Redes Industriais: Tudo que você precisa saber
Hoje as redes industriais estão no centro da Automação Industrial,
Indústria 4.0 e CLP. Para falar do passado ou do futuro da automação,
precisamos falar desses protocolos que transportam a informação de um
lado para o outro.
O que são Redes Industriais?
Sabemos que Redes Industriais são protocolos usados para que
controladores, sensores e atuadores troquem dados de forma confiável e
ágil para supervisionar ou controlar plantas industriais.
No entanto, cada uma delas conta com regras específicas que regem a
transferência de dados. Por isso, podemos encontrar diversos tipos.
Classificação das Redes Industriais
Ao abordar este tema, automaticamente relacionamos aos seguintes
tópicos, ou pelo menos em alguns deles:
▪ Indústria 4.0
▪ Conectividade
▪ Integração entre máquinas e sistema de controle
▪ Eficiência e cofiabilidade no sistema produtivo
▪ Segurança de dados
Não somente esses, mas também outros assuntos relacionados a
interconexão de diversos tipos de equipamentos.
Responsáveis pelo sistema de transmissão de informações, as Redes
Industriais podem ser divididas entre Fieldbus, Ethernet Industrial, WIFI e
Protocolos da Indústria 4.0.
A seguir estão as definições e especificações de cada Rede de
Comunicação.
Fieldbus
Fieldbus são protocolos desenvolvidos até os anos 80 obedecendo as
camadas OSI. Entretanto, a maior parte possui meio físico (topologia,
conectores, cabos) diferentes um do outro. Além disso, cada um foi feito
por um fabricante para atender uma aplicação. As principais são:
AS-Interface
Feita para ser simples e prática. Dessa maneira, se posiciona como uma
das mais simples aplicações para máquinas e equipamentos de pequeno
porte.
Na sua instalação, através de cabo chato auto-regenerante de duas vias,
trafega a transmissão de dados no mesmo par de fios. Com isso, a Rede
AS-Interface carrega velocidade de conexão para pontos analógicos e
digitais.
Apesar das afirmações sobre essa rede apontarem que ela estava com
seus dias contados no mercado, atualmente o ASi está lançando sua
versão 5, sucessora da versão 3.
Com essa reinvenção, garante um futuro com mais vantagens que se
comparam a redes baseadas em Ethernet:
▪ Módulos ASi podem ter mestres IO-Link
▪ Facilidade de montagem
▪ Maior segurança
▪ Economia garantida
CANOpen
O objetivo da CANopen é atender projetos mais exigentes. Por exemplo na
área médica, navegação naval, ferrovias, etc.
Normalmente, a topologia Mestre / Escravo consegue suprir as
necessidades de uma aplicação, mas nesses casos, é necessário uma
operação multimestre, com os mais altos requisitos de complexidade e
segurança de dados.
Possui preços razoavelmente competitivos, até por conta dos
componentes e equipamentos que a acompanham.
Oferece um bom ganho de performance, mas por ser dotada de uma
velocidade de comunicação média, proporciona dificuldades a medida
que o painel elétrico fica distante dos nós de rede. Mas se houver uma
distancia curta, essa aplicação é a ideal nesses casos.
DeviceNet
É impossível falar dessa rede sem citar intercambialidade e
interconectividade. Em outras palavras, o DeviceNet facilitou que
diversos fabricantes desenvolvessem dispositivos e componentes
preparados para transmissão de dados.
Outra característica importante, é que oferece até 64 nós de conexão em
topologia do tipo tronco/derivação.
De acordo com o estudo feito pela HMS Industrial Networks, retratado no
nosso artigo “A Evolução da Ethernet Industrial”, a taxa DeviceNet
utilizados nas aplicações é de somente 4%. Isso se deve ao fato de que as
vantagens contidas nessa rede foram transferidas para a sua evolução, a
Ethernet IP. Veremos mais a seguir.
