Você está na página 1de 14

I) ORIENTAÇÃO GERAL PARA O EXAME

DA ANPEC

Prof. Dr. Fábio Barbieri

O objetivo deste trabalho é ajudá-lo no estudo para o exame da ANPEC. A


preparação para a prova envolve tanto o estudo da teoria quanto a resolução de
exercícios. Neste instante, iremos nos concentrar neste último aspecto, através de
orientações gerais a respeito da maneira pela qual devemos abordar os exercícios e
o estudo do conteúdo em geral..
Para que o aluno tenha um desempenho satisfatório no exame, é importante que o
tempo de estudo seja alocado de forma econômica. Para tal, segundo um resultado
fundamental da própria teoria econômica, devemos igualar o benefício marginal
com o custo marginal de cada tipo de estudo. Pela nossa experiência, existem
alunos com a tendência imediatista de se dedicar apenas aos exercícios e
negligenciar o estudo da teoria, considerada como já estudada. O erro desta
estratégia consiste no „desperdício‟ dos exercícios. Estes devem servir para checar a
compreensão do assunto e desenvolver a habilidade de solução de problemas, que
na prova serão diferentes. O aluno que só estuda os exercícios conhece tudo sobre
o que caiu nas provas passadas, mas é incapaz de resolver os da prova que
importa... Por outro lado, existem alunos que negligenciam os exercícios em favor
da teoria. Neste caso, por sua vez, corremos o risco de descobrir quais são nossas
dúvidas apenas quando elas aparecerem na prova. O exame dos exercícios, por sua
vez, é de extrema utilidade, na medida em que as provas tendem a seguir o padrão
das provas anteriores. Quanto menos nos depararmos com „novidades‟ no exame,
melhor. A estratégia que sugerimos é então a seguinte:
Em primeiro lugar, estude a teoria. Escolha um livro rico em detalhes e faça
resumos dos tópicos centrais (fórmulas e gráficos. Não há tempo para textos
longos!). Faça em seguida os exercícios do próprio livro e retorne ao texto para
sanar as dúvidas. O estudo de uma disciplina é como pintura de parede: ocorre por
„mãos‟. Depois dessa primeira mão, deixe secar e estude outra matéria. Quando
voltar para o resumo, as idéias estarão mais assentadas, mas ainda não muito
fixas. Sugiro então um livro mais resumido, com os tópicos principais (ou o
desprezo pelos capítulos do livro anterior que não são fundamentais). Depois dessa
segunda mão, resolva os exercícios das provas anteriores (sem olhar as apostilas
com as soluções antes!). Volte para a teoria, tente de novo e só ai leia a solução ou
pergunte para professores e colegas. Assim, estaremos extraindo o maior benefício
possível de cada exercício.
Volte sempre aos resumos. Na prova, além dos exercícios numéricos, existem
muitos exercícios conceituais. Em vários deles, não se pede raciocínios complexos,
mas faz-se apenas uma verificação se o aluno está familiarizado com o assunto.
Como o tempo é precioso, não deixe para pensar na hora. Quanto mais o assunto
estiver incrustado em sua memória (pelo estudo repetido da teoria e exercícios),
menos tempo e energia é gasto. Em microeconomia, é crucial que o aluno saiba
traçar as curvas de custo e os gráficos associados à competição e monopólio sem
pensar duas vezes. Para não se confundir, quando perceber que a questão é,
digamos, sobre custos, desenhe o gráfico antes de ler as alternativas. Existem
muitas questões que dirão apenas „ em tal trecho a curva tal está acima da curva
tal‟ ou „tal curva é crescente e côncava‟.
Nas questões numéricas, treine bastante com exercícios antigos. O método de
solução de exercícios de, digamos, um oligopólio de Cournot ou a maximização de
utilidade é o mesmo para cada tópico, de forma que o treino prévio não só aumenta
a probabilidade de resolver uma outra questão do assunto, mas também reduz o
