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A REVOLUÇÃO DA MENTE

A REVOLUÇÃO da Mente
É pensar antes de suar!
Sumário
Capítulo 1
Como transformar abismos em jardins! ............................................................................................13
Capítulo 2
A excelência nasce da miséria ..........................................................................................................29
Capítulo 3
Uma ideia que fez o criador olhar para cima para ver a criatura .........................................................45
Capítulo 4
Mesmo machucado, acredite na ideia de risco de um amigo .............................................................69
Capítulo 5
Enxergando oportunidades onde campeões bebem água ................................................................89
Capítulo 6
Como viver em excelência pelo suor de outros ................................................................................105
Capítulo 7
A verdadeira sabedoria é reconhecer que não se sabe tudo .............................................................117
Capítulo 8
Transformando sabedoria em riqueza ............................................................................................133
Conclusão .....................................................................................................................................141
Oração ..........................................................................................................................................143
Metas ............................................................................................................................................145

Capítulo 1
Como transformar abismos em jardins!
No princípio criou Deus o céu e a terra. E a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do
abismo; e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas. (Gênesis 1:1–2)

Os versos iniciais do livro de Gênesis falam de algo muito importante para a humanidade, pois tratam
de duas palavras-chave para nós: princípio e criação. O princípio foi marcado pela criação da terra e de tudo
que nós conhecemos, e o autor de toda esta obra é Deus. Deus é a maior fonte de criação que há, e é capaz
de feitos extremamente extraordinários.
De acordo com o texto de Gênesis 1, Ele pegou a terra em estado de caos, pois ela era disforme, vazia
e coberta por trevas. A partir daquela confusão, Deus fez a natureza e todas as suas maravilhas em perfeita
ordem.

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O primeiro ponto que podemos destacar no texto é que precisamos aprender com Deus, o nosso
maior exemplo de criação, de planejamento estratégico e de execução de ideias. O livro de Gênesis nos
mostra muito sobre a personalidade do Senhor. É ali que Ele é apresentado logo do começo como o criador
de todas as coisas, pois Deus é o centro de tudo e Ele é quem governa tudo aquilo que existe.
Se eu pudesse destacar o atributo de Deus que mais me causa admiração — além de seu grande amor
e de sua incomparável misericórdia —, eu escolheria a sua capacidade de criação. Essa capacidade tão bela
é parte de sua essência, pois, como dizem as Escrituras em Romanos 4:17, Ele chama as coisas que não são
como se já fossem. Ele é quem traz à existência aquilo que não existe.
Tudo que Deus tem é imensurável. Um exemplo disso é o que nos foi revelado através do profeta
Isaías: a mente de Deus é infinita, seus pensamentos são absolutos e estão muitíssimos acima dos humanos.
Por mais que tentemos, somos incapazes de compreender e distinguir as coisas como Ele.
Porque assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que
os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos. (Isaías 55:9)
Esses atributos de Deus são usados por Ele para fazer coisas do seu oposto. Ele é quem tira o tudo do
nada. A beleza do pôr do sol, de uma lua brilhante, do mar, de uma noite estrelada, das flores e dos animais
veio de um abismo sem forma e cercado por trevas. Tamanha beleza foi gerada de algo muito feio, tudo
segundo seu infinito poder.
No livro de Gênesis vemos mais detalhes da obra de Deus, e, em determinado momento, Ele cria o
homem.
Após criá-lo, era de se esperar que Deus daria ao homem algo a fazer. As incumbências dadas a Adão
podem ser resumidas a uma palavra: governar. Ele deveria cuidar do que Deus havia criado, aquilo
significava manter a terra sob o seu comando e dominá-la.
Dentre as características divinas que Ele inseriu em nós, eis aquela que eu considero a maior: a
capacidade de governar. Neste ponto somos parecidos com o Senhor, por isso o ser humano estabelece
limites territoriais, comanda homens e organiza coisas. Um homem consegue controlar outros milhares de
homens como ele, e essa capacidade de estabelecer autoridade é oriunda de Deus.
É importante entendermos aqui o famoso versículo de Romanos em que o apóstolo Paulo fala sobre
autoridades estabelecidas por Deus.
Toda alma esteja sujeita às autoridades superiores; porque não há autoridade que não venha de Deus; e
as autoridades que há foram ordenadas por Deus. (Romanos 13:1)
Paulo não quis dizer que as autoridades foram selecionadas por Deus, mas que os cargos existentes e
o fato de haver autoridades foram estabelecidos pelo Senhor.
Pode-se ver liderança e relações de autoridade em todas as culturas. O ser humano gosta de
comandar porque foi esta a primeira ordem que ele recebeu de Deus. Essa é uma das suas características
que Ele nos deu — em menor escala, naturalmente — e que nos aproxima dele.

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Adão, movido pelo ímpeto de controlar, nomeou todas as coisas e animais como preferiu. No entanto,
veio o pecado, e ali houve a ruptura na perfeita relação que o homem mantinha com Deus. Aquela ruptura
despertou no homem a segunda maior característica de aproximação humana com Deus, a criação. Longe
do Éden, os seres humanos começaram a criar diversas coisas que lhes atendessem às necessidades e
vontades.
Hoje, vemos criações do homem em todo lugar, sejam cadeiras, copos, aviões, celulares,
computadores, acessórios de beleza e muito mais, a maior parte do que está ao nosso redor é de origem
humana. Se você, leitor, parar agora sua leitura e olhar rapidamente ao seu redor, verá que está rodeado por
criações humanas. Essa capacidade de criação não é fruto da evolução, nem do desenvolvimento das
sociedades, nem da sabedoria humana, isso é um instinto oriundo de uma personalidade de Deus.
Esse dom de criação aflorou quando o homem foi castigado ao ser expulso do Jardim do Éden e foi
amaldiçoado com o fato de ter de trabalhar para se manter.
Dentro do jardim, Deus cuidava de Adão, mas, fora dele, o homem havia de criar mecanismos que lhe
garantissem a sobrevivência. Aquela necessidade despertou sua criatividade nata.
A maldição lançada por Deus sobre a terra era a de que ela produziria espinhos e abrolhos que
dificultariam o trabalho dos homens. Surgiu, então, a dúvida: como viver em uma terra amaldiçoada? Mas
a mesma terra que produz ervas daninhas e espinhos também produz uvas, morangos, peras e outras
plantações admiráveis. Isso acontece porque o poder de criação que Deus nos deu é capaz de transformar.
É possível (e preciso) transformar e sujeitar a terra a nós.
No processo de transformação da terra, Adão criou algo fantástico, que frequentemente passa
despercebido por muitos de nós: o fogo. A partir dele, muitas outras coisas foram desenvolvidas, pois ele
surgiu logo no começo da humanidade e resolveu muitos dos problemas existentes até então. Vale enfatizar
que ele não foi criado pelas mãos de Noé, nem de Abraão, mas de Adão.
Adão precisava do fogo para muitas coisas, e uma delas era enxergar no escuro da noite.
Deus, ao criar a terra, permeou-a de equilíbrio, e a alternância entre a luz do dia e a escuridão da noite
mostra isso. Adão, a coroa da criação, sentiu necessidade de ver durante a noite, e fez ali o fogo. A ordem
mostrada por Deus na sua criação indica que o equilíbrio é muito necessário.
Aqui vemos a primeira estratégia de excelência: o equilíbrio. É preciso que nós entendamos que
dependemos tanto do dia quanto da noite. O dia foi feito para o aproveitamento, para o trabalho e mais,
mas a noite nos foi dada por Deus para o descanso, e devemos respeitar isso.
No Jardim do Éden, no entanto, a quietude da noite inquietava Adão. Ele estava sozinho, e ver o sol
se recolher era triste porque ele não poderia fazer durante a noite o que o dia permitia. No fim da tarde,
então, Deus aparecia para ver Adão e falar com ele. Deus ia, enfim, para fazê-lo entender que a terra
precisava de descanso, e ele também. Adão precisava de equilíbrio.
A importância do equilíbrio é ressaltada também pelo sábio rei Salomão:

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Não sejas demasiadamente justo, nem exageradamente sábio; por que te destruirias a ti mesmo?
(Eclesiastes 7:16)
A falta do equilíbrio levou Adão a querer explorar a noite, e ele passou a usar o fogo para clarear a
escuridão noturna e sair por ela. O uso do fogo gerou a necessidade de outras coisas, e, consequentemente,
possibilitou também novos acontecimentos. Com o tempo, Adão fez surgir melhoras no transporte, na
habitação, nos utensílios e em muito mais.
Adão, como herdeiro da capacidade de criação do próprio Deus, moldou aquilo que viu para seu uso.
Para inserir na terra uma nova semente, por exemplo, ele precisava cavar um buraco. Mas abrir buracos na
terra com as mãos era difícil e doloroso, então ele usou a madeira, e descobriu que com o metal era mais
fácil. Com o tempo, ele desenvolvia ferramentas. Adão foi a centelha de criação do homem.
Os feitos de Adão mostram-nos que é possível transformar uma realidade de dificuldades em algo
melhor.
Trazendo isso para os nossos dias podemos entender o motivo de algumas pessoas viverem tão bem,
enquanto outras vivem tão mal. Há mais pessoas vivendo em dificuldades do que em bonança, mas
precisamos entender que dentro de nós há um dispositivo de excelência dado por Deus, que é a capacidade
de criação. A criação nos permite transformar realidades.
A capacidade de criação é muito grande, então é necessário usá-la com bom senso. O mesmo
potencial de criação que usa a cana para fazer açúcar pode usá-la para fazer o álcool. A mesma mente que
desenvolve armas para defender uma sociedade pode criar armas para destruí-la.
Esse dispositivo, se bem utilizado, pode mudar o mundo ao nosso redor. Onde algumas pessoas veem
crise outros veem oportunidades. Isso se vê no próprio Deus. Quando olhou para o abismo sem forma, vazio
e escuro, Ele decidiu fazer dele uma terra boa e agradável onde tudo funciona muito bem.
Diversas pessoas atribuem a Deus a responsabilidade por 90% dos problemas que existem, mas se
esquecem de que o Senhor enxertou em nós a habilidade de olhar uma situação sem forma e dar aparência
a ela.
Uma situação problemática é uma terra difícil e cheia de espinhos. No entanto, você pode nela
trabalhar com a ferramenta que o Senhor lhe deu.
É impossível não encontrar uma terra em que haja espinhos, em algum momento ela aparece. Cabe a
você escolher se vai aceitá-los e viver na angústia e na dificuldade — como a maioria faz — ou se vai enfrentar
e mudar a situação. Deus lhe deu a capacidade de sujeitar a terra e dominá-la, esse poder está dentro de
você como presente do Pai.
Por mais vazias que estejam a sua vida conjugal, sua despensa, sua vida espiritual e/ou qualquer outra
área da vida, Deus lhe permite enchê-las e dar a elas formas. Não espere que Deus faça tudo como Ele fez
em Gênesis, aquilo foi um modelo que Ele nos deixou.
Mas Ele nos deixou também a capacidade de fazermos o mesmo em nossas vidas.

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Desperte o gigante de ideias que Deus lhe permite ter — ele é muito necessário para o seu sucesso. O
segredo para mudar situações não é somente o trabalho, mas o esforço baseado em estratégias. Tomando
como exemplo a vida financeira, ter sucesso não vem com trabalho somente, pois há pessoas que trabalham
muitas horas por dia, mas ganham pouco, enquanto há quem trabalhe pouco, mas ganhe muito. Entender
isso lhe ajudará a tirar mais do que espinhos da terra em que você está, e você poderá transformar esse
abismo sem forma e vazio em um lugar belo e cheio de alegria.
É importante ressaltar que, assim como no livro de Gênesis, um abismo não é o fim, mas o começo.
Deus usou aquilo que parecia o fim para iniciar uma grande e bela criação, e você, filho dele, é dotado dessa
capacidade.
Você é capaz de iniciar uma bela criação naquilo que todos pensam ser o fim.
Outro momento descrito na palavra de Deus que mostra isso é o ocorrido com profeta Ezequiel.
Veio sobre mim a mão do SENHOR, e ele me fez sair no Espírito do SENHOR, e me pôs no meio de um
vale que estava cheio de ossos. E me fez passar em volta deles; e eis que eram mui numerosos sobre a face do
vale, e eis que estavam sequíssimos. E me disse: Filho do homem, porventura viverão estes ossos? E eu disse:
Senhor DEUS, tu o sabes. (Ezequiel 37:1–3)
Onde Ezequiel enxergava um amontoado de ossos secos, Deus já visualizava um grande exército.
Muitas vezes, inclusive com cristãos de grande fé, acontece de não termos a visão de Deus. Ver de uma
forma diferente da de Deus, nos impede de ver o potencial de criação que pode ser posto em ação em um
determinado lugar. Deus mostrava a Ezequiel algo que serve de lição a todos nós: ossos sequíssimos são
vistos por Deus como exércitos.
Sua vida está sem forma e vazia? Deus pode transformá-la em um jardim. A terra em que você está
possui muitos espinhos e abrolhos? Nela você pode comer uvas e figos. Seus sonhos estão como ossos
secos? Deus pode transformá-los em um exército cheio de vida. Receba o poder de visão dado por Deus e
veja como Ele, pois Ele o fez com capacidade de ir do nada para o tudo.

Capítulo 2
A excelência nasce da miséria
Foi-se um homem da casa de Levi e casou com uma descendente de Levi. E a mulher concebeu e deu à luz
um filho; e, vendo que era formoso, escondeu-o por três meses. (Êxodo 2:1–2)

Originalmente, o nome êxodo significa “saída”.


O livro revela-nos como Deus deu escape ao seu povo e fez surgir algo muito especial através de um
nascimento. Vale ressaltar que muito daquilo que Deus faz começa com um nascimento.
O processo de evolução das ideias passa por um início, como a invenção da roda. Antes de chegar a
ser o que é hoje, a roda foi criada quadrada. Através de um nascimento Deus faz uma nova história.

