade, mas sim evitar que fatores externos influenciem negativamente a forma como ela enxerga
sua sexualidade, suas atitudes sexuais, valores, assim como seus relacionamentos e até mesmo sua capacidade de
entender o amor e o afeto.
https://www.camara.leg.br/noticias/550681-PROJETO-PREVE-QUE-ESCOLAS-PUBLICAS-
-ADOTEM-MEDIDAS-CONTRA-EROTIZACAO-PRECOCE (11.01.2019)

Texto IV

https://www.facebook.com/criancanaonamoranemdebrincadeira/photos/p.296079467764126/296079467764126/?type=1&theater

A partir da leitura dos textos motivadores seguintes e com base nos conhecimentos construídos ao longo
de sua formação, redija um texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa
sobre o tema OS RISCOS DA EROTIZAÇÃO PRECOCE PARA O DESENVOLVIMENTO INFANTO-JUVENIL,
apresentando proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma
coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.

154
Proposta 3
Texto I
O número de vagas ofertadas no ensino superior a distância no Brasil em 2018 superou as do ensino su-
perior presencial pela primeira vez na história. É o que mostram os dados do Censo de Educação Superior 2018,
divulgados hoje pelo MEC (Ministério da Educação). Mesmo com esse salto nas vagas oferecidas, ainda há mais
alunos matriculados em cursos presenciais do que em cursos de ensino superior a distância. No ano passado, foram
13,5 milhões de vagas oferecidas para um curso de educação superior no Brasil. Delas, 7,1 milhões foram para cur-
sos a distância, enquanto 6,4 foram para cursos presenciais. Segundo os dados do censo, porém, havia 2 milhões
de alunos matriculados no ano passado em cursos de ensino superior a distância, número três vezes menor que a
quantidade de alunos matriculados em cursos de ensino superior presencial, que de era 6,4 milhões.
https://educacao.uol.com.br/noticias/2019/09/19/pela-1-vez-vagas-no-ensino-
-superior-a-distancia-superam-as-no-presencial.htm (19.09.2019)

Texto II
O ensino a distância pode ser um complemento ao ensino presencial e responder a demandas específicas.
Entretanto, poucas são as pessoas que se adaptam a ele, muitas não conseguem organizar seu tempo de forma
adequada, outras, ainda, não têm espaço e ambiente adequado para estudo. Esses fatores, bem como a impos-
sibilidade de troca de experiências com colegas, têm sido apontados como responsáveis pelas enormes taxas de
abandono na educação a distância. Docentes, pesquisadores e instituições sérias de ensino superior sabem usar
os recursos da educação a distância de forma adequada. Deixar que essa modalidade seja ainda mais explorada
por instituições privadas que já se mostraram incapazes de oferecer adequadamente o ensino presencial apenas
piorará ainda mais a educação no país
Otaviano Helene, professor do Instituto de Física da USP, ex-presidente do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pes-
quisas) https://www1.folha.uol.com.br/educacao/2019/07/educacao-a-distancia-assim-nao.shtml (27.07.2019)

Texto III
Independente dos diversos problemas e entraves à implementação de cursos a distância no País, a estimati-
va é de que as inovações digitais dinamizem o aprendizado. “Eu vejo um futuro muito forte da tecnologia na edu-
cação”, diz Romero Tori. Segundo ele, a tendência é a existência de uma educação híbrida. “Estamos caminhando
para que os cursos presenciais fiquem mais tecnológicos, bem como os cursos a distância se aproximam de cursos
presenciais. Em cursos a distância já são comuns encontros presenciais entre alunos”, avalia.
“Um ensino a distância democratiza o ensino. Com um curso a distância se pode aproveitar os melhores
professores de forma que eles sejam acessíveis a todos os alunos”, avalia Gil da Costa Marques, coordenador-geral
do curso a distância de Licenciatura em Ciências da USP e docente do Instituto de Física. Segundo o coordenador,
a EAD poderá solucionar dois grandes problemas da educação brasileira: o acesso e o domínio do conhecimento.
“Realmente são poucos, hoje, os que têm acesso a uma educação superior.”
https://www.usp.br/espacoaberto/?materia=ead-e-solucao-para-problemas-na-educacao-brasileira (Acesso em 27.09.2019)

155
Texto IV
A possibilidade de o próprio aluno montar o seu plano de aula de acordo com a rotina é atrativa. A edu-
cação a distância permite que alunos sejam os protagonistas durante a graduação, pós-graduação ou em cursos
profissionalizantes, além de aliar o conteúdo tradicional com o universo multimídia. Apesar dos pontos positivos,
quem se matricula em um curso EAD relata dificuldades: problemas de comunicação, atendimento ruim e até má
qualidade do serviço prestado.
O enfermeiro Ednilson Messias de Oliveira, de 36 anos, é de Divinópolis (MG) e está matriculado em uma
pós-graduação de Enfermagem do Trabalho de uma instituição de Brasília. Essa é o segundo curso que ele fez na
mesma faculdade. Da primeira vez, ao cursar Enfermagem em Urgência e Emergência, ele cita que a experiência foi
positiva. Na segunda, porém, não teve a mesma sorte. “Na primeira pós deu tudo certo. Acho que foi porque não
tive que ter tanto contato com a faculdade. Na segunda vez precisei fazer mais contato por conta de alguns pro-
blemas, e enfrentei várias barreiras para chegar a quem precisava. O contato com a faculdade é muito burocrático,
porque não tem como ficarmos ‘cara a cara’”, critica.
Diferentemente de Ednilson, a orçamentista Shayene Boaventura, 29 anos, não tem do que reclamar. De
Uberaba (MG), ela se mudou para Brasília há três anos. Na época, quando cursava o 5º semestre, ela teve de tran-
car o curso de Engenharia Civil para se mudar para a nova cidade. Quando chegou à capital, descobriu que sua
faculdade oferecia o curso, com os mesmos professores, na modalidade EAD.
Por ter passado pelas duas modalidades na mesma universidade, ela conclui que não há diferenças na
qualidade do conteúdo. “A única diferença que percebi é que o EAD exige uma disciplina maior. O material está ali
e é você que tem que sentar para estudar. No presencial, o professor te puxa. Aqui não tem. É a necessidade que
faz a gente buscar o estudo”, compara. Com duas filhas, de 8 e 9 anos, e trabalhando fora o dia inteiro, Shayane
adaptou sua rotina facilmente. “Eu acho até mais fácil, porque a aula está salva e posso assistir uma, duas ou até
entender o conteúdo. No presencial, não tem isso. Tenho tutores quase que 24 horas, me respondem sempre com
rapidez. Eu me organizo com base na minha rotina”, aponta.
https://jornaldebrasilia.com.br/concursos-e-carreiras/apesar-da-facilidade-educacao-
-distancia-apresenta-problemas-para-estudantes/ (04.02.2019)

A partir da leitura dos textos motivadores seguintes e com base nos conhecimentos construídos ao longo
de sua formação, redija um texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa
sobre o tema OS DESAFIOS NA PROMOÇÃO DA EDUCAÇÃO SUPERIOR À DISTÂNCIA NO BRASIL, apre-
sentando proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma
coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.

156
C H História

HISTÓRIA

RPA ENEM

C H
Competência 1 – Compreender os elementos culturais que constituem as identidades.
H1 Interpretar historicamente e/ou geograficamente fontes documentais acerca de aspectos da cultura.
H2 Analisar a produção da memória pelas sociedades humanas.
H3 Associar as manifestações culturais do presente aos seus processos históricos
H4 Comparar pontos de vista expressos em diferentes fontes sobre determinado aspecto da cultura.
H5 Identificar as manifestações ou representações da diversidade do patrimônio cultural e artístico em diferentes sociedades.
Competência 2 – Compreender as transformações dos espaços geográficos como produto das relações socioeconômicas e culturais de
poder.
H6 Interpretar diferentes representações gráficas e cartográficas dos espaços geográficos.
H7 Identificar os significados histórico-geográficos das relações de poder entre as nações.
Analisar a ação dos estados nacionais no que se refere à dinâmica dos fluxos populacionais e no enfrentamento de problemas de ordem econômico-
H8
-social.
H9 Comparar o significado histórico-geográfico das organizações políticas e socioeconômicas em escala local, regional ou mundial
Reconhecer a dinâmica da organização dos movimentos sociais e a importância da participação da coletividade na transformação da realidade
H10
histórico-geográfica.
Competência 3 – Compreender a produção e o papel histórico das instituições sociais, políticas e econômicas, associando-as aos diferen-
tes grupos, conflitos e movimentos sociais.
H11 Identificar registros de práticas de grupos sociais no tempo e no espaço.
H12 Analisar o papel da justiça como instituição na organização das sociedades.
H13 Analisar a atuação dos movimentos sociais que contribuíram para mudanças ou rupturas em processos de disputa pelo poder.
Comparar diferentes pontos de vista, presentes em textos analíticos e interpretativos, sobre situação ou fatos de natureza histórico-geográfica acerca
H14
das instituições sociais, políticas e econômicas.
H15 Avaliar criticamente conflitos culturais, sociais, políticos, econômicos ou ambientais ao longo da história.
Competência 4 – Entender as transformações técnicas e tecnológicas e seu impacto nos processos de produção, no desenvolvimento do
conhecimento e na vida social.
H16 Identificar registros sobre o papel das técnicas e tecnologias na organização do trabalho e/ou da vida social.
H17 Analisar fatores que explicam o impacto das novas tecnologias no processo de territorialização da produção.
H18 Analisar diferentes processos de produção ou circulação de riquezas e suas implicações sócio-espaciais.
H19 Reconhecer as transformações técnicas e tecnológicas que determinam as várias formas de uso e apropriação dos espaços rural e urbano.
H20 Selecionar argumentos favoráveis ou contrários às modificações impostas pelas novas tecnologias à vida social e ao mundo do trabalho.
Competência 5 – Utilizar os conhecimentos históricos para compreender e valorizar os fundamentos da cidadania e da democracia, favo-
recendo uma atuação consciente do indivíduo na sociedade.
H21 Identificar o papel dos meios de comunicação na construção da vida social.
H22 Analisar as lutas sociais e conquistas obtidas no que se refere às mudanças nas legislações ou nas políticas públicas.
H23 Analisar a importância dos valores éticos na estruturação política das sociedades.
H24 Relacionar cidadania e democracia na organização das sociedades.
H25 Identificar estratégias que promovam formas de inclusão social.
Competência 6 – Compreender a sociedade e a natureza, reconhecendo suas interações no espaço em diferentes contextos históricos e
geográficos.
H26 Identificar em fontes diversas o processo de ocupação dos meios físicos e as relações da vida humana com a paisagem.
H27 Analisar de maneira crítica as interações da sociedade com o meio físico, levando em consideração aspectos históricos e (ou) geográficos.
H28 Relacionar o uso das tecnologias com os impactos sócio-ambientais em diferentes contextos histórico-geográficos.
H29 Reconhecer a função dos recursos naturais na produção do espaço geográfico, relacionando-os com as mudanças provocadas pelas ações humanas.
H30 Avaliar as relações entre preservação e degradação da vida no planeta nas diferentes escalas.
Aplicação dos conhecimentos - Sala
AULAS 1 E 2 Tema: Antiguidade ocidental greco-romana

Competência: 5 Habilidade: 24

Construção da habilidade: Na competência 5 do Enem, a habilidade 24 exige que o aluno consi-


ga relacionar a democracia com aqueles cidadãos que são aptos a exerce-la na Grécia Antiga.

MODELO 1

“A democracia ateniense tem por base a isonomia, igualdade diante dos nomos. Basta ser cidadão
para ter acesso à assembleia com direito à palavra, para poder sentar-se no conselho e exercer
grande maioria das magistraturas.”
(CROUZET, Maurice. História Geral das civilizações. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2003, v2)

De acordo com o texto, todos aqueles que eram considerados cidadãos poderiam fazer parte da
democracia grega e participar dos seus magistrados. Eram considerados cidadãos aptos a participar
das assembleias democráticas atenienses:
a) Todos aqueles que habitavam em Atenas
b) Todos os homens que eram sexagenários, pois o governo necessitava de experiência nas assembleias
para tomar decisões.
c) Todos os homens e mulheres filhos de mãe grega.
d) Todos os homens com mais de 21 anos, filhos de mãe grega e com funções militares exercidas.
e) Todos os homens que continham bens para comprar lugar na assembleia.

159
Tema: Período Feudal

Competência: 3 Habilidade: 11

Construção da habilidade: Dentro da competência 3, a habilidade 11 procura reconhecer as


práticas sociais e relacionais entre senhores feudais e subordinados do feudalismo.

MODELO 2

“O conceito de feudalismo[...] designa o modo de organização social baseado em relações pessoais


de dependência e subordinação direta, sem maior interferência de poderes públicos centralizados”.
(MACEDO, José Rivair. Movimentos populares na Idade Média. São Paulo: Moderna, 2003)

No feudalismo, duas práticas de relações pessoais eram muito utilizadas na sociedade feudal. Uma
feita entre os próprios senhores nobres e outra entre senhores e subordinados. Essas práticas
nomeiam-se, respectivamente:
a) Escravidão e servidão
b) Feudalidade e escravidão
c) Vassalagem e servidão
d) Servidão e Feudalidade
e) Vassalagem e escravidão

160
Tema: Transição do feudalismo para o capitalismo

Competência: 4 Habilidade: 18

Construção da habilidade: Dentro da competência 4, a habilidade 18 visa reconhecer as mudan-


ças econômicas que a sociedade europeia passava naquele período histórico, fazendo uma conexão
com os primórdios do capitalismo em partes diferentes do continente.

MODELO 3

“A sociedade medieval e a do início da idade moderna eram muito mais semelhantes à “economia
natural” do que geralmente supomos. O camponês francês dos séculos XVI e XVII praticamente não
usava dinheiro, exceto para as suas transações com o Estado e, em relação à venda no varejo, não
era especializada nem nas cidades alemãs nem nas vilas, até fins do século XVI”
HOBSBAWN, Eric. As origens da revolução industrial. São Paulo: Global, 1979.

O século XVI é marcado pela expansão mercantil européia em relação ao Novo Mundo. Sobre a so-
ciedade que se constituía na época, podemos afirmar que:
a) Passou por um momento de intenso crescimento econômico e progresso social devido a exploração das
colônias, que só viria a ser freado pela crise geral da economia europeia no século XVII.
b) Era contraditória, pois, ao passo que adotava mecanismos de uma economia regida pelo livre mercado,
ainda possuía resquícios de uma economia pré-capitalista irracional.
c) Possuía particularidades e mecanismos de troca próprios e, por isso, não pode ser observada pelo pris-
ma da ciência econômica moderna, e sim, pensada nos termos da mentalidade da época.
d) Não é possível afirmar de fato que existia uma economia no sentido moderno, ao passo que as trocas
eram irracionais.
e) Passou por um momento de crise econômica devido a abundância de ouro e prata retirados no Brasil
por Portugal, que inundaria o mercado com moedas, provocando uma inflação que desestabilizaria a
economia europeia.

161
Tema: Antiguidade ocidental greco-romana

Competência: 3 Habilidade: 11

Construção da habilidade: No âmbito da competência 3, a habilidade 11 prevê práticas da


sociedade grega de convívio politico e econômico, além de observar como eles eram utilizados na
Ágora, no contexto histórico da democracia.

MODELO 4

(Fonte: http://www.klepsidra.net/klepsidra26/agora.htm)

Após a emergência da Polis, a Ágora era considerada uma importante parte da cidade grega. Esse
grande espaço social assumia as funções no âmbito:
a) Democrático, promovendo as discussões políticas e filosóficas
b) Habitacional, visto que a maioria da população da Grécia antiga vivia nas cidades
c) Segregacional, onde apenas as principais famílias poderiam frequentar
d) Religioso, abrigando a Acrópole, fazendo da Ágora o principal centro da religião
e) Democrático, permitindo a política a qualquer morador ateniense

162
Raio X - Análise Expositiva
1.
Para resolver a questão, o aluno deve se lembrar daqueles que compunham a sociedade apta para
exercer a democracia. Devemos lembrar que a democracia antiga não poder ser comparada com a
democracia da atualidade, uma vez que na Grécia antiga apenas os homens com mais de 21 anos,
com serviço militar e grego nascidos de mãe grega eram aptos a exercer a política. Mulheres, es-
cravos e estrangeiros estavam inaptos.
2.
O aluno deve se lembrar das práticas de vassalagem e servidão. Na vassalagem, há um senhor com
muitos bens e outro senhor que não possui tantos bens quanto o primeiro. O senhor com menos
bens promete sua fidelidade ao senhor mais rico nas guerras e na ajuda financeira, caso precise,
enquanto o senhor mais rico lhe dá benefícios. Já na servidão, o camponês pobre recebe terra e
abrigo em troca da sua força de trabalho para um senhor feudal.
3.
A Europa no período do descobrimento viveu um período de opulência devido ao comércio, mas
isso não se traduziu em progresso social. É um erro observar a economia da época pelo prisma da
economia atual, pois, a época possuía seus mecanismos próprios, dependendo de uma economia
moral e visual.
4.
Para resolver a questão, o aluno deve lembrar-se da função da Ágora nas sociedades gregas clás-
sicas. Nas praças de Atenas havia grande circulação de comércio, bem como discussões políticas
e filosóficas entre os cidadãos da democracia. Olhando para as outras opções, não poderia ser
habitacional pois a maioria vivia no campo. Não poderia ser segregacional, pois a democracia se
instaurava na ágora. Também não podendo ser o principal centro religioso, sendo esse localizado
na Acrópole, lugar mais alto da cidade, longe da Ágora

Gabarito
1. D 2. C 3. C 4. A

163
Prescrição: Para resolver as questões abaixo, atente-se aos principais tópicos da Antiguidade
Ocidental greco-romana. Há a necessidade de compreender as principais características econômicas
e políticas do período feudal, além da transição desse modo de produção rumo à modernidade
capitalista.

Prática dos conhecimentos - E.O.


1. (Enem) Os escravos tornam-se propriedade 3. (Enem) Os cercamentos do século XVIII po-
nossa seja em virtude da lei civil, seja da lei dem ser considerados como sínteses das
comum dos povos; em virtude da lei civil, se transformações que levaram à consolidação
qualquer pessoa de mais de vinte anos per- do capitalismo na Inglaterra. Em primeiro
mitir a venda de si própria com a finalidade lugar, porque sua especialização exigiu uma
de lucrar conservando uma parte do preço articulação fundamental com o mercado.
da compra; e em virtude da lei comum dos Como se concentravam na atividade de pro-
povos, são nossos escravos aqueles que fo- dução de lã, a realização da renda dependeu
ram capturados na guerra e aqueles que são dos mercados, de novas tecnologias de bene-
filhos de nossas escravas.
ficiamento do produto e do emprego de no-
CARDOSO, C. F. Trabalho compulsório na
Antiguidade. São Paulo: Graal, 2003.
vos tipos de ovelhas. Em segundo lugar, con-
centrou-se na inter-relação do campo com a
A obra Institutas, do jurista Aelius Marcia- cidade e, num primeiro momento, também
nus (século III d.C.), instrui sobre a escra- se vinculou à liberação de mão de obra.
vidão na Roma antiga. No direito e na so- RODRIGUES, A. E. M. “Revoluções burguesas”. In:
ciedade romana desse período, os escravos REIS FILHO, D.A.etal (Orgs.). O século XX, v. I. Rio de
compunham uma Janeiro: Civilização Brasileira, 2000 (adaptado).
a) mão de obra especializada protegida pela lei.
b) força de trabalho sem a presença de ex-cida- Outra consequência dos cercamentos que te-
dãos. ria contribuído para a Revolução Industrial
c) categoria de trabalhadores oriundos dos na Inglaterra foi o
mesmos povos. a) aumento do consumo interno.
d) condição legal independente da origem ética b) congelamento do salário mínimo.
do indivíduo. c) fortalecimento dos sindicatos proletários.
e) comunidade criada a partir do estabeleci- d) enfraquecimento da burguesia industrial.
mento das leis escritas.
e) desmembramento das propriedades impro-
2. (Enem) A Lei das Doze Tábuas, de meados do dutivas.
século V a.C., fixou por escrito um velho di-
reito costumeiro. No relativo às dívidas não 4. (Enem) O garfo muito grande, com dois den-
pagas, o código permitia, em última análise, tes, que era usado para servir as carnes aos
matar o devedor; ou vendê-lo como escravo convidados, é antigo, mas não o garfo indi-
“do outro lado do Tibre” – isto é, fora do vidual. Este data mais ou menos do século
território de Roma. XVI e difundiu-se a partir de Veneza e da
CARDOSO, C. F. S. O trabalho compulsório na Itália em geral, mas com lentidão. O uso só
Antiguidade. Rio de Janeiro: Graal, 1984. se generalizaria por volta de 1750.
A referida lei foi um marco na luta por di- BRAUDEL, F. Civilização material, economia e
reitos na Roma Antiga, pois possibilitou que capitalismo: séculos XV-XVIII; as estruturas do cotidiano.
São Paulo: Martins Fontes, 1977 (adaptado).
os plebeus
a) modificassem a estrutura agrária assentada No processo de transição para a modernida-
no latifúndio. de, o uso do objeto descrito relaciona-se à
b) exercessem a prática da escravidão sobre
a) construção de hábitos sociais.
seus devedores.
c) conquistassem a possibilidade de casamento b) introdução de medidas sanitárias.
com os patrícios. c) ampliação das refeições familiares.
d) ampliassem a participação política nos car- d) valorização da cultura renascentista.
gos políticos públicos. e) incorporação do comportamento laico.
e) reivindicassem as mudanças sociais com
base no conhecimento das leis.

164
5. (Enem) Veneza, emergindo obscuramente 7. (Enem PPL) O servo pertence à terra e ren-
ao longo do início da Idade Média das águas de frutos ao dono da terra. O operário urba-
às quais devia sua imunidade a ataques, era no livre, ao contrário, vende-se a si mesmo
nominalmente submetida ao Império Bizan- e, além disso, por partes. Vende em leilão
tino, mas, na prática, era uma cidade-estado 8,10,12,15 horas da sua vida, dia após dia,
independente na altura do século X. Veneza a quem melhor pagar, ao proprietário das
era única na cristandade por ser uma co- matérias-primas, dos instrumentos de tra-
munidade comercial: “Essa gente não lavra, balho e dos meios de subsistência, isto é, ao
semeia ou colhe uvas”, como um surpreso capitalista.
observador do século XI constatou. Comer- MARX, K. Trabalho assalariado e capital & salário,
ciantes venezianos puderam negociar ter- preço e lucro. São Paulo: Expressão Popular, 2010.
mos favoráveis para comerciar com Constan-
tinopla, mas também se relacionaram com O texto indica que houve uma transformação
mercadores do islã. dos espaços urbanos e rurais com a imple-
FLETCHER, R. A cruz e o crescente: cristianismo de islã, de mentação do sistema capitalista, devido às
Maomé à Reforma. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2004. mudanças tecnossociais ligadas ao
a) desenvolvimento agrário e ao regime de ser-
A expansão das atividades de trocas na Baixa vidão.
Idade Média, dinamizadas por centros como b) aumento da produção rural, que fixou a po-
Veneza, reflete o(a) pulação nesse meio.
a) importância das cidades comerciais. c) desenvolvimento das zonas urbanas e às no-
b) integração entre a cidade e o campo. vas relações de trabalho.
c) dinamismo econômico da Igreja cristã. d) aumento populacional das cidades associado
d) controle da atividade comercial pela nobreza ao regime de servidão.
feudal. e) desenvolvimento da produção.
e) ação reguladora dos imperadores durante as
trocas comerciais.
8. (Enem) Queixume das operárias da seda
Sempre tecemos panos de seda
6. (Enem) TEXTO I E nem por isso vestiremos melhor [...]
O aparecimento da máquina movida a vapor
foi o nascimento do sistema fabril em grande Nunca seremos capazes de ganhar tanto
escala, representando um aumento tremen- Que possamos ter melhor comida [...]
do na produção, abrindo caminho na direção
dos lucros, resultado do aumento da procura. Pois a obra de nossas mãos
Eram forças abrindo um novo mundo. Nenhuma de nós terá para se manter [...]
HUBERMAN, L. História da riqueza do homem.
Rio de Janeiro: Zahar, 1974 (adaptado).
E estamos em grande miséria
Mas, com os nossos salários, enriquece aque-
TEXTO II le para
Os edifícios das fábricas adaptavam-se mal quem trabalhamos
à concentração de numerosa mão de obra,
Grande parte das noites ficamos acordadas
reunida para longos dias de trabalho, numa
E todo o dia para isso ganhar
situação árdua e insalubre. O trabalho nas
fábricas destruiu o sistema doméstico de
Ameaçam-nos de nos moer de pancada
produção. Homens, mulheres e crianças dei-
Os membros quando descansamos
xavam os lugares onde moravam para traba-
lhar em diferentes fábricas. E assim, não nos atrevemos a repousar.
LEITE, M. M. Iniciação à história social contemporânea. CHRÉTIEN DE TROYES apud LE GOFF. J. Civilização
São Paulo: Cultrix,1980 (adaptado). do Ocidente Medieval. Lisboa: Edições 70, 1992.

As estratégias empregadas pelos textos para Tendo em vista as transformações socioeco-


abordar o impacto da Revolução Industrial nômicas da Europa Ocidental durante a Bai-
sobre as sociedades que se industrializavam xa Idade Média, o texto apresenta a seguinte
são, respectivamente, situação:
a) ressaltar a expansão tecnológica e deter-se a) Uso da coerção no mundo do trabalho arte-
no trabalho doméstico. sanal.
b) acentuar as inovações tecnológicas e priori- b) Deslocamento das trabalhadoras do campo
zar as mudanças no mundo do trabalho. para as cidades.
c) debater as consequências sociais e valorizar c) Desorganização do trabalho pela introdução
a reorganização do trabalho. do assalariamento.
d) indicar os ganhos sociais e realçar as perdas d) Enfraquecimento dos laços que ligavam pa-
culturais. trões e empregadas.
e) minimizar as transformações sociais e criti- e) Ganho das artífices pela introdução da remu-
car os avanços tecnológicos. neração pelo seu trabalho.

