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8744

EXMO. SR. DR. JUIZ FEDERAL DA 28ª VARA FEDERAL –


SEÇÃO JUDICIÁRIA DO RIO DE JANEIRO

Processo n. xxxxxxx

FIADOR e DEVEDOR, vem à presença de V. Exa., propor


o presente

EMBARGOS MONITÓRIOS

em face de CAIXA ECONOMICA FEDERAL, já qualificada nos autos


em epígrafe, pelos fatos e fundamento de direito que passa a
expor:

SINTESE DA DEMANDA:
A segunda embargante contratou o FIES com a embargada
em 06/05/2002 com garantia prestada pelo primeiro embargante
em 31/03/2004.

DA TEMPESTIVIDADE:

Os embargantes não foram regularmente citados, tendo a


segunda embargante efetuado carga dos autos em 26/08/2010.

Iniciando-se a contagem do prazo de 15 (quinze) dias, em


27/08/2010, tendo seu termo final somente em 10/09/10,
portanto tempestivos os embargos opostos.
O primeiro embargante será patrocinado pela segunda
embargante que também atua em causa própria. Requer o prazo
de 15 dias, para efetuar a juntada de procuração com poderes
específicos para receber citação.

DAS PUBLICAÇÕES

Requer, com fulcro no artigo 39, I do CPC, que as


publicações e/ou intimações se façam em nome da segunda
embargante ----, inclusive as do Diário Oficial, anotando-se o
nome desta patrona na capa dos autos, a fim de se evitar
eventuais nulidades.

DA GRATUIDADE DE JUSTIÇA

Prevê o art. 2º da Lei nº. 1.060/50 que todos aqueles que


necessitarem recorrer à justiça, gozarão dos benefícios da
gratuidade, desde que a situação econômica não lhes permita
pagar as custas do processo e os honorários de advogado, sem
prejuízo do sustento próprio ou da família.
Diante das circunstâncias, tem-se em anexo a declaração da
embargante, sob as penas da Lei.

PRELIMINARMENTE

I – DA IMPRESTABILIDADE DO PROCEDIMENTO ADOTADO:

Não cabe no procedimento monitório, pedido que dependa


ou demande larga produção probatória, como no presente caso,
uma vez que, os valores cobrados pelo embargado são
totalmente indevidos pelo embargante.

Havendo necessidade de ampla produção probatória e


requerimento de diversas provas, compete ao embargado
interpor ação competente pelo rito ordinário, isto, se realmente
fossem devidos os valores cobrados.

Outrossim, o embargado não possui prova escrita com


eficácia de título executivo, os documentos trazidos aos autos,
foram elaboradas unilateralmente, e, sendo assim, não
constituem os mesmos, documentos hábeis a instrução da

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exordial, ou seja, não há nos autos prova bastante e suficiente a
instruir o pedido monitório.

Fica clara aqui a ausência, e, sobretudo, a INEXISTÊNCIA de


documento a instruir o indevido pedido monitório. O mesmo
entendimento apresenta os nossos Tribunais:

“Não há como instaurar procedimento monitório com


base em demonstrativo ou extrato unilateral de débito,
não se podendo caracterizar tal documento como prova
escrita hábil a tal procedimento.” (RJTAMG 67/321).

MONITÓRIA - Contrato de prestação de serviços. Faturas


de medida unilateralmente extraídas. Duplicatas e
boletos bancários. Protestos. Prova do débito.
Insuficiência. Embargos acolhidos. Insurgência recursal
desprovida. para fins monitórios, a prova escrita deve,
quando menos, trazer razoável certeza a respeito da
existência do crédito reclamado e de seu valor. E mero
contrato de prestação de serviços, complementado com
duplicatas não aceitas, de faturas de medição unilateral
de alguns serviços e de boletos bancários, quando negado
o débito pela demandada, não se mostram suficientes
para estabelecer a veracidade do crédito buscado. (TJSC -
AC 2001.007851-1 - Balneário Camboriú - 2ª CDCom. -
Rel. Des. Trindade dos Santos - J. 04.08.2005)

Assim, o pedido exordial deverá ser indeferido de plano, por


total ausência dos pressupostos válidos da constituição da ação,
que no presente caso são a IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA DO
PEDIDO, na forma apresentada na peça inaugural, por total
ausência das elementares da condição da ação.

