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Índice Geral

Nota à 6a Edição

Nosso pequeno manual de Lógica aplicada à advocacia atinge a 6a edição, graças


a colegas, professores e alunos, e mercê do prestígio da Editora Saraiva.

Nesta edição, mantivemos o número original de capítulos, e procuramos


privilegiar a sistematização de toda a obra. Assim, reorganizamos e ampliamos
os capítulos, agora expondo opiniões e definições de diferentes autores sobre um
mesmo conceito essencial para o prosseguimento do livro, objetivando o melhor
entendimento dos leitores. Mantivemos, no texto e nos exercícios, o número de
exemplos buscados no Código Civil e no Código de Processo Civil.

Outra modificação necessária foi a melhoria da divisão de cada capítulo, com a


introdução mais frequente de títulos e subtítulos. A Súmula passa a ser mais
completa em definições e na apresentação. Os exercícios estão mais variados e
um pouco mais difíceis, para proporcionar aos leitores maior prática no
reconhecimento e identificação dos conteúdos.

A Revisora

Á GUISA DE PREFÁCIO
RAZÕES DO PRESENTE LIVRO

Ia) A perfeita colocação de Lógica, indispensável ao estudante e futuro


advogado, está prescrita e justificada por um dos maiores tratadistas de Filosofia
do Direito, nestes termos:

“Há países em que a Lógica é ensinada no primeiro ano de Direito, e outros,


como a França, em que é ensinada no último ano de Liceu. A Lógica é ciência
cujo conhecimento é susceptível de acrescer as qualidades do advogado, porém
deve ser ensinada no curso de Direito, a fim de adaptar-se às necessidades
especiais do jurista, o que não acontece no Liceu. O advogado, o jurista, precisa
de uma Lógica, que é uma Lógica estudada nessa época da aplicação e do
conhecimento do Direito” (Georges Kalinowski, Sur l’enseignement de la
logique dans les facultés de droit, in Archives de Philosophie de Droit, v. 5, p.
319. Indicação para a Bib. Do TJSP - E 17 - P. I. - v. 15-2) (Grifo do Autor).

2a) Aos universitários, novos advogados e candidatos a Exame da Ordem, que


não estudaram Lógica anteriormente, pretendemos facilitar o contato de maneira
simples com a arte de raciocinar corretamente e refutar os raciocínios incorretos.

3â) Longos anos, honrados com a designação para examinador na OAB/SP em


Exame de Ordem e Estágio, na Capital e diversas faculdades do interior, deram-
nos também uma razão para este pequeno manual de Lógica aplicada à
Advocacia. O uso, ou melhor, o abuso dos “formulários” tem apartado os novos
advogados do espírito criador, tem deslustrado inteligências brilhantes findadas a
formas rígidas e quase sempre incorretas, transmudando o profissional liberal, a
cuja classe têm pertencido as melhores inteligências e culturas do Brasil e do
mundo, em mero preenchedor de espaços vazios dos formulários.

4a) Sem raciocínio, sem técnica de linguagem e de argumentação, sem estudo de


doutrina, o bacharel será, como diz Cícero: “cautus et acautus, procco actionum,
cauto formularum, anceps syllabarum” (De Orator, I — 55). Os romanos
denominavam esses “advogados” de rabu-lae,formularii, legullei, e, os gregos,
de “pragmáticos”. Os termos “rábulas” e “leguleios” têm sentido pejorativo.

5a) Com o estudo de Lógica aplicada à Advocacia, como prescreve G.


Kalinowski, o novo advogado formulará petições iniciais, respostas, recursos e
razões, como será demonstrado neste livro, sem recorrer a formulários, que
jamais poderão abranger a gama incontável de casos; e os alunos de Direito
passarão a metodizar o estudo, principalmente de Processo, sem recorrer à
memorização. Essa nossa opinião fiilcra-se em quarenta anos de Advocacia, e
vinte anos como professor da matéria, nos quais pudemos observar o
aproveitamento e o desenvolvimento dos estudantes, ao longo de seu curso, após
um estudo regular de Lógica.

SISTEMA DE EXPOSIÇÃO

a) O Direito é uma ciência; a Advocacia é uma arte. Essa arte tem como
instrumento principal a Lógica, e, ainda, a auxiliá-la, a Retórica e a Dialética.
b) Os elementos de Lógica que contém o presente livro estão relacionados à
técnica da arte de advogar tão somente; para tanto quase todos os exemplos e
aplicação dizem respeito àquela arte. Cada parte da Lógica, termo, proposição e
argumento, prende-se ao trabalho do advogado de requerer, responder, recorrer,
argumentar e refutar argumentos.

c) Reduzimos o estudo da Lógica ao essencial para servir à Advocacia. Não


pretendemos escrever uma lógica jurídica ou um curso de Lógica, todavia aplicar
os ensinamentos da Lógica ao mister do advogado. No mesmo aspecto prático
damos uma ligeira noção de Retórica e Dialética.

d) A Retórica volta a ter importância, como técnica de persuasão e, portanto,


interessa à Arte da Advocacia segundo se verifica das publicações vindas da
Europa, v.g.:

“Entre os Antigos assim como entre os Modernos o fim declarado da Retórica é


o de ensinar técnicas de persuasão. A ideia de ‘argumento’ e a de ‘auditório’, são
nesse caso essenciais. A ligação com a Dialética, no sentido pré-hegeliano do
termo, é de tal ordem que Aristóteles começa por verificar sua real confusão.
Para o Estagirita as provas dialéticas, que se baseiam na opinião, são colocadas
na obra pelo discurso retórico que deve levar à adesão” (Jacques Dubois et al.,
Rhetoriquegénérale, trad. Carlos F. Moisés e outros, São Paulo, Ed. Cultrix,
1970).

é) A semelhança de quase todos os tratados de Lógica, iniciamos com uma breve


notícia acerca de Filosofia, apenas para situar nossa disciplina dentro de outra
maior.

j) Preferimos a transcrição de autores a uma interpretação de suas ideias, por


dois motivos:

1. o leitor terá a teoria ou opinião integralmente, sem perigo de uma versão


pessoal;

2. os textos integrais contribuirão certamente para a cultura geral e despertarão


no leitor a curiosidade de ler a obra toda.

g) Muita vez, somos propositadamente repetitivos, a fim de não remeter o


leitor a todo o instante para outro capítulo ou página, o que prejudica o estudo.
h) Cada capítulo é finalizado com uma súmula.

Com o prestígio da Editora Saraiva, a colaboração de nossos colegas e de


professores, de quem receberemos, gratos, críticas e sugestões, aguardamos que,
apesar de muito elementar, sirva a Lógica aplicada à advocacia para nossa
classe, ao menos como iniciação e como ponto de partida para estudos mais
profundos.

O Autor

Capítulo I

Filosofia: Origem do Termo — Definição — Divisão — Métodos


Breve História da Lógica: Parmenides e Aristóteles
Lógica: Origem do Termo — Definição — Divisão — Importância
Os Princípios Lógicos e sua Aplicação à Advocacia
Definição: Nominal e Real -Leis de Definição: Gredt
Divisão: Extensão e Compreensão — Definição -Elementos - Técnicas -
Leis
A Ideia - O Termo - Gênero e Espécie - O Acidente e a Essência
A Possibilidade da Verdade e sua Relação com a Prova e a Sentença
A Ideia e o Termo do Ponto de Vista Lógico - Classificação dos Termos
EXERCÍCIOS
EXERCÍCIOS
Silogismo: Definição, Composição, Princípios, Regras e Crítica
Silogismo: Tipos - Divisão -Figuras — Regras — Modos legítimos
O Silogismo como Método para Verificação da Verdade de um Argumento
— Peças Processsuais
Argumentos Gerais e Forenses: Definições e Regras. Aristóteles: Tópicos
Sofisma: Definição - Tipos -Técnicas de Refutação. Aristóteles:
Argumentos Sofísticos
Capítulo XVIII Lógica e Linguagem
A Gramática à Luz da Lógica — O Estilo Lógico
A Retórica e a Dialética — Técnicas de Persuasão
Filosofia: Origem do Termo —
Definição — Divisão — Métodos
ORIGEM DO TERMO

Os primeiros pensadores da Grécia foram os poetas, que interpretaram as


tradições religiosas. São alguns nomes: Hesíodo e Homero, que se destacaram
como criadores de mitos, e o profeta Epimênides de Cnossos.

A filosofia grega começa com Tales de Mileto, um dos Sete Sábios da Grécia,
segundo Aristóteles. Cícero disse na República “que os sábios eram homens de
grande sabedoria e prestígio entre seus contemporâneos; todos foram versados
na administração pública e tinham grande liderança administrativa; realmente,
em nada se aproxima tanto a virtude humana da divina como a fundação de
novas nações ou a conservação daquelas já fundadas”.

Sabe-se que a maioria dos sábios provinha da próspera Jônia (Ásia Menor,
hojeYenikõy,Turquia), e que viveram entre os anos 428 a 348 a. C. Eles
presenciaram momentos de significativa conturbação interna desde a
remodelação das cidades até a corajosa resistência às invasões de povos
estrangeiros, entre outras dificuldades. Seus nomes: • Bias de Priene — viveu
no século 6 a.C.

• Cleóbulo de Linos — viveu por volta de 600 a.C.

• Periandro de Corinto — 627-584 a.C.

• Pitaco de Mitilene - 650-569 a.C.

• Quilon de Esparta — viveu no século 6 a.C.

• Sólon de Atenas - 640-558 a.C.

• Tales de Mileto - 640-546 a.C.

Tales de Mileto se destacou entre os demais, e, em sua teoria, propôs como


elemento formador do mundo e de todas as coisas a Agua; e alertou para a
verdade: sem água não há Vida. Tales inovou ao não procurar buscar a origem
do mundo na acepção mítica, e sim na totalidade de tudo o que existe: a
Natureza.

O termo Filosofia, atribuído a Pitágoras, é formado por: philo — amar, e sojia —


sabedoria. Para os antigos, sabedoria era, simultaneamente: virtude e saber.
Pitágoras entendia que Filosofia era o termo apropriado para indicar a sabedoria
própria da Divindade.

Os gregos denominavam sojia a sabedoria, e sofos os sábios. Cícero diz que


Heráclides do Ponto - filósofo grego do IV século a.C., discípulo de Platão -
conheceu o pensamento de Pitágoras, filósofo nascido no ano de 570 a.C., na
ilha de Samos, na região da Ásia Menor (Magna Grécia) e falecido entre 497 e
496 a.C. em Me-taponto (região sul da Itália).

Heráclides do Ponto narra que Leon - príncipe dos Filiásios -ficou


impressionado com o gênio e a eloquência de Pitágoras e perguntou a ele qual
era a ciência que lhe inspirava mais confiança (qua maxime arte confideret).0
sábio respondeu que não sabia ciência alguma, mas que ele era Jilósofo (At illum
autem quidem se scire nullam sed esse philosophum).

Surpreso pela novidade do nome filósofo, Leon indagou o que eram os filósofos,
e em que se diferençavam de outros homens. Pitágoras respondeu que “ele
compara a vida do homem ao comércio que se faz na assembleia grega durante a
solenidade dos jogos públicos. Uns vão (aos jogos públicos) para brilhar nos
exercícios corporais (ginástica); outros, vendendo ou comprando, são levados
pelo lucro; ao passo que uma terceira classe, a mais nobre, não procura aplausos
nem lucro (qui nec plausum nec lucrum quaerent), porém (está ah) para
observar atentamente o que se faz e como as coisas se passam.

Na grande feira, uns vão para procurar a glória, outros o dinheiro, porém, um
pequeno número desdenha todo o resto, e se aplica a estudar profundamente a
natureza das coisas (rerum natura studio se in-tuerentur). Esses homens são
chamados estudiosos (ou amigos) da sabedoria, isto é, filósofos (Hos se
appellare sapientiae studiosos id est enim philosophos).

Sob o ponto de vista dos jogos públicos, o partido mais nobre é o que presencia
sem espírito de lucro, e da mesma maneira acontece na vida - o estudo e a
contemplação (conhecimento) das coisas excedem a tudo (sic in vita longe
omnibus studiis contemplationem rerum cognitionem praestare) (Tusculanarum,
Lib. V, III, Virtutem ad beate vivendum se ipsa esse contentam — Da virtude —
ela é suficiente para ser feliz)”.

BREVE HISTÓRICO

A história da Filosofia “é a história do pensamento humano dedicado a


investigar os problemas do Ser no decurso do tempo, elaborar o conhecimento
que satisfaz o anseio de saber, e colocar soluções compatíveis com a
possibilidade das épocas e da capacidade intelectiva do homem, na imensa
problemática da realidade existencial” (Morente, op. cit.).

No mesmo sentido, Aristóteles diz que o desejo de saber é inato no ser humano e
se manifesta na forma de perguntas — como, por quê - desde a infância. E
continua “se o desejo de saber é essencial ao homem, deve, então ser universal
no tempo e no espaço. E esta, de fato, a lição da história; não há povo em que
não se manifeste essa inclinação natural da inteligência. O desejo de saber é,
assim, tão velho quanto a humanidade, e o conhecimento filosófico é a mais
elevada expressão da necessidade de saber” (Metafísica, cit.).

Para Aristóteles, a Filosofia consiste “em todas as coisas que o homem conhece,
e o conhecimento dessas coisas”. Desde Aristóteles emprega-se a palavra
Filosofia com o sentido de totalidade do conhecimento humano. A Filosofia até
então englobava as coisas divinas e humanas (Scientia divinamm
humanarumque rerum).

Acreditamos que não é apropriado para a didática deste livro discutir as várias
definições de Filosofia, porém, para ilustrar, apresentamos algumas:

DEFINIÇÃO DE VÁRIOS AUTORES

í-A primeira definição tem um sentido etimológico, porém, ainda na Grécia, o


termo Filosofia passou do significado de amor à sabedoria, à própria sabedoria.

2~ Platão distingue doxa - que é a opinião que temos sem tê-la procurado — e
epistéme — a ciência, o saber que temos porque o procuramos. Para Platão a
palavra filosofia adquire o sentido “de saber racional, reflexivo, saber adquirido
mediante o método dialético” (G. Morente).
3~ Cícero define Filosofia como o “conhecimento das coisas divinas e humanas
e dos princípios e causas de cada fato particular”.

4~ Na Idade Média, a Filosofia designa todo o conhecimento, menos o de Deus,


que era objeto da Teologia.

5~ Na Idade Moderna, a partir do século XVII, o campo da Filosofia começa a


dividir-se, constituindo-se, então, a Matemática, a Física, a Biologia, e as
ciências mais modernas, como a Cibernética. Segundo G. Morente, “uma ciência
se constitui a partir da Filosofia quando deixa de considerar seu objeto de um
ponto de vista universal” (op. cit.).

6~ Morente define Filosofia por exclusão, considerando a sua complexidade: “Se


a todo saber humano lhe tiram as Matemáticas, a Astronomia, a Química, etc., o
que resta disso é a Filosofia” (op. cit.).

7-Jolivet define que a Filosofia “é a mais elevada e a mais perfeita das ciências,
primeiro porque é perfeitamente racional ou sistemática, enquanto visa descobrir
as causas e os princípios primeiros; segundo porque ela dispõe de método
rigoroso apropriado ao seu objeto formal” (op. cit.).

8~ Diante da necessidade de oferecer uma definição, sempre entendendo a


dificuldade de conseguir abranger todo o definido, preferimos a de Aristóteles:
“Filosofia é saber racional; ciência no sentido mais geral do termo” (Metafísica
1,1).

DIVISÃO

A divisão mais corrente de Filosofia, principalmente entre os autores didáticos, é


a seguinte:

Filosofia

Lógica

Psicologia

Moral

Metafísica
Metafísica

DEZ MÉTODOS EM FILOSOFIA

Como se trata de uma brevíssima introdução à Filosofia para nela incluir a


Lógica, vamos apresentar somente as linhas gerais de dez métodos em Filosofia,
uma vez que o assunto se prende ao objeto deste livro: Ia O Masdeísmo de
Zoroastro (Pérsia, atualmente Irã), o Bramanismo e o Livro Yi King que inspira
Lao-Tseu (China) e outras manifestações não representam a Filosofia, e sim
religiões, com verdades inegáveis em qualquer época.

2° A Filosofia Hindu, o Budismo, é Teologia, pois em essência, é um comentário


ou exposição da doutrina de seus livros sagrados, Os Vedas. Observa-se de
estudos orientais na Europa, a apresentação de uma Filosofia Hindu, que
consiste em dar ao conhecimento indu um método filosófico, ou uma feição
filosófica.

3a A Filosofia grega, segundo o testemunho de Aristóteles, como já vimos,


começa com Tales de Mileto, um dos sete sábios, que viveu nos séculos VII eVI
a.C. Somente na Grécia, a Filosofia se distingue da Religião e se torna
independente dela.

4a Anteriormente a Sócrates, os céticos e sofistas dominavam a inteligência.


Protágoras sustentou que tudo é relativo; o conhecimento das coisas é apenas
uma aparência, jamais a realidade. Ora, dizer que a verdade é uma aparência é o
mesmo que dizer que não há verdade. Desse argumento Górgias Leontino tirou a
consequência que nada existe e ainda que exista alguma coisa, ela não pode ser
conhecida. A escola é ateísta, pois, se nada existe, por que afirmar a existência
de Deus?

5a Sócrates nasceu em Atenas em 470 e morreu em 400 a.C. Segundo filósofos


cristãos, salvou a Filosofia do ceticismo e dos sofistas (Balmes). A partir de
Sócrates, a Filosofia tornou-se consciente da perfeição no conhecimento e no
culto da divindade, na retidão da conduta e no preparar-se para receber na vida
extraterrena o prêmio das boas ações. Sócrates denominou seu método
“Maiêutica”, que significa interrogação. Sócrates interrogava diversas pessoas
sobre uma questão ou significado de um termo. Certamente as respostas
eram variadas e, desse modo, a definição da coisa proposta ia-se aprimorando até
a possível exatidão. Qualquer de nós pode experimentar o método, propondo
uma questão a diversas pessoas e verificar que a definição da coisa ou da ideia
proposta vai tomando feição que não percebíamos de início.

6fl De acordo com alguns historiadores, Platão nasceu em Atenas no ano 426
a.C., ou, segundo outros, em 430 a.C. Platão aprimorou o método de Sócrates e o
transformou na Dialética, que se funda “não em opiniões distintas, mas em uma
opinião e sua crítica”, ou ainda, trata-se de “passar de conceito em conceito, de
proposição em proposição até atingir os conceitos mais gerais e os primeiros
princípios” (op. cit.). Parte-se de uma hipótese que vai sendo melhorada com as
críticas. Sabe-se que é no diálogo, mediante afirmações e negações, que são
aprimoradas as ideias. Assim, por empregar o diálogo, Platão chamou o seu
método “dialética”. Verifica-se que a Dialética de Platão e a Maiêutica de
Sócrates conservam o método de iniciar com uma hipótese ou ideia, e melhorá-la
por meio do diálogo.

Ia Aristóteles nasceu em Estagira, na Macedônia, em 384 e morreu em Chalcis


em 322 a.C. Foi discípulo e amigo de Platão. Aristóteles desenvolveu a Dialética
de Platão e a fez mudar de aspecto. Estudou e fixou-se no movimento da razão
intuitiva que, por meio da contraposição de opiniões, vai passando de uma
afirmação a outra, além de buscar as leis por força das quais se pode fazer essa
operação. Aristóteles não foi o inventor da Lógica, pois Platão, na Dialética,
havia concebido uma lógica implícita. Entretanto, as leis do silogismo e
suas figuras representam o pensamento de Aristóteles, cujo método — a lógica -
não mudou em seus aspectos essenciais. A Filosofia para Aristóteles baseia-se na
demonstração da prova: “uma afirmação que não está provada não é verdadeira”
ou pelo menos “não sei se é ou não verdadeira”.

8flThomaz de Aquino nasceu no reino de Nápoles em 1225 e morreu em Abadia


deVossanova em 1274.E também conhecido como o Doutor Angélico. A Lógica
como método de Filosofia é aplicada rigorosamente na Idade Média. Thomaz de
Aquino, ao examinar uma questão, colocava as opiniões dos filósofos em
colunas separadas, umas contra as outras, e delas podia extrair o verdadeiro e o
falso. Tal método foi adotado pelos tomistas.

9a René Descartes nasceu em La Haye, França, em 1596 e morreu em Estocolmo


em 1650. Até Descartes, o método filosófico se apoiava no momento posterior,
ou seja, depois de obtida uma intuição — afirmação, proposição ou tese — cabia
verificar-lhe a verdade ou a falsidade. Para Descartes, o método passa a
exercitar-se antes de obter a intuição. Seu método se resume nestes quatro
princípios: 1° Princípio — Jamais aceitar como verdadeira coisa alguma que se
não conheça à evidência como tal, quer dizer, evitar a precipitação e a
prevenção, incluindo apenas nos juízos aquilo que se mostrar de modo tão claro
que não subsista nenhuma dúvida.

2° Princípio — Dividir cada dificuldade a ser examinada em tantas partes quanto


for possível, e seja necessário para resolver essas dificuldades.

3~ Princípio — Pôr o pensamento em ordem, começando pelos assuntos mais


simples e mais fáceis de serem conhecidos para atingir paulatina e
gradativamente o conhecimento dos assuntos mais complexos, supondo, ainda,
uma ordem entre os assuntos que não tenham uma ordem normal ou natural.

4° Princípio — Fazer para cada caso uma enumeração tão exata e previsões tão
gerais que se esteja certo de que nada foi omitido (op. cit.).

10a A intuição e o método discursivo. Para muitos filósofos — cujos principais


são Bergson, Dilthey, Husserl — o único método da Filosofia é o intuitivo,
porque qualquer outro método “falsearia a verdade” (Bergson, op. cit.).

A. Cuvilher entende por intuição,“o conhecimento direto e imediato de todo


objeto presente ao espírito” e por conhecimento discursivo “aquele que implica
movimento do espírito de um juízo a outro”. E prossegue: “se o movimento do
espírito é dirigido a uma conclusão, temos o Raciocínio” (op. cit.).

I — Intuição significa visão rápida, percepção instintiva. Intuição relaciona-se


com intuiri — em latim ver, contemplar, fixar — e significa o conhecimento de
uma verdade evidente, de qualquer natureza, em um único ato do espírito, sem
intermediação da demonstração.

A Intuição caracteriza-se pela “forma direta e imediata, ou seja, a saída do


sujeito cognoscente em direção ao objeto, a fim de captar--lhe a natureza
essencial, isento de qualquer intermediação” (Laland, op. cit.).

São dois exemplos de intuição:

a) O princípio da contradição: “uma coisa não pode ser e deixar de ser ao


mesmo tempo”; b) O princípio de identidade:“A é A, uma coisa é igual a si
mesma”.
Ao pensar nesses dois princípios, não há nem pode haver qualquer
demonstração. O espírito conhece essas verdades com uma só visão e modo
direto, mediante uma evidência imediata. Aristóteles diz que “só um vegetal não
pode perceber o princípio de identidade” (op. cit.).

II — Discurso é “a operação intelectual que se efetua por uma série de


operações elementares e parciais e sucessivas” (Laland, op. cit.). Assim, diz-se
discursivo, o raciocínio que atinge a conclusão, ou procura a conclusão, por
meio de operações intermediárias. Ou, em outras palavras, o método discursivo
constitui-se de uma série de atos sucessivos para buscar a realidade do objeto. E
um método indireto.

São dois exemplos:

a) Os homens sensatos são bem-sucedidos; o Diretor é um homem sensato;


logo, o Diretor será bem-sucedido.

Trata-se de uma dedução, porque por meio de duas proposições atingimos uma
conclusão.

b) A Terra é um planeta e não tem luz própria; Marte também é um planeta,


assim como Vénus, Saturno, Urano; logo, os planetas não têm luz própria.

Trata-se de uma indução, porque mediante uma série de conhecimentos parciais


chegamos a um conhecimento geral. Verifica-se facilmente que o método
discursivo é uma demonstração da verdade que se quer provar.

SUMULA

Filosofia:

1. Origem do Termo.

2. Os Sete Sábios da Grécia.

3. Tales de Mileto: o começo da Filosofia grega.

4. O termo Filosofia: Pitágoras.

5. Heráclides do Ponto.
Breve histórico: Morente e Aristóteles.

Definição de vários autores:

Ia Na Grécia: sabedoria.

2a Platão: saber racional, reflexivo, mediante a Dialética.

3a Cícero: o conhecimento das coisas divinas e humanas.

4a Na Idade Média: todos os conhecimentos, exceto a Teologia.

5a Na Idade Moderna: divisão no campo da Filosofia.

6a Morente: definição por exclusão.

7a Jolivet: a mais elevada e perfeita das ciências.

8a Aristóteles: Filosofia é saber racional; ciência no sentido mais geral do termo.

Divisão: Lógica, Psicologia, Moral, Metafísica.

Dez métodos em Filosofia:

Ia Masdeismo, o Bramanismo e o Livro Yi King.

2a Filosofia Hindu: Os Vedas 3a Tales de Mileto: Filosofia Grega.

4a Protágoras e Górgias Leontino: Céticos e Sofistas.

5a Sócrates: Maiêutica.

6a Platão: Dialética.

7a Aristóteles: Lógica.

8aThomaz de Aquino: Confronto de Teorias.

9a Descartes: A Dúvida Metódica: os quatro princípios.


10aVários filósofos: a Intuição e o Método Discursivo.

EXERCÍCIOS
Escolha a ou b para preencher corretamente as lacunas:

1. A Filosofia grega começa com_. (a. Pitágoras; b.Tales de Mileto) 2. A


inovação atribuída a Tales de Mileto foi não buscar a origem do Universo na
acepção_, mas sim, na Natureza, (a. mítica; b. mís tica)

3. Para os antigos, sabedoria era, simultaneamente:_ e saber. (a.

movimento; b. virtude)

4. Aristóteles diz que o desejo de saber, inato no ser humano, se manifesta na


forma de perguntas_?, por quê? (a. onde; b. como).

5. Entre os autores didáticos, a divisão mais usual da Filosofia é: Lógica,


_Moral, Metafísica, (a. Psicologia; b. Pedagogia) 6. Para Aristóteles, “Filosofia
é saber racional;_no sentido mais geral do termo (a. ciência; b. conhecimento)

7. Para Cícero, Filosofia é “o conhecimento das coisas divinas e humanas e dos


princípios e causas de_fato particular”, (a. todo; b. cada) 8. Para Platão a
palavra Filosofia adquire o sentido “de saber racional, reflexivo, saber adquirido
mediante o método_”. (a. dialético; b. discursivo)

9. _denominou seu método Maiêutica, que significa interrogação.

(a. Sócrates; b. Platão).

10. Platão entende que doxa é a opinião que temos_. (a. porque a procuramos;
b. sem tê-la procurado)

11. Para Aristóteles, a Filosofia baseia-se na tração; b. busca)

da prova. (a. demons-

12. Aristóteles fixou-se no movimento da razão intuitiva que, por meio da_de
opiniões, vai passando de uma afirmação a outra. (a.

contraposição; b. justaposição)
contraposição; b. justaposição)

13. - aperfeiçoa o método de_ e denomina seu método,

Dialética, (a. Platão, Sócrates; b. Sócrates, Platão).

14. Para Descartes, o método passa a exercitar-se_obter a intui ção. (a. depois
de; b. antes de)

15 Intuição, do latim intuiri — ver, contemplar — significa o conhecimento de


uma verdade evidente, de qualquer natureza, em um único ato do espírito,_a
intermediação da demonstração, (a.

com; b. sem)

Capítulo II
Breve História da Lógica:
Parmenides e Aristóteles
A Lógica surgiu há mais de vinte séculos, embora em tempo anterior aos gregos,
no século VII a.Q, tenha havido a Escola Nyaya, cujo fundador foi Gautama. A
Escola produziu o texto Nyaya-Sutra para expor a construção de um sistema
lógico e analítico, a partir do qual toda a filosofia indiana teve origem. A Lógica
grega, entretanto, surgiu e desenvolveu-se de modo independente da Escola
Nyaya, bastando para tanto observar-se o silogismo claro e preciso da Lógica de
Aristóteles, e o silogismo de Nyaya, com cinco proposições.

Os gregos foram os inventores no sentido etimológico — isto é, descobridores -


do termo Filosofia. Eles descobriram a razão, e a empregaram para saber o que
as coisas são.

A Filosofia hindu e a Filosofia chinesa são rebgiões, sabedoria popular e


concepções sobre o universo e a vida.

PARMENIDES: O PRINCÍPIO DE IDENTIDADE

Antecedendo Sócrates e Platão, seis séculos antes de Cristo, Parmenides


percebeu a relação entre a coerência do pensamento com a forma do discurso e
descobriu o Princípio de Identidade: todo objeto é idêntico a si mesmo.
Resumindo: o que é, é - o que não é, não é.

Outra forma de expressar este princípio é: A é A, o que significa que “uma ideia
ou conceito é igual a ele mesmo, pelo menos no momento em que se está
reafizando o pensamento” (Nérici, op. cit.).

Para mostrar a importância de Parmênides na evolução da Lógica basta verificar


que uma das bases de sua filosofia compunha-se da aplicação rigorosa das
condições do pensamento à determinação do ser.

ARISTÓTELES: O CRIADOR DA LÓGICA


As raízes da Lógica formal encontram-se na Maiêutica de Sócrates que,
aperfeiçoada por Platão, se tornou a Dialética. Em Platão estão as primeiras
análises do raciocínio. Precedido dos sofistas no estudo do discurso, e por Platão
nas primeiras análises do pensamento, está Aristóteles, fundador da Lógica sem
nenhuma inverdade histórica.

I. G. Nérici explica “que o verdadeiro criador da Lógica é Aristóteles que lhe


deu corpo, sistemarização, baseando a Lógica em princípios tais e tão sólidos
que até hoje são tidos como válidos” (op. cit.).

Marca-se o nascimento da Lógica nos seis livros de Aristóteles: 1. De


Proedicamentis (categorias);

2. De interpretatione (juízo e proposição);

3. Analytica Priora (raciocínio indutivo e dedutivo); 4. Analytica Posteriora


(raciocínio evidente); 5. De Topicis (raciocínio aplicado aos lugares comuns);
6. De Sophisticis Elenchis (sofismas).

Aristóteles partiu do princípio de identidade - o que é, e - descoberto por


Parmênides para escrever o Organon. Assim como Sócrates criou a Maiêutica e
Platão a Dialética, Aristóteles elaborou o Organon como instrumento, que lhe
permitisse raciocinar corretamente bem como lhe denunciasse o raciocínio
incoerente. A Lógica de Aristóteles passou a ser conhecida como Lógica
Clássica e suas bases permaneceram quase intactas através dos séculos. Com
tendências diversas, ainda pode-se citar a Lógica de Port-Royal, passando por
Stuart Mill, La-chelierm Raluer e E Schiller.

A crítica comum feita à Lógica de Aristóteles consiste “na crença de que o


pensamento poderia assimilar a linguagem, que lhe reproduziria todas as
formas”. Continua a crítica com o próprio termo logos, que significa discurso e
razão. E indiscutível que a linguagem comum não foi construída para servir à
Lógica, como também não foi criada para servir à Física, à Química ou à
Cibernética.

Desde Platão os filósofos fugiram dos termos equívocos de duas formas: —


dar a um termo comum conotação especial dentro de uma ciência; — criar
neologismos.

Sabe-se que os termos equívocos têm duas ou mais significações completamente


diversas, isto é, referem-se a dois ou mais objetos totalmente diferentes, como:
diversas, isto é, referem-se a dois ou mais objetos totalmente diferentes, como:
cão (animal) e cão (parte de arma).

O termo ideia foi formado por Platão, de uma raiz grega que significa visão,
intuição intelectual, ou “a simples apreensão de um objeto”. E o que se
denomina terminologia.

Diante da terminologia jurídica, um termo técnico equivale a qualquer símbolo


da Logística. E inegável que a análise dos fatos necessita do emprego de
palavras ou, mais geralmente, de símbolos ou substitutos simbólicos segundo
Marcell Boll. Verifica-se que as ciências e o Direito encontraram aquela
simbologia, como acentua Maritain, na Lógica Formal: “é preciso que a
expressão verbal se torne senhora da linguagem por um completo sistema
técnico de formas e de distinções verbais — a terminologia” (op. cit.).

A LOGÍSTICA

Os logísticos reconhecem que seu precursor foi Raymond Lulle (1235-1315),


que, por não dispor do conhecimento e dos meios técnicos da Álgebra, não
conseguiu sua realização. Ainda, segundo os historiadores, Leibniz (1646-1716)
pretendeu a criação de uma forma ou fórmula (característica universal) adaptada
a todas as operações do espírito e impulsionou a Logística.

Também devem ser citados Hilbert (1862-1943) e Russell sob a influência dos
quais a Lógica simbólica tem sido objeto de inúmeros estudos. Tais estudos
visam “pôr em evidência que a linguagem é decididamente inutilizável em
Lógica, porque ela não apresenta sempre um paralelismo rigoroso com os fatos,
d’onde a possibilidade da ambiguidade e de erros” (Marcell Boll).

Aos excessos dos logísticos deve-se opor a opinião de Walter Brugger:


“Logística é aquela forma de Lógica que se apresenta num sistema de sinais e
que permite operar com estes de modo idêntico ao da Matemática. Enquanto a
Lógica aristotélica não pode deduzir uma nova conclusão, senão partindo de
duas premissas com seus três conceitos, a Logística é capaz de deduzir, mediante
o cálculo, todas as consequências que, em geral, se possam tirar das premissas,
partindo de mais de duas proposições conexivas de grande número de
conceito. Em princípio, a Logística foi vislumbrada por Leibniz. Ela não
impugnou nem tornou supérflua a Lógica tradicional, pois sem esta a
custo pode-se compreender aquela. Contudo, devemos contar entre
suas vantagens uma maior exatidão e uma integridade sistemática que permitem
aplicá-la a domínios da realidade nos quais seria insuficiente a Lógica
tradicional. Quanto ao emprego da Logística em Filosofia, convém acautelarmo-
nos contra um matematismo exagerado, o qual de maneira nenhuma corresponde
aos resultados que esperavam” (Grifo do Autor) (op. cit.).

Para MichelVilley,“é preciso reencontrarmos o sentido da antiga Lógica jurídica


da controvérsia, chamada método dialético, do qual Pe-relman e a Filosofia do
Direito da Escola de Bruxelas, mostraram a perenidade e onde se situa a própria
lógica jurídica. O Direito jamais sairá de uma máquina. Ele supõe que sejam
ouvidas e confrontadas dialetica-mente uma e outra parte do processo. A solução
do Direito nasce do choque dos discursos contraditórios...” (op. cit.).

Observe este exemplo de Nérici (op. cit.): A proposição, um brasileiro é baiano,


expressa-se por estes símbolos: (x) (x E F) 3 (x E G)

A leitura é a seguinte: Seja x qual for, x é um elemento de F, implica x é um


elemento de G.

Estudando a Logística à luz do pensamento, não é difícil concluir que:

1. para a expressão simbólica há necessidade de um discurso interior, pois não se


pensa uma demonstração logística de um só impulso; 2. para a intelecção da
forma silogística tem de haver também um discurso interior - em nosso modesto
parecer, a Logística não é discursiva apenas em sua expressão.

SÚMULA

Parmenides - o Princípio de Identidade: - o que é, é - o que não é, não é.

Aristóteles: o criador da Lógica

1. De Proedicamentis — categorias;

2. De interpretatione — juízo e proposição;

3. Analytica Priora — raciocínio indutivo e dedutivo; 4. Analytica Posteriora


— raciocínio evidente; 5. De Topicis — raciocínio aplicado aos lugares
comuns; 6. De Sophisticis Elenchis - sofismas.

Crítica à Lógica de Aristóteles e refutação a ela.


Crítica à Lógica de Aristóteles e refutação a ela.

A Logística

O precursor: Raymond Lulle.

Opinião de Walter Brugger.

O entendimento de Michel Villey.

O exemplo de Nérici.

A Logística e sua crítica.

EXERCÍCIOS
Analise as proposições e marque Sim ou Não:

1. ( ) O texto Nyaya-Sutra, a partir do qual toda a filosofia indiana teve origem,


influenciou positivamente o desenvolvimento da Lógica Grega.

2. ( ) Parmênides percebeu a relação entre a coerência do pensamen to com a


forma do discurso e criou o Princípio de Identidade.

3. ( ) O princípio de identidade se expressa em: “uma ideia ou con ceito não é


igual a ele mesmo, no momento em que se está realizando o pensamento”.

4. ( ) Sócrates partiu do princípio de identidade - o que é, é - des coberto por


Parmênides para escrever o Organon.

5. ( ) As primeiras análises do raciocínio estão em Platão.

6. ( ) Os filósofos evitaram o emprego de termos equívocos com a criação de


neologismo.

7. ( ) Os gregos descobriram a razão, e a empregaram para saber o que as


coisas são.

8. ( ) Platão formou o termo ideia a partir de uma raiz grega que significa
visão, intuição intelectual, ou “a simples apreensão de um objeto”.
9. ( ) “Logística é aquela forma de Lógica que se apresenta num sis tema de
sinais e que permite operar com estes de modo similar ao da Matemática”.

10. ( )Walter Brugger não aconselha o emprego da Logística em Filosofia.

11. ( ) De Sophistids Príora, De Topicis, De Prodicamentis são três dos seis


livros de Aristóteles.

12. ( ) São equívocos os termos que têm duas ou mais significações


completamente diversas.

13. ( ) O Organon é um instrumento que objetiva permitir ao seu autor


raciocinar corretamente, e também denunciar o raciocínio incoerente.

14. ( ) M.Villey entende que a solução do Direito não pode nascer do choque
dos discursos contraditórios.

15. ( ) A crítica à Lógica de Aristóteles consiste “na crença de que o


pensamento não poderia assimilar a linguagem, que lhe reproduziria todas as
formas”.

Capítulo III
Lógica: Origem do Termo —
Definição — Divisão — Importância
ORIGEM DO TERMO

Não há certeza sobre quem criou o termo Lógica, nem sobre a época em que
referido termo começou a ser empregado no sentido moderno. Supõe-se que
tenha sido criado por comentadores de Aristóteles. O termo Lógica foi
empregado por Cícero (De Jlnibus 1,7) e se tornou corrente a partir dos estoicos.
O estoico Chrysippe entendeu o termo Lógica como uma das três espécies de
Filosofia.

DEFINIÇÃO DE VÁRIOS AUTORES

Do termo grego logos — que se traduz por razão — se origina a primeira


definição de Lógica, isto é, ciência do raciocínio ou arte do raciocínio, ou, ainda,
arte e ciência do pensamento. A última definição indica que, em se tratando de
Lógica, essa arte tem fundamento científico. O termo raciocínio pode apresentar
dois sentidos: somente a dedução, ou toda a espécie de inferências e, portanto,
dedução e indução. Assim sendo, a Lógica, em sentido restrito, limita-se ao
raciocínio dedutivo, ao silogismo; em sentido amplo, abrange a indução.

Os compêndios de Lógica tratam, em sentido ainda mais amplo, da definição, da


classificação e da divisão, operações que essencialmente não pertencem ao
domínio do raciocínio, pois admitem perfeição ou imperfeição, consoante suas
próprias regras. As definições de Lógica são inúmeras, porém todas trazem o
pensamento, o raciocínio como fundamento.

Vamos destacar apenas cinco:

A. CUVILLIER: “Lógica é o estudo das operações da inteligência com o fim de


distinguir o verdadeiro do falso, ou o estudo das regras, métodos e processos de
alcançar a verdade, ou ainda, o estudo das condições da verdade” (op. cit.).

G.FINGERMANN: “Lógica é a ciência das leis e das formas de pensamento que


nos fornecem normas para a investigação científica e nos propicia um critério de
verdade” (op. cit.).

L. LIARD: a Lógica tem duplo objeto: “estabelecer as leis do pensamento


considerado em si mesmo, e determinar as diferentes aplicações das mesmas
leis”. E define: “Lógica é a ciência das formas do pensamento” (op. cit.).

I. G. NERICI: “Lógica é a ciência que estuda as leis gerais do pensamento e a


arte de aplicá-las corretamente na investigação e a demonstração da verdade dos
fatos” (op. cit.).

R.JOLIVET: “Lógica é a ciência das leis ideais do pensamento, e a arte de


aplicá-las corretamente para procurar e demonstrar a verdade. Quer seja
denominada, para Port-Royal — Arte de Pensar ou Arte de Julgar — para
Aristóteles — a Ciência do Raciocínio — para Stuart Mill — a Arte da
Consequência —, sublinha-se sempre seu papel de instrumento no exercício do
pensamento e na organização do saber” (op. cit.).

Desde logo, deve-se evidenciar que a Lógica e a Psicologia (Glo-bot) têm


objetos distintos. Assim: se for considerado o pensamento como ele é, temos o
objeto da Psicologia; à Psicologia interessa a origem e a sucessão de nossos
pensamentos, e o estudo das leis da associação de ideias, sem maior destaque à
verdade ou à falsidade dessas ideias. Se for considerado o pensamento como
deve ser, temos o objeto da Lógica. A Lógica busca a demonstração da verdade.

DEFINIÇÃO E RACIOCÍNIO DE STUART MILL

Para Stuart Mill, 'Lógica é a ciência das operações do espírito que concernem à
estimação da prova”.

Em outras palavras, a Lógica como ciência, compreende:

Matéria — o que vai ser investigado pelas leis do pensamento.

Forma — o Método como se investiga ou como se aplica.

Observe que a definição prioriza a determinação do critério de evidência como


objetivo da Lógica
Stuart Mill também define o objetivo da Lógica: expor as provas do verdadeiro e
do falso, a fim de atingir a verdade. A partir desse momento, a Lógica está
intimamente ligada ao Processo.

COMENTÁRIOS À DEFINIÇÃO DE THOMAZ DE AQUINO

Definição: “Lógica é a Arte que dirige o próprio ato da razão, isto ê, arte que nos
permite pensar com ordem, facilmente e sem erro” Ç‘Ars directiva ipsius actus
rationis, per quam scilicet homo in ipso acto rationis ordenate, faciliter et sine
errore procedat”).

Ato da razão — As ciências procedem conforme a razão, porém a Lógica diz


respeito ao próprio ato da razão. Veremos, mais adiante, que chamamos razão o
funcionamento de nosso intelecto, quando vai pelo discurso de uma coisa
apreendida à outra.

Com ordem — É função da Lógica dispor a argumentação, ou uma cadeia de


raciocínios com ordem, a saber, da melhor maneira para mostrar que a
argumentação é concludente ou não.

Facilmente — As vezes, raciocinamos corretamente, porém de forma obscura e


difícil. A Lógica nos ensina a pensar de forma clara e fácil. A luz do método, a
Lógica deve tornar explícito por meio do discurso o que está no pensamento, de
forma implícita.

Sem erro - Todo o homem é dotado de bom senso, no entanto, somente bom
senso não é suficiente para quem pretende estudar as ciências, principalmente a
ciência do Direito. O bom senso é a faculdade de distinguir o falso do
verdadeiro, porém, no Direito e nas ciências é necessário demonstrar o que é
falso e o que é verdadeiro. Nesse ponto, a Lógica é o único instrumento da
inteligência.

O pensamento chegará, sem erros, à conclusão, depois de verificar-se a verdade


da matéria, a ordenação e o aclaramento do pen-sarnento. Afirmar que Direito é
bom senso, é ignorar ambos os conceitos.

DIVISÃO DA LÓGICA

A fim de propor a definição adotada por este livro, devemos proceder à divisão
da LógicaVamos considerar o raciocínio como uma obra de arte: observemos
uma estátua. Distinguimos nela a matéria de que é feita e sua forma. Se o artista
é bom (forma) e o material é ruim, a estátua será imperfeita; se o material é bom
e o artista é ruim, do mesmo modo a estátua será imperfeita. A perfeição da
estátua depende da matéria e da forma que lhe dá o artista. Assim ocorre com o
raciocínio. Consideram-se no raciocínio as matérias ideais com que se
raciocina e a forma que se dá às matérias, isto é, a disposição delas de maneira
a sustentar uma conclusão.

Assim sendo, a exemplo da estátua, o raciocínio deve ter matéria e forma


corretas, sob pena de ser falso. A falsidade do raciocínio ocorre
mais frequentemente na falsidade da matéria, como no exemplo seguinte:

A pintura é ciência, (A)

Ora, Portinari é pintor, (B)

Logo, Portinari é cientista. (C)

Verifica-se que a proposição (C) conclui corretamente em face das proposições


(A) e (B); logo, a forma é perfeita; entretanto, a proposição (A) que é a matéria
do raciocínio é falsa; portanto, todo o raciocínio é falso.

Jolivet entende que a noção de verdade, dominante em toda a Lógica, tem duplo
significado, ou seja, toda proposição que pretenda ser verdadeira terá,
necessariamente, estrutura formal e validade. “Entende-se por validade todas as
condições derivadas da matéria do pensamento que lhe afetam a estrutura ou a
própria forma. E daí que se origina a divisão da Lógica em Lógica formal ou
menor, e Lógica material ou maior” (op. cit.).

Considerando matéria e forma, a Lógica divide-se em:

Lógica menor, também denominada Lógica formal, prescreve as regras gerais do


pensamento para que o raciocínio seja correto e bem

construído. Para I. G. Nérici, raciocínio é “o ato pelo qual o espírito, com o que
ele já conhece, adquire um novo conhecimento”. O raciocínio bem construído
leva à conclusão coerente em relação à disposição da matéria. Sob esse aspecto a
Lógica é arte do pensamento; porquanto visa realizar uma obra bem-feita, ou
seja, a concordância do pensamento com o objeto.
Para Jolivet, na Lógica menor, “trata-se de definir as condições do pensamento
coerente consigo mesmo, independentemente de qualquer matéria determinada”.

Lógica maior, também chamada Lógica material ou Lógica Aplicada, “estuda a


aplicação das leis particulares a cada ciência em particular, e mostra a que
condições devem corresponder os materiais do raciocínio para que se obtenha
uma conclusão verdadeira e certa sob todos os aspectos, não só quanto à forma,
mas também quanto à matéria” (J. Maritain, op. cit.).

Para Jolivet, na Lógica maior, “trata-se de determinar a forma que o pensamento


deve tomar, atendendo aos diferentes objetos aos quais o pensamento pode se
aplicar” (op. cit.).

Nota - A divisão em Lógica Menor e Lógica Maior não é essencial, é acidental.


Jolivet esclarece que “do ponto de vista lógico, a matéria do pensamento é um
puro acidente, ou seja, é um elemento que não modifica de nenhum modo as
operações lógicas em seu aspecto essencial. De fato, examinando bem, toda
Lógica éformal, enquanto está inteiramente ordenada a definir o que deve ser a
forma do pensamento correto e verdadeiro” (J. Maritain, op. cit.).

IMPORTÂNCIA DA LÓGICA

A Lógica é entendida sob o aspecto de:

1. scientia instmmentum, para Boethium;

2. admiculum quoddam ad allias scientia, para Thomaz de Aquino;

3. propedêutica à ciência, para J. Maritain.

E conveniente enaltecer a importância da Lógica no estudo do Direito em geral


e, sobretudo, no processo: “es una creación de la inteligência, una maquinaria
hecha con sutileza y contmida según las leyes severas

de la lógica, cuya esencia resulta de la determinación jurídica de su fin material”


(Wach, op. cit.).

A importância da Lógica em todos os ramos da ciência fundamenta-se no fato de


ser ela um instrumento do saber. J. Maritain oferece brilhante lição sobre a
importância da Lógica que particularizamos desta forma:
importância da Lógica que particularizamos desta forma:

“Quando uma pessoa deve executar um trabalho, em primeiro lugar, ela começa
por experimentar de diversos modos o instrumento que lhe foi dado a fim de
compreender bem o uso que pode e deve fazer dele.

Mas qual é o trabalho dos advogados?

E adquirir o saber jurídico.

Qual o seu instrumento?

E a razão.

Será então preciso que, antes de iniciar o trabalho, os advogados comecem por
examinar a razão, a fim de determinar a maneira pela qual devem usá-la. O
estudo da razão, do ponto de vista de seu uso no conhecimento, ou como meio
de chegar à verdade, é o que se chama Lógica” (op. cit.).

Justificando a Lógica como arte e ciência do raciocínio, citamos Stuart Mill: “A


Lógica é a arte e a ciência do raciocínio?” Ao adotar a definição de S.
Mill,Whately opôs a seguinte emenda: “a Lógica é a ciência e a arte do
raciocínio, entendendo, por ciência, a análise da operação mental que se realiza
sempre que raciocinamos, e, por arte, as regras fundadas nesta análise para
conduzir corretamente a operação”. Não pode haver nenhuma dúvida quanto à
propriedade da emenda que estabelece os objetos da Lógica:

A Lógica Material compreende os elementos do pensamento: o raciocínio, o


juízo, a ideia.

A Lógica Formal é a chegada ao conhecimento da verdade por intermédio do


correto uso das operações mentais.

Uma correta compreensão do processo mental em si, de suas condições e dos


seus degraus, é a única base possível de um sistema de regras apropriadas para
dirigi-lo. A arte pressupõe necessariamente o conhecimento; a arte, mesmo na
sua infância pressupõe o conhecimento científico; e se nenhuma arte possui o
nome de uma ciência, é somente porque várias ciências são frequentemente
necessárias para estabelecer os princípios fundamentais de uma única arte.

São tão complicadas as condições que governam nossa atividade prática que,
para tornar alguma coisa factível, muitas vezes é indispensável conhecer a
natureza e as propriedades de grande número de outras coisas.

A Lógica, portanto, inclui a ciência do raciocínio tanto quanto uma arte fundada
nessa ciência. Mas a palavra raciocínio, como muitos outros termos científicos
de uso popular, é cheia de ambiguidades.

Em uma de suas acepções, raciocínio significa o processo silogís-tico, ou seja, o


modo de inferência que pode ser denominado com suficiente exatidão para o
nosso propósito como concluir do geral para o particular.

Em outro sentido, “raciocinar é, simplesmente, inferir qualquer asserção de


asserções previamente admitidas; e, aqui, a indução pode ser chamada — tanto
quanto as demonstrações de geometria — de raciocínio” (Whately, op. cit.).

SÚMULA

Origem do termo: Cícero, De Finibus, 1,7.

Algumas definições de Lógica: A. Cuvillier, G. Fingermann, L. Liard, I. G.


Nérici e R. Jolivet.

Raciocínio e definição de Stuart Mill: ciência das operações do espírito que


concernem à estimação da prova.

Comentários à definição de Thomaz de Aquino: Lógica é a arte que nos permite


pensar com ordem, facilmente e sem erro.

Divisão da Lógica:

Lógica menor ou formal: “definir as condições do pensamento coerente consigo


mesmo, independentemente de qualquer matéria determinada”.

Lógica maior ou material: “determinar a forma que o pensamento deve tomar,


atendendo aos diferentes objetos aos quais o pensamento pode se aplicar”.

A importância da Lógica: vários autores.

EXERCÍCIOS
Assinale as sete asserções equivocadas:

1. Supõe-se que o termo Lógica, criado por Aristóteles, denominava uma das
espécies de Filosofia.

2. O fundamento de todas as definições de Lógica é o pensamento.

3. A Lógica e a Psicologia diferem quanto ao objeto porque a Psicologia não


busca a verdade ou a falsidade das ideias, porém enfatiza a origem e a sucessão
dos pensamentos, e o estudo das leis da associação de ideias.

4. “Lógica é a Arte que dirige o próprio ato da razão, isto é, arte que nos
permite pensar com ordem, facilmente e sem erro”. A expressão com ordem
significa dispor a cadeia de raciocínios de modo a demonstrar se a verdade é
concludente ou não.

5. Jolivet entende que, obrigatoriamente, a proposição verdadeira deve ter:


estrutura formal e validade.

6. Sobre o raciocínio: o raciocínio que tem matéria e forma corretas não pode
ser falso. No raciocínio há: as matérias com que se raciocina e a forma ou a
disposição das matérias, de modo a sustentar uma conclusão.

7. A Lógica Menor, também denominada Lógica Formal, prescreve as regras


gerais do pensamento para que o raciocínio seja correto e bem construído.

8. Para Jolivet, na Lógica menor, é preciso “definir as condições


do pensamento coerente consigo mesmo, e dependente de uma matéria
determinada”.

9. A Lógica Maior ou Lógica Aplicada ou ainda Lógica Material “estuda a


aplicação das leis gerais a cada ciência e encaminha o raciocínio para a obtenção
de uma conclusão verdadeira quanto à forma e à matéria”.

10. A divisão em Lógica Menor e Lógica Maior “não é essencial, é acidental,


porque toda Lógica é formal, e está inteiramente ordenada a definir o que deve
ser a forma do pensamento correto e verdadeiro”.

11. A divisão em Lógica Menor e Lógica Maior “não é acidental, é essencial,


porque do ponto de vista lógico, a matéria do pensamento é um puro acidente, ou
seja, é um elemento que modifica de algum modo as operações lógicas no que
elas têm de essencial”.

12. Para Jolivet, “determinar a forma que o pensamento deve tomar, atendendo
aos diferentes objetos aos quais o pensamento pode se aplicar” é o objetivo da
Lógica Maior ou Lógica Aplicada ou ainda Lógica Material.

13. A importância da Lógica em Direito evidencia-se, principalmente, como


técnica de argumentação

14. Para Wach: O processo é uma criação da inteligência, construído segundo


as leis severas da Lógica, cuja essência resulta da determinação jurídica de seu
fim material.

15. Raciocínio é termo científico unívoco e não pode apresentar ambiguidades.


Raciocinar pode significar induzir qualquer asserção de asserções previamente
rejeitadas.

Capítulo IV
Os Princípios Lógicos e sua Aplicação
à Advocacia
OS QUATRO PRINCÍPIOS LÓGICOS

“A Lógica Formal repousa sobre quatro princípios fundamentais que permitem


todo desenvolvimento da Lógica, sendo os elementos que dão validade a todos
os atos do pensamento, com a conveniência ou desconveniência entre si, de
certas ideias ou proposições” (I. G. Nérici, op. cit.).

Os Princípios Lógicos servem à demonstração. São eles: le O Princípio de


Identidade;

2a O Princípio de Contradição;

3fi O Princípio do Terceiro Excluído;

4Q O Princípio da Tríplice Identidade.

A teoria da demonstração supõe que, em última análise, atinjamos um princípio


indemonstrável. Efetivamente, a demonstração consiste em prender um fato a
uma generalidade já estabelecida, como neste argumento:

Deus criou o Universo — generalidade A Terra está no Universo — fato Logo,


Deus criou a Terra.

Para demonstrar uma generalidade já estabelecida é preciso recorrer a uma


generalidade maior. Prosseguindo nessa busca chegaríamos, necessariamente, a
um princípio que é o último e cuja evidência não

pode ser demonstrada. Admite-se que esse princípio não se prende a outro
princípio anterior.

