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A QUIMICA DO RELAXAMENTO CAPILAR: O USO DO LÍTIO

RESUMO

O presente trabalho contribui para se conhecer os mais variados tipos de


alisamentos e produtos que possam colaborar de forma a não prejudicar o cabelo e
o couro cabeludo. No caso os alisantes são produtos cosméticos que alisam,
relaxam, amaciam ou reduzem o volume dos cabelos. Existem diversos tipos de
alisantes vendidos e utilizados pelos salões de beleza, porem é preciso ter cuidado
ao uso desses produtos, pois para cada tipo e estrutura em que se encontra o
cabelo será utilizada uma técnica e um determinado produto a determinada base.
Deve-se compreender que o mal uso desses produtos no cabelo podem trazer
danos irreparáveis tanto ao cabelo como o couro cabeludo. Assim, todos os
alisantes, inclusive os importados, devem obrigatoriamente ser registrados na
ANVISA, pois eles podem conter substâncias proibidas, de uso restrito e em
condições e concentrações inadequadas, podendo ser nocivas. Os alisantes
capilares distinguem-se pelas substâncias ativas presentes em sua formulação. As
substâncias permitidas são: o Tioglicolato de Amônio; o Hidróxido de Sódio (soda); o
Hidróxido de Potássio; Hidróxido de Cálcio; o Hidróxido de Lítio; o Carbonato de
Guanidina/ Hidróxido de Guanidina. O produto que foi exposto no trabalho foi o
alisante a base de hidróxido de Lítiio, que age de forma semelhante ao sódio,
porém, de forma mais lenta e suave. Portanto é preciso ir em busca de um bom
profissional que saiba aplicar corretamente a técnica e o produto mais adequado ao
cabelo a ser alisado.

Palavras chave: Alisamento – produtos – Lítio


SUMÁRIO

INTRODUÇÃO......................................................................................... 04

CAPITULO 1 AS TRASNFORMAÇÕES CAPILARES............................ 05


1.1 Relaxantes químicos...........................................................................
1.2 O cabelo.............................................................................................. 07
1.2.1 Tipos de cabelo.......................................................................... 08
1.3 Avaliação / Teste................................................................................. 09
CAPÍTULO 2 RELAXANTE DE HIDRÓXIDO DE METAL........................ 11
2.1 Hidróxido de Lítio............................................................................... 11
2.2 Protetores do couro cabeludo............................................................ 12
2.3 Tempo do relaxante........................................................................... 12
2.4 Segurança do relaxamento................................................................ 13
CONCLUSÃO............................................................................................ 15
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.......................................................... 16
ANEXOS.................................................................................................... 17
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INTRODUÇÃO

Atualmente as pessoas, em especial as mulheres, querem sempre estar na


moda a qualquer custo, principalmente quando se trata de estar com os cabelos
bem arrumados. Porém a busca pela beleza dos cabelos não está somente ligados
a simples estética e sim a todo procedimento necessário para tal transformação,
seja de uma simples tintura a outros tipos de tratamento.

Desde os tempos remotos, existe uma preocupação constante das pessoas


com seus cabelos, tanto o homem como a mulher. A forma, aparência e a
cor dos cabelos indicam o estilo pessoal e as características individuais de
elegância e irreverência (VARELA, 2007, p.03).

A procura incessante para deixar os cabelos bonitos se deve as


transformações trazidas pela ciência e tecnologia, que através de seus produtos
inovadores, vêem modificando a aparência, garantindo assim beleza e jovialidade.
Para que muitas mulheres garantam essa força jovial e beleza, recorrem a
todo tipo de transformação, sem ao menos saber de suas reais consequências. Pois
sabe-se hoje que há determinados produtos que se encontram proibidos pela
Agencia Nacional de vigilância sanitária (ANVISA), por provocarem diversos
malefícios ao próprio cabelo como também a saúde.
Em virtude disso, é preciso conscientizar a população, em especial a feminina
que é preciso procurar profissionais capacitados que possam explicar todo o
procedimento a ser realizado como também que utilize produtos adequados a toda e
qualquer transformação a ser feita no cabelo.
Dessa forma, utilizou-se uma pesquisa bibliográfica a fim conhecer e entender
os processos do relaxamento capilar a partir da formulação dos produtos, princípio
ativos, mecanismos de ação com o enfoque no lítio.