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O nome do livro não é sem motivo, ele mostra a saída de um cativeiro único para o povo de Israel.
Antes dele não houve nenhum pior, e depois dele não houve nenhum parecido. Foram 430 anos sob domínio
egípcio.
Os hebreus estiveram mais de quatro séculos debaixo da ditadura de um povo que o oprimia.
As condições de vida dos hebreus no Egito não eram agradáveis a ninguém, pois as moradias eram
ruins, a alimentação era horrível, e a forma com eram tratados revelava uma situação degradante. Portanto,
pode-se dizer que havia sido um tempo de completa miséria.
Deus, então, levanta-se do seu trono para socorrer o seu povo e tirá-lo daquela condição tão ruim. E,
quanto mais intensa é a humilhação, mais intensa é a reação de Deus; quanto mais intenso é o sofrimento,
mais intenso é o agir do Senhor para dar a vitória. Se há algo que o oprime, o derruba e o leva ao desespero,
isso é, na verdade, uma oportunidade para nascer excelência.
Quem nasceu naquela ocasião foi o homem chamado Moisés. E eu tenho de dizer que eu discordo
desse nome. O nome “Moisés” quer dizer “tirado das águas”, o que foi um acontecimento em sua vida. Isso
é narrado no livro de Êxodo, quando, para ser conservado vivo, Moisés foi colocado num cesto e posto no
rio. A princesa egípcia viu o cesto e gostou da criança, então tirou o menino das águas. Daí o nome “tirado
das águas”.
Mas eu, como leitor da Bíblia, recuso-me a aceitar isso. Moisés era hebreu, nascido na tribo de Levi —
que viria a se tornar a tribo do louvor —, era da linhagem dos patriarcas escolhidos por Deus, aquela princesa
não tinha direito nenhum de batizá-lo com um nome egípcio.
Os hebreus usavam critérios valiosos para a escolha dos nomes de seus filhos, era um elemento muito
importante e levado a sério na vida de uma pessoa.
Eu não creio que o nome Moisés tenha sido inspirado por Deus, mas escolhido de forma totalmente
humana.
Quando nasceu, o menino chamado pela princesa de Moisés mostrava outra característica: ele era
belo. O verso 2 do capítulo 2 de Êxodo nos mostra que ele era formoso.
Disso podemos extrair um aprendizado importante: em meio à miséria e ao sofrimento de Israel Deus
fez nascer algo formoso. Nos principais dicionários vê-se que formoso é mais do que bonito, ser formoso é
ser a perfeição em beleza. Aquele menino era capa de revista sobre bebês. A palavra “formoso” quer dizer
excelência no hebraico.
O que Deus quis dizer aos hebreus foi: “Eu sei que vocês estão na desgraça, sei que esse é o pior
momento que vocês já tiveram, mas eu fiz nascer excelência nesse momento de miséria. Eu sou o Deus que
fez a terra onde só havia o abismo coberto de trevas. Quando
todos imaginariam que nada sairia do caos, Eu fiz dele o mundo”. A excelência em formosura foi dada
a eles no momento de dificuldade.

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A REVOLUÇÃO DA MENTE

Tendo em consideração estas palavras de Deus, quero profetizar na sua vida o mesmo. Não importa
a degradação e a escravidão pelas quais você esteja passando, Deus pode fazer nascer excelência na sua
casa, na sua família e em qualquer lugar em que você esteja.
Ao falar sobre Moisés, Jesus disse que aquele era o maior profeta do Antigo Testamento, e que ele era
uma referência. Apesar de estar no Egito e ter à sua disposição todos os agrados de lá, Moisés se manteve
como excelência do coração de Deus para a libertação do seu povo.
Entenda: a excelência não pode ser sufocada pela miséria. Imagine o acampamento do povo de Israel:
nascem crianças diversas ali, mas somente Moisés se destacou.
Ao nascer na casa de Anrão e Joquebede, Moisés foi escondido: seus pais estavam escondendo a
excelência.
No entanto, Moisés não podia mais ser mantido escondido, pois a excelência que Deus faz tem um
período para ser mantida em oculto.
Você pode pensar: “Será, então, que já nasceu excelência na minha vida? É possível que ela já exista
em mim mesmo que eu não tenha as condições que eu quero? ”.
Sim, é possível. Talvez ela ainda esteja escondida, mas a excelência tem uma hora certa para ser
revelada.
Da mesma forma que a excelência para os hebreus — Moisés — levou três meses escondida, a sua
também está. A excelência do Senhor já nasceu na sua casa, mas está sendo preparada por Deus para
quando tiver de ser exposta na sua vida.
A excelência também precisa ser provada. Tudo que temos hoje já foi provado pelos institutos
competentes para que fosse testada a qualidade do produto antes de ser disponibilizado no mercado. Há
um selo de qualidade que todos eles recebem após serem provados, e com a promessa de Deus não é
diferente. Moisés, a excelência de Deus, foi provado ao ser colocado em um rio dentro de um cesto e
liberado.
Leiamos, neste momento, os seguintes versos: Não podendo, porém, mais escondê-lo, tomou uma
arca de juncos e a betumou com betume e pez; e, pondo nela o menino, a pôs nos juncos à borda do rio. E a
irmã do menino postou-se de longe, para saber o que lhe havia de acontecer. (Êxodo 2:3–4)
Perceba que, ao ser colocado nas águas, Moisés, a excelência do Senhor, foi observado. No começo,
quando a bênção esperada é enviada por Deus, todos a observam.
Seus irmãos da igreja, familiares e conhecidos, mesmo as pessoas mais distante verão acontecer. E
note que a irmã de Moisés observava o cesto de longe, não de perto. Aquele distanciamento simbolizava
um afastamento cético de alguém que está contigo, mas duvida de você.
No começo, seus sonhos causam dúvidas e geram questionamento, pois o que Deus tem para a sua
vida é tão grande que causa ceticismo nas pessoas que veem.
Moisés, ao ser posto, era observado de longe com dúvida da parte de Miriã, pois aquelas águas
seguiam para águas mais perigosas, mas ele foi aprovado e recebeu selo de qualidade.

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A correnteza na qual Moisés foi colocado seguia para o mar, mas passava pelo palácio egípcio. Uma
coisa a se notar é o fato de que o lugar de morada dos hebreus era mais baixo que o lugar dos egípcios; a
cesta de Moisés subiu a correnteza. A filha de Faraó, que descia para se banhar, viu a cesta e mandou que
tirassem o menino da água porque aquilo a surpreendeu. Ela certamente ficou surpresa ao ver que aquele
cesto vinha da direção em que ficava o acampamento dos hebreus.
Encantada com a excelência daquele menino, a filha de Faraó o toma para si, e a criança chora.
Somente naquele momento o pequeno Moisés chora. Ele havia sido colocado no rio, enfrentado a
correnteza, o risco de ser pego por algum animal e todas as demais dificuldades calado. A excelência sabe
que chorar na hora errada não dará em nada, mas fazê-lo com quem pode ajudar gera
oportunidade de ser salvo.
Aquele filho de operários nascido em uma casa pobre e insignificante no acampamento hebreu
estava, então, em braços da realeza. De uma situação de miséria ele foi ao palácio, pois a excelência
encontra a realeza.
Faça como Moisés, chore nos braços de quem pode ajudá-lo. E Cristo é quem pode ajudá-lo. Reclamar
com as pessoas erradas somente o fará perder a benção.
Se a criança houvesse chorado ao longo do caminho, somente teria a atenção de Miriã, mas ela nada
podia fazer por ele, pois ela somente observava distante.
Há muitas pessoas que fazem como Miriã, somente observam de longe. Quando você está dentro de
um cesto em um rio, é uma situação de risco, e ninguém quer se expor para oferecer-lhe ajuda. Em situações
de risco, somente o observam de longe perguntando a si mesmos: “Será que ele consegue? ”, “Será que dará
certo? ”, mas ninguém entra na água com você para tirá-lo do sufoco.
Ao ser retirado do rio e aceito pela princesa, o tratamento dado a Moisés mudou completamente.
Quando se está em meio à correnteza com dificuldades, todos se afastam, mas, em meio à realeza, tudo
muda. Quando se está no palácio, ouve-se: “Estou contigo”, “Conte comigo para o que der”. Cuidado com
esses detalhes, leitor, há muitos que se afastam, saiba em quem confiar.
Miriã nunca acreditou que Moisés fosse conseguir, pois, anos depois, rebelou-se contra ele com Arão.
Quem não acredita em você no rio não acreditará em você no monte. Quem acredita em você no rio
acreditará no colo da princesa, no monte, no deserto conduzindo o povo ou onde for.
Mas, anos depois, Moisés retornou para casa. A excelência voltou para casa! Ele saíra pela porta dos
fundos, perseguida e sozinha, mas voltou pela porta da frente. O Egito, que queria matar a excelência,
passou a sustentá-la com pompa, pois ela tinha recebido o selo de qualidade de Deus.
Permita-me dar uma palavra importante para você: aquilo que você acha que perdeu colocando no
rio da vida não foi perdido. Deus estava aprovando seus sonhos, e eles voltarão para você pela porta da
frente.
A excelência voltará para a sua casa, e ela virá junto da unção, da alegria, do poder, do amor e do
entendimento de Deus. O menino colocado no rio não continuou como Moisés, mas como alguém excelente

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e cheio de bênçãos; e o mesmo ocorrerá na sua vida. Mas, para que a bênção o alcance, é necessário
aprender com os pais de Moisés. Eles não guardaram a excelência para eles, mas a compartilharam ao
colocar o menino no rio.
Sabe por que você está pobre? Sabe o motivo de tantas coisas ainda não estarem da forma que você
deseja?
Porque sempre que nasce algo formoso você o esconde ou guarda para si. Você não colherá frutos
bons se continuar não compartilhando talentos, habilidades, dinheiro, oportunidades e mais. Não guarde
tudo na sua casa, coloque no rio e deixe fluir, pois voltará de uma forma muito melhor para você.
Compartilhar o sonho fará com que você passe o que José passou ao contar à sua família o que
sonhara, mas é necessário. Era preciso que José passasse pelo poço, pela prisão e pela casa de Potifar antes
de chegar ao topo, pois a excelência tem de ser aprovada Ainda no caso de José (que viveu bem a
excelência), podemos aprender uma lição importante: no reencontro dos irmãos, José os reconheceu, mas
eles não o reconheceram.
Quem prende a excelência, quem a vende ou tenta matá-la, continua exatamente igual, mas quem a
deixa fluir é transformado em alguém melhor. Os irmãos de José não o reconheceram porque as roupas de
José eram melhores, havia anéis em seus dedos, e até seu cabelo estava diferente. Tudo nele estava melhor,
pois até seu semblante mostrava excelência. Os irmãos de José, no entanto, eram facilmente reconhecíveis,
pois estavam na mesma mediocridade.
Aprendamos a compartilhar. Sonhos são, sim, para ser divididos, assim como projetos diversos. Virão
as lutas, as provas e dificuldades, mas elas servirão para aperfeiçoamento, assim como José.
A excelência nasce na miséria. Deus faz nascer algo formoso na sua vida em meio à dificuldade.
Capítulo 3
Uma ideia que fez o criador olhar para cima para ver a criatura
E, tendo Jesus entrado em Jericó, ia passando. E eis que havia ali um homem chamado Zaqueu; e era este
um chefe dos publicanos, e era rico. E procurava ver quem era Jesus, e não podia, por causa da multidão, pois
era de pequena estatura. E, correndo adiante, subiu a uma figueira brava para o ver; porque havia de passar por
ali. (Lucas 19:1–4)

Levando em consideração o que vimos no capítulo 1 sobre o ciclo de criatividade de Deus — e seu
poder do Senhor de fazer nascer excelência em meio a um problema —, chegamos ao terceiro momento
desta visão. Aqui quero deixar claro que tudo depende de uma instrução de Deus. Todo caminho de sucesso
(toda espécie de caminhada de milagres) é totalmente dependente de instruções divinas.
Somente quando estamos dispostos a obedecer ao que
Deus deixa para nós é que nos deparamos com a conquista
da vitória.
O texto lido inicia já localizando onde o fato aconteceu.