No processo sub judice, é clara a inexistência da prova


escrita, com fundamento e elementos suficientes à instrução de
ação monitória, pois, necessitam os mesmos de AMPLA E
PROFUNDA INDAGAÇÃO, inclusive, de prova PERICIAL, a fim de
estancar e coibir a locupletação da Instituição Financeira.

Desse modo requer digne-se V. Exa. em acolher a presente


preliminar julgando a carência do pedido inicial, bem como a
inépcia da ação, nos moldes dos artigos 267, IV, VI e 301, III e X
do CPC, pelas razões de fato e de direito acima transcritos,
condenando-se o embargado em custas e honorários
advocatícios.

DO MÉRITO:
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Apesar das matérias legais e incontroversas transcritas em
preliminar, os embargantes discorrem no mérito, matérias outras
de extrema relevância processual, confirmatórias da total
nulidade do pedido monitório, nos moldes abaixo transcritos.

Havendo a impugnação dos valores apresentados, como no


caso dos presentes autos, já que apenas documentos unilaterais
são apresentados, existe a necessidade da produção de
prova pericial contábil, para a confirmação e comprovação das
irregularidades nos cálculos, inviabilizando a utilização da ação
monitória.

Vale ainda demonstrar que os cálculos da embargada são


ilegais, para que não prospere o equívoco da conversão de uma
ilegalidade em título executivo judicial.

DO DESCUMPRIMENTO DE PRECEITOS LEGAIS, DA


OBSCURIDADE DOS EXTRATOS E DO PEDIDO DE PROVA
PERICIAL:

Nos termos do art. 614, II do CPC, a ação monitória da


embargante deveria estar devidamente instruída com o
demonstrativo dos cálculos, para que se pudesse corretamente
apurar qualquer irregularidade, o que se tornou inadmissível no
presente caso.
Assim, os cálculos apresentados deveriam estar
descriminados mês a mês, atendendo o disposto no artigo 614, II,
do Código de Processo Civil, com a nova redação introduzida pela
Lei n°. 8.953, de 13.12.94, o que não ocorreu nos presentes
autos.

O embargado não apresentou o demonstrativo do débito, ou


seja, sobre quais valores básicos, (capital), e qual a taxa de juros
e correções aplicadas.
No tocante ao montante cobrado no importe de R$23.002,45
(vinte e três mil, dois reais e quarenta e cinco centavos), a
embargada NÃO APRESENTOU QUALQUER DEMONSTRATIVO, OU
PLANILHA ESCALONADA, COM A EVOLUÇÃO PAULATINA DO
SUPOSTO E ABUSIVO VALOR COBRADO, e sobretudo, DE QUAIS
ENCARGOS, JUROS, CORREÇÕES, MULTAS e COMISSÕES FIZERAM-
SE INCIDIR SOBRE O MESMO. Fato este, o qual comprova
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novamente a total nulidade do feito.
Os valores deveriam estar discriminados mês a mês, não
apresentou o demonstrativo do débito, ou seja, sobre quais
valores básicos, (capital inicial), incidiram as taxas de juros,
correções e encargos aplicados.
Inobstante a isso, a embargada juntou somente os
EXTRATOS de fls.34, com juros e taxas tão abusivas e ilegais, que
basta uma mera análise do mesmo para tipificar a nulidade do
presente feito, o que ficará posteriormente comprovado.
A iliquidez da planilha juntada é gritante, a embargada não
comprovou a observação estrita dos valores contratados, quais os
encargos, taxas incidentes e a forma como operacionalizou o seu
SUPOSTO E INDEVIDO CRÉDITO.
Ademais, a ora embargada, jamais, demonstrou ou
comprovou o montante devido, somente fez afirmações e
lançamentos UNILATERAIS; em nenhum momento comprovando a
necessidade de exigência dos mesmos, em total obscuridade e
falta de transparência processual e contratual.
Havendo a impugnação dos valores apresentados, como no
caso dos presentes autos, deverá ser designado perito judicial,
para a confirmação e comprovação das irregularidades nos
cálculos. Ainda mais, quando não especificam se houve
pagamento ou amortização, é estranho e de impossível análise,
sendo os mesmos totalmente nulos.
Sendo assim, somente um “expert”, poderá interpretá-lo,
analiticamente, em face da confusão ocorrida na elaboração a
que se chegou ao montante apresentado, e sem qualquer
CLAREZA, RAZÃO DO PRESENTE PEDIDO DE PROVA PERICIAL, O
QUE SE FAZ “AD ARGUMENTANDUM”, pois o presente feito
monitório é NULO DE PLENO DIREITO.
Comprovada ficou a má-fé da instituição embargada, e a
abusividade dos valores cobrados, razão pela qual a embargada
deverá apresentar os cálculos de todos os períodos, e discriminar
mês a mês, os encargos, as amortizações e as taxas por ela
cobrados.