CAPÍTULO I AS TRANSFORMAÇÕES CAPILARES


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A procura por ter cabelos mais sedosos, bonitos e lisos, vem sendo alvo de
todo e qualquer salão que se dedica a tal procedimento. Porém sabe-se que a
procura em transformações do cabelos vem de técnicas muito antigas. Assim como
afirma Varela (2007, p.04), “a primeira solução química de ondulação de cabelos foi
desenvolvida por Nessler, em 1906 e consistia em uma pasta de bórax (borato de
sódio) que produzia ondas duradouras, mas danificava muito o cabelo”.
Percebe-se então que a química esteve sempre presente em tais
procedimentos capilares e que a partir daí foram se aperfeiçoando até chegar aos
dias atuais. Logo após a descoberta do bórax, passou-se a utilizar uma solução de
tioglicolato de amônio, já na década de 30 e assim foram surgindo novas técnicas.

No início do século XX, a ondulação era feita por aquecimento dos cabelos
com dispositivos elétricos pesados e perigosos. Nos últimos cinquenta anos
a ciência cosmética se desenvolveu melhorando as técnicas para conferir
ondas ou cachos. Este processo é conhecido como ondulação permanente.
A tecnologia empregada nesses produtos é baseada principalmente em dois
tipos de compostos químicos: tioglicolatos e bissulfitos. Esses compostos
químicos são os mais utilizados pela indústria de permanente desde a
década de 40. Soluções altamente eficazes podem ser formuladas pela
combinação desses agentes reativos com outros ingredientes que controlam
o pH e viscosidade (SCHUELLER,2002; DRAELOS, 2000 apud VARELA,
2007, p. 05).

Portanto a preocupação em procurar transformações para o cabelo, não é


atual, pelo contrário, ela vem de longos anos e assim cada vez mais se
aprimorando.
O cabelo humano é um ornamento passível de mudanças em sua forma, cor
e comprimento. Atualmente, percebe-se, no Brasil, uma preferência em
relação aos cabelos lisos. Existem diversos procedimentos de alisamento,
mecânicos ou químicos, que proporcionam a obtenção de cabelos lisos por
um curto intervalo de tempo ou por um período prolongado. O alisamento
mecânico envolve metais com alta temperatura que modificam as ligações
de hidrogênio mais fracas, o alisamento químico utiliza agentes redutores
alcalinos que quebram as pontes de dissulfeto do córtex. As pontes de
dissulfeto são reestruturadas com o auxílio de pentes que alisam
mecanicamente o cabelo e consolidadas com o uso de agentes oxidantes
(BABY et al 2012, p. 01).

Para se obter um cabelo bonito, bem tratado, primeiramente é preciso


conhecer e compreender tos os seus aspectos morfológicos para tratá-los
adequadamente.
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De acordo com Moita (1989, 03) “os cabelos não possuem cor, nem
características estruturais e morfológicas constantes, mas elas variam de acordo
com a sua localização no corpo do indivíduo e com a sua idade”. Assim os cabelos
podem apresentar-se em lisos, crespos, duros, macios, longos, curtos, espessos,
finos, coloridos ou brancos.

O cabelo é uma estrutura epidermal especializada que consiste de raiz,


dentro da derme, e uma haste que se projeta acima da superfície. É uma
estrutura morta, composta de células queratinizadas, as quais são
compactamente cementadas, crescendo em tubo para fora da epiderme, o
folículo capilar, o qual se encontra na derme. Os folículos são contínuos
com a superfície da epiderme através do canal pilárico. Eles são inclinados.
Possuem seu maior diâmetro na região basal onde são dilatados, com o
formato de cebola, chamado de bulbo. A cavidade interna do bulbo é
completamente preenchida com um tecido conectivo de papila dermal. A
parte superior do folículo que se estende da entrada do ducto da glândula
sebácea até a superfície é o canal pilárico. Abaixo da glândula sebácea,
formando um ângulo obtuso com a superfície, está o nervo eretor do pelo. É
no folículo que ocorre a queratinização, ou seja transformação de grupos
sulfídrico em pontes de dissulfeto. A haste do cabelo é um cilindro longo e
altamente organizado de células queratinizadas as quais são orientadas e
bioqueimicamente estruturadas, ela resiste a força degenerativas tais como:
tensão, fricção e radiação ultravioleta. Ela consiste de três camadas:
medula, córtex e cutícula ( MOITA, 1989, p.04).