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Jericó era uma cidade antiga e de grandes muros,


aquelas muralhas, no entanto, haviam sido derribadas
por Deus no Antigo Testamento, e a cidade fora conquistada
pelo povo de Israel. Foi lançada uma palavra
de que quem reerguesse a cidade seria amaldiçoado, e
a cidade, ao ser reerguida, também se tornaria maldita.
Os hebreus tinham claro o conhecimento de que aquela
Junior Souza A Revolução da Mente
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cidade estava debaixo de maldição, pois os judeus têm
uma característica muito marcante: eles mantêm acesa a
memória de seus heróis.
Essa característica é vista hoje entre os israelenses.
Se alguém pergunta a uma criança em Israel quem
foram Moisés, Sansão, Salomão e os outros nomes de
sua história, ela saberá responder. E guardam também a
memória de pessoas que fizeram coisas ruins na história
de Israel, como o Faraó que oprimiu os descendentes de
José. Nem mesmo os egípcios guardam memórias de tal
governante, pois na cultura egípcia tentava-se preservar
memórias com embalsamamento e construção de grandes
monumentos. Isso, porém, não funcionou como esperavam.
Ainda sobre os egípcios, eles também não fizeram
questão de manter claro que, muito da grandeza do império
deles deveu-se aos feitos de José como governante.
Digo estas coisas para nos fazer perceber que nós, cristãos,
devemos manter vivas as lembranças dos feitos e
ensinamentos de Jesus Cristo. Ele nos ensinou isso ao estabelecer
que devemos nos reunir para cear juntos, assim
estaremos guardando memória dele. Temos que manter
vivas, também, as memórias dos que vieram antes de nós
na Igreja Primitiva — isso quer dizer, honrar aqueles que
sofreram em nome da disseminação do evangelho em
tempos de perseguição.
A memória de que Jericó era uma terra maldita
fazia com que muitas pessoas evitassem entrar nela, e os

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mestres religiosos cuspiam no chão e mudavam o semblante


ao passar pela entrada da cidade. Mas Jesus era
diferente, ele entrou ali. E, naquele cenário ruim e sem
probabilidade nenhuma de bênçãos acontecerem, Jesus
opera o sobrenatural e gera transformação em muitas
vidas. Quero declarar que Deus pode transformar maldições
em bênçãos na sua vida. Todo lugar de derrotas
pode ser transformado em palco de milagres quando Jesus
passar por ele.
A presença de Jesus ali ocasionou milagres, e as
multidões, como se pode imaginar, seguiam-no para ver
o que ele operava. Aquelas pessoas estavam acostumadas
a ver crimes e ter o estigma de que estavam em uma cidade
maldita, então as obras sobrenaturais de Cristo ali geraram
grande curiosidade. A curiosidade também atingiu
Zaqueu, o homem que quero destacar aqui. Zaqueu era
um chefe dos publicanos, o que significava que ele era
importante. Os publicanos eram cobradores de imposJunior
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tos que trabalhavam para o Império Romano fazendo a
cobrança do seu próprio povo.
Ser maioral dos publicanos quer dizer que Zaqueu
era um dos escolhidos do Império, e ele também era rico.
Além disso, Zaqueu era um homem inteligente, sem dúvidas
ele era especial. Há pessoas especiais na Bíblia, que
merecem atenção diferenciada, como os discípulos de
Jesus. Dentre os doze discípulos, sete foram escolhidos
em um mesmo dia, que foi o dia da pesca. Sete dos escolhidos
para discípulos eram pescadores e jovens, assim
como o próprio Jesus era jovem, variando eles na faixa
dos 20 ou 30 anos. Mas o fato de maior relevância é que
todos eles eram parte de uma empresa de pesca. Eles
tinham um perfil de empreendedores.
Zaqueu também era uma pessoa especial e de
perfil diferente. Sua posição era de destaque, e a forma

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como ele vivia também não era comum, pois ele tinha
conforto e luxo para a época. Zaqueu estava em sua sala
confortável em seu trabalho, mas seu coração não estava
em paz. Ele estava em angústia.
Ao saber que Jesus estava em Jericó e fazia milagres,
surgiu naquele homem uma curiosidade capaz de
tirá-lo da cadeira e sair para ver Cristo. Quando Jesus
passa por um lugar, pessoas são tomadas pela curiosidade
de ver o que está acontecendo, e o mesmo pode
ocorrer na sua vida. Quando Cristo começar a operar e
gerar mudanças em você, as pessoas ao seu redor, tanto
as pequenas quanto as grandes, ficarão curiosas e terão
desejo de conhecê-lo. Deus é capaz de fazer governadores
e grandes pessoas se levantarem para ver o que está
acontecendo de novo na sua vida.
Receba esta palavra profética, pois seus vizinhos,
familiares e conhecidos ficarão surpresos e perplexos ao
ver o que Deus fará na sua vida. Serão visões proféticas
e profundas que despertarão em você estratégias revolucionárias.
Zaqueu queria ver Jesus por vários motivos. Ele
sabia que Jesus era unção, era poder, era bênção... e ele
queria ver essas características. Ele tinha tudo, mas havia
em Jesus algo melhor que bens materiais e que não pode
ser comprado. Havia em Zaqueu um vazio porque ele
tinha a necessidade de crescer. E o crescimento é necessidade
de todos; ninguém é tão grande que não possa
crescer mais. Sempre haverá alguém ganhando mais do
que você, alguém que pregará melhor e alguém com um
Junior Souza A Revolução da Mente
54 55
carro muito mais valioso. E se você se acha muito grande
por morar em um apartamento de 500 mil reais, saiba
que há pessoas com casas de 5 milhões. Você terá para
onde crescer.
Apesar de sempre haver busca pelo crescimento, é
necessário passar por um tratamento para receber a excelência

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A REVOLUÇÃO DA MENTE

que Deus tem para dar. O crescimento não pode


afetar negativamente seu lado emocional.
O publicano Zaqueu, apesar de sua vontade, não
foi capaz de ver Jesus porque uma multidão cercava o
mestre, e Zaqueu era de baixa estatura. É interessante sabermos
que, por ser chefe dos cobradores de impostos,
Zaqueu era grande, mas, por não ser alto, ele também
era pequeno. E ele só percebeu quão pequeno era ao
se aproximar da multidão. Muitas pessoas não sabem o
quão pequenas são por se isolarem. No entanto, quando
se aproximam de pessoas maiores, percebem sua pequenez.
Estar sentado à mesa de chefe com uma caneta na
mão faz com que não somente Zaqueu, mas qualquer
um sinta-se muito poderoso. Uma pessoa até pode ser
poderosa, importante e rica, mas um problema como o
de Zaqueu serve para mostrar a ela que ela ainda não é
tão grande quanto pensa. Uma enfermidade, um problema
com os filhos ou na vida financeira são formas de a
vida nos mostrar quem somos.
Zaqueu, apesar de poderoso, não foi capaz de fazer
nada quanto à multidão que o impedia de se aproximar
de Cristo. A revelação que temos através deste texto
é o que temos de fazer ao nos depararmos com uma
situação maior do que nós. Talvez você, leitor, esteja passando
por uma situação maior do que você. Talvez, mesmo
tendo tudo o que tem, você ainda se sinta pequeno
diante de uma multidão que fere a sua honra e os seus
princípios. Mas a atitude tomada por Zaqueu naquele
momento nos mostra como devemos nos comportar em
situações como a dele.
Zaqueu tinha duas opções. A primeira era invadir
a multidão passando por baixo até Jesus, como fez a mulher
do fluxo de sangue. O problema com essa escolha
é que a multidão o conhecia e não gostava dele, pois
os cobradores de impostos eram geralmente corruptos.
Além disso, cobradores eram considerados traidores pelos

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A REVOLUÇÃO DA MENTE

outros judeus, já que extraíam dinheiro do próprio


povo para o Império Romano.
Junior Souza A Revolução da Mente
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Essa opção de enfrentar é a primeira que a vida
nos dá. Muitas pregações e livros de autoajuda sugerem
o enfrentamento como a escolha certa a ser feita. “Encare
seus problemas!”, “Invada!”, “Não desista!”, “Vá em
frente!” e outras frases que são ditas para nos impulsionar
a avançar.
A segunda opção de Zaqueu era desistir. Ele podia
ter voltado para a coletoria dizendo para si mesmo: “Eu
queria ver Jesus, mas não consegui, então vou recuar”.
Essa é a escolha que a maioria das pessoas faz. Muitos
têm curiosidade de viver uma vida melhor, porém recuam
ao verem um problema. Querem uma casa melhor,
mas desistem ao surgir uma dificuldade, assim como em
todas as demais áreas da vida.
São dois extremos: pessoas que enfrentam problemas
e se machucam neles — mesmo que nem todos consigam
chegar onde querem —; e as que retrocedem para
as suas vidas normais e pacatas deixando tudo como já
estava. Zaqueu não desistiu, ele foi em frente e fez algo
que nem o diabo conseguiu fazer: Jesus olhar para cima.
Aquele publicano não se conformou, mas pensou até encontrar
uma terceira opção que lhe ajudou grandemente.
Aquela é uma atitude crucial quando se enfrenta
um problema: pensar. É como na matemática, ou na
interpretação de um texto, em que é necessário encontrar
a solução naquilo que se está analisando. Lembre-se
de quando você fazia contas na escola, era necessário se
concentrar no problema e persistir até resolvê-lo, pois
avançar o cálculo gerava um resultado errado. Fique calmo
e separe os fragmentos do problema. Após analisálos,
você encontrará uma solução.
A situação que o colocou em um problema é a

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A REVOLUÇÃO DA MENTE

mesma que pode lhe mostrar uma saída. No capítulo 1


vimos que em uma terra em que nascem espinhos também
nascem figos e uvas, e Zaqueu percebeu isso naquele
momento. A mente que fez Zaqueu se tornar chefe
dos publicanos foi a mesma que criou uma estratégia
para ver Jesus. No versículo 4 do capitulo 19 vemos a
brilhante ideia daquele homem:
E, correndo adiante, subiu a uma figueira brava
para o ver; porque havia de passar por ali. (Lucas 19:4)
Ele correu à frente, pois toda ideia brilhante está
adiante de seu tempo. Correndo, ele subiu a uma árvore
que estava no caminho que Jesus percorria. Talvez
Junior Souza A Revolução da Mente
58 59
Zaqueu pensasse: “Preciso me esconder entre as folhas
para ver Jesus daqui”. Não foi um plano qualquer, mas
uma ideia brilhante porque era simples e, como lemos,
foi posta em prática rapidamente. Jesus estava passando
com a multidão, então Zaqueu não podia pensar demais,
ele não podia ficar parado. É necessário pensar, mas correr
também.
É essencial ter estratégias, pensar e receber instruções
de Deus, mas nada adiantará se você permanecer
parado. Seu sucesso depende de uma atitude sua! Correndo,
Zaqueu subiu à figueira até uma determinada altura
e esperou parado.
A figueira — também chamada de sicômoro — é
uma árvore comum em Israel, e a descrita no evangelho
de Lucas é chamada de brava. Ela não era considerada
brava por ter espinhos, ser difícil de subir ou ter poucas
folhas (ela tem muitas folhas e muitos galhos), mas era
chamada daquela forma por não dar frutos. Naquela figueira
brava ele esperou (sem ser visto) pelo momento
da passagem do mestre.
A multidão estava atenta a Jesus, todos olhavam
para o que ele fazia e estavam atentos a cada movimento

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A REVOLUÇÃO DA MENTE

dele. Certamente, nenhuma daquelas pessoas veria


um pequeno homem em cima de uma árvore. Mas no
meio da multidão estava aquele que vê todas as coisas,
o próprio Cristo. De repente, Jesus para, e toda a multidão
para com ele. Lembremo-nos de que a multidão é o
problema, a multidão é o mundo. Ela é tudo aquilo que
nos impede. A multidão é a enfermidade, a dificuldade,
aquilo, enfim, que o diminui e o atrapalha.
No início, a multidão parou Zaqueu, mas agora Jesus
parou a multidão (que era o problema) por causa da
ideia de Zaqueu. As ideias que nós colocamos em prática
fazem Cristo intervir, pois é uma estratégia que faz a dificuldade
parar. Muitas vezes, pessoas fazem campanhas
nas igrejas querendo soluções para aquilo que enfrentam,
mas, muitas vezes, são coisas possíveis de ser solucionadas
por elas mesmas. Em tais casos, Deus olha dos céus e
diz: “Eu o fiz capaz de ter ideias que solucionam muitos
problemas. O que é impossível eu resolvo, mas o que é
possível ele resolve.”. Zaqueu entendeu esse conceito, e
fez o que era possível através de uma ideia.
Observe a multidão, veja seu tamanho, observe o
sicômoro e conclua que a estratégia que fará a multidão
parar está ao alcance das suas mãos. Se você tem uma
Junior Souza A Revolução da Mente
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empresa, o que fará a multidão de contas e dificuldades
parar não é quando chover dinheiro dos céus, mas quando
você tiver de Deus uma estratégia e correr para pô-la
em prática. Eu profetizo que a ideia que Deus lhe dará
através deste livro fará parar todos os problemas que lhe
fazem sentir-se pequeno.
Quando Jesus parou, a multidão parou — e isso
já precisa ser o bastante para nos fazer glorificar a Deus.
Ao parar com Jesus, a multidão começa a se perguntar
o motivo de ele ter parado de andar subitamente. Seria
outra mulher com fluxo de sangue? Mais um cego chamando?

