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PESSIMISMO CÓSMICO: a experiência do inferno

“O poder liberado do átomo conseguiu modificar todas as coisas, menos a


maneira de pensarmos. Consequentemente, estamos à deriva, aproximando-
nos de uma catástrofe sem paralelo. Necessitaremos de uma maneira
substancialmente nova de pensar para que os seres humanos possam
sobreviver” (Einsten).

Indicações para a oração


Considero como a ciência, com sua investigação,
tem sido uma dádiva, fazendo com que nossa vida fosse mais segura, mais
confortável e interessante; porém, ao mesmo tempo, também nos acostumamos
a pensar na Natureza como algo diferente de nós, totalmente conhecível e
carente de mistério. Em contraste, todas as culturas mais antigas do mundo
tinham a crença de que os seres humanos formavam parte da natureza, de que
os seres vivos eram seus semelhantes e de que tanto a água como o ar, a terra,
as plantas e os animais eram sagrados porque Deus se revelava neles.
Ultimamente nossa comunhão sagrada com a natureza, nossa fonte de vida e de
significado, foi substituída por um profundo desespero. De fato, temos lavrado
nosso próprio inferno.
Segundo afirma o teólogo John Haught, não nos damos conta até que ponto o mundo sofreu a imensa e
perturbadora comoção destes processos que provocaram o desaparecimento da “grande cadeia do ser”.
Faz-se necessário tomar suas palavras com a maior seriedade quando descreve a gigantesca nuvem de
pessimismo cósmico que nos alcança a todos. Ninguém escapa de sua influência negativa.
O trauma que a perda da transcendência implica, desemboca no “marasmo existencial”. Naqueles que
detém o poder, o marasmo se manifesta como uma atitude de cinismo (corrupção, acúmulo de riquezas,
abuso de poder político...). Naqueles que não tem poder, o marasmo se manifesta em fundamentalismo
(uma espécie de desespero). Em outros, pode vir à tona em forma de culto à violência.
“Na paixão da humanidade, o humano, mais uma vez, afronta o humano, demonstra repulsa pelo
outro, estilhaça a confiança no convívio fraterno, tripudia sobre a idéia de humanidade e, pior
ainda, profana a vida, degenerando a esperança e, em nome da paz e de Deus, aceita a sempre
desprezível consagração das atrocidades” (Mário Sérgio Cortella).
Em termos inacianos, podemos qualificar tudo isso de de-
solação comunitária: o lugar pós-moderno do Inferno.
1. Oferecimento de mim mesmo
Rogo à Trindade que me conceda a graça de que todas
as minhas intenções, ações, operações e sentimentos
se dirijam unicamente à seu serviço e louvor.
2. Preâmbulo ao mistério
A existência humana depois da decisão egoísta e da
recusa de Deus (Lc. 12,16-21).
3. Disposição de todo o meu ser para o mistério
Considerarei a situação infernal de nossa vida diária
refletida nos meios de comunicação.
4. O desejo de meu coração
Peço que me conceda a graça de experimentar um sentimento profundo da dor
infernal causado por meus abusos egoístas para com a comunidade de vida,
para que, cheio de vergonha por eles, eu possa romper meus hábitos de
pecado e não me esqueça do amor da Trindade pela humanidade.
5. Pontos de reflexão e consideração
Primeiro ponto: Com a imaginação me coloco no lugar que a leitura da Escritura me sugere, ou
seja, neste
mundo onde levamos uma vida de isolamento, sem relação com os outros, isolados pelas
barreiras do medo e do hedonismo. Por todo lugar está presente o orgulho, a inveja, a
cobiça, a ira, as drogas, a exclusão, a violência, a corrupção...

Segundo ponto: Tomo consciência do engano infernal ao considerar que a existência carece de
sentido.
Contemplo o vazio infernal da vida ao qual me vejo envolvido a pensar, enganado, que
posso saber de tudo e que, como consequência, a existência fica desprovida de mistério.

Terceiro ponto: Tomo consciência da mentira diabólica que defende a afirmação de que não há
nenhum
Criador porque a teoria de Darwin aparentemente faz desnecessário um Criador da vida.
Imagino o desespero existencial de viver num universo desprovido de significado e
considero as tristes palavras de um cientista: “O homem, finalmente, sabe que está
sozinho na fria imensidade do universo, do qual surgiu por pura casualidade”.

Quarto ponto: Imagino um universo desolado e controlado por um super-computador.


Tomo consciência de que da perda do sentido do sagrado deriva o engano infernal que
supõe acreditar que o índice de confiança do consumidor deve ser a principal preocupação
dos governantes.

Quinto ponto: Tomo consciência de que o verdadeiro inferno do ser humano é o desespero que nasce
do
erro de acreditar que para ser dignos da existência temos que ter mais posses que os
outros.

Sexto ponto: Imagino o caminho percorrido pelos seres humanos desde a Terra Sagrada do Neolítico
até o
mundo infernal e sem sentido de nossos dias.
6. Colóquio
Converso com Jesus, recordando todos aqueles que vivem nas garras do
desespero por sua existência.
Dou graças às Pessoas da Trindade por ter-me libertado deste destino, por ter-
me dado esperança, por ter-me rodeado de amor e por continuar dando-me
vida.
Termino com a oração que Jesus ensinou.