Manual de Optometriaa
Manual de Optometriaa
REFRAÇÃO!
CURSO TÉCNICO EM
OPTOMETRIA
DISCIPLINA:
OPTOMETRIA I
SUMÁRIO
1. HISTÓRIA DA OPTOMETRIA
2. OPTOMETRIA E OFTALMOLOGIA
3. TERMOS TÉCNICOS
4. TESTE DE MOTILIDADE REFLEXOS PUPILARES
5. RETINOSCOPIA
6. OFTALMOSCOPIA E TÉCNICAS REFRATIVAS
7. PRISMAS, CILIDROS E ESFERICOS
8. CONSTRUÇÕES OPTOTIPOS
1 HISTÓRIA DA
OPTOMETRIA
A ideia da Optometria surgiu inicialmente em 1759, na Europa, quando o fisiologista
William Porterfield descreveu o Optômetro, instrumento hoje conhecido como foróptero
ou refrator.
Mas, enquanto ciência, a Optometria surgiu realmente a partir da Física, especificamente
da Óptica aplicada à saúde; surgiu a partir da realização da refração ocular e da prescrição
de soluções ópticas para a correção dos defeitos refrativos: miopia, hipermetropia,
astigmatismo.
Desde a invenção dos óculos, por volta do século X, os fabricantes de óculos realizavam
diversas tentativas em ensaio e erro para saber qual “grau” melhor se adequava à
necessidade de cada indivíduo, isto é, os fabricantes faziam um exame preliminar, muito
rudimentar à época, mas que servia de base para a fabricação dos óculos.
A partir da necessidade de conhecer ou identificar o defeito refrativo dos olhos surgiu a
técnica da refração ocular. Era comum aos funcionários das fábricas de óculos realizar o
serviço da refração antes da confecção dos óculos, uma vez que tinham algum
conhecimento de Óptica.
Para se fabricar os óculos, era necessário primeiro realizar a refração. Só que a maioria
dos médicos que cuidavam dos olhos naquela época era contra o uso de óculos para corrigir
problemas de visão, porque eles acreditavam que os problemas de visão só podiam ser
resolvidos com remédios ou unguentos. Porém, depois de algum tempo, alguns médicos
começaram a se interessar pelo serviço da refração para identificar o defeito refrativo dos
olhos.
Os profissionais que apenas fabricavam os óculos ficaram conhecidos como Ópticos, mas
os Ópticos que além de fabricar óculos faziam a refração ocular eram conhecidos como
“Oculistas”. As primeiras guildas de Oculistas foram criadas em diferentes partes da
Europa, a partir do século XV: na França, em 1465; na Alemanha, em 1577; na Espanha, em
1596.
Desde então, o conhecimento sobre a refração foi se ampliando e se espalhou pelo
mundo, e muitos Ópticos começaram a migrar da Europa para os Estados Unidos e vice-
versa para aprender a realizar a refração e exercer o novo ofício. Estava surgindo uma nova
profissão.
Os Oculistas só passaram a ser conhecidos como Optometristas a partir de 1865, quando
a palavra OPTOMETRIA foi definida pela primeira vez, na Holanda, por Jan Willem
Verschoor em uma tese de doutorado.
Daí, com o tempo, a figura do Oculista foi desaparecendo, permanecendo apenas as
figuras do Óptico (fabricante de óculos) e do Optometrista (realizador da refração). Foi
devido a propagação comercial das Casas de Óptica nos Estados Unidos que começou haver
uma dissociação entre o serviço do Óptico (fabricação dos óculos) e o serviço do
Optometrista (refração ocular), o que fez com que os Optometristas da época começassem
a cobrar pelo serviço em separado.
Para resumir parte dessa história, em 1896, Prentice saiu em defesa dos Optometristas e
divulgou ao Comitê de Saúde Pública do Estado de Nova York os motivos pelos quais se
estabelecia a posição de uma profissão que viria a ficar conhecida como Optometria. O
empenho de Prentice conduziu os Estados Unidos à promulgação da primeira lei a licenciar
Optometristas, em 1901. Com isso, Charles Prentice passou a ser considerado o Pai da
Optometria moderna, e a profissão de Optometrista se espalhou pelos cinco continentes.
Os Optometristas (ainda conhecidos como Oculistas) começaram a chegar em Angola no
século XX em 24 de Setembro de 1990 em Luanda ano da Fundação do Instituto Nacional de
Oftalmologia de Angola (IONA).
Curiosamente, as primeiras Ópticas em Angola começaram a surgir justamente por causa
da pequena rede de Optometristas e Oftalmologistas que foi se formando, numa
sociedade em que esses profissionais eram bastante requisitados. Naquela época, os
Optometristas e Oftalmologistas recebiam formação fora do país e aqui transmitiam seus
conhecimentos aos jovens aprendizes de Óptica.