Pode-se então perceber que tratar o cabelo não é uma tarefa fácil, é preciso
realmente avaliar todas as condições necessárias as quais o cabelo deve
apresentar.
Um dos procedimentos mais procurados em todos os salões de beleza com
relação a transformação do cabelo são os processos relaxantes químicos.

1.1 Relaxantes químicos

Quando de houve a expressão relaxar ou alisar, trata-se dos nomes dados ao


processo reativo usado para alisar os cabelos. O relaxamento químico relaxa e
reduz o volume do cabelo ondulado. Mesmo que os objetivos sejam tão diferentes, o
relaxamento químico é semelhante ao permanente. Dessa forma a química dos
relaxantes de tio e o permanente são praticamente iguais, embora a química dos
relaxantes de hidróxido e os produtos para ondulação permanente seja totalmente
diferente, todos os relaxantes e permanente mudam o formato do cabelo quebrando
as ligações de dissulfeto (HALAL, 2011).
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Assim, de acordo com Halal (2011, p.218) “essas técnicas requerem grande
cuidado e atenção. Erros podem causar danos irreparáveis.”

No processo de alisamento capilar, o produto pode ser o mesmo, embora as


técnicas diferentes. O processo de alisamento danifica mais o fio porque
muitas das ligações químicas que mantém a integridade do fio podem ser
rompidas: as de força média, iônicas (salinas) e as fortes, ligações entre
átomos de enxofre (dissúlfeto). Entre os danos causados por consequência
dos alisamentos estão: a diminuição da resistência do fio, aumento da
porosidade e danos a cutícula, que resulta na perda do brilho, maciez e
dificuldade para pentear. Os danos causados por processos químicos são
acumulativos e após o processo, o cabelo possui pouca ou nenhuma
capacidade de recuperação natural, por isso não se deve combinar uma
sequência de processos. O mecanismo do processo de alisamento depende
dos constituintes químicos do produto utilizado, podendo-se dividir os
produtos para alisamento em duas categorias: alisantes com os hidróxidos
metálicos (sais metálicos) e alisantes com tioglicolato de amônio ( GOMES
apud VARELA, 2007, p. 06).

1.2 O cabelo

Qualquer produto de principio ativo para relaxamento ou alisamento agem


diretamente sobre a estrutura química do fio, assim é necessário compreender a
formação de toda estrutura bioquímica do cabelo.
De acordo com Varela (2007, p. 06), “o cabelo é uma massa de queratina
formada por três camadas celulares concêntricas de fora para dentro: a cutícula, o
córtex, e a medula”.

Fonte: VARELA, 2007


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Portanto entende-se que a maior parte do cabelo é constituída pela proteína


denominada queratina.

A queratina como outras proteínas, é formada por aminoácidos em forma


de íons com cargas positivas e negativas. Esses aminoácidos podem formar
grandes estruturas poliméricas através de legações amidas entre o grupo
ácido de um aminoácido e o amino de outro. Para a queratina ter uma
estrutura organizada, modelada e fixa, forma-se outras ligações químicas
adicionais, ligações estas relacionadas, que se dispõem de três modos: a
formação de pontes de hidrogênio entre cadeias polipeptídicas
paralelas : são consideradas fracas, quebram-se com a simples ação da
água porem são numerosas e significativas para a estabilização da estrutura
da proteína. A formação de ligações salinas entre as ligações paralelas
de ácidos e bases: algumas cadeias de polipeptídios possuem grupos
ácidos e outros básicos, por isso há a formação de sais (ligações iônicas ),
são consideradas de força média. A formação de ligações pelos átomos
de enxofre ou dissulfeto: são ligações fortes. A solidez e insolubilidade da
queratina atribuem-se a grande quantidade do aminoácido cistina, este
aminoácido contendo dois grupos amino e dois grupos carboxilo, por isso,
podem ligar-se a cadeias polipeptídicas paralelas através dos átomos de
enxofre ( WILKINSON, 1990; GOMES 1999; apud VARELA, 2007, p. 06).

