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ROKAN

ALICERCE DO
PARAÍSO (6
VOLUMES)
Rokan – Alicerce do Paraíso

ALICERCE DO PARAÍSO
6 VOLUMES
DA PAGINA 001 a 173
RELIGIÃO VOLUME I
Total de TÍTULOS 135
DA PAGINA174 a 366
RELIGIÃOVOLUMEII
Total de TÍTULOS 194
DA PAGINA367 a 564
JOHREIVOLUMEI
Total de TÍTULOS 173
DA PAGINA565 a 731
JOHREIVOLUMEII
Total de TÍTULOS 221
SOCIEDADE E DA PAGINA732 a 900
AGRICULTURA NATURAL Total de TÍTULOS 135
MESSIÂNICA
DA PAGINA 901 a 1025
ARTE Total de TÍTULOS 76
Totalgeralde TÍTULOS 934

(20) ERA DA CIVILIZAÇÃO RELIGIOSA – traduzir parte inicial

(129) ENCONTRO DE MEISHU-SAMA COM O CASAL REMON CARTIER -


traduzir parte inicial e parte final

Obs: precisa fazer checagem e correções nos 6 volumes

ALICERCE DO PARAÍSO

RELIGIÃO
Volume I

Tradução Literal

Sem checagem com original


japonês e sem revisão de
português

Maio de 2000

2
Rokan – Alicerce do Paraíso

PREFÁCIO
ÍNDICE
ROKAN ......................................................................................................................................... 1
ALICERCE DO PARAÍSO ............................................................................................................ 1
(6 VOLUMES) ............................................................................................................................... 1
ÍNDICE .......................................................................................................................................... 3
VOLUME 1 .................................................................................................................................... 7
PREFÁCIO ................................................................................................................................ 7
INTRODUÇÃO ......................................................................................................................... 10
(R1/1) O QUE É A IGREJA MESSIÂNICA MUNDIAL ............................................................. 10
(R1/2) O QUE É A IGREJA MESSIÂNICA MUNDIAL ............................................................. 14
(R1/3) DOUTRINA DA IGREJA MESSIÂNICA MUNDIAL ...................................................... 16
CAPÍTULO 1 - CARÁTER DIVINO .......................................................................................... 17
(R1/4) SALVADOR DO MUNDO ............................................................................................. 17
(R1/5) LUZ DO ORIENTE ........................................................................................................ 20
(R1/6) ESTADO DE UNIÃO COM DEUS ................................................................................ 24
(R1/7) UM MISTÉRIO .............................................................................................................. 26
(R1/8) A RELAÇÃO ENTRE DEUS E EU ............................................................................... 29
(R1/9) - O JURAMENTO COM O FUNDADOR DE CADA RELIGIÃO.................................... 32
(R1/10) O MOTIVO PELO QUAL NÃO REVERENCIO DEUS ............................................... 35
(R1/11) KANZEON BOSSATSU E EU .................................................................................... 38
(R1/12) A MINHA CONFISSÃO............................................................................................... 43
(R1/13) FOTOGRAFIA ESPIRITUAL ...................................................................................... 46
(R1/14) O QUE É O PODER KANNON ................................................................................... 51
(R1/15) MINHA LUZ ................................................................................................................ 54
(R1/16) "EU, VISTO POR MIM MESMO” ................................................................................ 57
(R1/17) EU E A IGREJA MESSIÂNICA MUNDIAL ................................................................. 62
A VERDADEIRA SALVAÇÃO .................................................................................................................... 63
UTILIZAÇÃO DO ESPÍRITO ....................................................................................................................... 66
CAPÍTULO II - PLANO DIVINO ............................................................................................... 69
(R1/18) NASCIMENTO DA IGREJA MESSIÂNICA MUNDIAL ............................................... 69
(R1/19) O PRIMEIRO MUNDO................................................................................................ 77
(R1/20) ERA DA CIVILIZAÇÃO RELIGIOSA .......................................................................... 80
(R1/21) A CONSTRUÇÃO DO PARAÍSO E A ELIMINAÇÃO DO MAL .................................. 84
(R1/22) O PLANO DE DEUS ................................................................................................... 90
(R1/23) FENÔMENO DA TRANSIÇÃO DA NOITE PARA O DIA ........................................... 93
(R1/24) A MUDANÇA DO DESTINO ....................................................................................... 99
(R1/25) DEUS E BUDA ......................................................................................................... 102
(R1/26) A ORIGEM DO BUDISMO ....................................................................................... 105
(R1/27) DEUS IZUNOMÊ-NO-KAMI ..................................................................................... 109
(R1/28) DEUS KANZEON BOSSATSU ................................................................................. 112
(R1/29) O ENCONTRO DOS TRÊS MIROKU ...................................................................... 117
(R1/30) O REINO DOS CÉUS ............................................................................................... 121
O VERDADEIRO ASPECTO DO MUNDO DE MIROKU ........................................................................ 122
CAPÍTULO III - TRANSIÇÃO DA ERA DA NOITE PARA A ERA DO DIA ............................ 125
(R1/31) A TRANSIÇÃO DA NOITE PARA O DIA.................................................................. 125
(R1/32) A CONSTRUÇÃO DO MUNDO DE MIROKU .......................................................... 131
(R1/33) - ARREPENDEI-VOS PORQUE ESTÁ PRÓXIMO O FIM DA ERA DA NOITE ....... 133
(R1/34) O QUE É O JUÍZO FINAL? ...................................................................................... 136
(R1/35) O JUÍZO FINAL ........................................................................................................ 139
(R1/36) O JUÍZO FINAL ........................................................................................................ 141
(R1/37) O QUE É O JUÍZO FINAL ........................................................................................ 145
(R1/38) - O HOMEM MODERNO CARREGA UMA BOMBA ................................................ 147
(R1/39) VIRÁ UMA ÉPOCA DE GRANDE PAVOR ............................................................... 149
(R1/40) HAVAÍ, ONDE PROLIFERAM-SE ENFERMOS ...................................................... 153
CAPÍTULO IV - A ULTRA-RELIGIÃO .................................................................................... 156

3
Rokan – Alicerce do Paraíso

(R1/41) ULTRA-RELIGIÃO .................................................................................................... 156


(R1/42) FORMAÇÃO DO MUNDO NOVO ............................................................................ 158
(R1/43) A CULTURA DE ☉“SU” ........................................................................................... 160
(R1/44) CRIAÇÃO DA CULTURA ......................................................................................... 163
(R1/45) ALGO SUPERIOR À RELIGIÃO E À CIÊNCIA ........................................................ 165
(R1/46) A IGREJA MESSIÂNICA MUNDIAL E A REVOLUÇÃO DA CULTURA .................. 167
(R1/47) A COINCIDÊNCIA ENTRE RELIGIÃO, FILOSOFIA E CIÊNCIA ............................. 170
(R1/48) IGREJA ABRANGENTE ........................................................................................... 173
(R1/49) ALGO SUPERIOR À RELIGIÃO ............................................................................... 175
(R1/50) EXCLUSÃO DO TEMOR .......................................................................................... 177
(R1/51) RELIGIÃO CELESTIAL E RELIGIÃO INFERNAL .................................................... 179
(R1/52) RELIGIÃO CELESTIAL E RELIGIÃO INFERNAL .................................................... 184
(R1/53) ELIMINAÇÃO DA TRAGÉDIA .................................................................................. 187
(R1/54) CARACTERÍSITCAS DA SALVAÇÃO PELA IGREJA MESSIÂNICA MUNDIAL ..... 189
(R1/55) A IGREJA MESSIÂNICA MUNDIAL E O MOVIMENTO DE TRANSFORMAÇÃO EM
PARAÍSO ............................................................................................................................... 192
(R1/56) O ATRATIVO DA NOSSA IGREJA .......................................................................... 194
(R1/57) NÃO EXISTE SUPERSTIÇÃO NA NOSSA IGREJA ................................................ 198
(R1/58) SE ACASO O MAL FOSSE EXTINTO DESSE MUNDO .......................................... 203
(R1/59) RELIGIÃO QUE REVELA DEUS .............................................................................. 208
(R1/60) RELIGIÃO QUE REVELA DEUS .............................................................................. 210
(R1/61) RELIGIÃO À LUZ DA VERDADE ............................................................................. 213
(R1/62) RELIGIÃO CRIADORA DE PESSOAS FELIZES ..................................................... 215
(R1/63) RELIGIÃO ATIVA ..................................................................................................... 218
(R1/64) A SALVAÇÃO PELO SOL ........................................................................................ 222
(R1/65) PAZ E SEGURANÇA ................................................................................................ 226
(R1/66) A NOSSA IGREJA É XINTOÍSMO OU BUDISMO? ................................................. 228
(R1/67) SOBRE O NASCIMENTO DA IGREJA MESSIÂNICA MUNDIAL ............................ 230
(R1/68) O PORQUÊ DA DENOMINAÇÃO “SEKAI MESHIYA KYO” (IGREJA MESSIÂNICA
MUNDIAL) ............................................................................................................................. 233
(R1/69) CONCRETIZAÇÃO DA PROFECIA DO REINO DOS CÉUS — O PARAÍSO
TERRESTRE ......................................................................................................................... 235
(R1/70) CULTO MIROKU ...................................................................................................... 236
(R1/71) O PRINCIPAL FATOR DO DESENVOLVIMENTO DA NOSSA IGREJA ................. 239
(R1/72) VOU CONSTRUIR O PARAÍSO TERRESTRE ........................................................ 242
CAPÍTULO V - COMO ENCARAR A RELIGIÃO ................................................................... 247
(R1/73) COMO ENCARAR A RELIGIÃO ............................................................................... 247
(R1/74) RELIGIÃO E CIÊNCIA .............................................................................................. 250
(R1/75) RELIGIÃO ANTIGA E RELIGIÃO MODERNA.......................................................... 251
(R1/76) A IGREJA QUE NÃO PREGA A RENÚNCIA ........................................................... 253
(R1/77) OS PROBLEMAS DOS PIONEIROS ....................................................................... 254
(R1/78) RELIGIÃO É MILAGRE ............................................................................................ 257
(R1/79) RELIGIÃO PROGRESSISTA ................................................................................... 259
(R1/80) RELIGIÃO É MILAGRE ............................................................................................ 261
(R1/81) MILAGRE E RELIGIÃO ............................................................................................ 264
(R1/82) O QUE É A VERDADEIRA SALVAÇÃO ................................................................... 267
(R1/83) DISSECAÇÃO DA FÉ SUPERSTICIOSA - PROFESSEM A FÉ SEMPRE COM
SERENIDADE ....................................................................................................................... 269
(R1/84) SUPERSTIÇÃO E CIÊNCIA ..................................................................................... 272
(R1/85) A CIÊNCIA CRIA AS SUPERSTIÇÕES ................................................................... 273
(R1/86) A SUPERSTIÇÃO DA TEORIA ................................................................................ 276
(R1/87) A DEFINIÇÃO DA SUPERSTIÇÃO .......................................................................... 278
(R1/88) O QUE VEM A SER AS TRÊS GRANDES SUPERSTIÇÕES? ............................... 280
(R1/89) RELIGIÃO E SEITAS ................................................................................................ 283
(R1/90) RELIGIÕES NOVAS E RELIGIÕES TRADICIONAIS .............................................. 284
(R1/91) A LUTA ENTRE O MATERIALISMO E O ESPIRITUALISMO.................................. 286
(R1/92) EXISTE FÉ CORRETA EM RELIGIÕES NOVAS? .................................................. 288
(R1/93) BENEFÍCIOS MATERIAIS........................................................................................ 290
(R1/94) BENEFÍCIOS ATUAIS E BENEFÍCOS FUTUROS .................................................. 293
(R1/95) BENEFÍCIOS MATERIAIS........................................................................................ 295

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Rokan – Alicerce do Paraíso

(R1/96) ATIVIDADE RELIGIOSA E ATIVIDADE SOCIAL ..................................................... 298


(R1/97) ATIVIDADE SOCIAL E ATIVIDADE RELIGIOSA ..................................................... 301
(R1/98) A NOSSA IGREJA E AS ATIVIDADES SOCIAIS..................................................... 303
(R1/99) A RELIGIÃO E O HOSPITAL ................................................................................... 307
(R1/100) A VERDADEIRA RELIGIÃO ................................................................................... 310
(R1/101) A RELIGIÃO PRECISA SER UNIVERSAL ............................................................. 311
(R1/102) A CONCLUSÃO DO QUADRO DO MUNDO ......................................................... 312
(R1/103) O QUE É UMA RELIGIÃO NOVA? ......................................................................... 314
(R1/104) A LUTA ENTRE O BEM E O MAL .......................................................................... 317
(R1/105) A VERDADEIRA RELIGIÃO DAIJO ....................................................................... 319
(R1/106) RELIGIÃO NOVA E A IDADE DO MUNDO ............................................................ 321
(R1/107) PRÁTICAS ASCÉTICAS ........................................................................................ 324
(R1/108) BRAMANISMO E MAOMETISMO .......................................................................... 326
(R1/109) PROTESTANTISMO E CATOLICISMO ................................................................. 330
(R1/110) O SIGNIFICADO DO INARI.................................................................................... 332
(R1/111) SOBRE PADROEIRO ............................................................................................. 333
(R1/112) O DÉCIMO MÊS DO CALENDÁRIO LUNAR (O MÊS EM QUE DEUS ESTÁ
AUSENTE) ............................................................................................................................. 334
(R1/113) QUANTAS COLUNAS POSSUI O DEUS AMATERASSU OOKAMI ..................... 335
(R1/114) OS IDEOGRAMAS “DEUS” E “BUDA” ................................................................... 336
(R1/115) DAISSEN SEKAI E SANZEN SEKAI ...................................................................... 338
(R1/116) O SIGNIFICADO DE DYUPO SEKAI (MUNDO DE DEZ DIREÇÕES) .................. 339
CAPÍTULO VI - LIBERDADE NA FÉ ..................................................................................... 340
(R1/117) LIBERDADE NA FÉ ................................................................................................ 340
(R1/118) EXISTE LIBERDADE NA RELIGIÃO? .................................................................... 343
(119) RELIGIÃO E LIBERDADE ............................................................................................ 344
(R1/120) RELIGIÃO E MANDAMENTOS .............................................................................. 346
(R1/121) FÉ SHOJO .............................................................................................................. 347
(R1/122) A LIBERDADE DA FÉ ............................................................................................ 351
(R1/123) FÉ E RELIGIÃO ...................................................................................................... 353
(R1/124) RESPONDENDO ÀS AFLIÇÕES DOS CONVERTIDOS ....................................... 354
CAPÍTULO VII - ENTREVISTAS ........................................................................................... 357
(R1/125) UMA ENTREVISTA ................................................................................................ 357
(R1/126) ENTREVISTA COM O LOCUTOR DA RÁDIO NHK .............................................. 359
(R1/127) A CONTRIBUIÇÃO PARA A SALVAÇÃO DA HUMANIDADE E PARA PAZ
MUNDIAL (O SIGNIFICADO DO NASCIMENTO E A MISSÃO DA “SEKAI MESHIYA KYO”
[IGREJA MESSIÂNICA MUNDIAL]) ...................................................................................... 373
(R1/128) DIÁLOGO COM UMA CERTA VISITA ................................................................... 378
(R1/129) ENCONTRO DE MEISHU SAMA COM O CASAL REMON CARTIER .................. 379
(R1/130) ENTREVISTA ENTRE MEISHU SAMA E O SENHOR TSUNEATSU IZATO, VICE-
DIRETOR DA SEÇÃO DE CIÊNCIA DO JORNAL YOMIURI ............................................... 388
(R1/131) PALESTRANDO COM MEISHU SAMA VISITANDO O ......................................... 398
SENHOR SHOTTI HEKI, CONSELHEIRO DA REVISTA BUNGUEI SHUNJU, E SENHOR
TOSHIYA KONDO, SUB-CHEFE DA REDAÇÃO DA MESMA ............................................. 398
MILAGRES COMO O DE CRISTO, MEUS DISCÍPULOS REALIZAM .................................................. 398
BREVEMENTE CONSTRUIR-SE-Á O MAIOR MUSEU DE BELAS ARTES DA AMÉRICA ............... 401
"SALVAR A AMÉRICA" SE TORNARÁ TEMA DE DEBATE ................................................................ 404
PINTURAS FEITAS SE ALIMENTANDO DE BIFE ................................................................................. 406
NO AMOR, É DIFÍCIL O LIMITE .............................................................................................................. 407
(R1/132) CONVERSA SOBRE FATOS VERÍDICOS, FICÇÃO E TRANSE ESPIRITUAL ... 409
(CONTINUAÇÃO DA ENTREVISTA COM O SR. SHOITI HEKI).......................................................... 409
O STÁLIN QUE ERA IRREDUTÍVEL NA PSICAGOGIA ........................................................................ 409
CAPACIDADE INATA ............................................................................................................................... 410
CONVERTER OS AMERICANOS À MESSIÂNICA ................................................................................. 412
O LIVRO QUE SALVA A MEDICINA AMERICANA .............................................................................. 413
A PROFECIA DO TERREMOTO DA REGIÃO KANTO E A EXPERIÊNCIA DE MILAGRE................ 414
SOFRIMENTO POR CAUSA DO IMPERIALISMO .................................................................................. 415
O PRÉ-DESTINO E O DESTINO SÃO COISAS DISTINTAS ................................................................... 417
ESCAPEI DOS INFORTÚNIOS .................................................................................................................. 417
ESCULTURA DE BUDA QUE TEM ESPÍRITO ........................................................................................ 420
SALVAR A AMÉRICA É O PRIMEIRO PASSO PARA A REVOLUÇÃO MUNDIAL ........................... 421
(R1/133) ENTREVISTA COM MEISHU SAMA 1 ................................................................... 424

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Rokan – Alicerce do Paraíso

QUAL É A FORÇA EMANADORA DAS ATIVIDADES ......................................................................... 426


SE EXISTEM REMÉDIOS NO MUNDO ................................................................................................... 430
EU CRIO "ELEMENTOS" QUE SALVAM AS PESSOAS ........................................................................ 432
(R1/134) ENTREVISTA COM MEISHU SAMA 2 .................................................................. 434
A MINHA "LUZ" ..................................................................................................................... 434
STÁLIN ENCONTRA-SE NO INFERNO ................................................................................................... 435
A CORRUPÇÃO É A AÇÃO DE PURIFICAÇÃO ..................................................................................... 437
PARA SE LIBERTAR DA POBREZA ........................................................................................................ 438
AMAR É BOM, MAS NÃO GERE PECADO ............................................................................................. 441
O QUE SALVARÁ O MUNDO DAQUI PARA FRENTE .......................................................................... 443
(R1/135) ENTREVISTA COM MEISHU SAMA (FINAL) ........................................................ 446
O PERIGO DA BOMBA-H ESTÁ NO SOONEN DO MAL ....................................................................... 446
A LUZ DIVINA PARA(...) .......................................................................................................................... 447
SALVANDO A AMÉRICA, O JAPÃO TAMBÉM O SERÁ ...................................................................... 448
ESTÁ TUDO NA VONTADE DE DEUS .................................................................................................... 450
POSFÁCIO ................................................................................................................................ 454

6
Rokan – Alicerce do Paraíso

aapresentação

VOLUME 1

PREFÁCIO

Hoje, uma época prestes ao limiar do século XXI, o mundo


está se transmutando extraordinariamente. Com a desintegração
da União Soviética, finalmente a era da Guerra Fria entre leste e
oeste teve o seu término. Entretanto, atualmente, que entramos
na era Pós-Guerra Fria, nas reuniões internacionais aumentaram
as palavras interessadas apenas nas economias dos próprios
países, tornando-se muito difíceis os seus ajustes. Além disso,
países, as diferenças entre os povos, religiões, culturas, que até
agora se encontravam escondidas na sombra da estrutura de
duas extremidades, estão se sobressaindo, e o mundo encontra-
se numa situação em que essas diferenças estão causando
novos conflitos e guerras.

Após os anos de 1980, vieram à tona os problemas de


meio ambiente do globo terrestre e o aumento de interesse pelos
mesmos, por parte do meio de comunicação em massa, que,
além das suas seriedades, estão questionando a humanidade
sobre a necessidade de raciocínio global sobre a Terra, sob uma
visão duradoura.

Os inúmeros problemas que rodeiam a sociedade moderna


não são mais problemas de um indivíduo, de uma sociedade, ou
de uma nação. E sim estão apresentados como sendo problemas
de âmbito mundial e estamos sendo forçados à transformação da
mentalidade, frente ao novo século, e edificar uma nova ordem
mundial.

Ao nos depararmos com esta situação, a Igreja Messiânica


Mundial, sentindo novamente a importância dos Ensinamentos do
Fundador Meishu Sama, que, prevendo o perigo da humanidade,
proferira e conduzira a salvação da humanidade, e a construção
do Mundo Ideal, empenhou-se em compilar Ensinamentos que

7
Rokan – Alicerce do Paraíso

correspondem à época e, desta vez, publicamos novamente a


série "Alicerce do Paraíso".

Em dezembro de 1926, Meishu Sama recebeu a


Revelação Divina, tomando conhecimento dos acontecimentos
que abrangem o passado, o presente e o futuro da humanidade,
e da sua própria missão. A partir daí, Meishu Sama, que
alcançara o estado de Iluminação, conscientizou-se a fundo de
que a Divina Alma do Supremo Deus alojara-se nele, e dedicou-
se à grandiosa Obra Divina de Salvação do Mundo.

Em 15 de junho de 1931, após receber a "Revelação da


Transição da Era da Noite para a Era do Dia no Mundo
Espiritual", no topo do Monte Nokoguiri, (...) na Península Bôso,
em 1935, com a chegada do tempo, fundou a - Igreja Messiânica
Mundial, partindo para a salvação da humanidade, e à construção
do "Paraíso Terrestre”, isento de doença, miséria e conflito.

O Volume (...) foi elaborado centralizado em Ensinamentos


básicos da nossa Igreja, como "O grau de Divindade do Salvador
- Meishu Sama", que emprega Sua Força de salvação da
humanidade, e "Transição da Noite para o Dia", "Plano Divino",
etc., e Ensinamentos relacionados com a missão da Igreja
Messiânica Mundial.

No Volume Alicerce do Paraíso Volume Religião II, foram


compilados principalmente os Ensinamentos como "A Verdade",
"A Felicidade", "O Bem e o Mal" "Fé Daijo", "A Fé é a Vida
Cotidiana", etc., que são Ensinamentos que nós devemos, na
vida diária, fazer de modelo do nosso pensamento-palavra-ação,
e também os Ensinamentos sobre o Mundo Espiritual.

Ao compilar esta série, esforçamo-nos em incluir a maior


quantidade possível de Ensinamentos de Meishu Sama, e
também atentamo-nos em fazê-lo de fácil leitura e estudo.

8
Rokan – Alicerce do Paraíso

Que este livro seja lido diariamente como o alimento para a


elevação da Fé, e como um indicador para a prática da Fé.

Setembro de 1993

9
Rokan – Alicerce do Paraíso

INTRO D U Ç ÃO

( R 1 /1 ) O QU E É A I G R E J A MESSIÂ NI C A MUNDIA L

Antes de iniciar a redação do presente texto, gostaria de


esclarecer ao leitor que a nossa Igreja Messiânica não é uma
religião propriamente dita. Ou seja, na forma global, ela não é
simplesmente uma religião. A religião é apenas uma parte da
nossa atividade. Então, porque essa denominação? Por se tratar
de uma atividade de salvação marcante da época e inédita em
toda história, sem outra alternativa, acabei adotando essa
denominação. Ao invés de uma denominação especial, achei que
essa é a mais compreensível e familiar. Falando francamente,
basta pensar que se trata de uma religião superior à religião, ou
seja, uma ultra-religião, uma atividade de salvação sem
precedentes.

Assim sendo, vou apresentar, inicialmente, de modo geral,


o seu perfil. Durante longo tempo, ou seja, desde a época
primitiva até a atualidade, surgiram muitas pessoas que se
sobressaíram pelas suas capacidade e talento e, graças ao
grande empenho delas baseado no grandioso ideal, é que foi
possível a criação deste mundo atual, esplêndido e civilizado.
Desta feita, sinto que o homem deveria sentir emoção e profunda
gratidão em relação a esses benefícios recebidos. No entanto,
como a realidade é outra, posso apenas afirmar que se trata de
um fato realmente estranho.

Porém, ao analisar melhor, o que nos causa essa


estranheza é o fato da felicidade, que é a essencial, não ter
acompanhado esse desenvolvimento do mundo. A sua causa,
sem dúvida, está numa grande falha que se encontra em algum
ponto da atual civilização. A respeito disso, Deus esclareceu-me
dizendo que o progresso da civilização atual não ocorreu na sua
totalidade. Apenas uma parte, ou seja, a do campo material, é
que alcançou o desenvolvimento. A outra parte, isto é, a do

10
Rokan – Alicerce do Paraíso

campo espiritual, permaneceu praticamente estagnada. Mas há


uma razão para que isso acontecesse. Na realidade, de acordo
com o Seu Plano, Deus teve que interromper, por um período, o
avanço da cultura espiritual a fim de promover o progresso da
cultura material. Hoje, a cultura material já alcançou o seu estágio
almejado; por isso, agora, objetivando criar um mundo
verdadeiramente civilizado, Deus está fazendo com que a
civilização espiritual dê um grande salto afim de que esta se
desenvolva lado a lado com a cultura material. E a nossa Igreja
foi quem recebeu essa missão. Por isso, em relação às demais
religiões tradicionais, há uma incomparável e grande diferença,
em todos os sentidos.

Dessa maneira, significa, fundamentalmente, acordar com


gritos o ideal espiritual que estava adormecido por longo tempo.
Mas isso não é nada fácil, pois a maioria das pessoas cultas
tiveram suas almas apossadas pela Ciência e, até hoje, veio
ignorando a existência de Deus. Somente uma pessoa
possuidora de poder ultra-prodigioso será capaz de, realmente,
sacudir e despertar as almas adormecidas. Só assim estas terão
condições de confirmar a real existência de Deus. E o milagre é o
único meio para isso e não existe outro. Por isso, os milagres são
abundantes na nossa Igreja. Obviamente, é esse o poder
absoluto que Deus nos concedeu. Assim procedendo, é óbvio
que os ateístas acabarão passando para o lado dos teístas e
entrando na Era da Prosperidade da Cultura Espiritual. Como
conseqüência, a cultura tendenciosa será corrigida e, juntamente
com a concretização do verdadeiro mundo civilizado, serão
solucionados fundamentalmente os três grandes males que
assolam a humanidade: a doença, a pobreza e o conflito. E fui eu
quem foi escolhido e indicado para realizar essa missão. Não sou
eu quem está falando sobre isso, agora, pela primeira vez. Trata-
se de um assunto que, desde antigamente, muitos profetas e
sábios previram, mas que só agora chegou a época certa.
Refere-se a isso, por exemplo, as profecias: “A chegada do
Reino dos Céus”, feita por Cristo; “A vinda do Mundo de Miroku”,

11
Rokan – Alicerce do Paraíso

por Buda; “Pavilhão da Doçura”, pela Igreja Tenrikyo; “O Mundo


de Pinheiros”, pela Igreja Oomotokyo; “Agricultura Justa”, por
Nitiren, e “A vinda do Messias”, pela Igreja Judaica. Porém, há
um fato, a respeito disso, que deve ser observado com atenção.
Todas essas afirmações são meramente profecias e sem
nenhuma possibilidade de realizações. No entanto, como sou eu
quem vai realmente estabelecer o Paraíso Terrestre, sou o seu
realizador e também avalista de cada um dos profetas acima
mencionados. Afirmando assim, as pessoas poderão ficar
deveras surpresas e admiradas, mas devem notar que estou
dizendo isso com toda convicção. Isto porque Deus concedeu-me
toda a inteligência e capacidade necessárias para alcançar esse
objetivo. Além disso, concedeu-me também o poder divino
sobrehumano. E esse poder divino é algo inédito, é uma
experiência em que a humanidade jamais experimentou até hoje;
por isso, acredito que seja impossível imaginar. Atualmente,
estou fazendo uso desse poder livremente e manifestando uma
infinidade de milagres. Portanto, ao ingressar na nossa Igreja,
quem quer que seja, poderá banhar-se imediatamente nesse
evangelho.

Isto é, os doentes gozarão restabelecimentos, os pobres


se tornarão afortunados, os conflitos desaparecerão, a
infelicidade se transformará em felicidade, etc. Assim sendo, fico
comovido ao conscientizar-me quão profunda é a benevolência
divina.

A reunião de indivíduos forma a sociedade, o país e o


mundo; portanto, de acordo com o desenvolvimento da nossa
Igreja, será concretizado aqui o Paraíso Terrestre de paz e
felicidade e, assim, o objetivo de Deus será alcançado. E o limite
disso é a atualidade; por isso, em primeiro lugar, deve-se
conscientizar-se a esse respeito e obter a felicidade. Isso significa
alcançar a glória.

12
Rokan – Alicerce do Paraíso

Portanto, o presente é um livro explicativo, baseado na


inteligência divina, que versa sobre religião e a essência dos
acontecimentos. Trata-se de uma compilação feita entre as
numerosas teses que escrevi até hoje e a seleção realizada pelos
meus discípulos sob a minha orientação. Por se tratar de
esclarecimentos realmente sem precedentes e único, não há nele
sequer um mínimo de erro. Doravante serão produzidas
sucessivamente em grande quantidade, portanto, á medida que
forem acumulando uma certa quantidade, pretendo apresentar
novas publicações.

Em suma, esta é a Bíblia da Igreja Messiânica Mundial;


portanto, sinto que, no futuro, ela deve ser transmitida ao mundo,
de geração após geração, como um livro-tesouro.

Tengoku no Fukuinsho, 25 de agosto de 1954

13
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 /2 ) O QU E É A I G R E J A MESSIÂ NI C A MUNDIA L

Alicerce do Paraiso, Pág.13

A Igreja Messiânica Mundial tem por finalidade construir o


Paraíso Terrestre, criando e difundindo uma civilização religiosa
que se desenvolva lado a lado com o progresso material.

Não há dúvida de que "Paraíso Terrestre" é uma


expressão que se refere ao mundo ideal, onde não existe
doença, pobreza nem conflito. O "Mundo de Miroku", anunciado
por Buda, a chegada do "Reino dos Céus", profetizada por Cristo,
a "Agricultura Justa", proclamada por Nitiren, e o "Pavilhão da
Doçura", idealizado pela Igreja Tenrikyo, têm o mesmo
significado. A diferença é que não se fez indicação de tempo.
Mas eu cheguei à conclusão de que o momento se aproxima. E o
que significa isto? É a hora da "Destruição da Lei", prevista por
Buda, e do "Fim do Mundo" ou "Juízo Final", profetizado por
Cristo.

Seria uma felicidade se o Paraíso Terrestre pudesse ser


estabelecido sem que isso afetasse o homem. Antes, porém, é
indispensável destruir o velho mundo a que pertencemos. Para a
construção do novo edifício, faz-se necessária a demolição do
prédio velho e a limpeza do terreno. Deus poupará o que for
aproveitável - e a seleção será feita por Ele. Eis a razão pela qual
é importante que o homem se torne útil para o mundo vindouro.

Ultrapassar a grande fase de transição significa ser


aprovado no exame divino, e a Fé é o único caminho para
obtermos aprovação. As qualificações para ultrapassar essa fase
são as seguintes:

a) tornar-se um homem verdadeiramente sadio, e não


apenas na aparência;

14
Rokan – Alicerce do Paraíso

b) um homem que se libertou da pobreza;

c) um homem de paz, que odeia o conflito.

Deus resguardará aqueles que tiverem essas três grandes


qualificações e deles se utilizará, como entes preciosos, no
mundo que vai surgir. Certamente não há discordância entre os
desígnios de Deus e os ideais do ser humano. Portanto, haverá
um caminho que permita estabelecer as condições requeridas.
Mas como poderemos obtê-las?

Nossa Igreja tem por objetivo orientar as pessoas e


transmitir-lhes a Graça Divina, possibilitando-lhes criar tais
condições.

Coletânea Assuntos sobre fé, 5 de setembro de 1948

15
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 /3 ) D O U T R I N A DA IGREJ A MESSI Â NIC A MUNDIA L

Alicerce do Paraiso, Pág. 14

Nós, messiânicos, cremos em Deus, Criador do Universo.


Cremos que, desde o início da Criação, Deus objetivou
estabelecer o Céu na Terra e tem atuado continuamente para a
concretização desse objetivo. Com tal propósito, fez do ser
humano o Seu instrumento para servir ao bem-estar da
humanidade, condicionando a ele todas as demais criaturas e
coisas. Cremos, portanto, que a história humana do passado
constitui estágios preparatórios, degraus para se alcançar o Céu
na Terra. Para cada época, Deus envia o Seu mensageiro e as
religiões necessárias, cada qual com sua missão.

Cremos que, no presente, quando o mundo vagueia em


tão caótica situação, Deus enviou o Mestre Meishu Sama,
fundador da Igreja Messiânica Mundial, com a suprema missão
de realizar o Seu sagrado objetivo de salvar toda a humanidade.
Por conseguinte, visando à concretização do Mundo Ideal, de
eterna paz, perfeitamente consubstanciado na Verdade-Bem-
Belo, empenhamo-nos em fazer sempre o melhor, erradicando a
doença, a pobreza e o conflito, as três grandes desgraças que
assolam este mundo.

Jornal Kyussei nº 53, 11 de março de 1950

16
Rokan – Alicerce do Paraíso

CA PÍ T UL O 1 - C A R Á TE R DI V I N O

( R 1 /4 ) S A L V A D O R DO MUNDO

O Pão Nosso de Cada Dia, Pág. 54

O que vem a ser Salvador do Mundo? Sem dúvida, como


as próprias palavras dizem, é o santo e poderoso homem nascido
com a grandiosa missão de salvar o mundo. Na realidade, desde
a criação do gênero humano, ele jamais se manifestou. Gostaria
de transmitir revelações sobre esse fato, e falar, sem subterfúgios
de espécie alguma, a respeito da Obra Divina que estou
realizando.

Vista pelo prisma da humanidade em geral, a atividade de


salvação que eu realizo pode parecer uma ínfima parcela num
milhão. Entretanto, pela situação atual, em que, gradativamente,
dia a dia, mês a mês, aumenta o número de pessoas salvas,
podemos imaginar a grandeza da escala da salvação, no futuro.
Se digo que estou utilizando ativamente as forças invisíveis, as
pessoas da atualidade, que recebem educação materialista,
podem achar minhas palavras extremamente absurdas e me
olhar como um embusteiro, pois lhes é muito difícil e demasiado
utópico acreditar em algo que não podem ver. Tal incredulidade é
compreensível; mas, se o que eu afirmo é uma realidade inegável
e passível de comprovação, o que acontecerá? Creio que essa
revelação provocará um grande impacto.

Através da minha força indireta, transmitida pelos


membros, curam-se doenças graves, consideradas sem
esperança, e as pessoas se recuperam definitivamente, livrando-
se do destino da morte. Há vários exemplos de pessoas que se
tornaram saudáveis e estão ativas. Hoje, já são milhares e
milhares; tantas, que até perdi a conta.

17
Rokan – Alicerce do Paraíso

Desde as eras mais remotas, o homem tem deixado sua


vida à mercê do destino, e é escusado dizer que o avanço da
civilização e o desenvolvimento da Medicina têm sido
considerados, igualmente, como coisas de rumo já traçado.
Considerando, no entanto, que eu tornei exeqüível o
prolongamento da vida humana – desejo máximo do homem –
qual não será o contentamento das pessoas que compreendem e
acreditam nessa realidade? Provavelmente as palavras não
conseguirão exprimir tal contentamento. Contudo, é
compreensível que muitos, ouvindo essa realidade através de
terceiros ou de publicações da nossa Igreja, não consigam
aceitá-la de imediato; alguns talvez achem que é uma
superstição, e outros, um grande embuste. A não ser um
demente, quem não deseja ser feliz? Mas mesmo quem possui
todas as condições para ser feliz, não alcança a felicidade se não
tiver saúde. Cristo disse: “De que adianta o homem ganhar o
mundo todo, se vier a perder a vida?” ou “O que o homem dará
em troca da vida?” Sábias palavras. Realmente, que poderá
haver de mais precioso que a saúde? Toda a felicidade ao longo
da vida, pode-se dizer, resume-se na palavra saúde. Nossas
publicações estão repletas de casos verídicos de salvação. E é
claro que não se trata apenas de doença. Amontoam-se sobre a
minha escrivaninha relatos cheios de gratidão e profunda
emoção, feitos por pessoas salvas de catástrofes nas quais
correram risco de vida, por pessoas que se livraram da pobreza e
por pessoas infelizes que se tornaram felizes.

Através de documentos e vestígios que remontam aos


primórdios da História da humanidade, sabe-se do aparecimento
de grandes religiosos e homens santos, mas não há termos de
comparação entre o que eles realizaram e a obra que eu estou
realizando. Assim, a volta de Cristo, a vinda do Messias, o
nascimento de Miroku, é tudo questão de tempo, pois coisas
absurdas e sem nexo, de realização impossível, não haveriam de
ser profetizadas há centenas ou milhares de anos.
Originariamente, jamais pretendi tornar-me um grande santo ou

18
Rokan – Alicerce do Paraíso

Messias. Nunca pensei em mim nesses termos. No entanto, por


sentir intenso amor pela humanidade desde jovem, eu pensava
muito em me tornar um religioso, para poder salvar amplamente o
mundo. Ingressando no mundo religioso, após atingir certo grau
de aprimoramento, recebi a revelação do Divino Espírito de Deus
e, desde então, com o passar do tempo, vem ocorrendo uma
seqüência de fatos misteriosos. A inesperada mudança do meu
destino não deixou de me surpreender. Realmente, marcho de
milagre para milagre. Exemplificarei com estes fatos: quando
peço algo, esse algo inevitavelmente se realiza; se escrevo num
papel com tinta carvão, as letras se movimentam viva e
livremente no ar. A partir do instante em que esse papel é
dobrado e guardado no peito como proteção, o sentimento se
purifica, começam os milagres e é liberada a força capaz de curar
as pessoas. Gradativamente, as criaturas infelizes passam a
viver em condições favoráveis. Por outro lado, pendurando na
parede o papel manuscrito por mim ou colocando-o em um
quadro, as letras emitem raios de Luz, muitas vezes vistos por
algumas pessoas. Sem dúvida, o lar torna-se alegre, e a colheita,
para os agricultores, torna-se mais farta. A transformação gradual
do lar em Paraíso é um fato verídico, proclamado por inúmeros
membros de forma unânime.

Sendo eu, como acabei de dizer, aquele que tem a missão


de executar a misteriosa Obra Divina, creio ter recebido, na
condição de representante de Deus, a proteção que me permite
cumprir a grandiosa missão de salvar o mundo. Gostaria,
portanto, que, doravante, observassem bem as atividades da
nossa Igreja, para depois fazer dela alvo de críticas. (...)

Noções sobre a I.M.M., 20 de novembro de 1950

19
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 /5 ) L U Z D O O R I E N T E

Luz do Oriente, Vol.I Pág. 29

Creio que a expressão “Luz do Oriente” surgiu há uns dois


mil anos, em determinada parte da Europa, tendo-se propagado
gradativamente a ponto de hoje não existir quem a desconheça.
Até agora, no entanto, por ignorância do seu verdadeiro
significado, ela continua envolvida em mistério. Assim, gostaria
de mostrar o que realmente significa essa expressão.

Indiscutivelmente, “Luz do Oriente” era uma predição


relacionada à minha pessoa. Não haverá quem não se espante
ao tomar conhecimento dessa verdade, e poucas pessoas
conseguirão aceitá-la de imediato. Por isso, tentarei me explicar
melhor, apresentando provas reais do que estou dizendo.

A primeira prova é o local onde nasci e o trajeto das


mudanças que fiz.

Nasci num bairro antigamente denominado Hashiba,


situado em Assakussa, na cidade de Tóquio. O país chamado
Japão, como todos sabem, localiza-se no extremo leste do globo
terrestre; acrescente-se que Tóquio é uma cidade do leste do
Japão. O leste de Tóquio é Assakussa, cujo leste, por sua vez, é
Hashiba, o bairro ao qual me referi há pouco. A leste desse bairro
está o rio Sumida. Assim, Hashiba é realmente o leste do leste;
em termos mundiais, é o extremo leste do mundo.

Aos oito anos, fui morar no bairro de Senzoku, a oeste de


Hashiba; mais ou menos na época em que concluí o curso
primário, mudei-me para o bairro de Naniwa, em Nihon-bashi, e
em seguida, para Tsukiji, em Kyo-bashi; depois fui para os bairros
de Oi e Omori, ambos em Ebara; mais tarde, transferi-me para
Koji e, a seguir, para Tamagawa, onde existe, atualmente, o Solar
da Montanha do Tesouro. Posteriormente, dando um salto bem

20
Rokan – Alicerce do Paraíso

grande, mudei-me para Hakone e Atami, e, agora, para Quioto.


Assim, troquei de residência dez vezes, e dessas mudanças,
excetuando-se o bairro de Koji, nove foram para o oeste.
Naturalmente, daqui em diante a Luz do Oriente avançará cada
vez mais para o oeste; um dia, é óbvio, chegará à China e,
finalmente, à Europa.

Analisando os diferentes aspectos da cultura japonesa até


o presente momento, constatamos que todos eles nasceram no
oeste e foram se expandindo em direção do leste. Entre as
religiões, o budismo, incluindo todas as suas ramificações, o
cristianismo e o xintoísmo - este último, originário do Japão -
nasceram no oeste e foram se propagando para o leste. A
religião budista Nitiren foi a única que nasceu no leste. E isso tem
uma profunda razão de ser. Vejamos.

O budismo, como tenho dito, foi criado para promover a


salvação das criaturas na Era da Noite, isto é, o período em que
o mundo era protegido pela deusa da Lua. Entretanto, como tudo
ocorre primeiramente no Mundo Espiritual, chegando a época
apropriada à mudança para a Era do Dia, iniciou-se naquele
mundo, há setecentos anos, o primeiro estágio do Alvorecer.

Foi por isso que nasceu Nitiren Shonin. Crendo em Buda,


assim que terminou seus primeiros aprimoramentos, ele tomou a
decisão inabalável de se dedicar à divulgação do sutra “Hoke”,
pregado pelo Mestre. Primeiramente foi a Awa, sua terra natal, e,
escalando o Monte Kiyossumi, próximo ao mar, entoou em voz
alta, no momento em que o Sol estava para nascer, as palavras
“Nan-myo-ho-ren-gue-kyo” (1). A partir de então, divulgou para o
mundo o sutra “Hoke” com todas as suas forças, enaltecendo-lhe
os benefícios. Mais tarde, lutou contra inúmeras perseguições,
até que, finalmente, estabeleceu uma seita inabalável como é
hoje a Hoke-kyo (2), que merece todo o nosso respeito.

21
Rokan – Alicerce do Paraíso

Esse grande feito de Nitiren representava o primeiro raio


da Luz do Oriente. Em termos espirituais, podemos dizer que, no
extremo leste do Mundo Espiritual, até então imerso nas trevas,
era um brilho bem fraco e pequeno, o primeiro indício de que o
Sol estava para nascer. Naturalmente, isso não se evidenciava
aos olhos humanos, mas em verdade constituía uma importante
realização Divina no avanço da Grande Providência.

Seiscentos e tantos anos depois, chegada a hora do


Alvorecer, no dia 15 de junho de 1931, levando trinta e poucos
acompanhantes, escalei o Monte Nokoguiri (3), situado em Awa,
onde se localiza o Templo Nihon-ji, e no topo desse monte, em
direção ao céu do leste, entoei uma oração. Na mesma hora,
ocorreu algo misterioso. Ainda não me é permitido revelá-lo, mas
significava a demarcação da mudança da Noite para o Dia,
promovida pela Providência de Deus. O interessante é que o
Monte Kiyossumi fica a leste do Monte Nokoguiri. E, devido à
grande proximidade de ambos, são realmente montes irmãos. E
Nihon, o nome do templo, que significa “Nascente do Sol”,
também está insinuando aquela mudança.

Acima escrevi sobre a afinidade do Japão com o budismo.


Quanto ao confucionismo, à moral, à sinologia, à medicina
chinesa e todas as primeiras expressões da cultura japonesa,
foram importadas da China e da Coréia. Nos últimos tempos, foi
introduzida no país a cultura ocidental, de modo que a maior
parte da sua cultura provém do oeste. Além da Religião Nitiren,
não existia nenhuma outra expressão cultural japonesa que
tivesse nascido no leste.

Mas agora precisamos refletir: se, através dessa cultura


nascida no oeste, se tivesse conseguido formar um mundo ideal
de paz e felicidade, que teria eu para falar? O que vemos,
entretanto, é justamente o contrário. Materialmente, o mundo se
tornou uma civilização magnífica, porém o mais importante, que é
a felicidade humana, não foi alcançado; e o pior é que, segundo

22
Rokan – Alicerce do Paraíso

tudo indica, também não o será, no futuro. Certamente, todos


pensam assim. No entanto, embora o homem contemporâneo
não possua nenhuma esperança e viva uma vida cotidiana sem
objetivos, sentindo uma intranqüilidade inexplicável, a maioria das
pessoas, no íntimo, não cessa de ansiar pela luz da esperança. O
centro desse desejo, na realidade, é a Luz do Oriente.

Como podemos ver, os fundamentos da civilização


seguiram uma trajetória contrária à ordem natural, o que pode ser
muito bem compreendido ao observarmos a Natureza: o Sol e a
Lua despontam no leste e descrevem órbita em direção do oeste.
Sendo esta uma verdade eterna, o que nasce no leste representa
a própria Verdade. Assim, posso afirmar com toda segurança que
as pessoas que acreditarem em minhas palavras, procedendo em
conformidade com elas, conseguirão obter a verdadeira
felicidade. Em resumo: eu purificarei toda a água turva impelida
do oeste para o leste, devolvê-la-ei pura e construirei um mundo
límpido como o cristal.

Jornal Eiko, nº 182,12 de novembro de 1952

23
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 /6 ) E S T A D O DE UNIÃ O CO M DE US

Luz do Oriente, Vol. I Pág. 38

Desde os tempos antigos, muito se tem falado sobre


pessoas que vivem em estado de perfeita união com Deus, mas
eu creio que jamais existiu alguém que realmente tivesse vivido
nesse estado. De fato, os três grandes religiosos - Sakyamuni,
Jesus Cristo e Maomé - pareciam unos com Deus, mas, em
verdade, eram apenas mensageiros da Vontade Divina; em
termos mais claros, eram mensageiros de Deus. Dessa forma,
não se sabia fazer diferença entre uma pessoa em estado de
união com Deus e um mensageiro de Deus.

Os mensageiros de Deus atuam através de encostos ou


seguindo as determinações Divinas. Por isso, sempre rezam a
Deus e pedem Sua proteção. Eu, porém, não faço nada disso.
Como os fiéis sabem, não oro a Deus nem Lhe peço orientação.
Basta que eu aja de acordo com a minha própria vontade, o que
é muito fácil. Visto que poderão estranhar o que estou dizendo,
por ser algo inédito, explanarei apenas os pontos que não
acarretam nenhum problema.

Como sempre digo, há uma Bola de Luz em meu ventre.


Essa Bola é o Espírito de Deus, de modo que Ele mesmo maneja
livremente meus atos, minhas palavras, tudo. Ou seja: em mim
não há distinção entre Deus e o homem. Este é o verdadeiro
Estado de União com Deus. Como o Espírito Divino que habita o
meu ser é o mais elevado, não existindo nenhum deus superior a
este, não faz sentido reverenciar outros deuses. A melhor prova
são os milagres manifestados diariamente pelos fiéis. Ora, se até
os meus discípulos evidenciam milagres que não são inferiores
aos manifestados por Cristo, poder-se-á, através desse único
fato, imaginar a minha hierarquia divina.

24
Rokan – Alicerce do Paraíso

Acrescente-se, ainda, que todos os religiosos existentes


até agora previram a concretização de um mundo paradisíaco,
mas não disseram que seriam eles os construtores desse mundo.
Isto porque seu nível divino era inferior, e seu poder, insuficiente.
Mas eu afirmo que o Paraíso Terrestre, mundo sem doença,
miséria e conflito, será construído por mim. Daqui para a frente,
evidenciarei inúmeras realizações surpreendentes, nunca vistas
até agora, e por isso gostaria de que as observassem com muita
atenção. Surgirão inúmeras ocorrências inconcebíveis em termos
de realização humana.

Jornal Eiko, nº 155, 7 de maio de 1952

25
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 /7 ) U M M I S T É R I O

Tempos atrás, quando eu estava na prisão, aconteceram


diversas coisas misteriosas, mas devido ao fator tempo não
posso publicar tudo; portanto, fazendo com que seja publicado
aos poucos, agora vou escrever apenas um.

Nunca me esqueço: por causa do incidente dessa vez, fui


preso no dia 29 de maio de 1950, e recebi o comunicado de Deus
de que ficaria 18 dias na prisão. E, fazendo as contas, ficaria
preso até o dia 15 de junho. Entretanto, mais ou menos 2 a 3 dias
antes, aconteceu um grande mistério. Esse também só posso
publicar até certo ponto, por isso vou escrever a parte que não
tem problema. Creio que aconteceu no dia 13 de junho. Desde
manhã sentia uma dor de barriga e deixei assim mesmo, a qual,
quando chegou de tarde, toda a parte debaixo da barriga
começou a doer terrivelmente. Pensei que fosse uma peritonite
aguda, porque no meu corpo ainda restam bastantes toxinas de
remédios, e não há dúvida de que esse nódulo é que começou a
se dissolver. Ao ministrar Johrei, ficou mais fácil suportar, mas
ainda continuava uma certa dor esquisita. Normalmente,
ministrando de 20 a 30 minutos de Johrei, fico curado, mas essa
vez passou meio dia, passou um dia e não melhorei; passei a
noite inteira com dor até que amanheceu. Então, não me contive
com esse mistério e perguntei a Deus e Ele me disse que isso
era devido a um grandioso plano, que eu devia ter paciência, não
tinha outro jeito. E também, “É mesmo!” o próximo dia 15 de
junho corresponde exatamente ao 18º dia. Além disso, conforme
consta no meu livro, o primeiro passo do alvorecer do mundo do
dia é o dia 15 de junho de 1931. Sendo assim, não há dúvida de
que existe uma relação, isto é, compreendi claramente que é uma
purificação preparatória para limpar completamente o interior da
barriga.

Além disso, o interessante é que na manhã do dia 14 tive


um sonho maravilhoso com Deus. Quando subi ao topo do Monte

26
Rokan – Alicerce do Paraíso

Fuji, onde é coberto de neve, havia aí uma casa tipo santuário


não muito grande; entrei nessa casa e, ao me sentar para olhar a
paisagem da neve, acordei. Ao mesmo tempo, senti uma emoção
que nunca tinha experimentado. Isso porque, desde tempos
antigos, é considerado de bom agouro sonhar com um desses
três: primeiro - Monte Fuji, segundo - Falcão e terceiro - berinjela,
e como sonhei com o melhor que é o Monte Fuji e consegui subir
até o topo, provavelmente não existe sonho melhor que esse. Até
hoje, com 67 anos, não tinha tido um sonho tão maravilhoso
quanto esse. Por isso, a alegria é transbordante! Por causa disso,
até me esqueci da dor de barriga que ainda restava um pouco.

Finalmente chegou o dia 15 de junho. Logo pela manhã, foi


ficando claro o importante significado do dia de hoje. Como
escrevi anteriormente no meu livro, eu tenho uma Bola de Luz no
meu ventre e as pessoas que leram têm conhecimento disso,
mas até agora não havia espírito nessa Bola de Luz. Entretanto,
hoje, finalmente se alojou o espírito de um Deus de elevada
posição. Isto é, esse espírito nasceu no mundo presente. Daqui
em diante, esse espírito vai crescendo aos poucos e, à medida
que for se tornando adulto, a Bola de Luz vai aos poucos
aumentando o seu brilho, e no futuro chegará a manifestar uma
grandiosa e excelente virtude.

E o engraçado é que no dia seguinte, dia 16, não tinha


fome nenhuma e, quando chegou ao meio-dia, fiquei com
vontade de tomar só leite, então pedi para buscar no fornecedor
e tomei um copo cheio, e esse sabor era excepcional. Nesse
momento, o que pensei afirmativamente é que, como se trata de
um bebê recém-nascido, é natural que queira beber leite, e com
certeza essa é a forma. Por esse motivo, finalmente, chegou o
momento de dar o primeiro passo no grandioso plano divino. Ou
seja, a flor cai e nasce o fruto. O ponto do centro da semente
desse fruto se alojou no ventre, e realmente é um acontecimento
auspicioso desde o início da humanidade. Entretanto, uma
importante Obra Divina como essa sem precedentes, que deveria

27
Rokan – Alicerce do Paraíso

ser felicitada por todos, foi realizada sem nenhum discípulo


dentro de uma triste prisão, o que me fez pensar bastante que
ironia é essa. Até mesmo através desse fato é possível saber
como o desejo de Deus é profundo e misterioso e está acima da
inteligência humana. O restante dessa fase consta no diário de
perseguição religiosa, por isso vou omitir aqui.

Jornal Eiko nº 83, 20 de dezembro de 1950

28
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 /8 ) A R E L A Ç Ã O ENTR E DEU S E EU

Desde a Antigüidade, aconteciam freqüentemente de os


fundadores de seitas, que se auto-denominavam de deuses
encarnados, entrarem em estado de transe a fim de consultarem
a Deus ou tomarem conhecimento da Vontade Divina, e ficavam
a soliloquiar, ou usavam o método de escrita automática, ou
surgiam em suas mentes, etc., que é um método indireto. E é do
conhecimento de todos que esse sempre foi o único método de
comunicação com Deus.

Entretanto, como eu sou uma pessoa completamente


diversa, sendo uma existência inédita no mundo, acho que há
necessidade de escrever sobre isso, de maneira geral.

Também eu tive épocas em que recebia graças através do


método de transe com Deus, mas fora somente em casos muito
importantes. Houve várias ocorrências interessantes; por
exemplo, as vezes que tinha preocupações, ao consultá-Lo, Ele
não dizia nada, ficando somente a gargalhar, e então eu
interpretava: "Ah, sim, não é para me preocupar". E com o passar
dos dias, constatava que era exatamente isso, e então eu
também dava gargalhada. Coisas assim aconteciam
freqüentemente.

E, na época em que eu era membro da seita Oomoto,


manifestava-Se, de vez em quando, um deus chamado
Kunitokotati-no-Mikoto. Lembro-me que Ele possuía elevada
dignidade e inspiração severa. No entanto, quem mais Se
manifestava era o Deus Kannon e era quase que ininterrupto. E o
que eu sentia nessas ocasiões, é óbvio, era uma harmonia
indescritível, e o Seu sentimento transbordante de grande
misericórdia.

Uma coisa interessante que aconteceu, talvez já tenha


escrito antes, mas, certa vez, manifestou-Se um deus chamado

29
Rokan – Alicerce do Paraíso

Izunome Kinryu. Esse deus-dragão havia habitado durante vários


milênios no lago Biwa, à espera do tempo, e finalmente, com a
Sua chegada, encostou-Se em mim, pelo innen. Esse deus é
dragão de nove cabeças, chefe dos oito grandes reis dragões,
que está sendo cultuado popularmente com o nome de ......
Como, pois, ficara durante longo tempo em forma de deus-
dragão, na primeira vez que ele se manifestou, os seus olhos
brilhavam intensamente, a boca, rasgada até os olhos, chifres
enormes sobressaídos nos dois lados da testa, e na parte de
cima das costas, mais ou menos no meio, entre os ombros, havia
uma elevação em forma quadrada; ele soltava rugidos terríveis.
Eu fiquei abismado.

Nessa época, eu ainda não tinha muito conhecimento


espiritual; portanto, não entendia nada do que se passava, mas
em breve compreendi que se tratava de deus-dragão, passando
ele também a falar. Dissera nessa ocasião: "Como eu fiquei
transformado em deus-dragão por muito tempo, não conseguia
usar palavras humanas, mas, pela graça, finalmente estou
podendo usá-las", alegrando-se muito, e, posteriormente contara
muita coisa. Dentre elas, houve várias vezes em que eu ficara
surpreso, ao mesmo tempo cheio de alegria, ao ser-me inteirado
de muita coisa misteriosa e importante.

Como ainda tem muitas coisas, escreverei um dia. O que


eu quero contar aqui é sobre a minha pessoa atual. Já tenho
contado que aconteceu uma Obra Divina imensamente misteriosa
no presídio, na ocasião do incidente em Shizuoka.

Deus, que entrou no meu corpo naquela ocasião, é o


Supremo e Nobilíssimo Deus ......, e pelo Plano Divino dessa
ocasião é que, logo ao sair da prisão, escrevi mil folhas da escrita
"Sanka-Ketsujitsu" (despetalar e frutificar) e doei aos principais
membros.

30
Rokan – Alicerce do Paraíso

Desse momento em diante, entretanto, passei a não mais


necessitar da consulta a Deus como antes. Isto porque, como o
Espírito de Deus encontra-Se dentro do meu corpo, fora
eliminada a separação entre Deus e homem que havia
anteriormente, entrando em estado de comunhão entre Deus e
homem. Isto é Deus e homem ao mesmo tempo, sendo que o
que eu faço é feito diretamente por Deus, bastando-se, assim,
que eu fizesse a minha vontade.

O que eu entendi depois do ocorrido é que o método de


consulta a Deus, como escrevi no início, é a maneira tradicional,
indireta. Entretanto, eu, que entrei nesse estado, não tenho
antecedentes no mundo; desconheço sobre os três grandes
Santos, Shaka, Cristo e Maomé, mas acredito que não foram
relações tão diretas com Deus, tanto quanto eu, pois isso é
inteligível pela observação de inúmeros legados até hoje.

Revista Tijyo Tengoku nº 57, 25 de fevereiro de 1954

31
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 /9 ) - O J U R A M E N T O CO M O FUND A D O R D E C A DA
RELIGIÃ O

Hoje faz exatamente um ano desde o acontecimento do


ano passado, e quando estive preso por 15 dias no presídio do
departamento policial de Ambara, no Estado de Shizuoka,
aconteceram diversas coisas espiritualmente, sobre as quais
pretendo escrever agora. Como sabem, o local, por ser esse
local, não há entrada de pessoas e, desde manhã até a noite,
numa pequena cela de mais ou menos 3 esteiras, sem ter o que
fazer, estava apenas sentado passivamente. Era uma vida quase
igual a um boneco, por isso achei que momentos como esse
eram ideal para o trabalho espiritual, e creio que Deus também
tenha levado a isso, então experimentei diversas coisas
espirituais. Vou escrever alguns casos interessantes.

Primeiramente, chamei os espíritos de fundadores de cada


religião e pessoas sábias dos tempos antigos, até o dia de hoje, e
fiz perguntas e respostas, o que não me deixou ficar com muito
tédio. Dentre eles, vou escrever o que mais me lembro e que é
interessante. Quem vinha sempre era a Sra. Naoko Deguti,
fundadora da religião Oomoto. Quando eu entrei para a religião
Oomoto, ela logo faleceu e por isso não a conheci, mas os fiéis a
reverenciavam como fundadora e naturalmente a respeitavam. O
espírito dela veio e disse várias coisas; realmente era uma
pessoa carinhosa e calorosa e senti uma saudade como se
tivesse encontrado com a mãe afetiva. Foram poucas palavras,
mas no meio delas havia o seguinte: "Você também já passou
por bastante sofrimento, mas logo se tornará grandioso, é preciso
mais um pouco de paciência, te peço. Eu agora, no geral, estou
trabalhando só para subsistência, e quando chegar o tempo,
quero que me salve", foram essas palavras, e eu respondi:
"Compreendi, portanto não se preocupe, farei o possível para
ajudá-la". Incorporei também o espírito do professor Onisaburo
Deguti, mas como a conversa teve assuntos um pouco difíceis de
serem publicados, só vou dizer que o seu espírito se encontrava

32
Rokan – Alicerce do Paraíso

na Encruzilhada de Oito Direções e eu o salvei, elevando-o ao


Terceiro Paraíso, deixando-o muito contente. O espírito da Sra.
Miki Nakayama, fundadora da Tenri-Kyo, também veio e disse:
"Fiquei muito contente de você ter vindo ao mundo e daqui para
frente vou fazer com que os membros da Tenri-kyo
compreendam isso perfeitamente, por isso peço que ajude".
Chamei outras pessoas ilustres de várias localidades, e dentre
elas, vou escrever sobre as mais interessantes e que servirão
principalmente como consulta. O superior da religião Nitiren,
lembrando-se de que eu o salvei há anos atrás, disse, muito
contente: "Durante longo tempo, eu havia caído em tal lugar e
estava sofrendo muito, e graças a você fui colocado num local
confortável, pelo que estou muito agradecido. Vou fazer com que
os fiéis da Nitiren também tomem conhecimento disso, por isso
quero que os salve, peço encarecidamente.” O seguinte a ser
chamado foi o Imperador Meiji e, segundo ele, "dentre a geração
de imperadores, existem muitos que ainda estão sofrendo no
Mundo Espiritual, por isso desejo que os salve". Respondi-lhe
que salvarei o máximo que puder e que poderia então ficar
tranqüilo, ao que o Imperador ficou muito contente. Em seguida,
chamei Cristo, que disse ter reencarnado pela terceira vez, e
agora era o fulano da Itália. Sakyamuni também havia
reencarnado 3 vezes e agora havia reencarnado como o fulano
da Índia. O interessante foi quando chamei o espírito encarnado
de Stálin e falei sobre os diversos pontos que estavam errados no
comunismo, mas ele é muito inflexível e, apesar de chamá-lo 3
vezes, acabou não consentindo e eu também acabei por desistir.
E sobre os incidentes que aconteceram comigo naquela época e
outros casos, perguntei ao Deus X quais eram as causas, e Ele
me disse que, sem dúvida, era um plano de Satanás e que um
grande número de deuses dragões estavam fazendo muitas
pessoas dançarem. Agora não posso escrever detalhes, mas,
sem dúvida, é um dos grandes planos de Deus e compreendi que
possui um significado profundo. Sobre esse assunto, fiz uma
pequena publicação após ter saído do presídio e mais detalhes
pretendo publicar quando chegar o momento apropriado.

33
Rokan – Alicerce do Paraíso

Jornal Eiko nº 118, 22 de agosto de 1951

34
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 10 ) O M O T I V O P E L O Q U A L N Ã O R E V E R E N CI O DEUS

Os membros sabem perfeitamente que eu nunca


reverenciei Deus, e provavelmente nunca houve um caso como
esse com o fundador de qualquer religião. Por esse motivo, creio
que existam pessoas dentre os membros que têm dúvida, por
isso vou escrever aqui. Originariamente, na qualificação divina,
eu me encontro em posição extremamente superior e, como não
existe, nesse mundo, um Deus acima de mim, não há motivo
para reverenciar. Portanto, falando a verdade, todos os 8 milhões
de deuses são meus subalternos. Sendo assim, eu tenho o poder
de salvar qualquer divindade, e ultimamente, no Mundo Espiritual,
começou a aparecer um número incontável de divindades que se
agarram a mim, pedindo perdão pelos seus pecados e, ao
mesmo tempo, demonstram o desejo de ajudar no trabalho da
Messiânica daqui em diante, e eu também desejo salvar o
máximo que puder. Falando uma coisa dessas, podem existir
pessoas que não acreditam absolutamente que uma divindade
possa cometer um pecado a ponto de ter que pedir perdão. Mas
isso é devido ao seguinte: como a verdade estava escondida
durante a Era da Noite, uma coisa praticada pensando-se que era
Bem, na realidade, estava ajudando Satanás, e percebendo isso,
saiu afobado. Isso porque, finalmente, está se aproximando o
momento do Julgamento e, como não se pode perder tempo, é
preciso ser salvo de qualquer forma, o que levou a se apressar
repentinamente. Mas nesse ponto, o homem, como só consegue
enxergar o Mundo Material, está desatento. Desde que se trata
de uma divindade, consegue-dr ver todas as coisas do Mundo
Espiritual, e como tudo acontece primeiro no Mundo Espiritual, é
fácil perceber, e sem nenhum apego tomam essa atitude.
Referente a isso, temos o caso de encosto da Sra. Taga, que
vem sendo publicado, ultimamente, em todos os números da
nossa revista. Dessa forma, poderão compreender como os
espíritos de fundadores de cada religião vêm implorar, um após
outro.

35
Rokan – Alicerce do Paraíso

Mudando de assunto; até mesmo quanto ao plano da


nossa Igreja, tudo corre conforme o meu desejo e rapidamente.
Isso acontece também porque os espíritos renovados de Deus e
Buda trabalham ativamente no Mundo Espiritual, conforme a
ordem do Supremo Deus. Um exemplo disso é que estátuas de
Buda maravilhosas que, ultimamente estavam sendo difíceis de
serem adquiridas, foram conseguidas umas após as outras, e
isso também porque os fundadores e bonzos de nível elevado
trabalharam no Mundo Espiritual, preparando os meios para esse
fim. Acontece o mesmo com os objetos de arte, além dos objetos
do Budismo; o espírito dos criadores e donos trabalham de modo
a serem adquiridos por mim, o que acho ótimo, mas tem um
ponto difícil de se lidar: a época em que esses espíritos viveram
no mundo. A concepção econômica não era necessária e, não
percebendo que hoje é totalmente diferente, pensam que é só
enviar os objetos, por isso eu, que sou uma pessoa do mundo
atual, preciso de muito dinheiro para conseguir adquiri-los. E,
portanto, estou sempre soltando gritos de alegria.

Preciso escrever mais uma coisa sobre a manifestação da


minha personalidade divina e, como todos sabem, o maravilhoso
poder de curar a doença. Nem é preciso dizer que só de colocar
no peito a palavra Luz, milhares e milhões de pessoas são
salvas, e também, quando deparados com a morte, por causa de
algum perigo, num local a cem, mil metros de distância, acontece
o milagre de ser salvo apenas com a minha oração.

A construção do Paraíso Terrestre em Hakone e Atami no


presente, os inúmeros milagres ocorridos até hoje e, também, a
construção de Heiam-kyo em Quioto, ultrapassou as difíceis
condições iniciais, e mesmo pensando que foi adquirido em curto
espaço de tempo com facilidade, só posso ficar admirado. Além
disso, a localização desse terreno, o ambiente, soube
ultimamente que é o melhor de Quioto e fiquei impressionado.
Sem dúvida que não procurei um local assim desde o início; ficou
dessa forma naturalmente. Então, como podem ver, desde o

36
Rokan – Alicerce do Paraíso

início quando Deus construiu o Globo Terrestre, no mundo inteiro,


em todos os cantos, preparou o aparecimento da Igreja
Messiânica e não existe o mínimo de dúvida nisso. Dessa forma,
escrevi tudo o que veio à minha mente, e como parece muita
presunção, é difícil escrever, mas é preciso ficar sabendo, pois o
plano que vai vir daqui para frente é extremamente sério e creio
que terão coisas que nem imaginam, por isso estou escrevendo
afim de que tenham previamente uma noção geral.

Revista Tijyo Tengoku nº 43, 25 de dezembro de 1952

37
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 11 ) K A N Z E O N B O S S A TS U E EU

Todos estão querendo saber sobre a afinidade existente


entre Kanzeon Bossatsu e eu, portanto vou expor aqui. Nunca me
esqueço, foi no ano 8 da Era Taisho quando iniciei minha fé na
religião Oomoto e, devido à certa circunstância, passei 4 a 5 anos
afastardo. Depois de 13 anos, após ter retornado à fé, quando se
passou mais ou menos meio ano, apareceu uma pessoa dizendo
que queria ouvir sobre a religião Oomoto, que na época estava
em moda. Em meio à discussão de vários assuntos, essa pessoa
(fabricante de mapas) olhando atentamente o meu rosto,
perguntou: "Existe alguma relação entre a religião Oomoto e
Kannon?" Ao lhe responder “Não, a religião Oomoto é do
Xintoísmo e Kannon é do Budismo, por isso não tem nenhuma
relação", essa pessoa disse: "Mas, sentado ao seu lado direito,
vejo um Kannon de grande porte". Essa pessoa teve uma visão
espiritual nesse momento. Vou explicar rapidamente aqui sobre a
visão espiritual: Certas pessoas têm percepção espiritual, poder
espiritual além dos cinco sentidos. Esse tipo de pessoa consegue
ver o espírito do Mundo Espiritual. Subentende-se que essa
pessoa também tinha o poder de ver espíritos e por isso viu
Kannon. E essa pessoa continuou a falar: "Quando o sr. se
levantou para ir ao banheiro, o Deus Kannon o seguiu e, quando
o sr. se sentou, o Deus Kannon também Se sentou ao mesmo
tempo". E, perguntando detalhes, ele disse: "O Deus Kannon
estava com os olhos fechados e o Seu rosto e o Seu corpo eram
iguais aos de pinturas e esculturas". Depois disso, ouvi dizer que,
quando essa pessoa pensava em ir à minha casa, via,
repentinamente diante de seus olhos, o Deus Kannon, e eu
também achei muito estranho. Até então eu nunca tinha pensado
em seguir a fé Kannon. Mas, como houve esse incidente, eu
pensei: “Não há dúvida de que devo ter alguma afinidade com
Kannon". Depois disso, aconteceram, seguidamente, diversas
coisas estranhas. Certa vez, uma pessoa, membro da religião
Oomoto, me disse: “Em cima de sua cabeça vejo um
redemoinho; nesse centro está o Deus Kannon e nas costas o

38
Rokan – Alicerce do Paraíso

sinal da cruz". Não entendi muito bem o significado disso, mas


depois recebi uma grande pressão religiosa e caí no mais pro-
fundo sofrimento; então, pela primeira vez, entendi que,
exatamente igual àquela visão espiritual, eu havia sido colocado
no centro do redemoinho e cheguei ao destino de carregar o
crucifixo. Depois de passado algum tempo, incorporei divindades
por um período de 3 meses. Durante esse período, incorporei
diversos deuses e budas, e dentre eles incorporei o Deus
Izunomê, que é a forma verdadeira de Kannon e que me ensinou
a minha missão. Essa missão é que Kannon, utilizando o meu
corpo, fará realizar a grandiosa Obra de Salvação da humanidade
e que, há dois mil e seiscentos anos atrás, na época do
nascimento de Sakyamuni, eu morei na montanha Hodaraka,
Índia, como Kan-Jizai Bossatsu, e preguei o Caminho da
Salvação. Revelou-me, assim, diversos tipos de afinidades, as
quais são profundamente interessantes e, quando chegar a hora
certa, pretendo contar. Agora vou escrever apenas um fato
interessante sobre o deus dragão dourado, que é o Espírito
Guardião de Kanzeon Bossatsu.

Nunca me esqueço, foi em abril de 1929, quando eu


devotava uma fé fervorosa na religião Oomoto. Creio que foi no
dia 19 de abril, quando se realizou o Culto da Primavera, uma
das atividades anuais da religião Oomoto, em Ayabe, Kameoka.
No local de nascimento do Líder Espiritual da mesma relígião,
Onisaburo Deguti, em Arata Ari, província de Sokabe, realizou-se
um Culto no Templo Obata, onde o príncipe real do Imperador
Shobu era a celebração divina. Pensando em participar dessa
liturgia, aluguei um carro, pois são mais ou menos 8 km de
Kameoka, e no instante em que ia sair com uma pessoa
chamada Nobutomo Kamimamori, um nome parecido com o de
um talismã, chegou a Sra. Watari Shiga, nessa época membro do
congresso de Seiyu-Kai, que acabara de chegar do Estado de
Saitama e, como pediu que a levasse junto, disse-lhe que chegou
bem na hora; assim, entramos no carro e partimos. Nesse
momento, me pareceu que o sobrenome Shiga tinha um certo

39
Rokan – Alicerce do Paraíso

mistério. “Ah, outra denominação do Lago Biwa é Lago Shiga; a


denominação Estado de Shiga também tem essa origem”; pensei:
“Com o sobrenome acontece o mesmo. Sendo assim, creio que
deve haver alguma relação entre o Lago Biwa e o Culto de hoje.”

O Mestre Deguti, assim que terminou a liturgia,


rapidamente se dirigiu ao Lago Biwa. Nessa época, próximo ao
lago, havia um restaurante famoso, o qual esqueci o nome. Ele
havia se dirigido a esse restaurante. Sem dúvida que era porque
o dono era fiel da religião Oomoto, e mais tarde ouvi dizer que, no
dia seguinte, dia 20, o Mestre Deguti, devendo pegar o caminho
da volta, escreveu a seguinte palavra, no momento de sua
partida: "Uma onda brava e gigantesca subirá ao céu". E como
num mistério, no dia 21, em cima do Lago Biwa, aconteceu uma
tempestade onde 47 navios pesqueiros afundaram, e por ser um
fato raro foi publicado em cada jornal da época. Falando sobre o
porquê disso, segundo a Revelação Divina, o Espírito Guardião
de Kanzeon Bossatsu, o Deus Dragão Dourado, se encontrava
no fundo do mesmo lago durante mais ou menos milhares de
anos e, chegando a hora de subir ao céu, o Dragão Vermelho,
que estava olhando (consta na Bíblia que Satanás era um Dragão
Vermelho) temia a aparição do Dragão Dourado. Ao tomar
conhecimento disso, tratou de voar apressadamente para impedir
o Dragão Dourado, e no céu acima do lago travaram uma grande
luta, mas finalmente o Dragão Vermelhor foi vencido e fugiu para
o norte; essa luta se transformou na tempestade. Depois disso,
passado um mês, (naquela época a minha residência era em Ota,
Tóquio, na época Hakkeien, Omori), mais ou menos ao meio-dia,
no céu acima de minha casa ecoou-se uma forte trovoada e, a
partir desse momento, o Deus Dragão Dourado passou a ser o
meu Espírito Guardião.

Depois, passados três anos, na primavera de 1932, o dia e


o mês me esqueci, mas, repentinamente, veio à minha procura
um jovem desconhecido, membro da religião Oomoto, que disse:
"Hoje, dentro da religião Oomoto, por sua causa, está ocorrendo

40
Rokan – Alicerce do Paraíso

um grande problema. O motivo disso é que você está fabricando


os talismãs, de máxima importância dentro da Oomoto, e os está
distribuindo aos fiéis, e isso constitui um grande desrespeito a
Deus. Um simples membro fazer isso é uma insolência. Não se
pode deixar vivo um herético desses, por isso, para o bem da
Entidade Oomoto, darei a pena de morte para o rebelde. Se não
parar, vou sacrificar um corpo e vou ganhar a sua vida", dizendo
isso, tirou do bolso uma pequena faca e a enfincou na esteira.
Olhando bem, o seu rosto, até o pescoço, estava tingido de
vermelho, o que não se vê numa pessoa comum; nos olhos o
sangue corria ofuscantemente. Tive uma intuição. “Ah, o Dragão
Vermelho encostou nesse jovem e veio para me derrubar",
pensei. Finalmente o Dragão Vermelho, usando o homem, veio
decidir a vitória ou derrota em relação ao Dragão Dourado. "Muito
bem, será terrível se perder para Satanás”, firmei meu
pensamento e recusei terminantemente a proposta dele. Então, a
cor de seu rosto mudou num piscar de olhos e, no momento em
que pensava partir para a ação, debruçou-se repentinamente e a
gemer de dor ao mesmo tempo. Ao lhe perguntar, ele disse:
“Não agüento de dor na barriga". "Então deite que eu vou curá-
lo”; falando assim, comecei a ministrar Johrei e ele logo
melhorou. Depois disso, sua atitude mudou, ficou mais calmo e,
ao mesmo tempo, me pediu para que o acompanhasse à Sede
da Religião Oomoto que fica em Kameoka, Quioto, para uma
entrevista com o Mestre Deguti e eu também aceitei de bom
grado, e na manhã seguinte partimos para Kameoka. Como eu
havia dito que os talismãs eram com a autorização do Mestre
Deguti, ele ia para se certificar disso. Imediatamente se
encontrou com o Mestre Deguti. Ele disse: "Até mesmo eu não
tenho permissão de fabricar os talismãs. Isso só a Terceira Líder
(essa senhora é a filha mais velha do Mestre Deguti e os
membros a tratam como Terceira Líder) é que tem a permissão
de Deus, por isso os membros não podem fabricar, mas o Sr.
Okada é uma pessoa especial, por isso disse-lhe para fabricar
sem chamar muito a atenção", diante dessas palavras, ele não

41
Rokan – Alicerce do Paraíso

teve outro jeito a não ser se calar naturalmente, e com isso esse
problema ficou solucionado.

Coletânea Série Jikan volume 4, 05 de outubro de 1949

42
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 12 ) A M I N H A CON FI S S Ã O

Sempre me falam a mesma coisa: "É de se imaginar que o


Grão-Mestre era muito fervoroso na fé Kannon". Essa forma de
indagação era muito convencional. Esse tipo de imaginação era
também da maioria dos membros. E o que não dizer de terceiros.
Entretanto, é impressionante como eu não tinha fé em Kannon.
Só sentia uma certa simpatia pela beleza de Sua feição e
harmoniosa figura, e a idéia fixa e sem discriminação com que
era cultuada em qualquer religião. Entretanto, como escrevi no
início do texto anterior, ao saber que o espírito de Kannon estava
sempre perto de mim, fiquei impressionado e, ao mesmo tempo,
tendo esse momento como oportunidade, começaram a
acontecer os milagres relacionados com Kannon. Mais tarde
publicarei esses milagres, mas por esse motivo, fiquei sabendo
que a verdadeira identidade de Kannon é o Deus Izunomê, e
quando chegar o momento certo – Kanzeon Bossatsu havia Se
transformado por um certo período de tempo para realizar a
Salvação – Ele retornará à Sua posição originária. E desde o
início da Era Showa, Kannon sempre encostava em meu corpo e
me ensinava diversas coisas, dava ordens, comandava
livremente o meu corpo. Utilizava o meu corpo como instrumento
e realizava a salvação de todo povo.

Dessa forma, não foi professando a fé em Kannon que as


coisas ficaram como estão hoje. É Kannon que realmente me
utiliza como Seu instrumento. Por esse motivo, pode dizer-se que
estou no lugar de Kannon. Além disso, o chefe chamado Kannon
me utiliza à Sua vontade e, portanto, eu não tenho nenhuma
liberdade. Se bem que a força e a sabedoria estranhas que
Kannon manifesta são livres e desimpedidas, e nesse ponto,
então, é diferente. Resumindo, quer dizer que tenho menos
liberdade que uma pessoa comum, mas tenho uma liberdade
maior do que uma pessoa comum. Esse estado de espírito é
muito difícil de explicar. Isso porque uma pessoa comum não
consegue nem sequer imaginar. Mais uma coisa em que sou

43
Rokan – Alicerce do Paraíso

diferente é que, desde antigamente, os fundadores e santos


tinham a tendência de mistificar todas as coisas. Provavelmente
quase não existiram exemplos de terem explanado abertamente
o seu estado de espírito. Fazendo-se dessa forma, pode-se
pensar que tem mais valor. Porém, eu não gosto desse
procedimento. Existe também a relação da época. Hoje em dia,
até mesmo Deus e a fé, se não forem investigados
cientificamente, não são reconhecidos. São pessoas dessa
natureza de inteligência que estão comandando atualmente a
sociedade, por isso é muito difícil fazer o povo em geral
compreender através de coisas ocultas e misteriosas. Kannon
também levou isso em consideração e por isso optou pelo meu
método.

Relacionado a isso, existe o seguinte fato interessante:


numa época não muito remota, houve pessoas que declararam
que iam esmagar a nossa Igreja por causa de um objetivo,
utilizando esse e aquele meio. E também havia pessoas que
vinham me avisar constantemente sobre isso. Toda vez que isso
acontecia, eu não conseguia parar de rir. Isso porque querer
brigar com Kannon é realmente muita coragem, ou imprudência,
ou burrice; não tenho palavras para criticar. Teve uma vez que
disse ao seu mensageiro: "Faça livremente o que quiser, estarei
apreciando como um espectador".

E também tinha um número incontável de pessoas que


carregavam diversos sentimentos de intrigas e diversos tipos de
idéias erradas em relação à nossa Igreja. Hoje diminuiu bastante,
mas como houve uma época em que a nossa Igreja estava sendo
difundida rapidamente dentro da sociedade, vinham diversas
pessoas tanto do bem quanto do mal, a ponto de importunarem, e
o fato de ter sido totalmente confuso foi também um fenômeno de
transição inevitável. Entretanto, eu, que havia sido colocado
dentro desse redemoinho, estava sempre com o sentimento
tranqüilo. O motivo disso é porque eu tinha um profundo interesse
em saber de que forma Kannon iria solucionar cada um deles.

44
Rokan – Alicerce do Paraíso

Mais uma coisa interessante é que Kannon avisava com


antecedência e de diversas formas sobre a situação do mundo, o
andamento da sociedade, o destino de cada pessoa e as coisas
necessárias. Poderei publicar o conteúdo de alguns deles, mas
isso também não pode ser dito abertamente. Isso porque é sobre
as coisas relacionadas à política, coisas sobre pessoas
importantes do mundo, calamidades naturais, destino das
religiões já existentes, e porque existe a preocupação de gerar
diversos equívocos.

Ainda quero escrever muitas coisas, mas vou encerrar


esse assunto por aqui.

Coletânea Série Jikan volume 4, 05 de outubro de 1949

45
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 13 ) F O T O G R A F I A E S P I R I T U AL

Já escrevi anteriormente que o dia do solstício da


primavera, dia 4 de fevereiro de 1928, é um dia comemorativo
onde abandonei todo o trabalho a que estava submetido e entrei
para a vida religiosa. Sem dúvida que compreendi a minha
missão através da Revelação Divina e, através de inúmeros
milagres, adquiri convicção, por isso não tive outra alternativa a
não ser me dedicar de corpo e alma. A partir desse momento, dia
1º de maio de 1949, aluguei uma pequena casa na cidade de
Hiragawa, Tóquio, e durante 6 anos e 3 meses, até dar início ao
Centro de Tratamento Popular, realizei diversas pesquisas
espirituais e, ao mesmo tempo, apreendi a realidade dos Três
Mundos, o Mundo Divino, o Mundo Oculto e o Mundo Material, e
através da grandiosa descoberta sobre a saúde e a doença do
homem, adquiri a convicção de que somente o tratamento
espiritual é o método absoluto para a concretização de um
mundo isento de doenças. Nesse ano, aconteceu um grande
milagre. Vou escrevê-lo. Nunca me esqueço, foi nesse ano, no
dia 11 de outubro, que veio pela primeira vez um homem se
apresentando com o nome de Higashi Mitsuo. Fiquei interessado
pelo ideograma de seu nome e resolvi recebê-lo. Sua conversa
foi o seguinte: “Há aproximadamente 20 anos atrás, viajei pelo
território chinês. Me tornei membro da Miti-oshie, religião antiga e
poderosa da China e, certa vez, recebi uma Incorporação Divina.
Nesse momento, suas palavras foram as seguintes: “Daqui a 20
anos, aparecerá no Japão uma pessoa com o Poder Kannon".
Depois disso, retornei ao Japão acreditando nessa Revelação
Divina e estava casualmente à espera, quando me disse que,
nessa primavera, já havia aparecido a pessoa com o Poder
Kannon na direção leste da minha casa. Como a minha casa é
em Shibuya, a direção leste é de Akassaka até Koji, e estava à
procura; coincidentemente, tenho um conhecido em Koji e, ao lhe
falar sobre o assunto, elo me disse que, ultimamente, apareceu
uma pessoa em Hiragawa que curava doenças com o Poder
Kannon e que eu fosse procurar, então vim”. Ao ouvir isso, eu

46
Rokan – Alicerce do Paraíso

disse: “Creio tratar-se de minha pessoa", e conversamos duas a


três horas, principalmente sobre assuntos religiosos; na hora de ir
embora, me pediu para deixar tirar uma foto. Ao consentir, disse-
me: "Sente-se no tokonoma”; sentei-me, e a foto foi tirada. No dia
seguinte, trouxe-a, dizendo: "Olhe que foto interessante que
ficou". Ao olhar, eu também me assustei. Do lado da minha
barriga, saía algo como uma fumaça de cor branca em forma de
jato que chegava perto do teto e, a uns 60 cm acima da cabeça,
via-se a figura de Kannon de Mil Braços. Arregalei os olhos com
tanto mistério. Ontem, quando tirei a foto, tive um pressentimento
de que alguma coisa estranha se refletiria, mas nunca imaginei
que Kannon sairia na foto. Olhando bem, trata-se de um
esplêndido quadro. Não há dúvida de que, ao queimar o
magnésio de uma certa pintura existente em algum lugar,
ultrapassou o espaço e se manifestou numa pintura relâmpago.
Até então, tinha visto diversas fotos espirituais, tanto do exterior
como do Japão, mas a maioria delas era de espíritos de pessoas
mortas, e do estrangeiro vi a foto tirada de Cristo, mas esse dava
para perceber claramente que era armação. Além dessas, não
tinha visto nenhuma foto espiritual importante. Entretanto, como é
maravilhosa a minha foto espiritual! E não é apenas isso; num
instante, fazer aparecer na foto uma pintura que se encontra
distante, essa força misteriosa, se não se tratar do Poder
Kannon, o que poderá ser? Quando penso na esplendorosidade
desse Poder Kannon, não consigo sequer imaginar que força
agora ela irá manifestar. Será que sou o abençoado? Fiquei
embevecido com o sentimento de esperança que brota
involuntariamente.

Depois disso, curei a doença de uma senhora que morava


em certo lugar de Akassaka, que de tanta emoção construiu no 3º
andar um aposento de 6 esteiras para Kannon. Ela colocou nesse
aposento a imagem de Kannon que eu pintei e diversas
caligrafias que escrevi. Eu também fiquei muito contente com o
sentimento de gratidão dessa senhora. Quando esse aposento
estava prestes a ficar pronto, tive uma vontade ínexplicável de

47
Rokan – Alicerce do Paraíso

pintar a Imagem de Kannon de Mil Braços. Preparei um papel de


1,50m de largura por 1,80m de comprimento e comecei a
composição. Porém, o aposento em que eu ia fazer a pintura
tinha 4 esteiras de comprimento e achei que era apertado. Não
tinha outro aposento adequado. A senhora percebeu isso e disse:
“O que o senhor acha de pintar no aposento de Kannon que ficou
pronto no 3º andar da minha casa?” Respondi-lhe que seria ótimo
e assim fiquei de usar o pincel nesse aposento de Kannon.

Aconteceu quando eu havia terminado exatamente um


terço da pintura. O marido dessa senhora é um beberrão e, numa
noite em que voltou muito bêbado, não sei o que pensou, cortou
com a faca, em mil pedacinhos, a pintura de Kannon que eu
começara a pintar. Me comunicaram esse fato por telefone e, ao
ir ver, realmente, tamanha crueldade, por um momento fiquei
estupefato com vontade de chorar. Nessa hora, o que me passou
pela cabeça foi a foto espiritual de Kannon de Mil Braços que
tinha ficado pronta há 2 ou 3 dias atrás. E, pensando bem sobre
isso, não há dúvida de que Kannon mostrou, através da foto
espiritual, que "deve fazer dessa forma, o primeiro não serve". Se
for assim, quem cortou foi Kannon. “É mesmo”, pensei, “é
preciso, ao contrário, agradecer.” Imediatamente pintei um novo,
e que é aquele Kannon de Mil Braços que se encontra na Sede
de Odawara da Igreja Miroku, que também é utilizado como
Imagem do Oratório Budista. E possui três pontos diferentes da
Imagem anterior. Na anterior, o círculo de Luz era em volta
apenas do rosto, mas passou a ser em volta do corpo todo; o
primeiro tinha cabelo, mas esse não tem, é uma imagem jovem; e
a primeira estava em cima de uma nuvem e essa está em cima
de uma rocha, ou seja, o primeiro ponto é que o círculo de Luz se
tornou maior, o segundo ponto é que se tornou mais jovem, e o
terceiro ponto é que desceu das nuvens para fazer a Obra de
Salvação na Terra; achei tudo muito lógico.

Dez dias depois de ter tirado aquela foto espiritual, dia 21


de outubro, saiu também outra foto espiritual maravilhosa. Nesse

48
Rokan – Alicerce do Paraíso

dia, queriam fazer o Culto de Entronização da Imagem de


Kannon e fui convidado ao 3º andar, no aposento de Kannon.
Tinha o pressentimento de que iria sair uma foto espiritual, então
pedi ao Mitsuo Higashi que fotografasse. Dessa vez, também ele
pediu que sentasse no tokonoma e queria que colocasse um
queimador de incenso em frente, mas como não tinha, colocou
um vaso branco e baixo no lugar. Me pediu para sentar ereto e
unir as mãos em prece, e assim o fiz. A foto espiritual que foi
fotografada nesse momento pode-se dizer que foi a primeira e
última; o aposento estava obscuro e no centro aparece um círculo
de Luz brilhante com uma forte cor branca, e no centro desse
círculo de Luz aparece o meu rosto de leve e se vê também as
mãos unidas. A almofada e o vaso, apesar dos músculos,
aparecem nitidamente, mas, além disso, nada mais aparece.
Nessa hora, refletiu uma poderosa onda de Luz desse círculo e
invadiu todo o aposento; devido a isso, os objetos não
apareceram. Para que não houvesse suspeitas desse momento,
coloquei 7 a 8 pessoas como testemunhas no aposento. Isso
porque, na foto espiritual anterior, só tinha uma testemunha, que
era aquela senhora. Nessa noite, foi tirada mais uma foto
espiritual. Como eu tinha muito sono, coloquei o meu rosto virado
para baixo em cima da mesa que estava na minha frente e dormi.
Aí, o Mitsuo Higashi bateu duas vezes com o flash e, como eu
não me mexia, fotografou com a luz da lâmpada. Ao olhar a que
ficou pronta, se assustou. Como eu estava com o rosto para
baixo, só a cabeça saiu na foto. Porém, em cima da cabeça,
havia um Deus Dragão com o pescoço levantado, seu corpo
estava enrolado em espiral e era bem comprido. Do corpo do
Deus Dragão, eram emitidos diversos fachos de Luz. Contando,
davam 5 fachos de luz e, como eram de cor dourada, não havia
dúvida de que se tratava do Dragão Dourado. Pode-se dizer que
é a prova de que o Dragão Dourado é o meu Espírito Guardião.
Vou escrever agora um pouco sobre o Mitsuo Higashi. Ele, de
vez em quando, incorpora divindades com tranqüilidade. Nessa
hora, ele fecha os olhos e parece estar fazendo perguntas e
respostas sozinho. De vez em quando, parece ter inspirações.

49
Rokan – Alicerce do Paraíso

Numa dessas, vezes ele me disse: “O Deus Dragão o está


protegendo. Digo isso porque, todas as vezes que tenho um
encontro com o Mestre, infalivelmente cai uma chuva fina. Essa é
uma prova de que o Deus Dragão está protegendo. Hoje, agora
há pouco, também começou a chover e bati a foto pensando que,
com certeza, o Deus Dragão apareceria na foto”, ao que eu
concordei.

A foto espiritual que se encontra no início deste livro é


dentre os três tipos o Kannon de Mil Braços.

Coletânea Série Jikan volume 4, 05 de outubro de 1949

50
Rokan – Alicerce do Paraíso

(R1/14) O QUE É O PODER KANNON

Desde tempos remotos, ouve-se falar em poder misterioso


ou Poder Kannon. Sem dúvida que o poder misterioso está
incluído no Poder Kannon. No mundo, não existem os termos
Poder Amida, Poder Sakyamuni ou Poder Tatsumaro; somente
Kanzeon Bossatsu é que promoveu esse poder, o que é estranho
e, ao mesmo tempo, deve haver algum motivo. Sobre isso, não
existe nenhuma literatura e também nenhuma tradição. Desde
antes que tenho dúvidas relacionadas a esse fato e, conforme
minha fé foi progredindo, passei realmente a compreender com
clareza e por isso vou explicar.

Quanto a esse fato, existe ainda uma dúvida. Me


perguntam sempre se Kanzeon Bossatsu é do sexo masculino ou
do sexo feminino, e isso também possui uma relação íntima e
inseparável com o Poder Kannon, e na realidade Kanzeon é
masculino e feminino, isto é, possui os dois sexos.