tempo de resolução.
Ainda sobre o tempo, não perca tempo com questões complicadas no início da
prova. Isso ocorre quando o aluno pensa „eu conheço esse assunto e tenho que
resolver isto‟. Quando se percebe que o tempo passou, perde-se confiança e
ficamos nervosos com o pouco tempo restante. Faça então as questões mais fáceis
para você primeiro, geralmente aquelas conceituais mais diretas.
Durante os meses que antecedem a prova, procure estudar bastante, mas fique
sereno. A ansiedade nos torna burros e sem memória! Dá uma sensação de que
estudamos uma coisa, mas entrou por um ouvido e saiu por outro. Não desespere:
reveja sempre os resumos. No final da preparação, muitas vezes é melhor recordar
o que já sabemos (e esquecemos) do que investir tempo em um assunto novo, pois
o nosso „capital intelectual‟ deprecia muito rápido! Independente disso, quanto mais
calmos, mas aprendemos e retemos.
Finalmente, estude bastante! o seu desempenho na ANPEC provavelmente será
proporcional ao número de „horas-cadeira‟ que passamos estudando.
Após essas considerações gerais sobre o estudo, vejamos algumas „dicas‟ sobre a
resolução da prova propriamente dita.
A prova é no formato de testes cujas alternativas devem cada uma ser assinaladas
como verdadeiras (V) ou falsas (F). Cada alternativa assinalada incorretamente
anula uma certa. A razão disso é que, como existem apenas duas possibilidades em
cada item (V ou F), a tendência seria acertar algo como metade da prova sem
estudar se "chutarmos" tudo V ou F. Algumas questões, porém, pedem que um
valor seja calculado e assinalado no gabarito. Neste caso, um erro não anula um
acerto. Dadas essas regras, algumas observações devem ser feitas:
 A mais óbvia é: nunca chute! Você corre o risco de tirar uma nota negativa.
Quem vai bem na prova não acerta tudo ou quase tudo. Assinale apenas aquilo
que tiver certeza. Um „chute bem educado‟ pode arruinar aquilo que você já
sabe. Por mais que saibamos disso, ainda assim caímos em tentação... No meu
caso particular, lembro-me que minhas maiores notas foram naquelas matérias
que eu sabia menos! (Não conclua disso, falaciosamente, que quanto menos
estudar melhor...).
 Ainda em relação a isso, resista especialmente à tentação de querer responder
uma questão cujo assunto você domina completamente, mas cuja ambigüidade
do enunciado torna a resposta incerta. A tentação ocorre porque é frustrante
não acertar apenas porque a prova foi mal escrita.
 Porque as questões são muitas vezes ambíguas? Ao contrário dos testes
convencionais com alternativas mutuamente excludentes e apenas uma
alternativa correta, o que reduz significativamente a ambigüidade do enunciado,
as questões da ANPEC são freqüentemente sujeitas a interpretações diferentes.
Além de textos mal escritos, isso ocorre pela confluência de dois fatores: ao
mesmo tempo em que os enunciados são bem curtos, boa parte dos resultados
da teoria econômica, pela complexidade de seu objeto de estudo, depende de
um grande número de hipóteses auxiliares. Não dá portanto para explicitar
todas as condições para que uma frase seja verdadeira. Então, leia com atenção
o enunciado e resista à tentação de responder se o enunciado for ambíguo.
 Em relação a esse problema, duas coisas podem ocorrer:
1) o examinador quer saber se o aluno conhece uma exceção e a frase é então
falsa.
2) ou o examinador assume o caso geral e simplesmente não pensou em todas as
hipóteses auxiliares para que a frase seja verdadeira. Pensando em alguma
dessas condições você assinalaria F, mas no gabarito é V. Exemplo:
A frase : “em equilíbrio a TMS se iguala aos preços relativos” é verdadeira ou falsa?
Como são bem estudadas as exceções, como soluções de canto ou curva de