Assim, Halal (2011, p. 218) afirma que “ o cabelo memoriza sua forma natural
e resiste às tentativas de mudá-la; ele contém milhões de cadeias polipeptídicos
com fortes ligações laterais de dissulfeto. As ligações de dissulfeto, peptídicas, de
sal e de hidrogênio trabalham juntas para criar a surpreendente e forte estrutura do
cabelo”.
Portanto ao aplicar os relaxantes nos cabelos enrolados poderá ocorrer a
quebra das ligações laterais de dissulfeto. Assim para melhor aplicar esses tipos de
relaxantes, é preciso a análise dos tipos e texturas do cabelo, ou seja, é necessário
uma avaliação completa do tipo e condição do cabelo a ser relaxado, para que se
possa minimizar os possíveis danos, tanto ao cabelo, como ao couro cabeludo. É
importante então detectar as diferenças entre os tipos de cabelo e os resultados do
relaxamento químico ( HALAL, 2011).

1.2.1 Tipos de cabelo

Para se aplicar os relaxantes químicos como já foi mencionado, é preciso


analisar o tipo de cabelo para se obter um resultado melhor se tantos danos ao
cabelo e ao couro cabeludo. De acordo com Halal (2011, p.218-219), caracteriza as
diferenças entre os cabelos durante o processo do alisamento.
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 O cabelo extremamente enrolado: cresce em longas esperais enroladas. As


seções transversais são muito elípticas e variam em formato ao longo do
comprimento. [...]
As seções mais finas e fracas do fio de cabelo estão localizadas na torção.
Essas seções também são curvas em um ângulo agudo, e serão mais alisadas
durante o relaxamento. [...] Cabelos extremamente enrolados normalmente se
quebram na torção por causa da fraqueza ali localizada e da força física extra que é
necessária para alisá-lo.
 Cabelo fino: As ligações no cabelo fino que devem ser alisadas estão
localizadas no córtex. Se o cabelo é fino e, por isso tem um diâmetro menor
que um cabelo normal ou médio, a quantidade de córtex será menor. Se a
cutícula do cabelo não for muito resistente a penetração do relaxante será
mais rápida.
 Cabelo poroso: Ele absorve soluções mais rapidamente que o normal, e é
naturalmente mais rápido para processar. Menos tempo de processo.
 Cabelo grosso: tem um diâmetro maior que tem o tipo normal, e isso resulta
em uma área maior de córtex. Assim, mais ligações de dissulfeto precisam
ser rompidas, e o tempo do processo será mais longo.
 Cabelo denso: é geralmente muito grosso, com mais fios por centímetro
quadrado que um cabelo normal, o que significa que há mais cabelo para
alisar. Assim será usados mais relaxante para assegurar que todo o cabelo
seja totalmente coberto.
 Cabelo resistente: tem menos probabilidade de ser danificado pelo
processamento em excesso, porque a camada de cutícula compacta e
apertada resiste em ser penetrada pelo relaxante
 Conteúdo do enxofre: alguns cabelos normalmente ruivo e preto, contém alto
teor de enxofre. Isso que dizer que há mais ligações de dissulfeto para ser
rompidas, o que aumenta o tempo para relaxar.

1.3 Avaliação / teste

Após a identificação do tipo de cabelo, é também necessário realizar uma


avaliação ao pré relaxamento e teste de mecha.
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Portanto antes de aplicar o relaxamento é preciso realizar três tipos de testes:


o de elasticidade, da porosidade e de mecha. Esses testes, junto com as
observações cuidadosas, permitem que o cabeleireiro avalie as condições do cabelo
(HALAL, 2011).
Entende-se por elasticidade, a habilidade do cabelo em esticar e voltar ao seu
formato original sem quebrar. Normalmente, o cabelo pode ter um alto grau de
elasticidade. Perda em elasticidade é sinal de dano. Um fio saudável de cabelo
molhado pode esticar em até 50% de seu comprimento. Para testar a elasticidade,
estique um fio de cabelo seco entre seus dedos. Repita este teste em vários locais
(HALAL, 2011).
Já o teste da mecha é possível detectar algum problema em potencial
existente, antes que eles aumentem. Esse tipo de teste mostra como o produto
age no cabelo do cliente e prediz o resultado que pode ser esperado. Assim o teste
de resistência de mecha diminui a chance de uma surpresa desagradável.
Assim espera-se que se faça a melhor escolha do relaxante a ser utilizado no
cabelo.
Como já foi comentado, é interessante sempre estar atento sobre o tipo de
ingrediente ativo que vai ser colocado no seu cabelo. As substâncias alisantes
permitidas pela legislação sanitária vigente no Brasil para uso neste tipo são:
 Ácido tioglicólico, seus ésteres e seus sais 
 Hidróxido de sódio ou potássio, seus sais e suas combinações 
 Hidróxido de lítio, seus sais e suas combinações e também as guanidinas.
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2 RELAXANTES DE HIDRÓXIDO DE METAL