Fundamentando-se em Euclides, Spencer pretendeu dar uma forma ao postulado


universal, que seria o último fundamento da certeza. Para Spencer esse postulado
é a impossibilidade de conceber-se o contrário: quando o contrário de uma
proposição for inteiramente inconcebível, devemos admitir essa proposição
como verdadeira. E compreensível que a teoria tem justas objeções. Entre as
objeções está aquela que afirma que a inconcebilidade pode ser temporal
porque representa as experiências feitas até hoje.

Alguns filósofos consideram apenas três, os primeiros princípios do


conhecimento e afirmam que o quarto princípio — da tríplice identidade — não
é absolutamente formal e apresenta-se com mais características empíricas. Pode-
se afirmar que “estes princípios ou axiomas lógicos, também chamados leis
formais, regem todo o exercício do pensamento, sejam quais forem os seus
diversos materiais” (I. G.Nérici, op. cit.).

O PRINCÍPIO DE IDENTIDADE

Pode se apresentar de três formas:

a) AéA.

b) Pessoa é pessoa.

c) O que é, é - o que não é, não é.

“O que quer dizer que uma ideia ou conceito é igual a ele mesmo, pelo menos no
momento em que se está realizando o pensamento” (I. G. Nérici, op. cit.).

Platão afirmou que: uma coisa é o que ela é, ou seja, uma ideia é igual a ela
mesma.

Objeção — Expressar o mesmo pensamento pela mesma palavra ou pelas


mesmas palavras não é uma inutilidade?

Resposta - Responde-se à crítica supondo a expressão do mesmo pensamento


com palavras diferentes. O princípio indica que A — pessoa - sob outro nome
ainda é A-pessoa.

Observe o exemplo: Pessoa é pessoa. Pessoa é racional. Quando dizemos A


(pessoa) é racional, apenas estamos nos repetindo, basta conhecer o sentido das
palavras. Ora, sendo pessoa racional, posso dizer: “Não se admite a um racional
(ou a uma pessoa) tal pensamento” - onde racional é igual a pessoa.

A linguagem comum e algumas vezes a linguagem técnica contêm termos


A linguagem comum e algumas vezes a linguagem técnica contêm termos
equivalentes. A linguagem técnica do Direito não deve ter sinônimos, porém, há
algumas exceções:

1. procuração — instrumento de mandato.

2. petição inicial, libelo cível inaugural, peça vestibular, peça introdutória etc.

Essas expressões equivalentes permitem verificar a identidade A é A; todavia, a


melhor orientação em linguagem forense é empregar sempre os termos da lei.
Como compreender o Direito se um mesmo pensamento fosse escrito e falado
com termos e expressões diferentes? Imagine que o advogado se referisse ao
crime com determinadas palavras: a promotora se reporta ao mesmo crime, com
palavras diferentes, e ao condenar, ajuíza fará uso de outras palavras. Não se
saberia o resultado.

Sem o Princípio de Identidade seria impossível uma discussão, por isso os


escolásticos prescrevem: “antes de qualquer discussão dê-se o sentido que
devem ter as palavras no decorrer dela” (veja Capítulo XVIII — Lógica e
Linguagem).

Nota - Atribui-se a descoberta do Princípio de Identidade a Parmênides, e para


atingi-lo temos que retroceder a Heráclito interrogando o que existe? - o ser, as
coisas. Os filósofos entenderam que é a água, o ar, os números etc. Para
Heráclito, ao examinar imparcialmente as coisas que temos diante de nós,
verificamos que as coisas não são em nenhum momento aquilo que eram antes, e
também não são o que vêm a ser depois. As coisas estão mudando
constantemente. Quando queremos fixar uma coisa já não é a mesma do que era.
Sua frase “nunca nos banhamos no mesmo rio duas vezes” dá o sentido de sua
filosofia: o existir é um perpétuo mudar — nada existe porque tudo existe,
existe um instante e um instante seguinte já não existe, é outra coisa.

Parmênides critica a teoria de Heráclito desta forma: para Heráclito uma coisa é
e não é ao mesmo tempo, visto que está sempre mudando. Dentro dessa ideia de
mudança constante, uma coisa muda de ser o que é, para tornar-se outra coisa, e
tornando-se outra coisa

não é a coisa que era e nem a coisa que virá a ser na próxima mudança.

Parmênides verifica uma contradição lógica na teoria de Heráclito: o que existe


não existe — o ser não é — como admitir um ser que se caracteriza por não ser?
A realidade mostra que a teoria de Heráclito é absurda, é incompreensível.

A essa teoria opõe um princípio de razão: o que é, é - o que não é, não é. o ser é
(existe) — o ser não é (não existe).

Parmênides não deu nome ao princípio que descobriu, porém, mais tarde, os
lógicos passaram a identificar este princípio com o nome de Princípio de
Identidade.

O PRINCÍPIO DE CONTRADIÇÃO

Aristóteles afirmou que este é o princípio mais importante, e todos os outros


princípios se reduzem a ele.

O enunciado do Princípio de Contradição é:

Uma coisa não pode ser e deixar de ser ao mesmo tempo.

Desse modo dizemos que: das duas afirmações — x é x — x não é x — uma das
afirmações será falsa, necessariamente.

Observe o exemplo: Um ambiente não pode ser frio e quente ao mesmo tempo.
O brocardo não há direito contra direito é a aplicação desse princípio.

Nota - “Todas as vezes que dois homens têm sobre uma mesma coisa um
julgamento contrário, é certo que um deles está enganado. Há mais: nenhum dos
dois está com a verdade, porque se um estivesse com a verdade teria uma vista
clara e nítida (evidência) e poderia expor a seu adversário de tal maneira que ele
acabaria se convencendo” (E. Garcia Máynez, op. cit.).

O PRINCÍPIO DA EXCLUSÃO DO MEIO

O Princípio da Exclusão do Meio, também conhecido como o Princípio do


Terceiro Excluído, preceitua:

Uma coisa deve ser ou não ser — ou seja, de duas coisas contraditórias uma
coisa deve ser verdadeira e a outra coisa deve ser falsa.
O princípio não determina qual juízo é verdadeiro, mas afirma que dois juízos
contraditórios não podem ser simultaneamente falsos. No estudo das proposições
veremos a aplicação do princípio; no entanto, desde já queremos mostrar-lhes
estes dois exemplos:

a) Toda pessoa é mortal.

b) Nenhuma pessoa é mortal.

E certo que uma proposição exclui a outra. Para que o princípio tenha aplicação
é preciso que se trate de matéria necessária. Neste início de curso, adiantamos
dois conceitos básicos em Filosofia, ao dizer que:

— E necessário o que sempre acontece.

— E contingente o que pode acontecer ou não.

O PRINCÍPIO DA TRÍPLICE IDENTIDADE

Esse princípio é conhecido do estudo de Matemática, e preceitua: duas


quantidades iguais a uma terceira são iguais entre si:

A = C B = C A = B

Em Lógica há várias outras fórmulas para enunciar este princípio, das quais
destacamos as quatro mais usuais:

Ia “Coisas que existem com a mesma coisa coexistem entre si”.

2a “Duas coisas idênticas a uma mesma terceira (coisa) são idênticas entre si”.

3a Ainda, para aplicação em Direito, pode-se enunciar desta forma: Duas coisas
iguais a uma terceira, sob certo aspecto, são iguais entre si, sob esse mesmo
aspecto.

4a Na forma negativa: Duas coisas das quais uma é idêntica e outra não é
idêntica à mesma terceira são diferentes entre si.

Verificamos que a forma negativa do princípio é uma expressão particular do


Princípio de Identidade: o que é, é — o que não é, não é. Para que se realize o
Princípio de Identidade, é necessário que a terceira coisa seja realmente a mesma
coisa. Quando não ocorre essa condição o raciocínio é falso e se denomina
sofisma.

São dois exemplos:

a) O cão ladra.

Rex é cão.

Rex ladra.

Verifica-se que o termo cão é a mesma coisa em relação a ladra e Rex, isto é, um
animal.

b) Cão é uma constelação.

Cão ladra.

Uma constelação ladra.

O termo cão é empregado diferentemente nas duas frases. No exemplo a, cão é


um animal, e no exemplo b, cão é uma constelação. Logo, o raciocínio é falso.

OS PRINCÍPIOS: DICTUM DE OMNI E DICTUM DE NULLO

Seguem-se dois princípios: Dictum de Omni e Dictum de Nullo. Sobre eles, J.


Maritain entende que: “estes dois princípios são conhecidos por si sós ou
evidentes por si mesmos, porquanto a natureza do universal consiste exatamente
em se encontrar um e o mesmo em todas as coisas em relação às quais ele é
universal, ou melhor, que contém em si” (op. cit.).

Estes dois princípios são expressões diferentes do Princípio de Identidade e sua


importância é dar validade ao Silogismo. Nos capítulos XIII e XIV, iremos
estudar o Silogismo de forma detalhada, porém; adiantamos duas definições para
melhor entendimento, e para dar mobilidade ao capítulo:

“Silogismo é uma série de palavras em que, sendo admitidas certas coisas, delas
resultará necessariamente alguma outra, pela simples razão de se terem admitido
aquelas” (Aristóteles, op. cit.).

“Silogismo significa ligação, pois não passa de uma argumentação na qual de


um antecedente que une dois termos a um terceiro, se

infere um consequente que une esses dois termos entre si” (I. G. Né-rici, op.
cit.).

Ia O Princípio “Dictum De Omni” (Dito do Todo).

Esse princípio é enunciado de diversas formas.Vamos reproduzir duas delas para


maior compreensão:

a) “Tudo o que é verdadeiro de uma classe inteira de objetos é verdadeiro de


todos os objetos pertencentes a essa classe” (Bain, op. cit.).

b) “Tudo o que é afirmado universalmente de um sujeito é afirmado de tudo o


que está contido nesse sujeito. Em Latim: Quidquid universaliter dicitur de
aliquo subjecto, dicitur de omni quod sub tali subjecto cotinetur (J. Maritain, op.
cit.).

O princípio se reduz, praticamente, a dizer que: o todo abrange as partes. Por


exemplo: Se afirmo: Todo vício é um mal, afirmo que: todos os vícios são um
mal.

2a O Princípio “Dictum De Nullo” (Dito de Nenhum).

Esse princípio é enunciado de diversas formas.Vamos reproduzir duas delas para


maior compreensão:

a) “Tudo que é negado de uma classe inteira de objetos é negado de todos os


objetos pertencentes a essa classe” (Bain).

b) “Tudo que é negado universalmente de um sujeito é negado de tudo o que


está contido nesse sujeito. Em Latim: Quidquid universaliter negatur de aliquo
subjecto, dicitur de nullo quod suo tali subjecto conti-netur” (J. Maritain, op.
cit.).

Assim, dizer: Toda pessoa não é imortal significa que todas as pessoas não são
imortais. O que nego da classe, nego dos objetos pertencentes à classe, ou ainda,
o que nego do todo, nego da parte.
o que nego do todo, nego da parte.

APLICAÇÃO DOS PRINCÍPIOS LÓGICOS À ARTE DA


ADVOCACIA

“Não demonstrada a divergência de julgado pela inexistência de identidade ou


semelhança das espécies em confronto, não se conhece do recurso
extraordinário” (STF, R.T, 523:525). A ausência da mesma lei invocada, ou da
identidade de fatos sob o mesmo aspecto, determina sempre o indeferimento do
recurso extraordinário.

O Princípio de Identidade é importante em Direito para determinar coisa julgada.


Muitas vezes propõe-se a mesma ação com nome diferente, e o juiz deve
verificar antes de tudo se a segunda ação é idêntica à primeira, ainda que tenha
nominação diferente. Se as ações forem idênticas, a saber — A é A — e a
primeira ação transitou em julgado, a segunda ação não pode prosseguir.

E o entendimento de P. Lacoste: “En un mot, l’idée qui doit servir de guide pour
savoir s’il y a ou non identité d’objet est la suivante: en statuant sur l’objet d’une
demande, le juge est-il exposé à contradire une décision antérieure, en affirmant
un droit nié ou en niant un droit affirmé par cette précédente décision? S’il ne
peut statuer qu’en s’exposant à cette contradiction, il y a identité d’objet, et
chose jugée” (op. cit.).

Tradução livre do autor: “Em uma palavra, a ideia que deve servir de guia para
saber se há ou não identidade de objeto é a seguinte: decidindo sobre o objeto de
uma demanda, o juiz está sujeito a contradizer uma decisão anterior, quer
afirmando um direito negado,quer negando um direito afirmado pela decisão
precedente? Se o juiz não pode julgar senão supondo-se aquela contradição, há
identidade de objeto, e (portanto) coisa julgada”.

Para Lacombe Eugène, “Lorsque, tous les autres éléments des deux instances
étant d’ailleurs identiques, la seconde demande ne diffère de la première que par
le choix d’une action différente pour arriver au même but, l’exception (de la
chose jugée) ne cesse pas d’être applicable” (op. cit.).

Tradução livre do autor: “Quando todos os outros elementos das duas instâncias
são de certo modo idênticos, a segunda demanda não difere da primeira senão
pela escolha de uma ação diferente para chegar ao mesmo fim, a exceção de
coisa julgada não cessa de ser aplicável”.

Nota— A Constituição Federal de 1967 que compete ao Supremo Tribunal


Federal estava assim redigida:

“Art. 119 (...)

(...)

III — Julgar, mediante recurso extraordinário, as causas decididas em única ou


última instância por outros tribunais, quando a decisão recorrida:

(...)

d) Dar à lei federal interpretação divergente da que lhe tenha dado outro tribunal
ou o próprio Supremo Tribunal Federal”.

No caso de recurso extraordinário, é necessário que a advogada demonstre que, a


fatos iguais aplicou-se diferentemente uma mesma lei federal, para tanto
invocando um acórdão do Tribunal Regional ou do Supremo Tribunal Federal. O
raciocínio consiste na aplicação do princípio lógico.

O fato A é igual sob certo aspecto ao fato B. Se se aplicou a A a lei C, pela


mesma razão deve-se aplicar a B.

Observa-se que o Código Tributário Nacional vale-se do Princípio de Identidade


no seu art. 42, estabelecendo “que a natureza específica do tributo é determinada
pelo fato gerador e não pela denominação”. E o princípio de A é A:Tributo é
Tributo qualquer que seja a sua denominação.

OS CINCO PRINCÍPIOS DE LÓGICA JURÍDICA

A Lógica Jurídica aplica os princípios lógicos de maneira teórica. Ainda que este
trabalho não tenha a pretensão de invadir o campo da Lógica jurídica, cremos ser
de utilidade prática apontar os conceitos dos cinco princípios que se seguem,
extraídos da obra La lógica jurídica, de Eduardo Garcia Máynez:

1~ Princípio de identidade — Todo objeto do conhecimento jurídico é idêntico a


si mesmo. O que não está proibido é permitido. Se se tivesse o direito de fazer o
que está proibido (juridicamente), a mesma ação seria ao mesmo tempo
permitida e proibida, o que seria contradição; por outro lado, o que se não proíbe
é permitido.

2° Princípio de contradição — Duas normas de Direito contraditórias não podem


ambas ser válidas. A circunstância de existirem num ordenamento jurídico
prescrições contraditórias não destrói o princípio, porque no plano da Lógica se
trata do possível e do impossível. Assim sendo, como a contradição lógica
refere-se exclusivamente a juízos, o principium contradictioni no Direito refere-
se exclusivamente às normas. A contradição geralmente é afastada pela
aplicação da regra: lex posteriori derrogai priori (veja LINDB).

3° Princípio do terceiro excluído — Quando duas normas de Direito se


contradizem não podem ambas carecer de validez, uma tem de ser válida, outra
sem validade.

4~ Princípio da razão suficiente — Todo juízo para ser verdadeiro precisa de


uma razão suficiente. A razão é suficiente quando basta por si só para servir de
apoio completo ao juízo, a fim de torná-lo plenamente verdadeiro. Leibniz
ensina que “todas as coisas devem ter uma razão suficiente pela qual são o que
são e não são outra coisa”. Em Direito toda norma para ser válida necessita de
um fundamento suficiente de validez. Esse fundamento é o apoio em norma
hierárquica superior.

5~ Princípio da causalidade — Todo evento é precedido de outro evento, isto é,


a todo evento corresponde um antecedente. E a lei ou Princípio da Causalidade,
que assim se enuncia: “A todo evento corresponde um evento anterior, ao qual
está ligado de tal maneira que se um ocorre o outro se verifica, se um falta o
outro não se verifica”. Do princípio da causalidade seguem-se duas
consequências: Primeira - Desaparecida a causa desaparece o efeito. Essa
consequência se expressa pelos seguintes brocardos encontradiços na linguagem
do foro: Sublata causa tollitur effectus e Cessante causa, cessat effectus. Esta
consequência se aplica à vigência da lei e seus efeitos.

Segunda - Todo objeto que não pode ser afastado sem que o efeito cesse, deve
ser considerado como causa ou parte da causa.

SÚMULA

Os quatro Princípios lógicos:


Ia O princípio de identidade - Parmênides: o que é, é - o que não é, não é.

2a O princípio de contradição: uma coisa não pode ser e deixar de ser ao mesmo
tempo.

3a O princípio da exclusão do meio: de duas coisas contraditórias, uma deve ser


verdadeira e a outra deve ser falsa.

4a O princípio da tríplice identidade: “duas coisas idênticas a uma mesma


terceira (coisa) são idênticas entre si”.

Os princípios: dictum de omni e dictum de nullo:

Dictum de omni: tudo o que é afirmado universalmente de um sujeito, é


afirmado de tudo o que está contido nesse sujeito.

Dictum de nullo: tudo o que é negado universalmente de um sujeito, é negado de


tudo o que está contido nesse sujeito.

Princípios lógicos: aplicação na advocacia:

O entendimento de P. Lacoste.

O entendimento de Lacombe Eugéne.

Os cinco princípios de lógica jurídica:

Ia O princípio de identidade: todo objeto do conhecimento jurídico é idêntico a si


mesmo. O que não está proibido é permitido.

2a O Princípio de Contradição: duas normas de Direito contraditórias não podem


ambas ser válidas.

3a O princípio do terceiro excluído: quando duas normas de Direito se


contradizem, não podem ambas carecer de validez, uma tem de ser válida, outra
sem validade.

4a O princípio de razão suficiente - Leibniz: “todas as coisas devem ter uma


razão suficiente pela qual são o que são, e não são outra coisa”. 5a O princípio da
causalidade: todo evento é precedido de outro evento, isto é, a todo evento
corresponde um antecedente.

EXERCÍCIOS
Assinale as sete asserções corretas:

1. O Princípio de Identidade preceitua que A é A, ou seja, uma ideia

ou conceito é igual a ele mesmo, pelo menos no momento em que se está


realizando o pensamento.

2. Na linguagem técnica do Direito não há sinônimos e nem exceções.

3. Os escolásticos prescrevem que “antes de qualquer discussão dê-se

o sentido que devem ter as palavras no decorrer dela”, demonstrando assim a


importância do Princípio de Identidade.

4. Os três primeiros Princípios do Conhecimento são: Identidade,

Contradição e Inclusão do Meio.

5. E. Garcia Máynez entende que “todas as vezes que duas pessoas têm,

sobre uma mesma coisa, um julgamento contrário, um dos dois está com a
verdade, e poderia expor a seu adversário de tal maneira que ele acabaria se
convencendo”.

6. O Princípio do Terceiro Excluído indica qual é o juízo verdadeiro e

nega que dois juízos contraditórios não podem ser falsos ao mesmo tempo.

7. O Princípio da Tríplice Identidade tem aplicação em Direito, e é

enunciado desta forma: duas coisas iguais a uma terceira, sob certo aspecto, são
iguais entre si, sob esse mesmo aspecto.

8. “Tudo o que é verdadeiro de uma classe inteira de objetos, é ver

dadeiro de todos os objetos pertencentes a essa classe”. Trata-se do enunciado do


dadeiro de todos os objetos pertencentes a essa classe”. Trata-se do enunciado do
Princípio dictum de omni.

9. “Tudo que é negado universalmente de um sujeito é negado de

tudo o que está contido nesse sujeito”.Trata-se do enunciado do Princípio dictum


de omni.

10. Na afirmativa a seguir, há um conceito de Lógica Jurídica: “Se se tivesse o


direito de fazer o que está proibido (juridicamente), a mesma ação seria ao
mesmo tempo permitida e proibida”.

11. Definindo de modo elementar, necessário é o que sempre acontece, e


contingente o que pode acontecer ou não.

12. Segundo o Princípio do Terceiro Incluído, quando duas normas de Direito


se contradizem, ambas podem ser váfidas ou inváfidas.

13. O Princípio da Tríplice Identidade afirma: duas coisas das quais uma é
idêntica, e a outra não é idêntica à primeira coisa, são iguais entre si.

14. De acordo com o Princípio de Razão Suficiente, em Direito toda norma


para ser váfida necessita de um fundamento suficiente de vaHdez. Esse
fundamento é o apoio em norma hierárquica superior.

15. Uma das consequências do Princípio da Causahdade é: todo objeto que


pode ser afastado sem que o efeito cesse deve ser considerado como causa ou
parte da causa.

Capítulo V
Definição: Nominal e Real -Leis de
Definição: Gredt
“Omnis definitio periculosa est in Jure” (Javolenus).

DEFINIR - LIMITAR

Seria impossível estudar Direito sem saber o que é posse, propriedade,


parentesco e tantos outros conceitos. O conjunto de termos técnicos pertencentes
ao Direito denomina-se Terminologia Jurídica e, para estudar Direito, é preciso
saber a significação de seus termos para não confundir um termo com outro.
Essa é a forma de proceder que possibilita o estudo do Direito, ou de qualquer
outra ciência.

Para Aristóteles: “Mesmo fora do âmbito da ciência a única forma possível de


entendimento entre os homens é a aplicação de uma palavra por meio de outras
palavras” (op. cit.).

Para Sinibaldi, definir é “dizer o que uma coisa é, ou uma palavra significa” (op.
cit.).

Para J. Maritain, “definição é um conceito complexo que expõe o que uma coisa
é, ou o que um nome significa” (op. cit.).

Definir é limitar. Limitar o quê? Limitar a extensão de um termo. Para quê? Para
torná-lo distinto de todos os demais termos. Observe o exemplo:

O homem é um animal racional — limitei o termo homem com o termo animal,


porque já excluí vegetal e mineral. E também limitei o termo animal com o
termo racional. Assim, consegui tornar o termo — homem — único entre os
demais termos, sem risco de confundi-lo com qualquer outro termo. Observe
que, ao limitar a extensão do termo, sua compreensão ficará aumentada.

E indiscutível a importância da definição em todas as ciências. Verificamos que


as definições são comuns no Código Civil e mais raras no Código de Processo
Civil, uma vez que o Direito Civil, como direito material, estabelece os
conceitos e o Código de Processo Civil tem caráter mais formal.

São quatro exemplos de Definição no Código Civil:

d) Art. 79. “São bens imóveis o solo e tudo quanto se lhe incorporar natural ou
artificialmente”.

b) Art. 92. “Principal é o bem que existe sobre si, abstrata ou concretamente;
acessório, aquele cuja existência supõe a do principal”.

c) Art. 1.201. “E de boa-fé a posse, se o possuidor ignora o vício, ou o


obstáculo que impede a aquisição da coisa”.

d) Art. 1.591. “São parentes em Unha reta as pessoas que estão uma para com
as outras na relação de ascendentes e descendentes”.

Ver também os arts. 82, 85, 86, 89,114,121,139, 586,710,818,


1.196,1.198,1.225,1.592,1.858, entre inúmeros outros.

São quatro exemplos de Definição no Código de Processo Civil:

a) Art. 103. “Reputam-se conexas duas ou mais ações, quando lhes for comum
o objeto ou a causa de pedir”.

b) Art. 234. “Intimação é o ato pelo qual se dá ciência a alguém dos atos e
termos do processo, para que faça ou deixe de fazer alguma coisa”.

c) Art. 369.“Reputa-se autêntico o documento, quando o tabeUão reconhecer a


firma do signatário, declarando que foi aposta em sua presença”.

d) Art. 467. “Denomina-se coisa julgada material a eficácia, que torna


imutável e indiscutível a sentença, não mais sujeita a recurso ordinário ou
extraordinário”.

Ver também os arts. 54, 104, 213, 748, 852, 967, 1.020, entre inúmeros outros.

DIVISÃO DA DEFINIÇÃO: NOMINAL E REAL

A definição nominal de nomen (= nome) fixa o emprego de uma palavra


recorrendo a outras palavras.
A definição Nominal pode ser:

I - Semântica.

II - Etimológica.

I — A Dejinição Nominal Semântica explica ou esclarece a significação atual


de uma palavra por meio de outras palavras mais claras. São dois exemplos do
Código Civil:

a) Art. 1.592. “São parentes em linha colateral ou transversal, até o quarto


grau, as pessoas provenientes de um só tronco, sem descenderem uma da outra.”

b) Art. 89. “São singulares os bens que, embora reunidos, se consideram de per
si, independentemente dos demais.”

II — A Definição Nominal Etimológica procura a origem (étimo) da palavra.


São dois exemplos:

a) Filosofia - amor à sabedoria (de filo = amor, amigo e sofia = sabedoria).

b) Ontem (ante — diem).

Como as palavras mudam de significação, muitas vezes a definição etimológica


não é exata como a definição semântica, e isso ocorre porque a definição
semântica acompanha a evolução gradual das palavras. São dois exemplos:

a) Direito - o que está à direita.

b) Adúltero — alterado, que altera (Dauzat, op. cit.).

Em Direito, o conhecimento da etimologia dos termos colabora no seu


significado, isso porque grande parte da terminologia do Direito vem do Direito
Romano, escrito em Latim. São cinco exemplos:

a) Jurisdição — dictio = dizer e juris = direito — dizer o direito (CPC, art. Ia).

b) Usucapião — usucapere: capere = tomar, e usus = uso — tomar ou adquirir


pelo uso (CC, art. 1.238).
c) Nunciação de obra nova — nuntitio = declaração, nutiare = declarar,
anunciar. Ulpiano: nunciare opus novum = embargar obra nova. (CPC, arts. 934
e s.).

d) Nuncupativo — de nuncupare = nomear de viva voz.Veja casamento


nuncupativo (CC, art. 1.540) e testamento (CC, art. 1.886).

e) Fideicomisso — de fidei = fé e commitere = cometer, entregar. Veja o art.


1.951 do Código Civil, entre outros.

A definição real de res (= coisa). A definição real pode ser:

I - Essencial.

II — Descritiva.

I - A Definição Real Essencial se faz pelo gênero próximo e a diferença


específica. Entende-se a diferença específica como uma propriedade, ou um
traço que distingue um determinado conceito de outros conceitos semelhantes,
ou da mesma classe. Por exemplo: O homem é um animal racional. Observe que
foi tomado o gênero — animal — e a diferença — racional. São três exemplos
no Código de Processo Civil:

a) Art. 213. “Citação é o ato pelo qual se chama ajuízo o réu ou interessado a fim
de defender-se.” Verifica-se que o gênero ato é a característica que torna esse
determinado ato (citação) diferente de todos os outros atos imagináveis (trata-se
da diferença específica).

h) Art. 234.“Intimação é o ato pelo qual se dá ciência a alguém dos atos e termos
do processo, para que faça ou deixe de fazer alguma coisa.”

c) Art. 467. “Denomina-se coisa julgada material a eficácia, que torna imutável e
indiscutível a sentença, não mais sujeita a recurso ordinário ou extraordinário.”

Ver também os artigos do Código de Processo Civil: 54,104,369, entre inúmeros


outros.

Ver também os artigos do Código Civil: 79, 85, 86, 87,89, 92,
586,710,818,1.198 e 1.200, entre outros.
11-A Definição Real Descritiva se faz pela enumeração dos caracteres mais
marcantes de uma coisa, na falta de elementos essenciais que são: o gênero
próximo e a diferença específica. São três exemplos do Código Civil:

a) Art. 243. “A coisa incerta será indicada, ao menos, pelo gênero e pela
quantidade.”

b) Art. 394. “Considera-se em mora o devedor que não efetuar o pagamento e


o credor que não quiser recebê-lo no tempo, lugar e forma que a lei ou a
convenção estabelecer.”

c) Art. 1.200. “E justa a posse que não for violenta, clandestina ou precária”.

Ver também os artigos do Código Civil: 121,122,156,157,186,


534,784,1.201,1.228 e 1.361, entre inúmeros outros.

Ver também os artigos do Código de Processo Civil: 282, 317, 397,420,452,


entre inúmeros outros.

GREDT: AS CINCO LEIS DE DEFINIÇÃO

Primeira Lei: “Dejinitio sit convertibilis cum definito Tradução: A definição


deve ser convertida ao definido.

A lei acompanha o princípio de Aristóteles: “Todo predicado de um sujeito deve


necessariamente ser ou não ser conversível com ele; se conversível é sua
definição”.

São dois exemplos do Código Civil:

d) Art. 586.“O mútuo é o empréstimo de coisas fungíveis...” Pode ser


enunciado tomando-se o predicado pelo sujeito como

segue: E mútuo o empréstimo de coisas fungíveis.

b) Art. 92. “Principal é o bem que existe sobre si, abstrata ou concretamente;
acessório, aquele cuja existência supõe a do principal”. Convertendo: E principal
o bem que existe sobre si abstrata ou concretamente.

Segunda Lei: “Defmitio sit clarior definito”.


Tradução: A definição deve ser mais clara que o definido.

A lei é extraída da obra de Aristóteles: “A linguagem usada em uma definição


deve ser a mais clara possível, pois todo o objetivo de sua formulação consiste
em dar a conhecer alguma coisa”.

São dois exemplos do Código Civil:

a) Art. 70. “O domicílio da pessoa natural é o lugar onde ela estabelece a sua
residência com ânimo definitivo.”

b) Art. 579. “O comodato é o empréstimo gratuito de coisas não fungíveis.


Perfaz-se com a tradição do objeto.”

Terceira Lei: “Dejinitio non debet ingredi defmitionem”.

Tradução: O que se define não deve entrar na definição. Conforme esta regra —
O homem é um animal racional não é definição porque a definição é apenas
animal racional. A definição é um termo complexo, assim, estão incorretas
definições como: impedimento é o ato de impedir.

São dois exemplos do Código Civil:

a) Art. 538.“Considera-se doação o contrato em que uma pessoa, por


liberalidade, transfere do seu patrimônio bens ou vantagens para o de outra.”

b) Art. 1.201. “É de boa-fé a posse, se o possuidor ignora o vício, ou o


obstáculo que impede a aquisição da coisa.”

Quarta Lei: “Definitio non sit negativa

Tradução: A definição não deve ser negativa.

Em outras palavras, o objeto deve ser definido pelo que ele é, e não pelo que ele
não é.Ea lição de Aristóteles: “E possível que em alguns casos o definidor seja
forçado a empregar também uma negação; por exemplo, ao definir privações,
porquanto cego designa uma pessoa que é incapaz de ver”. Fora esse caso, são
viciosas as definições: Propriedade é o que não é posse - Branco é o que não
é preto.

Quinta lei: “Definitio sit brevis”.


Quinta lei: “Definitio sit brevis”.

Tradução: A definição deve ser breve.

Pode ser difícil definir com estrita observância simultânea da segunda lei
(dejinitio sit clarior definito) e da quinta lei, isto é, definir com clareza e com
brevidade, porém entre as duas leis é preferível optar pela clareza.

São dois exemplos do Código de Processo Civil:

a) Art. 420. “A prova pericial consiste em exame, vistoria ou avaliação”.

b) Art. 748. “Dá-se a insolvência toda vez que as dívidas excederem à


importância dos bens do devedor”.

Todas as leis da definição poderiam ser expressas da seguinte forma:

A definição deve convir ao definido todo, inteiro, e somente a esse definido. Ou,
em outras palavras, a definição deve servir apenas a um definido.

Exemplificando: Se definíssemos: “Citação é o ato pelo qual se chama a juízo o


Réu”, não teríamos atingido todo o definido. Essa definição seria estreita, pois
deixaria fora os interessados.

Se definíssemos: “Citação é um ato do juiz”, não teríamos atingido só o


definido, pois há outros atos de juiz que não são citação. A definição seria larga,
isto é, abrangeria mais do que o definido.

A frase de Pascal, sempre presente nos tratados, é clássica: “Não se há de pensar


em definir tudo”. Isso se dá quando os objetos por definir são tão simples ou tão
gerais que se tornam indefiníveis. Por exemplo:

ser — e — substância.

O primeiro — ser — é simples, o segundo — substância — contém predicados


que impossibilitam a definição.Também o indivíduo não pode ser definido, dada
a complexidade de seus elementos. Como definir — Walter — um indivíduo
certo?

Observe que a metáfora tem uma forma de definição, porém, não constitui uma
definição:
A cachoeira é um véu de noiva.

A lei é a espada da Justiça.

São apenas expressões literárias, e não são definições. Disse Aristóteles: “Com
efeito, os que usam metáforas sempre o fazem tendo em vista certa semelhança,
ao passo que esta espécie de expressão não esclarece nada” (Tópicos VI, 2).

ARISTÓTELES: OITO TEXTOS DOS TÓPICOS, LIVRO VI

Acreditamos que um trabalho interessante é extrair dos textos de Aristóteles, as


regras e, depois, identificar essas regras com as leis for—

muladas por Gredt e outros lógicos. Para facilitar, em alguns textos inserimos
observações:

í-Texto: “E mais difícil estabelecer uma definição do que demoli-la. Para lançar
por terra uma definição, basta arguir contra um ponto apenas (pois, se
conseguirmos refutar um único ponto, teremos demolido a definição); ao passo
que ao estabelecer uma definição termos de levar os outros (as outras pessoas) a
admitir que tudo que contém na definição é atribuível ao sujeito”.

2~ Texto: “Há (nas definições) duas classes de incorreção:

a) o uso de uma linguagem obscura (a linguagem em uma definição deve ser a


mais clara possível, uma vez que todo objetivo de sua formulação consiste em
dar a conhecer alguma coisa);

b) a expressão usada é mais longa que o necessário; todo acréscimo feito a


uma definição é supérfluo”.

3°Texto: “Uma regra é: ver se ele (o adversário) usou uma expressão metafórica,
porque uma expressão metafórica é sempre obscura”.

4~ Texto: “O gênero deve distinguir o objeto das coisas em geral e a diferença


(deve distinguir o objeto) de qualquer das outras coisas contidas no mesmo
gênero”.

5~Texto: “E supérfluo tudo aquilo, cuja remoção não impede que o resto deixe
bem claro o termo que se está definindo. Assim, se definirmos alma como ‘um
ser que se move a si mesmo’ haveria um termo supérfluo porque alma é,
simplesmente,‘0 que se move a si mesmo’, como definiu Platão”.

6~ Texto: “Examine, igualmente, se na suposição de ser uma coisa a mesma que


a terceira coisa, a outra também é a mesma que esta (terceira coisa); porque se
não forem ambas idênticas a uma terceira é evidente que tampouco serão
idênticas entre si”.

7~ Texto:“No caso de termos contrários, devemos estar atentos ao erro a seguir,


como, por exemplo, na hipótese de que alguém definisse a ‘igualdade’ como
sendo o contrário de ‘desigualdade’. Nesse caso, estaria definindo por meio do
termo que denota privação (de igualdade). Acresce que quem define dessa forma
se vê obrigado a usar na definição o próprio termo que está definindo e isso se
torna claro quando substituímos a palavra pela sua definição. Dizer
‘desigualdade’ é o mesmo que dizer ‘privação de igualdade’, portanto a
‘igualdade’ definida desse modo seria ‘o contrário da privação de igualdade’ e
o definidor teria usado a própria palavra que pretendia definir. Se ‘bem’ é o
contrário de ‘mal’ e ‘mal’ nada mais é do que o ‘contrário de bem’, segue-se que
‘bem’ é o ‘contrário do contrário de bem’.

8~ Texto: “A proposição particular é mais fácil de estabelecer do que refutar;


porque para estabelecê-la basta demonstrar que se predica de um caso particular,
enquanto para refutá-la deve-se demonstrar que não se predica de nenhum caso”.

SÚMULA

Definir é limitar.

Definição: Aristóteles, Sinibaldi e J. Maritain.

Importância da definição no Direito.

Definições no Código Civil e no Código de Processo Civil.

Divisão da Definição: nominal e real

Definição nominal: semântica ou etimológica.

A definição nominal semântica: esclarece a significação atual de uma palavra


por meio de outras palavras mais claras.
A definição nominal etimológica: procura a origem da palavra. Definição real:
essencial ou descritiva.

A definição real essencial se faz pelo gênero próximo e a diferença específica.

A definição real descritiva se faz pela enumeração dos caracteres mais marcantes
de uma coisa.

As cinco leis de definição segundo Gredt:

Ia A definição deve ser convertida ao definido.

2a A definição deve ser mais clara do que o definido.

3a O que se define não deve entrar na definição.

4a A definição não deve ser negativa.

5a A definição deve ser breve.

Aristóteles: oito textos dos tópicos.

EXERCÍCIOS
Aponte eventuais equívocos em cada uma das questões:

1. Sobre Definição:

a) Definir é limitar a extensão de um termo para torná-lo distinto de todos os


demais termos.

b) Para Sinibaldi, definir é dizer o que uma coisa não é, ou o que uma palavra
significa.

c) Ao pretendermos aumentar a compreensão de um termo, vamos também,


aumentar a sua extensão.

2. De acordo com uma das Leis de Definição segundo Gredt:


a) Quando for difícil definir com estrita observância simultânea da segunda lei,
isto é, definitio sit clarior definito e da quinta lei, isto é, defmitio sit brevis é
preferível optar pela clareza.

b) “Dá-se a insolvência toda vez que as dívidas excederem à importância dos


bens do devedor”. O art. 748 do Código Civil preenche os requisitos da lei:
Defnitio sit brevis.

c) “O domicílio da pessoa natural é o lugar onde ela estabelece a sua residência


com ânimo definitivo”. O art. 70 do Código Civil não preenche os requisitos da
segunda lei de Definição: Definitio sit clarior definito.

3. Sobre a Definição Nominal:

a) A definição Etimológica é tão exata como a definição Semântica.

b) “São singulares os bens que, embora reunidos, se consideram de per si,


independentemente dos demais” (CC, art. 89). E uma definição Nominal
Etimológica.

c) A definição Nominal explica ou esclarece a significação atual de uma


palavra por meio de outras palavras.

4. De acordo com o 7° texto dos Tópicos:

a) Se o bem é o contrário de mal e o mal nada mais é do que o contrário de


bem, segue-se que bem é o contrário do contrário de bem.

b) Dizer desigualdade é o mesmo que dizer privação de igualdade, portanto, a


igualdade definida desse modo seria o contrário da privação de igualdade e o
definidor teria usado a própria palavra que pretendia definir.

c) Na hipótese de que alguém definisse a igualdade como sendo o contrário de


desigualdade, estaria definindo por meio do termo que denota privação (de
igualdade).

5. No 2a Texto dos Tópicos, Aristóteles afirma:

a) “O definidor não pode ser forçado a empregar uma negação.”


b) “Todo acréscimo feito a uma definição é supérfluo.”

c) “O uso de uma linguagem obscura é incorreção.”

6. Sobre Definição pode-se afirmar que:

a) “Não se há de pensar em definir tudo”. A frase de Pascal se refere a definir


objetos muito pequenos ou muito gerais.

b) As cinco leis de Definição podem ser assim expressas: A definição


deve convir ao definido todo, inteiro, e somente a esse definido.

c) A metáfora tem uma forma de definição, porém, não constitui uma


definição.

7. De acordo com uma das Leis de Definição segundo Gredt:

a) Definitio non debet ingredi definitionem.

b) E exemplo de definição: O homem é um animal racional.

c) E exemplo de definição: “E de boa-fé a posse, se o possuidor ignora o vício,


ou o obstáculo que impede a aquisição da coisa” (CQart. 1.201).

8. De acordo com uma das leis de definição segundo Gredt:

a) “Todo predicado de um sujeito deve necessariamente ser ou não ser


conversível com ele; se não foi conversível é sua definição” (Aristóteles).

b) “O mútuo é o empréstimo de coisas fungíveis...” Convertendo o art. 586 do


Código Civil: O empréstimo de coisas fungíveis é o mútuo...

c) A definição pode ser convertida ao definido.

9. Sobre a Definição Real:

a) “A coisa incerta será indicada, ao menos, pelo gênero e pela quantidade.” O


art. 243 do Código Civil é exemplo de definição Real Descritiva.

b) “Intimação é o ato pelo qual se dá ciência a alguém dos atos e termos do


processo, para que faça ou deixe de fazer alguma coisa.” O art. 234 do Código
de Processo Civil é exemplo de definição Real Descritiva.

c) Diferença específica é uma propriedade ou um traço que distingue


determinado conceito de outros conceitos semelhantes, ou da mesma classe. No
exemplo: O homem é um animal racional, o gênero é racional e a diferença
específica é homem.

10. De acordo com uma das Leis de Definição segundo Gredt:

a) O objeto deve ser definido pelo que ele é, e não pelo que ele não é.

b) Definitio non sit negativa.

c) É exemplo de definição: propriedade é que não é posse.

Capítulo VI
Divisão: Extensão e Compreensão —
Definição -Elementos - Técnicas - Leis
EXTENSÃO E COMPREENSÃO DOS TERMOS

A definição limita a extensão de um termo e, consequentemente, torna esse


termo diferente dos demais. O termo é um todo. No capítulo IX vamos estudar a
extensão e a compreensão dos termos, porém, é conveniente definir desde logo:

Extensão é um conceito quantitativo, ou seja, é o número de sujeitos os quais o


termo abrange. “A extensão pode ser identificada com a quantidade. Se dizemos
animal, reunimos ou somamos os grupos de vertebrados, invertebrados,
mamíferos, racionais e irracionais etc. Dizendo homem, só nos referimos aos
animais racionais, ao passo que dizendo animal, estão subentendidos todos os
animais, racionais ou não” (I. G. Nérici, op. cit.).

Compreensão pode ser identificada com a qualidade. “A compreensão da ideia


não é mais do que a sua significação. As qualidades que uma ideia reúne formam
a sua compreensão. Se dizemos homem, compreeendemos animal, mamífero,
racional etc., que são as suas notas compreensivas, ou qualitativas” (I. G. Nérici,
op. cit.).

No capítulo IV, Princípios Lógicos, vimos que o todo abrange todas as partes,
pelo que devemos distinguir todas as partes de um todo, ou seja, devemos
distinguir todas as espécies de um gênero. Procedendo dessa maneira teremos
conhecimento perfeito do todo - pelo conhecimento de todas as partes e da
importância das partes — completando, assim, o conhecimento que tínhamos
pela definição.

As ideias universais designam todos os seres de uma mesma espécie ou gênero.


Desse modo, as ideias universais compreendem: o gênero, a espécie e a
diferença específica.

GÊNERO, ESPÉCIE E DIFERENÇA ESPECÍFICA


Gênero é “a ideia universal que representa o elemento comum possuído por
várias espécies; o gênero é parte da essência. Assim, animal que é gênero,
compreende várias espécies como homem, cavalo, girafa etc.” (Aristóteles, op.
cit.).

Gênero “ou essência determinável é uma noção universal, que designa apenas
parcialmente, o sujeito ao qual é atribuído. O homem é um animal. O cachorro é
um ser vivo” (Jolivet, op. cit.).

No exemplo: “A empresa é um organismo técnico, econômico e financeiro” - o


gênero é: organismo.

Espécie é “a ideia universal que representa toda a essência de um grupo; espécie


é a essência completa.Toda espécie é compreendida na extensão de um gênero,
como homem e leão, para animal” (Aristóteles, op. cit.).

Espécie “ou essência determinada é uma noção universal que define


completamente o sujeito ao qual é atribuída. Exemplos: O homem é um animal
racional. O cachorro é um ser vivo sensível” (Jolivet, op. cit.).

Diferença Específica é “a ideia universal que representa o elemento distintivo de


cada espécie, e que, unido ao gênero, forma a espécie: animal (gênero) +
racional (diferença) = homem (espécie)” (Aristóteles, op. cit.).

Diferença Específica, “ou essência determinante, é uma noção universal,


atribuída ao sujeito a título de qualidade essencial. Exemplos: O homem é
racional. O cachorro é um ser sensível” (Jolivet, op. cit.).

No exemplo: “O homem é um vivente sensitivo racional”.

Gênero: Vivente.

Espécie: homem e vivente sensitivo racional.

Diferença Específica: sensitivo racional.

É a lição deT. Sinibaldi: “Pela definição que extrema o objeto de tudo que lhe é
estranho, reconhecemos a unidade do mesmo objeto; pela divisão que distingue
as partes ou elementos do objeto, reconhecemos a sua pluralidade ou
complexidade. Pela definição o objeto torna-se claro; pela divisão, o objeto se
torna distinto. A divisão, portanto, é um complemento da definição” (op. cit.).

Como se observa, todos os tratados e compêndios, iniciam o estudo da disciplina


por meio de uma divisão, objetivando o conhecimento completo das partes que
compõem tais disciplinas. A divisão é a explicitação breve e completa da
extensão de um conceito.

J. Maritain define divisão: “é um conceito ou um termo complexo que distribui


um todo em suas partes” (op. cit.). É importante estudar a divisão e suas regras;
muitas discussões se originam das posições tomadas em face da divisão da
Filosofia, do Direito e de outras ciências. Uma divisão correta deve ser o
primeiro cuidado do expositor de uma disciplina.

TÉCNICAS DE DIVISÃO: ROQUE LAUSCHENER

Roque Lauschener esclarece que toda divisão do conceito exige uma clara e
completa explicitação da compreensão do conceito. Para o autor, há cinco
técnicas para se testar uma boa divisão:

Ia Verificar se foi usado o mesmo critério de divisão, ou seja, o mesmo


fundamento de divisão. Assim, um plano de contas mostrará o que deve ser
registrado no débito e no crédito, baseando-se apenas num único critério de
divisão, ou seja, registrará no débito tudo o que aumenta o ativo e tudo que
diminui o passivo, e registrará no crédito, tudo o que diminui o ativo e tudo o
que aumenta o passivo.

2a Não confundir divisões primárias com divisões secundárias. Assim, dividindo


a economia em macroeconomia e microeconomia, não podemos incluir nessa
divisão o estudo da renda nacional porque esse estudo é uma parte do estudo da
macroeconomia.

3a Observar se uma parte não inclui outra parte. Exemplo: não seria correto dizer
que a Economia se divide em microeconomia, macroeconomia e estudo da renda
nacional, porque o estudo da renda nacional é uma parte da macroeconomia.

4â Verificar se a soma das partes é igual ao todo, isto é, se a divisão é adequada.


Assim, se dividirmos um todo em A e B, a soma de A + B deve ser igual ao
todo.
5âVerificar se nenhuma das partes é igual ou maior do que o todo. Assim, se
dividirmos a microeconomia em análise de empresa e economia global, teremos
que a parte — economia global — é maior do que o todo microeconomia.

ELEMENTOS DA DIVISÃO

Observa-se que a divisão se constitui de: um todo por dividir; as partes em que
se divide o todo; o fundamento, princípio, razão ou critério pelo qual se procede
à divisão. Assim, resumimos os elementos da divisão:

1.0 Todo (por dividir - o dividendo).

2. As Partes.

3.0 Fundamento (princípio, razão ou critério).

Como fundamento, pode-se empregar a própria natureza ou essência do todo por


dividir, ou um critério diferente de sua natureza.

Tomemos a divisão do todo livro: Se dividirmos o todo livro segundo o critério


de sua natureza ou essência, certamente vamos dividi-lo conforme a matéria que
versa: literatura, ciência, ecologia, informática etc. Se dividirmos o todo livro
segundo o critério de sua confecção de acordo com a técnica gráfica, diremos:
brochura, encadernado etc.

Em Direito somente se emprega o critério da essência do todo por dividir, ou


todo dividendo, porque esse é o fundamento científico.

AS CINCO LEIS DA DIVISÃO SEGUNDO GREDT

Primeira Lei:“In eadem divisione non licetfundamentum mutare”.

Tradução: “Em cada divisão não se pode mudar o fundamento”.

A divisão deve basear-se em um fundamento único. Podendo o todo-dividendo


ser dividido em razão de diversos critérios ou fundamentos, se empregado mais
de um critério, uma espécie não exclui a outra.

Exemplo: ao dividir o todo livro deste modo: literatura, encadernado, ciência,


brochura, primeira edição etc., pode ocorrer que a parte literatura seja a mesma
parte brochura e primeira edição, pois um livro pode ser de literatura,
encadernado e de primeira edição.

Segunda Lei: “Totum adaequet membra dividentia simul sumpta”.

Tradução:“0 todo deve ser igual às partes (separadas), tomadas ao mesmo


tempo” ou, ainda: “O todo-dividendo deve ser igual às partes em que é
dividido”.

A regra consolida o princípio de que o todo deve abranger todas as partes. A


divisão deve ser completa, ou seja, a soma das espécies em que se divide o
gênero deve igualar-se a esse gênero. O erro nessa lei é a omissão. Qualquer que
seja a parte omitida leva à incorreção da divisão.

Terceira Lei:“Fiat per membra inviccem excludentia”.

Tradução: “A divisão deve ser feita em partes que reciprocamente se excluam”,


isto é,“A divisão deve ser irredutível”. Se assim não proceder, uma parte conterá
a outra.

Exemplo: se dividirmos as pessoas em:

— pessoas de raça branca, raça negra, raça amarela e raça anglo--saxônica.

— a raça branca não excluiria a raça anglo-saxônica, que se inclui naquela


raça.

Quarta Lei: “Sit rite ordinata'”.

Tradução:“A divisão deve ser ordenada hierarquicamente”.

O termo hierarquicamente deve ser compreendido no sentido de que não deve


haver confusão de gênero e espécie. De início, vamos dividir o todo em gênero,
e depois vamos subdividi-lo em espécies. O gênero vem em primeiro lugar,
obedecendo ordem hierárquica, porque o gênero compreende as espécies.

Simplificando .-primeiro a divisão, depois a subdivisão.

Exemplo:
vamos dividir ser animado:

I insensível sensível irracional

Verifica-se desde logo que irracional é subdivisão de sensível, ou é espécie do


gênero sensível, logo, a divisão não está correta. Será necessário dividir ser
animado em sensível e insensível e depois subdividir sensível em racional e
irracional, deste modo:

Ser animado

sensível

racional

irracional

insensível

Quinta Lei:“Sit brevis”.

Tradução:“A divisão deve ser breve”.

Classificada como lei, a quinta lei repete a mesma técnica da quinta regra da
definição do mesmo Autor. A brevidade é qualidade da linguagem. Na divisão a
brevidade significa que se a divisão permite ver nela o dividendo, não será
necessário levá-la ao extremo. Não contradiz a segunda lei, porquanto a divisão
pode ser completa sem ser excessivamente minuciosa.

A divisão representa um método, porque uma vez conhecidas todas as partes de


um todo, conheceremos perfeitamente esse todo. E desnecessário realçar a
importância da divisão no Direito.

CRÍTICA DE CÍCERO A PROPÓSITO DA OMISSÃO NA DIVISÃO

Transcrevemos, a título de ilustração, a crítica de Cícero a propósito da omissão


na divisão:

“Segundo Panetius, examinam-se três coisas diferentes quando se quer tomar


uma resolução prática:
A primeira: se o que se apresenta é honesto ou desonesto; sobre isso a mente
muitas vezes se confunde.

A segunda: procura-se saber se a resolução aumenta as coisas agradáveis e as


comodidades da vida, as riquezas, os recursos, o poder, o crédito, enfim, se há
vantagens para si e para os outros; esta segunda relação se prende à utilidade.

A terceira: trata-se de saber se aquilo que parece útil na aparência não se opõe ao
honesto, quando a honestidade nos retém de um lado e o interesse de outro;
nessa incerteza o espírito se encontra nos dois sentidos.

Nessa divisão há duas omissões, e omissão é grande defeito numa divisão: não
se examina somente se há honestidade ou desonestidade, mas de duas coisas
honestas qual a mais honesta, assim como de duas coisas úteis, qual a mais útil.
Aquilo que Panetius entendia dividir em três partes comporta cinco. Assim,
convém tratar do honesto, mas sob duplo ponto de vista; depois do útil, também
num duplo ponto de vista; enfim, comprovar o honesto e o útil” (De officiis, III).

SÚMULA

“A divisão é um conceito ou um termo complexo que distribui um todo em suas


partes” (J. Maritain).

A definição limita a extensão de um termo e torna esse termo diferente dos


demais.

Extensão e compreensão:

Extensão é um conceito quantitativo, ou seja, é o número de sujeitos os quais o


termo abrange.

Compreensão: é o conteúdo de uma ideia, isto é, o conjunto de elementos


componentes de uma ideia.

Gênero, espécie e diferença específica: definições de Aristóteles e de Jolivet.

Importância da divisão: o conhecimento completo das partes que compõe o todo


por dividir. A divisão é um complemento da definição.

Definição de Sinibaldúpela definição o objeto torna-se claro e pela divisão, o


objeto torna-se distinto.
objeto torna-se distinto.

Roque Lauschener: cinco técnicas de divisão.

Os elementos da divisão: O todo, as partes, o fundamento.

As cinco leis da divisão segundo Gredt:

Ia Não se pode mudar o fundamento.

2a O todo deve ser igual às partes em que é dividido.

3a A divisão deve ser feita em partes que reciprocamente se excluam. 4a A


divisão deve ser ordenada hierarquicamente.

5a A divisão deve ser breve.

Crítica de Cícero a propósito da omissão na divisão.

EXERCÍCIOS
Indique as cinco proposições equivocadas:

1. Gênero é “a ideia universal que representa o elemento comum possuído por


várias espécies; o gênero é parte da essência. Assim, animal que é gênero,
compreende várias espécies como homem, cavalo, girafa etc”.

2. A ideia limita a extensão de um termo e faz com que ele seja diferente de
todos os outros. Extensão é o número de sujeitos os quais o termo abrange.

3. A importância da divisão é tal que, o estudo de uma disciplina inicia-se com


uma divisão. As posições tomadas em relação à divisão, dentro das várias
ciências, não são pacíficas e geram discussões.

4. Segundo Gredt,fiatper membra invicem excludentia significa: a divisão deve


ser feita com o critério de não excluir nenhuma das partes, ou seja, a divisão
deve ser irredutível.

5. Segundo Gredt, sit brevis. A brevidade é qualidade da linguagem. A divisão


deve permitir ver o dividendo, porém, sem chegar a extremos.
6. Para R. Lauschener: é preciso verificar se a soma das partes é igual ao todo,
isto é, se a divisão é adequada. Assim, se dividirmos um todo em A e B, a soma
de A + B deve ser igual ao todo.

7. Espécie é “a ideia universal que representa a essência de um grupo; espécie


é parte da essência. Toda espécie é compreendida na compreensão de um gênero,
como homem e leão, para animal” (Aristóteles, op. cit.).

