ISSN 1982 - 0283

CIBERCULTURA: O QUE MUDA NA EDUCAÇÃO
Ano XXI Boletim 03 - Abril 2011

SUMÁRIO

CIBERCULTURA: O QUE MUDA NA EDUCAÇÃO

Apresentação da série ................................................................................................. Rosa Helena Mendonça

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Introdução ......................... ...................................................................................... Edméa Santos Texto 1: EAD: antes e depois da cibercultura ............................................................. Lucila Pesce Texto 2: A docência online A pesquisa e a cibercultura como fundamentos para a docência online ..................... Marco Silva Texto 3: O currículo multirreferencial O currículo multirreferencial: outros espaçostempos para a educação online.................. Edméa Santos

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CIBERCULTURA: O QUE MUDA NA EDUCAÇÃO
APRESENTAÇÃO DA SÉRIE
Na virtualidade, termo novo e, também, tão pouco conhecido para a maioria, vamos nos educando por processos que aproximam fatos, lugares e histórias que antes, em geral, eram tão distantes de nós e que hoje tomam espaçotempo em nossa cotidianidade. Nela, vários autores têm ressaltado o fracionamento e a velocidade, mas também as possibilidades de mudanças ainda não pensadas e os processos pedagógicos que estão sendo acrescentados aos nossos processos educativos cotidianos.

Nilda Alves1
Para Pierre Lévy, autor de Cibercultura2, o ciberespaço é a virtualização da comunicação. O uso das tecnologias em diferentes esferas da sociedade contemporânea favorece a ideia de redes de conhecimento. E o que muda na educação presencial e a distância na emergência da cibercultura? Buscando resposta para esta e outras questões, a TV Escola, por meio do programa Salto para o Futuro, apresenta mais uma série voltada para as reflexões sobre tecnologias e redes. Esperamos, dessa forma, contribuir para A série Cibercultura: o que muda na educação, com a consultoria de Edméa Santos (PROPED-UERJ), a partir das noções de currículo, didática e docência problematiza a questão, discutindo três eixos temáticos: a
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Educação a Distância na cibercultura; a docência online; o currículo multirreferencial. Nos textos que compõem esta publicação, professores, professoras, gestores e comunidade escolar em geral encontrarão subsídios para ampliar a reflexão sobre a temática. Nos programas televisivos que compõem a série, diferentes práticas comunicacionais e pedagógicas serão apresentadas e discutidas por meio de reportagens e entrevistas com pesquisadores, professores e alunos.

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aprendizagens colaborativas, em conexão com diferentes mídias, considerando que os ‘espaçostempos’ da educação na contemporaneidade são assumidamente mais amplos do que escolas e universidade. Na verdade,

http://www.lab-eduimagem.pro.br/frames/seminarios/pdf/apresI.pdf Lévy, Pierre. Cibercultura. São Paulo: Editora 34, 1999.

isso nunca foi de todo realizável. Rosa Helena Mendonça3 4 3 Supervisora pedagógica do programa Salto para o Futuro/TV ESCOLA (MEC). . primeiro porque houve um tempo em que essas instituições nem existiam. junto aos estudantes. a mediação de professores e professoras se mostra imprescindível. porque mesmo quando se procurava entrepor muros separando as escolas do mundo lá fora.sempre foi assim. muito menos podemos pensar que essas vivências estejam excluídas dos currículos. refletir sobre o impacto das tecnologias no cotidiano. Tendemos a nos esquecer disso! Depois. no entanto. as questões éticas que envolvem a sua utilização e a necessidade de esforço no sentido de transformar informações em conhecimentos que possibilitem um mundo mais equânime para todos. uma vez que instituições são feitas por pessoas que transitam por essas fronteiras. com a popularização do acesso às tecnologias da informação e da comunicação e a ampliação das chamadas redes sociais. Hoje. E o futuro não para por aí! Cada vez mais. no sentido de.

Professora adjunto da Faculdade de Educação da UERJ. Nesse sentido. atribuindo-lhes o status de redes educativas. Líder do GPDOC . atua no PROPED . indicam que a formação se dá em múltiplos contextos. Ao longo de cinco programas.0 com seus softwares e redes sociais mediadas pelas interfaces digitais em rede. a cibercultura vem se caracterizando pela emergência da Web 2. Redes Educativas e Processos Culturais. pela mobilidade e convergência de mídias. mas também nas vivências nos diversos ‘espaçostempos’ das cidades. com e em redes educativas multirreferenciais e com a sociedade mais ampla. da educação presencial e a distância. em conexão com a cibercultura. interessa-nos compreender quais são as mudanças que ocorrem e/ou poderão ocorrer nas práticas curriculares. Nesta série para o programa Salto para o Futuro/TV Escola. seus pares. na Linha de Pesquisa: Cotidiano.Grupo de Pesquisa Docência e Cibercultura. dos computadores e dispositivos portáteis e da telefonia móvel. 2010). comunidade escolar. o das ‘práticasteorias’ pedagógicas cotidianas. considerando que o docente interage e aprende com seus estudantes. Compreendemos tais esferas como campos legítimos de pesquisa e formação. gestores. o das ‘práticasteorias’ das pesquisas em educação e o das ‘práticasteorias’ de produção e ‘usos’ de mídias (Alves. Consultora da série.CIBERCULTURA: O QUE MUDA NA EDUCAÇÃO INTRODUÇÃO Edméa Santos1 A cibercultura é a cultura contemporânea estruturada pelo uso das tecnologias digitais em rede nas esferas do ciberespaço e das cidades.Programa de Pós-Graduação em Educação da UERJ. Atualmente. cuja abordagem teórico-epistemológico-metodológica em diversas redes educativas. . Entre eles. essa tendência em pesquisa pauta-se na relação complexa e interativa entre as aprendizagens tecidas não apenas ao longo da formação acadêmica e do exercício da profissão. 5 considera a ideia de redes de conhecimentos e significações tecidas pelos praticantes 1 Mestre e Doutora em Educação (FACED/UFBA). com as mídias. As pesquisas nos/dos/com os cotidianos sobre a formação de professores. o das ‘práticasteorias’ da formação acadêmica. Nesta série abordaremos as especificidades do tema “Cibercultura: o que muda na Educação”.