165
9. (Enem) No contexto da polis grega, as leis co- e) os intérpretes precisam propor, para as pas-
muns nasciam de uma convenção entre cida- sagens bíblicas, sentidos que ultrapassem o
dãos, definida pelo confronto de suas opini- significado imediato das palavras.
ões em um verdadeiro espaço público, a ágora,
confronto esse que concedia a essas conven- 1
2. (ENEM) Segundo Aristóteles, “na cidade com
ções a qualidade de instituições públicas. o melhor conjunto de normas e naquela do-
MAGDALENO, F. S. A territorialidade da representação tada de homens absolutamente justos, os
política: vínculos territoriais de compromisso dos cidadãos não devem viver uma vida de tra-
deputados fluminenses. São Paulo: Annablume, 2010. balho trivial ou de negócios – esses tipos de
No texto, está relatado um exemplo de exer- vida são desprezíveis e incompatíveis com
as qualidades morais –, tampouco devem ser
cício da cidadania associado ao seguinte mo-
agricultores os aspirantes à cidadania, pois
delo de prática democrática: o lazer é indispensável ao desenvolvimento
a) Direta. das qualidades morais e à prática das ativi-
b) Sindical. dades políticas”.
c) Socialista. VAN ACKER, T. Grécia. A vida cotidiana na
d) Corporativista. cidade-Estado. São Paulo: Atual, 1994.
e) Representativa.
O trecho, retirado da obra Política, de Aristó-
1
0. (Enem) Mirem-se no exemplo teles, permite compreender que a cidadania:
Daquelas mulheres de Atenas a) possui uma dimensão histórica que deve ser
Vivem pros seus maridos criticada, pois é condenável que os políticos
Orgulho e raça de Atenas. de qualquer época fiquem entregues à ocio-
BUARQUE, C.; BOAL, A. “Mulheres de Atenas”. In: sidade, enquanto o resto dos cidadãos tem
Meus caros amigos,1976. Disponível em: http://letras. de trabalhar.
terra.com.br. Acesso em 4 dez. 2011 (fragmento) b) era entendida como uma dignidade própria
dos grupos sociais superiores, fruto de uma
Os versos da composição remetem à condição concepção política profundamente hierar-
das mulheres na Grécia antiga, caracteriza- quizada da sociedade.
da, naquela época, em razão de c) estava vinculada, na Grécia Antiga, a uma
a) sua função pedagógica, exercida junto às percepção política democrática, que levava
crianças atenienses. todos os habitantes da pólis a participarem
b) sua importância na consolidação da demo- da vida cívica.
cracia, pelo casamento. d) tinha profundas conexões com a justiça, ra-
c) seu rebaixamento de status social frente aos zão pela qual o tempo livre dos cidadãos de-
homens. veria ser dedicado às atividades vinculadas
d) seu afastamento das funções domésticas em aos tribunais.
períodos de guerra. e) vivida pelos atenienses era, de fato, restrita àque-
e) sua igualdade política em relação aos ho- les que se dedicavam à política e que tinham tem-
mens. po para resolver os problemas da cidade.
1
1. (Enem) Assentado, portanto, que a Escritu-
ra, em muitas passagens, não apenas admi- 1
3. (ENEM) O que implica o sistema da pólis é
uma extraordinária preeminência da palavra
te, mas necessita de exposições diferentes
sobre todos os outros instrumentos do poder.
do significado aparente das palavras, parece-
A palavra constitui o debate contraditório,
-me que, nas discussões naturais, deveria ser a discussão, a argumentação e a polêmica.
deixada em último lugar. Torna-se a regra do jogo intelectual, assim
GALILEI, G. Carta a Benedetto Castelli. In: Ciência e fé: como do jogo político.
cartas de Galileu sobre o acordo do sistema copernicano
com a Bíblia. São Paulo: Unesp, 2009. (adaptado) VERNANT, J. P. As origens do pensamento grego.
Rio de Janeiro: Bertrand, 1992 (adaptado).
O texto, extraído da carta escrita por Galileu
(1564-1642) cerca de trinta anos antes de Na configuração política da democracia gre-
sua condenação pelo Tribunal do Santo Ofi- ga, em especial a ateniense, a ágora tinha
cio, discute a relação entre ciência e fé, pro- por função:
blemática cara no século XVII. A declaração a) agregar os cidadãos em torno de reis que go-
de Galileu defende que vernavam em prol da cidade.
a) a bíblia, por registrar literalmente a palavra b) permitir aos homens livres o acesso às deci-
divina, apresenta a verdade dos fatos natu- sões do Estado expostas por seus magistrados.
rais, tornando-se guia para a ciência. c) constituir o lugar onde o corpo de cidadãos
b) o significado aparente daquilo que é lido se reunia para deliberar sobre as questões da
acerca da natureza na bíblia constitui uma comunidade.
referência primeira. d) reunir os exercícios para decidir em assem-
c) as diferentes exposições quanto ao signifi- bleias fechadas os rumos a serem tomados
cado das palavras bíblicas devem evitar con- em caso de guerra.
frontos com os dogmas da Igreja. e) congregar a comunidade para eleger repre-
d) a bíblia deve receber uma interpretação lite- sentantes com direito a pronunciar-se em
ral porque, desse modo, não será desviada a assembleias.
verdade natural.
166
1
4. (ENEM) Os versos do poeta francês François Villon
fazem referência às imagens presentes nos
templos católicos medievais. Nesse contexto,
as imagens eram usadas com o objetivo de:
a) refinar o gosto dos cristãos.
b) incorporar ideais heréticos.
c) educar os fiéis através do olhar.
d) divulgar a genialidade dos artistas católicos.
e) valorizar esteticamente os templos religiosos.

1
7. O café tem origem na região onde hoje se
encontra a Etiópia, mas seu cultivo e consu-
mo se disseminaram a partir da Península
Árabe. Aportou à Europa por Constantinopla
e, finalmente, em 1615, ganhou a cidade de
Veneza. Quando o café chegou à região euro-
peia, alguns clérigos sugeriram que o produ-
to deveria ser excomungado, por ser obra do
Os calendários são fontes históricas importan- diabo. O papa Clemente VIII (1592-1605),
tes, na medida em que expressam a concepção contudo, resolveu provar a bebida. Tendo
de tempo das sociedades. Essas imagens com- gostado do sabor, decidiu que ela deveria ser
põem um calendário medieval (1460-1475) e batizada para que se tornasse uma “bebida
cada uma delas representa um mês, de janeiro verdadeiramente cristã”.
a dezembro. Com base na análise do calendá- THORN, J. Guia do café. Lisboa: Livros
rio, apreende-se uma concepção de tempo: e livros, 1998 (adaptado).
a) cíclica, marcada pelo mito arcaico do eterno A postura dos clérigos e do papa Clemente
retorno. VIII diante da introdução do café na Europa
b) humanista, identificada pelo controle das
Ocidental pode ser explicada pela associação
horas de atividade por parte do trabalhador.
c) escatológica, associada a uma visão religiosa dessa bebida ao:
sobre o trabalho. a) ateísmo.
d) natural, expressa pelo trabalho realizado de b) judaísmo.
acordo com as estações do ano. c) hinduísmo.
e) romântica, definida por uma visão bucólica d) islamismo.
da sociedade. e) protestantismo.

1
5. (ENEM) Se a mania de fechar, verdadeiro 1
8. Para uns, a Idade Média foi uma época de
habitus da mentalidade medieval nascido trevas, pestes, fome, guerras sanguinárias,
talvez de um profundo sentimento de inse- superstições, crueldade. Para outros, uma
gurança, estava difundida no mundo rural, época de bons cavaleiros, damas corteses,
estava do mesmo modo no meio urbano, pois fadas, guerras honradas, torneios, grandes
que uma das características da cidade era de ideais. Ou seja, uma Idade Média “má” e
ser limitada por portas e por uma muralha. uma Idade Média “boa”.
DUBY, G. et al. “Séculos XIV-XV”. In: ARIÈS, P.; DUBY, G. Tal disparidade de apreciações com relação a
História da vida privada da Europa Feudal à Renascença. esse período da História se deve:
São Paulo: Cia. das Letras, 1990 (adaptado). a) ao Renascimento, que começou a valorizar
As práticas e os usos das muralhas sofreram a comprovação documental do passado, for-
importantes mudanças no final da Idade mando acervos documentais que mostram
Média, quando elas assumiram a função de tanto a realidade “boa” quanto a “má”.
pontos de passagem ou pórticos. Este proces- b) à tradição iluminista, que usou a Idade Mé-
so está diretamente relacionado com: dia como contraponto a seus valores racio-
a) o crescimento das atividades comerciais e urbanas. nalistas, e ao Romantismo, que pretendia
b) a migração de camponeses e artesãos. ressaltar as “boas” origens das nações.
c) a expansão dos parques industriais e fabris. c) à indústria de videojogos e cinema, que
d) o aumento do número de castelos e feudos. encontrou uma fonte de inspiração nessa
e) a contenção das epidemias e doenças.
mistura de fantasia e realidade, construindo
uma visão falseada do real.
1
6. Sou uma pobre e velha mulher,
d) ao Positivismo, que realçou os aspectos po-
Muito ignorante, que nem sabe ler.
Mostraram-me na igreja da minha terra sitivos da Idade Média, e ao marxismo, que
Um Paraíso com harpas pintado denunciou o lado negativo do modo de pro-
E o Inferno onde fervem almas danadas, dução feudal.
Um enche-me de júbilo, o outro me aterra. e) à religião, que com sua visão dualista e ma-
VILLON. F. In: GOMBRICH, E. História niqueísta do mundo, alimentou tais inter-
da arte. Lisboa: LTC. 1999. pretações sobre a Idade Média.

167
1
9. A Praça da Concórdia, antiga Praça Luís XV, exercidas duas vezes pela mesma pessoa, ou
é a maior praça pública de Paris. Inaugurada somente podem sê-lo depois de certos inter-
em 1763, tinha em seu centro uma estátua valos de tempo prefixados.
do rei. Situada ao longo do Sena, ela é a in- ARISTÓTELES. Política. Brasília: UnB, 1985.
tersecção de dois eixos monumentais. Bem Comparando os textos I e II, tanto para Tu-
nesse cruzamento está o Obelisco de Luxor, cídides (no século V a.C.) quanto para Aris-
decorado com hieróglifos que contam os rei- tóteles (no século IV a.C.), a cidadania era
nados dos faraós Ramsés II e Ramsés III. Em definida pelo(a):
1829, foi oferecido pelo vice-rei do Egito ao a) prestígio social.
povo francês e, em 1836, instalado na praça b) acúmulo de riqueza.
diante de mais de 200 mil espectadores e da c) participação política.
família real. d) local de nascimento.
NOBLAT, R. Disponível em: www.oglobo. e) grupo de parentesco.
com Acesso em: 12 dez. 2012.
2
2. No início foram as cidades. O intelectual da
A constituição do espaço público da Praça da Idade Média – no Ocidente – nasceu com elas.
Concórdia ao longo dos anos manifesta o(a): Foi com o desenvolvimento urbano ligado
a) lugar da memória na história nacional. às funções comercial e industrial – digamos
b) caráter espontâneo das festas populares. modestamente artesanal – que ele apareceu,
c) lembrança da antiguidade da cultura local. como um desses homens de ofício que se ins-
d) triunfo da nação sobre os países africanos. talavam nas cidades nas quais se impôs a di-
e) declínio do regime de monarquia absolutista. visão do trabalho. Um homem cujo ofício é
escrever ou ensinar, e de preferência as duas
2
0. Durante a realeza, e nos primeiros anos repu- coisas a um só tempo, um homem que, profis-
blicanos, as leis eram transmitidas oralmen- sionalmente, tem uma atividade de professor
te de uma geração para outra. A ausência de e erudito, em resumo, um intelectual – esse
uma legislação escrita permitia aos patrícios homem só aparecerá com as cidades.
LE GOFF, J. Os intelectuais na Idade Média.
manipular a justiça conforme seus interes- Rio de Janeiro: José Olympio, 2010
ses. Em 451 a.C., porém, os plebeus conse-
guiram eleger uma comissão de dez pessoas O surgimento da categoria mencionada no
período em destaque no texto evidencia o(a):
– os decênviros – para escrever as leis. Dois
a) apoio dado pela Igreja ao trabalho abstrato.
deles viajaram a Atenas, na Grécia, para es-
b) relação entre desenvolvimento urbano e di-
tudar a legislação de Sólon.
COULANGES, F. A cidade antiga. São visão de trabalho.
Paulo: Martins Fontes, 2000. c) importância organizacional das corporações
de ofício.
A superação da tradição jurídica oral no
d) progressiva expansão da educação escolar.
mundo antigo, descrita no texto, esteve re-
e) acúmulo de trabalho dos professores e eruditos.
lacionada à:
a) adoção do sufrágio universal masculino. 2
3. A casa de Deus, que acreditam una, está,
b) extensão da cidadania aos homens livres. portanto, dividida em três: uns oram, outros
c) afirmação de instituições democráticas. combatem, outros, enfim, trabalham. Essas
d) implantação de direitos sociais. três partes que coexistem não suportam ser
e) tripartição dos poderes políticos. separadas; os serviços prestados por uma são
a condição das obras das outras duas; cada
2
1. Texto I uma por sua vez encarrega-se de aliviar o
Olhamos o homem alheio às atividades pú- conjunto... Assim a lei pode triunfar e o
blicas não como alguém que cuida apenas de mundo gozar da paz.
seus próprios interesses, mas como um inú- ALDALBERON DE LAON. In: SPINOSA, F. Antologia de
textos históricos medievais. Lisboa: Sá da Costa, 1981.
til; nós, cidadãos atenienses, decidimos as
questões públicas por nós mesmos na cren- A ideologia apresentada por Aldalberon de
ça de que não é o debate que é empecilho à Laon foi produzida durante a Idade Média.
ação, e sim o fato de não se estar esclarecido Um objetivo de tal ideologia e um processo
pelo debate antes de chegar a hora da ação. que a ela se opôs estão indicados, respecti-
TUCÍDIDES. História da Guerra do Peloponeso. vamente, em:
Brasília: UnB, 1987 (adaptado).
a) justificar a dominação estamental / revoltas
camponesas.
Texto II
b) subverter a hierarquia social / centralização
Um cidadão integral pode ser definido por monárquica.
nada mais nada menos que pelo direito de c) impedir a igualdade jurídica / revoluções
administrar justiça e exercer funções pú- burguesas.
blicas; algumas destas, todavia, são limi- d) controlar a exploração econômica / unifica-
tadas quanto ao tempo de exercício, de tal ção monetária.
modo que não podem de forma alguma ser e) questionar a ordem divina / Reforma católica

168
4. (ENEM) O canto triste dos conquistados: os
2 O texto apresenta um espírito de época que
últimos dias de Tenochtitlán afetou também a produção artística, marca-
Nos caminhos jazem dardos quebrados; da pela constante relação entre:
os cabelos estão espalhados. a) fé e misticismo.
Destelhadas estão as casas, b) ciência e arte.
Vermelhas estão as águas, os rios, como se c) cultura e comércio.
alguém d) política e economia.
as tivesse tingido, e) astronomia e religião.
Nos escudos esteve nosso resguardo,
mas os escudos não detêm a desolação… 27. (ENEM) Quem construiu a Tebas de sete portas?
PINSKY, J. et al. História da América através de Nos livros estão nomes de reis.
textos. São Paulo: Contexto, 2007 (fragmento).
Arrastaram eles os blocos de pedra?
O texto é um registro asteca, cujo sentido E a Babilônia várias vezes destruída. Quem a
está relacionado ao(à): reconstruiu tantas vezes?
a) tragédia causada pela destruição da cultura Em que casas da Lima dourada moravam os
desse povo. construtores?
b) tentativa frustrada de resistência a um po- Para onde foram os pedreiros, na noite em
der considerado superior. que a Muralha da China ficou pronta?
c) extermínio das populações indígenas pelo A grande Roma está cheia de arcos do triunfo.
Exército espanhol. Quem os ergueu? Sobre quem triunfaram os
d) dissolução da memória sobre os feitos de césares?
seus antepassados. BRECHT, B. Perguntas de um trabalhador que
lê. Disponível em: http://recantodasletras.
e) profetização das consequências da coloniza- uol.com.br. Acesso em: 28 abr. 2010.
ção da América.
Partindo das reflexões de um trabalhador
2
5. (ENEM) Na antiga Grécia, o teatro tratou que lê um livro de História, o autor censura
de questões como destino, castigo e justiça. a memória construída sobre determinados
Muitos gregos sabiam de cor inúmeros ver- monumentos e acontecimentos históricos.
sos das peças dos seus grandes autores. A crítica refere-se ao fato de que:
Na Inglaterra dos séculos XVI e XVII, Shakes-
peare produziu peças nas quais temas como a) os agentes históricos de uma determinada
o amor, o poder, o bem e o mal foram trata- sociedade deveriam ser aqueles que reali-
dos. Nessas peças, os grandes personagens zaram feitos heroicos ou grandiosos e, por
falavam em verso e os demais em prosa. isso, ficaram na memória.
No Brasil colonial, os índios aprenderam b) a História deveria se preocupar em memori-
com os jesuítas a representar peças de cará- zar os nomes de reis ou dos governantes das
ter religioso. civilizações que se desenvolveram ao longo
Esses fatos são exemplos de que, em diferen- do tempo.
tes tempos e situações, o teatro é uma forma: c) grandes monumentos históricos foram cons-
a) de manipulação do povo pelo poder, que truídos por trabalhadores, mas sua memória
controla o teatro. está vinculada aos governantes das socieda-
b) de diversão e de expressão dos valores e pro- des que os construíram.
blemas da sociedade. d) os trabalhadores consideram que a História
c) de entretenimento popular, que se esgota na é uma ciência de difícil compreensão, pois
sua função de distrair. trata de sociedades antigas e distantes no
d) de manipulação do povo pelos intelectuais tempo.
que compõem as peças. e) as civilizações citadas no texto, embora mui-
e) de entretenimento, que foi superada e hoje to importantes, permanecem sem terem sido
é substituída pela televisão. alvos de pesquisas históricas.

2
8. Três décadas – de 1884 a 1914 – separam o
2
6. (ENEM) Acompanhando a intenção da bur- século XIX – que terminou com a corrida dos
guesia renascentista de ampliar seu domínio países europeus para a África e com o surgi-
sobre a natureza e sobre o espaço geográfico, mento dos movimentos de unificação nacio-
através da pesquisa científica e da invenção nal na Europa – do século XX, que começou
tecnológica, os cientistas também iriam se com a Primeira Guerra Mundial. É o período
atirar nessa aventura, tentando conquistar a do Imperialismo, da quietude estagnante na
forma, o movimento, o espaço, a luz, a cor e Europa e dos acontecimentos empolgantes
mesmo a expressão e o sentimento. na Ásia e na África.
SEVCENKO, N. O Renascimento. Campinas: Unicamp, 1984. ARENDT, H. As origens do totalitarismo.
São Paulo: Cia. das Letras, 2012.

169
O processo histórico citado contribuiu para 3
1. A lei não nasce da natureza, junto das fon-
a eclosão da Primeira Grande Guerra na me- tes frequentadas pelos primeiros pastores:
dida em que: a lei nasce das batalhas reais, das vitórias,
a) difundiu as teorias socialistas. dos massacres, das conquistas que têm sua
b) acirrou as disputas territoriais. data e seus heróis de horror: a lei nasce das
c) superou as crises econômicas. cidades incendiadas, das terras devastadas;
d) multiplicou os conflitos religiosos. ela nasce com os famosos inocentes que ago-
e) conteve os sentimentos xenófobos. nizam no dia que está amanhecendo.
FOUCAULT. M. Aula de 14 de janeiro de 1976. In. Em
2
9. Que é ilegal a faculdade que se atribui à au- defesa da sociedade. São Paulo: Martins Fontes. 1999
toridade real para suspender as leis ou seu
O filósofo Michel Foucault (séc. XX) inova ao
cumprimento.
pensar a política e a lei em relação ao poder
Que é ilegal toda cobrança de impostos para a
e à organização social.
Coroa sem o concurso do Parlamento, sob pre- Com base na reflexão de Foucault, a finali-
texto de prerrogativa, ou em época e modo dade das leis na organização das sociedades
diferentes dos designados por ele próprio. modernas é:
Que é indispensável convocar com frequên- a) combater ações violentas na guerra entre as
cia os Parlamentos para satisfazer os agra- nações.
vos, assim como para corrigir, afirmar e con- b) coagir e servir para refrear a agressividade
servar as leis. humana.
Declaração dos Direitos. Disponível em http://disciplinas
stoa.usp.br. Acesso em: 20 dez. 2011 (adaptado). c) criar limites entre a guerra e a paz praticadas
entre os indivíduos de uma mesma nação.
No documento de 1689, identifica-se uma d) estabelecer princípios éticos que regulamen-
particularidade da Inglaterra diante dos de- tam as ações bélicas entre países inimigos.
mais Estados europeus na Época Moderna. A e) organizar as relações de poder na sociedade
peculiaridade inglesa e o regime político que e entre os Estados.
predominavam na Europa continental estão
indicados, respectivamente, em: 3
2. O príncipe, portanto, não deve se incomodar
a) Redução da influência do papa — Teocracia. com a reputação de cruel, se seu propósito
b) Limitação do poder do soberano — Absolutismo. é manter o povo unido e leal. De fato, com
c) Ampliação da dominação da nobreza — Re- uns poucos exemplos duros poderá ser mais
pública. clemente do que outros que, por muita pie-
d) Expansão da força do presidente — Parla- dade, permitem os distúrbios que levem ao
mentarismo. assassínio e ao roubo.
e) Restrição da competência do congresso — MAQUIAVEL, N. O Príncipe, São Paulo: Martin Claret, 2009.
Presidencialismo.
No século XVI, Maquiavel escreveu O Prínci-
pe, reflexão sobre a Monarquia e a função do
3
0. O Império Inca, que corresponde principal-
governante.
mente aos territórios da Bolívia e do Peru,
A manutenção da ordem social, segundo esse
chegou a englobar enorme contingente po-
autor, baseava-se na:
pulacional. Cuzco, a cidade sagrada, era o
a) inércia do julgamento de crimes polêmicos.
centro administrativo, com uma sociedade
b) bondade em relação ao comportamento dos
fortemente estratificada e composta por im-
mercenários.
peradores, nobres, sacerdotes, funcionários
c) compaixão quanto à condenação de trans-
do governo, artesãos, camponeses, escravos e
gressões religiosas.
soldados. A religião contava com vários deu-
d) neutralidade diante da condenação dos servos.
ses, e a base da economia era a agricultura.
e) conveniência entre o poder tirânico e a mo-
Principalmente o cultivo da batata e do milho.
ral do príncipe.
A principal característica da sociedade inca
era a:
a) ditadura teocrática, que igualava a todos. 3
3. Em nosso país queremos substituir o egoís-
b) existência da igualdade social e da coletivi- mo pela moral, a honra pela probidade, os
zação da terra. usos pelos princípios, as conveniências pelos
c) estrutura social desigual compensada pela deveres, a tirania da moda pelo império da
coletivização de todos os bens. razão, o desprezo à desgraça pelo desprezo
d) existência de mobilidade social, o que levou ao vício, a insolência pelo orgulho, a vaidade
à composição da elite pelo mérito. pela grandeza de alma, o amor ao dinheiro
e) impossibilidade de se mudar de extrato social pelo amor à glória, a boa companhia pelas
e a existência de uma aristocracia hereditária. boas pessoas, a intriga pelo mérito, o espi-
rituoso pelo gênio, o brilho pela verdade, o
tédio da volúpia pelo encanto da felicidade,

170
a mesquinharia dos grandes pela grandeza 3
5. Na década de 30 do século XIX, Tocqueville
do homem. escreveu as seguintes linhas a respeito da
HUNT, L. Revolução Francesa e Vida Privada. In: moralidade nos EUA: “A opinião pública nor-
PERROT, M. (Org.) História da Vida Privada: da te-americana é particularmente dura com a
Revolução Francesa à Primeira Guerra. Vol. 4. São
falta de moral, pois esta desvia a atenção
Paulo: Companhia das Letras, 1991 (adaptado).
frente à busca do bem-estar e prejudica a
O discurso de Robespierre, de 5 de fevereiro harmonia doméstica, que é tão essencial ao
de 1794, do qual o trecho transcrito é par- sucesso dos negócios. Nesse sentido, pode-se
te, relaciona-se a qual dos grupos político- dizer que ser casto é uma questão de honra”.
-sociais envolvidos na Revolução Francesa? TOCQUEVILLE, A. Democracy in America.
a) À alta burguesia, que desejava participar do Chicago: Encyclopædia Britannica, Inc.,
Great Books 44, 1990 (adaptado).
poder legislativo francês como força política
dominante. Do trecho, infere-se que, para Tocqueville, os
b) Ao clero francês, que desejava justiça social norte americanos do seu tempo:
e era ligado à alta burguesia. a) buscavam o êxito, descurando as virtudes
c) A militares oriundos da pequena e média cívicas.
burguesia, que derrotaram as potências ri- b) tinham na vida moral uma garantia de enri-
vais e queriam reorganizar a França interna- quecimento rápido.
mente. c) valorizavam um conceito de honra dissocia-
d) À nobreza esclarecida, que, em função do do do comportamento ético.
seu contato, com os intelectuais iluministas, d) relacionavam a conduta moral dos indivídu-
desejava extinguir o absolutismo francês. os com o progresso econômico.
e) Aos representantes da pequena e média bur- e) acreditavam que o comportamento casto
guesia e das camadas populares, que deseja- perturbava a harmonia doméstica.
vam justiça social e direitos políticos.

3
4. O movimento operário ofereceu uma nova Gabarito
resposta ao grito do homem miserável no
princípio do século XIX. A resposta foi a 1. D 2. E 3. A 4. A 5. A
consciência de classe e a ambição de clas-
se. Os pobres então se organizavam em uma 6
. B 7
. C 8. A 9. A 10. C
classe específica, a classe operária, diferente 11. E 12. B 13. C 14. D 15. A
da classe dos patrões (ou capitalistas). A Re-
volução Francesa lhes deu confiança: a Re- 16. C 17. D 18. B 19. A 20. B
volução Industrial trouxe a necessidade da
21. C 22. B 23. A 24. B 25. B
mobilização permanente.
HOBSBAWN, E. J. A era das revoluções. 2
6. B 2
7. C 28. B 29. B 30. E
São Paulo: Paz e Terra, 1977.
31. E 32. E 33. E 34. B 35. D
No texto, analisa-se o impacto das Revoluções
Francesa e Industrial para a organização da
classe operária. Enquanto a “confiança” dada
pela Revolução Francesa era originária do
significado da vitória revolucionária sobre as
classes dominantes, a “necessidade da mobi-
lização permanente”, trazida pela Revolução
Industrial, decorria da compreensão de que:
a) a competitividade do trabalho industrial
exigia um permanente esforço de qualifica-
ção para o enfrentamento do desemprego.
b) a completa transformação da economia capi-
talista seria fundamental para a emancipa-
ção dos operários.
c) a introdução das máquinas no processo pro-
dutivo diminuía as possibilidades de ganho
material para os operários.
d) o progresso tecnológico geraria a distribui-
ção de riquezas para aqueles que estivessem
adaptados aos novos tempos industriais.
e) a melhoria das condições de vida dos operá-
rios seria conquistada com as manifestações
coletivas em favor dos direitos trabalhistas.
171
Aplicação dos conhecimentos - Sala
AULAS 3 E 4 Tema: A crise capitalista de 1929

Competência: 2 Habilidade: 9

Construção da habilidade: dentro da Competência da área 2 do Enem, a habilidade 09 exige


do aluno a capacidade de identificar os significados globais de um processo econômico como a Crise
de 1929 e ao mesmo tempo as estratégias locais de recuperação, como a política do New Deal, de
estímulo a obras de infraestrutura com vistas ao reaquecimento da economia.

MODELO 1

[Os EUA] importavam quase 40% de todas as exportações de matérias-primas e alimentos dos
quinze países mais comerciais, um fato que ajuda muito a explicar o impacto da Depressão nos
produtores de trigo, algodão, açúcar, borracha, seda, cobre, estanho e café. Pelo mesmo motivo,
tornaram-se a principal vítima da Depressão.
(HOBSBAWN, Eric. Era dos Extremos: o breve século XX: 1914-1991.São Paulo. Companhia das Letras. 1995)

Dentre as medidas adotadas pelos EUA, no governo de Franklin Roosevelt, para contornar a grave
crise descrita no texto, destaca-se:
a) a política de contenção dos gastos públicos
b) os investimentos em obras de infraestrutura
c) o fim das relações comerciais com as demais economias
d) o alinhamento político com a Cortina de Ferro
e) a redução do papel do Estado na economia

173
Tema: Fascismo

Competência: 4 Habilidade: 19

Construção da habilidade: Na competência 4, a habilidade 19 procura estabelecer o uso de


novas tecnologias para conquistas espaciais no caso da guerra civil espanhola, relacionando com a
Segunda Guerra Mundial e a dimensão dessas transformações tecnológicas em termos bélicos.

MODELO 2

PICASSO, P. Guernica . Óleo sobre tela. 349 × 777 cm. Museu Reina Sofia, Espanha, 1937.
Fonte : https://www.culturagenial.com/quadro-guernica-de-pablo-picasso/

O quadro de Pablo Picasso retrata a grande destruição causada pela guerra civil espanhola na ci-
dade de Guernica, bombardeada em 1936. Para muitos autores, a guerra civil espanhola serviu de
“ensaio para a segunda guerra” pois:
a) Após a vitória comunista na Espanha, esses se aliariam à União Soviética na segunda guerra
b) Usou um grande contingente humano, pois todas as nações posteriormente envolvidas na segunda
guerra mundial participaram da guerra civil espanhola
c) Houve grande uso de armas atômicas enviadas pelos Estados Unidos
d) A guerra civil espanhola serviu de testes para os novos armamentos nazistas, usados posteriormente
na segunda guerra mundial
e) Ocorreu com a participação de Estados Unidos e Inglaterra, grandes potências armamentistas

174
Tema: 1ª Guerra Mundial

Competência: 2 Habilidade: 7

Construção da habilidade: Na competência 2, a habilidade 7 visa colocar em discussão a atua-


ção das potências mundiais no contexto da partilha do continente africano que corroboraram para o
início da primeira guerra mundial.

MODELO 3

A charge acima mostra a partilha da África feita pelas nações europeias, acirrando as rivalidades
entre as potências da Europa, sendo uma das causas da eclosão da primeira guerra mundial. Pode-
mos também analisar como causa da primeira guerra:
a) eclosão da revolução russa, colocando o comunismo como um ideal a ser quebrado pelas nações oci-
dentais
b) a invasão do corredor polonês pelas forças alemãs, uma vez que a Polônia era o limite para a expansão
alemã
c) descontentamento francês frente à ocupação do Marrocos
d) o assassinato do líder do império otomano, juntando forças com a Alemanha contra as nações do oci-
dente
e) o revanchismo francês, visando a recuperação de terras perdidas na unificação alemã

175
Tema: 2ª Guerra Mundial

Competência: 2 Habilidade: 7

Construção da habilidade: Dentro das competências da área 2 do Enem, a habilidade 7 busca


que o candidato observe as relações de poder exercidas pelas grandes potências mundiais em relações
as minorias étnicas, nesse caso, a relação de poder entre os alemães e os judeus.