O sexo masculino é positivo, o sexo feminino é negativo e,


desde antigamente, qualquer pessoa sabe disso. Se formos
dividir em fogo e água; o masculino representa o fogo e o
feminino a água; o fogo arde na vertical e a água corre na
horizontal. Até hoje, o horizontal e o vertical não estavam unidos
verdadeiramente. E, finalmente, agora chegou o momento de se
unirem. Isso quer dizer que o mundo da noite passará para o
mundo do dia como sempre venho pregando, ou seja, serão
unidos na forma da cruz.

E, também, a luz é a união intrínseca do fogo com a água


e, quanto maior a quantidade da essência do fogo, mais aumenta
a intensidade da luz. Segundo essa teoria, no mundo do dia
aumenta a quantidade da essência do fogo e, por isso, a luz se
intensifica. E é por isso que o trabalho de Kanzeon Bossatsu se
manifesta como Komyo-Nyorai.

51
Rokan – Alicerce do Paraíso

Em seguida, o ponto mais importante é que, através da


união do vertical e horizontal, nasce a verdadeira força. O
ideograma tikara (força, poder) é escrito da seguinte forma: une-
se o traço da vertical com o traço horizontal e a ponta dessa
curva espirra. Isso significa que, através dessa união, origina-se a
força centrípeta de movimento da esquerda para a direita, e
realmente faz pensar sobre o significado profundo da palavra.
Dessa forma, somente Kanzeon Bossatsu possui as duas
características, horizontal e vertical, e como a força nasce através
da união do vertical com o horizontal, eis o motivo de ser
empregada principalmente a palavra Poder Kannon.

Vou escrever mais um fato importante. Em seguida ao


trabalho de Komyo-Nyorai, irá fazer as atividades de Miroku.
Como falei anteriormente, a luz é fogo e água e, se a terra lhe for
acrescentada, obtém-se a ação do fogo, água e terra.
Originariamente, com o fogo e a água tem-se apenas a ação do
espírito, sem o corpo, mas ao lhe acrescentar o elemento terra,
pela primeira vez é manifestada a força da trilogia dos elementos
fogo, água e terra; essa é a Bola de Luz Cintamani. E, também, o
fogo representa o número 5, a água o número 6 e a terra o
número 7 e, juntando-se esses números, lê-se Miroku. Na
profecia de Sakyamuni, consta que daqui a 5.670.000.000 de
anos se iniciará o Mundo Paradisíaco que deve ser chamado de
Mundo de Miroku, e se o número 5, 6, 7 não se refere ao
aparecimento de um mundo com a ordem correta dos elementos
fogo, água e terra, o que será? Por mais que se diga que
Sakyamuni foi um grande profeta, não haveria motivo para prever
o futuro com um número astronômico como o de 5.670.000.000
de anos. Isso porque não possui nenhum significado. Em primeiro
lugar, o valor da profecia está em conformidade com a realidade
em mais ou menos alguns mil anos. Creio que o número de anos
mais adequado é a profecia de Cristo de 2.000 anos.

A profecia de Kanzeon Bossatsu de 5,670 bilhões de anos


se refere a Ooshin Miroku, e o fato de ser Oshin Miroku é como

52
Rokan – Alicerce do Paraíso

consta na tese budista, e doravante haverá coisas nas


diversificadas ações de Ooshin Miroku que deveremos olhar com
aguçado interesse.

E também a soma entre si dos números 5, 6, 7 e dos


números 3, 6, 9 tem como resultado o número 18. O 10 é
unificação e o 8 é progresso. Desde antigamente, está
determinado que o corpo verdadeiro de Kanzeon Bossatsu possui
a oitava parte de ouro e o templo possui 18 partes e 4 faces; tudo
isso faz pensar num profundo significado.

Coletânea Série Jikan volume 12, 30 de janeiro de 1950

53
Rokan – Alicerce do Paraíso

(R1/15) MINHA LUZ

A outra face da doença, pág.141

Escrevi, sobre o budismo, muitas coisas que ninguém até


hoje havia explicado. Os leitores talvez se surpreendam, mas
todo o meu conhecimento eu o obtive através da Revelação
Divina. São revelações que não tinham sido feitas até agora
devido ao fator tempo. Ainda não se havia chegado ao grande
marco de épocas que é a Transição da Noite para o Dia, ou seja,
o desparecimento do prolongado mundo das trevas para dar
lugar a um mundo esplendoroso de luz solar. Entretanto, embora
fosse um mundo de trevas, podia-se enxergar alguma coisa, pois
existia a luz da Lua, e o homem se contentava com esse pouco.
Essa luz eram os Ensinamentos da aparente verdade da Lua, isto
é, o budismo.

As coisas não podiam ser enxergadas nitidamente porque


a intensidade da luz da Lua é cerca de 1 /60 da luz solar. Durante
a noite, é óbvio que nada se enxergava direito, inclusive as
religiões; por isso, os homens estavam desorientados e não
obtinham a verdadeira tranqüilidade. Com a chegada do dia, sob
a luz solar, tudo sobre a face da Terra ficará visível e não existirá
mais dúvida alguma. Assim, cabendo a mim a missão de criar a
Civilização do Dia, é lógico que eu tenha conhecimento de tudo.

Vou aprofundar a relação que existe entre minha pessoa e


o Mundo do Dia.

Meu corpo abriga a bola de Luz Divina conhecida desde a


Antigüidade pela expressão CINTAMANI (palavra sânscrita que
serve para designar a fabulosa bola com poder de atender a
todos os pedidos do homem). Já me referi a isso antes, mas vou
explicar mais detalhadamente.

54
Rokan – Alicerce do Paraíso

Falando-se em Luz, os leitores poderão pensar na luz


solar, mas não é bem assim. Na verdade, trata-se da união do
Sol e da Lua. Como a natureza da Luz que se abriga em meu
corpo é constituída pelos dois elementos extremos, forma-se a
trilogia fogo-água-terra, já que o corpo é constituído pelo
elemento terra. Mas será que as pessoas comuns são formadas
apenas por esse elemento? Absolutamente. Elas também
possuem luz, embora pouca e fraca. Minha Luz, no entanto, é
extraordinariamente forte: é milhões de vezes superior à de uma
pessoa comum, ultrapassando os limites da imaginação; chega
praticamente ao infinito.

Tomemos como exemplo o Ohikari, que pode ser de três


tipos: Hikari (Luz), Komyo (Luz Divina) e Daikomyo (Grande Luz
Divina). Colocando-o junto ao corpo, manifesta-se imediatamente
a força capaz de conseguir a erradicação das doenças. Isso se
deve à força da Luz irradiada da palavra escrita por mim no
Ohikari. Entretanto, nunca precisei rezar ou fazer qualquer coisa
especial para escrevê-la. Simplesmente escrevo rapidamente,
palavra por palavra. Levo em média sete segundos em cada uma
e escrevo facilmente cerca de quinhentas por hora. Com apenas
essa folha de papel, milhares de doentes podem ser
beneficiados; doravante, mesmo que eu conceda milhares ou
milhões de Ohikari, o efeito de cada um será o mesmo. Creio que
com isso poderão compreender o quanto é poderosa a força da
minha Luz.

Possuindo tal força, não há nada que eu desconheça.


Como os fiéis sabem, nunca tenho dificuldade em responder a
qualquer pergunta que me é dirigida. Às vezes recebo telegramas
solicitando-me auxílio para pessoas distantes e muitas obtêm a
graça apenas com esse pedido. Isso ocorre porque, no momento
em que tomo conhecimento do problema, minha Luz se subdivide
e liga-se a essa pessoa. Assim, através do elo espiritual, ela
recebe a graça. Dessa forma, é uma Luz muito prática e eficiente,
pois pode aumentar milhões de vezes e alcançar qualquer local,

55
Rokan – Alicerce do Paraíso

por mais distante que ele seja. Para melhor compreensão, a Luz
irradiada de mim é como se fossem "balas" de luz. A diferença
entre ela e uma bala de fuzil, por exemplo, é que esta mata, mas
eu dou vida às pessoas; aquela é limitada, ao passo que eu sou
infinito.

A explicação acima corresponde apenas a uma pequena


parte da minha força. Não é fácil explicá-la totalmente. O ideal
seria que os leitores acompanhassem atentamente o trabalho
que vou realizar daqui para frente. Se forem ágeis de inteligência,
poderão entender até certo limite. Do ponto de vista da fé, as
pessoas compreendem de acordo com o seu nível espiritual, e
por isso o melhor a fazer é polir a alma e deixá-la sem máculas,
pois aí terão sabedoria para compreender a virtude do meu
poder.

Revista Tijyo Tengoku nº 36, 25 de maio de 1952

56
Rokan – Alicerce do Paraíso

(R1/16) "EU, VISTO POR MIM MESMO”

Vendo este título, os leitores devem estranhar, mas ao


passo que forem lendo, provavelmente irão concordar. Não há
outro mais adequado. Primeiramente não deve haver outra
existência tão curiosa como a minha; isto porque até agora não
há registro, na História da humanidade, de um homem como eu.
Para escrever este artigo, tentarei ser o mais objetivo possível.
Gostaria que tivessem isso em mente, ao lê-lo.

Escreverei inicialmente sobre o meu trabalho.


Naturalmente, como o meu objetivo é a salvação da humanidade,
não há razão para desviar meu esforço desse caminho. E no
momento, dentre os meus trabalhos, estou me empenhando com
bastante afinco em escrever letras no papel. Atendendo ao
pedido de numerosos membros, estou me esforçando ao máximo
afim de poder satisfazê-los nesse sentido. Os membros,
pendurando as letras que escrevo no pescoço e levando-as no
peito como proteção, levantam a palma da mão para os doentes
e, mantendo uma distância de algumas dezenas de centímetros,
procedem à irradiação da energia espiritual. Através disto, o
sofrimento pela doença é aliviado.

A gratidão e a profunda emoção daqueles que foram


salvos é quase incalculável; relatos e cartas de agradecimento
amontoam-se diariamente em cima da minha mesa. Cada vez
que leio essas cartas, não consigo conter as lágrimas,
emocionado. Não é só isso: a este método de trazer no peito
esse talismã (N.T. atual Ohikari) e levantar a palma da mão,
chamamos de Johrei; através do Johrei, têm surgido inúmeros
milagres, tais como fuga precipitada de ladrões que estavam
prestes a abrir a porta; pessoas que caíram de penhascos, ou
que foram atropeladas por trens, bondes ou automóveis,
salvaram-se sem nenhum arranhão; outras conseguiram
sobreviver a incêndio, etc. Estes fatos são tão freqüentes que é
muito difícil enumerá-los. Além disso, com o recebimento e a

57
Rokan – Alicerce do Paraíso

ministração do Johrei, os pobres libertam-se da pobreza, os lares


sombrios tornam-se alegres. Assim, desde o instante em que se
coloca o Ohikari no pescoço inicia a mudança do destino, no
sentido favorável.

Estes inúmeros milagres foram publicados no Jornal


"Hikari" e na revista "Tijyo Tengoku"; lendo-os uma vez, devem
lhes dar uma imagem do que seja. Desde épocas remotas, ao
analisarmos os fatos de grandes santos, veremos que todos
manifestaram milagres de salvação de doentes. Também existem
exemplos de pessoas que foram salvas pela prática da fé. Houve
ainda casos em que os seus discípulos apresentaram a força de
cura das doenças mas, comparando essa força com o poder
excepcional do Johrei, praticado pelos meus discípulos,
certamente existem diferenças indiscutíveis, não havendo termo
de comparação.

Existem outros casos. Vendo a letra escrita por mim, vêem


nitidamente fluir dela uma luz que, dispersando-se, movimenta-se
vivamente no espaço.

Ouço sempre de inúmeras pessoas que, ao observar


fixamente a letra Luz, escrita por mim, também há pessoas que
vêem uma Bola de Luz do tamanho de uma bola de borracha
pequena na minha região abdominal. Há inúmeras pessoas que
viram Luz saindo da palma da minha mão. Houve um caso em
que foi registrada numa foto uma situação em que saía dessa
Bola de Luz uma onda luminosa, como se fosse uma erupção, e
houve outro caso em que essa Luz se ampliou, inundando
inteiramente o quarto.

Todo dia, encontro-me durante uma hora com centenas de


membros; como já aviso antecipadamente que as consultas
sobre qualquer assunto difícil ou as dúvidas devem ser feitas
nesta hora estabelecida, existem dias em que recebo dezenas de

58
Rokan – Alicerce do Paraíso

perguntas; posso dizer, entretanto, que não há nenhuma que eu


não tenha conseguido responder.

Naturalmente, todos os dias são perguntas diferentes. Por


vezes, há coisas que não sei, mas, fazendo frente à questão,
instantaneamente a resposta brilha no meu cérebro e sai aos
borbotões. Através disso, ocorre o fenômeno curioso de eu
aprender comigo mesmo.

Agora o assunto muda um pouco, mas as pessoas que


não são membros dizem, muitas vezes, que a minha vida é de
luxo. Vendo a carência material de hoje em dia, eles têm razão,
mas isso não quer dizer que eu tenha desejado este tipo de vida.
É que os numerosos membros, que receberam graças,
oferecem-me todo tipo de coisas materiais como manifestação da
sua gratidão, e assim esforço-me ao máximo para corresponder a
essa sinceridade. Mesmo em se tratando de dinheiro, caso ele
seja necessário na Obra da Salvação, misteriosamente a quantia
necessária reúne-se naturalmente. O fato de a Igreja expandir-se
dia-a-dia, mês a mês, é incontestável, como os senhores
membros podem comprovar. Por estas razões, nada do que eu
faço, nem os planos e nem a sua execução, está sendo realizado
por mim, mas sim, estão sob a direção e vontade de Deus. Em
suma, acredito que não sou senão um boneco de marionete
manejado por Deus. Portanto, fico a me observar com profundo
interesse, pensando que tipo de coisa Deus me fará fazer na
próxima vez. É realmente enigmático.

Além disso, há todas as obras que estou realizando e


também os meus "hobbies". Não deve haver muitos casos de
uma pessoa com tanta diversidade de "hobbies" como eu. A
seguir escreverei sobre isso.

Não há necessidade de dizer que sou um religioso, mas na


verdade não posso concluir que sou apenas um religioso. Então o
que sou? É um pouco estranho o modo como me refiro a mim

59
Rokan – Alicerce do Paraíso

mesmo, mas creio que dizer que sou “Empresário da Salvação” é


o mais adequado. Ouço muito que os meus discípulos, salvando
diariamente numerosas pessoas, manifestando os milagres, são
respeitados como se fossem deuses vivos: assim, há ocasiões
em que dou gargalhadas, dizendo: "Isso quer dizer que sou
fabricante de deuses vivos".

Eu pinto quadros, faço caligrafias, poesias, odes curtas e


humorísticas, escrevo livros, romances, letras para músicas,
artigos para revistas e jornais e sou inclusive redator. Além disso,
com o objetivo de construir o protótipo do Paraíso Terrestre,
elaborei o projeto e estou supervisionando a execução das
edificações, dos jardins, o cultivo de flores, a ornamentação das
salas, e o cultivo agrícola.

Quem já viu o jardim sagrado de Gora, em Hakone, e o


que está atualmente em construção em Atami, há de concordar.

Em seguida, falarei a respeito dos meus "hobbies". Aprecio


as obras de artistas expoentes desde os meus 14 ou 15 anos,
não importando se são antigas ou contemporâneas. Fora isso,
gosto tanto da música oriental quanto da ocidental; na minha
família, sou eu quem mais ouve rádio. Principalmente tenho
interesse em política, economia, educação, filosofia, literatura,
problemas sociais, etc., e como nunca deixo de estudar e
pesquisar, tenho a intenção de publicar em livros a soma desses
resultados.

Em suma, se eu fosse me classificar, em termos


profissionais, ficaria mais ou menos assim: religioso, pesquisador
de política, economia, educação, escritor, critico da civilização e
cientista da medicina especial, poeta, pintor, calígrafo, arquiteto,
especialista em jardinagem, agricultor, critico de arte e música,
etc; realmente as minhas facetas são múltiplas.

60
Rokan – Alicerce do Paraíso

Senju Kannon tem 40 braços e consta que cada um atua


em 25 tipos de atividades; assim, na soma total dá mil braços,
que realizam todos os tipos de salvação. Então penso sempre se
Deus não estará me fazendo executar o trabalho de Senju
Kannon. Ainda gostaria de escrever mas, como se tornaria muito
extenso, o resto deixarei por conta da imaginação dos leitores.

O que escrevi acima é a visão que tenho de mim mesmo.

Coletânea Série Jikan volume 12, 30 de janeiro de 1950

61
Rokan – Alicerce do Paraíso

(R1/17) EU E A IGREJA MESSIÂNICA MUNDIAL

A outra face da doença, pág. 22

A Igreja Messiânica Mundial é completamente diferente


das outras religiões, e quem nela ingressar entenderá por quê.
Mas em que aspecto ela difere das demais? No momento ainda
não posso entrar em detalhes, mas falarei em linhas gerais.

Em primeiro lugar, observando bem as religiões existentes,


parece-nos que elas se classificam em dois tipos. A umas nem
cabe o nome religião, tal a sua simplicidade; trata-se, em poucas
palavras, de fé passiva. É aquela que consiste em ir ao templo
rezar de vez em quando, receber talismãs e amuletos, queimar
incenso, ver a sorte e, se a pessoa tem posses, mandar executar
músicas sacras, fazer doações e oferendas e voltar para casa
agradecida, sentindo-se bem. É uma fé popular, que se costuma
chamar de devoção. Entretanto, esse tipo de fé pode ser
considerada religião, pois, no fundo, possui normalmente uma
estrutura religiosa. O outro tipo poderia ser chamado de fé pura.
Nela se faz o registro de todos os fiéis, havendo dirigentes,
funcionários, ministros e até encarregados de difusão, que se
dedicam profissionalmente às atividades religiosas. Constitui,
portanto, genuinamente, uma religião. Ao contrário da fé passiva,
seus fiéis agem com seriedade e, quando se aprofundam,
dedicam-se fervorosamente, de corpo e alma, às suas tarefas.
Entre essas religiões, existem as recentes e as antigas. As
antigas, em sua maioria, são pouco atuantes, devido, talvez, à
mudança dos tempos; algumas, segundo dizem, só a muito custo
conseguem manter-se na atual posição. As recentes foram
fundadas aproximadamente do fim do xogunato ao início da Era
Meiji (1867), e são as que apresentam maior atividade e
progresso. Entre elas, destaca-se o xintoísmo. No campo do
budismo, só uma seita - a Nitiren - apresenta algum fôlego; as
demais são praticamente inativas.

62
Rokan – Alicerce do Paraíso

Num rápido exame das religiões, observamos que elas


apresentam várias formalidades, mas em geral têm como alicerce
os ensinamentos de seu fundador ou o espírito que norteou sua
fundação, os quais são divulgados e transmitidos aos fiéis. Estes,
por sua vez, oferecem-lhes sua devoção, em agradecimento pela
proteção recebida de Deus. Obviamente não se pode generalizar,
pois até mesmo na fé existem altos e baixos.

Concordamos plenamente que todas as religiões têm


como objetivo a concretização de um mundo melhor e por isso
tentam satisfazer o conceito de felicidade do homem. A maioria,
entretanto, toma como principal fator o aspecto espiritual,
demonstrando pouco interesse pelos benefícios materiais.

A VERDADEIRA SALVAÇÃO

Na Igreja Messiânica Mundial, não negligenciamos de


maneira alguma a salvação do espírito, mas julgamos que,
salvando o homem apenas espiritualmente, sua salvação não é
perfeita, ou seja, ele não está realmente salvo. Temos de salvar-
lhe também a parte material, e neste ponto é que reside a grande
diferença entre a nossa religião e as demais. Ainda que como ser
humano seu espírito esteja salvo, essa idéia não basta para ele
ser verdadeiramente feliz. Numa sociedade complexa como esta
em que vivemos, não se sabe quando tal felicidade será
destruída, e isso está claramente provado pela realidade que nos
cerca.

Exemplificando, há pessoas que adoecem, que são


roubadas, que têm prejuízos, que são enganadas por indivíduos
inescrupulosos, que sofrem devido a elevadas taxações de
impostos, etc. No caso dos impostos elevados, podemos apontar,
entre outras causas, a existência de malfeitores, que justifica a
necessidade de polícia e tribunais; o surto de muitas doenças,
cujo combate requer a aplicação de dinheiro; uma pessoa errada
que provoca uma grande guerra, acarretando despesas

63
Rokan – Alicerce do Paraíso

decorrentes de indenizações, e assim por diante. Devido a tais


fatores, atingir um estado de segurança e de paz espiritual torna-
se utopia. Portanto, num mundo como este, se não houver
salvação espiritual e material, não se poderá obter a verdadeira
felicidade. A nossa Igreja promove a salvação em ambos
aspectos. Individualmente, isso se expressa através de
benefícios materiais; socialmente, através do progresso da
cultura. Entretanto, segundo a Revelação Divina, há um grande
erro na cultura moderna, apesar de, até agora, ninguém o ter
percebido. É um erro tão surpreendente, que o que se faz
pensando ser bom, na verdade, é o contrário, e por causa disso a
humanidade tem sofrido sérios danos. Em poucas palavras, o
que se julgava contribuir para o aumento da felicidade acabava
por resultar em aumento da infelicidade. Os fatos, melhor do que
qualquer outra coisa, comprovam o que estamos dizendo.

Houve um grande progresso da cultura, mas a felicidade


deixou de acompanhar esse ritmo; aliás, o sofrimento do homem
é cada vez maior. Se a cultura moderna foi edificada graças ao
esforço conjunto de sábios, santos e outros grandes personagens
que vêm se sucedendo há milênios, poder-se-á dizer que se trata
de uma cultura do mais elevado nível. É difícil, portanto, imaginar
que em seu conteúdo possa existir um erro marcante. Como eu já
disse, conhecendo o grande erro da cultura moderna, desejo, o
mais breve possível, não só fazer com que o maior número de
pessoas o compreendam, mas também compartilhar com elas
dessa felicidade e, ao mesmo tempo, mostrar-lhes as diretrizes
para a formação do Novo Mundo, caracterizado por uma cultura
nova, ideal. Essa é a Vontade de Deus.

Agora vou falar sobre mim. Pelo que já passei em minha


vida, sou uma pessoa comum, igual a tantas outras. Tenho,
porém, uma vida tão mística, que não encontra paralelo na
história de toda a humanidade. Digo isso porque me fizeram
nascer com a grande missão de salvar o mundo, completamente
diferente da missão de famosos religiosos como Sakyamuni,

64
Rokan – Alicerce do Paraíso

Cristo e Maomé. Ou seja, fui investido do poder de executar


aquilo que esses grandes personagens não puderam realizar.
Isso é absoluta verdade, como todos os fiéis estão cientes.

Por exemplo, qualquer coisa que eu desejar saber, eu fico


sabendo. Tomo conhecimento de tudo que for importante, a
começar dos três mundos - Divino, Espiritual e Material - assim
como também do passado, do presente e do futuro. É claro que
isso está limitado ao que concerne à salvação da humanidade e à
construção do Paraíso Terrestre. Antevejo como será o mundo
daqui a um ano ou a vários anos, e também o meu próprio
destino. É até engraçado. E note-se, pela experiência que tenho
tido até agora, que geralmente os fatos previstos por mim
acabam acontecendo, isto é, as visões tornam-se realidade.
Tenho elaborado e executado vários planos, e tudo tem corrido
conforme os meus desejos.

Com relação à literatura, se penso em escrever um artigo,


as palavras me fluem naturalmente, o quanto eu desejar. Como
todos sabem, dedico-me também à composição de poemas e não
encontro nenhuma dificuldade nisso; componho cerca de
cinqüenta em uma hora. Gostaria, inclusive, de escrever haikais,
poemas satíricos, obras de ficção, dramas, etc. mas não o tenho
feito por falta de tempo. Além desses gêneros, escrevo sátiras e
comédias; como elas têm sido publicadas, os leitores devem
conhecê-las. As orações entoadas pelos fiéis também são de
minha autoria, e parece-me que, apesar de eu não ter tido,
anteriormente, qualquer experiência nesse sentido, elas ficaram
muito boas.

Por outro lado, já é do conhecimento de todos que estou


construindo um Protótipo do Paraíso Terrestre de grande porte;
nessa obra, as pedras, as árvores, as flores, enfim, tudo sou eu
quem escolho e planejo. Naturalmente, o projeto do jardim e dos
prédios e até a ornamentação também são trabalhos meus. O
Templo Messiânico, que se erguerá no Solo Sagrado de Atami,

65
Rokan – Alicerce do Paraíso

mas que ainda está em fase de projeto, seguirá um estilo mais


moderno que o do arquiteto suíço Le Corbusier, estilo esse que
nos últimos anos se tornou moda arquitetônica no mundo inteiro.
Portanto, quando o templo for inaugurado, deverá ser alvo da
atenção mundial. Só de estar no local e olhar o terreno, os
prédios e os jardins se projetam aos meus olhos, não havendo
necessidade de pensar. Na verdade nunca estudei esses
assuntos, nem ninguém me ensinou nada a respeito; entretanto,
se quero fazer algo, imediatamente brotam, dentro de mim,
excelentes idéias. Além disso, faço vivificações florais, escrita a
pincel e pinto quadros. Dessas atividades, a única que estudei
um pouco foi pintura, mas nas outras sou totalmente leigo. Com
relação à Política, Educação, Economia, Filosofia e Medicina, sei
das coisas que irão acontecer até daqui a um século. Sei
principalmente o erro em que está baseada a cultura atual e fico
impaciente quando penso que, se ele fosse logo corrigido, a
humanidade seria salva e a felicidade reinaria no mundo. Nada,
porém, pode ser feito enquanto não chegar o tempo certo.
Atualmente, seguindo a ordem Divina, estou apenas apontando o
problema da doença e os erros da agricultura, questões
fundamentais para a construção do Paraíso Terrestre.

UTILIZAÇÃO DO ESPÍRITO

O que eu acho mais misterioso em mim é que, utilizando o


espírito, estou fazendo com que os fiéis erradiquem as doenças.
Os resultados são realmente excelentes. Cristo e muitos santos e
profetas também praticaram milagres em relação às
enfermidades; entretanto, na maioria das vezes eram curas de
uma pessoa para outra. Ora, uma só pessoa não poderia salvar
milhões; para salvar toda a humanidade, é preciso que seja
concedida a cada indivíduo uma força ilimitada, capaz de eliminar
as doenças. É o que estou fazendo atualmente, com resultados
admiráveis. A expansão da nossa Igreja é a melhor prova do que
digo. Como já falei, é uma obra que nem Cristo nem Buda
puderam realizar.

66
Rokan – Alicerce do Paraíso

Não pretendo dizer que a minha força seja superior à dos


grandes santos, mas expresso a realidade tal como ela se
apresenta, e isso porque; chegado o tempo, Deus me faz falar
sobre o assunto. Quando penso que uma força tão grandiosa foi
concedida à minha pessoa, sinto a enorme importância da minha
missão. Naturalmente Deus não cria nada além do que é preciso.
Tudo é criado e eliminado de acordo com as necessidades.
Sendo essa a Verdade, que eu sempre afirmo, fica bem clara a
minha missão, determinada pelos Céus. A mim é dado conhecer
todos os mistérios, sendo-me atribuído, de maneira ilimitada, o
poder da Inteligência Superior. Sob a Orientação Divina, estou
trabalhando para levar esse fato ao conhecimento de toda a
humanidade e edificar a nova cultura, a cultura ideal. Todavia,
como o homem da atualidade possui uma inteligência muito
desenvolvida, ele não iria aceitar que lhe dessem uma explicação
de maneira simples como nos tempos antigos. Segundo a
Vontade de Deus, é necessário mostrar-lhe milagres
comprobatórios e, ao mesmo tempo, transmitir-lhe as teorias de
forma que elas possam ser aceitas. É por essa razão que Ele faz
ocorrer milagres em grande quantidade. Nesse sentido, por um
lado apontam-se os erros; por outro, dão-se provas através de
milagres. Sinto-me, portanto, extremamente grato e sensibilizado
pela grandeza da Providência de Deus.

Observando-se a Divina tarefa que no momento estou


executando, não haverá qualquer margem para dúvidas sobre a
veracidade de minhas palavras. Provavelmente a humanidade
jamais sonhou com uma obra de tão grande porte e de absoluta
salvação. Por conseguinte, se uma pessoa, tomando
conhecimento dela, não consegue despertar, é porque é cega de
alma e não tem possibilidade de ser salva pela eternidade. Além
disso, se forem submetidos, no futuro próximo, ao supremo
perigo representado pelo "Fim do Mundo", aqueles que não
estiverem preparados serão tomados de pânico e irão se
arrepender, mas aí já será demasiado tarde.

67
Rokan – Alicerce do Paraíso

Revista Tijyo Tengoku nº 18, 25 de novembro de 1950

68
Rokan – Alicerce do Paraíso

CA PÍ T UL O II - P L A N O DIVI NO

( R 1 / 18 ) N A S C I M E N T O DA IGREJ A MESSIÂ NI C A MUNDIAL

Luz do Oriente, pág. 47

Por que foi criada a nossa Igreja?

Quando analisamos a cultura moderna, que há milhares de


anos a humanidade vem edificando com incansável esforço e
dedicação, ficamos deslumbrados ante o seu aspecto
esplendoroso e o incrível progresso que ela apresenta
externamente. É desnecessário dizer que os homens da
atualidade dispensam os maiores elogios a tudo isso. Entretanto,
ao observarmos o outro lado dessa cultura, isto é, o seu
conteúdo, deparamos com algo inesperado: ele é exatamente o
contrário da parte externa. O que se opõe a esta é, naturalmente,
a parte espiritual, onde não se vê nenhum progresso, a ponto de
pensarmos que os homens do passado eram até superiores. No
presente, se pesássemos numa balança o Bem e o Mal que
existe no coração dos seres humanos, veríamos que,
infelizmente, o Mal tem muito mais peso.

A influência maléfica que esse fato exerce sobre a


sociedade humana é muito maior do que poderíamos imaginar.
Isso se torna bem claro ao constatarmos que a guerra – o maior
dos sofrimentos humanos – a doença, a pobreza, o crime, as
calamidades naturais, enfim, todas as ocorrências desagradáveis,
ao invés de diminuírem, tendem até a aumentar. Assim, é
estranho que a cultura espiritual não acompanhe o progresso da
cultura material e as pessoas não manifestem nenhuma
desconfiança a respeito; pelo contrário, vão se deixando viciar
pela cultura material, incrementando-a cada vez mais. Mas por
que será que os religiosos, os escolásticos, os políticos e o
grande número de intelectuais existentes em todos os países não
despertam para essa realidade? Dentre eles, talvez haja algumas

69
Rokan – Alicerce do Paraíso

exceções, mas tais pessoas nada fazem, pois, não conhecendo


os fundamentos da questão, consideram que o fato é inevitável.
Parece que elas estão resignadas, achando que se trate de uma
condição inata da humanidade.

O principal desejo do homem é ser feliz, e ele veio


empregando toda a sua inteligência e utilizando-se dos mais
diversos meios para concretizá-lo. Mas a aspiração de um mundo
ideal acabou se tornando um sonho utópico. Nesse sentido,
inicialmente, a humanidade procurou apoio na Religião.
Entretanto, como a possibilidade de atingir seu objetivo
unicamente através da Religião tornava-se pequena, procurou
alcançá-lo através do Ensino, da Moral, da Filosofia e de outros
meios surgidos no Oriente e no Ocidente a partir do século 0. No
Oriente, apareceram sábios como Confúcio, Meng-tzu e Chu-tzu;
no Ocidente, educadores como Sócrates e filósofos como Kant,
Hegel e outros. Logicamente a humanidade depositou neles suas
esperanças.

A partir do século XVII, porém, começou a surgir, no


Ocidente, a ciência materialista, e foram se promovendo
revoluções gradativas em todos os setores. O progresso da
tecnologia mecânica deu origem à revolução industrial, e o
mundo inteiro ficou encantado pela Ciência. Assim, ao invés de
continuar seguindo caminhos tortuosos e longos como o da
Religião e da Moral, considerou-se que, para aumentar a
felicidade do ser humano e construir o mundo ideal, não havia
meio mais eficiente que a cultura científica - visível, palpável e
comprovável. Além do mais, constatando que, quanto mais
adiantada é a cultura de um país, mais rico e próspero ele é, mais
armamentos possui, mais abençoada é a vida de sua população,
mais ele é respeitado pelo mundo, chegando o seu poder a
influenciar as nações vizinhas, os países, disputando entre si,
procuraram imitá-lo. Por esse motivo, a cultura científica foi
evidenciando um rápido progresso, até chegar ao estágio atual.
Entretanto, como a humanidade se deslumbrou demais com ela,

70
Rokan – Alicerce do Paraíso

depositando-lhe excessiva confiança, sua parte espiritual acabou


ficando debilitada, e seus preceitos morais decaíram. Assim,
buscando apenas as coisas visíveis, os homens,
inconscientemente; acabaram por se tornar escravos da Ciência.
O ser humano, que na verdade deveria dominá-la, passou a ser
dominado por ela. É o que se percebe atualmente. Por esse
motivo, podemos dizer que estamos a um passo da catástrofe
mundial e que o futuro da humanidade corre um sério perigo.

A felicidade e até o mundo ideal, que eram a aspiração


inicial de todos os homens, foram esquecidos, não se sabe
quando, tendo-se chegado a um momento em que não se vai
nem para frente nem para trás. Assim, quanto mais a cultura
progride, mais o homem se distancia da felicidade. É um
resultado extremamente irônico. Parece uma gangorra: quando
um dos lados sobe, o outro desce.

Em termos mais concretos, inicialmente se tentou construir


o Paraíso Terrestre com a cultura espiritual, mas, como a sua
concretização parecia impossível, apelou-se para a cultura
científica. Os homens avançaram com força total. Entretanto,
como foi exposto anteriormente, ao invés de se alcançar o
Paraíso, chegou-se a um estado pior que o do próprio inferno: a
iminência da destruição da humanidade, com a descoberta da
bomba atômica. O fato, porém, é que, embora se tenha chegado
a uma época tão perigosa como a atual, os homens ainda não
despertaram, continuando a venerar a ciência materialista. Em
poucas palavras, eles fracassaram recorrendo à cultura espiritual
e também à cultura material, mas infelizmente ainda não se
cansaram das coisas ruins. Como solucionar esse problema? A
tarefa mais importante de toda a humanidade é reconhecer os
erros cometidos até agora e recomeçar da estaca zero. Ou seja,
a solução é formar uma cultura cruzada, que não pende nem
para o espírito nem para a matéria, mas funde e iguala ambas as
partes. Somente assim estará concretizado o Paraíso Terrestre.

71
Rokan – Alicerce do Paraíso

Por tudo que vimos até agora, podemos dizer que a época
atual é a época da mudança da velha para a nova cultura, a Era
da grande transição mundial a que sempre nos referimos. Será
que, na História da humanidade, já foi registrada uma mudança
tão grande? Em verdade, é um fato inédito. E como será essa
nova cultura que ocupará o lugar da velha? Incontestavelmente,
trata-se de algo que não pode ser compreendido, ainda que em
pequena parcela, pela inteligência do homem contemporâneo. E
quem se encarregará de criá-la?

Neste momento que estamos vivendo, independentemente


de crermos ou não, é imprescindível começarmos a admitir a
existência do ser conhecido como Deus. Por conseguinte, darei
explicações a respeito.

Embora falemos simplesmente Deus, na verdade existem


níveis - superior, médio e inferior - com inúmeras funções. O
xintoísmo admite a existência de uma infinidade de deuses. Até
hoje, quando se fala em Deus, pensa-se no monoteísmo cristão
ou no politeísmo xintoísta. Entretanto, ambas são visões
arbitrárias. Na verdade, existe um único e verdadeiro Deus, que
Se subdivide, transformando-Se em vários deuses. Por isso, Ele
é um e muitos ao mesmo tempo. Cheguei a essa conclusão
através de longos anos de pesquisas sobre o Mundo Divino.
Trata-se de um pensamento que já existia, mas parece que não
se conseguiu dar maiores explicações a respeito. Até aquele
Deus que veio sendo adorado como Supremo está abaixo da
segunda classe. Deus está muito além e só veio sendo venerado
de longe pela humanidade. Mas quem é Ele, então? Não é outro
senão o Senhor e Criador do Universo, ou seja, o Princípio de
tudo. Aquele a quem os povos têm se referindo como Jeová,
Logos, Deus, Tentei, Mukyoku, Segunda Vinda de Cristo,
Messias, etc.

O objetivo de Deus é a construção do Mundo Ideal de


perfeita Verdade, Bem e Belo, e, para tanto, era necessário que

72
Rokan – Alicerce do Paraíso

todas as condições fossem preenchidas. Ele estava aguardando


o tempo certo. Essa hora chegou: é a época atual. Sendo assim,
é preciso, antes de mais nada, que a humanidade se conscientize
disso e que se processe a revolução espiritual de cada indivíduo.

Darei uma prova do que escrevi acima.

Nos Estados Unidos, começou a usar-se, ultimamente, a


expressão Nação Universal. Obviamente, representa o Mundo
Ideal, que eles julgam possível graças ao progresso alcançado
pela civilização material. Entretanto, por mais que se fale em
construir o Paraíso Terrestre, se a cultura for inferior, se os
países estiverem isolados uns dos outros e as condições de
transporte forem deficientes, o mundo continuará conturbado, e, o
que é fundamental, será impossível unificar o pensamento da
humanidade.

Visto que finalmente chegamos à época da criação da


nova cultura, é preciso conhecermos de antemão como é esse
grandioso plano. Naturalmente, para que ele se concretize, Deus
se utiliza de um ser humano. Considerando que a pessoa
escolhida sou eu, não é nada difícil entender a razão pela qual foi
criada a Igreja Messiânica Mundial. Deus revela-me, a cada hora,
o Plano do Paraíso e eu o ponho em prática conforme Suas
ordens. Ao mesmo tempo, o que houver de útil na velha cultura
será mantido, e o que não tiver utilidade será reformulado. Esse é
o grande amor de Deus. Aquilo que não puder se tornar útil,
infelizmente terá de ser destruído para sempre. E o que é isso
senão o Juízo Final? Realmente, constitui um motivo de gratidão
e também de temor.

Lamentavelmente, porém, embora eu apresente os fatos


tal como eles me foram revelados por Deus, os materialistas os
interpretam de forma herética, fazendo severas críticas. Mas isso
é natural, pois durante longo tempo os homens só tiveram a
experiência de viver uma das formas da cultura - a espiritual ou a

73
Rokan – Alicerce do Paraíso

material - de modo que eles não podem compreender facilmente


uma cultura cruzada, que não pende para nenhum dos lados. As
pessoas que estão do lado da cultura espiritual dizem que as
graças materiais manifestadas por nós são realizações de uma fé
de nível inferior, que busca apenas as coisas materiais. Elas
acham que a fé superior busca unicamente a satisfação
espiritual, e sentem satisfação sozinhas, enfileirando,
escolasticamente, palavras difíceis. Entretanto, os resultados
obtidos pelas religiões teóricas para salvar um grande número de
pessoas são insignificantes, e eu creio que essa é a causa da
estagnação das religiões tradicionais. Já os que estão do lado da
cultura material, devido à valorização exagerada do materialismo;
afirmam que, além das coisas visíveis, tudo não passa de
superstição. Naturalmente, não vêem motivos para crer na
existência de Deus. E o pior é que, sobretudo entre a classe
dirigente e a classe intelectual do Japão, é grande o número de
pessoas desse tipo. Assim, elas olham supersticiosamente para a
nossa Igreja, contestando-a com palavras orais e escritas. Os
mais extremistas chegam até a pedir que o povo se acautele,
evitando aproximar-se dela. Influenciadas por essa atitude, as
pessoas hesitam em conhecê-la e, assim, não conseguem
apreender a sua verdadeira imagem. Conseqüentemente, a
maioria dos intelectuais, sem o saber, constitui um empecilho
para a nova cultura.

Sempre que nasce algo novo, fatalmente surgem


opositores. Isso acontece tanto no Ocidente como no Oriente.
Podemos dizer que é a triste predestinação de todos os
anunciadores de uma nova época. O mais engraçado é que,
quando surge uma teoria de nível não muito superior ao da
cultura da época, os intelectuais a elogiam em coro. Isso ocorre
porque as pessoas que receberam uma educação representativa
da cultura tradicional têm maior facilidade para entender teorias
desse nível. Os detentores do Prêmio Nobel enquadram-se em
tal categoria. Todavia, quando surge uma teoria muito elevada,
distante do nível cultural da época, os intelectuais consideram-na

74
Rokan – Alicerce do Paraíso

herética, combatem-na e tentam neutralizá-la. Isso também se


evidencia entre os ocidentais, como podemos constatar pelos
sofrimentos infligidos a inovadores como Jesus Cristo, Sócrates,
Copérnico, Galileu, Lutero e outros.

A teoria exposta por mim é muito mais inédita que a


desses inovadores, adiantada um ou dois séculos em relação à
época atual, e por isso as pessoas que a ouvem pela primeira
vez e aquelas que estão bitoladas pela cultura tradicional, ficam
boquiabertas e não pensam em analisá-la devidamente: anulam-
na, afirmando de forma taxativa que se trata de mera superstição.
Mas reflitamos: se ela não passa de uma teoria evasiva, por que
será que, sem sofrer o menor abalo, a nossa Igreja continua
aumentando a sua expansão, embora receba tantas censuras,
tantos ataques, e sofra opressões por parte das autoridades?
Deve existir alguma razão. Não sei quantas vezes ela percorreu
caminhos espinhosos e atravessou chuvas de flechas. Apesar de
tudo, a obra de construção do Paraíso Terrestre está avançando
bem mais rápido do que se esperava. Inegavelmente, isso é
ininteligível para o raciocínio humano.

O fato é que, uma vez se tornando membro da Igreja


Messiânica Mundial, qualquer pessoa consegue manifestar um
poder semelhante ao do fundador de uma religião. Um simples
fiel manifestar milagres é coisa mais do que comum em nossa
Igreja; é, realmente, uma extraordinária graça material. Além
disso, através dos nossos Ensinamentos, esse fiel consegue
captar a essência da vida, despertar para a Verdade, melhorar
sua vida cotidiana e ficar mais alegre; sustentado por inabalável
fé, pode até mesmo vislumbrar o futuro. Assim, ele passa a viver
com verdadeira segurança e tranqüilidade. A prova mais evidente
é que, com o decorrer do tempo, suas feições e sua pele
melhoram. Isso acontece porque, uma vez que seu sangue se
torna mais puro, sua saúde aumenta, desaparecem suas
incertezas quanto ao futuro, seu caráter se eleva, e ele se torna

75
Rokan – Alicerce do Paraíso

uma pessoa virtuosa. Dessa forma, ganha maior confiança de


terceiros e por eles é respeitado.

A condição fundamental para se construir o Paraíso


Terrestre, objetivo de nossa Igreja, é que o indivíduo se eleve e
adquira a qualificação de ente celestial. Como o mundo é um
agrupamento de indivíduos, se aumentar o número de pessoas
com essa característica, obviamente surgirá o Paraíso Terrestre.

Noções sobre a IMM, 20 de novembro de 1950

76
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 19 ) O P R I M E I R O MU N DO

A outra face da doença, pág.107

Ao analisarmos a civilização atual, percebemos que a base


de sua estrutura é a ciência da matéria. Escreverei sobre isso a
seguir, mas, em primeiro lugar, explicarei a constituição do
Universo. Serão dispensados os detalhes que não se relacionam
diretamente com o homem, abordando-se apenas os pontos mais
importantes.

O Universo é constituído de três elementos fundamentais:


Sol, Lua e Terra. Esses elementos são formados respectivamente
pela essência do fogo, da água e da terra, que constituem o
Mundo Espiritual, o Mundo Atmosférico e o Mundo Material, os
quais se fundem e se harmonizam perfeitamente. Até agora, no
entanto, só eram conhecidos o Mundo Atmosférico e o Mundo
Material; desconhecia-se a existência de mais um mundo, isto é,
o Espiritual, que a ciência da matéria não conseguiu detectar. A
cultura atual formou-se com o progresso obtido naqueles dois
mundos, razão pela qual ela abrange apenas dois terços. Na
realidade, porém, o Mundo Espiritual, justamente o terço
considerado inexistente, é mais importante que os outros dois
juntos, constituindo a fonte da força fundamental. Ignorando-se a
sua existência, jamais surgirá a civilização perfeita. O fato do
homem, apesar do considerável avanço da cultura baseada no
Mundo Material e no Mundo Atmosférico, não conseguir realizar o
seu maior desejo - a felicidade - comprova muito bem o que estou
afirmando.

Examinando-se atentamente a origem dessa contradição,


descobrimos que há uma profunda razão para ela. Se a
humanidade, desde o começo, conhecesse a existência do
Primeiro Mundo, ou seja, o Mundo Espiritual, a civilização
material não teria alcançado o maravilhoso progresso que vemos
hoje. Isso porque do desconhecimento do Mundo Espiritual é que

77
Rokan – Alicerce do Paraíso

nasceu o pensamento ateísta, que deu origem ao Mal.


Atormentada pelo sofrimento decorrente da luta entre o Mal e o
Bem, a humanidade só teve um recurso: desenvolver a cultura
material. Portanto, pensando bem, que representa isso senão o
profundo Plano de Deus? Há um perigo, contudo: ocorrer um
colapso da cultura material se ela progredir além de certo limite.
A invenção da bomba atômica é uma das facetas desse
progresso, mas, atingido esse nível, é chegado o tempo
determinado pelos Céus de haver uma grande mudança no
desenvolvimento da cultura. Como primeiro passo, está sendo
revelada a toda a humanidade a existência do Primeiro Mundo,
do qual não se tinha conhecimento; tratando-se, porém, de uma
existência invisível, logicamente não se poderá comprová-la
pelos métodos científicos. Daí a manifestação de uma grandiosa
força jamais experimentada pela humanidade, isto é, o Poder de
Deus. Como o homem contemporâneo há longo tempo está
obstinado na concepção materialista, é muito difícil convencê-lo.
Entretanto, em nossa Igreja existe o único método para se
conseguir isso: o milagre do Johrei. Por mais ateísta que seja, o
indivíduo não poderá deixar de aceitar e se submeter. Assim, à
medida que o Johrei se tornar conhecido por toda a humanidade,
haverá inevitavelmente uma mudança de cento e oitenta graus no
rumo da cultura, surgindo, então, a Verdadeira Civilização,
comum ao mundo todo.

Resta, no entanto, um problema: como a cultura atual foi


erigida ao longo de milhares de anos, não se sabe quanto mal foi
praticado até agora. Por "mal" refiro-me obviamente ao pecado e,
conseqüentemente, às máculas espirituais, cujo grande acúmulo
constituirá um obstáculo para a construção do mundo novo. É
como se durante a construção de uma casa houvesse sujeira
espalhada por todo lado, como pedaços de madeira, Tijyolos
quebrados, etc., tornando-se indispensável uma ação de limpeza.
Deve ser isto o Juízo Final profetizado por Cristo.

78
Rokan – Alicerce do Paraíso

Os maravilhosos e incontáveis milagres manifestados pela


nossa Igreja não poderão ser senão o plano de Deus para
mostrar a existência do Primeiro Mundo. E Deus me encarregou
desta grandiosa missão.

Jornal Eiko nº 111, 4 de julho de 1951

79
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 20 ) E R A D A C I V I L I Z A Ç Ã O RELI GI O SA

O Pão Nosso, pág.58

(...) Pensando bem sobre a minha pessoa, eu me


pergunto: “Para que nasci e por que sou diferente das pessoas
em geral?” Vou explicar isso a seguir.

Fundei uma religião denominada Igreja Messiânica


Mundial e estou me empenhando em salvar a humanidade e
construir um mundo feliz. O rápido desenvolvimento da nossa
Igreja também é uma exceção. E também é inédita uma religião
como a nossa, que cura radicalmente as doenças. Realmente,
podemos considerá-la o mistério do século. Observando-se
apenas esse aspecto, verifica-se que aí deve existir algo
grandioso. Uma prova disso são as experiências de fé. Quando
lemos essas experiências pensando nas pessoas que foram
salvas e na sua transbordante gratidão e emoção, não
conseguimos ler sem derramar lágrimas.

Mas eu quero escrever sobre a minha pessoa de outro


ângulo. Como falei anteriormente, desde o meu nascimento até
mais ou menos a meia-idade, eu era uma pessoa comum, sem
qualquer diferença em relação às demais. Após atingir a meia-
idade, perseguido por condições adversas, senti-me perdido no
mundo, tornando-me totalmente incrédulo, e por essa razão
comecei a buscar a Fé. Filiei-me à Religião Oomoto e, depois de
considerável aprimoramento, consegui apreender a essência de
Deus.

Desde épocas antigas dizem que, mesmo dedicando toda


a sua vida a esse objetivo, é impossível o homem atingir tal
estado; entretanto, eu o consegui em curto espaço de tempo, o
que se pode considerar um fato inédito. A partir de então, ao
mesmo tempo em que, com renovado ardor, conscientizei-me da
missão recebida do Altíssimo, surgiram subseqüentes milagres.

80
Rokan – Alicerce do Paraíso

Com isso, minha incredulidade desapareceu e minha maneira de


pensar ampliou-se de forma surpreendente. Tornei-me, no
entanto, possuidor de um sentimento pequeno, limitado.
Resumindo, posso dizer que, se por um lado sou tímido, por outro
lado sou audacioso. Meu lado audacioso poderá ser identificado
nas minhas aspirações e realizações concretas; o lado tímido, na
vergonha que eu sentia ao falar perante um grande número de
pessoas. Eu próprio achava isso estranho; hoje, já estou mais
habituado e consigo falar abertamente tudo aquilo que desejo.

Também sinto um grande ódio contra as injustiças. Quanto


mais injusta é uma pessoa, maior é minha convicção: “Tenho de
vencê-la de qualquer forma”. Como exemplo, há quatorze anos
venho lutando na Justiça com o problema de um terreno. Meu
contestante, tomado de impaciência, já me propôs solução
amigável por três vezes, mas, por ele não demonstrar nenhum
arrependimento pelo que fez, rejeitei sua proposta.
Conseqüentemente, quem está em apuros agora é o juiz, que
procura uma solução amistosa. Outro exemplo: certa vez entrei
com uma ação judicial contra um jornal de renome. Na ocasião,
muitas pessoas me aconselharam a não fazê-lo, pois a luta
contra uma grande empresa jornalística poderia resultar em
prejuízos. Mas eu não cedi um passo sequer e, como deve ser do
conhecimento de todos, batalhei através do nosso Jornal Hikari.
Se é por justiça, eu luto até mesmo contra o mundo.

Discorri acima sobre o meu ponto forte, mas também


desejo falar sobre meus pontos fracos. Quando alguém me pede
ajuda, desde que esse pedido seja algo correto, não consigo
recusar. Também não consigo ficar indiferente ao ver uma
pessoa boa sofrendo. Em relação aos pontos errados do mundo,
ao mesmo tempo que sinto indignação, faço todo o empenho
para que haja, o quanto antes, uma transformação positiva. A
prova disso é que, na ânsia de diminuir ao máximo os
sofrimentos do mundo, venho prevenindo constantemente a
humanidade, sobretudo apontando os erros da Medicina. Sempre

81
Rokan – Alicerce do Paraíso

senti prazer – como se fosse um “hobby” – em procurar alegrar,


ajudar, desejar felicidade e dar tranqüilidade e esperança ao
próximo. Isto acontece porque, de certa forma, o pensamento das
outras pessoas se reflete em mim e, quando elas expõem seus
problemas e sofrimentos, eu sofro também.

Estendi-me um pouco nesse tema, mas agora vou entrar


no assunto que me propus tratar.

A minha missão torna-se clara ao se observar os diversos


pontos em que meu pensamento diverge do pensamento das
outras pessoas. Atualmente caminhamos voltados para a
salvação da humanidade, mas nosso objetivo final é criar uma
Nova Civilização. Explicando de forma mais simples, a expressão
“Nova Civilização” refere-se a uma civilização espiritualista,
alicerçada na Religião, isto é, refere-se ao grande
desenvolvimento da civilização religiosa em relação à civilização
material. Será a substituição da civilização material, que está
criando infelicidade, pela civilização religiosa, que gera felicidade;
será a implantação de uma religião poderosa, que saiba
aproveitar ao máximo a civilização material, cujo progresso é
muito grande; será, também, a transformação da Civilização do
Mal na Civilização do Bem. Concretizado isso, entrar-se-á numa
Era de Ouro, de perfeita harmonia, consubstanciada na Verdade,
no Bem e no Belo, e surgirá um mundo paradisíaco, muito além
da nossa imaginação.

Embora eu afirme o advento de um mundo paradisíaco,


trata-se de uma tarefa árdua, já que a humanidade veio
alimentando esse ideal por longo tempo, mas ainda não havia
aparecido quem o realizasse. E a razão é o fator tempo.
Entretanto, para alegria de todos, finalmente chegou o momento
tão esperado, e Deus, confiando essa grande missão a um
simples ser humano como eu, fez-me nascer neste mundo. Por
conseguinte, quem entendeu o fato acima não poderá de deixar

82
Rokan – Alicerce do Paraíso

de acreditar na absoluta viabilidade da concretização do Paraíso


Terrestre.

Não tenho a mínima intenção de fazer propaganda da


minha importância; basta que tenham conhecimento da realidade
da minha pessoa. Se, através disso, aumentar o número de
pessoas que acreditem na viabilidade da concretização do
Paraíso Terrestre, maior será a expansão do Grande Amor Divino
e, conseqüentemente, estará multiplicado o número de criaturas
que serão salvas.

Como vimos, está prestes a desaparecer o Mundo do Mal,


e o alvorecer do Mundo do Bem é uma realidade incontestável.
Há milhares de anos Deus vinha preparando a grande Transição
para estabelecer esse Mundo Ideal. Podemos, portanto, dizer que
é um plano histórico, isto é, a profecia de Cristo “O Reino dos
Céus está próximo” e a sua advertência “Tem Fé e serás salvo”
referem-se a esse acontecimento. Assim, que vem a ser este
Ensinamento senão o Evangelho do Paraíso?

Jornal Eiko nº 116, 08 de agosto de 1951


Jornal Eiko nº 117, 15 de agosto de 1951

83
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 21 ) A C O N S T R U Ç Ã O DO PARAÍ S O E A ELIMIN A ÇÃ O DO
MA L

Alicerce do Paraíso, pág.39

Para que este mundo se transforme em Paraíso - objetivo


de Deus - existe uma condição fundamental: eliminar a maldade
que a maioria dos homens traz no mais profundo recanto de suas
almas. Pelo senso comum, as criaturas desaprovam o Mal e
temem o contato com ele. A Moral, a Ética e a Educação
procuram reprimi-lo. A Religião, também, tem por ensinamento
básico recomendar a prática do Bem e combater o MAL.
Observando a sociedade, vemos que os pais repreendem os
filhos; os maridos, as esposas; as esposas, os maridos; os
patrões, os empregados. A tudo isso, acrescentam-se as leis,
que, por meio de sanções, tentam impedir o Mal. Entretanto,
apesar de todo esse esforço, a quantidade de pessoas más é
incalculavelmente maior que a de pessoas boas; para termos
uma idéia mais precisa, entre dez pessoas, talvez nove sejam
más.

Falando em homens maus, devemos lembrar-nos de que


existem vários níveis de Mal: os grandes, os médios e os
pequenos. Citemos alguns exemplos: o mal premeditado,
praticado conscientemente; o mal que cometemos
inconscientemente, sem perceber que o estamos cometendo; o
mal que praticamos por não haver outro recurso; o mal que
fazemos acreditando ser um bem. O primeiro não necessita de
maiores esclarecimentos; o segundo é o que mais se vê; o
terceiro, em termos de povos, é praticado pelos selvagens, e, em
termos individuais, pelos loucos e pelos retardados,
conseqüentemente não é tão grave; já o quarto, isto é, o mal que
se faz pensando ser um bem, é o mais prejudicial, pelo empenho
com que as pessoas o praticam, sem o esconder.

84
Rokan – Alicerce do Paraíso

Deixarei os detalhes para o fim; agora quero mostrar a


forma como geralmente se encara o Mal, do ponto de vista do
Bem.

Observando o mundo contemporâneo, constatamos que o


predomínio do Mal é tão grande, que podemos perfeitamente
dizer que ele é o mundo do Mal. A História nos dá inúmeros
exemplos de homens bons que foram atormentados pelos
perversos; da situação inversa eu nunca ouvi falar. Como o Mal
possui mais adeptos que o Bem, enquanto os malvados vivem
burlando as leis e agindo como bem entendem, os bons ficam
subjugados, vivendo constantemente sob terror. Esta é a situação
do mundo atual. Por serem mais fracos, os bons são sempre
atormentados e maltratados pelos maus.

A democracia surgiu em contraposição a esse absurdo


estado de coisas e por isso tem uma origem natural. O Japão,
que viveu sob o domínio do pensamento feudal, insistiu em
manter uma sociedade onde os fracos são vítimas dos fortes,
mas, felizmente, com a ajuda do exterior, conseguiu implantar o
regime democrático. Por esse motivo, ao invés de dizermos que,
no Japão, a democracia teve uma origem natural, devemos dizer
que ela foi um resultado natural. Eis um raro exemplo da vitória
do Bem sobre o Mal. Contudo, a democracia japonesa ainda não
está muito firme; em vários setores, há resquícios de feudalismo.
E talvez eu não seja a única pessoa a perceber isso.

Vejamos, também, a relação entre o Mal e a cultura.

O aparecimento daquilo a que se costuma chamar cultura


pode ser explicado da seguinte maneira:

Na era subdesenvolvida e selvagem, os fortes


pressionavam os fracos tolhendo-lhes a liberdade, impondo-lhes
a força, cometendo assassinatos e agindo como bem entendiam.
Como resultado, os fracos inventaram vários meios de defesa:

85
Rokan – Alicerce do Paraíso

fabricaram armas, construíram muralhas, facilitaram os


transportes, etc. Em grupos ou mesmo sozinhos, eles se
esforçavam de todas as maneiras possíveis. Isso, naturalmente,
serviu para desenvolver a mente humana. Com o correr do
tempo, para garantir a segurança dos fracos, fizeram-se contratos
entre grupos, os quais, possivelmente, deram origem aos acordos
internacionais de hoje. Socialmente, foi criado algo semelhante
às leis, com o objetivo de limitar o Mal; transcrito em forma de
códigos, isso deu origem às modernas legislações.

Entretanto, com métodos tão superficiais, não foi possível


eliminar o Mal que há no ser humano. Conforme podemos ver, da
era primitiva até hoje os homens vêm lutando contra o Mal, em
defesa do Bem. E quanto a humanidade tem sofrido com isso!
Quantas pessoas boas foram sacrificadas! Para aliviar tão grande
sofrimento, apareceram vários religiosos de grande porte. Como
os fracos eram sempre atormentados pelos fortes e não tinham
forças suficientes para se defender, esses religiosos pelo menos
tentaram amenizar espiritualmente suas aflições e dar-lhes
esperança. Ao mesmo tempo, para combater o Mal, pregaram a
Lei da Causa e Efeito, na tentativa de obter o arrependimento e a
conversão dos perversos. É inegável que obtiveram alguns
resultados positivos, mas não conseguiram mudar a maioria.

Por outro lado, materialmente, instituíram-se os estudos,


desenvolvendo-se a cultura material como uma tentativa para
combater, através do seu progresso, a infelicidade acarretada
pelo Mal. O progresso dessa cultura foi muito além do que se
podia imaginar; entretanto, não só ela foi inútil no sentido de
evitar o Mal - seu primeiro objetivo - mas acabou sendo usada
para fins maléficos, gerando atos de crueldade cada vez maiores.
Essa foi a razão pela qual as guerras passaram a ser realizadas
em grande escala, até que acabou se inventando a monstruosa e
terrível bomba atômica. Atingindo esse ponto, podemos dizer que
chegamos a uma época em que se tornou impossível fazer a
guerra. Falando sem reservas, é realmente uma ironia a cultura

86
Rokan – Alicerce do Paraíso

material ter progredido com a ação do Mal e, através deste, ter se


chegado a um tempo em que a guerra é impraticável.
Naturalmente, no fundo de tudo isso está o milenar e profundo
Plano de Deus.

Tanto os espiritualistas como os materialistas desejam um


mundo de paz e felicidade, mas isso não passa de um ideal,
porque a realidade que nos cerca é bem diferente. Assim, os
intelectuais vivem cercados por um mar de dúvidas, batendo a
cabeça contra as paredes. Entre eles, existem os que procuram a
Religião, a Filosofia e outros meios para decifrar esse enigma; a
maioria, no entanto, acredita que o progresso científico resolverá
todos os problemas O fato é que a humanidade continua
sofrendo, sem perspectivas de uma situação melhor.

A seguir, descreverei como será o futuro do mundo.

Se o Mal é a causa fundamental da infelicidade humana,


conforme dissemos, levanta-se a seguinte questão: por que Deus
o criou? Esta é a pergunta que mais tem atormentado o homem
até os dias de hoje. Eis, porém, que finalmente Deus esclareceu
a Verdade, que eu passo agora a anunciar.

O Mal foi necessário até o momento porque, através do


conflito entre ele e o Bem, a cultura material pôde progredir até
chegar ao ponto em que se encontra. É surpreendente! Embora
nem em sonho pudéssemos imaginar que o motivo fosse
realmente esse, é a pura verdade. A propósito, falarei
primeiramente sobre a guerra.

A guerra ceifou milhares de vidas e, por ser tão trágica, os


homens a temem mais do que tudo. Para fugir a essa catástrofe,
usaram todos os recursos da inteligência humana, e nem
precisamos falar o quanto isso contribuiu para o progresso da
cultura. Entre outras coisas, a História nos mostra claramente
que, após as guerras, tanto os países vencedores como os

87
Rokan – Alicerce do Paraíso

vencidos progrediram enormemente. Todavia, se elas chegassem


ao extremo ou se prolongassem demasiadamente, os países
seriam totalmente aniquilados, o que representaria a destruição
da cultura. Sendo assim, Deus as detém num certo ponto,
fazendo com que retorne a paz. Através dos relatos históricos,
vemos que sempre houve alternância de períodos de guerra e
períodos de paz.

Na sociedade, a situação é idêntica. Os criminosos e as


autoridades vivem fazendo competição de inteligência. Os
desajustes de relacionamento entre as pessoas também são
decorrentes da luta entre o Bem e o Mal. Podemos entender, no
entanto, que essas divergências contribuem para o
desenvolvimento da inteligência humana.

Ora, se até hoje a cultura progrediu graças aos atritos


entre o Bem e o Mal, é lícito afirmar que este foi imprescindível.
Contudo, precisamos saber que não é uma necessidade eterna,
ou seja, há um limite para ela. A esse respeito, devo dizer que,
atrás de tudo isso, está o objetivo de Deus, que comanda o
Universo. Em termos filosóficos, a expressão seria Ser Absoluto,
ou Vontade Universal.

A começar por Cristo, todos os fundadores de religiões


fizeram profecias sobre o "Fim do Mundo", mas essa expressão,
em verdade, significa o fim do mundo do Mal e o advento de um
mundo ideal - o Paraíso Terrestre, isento de doença, pobreza e
conflito, o Mundo de Verdade, Bem e Belo, o Mundo de Miroku, o
Reino dos Céus, etc. Os nomes diferem, mas o significado é um
só.

A construção de um mundo tão maravilhoso requer um


preparo à altura; um preparo completo, que preencha todas as
condições, tanto do ponto de vista espiritual como do ponto de
vista material. Deus determinou que primeiro se efetuasse o
progresso material, pois o progresso espiritual não está preso ao

88
Rokan – Alicerce do Paraíso

tempo, podendo ser efetuado de uma só vez, ao contrário


daquele, que necessita de muitos e muitos anos. Para preencher
a primeira condição, fez com que, inicialmente, os homens
ignorassem Sua existência, concentrando-se apenas nas coisas
materiais. Foi assim que surgiu o ateísmo, condição básica para
a criação do Mal. Assim fortificado, o Mal impingiu maiores
sofrimentos ao Bem e, prosseguindo na luta, atirou o homem ao
abismo do sofrimento. Mas o homem sempre se debateu, na
ânsia de sair desse abismo, o que desencadeou a força geradora
de um grande impulso no progresso da cultura. Foi trágico, porém
inevitável.

Com tudo que dissemos, creio que puderam ter uma noção
básica sobre o Bem e o Mal. Tendo finalmente chegado o tempo
em que o Mal não será mais necessário, ou seja, o tempo
presente, a questão é seriíssima. Não se trata de previsão nem
sonho; é a pura realidade. Acreditando ou não, o fato já está
saltando aos nossos olhos, através do extraordinário progresso
da ciência nuclear. Por conseguinte, se estourasse uma nova
guerra, não seria uma simples guerra e sim a destruição total, a
extinção da humanidade. Não obstante, esse progresso é uma
forma de extinguir o Mal e, por isso, torna-se motivo de alegria.
Como resultado, a cultura, que até hoje foi aproveitada pelo Mal,
sofrerá uma reviravolta, ficando à inteira disposição do Bem. Daí
surgirá o tão almejado Paraíso Terrestre.

Jornal Eiko nº 169, 13 de agosto de 1952

89
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 22 ) O P L A N O DE DE US

Vou escrever sobre a nossa Igreja Messiânica, o quanto é


profunda e sutil e ao mesmo tempo grandiosa, e qualquer
membro que ler esse texto ficará admirado e emudecido.

Em primeiro lugar é preciso saber que o Plano de Deus é


impossível de ser imaginado através da inteligência humana. Isso
porque o mesmo se aplica à construção do Paraíso Terrestre que
está sendo desenvolvida, agora, em Atami. É como os membros
sempre estão vendo, aos poucos, à medida que avança a obra
paisagística, a forma da montanha, a posição das árvores, o local
previsto das edificações, sem dúvida, mas também irão perceber,
toda vez que olhar, a mudança constante na beleza da paisagem
geral que se projeta à distância em nossos olhos, e o aspecto ao
redor. Principalmente quanto à grande quantidade de muro de
rochas, pode-se dizer que é a número um do Japão. E as pedras
necessárias para isso saem infinitamente de um só lugar. Pode-
se cavar o quanto quiser que não param de sair. Um lugar assim
acumulado de pedras, por mais que se procure, não se encontra
em nenhum lugar de Atami. É realmente misterioso e não existe
uma só pessoa que não se impressiona. Somente através desse
fato é possível saber que Deus já havia preparado e planejado há
mais de dez mil anos atrás, e não há como duvidar disso. E
também, ao olhar a paisagem que envolve a redondeza do atual
Paraíso, os locais em que se encontram as diversas árvores, a
forma das montanhas, tudo apresenta um belo harmonioso que
nos fascina. E vou adquirindo o terrenos necessários uns após os
outros, o que é interessante.

E não são terrenos separados uns dos outros. São de


vizinho em vizinho que vão se expandindo ordenadamente. E
acontece o mesmo com a época. Quando a necessidade aperta,
vêm me dizer que querem vender. Está andando completamente
conforme a vontade. E de vez em quando eu vou inspecionar, e

90
Rokan – Alicerce do Paraíso

toda vez flui involuntariamente um novo projeto, por isso não há


necessidade de pensar. É uma facilidade.

O que é o grandioso Plano Divino que se deve ficar


admirado como falei no início? É no sentido de que Atami é a
região pitoresca número um do Japão, e como sempre digo
preenche todas as condições de beleza de montanha e rios,
clima, águas termais, trânsito favorável e outros. Provavelmente
não existe em nenhum lugar do Japão uma região tão pitoresca
quanto essa. Sendo assim, ao pensar profundamente sobre esse
motivo, vai se compreendendo o seguinte. Ou seja, quando o
Senhor Criador criou o Globo Terrestre, Ele traçou esse plano
embaixo do plano perpétuo. Provavelmente foi há mais de um
milhão, dez milhões de anos atrás, e quando foi para construir o
Globo Terrestre determinou o Japão para que, no futuro, fosse o
Solo Paradisíaco de um Jardim Público Mundial. E, para tanto,
reuniu condições como clima, região favorável, beleza natural
etc., sem margem de recumação e esperou pelo tempo certo.
Naturalmente que trata-se da nossa cidade de Atami; em
seguida, Hakone tem o mesmo sentido e creio que o Monte Fuji
também o é. Principalmente com relação a Atami, creio que
objetivou um local ideal de elevada e máxima beleza. Deixou
assim preparado e, quando o grau de progresso da cultural
material alcançou um estágio propício à construção do Paraíso,
fez nascer a minha pessoa e, passando por diversos caminhos,
fez com que eu morasse em Atami e deu início à construção do
protótipo do Paraíso Terrestre, que é o Seu objetivo. Em cima da
montanha Zuiun, apreciando a paisagem, sempre fico a pensar
que na época mais remota, quando eu era Deus, não há dúvida
de que montei o projeto do futuro e fiz o plano. As ilhas
Hatsushima e Ooshima que podem ser vistas ao longe como se
fossem ilhotas, os cinco cabos, a ponta de Manazuru, a fileira de
montanhas de Dyukoku Tôgue, o mar que como um espelho se
confunde com um lago, a beleza da montanha principalmente em
Atami, se tudo isso não for a suprema técnica divina, o que pode
ser? Feito isso, hoje no século XX, nasci como ser humano e,

91
Rokan – Alicerce do Paraíso

como ficou determinado para que eu realizasse o plano de


acordo com o projeto inicial, pode-se dizer que é lógico que tenha
tantos milagres.

Portanto, o que estou realizando não é apenas esse


pequeno Paraíso Terrestre. Tem também outras atividades
diversas que é possível imaginar que foram preparadas desde a
época em que todas as coisas foram criadas.

Relacionado a isso, vou escrever mais um fato importante.


Isso é um auto-elogio, mas quando coloco como protetor o papel
com os ideogramas escritos por mim, manifesto um maravilhoso
poder de cura. Isso é do conhecimento de todos, mas em uma
hora consigo escrever 500 protetores, o que quer dizer que
escrevo um em 7 segundos. Com a obra criada nesses sete
segundos com papel e tinta sumi, salvo a vida de milhões e
bilhões de pessoas, e portanto não sei como explicar esse
grandioso poder de Deus. Eu não sou extraordinário. Creio que é
o maravilhoso Poder Divino do Supremo Deus que me concede
essa força.

Jornal Eiko nº 109, 20 de junho de 1951

92
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 23 ) F E N Ô M E N O D A T R A N S I ÇÃ O DA NOIT E PAR A O D IA

Creio que há necessidade de se esclarecer quando


ocorreu a Transição do Mundo da Noite para o Dia, que eu
sempre digo. Isto foi no dia 15 de junho de 1931. Nessa data, eu
me pus a certa cerimônia pela Ordem Divina. Escreverei, a
seguir, sobre os aspectos dessa ocasião.

Na véspera desse dia 15 de junho de 1931, tive uma


mensagem de Deus. Me mandava peregrinar ao renomado
Templo Nihon-ji, situado no Monte Nokoguiri, em Boshu.

O plano era de uma pernoite com mais de trinta


acompanhantes. Imediatamente comecei a preparação.
Felizmente, havia um membro amigo do sacerdote do Templo, na
época, bastante renomado mestre (.... ) e pedi todos os trâmites
necessários a ele.

Como completara o número de pessoas, parti na manhã


do dia 14 com mais de trinta acompanhantes. Chegamos ao
Templo por volta das 9 horas dessa noite. Como era um Templo
Zen situado no meio de uma montanha mais ou menos elevada,
era um Templo grande e vasto, com aspecto verdadeiramente
antigo, e nós, como moradores de metrópole, que vivemos em
meio ao tumulto, sentimo-nos como se estivéssemos a passear
em uma região mística, além dos problemas cotidianos.

Na madrugada do dia seguinte, escalei a montanha


acompanhado de todos, iluminando o caminho com lanterna
japonesa, tyôtim. Chegamos ao topo em mais ou menos uma
hora. Por sorte, o tempo estava bom, e a paisagem do mar do
Bôsso ao longe, vista através da neblina matutina, não tenho
palavras para expressar, tamanha a sua beleza. Em frente aos
meus olhos, encontrava-se o Monte Seichô, no qual o célebre
Nitiren, com o grande desejo de propagação do Sutra do Lótus

93
Rokan – Alicerce do Paraíso

(Hokke), entoou pela primeira vez, a oração Nan-myo-ho-re-


guen-kyo.

Entoamos, em uníssono, em direção ao raio de sol, que


estava prestes a romper a madrugada e elevar-se. Seu espírito
de palavra estremeceu a límpida atmosfera matutina, havendo
algo realmente agradável. Em seguida, tomamos o caminho para
a descida, e oramos respeitosamente perante à Imagem do
Templo Nihon-ji, e retornamos após o almoço e fotografias, etc.

A seguir, narrarei os inúmeros mistérios ocorridos. Em


frente à nave do Templo, havia um enorme pé de ( ),
denominado também de tília. No Japão, é considerado raríssimo
um pé tão grande assim. Dizem ser embaixo de um pé de tília,
sobre uma pedra, que Shakuson penitenciou-se. Além disso, esta
montanha é denominada (....), e entre o meio e o topo da
montanha, haviam centenas de budas de pedra de mais ou
menos um metro de altura. Abrangia realmente imagens de tudo
quanto é buda existente, desde Shaka, Amida, Kannon até ( ),
Fudô, (....), dos (....), como de dez grande discípulos de Shaka,
(....), etc, etc.

Realmente, era a maquete do mundo budico no Japão.


Entretanto, misteriosamente, em novembro de 1943, o Templo se
incendiou, tornando-se cinzas. Segundo noticiários dos jornais da
época, seria impossível a sua reconstrução. O que surgiu
imediatamente na minha mente nesse momento foi, nem seria
necessário dizer, não poderia ser outra coisa, a não ser o modelo
do fim do budismo. (Sobre esta viagem ao Templo Nihon-ji, como
está narrado minuciosamente em coletânea de poemas
"Montanha e Água", gostaria que a consultassem.).

Depois, finalmente tomamos o trem para o retorno,


chegando à Estação Ryogoku ao entardecer. Fomos à casa de
um certo Sr. Akashi, em (....) que já havíamos combinado para
fazer um culto.

94
Rokan – Alicerce do Paraíso

Isso ninguém percebeu, e somente eu fiquei pasmado e


alegre, e até hoje está guardado como o segredo entre os
segredos, mas futuramente, com a chegada do tempo, hei de
revelar.

No dia seguinte, dia 16, mais ou menos às 10 horas da


manhã, na época eu estava em Hakkei-en, Oomori, e na cidade
vizinha, Ooi-cho, morava um artesão de gueta, tamanco japonês,
Sr. Koike. Ele vinha de vez em quando e apreciava bate-papos
religiosos, mas, nesse dia, ele dizia com fisionomia alterada:
"Mestre, é emergência", e eu, “Que emergência?”, ele, "Hoje de
manhãzinha, tive um sonho muito estranho. O meu amigo
Yamaguchi disse, cavando um buraco na rua: "Sr. Koike, o
mundo é sem graça. Enfim, a gente cava o buraco, e a gente
mesma entra nele", e estava com semblante triste. Além disso, o
rosto do Yamaguchi era o de Oshaka-Sama. Então eu pensei:
"Ah, é a sugestão do fim do budismo". E ele prosseguindo; "Bem
no meio desta casa, havia um pequeno lago. Alguém jogou uma
pedra nesse lago. Aí, a água desse lago formou uma encíclia e
ela foi-se aumentando e finalmente tornou-se do tamanho do
mundo, e foi incontável o número de pessoas que foram
exterminadas, envolvidas nesse turbilhão. E depois de algum
tempo, quando terminou o turbilhão, o local ficou tão silencioso,
estando em pé imagens do Deus Kannon aqui e ali". Eu disse:
"Esse sonho, através do senhor, Deus me deu um aviso, portanto
o senhor não tem nada a ver com ele". Mas ele não se convencia
e disse: "Não, há muito a ver comigo. Isto é, a primeira pedra
jogada ao lago, está determinado que eu é quem tenho que fazer
isso; mas se eu o fizer, será o fim do meu destino". E como
parecia que estava sentindo um certo pavor, eu o confortei, e de
qualquer maneira, mandei-o embora. Depois disso é que houve
um fato extremamente misterioso. Isto é, à tarde do mesmo dia, a
esposa dele me telefonou, dizendo: "Por favor, venha logo que o
Koike está estranho”. Imediatamente fui à casa dele. Ele estava
cada vez mais estranho. Como ele dizia: "Mestre, finalmente eu
tenho que acertar o ponteiro do mundo, senão será um desastre

95
Rokan – Alicerce do Paraíso

para o mundo. Eu nasci para acertar o ponteiro do mundo". Eu


também comecei a sentir como se fosse me mostrado o enigma
do mistério. Eu também despercebidamente comecei a ficar com
espírito solene. Então eu disse: "Se o senhor deve acertar o
ponteiro do mundo, muito bem. Entretanto, não tome atitudes
levianas". E voltei à minha casa. Na manhã do dia seguinte,
houve um telefonema de sua esposa, e ela me disse: "Hoje de
manhã cedo, o Koike se afogou no mar da Suzu-ga-mori, e
morreu"; eu senti que havia entendido tudo. Realmente foi um
acontecimento extremamente misterioso.

E depois de dois dias, no dia 18, um escultor chamado


Hosei Mori, mui renomado na época, com o qual, naquele tempo,
eu travava estreita amizade, veio me visitar. Disse ele: "Eu estou
com vontade de esculpir uma imagem extremamente venerável,
em madeira, mas como estou indeciso, pensando: “será que uma
pessoa como eu poderia esculpir tão respeitosa imagem?",
gostaria de saber a sua opinião”. Eu perguntei: "Uma imagem tão
respeitosa assim, de quem é?”, então ele me disse: "É de Deus
Amaterassu Ookami”, eu respondi: "Ótimo, faço questão que
faça-a”, e ele retirou-se com grande alegria. Quando estava mais
ou menos pronto, pediu-me, por favor, para eu ir ver. Fui ver e
constatei que estava muito bem feito. Como ele me perguntou:
"Como é que faço o fundo?", eu disse: "Seria bom um círculo
grande em alto relevo, no sentido de representar o Sol", ele
concordou deveras alegre, e em mais ou menos meio ano, desde
o início da sua execução, foi concluída maravilhosamente a
escultura de venerável imagem do tamanho natural de uma
pessoa.

Como na época ele era membro da seita Oomoto,


ofereceu à sua Igreja essa escultura. Como, daí a pouco, a Igreja
Oomoto sofreu o grande processo jurídico, fatal, senti que havia
alguma ligação.

96
Rokan – Alicerce do Paraíso

Mudando de assunto, houve também o seguinte


acontecimento: Naquela época, num local chamado Tokyo
Betsuin, pertencente à seita Oomoto, situado em (...), havia uma
imagem de Kanzeon Bossatsu de faiança, mas não se sabe
como, quebrara-se o pescoço. Eu achei estranho, e daí a pouco
aconteceu o processo jurídico.

Decifrando o sonho de Koike e a sua atitude, narrados


anteriormente, na hora em que ele acertou o seu ponteiro, isto é,
na hora do alvorecer, não há dúvida de que isso é a sugestão da
mudança para o Dia.

Ainda, essa imagem esculpida em madeira também é


misteriosa, e também sobre o Templo Nihon-ji, e o Akashi:
Akashi significa “prova”; portanto, rima-se com os vários
acontecimentos daquela ocasião, e há algo que me faz meditar.

Com tudo isso, observa-se que o dia 15 de junho de 1931


foi realmente o momento da Transição da Noite para o Dia.

Tenho mais uma coisa a registrar, no fim. Ao me retornar


do Templo Nihon-ji, um membro que morava em Koji-machi
trouxe um caco de telha. Observando bem, era uma telha com o
brasão da família imperial, e a parte do brasão estava perfeita,
mas o restante estava todo quebrado. O que me veio na mente,
naquele momento, foi a expressão (...) um velho provérbio.

Só posso compreender que isso foi a Vontade Divina com


referência ao imperador, cujo destino tornou-se como o de hoje.

"Fenômeno da Transição da Noite para o Dia", 15 de junho de


1963

N.: Este artigo foi escrito por Fundador, e foi publicado


pela Igreja Messiânica Mundial, na ocasião da inauguração do
lápide “tenkei seisseki” no Monte Nokoguiri.

97
Rokan – Alicerce do Paraíso

N.T.: (....) Quebrar-se e espalhar-se de maneira muito


bonita como se quebra uma bola de vidro ao cair, Morrer
valorosamente defendendo a honra ou a fidelidade.

(....) Compara-se com uma coisa tão simples como uma


telha, que se conserva totalmente. Viver em vão, sem nenhuma
ação; viver sem sentido.

98
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 24 ) A M U D A N Ç A DO DES TI N O

Como falei no item anterior, em 1º de dezembro de 1940,


finalmente larguei o tratamento de cura e me tornei um tipo de
desempregado. Analisando isso espiritualmente, quer dizer que
subi um degrau e interiormente fiquei contente. Isso porque o
tratamento era o último limite, melhor dizer, era um trabalho de
um soldado como centroavante da primeira linha. No dia 23
desse mesmo mês, era meu aniversário de 59 anos e, dentre os
membros, mais ou menos 30 pessoas principais me convidaram
para um restaurante chamado Nihon Kaku e comemoraram o
meu aniversário. Nessa ocasião, foi feito o seguinte poema:
"Cristo e Sakyamuni reencarnem novamente, vamos testar a sua
força com a minha". Depois disso, enquanto tinha tempo, fiquei
de viajar por cada região de Kanto, e isso tem um significado
muito importante no Desejo Divino. Sem dúvida, foi Deus quem
fez dessa maneira, e apesar de poucos, houve milagres, mas só
vou escrever os que são convenientes.

Em maio de 1941, levando comigo o Sr. Shibui e alguns


membros, fomos fazer uma visita ao antigo Templo Issei de
Tampa. Vou escrever um episódio interessante que aconteceu
nessa ocasião. O Templo Kodai de Yamada que existe hoje em
Issei foi devolvido do antigo Issei de Tampa há mais de 1.100
anos atrás. Sobre isso, existe a seguinte tese. Quando ia ser
devolvido, colocaram o Espírito de Deus no Mikoshi (templo
portátil) e a mais ou menos uns 4 metros existe um rio chamado
Isuzu, que é uma corrente do rio Wati, e ao tentar atravessar
esse rio, o Mikoshi ficou pesado de repente, e como não
conseguiram atravessar de modo algum, acabaram voltando, por
isso o Espírito de Deus não foi transferido para o Issei de
Yamada. E agora teve um acontecimento que provou esse fato.
Depois da visita que fizemos, passou-se mais ou menos um mês;
no dia 1º de julho, juntamente com o Sr. Nakajima e mais
algumas pessoas, fomos visitar o Templo Kodai de Yamada em
Issei. Oferecemos uma quantia em frente ao Templo e, ao entoar

99
Rokan – Alicerce do Paraíso

a oração, ouviu-se a voz de Deus de dentro do Templo. Ele disse:


"Então, agora eu vou embora para minha terra natal, peço que
cuide do restante". Aí do meu lado ouviu-se outra voz. "Obrigado
durante muito tempo" Essas palavras me deixaram surpreso. Isso
porque, finalmente, chegou a hora da troca do Deus Vigia com o
Deus Amaterassu. Nem é.preciso dizer que outro dia, quando fui
ao Issei antigo, era para receber o Grandioso Deus para a
atividade de hoje. O Deus Vigia trata-se, sem dúvida, de Kan-
Sussanoo-no-Mikoto, que voltou para a Coréia. O pensamento
que tive nesse momento é que, finalmente, o Mundo Espiritual do
Japão se tornou claro e chegou o momento de realizar a correção
do Bem e do Mal. Contudo, devido à época, não podia falar
francamente, então disse às pessoas da seguinte forma: “Logo
haverá uma grande transformação na camada superior do
Japão”. E após passar 4 anos, ocorreu a decadência da classe
especial que surgira em 1945, e isso já estava determinado na
parte de Deus.

Aconteceu mais uma coisa. No dia 22 de junho de 1941,


fui com o Sr. Shibui e mais dez pessoas ao Templo Kashima em
Ibaragui e de Katori, mas primeiro visitei o Templo de Katori e o
Deus estava ausente. E aconteceu quando fomos em seguida ao
Templo Kashima. De repente, ouviu-se uma voz muda:
"Congratulo-o pela importante função que vai realizar. Sendo
assim, vários deuses lhe darão proteção e eu sou um deles;
agradeço por ter vindo me visitar hoje”. Sem dúvida, tratava-se do
Deus Take-Mikazuti-no-Mikoto. Na volta, ao passar pela estação,
estava pregada uma edição extra. Ao olhar, estava escrito que
finalmente começara a guerra entre a Rússia e a. Alemanha.

Nesse mesmo ano, em novembro, fui fazer oração no


Templo Zenkô. Dessa vez, também, levei o Sr. Shibui e algumas
pessoas. Primeiro, apreciamos o bordo de Karuizawa, passamos
pelas águas termais de Besshô, pousamos uma noite em
Nagano; no dia seguinte, das águas termais de Kussatsu até o
vale do rio Azuma, fomos apreciando o bordo nº 1 da região

100
Rokan – Alicerce do Paraíso

Kanto, e depois retornamos para Quioto. Na ocasião da visita ao


Templo Zenko, apareceu Amida Nyorai. Ele disse: "Assim que
passar mais um tempo, vou voltar à Índia, por isso até lá quero
que não fique falando mal de mim". Com essas palavras, me
senti demasiadamente envergonhado. Isso porque, até então,
tinha criticado algumas vezes a conduta de Nyorai. Pedi
desculpas e Nyorai também me cumprimentou de bom grado, e
se retirou. Até isso acontecer, eu pensava que Nyorai já havia
voltado para a Índia, mas fiquei sabendo que ainda estava no
Japão. Aconteceram coisas bem interessantes nas minhas visitas
aos diversos templos. Há muito tempo atrás, quando fui fazer
oração a Bentensama (Deus da fortuna) em Enodima, ele estava
ausente e, em seu lugar, a raposa estava tomando conta.
Quando a raposa me viu, ficou muito assustada e curvou-se tanto
que não consegui parar de rir.

Coletânea Série Jikan volume 9, 30 de dezembro de 1949

101
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 25 ) D E U S E B U D A

Desde antigamente, dizem que Deus e Buda têm a mesma


raiz. Explicarei sobre isso.

Um discípulo indagou ao Shakuson: "Gostaria que


explicasse sobre o Budismo em uma só palavra". Ele respondeu
imediatamente: "O Budismo, em uma só palavra, é shin nyo”.
Shin nyo é shin nyo no tsuki, isto é, deve significar luz noturna.
Ainda, a Índia, em tempos remotos, também se chamava
Guesshi koku.

Um dia, como o Shakuson parecia não suportar a


depressão, um dos discípulos, muito preocupado, perguntou o
motivo. Aí ele disse: "Estou decepcionado porque tomei
conhecimento de que este Budismo, que preguei com tanto
sacrifício, desaparecerá no futuro". E, posteriormente, pregara
hometsujinkyo e, a seguir, Miroku shutsuguen jojukyo. Ainda,
segundo ele diz: "Eu me tornei iluminado aos setenta e dois
anos. Portanto, os ensinamentos de até então não são perfeitos,
mas os de agora em diante sim, são a Verdade; de maneira
nenhuma há engano”. Os ensinamentos pregados posteriormente
são os 28 Hokekyo e o vigésimo quinto é o Kannon fumonbon.

Nitiren Jonin tomou conhecimento desse fato e considerou


Hokekyo como a essência do Budismo e, com uma fé ardorosa,
dedicou-se à propagação do Hokekyo.

A seguir, há um episódio interessante: Até hoje, sobre a


substância de Kanzeon Bossatsu, somente Ele estava
extremamente mistificado, como um Buda oculto, mas, segundo
meus estudos, Ele é um Deus do Japão e, como sofrera
perseguição de Satanás, sob perigo iminente, refugiou-Se à
Índia, obrigado a deixar o Japão.
Ao topo da montanha chamada Hodaraka, próximo aos
mares do sul da Índia, Ele construiu Itido-U e pregou os

102
Rokan – Alicerce do Paraíso

Ensinamentos sob o nome de Nankai Daishi, ou Kanjizai


Bossatsu.

É escrito no Kegonkyo: "Existe, no sul, uma montanha


chamada Fudaraku, onde se encontra Kanjizai Bossatsu. Com a
chegada da hora, foi visitá-lo, subindo ao topo dessa montanha,
e conseguiu encontrá-lo. Esse local era coberto de árvores e
havia águas correntes aqui e acolá, e pântanos, e no seu centro,
em Kongohoza, sobre as ervas mais macias, Kanjizai Bossatsu,
sentado com as pernas cruzadas, pregava Daijihikyo, diante a
respeito de inúmeros santos". E também consta: "Nesse
momento, como acompanhantes estavam 28 pessoas, sendo
Daibenzaiten, Daibontenno, Taishakutenno, Konjikikujakuo,
Bishamonten, Ashurao, além de dois irmãos Narayana kongo,
Wadirabani kongo, sendo eles Niosson) etc.” E Zenzai Doji deve
ser Shakuson.

Que o Bossatsu deve ser japonês, deduzo pelos seguintes


pontos: Seus cabelos negros caídos até os ombros, o Seu rosto
com formato de japonês, e Sua imagem é de um buda de ouro de
uma polegada e oito décimo, e o Japão é dito, desde
antigamente, que é o país de ouro. Além disso, pela Sua coroa,
colar e pulseira, etc., nota-se que fora uma pessoa nobre. A
razão de estar com capuz e roupa branca, deduzo, é a Sua figura
na ocasião da fuga, em incógnita. No entanto, Shakuson e Amida
Nyorai (o nome no primórdio era Hozo Bossatsu), têm os cabelos
frisados, o que acredito por serem naturais da Índia.

A propósito, Hozo Bossatsu, ao defrontar-se com


Shakuson, prometeu-lhe: "Construirei a Terra da Pureza na
região oeste. Mandai a essa terra os seus discípulos, a partir de
quem se tornar buda. Então hei de fazê-los morar
despreocupados nessa Terra da Pureza, de Jakko. Jakko
significa luz solitária, portanto, deve ser uma terra do Bem,
iluminada pelo luar. E Dainiti Nyorai é Amaterassu Oomikami e

103
Rokan – Alicerce do Paraíso

Shaka Nyorai é a deusa Wakahimeguimi-no-Mikoto Shakuson


disse: "Eu sou mulher com transformação de sexo".

Amida Nyorai é Tsukiyomi-no-Mikoto, e assim, cada um


dos deuses transformou-se em buda e trabalhou pela salvação
do mundo. E existe lenda de que os cinco homens e três
mulheres que constam no Shinten tornaram-se oito grandes reis
dragões, sendo enclausurados por Shakuson. Esses deuses
transformaram-se em deuses dragões, e esperaram a chegada
do Mundo de Miroku, e além deles, geralmente os deuses se
transformaram em buda. Dessa maneira, a época em que eles
viveram transformados em Buda era a Era da Noite e retomaram-
se as posições de deuses, assim que o mundo se transformou
em dia.

Na Índia, a terra onde surgiu o Budismo, em comparação


com a sua população de trezentos e cinqüenta milhões de
habitantes, hoje em dia, existem somente trezentos e poucos mil
budistas, sendo que, além disso, a tendência é de se diminuir de
ano para ano. O fim do budismo está acontecendo nitidamente na
Índia e, como a profecia de Shakuson foi certa, eu acredito que
deverá ser certo também que, após o fim do budismo, chegará o
Mundo de Miroku.

Coletânea Assuntos sobre fé , 25 de janeiro de 1949

104
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 26 ) A O R I G E M DO BU DI S MO

A Criação da Civilização, pág.

Deus Kanzeon-Bossatsu é, originariamente, Deus


Izunome-no-Kami. Há muito tempo venho me referindo com
freqüência a esse assunto, mas, em primeiro lugar, é preciso
compreender os fundamentos do que seja Buda.

Fala-se em Buda, mas, na verdade, são duas naturezas


diferentes: Buda desde a origem e deus personificado em Buda.

Buda nasceu há cerca de 2.600 anos, na época de


Shakusson. Bem antes disso, o bramanismo já havia alcançado o
auge da prosperidade na Índia, que, até, então, era denominada
Gueshi-koku ( - País do Senhor da Lua).

No bramanismo, não havia propriamente uma doutrina.