que são práticas quase sempre de EAD – Educação a Distância. Didática e Docência baseadas em teorias e práticas da EAD tradicionais estruturadas pela razão instrumental. especialmente quando tecnologias digitais em rede vêm proporcionando encontros e diálogos síncronos e assíncronos e instituindo novas possibilidades de presencialidade em redes educativas variadas. 2005. Os processos de formação continuada vêm se instituindo em práticas e projetos pontuais e contextualizados. Com esses eixos temáticos. mas também – e sobretudo – com a forma como este material de estudos é disponibilizado no contexto de um ambiente virtual de aprendizagem. é preciso compreender como se dá a formação de professores para a docência online e alargar essas possibilidades. Aqui se tem como objetivos denunciar tais processos e apresentar a Educação Online como um fenômeno da cibercultura (Santos. uma vez que. e está organizada em três eixos temáticos: 1) EAD: antes e depois da cibercultura. que hospeda conteúdos e permite a comunicação. 2006. ou contamos muito pouco. Nesse contexto. com processos de formação inicial específicos em cursos de graduação. discutiremos as atuais práticas de educação mediadas pelas tecnologias digitais de informação e comunicação. Estas práticas vêm recuperando noções de Currículo. de acordo com o que acreditamos. A noção de Educação Online trazida por nós não separa mais as práticas da modalidade de educação presencial das práticas de educação a distância. pelas mídias de massa e por pedagogias da transmissão travestidas de “tutoria”.vamos discutir as práticas educativas mediadas por tecnologias digitais em rede e pela produção cultural gerada pelo uso de interfaces. O desenho curricular de uma atividade online requer não só a preocupação com o material voltado para os estudos ligados aos conteúdos a serem ministrados. estar geograficamente dispersos não é estar distantes. em especial as interfaces síncronas e assíncronas encontradas no ciberespaço e nos ambientes virtuais de aprendizagem. propiciando a expressão e a autoria dos participantes que habitam tais 6 . de acordo com os modelos curriculares específicos de instituições – públicas ou privadas – e de alguns docentes que vêm construindo e atuando na e pela internet com seus desenhos curriculares autorais. Estes três eixos estão explicitados nas sinopses de cada texto da publicação eletrônica. 3) O currículo multirreferencial: outros espaçostempos para a educação online. pois praticamente não contamos. mídias e redes no ciberespaço e nas cidades. Um ambiente virtual de aprendizagem é um conjunto de interfaces digitais. 2010). 2) A pesquisa e a cibercultura como fundamentos para a docência online.

7 TEXTOS DA SÉRIE CIBERCULTURA: O QUE MUDA NA EDUCAÇÃO2 A série visa analisar as mudanças que ocorrem e/ou poderão ocorrer nas práticas curriculares em conexão com a cibercultura. entendemos as práticas de Educação Online como um processo complexo (de desterritorialização e reterritorialização de saberes e conhecimentos) que se institui a partir de uma série de ações e situações de ensino-aprendizagem. 2000). modificando não só o ambiente fisicamente. Forma-se um híbrido entre objetos técnicos e seres humanos em processo de construção do conhecimento. mas não a determina. a aprendizagem de todos os praticantes da comunidade. ainda. o mesmo se auto-organiza. como também. TEXTO 1: EAD: ANTES E DEPOIS DA CIBERCULTURA No primeiro texto da série é apresentada uma retrospectiva histórica (não linear) sobre as práticas e processos curriculares da Educação a Distância. sua inteligência e sua provocação. mediadas por interfaces digitais que potencializam práticas comunicacionais e pedagógicas. tecnológicos e políticos das tecnologias digitais em rede. O texto destaca. Cada vez que um novo participante habita. Neste contexto. Além de acreditarmos que só aprendemos porque o outro colabora com sua experiência. Não é o ambiente online que define e educação online. . Ao longo dos programas.interfaces. precisamos repensar o trabalho docente. ressaltando-se que só com a chegada da Internet foi possível começar a se pensar em desenhos didáticos que pudessem contemplar processos interativos entre formandos e formadores. Ele condiciona. em potência. os potenciais comunicacionais. sabemos que temos interfaces que favorecem a nossa comunicação de forma livre e plural. Tudo dependerá do movimento comunicacional e pedagógico dos sujeitos envolvidos (SANTOS. serão discutidas as práticas de Educação a Distância mediadas por tecnologias digitais em rede e pela produção cultural gerada por estas interfaces no ciberespaço e nas cidades. uma das interfaces de um ambiente virtual de aprendizagem. 2005). com veiculação no programa Salto para o Futuro/TV Escola de 25/04/2011 a 29/04/2011. 2 Estes textos são complementares à série Cibercultura: o que muda na Educação. pedagógicos. É deste lugar que conceituamos educação online como um fenômeno da cibercultura. ou atos de currículo (MACEDO. via fóruns e listas de discussão. Assim. com sua autoria criadora.

Salvador: EDUFBA. Salvador: FACED-UFBA. . Educação online: cibercultura e pesquisa-formação na prática docente. Rio de Janeiro. O ciberespaço e as cidades em conexão com as mídias digitais móveis e em rede serão tratados como potencializadores de novos arranjos espaço-temporais para a instituição de outras práticas curriculares em educação online. Os espaços multirreferenciais são todos os espaços onde seres humanos ensinam e aprendem com ou sem mediações formais ou centradas na lógica moderna das instituições escola-universidade. o fato de que a educação online tem demandado novas relações com os saberes e como estes são mobilizados. In: XIII Semana de Educação da UERJ. Mesa-redonda Currículo e tecnologias. entre outros temas. Edméa. Tese ______. N. SANTOS. Para tanto. Docência na Cibercultura: laboratórios de informática. TEXTO 3: CURRÍCULO MULTIRREFERENCIAL No terceiro texto da série é discutida a noção de currículo multirreferencial. MACEDO. estruturado pelas clássicas práticas de EAD. torna-se necessário repensarmos o trabalho docente. A docência online é mostrada como prática e como política de formação. de doutorado. In: V Seminário Internacional – As redes de conhecimento e as Tecnologias. In: V Colóquio luso-brasileiro sobre questões curriculares. O uso de artefatos tecnológicos em redes educativas e nos contextos de formação. mediados e tecidos com e por sujeitos imersos na cultura digital. computadores móveis. CD ROM 2008. S. 2000. Anais. Esta noção questiona a dimensão do currículo “programa-grande” e a ideia de espaços formais de aprendizagem como únicos lócus legítimos de formação. 2009. Dr. 2005 [Orientador: Prof. 2010. Roberto Sidney Macedo]. Docência na cibercultura: notas de uma pesquisa-formação multirreferencial. Rio ______. O professor como aquele que produz o conteúdo e o tutor como aquele que “tira-dúvidas” dos alunos sobre o conteúdo elaborado pelo professor são papéis que precisam ser questionados. 8 REFERÊNCIAS ALVES. A etnopesquisa crítica e multirreferencial nas ciências humanas e na educação.TEXTO 2: A DOCÊNCIA ONLINE O segundo texto da série discute. Os textos 1. 2 e 3 também são referenciais para as entrevistas e debates do PGM 4: Outros olhares sobre cibercultura e educação e para o PGM 5: Cibercultura e educação em debate. R.