MODELO 4

“Arbeit macht frei”. Como é sabido, essas eram as palavras que se liam na cancela de ingresso do
campo de concentração de Auschwitz. O seu significado literal é “o trabalho liberta”. O seu significa-
do último é muito menos claro, só pode deixar-nos perplexos e se presta a algumas considerações. ’’
http://zelmar.blogspot.com/2009/12/arbeit-mach-frei-o-trabalho-liberta.html

‘’...o homem deve, para estar seguro de seu estado de graça, ‘trabalhar o dia todo em favor do que
lhe foi destinado. Não é, pois, o ócio e o prazer, mas apenas a atividade que serve para aumentar
a glória de Deus (…) É condenável a contemplação passiva, quando resultar em prejuízo para o
trabalho cotidiano, pois ela é menos agradável a Deus do que a materialização de Sua vontade de
trabalho.’’
WEBER, Max. A ética protestante e o espírito do capitalismo. São Paulo: Pioneira, 1967.

A imagem do campo de concentração de Auschwitz representa um dos episódios mais cruéis da


Segunda Guerra Mundial, e até hoje a frase ‘’O trabalho liberta’’ gera discussões sobre os diferentes
modos de produção humanos. A relação que se pode estabelecer entre a frase e o trecho de Max
Weber acerca do trabalho é que
a) as conquistas humanas devem ser sua propriedade inalienável
b) enriquecimento não descende do trabalho contínuo.
c) esse está ligado a gloria épica que os seres humanos buscam.
d) o homem deve buscar se dignificar pelo seu labor.
e) a solidariedade orgânica entre os homens nasce a partir do trabalho.

176
Tema: Guerra Fria

Competência: 3 Habilidade: 11

Construção da habilidade: A habilidade 11, presente na competência 3, busca discutir em torno


do movimento de contracultura nos Estados Unidos e a sua relação com a Guerra do Vietnã.

MODELO 5

A existência de indivíduos que não se adequavam à sociedade de consumo e se posicionavam con-


tra a Guerra do Vietnã, a favor dos negros e acima de tudo, contra os valores estabelecidos, era
um fator que realmente estarrecia a tecnocracia norte-americana. O Central Park foi o palco de
inúmeras manifestações, em que eles pregavam o sexo e amor livres, o fim da Guerra do Vietnã,
discursavam a favor das igualdades de direitos e em contraposição ao ocidentalismo. No filme
Hair o ideal de ir à guerra movido por um sentimento de patriotismo é paulatinamente descons-
truído (...) Naquele momento, com o avanço da indústria cultural, os jovens sentiam-se retraídos
e incompreendidos por uma sociedade demasiadamente conservadora para compreender o novo
mundo que eles estavam oferecendo.
FERREIRA, Neliane Maria. Paz e amor na era de Aquário: a contracultura nos Estados
Unidos. Cadernos de Pesquisa do CDHIS, v. 33, p. 68-74, 2005.

A guerra do Vietnã dividiu a opinião pública estadunidense e foi propulsora de vários movimentos
sociais internos de contestação de valores sociais. Um deles foi o movimento Hippie que
a) exercia forte influencia sobre o governo norte americano à medida que crescia como movimento social.
b) apareceu disposto a oferecer uma visão de mundo inovadora e distante dos vigentes ditames da socie-
dade capitalista.
c) apontava os erros da sociedade socialista dos países do Leste Europeu e revelava sua aversão ao modelo
de economia planificada.
d) criticava os valores morais da época sem levar em consideração o contexto mundial de enfrentamento
militar.
e) pregava a paz e o amor um para com os outros, a liberdade moral de seus participantes e o uso de
métodos contraceptivos.

177
Tema: Descolonização Afro-Asiática

Competência: 2 Habilidade: 10

Construção da habilidade: A habilidade 10, inserida nas competências da área 2, exige do aluno
a capacidade de articular os movimentos sociais com as respectivas transformações que eles foram
capazes de realizar, nesse caso, na Libertação da Argélia nas décadas de 50 e 60 do século XX.

MODELO 6

- Batalha de Argel

Sinopse:
Entre os anos de 1954 e 1957, o povo da Argélia decidiu que não seria mais explorado: assim teve
início o conflito que levou o país à sua independência. No entanto, a França, através de seu nume-
roso exército, não estava disposta a deixar que a Argélia se tornasse independente. Começa aí uma
verdadeira batalha em Argel, capital do país, travada principalmente entre os métodos convencio-
nais da tropa francesa e as técnicas não-convencionais da FLN, a Frente de Libertação Nacional.
http://www.adorocinema.com/filmes/filme-89957/

O filme ”A batalha de Argel” de 1966, dirigido pelo italiano Gillo Pontecorvo, conta a história da
Guerra de Libertação da Argélia nas décadas de 1950 e 1960. A forte resistência francesa a esse
movimento está diretamente relacionada a radicalização da Frente de Libertação Nacional pois
essa representava para os franceses
a) o fracasso das políticas de apaziguamento na região por conta do acirramento da relação.
b) uma pausa temporária no fluxo migratório existente da Europa para a região da Argélia.
c) a radicalização do fundamentalismo muçulmano na sociedade argelina contra o cristianismo.
d) uma ameaça aos interesses imperialistas e a aproximação com o regime socialista.
e) o esgotamento da militância jovem na Argélia que queria a continuidade da dominação.

178
Tema: Ano de 1968

Competência: 2 Habilidade: 10

Construção da habilidade: Na competência 2, a habilidade 10 pede ao aluno a capacidade de


reconhecer as manifestações culturais que permaneceram ao longo de tempo que tiveram origem no
maio de 1968, reconhecendo manifestações culturais em sociedades diversas, como a francesa e a
brasileira, além de reconhecer a importância da dinâmica dos movimentos sociais como agentes his-
tóricos de processos de transformação da sociedade.

MODELO 7

TEXTO I:
“Uma vez obtidas suas reivindicações essenciais em Grenelle, paulatinamente os operários reto-
maram o trabalho, às vezes com reticência. Os estudantes levaram mais tempo para aceitar a ideia
de derrota: mas, com Odeon e a Sorbonne evacuadas, acabaram baixando os braços. Era um grande
sonho abortado em que cada um acreditava que “a imaginação estava no poder” e que sob os pa-
ralelepípedos encontrava-se a suavidade da areia.”
Althusser, Louis. O futuro dura muito tempo. São Paulo: Companhia das Letras, 1992. (fragmento adaptado)

TEXTO II:
“Peter Steinfels, hoje jornalista do The New York Times e um dos estudantes envolvidos nos protes-
tos no Quartier Latin, em Paris, afirma que o que as cabeças pensantes [de Maio de 1968] diziam
era uma coletânea de ideias malucas de grupos de esquerda: revisionistas socialista, trotskistas,
maoístas, anarquistas, surrealistas e marxistas, que eram anticomunistas tanto quanto anticapi-
talistas, e alguns pareciam ser anti-industriais, anti-institucionais e até antirracionais. Contudo,
Maio de 1968 nutriu e se nutriu, por exemplo, do movimento americano pela defesa dos direitos
civis – de negros, mulheres e gays – e de oposição à guerra no Vietnã, na qual os EUA haviam en-
trado quatro anos antes. Na América Latina, o movimento conectou-se com a luta dos estudantes
e dos trabalhadores do México. Eles reivindicavam mudanças na condução política do país que,
desde 1929, estava nas mãos do PRI (Partido Revolucionário Institucional). O movimento também
reverberou no Brasil. Desde 1964, o país estava sob ditadura militar. O movimento estudantil era
perseguido e seus membros estavam sujeitos a prisão, tortura e morte.’
Maio de 1968: As origens e os ecos do movimento. Disponível em: https://www.
nexojornal.com.br. (Acesso em 01/09/2018) (adaptado)

De acordo com os textos acimas, relembrar os eventos ocorridos em maio de 1968 é importante
pois:
a) Foram um caso de histeria coletiva da juventude francesa, principalmente, a universitária, que não
sabia bem os reais motivos para sair às ruas para protestar.
b) A pressão dos movimentos sociais envolvidos nas passeatas foi fundamental para a derrubada do go-
verno de Charles de Gaulle.
c) Mesmo possuindo contradições internas, foram fundamentais para a consolidação de bandeiras políti-
cas de movimentos sociais organizados, impactando não só na França, mas diversas partes do mundo.
d) Auxilia a entender os rumos da esquerda francesa, sob liderança do Partido Comunista Francês, de
orientação stalinista, que dominou a vida política do país em toda a década de 70.
e) Demonstra que os movimentos sociais não tiveram força o suficiente para impactar a política francesa,
deixando marcas apenas na vida cultural do país, como por exemplo, a Nouvelle Vague, na figura do
cineasta Jean-Luc Godard.

179
Tema: Neoliberalismo

Competência: 2 Habilidade: 7

Construção da habilidade: Dentro das competências da área 2 do Enem, a habilidade 7 visa que
o aluno seja capaz de reconhecer a articulação das relações de poder entre nações no centro e na
periferia do capitalismo, compreendendo os impactos dessa dinâmica no processo político, econômico
e social do Brasil.

MODELO 8

“Tão logo o escancaramento do mercado interno às exportações entrou em vigor; as importações


começaram a crescer acentuadamente em volume, valor e sobretudo, variedade. Milhares de ar-
tigos, que jamais se pensou que pudessem ser trazidos do exterior - de leite, manteiga e batatas
fritas a eletrodomésticos, roupas etc. - começaram a encher as prateleiras de lojas e supermerca-
dos. Isso representou um choque para nossa indústria, porque a maioria desses artigos não era
importada dos países adiantados, de onde se originavam os produtos de marcas prestigiosas, mas
de países asiáticos em que o custo do trabalho era ainda menor que no Brasil. Para enfrentar esta
nova concorrência externas, as indústrias brasileiras foram obrigadas a baixar seus preços e, em
muitos casos, de forma acentuada. O resultado foi uma fortíssima queda da inflação, puxada intei-
ramente pelos preços dos produtos transacionáveis.
SINGER, Paul. A raiz do desastre social: A política econômica de FHC. In: LESBAUPIN, Ivo. O
desmonte da nação: Balanço do governo FHC. Petrópolis: Vozes, 2003 (fragmento)

O texto apresenta o diagnóstico de um desequilíbrio provocado pelos intensos ajustes que o Brasil
passou em sua estrutura econômica afim de permitir uma estabilidade financeira durante o pri-
meiro mandato de Fernando Henrique Cardoso, entre 1994 e 1998. Além dos custos sociais desse
ajuste, notadamente, o desemprego, o período também teve como característica:
a) A diminuição da dependência brasileira dos mercados financeiros estrangeiros, que tinham interesse
em investir altas somas de capital com o objetivo de financiar as indústrias nacionais para que as
mesmas concorressem com as indústrias estrangeiras no mercado internacional.
b) A paridade do real em relação ao dólar, que permitia que os produtos brasileiros competissem em pé
de igualdade com os produtos estrangeiros no mercado.
c) Uma política econômica de enfrentamento dos mercados financeiros.
d) Um processo de desindustrialização e reorientação da economia brasileira rumo a um predomínio do
setor de serviços, e intensificação da participação do agronegócio na produção brasileira.
e) O aumento da produção pela indústria brasileira de bens de consumo, como resposta a crise provocada
pela inundação de produtos estrangeiros de baixo preço no mercado.

180
Raio X - Análise Expositiva
1.
As estratégias adotadas por Roosevelt visando a recuperação econômica dos EUA se inserem na
política denominada New Deal, que, dentre outras medidas, incentivou investimentos públicos em
obras de infraestrutura com a intenção de gerar novos empregos e reaquecer a economia.
2.
O aluno deve analisar o quadro de destruição em massa causada pelas novas tecnologias adquiri-
das pelos exércitos fascistas antes da segunda guerra mundial, sendo “testados” na população da
cidade de Guernica, cidade pintada no quadro.
3.
Dentro do processo da unificação alemã, o império germânico, liderados pela Prússia, entra em
guerra com a França e anexa ao território uma região importante para os franceses, a Alsásia-
-Lorena. Visando recuperar essas terras, os franceses entram na Primeira guerra e, após vencerem
os alemães, retomam a região a partir do Tratado
4.
O sociólogo Max Weber em seu livro ‘’A ética protestante e o espírito do Capitalismo’’ fala sobre a
importância do trabalho para os valores cristãos traduzindo-os para o comportamento da sociedade
capitalista. Nesse mesmo livro ele condena o ócio como forma de afastamento da salvação divina e
da riqueza material terrena. Essa ideologia se difundiu no mundo para propagar ideologicamente
o capitalismo no mundo. A frase nos portões do campo de concentração faz referencia a essa dou-
trina que prega a valorização do trabalho como forma de dignificação do homem.
5.
O movimento hippie nasceu do movimento contra cultural norte-americano e criticava os valores
da sociedade capitalista tendo em vista as tensões mundiais decorrentes da bipolaridade nas rela-
ções internacionais.
6.
A Frente de Libertação Nacional foi um movimento protagonista no processo de libertação da
Argélia em relação a França e frustrou os interesses imperialistas naquela região. A bipolaridade
nas relações internacionais causava uma dicotomia nas lutas de libertação, e por isso muitos mo-
vimentos, como por exemplo, a FLN, eram influenciados pelas ideias socialistas.
7.
Os dois textos demonstram as contradições próprias do movimento de maio de 68. O governo De
Gaulle não foi derrubado, pois através de um referendo, permaneceu no poder. O PCF, dividido em
diversas correntes, perdeu poder político, assim como toda a esquerda francesa. A grande herança
desses movimentos são suas bandeiras políticas, tão discutidas atualmente, como o feminismo e a
liberdade sexual.
8.
Durante o governo FHC, houve um aumento da dependência dos mercados financeiros, e as indús-
tria não conseguiam competir com os produtos estrangeiros, deslocando grande parte da força de
trabalho para o setor de serviços.

Gabarito
1. B 2. D 3. E 4. D 5. B

6. D 7. C 8. D

181
Prescrição: As questões abaixo abordam os principais acontecimentos do Século XX. É necessário
concentrar-se nas duas grandes guerras mundiais e no período da Guerra Fria – incluindo, evidentemente,
as manifestações políticas desse período. Algumas questões abordam lutas emancipacionistas no
pós-1945 e a reestruturação política mundial sob tal contexto.

Prática dos conhecimentos - E.O.


1. Mas a Primeira Guerra Mundial foi seguida por um tipo de colapso verdadeiramente mundial,
sentido pelo menos em todos os lugares em que homens e mulheres se envolviam ou faziam uso
de transações impessoais de mercado. Na verdade, mesmo os orgulhosos EUA, longe de serem um
porto seguro das convulsões de continentes menos afortunados, se tornaram o epicentro deste que
foi o maior terremoto global medido na escala Richter dos historiadores econômicos – a Grande
Depressão do entreguerras.
HOBSBAWM, E. J. Era dos extremos: o breve século XX (1914-1991). São Paulo: Cia. das Letras, 1995.

A Grande Depressão econômica que se abateu nos EUA e se alastrou pelo mundo capitalista deveu-
-se ao(à)
a) produção industrial norte-americana, ocasionada por uma falsa perspectiva de crescimento econômico
pós-Primeira Guerra Mundial.
b) vitória alemã na Primeira Grande Guerra e, consequentemente, sua capacidade de competição econô-
mica com os empresários norte-americanos.
c) desencadeamento da Revolução Russa de 1917 e a formação de um novo bloco econômico, capaz de
competir com a economia capitalista.
d) Guerra Fria, que caracterizou o período de entreguerras, provocando insegurança e crises econômicas
no mundo.
e) tomada de medidas econômicas pelo presidente norte-americano Roosevelt, conhecidas como New
Deal, que levaram à crise econômica no mundo.

2.

Nos quadrinhos, faz-se referência a um evento que correspondia a um dos grandes medos da po-
pulação mundial no período da Guerra Fria. Durante esse período, a possibilidade de ocorrência
desse evento era grande em função do(a)
a) acirramento da rivalidade Norte-Sul.
b) intensificação da corrida armamentista.
c) ocorrência de crises econômicas globais.
d) emergência de novas potências mundiais.
e) aprofundamento de desigualdades sociais.

182
3. O ataque japonês a Pearl Harbor e a conse- 5. No aniversário do primeiro decênio da Mar-
quente guerra entre americanos e japoneses cha sobre Roma, em outubro de 1932, Musso-
no Pacífico foi resultado de um processo de lini irá inaugurar sua Via dell Impero; a nova
desgaste das relações entre ambos. Depois Vida Sacra do Fascismo, ornada com estátuas
de 1934, os japoneses passaram a falar mais de César, Augusto, Trajano, servirá ao culto
desinibidamente da “Esfera de coprosperi- do antigo e à glória do Império Romano e de
dade da Grande Ásia Oriental”, considerada espaço comemorativo do ufanismo italiano.
como a “Doutrina Monroe Japonesa”. Às sombras do passado recriado ergue-se a
A expansão japonesa havia começado em nova Roma, que pode vangloriar-se e cele-
1895, quando venceu a China, impôs-lhe o
brar seus imperadores e homens fortes; seus
Tratado de Shimonoseki passando a exercer
grandes poetas e apólogos como Horácio e
tutela sobre a Corea. Definida sua área de
Virgílio.
projeção, o Japão passou a ter atritos cons-
SILVA, G. História antiga e usos do passado: um
tantes com a China e a Rússia. A área de atri-
estudo de apropriações da Antiguidade sob o regime
to passou a incluir os Estados Unidos quan- de Vichy. São Paulo: Annablume, 2007 (adaptado).
do os japoneses ocuparam a Manchúria, em
1931, e a seguir, a China, em 1937. A retomada da Antiguidade clássica pela
REIS FILHO, D. A. (Org.). O século XX, o tempo das crises. perspectiva do patrimônio cultural foi reali-
zada com o objetivo de
Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2008. a) afirmar o ideário cristão para reconquistar a
Sobre a expansão japonesa, infere-se que grandeza perdida.
a) o Japão tinha uma política expansionista, b) utilizar os vestígios restaurados para justifi-
na Ásia, de natureza bélica, diferente da car o regime político.
doutrina Monroe. c) difundir os saberes ancestrais para moralizar
b) o Japão buscou promover a prosperidade da os costumes sociais.
Coreia, tutelando-a à semelhança do que os d) refazer o urbanismo clássico para favorecer a
EUA faziam. participação política.
c) o povo japonês propôs cooperação aos Esta- e) recompor a organização republicana para
dos Unidos ao copiarem a Doutrina Monroe e fortalecer a administração estatal.
proporem o desenvolvimento da Ásia.
d) a China aliou-se à Rússia contra o Japão,
sendo que a doutrina Monroe previa a parce- 6.
ria entre os dois.
e) a Manchúria era território norte-americano e
foi ocupado pelo Japão, originando a guerra
entre os dois países.

4. A primeira produção cinematográfica de


propaganda nitidamente antissemita foi Os
Rotschilds (1940), de Erich Waschneck. Am-
bientado na Europa conturbada pelas guerras
napoleônicas, o filme mostrava como essa im-
portante família de banqueiros judeus bene-
ficiou-se das discórdias entre as nações euro-
peias, acumulando fortuna à custa da guerra,
do sofrimento e da morte de milhões de pes-
soas. O judeu é retratado como uma criatura A charge faz alusão à intensa rivalidade en-
perigosa, de mãos aduncas, rosto encarniçado tre as duas maiores potências do século XX.
e olhar sádico e maléfico. O momento mais tenso dessa disputa foi pro-
PEREIRA, W. “Cinema e genocídio judaico: vocado pela
dimensões da memória audiovisual do nazismo e a) ampliação da Guerra do Vietnã.
do holocausto”. In: Educando para a cidadania e b) construção do muro de Berlim.
a democracia. 6ª Jornada Interdisciplinar. Rio de c) instalação de mísseis em Cuba.
Janeiro: SME; UERJ, jun 2009 (fragmento).
d) eclosão da Guerra dos Sete Dias.
Os Rotschiids foi produzido na Alemanha na- e) invasão do território do Afeganistão.
zista. A partir do texto e naquela conjuntura
política, o principal objetivo do filme foi 7. A Guerra Fria foi, acima de tudo, um pro-
a) defender a liberdade religiosa. duto da heterogeneidade no sistema inter-
b) controlar o genocídio racial. nacional – para repetir, da heterogeneidade
c) aprofundar a intolerância étnica. da organização interna e da prática interna-
d) legitimar o expansionismo territorial. cional ¬– e somente poderia ser encerrada
e) contestar o nacionalismo autoritário. pela obtenção de uma nova homogeneidade.

183
O resultado disto foi que, enquanto os dois sistemas distintos existiram, o conflito da Guerra Fria
estava destinado a continuar: a Guerra Fria não poderia terminar com o compromisso ou a conver-
gência, mas somente com a prevalência de um destes sistemas sobre o outro.
HALLIDAY, F. Repensando as relações internacionais. Porto Alegre: EdUFRGS, 1999.

A caracterização da Guerra Fria apresentada pelo texto implica interpretá-la como um(a)
a) esforço de homogeneização do sistema internacional negociado entre Estados Unidos e União Soviéti-
ca.
b) guerra, visando o estabelecimento de um renovado sistema social, híbrido de socialismo e capitalismo.
c) conflito intersistêmico em que países capitalistas e socialistas competiriam até o fim pelo poder de
influência em escala mundial.
d) compromisso capitalista de transformar as sociedades homogêneas dos países socialistas em democra-
cias liberais.
e) enfrentamento bélico entre capitalismo e socialismo pela homogeneização social de suas respectivas
áreas de influência política.

8.

A interpretação da imagem demonstra que a distribuição de países onde se dirige do lado direito
coincide, em grande parte, com a zona de influência ou dominação exercida pela
a) Índia.
b) Austrália.
c) Inglaterra.
d) Indonésia.
e) África do Sul.

9. Em dezembro de 1945, começou uma greve de dois meses no principal porto da África Ocidental
Francesa, Dacar. As autoridades só conseguiram levar os grevistas de volta ao trabalho com grandes
aumentos de salário e, o que é ainda mais importante, pondo em prática todo o aparato de relações
industriais usado na França – em resumo, agindo como se os grevistas fossem modernos operários
industriais.
COOPER, F.; HOLT, T.; SCOTT. R. Além da escravidão. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2005 (adaptado).

Durante o neocolonialismo, o trabalho forçado – que não se confunde com a escravidão – foi uma
constante em diversas regiões do continente africano até o século XX. De acordo com o texto, sua
superação deriva da
a) crítica moral da intelectualidade metropolitana.
b) pressão articulada dos organismos multilaterais.
c) resistência organizada dos trabalhadores nativos.
d) concessão pessoal dos empresários imperialistas.
e) baixa lucratividade dos empreendimentos capitalistas.

184
1
0. O objetivo de tomar Paris marchando em direção ao Oeste era, para Hitler, uma forma de consolidar
sua liderança no continente. Com esse intuito, entre abril e junho de 1940, ele invadiu a Dinamar-
ca, a Noruega, a Bélgica e a Holanda. As tropas francesas se posicionaram na Linha Maginot, uma
linha de defesa com trincheiras, na tentativa de conter a invasão alemã.
Para a Alemanha, o resultado dessa invasão foi
a) a ocupação de todo o território francês, usando-o como base para a conquista da Suíça e da Espanha
durante a segunda fase da guerra.
b) a tomada do território francês, que foi então usado como base para a ocupação nazista da África do
Norte, durante a guerra de trincheiras.
c) a posse de apenas parte do território, devido à resistência armada do exército francês na Linha Maginot.
d) a vitória parcial, já que, após o avanço inicial, teve de recuar, devido à resistência dos blindados do ge-
neral De Gaulle, em 1940.
e) a vitória militar, com ocupação de parte da França, enquanto outra parte ficou sob controle do governo
colaboracionista francês.

1
1. A conquista pelos ingleses de grandes áreas da Índia deu o impulso inicial à produção e venda or-
ganizada de ópio. A Companhia das Índias Orientais obteve o monopólio da compra do ópio india-
no e depois vendeu licenças para mercadores selecionados, conhecidos como “mercadores nativos”.
Depois de vender ópio na China, esses mercadores depositavam a prata que recebiam por ele com
agentes da companhia em Cantão, em troca de cartas de crédito; a companhia, por sua vez, usava
a prata para comprar chá, porcelana e outros artigos que seriam vendidos na Inglaterra.
SPENCE, J. Em busca da China moderna. São Paulo: Cia. das Letras, 1996 (adaptado).

A análise das trocas comerciais citadas permite interpretar as relações de poder que foram estabe-
lecidas. A partir desse pressuposto, o processo sócio-histórico identificado no texto é
a) a expansão político-econômica de países do Oriente, iniciada nas últimas décadas do século XX.
b) a consolidação do cenário político entreguerras, na primeira metade do século XX.
c) o colonialismo europeu, que marcou a expansão europeia no século XV.
d) o imperialismo, cujo ápice ocorreu na segunda metade do século XIX.
e) as libertações nacionais, ocorridas na segunda metade do século XX.

1
2. Em 1937, Guernica, na Espanha, foi bombardeada sob o comando da força aérea da Alemanha na-
zista, que apoiou os franquistas durante a Guerra Civil Espanhola (1936-1939).

185
A pintura-mural de Picasso e a fotografia re- O cenário vivenciado pela população negra,
tratam os efeitos do bombardeio, ressaltan- no sul dos Estados Unidos nos anos 1950,
do, respectivamente: conduziu à mobilização social. Nessa época,
a) Crítica social – conformismo político. surgiram reivindicações que tinham como
b) Percepção individual – registro histórico. expoente Martin Luther King e objetivavam:
a) a conquista de direitos civis para a popula-
c) Realismo acrítico – idealização romântica.
ção negra.
d) Sofrimento humano – destruição material. b) o apoio aos atos violentos patrocinados pe-
e) Objetividade artística – subjetividade jorna- los negros em espaço urbano.
lística. c) a supremacia das instituições religiosas em
meio à comunidade negra sulista.
1
3. (Enem) d) a incorporação dos negros no mercado de
trabalho.
e) a aceitação da cultura negra como represen-
tante do modo de vida americano.

1
5. (ENEM) A Idade Média é um extenso período
da História do Ocidente cuja memória é cons-
truída e reconstruída segundo as circunstân-
cias das épocas posteriores. Assim, desde o
Renascimento, esse período vem sendo alvo
de diversas interpretações que dizem mais
sobre o contexto histórico em que são produ-
zidas do que propriamente sobre o Medievo.
Um exemplo acerca do que está exposto no
texto acima é:
a) a associação que Hitler estabeleceu entre o III
Reich e o Sacro Império Romano Germânico.
b) o retorno dos valores cristãos medievais,
Com sua entrada no universo dos gibis, o presentes nos documentos do Concílio Vati-
Capitão chegaria para apaziguar a agonia, o cano II.
autoritarismo militar e combater a tirania. c) a luta dos negros sul-africanos contra o
Claro que, em tempos de guerra, um gibi de apartheid inspirada por valores dos primei-
um herói com uma bandeira americana no ros cristãos.
peito aplicando um sopapo no Furer só pode- d) o fortalecimento político de Napoleão Bo-
naparte, que se justificava na amplitude de
ria ganhar destaque, e o sucesso não demo-
poderes que tivera Carlos Magno.
raria muito a chegar. e) a tradição heroica da cavalaria medieval, que
COSTA, C. Capitão América, o primeiro vingador: foi afetada negativamente pelas produções
crítica. Disponível em: www.revistastart.com.
cinematográficas de Hollywood.
br. Acesso em: 27 jan. 2012 (adaptado).

