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EU PECADOR: amado e chamado por Deus

“A conversão não é questão de esforço mas de agradecimento”

Quê buscamos com as meditações dos pecados?


* Uma vivência transformante, através da experiência do Amor incondicional e
da Misericórdia, e da des-
coberta luminosa de uma salvação que se encarna em Jesus.
* Nosso pecado tem de ser revelado por Outro (Cristo Crucificado). No centro da
história (pessoal e co-
letiva) está uma Pessoa: encontro afetivo, dinâmico, provocativo, que
impulsiona para a nova vida...
Através do “colóquio de misericórdia” (“que fiz? que faço? que farei por Cristo?
EE.61), o exerci-
tante descobre Cristo no coração do pecado. O Jesus da Cruz é promessa de
vida para mim; n’Ele me é
dada a esperança certa de ser reconstruído no Amor.
* Só o Amor de Deus revela o pecado; Deus nos ama precisamente porque
somos pecadores. Este é o
maior mistério: “que Ele nos tenha amado primeiro, quando ainda éramos pecadores” (Rom.
5,8)

A dinâmica da oração sobre os pecados.


A recordação é minha pessoa, minha história... através do contraste entre
grandeza e pequenez, plenitude e degradação, pecado e misericórdia... e que
desemboca numa admiração profunda e vivamente assombrada (EE. 60)
Na oração, procurar captar não tanto os pecados concretos, mas os hábitos,
os dinamismos negati-
vos, as atitudes pecaminosas, os ídolos, as áreas fechadas de minha vida,
etc. Há sempre o perigo de permanecermos nos atos externos, esquecendo-nos
da dimensão profunda dos pecados.
São os chamados “pecados de raiz”, ou seja, endurecimentos, fechamentos e
fixações da pessoa e que impedem a energia vital, o amor de Deus fluir
livremente. São bloqueios e empecilhos colocados pela própria pessoa que
interceptam a relação com Deus, portanto, com a plenitude da vida, e cortam suas
próprias potencialidades positivas.
Quando falamos de “pecados de raiz” queremos destacar a necessidade de uma
renovação radical.

Em sentido amplo, o pecado constitui a recusa do ser


humano de “ir além de si mesmo”. Com este gesto
de recusa, ele atinge a si próprio muito mais que a Deus.
A malícia do pecado está no fato de que, por meio dele,
o ser humano se automutila, precisamente na sua dimen-
são mais específica, a transcendência.
Pecar é fechar as portas da mente e do coração ao Absoluto. É negar-se a tomar parte na Grande Passagem
(Páscoa). É decidir-se pela “segurança e comodidade” e não pelo risco da aventura; é não estar dispos-
to a “ir além de si mesmo”, seguindo o apelo do Absoluto.
É esta a experiência de “inferno”, definido como o “absoluto menos”, ou seja, o absoluto que, em vez
de criar, construir, crescer, ousar... em direção ao “mais”, constitui o extremo setor “menos” de nossas
opções, de nosso modo de viver...

A experiência pessoal de conversão só será completa quando questionamos


globalmente e a fundo a nossa própria existência.
“Conversão” significa: libertar-nos de nossa fixação em nós mesmos e em
nosso fazer, para atender ao
que Deus nos oferece.
A conversão é mudança de “senhor”, não é só mudança de hábitos, de
comportamentos...; é desalojar os falsos ídolos, os apegos desordenados... para
que o Senhor amplie e ocupe o espaço do nosso coração.
Os Exercícios Espirituais nos situam de cheio no contexto das afeições
desordenadas. Tais “afeições” são, de fato, as atitudes nas quais buscamos
uma compensação por nossas carências, feridas e limitações.
“O Senhor não precisou fazer muito esforço para libertar Israel do Egito, mas precisou suar
muito para arrancar o Egito do coração de Israel”.
Ä libertação do coração, de fato, é uma operação muito delicada, paciente e
demorada, e representa o ponto de chegada e o cumprimento do Projeto de
Deus. O fundamental é conseguir fazer uma experiência salvífica frente à
“minha história de pecado” e não uma experiência de angústia, de temor e de
escrupulosidade... Aqui brota um sentimento de surpresa e de admiração
diante do contraste entre meu pecado e a bondade de Deus que me acolhe.
Sentimento que desemboca na atitude de “ação de graças”.
Textos bíblicos: Rom. 7,14-25 Ez. 36,22-36

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