Através de práticas ascéticas, procurava-se a Verdade do
Universo. As pinturas e as esculturas de Rakan (Arhat), que
existem até hoje, mostram essas práticas. Como podemos
observar nessas figuras, o praticante subia, por exemplo, numa
árvore e, construindo algo parecido com um ninho de passarinho,
ali permanecia sentado, em silêncio. Torissu, um eminente bonzo
Zen daquela época, também procedia desse modo. Havia, ainda,
aqueles que, colocando uma espécie de torre em miniatura sobre
a palma da mão, ficavam com o braço suspenso e imóvel por
vários anos, etc. todos eles ficavam em posição de Zazen
(meditação profunda, na posição sentada com as pernas
cruzadas) de forma estranha e com as palmas das mãos, abertas
e juntas à sua frente na altura do peito. Hoje, as pessoas que
vêem essas figuras acham estranho. Mas existiam práticas ainda
mais drásticas, em que a pessoa praticava o zazen sentada
sobre uma tábua cheia de pregos. As pontas dos pregos
perfuravam-lhe as nádegas, causando hemorragia e dores
incalculáveis. Suportar esses sofrimentos era um aprimoramento,

105
Rokan – Alicerce do Paraíso

o que, para nós, nos dias de hoje, é algo realmente inconcebível.


Mesmo o Daruma-Daishi (Bodhidharma) praticou o Zazen por
longos nove anos, voltado para a parede. Essa prática, por ter
sido uma meditação constante, foi indubitavelmente
extraordinária.

Aqui vou falar um pouco sobre Dharma.

Cerca de 1.200 a 1.300 anos atrás, apareceu, na China,


um indivíduo que também se chamava Dharma, sendo fácil
confundir este com o outro da Índia. O Dharma da China veio ao
Japão na época do príncipe Shotoku (574-622), e até já li um
registro confiável, que ele foi recebido pelo príncipe.

Voltando ao assunto, por que os brâmanes empenhavam-


se em praticar a ascese? Naquela época, em busca da Verdade
do Universo, eles disputavam entre si para alcançá-la. Essa
busca era feita através da prática ascética. É como as pessoas
da atualidade que, aprimorando-se nos estudos, procuram obter
um diploma de doutor, ou um título honorífico que lhes confira
posição social.

Há uma estória interessante a respeito de Daruma-Daishi.

Quando completou o nono ano de seu aprimoramento em


posição voltada para a parede, certa noite, sem querer, ele olhou
para a lua cheia. Nesse momento, sentiu a luz da lua penetrar
profundamente em seu peito e, de súbito, obteve grande
iluminação. Dizem que sua alegria foi algo indescritível. A partir
de então, como se tivesse alcançado o estado de Suprema
Iluminação, começou a dar respostas categóricas, por mais difícil
que fosse a pergunta. Assim, na época, como asceta
proeminente, Daruma-Daishi foi alvo do respeito e adoração de
um grande número de pessoas.

106
Rokan – Alicerce do Paraíso

Assim como o deus Amaterassu-Oomikami do Japão, na


Índia, naquela época, o deus Daijizai-ten-shin era o centro de
veneração. Além deste, havia Daikoomoku-ten, Teishaku-ten e
vários outros. A maioria está relacionada na mandala da seita
Nitiren, portanto, é só consultá-la. Enfim, não há erro em dizer
que o bramanismo predominava na sociedade indiana.

No entanto, quem surgiu inesperadamente naquele tempo


foi Shaka-Muni-Nyorai. Explicarei os detalhes posteriormente. O
príncipe herdeiro Shitta, após realizar o aprimoramento, tornou-se
um grande iluminado e deixou a montanha onde fez o seu
aprimoramento. Ele tomou consciência da verdade dos Mundos
Espiritual e Material e, com ardente e profundo sentimento de
misericórdia, fez o voto de salvar tudo e a todos. Para tal,
inicialmente, apresentou ao mundo o método de obter a
iluminação através da leitura dos Sutras.

Dessa forma, é lógico que tenha havido uma grande


repercussão na sociedade daquela época. E foi com razão que o
povo ficou contente, pois, até então, a prática ascética brâmane
era considerada única. Por ser a leitura do sutra um
aprimoramento fácil de se realizar e que substituía a ascese, o
povo idolatrou a virtude de Shaku-sson. A cada dia, a cada mês,
aumentava o número de pessoas que se convertiam ao budismo.
É compreensível, portanto, que Shaku-sson, como salvador da
Índia, tenha se tornado alvo de adoração do povo. Como
resultado disso, a Índia, na sua totalidade, veio a ser a terra do
budismo. Essa é a origem do budismo. A partir de então, a
influência do esplendoroso bramanismo foi, gradativamente,
decaindo e estagnando. Mesmo assim, ele não se extinguiu
totalmente. Ainda hoje, uma parte continua ativa, e ouvi dizer que
os seus ascetas têm manifestado consideráveis milagres.

Entre os estudiosos da Inglaterra, houve aqueles que


foram à Índia especialmente para pesquisar o bramanismo.
Parece que havia pesquisadores realmente entusiasmados. Isso

107
Rokan – Alicerce do Paraíso

foi constatado há alguns anos atrás, quanto tive oportunidade de


ler os seus registros nos anais. Ainda me recordo, constavam
prodigioso milagres.

Revista Tijyo Tengoku nº 29, 25 de outubro de 1951

108
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 27 ) D E U S I Z U N O M Ê - N O - K A MI

A Criação da Civilização, pág.

Já me referi ao deus Daijizai-Ten (Mahésvara), que era o


deus reinante durante o apogeu do bramanismo. Como disse
anteriormente, em tempos remotos, os deuses do Japão foram
para a Índia e se personificaram em budas. O chefe desses
budas personificados era o Deus Izunome-no-kami, que, naquele
tempo, ocupava a mais alta posição no Japão.

Nessa época, porém, vieram os deuses da Coréia,


chefiados por Sussanoo-no-mikoto, que, por sua vez, objetivava
apossar-se da posição de Izunome-no-Kami. Sua demora em
realizar esse intento fez com que aqueles deuses começassem a
intimidar e a pressionar Izunome-no-kami. Este, percebendo o
risco de vida que corria, abandonou, apressadamente, Seu trono,
e, disfarçando-Se, conseguiu escapar secretamente do Japão e
fugiu para a Índia, via China. Na ocasião, usando o nome
Kanjizai-Bossatsu, decidiu instalar-Se no topo de uma montanha
não muito alta, denominada Hodaraka, situada no litoral sul da
Índia, construindo aí um novo e cristalino pavilhão. Sobre esse
fato, consta no Sutra Higue-kyoo o seguinte: “Kanjizai-Bossatsu
instalou-Se no topo da Montanha Hodaraka e, sentando-Se sobre
as ervas macias desse local e acompanhado de vinte e oito
discípulos, iniciou a Sua pregação...”

O jovem Shaku-sson que, na época, ainda era chamado


de Zenzai-Dooji, emocionou-se ao ouvir aquele sermão
magnífico, e com isso mudou sua maneira de pensar. Renunciou
à posição de príncipe herdeiro e tomou a importante decisão de
afastar-se do mundo profano que, naquela época, estava na mais
completa desordem. Imediatamente penetrou no interior da
montanha Dantoku-zan e sentou-se sobre uma pedra, debaixo de
uma figueira. Assim, com firme decisão, entrou na compenetrada
concentração para, devotadamente, alcançar a Suprema

109
Rokan – Alicerce do Paraíso

Iluminação (anuttara-samyak-sambhodi). Há várias versões sobre


a duração desse aprimoramento espiritual, mas foi-me revelado
que foram sete anos. Ao término deste período, deixou a
montanha e empenhou-se, como Shaka-Muni-Nyorai, na
divulgação do budismo. Portanto, não resta dúvida de que o
verdadeiro fundador do budismo foi Izunome-no-Kami, do Japão.

Como mais uma prova de que o budismo originou-se do


Japão, há um ponto que não se pode passar despercebido.
Trata-se da expressão Honti Suijaku, usada freqüentemente no
budismo. De acordo com a minha análise, Honti significa país
originário, ou seja, o Japão, e suijaku, naturalmente, significa
pregar Ensinamentos. Existia, portanto, uma intenção oculta de
que, no final, os ensinamentos do budismo deveriam ser
difundidos em todo o Japão, terra natal de Izunome-no-Kami,
onde eles floresceram e frutificaram.

Outra evidência é a própria imagem de Kanzeon. Sua


peculiaridade são os cabelos lisos, negros e brilhantes, que é
uma característica dos japoneses. Já os de Buda e de Amida
diferem totalmente: são enrolados e de cor avermelhada. Está
evidente, portanto, que ambos Nyorai são hindus. (N.T.: Kannon,
Kanzeon são abreviações de Kanzeon-Bossatsu; Kanjizai-
Bossatsu é o nome antes de Kanzeon-Bossatsu).

Também a coroa, o colar, etc., de Kanzeon evidenciam a


Sua origem nobre. A cabeça encoberta por capuz mostra que
Sua verdadeira identidade está oculta.

Entre os discípulos de Shaku-sson, havia um que se


destacava, chamado Hoozoo-Bossatsu. Ele se separou
temporariamente de Shaku-sson e foi aprimorar-se em outro
lugar. Após concluir o aprimoramento, procurou Shaku-sson e
disse: “Desta vez, escolhi um local a oeste da Índia, onde, como
Solo Sagrado, erigi o santuário Guion Shoja e denominei-o
Gokuraku-Joodo (Paraíso Purificado). O objetivo é que,

110
Rokan – Alicerce do Paraíso

doravante, o mestre envie-me as pessoas que obtiveram


qualificação de buda através dos vossos ensinamentos. Farei
com que elas vivam no citado Paraíso Purificado, que denominei,
também, Jakko-joodo (Paraíso de Luz Serena), onde, pelo resto
de suas vidas, poderão viver na situação de êxtase.”

Ele afirmou, assim o seu compromisso.

Jakkoo significa luz serena; logicamente, trata-se da luz da


lua. Quando Hoozoo-Bossatsu partiu para o outro mundo,
recebeu o nome búdico de Amida-Nyorai e, no Mundo Espiritual,
realizou a salvação de todas as criaturas. Isso quer dizer que o
Mundo Material será salvo por Shaku-sson, e o Mundo Espiritual,
por Amida. No final, Kanjizai-Bossatsu mudou Seu nome para
Kanzeon-Bossatsu. Em sânscrito, é Avalokitesvara, mas dizem
que, posteriormente, na China, o sábio Kumarajyuu fez a
tradução desse nome para Kanzeon. Como o nome “Kanzeon”
encerra um profundo mistério, vou explicá-lo a seguir.

Tijyo Tengoku nº 29, 25 de outubro de 1951

111
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 28 ) D E U S K A N Z E O N BOS S A T SU

A Criação da Civilização, pág.

Referi-me, anteriormente, à afinidade de Kanzeon sob


vários aspectos. Como já afirmei, a razão pela qual Ele Se tornou
Kanzeon-Bossatsu foi, sem dúvida, a violência e a pressão do
deus Sussanoo-no-Mikoto.

Contudo, como ficou o trono do Imperador depois da


partida do Deus Izunome-no-Kami? O imperador Amaterassu era
o irmão mais novo de Izunome-no-Kami. Este, infelizmente, sem
qualquer motivo, veio a falecer repentinamente. Assim, sem outra
alternativa, a imperatriz Amaterassu foi indicada para ocupar o
trono. É por esse motivo que, ainda hoje, o deus Amaterassu-
Oomikami, apesar de ser deus do Sol, é venerado como deusa.

Como já me reportei antes, Sussanoo-no-Mikoto


ambicionava usurpar o poder e governar o Japão. Todavia, pela
sua excessiva precipitação, não escolheu os meios para alcançar
seu objetivo e implantou uma política de força. Em conseqüência,
o povo ficou numa situação caótica, chegando a uma condição de
total ingovernabilidade. Isso desagradou ao deus Izanagui-no-
Mikoto, pai de Sussanoo-no-Mikoto, e a repreensão que este
recebeu foi inevitável. A ação de Sussanoo-no-Mikoto se deveu
igualmente ao fato de ser ele um deus de linhagem coreana.
Contudo, como posteriormente ele não se arrependeu e
continuou com o mesmo comportamento, sem outra alternativa,
foi decidido que seria expulso do Japão. No Koji-ki (registros de
histórias antigas do Japão), consta o seguinte:

“Devido ao seu mau comportamento e à sua desastrosa


administração, o deus Sussanoo-no-Mikoto foi repreendido pelo
deus Izanagui-no-Mikoto e mandado para o Mundo Espiritual.
Como sua mãe, a deusa Izanami-no-Mikoto, encontrava-se lá,
ele pensou em ficar com ela, em reclusão, até ser perdoado.

112
Rokan – Alicerce do Paraíso

Então, antes de partir para o Mundo Espiritual, o deus Sussanoo-


no-Mikoto foi se despedir de sua irmã mais velha, a deusa
Amaterassu-Oomikami, no Céu.”

Sobre isso, o Koji-ki registra:

“O deus Sussanoo-no-Mikoto, fazendo estremecer as


montanhas e rios, tentou subir ao Céu. Ao saber disso, a deusa
Amaterassu-Oomikami ficou deveras assustada, desconfiando
que seu irmão mais novo vinha para atacá-la. Quando ele chegou
ao Céu e se encontrou com a irmã, sentiu algo de anormal no
comportamento dela. Disse-lhe, então: “Parece que você, minha
irmã, está suspeitando de mim, mas não tenho nenhum
pensamento vil. Sou inocente, e vou lhe apresentar uma prova.”
Assim dizendo, Sussanoo-no-Mikoto desembainhou a espada e
mergulhou-a na água do poço Manai. Nesse momento, nasceram
três deusas: Itikishima-Hime-no-Mikoto, Okitsu-Hime-no-Mikoto e
Taguiri-Hime-no-Mikoto. Então, Amaterassu-Oomikaki retrucou:
“Eu também vou lhe mostrar a pureza do meu sentimento” e,
tirando o colar pendurado ao peito, sacudiu-o igualmente na
água. Aí nasceram cinco deuses masculinos: Ameno-
Oshihomimi-no-Mikoto, Ameno-Hohi-no-Mikoto, Amatsu-Hikone-
no-Mikoto, Ikutsu-Hikone-no-Mikoto e Kumano-Kussubi-no-
Mikoto.”

Naturalmente, isso é uma metáfora. Na realidade,


Sussanoo-no-Mikoto chamou suas três filhas, e Amaterassu-
Oomikami, seus cinco vassalos. Os dois, tendo cinco homens e
três mulheres como testemunhas, tentavam firmar um
compromisso. Esse compromisso tinha como ponto de referência
o lago Biwa-ko, situado em Oomi, no atual estado de Shiga-ken,
também denominado lago Shiga-no-ko ou, como me referi acima,
Ama-no-Manai. A parte leste ficaria sob o domínio da deusa
Amaterassu-Oomikami, e a parte oeste, sob o domínio do deus
Sussanoo-no-Mikoto. Foi firmado, assim, o compromisso, que,
nos termos atuais, seria um tratado de paz.

113
Rokan – Alicerce do Paraíso

Com isso, durante curto período, houve momentos de


tranqüilidade. Contudo, o deus Sussanoo-no-Mikoto, como
sempre, não conseguia manter-se em reclusão, e por fim teve
sua expulsão consumada. Esse compromisso é conhecido pelo
nome de Compromisso de Yassuga-hara. Ainda hoje existe uma
vila chamada Yassuga-hara, à margem leste do lago Biwa-ko, o
que me leva a crer que o compromisso foi firmado nesse local.

Vou referir-me, agora, à deusa Ryuuguu-no-Otohime


(Princesa do Som do Palácio do Dragão), conhecida há muito por
todos. Para isso, torna-se necessário retroceder um pouco no
tempo.

Havia cinco irmãos, de sexo masculino e feminino,


nascidos dos deuses Izanagui-no-Mikoto e Izanami-no-Mikoto. O
primogênito chamava-se Izunome-Tennoo; o segundo filho,
Amaterassu-Tennoo; o terceiro filho, Kan-Sussanoo-no-Mikoto; a
primogênita, Wakahimeguimi-no-Mikoto, e a segunda filha,
Hatsuwakahime-no-Mikoto.

O Deus Izanagui-no-Mikoto fez, primeiro, Izunome-no-


Mikoto governar o Japão. Depois, deu essa incumbência ao
imperador Amaterassu-Tenno e, a seguir, à imperatriz
Amaterassu-Koogoo. Sussanoo-no-Mikoto, desde o início, foi
incumbido de governar a Coréia. Foi destinada a ser sua esposa,
naturalmente, uma princesa coreana. Como ela se tornou esposa
do irmão, os irmãos dele começaram a chamá-la Otooto-Hime
(Princesa do Irmão Mais Novo). Abreviando-lhe ainda mais,
começaram a chamá-la de Oto-Hime (Princesa do Som). Antes
ela era chamada de Otome-Hime, talvez porque, na época em
que ela ainda era solteira, no nome coreano incluía, também, o
ideograma arroz.

Como exposto anteriormente, desde que seu marido saiu


numa viagem sem destino, Otooto-Hime (Princesa do Irmão Mais
Novo) ou Oto-Hime (Princesa do Som) teve, naturalmente, uma

114
Rokan – Alicerce do Paraíso

vida solitária. Assim, ela retornou logo à Coréia, sua pátria, e ali
construiu um palácio magnífico, onde vivia com inúmeras criadas.

Nessa época, um jovem chamado Tarô, nascido no Japão,


na região de Shinshu, que gostava muito de pescar, sempre ia
para o alto-mar, saindo da praia situada nas imediações de
Hokuriku. Certo dia, defrontou-se com uma grande tempestade e,
com muito esforço, conseguiu se salvar, chegando a uma praia
da Coréia. Neste país, os japoneses eram alvo de curiosidade de
todos. Por esse motivo, é lógico que Oto-Hime não podia deixar
de convidá-lo para ir ao seu palácio, onde a entrada de homens
era vedada.

Talvez por não suportar a solidão, Oto-Hime, que na época


era como se fosse rainha, quando se encontrou com Tarô,
apaixonou-se à primeira vista, por ele ser muito bonito. Não
conseguindo resistir, arranjou um pretexto para que o jovem
pudesse permanecer no palácio. Sua paixão por Tarô foi se
tornando cada vez mais ardente e, assim, ela ficava junto dele dia
e noite. Um dia, o povo tomou conhecimento disso. Como as
críticas foram aumentando, a princesa viu-se forçada a romper o
romance. Enchendo uma caixa com maravilhosos tesouros, Oto-
Hime deu-a de presente a Tarô e providenciou que ele retornasse
ao seu país. Esta é a famosa Tamate-bako (arca do tesouro).
Dizem que, quando Tarô abriu essa caixa, seus cabelos ficaram
brancos, mas essa história deve ser invenção de alguém.

A denominação do sobrenome de Tarô, Ura-shima (“ilha


de trás”), atribuída à Coréia, deve-se, talvez, ao fato dela estar
situada “atrás” do Japão. Creio que essa denominação lhe foi
colocada por um escritor de uma época posterior. Quando Oto-
Hime era como se fosse a rainha da Coréia, tanto o Japão como
a China haviam sido dominados por esse país, e pode-se dizer
que até a parte leste da Índia estava sob influência coreana.
Naturalmente, isso aconteceu porque Sussanoo-no-Mikoto,
durante um certo tempo, teve um poder grandioso, que se

115
Rokan – Alicerce do Paraíso

expressa pela frase “capaz de derrubar até mesmo uma ave


voando”. Além do mais, a deusa Oto-Hime era uma mulher de
personalidade forte, que suplantava até mesmo os homens.

Justamente na época em que Kanjizai-Bossatsu encerrara


Sua Providência na Índia e pretendia voltar ao Japão, chegou até
o sul da Coréia. Sabendo que no Japão ainda pairava uma
atmosfera de perigo, resolver ficar naquela região por algum
tempo. Desde então, passou a ser chamado de Kanzeon.
Durante Sua estada na Índia, Ele estava contemplando o mundo
de Jizai-Ten, e por isso denominou-Se Kanjizai. Desta vez, Ele
ficou contemplando o mundo de Oto-Hime, e por isso denominou-
Se Kanzeon. Lendo-se de trás para a frente, o termo Kanzeon
significa “observar o mundo de Oto-Hime”.

Dessa forma, quando Kanzeon propagou os Seus


Ensinamentos aos povos do sul da China, como era a atuação de
um Bossatsu de elevada virtude, os povos vizinhos, sentindo
como que um amor filial por Ele, procuravam-No e reuníam-se à
Sua volta. Desde então, a fé Kannon finalmente se estendeu por
toda a China. Entretanto, com idade avançada e tendo concluído
Sua Providência, acabou falecendo naquele país. O fato de,
ainda hoje, toda a China, isto é, a Manchúria, a Mongólia e até a
região do Tibete, terem uma fé inabalável em Kannon, encerra
um profundo significado. Falarei sobre isso gradativamente.

É lamentável não ter restado no sul da China nenhum


vestígio da existência de Kannon. A razão disso é que aquela
região foi assolada pela guerra várias vezes, o que,
inevitavelmente, fez desaparecerem esses vestígios.

23 de setembro de 1951

116
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 29 ) O E N C O N T R O DOS TRÊ S MIR O KU

A Criação da Civilização, pág.

Desde antigamente, existe no budismo o termo “Miroku-


San-E”. Como até os dias de hoje esse termo permanecia envolto
em mistério, era impossível compreender o seu significado.
Assim, gostaria de esclarecer essa questão.

De acordo com os ideogramas que compõem o termo,


“Miroku-San-E” significa o encontro simultâneo dos três Miroku.
Esses três Miroku, sem dúvida, são Buda, Amida e Kannon. Buda
é Miroku da recompensa; Amida é Miroku da Lei e Kannon é
Miroku da Concordância. Shakusson é também Miroku da Terra;
Amida é Miroku da Lua e Kannon é Miroku do Sol.

Como venho sempre dizendo, esses três homens santos


deveriam, na verdade, estar dispostos na seguinte ordem: Sol,
Lua e Terra, ou fogo, água e solo, ou ainda 5, 6 e 7. Somando-se
esses números, o resultado é 18. A respeito do número 18, nos
ensinamentos da Igreja Oomoto está escrito: “Até agora o Céu
era 6; o Mundo Intermediário, 6 e a Terra, 6. Mas o espírito de
1% (N.T.: 100%) desceu do Céu para a Terra, e o Céu se tornou
5, e a Terra 7.” Trata-se, pois, da Providência de Deus, de
profundo significado. Esse espírito de 1% vem a ser o poti (ponto
central), o Mani-no-Tama e o Nyoi-Hooshu. Por esse motivo, é
que surgirá a sagrada época de 5-6-7 (Miroku).

Também se diz que 3-6-9 é Miroku, mas pretendo referir-


me a este assunto no último capítulo, que versa sobre o Reino
dos Céus, e por isso vou me omitir agora. Todavia, o número
juhati (dezoito - = 18) é de suma importância. Ao analisá-lo
baseado nos ideogramas que o compõem, “ju” (dez - = 10) de
“juhati”, tem o formato de cruzamento dos traços vertical e
horizontal, é símbolo de Deus e também a forma de perfeição.

117
Rokan – Alicerce do Paraíso

“Hati” (oito) de “juhati” =8) tem o formato de abertura, além de


significar infinito. Desde antigamente, o budismo tem empregado
com freqüência o número 18. O Templo de Kannon de
Assakussa, em Tóquio, e o Templo Zenkô-ji, do Estado de
Nagano, têm o formato de um quadrilátero cujos lados medem 18
ken (N.T.: ken é uma medida japonesa, cerca de 1,8 m x 18 =
32,4 metros). A visitação desses Templos para oração está fixada
para o dia 18 de cada mês. O dobro de 18 é 36, que pode ser
lido, em japonês, como “Miroku”. Os sinos dos templos budistas,
na passagem do Ano Novo, são tocados 108 vezes. O juzu (terço
budista) é feito com 108 contas. Existem referências aos 108
desejos mundanos, mas, nesses casos citados, a centena do
número 108 significa: dez vezes dez é cem (10 x 10 = 100).
Observando esses fatos, nota-se que em tudo está implícito o
significado de Miroku.

A seguir, vou analisar o sentido da palavra Izunome.


Numericamente, Izunome é 5 e 3. Isto é, 5 é “izu” (surgir) e “ka”
(fogo); 3 é “mi” e água. Ka + mi = kami, que quer dizer Deus. Por
outro lado, é fogo e água e da água é a luz. Assim, o ideograma
(“hikari” = luz) é formado pela colocação de um traço
horizontal no meio do ideograma “hi” (fogo) “ + = ”. O
traço horizontal representa a água, e por isso, o ideograma Hikari
está realmente bem constituído. Com base nisso, poderão
entender muito bem que os ideogramas foram criados por Deus.
Entretanto, tratando-se apenas de luz, esta é constituída de fogo
e água; portanto, de duas forças. Aqui deve-se acrescentar mais
uma força a da terra. Dessa maneira, quando a luz passa pelo
corpo físico, que é terra, gera a força da trilogia. Se pensarem
nesse sentido, deverão compreender melhor o Johrei.

Já falei anteriormente que Buda e Amida eram hindus, mas


eu disse isso apenas em relação a Kannon. Em sua origem, eles
são deuses do Japão apenas os seus corpos espirituais é que
foram para a Índia. O espírito de Buda é o deus Wakahimeguimi-

118
Rokan – Alicerce do Paraíso

no-Mikoto, e o de Amida é o deus Kan-Sussanoo-no-Mikoto.


Devemos, pois, saber que o povo que tinha Daijizai-Ten como o
deus principal da Índia eram os verdadeiros hindus.

A seguir, vou mostrar algo interessante. Por Kannon ter


nascido do budismo, este é o Seu progenitor. Buda, fundador do
budismo, vem a ser o pai do pai. Portanto, o Deus Izunome-no-
Kami, que gerou Buda, é pai e antepassado de Kannon. E ainda:
esse deus torna-se Kanzeon. Portanto, também a partir desse
ponto, poderão compreender que Buda é a personificação de
Deus. Uma vez que Buda é o elemento Terra, ele realiza o
trabalho de pai-genitor. Amida é Lua e mulher; logo, pode-se
dizer que é a mãe de Kannon. Ou seja, tanto a Terra como a Lua
possuem o sentido de gerar o Sol. Essa é, também, a Verdade-
Real do Universo.

Há, na China, uma lenda antiga sobre a deusa Seioobo.


Ela era a personificação da Deusa da Lua. No seu jardim, havia
um pessegueiro que dava frutos a cada três mil anos; esses
frutos, portanto, eram considerados um tesouro precioso e, como
tal, eram oferecidos ao Grande Deus do Céu.

Uma lenda hindu diz que, dali a três mil anos, surgiria o
Deus Tenrin-Bossatsu. Assim que Ele surgisse, toda a
humanidade seria salva, e o mundo se transformaria em Reino
dos Céus, paradisíaco. Pode-se dizer que essa lenda se refere à
profecia dos fatos que estão acontecendo agora. Tenrin-
Bossatsu, antes mencionado, creio que Se trata de uma outra
denominação de Kannon. Acredito que não posso afirmar que
Tenrioo-no-Mikoto, o deus da Igreja Tenrikyo, não tenha relação
com esse Bossatsu.

Amida é chamado também de Guekkoo-Bossatsu, e


Kannon, de Daihi-Nyorai. Ou seja: uma vez que os dois deuses
são Lua e Sol, respectivamente, significa que eles formam um
casal. E isso está representado freqüentemente nos templos

119
Rokan – Alicerce do Paraíso

budistas do Japão. Onde Kannon está entronizado, sempre está


Daibutsu (grande Buda). E Daibutsu é Amida. Kannon está
entronizado dentro do templo, e sua imagem é grande. Isso
porque Kannon é o buda próprio do Japão, e Amida é o buda do
exterior. A imagem de Kanzeon deve ser de ouro, e o seu
tamanho certo é issum hatibu (1,8 sun) (N.T.: sun é uma medida
japonesa), isto é, cerca de 15 cm. Em relação à imagem de
Amida, fundida em bronze, ou talhada em madeira e folheada a
ouro, as de tamanho maior são consideradas as melhores.

Creio que assim puderam ter uma noção mais completa


sobre o assunto.

1º de outubro de 1951

120
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 30 ) O R E I N O DOS CÉ US

A Criação da Civilização

Escrevi seguidamente o capítulo de Ciência e o capítulo de


Religião, e agora vou escrever o último, que é o capítulo do Reino
dos Céus. Entretanto, essa minha tese é, no seu verdadeiro
sentido, sem precedentes, e como também será a raiz e o tronco
do plano da construção da civilização mundial, quero que leiam
com essa intenção. Porém, a pessoa que lê pela primeira vez vai
pensar que é uma tese ideal muito distante da realidade, mas não
é nada disso. À medida que vão lendo, irão compreender que
possui possibilidade de concretização esplêndida.

Originariamente, a condição básica para construir o Reino


dos Céus na Terra, que é o objetivo do Deus, Senhor do
Universo, é antes de tudo manifestar o verdadeiro aspecto da
Grande Natureza tal como ela é. Isso porque, como sempre digo,
a constituição de tudo no Universo tem como base o Sol, a Lua e
a Terra, sendo que a sua essência é o fogo, a água e o solo,
portanto, através da força dessa trindade, todas as coisas
nascem, se desenvolvem e o mundo realiza um progresso
infinito. Entretanto, o Mundo Espiritual de até agora se
encontrava na Era da Noite, como explanei várias vezes, e
devido a isso, o Sol estava escondido. Ou seja, a ordem era Lua,
Terra e Sol. Sem dúvida que essa não é a ordem correta, por
isso, o mundo de até então tinha falta de harmonia em tudo, e foi
se desordenando fazendo surgir um mundo infernal como se vê
atualmente. Isso ocorreu também porque, como explanei
anteriormente sobre o Bem e o Mal, era necessário o atrito entre
o Bem e o Mal, e isso não é outra coisa senão a profunda
Vontade de Deus. Escrevi também que, durante esse período,
veio sendo amenizado através da religião, e realmente, as
palavras “sofrimento mundano” e “renúncia”, ditas por
Shakusson, e as palavras “redimir os pecados” e “amor ao

121
Rokan – Alicerce do Paraíso

próximo”, ditas por Cristo, não tinham outro significado a não ser
esse.

E quanto ao significado da Transição do Mundo da Noite


para o Mundo do Dia, pregada por mim, é o seguinte:
originariamente, a lei básica do Universo tem como correto a
ordem dos 3 níveis, Sol, Lua e Terra; porém, não se encontrava
assim devido ao significado anterior. Agora, finalmente, tomará a
forma perfeita. Será uma transição de 180 graus, realmente uma
grande transformação sem precedentes. Sendo assim, é lógico
que a formação da cultura atual passe por uma transformação e,
como falei anteriormente, terá a formação da Grande Natureza.
Todo o sistema também terá três níveis que, se separando, fica
6, e se separando mais uma vez, ficará 9. Ou seja, terá a forma
de 3, 6, 9 (Miroku). O Reino dos Céus na Terra ou, em outra
expressão, Mundo de Miroku, se refere a isso. Então, o que é o
Mundo de Miroku? A seguir escreverei como é esse mundo em
termos concretos.

O VERDADEIRO ASPECTO DO MUNDO DE MIROKU

Primeiramente explicarei em termos internacionais. A


fronteira entre cada país do mundo continuará como atualmente,
só que substancialmente será como se tivesse sido eliminada.
Isto é, desde que o poder em relação ao país vizinho se tornará
igual, acabará absolutamente com as invasões, ou melhor, não
haverá necessidade de invasão. Escreverei um pouco sobre a
questão da invasão que, até hoje, havia dois tipos: a invasão
inevitável e a invasão pela invasão. O primeiro é quando a
população de um certo país aumenta cada vez mais e o território
se torna pequeno, surgindo a necessidade de procurar um refúgio
para a população excedente, e se não houver um país que os
receba de boa vontade, é preciso fazê-lo mesmo usando
qualquer meio. Aqui surge a necessidade de recorrer à guerra,
mas no Mundo de Miroku jamais surgirão essas situações. Isso
porque no Mundo existem muitos países com extensas terras e

122
Rokan – Alicerce do Paraíso

pouca população; por isso, mesmo que tenha países com


território pequeno e super população como o Japão, será
facilmente solucionado.

Haverá uma assembléia mundial onde qualquer tipo de


problema será decidido depois de ser seriamente debatido.
Naturalmente que não haverá o espírito de interesse próprio
voltado para o seu país como se vê atualmente. Por isso,
qualquer projeto de lei, por ser justo, é natural que será aprovado
harmoniosamente, sendo que, em um ano, dezenas de milhares
de pessoas excedentes serão distribuídas igualmente para cada
país, não havendo possibilidade de conflito. Essa é a Assembléia
mundial do Mundo de Miroku, mas mesmo que se torne assim,
cada país terá a sua própria assembléia, e diferente de agora, o
caráter dos membros da assembléia também será esplêndido,
deixando de lado a concepção de interesse próprio, decidindo
qualquer coisa com amor humanitário e mundial. Portanto, não
haverá também, no local da assembléia, cenas de argumentação
prós e contras e tumultos; tudo será apenas explicações e
decidido rapidamente com perfeita satisfação de todos os
presentes, e o tempo também não chegará a um décimo de hoje.
O período de realização da assembléia será de uma vez mais ou
menos a cada três meses, com duração de meio dia a três horas.

Existe um motivo para isso. É que as leis estarão bem


diminuídas. Não é preciso dizer que a lei não é necessária ao
homem de bem; é um artigo necessário apenas para os homens
maus, portanto, tornando-se um mundo sem homens maus, é
natural que se torne assim. Tendo na cabeça esse tipo de
assembléia e olhando a atual assembléia, o que acham? Falando
sem rodeios, pode-se dizer que é um local de reunião de
selvagens culturais.

Escreverei agora sobre a Assembléia Mundial vista de


outro ângulo. A Nação Mundial pregada ultimamente pelos
Estados Unidos da América se refere a isso, e o fato de ter

123
Rokan – Alicerce do Paraíso

aparecido essa tese é o indício de que o Mundo de Miroku se


aproxima. Pode-se pensar que a Assembléia Mundial é a
assembléia de hoje ampliada mundialmente. Naturalmente que a
cabeça desse centro é igual ao presidente de hoje, isto é, haverá
um Presidente Mundial. O seu mandato será de três anos. Sem
dúvida o presidente será escolhido em uma comissão de
nomeação dentre os membros da assembléia de cada país do
mundo, sendo que esses membros serão correspondentes ao
número populacional desse país. Ou seja, esses serão os
membros da Assembléia Mundial.

Quanto ao invasor, nessa época cada país do mundo não


terá armamentos, então a guerra se tornará impossível e,
conforme falei, já que todo o ajuste da população será realizado
racionalmente e pacificamente, não há mais necessidade de
escrever sobre essa questão.

Jornal Eiko nº 137, 1º de janeiro de 1952

124
Rokan – Alicerce do Paraíso

CA PÍ T UL O II I - T R A N S I Ç Ã O DA ER A DA NOIT E PAR A A E RA
DO DIA

( R 1 / 31 ) A T R A N S I Ç Ã O DA NOIT E PAR A O DIA

O Evangelho do Paraíso, pág. 138

Acredito que o número de doentes assistidos por mim,


num período de mais de vinte anos, chega aproximadamente à
casa dos dez mil. Resumindo numa só frase a conclusão que tirei
através dessas experiências, eu afirmo: a origem das doenças
são os remédios. Quanto mais eu procurava a causa das
doenças, mais convicto ficava de que elas têm origem nos
remédios. Se não despertar para isso, não há a menor dúvida de
que a humanidade caminhará para a extinção. Entretanto, ao
invés de temer o remédio, as pessoas sentem-se confiantes e
gratas, como se ele fosse o senhor da salvação. Assim, com o
seu uso, inconscientemente o corpo vai enfraquecendo e a vida
se tornando mais curta, de modo que não é absurdo dizer:
"Intelectuais, o termo que melhor os define é imbecis."

Comparadas aos remédios, a guerra e a fome são


insignificantes. Estas palavras podem parecer exageradas, mas
eu asseguro que estou expondo apenas a verdade, claramente,
tal qual tomei conhecimento, sem o mínimo exagero. E o que
acho mais estranho é que os países considerados altamente
civilizados ainda não a tenham percebido. Apesar de terem
descoberto o princípio da bomba atômica, não conseguiram
descobrir os erros da Medicina.

É desnecessário dizer que não existe perdão para aqueles


que se tornaram criminosos de guerra, que invadiram outros
países, que mataram impiedosamente outros povos em nome de
um nacionalismo errado. Todavia, o crime cometido por eles
ocorreu durante determinado período, e agora estamos
finalmente presenciando a destruição dessa ambição. A

125
Rokan – Alicerce do Paraíso

Medicina, em contrapartida, vem praticando crimes contínuos há


milhares de anos, mas as pessoas, além de não perceberem
isso, dão-lhe grande importância, considerando-a uma profissão
sagrada ou mesmo filantrópica. Também poderíamos dizer que a
inteligência humana ainda não alcançou o nível que lhe permita
descobrir os diagnósticos errados da Medicina. Contudo, existe
um motivo para isso. Através da explicação que eu darei a seguir,
creio que os leitores poderão compreender melhor.

Conforme dissemos no capítulo anterior, explicando a


relação entre o Mundo Espiritual e o Mundo Material, tudo que
acontece no Mundo Material é reflexo do Mundo Espiritual. Neste
último, está ocorrendo atualmente uma grande transição;
conhecendo esse fato, tudo se torna claro aos nossos olhos.

Todas as coisas existentes no Universo nascem e


crescem, são criadas e destruídas, numa evolução infinita, pela
ação dos dois mundos. Se observarmos com visão ampla,
veremos que o Universo, ao mesmo tempo em que é
macroinfinito, também é o Mundo Material, um corpo constituído
de microinfinitos. Por sua contínua transformação, há uma
ininterrupta evolução da cultura. Meditando sobre isso, não
podemos deixar de sentir a "vontade" do Universo, isto é, o
objetivo e os planos de Deus.

Em tudo há positivo e negativo, claro e escuro; assim


também, há diferença entre noite e dia. Quando observamos a
mudança das quatro estações do ano, o progresso e declínio de
todas as coisas, notamos que isso se encaixa perfeitamente à
vida humana. Existe diferença entre o grande, o médio e o
pequeno em tudo. Com relação ao tempo, temos o contraste
entre o dia e a noite não só no espaço de um dia, mas também
em intervalos de um, dez, cem, mil, milhares ou milhões de anos.
É um fenômeno que ocorre no Mundo Espiritual; no Mundo
Material, entretanto, só notamos essa diferença no espaço de
vinte e quatro horas.

126
Rokan – Alicerce do Paraíso

No Mundo Espiritual, é chegada a hora da Transição que


se processa em intervalos de milhares ou milhões de anos. Trata-
se de um fato extremamente importante, cujo conhecimento,
além de nos permitir entender o princípio do Johrei, torna
possível a previsão do futuro do mundo e nos dá paz e
tranqüilidade. Explicarei, a seguir, como essa mudança está se
refletindo no Mundo Material.

Até agora era Noite no Mundo Espiritual. Nele, da mesma


forma que no Mundo Material, a noite é escura, e só
periodicamente há luar. Como conseqüência, predomina o
elemento água. Quando a lua se esconde, resta apenas a luz das
estrelas; se estas forem encobertas pelas nuvens, a escuridão
será completa. Observando-se os fatos do Mundo Material, que
são a projeção do que ocorre no Mundo Espiritual, isso se torna
muito claro. Pelas marcas deixadas até os nossos dias, os
períodos de guerra e paz, de ascensão e queda das nações,
podem ser comparados às fases crescentes ou minguantes da
lua É chegada, portanto, a hora de se iniciar mais um ciclo, ou
seja, encontramo-nos na iminência da mudança para o Dia.
Estamos justamente na fase do alvorecer.

A Transição da Noite para o Dia no Mundo Espiritual


ocasionará uma experiência inédita para a humanidade. Uma
grande, espantosa, temível e ao mesmo tempo feliz mudança
está para ocorrer, e seus sinais já estão aparecendo. Vejamos.

O dia, no Mundo Espiritual, é como no Mundo Material:


primeiro aparecem pinceladas de luz do Sol no horizonte, a leste.
Atentem, por exemplo, para a grande transformação ocorrida no
Japão, o País do Sol Nascente. Nele já se iniciou o colapso da
Cultura da Noite, ou seja, da cultura já formada. Observem,
também, o desmoronamento das grandes metrópoles da cultura,
a situação calamitosa da economia industrial, a queda dos
superpoderes, das classes privilegiadas, etc. Tudo isso é
conseqüência da mudança a que nos referimos. Logo virá a

127
Rokan – Alicerce do Paraíso

construção da Cultura do Dia, que também já está raiando,


representada, no Japão, pelo desarmamento total, seguido da
ascensão da democracia. Esses dois fatos, absolutamente
imprevisíveis desde a instituição do país como Nação, há dois mil
e seiscentos anos, serão o primeiro passo para o
estabelecimento da eterna paz mundial.

O Mundo da Noite é um mundo de trevas, caracterizado


pelas lutas, pela fome, pelas doenças. Em contraposição, o
Mundo do Dia é um mundo de luz, caracterizado pela paz, pela
abundância e pela saúde. O Japão atual expressa bem a fase de
Transição entre esses dois mundos. O sol que desponta no leste
deverá atingir o zênite. E o que significa isso? Significa o colapso
total da Cultura da Noite; ao mesmo tempo, ouvir-se-á o brado do
nascimento da Cultura do Dia. Pode-se mais ou menos ter uma
idéia disso pelos fatos ocorridos no Japão, os quais, em pequena
escala, já mostram um modelo da nova cultura. Assim, aproxima-
se o momento decisivo para toda a humanidade, e ninguém
poderá escapar. Resta ao homem apenas esforçar-se para tornar
os efeitos dessa ocorrência o mais brandos possível. Para isso,
ele só tem um meio: conhecer o princípio do Johrei e unir-se ao
trabalho de construção da Cultura do Dia.

Há um trecho da Bíblia que diz que seria pregado o


Evangelho do Paraíso ao mundo inteiro e depois viria o fim. Que
quer dizer isso? Acredito firmemente que essa missão será
cumprida pelos meus Ensinamentos.

Para explicar o princípio do Johrei, eu tive de avançar até o


destino do mundo. Todavia, era sumamente importante que o
fizesse, pois tanto a descoberta dos erros da Medicina como o
princípio do Johrei apóiam-se fundamentalmente neste ponto: a
Transição da Noite para o Dia.

Se a causa das doenças, como já expliquei, são as


máculas do espírito, e se a única maneira de acabá-las é a

128
Rokan – Alicerce do Paraíso

eliminação dessas máculas, resta uma grande dúvida: por que


não se descobriu isso antes da descoberta do Johrei?

O princípio do Johrei está baseado na misteriosa luz


invisível emanada do corpo humano. E qual é a natureza dessa
luz? Ela é uma espécie de energia espiritual, peculiar ao corpo
humano, e seu componente principal é o elemento fogo. Portanto,
na ministração do Johrei, necessita-se de grande quantidade
desse elemento; à medida, porém, que se aproxima o Mundo do
Dia, ele aumenta gradativamente, pois sua fonte de irradiação é o
sol. Assim, além de ser eficiente na eliminação das doenças, o
elemento fogo possui mais um fator de importância decisiva: seu
incremento no Mundo Espiritual acelera o processo de purificação
do corpo material, porque a transformação ocorrida naquele
mundo causa influência direta no corpo espiritual. O aumento do
elemento fogo tem a função de auxiliar a intensificação da
energia purificadora das máculas espirituais. Por isso, ao mesmo
tempo em que se torna mais fácil surgirem doenças, o tratamento
solidificador empregado pela Medicina atual terá efeitos cada vez
menores, acabando por se tornar impraticável. No Mundo da
Noite, era preciso que transcorressem vários anos para haver
uma nova liquefação das toxinas anteriormente solidificadas, mas
esse período irá diminuindo para um ano, meio ano, três meses,
um mês, até ser impossível a solidificação.

Um excelente exemplo do que estamos dizendo é a


vacina. O fato que se segue é verídico e ocorreu no Japão. Há
algumas décadas, diziam que uma aplicação de vacina imunizava
a pessoa para o resto da vida, mas aos poucos o período de
imunização foi diminuído para dez anos, depois para cinco e, nos
últimos tempos, seu efeito tornou-se muito fraco. Mesmo os
outros tipos de doenças têm aumentado a cada ano que passa.
Essa é uma realidade que não podemos deixar passar
despercebida.
Pelo exposto, os leitores poderão entender que pouco a
pouco está se processando a Transição da Noite para o Dia. No

129
Rokan – Alicerce do Paraíso

Mundo da Noite, para o tratamento das doenças, era mais


vantajoso solidificar as toxinas que derretê-las, pois não havia
quantidade suficiente do elemento Fogo para promover sua
liquefação. Assim, era inevitável adotar-se provisoriamente o
método de solidificação. Eis, portanto, o grave erro que se tornou
a causa dos sofrimentos da humanidade, como as guerras, a
fome, as doenças, a abreviação da vida, etc.

Admitindo a Transição da Noite para o Dia, cabe uma


pergunta: quando será esse período? Eu acho que o último
período de Transição não passará dos próximos anos. Um fato
bem ilustrativo são os resultados obtidos, no tratamento de
doenças, pelos meus discípulos, que somam alguns milhares.
Ultimamente, ano após ano, aliás, a cada mês, os resultados vêm
se tornando notáveis. É unânime a afirmação de que uma doença
que antes levava três meses para sarar, agora está levando um
mês, quinze dias, três dias; e a tendência é ir diminuindo cada
vez mais esse espaço de tempo. Isso mostra o rápido aumento
do elemento Fogo no Mundo Espiritual, o que é uma prova da
aproximação da Era do Dia.

O Evangelho do Paraíso, 05 de fevereiro de 1947

130
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 32 ) A C O N S T R U Ç Ã O DO MUN D O DE MIROKU

O Pão Nosso de Cada Dia, pág. 34

Estou agora escrevendo sobre a situação real do Mundo


de Miroku pregado por mim, e pretendo publicar esse trabalho
algum dia. No momento, vou escrever sobre o processo até a
construção daquele mundo.

O Mundo de Miroku é, sem dúvida, o Paraíso profetizado


por Cristo e o Mundo de Miroku pregado por Sakyamuni. E esse
mundo ideal está prestes a nascer. De acordo com a minha
sensibilidade espiritual, os alicerces já foram levantados no
Mundo Espiritual. Dessa forma, em futuro próximo, não há dúvida
de que o Mundo de Miroku se projetará no Mundo Material.
Estamos realmente repletos de felicidade por termos nascido
numa época tão gratificante.

Em relação a isso, é preciso saber, por exemplo, que para


construir um prédio suntuoso num terreno onde existe uma casa
velha, é necessário destruir essa casa. Naturalmente, dentre o
material velho, o que for útil para a nova construção será
selecionado, purificado e reformado. O mesmo fenômeno está
para acontecer na construção do Mundo de Miroku. Diversas
situações que forem surgindo daqui em diante, fatos que não se
encaixam dentro da lógica vista pelos olhos do homem, coisas
que não parecem lucrativas, coisas destrutivas, é preciso saber
que tudo isso constitui uma grande limpeza de impurezas.
Entretanto, tudo é manifestação da Vontade Divina. Se através
da visão do homem comum não se pode julgar isto e aquilo, o
homem deve ser bem humilde e adaptar-se inteiramente à
evolução de todas as coisas.

Nós, que conseguimos tomar conhecimento disso através


da sensibilidade espiritual, devemos tomar cuidado para não
distorcermos a grandiosa Vontade de Deus. Doravante, com uma

131
Rokan – Alicerce do Paraíso

visão correta, quaisquer imprevistos e processos destrutivos


nunca experimentados pela humanidade devem ser tomados
como privilégio das pessoas que se devotam à fé. No estado de
verdadeira tranqüilidade que nos foi concedido, devemos esperar
o tempo desfrutando a vida. Essa minha maneira de falar, difícil
de ser compreendida, deve-se ao fato de eu ainda não poder me
expressar abertamente sobre os profundos desígnios de Deus.

Em síntese, apenas abordei acima que medidas o homem


deve tomar e que preparação mental ele deve fazer para poder
ultrapassar o processo que antecede a concretização do Mundo
de Miroku.

Coletânea Série Jikan volume 12, 30 de janeiro de 1950

132
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 33 ) - A R R E P E N D E I - V O S P O R Q U E E S T Á P R Ó X I M O OFIM
DA ER A DA NO I T E

As duas advertências de Cristo "Arrependei-vos porque o


fim do mundo está próximo” e "Arrependei-vos porque o Paraíso
se aproxima", ainda não tinham o seu significado
verdadeiramente explicado. Obviamente que é porque não havia
ainda chegado o tempo certo, e como sempre digo, até hoje o
mundo se encontrava na Era da Noite, mas finalmente o tempo
chegou e o Mundo da Noite comunica o seu fim, cujo significado
coincide com a Transição do Mundo para a Era do Dia. Ou
seja,"o fim do mundo" é o “fim da Era da Noite”, e o Paraíso se
refere ao Mundo do Dia. Isto é, o mundo de escuridão repleto de
sofrimentos até hoje representava a Era da Noite e o Mundo do
Dia é o mundo de alegria, onde se espalha Luz por todos os
lados e os crimes e sofrimentos foram combatidos. As pessoas
que ouvem essa explicação e ficam satisfeitas sem dúvida são
pessoas que possuem fé e as pessoas materialistas que não
possuem nem um pouco de fé não conseguirão compreender só
com essa explicação, por isso vou escrever aqui o aspecto
verdadeiro da Transição da Noite para o Dia, a fim de que eles
possam compreender.

Primeiramente, quanto à ordem da Transição da Noite


para o Dia. Como sempre tenho falado, ela se inicia pelo Mundo
Oculto, invisível aos nossos olhos, reflete-se no Mundo Espiritual
e depois se reflete no Mundo Material. A primeira Transição, que
é realizada no Mundo Oculto, é um mundo tridimensional, e
quando esse momento é o ano de 1881, no Mundo Espiritual, a
transição dimensional se dá no ano de 1930, e a Transição do
Mundo Material agora se aproxima iminentemente do início de
uma grande crise. Em poucas palavras, quer dizer que o mundo
se encontra a um passo do alvorecer e chegou o momento em
que o Sol irá subir ao leste do Céu. Sendo assim, vamos explicar
como está atualmente a situação do Mundo Espiritual, do ponto
de vista científico.

133
Rokan – Alicerce do Paraíso

Nem é preciso dizer que no Mundo Espiritual, durante a


Era da Noite, o principal era a essência da água e o secundário a
essência do fogo, mas ao entrar na Era do Dia, será o contrário, o
principal será a essência do fogo e o secundário a essência da
água. Ou seja, a escuridão se transformará em claridade. Se
fosse apenas isso, não haveria motivo para preocupação, mas na
realidade, através desse processo irá ocorrer uma grande
transformação inédita. Isso porque será realizada a destruição e
construção sem igual experiência. Ou seja, no Mundo Espiritual o
impuro se tornará puro e do mesmo modo isso se refletirá no
Mundo Material; portanto, é impossível imaginar a grandiosidade
da mudança que irá ocorrer no Mundo Material. Sem dúvida que,
como conseqüência do aumento da essência do fogo no Mundo
Espiritual, teremos o aparecimento do poder de purificação e, ao
mesmo tempo, a sua intensificação gradativa, em proporção
direta com o passar do tempo. Como manifestação disso, o Bem
e o Mal, o correto e o errado se tornarão claros e se realizará a
purificação de toda a humanidade. Originariamente, a doença
humana é um processo de purificação através da essência do
fogo, portanto, quanto mais impurezas a pessoa possuir dentro
do corpo, é lógico que seja realizada uma purificação mais forte.
Contudo, as doenças de até hoje apareceram extremamente
devagar, não chegando a correr risco de vida, porém a doença do
fim do mundo será uma grande purificação muito rigorosa, por
isso terá um rápido progresso. Por exemplo, se os sintomas
forem dois ou três como dor de cabeça, tosse e disenteria, não
chegam a ameaçar a vida, mas se aparecerem sete ou oito
sintomas de uma vez, será impossível resistir. Nesse caso, ao ser
examinado por um médico, não escapará de uma morte rápida,
porque desconhece completamente a causa da doença.

Que coisa terrível, não acham? Como conseqüência desse


tipo de grande purificação atacar a humanidade, surgirá uma
época de grande terror, sendo possível imaginar como será
infinito o número de pessoas que serão destruídas. Em relação a
isso, Cristo fez uma grande advertência com a frase “o Juízo

134
Rokan – Alicerce do Paraíso

Final”. Apenas não se sabia claramente o aspecto verdadeiro e a


época do Juízo, por isso a humanidade não tinha um
discernimento verdadeiro. Entretanto, agora que o momento
finalmente se aproxima, Deus, através de mim, a fim de fazer
uma grande advertência, vai escrever concretamente.

Nesse sentido, no momento em que o grande julgamento


irá recair sobre a cabeça de toda a humanidade e desde que o
amor de Deus é salvar o maior número possível de pessoas, e
sendo Ele o realizador do grande julgamento, possui em Suas
Mãos a vida do homem, por isso não existe absolutamente outro
método para ultrapassar esse obstáculo a não ser agarrar-se à
mão de Deus e ser perdoado de seus pecados. Ou seja, não
existe outro caminho da salvação a não ser através da mão de
Deus, que irá retirar o pecado pesado que a humanidade carrega
e ser purificado.

Eu, como o realizador dessa última salvação, devendo


desempenhar a responsabilidade conforme a nomeação de Deus,
estou fazendo soar o sino da grande advertência, mas tem
pessoas que tapam os ouvidos não querendo escutar; digo, sem
outro jeito, que são pessoas que escolhem por si mesmas o
destino da destruição.

Finalizando, ao chegar o momento, advirto que devem se


arrepender, senão será tarde demais.

Jornal Hikari nº 42, 31 de dezembro de 1949

135
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 34 ) O QU E É O J U Í Z O FINA L?

O Pão Nosso de Cada Dia, pág 51

A expressão Juízo Final foi enunciada por Cristo, mas,


como ele não falou quando e como isso iria se processar, ainda
hoje tudo permanece envolto em mistério. Especialmente os
cristãos têm tentado, ao longo dos tempos, desvendá-lo. Até o
momento, porém, ninguém o conseguiu, pois quem for capaz de
tal feito deverá ter o mesmo nível ou nível mais elevado que
Cristo.

O esclarecimento seguro dessa verdade, através de mim,


fará com que a pessoa, seja ela quem for, arregale os olhos de
puro assombro. E é natural que assim seja, pois recebi de Deus a
missão de dar a partida para o advento do Juízo Final.

Juízo significa julgamento. A crença geral é que esse


julgamento será efetuado por Deus, ou então que aparecerá o
Enma. Mas não é assim. Então como será? Resumindo em uma
palavra, vai haver uma grande ação purificadora, que atingirá a
todos.

Há algum tempo venho anunciando que o Mundo


Espiritual, que até agora se encontrava na Era da Noite,
finalmente está entrando na Era do Dia. O Juízo Final é o
momento em que esse processo transitório for totalmente
concluído, e a hora está bem próxima. Como eu já disse
anteriormente, tendo o dia 15 de junho de 1931 como ponto de
partida, vem se operando gradativamente a mudança para o Dia,
com a grande e decisiva ação purificadora ocorrendo no final.
Evidentemente, ela se processará em três escalas: do Mundo
Divino para o Mundo Espiritual e deste para o Mundo Material,
que então se tornará verdadeiramente Mundo do Dia. Este será o
Mundo da Luz. Com respeito ao tempo, em 15 de junho deste
ano o Mundo Material deu o primeiro passo para entrar na

136
Rokan – Alicerce do Paraíso

derradeira fase da Transição para o Mundo do Dia. Devo


esclarecer que existe um plano determinando que dentro de dez
anos, a partir do corrente ano, será estabelecido o alicerce do
Mundo de Miroku, ou seja, do Paraíso Terrestre.

Falei de modo geral, mas, naturalmente, o avanço dessa


mudança é gradativo; os senhores membros devem saber que
ela está se processando passo a passo, judiciosamente. Na
medida em que o Mundo Espiritual se torna Dia, as purificações
tornam-se cada vez mais fortes, o efeito do Johrei mais notável e
a cura das doenças cada dia mais rápida, com o número de
milagres aumentando. Se compararem as curas obtidas há um ou
dois anos atrás com as do presente, compreenderão bem. Da
mesma forma, com a intensificação gradativa da purificação, a
mudança na sociedade também será mais violenta. Como tudo
será exposto à Luz, de acordo com o princípio da Concordância,
os desonestos irão gradualmente decair e os honestos prosperar,
assimilando o mesmo padrão da purificação do Mundo Espiritual.
Existe, porém, um problema muito sério: chegando a hora, por
mais que o homem se esforce, nada poderá contra a força da
Grande Natureza. O Bem e o Mal serão claramente separados; o
Mal será destruído e o Bem sobreviverá.

Pela razão acima, quanto mais pecados e impurezas a


pessoa tiver, menos conseguirá suportar a grande purificação,
não havendo outra alternativa a não ser despedir-se deste
mundo. Em contrapartida, o Bem conseguirá sobreviver com
facilidade. Assim, não podemos ficar tranqüilos, a menos que nos
encontremos em condições de suportar qualquer espécie de
purificação. Para os que possuem muitos pecados e impurezas, o
Juízo Final é temível; para aqueles que os têm em pequena
quantidade, ao contrário, ele é gratificante. Isto porque, após o
Juízo Final, virá o Paraíso, e as pessoas poderão ter uma vida
jubilosa.

137
Rokan – Alicerce do Paraíso

A esse respeito, como expliquei, o aparecimento da nossa


Igreja está ligado ao objetivo de criar o maior número possível de
pessoas capazes de atravessar imunes o Juízo Final. Isso
significa o grande amor de Deus e, também, a grande missão a
mim atribuída. Sendo o Johrei o único método para atingir esse
objetivo, ele não só cura doenças, mas também cria pessoas com
qualificação para atravessar imunes o Juízo Final. Aqueles que
souberem dessa Obra deverão reconhecer, na nossa Igreja, a
grande Arca de Noé para a salvação do mundo. Ela se chama
Igreja Messiânica Mundial exatamente pelas razões citadas.

Creio que, através do que dissemos, puderam


compreender, de modo geral, o significado do Juízo Final.

Jornal Eiko nº 110, 27 de junho de 1951

138
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 35 ) O J U Í Z O F I N A L

O Juízo Final, profetizado por Cristo, parece que de


repente vai acontecer alguma coisa terrível, e através disso as
pessoas que não possuem fé serão eliminadas, e as que
possuem fé se salvarão. Fizeram, dessa forma, uma separação
extremamente simples, e pode-se dizer que isso não existe, mas
também por outro lado existe. Falando dessa forma, é
extremamente ambíguo, mas existe um motivo para isso. É que,
daqui em diante, se através das atividades de Deus aumentar o
número de pessoas arrependidas, não será necessário utilizar
esse método extremo, mas se não for assim, inevitavelmente,
serão julgados drasticamente por isso. Assim, essa decisão
depende do homem.

Por esse motivo, Deus promove a renovação do


sentimento através de um método ameno para que não sofra
muito; então, podemos notar aqui a profundeza do seu amor e
compaixão. E até hoje, dentre os pecados praticados pela
humanidade, o maior deles, é sem dúvida, o erro da medicina.
Portanto, fazer com que compreendam isso perfeitamente do
fundo do coração e se arrependam é o ponto básico da salvação,
por isso continuo fazendo o maior esforço nesse sentido, mais do
que qualquer outra coisa. Como sempre digo, o chamado crime
praticado pelo homem tem a sua causa na doença do espírito e
corpo em conjunto; portanto, curar a doença é tornar o homem
saudável para que não pratique novamente o Mal, e somente
através disso os pecados serão completamente banidos da
sociedade humana.

O objetivo da nossa Igreja, que é o mundo completamente


isento de doença, pobreza e conflito, também se refere a isso,
por isso vou escrever em detalhes abrangendo uma área maior.
Em primeiro lugar, o mundo atual, não o homem unicamente,
tudo está contaminado pela doença. Ou seja, o lar, a sociedade,
a nação e também o mundo estão iguais; são corpos doentes. E,

139
Rokan – Alicerce do Paraíso

se acontecer a Terceira Guerra Mundial, será um problema e se


preocupam, cuja causa é o início de um grande processo de
purificação mundial, por isso a intranqüilidade social, o aumento
intensivo de crimes e o aumento de pessoas infelizes são
também um processo de purificação; os problemas de
pensamento e dificuldades econômicas de cada país, as greves e
outras coisas sem sentido que surgem continuamente, são
também processos purificadores da sociedade; os problemas
domésticos, as brigas entre casais, também são processos
purificadores individuais. Dessa forma, pode-se dizer que não
existe nenhum local do Globo Terrestre que não tenha esse
processo de purificação. Portanto, para construir um mundo feliz
sem processos de purificação, é preciso, primeiramente, curar a
doença de cada pessoa, e compreendendo esse princípio, creio
que concordarão que a nossa Igreja é a religião que salvará o
mundo. Daí o nome Igreja Messiânica Mundial.

Revista Tijyo Tengoku nº 42, 25 de novembro de 1952

140
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 36 ) O J U Í Z O F I N A L

Alicerce do Paraíso, pág. 61

Os cristãos e todas as pessoas em geral devem estar


muito interessados em saber quando e como virá o Juízo Final,
profetizado por Cristo. Visto que está se aproximando a hora, vou
esclarecer a questão parcialmente. Não se trata de interpretação
minha, e sim de um conhecimento que me veio totalmente por
intuição espiritual. Por isso, quero que tomem minhas palavras
apenas como mais uma referência ou teoria.

Em primeiro lugar, é necessário definir se realmente


haverá um Juízo Final. Ora, um ser Divino como Cristo, que hoje
é alvo da fé de milhares de seguidores no mundo inteiro, entre os
quais se contam povos de nações superdesenvolvidas, não
profetizaria algo que não acontecerá. Caso sua profecia não se
concretize, ele não passará de um simples mentiroso. Portanto,
embora não sejamos cristãos, acreditamos nela piamente. As
palavras do fundador da Religião Oomoto-kyo: "O que Deus diz
não tem qualquer margem de erro, nem sequer da largura de um
fio de cabelo", sem dúvida alguma podem ser aplicadas à
profecia sobre o Juízo Final.

Sobre o Bem e o Mal, também, existem as seguintes


profecias: "Destruirei o Mal pela raiz e construirei o Mundo do
Bem"; "O Mundo do Mal já acabou"; "O Mundo do Mal atingirá o
seu ápice aos noventa e nove por cento, e, com a ação de um
por cento, será transformado no Mundo do Bem"; "Finalmente
está chegando a hora da Transição do Mundo". Todas elas, creio
eu, não podem dizer respeito a outra coisa senão ao Juízo Final.
É aquilo a que estamos nos referindo constantemente como
sendo a Transição da Noite para o Dia. Há uma frase também
relacionada à essa Transição: "O momento crítico deste mundo
está prestes a chegar; por isso, nosso espírito precisa estar

141
Rokan – Alicerce do Paraíso

polido". Tais palavras significam que é impossível o ser humano


transpor esse período estando cheio de máculas.

Tomando a Bíblia como base e analisando o sentido das


profecias citadas, podemos afirmar que nos encontramos na
iminência de um grande perigo; para ultrapassá-lo, precisaremos
estar com o espírito purificado. Isso quer dizer que o homem mau
será eliminado para sempre. Se assim for, torna-se
imprescindível purificarmos nosso espírito através de uma fé
correta, a fim de que possamos transpor essa fase com
segurança.

Os materialistas podem não acreditar, podem dizer que é


um absurdo, que Deus é apenas fruto da imaginação do homem;
entretanto, quando chegar o momento decisivo e, aflitos, eles
quiserem voltar-se para Deus, já será tarde demais. Isso é mais
claro que a luz do dia. Naturalmente, o amor de Deus é infinito e
Seu desejo é salvar o maior número possível de criaturas. Nós,
que seguimos Sua Vontade, estamos repetidamente advertindo
os homens, através da palavra oral e escrita.

Sobre o mesmo assunto, existe outra advertência: "Deus


está querendo salvar os homens, mas, se eles não tomarem
cuidado e não derem importância a tantos avisos, encarando-os
simplesmente como o canto do galo que estão acostumados a
ouvir, chegará a hora em que, prostrados, terão de pedir perdão
a Deus. No entanto, quando chegar essa hora, Deus não poderá
ficar se ocupando dos homens. Assim, eles terão de resignar-se
ante a situação criada pelas suas próprias mãos." Acho que
essas palavras têm exatamente o mesmo sentido daquilo que eu
acabei de explicar.

A propósito, falarei resumidamente sobre o Dilúvio e a


Arca de Noé.

142
Rokan – Alicerce do Paraíso

O fato deve ter acontecido há milhares de anos, num


antigo país europeu, onde viviam dois irmãos de nome Noé. No
estado que hoje chamamos de "transe", o mais velho foi avisado
sobre a iminência de um dilúvio, e por isso deveria alertar seu
povo. Muito apreensivos, eles anunciaram aos homens o perigo
iminente, mas ninguém acreditou em suas palavras. Passados
alguns anos, finalmente eles conseguiram convencer seis
pessoas. Então Deus lhes ordenou que construíssem uma arca, e
os oito entraram nela.

Pouco tempo depois, começou a chover ininterruptamente.


Uns dizem que choveu durante quarenta dias; outros dizem que
cem. O certo é que foi um longo período de fortes chuvas. As
águas subiam cada vez mais, inundando as casas; apenas o
cume das montanhas ficava de fora. Os homens tentavam entrar
na arca ou refugiar-se nas montanhas, mas os animais ferozes e
as cobras venenosas, querendo salvar-se, faziam o mesmo.
Como a arca possuía tampa, ninguém conseguiu entrar.
Famintos, os animais devoravam todos os homens; salvaram-se
apenas as oito pessoas que estavam na arca. Elas são
consideradas antepassados da raça branca.

No Novo Testamento, existe uma passagem na qual se diz


que João faria o batismo pela água e Cristo faria o batismo pelo
fogo. Se o Dilúvio representou o início do batismo pela água, o
batismo pelo fogo, atribuído a Cristo, só poderá ser o Juízo Final
que está prestes a chegar. Acontece que a água é material, e o
fogo é espiritual. Por isso, aquilo que estamos realizando
atualmente - a purificação do espírito através do espírito - nada
mais é que o batismo pelo fogo. Como o espírito se reflete na
matéria, a influência que esse batismo exercerá sobre ela deverá
produzir uma mudança extraordinária. Mas precisamos saber que
existe perigo apenas para o Mal, e não para o Bem.

Este artigo, eu o ofereço às pessoas descrentes.

143
Rokan – Alicerce do Paraíso

Revista Tijyo Tengoku nº 12, 20 de janeiro de 1950

144
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 37 ) O Q U E É O J U ÍZ O F I N AL

Vou escrever sobre o Juízo Final, e nem é preciso dizer


que o seu princípio é uma grande limpeza mundial, é o processo
de purificação dos pecados acumulados durante longo tempo.
Portanto, o que estiver muito sujo não tem jeito, será riscado para
sempre da Terra, o que nos dá medo. Dessa forma, as coisas
úteis futuramente serão preservadas naturalmente; ao mesmo
tempo, o que for inútil será removido. Falar isso é extremamente
fácil, mas para o homem é uma ameaça, pois trata-se de uma
grande transformação inédita, o que é extremamente difícil de
expressar através da escrita ou de palavras. Ou seja,
basicamente, é a separação do Bem e do Mal, sendo que o
virtuoso não terá pecados e o maldoso será um pecador, será
realizado um julgamento definitivo. Portanto, os homens
existentes na face da Terra atualmente estão colocados no
mesmo destino dos animais antes do sacrifício, o que é um grave
problema. Além disso, um fato entristecedor é que um número
pequeno de pessoas serão perdoadas, sendo mais numerosas as
pessoas que não serão salvas, e essa proporção não dá para ser
mostrada através dos números, por isso não há erro em pensar
como foi dito há pouco.

Sem dúvida que o mesmo se aplica aos japoneses; por


isso, a pessoa que quer se salvar deve, nessa ocasião, mudar o
pensamento urgentemente. Esse fato é como foi profetizado
claramente por cada santo como representante de Deus, desde
tempos antigos. E agora chegou esse momento. E também não
foi dito que a humanidade inteira seria salva. Foi falado apenas
para salvar o maior número possível de pessoas através do
grande amor de Deus. Com essa missão, nasceu a nossa Igreja
Messiânica Mundial; portanto, essa conscientização, em primeiro
lugar, é, antes de tudo, o mais importante. Como foi dito acima,
se é maior o número de pessoas que não serão salvas do que as
que serão salvas, os fiéis devem estar bem cientes disso. Isso
porque existe a necessidade de discernimento no caso de curar a

145
Rokan – Alicerce do Paraíso

doença e salvar. Realmente, querer salvar toda e qualquer


pessoa sem deixar ninguém de lado existe aos montes, mas é
como foi dito acima: à medida que o tempo avança, vai se
compreendendo por si mesmo, as pessoas que serão salvas e as
que não, e desde que essa é a Vontade Divina, não há como
escapar. Portanto, a pessoa que não gosta do Johrei, não se
propõe a ouvir sobre o assunto, ou entende ao contrário, é
porque já foi destinado do lado dos que não serão salvos. Sendo
assim, por mais que se tente fazer com que essa pessoa
entenda, é perda de tempo; é preciso, ao contrário, tomar
cuidado para não negligenciar as pessoas que precisam ser
salvas.

E também, existem pessoas que, apesar de terem


recebido graças com tanto esforço, e mesmo depois de ter sido
curadas de uma doença grave e ficarem felizes por um momento,
à medida que o tempo passa, acabam se esquecendo; ficam
indecisas, mas essas pessoas já tiveram sua afinidade cortada e
passaram para o lado dos que serão extintos; assim, é melhor
abandonar. Como podem compreender através de tudo isso,
daqui para frente, quando forem fazer novos fiéis, há os que
aceitam docilmente muito bem; mas aqueles que não são assim,
devem ser consideradas criaturas sem afinidade e não tem outro
jeito a não ser desistir. Conforme esse significado, à medida que
vamos nos aproximando do fim, os fiéis devem primeiramente
separar o Bem e o Mal.

Jornal Eiko nº 213, 17 de junho de 1953

146
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 38 ) - O H O M E M MODE R N O CARR EG A UM A BOMBA

Creio que, ao lerem o título acima, pensarão que é querer


assustar, mas na realidade é um texto honesto que não possui
nem um pouco de tática; portanto, quero que leiam com essa
intenção. Os fiéis sabem perfeitamente que, ao examinar uma
pessoa dentre os homens modernos que estão trabalhando
aparentemente saudáveis, sem exceção, possuem solidificações
de remédios em toda parte do corpo. E quando acontece de
alguma parte começar a se dissolver, rapidamente vão ao médico
para ser examinada porque se trata de uma doença, Então, o
médico examina e diz que é problemático; agora ainda não é
grave, mas, dependendo, pode ser o início de uma grande
doença e, rapidamente, volta a solidificar a toxina. Esse meio de
solidificação é o remédio e diversos outros métodos. Dessa
forma, acreditam que o método de solidificar é um método de
tratamento avançado, por isso trata-se de um mundo difícil.

Por esse motivo, o homem de hoje tem toxinas


acumuladas aos montes e as tem solidificado conscientemente;
portanto, chamado de gordo sólido aparenta ser uma pessoa
saudável, mas na verdade é perigoso. Anteriormente eu ria,
dizendo que a solidificação de pus estava se vangloriando
falando teorias. Sem dúvida que agora também é assim, mas a
tendência é se tornar cada vez pior mais do que tudo, não existe
outra coisa com facilidade de pegar doença como o homem, por
isso está cheio de incômodos, como “tome cuidado com a
higiene”, “não fique gripado”, “não coma nem beba demais”,
“coma alimentos nutritivos”, “não se resfrie”, “não se canse”,
“durma o suficiente”, “lave as mãos“, “faça gargarejos”, etc. É
como se tratasse o corpo humano como um objeto frágil. Pode-se
dizer, sem lamentações, que é um tipo de uma época de terror.
Entretanto, se continuasse dessa maneira, seria bom, mas existe
um motivo para não ser assim. É a mudança do Mundo Espiritual.
Essa mudança é que, aos poucos, a toxina não irá mais se
solidificar e, por mais que se utilizem tratamentos médicos novos

147
Rokan – Alicerce do Paraíso

e remédios, o poder de dissolução se tornará mais forte e os


homens cairão aos montes; isso será mais claro do que olhar
para o fogo. Porém, ao ler isso, a maioria das pessoas poderá
dizer que é impossível existir uma coisa boba dessas, que existe
um limite para fazer intimidações, mas Cristo já havia profetizado
há mais de 2.000 anos atrás. É sobre o fim do mundo, corforme o
texto anterior.

Contudo, a pessoa que não quiser acreditar, não precisa,


mas quando chegar o último momento e disser "Ih, fiz burrada!
Me advertiram tanto, que burro que sou", se arrependendo, será
tarde demais. Então, se quiser se salvar, o momento é agora. E o
que se deve fazer? Não é muito difícil. Se a toxina se dissolver de
uma vez, existe perigo de vida, mas se for gradualmente, será
salvo. Esse é o método de Johrei da nossa Igreja e, por ser
demasiadamente simples, existem pontos difíceis de serem
acreditados, mas por isso mesmo possui valor. Entretanto, como
a purificação do Mundo Espiritual se intensifica a cada dia, no
final, mesmo com o tratamento médico, não conseguirá
solidificar. Portanto, é preciso abrir os olhos o quanto antes e vir à
nossa Igreja. Resumindo tudo isso, quer dizer que o homem
moderno carrega, realmente, uma bomba de veneno.

Jornal Eiko nº 184, 26 de novembro de 1952

148
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 39 ) V IR Á U M A É P O C A DE GRAN D E PAV O R

Acredito que, quem quer que seja, ao ver este título ficará
surpreso. Quanto aos membros, talvez nem tanto, mas as
pessoas que o virem pela primeira vez, certamente se
assustarão. Já venho me referindo ao presente assunto há muito
tempo, em várias oportunidades. Mas, como essa época está
bem mais próxima, desejo expor de forma mais minuciosa.

Naturalmente, a cada dia, a cada mês, a purificação está


se intensificando no Mundo Espiritual; creio que, num futuro bem
próximo, as pessoas da sociedade em geral se verão perdidas.
Por isso, recentemente, conjecturando sobre a necessidade de
esclarecer sobre o assunto, comecei a escrever um livro sobre a
reforma da Medicina. Acredito que os fiéis já estão deveras
cientes mas, atualmente, todas as pessoas possuem toxinas
provenientes dos medicamentos em grande quantidade, a ponto
de nos deixar assustados. Sinto que, quanto mais
compreendemos sobre isso, maior se torna o nosso pavor.

Mesmo assim, ao observar a sociedade atual, há muitas


pessoas que estão trabalhando ativamente como se fossem
pessoas extremamente saudáveis. Quando observamos
superficialmente, não podemos imaginar que está para chegar
uma época tão pavorosa. Portanto, creio que não só as pessoas
não-membros, mas também os membros mais recentes, terão
dificuldades em acreditar nesse advento.

Na realidade, aqueles que aparentam ser mais saudáveis


correm maior risco, pois possuem grande quantidade de toxinas
medicinais fortemente solidificadas. Portanto, com a chegada da
referida época, principalmente essas pessoas sofrerão uma
purificação geral em decorrência dessas toxinas. Devemos
compreender que, assim, tais pessoas estarão entre aquelas que
serão as primeiras atingidas pela referida purificação.

149
Rokan – Alicerce do Paraíso

Venho afirmando há mais de vinte anos que a origem da


doença são as toxinas produzidas pelos remédios; no início, a
maioria das pessoas não acreditava, mas à medida que elas vão
se tornando veteranas, a sua convicção sobre isso vai
aumentando.

O fato de não acreditar é admissível, pois desde


antigamente, desde os tempos dos ancestrais, tem-se dito e isso
tornou-se lógica que "a doença é curada pelo médico e pelo
remédio". Assim, podemos afirmar que não existem pessoas que
consigam compreender totalmente com apenas uma ou duas
explicações. Mas, ultimamente, parece que elas começaram a
compreender mais rapidamente, e isso significa que houve certa
mudança na maneira de ver a nossa Igreja.

Mas, como afirmei anteriormente, se a purificação se


intensifica gradativamente, é natural que o número de pessoas
que a compreendem também irá aumentar na mesma proporção.
Isto porque, a cada dia, o método de solidificação empregado
pela Medicina irá perdendo o seu efeito. Em contrapartida, como
o Johrei é um método de dissolução - o oposto - significa que o
tempo se aliará ao Johrei.

Dessa forma, o número de doentes aumentará cada vez


mais; surgirão também vários novos tipos de doenças, e os
médicos não saberão mais o que fazer; eles ficarão, obviamente,
num beco sem saída.

Os remédios e injeções, que até agora eram prontamente


eficazes, além de passarem a não surtir nenhum efeito, se
tornarão o oposto. Portanto, virá uma época de pavor em que,
quando o médico puser a mão, a pessoa poderá ter a sua doença
agravada e chegará até a perder a vida. Se isso começar a
acontecer, tanto o governo, os profissionais e as pessoas em
geral compreenderão o verdadeiro sentido da Medicina e
acabarão por boicotar o tratamento médico, o que se tornará

150
Rokan – Alicerce do Paraíso

realmente um grande problema. Assim sendo, eles não poderão


deixar de respeitar a tese da nossa Igreja e de, ao mesmo tempo,
dizer: “Sinto muito por ter acatado naquela ocasião a tese da
Igreja Messiânica Mundial como algo estranho e por ter falado
mal da mesma”, acabando, finalmente, por despertar.

Quando isso acontecer, ninguém desejará perder a vida e


todos os povos naturalmente virão em grande número em busca
de salvação. Como isso ocorrerá de uma só vez, não será nada
fácil para nós. Mas, enquanto as circunstâncias assim o
permitirem, poderemos salvá-los. Entretanto, como não
poderemos salvar todas as pessoas, as que se afastarem de nós,
infelizmente, não terão outra escolha a não ser arcar com a
própria atitude tomada.

Há um Ensinamento da religião Oomoto: "Não adianta


recorrer a Deus quando chegar o momento decisivo, pois será
tarde demais. Para as pessoas que não ouvem com atenção, no
dia-a-dia, as palavras de Deus, Ele não poderá, naquele instante,
dar-lhes a devida atenção e, assim, nada poderá ser feito. A
devoção "de última hora" será tarde". São palavras implacáveis,
expressas em forma de epigrama. Está contido nessas
afirmações exatamente aquilo que pretendo dizer. Há um outro
ensinamento: "Desta vez, o critério é mostrar de uma forma
diferente a existência ou não de Deus neste mundo; por isso,
quem quer que seja, se compreender que Deus existe, não
poderá deixar de capitular". Como são severas essas palavras!
Sinto-as penetrarem até os ossos.

Há algo que, em geral, as pessoas deixam passar


despercebido. Como se trata de outras religiões, sinto-me um
tanto receoso, mas como o tempo está bem próximo, e como é
para o bem da salvação da humanidade, achei necessário expor.
Assim, decidi escrever.

151
Rokan – Alicerce do Paraíso

Devo dizer que as religiões de nada adiantarão para o


Juízo Final que está se aproximando. Isto porque a maioria dos
fundadores das religiões, além de não terem o poder de salvar o
mundo, precisam se salvar e aos seus fiéis. Assim, ultimamente,
eles têm vindo pedir-me seguidamente a salvação. Baseados
nisso, vocês poderão compreender que eles realmente não
possuem o poder de salvação.

As várias religiões talvez tiveram a função de fazer com


que o mundo continuasse a existir até os dias de hoje. Mas já
que, finalmente, estamos numa situação inédita de grande
transição, a cultura tradicional terá um destino catastrófico.

Também será uma época de retorno de todas as Igrejas ao


"Uno"; assim, todas as religiões formarão um grupo coeso e,
centralizadas na nossa Igreja, colaborarão não só na salvação do
mundo, como também na construção do Paraíso Terrestre.

Há ainda algo a esclarecer. No fim, ou a pessoa extingue-


se, voltando as costas para a nossa Igreja, ou será salva
abraçando-a. Já que terá que escolher uma dessas duas
alternativas, acho melhor que se decida desde já. Esta será
também a tarefa de toda a humanidade num futuro próximo.

Jornal Eiko nº 194, 4 de fevereiro de 1953

152
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 40 ) H A V A Í , O N D E P R O L I F E R A M - S E E N F E R M O S

Havaí foi o local que escolhi, como o primeiro passo para a


difusão da Igreja Messiânica Mundial, em além-mar. Já é
conhecido que desde há dois meses, os dois missionários,
Higuchi e Ajiki, começaram as atividades naquele local. É
extremamente congratulante que, conforme os últimos relatórios
recebidos, encartados à parte (omitido nesta edição), estão
conseguindo resultados superiores à perspectiva.

E, conforme consta no relatório, (omitido nesta edição), o


fato de a saúde da população do Havaí ser demasiado ruim, acho
mesmo que é pior do que a dos japoneses. Nem é necessário
dizer que isso é causado pela medicina errônea. Eu já imaginava
que, decerto, deveriam ser muitas as vítimas da medicina, pela
cultura daquela terra ser mais ou menos ao estilo americano, mas
fiquei estupefato, porque não pensava que fossem tantas. Por
conseguinte, fico aterrorizado ao pensar que, não se sabe o que
seria dessas pessoas, se não tivessem a salvação da nossa
Igreja.

O que mais tem de maravilhoso é no cenário em que, ao


tomarem conhecimento uma vez da grandiosa Força Divina,
como se agraciados pela misericordiosa chuva na seca, o clamor
da população que procura a salvação surgiu agitadamente, e está
se expandindo como a força de um incêndio na mata.

Por causa disso, os dois missionários que estão atuando


diariamente estão dando gritos de alegria, e se fosse avançar
com esse vigor, surge-se até a esperança de que em futuro,
breve, todo o território de Havaí se torne o primeiro Paraíso
Terrestre.

O que se pode supor através disso é a situação nos


Estados Unidos. É claro que acho que o número de pessoas
acometidas pela doença deve ser igual ou superior ao do Havaí.

153
Rokan – Alicerce do Paraíso

E, conforme está planejado, brevemente, com sede em Los


Angeles, será estendida a mão da salvação àquele país, e
começando a difusão, creio que também conseguiremos
resultados acima da expectativa. Com relação a isso, sobre
aquele livro "Salvar a América", editado recentemente, quando eu
estava editorando esse livro, sentia-me apressado a ponto de
estranhar-me, e ele ficou pronto em questão de mais ou menos
um mês, e nunca havia conseguido fazer tão depressa.

Ao refletir-me sobre isso agora, só posso pensar que Deus


é quem se apressou muito, e também por esse fato, o perigo em
questão de saúde é iminente, nos Estados Unidos, não se
podendo esperar nem um dia mais. Entretanto, apesar de se
apressar, humanamente, como existem vários obstáculos, como
leis e órgãos relacionados com religiões e outras coisas mais,
imagino que até chegar aos ouvidos de todos os americanos,
necessita-se de bastante tempo, mas é inevitável.

Como é do conhecimento de todos, atualmente os Estados


Unidos ostentam o progresso da medicina e são perfeitos os seus
serviços, como os métodos de tratamentos materiais, variadas
instituições, etc., e principalmente ao ver as seguidas invenções
de novos medicamentos, e o progresso nos métodos de
intervenções cirúrgicas, não é difícil de se imaginar que o estado
de saúde desse povo esteja piorando com extrema rapidez.

Por outro lado, o Mundo Espiritual está se clareando dia-a-


dia, e como a purificação se tornará vigorosa, o perigo se
aproxima minuto a minuto, e no fim, chegará a um estado
insuperável. Assim, sem dúvida, surgirá uma época de grande
terror, em que será incontável o número de mortos abatidos pela
doença.

No entanto, mesmo eu dizendo tais coisas agora, acho que


vão querer duvidar do meu cérebro, mas desde hoje eu alerto a
todos com convicção. Portanto, se realmente acontecer o que eu

154
Rokan – Alicerce do Paraíso

digo, nem se comparará com a Terceira Guerra Mundial.


Acreditarão que finalmente é chegado o fim do mundo profetizado
por Cristo.

O que gostaria também de alertar aos japoneses é que, na


chegada desse momento, é impossível observar essa grande
catástrofe como se fosse alheio, pois o Japão também, mesmo
não sendo tanto quanto os Estados Unidos, não será isento de
tragédia, e é necessário preparar-se com antecedência.

Entretanto, felizmente, como a Igreja Messiânica Mundial


que prevê esse acontecimento está preparando milhares de
soldados da salvação, podem-se sentir amparados e confiantes.
Portanto, será salvo incomparavelmente maior número de
pessoas do que nos Estados Unidos, e nesse ponto o Japão está
muito abençoado. Entretanto, as pessoas que, por
desconhecerem a vinda de uma grande catástrofe, acima
referida, e também a verdade sobre a Igreja Messiânica Mundial,
que tem a grande missão da salvação, desprezam a Igreja,
pensando ela ser apenas mais uma nova religião na praça, e
também as pessoas que são levadas a essa opinião enganosa,
são as miseráveis ovelhas. E, atualmente, esse tipo de pessoa é,
na maioria, intelectuais, pois são eles realmente dignos de dó.
Portanto, quem ler este artigo, venha imediatamente à Igreja
Messiânica Mundial, e nela acredite fielmente, para se livrar do
grande perigo vindouro. Mas, assim falando hoje, creio que
pensarão serem apenas palavras para atemorizar, a fim de
difundir a seita, mas em se tratando da Igreja Messiânica
Mundial, não há nenhuma necessidade de recorrer a isso, pois,
como a cura da doença desta Igreja é incomparavelmente mais
maravilhosa do que à da medicina, ela esta progredindo a passos
firmes.

Jornal Eiko nº 211, 3 de junho de 1953

155
Rokan – Alicerce do Paraíso

CA PÍ T UL O IV - A ULTR A - RELI GI Ã O

(R1/41) ULTRA-RELIGIÃO

Alicerce do Paraiso, Pág. 29

Qualquer pessoa tomará por um sonho descabido o


objetivo da nossa Igreja - construir um mundo sem doenças,
pobreza e conflitos, ou seja, o Paraíso Terrestre, que
corresponde ao "Advento do Reino dos Céus", pregado por
Cristo, ou à "Vinda do Messias", da religião judaica. Sakyamuni
disse que, depois de sua morte, surgiria um mundo perfeito. Não
afirmou, entretanto, que esse mundo estivesse iminente; ao
contrário, disse estar infinitamente longe: 5.670.000.000 de anos.

Todas essas profecias foram de grande utilidade. Se não


houve referência a um plano de execução, devemos interpretar
que ainda não era chegado o tempo, mas sabemos que a
aceitação e a prática dos ensinamentos pregados pelas religiões
antigas tornaram-se o alicerce das religiões atuais. Naturalmente,
cada religião criou e divulgou os seus protótipos, formas e
métodos, adaptáveis aos diferentes povos e países.
Evidentemente, as religiões foram criadas sob o desígnio de
Deus, para serem condicionadas a determinadas épocas,
localidades, povos, tradições, costumes, etc. Graças a essa
força, a cultura alcançou o deslumbrante progresso que hoje
apresenta. Não fossem as religiões, o mundo estaria à mercê de
Satanás, ou talvez, destruído.

Ao refletirmos sobre esses assuntos, não podemos deixar


de levar em consideração os grandes méritos dos fundadores de
religiões. Todavia, embora estas últimas hajam evitado a
destruição do mundo, é duvidoso que o seu poder seja eficiente
para o mundo atual ou para o futuro. Isto porque a humanidade
padece de um sofrimento infernal, o que comprova a deficiência
das Igrejas, as quais não conseguem conduzir os sofredores ao

156
Rokan – Alicerce do Paraíso

estado celestial. Só um número restrito de povos participa dos


benefícios da civilização moderna. Presentemente, a humanidade
carece muito do espírito de paz.

Uma observação sobre o mundo atual faz com que as


pessoas prudentes sintam a necessidade do aparecimento de
uma grande luz que dissipe as trevas, isto é, o poder salvador de
uma Ultra-Religião. Nesse sentido, consciente da
responsabilidade que lhe cabe como sendo esta Ultra-Religião,
nossa Igreja vem apresentando resultados surpreendentes.

Coletânea Série Jikan volume 12, 30 de janeiro de 1950

157
Rokan – Alicerce do Paraíso

(R1/42) FORMAÇÃO DO MUNDO NOVO

Alicerce do Paraiso, pág.19

Conforme venho esclarecendo, a nossa Igreja é uma


religião que abarca todos os campos da atividade humana e que
poderia ser denominada Empresa Construtora do Novo Mundo.
Entretanto, como isso pareceria fachada de alguma construtora
civil, o jeito é chamá-la, por enquanto, Igreja Messiânica Mundial.
O objetivo dessa organização religiosa é o progresso e
desenvolvimento da civilização, conciliando a ciência material e a
ciência espiritual.

Sabemos que o conhecimento científico caminha


velozmente, ao passo que o espiritual, baseado na Religião,
caminha desesperadamente lento. A religião conservou seu
estado inato, sem alcançar muito progresso, desde o início da
civilização, há milhares de anos. Isso explica a grande distância
entre ela e a Ciência. Esta última veio a destacar-se, e a parte
espiritual distanciou-se a ponto de desaparecer da nossa vida.
Por fim, o homem tornou-se indiferente ao espírito, chegando a
confundir Ciência com Civilização. Ele se ajoelha diante do trono
da Ciência e se satisfaz na sua condição de escravo. Este é o
aspecto do mundo moderno. Por acaso o homem não prova isso
entregando nas mãos da Ciência o que ele tem de mais precioso,
que é a vida? Embora ela não consiga garantir a vida humana, os
homens modernos não o percebem e continuam depositando-lhe
cega confiança.

Deus compadeceu-Se dessa cegueira e está procurando


orientar o homem através de nossa Igreja. Por meio da realidade,
o Todo-Poderoso revela que a vida não pertence à matéria, que
apenas ela é invisível aos olhos humanos, mas possui existência
absoluta sob Sua direção. A melhor prova consiste no fato de que
pessoas desenganadas pela medicina são salvas freqüentemente
pelo Poder Divino.

158
Rokan – Alicerce do Paraíso

Surge, então, a seguinte pergunta: "Por que uma questão


de vital importância, como a vida, permaneceu na obscuridade?"
Efetivamente, isso ocorreu pela necessidade de impulsionar a
cultura científica até certo ponto. Tal acontecimento faz parte da
Providência Divina; é um fenômeno passageiro, proveniente da
época e, na sua fase transitória, levado ao exagero. Mas Deus
corrigirá tal exagero. Como Ele esclarece, nitidamente, o limite
entre a ciência material e a ciência espiritual, esta acertará os
passos com a primeira, progredindo e desenvolvendo-se até
constituir-se um mundo realmente civilizado. Em resumo, o
mundo presente termina aqui para dar origem a um novo mundo.

Jornal Eiko nº 167, 30 de julho de 1952

159
Rokan – Alicerce do Paraíso

(R1/43) A CULTURA DE ☉“SU”

Alicerce do Paraiso, pág.69

Para falar desse tema, começarei por explicar o significado


da forma (***maru_su.tif***) ("su"). Como se pode ver, é uma
circunferência (***maru.tif***) com um ponto (***) bem no centro.
Se fosse apenas isso, não teria um significado muito importante;
entretanto, nada é tão significativo.

A circunferência expressa a forma de todas as coisas no


Universo. A Terra, o Sol, a Lua e até mesmo os espíritos
desencarnados e as divindades tomam esse formato para se
moverem de um lugar para outro. Isso está bem comprovado pela
conhecida expressão "Bola de Fogo". A "Bola de Fogo" das
divindades é uma esfera de luz; a dos espíritos humanos
desencarnados não possui luz, é apenas algo embaçado ou
desfocado, de cor amarela ou branca. Tratando-se de espírito
masculino, é amarela, e de espírito feminino, branca,
correspondendo, respectivamente, ao Sol e à Lua.