Os relaxantes utilizados para o uso capilar, são os compostos de hidróxido de


metal, pois são compostos iônicos formados por metal – sódio (Na), potássio (K) ou
Lítio (Li) – que é associado com o Oxigênio (O) e o hidrogênio (H). Esses relaxantes
incluem hidróxido de sódio (NaOh), hidróxido de potássio (KOH) e hidróxido de lítio
(LiOH).

Todos os cremes relaxantes à base de hidróxido de metal contém apenas


um componente e não requerem misturas, devendo, assim, ser usados
exatamente como são embalados nos frascos. O íon de hidróxido (OH-) é o
ingrediente ativo nos relaxantes de hidróxido. Não há diferença significante
no método de aplicação ou na habilidade de hidróxido. Todos eles dividem a
mesma química, que os faz incompatíveis ou muito menos tolerantes aos
produtos para ondulação permanente ou cremes relaxantes a base de tio
(HALAL, 2011 p. 225-226).

Portanto, ao escolher um relaxante, considere fatores como a quantidade de


tempo que leva para alisar o cabelo, bem como a composição química do relaxante.
Existem diversos tipos de relaxantes que são derivados do hidróxido de metal,
que são os: hidróxido de sódio; hidróxido de lítio e hidróxido de potássio, hidróxido
de guanidina e outros relaxantes (bissulfeto de sódio).
O que se vai destacar que é o tema desse trabalho, é o relaxante a base de
hidróxido de lítio.

2.1 Hidróxido de lítio

Um dos produtos utilizados no alisamento, se destaca o hidróxido de Lítio


(LiOH), embora essa técnica não tenha lixívia, a química é idêntica, com pouca
diferença em seu desempenho. O íon de hidróxido (OH-) é o ingrediente ativo em
todos os relaxantes de hidróxido. Todos os relaxantes de hidróxido de metal dividem
a mesma química, que os faz incompatíveis com os produtos para ondulação
permanente ou cremes relaxantes a base de tio (HALAL, 2011).

O hidróxido de lítio age de forma semelhante ao sódio, porém, de forma


mais lenta e suave. Infelizmente não apresenta a mesma versatilidade do
cálcio, mas, quando usado em concentrações baixas e por um bom
profissional pode-se relaxar um cabelo mechado, ou mesmo descolorido,
desde que se tenha um bom conhecimento de diagnóstico do fio, técnica de
aplicação e um cabelo bem cuidado. Neste caso, em especial, a base
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cremosa, onde o hidróxido de lítio está incorporado, deve ser bastante


emoliente e hidratante para suprir as deficiências do fio e controlar um
pouco a ação do lítio sobre o cabelo já enfraquecido. Deve-se levar em
conta que, se o fio já está muito poroso, o que poderemos conseguir será
apenas alinhá-los um pouco, acalmando as madeixas, e assim proporcionar
mais brilho e um aspecto saudável ( REVISTA CABELEREIROS, 2012, p.
01).

Assim existem relaxantes que são compostos pelos hidróxidos de sódio, lítio e
cálcio, sendo que o último é associado ao carbonato de guanidina no momento do
uso. São produtos na forma de creme que podem causar lesões no couro cabeludo
e nos olhos se não forem aplicados corretamente. O que diferencia um do outro é a
“força”: o hidróxido de sódio é o mais forte, o hidróxido de lítio é o intermediário e o
hidróxido de cálcio (guanidina) é o de ação mais suave (GUSTAVO, 2012).

2.2 Protetores do couro cabeludo

Além de todas as técnicas e análise que foram propostas, é importante também que se
proteja o couro cabeludo, ou seja, utilizar produtos elaborados exclusivamente para a proteção
do couro. Assim esses produtos fazem uso de resinas e petrolatum, e meio recentemente a
indústria cosmética tem apresentado produtos com base aquosa e bons índices de proteção
(HALAL, 2011).