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A REVOLUÇÃO DA MENTE

Não, era diferente. Aquela multidão viu algo que


nenhuma outra multidão havia visto: ela viu Jesus olhar
para cima. Foi um momento único em que o criador
olhou para cima para ver sua criatura. E Jesus não olhou
sozinho, pois, quando ele levantou os olhos e chamou
Zaqueu, toda a multidão olhou para cima para vê-lo.
Ao ver Zaqueu ali, as pessoas da multidão diziam
umas às outras: “Aquele não é o homem pequeno que
não deixamos passar antes? Não é Zaqueu, o chefe dos
coletores de impostos?”. A multidão que o impedira de
chegar até Jesus antes teve de olhar para cima para vê-lo.
Uma estratégia faz com que quem o olhava de cima para
baixo tenha de olhar de baixo para cima para enxergá-lo.
E não é somente isso, o que faz Jesus olhar para você é
uma estratégia.
Quando Jesus olhar para você, todos olharão também,
e você estará acima deles devido à sua estratégia.
Quando Jesus olhar para o seu ministério, suas funções
em geral, todos olharão também e dirão: “Como ele chegou
lá?”, “Como ele saiu daquela esfera de humilhação e
alcançou essa altura?”. Uma ideia pode fazê-lo mudar de
lugar da noite para o dia. Uma estratégia dada por Deus
muda a situação da sua família.
Perceba isso em diferentes áreas, como a música.
Quando se pensa em um cantor, seja gospel ou secular,
uma música vem à mente. E essa música é o divisor de
águas na carreira do artista, ela é responsável por dar notoriedade
a ele e representá-lo. No mundo dos negócios
é o mesmo, e na vida ministerial também, pois são as
ideias que Deus nos dá que nos projetam para a frente.
Quando Ele deu-lhe a vida, o sopro que o tornou alma
vivente também o permite fazer Deus olhar para você.
Quando criamos, atraímos o olhar do criador para nós.
Zaqueu mostra-nos outra lição importante ao coJunior
Souza A Revolução da Mente
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A REVOLUÇÃO DA MENTE

locar sua estratégia em andamento: ele não subiu até o


topo da figueira. As figueiras medem, em média, de 9 a
11 metros, podendo ser maiores. Zaqueu sabia que não
precisava subir tanto, e subir demais lhe deixaria com a
visão embaçada.
Ao planejarmos estratégias, também não devemos
subir demais nos planos, pois, quanto mais subimos,
mais distantes ficamos do objetivo, e a visão fica embaçada.
Subir demais em uma ideia distorce a sua visão e
tira o seu foco do alvo. Além de atrapalhá-lo a enxergar o
objetivo, subir até o topo o impede de ver Jesus com detalhes.
Nenhum crescimento, absolutamente nada, justifica
perder o foco em Cristo.
Se Deus abençoá-lo muito, vá em frente e cresça
muito. Seja o maior empresário deste país, seja o maior
no seu ramo, seja o mais famoso cantor, pregador ou o
que Deus permitir. Porém nunca suba demais a ponto de
não mais reconhecer Jesus na multidão.
O ponto exato até onde se deve subir é aquele que
permita a você descer rapidamente para se encontrar
com Jesus. Veja isto nas escrituras:
E quando Jesus chegou àquele lugar, olhando para
cima, viu-o e disse-lhe: Zaqueu, desce depressa, porque hoje
me convém pousar em tua casa. (Lucas 19:5)
Jesus o mandou descer depressa, e a velocidade na
descida seria um problema caso Zaqueu estivesse muito
alto. Estar no topo da árvore poderia fazê-lo escorregar
e cair, mas estar na altura certa o faz descer rapidamente
sem se machucar. Subir com consciência não deixará que
sua ideia desabe e termine em dor e vergonha, mas fará
com que a multidão veja Jesus esperando por você. Ela o
verá esperando para acompanhá-lo e entrar na sua casa.
Jesus Cristo não faz alguém que o procura com
ideias descer para ser envergonhado, mas para ser honrado.
Cuidado, então, quando você ouvir aquelas frases:
“Deus tirou fulano para colocar beltrano”, “O Senhor

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A REVOLUÇÃO DA MENTE

vai colocar cicrano no lugar de beltrano”, pois isso não


é verdade. Se Deus tirou alguém como Zaqueu de algum
lugar, é para colocá-lo em outro lugar de mais honra.
Deus mantém viva a memória de quem sempre olhou
para Ele.
A entrada de Jesus na casa de Zaqueu levou paz e
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renovo, como podemos ver no verso a seguir:
E disse-lhe Jesus: Hoje veio a salvação a esta casa,
pois também este é filho de Abraão. (Lucas 19:9)
A ideia tida por Zaqueu, o publicano, atraiu Jesus,
e a presença de Cristo traz salvação. Devemos tomar
Zaqueu como exemplo para que aprendamos a planejar
estratégias que levem cura, sossego e restauração divina
às nossas casas. De nada adianta ser poderoso, rico e realizado
em diversas áreas se a paz de Cristo não estiver
em seu lar.
Aprendamos com o publicano Zaqueu que, através
de uma ideia, fez o criador olhar para cima, conseguiu
respeito e levou o mestre até sua casa.
Eu declaro que chegará a você uma unção — ela
mudará a sua mente e lhe dará uma estratégia vinda de
Deus para resolver problemas. Assim como Zaqueu,
você pode levar a salvação até sua casa com uma ideia.
Coloque a mão no coração e diga: “Deus, dê-me uma
estratégia para tratar com meu filho. Dê-me uma estratégia
para trazer meu cônjuge para o Senhor. Dê-me ideias
que solucionem meus problemas financeiros, ou que me
ajudem a crescer em meu ministério.”.
Você não pode temer a multidão de problemas
nem deixar que ela o coloque novamente sentado na cadeira
da coletoria — em lugares baixos. Mesmo não parecendo,
é possível haver fruto, e é esse um dos motivos
que fez Jesus olhar para Zaqueu ali.
Certo dia, Jesus e seus discípulos passam por uma

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A REVOLUÇÃO DA MENTE

figueira, e, como tinha fome, Jesus busca frutos nela,


mas não encontra nenhum. Ele amaldiçoa a árvore e diz
que árvores que não dão seus frutos devem ser cortadas
e lançadas ao fogo. Para Zaqueu, mesmo sem frutos,
a figueira foi útil, pois serviu como escada para ver o
Mestre. Não espere, portanto, por uma figueira cheia de
frutos para começar a pensar em uma estratégia, aproveite
a figueira brava que está diante de você para gerar
mudança de vida.
Isso também se aplica em relações com outras
pessoas. Não espere por uma pessoa perfeita, pois todos
temos defeitos e somos sujeitos a erros, e só o Senhor
tem a perfeição. Não espere pelo amigo, nem pelo
amor perfeito, só se alcança a plenitude com nosso Deus.
Como exemplo, por maior que seja o amor de pai e mãe,
há aqueles que abandonam seus filhos, e o próprio Deus,
através do profeta Isaías, nos dá uma lição, dizendo:
Junior Souza A Revolução da Mente
66 67
Porventura pode uma mulher esquecer-se tanto de
seu filho que cria, que não se compadeça dele, do filho do
seu ventre? Mas ainda que esta se esquecesse dele, contudo
eu não me esquecerei de ti. (Isaías 49:15)
Deus nos dá a referência de que Ele é fiel mesmo
que todos nos deixem. Quero que você entenda que
não deve desprezar as figueiras bravas que aparecem na
sua vida, pois pessoas com falhas de caráter aparecerão.
Tome Cristo como exemplo. Jesus sabia o tempo todo
que Judas Iscariotes iria traí-lo, mas conviveu com ele
durante um bom tempo. O mesmo vale para Pedro, pois
Cristo sempre soube que ele o negaria, mas o usou grandemente
e operou milagres que o envolviam. Cristo sempre
soube dos defeitos deles, assim como sabe dos meus
e dos seus, mas nada os impediu de caminharem juntos,
nem o impede de caminhar conosco.
Muitas vezes, devido à falta de perdão, descartamos

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A REVOLUÇÃO DA MENTE

amizades importantes. Talvez alguém o tenha ajudado


muitas vezes, tenha passado bons momentos ao
seu lado, tenha valores nobres e seja um amigo leal. Entretanto,
por uma ocasião em que ele falha, você desfaz
a amizade afirmando que ele tem falhas de caráter inaceitáveis.
Não faça isso, pessoas importantes na sua vida
podem ser figueiras bravas em alguns aspectos, mas podem
ser frutíferas em outros. A tolerância mostrará isso.
Jesus nos ensinou sobre a importância de praticar
o perdão e dominarmos a nós mesmos.
Olhai por vós mesmos. E, se teu irmão pecar contra
ti, repreende-o e, se ele se arrepender, perdoa-lhe. E, se pecar
contra ti sete vezes no dia, e sete vezes no dia vier ter contigo,
dizendo: Arrependo-me; perdoa-lhe. (Lucas 17:3–4)
Não se deve jogar fora um casamento abençoado
por causa de uma falha, e o mesmo vale para amizades
e para os demais relacionamentos com pessoas.
Se a figueira não dá fruto, ela dá sombra, e, caso não dê
sombra, servirá como escada para ver o mestre passar.
Aprendamos a aproveitar as figueiras que aparecem pelo
caminho.
É importante entendermos que, assim como na
história de Zaqueu, é em dificuldades que nascem as
grandes ideias. Um campeão tem a capacidade de transformar
seus maiores medos e traumas em pontes para
grandes realizações. Thomas Alva Edison, por exemplo,
inventou a lâmpada porque tinha medo de escuro. E o
Brasil é agraciado por ter sido o país de origem do avião,
Capítulo
Junior Souza
68
uma das maiores invenções do homem. Alberto Santos
Dumont, ao voar pela primeira vez, mostrou a mim e
a você que é possível ter ideias revolucionárias, mesmo
estando em lugares simples e com poucos recursos.
Use as revelações que Deus lhe dá para transformar

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A REVOLUÇÃO DA MENTE

a sua realidade (sem forma e vazia) em uma grande


realização. Faça como Zaqueu: tenha ideias que criem
soluções a partir do problema. 4
Mesmo machucado,
acredite na ideia de
risco de um amigo
E alguns dias depois entrou outra vez em Cafarnaum, e soube-se que estava em casa.
E logo se ajuntaram tantos, que nem ainda nos lugares junto à porta cabiam; e anunciava-lhes a
palavra.
E vieram ter com ele conduzindo um paralítico, trazido por quatro.
E, não podendo aproximar-se dele, por causa da multidão, descobriram o telhado onde estava, e,
fazendo um buraco, baixaram o leito em que jazia o paralítico.
E Jesus, vendo a fé deles, disse ao paralítico: Filho, perdoados estão os teus pecados.
(Marcos 2:1–5)
A Revolução da Mente
73
Esse texto conta-nos sobre um milagre de
Jesus que (assim como todos os outros) é
fascinante. Mas, além do milagre, há em
tal texto algo mais a ser aprendido sobre ideias.
No capítulo anterior, falamos sobre a ideia do chefe
dos publicanos para ver Cristo Jesus passando — e foi
uma brilhante ideia. A ideia de Zaqueu, porém, é diferente
da ideia presente no texto lido, porque ela nasceu
no próprio Zaqueu, não dependeu de ninguém mais. Há
mentes dotadas da capacidade de não somente criar, mas
de captar estratégias fantásticas ao seu redor e aplicá-las.
Grandes ideias podem chegar até nós através de pessoas
que nos cercam, de situações que ocorrem conosco, ou
mesmo em lugares inusitados, como dentro de um avião.
Além de chegar de forma inesperada, estratégias incríveis
podem vir através da observação de outras pessoas
e suas atitudes.
Junior Souza A Revolução da Mente
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Narrada em três dos evangelhos, a história mostra

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A REVOLUÇÃO DA MENTE

como quatro amigos ajudaram um paralítico: eles o


desceram por um buraco no teto até onde Jesus ensinava.
Naturalmente, Jesus fora seguido pela multidão até
aquela casa e pregou ali a palavra (foi um dos primeiros,
senão o primeiro culto da história). O fato de Jesus ser
sempre seguido mostra que ele sempre teve fama por
onde passava, ele nunca a negou.
A fama em si não é um problema, nem deve ser
tratado como um, pois como ela é usada é o que importa.
Ser conhecido pode ser usado de forma benéfica, pois
dá a possibilidade de influenciar positivamente as pessoas;
e era o que Jesus fazia. Sim, eu quero dizer que Cristo
era um famoso de sua época. Ele era sempre seguido por
multidões e tinha sua vida vigiada pelos judeus contrários
ao evangelho. Estes o acusavam de ser um beberrão,
festeiro e de andar com pecadores. É possível comparar
os fariseus e inimigos de Cristo com os paparazzi de hoje
que buscam denegrir a imagem de famosos em revistas e
programas de fofoca.
Mas Cristo, mesmo com toda a popularidade que
tinha, era sempre acessível a quem quisesse aprender
com ele, e o fácil acesso a ele encorajava muitas pessoas
a querer saber mais sobre o Reino de Deus. Pilatos, Herodes
e outros da época eram pessoas de difícil acesso,
mas Jesus, que era mais importante que todos eles juntos,
estava sempre disponível a todos. E sua popularidade envolvia
uma reputação que o seguia.
A reputação de Cristo era tal que ele indagou seus
apóstolos mais de uma vez sobre quem diziam que ele
era.
E, chegando Jesus às partes de Cesaréia de Filipe,
interrogou os seus discípulos, dizendo: Quem dizem os homens
ser o Filho do homem? E eles disseram: Uns, João o
Batista; outros, Elias; e outros, Jeremias, ou um dos profetas.
Disse-lhes ele: E vós, quem dizeis que eu sou? (Mateus
16:13–15)

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A REVOLUÇÃO DA MENTE

Jesus estava mostrando que muitos têm opiniões


a respeito dele, mas somente quem convive com ele e o
conhece sabe quem ele é e o que ele veio fazer na terra.
O apóstolo Pedro, como alguém que amava e conhecia
bem Cristo, respondeu de forma perfeita e recebeu a
aprovação de Jesus.
Junior Souza A Revolução da Mente
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E Simão Pedro, respondendo, disse: Tu és o Cristo,
o Filho do Deus vivo. E Jesus, respondendo, disse-lhe: Bemaventurado
és tu, Simão Barjonas, porque to não revelou a
carne e o sangue, mas meu Pai, que está nos céus. (Mateus
16:16–17)
Apesar de tudo que os fariseus diziam contra Jesus
e do que a sua fama podia passar, ele quebrava essas
pontes que o distanciavam das pessoas simples. Jesus era
sempre acessível a pessoas simples, e isso não pode ser
deixado de lado por quem busca por excelência. Alcançar
a excelência coloca a pessoa em posições mais altas,
contudo é muito importante não se deixar levar por
essas mudanças de posição a ponto de se privar de ter
contato com pessoas.
A própria multidão mostrava um comportamento
egoísta ao seguir Jesus, pois nota-se no caso de Zaqueu
que ela o impediu de se aproximar. As pessoas da multidão
não queriam perder a posição que tinham perto de
Cristo, então afastavam os demais e lhes bloqueavam o
acesso ao mestre. Um exemplo em que isso foi feito é o
caso do cego Bartimeu, que mendigava à beira da estrada
e gritou por Jesus, mas a multidão tentou silenciá-lo para
impedi-lo de falar com o mestre.
E depois, foram para Jericó. E, saindo ele de Jericó
com seus discípulos e uma grande multidão, Bartimeu, o
cego, filho de Timeu, estava assentado junto do caminho,
mendigando. E, ouvindo que era Jesus de Nazaré, começou
a clamar, e a dizer: Jesus, filho de Davi, tem misericórdia