A capa da primeira edição norte-americana 1


6. (Enem) No mundo árabe, países governados
da revista do Capitão América demonstra sua há décadas por regimes políticos centraliza-
associação com a participação dos Estados dores contabilizam metade da população com
Unidos na luta contra: menos de 30 anos; desses, 56% têm acesso à
a) a Tríplice Aliança, na Primeira Guerra Mundial. internet. Sentindo-se sem perspectivas de
b) os regimes totalitários, na Segunda Guerra futuro e diante da estagnação da economia,
Mundial. esses jovens incubam vírus sedentos por mo-
c) o poder soviético, durante a Guerra Fria. dernidade e democracia. Em meados de de-
d) o movimento comunista, na Segunda Guerra zembro, um tunisiano de 26 anos, vendedor
do Vietnã. de frutas, põe fogo no próprio corpo em pro-
e) o terrorismo internacional, após 11 de se- testo por trabalho, justiça e liberdade. Uma
tembro de 2001. série de manifestações eclode na Tunísia e,
como uma epidemia, o vírus libertário come-
1
4. (Enem) Nós nos recusamos a acreditar que o ça a se espalhar pelos países vizinhos, der-
banco da justiça é falível. Nós nos recusamos rubando em seguida o presidente do Egito,
a acreditar que há capitais insuficientes de Hosni Mubarak. Sites e redes sociais – como
oportunidade nesta nação. Assim nós viemos o Facebook e o Twitter – ajudaram a mobili-
trocar este cheque, um cheque que nos dará zar manifestantes do norte da África a ilhas
o direito de reclamar as riquezas de liberda- do Golfo Pérsico.
de e a segurança da justiça. SEQUEIRA, C. D.; VILLAMÉA, L. A epidemia da Liberdade.
KING Jr., M. L. Eu tenho um sonho, 28 ago. Isto é Internacional. 2 mar. 2011 (adaptado).
1963. Disponível em: www.palmares.gov.
br. Acesso em: 30 nov. 2011 (adaptado).

186
Considerando os movimentos políticos men- 1
8.
cionados no texto, o acesso à internet permi-
tiu aos jovens árabes:
a) reforçar a atuação dos regimes políticos
existentes.
b) tomar conhecimento dos fatos sem se envolver.
c) manter o distanciamento necessário à sua
segurança.
d) disseminar vírus capazes de destruir progra-
mas dos computadores.
e) difundir ideias revolucionárias que mobiliza-
ram a população.
O cartum, publicado em 1932, ironiza as
consequências sociais das constantes prisões
1
7. O ano de 1968 ficou conhecido pela eferves-
de Mahatma Gandhi pelas autoridades britâ-
cência social, tal como se pode comprovar
nicas, na Índia, demonstrando:
pelo seguinte trecho, retirado de texto sobre a) a ineficiência do sistema judiciário inglês no
propostas preliminares para uma revolução território indiano.
cultural: “É preciso discutir em todos os lu- b) o apoio da população hindu a prisão de Gan-
gares e com todos. O dever de ser responsável dhi.
e pensar politicamente diz respeito a todos, c) o caráter violento das manifestações hindus
não é privilégio de uma minoria de iniciados. frente à ação inglesa.
Não devemos nos surpreender com o caos das d) a impossibilidade de deter o movimento li-
ideias, pois essa é a condição para a emergên- derado por Gandhi.
cia de novas ideias. Os pais do regime devem e) a indiferença das autoridades britânicas
compreender que autonomia não é uma pala- frente ao apelo popular hindu.
vra vã; ela supõe a partilha do poder, ou seja,
a mudança de sua natureza. Que ninguém 1
9. TEXTO I
tente rotular o movimento atual; ele não tem A Europa entrou em estado de exceção, per-
etiquetas e não precisa delas”. sonificado por obscuras forças econômicas
Journal de la comune étudiante. Textes ET sem rosto ou localização física conhecida
documents. Paris: Seuil, 1969 (adaptado).
que não prestam contas a ninguém e se es-
Os movimentos sociais, que marcaram o ano palham pelo globo por meio de milhões de
de 1968: transações diárias no ciberespaço.
a) foram manifestações desprovidas de cono- ROSSI, C. Nem fim do mundo nem mundo novo.
Folha de S.Paulo, 11 dez. 2011 (adaptado).
tação política, que tinham o objetivo de
questionar a rigidez dos padrões de compor- TEXTO II
tamento social fundados em valores tradi-
cionais da moral religiosa. Estamos imersos numa crise financeira como
b) restringiram-se às sociedades de países de- nunca tínhamos visto desde a Grande Depres-
senvolvidos, onde a industrialização avança- são iniciada em 1929 nos Estados Unidos.
da, a penetração dos meios de comunicação Entrevista de George Soros. Disponível em: www.
nybooks.com. Acesso em: 17 ago. 2011 (adaptado).
de massa e a alienação cultural que deles
resultava eram mais evidentes. A comparação entre os significados da atual
c) resultaram no fortalecimento do conser- crise econômica e do crash de 1929 oculta a
vadorismo político, social e religioso que principal diferença entre essas duas crises,
prevaleceu nos países ocidentais durante as pois:
décadas de 70 e 80. a) o crash da Bolsa em 1929 adveio do envolvi-
d) tiveram baixa repercussão no plano político, mento dos EUA na I Guerra Mundial e a atual
apesar de seus fortes desdobramentos nos crise é o resultado dos gastos militares desse
planos social e cultural, expressos na mu- país nas guerras do Afeganistão e Iraque.
dança de costumes e na contracultura. b) a crise de 1929 ocorreu devido a um qua-
e) inspiraram futuras mobilizações, como o dro de superprodução industrial nos EUA e
pacifismo, o ambientalismo, a promoção da a atual crise resultou da especulação finan-
equidade de gêneros e a defesa dos direitos ceira e da expansão desmedida do crédito
das minorias. bancário.
c) a crise de 1929 foi o resultado da concorrên-
cia dos países europeus reconstruídos após
a I Guerra e a atual crise se associa à emer-
gência dos BRICS como novos concorrentes
econômicos.

187
d) o crash da Bolsa em 1929 resultou do exces- 2
2. Rua Preciados, seis da tarde. Ao longe, a
so de proteções ao setor produtivo estadu- massa humana que abarrota a Praça Puerta
nidense e a atual crise tem origem na inter- Del Sol, em Madri, se levanta. Um grupo de
nacionalização das empresas e no avanço da garotas, ao ver a cena, corre em direção à
política de livre mercado. multidão. Milhares de pessoas fazem ressoar
e) a crise de 1929 decorreu da política inter-
o slogan: “Que não, que não, que não nos re-
vencionista norte-americana sobre o sistema
de comércio mundial e a atual crise resultou presentem”. Um garoto fala pelo megafone:
do excesso de regulação do governo desse “Demandamos submeter a referendo o res-
país sobre o sistema monetário. gate bancário”.
RODRÍGUEZ, O. “Puerta Del Sol, o grande alto-falante”.
Brasil de Fato, São Paulo, 26 maio-1 jun. 2011 (adaptado).
20. A bandeira da Europa não é apenas o símbo-
lo da União Europeia, mas também da uni- Em 2011, o acampamento dos Indignados
dade e da identidade da Europa em sentido espanhóis expressou todo o descontenta-
mais lato. O círculo de estrelas douradas re-
mento político da juventude europeia. Que
presenta a solidariedade e a harmonia entre
proposta sintetiza o conjunto de reivindica-
os povos da Europa.
ções políticas destes jovens?
Disponível em: http://europa.eu/index_pt.htm.
a) Voto universal.
Acesso em: 29 abr. 2010 (adaptado).
b) Democracia direta.
A que se pode atribuir a contradição intrín- c) Pluralidade partidária.
seca entre o que propõe a bandeira da Eu- d) Autonomia legislativa.
ropa e o cotidiano vivenciado pelas nações e) Imunidade parlamentar.
integrantes da União Europeia?
a) Ao contexto da década de 1930, no qual a 2
3. A participação da África na Segunda Guerra
bandeira foi forjada e em que se pretendia Mundial deve ser apreciada sob a ótica da
a fraternidade entre os povos traumatizados escolha entre vários demônios. O seu enga-
pela Primeira Guerra Mundial. jamento não foi um processo de colaboração
b) Ao fato de que o ideal de equilíbrio implícito com o imperialismo, mas uma luta contra uma
na bandeira nem sempre se coaduna com os forma de hegemonia ainda mais perigosa.
conflitos e rivalidades regionais tradicionais.
MAZRUI, A. “Procurai primeiramente o reino do político...”
c) Ao fato de que Alemanha e Itália ainda são In: MAZRUI, A., WONDJI, C. (Org.). História geral da
vistas com desconfiança por Inglaterra e África: África desde 1925. Brasília: Unesco, 2010.
França mesmo após décadas do final da Se-
gunda Guerra Mundial. Para o autor, a “forma de hegemonia” é uma
d) Ao fato de que a bandeira foi concebida por de suas características que explicam o enga-
portugueses e espanhóis, que possuem uma jamento dos africanos no processo analisado
convivência mais harmônica do que as de- foram:
mais nações europeias. a) comunismo / rejeição da democracia liberal.
e) Ao fato de que a bandeira representa as b) capitalismo / devastação do ambiente natural.
aspirações religiosas dos países de vocação c) fascismo / adoção do determinismo biológico.
católica, contrapondo-se ao cotidiano das d) socialismo / planificação da economia nacional.
nações protestantes. e) colonialismo / imposição da missão civilizatória.
21. As Brigadas Internacionais foram unidades 2
4. Tendo encarado a besta do passado olho no
de combatentes formadas por voluntários de olho, tendo pedido e recebido perdão e ten-
53 nacionalidades dispostos a lutar em de- do feito correções, viremos agora a página
fesa da República espanhola. Estima-se que – não para esquecê-lo, mas para não deixá-lo
cerca de 60 mil cidadãos de várias partes do aprisionar-nos para sempre. Avancemos em
mundo – incluindo 40 brasileiros – tenham direção a um futuro glorioso de uma nova
se incorporado a essas unidades. Apesar de
sociedade sul-africana, em que as pessoas
coordenadas pelos comunistas, as Brigadas
valham não em razão de irrelevâncias bioló-
contaram com membros socialistas, liberais
gicas ou de outros estranhos atributos, mas
e de outras correntes político-ideológicas.
porque são pessoas de valor infinito criadas
SOUZA, I. I. A Guerra Civil Europeia.
História Viva, n. 70, 2009 (fragmento). à imagem de Deus.
Desmond Tutu, no encerramento da Comissão da Verdade
A Guerra Civil Espanhola expressou as dispu- na África do Sul. Disponível em: http://td.camara.
leg.br. Acesso em: 17 dez. 2012 (adaptado).
tas em curso na Europa na década de 1930. A
perspectiva política comum que promoveu a No texto, relaciona-se a consolidação da democra-
mobilização descrita foi o(a): cia na África do Sul à superação de um legado:
a) crítica ao stalinismo. a) populista, que favorecia a cooptação de dis-
b) combate ao fascismo. sidentes políticos.
c) rejeição ao federalismo. b) totalitarista, que bloqueava o diálogo com
d) apoio ao corporativismo. os movimentos sociais.
e) adesão ao anarquismo.
188
c) segregacionista, que impedia a universaliza- 2
7.
ção da cidadania.
d) estagnacionista, que disseminava a pauperi-
zação social.
e) fundamentalista, que engendrava conflitos
religiosos.

2
5. A política foi, inicialmente, a arte de impedir
as pessoas de se ocuparem do que lhes diz res-
peito. Posteriormente, passou a ser a arte de
compelir as pessoas a decidirem sobre aquilo
de que nada entendem.
VALÉRY, P. Cadernos. Apud BENEVIDES, M. V. M.
A cidadania ativa. São Paulo: Ática, 1996.

Nessa definição, o autor entende que a histó-


ria da política está dividida em dois momen- No nazismo, a propaganda foi imensamente
tos principais: um primeiro, marcado pelo utilizada para a campanha da política nazis-
autoritarismo excludente, e um segundo, ca- ta. A propaganda acima tem como objetivo:
racterizado por uma democracia incompleta. a) Ressaltar o arianismo como raça superior
Considerando o texto, qual é o elemento comum b) Salientar a campanha nazista contra o comu-
a esses dois momentos da história política? nismo
a) A distribuição equilibrada do poder. c) Promover a democracia, sendo colocada a
b) O impedimento da participação popular. ideia de igualdade
c) O controle das decisões por uma minoria. d) Defender a solução dos problemas da Alema-
d) A valorização das opiniões mais competentes. nha pelo viés militar, sendo todos na imagem
e) A sistematização dos processos decisórios. militares
e) Mostrar a organização e padronização nazista
2
6. (ENEM) Quatro olhos, quatro mãos e duas
2
8.
cabeças formam a dupla de grafiteiros “Os-
gemeos”. Eles cresceram pintando muros do
bairro Cambuci, em São Paulo, e agora têm
suas obras expostas na conceituada Deitch
Gallery, em Nova Iorque, prova de que o gra-
fite feito no Brasil é apreciado por outras
culturas. Muitos lugares abandonados e sem
manutenção pelas prefeituras das cidades
tornam-se mais agradáveis e humanos com
os grafites pintados nos muros. Atualmente,
instituições públicas educativas recorrem ao
grafite como forma de expressão artística, o
(Fonte: http://www.historialivre.com/
que propicia a inclusão social de adolescen- ontemporanea/conguerra1.htm)
tes carentes, demonstrando que o grafite é
considerado uma categoria de arte aceita e Após a primeira guerra, o tratado de Ver-
reconhecida pelo campo da cultura e pela so- salhes organizado pelas nações do bloco
ciedade local e internacional. vencedor impuseram diversas sansões aos
Disponível em: http://www.flickr.com. alemães, gerando mais tarde um revanchis-
Acesso em: 10 set. 2008 (adaptado). mo propulsor da segunda guerra mundial.
Foram também consequências da primeira
No processo social de reconhecimento de va- guerra mundial:
lores culturais, considera-se que: a) surgimento da Organização das Nações Uni-
a) grafite é o mesmo que pichação e suja a ci- das a partir do tratado de Versalhes, promo-
dade, sendo diferente da obra dos artistas. vendo a paz entre as nações
b) a população das grandes metrópoles depara- b) formação da Iugoslávia, criada após a resolu-
-se com muitos problemas sociais, como os ção dos conflitos balcânicos no fim da guerra
grafites e as pichações. c) declínio econômico dos Estados Unidos, que
c) atualmente, a arte não pode ser usada para utilizou grande parte de sua economia na
inclusão social, ao contrário do grafite. guerra
d) os grafiteiros podem conseguir projeção in- d) anexação da palestina e da síria ao império
ternacional, demonstrando que a arte do otomano, fortalecido e desmantelado após a
grafite não tem fronteiras culturais. segunda guerra mundial
e) lugares abandonados e sem manutenção e) a criação de um embargo econômico à Ale-
tornam-se ainda mais desagradáveis com a manha, proibindo os países europeus de co-
aplicação do grafite. mercializarem com a nação alemã

189
2
9.

A charge faz uma crítica as recentes ações da política externa norte-americana, usando como base
o histórico massacre de Hiroshima em 1945. Essa crítica se sustenta à medida que observamos
o[a]
a) antagonismo entre o fato histórico e os esforços da chamada guerra ao terror norte-americana.
b) alienação do jovem frente o enriquecimento dos países produtores de petróleo.
c) crítica do jovem em relação aos acontecimentos e a passividade do pai com o fato.
d) inconformismo do menino frente a comemoração do ataque a cidade de Hiroshima.
e) fracasso do sistema de ensino norte-americano que não investe em preservação da memória.

3
0.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Participa%C3%A7%C3%B5es_das_sele%C3%A7%C3%B5es_nacionais_na_Copa_do_Mundo_de_Futebol

A História da participação das seleções em torneios de Copa do Mundo de futebol pode ser usada
como fonte de análise da geopolítica mundial ao longo dos anos.
Os países presentes nesse quadro comparativo tiveram como fator determinante para as suas par-
ticipações nessa competição
a) a inabilidade dos participantes dessas seleções de futebol.
b) a falta de investimento no esporte como política de estado.
c) as disputas ligadas a bipolaridade geopolítica do pós-segunda guerra mundial.
d) os conflitos armados durante a primeira guerra mundial que marcaram a juventude local
e) as disputas militares na Europa após o desmantelamento dos grandes impérios.

Gabarito
1. A 2. B 3. A 4. C 5. B
6
. C 7. C 8. C 9. C 10. E
11. D 12. D 13. B 14. A 15. A
16. E 17. E 18. D 19. B 20. B
21. B 22. B 23. C 24. C 25. C
26. D 27. D 28. B 29. A 30. C

190
Aplicação dos conhecimentos - Sala
AULAS 5 E 6 Tema: Brasil colonial

Competência: 2 Habilidade: 8

Construção da habilidade: Dentro da competência 2, a habilidade 8 exige do candidato o en-


tendimento do papel dos Estados nacionais e grupos políticos na dinâmica de fluxos populacionais
pelo mundo e suas consequências para a esfera social e econômica, como na questão que cobra o
conhecimento das políticas econômicas do mercantilismo e suas consequências sociais decorrentes
da desumanização e o racismo na sociedade brasileira.

MODELO 1

Visitamos os depósitos de escravos no Rio e encontramos muitas centenas praticamente nus, e


parecendo objetos medonhos. Estavam sentados em bancos baixos ou amontoados no chão, e sua
aparência nos fez estremecer. A maioria daqueles que vimos eram crianças, e quase todos esses
meninos e meninas tinham sido marcados com ferro quente no peito, ou em outras partes do cor-
po. Devido a sujeira dos navios em que haviam sido trazidos e a má qualidade de sua dieta (carne
salgada, toucinho e feijão), tinham sido atacados por doenças cutâneas, que a princípio apareciam
em pequenas manchas e logo se transformavam em feridas extensas e corrosivas. Devido a fome
e a miséria, a pele havia perdido a sua aparência preta e lustrosa , e assim, com as manchas das
erupções esbranquiçadas e cabeças raspadas, com suas fisionomias estúpidas e pasmas, certamente
pareciam criaturas que dificilmente alguém gostaria de reconhecer como seu próximo. Para nosso
espanto, encontramos no Rio pessoa reputadas pela cultura e humanidade que friamente nos as-
seguraram que não deveríamos supor que os negros pertenciam a raça humana.
MOURA, Clóvis. Dicionário da escravidão negra no Brasil. Edusp, 2004.

O processo de desumanização da população negra africana, descrito no texto acima, pode ser en-
carado como consequência
a) da desunião entre os escravos dentro da sociedade brasileira que dificultava as relações econômicas.
b) do mercado europeu da época que era norteado pela política liberal iluminista na era contemporânea.
c) da falta de mão de obra assalariada nas colônias europeias na América que gerava a necessidade da
escravidão.
d) dos conflitos entre as civilizações europeias e americanas para obtenção de riquezas no continente
africano.
e) da mercantilização do mercado escravocrata do oceano atlântico e no interior das colônias europeias.

191
Tema: Primeiro reinado

Competência: 5 Habilidade: 21

Construção da habilidade: Dentro das competências da área 3 do Enem, a habilidade 11 exige


do aluno nessa questão a capacidade de relacionar a partir de uma fonte jornalística, a problematiza-
ção levantada com o contexto político da época.

MODELO 2

Nós não lembramos bem agora em qual dos diários ministeriais temos lido, que as declamações da
imprensa liberal estorvavam a marcha do ministério. Não duvidamos que seja verdade, e damos
por isto sinceros parabéns ao Brasil, pois sempre temos visto que as “declamações” da imprensa
liberal eram dirigidas constantemente a melhorar as instituições constitucionais, e a diminuir os
abusos e as violações que continuamente contra a constituição se praticavam...
BADARÓ, Líbero. Liberdade de Imprensa, 1826.

Líbero Badaró foi um jornalista, político e médico italiano que imigrou para o Brasil e se caracte-
rizou por ser um ferrenho crítico do autoritarismo de Dom Pedro I durante o Primeiro Reinado.
Ele sofreu um atentado a tiros em 20 de novembro de 1830, morrendo com as consequências dos
ferimentos, antes de morrer, fala-se que ele proclamou a frase “morre um liberal, mas não morre
a liberdade”. As investigações são direcionadas para a corte imperial, porém são finalizadas sem
maiores culpados só que servem para abalar ainda mais o Governo, que vivia um cenário de caos
em decorrência de inúmeros fatores, entre eles:
a) os gastos militares com a contenção das diversas revoltas regionais, tais como a Farroupilha e a
Balaiada.
b) a crise de governabilidade ocorrida após Dom Pedro descentralizar as ações políticas, o que gerou uma
crise institucional gravíssima.
c) a crise no seio do Exército Brasileiro, já consolidado no momento, e que clamava por uma participação
política mais ativa.
d) a política econômica voltada para o investimento estatal em infraestrutura para atrair capital externo,
o que não aconteceu.
e) uma postura extremamente centralizadora de Dom Pedro I, que reprimia firmemente opositores e re-
voltas, justificada em torno do poder moderador.

192
Tema: Segundo reinado

Competência: 3 Habilidade: 12

Construção da habilidade: Dentro das competências da área 3 do Enem, a habilidade 12 exige


que o candidato identifique corretamente os mecanismos legais e burocráticos da máquina adminis-
trativa do Estado, no contexto do Segundo Reinado.

MODELO 3

O Rei se diverte. O jogo de argolinhas – retratando o Imperador segurando os Partidos Conservador e Liberal em cada uma de suas
mãos (direita e esquerda, respectivamente). Caricatura de Cândido Aragonez de Faria para a revista O Mequetrefe (19/1/1978).

Com Dom Pedro II no poder, o Brasil vivenciou um período de grande estabilidade após as crises
institucionais que marcaram o período posterior a independência até o Golpe da Maioridade. Para
poder atingir uma governabilidade ideal em meios aos conflitos políticos entre liberais e conserva-
dores, o Imperador adotou algumas medidas no que diz respeito ao seio administrativo, que pode
ser bem observado na charge no(a):
a) modo como Dom Pedro II olha com mais entusiasmo para o Partido Liberal, simbolizando uma clara
preferência por este partido.
b) capacidade de Dom Pedro II de manejar o jogo político dicotômico de uma forma que promovesse uma
relativa tranquilidade entre os partidos da situação e oposição.
c) incapacidade de Dom Pedro II de dialogar com setores que não fossem dos Partidos Liberal e Conser-
vador, o que mostra um certo isolamento político.
d) estratégia imperial de conciliar os dois Partidos no poder ao mesmo tempo, fazendo com que o diálogo
entre esses predomine frente os embates.
e) no grande esforço da figura que movimenta a engrenagem na charge, que aponta para os altos custos
que essa situação trazia para o povo.

193
Tema: Primeira república

Competência: 1 Habilidade: 3

Construção da habilidade: Dentro da Competência da área 3 do Enem, a habilidade 13 exige do


aluno a capacidade de interpretar a atuação decisiva de setores da sociedade na disputa pelo poder
em períodos de transição política. Especificamente na questão, caracterizando o republicanismo brasi-
leiro que derrubou o Império e inaugurou a República no Brasil.

MODELO 4

No Brasil, os clubes republicanos radicais do fim da monarquia se diziam jacobinos por defender
as mesmas ideias dos franceses um século antes. Proclamada a República em 1889, cresceram
em número e espalharam-se pelo país, tornando-se o principal apoio político-militar de Floriano
Peixoto, vice-presidente que tomou posse na presidência com a renúncia de Deodoro da Fonseca
(SILVA, Beatriz Coelho. Jacobinismo. In: ABREU, Alzira Alves de el al (coords.).
Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro. Rio de Janeiro: CPDOC, 2010)

Abordado pelo texto acima, o movimento republicano, de decisivo papel na transição do regime
político no Brasil, caracteriza-se
a) pela homogeneidade ideológica, com o objetivo de derrubar a monarquia
b) pela ausência de participação civil e predominância do radicalismo jacobino
c) pela falta de um projeto coeso, apesar da alta popularidade entre os mais pobres
d) por sua proposta elitista, distante dos anseios tanto do povo, quanto do meio militar
e) por diferenças políticas internas e hegemonia de um modelo excludente de república

194
Tema: Principais revoltas

Competência: 1 Habilidade: 2

Construção da habilidade: Dentro da Competência de área 1 do Enem, a habilidade 02 exige do


aluno a capacidade de considerar o lugar da produção de narrativas a respeito dos processos históri-
cos, tendo como exemplo prático a letra do samba de enredo enquanto expressão de um discurso de
memória da Guerra de Canudos

MODELO 5

GRES Em Cima da Hora – 1976


Autor: Edeor de Paula
Marcado pela própria natureza
O Nordeste do meu Brasil
Oh! Solitário sertão
De sofrimento e solidão
A terra é seca
Mal se pode cultivar
Morrem as plantas e foge o ar
A vida é triste nesse lugar

“Sertanejo é forte
Supera a miséria sem fim
Sertanejo homem forte”
Dizia o poeta assim

Foi no século passado


No interior da Bahia
O homem revoltado com a sorte
Do mundo em que vivia
Ocultou-se no sertão espalhando a rebeldia
Se revoltando contra a lei que a sociedade oferecia

Os Jagunços lutaram
Até o final
Defendendo Canudos
Naquela guerra fatal
(Os Sertões, Edeor de Paula. Em Cima da Hora, 1976)

Dentre os aspectos envolvidos no processo da Insurreição de Canudos, a letra do samba-enredo em


questão destaca:
a) a concentração fundiária no interior e a difusão de ideais republicanos pelos insurgentes
b) as constantes secas no Nordeste e a revolta popular frente à realidade social
c) o fanatismo religioso da revolta e a reação do poder central em defesa da liberdade de culto
d) o igualitarismo marxista da Campanha e a repressão contra o perigo vermelho expresso nos rebeldes
e) a desigualdade regional do país e a irrelevante atuação da população contra o poderio militar da Re-
pública da Espada

195
Raio X - Análise Expositiva
1.
O tráfico negreiro intercontinental e intracolonial, promovido pelos europeus, obedecia a lógica
mercantilista de balança comercial favorável. A partir dessa lógica o escravo passou a ser tratado
como mercadoria tirando a sua humanidade, até mesmo dos processos legais.
2.
O imperador Dom Pedro II teve um governo muito conturbado, e contava com a forte oposição de
diversos segmentos sociais, como por exemplo, liberais. As críticas a administração do Imperador
se direcionavam em muitos casos ao seu caráter autoritário e extremamente centralizador, que foi
legitimado pela institucionalização do poder moderador na Constituição de 1824.
3.
Dom Pedro II assumiu com a difícil missão de estabilizar o Brasil após períodos conturbados, e
nesse sentido, ele adota uma série de mecanismos visando promover um cenário de maior tran-
quilidade política. Um claro exemplo é a política de alternância de gabinetes, na qual, o Imperador
literalmente alternava liberais e conservadores no poder.
4.
O movimento republicano, do final do século XIX, possuía projetos distintos política e simbolica-
mente, que se expressaram mais destacadamente em três grupos: positivistas, liberais e jacobinos.
O modelo que vigorou durante a Primeira República foi de reduzida inclusão política da população.
5.
A letra do samba “Os sertões”, inspirada na obra homônima de Euclides da Cunha, exalta o hero-
ísmo dos sertanejos e expressa uma linha interpretativa a respeito da Campanha de Canudos. As
desigualdades sociais no campo e as secas do Nordeste são ressaltadas aqui enquanto elementos
ligados ao contexto da Revolta, ocorrida durante Primeira República; período marcado pelo predo-
mínio das oligarquias rurais.

Gabarito
1. E 2. E 3. B 4. E 5. B

196
Prescrição: As questões abaixo abordam o amplo período que se estende entre a Colônia à
República Oligárquica, utilizando-se de textos, mapas e figuras. O fundamental é atentar-se aos
enunciados e ao conteúdo apresentado. Há um enfoque claro do Enem nas principais revoltas e
reivindicações do período.

Prática dos conhecimentos - E.O.