indiferença não diferenciáveis, é evidente que a frase é incorreta. Mas em uma
frase como “se o preço aumentar, a quantidade vendida diminui, mas a receita
pode aumentar o diminuir conforme a elasticidade da demanda” seria exagero
pensar: „Ei! a primeira parte da frase está errada porque existem os bens de Giffen
que contrariam essa afirmação!‟ Evidentemente o examinador não estava pensando
nessa possibilidade, e queria apenas cobrar a relação entre elasticidade e receita.
Assim, rigorosamente, sem especificar todas as hipóteses auxiliares, todas as
alternativas seriam falsas! Entretanto, quanto mais você estudar a matéria, mais
fácil será distinguir se o examinador toma aquela hipótese auxiliar como evidente
ou se está pensando em exceções.
 Não fique nervoso então com esse problema. Fazendo exercícios e estudando a
matéria, o aluno se exercitará na arte de distingir as „pegadinhas‟ do
examinador do caso no qual você está apenas vendo „pelo em ovo‟ e não se
trata de pagadinha alguma. Sempre pense nas hipóteses auxiliares. Embora
sempre envolva uma avaliação de risco, dependendo da interpretação do texto,
podemos acertar a maioria das vezes.
 Uma boa dica para detectar a intenção do examinador é prestar atenção para
termos como „toda vez‟, „nunca‟, „qualquer‟ ou „sempre‟. Quando esses termos
ocorrerem, fiquem atentos às exceções. É provável que a afirmação seja falsa.
 De vez em quando, um examinador desatento confunde a prova no formato V
ou F com os testes convencionais. Existem questões numéricas que pedem, por
exemplo, para calcular o lucro de equilíbrio. Cada alternativa então é um valor
de lucro diferente. Ora, logicamente, como apenas uma resposta é correta e as
outras falsas, vale a pena chutar tudo F, de maneira que o único erro será
compensado por um acerto e ainda temos 3 acertos de graça, sem saber nada
sobre a questão. Embora esse erro seja cada vez mais infreqüente, procure
examinar se a veracidade uma alternativa não implica a falsidade ou veracidade
de outra e vice-versa. A sua resposta não pode ser logicamente contraditória!
 Leias as alternativas com atenção. Ocorre freqüentemente de lermos uma
(geralmente longa) definição correta na qual apenas uma palavra está fora do
lugar. De vez em quando é difícil pensar no significado da frase resultante. Sem
tempo, é melhor notar que existe uma palavra trocada em uma afirmação
conhecida e assinalar falso. Ocorre de vez em quando que a frase embaralhada,
por sua vez, seja correta por acaso! Neste caso, o gabarito estará assinalando
uma resposta errada.
 Atente também para duas afirmativas corretas isoladamente, sendo que uma
delas é usada para justificar a outra, e essa relação não segue. A leitura rápida
pode confundir o candidato.
 Estudo os sinônimos de termos técnicos. Muitas vezes deixamos escapar uma
questão fácil porque não sabíamos que função de produção de Leontieff na
verdade é usado como sinônimo de complementos perfeitos ou „taxa de
substituição econômica‟ é simplesmente igual a preços relativos ou ainda
„receita média‟ no lugar do preço.
 Ocorre com freqüência o uso de uma linguagem „barroca‟, cheia de voltas.
Reduza as duplas negações a afirmativas, substitua os „receita média‟ por
preços quando for o caso, e troque o termo „não positivo‟ pelo símbolo  ,o que
facilita a leitura da frase.
 Finalmente, reserve algum tempo para estudar o básico da lógica simbólica.
Como as afirmações da prova são verdadeiras ou falsas, o candidato precisa
saber quais são as formas de refutar uma afirmação (mostrar que ela é falsa).
Em seguida, resumiremos as relações e termos lógicos que podem auxiliar o
candidato na tarefa de falsificar as alternativas propostas.
II) NOÇÕES DE LÓGICA
Prof. Dr. Fábio Barbieri