8. Entre os elementos da divisão, o todo por dividir é também chamado de


dividendo, e o fundamento é chamado de razão, princípio ou critério. Em Direito
somente se permite empregar o critério da essência do todo-dividendo, porque
esse é o fundamento científico.

9. Em uma divisão hierárquica, primeiro dividimos o todo em espécies, e


depois subdividimos nos gêneros. Assim, a divisão de ser animado é: insensível,
sensível e irracional.

10. Em Direito a divisão representa um método, porque conhecidas todas as


partes de um todo, conhecemos o todo.

11. Diferença Específica “ou essência determinante, é uma noção universal,


atribuída ao sujeito a título de qualidade essencial”. Diferença Específica é “a
ideia universal que representa o elemento comum de cada gênero, e que, unido à
espécie, forma o gênero”.

12. Segundo Gredt, sit rite ordinata significa: a divisão deve ser
ordenada hierarquicamente. As espécies vêm em primeiro lugar, seguidas
do gênero. A divisão para ser completa, precisa ser minuciosa.

13. São duas Leis de R. Lauschener: Ia Verificar se foi usado o mesmo critério
de divisão, ou seja, o mesmo fundamento de divisão; 2a Não confundir divisões
primárias com divisões secundárias.

14. “A extensão pode ser identificada com a quantidade. Dizendo homem, só


nos referimos aos animais racionais, ao passo que dizendo animal, estão
subentendidos todos os animais, racionais ou não” (I. G. Nérici, op. cit.).

15. A definição faz conhecido o objeto, porque tiramos dele tudo o que não lhe
diz respeito. A divisão distingue as partes ou elementos do objeto, e exibe sua
pluralidade ou complexidade. A divisão é um complemento da definição.
Capítulo VII
A Ideia - O Termo - Gênero e Espécie
- O Acidente e a Essência
A IDEIA: DEFINIÇÃO

Ideia é o mesmo que conceito, noção.

Para I. M. Copi, “ideia é a forma sob a qual um objeto é percebido pela nossa
inteligência” (op. cit.).

Para Jolivet, “ideia ou conceito é a simples representação determinada de um


objeto sensível” (op. cit.).

Em grego, ideia significa imagem, forma. “Entretanto, nem todas as ideias são
imagens. Muitas ideias são puramente intelectuais, fruto de abstração, para as
quais não há imagem interior alguma. O sentido e a significação substituem a
mera representação no intelecto” (I. G. Nérici, op. cit.).

Para J. Maritain, todas as ideias tendem para certa realidade e, “para que uma
ideia tenha realidade, ou possa tender para a realidade, é necessário que não
contenha, em sua compreensão, elementos que se excluam por serem
incompatíveis, como: sol sem luz, círculo quadrado e esfera plana”. E do mesmo
autor a regra: “A ideia não deve encerrar nenhum elemento contraditório” (op.
cit.).

Nérici entende que as ideias são recolhidas em planos diferentes, e do concreto


para o abstrato, sendo: no plano concreto ou primeiro plano, estão as ideias
sensíveis que representam os objetos materiais como eles são; no plano abstrato
ou segundo plano, está a representação dos objetos desmaterializados que valem
como unidades e, estas ideias menos concretas irão permitir o desenvolvimento
das Matemáticas; no terceiro plano estão as ideias de pura abstração, livres de
matéria e de qualidade que irão permitir especulações puramente intelectuais.

Observação importante: As ideias só podem ser conhecidas mediante o termo.

O TERMO: DEFINIÇÃO, EXTENSÃO E COMPREENSÃO


“Termo é a expressão verbal da ideia. Termo distingue-se de Palavra; o termo
pode ter várias palavras, que formam uma só ideia lógica. Exemplos: uma ação
brilhante, alguns homens” (R. Jolivet, op. cit.).

Termo é a expressão das ideias, em palavras. No termo, distingue-se: Extensão e


Compreensão. No capítulo anterior já definimos Extensão e Compreensão,
porém, para facilitar o estudo, vamos retomar, de forma resumida, as duas
definições, sob o ponto de vista de Nérici: “A Extensão pode ser identificada
com a quantidade. Se dizemos animal, reunimos ou somamos os grupos de
vertebrados, invertebrados, mamíferos, racionais, irracionais etc.

A Compreensão pode ser identificada com a qualidade. A Compreensão da ideia


não é mais do que a sua significação”.

As ideias têm extensão e compreensão que vão variar em ordem inversa, ou seja,
ao aumentar a compreensão de uma ideia, sua extensão diminui e vice-versa.

Ao detalhar o tema sobre a Ideia, Nérici afirma que quanto menos elementos
significativos tiver, mais geral, mais extensa será a ideia e, contrariamente,
quanto mais elementos significativos tiver, a ideia será menos geral, e irá se
isolando de seu grupo, chegando à individualidade. Observe: Ser — máximo de
extensão, mínimo de compreensão.

Aristóteles — mínimo de extensão, máximo de compreensão.

Homem — mais compreensão do que extensão.

Animal — menos compreensão do que extensão.

Partindo da extensão das ideias, podemos reuni-las em uma ordem de grupos


menos extensos relacionados a grupos mais extensos, o que vai formar a ordem
hierárquica. Exemplificando: Linha tem mais extensão que circunferência ou
elipse; Vertebrado tem mais extensão que ave ou peixe;

Processo tem mais extensão que Processo Civil, Processo Penal, Processo
Trabalhista.

Por outro lado, não poderíamos avaliar, calcular a extensão de ideias que não
tenham relação entre si. E impossível determinar a extensão entre ideias não
relacionadas, por exemplo, entre linha e vertebrado.
Assim, a classificação é a distribuição das ideias e termos, relacionados entre si,
conforme a extensão deles. Sabemos que gênero é o grupo mais extenso, e
espécies são os grupos menos extensos contidos no gênero. Dessa noção conclui-
se que: o gênero pode ser afirmado de todas as espécies; uma espécie pode ser
gênero para outras espécies.

A espécie não pode ser afirmada com relação ao gênero, porquanto sua
compreensão é maior do que a do gênero, segundo o princípio que a extensão
está em ordem inversa da compreensão.

Exemplificando:

linha

reta

curva

espiral, círculo etc.

quebrada, inclinada etc.

Sobre o esboço de classificação há duas observações: Ia As espécies têm as


qualidades do gênero mais as qualidades que as diferenciam uma das outras; 2a
Uma espécie (reta ou curva) pode representar um gênero para outras espécies.

A classificação considera as espécies e os gêneros conforme o grau de


generalização: GÊNERO — mais geral;

ESPÉCIE — menos geral.

GÊNERO E ESPÉCIE: CLASSIFICAÇÃO DE PESSOA


JURÍDICA - ARTS. 40, 41 E 44 DO CÓDIGO CIVIL

Uma classificação de Pessoa Jurídica: Exemplo dos arts. 40, 41 e 44 do Código


Civil.

Interno

(CC, art. 41)


Pessoa de Direito Público

União

Estado

Município

Santa Sé

Externo £sta(jos soberanos

Pessoa jurídica (CC, art. 40)

Pessoa de Direito Privado (CC, art. 44)

Sociedades civis Sociedades religiosas Sociedades pias Sociedades


morais Sociedade científica ou literária Associações de utilidade
pública Fundações Sociedades mercantis

Verifica-se que “pessoa de Direito Público” é espécie de “pessoa jurídica” e


gênero para “pessoa de Direito Público Interno”. Continuando, tem-se que
“pessoa de Direito Público Interno” é espécie de “pessoa de Direito Público” e
gênero para “Estado, União e Município”.

ARISTÓTELES: O GÊNERO PRÓXIMO E A DIFERENÇA


ESPECÍFICA

Esta é a conclusão de Aristóteles a partir dos conceitos de gênero e de espécie:


“Já que o gênero contém mais de uma espécie, se não houver outra espécie, além
da apontada, que pertença ao termo proposto como gênero, o que se propôs
como gênero, não pode sê-lo” (Tópicos, Liv. IV).

Diante da noção de classificação, a ideia que representa um só indivíduo não


pode ser gênero, porque não abrange outras espécies. Também, não se relaciona
com um gênero, porque é única, logo, não pode ser espécie, de acordo com a
conceituação de Aristóteles, acima. Pode-se, no entanto, subir,
progressivamente, do indivíduo às ideias mais gerais, e, de generalização
(gênero) a generalização, atingir à ideia mais extensa e, por consequência, a de
menos compreensão. Essa ideia é o Ser, o gênero dos gêneros ou o gênero
supremo (summum genus).

Vimos que todas as espécies têm em comum as qualidades do gênero. Se


mantivessem somente as qualidades do gênero, elas se reduziriam umas às
outras. O que distingue a espécie, além das qualidades comuns ao gênero, são as
qualidades que se somam ao gênero e que pertencem especificamente a elas. O
conjunto dessas qualidades denomina-se diferença específica.

E a lição de Aristóteles: “O gênero deve distinguir o objeto das coisas em geral,


e a diferença específica deve distinguir o objeto de qualquer das outras coisas
contidas no mesmo gênero” (Tópicos,Liv. VI).

Em vista dessas noções pode-se chegar à Definição pelo gênero próximo e a


diferença específica.

O ACIDENTE E A ESSÊNCIA

Acidente e Essência se opõem porque o Acidente varia e desaparece, e a


Essência permanece imutável. Definimos: — O Acidente “consiste na ideia
universal que pode ou não existir junto a qualquer coisa sem que a essência seja
afetada” (Nérici, op. cit.). Em outras palavras, são qualidades contingentes, isto
é, qualidades que podem ou não pertencer a um indivíduo ou grupo de
indivíduos, sem afetar sua essência. Exemplificando: mulher inteligente, homem
saudável, criança deficiente auditivo.Verifique que, para a ideia de
mulher, homem, ou criança ser inteligente, saudável ou deficiente auditivo, é um
acidente, porque não é da essência da espécie humana ser inteligente ou saudável
ou deficiente auditivo.

- A Essência é a totalidade constante das qualidades do gênero e das espécies.


Na linguagem do Direito como em outras ciências as expressões -
essencialmente, essencial, acidentalmente, por acidente - devem ser entendidas
com o significado que lhes empresta a Lógica.

A classificação abrange não só as ideias concretas, mas também as abstratas. Em


todos os tratados de Direito vemos as classificações, e elas são temas de debate,
como, por exemplo, a classificação das ações em Direito Processual.

Exemplo: a classificação das ciências de Augusto Comte (Cours de philosophie


positive): Matemáticas
positive): Matemáticas

Astronomia

Física

Química

Biologia

Sociologia

O critério adotado por Augusto Comte é o grau de complexidade crescente e a


generalidade de seus objetos, como se verifica facilmente. Essa classificação,
como outras, é passível de críticas, sendo certo que, em regra, cada tratadista
adota a sua própria classificação. Logicamente, se a classificação observa as
regras previstas, ela é aceitável.

SUMULA

A Ideia: Ideia é a forma sob a qual um objeto é percebido pela nossa


inteligência.

O Termo: definição, compreensão e extensão

Termo é a expressão verbal da ideia.

Extensão é o número de sujeitos os quais o termo abrange. Compreensão é o


conjunto de atributos que compõem o termo.

Gênero e Espécie

Gênero: o elemento comum possuído por várias espécies; representa parte da


essência.

Espécie: é toda a essência de um grupo.

Classificação de pessoa jurídica: Exemplo dos arts. 40,41 e 44 do Código Civil.

Aristóteles: o Gênero Próximo e a Diferença Específica Gênero próximo é o


elemento comum possuído por várias espécies. Diferença específica é o
elemento distintivo de cada espécie.
O Acidente e a Essência

O acidente: pode ou não existir junto a qualquer coisa sem que a essência seja
afetada.Tem qualidades contingentes.

A essência: a totalidade constante das qualidades do gênero e das espécies.

A classificação das Ciências, de Augusto Comte: o critério do grau de


complexidade crescente e a generalidade de seus objetos.

EXERCÍCIOS
Complete as frases, preenchendo as lacunas indicadas por asterisco, com uma
das quatro opções abaixo: 1. A das ideias e , relacionados entre si, conforme a
deles, chama--se a) divisão — gêneros — extensão — compreensão.

b) distribuição — gêneros — compreensão — divisão.

c) distribuição - termos - extensão - classificação.

d) divisão - termos - extensão - definição.

2. Ideia é o mesmo que * ou noção.

“Ideia é a forma sob a qual * é percebido pela * .”

a) termo — um conceito — nossa compreensão.

b) pensamento - o objeto - nossa ordem.

c) conceito - um objeto - nossa inteligência.

d) termo — um pensamento — nossa compreensão.

3. Para Aristóteles: a * que representa somente não pode ser porque não
abrange outras , visto ser .

a) divisão — um gênero — única — espécies — extensa.


b) espécie — um indivíduo — gênero — espécies — única.

c) ideia - um gênero - classificada - ideias - geral.

d) ideia — um indivíduo — gênero — espécies — única.

4. O acidente consiste nas qualidades contingentes, isto é, qualidades que


podem ou não pertencer a ou a um grupo de indivíduos. Essência é constante das
do gênero e das .

a) um indivíduo - a totalidade - qualidades - espécies.

b) um gênero - a totalidade - diferenças - ideias.

c) um indivíduo — a parte — diferenças — espécies.

d) um gênero - a parte - divisões - ideias.

5. Todas as espécies têm em comum as qualidades do * .

O que distingue * , além das qualidades comuns , são as que se somam ao


gênero e que pertencem somente a elas.

a) termo - cada uma - ao gênero - ideias.

b) gênero - a espécie - ao objeto - qualidades.

c) termo — a ideia — ao termo — diferenças.

d) gênero - a espécie - ao gênero - qualidades.

6. Segundo Aristóteles: deve distinguir o objeto das coisas em geral e deve


distinguir o objeto de outras coisas contidas no mesmo .

a) a definição - a diferença específica - todas as - objeto.

b) o gênero — a diferença específica — qualquer das — gênero.

c) o termo - a classificação - algumas das - termo.

d) o gênero - a espécie - todas as - grupo.


7. Termo é a expressão verbal * .

Termo * de Palavra.

O termo pode ter várias * .

Uma ação brilhante é um exemplo de * .

a) da palavra — não se distingue — expressões — ideia.

b) da ideia — se distingue — palavras — termo.

c) do pensamento - se distingue - palavras - definição.

d) da ideia - não se distingue - definições - expressão.

8. Extensão é o conjunto de sujeitos aos quais convém. Compreensão é de , isto


é, o conjunto de elementos que compõem .

a) a ideia - o conteúdo - uma ideia - uma ideia.

b) o termo — o objeto — um conceito — um termo.

c) a ideia - o elemento — um termo — uma ideia.

d) o termo — o sujeito — um conceito — um termo.

9. Ao a de uma ideia, sua extensão * .

Assim, quanto * elementos significativos tiver uma ideia, * extensa ela será.

d) diminuir — a compreensão - aumenta — mais — mais.

b) diminuir — a extensão - diminui - menos — menos.

c) aumentar — a extensão — aumenta — mais — menos.

d) aumentar — a compreensão - diminui — menos — mais.

10. Chama-se gênero o grupo * extenso e espécie, os grupos * contidos no


gênero.
Pode-se dizer que * existe em todas as espécies.

É certo que uma espécie pode ser * para outras espécies. d) menos — mais
extensos — divisão — extensão.

b) mais - menos extensos — gênero - gênero.

c) mais — menos extensos — extensão — espécie.

d) menos - mais extensos — compreensão - gênero.

Capítulo VIII
A Possibilidade da Verdade e sua
Relação com a Prova e a Sentença
NOÇÃO DE VERDADE

A. Cuvillier entende que entre os nossos pensamentos, podemos distinguir


estados subjetivos - emoção, decisão, desejo - e estados representativos —
lembrança, ideia, juízo, raciocínio. Estes estados, que podem ser verdadeiros ou
falsos, se caracterizam pela aplicação da noção de verdade. Desse modo, as
operações são estudadas do ponto de vista do verdadeiro e do falso, em função
do ideal chamado verdade, objetivando fixar as condições necessárias para
chegar à verdade e evitar o erro. Este estudo é a Lógica (op. cit.).

Observemos estas quatro expressões:

a) Verdadeiro vinho — Puro ouro

b) Este vinho é ótimo — Este ouro é puro

Em ambos os casos afirmamos: o que é, é - nisso consiste o que chamamos de


verdade. Entretanto, há uma diferença entre as expressões ae b;

- as expressões da letra a são conceitos;

— as expressões da letra b representam juízos (veja capítulo X). Temos, assim,


para os conceitos uma verdade ontológica (ontos =

ser; logos = ciência); é a essência das coisas, em outras palavras, o conceito


corresponde exatamente ao nome que se dá às coisas.

Para Jolivet “As coisas são verdadeiras, na medida em que são conforme as
ideias segundo as quais foram feitas” (op. cit.).

A VERDADE LÓGICA

Denomina-se verdade lógica, a coerência do raciocínio obedecendo aos


princípios formais do pensamento.
princípios formais do pensamento.

Jolivet entende que a verdade lógica designa a conformidade da inteligência às


coisas, isto, à verdade ontológica. A verdade lógica só existe no juízo, e de
nenhum modo na simples apreensão.

A noção de ouro puro não exprime verdade nem erro. No exemplo acima, se
pureza é qualidade do ouro, enuncio uma verdade, pois há uma relação de
conveniência entre os termos. Também, poderíamos nos referir à verdade moral
que se opõe à mentira, e consiste na conformidade da linguagem com o
pensamento. É estudo que pertence à Ética.

Em Direito, no processo, interessa a verdade lógica. Assim, vamos estudar os


estados em que pode se encontrar a inteligência em presença da verdade:

Vencível

Invencível

1. Ignorância

Em estado de

2. Dúvida

Desculpável

Indesculpável

Espontânea Metódica (cartesiana) Refletida

Universal (ceticismo)

Estatística

Lógica

3. Opinião - Probabilidade

4. Certeza e Evidência
5. Erro

1. Ignorância — “É o estado puramente negativo; consiste na ausência de


qualquer conhecimento relativamente a um objeto” (R. Jolivet, op. cit.). A
ignorância pode ser:

1.1. Vencível ou Invencível — Se estiver ou não em nosso poder fazer a


ignorância desaparecer.

1.2. Desculpável ou Indesculpável — Se temos ou não o dever de fazer a


ignorância desaparecer.

2. Dúvida — “Dúvida é um estado de equilíbrio entre a afirmação e a negação,


ou seja, os motivos para afirmar contrabalançam os motivos para negar” (R.
Jolivet, op. cit.) Dúvida é a suspensão do juízo, pelo equilíbrio entre a afirmação
e a negação. Há quatro tipos:

2.1. Dúvida espontânea — Ocorre por falta de informações ou falta de reflexão


sobre as informações disponíveis; também pode haver desinteresse e abstração
da inteligência por falta de análise do pró e do contra.

2.2. Dúvida metódica — Foi exposta por Descartes e consiste em submeter


todos os dados ao crivo da análise, e eliminar os pressupostos que possam
impedir a análise imparcial. Assim, a opinião acerca de uma afirmação é
suspensa, para verificar-lhe o valor. A dúvida cartesiana é sempre provisória.
Descartes, no Discurso sobre o Método, esclarece: “Como desejava dedicar-me,
então, somente à pesquisa da verdade, julguei que era necessário que fizesse
precisamente o contrário, e que rejeitasse como absolutamente falso tudo aquilo
em que eu pudesse imaginar a menor dúvida, a fim de ver se, depois disso, não
restaria alguma coisa na minha crença que fosse inteiramente indubitável”.

2.3. Dúvida rejletida— Ocorre quando as informações disponíveis são


insuficientes para conduzir a uma posição definida. E resultante da análise das
razões pró ou contra.

2.4. Dúvida universal - Resulta do exame dos dados, que, ao final, se revelam
insuficientes para a inteligência que os examina, assim, impossibilitando que
seja assumida uma posição definida. A dúvida universal consiste em duvidar que
se possa chegar à verdade, ou seja, é ter por incerta toda a afirmação categórica,
ou asserção. E a dúvida dos céticos.
3. Opinião — Ao contrário da dúvida, a opinião consiste em afirmar, porém
admitindo que uma opinião contrária possa levar a negar. Na opinião existe o
receio de estar enganado. Kant afirma que a opinião é “uma afirmação em que
há consciência de que é insuficiente”. A opinião depende da probabilidade e dos
raciocínios das razões em que se baseia. A probabifidade estatística ou
matemática ocorre quando todos os casos possíveis são da mesma natureza em
número finito e conhecidos a priori. Nesses casos pode ser avaliado sob uma
forma de fração, na qual o numerador representa o número de casos favoráveis.

Observe o exemplo: se uma urna contém 4 bolas pretas e 6 brancas a


probabifidade de sair uma bola preta será 4/10. E apenas uma probabifidade,
porque nada impede que saiam várias vezes a bola preta ou a branca. Também
nas loterias, preparam-se esquemas baseados em probabilidades estatísticas, com
fundamento em resultados anteriores.

Vamos confrontar estes dois raciocínios:

l2 Todo homem é um animal racional,

Guilherme é homem,

Guilherme é um animal racional.

Para esquematizar:

Todo A é B,

X é A,

X é B (veja cap.XIII, Silogismo).

Da verdade das premissas verifica-se a verdade da conclusão.

22 Se a carreta A percorre uma estrada de areia, seus pneus deixam sulcos no


formato de S;

Ora, nesta estrada há sulcos no formato de S;

Logo, por aqui passou a carreta A.


Observamos que embora as premissas sejam verdadeiras, somente a conclusão
do primeiro exemplo representa a verdade. Assim, no primeiro exemplo, o
raciocínio é demonstrativo; no segundo exemplo, o raciocínio apresenta uma
possibilidade porque os sulcos no formato de S não pressupõem,
necessariamente, que sejam da carreta A.

4. Certeza e Evidência — Certeza é acreditar estar de posse da verdade; é o


estado da inteligência que consiste na adesão firme a uma verdade conhecida,
sem temor de enganar-se. O que fundamenta a certeza é a evidência, a plena
certeza com que a verdade se impõe à inteligência.

ParaJ.Maritain,“a certeza é um estado psicológico que dá segurança absoluta a


uma opinião, porque não permanece nenhuma dúvida sobre a sua validade” (op.
cit.).

A evidência exerce sobre a inteligência uma espécie de imposição, pela qual se


torna impossível, a quem vê a verdade, julgar que não a vê.

Para Descartes,“evidência é a claridade com que a mente vê que o predicado


convém ao sujeito” (op. cit.).

Chamamos critério o sinal pelo qual se reconhece uma coisa e se distingue essa
coisa de todas as outras. O critério da verdade é a evidência objetiva.Todos os
demais critérios são insuficientes.

William James pretendeu dar o êxito positivo como critério da verdade. Para o
pragmatismo a verdade é o que dá bons resultados. Essa teoria, fora dos limites
da indústria e do comércio, não pode prevalecer. O útil nem sempre é bom.

A estimativa das probabilidades, sobretudo no campo moral, determina uma


atitude mental equivalente à certeza, a qual tem sempre um caráter subjetivo.

5. Erro — E o oposto da verdade. ParaJolivet,“se a verdade lógica é a


conformidade da inteligência com as coisas, o erro, que é seu contrário, deverá
ser definido como a não conformidade do juízo com as coisas” (op. cit.)

Em Lógica, o erro se chama falsidade. Erro e Ignorância não se confundem: a


ignorância consiste propriamente em nada saber e em nada afirmar e o erro
consiste em não saber e afirmar acreditando que sabe; o erro é uma ignorância
que se ignora” (R. Jolivet, op. cit.).
A PROVA E A CERTEZA: APLICAÇÃO NO DIREITO

Os diversos estados da inteligência diante da verdade estão ligados à prova e,


consequentemente, à sentença. Para o melhor entendimento dos subtítulos que se
seguem, parece-nos oportuno apresentar uma definição bastante simplificada dos
quatro conceitos que se seguem:

Í°A verdade lógica é a conformidade da inteligência com as coisas, ou seja, é a


conformidade do espírito com a realidade. A verdade absoluta não é objeto da
Lógica menor.

2~ “A verdade lógico-formal é a verdade que está de acordo com as leis do


pensamento, a partir de princípios ou definições anteriormen-te estabelecidos”
(Nérici, op. cit.).

3° A verdade processual: para a decisão do juiz, a verdade é a conformidade do


espírito do julgador com a realidade contida no processo, porque o julgamento é
feito secundum acta et proba-ta. Daqui o aforismo processual: “o que não está no
processo não está no mundo - quod non est in actis non est in mondo”.

4~ Aprova é“a soma dos meios produtores da certeza” (Napoda-no, op. cit.);
logo, a prova, quer em processo civil, quer em processo penal, tem por objeto a
certeza. Malatesta define prova, como “o meio pelo qual a inteligência atinge a
descoberta da verdade” (op. cit.).

A INDUÇÃO E A DEDUÇÃO

1. A indução é o método para alcançar a certeza na prova, ou seja, partir de fatos


conhecidos para chegar à causa desconhecida. A Indução é a origem lógica da
prova.

O juiz, estudando os elementos conhecidos - depoimentos de testemunhas,


documentos, perícias — conclui pela verdade — ou da petição inicial ou da
contestação -, atingindo, teoricamente, a verdade processual que é a Sentença.

Na indução, o espírito parte do plano sensível — dados singulares ou


particulares — para o plano inteligível — a conclusão ou a verdade lógica.

2. A dedução é a forma de raciocínio pelo qual se conclui do geral para o


particular. Parte-se do plano inteligível — princípios gerais de Direito
conhecidos pela inteligência - para um caso concreto, desde que este caso
concreto se contenha no princípio geral.

Observe o exemplo: é princípio de Direito que “o possuidor de boa-fé não


responde pela perda ou deteriorização da coisa, a que não der causa” (CC, art.
1.217); logo, diante da prova de boa-fé e exculpa-bilidade da deteriorização da
coisa, o possuidor de boa-fé não tem responsabilidade. E apenas uma dedução,
que se pode traduzir por um silogismo.

OS ESTADOS DA INTELIGÊNCIA DIANTE DA VERDADE


PROCESSUAL

1°A ignorância da lei — Em Direito ninguém se escusa de cumprir a lei,


alegando que não a conhece (LINDB, art. 3Q). A ignorância somente pode ser
invocada sobre fatos particulares, nos depoimentos, com os impedimentos e
justificativas dos arts. 345 e 347 do Código de Processo Civil e 228 do Código
Civil.

2~A opinião e os pareceres no processo — A opinião aparece no processo, nas


razões. Apresenta-se nas razões também sob a forma de pareceres de
juristas.Tais pareceres representam o argumento de autoridade. Embora os
pareceres sejam raciocínios lógicos em seu contexto, eles representam apenas
opiniões, que são sujeitas a serem contrariadas. Assim, as razões, apoiadas em
pareceres e jurisprudência, ou são aceitas pela sentença ou não; daí seu caráter
de opinião.

3° A dúvida — Vimos que a dúvida é o estado do espírito que pendula entre


motivos afirmativos e motivos negativos. Para Moacyr A. Santos, em matéria de
provas, os motivos podem apresentar-se de cinco maneiras diferentes:

“I — A superioridade dos motivos negativos sobre os afirmativos gera a


imparcialidade;

II — A igualdade dos motivos negativos sobre os afirmativos gera a


credibifidade;

III — A prevalência dos motivos afirmativos sobre os motivos negativos gera


a probabifidade;
IV — O que é provável pela superioridade é improvável ainda que por
inferioridade dos motivos negativos;

V — Na prevalência dos motivos negativos sobre os afirmativos ocorre a


probabifidade em favor dos negativos” (op. cit.).

Diante do exposto, a Dúvida se resume no que se pode crer e no que é provável.


No Direito, a dúvida surge, geralmente, entre a petição inicial e a contestação. A
petição inicial afirma fato e direito; a contestação nega o fato, ou o direito, ou,
ainda, ambos. A dúvida extingue-se na sentença.

4~ O erro - A opinião inconforme com a realidade do processo é o erro. O erro


material ou erro de cálculo pode até ser corrigido após a sentença (CPC, art.
463,1). Há erro quando a sentença admite fatos inexistentes ou inadmite fatos
existentes (CPC, art. 485, parágrafo único). Também trazem consequências ao
processo os erros apontados nos arts. 85,352,485 e 404 do Código de Processo
Civil, entre outros. Entretanto, não se consideram erros, as omissões do acórdão
previstas em lei, pois podem ser corrigidas por recurso próprio (CPC, art. 535).

5° A certeza — “Vistos os motivos (fatos) afirmativos e negativos, a certeza é a


absoluta predominância dos fatos afirmativos, ou a rejeição dos motivos
negativos ou divergentes, por considerá-los racionalmente inidôneos, o que
corresponde à prevalência dos fatos afirmativos” (M. A. Santos, op. cit.). Pode-
se concluir, afirmando que a certeza processual está no Aresto, que representa a
derradeira fase do processo, isto é, a coisa julgada (LINDB, art. 6fi). E a verdade
processual. Assim, res judicata pro veritate habetur, ou seja, a coisa julgada é
tida por Verdade.

A SENTENÇA É UM ATO DE FÉ

Sob o aspecto filosófico, a sentença representa um ato de fé inautêntico, ou seja,


um ato limitado ao conhecimento no campo de fatos humanos, sem relação com
a religião (Teologia). O ato de fé das ciências humanas interessa à Psicologia e à
Lógica.

Para atingir a tese proposta devemos conceituar evidência e inevidência:

- Evidência é a presença integral do objeto diante de nós, ou seja, quando


somos testemunhas de um fato ou temos diante de nós uma coisa.
— Inevidênda caracteriza-se pela ausência do objeto e pode apresentar-se de
três formas:

Ausência do objeto no espaço, pois não se encontra diante do juiz; como, por
exemplo, uma gleba de terra sobre a qual se discute no processo.

2a Ausência do objeto no tempo; o fato é passado e o juiz não o presenciou.

3a Ausência do objeto por exceder o conhecimento do juiz, como, por exemplo,


o funcionamento de uma máquina.

Essas inevidências são relativas ou, segundo alguns tratadistas, são acidentais,
pois a ausência é suprida por depoimentos e laudos. Diferem das inevidências
essenciais que dizem respeito a ato de fé autêntico, em que a ausência do objeto
é absoluta.

Ora, ainda diante da ausência de fato e da coisa o juiz sentencia; para tanto se
serve de testemunhas, ressalvados os impedimentos (CC, art. 228; CPC, art.
405), e de laudos, e pratica o ato de fé.

Observe o exemplo: Uma ação possessória, na qual o juiz não viu a gleba
esbulhada e suas confrontações, não presenciou quem praticou o esbulho,
portanto, o objeto é inevidente por ser ausente e passado; no entanto, o juiz
sentencia. Realizou um Ato de Fé.

De forma resumida, pode-se dizer que o Ato de Fé constitui-se de dois


elementos:

le O ato intencional de recair sobre um objeto;

2° O objeto, que é o fato ou coisa sobre o qual recai o ato. Não há ato de fé sem
o encontro desses dois elementos.

G. Morente entende que: “Assim, por exemplo, se ante um juiz se apresenta para
depor uma testemunha na qual, por qualquer razão, o juiz está disposto a crer e
esta testemunha não declara nada concreto, o juiz não pode verificar ato de fé,
porque não há matéria sobre a qual recaia o ato. Inversamente, se ante o juiz se
apresenta uma declaração terminante e concreta, prestada por uma testemunha
na qual o juiz, por qualquer motivo, não está disposto a crer, o juiz não
verifica um ato de fé, embora exista objeto sobre o qual possa recair este
ato” (Lecciones, cit.).

SÚMULA

Noção de Verdade: A.Cuvillier

A Verdade Lógica: conformidade da inteligência com as coisas.

1. Ignorância: nada saber e nada afirmar.

2. Dúvida: equilíbrio entre a afirmação e a negação.

3. Opinião: afirmar, porém admitir opinião contrária.

4. Certeza: acreditar estar de posse da verdade. Evidência: é aquilo


que fundamenta a certeza.

5. Erro: não saber e afirmar acreditando que sabe.

A Verdade e a Prova:

Ia A Verdade Lógica: a conformidade da inteligência com as coisas.

2a A Verdade Lógico-Formal: é o acordo com as leis do pensamento, partindo de


princípios já estabelecidos.

3a A Verdade Processual: a conformidade do julgador com a realidade que está


no processo.

4a A Prova: é a soma dos meios que produzem a certeza.

A Indução e a Dedução:

Indução: concluir do particular para o geral.

Dedução: concluir do geral para o particular.

Os 5 estados da Inteligência diante da Verdade Processual:

Ia A ignorância da lei: LINDB, art. 3a.


2a A opinião: sob a forma de pareceres.

3a A dúvida: equilíbrio entre a afirmação e a negação.

4a O erro: opinião inconforme com a realidade do processo.

5a A certeza: está no aresto — a coisa julgada (LINDB, art. 6a). A verdade


processual: “Res judicata pro veritate habetwT.

A Sentença é um Ato de Fé:

Evidência: a presença do objeto.

Inevidência: a ausência do objeto, em 3 diferentes modos.

Os dois elementos do Ato de Fé:

Ia O ato intencional de recair sobre um objeto;

2a O objeto, que é o fato ou coisa sobre o qual recai o ato.

O Ato de Fé para Garcia Morente.

EXERCÍCIOS
Indique as dez questões certas:

1. Erro é o oposto da verdade. Ignorância é a ausência de


qualquer conhecimento sobre algo.

2. A opinião depende da probabilidade e dos raciocínios das razões em que se


baseia. A opinião poderá admitir ou negar.

3. Se uma urna contém 4 bolas pretas e 6 bolas brancas, a probabilidade de sair


uma bola preta é 6/10. A opinião, ao contrário da dúvida, consiste em afirmar.

4. A verdade lógica é a conformidade da inteligência com as coisas. A verdade


moral é a conformidade da linguagem com o pensamento.
5. As coisas verdadeiras nem sempre estão de acordo com as ideias segundo as
quais foram feitas. Para o julgador, a verdade processual é a conformidade do
espírito do julgador com a realidade que está no processo.

6. Certeza é acreditar que se está de posse da verdade. Evidência é o modo


claro com que o verdadeiro se faz aceitar pela inteligência.

7. Dúvida é o equilíbrio entre a afirmação e a negação. A dúvida metódica é a


suspensão da opinião acerca de uma afirmação para verificar-lhe o valor. E
sempre provisória.

8. Os pareceres estão presentes em todos os processos, possuem


fundamentação lógica, não podem ser contrariados, e ocorrem por determinação
do juiz. A verdade processual está contida no princípio: resjudicata nonpro
veritate habetur.

9. O ato de fé é o encontro de dois elementos essenciais: o ato intencional de


recair sobre um objeto, e o objeto, que é o fato ou a coisa sobre o qual recai o
ato.

10. A certeza na prova é obtida pelo método indutivo, ou seja, parte de fatos
conhecidos para a causa desconhecida. A indução é a origem lógica da prova.

11. Sob o aspecto filosófico, a sentença representa um ato de fé autêntico, ou


seja, um ato limitado ao conhecimento no campo de fatos e atos humanos.

12. Os pareceres são raciocínios lógicos, muitas vezes presentes nas razões do
processo, e que podem não ser aceitos pela sentença, porque representam apenas
uma opinião. A verdade processual está no princípio: res judicata pro veritate
habetur.

13. A imparcialidade é a superioridade dos motivos negativos sobre os


afirmativos. A prevalência dos motivos afirmativos sobre os motivos negativos
gera a probabilidade.

14. As inevidências são consideradas acidentais e relativas, porque a ausência


é suprida pela documentação pertinente. Evidência é a presença integral do
objeto diante de nós.

15. A dúvida espontânea reflete o interesse imediato pela análise do pró e do


contra. A dúvida refletida ocorre quando as informações disponíveis são
suficientes para chegar à verdade.

Capítulo IX
A Ideia e o Termo do Ponto de Vista
Lógico - Classificação dos Termos
A IDEIA E O TERMO: CONCEITOS

O espírito pode apreender—apanhar, tomar—alguma coisa, sem nada afirmar ou


negar sobre ela. Por exemplo: criança — vidro — bondade. Esse ato de
apreender é imperfeito, porque há outros pensamentos que existem realmente ou
possivelmente unidos à criança, ao vidro, à bondade. O pensamento completa-se
quando afirmamos ou negamos. Assim temos: A criança é feliz — O vidro é
reciclável — A bondade é virtude.

Jolivet define ideia e termo: “Ideia é a simples representação determinada de um


objeto sensível. Homem, triângulo, são ideias enquanto feita abstração de toda
realização singular. Ao contrário, este homem (Pedro), este triângulo isóceles
(desenhado no quadro), são imagens”. E continua: “Termo é a expressão verbal -
ou sinal - da Ideia” (op. cit.).

Nérici define ideia e termo:“Ideia é a forma sob a qual um objeto é percebido


pela nossa inteligência; é a representação de um objeto. Ideia é sinônimo de
conceito e de noção”. E continua: “Termo é a expressão material da ideia e que
permite a sua transmissão de uma pessoa para outra. O termo segue as mesmas
linhas mestras da ideia, uma vez que é a sua representação concreta” (op. cit.).

Assim, percebemos que a ideia - uma operação do pensamento — só pode ser


comunicada mediante a linguagem. A expressão verbal, ou sinal da ideia
denomina-se termo. Em Lógica não se confunde termo com palavra, porque o
termo pode ter muitas palavras. Exemplos: Livro de leitura — Código Civil, etc.

Para maior entendimento podemos esquematizar:

IDEIA - elemento imaterial (obra do pensamento).

TERMO - elemento material (obra da escrita).

SINAL é a coisa que faz conhecer outra. O sinal pode ser natural (a fumaça —
sinal de fogo etc.) ou convencional (sinalização do tráfego etc.).As palavras são
sinal de fogo etc.) ou convencional (sinalização do tráfego etc.).As palavras são
sinais convencionais.

RELAÇÃO ENTRE EXTENSÃO E COMPREENSÃO NO TERMO

Já vimos que a ideia só pode ser conhecida pelas outras pessoas, mediante o
termo. Logo, deste ponto em diante, podemos passar a usar apenas termo, isto é,
a expressão em uma ou mais palavras.

Na lógica formal, a classificação dos termos se faz a partir dos conceitos de


Extensão e Compreensão, pelo que repetimos as definições: Extensão — E um
conceito quantitativo; é a soma dos indivíduos abrangidos por um conceito.“A
Extensão é o conjunto de sujeitos aos quais a ideia convém” (Jolivet, op. cit.).

Compreensão — E um conceito qualitativo; é o conjunto de atributos ou


características que compõem o termo. “A Compreensão é o conteúdo de uma
ideia, isto é, o conjunto de elementos componentes de uma ideia” (Jolivet, op.
cit.).

Observa-se que os tratados de Lógica ingleses, em geral, empregam denotação


por extensão; e conotação por compreensão, segundo Alexandre Bain.

Ao tomarmos os Termos: figura geométrica, quadrilátero e quadrado, podemos


fazer esta disposição, quanto à Extensão: (A) figura geométrica

(B) quadrilátero

(C) quadrado

É certo que o termo A tem maior extensão que B, e B tem maior que C. Há mais
figuras geométricas que quadriláteros, e mais quadriláteros que quadrado.

Tomando os mesmos termos sob o aspecto da compreensão temos esta


disposição:

(A) quadrado

(B) quadrilátero

(C) figura geométrica


Observe que quadrado tem mais atributos que quadrilátero, e quadrilátero tem
mais atributos que figura geométrica. Assim: o quadrado é um quadrilátero, que
tem os atributos de quadrilátero e os atributos de figura geométrica, porém tem
mais um atributo, ou seja, o quadrado tem os quatro lados iguais.

Diante do exemplo acima, estabelecemos que:

— a extensão de um termo está na razão inversa de sua compreensão. Isso


significa que quanto maior extensão o termo tiver, menor compreensão ele terá.

Exemplo: o termo ser é o mais universal; é o termo que possui maior


compreensão; Os termos que a Gramática classifica como substantivos próprios
têm a extensão igual à unidade, como, por exemplo, Raquel, Parque do
Flamengo, Rio Amazonas, Carnaval, Ribeirão Preto, Brasília, Oceano Adântico
etc.

CLASSIFICAÇÃO DOS TERMOS

Ia Quanto à extensão: singular, particular, universal, coletivo.

2a Quanto à compreensão: simples, composto, concreto, abstrato, positivo,


negativo.

3a Quanto à relação entre eles: contraditórios, contrários, privativos, relativos.

4a Quanto ao modo de significação: unívocos, equívocos, análogos.

1° Quanto à extensão há quatro tipos:

1.1. Termo singular — aplica-se a um único indivíduo. Assim: Cristo Redentor,


José Saramago, Adriana, Mateus, Avenida Paulista, esta árvore, Santa Catarina,
Machado de Assis, Gramado, este autor etc. (em geral os substantivos ditos
próprios em Gramática são termos singulares).

1.2. Termo particular — aplica-se a parte de uma espécie. Vem quase sempre
com o pronome indefinido alguns ou equivalente. Assim: algumas advogadas,
cada técnico, várias professoras etc.

1.3. Termo universal — aplica-se a todos os indivíduos de um gênero ou


espécie. Assim: professora, testemunha, flor, cônjuge, cidadão, juíza, mulher etc.
Observa-se que a ideia universal é equivalente à ideia singular, e a ideia singular
é empregada em toda a sua extensão, ainda que sua extensão seja a unidade.

1.4. Termo coletivo — aplica-se a grupo de indivíduos formando um todo.


Assim: assembleia, tripulação, acervo, comitiva, catálogo, time, cancioneiro,
plêiade, multidão, repertório etc. Os coletivos podem-se dividir em
hierarquizados e não hierarquizados. Exército não é um número de soldados,
porém uma organização em que há hierarquia - regimento, batalhão, companhia,
divisão, pelotão - Do mesmo modo, tribunal, família e outros termos.

Nota — Observe a diferença entre termo universal e termo coletivo: o termo


universal pode ser predicado de todos os indivíduos de um gênero ou classe; o
termo coletivo não pode ser predicado de cada indivíduo separadamente.

Por exemplo: o termo homem abrange todos os indivíduos do gênero. Posso


dizer Messias é homem, Marcelo é homem etc. O termo le Exército Brasileiro é
coletivo, pois abrange um número de soldados e oficiais, porém não posso dizer
o General Xéo l2 Exército, nem o soldado Z é o l2 Exército. Assim, considerando
o coletivo, “ i~ Exército Brasileiro” é termo singular, pois só existe um.

O mesmo termo pode ser, ao mesmo tempo universal e coletivo, como, por
exemplo: regimento é universal no sentido de que se refere a todos os
regimentos; é coletivo na significação de soldados que o compõem.

2~ Quanto à compreensão há seis tipos:

2.1. Termo simples — consta de um só elemento. Assim: árvore, terreno,


possuidor, herança, contrato, casa, cursor, passaporte.

2.2. Termo composto - consta de mais de um elemento. Assim: justa causa,


sentença declaratória, obra-prima, aquecimento global, salário-família, Poder
Judiciário, leilão de antiguidades, interrogatório policial, violência doméstica.

2.3. Termo Concreto — aplica-se a um indivíduo, ou uma qualidade apresentada


no indivíduo. Assim: homem; gênio (homem de gênio), criança, prodígio
(criança prodígio).

2.4. Termo Abstrato — apresenta uma qualidade sem aplicação a um


indivíduo; ou, ainda, apresenta uma qualidade sem se prender a um indivíduo,
com essa qualidade. Assim: justiça, amor, honestidade, pessimismo, lealdade, fé,
alegria, perdão, amizade.

2.5. Termo positivo — exprime uma coisa real ou possível. Assim: inquilina,
escritora, imóvel residencial, justiça, indenização.

2.6. Termo negativo — exprime a ausência ou falta de alguma coisa sem


indicar uma qualidade contrária. Geralmente é formado com o advérbio não.
Tem aplicação corrente nas leis e doutrinas. Assim: preço ajustado e preço não
ajustado, possuidor e não possuidor, prédio residencial e prédio não residencial,
violência e não violência.

Em Gramática, branco e preto são antônimos. Em Lógica, diz-se contraditórias,


como, por exemplo, o negativo de branco é não branco.

Nota - O espírito não pode pensar o abstrato. Ninguém pode pensar a caridade, a
amizade, o carisma, a felicidade, a ilusão, sem estar ligado a um ato ou a um
sujeito. Do mesmo modo, a brancura, a nitidez, o volume, a beleza, a experiência
e outros. E, pois, uma operação impossível ao pensamento, mas admissível por
uma espécie de ficção. Não há no Universo uma coisa que signifique justiça.
Esse termo exprime o mesmo que ações justas. Justiniano definindo ajustiça
exemplifica a tese: Sum cuique tribuere (dar a cada um o que é seu), o que quer
dizer praticar ações justas.

Destaca-se que os abstratos, no plural, se concretizam e passam a significar atos


e até indivíduos, como no exemplo: Necessidade: é abstrato.

Necessidades: se concretizam em atos de necessidade, como no art. 1.694, § le,


do Código Civil: “Os alimentos devem ser fixados na proporção das
necessidades do reclamante e dos recursos da pessoa obrigada”.

A lei não pode estar expressa na forma abstrata. A ficção observada no termo
abstrato não é estranha ao Direito, como, por exemplo, a atribuição de pessoa à
União, Estado e Municípios, às sociedades, et passim (CC, arts. 40 e 41).

O princípio que atribui a todos o conhecimento da lei (LINDB, art. 3e) é ficção
legal porque constitui um desencontro entre a verdade lógica e a verdade legal
(veja P. Miranda, op. cit.).

3° Quanto à relação entre eles há quatro tipos:


3.1. Termos contraditórios — são termos que se excluem, sem possibilidade de
meio-termo entre eles. Em gramática, branco e preto são antônimos, mas em
lógica, tais termos são ditos contraditórios, como, por exemplo, o negativo de
branco é não branco.

Observe que os termos contraditórios representam aplicação do princípio de


contradição (ver cap. IV,Princípios Lógicos).Assim temos: branco e não branco;
julgamento procedente e julgamento improcedente, ser e não ser, absolvido e
condenado, capaz e incapaz, ganhador e não ganhador.

3.2. Termos Contrários — são termos que exprimem qualidades opostas em


um mesmo gênero, de forma que há meio-termo entre eles. Em geral, os
antônimos são contrários. Assim: ávaro e pródigo; nascimento e falecimento;
sócio ostensivo e sócio participante; pessoas físicas e pessoas jurídicas; posse de
boa-fé e posse de má-fe; solvência e insolvência.

3.3. Termos Privativos — negam alguma qualidade ou propriedade de um


indivíduo que normalmente a possui. Exemplo: deficiente auditivo, em relação a
homem. Os privativos representam sempre um acidente, ou seja, uma qualidade
do indivíduo ou indivíduos, qualidade que não é da espécie, ou seja, não é da
espécie homem, ser deficiente auditivo (ver cap.VII, A Classificação).

3.4. Termos relativos — exprimem uma ordem de tal maneira que um termo não
pode dar-se sem o outro. Assim: todo e parte, autora e ré, patrão e empregado.
Em Direito, os relativos são comuns. São alguns exemplos do Código Civil: a)
Segurador e segurado — art. 206, II, a.

b) Comodante e comodatário — art. 582.

c) Mutuante e mutuário — art. 586.

d) Depositante e depositário — art. 627.

é) Outorgante e outorgado — art. 654, § l2.

J) Mandante e mandatário — art. 676.

g) Preponente e preposto — art. 1.177, parágrafo único.

O art. 747 do Código de Processo Civil assim está redigido: “Na execução por
carta, os embargos do devedor serão oferecidos, impugnados e decididos no
juízo requerido”. Houve dúvida acerca do termo requerido; uns entendenderam
que é o juízo deprecante, e outros, entenderam que é o juízo deprecado. Para
resolver logicamente a questão, basta verificar que — juízo requerido e juízo
requerente — são termos relativos, ejuízo requerido corresponde ajuízo
deprecado. Nesse sentido o Tribunal de Minas Gerais esclarece: “Ressalta à
evidência que na relação juízo deprecante e juízo deprecado tem de ser juízo
requerido não o que depreca, e sim aquele para onde se depreca” (Jurandyr Nils-
son, op. cit.).

Ainda, para confirmar o entendimento do acórdão, deve-se observar que o


particípio presente tem sentido ativo e o particípio passado, sentido passivo.
Observe os exemplos: notificante e notificado; nunciante e nunciado;
inventariante e inventariado entre outros.

Lembremos o princípio jus et obligatio sunt correlata, ou seja, Direito e


obrigação são correlatos.

4~ Quanto ao modo de significação há três tipos:

4.1. Termos unívocos — designam e significam sempre a mesma coisa, e não


há possibilidade de engano quando conhecemos o único significado que
possuem. Para o perfeito entendimento de todas as ciências e artes os termos
serão preferivelmente unívocos, e não equívocos (veja cap. XVIII, Lógica e
Linguagem).

São alguns exemplos: usucapião, fideicomisso, patrimônio, desapropriação,


domicílio, condomínio etc.

4.2. Termos equívocos - tem duas ou mais significações completamente


diversas, isto é,“referem-se a dois ou mais objetos totalmente diferentes”. O
termo equívoco é uma palavra que cobre conceitos distintos e não é um conceito.
São três exemplos: — cão (animal) e cão (parte de arma).

— maçã (fruta) e maçã (do rosto)

— corpo (físico) e corpo (de jurados).

E certo que o significado de um termo está vinculado à matéria do texto em que


se encontra, bem como ao título ou rubrica da lei.
Essa circunstância constitui o argumento chamado subjecta matéria que assim se
enuncia:“o sentido e as palavras da lei devem afeiçoar--se ao título sob o qual se
acham colocados, ampliam-se ou se restringem conforme o assunto a que estão
subordinados. Legis mens et verba ad titulum sub quo sita sunt, acommodanda,
et pro subjecta matéria, vel am-plianda, vel restringenda” (Paula Pessoa, op. cit.,
art. 2a).

4.3. Termos análogos - designam objetos distintos (como os equívocos), ou


ideias diversas, mas não inteiramente diferentes, isto é, se relacionam por serem,
em parte, semelhantes. São dois exemplos: — miséria: fome, doença,
indigência.

— eficiência: rendimento, produtividade econômica, trabalho realizado com o


menor esforço perdido.

Thomaz de Aquino discorrendo sobre o ser, afasta a univocidade e equivocidade


para considerá-lo Análogo. Sua lição pode resumir-se: existem diversas
modalidades de ser. Embora permaneça sob formas diferentes há unidade no ser,
isto é, há alguma semelhança. Essa unidade representada por alguma semelhança
comum a todos os seres não torna o ser unívoco, mas também não torna cada um
dos seres totalmente diferente dos demais (equívoco) de modo que torne
impossível o conhecimento. O ser é análogo, porque permite à inteligência
atingir o conhecimento do individual, na base do geral.

SÚMULA

A Ideia e o Termo: Conceitos.

“Ideia é a forma sob a qual um objeto é percebido pela nossa inteligência”


(Nérici).

“Termo é a expressão verbal — ou sinal — da Ideia” (R. Jolivet)

Diferença entre Ideia e Termo:

Ideia - elemento imaterial (obra do pensamento).

Termo — elemento material (obra da escrita).

Extensão e Compreensão: Conceitos.


Extensão e Compreensão: Conceitos.

Extensão é um conceito quantitativo; é a soma dos indivíduos abrangidos por um


conceito.

Compreensão é um conceito qualitativo; é o conjunto de atributos ou


características que compõem o termo.

Relação entre extensão e compreensão: a extensão de um termo está na razão


inversa de sua compreensão.

Classificação dos Termos:

1. Quanto à extensão: Singular, Particular, Universal, Coletivo.

2. Quanto à compreensão: Simples, Composto, Concreto, Abstrato, Positivo,


Negativo.

3. Quanto à relação entre eles: Contraditórios, Contrários,


Privativos, Relativos.

4. Quanto ao modo de significação: Unívocos, Equívocos, Análogos. Thomaz


de Aquino: o Ser é Análogo.

EXERCÍCIOS
Aponte a opção errada em cada questão:

1. S obre Termo Abstrato:

a) E possível pensar o termo abstrato bondade, sem ligar esse termo a uma
pessoa ou a um ato.

b) A Lei (CC, art. 13 e 14) designa como pessoa a União, os Estados e os


Municípios. A ficção observada no termo abstrato é empregada no Direito.

2. Sobre Termo Negativo:

a) Quanto à compreensão, o termo negativo, tem ampla aplicação nas leis e


doutrinas. Assim: pagamento e não pagamento, comestível e não comestível.
b) O termo negativo exprime a ausência ou falta de alguma coisa, com a
indicação exata da qualidade contrária.

3. Sobre Particípio Presente e Particípio Passado:

a) O particípio presente tem sentido ativo, e o particípio passado tem sentido


passivo, como notificado e notificante.

b) O particípio passado tem sentido ativo e o particípio presente tem sentido


passivo, como notificado e notificante.

4. Sobre Ideia e Termo:

a) O espírito não pode aprender alguma coisa sem nada afirmar ou negar sobre
ela.

b) A ideia, por ser uma operação do pensamento, somente pode


ser comunicada mediante a linguagem.

5. Sobre o Modo de Significação dos termos:

a) Corpo (físico) e Corpo (de jurados) é exemplo de termos unívocos.

b) Miséria: fome, doença, indigência.Trata-se de exemplo de termos análogos.

6. Sobre Extensão dos termos:

a) Em Lógica formal é importante distinguir a extensão e a compreensão de


um termo. Quanto maior a extensão, menor será a sua compreensão.

b) Extensão é um conceito qualitativo; é o conjunto de sujeitos os quais o


termo abrange.

7. Sobre Compreensão dos termos:

a) Compreensão é um conceito qualitativo; é o conjunto de atributos ou


características que compõem o termo.

b) O termo ser é o mais universal, por isso, é o termo que possui menor
compreensão.
8. Sobre Extensão e Compreensão dos Termos:

a) A extensão de um termo está na razão direta de sua compreensão.

b) Os termos que são classificados como substantivos próprios, têm a extensão


igual à unidade. Exemplo: Rio Amazonas.

9. Sobre Ideia e Termo:

d) A ideia é “a forma sob a qual um objeto é percebido pela nossa inteligência”.

b) Termo ou palavra é a representação concreta de uma ideia.

10. Sobre o Modo de Significação dos termos:

a) Em Direito e em muitas outras ciências, geralmente, os termos são análogos.

b) Termos unívocos não se referem a dois ou mais objetos totalmente


diferentes. Em outras palavras,os termos unívocos possuem um único
significado.

11. Sobre Termos Privativos:

a) Os termos privativos representam uma qualidade que não é dos seres da sua
espécie.

b) Os termos privativos negam ou afirmam alguma qualidade ou propriedade de


um indivíduo que normalmente a possui.