1. (Enem) É hoje a nossa festa nacional. O Brasil brasileiro, a sua particularidade decorreu da
inteiro, da capital do Império a mais remota a) ordenação de um pacto que reconheceu os
e insignificante de suas aldeolas, congrega-se direitos políticos aos homens, independen-
unânime para comemorar o dia que o tirou temente de cor, sexo ou religião.
dentre as nações dependentes para colocá-lo b) estruturação de uma sociedade que adotou
entre as nações soberanas, e entregou-lhe os os privilégios de nascimento como critério
seus destinos, que até então haviam ficado a de hierarquização social.
cargo de um povo estranho. c) realização de acordos entre as elites regio-
Gazeta de Notícias, 7 set. 1883. nais, que evitou confrontos armados contrá-
rios ao projeto luso-brasileiro.
As festividades em torno da Independência d) concessão da autonomia política regional,
do Brasil marcam o nosso calendário desde que atendeu aos interesses socioeconômicos
os anos imediatamente posteriores ao 7 de dos grandes proprietários.
setembro de 1822. Essa comemoração está e) Afirmação de um regime constitucional mo-
diretamente relacionada com nárquico que garantiu a ordem associada à
a) a construção e manutenção de símbolos para permanência da escravidão.
a formação de uma identidade nacional.
b) o domínio da elite brasileira sobre os prin- 3. (Enem) Áreas em estabelecimento de ati-
cipais cargos políticos, que se efetivou logo vidades econômicas sempre se colocaram
após 1882. como grande chamariz. Foi assim no litoral
c) os interesses de senhores de terras que, após nordestino, no início da colonização, com o
a Independência, exigiram a abolição da es- pau-brasil, a cana-de-açúcar, o fumo, as pro-
cravidão. duções de alimentos e o comércio. O enri-
d) o apoio popular às medidas tomadas pelo quecimento rápido exacerbou o espírito de
governo imperial para a expulsão de estran- aventura do homem moderno.
geiros do país. FARIAS, S. C. A Colônia em movimento. Rio de
e) a consciência da população sobre os seus Janeiro: Nova Fronteira, 1998 (adaptado).
direitos adquiridos posteriormente à trans-
ferência da Corte para o Rio de Janeiro. O processo descrito no texto trouxe como
efeito o(a)
a) acumulação de capitais na Colônia, propi-
2. (Enem) É simplesmente espantoso que esses
núcleos tão desiguais e tão diferentes se te- ciando a criação de um ambiente intelectual
nham mantido aglutinados numa só nação. efervescente.
Durante o período colonial, cada um deles b) surgimento de grandes cidades coloniais,
teve relação direta com a metrópole. Ocorreu voltadas para o comércio e com grande con-
o o extraordinário, fizemos um povo-nação, centração monetária.
englobando todas aquelas províncias ecológi- c) concentração da população na região litorâ-
cas numa só entidade cívica e política. nea, pela facilidade de escoamento da pro-
RIBEIRO, D. O povo brasileiro: formação e sentido dução.
do Brasil. São Paulo: Cia. das Letras, 1988. d) favorecimento dos naturais da Colônia na
concessão de títulos de nobreza e fidalguia
Após a conquista da autonomia, a questão pela Monarquia.
primordial do Brasil residia em como garan- e) construção de relações de trabalho menos
tir sua unidade político-territorial diante desiguais que as da Metrópole, inspiradas
das características e práticas herdadas da pelo empreendedorismo.
colonização. Relacionando o projeto de inde-
pendência à construção do Estado nacional

197
4. (Enem) A vinda da família real deslocou de- 6. (Enem) TEXTO I
finitivamente o eixo da vida administrativa
Já existe, em nosso país, uma consciência
da Colônia para o Rio de Janeiro, mudando
nacional que vai introduzindo o elemento
também a fisionomia da cidade. A presença
da dignidade humana em nossa legislação,
da Corte implicava uma alteração do acanha-
e para qual a escravidão é uma verdadeira
do cenário urbano da Colônia, mas a marca do
mancha. Essa consciência resulta da mistura
absolutismo acompanharia a alteração.
de duas correntes diversas: o arrependimen-
FAUSTO, B. História do Brasil. São Paulo:
Edusp, 1995 (fragmento). to dos descendentes de senhores e a afinida-
de de sofrimento dos herdeiros de escravos.
As transformações ocorridas na cidade do NABUCO, J. O abolicionismo. Disponível em www.
Rio de Janeiro em decorrência da presença dominiopublico.gov.br. Acesso em 12 out 2011 (adaptado)
da Corte estavam limitadas à superfície das
estruturas sociais porque TEXTO II
a) a pujança do desenvolvimento comercial e Joaquim Nabuco era bom de marketing.
industrial retirava da agricultura de expor- Como verdadeiro estrategista, soube traba-
tação a posição de atividade econômica cen- lhar nos bastidores para impulsionar a cam-
tral na Colônia. panha abolicionista, utilizando com maestria
b) a expansão das atividades econômicas e o a imprensa de sua época. Criou repercussão
desenvolvimento de novos hábitos convi- internacional para a causa abolicionista, pu-
viam com a exploração do trabalho escravo. blicando em jornais estrangeiros lidos e res-
c) a emergência das práticas liberais, com a peitados pelas elites brasileiras. Com isso,
abertura dos portos, impedia uma renovação a campanha ganhou vulto e a escravidão se
política em prol da formação de uma socie- tornou um constrangimento, uma vergonha
dade menos desigual. nacional, caminhando assim para o seu fim.
d) a integração das elites políticas regionais, COSTA e SILVA, P. “Um abolicionista bom de
sob a liderança do Rio de Janeiro, ensejava a marketing”. Disponível em www.revistadehistoria.
formação de um projeto político separatista com.br. Acesso em 27 de jan. 2012 (adaptado)
de cunho republicano.
e) a dinamização da economia urbana retar- Segundo Joaquim Nabuco, a solução do problema
escravista no Brasil ocorreria como resultado da:
dava o letramento de mulatos e imigrantes,
importante para as necessidades do trabalho a) Evolução moral da sociedade.
na cidade. b) Vontade política do Imperador.
c) Atuação isenta da Igreja Católica.
5. (Enem) A cessação do tráfico lançou sobre d) Ineficácia econômica do trabalho escravo.
a escravidão uma sentença definitiva. Mais e) Implantação nacional do movimento repu-
cedo ou mais tarde estaria extinta, tanto mais blicano.
quanto os índices de natalidade entre os es-
cravos eram extremamente baixos e os de
7. (Enem) O movimento abolicionista, que le-
mortalidade, elevados. Era necessário melho-
vou à libertação dos escravos pela Lei Áu-
rar as condições de vida da escravaria exis-
rea em 13 de maio de 1888, foi a primeira
tente e, ao mesmo tempo, pensar numa outra
campanha de dimensões nacionais com par-
solução para o problema da mão de obra.
ticipação popular. Nunca antes tantos bra-
COSTA, E. V. Da Monarquia à República: momentos
decisivos. São Paulo: Unesp, 2010. sileiros se haviam mobilizado de forma tão
intensa por uma causa comum, nem mesmo
Em 1850, a Lei Eusébio de Queirós determi- durante a Guerra do Paraguai. Envolvendo
nou a extinção do tráfico transatlântico de todas as regiões e classes sociais, carregou
cativos e colocou em evidência o problema multidões a comícios e manifestações públi-
da falta de mão de obra para a lavoura. Para cas e mudou de forma dramática as relações
os cafeicultores paulistas, a medida que re- políticas e sociais que até então vigoravam
presentou uma solução efetiva desse proble- no país.
ma foi o (a) GOMES, L. 1889. São Paulo: Globo, 2013 (adaptado).
a) valorização dos trabalhadores nacionais li-
vres. O movimento social citado teve como seu
b) busca por novas fontes fornecedoras de cati- principal veículo de propagação o(a)
vos. a) imprensa escrita.
c) desenvolvimento de uma economia urbano- b) oficialato militar.
-industrial. c) corte palaciana.
d) incentivo à imigração europeia. d) clero católico.
e) escravização das populações indígenas. e) câmara de representantes.

198
8. (Enem) Enfermo a 14 de novembro, na se- 1
0. (Enem) Art. 1º – O estrangeiro que, por
gunda-feira o velho Lima voltou ao trabalho, qualquer motivo, comprometer a segurança
ignorando que no entretempo caíra o regi- nacional ou a tranquilidade pública, pode
me. Sentou-se e viu que tinham tirado da ser expulso de parte ou de todo o território
parede a velha litografia representando D. nacional.
Pedro de Alcântara. Como na ocasião passas- Art. 2º – São também causas bastantes para
se um contínuo, perguntou-lhe: a expulsão:
– Por que tiraram da parede o retrato de Sua 1ª) a condenação ou processo pelos tribunais
Majestade? estrangeiros por crimes ou delitos de na-
O contínuo respondeu, num tom lentamente tureza comum;
desdenhoso: 2ª) duas condenações, pelo menos, pelos tri-
– Ora, cidadão, que fazia ali a figura do Pe- bunais brasileiros, por crimes ou delitos
dro Banana? de natureza comum;
– Pedro Banana! – repetiu raivoso o velho 3ª) a vagabundagem, a mendicidade e o le-
Lima. nocínio competentemente verificados.
E, sentando-se, pensou com tristeza: BRASIL. Lei 1.641, de 7 de janeiro de 1907.
– Não dou três anos para que isso seja uma Disponível em: www2.camara.leg.br.
Acesso em: 29 ago. 2012 (adaptado).
República!
AZEVEDO, A. Vidas alheias. No início do século XX, na transição do tra-
Porto Alegre, s.e, 1901 (adaptado).
balho escravo para o livre, os objetivos da
A crônica de Artur Azevedo, retratando os legislação citada eram
dias imediatos à instauração da República a) disciplinar o trabalhador e evitar sua partici-
no Brasil, refere-se ao(à) pação em movimentos políticos contrários ao
a) ausência de participação popular no proces- governo.
so de queda da Monarquia. b) estabelecer as condições para a vinda dos
b) tensão social envolvida no processo de ins- imigrantes e definir as regiões que seriam
tauração do novo regime. ocupadas.
c) mobilização de setores sociais na restaura- c) demonstrar preocupação com as condições de
ção do antigo regime. trabalho e favorecer a organização sindical.
d) temor dos setores burocráticos com o novo d) criar condições políticas para a imigração e
regime. isolar os imigrantes socialmente indesejáveis.
e) estimular o trabalho urbano e disciplinar as
e) demora na consolidação do novo regime.
famílias estrangeiras nas fábricas.
9. (Enem) As camadas dirigentes paulistas na 1
1. (Enem) Na primeira década do século XX,
segunda metade do século XIX recorriam à reformar a cidade do Rio de Janeiro passou
história e à figura dos bandeirantes. Para os a ser o sinal mais evidente da modernização
paulistas, desde o início da colonização, os que se desejava promover no Brasil. O pon-
habitantes de Piratininga (antigo nome de to culminante do esforço de modernização
São Paulo) tinham sido responsáveis pela se deu na gestão do prefeito Pereira Passos,
ampliação do território nacional, enrique- entre 1902 e 1906. “O Rio civilizava-se” era
cendo a metrópole portuguesa com o ouro e frase célebre à época e condensava o esfor-
expandindo suas possessões. Graças à inte- ço para iluminar as vielas escuras e esbu-
gração territorial que promoveram, os ban- racadas, controlar as epidemias, destruir os
deirantes eram tidos ainda fundadores da cortiços e remover as camadas populares do
unidade nacional. Representavam a lealdade centro da cidade.
à província de São Paulo e ao Brasil. OLIVEIRA, L. L. Sinais de modernidade na Era Vargas: vida
ABUD, K. M. Paulistas, uni-vos! Revista de História da literária, cinema e rádio. In: FERREIRA, J.; DELGADO, L. A.
Biblioteca Nacional, n. 34, 1 jul. 2008 (adaptado). (Org.). O tempo do nacional-estatismo: do início ao apogeu
do Estado Novo. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007.
No período da história nacional analisado, a
estratégia descrita tinha como objetivo O processo de modernização mencionado no
a) promover o pioneirismo industrial pela subs- texto trazia um paradoxo que se expressava
tituição de importações. no(a)
b) questionar o governo regencial após a des- a) substituição de vielas por amplas avenidas.
centralização administrativa. b) impossibilidade de se combaterem as doen-
c) recuperar a hegemonia perdida com o fim da ças tropicais.
c) ideal de civilização acompanhado de margi-
política do café com leite.
nalização.
d) aumentar a participação política em função d) sobreposição de padrões arquitetônicos in-
da expansão cafeeira. compatíveis.
e) legitimar o movimento abolicionista durante e) projeto de cidade incompatível com a rugo-
a crise do escravismo. sidade do relevo.

199
1
2. (Enem) TEXTO III
Eu mesmo me apresento: sou Antônio:
sou Antônio Vicente Mendes Maciel
(provim da batalha de Deus versus demônio
Com a res publica marca de Caim).
Moisés, do Êxodo ao Deuteronômio,
Sou natural de Quixeramobim,
O Antônio Conselheiro deste chão
Que vai ser mar e o mar vai ser sertão.
ACCIOLY, M. Antônio Conselheiro. In: FERNANDES,
R. (Org.). O clarim e a oração: cem anos de Os
sertões. São Paulo: Geração Editorial, 2001.

O poema, escrito em 2001, contribui para a


construção de uma determinada memória
sobre o movimento de Canudos, ao retratar A análise dos documentos apresentados de-
seu líder como monstra que o cenário artístico brasileiro no
a) crítico do regime político recém-proclama- primeiro quartel do século XX era caracteri-
do. zado pelo(a)
b) partidário da abolição da escravidão. a) domínio do academicismo, que dificulta
c) contrário à distribuição da terra para os hu- a recepção da vertente realista na obra de
mildes. Anita Malfatti.
d) defensor da autonomia política dos municí- b) dissonância entre as vertentes artísticas,
pios. que divergiam sobre a validade do modelo
e) porta-voz do catolicismo ortodoxo romano. estético europeu.
c) exaltação da beleza e da rigidez da forma,
que justificavam a adaptação da estética eu-
1
3. (Enem) TEXTO 1 ropeia à realidade brasileira.
Embora eles, artistas modernos, se deem d) impacto de novas linguagens estéticas, que
como novos precursores duma arte a ir, nada alteravam o conceito de arte e abasteciam a
busca por uma produção artística nacional.
é mais velho que a arte anormal. De há mui-
e) influência dos movimentos artísticos euro-
tos já que a estudam os psiquiatras em seus peus de vanguarda, que levava os modernis-
tratados, documentando-se nos inúmeros tas a copiarem suas técnicas e temáticas.
desenhos que ornam as paredes internas dos
manicômios. Essas considerações são provo- 1
4. (Enem) Em geral, os nossos tupinambás fi-
cadas pela exposição da Sra. Malfatti. Sejam caram admirados ao ver os franceses e os
sinceros: futurismo, cubisrno, impressionis- outros dos países longínquos terem tanto
mo e tutti quanti não passam de outros tan- trabalho para buscar o seu arabotã, isto é,
tos ramos da arte caricatural. pau-brasil.
LOBATO, M. Paranoia ou mistificação: a propósito Houve uma vez um ancião da tribo que me fez
da exposição de Anita Malfatti. O Estado de esta pergunta: “Por que vindes vós outros,
São Paulo, 20 dez.1917 (adaptado). mairs e pêros (franceses e portugueses),
buscar lenha de tão longe para vos aquecer?
TEXTO II Não tendes madeira em vossa terra?”
LÉRY, J. Viagem à Terra do Brasil. In: FERNANDES, F.
Anita Malfatti, possuidora de uma afta cons-
Mudanças Sociais no Brasil. São Paulo: Difel, 1974.
ciência do que faz, a vibrante artista não
temeu levantar com os seus cinquenta tra- O viajante francês Jean de Léry (1534-1611)
balhos as mais irritadas opiniões e as mais reproduz um diálogo travado, em 1557, com
contrariantes hostilidades. As suas telas um ancião tupinambá, o qual demonstra
chocam o preconceito fotográfico que ge- uma diferença entre a sociedade europeia e
ralmente se leva no espírito para as nossas a indígena no sentido:
exposições de pintura. Na arte, a realidade a) do destino dado ao produto do trabalho nos
na ilusão é o que todos procuram. E os na- seus sistemas culturais.
turalistas mais perfeitos são os que melhor b) da preocupação com a preservação dos re-
conseguem iludir. cursos ambientais.
ANDRADE. O. A exposição Anita Malfatti. Jornal c) do interesse de ambas em uma exploração
do Commercio, 11 jan. 1918 (adaptado). comercial mais lucrativa do pau-brasil.
d) da curiosidade, reverência e abertura cultu-
ral recíprocas.
e) da preocupação com o armazenamento de
madeira para os períodos de inverno.

200
1
5. (Enem) A experiência que tenho de lidar 1
7. (Enem)
com aldeias de diversas nações me tem feito
ver, que nunca índio fez grande confiança de
branco e, se isto sucede com os que estão já-
civilizados, como não sucederá o mesmo com
esses que estão ainda brutos.
NORONHA, M. Carta a J. Caldeira Brant. 2 jan. 1751. Apud
CHAIM, M. M. Aldeamentos indígenas (Goiás: 1749-1811).
São Paulo: Nobel, Brasília: INL, 1983 (adaptado).

Noronha, que atendeu às diretrizes da políti-


ca indigenista pombalina que incentivava a
criação de aldeamentos em função:
a) das constantes rebeliões indígenas contra
os brancos colonizadores, que ameaçavam a
produção de ouro nas regiões mineradoras.
b) da propagação de doenças originadas do A imagem retrata uma cena da vida cotidiana
contato com os colonizadores, que dizima- dos escravos urbanos no início do século XIX.
ram boa parte da população indígena. Lembrando que as atividades desempenha-
c) do empenho das ordens religiosas em prote- das por esses trabalhadores eram diversas,
ger o indígena da exploração, o que garantiu os escravos de aluguel representados na pin-
a sua supremacia na administração colonial. tura:
d) da política racista da Coroa Portuguesa, con- a) vendiam a produção da lavoura cafeeira para
trária à miscigenação, que organizava a so- os moradores das cidades.
ciedade em uma hierarquia dominada pelos b) trabalhavam nas casas de seus senhores e
brancos. acompanhavam as donzelas na rua.
e) da necessidade de controle dos brancos so- c) realizavam trabalhos temporários em troca
bre a população indígena, objetivando sua de pagamento para os seus senhores.
adaptação às exigências do trabalho regular. d) eram autônomos, sendo contratados por ou-
tros senhores para realizarem atividades co-
1
6. (Enem) O alfaiate pardo João de Deus, que, merciais.
na altura em que foi preso, não tinha mais e) aguardavam a sua própria venda após de-
do que 80 réis e oito filhos, declarava que sembarcarem no porto.
“Todos os brasileiros se fizesse franceses,
para viverem em igualdade e abundância”. 1
8. Os tropeiros foram figuras decisivas na for-
MAXWELL, K. Condicionalismos da independência mação de vilarejos e cidades do Brasil colo-
do Brasil. SILVA, M. N. (Org.). O império luso- nial. A palavra tropeiro vem de “tropa” que,
brasileiro, 1750-1822. Lisboa: Estampa, 1986.
no passado, se referia ao conjunto de ho-
O texto faz referência à Conjuração Baiana. mens que transportava gado e mercadoria.
No contexto da crise do sistema colonial, esse Por volta do século XVIII, muita coisa era le-
movimento se diferenciou dos demais movi- vada de um lugar a outro no lombo de mulas.
mentos libertários ocorridos no Brasil por: O tropeirismo acabou associado à atividade
a) defender a igualdade econômica, extinguin- mineradora, cujo auge foi a exploração de
do a propriedade, conforme proposto nos ouro em Minas Gerais e, mais tarde, em Goi-
movimentos liberais da França napoleônica. ás. A extração de pedras preciosas também
b) introduzir no Brasil o pensamento e o ideário atraiu grandes contingentes populacionais
liberal que moveram os revolucionários ingle- para as novas áreas e, por isso, era cada vez
ses na luta contra o absolutismo monárquico. mais necessário dispor de alimentos e pro-
c) propor a instalação de um regime nos mol- dutos básicos.
des da república dos Estados Unidos, sem A alimentação dos tropeiros era constituída
alterar a ordem socioeconômica escravista e por toucinho, feijão preto, farinha, pimen-
latifundiária. ta-doreino, café, fubá e coité (um molho de
d) apresentar um caráter elitista burguês, uma vinagre com fruto cáustico espremido).
vez que sofrera influência direta da Revolu- Nos pousos, os tropeiros comiam feijão qua-
ção Francesa, propondo o sistema censitário se sem molho com pedaços de carne de sol e
de votação. toucinho, que era servido com farofa e couve
e) defender um governo democrático que ga- picada. O feijão tropeiro é um dos pratos tí-
rantisse a participação política das camadas picos da cozinha mineira e recebe esse nome
populares, influenciado pelo ideário da Re- porque era preparado pelos cozinheiros das
volução Francesa. tropas que conduziam o gado.
Disponível em: http://www.tribunadoplanalto.
com.br. Acesso em: 27 nov. 2008.

201
A criação do feijão tropeiro na culinária brasileira está relacionada à:
a) atividade comercial exercida pelos homens que trabalhavam nas minas.
b) atividade culinária exercida pelos moradores cozinheiros que viviam nas regiões das minas.
c) atividade mercantil exercida pelos homens que transportavam gado e mercadoria.
d) atividade agropecuária exercida pelos tropeiros que necessitavam dispor de alimentos.
e) atividade mineradora exercida pelos tropeiros no auge da exploração do ouro.

1
9. Distantes uma da outra quase 100 anos, as duas telas seguintes, que integram o patrimônio cultural
brasileiro, valorizam a cena da primeira missa no Brasil, relatada na carta de Pero Vaz de Caminha.
Enquanto a primeira retrata fielmente a carta, a segunda – ao excluir a natureza e os índios – critica
a narrativa do escrivão da frota de Cabral. Além disso, na segunda, não se vê a cruz fincada no altar.

Primeira Missa no Brasil - Victor Meirelles (1861) Primeira Missa no Brasil - Cândido Portinari (1948)

Ao comparar os quadros e levando-se em consideração a explicação dada, observa-se que:


a) a influência da religião católica na catequização do povo nativo é objeto das duas telas.
b) a ausência dos índios na segunda tela significa que Portinari quis enaltecer o feito dos portugueses.
c) ambas, apesar de diferentes, retratam um mesmo momento e apresentam uma mesma visão do fato
histórico.
d) a segunda tela, ao diminuir o destaque da cruz, nega a importância da religião no processo dos des-
cobrimentos.
e) a tela de Victor Meirelles contribuiu para uma visão romantizada dos primeiros dias dos portugueses
no Brasil.

2
0.

As terras brasileiras foram divididas por meio de tratados entre Portugal e Espanha. De acordo com
esses tratados, identificados no mapa, conclui-se que:
a) Portugal, pelo Tratado de Tordesilhas, detinha o controle da foz do rio Amazonas.
b) o Tratado de Tordesilhas utilizava os rios como limite físico da América portuguesa.
c) o Tratado de Madri reconheceu a expansão portuguesa além da linha de Tordesilhas.
d) Portugal, pelo Tratado de San Ildefonso, perdia territórios na América em relação ao de Tordesilhas.
e) o Tratado de Madri criou a divisão administrativa da América Portuguesa em Vice-Reinos Oriental e
Ocidental.
202
2
1. Eu, o Príncipe Regente, faço saber aos que o d) impedir que o povo conferisse ao movimento
presente Alvará virem: que desejando pro- um teor libertário, o que terminaria por pre-
mover e adiantar a riqueza nacional, e sendo judicar seus interesses e seu projeto de nação.
um dos mananciais dela as manufaturas e a e) rebelar-se contra as representações metro-
indústria, sou servido abolir e revogar toda politanas, isolando politicamente o Príncipe
e qualquer proibição que haja a este respeito Regente, instalando um governo conserva-
no Estado do Brasil. dor para controlar o povo.
Alvará de liberdade para as indústrias (1º de
Abril de 1808). In: Bonavides, P.; Amaral, R. 2
3. O açúcar e suas técnicas de produção foram
levados à Europa pelos árabes no século VIII,
Textos políticos da História do Brasil. Vol. 1. durante a Idade Média, mas foi principal-
Brasília: Senado Federal, 2002 (adaptado). mente a partir das Cruzadas (séculos XI e
O projeto industrializante de D. João, con- XIII) que a sua procura foi aumentando. Nes-
forme expresso no alvará, não se concreti- sa época passou a ser importado do Oriente
zou. Que características desse período expli- Médio e produzido em pequena escala no sul
cam esse fato? da Itália, mas continuou a ser um produto de
a) A ocupação de Portugal pelas tropas france- luxo, extremamente caro, chegando a figurar
sas e o fechamento das manufaturas portu- nos dotes de princesas casadoiras.
guesas. CAMPOS, R. Grandeza do Brasil no tempo de
b) A dependência portuguesa da Inglaterra e o Antonil (1681-1716). São Paulo: Atual, 1996.
predomínio industrial inglês sobre suas re- Considerando o conceito do Antigo Sistema
des de comércio. Colonial, o açúcar foi o produto escolhido
c) A desconfiança da burguesia industrial colonial
por Portugal para dar início à colonização
diante da chegada da família real portuguesa.
d) O confronto entre a França e a Inglaterra e brasileira, em virtude de:
a posição dúbia assumida por Portugal no a) o lucro obtido com o seu comércio ser muito
comércio internacional. vantajoso.
e) O atraso industrial da colônia provocado b) os árabes serem aliados históricos dos portu-
pela perda de mercados para as indústrias gueses.
c) a mão de obra necessária para o cultivo ser
portuguesas.
insuficiente.
2
2. No clima das ideias que se seguiram à revolta d) as feitorias africanas facilitarem a comercia-
de São Domingos, o descobrimento de planos lização desse produto.
para um levante armado dos artífices mula- e) os nativos da América dominarem uma téc-
nica de cultivo semelhante.
tos na Bahia, no ano de 1798, teve impacto
muito especial; esses planos demonstravam 2
4. Art. 92. São excluídos de votar nas Assem-
aquilo que os brancos conscientes tinham já bleias Paroquiais:
começado a compreender: as ideias de igual- I. Os menores de vinte e cinco anos, nos
dade social estavam a propagar-se numa quais não se compreendam os casados, e
sociedade em que só um terço da população Oficiais militares que forem maiores de
era de brancos e iriam inevitavelmente ser vinte e um anos, os Bacharéis Formados e
interpretados em termos raciais. Clérigos de Ordens Sacras.
MAXWELL. K. Condicionalismos da Independência
do Brasil. In: SILVA, M.N. (coord.)
IV. Os Religiosos, e quaisquer que vivam em
Comunidade claustral.
O Império luso-brasileiro, 1750-1822. Lis- V. Os que não tiverem de renda líquida anu-
boa: Estampa, 1986. al cem mil réis por bens de raiz, indús-
O temor do radicalismo da luta negra no tria, comércio ou empregos.
Haiti e das propostas das lideranças popu- Constituição Política do Império do Brasil (1824).
lares da Conjuração Baiana (1798) levaram Disponível em: https://legislação.planalto.gov.
setores da elite colonial brasileira a novas br. Acesso em: 27 abr. 2010 (adaptado).
posturas diante das reivindicações popula- A legislação espelha os conflitos políticos e
res. No período da Independência, parte da sociais do contexto histórico de sua formu-
elite participou ativamente do processo, no lação. A Constituição de 1824 regulamentou
intuito de: o direito de voto dos “cidadãos brasileiros”
a) instalar um partido nacional, sob sua lide- com o objetivo de garantir:
rança, garantindo participação controlada a) o fim da inspiração liberal sobre a estrutura
dos afro-brasileiros e inibindo novas rebeli- política brasileira.
ões de negros. b) a ampliação do direito de voto para maioria
b) atender aos clamores apresentados no movi- dos brasileiros nascidos livres.
mento baiano, de modo a inviabilizar novas c) a concentração de poderes na região produ-
rebeliões, garantindo o controle da situação. tora de café, o Sudeste brasileiro.
c) firmar alianças com as lideranças escravas, d) o controle do poder político nas mãos dos
permitindo a promoção de mudanças exigi- grandes proprietários e comerciantes.
das pelo povo sem a profundidade proposta e) a diminuição da interferência da Igreja Cató-
inicialmente. lica nas decisões político-administrativas.

203
2
5. (Enem) no passado colonial e monárquico, da:
a) incapacidade do cristianismo de incorporar
aspectos de outras religiões.
b) incorporação da ideia de liberdade religiosa
na esfera pública.
c) permissão para o funcionamento de igrejas
não cristãs.
d) relação de integração entre Estado e Igreja.
e) influência das religiões de origem africana.