Sendo que, agindo assim, o banco está a infringir o


ordenamento pátrio e a Constituição Federal, inclusive, por
dificultar ou impedir a ampla defesa e o contraditório.

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DOS VALORES DISPONIBILIZADOS:

Conforme tabela abaixo transcrita, foram disponibilizados os


seguintes valores por semestre pelo embargado:

SEMESTRE/ANO VALOR
01/2002 R$ 1.100,00
02/2002 R$ 1.690,41
01/2003 R$ 1.394,56
02/2003 ---
01/2004 R$ 1.484,54
02/2004 R$ 2.799,96
01/2005 R$ 2.214,66
02/2005 R$ 3.352,74
01/2006 R$ 3.255,30

A segunda embargante não dispõe do termo de


aditamento celebrado no 2° semestre de 2003, não sabendo
dizer qual o valor disponibilizado naquele semestre.

Requer seja intimado o embargado a fornecer segunda vai do


termo de aditamento onde consta o valor da semestralidade.

DO PAGAMENTO DO FINANCIAMENTO:
Passada a fase dos primeiros 12 (doze) meses após a
conclusão do curso, é chegada a fase de amortização da dívida.
Contudo, tal quantia extrapola qualquer valor justo, uma vez que,
em sua essência, estão embutidas taxas, comissões de
permanência, capitalização irregular, além de cobrança de juros
sobre juros, e outras ilegalidades.

Durante o prazo em que estava utilizando o financiamento a


segunda embargante efetuava o pagamento trimestral da quantia
de R$ 50,00 (cinqüenta reais), referente a 1ª fase de
amortização da dívida, conforme tabela a seguir:

PARCE VENCIMENTO VALOR


LA
01 10/06/2002 R$ 50,00
02 10/09/2002 R$ 50,00
03 10/12/2002 R$ 50,00
04 10/03/2003 R$ 50,00
6
05 10/06/2003 R$ 50,00
06 10/09/2003 R$ 50,00
07 10/12/2003 R$ 50,00
08 10/03/2004 R$ 50,00
09 10/06/2004 R$ 50,00
10 10/09/2004 R$ 50,00
11 10/12/2004 R$ 50,00
12 10/03/2005 R$ 50,00
13 10/06/2005 R$ 50,00
14 10/09/2005 R$ 50,00
15 10/12/2005 R$ 50,00
16 10/03/2006 R$ 50,00
17 10/06/2006 R$ 50,00
18 10/09/2006 R$ 50,00
19 10/12/2006 R$ 50,00

A segunda embargante concluiu o curso superior em


31/07/2006, assim no ano seguinte se iniciou a 2ª fase de
amortização da dívida, conforme tabela a seguir:

PARCE VENCIMENTO VALOR


LA
20 10/02/2007 R$ 232,52
21 10/03/2007 R$ 232,52
22 10/04/2007 R$ 232,52
23 10/05/2007 R$ 232,52
24 10/06/2007 R$ 232,52
25 10/07/2007 R$ 232,52
26 10/08/2007 R$ 232,52

A segunda embargante deixou de pagar a partir da 27ª


prestação com vencimento, em 10/09/2007, no valor de R$
232,52, em razão de dificuldades financeiras.

Ocorre que decorrido algum tempo, não foi mais possível


efetuar o pagamento através dos boletos emitidos.