12. Sobre Termos Contraditórios:

d) Os termos contraditórios não se excluem, porque pode haver um meio-termo


entre eles.

b) Ganhador e perdedor são termos contrários; ganhador e não ganhador são


termos contraditórios.

13. Sobre Termos Coletivos:

a) O mesmo termo não pode ser universal e coletivo ao mesmo tempo.


b) O termo coletivo aplica-se a um grupo de indivíduos e forma um todo.
Exemplo: povo.

14. Sobre Termos Contrários:

a) São termos que exprimem qualidades opostas em um mesmo gênero.


Exemplo: solvência e insolvência.

b) Termos contrários exprimem qualidades que se desequilibram e não


admitem meio-termo entre elas. Exemplo: pródigo e não pródigo.

15. Sobre Termos Universais:

a) O termo universal aplica-se a todos os indivíduos de um gênero ou espécie.

b) O termo universal não pode ser predicado de todos os indivíduos de um


gênero ou classe.

Capítulo X

O Juízo e a Proposição Categórica — Quadrado Lógico — Conversão, Obversão


e Contraposição As proposições podem ser:

— Simples, também chamadas categóricas.

- Compostas, também chamadas hipotéticas.

As proposições simples se constituem de um S e um P unidos por meio da


cópula E (afirmativa), ou separadas pela cópula NÃO E (negativa).

As Proposições Compostas formam-se de duas proposições simples unidas pelas


conjunções: E, OU, SE.

CONCEITOS: JUÍZO E PROPOSIÇÃO CATEGÓRICA

O Juízo é o ato pelo qual o espírito afirma ou nega um termo (o sujeito), de outro
termo (o predicado).

“O espírito apreende no universo lógico, duas ideias e as aproxima. A seguir


procede a uma comparação da qual resultará um julgamento de conveniência ou
inconveniência entre as duas ideias. Esse julgamento do espírito é a essência do
inconveniência entre as duas ideias. Esse julgamento do espírito é a essência do
juízo” (I. G. Nérici, op. cit.).

São duas definições de R.Jolivet:

“Juízo é a afirmação de uma relação de conveniência ou de não conveniência


entre dois conceitos.

“Proposição é o sinal ou a expressão verbal do juízo” (op. cit.).

Resumindo:

O Juízo é obra imaterial.

A Proposição é obra material.

A proposição é um julgamento do espírito pelo qual decidimos, após a


comparação, que, de duas coisas, uma encontra relação com a outra, ou não
encontra. Para chegar ao juízo, o espírito prepara a matéria como este esquema:

Substituímos o esquema:
A Retórica pode encontrar uma relação de conveniência entre Sol e Filosofia,
como, por exemplo: A Filosofia é o Sol das ciências. O Sol das ciências é a
Filosofia. Porém, trata-se de metáfora sem nenhum valor lógico, porque não é
uma definição (veja Cap. V).

O JUÍZO: TIPOS E ELEMENTOS

O Juízo pode ser afirmativo ou negativo:

juízo afirmativo — há conveniência entre os termos. juízo negativo — não há


conveniência entre os termos.

Sobre o Juízo, há duas observações:

Ia Na proposição afirmativa, unem-se os dois termos pelo verbo SER, no


presente do indicativo, 3a pessoa do singular: E.

2a Na proposição negativa separam-se os dois termos pelo verbo SER, no


presente do indicativo, 3a pessoa do singular: NÃO E.

O Juízo tem três elementos:

Ia O ser ou o sujeito, de quem se afirma ou nega.

2a O predicado que se afirma ou se nega do ser.

3a Uma afirmação ou negação que se expressa pelo verbo SER na forma — E ou


Não E — que une o Sujeito ao Predicado.

A PROPOSIÇÃO: ELEMENTOS

Já vimos que a proposição é a expressão do juízo; também, é a oração que afirma


ou nega algo sobre o sujeito.

A proposição é formada por três elementos:

Ia O sujeito.
2a O predicado.

3a O verbo.

Observe os dois exemplos:

a) O sol (sujeito) é (verbo ser) quente (predicado).

b) O sol (sujeito) não é (verbo ser) frio (predicado).

À luz da Lógica, distingue-se como partes essenciais da proposição: o nome


(substantivo) e o verbo. Os demais elementos, como os adjetivos, advérbios,
preposições e conjunções, são acidentais.

O verbo ser está sempre presente na proposição, quando enuncio: Leio — a


proposição equivale a — Eu sou leitor. O juízo: Não há audiência denomina-se
juízo de existência, cujo estudo não interessa no momento.

A PROPOSIÇÃO: COMPREENSÃO

Quanto à compreensão (ou qualidade), as proposições podem ser afirmativas ou


negativas, conforme seja de conveniência ou de não conveniência a relação
estabelecida entre o predicado e o sujeito (é - não é). São exemplos: Proposição
afirmativa — O réu é inocente.

Proposição negativa — O réu não é inocente.

A PROPOSIÇÃO: EXTENSÃO

A extensão (ou quantidade) das proposições depende da extensão do sujeito. Há


cinco tipos: Ia Proposição universal — O sujeito é um termo universal (ou
distributivo) considerado universalmente. Ex.: Todo homem é mortal.

2a Proposição particular — O sujeito é um termo particular. Ex.: Algum homem


é sábio.

3a Proposição indefinida — O sujeito vem sem quantidade enunciada. Ex.: A


socióloga é experiente.
4a Proposição singular — O sujeito é um termo singular. Ex.: Recife é linda.

5a Proposição indefinida universal e indefinida particular. O predicado


representa uma qualidade necessária do sujeito. Ex.: O homem é um animal
racional. Ocorre que todo homem é um animal racional; portanto, é uma
proposição universal. Quando o predicado exprime uma qualidade contingente
(pode ter ou não ter) do sujeito, as proposições são particulares. Ex.: A advogada
é competente (o predicado competente não pertence a todas as pessoas; logo, é
uma proposição particular). Observe este exemplo: No processo, a advogada
afirma universalmente que todas as testemunhas viram um determinado fato. A
parte contrária, que nega a afirmação universal, não contestará com uma
negativa universal: Nenhuma testemunha viu tal fato, porém, com uma
particular: Alguma testemunha não viu tal fato. Alguma, pode ser uma única
testemunha, porém, já não é verdadeira a afirmação universal, pois o todo
verdadeiro não pode ter uma parte falsa.

A PROPOSIÇÃO: COMPREENSÃO E EXTENSÃO COMBINADAS

“Quanto à qualidade (compreensão) e quantidade (extensão) combinadas,


podem-se obter: proposições afirmativas universais e afirmativas particulares, e
proposições negativas universais e negativas particulares” (I. G. Nérici, op. cit.).

Essas proposições podem ser representadas por símbolos: usam-se as vogais A,


E, I e O tiradas das palavras: — Afirmo (A, I) e nEgO (E, O). Observe:

A — Afirmativa Universal

E — Negativa Universal

I — Afirmativa Particular

0 — Negativa Particular

São quatro exemplos:

A — Afirmativa universal — Todo homem é mortal.

E — Negativa universal — Nenhum homem é imortal.


1 — Afirmativa particular — Algum homem é sábio.

O — Negativa particular — Algum homem não é sábio.

Procedendo à comparação entre a compreensão e a extensão das proposições, a


partir dos exemplos acima, observamos que: A e E têm extensão igual e
compreensão diferente.

A e I têm extensão diferente e compreensão igual.

A e O têm extensão e compreensão diferentes.

E e I têm extensão e compreensão diferentes.

E e O têm extensão diferente e compreensão igual.

Podemos, também, representar simbolicamente o quadro acima, usando e para


extensão (ou quantidade) e c para compreensão (ou qualidade): AeE — e = c 5*

Ael - e^ c =

AeO-e^c^

Eel - e^c^

EeO-e^c=

Nas proposições Afirmativas Universais (A), o sujeito é tomado em toda a sua


extensão, o predicado é tomado em parte de sua extensão. A proposição: “Todo
homem é mortal” significa que o sujeito abrange todos os homens, porém não
são os únicos mortais.

Nas proposições Negativas Universais (E) o sujeito e o predicado são tomados


em toda a sua extensão. A proposição: “O homem não é um pássaro” significa
que nenhum homem não é nenhum dos pássaros.

Nas proposições Afirmativas Particulares (I) o sujeito e o predicado são tomados


em parte de sua extensão. “Algum homem é sábio” significa que uma parte dos
homens constitui uma parte dos homens sábios.

Nas proposições Negativas Particulares (O) o sujeito é tomado em parte de sua


extensão e o predicado em toda a extensão. “Algum homem não é sábio”
extensão e o predicado em toda a extensão. “Algum homem não é sábio”
significa que uma parte dos homens não é nenhuma parte dos sábios.

Dos exemplos dados conclui-se quanto à extensão:

Sujeito Predicado

A — Universal — Particular E — Universal — Universal I — Particular —


Particular O — Particular — Universal O conhecimento da extensão do sujeito e
do predicado é necessário para a conversão, obversão e contraposição das
proposições, como se verá mais adiante.

QUADRADO LÓGICO

As proposições podem diferir de quatro modos:

1. Pela extensão (quantidade) e pela compreensão (qualidade) ao

mesmo tempo, e chamam-se contraditórias:

Todo homem é sábio. (A)

Algum homem não é sábio. (O)

2. Pela compreensão (qualidade), e chamam-se contrárias:

Todo homem é sábio. (A)

Nenhum homem é sábio. (E)

3. Pela compreensão (qualidade), e denominam-se subcontrárias: Algum


homem é sábio. (I) Algum homem não é sábio. (O)

4. Pela extensão (quantidade), e chamam-se subalternas:

Todo homem é sábio. (A)

Algum homem é sábio. (I)

Nenhum homem é sábio. (E)


Algum homem não é sábio. (O)

As proposições subalternas não representam propriamente oposição, pois a


proposição particular apenas apresenta parte da geral, ou melhor, é certo que a
parte se inclui ao todo.

Oposição “é a afirmação e a negação do mesmo predicado em relação ao mesmo


sujeito” (R. Jolivet, op. cit.).

Proposição - Quadrado da oposição - Categóricas

A E

I O

Veremos que A e O e E e I apresentam diversidade de extensão e compreensão,


por isso representam maior oposição.

As proposições se opõem de três modos:

Ia Pela compreensão — afirmativas e negativas.

2a Pela extensão — universal e particular.

3a Pela compreensão e extensão, como se verifica do quadro acima. O estudo da


oposição das proposições está, como tudo na Lógica, ligado aos princípios
lógicos.

O domínio das leis das oposições das proposições, fundado nos princípios
lógicos, dá à inteligência elemento seguro para o raciocínio.
lógicos, dá à inteligência elemento seguro para o raciocínio.

AS QUATRO LEIS DAS OPOSIÇÕES

PRIMEIRA LEI. Duas Proposições Contrárias (A e E) não podem ser


verdadeiras ao mesmo tempo, porém podem ser falsas ao mesmo tempo.

Para entender a lei, torna-se preciso saber os conceitos de necessidade,


impossibilidade, possibilidade e contingência.

a) Necessidade - A coisa ou fato em questão deve acontecer sempre.


Exemplos: O Pai é bom. O sol é uma estrela.

b) Impossibilidade—A coisa ou fato em questão nunca pode acontecer.


Exemplos: O sol é frio. As pessoas humanas são irracionais.

c) Possibilidade — A coisa ou fato em questão pode acontecer ou não


acontecer. Exemplos: Amanhã não haverá poluição. O trânsito estará pesado.

d) Contingência - A coisa ou fato escapa a ações de controle, dada sua


imprevisibilidade.Tem sempre o caráter daquilo que acontece de maneira
eventual, sem necessidade, e que poderia ter acontecido de outra maneira.

Os lógicos admitem possibilidade como sinônimo de contingência. Verifica-se


facilmente que necessário equivale a impossível, pois o que é necessário que
aconteça, é impossível que não aconteça.

Feita a explicação de maneira mais simples, podemos entender a lei das


Proposições Contrárias. As Proposições Contrárias não podem ser verdadeiras ao
mesmo tempo. Podem ser falsas ao mesmo tempo, quando se tratar de matéria
possível. Observe: Proposição 1. (A) O homem é quadrúpede. (E) O homem não
é quadrúpede.

Proposição 2. (A) O Sol é uma estrela. (E) O Sol não é uma estrela.

Verificamos que ambas as proposições não podem ser verdadeiras; uma é


verdadeira e a outra é falsa, necessariamente.

As Proposições Contrárias não podem ser verdadeiras ao mesmo tempo, mas


podem ser falsas ao mesmo tempo, como nos dois exemplos abaixo: 1. (A)
Todo filósofo é sensato.

2. (E) Nenhum filósofo é sensato.

Aqui se trata de possibilidade. As duas proposições podem ser falsas, pois a


sensatez das pessoas é apenas possível, não é necessária, isto é, não acontece
sempre. Em processo civil, as Proposições Contrárias podem ser ambas falsas,
ou seja, a inicial afirma e a contestação nega.

Em geral uma proposição é verdadeira e outra proposição é falsa, porém, há o


caso de ambas serem falsas, conforme se verifica no art. 56 do Código de
Processo Civil: “Quem pretender, no todo ou em parte, a coisa ou o direito sobre
que controvertem autor e réu, poderá, até ser proferida a sentença, oferecer
oposição contra ambos”.

Quando se trata de matéria necessária, as proposições não podem ser falsas ao


mesmo tempo.Veja o exemplo: A autora é a proponente da ação.

A Autora não é proponente da ação.

Usando v. para verdadeira, e f. para falsa, nas Proposições Contrárias temos que:
Se A é v. — E é f.

Se A é f. — E é v.

Se A é f. - E pode ser f.

Se E é v. — A é f.

Se E é f. — A é v.

Se E é f. - A pode ser f.

O princípio lógico que fundamenta as Proposições Contrárias é: uma coisa não


pode ser e não ser ao mesmo tempo.

SEGUNDA LEI. Duas Proposições Contraditórias não podem ser verdadeiras ao


mesmo tempo, nem falsas ao mesmo tempo. Exemplos: (A) Todo atleta é
vigoroso. (O) Algum atleta não é vigoroso.

(E) Nenhum atleta é vigoroso. (I) Algum atleta é vigoroso.


(E) Nenhum atleta é vigoroso. (I) Algum atleta é vigoroso.

Se A é verdadeira, O é falsa; se E é verdadeira, I é falsa, isto porque A e E são


universais eOeí são particulares.

Usando v. para verdadeira, e f. para falsa, nas proposições contraditórias temos


que: Se A é v. — O é f.

Se E é v. — I é f.

Se A é f. — O é v.

Se E é v. — I é f.

O princípio lógico que fundamenta as Proposições Contraditórias é:“o todo


abrange todas as partes; se o todo é verdadeiro a parte não pode serfalsa; se o
todo é falso a parte não pode ser verdadeira”.

TERCEIRA LEI. Duas Proposições Subcontrárias não podem ser fabas ao


mesmo tempo, todavia podem ser verdadeiras ao mesmo tempo. Ambas são
particulares, a saber, parte do todo; logo, se “alguma escritora é famosa” é
verdadeira, não prova que “alguma escritora não é famosa” é falsa.

Não podem ser falsas ao mesmo tempo, pela seguinte demonstração:

Se (I) alguma escritora é famosa, é faba.

(0) alguma escritora não é famosa, não pode ser faba

porque

Se (O) alguma escritora não é famosa, é faba.

(E) nenhuma escritora é famosa, é faba.

Se (E) nenhuma escritora é famosa, é faba.

(1) alguma escritora é famosa, é verdadeira, porque são contraditórias.

Usando v. para verdadeira, e f. para falsa, nas Proposições Subcontrárias temos


que: Se I é f. — O é v.

Se I é v. — O pode ser v.
Se I é v. — O pode ser v.

O princípio lógico das Proposições Subcontrárias é o mesmo das proposições


contrárias, ou seja: “uma coisa não pode ser e deixar de ser ao mesmo tempo”.

QUARTA LEI. As Proposições Subalternas não representam uma posição


lógica. Usando v. para verdadeira, e f. para falsa, nas Proposições Subalternas
temos que: Se A é v. — I é v.

SeAéf. - Iéf.

Se I é v. - A é indefinido.

Se I é f. - A é f.

O princípio lógico que fundamenta as Proposições subalternas é: “a parte se


contém no todo; se o todo é verdadeiro, a parte é verdadeira; se o todo é falso, a
parte é falsa”.

CONVERSÃO, OBVERSÃO E CONTRAPOSIÇÃO DAS PROPOSIÇÕES


SIMPLES

O estudo da Conversão, Obversão e Contraposição não constitui apenas uma


ginástica do espírito, porque, muitas vezes, a proposição se apresenta naquelas
formas, e a transposição delas para as formas comuns esclarece textos e até
desfaz sofismas.

QUADROS DA CONVERSÃO, DA OBVERSÃO E DA


CONTRAPOSIÇÃO

Quadro da Conversão

Conversão é “a dedução de uma proposição de outra, diretamente, pela simples


mudança de termos, em que o sujeito ocupa o lugar do predicado e o predicado
ocupa o lugar do sujeito, conservando, porém, o mesmo sentido” (J. Maritain,
op. cit.).

Proposição convertenda Proposição conversa


A -Todo S é P Algum P é S - I

E - Nenhum S é P Nenhum P é S - E

I - Algum S é P Algum P é S - I

O - Algum S é P -

Aplicação:

Convertenda Conversa

A - Toda estrela é brilhante Algum (astro) brilhante é estrela - I

E - Nenhum planeta é brilhante Nenhum (astro) brilhante é planeta - E

I - Algum planeta é distante Algum (astro) distante é planeta - I

O - Algum planeta não é distante -

Obversão é uma dedução ou inferência na qual, de uma proposição dada, deduz-


se outra que tem por predicado a contraditória do predicado da proposição dada.
Observa-se na obversa que a extensão ou quantidade é a mesma da obvertenda.

Quadro da Obversão

Obvertenda Obversa
A -Todo S é P Nenhum S é não P - E

E - Nenhum S é P Todo S é não P - A

I - Algum S é P Algum S é não não P - O

O - Algum S é não P Algum S é não P - I

Aplicação:

Obvertenda Obversa

A - Toda estrela é brilhante Nenhuma estrela é não brilhante - E

E - Nenhum planeta é brilhante Todo planeta é não brilhante - A

I - Algum planeta é distante Algum planeta é não não distante - O

O - Algum planeta não é distante Algum planeta é não distante - I

Contraposição é uma inferência na qual, de uma proposição dada, deduz-se outra


que tem por sujeito o contraditório do predicado original da proposição dada.

Quadro da Contraposição

Proposição original Contrapositiva Obversa contrapositiva


A -Todo S é P Não não P é S(E) Todo não P é não S (A)

E - Não S é P Algum não P é S(I) Algum não P é não não S (O)

I - Algum S é P - -

O - Algum S é não P Algum não P é S(I) Algum não P é não não S

Aplicação:

(1) Proposição
(2) Contrapositiva (3) Obversa contrapositiva
original

A-Toda estrela é Não não brilhante é estrela Algum não P é não não
brilhante (E) estrela (A)

E - Nenhum planeta é Algum não brilhante é Algum não brilhante é não


brilhante planeta (I) não planeta (O)

I - Algum planeta é
- -
brilhante

O - Algum planeta Algum (astro) não distante Algum (astro) não distante é
não é distante é planeta (I) não planeta

SÚMULA

Juízo: obra imaterial.


Proposição: obra material.

O Juízo: afirmativo ou negativo.

Elementos do Juízo: o ser, o predicado, uma afirmação ou uma negação que une
o sujeito ao predicado.

Elementos da Proposição: o sujeito, o predicado, o verbo.

A Proposição: compreensão ou qualidade:

Afirmativas — é.

Negativas — não é.

A Proposição: extensão ou quantidade:

Ia Universal — o sujeito é um termo universal.

2a Particular — o sujeito é um termo singular.

3a Singular — o sujeito é um termo singular.

4a Indefinida - o sujeito vem sem quantidade enunciada.

5a Indefinida Universal — o predicado exprime uma qualidade necessária do


sujeito. Indefinida Particular — o predicado exprime uma qualidade contingente
do sujeito.

Proposição: compreensão e extensão combinadas

A — afirmativa universal E — negativa universal I — afirmativa particular O —


negativa particular Quadrado lógico das Proposições Categóricas: contraditórias,
contrárias, subcontrárias e subalternas.

Conceito de: necessidade, impossibilidade, possibilidade e contingência. As


quatro Leis das Oposições: Ia Duas proposições contrárias (A e E) não podem
ser verdadeiras ao mesmo tempo, porém podem ser falsas ao mesmo tempo.

2a Duas proposições contraditórias não podem ser verdadeiras ao mesmo tempo,


nem falsas ao mesmo tempo.

3a Duas proposições subcontrárias não podem ser falsas ao mesmo tempo,


todavia podem ser verdadeiras ao mesmo tempo.

4a As proposições subalternas não representam uma posição lógica.

Conversão, Obversão e Contraposição das Proposições simples:

quadros e exemplos.
EXERCÍCIOS
Procure as 6 proposições falsas:

1. ( ) São partes essenciais da proposição: o substantivo, o verbo e

os demais elementos, como adjetivos, advérbios e conjunções que são


indispensáveis à proposição correta.

2. ( ) Toda proposição tem, ao mesmo tempo, extensão e compre

ensão. As vogais A, E, I, O são usadas para formar: AfirmO e nEgO.

3. ( ) Pode-se dizer que A — afirmativa universal e I — afirmativa

particular têm a mesma extensão e a mesma compreensão.

4. ( ) O juízo tem 3 elementos: o ser, a coisa e uma afirmação ou

uma negação.

5. ( ) Nas afirmativas universais (A) o sujeito é tomado em toda a

sua extensão e o predicado, somente em parte de sua extensão, como no


exemplo: todo homem é mortal.

6. ( ) Duas proposições contrárias A, E — não podem ser verdadeiras

ao mesmo tempo, mas podem ser falsas ao mesmo tempo, como nos exemplos:
todo filósofo é sensato; nenhum filósofo é sensato.

7. ( ) A luz da extensão, ou qualidade, as proposições podem ser

afirmativas ou negativas, conforme a relação de conveniência entre o sujeito e o


predicado.

8. ( ) A negativa universal e a afirmativa particular são representadas,


respectivamente, pelas letras T e ‘E\
9. ( ) Na proposição universal, o sujeito é um termo universal

considerado universalmente; na proposição indefinida, o sujeito vem sem


extensão enunciada. Ex.: a socióloga é experiente.

10. ( ) Quando o predicado exprime uma qualidade contingente do

sujeito, as proposições são particulares, como no exemplo: a advogada é


eficiente.

11. ( ) O princípio lógico: o todo abrange todas as partes. Se o todo

é verdadeiro a parte não pode ser falsa; se o todo é falso a parte não pode ser
verdadeira, refere-se às proposições contraditórias.

12. ( ) São exemplos de conversão, as proposições: I-Algum planeta

é distante; e Algum (astro) distante é planeta I, sendo que, a primeira é a


proposição convertenda e a segunda é a proposição conversa.

13. ( ) As proposições que diferem pela extensão e pela compreensão,

chamam-se contraditórias, como nos exemplos: todo homem é sábio (A); algum
homem não é sábio (O).

14. ( ) Quando se trata de matéria necessária, as proposições podem

ser falsas ao mesmo tempo.

15. ( ) Uma das leis das oposições é: uma coisa não pode ser e não

ser ao mesmo tempo.

Capítulo XI

Proposições Compostas: Formação e Divisão — as Proposições Modais — as


Condições

FORMAÇÃO E DIVISÃO DAS PROPOSIÇÕES COMPOSTAS

As proposições podem ser:


As proposições podem ser:

Simples, também chamadas categóricas.

Compostas também chamadas hipotéticas.

As proposições simples se constituem de um S e um P unidos por meio da


cópula E (afirmativa), ou separadas pela cópula NÃO E (negativa), como já foi
visto.

As proposições compostas formam-se de duas proposições simples unidas pelas


conjunções: E, OU, SE.

As Proposições compostas podem se apresentar de duas formas: Ia Proposições


claramente compostas.

2a Proposições ocultamente compostas.

í-Proposições claramente compostas — Sua formação mostra que tem duas


proposições, como no exemplo: Deus quer e o homem pensa.

As proposições claramente compostas podem ser:

1. Copulativas

2. Condicionais

3. Disjuntivas.

2" Proposições ocultamente compostas — Se as proposições que as formam vêm


indicadas por uma palavra que ela encerra. Exemplo: Só o justo alcança o
céu. Essa proposição desdobra-se em duas: 1. O justo alcança o céu; 2. Os não
justos não o alcançam.

As proposições ocultamente compostas podem ser:

1. Exclusivas.

2. Excetivas.

3. Comparativas.
4. Reduplicativas.

Nota - Faremos o estudo das proposições e da definição com exemplos do


Código Civil e do Código de Processo Civil. Poderia ser feito com o Código
Penal e o Código de Processo Penal. Esse método oferece ao leitor, a
oportunidade de aplicar, de imediato, o conhecimento da matéria e realizar uma
primeira interpretação gramatical dos textos legais. Não interessa aos leitores, ou
aos advogados, os exemplos comuns dos compêndios de Lógica, ao passo que se
os exemplos forem buscados nos códigos que lhes são familiares, e de uso
diário, obtém-se maior motivação para o estudo.

DIVISÃO DAS PROPOSIÇÕES CLARAMENTE COMPOSTAS

1. Proposição Claramente Composta Copulativa - As proposições que a


compõem se unem pela conjunção E. Em boa linguagem portuguesa, QUE pode
ser empregado por E, nesse caso é copulativa. São dois exemplos: a) O vinho
guarda a vinha que não o vinhateiro.

b) Outros, que não eu, deviam falar.

Lei das Proposições Claramente Compostas Copulativas — Para a proposição


ser verdadeira é necessário que cada proposição simples que a forma seja
verdadeira; e, para ser falsa basta que uma só das proposições que a forma seja
falsa.

Observe o exemplo: O Sol é uma estrela e a Lua um planeta. A proposição é


indivisível, isto é, tem de ser considerada um todo. A proposição acima é falsa,
embora, isoladamente, a primeira proposição que a compõe seja verdadeira.

A conjunção E pode estar presente, sem que haja uma proposição composta.

No exemplo: Manuela e Álvaro são advogados, percebe-se que há uma


proposição simples, apenas com um sujeito composto.

No exemplo: Giuliana e Fernando aplaudiram o festival folclórico de Parintins,


há uma proposição composta que se desdobra em: Giuliana aplaudiu o festival
folclórico de Parintins e Fernando aplaudiu o festival folclórico de Parintins.

São três exemplos de Proposição Claramente Composta Copulativa no Código


Civil, entre inúmeros: a) Art. le “Toda pessoa é capaz de direitos E deveres na
ordem civil”.

b) Art. 1.228. “O proprietário tem a faculdade de usar, gozar e dispor da coisa,


E o direito de reavê-la do poder de quem quer que injustamente a possua ou
detenha”.

c) Art. 1.320.“Cada condômino responde aos outros pelos frutos que percebeu
da coisa E pelo dano que lhe causou”.

Veja, no Código Civil, também os arts. 40, 135, 218, 315, 481,
972,1.207,1.215,1.668, entre inúmeros outros.

São três exemplos de Proposição Claramente Composta Copulativa no Código


de Processo Civil, entre inúmeros: a) Art. 14.“Compete às partes E aos seus
procuradores:...”.

b) Art. 162. “Os atos do juiz consistirão em sentenças, decisões interlocutórias


E despachos”.

c) Art. 415. “Ao início da inquirição, a testemunha prestará o compromisso de


dizer a verdade do que souber E do que lhe for perguntado”.

Veja, no Código de Processo Civil, também os arts. 11, 91, 94, 228,230,348,363,
caput, 752, entre inúmeros outros.

2. Proposição Claramente Composta Condicional - Expressa um juízo sob uma


condição. A condição se encontra na proposição que traz a conjunção SE. É
preciso notar que na proposição condicional o essencial é que o condicionado
esteja relacionado com a condição, não importando a verdade das proposições
que a formam.

Não é sempre que a condição vem antes do condicionado, e pode ocorrer o


contrário, ou seja, a condição vem depois do condicionado. Observe o exemplo
do Código Civil, art. 1.425, II e IV: “A dívida considera-se vencida
(condicionado), se o devedor cair em insolvência, ou falir (condição), se perecer
o objeto dado em garantia (condição)”.

Lei das Proposições Claramente Compostas Condicionais — Para a proposição


ser verdadeira a consequência (condicionado) deve, obrigatoriamente, ser
decorrência da antecedente (condição); e, para a Proposição Condicional ser
falsa, a consequência não deve ser decorrência da antecedente.

As Proposições Condicionais se apresentam com a conjunção SE, que determina


a condição. São dois exemplos: a) Se cem é número ímpar, cem não é divisível
por dois (a condicional é verdadeira).

b) Se todo homem é mortal, três menos dois é um (a condicional é falsa).

Basta verificar que no primeiro exemplo a consequência se relaciona com a


antecedente, e no segundo exemplo não há relação entre a consequência e a
antecedente.

Na oratória forense admite-se uma proposição condicional verdadeira sem se


afirmar a veracidade da condição, como argumento e estilo.Veja o exemplo: “Se
o júri absolvesse este réu comprovadamen-te criminoso, e criminoso confesso,
eu (o promotor) incendiaria este tribunal”. Evidentemente, a condição não se
verificaria; portanto, ela não é verdadeira.

São três exemplos de Proposição Claramente Composta Condicional no Código


Civil, entre inúmeros: a) Art. 132, § 1Q “SE o dia do vencimento cair em
feriado, considerar-se-á prorrogado o prazo até o seguinte dia útil”.

b) Art. 150. “SE ambas as partes procederem com dolo, nenhuma pode alegá-
lo para anular o negócio, ou reclamar indenização”.

c) Art. 547.“O doador pode estipular que os bens doados voltem ao seu
patrimônio, SE sobreviver ao donatário”.

Veja, no Código Civil, também os arts. 151, parágrafo único, 218, 447, 458, 617,
863, 1.057, 1.199, 1.287, 1.407, 1.478, 1.678, 1.684, 1.698,1.904,1.905,1.995,
entre inúmeros outros.

São três exemplos de Proposição Claramente Composta Condicional no Código


de Processo Civil, entre inúmeros: a) Art. 21. “SE cada litigante for em parte
vencedor e vencido, serão recíproca e proporcionalmente distribuídos e
compensados entre eles os honorários e as despesas”.

b) Art. 26. “SE o processo terminar por desistência ou reconhecimento do


pedido, as despesas e os honorários serão pagos pela parte que desistiu ou
reconheceu”.

c) Art. 32. “SE o assistido ficar vencido, o assistente será condenado nas custas
em proporção à atividade que houver exercido no processo”.

Veja, no Código de Processo Civil, também os arts.: 66,107,110, 225, II,


319,432,462,481,492,529,557,637,639,642,644,659,660, 666,691,695,722,731,735,749,773,83
entre inúmeros outros.

3. Proposição Claramente Composta Disjuntiva - As proposições disjuntivas


exigem cuidado especial do intérprete, porque podem apresentar-se como
alternativa ou como de substituição. São elas: d) Proposição Claramente
Composta Disjuntiva Alternativa, denominada Verdadeira, ou, ainda,
propriamente disjuntiva. No exemplo a seguir, observe a repetição da preposição
DE no art. 647, III, do Código de Processo Civil: “A expropriação consiste: (I-,II
—...) III — no usufruto de imóvel ou de empresa”. Há uma alternativa.

b) Proposição Claramente Composta Disjuntiva de Substitução, é denominada


Falsa, ou ainda, Impropriamente Disjuntiva. Exemplo: A advogada ou a
estagiária podem retirar autos do cartório. Observe que OU poderia substituir E.
A frase fica assim: A advogada E a estagiária podem retirar autos do
cartório.Veja que há uma substituição — uma ou outra— o que caracteriza a
Proposição Disjuntiva Falsa.

Geralmente, nas Proposições Disjuntivas Verdadeiras repete-se o artigo ou o


pronome. O verbo vem no plural, pois trata-se, logicamente, de dois sujeitos, e, é
possível substituir a conjunção OU pela conjunção E. As Proposições
Disjuntivas podem representar uma simples substituição, e até pode ocorrer que
a conjunção OU esteja pela conjunção E; portanto, as Proposições Disjuntivas
exigem grande atenção.

“E importante considerar condições postas copulativamente ou disjuntivamente


para aquisição de direito. Se muitas condições são postas copulativamente, não
basta cumprir uma ou outra para adquirir direito, deve-se cumprir todas. Se são
postas disjuntivamente basta que se cumpra uma parte disjuntiva” (Corrêa
Telles, op. cit.).

São quatro exemplos de Proposição Claramente Composta Disjuntiva


Alternativa, ou Verdadeira, no Código Civil, entre inúmeros: a) Art. 23.
“Também se declará a ausência, e se nomeará curador, quando o ausente deixar
mandatário que não queira OU não possa exercer OU continuar o mandato, OU
se os seus poderes forem insuficientes”. Observe que OU não pode ser
substituído por E em nenhum dos três casos.

b) Art. 36. “Se o ausente aparecer, OU se lhe provar a existência, depois de


estabelecida a posse provisória, cessarão para logo as vantagens dos
sucessores...”. Observe que não se poderia substituir OU por E, porque são duas
atitudes diversas, ou seja, existe uma alternância, ou o ausente aparece, ou se lhe
prova a existência, caracterizando a Proposição Disjuntiva Verdadeira.

c) Art. 1.273. “Se a confusão, (ou) comissão OU adjunção se operou de má-fé,


à outra parte caberá escolher entre...”. Há uma Proposição Disjuntiva
Verdadeira, porque confusão, comissão e adjunção são três conceitos diferentes.
Graficamente indicou-se pela vírgula antes de OU

d) Art. 1.699. “Se, fixados os alimentos, sobrevier mudança na situação


financeira de quem os supre, OU na de quem os recebe, poderá o interessado
reclamar ao juiz...”.. Está demonstrada a Proposição Disjuntiva Verdadeira pela
conversão em uma proposição condicional. Desse modo, se a proposição
condicional é verdadeira Proposição Disjuntiva também será verdadeira.
Convertendo o artigo temos: se houver mudança na situação financeira de quem
supre, haverá mudança na situação financeira de quem recebe - o que é absurdo;
logo, a Proposição Disjuntiva está unida pela conjunção OU. Pelo
exposto, conclui-se que as hipóteses previstas no art. 1.699 do Código Civil
são alternativas e não concomitantes.

Na lei, “ou” pode ter valor de “e”. Ensina Black que “the word ‘and’ in a statute
may be read ‘or’ and vice versa, whenever the change is necessary to give
harmony to its different parts; or to carry out the evident intention of the
legislature” (op. cit.).

Tradução livre: “A palavra ‘e’ na lei pode ser lida ‘ou’ e vice--versa, sempre que
a mudança é necessária para dar à lei sentido e efeito ou para harmonizar suas
diferentes partes”. E o caso do art. 1.699 do Código Civil. Segundo tratadistas,
as condições “se para tal não tiver meios” e “ser de reconhecida idoneidade” são
concomitantes e não alternativas, isto é, o tutor deve ter ambas as condições (C.
Santos, op. cit.).

Veja, no Código Civil, os arts. 656,966,1.022,1.071,1.199,1.205,


1,1.249,1.253,1.399,1541, § 3a, 1.981, entre inúmeros outros.

São três exemplos de Proposição Claramente Composta Disjuntiva de


Substitução, também denominada Falsa, no Código Civil, entre inúmeros: d) Art.
420. “Se no contrato for estipulado o direito de arrependimento para qualquer
das partes, as arras OU sinal terão função unicamente indenizatória...”. Sinal ou
arras têm a mesma conotação, são sinônimos, no texto, pelo que está
caracterizada a Proposição Disjuntiva Falsa. Ainda, veja que se estabeleceu uma
equivalência, não uma alternância.

b) Art. 1.205.“A posse pode ser adquirida: I - pela própria pessoa que a pretende
OU por seu representante...”. Nota-se que o termo procurador equivale a
representante, é apenas sinônimo no texto. É uma Proposição Disjuntiva Falsa.

c) Art. 1.394. “O usufrutuário tem direito à posse, uso, administração e


percepção dos frutos”. Constata-se que nas leis, os termos têm conotação
própria, por isso é comum as proposições disjuntivas virem sem repetição do
artigo ou do pronome. Assim, também são Proposições Disjuntivas Falsas, os
três artigos a seguir: O proprietário, ou (o) inquilino (CC, art. 1.277); o
funcionário público ou (o) particular (CC, art. 1.252); a incapacidade absoluta,
ou (a) relativa (CC, arts. 3Q e 4a) et passim.

Veja no Código Civil os arts. 30,33,58,220,411,413,417,1.060,


1.197,1.198,1.273,1.277,1.708,1.717, entre inúmeros outros.

Veja no Código de Processo Civil os arts. 3a, 4a, I e II, 5a, 8a, 9a, 10, 11, 16, 572,
585, IV, 616, 647, III, 871, 873, 1.177, 1188, 1.195, entre inúmeros outros.

Observa-se que o art. 485 do Código Civil de 1916 continha exemplo de


Proposição Disjuntiva Falsa, a saber:“Considera-se possuidor todo aquele que
tem de fato o exercício, pleno, ou não, de algum dos poderes inerentes ao
domínio, ou propriedade”. Entretanto, o Código Civil de 2002, na alteração feita
no art. 1.196, suprimiu a alternativa, pelo que não mais se verifica a
Proposição Disjuntiva Falsa, assim: “Considera-se possuidor todo aquele que
tem de fato o exercício, pleno ou não, de algum dos poderes inerentes
à propriedade”.

Uma regra lógica para verificar-se a validade da Proposição Disjuntiva é


convertê-la numa Proposição Condicional; se a Proposição Condicional é
verdadeira a Proposição Disjuntiva é verdadeira, se a Proposição Condicional é
falsa a Proposição Disjuntiva é falsa. Observe também que uma disjunção não é
completa se não der ensejo a quatro proposições verdadeiras, e a única forma de
verificar a sua validade é analisar as quatro formas.

Veja o exemplo: A testemunha mentiu ou o réu é culpado.

Desdobrando em quatro proposições verdadeiras:

Ia Se a testemunha mentiu, o réu não é culpado.

2a Se a testemunha não mentiu, o réu é culpado.

3a Se o réu é culpado, a testemunha não mentiu.

4a Se o réu não é culpado, a testemunha mentiu.

Analisando as proposições, temos que a primeira e a terceira não são


sustentáveis, pois o réu pode ser culpado, apesar de a testemunha ter mentido ou
não ter mentido. A segunda e quarta proposições são corretas.

DIVISÃO DAS PROPOSIÇÕES OCULTAMENTE


COMPOSTAS OU EXPONÍVEIS

Exponível tem o sentido de desdobrável; assim, para ser devidamente explicada


e entendida, a proposição deve ser desdobrada em duas ou mais proposições. As
proposições exponíveis são verdadeiras se todas as proposições desdobradas o
forem; bastando uma só proposição não ser verdadeira, para que a proposição
exponível seja falsa.

A proposição exponível se caracteriza por trazer oculta uma ou mais


proposições, indicadas por: SÓ, EXCETO, ENQUANTO, COMO ou
equivalentes.

As proposições que explicam denominam-se exponentes. Todos os autores,


principalmente H. Geene, advertem: “A doutrina a respeito das Proposições
Exponíveis é útil para o bom entendimento dos textos, mormente os legais” (op.
cit.).

Constitui método de interpretação, resolver a proposição exponível em suas


Constitui método de interpretação, resolver a proposição exponível em suas
componentes, para clareza do inciso legal ou textos de doutrina, acórdãos e
arestos.

1.Proposição Ocultamente Composta Exclusiva-Exprime-se por SÓ,


SOMENTE, TÃO SOMENTE que indicam ideia de exclusão. São quatro
exemplos: a) Só o homem é um animal racional.

Resolve-se em duas: I — O homem é um animal racional.

II - Os demais animais não são racionais.

b) Somente a pedra não vive.

Resolve-se em duas: I — A pedra não vive.

II — O animal e o vegetal vivem.

c) “Só aquele que pode alienar poderá empenhar, hipotecar ou dar em


anticrese” (CC, art. 1.420, caput).

Resolve-se em duas: I — Aquele que pode alienar poderá hipotecar, dar em


anticrese ou empenhar.

II — Os que não podem alienar não podem hipotecar, dar em anticrese ou


empenhar.

d) “Só quanto a direitos patrimoniais de caráter privado se permite a


transação” (CC, art. 841).

Resolve-se em duas: I — Quanto a direitos patrimoniais de caráter privado se


permite a transação.

II - Aos demais direitos não se admite a transação. Verifica-se que se o termo


direitos patrimoniais não estivesse restrito pela expressão de caráter privado, a
proposição exponível representada pelo art. 841 do Código Civil não seria
verdadeira, pois teríamos incluído direitos patrimoniais de caráter público, que
também não admitem, em regra, transação.

Veja no Código Civil os arts. 140,307,450 e seus parágrafos, 1.203, 1.431,


parágrafo único, 1.597 e seus parágrafos, 1.599, entre outros.
Veja no Código de Processo Civil os arts. 10, 41, 48, 127, 797, entre outros.

2. Proposição Ocultamente Composta Excetiva - As proposições ex-primem-se


pelas expressões: EXCETO, SALVO, SALVANTE, RESSALVADO, e
equivalentes. E de sua natureza fazer uma exceção. São dois exemplos: a) Art.
631. “Salvo disposição em contrário, a restituição da coisa deve dar-se no lugar
em que tiver de ser guardada...”.

b) Todo metal, exceto (salvo) o mercúrio, é sólido.

Desdobra-se em duas: I - Todos os metais são sólidos.

II — O mercúrio não é sólido.

Nas leis a exceção é quase sempre representada pelas expressões: salvo


disposição em contrário; salvo o caso do artigo tal; salvo cláusula expressa;
exceto e outras.

São alguns exemplos do Código Civil:

d) Art. 318. exetuados os casos previstos na legislação especial”.

b) Art. 561.“... exceto se aquele houver perdoado...”..

c) Art. 633.“... salvo se tiver o direito de retenção...”.

d) Art. 638.“... exceto se noutro depósito se fundar”.

e) Art. 1.031.“... salvo disposição contratual em contrário...”.

f Art. 1.050.“... salvo disposição do contrato...”.

g) Art. 1056.“... salvo para efeito de transferência...”.

Veja no Código Civil os arts. 134,172, 207, 287, 296, 300, 311,
402,450,1.101,1.201, parágrafo único, 1.392,1.647, entre inúmeros outros.

Veja no Código de Processo Civil os arts. 19,184,268,336,405, § 2a, 552, § 3fl,


656,667,690, § ltt, 704,1.099, entre inúmeros outros.
3. Proposição Ocultamente Composta Comparativa - Exprime-se pelas
expressões: COMO, TAL, QUAL, TAL QUAL, e não oferecem dificuldade de
identificação. São três exemplos do Código Civil: a) Art. 28. “...mas logo que
passe em julgado, proceder-se-á à abertura do testamento, se houver, e ao
inventário e partilha dos bens, como se o ausente fosse falecido”.

b) Art 880. “Fica isento de restituir pagamento indevido aquele que,


recebendo-o como parte de dívida verdadeira, inutilizou o título...”.

c) Art.888. “A omissão de qualquer requisito legal, que tire ao escrito a sua


validade como título de crédito...”.

Veja no Código Civil os arts. 456, 875,1.192,1.561, entre inúmeros outros.

4. Proposição Ocultamente Composta Reduplicativa - Exprime-se pelas


expressões: ENQUANTO, COMO, COMO TAL e equivalentes. Nesta
proposição, antes que o sujeito receba o predicado recebe uma determinação
particular que restringe a extensão de seu próprio conceito, como, por exemplo,
uma proposição exponível em que se chama a atenção para uma especificação,
ou particularidade do sujeito. São quatro exemplos: a) O Papa enquanto (ou
como) doutor da Igreja é infalível. Resolve-se em: I — O papa é infalível como
doutor da Igreja.

II - O papa não é infalível considerado como homem comum.

b) Não é como amigo, mas como advogado que defendo o réu. Resolve-se em:
I — Defendo o réu como advogado.

II - Não o defendo como amigo.

c) O criminoso enquanto pessoa humana merece respeito. Observa-se que a


Proposição Reduplicativa empresta à frase quase um argumento. Verifica-se que
o sujeito criminoso recebe uma determinação especial enquanto pessoa humana,
antes de receber o predicado merece respeito.

d) A posse enquanto justa ou de boa-fé deve ser mantida. Sempre que se quer
tomar o sujeito de uma proposição de forma especial ocorre o emprego da
proposição reduplicativa; o que também na linguagem forense é, muitas vezes,
necessário. Entende-se na expressão — enquanto justa ou de boa-fé — a posse
sem vícios ou na ignorância dos vícios ou obstáculos impeditivos.
Resolve-se em: I - A posse justa ou de boa-fé deve ser mantida.

II — A posse não justa ou de má-fé não deve ser mantida.

AS PROPOSIÇÕES MODAIS

Nérici esclarece que “proposições modais são as que não realizam somente
atribuições ao sujeito, mas que também expressam o modo como as atribuições
lhes convém” (op. cit.).

Nas proposições modais, consideram-se duas qualidades e duas quantidades:

1. A qualidade se refere a: positivo e negativo.

2. A quantidade se refere a: universal e particular.

QUADRADO EXPLICATIVO

É IMPOSSÍVEL QUE O RÉU SEJA CONDENADO

É NECESSÁRIO QUE O RÉU SEJA CONDENADO

contrárias

//

1
1
5

5 2
subcontrárias

É POSSÍVEL QUE O RÉU SEJA CONDENADO

É POSSÍVEL QUE O RÉU NÃO SEJA CONDENADO

Em uma Proposição Modal há de se considerar a qualidade do que se diz e o


modo como se diz: — chama-se dictum (dito — verbo dizer) o que se diz,
numa forma afirmativa ou negativa; — chama-se modo a maneira por que se
diz também sob uma forma negativa ou afirmativa.

Há também duas quantidades:

— universal (necessário).

— particular (possível).

Exemplo 1: E possível que o réu não seja condenado. modo: E possível

dictum: que o réu não seja condenado.

O modo é afirmativo: E possível O dictum é negativo: que o réu não seja


condenado.

Exemplo 2: E impossível que o réu seja condenado. modo: E impossível dictum:


que o réu seja condenado.

O modo é negativo: É impossível

O dictum é positivo: que o réu seja condenado.

Daqui surge a necessidade de saber se a proposição é afirmativa ou negativa no


seu todo, considerando o modo e o dictum. Já vimos o conceito de necessário,
impossível e possível. E certo que impossível equivale a não possível, por isso é
um modo negativo.

Podem-se estabelecer as duas regras:

1. Quando o modo e dictum são afirmativos, ou ambos negativos, a proposição


é afirmativa no todo; 2. Quando o modo é afirmativo e o dictum é negativo, ou
vice--versa, a proposição é negativa no seu todo.
O quadro abaixo, em que usamos “Af”. como Afirmativo e “N”. como negativo,
demonstra a regra:

MODO DICTUM

Af. Af.

É necessário que seja - proposição afirmativa

Af. N.

É necessário que não seja - proposição negativa

Af. Af.

É possível que seja - proposição afirmativa

Af. N.

É possível que não seja - proposição negativa

N. Af.

É impossível que seja - proposição negativa

N. N.
É impossível que não seja - proposição afirmativa

É possível valer-se da Lógica Simbólica e representar matematicamente com o


sinal + (mais) para afirmativa e — (menos) para a negativa, da seguinte forma,
perfeitamente igual ao quadro a seguir:

MODO DICTUM PROPOSIÇÃO

+ + = +

+ - = -

+ + = +

- + = -

- - = +

Podem ser feitas outras combinações; basta verificar a linguagem comum e a


linguagem forense em que as combinações oferecem maneiras de expressão
convenientes ao fim a que se destina o discurso. Para formar combinações é
suficiente conhecer a equivalência de impossível a necessário. Observe: E
impossível que não seja condenado.

Não é possível que não seja condenado.

E necessário que não seja condenado.

Não é possível que seja condenado.

Não é impossível que seja condenado.


Não é impossível que seja condenado.

Não é necessário que não seja condenado.

Não é necessário que seja condenado.

Não é impossível que não seja condenado.

E necessário que seja condenado.

E impossível que seja condenado.

E possível que seja condenado.

E possível que não seja condenado.

Em Direito, os conceitos de necessário e possível são importantes, pelo que vale


reler a Lei das Oposições no capítulo anterior. Muitas vezes, o necessário se
apresenta com o termo essencial, como, por exemplo: “São requisitos essenciais
do testamento público...” (CC, art. 1.864). O possível aparece com o termo pode.

Para mostrar a importância do conhecimento de tais termos, esta passagem de


acórdão referente ao art. 405, § 4tt, do Código de Processo Civil: “Sendo
estritamente necessário, o juiz ouvirá testemunhas impedidas ou suspeitas; mas
os seus depoimentos serão prestados independentemente de compromisso e o
juiz lhes atribuirá o valor que possam merecer”. “O juiz ouvirá e não: poderá
ouvir. Não parece lógico e nem razoável que o estritamente necessário fique na
dependência do juiz. A parte que alegou e é ela que deve saber se o depoimento
é ou não é estritamente necessário” (Ac. TJMG, Jurandyr Nilsson, v. 2, p. 492).

AS CONDIÇÕES: NECESSÁRIAS, IMPOSSÍVEIS E


POSSÍVEIS

Os conceitos de necessário, impossível e possível (ou contingente) aplicam-se às


Condições.

De acordo com o Código Civil, art. 121:“Considera-se condição a cláusula que,


derivando exclusivamente da vontade das partes, subordina o efeito do negócio
jurídico a evento futuro e incerto”.

Em face dos conceitos, temos de classificar as condições em:


Ia Condição Necessária.

2a Condição Impossível.

3a Condição Possível ou Contingente.

1~ Condição Necessária — é a condição que se refere a acontecimento futuro e


certo. Exemplo: Paulus receberá o prêmio, se o Sol nascer no dia do
recebimento. A Condição Necessária não é, realmente, uma condição, porque
não constitui “evento futuro e incerto” (CC, art. 121).

2~ Condição Impossível — é a condição que se refere a acontecimento futuro


que não se realizará. Já vimos que necessário equipara-se a impossível; do
mesmo modo, condição impossível é a que, necessariamente, não se verificará.
Exemplo: Paulus receberá o legado, se contar os astros até três dias após a
abertura da sucessão.

As condições impossíveis e as condições de não fazer coisa impossível não


invalidam o contrato porque o Código Civil as têm por inexistentes.Veja o
exemplo: “Invalidam os negócios jurídicos que lhes são subordinados: I - as
condições física ou juridicamente impossíveis, quando suspensivas; II - as
condições ilícitas ou de fazer coisa ilícita” (CC, art. 123,1 e II).

A impossibilidade pode ser: concreta ou abstrata:

— Impossibilidade Concreta é aquela que é possível em abstrato, todavia


impossível em concreto, isto é, quando aplicada. Exemplo: Paulus receberá o
legado se obtiver anuência do avô do testador. A anuência do avô não é
impossível, porém, no caso, não há avô, pois este já faleceu. A condição é
abstratamente possível e concretamente impossível.

— Impossibilidade Abstrata é aquela que mesmo em abstrato é impossível,


pois contraria leis naturais ou jurídicas. Exemplo: Cassius receberá a dívida se o
Sol não nascer no dia do recebimento.

A condição necessária e a condição impossível não são realmente uma condição,


pois o que sucede necessariamente ou não sucede necessariamente não
constituem um evento futuro e incerto.
33 Condição Possível ou Contingente — é a única que pode ser chamada,
propriamente, condição pois subordinam o efeito do ato jurídico a evento que
pode ou não acontecer; a saber, a uma possibilidade.

SÚMULA

Formação das Proposições Compostas: duas proposições simples unidas pelas


conjunções: E, OU, SE.

Divisão das Proposições Compostas:

1. Proposições claramente compostas:

1.1. Copulativas — E.

1.2. Condicionais - SE.

1.3. Disjuntivas — OU.

Dividem-se em: d) disjuntiva alternativa, ou verdadeira;

b) disjuntiva de substituição, ou falsa.

2. Proposições ocultamente compostas ou exponíveis:

2.1. Exclusivas — Só, somente, tão somente

2.2. Excetivas — Exceto, salvo, salvante, ressalvado e equivalentes

2.3. Comparativas — Como, tal, qual, tal qual.

2.4. Reduplicativas — Enquanto, como, como tal e equivalentes As


Proposições Modais 1. Qualidade: positiva e negativa.

2. Quantidade: universal e particular.

Quadrado explicativo das proposições modais.

As Proposições Modais: Dictum é o que se diz,

Modo é a maneira por que se diz.


O Dictum e O Modo em 2 Regras.

Lógica simbólica: Representação matemática.

Condição: definição (CC, art. 121).

Classificação das Condições:

a) Necessárias: se referem a acontecimento futuro e certo.

b) Impossíveis: se referem a acontecimento futuro que não se realizará. A


impossibilidade concreta ou abstrata.

c) Possíveis ou Contingentes: subordinam o efeito do ato jurídico a uma


possibilidade.

EXERCÍCIOS
Encontre as doze questões certas:

1. As proposições compostas são formadas por duas proposições simples e


unidas pelas conjunções e, ou, só.

2. Nas proposições exponíveis reduplicativas, antes de receber o predicado, o


sujeito recebe uma expressão que amplia a extensão de seu próprio conceito.

3. Chama-se dictum a maneira como se diz numa forma afirmativa ou


negativa, e modo o que se diz, de forma afirmativa ou negativa.

4. Nas proposições modais, consideram-se duas qualidades e duas quantidades;


a qualidade refere-se a positivo e negativo, e a quantidade refere-se a universal e
particular.

5. As proposições que compõem a proposição copulativa se unem pela


conjunção OU.

6. “Só aquele que pode alienar poderá empenhar, hipotecar ou dar em


anticrese...” (CC, art.1.420, caput). E exemplo de proposição exponível
exclusiva porque se exprime por SÓ, e se desdobra em duas proposições.
7. A advogada ou a estagiária podem retirar autos do cartório.Trata--se de uma
proposição claramente composta disjuntiva verdadeira porque representa uma
substituição.

8. Para que a proposição condicional seja falsa, a consequência não deve ser
decorrência da antecedente, como no exemplo: Se todo homem é mortal, três
menos dois é um.

9. Se no contrato for estipulado o direito de arrependimento para qualquer das


partes, as arras ou sinal terão função unicamente indenizatória...” (CC, art.
420).Está exemplificada uma proposição reduplicativa porque amplia a extensão
do sujeito.

10. “Salvo estipulação em contrário, o cedente não responde pela solvência do


devedor” (CC, art. 296) é um exemplo de proposição exponível excetiva.