Profibus
Atualmente, uma das maiores redes disponíveis. Foi desenvolvida a partir
da necessidade de um Fieldbus específico para a comunicação industrial.
A tecnologia Profibus permite integrar equipamentos de diversos
fabricantes em uma mesma rede. É independente de fornecedores e
permite uma ampla aplicação em processos. Se destaca por ser parte de
um padrão internacional de protocolo aberto, que visa muitos ganhos.
Redução de custos, segurança, flexibilidade em diversas aplicações,
entre outras coisas.
Para atender sistemas de controle e comunicações entre os sistemas de
automação e equipamentos descentralizados, como os módulos de IO,
surgiu o PROFIBUS DP, que conta com uma alta velocidade. Essa evolução
destaca a flexibilidade dessa rede, pois foi desenvolvida exclusivamente
para casos que demandam uma conexão diferenciada. Hoje, cerca de 90%
das aplicações envolvendo PROFIBUS utiliza-se PROFIBUS DP.
Também existe a PROFIBUS-FMS e PROFIBUS-PA, que atendem outras
seleções de funções, dependendo das necessidades do projeto.
Modbus
Uma das Redes Industriais abertas mais antigas utilizada em todo o mundo
é o Modbus. Adequa-se a diversos meios físicos e possibilita inúmeras
aplicações que necessitam de um Fieldbus incorporado, para garantir
controle, acionamento e leitura de sinais ao longo de uma instalação.
No entanto, é utilizado em equipamentos que precisam adotar modelos de
transmissão de dados com baixo custo. Por isso, sua utilidade é priorizada
para empresas que querem construir aplicações padronizadas com
comunicação de IO de dispositivos sem se preocupar em ultrapassar o
orçamento.
Porém, estima-se que por conta de revisões tecnológicas, o Modbus pode
cair no esquecimento em algum tempo.
Ethernet Industrial
Por obter uma grande disponibilidade de dados com diferentes pontos de
acesso em vários locais da linha de produção, a Ethernet
Industrial conseguiu atingir um espaço importante entre as aplicações.
Em relação ao ano de 2018, alcançou um crescimento de 22%. Realizamos
uma análise sobre isso no artigo “A Evolução da Ethernet Industrial.” (link)
Os protocolos nessa categoria foram desenvolvidos nos anos 2000 e
seguem o modelo TCP/IP. Seus meios físicos são os mesmos o que
facilitam o projeto e a instalação. Iremos conhecer mais sobre eles na
listagem abaixo:
Profinet
Baseada no padrão de Ethernet Industrial, a PROFINET, sucessora da
PROFIBUS, proporciona comunicação em tempo real, segurança
integrada, integração com a web e muito mais.
Conta com uma disponibilidade de dados grande de pontos de acessos em
diferentes locais da linha de produção.
Pronta para oferecer soluções em nível corporativo e capacidade de
conexão no chão de fábrica, a história da origem do EtherNet IP, traz
informações importantes sobre a automação.
Substituta da rede Devicenet, atualmente lidera as aplicações entre as
redes EthetNet. Isso se deve ao fato de apresentar vantagens como:
Dispositivos Ethernet integrados à rede, facilidade de utilizar um único
arquivo de configuração para todos os dispositivos de redes, diagnóstico
local e via CLP, entre outros benefícios.
Para maiores detalhes, temos um artigo que aborda 6 coisas que você
deve saber sobre EtherNet/IP.
Modbus TCP
Por ser um dos protocolos de Redes Industriais mais usado, o Modbus
excedeu os limites da automação das indústrias e hoje é requisitado até
mesmo para instrumentos e máquinas laboratoriais e automação de
navios.
É considerado uma excelente solução por apresentar:
▪ Possibilidade de utilização da estrutura Ethernet existente
▪ Diagnóstico rápido e fácil
▪ Redução de custos com estrutura
Outro ponto referente a ao Modbus, são os conversores. Existem diversos
conversores para outras redes que funcionam com facilidade, tanto para
EtherNET/IP quanto para Profibus.