Assim, a segunda embargante entrou em contato com o


embargado a fim de regularizar sua situação, mas diante da
exigência de apresentação de novo fiador para renegociar a
dívida não foi possível chegar a um acordo até a propositura da
presente ação.
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A embargante apresenta os valores pagos, a fim de que seja
abatido do valor original da dívida o que já foi efetivamente pago.

DA UTILIZAÇÃO DA TABELA PRICE


É sabido que a amortização baseada no sistema "Price" não
é constante. O que se vê, pois, é o reajuste da parcela respectiva
a cada 12 (doze) meses, fazendo com que o saldo devedor seja
corrigido sempre com um grande saldo devedor.
Sendo assim, é indevida a utilização da tabela "Price" na
atualização monetária dos contratos de financiamento de crédito
educativo, uma vez que, nesse sistema, os juros crescem em
progressão geométrica, sobrepondo-se juros sobre juros,
caracterizando-se o anatocismo.
O STJ justifica que "a aplicação da tabela Price, nos contratos
em referência, encontra vedação na regra disposta nos artigos 6º,
V, e 51, IV, § 1º, III, do CDC, em razão da excessiva onerosidade
imposta ao estudante". E conclui que "na atualização do contrato
de crédito educativo, deve-se aplicar os juros legais, ajustados de
forma não capitalizada ou composta".
DAS MULTAS
Prevê o contrato em uma de suas cláusulas a aplicação de
multa de 2% (dois por cento) sobre os juros, o que não é possível,
sob pena de dupla penalização, eis que haverá por sua vez
aplicação de multa ao autor em caso de cobrança extrajudicial,
ou judicial, no percentual de 10%, de maneira cumulativa. Deve,
portanto, ser extirpada tal previsão de incidência.
DA CLÁUSULA MANDATO
A cláusula que autoriza a ré a efetuar bloqueio de contas,
aplicações ou créditos dos embargantes, para fins de liquidar
obrigações contratuais vencidas. Tal cláusula estabelece poder
abusivo a embargada, sendo nula porque viola o art. 51, IV e VIII
do CDC.
DO LIMITE DE JUROS
O contrato firmado entre embargantes e embargado prevê a
aplicação de juros no percentual de 9% (nove por cento) ao ano,
ocorre que em 15 de janeiro do presente ano entrou em vigor a
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lei 12.202/2010 que altera dispositivos da Lei nº 10.260, de 12
de julho de 2001.
A nova taxa de juros é de 3,5% ao ano, vale tanto para os
novos contratos e também para o saldo devedor dos
contratos antigos.
Sendo assim, deve o percentual de juros estipulado no
contrato ser imediatamente reduzido, e atualizado conforme a
nova lei em vigor.
Quanto a indexação dos juros reza o contrato pela
capitalização mensal, levando tal indexação em conta, se verifica
mais uma ilegalidade na cobrança, não havendo motivo para que
essas seja acolhida pelo Judiciário.

Como consta no artigo 4° do D. 22.626/33 também


conhecida como Lei da usura, a capitalização mensal de juros é
inadmissível, mesmo quando expressamente convencionada.
Inobstante a isso a súmula 21 do STF colocou fim a toda polêmica
travada: “É vedada a capitalização de juros, ainda que
expressamente convencionada”.

DO PEDIDO:
Diante do exposto, requer a V Exa. o que segue:

a) Seja deferido o Pedido de Gratuidade de Justiça para


ambos embargantes;
b) Seja deferida a SUSPENSÃO do feito por 90 dias, a fim
de possibilitar a renegociação administrativa;
c) Seja acolhido os presentes embargos monitórios;
d) Seja em preliminar decretada a carência da ação, bem
como a inépcia da petição inicial, com extinção do feito
sem julgamento do mérito, com fundamento no art. 267
do CPC;
e) Seja o embargado intimado para juntar aos autos todos os
termos de aditamento realizados no contrato objeto da
lide.

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f) Seja no mérito indeferida a presente ação monitória, com
sua total improcedência;

DAS PROVAS:

Para provar ao alegado, requer a produção de todos os


meios de prova admissíveis, em especial a juntada documental
suplementar, a realização de prova pericial contábil necessária a
comprovação da abusividade e ilegalidade dos valores cobrados.

Nestes termos
Pede e espera deferimento.

Rio de Janeiro, 09 de setembro de 2010.

___________________________________
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OAB/RJ XXX

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