O currículo e o digital: educação presencial e a distância. In: SILVA. Roberto Sidney Macedo]. 2002 [Orientador: Prof.de Janeiro. Tese de doutorado apresentada na FACED-UFBA. formação e questões didático metodológicas. Dissertação de mestrado apresentada na FACED-UFBA.PT. Nelson de Luca Pretto]. ______. Rio de Janeiro: Editora Wak. 2009. Salvador. ______. Educação online: cibercultura e pesquisa-formação na prática docente. 2009. Dr. In: Challenges – VI Conferência Internacional de TIC na Educação. Educação Online: cenários. Edméa. ______. 2005 [Orientador: Prof. A metodologia da webquest interativa na educação online. 2009. 2008. Porto Alegre: Endipe. 2010. Salvador. M. 9 . Dr. Os docentes e seus laptops 2g: desafios da cibercultura na era da mobilidade. et al. Universidade do Minho. Educação online como um fenômeno da cibercultura. SANTOS. Braga . Actas da VI Conferência Internacional de TIC na Educação: aprendizagem (in)formal na Web Social. ______. As redes de conhecimento e as tecnologias: os outros como legítimo OUTRO.

em que o aluno seguia seu percurso de formação. 10 1 Mestre e doutora em Educação: Currículo pela PUC/SP. o CD e o DVD viriam a cumprir. A Fundação do Instituto Rádio-Monitor. também faziam uso destas mídias. no Brasil. pois eles ainda eram pensados a partir de uma abordagem instrucionista. Professora da UNIFESP. 1994. mediante ações de educação formal e não formal. hipermidiáticos. .TEXTO 1 EAD: ANTES E DEPOIS DA CIBERCULTURA Lucila Pesce 1 O presente texto advoga a ideia de que o advento da cibercultura traz vastas possibilidades para se repensar as hegemônicas práticas de Educação a Distância (EAD). com materiais instrucionais que. Anos mais tarde. as funções da fita e do vídeo cassete. contava com algum tipo de interação com a equipe de formação. o rádio também se situou como importante difusor dos cursos oferecidos na EAD da época. com pós-doutorado em Filosofia e História da Educação pela UNICAMP. respectivamente. Inicia-se com uma brevíssima retomada histórica das principais mídias utilizadas na EAD. Somente com a chegada da Internet é que foi possível começar a se pensar em desenhos didáticos que pudessem contemplar procesCom a chegada das fitas e vídeos cassete. a partir de então. Estudos sobre a história da EAD no Brasil (BARROS. com o apoio dos materiais autoinstrucionais e. e prossegue com considerações sobre a cibercultura. Pautada notadamente em material impresso. em complemento ao rádio e ao material impresso. a primeira geração da EAD no Brasil cumpriu os fins a que se destinava: promover acesso ao conhecimento socialmente legitimado a segmentos sociais menos favorecidos. a lógica da mídia de massa predominava nos cursos desenvolvidos em EAD. apesar da chegada desses dispositivos midiáticos. GIUSTA. dialógicos e coautorais. por carta ou telefone. eventualmente. a EAD incorporou estes dispositivos ao desenho didático de seus cursos. o Instituto Universal Brasileiro e o Projeto Minerva configuram-se como os marcos históricos daquela época. 2002) evidenciam que essa modalidade iniciou-se nas proximidades da década de 1940. Além do material impresso. com o intuito de destacar sua contribuição para a elaboração de cursos mais intertextuais. Entretanto.

0. o usuário insere-se como produtor e desenvolvedor de conteúdo e não somente como receptor de mensagem e/ou conteúdo de aprendizagem postado por outrem.0. no melhor dos casos. Para Pierre Lévy (1997). Ao destacar que o dialogismo traz nova luz para se compreender a interatividade e seu papel no desenvolvimento do perfil cognitivo do leitor imersivo. as interatividades nas redes externalizam a essência mais profunda do dialogismo” (SANTAELLA. compartilhamento e organização de informações e amplia os espaços de interação (PRIMO. pois aos estudantes cabia acessar as informações do curso e. a partir de apontamentos em publicação anterior (PESCE. a simulação levanta-se como modo de conhecimento próprio da cibercultura.0. assume uma natureza hipermidiática. a chamada Web 2. A vivência do conceito de coautoria ainda não se pronunciava. p. as Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) trazem consigo um novo modo de pensar o mundo e de conceber as relações com o conhecimento. a primeira geração da Internet ainda não permitia a vivência plena da dialogia digital e da mediação partilhada (PESCE & BRUNO. Com a segunda geração da Internet. via fóruns e listas de discussão. áudio. Contudo. imagem. Na cibercultura veiculada na Web 2. 11 (2004) salienta que a interação insere-se na medula dos processos cognitivos. a chamada Web 2. ao conjugar texto. 172). como Second Life.. Lucia Santaella Com a segunda geração da Internet. Os games e ambientes imersivos. interagir com o professor e com seus colegas de modo assíncrono. a arquitetura intertextual. A cibercultura. hipermidiática. via fóruns e listas de discussão. 2010). que potencializa as formas de publicação. 2007) entre professores e alunos. ratificam a oportuna observação de Lévy e podem ser levados em conta na elaboração de desenhos didáticos de cursos em EAD. No contexto coautoral e criativo das “linguagens líquidas” da cibercultura (SANTAELLA. Com a chegada da Web 2.0. Nesse cenário. é que a cibercultura se consolida. analogamente à escrita e à imprensa. a pesquisadora declara: “(.) assim como as operações realizadas no ciberespaço externalizam as operações da mente.sos interativos entre formandos e formadores. . nos ambientes de rede. animação e vídeo. 2008). 2004. é que a cibercultura se consolida. dialógica e coautoral da cibercultura pôde ser pensada com mais propriedade no âmbito educacional.. conforme veremos a seguir.

graças à democratização não só do acesso à informação. Esta abordagem consagra-se pelo apelo econômico. o professor transfere para o espaço virtual a mesma dinâmica da aula presencial. daí sua proximidade com a concepção instrucionista. em contraposição à mídia irradiada. salientamos que a cibercultura demanda da educação novos modos de organização. as redes sociais da cibercultura promovem comunidades de atividade ou interesse. O estudioso finaliza advertindo que o fenômeno social da Web 2. por se opor diametralmente à indústria cultural (ADORNO & HORKHEIMER. trazemos Valente (1999). por exemplo. Ao pensar a Educação a partir do advento da cibercultura. Na abordagem broadcast. os dispositivos e interfaces . Em nosso entendimento. para que se realize o ciclo construcionista “descrição-execuçãoreflexão-depuração-descrição”. que distingue três abordagens na EAD. por meio da tecnologia. Costa (2008) sinaliza o sentimento de confiança mútua como um dos aspectos basilares da consolidação das redes sociais na cibercultura. a abordagem “estar junto virtual” contempla a dinâmica comunicacional. via aparato tecnológico. Tecnicamente.0 nos força a pensar em outras formas de nos organizarmos em comunidades. Em concordância com Lévy (2002). Esta abordagem é muito comum. pela tendência dos formadores a transpor a dinâmica dos cursos presenciais para o contexto digital. Para Antoun (2008). 1985). pela cursos Na possibilidafinanceira“virtualização de de se promover mente convidativos. quando cidadãos de Estados totalitários utilizam os dispositivos da cibercultura para “burlar” a censura e mostrar ao mundo os despotismos de seu país. Por sua vez. mas também da publicação de produções e da ‘vigilância participativa’ – termo por ele designado para se referir ao conjunto das expressões de opinião postadas como comentários. 12 da sala de aula presencial”.2007) formam-se as redes sociais: fenômeno que tanto impacto vem causando às atuais organizações societárias. sem as devidas readequações. ou seja. pela capacidade de ação e potencialidade cooperativa. tais atributos materializam-se. nos ambientes digitais. Parafraseando Costa (ibid). o pesquisador salienta a relevância das redes sociais. os dispositivos e interfaces da Cibercultura ampliam a possibilidade de se pensar em cursos mais dialógicos em EAD. que privilegia a mediação do professor junto ao aluno. Tecnicamente. o professor transmite a informação.

