16/12/13 Blog do Paulus: Entendendo a surfassagem tradicional, digital, freeform, double side e s digital surfacing
Entendendo a surfassagem tradicional, digital, freeform, double side e s digital surfacing
Esta matéria tem como objetivo explicar
de forma simples e clara as diferenças
entre a surfassagem tradicional,
surfassagem digital clássica, surfassagem
digital freeform, surfassagem digital
double side e surfassagem digital s digital
surfacing.
A surfassagem digital já não é mais
novidade, já que todo o mercado óptico
está ciente da existência das lentes
digitais, porém a maioria dos
profissionais não sabe diferenciar a lente
digital clássica da lente digital freeform,
da mesma forma que tem dificuldade de entender as diferenças entre freeform e
os avançados métodos double side e s digital surfacing. Alguns colegas
acreditam que tudo é a mesma coisa, mas não é.
Sabemos que surfassagem é o processo que consiste em produzir dioptrias
numa matéria prima semi acabada chamada "bloco". Após este processo, a
matéria prima deixa de ser semi acabada e se torna uma lente oftálmica, cujo
receituário é feito sob medida, respeitando no mínimo as especificações de
aro e DNP.
A dioptria de uma lente é o resultado da diferença entre o valor de sua curva
externa em relação a sua curva interna. Para simplificar, vou arredondar o valor
das curvas nos exemplos.
O nome mais correto para o bloco é "bloco semi acabado", pois parte dele está
pronto (face externa) e parte dele não (face interna a ser surfassada).
Quero ressaltar que todos os esquemas de cálculo que vou mostrar nesta
matéria são baseados em valores ilustrativos e didáticos, já que as variações
das superfícies oftálmicas são mais complexas (0,01/0,06/0,12).
Na ilustração abaixo temos um bloco semi acabado com uma curva externa
pronta com valor +5,00 (toda curva externa terá um valor positivo) e uma curva
interna que será surfassada no valor de -6,00 (normalmente as curvas internas
são negativas, salvas raras exceções). A diferença entre +5,00 da curva externa
e -6,00 da interna resultará numa lente com -1,00 dioptria esférica.
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A superfície externa do bloco semi acabado de uma lente multifocal é formado
por diversos valores de curvatura que aumentam (progressivamente) até chegar
em seu valor máximo na área inferior do bloco. O valor de curva em posição de
visão de longe é chamado de "curva base". Abaixo da curva base, os valores de
curva progridem gradativamente. Daí a origem do nome "lente progressiva".
As curvas de um bloco convencional multifocal progressivo, responsáveis pela
dioptria de longe e de perto são:
1. Curva base: curva posicionada na região centro-superior da lente (visão
de longe)
2. Curva da adição: posicionada na região da adição da lente (visão de
perto)
Na ilustração abaixo temos um bloco para lente multifocal cuja curva base é
+5,00 e a curva da adição é +7,00. O objetivo da surfassagem tradicional nesse
tipo de lente é reduzir, lixar (desbastar) e polir a curva interna do bloco para
produzir um valor, no exemplo: -6,00.
A diferença entre o valor da curva base e o valor da curva interna surfassada é a
graduação de longe (no exemplo, a dioptria será -1,00), já a diferença entre a
curva da adição (+7,00) e a curva interna surfassada é a responsável pela visão
de perto ( no exemplo, a dioptria será +1,00).
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A surfassagem tradicional de uma lente multifocal sempre utiliza um bloco
progressivo, isso significa que todo o campo visual está desenvolvido e pronto
na curva externa, restando apenas cumprir o processo para a realização da
curva interna.
Na ilustração abaixo temos um bloco de lente multifocal cuja curva base é +5,00
e a curva da adição é +7,00. O objetivo da surfassagem digital clássica é
realizar a curva interna através de um método menos agressivo, sem utilização
de moldes e lixas. Apesar de ser um método de produção mais moderno e
preciso sob o ponto de vista fabril, o objetivo continua o mesmo: gerar uma
curva interna com valor suficiente para gerar a dioptria solicitada na ordem de
serviço. Nada mais.
