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A música na Idade Média (de 1400 a 1450)

Com a queda do Império Romano e a implantação do cristianismo, a igreja passa a


ter um papel fundamental para o desenvolvimento e evolução da música, pois são os
monges que, nos mosteiros e depois dos gregos, continuam a desenvolver a escrita e a
teoria musical.

São os cânticos litúrgicos vocais e de transmissão oral que fazem parte do repertório
mais usado na musica da Idade Média. Estes cantos litúrgicos variavam nas suas
interpretações consoantes a raça, a cultura, os ritos e os hábitos musicais dos diversos
povos. Sentindo necessidade de unificar e de fortalecer o cristianismo, São Gregório

Magno, monge beneditino e eleito papa em 590, compilou e selecionou uma série de
cânticos litúrgicos com qualidade e dignos de culto. Foi neste sentido que reuniu
alguns cânticos já existentes e outros de sua própria autoria numa coletânea que
intitulou de Antifonário.

A esta forma de cantar deu-se o nome de Canto Gregoriano, que era basicamente
uma forma de oração para demonstrar o amor a Deus. Este canto tinha uma melodia
simples que seguia o ritmo das palavras.

Nesta época começa a haver uma grande separação entre a música religiosa e a
música popular. Uma das grandes diferenças entre elas está nos instrumentos que são
usados em ambas. Na igreja apenas o órgão era permitido, enquanto que na música
não religiosa ou chamada profana usavam-se: a rabeca, o saltério, o alaúde, a
charamela, a flauta, a gaita de foles, a sanfona, a harpa, os pratos, os pandeiros,
os tambores,...

A língua usada nos cantos da igreja era o Latim, enquanto que na música popular
eram os dialetos próprios de cada região.

Os menestréis eram cantores, músicos e malabaristas que andavam de terra em


terra juntamente com os saltimbancos.

Os trovadores eram nobres que compunham música e poesia tendo como tema
preferido, para as suas composições, o amor.
A notação musical serviu no início apenas para auxiliar a memória de quem cantava,
mas, ao longo dos tempos, tornou-se cada vez mais precisa. Numa fase inicial eram
colocados pequenos símbolos chamados neumas.

Mais tarde e de forma progressiva foram introduzidas as linhas até se chegar ao


conjunto das 4 que foram inventadas por Guido D’Arezzo, conhecido como sendo um
grande teórico da música na Idade Média.

Mas, a partir do século XI, o uso da pauta tornou-se habitual.