Mas vamos ao mais importante. Naturalmente, este mundo


também tem o formato circular; mas não passa de um círculo,
pois o seu interior está vazio. No caso do ser humano, significa
não ter alma; assim, colocar-lhe um ponto no centro, ou seja,
colocar-lhe alma, é torná-lo um ser vivente. Só dessa maneira ele
pode desempenhar atividades. Por conseguinte, a circunferência
com um ponto no centro simboliza uma forma vazia na qual se
pôs alma. Isso equivale à expressão "colocar espírito", usada
pelos pintores antigos. Com base no que acabamos de dizer,
podemos afirmar que até agora o mundo era vazio, não possuía
alma. Eis, portanto, o que significa "Cultura Superficial", sobre a
qual já escrevi em outra oportunidade.

A prova do princípio exposto acima evidencia-se em todos


os setores da cultura. O tratamento alopático das doenças, como

160
Rokan – Alicerce do Paraíso

sempre digo, também é uma manifestação desse princípio. As


dores e a coceira são adormecidas por meio da aplicação de
injeções ou de remédios passados no local; a febre baixa-se com
gelo; corta-se, também, a purificação tomando-se remédios.
Dessa forma, o doente livra-se dos sofrimentos durante algum
tempo, mas, como não se atingiu a raiz da doença, a cura
completa é impossível; com o tempo, a doença retorna. Em
verdade, o que acontece é apenas o seu adiantamento. Sendo
assim, também a causa das enfermidades está na alma, porém
até agora não se compreendeu isso.

O mesmo se verifica em relação a outros males, como os


crimes, por exemplo. Atualmente, eles são evitados de uma só
maneira: fazendo-se o criminoso cumprir uma pena dolorosa.
Trata-se de um processo idêntico ao tratamento alopático
empregado pela Medicina. Por isso é que, quando alguém
comete um crime, geralmente vem a cometer outros. Existe quem
pratique dezenas deles, e até mesmo quem os cometa a vida
inteira, passando mais tempo preso do que em liberdade. A
causa disto está na falta do ponto, ou seja, da alma.

Sobre a guerra, pode-se dizer a mesma coisa.


Aumentando-se o poderio militar, o inimigo sentirá que não tem
condições de vencer e desistirá da luta por algum tempo. Mas
isso não passa de um meio de adiar a guerra; a História tem
demonstrado que um dia, inevitavelmente, ela recomeçará.
Assim, podemos entender que a cultura existente até agora era
apenas uma circunferência sem um ponto no centro.

Eu sempre falo sobre a teoria dos noventa e nove por


cento e do um por cento. Se numa circunferência entrar um
ponto, significa que por meio de um por cento modificam-se
noventa e nove por cento. Em outras palavras, representa
destruir noventa e nove por cento do Mal com a força de um por
cento do Bem. Seria o mesmo que tornar branca uma
circunferência preta unicamente com a força desse um por cento.

161
Rokan – Alicerce do Paraíso

Relacionando isso ao mundo, significa colocar conteúdo, ou


melhor, colocar alma numa civilização vazia. Assim, estamos
vivificando a civilização que até agora só apresentava forma,
como se fosse um objeto inerte. É o nascimento de um novo
mundo.

Jornal Eiko nº 173, 10 de setembro de 1952

162
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 44 ) C R I A Ç Ã O DA CUL T U RA

Alicerce do Paraíso, pág. 66

A nossa religião é denominada Igreja Messiânica Mundial.


Naturalmente, tendo ela surgido para promover a última salvação
do mundo, não há disparidade entre seu nome e sua missão,
mas também poderíamos chamá-la de Igreja Criadora. Explicarei
por quê.

Durante dezenas de séculos, a humanidade veio


empregando todas as suas forças para o progresso e
desenvolvimento cultural, e, como podemos constatar, atingimos
uma cultura notável e exuberante, que chega a deixar-nos
maravilhados. Não haveria palavras suficientes para enaltecer
esse mérito. O ideal da humanidade, obviamente, era promover a
felicidade do homem; entretanto, graças à descoberta da
desintegração do átomo, a realidade foi bem diferente daquilo
que se esperava. O adjetivo "pavoroso" ainda seria fraco para
qualificar tal descoberta, pois ela é capaz de ceifar milhares de
vidas num instante.

Indubitavelmente, o sonho de felicidade foi traído, mais do


que se possa imaginar. Quem poderia prever tão grande
desgraça? Haverá existido maior desencontro que esse em toda
História? A humanidade - ou pelo menos os homens cultos -
precisa descobrir a verdadeira causa do problema, pois,
enquanto ela não for descoberta e solucionada, o progresso da
cultura obtido de agora em diante não terá nenhum sentido. A
própria energia atômica, no entanto, torna-se demoníaca porque
é utilizada como arma de guerra; se não o for, logicamente torna-
se um maravilhoso anjo da paz. De acordo com esse princípio,
não há motivo para fazermos alarde contra a bomba atômica,
pois o problema está na guerra em si; conseqüentemente, não
existe problema mais importante que o da sua extinção. Há
milhares de anos, com efeito, a humanidade vem empregando

163
Rokan – Alicerce do Paraíso

todos os seus esforços para fugir desse horror; é um fato que


todos estão fartos de conhecer. Não obstante, ao invés de ele
estacionar, a realidade mostra o seu incremento, a cada guerra
que é travada. Talvez isso também seja motivado pelo
crescimento demográfico, mas a causa principal é o
aperfeiçoamento das armas, que culminou com a invenção da
bomba atômica. O que mais poderia estar indicando esse
acontecimento senão a aproximação da hora de colocar-se um
ponto final nas guerras? Acredito que este é o "Fim do Mundo"
profetizado por Cristo.

Pensando dessa forma, podemos considerar que a


civilização atual seja um sucesso, mas também não podemos
deixar de admitir a existência de uma falha tão grande que anula
esse sucesso. Analisando desse ângulo, o certo seria despertar
das falhas da cultura, as quais descrevi acima, e partir para a
criação de uma cultura nova e inédita. Em outras palavras, seria
o reinício da cultura.

E como se criaria essa nova cultura? Eis o grande desafio


que a humanidade vive atualmente. Acredito que a Igreja
Messiânica Mundial foi criada para corresponder a esse
propósito. Portanto, com tão importante missão, ela visa a
desenvolver, de acordo com a Ordem de Deus, a grandiosa obra
de construção do Paraíso Terrestre. Como condição básica para
atingir esse objetivo, propomo-nos, antes de tudo, a eliminar a
doença da humanidade. Julgo desnecessário falar muito a esse
respeito, dados os maravilhosos resultados que viemos obtendo.
Obviamente, a verdadeira causa da guerra é a doença; não
somente a doença física, mas também a espiritual - a dos
doentes do espírito que ainda não são considerados loucos ou
insanos. Fazer deles pessoas verdadeiramente saudáveis deverá
ser a base para solucionar o problema da guerra. Acredito que as
demais soluções apontadas não passam de palavras vazias.

Jornal Eiko nº 69, 13 de setembro de 1950

164
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 45 ) A L G O SUPE RIO R À RELIGI Ã O EÀCI ÊNCIA

O Pão Nosso de Cada Dia, pág.226

Quando examinamos atentamente a civilização atual,


vemos que ela apresenta muitas falhas, sendo que a falha
fundamental é o seu conceito sobre a Ciência. Como é do
conhecimento de todos, exceto os religiosos, as pessoas estão
presas ao princípio da supremacia da Ciência, acreditando que
todos os problemas poderão ser solucionados através dela.
Existem muitas coisas que a Ciência não pode explicar;
entretanto, com o cérebro tomado por uma devoção unilateral,
essas pessoas não conseguem enxergar nada além da Ciência.
Isso acontece porque elas não percebem o baixo nível em que se
encontra a cultura atual. Ofuscadas pela Ciência, as pessoas não
conseguem atentar para isso.

Para facilitar a compreensão dos leitores, procurarei


discorrer sobre a civilização atual de maneira abrangente. Via de
regra, a maioria das pessoas tenta encontrar na Religião aquilo
que a Ciência não consegue solucionar. Entretanto, como
existem muitos problemas que não podem ser solucionados
através da Religião, elas acabam se voltando de novo para a
Ciência, tornando-se, então, presas dessa ilusão. A realidade é
que tanto a Ciência como a Religião têm força limitada, e por isso
não conseguem resolver todos os problemas. Dentre eles, os três
maiores são a guerra, a doença e o crime. É do conhecimento
geral o quanto a humanidade veio se esforçando durante
milênios, empregando toda a sua inteligência para solucionar
esses problemas. Infelizmente, ainda não se pode sequer
vislumbrar a solução. Assim, parece não haver nenhuma
perspectiva, a não ser que surja algo superior à Ciência e à
Religião atuais.

Mas será que este mundo continuará iludido, por mais que
se esforce? Obviamente que não, visto que esse “algo superior”

165
Rokan – Alicerce do Paraíso

já apareceu e está irradiando sua luz. Não se assustem, pois


trata-se da nossa Igreja; é a Luz do Oriente, tão almejada pela
humanidade.

A Igreja Messiânica Mundial possui um poder incomum de


erradicar doenças, e está realmente salvando um grande número
de pessoas infelizes. Seus membros tornam-se, evidentemente,
pessoas saudáveis, incapazes de cometer crimes e possuidoras
de força até mesmo para acabar com as guerras. E isso pode ser
comprovado através de fatos concretos. É evidente que, no
futuro, ela atrairá a atenção do mundo, pois a Luz por ela
irradiada é algo inédito na face da Terra. Conforme sugere o título
deste artigo, é algo superior à Ciência e à Religião. A nossa
Igreja abrange, como partes integrantes, a Ciência e a Religião,
utilizando-as conforme as peculiaridades e propriedades de cada
uma.

Por tudo isso, a Igreja Messiânica Mundial é grandiosa e


misteriosa demais para ser compreendida pela inteligência dos
homens da atualidade. Se quiséssemos dar-lhe um nome mais
forte, poderia ser “Força de Salvação do Mundo”. Como estamos
desenvolvendo a Obra da Salvação da humanidade através
dessa Força, eu gostaria que todos observassem com redobrada
atenção as atividades que desenvolveremos daqui para frente.

Jornal Eiko nº 197, “Algo superior à Religião e à Ciência – 25 de


fevereiro de 1953

166
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 46 ) A I G R E J A MESSI Â NIC A MUN DIA L E A REVOLU Ç Ã O


DA CULTUR A

O Pão Nosso de Cada Dia, pág.104

Apesar de nossa Igreja anunciar-se como religião e


apresentar certa diferença em relação às demais, em geral as
pessoas acham que ela não passa de uma das novas seitas
religiosas. Essas pessoas estão com toda razão, pois até hoje
não surgiu nenhuma religião tão maravilhosa como a nossa. Não
se trata de uma simples religião que possa ser compreendida do
ponto de vista das religiões tradicionais; entretanto, não
encontrando um nome adequado, denominei-a Igreja Messiânica
Mundial. E por que não existe um nome adequado para ela?
Porque até hoje não existiu nada que tivesse características
semelhantes às suas. Sendo assim, vou esclarecer os pontos em
que ela diverge das demais.

A nossa Igreja descobriu todos os erros fundamentais da


cultura básica – excetuando a Religião – e procura levar ao
conhecimento de todos o que é a verdadeira cultura; além disso,
apresenta claramente o método para alcançá-la. Dessa forma,
promove uma revolução da cultura em grande escala. Quando
esses fatos forem conhecidos pelo mundo inteiro, ela há de
despertar grande atenção e interesse em toda a humanidade,
principalmente entre os intelectuais.

Até os dias de hoje, em cada época apareceram grandes


personagens que realizaram trabalhos revolucionários para a
evolução da cultura; esses trabalhos, porém, eram limitados a
uma determinada área e careciam de eternidade. Basta observar
o mundo contemporâneo, para se comprovar tal fato. Entre esses
líderes, Buda e Cristo conseguiram obter resultados maravilhosos
na revolução religiosa. Entretanto, isso ocorreu principalmente na
parte espiritual, e quase nada se fez na parte material. Além do
mais, pelo fato de, naquela época, a cultura ser um tanto

167
Rokan – Alicerce do Paraíso

primária, bem diferente dos dias atuais, não existindo os meios


de transporte e outras condições necessárias que possuímos
atualmente, as influências dos acontecimentos não
ultrapassavam as “fronteiras” do Oriente e do Ocidente.

Hoje, entretanto, ultrapassada a primeira metade do século


XX, atingiu-se um nível de cultura sem termos de comparação, e
poderão concordar comigo que a grande revolução que pretendo
realizar não é nenhum sonho. No seu decurso, logicamente
haverá a destruição e a construção. Mas não se trata de
destruição causada pelas forças externas, e sim de
autodepuração através do juízo de Deus; por outro lado, também
é a construção da nova cultura. Queiramos ou não, esse tempo
está se aproximando a cada momento. Em outras palavras, o que
pertence ao Bem será poupado, e o que pertence ao Mal será
destruído. Creio que com esta explicação poderão imaginar o que
vem a ser o objetivo de Deus.

Mas será que durante a nossa vida esse grande


empreendimento, que nos parece algo fantástico, irá se
concretizar realmente? Eu próprio nunca havia pensado nisso,
nem mesmo em sonho. Como religioso, desejava unicamente
fazer o máximo para a salvação da humanidade e acreditava que
essa era a missão atribuída a mim por Deus. Entretanto, à
medida que o trabalho ia sendo desenvolvido, fui compreendendo
claramente a minha importante missão de construir a nova
cultura. Ao mesmo tempo, em face de sucessivos e
surpreendentes milagres, precisei tomar a minha grande decisão.
Entre tais milagres, avultava o fato do grandioso empreendimento
ter sido minuciosamente planejado por Deus há vários milhões de
anos. Além de ver com os meus próprios olhos vários
acontecimentos ou fenômenos que comprovam essa verdade,
também compreendi que as profecias feitas por vários homens
santos, desde tempos antigos, eram insinuações da construção
da nova cultura. Portanto, firmemente convicto, já sem qualquer

168
Rokan – Alicerce do Paraíso

dúvida ou vacilação, estou desenvolvendo de corpo e alma a


grande obra de salvação da humanidade.

As pessoas que desconhecem tais fatos talvez me achem


um megalomaníaco, mas a verdade é que eu tenho uma natureza
diferente das demais pessoas. Sou tão cauteloso e medroso que
jamais consigo mentir ou falsear as coisas; entretanto, apesar de
pertencer à classe das pessoas demasiadamente honestas,
estou me abrindo de modo extremamente audacioso. Daí
poderão imaginar o quanto estou seguro nas minhas convicções.

Jornal Eiko nº 197, 25 de fevereiro de 1952

169
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 47 ) A C O I N C I D Ê N C I A ENTR E RELIGIÃ O , FILOSOF I A E


CIÊNCIA

O conteúdo desse texto é diversas vezes mais avançado


do que o nível da Religião, da Filosofia e da Ciência existentes
atualmente, e à medida que o lerem poderão compreender isso
perfeitamente.

Em primeiro lugar, a atualidade do mundo da Ciência, que,


como todos sabem, progrediu até a era do àtomo, o que levou à
descoberta do nêutron do cientista Dr. Yugawa, e como é de
conhecimento, chegou a tomar a iniciativa na teoria física da
ciência atômica.

Entretanto, os cientistas do mundo inteiro, objetivando uma


descoberta maior, estão empregando um esforço muito grande,
mas a maioria chegou ao limite e estão encurralados contra a
parede; esta é a situação atual.

E o interessante é que acontece o mesmo com a Filosofia,


e a Filosofia Existencial, que é a coisa mais nova, também está
encurralada contra a parede como a Ciência, sem ter como se
mexer. E os filósofos atuais obscurecem a ponta da teoria das
palavras do Absoluto e isso é realmente engraçado. Absoluto é o
pronome pessoal de Deus. Ao usar a palavra de Deus, entra-se
no campo da religião, por isso creio que não tem outro jeito a não
ser falar dessa maneira.

A religião também, sem fugir à regra de exceção, chegou


ao limite e não tem jeito. Isso porquê a situação real do milagre,
que é a característica da religião, acontece muito pouco. Então,
sem alternativa, tentam remediar através de teorias e, por meio
de diversos tipos de atividades sociais, tentam colocar um sentido
de valor existencial, mas em relação ao maior sofrimento da
humanidade, que é a doença, o crime, a guerra e outros, não

170
Rokan – Alicerce do Paraíso

consegue realizar atividades que surtam efeito, o que está


contando realmente que chegou ao limite.

O que estará mostrando essa realidade? Sem dúvida que


todos os intelectuais estão em conflito sob a mesma idéia. A essa
altura, vou mostrar a solução de todos esses limites e, para dar a
grande indicação, estou agora escrevendo esse texto.

Sendo assim, vou escrever agora apenas a noção geral,


como, por exemplo, que a ciência atômica, ao avançar mais um
passo, entrará no mundo inorgânico. Nesse mundo inorgânico, é
impossível a medição através de instrumentos, por isso é
completamente difícil agarrar. Não é preciso dizer que esse
mundo é o próprio mundo Espiritual Divino, é a origem de todas
as coisas existentes e, falando cientificamente, é um mundo
constituído de partículas infinitamente minúsculas, sendo que
essa partícula é também a origem da luz que pode ser aplicada
como radioatividade. Além disso, essa força radioativa consegue
manifestar uma força jamais experimentada pela humanidade.
Em termos científicos, trata-se da tese do Espírito Divino. E
também, do mesmo modo que a física experimental da ciência, é
a observação do Espírito Divino.

Como manifestação da observação desse Espírito Divino,


o último relatório que veio em relação à Luz do Espírito Divino, o
Raio-X que não podia ser transmitido, a estante da casa de um
vizinho não membro que quase caiu fazendo um tremendo
barulho e sem ninguém estar em casa, esses milagres mostram
claramente. Portanto, a luz da bomba atômica, que é o alvo de
maior medo da humanidade atualmente, provavelmente é
impossível a sua transmissividade. Sendo assim, através da força
desse Espírito Divino, creio que não é impossível trazer uma
época sem guerras.

Mais uma coisa, a origem do nascimento das bactérias,


consideradas pela medicina como a principal origem da doença,

171
Rokan – Alicerce do Paraíso

pode ser claramente apreendida através da teoria do Espírito


Divino; portanto, não será tão difícil assim a concretização do
mundo sem doenças.

Em poucas palavras, desde que a Religião, a Filosofia e a


Ciência chegaram ao seu limite, estando a um passo do mundo
do Espírito Divino, nos encontramos nessa era de plena
escuridão como a de hoje. Então, Deus me colocou para transpor
esse obstáculo, ou melhor, para abrir essa porta de pedra e
encaminhar para o mundo de luz; esse grande amor é que fez
surgir a nossa Igreja. No final das contas, pode-se dizer que é o
abridor da porta de pedra do mundo.

Jornal Eiko nº 91, 14 de fevereiro de 1951

172
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 48 ) I G R E J A ABR A N G E N T E

Alicerce do Paraiso, pág. 28

Poderão compreender melhor a nossa Igreja se a


compararmos com uma loja de departamentos. A comparação
talvez não seja muito apropriada, mas considero-a a mais
adequada e de mais fácil compreensão. Eis os motivos:

Sempre tenho afirmado que a Igreja Messiânica Mundial


abrange o cristianismo, o xintoísmo, o budismo, o confucionismo,
a Filosofia, a Ciência, a Arte, enfim, todas as expressões da
cultura. Entre elas, dedicamos especial atenção aos problemas
concernentes à doença, à saúde e à agricultura, no campo da
Ciência, e também às artes.

Logicamente, como o seu nome está mostrando, a nossa


Igreja tem por objetivo empreender a grandiosa obra de Salvação
do Mundo. É natural, portanto, que apontemos as falhas
existentes em todos os setores relacionados com a vida do
homem, dispensando a este a mais elevada orientação.

Não obstante, o maravilhoso progresso da cultura


contemporânea, as falhas apresentadas por ela, são tão
numerosas que causam espanto. As falhas superficiais não são
muito graves, porque a própria sociedade as percebe e pode
corrigi-las; as falhas interiores, no entanto, por não serem
divisadas a olho nu, só podem ser corrigidas por um meio:
desvelando-as através da Luz de Deus. Por essa razão, estamos
dissecando todos os setores da cultura atual, a fim de que,
trazendo à tona a verdadeira natureza de cada um deles,
possamos planejar a concretização de um mundo melhor.
Somente dessa forma poderemos alimentar esperanças quanto
ao advento da Era da Civilização Celestial.

173
Rokan – Alicerce do Paraíso

Eis, em breves palavras, o sentido da expressão "Igreja


Abrangente."

Jornal Eiko nº 97, 28 de março de 1951

174
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 49 ) A L G O SUPE RIO R À RELI GI ÃO

Isso é uma coisa que sempre digo, que a nossa Igreja


Messiânica não é uma religião, é algo superior a ela. Religião é
como diz o seu significado, é o ensinamento do fundador; por
isso, sem exceção, o principal da religião são os sermões. Isto é,
expõe com a boca e ensina com a caneta, como são os sutras
budistas e a bíblia, por isso até hoje vieram salvando as pessoas
com esse método, e falando a verdade, além de ensinar e
advertir, a religião não tinha mais nada, e assim estava bom.
Entretanto, num mundo conturbado como o de hoje, o
procedimento anterior começou a não se ajustar à época. Por
esse motivo, a nossa Igreja Messiânica irá salvar a Era e é uma
religião que nasceu com a missão de liderar a humanidade.

A primeira missão é a cura da doença, e até hoje não


surgiu nenhuma religião que manifestasse um poder de cura de
doenças como esse; construiu um Museu de Belas-Artes e não
existe outro exemplo de renovação em assuntos agrícolas. E
compreende também todas as coisas necessárias ao homem,
como literatura, arte, política, economia, filosofia, ciência e outros,
e vem, basicamente, ensinando, advertindo e praticando. Por
esse motivo, os sermões são uma parte da nossa Igreja; além
disso, a maioria das explanações é inédita, e quero que prestem
atenção, principalmente, nesse ponto. Dessa forma, a
administração de nossa Igreja, dita em uma só palavra, é um
trabalho cultural de nível elevado.

Todavia, o que dificulta é que o homem moderno não tem


sequer uma idéia do que seja uma cultura elevada, e assim a
compreensão é difícil. Em meio a isso, o mais complexo é que só
de levantar a mão no espaço uma doença grave é curada e,
também, mesmo sem colocar adubo, produtos agrícolas de
excelente qualidade são colhidos em grande quantidade mais do
que antes. E, em pouco tempo, obras de arte maravilhosas são
reunidas e constrói-se um Museu de Belas-Artes. Embora sendo

175
Rokan – Alicerce do Paraíso

japonês, escrevi um livro audacioso como "Salvarei a América", e


outros. Até mesmo o prédio messiânico que vai ficar pronto agora
em Atami é um santuário com um novo estilo religioso, e essa
forma de construção nunca existiu no mundo. Creio que, quando
ficar concluída, provavelmente deixará os arquitetos
boquiabertos.

A construção de duas Terras Divinas em Hakone e Atami,


que possuem as paisagens mais soberbas do Japão, já é do
conhecimento de todos, e agora estou planejando construir o
Paraíso Terrestre em Sagano, Quioto, que tem como centro o
Lago Hirossawa, também com uma paisagem soberba. Não é
possível saber que obras maravilhosas daqui para frente ainda
serão realizadas mundialmente, mas quero que fiquem
prevenidos para não se assustarem. Pode ser que seja um pouco
exagerado, mas como é o Deus número um do mundo, possuidor
de uma força onipotente, que está protegendo às escondidas,
quero que acreditem que não é uma grandiloqüência.

Jornal Eiko nº 194, 04 de fevereiro de 1953

176
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 50 ) E X C L U S Ã O DO TE M OR

Alicerce do Paraíso, pág. 254

Conforme venho repetindo, o objetivo de nossa Igreja é a


salvação da humanidade. Em poucas palavras, significa eliminar
toda espécie de temor da sociedade humana.

Evidentemente, os maiores temores do homem vêm a ser


o da doença, o da pobreza e o dos conflitos. Dentre os três, o
pior, indiscutivelmente, é o temor da doença; nada tão
ameaçador para o ser humano. Certamente, durante sua vida,
ninguém consegue livrar-se dessa ameaça. Com o progresso da
civilização, ao invés de diminuir, ela tende até a aumentar. O
segundo temor é a pobreza, geralmente motivada pela própria
doença.

Atualmente, julga-se que quase todas as doenças são


causadas por vírus. A doença nunca foi tão temida como nos dias
atuais, motivo pelo qual estão se tomando as medidas
consideradas adequadas, tais como atestados de saúde,
vacinação e radiografias, entre outras. Todas as organizações
criadas para evitar as doenças, ou seja, centros de saúde,
hospitais públicos e particulares, etc., dispõem de muitos
recursos, e é realmente grande o sacrifício do povo para
sustentar as incalculáveis despesas e o trabalho dispendido.

A vultosa quantia empregada no tratamento de uma


doença e o prejuízo sofrido com a impossibilidade de trabalhar,
principalmente quando o enfermo é o chefe da casa, acarretam
as maiores dificuldades econômicas para os seus familiares. Isso
constitui uma das principais causas do surpreendente aumento
de crimes que vêm sendo cometidos após a guerra. Naturalmente
esse fato não deixa de ser conseqüência da guerra, cujos danos
são passageiros; a doença, no entanto, assume maior gravidade,
por ser permanente.

177
Rokan – Alicerce do Paraíso

A agitação por que a humanidade passa, atualmente,


revela a intensidade do seu temor à guerra. Isto porque as
relações entre os países tendem a se agravar. Até hoje, o homem
viveu num mundo de sofrimentos ininterruptos. Entretanto, como
a existência de Deus é uma realidade, Seu incomensurável amor
não permitirá que a humanidade permaneça por longo tempo
nessa condição. Indubitavelmente, esta época de agonia terá um
fim, para dar lugar ao magnífico Paraíso Terrestre. Estamos
absolutamente convictos disso e, imbuídos de tal convicção,
prosseguimos com fé inabalável. Que outro sentido poderia ter a
profecia de Jesus sobre o advento do Reino dos Céus a não ser
a predição desse acontecimento? Por essa razão, estou
convencido de que a verdadeira missão da Religião é eliminar os
três grandes temores aqui citados.

Jornal Hikari nº 44, 7 de janeiro de 1950

178
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 51 ) R E L I G I Ã O CELESTI A L E RELIGI Ã O INFERNA L

Ao falar em religião, o povo acreditava que o fiel recebia


muitos benefícios, tanto espiritualmente como materialmente;
conseguia obter a verdadeira tranqüilidade e construir um lar feliz.
Através disso, a sociedade e a nação melhoravam e, objetivando
o ideal de tornar esse mundo em Paraíso, oravam
devotadamente, como é do conhecimento de todos. Como existe
um ponto importante que ninguém percebeu, vou escrevê-lo: a
diferença que existe entre religião paradisíaca e religião infernal.

As religiões existentes até hoje, falando sem cerimônia,


são quase todas religiões infernais, e pode-se dizer que, na
verdade, não existiu religião paradisíaca. Sendo assim, nem é
preciso dizer que a nossa Igreja Messiânica é a primeira religião
paradisíaca que surgiu; portanto as religiões existentes até hoje
possuem notáveis diferenças de ponta a ponta.

Os fiéis sabem perfeitamente, mas a verdade é que a


nossa Igreja cura sem motivo uma doença que não sara com a
tão avançada medicina, como podem constatar na publicação,
sempre repleta, em todos os números do nosso jornal. E isso
qualquer pessoa consegue manifestar, ou seja, adquirir a
capacidade de curar doenças só de receber as aulas de
aprimoramento durante alguns dias. Consegue-se curar um
doente que foi abandonado pelo médico e consegue-se também
curar a própria doença por si mesmo; é quase inacreditável.
Entretanto, como a verdade é uma verdade séria, a pessoa que
duvida quer, em primeiro lugar, sentir na prática. Por esse motivo,
ingressa na nossa Igreja e logo, com o passar do tempo, ele
próprio e também as pessoas da família vão ficando com saúde a
cada dia que passa; no final, o lar não tem mais nenhum doente
e, como as pessoas se tornam cheias de vitalidade, a família se
torna alegre, tudo transcorre em perfeita harmonia, tornando-se
viventes de verdadeira felicidade. Realmente, há tantos anos, há
mais de dez anos estava dependente de médicos e remédios, e

179
Rokan – Alicerce do Paraíso

como agora cortou completamente essa dependência, a situação


econômica e até mesmo espiritualmente melhora; é impossível
imaginar a grandiosidade desse lucro. Esse é, sem dúvida, a
salvação do Paraíso, e as pessoas que estão lamentando num
mundo infernal como o de hoje não podem acreditar de maneira
alguma. Se essa não for a realização do sonho do ideal do
homem, o que poderá ser?

O motivo acima citado é a diferença que existe com as


numerosas fés do mundo de hoje. Normalmente, conforme a
religião, apesar de praticar fervorosamente a fé, fica-se doente da
mesma forma que as pessoas em geral e, sem outro jeito, acaba-
se ficando aos cuidados do médico, mas não sara-se com
facilidade, e às vezes acontece de ter um final infeliz; nesse caso,
se conformam por ser o tempo de vida dessa pessoa. Apesar de
pensar assim, normalmente falam para não pegar uma gripe, não
pegar um vírus tuberculoso ou um micróbio de doença
contagiosa, não se resfriar ao dormir, não comer e nem beber
demais; ficam falando só coisas impertinentes e passa-se o dia
com medo e tremor. Essa é a situação real. Além disso, o que se
pode dizer que é mais trágico e cômico é que mesmo estando de
cama doente, gemendo durante longos anos, a própria pessoa
diz que foi salva por Deus e sente-se satisfeita. Vemos muitas
pessoas assim, mas do nosso ponto de vista isso é realmente
uma ilusão pessoal. Mesmo ficando nesse estado, conforma-se
que é destino e sufoca a dor à força dizendo que está satisfeito;
essa concepção, que não dá para se pensar nem um pouco pelo
senso comum, a pessoa aceita como graça da fé, o que dá pena.
Assim mesmo, se apenas a pessoa está salva espiritualmente, é
realmente lamentável o estado das pessoas da família e as que
estão ao redor.

Não que a pessoa não tenha conhecimento disso, mas


devido à intensa dor física; não deve ter serenidade para pensar
essas coisas. Resumindo, apesar do espírito ser salvo, o corpo

180
Rokan – Alicerce do Paraíso

não se salvará, quer dizer, uma metade é salva e a outra metade


não.

Portanto, ser verdadeiramente salvo é o espírito e corpo


serem salvos juntos, e uma religião assim, provavelmente, não
existe no mundo. Por esse motivo, pensando, ao menos, em
salvar a metade, torna-se fiel de uma religião já existente, por
isso está praticamente distante do Paraíso, e realmente não
passa de uma salvação infernal. Isso está bem claro ao se ver
que a maioria das grandes religiões de hoje estão administrando
hospitais. Além do mais, a sociedade reconhece isso e aceita o
fato como um maravilhoso empreendimento religioso, o que é
importuno. Isso porque está confessando que essa religião não
possui nenhum poder de curar doenças e nada mais além do que
isso. Originariamente, a religião teria que ser uma existência da
metafísica muito mais que a ciência, mas dessa forma a religião
está abaixo da ciência. Falando em uma palavra, quer dizer que
perdeu a vida como religião. Ao contrário disso, o resultado da
particularidade da nossa Igreja, que é a cura da doença, de fato,
o enfermo que, de forma alguma não é curado pela ciência, está
curando aos montes. Se não falarmos que essa religião é a que
possui vida, o que poderá ser?

Em seguida, a nossa Igreja está incentivando bastante a


arte. Provavelmente existem muitas religiões, mas creio que não
existe outra que coloca tanto peso na arte como a nossa. E isso é
como sempre digo, o Paraíso é um mundo de arte, ou seja,
desde que a arte faz parte do Belo, da trilogia Verdade-Bem-Belo,
é algo da maior importância. Nem é preciso dizer que, para o
homem, a impressão que se recebe do Belo não pode ser vista
levianamente. Isso porque, através do Belo, o sentimento se
alegra e, ao mesmo tempo, sem saber, eleva-se o caráter, e
fomenta o pensamento de amor à paz. Isso pode ser
compreendido muito bem ao ver-se a Grande Natureza. Em
primeiro lugar, a beleza da montanha e da água. O belo das
paisagens que se recebe das viagens realizadas nas quatro

181
Rokan – Alicerce do Paraíso

estações do ano lava e purifica as impurezas do cotidiano,


devolve o vigor, desenvolve uma mentalidade alegre e, além
disso, enriquece o conhecimento sobre a História. E também, em
qualquer cidade ou mesmo vila, o verde das árvores por todos os
cantos, as cores das flores, o cântico dos pássaros, as borboletas
que voam no campo na primavera, os aspectos diversos do
bando de insetos no outono; a Terra está repleta de coisas
variadas para deleitar o homem. Ao olhar para o céu o brilho do
sol, da lua, das estrelas, convida o sentimento das pessoas para
o espaço misterioso da eternidade. Sendo assim, se tudo isso
não for a manifestação da profunda vontade de Deus, o que
poderá ser? E mesmo na questão do alimento, os produtos da
montanha e do mar, é natural, mas existem muitas coisas para
deliciar o paladar do homem. Quero falar particularmente sobre a
beleza do homem. A sua imagem enquanto dança, a voz-afinada
quando canta, a beleza equilibrada do esportista, a beleza da
nudez da mulher; a habilidade recebida de Deus como a pintura,
escultura, diversos tipos de artesanatos, arquitetura, jardinagem e
outros, esses também, se forem enumerados, são quase infinitos;
realmente, nesse mundo a beleza natural e a beleza do homem
existem em abundância. O que se pode pensar ao ver tudo isso é
onde está a Vontade de Deus, e nem é preciso dizer que são os
elementos de preparação para construir o Paraíso Terrestre, no
futuro; mas se não for isso, o que será?

Nesse sentido, estou construindo, atualmente, como


modelo, o Paraíso Terrestre, e esse plano é uma harmonia geral
de toda a beleza natural e da beleza artificial; creio ser uma nova
obra de arte, um evento marcante jamais experimentado por
alguém até hoje. Através dessa obra, milhares de pessoas irão
despertar para a Vontade Divina, a alegria da vida será
aprofundada e será bastante útil para elevar o caráter, portanto,
com isso é possível compreender que a nossa Igreja é, sem
dúvida, uma religião paradisíaca.
Contudo, as religiões já existentes em relação à essa
concepção de beleza sempre foram desinteressadas. Ou melhor,

182
Rokan – Alicerce do Paraíso

ao contrário, negligenciar o belo vinha sendo considerado


ilusoriamente como uma coisa originária da religião. Os fiéis da
maioria das religiões, quanto mais fervorosos, mais simples se
vestem e comem, moram em casa de palha e estão contentes
levando uma vida de nível baixo. Desse jeito, não é
absolutamente Verdade-Bem-Belo, pode-se dizer que é Verdade-
Bem-Feiúra. Quando entramos no lar de um membro assim, de
certa forma a casa é úmida e melancólica, tem-se a sensação de
Inferno, como é de conhecimento de todos, e a isso queremos
denominar de fé infernal. Como nos olham com essa
mentalidade, não conseguem compreender. Isso porque, desde
que olham com os olhos do Inferno, acham que o modo de agir
da nossa Igreja está errado, mas na verdade esse modo de ver é
uma superstição da qual se deve ter medo. Portanto, desejo
derrubar essa superstição, despertá-los, conscientizando-os de
que a religião paradisíaca é que é a verdadeira religião.

Olhando dessa maneira, o importuno são as condições do


mundo moderno. Isso porque não apenas a superstição científica,
como também a superstição religiosa, juntam-se para formar o
mundo infernal; por isso, é preciso fazer com que compreendam
bem esse ponto obscuro. Para tanto, é preciso surgir uma ultra-
religião que é acima da religião, isto é, uma religião paradisíaca,
e digo claramente que é a nossa Igreja Messiânica Mundial. A
causa disso é que, até hoje, o mundo se encontrava na Era da
Noite e agora, quando finalmente vai mudar para o Mundo do
Dia, ficarão sabendo que a nossa Igreja Messiânica Mundial
nasceu com a grande missão de construir o Paraíso.

Jornal Eiko nº 127, 24 de outubro de 1951

183
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 52 ) R E L I G I Ã O C E L E S T IA L E RELIGI Ã O INFERNA L

Alicerce do Paraíso, pág. 175

Como as principais religiões que existem sofreram


perseguições na época da sua fundação, tornou-se comum
associar Religião e perseguição. Os exemplos de que foram
vítimas os adeptos contam-se em grande quantidade na História
das religiões. Entre eles, figuram casos aterradores, como a
perseguição dos fariseus e a crucificação de Cristo, fundador do
cristianismo, religião que predomina no mundo inteiro. No Japão,
embora diferisse o grau de sofrimento, todos os religiosos
também tiveram de atravessar um período espinhoso. As únicas
exceções foram Sakyamuni e Shotoku, que não sofreram
perseguições pelo fato de serem príncipes.

Os fundadores de religião superam os outros homens em


honestidade, sendo dotados de um extraordinário sentimento de
amor e caridade. São homens santos, modelados pela essência
do bem, por arriscarem a própria vida na salvação dos
sofredores. Entretanto, ao invés de reconhecerem devidamente o
seu esforço e, agradecidos, acolherem-nos com honrarias, o
governo e o povo os têm odiado como se eles fossem enviados
do demônio, perseguindo-os a ponto de lhes tirarem a vida. A
injustiça está mais do que evidente. Semelhante fato, à luz do
raciocínio, leva-nos a considerar como demoníacos os homens
que odeiam, torturam e tentam eliminar esses grandes
benfeitores.

O homem, por natureza, pertence ao Bem ou ao Mal; não


existe estado intermediário. Em outras palavras, ele está
associado a Deus ou a Satanás. Assim, quem alimenta idéias
ateístas e mostra-se contrário às boas ações, abomina Deus,
tornando-se, evidentemente, sem o saber, um servo do demônio.

184
Rokan – Alicerce do Paraíso

Até os fundadores de religiões hoje consideradas


importantes inicialmente foram tratados como demônios e
tenazmente perseguidos. Mas, como a própria História mostra, o
Mal foi derrotado pelo Bem. As santas palavras de Cristo, "Venci
o Mundo", encerram o mesmo sentido e são dignas de reflexão.
Assim, longos anos após a morte dos seus fundadores, a maioria
das religiões foi reconhecida e teve suas divindades
reverenciadas. Isso aconteceu devido à alegria que eles
proporcionaram ao povo, com seus ensinamentos, e à notável
contribuição que trouxeram ao aumento do bem-estar social.

Nenhuma religião foi devidamente reconhecida durante a


existência do seu fundador, e as perseguições tornaram-se fatos
comuns. Os crentes até adquiriram o hábito de se comprazer com
uma vida atribulada. A leitura da história trágica dos missionários
cristãos que, seguindo o exemplo do ato redentor de Cristo,
enfrentaram a morte em territórios selvagens, é realmente
comovedora. Nenhuma outra religião encontra-se, hoje, tão
solidamente enraizada em todos os recantos do mundo como o
cristianismo.

A perseguição religiosa ocorrida no Japão e conhecida


como "Conflito de Amakussa" pode dar uma idéia da realidade
mencionada acima. Foram sofrimentos inevitáveis, causados por
terceiros, mas existem religiões que até procuram o martírio. O
maometismo, o taoísmo, o lamaísmo e o bramanismo da Índia
caracterizam-se pela prática de penitências e do ascetismo,
considerando-os como essência da fé. Embora com alguma
diferença, ocorrem fatos semelhantes entre diversas religiões
tradicionais do Japão, onde continuam a existir algumas seitas
que levam ao extremo o cumprimento dos mandamentos, fazem
penitências e vivem à procura de aperfeiçoamentos. Como
vemos, essas religiões são infernais, pois consideram o martírio
um meio fundamental para polir a alma. Assim, o homem torna-se
uma espécie de ser anormal, que transforma o sofrimento em
prazer. Em verdade, isso acontece devido à necessidade que ele

185
Rokan – Alicerce do Paraíso

tem de suprir, com as próprias forças, a insuficiência do poder da


Religião.

A Igreja Messiânica Mundial surgiu por uma necessidade


imperativa, neste momento em que o mundo está repleto de
religiões de fé infernal. No que diz respeito às pregações e às
atividades, a nossa Igreja difere radicalmente das outras, vindo a
ser até mesmo o seu oposto. Ela repudia principalmente a
penitência, considerando a vida celestial como a verdadeira
forma de professar a Fé. Além disso, caracteriza-se pelo seu
amplo conteúdo, abrangendo Religião, Filosofia, Ciência, Arte e
demais setores do conhecimento humano, sobretudo os
referentes à saúde e à agricultura, que são pontos fundamentais
da salvação. Tudo isso, pode-se dizer, constitui a condição
fundamental para transformar o Inferno em Paraíso. E o que seria
senão o próprio Amor Divino? Por conseguinte, as penitências
constituem heresias, e a verdadeira salvação implica numa
situação de vida celestial, transbordante de alegria. Quando esta
situação abranger o mundo inteiro, surgirá o autêntico Paraíso
Terrestre.

Nesses termos, o Paraíso Terrestre, que vem a ser a meta


da nossa Igreja, inicia-se no lar. O aumento gradativo de lares
celestiais chegará a transformar o mundo num paraíso. Se essa
verdade fosse compreendida, ninguém deixaria de louvar a Igreja
Messiânica Mundial e nela ingressar. Como os homens têm a
mente afetada por conceitos materialistas e ateístas, ou por
religiões de caráter limitado, perdem a oportunidade de conhecer
essa alegria, por desconfianças e equívocos. Entretanto, a
verdade sobre a nossa Igreja não deixará de vir à luz; estou à
espera desse dia, lutando incessantemente, sob Orientação
Divina.

Revista Tijyo Tengoku nº 46, 25 de março de 1953

186
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 53 ) E L I M I N A Ç Ã O D A T R A G É D IA

Alicerce do Paraíso, pág. 252

Entre todas as coisas do mundo, o que o homem mais


detesta é a tragédia. Eliminá-la totalmente é impossível, mas, de
certo modo, não será tão difícil diminuí-la. Passemos a estudar
sua natureza.

A realidade evidencia que a maioria das tragédias é


causada pela doença. Entretanto, elas também são geradas por
problemas sentimentais e pela desonestidade proveniente de
interesses materiais. Através de uma pesquisa acurada, no
entanto, descobri que todas as tragédias têm sua raiz na
enfermidade espiritual. Dizem que um espírito são habita um
corpo são, e isso é uma grande verdade. Verifiquei, após longos
anos de pesquisa, que a imoralidade, a injustiça, a impaciência, o
alcoolismo, a preguiça e a corrupção de jovens existem quase
sempre em físicos doentes.

Infelizmente, ainda não se descobriram métodos positivos


para solucionar o problema da doença e restabelecer a saúde
física e espiritual, nem mesmo apelando para a medicina ou para
outros meios. Ainda que se tivesse encontrado a causa das
doenças, não existiria uma forma para resolver o problema
verdadeiramente. Há quem se orgulhe de ter descoberto a origem
delas e o processo de cura; a maioria dos processos, contudo,
não passa de paliativos. É realmente desolador. Todavia, dentre
os casos milagrosos relatados em nossas publicações,
encontramos muitos exemplos da cura de doenças gravíssimas,
e a alegria e gratidão dos agraciados nos comovem até as
lágrimas.

A verdadeira solução das doenças e de outras desgraças


depende de uma força invisível, e só aos que a experimentaram é
dado reconhecer o incomensurável Poder Divino. Os homens

187
Rokan – Alicerce do Paraíso

modernos não se convencem senão através da realidade ou de


provas; portanto, sem a apresentação de resultados concretos, é
inútil pregar princípios elevados e divulgá-los. Para esses
homens, a salvação da humanidade e a obra em prol da
sociedade não passam de um sonho.

A essência da verdadeira Fé consiste em mover o que é


visível por ação de um poder invisível. Esse poder maravilhoso
está sendo manifestado pela nossa Igreja e, por essa razão, creio
eu, poderíamos dizer que ela é a Religião do Poder.

Como a maioria das religiões hoje existentes se limita a


pregar doutrinas, suas forças agem do exterior para a alma. Mas
o ato purificador empregado pela Igreja Messiânica Mundial - o
Johrei - projeta a Luz Espiritual diretamente na alma,
despertando-a instantaneamente. Isto é, a Igreja converte a
pessoa sem a intervenção humana, deixando os sermões para
segundo plano. Os que nela ingressam, alcançam rapidamente
uma percepção superficial, e, em seguida, uma percepção mais
profunda. Além de superarem as suas próprias tragédias, tornam-
se aptos, também, a eliminar as tragédias alheias.

Jornal Hikari nº 12, 11 de junho de 1949

188
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 54 ) C A R A C T E R Í S I T C A S D A S A L V A Ç Ã O P E L A I G R E JA
MESSI Â NIC A MUNDIAL

Alicerce do Paraíso, pág. 17

A missão da nossa Igreja é tirar as pessoas das torturas do


Inferno e conduzi-las ao Céu, transformando a sociedade num
paraíso.

Para que o homem seja conduzido ao Céu, é necessário


que ele próprio se eleve, tornando-se um ente celestial, a fim de
que, por sua vez, possa salvar o seu semelhante. Isso significa
pendurar a escada do Céu até o Inferno e estender as mãos para
puxar o homem, degrau por degrau. É nesse ponto que nossa
religião difere das demais, sendo antes o seu oposto.

Todos sabem que os antigos religiosos contentavam-se


com o mínimo necessário à sua subsistência. Eles se entregavam
a penitências e procuravam salvar o próximo colocando-se numa
situação miserável. Isso significa que estavam usando a escada
em sentido contrário. O salvador empurrava os necessitados de
baixo para cima, ao invés de puxá-los lá do alto; é fácil calcular o
duplo esforço exigido. Mas não havia alternativa, visto que, nessa
época, ainda não existia a noção do plano do Paraíso.

Naturalmente não havia chegado o tempo, pois a Noite


cobria o Mundo Espiritual. Entretanto, a partir de 1931, o Mundo
Espiritual vem gradualmente se transformando em Dia, facilitando
a construção do Paraíso na Terra. Sendo Deus o construtor, a
obra progride à mercê do tempo, bastando ao homem agir de
acordo com a Vontade Divina. Deus traçou o plano, fiscalizando e
utilizando livremente um número considerável de criaturas.

A idéia exata que se pode ter da minha função é a de


mestre-de-obras local. Os nossos fiéis sabem perfeitamente que
estou construindo o protótipo do Paraíso Terrestre, como parte

189
Rokan – Alicerce do Paraíso

dessa função. Aparecem-me, então, vendedores que me


oferecem terrenos em momentos e locais inesperados. Assim
que percebo a Vontade Divina de adquirir determinado terreno,
surge a quantia requerida, sem que eu empregue o mínimo
esforço. Logo a seguir consigo, infalivelmente e à vontade, não
só os mais adequados projetistas, engenheiros e construtores,
como também o material necessário. Até mesmo uma árvore
aparece oportunamente, já existindo lugar apropriado para ela.
Às vezes eu me sinto perplexo ao receber árvores às dezenas,
de uma só vez. Planto-as estudando o espaço, interpretando a
Vontade Divina, e verifico que elas se encaixam
maravilhosamente no jardim, sem falhas nem excesso. Sempre
que isso acontece, não posso deixar de sentir, claramente, a
Vontade de Deus em tudo. Se desejo colocar uma pedra ou uma
planta em determinado lugar, recebo-as dentro de um ou dois
dias no máximo. O que vêm a ser todas essas ocorrências senão
milagres? Caso eu começasse a enumerá-los, não acabaria
mais. E o que estou dizendo não passa de uma pequena parte do
que pretendo expor com o tempo.

Escrevi este capítulo com o objetivo de ajudar os leitores a


compreenderem que o homem nada empreende, que ele apenas
age sob a Orientação Divina. Pelos fatos relatados, fica bem claro
que Deus pretende formar o protótipo do Paraíso como início do
advento do Paraíso Terrestre. Mas isso não é o bastante.
Compete a cada homem tornar-se um ente celestial, e é chegado
esse momento. Naturalmente, seu lar será paradisíaco e todos os
componentes da família virão a ter uma vida celestial. Somente
assim poderão ser salvas as pessoas que sofrem no "inferno".

Daí a razão por que aconselho os fiéis a criarem uma vida


sem sofrimentos, que é a Vontade do Altíssimo. Enquanto o
homem não conseguir eliminar as três desgraças - doença,
pobreza e conflito - não poderá ser salvo. Isso era impossível na
Era das Trevas, mas hoje é possível. Terminou a época de
sofrimento a que se referiu Sakyamuni. Se os leitores

190
Rokan – Alicerce do Paraíso

compreenderem o sentido desta verdade, sentir-se-ão dominados


por uma alegria infinita, ainda desconhecida na experiência da
humanidade.

Coletânea Série Jikan volume 4, 5 de outubro de 1949

191
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 55 ) A I G R E J A M E S S I Â N I C A M U N D I A L E O M O V I M E N T O
D E T R A N S F O R M A Ç Ã OE M P A R A Í S O

O mundo isento de doença, pobreza e conflito, que é o


objetivo maior da nossa Igreja, nem é preciso dizer, é transformar
o mundo inteiro em Paraíso. Para isso, é preciso, primeiro,
transformar o indivíduo em paraíso; depois o lar, a sociedade, o
país e, no final, atingir o mundo inteiro; é um movimento
paradisíaco formando uma unidade, e sem dúvida, esse é o ideal
de todas as religiões, que ainda não conseguiu ser realizado.

Quando refletimos sobre o mundo moderno de hoje,


vemos que ele mostra aspectos infernais em demasia, e a
situação é de não conseguir tapar os olhos; podemos dizer que é
a própria escuridão. Provavelmente não existe nenhum lugar sem
crimes. Em relação a isso, os políticos, religiosos e educadores
também estão dispendendo esforços, mas o mal social não
diminui nem um pouco; ao contrário, nota-se uma tendência de
aumento.

Direcionado a essa era de escuridão, vamos fazer a


transformação em Paraíso, e realmente podem pensar que é
ousado e imprudente. Contudo, nós temos absoluta convicção.
Isso porque todo aquele que ingressa na nossa Igreja, tanto
individualmente como familiarmente, sofre uma transformação e
torna-se um vivente feliz; é uma realidade que parece mentira.
Nisso não há o mínimo de exagero. Creio que, lendo as
experiências contidas no nosso livro, não terão o mínimo de
margem para duvidar.

E como método de transformar em Paraíso esse mundo de


escuridão nós vamos emitir, como uma bala de canhão, a palavra
Luz escrita pelo Grão-Mestre Jikan. A força dessa Luz vai
dispersar essa escuridão. Dispersando a escuridão, é lógico que
ocorre a transformação em Paraíso. Porém, falando isso, é difícil
para um terceiro acreditar. Quem pode agüentar uma bobagem

192
Rokan – Alicerce do Paraíso

dessas, a escrita Luz trabalhar como um ser vivo, só pode ser


superstição, nada mais; é justificável se falarem uma coisa
dessas. Isso porque tiram conclusões de todas as experiências
do passado. Entretanto, nós acreditamos que se aproxima o
Juízo Final profetizado por Cristo. Essa é uma profecia de dois
mil anos atrás; no passado, durante dois mil anos, não houve
uma experiência como essa, mas só por causa disso não quer
dizer que um grande profeta como Cristo tenha dito uma mentira.

Portanto, não se pode dizer que não virá o Juízo Final,


uma situação sem precedentes. Nesse mesmo sentido, o fato da
escrita de Luz trabalhar organicamente é uma verdade que pode
existir, e é um direito que é dado conhecer somente às pessoas
que acreditam. Através, disso, acreditamos absolutamente na
concretização da transformação em Paraíso e estamos nos
esforçando nesse sentido.

Revista Tijyo Tengoku nº 6, 20 de julho de 1949

193
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 56 ) O A T R A T I V O DA NOS S A IGRE J A

Conforme diz o título, a nossa Igreja possui um atrativo


que não é visto em nenhuma outra religião e vou agora escrever
sobre isso. O ponto principal é a parte econômica. Normalmente,
quando se fala em religião, desde tempos antigos, o dinheiro para
manter e administrar a seita ou a entidade vem, naturalmente, da
doação de todos os membros, e também, conforme os Santuários
e Templos, dependem do ofertório dos participantes. Por esse
motivo, principalmente nas religiões novas, onde as
administrações são ativas, necessitam de bastante dinheiro, a
começar do edifício e outras coisas, por isso acaba mesmo tendo
que fazer um esforço para terminar. Conforme a religião, um
membro um pouco mais fervoroso se vê sempre às voltas com
contribuições e donativos, ficando pobre a cada dia que passa, e
tratando-se de membros antigos, vemos alguns que acabam
ficando como restos de cigarros, e parece que essas são as
causas de tomarem precaução e manterem distância das novas
religiões. E isso também é como sempre digo, pode ser salvo
espiritualmente, mas fisicamente não está salvo.

Entretanto, como o princípio da nossa Igreja é construir um


mundo completamente isento de doença, pobreza e conflito, ela
soluciona o problema da saúde e, ao mesmo tempo, precisa
solucionar também o problema da pobreza; mesmo nesse ponto,
Deus nos concede grandes graças. Tornando-se membro da
nossa Igreja, antes de mais nada, a pessoa que sofria com a
pobreza no início, aos poucos, vai melhorando e, após um ou
dois anos, a preocupação com o dinheiro desaparece
completamente. Sem dúvida que para isso existe um fundamento
maravilhoso. Isso porque, ao se tornar membro da nossa Igreja, a
partir desse dia recebe-se a força de curar a doença das
pessoas; portanto, qualquer pessoa, depois de passados alguns
meses de seu ingresso na fé, consegue curar e restabelecer
completamente o doente que foi abandonado pelo médico e até
mesmo o enfermo que recebeu o aviso de morte.

194
Rokan – Alicerce do Paraíso

Dessa forma, não se consegue ficar sossegado se não


fizer gratidão por ter recebido um grande benefício; então esse
tipo de rendimento aumenta gradativamente e é grande o número
de pessoas que, no final, o dinheiro sobre mesmo subtraindo as
despesas, então para agradecer a Deus faz donativos para a
Sede da Igreja. Portanto, na nossa Igreja são realizados
empreendimentos de grande porte, que as outras religiões não
conseguem imitar de forma alguma, o que chama a atenção do
povo.

Como resultado disso, estão sempre publicando em jornais


e revistas que a Igreja Messiânica possui rendimentos
extraordinários, que possui essa e aquela fortuna, mostrando
números absurdos, mas por motivos ditos anteriormente,
podemos dizer que não tem jeito se nos olham dessa maneira.

Mais uma coisa. Outro atrativo que não é visto de forma


alguma em outras religiões é que, ao se tornar membro da nossa
Igreja, acaba-se a preocupação com a doença. Além disso, não
apenas a própria pessoa como também as pessoas da família, ao
pegarem uma doença, são curadas sem dificuldades com o
Johrei, por isso não necessitam de médicos nem remédios, e ao
mesmo tempo, como não tem pessoas que ficam acamadas por
longo tempo, o benefício que se estende à parte econômica e
parte espiritual é grandioso. Quase não haverá pessoas que
descansem por doenças; por isso, mesmo do ponto de vista da
eficiência, o benefício é incalculável. Creio que, apesar do mundo
ser imenso, uma religião e uma entidade assim jamais existiu. E
ainda tem mais. Não existem pessoas que cometam
desonestidades. Por causa disso, para os assuntos de
contabilidade, não há necessidade de livro de contas e recibos,
só é preciso preparar o livro de contas para os assuntos
relacionados aos impostos. Dessa forma, não tem nada
complicado, e por isso não dá trabalho; tem-se uma sensação
gostosa, e essa graça quase se é impossível expressar pela

195
Rokan – Alicerce do Paraíso

escrita ou por meio de palavras. E tudo é realizado pelos fiéis;


com sentimento sincero eles tomam cuidado para não
desperdiçar e não fazer coisas que deêm prejuízo, e por isso tudo
transcorre simples e harmoniosamente. Até mesmo o trabalho de
construção em madeira, mais da metade são dedicantes, e cada
um traz a sua refeição e sem cobrar taxa se esforça com
sinceridade e fervor, por isso é impressionante como aumenta a
eficiência, consegue-se fazer bem feito e com rapidez. Se bem
que os trabalhadores contratados no início, sem saber quando,
acabam se tornando fiéis da Igreja; então, pode-se dizer que hoje
são todos fiéis. As pessoas que olham ficam maravilhadas com a
rapidez do andamento da construção da nossa Igreja e com o
esplendor do acabamento. Por este motivo, não há nenhuma
necessidade de supervisor de trabalho como se vê normalmente
na sociedade. De vez em quando, dou ordens por alguns
instantes e, na maioria das vezes, é livre, mas mesmo,assim não
dá para contar aqueles que são preguiçosos e aqueles que
faltam.

Se bem que esse tipo de coisa também existe em outras


religiões, mas como escrevi anteriormente, o atrativo exclusivo da
nossa Igreja, que é o considerável rendimento que entra com as
atividades religiosas praticadas pelos membros, a probabilidade
mínima de pegar uma doença; e como não tem pessoas
desonestas, pode-se confiar tranqüilamente. Sendo assim,
poderão compreender perfeitamente ao ver o progresso
alcançado sem nenhum exemplo igual até hoje.

O que sempre penso relacionado a isso é que hoje, em


todas as classes sociais, a partícula do Mal é numerosa.
Portanto, se os funcionários públicos, os funcionários de
empresas, a classe trabalhadora e todos os outros empregados
se tornarem fiéis da Igreja Messiânica, como será? Na verdade,
aumentará o poder de eficiência tão maravilhoso que é
impossível imaginarmos, a felicidade será conquistada e,

196
Rokan – Alicerce do Paraíso

provavelmente, podemos selar sem erro algum que o Japão se


tornará a nação exemplo do mundo.

Jornal Eiko nº 128, 31 de outubro de 1951

197
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 57 ) N Ã O E X I S T E SUPER S TIÇ Ã O NA NOS S A IGREJA

O pensamento das pessoas da sociedade em geral é de


que só de falar em religião nova acham que é superstição, mas
esse é um assunto engraçado. Se esse modo de ver fosse
correto, não haveria superstição nas religiões já existentes.
Entretanto, pensando bem, as inúmeras religiões existentes que
hoje possuem base sólida, no início, sem nenhuma exceção,
foram tratadas como religião pagãs. Primeiramente foi a religião
católica que recebeu do povo daquela época muitos elogios, mas
Cristo, o fundador, acabou sendo apagado na cruz. Também no
Japão, os fundadores da Tenri-Kyo, Honen, Shinran, Nichiren,
foram considerados líderes de religiões heréticas e levados à
prisão e exílios, que são os mais comuns, mas dentre eles têm
aqueles que passaram pelo perigo de vida, como é do
conhecimento de todos, e mesmo assim, hoje, ainda brilham
esplendorosamente. Podem compreender através disso que, em
qualquer época, o engano e a difícil aceitação são
acompanhamentos de uma nova religião. Por esse motivo,
mesmo as pessoas modernas, tais como jornalistas, logo que
ouvem falar de uma religião nova concluem precipitadamente que
se trata de uma religião falsa e herética, sem ao menos terem
entrado em contato, e isso é demais para colocarmos em
discussão. São essas pessoas que, mais tarde, não têm como
voltar atrás, e provavelmente acabam passando vergonha.

Olhando por esse ângulo, dentre as religiões novas que,


atualmente, estão recebendo críticas da sociedade, alguém
poderá dizer que, futuramente, não surgirá uma religião acima
das religiões existentes hoje. É um auto-elogio, mas a nossa
Igreja também, atualmente, se encontra num redemoinho de
elogios e censuras e está sendo alvo de atenções da sociedade,
mas acredito que mais tarde irão surgir muitas pessoas que se
arrependerão amargamente. Se bem que os Ensinamentos
pregados pela nossa Igreja estão bem distantes do nível das
religiões já existentes e da cultura moderna e deve ser por isso

198
Rokan – Alicerce do Paraíso

também que não é fácil entender. E, como existem vários


exemplos desde antigamente, até mesmo com as teses
científicas, aquele que apresentava uma nova tese era
considerado herético pela classe burguesa da época e passava
por situações difíceis, como todos sabem, e bons exemplos disso
são as teses heliocêntricas de Copérnico e Galileu.

Além disso, os Ensinamentos pregados pela nossa Igreja


são teses novas sem precedentes que não têm exemplo igual na
História; por isso, é natural que, se olhar-se com os olhos dessa
cultura existente, é difícil de acreditar, e porque parece
exatamente com os jesuítas portugueses do final da Era
Tokugawa. Entretanto, falando docilmente, ao meu modo de ver,
a cultura moderna está impressionantemente mergulhada na
terrível superstição. E, fazendo uma classificação, existem 3 tipos
de superstição. A primeira é a superstição medicinal; a segunda,
a superstição do adubo, e a terceira, a superstição de que não
existe Deus. Dentre elas, tenho sempre feito explicações sobre
as duas primeiras superstições, portanto vou omiti-las; e quanto à
terceira superstição, de que Deus não existe, também até hoje
vim falando bastante, mas como ainda existem pontos falhos, vou
escrevê-los aqui, e nem é preciso dizer que é o pensamento
ateísta de que Deus não existe nesse mundo. Por causa disso,
objetivando os teístas, é uma superstição contrária que considera
como superstição. Essas coisas, também, em relação a todas as
coisas existentes no Universo, se examinarmos bem reprimindo o
sentimento, não há motivo para não perceber a existência real de
Deus, mas atualmente são muito poucas as pessoas que querem
pesquisar até aí. Isso porque, desde o nascimento, lhe foram
incutidos aos montes a educação materialista que resultou em
pensamento ateísta e, por isso, como sempre digo, é igual aos
selvagens que não enxergam o ar e para eles é como se não
existisse, como as pessoas são bárbaras. Portanto, quebrar essa
superstição ateísta e reeducar religiosamente é o ponto vital para
a elevação da cultura, e fora isso não existe definitivamente outro
método para a realização do verdadeiro mundo civilizado.

199
Rokan – Alicerce do Paraíso

Outra que hoje as pessoas olham com desprezo é a


superstição popular. Ou seja, o dia de sorte, o dia de azar, o dia
de manter a calma que estão marcados no calendário e outras
superstições que parecem bobas, surpreendentemente, estão
sendo aceitas pelas pessoas. E também o dia bom ou mau, a
fisiognomonia da casa, os pontos cardeais, a afinidade e outros
também o são, e pensar que esses tipos de superstições existem
somente no Oriente é um engano, pois o Ocidente também não
fica atrás. O dia 13 e a sexta-feira também o são e parecem que
eliminam o nº 13 dos quartos de hotéis e hospitais. Isso nasceu
do dia do sofrimento de Cristo e o engraçado é que no país em
que quanto mais avançada é a medicina, mais numerosa são as
superstições. Dentre os países civilizados, quanto ao número de
superstições, o mais numeroso é a Alemanha, o que não se
ajusta à lógica, mas na verdade isso é o que está mais de acordo
com a lógica, e escreverei a seguir sobre isso.

Na sociedade moderna e principalmente as pessoas de


mais cultura, pensam que todas as coisas correrão sem
transtorno se forem realizadas científica e racionalmente, mas o
estranho é que na realidade não é assim. Acontece muito de o
resultado ser fora da expectativa. Por exemplo, com a doença,
logo no início interna-se num grande hospital com doutores
famosos e gasta-se todo o dinheiro empregando o melhor da
medicina contemporânea, mas não obtém melhora e acontece
até casos de morte, e também é fato que os filhos ricos que
pagam e fazem tudo como manda o médico se tornam fracos e
com escrofulose, ao passo que o pobre que quase não se
importa está sempre forte. E também em acidentes de trânsito
depara-se com fatalidades inesperadas, e por mais que se
tomem todas as precauções, não se consegue evitar doenças e
desastres repentinos; essa é a situação comum do mundo e,
realmente, um passo à frente é uma completa escuridão. Mesmo
entre os próprios homens, existem aqueles que tem a fisionomia
de bons e são pessoas más, e também os que têm fisionomia de
maus e são pessoas boas; se se confia numa pessoa

200
Rokan – Alicerce do Paraíso

impensadamente, acaba-se se metendo numa enrascada; ao


contrário, uma pessoa que achávamos não servir para nada,
surpreendentemente, se torna útil. E isso também é uma coisa
muito comum na sociedade: a pessoa se propõe a fazer uma
poupança todos os dias e espera ansiosa para ver o saldo da
caderneta de poupança, quando alguém da família fica doente e
precisa ser internada, então o bolo de sangue a suor de longos
anos se acaba de uma só vez. É como diz o provérbio: o frio de
uma hora acaba com o calor de sete anos.

Pensando dessa forma, o homem está realmente vivendo


dentro da intranqüilidade. Por causa disso, o governo está
realizando, fervorosamente, diversos tipos de sistemas
preventivos contra acidentes como seguros e indenizações, e
isso é melhor do que nada, mas como todos sabem não é, de
forma alguma, uma solução radical.

Nessas condições, se não podemos ter um minuto de


tranqüilidade que seja nesse mundo em que vivemos, não há
dúvida de que não se consegue a tranqüilidade apenas com a
ciência, e procurar alguma outra coisa em que se possa apoiar é
um sentimento humano. Por isso, desde tempos antigos, utilizam-
se de tradições e alguma coisa dentre as inúmeras existentes na
sociedade que proporciona um pouco que seja a tranqüilidade;
portanto, essas coisas também são uma conseqüência inevitável
da desconfiança pela ciência, e falando a partir do resultado não
há erro em dizer que a ciência é que faz a superstição.

Contudo, tornando-se fiel da nossa Igreja, a intranqüilidade


desaparece realmente. Isso está relatado aos montes nas
experiências de fé e, ao lê-las, poderão compreender, e no
mundo atualmente não existem pessoas que tenham obtido o
sentimento de tranqüilidade como os fiéis da nossa Igreja.

No entanto, não se pode dizer que não exista infelicidades


totalmente, mas isso porque não existe no mundo uma pessoa

201
Rokan – Alicerce do Paraíso

completamente sem pecados. Mas mesmo tendo infortúnios, se


compreender claramente essa causa, terá a expectativa de ver
dobrada a felicidade quando esta terminar, uma vez que o
infortúnio é uma purificação. Portanto, pelo contrário, brota o
sentimento de gratidão e, no final, torna-se uma pessoa sem
intranqüilidades. No caso de procurar uma casa, também
acontece a mesma coisa, irá encontrar uma casa do seu desejo
com a graça de Deus, mas se não encontrar é porque a época é
prematura e significa que deve esperar, mas é comum depois
acontecer o milagre de receber uma casa acima do esperado. Se
todas as coisas forem assim, irá atingir o estágio da verdadeira
tranqüilidade conforme diz o próprio significado da palavra e não
haverá motivo para o aparecimento de dúvidas. Ou seja,
conforme diz o título, compreenderão que, na nossa Igreja, não
existem superstições.

Jornal Eiko nº 143, 13 de fevereiro de 1952

202
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 58 ) S E A C A S O O MA L F O S S E EXTINT O DESS E M U N DO

Provavelmente, se investigarmos a causa de toda a


infelicidade do homem, descobriremos que tem origem no Mal, o
que nem é preciso dizer, e escreverei baseado na suposição de
que, se caso o Mal fosse extinto desse mundo, como seria.

Em primeiro lugar, não existiriam doentes; qualquer


pessoa seria abençoada com a saúde e acabariam as faltas ao
trabalho. Como sempre digo, a causa de se terem doentes está
no erro da medicina; é o chamado crime de boa intenção. Por
isso, pelo resultado, sem dúvida, pertence ao Mal. Sem dúvida,
desde antigamente a medicina é considerada um ato
benevolente, acreditando-se que é um trabalho maravilhoso do
Bem que salva a vida humana; mas, na realidade, isso não passa
de uma grande ilusão.

Portanto, compreendendo claramente esse fato, se ele for


corrigido, é natural que aqui será construído um mundo sem
doenças; o homem poderá trabalhar ativamente o ano inteiro, por
isso a pobreza e as intrigas acabariam e não haveria dúvida de
que teríamos um lar feliz e uma sociedade pacífica. Falando
assim, é uma conversa boa demais, mas existe aqui um
problema. Para se chegar a esse estado, seria temporariamente,
mas todas as instalações e equipamentos relacionados com a
doença se tornariam desnecessários; na parte de pessoal
também, os médicos e enfermeiras, as pessoas que os
acompanham relacionadas com a fabricação de remédios, e
todos os trabalhadores ligados a cada área, ficariam
desempregados, por isso é um problema de solução difícil.
Entretanto, se pensarmos que esse resultado vai proporcionar um
benefício eterno para a nação e seus habitantes, creio que não
temos como deixar de tolerar a qualquer custo.

Nesse caso, ao acabar a preocupação com a doença


humana, todas as coisas problemáticas, que existem atualmente,

203
Rokan – Alicerce do Paraíso

como não fique gripado, não se esfrie, tome cuidado com a


alimentação, as vitaminas são importantes, faça gargarejo ao
voltar da rua, lave as mãos antes das refeições, tome cuidado
com a higiene, previna as bactérias, etc., vão acabar, e o homem
não terá nenhum tipo de preocupação, podendo ficar à vontade
mesmo no meio de muitas pessoas, ou em local de ar impuro,
com roupas leves tranqüilamente e vivendo sorridente; essa sim
é a vida de uma pessoa verdadeiramente livre. Além disso, só de
eliminar as despesas médicas do orçamento de todos nós, dá
para saber o quanto ficar-se-á aliviado.

E também não haverá necessidade de trancar as portas da


casa; ao entrar em trens e metrôs não terá preocupações com
batedores de carteira ou troca de bagagens, podendo fazer uma
viagem extremamente relaxante. Se vierem pedir um empréstimo,
é certo que iria devolver, por isso, se tiver uma reserva, dá para
emprestar com boa vontade; então, é natural que ambas as
partes se sintam bem. Na troca de qualquer coisa, não serão
necessários comprovantes de troca e recebimento, o que
dispensa mão-de-obra e evita sofrimentos e processos legais, e
como a família inteira tem saúde, as coisas materiais são
abundantes, formando um lar harmonioso, e poderão se divertir
bastante num passeio às montanhas com toda a família. O
marido, por sua vez, não vai mais beber exageradamente e nem
dormir fora de casa, por isso acabará a preocupação da esposa e
as discussões do lar se apagarão como um sonho antigo. E
também as crianças irão aprender com a postura dos pais, por
isso, mesmo sem ensinar, serão obedientes e devotadas aos
pais, e ficando assim não precisa existir a democracia nem o
pensamento feudal. Isso porque acaba-se esquecendo dessas
complicações.

E policiais e tribunais de justiça serão suficientes com


apenas 1/10 do número existente hoje. Isso porque, mesmo
tratando-se do Mal, não se acabará com tanta rapidez e, sem
dúvida, até certo ponto, haverá intrigas e criminosos, mas será

204
Rokan – Alicerce do Paraíso

tão pouco que não poderá ser comparado com o de hoje; a


maioria não passará de crimes leves. Além disso, os policiais e
também os juízes não se prenderão às aparências e aos
sentimentos, fazendo um julgamento com extrema
imparcialidade, e o acusado também não irá mentir, nem
trapacear, por isso não haverá necessidade de advogados, sendo
natural que tudo transcorra com rapidez e facilidade. As
corrupções também acabarão, por isso os funcionários públicos,
os auxiliares de escritório e os professores escolares não terão o
que recriminar e estarão sempre alegres, então aumentará a
eficiência, terminando-se o serviço em menos tempo do que até
agora.

E a felicidade maior é que a guerra irá terminar. A guerra,


sem dúvida, é o mal maior, por isso, se essa for extinta, em todos
os setores, mundialmente, ocorrerá uma mudança para melhor
tão grande que nem sequer podemos imaginar. Primeiramente,
os custos econômicos de cada país diminuirão para tantas
frações do custo de hoje, e mesmo sem querer, o homem se
tornará feliz; indubitavelmente, a sociedade será melhor de ser
vivida.

Assim, tentei descrever um mundo onde o Mal não existe,


mas ainda esqueci de alguns pontos. Antes de mais nada, todos
os tipos de trabalhos serão diminuídos para tantas frações do
trabalho de hoje. Não é preciso nem pensar, mas ninguém
percebe o desperdício da força de trabalho que se origina do Mal
na sociedade atual, e na verdade é uma coisa grandiosa.
Portanto, mesmo que o Mal tenha diminuído em apenas 10%, a
nação ficará aliviada esse tanto. Dizem que o orçamento do
governo desse ano é de 9,960 bilhões, e só de ter diminuído em
10%, mais ou menos 1 bilhão, se tornará positivo, então com
essa porcentagem o imposto será diminuído e será salvo do
inferno de impostos. Além disso, se ficar em 20%, e depois 30%,
dinheiro e coisas materiais sobrarão em grande quantidade e o
trabalho do homem será suficiente com apenas menos da

205
Rokan – Alicerce do Paraíso

metade do trabalho realizado até hoje, por isso só precisará


trabalhar 3 horas por dia. O resto do tempo pode ser aproveitado
para hobby e estudo de cada um, e aí pela primeira vez será uma
vida digna de ser vivida pelo homem. Desde que o mundo se
tornará uma perfeita felicidade, em todos os locais serão
construídas magníficas construções, teatros exuberantes, serão
desenvolvidos todos os tipos de máquinas de diversão, paraísos
repletos de flores, parques nacionais e jardins botânicos, jardins
particulares especiais e outros indubitavelmente serão
construídos uns após outros; avenidas com forma de meio jardim
surgirão em todos os locais e, misturando-se com o progresso
dos meios de transporte, dobrará o prazer dos viajantes. O
palácio da arte suntuosa será construído em concorrência em
cada país, fazendo com que a luz da cultura inunde a face da
Terra.

E o homem, visando o incremento da saúde e da beleza


corporal e para satisfazer a consciência de disputa, o esporte se
tornará cada vez mais ativo, sendo instalados grandes campos
em cada região. Se acaso o mundo ficar assim como foi dito
acima, o homem não precisará ser utilizado mecanicamente
como hoje e tratará conforme a sua própria vontade, o que se
tornará muito mais interessante. E também a vida gastronômica
terá um progresso maravilhoso; os alimentos em abundância,
juntos com o avanço da culinária, irão renovar a vida
gastronômica do povo em geral, a ponto de não poder ser
comparada com a da atualidade.

Escrevi assim por cima, e a pessoa que ler vai concordar


que, se ficar assim, não há dúvida de que será muito bom, mas
poderá dizer que isso não passa de um simples sonho, não existe
a possibilidade de se concretizar, por isso é como se fosse um
banquete desenhado! No entanto, eu afirmo que existe essa
possibilidade. Para que isso aconteça, a condição básica é a
eliminação absoluta do Mal, como escrevi anteriormente;
portanto, tudo depende disso. Entretanto, o que vem para corrigir

206
Rokan – Alicerce do Paraíso

isso agora é o Juízo Final e, através disso, o Mal será


completamente erradicado.

Contudo, para chegar a esse ponto, existe um grande


obstáculo, e conseguindo ultrapassá-lo é que conseguir-se-á
tornar uma pessoa verdadeiramente feliz. E como meio de
salvação, surgiu a nossa Igreja Messiânica Mundial. Portanto, a
nossa Igreja é, sem dúvida, a chave que abrirá a porta da
felicidade.

Jornal Eiko nº 197, 25 de fevereiro de 1953

207
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 59 ) R E L I G I Ã O QUE REVE L A DE US

Alicerce do Paraíso, pág. 23

Quando incentivamos as pessoas descrentes a crerem em


Deus, a maioria reage, pede que provemos com clareza a Sua
existência, e assume uma atitude intelectual, dizendo não poder
perder tempo com superstições.

Essa tendência é notadamente acentuada entre as


pessoas cultas. Mas não podemos criticá-las, porque elas têm
suas razões. Sua atitude explica-se pelo fato de que a maior
parte das religiões é anticientífica, sendo raras as que não estão
afetadas por superstições. Muitas não conseguem dar provas
claras da existência de Deus e criam hesitação entre a Sua
existência ou inexistência. Portanto, não é de se estranhar que
haja tantas pessoas indiferentes à Fé.

A Igreja Messiânica Mundial mostra claramente a


existência de Deus. Todos aqueles que entram em contato com
ela sentem-se maravilhados ante a constatação dessa verdade. A
melhor prova está nos inúmeros milagres e graças alcançados,
através da Igreja, pelos seus fiéis. Infelizmente, são
pouquíssimas as pessoas que crêem por meio da simples leitura
ou explanação oral das experiências de fé dos fiéis. A maioria
acha-se impedida de aceitar os fatos como realmente são, por
professarem uma fé de baixo nível. Em parte, isso se entende,
mas não deixa de ser deplorável. Costumo sempre afirmar que a
nossa Igreja não é uma religião, e sim uma Ultra-Religião, uma
grandiosa obra salvadora.

Os novos fiéis costumam dizer que, no início, quando


leram as nossas publicações pela primeira vez, não conseguiram
crer integralmente no que elas expunham, achando a doutrina
messiânica muito diferente não só das doutrinas professadas por
outras Igrejas, como também das teorias científicas.

208
Rokan – Alicerce do Paraíso

Considerando que nenhuma experiência é perdida, eles


começaram a receber Johrei cheios de desconfiança.
Assombrados com o fato de ele consistir apenas no levantar das
mãos, pensaram em desistir, julgando impossível a cura por meio
de um ato tão simples. Entretanto, sentindo-se mais dispostos no
dia seguinte, continuaram a recebê-lo e melhoraram rapidamente.
Esse é o testemunho unânime dos que relatam sua experiência.

É justamente porque a nossa Igreja evidencia graças


imediatas, pouco comuns, que os intelectuais cometem um
engano, chamando a isso de superstição. Esse modo de
interpretar e pensar não deixa de ser um grande obstáculo;
contudo, dentre os que se têm na conta de eruditos, há muitas
pessoas de mente sã que se tornam felizes por ingressarem na
Fé, aceitando plenamente a realidade evidenciada. Tanto os mais
obstinados, como os devotos da Ciência, acabam se dando por
vencidos diante das provas da existência de Deus apresentadas
pela Igreja Messiânica Mundial através de milagres sem conta,
nunca manifestados antes.

Jornal Eiko nº 138, 9 de janeiro de 1952

209
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 60 ) R E L I G I Ã O QUE REVE L A DE US

Isso que acontece não é de hoje, mas quando um religioso


vai pregar a existência de Deus para terceiros, por mais que
explique levantando diversos exemplos, não consegue convencer
facilmente; qualquer um já passou por essa experiência. Mas isso
não se limita apenas à nossa Igreja; em qualquer outra religião
acontece o mesmo, e quase não existem exceções. Porém, não é
um auto-elogio, mas somente a nossa Igreja Messiânica pode
mostrar realmente a existência de Deus e creio que no mundo
não existe exemplo igual. Isso pode ser bem compreendido lendo
as graças recebidas da nossa Igreja e também está bem claro
nas experiências dos fiéis. E, dos dez pacientes que, no início,
vêm receber Johrei, pode-se dizer que os dez possuem dúvidas e
não é para menos. Isso porque submeteu-se a todos os tipos de
tratamentos existentes no mundo a começar pelo tratamento
médico, mas não obteve a cura, e no final, de tanto desgosto,
acaba determinando que, nesse mundo, não existe um método
de cura verdadeiro. Por esse motivo, fica descontente, caindo na
profundeza da agonia, e como não consegue suportar o
sofrimento da realidade, quer se apoiar em alguma coisa, tem o
sentimento repleto de rejeição à morte. Nessa ocasião, ouve falar
da nossa Igreja e, como é recomendado fervorosamente, pensa
em experimentar mais uma vez, e vem receber Johrei como se
agarrasse um pedaço frágil de palha.

E, chegando aqui, simplesmente levantam a mão; tudo é


tão comum, não existe uma razão para uma doença tão grande
como essa ser curada com esse ato, é uma bobagem, não devia
ter vindo; não são poucas as pessoas que se arrependem dessa
maneira. E acontece muito que sempre essas pessoas, depois de
curadas, pedem desculpas por terem pensado daquela forma
naquela ocasião, porque até hoje, de um modo nunca visto e
ouvido, produz efeitos maravilhosos, então só fazem ficar
impressionados. Além disso, a maioria das religiões, quando
curam doenças, pode se dizer que, infalivelmente, desde o início,

210
Rokan – Alicerce do Paraíso

dizem que não podem duvidar, é preciso acreditar para receber o


benefício; desde que esse é o senso comum geral. Quando
ouvem casualmente a conversa da nossa Igreja, duvide bastante
desde o inicio, enquanto não ver de verdade o benefício não se
deve acreditar de forma alguma, a pessoa fica desnorteada com
a grande diferença, mas por outro lado tem pessoas que acham
isso interessante; essa é, sem dúvida, uma religião verdadeira,
pois não haveria motivo para dizer uma grandiloqüência dessas
se não se tivesse bastante confiança; assim, acabam
acreditando.

Entretanto, ao receber Johrei, se surpreendem duas vezes:


“Até agora, com qualquer tratamento, não tinha tido esse efeito e
dessa vez estou me sentindo muito bem. Que bom! Com isso,
estou salvo. Deus existe realmente nesse mundo, até hoje pensei
que não existisse, o que era um engano terrível; é uma bênção,
eu fui realmente salvo”; falando assim, não conseguem se conter
de tanto prazer, deleitando-se de satisfação. Através disso,
podemos ver que falar para acreditar antes de obter a graça é o
mesmo que dizer para mentir para si mesmo; pode-se
compreender o quanto é errado. Esse é um propósito de força
própria e a força do Deus Verdadeiro é um propósito sem força
própria, por isso é que se consegue receber a graça com
facilidade. Porém, o que é preciso tomar cuidado é que, mesmo
no recebimento da graça, existe grande e pequeno. O importante
é saber discernir. Entretanto, mesmo com uma graça pequena,
existem pessoas que logo ficam extasiadas, mas é preciso tomar
muito cuidado com isso. Isso porque, ao ser curado de uma
doença grave que foi abandonada pelos médicos, deve-se
compreender claramente que recebeu-se a vida de Deus e essa
é uma fé correta em que se pode devotar de corpo e alma. E
também, mesmo Deus possui diferença de níveis: superior,
intermediário e inferior. Sendo um Deus de nível inferior, a graça
é pequena; quanto mais elevado o nível do Deus, maior é a
graça, e esse é o princípio da concordância. Portanto, é preciso
estar plenamente ciente desse ponto.

211
Rokan – Alicerce do Paraíso

Creio que, através do exposto acima, puderam


compreender a nossa Igreja Messiânica Mundial como a religião
que mostra Deus.

Jornal Eiko nº 176, 01 de outubro de 1952

212
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 61 ) R E L I G I Ã O À L UZ DA VER D A D E

Alicerce do Paraíso, pág.191

Embora se saiba que existe a classificação "Daijo" e


"Shojo" referente às religiões - classificação usada principalmente
no budismo - até nossos dias ainda não foi divulgada uma
explicação radical sobre o assunto. Procurarei expor o meu ponto
de vista.

Resumindo, "Daijo" significa Natureza e refere-se às


atividades de criação e desenvolvimento de todas as coisas
existentes no Universo. Portanto, "Daijo" abrange tudo, nada lhe
escapa. De acordo com este sentido, falarei não sobre o "Daijo"
búdico, mas sobre o "Daijo" universal. Isto é, não somente
Religião, Filosofia, Ciência, Política, Educação, Economia e Arte,
mas também a guerra e a paz, o Bem e o Mal.

Podemos observar uma ordem natural nas atividades de


todo o Universo. Considera-se realmente homem o indivíduo que
reconhece a obediência à ordem como fator natural do progresso.
Por essa razão, o desvio da ordem acarreta, infalivelmente,
obstáculos, estacionamento ou destruição. A obediência ou a
desobediência à ordem constrói ou destrói, e a realidade mostra
que no mundo sempre tem ocorrido construção e destruição. As
religiões podem servir como exemplo. Embora os homens as
condenem, tachando-as de supersticiosas ou heréticas, elas
progredirão se forem necessárias à humanidade; caso contrário,
submeter-se-ão à seleção natural. Devemos confiar até certo
ponto na ação da Natureza. Se as religiões tiverem realmente
vida e valor, a perseguição humana contribuirá para o seu
progresso. Temos um exemplo vivo no cristianismo. Quem
objetará contra a sua predominância atualmente, apesar da
crucificação do seu fundador?

213
Rokan – Alicerce do Paraíso

O homem moderno possui uma visão demasiadamente


estreita e curta, cujo erro, creio eu, deve ser analisado
seriamente.

Coletânea Série Jikan volume 12, 30 de janeiro de 1950

214
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 62 ) R E L I G I Ã O CRIAD OR A DE PESS OA S FELIZE S

Alicerce do Paraíso, pág. 25

A Religião não é nada mais do que a cristalização do amor


de Deus para guiar os infelizes ao caminho da felicidade.
Ninguém ignora que muitos lutam em vão para conseguir a
felicidade almejada; raras são as pessoas que a conseguem,
depois de uma vida inteira de lutas.

É de pouca utilidade colocar em prática a teoria que nos foi


legada através da instrução e de biografias e leituras referentes
aos exemplos de grandes personagens. A teoria bem formada
merece admiração, mas todos sabem, por experiência própria,
que é difícil pô-la em prática.

Tem-se como crédulo ou simplório aquele que age com


honestidade; entretanto, se a pessoa procede diferente, cai no
descrédito social e nas malhas da Lei. Por fim, o indivíduo não
sabe como agir. O que os homens consideram bem-viver e se
apressam por adotar é a vida desonesta sob a capa da
honestidade. Os melhores adeptos dessa filosofia tornam-se os
campeões dos bem-sucedidos, razão por que as pessoas tendem
a seguir tais exemplos e o mal social não diminui.

Dizem que os honestos levam desvantagem, e tudo nos


faz chegar a tal conclusão, a julgar pelo aspecto do mundo, de
modo que quanto mais honesto for o indivíduo, tanto mais ele se
arrisca a cair no conceito de "antiquado". Observa-se com
freqüência que os homens que proclamam a justiça são repelidos
e fracassam na sociedade.

É enorme o meu esforço para manter constantemente o


conceito de justiça diante de semelhante mundo. O homem
comum escarnece das minhas palavras, que ele considera
crendices. Julga-me caprichoso e covarde, porque não sou

215
Rokan – Alicerce do Paraíso

interesseiro. Sente-se importunado por enfrentarmos o Mal e


destemidamente escrevermos a respeito, e também pelo nosso
rápido progresso. Ultimamente, porém, em vista da firmeza de
atitude com que nos temos mantido, apesar de todas as pressões
- atitude que visa unicamente o Bem - está despertando certa
consideração por nós no espírito das pessoas. Alegra-nos, acima
de tudo, que a situação tenha abrandado, facilitando o nosso
trabalho. Isso se deve à resistência que oferecemos a todas as
perseguições, tendo Deus por nosso apoio, e ao fato de a Igreja
Messiânica Mundial possuir o Johrei, inexistente nas demais
religiões.

Felizmente, alcançamos a liberdade religiosa com o


advento da democracia. O ambiente ficou favorável, em
comparação com o do Japão anterior à Guerra, tornando
possível, através da justiça, eliminar o Mal e caminhar ao
encontro do Bem.

A seguir, tratarei do problema concernente à felicidade do


homem.

Naturalmente, o Bem constitui a base da felicidade, sendo


óbvio insistir sobre a necessidade de ele ter força suficiente para
vencer o Mal. Até agora, entretanto, na sua maioria, as religiões
careciam dessa força; por conseguinte, não proporcionavam a
felicidade desejada. Sendo assim, tiveram de pregar a Iluminação
para satisfazer o povo, no seu desejo de atingir, pelo menos, a
paz espiritual, uma vez que não conseguiam obtê-la na sua
totalidade, isto é, espiritual e materialmente. Ou então pregaram
a resignação, através do espírito de expiação e do princípio de
não-resistência contra o Mal. Criaram, portanto, a teoria da
negação da graça na vida presente, o que explica ser classificada
de superior a religião que visa a salvação do espírito, e de inferior
aquela que consegue obter, também, os benefícios do mundo.
Mas essa teoria não passou de um recurso para determinada
época. Darei exemplos.

216
Rokan – Alicerce do Paraíso

Há pessoas que, embora torturadas por uma doença


prolongada, dizem-se alegres, alegando estarem salvas quando
na realidade estão apenas resignadas, sufocando seus
verdadeiros sentimentos. Isso é uma espécie de auto-traição. Por
natureza, a verdadeira satisfação nasce com o restabelecimento
da saúde, se for esse o caso.

Em todos os tempos, houve famílias que, não obstante o


ardor de sua fé, não foram agraciadas materialmente,
permanecendo vítimas de desgraças. Dessa forma, acabaram
por se iludir, julgando que a essência da Religião só objetiva a
salvação espiritual.

A Igreja Messiânica Mundial salva tanto o espírito como a


matéria. Podemos afirmar que vai além disso. As obras de
construção dos protótipos do Paraíso Terrestre em diversas
localidades, assim como a construção de museus de arte que
estamos realizando, dependem inteiramente dos donativos dos
fiéis. A Igreja abomina a exploração, contando apenas com
recebimento do donativo espontâneo. Apesar disso, é realmente
milagroso o fato de se conseguir a quantia necessária para o
empreendimento de uma obra de tal envergadura. Isso prova a
prosperidade dos fiéis. O donativo, longe de ser temporário,
tende a aumentar, razão por que nunca me preocupei com
dinheiro.

Na época em que apareceram as religiões antigas, os


ensinamentos podiam ser de caráter limitado, de Fé "Shojo", mas
hoje a realidade é outra. Tudo adquiriu caráter universal, de modo
que é preciso uma organização grandiosa para salvar a
humanidade. Quanto maior a organização, maior o número de
pessoas salvas. Por isso, ao tomar conhecimento dos seus
objetivos, ninguém deixará de reconhecer a importância da nossa
Igreja.

Jornal Eiko nº 212, 10 de junho de 1953

217
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 63 ) R E L I G I Ã O ATIV A

Alicerce do Paraíso, pág. 20

Os leitores poderão estranhar quando eu disser que há


religiões ativas e religiões inativas. É justamente o que pretendo
explicar agora.

Religião ativa é aquela que está relacionada com a vida


prática, e a inativa ou morta, exatamente o oposto. Infelizmente, é
raro encontrar uma religião, dentre as muitas existentes, que
esteja perfeitamente entrosada com a vida prática.

As doutrinas são elaboradas com perfeição, mas não


podemos esperar muito do seu poder doutrinário. No período da
fundação de muitas religiões, há centenas ou milhares de anos,
talvez suas doutrinas estivessem de acordo com a situação social
da época, exercendo sobre ela grande influência. Sabemos, no
entanto, que esse poder foi enfraquecendo com o passar do
tempo, até atingir o estado em que hoje se encontra.
Lamentavelmente, esta é a ordem natural das coisas; tudo sofre
essa mudança, que acabou ocorrendo também no âmbito da
Religião. O surto de novas religiões adaptadas à época no
decorrer destes anos é um fato inegável, observado em todos os
países. Mas essas religiões acabam sempre desaparecendo, por
faltar-lhes poder suficiente para superar as anteriores.

Exemplifiquei as mudanças ocorridas nas religiões; agora


desejo falar sobre as características das religiões modernas.

É do conhecimento geral que o desenvolvimento da


Ciência, a partir do século XVIII, vem constituindo uma verdadeira
ameaça para as religiões, e não se pode negar que ele tenha
contribuído para a sua decadência. A Ciência dominou a tal ponto
a mente humana que o homem só aceita aquilo que tem
explicação científica. O fato ainda seria desculpável, se não

218
Rokan – Alicerce do Paraíso

tivesse dado origem ao pensamento ateísta e à corrupção moral


sem fim, criando confusão social e transformando este mundo
num verdadeiro caos. Ainda há religiões antigas que se esforçam
para doutrinar o povo com ensinamentos, os quais foram sendo
aperfeiçoados após sua elaboração, centenas de anos atrás. Mas
falta poder doutrinário a essas religiões, distantes da atualidade,
e a carência de realismo torna sua existência equivalente à das
antigüidades. Na época em que surgiram, elas foram úteis, mas
hoje seu valor não vai além de uma preciosidade histórica e
cultural. Dentre as novas religiões, há algumas que se aproveitam
dessas preciosidades históricas adornando-as ricamente, para
atrair as pessoas; mas, com certeza, terão seus dias contados.