Protetores de couro cabeludo em base aquosa oferecem maior facilidade de


remoção durante o procedimento de enxágue do creme relaxante. Esse tipo
de produto é sempre muito importante se levarmos em conta a enorme
diferença de pH que existe entre a pele e os cremes relaxantes a base de
hidróxidos, e, por isso, é sempre prudente proteger o couro cabeludo,
respeitando um centímetro de distancia da raiz durante o processo de
aplicação dos cremes relaxantes com bases mais alcalinas (hidróxidos)
(HALAL, 2011, p. 227).

Portanto é importante se preocupar com os produtos que levam a proteção


não só dos cabelos como também do couro cabeludo.

2.3 Tempo do relaxante

Para se obter um relaxamento eficaz e longe de problemas, é preciso também


manter-se atento ao tempo em que o produto deve permanecer na cabeça.
Assim se não for realizado corretamente a temporização do produto do
relaxamento no cabelo, pode acarretar perigo ao cliente.
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É importante desenvolver um sistema sem falhas para a temporização dos


serviços de relaxamento. Somente o teste de mecha pode temporizar um
processo relaxante e, por isso, ele é fundamental e obrigatório. Sempre use
um relógio com alarme. Verifique o cabelo do cliente periodicamente. Isso
melhora a qualidade dos serviços e ajuda a evitar o excesso de
processamento. Usado de forma imprópria, os relaxantes com pH
extremamente elevado podem destruir rapidamente o cabelo e a pele. [...]
Com cuidado e atenção, estes nunca terão problemas (HALAL, 2011, p.
229.

Dessa forma, é preciso compreender a importância em utilizar produtos de


boa qualidade e que realmente tenham procedência garantida., para que se possa a
garantir a saúde dos cabelos.

2.4 Segurança do relaxamento

Deve-se prestar muita atenção em todo procedimento realizado durante o


relaxamento, pois imagina-se que o relaxamento seja um simples processo. Engana-
se, quem pensa dessa forma, pois poderá haver irritação do couro cabeludo entre
outros sinais, que poderão ser sentidos até mesmo depois da aplicação. Portanto
lavar o cabelo antes do serviço de relaxamento com as bases mais alcalinas (os
hidróxidos) pode elevar o risco de irritação. O escalpo tem uma barreira protetora
natural de sebo que é temporariamente removida quando o cabelo é lavado.
De acordo com Halal (2011, p. 229-230), existem algumas dicas de
segurança que podem e devem ser cumpridas para o melhor desempenho do
produto.
 Peça aos clientes que fiquem sem lavar o cabelo por 24 horas antes da
aplicação do relaxante químico. [...] recomendar que o cliente use um xampu
antirresíduo. Nunca lave o cabelo de um cliente antes de aplicar um relaxante
químico.
 Examine o couro cabeludo e o cabelo cuidadosamente antes de começar um
tratamento relaxante químico. Procures sinais de irritação, vermelhidão,
sensibilidade ou inchaço no tecido, feridas abertas, ressecamento excessivo e
outros problemas de peles. Se um problema for observado, aconselhe seu
cliente a consultar um dermatologista antes de continuar com qualquer
aplicação química.
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 Relaxantes e neutralizantes são potencialmente perigosos para os olhos.


Caso ocorra contato acidental com os olhos, enxágüe-os imediatamente com
água corrente e procure um médico.
 Para evitar acidentes, use proteção ocular correta. Utilize cremes protetores
para prevenir o contato com o rosto, olhos, e pescoço do cliente.
 Lavar e enxaguar de forma correta são passos importantes. Os resíduos do
relaxante ficam presos dentro do cabelo relaxado. A falha em neutralizar
esses resíduos alcalinos completamente pode causar danos e ressecamento
excessivos.
 Siga corretamente as instruções do fabricante quanto ao enxágüe e
neutralização. Após neutralizar, faça um enxágüe ácido; então lave o cabelo
com um xampu suave ácido e aplique um condicionador. Lembre-se de que a
neutralização do cabelo é totalmente alcançada pelo processo e sequência de
enxágues e produtos adicionados para promover a regressão do pH da fibra
capilar. Certifique-se se massagear o couro cabeludo gentilmente. Isso
previne mais irritação ao tecido sensível. Evite escovar os cabelos molhados
no processo de finalização do serviço de alisamento, pois isso pode interferir
na saúde geral dos cabelos e promover micorfissuras internas na fibra;
portanto, é importante que os cabelos estejam secos para que finalmente
possam ser modelados e finalizados.
Dessa maneira, ao seguir todas as propostas corretamente, de acordo com a
ANVISA, como também do produto a ser utilizado, pode-se obter um resultado
satisfatório, para ambos (cliente/profissional).
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CONCLUSÃO