As redes sociais da cibercultura configu- ram-se como elemento importante para se subverter o status quo (como exemplo. Nesse cenário. por exemplo. Aí incide um exemplo de vontade política de primar pela qualidade educacional. A cibercultura possibilita a ampliação da perspectiva de alteridade. Vontade essa que se revela. Entretanto.. pragmática e prescritiva. A partir dos aspectos teóricos até então anunciados. além da condição técnica. para além dos tempos e espaços da sala de aula. é preciso vontade política para se imprimir uma racionalidade mais dialógica. As características coautorais dos dispositivos e interfaces da cibercultura oportunizam a vivência plena da dialogia digital e da mediação partilhada: elementos fundantes da formação de comunidades de aprendizagem. sintetizamos nossa reflexão sobre a contribuição da cibercultura para o avanço qualitativo da EAD: A cibercultura acena outra lógica para a EAD. a cibercultura traz vastas possibilidades para se repensar as hegemônicas práticas de EAD. Contudo. imagética. ao promover vínculos entre sujeitos sociais de distintas culturas. em respeito aos distintos estilos de aprendizagem. O registro das interações no ciberespaço traz uma importante contribuição para a metarreflexão do aluno. que preveem uma relação adequada entre formador e alunos (por volta de 1 para 30). Essa condição é profícua ao enfrentamento esclarecido dos desafios que se lhes apresentam no cotidiano. do professor e do grupo como um todo. capaz de 13 . sonora. Conforme dito no início do presente texto.da Cibercultura ampliam a possibilidade de se pensar em cursos mais dialógicos em EAD. que vivem circunstâncias sóciohistóricas semelhantes (por exemplo: vínculos entre professores da Educação Básica de distintos países). sobre o processo de construção do conhecimento. na interface entre as dimensões intra e intersubjetiva. o uso que tem sido feito pelos cidadãos de alguns países do Oriente Médio para enfrentar os regimes ditatoriais).). na concepção de cursos economicamente não tão convidativos. para que isso ocorra é preciso vontade política. por apostarem na importância da formação dialógica (PESCE 2008). a despeito das possibilidades tecnológicas de se promover cursos em larga escala. A cibercultura oferece a possibilidade de se trabalhar com diferentes dimensões da linguagem (textual. destacamos o papel da simulação aos processos cognitivos.. que não a instrumental.

1985. Rio de Janeiro: Mauad X. Disponível em: http://periodicos. Web 2. Desenvolvimento sustentável e tecnologias da informação e comunicação.auferir um avanço de fato qualitativo a essa modalidade de educação. In: ANTOUN. Instituto Nacional de Educação a Distância. Educação à distância: uma articulação entre a teoria e a prática.uniso. Rio de Janeiro: Mauad X. Formação online de educadores sob enfoque dialógico: da racionalidade instrumental à racionalidade comunicativa.0.lugares. PESCE.0: participação e vigilância na era da comunicação distribuída. Web 2. Trad. Noções de educação a distância. Desenhos didáticos de cursos online: um enfoque dialógico. Agnela.br/index. Paris: Éditions Odile Jacob. Porto Alegre. 29-48.). p. Perspectiva histórica – de uma teia à outra: a explosão do comum e o surgimento da vigilância participativa. le Jacob. 25-61. Revista Educação a Distância. Paris: Éditions Odi- REFERÊNCIAS ADORNO. 2002. Ivônio. ______. 4/5. Educação a distância: contexto histórico e situação atual. In: ANTOUN. v. Lucila & BRUNO. O aspecto relacional das interações na Web 2. inteligência coletiva. de Almeida. PESCE. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. 101-122. PRIMO. (org. comunidades pessoais. 2008. Rogério da. 14 . In: NASCIMENTO. n. Salvador: EDUFBA. Max (1947). 17-42. p. Brasília. 7-25. 2008. 2007.). Cyberculture. Alex. 2002. ANTOUN. LÉVY. Henrique (org. Theodor & HORKHEIMER. A. Belo Horizonte: PUC Minas/PUC Minas Virtual. COSTA. Henrique (org.1993/abr. Iara (orgs. In: ANTOUN. 2010. FIALHO. ______. GIUSTA. p. p. 2008. Anais do XIV Encontro Nacional de didática e Prática do Ensino: trajetórias e processos de ensinar e aprender .). Henrique.php/quaestio/article/viewFile/856/529 Acesso em janeiro de 2011. 1997. jul. 243-260. Dialogia digital e mediação partilhada na educação on-line: possibilidades para formação de educadores na contemporaneidade. Antonio Dias. p. memórias e culturas.). G.). Cyberdémocratie. Rio de Janeiro: Mauad X. 12. Pierre. Lucila. Dialética do esclarecimento: fragmentos filosóficos. Web 2. Henrique. p. dez. In: Giusta. Por um novo conceito de comunidade: redes sociais.0: participação e vigilância na era da comunicação distribuída. p. Nadia.0: participação e vigilância na era da comunicação distribuída.1994. 11-28. HETKOWSKI. Agnela e FRANCO. 2008. BARROS. Revista Quaestio (UNISO). Adriana. Tania (orgs.

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2010). Isso assusta muita gente. Autor dos livros Sala de aula interativa e Educación interactiva presencial y on-line. Nesse contexto. Membro da diretoria da Associação Brasileira de Pesquisadores em Cibercultura.br .pro. práticas. que pergunta: “como a formação para docência presencial pode ser realizada a distância?”. formação e questões didáticometodológicas. antes cheia de limitações específicas porque baseada em meios unidirecionais (impressos. teremos mais do que a força da crítica já enfatizada por clássicos teóricos Dados estatísticos do INEP em 2009 revelam que mais de 50% dos professores de Ensino Fundamental passaram a ser formados na modalidade a distância. rádio e TV). As instituições de ensino superior (IES) particulares saíram na frente e não se decepcionaram com a modalidade de cursos via internet. As universidades públicas. professor do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Estácio de Sá e professor adjunto da Faculdade de Educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. doutor em educação. estão correndo atrás do prejuízo causado por décadas de resistências empedernidas. muitos ficarão ainda mais assusta1 da educação à pedagogia da transmissão. a partir da Universidade Aberta do Brasil (UAB). www. de artes. A educação a distância. A adesão social se amplia espantosamente. isto é. Teremos a exigência cognitiva e comunicacional das gerações que emergem com a cibercultura. Educação online: teorias. Não bastasse essa preocupação. agora cresce muito com as potencialidades cada vez mais interativas da internet e das redes sociais online. de costumes. Doravante. o desafio maior é a inclusão dos professores no cenário sociotécnico e comunicacional da cibercultura para nele operarem e educarem.TEXTO 2 A DOCÊNCIA ONLINE A PESQUISA E A CIBERCULTURA COMO FUNDAMENTOS PARA A DOCÊNCIA ONLINE Marco Silva Não há retorno quanto ao crescimento da educação via internet no Brasil e no mundo. de crenças. legislação e formação corporativa e Avaliação da aprendizagem em educação online. Organizou os livros Educação online: cenário. de éticas. de leis. 16 O DESAFIO COMUNICACIONAL DA EDUCAÇÃO VIA INTERNET 1 Sociólogo. com a ambiência de conhecimento.saladeaulainterativa. de hábitos e de aptidões desenvolvidos pelas sociedades na era digital em rede mundial de computadores (LEMOS e LEVY.