A prova da ANPEC é composta por questões que contém proposições que podem
ser verdadeiras ou falsas. Cada proposição pode conter, por sua vez, um conjunto
de informações sobre a matéria. Como podemos dizer que uma proposição é
verdadeira ou falsa a partir da veracidade ou falsidade de cada informação contida
nela? Para responder essa pergunta, é útil o estudo das regras elementares da
lógica simbólica.
Iniciamos com algumas definições.
Proposições são sentenças as quais se aplicam os qualificativos “Falso” ou
“Verdadeiro”. São simples (exemplo: "q é um bem normal") ou compostas, ou
seja, proposições simples ligadas por conectivos (exemplo: "Se q é um bem
normal, então não pode ser um bem de Giffen").

As proposições simples são representadas por letras como A, B, C, ... ou p, q, ...

Os conectivos usados pela lógica são a junção, disjunção, negação, condicional


e bicondicional, representadas respectivamente pelos seguintes símbolos:

e (), ou (), não (~ ou  ), se...então... (), se e somente se ()

Exemplos de proposições compostas:

Princípio da não contradição: ~(P~P). Não é verdade que uma frase p é ao mesmo
tempo verdadeira e não verdadeira (falsa).

Exemplo: "não pode ocorrer que um bem seja normal e sua curva de demanda seja
positivamente inclinada".

Princípio do terceiro excluído: P~P. Ou ocorre p ou ocorre a sua negação (não


existe terceira opção)

Exemplo: ou um bem é inferior ou é normal

Tabelas Verdade:

É fundamental para o exame saber quando uma proposição composta é verdadeira


ou não. Qualquer proposição simples ou é verdadeira ou é falsa. A veracidade de
uma proposição composta, por sua vez, depende da veracidade das proposições
simples que a compõe. Assim, podemos representar em uma tabela todas as
combinações relativas as proposições simples. Tais tabelas são conhecidas como
tabelas verdade.
Vejamos as tabelas verdade básicas:

Negação:

P ~P
V F
F V

Quando uma afirmação p for verdadeira, sua negação será falsa e vice-versa.
Exemplo: "A função utilidade é não decrescente na quantidade do bem." Na prova,
de vez em quando surge a dupla negação ~~P, cuja tabela verdade equivale
aquela de P.

Conjunção (e):

P Q PQ
V V V
V F F
F V F
F F F

Para a conjunção ser verdadeira, as duas proposições simples devem ser


verdadeiras; do contrário, a sentença „isso e aquilo‟ será falsa. Exemplo: “Em
equilíbrio competitivo, cada firma produz minimizando o custo médio e igualando o
preço ao custo marginal.”

Disjunção (ou):

P Q PQ
V V V
V F V
F V V
F F F

Para a disjunção ser verdadeira, basta que uma das duas proposições simples seja
verdadeira (ou ainda as duas ao mesmo tempo) para que a proposição composta
também o seja. Repare que no linguajar coloquial, de outro modo, “ou isso ou
aquilo” tende a significar que quando um deles ocorre, o outro não. Em lógica, o
„ou‟ é não excludente. Exemplos:
“ou o bem é normal ou inferior” é excludente, enquanto que “ou o bem é
complementar ou toda curva de demanda é positivamente inclinada” é não
excludente. Neste último caso, a frase seria verdadeira, pois a primeira parte é
verdadeira.

Proposição condicional (se...então):

P Q PQ
V V V
V F F
F V V
F F V

Chegamos no conectivo mais importante. Seja p igual a “o bem é inferior” e q igual


a “o bem é de Giffen”. “Se o bem for de Giffen, então será inferior” é verdadeira. A
única maneira de refutar essa afirmativa é encontrar um exemplo no qual o bem
seria de Giffen e não inferior, como está indicado na segunda linha, a única
assinalada com F na proposição composta. A última linha seria representada por
um bem normal que não é de Giffen. A existência desse caso não diz nada sobre a
veracidade da proposição condicional. Portanto, assinalamos verdadeiro. Na terceira
linha, teríamos um bem que não é de Giffen, mas é inferior. Esses bens, que
existem, também não provam a falsidade da afirmação composta. Repare que na
implicação condicional „não vale a volta‟: seria falso concluir que se um bem for
inferior, então é de Giffen. Esse exemplo, aliás, ocorre inúmeras vezes em provas
da Anpec.
A frase “Se p, então q” pode ainda ser expressa como: “todo p é q”, “p é condição
suficiente para q‟ ou ainda “q é condição necessária para p”.

Proposição bicondicional (se e somente se):

P Q PQ
V V V
V F F
F V F
F F V

Quando p implica em q e vice-versa, temos ao proposição bicondicional. Ela é


válida quando as duas proposições simples têm o mesmo valor de verdade: ou as
duas são falsas ou as duas verdadeiras. Nesses casos, temos a proposição
composta assinaladas por V. Quando uma for verdadeira e outra falsa, a
bicondicional será falsa.