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A REVOLUÇÃO DA MENTE

de mim. E muitos o repreendiam, para que se calasse; mas


ele clamava cada vez mais: Filho de Davi! tem misericórdia
de mim. (Marcos 10:46–48)
Todos imaginavam que Bartimeu seria um incômodo
para o Messias. Jesus, no entanto, surpreende a
todos quando para de caminhar e falar para dar atenção
ao cego que o chamava.
E Jesus, parando, disse que o chamassem; e chamaram
o cego, dizendo-lhe: Tem bom ânimo; levanta-te, que
ele te chama. E ele, lançando de si a sua capa, levantou-se,
e foi ter com Jesus. E Jesus, falando, disse-lhe: Que queres
que te faça? E o cego lhe disse: Mestre, que eu tenha vista.
E Jesus lhe disse: Vai, a tua fé te salvou. E logo viu, e
seguiu a Jesus pelo caminho. (Marcos 10:49–52)
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Jesus atendeu desde Nicodemos, que era um homem
culto, poderoso e rico, até um mendigo cego que
esmolava pela estrada. Jesus falou com a alta sociedade
— como Nicodemos, os fariseus, o Sumo Sacerdote,
Pilatos e mais — porém também interagiu com leprosos,
cegos, prostituas. O paralítico que foi descido até ele
pelo buraco no teto mostra isso mais uma vez. A forma
como Jesus estava sempre acessível a todos é fascinante,
tamanha humildade ele tinha. A simplicidade é um princípio
de excelência que não pode ser deixado de modo
nenhum.
O isolamento das demais pessoas pode ser gerado
por dois motivos. O primeiro é o sucesso, pois, se não
for acompanhado de excelência, ele pode destruir a humildade
e mudar a pessoa, colocando-a em uma espécie
de bolha. Mas Jesus nos mostra como é importante se
manter acessível e simples em meio ao sucesso. Outro
motivo de isolamento é o exato oposto: o fracasso.
No texto de Marcos 2, quatro amigos tentam levar
um paralítico até onde Jesus estava para que aquele

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A REVOLUÇÃO DA MENTE

homem fosse curado. Contudo, ao chegarem lá, perceberam


que a multidão já estava na casa. Os quatro amigos
estavam chegando atrasados para ver o Mestre. Imagino
que, ao perceberem a impossibilidade de ver Jesus, dois
ou três deles devem ter desanimado e dito: “Não dá mais,
chegamos atrasados. É melhor desistirmos e ajudarmos
este paralítico de outra forma, pelo menos. Podemos dar
a ele algo para comer”.
Mas um deles não desiste e tem uma estratégia que
parecia absurda. Não podendo entrar pela porta da frente,
ele propõe retirarem a cobertura do telhado e abrir
um buraco nele. Então, amarrariam uma corda à maca
do paralítico para que o descessem até onde Jesus estava.
Inicialmente, aquela ideia pareceu loucura. O próprio
paralítico deve ter dito: “Não está vendo que isso não
vai dar certo? Eu já sou deficiente e estou com dores,
e você ainda quer me descer amarrado pelo telhado? O
teto pode não aguentar o peso de cinco homens e desabar
conosco em cima de todos.”. De fato era uma ideia
arriscada, e aquele homem coxo estava machucado por
dentro.
Ele talvez já houvesse passado por muitas desilusões
por palavras de médicos, líderes religiosos da época
e outras pessoas que o enganaram. Aquele homem deJunior
Souza A Revolução da Mente
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via ter ouvido de religiosos da época que estava daquele
modo por ser um pecador. E, se houvesse nascido daquela
forma, era porque seus pais eram pecadores. Ele
estava machucado por dentro, sem dúvidas. Mas, mesmo
machucado, ele fez algo que eu quero desafiá-lo a fazer:
ele acreditou.
Aquele homem paralítico acreditou na ideia de um
amigo mesmo estando em sofrimento, e o resultado foi
surpreendente, pois a ideia deu certo. Para que aquela
estratégia desse certo era necessário acreditar, o que, infelizmente,

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A REVOLUÇÃO DA MENTE

vem sendo deixado de lado hoje. Por conta


do sucesso, muitos se isolam, e muitas vezes o fazem
movidos pela desconfiança. O sucesso eleva pessoas, ele
dá posições, dinheiro, prestígio e propriedades, e isso faz
com que a pessoa passe a estar rodeada por falsos amigos.
Alcançar o sucesso o faz ter decepções com muitas
pessoas. O sucesso pode ferir.
Essa desconfiança, no entanto, pode crescer demais.
Ela pode levar uma pessoa de sucesso a ver todos
como aproveitadores prontos a lucrarem de alguma forma
com ela, pois ela está machucada. De fato, muitos se
aproximarão visando ganhar algo, não por se importarem,
mas não são todos. Em tais casos, pode-se perder a
capacidade de acreditar que ainda há pessoas capazes de
amá-lo pelo que você é. Acredite, existem pessoas dispostas
a compartilhar ideias para ajudá-lo, porque elas
querem vê-lo bem. Você que é líder ou tem projeção social
e está lendo este livro deve saber como é. Mas para
você eu quero dizer: aprenda com Jesus a ser acessível, e
aprenda com aquele paralítico a confiar.
A confiança fez com que uma multidão e os discípulos
fossem alimentados com os pães e peixes de um
menino. Tudo se torna possível com a presença de Jesus.
Os recursos para o milagre de Jesus não vieram de um
discípulo, vieram de um garoto simples. Muitas vezes,
faz-se o mesmo, indo atrás de pessoas grandes, como
discípulos, e não confiando em aceitar estratégias de pessoas
simples, como um menino. Mas era o menino quem
tinha os pães e peixes.
Talvez a oportunidade que você procura esteja na
pessoa ao seu lado, mas você não a trata com respeito,
honra e educação. Não importa se você já foi machucado
pela vida nem se já sofreu traições, não transfira isso
Junior Souza A Revolução da Mente
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para todas as pessoas. Agindo assim, você pode perder

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A REVOLUÇÃO DA MENTE

grandes oportunidades de crescimento.


Aquele paralítico já tinha o “não” da vida, ele precisava
tentar o “sim”. A ideia podia ser arriscada (ele podia
cair do telhado e se machucar, ainda seria ridicularizado
pela multidão), mas valia a pena correr o risco para
ver Jesus e ser curado. Ficar parado sempre resultará em
falha, pois o “não” é garantido para quem não se arrisca.
Mas quem se arrisca tem uma chance de sucesso. Invista
o seu tempo e a sua fé em uma ideia que apresente algum
risco.
Algo que precisamos ressaltar é a reação da multidão
ao ver aquela cena. Certamente, eles não gritavam:
“Vai, paralítico, você vai conseguir. Vocês quatro no telhado,
segurem firme nas cordas, desçam a maca com
cuidado, e vai dar tudo certo.”, mas olhavam com insatisfação.
A multidão chegou antes, ela não admite ver
alguém que entrou depois se destacando, ainda mais por
ser um deficiente considerado pecador. Quando você
começar a se destacar, esteja pronto para ver a multidão
torcendo contra, e a multidão quer dizer a maioria das
pessoas que o cercam. Uma minoria são seus verdadeiros
amigos e estarão dispostos a trabalhar com você para
vê-lo prosperar. No caso do paralítico, por exemplo, ele
tinha uma casa cheia mais uma multidão do lado de fora
torcendo contra, e somente quatro amigos que se esforçavam
por ele.
Muitos daqueles que torciam pela queda o faziam
em silêncio. Eram gritos interiores dizendo: “Cai, telhado!
Cai, paralítico!”. Muitos dos gritos dados por quem
torce contra são dados no interior. São gritos dizendo:
“Eu cheguei antes, eu sou melhor!” porque a inveja pode
ser alimentada no silêncio da mente. A inveja levanta
uma enorme torcida de gente frustrada querendo ver seu
telhado cair.
Essa perseguição por conta do sucesso também
é vista no reino animal. O vagalume tem uma luz tão

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A REVOLUÇÃO DA MENTE

forte e bela que irrita a serpente. A serpente fica tão incomodada


pelo brilho do vagalume que tenta matá-lo,
mesmo que ele não seja da cadeia alimentar dela. É exatamente
o que ocorre conosco. Algumas pessoas ficarão
tão incomodadas pelo seu brilho que tentarão derrubá
Junior Souza A Revolução da Mente
84 85
-lo, mesmo sem que você as tenha ofendido. O fato de
você alcançar lugares altos e ter destaque gerará inveja na
maioria. A luz que você emitirá por conta de uma boa estratégia
perturbará muitos que não são capazes de chegar
onde você estará.
Não pense que isso é um exagero visto somente
em filmes e ficção, pois a inveja e a torcida negativa
são reais. Infelizmente, há uma tendência em muitas
pessoas de torcer pela queda alheia quando uma pessoa
sobe. Quando alguém compra um carro, por exemplo,
há quem torça para que a pessoa não consiga pagar —
ou para que ele pare de funcionar. Alguém que não conseguiu
prosperar montando uma empresa torcerá pelo
fracasso de um conhecido que tente o mesmo. Mas você
não pode ser assim, elimine qualquer vestígio de inveja
e ódio de você. Celebre a vitória de outros, comemore
com eles o triunfo que tiveram. O sucesso de um irmão
mostra que é possível vencer, e que uma hora a vitória
chegará à sua vida também.
Filhos de Deus não podem fazer o que a multidão
faz.
A estratégia de excelência daqueles amigos triunfou.
E Jesus perdoou os pecados daquele paralítico antes
de curá-lo. Ele o fez assim porque sabia que é mais importante
tratar a mente, por isso perguntou se achavam
mais fácil perdoá-lo ou curar a deficiência. Jesus mostrou
que ter a cura por dentro é mais importante, pois muitos
dos que estavam ali eram mesquinhos e precisavam de
cura interior. Isso se percebe no verso 5.

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A REVOLUÇÃO DA MENTE

E Jesus, vendo a fé deles, disse ao paralítico: Filho,


perdoados estão os teus pecados. (Marcos 2:5)
A fé daqueles homens era muito valiosa, e Jesus
a recompensou com perdão e milagre. Os mestres da
Lei que assistiam aquilo precisavam de fé e de mudança
na alma, e Jesus queria mostrar-lhes o quanto ela é importante.
Aqueles fariseus tinham muito conhecimento e
entendiam muito da Lei, mas eram arrogantes e tinham o
coração duro para ouvir a palavra da verdade. Para eles (e
para todos nós), Jesus ensinou que estratégias bem-sucedidas
têm de envolver fé. É preciso acreditar no projeto
que se tem em mente. Uma estratégia não pode ser vista,
e por isso precisa de fé, pois a fé é a convicção naquilo
que não se vê. Está escrito:
Junior Souza A Revolução da Mente
86 87
Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se
esperam, e a prova das coisas que se não vêem. (Hebreus
11:1)
Se aqueles homens não fossem determinados pela
fé, teriam sucumbido aos gritos da multidão que queria
ver o telhado deles cair. Olhando sem fé, a estratégia era
impossível. Os telhados daquela época na não eram fortes.
Cinco homens andando ali faria com que ele cedesse
e saciasse a multidão, que queria vê-lo desabar. Mas ele
não caiu porque Jesus estava debaixo dele.
Quando Jesus está debaixo de um telhado, a multidão
pode torcer o quanto quiser, pois ele não cairá de
forma nenhuma. Assim como uma casa firmada na rocha
não cede ao vento nem à chuva, uma ideia firmada
na rocha, chamada Jesus Cristo, não cede ao ímpeto de
uma multidão enviada pelo diabo. Não há motivo para
temer quando Jesus está debaixo do telhado, é preciso
arriscar e confiar na ideia de um amigo. Talvez tenha sido
esta a razão para o paralítico ter confiado, pois ele tinha
fé na presença de Jesus ali. Arrisque-se, não é possível

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A REVOLUÇÃO DA MENTE

ter fé se não houver a certeza de que Cristo não deixará


o telhado cair.
Se acompanhada da confiança em Jesus, a confiança
na ideia arriscada de um amigo poderá mudar a sua
vida. Ela pode fazê-lo sair carregando a maca que o carregava.
E você sairá próspero e com a bênção do Senhor
sobre a sua vida e na sua casa.
Capítulo
5
Enxergando
oportunidades
onde campeões
bebem água
Tomou o seu cajado na mão, e escolheu para si cinco pedras lisas do ribeiro, e as pôs no alforje de
pastor, que trazia, a saber, no surrão; e, lançando mão da sua funda, foi-se chegando ao filisteu.
(1 Samuel 17:40)
A Revolução da Mente
93
Estes são versos de uma das mais conhecidas
histórias da Bíblia Sagrada: a batalha
entre Davi e Golias. Esse capítulo do primeiro
livro de Samuel conta o fato que deu a Davi importância
dentro de Israel. Foi esse acontecimento que
o levou a governar a nação com campanhas militares
contra outros povos. O capítulo, então, é um divisor de
águas na história dos judeus, pois perder a guerra contra
os filisteus significava perder respeito e manchar o primeiro
reinado, que foi o de Saul.
Apesar da importância daquela guerra, o mais marcante
foi a maneira como a batalha entre Davi e Golias
ocorreu. Provavelmente você, leitor, já tenha ouvido falar
dessa história muitas vezes. Talvez somente a conheça
de forma pouco detalhada por nunca tê-la lido, mas ela
está no capítulo 17 de I Samuel. Durante a guerra entre
israelitas e filisteus, os exércitos acampavam em um local
de batalha, cada um em seu lado. Golias era o soldado de