os professores precisarão operar com o hipertexto. com a montagem de conexões em rede. no entanto se avolumam e essa é a hora de aprofundar ou ampliar as pesquisas. Destaco o enorme desafio que a cibercultura traz para os cursos via internet. que atende às universidades públicas do Estado do Rio de Janeiro (UFRJ. subutilizando as potencialidades interativas. Não faltam novos campos de pesquisa em franco crescimento. pergunto se nela haverá educação autêntica. trabalhar com o contexto não-sequencial. considerada bastante lucrativa. Em suma. Trata-se do desafio comunicacional. Diversas universidades particulares estão se dedicando a esta modalidade de ensino. os atores da comunicação tendem à interatividade e não mais à separação da emissão e recepção própria da mídia unidirecional de massa. 17 . Eles precisarão compreender que de meros disparadores de lições-padrão deverão se converter em formuladores de interrogações. a tendência é ainda ensino massivo. foram colocados no lugar dos professores e os sindicatos de professores não os reconhecem na categoria profissional. Mas há muito que pesquisar e publicar. Os problemas. ditos “conhecimentos”. Sem autoridade para professorar e sem formação específica para realizar mediação docente. UNIRIO. coordenadores de equipes de trabalhos e sistematizadores de experiências em interfaces online desenvolvidas para contemplar a interatividade e não a unidirecionalidade. Em São Paulo. oferecendo graduação a distância com a chancela do MEC. agora na internet. que são na verdade nossos conhecidos monitores. Os chamados “tutores”. há a UNIVESP. Há a Universidade Aberta do Brasil (UAB). se não temos mediação docente efetiva na sala de aula presencial ou online. Para posicionar-se nesse contexto e aí educar. isto é. Em geral. O velho modelo da distribuição de pacotes de informação. subutilizando as interfaces interativas da internet e feito à base de tutoria reativa. UFRRJ e UENF). o que permite uma multiplicidade de recorrências entendidas como conectividade.dos se verificarem que a formação a distância ocorre sem mediação docente. No Rio de Janeiro há o CEDERJ. UERJ. universidade a distância baseada na USP. Na cibercultura. UNESP e UNICAMP. Muitas pesquisas investigam a oferta de educação a distância no país. Algumas trazem resultados eloquentes e sugestões significativas para a superação de problemas recorrentes. Muitas vezes o que se tem é o autoestudo baseado em conteúdos massivos preempacotados. eles acabam se limitando a administrar o feedback dos cursistas ou ao mero “tiradúvidas”. diálogo e participação colaborativa.

te ao internauta-interator criação e controle ção. permitindo autoria e colabomidiáticos que dependem do seu gesto ins. Precisará repensar a mediação da aprendizagem que vem realizando na sala de aula presencial e na EAD unidirecional.de produção (sistema broadcast). com o joystick do videogame e agora mediante ferramentas e interfaces de gestão. precisará de inclusão digital e cibercultural capaz de prepará-lo para ir mais além do uso instrumental da infotecnologia de informação e comunicação na formação de jovens e adultos. .dor online apresenta-se como sistema aberto terferência e lida facilmente com ambientes aos usuários.cialmente da TV como máquina restritiva e dor conectado à Internet. Ele aprendeu com o controle remoto dos processos de informação e comunicação da TV. taurador que cria e alimenta a sua experiên. 18 Entretanto.EAD E EOL: UMA DISTINÇÃO NECESSÁRIA NO CENÁRIO SOCIOTÉCNICO DA CIBERCULTURA A formação de professores para a docência via internet precisará distinguir educação a distância (EAD) e educação online (EOL). conhecimento.O computador conectado à Internet permite da mensagem mais aberta à sua interven. É mais consciente centralizadora. Evita acompanhar argu.ração num ambiente de compartilhamento. O cenário sociotécnico da cibercultura favorece compartilhamento e colaboração. Diferindo essenmigra da tela da TV para a tela do computa. articuladas com o presencial. porque baseada na transmisdas tentativas de programá-lo e mais capaz são de informações elaboradas por um centro de esquivar-se delas. Ao mesmo tempo. o computamentos lineares que não permitem a sua in. Precisará trabalhar com ambas as modali- dades. Cenário sociotécnico da cibercultura Social Tecnológico Há um novo espectador menos passivo dian. o professor precisará compreender esse cenário para nele atuar. expressões de uma ambiência comunicacional que favorece a educação autêntica. sem simplificar ou dicotomizar a ação docente. Ele informação e comunicação. inclusive.de troca de informações e de construção do cia comunicacional. aprende como o mouse e com a tela tátil.

Apropriação livre de um quadro apresentado por Leonel Tractenberg na palestra “Avaliação de professores na educação online” no I Encontro de Tutores da UFJF. verti. Modelo Pedagogia todos-todos. fóruns. MG. Textos. colaboração e interatividade. fechado.interacionismo. Instrucionista. line (computador. rádio. wikis.permídia multidirecional. Construcionista. para expressão uni. Predefinido e redefinido de controlado por uma fonte forma colaborativa. multi e hiais e multimídia unidirecio. mapas colaborativos. correguemissora. coavaliação e fessor avalia alunos. Juiz de Fora. Uso de múltiplas interfaces para avaliação da participação (wikis. etc. Os curde aprendiz/receptor. avaliação. Definição coletiindividuais durante e no final va de critérios e rubricas de do curso. Tecnologias de informação e Tecnologias unidirecionais e Tecnologias interativas oncomunicação (TIC) reativas (impressos. linear. 20/11/2010. chat. Trabalhos e testes formativa. videologs. Pontual heteroavaliação. na dialógica.EAD Docência unidirecional Desenho didático dos conteúdos e das atividades de aprendizagem EOL Docência interativa (mediação um-todos) (mediação todos-todos) Predefinido. Twitter.Autoavaliação. fotos. Somativa e e somativa. DVD e até o computador on. 19 .). aprendizagem soli.) Modelo um-todos. suas potencialidades comu. Orkut. audiovisu. TV.blogs. Facenicacionais e hipertextuais). fóruns.sistas se encontram com o ta não interage com cursista. Relações assimétricas. blogs. webquests. Mediação da aprendizagem tária. Hipertextos. Cursis. autoinstrução.lada. etc.internet em múltiplas interline.Relações horizontais: hibricais: autor/emissor separado dização e coautoria. podcasting. Fonte. em nais. com base no tarefista. docente e constroem a comuAvaliação da aprendizagem nicação e o conhecimento Avaliação unidirecional: pro. book. quando subutilizado em faces (chats. celular. bi e multidirecional em rede. rede. transmissiva.