Tautologia:

Tautologias são sentenças compostas que são sempre verdadeiras, independente


do valor das proposições simples. Isso pode ser visto pelas tabelas verdades.
Exemplos:

a) P~P

P ~P P~P
V F V
F V V

Exemplo: "ou uma cesta de consumo é preferida a outra ou esta é preferida a


aquela".

b) exercício: Preencha a tabela verdade e mostre que a sentença composta é uma


tautologia:

(AB)  (AB)

Contradição:

Contradições são proposições cuja tabela verdade tem todas as linhas falsas.
Construa as tabelas verdades das sentenças abaixo:

a) A~A b) P~P

Equivalência Lógica ():

Temos uma equivalência tautológica quando duas sentenças apresentam tabelas


verdades iguais e compostas das mesmas proposições simples. Na prova da Anpec,
muitas vezes é útil trocar uma sentença com significado complicado por uma outra
proposição equivalente.
Vejamos alguns exemplos importantes de equivalências(verifique você mesmo se
as tabelas são equivalentes):

a) Associação

(AB) C  A(BC)
(AB) C  A (BC)

b) Distribuição

A  (BC)  (AB)  (AC)


A (BC)  (AB)  (AC)

c) Dupla Negacão

~~AA

Na prova, quando isto ocorrer, substitua a primeira pela segunda para desocupar
espaço na sua cabeça!

d) Equivalência Condicional

AB  ~AB

AB  ~B~A

“Se estiver chovendo, estará nublado” é equivalente a “não está chovendo ou está
nublado” ou ainda “se não estiver nublado, então não estará chovendo”. Verifique
pelas tabelas verdades.

Negação de Proposições Compostas:

Proposicão Negação Direta Negação Equivalente


AB ~(AB) ~A~B
AB ~(AB) ~A~B
AB ~(AB) A~B

Para negar uma conjunção, preciso negar as duas simples ao mesmo tempo.
Para negar uma disjunção, basta negar uma delas (ou não uma, ou não outra).
Para negar uma proposição condicional, teria que achar um exemplo no qual
estivesse chovendo (A) e não estivesse nublado (~B).

Raciocínios Válidos e Raciocínios Falaciosos:

Um raciocínio é válido quando toda vez que as premissas são verdadeiras, a


conclusão também o é. Isso pode ser verificado montando-se uma tabela verdade
que contenha todas as proposições e selecionar aquelas linhas com premissas
verdadeiras e verificar se nesse caso as conclusões também são verdadeiras.
Quanto às linhas com pelo menos uma premissa falsa, a conclusão pode ser tanto
verdadeira quanto falsa.

Uma das formas mais importantes de raciocínio válido é conhecida como modus
tollens:
AB
~B .
~A
As duas primeiras linhas são premissas e a última, sob a barra, é a conclusão. Se
for verdade que A implica em B e ao mesmo tempo sabemos que B não ocorre,
então podemos garantir que A também não ocorrerá.
Um raciocínio é inválido ou falacioso quando a partir de premissas verdadeiras não
podemos garantir que sempre as conclusões serão válidas. A verificação disso
também pode ser feita a partir das tabelas verdades.
Uma falácia bem comum é a seguinte:
AB
~A .
~B
Se não estiver chovendo, isso não significa que não estará nublado. A conclusão
não segue das premissas.

Exercício: nos dois argumentos, verifique a sua validade ou falsidade construindo


as tabelas verdades das premissas e conclusões e selecionando os casos nos quais
as premissas são verdadeiras.
III) ORIENTAÇÕES ESPECÍFICAS E
BIBLIOGRAFIA
Equipe Proanpec
1. Nas questões de verdadeiro ou falso, como um item errado anula um certo, é
melhor, nestas questões, deixar em branco os itens em que não tenha segurança,
do que "chutar" a resposta.

2. Se não tiver tempo suficiente para estudar toda a matéria, é melhor aprofundar-
se nos assuntos que são solicitados com mais freqüência. O tempo que terá que
dispor para estudar temas relativamente complexos, será melhor aproveitado se
firmar-se nos tópicos que costumam ser solicitados com mais freqüência.
Lembrando que um item errado anula um certo, é melhor concentrar-se nos temas
principais, do que estudar superficialmente todos os assuntos.

3. Recomenda-se estudar Matemática a partir de livros que apresentam exercícios


aplicados de economia, como SIMON & BLUME, ou CHIANG,(ver bibliografia
adiante). Ou seja, ao mesmo tempo em que está estudando Matemática, também
está iniciando a preparação em Micro e Macroeconomia, pois a prova nessas
disciplinas apresenta muitas questões que dependem de resolução matemática.