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A REVOLUÇÃO DA MENTE

Junior Souza A Revolução da Mente


94 95
elite do exército filisteu, e, por 40 dias, ele saía à frente
do acampamento e gritava um desafio a Israel. Ele queria
um guerreiro israelita que o enfrentasse em um combate
de um contra um à frente dos dois exércitos. O exército
do perdedor seria escravizado. Israel tinha guerreiros de
elite e muito corajosos, havia, porém, alguns elementos
que amedrontavam grandemente os hebreus. Golias era
assustadoramente alto e forte, além de ter uma reputação
militar extensa e usar armamento pesado.
A afronta de Golias era um problema seríssimo,
pois, além de grande, causava medo até nos campeões.
Davi, por sua vez, era um jovem pastor de ovelhas que
nem na guerra estava. Segundo a Palavra de Deus, Davi
seguiu até o local da batalha para ver seus irmãos, pois os
três primeiros filhos de seu pai estavam na batalha. Davi
não fora enviado para a peleja, seu pai o enviara somente
para levar comida para seus irmãos e trazer notícias
sobre a guerra. Contudo, quem nasce com excelência
dentro de si sabe aproveitar as oportunidades dadas pela
vida. Enquanto estava ali, ele escutou o desafio de Golias
e perguntou aos demais do que se tratava aquilo.
Os irmãos de Davi não gostam da presença dele
ali, e o irmão mais velho o repreende dizendo a ele que
fosse embora. Davi, contudo, não admite a ideia. Como
ele poderia voltar para casa e dizer a seu pai que todos
eles seriam escravos? Como dar em casa a notícia de que
seu pai, seus outros irmãos e todo o povo seriam dominados
pelo rei dos filisteus? Eles não poderiam viver
em sua cultura, suas terras seriam tomadas e perderiam
a liberdade e a dignidade. Davi, campeão desde o nascimento
— e ungido —, não aceitaria a derrota, pois quem
nasceu para conquistar não se entrega.
No capítulo 16, Davi fora ungido pelo profeta Samuel
a mando de Deus. O óleo santo havia caído sobre

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A REVOLUÇÃO DA MENTE

a cabeça, que é de onde nascem as estratégias. É esse o


motivo de azeite ser posto sobre a cabeça e descer pelo
corpo, em vez de ser colocado de baixo para cima. Davi
tinha a mente ungida para ver o que ninguém via e ter a
coragem que ninguém mais tinha. E você também. Você
também foi ungido com o óleo do Espírito, e é ele quem
lhe dá sabedoria, direção, coragem e uma estratégia.
Recusando-se a voltar para casa com uma notícia
de derrota, Davi se prontifica a entrar na batalha e garantir
a vitória. Quem tem excelência não aceita voltar para
casa com notícias ruins. Aprenda com aquele jovem pastor
a buscar transformar más notícias em novidades de
Junior Souza A Revolução da Mente
96 97
vitória e alegria. O ânimo de Davi cresce mais uma vez
quando ele é avisado de que Saul daria ao homem que
matasse Golias três prêmios muito desejados. E percebese
no texto que Davi pergunta duas vezes qual seria a
recompensa ao vencedor da batalha mesmo depois de
tê-la ouvido. O interesse de Davi na recompensa era evidente,
e ele queria confirmar antes de entrar na luta, pois
os prêmios dados pelo rei eram: a mão de sua filha em
casamento, isenção de impostos para o guerreiro e a sua
família e muitas riquezas.
Posso imaginar Davi pensando: “Em vez de contar
ao meu pai que ele terá de pagar impostos para os
filisteus, poderei dizer que ele não pagará impostos nunca
mais. Em vez de sermos escravos, seremos nobres,
parentes ao rei. E não mais teremos de cuidar de animais,
pois teremos riquezas.”. Esse é o desejo de todos: poder
chegar à sua casa e dar uma ótima notícia como aquela.
E eu deduzo que sua mente esteja tendo ideias enquanto
você lê este livro, e vê-las dando resultados é seu objetivo.
Davi viu naquela peleja uma grande oportunidade
de conquistar a promessa de Deus para si. Nota-se isso
ao constatar-se que tudo acontece na vida de Davi após a

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A REVOLUÇÃO DA MENTE

batalha contra Golias. O divisor de águas na vida daquele


rapaz não foi matar o leão, também não foi matar o urso;
é somente após a vitória contra o gigante que Davi se
torna conhecido e começa a fazer história.
É importante ressaltar na forma como Davi enfrentou
Golias o instrumento que ele usou. O rei Saul
ofereceu a Davi uma armadura completa e uma espada,
mas elas eram pesadas e grandes. Como ele não conseguia
se mover bem com aquilo, ele não as aceitou. O
motivo de aquele equipamento não cair bem em Davi
era claro: aquela armadura representava o exército, que
eram homens amedrontados. Davi sai somente com seu
cajado e sua bolsa de pastor atravessada no corpo. Ali
ele estava leve e representava um exército de simplicidade.
Ele venceria com estratégia, não com armamento
pesado. Ele tinha ideias que ninguém enxergava e que o
levariam à vitória, visto que eram instrumentos de Deus.
Ele vai ao ribeiro sendo observado pelos soldados
de Israel, que não entendiam o que aquele rapaz que
tratava de ovelhas tinha na cabeça. Eles deviam estar em
dúvidas, sem saber o porquê de ele rumar para o ribeiro
em que eles bebiam água. Davi queria tomar pedras dali,
pois, de tanto as pedras ficarem submersas e rolarem
Junior Souza A Revolução da Mente
98 99
com a correnteza, a água as deixava lisas e arredondadas.
Pedras de ribeiros são lisas e pequenas, eram perfeitas
para lançar com a funda. Davi bem sabia o que estava
fazendo, pois, como um bom pastor, ele sabia usar bem
uma funda. Pastores de ovelhas costumavam carregar
uma funda e algumas pedras consigo, porque as ovelhas
precisavam ser controladas. Quando uma ovelha fugisse,
ele lançaria uma pedra pouco adiante de onde ela estaria,
assim ele se assustaria e retornaria correndo para perto
das outras.
Esse uso da funda para trazer as ovelhas exigia

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A REVOLUÇÃO DA MENTE

uma grande habilidade, pois caso ele errasse a direção


ou não calculasse bem a velocidade em que a ovelha se
movia, ele podia acertá-la com a pedrada. Era necessário
treinar muito para usar bem a funda.
Davi levou tempo na escolha de suas pedras, pois
precisava selecionar as melhores. Enquanto ele escolhia,
os soldados deviam olhá-lo sem entender, talvez alguns
zombassem dele ou o considerassem louco. Diziam entre
si: “O que ele está fazendo naquele ribeiro? Nós vamos
beber água nele todos os dias e não vemos nada de
especial. O que ele poderia tirar dali?”. Então eles percebem
que Davi colocava pedras no alforje que carregava.
Ele se levanta, então, e segue para a batalha, colocando,
depois, a pedra na funda e se preparando para lançá-la.
Naquele momento, eles viram a pedra sendo lançada,
e talvez ainda não acreditassem. Aquele garoto lançava
no gigante uma pedra das que eles viam no ribeiro
diariamente. Mas aquela pedra foi, de fato, lançada,
e atingiu a testa de Golias. A testa não ficava protegida
pelo capacete, e Davi, com a ajuda de Deus, conseguiu
acertá-la com tanta força que desnorteou e derrubou o
gigante. Vale destacar que os soldados de ambos os exércitos
olhavam a pedra no ar assustados, pois algo tão pequeno
e comum podia fazer muito efeito. Aquela pedra
representa uma ideia.
Uma pedra de rio era algo muito comum, sem valor,
e havia sido tirada do lugar onde os campeões bebiam
água diariamente. Isso mostra que a solução pode
estar em algo simples e cotidiano, que não é valorizado
por ninguém. Esteja atento às pedras dos ribeiros, assim
como Jesus esteve. O apóstolo Pedro tem um nome
curioso, pois, como a Bíblia diz, “Pedro” quer dizer “pedra”.
Pedro era uma pedra comum de rio para muitos.
Muitas pessoas passavam por ele diariamente e não viam
nada de especial, mas com Jesus foi diferente. Ao ver PeJunior
Souza A Revolução da Mente

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A REVOLUÇÃO DA MENTE

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dro, Jesus percebeu nele algo especial que ninguém notava:
era um potencial de impactar sua geração e gerações
futuras com o poder de Deus.
Excelência requer atenção às coisas simples que
vemos sempre, visto que elas podem ser aproveitadas
em estratégias fantásticas. Os soldados certamente pensavam:
“Eu vejo aquela pedra, e outras várias sempre,
como eu nunca dei valor a elas?”. Quando você treina
e se prepara, algo que parece insignificante para todos
torna-se poderoso em suas mãos. Na sua vida isso se traduz
em aproveitar oportunidades que a maioria descarta,
como portas por que ninguém quer passar, ofícios que
ninguém quer fazer. Nem mesmo o gigante levou Davi a
sério, e isso se lê nas palavras dele:
Disse, pois, o filisteu a Davi: Sou eu algum cão,
para tu vires a mim com paus? E o filisteu pelos seus deuses
amaldiçoou a Davi.
Disse mais o filisteu a Davi: Vem a mim, e darei
a tua carne às aves do céu e às bestas do campo. (1 Samuel
18:43–44)
O gigante não acreditava porque contava com sua
própria força, e uma ideia simples geralmente não é levada
a sério. Não se assuste nem se intimide com a zombaria
e o ceticismo que demonstrarão ao ver sua estratégia,
pois quem é ungido e tem excelência põe o gigante no
chão!
Ao ser atingido Golias tonteia ferido e cai com o
rosto no chão, e assim será com o gigante na sua vida.
A estratégia que Deus lhe dará fará com que muitos fiquem
tontos e sem entender o que está havendo, e serão
pessoas de poder. Golias, pelo que era e fazia, representava
poder, força de opressão e autoritarismo. Assim
como ele, pessoas de poder ficarão tontas com a ideia
que Deus lhe dará. Poderosos já ficaram perplexos com
o crescimento de pessoas a partir do nada, e Deus pode

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A REVOLUÇÃO DA MENTE

fazer o mesmo com você.


O verso 49 de 1 Samuel 17 nos explica que a pedra
lançada por Davi não somente bate na cabeça do gigante,
ela fica encravada na testa dele. Após derrubá-lo, Davi
corta a cabeça de Golias e a leva, e todos de Israel têm de
ver a pedra de Davi cravada naquela cabeça. Isso inspirou
uma geração de guerreiros a lançar pedras no campo
de batalha, havendo até mesmo soldados de Davi que o
fizeram. Anos depois, quando Davi reinava, havia entre
Junior Souza A Revolução da Mente
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seus guerreiros, os “valentes de Davi”, excelentes lançadores
de pedras, todos inspirados pela pedra de ribeiro
que Davi cravara na cabeça do filisteu.
Aquela pedra era uma ideia, e a Bíblia nos ensina
que aquela pedra/ideia de um pastor de ovelhas cruzou
os ares e derrubou o gigante, tornando-se um marco de
vitória e honra para Israel. Ao se lembrarem da vitória,
todos se lembrariam para sempre da estratégia do jovem
Davi. Olhe para a pequena pedra que você tem hoje,
saiba que Deus a usará para trazer honra, e gigantes da
sua vida terão as cabeças cortadas. Uma grande fama de
prodígio nascerá onde ninguém acredita que pode haver
vitória, porque é onde as pessoas bebem água que pode
estar a sua estratégia. Onde todos dormem pode estar a
sua estratégia. Onde ninguém imagina pode ser o local
que lhe dará possibilidade de vencer.
Isso não foi feito somente por Davi. A capacidade
de tirar estratégias vencedoras de lugares inesperados é
vista em muitos grandes homens de Deus, mesmo homens
anteriores a Davi, como Sansão. Em um dos momentos
de sua vida, Sansão foi capturado e entregue a
um inimigo, porém o Espírito do Senhor o tomou poderosamente
e ele se livrou. Ao se soltar das cordas, ele
tinha de enfrentar muitos homens que vinham levá-lo,
e ele teve uma ideia grandiosa do que usar como arma:

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A REVOLUÇÃO DA MENTE

uma mandíbula (queixada) de jumento. Não era algo comumente


utilizado como arma, era somente uma mandíbula
de animal largada no chão; mas para ele, que tinha
excelência, era uma oportunidade de vitória. Com aquela
queixada, ele matou tropas inteiras cheio do poder de
Deus.
E, vindo ele a Leí, os filisteus lhe saíram ao encontro,
jubilando; porém o Espírito do Senhor poderosamente
se apossou dele, e as cordas que ele tinha nos braços se tornaram
como fios de linho que se queimaram no fogo, e as
suas amarraduras se desfizeram das suas mãos. E achou
uma queixada fresca de um jumento, e estendeu a sua mão,
e tomou-a, e feriu com ela mil homens. (Juízes 15:14–15)
Talvez sua vida só tenha pedras e ossos, e talvez
você nem enxergue mais uma forma de melhorar, mas é
através de uma ideia que tudo mudará. Davi enxergou o
que nenhum dos campeões enxergou, e por isso tornouse
rei de Israel. Peça a Deus para derramar sobre a sua
cabeça a mesma unção que veio sobre Davi quando ele
foi ungido pelo profeta Samuel. Dessa forma, você poCapítulo
Junior Souza
104
derá enxergar as pedras que estão ao seu redor e podem
ser importantes na realização da sua estratégia. E, ao verem
sua estratégia ser bem-sucedida, os campeões que
zombaram de você ficarão surpresos e o respeitarão.
Eliabe, irmão de Davi, o desprezou e repreendeu
assim que o viu chegar ao campo de batalha porque não
confiava no potencial de Davi. E foi o mesmo com os
soldados que viram o jovem pastor no ribeiro. Quando
começar a sua ideia, dê as costas para o Eliabe que aparecerá
dizendo que você não vai conseguir, dê as costas
para os soldados que zombarão de você. Concentre-se
somente em Deus e siga com a sua estratégia, pois, quando
você for vitorioso, eles mudarão de ideia sobre você e
passarão a respeitá-lo.