múltiplas expressões. (d) arquitetar colaborativamente percursos hipertextuais e (e) mobilizar a experiência do conhecimento. sabendo que participar é muito mais que responder “sim” ou “não”. sabendo que a comunicação é produção conjunta da emissão e da recepção. os dois polos codificam e decodificam. a modalidade online lança mão das disposições favoráveis à interatividade cada vez mais presentes no cenário sociotécnico da cibercultura. oferecemse informações em redes de conexões. dispensa o espaço físico. vídeos. de áudios. enquanto a modalidade “a distância” é operada por meios de transmissão em sua natureza. dos atores da comunicação e da aprendizagem em redes que conectam textos. 20 . Na docência online. (c) disponibilizar múltiplas redes articulatórias. Aí ele pode redimensionar a sua autoria: não mais a prevalência da distribuição de informação para recepção solitária e em massa. 2006. per- Na docência online. ao contrário. o emissor é receptor em potencial e o receptor é emissor em potencial. participar é modificar. Por sua vez. o professor dispõe da infotecnologia em rede favorável à proposição do conhecimento à maneira do hipertexto. Computadores. 2005. estar-junto “virtual” em rede e colaboração todos-todos. 2011): (a) acionar a participação-intervenção do receptor. da participação colaborativa dos participantes. multidirecionalidade. via meios unidirecionais. 2010. celulares e tablets conectados em rede mundial favorecem e potencializam a mediação docente interativa inspirada nas sugestões (SILVA. gráficos e imagens em links na tela tátil. 2010): (a) propiciar oportunidades de múltiplas experimentações. é muito mais que escolher uma opção dada. (b) disponibilizar uma montagem de conexões em rede que permita múltiplas ocorrências. mas a perspectiva da proposição complexa do conhecimento. (b) garantir a bidirecionalidade da emissão e recepção. o professor dispõe da infotecnologia em rede favorável à proposição do conhecimento à maneira do hipertexto. Operar com estas cinco sugestões para docência interativa requer que o professor garanta atitudes comunicacionais específicas (SILVA. (c) provocar situações de inquietação criadora. favorece a convergência de mídias e contempla bidirecionalidade.A modalidade “a distância”. separa emissão e recepção no tempo e no espaço. laptops. é interferir na mensagem. A modalidade online conecta professores e alunos nos tempos síncrono e assíncrono. sabendo que não se propõe uma mensagem fechada.

reinventar a sala de aula em nosso tempo. gráficos. Todo o conjunto de conteúdos e estratégias da e na ação docente deve emergir a partir dos problemas. de significações. Pesquisa e formação poderão estar integradas como “pesquisaformação” (NÓVOA. sabendo que a fala livre e plural supõe lidar com as diferenças na construção da tolerância e da democracia. sabendo que a comunicação e o conhecimento se constroem entre alunos e professor. 2004. usabilidade (percursos de fácil navegabilidade intuitiva). hipermídia (convergência de vários suportes midiáticos abertos a novos links e agregações) (SANTOS. (g) estimular a autoria cooperativa de formas. (e) suscitar a expressão e a confrontação das subjetividades no presencial e nas interfaces fórum. (f) garantir no ambiente online de aprendizagem uma riqueza de funcionalidades específicas. temas e necessidades de todos os sujeitos pesquisadores. integração de várias linguagens (som. wiki e portfólio. 2005). para isso se faz necessário a pesquisa implicada com a efetiva formação de professores. A partir de agenciamentos de comunicação capazes de contemplar o perfil comunicacional da geração digital que emerge com a cibercultura. tais como: intertextualidade (conexões com outros sites ou documentos). 2003). criar e assegurar a ambiência favorável à avaliação formativa e promover a avaliação contínua. como cocriação. 21 A PESQUISA INTEGRADA À FORMAÇÃO DE PROFESSORES PARA DOCÊNCIA ONLINE A formação de professores ganhará muito se adotar metodologias que favoreçam a formação na ação. SANTOS.mitindo ao receptor ampla liberdade de associações. e-mail. o docente pode promover uma modificação paradigmática e qualitativa na sua docência e na pragmática da aprendizagem e. texto. esses princípios da docência interativa são linhas de agenciamentos que podem potencializar a autoria do professor. No ambiente comunicacional assim definido. Esta modalidade de investigação-atuação contempla a possibilidade de mudança das práticas e dos sujeitos em ação. intratextualidade (conexões no mesmo documento). instrumentos e critérios de avaliação. Todavia. multivocalidade (multiplicidade de pontos de vista). imagens dinâmicas e estáticas. chat. assim. (d) engendrar a cooperação. presencial e online. Cada pes- . blog. mapas).

não se limita a aplicar saberes existentes. Os docentes precisarão se preparar para lidar com a atualidade sociotécnica informacional e comunicacional definida pela codificação digital (bits) que garante o caráter plástico. Os sujeitos são incentivados a expressar suas itinerâncias formativas. os memoriais de pesquisa. Contemplará o novo espectador. concebidos para criar. Todo o conjunto de conteúdos e estratégias da e na ação docente deve emergir a partir dos problemas. no disposição do digital para potencializar a construção da comunicação e do conhecimento em sua sala de aula online ou semipresencial. as pesquisas sobre EAD e sobre EOL no país precisam contribuir mais significativamente para a formação de professores para docência na cibercultura. entrevistas abertas. colaborar. Adotará o registro em “diário de bordo” – ou fórum geral online aberto à atuação de todos os envolvidos – como um instrumento necessário para consignar os dados recolhidos durante todo processo de pesquisa. São exemplos de dispositivos: o diário de bordo ou itinerância. O professor precisará lançar mão dessa 22 Assim definida. interativo do conteúdo de aprendizagem tratável em tempo síncrono e assíncrono. entre outros. temas e necessidades de todos os sujeitos pesquisadores. simulações e formatações evolutivas nos “ambientes virtuais de aprendizagem”. As estratégias de aprendizagem e os saberes emergem da troca e da partilha de sentidos de todos os envolvidos. cada equipe é. Ao fazê-lo. hipertextual. Os registros diários e cotidianos precisarão atentar para o vivido na usabilidade do AVA. própria das pesquisas ditas “aplicadas”. A codificação digital permite manipulação de documentos. desenho didático e na mediação docente. gerir. Aí está o tripé que gera evasão e banalização da educação ou inclusão e formação cidadã na cibercultura. A coletividade de pesquisadores também é o sujeito de ocorrências. muitas vezes.soa. A pesquisa-formação não dicotomiza a ação de conhecer da ação de atuar. Experiências de pesquisa-formação costumam criar ambiências e dispositivos de pesquisa que fazem emergir o registro e a expressão de narrativas. a troca e o compartilhamento com outros sujeitos envolvidos no processo. simultaneamente. O pesquisador é coletivo. promovendo. contemplará atitudes cognitivas e modos de pensamento que se desenvolvem juntamente com o crescimento da cibercultura. compartilhar. criação e estruturação de elementos de informação. Em suma. a geração digital e o espírito do tempo favorável à qualidade em educação . objeto e sujeito da formação. comunicar e conhecer. organizar e movimentar uma documentação e para expressar. a pesquisa requer o registro rigoroso e metódico dos dados.