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Em termos de precisão óptica, a surfassagem digital clássica beneficia o
laboratório, pois o ferramental mais moderno reduz os índices de quebra. Para
o óptico e o consumidor, nada muda, pois esta metodologia não amplia o
campo visual já que o mesmo já estava pronto na superfície externa do bloco
semi acabado.
Na ilustração abaixo temos um bloco de visão simples, isso mesmo, visão
simples!. O objetivo da surfassagem digital freeform é gerar toda a progressão
da lente na curvatura interna deste bloco, onde a precisão deste processo é
gerenciada por um software especial que ordena a construção da curva interna
de acordo com as especificações de design previstas. Em suma, a
surfassagem digital freeform influencia no design da lente.
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A influencia da surfassagem digital freeform no design da lente proporciona o
benefício da otimização do campo visual, já que a progressão da lente foi
gerada na face interna. Isso faz com que ao utilizar o óculos, o usuário tenha
este campo visual muito mais próximo de seus olhos, o que comprovadamente
aumentará sua amplitude. Dependendo do produto e do software freeform
utilizado, o aumento do campo visual se comparado a uma lente de
surfassagem tradicional e surfassagem digital clássica fica entre 20 e 30%.
Sabemos que um consumidor exigente de lente multifocal progressiva não se
contenta apenas com a amplitude dos campos visuais. Além da amplitude,
melhor nitidez e sensibilidade ao contraste são muito desejados. Cientes que o
método freeform conquista apenas a amplitude de campo, os fabricantes de
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lentes progressivas aperfeiçoaram seus processos produtivos para oferecer ao
mercado opções top de linha de lentes digitais de alta performance.
O método digital de alta performance mais utilizado pelos fabricantes se chama
"double side optimization" isso é: otimização de ambos os lados da lente.
A surfassagem digital "double side" utiliza como matéria prima um bloco semi
acabado com asfericidade progressiva externa, porém contendo apenas parte
do cálculo. A asfericidade necessária para complementar o cálculo do campo
visual é gerada na curvatura interna da matéria prima. Por isso podemos
chamar o "double side" de bi asférico, já que o campo visual foi construído em
ambas as faces da lente através de asfericidade progressiva na curva externa e
asfericidade regressiva (regride o valor da curva) na interna.
Este processo que é encontrado na maioria das lentes top de linha dos
fabricantes garante aos usuários melhor nitidez e contraste visual. Observe na
imagem abaixo o comportamento da bi asfericidade no "double side".
Clique na imagem para ampliar, caso necessário.
O método mais avançado de surfassagem digital da atualidade foi desenvolvido
pela Essilor e se chama "S Digital Surfacing". Esta inovação incorpora 5
patentes que aumentam o rigor de precisão em cada etapa de produção e
também contribuem para um cálculo de design que leva o double side a
evolução.
O "S Digital Surfacing" permite que as lentes progressivas se beneficiem do
design Nanoptix que consiste num double side de dupla asfericidade regressiva.
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A asfericidade regressiva já era conhecida na face interna dos freeforms e
double sides, porém a asfericidade regressiva na curva externa do bloco semi
acabado é uma grande novidade, já que todos fabricavam as externas sempre
progressivas (curva aumentando gradativamente da base até a adição).
Segundo o desenvolvedor do processo "S Digital Surfacing" esta nova
abordagem de produção e design além de aumentar a nitidez e contraste visual,
proporciona também uma adaptação mais rápida e segura para os usuários em
visão de longe, intermediário, perto, periférica e dinâmica.
Observe na imagem abaixo o comportamento da bi asfericidade regressiva.
Clique na imagem para ampliar, caso necessário.
Ao final desta matéria, podemos chegar a conclusão que a tecnologia digital a
disposição dos ópticos e consumidores é bastante variada. Para que o
profissional óptico possa oferecer uma lente digital adequada para as
necessidades de seus clientes, é necessário o entendimento sobre o que cada
processo de surfassagem digital pode contribuir em benefício dos produtos
ofertados.
Após o entendimento, o profissional óptico poderá observar em sua tabela de
preços quais são os produtos de melhor relação custo x benefício em relação as
tecnologias e vantagens que os mesmos oferecem. Essa independência de
conhecimento é muito importante, pois nos auxilia no domínio de nossas
ferramentas de trabalho, relacionamento e credibilidade.
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