11. “A dívida considera-se vencida:... II - se o devedor cair em insolvência ou


falir...”. (CC, art. 1.425). Na proposição condicional verdadeira, o essencial é
que o condicionado (ou consequência) seja decorrente da antecedente (ou
condição).

12. No exemplo: é possível que o réu não seja condenado, o modo é afirmativo
e o dictum é negativo.

13. A impossibilidade concreta é aquela que é possível em abstrato, e a


impossibilidade abstrata é impossível em abstrato.

14. As proposições exponíveis ou ocultamente compostas trazem ocultas uma


ou mais proposições que são indicadas por: só, exceto, enquanto, como, e
equivalentes.

15. A condição necessária é aquela que se refere a acontecimento futuro e


certo.

16. Para que a proposição copulativa seja falsa, basta que uma só
das proposições de sua formação seja falsa, como no exemplo: o Sol é uma
estrela e a Lua um planeta.

17. O que sucede necessariamente ou não sucede necessariamente, não


constitui evento futuro e certo, ou seja, não é condição.
18. Tem grande importância, em Direito, o conceito de necessário, o qual
poderá se apresentar também como essencial, como no exemplo: “São requisitos
essenciais do testamento público...” (CC, art. 1.864).

19. “A omissão de qualquer requisito legal, que tire ao escrito a sua validade
como título de crédito...” (CC, art. 888) é exemplo de proposição exponível
comparativa porque se exprime por como.

20. “A dívida considera-se vencida: ...II - se o devedor cair em insolvência ou


falir...” (CC, art. 1.425). Na proposição condicional, o condicionado pode estar
ou não relacionado com a condição.

Capítulo XII

O Raciocínio - O Argumento -Operações do Pensamento -Raciocínio Indutivo e


Raciocínio Dedutivo

O RACIOCÍNIO

No entender de A.Cuvillier, a Intuição previne e prepara o Raciocínio; apercebe,


advinha, mas só o Raciocínio demonstra.Assim, pela Intuição acha-se e pelo
Raciocínio prova-se (op. cit.).

As proposições categóricas - ou simples - e as proposições hipotéticas — ou


compostas — representam uma afirmação ou uma negação; todavia, isoladas,
não constituem um raciocínio.

Quando a inteligência invoca uma afirmação mais generalizada, como prova de


uma proposição afirmativa ou negativa, é possível exprimir esse raciocínio sob
uma forma especial, que permite dar-lhe maior consistência. E, a consistência é
dada, porque essa forma especial traz explícitos, todos os elementos do
raciocínio. São dois exemplos: Primeiro Exemplo: Seja a proposição:

1. O gato é um mamífero. Para dar maior consistência a essa proposição


procuro uma proposição mais geral: 2. Todo quadrúpede é mamífero. A
afirmativa universal (A) — encerra a afirmativa particular em relação à
universal; 3.0 gato é um mamífero, e garante a verdade desta última.

Inversamente, poderia partir da proposição geral:


1. Todos os quadrúpedes são mamíferos é a proposição universal afirmativa; 2.
Verificar numa proposição intermediária que — O gato é quadrúpede;

3. Para concluir necessariamente que — O gato é mamífero.

Muitas vezes, a proposição intermediária ou a proposição geral podem ser


omitidas sem prejuízo do raciocínio.

Segundo Exemplo: O réu é mentiroso, portanto, não se pode dar fé à sua palavra.

Esse raciocínio completo teria três proposições:

Ia A geral - Não se deve dar fé aos mentirosos.

2a A intermediária — O réu é mentiroso.

3a A conclusão — Não se deve dar fé ao réu.

Já vimos duas operações do espírito e sua representação ou sinal: o termo e a


proposição, veremos a seguir a terceira operação do espírito, que é o Raciocínio.

O RACIOCÍNIO E O DISCURSO: DEFINIÇÕES

Para I. M. Copi, Raciocínio “é a operação da inteligência pela qual de dois juízos


conhecidos conclui-se por um juízo que decorre logicamente dos dois primeiros.
Assim, a partir do conhecido, surge um conhecimento novo” (op. cit).

Para J. Maritain, Raciocínio “é o ato pelo qual o espírito, por meio do que já
conhece, adquire um conhecimento novo” (op. cit.).

Para L. Liard, Raciocinar “é inferir: inferir é tirar uma proposição de uma ou de


muitas proposições nas quais está implicitamente contida” (op. cit.).

Discurso representa as várias formas de expressão e exteriorização do


pensamento; é o que se exprime por meio do Raciocínio. Pode-se dizer que
raciocinar é passar do conhecido para o desconhecido.

A INTELIGÊNCIA E A RAZÃO: DEFINIÇÕES


Para acentuar a importância do raciocínio em qualquer ramo do saber e, de
maneira especial, no Direito, devemos dividir o pensamento, em seu
funcionamento, em: — INTELIGÊNCIA — quando vemos ou aprendemos por
meio de uma ideia ou por meio de um juízo, o pensamento encontra-se
em estado de repouso.

- RAZÃO - quando o espírito, mediante juízos conhecidos, procura com


esforço mental um juízo desconhecido.

Assim como a ideia e o juízo, o raciocínio é uma operação mental, que só pode
ser comunicada por uma expressão verbal. O argumento é a expressão verbal, ou
material do raciocínio.

AS OPERAÇÕES DO PENSAMENTO: J. MARITAIN

obra imaterial ideia juízo raciocínio

obra material (sinal) termo proposição argumento

Para expressar o Raciocínio precisamos de um encadeamento lógico das


proposições, que forma a matéria do argumento. A proposição que resulta do
Raciocínio chama-se consequente ou conclusão; as proposições das quais
resultam a conclusão denominam-se antecedentes. Como exemplo, seja o
raciocínio clássico:

antecedente

Todo homem é mortal. Ora, Rafael é homem.

consequente ou conclusão: Logo, Rafael é mortal.

J. Maritain exemplifica: “Como um prédio precisa de material certo e forma


certa para que subsista, o raciocínio precisa de matéria certa e forma certa, para
ser expressão da verdade. Se utilizamos bons materiais e construímos uma casa
sem os princípios básicos da engenharia, a casa cairá. Assim ocorre com o
raciocínio” (op. cit.). Observe estes dois exemplos: Exemplo 1:

antecedente:

consequente:
Todo cão uiva.

Ora, cão é uma constelação.

Logo, uma constelação uiva.

Há uma boa forma, porém a matéria não é boa. O consequente está


perfeitamente relacionado com o antecedente, porém concluímos um absurdo.

Exemplo 2:

antecedente:

consequente:

O homem é racional. Ora, Lucas é homem.

Logo, Lucas é falível.

Nota-se que o consequente não está relacionado com o antecedente; logo, a


forma não é boa, todavia a conclusão é boa, pois que verdadeira, por acidente
(acaso).

A partir dos exemplos acima, vamos perceber a diferença entre a consequência e


o argumento.

A CONSEQUÊNCIA E O ARGUMENTO

— A Consequência ou forma do argumento é o encadeamento lógico das


proposições que compõem esse argumento e diz respeito à forma do raciocínio
sem preocupar-se com a matéria.

— O Argumento “é a expressão material do raciocínio” (Nérici, op. cit.). O


argumento é constituído das proposições que formam o antecedente e o
consequente do raciocínio. O Argumento é essencialmente uma prova, daqui sua
importância no Direito, e tem em conta ao mesmo tempo a matéria e a forma do
raciocínio. E essencial a distinção entre os dois tipos de Argumento.

O Argumento Lógico, ou seja, matéria e forma boas, pode ser:


1. Argumento Demonstrativo.

2. O Argumento Provável.

1. O Argumento Demonstrativo tem na proposição maior, uma verdade


necessária. São dois exemplos: l2 As estrelas são astros fixos.

O Sol é uma estrela.

O Sol é um astro fixo.

22 “Toda pessoa é capaz de direitos e deveres na ordem civil” (CC, art. I2); ora,
Daniel é pessoa;

logo, Daniel é capaz de direitos e deveres na ordem civil.

Observe que, no primeiro exemplo, a verdade é necessária cientificamente, e no


segundo exemplo, a verdade é necessária legalmente.

2.0 Argumento Provável tem, na proposição maior, uma verdade provável. São
dois exemplos: l2 Todo brasileiro fala português.

Gabriel é brasileiro.

Gabriel fala português.

22 Todo criminoso volta ao local do crime.

X é criminoso.

X voltará ao local do crime.

Note que no primeiro exemplo, há uma verdade provável de brasileiro falar o


idioma nacional, porém, não se trata de verdade necessária, pois haverá
brasileiro que não fale português. No segundo exemplo, a verdade geral é obtida
por inúmeros fatos verificados, todavia, no argumento há apenas probabilidade.

O RACIOCÍNIO DEDUTIVO E O RACIOCÍNIO INDUTIVO

Jolivet ensina que “o raciocínio dedutivo ou dedução é um movimento de


pensamento pelo qual se estabelece a verdade de uma proposição enquanto
pensamento pelo qual se estabelece a verdade de uma proposição enquanto
contida numa verdade universal do qual ela deriva” (op. cit.).

Em outras palavras, raciocínio dedutivo é aquele que passa de verdades gerais


para verdades particulares. Observe: Todas as pessoas são mortais;

ora, Cláudia, Camila e Angélica são pessoas,

logo, Cláudia, Camila e Angélica são mortais.

Assim, de uma verdade universal — Todas as pessoas são mortais - passamos


para verdades particulares — Cláudia, Camila e Angélica são pessoas.

Podemos, também, passar de verdades particulares, para as verdades universais:


é o raciocínio indutivo.

Jolivet ensina que “o raciocínio indutivo ou indução é um movimento do


pensamento pelo qual se passa de uma ou mais verdades singulares a uma
verdade universal, que contém as verdades singulares a título de partes”. E
exemplifica:“O calor dilata o ferro, o cobre, o ouro, o aço etc., concluímos uma
verdade universal: o calor dilata os corpos” (op. cit.).

AS QUATRO REGRAS DO RACIOCÍNIO DEDUTIVO

Primeira Regra: De antecedente verdadeiro, o consequente é necessariamente


verdadeiro.

A regra se funda no princípio de identidade: uma coisa não pode ser e deixar de
ser ao mesmo tempo e sob o mesmo aspecto. Ou, ainda, toda coisa é o que é (A é
A), (veja Cap. IV Os Princípios Lógicos).

Segunda Regra: De antecedente falso, o consequente é falso.

Os lógicos admitem que antecedente falso dê em resultado um consequente


verdadeiro por acidente, ou por acaso. Observe o exemplo: “Todo quadrado tem
três lados.

Todo triângulo é quadrado.

O triângulo tem três lados” (é um acidente).


Terceira Regra: De antecedente necessário só há consequência necessária. São
dois exemplos: Ia exemplo: Todo corpo ocupa lugar no espaço; ora, a pedra é
corpo; logo, ocupa um lugar no espaço.

2a exemplo: “E justa a posse que não for violenta, clandestina ou precária” (CC,
art. 1.200); ora, a posse de Gislaine não é violenta, clandestina ou precária;

logo, a posse de Gislaine é justa.

Quarta Regra: De antecedente possível pode haver consequente possível ou


necessário.

São dois exemplos:

Ia exemplo: Alzira lê (fato possível);

logo, existe (fato possível).

Um fato possível pode depender de uma coisa necessária:

2a exemplo: “O mundo existe (poderia não existir);

logo, Deus existe” (fato necessário).

A POSSIBILIDADE E A NECESSIDADE NO CÓDIGO CIVIL

Nas leis, a Possibilidade é geralmente representada por PODE, como nos dois
exemplos do Código Civil, entre inúmeros: d) Art. 356. “O credor pode
consentir em receber prestação diversa da que lhe é devida.”

b) Art. 1.247. “Se o teor do registro não exprimir a verdade, poderá o interessado
reclamar que se retifique ou anule.”

São alguns exemplos de possibilidade no Código Civil:

a) “...poderão os interessados requerer...” Art. 26.

b) “...pode vincular o representado.” Art. 213, parágrafo único.

c) “...poderá ser dado em garantia...” Art. 895.


d) “...pode ser transferido por endosso...” Art. 923.

e) “...pode provar-se por todos os meios de direito.” Art. 992.

f) “...pode ser oposto a terceiros...”. Art. 1.015, parágrafo único.

g) “O contrato pode prever...” Alt. 1.036.

h) “A posse pode ser adquirida...” Alt. 1.205.

Veja no Código Civil os arts. 23, 220, 237, 244, 329, 976, 993, 1.015, parágrafo
único, 1.018,1.192, parágrafo único, entre inúmeros outros.

Nas leis, a Necessidade é geralmente representada pelo verbo DEVER, seguido


de infinitivo ou futuro, e também a expressão NÃO PODE e outras equivalentes,
como nos dois exemplos do Código de Processo Civil, entre inúmeros: a) “O
juiz, ao decidir qualquer incidente ou recurso, condenará nas despesas o
vencido” (Art. 20, § Ia).

b) “As partes devem trataras testemunhas com urbanidade,não lhes fazendo


perguntas ou considerações impertinentes, capciosas ou vexatórias” (Art. 416, §
l2).

São alguns exemplos de necessidade no Código de Processo Civil:

a) Art. 10.“O cônjuge somente necessitará do consentimento...”

b) Art. 227. “...o oficial de justiça... deverá intimar ...”

c) Art. 228. § 2a “...o oficial de justiça deixará a contrafé..."

d) Art. 245. “A nulidade dos atos deve ser alegada na primeira oportunidade...”

e) Art. 277.“O juiz designará a audiência de conciliação...”

f) Art. 330.“O juiz conhecerá diretamente do pedido...”

g) Art. 460, parágrafo único. “A sentença deve ser certa, ainda quando...”

h) Art. 1.014. “Os bens que devem ser conferidos na partilha...”


Veja no Código de Processo Civil os arts. 229,244,245, parágrafo único, 250,
383, parágrafo único, 386,1.013, § l2 e 2e, entre inúmeros outros.

SÚMULA

Raciocínio e o Discurso: definições.

Antecedente é a proposição da qual resulta a conclusão.

Consequente é a proposição que resulta do raciocínio.

A Inteligência e a Razão: definições e exemplos.

A Inteligência: o pensamento em estado de repouso.

A Razão: o pensamento procura um juízo desconhecido.

As três operações do pensamento:

a) na obra imaterial: ideia, juízo, raciocínio.

b) na obra material: termo, proposição, argumento.

A Consequência: diz respeito à forma do raciocínio sem se preocupar com a


matéria.

O Argumento: “é a expressão material do raciocínio”.

1. O argumento demonstrativo: tem na proposição maior, uma verdade


necessária.

2. O argumento provável: tem na proposição maior, uma verdade provável.

O Raciocínio Indutivo: passar de verdades particulares, para as verdades


universais.

O Raciocínio Dedutivo: passar de verdades gerais para verdades particulares.

As 4 regras do Raciocínio Dedutivo. Exemplos.

Possibilidade e Necessidade: definição e exemplos do Código Civil e do Código


de Processo Civil.
de Processo Civil.
EXERCÍCIOS
Indique as alternativas Verdadeiras e as Falsas: 1. ( ) Nas leis, a necessidade é
geralmente representada pelo verbo dever seguido de: infinitivo, futuro, não
pode e outras expressões equivalentes.

2. ( ) E regra do Raciocínio Dedutivo que de antecedente falso, o consequente


pode ou não ser falso, depende unicamente da proposição intermediária.

3. ( ) Cada proposição hipotética, seja afirmativa ou negativa, re presenta um


raciocínio.

4. ( ) Todo corpo ocupa lugar no espaço; ora, a pedra é corpo;

logo, ocupa um lugar no espaço.

Está de acordo com a regra do raciocínio dedutivo que diz: de antecedente


necessário, só há consequência necessária.

5. ( ) Argumento demonstrativo é o que tem, na proposição maior, uma


verdade necessária, como no art. Ia do CC: “Toda pessoa é capaz de direitos e
deveres na ordem civil”. Jônas é uma pessoa; logo, Jônas é capaz de direitos e
deveres na ordem civil.

6. ( ) Na proposição abaixo, a omissão da proposição geral ou da proposição


intermediária, não traz prejuízo ao raciocínio: Todos os quadrúpedes são
mamíferos; ora, o gato é quadrúpede; então o gato é mamífero.

7. ( ) O raciocínio, o termo e o argumento são operações mentais que somente


podem ser comunicadas por uma expressão verbal.

8. ( ) Inteligência é ver e apreender por meio de um juízo ou de uma ideia, com


esforço mental, e partindo de juízos conhecidos para chegar a um juízo
desconhecido.

9. ( ) A consequência diz respeito à forma do raciocínio e o argu mento


considera a forma e a matéria.
10. ( ) As proposições categóricas e as proposições hipotéticas repre sentam
uma afirmação ou uma negação, porém quando isoladas não constituem um
raciocínio.

11. ( ) Todo cão uiva.

Ora, cão é uma constelação.

Logo, uma constelação uiva.

O consequente está perfeitamente relacionado com o antecedente, porém a


conclusão é um absurdo porque o raciocínio precisa de matéria e forma certas
para expressar a verdade.

12. ( ) E regra do raciocínio dedutivo: de antecedente possível pode haver


consequente possível ou necessário, como no exemplo: Ana Beatriz lê; (fato
possível); logo, existe, (fato possível).

13. ( ) De um antecedente falso pode resultar um consequente ver dadeiro por


acidente, como no exemplo a seguir: Todo quadrado tem três lados.

Todo triângulo é quadrado.

O triângulo tem três lados.

14. ( ) “O réu poderá oferecer, no prazo de quinze dias, em petição escrita,


dirigida ao juiz da causa...” (CPC, art. 297) trata-se de um exemplo de
necessidade.

15. ( ) Ao passar de verdades particulares à verdade universal es tará feito um


raciocínio indutivo.

Capítulo XIII
Silogismo: Definição, Composição,
Princípios, Regras e Crítica
DEFINIÇÃO DO SILOGISMO

Silogismo significa ligação, união. “Silogismo é um argumento pelo qual, de um


antecedente, que une dois termos a um terceiro termo, tira-se um consequente
que une estes dois termos entre si” (R. Jolivet, op. cit.).

Parece-nos mais simples a definição de Aristóteles: “O silogismo é uma série de


palavras (discurso) em que, sendo admitidas certas coisas, delas resultará,
necessariamente, alguma outra (coisa) pela simples razão de se terem admitido
aquelas (certas coisas)”. As palavras entre parêntesis visam elucidar a definição.

Para Nérici, “um Silogismo é um argumento em que uma conclusão é inferida de


duas premissas” (op. cit.). Inferir é tirar uma proposição como conclusão de uma
outra proposição, ou de várias outras proposições que a antecedem e são sua
explicação ou sua causa.

Pode-se também definir Silogismo como uma forma de raciocínio dedutivo.

Na sua forma padronizada, o Silogismo é constituído por três proposições: - as


duas primeiras proposições são chamadas Premissas; - a terceira proposição
chama-se Conclusão.

J. Maritain explica que a finalidade do Silogismo “é ordenar o pensamento


segundo a conexão dos termos universais entre si”. E continua: “no Silogismo,
de um antecedente que une dois termos (T e t) a um terceiro termo (M), se infere
um consequente que une esses dois termos entre si” (op. cit.).

Para Jolivet, o antecedente, como indica a palavra, é aquilo de que se parte, ou,
em outras palavras, aquilo que já foi adquirido. Compõe--se, necessariamente, de
duas proposições: premissa maior e premissa menor, pois o ponto de partida de
argumentação consiste na relação conhecida de dois termos -T e t - a um terceiro
termo - M. Consequente, ou conclusão, é o que resulta necessariamente desta
dupla relação (op. cit.).
COMPOSIÇÃO DO SILOGISMO

Pela definição, o silogismo regular contém três proposições: As duas primeiras


proposições, que formam o antecedente, cha-mam-se: — Premissa maior (PM)
aquela que contém o Termo Maior (T) e o Termo Médio (M).

— Premissa menor (Pm) aquela que contém o Termo Menor (t) e o


Termo Médio (M).

A terceira proposição chama-se:

— Conclusão (C) aquela que une o Termo Menor (t) com o Termo Maior (T).

Cada proposição tem dois termos:

Sujeito.

Predicado.

Os Termos chamam-se:

O Termo Maior, representado porT, que tem a maior extensão; OTermo Menor,
representado por t, que tem a menor extensão; O Termo Médio, representado por
M, que tem extensão intermediária entre o Termo Maior (T) e o Termo Menor
(t); De modo simplificado, podemos afirmar que o silogismo é composto de:
Três termos que são:T, M, t.

Três proposições que são: PM, Pm, C. Seja o silogismo clássico: M T

PM

PM Todo homem é mortal, (antecedente)

t M

Pm

Paulo é homem, (antecedente)

t T
t T

Paulo é mortal (consequente)

Verificamos que:

T - O termo maior tem maior extensão, pois há mais mortais que homem. Os
animais são mortais.

M — O termo médio tem maior extensão que Paulo e menor extensão que
mortal.

t - O termo menor tem menor extensão que os dois primeiros. Desse modo, é
certo que: A premissa maior (PM) contém o termo médio (M) e o termo maior
(T).

A premissa menor (Pm) contém o termo menor (t), e o termo médio (M), comum
às duas premissas.

A conclusão (C) contém o termo menor (t) e o termo maior (T). Simbolizando,
temos: PM contém M e T.

Pm contém M e t.

C contém t e T.

Observe os dois exemplos:

í~ exemplo: vamos procurar estabelecer uma ligação ou relação entre os termos


gato e vivente, por meio de um termo comum a ambos; encontramos o termo
animal e vamos por em evidência essa relação: Gato é animal.

Vivente é animal.

Gato é vivente.

Dos três termos é fácil verificar que por ordem de extensão estão em ordem
decrescente vivente (T), animal (M) e gato (t).

Simbolizando os termos por letras:Y (gato), Z (animal), X (vivente):


YéZ Gato é animal.

XéZ Vivente é animal.

YéX Gato é vivente.

Assim, na forma de proposições afirmativas, temos: Todo gato é animal.

Ora, vivente é animal.

Logo, gato é vivente.

2S exemplo: Na forma de proposições negativas, temos: Nenhum planeta tem luz


própria.

Ora, a Terra é um planeta.

Logo, a Terra não tem luz própria.

Colocando os termos na ordem decrescente de extensão, temos: tem luz própria


(T), planeta (M) e Terra (t).

Simbolizando (t) por X; (M) porY e (T) por Z, teremos: Y não é Z Planeta não
tem luz própria.

X éY Terra é planeta.

X não é Z Terra não tem luz própria.

Já mostramos que a Lógica Simbólica é incompatível com o Direito, que é


discursivo; no entanto, a Logística é um exercício para a inteligência.

Em síntese, simbolizando, como fizemos:

t = X M = Y T = Z, teremos:
Todo Y = Z Todo X = Y Todo X = Z ou,

Nenhum Y é Z Todo X éY Nenhum X é Z

OS PRINCÍPIOS DO SILOGISMO

Entre os Princípios Lógicos que já foram enunciados no capítulo IV, vamos


destacar apenas os três que apresentam maior interesse para este capítulo: ltt
Princípio da Tríplice Identidade.

— Duas coisas iguais a uma mesma terceira são iguais entre si.

— Duas coisas das quais uma (coisa) é igual a uma terceira, e a outra (coisa)
não é igual a essa terceira (coisa), não são iguais entre si.

2° Princípio “Dictum de omni”.

-Tudo que se afirma do todo afirma-se de todas as partes desse todo.

3~ Princípio “Dictum de nulo”.

-Tudo que se nega do todo nega-se de todas as partes desse todo.

OITO REGRAS DO SILOGISMO

As regras do Silogismo são consequência do estudo de seus elementos, e dos


princípios que dominam o raciocínio.

Primeira Regra: Terminus esto triplex major medius que minorque.

Tradução: “O silogismo terá três termos: o Termo Maior (T), o Termo Médio
(M) e o Termo Menor (t)”. Observa-se que esta regra é consequência da própria
definição do silogismo.

Segunda Regra: Latius hunc (terminum) quam premissae conclusio non vult.

Tradução: “Nenhum termo deve ter maior extensão na Conclusão do que a


extensão que tem nas premissas”.
Se o termo que aparece na conclusão tiver extensão maior na Conclusão, do que
tem nas premissas, o silogismo será incorreto, como no exemplo abaixo.
Observe que o termo pais é maior na Conclusão (todos os pais) do que nas
premissas (alguns pais): Todos os culpados merecem punição;

Ora, alguns pais são culpados;

Logo, todos os pais merecem punição.

Terceira Regra: Nequaquam médium capiat conclusio fas est (ou conclusio
oportet).

Tradução: “A conclusão jamais deve conter o termo médio”.

O Termo Médio (M) tem seu papel nas premissas. Representa o termo que serve
de comparação para o Termo Maior (T) e o Termo Menor (t). Exemplificando:
Toda planta é viva.

Ora, todo animal é vivo.

Logo, todo ser vivo é planta ou animal.

Observe que não há conclusão lógica porque o Termo Médio (M) vivo entrou na
Conclusão.

Quarta Regra:Aut semel aut iterum medius generaliter esto.

Tradução: “O termo médio (M) deve ser tomado ao menos uma vez em toda a
sua extensão”.

E certo que o silogismo mostra termos que se contêm uns nos outros. Se na
Premissa Maior (PM) ou na Premissa Menor (Pm) considerarmos apenas parte
do Termo Médio (M),não podemos concluir de forma afirmativa ou negativa.

Exemplificando:

Alguns homens são santos.

Ora, os criminosos são homens.

Logo, os criminosos são santos.


O termo homens é particular na Premissa Maior (alguns) e também na Premissa
Menor, porque o termo homens se refere a homens criminosos; logo, não há
conclusão, ou esta é absurda. Pensar o absurdo não é pensar.Veja outro exemplo:
Os mineiros são brasileiros.

Ora, os gaúchos são brasileiros.

Logo,? (não há conclusão ou esta é absurda).

Quinta Regra: Utraquae si praemissa neget nil inde sequetur.

Tradução: “Se as duas premissas forem negativas nada se pode concluir”.

E o princípio ex nihil, nihil, ou seja, de nada, não se pode tirar nada. Se os dois
termos não têm nenhuma relação de conveniência com um terceiro termo, não há
possibilidade de se concluir que convenham entre si. Não existe um Termo
Médio. Exemplificando: Paula não é tão alta como Henrique.

Ora, Henrique não é tão alto como Jade.

Logo, Paula não é tão alta como Jade.

Liard mostra que certos silogismos que se referem a noções de quantidade, não
seguem a quinta regra e exemplifica: “lc As torres da Catedral de Notre Dame
não são tão altas como as de Estrasburgo.

Ora, as torres da Catedral de Estrasburgo não são tão altas como as pirâmides do
Egito.

Logo, as torres de Notre Dame não são tão altas como as pirâmides do Egito”.

Outro exemplo no mesmo sentido:

O teatro A não é tão confortável como o teatro B; Ora, o Teatro B não é


confortável como o teatro C; Logo, o teatro A não é tão confortável como o
teatro C.

Sexta Regra:Ambae affirmantes nequeuntgenerare negantem.

Tradução: “Duas premissas (ambae) afirmativas não podem gerar (produzir)


uma conclusão negativa”.
uma conclusão negativa”.

No caso, o Termo Menor (t) está incluso no Termo Médio (M), e o Termo
Médio (M) está incluso no Termo Maior (T); logo, não se pode admitir que o
Termo Menor (t) não esteja incluído no Termo Maior T.

Exemplificando:

Tudo o que ofende os bons princípios deve ser evitado.

Ora, toda mentira ofende os bons princípios.

Logo, alguma mentira não deve ser evitada.

A conclusão mesmo particular está errada, além de contrariar a regra referente ao


princípio de extensão: o todo abrange todas as partes.

Sétima Regra: Pejorem semper sequitur conclusio partem.

Tradução: “A conclusão segue sempre a PIOR”.

Chama-se PIOR às premissas particulares e às premissas negativas. Observe que


a conclusão sempre segue a premissa PIOR, isto é, se uma das premissas for
particular, a Conclusão é particular, se uma das premissas for negativa, a
Conclusão é negativa.

Exemplificando:

“Tudo o que fere a caridade deve ser evitado.

Ora, alguma severidade fere a caridade.

Logo, toda severidade deve ser evitada”.

Para o exemplo ser correto, a Conclusão deve ser particular (porque uma das
premissas é particular), ou seja: alguma severidade deve ser evitada.

Oitava Regra: Nil sequiturgeminis ex particularibus unquam.

Tradução: “Nada se conclui de duas premissas particulares”.

Exemplificando:
Alguns homens são virtuosos.

Ora, alguns maus são homens.

Logo, alguns maus são virtuosos.

Observe que a Conclusão é errada e não se pode concluir. Se, conforme as


premissas, uma parte dos homens é de virtuosos e uma parte dos homens é de
maus, não posso concluir que a parte dos homens maus é a mesma dos homens
virtuosos.

Nota I— Sobre NIHIL: jí vimos traduções que trazem nihil em vez de nil. Nil —
advérbio — significa pouca coisa, porém é usado comu-mente por nada. Em
latim há termos parônimos: — nil, significa tão pouca coisa, é empregado com
sentido de nada. Ex.: Nil ardui est mortalibus — “Pouca coisa (nada) de difícil
existe para os mortais” (Horácio).

— nihil, é advérbio e significa sem razão. Ex.: Homo sum, humani “nihil” a
me alieno puro! — “Sou homem e nada de humano julgo alheio a mim”
(Terêncio).

— nihil, é usado em expressões como: nihil obstat - nada impede.

nihil novi — nada de novo.

nihil sub sole novum — nada de novo sob o sol.

Nota I— Sobre a Escola Nyaya. No fim do século XII, em Bengala na índia,


surgiu uma derivação da Escola Nyaya, que se dedicou a problemas da Lógica.
A nova Escola Nyaya criou um tipo de silogismo com cinco proposições: \-
Afirmação: Há fogo no monte.

2a Fundamento :Porque nele há fumaça.

3a Exemplo:Já que onde há fumaça há fogo, como em uma cozinha.

4a Aplicação: Agora bem no monte há fumaça.

5a Conclusão: Logo, nele há fogo.

A cozinha é a justificação da verdade da afirmação de que a fumaça assinala a


A cozinha é a justificação da verdade da afirmação de que a fumaça assinala a
existência do fogo.

Parece aos autores orientalistas que o exemplo contribui mais para a clareza,
conforme entende Helmuth von Glasenapp (Filosofia de los Indus, Barcelona,
Ed. Barrai).

Reduzido ao silogismo aristotélico, poderíamos enunciar: Onde há fumaça há


fogo.

No monte há fumaça.

Logo, no monte há fogo.

CRÍTICA AO SILOGISMO

A crítica comum ao Silogismo consiste em considerá-lo tautologia, ou seja, dizer


as mesmas coisas com outros termos.

Assim, ao dizer: todo homem é mortal,

ora o ser que vejo é homem, logo, esse ser é mortal, seria o mesmo que dizer:

todo homem é mortal, logo o ser que vejo é mortal; todo homem é mortal, logo
algum homem é mortal, porque o todo abrange todas as partes. A identidade, a
equivalência existiria do mesmo modo entre as duas proposições.

Ocorre que, no Silogismo, nosso pensamento dá mais um passo, quando afirmo


que esse ser é homem, preciso verificar a veracidade dessa segunda proposição e
ainda a relação entre ela e a Premissa Maior (PM). A Conclusão (C) emerge da
verdade da generalização (PM) e da particularização (Pm), isto é, das
proposições antecedentes, se relacionadas entre si.

E um exemplo de Bain (ob. cit.):

O arsênico é veneno,

ora a substância que tenho nas mãos é arsênico, logo, esta substância é veneno.

Evidentemente sem a verificação da Pm, de que a substância que tenho nas mãos
é arsênico, não poderia afirmar que o que tenho nas mãos é veneno.

SÚMULA

Silogismo: várias definições.

Composição e exemplos:

Três proposições: Premissa Maior (PM), Premissa Menor (Pm) e Conclusão (C).

Três termos: Termo Maior (T),Termo Menor (t) eTermo Médio (M) Princípios:
1Q Tríplice Identidade.

2a “Dictum de omni”.

3Q “Dictum de nullo”.

As 8 Regras do Silogismo e exemplos:

Ia “O silogismo terá três termos: o termo maior (T), o termo médio (M) e o
termo menor (t)”.

2a “Nenhum termo deve ter maior extensão na conclusão do que a extensão que
tem nas premissas”.

3a “A conclusão jamais deve conter o termo médio”.

4a “O termo médio (M) deve ser tomado ao menos uma vez em toda a sua
extensão”.

5a “Se as duas premissas forem negativas nada se pode concluir”.

6a “Duas premissas afirmativas não podem gerar (produzir) uma conclusão


negativa”.

7a “A conclusão segue sempre a PIOR”.

8a “Nada se conclui de duas premissas particulares”.

Nota sobre nihil e nil: tradução e emprego


Nota sobre nihil e nil: tradução e emprego

Nota sobre a Escola Nyaya: o Silogismo com cinco proposições.

Crítica ao Silogismo: O Silogismo é considerado tautologia?

EXERCÍCIOS
Indique as opções falsas nas questões a seguir: 1. ( ) O Silogismo é composto
de três proposições: PM, Pm, C.

2. ( ) Silogismo significa ligação e representa um argumento de monstrativo.

3. ( ) Sobre Princípios do Silogismo: Duas coisas das quais uma coisa é igual a
uma terceira, e a outra coisa não é igual a essa terceira coisa, não são iguais entre
si.

4. ( ) Os três termos do Silogismo são: o termo maior (t), o termo menor (T) e
o termo médio (m).

5. ( ) Sobre Princípios do Silogismo: Tudo que se nega do todo, nega-se de


todas as partes desse todo.

6. ( ) E uma regra do Silogismo: A conclusão sempre segue a pre missa PIOR.

7. ( ) E uma regra do Silogismo: Duas premissas afirmativas podem gerar uma


conclusão negativa.

8. ( ) Todo homem é mortal

João é homem.

João é mortal.

Verifica-se que a premissa maior contém o termo médio e o termo menor.

9. ( ) No exemplo acima, a conclusão está certa porque contém o termo menor


e o termo maior.

10. ( ) Oi mineiros são brasileiros.


Ora, os gaúchos são brasileiros.

Logo, ? A conclusão é absurda.

11. ( ) Silogismo é um argumento pelo qual, de um antecedente, que une dois


termos a um terceiro termo, tira-se um consequente que une estes dois termos
entre si.

12. ( ) E uma regra do Silogismo: Nenhum termo deve ter maior extensão na
conclusão do que a extensão que tem nas premissas.

13. ( ) Sobre Princípios do Silogismo: Duas coisas iguais a uma mesma


terceira não são iguais entre si.

14. ( ) Alzira não é tão alta como Laura.

Ora, Laura não é tão alta como Marina.

Logo, Alzira não é tão alta como Marina.

E certo que nada se pode concluir por força do princípio ex nihil, nihil, ou seja,
de nada não se pode tirar nada.

15. ( ) E uma regra do Silogismo: A conclusão nunca deve conter o termo


médio.

16. ( ) Chamam-se PIOR, as premissas particulares e as premissas afirmativas.

17. ( ) E uma regra do Silogismo: Se duas premissas forem afirmati vas, nada
se pode concluir.

18. ( ) Alguns homens são inconsequentes

Ora, alguns bons são homens.

Logo, alguns bons são inconsequentes.

Se, conforme as premissas, uma parte dos homens é de inconsequentes e uma


parte dos homens é de bons, não posso concluir que a parte dos homens maus é a
mesma dos homens virtuosos.
19. ( ) Os poderosos não são misericordiosos, ora, os pobres não são
poderosos; logo, os pobres são misericordiosos, é certo que: se os dois termos
não têm nenhuma relação de conveniência com o terceiro termo, não poderão
convir entre si.

20. ( ) E uma regra do Silogismo: O termo médio deve ser tomado ao menos
uma vez em toda a sua extensão.

Capítulo XIV
Silogismo: Tipos - Divisão -Figuras —
Regras — Modos legítimos
OS QUATRO TIPOS DE SILOGISMO

Já vimos que o Silogismo é uma forma de raciocínio dedutivo, constituído por


duas premissas e a conclusão. O Silogismo só é verdadeiro se as premissas
também forem verdadeiras e levarem à conclusão verdadeira, observadas as
regras de inferência. Sabemos também que inferir é “tirar uma proposição como
conclusão de uma outra proposição, ou de várias outras proposições que a
antecedem e são sua explicação ou sua causa” (Nérici, op. cit.).

Podemos entender os Silogismos como:

D emonstrativos.

Errôneos.

Prováveis.

Sofísticos.

Silogismo demonstrativo — As premissas são necessárias e a conclusão é objeto


de ciência. Observe que os silogismos elaborados com premissas fundadas na lei
são demonstrativos, pois a lei é considerada matéria necessária: Premissa maior:
“Perde-se a posse quando cessa, embora contra a vontade do possuidor, o poder
sobre o bem,...”. (CC, art. 1.223).

Premissa menor: Gabriela teve seu poder sobre o bem cessado.

Conclusão: Gabriela perdeu a posse.

Silogismo errôneo — As premissas são impossíveis e a conclusão é um erro:


Premissa maior: O Sol nasce no poente; Premissa menor: ora, a cidade X fica no
poente;

Conclusão: logo, a cidade X vê o Sol nascer.


Conclusão: logo, a cidade X vê o Sol nascer.

Silogismo provável — As premissas são contingentes e a conclusão é provável.


A premissa maior é apenas provável. Note que, no exemplo abaixo, uma pessoa
pode ser brasileira e não falar português: Premissa maior: Os brasileiros falam
português.

Premissa menor: Gabriel é brasileiro.

Conclusão: Gabriel fala Português.

Silogismo sojistico — As premissas são corretas na aparência mas não na


realidade, e a conclusão é ilusória: Premissa maior: As pessoas sentimentais são
infelizes;

Premissa menor: ora, os poetas são pessoas sentimentais;

Conclusão: logo, os poetas são infelizes.

DIVISÃO DO SILOGISMO

I - CATEGÓRICO.

II - EXPOSITÓRIO.

III - HIPOTÉTICO.

IV - IMPERFEITO OU INCOMPLETO.

I - O SILOGISMO CATEGÓRICO: No silogismo categórico, as premissas são


proposições simples e seu termo médio (M) é universal, como no exemplo:
Todas as aves têm penas; o sabiá é uma ave; logo, o sabiá tem penas.

II - O SILOGISMO EXPOSITÓRIO: No silogismo expositório, o termo médio


(M) é particular nas duas premissas, como no exemplo: Judas traiu.

Ora, Judas era um apóstolo.

Logo, um apóstolo traiu.


Se o termo médio é universal no silogismo categórico, e é particular no
silogismo expositório, conclui-se facilmente que o silogismo expositório não é
essencialmente um silogismo, porém, presta-se para aclarar um pensamento.

III - O SILOGISMO HIPOTÉTICO: No silogismo hipotético a premissa maior


(PM) é uma proposição composta ou hipotética, e a premissa menor (Pm) é uma
proposição categórica. O silogismo hipotético pode ser: í. Condicional.

2. Disjuntivo.

3. Conjuntivo.

1. Silogismo Hipotético Condicional - A premissa maior (PM) desse silogismo


compõe-se de duas proposições: uma proposição enuncia a condição (se); outra
proposição enuncia o condicionado. De forma resumida, diz-se que o silogismo
“é condicional quando a proposição hipotética estabelece uma condição, como
no exemplo: “Se este míssil sobe, ele solta fumaça;

ora, este míssil solta fumaça;

logo, este míssil sobe” (Nérici, op. cit.).

São quatro as regras do Silogismo Hipotético Condicional:

1~ Regra — Afirmar a condição é afirmar o condicionado. Exemplo: Se Natália


trabalha, ela existe; ora, ela trabalha; logo, ela existe.

2~ Regra - Afirmar o condicionado não é afirmar a condição. Exemplo: Se


Diogo trabalha, ele existe; ora, ele existe;

logo, ele trabalha.

A conclusão é falsa, pois Diogo pode existir e não trabalhar.

3~ Regra - Negar o condicionado é negar a condição. Exemplo: Se Emi Elise


trabalha, ela existe; ora, ela não existe; logo, não trabalha.

4* Regra - Negar a condição não é negar o condicionado. Exemplo: Se Walter


trabalha, ele existe; ora, ele não trabalha; logo, não existe.
A conclusão é falsa, pois Walter pode existir e não trabalhar. Duas conclusões
sobre as quatro regras do Silogismo Hipotético Condicional: Primeira conclusão:
Conclui-se que o silogismo condicional é legítimo quando se afirma ou nega a
condição e o condicionado, isto é, a primeira regra e a terceira regra.

Segunda conclusão: O silogismo hipotético se presta para argumento, como no


exemplo: “Se da decisão não se tiver recorrido, ou se ela passar em julgado,
apesar dos recursos interpostos, o juiz mandará registrá-la no livro do Registro
dos Casamentos” (CC, art. 1.541, § 3C); ora, houve recurso; logo, não pode
haver transcrição no livro do Registro dos Casamentos.

2. Silogismo Hipotético Disjuntivo - é aquele em que a premissa maior (PM)


enuncia uma alternativa, isto é: a afirmação de uma proposição leva à negação
da outra proposição; a negação de uma proposição leva à afirmação da outra
proposição. Exemplo: “Este ser ou é vivo ou é inanimado; ele é um ser vivo;

logo, não é um ser inanimado” (Nérici, op. cit.).

É evidente que a afirmação de uma proposição leva à negação da outra e vice-


versa.

Há quatro casos possíveis para o silogismo hipotético disjuntivo: f-Caso —


Afirma a primeira proposição; logo, nega a segunda proposição: E noite ou é dia;

ora, é noite; (primeira proposição afirmativa), logo, não é dia. (segunda


proposição negativa).

2~ Caso — Nega a primeira proposição; logo, afirma a segunda proposição: E


noite ou é dia; ora, não é noite; logo, é dia.

3° Caso — Afirma a segunda proposição; logo, nega a primeira proposição: E


noite ou é dia; ora, não é dia; logo, é noite.

4° Caso — Nega a segunda proposição; logo, afirma a primeira proposição: E


dia ou é noite; ora, é noite; logo, não é dia.

Para que esse silogismo tenha validade de argumento é preciso que a premissa
maior (PM) seja uma proposição disjuntiva verdadeira, ou seja, não admitir
posição intermediária.
Os termos contrários podem apresentar silogismos ilegítimos. São dois
exemplos: 1. A casa é grande ou pequena; ora, é pequena; logo, não é grande.

A afirmação de a casa ser pequem, não leva à conclusão de não ser grande, pois
pode ser nem pequena nem grande, e sim média. Se, com termos contrários o
silogismo não tem validade, com termos aparentemente contrários, o erro é
maior.

2. É proprietária ou possuidora; ora, é possuidora;

logo, não é proprietária.

E claro que ser possuidora não acarreta não ser proprietária, pois pode ser
proprietária e possuidora.

3. Silogismo Hipotético Conjuntivo - é aquele em que a premissa maior (PM) é


uma proposição ligada pela conjuntiva — E —, e “declara que dois predicados
não podem ser afirmados simultaneamente do mesmo sujeito”.

Da definição conclui-se que uma das proposições da premissa maior (PM) deve
ser negativa, a fim de um dos predicados não servir para o sujeito. E constante a
aplicação do princípio: uma coisa não pode ser e não ser ao mesmo tempo.

Exemplo 1:

Ninguém pode ser empregado e empregador;

Ramon é empregador

logo, Ramon não pode ser empregado.

Observe-se que na premissa maior temos para o caso de Ramon a


impossibilidade de ser empregado e empregador ao mesmo tempo.

Exemplo 2:

Maurício não está em Salvador e em João Pessoa ao mesmo tempo; ora, ele está
em Salvador;

logo, não está em João Pessoa.

Nesse segundo exemplo a impossibilidade é também física.


Nesse segundo exemplo a impossibilidade é também física.

Nota — Os Silogismos Disjuntivos e Conjuntivos podem ser reduzidos ao


condicional.

Exemplo de Silogismo Disjuntivo:

E dia ou é noite; ora, é dia; logo, não é noite.

Redução ao condicional:

Se é dia, não é noite;

ora, é dia;

logo, não é noite.

Exemplo de Silogismo Conjuntivo:

Mirela não está em Belo Horizonte e em Porto Alegre ao mesmo tempo; ora, ela
não está em Belo Horizonte; logo, ela está em Porto Alegre.

Redução ao condicional:

Se Mirela está em Belo Horizonte não está em Porto Alegre; ora, ela está em
Belo Horizonte; logo, ela não está em Porto Alegre.

IV - O SILOGISMO IMPERFEITO OU INCOMPLETO:

Quando um silogismo não tem todas as suas premissas expressas, ele é


imperfeito. Os silogismos imperfeitos servem ao advogado, como argumento nas
petições e nas razões. São eles: 1. entimema.

2. epiquerema.

3. polissilogismo.

4. sorites.

5. dilema.
1. Entimema é o silogismo usado nos argumentos, pois apresenta facilidade no
discurso, sem recorrência ao silogismo completo. Por definição, entimema é um
silogismo imcompleto porque falta uma premissa, que está subentendida. Os
entimemas são encontrados, desde a linguagem científica até a linguagem
informal, como nos dois exemplos abaixo: 1. Edmundo é advogado;

logo, Edmundo conhece as leis.

Subentende-se a premissa maior (PM):Todo advogado conhece as leis.

2. Todo filósofo aprecia ler, logo, Faridjosé é filósofo.

Está subentendida a premissa menor (Pm):“ora, Faridjosé aprecia ler”.

2. Epiquerema é o silogismo em que as premissas são acompanhadas de provas


ou argumentos, ou ainda exemplos, no sentido de provar cada uma delas. E
clássico o epiquerema extraído da defesa de Milo-ne, por Cícero: “E permitido
matar um agressor injusto; a lei natural, o Direito Positivo, o Costume Universal
o comprovam. Ora, Clodius foi agressor injusto de Milone; isso é evidente pelos
antecedentes de Clodius e pelas circunstâncias do crime. Portanto, Milone podia
matar Clodius”.

O epiquerema pode ser representado por esta fórmula:

Todos os B são A, porque são E; todos os C são B, porque são H; logo, todos os
C são A.

O epiquerema é uma forma das petições iniciais em que o autor busca provar o
fato e adequação dele na lei.

Observe o exemplo: A essência de uma petição inicial de execução é a seguinte:


A é credor de B, como prova a nota promissória vencida e não paga; ora, B deve
pagar a A em 24 horas, sob pena de penhora, como prescreve o art. 652 do
Código de Processo Civil; logo, A pede o pagamento no prazo da lei, ou penhora
de

bens.

Nas razões e nas sentenças, a forma adotada é o epiquerema, pois o juiz e os


advogados não podem apresentar proposições sem provas e sem argumentos.
3. Polissilogismo é uma série de silogismos encadeados de tal maneira que a
conclusão de um silogismo serve de premissa ao silogismo seguinte e assim por
diante. Observe: Todo B é A, todo C é B, logo, todo C é A.

Mas, todo D é C, logo, todo D é A.

Para provar que a alma humana é por si incorruptível construiu--se este


polissilogismo: O que é simples é incorruptível por si;

ora, o que é imaterial é simples;

logo, o que é imaterial é incorruptível por si;

ora, o que é espiritual é imaterial;

logo, o que é espiritual é incorruptível por si;

ora, a alma humana é imaterial;

logo, a alma humana é incorruptível por si.

4. Sorites é um silogismo em que as proposições são encadeadas de modo que


o predicado da primeira proposição serve de sujeito da segunda proposição: o
predicado da segunda proposição serve de sujeito da terceira proposição, até a
última proposição, que reúne o primeiro sujeito e o último predicado. São dois
exemplos: 1 2

aquilo que faz barulho se mexe; aquilo que se mexe não está gelado; aquilo que
não está gelado é líquido; aquilo que é líquido sucumbe pelo peso; logo, este
riacho não pode me levar”.

Cícero denomina o Sorites como o argumento mais enganoso, porque é


facilmente sujeito a erro propositado. Este é um exemplo de um argumento
astucioso: Quem bebe dorme; quem dorme não peca; quem não peca vai para o
céu; logo, quem bebe vai para o céu.

5. Dilema é o silogismo que apresenta uma alternativa, na qual ambas as partes


levam à mesma conclusão. Para que o dilema seja legítimo, a premissa maior
(PM) deve ser uma disjunção, não admitindo uma terceira posição.

São dois exemplos:


São dois exemplos:

l2 O dilema sobre o porteiro: Ou você estava na sua guarita, ou não estava. Se


estava, não cumpriu o seu dever, porque deixou pessoas desconhecidas entrar no
prédio; se não estava na guarita, não cumpriu sua obrigação de permanecer no
local de trabalho. Nos dois casos deve ser punido.

22 O dilema do Califa Ornar, justificando a queima da biblioteca de Alexandria:


“Os livros da biblioteca de Alexandria contêm ou não contêm os mesmos
ensinamentos do Alcorão.

No primeiro caso são inúteis (e devem ser queimados).

No segundo caso são maus (e devem ser queimados).

Logo, em qualquer caso devem ser queimados”.

E comum na Oratória forense e na Política o uso de construções que não são


dilemas, porém, são apresentadas como tal. Já foi dito que o dilema não pode
permitir uma terceira posição. No di-lema do primeiro exemplo, o porteiro só
poderia estar na guarita ou fora dela.

O exemplo a seguir é de Nérici:

“Ou comes ou não comes este pão envenenado.

Se não o comeres, morrerás de fome.

Se o comeres, morrerás envenenado” (op. cit.).

O argumento a seguir não representa um dilema:

“Todo cidadão ou é revolucionário ou conservador. Se é revolucionário favorece


a desordem preconizando a violência. Se é conservador favorece a desordem
rejeitando as reformas”.

Há no caso um terceiro tipo de cidadão, ou seja, aquele que admite a reforma


sem recurso à violência.

Também constitui erro de dilema permitir outro dilema refutando o primeiro.


Observe: “Você vai gerir os negócios públicos; gerirá bem ou mal. Se gerir bem
contentará a sua consciência. Se gerir mal contentará aos homens. Logo, em
qualquer caso será bom gerir os negócios públicos”.

Esse dilema pode ser retorquido, ou contraposto, da seguinte forma: “Você vai
gerir os negócios públicos; gerirá bem ou mal. Se gerir bem descontentará aos
homens. Se gerir mal descontentará a sua consciência; logo, em qualquer caso
não será bom gerir os negócios públicos”.

AS QUATRO FIGURAS DO SILOGISMO

A figura do silogismo depende da colocação do Termo Médio (M) nas


premissas. Assim, o Termo Médio (M) pode ser sujeito (S) ou predicado (Pr) nas
premissas, e conforme sua posição, temos as quatro figuras: Primeira Figura do
Silogismo: o Termo Médio (M) é Sujeito (S) na Premissa Maior (PM) e
Predicado (Pr) na Premissa menor (Pm).

Ou: Mé S na PM e Pr na Pm.

Observe:Todo homem (o sujeito é M) é mortal;

ora, André é homem (M é o predicado); logo, André é mortal.

Segunda Figura do Silogismo: o Termo Médio (M) é Predicado (Pr) na Premissa


Maior (PM) e Predicado (Pr) na Premissa menor (Pm).

Ou: MéPrna PM e Pr na Pm.

Observe:Todo círculo é redondo (M - predicado);

ora, nenhum triângulo é redondo (M — predicado); logo, nenhum triângulo é


círculo.

Terceira Figura do Silogismo: o Termo Médio (M) é Sujeito (S) na Premissa


Maior (PM) e Sujeito (S) na Premissa menor (Pm).

Ou: Mé S na PM e S na Pm.

Observe: A caridade (M) é amável;

ora, a caridade (M) é uma virtude; logo, alguma virtude é amável.


Quarta Figura do Silogismo: o Termo Médio (M) é Predicado (Pr) na Premissa
Maior (PM) e Sujeito (S) na Premissa menor (Pm).

Ou: M é Pr na PM e S na Pm.

Observe: Moisés é homem (M);

todo homem (M) é mortal; algum mortal é Moisés.

A verificação se faz com a simples análise gramatical das premissas. Embora as


quatro figuras representem silogismos concludentes, há que considerar, como
Aristóteles, o silogismo válido e o silogismo perfeito.

A primeira figura é o silogismo perfeito e condizente com o raciocínio em


Direito.

Entendemos desnecessário enumerar todos os modos do silogismo. Há sessenta e


quatro modos possíveis do silogismo, todavia apenas dezenove são modos
legítimos.

REGRAS DAS QUATRO FIGURAS DO SILOGISMO

Repetimos que a figura do silogismo se caracteriza pela posição do termo médio


(M) nas premissas, uma vez que, por regra, ele não pode entrar na conclusão.

Os lógicos adotam uma fórmula mnemónica:

Subprae, tum prae-prae, tum sub-sub, denique, prae-sub

Explicação:

Sub = sujeito prae = predicado tum = depois denique = finalmente Traduzindo:

Sujeito-predicado, depois predicado-predicado, depois sujeito-sujeito, finalmente


predicado-sujeito.

Regra da Primeira Figura do Silogismo — O Termo Médio (M) é sujeito na


premissa maior (PM) e predicado (Pr) na menor (Pm).

A regra é: A premissa menor não deve ser negativa e a premissa maior deve ser
universal. Exemplificando: PM — Todo homem (M) é mortal (T);
universal. Exemplificando: PM — Todo homem (M) é mortal (T);

Pm — ora, Ulisses é homem (M);

C - logo, Ulisses é mortal (T).

Demonstração: A Premissa Maior (PM) — todo homem é mortal é universal; e a


Premissa menor (Pm) — Ulisses é homem é afirmativa.Se a Premissa menor
(Pm) fosse negativa teríamos estas quatro consequências: Ia A conclusão seria
negativa, de acordo com a sétima regra do silogismo: A conclusão sempre segue
a PIOR - lembrando que se chamam assim, às premissas particulares e às
premissas negativas.

2a O T — mortal — seria universal na conclusão, segundo a regra das


proposições: “Nas proposições negativas, o predicado é
tomado universalmente”.

3a A PM seria afirmativa e o T seria particular conforme a regra das proposições:


“Nas proposições afirmativas, o predicado é tomado particularmente ’ ’.

4a O T seria particular na PM e universal na conclusão — o que viria contra a


segunda Regra do silogismo:“Os termos não podem ser maiores na conclusão do
que nas premissas”.

Regra da Segunda Figura do Silogismo - O Termo Médio (M) é predicado nas


duas premissas.

A regra é: Na segunda figura, uma das premissas deve ser negativa e a Premissa
Maior (PM) deve ser universal. Observe: Toda estrela (T) é brilhante (M); ora,
nenhum planeta (t) é brilhante (M); logo, nenhum planeta (t) é estrela (T).