4. Mesmo nas escolas que dão grande peso a Economia Brasileira, as notas dessa
disciplina não são significativamente diferenciadas para os melhores colocados ( em
geral, a média dos 10 melhores colocados tem sido de aproximadamente 10,0, e
do 90o ao 100 o colocado, média 8,5). Nesse sentido, a menos que disponha de
muito tempo para estudo, e lembrando que será escolhido um entre cinco temas
apresentados, talvez seja mais adequada a leitura de textos mais concisos,
preferencialmente coletâneas de artigos, que indicamos na bibliografia, do que
estudar profundamente teses e compêndios clássicos.

5. Se não for economista, pode ser útil ler inicialmente VASCONCELLOS, M. A. S. -


Economia- Micro e Macro, Editora Atlas, 4ª edição, 2007, para uma síntese
formalizada de Macro e Microeconomia básica, principalmente as partes de
Elasticidades, Estruturas de Mercado, Contas Nacionais, Determinação da Renda
Nacional, Análise IS-LM e Balanço de Pagamentos. O livro contém questões
retiradas de concursos públicos (Banco Central, Auditor Fiscal da Receita Federal,
Fiscal ICMS), que podem ajudar, numa primeira etapa, a preparação para o exame
ANPEC.

6. A Diretoria da ANPEC muda a cada 2 anos. Embora raro, nessas ocasiões podem
ocorrer algumas alterações no Programa. Nesse sentido, é útil manter-se informado
sobre essa possibilidade, contatando os Centros de seu interesse, ou consultando
periodicamente a página da ANPEC na Internet (abaixo).

7. A página da ANPEC na Internet apresenta as questões e gabaritos das provas


desde 1990. Consulte o site da ANPEC: www.anpec.org.br
BIBLIOGRAFIA
(Recomendada pela Equipe Proanpec. Nem todas
constam da bibliografia oficial da ANPEC)

MATEMÁTICA
1) BOLDRINI, J. et al. Álgebra Linear, 3ª. Edição, Harbra, 1986. Para a parte de
Álgebra Linear, é o livro recomendado na bibliografia oficial do exame.

2) BRAGA, M.B., ORELLANO, V. e KANNEBLEY, S. "Matemática", Edit. Atlas,


2002. Baseado no programa da ANPEC, e na experiência dos autores como
professores do Curso Preparatório ProAnpec.

3) CHIANG, A. e WAINWRIGHT, K. - Matemática para Economistas, Campus,


2006, Ficou um pouco abaixo do nível do exame, mas, como SIMON e BLUME, tem
a vantagem de apresentar exercícios aplicados, que podem ser úteis também para
as provas de Macro e Microeconomia.

4) GUIDORIZZI, H. - Um Curso de Cálculo - (volumes I a IV) , 5ª. Edição, LTC


Editora, 2001. Completo para a parte de Cálculo. Praticamente todo o volume I, e
alguns tópicos dos outros volumes.

5) LIPSCHUTZ, S. Álgebra Linear, Bookman, 2004. Bom para Álgebra Linear

6) SIMON, C.P. e BLUME. L. – Matemática para Economistas – Bookman, 2004.


Muitos exercícios aplicados. Para não economistas, tem a vantagem de apresentar
muitos exercícios de Micro e Macroeconomia, na linha do exame da Anpec.

ESTATÍSTICA
1) BUSSAB, W. e MORETTIN, P. - Estatística Básica, 6ª. Edição, Edit.Saraiva,
2010.

2) GUJARATI, D. Econometria Básica, 4ª. Edição, Campus, 2006

3) HILL, C. GRIFFITHS, W. & JUDGE, G. - Econometria, São Paulo, Edit. Saraiva,


2003.

4) HOFFMANN, R - Estatística para Economistas, Edit. Atlas. Principalmente para


Estatística Básica.

5) SARTORIS, A - Estatística e Introdução à Econometria, Edit. Saraiva,2003


Baseado no programa da ANPEC, e na experiência do autor como professor do
Curso Preparatório ProAnpec. Cobre Estatística Básica, Números Índices e
apresenta alguns capítulos introdutórios de Econometria.

6) STOCK, J. e WATSON, M., Econometrics, Pearson, 2004

7) MADDALA, G.S., Introdução à Econometria, 3ª. Ediçãoo, LTC Editora, 2003.