2
7. (Enem) Substitui-se então uma história crí-
tica, profunda, por uma crônica de detalhes
onde o patriotismo e a bravura dos nossos
soldados encobrem a vilania dos motivos que
levaram a Inglaterra a armar brasileiros e ar-
gentinos para a destruição da mais gloriosa
Que aspecto histórico da escravidão no Brasil república que já se viu na América Latina, a
do séc. XIX pode ser identificado a partir da do Paraguai.
análise do vestuário do casal retratado acima? CHIAVENATTO, J. J. Genocídio americano: A Guerra do
Paraguai. São Paulo: Brasiliense, 1979 (adaptado).
a) O uso de trajes simples indica a rápida incor-
poração dos ex-escravos ao mundo do traba- O imperialismo inglês, “destruindo o Para-
lho urbano. guai, mantém o status o na América Meri-
b) A presença de acessórios como chapéu e dional, impedindo a ascensão do seu único
sombrinha aponta para a manutenção de Estado economicamente livre”.
elementos culturais de origem africana. Essa teoria conspiratória vai contra a realida-
c) O uso de sapatos é um importante elemento de dos fatos e não tem provas documentais.
de diferenciação social entre negros libertos Contudo essa teoria tem alguma repercussão.
ou em melhores condições na ordem escra- (DORATIOTO. F. Maldita guerra: nova historia da Guerra do
Paraguai. São Paulo: Cia. das Letras, 2002 (adaptado).
vocrata.
d) A utilização do paletó e do vestido demons- Uma leitura dessas narrativas divergentes
tra a tentativa de assimilação de um estilo demonstra que ambas estão refletindo sobre:
europeu como forma de distinção em relação a) a carência de fontes para a pesquisa sobre os
aos brasileiros. reais motivos dessa Guerra.
e) A adoção de roupas próprias para o trabalho b) o caráter positivista das diferentes versões
doméstico tinha como finalidade demarcar sobre essa Guerra.
as fronteiras da exclusão social naquele con- c) o resultado das intervenções britânicas nos
texto. cenários de batalha.
d) a dificuldade de elaborar explicações con-
vincentes sobre os motivos dessa Guerra.
2
6. (Enem) e) o nível de crueldade das ações do exército
brasileiro e argentino durante o conflito.

2
8. (Enem) Até que ponto, a partir de posturas e
interesses diversos, as oligarquias paulista e
mineira dominaram a cena política nacional
na Primeira República? A união de ambas foi
um traço fundamental, mas que não conta
toda a história do período. A união foi feita
com a preponderância de uma ou de outra
das duas frações. Com o tempo, surgiram as
discussões e um grande desacerto final.
FAUSTO, B. História do Brasil. São Paulo:
EdUSP, 2004 (adaptado).

A imagem de um bem-sucedido acordo café


com leite entre São Paulo e Minas, um acordo
de alternância de presidência entre os dois
estados, não passa de uma idealização de um
processo muito mais caótico e cheio de confli-
tos. Profundas divergências políticas coloca-
Uma explicação de caráter histórico para o vam-os em confronto por causa de diferentes
percentual da religião com maior número de graus de envolvimento no comércio exterior.
adeptos declarados no Brasil foi a existência, TOPIK, S. A presença do estado na economia
política do Brasil de 1889 a 1930. Rio de
Janeiro: Record, 1989 (adaptado).
204
Para a caracterização do processo político A Guerra do Paraguai teve consequências po-
durante a Primeira República, utiliza-se com líticas importantes para o Brasil, pois:
frequência a expressão Política do Café com a) representou a afirmação do Exército Brasilei-
Leite. No entanto, os textos apresentam a se- ro como um ator político de primeira ordem.
guinte ressalva a sua utilização: b) confirmou a conquista da hegemonia brasi-
a) A riqueza gerada pelo café dava à oligarquia leira sobre a Bacia Platina.
paulista a prerrogativa de indicar os can- c) concretizou a emancipação dos escravos negros.
d) incentivou a adoção de um regime constitu-
didatos à presidência, sem necessidade de
cional monárquico.
alianças. e) solucionou a crise financeira, em razão das
b) As divisões políticas internas de cada estado indenizações recebidas.
da federação invalidavam o uso do conceito
de aliança entre estados para este período.
3
1. (Enem) A serraria construía ramais ferro-
c) As disputas políticas do período contradi-
viários que adentravam as grandes matas,
ziam a suposta estabilidade da aliança entre
onde grandes locomotivas com guindastes e
mineiros e paulistas.
correntes gigantescas de mais de 100 metros
d) A centralização do poder no executivo fede-
arrastavam, para as composições de trem,
ral impedia a formação de uma aliança dura-
as toras que jaziam abatidas por equipes de
doura entre as oligarquias.
trabalhadores que anteriormente passavam
e) A diversificação da produção e a preocupa-
pelo local. Quando o guindaste arrastava
ção com o mercado interno unificavam os
as grandes toras em direção à composição
interesses das oligarquias.
de trem, os ervais nativos que existiam em
meio às matas eram destruídos por este des-
2
9. (Enem) Após a abdicação de D. Pedro I, o locamento.
Brasil atravessou um período marcado por MACHADO P. P. Lideranças do Contestado.
inúmeras crises: as diversas forças políti- Campinas: Unicamp. 2004 (adaptado).
cas lutavam pelo poder e as reivindicações
populares eram por melhores condições de No início do século XX, uma série de empre-
vida e pelo direito de participação na vida endimentos capitalistas chegou à região do
política do país. Os conflitos representavam meio oeste de Santa Catarina – ferrovias,
também o protesto contra a centralização do serrarias e projetos de colonização.
governo. Nesse período, ocorreu também a Os impactos sociais gerados por esse processo
expansão da cultura cafeeira e o surgimen- estão na origem da chamada Guerra do Con-
to do poderoso grupo dos “barões do café”, testado. Entre tais impactos, encontrava-se:
para o qual era fundamental a manutenção a) a absorção dos trabalhadores rurais como
da escravidão e do tráfico negreiro. trabalhadores da serraria, resultando em um
O contexto do Período Regencial foi marcado: processo de êxodo rural.
a) por revoltas populares que reclamavam a b) o desemprego gerado pela introdução das
volta da monarquia. novas máquinas, que diminuíam a necessi-
b) por várias crises e pela submissão das forças dade de mão de obra.
políticas ao poder central. c) a desorganização da economia tradicional,
c) pela luta entre os principais grupos políti- que sustentava os posseiros e os trabalhado-
cos que reivindicavam melhores condições res rurais da região.
de vida. d) a diminuição do poder dos grandes coronéis
d) pelo governo dos chamados regentes, que da região, que passavam a disputar o poder
promoveram a ascensão social dos “barões político com os novos agentes.
do café”. e) o crescimento dos conflitos entre os operá-
e) pela convulsão política e por novas realida- rios empregados nesses empreendimentos e
des econômicas que exigiam o reforço de ve- os seus proprietários, ligados ao capital in-
lhas realidades sociais. ternacional.

3
0. (Enem) Para o Paraguai, portanto, essa foi 3
2. As secas e o apelo econômico da borracha —
uma guerra pela sobrevivência. De todo produto que no final do século XIX alcançava
modo, uma guerra contra dois gigantes esta- preços altos nos mercados internacionais —
va fadada a ser um teste debilitante e seve- motivaram a movimentação de massas hu-
ro para uma economia de base tão estreita. manas oriundas do Nordeste do Brasil para
Lopez precisava de uma vitória rápida e, se o Acre. Entretanto, até o início do século XX,
não conseguisse vencer rapidamente, prova- essa região pertencia à Bolívia, embora a
velmente não venceria nunca. maioria da sua população fosse brasileira e
LYNCH, J. “As Repúblicas do Prata: da Independência
à Guerra do Paraguai”. BETHELL, Leslie (Org.).
não obedecesse à autoridade boliviana.
História da América Latina: da independência Para reagir à presença de brasileiros, o go-
até 1870, v. III. São Paulo: EDUSP, 2004. verno de La Paz negociou o arrendamento da

205
região a uma entidade internacional, o Boli- 3
4. O mestre-sala dos mares
vian Syndicate, iniciando violentas disputas Há muito tempo nas águas da Guanabara
dos dois lados da fronteira. O conflito só ter- O dragão do mar reapareceu
minou em 1903, com a assinatura do Tratado Na figura de um bravo marinheiro
de Petrópolis, pelo qual o Brasil comprou o A quem a história não esqueceu
território por 2 milhões de libras esterlinas. Conhecido como o almirante negro
Disponível em: www.mre.gov.br. Acesso Tinha a dignidade de um mestre-sala
em: 03 nov. 2008 (adaptado) E ao navegar pelo mar com seu bloco de fra-
gatas
Compreendendo o contexto em que ocorre-
Foi saudado no porto pelas mocinhas fran-
ram os fatos apresentados, o Acre tornou-se
cesas
parte do território nacional brasileiro:
Jovens polacas e por batalhões de mulatas
a) pela formalização do Tratado de Petrópolis,
Rubras cascatas jorravam nas costas dos ne-
que indenizava o Brasil pela sua anexação.
gros pelas pontas das chibatas...
b) por meio do auxílio do Bolivian Syndicate
aos emigrantes brasileiros na região. BLANC, A.; BOSCO, J. O mestre-sala dos mares. Disponível
em: www.usinadeletras.com.br. Acesso em: 19 jan. 2009.
c) devido à crescente emigração de brasileiros
que exploravam os seringais. Na história brasileira, a chamada Revolta da
d) em função da presença de inúmeros imigran- Chibata, liderada por João Cândido, e descri-
tes estrangeiros na região. ta na música, foi:
e) pela indenização que os emigrantes brasilei-
ros pagaram à Bolívia.
a) a rebelião de escravos contra os castigos físi-
cos, ocorrida na Bahia, em 1848, e repetida
3
3. A Confederação do Equador contou com a
no Rio de Janeiro.
participação de diversos segmentos sociais,
b) a revolta, no porto de Salvador, em 1860, de
incluindo os proprietários rurais que, em
marinheiros dos navios que faziam o tráfico
grande parte, haviam apoiado o movimento
de independência e a ascensão de D. Pedro negreiro.
I ao trono. A necessidade de lutar contra o c) o protesto, ocorrido no Exército, em 1865,
poder central fez com que a aristocracia ru- contra o castigo de chibatadas em soldados
ral mobilizasse as camadas populares, que desertores na Guerra do Paraguai.
passaram então a questionar não apenas o d) a rebelião dos marinheiros, negros e mula-
autoritarismo do poder central, mas o da tos, em 1910, contra os castigos e as condi-
própria aristocracia da província. Os líderes ções de trabalho na Marinha de Guerra.
mais democráticos defendiam a extinção do e) o protesto popular contra o aumento do cus-
tráfico negreiro e mais igualdade social. Es- to de vida no Rio de Janeiro, em 1917, dis-
sas ideias assustaram os grandes proprietá- solvido, a chibatadas, pela polícia.
rios de terras que, temendo uma revolução
3
5. A dependência regional maior ou menor da
popular, decidiram se afastar do movimento.
mão de obra escrava teve reflexos políticos
Abandonado pelas elites, o movimento en-
importantes no encaminhamento da extin-
fraqueceu e não conseguiu resistir à violenta
ção da escravatura. Mas a possibilidade e a
pressão organizada pelo governo imperial.
habilidade de lograr uma solução alternativa
FAUSTO, B. História do Brasil. São Paulo:
EDUSP, 1996 (adaptado). – caso típico de São Paulo – desempenha-
ram, ao mesmo tempo, papel relevante.
Com base no texto, é possível concluir que a FAUSTO, B. História do Brasil. São Paulo: EDUSP, 2000.
composição da Confederação do Equador en-
volveu, a princípio: A crise do escravismo expressava a difícil
a) os escravos e os latifundiários descontentes questão em torno da substituição da mão de
com o poder centralizado. obra, que resultou:
b) diversas camadas, incluindo os grandes la- a) na constituição de um mercado interno de
tifundiários, na luta contra a centralização mão de obra livre, constituído pelos libertos,
política. uma vez que a maioria dos imigrantes se re-
c) as camadas mais baixas da área rural, mo- belou contra a superexploração do trabalho.
bilizadas pela aristocracia, que tencionava b) no confronto entre a aristocracia tradicio-
nal, que defendia a escravidão e os privi-
subjugar o Rio de Janeiro.
légios políticos, e os cafeicultores, que lu-
d) as camadas mais baixas da população, in- tavam pela modernização econômica com a
cluindo os escravos, que desejavam o fim da adoção do trabalho livre.
hegemonia do Rio de Janeiro. c) no “branqueamento” da população, para
e) as camadas populares, mobilizadas pela aris- afastar o predomínio das raças considera-
tocracia rural, cujos objetivos incluíam a as- das inferiores e concretizar a ideia do Brasil
censão de D. Pedro I ao trono. como modelo de civilização dos trópicos.

206
d) no tráfico interprovincial dos escravos das áre- d) pelo domínio político de grupos ligados às
as decadentes do Nordeste para o Vale do Para- velhas instituições monárquicas e que não
íba, para a garantia da rentabilidade do café. encontraram espaço de ascensão política na
e) na adoção de formas disfarçadas de trabalho nascente república.
compulsório com emprego dos libertos nos e) pela aliança política firmada entre as oli-
cafezais paulistas, uma vez que os imigrantes garquias do Norte e Nordeste do Brasil, que
foram trabalhar em outras regiões do país. garantiria uma alternância no poder federal
de presidentes originários dessas regiões.
3
6. Negro, filho de escrava e fidalgo português, o
baiano Luiz Gama fez da lei e das letras suas
armas na luta pela liberdade. Foi vendido 3
8. A figura do coronel era muito comum du-
ilegalmente como escravo pelo seu pai para rante os anos iniciais da República, princi-
cobrir dívidas de jogo. Sabendo ler e escre- palmente nas regiões do interior do Brasil.
Normalmente, tratava-se de grandes fazen-
ver, aos 18 anos de idade conseguiu provas de
deiros que utilizavam seu poder para formar
que havia nascido livre. Autodidata, advoga-
uma rede de clientes políticos e garantir
do sem diploma, fez do direito o seu ofício e
resultados de eleições. Era usado o voto de
transformou-se, em pouco tempo, em proemi- cabresto, por meio do qual o coronel obri-
nente advogado da causa abolicionista. gava os eleitores de seu “curral eleitoral”
AZEVEDO, E. O Orfeu de carapinha. In: Revista a votarem nos candidatos apoiados por ele.
de História. Ano 1, n.o 3. Rio de Janeiro:
Como o voto era aberto, os eleitores eram
Biblioteca Nacional, jan. 2004 (adaptado).
pressionados e fiscalizados por capangas,
A conquista da liberdade pelos afro-brasilei- para que votassem de acordo com os inte-
ros na segunda metade do séc. XIX foi re- resses do coronel. Mas recorria-se também
a outras estratégias, como compra de votos,
sultado de importantes lutas sociais condi-
eleitores-fantasma, troca de favores, fraudes
cionadas historicamente. A biografia de Luiz
na apuração dos escrutínios e violência.
Gama exemplifica a:
Disponível em: http://www.historiadobrasil.net/
a) impossibilidade de ascensão social do negro republica. Acesso em: 12 dez. 2008 (adaptado).
forro em uma sociedade escravocrata, mes-
mo sendo alfabetizado. Com relação ao processo democrático do pe-
b) extrema dificuldade de projeção dos intelec- ríodo registrado no texto, é possível afirmar
tuais negros nesse contexto e a utilização do que:
Direito como canal de luta pela liberdade. a) o coronel se servia de todo tipo de recursos
c) rigidez de uma sociedade, assentada na es- para atingir seus objetivos políticos.
cravidão, que inviabilizava os mecanismos b) o eleitor não podia eleger o presidente da
de ascensão social. República.
d) possibilidade de ascensão social, viabilizada c) o coronel aprimorou o processo democrático
pelo apoio das elites dominantes, a um mes- ao instituir o voto secreto.
tiço filho de pai português. d) o eleitor era soberano em sua relação com o
e) troca de favores entre um representante ne- coronel.
gro e a elite agrária escravista que outorgara e) os coronéis tinham influência maior nos
o direito advocatício ao mesmo. centros urbanos.

37. Para os amigos pão, para os inimigos pau;


3
9. “O Filme ‘Os Bandeirantes’ mostra, nas pa-
aos amigos se faz justiça, aos inimigos apli-
lavras de Humberto Mauro, a história dos
ca-se a lei.
(LEAL, V. N. Coronelismo, enxada e
desbravadores das terras brasileiras, e bus-
voto. São Paulo: Alfa Omega.) ca valorizar a história do descobrimento do
ouro no período colonial e da importância
Esse discurso, típico do contexto histórico da dos Bandeirantes paulistas para a história
República Velha e usado por chefes políticos,
do Brasil. Essa é uma fonte que teve o intui-
expressa uma realidade caracterizada:
to de divulgar pensamentos através da utili-
a) pela força política dos burocratas do nas-
zação de várias outros textos históricos que
cente Estado republicano, que utilizavam de
suas prerrogativas para controlar e dominar são sintetizados na realização do filme.
o poder nos municípios. Entretanto, a investigação principal que de-
b) pelo controle político dos proprietários no vemos fazer nesse filme é sobre o período
interior do país, que buscavam, por meio histórico o qual o media metragem foi pro-
dos seus currais eleitorais, enfraquecer a duzido revelando o que podemos observar
nascente burguesia brasileira. desta época, as décadas de 1930 e 1940, já
c) pelo mandonismo das oligarquias no interior que a primeira análise, o período entre os
do Brasil, que utilizavam diferentes meca- séculos XVI e XVII no Brasil colonial, o fil-
nismos assistencialistas e de favorecimento me demonstra de maneira objetiva, ou seja,
para garantir o controle dos votos. ele por si próprio escreve um documento de

207
imagens em seguimento sobre o assunto. É 16 de dezembro de 1815 o Brasil fazia parte
claro que, como toda fonte histórica dos sé- de um reino unido, em pé de igualdade com
culos XVI e XVII, esse documentário constrói Portugal. O que estava em jogo no início da
um acervo de procedência histórica a ser in- década de 1820 era mais uma questão de mo-
vestigado e contestado de acordo com outros narquia, estabilidade, continuidade e integri-
recursos da história para verificar a sua vera- dade territorial do que revolução colonial.
cidade (...) O relato faz de tudo para reforçar MAXWELL, Kenneth. Por que o Brasil foi diferente. In:
o nacionalismo brasileiro, apesar de tratar de MOTA, Carlos Guilherme (org..). Viagem Incompleta – A
uma época na qual o Brasil ainda não é vista experiência Brasileira. S.P.: Editora Senac São Paulo, 2000.
como uma nação e sim como colônia e seria
uma extensão das posses do governo metro- A charge e o texto apontam para um movi-
politano de Portugal, e as pessoas que esta- mento de revisionismo em torno do processo
vam no Brasil ainda não se reconhecem como brasileiro de independência, questionando
brasileiros, e legalmente o país ainda não os marcos desse momento histórico a partir
estava formado (...) Além disso, omite-se a do fato de que:
crise entre a Companhia de Jesus e os Bandei- a) se questiona a noção de ruptura tradicional-
rantes na formação de São Paulo, por causa da mente atribuída a independência por consi-
proibição da escravização dos nativos.” derarem que houve um movimento maior de
Balbino, David de Oliveira. O cinema como objeto de continuidade.
análise : os desdobramentos e debates históricos por trás b) se nega uma possível melhora da condição de
de “Os bandeirantes”, um filme do INCE e de Humberto vida do escravo, pois a escravidão ainda de-
Mauro (1940) / David de Oliveira Balbino. – 2017. mora 66 anos para ser abolida.
c) se afirma ter ocorrido, em vez de um processo
O filme Os Bandeirantes, produzido na déca-
da de 1940, por Humberto Mauro, até hoje gradual de independência a partir do ano de
recebe críticas sobre a forma coma que trata 1808, um movimento totalmente iniciado na
a atividade bandeirante dos séculos XVI, XVII década de 1820.
e XVIII. d) se questiona os reais impactos da Revolução
As críticas presentes no texto sobre a repre- Liberal do Porto para o processo de indepen-
sentação histórica nesse filme consistiam em dência brasileiro, atribuindo total responsabi-
a) escolher alguns heróis nacionais em detri- lidade aos acontecimentos dentro do Brasil.
mento de outros que tiveram uma participa- e) se relaciona 1822 com 1808, sendo esta uma
ção muito mais significante no processo his- grande inovação da historiografia recente
tórico brasileiro. pois até então os dois processos eram anali-
b) admoestar a direção do filme por não ter se sados de forma dissociada.
preocupado com a estética do filme cometen-
do anacronismos em seu roteiro. 4
1. O recrutamento forçado de mão-de-obra livre,
c) problematizar os valores nacionalistas pre- para os serviços do Exército e da Marinha,
sentes no filme e condenar heroísmo do mo- existia desde o princípio da guerra, só que,
vimento das bandeiras no período colonial dada a premência e a falta de braços livres,
brasileiro. pouco a pouco começou-se a recrutar forçada-
d) corrigir os erros de conteúdo do roteiro, já mente o escravo como praça. A questão é re-
que os bandeirantes não fizeram parte do pe- levante: passou-se a admitir o risco de retirar
ríodo colonial e sim do período republicano. das unidades produtoras escravistas um ele-
e) enfatizar o papel protagonista do regime var- mento imprescindível ao sistema econômico.
guista como responsável pelo desenvolvimen- SOUSA, Jorge Prata de. Escravidão ou morte:
to do cinema nacional da década de 40. Os escravos brasileiros na Guerra do Paraguai.
Rio de Janeiro: Mauad: ADESA, 1996.

4
0. Durante a Guerra do Paraguai (1864-1870),
a questão do contingente militar sempre foi
objeto de debates. As necessidades por novas
convocações para o conflito se faziam cons-
tantes e em 1865, surgiram os “Voluntário
da Pátria”, como eram denominadas as uni-
dades militares em meio a esse esforço de
reforço do efetivo em termos numéricos. O
texto destacado faz menção a uma proble-
mática nesse sentido, que dialoga com o(a):
a) cenário de insatisfação geral quanto às con-
vocações arbitrárias, o que revolta parcelas
O Brasil havia sido independente, para todas importantes da elite brasileira, revoltosas
as intenções e propósitos, desde 1808; desde com as convocações dos seus jovens.

208
b) ausência de um sentimento patriota quanto à d) a condição de vida do negro hoje, no geral,
importância de se lutar numa Guerra pelo seu em nada avançou desde 1888, pois as desi-
país, que explica a baixa adesão de voluntá- gualdades e preconceitos permaneceram.
rios para as tropas. e) os mais de 100 anos de libertação dos es-
c) as dificuldades de se retirar um escravo do cravos não foram capazes de equiparar as
campo de trabalho para reforçar as tropas mi-
situações de negros e brancos, já que foram
litares, tendo em vista a sua importância para
o sistema econômico. mais de 300 anos de escravidão que deixa-
d) o pouco interesse de escravos em fazer parte ram profundas marcas.
dos “voluntários da pátria” pela falta de ga-
rantias após o seu retorno da Guerra. 4
3. TEXTO I
e) a pouca credibilidade que o Exército Brasilei-
ro transmitia, o que justificava os déficits nos [...] logo após a Proclamação da República
efetivos militares, por não haver uma grande iniciaram-se os trabalhos da comissão res-
mobilização nacional de esforço de guerra. ponsável por elaborar a primeira consti-
tuição republicana que foi promulgada em
4
2. Pergunte ao Criador (pergunte ao Criador) 1891. O artigo 70 definiu os eleitores que
Quem pintou esta aquarela podiam se alistar e, apesar, de não mencio-
Livre do açoite da senzala nar nominalmente as mulheres no texto, o
Preso na miséria da favela documento excluía os eleitores do sexo fe-
minino.
Será
(MAIA, Andrea Casa Nova; CARDOSO, Luciene
Será que já raiou a liberdade Carris; SANTOS, Vicente Saul Moreira dos. Lições do
Ou se foi tudo ilusão tempo: temas em história e historiografia do Brasil
Será, oh, será Republicano. Rio de Janeiro. 7 Letras, 2016)
Que a lei áurea tão sonhada
Há tanto tempo assinada TEXTO II
Não foi o fim da escravidão Chamando o repórter de “cidadão”, o preto
justificava a revolta: era para “não andarem
Hoje dentro da realidade dizendo que o povo é carneiro. De vez em
Onde está a liberdade quando é bom a negrada mostrar que sabe
Onde está que ninguém viu morrer como homem!”. [...] O mais impor-
... tante era “mostrar ao governo que ele não
(Estação Primeira de Mangueira , 100 Anos de põe o pé no pescoço do povo.”
Liberdade, Realidade Ou Ilusão, 1988)
(CARVALHO, José Murilo de. Os bestializados:
o Rio de Janeiro e a República que não foi.
Apenas em 2089, daqui a pelo menos 72 São Paulo. Companhia das Letras. 1987)
anos, brancos e negros terão uma renda
equivalente no Brasil. A projeção é da pes- Considerando os dois textos, é possível con-
quisa “A distância que nos une - Um retrato cluir que a noção de cidadania durante a Pri-
das Desigualdades Brasileiras” da ONG britâ- meira República era
nica Oxfam, dedicada a combater a pobreza a) restrita, tanto em termos de direitos políti-
e promover a justiça social. cos quanto civis
(OLIVEIRA, Tory. Seis estatísticas que mostram o b) igualitária, contemplando os indivíduos in-
abismo racial no Brasil. Disponível em: <https://
dependente de sua condição
www.cartacapital.com.br/sociedade/seis-estatisticas-
que-mostram-o-abismo-racial-no-brasil>) c) parcial, pois a escravidão permanecia pre-
sente na letra da lei
Tanto o samba enredo da Escola de Samba d) racista, porque excluía juridicamente os ne-
Primeira de Mangueira de 1988, que lhe ga- gros do direito ao voto
rantiu o segundo lugar, e o trecho de uma e) ampla, eliminando o voto censitário e esten-
reportagem redigida para a Carta Capital, dendo o sufrágio a todos
auxiliam para a reflexão em torno das con-
sequências da escravidão para a população 4
4. [...] a revolta começou em nome da legítima
negra, 100 ou 130 anos depois da Lei Áurea. defesa dos direitos civis. Despertou simpa-
Sobre tal cenário, é correto inferir que: tia geral, permitindo a abertura de espaço
a) a Lei Áurea não teve grande eficácia prática, momentâneo de livre e ampla manifestação
pois a população negra nunca se tornou livre. política, não mais limitada à estrita luta
b) atualmente, a condição do negro já se equi- contra a vacina. Desabrocharam, então, vá-
para, ou se equiparará em breve tendo em rias revoltas dentro da revolta. Caminhou
vista as políticas públicas. a conspiração militar-Centro das Classes
c) não existe hoje no Brasil uma preocupação Operárias, que buscava derrubar o governo;
por parte do Estado para com a desigualdade os consumidores de serviços públicos acer-
entre brancos e negros, que se abstém de taram velhas contas com as companhias; a
interferir nessas questões de cunho social.
209
classe popular [...] retomou em dimensões
mais heroicas seu combate cotidiano com a Gabarito
polícia. E todos os cidadãos desrespeitados
acertaram contas com o governo”. 1. A 2. E 3. C 4. B 5. D
(CARVALHO, José Murilo de. Os bestializados:
o Rio de Janeiro e a República que não foi.
6
. A 7
. A 8. B 9. D 10. A
São Paulo. Companhia das Letras. 1987)
11. C 12. A 13. D 14. D 15. E
De acordo com o texto, o processo da Revolta 16. E 17. A 18. C 19. E 20. D
da Vacina expressou:
a) a incapacidade do movimento em identificar 21. B 22. D 23. A 24. D 25. C
suas próprias demandas contra um Estado
26. D 27. D 28. C 29. E 30. A
centralizador
b) a popularidade da rebelião frente à arruina- 31. C 32. C 33. B 34. D 35. C
da tentativa da instaurar a República no país
c) a pluralidade das insatisfações sociais popu- 36. C 37. C 38. A 39. C 40. A
lares em tempos de liberalismo excludente 41. C 42. E 43. A 44. C
d) a efetiva participação política concretizada
com o fim do voto censitário
e) a desigualdade econômica no período final
do regime republicano

210
Aplicação dos conhecimentos - Sala
AULAS 7 E 8 Tema: A era Vargas e as leis trabalhistas

Competência: 3 Habilidade: 12

Construção da habilidade: Dentro da Competência da área 3 do Enem, a habilidade 12 exige


do aluno a capacidade de observar a maneira pela qual o ordenamento jurídico pode configurar o
estabelecimento de relações sociais, a partir da análise da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT).
Associada, em sua criação, ao discurso paternalista de Vargas, ao passo que motiva intensos debates
contemporâneos a respeito de sua adequação ou inadequação à realidade atual.