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A REVOLUÇÃO DA MENTE

Como viver em
excelência pelo
suor de outros
6
Ora Jericó estava rigorosamente fechada por causa dos filhos de Israel; ninguém saía nem entrava.
(Josué 6:1)
A Revolução da Mente
109
O Senhor está no controle, e Ele pode fazer
com que seus inimigos trabalhem por
você. É como está escrito que Deus tira
do ímpio para dar ao justo. Este “tirar” significa que Ele
fará o pecador trabalhar para levar benefícios a você, ou
que Ele fará um ímpio preparar algo para você conquistar
depois.
Um belo exemplo em que isto ocorreu foi a conquista
de Jericó, que é narrada no capítulo 6 do livro de
Josué.
A proteção daquela cidade era muito grande. Podese
dizer que Jericó era uma potência bélica de sua época e
tinha imponentes muralhas para protegê-la. As muralhas
de Jericó tinham 32 km2 em sua totalidade, sabendo-se
que elas também tinham 9 metros de altura por 6 metros
de espessura. Mas, no capítulo de Josué 6, vê-se o
povo de Jericó, outrora tão arrogante, temer os israelitas
e fechar os portões da cidade. Sendo Jericó uma cidade
Junior Souza A Revolução da Mente
110 111
tão protegida e respeitada, por que, então, seu povo teve
medo de Israel? Perceba que o povo de Israel que causou
medo a Jericó eram os filhos e netos daqueles que pereceram
no deserto por irarem ao Senhor. Aquela nova
geração de israelitas tinha algo que seus pais não haviam
conseguido e que gerava pavor em seus inimigos: eles sobreviviam
em um deserto que ninguém mais suportava.
Naquele deserto muitos haviam perecido, e muitos

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A REVOLUÇÃO DA MENTE

evitavam atravessá-lo por causa da temperatura alta de


dia e baixa de noite, dos animais venenosos, das ameaças
de ladrões, da escassez de alimentos e mais. Os habitantes
das regiões próximas se perguntavam: “Que povo
é aquele? O que eles fazem para viver ali? Como eles
habitam há anos em uma terra que já matou outros em
alguns dias?”. Eles respeitavam Israel por aquilo. O que
fazia o povo de Israel tão resistente não era sua força militar,
não era uma genética sobre-humana nem técnicas
de sobrevivência, era o cuidado que Deus tinha com eles.
Deus zelava pelo seu povo e o guiava em segurança
enquanto o fortalecia. Talvez você se pergunte: “Mas
o que a resistência de Israel tem a ver com o subtítulo?”.
É simples: enquanto os israelitas caminhavam pelo deserto
Deus preparava a terra para eles. Enquanto Israel
atravessava o deserto sendo alimentado por Deus e coberto
pela nuvem o povo daquela cidade plantava vinhas,
construía casas, cultivava a terra e fazia todo tipo de trabalho
duro. Os gigantes daquela cidade trabalhavam em
algo que ficaria para o povo de Deus. Aquilo se repete
hoje, já que gigantes trabalham, mas Deus dá para os
seus servos fiéis.
Outros povos já haviam tentado tomar Jericó para
si, e constantes eram as tentativas de invadir a cidade.
As tentativas de entrada, porém, eram através de túneis
subterrâneos, e não eram bem-sucedidas. Os soldados de
Jericó, ao perceberem a entrada de invasores, incendiavam
os túneis com os invasores ainda dentro. Enquanto
outros povos cavavam buracos em vão tentando entrar
em Jericó, os israelitas eram guiados por Deus, viam seus
feitos e comiam maná e codornizes. E tudo ocorria no
deserto, pois estavam sendo preparados pelo Senhor
para adquirirem resistência.
Se lermos com atenção os versículos que narram
a queda do muro, veremos que o desabamento da muralha
não ocorreu de forma desorganizada, mas através

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A REVOLUÇÃO DA MENTE

Junior Souza A Revolução da Mente


112 113
de uma estratégia dada por Deus. Uma prova disso é que
a queda do muro foi tão controlada que não arremessou
pedaços pelos ares, mas caiu em forma de implosão.
Deus ordenou ao povo que marchasse durante dias, e
toda aquela gente marchando ao redor do muro por dias
e dando aqueles gritos com a buzina colocou o muro
abaixo. Mas é muito importante ressaltar que o povo jamais
teria conseguido sem Jeová. Se não fora pela ajuda
do Senhor, eles teriam marchado por dias e buzinado até
se cansarem, mas não teriam alcançado sucesso.
O que fica claro no texto é que precisamos sempre
do auxílio de Deus para vencer. Você pode ser inteligente,
criativo, sábio e ter muitas ferramentas e estratégias,
mas nunca perca o foco em Deus. É Ele quem pode
dar-lhe a ajuda definitiva. Enquanto você está lendo este
livro e pedindo orientações a Deus há pessoas trabalhando
em projetos para beneficiar você e sua família. Eles
trabalham pensando que usufruirão dos seus esforços,
mas Deus concede aos seus filhos fiéis.
Essa, na verdade, é a realidade da vida. Para quem
não tem Deus, isso se torna exploração, pois há quem
trabalhe muito, suando a camisa para sustentar impérios
que dão lucros exorbitantes a quem não fez nem metade
do trabalho. Foi por isso que eu disse previamente que o
que traz sucesso não é muito trabalho, mas um esforço
baseado em ideias. Entregue sua causa a Deus e entre
com sua estratégia, pois o segredo da prosperidade não
é suar, é pensar.
Outro aspecto notório que foi necessário aos filhos
de Israel foi a paciência. Foram anos no deserto
dependendo de Deus, e durante aqueles anos os ímpios
trabalhavam preparando a terra que Israel herdaria.
Quando você tem paciência e é aprovado pelo Senhor,
impérios construídos e mantidos pelo esforço de pecadores

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A REVOLUÇÃO DA MENTE

serão colocados na sua mão, assim como foi com


Jericó, e você ouvirá de Deus o que Josué ouviu.
Então disse o Senhor a Josué: Olha, tenho dado na
tua mão a Jericó, ao seu rei e aos seus homens valorosos.
(Josué 6:2)
Infelizmente, há pessoas que trabalham por anos
para conquistar algo, mas a má administração e a falta de
estratégias fazem com que seja tudo perdido para alguém
que chegou depois e tem excelência em ideias. A terra
conquistada por Josué e os israelitas era uma terra dominada
por um povo gigante e forte, mas que era menos
Junior Souza A Revolução da Mente
114 115
inteligente que o povo de Deus. Aquilo mostra que neste
mundo não prospera quem é poderoso e imponente,
prospera quem é mais inteligente e tem estratégias dadas
por Deus.
Você é do povo de Deus, então deve buscar a excelência
para aproveitar as chances e vencer. É triste admitir,
mas, muitas vezes, vemos pecadores prosperando
e conquistando terras com ideias. É inadmissível que os
filhos das trevas sejam mais prudentes e estrategistas que
os filhos da luz, pois você é servo do Deus vivo! Esse
terreno que você pede a Deus precisa ser seu, e não de
um terreiro de umbanda. O projeto que você tem precisa
prosperar na sua mão, e não na de um pecador. Você
passou pelo deserto com a presença de Deus e adquiriu
resistência e ideias.
As oportunidades só poderão ser desenvolvidas
quando você entender que a muralha que está diante
de você está com o solo danificado por buracos feitos
por outros, e você tem uma resistência maior conseguida
com Deus. Esses elementos, unidos à ajuda de Deus,
o tornam apto a derrubar qualquer muro levantado por
inimigos; e ter fôlego para dar o brado final de vitória.
Ore, persevere e esteja atento às oportunidades, pois enquanto

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A REVOLUÇÃO DA MENTE

você caminha no deserto há pessoas preparando


a bênção que será sua.
Capítulo
7
A verdadeira
sabedoria é
reconhecer que
não se sabe tudo
E fez Jeosafá navios de Társis, para irem a Ofir por causa do ouro; porém não foram, porque os navios
se quebraram em
Eziom-Geber.
(1 Reis 22:49)
A Revolução da Mente
121
A revelação deste sétimo capítulo fala sobre
a mente de um homem brilhante.
Ele era o mais sábio dentre todos os
humanos, e a Bíblia Sagrada foi clara ao dizer que não se
viu outro parecido antes dele nem se verá outro depois.
Aquele homem cheio de excelência era o rei Salomão.
Primeiramente, porém, olharemos para um outro
rei. Jeosafá/Josafá — filho do rei Asa — foi um dos
maiores reis de Israel. Foi no reinado dele que Israel se
tornou uma nação forte e poderosa, e ele também possuía
qualidades que muito agradavam a Deus. Josafá era
um homem santo e obediente à Palavra, e se esforçou
para fazer o povo israelita abandonar a idolatria e voltar
para o Senhor. Seus esforços foram bem-sucedidos,
e sua dedicação trouxe frutos de arrependimento. Josafá,
no entanto, sofreu uma grande derrota e uma grande
frustração no fim de seu reinado.
Ele encomendou navios de Társis (que era o loJunior
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cal de produção dos melhores navios de sua época) pois
tinha um grande objetivo. Josafá pretendia enviar uma

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expedição para buscar o ouro de Ofir, o mais valioso


e puro que havia, mas aquele ouro era de difícil acesso.
Ao sair em busca do tão valioso ouro, Josafá vê seus navios
sendo quebrados em Eziom-Geber (que, em hebraico,
significa “cemitério de navios”). Aquela região tinha
muitas pedras, e a elevação da maré dificultava a travessia
e levava muitos navegantes a morrer ou ter de desistir.
Devido ao perigo, Eziom-Geber era também um cemitério
de sonhos e projetos de reis e aventureiros. Provavelmente
Jeosafá pensou que venceria aquele grande
desafio somente por ser um servo fiel a Deus e um bom
rei. Mas não é o que as escrituras mostram.
Isso explica o motivo de Asafe perguntar a Deus
no livro de Salmos o motivo de alguns ímpios prosperarem
em seus caminhos. Em diversos momentos, ele
questiona o porquê de o justo falhar em algumas ocasiões
em que o pecador vence. É preciso entender que a
prosperidade material não é relacionada somente a uma
vida de devoção a Deus, pois Ele tem seus princípios e
não os quebra.
O rei Salomão prosperou naquilo que Josafá errou
por uma série de motivos, mas o principal foi por suas
ideias. O reinado de Salomão era baseado em sabedoria,
e sabemos que aquela sabedoria dada por Deus lhe permitia
criar estratégias de excelência narradas nas escrituras.
E oferecia Salomão três vezes cada ano holocaustos
e sacrifícios pacíficos sobre o altar que edificaram ao
Senhor, e queimava incenso sobre o que estava perante o
Senhor; e assim acabou a casa.
(1 Reis 9:25)
O rei Salomão seguia um princípio deixado por
seu pai, Davi. O rei Davi era um adorador por excelência
que muito agradava ao Senhor, entretanto, teve sua vida
marcada por algo chocante e difícil de compreender: ele
nunca teve uma chance de falar e ver Deus diretamente.
Moisés, Salomão e muitos outros homens tiveram

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aquela chance, mas Davi — o grande adorador, poeta e


compositor — não teve. Salomão, no verso destacado,
sacrificava a Deus ofertas pacíficas, que eram algo além
da obrigação. Esse “bônus” que o rei Salomão fazia era
somado à adoração e subia a Deus como uma combinação
agradável e prazerosa. Um reino não é conduzido
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somente com adoração. O sacrifício é essencial.
Sei que a adoração é muito importante (tanto que
Jesus nos ensinou que Deus busca quem o adore em espírito
e em verdade), mas ela não pode ser a única base
de uma vida. Deus encontrou em Davi alguém que o
adorasse em espírito e em verdade com lindos poemas e
canções, assim como Ele também procura até hoje. Mas
Deus também quer aqueles que procurem por Ele em
vez de serem buscados. E Salomão o fez. Como? Simples,
através de sacrifícios, não de louvores. Há pessoas
que são cheias da presença de Deus, porém passam necessidades.
Passar necessidades é algo esperado na vida,
mas Jesus nos ensinou que aquilo que é plantado na terra
é colhido na terra muitas vezes mais.
Há, por exemplo, adoradores muito santos e corretos
que não conseguem suprir suas necessidades, visto
que adoram tanto que se esquecem da vida aqui na terra.
Dar uma boa educação aos seus filhos é bênção do Senhor,
assim como ter conforto e prosperar com excelência
nos projetos empreendidos. No livro de Eclesiastes o
próprio Salomão nos ensina isto.
Vai, pois, come com alegria o teu pão e bebe gostosamente
o teu vinho, pois Deus já de antemão se agrada das
tuas obras.
Em todo tempo sejam alvas as tuas vestes, e jamais
falte o óleo sobre a tua cabeça.
Goza a vida com a mulher que amas, todos os dias
de tua vida fugaz, os quais Deus te deu debaixo do sol;