Diante de tudo isso, é admissível que a Religião tenha


ficado abandonada por muito tempo, sendo superada pelo
maravilhoso progresso da cultura. Exemplificando, é como se
quiséssemos usar carro de bois numa época em que nos
servimos de aviões, automóveis e telégrafo. A nossa Igreja
respeita a História, mas não se prende a ela, progredindo de
acordo com a Vontade Divina e através dos seus próprios
métodos.

As atividades relativas à obra que estamos realizando


abrangem a reforma da agricultura e da medicina, apontam as
falhas de todas as culturas e adotam, como princípio orientador, o
ideal de uma nova civilização. Uma de suas principais realizações
vem a ser a construção do protótipo do Paraíso Terrestre e do
Museu de Arte. Além de servir-se dessas construções como
recintos sagrados, onde os espíritos maculados e exaustos
possam se sentir reconfortados, a Igreja pretende, visando o
enobrecimento do caráter do homem, torná-las um baluarte
contra os divertimentos fúteis e pecaminosos de hoje em dia.

De acordo com o exposto acima, a atividade da Igreja


Messiânica Mundial, no plano individual, consiste em salvar o
homem da pobreza e contribuir para sua saúde física e mental;

219
Rokan – Alicerce do Paraíso

no plano social, sua finalidade é construir uma sociedade sadia e


pacífica. Sentimo-nos imensamente felizes ao saber que,
ultimamente, o nosso trabalho está sendo reconhecido pelos
eruditos e tornando-se alvo de suas atenções. Embora, no
momento, seja uma obra insignificante, no dia em que ela for
ampliada e difundida no mundo inteiro, surgirá em todos os
países a idéia de um mundo ideal, repleto de paz e felicidade.
Afianço que isso não é um sonho.

Que vem a ser, portanto, uma religião ativa, viva, senão a


nossa, com todos esses exemplos? Infelizmente, a sociedade
atual olha as novas religiões com indiferença e desprezo, e isso
se acentua principalmente na classe dos intelectuais, que
assumem uma atitude cautelosa perante o povo, mesmo quando
se referem à nossa Igreja. Entretanto, eu compreendo
perfeitamente a razão dessa atitude. As religiões antigas
geralmente contam com espantoso número de adeptos, mas
estes, na maioria, são pessoas de pouca cultura. Entre as
religiões novas, há algumas que não despertam nenhum
interesse, devido às suas palavras e práticas excêntricas; outras
possuem elementos supersticiosos em grande proporção, que o
bom senso nos leva a repelir. Creio que isso não durará por muito
tempo, mas desejo que os responsáveis por essas religiões usem
de reflexão.

Há, também, teólogos que, para adaptá-las à época,


reproduzem e vestem de uma nova roupagem as doutrinas dos
antigos santos, sábios e mestres. Isso confere a elas uma
aparência progressista e de fácil aceitação pela classe intelectual,
mas resta dúvida quanto à sua validade em relação à vida
prática.

O assunto me faz recordar o pragmatismo de William


James, o famoso filósofo americano. Essa doutrina filosófica
preconiza a "filosofia em ação", e eu pretendo estendê-la também
à Religião, isto é, a Religião deve ser prática e ativa.

220
Rokan – Alicerce do Paraíso

Jornal Eiko n º 233, 4 de novembro de 1953

221
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 64 ) A S A L V A Ç Ã O PEL O SO L

Atualmente, as pessoas consideradas inteligentes,


infalivelmente, têm o hábito de desde o início olhar com
discriminação as religiões novas. "Naturalmente é uma religião
originária de alguma estrela dos últimos tempos, por isso,
aproveitando a oportunidade da época, inventam dogmas com
destreza, logrando maridos e mulheres estúpidos, e enchem os
bolsos fazendo-se passar pelo fundador, sem dúvida", é o que já
determinaram, então se acaso contraem uma doença, nem
passam pelo médico, além disso “até o dinheiro ganho com suor
lhes é tirado, mas se sentem gratos, por isso é um mundo
problemático", é o que parecem pensar. Realmente, se essa for a
realidade que seja, mas é lógico que nós como pessoas
religiosas não nos intimidamos com esse pensamento.

Contudo, acho também que isso não está totalmente


errado. Isso porque, dentre as religiões novas, exceto duas ou
três, existem muitas que não se pode confiar. Como exemplo
disso, uma coisa muito comum na sociedade, que é a leitura da
sutra budista em voz alta batendo sinos, tambores e palmas
feitos com prazer, sem se importar com o incômodo causado aos
vizinhos, creio que esse é um tipo de mal causado pelo barulho.

E também, em meio aos olhares da multidão, muitos fiéis,


cantando uma música estranha fazendo gestos esquisitos com as
mãos e sem nenhuma saudação, vão dançando; é como se
estivessem em transe, narcotizados. Não somos apenas nós que
não nos sentimos bem ao nos mostrarem isso. Sendo assim,
acho que não é nada bom olhando socialmente. Em
contraposição, uma pessoa, por ser fervorosa demais na fé,
acaba ficando egoísta e não apenas trata com desdém as
pessoas de outras religiões e as que não têm fé, como também
vemos sempre pessoas que não gostam de manter uma relação
social comum, e as pessoas extremistas se alegram com o
encosto divino. Como existe até mesmo a fé que faz homens

222
Rokan – Alicerce do Paraíso

imbuídos de loucura, esses também precisamos ver que, ao


invés do positivo, o negativo é muito mais numeroso. E existe
aqueles sem crime. Deixam os cabelos compridos, vestem uma
estranha vestimenta e assentam como o próprio Deus encarnado,
se auto-denominando fundador; existe muito desse tipo de coisa,
mas são todos muito cheios de ironia, e ao pensar que existem
pessoas que seguem esse tipo de Deus encarnado, o mundo é
mesmo muito grande.

Desde tempos antigos, a penitência faz parte de um certo


tipo de fé; assim, praticam devotadamente a purificação pela
água fria, o jejum e o banho de cachoeira feito em reclusão nas
montanhas, mas realmente, o praticante deve estar muito
satisfeito; porém, para nós que somos pessoas comuns, não
entendemos absolutamente essa intenção; pelo contrário,
sentimos pena. Escrevi assim por cima, mas esse procedimento
incomum, achando ser originário da religião, é uma superstição
problemática. Em relação a essas coisas, eu, apesar de ser um
religioso, acho que é realmente condenável a religião que acha
boa a penitência, e também sempre digo isso às pessoas. Dessa
forma, como hoje a fé de nível inferior está expandida, é natural
que, independente de ser instruído ou não, como escrevi no
início, é impossível deixar de levantar o pensamento de desdém.

Entretanto, não é um auto-elogio, mas a nossa Igreja


Messiânica Mundial é completamente diferente desses tipos de
fé. Em primeiro lugar, leva em consideração a lógica, a vida e as
atitudes não diferem nem um pouco das pessoas comuns; têm
como objetivo a relação amigável com qualquer pessoa, não
deixar faltar a harmonia e outros, são os princípios básicos.
Compreendendo essa verdade, qualquer pessoa, tranqüilamente,
terá vontade de se aproximar da nossa Igreja, mesmo que não
venha a se tornar fiel. Contudo, por não compreender essa
verdade, a nossa Igreja é vista igualmente como aquelas fé fora
da lógica descritas acima casualmente, o que é realmente
inconveniente. Portanto, quem vai atrapalhar a expansão da

223
Rokan – Alicerce do Paraíso

nossa Igreja não são os ateístas nem os supersticiosos da


ciência; pelo contrário, podemos dizer que são as religiões novas
indesejadas como as descritas acima. Além disso, como não é
um obstáculo consciente, é muito mais difícil de lidar.

Portanto, como sempre digo, a nossa Igreja Messiânica


não é uma religião e sim uma ultra-religião, e como se trata de
uma obra de salvação, inédita, desde o início da História tudo é
diferente. Qualquer pessoa pode compreender através do nosso
extraordinário modo de agir, se bem que com o pensamento da
religião já existente é difícil de engolir e não é para menos, mas
uma vez compreendido é o suficiente, ficará sabendo que é isso
o que procurava até agora e, sem exceção, brota uma alegria do
fundo do coração. Mais do que qualquer outra coisa, vendo a
expansão da nossa Igreja, poderá compreender. A realidade é
que em apenas alguns anos conseguiu todo esse progresso.
Nesses últimos anos, existem duas a três religiões novas que
também progrediram maravilhosamente, mas quero prevenir que
diferem basicamente com a nossa Igreja. Essas religiões se
expandiram por que fizeram de plataforma as religiões já
existentes e tentaram grande número de fiéis dessas entidades.
Ao contrário disso, a nossa religião é de um até dez criativas, e
quero que tomem plena consciência disso.

E a religião extremamente fora de lógica, nem é preciso


dizer, a sua base é a fé Shojo (restrita) e portanto limitada e sem
liberdade. Ao falar em liberdade, as pessoas em geral pensam
que tem afinidade longínqua com a religião, e nesse ponto,
realmente, é igual ao mundo atual, se não for um liberalismo
democrático, creio que será impossível orientar o povo em geral,
daqui em diante. Explicando melhor, é o seguinte: as religiões de
até hoje são baseadas em Shojo; por isso, da mesma forma que
o mundo, assim como a cor de cada país é diferente, as religiões
também são dessa forma. Portanto, as explanações também são
baseadas na privacidade, não tendo características populares,
sendo natural que a extensão de salvação seja estreita. Além

224
Rokan – Alicerce do Paraíso

disso, a fé Shojo possui disciplinas rigorosas e, presos a isso,


sofrem aceitando como práticas ascéticas. Isso constitui uma
desaprovação ao amor de Deus, o que é lamentável. Eu chamo a
isso de fé infernal. Entretanto, na nossa Igreja, ao contrário,
quase não existem regulamentos e, por isso, é extremamente
livre. Consideramos uma graça de Deus o deleitar-se com a vida,
portanto, essa é realmente a fé paradisíaca. Dessa forma, na
nossa Igreja Daijo (ampla) estão incluídas a Religião, a Filosofia,
a Política, a Economia, a Educação, a Arte, a Medicina e outros,
tudo que é necessário ao homem. Exatamente como o Sol
controla todas as cores e tem apenas a cor branca, a nossa
Igreja é a religião do Dia, é a salvação através do Sol.

Jornal Eiko nº 183, 19 de novembro de 1952

225
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 65 ) P A Z E S E G U R A N Ç A

Alicerce do Paraíso, pág. 196

As pessoas acham que as expressões "paz" e "segurança"


limitam-se apenas ao espírito, mas esse modo de pensar
constitui um grande erro, uma vez que, para obtermos a
verdadeira paz e segurança, não podemos excluir a matéria.
Pensem bem: se houver uma que seja das três grandes
desgraças - doença, pobreza e conflito - onde estará a paz?
Quando as pessoas estiverem certas de que, durante toda a sua
vida, não terão preocupações com doenças, não ficarão pobres,
nem haverá possibilidade de se envolverem em conflitos, aí sim,
elas terão a verdadeira paz e segurança. Entretanto, no mundo
contemporâneo, possuir essas três condições ao mesmo tempo
não passa de utopia. Diríamos que provavelmente não existe
uma pessoa sequer, no mundo inteiro, que possa afirmar possuí-
las.

Observando este mundo, logo percebemos que nada


ocorre conforme desejamos; as coisas más acontecem
incessantemente, e as boas, só de vez em quando. O mundo em
que vivemos é a própria imagem do inferno.

No que se refere à saúde, por exemplo, não sabemos


quando vamos ficar doentes. Um simples resfriado pode acabar
logo, como também perdurar e gerar uma doença terrível.
Portanto, não podemos estar despreocupados, pensando que um
resfriado não é nada. Como diz a Medicina, os vírus estão em
toda parte, e por isso é impossível saber quando vamos contrair
uma doença contagiosa ou a que hora um bacilo vai nos atacar.
Conseqüentemente, as autoridades são muito exigentes em
matéria de higiene, aconselhando-nos a conservar a limpeza, não
comer nem beber em demasia, fazer gargarejo ao voltar da rua,
lavar as mãos antes das refeições, tomar cuidado com os
alimentos e outras medidas semelhantes. São tantas as

226
Rokan – Alicerce do Paraíso

advertências, que até ficamos saturados. Levar tudo isso em


consideração é o mesmo que viver sob a constante ameaça de
todos os tipos de perigos.

Quanto à pobreza e aos conflitos, na maior parte dos


casos provêm de problemas financeiros, que se originam do
desequilíbrio entre o espírito e a matéria. Assim, é óbvio que, se
não conservarmos o espírito e o corpo sadios, jamais
conseguiremos a tranqüilidade absoluta. Talvez as pessoas
achem impossível consegui-la; contudo, se pudermos realmente
obtê-la, não será uma maravilhosa graça do Céu? Eu afirmo, sem
qualquer sombra de dúvida, que é possível alcançar essa Graça.

Jornal Eiko nº 186, 10 de dezembro de 1952

227
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 66 ) A N O S S A IGREJ A É XINTOÍ SM O OU BUDISMO?

Me perguntam bastante sobre o título acima e tentarei


explicar, mas sobre a verdadeira forma de Kanzeon Bossatsu não
poderei publicar mais a fundo porque ainda não é chegado o
tempo, porém não há dúvida de que é um Deus de nível superior.

Aqui explicarei sobre Deus e Buda. Há mais de mil anos


atrás, quando o mundo sofreu uma mudança, todos os Deuses se
transformaram em Buda. Por exemplo, Tsuki-Yomi-no-Mikoto se
tornou Amida Nyorai, Amaterassu-Ookami se transformou em
Dainiti Nyorai e Wakahimeguimi-no-Mikoto em Shaka Nyorai, e
Izunomê-no-Kami se tornou Kanzeon Bossatsu. Esse período
corresponde ao Mundo da Noite, ou seja, o mundo do shin-nyo.
No budismo, usa-se freqüentemente a expressão shin-nyo jisso.
Mas shin-nyo vem a ser shin-nyo no tsuki, ou seja, o Mundo da
Noite, e jisso, o Mundo do Dia. Por isso, até hoje colocaram o
shin-nyo em cima e o jisso em embaixo. A palavra Shin-nyo,
conforme indicam as letras, quer dizer “verdade aparente” e não
se trata da Verdade. Esse é o motivo pelo qual Sakyamuni disse
que era um mundo provisório. Esse também é o significado de ter
dito que viria o mundo da “Destruição do Budismo". Além disso,
com a Transição do Mundo Espiritual, dessa vez viria o Mundo do
Dia, isto é, daria origem ao mundo real.

Relacionado com o que foi dito acima, é preciso explicar o


significado da sutra budista. Foi feita uma comparação das leis
budistas com a flor, no sentido de desabrochar a flor uma vez e
através disso produzir o fruto. O artigo número 25, denominado
Kannon Fumon, dentre os 28 artigos da sutra, é o que se refere a
isso.

Aqui também se encontra a causa do aparecimento da


nossa Igreja: a flor caiu e o fruto que nasceu foi a nossa Igreja
Kannon, e através disso poderão apreender o sentido místico do
aparecimento da nossa Igreja. Realmente, ela nasceu porque

228
Rokan – Alicerce do Paraíso

assim estava determinado. Apenas com esse fato podemos ver


que a nossa Igreja não é de forma alguma uma religião feita pelo
homem; amadureceu no tempo dos céus e nasceu para salvar a
humanidade do sofrimento no período de transição do mundo.
Sabendo disso, se a religião budista existente reconhecer o
aspecto verdadeiro da nossa Igreja, podemos imaginar que irão
se levantar para ajudar a nossa Igreja. Sem dúvida que mesmo
Sakyamuni ficará muito satisfeito no Paraíso do Mundo Espiritual.

O assunto se desviou, por isso voltarei ao princípio, e


como falei no início, o Deus Supremo se manifestou como Buda,
por isso desde tempos remotos dizem que Deus e Buda têm a
mesma raiz; já disseram até que são a mesma coisa. Agora é
exatamente o período de grande Transição, onde os inúmeros
espíritos de Buda vão retornar à identidade originária, de Deus;
portanto, na nossa Igreja, estamos lidando com os dois, Deus e
Buda.

Jornal Hikari nº 11, 31 de maio de 1949

229
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 67 ) S O B R E O NASCIM E N T O DA IGREJ A MESSIÂNICA


MUNDIAL

A Igreja Kannon do Japão, fundada como entidade


religiosa em 30 de agosto de 1947, e a Igreja Miroku do Japão,
fundada em 30 de outubro de 1948, estão dissolvidas a partir de
agora. Com base em um novo projeto, essas duas entidades
surgem unidas sob o nome de Sekai Meshiya Kyo (Igreja
Messiânica Mundial), neste dia 4 de fevereiro de 1950, dia do
início da primavera.

O fato se reveste de um grande significado e, obviamente,


obedece à profunda Vontade de Deus; é, pois, desnecessário
dizer que ele não foi determinado pela vontade humana. É uma
decorrência de termos entrado, finalmente, na época da
Transição da Noite para o Dia no Mundo Espiritual, como temos
sempre afirmado.

Conforme costumamos dizer, a obra de salvação


empreendida pelo budismo era do período da Noite e, por isso,
juntamente com a destruição da Noite, acelera-se a salvação
efetuada por Kanzeon Bossatsu, o que, em outras palavras,
significa a extinção do budismo. Conseqüentemente, é óbvio que
a atuação de Kanzeon Bossatsu seja a própria atuação do
Salvador do Mundo. Ou seja, Kanzeon Bossatsu, que havia
tomado a forma de Buda, tirando a máscara, reassume a Sua
forma original de Deus.

À medida que o Mundo Espiritual vai se transformando em


Dia, essa mudança vai se refletindo no Mundo Material. Assim, é
claro que, da Cultura da Noite, as coisas desnecessárias vão
desaparecer, restando somente o que for útil. E não é apenas
isso. Devido ao longo período de trevas, houve um grande
acúmulo de máculas da humanidade, de modo que é preciso
fazer-se uma limpeza. As coisas desnecessárias que devem ser
destruídas referem-se a isso. Paralelamente, inicia-se a

230
Rokan – Alicerce do Paraíso

construção da Cultura do Dia. O que significa esta grande e


inédita mudança? É exatamente o Plano de Deus, determinado
há milhares de anos.

Em outras palavras, vai se processar uma destruição e


uma construção de dimensão mundial. Na iminência de tão
importante momento, precisamos saber como se manifesta o
grande Amor de Deus. Em termos concretos, definir-se-á o que
deve ser destruído e o que deve sobreviver. Embora isto seja
inevitável, Deus, pela Sua benevolência, deseja salvar o maior
número de pessoas destinadas à destruição e, escolhendo o Seu
representante, realizará a grande Obra de Salvação do mundo. A
instituição encarregada dessa tarefa é a nossa Igreja, cuja
missão, portanto, é muito grande. Nesse sentido, as atividades
que antecedem a época final que se aproxima merecem grande
atenção. Conseqüentemente, o Paraíso Terrestre pregado por
nós deve ser o último objetivo a ser atingido.

Até agora, sob o nome de Conselheiro, vim concretizando,


ocultamente, a Providência Divina, mas, como os alicerces
finalmente ficaram prontos, vamos passar para as atividades de
superfície. Falando claramente, chegou a hora da representação
no palco. Por conseguinte, em todos os setores, gradativamente,
irão surgir novas formas de atividades, a começar pelo aspecto
organizacional.

Nas orações, apesar dos nomes diferirem — Kanzeon


Bossatsu, Komyo Nyorai, Messias, Miroku, etc. — todos eles
representam o mesmo Espírito Divino; portanto, a parte
fundamental não muda. De acordo com o tempo, a esfera de
atuação do Espírito Divino se amplia e, por isso, tanto a Imagem
da Luz Divina como o Ohikari (Luz Divina) podem ser mantidos
na forma atual, até uma certa época. Gostaria de anunciar muitas
outras coisas ainda, mas irei fazê-lo aos poucos, de acordo com
o transcurso do tempo. No momento, vou me deter por aqui.

231
Rokan – Alicerce do Paraíso

Para finalizar, devo dizer que, até agora, quem atuava era
Kanzeon Bossatsu; assim era uma atuação de caráter oriental.
Todavia, com a aproximação do tempo, precisamos fazer um
grande avanço, salvando toda a humanidade. É necessário que
nos ampliemos mundialmente. Eis o motivo da denominação
“Igreja Messiânica Mundial”.

Além disso, Kanzeon Bossatsu realizava a salvação do


Bem e do Mal de forma indiscriminada. Hoje, entretanto, quando
o Paraíso Terrestre está bem diante dos nossos olhos, é preciso
fazermos a distinção, cultivando o Bem e destruindo o Mal. Em
suma, é um golpe decisivo para o Mal. Conseqüentemente, o
Poder de Salvação também precisa ser decisivo. E esse Poder é
justamente o grande Poder de Deus manifestado pelo Messias.

Finalmente, chegou o momento de comemorarmos!

Jornal Kyussei nº 48, 04 de fevereiro de 1950

232
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 68 ) O P O R Q U Ê D A D E N O M I N A Ç Ã O “ S E K A I M E S H I Y A
K Y O ” ( I G R EJ A M E S S I Â N I C A M U N D I A L )

Por que será que a Igreja Kannon e a Igreja Miroku, que


ainda nem completaram três anos de existência, uniram-se para
fundar uma nova Igreja com o nome de “Sekai Meshiya Kyo”
(Igreja Messiânica Mundial)? Vou explicar o motivo, pois acredito
que todos os fiéis estejam ansiosos por conhecê-lo.

Há muito venho afirmando que Deus sempre mostra tudo


através de modelos e, ao mesmo tempo, que Ele nos faz realizar
esses modelos. Assim, era preciso que, um dia, o Espírito e a
Matéria, ou seja, o vertical e o horizontal, se unissem e tomassem
a forma de cruz. A partir daí, a ação de Deus tornar-se-á
verdadeira. O vertical e o horizontal correspondem,
respectivamente, ao Fogo (...) e à Água (...). Fogo, em japonês, é
“Ka”, e Água é “Mi”, consubstanciando-se, desse modo, a
atuação de Kami (Deus).

O budismo é a Lua. Como esta é a luz da Era da Noite e


Kanzeon Bossatsu é Buda, sua atuação é a da Era da Noite. O
fato de Kanzeon Bossatsu não ter conseguido manifestar Seu
Poder Absoluto era devido à época. Por conseguinte, uma vez
que, gradativamente, vai se formando o Mundo do Dia, a atuação
de Buda vai se extinguindo e começa a se manifestar a atuação
de Deus. Como eu já disse anteriormente, isso deu origem à
Igreja Messiânica Mundial.

Embora seja a atuação de Deus, essa atuação é diferente


do xintoísmo, que remonta à Antigüidade, no Japão. Sendo uma
religião do povo japonês, o xintoísmo é limitado, e hoje, quando
tudo se tornou mundial, ele perdeu o sentido. Foi por esse motivo
que se enfraqueceu após o término da Segunda Guerra Mundial.
Assim, o Supremo Deus não faz discriminação de povos nem de
países. Ele procederá à salvação de toda a humanidade.
Chegamos a uma época muito gratificante; portanto, precisamos

233
Rokan – Alicerce do Paraíso

ter um nome adequado. O nome “Kyussei” (Salvação do Mundo)


é o mais apropriado, mas, por ser uma denominação japonesa, é
muito oriental; logo, não faz sentido. Por isso, escolhi a
expressão “Messias”. Assim, juntando-se o Oriente e o Ocidente,
(N.T.: a nossa Igreja) torna-se mundial. A palavra Messias
relaciona-se especialmente a Cristo, portanto, é uma ótima
denominação, por ser do apreço dos povos civilizados. Messias e
Juízo Final, segundo ouvi dizer, têm uma relação íntima e
inseparável. Como Juízo Final tem o mesmo sentido que Fim da
Era da Noite e o Início da Era do Dia, que constantemente
pregamos, o fato reveste-se de profundo significado.

Passando Kanzeon Bossatsu a atuar como Deus, que


mudanças ocorrerão? É um assunto de grande interesse para os
fiéis. Conforme venho sempre dizendo, não mais se efetuará a
salvação indiscriminada do Bem e do Mal. O Bem e o Mal serão
distinguidos claramente. Significa que a proteção do Bem se
intensificará cada vez mais, e o Mal, diferentemente do que
acontecia até agora, será julgado cada vez com mais rigor.
Devemos estar bem conscientes disso e, para tanto, é necessário
ler os Ensinamentos o máximo possível.

Uma vez que Deus irá construir o Paraíso Terrestre,


consubstanciado na Verdade, no Bem e no Belo, que é Seu ideal,
Ele terá de corrigir completamente as pessoas equivocadas e de
espíritos maculados.

Revista Tijyo Tengoku nº 14, 20 de março de 1950

234
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 69 ) C O N C R E T I Z A Ç Ã O D A P R O F E C I A D O R E I N O D OS
CÉU S — O PARAÍ S O TERRESTR E

Alicerce do Paraíso, pág. 68

Creio que, para o momento atual, os pontos mais


importantes da Bíblia estão resumidos nestes três: "Juízo Final",
"Advento do Reino dos Céus" e "Segunda Vinda de Cristo". Um
estudo sério sobre tais fatos leva-nos a crer que o Juízo Final é
obra de Deus, que a Segunda Vinda de Cristo ocorrerá no seu
devido tempo, dispensando, portanto, qualquer explicação, e que
somente o Reino dos Céus será construído com a força do
homem. Nesse caso, é indispensável que alguém se torne o
arquiteto e execute a construção. Quanto ao tempo, segundo o
nosso conceito, trata-se do presente; quanto ao construtor, a
nossa Igreja. A obra já foi iniciada por nós. Referi-me diversas
vezes, neste livro, ao protótipo do Paraíso, que está sendo
construído atualmente.

A profecia de Cristo se realizará com a construção do


Paraíso Terrestre, efetuada pela nossa Igreja. Mas não pretendo
que, desse fato, advenha orgulho, pois a concretização da
profecia bíblica se deve ao Amor Universal de Deus, que utiliza
Seus escolhidos para a construção do Mundo Ideal, segundo a
necessidade da época. Portanto, como a obra que estamos
efetuando foi profetizada há dois mil anos por Cristo, considero
cada um de nossos fiéis como participante da missão de
concretizar tal profecia.

Revista Tijyo Tengoku nº 14, 20 de março de 1950

235
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 70 ) C U L T O MIR O KU

É realmente uma felicidade realizar o primeiro Culto Miroku


após a nossa Igreja ter se tornado Igreja Messiânica Mundial,
durante 3 dias consecutivos, como foi realizado no ano passado
em 5, 6 e 7 de março.

Nesse sentido, quando penso no significado importante do


Culto de hoje, sinto uma profunda emoção.

Foi em fevereiro de 1928, no dia do início da primavera,


que eu dei o primeiro passo devotando-me à Obra Divina, por
isso, esse ano, fazem exatamente 23 anos. Nesses 23 anos, foi
construída a base da construção e, finalmente, formou-se o
pelotão para ser inaugurada realmente, levantando a bandeira de
salvação de toda a humanidade, entrando na atividade real. É
como se até agora estivesse no vestiário se maquiando, e como
a maquiagem ficou pronta, chegou a hora de subir ao palco.

Substancialmente, Messias possui uma profunda relação


com o cristianismo, por isso essa interpretação, mesmo nos
Estados Unidos, parece que ainda hoje não está definida porque
as teorias estão em fragmentos. Isso porque, com a sabedoria
humana, é difícil descobrir o fundo do místico profundo.

Eu próprio ainda não me revelo como Messias e também


não digo que sou a Segunda Vinda de Cristo. Isso também
porque até certa época estou proibido por Deus de publicar. De
fato, se por acaso pensarem que é a descida de Messias, será
um problema. Viriam do mundo inteiro e não seria possível
trabalhar de forma alguma.

Hoje, o que posso dizer com convicção é que vou realizar


o grandioso plano de salvar o mundo. Isso pode ser
compreendido vendo atualmente a realidade do que estou

236
Rokan – Alicerce do Paraíso

desenvolvendo. É por causa disso que coloquei o nome de Igreja


Messiânica Mundial.

Existe uma coisa aqui que preciso dizer principalmente. É


que como hoje todas as coisas se tornaram mundiais, e vendo
que a maioria das religiões estabelecidas ainda realiza uma obra
de salvação limitada a uma região, é preciso saber que não
tinham a missão de salvar toda a humanidade. Somente o
cristianismo tinha a missão de salvar toda a humanidade, por isso
conseguiu grandes feitos como podem ver hoje. No entanto,
conseguir-se salvar toda a humanidade do grande sofrimento
atual, é uma grande dúvida. Isso porque os fatos estão
mostrando isso claramente. O que posso dizer sem reservas é
que apenas a força da religião já não tem mais efeito e isso é dito
igualmente pelos intelectuais. Falando francamente, é preciso
que surja uma força superior à religião, e se essa não for uma
ultra-religião, o que poderá ser?

Originariamente, religião é o Ensinamento do Fundador.


Tanto a Bíblia como os ensinamentos búdicos, e mesmo o
Alcorão, ensinam através de palavras covardes, despertando a
alma do homem, por isso são forças particulares de um homem
covarde. Entretanto, hoje a força humana já não serve mais. Sem
dúvida que os ensinamentos também são necessários, mas
acima disso é preciso ter a manifestação do poder de Deus. Se
bem que também é difícil com a força individual de um Deus
encarnado. É preciso que seja, de qualquer forma, a
manifestação do Poder Absoluto do Deus Supremo que comanda
toda a humanidade, isto é, o poder de Jeová. Sem dúvida que,
desde o aparecimento da humanidade até hoje, não surgiu um
poder grandioso como o citado acima. Isso porque era suficiente
o poder que pudesse preparar o Paraíso Terrestre.

Quer dizer, do mesmo modo que a nossa Igreja, o mundo


de até agora era o vestiário. Entretanto, o tempo finalmente
amadureceu e o mundo, juntamente com a grande Transição,

237
Rokan – Alicerce do Paraíso

terá o Paraíso estabelecido, que é a concretização do ideal de


Deus.

Esse fato é que é básico, e através de se conscientizar


profundamente disso é que se tornará uma pessoa qualificada
para participar da grandiosa Obra Divina.

Jornal Kyussei nº 53, 11 de março de 1950

238
Rokan – Alicerce do Paraíso

(R1/71) OPRINCIPAL F A T O R D O D E S E N V O L V I M E N TO DA
NOSSA IGREJA

A nossa Igreja Messiânica Mundial foi instituída e fundada


como entidade religiosa em agosto de 1947 e, a partir de então,
passou a exercer atividades voltadas para fora. Até então, a
pressão por parte das autoridades policiais era intensa; por isso,
como é do conhecimento dos senhores, vinha atuando sob
denominação de “Terapia Japonesa de Purificação”, em forma de
tratamentos populares. Mesmo assim, sem a fé, as curas de
doenças não ocorriam favoravelmente; por isso, dependendo da
pessoa, recomendava-se orar para a Imagem de Kannon, pintada
por mim. Esse tipo de fé já existia desde os tempos antigos;
sendo assim, não havia nenhuma inconveniência. As autoridades
detestavam, a esse ponto, as religiões novas. Porém, felizmente,
o mundo se tornou democrático e a liberdade religiosa foi
permitida. Assim, com essa abertura, tornou-se possível
realizarmos atividades como entidade religiosa. Por esse motivo,
na época, o número de pessoas que poderia considerar como
membros da Igreja era por volta de duzentos a trezentos.

Como é do conhecimento dos senhores, em agosto deste


ano, a Igreja estará completando seis anos de existência; no
entanto, o atual número de membros é surpreendente, pois
totalizam algumas centenas de milhares. Temos 3.242 ministros,
4 igrejas grandes, 88 igrejas médias e 524 filiais. Esse é o
resultado do desenvolvimento. A cada dia e a cada mês, a
atividade de difusão está se ampliando mais. Paralelamente, a
partir da primavera deste ano, foi estendida para o Havaí e, no
verão, para os Estados Unidos, e tivemos grande êxito, pois o
número de membros no Havaí, em um curto período de meio
ano, já ultrapassou a casa dos mil. Recentemente, adquirimos um
magnífico terreno (US$ 50.000) com o objetivo de construirmos a
Sede Central e, paralelamente, entre os nativos, uma pessoa
fervorosa e ativa tornou-se Responsável da filial e o número de
filiais também, em alguns meses, tem aumentado

239
Rokan – Alicerce do Paraíso

sucessivamente em vários locais. Essa é a situação atual.


Também, no mês de agosto, será inaugurada uma filial, em Los
Angeles, nos Estados Unidos, e dias atrás recebi um relatório, no
qual dizia que a cada dia vem aumentando o número de
participantes do Curso de Iniciação. No adendo, estava escrito
que há um grande indício de desenvolvimento no futuro, que
sequer podemos imaginar.

O Paraíso Terrestre de Hakone foi concluído e, juntamente


com o aperfeiçoamento do Museu de Belas-Artes, finalmente
tornou-se conhecido pela sociedade e, neste verão, o número de
visitantes foi várias vezes maior que no ano passado. Tornando-
se também conhecido pelos estrangeiros, temos tido diariamente
várias visitas. Se continuar assim, acredito que não está longe o
dia em que ele se tornará famoso no Japão. Atualmente estou
planejando construir a Sede Geral no terreno de cerca de 3.000
m² que adquiri, há alguns anos, em Gora, na parte central e
melhor de Hakone.

Também já estamos desenvolvendo, passo a passo, por


exemplo, as construções do Templo Messiânico, da Plataforma
de observação de paisagens e do Museu de Belas-Artes no
Paraíso Terrestre de Atami. Em Quioto, mais precisamente no
bairro de Saga, adquiri um terreno, onde, no futuro, pretendo
realizar construções.

Como podemos observar acima, houve um amplo e


magnífico desenvolvimento da nossa atividade. Porém, acredito
que isso não seja uma obra humana. A expansão está ocorrendo
em grande escala, além da minha própria expectativa e, mesmo
no que se refere à sua velocidade, simplesmente estou deveras
surpreso. Acredito que, mesmo nas histórias de religiões do
mundo, isto é um fato inédito. Então, onde será que está a causa
disso? Posso afirmar que está na Arte Médica denominada
Johrei, o ato peculiar da nossa Igreja e na ocorrência de
numerosos milagres. As pessoas com doenças graves e

240
Rokan – Alicerce do Paraíso

desenganadas pelos médicos e preparadas para morrer


melhoraram rapidamente e, restabelecendo a sua saúde, chegam
até a ganhar uma nova vida. Por isso, sentem profunda emoção e
gratidão e também a necessidade de retribuir essa graça a
qualquer custo. Assim, em primeiro lugar, a pessoa passa a
oferecer donativos. Mas, como a diretriz da nossa Igreja não
permite exploração, as pessoas fazem donativos de forma
espontânea. É grande o número dessas pessoas, portanto, o
valor do donativo também torna-se expressivo. E é isso que está
possibilitando a edificação sucessiva de várias construções, tais
como as que mencionei há pouco.

Creio que, assim, puderam sentir e imaginar quão


surpreendente são as graças divinas na nossa Igreja. Além do
mais, tudo que acontece aqui são milagres; por isso, as pessoas
estão dizendo que nunca viram uma religião como a nossa que
manifesta tantos milagres. Em suma, a expansão ocorrerá em
meio a grandes graças divinas, milagres e crescimento.

Até aqui, a minha explanação se limitou ao Japão, mas


acho que chegará o dia em que a linha de difusão se estenderá
aos Estados Unidos e demais países, mas no que se refere ao
vigor do seu desenvolvimento, é algo inimaginável. Chegando-se
a esse ponto, de acordo com a minha expectativa, a nossa Igreja
se tornará realmente ampla e mundial. Assim sendo, sinto que o
dia da salvação da humanidade não está tão distante. Quando
penso nisso, o meu corpo fica, inevitavelmente, todo agitado.

Jornal Eiko nº 228, 30 de setembro de 1953

241
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 72 ) V O U C O N S T R U I R O PARAÍS O TERRESTRE

Meu nome é Mokiti Okada e sou Líder Espiritual da Igreja


Messiânica Mundial. Vou falar durante 30 minutos, e antes quero
esclarecer que o que vou dizer, são coisas nunca ditas por
alguém até hoje. Digo isso porque, se a minha explanação for
igual à de religiosos e pessoas cultas que vieram falando e
escrevendo até hoje, não há necessidade de eu falar novamente.
Por esse motivo, a maioria do conteúdo de minha palestra é
diferente dos ensinamentos e teses proferidos até hoje. E essa
diferença não é pouca, é bastante. Porém, falando a verdade,
não tem nada de diferente, são coisas lógicas. Falando assim é
um pouco estranho, mas as diversas coisas existentes até agora
no mundo, do meu ponto de vista, são em grande número
diferentes. Apenas ninguém percebe isso, e como um grande
número de pessoas com cabeça diferente olhando apenas eu,
que não sou diferente, tem-se a impressão de que eu sou o
diferente. Parece que é complicado, mas à medida que eu for
explanando, não haverá motivo para não se concordar.

Vou parar com o prefácio por aqui, e finalmente entrarei no


conteúdo. Em primeiro lugar, creio que qualquer pessoa pensa
que o mundo de hoje é um mundo civilizado que alcançou o
progresso. Entretanto, a meu ver, só consigo enxergar que está
metade civilizado e metade selvagem. Esse também pode ser o
ponto em que sou diferente.

Então, como é um mundo civilizado? Eu penso que em


primeiro lugar conta a segurança da vida do homem. Enquanto
não houver essa segurança de vida, não se pode dizer que se
trata de uma civilização. Em termos concretos, é um mundo onde
não existem a guerra e a doença; esse é o verdadeiro mundo
civilizado. Isso porque essas duas desgraças estão ameaçando
constantemente a vida do homem. Realmente, seria bom que
existisse um mundo assim, mas dirão que um sonho como esse é
tão bobo que não se pode acreditar. Entretanto, eu afirmo que

242
Rokan – Alicerce do Paraíso

será realizado. Aí, irão dizer novamente: “Pode ser que isso se
realize daqui a mil ou dez mil anos, mas aquele que diz que se
realizará em nossa época, não há dúvida de que não regula bem
da cabeça.”

Isso não é completamente sem razão. Desde a Pré-


História, durante mais de mil anos, a humanidade veio sofrendo,
e pensam que essa é a situação normal da sociedade humana,
que a vida é como a trança de uma corda, o sofrimento e a
alegria se entrelaçam, acabam pensando que é como o santo
disse. Entretanto, não é bem assim. Na realidade, o sofrimento é
muito maior, por isso é problemático. Até Sakyamuni disse que
esse mundo é um mundo de padecimentos, um inferno, que não
podemos escapar aos quatro sofrimentos: nascimento, doença,
velhice e morte. Portanto, se os quatro sofrimentos forem o
dobro, eles serão oito sofrimentos.

Já que chegamos a esse ponto, qual é então a causa do


sofrimento? Naturalmente que se pode dizer que a metade se
deve à característica selvagem. Por isso, enquanto não eliminar
essa característica selvagem, é certo que não teremos um mundo
bom. Entretanto, na realidade é difícil conseguir de uma só vez;
por isso, ao invés do aspecto selvagem, se o aspecto civilizado
for aumentando aos poucos, um dia, será construído o mundo de
verdadeira civilização. Mas, até hoje, a humanidade não percebia
esse ponto. Isso porque olhava apenas a superfície da civilização
e se sentia agradecida; admirava apenas a aparência
maravilhosa, não percebendo o corpo cheio de sujeira e mau
cheiro que estava embrulhado por ela. Estavam completamente
iludidos pela aparência externa; pode-se dizer que haviam caído
na superstição da civilização. Os civilizados supersticiosos que
desconhecem isso nos chamam de supersticiosos, por isso
penso em disputar qual dos dois é o supersticioso, e aquele que
vencer será o correto. Entretanto, se ao menos puder ser
banhado pela cultura superficial, não há dúvida de que é uma
felicidade, mas são muito poucas as pessoas que recebem esse

243
Rokan – Alicerce do Paraíso

benefício. Em qualquer país, é apenas uma minoria, a grande


maioria vive assustada com a insegurança e suspira no fundo do
sofrimento.

Quando olhamos essa realidade, o objetivo primário, que é


a felicidade, está perdido e não o encontramos em nenhum lugar.
O pensamento inicial de que, realizando o progresso da
civilização material, o mundo de felicidade se concretizaria, veio
se esforçando fervorosamente, mas essa previsão foi traída
esplendidamente. E ainda assim, a humanidade, sem perceber,
acabou se tornando prisioneira da civilização científica e, como
sempre, está se precipitando no caminho errado. Realmente, o
progresso da civilização científica é assim: suponhamos que
acordamos as pessoas que morreram há mais de cem anos atrás
e estão dormindo no túmulo, e lhe mostramos o mundo de hoje,
ao que, assustados, acabam desmaiando. Se bem que não tem
importância que um morto desmaie, porque é natural; seja como
for, dá para ir voando e dormindo aos Estados Unidos que está a
milhares de quilômetros de distância sem levar nem um dia; o
que estou falando aqui pode ser ouvido em qualquer lugar da
Terra; construíram a bomba atômica que mata mais de um milhão
de pessoas em questão de segundos, mas se fosse utilizada
como instrumento da paz, com apenas um pedaço do tamanho
da ponta de um dedo, conseguir-se-ia movimentar trens e carros
por vários dias. Dessa forma, o mundo se tornou conveniente a
ponto de impressionar e só de ver que se tornou esplêndido.
Realmente, não é para menos; fica-se fascinado com o progresso
da cultura material, mas de nada serve se ficar apenas admirado.
O valor existe quando a grande maioria receber esses benefícios.
Entretanto, vejam só, a grande maioria vem sendo
constantemente afligida de maneira deplorável com o terror da
guerra, insegurança com provisões, excesso de doenças, que
são os 3 grandes sofrimentos (fome, doença e guerra) da
humanidade. Dessa forma, ao invés de ser a felicidade maior da
grande maioria, é a infelicidade maior da grande minoria.

244
Rokan – Alicerce do Paraíso

Como exemplo próximo, vejamos a situação do Japão. É


tuberculose, doença contagiosa, suicídio coletivo de família,
suicídio, assassinato, crime atroz, aumento violento de crimes de
jovens, roubos, corrupção, escândalos, subterfúgio de impostos;
as desgraças são tantas que é impossível falar de uma só vez.
Pode-se dizer que é o Mundo do Inferno. A causa disso é como
falei no início: ainda resta em grande quantidade a característica
selvagem no interior da civilização. A fim de despertar dessa
ilusão, Deus me escolheu e me deu essa grande
responsabilidade. Em outras palavras, até hoje, o caminho que a
humanidade vinha seguindo pensando ser o da felicidade era,
sem saber, o caminho do inferno.

Estou escrevendo um livro intitulado "A Criação da


Civilização”, e como já havia dito, a civilização de até agora não
era a verdadeira, era uma civilização defeituosa; por isso, por
mais que se progredisse, não se conseguia obter a felicidade.
Sendo assim, colocando a alma nessa civilização materialista que
progrediu até o presente, vou mostrar o plano para construir a
nova e verdadeira civilização. Ou seja, trocar a civilização do Mal
para a civilização do Bem. Pode ser chamado de projeto escrito.
Quando este livro estiver concluído, vou traduzí-lo para o inglês e
distribuir para as faculdades do mundo inteiro, academias,
pessoas eminentes e outros, o mais amplamente possível, e
quero, ao mesmo tempo, submetê-lo à comissão examinadora do
Prêmio Nobel. Entretanto, como os membros da comissão
examinadora são autoridades de uma cultura já estabelecida, não
receberão a minha tese com facilidade, por ser avançada demais,
mas como se trata da verdade absoluta, no final acabarão
compreendendo. Se assim for, não há dúvida de que irá causar
uma grande impressão mundialmente. A civilização moderna
sofrerá uma mudança de 180º, e aqui se concretizará a
seqüência do mundo ideal tão ansiado por toda a humanidade.
Esse é, sem dúvida, o grande plano de Deus; é uma obra
grandiosa sem precedentes e acredito, sem um pingo de dúvida,
que será bem sucedida. Senhores, eu falei sobre essa aspiração

245
Rokan – Alicerce do Paraíso

grandiosa, mas se isso não passar de uma simples


grandiloqüência, eu serei um contador de estórias e serei
rejeitado como um insolente e até mesmo sepultado. Ou então
pode ser que irei parar no Hospício Matsuzawa. Se for dessa
forma, um ato de suicídio bobo, não quero de jeito algum.

Cristo disse "É chegado o Reino dos Céus", e Sakyamuni


disse "Surgirá o Mundo de Miroku". Porém, os dois não disseram
que eles mesmos construiriam o Paraíso. Posso parecer
audacioso, mas digo que sou eu o construtor. Entretanto, não é
preciso ficar impressionado. Isso porque tanto Cristo como
Sakyamuni não teriam motivos para fazer profecias que não se
realizariam, e se assim fosse não seriam profecias, seriam
mentiras, eles seriam mentirosos. Esses dois grandes santos,
venerados por bilhões de fiéis em todo o mundo, não poderiam
ser mentirosos. E também, dentre os fundadores de cada religião,
existem alguns que receberam a mesma crítica, mas do mesmo
modo como os fiéis de cada religião do mundo inteiro acreditam
no seu fundador, creio ser lógico acreditar no grandioso Plano de
construção do Paraíso Terrestre que estou desenvolvendo
atualmente. Em poucas palavras, quer dizer que a minha missão
é garantir a realização das profecias de cada santo.

Vemos, com tudo isso, que a nossa Igreja Messiânica não


é uma religião. É difícil falar isso, mas puderam compreender
que, além de religião, ela é muito mais uma grandiosa Obra de
salvação. Em poucas palavras, ela vai livrar toda a humanidade
do sofrimento, conduzindo-a a uma vida feliz. Ao mesmo tempo
em que ensina o que é a verdadeira civilização, dá o indicador da
construção do Paraíso Terrestre completamente isento de
doença, pobreza e conflito.

Jornal Eiko nº 108, 13 de junho de 1951

246
Rokan – Alicerce do Paraíso

CA PÍ T UL O V - COM O ENCA RA R A RELIGIÃ O

( R 1 / 73 ) C O M O ENCA RA R ARELIGIÃO

Alicerce do Paraíso, pág. 152

Tenho observado que, quando as pessoas analisam a


Religião, não compreendem o ponto mais importante: sua
posição.

A Religião está acima de qualquer outro valor. A Filosofia,


a Moral e a Ciência ocupam uma posição inferior. Entretanto, por
ignorância dessa verdade, usam-se expressões como "Religião
Filosófica" e outras parecidas, baseadas na interpretação
filosófica da Religião, o que é absolutamente errado. Explicar a
Religião sob o ponto de vista da Filosofia é tentar explicar algo
que não possui forma através de algo que a possui. A Religião foi
criada por Deus, e a Filosofia, pelos homens. A Moral também
difere da Religião. Tal como a Filosofia, ela foi criada pelo
homem, mas há uma diferença entre ambas: a Filosofia é de
caráter ocidental e científico, ao passo que a Moral é de caráter
oriental e psicológico. Comparada com a Filosofia e a Moral, a
Ciência é muito mais materialista, sendo patente a distância que
há entre ela e a Religião. Por todas essas razões, podemos
perceber como está errado o conceito que os intelectuais da
atualidade têm sobre esta última.

Todavia, se analisarmos mais profundamente, veremos


que a Filosofia é o conjunto das teorias criadas pelo homem até
hoje, e por isso, quando a comparamos com a Religião, a
importância desta revela-se por si mesma. Se tentamos
descobrir, através da Filosofia, o ponto mais profundo de uma
questão, encontramos barreira e nada conseguimos. Uma prova
disso é que, quanto mais pesquisamos através dela, mais
confusos ficamos. Uma dúvida puxa outra, e na maioria das
vezes não recebemos resposta para as nossas perguntas. A

247
Rokan – Alicerce do Paraíso

conseqüência é nos cansarmos facilmente da vida, havendo


pessoas que chegam ao extremo de pensar que a única solução
para tal angústia é o suicídio. Esse é um fato que ninguém
desconhece.

Quanto à Moral, não se pode negar que tem contribuído


muito para o bem da sociedade. Entretanto, embora ela tenha
surgido com o objetivo de melhorar a conduta do homem por
meio de códigos, não conseguiu dominar-lhe totalmente o
espírito, pois também nasceu do cérebro dos intelectuais. No
antigo Japão, talvez fosse possível aceitá-la, mas hoje em dia,
tendo a Moral caráter oriental e estando tudo dominado pela
cultura ocidental, ela já não consegue convencer as pessoas e,
obviamente, tende a desaparecer.

A respeito da ciência materialista, que nós sempre


criticamos, não há necessidade de maiores comentários.
Atualmente, falar em cultura é o mesmo que falar em Ciência;
interpreta-se progresso cultural como progresso científico. É
duvidoso, porém, que o homem tenha se tornado mais feliz com o
progresso da Ciência. Ao contrário, somos levados a pensar que
a infelicidade cresceu proporcionalmente a ele. Ante a terrível
ameaça de guerra nuclear que paira sobre a humanidade, não é
preciso dizer mais nada.

Evidentemente, o desejo dos homens, excetuando-se uma


parte, é alcançar a felicidade. A expansão e o progresso da
Ciência também têm esse objetivo. Mas é muito triste constatar
que, na realidade, acontece justamente o oposto. Urge, portanto,
averiguar a causa disso.

Se a Filosofia, a Moral e a Ciência, como acabei de expor,


não têm força suficiente para resolver o problema, o que é que
poderá resolvê-lo a não ser a Religião? Certamente, os
intelectuais têm consciência do fato, mas na verdade, enquanto o
consenso geral tomar como padrão as religiões tradicionais, acho

248
Rokan – Alicerce do Paraíso

que o problema continuará sem solução. Dessa forma, não é


possível prever quando se concretizará a felicidade do ser
humano. Vemos, pois, que são muito sombrias as condições da
sociedade atual.

Todavia, neste mundo resignado, apareceu a nossa Ultra-


Religião, com enorme poder salvador. Talvez seja difícil aceitá-la,
pois ninguém poderia imaginar uma religião semelhante, mas o
fato é que não se pode negar aquilo que é evidente. Uma vez
conhecendo a sua verdadeira essência, como os cegos que
experimentam a alegria de ver a luz, todos despertarão. A prova
do que dizemos está nos relatos cheios de alegria que enchem
as nossas publicações. Por isso, aqueles que desejam a
verdadeira felicidade façam uma experiência, entrem em contato
com a nossa Igreja! Por mais saborosa que seja uma comida, é
impossível avaliarmos seu sabor apenas ouvindo explicações
sobre ela ou olhando-a; antes de mais nada, é preciso prová-la.
Tenho a certeza de que todos ficarão satisfeitos com o sabor
jamais experimentado até então.

Jornal Kyussei nº 60, 29 de abril de 1950

249
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 74 ) R E L I G I Ã O E C I Ê N C IA

Isto é uma coisa que se passa despercebido, mas vê-se


muitas vezes, em páginas de Ciências e Artes de jornais, artigos
em que um cientista argumenta sobre as religiões. Mas,
pensando bem, isto é estranho. É o inverso do que realmente é,
pois nem precisa dizer-se que a Ciência faz parte de estudos
materiais, e a Religião é espiritual.

Entretanto, a sociedade de hoje em dia nem desconfia


desta razão que é inversa, tornando-se uma coisa natural.
Explicando o por quê disso, não tenho outra expressão a não ser
esta: indica a falta de capacidade das religiões atuais. Isto é, as
religiões atuais aparentam ser dadivosas com as suas tradições,
suas formalidades e suas lógicas, mas, em se tratando de
aplicação em vida real, é do conhecimento de todos que quase
não possuem conteúdos suficientes para satisfazer os
intelectuais.

Portanto, sob este ponto de vista, se a Ciência tem


maiores valores práticos, é natural que as pessoas valorizem
mais a Ciência do que a Religião. Pois nesta sociedade atual
extremamente complexa, com intensa luta pala sobrevivência, as
pessoas não se voltam a não ser que fosse por algo que tenha
um grande valor prático, e é claro também que se for somente a
salvação espiritual, não tem significado.

Ao refletir-me sobre esse fato, não se pode censurar tais


artigos de jornais, referidos anteriormente. Falando sem rodeios,
se fosse uma religião que tenha força que salva as partes
impossíveis de serem salvas pela Ciência, é natural que seja
tratada com vantagem sobre a Ciência, mas creio que não é um
erro ver que, por enquanto, não existe tal religião. E então, não
se tratando apenas de louvor próprio, mas falando francamente,
não é exagero dizer que a nossa Igreja Messiânica Mundial
corresponde a essa religião.

Jornal Eiko, nº 243, 13 de janeiro de 1954

250
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 75 ) R E L I G I Ã O ANTIG A E RELIGI Ã O MODERN A

Alicerce do Paraíso, pág. 166

Embora simples, os princípios religiosos utilizados por mim


na obra salvadora que venho empreendendo diferem
grandemente dos princípios religiosos existentes até hoje.

Os antigos fundadores ou pregadores de religiões


adotavam a frugalidade na alimentação, vestiam-se
sumariamente e levavam uma vida simples. Para se
aperfeiçoarem, faziam penitências, permanecendo isolados em
montanhas quase inacessíveis, debaixo de cascatas (ato
considerado purificador), lendo os livros sagrados dia após dia.

Dessa maneira, entre Verdade, Bem e Belo, este último


era negligenciado. Poucos religiosos se interessavam pelas artes.
O milagre era vagamente conhecido; entretanto, eles tinham
especial consideração pelos princípios dos livros búdicos,
apreciavam as formalidades e as celebrações religiosas e
procuravam salvar a humanidade unicamente com a pregação.

Essa análise limita-se ao budismo. Tomei-o como exemplo


porque o xintoísmo e o cristianismo são religiões modernas.
Deixo de fazer referência ao antigo xintoísmo, anterior à
introdução do budismo, porque quase não consta da História nem
da tradição.

O trabalho que estou realizando é bem diferente do que


era feito pelos antigos. Em primeiro lugar porque, objetivando o
mundo isento de doença, pobreza e conflito, proclamei,
audaciosamente, a construção do Paraíso Terrestre, o que já é
suficiente para evidenciar a grande diferença entre a Igreja
Messiânica Mundial e as demais religiões.

251
Rokan – Alicerce do Paraíso

Como primeira meta para atingir o nosso objetivo, estamos


libertando o homem do seu maior inimigo - a doença - e os
resultados são cada vez mais evidentes e indiscutíveis. A
condição fundamental para a concretização do Paraíso Terrestre
é ser saudável de corpo e alma, o que, por sua vez, elimina a
pobreza e o conflito. Os fiéis da nossa Igreja estão trabalhando
dia e noite, unidos por esse princípio. Assim, a construção do
Paraíso Terrestre, longe de ser um mero ideal, é uma realidade
que está apresentando surpreendentes resultados.

Projetamos o protótipo do Paraíso Terrestre escolhendo


locais maravilhosos, em Atami e Hakone, onde estão sendo
edificados magníficos edifícios e jardins. Com a conclusão
dessas obras, pretendo mostrar ao mundo a sublimidade e
formosura do Supremo Céu. O Paraíso Terrestre pode ser
considerado, essencialmente, o Mundo da Arte, razão por que a
nossa Igreja confere às manifestações artísticas uma atenção
toda especial.

Paralelamente à marcha do Plano Divino, pretendo


publicar projetos mais recentes, elaborados sob a orientação de
Deus, os quais abrangem Política, Economia, Educação, etc.
Através deles, os leitores poderão reconhecer a magnitude dos
objetivos da Igreja Messiânica Mundial.

Jornal Hikari nº 17, 9 de julho de 1949

252
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 76 ) A I G R E J A QU E NÃ O PRE G A ARENÚNCIA

Até hoje, o fundamento dos ensinamentos de todas as


igrejas, quase sem exceção, era pregar a renúncia. Analisando
isso, a razão da renúncia está na absoluta impossibilidade de
solucionar os inúmeros sofrimentos em que se depara; é algo que
corresponde à vontade de escapar-se, pelo menos
espiritualmente, desses sofrimentos. Deve ser a renúncia, que é
um método de fuga. Isto quer dizer que é absolutamente
inexistente o método de solucionar os sofrimentos.
Exemplificando, como nos casos de doença ou desgraça, como
não se resolvem nem com a razão, nem com esforço humano,
antigamente se procurava as soluções em religiões, mas como
não eram possíveis, pregavam a renúncia.

Entretanto, chegando-se à Era Moderna, surgiu a Ciência,


e como ela manifestou forças maravilhosas, o homem acreditou
que, com ela, encontraria a solução sem se renunciar.

Entretanto, a realidade era bastante diferente do


imaginado, pois a Ciência satisfaz as aspirações materialmente,
até certo ponto, mas está se compreendendo gradativamente
que, em se tratando de questões profundas e radicais, existem
inúmeras coisas que, apesar de parecerem solucioná-las, na
verdade, são impossíveis. Assim, pois, pode-se dizer que a
atualidade é uma era de certo cepticismo.

Jornal Eiko, nº 235, 18 de novembro de 1953

253
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 77 ) O S P R O B L E M A S DOS PION EI R OS

Ultimamente, em órgãos de opinião pública e rádios, talvez


devido à moda de religiões novas, ao ver as críticas de eruditos e
jornalistas, parece que objetivam em primeiro lugar a nossa
Igreja; por isso quero escrever um pouco sobre a nossa objeção.
Em relação a isso, o problema maior é que, sem examinar nem
um pouco o aspecto verdadeiro da nossa Igreja, vão escrevendo
e falando com conclusões próprias baseadas numa simples
imaginação, o que pode-se dizer que é uma extrema
irresponsabilidade. Por esse motivo, é de se ficar abismado com
o conteúdo repleto de suposições erradas, e para nós isso
constitui um grande problema. Dentre esses problemas, o
principal é que estão vendo a nossa Igreja de modo igual às
religiões novas comuns. Portanto, quando se lê essa reportagem,
tem-se a ilusão de que é uma crítica de outra religião. Isso
porque, como sempre digo, a nossa Igreja difere basicamente de
outras religiões novas, e pode-se dizer que quase não existem
pontos semelhantes. E não é apenas isso, difere bastante
também de qualquer outra religião que existe desde antigamente,
e aqui é que se encontra o valor da nossa Igreja.

Em relação a isso, quero dizer que não gosto de fazer a


mesma coisa que as pessoas de até hoje vieram fazendo. E não
é apenas por isso, é porque acho que não é necessário.
Entretanto, como se pode compreender vendo a História, os
feitos dos desbravadores e pioneiros dessa época é que
possuem um valor digno de respeito, e posso dizer que são
essas pessoas a força que promove o avanço da cultura. O fato
de eu estar mostrando novas formas criativas abrangendo
diversas áreas não tem outro significado a não ser esse. Apesar
de dizer isso, a cultura estabelecida também fez essa melhora e,
como existe a necessidade de fazer progredir ainda mais,
também será necessário pessoas que cuidem dessa parte, e
parece que o número dessas pessoas é bem numerosa; só que,
ao se tratar de uma primeira pessoa que seja útil para novos

254
Rokan – Alicerce do Paraíso

inventos e descobertas e para o rápido progresso da cultura, é


muito pouco e, provavelmente, durante um século, são tão
poucos que dá para se contar. E o interessante é que essas
pessoas, sem exceção, são envolvidas no turbilhão de falsidades,
são alvos de críticas e, mais terrível ainda, têm as pessoas que
chegam a correr perigo de vida. O motivo disso é porque, em
qualquer época, são numerosos os adeptos do conservadorismo
obstinado que não gosta do progresso; além disso, esse tipo de
pessoa controla o ponto central da sociedade. Dessa forma, nós
também, desde tempos antigos, é como escrevi várias vezes,
viemos avançando suportando perseguições e opressões. Na
realidade, antes do final da guerra, era demais a incompreensão
da polícia; se se dissesse que era religião nova, tinha um
tratamento especial, tínhamos as mãos e os pés atados. Na
época, o maior problema era ser preso por desacato à
autoridade. E realmente, o aprisionamento por mais de dez vezes
do fundador da Tenri-Kyô, o Sr. Onisaburo Deguti, Líder Espiritual
da Oomoto, o fundador da P.L., Sr. Tokuiti Oki, também por
causa do crime de desacato à autoridade, ficaram aprisionados
por longo tempo, e além do sofrimento dessa vivência, assim que
foram libertados, os dois logo partiram para o outro mundo, e só
com isso dá para notar como foi cruel o tratamento que
receberam. O Sr. Deguti, por exemplo, foi condenado a sete anos
de prisão e, quando ele foi libertado, já tinha passado dos setenta
anos. Entretanto, por felicidade, o mundo se tornou democrático e
a liberdade de fé também foi permitida; por isso, nós também
pudemos passar a ver os raios do sol depois de uma vida
perseverante durante longo tempo, e conseguimos realizar
atividades religiosas.

A conversa retorna ao início, mas como escrevi


inicialmente, as coisas que eu realizo, posso dizer que quase
todas são extraordinárias; por isso, ao serem vistas por pessoas
de mentalidade antiquada ou por pessoas incomuns de
sentimento pequeno, é natural que não consigam compreender.
Existem pessoas que até se precavem. Como exemplo, vou citar

255
Rokan – Alicerce do Paraíso

um fato que aconteceu recentemente. É sobre o livro "Salvarei a


América". Quando tentei colocar propaganda em todos os
grandes jornais, apenas um jornal não quis aceitar de forma
alguma e, ao perguntar o motivo, respondeu: "Aquele livro são
teorias muito evoluídas e, percebendo o perigo, não aceitei". As
teorias de Copérnico e Galileu sobre o heliocentrismo receberam
grandes pressões da polícia da época e, no final das contas,
foram aprisionados. Podemos ver, através disso, que os pioneiros
de religiões e cultura não são aceitos com facilidade e esse
método é igual tanto no Oriente como no Ocidente. Não dá para
calcular o quanto essas pessoas antigas atrapalharam o avanço
da cultura. Nesse ponto, apenas os Estados Unidos é diferente.
Não se atém nem um pouco a idéias formadas, olha com
igualdade e, se os resultados desse produto são melhores do que
os originais, adota-os imediatamente; a sua atitude é de
negligenciar completamente o convencionalismo e a tradição.

É desnecessário dizer que esse mesmo país conseguiu


alcançar um progresso maravilhoso como o de hoje por ter se
baseado nesse ponto. Atualmente, comparando com a cultura
dos Estados Unidos, dizem que o Japão está 30 anos atrasado, e
isso conta bem esse fato. A minha teoria, além de qualquer outra
coisa, é verdadeira; por isso, através de utilizá-la na prática, logo
compreenderão o quanto será positivo em relação aos povos da
nação. Só que, como a minha teoria está avançada demais em
relação à época, acho lamentável que quanto mais se atrasar,
mais haverá sacrificados; portanto, pela conseqüência, não serão
salvas as pessoas que deveriam ser, e isso significa que eles
estarão praticando um crime inocente. Quanto a esse ponto,
quero pedir a consideração dos jornalistas do mundo inteiro.

Jornal Eiko nº 202, 01 de abril de 1953

256
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 78 ) R E L I G I Ã O É MILA G R E

Alicerce do Paraíso, pág. 186

Várias heranças literárias provam que Religião e milagre


são coisas inseparáveis. Religião sem milagre deixa de ser
Religião. Isto porque o homem é totalmente incapaz de operar
qualquer milagre, o qual é obra de Deus. Sendo assim, uma
religião que não apresente milagres é como uma existência nula.
Falta-lhe a essência, embora ostente aparência religiosa.

A magnitude de uma religião é proporcional à ocorrência


de milagres. Milagre, em outras palavras, significa o
aparecimento de benefícios inesperados. Isso estimula e dá
origem a um profundo sentimento religioso, que conduz o homem
à Fé e salva-o da desgraça.

Que religião podemos chamar de verdadeira a não ser


essa? É desnecessário dizer que uma única prova vale por mil
argumentos. Embora a situação que vivemos atualmente seja
uma conseqüência da Segunda Grande Guerra, o aumento do
mal social, principalmente os pensamentos insanos que infestam
os jovens - verdadeiros sustentáculos do futuro - e o estado
confuso em que estes se encontram, não deixam de representar
uma realidade apavorante. A causa de tudo isso é a educação
recebida pelos jovens, a qual os levou a aceitar o materialismo
como norma de ouro. Enquanto os homens não despertarem
desse engano, não haverá solução para o problema.

Naturalmente, para combater os conceitos materialistas, é


preciso despertar o homem para a Religião, começando por
convencê-lo da existência de Deus. Nossa Igreja vem insistindo
neste ponto, e o milagre é o único recurso para ela atingir seu
propósito.

257
Rokan – Alicerce do Paraíso

Milagre é tornar possível aquilo que se considera


impossível realizar pela ação do homem. Como ele mostra, na
realidade, o que não se pode interpretar teoricamente, quaisquer
dúvidas a respeito serão, logicamente, dissipadas de imediato.
Assim, mesmo na exclusão do mal social ou na criação de países
pacíficos, não se poderão obter resultados satisfatórios a não ser
que se dê a exata consciência de Deus através do milagre,
cultivando, dessa forma, a espiritualidade.

Na História da humanidade, não se conhece nenhuma


religião que tenha apresentado tantos milagres como a nossa.
Neste sentido e nesta fase de grande transição que estamos
atravessando, o objetivo da Igreja Messiânica Mundial é sacudir a
alma do mundo, que está adormecida, despertando-a com o
poderoso sopro do milagre.

Deus, Todo-Poderoso, veio à Terra como Kanzeon-


Bossatsu (encarnação da Misericórdia), conhecido também como
Koomyo-Nyorai (encarnação da Luz) e, após transformar-Se em
Ooshin-Miroku (encarnação da Ação Livre e Desimpedida), está
manifestando, pelas Divinas Mãos do Messias, os mais variados
e incontáveis milagres, utilizando livremente a sagrada energia
vital. Dessa forma, através da Igreja Messiânica Mundial, Deus
está realizando a grandiosa obra da salvação do mundo.

Jornal Hikari nº 12, 11 de junho de 1949

258
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 79 ) R E L I G I Ã O PROGRESSIS T A

Alicerce do Paraíso, pág. 194

Observando atentamente a sociedade atual, constato que


tudo progride rapidamente; não há nada que não esteja
acompanhando esse progresso. Entretanto, por incrível que
pareça, a Religião, entidade que tem a mais profunda relação
com a humanidade, continua da mesma forma, não apresentando
nenhum progresso. Pelo contrário. Como prova, as religiões
tradicionais nos ensinam a voltar ao início, ao ponto de partida
dos seus fundadores. Ora, se devemos voltar à origem, é porque
saímos do caminho certo; caso o fato se repita várias vezes, não
progrediremos nada, ficando em total desacordo com a cultura.
Tais religiões nos mostram isso claramente, na medida em que
perdem o poder de atrair pessoas e teimam em permanecer na
situação em que se encontram.

De fato, todas as religiões que existem sofreram


perseguições e pressões na época de sua fundação. Podemos
mesmo dizer que esse é o destino de toda religião nova. Apesar
disso, com fôlego renovado, expandiram-se vigorosamente,
passando por épocas maravilhosas. A verdade, porém, é que,
com o tempo, a maioria das religiões tende a estacionar. Vamos
analisar por que isso acontece.

Sem dúvida alguma, as religiões entram em decadência


por não acompanharem a marcha do tempo. Quando cumprem
rigorosamente os ensinamentos do seu fundador, considerando-
os como as mais sublimes e importantes determinações, mas não
dão atenção a outros fatores, tornam-se anacrônicas. Como a
brecha vai ficando cada vez maior, passam a ser acusadas de
incapazes, conforme está ocorrendo atualmente.

Se todas as coisas estão sujeitas à Lei de Causa e Efeito,


faz-se absolutamente imprescindível que as religiões tradicionais

259
Rokan – Alicerce do Paraíso

reflitam muito sobre o assunto, pois não há motivos para elas


continuarem eternamente transcendentais. Um dos princípios
básicos de nossa religião é que tudo deve progredir e
acompanhar o tempo. Essa é a razão pela qual não damos
atenção às formalidades das religiões tradicionais, dispensando o
tempo e os gastos que elas requerem. Na realidade, as
formalidades não trazem benefício algum. Assim, não há motivo
para as divindades ficarem contentes com elas.

Em face do que dissemos, a missão da verdadeira religião


é dar orientações no sentido de melhorar, cada vez mais, a vida
do homem atual. Resumindo, só uma religião progressista poderá
realmente salvar a humanidade.

Coletânea Série Jikan volume 12, 30 de janeiro de 1950

260
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 80 ) R E L I G I Ã O É MILA G R E

Alicerce do Paraíso, pág. 184

Desde tempos remotos, costuma-se dizer que os milagres


são inerentes à Religião, o que realmente é verdade. Modéstia à
parte, nunca houve religião que evidenciasse tantos milagres
como a Igreja Messiânica Mundial. Em poucas palavras, direi que
isso ocorre porque ela é dirigida pelo Supremo Deus.

Pensando que todas as divindades são iguais, as pessoas


geralmente tendem a cultuá-las da mesma forma. Entretanto,
precisamos saber que até entre as divindades existe hierarquia:
superior, média e inferior. Em ordem decrescente, essa
hierarquia, iniciando pelo Altíssimo, vai até Ubussunagami,
Tengu, Ryujin, Inari e outros.

Gostaria de falar detalhadamente sobre todas essas


classes, mas assim eu estaria desvelando divindades de outras
religiões. Portanto, por uma questão de respeito, não o farei.
Desejo apenas mostrar, através de um fato, quão elevado é o
Deus que dirige a Igreja Messiânica Mundial. Nem preciso falar
sobre a maravilha que é o Johrei, pois, com o passar do tempo,
na medida que vai se tornando conhecido, ele está constituindo o
elemento mais eficiente para a expansão da nossa Igreja. Aliás,
sobre a solução de doenças através do Johrei, devo esclarecer
que, mesmo a pessoa duvidando e recebendo-o apenas a título
de experiência, ou achando impossível obter a cura por meio de
"uma tolice dessas", a graça será alcançada da mesma forma, e
rapidamente, o que muitos acham um mistério. Até o presente,
acreditava-se imprescindível a pessoa ter fé para ficar curada de
uma doença. Era corrente este pensamento: "Acredite; você não
pode duvidar." Assim, é natural que, condicionadas a essa idéia
fixa, as pessoas estranhem o que acabo de dizer. Vou explicar a
razão.

261
Rokan – Alicerce do Paraíso

Primeiramente, crer na validade de algo sem ter nada que


a comprove é enganar a si próprio, pois ninguém pode acreditar
numa coisa antes de ter provas. Assim, é óbvio que aquele
pensamento está errado. Empregar todos os esforços para crer
porque nos foi dito para crer produz algum efeito, pois isso é
melhor do que duvidar. Tal efeito, porém, não provém de Deus,
como muitos pensam, mas da própria força de cada um. Mas por
que motivo um pensamento tão errado vinha sendo aceito como
a coisa mais natural? É que, até agora, ignorando que a
divindade à qual se dirigiam não tinha poder suficiente, as
pessoas tentavam suprir essa deficiência com a força humana.
Nesse sentido, em nossa Igreja, as pessoas melhoram mesmo
que duvidem. Isso acontece por conta da grande força de Deus,
não sendo necessário, portanto, acrescentar a força humana.
Logo, se uma divindade não tem poder para curar uma doença, é
porque seu nível é inferior.

Muitas vezes, quando as graças não ocorrem do modo


desejado, o ministro ou o orientador dão desculpa de que a
pessoa tem pouca fé. Parece-me que eles acham que a graça é
conseguida com o esforço do homem, ao invés de ser concedida
por Deus. Na verdade, Deus é infinitamente piedoso; por isso,
mesmo que façamos apenas um pedido, infalivelmente Ele nos
atenderá. Quando o homem emprega demasiado esforço para
alcançar uma graça e ultrapassa os limites, Deus não fica
satisfeito, se é que se trata do Verdadeiro Deus. Principalmente
fazer penitências, jejuns e abstenções são atitudes que estão em
desacordo com a Vontade de Deus, pois Seu grande amor vê
com tristeza o sofrimento humano. Pensemos bem. Nós, seres
humanos, somos filhos de Deus. Como nosso Pai, não há razão
para Ele se alegrar com o nosso sofrimento. Ainda que a pessoa
tenha conseguido receber uma graça através de penitência,
quem a concedeu não foi Deus, mas algum espírito pertencente à
falange dos demônios. Graças desse tipo são efêmeras, não
duram muito tempo. As graças concedidas por Deus são
diferentes. À medida que nos dedicamos à Fé, nossos infortúnios

262
Rokan – Alicerce do Paraíso

irão diminuindo gradativamente, atingiremos um estado espiritual


de paz e segurança e seremos felizes.

Em síntese: trata-se de religião de baixo nível aquela em


que a pessoa, embora não creia, esforça-se para crer, com o
objetivo de alcançar graças; trata-se de religião de nível superior
aquela em que Deus concede a graça mesmo que a pessoa
duvide ou não acredite.

Jornal Eiko nº 99, 11 de abril de 1951

263
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 81 ) M I L A G R E E RELI GI ÃO

Alicerce do Paraíso, pág. 182

Seria desnecessário dizer que milagre é o acontecimento


de algo considerado impossível, algo que, não coincidindo com a
lógica e não se podendo medir com o senso comum, só podemos
afirmar que é um mistério.

Mas desde quando existe esse mistério chamado milagre?


Temos registrados os milagres de Cristo, os quais são muito
conhecidos e dispensam comentários; no Japão, evidenciaram-
se, entre outros, o milagre acontecido a Nitiren e os realizados
pelos fundadores das Igrejas Tenrikyo, Oomotokyo, Konkokyo e
Hito-no-Miti (atualmente Igreja P.L.). Sabe-se que em vários
outros lugares ocorreram pequenos milagres, mas o interessante
é que, nas mais antigas e abalizadas religiões, eles quase não
ocorrem. Enquanto seus fundadores estavam vivos, é possível
que muitos milagres tenham sido realizados; porém, com o
passar do tempo, eles se extinguiram por completo. Por esse
motivo, em certas religiões tradicionais, as pessoas de posição
elevada precisaram encontrar algo de valor que substituísse os
milagres, pela necessidade de fazê-las sobreviver. Como
resultado, apareceram as religiões filosóficas, as ciências
religiosas, a Teologia e outras formas de estudos sistematizados.
Obviamente, elas consideram que o ponto mais importante da
Religião é a salvação do espírito, razão pela qual desprezam as
graças materiais. Além disso, acrescentam as formalidades
tradicionais de cada uma. Assim, vieram mantendo sua existência
como organização religiosa. As pessoas conscientes e os povos
civilizados não as aceitam, e, não encontrando uma Fé cujo teor
os satisfaça, muitos se tornam incrédulos, como vemos
atualmente. Torna-se claro, portanto, que a Fé ardentemente
desejada pelas pessoas é, antes de mais nada, uma nova Fé,
que se tenha despojado das velhas roupagens e cujos princípios
sejam racionais e comprovados por provas autênticas.

264
Rokan – Alicerce do Paraíso

Existem, no momento, algumas religiões que estão se


expandindo muito, como a Narita-no-Fudosson, Toyokawa,
Fushimi-Inari, Konpira Gonguen e certas seitas da Religião
Nitiren, as quais, indubitavelmente, de certa forma estão sendo
úteis à sociedade. Entretanto, elas visam apenas os benefícios
materiais, e seus níveis são tão baixos, que não exercem
nenhuma atração sobre as pessoas de cultura elevada nem
sobre a camada jovem. Em verdade, satisfazem apenas um
número limitado de pessoas.

De acordo com o que acabo de expor, podemos dizer que,


atualmente, só há duas espécies de Fé no Japão: as religiões
teóricas e as religiões práticas, ou seja, as que visam unicamente
as graças. Essa é a situação inexpressiva do campo religioso
japonês. Portanto, pensando naquilo que as circunstâncias atuais
estão exigindo, concluímos que é necessário o aparecimento de
uma religião nova e ideal.

A peculiaridade da nossa Igreja é que, através de


princípios religiosos, ela formula conceitos inéditos sobre a
Teologia, a Ciência e a Filosofia, dando-lhes novas
interpretações. Além disso, aponta os defeitos da cultura
contemporânea, ensina como deve ser a nova cultura e indica o
caminho para a criação da nova civilização mundial. Por
conseguinte, podemos dizer que ela está acima da conceituação
de uma simples religião.

Uma vez ingressando na Fé Messiânica e analisando-a


minuciosamente, a pessoa se surpreenderá com a veracidade do
que acabamos de dizer. Tornando-se fiel, compreenderá,
também, que uma das grandes características da nossa religião é
a ocorrência de muitos milagres. Certamente a História das
Religiões não registra nenhuma outra em que eles sejam tão
numerosos. Milagre, como já dissemos, é benefício material, por
isso não há dúvida de que conseguiremos atingir o nosso
objetivo: construir um mundo absolutamente isento de doença,

265
Rokan – Alicerce do Paraíso

pobreza e conflito. Mas não basta lerem o que escrevi; antes de


mais nada, é necessário conhecerem a Igreja Messiânica
Mundial.

Jornal Eiko nº 146, 5 de março de 1952

266
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 82 ) O QU E É A V E R D A D E I R A S A L V A Ç ÃO

Alicerce do Paraíso, pág. 15

Hoje em dia, a crítica mais freqüente em relação à nossa


Igreja é que, tratando-se de uma entidade religiosa, não deveria
empenhar-se na cura de doenças. Entretanto, se pensarmos
bem, concluiremos que não há nada tão sem sentido como essa
observação. Ela provém do pensamento limitado dos críticos,
segundo os quais a Religião deve ocupar-se apenas da salvação
do espírito, não lhe cabendo a salvação da matéria. Para eles, a
cura de doenças é uma questão material, e por isso acham que
ela não compete à Religião. Excluem das atribuições religiosas a
salvação material, limitando a essência da Religião à parte
espiritual. Logicamente, de acordo com o seu conceito, a
salvação espiritual, em síntese, consiste na renúncia. Não tendo
o Poder da Salvação para eliminar materialmente o sofrimento e
não encontrando outro recurso, as religiões, pelo menos, tentam
diminuí-lo espiritualmente, através da renúncia. Essa é a maneira
como muitas pessoas têm encarado a Religião até agora.

Não obstante, se a Religião excluir a matéria e preocupar-


se unicamente com a salvação do espírito, ela não estará
promovendo a verdadeira salvação, pois a crença na
possibilidade da solução dos problemas materiais é que nos
permitirá obter a verdadeira tranqüilidade espiritual. Quando
sentimos fome, por exemplo, só podemos ficar tranqüilos se
tivermos certeza de que alguém nos trará comida; se soubermos
que ninguém o fará, é natural que fiquemos desesperados,
temendo morrer de inanição. O mesmo acontece em relação à
doença, dificuldades financeiras e outros problemas. Só pelo
reconhecimento de que tudo será solucionado através da Fé,
teremos tranqüilidade absoluta. Dessa forma, a salvação das
duas partes - a material e a espiritual - é que nos fará sentir-nos
salvos, alcançando o estado de verdadeira paz e segurança.

267
Rokan – Alicerce do Paraíso

A base da salvação material e espiritual - aquela que é a


mais perfeita - consiste, portanto, unicamente, em eliminar a
doença, tornando as pessoas sadias. Por maior que seja a nossa
fortuna ou a quantidade e variedade dos mais saborosos
alimentos, provenientes do mar e da terra, em nossas refeições,
por maiores honrarias e por mais elevada posição social que
tenhamos, isso de nada adiantará, se estivermos sofrendo com
doenças. A primeira condição para a salvação da humanidade é,
antes de mais nada, alcançar a saúde. Por esse motivo, a meta
de nossa religião é formar indivíduos e sociedades saudáveis.

Jornal Hikari nº 41, 24 de dezembro de 1949

268
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 83 ) D I S S E C A Ç Ã O D A F É S U P E R S T I C I O S A - P R O F E S S E M
A FÉ SEMP R E CO M SERENIDAD E

Por qualquer motivo, lançam a expressão "fé


supersticiosa" em direção à crença da Igreja Messiânica Mundial,
mas qual é o verdadeiro sentido da superstição? Farei a sua
dissecação.

É claro que a fé supersticiosa é o oposto da fé correta.


Significa que, após perder-se e errar no caminho, engana-se e
abraça uma crença incorreta, pensando ser verdadeira. Mas,
então, qual será a interpretação dessa "crença incorreta"? Vou
aprofundar-me sobre esse assunto, em primeiro lugar. Por
exemplo, existem crenças que enganam as pessoas, inculcando-
as de terem recebido graças em casos que não houve: fazem
promessas falazes de cura de doenças, mas que na realidade
não têm efeito nenhum; ou, através de um plano ardiloso, fazem
crer que o indivíduo fundador dessa seita é uma pessoa
extraordinária, um deus em pessoa, mas, na realidade, não
passa de um homem comum. Esta é a explicação, é claro, da fé
supersticiosa.

Entretanto, falando-se em sentido rigoroso, constitui


também numa grande superstição o tratamento médico que,
apesar de assegurar a melhora do enfermo, e este, depositando
absoluta confiança no médico, aplica grande soma em dinheiro e
tempo ao tratamento, ao contrário do previsto, além de não
melhorar, chega a falecer. E ainda, ano a ano aplicam-se somas
vultuosas de recursos da nação em construção de inúmeros
sanatórios de tuberculose, mas na verdade, além de não diminuir
em nada o número dos acometidos por essa doença, continuam,
mesmo assim, prosseguindo com pequena esperança de que um
dia se resolverá. Mas talvez seja mais correto, nesses casos,
dizer que os médicos são quem estão com a fé supersticiosa em
relação à medicina, ao invés de dizer que os doentes estão com

269
Rokan – Alicerce do Paraíso

a fé enganosa quanto à medicina. Pode-se dizer que é a fé


supersticiosa bem intencionada.

Mas, mesmo se tratando igualmente de superstição, existe


uma grande diferença com as que enganam as pessoas com
ardis, pois, na realidade, eles são motivados pelo sentimento do
Bem, para dedicarem-se conscienciosamente à sociedade e à
humanidade. Portanto, não se pode censurá-los, mas falando-se
a verdade, esta superstição bem intencionada, como os seus
possuidores têm nela convicção que se pode julgar bem forte,
exerce forte influência sobre a massa popular; portanto, é imenso
o dano causado à sociedade.

Dissecando a Igreja Messiânica Mundial, sob estas razões,


na obra da salvação realizada por ela, além de não existir
nenhuma incoerência entre o dizer e os resultados obtidos pela
prática, ou melhor, se obtém resultados além dos ditos. Portanto,
a expressão “fé supersticiosa" não cabe a ela. Apenas está
sendo inacreditável porque não houve antecedência de salvação
tão maravilhosa como a da nossa Igreja.

O homem possui um ponto fraco que é não conseguir


acreditar em algo que não tenha experimentado; portanto, isso
também não há remédio. Mas o pior é a psicologia da multidão
que, conforme o provérbio: "Se um cão ladra, todos os cães
ladram". Se um indivíduo com um pouco de nome, apesar de não
conhecer nada sobre a Igreja, expressa palavras de censura, a
multidão o segue sem nenhuma reflexão. Entretanto, é verdade
que, mesmo que as verdadeiras causas sejam oprimidas e
criticadas, serão passageiras, e, no fim, serão alvos de confiança
da sociedade.

Ouve-se dizer muito frases como: "Tenha fé que receberá",


ou "Se não crer, não receberá graça", mas na Igreja Messiânica
Mundial não se fala assim. Ao contrário, nós falamos para que

270
Rokan – Alicerce do Paraíso

duvidem bastante. Pois crer desde o começo, apesar de não ter


recebido nenhuma graça, é enganar-se a si mesmo.

É natural que, mesmo que se procure duvidar, duvidar e


duvidar, se é "Verdade" e não se consegue duvidar, não existe
outra alternativa senão crer nela. E excepcionalmente nesta
Igreja, acontecem muitos milagres e graças, até demais, e o seu
progresso é a maior prova disso.

Mas saibam também que existem pessoas no mundo que,


se recebem um beneficio, agradecem, aumentando-o em três ou
quatro vezes mais. Mas isso também não é certo. Cai-se na
magia do benefício, e é fácil de se enganar, nesse ponto.
Portanto, se receber um benefício, acredite somente um;
recebendo três, acredite proporcionalmente e só após receber
graça total, ingresse na fé absoluta. Pois, mesmo se tratando de
crença, não é permitido nenhum despropósito.

Mais uma coisa que tem que se cuidar é que, para se


professar uma crença, é necessário manter-se a calma.
Freqüentemente existem pessoas que, por demasiada gratidão,
tornam-se fanáticas, perdendo o senso. Mas esse tipo de fé é
uma fé enganosa, e as pessoas alheias, observando esses
indivíduos, não conseguem deixar de duvidar dessa seita. Isso
resulta, assim, em cometer o pecado de estorvo da salvação do
mundo. Portanto, devem ser muito sensatos. E assim, na fé
correta, deve-se sempre manter o bom-senso, não perdendo a
dignidade, e fazer com que sejam respeitados pela sociedade.

Jornal Hikari nº 9, 14 de maio de 1949

271
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 84 ) S U P E R S T I Ç Ã O E CIÊN CI A

De onde será que surge a superstição? Se disser que, na


realidade, ela é gerada pela Ciência, acho que as pessoas do
mundo vão ficar surpresas.

A questão é que as pessoas da atualidade acham que tudo


pode ser solucionado através da Ciência. Principalmente as
pessoas que acabaram de se formar em curso superior pensam
assim. Entretanto, ao ingressar na sociedade, percebem que
aquilo que aprenderam na escola é bem diferente. Compreendem
que, na realidade, nada se pode fazer apenas com a teoria e
procuram buscar algo superior além da Ciência. E não se limita a
isso, pois, às vezes, poderá surgir alguma desgraça de forma
inesperada, ou então aquilo que realiza-se achando que se trata
de algo seguro tem resultado oposto. O mundo está, realmente,
repleto de coisas que não nos convence. Dessa maneira, são
poucas as pessoas que nunca sofreram algum tipo de desilusão
ou incerteza quanto ao futuro. Por esse motivo, existe um número
expressivo de intelectuais que, secretamente e sem que as
pessoas saibam, procuram, por exemplo, certos adivinhos,
fisionomistas, quiromantes, ascetas e mensageiros espirituais,
etc.

Mesmo baseado nessas minhas afirmações, como eu


disse no início, é demasiado grande o número de problemas que
a Ciência não consegue solucionar. Conseqüentemente, as
pessoas acabam recorrendo às superstições. Por isso, não se
pode negar se se disser que quem cria as superstições é a
Ciência.

Jornal Hikari nº 28 , 24 de setembro de 1949

272
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 85 ) A C I Ê N C I A CRI A AS SUPERSTIÇÕE S

Alicerce do Paraíso, pág. 52

De uns tempos para cá, alguns jornalistas do Japão vêm


tachando as religiões novas de supersticiosas e trapaceiras.
Dizem eles que, após a Segunda Guerra Mundial, o povo japonês
passou a viver uma situação muito confusa, e que, aproveitando-
se disso, começaram a aparecer religiões trapaceiras e
supersticiosas, confundindo ainda mais as pessoas. Assim eles
se expressam a respeito, mas não tentam descobrir as causas do
fato. Acham que as religiões novas são todas iguais e formulam
definições baseadas apenas no seu entendimento pessoal e nos
boatos.

Não podemos deixar de nos sentir decepcionados com a


superficialidade do julgamento desses jornalistas, e achamos que
é responsabilidade nossa orientá-los e ensiná-los a pensar de
modo correto. Entretanto, não queremos negar totalmente sua
atitude, pois, como a base de seu raciocínio é materialista, é
natural que eles definam como superstição tudo aquilo que não
vêem. Se estivéssemos em seu lugar, obviamente agiríamos da
mesma forma. Negando-se, porém, a existência do invisível,
como ficaria o mundo? Talvez o materialismo o levasse a uma
situação calamitosa. As relações de amizade e amor entre as
pessoas, inclusive o relacionamento entre pais e filhos ou entre
irmãos, passariam a ser meros cálculos de vantagens e
desvantagens. A sociedade seria fria como um cárcere de pedra,
e nem mesmo os materialistas poderiam suportá-la. Vemos, pois,
que o modo de pensar dos jornalistas a que nos referimos
encontra-se entre duas posições, sem definição precisa.

Analisemos, a seguir, a situação real do mundo em que


vivemos.

273
Rokan – Alicerce do Paraíso

É considerável o número de pessoas supersticiosas entre


os intelectuais. Há tempos, li uma estatística dos diferentes tipos
de superstições que existem em cada país; a Alemanha,
considerada uma das nações mais avançadas no ensino das
ciências, acusava o maior número. Desse modo, notamos que as
superstições crescem proporcionalmente ao progresso científico.
Eis como interpretamos o fato:

Durante longo tempo, recebemos, nas escolas, um ensino


materialista cuja base é a lógica; entretanto, quando terminamos
os estudos e nos integramos na sociedade, encontramos uma
realidade diferente, que está em desacordo com a lógica. Em
conseqüência, a maioria das pessoas começa a ter dúvidas,
porque, quanto mais age em conformidade com ela, piores são
os resultados. Os mais inteligentes pensam, então, em estudar
uma nova sociologia que esteja de acordo com a realidade social
em que vivem. Como não existe esse tipo de curso, começam a
estudar sozinhos. Se forem rápidos, conseguirão atingir seu
objetivo em pouco tempo; alguns, todavia, levam muitos anos.
Trata-se, em verdade, de um segundo aprendizado,
completamente diferente do primeiro, que custou tanto sacrifício.
Contudo, é um aprendizado real, seguro, e pode ser aplicado no
dia-a-dia. Os mais bem dotados, tendo enfrentado as amarguras
e doçuras da vida, adquirem larga experiência, tornando-se
"doutores" nessa sociologia. A maioria deles, quando se acha a
um passo disso, já está velha, sendo que muitos acabam a vida
como pessoas comuns. Existem, no entanto, aqueles que se
sobressaem, como por exemplo o Sr. Yoshida, primeiro-ministro
do Japão, o qual se destacou pela sua superioridade e habilidade
política.

Com essa explicação, penso que entenderam a causa das


superstições. Em resumo, se falhamos quando tentamos aplicar
os conhecimentos adquiridos na escola - nos quais
acreditávamos piamente - é fatal cairmos na dúvida. Nesse
momento, torna-se muito fácil as pessoas ingressarem em

274
Rokan – Alicerce do Paraíso

religiões supersticiosas e trapaceiras. Podemos dizer, entretanto,


que nenhuma das religiões existentes realmente esclarece
dúvidas. Assim, compreendemos que a culpa de tudo cabe ao
ensino ministrado nas escolas, o qual está muito distanciado da
realidade, e concluímos que, em parte, as superstições são
criadas por certo aspecto da Educação contemporânea.

Para finalizar, quero dizer que reconhecemos serem


numerosas, atualmente, as religiões supersticiosas e trapaceiras,
como dizem os jornalistas, mas achamos errado generalizar,
porque, sem dúvida, existem algumas às quais não cabem tais
designações. Ora, chamar de superstição aquilo que não o é
também constitui uma espécie de superstição. Nesse sentido,
queremos prevenir aos jornalistas que escrevam sobre as
religiões supersticiosas e trapaceiras, mas que não definam com
esses termos qualquer religião, pois esse procedimento
representa um obstáculo para o progresso da cultura.

Coletânea Série Jikan volume 12, 30 de janeiro de 1950

275
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 86 ) A S U P E R S T I Ç Ã O DA TEO RI A

Hoje criticam a superstição e a tratam com desdém, mas


isso é um caso para se pensar.

É também verdade que isso é principalmente numeroso


entre as pessoas intelectuais. Sendo assim, é necessário
esclarecer qual é a causa que dá origem à superstição.
Primeiramente, quando olhamos a vida atual do homem,vemos
que o mundo de hoje está cheio de coisas que não se encaixam
com a teoria. Vou fazer assim, vou fazer daquele jeito, sem
dúvida vai ficar assim, vai ficar daquele jeito, apesar de pensar
assim, é grande a incidência de resultados contrários à
expectativa; essa é uma experiência pela qual qualquer pessoa já
passou. Sendo assim, essa expectativa de que sem dúvida será
assim, esse modo de pensar, não estará errada? O fato de não
correr de acordo com a teoria é porque, no final das contas, a
própria teoria está errada. Portanto, é preciso perceber esse
ponto. Realmente, a infelicidade humana é devido a todas as
coisas não correrem de acordo com a teoria, é natural que não se
consiga ser uma pessoa feliz.