Texto didático.
8) VASCONCELLOS, M. A. S. e ALVES , D. (org) - Manual de Econometria -
Equipe de Professores da USP, Edit. Atlas, 1999. Um pouco avançado para o nível
da prova da ANPEC. Útil para a parte de Séries de Tempo.

9) WOOLDRIDGE, J. Introdução à Econometria, Thomson Pioneira, 2006. Outro


bom texto para Econometria.

MICROECONOMIA
1) FIANI, R.,Teoria dos Jogos, 3ª. Edição, Elsevier, 2009. Livro bem didático que
cobre todos os assuntos de Teoria dos Jogos da ANPEC

2) GIBBONS, R. Game Theory for applied economists. Princeton University Press,


1992, caps. 1 e 2. Leitura complementar sobre Teoria dos Jogos

3) NICHOLSON, W., Microeconomic Theory, 9th. Edition, Thomson, 2005.


Emprega mais cálculo que o Varian e o Pindyck. Por essa razão, constitui uma
leitura mais avançada. As partes 2 e 3 desse livro são excelentes complementos
para Teoria do Consumidor e Teoria da Firma

4) PINDYCK, R. S e RUBINFELD, D. L. - Microeconomia, 6a.edição, Pearson,


2005. Bem didático, com bastante aplicações práticas - se bem que na prova da
ANPEC são solicitadas mais questões teóricas.

5) VARIAN, H. - Microeconomia - Princípios Básicos, 7ª.edição, Edit. Campus.


Mesma linha do Pindyck

6) VASCONCELLOS, M. A. S. e OLIVEIRA, R. G. - Microeconomia, 2 ª edição,


Edit. Atlas, 2000. Publicação bastante dirigida para a prova da ANPEC, baseada na
experiência dos autores como professores do Curso Preparatório ProAnpec. Inclui
questões de exames anteriores.

MACROECONOMIA
1) BLANCHARD, O. J. - Macroeconomia: teoria e política econômica. 4ª. Edição,
Pearson, 2006 - Ao lado do Manual de Macroeconomia da Equipe de Professores da
USP, o livro básico utilizado no Curso Preparatório ProAnpec.

2) DORNBUSH, R.; FISCHER, S. e STARTZ, R. - Macroeconomia. 10ª edição,


McGraw-Hill do Brasil, 2008. Muito boa exposição do modelo IS-LM.

3) FROYEN, R T. - Macroeconomia , 10ª.edição, Editora Saraiva, 2008.


Didático, mas incompleto para o nível do Exame da ANPEC.

4) JONES, C. E. - Introdução à Teoria do Crescimento Econômico, Campus, 2000.


Fundamental para a parte de crescimento econômico.
5) LOPES, L.M., e VASCONCELLOS, M.A.S. - Manual de Macroeconomia–Equipe
de Professores da USP, 3ª. Edição, Edit. Atlas, 2008. Publicação bastante dirigida
para a prova da ANPEC (com exceção da Parte IV, mais avançada), baseada na
experiência dos autores como professores do Curso Preparatório ProAnpec,
incluindo questões de provas anteriores.

6) MANKIW, N. G. - Macroeconomia, 6ª. Edição, LTC Editora, 2008. Muito


didático, e adequado para ANPEC.

7) PAULANI, L. M. e BRAGA, M.B – “A Nova Contabilidade Social”, 3ª.edição,


Edit. Saraiva, 2007. Atualizado no que se refere à nova estrutura das Contas
Nacionais, do Balanço de Pagamentos e do Sistema Monetário, temas solicitados
em todas as provas de Macroeconomia no exame, e que sofreram modificações
relativamente recentes.

8) SIMONSEN, M. H. e CYSNE, R. P. - Macroeconomia, 4ª. Edição, Editora Atlas,


2009. É um clássico, principalmente os 3 primeiros Capítulos (Sistema Monetário,
Balanço de Pagamentos e Contas Nacionais), embora já bastante desatualizados.
Os demais capítulos são relativamente avançados para o exame da ANPEC.

ECONOMIA BRASILEIRA
1) ABREU, M. P.(org) - A Ordem do Progresso: 100 anos de Política Econômica na
República, Ed.Campus, 1990. É um livro relativamente completo, com a restrição
de cobrir apenas até anos 80. Reflete basicamente a posição da PUC - RJ.