Demonstração: A Pm — nenhum planeta é brilhante — é negativa, e a PM —


toda estrela é brilhante — é universal.

Se as duas premissas fossem afirmativas, teríamos estas duas consequências: Ia


O M — brilhante — seria predicado nas duas premissas e seria particular nas
duas, conforme a regra das proposições: “Nas proposições afirmativas o
predicado é tomado particularmente”.

2a Essa circunstância viria contra a quarta Regra do silogismo, ou seja: “O termo


médio deve ser tomado ao menos uma vez em toda a sua extensão”.

Regra da Terceira Figura do Silogismo — O Termo Médio (M) é sujeito nas


duas premissas.

A regra é: Na terceira figura, a premissa menor deve ser afirmativa e a conclusão


deve ser particular. Observe: A caridade (M) é elogiável (T);

ora, a caridade (M) é uma virtude humana (t);

logo, alguma virtude humana (t) é elogiável (T).

Demonstração — A (Pm) — a caridade é uma virtude humana — é afirmativa; e


a conclusão — alguma virtude humana é elogiável — é particular.

Se a premissa menor (Pm) fosse negativa, teríamos cinco consequências: Ia Se a


Pm fosse negativa, a PM teria de ser afirmativa, consoante a quinta regra do
silogismo: “De duas negativas nada se conclui”.

2a A conclusão seria negativa, conforme a sétima regra do silogismo: “A


conclusão segue: a pior premissa, a negativa ou a particular”.

3a Se a conclusão fosse negativa,T seria universal, de acordo com a regra das


proposições: “Nas proposições negativas o predicado é tomado universalmente”.

4a A PM, sendo afirmativa, o T seria particular, segundo a regra das proposições:


“Nas proposições afirmativas o predicado é tomado particularmente”.

5a O T seria particular na PM, e universal na conclusão, o que vai de encontro


com a segunda regra do silogismo:“Oi termos não podem ser maiores na
conclusão do que nas premissas”.

Regra da Quarta Figura do Silogismo —A quarta figura toma o nome de


Galênica, por Galeno. A ideia de Galeno foi considerada falsa, na Idade Média, e
só no Renascimento começou a ser conhecida. Em comparação com a primeira
figura ocorre na quarta figura, uma inversão de premissas, donde o nome de
indireta. E certo que ao ordenar as premissas, chegaremos à primeira figura.
Aristóteles e os lógicos antigos não consideram a quarta figura verdadeiramente
figura, isto porque a conclusão é uma proposição indireta.

Na proposição algum mortal é Victor, realmente Victor é o termo ao qual o


Na proposição algum mortal é Victor, realmente Victor é o termo ao qual o
pensamento atribui uma qualidade. Gramaticalmente analisamos: Sujeito —
algum mortal;

Predicado - Victor

No entanto, na ordem natural, o ser a que se aplica um atributo é Victor; logo,


Victor é o sujeito lógico.

A inversão da primeira figura, aparentemente, produz uma mudança radical, mas


bem observada não modifica nada. Assim, os lógicos da Escola Clássica veem
na quarta figura uma figura gramatical, não uma figura lógica diferente. Observe
o exemplo: M

Shion (T) é homem;

ora, todo homem (T) é mortal; logo, algum mortal (t) é Shion (T).

Ordenando as premissas, teremos:

Todo homem é mortal; ora, Shion é homem; logo, Shion é mortal.

MODOS DAS FIGURAS DO SILOGISMO

O modo do silogismo resulta da disposição das premissas, conforme a qualidade


e a quantidade. Já vimos que as premissas podem ser: — universal afirmativa
(A);

— universal negativa (E);

— particular afirmativa (I);

— particular negativa (O).

Assim sendo, haverá para a premissa maior quatro casos (A EI O) e para cada
caso da premissa maior haverá quatro casos possíveis da premissa menor,
portanto dezesseis casos assim demonstrados: PM A A A
A EEEE I I I I OOOO
I I I I I I I I I I I I I I I I

A E I O A E I O A E I O A E I O

Sendo quatro as figuras, esses dezesseis casos se podem dar em cada uma das
quatro, o que daria 16 x 4 = 64 combinações possíveis. Ocorre que muitos desses
possíveis sessenta e quatro modos vão contra as leis do silogismo, donde os
lógicos mostram que apenas dezenove modos são legítimos.

Esses dezenove modos são designados por palavras latinas, sendo que:

— a vogal da primeira sílaba indica a premissa maior (PM);

— a vogal da segunda sílaba indica a premissa menor (Pm);

— a terceira vogal indica a conclusão (C).

Exemplo: a palavra BARBARA indica que a PM, a Pm e a conclusão são


universais afirmativas (A).

Ia FIGURA - MODOS LEGÍTIMOS

A AA-EAE -A II-E IO BARBARA - CELARENT - DAR 11 - FERIO

São quatro exemplos:

Ia BAR — Todo ser vivo se alimenta;

BA — ora, todo vegetal é um ser vivo;

RA - logo, todo vegetal se alimenta.

2a CE — Nenhum homem odeia a vida;

LA — ora, todo desesperado é homem;

RENT - logo, nenhum desesperado odeia a vida.

3a DA - Tudo o que favorece o mal é reprovável;

RI - ora, alguma indulgência favorece o mal;


RI - ora, alguma indulgência favorece o mal;

I — logo, alguma indulgência é reprovável.

4a FE — Nenhuma coisa perniciosa é louvável;

RI - ora, alguma indulgência é perniciosa;

O - logo, alguma indulgência não é louvável.

Confirmam-se os silogismos com a regra da primeira figura: a premissa menor


não deve ser negativa e a premissa maior deve ser universal.

2a FIGURA - MODOS LEGÍTIMOS

EAE-AE E-EIO -AOO CESARE - CAMESTRES - FESTINO - BAROCO

São quatro exemplos:

1“ CE - Nenhum contraventor está em paz;

SA - ora, todo homem bom está em paz;

RE - logo, nenhum homem bom é contraventor.

2° CA - Todo traficante é cruel;

MES - ora, nenhum sábio é cruel;

TRES - logo, nenhum sábio é traficante.

3“ FES - Nenhum reciclável é inútil;

TI - ora, algum orgânico é inútil

NO - logo, algum orgânico não é reciclável.

4o BA - Todo tolo é discriminado;

RO - ora, algum falante não é discriminado;

CO - logo, algum falante não é tolo.


Verifiquem os silogismos em confronto com a regra da segunda figura: na
segunda figura uma das premissas deve ser negativa e a premissa maior (PM)
não pode ser particular.

3a FIGURA - MODOS LEGÍTIMOS AA I-EA O - IA I - A II-O A O-


EIO DARAPTI - FELAPTON - DISAMIS - DATISI - BOCARDO - FERISON

São seis exemplos:

Ia DA - Toda sereia é mulher-peixe;

RAP - ora, toda sereia é um ser fabuloso;

TI - logo, algum ser fabuloso é mulher-sereia.

2a FE - Nenhum animal é incorruptível;

LAP - ora, todo animal é vivo;

TON - logo, algum vivo não é incorruptível.

3a Dl - Algum homem é escritor;

SAM - ora, todo escritor é responsável;

IS - logo, algum responsável é escritor

4a DA - Todo animal é corpóreo;

TI - ora, algum animal é ser inteligente;

SI - logo, algum ser inteligente é corpóreo.

5a BO - Algum ministro não é jovem;

CAR - ora, todo ministro é poderoso;

DO - logo, algum poderoso não é jovem.

6a FE - Nenhum ambicioso é desinteressado;


RI - ora, algum ambicioso é egoísta;

SON - logo, algum egoísta não é desinteressado.

Confrontemos os silogismos com a regra da terceira figura: a premissa menor


deve ser afirmativa, e a conclusão deve ser particular.

4a FIGURA - MODOS LEGÍTIMOS

EA E-AAI O - A I I - A E O IEO

CELANTES - BARALIPTON - DABITIS - FAPESMO - FRISESON

Conforme se disse neste capítulo, a quarta figura, de nome Galênica, é apenas


uma inversão da primeira figura. Por essa razão não apresentamos todos os
exemplos. Ainda traríamos uma pequena dificuldade para os versos
mnemónicos, pois para a quarta figura, a primeira vogal representa a premissa
menor (Pm), ao passo que para a Ia, 2a e 3a figuras, a primeira vogal representa a
premissa maior (PM). Para ilustração, fazemos as conversões: M T

CE - Nenhum filósofo é anjo (PM);

T M

LAN - ora, Descartes é filósofo (PM);

T T

TES - logo, nenhum anjo é Descartes.

Observe que — Descartes — é um termo singular e a ideia singular equivale a


uma ideia universal, porque, embora restrita a um só indivíduo, ela esgota ao
mesmo tempo a sua extensão.

Esse silogismo da quarta figura converte-se facilmente para a primeira figura


(CELARENT), dando à primeira proposição, a função de maior (PM), assim: M

CE — Nenhum filósofo é anjo (PM);

LA — ora, Descartes é filósofo (PM);


RENT — logo, Descartes não é anjo.

SÚMULA

Os 4 tipos de Silogismos: demonstrativos, errôneos, prováveis e sofísticos:


Divisão do Silogismo:

I — Categórico.

II — Expositório.

III — Hipotético: 1. Condicional (há 4 regras).

2. Disjuntivo (há 4 casos).

3. Conjuntivo.

IV — Imperfeito: 1. Entimema.

2. Epiquerema.

3. Polissilogismo.

4. Sorites.

5. Dilema.

As Quatro Figuras do Silogismo.

Regras das Quatro Figuras do Silogismo.

Modos do Silogismo.

EXERCÍCIOS
Qual é a opção correta: a ou 6?

1. d) A característica do polissilogismo é: uma série de silogismos em cadeia.

b) Sobre o silogismo condicional, pode-se acertar ao dizer que ele é legítimo


quando nega a condição e o condicionado.
quando nega a condição e o condicionado.

2. a) O exemplo abaixo caracteriza a regra da 3a figura do silogismo porque o


termo médio (a caridade) é sujeito nas duas premissas: A caridade é
elogiável ora, a caridade é virtude humana logo, alguma virtude humana é
elogiável. b) A figura do silogismo se caracteriza pela posição do Predicado (Pr)
nas premissas. O predicado pode entrar na conclusão (C).

3. a) O exemplo refere-se à regra da Ia figura do silogismo porque o M é


sujeito na Pm e predicado na PM:

Toda pessoa é mortal; ora, Yasmin é mulher; logo,Yasmin é mortal.

b) O exemplo refere-se à regra da 2a figura do silogismo, porque o M (redondo)


é Predicado nas duas premissas: Todo círculo é redondo;

ora, nenhum triângulo é redondo;

logo, nenhum triângulo é círculo.

4. a) O modo do silogismo é resultado da disposição das premissas universais


conforme a qualidade e a quantidade. b) Epiquerema é um tipo de silogismo
imperfeito no qual suas premissas são acompanhadas de argumentos que servem
para provar cada uma das premissas.

5. a) Os brasileiros falam português;

Aline é brasileira;

Aline fala português.

Trata-se de silogismo provável porque as premissas são contingentes e a


conclusão é provável.

b) O exemplo abaixo caracteriza o silogismo errôneo porque as premissas são


possíveis e a conclusão é impossível: O sol nasce no poente; ora, a cidade Xfica
no poente; logo, a cidade Xvê o sol nascer.

6. a) Juliana é advogada;

logo, conhece as leis.


logo, conhece as leis.

E um exemplo de epiquerema porque a PM não está expressa, foi subentendida.

b) O encadeamento das proposições, como no exemplo abaixo, caracteriza o


sorites: Francisco é homem prudente; o homem prudente é estimado; quem é
estimado é feliz; logo, Francisco é feliz.

7. d) Quando um silogismo apresenta uma alternativa na qual ambas as partes


levam à mesma conclusão, estamos diante do dilema. b) O entimema deve ser
evitado na prática jurídica porque não é um silogismo completo.

8. d) A característica do silogismo hipotético disjuntivo é que a Pm enuncia


uma disjunção completa, como no exemplo:

Nenhum filósofo é ingênuo; ora, Descartes é filósofo; logo, Descartes não é


ingênuo.

b) No silogismo hipotético conjuntivo, dois predicados não podem ser afirmados


simultaneamente do mesmo sujeito. E a aplicação do princípio: uma coisa não
pode ser e não ser ao mesmo tempo.

9. a) Na 4a figura do silogismo, o M - homem - é Pr na PM e S na Pm, como


no exemplo:

Samuel é homem; todo homem é mortal; algum mortal é Samuel.

b) A 4a regra do silogismo hipotético condicional é: negar a condição é negar o


condicionado, como no exemplo: Se José trabalha, ele existe; ora, José não
trabalha; logo, José não existe.

10. a) O epiquerema é empregado nas razões e nas sentenças porque o juiz e os


advogados podem apresentar proposições sem provas, ou sem argumentos. b) As
pessoas sentimentais são infelizes; ora, os poetas são pessoas sentimentais; logo,
os poetas são infelizes.

E silogismo sofístico, porque contraria as regras, mas é correto na aparência.

Capítulo XV

1
Viviane é uma mulher prudente.

A mulher prudente é estimada.

Quem é estimada é feliz.

Logo,Viviane é feliz.

(Montaigne, Essais, II, 12):

“Este riacho faz barulho;


O Silogismo como Método para
Verificação da Verdade de
um Argumento — Peças Processsuais
APLICAÇÃO DA TEORIA DO SILOGISMO

Muitas formas de raciocínio dedutivo, aparentemente legítimas, são falsas. Na


linguagem do Direito, dada a sutileza dos conceitos, as diferenças específicas
podem ser pouco perceptíveis, e há argumentos com forma perfeita e matéria
incondizente com a conclusão.

W. G. Hamilton ensina: “Reduzindo um raciocínio a um silogismo, vemos suas


partes em miniatura, então podemos discernir o que é essencial do raciocínio e o
que é inútil” (op. cit.).

Vamos relembrar a definição de argumento, segundo Nérici: “Argumento é a


simples expressão material do raciocínio. Assim sendo, o argumento é
constituído das proposições que formam o antecedente e o consequente do
raciocínio” (op. cit.).

A aplicação da teoria do silogismo consiste em um método para verificação da


veracidade de um argumento. Esse método segue quatro operações: 1~
Operação: Determinar qual conclusão a que chegou o argumento, e qual é o
ponto a ser provado.

2~ Operação: Descobrir o termo médio (M) do argumento. Um silogismo deve


ter um termo médio e só um, e esse termo não deve entrar na conclusão.
Geralmente o termo médio é representado por um elemento de comparação, que
deve ser mantido o mesmo em todo o argumento.

3~ Operação: Determinar as duas premissas: a premissa maior (PM) que


relaciona o termo médio (M) com o termo maior (T), e a. premissa menor (Pm),
que relaciona o mesmo termo médio (M) com o termo menor (t).

4~ Operação: Dispor as premissas e a conclusão em ordem silogística. A


validade do argumento deve ser considerada conforme as leis do silogismo.
validade do argumento deve ser considerada conforme as leis do silogismo.

Assim:

Se a dedução coincide com um dos modos concludentes ela é legitima; em caso


contrário é falsa.

Se o argumento pertence a determinada figura do silogismo, verifica-se a sua


validade, aplicando-se as regras especiais dessa figura.

REDUÇÃO DO ARGUMENTO A UM SILOGISMO

Primeiro Argumento:

“Os desembargadores, dada uma longa experiência jurídica, conhecem bem as


leis. A maioria dos juizes não atinge o tribunal; por essa razão alguns juízes não
conhecem bem as leis, e valem-se dos acórdãos e arestos dos desembargadores”.

Aplicando o método de redução ao silogismo:

1. A conclusão, despida de outros elementos dispensáveis, é: alguns juízes não


conhecem bem as leis.

2. O termo médio é: desembargadores

3. A premissa maior também sem elementos justificativos é:


os desembargadores conhecem bem as leis.

4. A premissa menor, substituindo tribunal por desembargadores, é: alguns


juízes não são desembargadores.

Colocando em ordem os elementos do silogismo:

PM - Os desembargadores (M) conhecem bem as leis (T) Pm — ora, alguns


juízes (t) não são desembargadores (M) C - logo, alguns juízes não conhecem
bem as leis.

Verificando a validade do Silogismo:

1. Trata-se de um Silogismo da Ia figura, porque o termo médio (M) -


desembargadores - é sujeito na premissa maior e predicado na premissa menor.

2. A regra da Ia figura exige que a premissa menor (Pm) seja afirmativa. No


Silogismo em discussão, a premissa menor é negativa.

3. O Silogismo desvia-se de suas leis, logo é falso, e, por consequência, o


argumento é falso.

Evidentemente a conclusão não é válida. Por não serem desembargadores não


posso concluir que alguns juízes não conhecem bem as leis.

Segundo Argumento:

Sabemos que toda pessoa que é honesta obedece às leis. Thais, segundo todas as
testemunhas, é obediente às leis do país; portanto, o promotor de justiça não
pode negar que Thais é uma pessoa honesta; logo, merece a consideração do júri.

Reduzindo o argumento a um silogismo:

A conclusão é:Thais (t) é uma pessoa honesta (T).

O termo médio é: Obedece às leis.

A premissa maior é:Toda pessoa honesta (T) obedece às leis (M).

A premissa menor é: Thais (t) obedece às leis (M).

Ordenando as proposições:

Toda pessoa honesta obedece às leis;

ora, Thais obedece às leis;

logo, Thais é uma pessoa honesta.

E um silogismo da 2a figura, porque o termo médio (M) é predicado nas duas


premissas; portanto, obrigatoriamente uma das premissas deve ser negativa e a
premissa maior deve ser universal.

No caso, as duas premissas são afirmativas, contrariando a regra da 2a figura;


sendo as premissas afirmativas, conclui-se que o termo médio é particular nas
duas, pois que nas afirmativas o predicado é particular. Assim o silogismo vai de
encontro à quarta regra de silogismo, que prescreve que o termo médio seja pelo
menos uma vez universal. O silogismo não é correto e, por conseguinte, não o é
argumento.

Evidentemente, porThais obedecer às leis não se conclui que seja pessoa


honesta. A obediência às leis é uma obrigação que, legalmente, ninguém pode
ignorar, ao passo que a honestidade é conceito mais amplo que ultrapassa a
simples obrigação.

Verifica-se, também, que o argumento apresentado é um polissilogismo, pois a


conclusão do primeiro -Thais é uma pessoa honesta - serve de premissa do
seguinte, facilmente observado: Thais é uma pessoa honesta

ora, pessoa honesta merece consideração;

logo Thais merece consideração dos demais colegas.

Observe que não ficou provado que Thais é uma pessoa honesta.

Terceiro Argumento:

O Silogismo a seguir, apesar de boa forma, é falso na matéria. Os pensamentos


desarmados de estudo de Lógica são facilmente enganados por sofismas,
apresentados sob forma de sorites e polissilogismo.

Podemos concordar com políticos e tratadistas do assunto, que a Política é uma


arte; posso afirmar em face do que vejo e ouço, que a Política é complexa e para
prová-lo bastaria uma simples leitura de jornais. Diante dessas assertivas não
posso fugir à conclusão de que a arte é complexa.

Reduzindo todo o argumento, sem as partes acessórias, a um silogismo: A


conclusão é:A arte é complexa (T)

O termo médio é: Política A premissa maior é: A Política é complexa A


premissa menor é: A Política é uma arte.

Ordenando as proposições:
A Política (M) é complexa (T). ora, a Política é uma arte; logo, a arte é
complexa.

O Silogismo pertence à 3a figura, porque o termo médio (M) é sujeito nas duas
premissas. A regra da 3a figura exige que a premissa menor seja afirmativa e a
conclusão particular.

Verifica-se que o termo menor (t) — arte — é particular na premissa, pois o


predicado de uma afirmativa é particular; na conclusão o termo menor é
universal; logo, o termo menor tem maior extensão na conclusão do que nas
premissas, pelo que contraria a segunda regra dos silogismos.

A 3a figura determina que a conclusão seja particular, porém, no exemplo, a


conclusão é universal. Assim conclui-se que o silogismo é falso, e falso também
é o argumento.

O Silogismo seria verdadeiro, observadas as regras, desta forma: A Política é


complexa; ora, a Política é uma arte; logo, alguma arte é complexa.

PEÇAS PROCESSUAIS I - A Petição Inicial e a Contestação

Petição inicial —Verifica-se que a petição inicial, como outras peças


processuais, representa um raciocínio. Este raciocínio tem sua expressão por
meio do argumento, portanto, um antecedente — formado de duas premissas - e
um consequente - a conclusão.

Observa-se que, nos argumentos, principalmente na petição inicial, a premissa


menor vem em primeiro lugar, uma vez que o Código de Processo Civil assim
determina. Observe: O antecedente: Fernanda é possuidora de boa-fé (Pm) —
fato verdadeiro.

“O possuidor de boa-fé tem direito, enquanto ela durar, aos frutos percebidos”
— norma legal (CC, art. 1.214) (PM).

O consequente: Fernanda tem direito aos frutos.

Se raciocinássemos desta forma:

O antecedente: Fernanda é possuidora de boa-fé (verdadeira).


Fernanda não é vizinha de Jarbas (verdadeira).

O consequente: não há consequência.

Facilmente conclui-se que, para haver consequência, é preciso que as premissas,


ou o fato (Pm) e a norma (PM), tenham relação entre si. Essa relação se
estabelece, em regra, entre o direito material e o direito processual.

Exemplo de pedido certo:

A - advogado tem
honorários por receber de (Pm) fato provado (verdadeiro)
B.

A - propõe ação de
procedimento sumário (PM) norma relacionada com o fato (verdadeira)
(CPC, art. 275).

A - pede a condenação de
pedido deferido
B nos honorários.

Exemplo de pedido errado:

B está construindo um
prédio prejudicando o fato verdadeiro
prédio vizinho de A.

A propõe ação pelo


procedimento sumário norma existente, sem relação legal com o fato
(CPC, art. 275).

A pede para suspender a


A pede para suspender a pedido indeferido, em virtude de não se prestar a
construção de B. ação ao pedido. A suspensão se pede por outra
norma (CPC, arts. 934 e s.)

Em muitos anos de Exame de Ordem, na OAB secção de São Paulo, verificamos


que o erro apontado — inobservância dos preceitos do silogismo - é o mais
comum. Existe o fato (Pm) e a norma (PM), porém não há relação entre eles. A
lei prescreve que quando o tipo de procedimento escolhido pelo autor não
corresponder à natureza da causa ou ao valor da ação, e não puder se adaptar ao
procedimento escolhido, a petição inicial será indeferida (CPC, art. 295,V).

Os formulários são condenados pela OAB porque não atendem aos casos
propostos, uma vez que o fato tem grande variação de casos. Também, os
formulários representam uma restrição à inteligência dos advogados, e à arte de
requerer em juízo. Deve-se procurar elaborar a petição inicial à luz da Lógica e
das determinações prescritas nos arts. 282 e 284 do Código de Processo Civil.

São requisitos essenciais da petição inicial:

I - o fato;

II — o fundamento jurídico;

III - o pedido.

Não há dificuldade em identificar os três requisitos com o silogismo: I — o


fato (Premissa Menor);

II — o fundamento jurídico (Premissa Maior);

III - o pedido (Conclusão).

Mesmo fora da petição inicial, em qualquer requerimento estará, expressa ou


implicitamente, a figura do silogismo, assim: A norma é a Premissa Maior (PM).

O fato é a Premissa Menor (Pm).

0 pedido é a Conclusão (C).

Diante do exposto, verifica-se que o advogado pode prescindir de formulários


Diante do exposto, verifica-se que o advogado pode prescindir de formulários
para elaborar a petição inicial, a contestação ou os recursos, se observar que as
peças são, essencialmente, um silogismo.

II - A Sentença

Anafisando os elementos da sentença, no art. 458 e seguintes do Código de


Processo Civil temos: 1 - questões de fato;

II - questões de direito;

III - resolução das questões.

Também na sentença identificamos os requisitos essenciais com o silogismo: I


— questões de fato (Premissa Menor);

II — questões de direito (Premissa Maior);

III — resolução das questões (Conclusão).

Camagna tem razão ao dizer:“la seconda (a sentença) è un silogismo de cui la


legge è la premessa maggiore; il fato concreto è la premessa minore;
1’apficazione dei diritto al fato è la conseguenza”(conclusão). (Nuovo digesto
italiano, n. 8 — Transazione).

DIFERENÇA ENTRE PRESUNÇÃO E INDÍCIO

O art. 212, IV, do Código Civil prescreve:“Salvo o negócio a que se impõe


forma especial, o fato jurídico pode ser provado mediante: ... IV — presunção”.

A presunção “constitui um silogismo em que a premissa maior é o princípio


geral, a premissa menor é o fato conhecido e a conclusão é o fato que se deseja
conhecer” (Azevedo Marques).

Ainda no mesmo sentido: “A presunção até pelo significado etimológico da


palavra é uma premissa. É a premissa maior de um silogismo do qual a premissa
menor é a afirmação específica, de cuja concordância com o silogismo, resulta a
decisão” (Jorge Americano).

A definição de C. Beviláqua é clássica: “Presunção é ilação que se terá de um


fato conhecido para provar outro desconhecido”, logo um silogismo.
A presunção é o resultado do raciocínio fundado na experiência comum (CPC,
art. 335) para atingir o fato desconhecido. E possível que, neste sentido, se
confunda com indício, que também é fato conhecido no qual o juiz se
fundamenta, para chegar ao desconhecido.

Esclarecendo:

A Presunção é um raciocínio dedutivo, do geral para o particular.

Observe o exemplo de presunção no art. 500, § lc, do Código Civil: “Presume-se


que a referência às dimensões foi simplesmente enunciativa, quando a diferença
encontrada não exceder de um vigésimo da área total enunciada, ressalvado ao
comprador o direito de provar que, em tais circunstâncias, não teria realizado o
negócio”.

Teremos este raciocínio: Na diferença de 1/20 na área de um imóvel presume-se


que a referência às dimensões foi enunciativa; ora, o imóvel apresenta diferença
inferior a 1/20; logo, o comprador não tem direito a complemento de área.

O Indício é uma inferência, do particular para o particular.

Observe o exemplo de indício: na cena do crime, encontrou-se um botão na mão


da vítima com sinal de ter sido arrancado. Esse botão por si próprio não é sinal
de coisa alguma, todavia verificou-se que Fulano tinha o paletó sem um botão
igual ao encontrado na vítima, com sinal de arrancamento. Desse indício,
mediante outras diligências, chegou-se à conclusão de que Fulano foi o
assassino.

Para a Lógica, presunções e indícios representam um raciocínio, quer partindo


do geral para o particular, quer do particular para o particular.

Para o Direito, presunção e indício diferem:

“A Presunção tem função probatória inerente (essencial);

O Indício tem função probatória acidental” (M. Amaral Santos, op. cit.).

Nas presunções legais o silogismo se arma da seguinte maneira: A presunção


legal (PM).

O fato (Pm).
O fato (Pm).

A consequência (C).

Em vista do exposto quem argui presunção legal não precisa prová-la, porém é
obrigado a provar o fato ou os fatos (Pm) nos quais a lei fundamenta a
presunção.

Na Lei, as presunções são identificáveis, de forma prática, pelo uso dos termos:
induzem, entende-se, reputa-se, considera-se.

Entendendo as presunções como absolutas (juris et jure) e como relativas (juris


tantum), conclui-se que: as presunções absolutas (juris et jure) são matéria
necessária, isto é, não podem ser afastadas por quaisquer provas, são
indiscutíveis; as presunções relativas (juris tantum) são matéria contingente, isto
é, admitem prova em contrário, portanto, são discutíveis.

São quatro exemplos de presunção no Código Civil, entre inúmeros: l2 “Art. 82


Se dois ou mais indivíduos falecerem na mesma ocasião, não se podendo
averiguar se algum dos comorientes precedeu aos outros, presumir-se-ão
simultaneamente mortos”.

22 “Art. 265. A sofidariedade não se presume; resulta da lei ou da vontade das


partes”.

32“Art. 398. Nas obrigações provenientes de ato ilícito, considera-se o devedor


em mora, desde que o praticou”.

4e“Art. 551. Salvo declaração em contrário, a doação em comum a mais de uma


pessoa entende-se distribuída entre elas por igual”.

Veja também no Código Civil os arts. 129, 183, 184, 283, 322,
323,324,325,421,428,1, 432, 574, 581,610, § l2,658,1.171,1.208, 1.215,1.436, §
l2,1.598, entre inúmeros outros.

São quatro exemplos de presunção no Código de Processo Civil, entre inúmeros:


l2 “Art. 319. Se o réu não contestar a ação, reputar-se-ão verdadeiros os fatos
afirmados pelo autor”.

22“Art. 368. As declarações constantes do documento particular, escrito e


assinado, ou somente assinado, presumem-se verdadeiras em relação ao
signatário”.

32 “Art. 412. (...) § l2 A parte pode comprometer-se a levar à audiência a


testemunha, independentemente de intimação; presumindo-se, caso não
compareça, que desistiu de ouvi-la”.

42 “Art. 474. Passada em julgado a sentença de mérito, reputar--se-ão deduzidas


e repelidas todas as alegações e defesas, que a parte poderia opor assim ao
acolhimento como à rejeição do pedido”.

Veja também no Código de Processo Civil os arts. 261, parágrafo único, 302,
334, IV, 343, § l2, 371, 402,1, 593, 600, 661, 671, 672, 694,803,838,842, § l2,
entre inúmeros outros.

São quatro exemplos de presunção no Código Comercial:

l2 “Art. 200. Reputa-se mercantilmente tradição simbólica, salvo a prova em


contrário, no caso de erro, fraude ou dolo...”

22“Art. 305. Presume-se que existe ou existiu sociedade, sempre que alguém
exercita atos próprios de sociedade, e que regularmente se não costumam
praticar sem a qualidade social”.

32“Art. 316. (...) Não havendo no contrato designação do sócio ou sócios que
tenham a faculdade de usar privativamente da firma social, nem algum excluído,
presume-se que todos os sócios têm direito de fazer uso dela”.

42“Art. 432. As verbas creditadas ao devedor em conta corrente assinada pelo


credor, ou nos livros comerciais deste, fazem presumir o pagamento, ainda que a
dívida fosse contraída por escritura pública ou particular”.

III - Os Recursos

A APELAÇÃO — O art. 514 do Código de Processo Civil enumera os requisitos


do recurso, que também se reduz ao silogismo, desta forma: I - os fundamentos
de Direito (PM);

II — o fato (Pm);
III - o pedido de nova decisão (C).

O AGRAVO DE INSTRUMENTO — Para este recurso a prescrição legal é


(CPC, art. 526 e s.): I — exposição do Direito (PM);

II - o fato (Pm);

III — o pedido de reforma (C).

OS EMBARGOS INFRINGENTES - Este recurso deve ser articulado em forma


lógica. O embargante também empregará o argumento dedutivo, porque não foi
unânime o julgado proferido na apelação e em ação rescisória, conforme
determinam os arts. 530 e seguintes do Código de Proceso Civil.

O RECURSO EXTRAORDINÁRIO — O recurso extraordinário deve conter as


determinações do art. 541 e seguintes do Código de Processo Civil: I - a
exposição do direito (PM);

II — o fato (Pm);

III — o pedido de reforma (C).

OS EMBARGOS DECLARATORIOS — Este recurso trata de obscuridade ou


contradição na linguagem, bem como da omissão de ponto sobre o qual deveria
haver pronunciamento, na sentença, no acórdão ou no aresto.Veja o art. 535 e
seguintes do Código de Processo Civil.

Nota — Sobre a uniformização da jurisprudência: O artigo do Código de


Processo Civil se assemelha ao extinto recurso de revista, todavia não é
considerado recurso. Nele, o requerente deve demonstrar divergência ou
interpretação diversa. Só pode fazê-lo mediante aplicação do princípio de tríplice
identidade, que é o fundamento lógico do silogismo.

SÚMULA

O Silogismo como método para verificação da verdade.

Aplicação da teoria do silogismo: método com 4 operações.

0 argumento: definição e exemplos.


Peças processuais.

1 — A petição inicial (CPC, art. 282 e s.) e a contestação (CPC, art. 301

e s.)

exemplos de pedido certo e de pedido errado.

II — A sentença:

elementos: arts. 458 e s. do CPC.

a diferença entre presunção (tem função probatória essencial) — e o indício (tem


função probatória acidental).

exemplos de presunção no Código Civil, Código de Processo Civil e no Código


de Direito Comercial.

III — Os Recursos:

A apelação: arts. 514 e s. do CPC.

O agravo de instrumento: arts. 526 e s. do CPC.

Os embargos infringentes: arts. 530 e s. do CPC.

O recurso extraordinário: arts. 541 e s. do CPC.

Os embargos declaratórios: arts. 535 e s. do CPC.

Nota sobre a uniformização da jurisprudência: o recurso de revista.

EXERCÍCIOS
Aponte todas as opções incorretas em cada uma das questões:

1. Sobre presunção:

a) são absolutas as presunções juris tantum, e são relativas as presunções juris


et jure.
b) A. Marques afirmou que a presunção constitui um silogismo em que a PM é
o fato conhecido, e C é o fato que se deseja conhecer.

c) as presunções absolutas são indiscutíveis, ou seja, não podem ser afastadas


por qualquer prova.

2. Sobre presunção e indício:

a) as presunções relativas admitem prova em contrário, ou seja, são discutíveis.

b) pode-se dizer que a presunção é um silogismo, porque é “ilação que se terá


de um fato conhecido para provar outro desconhecido”.

c) é correto dizer que o indício tem função probatória essencial, e a presunção,


função probatória acidental.

3. Sobre peças jurídicas:

a) em qualquer requerimento, a figura do silogismo estará presente, porque a


norma é a PM, o fato é a Pm e o pedido é a C.

b) a Petição Inicial é um argumento, portanto, tem um antecedente formado de


três premissas e um consequente.

c) para G. Hamilton, reduzido um raciocínio a um silogismo, podemos


discernir o que é essencial e o que é inútil ao raciocínio.

4. Sobre premissas:

a) as premissas serão, preferivelmente, dispostas em ordem silogística.

b) a PM relaciona o M com o T.

c) a Pm relaciona o T com o t.

5. Analisando os antecedentes:

“O possuidor de boa-fé tem direito, enquanto ela durar, aos

frutos percebidos” (CC, art.1.214).

Bruna é possuidora de boa-fé;


Bruna é possuidora de boa-fé;

Bruna não é vizinha de Moisés, o consequente é:

a) não há consequente.

b) Bruna tem direito aos frutos percebidos.

c) Bruna não tem direito aos frutos percebidos.

6. Sobre o método para apurar a veracidade do argumento:

a) cuidar para que o M esteja na conclusão.

b) o termo médio (M) não é um elemento de comparação, pelo que poderá


sofrer alterações no argumento.

c) é essencial determinar os pontos a serem provados, os quais levarão à


conclusão do argumento.

7. Analisando os elementos da sentença (CPC, art. 458) identificamos seus


requisitos com o silogismo. Assim:

a) questões de fato (Pm), questões de Direito (PM) e resolução das questões


(C).

b) exposição do Direito (Pm), o fato (PM) e o pedido de reforma (C).

c) fundamentos de Direito (PM), o fato (Pm) e o pedido deferido (C).

8. Sobre presunção:

a) são identificadas na lei porque vêm associadas aos verbos: induzir, entender,
considerar, reputar, entre outros.

b) a presunção é uma premissa até pelo significado etimológico.

c) a presunção é um raciocínio fundado somente no que ordinariamente


acontece, para atingir o fato conhecido (CPC, art. 335).

9. Sobre Presunção e indício:


a) para a Lógica, presunções e indícios somente são raciocínios quando partem
do geral para o particular.

b) aquele que arguir a presunção legal não precisa prová-la, apenas provará os
fatos onde a lei fundamenta tal presunção.

c) nas presunções legais, o silogismo se arma com: presunção legal (PM); fato
(Pm) e consequência (C).

10. Sobre peças jurídicas;

a) a petição inicial abre-se com a PM, por determinação do CPC.

b) para haver conclusão ou consequente, não é obrigatório que o fato e a norma


estejam relacionados entre si.

c) a relação entre o direito material e o direito processual somente se


estabelece com a relação que o fato (PM) e a norma jurídica (Pm), têm entre si.

Capítulo XVI
Argumentos Gerais e Forenses:
Definições e Regras. Aristóteles:
Tópicos
O ARGUMENTO

Estudamos o argumento — é a expressão verbal do raciocínio — e o raciocínio


— é a operação que consiste em adquirir um conhecimento novo, mediante outro
conhecido.

Da própria definição de argumento resulta sua regra principal. Argumentar é


passar do conhecimento que já temos, para um conhecimento novo. Este
conhecimento que é sabido, deve ser uma verdade certa ou, pelo menos, uma
verdade que não seja contestada pela parte contrária.

Nérici esclarece que “o argumento é constituído materialmente pelas


proposições e termos e, formalmente pelo artifício da disposição das proposições
e termos. O que tem importância, principalmente no silogismo, é o artifício, a
disposição das proposições e dos termos para facilitar a conclusão” (op. cit.).

O argumento ocorre quando se pretende provar uma proposição duvidosa, e isso


só pode se realizar se tivermos como certo ou incontestado um fato ou um
princípio. Como base verdadeira para o Argumento devemos citar: as leis, as
presunções, os fatos notórios, as máximas de experiência (CPC, art. 335), bem
como os fatos em que as duas partes estão de acordo, ou os fatos já provados nos
autos, ou, ainda, os fatos que não foram contestados pela parte adversa
(CPC, art. 334).

OS ARGUMENTOS GERAIS

São argumentos gerais:

I - Silogismo
II — Indução

III - Dilema

IV — Entimema

V — Paradoxo

I - Silogismo - Em capítulos anteriores já foi estudado o silogismo. O método


silogístico não consiste apenas em ser o mais claro, é, também, o mais seguro.
Observe o art. 283 do Código de Processo Civil: entendemos que a petição
inicial é um Silogismo:

os fundamentos (a premissa maior);

o fato (a premissa menor);

o pedido (a conclusão).

Assim, a sentença e os recursos seguem o mesmo sistema. A forma silogística,


como todo o argumento, está sujeita a falseação da verdade. Se um dos
elementos não é verdadeiro — ainda que a forma seja correta - o argumento é
falso. Esse raciocínio falso denomina-se Sofisma. Segue-se um exemplo de
Sofisma:

Titus é um juiz.

Há juízes injustos.

Titus é injusto.

E correto dizer que: aquilo que contém uma coisa, que encerra uma outra coisa,
contém, também, essa outra coisa. Ora, o termo juiz contém Titus, porém não
contém injusto.

II — Indução — De forma muito resumida, pode-se dizer que indução é a


forma de raciocínio que consiste em apresentar vários fatos particulares, donde
se tira uma conclusão geral.

Nérici entende que indução “é o processo mental que, de dados particulares,


suficientemente constatados, pode-se inferir uma verdade geral ou universal.
Essa forma de raciocínio tornou-se altamente fecunda nas ciências
experimentais, e poderoso meio para obtenção de verdades científicas” (op. cit.).

Jolivet entende que indução “é um raciocínio pelo qual a inteligência, de dados


suficientemente enumerados, infere uma verdade universal”. E exemplifica:

“Este pedaço de ferro conduz a eletricidade.

Este outro pedaço, também.

Este outro, também.

Logo, o ferro conduz a eletricidade.

O ferro, o zinco, a prata, também conduzem.

Logo, o metal conduz a eletricidade” (op. cit.).

São duas leis da indução:

“Ia Nas mesmas circunstâncias, as mesmas causas produzem os mesmos efeitos;

2a O que é verdade de algumas partes suficientemente estudadas de um sujeito, é


verdade para todo esse sujeito em seu aspecto universal” (Nérici, op. cit.).

O defeito da indução é apresentar uma enumeração incompleta, pois, se faltar


um fato, a conclusão é falsa. Posso concluir que todas as disposições de última
vontade são revogáveis, enumerando que o testamento, o codicilo, o
fideicomisso e legados são revogáveis.

Para Nérici, três regras se impõem para orientar o trabalho de indução e evitar
equívocos:

“Ia Assegurar-se de que a relação que se pretende generalizar é verdadeiramente


essencial. Esta precaução evita que o acidental seja confundido com o essencial.

2a Certificar-se de que os fatos dos quais se pretende generalizar uma relação,


sejam idênticos, para evitar que se aproximem fatos diferentes e que só se
assemelhem acidentalmente.
3a Não perder de vista o aspecto quantitativo dos fatos” (op. cit.).

DIFERENÇA ENTRE INDUÇÃO E DEDUÇÃO


Jolivet entende que “no raciocínio dedutivo, a conclusão está contida nas
premissas, como a parte no todo; enquanto no raciocínio

indutivo a conclusão está para as premissas como o todo está para as partes”. E
exemplifica:

“O metal conduz a eletricidade.

Ora, o ferro é metal,

Dedução: Logo, o ferro conduz a eletricidade.

Indução: O ferro, o cobre, o zinco conduzem a eletricidade.

Ora, o ferro, o cobre, o zinco são metais,

Logo, o metal conduz a eletricidade” (op. cit.).

Aristóteles entende que: “aprendemos por indução ou por demonstração. A


demonstração parte do universal, e a indução parte dos indivíduos” (op. cit.).

O princípio da indução pode ser enunciado: “o que é verdadeiro ou falso de


vários indivíduos suficientemente enumerados de uma espécie dada, ou de várias
partes suficientemente enumeradas de um todo dado — ou de um sujeito
universal — é verdadeiro ou falso dessa espécie ou desse todo — ou sujeito
universal” (R. Jolivet, op. cit.).

III — Dilema — E o argumento composto de proposições igualmente decisivas


contra o adversário. Consiste em dividir um todo em duas partes, de forma que
se conclua do todo o que se tinha concluído de cada parte. O erro deste
argumento se mostra quando é oferecida à parte contrária uma terceira opção.

Para Nérici, dilema “é um duplo silogismo com uma única conclusão, pelo qual
o adversário é obrigado a uma alternativa, conduzindo, porém, ambos, a uma
idêntica conclusão” (op. cit.).

Um exemplo de dilema é o argumento oferecido aos agnósticos, isto é, àqueles


Um exemplo de dilema é o argumento oferecido aos agnósticos, isto é, àqueles
que pregam que não se pode saber nada. Assim:

ou os agnósticos sabem o que dizem, ou não sabem;

se sabem o que dizem, pode-se afirmar que se pode saber qualquer

coisa (que não se pode saber nada);

se os agnósticos não sabem o que dizem, não podem assegurar

que não se pode saber nada.

Um exemplo de dilema falso seria dizer que a propriedade só poderia pertencer a


alguma pessoa por compra ou herança, porque a doação é também meio de
adquirir propriedade.

Jolivet ensina que “para ser válido, o Dilema deve apresentar, na premissa
maior, uma disjunção completa, e considerar todos os casos possíveis e depois,
deduzir de cada um dos casos, uma consequência legitima”. E apresenta o
dilema que incide contra esta regra:

“Todo cidadão é revolucionário, ou conservador.

Se é revolucionário, favorece a desordem, preconizando a violência.

Se é conservador, favorece também a desordem, rejeitando as reformas”.

E conclui: “a premissa maior do Dilema negligencia um terceiro caso possível,


ou seja: o caso da pessoa que admite reformas, sem recurso à violência” (op.
cit.).

IV — Entimema — E um silogismo completo no pensamento, com expressão


verbal incompleta, porque uma das proposições é suprimida. E a forma mais
comum de silogismo, porque atinge mais diretamente o fim do raciocínio e
proporciona um raciocínio também a quem lê ou ouve.

Exemplo: Felipe é advogado, portanto, conhece as leis. Falta no raciocínio a


proposição: Todo advogado conhece as leis.

V — Paradoxo — Do grego Parádoksos, tem o sentido de estranho, bizarro,


extraordinário. Em Filosofia, Paradoxo designa o que é aparentemente
contraditório, mas que, apesar de tudo, tem sentido.

São três Paradoxos célebres, entre inúmeros outros:

Primeiro: O Paradoxo atribuído a Eubúlides de Mileto (séc. IV a.C.) diz respeito


à declaração, rigorosamente verdadeira e falsa ao mesmo tempo, de que “todos
os cretenses sempre mentem”.

Segundo: O Paradoxo da flexa imóvel. O filósofo grego Zenão de Eleia (séc.V


a.C.) pretendeu demonstrar que o movimento dos objetos é um fenômeno irreal e
contraditório, consistindo sempre em mera ilusão dos sentidos.

Terceiro: O Paradoxo de Russel, que demonstra a existência de conjuntos


pertencentes a si mesmos, como o peculiar conjunto formado por todos os
conjuntos.

Alguns tratadistas mostraram, como Paradoxo, o sistema de Ga-lileu, de


Copérnico, de Newton e outros, porém, observa-se que havia apenas uma crença
falsa.

0 Paradoxo (para = ao lado e doxa = opinião) aparece na Arte da Advocacia


como recurso de Oratória: “Apesar de sua ausência, eles estão presentes; apesar
de sua pobreza, eles estão na abundância; apesar de sua fraqueza, têm vigor; e o
que é mais difícil dizer, após a morte eles vivem ainda, tanto é vivo o respeito e
a lembrança de seus amigos” (Cícero, Tratado da amizade).

ONZE ARGUMENTOS FORENSES

A Dialética forense admite todas as formas da Dialética comum e nela estão


incluídos onze argumentos chamados Argumentos Forenses. São eles:

TArgumento “a Contrario Sensu”— Consiste, geralmente, em concluir de uma


disposição legal, a exclusão da matéria que não está compreendida nessa
disposição legal.

Exemplo: A Lei n. 6.515, de 26-12-1977 — Lei do Divórcio. No art. 36, há uma


proposição exclusiva que assim dispõe:

“Do pedido referido no artigo anterior, será citado o outro cônjuge, em cuja
“Do pedido referido no artigo anterior, será citado o outro cônjuge, em cuja
resposta não caberá reconvenção.

Parágrafo único. A contestação só pode fundar-se em:

1 - falta de decurso de 1 (um) ano da separação judicial;

II — descumprimento das obrigações assumidas pelo requerente na separação”.

Desse artigo se conclui, a contrario sensu, que qualquer outra razão alegada,
como, por exemplo, maus-tratos ao filho sob a guarda ou parcela de alimento
insuficiente, não obsta a conversão da separação em divórcio, porque são objetos
de ações diferentes, com diferentes procedimentos.

2°Argumento à Definição — No Capítulo V estudou-se a definição. O


argumento consiste em tirar de uma definição as consequências que se prestam à
causa que o advogado defende. Por exemplo, a definição de posse:

“Considera-se possuidor todo aquele que tem de fato o exercício, pleno ou não,
de algum dos poderes inerentes à propriedade” (CC, art. 1.196).

Em uma ação de usucapião a autora pode argumentar que mantém posse, porque
é locadora da gleba usucapienda. Ora, o fato provado se insere nos poderes
inerentes à propriedade, donde sua posse pode ser reconhecida.

3~ Argumento “a Fortiori” — A expressão a fortiori significa: com maior razão.


Esse argumento supõe razão maior para aplicar um caso previsto pela lei, a outro
caso. Assim quem pode doar, com maior razão pode vender; quem pode vender,
com maior razão pode hipotecar. Ocorrem, porém, equívocos na aplicação desse
argumento. Observe estes dois casos: o procurador com poderes para vender,
não pode compromissar; o tutor autorizado a vender bem de menor, não
pode hipotecar o bem.

4~ Argumento “a Majori ad Minus”— O argumento estabelece que se a parte


tem direito de fazer 0 mais, consequentemente tem o direito de fazer 0 menos.
Deve-se acrescentar: quando 0 mais e 0 menos são fundados na mesma razão.
Esse argumento, sem a restrição que apresentamos, tem assumido na linguagem
forense menos cuidada a forma quem pode 0 mais, pode 0 menos, que não é
verdadeira e pode conduzir ao absurdo.

5° Argumento “a Simili” — Este argumento consiste em aplicar a um caso não


previsto, a regra estabelecida por um caso semelhante, porque a razão de decidir
é a mesma. E evidente que as leis não podem abranger todos os casos e o
argumento supre essa deficiência. A moderna tecnologia, as formas de fraude
sempre renovadas, têm dado ensejo para o emprego frequente do argumento a
simili. Certamente, se o argumento leva ao absurdo ou à contrariedade às leis,
ele deve ser repudiado.

6~ Argumento “ab Auctoritate” - Nos casos de leis ou artigos de leis obscuros ou


duvidosos, o advogado argumenta com as autoridades.

Nesse termo estão incluídos os pareceres dos juristas, os acórdãos e os arestos.


Com alguma frequência, observa que juristas e tribunais mudam de opinião e de
decisão. A obra humana não está liberta do erro, por isso o advogado deve
buscar solução para seu caso, ainda que contra juristas e acórdãos, desde que
esteja bem fundamentado no Direito e na Lógica. O Argumento de Autoridade é
o menos lógico, uma vez que o advogado não faz um raciocínio próprio, porém
usa opiniões alheias.

E comum, grande parte dos advogados recorrer à jurisprudência antes de outro


exame. O método do advogado deve ser o silogístico: conhecer o fato com
minúcias; verificar se está amparado pela lei, depois enquadrá-lo na lei. Só
depois desse trabalho de raciocínio, procurar amparar-se com tratadistas e
acórdãos. Jamais substituir um primeiro raciocínio próprio pela jurisprudência,
até se convencer de que está errado.

7-Argumento “ab Impossibili” — O argumento se apresenta sob forma de dois


brocardos:

a) Impossibilium nulla est obligatione. Ou: Não há obrigação diante do


impossível.

b) Ad impossibilia nemo tenetur. Ou: Das coisas impossíveis nada se

tira.

0 argumento tem dois propósitos:

a) concluir que uma coisa não existe, logo é impossível;

b) extrair da impossibilidade de cumprir uma obrigação a consequência de que


não há obrigação. A impossibilidade pode ser física ou jurídica.

Prescreve o Código Civil, no art. 123:

“Invalidam os negócios jurídicos que lhes são subordinados:

1 — as condiçõesfísica ou juridicamente impossíveis, quando suspensivas;

II - as condições ilícitas, ou de fazer coisa ilícita;

III — as condições incompreensíveis ou contraditórias”.

O art. 393 do CC refere-se a caso fortuito ou força maior, ao prescrever: “O


devedor não responde pelos prejuízos resultantes de caso fortuito ou força maior,
se expressamente não se houver por eles responsabilizado ’ ’.

8°Argumento “Cessante Ratione”— O argumento vem do brocardo: Cessante


ratione legis, cessat ipsa lex, ou seja, cessando o motivo da lei, a lei cessa de ter
efeito.

No Brasil, o argumento é invocado com frequência, como no art. 2a da LINDB,


com a observação do art. 6a da mesma lei: “Art. 2a Não se destinando à vigência
temporária, a lei terá vigor até que outra a modifique ou revogue”.

9aArgumento de Ordem — A razão deste argumento é: a ordem de pessoas ou


coisas explica a intenção da lei, ou do contrato. Em latim: Ordo scripturae
demonstrai ordinem intellectus seu voluntatis. Quando se enumeram várias
pessoas e várias coisas, pode-se deduzir que há uma preferência em favor das
pessoas.

Exemplo: E comum nos testamentos a nomeação de dois testamenteiros. Se não


houver ressalva é evidente que o primeiro testamenteiro deve assumir, e só no
falecimento ou impedimento do primeiro testamenteiro, o segundo testamenteiro
funcionará no inventário. Se o testador legar o usufruto de um bem a Priscila e a
Marcos, alternativamente, por dois anos cada um, parece evidente que Priscila
usará o bem em primeiro lugar, pois que não há outro critério para solução.

O Código Civil observa a ordem:

a) na vocação hereditária: “A sucessão legítima defere-se na ordem seguinte: I


- aos descendentes, em concorrência com o cônjuge sobrevivente...; II — aos
ascendentes em concorrência com o cônjuge; III — ao cônjuge sobrevivente; IV
— aos colaterais” (CC, art. 1.829);

b) a disposição sobre a ordem: “O fiador demandado pelo pagamento da dívida


tem direito a exigir, até a contestação da lide, que sejam primeiro executados os
bens do devedor” (CC, art. 827);

c) quando não prevalece a ordem: “Não aproveita este benefício ao fiador: I —


se ele o renunciou expressamente; II — se se obrigou como principal pagador,
ou devedor solidário; III — se o devedor for insolvente, ou falido” (CC, art.
828).

10aArgumento “Exceptione ad Regulam” —A exceção confirma a regra para


todos os casos não excetuados. Em latim: Exceptio jirmat regulam in casibus
non exceptio. O argumento está fundamentado nessa máxima. Entende-se que
um caso entra na regra geral, desde que não

esteja enumerado na exceção. É comum a aplicação em testamentos e contratos.

Exemplo: Em um testamento há o legado do apartamento, com todos os


pertences, exceto o relógio antigo, os quadros, e uma coleção de xícaras
chinesas. Uma determinada escultura antiga não estava excluída do legado, logo
a escultura faz parte do legado (regra geral) porque não foi destacada na
exceção.

1T Argumento “Subjecta Matéria”— As leis bem redigidas trazem subdivisões


de livro, título, e capítulo, ou simplesmente capítulo e artigos. O argumento
consiste em aplicar um artigo, conforme o capítulo em que se encontra. E
também regra de interpretação. Da rubrica ou capítulo da lei tira-se o argumento.
A propósito de um termo — moderação — na Lei n. 4.532, de 18 de maio de
1965, argumentou--se: “Há que verificar-se todo o artigo onde se encontra o
termo, e, mais, o capítulo e o título da lei...” (RT, 450:49).

TÓPICOS DE ARISTÓTELES SOBRE ARGUMENTO

AlgunsTópicos de Aristóteles servem para conduzir os argumentos e outros são,


verdadeiramente, argumentos. A longa prática levou--nos a elaborar este
apêndice. A leitura, a meditação e os exercícios sobre eles são formas de
aprimorar a arte do raciocínio.
aprimorar a arte do raciocínio.

Tópicos - Livro I

1. “0 raciocínio é um argumento em que, estabelecidas certas coisas, outras


coisas diferentes se deduzem necessariamente das primeiras.”

2. “O raciocínio é dialético quando parte de opiniões geralmente aceitas.” “A


Dialética é um processo de crítica, onde se encontra o caminho que nos conduz
aos princípios de toda investigação.”

3. “O raciocínio é contencioso (erístico) quando parte de opiniões geralmente


aceitas, mas não o são realmente.”

4. “A posse de um plano de investigação nos prepara para argumentar mais


facilmente sobre o tema proposto.”

5. “Os meios pelos quais lograremos estar bem supridos de raciocínio são
quatro:

I — prover-nos de proposições;

II - a capacidade de discernir em quantos sentidos se emprega uma


determinada expressão;

III - descobrir as diferenças das coisas;

IV - investigação da semelhança (das coisas).”