Se é como foi dito acima, o importante é a mudança da


cabeça de onde são gerados o modo de pensar e a teoria de até
agora; é preciso partir desse ponto. A realidade é que, quando
olhamos o mundo, vemos que a maioria das pessoas é
fracassada. Sendo assim, a teoria que todos pensam é o
contrário. Portanto, o contrário do contrário dessa teoria é a
verdadeira teoria. A teoria contrária da qual sempre falo se refere
a isso, e considera muito mais como principal o fato do que a
teoria. Por exemplo, o Johrei da nossa Igreja não se encaixa com
a teoria mas, misteriosamente, cura. A medicina se encaixa com
a teoria, mas não cura nem um pouco, e sem dúvida é também a
mesma teoria.

276
Rokan – Alicerce do Paraíso

E também existe o seguinte: O homem se forma e sai da


escola, e ao entrar para a sociedade prática, irá descobrir que a
teoria aprendida na escola é muito diferente da realidade. Isso
porque, realmente, o ensino de que a teoria é principal e a
realidade é secundária provoca o infortúnio. Principalmente no
Japão, isso é muito marcante. Nesses últimos tempos, recebeu a
influência do ensino americano e ficou mais realista, mas ainda
tem-se a impressão de que a consciência verdadeira está muito
longe. É um exemplo comum, mas estuda-se ciências na escola
e, mesmo se formando, não consegue nem sequer consertar um
defeito de eletricidade; e também, depois de se formar em uma
escola feminina, não se sabe nem como fazer uma conserva com
o farelo de arroz e soja; isso porque aprende-se apenas a teoria
do ensino, não lhe sendo ensinada a prática do ensino.

Sendo assim, a atitude de ficar preso à teoria negando a


realidade, pode-se dizer que caiu na superstição da teoria e não
tem como negar.

Coletânea Série Jikan volume 12, 30 de janeiro de 1950

277
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 87 ) A D E F I N I Ç Ã O DA SUPERSTIÇÃ O

O termo definição da superstição são palavras que até


hoje não eram muito utilizadas, mas a verdade é que na
superstição também existe definição, por isso é engraçado.

Tratar como superstição aquilo que não é uma espécie de


superstição. Uma coisa que é feita pensando ser boa e tem um
resultado ruim se deve à superstição. Tomar um remédio que não
surte efeito pensando que terá efeito, e também incentivar outras
pessoas a tomarem esse remédio, é igualmente uma superstição.
É também superstição aplicar o adubo quando se consegue
colher muito mais sem aplicar adubo. Praticar coisas ruins
pensando que não será descoberto, fazer cair na rede, também é
devido à superstição; porém, isso acontece porque o tolo encosta
na cabeça. Mesmo que diretores e oficiais públicos pensem que
agiram bem às escondidas, acabam se expondo ou se tornam
criminosos, e também, pensando que educando a criança com
rigorosidade ela se tornará uma pessoa honesta, acontece de, às
vezes, se tornar um delinqüente que nem sequer imaginávamos.
Isso também é uma superstição da educação. Não tem fim se
continuar escrevendo essas coisas e creio que com isso já
puderam compreender, mas o engraçado é que as coisas
pequenas de adivinhos, horóscopos, sorte e outros são
considerados exageradamente como superstição, e realmente
não há dúvida de que também são superstições, mas são
pequenas superstições e quase não constituem um problema. É
por se importarem com uma coisa mínima como essa que talvez
não percebam grandes superstições, como as mencionadas
anteriormente.

E com relação à Religião, também existe superstição e fé


correta. Existem também sete partes de fé correta e três partes
de superstição, mas também existem sete partes de superstição
e 3 partes de fé correta. O primeiro se contenta com as sete
partes de fé correta e ignora as três partes de superstição, o

278
Rokan – Alicerce do Paraíso

segundo liquida as sete partes de superstição usando as três


partes de fé correta. As pessoas que crêem nos deuses
existentes no mundo são, na maioria, do tipo acima. Entretanto,
aqueles que vêm isso ao contrário são os materialistas, olham
apenas o lado supersticioso dos dois e falam com exagero, e os
jornalistas e intelectuais que rejeitam como sendo superstição
parece que é ocupado pela maioria das pessoas desse lado.

Por esse motivo, se não existe uma superstição absoluta,


também não existe uma fé correta, e sendo essa a verdade, no
caso de criticar uma religião ou qualquer outra coisa, quanto mais
numerosa for a parte de fé correta ao invés da parte
supersticiosa, mais valor possui. Por isso é preciso abrir bem os
olhos para não cometer um erro. De uma maneira geral, essa é a
definição da superstição.

Jornal Eiko nº 74, 18 de outubro de 1950

279
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 8 8 ) O Q U E V E M A SE R A S T R Ê S G R A N D E S
SUPERSTIÇÕES ?

O objetivo da nossa Igreja, como sempre digo, é a criação


de uma nova civilização, mas quando um terceiro vê isso vai
achar estranho. Isso porque atualmente não estamos numa era
selvagem, e criar agora uma nova civilização, pode-se pensar
que não estamos regulando bem, mas ao ler esse texto uma vez,
irão concordar, vendo que não é nada disso.

Falando de nossa parte, atualmente é, sem dúvida, uma


civilização que progrediu apenas na forma, e no que diz respeito
ao conteúdo, não se pode dizer, de jeito nenhum, que é uma
verdadeira civilização. O motivo disso é que todas as coisas, em
sua maioria, estão repletas de erros, e esses erros são três no
geral, que escreverei a seguir.

1º - Superstição do remédio

Sobre esse assunto, estou sempre explicando


exaustivamente, portanto quase não existe necessidade de
escrever novamente, mas como quero que terceiros tomem
conhecimento, vou escrever. Hoje qualquer pessoa em caso de
doença se apóia, primeiramente, antes de qualquer coisa, no
remédio, sem dúvida alguma; mas não deve se assustar, pois o
remédio, na verdade, enfraquece a saúde do homem, cria a
doença e coloca a vida em perigo; não existe no mundo algo tão
temível quanto isso. Por que uma coisa desse porte não foi
percebida até hoje? Essa é uma dúvida que, naturalmente,
deveria ocorrer, mas não aconteceu, por estar-se caído
profundamente na superstição do remédio. Portanto, para salvar
a humanidade, não existe outro método a não ser derrubar essa
superstição e fazê-los despertar.

280
Rokan – Alicerce do Paraíso

2º - Superstição do fertilizante

Esse também os membros da nossa Igreja conhecem bem


e não há necessidade de reescrever, mas escreverei em relação
a terceiros. Originariamente, a Terra foi criada por Deus para que
o homem produzisse o alimento e, para isso, deu-lhe uma
capacidade maravilhosa, ou seja, a própria terra é um
aglomerado de fertilizantes, um objeto precioso.

Em que época, de que forma erraram e mataram o solo


chamado fertilizante, gastando em coisas sujas que obstruíram
as vitaminas do próprio solo, apertando o bolso dos agricultores,
e pelo contrário, passaram a utilizar coisas que ajudaram na
diminuição da produção, caíram numa superstição realmente
assustadora. Mais do que tudo, a produção de arroz atual do
nosso país está em falta em vinte milhões por ano, e o sofrimento
com pragas todos os anos tem a sua causa, sem dúvida, no
fertilizante, o que estou alertando há longos anos.

3º - Superstição da lei

Essa superstição tem um pequeno ponto diferente das


outras duas anteriores. Ou seja, o objetivo da lei é a prevenção
dos crimes, o que nem é preciso dizer, e como meio estão
utilizando apenas o controle e a punição. Porém, estão cientes
também de que só com isso não será possível alcançar o objetivo
previsto. Isso porque o aspecto do mundo de hoje mostra isso
melhor do que qualquer outra coisa. Isso ocorre porque ninguém
percebe o ponto principal básico. E por que não percebem? Sem
dúvida é porque estavam presos a um tipo de superstição.
Superstição é ter negligenciado o espírito do homem que é a
causa do crime, tendo como objeto apenas o resultado que
aparecia, o que foi um erro ter feito esse duro esforço. Portanto,
para acabar de verdade com o crime, não existe outro método
além de regenerar o espírito do homem, o que está claro demais.
Entretanto, se esse método fosse a força da religião, a respectiva

281
Rokan – Alicerce do Paraíso

pessoa perceberia isso, e tendo-o como base, é preciso partir


para a diretriz de destruição do crime. Se compreendeu esse
significado do fundo do coração, primeiro é preciso você mesmo
entrar em contato com a fé. Se bem que com as religiões
existentes até hoje não dá para ter expectativa. Isso porque a
educação e a moral ocuparam posições mais importantes que a
religião, o que está bem evidente. Conforme as circunstâncias
escritas acima, veio realizando como melhor meio a lei de
penalidades, e isso também não tinha jeito.

Em resumo, quando surgir uma religião de verdadeiro


poder acima das religiões já existentes, da moral e da educação
reunidas, será natural o aparecimento de uma sociedade ideal
sem crimes, e se essa religião, sem dúvida, for a nossa Igreja
Messiânica Mundial, deve pesquisar o quanto mais rápido. Creio
que tomarão conhecimento, infalivelmente, de que não há
mentiras no que eu digo.

Jornal Eiko nº 119, 29 de agosto de 1951

282
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 89 ) R E L I G I Ã O E SEIT AS

Alicerce do Paraíso, pág. 178

As religiões estão subdivididas em seitas. O cristianismo,


por exemplo, entre outras seitas, subdivide-se em catolicismo e
protestantismo, que se destacam sobre as demais. Quanto ao
budismo, só no Japão existe o Shingon, Jodo, Shinshu, Zen,
Nitiren e outras, as quais, por sua vez, também estão
subdivididas; atualmente, há cinqüenta e oito subseitas. No
xintoísmo, excetuado o Shinto de Templo, há treze seitas
principais: Taisha, Mitake, Fusso, Missogui, Tenri, Konko, etc.
A subdivisão das religiões parece ilógica, mas vejo o caso
da seguinte maneira: será que a causa não está nos cânones?
Isto porque tanto a Bíblia como os preceitos búdicos contêm
muitos pontos incompreensíveis, cuja interpretação varia de
pessoa para pessoa, contribuindo forçosamente para a criação
de várias seitas. Quanto ao xintoísmo, não possui um fundador
como o cristianismo e o budismo. Formou-se baseado nos livros
clássicos, entre os quais o "Kojiki" e o "Nihon Shoki", ou através
de ensinamentos transmitidos por médiuns.
Embora as religiões citadas sejam religiões por natureza,
sua subdivisão em seitas tende a ocasionar conflitos, prejudiciais
à obra educacional de fraternidade, que é a missão principal da
Religião. A causa da subdivisão, sem dúvida alguma, está na
dificuldade de interpretação dos ensinamentos. Entretanto, se a
finalidade das religiões é salvar toda a humanidade, creio que
tudo deveria ser claro para todos.
Para evitar tais dificuldades, pregarei a doutrina por um
novo método, de modo que ela possa ser facilmente assimilada
pelas pessoas. Pretendo, ainda, do ponto de vista da Religião,
publicar, gradativamente, interpretações novas sobre Política,
Economia, Educação, Arte, etc.
Coletânea Assuntos sobre fé, 5 de setembro de 1948

283
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 90 ) R E L I G I Õ E S NOV A S E RELIGI ÕE S TRADICIONAI S

Alicerce do Paraíso, pág. 170

Quando analiso o comércio da atualidade, observo que


existem dois tipos de lojas - as novas e as tradicionais. As
primeiras são dinâmicas, objetivando expandir-se amplamente,
mas ainda não ganharam plena confiança do povo, pois este
desconhece a qualidade das suas mercadorias, não sabendo se
os preços são razoáveis. Preocupadas, as pessoas compram
nelas apenas a título de experiência, ou para atender às suas
próprias necessidades. Entretanto, se a loja é tradicional, merece
absoluta confiança dos fregueses. Para eles, sendo artigos dessa
loja, por certo são bons. Ao invés de comprar na incerteza, em
outros locais, preferem ir a um lugar de confiança, ainda que seja
mais distante. No caso de uma compra de certo vulto, é certo
dirigirem-se às lojas tradicionais, pelo nome que elas possuem,
conseguido através de um longo tempo de vendas. Em face
disso, as lojas novas empenham-se arduamente para atrair pelo
menos algumas pessoas acostumadas a comprar nas casas
tradicionais. Trata-se de uma situação que todos conhecem, e
por isso dispensa maiores comentários.

Interessante é que no campo religioso ocorre o mesmo. O


aparecimento de uma nova religião ainda é cercado de
dificuldades maiores que o das pequenas lojas comerciais. De
imediato, ela é tachada de supersticiosa e maléfica, ou até
mesmo de trapaceira. É realmente cruel. Existem, sem dúvida,
muitas religiões novas às quais se possam atribuir esses
adjetivos, mas, de vez em quando, aparecem religiões
verdadeiras. Também não podemos esquecer que todas as
religiões respeitadas atualmente já foram novas; com o passar do
tempo é que elas ganharam tradição. A loja nova, esforçando-se
para oferecer preços e mercadorias equivalentes aos das lojas
tradicionais, acaba tornando-se uma delas. Sendo assim, é

284
Rokan – Alicerce do Paraíso

errado tachar de trapaceiras e maléficas todas as religiões que


surgem.

Pelos motivos expostos, creio que o primeiro dever das


pessoas que criticam as religiões novas é analisá-las bastante,
para poderem classificá-las de "boas" ou "más". Só depois é que
devem escrever a seu respeito.

Jornal Hikari nº 3, 30 de março de 1949

285
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 91 ) A L U T A E N T R E O M A T E R I A L I S M O EO
ESPIRITUALISM O

Alicerce do Paraíso, pág. 46

A maioria dos comentários que fazem sobre a nossa Igreja


é que se trata de uma religião supersticiosa. Mas qual a razão
dessa afirmativa? A verdade é que o ponto de vista daqueles que
tecem tais comentários difere do nosso. Eles analisam as
questões espirituais tomando por base a matéria. Material, como
o próprio nome está indicando, é aquilo que podemos perceber
claramente através da visão ou dos demais sentidos, e por isso
qualquer pessoa consegue compreender. O espírito, todavia, não
é visível; conseqüentemente, torna-se fácil negar a sua
existência. Assim, se fizermos uma simples comparação, teremos
de concordar que o espiritualismo encontra-se em situação
desvantajosa em relação ao materialismo.

A visão materialista está limitada pelos cinco sentidos; tem,


portanto, uma existência pequena, ao passo que a visão
espiritualista não tem limites. É como se fosse o tamanho da
Terra comparado com o tamanho do Universo, que é um espaço
sem fim. Daqui onde estou só consigo ver até o Monte Fuji, e
olhe lá... Não passam de algumas dezenas de quilômetros. O
pensamento, entretanto, que não podemos ver, num instante
pode estender-se até o infinito. Diante dele, a imensidão da Terra
é insignificante. É como se a visão espiritualista fosse o oceano,
e a visão materialista fosse o navio que nele flutua. Baseados
nisso, podemos comparar o materialismo com o macaco
Songoku, o qual, tentando fugir dos domínios espirituais de Buda,
percorreu milhares de milhas, mas, quando percebeu, ainda
estava na palma da mão de Buda, e se arrependeu do que fizera.
Entre outros conceitos espiritualistas sobre o materialismo,
podemos citar: "Tudo é nada", "Tudo que nasce está condenado
à extinção" e "Todo encontro está fadado à separação", de

286
Rokan – Alicerce do Paraíso

Sakyamuni, ou, segundo o zen-budismo: "As coisas que


possuem forma infalivelmente desaparecerão".

Pela exposição acima, acredito que entenderam como está


errado analisar as coisas espirituais do ponto de vista da matéria,
pois esta é finita, enquanto aquelas têm vida eterna e são
infinitas. É a mesma coisa que querer colocar um elefante dentro
de um pote ou ver todo o céu através de um orifício, ou seja, é ter
uma visão limitada das coisas.

Materialistas! Depois de conhecerem esta verdade, ainda


têm algo a dizer? Pensem no que farão!

Revista Tijyo Tengoku nº 11, 20 de dezembro de 1949

287
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 92 ) E X I S T E FÉ CORR E T A EM RELIGI ÕE S NOVAS?

Atualmente, surgem seitas novas como se fossem brotos


de bambu após a chuva, e dizem que, hoje em dia, existem mais
ou menos quatrocentas. Todos sabem, entretanto, que entre elas
não são poucas as duvidáveis. Com referência a isso, não é sem
razão que os repórteres, ao escreverem em jornais e revistas,
julguem como se todas fossem, sem exceção, umas crendices e
seitas diabólicas. Mas, falando a verdade, estão misturando bolas
de cristais com pedras e, sem dúvida, a Igreja Messiânica
Mundial também está entre elas, o que me agoniza.

No entanto, isto não começou agora. Desde antigamente,


o Cristo, o Maomé e até no Japão, o Hoonen, o Shinran, o
Nitiren, e a Sra. Miki Nakayama, fundadora da seita Tenri-kyo,
etc., conforme indica a História, as grandes seitas atuais, quanto
maiores o são, no início sofreram perseguições, sendo
consideradas seitas supersticiosas, e processos jurídicos.
Somente com o Buda não houve essas coisas. Acredito que seja
por ele ter sido um príncipe. Então, é natural que haja mal-
entendido conosco e, ao contrário, devemos julgar-nos que as
penalidades são leves, devendo-nos, talvez, ficarmos satisfeitos,
considerando que seja graças à cultura moderna, principalmente
à democracia.

Mas não há razão para que a nossa Igreja não obtenha


para sempre o real reconhecimento. Portanto, em futuro breve,
deverá ser reconhecida rapidamente pela sociedade. Pois a base
para o surgimento desta Igreja, o Supremo Deus, no fim do
mundo, manifestará a Força Absoluta. O motivo da mudança de
nome para a Igreja Messiânica Mundial, desta vez, é por causa
disso.

O que quero dizer especialmente é que, não se limitando


às religiões novas, mas englobando todas as antigas também, e
fazendo uma comparação com esta nossa Igreja, tomamos o

288
Rokan – Alicerce do Paraíso

conhecimento de como a força de Deus manifestada por ela é


revolucionária. E atualmente em que essa época está se
aproximando, é claro que espero também de todos os membros a
grande atuação final.

Para isso, antes de mais nada, devem-se ler os


Ensinamentos e polir as almas.

Jornal Kyussei nº 50, 18 de fevereiro de 1950

289
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 93 ) B E N E F Í C I O S MAT E R I AIS

As palavras determinadas que a maioria dos progenitores


eruditos religiosos, que hoje pregam a religião, dizem, são que a
fé que objetiva graças materiais é uma fé de baixo nível. Sem dar
importância a graças materiais e outros colocando teorias
rápidas, o quanto mais distantes da vida real não esplanadas
como teorias religiosas que possuem autoridade, mas visto por
nós, são teorias extremamente falsas e, falando francamente,
não passa de um simples jogo de teorias. É bom pensar: qual a
originária missão da religião? Nem é preciso dizer que é salvar
toda a humanidade do sofrimento e transformar essa Terra em
um tranqüilo Paraíso; além disso, o que pode existir?

E, primeiramente, quando tivermos como objeto as


pessoas em geral, os desejos de saúde, de riqueza,
independente de ser pobre ou rico, a não ser um débil mental,
não existirá uma só pessoa que não tenha esses desejos. E se
por acaso houver, será uma pessoa que, por mais que desejasse,
não tinha possibilidade de concretizar e acabou desistindo, ou
então é do tipo de erudito falso que quer se mostrar ainda mais
sábio. Sendo assim, vou examinar por que nasceu o sentimento
de desistência e decepção própria, e de fato, os fiéis das religiões
de até hoje eram submissos aos deuses, renunciavam a tudo e
ofereciam o quanto podiam de seu patrimônio, e apesar de
prosseguir nessa fé fervorosa a ponto de não ter mais o que
oferecer, não conseguia fazer o que desejava. Se bem que tinha
grandes lucros, mas era atacado por doenças e também tinha
mortos; a realidade é que não conseguia escapar da miséria. Aí
então, no final das contas, ou saía da religião ou se conformava,
tinha que escolher um dos dois e a maioria não podia,
determinadamente, sair da religião. Isso porque, seja como for,
tem-se uma certa graça através da fé e a conformação em
relação ao sofrimento é maior do que se fosse um ateísta. Creio
que esse deve ser o sentimento sincero daquelas que
prosseguem na fé, mesmo suspirando com o sofrimento. E fora

290
Rokan – Alicerce do Paraíso

os crédulos cegos, quando vemos certos tipos de pessoas que


pertencem à camada intelectual, para elas tanto a fé como os
deuses não concedem tantas graças assim. Obtém-se apenas
uma tranqüilidade mental e acham que não passa de um tipo de
concepção. Entretanto, o engraçado é que esse tipo de pessoa
considera absolutas e supremas as palavras e escritas de
fundadores de religiões, e tecendo elogios lisonjeiros, fazem
críticas presunçosas. Sem dúvida que, como elas não possuem
sabedoria espiritual, as críticas são todas materialistas e,
prestando atenção para não derrubar o seu nome famoso, são
escritas de forma superficial e não têm força, de forma alguma,
para atingir o fundo do coração do leitor.

Quando olhamos para essas pessoas, não conseguimos


impedir o sentimento de compaixão e, ao mesmo tempo, não
conseguimos deixar de nos embriagar, profundamente, com o
sentimento de felicidade própria. Isso porque, desde que nos
tornamos fiéis, obtemos a saúde desejada, somos agraciados
com riquezas materiais e os benefícios que abrangem todas as
áreas são realmente afortunados. Entretanto, as pessoas do
mundo não possuem experiência acerca desse estágio, por isso
creio que é difícil acreditar. E referem-se a nós felizardos das
graças materiais como superstição, mas na realidade não há
como deixar de dizer que eles sim é que são um tipo de
supersticiosos. Essas pessoas consideram, como único recurso,
a resignação da parte espiritual, que é a metade da graça
material, e não conseguem escapar da essência da doença,
pobreza e conflito, como um dia durante dez anos. Além disso, a
extrema diferença de visão de vida e de mundo existente entre
eles e nós é, pelo contrário, muito lógica. Resumindo isso em
poucas palavras, quer dizer que, por mais que se explane teorias
maravilhosas, apenas com a teoria a doença não é curada, o
deus da pobreza não desgruda e o conflito não cessa; portanto,
dessa forma não se pode dizer que foi salvo. Sendo assim,
vamos iluminar o coração desses supersticiosos obstinados, e

291
Rokan – Alicerce do Paraíso

quando será o dia em que irão experimentar o verdadeiro


Ensinamento? Está bem longe.

Jornal Hikari nº 9, 14 de maio de 1949

292
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 94 ) B E N E F Í C I O S ATUA I S E BENE FÍ CO S F U T U R OS

O povo, no caso de criticar a religião, fica indeciso entre o


correto e errado de ser verdadeiro, o que deseja graças materiais
a graças espirituais. Isso porque, apesar do povo em geral, sem
exceção, desejar graças materiais, os religiosos e intelectuais
dizem em termos extremos que as graças materiais são de
religiões de baixo nível; aquelas que objetivam graças espirituais
são verdadeiras religiões, mas não existe um assunto tão
engraçado quanto esse. Isso porque é lógico que a própria
pessoa que critica também deseja graças materiais. Se acaso
não deseja graças materiais, essa pessoa não passa de um
doente mental. A fé que objetiva apenas a graça espiritual, após
a morte, é uma teoria vista bastante em religiões já estabelecidas
e, quando morrer, desejam, unicamente, ir para perto de Amida.
Essas coisas não são ruins, mas o homem do hoje não consegue
ficar satisfeito com isso, o que já é do conhecimento. Dizem isso
e aquilo, mas se não tiver graças materiais, provavelmente, não
existiriam pessoas que seguissem a fé.

Digo isso, mas conceder as graças materiais é que é o


problema. Dificilmente a força material, visível aos olhos, na
atividade social não é considerada fé. É preciso que sejam
graças materiais originadas de uma força invisível, ou seja,
milagres. Sendo assim, o que é esse princípio? Nem é preciso
dizer que se trata do Poder de Deus. É a força de Kannon a que
costumo me referir. Somente através disso é que se consegue
tomar conhecimento da existência real de Deus que é invisível.
Segundo esse princípio, por mais que adorne esplendidamente a
parte externa e a forma esteja perfeita, apesar de explanar
minuciosamente nobres teorias, não existe motivo para a
expansão desse tipo de religião.

O progresso sem precedentes que a nossa Igreja vai


alcançar em curto espaço de tempo é claramente compreensível,
ao pensar-se no que está escrito acima. E também o que é dito

293
Rokan – Alicerce do Paraíso

freqüentemente que, aproveitando a confusão de sentimento de


pós-guerra, surgem muitas religiões supersticiosas que praticam
coisas boas, escrevem muito nos jornais, mas isso é fazer as
pessoas de bobas; pode-se dizer que estão subestimando o
povo. Essas são as palavras muito usadas por um político
esperto. "Não se pode jamais fazer de bobo os olhos e as vozes
do povo. Na realidade são os olhos do céu, e a voz do céu”, e
realmente é como ele diz. E não é apenas isso: se o povo em
meio ao sofrimento se agarrar a assa religião e não conseguir
solucionar esse problema, é claro que logo irá deixar a religião.
Portanto, não pode existir a difusão dos Ensinamentos. E
principalmente na sociedade de hoje, não existe um homem de
bem e uma mulher de bem que professe a fé, levados pelas
graças espirituais de antigamente. Além disso, com o aperto
financeiro de hoje, pode-se dizer que não vai acontecer casos de
serem roubados por religiões supersticiosas lhes sendo tirados
grandes somas de dinheiro e tempo de trabalho.

Sem conseguir controlar nem um pouco essa situação


social atual, o povo simplesmente responde com banalidades
absurdas ao ataque dos jornalistas, cuja cabeça é que constitui
um problema. E, do nosso ponto de vista, o povo,
surpreendentemente, tem poder de compreensão; considerando
que possuem inteligência, é realmente encorajador. Em
contraposição, não se pode deixar de ficar penalizado com a
extrema falta de responsabilidade dos cabeças duras desses
jornalistas que têm a função de orientadores do povo, e ao
mesmo tempo tenho pensado dia e noite de que forma iluminá-
los.

Dessa forma, falei tudo e bem claro aos jornalistas e talvez


sintam algo desagradável, mas como princípio de salvação da
humanidade contamos com outra alternativa, dando um aviso
sincero. Nesse ponto, peço que sejam bastante tolerantes.

Jornal Hikari nº 36, 19 de novembro de 1949

294
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 95 ) B E N E F Í C I O S MATE RI AI S

Alicerce do Paraíso, pág.179

Modéstia à parte, em nossa Igreja ocorrem maravilhosas


Graças Divinas.

Na Antigüidade, surgiram religiões magníficas, e até hoje


isso vem acontecendo. Entre elas, as três mais importantes - o
cristianismo, o islamismo e o budismo - e mais algumas, já
conquistaram suas respectivas posições. A maioria, porém,
desde o início, sempre se ocupou unicamente da salvação
espiritual.

A Igreja Messiânica Mundial ainda tem pouco tempo de


vida, e, comparada com outras, é uma religião pequena. Apesar
disso, a rapidez de seu progresso pode ser considerada inédita e
está sendo alvo de muita atenção, o que, às vezes, até se torna
um problema. Mas isso é um fenômeno transitório, uma das
inevitáveis experiências pelas quais temos de passar. É uma
questão de tempo; naturalmente, virá o dia em que, por opinião
imparcial, será reconhecido seu verdadeiro valor.

Como todas as religiões, nossa Igreja tem seus ideais,


seus princípios religiosos, e vem se esforçando para progredir.
Vou mostrar os pontos em que ela difere das religiões
tradicionais, pois, se não os conhecerem, não conseguirão
compreendê-la verdadeiramente.

A grande diferença é que nela ocorrem muitos benefícios


materiais. Entretanto, as pessoas que se dizem entendidas no
assunto acham que esse tipo de religião é de baixo nível e por
isso não lhe dão atenção. Se pensarmos bem, encontraremos
uma explicação para essa atitude.

295
Rokan – Alicerce do Paraíso

Atualmente, analisando as inúmeras religiões do Japão,


constatamos que existem dois tipos: as que são populares e as
que não o são. No primeiro caso, por exemplo, a fé está voltada
para este ou aquele ídolo ou deus, e seus adeptos - as pessoas
de baixo nível cultural, que nada entendem de teorias religiosas
ou de Filosofia - têm um único objetivo: receber benefícios
materiais. Ora, do ponto de vista dos intelectuais, isso é tolice e
não merece a mínima atenção. Assim, eles concluem que a
busca desses benefícios é própria da Fé de nível inferior. Por
outro lado, valorizam as religiões que, não se importando com os
benefícios materiais, colocam os princípios religiosos em termos
didáticos, dotando-os de inteligentes razões. Se tais religiões
tiverem uma longa tradição e durante esse tempo nela tiverem
surgido grandes líderes ou sacerdotes de alta virtude, eles as
valorizam ainda mais, considerando-as de alto nível. Em síntese,
para os intelectuais o que vale é a força do nome e a tradição. A
propósito disso, desejo expor minha sincera crítica.

Dos dois tipos de Fé mencionados, o primeiro pode ser de


baixo nível, mas a verdade é que ele está atingindo a massa
popular mais do que podemos supor. Como as pessoas que o
professam têm pouca cultura, não lhes interessam princípios nem
teorias; elas vão de vez em quando à Igreja, fazem pedidos de
graça, dão uma esmola e se satisfazem com isso. Trata-se de
uma fé muito simples, mas é indiscutível que impressiona bem e
contribui para mudar o sentimento de outras pessoas. Se essas
religiões acreditam no invisível, é porque têm uma visão
espiritualista; portanto, elas contribuem de alguma forma para o
bem social, mais do que aquelas que estão baseadas num sólido
materialismo. Seus seguidores cultivam o bom sentimento de
pedir ajuda a Deus, por isso não haverá motivos para que
cometam, inescrupulosamente, os crimes horríveis a que ficam
sujeitos os materialistas.

Quanto ao segundo tipo de fé, diferentemente do primeiro,


é seguido por pessoas que, acreditando somente no que vêem,

296
Rokan – Alicerce do Paraíso

desprezam aqueles que crêem no invisível, considerando-os


supersticiosos. Parece que, atualmente, a maioria pertence à
classe dos intelectuais. Naturalmente, uma vez que são
materialistas, eles acham que devem lidar com as religiões
didaticamente; quando discutem sobre o assunto, não ficam
satisfeitos se não o colocarem em termos lógicos e filosóficos.
Por isso, a nosso ver, suas teses são superficiais, e as críticas
que fazem à nossa Igreja não passam de comentários malévolos.

Para fazer a verdadeira análise de uma religião, é preciso


penetrar nela profundamente, procurando averiguar seu conteúdo
com os olhos bem abertos. Deve-se analisá-la livre de conceitos
pessoais. Originariamente, a natureza de uma religião não está
na sua forma, mas no seu conteúdo. Portanto, é necessário que
os intelectuais mudem bastante suas atitudes críticas.

De acordo com o exposto acima, criticar nossa Igreja


vendo apenas as aparências externas e classificá-la como
religião vulgar por estar centralizada no recebimento de
benefícios materiais é uma grande leviandade ou descortesia.
Enquanto se persistir nessa atitude, as críticas não terão nenhum
sentido. Se fizerem uma profunda análise da Igreja Messiânica
Mundial, compreenderão que ela não só é de caráter popular
como teórico. Podemos dizer mesmo que é uma Ultra-Religião,
inédita para a humanidade. E não é só isso. O que defendemos
não se restringe apenas à Religião. Nosso objetivo é dar a mais
alta diretriz ao campo da Medicina, da Agricultura, da Arte, da
Educação, da Economia, da Política, enfim, a tudo quanto diz
respeito ao homem. Em suma: queremos colocar a teoria em
prática, de maneira que a Fé seja vivida no nosso dia-a-dia.

Jornal Eiko nº77, 8 de novembro de 1950

297
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 96 ) A T I V I D A D E RELIGIO S A E ATIVID AD E S O C I AL

Quando olhamos cada aspecto da sociedade, existem


diversos tipos de atividades sociais originadas do governo e do
povo, contribuindo bastante para a felicidade da sociedade, e
principalmente a atividade social que tem a religião como pano de
fundo, é lógico que tenha um efeito maior. Existe, também, a
clínica de tratamento da tuberculose (tem muitas clínicas
particulares), onde a força do povo não consegue alcançar, e
atividades governamentais que só dependem da força do
governo. E outros, como a Cruz Vermelha, que é metade do
governo e metade do povo, clínica de assistência às pessoas
idosas, clínica educativa, clínica de tratamento do leproso; todos
eles estão suplementando o defeito da sociedade, o que dá para
se reconhecer plenamente.

Entretanto, o que estou querendo dizer agora é sobre a


atividade religiosa, a qual não se ouve falar muito. Por exemplo, o
caso da clínica de tratamento da tuberculose que estamos
querendo realizar agora tem como base o método de tratamento
pela fé através do Espírito Divino, jamais experimentado antes; é
um método que ultrapassa a ciência e, através dele, vamos banir
a tuberculose do Japão. Sob essa convicção estamos agora nos
empenhando. Posso imaginar desde já que mais tarde obteremos
um resultado surpreendente.

Em seguida, é sobre a agricultura sem adubos, e sobre


isso publiquei repetidas vezes em revistas e jornais e, por isso,
vou excluir, mas sem adubos consegue-se obter resultados mais
surpreendentes do que com o uso de adubos, e agora estou
cultivando um terreno de mais de dez mil tsubo (...).

A seguir, objetivando o desenvolvimento mundial das


Belas-Artes do Japão, temos, no presente, um plano em
andamento. Sem dúvida, desde pinturas e esculturas, todo
artesanato artístico até construção paisagística e outros, um local

298
Rokan – Alicerce do Paraíso

de apresentação ao exterior, como deve ser chamado, das Belas-


Artes do Japão; está em pleno planejamento um edifício que
reúne a essência da construção japonesa. No alvorecer da
inauguração, visitantes do exterior, sem dúvida, mas também os
próprios japoneses, através da descoberta do pássaro azul,
mesmo agora, ficarão impressionados.

Além dessas atividades citadas acima, existem diversos


outros planejamentos não publicados e todos eles são projetos
novos. Isso porque o nosso princípio é deixar os planos e práticas
das pessoas anteriores a cargo dessas pessoas, não havendo
necessidade de colocarmos em prática.

Sem dúvida que pretendo publicar, aos poucos, os


diversos projetos novos que seguirão a linha que deverá
aumentar a felicidade da sociedade humana.

Por último, vou escrever o significado básico da atividade


social. A atividade social é a atividade beneficente; realmente, é
melhor existir do que não, mas falando francamente, são
salvações temporárias. Não possuem, basicamente, natureza
eterna. Isso porque são apenas para manter a existência de
defeituosos da sociedade, pessoas sem afinidade com
sobreviventes e doentes graves; em última análise, é uma
salvação passiva, por isso no final das contas torna-se uma
despesa para a nação, sendo negativa.

Portanto, a verdadeira atividade de salvação deve ser


ativa, mas na realidade até hoje só foi dito e não foi praticado.
Para tanto, é preciso, de qualquer maneira, que assuma uma
religião de poder. E se for salvo verdadeiramente, em primeiro
lugar a felicidade do próprio interessado e a despesa necessária
para essa atividade social não somente diminuirá, como, dessa
vez, ao contrário, se tornará uma pessoa que concederá
benefícios à sociedade; portanto, é matar três coelhos com uma
só cajadada.

299
Rokan – Alicerce do Paraíso

Uma salvação assim é realmente a verdadeira missão da


Religião, ou seja, é a atividade religiosa que nós pregamos. Além
disso, nas religiões já existentes, lamento dizer, mas por não
terem conseguido praticar uma salvação positiva, como segunda
boa ação através da atividade social, estavam adotando um
motivo existencial. E também a polícia e a sociedade, com o
motivo de que como a religião não tem poder, e pelo menos
realiza atividades sociais, estão consentindo; essa é a realidade
de hoje.

Sendo assim, a nossa Igreja deixa aos encargos de outros


órgãos as atividades de salvação passiva como as atividades
sociais, e está preparada para ser útil ao melhoramento da
sociedade com atividades de salvação peculiar positiva. Isso é
denominado atividade religiosa.

Jornal Hikari nº 10, 25 de maio de 1949

300
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 97 ) A T I V I D A D E SOCIA L E ATIVID AD E R E L I G I O SA

Olhando a sociedade de hoje, parece que não se percebe


que a atividade social está misturada com a atividade religiosa.
Se bem que existe um motivo para isso, o qual vou tentar
escrever, mas exemplificando, atualmente, a começar pelo
cristianismo e também as religiões já existentes do Japão, nesses
últimos tempos, as que conseguirem um certo sucesso, estão
administrando hospitais, e isso porque, com a fé, a doença não
está sendo curada, e se disser que não tem jeito, fica por isso
mesmo, mas na realidade pode-se dizer que não é verdade. Se
com a fé a doença sarasse melhor do que com a medicina, não
haveria necessidade de construir hospitais só por gosto, o que é
óbvio.

Se assim for, falando sem reservas, está-se mostrando


claramente que a medicina está ganhando da fé, e significa que,
ao invés da Religião, a Ciência é superior. Sendo assim, deve-se
tirar o Deus ou o Buda, ao qual veio-se orando até hoje, e colocar
no lugar a fotografia do médico no altar orando dia e noite. Isso
porque o médico é o pai da vida.

Entretanto, digo claramente que a nossa Igreja, por mais


que se expanda, não irá jamais construir um hospital. Se as
pessoas modernas ouvirem essas palavras, ficarão muito
assustadas, mas não é preciso dizer que o poder de cura de
doenças da nossa Igreja é absolutamente superior à Medicina;
portanto, a revolução da medicina da qual sempre falo, existe
esse motivo.

Mais uma coisa que quero dizer é que, a meu ver, os


orfanatos, asilos, atividades de ajuda aos pobres, etc., não
passam apenas de atividades beneficentes para remediar. Isso
porque, se aparecem esses tipos de pessoas infelizes, é porque
em algum ponto da sociedade existe uma causa básica, e
descobrir essa causa e aí colocar o bisturi, creio ser o modo

301
Rokan – Alicerce do Paraíso

verdadeiro de agir. Entretanto, é lamentável, mas não tomaram


conhecimento disso e, como sempre, estão remediando, usando
o método sintomático. Contudo, a nossa Igreja conhece a causa
de toda essa infelicidade; por isso, está expandindo a mão da
salvação, aos poucos, e no futuro será possível construir o
Paraíso Terrestre; sendo essa a missão da nossa Igreja, não
tomamos medidas estúpidas como para interromper um processo
temporário. Se bem que também não existe essa necessidade.

As pessoas que desconhecem esses fatos porguntam por


que a nossa Igreja é indiferente às atividades sociais, por isso
estou deixando isso bem claro aqui.

Jornal Eiko nº 146, 05 de março de 1952

302
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 98 ) A N O S S A IGREJ A E AS ATIVIDA DE S SOCIAI S

Muitas pessoas perguntam qual o motivo da Igreja


Messiânica ser indiferente às atividades sociais, mas acho essa
pergunta realmente muito engraçada. Vou explicar
detalhadamente mas, originariamente, a Religião e a atividade
social são parecidas e adversas. Isso porque a Religião é uma
salvação espiritual e a atividade social é uma salvação material.
Apesar disso, ao olhar a realidade, quando se trata de uma
religião um pouco maior, a maioria está desenvolvendo atividades
sociais e isso até se tornou uma coisa comum, por isso é
justificável que a nossa Igreja seja vista dessa maneira, mas
pensando bem, qualquer religião, por mais esplêndida que seja,
se não tiver o poder religioso de salvação, não terá outra
alternativa se não realizar a atividade social como segundo meio;
ou seja, através da atividade social, estará camuflando a
inexistência do poder religioso. Entretanto, apesar de falar isso,
tratando-se de uma sociedade em que irão surgindo de sobra
pessoas infelizes que necessitam de salvação como atualmente,
não importa a teoria, é preciso salvar grandes quantidades
rapidamente, e nesse ponto é mais eficiente tendo a religião
como fundo; por isso, podemos dizer que é tolerável. Contudo, a
nossa Igreja difere basicamente desse tipo de religião; por isso,
escreverei detalhadamente sobre esse ponto.

A diretriz da nossa Igreja, deixando a salvação trivial como


a atividade social a cargo de outros órgãos, é realizar a salvação
que só a nossa Igreja consegue praticar.

O significado da atividade social deve ser o mesmo em


relação à disciplina dos criminosos; é preciso que existam a
polícia e penitenciárias. Ou seja., é um meio que tem como objeto
o resultado que aparece, não passa de um método paliativo.
Portanto, enquanto não atingir a base do crime e extinguir a sua
origem, não será uma solução verdadeira. Porém, por não saber
qual é a origem, e mesmo se soubesse que esse método é a

303
Rokan – Alicerce do Paraíso

religião, algo além da matéria, continuam repetindo os mesmos


meios, por não gostarem dela. Então, o que é esse método. Não
é preciso dizer que é a substituição do espírito do homem. É
transformar a bola do Mal em bola do Bem. É como a medicina
também fala muito ultimamente: depois de ficar doente é tarde, o
melhor é adotar um método enquanto não se pega a doença,
esse é o certo, isto é, é o mesmo que medicina preventiva.
Entretanto, a nossa Igreja consegue substituir o espírito
livremente, ou seja, consegue mudar o espírito para o bem. Esse
é o método do Johrei da nossa Igreja e, ao ler as experiências de
fé contidas no Jornal Eiko de publicação da nossa Igreja, isso não
passará de uma suspeita. Em todos os números, são publicadas
inúmeras graças alcançadas com a doença, calamidades,
pobreza, e ao lê-las, todas são impressionantes. Além disso, a
tendência é aumentar a cada dia e mês, e ultimamente estou
tendo dificuldade com o limite da folha. Sem dúvida alguma que
essas experiências são escritas de próprio punho pela própria
pessoa e esse sentimento de gratidão e alegria é impossível de
ser lido sem derramar lágrimas, e não são poucas as pessoas
que entre elas relatam que se não conhecesse a nossa Igreja,
agora estariam aos cuidados da atividade social. Essa sim não é
uma medicina preventiva, é uma religião preventiva. E o nosso
ideal é construir uma sociedade sem necessidade de atividades
sociais, e isso se concretizando creio que será o verdadeiro
mundo civilizado. Entretanto, seguindo a teoria notável da nossa
Igreja, indubitavelmente se concretizará; por conseguinte,
poderão compreender que se trata de uma coisa grandiosa.

Dessa forma, tratando-se de uma sociedade infeliz que


necessita bastante da atividade social, é porque deve existir em
algum ponto da cultura moderna um grande defeito. E qual é
esse defeito? Existem vários outros, mas em relação à salvação
que a nossa Igreja vem oferecendo espantosamente ao bem
estar da sociedade, o governo e também os intelectuais ficam
indiferentes. Naturalmente que devem ter percebido, mas
presumindo tratar-se de Religião, o motivo é insignificante; por

304
Rokan – Alicerce do Paraíso

isso, esse é o ponto falho. Mesmo baseando-se apenas no fato


de que os doentes desenganados pelos médicos estão sendo
curados aos montes, se for uma pessoa de consciência, não
conseguirá ficar sem fazer nada. Mas acabam dispensando
tratando como um processo mental e não se propõem a
pesquisar voluntariamente, o que me deixa sem palavras.

Aproveitando a oportunidade, quero falar um pouco sobre


o Museu de Belas-Artes que foi construído agora, mas esse sim é
uma esplêndida atividade social. Obras de arte maravilhosas, que
desde tempos antigos mestres famosos fizeram com tanto
sacrifício e consideradas o orgulho do Japão, até hoje não foram
colocadas à mostra para as pessoas em geral. Somente as
pessoas relacionadas ao budismo podiam ver quando iam aos
Museus e aos Templos das cidades de Quioto e Nara, e as obras
de arte preciosas pertencentes à classe do Tesouro Nacional e
outras eram guardadas na residência dos aristocratas milionários
e só eram mostradas às pessoas mais íntimas, ou seja, era o
monopólio das artes. Entretanto, no Japão hoje democrático não
se pode permitir uma coisa dessas. Nesse sentido, quebrando
esse mau hábito, pensei ser necessário um Museu de Arte para
poder apreciar livremente e com facilidade, o qual desejava há
muito tempo atrás, mas como é necessária uma grande despesa
acompanhada de inúmeras dificuldades, não é uma obra fácil de
realizar. Isso fica bem claro porque até mesmo o governo, que
parecia ter um plano desse desde antes, até agora não o colocou
em ação. Além disso, deve ser muito mais difícil para uma
pessoa individualmente ou uma entidade, mas por outro lado não
tem como obter lucros comercialmente, por isso esse também
não existe possibilidade. Contudo, felizmente, como sou um
religioso, recebo grande colaboração assistencial, como
dedicação de inúmeros fiéis; seja como for, consegui concretizar
e, por isso, estou transbordante de alegria. Sem dúvida que
consegui suprir um pouco o defeito do país, e ao mesmo tempo,
como uma atividade social de mais necessidade atualmente, o
povo não deixará de reconhecer.

305
Rokan – Alicerce do Paraíso

E mais uma coisa importante: o local do nosso Museu de


Belas-Artes e o ambiente são ideais; portanto, daqui em diante,
em relação ao aumento de visitantes além dos turistas, e no
sentido de apresentar a excelência da cultura japonesa, creio que
será possível fazer uma grande contribuição.

Jornal Eiko nº 171, 27 de agosto de 1952

306
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 99 ) A R E L I G I Ã O E O H O S P I T AL

Me perguntam muito sobre isso, por isso vou escrever


detalhadamente. Atualmente, as religiões que têm o nome bem
conhecido, quase que sem exceção, estão administrando
hospitais, ou estão querendo construir, como é do conhecimento
de todos. Entretanto, a nossa Igreja Messiânica não constrói
hospitais e parece que na sociedade existem muitas pessoas que
acham estranho, mas existe um grande motivo para isso. O
Johrei, método de tratamento da nossa Igreja, comparado ao
tratamento médico, não chega a ser objeto de comparação
devido à sua superioridade, e portanto, não há necessidade de
um hospital. Sempre digo que a posição originária da Religião
deve ser acima da Ciência e aí se encontra o sagrado valor da
Religião. Se bem que se for apenas na forma e a prática não
acompanhar, pode-se dizer que não passa simplesmente de uma
venda coercitiva de idéias. Nesse ponto, a nossa Igreja
Messiânica Mundial não tem necessidade de idéias; avança
persistentemente só com a realidade. Quero dizer sobre isso que
se o poder de salvar a vida humana da Ciência está ganhando do
poder da Religião, é lógico que a Religião fique abaixo da
Ciência, por isso não existe motivo para criticar o ateísmo.
Conseqüentemente, não há outro jeito a não ser engrossar o chá
com teorias, sermões o orações, e como torna-se uma existência
distante da vida real, é tratada pelos intelectuais como uma coisa
imprestável e obstruidora, o que é inevitável. Creio que isso
também é um crime totalmente da Religião.

Digo isso mas, na verdade, existe um grande motivo


escondido onde ninguém sabe, e vou escrever sobre isso agora.
Em primeiro lugar, sobre o seu princípio, o qual é preciso
explicar, de qualquer maneira, espiritualmente, e por isso quero
que leiam com essa intenção. Hoje, a começar pela religião cristã
e a maioria das religiões que ainda mantém a existência, na
época da abertura, muitas doenças foram curadas, e acredita-se
que houve milagres, fossem eles grandes ou pequenos. Se não

307
Rokan – Alicerce do Paraíso

fosse assim, não teria havido o progresso dessa religião e


também não haveria motivo para ter dado continuidade até hoje.
E também, conforme o nosso conhecimento, a começar pela
religião Tenri-kyo que nasceu na era Tenpô, e mesmo as novas
religiões da era Meiji, Taisho e início da era Showa, desde a sua
abertura que ouvimos bastante sobre curas de doenças, mas
hoje essas religiões estão todas, ao mesmo tempo, construindo
hospitais. Naturalmente que, apesar de falaram que é devido ao
avanço da era, na realidade, o verdadeiro motivo é que não
conseguem mais a cura da doença. Não é que a parte
interessada não tenha percebido esse fato, mas sem
compreender a sua causa não tinha como agir, então ficou numa
situação de ter que construir um hospital.

Escreverei em detalhes sobre isso, mas como sempre


digo, durante longo tempo, o mundo se encontrava na Era da
Noite e a existência do Mundo Espiritual não era compreendida
pelo homem. E finalmente chegou o momento, iniciando-se a
mudança da Noite para o Dia. Sobre isso, em primeiro lugar, é a
época do alvorecer da nova Era no Mundo Espiritual, e como
escrevi anteriormente, tendo como marco o dia 15 de junho de
1931, gradualmente está se processando a Transição para o
Mundo do Dia. Com essa manifestação, a partir dessa data, em
cada religião, as doenças começaram, aos poucos, não serem
curadas. E qual é o motivo?

Ate hoje, a salvação de todas as religiões existentes era da


Era da Noite sob as graças do Deus da Lua, e em relação às
doenças, a luz da lua é fraca, sendo difícil, portanto, obter efeitos
acima de um certo grau. Aí, com o aparecimento da nossa Igreja
Messiânica, repentinamente, ocorreu uma mudança. Isso porque
a nossa Igreja é uma Religião da Era do Dia sob as graças do
Deus do Sol; portanto, a luz do sol corresponde a 60 vezes mais
que a da lua, e a grandiosidade desse efeito é a arte da medicina
jamais vista na História. Além disso, se o sol aparece, a luz da lua
vai desaparecendo aos poucos; por isso, o poder de cura de

308
Rokan – Alicerce do Paraíso

doenças da nossa Igreja, a cada ano que passa, aumenta o seu


efeito, e ultimamente, os milagres são sucessivos e chegam
relatórios de cura de doenças iguais aos de Cristo, na sua
maioria. Através disso, também não há como duvidar de que o
Mundo Espiritual está se tornando Dia, que a essência do
elemento fogo aumentou e o poder de purificação se intensificou.
Além do mais, essa influência não é uma decorrência da Religião;
veio atingir até o tratamento médico. Ultimamente, o médico fala
muito que antes o remédio que fazia bastante efeito agora não
faz nenhum efeito, e fica se lamentando. Entretanto, nós
entendemos perfeitamente. O tratamento médico utiliza o
remédio como método de solidificar as toxinas que estão para ser
expelidas, mas à medida que aumenta o elemento fogo, é lógico
que com o remédio não se solidifica mais, pois o poder de
dissolução se torna mais forte. E aí, ao fortalecer cada vez mais o
veneno, obtém-se um efeito temporário, e por isso nesses últimos
tempos apareceram sucessivamente remédios novos. Entretanto,
a purificação ficou cada vez mais forte e, no final das contas,
nenhum remédio mais tem efeito, chegando ao limite. É óbvio
que virá a grande crise da medicina; por isso, pela primeira-vez,
terão que se curvar diante do Johrei da nossa Igreja, e
acontecerá o mesmo com os hospitais de cada religião. Então,
não há erro em profetizar isso desde já.

Jornal Eiko nº 181, 05 de novembro de 1952

309
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 1 00 ) A V E R D A D E I R A RELI GI Ã O

Alicerce do Paraíso, pág. 179

A verdadeira religião deve fundamentar-se no


universalismo. Não será verdadeira se for limitada a um país,
povo ou classe, porque tal limitação provoca disputa de poderes,
o que contraria a própria essência das religiões, cuja missão é
eliminar conflitos e promover a paz. Qualquer hostilidade significa
afastar-se do objetivo da Religião. Por isso, é estranho que a
História registre tantas lutas religiosas.

Chamamos "Shojo" a religião limitada, e "Daijo", a de


objetivos universais. Logo se vê que só esta última pode ser
considerada verdadeira.

Jornal Hikari n º34, 5 de novembro de 1949

310
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 1 01 ) A R E L I G I Ã O PRECI S A SE R U N I V E R S AL

Alicerce do Paraíso, pág. 193

Não adianta uma religião ter todas as condições; se não


tiver base universal, não será uma religião verdadeira. Caso ela
se restrinja a uma nação ou povo, ocorrerá aquilo que vemos no
mundo atual: surgirão motivos para conflitos. Cada qual se
orgulhará da superioridade da sua religião e rebaixará as outras,
acabando por haver atritos. Pode acontecer, também, que as
religiões sejam utilizadas na política governamental. A exploração
exagerada do xintoísmo pelo exército japonês, durante a
Segunda Guerra Mundial, e as Cruzadas da Europa,
exemplificam o que estamos dizendo.

Os exemplos não são poucos, e a causa está no fato de


que as religiões se restringiam a determinados povos. Mas não
havia outro recurso, pois, naquela época em que a civilização
ainda estava engatinhando, não existiam os rápidos meios de
transporte que existem atualmente, e as relações internacionais
estavam limitadas a pequenas áreas. Hoje, tudo se tornou
mundial e internacional, e as religiões também deveriam seguir
esse caminho. É por isso que passamos a chamar nossa Igreja
de Igreja Messiânica Mundial, e não mais de Igreja Japonesa,
como antes.

Jornal Kyussei nº 49, 11 de fevereiro de 1950

311
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 1 02 ) A C O N C L U S Ã O DO QUAD R O DO MUNDO

A maioria de cada uma de minhas teses é original, e é


particularmente sem precedentes, por isso quero que leiam com
essa intenção.

Originariamente, todas as religiões já existentes


atualmente possui uma peculiaridade; não existe uma só igual.
Isso se deve à profunda Providência Divina, e até hoje parece
que não houve ninguém que tenha explicado esse significado. Se
tivesse nascido uma única religião maravilhosa, o homem teria
ficado satisfeito com isso e não haveria motivo para vacilar com
as tendências. Portanto, não haveria necessidade de discussões,
não haveria tipos nem seitas de religiões e nem também
heretismo com doutrinas; estariam em perfeita harmonia,
satisfeitos com um único objetivo, e realmente, além de ser o
ideal, não teria surgido uma situação caótica como a de hoje,
mas o fato de não ser dessa forma encerra um grande
significado; por isso, vou tentar esclarecer essa Vontade Divina.

No mundo existe a palavra planejamento, em japonês


escreve-se (...), e essa letra (...) possui um significado profundo.
Isso quer dizer que as religiões já existente até hoje eram
inúmeros instrumentos de pintura necessários para pintar um
grandioso quadro famoso mundialmente. Contudo, chegou o
tempo certo e, finalmente, serão coordenadas as pinturas
coloridas e a composição também será de acordo com o
idealizado; agora estamos justamente no momento em que o
maior pintor deverá dar a última mão.

Sem dúvida que o título é Paraíso Terrestre e o pintor é o


grandioso Deus da Salvação. Portanto, com o modo de ver as
coisas de até agora, não é fácil apreender nem mesmo uma parte
desse grandioso plano.

312
Rokan – Alicerce do Paraíso

Tudo o que foi explanado acima é sobre a parte religiosa e


mesmo todas as outras culturas de pensamento que
acompanham essa parte possuem, cada qual, a sua missão para
a conclusão do Paraíso Terrestre, e está para se iniciar agora o
avanço com os passos coordenados. Realmente, quando penso
sobre isso, não é possível deixar de sentir o sangue ferver e a
carne dançar, e lembrando a glória de ter nascido nessa rara
oportunidade, agradeço a Deus a alegria de poder participar
dessa grandiosa Obra.

Jornal Eiko nº 75, 25 de outubro de 1950

313
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 1 03 ) O QU E É U M A R E L I G I Ã O N O V A?

Alicerce do Paraíso, pág. 68

Atualmente, em vários setores sociais, fala-se sobre o


tema Religião Nova, sendo ele também abordado, com muita
seriedade, em jornais e revistas. Isso é bastante animador.
Observamos, entretanto, que esses órgãos de comunicação
consideram nova uma religião apenas porque ela surgiu
recentemente, sem se interessar pelo seu conteúdo. E é muito
triste constatar que até mesmo as pessoas que fazem parte de
tais religiões pensem assim.

A propósito, devo dizer que não tem sentido uma religião


apresentar-se com o nome de nova e seu conteúdo não
corresponder a essa designação. Se a religião apenas mudar ou
acrescentar, de acordo com o entendimento do seu fundador,
algumas interpretações ou sentidos às palavras que há muito
tempo vêm sendo ditas em livros ou ensinamentos muito
conhecidos, revelados pelo fundador de uma religião antiga, não
se poderá dizer que ela é uma religião nova. Aliás, conservando
as mesmas formas e construções e chegando ao ponto de
aconselhar a volta aos ensinamentos desse fundador, ela se
distancia cada vez mais da época atual. É impressionante haver
quem não ache estranho esse procedimento. Se tivermos de lidar
com pessoas inteligentes, de nível cultural elevado,
principalmente entre a camada jovem, certamente elas não
aceitarão uma doutrina cheirando a mofo. Assim, podemos dizer
que, atualmente, a maioria dos seguidores das religiões
tradicionais é arrastada apenas pelas tradições e costumes.

Quanto às religiões novas, seus adeptos ingressam nelas


à procura de algo novo; parece, todavia, que os crentes
verdadeiramente firmes são muito poucos. Por conseguinte, para
fazermos com que o homem da atualidade creia sinceramente, é
preciso oferecer-lhe uma teoria baseada na razão e

314
Rokan – Alicerce do Paraíso

acompanhada de insofismáveis Graças Divinas; caso contrário,


de nada adiantará tentar convencê-lo. Diante de tudo isso, é
muito natural ser efêmera a fé daqueles que seguem uma religião
apenas como seguem a moda.

Não quero dizer que o homem contemporâneo seja


destituído de sentimentos religiosos, mas, observando a
realidade que nos cerca, constatamos que não existem muitas
religiões nas quais possamos crer. Se houvesse alguma, quase
todos, indubitavelmente, a procurariam; não a encontrando, as
pessoas tornam-se descrentes, por não terem outra alternativa.
Uma vez que a Ciência é mais compreensível, pelo fato de ser
concreta e satisfazer os desejos humanos, essas pessoas
apóiam-se nela naturalmente. Por isso eu acho que não podemos
censurar os descrentes.

Analisemos a questão:

Como, inúmeras vezes, nem a Ciência, na qual têm tanta


confiança, nem a própria Religião conseguem resolver-lhes os
problemas, as criaturas ficam num dilema. Entre os intelectuais,
alguns, não podendo prever os acontecimentos futuros, passam a
duvidar; outros, sentindo-se fartos da vida, perdem o gosto de
viver ou vivem apenas para o momento presente; outros, ainda,
em melhores condições financeiras, procuram mais
divertimentos. Além disso, a crença de que não mais aparecerá
um líder na História Religiosa também contribui para o desespero
das pessoas. Algumas estão quase desistindo, quase desligadas
da realidade, pesquisando doutrinas ultrapassadas. Essa é a
realidade da época em que vivemos.

O pensamento do mundo atual está totalmente confuso,


não se encontrando uma saída. Contudo, em meio desta
confusão, repentinamente surgiu a Igreja Messiânica Mundial,
que, com muita coragem, pretende alertar todos os setores da
cultura tradicional, apontar um por um de seus erros e mostrar

315
Rokan – Alicerce do Paraíso

como deve ser a verdadeira civilização. Como essa grande força


de atuação já está sendo manifestada continuamente, podemos
afirmar, sem nenhuma parcialidade, que ela é o assombro do
século XX. Tal afirmação fundamenta-se naquilo que sempre
digo: o mundo, até agora, estava na Era da Noite, iluminado
unicamente pela fraca luz da Lua, mas surgiu a luz do Sol, e
todas as coisas desnecessárias e prejudiciais que estavam
encobertas começaram a aparecer abertamente. Eis o significado
da expressão "Luz do Oriente", usada pelos antigos. Atualmente,
estamos atravessando a fase da aurora; com o passar do tempo,
o Sol se levantará até o centro do Céu e iluminará o mundo
inteiro. Por esse motivo, as teorias que venho divulgando,
desconhecidas por todos até o momento, causam espanto e até
muitos mal-entendidos.

Como o mundo esteve durante longo tempo na Era da


Noite, não é de se admirar que os olhos tenham se acostumado à
escuridão e fiquem ofuscados ante a repentina revelação da
Cultura do Dia. Existe, no entanto, um problema: uma vez
chegado o Mundo do Dia, Deus aproveitará da Cultura da Noite
apenas as coisas úteis, não havendo outro recurso senão
eliminar as inúteis. Além do mais, sendo a luz do Sol sessenta
vezes mais clara do que o luar, até as doenças não identificadas
ou consideradas incuráveis serão facilmente solucionadas. Os
fatos reais evidenciados diariamente através do Johrei de nossa
Igreja mostram isso muito nitidamente. Falando com mais
clareza, assim como a Lua perde seu brilho ante o esplendor do
Sol, também a civilização sofrerá uma grande transformação.

Com o que acabo de dizer, creio que poderão entender a


grandiosidade dos empreendimentos da Igreja Messiânica
Mundial.

Jornal Eiko nº 203, 8 de abril de 1953

316
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 1 04 ) A L U T A E N T R E O BE M E O M A L

Evangelho do Paraíso, pág. 245

Desde os tempos antigos fala-se sobre a luta entre Buda e


Daiba, mas eu também estou sempre lutando com Daiba. A esse
respeito, contarei dois ou três casos.

Uma senhora rica chamada T., de mais de quarenta anos,


estava se recuperando aos poucos, através do meu tratamento,
de uma doença que sofria há longo tempo. Certo dia, ela me
telefonou pedindo-me que fosse vê-la com urgência. Fui
imediatamente. A Sra T. então me contou: "Hoje de tarde,
quando eu dormia, tive um sonho. Não pude ver quem era;
entretanto, ouvia uma voz dizer: "Você está confiando demais no
Okada, mas ele não é uma pessoa honesta e vai acabar tirando
toda a fortuna de sua família. Afaste-se dele enquanto é tempo”
Ouvindo isso, ela dissera: "Estou sendo curada de uma doença
grave pelo Mestre Okada e venho melhorando a cada dia que
passa; portanto, não vou deixá-lo de maneira alguma" Aí,
segundo a Sra. T., a pessoa ameaçou-a: "Se você não me
obedecer, vou fazer assim.” Dizendo isso, começou a lhe apertar
a garganta e, nessa agonia, ela acabou acordando. Se fosse
apenas isso, seria um sonho comum, porém houve um fato
surpreendente: o aperto de garganta deixara-lhe marcas bem
nítidas de unhas na pele, a qual ficara avermelhada, inchada e
dolorida. O fato de o sonho, um processo espiritual, provocar um
ferimento material, é algo estranho e inimaginável.

O caso que se segue refere-se a uma jovem de vinte anos


mais ou menos. Uma manhã, bem cedo, ela me telefonou,
pedindo-me para ir à sua casa. Fui na mesma hora. Também se
tratava de um sonho. A jovem sonhou que um rapaz seu
conhecido, morto há seis meses, de repente lhe apontou um
revólver para o coração e atirou. A dor fê-la despertar; ao abrir os
olhos, estava com o corpo inteiro adormecido e não conseguia

317
Rokan – Alicerce do Paraíso

andar; só com a ajuda de outra pessoa pôde ir até o banheiro.


Logo que eu iniciei o tratamento, ela disse: "Estou com a
impressão de que tenho um sangramento na altura do coração.
Por favor, dê uma olhada." Eu respondi que não havia nenhum
sangramento. A moça insistiu: "Parece que há uma bala no meu
coração. Está doendo muito. Por favor, tire-a." Como que
pegando-a com a ponta dos dedos, tirei a bala espiritualmente.
Assim, a dor passou, restando-lhe apenas um pouco de
dormência no corpo todo. À tarde, o estado da jovem já era
normal. Para aquela noite, estava programada sua participação
no debate sobre o nosso tratamento, que seria realizado em
minha casa. Nesse debate, ela apresentaria sua própria
experiência, e por isso, para atrapalhá-la, o espírito do Mal
interferira no sonho.

O terceiro caso aconteceu com uma senhora de boa


posição social, adepta fervorosa do nosso tratamento. Tínhamos
marcado encontro com a esposa de um Ministro de Estado e com
um médico. Na tarde do dia combinado, ela sentiu uma dor
violenta, mas a dor passou com apenas vinte minutos de
tratamento, aplicado pela minha empregada, a qual já havia
concluído o curso. Naquele momento, sua filha de dez anos, que
estava ao lado, viu uma bola preta, do tamanho de uma cabeça
humana, sair do corpo da mãe. Quando a menina disse: "Olha!
Saiu uma bola preta do corpo da minha mãe!", a dor cessou
totalmente. Ouvindo isso, expliquei que o ocorrido fora
interferência de Satanás, por serem as visitas daquela noite
pessoas influentes.

Revista Tijyo Tengoku nº 50, 25 de julho de 1953

318
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 1 05 ) A V E R D A D E I R A RELIGI Ã O DAIJ O

Alicerce do Paraíso, pág. 192

É do conhecimento de todos que há religiões de caráter


universal e outras de caráter restrito. As opiniões dos religiosos e
filósofos a esse respeito são extremamente ambíguas e quase se
acham desviadas da Verdade. Portanto, exponho o assunto, aqui,
de maneira mais clara.

Primeiramente, precisamos conhecer a natureza de todas


as religiões existentes no mundo. Elas diferem entre si,
possuindo suas próprias formas e meios doutrinários, baseados
nos princípios dos respectivos fundadores. Basta uma simples
reflexão para sentirmos o absurdo da existência de seitas, com
características próprias, dentro de religiões consideradas
universais, como o budismo, o cristianismo e, no Japão, o
xintoísmo.

Pensemos no que vem a ser a Religião. Se ela tem por


princípio, como sabemos, o amor fraternal e o espírito de
conciliação e paz, todas as religiões devem possuir um único
objetivo. Não seria sensato, portanto, estabelecer unidade nos
sistemas doutrinários? A separação influi na ideologia da
humanidade, tornando-se uma das causas da confusão social.
Como a força dos que estão ao lado da Religião, ou seja, do
bem, é dispersada, os homens perdem, também, a resistência
contra o poder do Mal.

A realidade mostra freqüentemente a vitória do Mal. No


fim, Deus vencerá, por ser onipotente, mas imaginemos a luta
que terá de ser travada pelo Bem. Como o Mal é prepotente e
controla quase tudo, fica à espreita, aproveitando a menor
oportunidade para influenciar-nos. Parece que as conhecidas
relações entre Cristo e Satanás, e entre Buda e Daiba

319
Rokan – Alicerce do Paraíso

(Devadatta), não sofreram nenhuma modificação até a presente


data.

Vemos, portanto, que a Religião precisa ter maior poder


que o Mal; do contrário, não conseguirá transformar este mundo
num mundo feliz, onde triunfe o Bem. Somente assim haverá
unidade religiosa, dando lugar a um mundo de felicidade, isento
de inquietações.

Será uma obra difícil, mas não impossível. Isso porque


está próximo o advento do Paraíso Terrestre, que é o objetivo de
Deus. A condição básica para a sua concretização é substituir o
espírito restrito pelo universal, ou melhor, desenvolver uma
superatividade cultural que abranja todos os setores: Religião,
Ciência, Política, Economia, Arte, etc. É também necessário que,
para desempenhar a função de liderança, apareça um gigante
com poder e sabedoria sobre-humanos.

Jornal Eiko nº 242, 6 de janeiro de 1954

320
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 1 06 ) R E L I G I Ã O NOV A E A I D AD E DO MUNDO

As pessoas da sociedade de hoje se acostumaram a


classificar como "novas" as religiões que tiveram surgimento
recente. Tal classificação é, naturalmente, óbvia; nada há que
comentar a respeito. Cabe agora refletir sobre o seu conteúdo.
Na verdade, pode o surgimento de uma religião ser recente sem
que o seu conteúdo, no seu verdadeiro sentido, o seja. As
pessoas, no entanto, raramente parecem perceber isso. Vamos
analisar este aspecto, a partir dos fatos.

Em princípio, mesmo a maioria das religiões hoje


consideradas novas está alicerçada em doutrinas formuladas há
séculos ou milênios, acrescidas de inúmeras interpretações
humanas.

Assim, a rigor, como religião, não são novas. Numa


classificação genérica, descendem do Xintoísmo ou do Budismo;
creio que, com exceção da nossa Igreja, não há nenhuma sem
esta ligação.

Os nossos fiéis sabem que se nossa Igreja tem, de alguma


forma, ensinamentos comuns ao Xintoísmo, Confucionismo e
Budismo; temos, sobretudo, os nossos próprios princípios:
amplos, profundos e livres, nos quais nos fundamentamos.

Religião assim inexistiu até hoje. Sua essência ultrapassa


todos os níveis religiosos, filosóficos e científicos, e nem sei se
seria considerado auto-elogio compará-la com o Monte Fuji,
alteneiro a se destacar acima das cadeias montanhosas. Assim
sendo, é natural que, do ponto de vista da cultura estabelecida,
seja difícil esta compreensão, pois, em outras palavras, nossa
Igreja está pregando a Ciência do futuro, muitíssimo mais
avançada que a Ciência do século XX. Deste modo, não havendo
um nome com o qual se consiga defini-la de modo exato, e não

321
Rokan – Alicerce do Paraíso

podendo deixar de lhe dar algum nome, a denominamos "Igreja


Messiânica Mundial.”

Falamos agora, de maneira geral, sobre as religiões


existentes. É sabido que todo Mestre, todo fundador de religião e
até seus seguidores suportaram diversas formas de privação e
praticaram ascetismos, atravessaram com esforço vários perigos
e enfrentaram provocações, na tentativa de salvar os homens de
seus sofrimentos. Os resultados foram comparativamente
pequenos, se pensarmos no estado infernal da atualidade.

É evidente que as causas do insucesso foram a falta de


poder e o fator tempo; Deus apressava o desenvolvimento da
cultura material e protelava o da cultura espiritual, pela razão
fundamental de o mundo ser, ainda, jovem. Finalmente agora,
com a semelhança de um jovem de 20 anos, adulto e
perfeitamente capaz, o mundo entra no início do 2º qüinqüênio do
século XX, Deus aciona o verdadeiro Poder que estabelecerá
uma civilização mundial, constituída de suficiente preparo
espiritual e material. Dessa forma, em tudo haverá renovação e
unificação: a falsidade se transformará na verdade, o Mal em
justiça, o provisório em permanente, a guerra na paz e a fealdade
na beleza.

Deus escolheu a mim para dirigir este período e por isso


estou atuando na condição de Seu representante. A flecha de
Deus já deixou o arco e breve se descortinará o drama da
reforma do mundo, com o desenrolar de grandes e assustadores
acontecimentos que terão como palco o Céu e a Terra; a
humanidade será envolvida num turbilhão de emoções como
horror, terror, gratidão e interesse, com os homens iniciando uma
dança alucinante entre a tristeza e a alegria. Tudo transcorrerá
exatamente de acordo com o plano traçado por Deus, desde os
primórdios da criação do mundo.

322
Rokan – Alicerce do Paraíso

A grandiosidade desta escala está além de qualquer


imaginação e, como sou “diretor de Palco”, manifestarei, de agora
em diante, de mil e uma maneiras, uma força livre e absoluta,
com a realização de grandes milagres. Como um exemplo disso,
através das pessoas que têm no peito o pedaço de papel (*) no
qual, em 7 segundos, escrevo a palavra "LUZ", consigo salvar
milhões de sofredores.

A Luz Espiritual alcança até a distante América e a Europa


em fração de segundos, velocidade impossível de ser medida
cientificamente. Finalmente, a civilização atual fará uma
conversão de 180 graus e estabelecerá as bases do Paraíso
Terrestre. Entretanto, se ao lerem este Ensinamento sentirem, de
imediato, esfusiante alegria, estarão se precipitando, porque
antes de tudo haverá uma grande barreira a ultrapassar, que é o
"Juízo Final" profetizado por Cristo. Com o intuito de diminuir o
número de vítimas ao mínimo possível, o imensurável amor de
Deus designou-me para proceder a essa salvação.

Jornal Eko nº 244, 20 de janeiro de 1954

Revista Tijyo Tengoku, agosto de 1982

(*) N.T. Referência ao Ohikari

323
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 1 07 ) P R Á T I C A S ASC É TI C AS

Alicerce do Paraíso, pág. 158

Desde a Antigüidade, a fé e as práticas ascéticas são


vistas pelo povo como se tivessem íntima relação entre si.

As práticas ascéticas tiveram origem no bramanismo, que


predominava na metade da Antiga Índia, antes do nascimento de
Sakyamuni (Buda). A pintura e a escultura "Arhat" revelam a
crueldade dessas práticas. Por exemplo: os praticantes
suspendiam algo só com um braço, sentavam-se entre a
bifurcação de dois galhos, ou chegavam ao cúmulo de praticar o
"Zazen" (meditação profunda, com as pernas cruzadas) sentados
numa tábua cheia de pregos. Houve religiosos que se
mantiveram anos seguidos na mesma posição. Eles acreditavam
que, perseverando em tais sofrimentos, conseguiriam atingir a
Iluminação, ou melhor, sentir-se-iam iluminados.

É muito famoso o martírio de Dharma, o qual abraçou a


Verdade no momento em que se sentiu profundamente iluminado
pelo luar, que ele estava contemplando numa noite de prática
ascética. Segundo a tradição, Dharma não tem pernas porque
elas ficaram atrofiadas, deixando de funcionar durante os nove
anos que ele passou sentado diante de uma parede, em estado
de meditação.

Dizem que ainda há muitos ascetas brâmanes na Índia, os


quais chegam a operar milagres. A meditação do falecido
Rabindranath Tagore, nas profundezas de uma floresta, e o jejum
praticado diversas vezes por Mahatma Gandhi devem ser
práticas ascéticas brâmanes.

A ascese era amplamente praticada na época em que


surgiu Sakyamuni. Não contendo sua compaixão por aqueles que
se entregavam ao martírio da autotortura, ele pregou a

324
Rokan – Alicerce do Paraíso

possibilidade de qualquer pessoa tornar-se mais iluminada


através da leitura das escrituras búdicas. Emocionado com a
eminente virtude de Sakyamuni, o povo hindu fez dele objeto de
adoração. Assim, pela lógica, os budistas que praticam a ascese
estão contrariando as boas-novas de Sakyamuni.

Não posso concordar com os religiosos japoneses que


ainda persistem nas práticas ascéticas brâmanes. Isto porque os
fiéis da nossa Igreja abraçam a Verdade, seguem o Caminho e
conseguem cumprir sua missão sem fazer prática ascética de
espécie alguma.

Coletânea Assuntos sobre fé, 25 de janeiro de 1949

325
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 1 08 ) B R A M A N I S M O EMAOMETISM O

Entre as variadas religiões existentes no mundo, as mais


incomuns devem ser o Bramanismo do leste, e o Maometismo do
oeste. Ambas são religiões de fé extremamente Shojo, e o
Bramanismo, mesmo até na Índia, sua terra natal, tornou-se uma
existência tão insignificante, que dizem que restam apenas
poucos ascetas.

Explicando que tipo de fé é o bramanismo, ela é uma fé


em que restringe a liberdade, com mandamentos extremamente
rigorosos, fazendo da lei o ascetismo. E a imagem por eles
venerada dizem ser o grande mestre Daruma Daishi.

Ele, como resultado daquela conhecida prática de


ascetismo, que ficou sentado durante nove anos em frente a uma
parede, iluminou-se repentinamente, numa noite de luar, sendo
chamado, por isso, também de Gekko Bossatsu. Por causa da
prática tão longa de meditação sentado, apodreceram-se-lhe as
pernas, não conseguindo, assim, se levantar. Deve ser por isso
que, hoje em dia, é dito que o Daruma não possui pernas.

Como o Bramanismo é uma seita que nasceu de tal


ascetismo, a maior parte dos discípulos também praticava
somente a ascese, pela procura do caminho que os levassem à
iluminação. O exemplo disso é o (...) que hoje em dia vê-se em
pinturas e esculturas. Esta prática pode-se dizer que é,
atualmente, como se fosse um estudo na faculdade, e quem
conseguisse se iluminar com isso, adquiria uma certa força
espiritual e, como manifestavam muitos milagres, na época, eram
também admirados pelo povo.

E a extremidade da prática da ascese, por exemplo, de


sentar-se de pernas cruzadas sobre uma tábua cheia de pregos,
pregados em sentido contrário, e continuar a sentar-se durante
anos, suportando as dores insuportáveis das pontas dos pregos

326
Rokan – Alicerce do Paraíso

espetando as nádegas; arrepio-me ao considerar isso na época


atual.

E as suas posturas, como se vê em desenhos, erguem-se


algo com um braço só e continuam durante anos na mesma
posição. É também conhecida a prática da ascese do (...)
respeitado mestre da época, que conforme o seu nome, sentou-
se sobre um ninho de pássaro, que havia sobre uma enorme
árvore. Além dessas, existem as práticas como a abstinência total
de alimentos, a prática da mudez, de permanecer-se de olhos
fechados, etc., sendo óbvio também observando as figuras
estranhas dos (...). Buda, que viu essas práticas, pela sua
demasiada ascese, escreveu seus ensinamentos para salvá-los.
E como ensinou que, ao ler esses ensinamentos, será possível
chegar-se à mesma iluminação, é evidente que os que estavam à
procura do caminho, e a população da época, que tomaram
conhecimento disso, reuniram-se sob as graças de Buda e que,
assim, abriu-se o caminho do budismo. Motivado por isso, o
tamanho bramanismo, finalmente, foi obrigado a decair-se.

Entretanto, várias centenas de anos após o falecimento de


Buda, surgiu-se como uma das seitas do bramanismo aquele
famoso (...). (...) era bastante culto e capaz, e trabalhou para
derrubar o budismo que, na época, ainda prosperava, mas
quebrou-se por falta de força. Mas os seus sucessores
imigraram-se procurando o campo na China, e fundaram o Zen,
que superficialmente são ensinamentos de Buda, mas com o
espírito alicerçado em bramanismo. Ele se dividiu em três seitas,
sendo difundidos por (...), (...), (...), obtendo grandes resultados
em certa época.

Até hoje existe o Templo Sede da (...), em (...), conhecido


como a sede do Zen, sendo como se fosse um centro da cultura
do Zen.

327
Rokan – Alicerce do Paraíso

Por esse motivo, o seu estudo prático está alicerçado em


rigorosos mandamentos e ascetismos bramânicos, e dentre os
praticantes, dizem que há muitos que adquirem bastante
compreensão espiritual, manifestando-se milagres. E ele foi
transmitido ao Japão, formando as seitas Zen-shu e Nitiren-shu.
E a anterior tem os mandamentos como meta para a prática da
fé, e a posterior, o ascetismo. Isso está expresso em palavras do
Nitiren: "Eu sou asceta do (...)” . Pois nenhum alto monge
budista, além do Nitiren, se auto denominou de asceta. Aliás,
asceta é a denominação dada aos praticantes do bramanismo.
Portanto, ambas as seitas se denominam de budismo, mas na
essência são bramanismos, e compreende-se também por elas
se basearem na força de salvação própria.

Entretanto, a que difere dessas seitas é a (...), baseada na


força de salvação de Deus, e pode-se dizer que os seus
ensinamentos sim, são os próprios ensinamentos de Buda,
transmitidos diretamente. Além dela, a (...), (...), (...) etc., pode-se
dizer que são intermediárias. Além dessas seitas, existem as
como (...), (...), que se baseiam na força de salvação própria,
sendo suas práticas abstenção de alimentos, ficar sob a queda
d'água de cataratas, despejar água fria pela cabeça, alimentação
vegetal, etc., e principalmente a (...) e a (...) devem ser as
representativas entre elas.

Até agora descrevi sobre a parte oriental, e a seguir, é a


grande seita, Maometismo.

Sua sede fica em Meca, na Arábia, e falando-se do ponto


de vista geográfico, situa-se mais para o lado oriental, mas fica
entre o oriente e o ocidente. Na China, é chamada de (...) e na
Índia, de Islamismo, mas é uma religião bastante oriental. Esta
seita, como é do conhecimento de todos, está alicerçada não em
ascetismo, mas sim em respeitar mandamentos extremos, e sua
severidade chega a ser inimitável por outras seitas. Vou omitir a
sua descrição, pois já é do conhecimento da maioria, mas o

328
Rokan – Alicerce do Paraíso

estranho é que esta religião apreende firmemente a maioria dos


povos orientais.

Mudando para o ensinamento Cristão, nessa fé também


existe muito da força da salvação própria, e os seus
ensinamentos são bastante rigorosos. Em se tratando das
atitudes e da vida dos padres, são bem diferentes do povo em
geral. Principalmente nos conventos é que são evidentes essas
diferenças. Assim, a grande aflição, hoje em dia, dos cristãos, é a
angústia espiritual fora do comum, causada pelo dilema de estar
demasiadamente distante da vida moderna.

Nesse sentido, a Igreja Messiânica Mundial difere


totalmente, e em poucas palavras, ao invés da fé infernal que é
baseada em ascetismo de outras religiões, a nossa Igreja
desaprova o ascetismo e tem como princípio a vida paradisíaca.
Falando-se mais claramente, as religiões de até hoje foram, sem
exceção, da Era da Noite, e seria como se fosse procurar
enxergar as coisas na escuridão; portanto, o seu sofrimento era
grande, sendo quase que impossível alcançar o objetivo.
Entretanto, como a Igreja Messiânica Mundial é uma religião da
Era do Dia, todas as coisas são evidentes à primeira vista, sendo
a diferença como a do Céu e da Terra.

Isto é porque findou-se a Era da Noite que durou por longo


tempo, e finalmente entramos na Era da Transição do Mundo
para o Dia. Quer dizer que, como no Mundo Espiritual o Sol
começou a elevar-se, gradativamente tornar-se-á dia, e será o
início do Paraíso Terrestre, e será a manifestação da Luz do
Oriente, dito desde antigamente. Isto não são só palavras. É
evidente por estar manifestando incontáveis e maravilhosos
milagres em todos os lugares.

Revista Tijyo Tengoku nº 56, 25 de janeiro de 1954

329
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 1 09 ) P R O T E S T A N T I S M O ECATOLICISMO

Tenho algo a falar sobre o Cristianismo. É sobre a


diferença da opinião entre o Protestantismo, que adota o princípio
da não necessidade da Igreja, e o Catolicismo, que adota o
princípio da necessidade da Igreja. O principio da não
necessidade da Igreja é, conforme se lê, "Não se necessita da
Igreja, deve-se adotar apenas a Bíblia". E ao contrário, o principio
da necessidade da Igreja diz: "Após a ascensão de Cristo, foi
organizada primeiro a Igreja, e a Bíblia foi editada
posteriormente, portanto, a Igreja é importante". Sobre essa
questão, gostaria de explanar o meu ponto de vista, qual é o
certo e o errado.

Ambas as opiniões têm razão, mas vou interpretar do


sentido espiritual.

No Mundo Espiritual, conforme a "Lei da Unidade Espírito-


Matéria", a unidade do espírito e matéria é o princípio básico. Isto
é, quando o espírito deseja executar algum objetivo, há casos em
que se deve utilizar a matéria. Por exemplo, quando se deseja
orar a Deus e Buda, e receber suas graças espirituais, deve-se
construir Igreja ou Templo, em terreno imaculado construir altar,
entronizar a Imagem de Deus, ou colocar a imagem de Buda,
oferecer incensos e flores, fazer oferendas e orar
respeitosamente, e com isso, nobres deuses ou Buda descerão
ou assentarão. E no caso de emergência, orando a qualquer
hora, estando onde estiver, o espírito de Deus ou Buda chegará
instantaneamente ao lado, e protegerá. Entretanto, no caso dos
protestantes que oram em direção ao vão, não tendo nenhuma
matéria como intermédio, o seu real sentimento se ligará ao
espírito de Deus e, sem dúvida, terão graças até certo ponto,
mas, pela razão da proporcionalidade, as suas graças não
deixarão de ser menores. Referindo-se a esse aspecto,
escreverei sobre a relação entre espírito e matéria.

330
Rokan – Alicerce do Paraíso

No Mundo Espiritual, desde espíritos de deuses e budas,


até os de homens e de animais também, todos incorporam-se em
alguma matéria. Por exemplo, o Cristo, em cruz, e os deuses e
budas, em letras, espelhos, pinturas, esculturas, etc., e a maioria
dos espíritos humanos encosta-se em letras, e espíritos de
animais em corpo de pessoas ou em letras. Se for inari, em algo
com formato de raposa, ou em talismã de cartão ou tabuinha com
letras, e deus-dragão, em letras ou algo com formato de
serpente, ou em pedras, etc. Assim sendo, como em casos de
espíritos e deuses superiores, tem muito a ver com o caráter do
autor, razão pela qual, desde antigamente, as pinturas e
esculturas de bonzos cultos e renomados ou de experts foram
consideradas preciosas.

Há também os seguintes casos: Quando um espírito do


exterior deseja vir ao Japão, somente o espírito não poderá viajar
pelo espaço. Isto porque a extensão de trânsito dos espíritos está
limitada dependendo da classe, e aí, sem outra alternativa,
encosta-se em objetos. Isto é, os espíritos de comunistas, a
maioria chega ao Japão encostada em livros marxistas, e diz-se
que esses espíritos estão enfileirados, lado a lado, nas paredes
de auditórios das faculdades; isto tenho ouvido de uma pessoa
que olhou-as espiritualmente. Ainda, dizem que os espíritos da
China também vêm ao Japão encostados em vários objetos. Da
mesma maneira, os espíritos do Japão também viajam ao exterior
assim. E quanto mais elevado for o nível de deus e buda,
expandem-se os limites, e quem atinge a todo o Globo Terrestre
são deuses e budas de suprema nobilidade.

Por estas razões, compreender-se-á que aquela teoria de


idolatria é errada.

Coletânea Assuntos sobre fé, 5 de setembro de 1948

331
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 1 10 ) O S I G N I F I C AD O D O I N A RI

Nos Templos de cada região do Japão, não existe nada


mais cultuado em grande número como o Inari. Portanto, não é
um desperdício saber sobre a origem do Inari.

Na Era Taisho, conforme ia aumentando a população,


houve a necessidade de aumentar a quantidade do alimento
principal; então, o Deus Amaterassu, como responsável da
produção dos cinco tipos de cereais, ordenou ao Deus Hojumei e
o arroz foi distribuído pelo país inteiro. Nessa ocasião, diferente
de hoje, por causa da inconveniência do meio de transporte, o
Deus Hojumei ordenou à raposa. A palavra inari significa
“carregar o arroz”. Em uma das teorias, o Inari quer dizer, no
estudo do espírito das palavras, Meshi nari, que significa formar a
semente do arroz, mas no entanto isso não é muito convincente.
Conforme esses significados, no início, o agricultor agradecia o
trabalho da raposa e ao mesmo tempo do desejo de pedir uma
colheita farta, veneraram e cultuaram como Deus Inari Daimyo.
As notas que tinham uma Deusa montada na raposa, ou Templos
de Inari, tendo a raposa com arroz na boca, mostravam bem isso.

Entretanto, à medida que mudava a época, tornou-se o


alvo de diversas orações e aumento do comércio; no final, até
mesmo as pessoas do mundo das gueixas passaram a dar
benefícios, o que, sem dúvida, acabou por negligenciar a
essência do próprio Inari. Além disso, em relação ao Inari, não se
deve fazer nenhum pedido além do da colheita farta, pois do
contrário estar-se-á constituindo um tipo de pecado, e por isso é
preciso prudência.

Jornal Hikari nº 19, 23 de julho de 1949

332
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 1 11 ) S O B R E P A D R O E I RO

A pessoa que pela primeira vez veio desbravar uma


região, aos poucos, teve os seus descendentes aumentados e
depois de algumas gerações foi formada uma vila ou uma
comunidade. E aí, querendo cultuar um Deus, cultuaram o
antepassado do cabeça da família, esse é o Padroeiro.

À medida que a comunidade foi crescendo, tornou-se


necessário cultuar o Deus da fertilidade da terra; então, pedindo a
elevação de nível ao Padroeiro, passaram a cultuá-lo como Deus
da Fertilidade da Terra; por isso, como vemos hoje, é fácil
confundir Deus da Fertilidade da Terra com o Padroeiro.

E também, antigamente, quando foram construídos os


Templos do Deus da Fertilidade, como Culto passaram a solicitar
a divisão de espíritos dos Templos que havia por perto, e também
houve casos em que elevaram o Inari de posição. Os Cultos dos
Templos do Deus da Fertilidade são no geral esses três tipos.

Jornal Hikari nº 20, 30 de julho de 1949

333
Rokan – Alicerce do Paraíso

(R1/112) ODÉCIMO MÊ S DO C A L E N D Á RI O L U N A R (O M ÊS
E M Q UE D E U S E S T Á A U S E N T E )

Outro dia, no horário religioso da rádio, houve uma


palestra de um ministro de uma certa religião sobre o décimo mês
do calendário lunar, e como havia muitos pontos que não eram
satisfatórios, vou falar o meu ponto de vista.

O Japão anterior ao Imperador Jinmu, conforme está claro


na História, quem governava era Izumo Assa. O centro nessa
época era o tal OokuniNushi-no-Mikoto, e era o sucessor de
Sussanoo-no-Mikoto. Sussanoo-no-Mikoto veio da Coréia e
assumiu o supremo poder. Em poucas palavras, significa que,
nessa época, a Coréia dominou o Japão. Por causa disso, todos
os anos em outubro, do cabo que existe atrás do Grande Templo
Izumo, partiu de navio para sua terra natal, e depois de um mês,
novamente retornou ao Japão. Esse fato, ainda hoje, é explicado
pelo mestre do Templo. Por esse motivo, em outubro, Sussanoo-
no-Mikoto fica ausente, e por isso é chamado de Kan-na-Zuki (o
mês em que Deus está ausente).

Por ser esse o significado, hoje, a frase Kan-na-Zuki não


tem mais nenhum sentido.

Jornal Hikari nº 28, 24 de setembro de 1949

334
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 1 13 ) Q U A N T A S C O L U N A S P O S S U I O D E U S
A M A T E R A S S U O O K A MI

O tal famoso Diko-son disse que o Deus Amaterassu está


encostado nele. A Sra. Sayo Kitamura da religião Odoru também
diz a mesma coisa.

Anteriormente veio a mim uma mulher ascética, que disse:


"O Deus Amaterassu é realmente um coitado”, e ao perguntar
"Por quê", ela respondeu "O Deus Amaterassu está encostado
em mim, más eu agora estava morando em casa alugada e fui
despejada; estou em dificuldade porque não tenho onde ir".
Então eu lhe disse: "Ao falar no Deus Amaterassu, ele é o mais
respeitado, o mais supremo dos deuses, por isso não há motivo
para não ter onde morar. Através de uma imensa virtude, mora
num esplêndido palácio e deveria ser venerado por um grande
número de pessoas", aí essa mulher foi embora com o coração
pesado.

Além dessas, depois disso encontrei algumas mulheres


que se diziam ser o Deus Amaterassu. Portanto, aqui no Japão, é
muito grande o número de pessoas que dizem ser o Deus
Amaterassu. Sendo assim, pode-se dizer que, atualmente, é
época da moda do Deus Amaterassu.

Jornal Hikari nº 29, 01 de outubro de 1949

335
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 1 14 ) O S I D E O G R A M A S “ D E U S ” E “ B UD A ”

Quase não se vê explicações sobre esses dois


ideogramas. Além do que, não existe outra coisa, como esses
dois ideogramas, que o homem respeite e procura, por isso é
necessário saber. Vou escrever a minha interpretação sobre esse
significado.

Primeiro, o ideograma Deus (...) se escreve com a parte


(...) [mostrar, revela] e (...) [falar] , e a maioria das pessoas
parece que não consegue desmembrar esse ideograma (...). Ele
não significa macaco. O traço vertical que existe no centro da
letra (...) (arrozal) transpassa para cima e para baixo. E a letra
(...) surgiu de um círculo (...) e do número dez (...). O círculo (...) é
o Globo Terrestre, é a Terra. O dez (...) é, como sempre digo, a
forma unida dos traços horizontal e vertical. O vertical representa
o fogo e o horizontal representa a água; o fogo lê-se ka e a água
mi, por isso é Kami (Deus). A Terra Deus supervisiona, é o
mundo de Deus. Deus não tem início nem fim, é o que representa
os traços superior e inferior. Sem dúvida que precisava mostrar
esse significado para a humanidade, daí a parte (...)
[mostrar,revelar].

Em seguida, o ideograma Buda (...). Como tem a parte (...)