Ao concluir o trabalho pode-se perceber que a procura em alisar e deixar o


cabelo sempre bonito, brilhante e consequentemente liso é preciso ter muita técnica
e entendimento sobre aquilo que se propõe a fazer.
A preocupação em alisar os cabelos vem da antiguidade, e assim se
evoluindo, tanto no quesito técnica como nos produtos utilizados. Sabe-se que as
indústrias atualmente investem muito no mercado de cosméticos, principalmente nos
relacionados ao cabelo.
Assim a cada momento, surgem novos produtos e técnicas inovadoras para
se obter um cabelo bonito e liso. Porem o que ainda não se imagina é que para se
aplicar e escolher um produto realmente adequado ao tipo de cabelo fará toda a
diferença futura.
Para se aplicar um produto que servirá como alisante, é preciso
primeiramente conhecer o tipo de cabelo para saber a base do tipo de alisante a ser
utilizado no processo. Muito se pergunta, será que todo esse procedimento é
necessário: Sim, pois existem diversos tipos de alisantes, a base de hidróxidos ou
seja de sais metais, como é o caso do hidróxido de sódio, hidróxido e potássio e lítio,
e hidróxido de guanidina.
Se não for feita uma avaliação correta , e assim utilizar alguns desse alisante
sem a análise, pode-se estar condenando o cabelo para sempre, ou seja, causar-
lhe danos irreparáveis.
Portanto não é somente a busca de novos produtos e técnicas que bastam
para se obter um cabelo perfeito, ou seja, um alisamento perfeito e sim quem irá
aplicá-lo. Deve-se então procurar um bom profissional que realmente conheça todas
as técnicas e suas potencialidades e o danos que podem ocorrer se não utilizadas
de maneira adequada.
É importante que o cabeleireiro esteja preparado para fazer um bom
diagnóstico do fio, identificando se os princípios ativos que serão usados são
compatíveis com o da coloração ou do processo químico feito anteriormente. Cada
ativo é melhor para um tipo de cabelo ou mais indicado para um resultado que se
quer alcançar, como afirma Daniela Mora (2005).
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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formaldeído em procedimentos de alisamento. 2012. Disponível em:
<http://webcache.googleusercontent.com/search?
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CORAZZA, Sonia . Dicas sobre alisamento & relaxamento do cabelo. 2012.


Disponível em: <
http://www.belezainteligente.com.br/site/modules.php?name=Conteudo&pid=84>
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GUSTAVO. Os produtos para alisamento capilar. 2012. Disponível em:


http://www.cosmeticaemfoco.com.br/2009/09/os-produtos-para-alisamento-
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HALAL, JOHN. Tricologia e a química cosmética capilar. Trad. Ez2translate. São


Paulo: Cengage Learning, 2011.

MOITA, Graziella Ciaramella. Propriedades físico-químicas de cabelo: Avaliação


de interações com corante e surfactantes. Tese de mestrado da Universidade
Estadual de Campinas. Campinas, 1989.

REVISTA CABELEREIROS. Relaxamento e alisamento capilar. 2012. ed. 09.


Disponível em:
http://revistacabeleireiros.com/materia/relaxamento-e-alisamento-capilar/9 . Acesso
em: 13 Out. 2012.

VARELA, Antonio Edson Martins. Um estudo sobre os princípios ativos dos


produtos para alisamento e relaxamento de cabelos oferecidos atualmente no
mercado brasileiro. Trabalho do curso de cosmetologia da Universidade do Vale do
Itajaí. Balneário Camburíu, 2007.
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ANEXOS

ALISANTE A BASE DE HIDRÓXIDO DE LÍTIO


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