6. “E útil ter examinado a pluralidade de significados de um termo para nos


certificar de que nosso raciocínio estará de acordo com os fatos reais e não se
referirá apenas aos termos usados. Enquanto não ficar bem claro em quantos
sentidos se usa um termo pode acontecer que aquele que responde e o que
interroga não tenham suas mentes para a mesma coisa.”

7. “Descobrir as diferenças das coisas nos ajuda tanto nos raciocínios sobre a
identidade e diferença como também a reconhecer a essência de cada coisa
particular, pois após descobrirmos uma diferença qualquer entre os objetos, já
teremos mostrado que eles não são os mesmos.”
8. “O exame da semelhança é útil para os argumentos indutivos, porque é por
meio de uma indução de casos individuais semelhantes que pretendemos pôr em
evidência o universal.”

Tópicos - Livro II

9. “Os problemas são universais ou particulares. Os métodos para destruir


universalmente uma opinião são comuns a ambos os problemas; quando
demonstramos que um predicado se aplica a todos os casos de um sujeito,
também demonstramos que ele se aplica a alguns casos. Do mesmo modo,
quando demonstramos que ele (predicado) não se aplica a algum caso, também
demonstramos que ele não se aplica a todos os casos.”

10. “E claro que ao rebater um juízo não há necessidade de começar a


discussão levando o interlocutor a admitir o que quer que seja, tanto se o juízo
afirma ou nega o atributo universalmente; porque, se mostrarmos que num caso
qualquer o atributo não pertence ao sujeito, teremos demolido a afirmação
universal; é, do mesmo modo, se mostrarmos que ele pertence (ao sujeito) num
só caso que seja, teremos demolido a negação universal.”

11. “É bom, além disso, trocar um termo por outro mais familiar, ao descrever
uma concepção, pois, quando a expressão é mais familiar, torna-se mais fácil a
tese.”

12. “Existe o desvio sofístico do argumento, mediante o qual levamos nosso


adversário a fazer a espécie de afirmação contra a qual estamos bem providos de
linha de argumentação.”

13. “Sempre que duas coisas se assemelham muito entre si e não podemos ver
nenhuma superioridade numa delas sobre a outra, devemos examiná-las sob o
ponto de vista de suas consequências.”

Tópicos - Livro IV

14. “Se for sugerido um gênero para alguma coisa existente, devemos primeiro
considerar todos os objetos que pertencem ao mesmo gênero que a coisa
mencionada, e ver se o gênero sugerido não se predica de uma delas (uma coisa
não pertence ao gênero sugerido), como acontece no caso de um acidente; se o
bem é indicado como o gênero de prazer, deve-se verificar se algum prazer
particular não é bom, porque se assim acontecer evidentemente bem não é
gênero de prazer.”

15. “Uma vez que de todo gênero há mais de uma espécie, veri-fique-se se é
impossível haver alguma outra espécie além da apontada, que corresponda ao
gênero proposto; porque, se não houver nenhuma, evidentemente, o que se
propôs como gênero não pode sê-lo, em absoluto.”

16. “Veja-se também se ele (o adversário) atribuiu uma afecção como gênero,
o objeto por ela (a afecção) afetado; definindo, por exemplo, o vento como: o ar
em movimento. Em termos mais exatos, o vento é o movimento (afecção) do ar
(coisa afetada), pois o ar mesmo persiste quando está em repouso e quando está
em movimento.”

17. “Veja-se se o termo proposto (para gênero) não é gênero de coisa


nenhuma; pois neste caso é evidente que tampouco é o gênero da coisa
mencionada.”

Tópicos - Livro V

18. “Uma propriedade essencial é a que se afirma de uma coisa em


comparação com tudo mais e que distingue a referida coisa de todas as outras,
por exemplo, ‘um ser vivente mortal capaz de receber conhecimento’, no caso do
homem.

Uma propriedade relativa é aquela que distingue o seu sujeito não de todas as
coisas, mas apenas de uma coisa particular definida.

Uma propriedade permanente é aquela que é verdadeira em todas as ocasiões e


que nunca falta, por exemplo, ‘ser composto de corpo e alma’, no caso do
homem.

Uma propriedade temporária é aquela que só é verdadeira numa ocasião


particular e não acompanha necessariamente o sujeito, como dizer-se de um
homem particular que está sentado na praça do mercado.”

Tópicos - Livro VII

19. “A indução deve proceder dos casos individuais para os universais e do


conhecido para o desconhecido e os objetos de percepção são os mais bem
conhecidos, se não invariavelmente, ao menos pela maioria das pessoas.”
20. “É também um bom estratagema fazer, de vez em quando, uma objeção
contra si próprio, pois os oponentes ficam desprevenidos contra aqueles que
parecem argumentar imparcialmente.”

21. “Não devemos mostrar-nos insistentes mesmo quando necessitamos que nos
concedam o ponto em apreço, porque a insistência sempre faz recrudescer a
oposição.”

22. “Deve-se mencionar em último lugar o ponto que mais se deseja fazer
admitir, pois as pessoas se inclinam especialmente a negar as primeiras
perguntas que se lhe fazem, uma vez que a maioria dos argumentadores ao
interrogar formula em primeiro lugar os pontos que pretende assegurar.”

23. “A conclusão não deve ser expressa sob a forma de uma pergunta; se o for
e o contendor sacudir negativamente a cabeça, dará a impressão de que o
raciocínio falhou.”

Tópicos I - 108 B

24. “Descobrir as diferenças das coisas nos ajuda tanto nos raciocínios sobre a
identidade e a diferença, como também a reconhecer a essência de cada coisa
particular. E evidente que nos ajuda a raciocinar sobre a identidade e a diferença
(das coisas); pois, após descobrirmos uma diferença qualquer entre os objetos
que temos diante de nós, já teremos mostrado que eles não são o mesmo; e
ajuda-nos a reconhecer o que uma coisa é, porque geralmente distinguimos a
expressão própria da essência de cada coisa particular por meio das
diferenças que lhe são próprias.”

25. “O exame da semelhança é útil tanto para os argumentos indutivos como


para os raciocínios hipotéticos, bem assim como para formular definições. E útil
para os argumentos indutivos, porque é por meio de uma indução de casos
semelhantes que pretendemos pôr em evidência o universal — e isso não é fácil
quando ignoramos os pontos de semelhança. E útil para os raciocínios
hipotéticos, porque entre semelhantes, de acordo e com a opinião geral, o que é
verdadeiro de um é também verdadeiro de outro.”

SÚMULA

Argumento: é a expressão verbal do raciocínio.

Raciocínio: é a operação que consiste em adquirir um conhecimento novo,


Raciocínio: é a operação que consiste em adquirir um conhecimento novo,
mediante outro saber conhecido.

Os Argumentos Gerais:

I — Silogismo: é um argumento fundado numa verdade preexistente.

II — Indução: é a apresentação de vários fatos particulares, donde se tira uma


conclusão geral.

— diferença entre Indução e Dedução.

III — Dilema: é o argumento composto de proposições igualmente decisivas


contra o adversário.

IV — Entimema: é o silogismo completo no pensamento, porém,


com expressão verbal incompleta.

V — Paradoxo: é um recurso de Oratória.

Onze argumentos forenses.

Tópicos de Aristóteles sobre Argumento.

EXERCÍCIOS
Aponte todas as alternativas corretas em cada uma das proposições a seguir:

1. Titus é juiz. Há juízes injustos. Títus é injusto.

d) é um raciocínio duvidoso.

b) é um raciocínio falso.

c) é um sofisma.

2. Sobre Argumento:

d) argumentar é passar do conhecimento sabido para um novo conhecimento.

b) o argumento só ocorre quando se pretende provar uma proposição duvidosa.


c) é a regra principal do argumento que o conhecimento sabido poderá ser ou
não ser uma proposição duvidosa.

3. Entinema é:

d) um silogismo completo no pensamento, mas sua expressão verbal é


incompleta porque foi suprimida uma das proposições. Um exemplo de entinema
é: Aline á advogada, portanto conhece as leis.

b) um silogismo completo no pensamento e que consiste em tirar de uma


definição as conclusões que se prestam ao argumento a ser defendido.

c) um silogismo completo no pensamento e na expressão verbal. E a forma


mais comum de sofisma.

4. Sobre Forma Silogística:

d) se um dos elementos não é verdadeiro, ainda que a forma seja correta, o


argumento é falso.

b) se um dos elementos não é verdadeiro, ainda que a forma seja falsa, o


argumento é verdadeiro.

c) a forma silogística não está sujeita à falseação da verdade.

5. Indução é:

a) a apresentação de vários fatos particulares. O defeito da indução é


apresentar uma enumeração incompleta, ou seja, se faltar um fato, a conclusão é
falsa.

b) a apresentação de vários fatos, particulares ou não, donde se pode tirar uma


conclusão geral. A ausência de um fato não interfere na conclusão.

c) a apresentação de vários fatos particulares donde se tira uma conclusão


geral.

6. O Dilema consiste em:

a) proposições igualmente decisivas contra o adversário.


b) dividir um todo em duas partes, de forma que se conclua do todo o que se
tinha concluído de cada parte.

c) o erro deste argumento fica evidente quando se oferece uma terceira opção à
parte contrária.

7. Sobre Silogismo e Argumento:

a) são bases verdadeiras para o argumento, os fatos sobre os quais as duas


partes estão em fitígio, e os fatos que já foram contestados pela parte contrária.

b) a petição inicial é um silogismo. Assim, os fundamentos são a premissa


maior (PM), o fato é a premissa menor (Pm) e o pedido é a conclusão (C).

c) o silogismo é um argumento fundado em uma verdade preexistente.

8. Sobre Argumentos Forenses:

a) pelo argumento cessante ratione, entende-se que, cessando o motivo da lei,


ela não cessa de ter efeito.

b) o argumento a contrario sensu consiste em excluir de uma disposição legal,


tudo o que não está compreendido nessa disposição legal.

c) o argumento a simili consiste em aplicar a um caso previsto a regra


estabelecida por um caso semelhante, considerando que a razão de decidir é a
mesma.

9. Sobre Argumentos Forenses:

a) o argumento a fortiori consiste em supor razão maior para aplicar um caso


previsto pela lei, a outro caso. Assim, quem pode doar, com maior razão pode
vender.

b) o argumento ab impossibili significa: pode haver obrigação diante do


impossível; só não há obrigação quando não há possibilidade de cumprir a
obrigação.

c) o argumento ab impossibili significa: não há obrigação diante


do impossível; das coisas impossíveis nada se tira.
10. Sobre Argumentos Forenses:

d) o argumento a majori ad minus estabelece que, se a parte tem direito de


fazer o mais, também tem o direito de fazer o menos.

b) o argumento exceptione ad regulam explica que um caso entra na regra


geral desde que não esteja enumerado na exceção.

c) o argumento à definição consiste em acrescer em uma definição, as


consequências e os fatos que se prestam à causa que o advogado defende.

11. Sobre Tópicos — Livro I:

a) O raciocínio é dialético quando parte de opiniões geralmente aceitas.

b) O exame da semelhança é útil para os argumentos dedutivos.

c) A posse de um plano de investigação nos prepara para argumentar mais


facilmente sobre o tema proposto.

12. Sobre Tópicos — Livro II:

a) O desvio sofístico consiste em trocar um termo por outro mais familiar ao


descrever uma concepção, porque a expressão familiar facilita a tese.

b) Sempre que duas coisas se assemelham muito entre si e não podemos ver
nenhuma superioridade numa delas sobre a outra, devemos examiná-las sob o
ponto de vista de suas consequências.

c) Os métodos para destruir universalmente uma opinião são comuns aos


problemas universais e aos particulares.

13. Sobre Tópicos — Livro V:

a) A propriedade relativa distingue o seu sujeito apenas de uma coisa particular


definida.

b) Uma propriedade temporária não acompanha necessariamente o sujeito, e só


é verdadeira em uma ocasião geral.

c) A propriedade relativa distingue o seu sujeito apenas de uma coisa particular


definida.

14. Sobre Tópicos — Livro VII:

a) E aconselhável nos mostrarmos insistentes porque a insistência faz


recrudescer a oposição.

b) E aconselhável fazer uma objeção contra si próprio porque os oponentes


ficam desprevenidos contra aqueles que parecem argumentar imparcialmente.

c) E aconselhável mencionar em primeiro lugar o ponto que mais se deseja


fazer admitir.

15. Sobre Tópicos - 108 B:

a) O exame da semelhança é útil para os argumentos indutivos, para os


raciocínios hipotéticos e também para formular definições.

b) O exame da semelhança é útil para os raciocínios hipotéticos porque o que é


verdadeiro de um e também verdadeiro de outro.

c) O exame da semelhança é útil para os argumentos indutivos porque é por


meio de uma indução de casos semelhantes que pretendemos pôr em evidência o
universal.

Capítulo XVII
Sofisma: Definição - Tipos -Técnicas
de Refutação. Aristóteles:
Argumentos Sofísticos
DEFINIÇÃO

Certos raciocínios são válidos apenas em aparência, e podem levar a conclusões


ilógicas, porque partem de premissas tomadas por verdadeiras. O raciocínio é
um progresso feito através do que já é conhecido. Todo raciocínio se prende a
uma ou mais premissas antecedentes; ora, não sendo tais antecedentes
verdadeiros, a consequência é necessariamente falsa.

Nérici afirma que: “No raciocínio, o espírito percebe relações entre os termos de
proposições conhecidas, graças às quais ele pode tirar uma verdade até então
desconhecida, implicitamente contida nas proposições conhecidas. A essência do
raciocínio é perceber essas relações que as proposições contém” (op. cit.).

E a lição de Aristóteles: “Os raciocínios repousam sobre juízos tais que


implicam necessariamente a asserção de outra coisa que não as afirmadas
inicialmente e em consequência destas” (Dos argumentos sofísticos, I). Estes
juízos são denominados Sofismas.

Modernamente, define-se: “Sofisma é argumento ou raciocínio concebido com o


objetivo de produzir a ilusão da verdade, que, embora simule um acordo com as
regras da lógica, apresenta, na realidade, uma estrutura interna inconsistente,
incorreta e debberadamente enganosa” (Dicionário Houaiss da Língua
Portuguesa).

Liard entende que “todos os sofismas são falsos raciocínios; o erro pode resultar
de um vício de forma ou de um engano na apreciação da própria matéria do
raciocínio” (op. cit.).

Nérici entende que “sofisma não é mais do que um raciocínio falso, e esta
falsidade pode nascer da má aplicação do raciocínio em premissas certas, ou do
raciocínio certo em premissas falsas” (op. cit.).
De modo muito simplificado, pode-se dizer que Sofisma é um enunciado falso,
porém, com aparência de verdadeiro; é a mentira que parece verdade. O que
caracteriza o Sofisma é a argumentação capciosa e aparentemente verdadeira,
porém com incorreções lógicas.Tais argumentos ou raciocínios se apresentam
por diversos modos. Assim, o Sofisma pode ser: I — Formal.

II — Material.

OS SOFISMAS FORMAIS

O Sofisma é Formal se as suas premissas são válidas e a falsidade está no uso


equivocado, ou na não observância das regras de inferência lógica. Inferir é tirar
uma proposição como conclusão de uma outra proposição, ou de várias outras
proposições que a antecedem e são sua explicação ou sua causa. E o defeito na
forma de raciocinar.

São Sofismas Formais:

1~ Sofisma por Ambiguidade ou Anfibologia.

2° Sofisma de Composição.

3~ Sofisma de Divisão.

4~ Sofisma da Linguagem.

1° Sofisma por Ambiguidade ou Anfibologia — do latim amphibologia, o termo


é composto por amphibolos que significa ambíguo e logos, que tem o sentido de
discurso.

Já vimos que, fora do âmbito das ciências, um termo pode ter mais de uma
significação. Um termo que tem dois sentidos, pode ser empregado de modo a
sugerir apenas um sentido, para enganar, ou causar ambiguidade.

Assim, o Sofisma por Ambiguidade ou Anfibologia se caracteriza pela má


construção da frase de modo a permitir a duplicidade de sentidos. Pode-se
resolver o sofisma com a colocação acertada da vírgula. São quatro exemplos: 1.
Respeita a mãe a filha - Respeita a mãe, a filha.

2. Enganou o cliente o vendedor — Enganou o cliente, o vendedor.


3. Discriminar não educar — Discriminar não, educar.

4. Aio te, Eacida, Romanos vincere posse, que significa, ao mesmo tempo que
os romanos vencerão ou serão vencidos. As profecias do oráculo de Delfos são
exemplos clássicos de sofisma de anfibologia.

2~ Sofisma de Composição — quando se conclui “que duas ou mais coisas


reunidas não produzirão certo resultado porque, tomadas separadamente, são
incapazes disso. Exemplificando: Nem esta, nem essa, nem aquela dose de
veneno dá para matar um homem;

logo, todas essas doses reunidas não dão para matar um homem” (Nérici, op.
cit.).

Regra sobre as partes: elas devem ser tomadas como tal, por todo o raciocínio,
ou seja, não pode ser atribuído às partes o que caracteriza o todo, ou, o que é
próprio do todo. Assim, o Sofisma é de Composição quando na premissa maior o
termo é distributivo, e na premissa menor o termo é coletivo.

São três exemplos:

l2 “Três e dois são dois números;

três e dois fazem cinco;

cinco é dois números” (Whately, op. cit.).

22 “Quem está sentado não anda; ora, Cristina está sentada; logo, Cristina não
anda”.

32 “Um homem sentado anda;

ora, João Pedro é um homem sentado;

logo,João Pedro sentado anda” (Aristóteles).

Os nomes - Cristina e João Pedro - foram colocados apenas para dar maior
consistência ao exemplo, que originariamente não continha nomes, porém,
letras.

De forma resumida, pode-se dizer que os Sofismas de Composição atribuem ao


De forma resumida, pode-se dizer que os Sofismas de Composição atribuem ao
todo o que é próprio das partes. E, os Sofismas de Divisão atribuem às partes o
que é próprio do todo.

3* Sojisma de Divisão: é o que conclui não poderem duas qualidades existir


sucessivamente no mesmo objeto porque não podem existir simultaneamente.
Exemplificando: a) “Uma pessoa sentada está necessariamente sentada; ora,
quem está sentado não pode estar de pé; logo, uma pessoa sentada não pode ficar
de pé”.

b) “Cinco é um número, três e dois fazem cinco,

três e dois são um número” (Nérici, op. cit.).

Regra sobre o Todo: o todo deve ser tomado como tal, ao longo do raciocínio; ou
seja, as características que são próprias das partes não podem ser atribuídas ao
todo.

Assim, se o termo é coletivo na Premissa Maior e distributivo na Premissa


Menor, o Sofisma é de Divisão.

4° Sofisma de Linguagem: é o emprego do mesmo termo em duas significações,


na mesma ordem de ideias. Observa-se que fora da terminologia técnica, as
palavras podem ter dois ou mais sentidos - são os termos equívocos. O Sofisma
de Linguagem é o emprego do mesmo termo em duas significações, na mesma
ordem de ideias, como nos três exemplos a seguir: a) Rato são duas sílabas.

O rato rói;

logo, duas sílabas roem.

b) “Os fazedores de projeto não merecem confiança;

ora, este homem fez um projeto;

logo, este homem não merece confiança” (S. Mill).

É evidente que não há identidade entre fazedor de projetos — um sonhador — e


projeto como plano, delineamento, esquema.

c) “A convivência com um criminoso é uma presunção de criminalidade.


este homem convive com um criminoso;

logo, é de presumir-se que ele também seja um criminoso”.

Observe que o argumento de Stuart Mill admite exata correspondência entre


presunção e presumir. Porém, na linguagem comum, presunção é apenas uma
suspeita, ao passo que presumir significa julgar segundo certas probabilidades.

OS SOFISMAS MATERIAIS

O sofisma é material se ocorrer defeito nas premissas, ou seja, as premissas são


falsas ou insuficientes.

São Sofismas Materiais:

í° Sofisma de Acidente;

2° Sofisma de Antecedente Falso;

3~ Sofisma do Círculo Vicioso;

4~ Sofisma de Enumeração Imperfeita;

5~ Sofisma da Falsa Analogia;

6° Sofisma da Falsa Causa;

7-Sofisma da Ignorância da Questão;

8~ Sofisma da Mudança do Predicado;

9-Sofisma da Petição de Princípio.

1~ Sofisma de Acidente - o acidente é contingente, isto é, pode ou não ocorrer.


O Sofisma de Acidente consiste em tirar conclusão de uma regra geral, para um
caso particular, no qual uma circunstância acidental torna a regra inaplicável.
Pode, também, propiciar a confusão de uma afirmação geral com uma afirmação
Hmitada, em relação ao tempo, espaço ou modo.

De forma resumida, pode-se dizer que o Sofisma de Acidente se caracteriza por


tomar o acidental pelo essencial. Observe os dois exemplos: a) Aquele que
exerce mal suas funções é essencialmente mau; os departamentos A e B exercem
mal suas funções; logo, os departamentos A e B são essencialmente maus.

b) O que você aprendeu ontem você sabe hoje; ora, ontem você não aprendeu
nada; logo, hoje você não sabe nada.

E evidente que ontem na primeira premissa significa todo o tempo passado até
hoje; ao passo que na segunda premissa, ontem significa o tempo de vinte e
quatro horas que antecede o tempo igual de hoje.

2° Sojisma de Antecedente Falso - já se sabe que de antecedente falso, só por


acidente, a conclusão pode ser verdadeira. Observe os dois exemplos: a) O que
você não perdeu você tem; ora, você não perdeu asas;

logo, você tem asas.

Obviamente o que eu não perdi e possuía, eu tenho, porém, torna-se necessário


provar que tinha antes.

b) Se B fala, então mente, ora, B não mente, logo, B não fala.

E inegável que a conclusão somente pode ser falsa.

3° Sofisma do Círculo Vicioso — Consiste em provar uma coisa a partir de outra


coisa, porém nenhuma delas está suficiente demonstrada. O sofisma do círculo
vicioso pode ser considerado mais como uma insuficiência da argumentação do
que um sofisma. O sofisma consiste, essencialmente, em produzir afirmações em
sequência, de tal forma que a afirmação final serve de prova à afirmação
anterior, a qual é a sua origem, e assim por diante. Observe os dois exemplos de
Nérici: a) “Sabemos que Deus existe porque os textos sagrados assim afirmam;

Sabemos que os textos sagrados são verdade, porque são as palavras de Deus.”

b) “Todas as frutas contém vitaminas; as vitaminas melhoram a inteligência; a


inteligência estabelece ideais; logo, as vitaminas estabelecem ideais” (op. cit.).

4° Sofisma de Enumeração Imperfeita — A indução deve ser completa, para


levar à conclusão verdadeira. Muitas vezes um só caso determina a falsidade da
conclusão. Assim, todas as vezes que a enumeração de casos particulares é
insuficiente para uma conclusão, ocorre o sofisma da enumeração imperfeita.
São dois exemplos: a) “Um certo auditor é displicente, outro também o
é; ainda um terceiro e um quarto; logo, os auditores são displicentes”
(apudjolivet).

b) Fabiana, Maria Eduarda e Ione viajaram pela agência X; Fabiana, Maria


Eduarda e Ione gostaram da viagem; logo, quem viajar pela agência X vai gostar
da viagem.

5~ Sofisma da Falsa Analogia — Consiste em concluir, de um objeto ou de uma


situação para outra situação semelhante, sem observar as diferenças entre elas.
Assim, a partir de uma semelhança acidental ou superficial, passa-se a concluir
outras semelhanças, porém a comparação é inválida.

E correto dizer que o sofisma da falsa analogia extrapola as semelhanças para


além de seus limites. De forma genérica pode se expressar: X é similar aY

X tem o elemento E,

logoY também tem o elemento E.

São dois exemplos:

a) Ao se tirar uma folha de uma árvore, ela não ficará despida;

Tampouco se lhe tirarem dez ou vinte folhas;

Da mesma forma, não ficará despida se lhe tirarem todas as folhas.

Note a extrapolação das semelhanças: o que é válido para dez ou vinte folhas,
não é válido para o total de folhas da árvore. b) “A Lua é um astro como a Terra:
Ora, a Terra é habitada;

Logo, a Lua também é habitada.”

A semelhança é: Lua e Terra são planetas.

A diferença específica é: a Lua é um satélite e a Terra é um planeta.

Astros é o gênero para as espécies - Lua e Terra -, porém cada espécie, além dos
atributos comuns ao gênero, tem atributos próprios, ou seja, a diferença
específica.

De forma resumida, diz-se que este sofisma carateriza-se por tentar explicar o
desconhecido a partir das informações disponíveis, porém a conclusão poderá
ser falsa.

6° Sofisma da Falsa Causa — Sua caraterística é considerar que um fato é a


causa de outro fato, apenas porque o precede. É um argumento ambíguo que
procura concluir a partir de uma relação de causa e efeito fundamentada em fatos
antecedentes. Assim, para termos o sofisma da falsa causa, temos que admitir
como causa o que não é causa.

O exemplo a seguir é de Jolivet:

“As lesões cerebrais originam perturbação intelectual; logo, o pensamento é um


produto de cérebro” (op. cit.).

7-Sofisma da Ignorância da Questão — sua característica é a discussão de tese


diferente daquela que temos que demonstrar, provando coisa diversa do que se
deve provar. E conhecido o sofisma de J. J. Rousseau: “Este ladrão é bom
soldado;

ora, todo bom soldado deve ser premiado;

logo, este bom ladrão deve ser premiado.”

Para M. de Morgan: “Alguns lógicos prendem este sofisma ao esforço tentado


pelo advogado para deslocar o onus probandi” (op.cit.).

Observe o exemplo: Um homem é acusado de fabricar moedas. A prova é


perfeita e indiscutível. O advogado, que deveria provar que seu cliente não
fabricou moedas, passa a provar que o réu é bom chefe de família. Assim, a
prova bem feita, com leitura de depoimentos e a retórica da exposição,
seguramente, auxiliarão na defesa do cliente. O sofisma da ignorância da questão
é empregado, com frequência, no tribunal do júri.

8° Sofisma da Mudança do Predicado — Para que a conclusão seja verdadeira, o


predicado deve ter a mesma extensão no consequente, que tem no antecedente.
Assim, se no antecedente ou no consequente o predicado for ampliado ou
restringido, o raciocínio será falso.

São dois exemplos deVanAcker:

a) “Todo homem pode matar em caso de legítima defesa; logo, todo homem
pode matar.”

O antecedente tem a restrição legal da legítima defesa, o consequente não tem.

b) “Todo homem tem direito de conservar a vida;

logo, todo homem tem o direito de conservar a vida, negando-se a prestar


serviço militar em tempo de guerra.”

O consequente tem restrição (negando-se a prestar serviço militar) que não


consta do antecedente.

9a Sofisma da Petição de Princípio — Este sofisma se caracteriza por apresentar


como aceito, o que se devia demonstrar, como no exemplo: Cesar é o melhor
atleta, porque Cesar é o mais disciplinado.

O que se pretendia demonstrar era o pressuposto: os atletas disciplinados são


bons atletas.

O Sofisma da Petição de Princípio é comum na argumentação de razões, e


consiste em, de forma implícita ou explícita, basear as premissas na verdade da
conclusão ainda a demonstrar, como no exemplo: O que não morre é imortal;
ora, a alma humana não morre; logo, a alma humana é imortal.

O que se pretendia demonstrar era a imortalidade da alma, para tanto seria


preciso provar a premissa menor.

REFUTAÇÃO AOS SOFISMAS

O verbo refutar tem o sentido de contradizer, rebater com argumentos, negar,


desmentir, ser contrário a, contestar, entre outros.

Em Direito, os sofismas podem se apresentar de modo a tornar a refutação


bastante complexa, porém abaixo estão quatro exemplos simples: 1° Sofisma de
Palavras — O meio de refutar o sofisma de palavras é determinar exatamente o
sentido em que elas estão empregadas, donde se conclui que a definição é o
método que deve ser adotado. Os escolásticos prescrevem que antes de cada
polêmica ou discussão se limite à compreensão — conjunto de atributos ou notas
que compõem o termo - dos termos sobre os quais se discute. Assim
procedendo evitam-se os sofismas desta natureza ou eles são facilmente
refutados.

2° Sofisma de Indução — A indução parte dos singulares para o geral. Refutam-


se os sofismas de indução, demonstrando que um ou mais casos ou fatos
singulares não se incluem na enumeração. Repetindo o exemplo, para maior
compreensão: Um certo auditor é displicente, outro também o é; ainda um
terceiro e um quarto; logo, os auditores são displicentes.

Desde que haja auditor ou auditores não displicentes, a conclusão do exemplo


apresentado acima não é verdadeira.

3~ Sofisma de Dedução — O raciocínio verdadeiro deve ter matéria e forma


verdadeiras; ora, os sofismas de dedução são falsos na matéria, na forma ou até
em ambas. Para refutar os sofismas de dedução, basta examiná-los sob duplo
ponto de vista. Se uma premissa ou ambas são falsas, deve-se provar a falsidade
delas; se forem ambíguas é necessário distingui-las e precisar os diversos
sentidos.

4° Sofisma da Pergunta Complexa — Consiste em fazer uma pergunta de tal


forma que a resposta implicará necessariamente a aceitação de respostas
anteriormente dadas, de modo a criar embaraço, quer a resposta seja afirmativa,
quer seja negativa. É comum em interrogatórios policiais e até nos depoimento
em audiências, a pergunta, aparentemente una, porém que envolve outra
pergunta, tornando impossível a resposta simples — sim ou não — porque
condena sempre quem responde.

Exemplo de pergunta complexa: Você continua maltratando a sua família?


Qualquer resposta simples incrimina o depoente, pois a negativa não exclui o
fato de já haver maltratado. Considerando que são duas perguntas, refuta-se o
sofisma, dividindo a pergunta: Já maltratou sua família?

Ainda continua maltratando?

Exemplo de pergunta complexa a um ladrão: Guardou a mercadoria em sua


casa? A tendência é responder negativamente.Tal resposta não o isenta do fato
principal, porque se o ladrão não escondeu a mercadoria, fruto do assalto em
casa, deverá tê-la escondido em outro lugar. Neste caso, considera-se o roubo
como provado; logo, a pergunta encerra uma afirmação e uma pergunta, deste
modo: Você roubou tal mercadoria e as escondeu onde?

A refutação consiste em negar especificamente o roubo. Negado o roubo não há


lugar para a pergunta sobre a locabzação do objeto roubado.

De modo bastante simples, e resumindo o que foi dito acima, pode-se dizer que,
ao refutar um argumento, é importante atentar para três aspectos: Ia Mostrar que
o argumento não está relacionado com a tese que o adversário pretende provar.

2a Mostrar que uma das premissas é falsa, ou dúbia.

3a Mostrar que das premissas não se segue, logicamente, a conclusão.

ARISTÓTELES: DEZ ARGUMENTOS SOFÍSTICOS

Nota: Os Argumentos Sofísticos, que passamos a abreviar Arg., são em número


de trinta e quatro, dos quais selecionamos apenas pequena parte de alguns que
apresentam interesse para o Capítulo. Dessa forma expbcamos a numeração
repetitiva e às vezes não sequencial.

Arg. 8. “Por sofisma ou silogismo sofístico e refutação sofística entendo não


apenas um silogismo ou refutação que parece ser válido, mas não o é, como
também aqueles que, embora sendo válidos, só em aparência são apropriados à
coisa em questão.”

Arg. 10. “Não é uma verdadeira distinção entre argumentos aquela que fazem
algumas pessoas ao dizer que alguns argumentos se dirigem contra a expressão e
outros contra o pensamento expresso, pois é absurdo supor que alguns
argumentos tenham em mira a expressão e outros, o pensamento, e que eles não
sejam os mesmos.” Arg. l.“Os raciocínios repousam sobre juízos tais que
implicam necessariamente a asserção de outra coisa que não as afirmadas
inicialmente e em consequência destas. E a refutação por seu lado é um
raciocínio que conduz à contraditória da conclusão prévia. Ora, algumas não
alcançam realmente esse objetivo, embora pareçam fazê-lo, por diversas razões,
sendo a mais prolífera e usual destas o argumento que gira apenas em torno de
nomes. E impossível introduzir numa discussão as próprias coisas discutidas; em
lugar delas usamos os seus nomes como símbolos e, por conseguinte, supomos
que as consequências que decorrem dos nomes também decorram das próprias
coisas.”

Arg. 12. “Um método especialmente apropriado de expor um erro de raciocínio é


a regra sofística, que consiste em induzir o oponente a fazer o tipo de afirmações
contra as quais se está bem provido de argumentos.”

Arg. 15. “Tendo-se em mira a refutação, um expediente é prolongar a


argumentação, pois é difícil atender ao mesmo tempo a muitas coisas.”

Arg. 15. “Há a ira e o espírito de contenda, pois os que perdem a calma são
menos capazes de vigiar o que dizem. Regra elementar para provocar a ira é
simular o propósito de agir com deslealdade.” Arg. 15. “A fim de garantir a
nossa premissa, devemos incluí-la na mesma pergunta, lado a lado com sua
contrária. Por exemplo, se for necessário obter a concessão de que ‘um homem
deve obedecer ao pai em tudo’, pergunte-se:‘Deve um homem obedecer ao pai
em tudo ou desobedecer-lhe em tudo?”

Arg. 17. “Aquilo de que nos devemos acautelar não é de sermos refutados, mas
de parecer que o somos, porque, naturalmente, as perguntas anfibológicas — as
que giram em torno de uma ambiguidade - e todos os outros sofismas da mesma
espécie podem encobrir até uma refutação verdadeira e deixam na incerteza a
questão de quem foi refutado e quem não o foi.”

Arg. 30. “Para enfrentar as refutações que unem várias questões numa só
convém fazer a distinção entre elas logo de início, porque uma questão precisa
ser única para ter uma resposta única, de modo que não se devem afirmar ou
negar várias coisas de uma só, nem uma só de muitas, mas uma só de uma só.”

Arg. 33. “Um argumento incisivo é aquele que produz a maior perplexidade, por
ser o que morde mais fundo.”

SÚMULA

0 Sofisma: definição, divisão e modo

Conceito de Sofisma: argumentação capciosa e aparentemente verdadeira, mas


que apresenta incorreções lógicas.

Os Sofismas são: Formais ou Materiais.


Os Sofismas são: Formais ou Materiais.

1 - Os Sofismas Formais:

le Sofisma de Anfibologia: a frase ambígua gera a duplicidade de sentidos. 2a


Sofisma da Composição: atribuir ao todo o que é próprio das partes. 3a Sofisma
da Divisão: atribuir às partes o que é próprio do todo.

4a Sofisma de Linguagem: o emprego de termos equívocos.

II - Os Sofismas Materiais:

Ia Sofisma de Acidente: tomar o acidental pelo essencial.

2a Sofisma de Antecedente Falso: a conclusão pode ser verdadeira, por acidente.

3a Sofisma do Círculo Vicioso: é a produção sequencial de afirmações. 4a


Sofisma de Enumeração Imperfeita: é a enumeração insuficiente para a
conclusão.

5a Sofisma da Falsa Analogia: extrapola as semelhanças para além dos seus


limites.

6a Sofisma da Falsa Causa: admitir, como causa, o que não o é.

7° Sofisma da Ignorância da Questão: a discussão de teses diferentes da tese que


se quer provar.

8a Sofisma da Mudança do Predicado: se no antecedente ou no consequente o


predicado for ampliado ou restringido, o raciocínio será falso.

9a Sofisma da Petição de Princípio: tomar por aceito o que ainda não foi
demonstrado.

Refutação aos Sofismas:

1. Sofisma de Palavras

2. Sofisma de Indução
3. Sofisma de Dedução

4. Sofisma da Pergunta Complexa

Aristóteles - Tópicos: Dez Argumentos Sofísticos.

EXERCÍCIOS
Qual é a opção incorreta?

1. a) O que caracteriza o Sofisma de Composição é atribuir às partes o que é


próprio do todo, como no exemplo:

“Um homem sentado anda; ora, Lucas é um homem sentado; logo, Lucas
sentado anda”.

b) Um dos modos de refutar um argumento é mostrar que ele não está


relacionado com a tese que o adversário pretende provar.

2. a) Há a ira e o espírito de contenda, pois os que perdem a calma são menos


capazes de vigiar o que dizem (Arg. 15). b) “Para enfrentar as refutações que
unem várias questões em uma só, não convém fazer a distinção entre elas logo
de início (Arg. 30).

3. a) O Sofisma de Enumeração Imperfeita ocorre todas as vezes que

a enumeração de casos particulares é insuficiente para uma conclusão, como no


exemplo: Lissah, Kioko e Sabrina jantaram no restaurante X;

Lissah, Kioko e Sabrina apreciaram a refeição; logo, quem jantar no restaurante


X vai apreciar a refeição b) Para refutar um Sofisma de Indução, é suficiente
demonstrar que um ou mais casos se incluem na enumeração. Assim, se
a enumeração está correta, a conclusão será verdadeira.

4. a) O Sofisma de Acidente consiste em propiciar a confusão entre

uma afirmação geral e uma afirmação limitada, com referência ao tempo, espaço
e modo, como no exemplo: O que você aprendeu ontem você sabe hoje; ora,
ontem você não aprendeu nada; logo, hoje você não sabe nada.

b) O Sofisma da Petição de Princípio consiste em tomar por aceito o que ainda


b) O Sofisma da Petição de Princípio consiste em tomar por aceito o que ainda
não foi demonstrado: “Este ladrão é bom soldado;

ora, todo bom soldado deve ser premiado;

logo, este bom ladrão deve ser premiado”.

5. a) O Sofisma da Falsa Analogia extrapola as semelhanças para além de seus


limites, como no exemplo:

A Lua é um astro como a Terra; ora, a Terra é habitada; logo, a Lua é habitada.

b) E exemplo de Sofisma de Divisão:

Quem está sentado não anda; ora, Murilo está sentado; logo, Murilo não anda.

6. a) No Sofisma da Mudança do Predicado, o predicado tem maior

extensão no consequente do que tem no antecedente.E exemplo: Todo homem


pode matar em caso de legítima defesa, logo, todo homem pode matar.

b) O Sofisma da Pergunta Complexa consiste em perguntar de tal forma que a


resposta implicará necessariamente a aceitação de respostas anteriormente dadas.

7. a) O Sofisma de Linguagem se caracteriza pelo emprego de termos

unívocos, como no exemplo:

Rato são duas sílabas;

O rato rói;

logo, duas sílabas roem.

b) Para Aristóteles, a refutação é um raciocínio que conduz à contraditória da


conclusão prévia (Arg. 1).

8. a) O Sofisma de Anfibologia se caracteriza pela má construção da frase de


modo a permitir a duplicidade de sentidos, como no exemplo: Discriminar não
educar. b) No Sofisma do Antecedente Falso, a conclusão não pode
ser verdadeira em nenhum caso porque as premissas são equivocadas ou falsas.
9. a) O Sofisma da Ignorância da Questão se baseia na duplicidade

de sentido de um dos seus termos. E recurso empregado no tribunal do júri.

b) O argumento ambíguo que considera um fato, a causa de outro fato, apenas


porque o precede, chama-se Sofisma da Falsa Causa.

10. a) Para Aristóteles, “um argumento incisivo é aquele que produz maior
ambiguidade, e evita a resposta única” (Arg. 33). b) Para Aristóteles, quando se
pretende refutar um argumento,“um expediente é prolongar a argumentação,
pois é difícil atender ao mesmo tempo a muitas coisas” (Arg. 15).
Capítulo XVIII Lógica e Linguagem
“In disputationibus nos utimur vocabulis loco rerum quia ipsas res in médium
afferre non possumos” (Aristóteles).

“Já que não podemos trazer as coisas para nossas discussões, trazemos em lugar
delas as palavras.”

LÓGICA E LINGUAGEM: CONCEITOS

Dessa observação de Aristóteles nasce a necessidade do conhecimento da


linguagem, em geral, e da linguagem técnica, em especial.

A Lógica, segundo Thomaz de Aquino, é a arte que ensina a pensar


ordenadamente, facilmente e sem erros.

A Linguagem é a expressão verbal do pensamento.

Desses conceitos conclui-se a estreita ligação entre elas, que podemos mostrar
desta forma: Lógica - ordenação do pensamento.

Linguagem — expressão do pensamento.

Nesse sentido é a lição de Abbé Moreux: “Escrever, admitimos, é saber fixar ou


exprimir seu pensamento, porém isso supõe que se possa pensar. Aquele que se
tem aplicado e movido seu espírito em contato com grandes sábios, escritores de
todos os séculos, que estudou os clássicos, os pensamentos dos filósofos,
possuirá sempre incontestável superioridade sobre o homem comum, cujo
espírito é comparável a uma página em branco. Assim, praticamente, quem
alimentar a nobre ambição de escrever deve aprender Filosofia.

Não se encontra um outro modo de aprender a pensar. E quando digo pensar,


entendo não somente não emitir ideias inconsequentes, mas ideias encadeadas,
proposições que tenham ligação entre elas, deduções corretas, e o trabalho não é
tão fácil como se imagina.

Enfim, não existe senão um único processo: consiste em aprender Lógica e a


Lógica é parte da Filosofia” (op. cit. tradução livre).
Lógica é parte da Filosofia” (op. cit. tradução livre).

A Linguagem é constituída de sinais - escritos ou falados - portanto sujeitos ao


discurso, e emitidos uns após outros. Assim, não seria possível representar o
pensamento numa igualdade: linguagem = pensamento.

Para acentuar a dificuldade da expressão do pensamento, buscamos R. von


Ihering: “Soa como um paradoxo a questão de saber se, em geral, a palavra está
em condições de transmitir o pensamento. E, todavia, séria a dúvida, e até
comporta uma solução negativa. O pensamento é um fato interno da vida
intelectual subjetiva, uma atividade, um movimento, uma ondulação do espírito;
ora, um movimento não se deixa traduzir objetivamente. E mediante a condição
de perder a sua própria essência, de se fixar, que o pensamento pode sair do
seio da intimidade subjetiva para entrar no mundo exterior. O pensamento
expresso é, por assim dizer, um pensamento gelado. Só em sentido impróprio se
pode falar de comunicação ou transmissão de pensamento. O pensamento,
propriamente considerado, não se transmite. A palavra apenas provoca um
pensamento semelhante, e torna-o possível; não faz mais do que produzir na
alma do ouvinte um movimento intelectual semelhante àquele que se produz na
do indivíduo que fala (op. cit.).

No mesmo sentido do entendimento de R. von Ihering, há outros autores entre os


quais citamosThomas Hobbes:“Um nome é uma palavra tomada arbitrariamente
para servir de sinal que possa despertar em nosso espírito uma ideia semelhante
a outra que já tivéramos antes e que ao pronunciá-la possa ser para os que ouvem
o sinal da ideia que temos no espírito” (op. cit.).

Quando as palavras exprimem coisas concretas a linguagem se aproxima do


pensamento; mas, quando se referem a ideias, torna-se mais difícil a
aproximação.

A REPRESENTAÇÃO SENSÍVEL E A IDEIA

As coisas se nos apresentam de duas maneiras:

por uma representação sensível. A representação sensível é uma imagem da


coisa que percebemos por uma sensação, isto é, coisa que vemos, ouvimos ou
tocamos, por isso mesmo, sempre estão sob um estado individual ou singular
(concreto); pelas ideias. As ideias nos servem ao raciocínio - nós as pensamos —
e estão sempre num estado abstrato ou universal.

A dificuldade do discurso, ao contrário do que ensinam os logísticos, é vencida


por um sistema de termos próprios de cada ciência, até mesmo de cada profissão,
denominado terminologia. Basta consultar um léxico comum e um dicionário de
termos jurídicos, para verificar que em Direito os termos tomam uma
significação precisa e diferente da linguagem comum.

De Plácido e Silva esclarece que “em relação aos prazos, dilatação, prorrogação
e renovação, aparentemente análogos no conceito vulgar, exprimem no sentido
jurídico conceitos próprios, que não se identificam nem se confundem, como
ocorre na linguagem vulgar” (op. cit.).

Sobre o mesmo assunto, R. Bielsa diz: “Para o leigo, convenção e contrato são a
mesma coisa, porém não para o Direito, pois para ser contrato é necessário que a
convenção crie obrigações, tenha um objeto, um regime de validez, uma causa”
(op. cit.). Ainda, sobre vocabulário e terminologia o mesmo autor entende que
“Los vocábulos no se definen; son los conceptos los que se definen”.

Em face do ensinamento de Bielsa, conclui-se que a terminologia jurídica é


composta de conceitos, por isso não admite sinônimos. Os termos técnico-
jurídicos devem ser unívocos, pouco importando que fora do Direito possam
apresentar mais de um significado.

A ANÁLISE DA LINGUAGEM NO CÓDIGO CIVIL E NO CÓDIGO DE


PROCESSO CIVIL

A Lógica é uma parte da arte de pensar.

A Linguagem é um dos principais instrumentos ou auxiliares do pensamento.


Assim, qualquer imperfeição no instrumento ou modo de empregá-lo estará
sujeita a confundir e entravar a operação e destruir qualquer confiança em seus
resultados.

O raciocínio, ou inferência, é o principal objeto da Lógica. Trata-se de uma


operação geralmente efetuada por meio das significações das palavras, e em
casos complexos, não pode se realizar de nenhuma outra maneira. Assim, sem
bom conhecimento da significação e do valor dos termos haverá risco de
conclusões incorretas.
Eis por que a investigação crítica sobre a linguagem, sempre foi considerada
uma introdução necessária ao estudo da lógica.

Stuart Mill esclarece que: “Há, porém, outra razão, ainda mais fundamental, pela
qual o valor das palavras deveria ser o primeiro objeto de consideração dos
lógicos; porque, sem isso, não poderão conhecer o valor das proposições. Ora, a
proposição é o primeiro objeto que se apresenta no limiar mesmo da ciência da
lógica” (op. cit.).

Termos sinônimos podem ocorrer em leis, decretos e regulamentos com intuito


explicativo, porém, poderão causar equívocos. Observe quatro exemplos do
emprego de sinônimos no Código Civil: d) Art. 513. “A preempção, ou
preferência, impõe ao comprador a obrigação de oferecer ao vendedor a coisa
que aquele vai vender, ou dar em pagamento, para que este use de seu direito de
prelação na compra, tanto por tanto”.

b) Art. 514. “O vendedor pode também exercer o seu direito de prelação,


intimando-o ao comprador, quando lhe constar que este vai vender a coisa”. Os
dois artigos acima contêm três termos com a mesma ideia: preempção,
preferência e prelação.

c) Art. 420. “Se no contrato for estipulado o direito de arrependimento para


qualquer das partes, as arras ou sinal terão função unicamente indenizatória...”.
Sinal e arras são sinônimos no artigo.

d) Art. 1.314. “Cada condômino pode usar da coisa conforme sua destinação,
sobre ela exercer todos os direitos compatíveis com a indi-visão, reivindicá-la de
terceiro, defender a sua posse e alhear a respectiva parte ideal, ou gravá-la.

Parágrafo único. Nenhum dos condôminos pode alterar a destinação da coisa


comum, nem dar posse, uso ou gozo dela a estranhos, sem o consenso dos
outros”. Há vários termos para designar a ideia de coisa em comum.

Observe quatro exemplos do emprego de sinônimos no Código de Processo


Civil: d) “Art. 585. (...) IV — O crédito decorrente de foro, laudêmio, aluguel ou
renda de imóvel, bem como encargo de condomínio desde que comprovado por
contrato escrito..”. Aluguel e renda estão como sinônimos.

b) Art. 871. “O protesto ou interpelação não admite defesa nem contraprotesto


nos autos; mas o requerido pode contraprotestar em processo distinto”. Protesto
e interpelação têm o mesmo significado, no inciso.

c) Art. 234. “Intimação é o ato pelo qual se dá ciência a alguém dos atos e
termos do processo, para que faça ou deixe de fazer alguma coisa”.

d) Art. 942.“ II — (...) § 2.c Serão cientificados por carta, para que manifestem
interesse na causa, os representantes da Fazenda Pública da União, do Estado, do
Distrito Federal, do Território e do Município”. Observe que o termo intimação
do art. 234 é sinônimo do termo cientificar do art. 942.

EXPRESSÕES LATINAS

As expressões latinas aparecem nos Códigos, como termos técnicos, devido a


concisão e a precisão delas. São exemplos no Código Civil: a) concedido o
exequatur, na LINDB, art. 12, § 2a.

b) se consideram de per si, no art. 89.

c) venda ad corpus, no art. 500, § 3“.

d) a cláusula dei credere, no art. 698.

e) quorum para assembleia, no art. 1.094,V

As expressões latinas são também empregadas em todo o transcorrer do


processo.Vamos citar algumas, para ilustrar: a) ad corpus — venda por preço
único de coisa certa, dentro de limites declarados e sem especificar a área.

b) ad referendum — dependendo de aprovação de outrem.

c) ad solvendum — para pagar uma dívida.

d) aliter — de outra forma, de maneira diferente. Ex.: Somente assim se


interpreta, aliter seria absurdo.

é) animus domini — intenção ou ânimo de dono. E um dos elementos do


usucapião.

J) conditio sine qua non — expressão que significa requisito essencial. Ex.: O
registro é conditio sine qua non para prova de propriedade.
g) ex nunc - diz-se do ato, condição ou contrato cujos efeitos começar a viger
desde quando é celebrado, sem retroatividade. O contrário é ex tunc que
significa ato, contrato ou condição que tem efeito sobre uma situação jurídica
anteriormente criada.

h) ex offido — em função do cargo, em razão do ofício.

t) ex positis — do que ficou exposto.

j) ex vi legis — por força de lei. Ex.: Ex vi do Decreto n. X.

k) Lato sensu - em sentido amplo. Opõe-se a stricto sensu - em sentido restrito.

/) mutatis mutandis — mudando o que deve ser mudado.

m) onus probandi — obrigação de provar (matéria do art. 333 do CPC).

ri) pari passu — de perto, a par.

o) passim — aqui e ali. Usa-se para dizer que em diversos lugares da obra o
autor trata da matéria.

p) permissa venia, data venia — com seu consentimento.

q) per si — individualmente. Ex.: São singulares os bens que, embora


reunidos, se consideram de per si, independentemente dos demais” (CC, art. 90).

r) pleno jure — de pleno direito. Ex.: documento nulo pleno jure.

s) post scriptum — depois do que já foi escrito.Também conhecido pela


abreviatura P. S.

t) pro forma — por mera formalidade.

u) pro rata — proporcionalmente, na proporção que cabe a cada parte. Ex.:


custas pro rata.

v) sic - assim, desse modo. Coloca-se entre parêntesis para ressaltar que a
transcrição foi feita exatamente como foi escrita.

w) sine die — data indeterminada, sem fixar o dia.


Sobre expressões latinas veja Linguagem Forense, obra deste autor.

O ARESTO

Na linguagem forense é comum entender aresto como sinônimo de


acórdão.Tecnicamente não é. O termo aresto tem origem inicial no grego:
“areston” que significa decreto, decisão. Em latim, vem de ad + restare {ad =
para + restare = ficar) — para ficar.

Certamente do latim adveio o francês arrêt, de arreter (para fixar) e, desta língua,
para o português.

João Mendes, no Direito judiciário brasileiro, define: “Chamam--seArestos as


decisões judiciais não susceptíveis de reforma, proferidas em forma de
julgamento definitivo pelos tribunais superiores”. Assim, de um tribunal regional
as decisões susceptíveis de reforma por embargos inff ingentes, de declaração ou
recurso extraordinário são acórdãos; bem como acórdãos são os julgados do
Supremo Tribunal Federal e Tribunal Federal de Recursos, que admitirem
reforma pelos recursos cabíveis.

A decisão para a qual não houve recurso constitui aresto. Não cabe no
comentário a ação rescisória, que dada a sua natureza pode ser objeto de
sentença, acórdão e aresto.

As Ordenações não conheciam o termo aresto. A Ordenação, Liv. II,Tít. XXV, §


26, empregava a façanha, definida por Duarte Nunes de Lião como “um juízo
sobre algum feito notável, que por autoridade de quem o fez e dos que o
aprovaram e louvaram, ficou dele um direito quando outra vez acontecesse”.
Sucedeu o termo façanha, já no século XV, o termo caso julgado, e, por fim, o
aresto.

SÚMULA

Lógica: a ordenação do pensamento.

Linguagem: a expressão do pensamento.

Abbé Moreux: para aprender a pensar é preciso aprender Lógica.

R. von Ihering: a Palavra e o Pensamento.


R. von Ihering: a Palavra e o Pensamento.

Hobbes: a definição de Nome.

A Representação Sensível e as Ideias.

De Plácido e Silva: os termos têm conceitos próprios no sentido jurídico.

R. Bielsa: são os conceitos que definem as palavras.

A importância da Análise da Linguagem.

Stuart Mill: sem conhecer o valor das palavras não se pode conhecer o valor das
proposições lógicas.

Exemplos de sinônimos: no Código Civil e no Código de Processo Civil.

Expressões Latinas: lista exemplificativa.

O Aresto: origem histórica do termo.

EXERCÍCIOS
Marque Falso ou Verdadeiro nas questões abaixo:

1. ( ) Lógica é a arte que ensina a pensar ordenadamente, facilmen te e sem


erros. A linguagem é a expressão verbal do pensamento. A partir dos dois
conceitos conclui-se que escrever é fixar ou exprimir o pensamento próprio ou
de terceiros.

2. ( ) Tecnicamente, Aresto é sinônimo de acórdão.

3. ( ) O termo façanha, foi sucedido por caso julgado e posterior mente por
aresto.

4. ( ) De acordo com Hobbes: quando as palavras exprimem coisas

concretas a linguagem se aproxima do pensamento, porém, quando se trata de


ideias torna-se mais difícil a aproximação.

5. ( ) De acordo com Hobbes: as coisas se apresentam a nós pelas ideias que


fazemos delas, e estão ora num estado abstrato ou universal, ora num estado
concreto ou particular.

6. ( ) Para R. von Ihering: as palavras traduzem o pensamento do interlocutor


sem nenhum prejuízo de sua fidelidade, quando expressam literalmente suas
ideias.

7. ( ) Para R. von Ihering: as palavras apenas provocam a reconstru ção do


pensamento, para o qual fornecem o ponto de apoio.

8. ( ) Bielsa ensina que: os termos técnico-jurídicos devem ser uní vocos.

9. ( ) Bielsa ensina que: é da essência da terminologia jurídica ad mitir


sinonímia.

10. ( ) Para R. von Ihering: O pensamento é um fato interno da vida intelectual


objetiva, é uma atividade.

11. ( ) Para R. von Ihering: Só em sentido próprio se pode falar de


comunicação ou transmissão de pensamento.

12. ( ) Para Stuart Mill: a investigação crítica sobre a linguagem é considerada


uma introdução necessária ao estudo da Lógica.

13. ( ) Para Abbé Moreux, pensar é emitir ideias encadeadas e pro posições
que tenham ligações entre elas.

14. ( ) O discurso apresenta dificuldades que poderão ser vencidas pela


Terminologia e pela Filosofia.