EtherCat
Uma excelente oportunidade de instalação em ambientes híbridos, típicos
de projetos de grande porte para planta industrial.
A condição de configuração remota dos agentes de
rede EtherCat proporciona grande flexibilidade na instalação,
substituição de componentes de rede e velocidade de comunicação.
Em relação ao custo, apesar de serem menores em comparação a
PROFINET, ainda não se pode afirmar que a EtherCaT tenha um custo
baixo de adoção.
Protocolos da Indústria 4.0
A Indústria 4.0 criou novas necessidades. Dispositivos precisam enviar
suas informações para a nuvem. A comunicação precisa ficar ainda mais
rápida. Para isso estão sendo propostas novas redes industriais. OPC/UA
e TSN são duas delas.
OPC/UA
Garante um bom equilíbrio entre sistemas digitais. Baseada no princípio
cliente-servidor, permite a comunicação dos sensores até a nuvem.
Com um protocolo independente da plataforma, apresenta um mecanismo
de segurança incorporado. Sua independência e flexibilidade o tornam
ideal para a indústria 4.0.
O interessante do OPC UA (Unified Architecture) é que os dados são
transferidos através de um único protocolo. Em outras palavras, está
eliminando a necessidade de Fieldbus tradicionais.
TSN
Além dos protocolos PROFINET e EtherNet/IP, o TSN (Time Senstive
Networking) é um conjunto de normas que dará a capacidade para a
EtherNet trabalhar em tempo real.
A Siemens, por exemplo, acredita que o Profinet baseado em EtherNet
com TSN será a rede utilizada no chão de fábrica, com o auxilio do OPC
UA, que será responsável por transmitir os dados para a nuvem.
Onde as Redes Industriais se localizam na Pirâmide da Automação
A pirâmide da automação é a representação hierárquica dos diferentes
níveis de controle. Desde os equipamentos e dispositivos em campo até o
gerenciamento corporativo da empresa.
Veja a seguir:
PIRÂMIDE ISA:
Os cinco níveis estão divididos em:
▪ Nível 1 – Aquisição de dados e controle manual: Dispositivos de
campo
▪Nível 2 – Controle Individual: Equipamentos que realizam o controle
automatizado, como CLP (controlador lógico programável), SDCD’s
(sistema digital de controle distribuído) e relés.
▪ Nível 3 – Controle de célula, supervisão e otimização do
processo: Supervisão executada por uma determinada célula de
trabalho em uma planta. Na maioria dos casos, obtém suporte de
um banco de dados.
▪ Nível 4 – Controle fabril total, produção e programação: Auxilia
tanto no controle de processos industriais quanto na logística de
suprimentos.
▪ Nível 5 – Planejamento estratégico e gerenciamento
corporativo: Administração dos recursos da empresa. Neste nível
encontram-se softwares para gestão de venda, gestão financeira e
BI (Business Intelligence)
Você deve estar se perguntando onde as redes se encaixam nessa
organização, certo?
Como elas possuem a função de realizar a aquisição dos dados do campo
até o CLP, estão entre os controladores e os dispositivos, entre a primeira
e a segunda camada.
As múltiplas vantagens das Redes Industriais
Ao contrário do que se pode imaginar, as Redes Industriais não visam
somente a transmissão de dados. Com a indústria 4.0, muitas fábricas irão
precisar se readaptar e com certeza as redes industriais serão grandes
aliadas neste processo.
As Redes Industriais trazem vantagens que garantem uma maior
produtividade:
▪ Redução de instalações elétricas do tamanho do painel elétrico;
▪ Modularização de máquinas e equipamentos;
▪ Possuir diagnóstico real time em supervisório e de local de falhas;
▪ Flexibilidade da ampliação e modulação
Não somente essas, mas também outras otimizações ocasionadas pela
aplicação das redes, simplificam muitos processos de uma planta
industrial.