MODELO 1

TEXTO I
O Brasil tornou-se refém da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). A convivência de 73 anos
desgastou-se. O divórcio é inevitável. Como nas velhas famílias, a separação enfrentará dificulda-
des. Para ambos, porém, é melhor que cada um tome o seu caminho. A CLT se reunirá ao Código
Civil de 1916 e aos Códigos de Processo Civil de 1939 e 1973, que prestaram bons serviços, mas
estavam superados.
(PINTO, Almir. Brasil, refém da CLT?. Disponível em: www.estadao.com.br. 28/07/2016)

TEXTO II
O governo argumenta que a flexibilização das leis trabalhistas traçará um caminho para a retoma-
da do desenvolvimento e da geração de renda e emprego. Mas vários indicadores, experiências e
formulações internacionais tem apontado para o sentido contrário. Ou seja, a flexibilização tem
como consequência maior vulnerabilidade, precarização e exploração dos e das trabalhadoras e,
com isso, a garantia da margem de lucro para os empresários.
(BORGES, Juliana. Defender a democracia é defender os direitos trabalhistas.
Disponível em: justificando.cartacapital.com.br. 29/03/2017)

A Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) promulgada na vigência do Estado Novo, ainda hoje é
motivo de acalorados debates na cena política brasileira. À época de sua criação, a legislação tra-
balhista de Vargas e o regime político então vigente simbolizam, respectivamente:
a) garantia de conquistas sociais – liberdade de expressão
b) autonomia sindical – autoritarismo político
c) flexibilização de benefícios – centralização do poder
d) regulamentação de direitos – propaganda personalista
e) liberalização do trabalho – estado mínimo

211
Tema: Estado Novo

Competência: 3 Habilidade: 11

Construção da habilidade: Dentro das competências da área 3 do Enem, a habilidade 11 exige


do aluno a capacidade de analisar ações governamentais e práticas populares em um recorte socio-
-temporal, do Estado Novo, a partir do Departamento de Imprensa e Propaganda.

MODELO 2

A ascensão de Getúlio Vargas na hierarquia política brasileira buscaria cada vez mais apoio nos
sambistas para conquistar a simpatia das massas, ao mesmo tempo que a censura se tornava mais
rigorosa, até atingir o ápice em 1940, com a transformação dos órgãos de censura da imprensa já
existentes no Departamento de Imprensa e Propaganda.
MATOS, Claudia. Acertei no milhar: samba e malandragem no tempo de Getúlio. Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra, 1982

O popularmente conhecido DIP – Departamento de Imprensa e Propaganda, foi fundado no final da


década de 30 para substituir o DNP - Departamento Nacional de Propaganda, e seria responsável
direto pela coerção do regime e pela propaganda do mesmo. O DIP, nesse sentido, centralizaria
todas as atividades dessas esferas, promovendo ações que, por exemplo:
a) estimulassem práticas populares autônomas e a criação de um fundo público para financiar o carnaval
de rua.
b) se aproximavam ideologicamente dos Estados Unidos e reprimissem atividades consideradas “muito
brasileiras”.
c) desenvolvessem concursos de samba e monografias e fizessem uso político da cultura popular como
forma de exaltar ideais nacionalistas.
d) buscassem valorização da figura do “malandro boêmio” que não gostava de trabalhar e se atentassem
com as altas taxas de desemprego.
e) realizassem festivais de samba visando promover ideais nacionalistas e construíssem espaços públicos
que buscassem difundir os avanços trabalhistas do período.

212
Tema: Ditadura Militar

Competência: 2 Habilidade: 8

Construção da habilidade: A habilidade 8, dentro da competência 2, visa o reconhecimento por


parte do candidato dos impactos da ação de estados nacionais em políticas ao longo do tempo e a
capacidade de mensurar seus impactos no tempo presente.

MODELO 3

“No governo JK foram criados os primeiros grupos de trabalho encarregados de fazer um levan-
tamento sobre as estradas de ferro. Em 1961, na transição dos governos Jânio Quadros para o de
João Goulart, foi formado mais um grupo de trabalho para estudar as ferrovias deficitárias. A
supressão de ramais antieconômicos era vista como pré-condição para a recuperação do sistema
ferroviário como um todo. Contudo, o sucesso da política de erradicação de ramais aconteceria
durante o regime militar, mas esse processo se deu por idas e vindas, e não se tratou, portanto, de
uma política coerente e continua, mas que foi aperfeiçoada durante a ditadura, quando houve um
clima autoritário que favoreceu medidas de tal porte.”
PAULA, Dilma Andrade de. Estado e Aparelhos Privados de Hegemonia na supressão de ramais ferroviários.
In: MENDONÇA, Sônia. O Estado brasileiro: Agências e agentes. Niterói: EDUFF, 2005. (adaptado)

“É sexta-feira ao meio-dia no centro do Recife, uma cidade de mais de um milhão e meio de ha-
bitantes, capital de Pernambuco, mas poderia ser a primeira hora de um domingo, a julgar pelo
ambiente desértico. No que deveria ser o ápice do horário comercial, as ruas estão quase vazias,
pelas vias quase não passam carros e há várias lojas fechadas. Isso é o que se passa por uma cena
normal no Brasil dos últimos dias. O país inteiro passou ao menos uma semana imerso em uma
greve de caminhoneiros que paralisou boa parte de sua vida pública, quando não transformou o
dia a dia em seus 26 Estados em um pesadelo logístico”
Sete dias de caos na República Federativa das Rodovias. Disponível em: https://
brasil.elpais.com (Acesso em 01/09/2018) (adaptado)

O Brasil em 2018 passou por uma crise social advinda da paralização dos caminhoneiros. Essa
situação demonstra:
a) As rodovias brasileiras têm sua capacidade de escoamento de produção bloqueadas devido a falta de
um sistema que interligue as estradas, principalmente no Sul e no Sudeste do país, onde ficam os
principais portos.
b) O país não recebeu investimentos significativos em infraestrutura de transportes, principalmente após
a crise do petróleo de 1973.
c) A dependência rodoviarista do país advém de sua extensão territorial, melhor coberta por rodovias,
principal motor de desenvolvimento, principalmente das novas áreas de ocupação econômica, como a
Amazônia e o Centro-Oeste.
d) As ferrovias brasileiras não possuem viabilidade econômica devido a concorrência com o modelo rodo-
viarista, que possui preços de fretes mais estáveis.
e) Uma intensa dependência do modelo rodoviarista, consolidado na década de 60, numa aliança, muitas
vezes formalizada, entre Estado brasileiro e empresas do setor, principalmente montadoras e emprei-
teiras, que lucraram com as políticas públicas do período.

213
Tema: Redemocratização

Competência: 3 Habilidade: 13

Construção da habilidade: Presente na competência 3, a habilidade 13 busca a compreensão


sobre a atuação do movimento de diretas já e seu papel na contribuição em mudanças e rupturas no
processo político.

MODELO 4

TEXTO I
“Vale a pena lembrar que a emenda n°11, que punha fim ao Ato 5, somente entrou em vigor em
janeiro de 1979, quando faltavam somente dois meses e meio para a posse de Figueredo. Geisel,
portanto, podia dar-se por satisfeito. Todos os seus compromissos haviam sido cumpridos: Ele
empreendeu a descompressão “lenta, gradual, e segura” e, ao mesmo tempo, não abriu mão dos
“poderes excepcionais” que a revolução lhe dera até o final de seu mandato.
MATHIAS, Suzeley. A distensão no Brasil: O projeto militar (1973 - 1979). Campinas: Papirus, 1995. (fragmento)

TEXTO II:
“O crepúsculo da década de 1970, que havia começado como uma das mais autoritárias da história
brasileira, foi marcado pelo retorno da sociedade civil organizada ao espaço da política. Às greves
do ABC e à campanha pela anistia aos presos e exilados políticos, somaram-se movimentos de
bairros nas grandes cidades e uma forte expansão das comunidades eclesiais de base, inspiradas
na Teologia da Libertação. Em 1983, quando começaram as primeiras manifestações em prol do
retorno das eleições diretas para presidente da República, foram também os participantes desses
movimentos que, de forma gradativa, ampliaram o número de manifestantes na campanha das
Diretas.”
DELGADO, Lucilia. Diretas-Já: Vozes das cidades. In: FERREIRA, Jorge; REIS, Daniel Aarão. As esquerdas no
Brasil: Revolução e democracia (1964...). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007. (fragmento)

Do ponto de vista histórico, ambos os textos indicados revelam:


a) Os artifícios utilizados pela ditadura para impedir a participação política da sociedade, que somente
pode se organizar de forma concreta para a eleição de 1989, disputada no segundo turno entre Luiz
Inácio Lula da Silva (PT) e Fernando Collor de Melo (PRN).
b) A dinâmica do renascimento da participação política no fim da década de 70, ainda que parcialmente
bloqueada pelas contradições do processo de abertura controlada.
c) Que os movimentos sociais não tiveram importância significativa no processo de abertura, pois o
mesmo foi feito inteiramente sob o controle dos militares, que não foram abalados pelas pressões da
sociedade civil, devido ao poder que obtiveram após o golpe de 1964.
d) Geisel pode ser considerado o “arquiteto” da abertura, planejada e implementada desde o início de
seu governo, que forneceu abertura para os movimentos sociais e principalmente para a imprensa, que
pode operar sem problemas em relação a censura e violência.
e) Os momentos finais da década de 70 foram marcados por um endurecimento do regime, principalmente
pelo fato de que Geisel mantinha entre seus quadros generais da linha dura, como Silvio Frota, Golbery
do Couto e Silva e João Baptista Figueiredo.

214
Raio X - Análise Expositiva
1.
O candidato deve identificar que a criação da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) está asso-
ciada ao discurso paternalista estadonovista. Vargas é enaltecido pelos mecanismos de propaganda
(programas de rádio, campanhas cívicas, etc...) enquanto aquele que “outorga” direitos socias aos
trabalhadores.
2.
O DIP foi criado, como a questão apresenta, na intenção de centralizar as atividades de propaganda
e coerção do regime ditatorial de Getúlio Vargas com a clara intenção de propagar um ideal nacio-
nalista e combater possíveis opositores, censurando-os. Exemplos de ações desse Departamento fo-
ram os concursos de sambas e monografias promovidas, com o objetivo exaltar o Brasil e o Regime
com um forte apelo à cultura.
3.
O texto um faz referência a política de desativações ferroviárias na ditadura militar, baseadas na
formação de um consenso, através da propaganda e ação ideológica, pró automóvel, e da coerção,
reprimindo qualquer manifestação de resistência a essas políticas. A consequência pode ser vista
no texto dois, que demonstra os custos econômicos e sociais da dependência de um único modal.
4.
O primeiro texto faz referência a uma transição “por cima”, que bloqueava parcialmente as ações
políticas da sociedade civil. Contudo, no segundo texto, é demonstrado que é possível se organizar
parcialmente, pois a abertura controlada passou a permitir tais ações, e mesmo que isso não sig-
nificasse uma derrota para a ditadura, era um avanço para a sociedade civil.

Gabarito
1. D 2. C 3. E 4. B

215
Prescrição: As questões abaixo abordam o período compreendido entre a Era Vargas e o atual.
O enfoque principal recai sobre o período da Ditadura Militar (1964-1985) e da redemocratiza-
ção. É necessário compreender as principais medidas autoritárias do Regime Militar, bem como
as principais lutas e conquistas no período de redemocratização, cristalizadas pela Constituição
de 1988.

Prática dos conhecimentos - E.O.


1
. (Enem)

O diálogo entre os personagens da charge evidencia, no Brasil, a(s)


a) reinserção do país na economia globalizada.
b) transformações políticas na vigência do Estado Novo.
c) alterações em áreas estratégicas para o desenvolvimento do país.
d) suspensão das eleições legislativas durante o período da Ditadura Militar.
e) volta da democracia após um período sem eleições diretas para o Executivo Federal.

2. (Enem PPL 2013) Depois de dez anos de aparente imobilidade, 77 950 operários estavam em greve
em São Bernardo, Santo André, São Caetano e Diadema – o chamado ABCD, coração industrial do
país. Em todas as fábricas, os operários cruzaram os braços em silêncio. Apanhado de surpresa,
o governo militar ficou por algum tempo sem ação. Os empregadores, por sua vez, sofriam sérios
prejuízos a cada dia de greve.
ALVES, M. H. M. Estado e oposição no Brasil (1964-1984). Petrópolis: Vozes, 1984 (adaptado).

O movimento sindical, em fins dos anos 1970, começou a se rearticular e a patrocinar greves de
significativa repercussão. Essas greves aconteceram em um contexto político-institucional de
a) revogação da negociação coletiva entre patrões e empregados.
b) afirmação dos direitos individuais por parte de minorias.
c) suspensão da legislação trabalhista forjada durante a Era Vargas.
d) limitação à liberdade das organizações sindicais e populares.
e) discordância dos empresários com as políticas industriais.

216
3. (Enem) Grupo escolar Toda canção do meu amor
Sonhei com um general de ombros largos Quero ver a sá dona caminhando
que fedia Pelos salões arrastando
e que no sonho me apontava a poesia O seu vestido rendado
enquanto um pássaro pensava suas penas Brasil! Pra mim, pra mim, pra mim!
e já sem resistência resistia. ARY BARROSO. Aquarela do Brasil, 1939 (fragmento).
O general acordou e eu que sonhava
face a face deslizei à dura via Muito usual no Estado Novo de Vargas, a
vi seus olhos que tremiam, ombros largos, composição de Ary Barroso é um exemplo
vi seu queixo modelado a esquadria típico de
vi que o tempo galopando evaporava a) música de sátira.
(deu para ver qual a sua dinastia) b) samba exaltação.
mas em tempo fixei no firmamento c) hino revolucionário.
esta imagem que rebenta em ponta fria: d) propaganda eleitoral.
poesia, esta química perversa, e) marchinha de protesto.
este arco que desvela e me repõe
nestes tempos de alquimia. 5. (Enem)
BRITO, A. C. In: HOLLANDA, H. B. (Org.). 26 Poetas
Hoje: antologia. Rio de Janeiro: Aeroplano, 1998.

O poema de Antônio Carlos Brito está histo-


ricamente inserido no período da ditadura
militar no Brasil. A forma encontrada pelo
eu lírico para expressar poeticamente esse
momento demonstra que
a) a ênfase na força dos militares não é afetada
por aspectos negativos, como o mau cheiro
atribuído ao general.
b) a descrição quase geométrica da aparência
física do general expõe a rigidez e a raciona-
lidade do governo.
Para além de objetivos específicos, muitos
c) a constituição de dinastias ao longo da his-
movimentos sociais interferem no contexto
tória parece não fazer diferença no presente
sociopolítico e ultrapassam dimensões ime-
em que o tempo evapora.
diatas, como foi o caso das mobilizações ope-
d) a possibilidade de resistir está dada na reno-
rárias, ocorridas em 1979 na cidade de São
vação e transformação proposta pela poesia,
Paulo.
química que desvela e repõe.
e) a resistência não seria possível, uma vez que Nesse sentido, ao mesmo tempo em que lu-
as vítimas, representadas pelos pássaros, tavam por seus direitos, essas mobilizações
pensavam apenas nas próprias penas. contribuíram com o(a)
a) elaboração de novas políticas que garanti-
4. (Enem) ram a estabilidade econômica do país.
b) instalação de empresas multinacionais no
Aquarela do Brasil Brasil.
c) legalização dos sindicatos no Brasil.
Brasil! d) surgimento das políticas governamentais as-
Meu Brasil brasileiro sistencialistas.
Meu mulato inzoneiro e) processo de redemocratização do Brasil.
Vou cantar-te nos meus versos

O Brasil, samba que dá 6. (Enem) Em 1943, Getúlio Vargas criou o


Bamboleio que faz gingar Departamento de Propaganda e Difusão Cul-
O Brasil do meu amor tural junto ao Ministério da Justiça, esva-
Terra de Nosso Senhor ziando o Ministério da Educação não só da
Brasil! Pra mim! Pra mim, pra mim! propaganda, mas também do rádio e do cine-
ma. A decisão tinha como objetivo colocar os
Ah! Abre a cortina do passado meios de comunicação de massa a serviço di-
Tira a mãe preta do Cerrado reto do Poder Executivo, iniciativa que tinha
Bota o rei congo no congado inspiração direta no recém-criado Ministério
Brasil! Pra mim! da Propaganda alemão.
CAPELATO, M.Xopaganda política e controle
Deixa cantar de novo o trovador dos meios de comunicação.
A merencória luz da lua Rio de Janeiro: FGV, 1999.

217
No contexto citado, a transferência de fun- 9. (Enem) As relações do Estado brasileiro com
ções entre ministérios teve como finalidade o movimento operário e sindical, bem como
o(a) as políticas públicas voltadas para as ques-
a) desativação de um sistema tradicional de co- tões sociais durante o primeiro governo da
municação voltado para a educação. Era Vargas (1930-1945), são temas ampla-
b) controle do conteúdo da informação por mente estudados pela academia brasileira
meio de uma orientação política e ideológi-
em seus vários aspectos. São também os te-
ca.
c) subordinação do Ministério da Educação ao mas mais lembrados pela sociedade quando
Ministério da Justiça e ao Poder Executivo. se pensa no legado varguista.
d) ampliação do raio de atuação das emissoras D’ ARAÚJO, M. C. Estado, classe trabalhadora e políticas
de rádio como forma de difusão da cultura sociais. In: FERREIRA, J.; DELGADO, L. A. (Org). O tempo
popular. do nacional-estatismo: do início ao apogeu do Estado
e) demonstração de força política do Executivo Novo. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007.
diante de ministérios herdados do governo
anterior. Durante o governo de Getúlio Vargas, foram
desenvolvidas ações de cunho social, dentre
7. (Enem) As primeiras ações acerca do patri- as quais se destaca a
mônio histórico no Brasil datam da década de
1930, com a criação do Serviço do Patrimônio a) disseminação de organizações paramilitares
Histórico e Artístico Nacional (SPHAN), em inspiradas nos regimes fascistas europeus.
1937. Nesse período, o conceito que norteou b) aprovação de normas que buscavam garantir
a política de patrimônio limitou-se aos monu- a posse das terras aos pequenos agricultores.
mentos arquitetônicos relacionados ao passa- c) criação de um conjunto de leis trabalhistas
do brasileiro e vinculava-se aos ideais moder- associadas ao controle das representações
nistas de conhecer, compreender e recriar o sindicais.
Brasil por meio da valorização da tradição. d) implementação de um sistema de previdên-
SANTOS, G. Poder e patrimônio histórico: possibilidades de cia e seguridade para atender aos trabalha-
diálogo entre educação histórica e educação patrimonial
no ensino médio. EntreVer, n. 2, jan.-jun. 2012. dores rurais.
e) implantação de associações civis como uma
Considerando o contexto mencionado, a cria- estratégia para aproximar as classes médias
ção dessa política patrimonial objetivou a e o governo.
a) consolidação da historiografia oficial.
b) definição do mercado cultural.
c) afirmação da identidade nacional. 1
0. (Enem) O trabalho de recomposição que nos
d) divulgação de sítios arqueológicos. espera não admite medidas contemporizado-
e) universalização de saberes museológicos. ras. Implica o reajustamento social e econô-
mico de todos os rumos até aqui seguidos.
8. (Enem) Nos primeiros anos do governo Var- Comecemos por desmontar a máquina do fa-
gas, as organizações operárias sob controle voritismo parasitário, com toda sua descen-
das correntes de esquerda tentaram se opor dência espúria.
ao seu enquadramento pelo Estado. Mas a
Discurso de posse de Getúlio Vargas como chefe do governo
tentativa fracassou. Além do governo, a pró- provisório, pronunciado em 03 de novembro de 1930.
pria base dessas organizações pressionou FILHO, I. A. Brasil, 500 anos em documento.
pela legalização. Vários benefícios, como as Rio de Janeiro: Mauad, 1999 (adaptado).
férias e a possibilidade de postular direitos
perante as Juntas de Conciliação e Julga- Em seu discurso de posse, como forma de
mento, dependiam da condição de ser mem- legitimar o regime político implantado em
bro de sindicato reconhecido pelo governo. 1930, Getúlio Vargas estabelece uma crítica
FAUSTO, B. História concisa do Brasil. São Paulo: Edusp; ao
Imprensa Oficial do Estado, 2002 (adaptado). a) funcionamento regular dos partidos políti-
cos.
No contexto histórico retratado pelo texto, a b) controle político exercido pelas oligarquias
relação entre governo e movimento sindical estaduais.
foi caracterizada c) centralismo presente na Constituição então
a) pelas benesses sociais do getulismo. em vigor.
b) por um diálogo democraticamente constitu- d) mecanismo jurídico que impedia as fraudes
ído. eleitorais.
c) por uma legislação construída consensual- e) imobilismo popular nos processos político-
mente. -eleitorais.
d) pelo reconhecimento de diferentes ideolo-
gias políticas.
e) pela vinculação de direitos trabalhistas à tu-
tela do Estado.

218
1
1. (Enem) num único e harmonioso movimento. A luta
especificamente política estava esgotada.
GABEIRA, F. Carta sobre a anistia: a entrevista do Pasquim.
Conversação sobre 1968. Rio de Janeiro: Ed. Codecri, 1980.

Compartilhando da avaliação presente no


texto, vários grupos de oposição ao Regime
Militar, nos anos 1960 e 1970, lançaram-se
na batalha política seguindo a estratégia de
a) aliança com os sindicatos e incitação de gre-
ves.
b) organização de guerrilhas no campo e na ci-
dade.
c) apresentação de acusações junto à Anistia
Internacional.
d) conquista de votos para o Movimento Demo-
crático Brasileiro (MDB).
e) mobilização da imprensa nacional a favor da
abertura do sistema partidário.
Os aparelhos televisores se multiplicam nas
residências do Brasil a partir da década de 1
4. (Enem)
1960. A partir da charge, os programas tele-
visivos eram controlados para atender inte-
resses dos
a) artistas críticos.
b) grupos terroristas.
c) governos autoritários.
d) partidos oposicionistas.
e) intelectuais esquerdistas

1
2. (Enem PPL 2012) “É para abrir mesmo e
quem quiser que eu não abra eu prendo e
arrebento.”
Frase pronunciada pelo presidente João Baptista Figueiredo.
APUD RIBEIRO, D. Aos trancos e barrancos e o Brasil Elaborado pelos partidários da Revolução
deu no que deu. Rio de Janeiro: Guanabara, 1996.
Constitucionalista de 1932, o cartaz apre-
A frase do último presidente do regime mi- sentado pretendia mobilizar a população
litar indicava a ambiguidade da transição paulista contra o governo federal.
política no país. Neste contexto, houve re- Essa mobilização utilizou-se de uma referên-
sistências internas ao processo de distensão cia histórica, associando o processo revolu-
planejado pela alta cúpula militar, que se cionário:
manifestaram com a) à experiência francesa, expressa no chamado
à luta contra a ditadura.
a) as campanhas no rádio, TV e jornais em fa-
b) aos ideais republicanos, indicados no desta-
vor da lei de anistia.
que à bandeira paulista.
b) as posições de prefeitos e governadores em c) ao protagonismo das Forças Armadas, repre-
apoio à instalação de eleições diretas. sentadas pelo militar que empunha a ban-
c) as articulações no Congresso pela convoca- deira.
ção de uma nova Assembleia Nacional Cons- d) ao bandeirantismo, símbolo paulista apre-
tituinte. sentado em primeiro plano.
d) os atos criminosos, como a explosão de bom- e) ao papel figurativo de Vargas na política,
bas, de militares inconformados com o fim enfatizado pela pequenez de sua figura no
da ditadura. cartaz.
e) as articulações dos parlamentares do PDS,
PMDB e PT em prol da candidatura de Tan- 1
5. (ENEM) A consolidação do regime demo-
credo Neves à presidência. crático no Brasil contra os extremismos da
esquerda e da direita exige ação enérgica e
1
3. (Enem) De um ponto de vista político, achá- permanente no sentido do aprimoramento
vamos que a ditadura militar era a antessala das instituições políticas e da realização de
do socialismo e a última forma de governo reformas corajosas no terreno econômico, fi-
possível às classes dominantes no Brasil. nanceiro e social.
Diante de nossos olhos apocalípticos, dita- Mensagem programática da União
dura e sistema capitalista cairiam juntos Democrática Nacional (UDN) – 1957.

219
Os trabalhadores deverão exigir a consti- No início da década de 1960, enquanto vá-
tuição de um governo nacionalista e demo- rios setores da esquerda brasileira consi-
crático, com participação dos trabalhadores deravam que o CPC da UNE era uma impor-
para a realização das seguintes medidas: a) tante forma de conscientização das classes
Reforma bancária progressista; b) Reforma trabalhadoras, os setores conservadores e
agrária que extinga o latifúndio; c) Regula- de direita (políticos vinculados à União De-
mentação da Lei de Remessas de Lucros. Ma- mocrática Nacional – UDN –, Igreja Católica,
nifesto do Comando Geral dos Trabalhadores grandes empresários etc.) entendiam que
(CGT) – 1962. esta organização:
BONAVIDES, P; AMARAL, R. Textos políticos da a) constituía mais uma ameaça para a democracia
história do Brasil. Brasília: Senado Federal, 2002.
brasileira, ao difundir a ideologia comunista.
Nos anos 1960 eram comuns as disputas pelo b) contribuía com a valorização da genuína cultura
significado de termos usados no debate polí- nacional, ao encenar peças de cunho popular.
tico, como democracia e reforma. Se, para os c) realizava uma tarefa que deveria ser exclu-
setores aglutinados em torno da UDN, as re- siva do Estado, ao pretender educar o povo
formas deveriam assegurar o livre mercado, por meio da cultura.
para aqueles organizados no CGT, elas deve- d) prestava um serviço importante à sociedade
riam resultar em: brasileira, ao incentivar a participação polí-
a) fim da intervenção estatal na economia. tica dos mais pobres.
b) crescimento do setor de bens de consumo. e) diminuía a força dos operários urbanos, ao
c) controle do desenvolvimento industrial. substituir os sindicatos como instituição de
d) atração de investimentos estrangeiros. pressão política sobre o governo.
e) limitação da propriedade privada.
1
8. (Enem)
1
6. (Enem) A gente não sabemos escolher presi-
dente
A gente não sabemos tomar conta da gente
A gente não sabemos nem escovar os dentes
Tem gringo pensando que nóis é indigente
Inútil
A gente somos inútil
MOREIRA, R. Inútil. 1983 (fragmento).