15. ( ) Para Stuart Mill: para pensar bem, é preciso conhecimento da


significação das palavras e do uso correto de suas espécies.

Capítulo XIX
A Gramática à Luz da Lógica — O
Estilo Lógico
“Minus suntferendi qui hanc autem ut tenuem atque ieunam cavillantur”
(Quintiliano, De institutione oratorio).

“Deve-se desprezar os que ridicularizam esta arte - a Gramática — como inútil.”

Em face do que ficou assentado a propósito da Linguagem Forense, é necessário


mostrar como deve ser usada a Gramática nesse aspecto da linguagem.

A luz da Lógica, os elementos essenciais da oração são: o nome: substantivo ou


expressão substantivada; o verbo.

O nome não traz por si mesmo nenhuma noção de tempo. O verbo é a parte da
oração cuja função é significar a ação, o tempo e o modo.

A definição clássica de Prisciano in Institutae Grammaticae, sobre verbo é:


“Verbum est pars orationis cum temporibus et modis, sine casu, agendi e
patiendi”.

Tradução: Verbo é a parte da oração cuja função é significar a ação, o tempo e o


modo.

Essa definição não coincide com a definição de Aristóteles, para quem só o


modo indicativo presente corresponde à noção própria de verbo, os outros modos
não participam de forma perfeita da natureza do verbo. A definição de
Aristóteles, que nos parece a mais lógica, demanda uma longa explicação
filosófica, ao passo que a de Prisciano é mais simples.

O Adjetivo, o Advérbio e a Preposição intervêm nas proposições categóricas, e a


Conjunção integra as proposições hipotéticas. Estudemos cada uma delas,
sempre em vista da linguagem forense.

GRAMÁTICA: O ADJETIVO
Sabemos que o adjetivo serve para modificar um substantivo, ou seja, o adjetivo
é a palavra que se junta ao substantivo e muda seu significado.

O adjetivo tem a função de restringir a extensão do nome e, por consequência,


aumentar-lhe a compreensão, diante do princípio: a extensão e a compreensão
dos termos estão numa ordem inversa.

Já vimos que os termos técnicos do Direito são unívocos e definíveis. Como


definíveis têm um limite em sua compreensão; logo, somente na hipótese de
necessitar maior limitação para aumentar-lhe a compreensão, o adjetivo é válido.
Apresenta-se o adjetivo como palavra ou expressão: São exemplos do Código
Civil, entre inúmeros:

a) juros moratórios, no art. 406.

b) resilição unilateral, no art. 473.

c) dívidas futuras, no art 821.

d) dívida afiançada, no art. 839.

e) sócio ostensivo, no art. 993, parágrafo único.

E fácil verificar a necessidade do adjetivo nos exemplos dados: dívida é um


conceito que, com o adjetivo afiançada, torna-se menos extenso e, portanto, mais
compreensivo para o fim da lei.Verificamos no Código Civil e o Código de
Processo Civil, que todo o adjetivo tem a função de restringir o nome para
adequá-lo ao pensamento do legislador. Muitas vezes o adjetivo funde-se com o
nome, formando um conceito diferente de ambos, como nos exemplos: posse
justa (CC, art. 1.200) e boa-fé e justo título (CC, art. 1.201 e parágrafo único).

Os termos abstratos são universais e têm por si significação própria que não
admite limitações.

Veja os três exemplos:

justiça — verdadeira justiça, dúvida — grande dúvida, certeza — certeza


absoluta.

Se, para a linguagem comum dúvida, certeza e justiça podem admitir


adjetivação, para a linguagem técnica não admitem. Esses conceitos não se
alteram, na extensão e na compreensão, com os adjetivos, pelo que, se forem
colocados, levam ao erro de técnica na linguagem científica. Seria a mesma
coisa que dizer: quadrado perfeito. Uma figura ou é quadrado, ou não é; da
mesma maneira os termos de ciência.

O ADJETIVO: CINCO CASOS PARTICULARES

le Os adjetivos bom, mau,grande e pequeno possuem formas sintéticas para os


comparativos de superioridade.Assim: bom-melhor; mau--pior; grande-maior;
pequeno-menor.

2° SÓ no sentido de sozinho (a) é adjetivo, por isso variável. Assim: Ela está só
(sozinha). Eles estão sós (sozinhos).

SÓ no sentido de somente é advérbio, por isso invariável. Assim: Elas só


falaram sobre o processo.

3fi MEIO como adjetivo acompanhado de substantivo é variável. Assim: meio


livro; meia página; meias palavras; meio-dia e meia (hora).

MEIO como advérbio é invariável. Assim: Ela ficou meio preocupada. Eles
ficaram meio preocupados.

4C MENOS é advérbio e não pode variar. Assim: menos pessoas; menos


problemas; menos ações; menos chuvas; menos frio.

5C ANEXO, INCLUSO são adjetivos e por isso são variáveis. Assim: folhas
anexas, documento incluso, matérias jornalísticas inclusas, pedido anexo.

Três observações sobre a concordância do Adjetivo:

Ia O adjetivo concorda em gênero e número com o substantivo. São exemplos:


réus culpados, livros raros, leis cumpridas.

2~ O adjetivo, na maioria das vezes, concorda com o substantivo que está mais
próximo. São exemplos: a) Selecionou bom curso e universidade. OU.
Selecionou boa universidade e curso.
b) Praticou maus atos e ações. OU. Praticou más ações e atos. Observe que, se
os substantivos forem pessoas, o adjetivo vai para o plural. São dois exemplos:

a) Mudaram-se para Goiás a técnica Paula e o técnico Nelson. OU. Mudaram-


se para Goiás os técnicos Paula e Nelson.

b) Foram chamados: a culpada Anete e o culpado Pereira. Foram chamados: os


culpados Anete e Pereira.

3a Há apenas um adjetivo e dois substantivos. A concordância se fará de dois


modos diferentes: I — a concordância do adjetivo se fará com o substantivo
mais próximo. São três exemplos: a) Os responsáveis pelo projeto são
advogados e advogadas mineiras. OU. Os responsáveis pelo projeto são
advogadas e advogados mineiros.

b) Minha preferência recai sobre pintura e teatro clássicos. OU. Minha


preferência recai sobre teatro e pintura clássicas.

c) São amigos e amigas queridas. OU. São amigas e amigos queridos.

II — o adjetivo vai para o plural com a predominância do gênero masculino.

a) Falou-se sobre o comércio e a navegação costeiros.

b) Escolheu as frutas e o cereal adequados à dieta.

GRAMÁTICA: O ADVÉRBIO

Para ilustrar, incluímos o item Advérbio que compõe o capítulo primeiro da


Linguagem Forense, do mesmo autor: “O advérbio é a palavra invariável que se
relaciona com o verbo para lhe atribuir uma circunstância. A função específica
do advérbio é de tornar precisa a ação do verbo no tempo, no espaço, no modo, e
de dar à proposição o caráter afirmativo ou negativo. Além disso, o advérbio
pode modificar o adjetivo, o verbo e até o próprio advérbio.

Na linguagem forense, o advérbio assume importância maior do que na


literatura. Modificando o verbo — a palavra que exprime a ação o advérbio
fornece as circunstâncias em que ocorreu o fato, a saber: o lugar, o tempo, o
modo etc. O advérbio também poderá exprimir dúvida ou intensidade, e tais
aspectos da ação ou do fato são de muito valor para sua apreciação legal.

Muitas vezes, o emprego advérbios, como, por exemplo: provavelmente, demais,


longe, perto e outros, pode modificar penas, desclassificar testemunhas ou
decidir demandas. O advérbio deve ser rigorosamente escolhido na narração do
fato jurídico, para não desfigurá-lo. O advérbio e as locuções adverbiais
emprestam à linguagem a precisão de que ela necessita.

O advérbio pode modificar o verbo de forma objetiva ou de forma subjetiva. Na


linguagem jurídica, são objetivos os advérbios de negação, de quantidade
definida, de tempo certo, enfim, os advérbios que não admitem mais de uma
interpretação.

OS OITO TIPOS DE ADVÉRBIOS

1. Advérbios de afirmação: sim, certo, pois sim, certamente, deveras etc.

2. Advérbios de dúvida: talvez, acaso, porventura, quiçá etc.

3. Advérbios de intensidade: muito, pouco, bastante, mais, menos, tão, tanto,


meio, demais, metade etc.

4. Advérbios de interrogação: como, onde, por que, quando etc.

5. Advérbios de lugar: aqui, aí, ah, além, aquém, adiante, atrás, abaixo, acima,
dentro, junto, defronte, perto, longe etc.

6. Advérbios de modo: assim, ainda, apenas, bem, como, depressa, melhor,


mal, pior, e a maior parte das palavras terminadas em mente (ex.: o adjetivo
sério + a terminação mente = seriamente).

7. Advérbios de negação: não, nada, tampouco etc.

8. Advérbios de tempo: agora, ainda, antes, depois, cedo, ontem, tarde, logo,
nunca, sempre, jamais, breve, já, anteontem, amanhã etc.

São três exemplos de advérbio no Código Civil:

d) “Os negócios jurídicos benéficos e a renúncia interpretam-se estritamente”


(art. 114) (adv. de modo).
b) “Os bens públicos não estão sujeitos a usucapião” (art.

102) (adv. de negação).

c) “O herdeiro pode sempre requerer a partilha...” (art. 2.013)

(adv. de tempo).

E comum encontrar nos processos a frase: documento perfeitamente autêntico.


Observe que documento autêntico é um termo técnico e tem definição no art.
369 do Código de Processo Civil; logo, o advérbio perfeitamente não tem
função. Entende-se que, ou um documento tem os requisitos da lei e é autêntico,
ou não tem os requisitos e não é autêntico. Ao restringir um adjetivo, o advérbio
torna-se propriamente um adjetivo.

No exemplo: documento perfeitamente autêntico há dois adjetivos que são


perfeito — adj. secundário — e autêntico — adj. principal. Quando o adjetivo
principal conserva a forma de adjetivo — autêntico — o adjetivo secundário —
perfeito — é expresso como advérbio: perfeitamente.

O Advérbio Pouco

Tal advérbio também pode ser pronome indefinido como no segundo exemplo a
seguir: lc Ela estuda pouco. Qualquer que seja a modificação de gênero ou de
número (eles estudam pouco, ele estuda pouco, nós estudamos pouco) a palavra
pouco permanece invariável; nesse caso, pouco é advérbio.

2S Ela dispõe de pouco tempo. Ao se substituir a palavra tempo por horas ou


minutos (poucas horas poucos minutos) há variação; neste caso pouco é
pronome indefinido.

AS LOCUÇÕES ADVERBIAIS

São advérbios expressos por frases e às vezes por orações compostas de duas ou
mais palavras, e exprimem as mesmas circunstâncias dos oito tipos de advérbios
descritos acima. São alguns exemplos: ao invés, às claras, às vezes, de súbito, de
vez em quando, nesse meio tempo, para todo o sempre, pouco a pouco etc.

São três exemplos do Código de Processo Civil e do Código Civil:


lfi Código de Processo Civil, art. 17: os advérbios intencionalmente e
razoavelmente são subjetivos: “Reputa-se litigante de má-fé aquele que:

— alterar intendonalmente a verdade dos fatos;

— omitir intencionalmente fatos essenciais ao julgamento da causa; —


deduzir pretensão ou defesa, cuja falta de fundamento não possa
razoavelmente desconhecer”.

Entretanto, de acordo com a Lei n. 6.771, de 27 de março de 1980, o art. 17 do


Código de Processo Civil passou a ter a seguinte redação: “Reputa-se litigante de
má-fé aquele que:

I — deduzir pretensão ou defesa contra texto expresso de lei ou fato


incontroverso; II — alterar a verdade dos fatos...”.

De acordo com a redação supra, advérbios intencionalmente e razoavelmente


poderiam facilitar a litigância de má-fé entre as partes. O legislador, observando
a jurisprudência, retirou os advérbios tornando o texto inapto a interpretações
sofísticas.

2a Código Civil, art. 160: “Se o adquirente dos bens do devedor insolvente ainda
não tiver pago o preço e este for, aproximadamente, o corrente...” E certo que o
advérbio aproximadamente se objetiva em relação a preço corrente.

3a No Código Civil há advérbios e expressões que, à primeira vista, podem ser


entendidos como subjetivos. São dois exemplos: a) Art. 1.881: “Toda pessoa
capaz de testar poderá, mediante escrito particular seu, datado e assinado, fazer
disposições especiais sobre o seu enterro, sobre esmolas de pouca monta a certas
e determinadas pessoas...” ‘pouca monta’ e ‘depouco valor’ são expressões que
têm objetividade em função do monte partível.

b) Art. 80:“Consideram-se imóveis para os efeitos legais:... II — o direito à


sucessão aberta”. O adjetivo imóvel contraria o conceito do art. 79 e não explica
suficientemente o termo que restringe; daqui a necessidade de outro adjetivo —
legal — com forma de advérbio (legalmente) ou a expressão equivalente (por
lei). Somente nesses casos é válido o advérbio como restritivo do adjetivo.

GRAMÁTICA: O VERBO
O Verbo é parte da oração cuja função é significar a ação, o tempo e o modo.

Apenas indicamos o particípio passado, o particípio presente e o gerúndio.

O Particípio Passado é sempre empregado no sentido passivo. Exemplos:


notificado, deprecado, nunciado, executado etc., representando, na relação
processual, o Réu.

O Particípio Presente tem sentido ativo. Exemplos: notificante, deprecante,


nunciante, exequente etc., representando, na relação processual, o Autor.

O Gerúndio — o que se denomina gerúndio, na linguagem forense é o


gerundivo, que corresponde ao futuro passivo do latim. Em latim, o gerundivo
tinha o sentido de obrigatoriedade, ao passo que modernamente funciona, na
linguagem comum, como simples substantivo, ou adjetivo, como, por exemplo:
colendo, reverendo, memorandum etc. Na linguagem do foro, que tem de
recorrer ao latim, o gerundivo é uma necessidade, e tem a mesma significância
latina. Quando o Direito se refere a interditanda, o termo não tem a função de
um adjetivo; da mesma maneira, usucapienda, nuncianda e outros.

Assim:

— Interditanda significa que deve ser ou está sendo interditada.

— Usucapienda significa que deve ou vai ser usucapida etc.

Na terminologia jurídica se diz:

nunciante — o autor nunciado — o réu

nuncianda — a coisa que deve ser ou está sendo nunciada.

São exemplos no Código Civil:

a) art. 116: representante, representado, representação.

b) art. 297: cedente, cessionário, cessão.

c) art. 582: comodante, comodatário, comodato.

d) art. 586: mutuante, mutuário, mútuo.


e) art. 627: depositante, depositário, depósito.

Veja também, no Código Civil, os arts. 422, 675,693, 910, § Ia, entre outros.

GRAMÁTICA: A CONJUNÇÃO

A Conjunção é a palavra ou locução invariável que liga orações. As conjunções


se dividem em coordenativas e subordinativas.No que diz respeito à linguagem
forense, o estudo das conjunções foi feito quando se cuidou das proposições
compostas ou hipotéticas.

GRAMÁTICA: A PREPOSIÇÃO

A Preposição é uma palavra invariável que une os termos de uma oração,


podendo também unir duas orações.

Assim: ela vai ler o manual de instrução. A preposição DE liga dois termos da
mesma oração.

Assim: ela tinha medo de perder a causa. A preposição DE liga duas orações.

A luz da Lógica não tem relevância o estudo da preposição, no entanto é de


capital importância no estudo de regência, parte essencial para se escrever
corretamente. Remetemos o leitor para nosso livro Linguagem forense, capítulo
primeiro.

DIVISÃO DA LINGUAGEM

A divisão que propomos serve somente ao fim deste trabalho, relegando outras
formas de linguagem.

O pensamento é, sem dúvida, uno, indivisível; no entanto, em seu


funcionamento, apresenta-se sob dois aspectos: apenas apreende ideias e juízos;
passa de coisas conhecidas para outras até então desconhecidas.

No primeiro aspecto, o pensamento está em repouso e chamamos


INTELIGÊNCIA; no segundo aspecto, o pensamento põe-se em movimento e
chamamos RAZÃO.
Por exemplo: ao apreender o conceito de posse, o pensamento recebe uma
informação; quando desse conceito e de um fato conclui que tal pessoa é
possuidor, o pensamento passa de coisas conhecidas -informações - para outra
coisa desconhecida, e elabora um raciocínio.

E certo que ao funcionar de duas formas diferentes, o pensamento produz duas


formas de linguagem. A linguagem que expressa apreensão de ideias não pode
ter as mesmas características da linguagem do raciocínio.

Desse modo, e desconsiderando a linguagem coloquial e a linguagem artística,


podemos apresentar esta divisão:

Linguagem expressão de

Apreensão de ideias — informativa

Raciocínio persuasivo

sacra

política

forense

SUMULA

O Adjetivo: modifica um substantivo.

O Adjetivo: Cinco Casos Particulares.

A concordância do Adjetivo: três observações.

O Advérbio: é a palavra invariável que se relaciona com o verbo para lhe atribuir
uma circunstância.

Os oito tipos de advérbios.

O advérbio: pouco

As locuções adverbiais.

O Verbo: é a parte da oração cuja função é significar a ação, o tempo e o modo.


O Verbo: é a parte da oração cuja função é significar a ação, o tempo e o modo.

Particípio Passado, Particípio Presente e Gerúndio.

A Conjunção: é a palavra ou locução invariável que liga orações.

A Preposição: é uma palavra invariável que une os termos de uma oração,


podendo também unir duas orações.

Divisão da linguagem.

EXERCÍCIOS
Marque C nas questões certas e nas outras marque E:

1. ( ) O particípio passado é sempre empregado no sentido passivo, como, por


exemplo: notificado, deprecado, executado. Representa o réu na relação
processual.

2. ( ) A definição de verbo formulada por Prisciano (verbo é a par te da oração


cuja função é significar a ação, o tempo e o modo) coincide com a definição de
Aristóteles.

3. ( ) São usados na linguagem jurídica os advérbios de negação, de quantidade


definida, de tempo certo, porque não admitem mais de uma interpretação.

4. ( ) Os termos abstratos, como justiça e dúvida, são universais, têm


significação própria, porém admitem limitações.

5. ( ) O particípio presente é sempre empregado no sentido passivo, como, por


exemplo, nunciante, deprecante, e representa o Réu na relação processual.

6. ( ) Os termos técnicos do Direito são unívocos e definíveis, ou seja, têm um


limite em sua compreensão. Então o adjetivo somente é válido se for preciso
maior limitação para aumentar--lhe a compreensão.

7. ( ) Na expressão ‘dívida afiançada’, o adjetivo tornou o substan tivo dívida


menos extenso, porém, aumentou sua compreensão; isso porque a extensão e a
compreensão dos termos estão em uma ordem inversa.
8. ( ) O advérbio poderá dar um sentido afirmativo ou negativo à proposição,
além de sua função principal de modificar um substantivo.

9. ( ) Na expressão ‘documento perfeitamente autêntico’, o advér bio não tem


função e pode ser suprimido.

10. ( ) Os termos colendo e memorandum funcionam como simples

substantivos ou adjetivos, porém, correspondem ao gerundivo, ou futuro passivo


do Latim.

11. ( ) As locuções adverbiais são advérbios expressos por frases e às vezes por
orações compostas de duas ou mais palavras que não exprimem as mesmas
circunstâncias das oito tipos de advérbios.

12. ( ) Sobre concordância é certo que: o adjetivo, na maioria das vezes,


concorda com o substantivo que está mais próximo, como no exemplo: Praticou
maus atos e ações.

13. ( ) Sobre a palavra pouco: verifica-se que é variável quando for pronome
indefinido.

14. ( ) A palavra MEIO é variável no exemplo: Ela continua meia

preocupada com o emprego.

15. ( ) A palavra MENOS é advérbio e pode variar, como nos exem

plos: menas pessoas e menos problemas.

Capítulo XX
A Retórica e a Dialética — Técnicas
de Persuasão
A RETÓRICA

A Retórica, por definição, é a arte da eloquência. Como eloquência no foro visa


à persuasão, é evidente que, particularizando o termo aos âmbitos da linguagem
forense, a Retórica deve ser entendida como a arte de apresentar uma ideia ou
tese de forma persuasiva.

Classicamente, a Retórica apresenta três partes:

INVENÇÃO: a busca de argumentos, provas, exemplos;

DISPOSIÇÃO: a ordem do encadeamento das provas e dos argumentos:

EXPRESSÃO: a maneira clara e precisa de expor os argumentos e provas, já


encontrados e postos em ordem.

Passados os séculos verificamos que não há outra forma de persuadir ou de


expressar pensamentos. A Retórica, principalmente nos arrazoados, constitui
elemento essencial na Arte da Advocacia.

Os elementos da Retórica aparecem sempre com nomes novos nos mais variados
cursos, porém não há o que possa ser alterado. Isso porque o tríptico clássico —
invenção, disposição e elocução — representa uma atividade lógica do espírito,
isto é, pensar antes de expressar o pensamento.

INVENÇÃO (de invenire = buscar) — conhecida a questão deve o advogado


buscar elementos para sua tese. Desses elementos, alguns constam dos autos, e
são provas, como documentos, laudos e depoimentos; outros são argumentos
tirados daqueles e constituem a parte criativa do advogado. Ainda nessa fase das
razões, o profissional procura exemplos que sendo casos particulares podem,
conforme a questão, aplicar-se ao caso de que se cuida. Tais exemplos são a
jurisprudência.
DISPOSIÇÃO - de posse dos elementos que buscou nos autos e fora dele, o
advogado procederá à ordenação sistemática do material, de forma a persuadir o
juiz. Se o advogado apresentar suas razões por escrito, ou se ele for sustentá-las
perante um tribunal, poderá iniciar pelos argumentos que dizem respeito à prova
dos autos, buscando graduá-los de maneira que os juízes vão aos poucos se
convencendo deles; depois passará a demonstrar que casos iguais foram
resolvidos pela tese apresentada, sem esquecer, o que é óbvio, o
enquadramento do fato à lei.

E aconselhável surpreender o julgador com o melhor argumento ou com um


aresto aplicável, ao invés de levar a uma conclusão de forma sistemática.

EXPRESSÃO — após a busca dos elementos, a ordem em que devem figurar, o


profissional redige; aqui, todos os requisitos de uma linguagem clara, breve,
lógica, isto é, persuasiva. Estas regras estão na lição de Cícero, quando
recomenda ao orador estes preceitos: “Quid dicat, et quo quidque loco, et quo
modo” (De Oratore, IV) que, livremente, se entende por: “o que se deve dizer,
como dispor o que deve dizer e, finalmente, de que modo se deve dizer”.

A DIALÉTICA

“O termo dialética tem recebido acepções tão diversas que é impossível


empregá-lo a não ser no sentido em que está sendo tomado (Laland).”
Tratadistas mais antigos entendem a Dialética como parte da Lógica, onde se
estudam as formas da linguagem como demonstração da verdade. De acordo
com Aristóteles, a Dialética difere da demonstração, porque a demonstração,
conduz o espírito à certeza, ao passo que a Dialética, apenas por acidente poderá
atingir a verdade.

O elemento principal da Dialética é a proposição, seus termos e o argumento. A


Dialética, nesse sentido, serve para convencer o adversário, da nossa verdade.
Para tanto, é preciso apresentar a nossa verdade, como consequência de outra
verdade que o adversário já admita. Assim procedendo, obrigamos o oponente a
concordar conosco, ou estar em contradição consigo mesmo. O termo dialética
não perdeu, através dos tempos, seu sentido próprio em grego, isto é, discussão
(Dauzat, Dict. étymologique).

Para este curso vale a definição clássica de dialética: arte da discussão bem
organizada. Essa definição traz no termo organização, a presença da Retórica,
pois é a Retórica que organiza formalmente o pensamento.
pois é a Retórica que organiza formalmente o pensamento.

Como síntese da posição do advogado citamos esta lição de Cícero:

“XXIX-101 In onnibus igitur causis tres sunt gradus, ex quibus unus aliquid
capiendus est, si pluris non queas ad resistendum. Nam aut ita consistendum est
ut id quo de agitur dactus neges; aut, si factum fateare, neges eam uim habere
adque id esse quod adversarius criminetur; aut, si neque de facto neque de facti,
appellatione am-bigi potest, id quod argure neges tale esse quale elle dicat et
rectum esse quod feceris concedendumque defendas partitiones oratoriae”.

Tradução livre - Em todas as causas há cinco posições possíveis. E preciso


adotar uma (ou várias) como forma de resistência, e tomar uma das seguintes
posições:

Ia Negar o fato de que somos acusados;

2a Reconhecer o fato, porém negar que ele tenha a importância que se lhe
atribui;

3a Negar que o fato seja o que o adversário pretende (que seja);

4a Se não se pode discutir sobre o fato, ou sobre o nome a lhe dar, negar que o
fato de que nos acusam seja tal como diz nosso adversário;

5a Alegar em nossa defesa que o que se fez é legítimo ou desculpável.

Esse intento terá auxílio nos argumentos que apontamos no apêndice e no


Capítulo XVI, pois para a Arte da Advocacia, a Dialética pode ser entendida
como uma técnica de persuasão.

TÉCNICAS DE PERSUASÃO: W. G. HAMILTON

Mostramos no capítulo XVIII, que a Linguagem Lógica, empregada para


convencer ou persuadir, compreende as linguagens: forense, sacra e política
(parlamentar).Também, as técnicas são comuns entre linguagens congêneres.

O termo persuadir se origina da raiz latina suadere — aconselhar, no entanto


fiigiu a esse conceito. O verbo latino persuadeo, es, ere, persuasi, persuasum tem
as significações de: persuadir, induzir, convencer, levar a crer, entre outras.

A persuasão vale-se da Retórica e da Dialética, na forma, e da Lógica como


sáentia instrumentum. O estudo dessas artes é dever do advogado, na lição de
Cícero:

“Oratorio officium est dicere ad persuadendum acomodate”, ou seja, “O dever


do advogado é falar de modo a persuadir” (De oratore).

Acrescentamos breves comentários aos textos de W. G. Hamilton, in Lógica


Parlamentar.

í-Texto: Afirmação — “Toda afirmação deve fundar-se em uma verdade


intuitiva”. Comentário: Aristóteles conceitua: “São primeiras e verdadeiras
aquelas coisas nas quais acreditamos em virtude de nenhuma outra coisa que não
sejam elas próprias” (Tópicos, Liv. I). Observar que afirmar é mais difícil que
negar, pois basta negar uma parte da afirmação, para que ela não seja verdadeira.

2~ Texto:Análise - “Quando um assunto é difícil decomponha-o em partes e


trate com clareza cada uma delas”.

Comentário: o preceito é a aplicação do Discurso do método -Descartes — que,


no segundo princípio, recomenda: “dividir cada uma das dificuldades que
examina em tantas parcelas quantas pudessem ser e fossem exigidas para melhor
compreendê-las”.

3~ Texto:Aparência—“A aparência de uma coisa (ou fato) ou algum composto


dela, de nenhum modo é a coisa mesma”.

Comentário: o tópico é consequência do princípio da identidade: uma coisa é o


que ela é, e não sua aparência, ou parte dela. “Uma ideia é igual a ela mesma”
(Platão) - A é A (veja cap. IV, Os princípios lógicos).

4° Texto: O Argumento em cinco princípios.

I — “Combater o argumento e não o fato, combater a palavra e não a intenção,


é próprio de sofista”.

Comentário: parece contradição com alguns tópicos do autor.


II — “Reúna o maior número de argumentos; reforçam e enriquecem a
argumentação”.

Comentário: constitui uma preparação para aplicação do princípio IV, infira.

III — “Os argumentos demonstrativos devem apresentar-se de uma maneira


analítica, ou por indução. A análise consiste em conduzir as questões a seus
princípios, e extrair das verdades conhecidas, as verdades desconhecidas. Por
meio da indução, chegar de um grande número de casos particulares a uma
observação geral que concorde com todos os casos particulares”.

Comentário: “A indução é mais convincente e mais clara. E aplicável à grande


massa dos homens em geral” (Aristóteles, Tópicos).

IV — “Examine sempre que materiais pode economizar de sua primeira


argumentação, para empregá-los em sua réplica”. Comentário: é uma regra de
argumentação: iniciar com argumentos mais fracos e, quando esses forem
refutados, apresentar os melhores e mais fortes.

V — “Examine separadamente os argumentos que tenha de empregar em


defesa de sua causa, e os que provavelmente servirão ao seu adversário;
compare-os em seguida; dessa maneira poderá reforçar os seus e refutar os do
adversário”. Comentário: O advogado deve conhecer os argumentos que se lhe
oporão. Ponha-se na situação de seu opositor e verifique quais os argumentos
que usaria. E um método.

5-Texto: Causa e efeito - “As mesmas causas produzem os mesmos efeitos


somente quando se relacionam sobre os mesmos objetos”. Comentário: O texto
dispensa explicação.

6° Texto: Citação - “Impeça que se faça uma citação de forma inexata”.


Comentário: é comum nas citações de acórdãos, arestos e de autores a supressão
de parte delas que se não ajusta ou contraria a tese proposta pelo citante. E o
ensejo de o oponente emendar a citação na sua íntegra. Observe-se que o
Estatuto da OAB (Cap.VII, art. 103, XIII) prescreve como infração disciplinar:
“deturpar o teor do dispo-sitivo da lei, de citação doutrinária ou de julgado, bem
como de depoimentos, documentos e alegações da parte contrária,
tentando confundir o adversário ou iludir o juiz”.

7" Texto: Comparação em dois raciocínios:


I - “Nas comparações é vantajoso que as semelhanças sejam sobretudo
evidentes pelas semelhanças enumeradas em último lugar”.

Comentário: é a aplicação da verdade verificada em Psicologia, ou seja, as


últimas impressões predominam sobre as primeiras.

II - “Fazer comparações certas e chegar a conclusões exatas é raciocinar


solidamente”.

Comentário: os exemplos e as comparações pertencem ao raciocínio por


semelhança ou analogia. A comparação é uma indução imperfeita, um “esboço
de raciocínio que ilustra uma proposição, porém não torna a conclusão mais
provável”. Os exemplos e comparações elucidam nosso pensamento, porém ele é
independente desses exemplos e comparações. Logicamente, o texto não é
verdadeiro.

8° Texto: Definição em sete argumentos.

I — “Quando o adversário invocar um argumento para provar uma coisa,


demonstre que prova outra”.

Comentário: é o argumento tirado da definição que deve abranger todo o


definido e só o definido. Evidentemente a definição pela negativa só é aceitável
quando indica privação; bem como em Lógica, a metáfora não constitui
definição. O autor mostra a diferença entre a definição lógica e as definições que
o orador pode usar.

II — “Muitas vezes tem importância para a discussão, examinar se uma


palavra tem um sentido que lhe dá o uso geral e outro sentido especial dado por
um autor especial (particular) em uma ocasião especial (particular) ou em um
discurso especial”.

Comentário: é a aplicação do argumento subjecta matéria. Da mesma forma que


se interpreta um inciso legal conforme o capítulo em que se encontra, uma
palavra tem o sentido que lhe empresta o texto no qual está inserta. Essa
observação evita inteleções incorretas. O mesmo termo assume acepções
diferentes em diferentes ciências e artes, como, por exemplo: claro (ou seja,
branco) aplicado a um corpo é uma cor; ao passo que numa nota (musical) é uma
diferença de outras notas” (Aristóteles, Tópicos, Liv. 1,15).
III - “Definir é indicar as diferentes ideias simples de que está formada uma
ideia composta, a fim de explicá-la. Dar uma definição é assinalar em que a
coisa definida é semelhante a outras coisas e em que difere delas”.

Comentário: é a aplicação da definição que busca o gênero próximo e a


diferença específica (veja o cap.Y Definição).

IV - “Sobre a definição pode-se também dizer que é a enumeração dos


atributos principais de uma coisa; podeis enumerar os atributos que venham ao
caso e suprimir os demais”.

Comentário: é a definição dita descritiva que “revela um conjunto de elementos


acidentais equivalentes a um acidental próprio” (G. Silva Telles Júnior, op. cit.).

V - “As definições podem pecar por dois motivos: ou não abrangem o todo ou
não são exclusivas do objeto definido”. Neque omni, neque soli.

Comentário: é uma regra de definição: deve abranger todo o definido, e só o


definido.

VI - “Um filósofo define secamente por gêneros e diferenças; a definição de


um orador é mais uma descrição”.

Comentário: geralmente o orador é obrigado a definir situações ou objetos que


refogem às regras rígidas da definição. Nesse caso, a descrição da situação, ou
do objeto com os elementos essenciais, ou os mais sensíveis ou visíveis dará
ideia do que se quer definir.

VII - “Há definições de cinco classes: a primeira está tomada das partes de que
uma coisa se compõe; a segunda dos efeitos que produz; a terceira manifesta o
que uma coisa não é; a quarta indica seus acessórios; a quinta procede por
semelhanças e por metáforas”.

Comentário: a definição deve ser feita pelo gênero mais próximo e diferença
específica. “Com efeito, o gênero deve distinguir o objeto das coisas em geral e a
diferença de quaisquer outras coisas contidas no mesmo gênero” (Tópicos, Liv.
VI, 3). Há, porém, a definição que mostra a causa eficiente do definido. Por
exemplo: O usucapião tem por causa a posse prolongada. O texto mostra as
diversas espécies de definição até a metáfora, que, em Lógica, não é definição.
9* Texto: Dialética —“As regras de Dialética são tão pouco numerosas que
acontece nos vermos obrigados a empregar em proveito próprio uma parte de
argumentação já empregada anteriormente contra o adversário. Então nos vemos
obrigados a admitir princípios que havíamos negado e negar outros que
havíamos admitido”.

Comentário: sempre há o recurso de admitir ou negar princípios em virtude da


posição de autor ou réu. O que se admite, muitas vezes, como Autor, pode ser
negado, como Réu.

1 O2Texto: Estilo — “Tenha um estilo diferente para cada argumento e para as


diferentes partes da mesma argumentação”.

Comentário: uma das qualidades da linguagem em geral é a variedade que se


opõe ao vício de monotonia. Abbé Moreux (op. cit.) demonstra, com base
científica que a sucessão de palavras ou ideias semelhantes é fatigante e conduz
à desatenção.

í í-Texto: Entimema —“O entimema é o silogismo da Retórica”.

Comentário: veja Entimema no capítulo XIII, Silogismo.

12s Texto: Essencial e acidental — “Em um assunto distinguir o essencial e


inseparável do que é ocasional, acidental ou só circunstancial”.

Comentário: proceder ao contrário é incorrer no sofisma de acidente, que


consiste em tomar por essencial ou habitual o que é apenas acidental (veja o cap.
XVII, Sofisma).

13s Texto: Evidência — “Distinga entre o que é evidente e o que parece


evidente”. Comentário: Descartes, no Discurso do método, primeiro princípio
ensina: “Nunca aceitar por verdadeira coisa nenhuma que não se conheça como
evidente, isto é, deve evitar-se cuidadosamente a precipitação e a prevenção; e
nada incluir nos juízos que se não apresente tão clara e tão distintamente ao
espírito que não se tenha nenhuma ocasião de pô-lo em dúvida”.

14° Texto: Expressão: A variedade no discurso — “Três maneiras existem para


expressar-se, para dar variedade a um discurso:

Primeira: ser simples, porém claro e vigoroso;


Segunda: empregar expressões que esclareçam o assunto por meio de alusões à
outra questão, ou assunto;

Terceira: valer-se de expressões familiares e de frases correntes que, sendo


naturais sem serem vulgares, facilitam e dão simplicidade ao que se diz.

Comentário: todo o texto se refere a qualidades da linguagem. São duas


recomendações de Aristóteles:

Ia “É incorreto o uso de uma linguagem obscura, pois a linguagem usada numa


definição (e por extensão numa questão) deve ser a mais clara possível, uma vez
que toda sua formulação consiste em dar a conhecer alguma coisa”;

2a“Quando não tenha (muita) razão empregue expressões amplas e gerais


(porque são equívocas)” (Aristóteles,Tópicos, Liv. VI, 1).

A generalização sem particularização permite que dela se tirem muitas


conclusões; ao passo que particularizando estamos obrigados a uma só
conclusão, o que não é bom porque facilita a argumentação do nosso opositor
contra nós.

15° Texto: Forma efundo — “Se não se pode combater uma afirmação, procure
fazê-lo por meio de uma ligeira alteração na forma ou no fundo”.

Comentário: é evidente que em toda a argumentação temos de distinguir a


matéria (fundo) e a forma. A matéria se constitui dos conceitos, teses, objetos; a
forma é a disposição deles. O argumentador deve buscar onde se apresenta a
falha do adversário e aí concentrar sua objeção.

16° Texto: Impossibilidade - “Toda obrigação cessa quando chega a ser


impossível”. Comentário: é a aplicação do brocardo: ad impossibilia nemo
tenetur.Diz o art. 123 e I do Código Civil:“Invahdam os negócios jurídicos que
lhes são subordinados: I — as condições física ou juridicamente impossíveis,
quando suspensivas”. Ainda, no Código Civil, encontra-se a aplicação da
impossibilidade, sob a forma de caso fortuito ou força maior.Veja, entre outros,
os arts. 246, 393 e parágrafo único, 399,636,642.

17~ Texto: Meio e fim — “A importância dos meios deve sempre medir-se e ser
proporcional à importância do fim”.

Comentário: não empregar argumentos complexos para provar um fato simples.


Comentário: não empregar argumentos complexos para provar um fato simples.

18° Texto: Método em quatro raciocínios.

I - “Tenha método, porém o dissimule”.

Comentário: o método deve servir a quem o emprega, de forma que somente ele
tenha conhecimento de como vai atingir a conclusão. Se o emprego do método é
evidente, o oponente poderá antecipar a conclusão e refutá-la antes que o
argumentador chegue a ela e o efeito seja desastroso ou inútil.

II — “Se a questão de que trata não responde logo ao seu intento, volte a
examiná-la por todos os ângulos”.

Comentário: haverá sempre, para o bom argumentador, uma parte da questão


que lhe seja favorável. Insistir nessa parte como se fora toda a questão é tomar a
parte pelo todo, porém, poderá ser a única opção.

III — “O método serve para compreender mais claramente o assunto”.

Comentário: há método para expor, e método para intelectar. Aqui, trata-se de


método para compreender, isto é, caminho por seguir no estudo de um texto.

IV — “Siga um método em seu racionamento, porém evite uma regularidade


afetada”.

Comentário: a repetição do método empregado para a argumentação previne o


adversário para refutá-lo, além de tornar o discurso monótono.

195 Texto: Natureza da questão — “Segundo a natureza da questão, julgará se


uma regra estabelecida para um caso particular é aplicável a outro caso”.
Comentário: compete ao argumentador mostrar a semelhança das questões e, por
consequência, a aplicação da mesma regra. Ensina Aristóteles:“0 exemplo não
está na relação da parte para o todo, nem do todo para a parte, nem do todo para
o todo, mas da parte para a parte, do semelhante para o semelhante” (Arte
retórica,VIII).

20r Texto: Objeção — “Se não encontrar argumento com que refutar o
argumento adversário, faça objeção a uma palavra dele”.
Comentário: as palavras têm quase sempre dois sentidos, pois os termos fora da
terminologia técnica são em geral equívocos. Assim sendo, pode o argumentador
desvirtuar uma proposição usando uma acepção da palavra diversa daquela em
que está empregada. Como exemplo há o termo prescrever, em Direito.

21° Texto: Palavra e Ideia em dois raciocínios.

I —“Antes de pensar nas palavras fixe claramente todas suas ideias”.

Comentário: é um princípio de Retórica clássica: antes a invenção,

a disposição, depois a elocução.

II — “As palavras têm geralmente mais de um sentido e são verdadeiras ou


falsas segundo o sentido em que se tomem”. Comentário: o bom argumentador
previamente limita a significação do termo objeto da discussão, pois fora do
campo jurídico os termos geralmente são equívocos.

22° Texto: Princípio e Consequência.

“Muitas vezes se terão consequências verdadeiras de princípios falsos. Acolha a


afirmação de seu adversário, mostre que apesar de verdadeira em nada muda a
questão e demonstre em seguida que é falsa”.

Comentário: é apbcação lógica de um antecedente falso poder resultar, por


acaso, uma consequência verdadeira. Exemplo: todo quadrado tem três lados;
ora, todo triângulo é quadrado; logo, todo o triângulo tem três lados.

23s Texto: Proposição e Consequência — “Afirme a mesma coisa, o mesmo fato


de diferentes maneiras. Quando discordar busque algo com que concordar;
quando concordar, busque algo de que discordar. Admita a proposição e negue a
consequência. De cada vinte argumentos não há um só que prove em absoluto,
sem possibihdade de equi-vocar-se no que deveria provar. Ponha em evidência
os inconvenientes do extremo contrário”.

Comentário: repete textos já comentados ou os reúne. Inova em prescrever pôr


em evidência o extremo contrário. Quase sempre, em argumentação, se
partirmos da hipótese do adversário para o contrário posto em extremo oposto,
chegamos a quase absurdo.

24° Texto: Retórica em três argumentos:


24° Texto: Retórica em três argumentos:

I - “As aparências e as probabilidades são figuras de Retórica”.

Comentário: as aparências e as probabilidades não são argumentos

persuasivos, pois as probabilidades somente quando afirmadas constituem a


verdade.

II - “A Retórica tem como partes a invenção, a disposição, a elocução, a


memória e a expressão”.

Comentário: a Retórica clássica tem três partes: invenção, disposição e elocução.


Evidentemente, tratando-se do discurso falado, incluem--se a memória e a
expressão, que são qualidades de cada orador.

III — “A invenção serve para descobrir uma ideia; a fantasia para dar forma e
a elocução para vesti-la”.

Comentário: repete a divisão clássica da Retórica: invenção, disposição e


elocução.

25° Texto: Silogismo

I — “Não apresente seu raciocínio em forma de silogismo, porém tenha uma


espécie de plano silogístico”.

Comentário: é certo que a razão deve proceder de modo silogístico, porém, como
forma de argumento, optará por não apresentar o argumento na ordem correta,
ou seja: premissa maior, premissa menor e conclusão. A inversão dos elementos
será propositada. Toda questão, por mais complexa, reduz-se a um silogismo, se
está bem proposta. Reduzindo-a a um raciocínio simples é mais fácil
compreendê-la e refutá-la.

II — “Reduzindo um raciocínio a um silogismo, vemos suas partes em


miniatura, então podemos discernir o que é essencial do raciocínio e o que é
inútil”.

Comentário: assim como numa extensa expressão matemática procedemos, antes


de resolvê-la, a uma redução à expressão mais simples, num raciocínio
complexo reduzimos a um ou mais de um silogismo para extrair dele o essencial.
III - “Tenha ideia clara da proposição que pretenda demonstrar e os
argumentos em que deva fundar-se; examine a que parte da discussão (maior,
menor ou conclusão) se refere tal ou qual parte do discurso”.

Comentário: uma discussão pode versar sobre uma generalidade, um caso


particular, ou uma consequência tirada de juízos anteriormente aceitos. Cada
hipótese merece tratamento diferente, pois, provada a generalidade — premissa
maior —, o que é mais difícil, basta demonstrar que o caso particular está dentro
dela.

Provado o fato particular — premissa menor —, precisa-se de uma ideia geral


para enquadrar nessa ideia geral, a premissa menor. Sem o princípio geral -
quase sempre a lei, ou conceitos admitidos como verdades primeiras — o fato
pode apenas se valer da analogia com outros fatos iguais para se firmar.

A conclusão emerge da generalização e particularização, isto é, do princípio


geral e do fato. Para afirmá-la basta demonstrar que ela é o consequente lógico
do antecedente; para negá-la, deve-se demonstrar que o antecedente não a
admite.

26° Texto: Verossimilhança — “São três regras para a verossimilhança:

I — O que é mais conforme com a natureza das coisas.

II - O que está de acordo com os resultados de observações constantes e


experiências reiterados.

III - O que melhor responde à opinião dos homens sensatos e honrados e o


testemunho da multidão” (fato notório). Comentário: diz o art. 334,1, do Código
de Processo Civil:

“Não dependem de prova os fatos:

I — notórios;

II — afirmados por uma parte e confessados pela parte contrária;

III — admitidos no processo como incontroversos;

IV — em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade”.


O livro de W. G. Hamilton causou críticas severas de J. Bentham, que condenou
a “indiferença moral do autor”. O livro de Lord Hamilton parece uma antítese,
em confronto com o Tratado dos sofismas de J. Bentham, porque Bentham busca
desfazer falsidades, enganos, argúcia e astúcias

Aproveitamos do livro apenas a parte referente à Lógica, Retórica e Dialética,


que interessa aos advogados. A Advocacia não admite a plenitude de técnica e
argumentos empregados em Política. O advogado está sujeito ao Estatuto da
OAB (Lei n. 4.215, de 27-4-1963) e ao Tribunal de Ética Profissional.

SÚMULA

Retórica é a arte da eloquência.

Elementos da Retórica: invenção, disposição, elocução.

Dialética: Definição. Aristóteles. Cícero.

Técnicas de persuasão.

26 Textos de William G. Hamilton com breves comentários.

EXERCÍCIOS
Analise e aponte as duas alternativas corretas:

1. Sobre Expressão:

a) Há diferentes maneiras de expressar-se: empregar expressões que


esclareçam o assunto por meio de referências a outro assunto e valer-se de frases
correntes.

b) Quando não tiver muita razão em seus argumentos, use expressões amplas e
gerais porque estas são unívocas.

c) Deve-se evitar o emprego de expressões familiares porque pode dar a ideia


de falsa simplicidade no que se diz.

d) A linguagem deve ser a mais clara possível, uma vez que seu objetivo é dar
a conhecer alguma coisa.
2. Cícero disse que em todas as causas existem apenas cinco posições

possíveis:

d) É preciso escolher e adotar apenas uma das posições possíveis, como forma
de resistência.

b) Uma das posições consiste em negar os fatos de que nos acusam.

c) Uma das posições consiste em reconhecer o fato, porém negar a importância


que se quer dar a ele.

ã) Uma das posições consiste em não reconhecer o fato e negar todas as


acusações.

3. Sobre Análise:

a) Quando um assunto é difícil, decomponha-o em partes e trate com clareza


cada uma delas.

b) Descartes ensina que, em assunto difícil, deve-se dividir cada uma das
dificuldades que se examina em tantas parcelas quantas forem exigidas para
melhor compreendê-las.

c) Descartes ensina que um assunto difícil deve ser analisado por inteiro, sem
complicá-lo pela divisão.

ã) Quando um assunto é difícil, sua divisão em partes vai torná-lo ainda mais
difícil.

4. Sobre Definição:

a) As definições podem pecar por dois motivos: ou não abrangem o todo, ou


não são exclusivas do objeto definido.

b) A definição de um orador é curta, e a definição de um filósofo é mais uma


descrição.

c) Dar uma definição é mostrar em que a coisa definida é semelhante a outras


coisas e em que é igual a elas.

ã) Dar uma definição é assinalar em que a coisa definida é semelhante a outras


ã) Dar uma definição é assinalar em que a coisa definida é semelhante a outras
coisas e em que difere delas.

5. Sobre Dialética:

a) Na Dialética se estudam as formas da linguagem como demonstração da


verdade.

b) Para Aristóteles, a Dialética difere da demonstração porque a demonstração


leva o espírito à certeza e a Dialética apenas por acidente poderá chegar à
verdade.

c) Através dos tempos, o termo dialética perdeu seu sentido próprio, em grego,
de “discussão” ou “discussão bem organizada”.

d) O principal elemento da dialética é a proposição, seguida da busca dos


elementos e da ordem em que devem figurar.

6. Sobre Comparação:

a) A comparação é um esboço de raciocínio que ilustra uma proposição, porém


não torna a conclusão mais provável.

b) Nas comparações é vantajoso que as semelhanças sejam evidentes pelas


semelhanças enumeradas em último lugar.

c) Os exemplos e comparações elucidam nosso pensamento, porém ele é


independente desses exemplos e comparações.

ã) Nas comparações é vantajoso que as semelhanças sejam, sobretudo, evidentes


pelas semelhanças enumeradas em primeiro lugar.

7. Sobre Técnica de Persuasão:

a) A persuasão utiliza-se da retórica e da dialética na forma e da lógica como


ciência instrumental.

b) O termo persuadir tem origem na raiz latina suadere, que significa


aconselhar, convencer, e mantém esse conceito.

c) Cícero, em De oratore, afirmou que o dever do advogado é falar de modo a


persuadir.

d) A linguagem lógica compreende somente a linguagem forense, e a


linguagem sacra e a política têm seus próprios termos.

8. Sobre o termo Retórica:

a) Na linguagem forense, o termo retórica pode ser definido como a arte de


apresentar uma ideia ou tese de forma indutiva.

b) São partes da Retórica: a invenção, a disposição, a elocução, a memória e a


expressão.

c) As probabilidades são argumentos persuasivos porque, sempre que afirmam,


são verdadeiros.

d) As aparências e as probabilidades são figuras de Retórica.

9. Sobre Método:

a) Tenha método, porém o dissimule; significa que o método deve servir


apenas a quem o emprega, de forma que apenas ele sabe como vai atingir a
conclusão.

b) Para um bom argumentador, haverá sempre uma parte da questão que lhe
seja favorável, então tomar a parte pelo todo pode ser a única opção.

c) Se uma questão de que trata não responder ao seu intento, volte a examiná-
la à luz de outro método.

d) Para um bom argumentador, haverá sempre uma parte da questão que lhe
seja favorável, então tomar a parte pelo todo pode ser um erro.

10. Sobre Proposição e Consequência:

a) Não afirmar ou negar a mesma coisa ou o mesmo fato de maneiras diferentes.

b) Quando discordar busque algo com que concordar e quando concordar


busque algo de que discordar.

c) Ponha em evidência as vantagens do extremo contrário.


d) Ponha em evidência os inconvenientes do extremo contrário.

11. Sobre Afirmação:

a) Para Aristóteles, “são primeiras e verdadeiras aquelas coisas nas quais


acreditamos em virtude de nenhuma outra coisa que não sejam elas próprias”...

b) É mais difícil afirmar do que negar, porque é suficiente negar uma parte da
afirmação para que ela não seja verdadeira.

c) Toda afirmação pode fundar-se em uma verdade intuitiva.

d) E mais fácil afirmar do que negar, porque é suficiente negar uma parte da
afirmação para que ela não seja verdadeira.

12. Sobre Retórica:

a) A invenção é a busca de argumentos e provas.

b) A disposição é a ordem na qual os argumentos devem ser encadeados, e a


elocução é a maneira precisa de expor os argumentos e as provas.

c) Por definição, Retórica é a arte da eloquência.

d) A invenção é a busca de elementos que constam nos autos.

13. Sobre Argumento:

a) Combater o fato e não o argumento é próprio do sofista.

b) Deve-se reunir o maior número de argumentos para reforçar e enriquecer a


argumentação.

c) Os argumentos demonstrativos devem ser apresentados de forma analítica e


por dedução.

d) Examinar sempre os materiais que pode economizar na primeira


argumentação para empregá-los na réplica.

14. Sobre Invenção e Disposição:


a) O termo invenção, do latim invenire, significa buscar. E aplicado no sentido
de buscar exemplos, em casos particulares, que se apliquem ao processo.

b) Na disposição, é correto apresentar logo todos os seus argumentos para


reforçar sua tese e convencer o juiz.

c) Na disposição, o advogado deve surpreender o juiz com o melhor argumento


ou com um aresto aplicável.

ã) O verbo latino invenire, que significa buscar; e tem o sentido de buscar


exemplos em casos gerais aplicáveis particularmente ao processo.

15. Sobre Silogismo:

a) Não apresentar seu raciocínio em forma de silogismo porque reduzir a


questão a um raciocínio simples facilita a compreensão e a refutação.

b) Ao reduzir um raciocínio a um silogismo, perceber o que é essencial e o que


é inútil ao raciocínio.

c) Perceber que nem toda questão, ainda que bem proposta e complexa, pode
ser reduzida a um silogismo.

ã) A conclusão do silogismo não pode emergir da generalização e da


particularização.

Respostas dos exercícios Capítulos I a XX

Capítulo I

Escolha a opção certa para preencher as lacunas:.

I. b 2. a 3. b 4.b 5. a 6.a 7.b 8. a 9. a lO.b

II. a 12. a 13. a 14. b 15. b.

Capítulo II

Analise as proposições e marque Sim ou Não: l.não 2. sim 3. não 4. não 5.


sim 6. sim 7. sim
8. sim 9. não 10. sim 11. não 12. sim 13. sim 14. não

15. não.

Capítulo III

Assinale as sete asserções equivocadas:

1 4 8 9 11 13 15

Capítulo IV

Assinale as sete asserções corretas:

1 3 7 8 10 11 14

Capítulo V

Aponte eventuais equívocos em cada uma das questões: l.b-c 2. c 3.a-b 4.não
há equívocos 5.a 6.a 7.b

8. a-c 9. b-c 10. c

Capítulo VI

Indique as cinco proposições equivocadas:

Capítulo XII

Indique as alternativas verdadeiras e as falsas:

I. V 2. F 3. F 4.V 5.V 6.V 7.F 8. F 9.V 10.V

II. V 12.V 13.V 14. F 15.V

Capítulo XIII

Indique as opções falsas nas questões a seguir:

2 4 7 8 13 16 17

Capítulo XIV
Capítulo XIV

Qual é a opção correta?

1. a 2.a 3.b 4.b 5.a 6.b 7.a 8.b 9.a lO.b

Capítulo XV

Aponte todas as opções incorretas em cada uma das questões: l.a-b 2. c 3. b 4. a-


c 5.b-c 6.a-b-c 7. b-c

8. c 9. a 10. a-b-c

Capítulo XVI

Aponte todas as alternativas corretas em cada uma das proposições a seguir:

l.b-c 2. a-b 3. a 4. a 5. a-c 6. a-b-c 7. b-c

8. b-c 9. a-c 10. a-b 11. a-c 12. b-c 13. a-c 14. b

15.a-b-c

Capítulo XVII

Qual é a opção incorreta?

1. a 2.b 3.b 4.b 5.b 6.a 7.a 8.b 9.a 10.a

Capítulo XVIII

Marque Falso ou Verdadeiro nas questões abaixo:

I. F 2. F 3.V 4.V 5. F 6.F 7.V 8.V 9.F 10. F

II. F 12.V 13.V 14. F 15.V

Capítulo XIX

Marque C nas questões certas e nas outras marque E:

10. C
I. C 2.E 3.C 4.E 5.E 6.C 7. C 8.E 9. C

II. E 12. C 13. C 14. E 15. E

Capítulo XX

Analise e aponte as duas opções corretas:

l.a-d 2. b-c

8. b-d 9. a-b

15. a-b

3. a-b 4. a-d 5. a-b 10. b-d 11. a-b 12. b-c

6. b-c 13. b-d

7. a-c 14. a-c

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