Cantochão
Para os grandes teólogos dessa época, a música deveria servir somente à religião e a
sua prática fora da Igreja foi condenada ficando somente nos mosteiros e conventos.
Apesar disso, sabe-se que existiu a música profana embora não se tenha registros,
pois eram registrados pelo clero. A música profana certamente sobreviveu nas festas
familiares e nas cortes.
A primeira forma musical foi o cantochão ou o cantus firmus ou ainda cantos planos,
era uma música cantada em uníssono, monódica e cantada por homens, proibida a
participação das mulheres.
No século IV, Santo Ambrósio (Bispo de Milão) iniciou a compilação dos cantos cristãos
e os ajustou aos modos primitivos que ainda conservam seu nome: Modos
Ambrosianos.
No século VI, o Papa Gregório I continuou a tarefa iniciada por Ambrósio, introduzindo
reformas na organização da música religiosa e sua didática, acrescentou aos 4 modos
Autênticos já existentes outros 4 chamados Plagais.
Assim o cantochão passou a ser chamado de Canto Gregoriano e criou-se o
antifonário, o livro com o registro das músicas. O canto gregoriano existe até os dias
atuais, também conhecidos como cantos litúrgicos e ritualísticos (cristianismo).
Formas musicais no canto gregoriano:
a) Aleluia: parte do ofício divino e da missa, é expressão de alegria.
b) Antífona: antifonar-se significa cantar alternadamente, mas passou a ser chamada a
parte que prepara a execução do salmo, baseados no mesmo modo.
c) Gradual: são os 15 salmos(119 a 133) do breviário que em determinadas
circunstâncias entoavam-se junto aos degraus do altar.
d) Hino: cântico de louvor para as divindades.
e) Impropério: trecho litúrgico, versiculado na forma responsorial que na sexta-feira
Santa canta-se na Igreja, no solene ato da adoração da cruz.
f) Invitatorium: pequena antífona com o objetivo de convidar e preparar os fiéis para a
celebração.
g) Missa: obra litúrgica dividida em 6 partes: kyrie, glória, credo, sanctus, benedictus e
agnus dei. Os réquiens(missa dos mortos) são divididos em sete partes: introctus,
sequentra, offertorium, sanctus, benedictus, agnus dei e communio. Haviam as partes
fixas e móveis, estas mudavam de acordo com as festividades. Ex: Missa da Páscoa,
Missa do Galo...
h) Responsório: recitação ou canto em que o celebrante ou os versiculários de um lado
e de outro, cantam o coro alternados que são os textos litúrgicos da missa ou do ofício
divino. Difere do responsório, o qual é um canto efetuado destacadamente do ofício
divino.
i) Salmos: são os poemas em números de 150, compostos antes de Cristo que
receberam a música do tipo gregoriano e que foram cantados pelos primeiros cristãos.
Os santos Mártirer para aplacar seus sofrimentos e enfrentarem a morte, entoavam
salmos por estes serem confortadores.
j) Salmodia: entoação dos salmos nos tons ou modos gregorianos.
k) Seqüência: inicialmente os primeiros vocalizes sem texto e posteriormente a palavra
vocalizada, com estrutura livre.
l) Principais compositores: Santo Ambrósio, São Gregório Magno, Scotus Erigena, Frei
Alcuíno, Aurelino Di Reome, Regino Von Prun, Remigio de Auxerre, Jean Cotton e
Guido D’Arezzo.
m) Os livros litúrgicos eram: Missa( livro com o canto gregoriano e sua grafia),
responsorial(livro que reúne em si os cantos da "vigília noturna"), antifonário(livro com
os cantos da missa), lecionário-epistolário-evangelário(recitativos destinados aos
diáconos jovens) e breviário(livro com a antologia dos cantos litúrgicos).

PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DA MÚSICA MEDIEVAL


1. O uso de modos

2. Cantochão - melodias simples, sem acompanhamento ou notação rítmica;


canções seculares e danças bem ritmadas.

3. Músicas polifônicas: organum ( peças elaboradas a partir de cantochãos


preexistentes); motetos - composições resultantes da sobreposição de melodias e
palavras.

4. Muitas composições baseadas em um cantus firmus tirado de um cantochão,


mas algumas peças compostas de forma independente (conductus).

5. Na Ars Antiqua, rítmos tomados da poesia, mas, na Ars Nova, já mais flexíveis e
ousados.

6. Maior preponderância dos intervalos harmônicos: uníssono, Quarta, Quinta e oitava.


Intervalos de terças e sextas mais frequentes no fim do período medieval.

INSTRUMENTOS MUSICAIS Estão citados aqui alguns instrumentos que deveriam


acompanhar essas danças e canções:

1. Galubé e tamboril: flauta e tambor de duas faces, tocados por uma só pessoa.

2. Charamela: instrumento de sopro e palheta dupla, antepassado do oboé.

3. Órgão: além do órgão da igreja, havia o órgão portátil, que podia ser carregado.

4. Carrilhão: conjunto de sinos graduados, para ser tocado com martelos de metal.

5. Cítola ou cistre: instrumento de 4 cordas de arame

6. Harpa: menor em tamanho que a harpa moderna.

7. Viela: maior que as violas modernas, possuíam um cavalete achatado.


8. Rebec: instrumento em forma de pêra, com 3 cordas para serem friccionadas
por um arco.

9. Viela de roda: instrumento no qual uma roda movida a manivela fazia as cordas
vibrarem, e um teclado em conexão com as cordas melódicas respondia pela
diferenciação dos sons.

10. Saltério: dotado de cordas que eram tocadas com bicos-de-pena, um em cada
mão. Também existiam outros instrumentos: flautas doces de vários tamanhos: a
aveludada flauta medieval; o trompete medieval; alaúde, gaitas de fole,
instrumentos de percussão tais como címbalos, triângulo e tambores.