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Programa de Pós-Graduação em Educação da UERJ. um espaço cultural onde a cibercultura se desenvolve. Segundo Santaella O corpo preso e a mente em movimento.TEXTO 3 O CURRÍCULO MULTIRREFERENCIAL O CURRÍCULO MULTIRREFERENCIAL: OUTROS ESPAÇOSTEMPOS PARA A EDUCAÇÃO ONLINE Edméa Santos 1 Como já foi dito no texto introdutório desta série e nos dois textos anteriores. A geração da TV é bem diferente da geração digital. 1 Mestre e Doutora em Educação (FACED/UFBA). instituem outros processos cognitivos. as tecnologias digitais em rede no ciberespaço e nas cidades vêm ampliando a nossa capacidade de memória. atua no PROPED . O interesse acadêmico aumenta com o crescente desenvolvimento tecnológico e o acesso a essas tecnologias por um número cada vez maior de indivíduos. principalmente por conta da mobilidade. Mobilidade é uma A comunicação caracterizada pela liberação do polo da emissão torna a rede digital uma rede social. tecnologias e redes. processamento e. o cére- 24 (2008) não podemos tratar as tecnologias digitais com o mesmo referencial que tratamos as mídias de massa. Redes Educativas e Processos Culturais. de comunicação. A primeira geração da cibercultura foi condicionada pelo uso do computador conectado via desktop. Líder do GPDOC . São tecnologias diferenciadas e. . Com os computadores e celulares móveis que se comunicam em rede e bro a convergência movimenta-se de mídias. Santaella (2008) destaca que no futuro próximo haverá total hibridação corpo humano. Professora adjunto da Faculdade de Educação da UERJ. um espaço cultural onde a cibercultura se desenvolve. A comunicação caracterizada pela liberação do polo da emissão torna a rede digital uma rede social. Consultora da série. por isso. juntamente com a atividade corporal em movimento. na Linha de Pesquisa: Cotidiano. A segunda fase da cibercultura vem agregando novas potencialidades ao processo de construção de conhecimento. armazenamento.Grupo de Pesquisa Docência e Cibercultura. das palavras-chave da cibercultura atual. sobretudo.

Segundo os autores: As redes conectam pessoas. idealizado por um grupo de pesquisadores. o projeto brasileiro demarca que seu projeto considera a criança que estuda. com novas formas de partilhar o conhecimento. criar. manipular. Passamos a conviver. um aluno matriculado no sistema de educação pública do país.Além do desenvolvimento tecnológico e do acesso de boa parte da população a esses recursos. mesmo com todas as dificuldades de acesso. novas redes começam a se configurar no cenário nacional. No Brasil desde 2006 o MEC vem ampliando o uso de laptops em algumas escolas brasileiras. os docentes e discentes podem mapear. Esse desenvolvimento. A mobilidade é a capacidade de tratar a informação e o conhecimento na dinâmica do nosso movimento humano na cidade e no ciberespaço simultaneamente. novas formas de ser e de pensar esse alucinado mundo contemporâneo emergem. Diferentemente do projeto OLPC. do MIT (Massachusetts Institute of Technology). precisamos de interfaces que nos permitam protagonizar nessa dinâmica. vivenciamos um crescente movimento de “redes horizontais de colaboração”. organizações não governamentais. acessar. Políticas governamentais no âmbito de projetos nas áreas da ciência. a exemplo dos “pontos de cultura” implementados pelo Ministério da Cultura. instituições. por meio do PROUCA. Para tanto. Essa flexibilidade só é possível por conta da Dos programas internacionais que utilizam as tecnologias móveis na prática pedagógica podemos destacar o projeto da organização americana OLPC (One Laptop per Child). distribuir e compartilhar informações e conhecimentos a qualquer tempo e espaço acessados por tecnologias de redes. pesquisas que garantam novas práticas que não subutilizem as tecnologias digitais e as redes sem fio nos espaços educativos. setores e ajudam a articular as ações. Com elas. dentre eles o pesquisador Nicholas Negroponte. com novas linguagens e novas formas de expressões (PRETTO e BONILLA. e com as pessoas se apropriando das tecnologias. Essas interfaces vêm sendo chamadas de “dispositivos móveis”. p. Segundo Pretto e Bonilla (2008). mais conhecido como UCA (Um Computador por Aluno). 2008. Com a mobilidade dos laptops. entre outros. tecnologia e cultura. 84). ou seja. temos a presença significativa da juventude. novos saberes são produzidos. nos convida ao investimento urgente em ações formativas e novas 25 . projetos de universidades públicas. que garante um computador por criança. Nesse contexto de redes e conexões. ativistas culturais. o fenômeno das lanhouses. ainda incipiente no Brasil.

O acesso à internet é fundamental. Assim. ter o laptop. e pelo acesso à internet. que relaciona educação e cibercultura. que nos permite criar conhecimento em vários gêneros textuais. Portanto. nas quais os encontros presenciais podem ser combinados com encontros mediados por tecnologias telemáticas (SANTOS. A abordagem multirreferencial parte do princípio de que todos os sujeitos envolvidos formam e se formam em contextos plurais de situações de trabalho e aprendizagem. Acesso a diversos objetos de aprendizagem.mobilidade própria do laptop. com letra maiúscula. Formação de comunidades de 26 prática e de aprendizagem para além das fronteiras institucionais. Tais potencialidades desafiam a pesquisa. Nesse sentido. Vivenciar novas relações com a pesquisa em suas diversas fases. como um processo amplo que vai além da modalidade de organização dos proces- Comunicação A abordagem multirreferencial parte do princípio de que todos os sujeitos envolvidos formam e se formam em contextos plurais de situações de trabalho e aprendizagem. A educação online é uma modalidade de educação que pode ser vivenciada ou exercitada tanto para potencializar situações de aprendizagem mediadas por encontros presenciais. além de sos de ensino e aprendizagem. interfaces e informações em rede. quanto a distância. 2005). Os professores e pesquisadores universitários contribuem com suas itinerâncias cientí- . que pode ser transportado pelo docente. a partir do acesso e manipulação de informações armazenadas. Entendemos a Educação. Um laptop sem rede é uma máquina semântica. Precisamos instituir novas metodologias e novas práticas curriculares multirreferenciais. é necessário acessar com ele a rede mundial de computadores. caso os sujeitos do processo não possam ou não queiram se encontrar face a face. pois permitem: Extensão e novas arquiteturas da sala de aula para além da localização física. poderemos instituir práticas e currículos online. ou ainda situações híbridas. a internet. as tecnologias digitais em rede podem potencializar a educação em geral (presencial ou online) e a formação de educadores. mas não nos permite acessar redes e conexões. interativa entre seres humanos e objetos técnicos.

