Você está na página 1de 2

Programa de Educação Tutorial - Reunião Cultural “A Engenharia e o Meio Ambiente”

A ENGENHARIA E O MEIO AMBIENTE


Há muitos anos, era mais fácil construir em lugares com mata virgem do que hoje em
dia, pois para isso, bastava simplesmente destruir tudo que tivesse pela frente, e ninguém se
importava, pois no Brasil, natureza era o que não faltava, nunca iriam acabar todas as
árvores, secar ou poluir todos os rios, etc...
Porém, a ocupação desenfreada fez com que, ao passar dos anos, foi se criando uma
preocupação e uma consciência ambiental, a fim de proteger o pouco que ainda resta.
O ser humano, para se desenvolver precisa construir, e toda a construção acaba afetando
o meio ambiente de alguma forma, por isso, qualquer projeto deve ter permissão ambiental
para ser executado.
A escolha do local a ser explorado já merece cuidados, ou seja, para se poupar tempo e
recursos o construtor deve, antes de detalhar e submeter qualquer projeto a órgãos públicos,
conhecer as características da área e suas restrições legais.

Em Santa Catarina, a FATMA é o órgão responsável por emitir o licenciamento


ambiental, mas somente depois de uma série de procedimentos – o IBAMA só é acionado
em empreendimentos localizados em APP (área de preservação permanente):

Licença Ambiental Prévia – LAP


É uma espécie de consulta de viabilidade, onde a FATMA diz se um determinado
empreendimento em um determinado local é viável ou não, e com que restrições. A LAP
ainda não autoriza o início das obras.
Nesta etapa, a FATMA pode verificar que a atividade a ser licenciada está inserida na
Relação de Atividades Potencialmente Poluidoras, emitida pelo CONAMA (Conselho
Nacional do Meio Ambiente). Se isto ocorrer, será exigido do empreendedor a apresentação
dos EIA/RIMA – Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto no Meio
Ambiente.

Licença Ambiental de Instalação – LAI


Depois da LAP ser expedida, deve-se mostrar a FATMA o projeto físico do
empreendimento, com as restrições impostas pela LAP. Só depois de ter a LAI em mãos, é
que a obra pode começar.

Licença Ambiental de Operação – LAO


Depois da obra estar pronta, a FATMA vai até o local para verificar se tudo foi
construído conforme o projeto apresentado, só aí o empreendimento é liberado para o uso.

Estudos de Impacto Ambiental - EIA


O EIA é um diagnóstico detalhado das condições ambientais da área de influência do
projeto antes de sua implantação. Deve considerar o solo, o subsolo, o ar, as águas, o clima,
as formas de vida, os ecossistemas naturais e o meio sócio-econômico. A análise das
conseqüências de sua implantação e de sua não implantação. Os impactos positivos e
negativos, as medidas amenizadoras desses impactos e suas formas de acompanhamento e
monitoramento.

Luciano Lopes Bertacco – Agosto de 2004


Programa de Educação Tutorial - Reunião Cultural “A Engenharia e o Meio Ambiente”

Relatório de Impacto no Meio Ambiente – RIMA


O RIMA deverá conter as conclusões do estudo, demonstrando em linguagem acessível
à toda a comunidade todas as vantagens e desvantagens, ambientais, sociais e econômicas.
Deve-se valer de quadros, tabelas, audiovisuais e simulações que facilitem a sua
compreensão. Como norma, ficarão à disposição das pessoas interessadas, tanto na
Biblioteca da FATMA, quanto na Biblioteca Pública da região.
Atualmente, o todos os RIMA´s devem ser apresentados em audiência pública.

Em outros estados, os procedimentos e os órgãos envolvidos podem ser um pouco


diferentes, mas todos tem uma série de burocracias a serem cumpridas.

Visto isto, lanço alguns questionamentos:

Será que todas estas leis são válidas para proteger o meio ambiente?
Será que elas conseguem, de fato, analisar as conseqüências de uma obra de Engenharia
Civil, mesmo sendo, em muitas vezes, analisadas por biólogos, engenheiros florestais, etc?
Falta alguma cadeira no curso de Engenharia Civil que aborde o assunto?
Toda obra de Engenharia Civil é prejudicial ao meio ambiente?
Toda esta história é apenas “conversa pra boi dormir” pra quem tem dinheiro e
influência em órgãos públicos?

Conclusões: (Minhas! Quem quiser, que discorde de mim!)

Acredito que devem existir leis para manter um controle da exploração ambiental, mas
principalmente, deve haver consciência dos Engenheiros Civis.
O estranho é que muita gente acha que o engenheiro civil é sempre o vilão da história,
que derruba árvores para botar concreto no seu lugar, e pelo simples fato de que tem uma
árvore no caminho, a obra será maléfica para a natureza. Mas se esquecem que não moram
no mato (têm suas casas projetadas e construídas por engenheiros), andam pra lá e pra cá de
carro (nas estradas construídas por engenheiros), etc...
Um grande exemplo desta falta de visão é a BR-101, que ainda não foi duplicada no
trecho sul devido em grande parte a restrições ambientais, e enquanto isso, a cada dia morre
mais gente.

“A intervenção do homem na natureza é muitas vezes menos prejudicial do


que a não intervenção”.

(Frase de Alexandre Garghetti – eu ouvi ele dizer isso no TCC dele, não sei se foi ele
mesmo que inventou, mas achei a frase interessante, e verdadeira)

Bibliografia: Site da FATMA


Revista Téchne nº 67 – outubro de 2002

Luciano Lopes Bertacco – Agosto de 2004