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porque esta é a tua porção nesta vida pelo trabalho com que
te afadigaste debaixo do sol.
(Eclesiastes 9:7–9)
O sacrifício mostra que, apesar de estar no controle
de muita coisa, você reconhece que Deus está acima
de nós, e é Ele quem controla a sua vida. O sacrifício é
muito mais difícil de fazer, especialmente quando se está
em meio a dificuldades. Deus já fez um enorme e impagável
sacrifício pela humanidade que foi a entrega do
seu amado filho por amor a nós. A entrega de Jesus foi
uma prova de amor infinito. É por isso que o versículo
de João 3:16 diz que Deus entregou seu filho por amor.
A importância do sacrifício é tão grande que ele incomoda
o diabo e seu reino. Costuma-se pensar que adorar a
Deus perturba satanás mais do que qualquer coisa, mas
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não. Abrir mão de algo agradável por amor a Deus é
uma prova de amor maior do que louvores. O diabo, por
exemplo, foi derrotado e humilhado pelo sacrifício de
Cristo na cruz, não por louvores.
Se olharmos a galeria dos heróis da fé, que está
no capítulo 11 do livro de Hebreus, veremos pessoas
que alcançaram o favor de Deus de diversas formas. Mas
perceberemos, também, que Abraão foi mais citado que
os demais e teve mais honra, pois as citações mostram
sacrifícios de obediência que ele fez. Para Deus, o que
torna alguém um exemplo de fé não é a quantidade de
soldados que ele matou nem o que conquistou, mas de
quanto ele está disposto a abrir mão por obediência. Infelizmente,
muitos se recusam a aceitar o princípio do
sacrifício, e a maneira mais notória de ignorar esse princípio
é negligenciando os dízimos e as ofertas.
Entregar o dízimo (que é propriedade de Deus,
não sua) e ofertar são atitudes que encontram resistência
por muitos. Eles, porém, demonstram que estamos plenamente

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A REVOLUÇÃO DA MENTE

confiantes em Deus e abrimos mão de dinheiro


para o crescimento de sua obra. Jesus Cristo nos mostra
o valor disso no tão conhecido caso da viúva.
Depois de pessoas ricas ofertarem grandes quantias
no templo, uma mulher pobre aparece e deposita
duas moedas, que eram tudo o que ela tinha. Jesus diz
que ela havia dado mais do que os anteriores, pois aquelas
grandes quantias não eram tanto para eles, mas entregar
as únicas moedas que tinha era um ato de sacrifício
daquela viúva. Sacrificar é se esvaziar daquilo que se tem
para entregar a Deus.
O que você está aprendendo de informações com
este livro será verdade na sua vida quando você começar
a sacrificar como Salomão. Foi graças à atitude de
Salomão de sacrificar que Deus confirmou seu reino e o
abençoou nos projetos que fez. O sacrifício era a marca
de Salomão, por isso ele atraiu Deus para dentro de seu
quarto no início do reinado, e a presença do Senhor ali
deu a ele a chance de pedir sabedoria. Ele também sacrificou
a Deus mil bois no monte, sabendo que ele poderia
ter dado a carne daqueles bois ao povo e ser considerado
um rei generoso. Mas ele preferiu a aprovação de Jeová
sacrificando. Talvez ninguém tenha entendido o motivo
de Salomão fazer aquilo. Talvez todos tenham considerado
aquilo um ato de desperdício, mas o céu o aprovou.
Era como se Deus dissesse: “Eu busquei Davi, seu pai,
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como adorador, mas você me buscou com sacrifícios.”.
Uma das características do sacrifício é a necessidade
de que algo morra. Sacrificar um animal a Deus significa
matá-lo, da mesma forma que para que uma planta
cresça é necessário que a semente morra. O sacrifício
aumenta a dificuldade temporariamente, mas atrai o favor
de Deus. O profeta Eliseu, por exemplo, pediu à viúva
endividada que fizesse para ele um bolo com a única

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porção de comida que ela tinha. Aquilo foi um sacrifício


grande para ela e piorou a falta de alimento temporariamente,
mas era um sacrifício para o homem de Deus. O
Senhor, ao ver que a viúva piorara por sacrificar, decidiu
intervir, e houve um retorno grandioso para ela. Salomão,
ao sacrificar os mil bois, chamou a atenção de Deus
por estar perdendo tantos animais temporariamente em
sacrifício, e Deus o concedeu a chance de pedir o que ele
quisesse. Salomão, então, pede algo fantástico que muitos
não buscam mais hoje: sabedoria.
Hoje é muito comum pessoas irem às igrejas pedindo
prosperidade, bênção na família, unção, manifestação
do Espírito Santo e muito mais, mas se esquecem
da coisa mais sublime que Deus nos dá, sermos sábios.
Pedir sabedoria mostrava que Salomão queria viver com
excelência, ter a capacidade de explorar seu potencial de
criação e solucionar situações através de ideias. Deus se
agradou e disse que, além de dar sabedoria, daria muitas
riquezas. A sabedoria é um princípio de excelência vindo
de Deus, e dava a Salomão estratégias que lhe permitiam
prosperar. Tudo começou com o sacrifício que ele ofereceu
a Deus, e ele manteve o ato de sacrificar ao longo
de seu reinado.
Carregue e o mesmo hábito para a sua vida. Você
não precisa fazer grandes desafios e sacrifícios enormes
três vezes por ano, caso não possa, mas jejuar e fazer
projetos com Deus será muito bom. Sacrificar atrairá a
sabedoria de Deus para você. Uma prova de como um
sacrifício pode fazer toda a diferença foi o fato de Salomão
ter prosperado na busca pelo ouro de Ofir — onde
Josafá havia falhado.
Oferecia Salomão, três vezes por ano, holocaustos
e sacrifícios pacíficos sobre o altar que edificara ao SENHOR
e queimava incenso sobre o altar perante o SENHOR.
Assim, acabou ele a casa.
Fez o rei Salomão também naus em Eziom-Geber,

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que está junto a Elate, na praia do mar Vermelho, na


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terra de Edom.
Mandou Hirão, com aquelas naus, os seus servos,
marinheiros, conhecedores do mar, com os servos de Salomão.
Chegaram a Ofir e tomaram de lá quatrocentos e
vinte talentos de ouro, que trouxeram ao rei Salomão.
(1 Reis 9:25–28)
Perceba a profundidade desses versículos. O rei
Salomão navegou pelas mesmas águas que Josafá e todos
os outros haviam navegado, mas ele teve êxito. Ele
pensou como os demais: “Ofir tem um ouro muito especial,
é uma riqueza de excelência que eu almejo ter”.
O sucesso de Salomão, todavia, veio porque ele admitiu
que não sabia tudo. Ele buscou Deus para ter sabedoria.
Sendo sábio, ele mandou seus homens com a ajuda de
Hirão e seus companheiros, que conheciam bem a navegação.
Eziom-Geber não foi o cemitério dos navios dele,
Salomão chegou onde os outros não haviam chegado e
tomou uma grande quantidade de ouro.
Não caia no erro de se achar muito sábio, assim
como também evite achar que ser santo bastará para ter
sucesso em suas estratégias. Aprenda com Salomão a admitir
que você não sabe de tudo. Você precisa de ajuda,
além de sempre buscar Deus com sacrifícios. Apesar de
ser sábio e conhecer muitas coisas, ele reconheceu que
não entendia muito sobre navegação, e o mesmo vale
para nós. Precisamos admitir que não somos especialistas
em todas as áreas de nossas vidas. Um dos grandes
princípios da sabedoria é entender que há pessoas melhores
do que você em algumas áreas, e você precisa fazer
aliança com elas para chegar ao topo. Ser sábio também
inclui reconhecer as capacidades de outras pessoas; envolve
pedir ajuda a elas. Você pode ser sábio, mas precisa
da ajuda de outros que dominem outros conhecimentos.

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A REVOLUÇÃO DA MENTE

Capítulo
Junior Souza
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8
Transformando
sabedoria em
riqueza
Porque o rei tinha no mar uma frota de Társis, com as naus de Hirão; de três em três anos, voltava a
frota de Társis, trazendo ouro, prata, marfim, bugios e pavões.
Assim, o rei Salomão excedeu a todos os reis do mundo, tanto em riqueza como em sabedoria.
Todo o mundo procurava ir ter com ele para ouvir a sabedoria que Deus lhe pusera no coração.
(1 Reis 10:22–24)
A Revolução da Mente
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Já se perguntou como Salomão se tornou o
homem mais rico da terra? Vejamos nas escrituras
sagradas.
A riqueza de Salomão era gigante e ímpar, e há
muitos versículos descrevendo detalhadamente o que ele
tinha. E o reinado de Salomão causou uma grande prosperidade
para o povo — que teve muita qualidade de
vida. Isso era o cumprir da promessa que Deus fizera a
ele no quarto em sonhos. O maior princípio para o progresso
de Salomão foi a promessa de Deus.
Também até o que me não pediste eu te dou, tanto
riquezas como glória; que não haja teu igual entre os reis,
por todos os teus dias.
(1 Reis 3:13)
Se Deus lhe prometeu felicidade, Ele lhe mostrará
princípios que você deve seguir para alcançá-la, assim
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como orientou Salomão a prosperar. Talvez você já tenha
olhado para grandes pessoas e se perguntado como elas
cresceram tanto, pois deve haver um caminho a seguir. E
há. Todo líder de sucesso teve de percorrer uma estrada

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A REVOLUÇÃO DA MENTE

para chegar onde está, e Salomão também percorreu a


sua para chegar a ser visitado, admirado e presenteado
por reis de muitas nações.
Na primeira ida dos homens de Salomão a Ofir,
eles trouxeram 420 talentos de ouro, não carregaram
mais nada. Mas, após ter o caminho aberto, eles passaram
a trazer prata, marfim, bugios e pavões a cada três
anos. Eles não podiam trazer todas essas riquezas da
primeira vez, pois não estavam preparados e precisavam
conhecer o local. O navio utilizado por eles não era uma
grande embarcação de Társis, pois Salomão não era arrogante
para tentar trazer toneladas de riquezas da primeira
vez. O conhecimento de navegação fez com que
aqueles observassem o lugar em que todos naufragavam,
saíssem em uma embarcação menor, ancorassem em um
lugar seguro e fossem até a costa. A expedição durou
três anos, como se percebe pelo intervalo de tempo entre
uma expedição e outra.
Foram três anos que aqueles homens passaram
longe de suas famílias, de casa e do seu povo observando
os demais navios, só assim descobririam onde os demais
fracassavam e encontrariam o caminho para Ofir. Onde
afundavam? Por que afundavam? Quais eram os perigos
de Eziom-Geber? Após a longa observação, aqueles homens
leais a Salomão aprenderam muito. Descobriram,
por exemplo, que, a cada três anos, as águas baixavam
consideravelmente em direção à costa para Ofir. A diminuição
do nível das águas mostrava o caminho em meio
às rochas, assim poderiam passar sem haver danificação
dos navios. Eles retornaram levando não somente
o ouro de Ofir, mas também novos conhecimentos que
possibilitaram a construção de navios adaptados àquelas
condições.
Para ter excelência, precisamos fazer como Hirão
e os demais enviados de Salomão fizeram. Não bastava
ter um mapa, era preciso moldar as naus e instruções de

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A REVOLUÇÃO DA MENTE

acordo com as necessidades da rota, e muitos não entendem


isso. Não são poucos os que tentam grandes feitos,
mas tentam sem se adaptarem ao que o caminho impõe,
portanto falham. Para isso, porém, é necessário passar
por um período de observação. Os três anos passados
por Hirão e seus homens foram difíceis, pois as condiJunior
Souza A Revolução da Mente
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ções não eram nada confortáveis, e a distância de casa e
o medo os assolavam muito. Mas eles perseveraram.
Você precisará ser paciente quando estiver observando
os erros dos outros e preparando a sua estratégia,
pois o processo requer tempo, perseverança e pode ser
difícil de vivenciar. Pense naquilo que intenta fazer. Você
precisa observar com muita atenção onde todos falham.
Eles falham porque estão tentando sem adequar suas
ideias ao que a situação pede, e você precisa descobrir
que adaptações são essas. Entenda: não há atalhos para
chegar à excelência. Chegar a Ofir leva tempo, análise e
perseverança, mas, quando descobrir a rota, você, leitor,
será capaz de criar um mapa do tesouro que ninguém
mais tem, assim como Hirão e seus homens tinham.
Conclusão
No final deste livro há uma página em branco com
o título “Metas”, e você deve enumerar nelas três metas
que há no seu coração. Seguindo os princípios presentes
aqui e orando, você receberá de Deus estratégias de
excelência para transformar seus objetivos em realidade.
Não selecione suas metas com pressa, faça-o com calma
e debaixo de oração.
Recomendo que você releia este livro com atenção
às instruções. A primeira leitura foi um momento de descoberta,
mas lê-lo novamente será ainda mais proveitoso
para as suas ideias. Memorize os tópicos contidos aqui,
rabisque o livro todo, se quiser, faça dele um manual de
inspiração para a sua caminhada de excelência. Eu profetizo

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a unção de Deus na sua casa e a capacidade de


criação do Senhor inspirando a sua mente.
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Oração
Neste momento, coloque a mão na cabeça, feche
seus olhos e faça uma oração. Clame ao Senhor pedindo
por sabedoria, pedindo por ideias. Ele as fará fluir de
dentro de você, pois a capacidade de criação que Ele deu
ao homem já coloca excelência dentro de nós. Ela está
esperando para ser usada. Você foi criado por Deus com
uma característica que o torna parecido com Ele: a capacidade
de criar em meio ao caos.
Escrevendo debaixo da unção de Deus, eu declaro
sobre a sua vida a unção. As estratégias de excelência
para uma terra de espinhos fluirão de você de maneira
natural, e você vencerá sempre, no nome de Jesus.
Amém.
A unção que chegará tornará seu cônjuge e seus
filhos sábios. Todos da sua casa serão revestidos pela
presença do Senhor. Nunca se esqueça de que tudo exigirá
sacrifício. Ele foi essencial para Salomão e para os
demais campeões de Deus. Não sacrifique para Deus somente
o seu dinheiro, mas dê tempo, fé e ousadia. Abra
mão daquilo que toma o tempo que você deveria dar a
Ele. Há coisas que só podem ser alcançadas através de
sacrifícios.
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