[pessoa, homem], Buda é um homem que se elevou. A parte (...)
lê-se butsu (buda) ou doru, mas não tem nenhuma relação. Dois
traços verticais cortam a letra (...) [arco]. Originariamente a letra
(...) [arco] significa lua, a forma da letra (...) [arco] é uma meia-
lua, popularmente é a lua crescente. O budismo, como sempre
digo, é o Ensinamento Shin-nyo, ou seja, o Ensinamento da Lua.
E os dois traços verticais são a forma distorcida da letra (dez). O
espírito da palavra (...) [Buda] é desfazer, e da palavra (...) [Deus]
é unir, como sempre estou dizendo.

E também o outro significado dos dois traços é que, como


o Budismo é o ensinamento vertical, não possui o horizontal. O

336
Rokan – Alicerce do Paraíso

vertical é espírito e, por ser espiritualista, nega a matéria. Esse é


o tal ascetismo que aparece no Budismo e nos aprimoramentos
do Zen.

Creio que deu para ter um entendimento geral.

Jornal Hikari nº 30, 08 de outubro de 1949

337
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 1 15 ) D A I S S E N SEKAI E SANZ E N SEK AI

Na oração da nossa Igreja, existem as palavras Daissen


Sanzen Sekai, mas no Budismo diz-se Sanzen Daissen Sekai.
Qual o motivo de ser ao contrário? Muitas pessoas acham
estranho, por isso vou explicar.

Primeiramente, vou explicar o significado dos dois através


dos ideogramas. A letra (...) [dai] de Daissen Sekai, significa o
mundo inteiro. Tem também o significado de infinito; em outras
palavras, é todo o grandioso Universo. E a letra (...) [dai] é
formada por 5 traços, então o número 5 significa fogo, o fogo é
espírito e o espírito é o céu, por isso o correto é que o céu fique
acima. Contudo, Sanzen Sekai indica os 3 mundos: Divino,
Oculto e Material, sendo a denominação da divisão em três de
Daissen Sekai. O número três representa a água, e a água é
matéria. E também, mesmo falando pela letra, (...) [dai] puxa a
letra (—) [um] e por isso significa início, o três vem depois do
dois, por isso o correto é vir embaixo. Através da Lei do Espírito
Precede a Matéria, o Espírito deve ficar em cima e a matéria
embaixo. Outra interpretação é que (...) [dai] é fogo, (...) [três] é
água, assim (...) [dai] é o mundo do Dia, e (...) (três) é o Mundo
da Noite; por isso, se o Budismo é da Era da Noite e do
Ensinamento da Lua, até agora, como o mundo estava na Era da
Noite, não havia problema que o (...) (três) estivesse em cima.
Desde que a nossa religião pertence ao Mundo do Dia, o correto
é dizer Daissen Sanzen Sekai.

Jornal Eiko nº 85, 01 de janeiro de 1951

338
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 1 16 ) O S I G N I F I C AD O DE DYUP O SEKAI (MUN D O D E D EZ


DIREÇÕES)

No Kyomon existe a palavra Din Dyupo Sekai, e por terem


muitas pessoas que querem saber o significado, vou escrevê-lo.

Os pontos cardeais norte, sul, leste e oeste e os


intermediários nordeste, sudoeste, noroeste e sudeste são
chamados de oito direções e, acrescentando-lhes as duas
direções Céu e Terra, chamamos de Mundo de Dez direções. Ou
seja, são as direções tomadas centralizadas no Globo Terrestre.
Em relação a isso, me faz recordar que, na época do
Imperialismo, o culto que se realizava no dia primeiro de janeiro
era denominado Shihô-Hai (Culto de 4 direções), o que não era
perfeito. O correto é acrescentar o Céu e a Terra e dizer Rokugô-
hai (Culto da união das 6 direções). Só posso dizer que é muito
estranho a expressão Shihô-hai que utilizavam só porque não
perceberam esse pequeno significado.

Jornal Eiko, nº 86, 10 de janeiro de 1951

339
Rokan – Alicerce do Paraíso

CA PÍ T UL O VI - LIBER D AD E N A FÉ

( R 1 / 1 17 ) L I B E R D A D E NA FÉ

Alicerce do Paraíso, pág. 163

No Japão, a liberdade religiosa só foi alcançada após a


promulgação da nova Constituição. Não é disso, porém, que vou
tratar; pretendo discorrer sobre a liberdade na própria Fé.

Há inúmeras religiões - grandes, médias e pequenas - no


mundo inteiro. Entretanto, todos pensam que sua religião é a
melhor e, logicamente, considerando as demais de nível inferior,
advertem insistentemente os adeptos para não terem nenhum
contacto com elas. Dizem que as outras religiões provêm do
demônio, que se deve temer o castigo de Deus e, ainda, que não
se obterá a salvação seguindo a dois senhores.

Essas atitudes dependem de cada religião. Existem as que


são muito rigorosas e cujos missionários procuram impedir o
relacionamento dos adeptos com outros credos. Algumas até
intimidam as pessoas dizendo-lhes coisas atemorizantes, como,
por exemplo, que, se mudarem de fé, lhes advirão grandes
desgraças, sofrerão doenças graves, perda da própria vida ou da
família inteira, etc. É a costumeira tática utilizada pelas falsas
religiões. Se nos basearmos no senso comum, perceberemos
que tudo não passa de tolice, mas geralmente as pessoas se
deixam influenciar, ficando indecisas. E isso não ocorre apenas
com as religiões novas; mesmo nas religiões antigas e dignas de
respeito, acontecem fatos semelhantes, o que é incompreensível.
Analisando bem, podemos concluir que o pensamento liberal não
se restringe às áreas políticas e sociais. Parece-nos que os
grilhões do pensamento despótico persistem também nas
religiões.

340
Rokan – Alicerce do Paraíso

Sendo como discorri acima, devo dizer, a respeito da


liberdade em Religião, que promover vantagens para a Igreja em
detrimento dos fiéis, cerceando sua vontade, é um abuso que
atinge as raias do absurdo. Além do mais, empregar para isso a
ameaça verbal é algo que, a essas alturas, pode ser considerado
uma imperdoável chantagem religiosa. Como ilustração, citarei o
que tive ensejo de ouvir de uma pessoa: "Há muito tempo sou
adepto fervoroso de determinada religião, mas vivo
constantemente enfermo e não consigo livrar-me do sofrimento
causado pela pobreza. Por esse motivo, fui perdendo a fé e
resolvi abandoná-la. Entretanto, quando participei ao ministro a
decisão que tomara, ele me disse coisas aterrorizantes. Sem
saber como agir, venho pedir conselhos ao senhor." Eu expliquei
a essa pessoa que aquela religião, sem sombra de dúvida, era
demoníaca, e que o melhor seria deixá-la o quanto antes.

Exemplos como esses existem aos montes. O principal


motivo que leva as religiões a tomarem tais atitudes é o medo
que elas têm de ver diminuir o número de seus fiéis. Por outro
lado, há uma razão que já se registra desde eras remotas.
Quando a religião se torna atuante e conhecida, observa-se uma
tendência para o aparecimento de imitações. Até mesmo com a
nossa Igreja ocorre esse fato. Nessas oportunidades, eu explico
que as religiões se assemelham aos cosméticos: quando são
bem aceitos, surgem imitações. Ora, se isto acontece, é uma
prova de que o produto foi bem aceito pelo povo. Portanto, ao
invés de condenar o fato, devemos alegrar-nos com ele.

No cristianismo, parece que existe a mesma tendência,


mas em outro sentido. Referimo-nos à advertência sobre a vinda
do Anticristo ou falso salvador. Trata-se de uma advertência que
apresenta não só pontos positivos como também negativos, pois,
caso apareça o verdadeiro Salvador, será fácil confundi-lo com o
falso, e muitas pessoas deixarão de ser salvas.

341
Rokan – Alicerce do Paraíso

O mais grave, entretanto, é que muitos adeptos oferecem


sua ardorosa fé acreditando que a religião que professam é a
melhor de todas. Como são realmente sinceros, espiritualmente
já estão salvos, e pessoalmente se sentem satisfeitos. Mas isso
não é o certo. A verdadeira felicidade consiste em viver-se uma
vida paradisíaca, em que a matéria esteja salva juntamente com
o espírito. Embora sejam crentes fervorosos, muitos
desconhecem esse particular; assim, é grande o número de
pessoas que não consegue se livrar da infelicidade.

A propósito, quero fazer mais uma advertência. O motivo


pelo qual uma religião proíbe seus fiéis de terem contato com
outras talvez seja o receio de que eles possam encontrar uma
religião superior. Isso significa que existe um ponto fraco nessa
religião; portanto, os fiéis devem acautelar-se. Nesse ponto,
nossa Igreja é realmente liberal. Todos os messiânicos sabem
que até achamos muito útil o contato com outras religiões,
porque, através das pesquisas, estamos ampliando nosso campo
de conhecimentos. Por conseguinte, se acharem uma religião
melhor que a Igreja Messiânica Mundial, podem converter-se a
ela a qualquer momento. Isso jamais constituirá um pecado. Para
o Verdadeiro Deus, o importante é a pessoa ser salva e tornar-se
feliz.

Jornal Eiko nº 177, 8 de outubro de 1952

342
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 1 18 ) E X I S T E LIBERD AD E NA RELIGIÃO?

A visão religiosa do povo em geral é que a chamada


religião não possui nenhuma liberdade e, temendo a rigidez, tem
muitas pessoas que não entram em contato. Porém, esse é um
grave engano, e a causa desse engano se origina, sem dúvida,
da fé Shojo (restrita) das religiões já existentes. A fé Shojo
(restrita), através da prática de penitências e ascetismos, faz com
que a alma seja polida e alcança-se a suprema iluminação. Como
esse é o principio, do nosso ponto de vista, cai-se num tipo de
religião infernal. Através do que isso teve início? É porque faltava
poder à divindade dessa fé, que é o Buda, e originariamente,
através da luz dessa divindade, deveria-se obter o discernimento
sem sofrer tanto, e o verdadeiro seria alcançar o estado de
verdadeira tranqüilidade. Sendo assim, a fé Shojo é de poder
próprio e a fé Daijo (ampla) é de poder alheio. E esse caminho
Shojo (restrito) teve início no Bramanismo, na Índia.

Através de tudo isso, podem compreender que na fé Shojo


não existe liberdade e na fé Daijo existe liberdade infinita. Mas
não se trata de uma simples liberdade; se a sabedoria não
trabalhar, existe o perigo de se tornar uma liberdade comodista. A
verdadeira liberdade respeita a liberdade alheia; portanto, por si
mesma existe ai um limite. No final das contas, é uma liberdade
determinada a um círculo, e essa liberdade, sem dúvida, é a
verdadeira liberdade. Isso porque, se proporcionasse o mínimo
de infortúnio ao próximo, sentir-se-ia culpado, e seria
desagradável, por isso não conseguiria ter um sentimento
magnânimo. Através de proporcionar alegria ao próximo, você
próprio também se torna alegre. Devem saber que essa é a
verdadeira liberdade.

Jornal Kyussei nº 48, 04 de fevereiro de 1950

343
Rokan – Alicerce do Paraíso

( 11 9 ) R E L I G I Ã O E LIBER D A D E

Ao observar as religiões existentes até hoje, pode-se dizer


que quase não existe liberdade nas religiões. A maioria delas
está presa a preceitos rígidos, quase não conseguem se
movimentar, e essa postura veio sendo considerada como a
postura originária da religião. Ao examinar isso profundamente,
vemos que existe um aspecto de fé infernal.

Justamente essas religiões não sabem o que fazer, não


sabem que tipo de coisa mexe com a ira de Deus, vai ter
castigos, estão cheios desses tipos de dogmas, por isso não
conseguem levar uma vida livre e sossegada. Por esse motivo,
quase não possuem a concepção de respeito e familiaridade em
relação a Deus; têm apenas medo e tremor. E não é apenas isso:
a doença, a pobreza e a desarmonia familiar perseguem durante
o ano inteiro. Em relação a esses sofrimentos, esse mestre, sem
dúvida, dirá o seguinte: “Na sua família tem muitos pecados dos
antepassados. O fato de sofrer se deve a isso, portanto é
preciso, de corpo e alma, fazer a eliminação desses pecados, e
como a sua fé ainda é pouca, os sofrimentos não cessam".

Dentre essas pessoas, existem aquelas que o sofrimento


não diminui e, ao tentar sair do inferno, o mestre amedronta,
dizendo: “Se você largar a fé, a sua família, infalivelmente, irá
sucumbir”, e por isso não conseguem sair, e vemos muitas
pessoas que, não conseguindo suportar a situação, ficam entre a
parede.

O objetivo da fé, além de servir para se tornar um vivente


feliz paradisíaco, é para obter um resultado contrário ao escrito
acima, e explicando a que se deve isso, é porque, quando se
continua durante longo tempo nesse tipo de religião de nível
baixo, a inteligência, que é importante, fica embotada, perde-se a
racionalidade e não se consegue distinguir o Bem e o Mal, o
correto e o errado. E quando comparamos esse tipo de pessoa

344
Rokan – Alicerce do Paraíso

com o materialista, conclusivamente, não se obtém a verdadeira


tranqüilidade com nenhum dos dois, e podemos dizer que é igual
a esperar cem anos para que as águas do Rio Amarelo fiquem
limpas.

Nesse sentido, sentimos profundamente que precisamos


salvar os materialistas e, ao mesmo tempo, os seguidores de fé
infernal.

Jornal Hikari nº 45, 14 de janeiro de 1950

345
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 1 20 ) R E L I G I Ã O EMANDAMENTOS

Alicerce do Paraíso, pág.157

Assim como a Política, as religiões também podem ter


características liberais ou despóticas. A maioria das religiões
tradicionais é do segundo tipo. Os inúmeros mandamentos que
possuem, preconizando o que deve ser feito, comprovam-no.
Elas são de caráter "Shojo", ao contrário da Igreja Messiânica
Mundial, que é de caráter "Daijo", liberal, quase não tendo
mandamentos.

Os mandamentos religiosos assemelham-se às leis da


sociedade. É falso que os homens só conseguem conter o Mal
pela força da Lei. Se um homem for realmente íntegro, esteja ele
onde estiver, mesmo num local onde não haja leis moderadoras,
jamais praticará o Mal, porque é um homem verdadeiro. Os
mandamentos constituem as leis das religiões.

Caso só se consiga um comportamento bom e correto por


meio deles, é porque a Fé professada não é verdadeira. Apesar
dessa observação, sabemos que no tempo dos homens
primitivos e selvagens, sendo bem precária a inteligência
humana, não havia condições de se compreender realmente a
Religião. Por isso, foi necessário prevenir o Mal através dos
mandamentos.

Está claro, pois, que a religião de uma época altamente


civilizada, na qual os homens conseguirão evoluir a ponto de
compreenderem profundamente a Vontade Divina, prescindirá
dos castigos estabelecidos pelos mandamentos. Ela será de fato
uma religião capaz de construir o Paraíso Terrestre, mundo de
autêntica e eterna paz.

Jornal Hikari nº 40, 17 de dezembro de 1949

346
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 1 21 ) F É S H O JO

Alicerce do Paraíso, pág.160

Falando sobre Religião, ouço muitas críticas a respeito dos


líderes religiosos. Dizem que eles deveriam viver com mais
sobriedade, comer, beber e morar pobremente, assim como
andar de trem, de ônibus ou até mesmo a pé.

É fato que, antigamente, para fazerem suas pregações, os


fundadores de religiões calçavam sandálias de palha e usavam
panos enrolados nas pernas, como se fossem polainas, a fim de
facilitar-lhes as longas caminhadas. Às vezes, retiravam-se para
as montanhas, faziam jejuns, tomavam banhos de cascata,
experimentavam todos os tipos de sofrimentos e sacrifícios;
outras vezes, eram jogados na prisão, ou exilados em ilhas
longínquas. Ainda hoje sentimos tristeza ao pensar nos
sofrimentos que eles tiveram que passar. Entretanto, apesar de
tantos sacrifícios, só conseguiram estender suas doutrinas a um
território restrito; para que elas se expandissem mais
amplamente, foram necessárias dezenas de gerações.
Comparadas aos dias atuais, as condições precárias a que esses
pregadores tiveram de se sujeitar a vida inteira vão muito além de
nossa imaginação.

A lembrança das práticas religiosas a que nos referimos


permanece gravada na mente das pessoas, e por isso é natural
que elas tenham uma visão errada sobre as religiões novas. As
religiões caracterizadas por tais práticas particularizam-se pela fé
"Shojo", que é anterior ao nascimento de Sakyamuni, e tem sua
origem no bramanismo da Índia. Seus ensinamentos valorizam,
principalmente, a luminação através da ascese. Segundo dizem,
ainda hoje existe, naquele país, um pequeno número de
bramanistas que consegue fazer milagres graças a um enorme
esforço espiritual. O jejum praticado pelo famoso Mahatma

347
Rokan – Alicerce do Paraíso

Gandhi talvez fosse uma decorrência do fato de ele ter


professado o bramanismo quando jovem.

Há uma história interessante sobre a origem dos oitenta e


quatro mil sutras budistas divulgados por Sakyamuni.

Naquele tempo, o bramanismo estava em grande


expansão na Índia, e acreditava-se que a Iluminação só podia ser
alcançada por meio da ascese, considerada o verdadeiro
caminho da Fé. Vendo a expressão das esculturas e pinturas
representativas de ascetas brâmanes existentes em diversos
locais do Japão, podemos imaginar a situação deles naquela
época. Não suportando semelhante estado de coisas,
Sakyamuni, com sua grande misericórdia, descobriu uma forma
para as pessoas obterem a Iluminação sem precisar recorrer às
práticas ascéticas: os sutras budistas. Segundo ele, a simples
leitura desses textos seria bastante. Obviamente o povo se
alegrou com isso e passou a considerá-lo o mais respeitável e
benéfico de todos os santos. Foi assim que o budismo se
espalhou por toda a Índia. Podemos mesmo dizer que essa foi a
maior realização de Sakyamuni entre as suas atividades de
salvação.

Diante do exposto, é fácil entender quão erradas estão as


práticas ascéticas da fé "Shojo", que contrariam a vontade e a
grande misericórdia de Sakyamuni, aproximando-se do
bramanismo, o qual foi alvo de sua atividade salvadora. Creio
que, do Paraíso, ele estará lamentando essa situação. Assim,
podemos concluir que a fé "Shojo", além de errada, é inadequada
ao nosso tempo.

Por outro lado, no que se refere à difusão religiosa,


observamos que aquilo que antigamente se levava dez anos para
conseguir, hoje pode ser feito apenas em um dia, graças ao
progresso tecnológico da imprensa e dos meios de transporte. O
correto, por conseguinte, é nos adequarmos à época em que

348
Rokan – Alicerce do Paraíso

vivemos, utilizando-nos de todos os recursos que a civilização


moderna nos oferece. Se a religião se basear unicamente nos
métodos antigos, obviamente não conseguirá atingir seus
verdadeiros objetivos. Isso se evidencia na tendência que as
religiões tradicionais têm de se afastar da época atual.

Quando as pessoas de fé "Shojo" vêem as atividades


religiosas que estamos realizando, limitam-se a ficar admiradas e
não tentam sequer compreender aquilo que verdadeiramente
objetivamos. Se elas se restringissem a isso, não haveria nada
de mau; algumas, porém, começam a espalhar boatos contra
nós, dizendo que levamos vida de nababos. Entretanto, nós
dependemos apenas das contribuições dos fiéis; não temos
necessidade de dinheiro. Se dermos atenção aos comentários,
deixaremos que essas contribuições em gêneros alimentícios,
feitas com tanto sacrifício, apodreçam, obrigando-nos a jogá-las
fora. Por outro lado, não podemos vendê-las nem devolvê-las. Da
mesma forma, não poderíamos deixar de utilizar as casas que
nos são oferecidas de boa vontade pelos fiéis. Ao invés de dar
ouvidos a comentários, devemos atentar para o grande trabalho
que essas doações nos estão possibilitando realizar: a salvação
da humanidade. Diante disso, poder-se-á entender o quanto é
errado o pensamento "Shojo".

Como o ideal de nossa Igreja é construir um mundo sem


doença, pobreza e conflito, as pessoas que nela ingressam
adquirem uma vida alegre e saudável, cheia de harmonia e
prosperidade. Todavia, para os que vivem no lamentável inferno
da sociedade atual, isso é algo inconcebível. Além de negarem a
concretização desse ideal, eles pensam, naturalmente, que tudo
não passa de uma boa isca para iludir o povo. Pode ser também
que, para essas pessoas, o protótipo do Paraíso Terrestre que
estamos construindo seja mero palacete luxuoso. O nosso
objetivo, no entanto, é cultivar os nobres sentimentos dos
homens, possibilitando-lhes oportunidade para se distanciarem,
de vez em quando, da sociedade infernal de hoje em dia e

349
Rokan – Alicerce do Paraíso

visitarem terras paradisíacas, que os envolvam nos ares


celestiais de Verdade, Bem e Belo, fazendo-os sentir-se no
estado de suprema alegria. Assim, evidencia-se a grande
necessidade da construção do protótipo do Paraíso Terrestre
para o homem contemporâneo.

Se a sociedade continuar como está, crescerá cada vez


mais o número de pessoas de baixo nível, de jovens degradados,
e não haverá um lugar sequer que não seja um viveiro para a
maldade social. Por isso, podemos afirmar que o único "oásis" do
mundo hodierno é este protótipo do Paraíso Terrestre. Se as
pessoas compreenderem realmente a grandiosidade do nosso
sublime projeto, ao invés de nos censurarem, o que elas deverão
fazer é manifestar seu inteiro apoio.

Ainda tenho algo importante a dizer. Os japoneses, por


causa das invasões bélicas que empreenderam há algum tempo,
foram tão mal interpretados que perderam a confiança do mundo.
Sentimos que é preciso recuperar, o mais breve possível, essa
confiança. Justamente por esse motivo é que o protótipo do
Paraíso Terrestre constitui um patrimônio importantíssimo, para
mostrar não só a beleza natural do nosso país, como também o
indiscutível pendor artístico dos japoneses. Doravante, surge uma
grande oportunidade para que os turistas nos visitem cada vez
mais e compreendam o nosso alto nível cultural, ao mesmo
tempo que desfrutam o prazer da viagem. Fico na expectativa da
grande admiração que o protótipo do Paraíso Terrestre
despertará, quando ficar concluído.

Com o que se diz acima, fica explicado o que é fé "Shojo"


e fé "Daijo".

Jornal Kyussei nº 53, 11 de março de 1950

350
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 1 22 ) A L I B E R D A D E DA FÉ

Existem muitos casos em que, apesar de serem


agraciados pela oportunidade da salvação, não o foram por
diferirem de religião. Isto é, dependendo da religião, detestam
que os seus adeptos contatem outras religiões, constituindo isso
algo como um grande pecado. Isto é a prova de estar
evidenciando que não existe, absolutamente, força nessa religião.
Falando de outra maneira, um tipo de feudalismo religioso, em
que se restringe a liberdade da fé. Isto é, se fosse uma religião
realmente digna, mesmo que os seus adeptos contatem qualquer
outra religião, não se teria receio de surgirem dúvidas; portanto,
não existiria preocupação. Por isso, eu desejo que não só
contatem qualquer religião, mas estudem bastante. E, como
resultado, se existir uma religião mais digna do que esta, é muito
bom; poderão mudar-se livremente para essa fé. Pois quanto
melhor for a religião, há mais possibilidade de salvarem-se, e
essa atitude é certa. Se for um Deus correto, de maneira
nenhuma repreenderá.

Entretanto, na sociedade, existem religiões que ameaçam


dizendo que, se mudarem para outra seita, serão punidos pelas
doenças e desgraças, ou quando pior, dizem que a família se
arruinará, mas essas religiões é que são religiões diabólicas.

Originariamente, o espírito do Deus correto é justo e ao


homem é outorgada a liberdade da escolha; portanto, se a
mudança de seita for em sentido correto, Deus se alegrará, e de
maneira nenhuma haverá repreensão. Por exemplo, está aqui
uma senhora casada e essa senhora é muito inteligente e bonita
e ela também tem a convicção de que não existe, no mundo,
mulher superior a ela. Portanto, não deve ela ter nenhuma
preocupação, nem que o marido fosse a qualquer lugar, ou se
aproximasse de outras mulheres. É a mesma coisa que estar
tranqüila, por estar convicta de que apesar de no mundo
existirem muitas mulheres, não existem duas como si.

351
Rokan – Alicerce do Paraíso

Mas tal religião, creio que pode-se dizer que não há


nenhuma no mundo. Sendo assim, somente por esse motivo, é
compreensível o valor desta Igreja. Explicando o porquê de
tamanha convicção é que, desde o Cristo e Buda, grande número
de santos sabia que, no final, surgiria esta nossa Igreja e salvaria
milhares de pessoas, e até profetizaram sobre isso. Sendo assim,
até agora, os seus seguidores poderiam ter percebido sobre isso,
mas como parece que ainda não chegou a hora, é lastimoso que
isso não ocorra. Entretanto, existe coisa ainda pior. Isto é, o
Cristianismo alerta que, antes da aparição do verdadeiro
Messias, surgirão pseudo-salvadores. Por isso, existe o perigo
de, mesmo se aparecendo o verdadeiro Messias, julgá-lo
descriteriosamente de falso. Realmente, há exemplo de, até hoje,
terem surgido vários falsos salvadores no mundo. Portanto, tem-
se razão, mas isso é embaraçoso.

Os relatos que explanarei a seguir (omitidos), contam


muito bem sobre isso. Portanto, qualquer pessoa que, a partir
deste instante, deparar-se com essas situações, creio que
entenderiam bem se explicasse bem, mas realmente, mesmo
pensando em mudar-se de seita imediatamente, pela gratidão de
ter sido salvo por esta nossa Igreja, hesita-se. Entretanto, no
Mundo Espiritual, se for um fundador de grande religião, ficará
muito satisfeito e é importante explicar sobre isso.

Futuramente deve chegar uma época em que adeptos de


todas as religiões do mundo inteiro se ingressarão nesta nossa
Igreja. Isto porque os fundadores de cada uma das seitas, no
Mundo Espiritual, farão grandes esforços para que os seus
adeptos se ingressem na nossa Igreja, desejando que sejam
salvos.

Jornal Eiko, nº 121, 12 de setembro de 1951

352
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 1 23 ) F É E R E L I G I Ã O

Alicerce do Paraíso, pág. 155

É comum as pessoas pensarem que Religião e fé


significam a mesma coisa, mas, na verdade, há muitos aspectos
em que uma e outra se diferenciam. O provérbio popular "Não
importa qual seja a crença, contanto que se creia", é próprio da
fé, e não da Religião. O mesmo se pode dizer em relação ao ato
de adorar monstruosas esculturas de pedra ou de madeira feitas
por selvagens. Por esse motivo, não é de admirar que,
atualmente, as pessoas civilizadas não dêem atenção ao tipo de
fé em que se adoram ídolos, considerando-o como de baixo nível.
Entretanto, não quero dizer que uma religião seja boa pelo
simples fato de ser religião. Isso porque há religiões de nível
superior, médio e inferior. A que pode realmente salvar a
humanidade é a de nível superior.

Parecerá estranho ouvir-se afirmar que entre as religiões


existem níveis; o fato é que em todas as coisas há uma
hierarquia, e as religiões não fogem à regra. Logicamente, quem
dirige a religião de nível mais alto é o Supremo Deus; sendo
assim, Sua autoridade e virtude são muito elevadas e poderosas.
É mais do que óbvio, portanto, que essa religião possua força de
salvação própria daquele nível. A melhor prova disso consiste na
evidência de inúmeros milagres. Eis por que ocorrem tantos
milagres em nossa Igreja. Verifica-se a cura de doenças
consideradas incuráveis pela Medicina, evita-se o perigo de
desastres, incêndios e outras ocorrências desagradáveis que
poderiam ter acontecido às pessoas, etc. Por conseguinte,
quanto mais benefícios materiais se manifestam, mais devemos
nos conscientizar de que, no centro da Igreja Messiânica Mundial,
está presente o Supremo Deus.

Revista Tijyo Tengoku nº 15, 20 de abril de 1950

353
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 1 24 ) R E S P O N D E ND O ÀS A F L I Ç ÕE S D O S C O N V E R T I D OS

No caso de converter-se, de membro de uma seita à outra,


é inevitável que, dependendo da pessoa, haja grandes ou
pequenas aflições, mas este relato que aqui publico (omitido)
está escrito minuciosamente sobre as verdadeiras aflições pela
conversão e a mudança do estado espiritual, e há algo que toca
no coração pela sua sinceridade. Escrevi porque a solução dessa
aflição, que de ora em diante creio que os convertidos terão, é
uma face importante da salvação. E, ao analisar
pormenorizadamente, o ponto central é, mais ou menos, o
seguinte:

Originariamente, em quaisquer que seja a religião, existem


as classes Daijo e Shojo, e Shojo, como sempre pregamos, é
fogo e centraliza-se em mandamentos, e o Daijo tem como
princípios fundamentais a liberdade total. Por essa razão, a
aflição pela conversão é por causa de mandamentos Shojo; em
Daijo, não existe nenhuma aflição pela conversão. Isto porque,
qualquer que seja a religião, a sua origem é Supremo Deus, isto
é, Jeová, God, Tentei, Buda, etc., e em todo o mundo, todos os
povos, regiões e épocas, Deus fez aparecer como Seus
representantes desde Cristo, Sakyamuni, Maomé e outros santos
e sábios. Claro que existem algumas diferenças de níveis entre
eles, mas as suas origens são provenientes da mesma raiz.
Ainda em se tratando de homens, também, como existem as
discriminações de raízes superioras, medianas e inferioras,
necessitam-se de religião que sejam aceitas correspondendo à
cada alma. Por exemplo, está claro pela existência de pessoas
que não se satisfazem se não for uma doutrina profunda e
também existe crença popular em que não se convence se não
for por vários instrumentos musicais como sinos, tambores,
leitura de sutra, dança, etc.

Ainda, dando outro exemplo, compreende-se muito bem ao


observar que, entre os povos do mundo, existem por si só as

354
Rokan – Alicerce do Paraíso

diferenças como de tradições, costumes, gostos, níveis culturais,


etc.

Observando-se este problema através desta visão, a fé


Shojo é o homem que cria os limites e sofre preso neles, e isso é
um grande engano. Apesar do Grande Amor de Deus não ser
algo tão pequeno e limitado, a maioria das religiões hoje
existentes é Shojo e pode-se até dizer que quase não existe
religião Daijo, total e sem falhas. Se é que existe, o mundo de
sofrimento como o de hoje já deveria ter desaparecido, e ter
nascido o Paraíso Terrestre. Portanto, as religiões tradicionais
possuem defeitos, maiores e/ou menores. Um dos defeitos é a
opinião Shojo, como disse anteriormente, e por causa disso não
foram possíveis se voltarem e unirem ao grande amor de Deus e
não existe fim nos conflitos desagradáveis entre religiões. O fato
de constituírem grupos dentro de uma seita, uma facção, e
fazerem competições acirradas, existindo incessantes atritos,
também é isso, e observando-se o fato de na Europa, em épocas
antigas, os conflitos religiosos terem provocado grandes guerras,
toma-se o conhecimento de quão temerosa é a Fé Shojo.

Espelhado neste ponto, nesta Igreja faz-se de Daijo a


principal e como tem-se a Shojo em segundo plano, não existem
mandamentos rigorosos, sendo realmente livre e
desembaraçada. Em suma, é de uma visão com princípios
universais, abraçando toda a humanidade.

Portanto, nesta Igreja, não se censura nem um pouco pelo


fato de contatarem as outras seitas. É absolutamente livre. Por
exemplo, não só inexistem problemas em estudarem outras
seitas sendo membro desta Igreja, mas sim, se acaso existir seita
superior a esta, são livres para converterem-se. Ao mesmo
tempo, há caso de retorno de quem se convertera uma vez a
outra seita, mas isso também é livre.

355
Rokan – Alicerce do Paraíso

Originariamente, a verdadeira postura da fé é praticá-la


pelo sentimento incessante que nasce do fundo da alma do
homem. Entretanto, é ensinado que conversão em si é um
pecado e ter que obedecê-lo é realmente tentativa de fazer
prosseguir na fé através de um tipo de ameaça; portanto,
pressiona-se a consciência da liberdade e é enganar-se a si
mesmo. Uma crença assim não deve corresponder à Vontade
Divina.

Não se deve esquecer que a verdadeira fé é sempre aquilo


que nasce por si só e que não existe nenhuma pressão. Portanto,
a razão desta Igreja fazer de Daijo o principal está aqui.

Revista Tijyo Tengoku nº 11, 20 de dezembro de 1949

356
Rokan – Alicerce do Paraíso

CA PÍ T UL O VII - ENTREVIS T A S

( R 1 / 1 25 ) U M A E N T R E V I S TA

Interlocutor: Como a sociedade está muito alvoroçada por


causa do repentino progresso da vossa Igreja, ouço dizer que os
órgãos competentes estão investigando bastante, mas não há
preocupação?

Meishu Sama: Conforme falei, estou muito bem ciente de


que os que se sentem apavorados pelo progresso da nossa
Igreja, os que invejam, os que querem se aproveitar, etc. estão
utilizando de vários expedientes ilegais com o intento de mover
os órgãos competentes. Isto sempre acompanha seitas novas.
Isto é evidente vendo o exemplo de grandes santos, desde Cristo
e Maomé, e também no Japão, Hoonen, Shinran e Nitiren, etc.
Somente com Buda não houve isso por causa da sua posição de
príncipe. Entretanto, hoje em dia, em que a cultura está
avançada, fico até grato pela tendência social de não existir uma
perseguição tão rigorosa quanto possa se dizer "perseguição". O
fato da nossa Igreja estar sendo enfoque do problema, devo
dizer, é porque está-se relatando que a nossa Igreja é uma seita
proporcionalmente grandiosa.

Interlocutor: Recentemente, na ocasião do Congresso ,


a vossa Igreja tornou-se assunto da palestra, concluindo-se que o
rápido progresso da vossa seita é motivado pela notabilidade das
bênçãos materiais, resolvendo-se, então, averiguar o porquê da
evidência de graças. O que o Senhor acha?

Meishu Sama: Isto é muito bom; ao mesmo tempo, talvez


não o seja, pois existe a possibilidade de largarem-se das suas
seitas, como seu resultado. Com referência a isso, os indivíduos
que tenham, mesmo que seja um pouco, de dúvida sobre a Igreja
Messiânica Mundial, desejo ardentemente que averiguem-na do

357
Rokan – Alicerce do Paraíso

fundo. Pois, com isso, compreenderão como a nossa Igreja é


correta e quanto é necessária para a reconstrução do Japão.

Interlocutor: Entendi muito bem.

Assim disse e foi-se embora.

Jornal Hikari nº 7, 30 de abril de 1949

358
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 1 26 ) E N T R E V I S T A CO M O L O C U TO R DA RÁDIO NH K

Locutor: Com sua permissão, gostaria de fazer algumas


perguntas sobre a Igreja Kannon.

Meishu Sama: Pois não, pode perguntar o que quiser.

Locutor: Qualquer coisa mesmo?

Meishu Sama: Sim, qualquer coisa.

Locutor: Olhando de frente essa figura, me parece ser o


Deus Kannon, e quanto ao Deus Kannon do budismo?

Meishu Sama: É o mesmo. É o mesmo do budismo. Tem


pessoas que dizem ser diferente, mas é o mesmo.

Locutor: Então, o que é a Oração Zenguen Sanji, entoada


há pouco?

Meishu Sama: É uma oração baseada na sutra Kannon do


budismo redigida em forma de poema.

Locutor: Li o livro “Diversos assuntos de fé”, mas quais


são as doutrinas, as sutras?

Meishu Sama: Aquilo é que é a doutrina, a sutra. Se eu


falar detalhadamente vai ficar difícil, por isso, falando de maneira
compreensível, tenho como objetivo a construção de um Mundo
isento de doença, pobreza e conflito.

Locutor: Esse é que é o Paraíso Terrestre?

Meishu Sama: Isso mesmo.

Locutor: Qual o motivo que o levou a isso?

359
Rokan – Alicerce do Paraíso

Meishu Sama: Não dá para explicar com simples


palavras.

Locutor: Quando foi o início?

Meishu Sama: A partir de outubro de 1934. E naquele


tempo houve uma época de pressão sobre as novas religiões. A
religião Oomoto foi atingida. E envolvido por essa onda, fui
pressionado. Porque estava curando doenças.

Locutor: Cura de doenças?

Meishu Sama: E, nessa época, estava também


desenvolvendo a religião, mas me disseram para separar um do
outro e desenvolver um dos dois, então como a religião é
complicada, estava fazendo só a cura de doenças.

Locutor: Então, após o final da guerra, está


desenvolvendo a religião e a cura de doenças?

Meishu Sama: Não, fiquei apenas com a religião. É


diferente.

Locutor: É mesmo? E o número de fiéis?

Meishu Sama: Creio que 170 a 180 mil, mais ou menos.

Locutor: Esse número é no país inteiro?

Meishu Sama: Sim, no país inteiro.

Locutor: Incluindo Kyushu?

Meishu Sama: Sim.

360
Rokan – Alicerce do Paraíso

Locutor: Quantas vezes por mês são realizadas esses


tipos de reuniões?

Meishu Sama: Descanso 6 vezes por mês.

Locutor: Geralmente, as difusões se reúnem revezando


entre si?

Meishu Sama: Sim, a maioria são ministros e


orientadores.

Locutor: Em quantas são essas pessoas?

Meishu Sama: Em mais ou menos 3.000 pessoas.

Locutor: Por uns instantes notei que os distintivos que os


fiéis estão usando são de vários tipos, é isso mesmo?

Meishu Sama: Isso porque já foram feitos, e como é um


desperdício jogar fora, estão usando o que tem.

Locutor: Qual o significado do crucifixo que tem no


centro? Existe alguma relação com a católica?

Meishu Sama: Não se trata de uma relação; essa é uma


interpretação minha. O crucifixo tem o significado de unir o
vertical e o horizontal. O vertical representa o Oriente, a cultura
oriental. O horizontal representa o Ocidente, a civilização
materialista do ocidente. E também, o vertical é a ligação com os
antepassados, o horizontal é o pensamento filantrópico da
católica. Portanto, através da derrota na guerra, o Japão se
tornou uma nação democrática, o que significa que o traço
horizontal entrou no vertical. Quer dizer que no vertical que até
agora era leal e patriota, entrou o horizontal.

361
Rokan – Alicerce do Paraíso

Locutor: Entendi perfeitamente. Tem pessoas famosas


entre os membros?

Meishu Sama: Tem sim. Porém, as pessoas famosas não


gostam que revelem os seus nomes. Conforme o intelectual,
bem, deve ser porque até agora era supersticioso, é como se
escondesse que agora a saúde não vai bem. E também, de
minha parte não quero utilizar as pessoas famosas. Eu acredito
que se a religião, por si mesma, possui força verdadeira, se
expande naturalmente.

Locutor: É bem modesto (risos). O fato de esconder quer


dizer que ainda falta o sentimento de fé?

Meishu Sama: Bem, é isso.

Locutor: Podemos compreender qualquer outra coisa


além do espírito.

Meishu Sama: Realmente, o espírito não é visível aos


olhos, né? E por isso é difícil de controlar. (risos).

Locutor: No debate realizado na rádio "A ciência e a


religião se identificam?", disseram que a Ciência e a Religião
pertencem a dimensões, mundos, diferentes, mas segundo a sua
palestra, me parece que a Religião já entrou na esfera de
influência da Ciência.

Meishu Sama: Pelo contrário, a Religião e a Ciência se


identificam. Contudo, a Ciência atual não chegou ainda no ponto
de ver o espírito. Com muita dificuldade, acabou de descobrir o
átomo. Avançando mais um passo, conseguirá descobrir a
partícula espiritual. Agora, ainda não avançou até esse ponto.

Locutor: Com o dito "reflexo condicionado", explicam o


funcionamento do cérebro com a baba ou com outra coisa...

362
Rokan – Alicerce do Paraíso

Meishu Sama: Não é preciso falar difícil assim.


Avançando- se mais um pouco, só de se fazer assim com a
cabeça (a pessoa chega perto) será possível entender o
sentimento do parceiro. (explosão de risos).

Locutor: Agora mesmo é possível fazer isso entre


parceiros de mútuo amor. (risos)

Meishu Sama: Isso mesmo. Por isso é que se diz que "os
olhos falam o mesmo que a boca". (riso).

Locutor: Entrarei em termos concretos mas, dentro da sua


redação anterior, havia o seguinte: “Através da vacina, a toxina
da varíola que tinha sido retida será eliminada em forma de
coceira"; o Senhor também tomou vacina?

Meishu Sama: Sim, eu tomei.

Locutor: Isso porque ainda não tinha conhecimento disso?

Meishu Sama: Sim, é.

Locutor: Eu também tomei vacina, mas ainda não tive


coceira.

Meishu Sama: A cor do seu rosto é ruim. (risos) Se tiver


coceira a cor do rosto melhora.

Locutor: A conversa acabou dando um salto ... Sendo


assim, a toxina é eliminada aos poucos através da coceira?

Meishu Sama: É como se fosse um exame. (risos) É bom


ter coceira.

Locutor: Me parece que o cultivo sem adubos tem dois


métodos: o que se baseia nos fatos e o que se baseia na teoria.

363
Rokan – Alicerce do Paraíso

Meishu Sama: Eu fiz experiência. Já terminei essa


experiência. Existem casos em que a Ciência toma a frente e
encaminha, mas também existem casos em que o fato é
consumado, e como existe a Ciência, lhe colocam uma teoria
depois, não existe?

Locutor: Pode ser que existam casos assim.

Meishu Sama: Logo sairá o livro sobre cultivo sem


adubos. Experimente praticar um. O importante é conseguir uma
boa produção, não é?

Locutor: Ministra-se Johrei nas plantações?

Meishu Sama: Não é preciso.

Locutor: Então, não precisa?

Meishu Sama: É, não precisa. Nesse livro está escrito


sobre o caso sem adubos e o caso de ter ministrado Johrei. Tem
os dois casos, por isso experimente ler.

Locutor: Fazendo com esse método, qual a quantidade


que se consegue?

Meishu Sama: Bem, os detalhes é bom ver no livro. E se


ainda tiver alguma dúvida é só experimentar.

Locutor: Na pergunta anterior, dizia que o bagaço de soja


não se transforma em toxina, mas que o adubo químico se torna
toxina.

Meishu Sama: É verdade.


Locutor: Como, verdade?

364
Rokan – Alicerce do Paraíso

Meishu Sama: Sim. Utilizando o adubo químico, a


produção não é boa e também pega bicho. Dê uma olhada aí
fora. O capim não pega bicho, não é mesmo? Isso porque não
tem adubo químico. Portanto, é só fazer uma experiência. Por
exemplo: se você disser que algum lugar do seu corpo dói, logo
sara se eu fizer Johrei por uns minutos. Portanto, muito mais do
que a teoria, sem dúvida a teoria existe, mas... O melhor é seguir
o provérbio: "se não entrar na toca do tigre, não conseguirá pegar
o filhote", por isso experimente fazer uma pesquisa. (risos).

Locutor: Agora, eu sou um ateísta e compreendo que


existe uma limitação.

Meishu Sama: Sim, existe mesmo um limite no ateísmo.


Por isso eu sempre digo aos ateístas. Tente explicar
cientificamente o amor. Bernard Show diz: “O amor é para
manter a raça".

Locutor: Eu também concordo com ele.

Meishu Sama: Eu também concordo (risos). Porém,


mesmo que o amor seja para manter a raça, por que o amor
acontece, por que existe amor sem vontade sexual, ficam essas
dúvidas.

Locutor: A Ciência ainda é insuficiente, por isso.

Meishu Sama: É sim. A Ciência ainda é muito insuficiente.


A minha Ciência é do século XXI, por isso não é possível explicar
para as pessoas modernas atuais. Até agora, também, o que era
mais avançado do que a época não podia ser colocado nessa
época. Existe isso na História, não é mesmo?
Locutor: Sim, houve casos como o de Copérnico.
Voltando ao início do assunto, as coisas que dizem respeito à
Medicina, o Senhor pensa mesmo dessa maneira?

365
Rokan – Alicerce do Paraíso

Meishu Sama: Não que esteja pensando, é verdade.

Locutor: O que o Senhor diz como verdade?

Meishu Sama: Então, não é presunção nem idéia própria,


é a verdade tal qual ela é.

Locutor: No início, começou a partir do que?

Meishu Sama: Eu tive muitas doenças e tomei remédio


até pelos cotovelos. E como resultado disso, não quero dizer
isso, mas fiquei quase 3 meses como que possuído pelo divino.
Até então, eu era um ateísta convicto e, mesmo passando em
fronte a Templos, nunca tinha entrado para rezar. Porém, esse
ateísmo também acabou sendo derrubado por Deus.

Locutor: Aconteceu também de ter sido desenganado


pela Medicina?

Meishu Sama: Isso também aconteceu, mas algo mais


amplo, o materialismo é uma metade, o homem trabalha através
do espírito, por isso descobri que a parte espiritual é necessária.

Locutor: Pode ter os dois, não pode?

Meishu Sama: Não, à medida em que se vai avançando,


esses dois se tornam um só. Uma parte é o mundo visível e a
outra é o mundo invisível. Até agora os religiosos negavam o lado
materialista, mas na verdade os dois devem se tornar um só.

Locutor: E como o método do Senhor produz efeito,


recomenda-o a todos?

Meishu Sama: Não, eu não recomendo. Os membros é


que estão recomendando. (risos). Eu apenas faço um pouco de
explicação como a que fiz há pouco.

366
Rokan – Alicerce do Paraíso

Locutor: Pode ser que seja desnecessário dizer, mas


coitado dos membros, né?

Meishu Sama: Os membros acham que os senhores são


muito mais coitados do que eles. (risos).

Locutor: Qual a idade dos membros?

Meishu Sama: A maioria é jovem.

Locutor: E quanto ao sexo?

Meishu Sama: Creio que o número de mulheres é um


pouco maior.

Locutor: E quanto à classe social?

Meishu Sama: Bem, compreende todas as classes


sociais. E também, se não for assim, não é salvação, sendo
difícil, igual à filosofia budista; só uma parte dos eruditos é que
compreendem.

Locutor: Qual o nível de educação? Tem doutores e


também professores universitários.

Locutor: Tem os que só tem o primário, né?

Meishu Sama: Tem também. Entre os diretores, tem


muitos que saíram da faculdade.
Locutor: Os diretores são escolhidos pelo Senhor? Ou por
alguma eleição?

Meishu Sama: Não, são decididos naturalmente. (risos).


Não sou eu quem escolho e nem é feita uma eleição.

367
Rokan – Alicerce do Paraíso

Locutor: Há pouco se falava que a doença atômica do


Doutor Nagai também é curada.

Meishu Sama: É verdade.

Locutor: Falaram que o doutor é espiritualista, mas ele é


cristão.

Meishu Sama: É, é cristão. Por isso, sendo cristianismo,


consegue deixar-se fazer; se fosse outra não deixaria. Mesmo
dentro do cristianismo as seitas estão divididas, e dependendo da
oração, tem aquelas que curam a doença . A ciência cristã é uma
delas. Por isso, para o Dr. Nagai...

Locutor: Em relação a outras religiões, por exemplo, o


que pensa sobre a religião que dança, ou a religião P.L.?

Meishu Sama: Todas nascem porque há uma


necessidade. Porém, essa necessidade, como tem pessoas que
fazem um grande trabalho, tem pessoas que fazem um trabalho
médio, outras trabalhos pequenos; existem diversos tipos, e isso
também existe nas religiões.

Locutor: Então, não pensa que é ruim?

Meishu Sama: Não se pode dizer que seja ruim. E se for


ruim ela acaba sendo eliminada naturalmente. Por isso, até
mesmo o comunismo é necessário. Se não fosse pela sua
existência, os trabalhadores seriam explorados pelos capitalistas;
portanto, é necessário para proteger o direito do trabalhador.
Entretanto, não se deve ser atrevido. Se o comunismo sair além
do comunismo, é parado por Deus. Isto é, isso é manipulado por
Deus no Mundo Espiritual.

Locutor: Está no Mundo Espiritual? (risos)

368
Rokan – Alicerce do Paraíso

Meishu Sama: Sim.

Locutor: Segundo o seu livro, depois que o homem morre,


ele pode nascer como animal, mas...

Meishu Sama: Existem dois tipos. Mesmo o animal tem


aquele que originariamente é um animal e o homem que
reencarnou como animal; esses dois tipos.

Locutor: Então, são os ciclos de vida a que se refere o


budismo?

Meishu Sama: Sim, isso mesmo.

Locutor: Esse ponto também as pessoas modernas não


compreendem?

Meishu Sama: Foram educados para não


compreenderem. A educação de até agora é uma educação
materialista, uma educação judaica. Os judeus são inteligentes.
Porém, até hoje foi necessária uma educação materialista para
desenvolver a cultura material.

Locutor: E sobre a pergunta que fiz agora há pouco, se a


morte do Sr. Shimoyama foi suicídio ou assassinato...

Meishu Sama: Aquilo não é de minha alçada, portanto...


Se for um acontecimento de porte nacional, sou avisado por
Deus. Uma coisa pequena como aquela nem vou perguntar a
Deus. E também nem procuro tomar conhecimento das coisas
pequenas.

Locutor: Sentiu algo parecido com profecia? Já aconteceu


o caso de se mudar para Atami porque Tóquio ia ser incendiada...

369
Rokan – Alicerce do Paraíso

Meishu Sama: Sim, já aconteceu de eu sentir. O fato de


que o Imperador seria como hoje, eu já sabia desde há 20 anos
atrás. Entretanto, naquela época, se falasse uma coisa dessas,
era muito grave, por isso fiquei calado.

Locutor: Segundo o livro de Ensinamento, o Deus Kannon


Se encontra dentro do seu corpo...

Meishu Sama: Não, não é o Deus Kannon, existe uma


Bola de Luz no meu ventre e, através do elo espiritual, a Luz vem
do Deus Kannon.

Locutor: Então é como se fosse um telégrafo. (risos)

Meishu Sama: É como um telégrafo. É um aparelho de


rádio.

Locutor: Eu acho que o que vou perguntar é realmente


um atrevimento, mas, como é adquirido o capital da Igreja?

Meishu Sama: É adquirido com mensalidades e ofertórios.

Locutor: É adquirido com mensalidades e ofertórios.

Locutor: Qual o valor mensal?

Meishu Sama: Por mês 30 yenes.

Locutor: E o restante?
Meishu Sama: É tudo doação. Até para construir isto aqui
(Soun-ryo) é arrecadada a contribuição para construção. Agora,
se é salvo estando prestes a morrer e agora está forte, não se
cabe em si de tanta gratidão, e quando entra dinheiro para essa
pessoa, ela traz para cá.

Locutor: Trazem coisas também?

370
Rokan – Alicerce do Paraíso

Meishu Sama: Sim.

Locutor: Sobre ser obrigado?

Meishu Sama: Não, não obrigo a nada. Não se trata de


imposto, né? (risos)

Locutor: Qual a relação com a Igreja Miroku?

Meishu Sama: São duas com a Igreja Kannon. É como se


fosse positivo e negativo.

Locutor: Na Igreja Miroku estava cultuado o Buda


Daikoku.

Meishu Sama: Não apenas na Igreja Miroku, mas


qualquer pessoa tem o Buda Daikoku.

Locutor: Qual o motivo?

Meishu Sama: Bem, foi o seguinte: antigamente, todo mês


estava no vermelho. Então ganhei o Buda Daikoku de uma
pessoa e coloquei em frente ao Deus Kannon. A partir desse mês
acabou-se o vermelho. E achando isso interessante passei a
adquirir aos poucos, e houve uma vez que consegui reunir mais
ou menos 50. (risos). De qualquer forma, cultuando o Buda
Daikoku entra dinheiro.

Locutor: Como era o primeiro Buda Daikoku?

Meishu Sama: Era normal. Atrás estava gravado o ano.

Locutor: É por esse motivo que é cultuado?

Meishu Sama: Sim, é.

371
Rokan – Alicerce do Paraíso

Locutor: Isso também é realmente verdade? (risos)

Meishu Sama: Sim, é verdade (risos)

Locutor: Para que serve aquele que o membro traz?

Meishu Sama: É para que abra os olhos.

Locutor: Quer dizer que os membros também seguem


essa sorte?

Meishu Sama: Sim.

Locutor: Sendo assim, eu também quero um Buda


Daikoku... (risos).

17 de julho de 1949

372
Rokan – Alicerce do Paraíso

(R1/127) A CONTRIBUIÇÃO PARA A SALVAÇÃO DA


HUMANIDADE E PARA PAZ MUNDIAL (O SIGNIFICADO DO
NASCIMENTO E A MISSÃO DA “SEKAI MESHIYA KYO”
[IGREJA MESSIÂNICA MUNDIAL])

Desta vez, a Igreja Kannon do Japão e a Igreja Miroku do


Japão sofreram uma dissolução progressista e, sob um nobre
ideal, foi instituída uma nova entidade religiosa denominada
Sekai Meshiya Kyo (Igreja Messiânica Mundial). Assim, a nossa
Igreja está iniciando aqui uma nova fase de sua história.

A instituição nasceu há pouco mais de dois anos, em


agosto de 1947, sob a bandeira da liberdade religiosa e, num
curto espaço de tempo, alcançou um crescimento e uma
expansão raramente vistos no mundo religioso. Entretanto,
envolvida pela onda de inveja e ciúmes, característicos do
período pós-guerra, ela deparou-se, diversas vezes, com
dificuldades e sofrimentos inesperados, gerando uma
inexprimível impaciência e aflição por parte dos fiéis. Entretanto,
diante da Justiça, o grupo de Satanás foi se extinguindo pouco a
pouco e, finalmente, entramos numa fase de esplendor, sendo
reconhecido o verdadeiro valor da nossa Igreja. Nessa época, a
transformação que ela sofreu causou profunda emoção. Mas tudo
aquilo aconteceu para fazer frente à Nova Era, baseada
inteiramente na Vontade Divina. Dessa maneira, a dedicação a
Deus e a sinceridade na obra de salvação do mundo serão
desenvolvidas ainda mais vigorosamente e, com certeza,
voltadas para a Grande Obra de Salvação e a paz mundial
baseada na fé, irão liberar um novo Poder e uma nova Luz.

No início da primavera, no edifício anexo de Atami, onde


pairava uma euforia histórica, os repórteres ouviram
pessoalmente de Meishu Sama, o novo Kyoshu, o significado da
instituição e da futura missão da Igreja. Do lado de fora da janela
do “Sunroom”, gabinete do novo Kyoshu, alguns botões de

373
Rokan – Alicerce do Paraíso

cerejeira começavam a desabrochar prematuramente, cheios de


novas esperanças.

Exporei, a seguir, o resumo de entrevista.

Pergunta: Qual a diferença entre instituição e reforma da


Igreja?

Resposta: Desta vez é uma instituição e uma reforma.


Mas, se nos basearmos na essência da missão da Igreja,
“instituição” seria o termo mais correto.

Pergunta: Qual é, então, o significado da instituição da


Igreja?

Resposta: Tudo se deve à Vontade de Deus; eu, como


Seu apóstolo, não a instituí pela minha vontade. É fundamental
acreditarem que entramos nesta nova fase pela Vontade de
Deus.

Pergunta: De que forma essa Vontade se manifestou na


sensibilidade espiritual do Grão-mestre?

Resposta: Em primeiro lugar, os indícios da decadência


do poder de Buda estão bem evidentes. Obviamente, as razões
que explicam a existência do próprio budismo são inúmeras, mas
parece-me difícil salvar o homem da atualidade, um ser
complexo, lendo apenas os sutras e desejando a graça de viver,
após a morte, no paraíso búdico. De fato, quem quer que seja,
observando o atual mundo budista e o aspecto dos templos,
poderá entender que as transformações foram trágicas demais.
Creio que o Budismo Daijo não tomará atitude como a de
esquivar-se de responsabilidade, lamentando-se da degradação
da dignidade dos homens em conseqüência da derrota na guerra,
mas acho necessário haver um pouco mais de trabalho de

374
Rokan – Alicerce do Paraíso

salvação em prol dos que vivem. Precisamos dizer que esta é a


causa da decadência do poder de Buda.

Em segundo lugar, verifica-se a vertiginosa decadência do


xintoísmo. Este decaiu mais do que o budismo, a ponto de se
duvidar que os seus santuários possuam Poder Divino. É
realmente entristecedor. Não há nenhuma diferença no fato da
nossa Igreja adotar Kanzeon Bossatsu como símbolo da fé, mas
eu gostaria de lhe dizer que a missão de Kanzeon Bossatsu
agora é bem diferente da que tinha até então. O mesmo acontece
com Miroku Ookami. Em termos mais compreensíveis, Buda era
a encarnação de Kanzeon Bossatsu, que reassumiu a Sua forma
original de Deus. O certo seria dizer que Sua posição foi elevada
a um nível ainda mais alto.Por conseguinte, podemos concluir
que o Seu Poder de salvação se intensificou muitas vezes mais.

Pergunta: Por que o Grão-mestre tornou-Se Kyoshu,


desta vez?

Resposta: Apenas manifestei-me na superfície, como


representante de Deus.

Pergunta: Gostaria de conhecer a doutrina da Igreja


recém-formada.

Resposta: Tendo por ideal máximo a salvação de toda a


humanidade e, em especial, fazendo a clara distinção entre o
Bem e o Mal, queremos exterminar o Mal e salvar amplamente o
Bem. Essa é a Vontade de Deus. É realmente lamentável o
grande número de pessoas que não correspondem ao Bem. A
nossa religião deve empregar todos os meios para salvar os
bons, e ser uma fortaleza que elimina radicalmente o lado
obscuro da humanidade. Por isso, acreditamos que a luta contra
os demônios continuará, mas temos de reconhecer que isso é
apenas um processo.

375
Rokan – Alicerce do Paraíso

Pergunta: Qual a razão da palavra “Mundial” no nome da


Igreja?

Resposta: O objetivo máximo da Igreja é, através da fé,


conduzir todos os seres humanos à felicidade. No Ocidente,
existe o cristianismo. A afirmação de Cristo, “É chegado o Reino
dos Céus”, está bem próxima da nossa doutrina, que consiste em
construir o quanto antes o Paraíso no Mundo Material. Os
ensinamentos de Cristo são realmente magníficos, devido à sua
grandiosidade e ao seu poder divino de salvar a humanidade.
Desejo que nossa Igreja, em ressonância com o cristianismo, se
empenhe no Oriente, inicialmente no Japão, com toda a força e
inteligência, no caminho do Bem e na salvação da humanidade.
Por conseguinte, acredito firmemente que isso contribuirá, de
forma ampla, para a realização da paz mundial que ora se
vislumbra. E a nossa Igreja, certamente, é a primeira e a maior
religião surgida no Japão, realmente eficaz para o incremento da
paz mundial.

Há uma expressão que diz: “A religião não tem fronteiras”.


Desse modo, se conseguirem compreender a verdadeira
dignidade e a milagrosa virtude da nossa Igreja, seguramente os
japoneses e todos os orientais poderão manter o seu espírito
elevado e puro, devotando-se verdadeiramente à paz. Para a paz
mundial e a eliminação dos conflitos da humanidade, as futuras
atividades da nossa Instituição precisam ser intensificadas.
Podemos dizer que as pessoas que não conseguem aceitar esta
Verdade são criaturas infelizes que não buscam a paz.

Pergunta: Creio que essa teoria já vinha sendo defendida


pelo Senhor há muito tempo...

Resposta: Exatamente. Como o Poder de Deus se


intensificou, esse ideal se ampliará ainda mais, em termos reais.

376
Rokan – Alicerce do Paraíso

Pergunta: Isso significa que o poder da Obra de Salvação


em relação à doença e à pobreza aumentará ainda mais?

Resposta: Com certeza será manifestado o poder


máximo, muito maior que o de até então. Aqueles que possuem o
sentimento do Bem serão infalivelmente salvos, mesmo que a
sua doença ou o seu sofrimento sejam os mais insuportáveis.
Esta é a minha sincera afirmação por ensejo da instituição da
Igreja. Aqueles que duvidam, devem antes experimentar, para
depois criticar.

Pergunta: Esta Igreja entrou numa segunda fase de


expansão, mas ainda não possui uma sede. Portanto, como
pretende administrá-la doravante?

Resposta: Como todos sabem, estamos acelerando a


construção dos edifícios na Terra Celestial de Atami, onde será
instalada a Sede. Todavia, por falta de verbas, ela está atrasada.
É de fato estranho que uma religião não tenha uma sede; devido,
também, ao fervoroso desejo dos fiéis, decidi inaugurar com
urgência o Templo Sagrado. Juntamente com os edifícios, resolvi
construir um grande jardim na Terra Celestial, e os seus
preparativos já foram iniciados. Quando a primavera chegar às
terras mais pitorescas de Atami, o jardim de flores variadas irá
irradiar um belo colorido. Assim, o plano do Paraíso Terrestre
dará vigorosos passos e passará do sonho para a realidade. Se
todos os fiéis, com o coração sereno, apoiarem a infinita Vontade
de Deus, infalivelmente, o caminho será aberto.

Jornal Kyussei nº 48, 4 de fevereiro de 1950

377
Rokan – Alicerce do Paraíso

(R1/128) DIÁLOGO COM UMA CERTA VISITA

Visita: Pelos comentários que ouvi, parece que a sua


Igreja fez profecias nem um pouco moderadas.

Meishu Sama: Ah é, que tipo de profecia?

Visita: Depois do dia tal de tal mês haverá uma epidemia e


apenas os fiéis de sua Igreja se salvarão, e também depois de tal
dia de tal mês ocorrerá uma terrível calamidade natural e haverá
grande número de mortos, isso é verdade?

Meishu Sama: (Risos) Na nossa Igreja as profecias estão


terminantemente proibidas. Isso porque se se fizer uma profecia
e acertar, é bom, mas no caso de errar, a confiança vai a zero. E
também, ingressar na fé por ter sido ameaçado e querer se salvar
é uma fé de amor próprio, não é uma fé verdadeira. Relacionado
a isso, no Ofudessaki da religião Oomoto, existe a seguinte frase
famosa: "A renovação do sentimento motivado pelo medo não é
verdadeiro". Por todos esses motivos, na nossa Igreja não
existem de forma alguma profecias; por isso, se daqui em diante
ouvir essas coisas, quero que pense que é algum engano ou más
propagandas. Todos os nossos princípios e doutrinas estão
publicados nos impressos de nossa Igreja sobre os quais assumo
total responsabilidade, o que é lógico, mas em relação a rumores
não tenho nenhuma responsabilidade, quero que fique ciente
disso.

Visita: Entendi perfeitamente.

Jornal Kyussei nº 65, 3 de junho de 1950

378
Rokan – Alicerce do Paraíso

(R1/129) ENCONTRO DE MEISHU SAMA COM O CASAL


REMON CARTIER

Editor da Revista Paris Match, França


Entrevista com a Senhora Remon Cartier"
Local: Shinzan-Sô, 22 de junho de 1952

OBS: FALTA TRADUZIR A PARTE INICIAL

Senhor K: Fico muito agradecido pela sua presença,


apesar de estar muito atarefado. Quero fazer algumas perguntas
e depois disso tenho a esperança de melhorarmos um pouco. O
que mais me entristece é não poder conversar diretamente.

Meishu Sama: É verdade. Certa vez, no Jornal da França,


saiu uma reportagem de que estavam pesquisando com afinco a
arte japonesa, mas quem é esse senhor...

Senhorita Tamura: Esse senhor é o editor de uma das


maiores revistas da França e está viajando pelos países do
mundo todo, como a Ásia, fazendo observações de pós-guerra e,
terminando por último o Japão, está de volta ao seu país. Em
relação à arte, ele possui bastante interesse.

Senhor K: Quero apresentar a situação internacional. Tais


coisas aconteceram em tal país, tudo visto com meus próprios
olhos. O Japão é principalmente diferente por isso. Ouvi dizer,
principalmente na Índia, que "o Japão mudou religiosamente".

Meishu Sama: Pretendo falar sobre o meu objetivo. Estou


fazendo com o objetivo de construir uma obra de arte ideal, que
possua em conjunto a beleza natural aliada à beleza artificial.
Não apenas as obras de arte – a arte é um belo artificial - é coisa
criada pelo homem. O restante é o belo natural. E, em Hakone,
no centro, no melhor local panorâmico, construí esse jardim,

379
Rokan – Alicerce do Paraíso

como se pode ver. Esse é o Paraíso Terrestre em pequena


escala. O Paraíso Terrestre é a terra da arte - é isso.

Senhor K: Ainda não vi o Museu de Belas-Artes, mas no


que se refere ao belo da natureza, nunca tinha visto uma beleza
como essa.

Meishu Sama: Eu sou um religioso, e até agora as


dificuldades e sofrimentos eram resgatados através do sofrer,
mas, ao contrário, tenho o pensamento de salvar através do
deleitamento e, nesse sentido, a Arte é a coisa mais importante
na Religião.

Senhor K: De qualquer forma, está difundindo um


Ensinamento, e parece que tem bastantea membros, mas o
Ensinamento se expande conforme o seu pensamento? Ainda
parece estar indo de acordo com o seu desejo...

Meishu Sama: Está progredindo muito mais do que o


esperado.

Senhor K: É somente dentro do país? Ou fora do Japão


também?

Meishu Sama: A minha meta é o mundo. E, ultimamente,


tem se expandido, aos poucos, desde os Estados Unidos até o
Havaí. No Havaí são apenas japoneses - mas a minha meta são
as pessoas de cada país do mundo. Mesmo no mundo, quero
começar a fazer entender pelo país de cultura elevada.
Procedendo dessa maneira, os países de cultura baixa vão
compreendendo naturalmente. Por isso, vou começar a difundir
pelos países de cultura elevada como os Estados Unidos, França
e Inglaterra.

Senhor K: Para conseguir concretizar esse desejo, irá


agora utilizar esse método?

380
Rokan – Alicerce do Paraíso

Meishu Sama: Agora, o motivo maior do meu progresso


— seja como for a rapidez do progresso, não existe nenhum
exemplo na História da Religião. Isso porque desde agosto de
1947; março, abril, maio, junho, julho, em agosto desse ano
completam 5 anos, desde iniciado. Em cinco anos, temos mais de
300.000 membros. E dia após dia, está progredindo cada vez
mais. E isso porque as doenças são curadas.

Senhor K: Nos Estados Unidos também existem


discípulos que conseguem curar doenças?

Meishu Sama: Existem.

Senhor K: São americanos?

Meishu Sama: Existem americanos também.

Senhor K: Realmente, esse americano foi curado aqui.

Meishu Sama: Isso mesmo.

Senhor K: O fato de curar a doença, é com o poder que o


senhor recebeu de Deus? Ou...

Meishu Sama: É Deus. É com Deus que a doença é


curada. Se por acaso a cabeça dói e eu faço assim (Johrei), sara.

Senhor K: Acontece o mesmo com todos os discípulos?

Meishu Sama: Para os discípulos eu dou a Luz Divina. Ao


colocar a Luz Divina no pescoço, do meu corpo para a Luz
Divina, através do elo espiritual - ligação de Luz - não é visível
aos olhos, mas do corpo dessa pessoa é emitida uma espécie de
Luz e com isso a doença sara. Existem muitas pessoas que
enxergam a Luz.

381
Rokan – Alicerce do Paraíso

Senhor K: É possível ver essa Luz Divina?

Meishu Sama: Vou lhe mostrar (O dedicante, Sr. Abe,


abre e mostra a Luz Divina).

Senhor K: Possui a força de curar e, ao mesmo tempo,


por exemplo, consegue fazer com que se fique com dor de
cabeça?

Meishu Sama: Não consegue. Isso porque é infinitamente


um Bem. O que faz doer é um Mal. É um sofrimento. Só que
pode acontecer de que, para tirar a dor, pode doer por uma hora.
Isso é um processo de purificação.

Senhor K: Se fizer esse aprimoramento, pode-sereceber


a Luz Divina e curar as pessoas?

Meishu Sama: Não é preciso aprimoramento. Com


apenas 3 ou 5 dias ouvindo as orientações chamadas Aulas de
Princípio Messiânico, consegue-se curar colocando a Luz Divina.

Senhor K: É preciso ter convicção na oração de Deus.

Meishu Sama: Não é necessário. Pode duvidar desde o


início. Pode duvidar até o fim. Se não duvidar desde o principio é
o mesmo que mentir a si próprio. Dizer para acreditar uma coisa
que desconhece é o mesmo que enganar a si próprio. Não existe
força própria. Recebe-se a força de Deus.

Senhor K: Então, se o senhor disser que isso não tem


perigo e julgar que dá para fazer isso, poderá receber a Luz
Divina?

Meishu Sama: Não tem absolutamente nada disso.

382
Rokan – Alicerce do Paraíso

Senhor K: Foi dessa forma que recebeu a mensagem de


Deus?

Meishu Sama: Não é preciso uma coisa complicada como


mensagens. Isso porque eu sei o que Deus quer realizar
diretamente Dele.

Senhor K: Sem forma nenhuma?

Meishu Sama: Eu sinto. É sobre a doença?

Senhor K: Não, o fato de Deus ter incorporado, foi dessa


forma?

Meishu Sama: No início Deus se incorporou à minha


pessoa. Chama-se Incorporação Divina. Depois disso, Deus está
aqui (ventre) dentro. Em japonês se diz união Deus-Homem.
Deus e o homem acabam se tornando um único ser.

Senhor K: Enquanto Ele estiver presente, está bem, mas


se mais tarde Ele não.aparecer mais, como será?

Meishu Sama: Se eu não existir não haverá necessidade.


Isso porque, enquanto eu viver, deixarei o mundo a ponto de não
ter necessidade.

Senhor K: Será que é o seguinte: no caso da Igreja


Católica, Cristo faleceu, mas as Igrejas ficaram, e enquanto era
vivo, ele fez tudo e depois não tem mais necessidade de ter
Igrejas ou Ensinamentos para dar esclarecimentos.

Meishu Sama: Não tem necessidade. O motivo disso é


que eu vou acabar com os doentes do mundo inteiro. Vou acabar
com a doença do mundo. Acabar com a doença significa que,
não tendo a doença, não terá homens maus. Homens maus são

383
Rokan – Alicerce do Paraíso

todas as pessoas enfermas. Acabando com os homens maus,


acaba a necessidade da religião.

Senhor K: Por isso o senhor diz que enquanto viver irá


acabar com a doença do mundo?

Meishu Sama: Isso. É porque existe uma causa da


doença. Até hoje a humanidade estava equivocada com a causa
da doença. Portanto, eu vou esclarecer essa causa. Estou
escrevendo um livro sobre isso e depois vou distribuí-lo ao
mundo inteiro.

Senhor K: A doença acabará, e sendo assim, a morte se


tornará uma coisa bem distante.

Meishu Sama: Isso mesmo. O homem vai viver mais de


cem anos.

Senhor K: Cristo, Maomé e Sakyamuni, essas pessoas


também receberam um certo tipo de missão de Deus e vieram a
esse mundo?

Meishu Sama: Sem dúvida, mas a força que aquelas


pessoas receberam de Deus é pouca. Era fraca. Por isso tenho
muitos discípulos que manifestam milagres iguais aos de Cristo.
Portanto, a minha Igreja Messiânica Mundial não é uma religião.
Não se consegue salvar a humanidade através da religião. A
Religião era apenas uma ligação para salvar a humanidade até o
meu aparecimento.

Senhor K: Na Bíblia está escrito que Cristo fez ressuscitar


3 dias depois da morte, e os fiéis acreditam nisso plenamente, só
que para fazer com que os fiéis digam isso, é preciso fazer algo
parecido como ressuscitar um fiel e mostrar, senão não
acreditarão, mas é possível fazer uma coisa assim?

384
Rokan – Alicerce do Paraíso

Meishu Sama: Um discípulo meu consegue fazer


esplendidamente. Tem discípulos que estão fazendo renascer
pessoas que já morreram. Portanto, mesmo vocês, tornando-se
meus discípulos, conseguirão fazer coisas iguais às de Cristo.

Senhor K: Em outras palavras, quer dizer que possui o


poder de fazer nascer novamente uma pessoa morta?

Meishu Sama: Isso mesmo.

Senhor K: Até mesmo um discípulo?

Meishu Sama: Consegue.

Senhor K: E a força, como Cristo, de dar alimento quando


este acabar e tornar a terra mais rica?

Meishu Sama: Consegue. Acontece muito isso.

Senhor K: Eu desejo bastante que se expanda,


infalivelmente, pelo mundo inteiro.

Meishu Sama: Sem dúvida, assim será. E os fiéis


católicos logo se tornarão membros messiânicos. E quem vai
realizar isso é Cristo. O Espírito de Cristo fará com que todos se
tornem membros da Igreja Messiânica.

Senhor K: O fato de saber que os fiéis católicos se


converterão foi através de mensagem ou do que?

Meishu Sama: Não foi assim. Não é preciso que eu


trabalhe tanto, pois do lado dele, para que eu não precise
trabalhar, Cristo trabalha de lá do Mundo Espiritual. Tanto Cristo
como Sakyamuni estavam à espera do meu nascimento. Cristo e
Sakyamuni foram profetas. Cristo predisse que o Paraíso
Terrestre estava próximo, mas não disse que ele construiria o

385
Rokan – Alicerce do Paraíso

Paraíso Terrestre. Sakyamuni também disse que viria o Mundo


de Miroku, mas não disse que seria ele a concretizá-lo.

Senhor K: Os fiéis católicos acreditam que não existe


nada superior ao Deus por eles venerado.

Meishu Sama: Isso não está certo. Existe o Pai do Céu. O


que eu realizo são as coisas do Pai do Céu.

Senhor K: Dizem que Cristo é o Messias.

Meishu Sama: Não é o Messias.

Senhor K: Se é assim, de que forma vão entrar os fiéis


católicos? É o segundo Messias? Os judeus, por exemplo, estão
pensando que Messias ainda não veio. Me fale sobre a vinda de
Messias.

Meishu Sama: Isso eu não posso falar detalhadamente.


Se eu for a Vinda de Messias ou Cristo, as pessoas virão
correndo e eu não poderei trabalhar. Agora tenho diversos
trabalhos e também bastante coisa para escrever. É a minha
Bíblia. Até que ela seja concluída não posso falar abertamente.
Portanto, deixo obscuro. É nesse sentido.

Senhor K: Por gentileza, se puder gostaria de bater uma


foto da sua mão (ministrando Johrei).

Meishu Sama: Pode (Meishu Sama levanta a mão e a foto


é tirada de frente).

Senhor K: "A mão que cura o sofrimento do mundo",


publicarei com esse título.

Senhor K: Quando a Bíblia será concluída?

386
Rokan – Alicerce do Paraíso

Meishu Sama: Bem, o ano que vem ficará pronto. É um


livro intitulado “A Criação da Civilização".

Senhor K.: Se puder, gostaria que nos enviasse o livro o


mais rápido possível.

Meishu Sama: E tem também diversas outras publicações


feitas até hoje, que lhes darei de presente. Nesse meio tempo,
um relato escrito de punho próprio do meu discípulo, que fez uma
coisa igual ao de Cristo, e vários outros, por isso quero que os
leia.

Senhor K: Escritos em inglês?

Meishu Sama: Não, em japonês.

Senhor K: Estou muito agradecido. Agradeço de coração.

Meishu Sama: Vai visitar o Museu de Belas-Artes? E


quero deixar dito o seguinte: o que construí aqui será construído
no mundo, esse é apenas um pequeno modelo desse paraíso do
mundo.Tem esse significado.

OBS: falta traduzir a parte final

Jornal Eiko nº 164, 09 de julho de 1952

387
Rokan – Alicerce do Paraíso

(R1/130) ENTREVISTA ENTRE MEISHU SAMA E O SENHOR


TSUNEATSU IZATO, VICE-DIRETOR DA SEÇÃO DE CIÊNCIA
DO JORNAL YOMIURI

Local: Shinzan-Sô, 4 de outubro de 1952

Sr. Izato: Sou Vice-diretor da seção de ciência e essa


seção não trata apenas da ciência natural, e me disseram
também para ver a parte de filosofia e religião da ciência
espiritualista, mas no momento não existe espaço, e quando esse
espaço for aberto, pretendo fazer uma coluna sobre religião. E
também existe esse desejo por parte dos leitores; o mundo está
mostrando essa tendência por isso ... Estava pensando em
encontrá-lo uma vez e lhe cumprimentar, e felizmente, o
professor Oishi da religião Shinshurem é meu superior da
faculdade; por isso, pedindo-lhe um favor, viemos até aqui.

Sr. Oishi: Como é de seu conhecimento, até hoje, os


jornais, sem pesquisarem muito, vieram falando mal sobre as
religiões novas; então, o objetivo é que essas pessoas se
encontrem com os fundadores das religiões e conversem, para
que compreendam docilmente, e orientem os repórteres que
trabalham com isso.

Meishu Sama: Isso é bom.

Sr.Izato: A orientação para os repórteres também, mas o


repórter jovem não entende o que é uma religião e também não
tem interesse; por isso, do jeito que o Sr. Oishi, fala não dará
muito certo...

Meishu Sama: Nós também, não temos muito interesse


em religião, viu? É engraçado um religioso estar falando uma
coisa dessas, mas com a Ciência também não tem jeito.
Principalmente a camada jovem atual aprende ciência na escola
e, ao sair na sociedade, compreende que, no final das contas,

388
Rokan – Alicerce do Paraíso

com a Ciência não dá, realmente, as coisas não correm de


acordo com a teoria, e infalivelmente, surge o desejo de que quer
alguma coisa mais profunda. Então, ao se pensar em religião,
não dá vontade de fazer, porque as religiões de até agora estão
muito distantes da realidade... Creio que esse pensamento é bem
numeroso. Contudo, a teoria de Marcus não satisfaz e deve ser
grande o número de pessoas que estão balançando. Mas mesmo
assim, é preciso ter algum objetivo, porém as religiões já
estabelecidas estão solidificadas daquele jeito e não só não têm
atrativos como já se tem conhecimento do conteúdo, dos
princípios. Por isso, ao fazer uma pesquisa, a teoria está bem
feita, mas não dá para dar tudo de si por essa causa ou ter
grandes esperanças. Aí entram as religiões novas. Elas possuem
tudo o que as religiões já estabelecidas não têm. Sem dúvida
que, se for igual às religiões já estabelecidas, não haverá
progresso nem nada; então, que tipo de ideologia se tornará a
força do futuro? Isso é difícil. Se for eu, tenho bastante confiança,
mas apesar disso, como as religiões novas em geral foram
desprezadas durante muito tempo, mesmo que eu diga que é
dessa forma, é difícil que logo sigam ou aceitem tal coisa, pois a
época está nessa situação. De minha parte, tenho a convicção de
poder salvá-los, por isso estou me empenhando de corpo e alma.
Agora é a era de revolta das religiões novas, então, no final das
contas, isso será ajustado. É apenas uma questão de tempo.
Restarão somente as coisas realmente boas.

Sr. Izato: Meishu Sama, o que o senhor acha; já faz tempo


que tenho dúvida sobre a Verdade, Ensinamento correto, mas
essas coisas não são únicas no Universo?

Meishu Sama: Sem dúvida, são sim. Só existe uma


Verdade.

Sr. Izato: Sendo assim, começa a dar confusão, e se fosse


igual ao estrangeiro só com o cristianismo, a religião teria mais
facilidade...

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Rokan – Alicerce do Paraíso

Meishu Sama: Isso mesmo. Creio que numeroso igual ao


Japão não existe. Isso, realmente, é uma característica do Japão.
Quanto a esse ponto, de qualquer forma, o Japão tem a missão
de sintetizar todas as coisas do mundo e construir uma nova
cultura. Portanto, no Japão, as religiões e mesmo todas as outras
coisas existem em grande número. Tanto a Arte como a
Literatura, Belas-artes e Teatro e também com a vestimenta,
alimento e moradia. Isso porque do Japão é que são feitas as
coisas sintetizadas. Portanto, a verdade se espalha por todos os
locais. O comunismo e o capitalismo não são verdades.
Incluindo-se isso e através de uma moral superior, que vem a
constituir uma lei, essa é a verdade. Aí as religiões também, não
há dúvida de que, no Japão, conseguir-se-á uma sintetização de
todas as religiões do mundo. E a cultura verdadeira é aquela que
possui a religião como centro. A ordem é Religião, Filosofia e
Ciência. Então, a cultura dos Estados Unidos tem o cristianismo
como centro. Primeiro foi o puritanismo que atravessou para os
Estados Unidos e colonizou. E além da religião ter se tornado o
centro, dizem que a cultura dos Estados Unidos tem muita coisa
em comum com o mundo inteiro. Em contraposição, o chamado
comunismo está trabalhando intensamente, mas aquilo também é
necessário. O comunismo também ajuda e assim nasce uma
coisa verdadeira. E também, Deus colocou o Bem e o Mal,
fazendo-os disputarem para que nascessem realmente coisas
boas. Até agora era a época de fazer progredir a cultura
materialista, e foi através da disputa entre o Bem e o Mal que
nasceu a cultura materialista. A ciência atômica e o avião
também o são. Portanto, o Mal também foi necessário. Esse
modo de ver é o modo do Deus Supremo. O Deus Supremo
construiu os dois, o Bem e o Mal. Entretanto, as religiões
existentes até hoje eram apenas do lado do Deus do Bem. E só
com o Deus do Bem não se consegue edificar a cultura
materialista. Não se desenvolve. Porém, esse modo de agir não é
infinito. Existe um tempo. Isso porque, como a cultura materialista
progrediu demais, o Mal utilizando-se disso, vai, aos poucos,
chegando numa época em que irá destruir a humanidade. Não é

390
Rokan – Alicerce do Paraíso

verdade? Se o Mal utilizar a bomba atômica, vai acabar


exterminando a humanidade. Então, chega o momento em que é
preciso parar. E isso não é apenas com a guerra individual.
Acontecerá o mesmo em todos os setores. Eu falo sobre a teoria
de 99% e 1%, e o Mal vence até os 99% e com 1% ele é
derrubado com a mão, ou seja, é a força de 1%. A força de 1%
não é a força do lado material; é a invisível, força espiritual. Com
essa força, faz-se o Mal voltar atrás e depois o lado do Bem se
tornará numeroso. Com isso, não quero dizer que o Mal acabará
totalmente, mas o lado do Bem vencerá. E essa época é agora. E
as profecias de Cristo "Fim do Mundo" e “Juízo Final", querem
dizer que irá terminar o mundo em que o Mal vencia até agora.
Estou escrevendo sobre tudo isso. É o livro intitulado A Criação
da Civilização. Sem dúvida que vou distribuí-lo ao mundo inteiro e
também vou mostrá-lo à comissão de julgamento do Prêmio
Nobel. Pretendo fazer com que as celebridades de cada país
leiam e façam criticas.

Sr. Izato: Quando estávamos conversando em Nikko-den,


fiquei admirado com a tese "Salvarei a América". Depois, vendo
aquele relacionado com a arte, senti que a redação era muito
perspicaz, e nós repórteres também pensamos dessa maneira.
Sem utilizar palavras muito difíceis, diz exatamente o que está
pensando e mostra bem que assim não cai na vulgaridade.

Meishu Sama: Seja como for, a minha tese é terrivelmente


um salto na lógica; por isso, se não estiver acostumado, leva um
susto, mas como condiz com a realidade, vai compreendendo
através disso, e afinal de contas tento escrever a sublime
verdade, de modo que possa ser compreendida o quanto
possível, para as pessoas em geral; por isso, é muito trabalhoso.
E o meu objetivo é salvar os povos do mundo inteiro. Não
salvarei apenas o Japão. Salvar a América significa que, podem
achar que não sei o meu lugar, mas, se eu for salvar os povos do
mundo, salvar a América, que possui influência maior, é o meio
mais eficaz. E também, a América tem a religião como base e,

391
Rokan – Alicerce do Paraíso

quanto ao ponto de manter a paz, realmente é um país que


precisa ser salvo. Não posso salvar o lado do comunismo. O
comunismo tem como base o ateísmo; é completamente o
oposto, por isso não tem jeito. E a América agora está com
muitos doentes e aumenta todo ano. Eu vi a estatística e fiquei
assustado. Publicarei também essa estatística.

Sr. Izato: Os tipos de doenças também estão


aumentando?

Meishu Sama: Os tipos também estão aumentando aos


poucos. E a causa da doença é o remédio. Portanto, o fato da
doença surgir devido ao remédio se deve simplesmente à ciência
física e química. Assim, o que estou escrevendo agora, o qual
teoricamente chamo de ciência espiritualista, é o milagre que
agora está curando a doença.

Sr. Izato: Quando for publicado o livro "Salvação da


América”, os americanos também serão salvos em grande
número. Nós também temos uma experiência através do
relacionamento com os americanos de que aquele que não
presta, não presta mesmo, e são bem numerosos, mas aquele
que é bom abaixa a cabeça e reflete: "Hum, é assim". Nesse
ponto, eles são pessoas dignas.

Meishu Sama: Creio ser esse o ponto importante que


causou o progresso da América. Seja como for, não se deve ater
à tradição; o que é bom deve ser considerado bom. Pode ser
japonês, pode ser chinês, o que é bom é bom; esse principio
mundialista, extremamente amplo, é bom, sem dúvida. O japonês
não tem muito isso. Creio que é a natureza de um país de ilha.

Sr. Oishi: Quando a pessoa se torna boa, começa logo a


atacar.

Sr. Izato: Deus fez os homens maus e não irá salvá-los?

392
Rokan – Alicerce do Paraíso

Meishu Sama: Vai salvá-los. Deus fez os homens maus e


vai salvá-los. Tem necessidade de salvá-los. Isso porque o
homem mau precisa limpar aquilo que está sujo. Então, pode-se
falar isso também espiritualmente, mas o motivo é realmente
interessante. Estou escrevendo sobre isso agora e não é possível
fazer uma breve explicação.

Sr. Izato: Por exemplo, existe o homem mau e há casos


em que ele morre como um homem mau, esse não será salvo?

Meishu Sama: Entretanto, isso acontece porque não


acredita no Mundo Espiritual. É preciso compreender que existe o
Mundo Espiritual. Se não for dessa maneira, é impossível
solucionar os problemas. No início, fiz bastantes pesquisas sobre
o Mundo Espiritual e, pelo contrário, pode ser visto como o início.
Por isso, é preciso apreender o princípio chamado espírito. Creio
que já puderam ver, mas quando um doente diz que dói a
cabeça, é só fazer assim (Johrei). No momento em que todos
estavam reunidos agora há pouco, creio que deve ter visto o que
eu estava fazendo para todos. Com aquilo, acontece bastante a
cura de doenças. Normalmente não faço assim, mas no momento
do Culto são muitas pessoas e também leva muito tempo e, além
disso, dá muito trabalho, mas pedem insistentemente para fazer.
Faço individualmente, e entre eles tem bastantes que saram da
doença. Geralmente não existe nada no ar, mas tem muitas
pessoas que ficam quentes. Ministrando Johrei, tem também
muitas pessoas que suam. Mas, por outro lado, tem pessoas que
logo se sentem bem; pessoas que sentem um tipo de eletricidade
e diversos outros. Seja como for, através disso toda pessoa se
sente muito bem. Explicando o que seja isso, trata-se do espírito.
É algo que não se pode enxergar. Fazendo assim (Johrei) por
que a doença sara, também fiz explicações teóricas
cientificamente, mas o meu princípio é curar a doença. Curando a
doença, soluciona-se todo e qualquer problema. Até mesmo os
problemas de pensamento e outros. Mas, falando em curar a
doença, basta que se torne um homem de pensamento sadio. Se

393
Rokan – Alicerce do Paraíso

não é sadio, é porque o espírito do homem está doente. O ser


humano não é constituído apenas do corpo. A chamada ciência é
idiota porque considera isso como um ser humano; o homem
vive, trabalha e possui também pensamento, não é apenas a
matéria. É exatamente igual quando explicamos sobre o ar a um
selvagem e ele diz que não existe. Portanto, fazer acreditar na
existência do espírito é a base da salvação. Basta curar esse
espírito. Procedendo dessa maneira, a doença do corpo sara.
Portanto, de minha parte fico rindo sobre transfusão de sangue,
mas isso (Johrei) é transfusão de sangue. Ou melhor, é algo mais
que a transfusão. Isso porque uma pessoa que está prestes a
morrer por causa de hemorragia, fazendo-se assim (levantar a
mão), ela revive.

Sr. Izato: Sendo assim, ministrar a Luz, pode ser qualquer


pessoa?

Meishu Sama: Pode ser. Seja fulano, beltrano ou ciclano,


sendo ser humano pode.

Sr. Izato: Por exemplo, até mesmo eu, é só fazer assim?

Meishu Sama: Isso mesmo. Até mesmo uma pessoa


abandonada pelo médico é curada.

Sr. Izato: Contudo, é preciso que eu acredite no Mundo


Espiritual, não?

Meishu Sama: Não tem nada disso. Por isso, aí está o


valor. Não tem nem um pouco de força própria. O fato de você se
empenhar fervorosamente significa que a força própria é
acrescida. Portanto, não há necessidade de força humana. É
desnecessário. Uma criança de 6 ou 7 anos faz assim (Johrei)
para o pai e sara, por isso é uma coisa maravilhosa.

Sr. Izato: A luz vai para o outro lado e depois volta?

394
Rokan – Alicerce do Paraíso

Meishu Sama: Não, ela só atravessa. No interior de minha


barriga tem uma Bola de Luz e daí sai a luz, portanto, é infinita.

Sr. Izato: Essa bola é só Meishu Sama que a possui?

Meishu Sama: Sim.

Sr. Izato: Sendo assim, suponhamos que depois de cem


anos Meishu Sama vá para o Mundo Espiritual, o que significa
que essa luz acabará...

Meishu Sama: Entretanto, eu a irradiarei do Mundo


Espiritual, o que é a mesma coisa. Ao contrário, irradia melhor.
Isso porque o corpo atrapalha.

Sr. Izato: E com isso, a Igreja está tranqüila, não é.

Meishu Sama: E também, chegando a essa época, as


doenças diminuirão bastante. Os doentes diminuirão, por isso,
quase não haverá mais necessidade. A causa da doença é o
remédio; portanto, retirando o remédio do corpo, a doença deixa
de se manifestar. O processo de retirar o remédio é a doença.
Mesmo fazendo Johrei, não se consegue retirar totalmente.
Geralmente leva de 20 a 30 anos para retirar. Normalmente não
se sabe quantos anos demora. Por isso, fazer assim (Johrei) é o
método de eliminar o remédio; sem saber disso, agora todos
estão tomando remédio, o que é perigoso. E através do remédio
estão fabricando doentes, mas de um lado, o remédio também foi
necessário, por isso Deus o fez. Escreverei sobre tudo isso no
livro A Criação da Civilização, por isso quero que o leiam.
Conversando apenas uma vez é difícil entender.

Sr. Izato: Qual a relação existente entre o Belo e o


Ensinamento de Meishu Sama?

395
Rokan – Alicerce do Paraíso

Meishu Sama: Quer dizer, é só elevar o nível de


espiritualidade do homem. Ou seja, o nível da civilização ainda é
baixo. É preciso elevá-lo aos poucos. Para isso, pregam-se
Ensinamentos pelos ouvidos, e pelos olhos, através do Belo, o
nível do espírito se eleva. Também fazer com que leiam as letras,
fazer ler o que está escrito, através de diversas coisas desse tipo,
promover a elevação do espírito do homem. Sendo assim, o Belo
é, sem dúvida, uma coisa necessária. Contudo, o Belo existente
atualmente; na sua maioria, rebaixa o espírito. O homem também
precisa de divertimentos. Porém, esse divertimento, que se
recebe com os olhos, na sua maioria rebaixa muito o espírito.
Portanto, é preciso que tenha essas coisas que elevam o espírito.
Por isso, à medida que a civilização mundial vai, aos poucos,
progredindo, essas coisas vão progredindo bastante e se
tornando rico. Agora, esse tipo de tendência vem aumentando.
Na América e na Europa também, os Museus de Artes estão
sendo construídos em toda parte. Dessa forma, o veículo das
Belas-Artes, na realidade, está se tornando popular. Já é possível
os japoneses verem, de ponta a ponta, os quadros de grandes
pintores franceses. E agora faremos uma exposição das obras
japonesas na América; e de minha parte também vou expor, e
nessas condições, esse tipo de relação proveniente das Belas-
Artes está se tornando grossa na América e outros países; o
Museu de Belas-Artes está bem desenvolvido. No que diz
respeito às Belas-Artes, também estão mostrando bastante
interesse.