Investir em tecnologia além de ser um diferencial, auxilia na identificação
de um possível problema. Dessa forma, até os funcionários são
beneficiados. Suas rotinas podem ser dedicadas a outras atividades
lucrativas, ao invés de dispor de um tempo para solucionar algum erro que
poderia ter sido evitado.
Existem módulos na automação, como o Cube67 e o Impact, que
conectados a essas redes, definida de acordo com o CLP do projeto,
transmitem informações diretas. Se há alguma falha no painel ou dentro
da máquina, ela é identificada e é possível receber essas informações em
um Notebook ou celular. Mas não somente isso, até é possível receber um
direcionamento de onde está o problema para que ele possa ser corrigido,
evitando que muitas horas de trabalho fossem utilizadas somente para
encontrar essa falha.
Com a indústria 4.0, facilidades como essa tendem a ser prioridade. Muitas
tecnologias irão surgir para revolucionar o mercado industrial.
Se você quiser se aprofundar e conhecer mais detalhadamente estes
pontos, preparamos este artigo sobre as vantagens clássicas das Redes
Industriais.
Qual o melhor tipo de Rede Industrial para o meu
Projeto?
Após este breve descritivo sobre as definições de tipos de Redes
Industriais, você deve estar se perguntando como identificar qual a mais
adequada para ser aplicada no seu projeto de máquina e equipamento.
Primeiramente, é preciso focar na tecnologia que controla uma grande
parte da operação da máquina ou equipamento: O CLP.
Se já existe uma definição de quais são as marcas e modelos de CLP
possíveis de serem utilizados nas suas aplicações, a decisão sobre quais
Redes Industriais devem ser avaliadas fica muito mais simples.
Ter esta base como parâmetro facilitará sua busca, devendo somente ficar
alerta sobre limitantes críticos de cada Rede Industrial defendida pelo
fabricante de CLP que você utiliza.
Porém, se não existe esta definição de marca de CLP a ser utilizado,
precisará fazer uma avaliação partindo das variáveis típicas de definição
de Redes Industriais que são:
▪ Quantidade
▪ Tipo e distribuição dos pontos
▪ Distância entre os pontos e o painel elétrico
▪ Latência suportada no comando
▪ Tecnologia de CLP adotada pelo cliente ou por sua empresa
O Uso de Conectores Industriais para Rede de Dados
Após a aplicação das Redes Industriais, é essencial garantir que os dados
transitem com confiabilidade.
Parece óbvio, mas, nada irá acontecer na sua máquina ou equipamento
(que use Rede Industrial para a transmissão de dados) se os dados não
trafegarem de forma eficaz.
Portanto, o uso de Conectores Industriais para Rede Industrial é
fundamental. Não importa se utiliza uma Rede Industrial baseada
em Fieldbus ou Ethernet, os cabos e conectores precisam ser
especificados e preparados para sua aplicação.
É imprescindível não somente compreender que sempre será possível
aprimorar os seus processos, mas também estar constantemente
analisando riscos e criando cenários para manter-se seguro.
Conectores para as Redes Fieldbus
Profibus, DeviceNet, CANopen e diversas outras Redes Industriais
baseadas em Fieldbus exigem que conectores específicos sejam
utilizados. Além de características de conexão de dados, estes
Conectores Industriais para Rede de Dados precisam ser capazes
fisicamente de suportar as aplicações.
Conectores específicos para cada tipo de Rede Industrial possuem
indicações para mitigar erros de montagem, possibilitando um trabalho
com mais garantias.
Importante considerar também a resistência física e química dos
conectores e seus cabos. Quando se trata de aplicação IP20, por exemplo,
como os conectores estarão instalados dentro do painel elétrico, o
impacto é reduzido. Mas em aplicações em IP67, a resistência física do
conector é essencial.