2) BELLUZO, L. G. e COUTINHO, L. (org) - Desenvolvimento Capitalista no


Brasil, São Paulo, Edit. Brasiliense, 1982 (2 volumes). Reflete basicamente a
posição da UNICAMP. Leitura obrigatória para quem quer fazer mestrado em
escolas com ênfase em economia política.

3) CARNEIRO, R., Desenvolvimento em crise: a economia brasileira no último


quarto do século XX, Edit. Unesp. 2002. Reflete o pensamento predominante na
Unicamp

4) GIAMBIAGI, F., VILLELA, A., CASTRO, L.B., HERMAN, J.(org.) – “Economia


Brasileira Contemporânea:1945-2004”, Editora Campus, 2005. Livro recente, com
artigos de Delfim Netto, Gustavo Franco, Edward Amadeo, Regis Bonelli, etc.

5) GREMAUD, A. P. , SAES, F. A. M. & TONETO JR., R - Formação Econômica do


Brasil, São Paulo, Edit. Atlas, 1997. Mais voltado para a área de história,
atualizando os livros clássicos de Celso Furtado e Caio Prazo Jr. até os anos 80,
num texto relativamente conciso, muito adequado para o tipo de exame da ANPEC.

6) GREMAUD, A. P., VASCONCELLOS, M. A. S., e TONETO JR., R. - Economia


Brasileira Contemporânea, 7ª edição, Edit. Atlas, 2007 (8ª. Edição no prelo,
incluindo 2º. Mandato Governo Lula até 2009). Útil para uma primeira revisão
geral, e para não economistas, pois traz conceitos básicos de Macroeconomia
aplicados à Economia Brasileira. Abrange até o primeiro mandato do Governo Lula.
7) KON, A. (org) - Planejamento no Brasil II, São Paulo, Edit. Perspectiva, 1999.
Reflete principalmente a posição da PUC-SP. Complementa e atualiza Lafer
(abaixo), e também apresenta artigos concisos.

8) LAFER, B. M. (org.) - Planejamento no Brasil, São Paulo, Edit. Perspectiva,


1970. Cada capítulo é uma síntese concisa dos principais Planos Econômicos até a
época (1970), feita por professores da USP, como João Sayad, José Roberto
Mendonça de Barros, Roberto Macedo.

Notas sobre a prova de Economia Brasileira:

a) A prova de Economia Brasileira é dividida em duas partes:

- Parte I- 15 questões objetivas (em forma de testes)


- Parte II- 1 questão discursiva (o candidato escolhe entre 5 temas)

b) Os pesos adotados para Economia Brasileira são diferentes em cada Centro (ver
site da ANPEC). A PUC-Rio e a FGV-Rio atribuem peso zero para toda a parte de
Economia Brasileira. O IPE atribui peso zero para a prova dissertativa (considera
apenas os testes).

c) Tanto em termos de quantidade como de profundidade, costumam ser solicitadas


mais questões sobre o período após a 2 ª guerra. A tendência á a prova focar
cada vez mais o período recente da economia brasileira (década de 90 em diante).

d) Temas que o candidato deve ter firmeza: Planos Estratégicos (Trienal, Metas,
PAEG, 2o. PND); Planos de estabilização (Cruzado, Bresser, Collor e Real); crise
dos anos 80. Todos estão bem sintetizados (textos curtos) em KON (1999) e LAFER
(1970), com exceção do Plano Real, contido em GIAMBIAGI e outros (2004), e
GREMAUD e outros(2007).

e) O ideal é estudar a partir das coletâneas de artigos, como ABREU (1989),


GIAMBIAGI e outros (2004), KON(1999), LAFER(1970) e BELLUZO e COUTINHO
(1982). Embora clássicos, teses como a da Maria Conceição Tavares, João Manoel
Cardoso de Mello, e livros como os do Celso Furtado, Carlos Lessa, Barros de Castro
& Souza, devem ser estudados mais por aqueles que desejam fazer mestrado em
centros onde Economia Brasileira tem grande peso.

f) No Mestrado em Desenvolvimento Econômico da UNICAMP, nas áreas de História


Econômica e Economia Social e do Trabalho, considera-se no processo seletivo
apenas as duas provas de Economia Brasileira (eliminatória) e de Língua
Estrangeira (classificatória). Para mais detalhes, ver o site www.eco.unicamp.br