Sr. Izato: Eu tenho um pouco de interesse pelas pinturas a


óleo do Ocidente e por Matisse, mas não me interesso nem um
pouco por Picasso.

Meishu Sama: Aquilo é ir completamente longe demais.

Sr. Izato: Se for pintura japonesa acho bom, dá uma


impressão de limpidez.

396
Rokan – Alicerce do Paraíso

Meishu Sama: Eu também. Pode-se dizer que não existe


o objetivo da Arte se não for apreciada pelas pessoas em geral.
De qualquer forma, o objetivo da Arte é que possa ser apreciada,
o quanto possível, por um grande número de pessoas. Não
presta se for entendida apenas pelas pessoas que sabem
apreciar. Precisa ser compreendida pelas pessoas que sabem e
também pelas que não sabem apreciar. Não é preciso que seja
uma coisa profunda, mas que todos achem bom, senão não
presta. E a pintura de Picasso precisa ser pensada. E também,
mesmo pensando, não se entende. Por isso, ouvi dizer que saiu
um texto na França dizendo que Picasso é um louco. Uma
pessoa assim acabará, mais cedo ou mais tarde. Já escrevi uma
vez um texto sobre a pintura de Picasso e publiquei no jornal.

Sr. Izato: Então quero agradecer o encontro, apesar do


Senhor estar atarefado. Muito obrigado.

Jornal Eiko nº 179, 22 de outubro de 1952

397
Rokan – Alicerce do Paraíso

(R1/131) PALESTRANDO COM MEISHU SAMA VISITANDO O


SENHOR SHOTTI HEKI, CONSELHEIRO DA REVISTA BUNGUEI
SHUNJU, E SENHOR TOSHIYA KONDO, SUB-CHEFE DA
REDAÇÃO DA MESMA

No dia 23 de outubro próximo passado, Meishu Sama


recebeu visitas da parte da "Empresa Bunguei-Shunju" - o
número um da revista literária do país, o Sr. Heki, conselheiro
desta revista, acompanhado do sr. Kondo, sub-chefe da redação
da mesma, com intuito de publicar a entrevista do Sr. Heki com
Meishu Sama.

O Sr. Heki nem é preciso apresentar, pois é aquele senhor


erudito, tratado com o apelido de "titio sábio", por crianças, em
programa de rádio. Sua aparência é de um tipo "doutor sofrido",
que Meishu Sama sempre diz.

A entrevista deste dia foi realizada na sala de visita do


Hekiun-Sô, estando também presente o sr. Seikun Matsui,
conselheiro da Igreja.

A conversação entre Meishu Sama e o "doutor sábio"


durou ao longo de duas horas, entre ininterruptas gargalhadas.

A seguir, publicaremos aqui uma parte da palestras desse


dia.

MILAGRES COMO O DE CRISTO, MEUS DISCÍPULOS


REALIZAM

Sr. Heki: Hoje gostaria de fazer várias perguntas sobre a


Igreja Messiânica, as quais sempre tive dúvidas. Em primeiro
lugar, qual o motivo da mudança de Kannon-Kyo para Igreja
Messiânica?

398
Rokan – Alicerce do Paraíso

Meishu Sama: O meu objetivo é salvar toda a


humanidade. Portanto, sempre achava que também o seu nome
deveria ser mundial. Quer dizer que, se fosse Kannon-Kyo, seria
delimitada apenas ao Oriente. E depois, eu gosto muito do nome
“Messias”. Entretanto, se escrevesse “Messias”, em kaná,
caracteres japoneses, pensei que pudesse surgir mal-entendido,
então coloquei o “Messias”, em kaná, ao lado dos caracteres
chineses, que significa “salvação do mundo". Mudei porque achei
que finalmente chegou a época.

Sr. Heki: Também no tocante à Agricultura, está fazendo


muitas coisas, por exemplo, o aumento da produção de
alimentos... Pois é Igreja Messiânica (N.T. a pronúncia "meshi"
significa comida, popularmente, no Japão), né? (gargalhadas)

Meishu Sama: De qualquer maneira, se cultivar


semnenhum adubo, o aumento de colheita de arroz em 50% não
é nada. Além disso, o que se colhe é saboroso e é maior. O
fundamental é não usar os adubos e aproveitar a qualidade da
terra.

Sr. Kundo: Pode ser uma terra inculta?

Meishu Sama: Torna-se inculta porque dão adubos. A


acidez também é causada por adubos. Eles são idênticos a
narcóticos. Usando-se os narcóticos, temporariamente se sente
bem, não é? Com os adubos também acontecem o mesmo: se
adubar, obtém-se bons resultados por uns tempos, três anos,
cinco anos.

Sr. Kondo: Nega totalmente os adubos e narcóticos?

Meishu Sama: Isso mesmo.

Sr. Kondo: Os membros da Igreja Messiânica estão


curando as doenças sem uso nenhum de remédios?

399
Rokan – Alicerce do Paraíso

Meishu Sama: Porque todos os remédios são tóxicos.


Contêm os sintomas das doenças com o tóxico. Por isso, as
doenças, quanto mais usarem os remédios, são mais difíceis de
curarem-se. Em se tratando de tuberculose pulmonar, noventa e
três pessoas entre cem estão se curando, mas as sete restantes
são negativas. É porque essas sete são quem usaram a maior
quantidade de remédios.

Sr. Heki: Na sociedade, comenta-se de maneira


exagerada se uma ou duas pessoas falecerem, entre várias mil,
mas os médicos matam mais.

Meishu Sama: Assim, dizer coisas como a operação


cardíaca foi um sucesso, ou que melhorou por transplantar o
globo ocular, extraindo-se de um morto, falando-se da nossa
posição, parecem enganações de crianças. Aquilo é um método
comum que usam para fazer acreditar na medicina. Outro dia
aconteceu um fato de as vistas do Sr. Yoshii, pintor, que estavam
com problemas há quatro anos, melhoraram em apenas cinco
minutos. Portanto, coisas como milagres de Cristo, os meus
discípulos estão realizando diariamente.

Sr. Kondo: Assim sendo, os farmacêuticos e médicos


considerarão a Igreja Messiânica como rival e devem se
embaraçar muito.

Meishu Sama: Por isso, eu estou pensando onde é que


irão os médicos. Brevemente, em âmbito mundial, desaparecerão
farmacêuticos e médicos; portanto, o trabalho de salvação deles
é um problema difícil.

Sr. Kondo: E os familiares do Senhor, atualmente?

Meishu Sama: Tenho seis filhos. Se casaram e tenho


alguns netos.

400
Rokan – Alicerce do Paraíso

Sr. Kondo: Não têm relacionamento com a sua seita?

Meishu Sama: Alguns, sim, alguns, não. Nesse aspecto


também estou deixando à livre escolha.

Sr. Kondo: Na família de seus filhos, não vão ao médico


quando adoecem?

Meishu Sama: Não vão de jeito nenhum. Se tomarem


remédio, cortarei o relacionamento de pai e filho.

BREVEMENTE CONSTRUIR-SE-Á O MAIOR MUSEU DE


BELAS ARTES DA AMÉRICA

Sr. Heki: Mudando de assunto, dificilmente ouço que um


religioso constrói um Museu de Belas-Artes. No caso do Senhor,
com que motivo o construiu?

Meishu Sama: Isto talvez não se possa dizer motivo, mas


o homem sempre está se reencarnando, e eu havia nascido
corno príncipe Shotoku. Em princípio, quem divulgou o Budismo
no Japão fui o príncipe Shotoku. Explicando como, foi pelas
Belas-Artes. Entretanto, naquela época fora somente no Japão, e
desta vez, estou dizendo que farei em escala mundial o que o
príncipe Shotoku fez. O museu de Belas-Artes de Hakone é o seu
princípio.

Há uns dois ou três dias, veio um japonês que reside há


tempos nos Estados Unidos, e como disse: "Seria bom que
fizesse exposição circulante nos Estados Unidos, levando as
suas obras de arte". Eu respondi: "Em breve, construirei um
Museu de Belas-Artes também nos Estados Unidos".

Eu pesquisei bastante acerca dos Museus de Belas-Artes


existentes nos Estados Unidos, mas, do meu ponto de vista, só

401
Rokan – Alicerce do Paraíso

têm nome. Eu estou pensando em construir o maior museu dos


Estados Unidos.

Sr. Heki: Na sociedade, estão suspeitando pelo fato de ter


conseguido grande riqueza em pouco tempo, mas qual é, vamos
dizer, o segredo do enriquecimento?

Meishu Sama: A maior razão é a cura da doença. As


pessoas que fizeram tratamentos em grandes hospitais e
renomados médicos, que pioraram cada vez mais, chegando-se à
beira da morte, nelas, os meus discípulos fazem, e salvam-se.
Então, é grande a emoção. Assim, o que quer que seja dos
empreendimentos que são feitos pela igreja, não conseguem
deixar de ofertar dinheiro. E sempre digo que não devem fazer
algo como extorsão. As pessoas que recebem bênçãos até estão
aguardando a dedicação monetária. O Museu de Belas-Artes
também custou mais ou menos cinqüenta milhões de yens, mas
isso também, falei mais ou menos em novembro do ano passado,
e foi concluído em junho deste ano. Foi concluído totalmente
somente nesse período.

Sr. Heki: A casa da moeda parece que tem para a


Messiânica, não? (gargalhadas)

Sr. Kondo: Os deputados não vieram pedir dinheiro


emprestado antes da eleição? Ouço freqüentemente que o Sr.
Yoshida e Hatoyama, do Partido Liberal, estão com dificuldades
financeiras, e ambos estão fazendo empréstimos porque
precisam de dinheiro para criarem os sectários.

Meishu Sama: Não vieram, não.

Sr. Heki: Se eu fosse deputado, talvez viria procurá-lo.

Meishu Sama: De qualquer maneira, eu tenho o grande


afazer de salvar o mundo, portanto, em questão de dinheiro,

402
Rokan – Alicerce do Paraíso

sempre estou em situações difíceis. E daqui a dois anos,


construirei, em Atami, um Museu de Belas Artes maior que o de
Hakone, e com isso também tenho muitas coisas a adquirir;
então, a necessidade de dinheiro é muita. Mas, em
compensação, não é um sofrimento de cobrança de empréstimo.

E acontecem fatos assim: Nos últimos tempos, há muita


procura de obras de arte antigas do Japão por parte dos Estados
Unidos. Como dizem: “Se o senhor não comprar, venderei aos
Estados Unidos”, tenho de adquirir de qualquer maneira. Este
mês também comprei, assim, uma maravilhosa escultura de
buda.

Sr. Matsui: O Sr. Tokujiro Kanamori (Superintendente da


Biblioteca Nacional) estava muito grato.

Meishu Sama: Como tenho que fazer aquisição de tais


obras de arte, necessito de muito dinheiro. Além disso, tenho
vários empreendimentos que administro.

Mordomo Abe: O dinheiro necessário entra


misteriosamente.

Sr. Matsui: Existem três deputados messiânicos, mas nem


para eles não financiamos nada. Recebem Johrei de Meishu
Sama e "tá bom, já vão ganhar". (gargalhadas)

Meishu Sama: Por isso, todos que me visitam melhoram


da sorte.

Sr. Heki: Sr. Kondo, vamos visitá-lo também?

Meishu Sama: O Sr. Musei Tokugawa também, depois


que passou a me visitar, parece que melhorou mais ainda. Assim
sendo, ajunta-se dinheiro, mas também é grande a soma que se
sai.

403
Rokan – Alicerce do Paraíso

Sr. Kondo: A Receita Federal deve visar, não?

Meishu Sama: Mas, como é uma entidade jurídica


religiosa, nesse ponto A dom. Na época em que era entidade
jurídica recém constituída, não compreendiam, e a receita federal
ficava de olho, mas como construímos o Museu de Belas Artes,
acho que entenderam. Hoje não há mais nada disso. Além disso,
o Museu está sendo bem aceito também pelos setores correlatos.

Sr. Heki: Pois é uma contribuição para a cultura.

Meishu Sama: Como no Museu há falta de verbas, dizem


que não é possível adquirir obras de artes preciosas, que
evadem-se ao exterior. Então, como eu adquiro e preservo-as,
dizem que realmente é uma benfeitoria para a nação. Por isso, a
Comissão de Preservação das Riquezas Culturais também me
facilita e ajuda.

"SALVAR A AMÉRICA" SE TORNARÁ TEMA DE DEBATE

Se. Heki: O fato de, nesta época atual, o povo ser atraído
por várias novas seitas, creio que resume-se em ter extinguida a
atração fundamental nas religiões tradicionais do Japão, e o outro
fato é que o povo sofre e está solitário.

Meishu Sama: É claro que sim.

Sr. Heki: Portanto, julgar todas simplesmente de


superstição e de religião diabólica está errado. De fato, a seita
Honganji e Tenri também, no começo sofreram várias repressões
jurídicas, e a seita Nitiren e também o Cristianismo.

Meishu Sama: A repressão jurídica é inseparável da


religião. O pior foi a de Cristo, pois foi lhe tirada até a vida.
Entretanto, o seu ensinamento é que mais se expandiu pelo

404
Rokan – Alicerce do Paraíso

mundo. Portanto, quanto mais severa a repressão jurídica, mais


valor tem essa seita.

Sr. Heki: A psique das pessoas é estranha. No meu


serviço também, se o livro for criticado após a publicação,
vende-se bem. Acho que, se se falar Mal, torna-se um tipo de
propaganda. E então gravam na memória.

Meishu Sama: Entende-se também observando (...) de


(...). Tenho um livro que estou pensando em editar. Creio que se
tornará tema de debate. Se isso ocorrer, ótimo. Creio que será
possível vender bem. Ficará pronto mais ou menos no mês que
vem. É um livro intitulado "Salvar a América".

Sr. Heki: Ah, sim, desta vez, é ao contrário?

Meishu Sama: É grande o número de enfermos nos


Estados Unidos. Pela estatística, as pessoas que atualmente
estão freqüentando os médicos somam um total de dezessete ou
dezoito milhões de pessoas (mais de dez por cento da população
dos Estados Unidos). Então, é do meu intento escrever
completamente sobre as doenças que mais estão molestando,
explicando as suas causas e os tratamentos, e distribuir, desde o
Presidente, até às classes intelectuais, grandes hospitais e
médicos. Está sendo traduzido agora, mas o japonês ficará
pronto em breve.

Sr. Heki: Um homem é necessário se encontrar


pessoalmente e conversar sobre vários assuntos.

Meishu Sama: Realmente, "mais vale uma olhada do que


ouvir cem vezes”.

Sr. Heki: Exatamente. Foi bom ter vindo.

405
Rokan – Alicerce do Paraíso

Meishu Sama: Eu também acho que o melhor é os líderes


com os senhores tomarem conhecimento.

Sr. Heki: Oh, não, nem tento ...

PINTURAS FEITAS SE ALIMENTANDO DE BIFE

Sr. Kondo: As obras de arte são principalmente clássicas


ou modernas?

Meishu Sama: Ambas. Mas as artes modernas não estão


bem. Por isso, sou levado pelas obras clássicas.

Sr. Heki: Parece que não existe algo espiritual. São


apenas técnicas manuais.

Meishu Sama: Os pintores atuais não têm força nos


pincéis. Isto porque a vida cotidiana dos artistas atuais é
diferente. A força é muito influenciada pela alimentação. Se
estiverem comendo bifes e tomando leite, as forças não saem. E
assim, sem opção, tornam-se uma pintura besuntada. As atuais
são assim.

Sr. Kondo: Que tal as pinturas antigas do exterior?

Meishu Sama: Nas pinturas a óleo também existem boas


obras. Pelas redondezas da Itália, existem pinturas maravilhosas,
mas a minha tese é de que as pinturas do exterior não são artes,
e sim algo intermediário entre a arte e o artesanato. Se falar sem
cerimônia, são móveis requintados. E as pinturas japonesas e
orientais são para, realmente, deleitar-se. E deleitar-se
verdadeiramente com a arte, por exemplo, trocando-se de quadro
conforme a estação. No ocidente, penduram o mesmo quadro o
ano inteiro, e dizem que há quem pendure um só quadro a vida
inteira.

406
Rokan – Alicerce do Paraíso

Sr. Heki: Aquela grandeza de Sôtatsu é força espiritual do


que é a Arte, não é? Na pintura atual, não existe aquilo.
Principalmente, soube que o Senhor possui “Daruma”, de
Mussashi Miyamoto, e “Martim Pescador", de Mokkei. São obras
primas.

Meishu Sama: Os autores da Era Sô eras quase lodos


bonzos. Eles praticavam a ascese, penetrando em montanhas,
comendo verduras e cevada. E, pintando assim, são totalmente
diferentes. Em suma, é necessário ser vegetariano e se abster.

Sr. Heki: Não é pintura, e sim força espiritual, não é?

Meishu Sama: Realmente sim. A de Mussashi Miyamoto


também, ele trocou a espada pelo pincel. Eu reverencio perante
sua pintura.

Sr. Heki: As obras dos artistas atuais, a maioria, enquanto


os autores são vivos, são caras, mas ao falecerem, abaixam.

Meishu Sama: Não, existem obras de autor vivo que


abaixaram. De Taikan Yokoyama, de até uns dois ou três anos
atrás, eu compro, mas as atuais, não. Talvez seja porque está
alcoólatra.

NO AMOR, É DIFÍCIL O LIMITE

Sr. Heki: Então, para finalizar, gostaria de saber a


concepção sobre o amor, do Líder Espiritual, por favor...

Sr. Kondo: Em Atami, deve haver muitos exemplos,


poderia começar por aí.

Meishu Sama: Mas agora, já estou velho. De qualquer


maneira, o amor é muito bom. Aquilo pode-se dizer que é a
grande misericórdia ou a dádiva que Deus concedeu ao homem.

407
Rokan – Alicerce do Paraíso

É mais ou menos isso. Entretanto, se o amor se limitasse a um


certo ponto, seria bom, mas como ultrapassam esse limite é que
surgem as tragédias. Portanto, se não ultrapassar o limite, deve-
se amar bastante (dando gargalhadas). Mas o amor que se
possa limitar talvez não seja o verdadeiro amor (todos deram
gargalhada).

Se. Heki: Realmente, é mesmo.

Meishu Sama: Quando eu era jovem, fui combinar sobre


duplo suicídio, que pode-se dizer que é o extremo do amor. Mas
naquele momento, havia um outro eu, que pensava: “O estado
emocional de quem faz duplo suicídio deve ser assim. Eu
experimentei, está bom”. E a minha razão resolveu com vigor.
Nesse momento, eu pensei: “Eu sou grande, isto é impossível ser
feito por pessoas comuns. Foi possível, pela primeira vez, por
que fui eu”.

Sr. Heki: Então, absolutamente não foi perda de amor,


mas sim um ganho de amor.

Meishu Sama: Até lá eu pensava que eram bobos os que


faziam duplo suicídio, mas pensei: "Eu estava enganado até
agora. Não se pode julgar de bobos". E entendi que, se
avançasse mais, seria perigoso. Isto é: concluí a filosofia do
amor.

Sr. Heki e Sr. Kondo: Então, muito obrigado por longo


tempo.

Jornal Eiko, nº 186, 10 de dezembro de 1952

408
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 1 32 ) C O N V E R S A S O B R E F A T O S V E R Í D I C O S , F I C ÇÃ O E
TRAN S E ESPIRITUAL
( C o n t i n u a ç ã o d a e n t r e v i st a c o m o S r . S h o i t i H e k i )

O STÁLIN QUE ERA IRREDUTÍVEL NA PSICAGOGIA

Sr. Heki: Em se tratando de religiões novas, como são


muitas as coisas como transe espiritual, como médium,
psicagogia, sem querer, sinto-me como se fossem duvidosas.
Como tive várias oportunidades, encontrei diversas vezes com
Jikoson, mas ele, analisando-se de diferentes aspectos, seus
portes não são de um homem comum. São de um deus. Em
compensação, o Fundador daqui é um homem simples.

Meishu Sama: Eu não gosto de portar-me como se fosse


deus, ser formal, ostentar-me. De qualquer maneira, mesmo que
eu seja o maior eminente, como somos homens, fazer os tratos
como de um homem para homem é bom para a pessoa e para
mim também. E quem não gostar, que se vire. É o que eu sinto.
Freqüentemente dizem: "Precisa se colocar um pouco mais de
peso, se não seria embaraçoso porque não sinto carisma”. Mas
eu recuso, dizendo que detesto essas coisas, e que se não gosta
assim, seria bom que se parasse. Até hoje, se me chamarem de
Fundador, sinto algo divino e distante.

Sr. Heki: O Jikoson, só ao vê-lo, é afetado, divino e difícil.

Meishu Sama: Eu não faço isso. Até hoje, gostaria de ter


conversas imorais, mas, onde estão presentes os membros, fica
ruim.

Sr. Heki: Mas aquelas coisas como psicagogia, o Jikoson


sempre fazia, chamando as pessoas mortas... Dá para fazer,
mesmo? Se disser o nome póstumo ou o nome da pessoa,
imediatamente a médium se transforma em pessoa falecida e fala
várias coisas. A pessoa que tem de quatro a cinco anos de

409
Rokan – Alicerce do Paraíso

falecimento vem logo, em dez minutos, mas as antigas, parece-


me que demora uns vinte minutos. Parece-me que o inferno
também está bem congestionado. (risos).

Meishu Sama: Isto depende do nível do espírito. Se for


um espírito bom, é rápido, nem que seja de várias centenas de
anos, não se demora nem um minuto. Eu também sei fazer essas
coisas, mas não faço. Para espíritos baixos não faço. Eu faço de
chefes desses espíritos. Há vinte e cinco anos, quando fui detido
na prisão de Shizuoka, estava entediado, e como estava
silencioso, achei que seria uma boa oportunidade, e pratiquei
bastante. Nessa ocasião, chamei o espírito de Stálin também. Eu
disse-lhe que como o comunismo é errado, que parasse, fosse
como fosse, mas ele de jeito nenhum me ouviu.

Mao-Tse-tung foi razoavelmente obediente. Eu pensei:


“Ele futuramente vai se desligar da União Soviética. Isso será
questão de tempo.” Portanto, afinal, o Stálin morreu antes de
corrigir-se. Depois, chamei o Buda, Cristo, a fundadora da seita
Oomoto, a fundadora da seita Tenri-kyo e também Kobodaishi.

Sr. Heki: Oh, então o Senhor Fundador sabe falar


fluentemente em língua soviética, chinesa, judia e todas! Então
não se entediou nem um pouco, ou melhor, até teve pena de sair
da prisão? (risadas)

CAPACIDADE INATA

Meishu Sama: Não me entediei, absolutamente. Aos


membros específicos posso chegar a falar, mas se isso chegar
ao conhecimento da sociedade, a nossa Igreja será vista como
uma seita como a de Jikoson. Assim não pode ser e se tornará
até um obstáculo. Portanto, me porto normalmente.

Sr. Heki: O Sr. Onissaburo, da seita Oomoto, também


fazia?

410
Rokan – Alicerce do Paraíso

Meishu Sama: Fazia.

Sr. Heki: Essas coisas, é possível fazer, com prática?

Meishu Sama: Existem os que conseguem fazer com a


prática, e outros que possuem a capacidade inata. O Jikoson, por
exemplo, possui tal dom inato. Com a prática, se consegue
chegar só até um determinado nível.

Sr. Heki: Serei possível também? Se fosse eu, chamaria


vítimas de assassinatos difíceis de serem solucionados, e pediria
para falar o nome do autor. Assim, nem é necessário fazer a
investigação policial, pois será possível tomar o conhecimento
rápido e claramente. Seria uma ajuda ao próximo e, assim,
desaparecerão pessoas que queiram praticar o Mal. Entretanto,
não é o canto do Goemon Ishikawa, mas as areias das praias e o
número de bandidos nunca diminuem. É engraçado, não?
("risos).

Meishu Sama: Você não conseguirá fazer algo como


psicagogia. Um homem que parece abobado é que tem mais dom
para isso. Eu, se fizer até certo ponto, perco o interesse, pois
tomo conhecimento de tudo.

Sr. Heki: Realmente, o Jikoson, se tornou


demasiadamente eminente, tornando-se uma pessoa de um
mundo diferente do nosso. Ao me encontrar, diz ele com pose:
"Heki, quanto tempo". (risos) Sendo assim, desde o começo, fico
sem alternativa, se não a de reverenciá-lo.

Meishu Sama: Isso eu não gosto e penso que estou muito


bem sendo um homem comum. E é do meu princípio não ter
segredo nenhum.

Mudando de assunto, mesmo se tratando da Igreja


Messiânica, se os estrangeiros começarem a segui-la, os

411
Rokan – Alicerce do Paraíso

intelectuais do Japão também a seguirão. Para fazer os


japoneses reconhecerem, seria mais rápido divulgar primeiro aos
americanos. (risos) Por isso, estou pensando, desta vez, começar
a difusão nos Estados Unidos.

CONVERTER OS AMERICANOS À MESSIÂNICA

Sr. Heki: Os japoneses confiam mais nos americanos do


que em próprios japoneses.

Meishu Sama: Tudo que querem, procuram os


importados. Até a religião precisa ser importada. Apreciam
também as pinturas, não? Nunca os japoneses entendem o
próprio lado bom. Eu admiro a cultura de máquinas dos Estados
Unidos, mas nas Artes e Belas-artes, o Japão está mais
avançado. Alardeiam acerca de Matisse ou Picasso, mas eles se
transformaram a partir de Korin do Japão. O Korin acabou com a
renascença. Na França, existe um livro intitulado "Korin que
move o mundo". Segundo esse livro, com o Korin, nasceu um
novo estilo simples. E influenciou em várias coisas. O que foi
principalmente influenciada foi a arquitetura. O primeiro foi (...) ,
depois se tornou (...) e a seguir, foi criado o futurismo. Desta vez,
estou construindo algo mais desenvolvido do que Corbusier,
apesar de Corbusier ter um pouco de vulgaridade. E no mundo
da pintura também surgiu o Impressionismo, e nasceu, assim, o
Cézanne, Van Gogh, mas todos receberam a influência de Korin.
Posteriormente, com a influência de Sharaku, Hokussai, Utamaro,
etc., surgiram os atuais Picasso, Matisse, Rouault, etc...

Sr. Heki: Aí, então, escreveu o livro "Salvar a América".


Aquele livro, de início, o título que é bom.

Meishu Sama: Houve muita gente que o adquiriu por


gostarem do título. Futuramente, estou imaginando em escrever
um livro intitulado "Salvar a Rússia". (risadas) Já está pronta a
versão deste livro para o inglês, mas, se lançá-lo

412
Rokan – Alicerce do Paraíso

descomedidamente e depois se surgirem alguns


desentendimentos, poderá atrapalhar, posteriormente, a nossa
propaganda religiosa. Portanto, estou pensando em pesquisar
muito bem.

Sr. Heki.: Como o título é muito forte, talvez os americanos


possam sentir antipatia só pelo título.

Meishu Sama: Nem tanto. Como é uma pessoa da tropa


ocupante que está fazendo a versão, acho até que é boa.

Sr. Heki: Qual é o assunto?

O LIVRO QUE SALVA A MEDICINA AMERICANA

Meishu Sama: Atualmente, nos Estados Unidos, existem


muitos enfermos. A tendência é de aumentar ano a ano. Isto
porque estão praticando mentira total. Por isso, ensino a maneira
de diminuir, de modo concreto. Talvez os americanos pensem:
"Que japonês insolente", mas o que eu digo é verdade.

Sr. Heki: Que tipo de método é?

Meishu Sama: Isto é o remédio. A medicina atual dos


Estados Unidos não cura as doenças, e sim está resultando em
produzir doenças. Estou apontando isso. E não escrevi somente
de modo dogmático, mas sim expliquei desde as várias lógicas
fundamentais, de modo que não consigam deixar de pensar que
ela é verdade. Por exemplo, a intervenção cirúrgica está muito
avançada nos Estados Unidos, mas o avanço dela é o retrocesso
da medicina. Fazem a cirurgia porque não se curam. Por
exemplo, quando está com apendicite, extraem o apêndice.
Entretanto, extrair um órgão não é a medicina. Deixar o órgão
como está e tirar só a doença é a verdadeira medicina. Em suma,
é isso. Neste ponto, a medicina do Japão também está perplexa
pela minha tese. A doença, afinal, são as toxinas que se

413
Rokan – Alicerce do Paraíso

solidificam aí e pressionam o órgão. Portanto, eliminar somente


essas toxinas e deixar o órgão intacto. Aí então voltará a ter
saúde como antes. Fazer a cirurgia interna, como, por exemplo,
extrair o apêndice ou um rim, transforma o paciente numa pessoa
com mutilação interna. Considerar isso como o avanço da
medicina é um absurdo. Se a medicina progredisse, não haveria
necessidade de extração. Tomam-se tais procedimentos
bárbaros sem outra alternativa, porque a medicina não se
desenvolveu. Parece-me que os americanos, ao lerem, sentem-
se irados, mas não dizem nada. De qualquer maneira, pelo meu
método, consegue-se tirar pelo lado de fora. Por isso, posso me
orgulhar. Senão conseguisse tirar, não passaria de demagogia.

Sr. Heki: Acontecer isso sem ao menos usar o remédio; de


fato, nós, homens comuns, não temos outra alternativa senão
considerá-lo um milagre. Desde quando o senhor acredita na
existência de milagre?

A PROFECIA DO TERREMOTO DA REGIÃO KANTO E A


EXPERIÊNCIA DE MILAGRE

Meishu Sama: Me ingressei na seita Oomoto e tomei o


conhecimento da existência de Deus. Explicando como, foi pelos
milagres, maravilhosos milagres. Foi inevitável. Se eu duvidasse,
aconteciam milagres após milagres.

Sr. Heki: Como eram os milagres?

Meishu Sama: Foram muitos. Tinha um Ensinamento


dizendo: "Em breve, Tóquio se tornará oceano de fogo". Eu
acreditei, e na época, possuía sobrados em Kyobashi e Odawara-
cho, no valor de mais ou menos cinqüenta a sessenta mil yens.
Eu os vendi por trinta e seis mil yens e me mudei para Oomori.
Isso foi em 1921, e daí a dois anos, em 1923, os arredores de
Odawara-cho tornaram-se cinzas por completo. Esse foi o
primeiro. Além disso, aconteceram vários milagres escritos em

414
Rokan – Alicerce do Paraíso

meus livros. Ingressando-me na seita Oomoto e enquanto


praticava a fé, gradativamente fui compreendendo Deus. Foi na
época do falecimento do imperador da Era Taisho; no fim do ano,
entrei em transe. Mais ou menos à meia-noite, eu começava a
me sentir muito bem. Estava achando estranho, e comecei a
sentir vontade de falar. As palavras saíam da minha boca e não
conseguia contê-las. Então falava muitas coisas que eu
desconhecia. Foi a História do Japão desde há mais ou menos
quinhentos mil anos, e para deixar anotada, pedi à minha esposa
para escrever. Nessa ocasião, foi dito completamente sobre para
que nasci e que trabalho devia realizar. Era tão lógico, que não
parecia mentira. E foi falado, por exemplo, do incidente da
Manchúria, e que o Japão se transformaria no que é hoje. Soube
da extinção do imperialismo também, mas, naquela época, não
podia falar. Pois sabe como era. Foi escrito de 6 a 12 centímetros
em (...).Isso, durante mais ou menos três meses, em dezembro,
janeiro, fevereiro...

Sr. Heki: Ah, sim...

SOFRIMENTO POR CAUSA DO IMPERIALISMO

Meishu Sama: Então, deixei o fazer e passei a fazer


somente o trabalho de Deus. Desde um pouco antes disso,
quando eu fazia, curavam-se muito bem as doenças. Eu também,
fazendo para mim mesmo, me sentia bem. Assim, consegui auto-
confiança de que conseguiria sobreviver só com isso. Quer dizer
que havia rendimento suficiente para a sobrevivência. Assim,
ingressei na seita Oomoto, mas foi-me dada uma posição muito
importante, recebendo trato especial do Sr. Onissaburo Deguti.

Na medida em que ia praticando, percebi que na seita


Oomoto existem pontos bons, mas também falhas. Isto é, em
atitudes particulares dele, haviam as desreipeitosas em várias
ocasiões. Eu pensei: "Assim, no futuro, impreterivelmente terá
problemas". E no ano seguinte em que eu me afastei da seita,

415
Rokan – Alicerce do Paraíso

aconteceu o “Caso seita Oomoto". E assim, não fui preso. E


naquela época, eu estava praticando a "Massoterapia estilo
Okada".

Sr. Heki: O Sr. Massaharu Taniguchi, da “Seicho-no-Ie”


também, não estava na seita Oomoto?

Meishu Sama: Estávamos juntos. Ele estava num cargo


acima de mim. Eu era um simples membro e houve ocasiões em
que fui visitá-lo e ouvi sua palestra. Entretanto, ele é do tipo
intelectual. Isto é, não combinava com a seita Oomoto, pois ela é
Xintoísmo antigo.

Sr. Heki: Durante a guerra, deve ter sofrido muito.

Meishu Sama: Durante a guerra sofri, mas até a Igreja se


tornar entidade jurídica, sim, é que sofri mesmo. O motivo de ter
tido mal-entendido com a polícia, basicamente, foi por causa do
imperialismo. Em qualquer oportunidade, os policiais
perguntavam aos membros: "O Fundador disse quem é mais
carismático, ele ou o Imperador?" Por isso, o objeto de reverência
não poderia ser um homem vivo. Se estivesse morto, não haveria
problemas. A seita Tenri-kyo também, enquanto a fundadora
estava viva, sofreu pressão. Acabou-se ao falecer. Exatamente
como antigamente, na Era Tokugawa, quando surgia alguém
extraordinário, o governo, temeroso, enganava-o. É o mesmo
raciocínio.

Sr. Heki: Quem foi liberado pela derrota na guerra não foi
só o povo, e sim, a Igreja Messiânica é quem foi a mais
beneficiada.

Meishu Sama: Sim, se fosse como antigamente, não


haveria jeito.

416
Rokan – Alicerce do Paraíso

O PRÉ-DESTINO E O DESTINO SÃO COISAS DISTINTAS

Sr. Heki: O Senhor, Fundador, como pensa sobre o


destino?

Meishu Sama: No homem, existem o pré-destino e o


destino. Freqüentemente os confundem, mas têm muita
diferença. O pré-destino é imutável. O destino, existe dentro do
pré-destino, existindo, dentro dele, um limite, o qual é o destino.
Quanto ao destino, mesmo estando embaixo, pode-se subir, e
mesmo estando no alto, há vezes em que se desce. É possível
melhorar de destino. Isto é, chegar ao ponto mais alto permitido
para si. Entretanto, o pré-destino não é assim. Depois do
imperador, nasce o príncipe. Isto é o pré-destino.

E o que é pior no homem é a afobação. Como se afoba,


força-se. É o ponto em que mais se deve cuidar. O mais
importante é a capacidade de descobrir o ponto vital. Qualquer
que seja a coisa, possui um ponto vital em algum lugar. Por
exemplo, os políticos atuais desconhecem o ponto vital e, então,
fazem coisas desnecessárias.

Sr. Heki: O Sr. Hatoyama precisa ouvir uma vez. (risos)


Apesar de já ser tarde.

Meishu Sama: Quando o Sr. Hatoyama veio de Nirayama


e estava perdido no Partido Liberal, afobou-se um pouco demais.
Com aquilo, ao contrário, depreciou o seu valor. E o Kozen
Hirokawa também afobou-se.

ESCAPEI DOS INFORTÚNIOS

Sr. Heki: Eu, por exemplo, deparei-me várias vezes em


coisas diversas, mas eu tinha convicção de que não seria infeliz.
Por isso, sempre, no fim, tenho superado esses entraves. O
interessante foi no verão de 1923. Eu estava alojado na

417
Rokan – Alicerce do Paraíso

residência do Presidente da Câmara Municipal de Tóquio, na


época, em Ooishi Honjo. Mas no dia 31 de agosto, me deu
aversão dessa casa, não sei porque, e pedi a dispensa, mas fui
negado por estarem atarefados, porque no dia 5 de setembro
haveria a eleição de vereadores do município. Mas não me
contive e, nessa noite, fugi, e fui à casa de Guifu. Entretanto, no
dia seguinte aconteceu o grande terremoto e, entre dezessete
pessoas que ali moravam, eu fui o único sobrevivente.

Meishu Sama: Além disso, existe o sentido espiritual. Isto


é, em cada pessoa acompanha um Deus Protetor — no exterior
dizem espírito protetor — que a ajuda.

Sr. Heki: Mais um caso: em 23 de maio de 1944, chegou-


me a convocação para apresentar-me na Tropa da Engenharia
do 160º Batalhão de Toyohashi. Fiquei embaraçado, mas como
achei uma bobagem partir com despedidas pomposas da
vizinhança, saí sozinho, de manso, da minha casa. No dia 25,
cheguei na hospedaria em frente à estação de Toyohashi, e na
hora da refeição, dei uma olhada no "Diário Shizuoka", que me
fora trazido.

Há uns vinte anos, na pensão em Shitaya, morava um


sujeito chamado Nakanishi no quarto ao lado, o qual cursava a
Faculdade de Exército. E eu e ele tínhamos muita amizade,
tornando-nos, no fim, como se fôssemos irmãos. E no Diário
Shizuoka havia uma reportagem dizendo que, coincidentemente,
ele fora transferido do comando de batalhão, de um certo lugar
da China, para o de batalhão que eu era convocado, e que no dia
anterior, apresentara-se à corte imperial, chegando--se agora a
Toyohashi.

Assustado, eu liguei depressa a ele. Ao me atender, ele


disse: "É verdade que é você, Heki? Eu estava com saudades de
você!" e "Não saia daí que vou imediatamente"; com isso,
desligou o telefone.

418
Rokan – Alicerce do Paraíso

Em pouco tempo ele veio de carro. E subiu de calçado e


tudo, me abraçou com lágrimas escorrendo. Enquanto
conversávamos sobre vários assuntos, contei: "Na verdade,
chegou-me a convocação, e não só isso, vou entrar no seu
batalhão, como soldado de segundo grau". Aí, ele disse: "Isso é
embaraçoso, mas como hoje estamos contentes, vamos beber e
comer bastante".

No dia seguinte, ele descansou e, juntos, demos uma volta


à península de Atsumi e, quando retornamos, tinha um cavalo
amarrado na frente. Indo-nos à sala de visitas, estava o Major,
médico do exército. O Comandante do Batalhão, que era meu
amigo, falou o seguinte ao major: "Não é como seu superior que
vou dizer, mas ele é meu amigo íntimo e está para entrar no meu
batalhão, mas parece que não está bem de saúde. Portanto,
verifique bem, antes. E deixo-lhe avisado de que, se este homem
entrar no meu batalhão, eu ficarei extremamente embaraçado".
Assim disse e foi-se embora.

No dia seguinte veio um carro me buscar e fui levado à


sala do médico do exército. O major ordenou afazeres aos
soldados enfermeiros afastando-os da sala, e me consultou. O
seu diagnóstico foi: infiltração em ambos os pulmões.
Irrecuperável e isento de serviço militar. Assim ele carimbou. E
disse que para a sua excelência iria avisar da sua parte. Assim,
fui embora para Tóquio. Esse batalhão, após três ou quatro
meses, foi dizimado totalmente na Ilha Iou.

Meishu Sama: Por isso, está junto o espírito que deve


ajudá-lo. É inexplicável pela lógica.

Sr. Heki: Eu não acredito muito nessas coisas, mas


quando encontrei pela primeira vez com Jikoson, ele me disse:
"Está com você uma pessoa interessante. É uma pessoa que tem
pinta no rosto e é gorda, os cabelos são meio grisalhos e deve
ter mais ou menos sessenta anos". Pensando bem, é meu tio.

419
Rokan – Alicerce do Paraíso

Esse meu tio, praticando Agricultura, gostava demais da História.


Tinha o maior acervo de livros da região. Por ser o filho
primogênito, não pôde realizar o seu sonho, mas levou-me para
sua casa e começou a me ensinar muitas coisas. Quando eu
estava com dois ou três anos, contava-me histórias diversas, e
com mais ou menos quatro anos, fazia-me escrever a maior parte
dos caracteres, e com cinco anos, fazia-me ler até as
composições clássicas chinesas. Com sete anos, eu já lia, sem
dificuldades, coisas como a História do Japão. Meu tio faleceu
cedo, mas como me criara assim, eu não me formei em escola
nenhuma e sou hoje o que sou. E o Jikoson acertou isso. Disse-
me que havia me escapado quatro vezes de grande perigo. Que
foi graças ao tio.

ESCULTURA DE BUDA QUE TEM ESPÍRITO

Meishu Sama: No seu caso, esse seu tio é que é o seu


Deus Protetor, mas geralmente, isso acontece de avô para neto.
Não existe, quase que absolutamente, caso de espírito de pai.
Quanto à doença também. A doença do avô muitas vezes
aparece no neto. É o atavismo, mas deve ser alguma lei. Essas
coisas compreendem-se muito bem, conhecendo-se o Mundo
Espiritual.

Eu também, é interessante; até hoje, consigo adquirir


muitas estátuas de Buda. Explicando o por quê para os
fundadores de grandes templos budistas ou das seitas budistas,
seria um grande mérito trabalhar para a Igreja Messiânica. Como
têm vontade de praticar alguma ação meritória, procuram fazer
com que algo como as estátuas de Buda dos templos construídos
por eles cheguem às minhas mãos. Por isso, vêm parar nas
minhas mãos.

Sr. Heki: As estátuas de Buda, se disser que são ídolos,


talvez o sejam, mas pela longa tradição, o povo lhes adora .
Talvez contenham essa alma de adoração.

420
Rokan – Alicerce do Paraíso

Meishu Sama: Se grande número de pessoas adorarem,


entra-se a alma, mas se passar a não ser mais adorado,
desaparecerá, apesar de serem feitas como estátuas de Buda.
Os espíritos de grandes bonzos, ao fazerem aprendizagem no
Mundo Espiritual, suas almas poderão penetrar nas estátuas de
Buda. Por isso, todas as esculturas bem feitas de templos
distintos contêm esses espíritos. Então, se expor essas estátuas,
por exemplo, em museus, ou em outros lugares, esses espíritos
sofrem muito.

Sr. Heki: Havia muitas pessoas que colecionavam


estátuas de buda, um tanto como hobbie, mas todas tiveram fins
infelizes. Tinha pessoa que até em toilete havia ornamentado
escultura de Buda, mas eu pensei: "Isto é perigoso".

Meishu Sama: Pessoas que conhecem essas coisas


colecionam muitas coisas boas, mas deixam as estátuas de Buda
de lado.

Sr. Heki: Começaram a colecionar estátuas de Buda


depois que se entrou na Era Meiji, não? Na Era Tokugawa não
faziam isso de jeito nenhum.

Meishu Sama: Isso é um sacrilégio. Nos templos, são


adorados, e são tratados respeitosamente, como algo superior ao
homem.

Sr. Heki: Para finalizar, gostaria de ouvir sobre o desejo


para o futuro.

SALVAR A AMÉRICA É O PRIMEIRO PASSO PARA A


REVOLUÇÃO MUNDIAL

Meishu Sama: É salvar o mundo. Estou escrevendo sua


tese agora. Não falo sobre isso porque não se compreenderá,
mas o comunismo entrará em decadência gradativa, motivado

421
Rokan – Alicerce do Paraíso

pela morte de Stálin. Isso será razoavelmente rápido. E os


Estados Unidos? O capitalismo dos Estados Unidos, isso também
desaparecerá. Nascerá uma nova ideologia, que não é o
comunismo, nem capitalismo.

Sr. Heki: Será uma verdadeira ideologia da liberdade.

Meishu Sama: Sim. Até hoje inclinava-se somente a um


lado, direito ou esquerdo. Isto é, o esquerdo é vertical e o direito
é horizontal. Então ambos devem cruzar-se entre si. Ainda não
chegou essa época de cruzamento, mas, após o cruzamento,
pela primeira vez, nascerá a verdadeiramente grandiosa
ideologia. É um mundo realmente de paz onde não haverá
guerra, acabando-se a doença, a pobreza e o conflito. E o nosso
emblema significa isso. E a nossa Igreja denomina isso de
ideologia de Izunome.

Izunome escreve-se também “53”. “5” significa fogo, "3", a


água, significando que ele se tornará o centro da ideologia do
mundo. E está previsto para, em primeiro lugar, nos movermos
em direção aos Estados Unidos. Isto porque, hoje em dia, afinal,
os poderes do mundo estão nas mãos dos Estados Unidos. Por
isso, o fundamental é edificar essa ideologia naquele país. E o
livro "Salvar a América" é o início do seu primeiro passo.

Sr. Heki: Afinal, salvar a América significa salvar o Japão...

Meishu Sama: E também resultará na salvação do mundo.


Aí, os Estados Unidos será o país horizontal, o centro do
horizontal. O Japão será o centro do vertical. Portanto, os dois
precisam se cruzar. Experimentando isso no campo científico,
resulta nitidamente. Falando-se em uma só palavra, será a
revolução mundial. Revolução mundial, mas uma revolução
espiritual.

Sr. Heki: Muito obrigado.

422
Rokan – Alicerce do Paraíso

25 de outubro de 1952

423
Rokan – Alicerce do Paraíso

( R 1 / 1 33 ) E N T R E V I S T A CO M MEISH U SAM A 1

Sr. Dick Nakamura, enviado especial de “Senas Asiáticas",


em Tóquio.

Sr. (...) Locutor da Rádio Tóquio

No dia 15 de abril próximo passado, visitaram Meishu


Sama o Sr. Dick Nakamura, da revista "Senas Asiáticas", editada
no Japão em inglês, com o intuito de, pela solicitação dos
leitores, investigar sobre o livro "Salvar a América", e o
Ensinamento "Bomba Atômica, não é necessário temer". Ainda,
os senhores (...) e (...) Inoue, locutor e produtor, respectivamente,
da Rádio Tóquio.

A entrevista desse dia foi programada para ser realizada


na sala de visita do Hekiun-Sô, e no aguardo de todos, às 14
horas, Meishu Sama se apresentou. Meishu Sama parecia
extremamente satisfeito, e palestraram durante mais ou menos
duas horas.

A seguir, transmitiremos os aspectos dessa entrevista. E


acrescentamos que ela foi publicada na "Senas Asiáticas" de
maio, intitulada de: "O Deus vivo de Atami", e uma parte foi
transmitida pelo programa "Esboço pelo Rádio", da Rádio Tóquio.

Sr. Nakamura: Senhor Fundador, houve pedidos de


leitores dos Estados Unidos acerca do livro "Salvar a América",
escrito pelo senhor. No sentido de lhes avisar sobre o conteúdo
desse livro, então, vim aqui com o intuito de encontrá-lo e ouvir
sobre isso. Como as pessoas da Rádio Tóquio também
trabalham conosco...

Meishu Sama: Entendi. Entretanto, quanto ao rádio, como


o que eu digo é muito diferente, talvez não se enquadre bem.

424
Rokan – Alicerce do Paraíso

Sr. Inoue: Mas, no nosso caso, estamos programando


como um "esboço pelo rádio", sendo nossa meta apresentar
variadas coisas pelos diversos aspectos. Assim, se os ouvintes
em geral não entenderem, do mesmo jeito iremos transmitindo os
fatos. Portanto, no nosso caso, não faremos nenhuma crítica.

Meishu Sama: Isso que é o certo.

Sr. Inoue: Por isso, talvez faça perguntas insistentes...

Sr. Nakamura: Eu também ouvirei sem cerimônia.

Meishu Sama: É melhor assim. Para mim também, aliás, é


melhor assim para falar.

Sr. Nakamura: Eu não vim pelo simples fato de ser uma


religião nova. Se fosse simplesmente uma nova seita, apenas
encontraria com os diretores e faria o artigo. Entretanto, como
nós achamos que não se trata de uma simples seita nova,
pensamos que não entenderíamos se não nos encontrássemos
com a pessoa originária.

Meishu Sama: Tem razão. Na verdade, pela Religião, não


se salva realmente. Se se salvasse pela Religião, o mundo já
deveria estar transformado em Paraíso, salvo pelo Cristianismo
ou Budismo. Entretanto, o fato de até hoje existir continuamente a
doença, pobreza e conflito, demonstra que, com a religião, não se
salva. Mas se não existissem as religiões, se tornaria num mundo
pior ainda, não se sabendo quão selvagem seria. Portanto, é
possível dizer quanto mérito houve, graças às existências dessas
religiões, mas não passará disso. Então, da minha parte,
atuaremos com forças ultra-religiosas.

425
Rokan – Alicerce do Paraíso

QUAL É A FORÇA EMANADORA DAS ATIVIDADES

Sr. (...): Soube que até ontem estivera de carro em Quioto,


mas não se cansou?

Meishu Sama: O carro foi só na ida, mas não estou muito


cansado.

Sr. (...): Sua força emanadora, ou a origem, de onde vem?

Meishu Sama: Da vida natural. O meu método de cuidado


de saúde é um pouco diferente.

Sr. (...): Por exemplo?

Meishu Sama: Eu digo que o físico, quanto mais forçá-lo,


melhor será. Por isso, eu forço-o o quanto possível. Assim,
fortifico-me naturalmente.

Sr. (...): Nós falamos que, se forçar, encurtamos a nossa


vida.

Meishu Sama: Essa é a tese da medicina atual. Mas na


verdade, o homem, quanto mais forçar o físico, melhor será. Os
desportistas se forçam muito, mas o homem se torna mais sadio,
se se forçar. Eu sou deste princípio, e ajo assim. E diminuindo as
horas de sono. Por isso estou estimulando a falta de sono. Sobre
a alimentação também, sou do princípio de comer o que quero, o
quanto quero. Por isso, não é necessário pensar em vitaminas ou
calorias.

Sr. (...): Os senhores também estão bem corados.

Meishu Sama: Este é o verdadeiro método de saúde. Por


desconhecerem-no, é que se enganam ou se debilitam. E
principalmente na América, é excessivo. E então, escrevi o

426
Rokan – Alicerce do Paraíso

"Salvar a América”, com intuito de fazer compreender as pessoas


de lá.

Sr. (...): Qual foi, vamos dizer, o motivo da sua descoberta,


como foi?

Meishu Sama: O primeiro foi quando eu próprio me salvei


da tuberculose. Nessa época, eu obedecia o médico e fazia dieta
rica e nutritiva. Pensei muito nisso e para praticá-la, —como
naquela época fazia pinturas — eu vi um livro chinês, e vi que
estava escrito sobre várias ervas, raízes e cascas de árvores,
indicando o que é remédio de que doença. Eu pensei: "Se essas
coisas são remédios, é porque são necessárias. Então até agora
eu ingeria somente alimentos de fonte animal, reprovando as
verduras... Vou experimentar isso". Aí, o resultado foi muito bom,
e mais ou menos em três meses me tornei totalmente sadio.
Então comecei a duvidar da medicina ocidental.

Sr. (...): Esse foi o motivo da não-desobediência à


natureza?

Meishu Sama: Sim. E após ingressar-me na seita


Oomoto, compreendi a Deus e espírito. Tomei o conhecimento de
que o espírito, não sendo matéria, é invisível, mas realmente
existe, e que ele é a causa de todas as coisas.

E que as doenças também, as suas causas estão no


espírito, isto é, se o espírito se nublar, turva o sangue. O sangue
turvado torna-se toxina e que a sua ação eliminadora é a doença,
e eliminando as nuvens do espírito, que é a sua causa original,
ela se cura também. E estudei, ou melhor dizendo, me foi
ensinado por Deus, o método de eliminar essa nuvem do espírito.

Sr. (...): Isso para nós é um tanto incompreensível.

427
Rokan – Alicerce do Paraíso

Meishu Sama: Têm razão. Por isso, o que eu queria


dizer...aliás, falando a verdade, é tão original, a ponto de ser um
tanto inimaginável. Por exemplo, os senhores, no caso em que
estejam, por exemplo, com apêndice doendo, enquanto faço
assim (com a mão em posição de Johrei), gradativamente as
dores se acabarão e se cura assim. Por isso, pelo meu método,
apendicite também geralmente se cura totalmente em vinte ou
trinta minutos. Como a causa está na toxina, se dissolvê-la, ela
sai em forma de diarréia e, com isso, se cura.

Sr. (...): Existe base científica nisso?

Meishu Sama: Isto é uma ciência evoluída. Por isso, a


ciência atual é uma ciência de baixo nível. Por exemplo, em se
tratando de micróbios, atualmente pensa-se somente em eliminá-
los. Realmente eles causam doenças. Entretanto, a questão é de
onde eles vieram. Hoje em dia, é considerado que é por contágio,
por exemplo, sujeito A para B, do B para C... Mas se é que veio
sendo transmitido dessa maneira, de onde veio, afinal, a sua
origem? Não é que surgiu repentinamente numa pessoa. Não
procurando o por quê desse fato, alardeiam acerca do resultado,
que é o micróbio, e tentam matá-lo. Portanto, deve-se fazer com
que não surja a causa do nascimento do filhote original, e me dei
conta disso. Então a causa da causa é a nuvem do espírito, e
essa nuvem, pelas várias condições do físico, por exemplo, a
febre, gradativamente se condensa e se solidifica. Todas as
coisas que se condensam, se solidificam. Esta é a lei da matéria.
E quando se solidifica até certo ponto, surge aí um tipo de
bactéria. E essa bactéria é uma substância inorgânica de origem
vegetal mas, desenvolvendo-se gradativamente, transforma-se
de substância inorgânica para orgânica. Esse é o filhote do
micróbio. Portanto, eliminar o micróbio é o resultado, e
fundamental é eliminar a causa que é a nuvem. Portanto, se for
tuberculose, tratando-se dela, se cura, mas isso porque se cura a
origem dessa doença.

428
Rokan – Alicerce do Paraíso

Sr. (...): Segundo o nosso raciocínio, se curasse, por


exemplo, pela intervenção cirúrgica, passando dores, gastando-
se grande soma de dinheiro, seria bom, mas se mesmo não
curasse...

Meishu Sama: Não, não se cura. Porque não é nem um


pouco científico. Isto porque, como eu disse agora, eliminar a
nuvem do espírito, que é a origem, é que é o método científico.

Sr. (...): Então quer dizer que é um método de tratamento


extremamente simples...

Meishu Sama: É. Está em concordância com a razão. Por


isso nós não tememos nem um pouco, por exemplo, a disenteria.
Ao contrário, estamos tentando tê-la. Não existe coisa melhor que
a disenteria.

Sr. (...): No caso da imposição da mão, toca-se no corpo?

Meishu Sama: Não, não importa que esteja distante. Esta


Luz é extremamente forte. Ela é mais forte do que a bomba
atômica.

Sr. (...): Então, atualmente, está sendo discutido muito


sobre a radioatividade, mas significa que ela não é nociva?

Meishu Sama: Não, é nociva, sim. Quem morre, morre.


Mas mesmo deixando, quem se salva, salva.

Sr. (...): Isso precisa ser feito pelo Senhor, Fundador, não
sendo possível pelas outras pessoas ?

Meishu Sama: Não, se deixás-la naturalmente, curam-se.


O organismo do homem possui essa capacidade de cura. Por
exemplo, dizem que falta ou que excede a vitamina ou outras
coisas, mas a medicina considera que existem nutrientes

429
Rokan – Alicerce do Paraíso

somente nos alimentos, desconsiderando os órgãos que


produzem os nutrientes. Por isso, pelo meu método, o alimento
pode ser qualquer um. Poderia ser apenas verduras, ou palha de
arroz.

Existe um dizer assim: Que o Sorai Ogyu hospedava-se


numa casa em que fabricava tofu, e durante 2 anos, dedicou-se
aos estudos só se alimentando de bagaço de soja. Esse tipo de
fato, para os nutricionistas atuais, não tem lógica de explicação. A
medicina desconhece que os órgãos internos do abdômen é que
fabricam.

SE EXISTEM REMÉDIOS NO MUNDO

Sr. (...): Dizem, entretanto, que um remédio combina ou


não com o organismo...

Meishu Sama: Na verdade, não existe nada que se possa


dizer remédio neste mundo. O que se denominam de remédio
são todos venenos. Explicando, eu digo que a doença é a ação
purificadora. Ela é uma ação para eliminar algo que não deve
existir dentro do organismo. São as dores e febres para eliminá-lo
e a febre é a ação para dissolvê-lo. E denomina-se de doença o
seu sofrimento. Por isso, a doença é uma ação de limpeza do
organismo, e isso é ótimo. Por isso eu digo que deve-se ter
gratidão pela doença.

Sr. (...): Quer dizer que é para ficar doente, de vez em


quando? ...

Meishu Sama: Não é de vez em quando. Seria bom que


seja sempre. Por isso, digo que peguem o resfriado, o quanto
possível. Então, os membros dizem: "Graças a Deus, peguei
resfriado". E se ficarem resfriados, não haverá incidência de
tuberculose. Ficam tuberculosos porque evitam os resfriados, não
é? O resfriado é a limpeza das toxinas. Por isso, quando ocorrer

430
Rokan – Alicerce do Paraíso

a limpeza, quanto mais o fizer, ao contrário do que se fazem,


limpam-se mais as toxinas. Fará melhor limpeza. Atualmente
param com essa limpeza e solidificam. Por isso, os médicos não
dizem "curar", e sim "solidificar".

Sr. Nakamura: Estava falando agora, mas as pessoas que


receberam a radioatividade da bomba atômica...

Meishu Sama: A bomba atômica, se deixá-las sem fazer


nada, se curam.

Sr. (...): Se curam?

Meishu Sama: Se curam. Fazem tantas coisas com a


medicina. Morrem por causa disso. Por isso a medicina é uma
existência nociva e inútil.

Sr. (...): Sendo assim, a Igreja Messiânica defende a tese


da rejeição da medicina?

Meishu Sama: Não, defendemos a tese da revogação


absoluta, que é mais forte. É porque, se se extinguisse a
Medicina, não se calcula o quanto o homem se tornaria feliz.

Sr. Nakamura: As enfermidades dos órgãos internos


poderiam ser assim, mas nos casos de problemas que
necessitam de cirurgia?

Meishu Sama: Mesmo nesse caso, a causa está na


nuvem espiritual que essa pessoa possui. Ainda, mesmo se
ferindo, se cura logo. Isso entenderão se lerem o jornal que
estamos editando. Explicar isso é bastante difícil. Isto porque, se
os senhores tivessem as cabeças normais, seria fácil, mas estão
bitolados em fanatismo científico, fanatismo médico.

Sr. (...): Não, mas...

431
Rokan – Alicerce do Paraíso

Meishu Sama: Então podem aceitar imediatamente a


minha tese? É impossível, não? Mesmo a aceitando, surgem as
dúvidas, e acharão misteriosa e estranha.

EU CRIO "ELEMENTOS" QUE SALVAM AS PESSOAS

Sr. (...): Que basta fazer assim (a mão em posição de


Johrei), como é que o senhor compreendeu? Foi, por exemplo,
pela Revelação Divina, ou inspiração?

Meishu Sama: Sim, claro. Eu imaginava vagamente que


Deus daria um tipo de radiação espiritual, e que emitiria por aqui.
Mas gradativamente foi se tornando nítida, isto é, Deus me
ensinou através de várias ocorrências. E hoje, se disser isso,
surgem mal-entendidos, mas eu não sei se sou Deus ou homem.
Acontecem todo os dias tantos milagres, coisas misteriosas.

Sr. (...): Assim sendo, normalmente, não existe nada de


especial e, quando se senta defronte a um enfermo que enche-se
de algo extraordinário, ou faz-se normalmente?

Meishu Sama: No início foi mais ou menos assim.


Entretanto, compreendi, desde há alguns anos, que existe uma
Bola de Luz no meu ventre. Há pessoas que a enxergam. E
então, quando faço assim, emana dela (da Bola de Luz)
passando pela mão. Isto é no caso em que eu faço, mas, no caso
em que os meus discípulos fazem, também é do mesmo modo, e
têm muitas pessoas que viram luzes emanando daqui (da palma
da mão).

Sr. (...): Como será essa Luz?

Meishu Sama: Existem luzes brancas, amarelas,


douradas. E as crianças é que vêem mais.

Sr. Nakamura: Quer dizer as pessoas que são puras.

432
Rokan – Alicerce do Paraíso

Meishu Sama: Sim. Pode-se dizer que são inocentes ou


que não existem o sub-consciente. Por isso é mais creditável.
Tem uma criança de 12 anos que ainda continua enxergando.

Sr. (...): E fazer assim, nós não podemos.

Meishu Sama: Pode ser qualquer pessoa. Senão, não se


formam membros.

Sr. (...): Então todos chegam a tal estágio?

Meishu Sama: Não é estágio, é só colocar o Ohikari e se


tornará assim. Por isso a conversa é boa demais.

Sr. (...): Realmente. Para nós é um tanto inacreditável.


Assim sendo, as vítimas da bomba atômica que todo o povo se
preocupa, e que atualmente estão internadas no Hospital da
Universidade de Tóquio, gastando-se grande soma de dinheiro,
tomando o conhecimento disso, o Senhor não teria idéia de visitá-
las e tratá-las pessoalmente?

Meishu Sama: Eu tenho coisas mais importantes a fazer,


por isso, salvar pessoalmente, coisa assim, seria inconveniente.
O meu serviço atual é formar homens que salvarão milhares de
pessoas.

Sr. (...): Mas existem algumas pessoas que realmente


estão necessitadas. Não possui pensamentos de...

Meishu Sama: Tenho. Tenho vontade de salvá-las. Mas


mesmo assim, se as condições não permitem, não tem jeito.
Então o meu serviço é formar "elementos" que salvam tais
pessoas.

Jornal Eiko nº 266, 21 de julho de 1954

433
Rokan – Alicerce do Paraíso

(R1/134) ENTREVISTA CO M MEISH U SAMA 2


AMINHA "LUZ"

Sr. (...): Qual será o fundamento científico da "Luz Divina",


dito há pouco?

Meishu Sama: Se eu escrever a letra "Luz", entra-se a Luz


nela.

Sr. (...): Isso é só o Senhor, Fundador, quem faz...

Meishu Sama: Sim, Deus me concedeu tal capacidade.

Sr. (...): Esse Deus é...

Meishu Sama: Denomina-se “Sushin”, é Deus Supremo. É


acontecimento recente, mas o Cristo encostou-se numa pessoa,
e foi salvo por esse Deus.

Sr. Nakamura: É letra "Luz"... (Mostrando a Luz Divina)

Meishu Sama: Escrevo isto em seis segundos cada. Por


isso é muito rápido. Desde o momento em que se coloca isso no
peito, é possível curar as doenças.

Sr. (...): Assim sendo, quer dizer que Deus sempre


encontra-Se dentro do corpo do Senhor, Fundador?

Meishu Sama: Sim, encontra-se aqui.

Sr. (...): A "Luz” do Senhor, em âmbito mundial, é somente


o Senhor que possui ...

Meishu Sama: Sim. Nunca teve. É a primeira vez desde o


início da humanidade.

434
Rokan – Alicerce do Paraíso

Sr. (...): Entretanto, depois que o Senhor falecer, como é


que ficará a Igreja Messiânica...

Meishu Sama: Como trabalharei do Mundo Espiritual, não


tem nada.

Sr. (...): Significa que desaparecerá a pessoa que escreve


a letra "Luz" ...

Meishu Sama: Nessa época, como desaparecerão


pessoas com máculas, não terá mais necessidade.

Sr. (...): Significa então que o Senhor, Fundador, viverá até


essa época...

Meishu Sama: Sim.

STÁLIN ENCONTRA-SE NO INFERNO

Sr. (...): Disse há pouco que se encontrou com Cristo, mas


entende as palavras dele...

Meishu Sama: Entendo muito bem. Ele mesmo se


apresenta.

Sr. (...): No caso de estrangeiro, existe problema de


língua...

Meishu Sama: Ela se torna japonesa. No Mundo Espiritual


existe setor de tradução. É a mesma coisa deste mundo.

Sr. (...): Assim sendo, significa que qualquer um pode


falar. Houve casos em que se encontrara com personagens
históricas?...

435
Rokan – Alicerce do Paraíso

Meishu Sama: Sim, tenho. Entretanto, se não tiver


necessidade, não manifesta.

Sr. Nakamura: Esse espírito que disse agora, vem por


causa do Senhor?

Meishu Sama: Sim, porque o salvei.

Sr. (...): Além de Cristo, encontrou-se com muitas


pessoas?

Meishu Sama: Sim. Existe um fato interessante. O Stálin


caiu no fundo do inferno e estava sofrendo muito, mas pelo que
ouvi há pouco, subiu um pouco, debaixo do inferno.

Sr. (...): Arrependeu-se por que motivo?

Meishu Sama: Que estava errado até agora, que praticou


atos extremamente vis. Então havia caído na camada mais baixa
do inferno. Esse inferno, no Cristianismo é denominado de (...),
no Budismo, de (...) e no Xintoísmo, de (...), sendo uma
escuridão, com ausência de luz; não existe luz nem calor, é
realmente um sofrimento muito grande. Qualquer um se
arrepende. Eu salvei muitas vezes tais espíritos do inferno.
Estava pensando que Stálin seria difícil. Isto é, quando eu, há 4
ou 5 anos, fui detido na prisão em Shizuoka, chamei todas essas
pessoas. Diz-se "espírito de pessoa viva", podendo-se chamar
espírito de pessoas vivas. Então, chamei o Stálin e falei bastante
sobre os erros do comunismo, mas foi impossível. Mao-Tsé-tung
ouviu-me humildemente.

Sr. (...): Mao-Tsé-tung é pessoa atualmente viva, ou já


faleceu?

Meishu Sama: É mistério.

436
Rokan – Alicerce do Paraíso

Sr. (...): Já está morto? Há tais boatos ...

Meishu Sama: É perigoso.

Sr. (...): Não pode ser categórico, afirmar se está vivo ou


morto?

Meishu Sama: Não posso afirmar.

Sr. (...): Não se encontrou com Hideki Tojo, na época da


guerra?

Meishu Sama: Não é acerca de Hideki Tojo, mas da


mesma maneira, tem grande significado. Não posso dizer isso
agora, mas de qualquer maneira, o Bem e o Mal, para o homem,
é incompreensível. Isto é, o mundo,em totalidade, é Deus quem
está governando. Por isso, a guerra e também a paz, e tudo,
surgem pelo Plano de Deus.

A CORRUPÇÃO É A AÇÃO DE PURIFICAÇÃO

Sr. (...): Deve ter conhecimento através de jornais, mas a


corrupção política é notícia, diariamente. O que o Senhor acha
disso?

Meishu Sama: Aquilo é a ação de purificação. Praticando


tais atos vis, coisas erradas, acumulam-se nuvens. E, portanto,
existe a sua purificação, sendo a mesma coisa que a doença.

Sr. (...): Então, é algo inevitável?

Meishu Sama: Sim, é claro. É como se fosse uma dívida:


necessita-se da devolução. Foi gerada pela própria pessoa. Para
o pagamento da dívida, existe o sofrimento. Então, sofre-se.
Entretanto, nesta fé, faz-se isso sem sofrimento.

437
Rokan – Alicerce do Paraíso

Sr. (...): O atual mundo político do Japão, que está sendo


purificado, será que se cura? ...

Meishu Sama: Se cura, sim. Entretanto, o método de


curar aquilo não existe outro, a não ser pela Igreja Messiânica.

Sr. (...): E a Igreja Messiânica está tomando alguma


medida como esse meio?

Meishu Sama: Estão aumentando fiéis no Japão. É a


manifestação disso. Entretanto, tais pessoas poderosas são
sensíveis materialmente, mas espiritualmente são
excessivamente insensíveis. Por isso, demoram muito para
começarem a entender. Isto porque as pessoas que receberam o
ensino, ou que se tornaram poderosas na sociedade, são
profundamente presas pelo fanatismo científico, sendo, por isso,
os seus pensamentos opostos aos normais.

PARA SE LIBERTAR DA POBREZA

Sr. (...): Existem inúmeros problemas, mas como seria


salvar a pobreza independentemente da doença?

Meishu Sama: Antes disso, falando-se mais desde a


origem, o homem é feito de espírito e matéria. Entretanto, não
reconhecem o espírito. A medicina estuda com base na matéria.
Mas eu digo que o espírito precede a matéria. Isto é, o centro de
cada um dos homens é a alma, e a alma pertence ao Mundo
Espiritual. E o físico, no Mundo Material. Este Mundo Espiritual,
da mesma maneira que o Mundo Material, está em camadas,
sendo que existem 180 camadas. E a alma pertence a uma
delas. Por exemplo, se estiver no inferno, há a pobreza, o
conflito, acontecem somente desgraças, e na medida em que se
sobe, melhora-se gradativamente, e no meio, na camada
intermediária, existem coisas boas e más, sendo mediana.

438
Rokan – Alicerce do Paraíso

Passando por essa camada, será o Paraíso, existindo, aí, mais


coisas boas. Ocorre somente coisas boas.

Então, existindo nuvens no homem, pelo seu pecado, ele


cai ao inferno, recebendo todas as influências do inferno.
Portanto, sofrer pela pobreza também é pela influência da
camada inferior. É porque o seu registro está na camada inferior.
Então, se transferisse o registro para cima, reduziria tais
desgraças, diminuindo, portanto, a pobreza e os vários
sofrimentos. Então, se transferir o registro para camada superior,
mesmo que não queira, acontecem somente coisas boas, e não
as más. E é feito assim, por isso não há outra alternativa. A
pobreza é também por essa razão. Os homens atuais encontram-
se todos no inferno. Por isso, deve-se puxá-los gradativamente
para cima. Assim, os fiéis da Igreja Messiânica livram-se, todos,
da pobreza.

Sr. (...): Então, quer dizer que todos os membros da Igreja


Messiânica não adoecem nem são pobres?

Meishu Sama: No começo tem, mas, gradativamente, com


o tempo, vão se tornando assim.

Sr. (...): Então, de que maneira se puxa para cima?

Meishu Sama: Basta que se diminua os pecados da alma.


Isto é, dizem "o peso do pecado", mas se eliminasse os pecados,
torna-se leve, portanto, se eleva.

Sr. (...): Como proceder para eliminar os pecados?

Meishu Sama: Através do Johrei ou leitura dos meus


livros. Isto porque deles emana-se Luz. Emana-se Luz dos
caracteres de jornais editados por nós e existem pessoas que a
enxergam.

439
Rokan – Alicerce do Paraíso

Sr. (...): Então quer dizer que nós, por um bom tempo, não
seremos salvos da pobreza?

Meishu Sama: Depende do senhor. Se tiver vontade de


ser salvo, torne-se fiel, e assim melhorará em passos firmes.
Entretanto, deve-se pensar: "Está falando de maneira hábil com o
intuito de me fazer ingressar na fé”. Mas dizer para que creia
independente de pensar assim ou não é mentirosa. Experimentar,
pensando, "Nada como experimentar" e se concluir, “Ah, sim, é
isso" está bom, mas no caso contrário, pode jogar fora a Luz
Divina.

Sr. (...): Eu também tenho vontade de ser salvo... Isso será


porque tenho muito pecado?

Meishu Sama: Fazer sofrer os outros é pecado, mas


procurar a própria felicidade é a verdadeira aspiração. Maltratar o
próximo, querendo para si só, não é bom, mas que seja bom para
o próximo e para si, é bom. É o princípio da coexistência.

Sr. (...): Nós pensamos que isso é porque o Senhor não


têm preocupações financeiras...

Meishu Sama: Não é isso. Estou construindo agora o


Paraíso Terrestre, mas o dinheiro é doado totalmente pelos fiéis.
E não são pessoas de posse. Fazem donativos do dinheiro que
adquiriram após se tornarem membros.

Sr. (...): Ah., sim, então a Igreja Messiânica em si está livre


da pobreza...

Meishu Sama: Ah, deve ser isso.

Sr. (...): Como nós sempre somos perseguidos pela


pobreza, passamos a não pensar muito, mas isso também é por
causa da pobreza....

440
Rokan – Alicerce do Paraíso

Meishu Sama: Mas a pobreza também é necessária.

Sr. Nakamura: Tenho uma dúvida. Desde há pouco, o


Senhor está dizendo: "Que calor, que calor", mas nós não
sentimos nem um pouco...

Meishu Sama: Isso é por causa da Luz.

Sr. Nakamura: Então, nós por causa da pobreza... será


que é isso?...Não sei se diz apego ao dinheiro, mas os homens
atuais, parece que têm algo instintivo.

Meishu Sama: Quanto ao apego, não tem problema, a


questão é o seu método. O dinheiro é muito bom, e não existe
algo mais prático. Portanto, pode-se adquirir o quanto quiser. No
entanto, se adquiri-lo pelo meio justo está bom. O método injusto
é que não deve ser usado.

Sr. (...): O trabalho a executar, não importa qual seja?

Meishu Sama: Mas não pode ser algo que gere pecado.

AMAR É BOM, MAS NÃO GERE PECADO

Sr. (...): Amenizando o assunto, gostaria de saber a


opinião sobre o amor...

Meishu Sama: Eu digo que o amor é a graça que Deus


concedeu, então, que se ame bastante.

Sr. Nakamura: O Senhor Fundador praticou bastante?

Meishu Sama: Sim, muito.

Sr. Nakamura: Quer dizer que o Senhor também foi


humano?

441
Rokan – Alicerce do Paraíso

Meishu Sama: Sim.

Sr. (...): É bom ouvir essas coisas ... é útil para o nosso
estudo.

Meishu Sama: É bom praticar bastante, mas não pode


gerar pecado.

Sr. (...): O Senhor Fundador não gerou pecados?

Meishu Sama: Talvez um pouco sim, mas não deve ter


sido tanto...

Sr. (...): A única coisa que temos, que corresponde ao


Fundador, parece que é no aspecto em que temos amado.

Meishu Sama: Talvez possa parecer que eu não esteja


querendo reconhecer as minhas perdas, mas essas experiências
não foram inúteis. Isto porque havia bastante necessidade para
conhecer a face oculta da sociedade. Por isso, Deus é quem está
me manobrando.

Sr. (...): Nesses casos, Deus não faz com que pare?

Meishu Sama: Houve casos que sim. Isso foi depois que
me ingressei na fé. Fiquei sem salda e eu concluí que isso seria a
provação de Deus. Eu pensei: "Deus está provando se na minha
fé existe fervor. Tenho que passar neste exame". Então, deixei,
por completo.

Sr. (...): Mas assim, não estaria indo contra a Natureza?

Meishu Sama: Sim, mas como eu tenho missão especial,


aí está algo que seria impossível ser praticado por pessoas
comuns.

442
Rokan – Alicerce do Paraíso

Sr. Nakamura: É a primeira vez que me encontro com um


fundador de uma seita, mas o Senhor, Mestre, pessoalmente, é
diferente do que imaginávamos. É bem popular...

Meishu Sama: Isso é claro. Um religioso deve ser assim.

Sr. Nakamura: Pensava que se vestisse com mais


formalidade... Falando-se em formalidade, é sobre o Shigueru
Yoshida, mas o nome do Senhor, Fundador, Mokiti Okada,
interpõe o nome Shigueru Yoshida. Eu estou tentando fazer um
trocadilho com isso. De qualquer maneira, pelo nosso conceito,
pensávamos que mesmo que não fosse uma cortina de ferro,
pelo menos estaria com uma cortina de bambu...

Meishu Sama: Eu não gosto dessas coisas. Se fizer isso


seria incômodo para mim. Por isso, portar-me como um homem
comum seria bem mais confortável, e ainda, não há necessidade
de ser tão formal.

Sr. Nakamura: Significa que é diferente da seita Ito, que é


conservadora. O Ito parece ser muito mais um fundador...

Meishu Sama: O recente talvez seja a seita Moriwaki...

Sr. Nakamura: Atingindo uma certa linha, todos se tornam


fundadores. Visitando os Estados Unidos, ao retornarem, todos
se tornam "fundadores"...

O QUE SALVARÁ O MUNDO DAQUI PARA FRENTE

Sr. (...): Mudando de assunto, por exemplo, um homem


perverso, que praticara assaltos e assassinatos, será possível se
tornar fiel e superar-se?

Meishu Sama: Aí está a questão. Existe a necessidade de


salvar porque é mal. Se for homem de bem, não seria necessário

443
Rokan – Alicerce do Paraíso

salvá-lo. Portanto, se for mau, quanto mais o for, mais


necessidade há de salvá-lo. A frase dita por Shinran: "Até um
homem de bem é salvo. Então, nem é necessário dizer que um
homem perverso o será", significa essa regeneração do homem
mal. Se interpretar essa frase literalmente, seria estranha, mas
significa que mesmo um homem perverso será salvo, sendo que,
quanto mais o for, mais necessidade há de salvar. E o Johrei cura
as doenças sem distinção do Bem ou do Mal.

Sr. (...): Significa que o Johrei purifica a alma?

Meishu Sama: Seria um tanto diferente da alma. A alma é


o centro do espírito. O espírito abrange todo o corpo físico.

Sr. (...): Em outras religiões também existe alguma com tal


filosofia...

Meishu Sama: Existe algumas. Mas não são tão


completas quanto a da Igreja Messiânica.

Sr. (...): Tem o Jikoson e outros, mas como o Senhor


interpreta sobre aquele tipo de coisa?

Meishu Sama: Aquilo está bom como está. Entretanto, é


diferente da minha seita. No nível da época de até hoje, era
necessário aquele tipo de salvação. Entretanto, daqui para
diante, precisa ser a Igreja Messiânica. Em termos da Era
também.

Sr. (...): O ideal seria toda a humanidade se tornar fiel da


Igreja Messiânica.

Meishu Sama: Isso é.

444
Rokan – Alicerce do Paraíso

Sr. (...): Até o presente, são aprovados, mas daqui para


frente terá que ser a Igreja Messiânica. Que etapa fez acontecer
isso?

Meishu Sama: Não fez acontecer, e sim o objetivo de


Deus, o direcionamento de Deus é que está assim. Por exemplo,
é como se fosse o crescimento de uma criança. De criança, ao
jovem e velho, conforme a idade, o modo de pensar também vai
diferindo, e dessa maneira, o mundo veio se desenvolvendo
bastante também. Então, surgem várias coisas adequadas a isso.

Sr. (...): Então, eu creio que os fundadores de outras


religiões também devem estar cientes sentindo o Ensinamento
Divino, a inspiração Divina, mas, se é que a Vontade Divina se
reúne na Igreja Messiânica, os outros fundadores não pensariam:
"A nossa religião chegara ao fim?”

Meishu Sama: Isso não sei. Futuramente compreenderão,


mas é o tempo.

Sr. (...): Será que não poderia fazer uma palestra entre os
fundadores, através de espírito?

Meishu Sama: Mesmo que eu queira, se o outro...

Sr. (...): Parece telefone...

Meishu Sama: É. A outra parte deixa o fone fora do


gancho...

Sr. (...): Foi uma palestra muito interessante. Nunca havia


escutado assunto assim.

Jornal Eiko nº 267, 28 de julho de 1954

445
Rokan – Alicerce do Paraíso

(R1/135) ENTREVISTA COM MEISHU SAMA (FINAL)

O PERIGO DA BOMBA-H ESTÁ NO SOONEN DO MAL

Sr. Inoue: As bombas atômicas e as hidrogênicas


atualmente estão sendo questionadas, ameaçando a paz...

Meishu Sama: Isso é bom. Pois a bomba-H é inevitável


pela Ciência. E estão querendo realizar congressos ou convênios
internacionais, mas, mesmo que os consigam, serão temporários,
não sendo fundamentais. Melhor que isso, dizendo-se o que é
fundamental, é a alma do homem. Tempos atrás, o Eisenhower
disse que a bomba-H em si não é perigosa, que existe o perigo
conforme o objetivo da sua utilização. Realmente é isso.
Portanto, se fizer dela uma arma de guerra, ou usá-la para o
benefício do próprio país, destruindo inúmeras pessoas e coisas,
será problema.

Se. Inoue: Entretanto, atualmente não está caminhando


para essa direção?...

Meishu Sama: Isto porque não existe uma força justa para
controlar o Mal. É o resultado disso. Portanto, deve-se criar no
homem a força para oprimir o Mal. Aí não poderá mais praticar o
Mal ou fazer coisas erradas. Portanto, não será necessário
temer-se a bomba-H. Ao contrário, se usar aquilo em obras
pacíficas, produzirá grande força. Pois, em suma, como é energia
gerada pelo calor do sol, tem a força de mover carros ou trens
com um pouco só da sua energia. Então, se usá-la nisso será
maravilhoso. Mas, no fim, será assim.

Sr. (...): Como Líder Espiritual da Igreja Messiânica, que


tipo de esforço está fazendo para que utilizem-na para objetivos
pacíficos?

446
Rokan – Alicerce do Paraíso

Meishu Sama: O mais importante é eliminar o Mal do


homem. Será impossível eliminá-lo totalmente do homem, mas
poderá ser controlado. Isto é, se o Mal for 4, e o Bem, 6, estaria
bom. Assim, não usará para a destruição ou como método de
massacre.

A LUZ DIVINA PARA(...)

Sr. (...): Para isso, procederá com que meio?

Meishu Sama: O fundamental é conceder Luz à


humanidade. Assim, o Bem vencerá o Mal; portanto, o homem
não poderá praticar crimes que fazem o próximo sofrer. Talvez
isso seja inacreditável, mas a primeira medida é o Presidente dos
Estados Unidos colocar a Luz Divina da Igreja Messiânica. Por
isso eu digo que futuramente farei com que o Presidente dos
Estados Unidos receba a Luz Divina.

Sr. (...): Esse é o método mais prático?

Meishu Sama: Sim. Assim sendo, se for (...), por exemplo,


sempre o seu pensamento objetiva o Presidente dos Estados
Unidos, então, o seu soonen, através do elo espiritual,
constantemente atinge o Presidente. Assim, a Luz do Presidente
que está aqui vai ao (...) através do elo espiritual, e as nuvens do
(...) diminuirão gradativamente. Então o espírito do (...)
despertará que dominar o mundo pelo comunismo está errado.
Que o certo é gozar mutuamente em conjunto a felicidade. Vai se
tornando assim. Então assim estará bom.

Sr. (...): Faria mal se colocasse no (...)?

Meishu Sama: (...) não colocaria agora. É impossível. É


mais rápido colocar no Presidente dos Estados Unidos.

Sr. (...): Eisenhower colocaria...

447
Rokan – Alicerce do Paraíso

Meishu Sama: Eisenhower colocaria. Enfim, a América é


um país que ama a justiça, ama as religiões. Entretanto, o
comunismo não gosta de religiões, é o oposto. Portanto, não há
como colocar a Luz Divina. Assim, a minha intenção básica é
fazer desenvolver, em grande escala, a Igreja Messiânica nos
Estados Unidos da América.

Sr. Nakamura: Nós também viemos pensando bastante,


mas não tivemos a idéia de colocar a Luz Divina em (...).

Meishu Sama: Isso está claro. Se fosse para salvar o


mundo, esse seria o primeiro passo.

Sr. Nakamura: Que tal colocar no Sr. Yoshida?

Meishu Sama: Seria bom. O difícil é ele ficar com essa


vontade.

Sr. (...): Como poderia ser feito?

Meishu Sama: Sobre isso, eu não preciso me preocupar,


pois é Deus quem está cuidando.

Sr. (...): Se o homem manobrasse a Vontade Divina...

Meishu Sama: Isso não é bom. Eu também sou


instrumento de Deus. O homem é que é utilizado por Deus.

SALVANDO A AMÉRICA, O JAPÃO TAMBÉM O SERÁ

Sr. Nakamura: Chegou muitas correspondências dos


nossos leitores dos Estados Unidos perguntando sobre o livro
"Salvar a América", que o Senhor Fundador escreveu, e nós, da
sucursal de Tóquio, gostaríamos de perguntar várias coisas ao
Senhor acerca desse livro... Nós também o lemos, mas o
objetivo, mais ou menos, é salvar a saúde...

448
Rokan – Alicerce do Paraíso

Meishu Sama: Isso sim. É tornar sadio os americanos.

Sr. Nakamura: O Senhor chega a acreditar que isso é


salvar a América, salvar a situação do país?

Meishu Sama: Sobre a situação do país, eles mesmo


tomarão medidas, portanto, não é da minha competência. É
melhorar a saúde.

Sr. Nakamura: O que o Senhor disse há pouco, de


outorgar a Luz Divina ao Presidente, significa salvar a sua
saúde?...

Meishu Sama: Não é isso. O presidente está tomando


inúmeras medidas com o intuito de pacificar ao mundo, e ela se
tornará força para isso. O Presidente possui um forte espírito de
justiça, e significa que surgirá um certo poder para defender a
justiça do mundo. Isto é, conceder força espiritual para que o seu
intuito seja alcançado. Quer dizer que, através de mim, Deus fará
com que as atividades do Presidente vão bem.

Sr. Nakamura: Mudando de assunto, o Senhor não pensa


que, antes de salvar a América, deveria salvar os japoneses?....

Meishu Sama: Entretanto, como os japoneses são


admiradores de coisas importadas, se for direto do Japão, não
dará resultado, mas se vier dos Estados Unidos, imediatamente
aderirão.

Sr. Nakamura: Como os japoneses são veneradores de


artigos importados, se salvar os Estados Unidos primeiro, ela se
retorna, por sua vez, de lá. Assim, significa que, com certeza, o
Japão será salvo...

Meishu Sama: Sim.

449
Rokan – Alicerce do Paraíso

Sr. Nakamura: Usando-se uma expressão forte, isto


significa um meio administrativo, não?...

Meishu Sama: Sim, é um meio.

Sr. Nakamura: Entretanto, mesmo que seja um meio,


basta que as pessoas sejam salvas. É a teoria do resultado...

Meishu Sama: Sim, é teoria do resultado.

ESTÁ TUDO NA VONTADE DE DEUS

Sr. Nakamura: O Senhor Fundador não tem vontade de


visitar os Estados Unidos?

Meishu Sama: Se o Presidente me convidar, irei.

Sr. Nakamura: Na conversa há pouco, parece que faço


objeção, mas o Senhor disse que ir pessoalmente curar os
doentes pela irradiação de bomba atômica seria inconveniente...

Meishu Sama: Não é isso. Eu não posso salvar, agora,


pessoa por pessoa. Isto é, estou trabalhando para formar
pessoas que salvam.

Sr. Nakamura: Ir um pouquinho só, nas horas vagas de


trabalho, mesmo que seja dez ou vinte minutos...

Meishu Sama: Tais procedimentos também dependem de


Deus. Se eu pensar em ir a algum lugar forçando a situação,
Deus me detém.

Sr. Nakamura: Então, se o Presidente da Igreja, ou o Sr.


Abe, ou outra pessoa fosse...

450
Rokan – Alicerce do Paraíso

Meishu Sama: É o seguinte: Quando Deus vai salvar uma


determinada pessoa, surge uma situação em que alguém precisa
ir. Pois tudo é feito por Deus...

Sr. Nakamura: Então, para nós ainda não chegou a ordem


"salve"...

Meishu Sama: Isso mesmo.

Sr. Nakamura: Significa que, desde o Senhor, os


membros da Igreja Messiânica estão sob a direção de Deus...

Meishu Sama: Sim. Somos os atores.

Sr. Nakamura: Sendo assim, dizem acerca de direitos


humanos, mas perante Deus, significa que se deve extinguir os
direitos humanos.

Meishu Sama: Não. Perante Deus ele inexiste totalmente.


Como Deus é Absoluto, se Ele der uma torcida, dizendo que esse
sujeito está atrapalhando, será o fim. O homem, realmente, é um
coitado.

Sr. Nakamura: Se no caso o Presidente dos Estados


Unidos ficar impossibilitado, se convidasse o Senhor Fundador,
solucionaria os problemas de paz?

Meishu Sama: Entretanto isso não é fácil. Se for para


acontecer isso, eu ficarei numa situação em que tenha
possibilidade de viajar aos Estados Unidos, dispondo de tal
tempo. Deus, de maneira nenhuma, força. Por isso irei após
preencherem todas as condições. Atualmente, é impossível,
porque não se têm tais condições.

451
Rokan – Alicerce do Paraíso

Sr. Nakamura: Se for publicado pela empresa que eu


trabalho e se houver convite do Presidente por causa disso, o
senhor iria?

Meishu Sama: Entretanto, Deus está acima da empresa


em que o senhor trabalha, e também é impossível o Presidente
convidar um homem desconhecido chamado Okada.

Sr. Nakamura: O fato de ter se encontrado conosco,


também, é pela Vontade de Deus?

Meishu Sama: É claro que sim. Os senhores estão


prestando um serviço maravilhoso pela Causa Divina.

Sr. Nakamura: Não, mas talvez com as nossas cabeças


medíocres, não consigamos expressar apropriadamente sobre os
papéis. Para finalizar, o Senhor Fundador está satisfeito com a
sua vida atual?

Meishu Sama: Estou extremamente grato. Creio que eu


sou a pessoa mais afortunada do mundo. Pois ser agradecido por
grande número de pessoas é uma sensação realmente
gratificante.

Sr. Nakamura: Hoje foi uma experiência inédita para nós.


O Senhor Fundador deve ser uma pessoa ocupadíssima, mas
como nós também gostaríamos de estudar um pouco mais,
desejamos visitá-lo de vez em quando.

Meishu Sama: Seja como for, o melhor é os senhores


jornalistas compreenderem. Se tais pessoas compreenderem, o
Paraíso Terrestre será feito logo. Pois os homens atuais
acreditam mais nas coisas escritas por pessoas como os
senhores do que em palavras de um religioso. Portanto, seria
muito bom.

452
Rokan – Alicerce do Paraíso

Sr. Nakamura: Muito obrigado por longo tempo. Eu


estudarei também, e gostaria de voltar mais vezes.

Meishu Sama: Está bem.

Jornal Eiko nº 268, 4 de agosto de 1954

453
Rokan – Alicerce do Paraíso

POSFÁCIO

O verdadeiro desejo do Fundador, Meishu Sama, é a


realização do "Paraíso Terrestre", onde inexiste a doença, a
pobreza, e o conflito, que toda a humanidade possa viver feliz.

Meishu Sama, desde que foi cientizado da Sua Missão,


pela Revelação Divina, com ardente sentimento de amor
humanitário, de amor universal, estendeu a mão da salvação por
supremo amor sem distinção às pessoas que sofrem, às que
procuram a salvação.

Entretanto, na época em que Meishu Sama se encontrava


neste mundo, era baixa a consciência de proteção aos direitos
humanos, e se usavam muitas expressões ou palavras que se
ligavam às discriminações. Meishu Sama também pregara os
seus Ensinamentos dentro desses limites da época. Se, dentro
das expressões de Meishu Sama, mesmo que existissem
algumas que se liguem às discriminações, atualmente, elas são
idiomatismos fundamentados no cenário da época, limitada por
ele. E nem é necessário explicar que se difere da essência dos
Seus Ensinamentos, que proferiu e conduziu a salvação de toda
a humanidade.

Entretanto, mesmo dizendo-se expressões usadas


segundo a consciência social da época, as que julgamos
impróprias, que hoje em dia poderiam causar equívocos
discriminatórios, depois de muita consideração, resolvemos
revisá-las. Isto porque, refletindo aos Ensinamentos, acreditamos
que, se Meishu Sama se encontrasse neste mundo, faria,
naturalmente, revisão nessas expressões, e acreditamos que
assim proceder é o caminho da prática da essência dos
Ensinamentos de Meishu Sama, não significando violar a Sua
dignidade.

454
Rokan – Alicerce do Paraíso

Ainda, atualmente, é lamentável, mas na realidade social,


existem discriminações pela raça, grupo étnico, discriminações
pelas deficiências mentais, físicas ou sexuais, discriminações
pelas aldeias, pelas profissões, etc., existindo inúmeras
discriminações, e grande número de pessoas são feridas,
carregando sofrimentos incabíveis. E também é verdade que
grande número de pessoas está se esforçando e mantendo
atividades a fim de abolir essas discriminações.

O caminho de esforço para eliminá-las é a via que coincide


com o Ensinamento do Fundador, que caminhou firmemente em
direção à construção do Paraíso Terrestre, extinguindo as
tragédias do Mundo Material. E a Igreja Messiânica Mundial,
desejando o extermínio da idéia de discriminação e do Mal,
deseja dedicar ativamente para despertar o esforço em âmbito de
toda a humanidade.

Ao editar este volume, desejamos sinceramente que


compreendam bem a atitude da Igreja Messiânica Mundial no
tocante à proteção dos direitos humanos.

Setembro de 1993

Igreja Messiânica Mundial

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