O fragmento integra a letra de uma canção


gravada em momento de intensa mobiliza-
ção política. A canção foi censurada por es-
tar associada:
a) ao rock nacional, que sofreu limitações des-
de o início da ditadura militar.
b) a uma crítica ao regime ditatorial que, mes-
mo em sua fase final, impedia a escolha po- O movimento representado na imagem, do
pular do presidente.
início dos anos de 1990, arrebatou milhares
c) à falta de conteúdo relevante, pois o Estado
buscava, naquele contexto, a conscientiza- de jovens no Brasil. Nesse contexto, a juven-
ção da sociedade por meio da música. tude, movida por um forte sentimento cívico:
d) a dominação cultural dos Estados Unidos da a) aliou-se aos partidos de oposição e organi-
América sobre a sociedade brasileira, que o zou a campanha Diretas Já.
regime militar pretendia esconder. b) manifestou-se contra a corrupção e pressio-
e) à alusão à baixa escolaridade e à falta de nou pela aprovação da Lei da Ficha Limpa.
consciência política do povo brasileiro. c) engajou-se nos protestos relâmpago e utilizou
a internet para agendar suas manifestações.
1
7. (Enem) Em meio às turbulências vividas na d) espelhou-se no movimento estudantil de 1968
primeira metade dos anos 1960, tinha-se a e protagonizou ações revolucionárias armadas.
impressão de que as tendências de esquer- e) tornou-se porta-voz da sociedade e influen-
da estavam se fortalecendo na área cultural. ciou processo de impeachment do então pre-
O Centro Popular de Cultura (CPC) da União sidente Collor.
Nacional dos Estudantes (UNE) encenava
peças de teatro que faziam agitação e pro- 1
9.
(Enem) Os generais abaixo-assinados,
paganda em favor da luta pelas reformas de de pleno acordo com o Ministro da Guer-
base e satirizavam o “imperialismo” e seus ra, declaram-se dispostos a promover uma
“aliados internos”. ação enérgica junto ao governo no sentido
KONDER, L. História das Ideias Socialistas no de contrapor medidas decisivas aos planos
Brasil. São Paulo: Expressão Popular, 2003. comunistas e seus pregadores e adeptos,

220
independentemente da esfera social a que O Ato Institucional nº 5 é considerado por
pertençam. Assim procedem no exclusivo muitos autores um “golpe dentro do golpe”.
propósito de salvarem o Brasil e suas insti- Nos artigos do AI-5 selecionados, o governo
tuições políticas e sociais da hecatombe que militar procurou limitar a atuação do Poder
se mostra prestes a explodir. Judiciário, porque isso significava:
Ata de reunião no Ministério da Guerra, 28/09/1937. a) a substituição da Constituição de 1967.
BONAVIDES, P.; AMARAL. R.Textos políticos da história do
Brasil, v. 5. Brasília: Senado Federal, 2002 (adaptado).
b) o início do processo de distensão política.
c) a garantia legal para o autoritarismo dos juízes.
Levando em conta o contexto político-ins- d) a ampliação dos poderes nas mãos do Executivo.
titucional dos anos 1930 no Brasil, pode-se e) a revogação dos instrumentos jurídicos im-
considerar o texto como uma tentativa de plantados durante o golpe de 1964.
justificar a ação militar que iria:
a) debelar a chamada Intentona Comunista,
2
2. Diante dessas inconsistências e de outras que
acabando com a possibilidade da tomada do
poder pelo PCB. ainda preocupam a opinião pública, nós, jorna-
b) reprimir a Aliança Nacional Libertadora, fe- listas, estamos encaminhando este documento
chando todos os seus núcleos e prendendo ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais no
os seus líderes. Estado de São Paulo, para que o entregue à
c) desafiar a Ação Integralista Brasileira, afas- Justiça; e da Justiça esperamos a realização de
tando o perigo de uma guinada autoritária novas diligências capazes de levar à completa
para o fascismo. elucidação desses fatos e de outros que por-
d) instituir a ditadura do Estado Novo, cance- ventura vierem a ser levantados.
lando as eleições de 1938 e reescrevendo a Em nome da verdade. In: O Estado de S. Paulo, 3
Constituição do país. fev. 1976. Apud. FILHO, I. A. Brasil, 500 anos em
e) combater a Revolução Constitucionalista, documentos. Rio de Janeiro: Mauad, 1999.
evitando que os fazendeiros paulistas reto-
A morte do jornalista Vladimir Herzog, ocor-
massem o poder perdido em 1930.
rida durante o regime militar, em 1975, le-
vou a medidas como o abaixo-assinado feito
2
0. Fugindo à luta de classes, a nossa organi-
por profissionais da imprensa de São Paulo.
zação sindical tem sido um instrumento de
harmonia e de cooperação entre o capital e A análise dessa medida tomada indica a:
o trabalho. Não se limitou a um sindicalis- a) certeza de cumprimento das leis.
mo puramente “operário”, que conduziria b) superação do governo de exceção.
certamente a luta contra o “patrão”, como c) violência dos terroristas de esquerda.
aconteceu com outros povos. d) punição dos torturadores da polícia.
FALCÃO, W. Cartas sindicais. In: Boletim do e) expectativa da investigação dos culpados.
Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio. Rio
de Janeiro, 10 (85), set. 1941 (adaptado).
2
3. Como se assistisse à demonstração de um es-
Nesse documento oficial, à época do Estado petáculo mágico, ia revendo aquele ambiente
Novo (1937-1945), é apresentada uma con- tão característico de família, com seus pe-
cepção de organização sindical que: sados móveis de vinhático ou de jacarandá,
a) elimina os conflitos no ambiente das fábricas. de qualidade antiga, e que denunciavam um
b) limita os direitos associativos do segmento passado ilustre, gerações de Meneses talvez
patronal. mais singelos e mais calmos; agora, uma es-
c) orienta a busca do consenso entre trabalha- pécie de desordem, de relaxamento, abastar-
dores e patrões. dava aquelas qualidades primaciais. Mesmo
d) proíbe o registro de estrangeiros nas entida-
assim era fácil perceber o que haviam sido,
des profissionais do país.
e) desobriga o Estado quanto aos direitos e de- esses nobres da roça, com seus cristais que
veres da classe trabalhadora. brilhavam mansamente na sombra, suas pra-
tas semiempoeiradas que atestavam o esplen-
dor esvanecido, seus marfins e suas opalinas
2
1. Ato Institucional nº 5 de 13 de dezembro de 1968
– ah, respirava-se ali conforto, não havia dú-
Art. 10 – Fica suspensa a garantia de habeas
vida, mas era apenas uma sobrevivência de
corpus, nos casos de crimes políticos, contra
coisas idas. Dir-se-ia, ante esse mundo que
a segurança nacional, a ordem econômica e
se ia desagregando, que um mal oculto o roia,
social e a economia popular.
como um tumor latente em suas entranhas.
Art. 11 – Excluem-se de qualquer apreciação CARDOSO, L. Crônica da casa assassinada. Rio de
judicial todos os atos praticados de acordo Janeiro: Civilização Brasileira, 2002 (adaptado).
com este Ato Institucional e seus Atos Com-
plementares, bem como os respectivos efeitos. O mundo narrado nesse trecho do romance
Disponível em: http://www.senado.gov. de Lúcio Cardoso, acerca da vida dos Mene-
br. Acesso em: 29 jul. 2010. ses, família da aristocracia rural de Minas
Gerais, apresenta não apenas a história da

221
decadência dessa família, mas é, ainda, a b) promover a autonomia dos grupos sociais,
representação literária de uma fase de de- por meio de uma linguagem simples e de fá-
sagregação política, social e econômica do cil entendimento.
país. O recurso expressivo que formula lite- c) estimular os movimentos grevistas, que rei-
rariamente essa desagregação histórica é o vindicavam um aprofundamento dos direitos
de descrever a casa dos Meneses como: trabalhistas.
a) ambiente de pobreza e privação, que carece d) consolidar a imagem de Vargas como um go-
de conforto mínimo para a sobrevivência da vernante protetor das massas.
família. e) aumentar os grupos de discussão política
b) mundo mágico, capaz de recuperar o encan- dos trabalhadores, estimulados pelas pala-
tamento perdido durante o período de deca- vras do ministro.
dência da aristocracia rural mineira.
c) cena familiar, na qual o calor humano dos 2
6. A definição de eleitor foi tema de artigos nas
habitantes da casa ocupa o primeiro plano, Constituições brasileiras de 1891 e de 1934.
compensando a frieza e austeridade dos ob- Diz a Constituição da República dos Estados
jetos antigos. Unidos do Brasil de 1891: Art. 70. São elei-
d) símbolo de um passado ilustre que, apesar tores os cidadãos maiores de 21 anos que se
de superado, ainda resiste à sua total disso- alistarem na forma da lei.
lução graças ao cuidado e asseio que a famí- A Constituição da República dos Estados
lia dispensa à conservação da casa. Unidos do Brasil de 1934, por sua vez, esta-
e) espaço arruinado, onde os objetos perderam
belece que:
seu esplendor e sobre os quais a vida repou-
sa como lembrança de um passado que está Art. 180. São eleitores os brasileiros de um
em vias de desaparecer completamente. e de outro sexo, maiores de 18 anos, que se
alistarem na forma da lei.
2
4. O autor da constituição de 1937, Francisco Ao se comparar os dois artigos, no que diz res-
Campos, afirma no seu livro, O Estado Nacio- peito ao gênero dos eleitores, depreende-se que:
nal, que o eleitor seria apático; a democracia a) a Constituição de 1934 avançou ao reduzir a
de partidos conduziria à desordem; a indepen- idade mínima para votar.
dência do Poder Judiciário acabaria em injusti- b) a Constituição de 1891, ao se referir a cida-
ça e ineficiência; e que apenas o Poder Executi- dãos, referia-se também às mulheres.
vo, centralizado em Getúlio Vargas, seria capaz c) os textos de ambas as Cartas permitiam que
de dar racionalidade imparcial ao Estado, pois qualquer cidadão fosse eleitor.
d) o texto da carta de 1891 já permitia o voto
Vargas teria providencial intuição do bem e da
feminino.
verdade, além de ser um gênio político.
CAMPOS, F. O Estado nacional. Rio de Janeiro:
e) a Constituição de 1891 considerava eleitores
José Olympio, 1940 (adaptado). apenas indivíduos do sexo masculino.

Segundo as ideias de Francisco Campos: 2


7. De março de 1931 a fevereiro de 1940, foram
a) os eleitores, políticos e juízes seriam malin- decretadas mais de 150 leis novas de prote-
tencionados. ção social e de regulamentação do trabalho
b) o governo Vargas seria um mal necessário, em todos os seus setores.
mas transitório.
Todas elas têm sido simplesmente uma dádi-
c) Vargas seria o homem adequado para im-
plantar a democracia de partidos. va do governo. Desde aí, o trabalhador brasi-
d) a Constituição de 1937 seria a preparação leiro encontra nos quadros gerais do regime
para uma futura democracia liberal. o seu verdadeiro lugar.
e) Vargas seria o homem capaz de exercer o po- DANTAS, M. A força nacionalizadora do Estado
Novo. Rio de Janeiro: DIP, 1942. Apud BERCITO, S.
der de modo inteligente e correto. R. Nos Tempos de Getúlio: da revolução de 30 ao
fim do Estado Novo. São Paulo: Atual, 1990.
2
5. A partir de 1942 e estendendo-se até o final
do Estado Novo, o Ministro do Trabalho, In- A adoção de novas políticas públicas e as
dústria e Comércio de Getúlio Vargas falou mudanças jurídico-institucionais ocorridas
aos ouvintes da Rádio Nacional semanalmen- no Brasil, com a ascensão de Getúlio Vargas
te, por dez minutos, no programa “Hora do ao poder, evidenciam o papel histórico de
Brasil”. O objetivo declarado do governo era certas lideranças e a importância das lutas
esclarecer os trabalhadores acerca das inova- sociais na conquista da cidadania. Desse pro-
ções na legislação de proteção ao trabalho. cesso resultou a:
GOMES, A. C. A invenção do trabalhismo. a) criação do Ministério do Trabalho, Indústria e
Rio de Janeiro: IUPERJ / Vértice. São Paulo:
Revista dos Tribunais, 1988 (adaptado). Comércio, que garantiu ao operariado autono-
mia para o exercício de atividades sindicais.
Os programas “Hora do Brasil” contribuíram para: b) legislação previdenciária, que proibiu mi-
a) conscientizar os trabalhadores de que os grantes de ocuparem cargos de direção nos
direitos sociais foram conquistados por seu sindicatos.
esforço, após anos de lutas sindicais.

222
c) criação da Justiça do Trabalho, para coibir 3
0. A solução militar da crise política gerada
ideologias consideradas perturbadoras da pela sucessão do presidente Washington
“harmonia social”. Luís em 1929-1930 provoca profunda ruptu-
d) legislação trabalhista que atendeu reivindi- ra institucional no país.
cações dos operários, garantido-lhes vários Deposto o presidente, o Governo Provisório
direitos e formas de proteção. (1930-1934) precisa administrar as diferenças
e) decretação da Consolidação das Leis do Traba- entre as correntes políticas integrantes da com-
lho (CLT), que impediu o controle estatal so- posição vitoriosa, herdeira da Aliança Liberal.
bre as atividades políticas da classe operária. LEMOS, R. A revolução constitucionalista de 1932.
SILVA, R. M.; CACHAPUZ, P. B.; LAMARÃO, S. (Org).
Getúlio Vargas e seu tempo. Rio de Janeiro: BNDES.
2
8.
Proporção de eleitorado inscrito em relação à população: No contexto histórico da crise da Primeira
1940-2000 República, verifica-se uma divisão no movi-
mento tenentista. A atuação dos integrantes
do movimento liderados por Juarez Távora,
os chamados “liberais” nos anos 1930, deve
ser entendida como:
a) a aliança com os cafeicultores paulistas em
defesa de novas eleições.
b) o retorno aos quartéis diante da desilusão
política com a “Revolução de 30”.
c) o compromisso político-institucional com o
governo provisório de Vargas.
d) a adesão ao socialismo, reforçada pelo exem-
A análise da tabela permite identificar um plo do ex-tenente Luis Carlos Prestes.
intervalo de tempo no qual uma alteração na e) o apoio ao governo provisório em defesa da
descentralização do poder político.
proporção de eleitores inscritos resultou de
uma luta histórica de setores da sociedade
brasileira. O intervalo de tempo e a conquis- 3
1. Na hierarquia dos problemas nacionais, ne-
ta estão associados, respectivamente, em nhum sobreleva em importância e gravidade
a) 1940-1950 – direito de voto para os ex-escravos. ao da educação. Nem mesmo os de caráter
b) 1950-1960 – fim do voto secreto. econômico lhe podem disputar a primazia
c) 1960-1970 – direito de voto para as mulheres. nos planos de reconstrução nacional. [...] No
d) 1970-1980 – fim do voto obrigatório. entanto, se depois de 43 anos de regime re-
publicano, se der um balanço ao estado atual
e) 1980-1996 – direito de voto para os analfabetos.
da educação pública, no Brasil, se verificará
2
9. O meu lugar, que, dissociadas sempre as reformas econô-
Tem seus mitos e seres de luz, micas e educacionais, era indispensável en-
É bem perto de Oswaldo Cruz, trelaçar e encadear, dirigindo-as no mesmo
Cascadura, Vaz Lobo, Irajá. sentido, todos os nossos esforços, sem uni-
O meu lugar, dade de plano e sem espírito de continuida-
É sorriso, é paz e prazer, de, não lograram ainda criar um sistema de
O seu nome é doce dizer, organização escolar, à altura das necessida-
Madureira, ia, Iaiá. des modernas e das necessidades do país.
Madureira, ia, Iaiá Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova (1932).
Em cada esquina um pagode um bar, Disponível em: www.pedagogiaemfoco.com.b/
heb07a.htm. Acesso em: 9 jun. 2009.
Em Madureira.
Império e Portela também são de lá, Com base no excerto anterior, assinale a al-
Em Madureira.
ternativa que melhor apresenta as inovações
E no Mercadão você pode comprar
Por uma pechincha você vai levar, no campo dos direitos sociais trazidas pela
Um dengo, um sonho pra quem quer sonhar, Constituição de 1934.
Em Madureira. a) A Carta Magna de 1934, que possuía um
CRUZ, A. Meu lugar. Disponível em: www.vagalume.uol.com.br. caráter jurídico-liberal, autoritário e cor-
Acesso em: 16 abr. 2010 (fragmento). porativista, trouxe avanços somente para
A análise do trecho da canção indica um tipo as questões do trabalho, marginalizando a
de interação entre o indivíduo e o espaço. legislação acerca da educação nacional.
Essa interação explícita na canção expressa b) A universalização da educação no interior
um processo de: do Estado é a representação de um direito
a) autossegregação espacial. histórico adquirido pelas diferentes camadas
b) exclusão sociocultural. sociais e um meio de promoção da cidada-
c) homogeneização cultural. nia, porém foi somente com a Constituição
d) expansão urbana. de 1988 que a União formalizou sua preocu-
e) pertencimento ao espaço. pação com tais questões.

223
c) No que se refere à educação formal, a Cons- 3
3.
tituição de 1934 firmou o ensino primário
público e obrigatório, representando a pri-
meira iniciativa brasileira de universalização
da educação no interior do Estado.
d) A garantia de direitos sociais pela Consti-
tuição Federal de 1934 foi uma iniciativa de
Getúlio Vargas, preocupado com o bem-estar
do povo brasileiro, e não teve nenhuma re-
lação com movimentações e/ou manifestos
da sociedade civil, que não lutou por seus
direitos.
e) A educação, bem como o conjunto de direi-
Encontro de Getúlio Vargas e Franklin Roosevelt em
tos civis, políticos e sociais, esteve presen- Natal. Disponível em: http://memorialdademocracia.
te nas legislações brasileiras desde a época com.br/card/getulio-e-roosevelt-se-reunem-em-natal
do Império, demonstrando a semelhança do
Brasil com as sociedades europeias. … dois dias após o ataque a Pearl Harbour,
os Estados Unidos requisitaram uma reunião
urgente com os ministros do exterior da
3
2. Se eu precisar algum dia de ir pro batente
América Latina no Rio de Janeiro… Nem to-
Não sei o que será
dos no Rio concordaram. Os argentinos não
Pois vivo na malandragem e vida melhor não
tinham boas razões para se envolverem na

guerra… A ajuda do México e do Brasil foi
Oi, não há vida melhor
especialmente valiosa...
Que vida melhor não há
SCHOULTZ. Lars. Estados Unidos: poder e submissão:
Deixa falar quem quiser uma história da política norte-americana em relação à
Deixa quem quiser falar América Latina. Santa Catarina: Editora Edusc, 2000
O trabalho não é bom
Ninguém pode duvidar A entrada do Brasil na Segunda Guerra Mun-
Oi, trabalhar só obrigado dial foi tema de muitas discussões, interes-
Por gosto ninguém vai lá sava ao Estados Unidos a cooperação brasi-
(Ismael Silva, Nilton Bastos e Francisco leira, não só pelo incremento de forças, mas
Alves. O que será de mim?) também pela construção de uma base militar
no Rio Grande do Norte, ponto estratégico,
O discurso expresso pelo samba O que será de além do acesso a recursos naturais brasilei-
mim?, gravado em 1931, colide com o pro- ros em meio a um esforço de Guerra. O Brasil
jeto de Nação varguista, na medida em que: que se manteve neutro na parte inicial da
a) enaltece o ideal de malandragem, ao passo Guerra e até foi um grande parceiro econô-
em que o trabalhismo varguista valoriza a mico da Alemanha Nazista na década de 30,
noção de trabalho como forma de servir à se aliou a coligação encabeçada pelos Esta-
Nação dos Unidos e Inglaterra pois:
b) estimula a preguiça e a alienação, ao contrá- a) viu-se incompatível com os ideais da Alema-
rio de Vargas que pretendia livrar o país do nha de Hitler, havendo uma pressão grande
atraso e do espírito indolente do brasileiro por parte de generais brasileiros para que o
c) ironiza o elogio ao trabalho, enquanto Var- Brasil se posicionasse contrário às práticas
gas buscava impor ao país um modelo de nazistas.
vida estadunidense, inspirado no “american b) foi mais interessante para o Governo brasi-
way of life” leiro já que os estadunidenses financiaram
d) valoriza a vida na cidade, em oposição à ide- nesse momento a construção da Companhia
alização do nativo proposta pelo romantismo Siderúrgica Nacional e da Vale do Rio Doce,
e incorporada pelo nacionalismo de Getúlio antigos desejos de Vargas.
e) critica o autoritarismo estadonovista, se c) Hitler declarou em 1942 que os países que
contrapondo à centralização do poder do Es- não tomassem uma posição favorável à Ale-
tado brasileiro durante a ditadura Vargas manha, independente de neutralidade, po-
deriam ser atacados, o que Vargas interpreta
como uma afronta, e, portanto, se une aos
aliados.
d) Roosevelt, presidente dos Estados Unidos,
promete um papel de destaque para Vargas
na condução política pelos Aliados em even-
tual caso de vitória no pós-guerra.

224
e) a Alemanha, que havia se mostrado um par- O texto, ao demonstrar a relação entre em-
ceiro econômico com potencial na década preiteiros e militares durante a ditadura,
anterior não tinha mais a mesma força para expressa:
negociar com o governo Brasileiro pelo con- a) Que o setor só foi importante no tocante as
texto da Guerra, o que faz com que Vargas obras de infraestrutura, muitas delas cons-
se ligue aos Aliados buscando compradores truídas no governo militar.
para as tecnologias vendidas pelo Brasil. b) O caráter não exclusivamente militar da di-
tadura, pois os empreiteiros eram civis, e es-
3
4. tes, junto com o restante da população civil,
apoiavam majoritariamente as medidas de
desenvolvimento social.
c) Que o setor civil que participa e consegue
influenciar de forma preponderante nas de-
cisões de Estado durante a ditadura militar é
o empresarial organizado.
d) Um preceito liberal seguido pela administra-
ção econômica da ditadura de não interfe-
rência no mercado.
e) Que existe uma barreira institucional que,
mesmo em tempos autoritários, conseguia
Disponível em: http://www.forumverdade.ufpr.br/
wp-content/uploads/opera%c3%a7%c3%a3o_condor_
fiscalizar o poder dos empreiteiros com me-
charge_latuff2008.gif. Acesso em 04/09/2018 canismos de controle.

A charge de 2008 faz referência a Operação


Condor, que congregou diversos países na
perseguição de opositores e expressa:
Gabarito
a) A tentativa dos Estados Unidos de forçar
através da diplomacia uma abertura demo- 1
. E 2
. D 3
. D 4
. B 5
. E
crática nas ditaduras militares 6
. B 7. C 8. E 9. C 10. B
b) A aliança de ditaduras militares no cone sul
para realizarem um conjunto de atividades 1
1. C 1
2. D 1
3. B 1
4. D 15. E
ilegais como tortura e desaparecimentos,
1
6. B 1
7. A 1
8. E 19. D 20. C
com apoio de serviços secretos dos Estados
Unidos, no combate a “subversão”. 2
1. D 2
2. E 2
3. E 2
4. E 2
5. D
c) O uso de dinheiro brasileiro no apoio a práti-
cas de tortura, como o pau de arara, ampla- 2
6. E 27. D 28. E 29. E 30. C
mente utilizado em todo o cone sul.
3
1. C 3
2. D 3
3. E 3
4. B 35. A
d) O não envolvimento do governo dos Estados
Unidos na política interna do cone sul, devi-
do ao apoio oficial do mesmo às campanhas
sobre preservação dos direitos humanos.
e) O uso da tortura por militares norte-ameri-
canos que realizavam missões em países do
cone sul para combate a subversão.

3
5. “Podemos refletir de maneira mais ampla e
sintética acerca da relação entre ditadura e
empreiteiros. O regime ditatorial fechado se
mostrou ambiente bastante propício para as
atividades e os lucros do setor, ao cercear a
participação popular e potencializar o acesso
dos empreiteiros ao poder e aos centros de
decisão, dando-lhe força para interferir nas
políticas públicas e inscrever na agenda es-
tatal projetos de medidas benéficas ao setor
e de obras específicas. Não é à toa, o governo
mais elogiado pelos empreiteiros foi justa-
mente o mais autoritário, o do general Emí-
lio Garrastazu Médici.”
CAMPOS, Pedro Henrique Pedreira. Estranhas Catedrais:
As empreiteiras brasileiras e a ditadura civil-militar
(1964-1988). Niterói: EDUFF, 2014. (fragmento)

225
C H Geografia

GEOGRAFIA

RPA ENEM

C H
Aplicação dos conhecimentos - Sala
AULAS 1 E 2 Tema: Correntes e conceitos do pensamento geográfico

Competência: 4 Habilidade: 19

Construção da habilidade: A questão cobra do aluno a capacidade de relacionar as transfor-


mações técnicas e tecnológicas da sociedade com o espaço, produzindo, assim, novas paisagens que
podem ser geográfica e historicamente localizadas..

MODELO 1

Dubai é uma cidade-estado planejada para estarrecer os visitantes. São tamanhos e formatos gran-
diosos, em hotéis e centros comerciais reluzentes, numa colagem de estilos e atrações que parece
testar diariamente os limites da arquitetura voltada para o lazer. O maior shopping do tórrido
Oriente Médio abriga uma pista de esqui, a orla do Golfo Pérsico ganha milionárias ilhas artificiais,
o centro financeiro anuncia para breve a torre mais alta do mundo (a Burj Dubai) e tem ainda o
projeto de um campo de golfe coberto! Coberto e refrigerado, para usar com sol e chuva, inverno
e verão.
Disponível em: http://viagem.uol.com.br. Acesso em: 30 jul. 2012 (adaptado).

Há algumas décadas, Dubai era apenas um simples entreposto comercial com pequenas construções
à beira do Golfo Pérsico. Hoje, é considerada uma cidade exótica e extravagante, como descrito no
texto. As alterações na paisagem dessa cidade são resultado da(o)
a) formulação de territórios políticos estratégicos.
b) protecionismo ambiental pautado em decisões econômicas.
c) ação de extração local de petróleo.
d) emprego de tecnologias na transformação do espaço.
e) utilização de recursos públicos na redução das desigualdades.

229
Tema: Coordenadas geográficas

Competência: 2 Habilidade: 6

Construção da habilidade: Dentro das competências da área 2 do Enem, a habilidade 6 exige do


aluno a compreensão dos conceitos cartográficos e suas aplicações.

MODELO 2

As coordenadas geográficas são um sistema de posicionamento global que identifica qualquer


ponto na superfície através de infinitas linhas imaginárias (meridianos e paralelos) que cortam
a terra no sentido norte-sul e leste-oeste e são expressas em grau, minuto e segundo. Sobre esse
sistema é correto afirmar:
a) Os paralelos são as linhas imaginárias que cortam a terra no sentido leste-oeste e tem como origem a
Linha do Equador (paralelo 0°), variando entre +90° (sul) e -90° (norte).
b) Os meridianos são círculos máximos que envolvem a terra, variando entre +180° e -180° e tem como
origem a linha internacional de mudança de data.
c) Tanto os meridianos quanto os paralelos podem ter valores positivos e negativos, dependendo do he-
misfério que se encontram (+ nos hemisférios norte e leste e - nos hemisférios sul e oeste).
d) O Meridiano de Greenwich é a linha imaginária que serve de origem para todas as latitudes do planeta.
e) A linha do Equador e a Linha Internacional de mudança de data são os paralelos mais importantes do
sistema de coordenadas geográficas por apresentarem os valores máximo e mínimo que as latitudes
podem ter.

230
Tema: Noções de cartografia

Competência: 2 Habilidade: 6

Construção da habilidade: Dentro das competências da área 2 do Enem, a habilidade 6 exige do


aluno a compreensão dos conceitos cartográficos sobre escala assim como a sua aplicação.

MODELO 3

A imagem apresenta as distâncias entre Brasília e Rio de Janeiro e entre Brasília e Florianópolis.
Para confeccionar um mapa que representa a distância em o Rio de Janeiro e capital brasileira,
que é de aproximadamente 930 km na superfície terrestre, em 3 cm, a escala adotada precisa ser:
a) 1 : 31.000
b) 1 : 30.000
c) 1 : 310.000.000
d) 1 : 31.000.000
e) 1 : 310.000

231
Tema: Correntes e conceitos do pensamento geográfico

Competência: 6 Habilidade: 26

Construção da habilidade: A questão busca ressaltar o caráter subjetivo da relação humana com
a paisagem.

MODELO 4

Portadora de memória, a paisagem ajuda a construir os sentimentos de pertencimento; ela cria


uma atmosfera que convém aos momentos fortes da vida, às festas, às comemorações.
CLAVAL, P. Terra dos homens: a geografia. São Paulo: Contexto, 2010 (adaptado).

A paisagem, em sua dimensão concreta, pode ser definida como natural ou construída. De qualquer
forma, integra a vida social. Além desse aspecto, a paisagem apresenta uma dimensão
a) política de assimilação completa do lugar vivido.
b) cultural de relação subjetiva do indivíduo com o espaço.
c) reservada e limitada aos proprietários daquele espaço.
d) natural, composta por elementos físicos do espaço.
e) visível do uso dos recursos naturais do espaço.

232
Tema: Coordenadas geográficas

Competência: 2 Habilidade: 6

Construção da habilidade: Dentro das competências da área 2 do Enem, a habilidade 6 exige do


aluno a compreensão dos conceitos cartográficos sobre escala assim como a sua aplicação.

MODELO 5

O presidente de uma empresa transnacional com sede em Londres marcou uma conferência por
skype com representantes do Rio de Janeiro e de Tokyo para o dia 15 de outubro às 17 horas (ho-
rário local de londres). Sabendo que os fusos de Londres, Rio de Janeiro e Tóquio são respectiva-
mente +1, -3 e +9, o horário e dia da conferência em cada uma das cidades será:
a) Rio de Janeiro: 14 horas do dia 15/10 e Tóquio: 23 horas do dia 15/10.
b) Rio de Janeiro: 13 horas do dia 15/10 e Tóquio: 1 hora do dia 16/10.
c) Rio de Janeiro: 13 horas do dia 14/10 e Tóquio 1 hora do dia 16/10.
d) Rio de Janeiro: 12 horas do dia 15/10 e Tóquio 2 horas do dia 16/10.
e) Rio de Janeiro: 13 horas do dia 15/10 e Tóquio: 1 hora do dia 15/10.

233
Tema: Noções de cartografia

Competência: 2 Habilidade: 6

Construção da habilidade: A Dentro das competências da área 2 do Enem, a habilidade 6 exige


do aluno a interpretação de diferentes projeções cartográficas e suas superfícies.

MODELO 6

As projeções cartográficas possibilitam a transformação do mundo real, tridimensional, para o


plano, bidimensional, dos mapas.

A superfície de projeção utilizada nas representações acima é:


a) Cilindro
b) Cone
c) Plano
d) Elipse
e) Geóide

234
Raio X - Análise Expositiva
1.
A transformação do espaço em Dubai, área localizada no Oriente Médio, é resultado do emprego de
tecnologias e muito capital para criar um espaço exótico e extravagante em uma área tórrida. As
alternativas seguintes não explicam a transformação do espaço pelo uso da tecnologia.
2.
As latitudes são definidas pelos paralelos, infinitas linhas imaginárias que circundam a Terra no
sentido