1998. nativos digitais. do outro. 24). muitas vezes. ampliamos a noção de sujeitos formadores nos permitindo aprender com as novas gerações. uma leitura plural de seus objetos (práticos ou teóricos). o estudante. diferentes parcelas da sociedade vêm criando 27 . O conceito de multirreferencialidade é per- Muitas vezes criam etnométodos. Os professores da escola básica são os únicos que vivenciam o lócus escolar em sua complexidade. sustentadas pela prática da pesquisa acadêmica. Nessa relação procuram fazer a transposição didática das aprendizagens científicas com suas situações e desafios cotidianos. Os segundos vivenciam a cultura digital como membros e não como estrangeiros. ou seja. reconhecidos explicitamente como não redutíveis uns aos outros. imigrantes digitais. Tanto os professores universitários quanto os professores da escola básica podem ensinar e aprender com seus estudantes. em função de sistemas de referenciais distintos. Assim. Por outro lado. mas. não as vivenciam em seu lócus natural. Os primeiros utilizam com pouca ou muita destreza as tecnologias digitais. Em tempos de cultura digital. nos espaços de aprendizagem. Dessa forma. que ainda são norteados pelos princípios e pelas práticas de uma ciência moderna.ficas. considerados. A multirreferencialidade como um novo paradigma torna-se hoje grande desafio. aprendendo com o dia a dia da comunidade escolar. heterogêneos” (ARDOINO. métodos próprios para lidar com as situações educacionais. Desafio que precisa ser gestado e vivido. De um lado temos os professores. não podemos ex- tinente para contemplar. Interagem diretamente com o sujeito cultural do nosso tempo. que implicam tanto visões específicas quanto linguagens apropriadas às descrições exigidas. prática muitas vezes articuladora da teoria e da prática. os estudantes vivenciam experiências culturais com o computador e a internet bastante diferentes das experiências vivenciadas pelos professores. cluir o estudante da escola básica do processo formativo do lugar de formadores. sob diferentes pontos de vistas. os alunos. p. principalmente pelos espaços formais de aprendizagem.

uma relevância social bastante fecunda. É pela necessidade de legitimar tais saberes e também competências que diversos espaços de trabalho estão certificando os sujeitos pelo reconhecimento do saber fazer – competência – independentemente 28 . por exemplo. de uma suposta formação institucional específica. O desafio de criar um currículo que contemple a diversidade do coletivo. insatisfações profundas. Com a emergência da “sociedade em rede”. supletivos.novas possibilidades de educação e de formação inicial e continuada. requer não só uma mudança paradigmática das concepções de currículo. tecendo teias complexas de relacionamentos com o mundo. Novas relações com o saber vão-se instituindo num processo híbrido entre o homem e a máquina. 2000. dinâmica e interativa que rompa com os limites do tempo e do espaço geográfico. processos de aprendizagem e de trabalho” (BURNHAM. sentindo-se implicados numa produção coletiva. nos e pelos espaços de aprendizagem. as experiências “formais” de formação inicial. estruturadas por dispositivos comunicacionais diversos). ou seja. produções e experiências de vida sejam de fato contempladas de forma multirreferencializada. neste novo tempo. comunitárias começam a ganhar. religiosas. novos espaços digitais e virtuais de aprendizagem vêm se estabelecendo a partir do acesso e do uso criativo das novas tecnologias da comunicação e da informação. como. esportistas. na escola. A emergência de atividades (presenciais e/ ou online. potencializando as experiências multirreferenciais dos sujeitos. permitindo que as singularidades possam emergir. os sujeitos do conhecimento precisam ter sua alteridade reconhecida. pondo em xeque o currículo fragmentado. cursos (livres. As redes sociais da internet são um exemplo concreto. A noção de espaço de aprendizagem vai além dos limites do conceito de espaço/lugar. Os sujeitos que vivem e interagem nos espaços multirreferenciais de aprendizagem expressam. artísticas. espaços esses que tentam “fugir do reducionismo que separa os ambientes de produção e os de aprendizagem (. p. espaços que articulam. 299). como requer também o uso de dispositivos Tal acontecimento vem promovendo a legitimação de novos espaços de aprendizagem. legitimando inclusive espaços diversos – espaços esses que há bem pouco tempo não gozavam do status de espaços de aprendizagem – através da autoria dos sujeitos construídos pela itinerância dos processos nesses espaços. qualificação profissional). intencionalmente.). atividades culturais diversas... os saberes precisam ganhar visibilidade e mobilidade coletiva. Para que a diversidade de linguagens.

R. FREITAS. 2002. Cibercultura e mobilidade: a era da conexão”. de A. 2000. Teresinha Fróes. o acesso e uso criativo das tecnologias em rede podem estruturar as relações curriculares de forma complexa e dinâmica.). São Paulo: Ed. subjetividade: três referências polêmicas para a compreensão do currículo escolar. A. Mídias locativas e territórios informacionais. Brasília: Editora Plano.pdf. Caxambu. o uso de dispositivos comunicacionais por si só não construirá um currículo em rede. Cibercultura. A etnopesquisa crítica e multirreferencial nas ciências humanas e na educação. P. São Carlos: EdUFSCar. interfaces digitais. entretanto. 2007.html Acessado em janeiro de 2009.itesm. Revista eletrônica Razón y palabra. Joaquim Gonçalves (org. outubro . Web 2. p. São Paulo: Ed. Anais. As tecnologias da inteligência: o futuro do pensamento na era da informática. Disponível em: http://www. 34. T. Escrita teclada. 35-55. 2004. p. In: http:// www. P. T. LEMOS. R. Obviamente.mx/dacs/publicaciones/logos/anteriores/n41/alemos. FERRARI. (2004. 1996. FREIRE. que permitam uma dinâmica social que rompa com as limitações espaço/temporais dos encontros presenciais. 2003. n. 23. C. Complexidade. n.facom. M. uma nova forma de escrever? In: ANPED. São Paulo: Paz e Terra. P. hipermídia: as novas ferramentas da comunicação digital. FREITAS. ______. p. REFERÊNCIAS ARDOINO. jul. 2000. LÉVY. Salvador: EDUFBA. 1999.comunicacionais. LEMOS. tecnologia e vida social na cultura contemporânea. 21-39.). A abordagem sócio-histórica como orientadora da Pesquisa Qualitativa. [Anais Eletrônicos] JOSSO. Porto Alegre: Sulina. São Paulo: Contexto. J. M. ______. 116. Nesse sentido. ______. A hipermídia entrelaça a sociedade. pode potencializá-lo. 2002. 34. Rio de Janeiro: FGV On-line. São Paulo: Cortez Editora. 79-90.novembro).0: compreensão e resolução de problemas. 29 .cem. P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 2006. multirreferencialidade. S. 1996. Experiências de vida e formação. Reunião Anual. 41. In: BARBOSA. BURNHAM. In: FERRARI. Hipertexto. Cadernos de Pesquisa. ufba. Para uma pedagogia socialista.br/ciberpesquisa/andrelemos/midia_locativa. (org. MACEDO. Acessado em dezembro de 2008. 1998. M. Reflexões em torno da abordagem multirreferencial. Cibercultura.

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4o andar – Centro.tvbrasil. CEP: 20231-110 – Rio de Janeiro (RJ) Abril 2011 32 .gov.org.br/salto Rua da Relação. 18.br Home page: www.Presidência da República Ministério da Educação TV ESCOLA/ SALTO PARA O FUTURO Coordenação-geral da TV Escola Érico da Silveira Coordenação Pedagógica Maria Carolina Mello de Sousa Supervisão Pedagógica Rosa Helena Mendonça Acompanhamento Pedagógico Carla Ramos e Ana Maria Miguel Coordenação de Utilização e Avaliação Mônica Mufarrej Fernanda Braga Copidesque e Revisão Magda Frediani Martins Diagramação e Editoração Equipe do Núcleo de Produção Gráfica de Mídia Impressa – TV Brasil Gerência de Criação e Produção de Arte Consultora especialmente convidada Edméa Santos E-mail: salto@mec.

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