A Optometria, portanto, é uma profissão da Saúde Visual, legitimada e legalizada
em Angola. Os Optometristas Angolanos são filiados a Câmara Representativa dos
Profissionais de Diagnostico e Terapeutica de Angola e Associação dos Profissionais
da Saúde da Visão e Opticos de Angola.
Os Optometristas são profissionais da saúde dos olhos e do sistema visual, que fornecem
abrangente cuidado visuo-motor-ocular, incluindo refração e prescrição de óculos e lentes
de contato para miopia, astigmatismo, hipermetropia e presbiopia. São capacitados para
diagnosticar, tratar e reabilitar problemas como ambliopia, estrabismos, disfunções da
visão binocular e da acomodação visual. São agentes de prevenção de problemas visuais.
A formação de um Optometrista possibilita a identificação de sinais e sintomas suspeitos
de patologias oculares como catarata, glaucoma, retinopatias etc., e patologias ou
condições sistêmicas que afetam os olhos e a visão como hipertensão, diabetes,
hipercolesterolemia, dentre outras; encaminhando os pacientes à medicina especializada
ou a outros profissionais da saúde, conforme o caso e a suspeita.
A Optometria é uma profissão respeitada no mundo, articulada de maneira
interdisciplinar com as demais profissões do campo da Saúde responsáveis pela atenção à
saúde visual em nível secundário e de alta complexidade.
No mundo, há pelo menos 2,2 bilhões de pessoas cegas ou com alguma deficiência visual,
das quais grande parte concentra-se em países de baixa renda e estão localizadas em
comunidades rurais e desfavorecidas. E mais alarmante é o fato de que, aproximadamente,
1 bilhão dos casos poderiam ter sido evitados, tratados ou nunca foram abordados.
2 OPTOMETRIA E
OFTALMOLOGIA
O QUE É E O QUE FAZ UM OPTOMETRISTA?
É importante saber que a utilização de uma técnica não exclui a possibilidade de usar a
outra. Muito pelo contrário, é bastante comum que os profissionais utilizem uma técnica
mista, envolvendo as duas formas: tanto dando a liberdade para o paciente relatar tudo o
que sente quanto perguntando para obter respostas menos panorâmicas e mais objetivas.
A anamnese é parte essencial do exame clínico. Ela é uma entrevista que visa conhecer o
paciente de forma completa. Assim, é possível captar todos os sinais físicos perceptíveis pela
pessoa. Ela é o contato inicial do paciente com sintomas junto ao profissional.
ANAMNESE OPTOMÉTRICO
A anamnese é a primeira etapa entre as vinte e uma que encontramos que são
obrigatórias, para que o optometrista faça um bom atendimento e obtenha resultados
satisfatórios. Ela se inicia com a data, colocando o dia, o mês e ano em que o paciente o
procurou, ou seja, é o dia que o examinador viu o seu paciente pela primeira vez.
Isso é muito importante, pois depois de algum tempo quando ele voltar, acarretando uma
diferença do diagnóstico do atendimento anterior, com a data será mais fácil de identificar o
que pode estar ocorrendo. Os dados pessoais ou de filiação, é o conjunto de informação que
permite identificar rapidamente o paciente.
Devem-se registrar:
SOBRENOMES E NOMES: da maneira mais completa possível.
IDADE: anota-se o número de anos feitos e os meses adicionados. (13 anos e 06 meses)
GÊNERO: f (feminino), m (masculino).
OCUPAÇÃO: neste caso deve-se definir a, ou as, ocupações que o paciente exerce no
cotidiano e, no possível, o horário em que a pratica; exemplo: estudante noturno,
vigilante 24 horas, médico de turnos noturnos, etc.
ENDEREÇO: aqui deve-se registrar o endereço completo do lugar onde mora a pessoa,
por exemplo: rua 83 nº 85 a – 17, interior 4, apto. 201.
TELEFONE: número do telefone do paciente, preferivelmente aquele em que se possa
situar quando necessário, anotando se é casa, ou escritório. Se for preciso, anotar o
prefixo quando trata-se de outra cidade, ou o número do celular.
PROCEDÊNCIA: deve-se referenciar se o paciente mora em outra cidade ou povoado
diferente onde pratica-se a consulta.
REMETIDO POR: anotar o nome da instituição ou do profissional que remitiu ao
paciente para o seu exame; exemplo, Dr. Juan Carlos Arce, Instituto de Cancerologia,
Colégio A Imaculada, atividade brigada, etc.
ÚLTIMO CONTROLE VISUAL: anota-se a data do último exame visual, quando o paciente
não lembra, então registra-se o tempo aproximado que o paciente reporta; exemplo: fez
6 meses, fez 3 anos, fez 8 dias.
Em exames feitos em criança, síndromes, geriátricos, eles terão que estar sempre
acompanhados de responsáveis, para responder perguntas de identificação corretamente
do paciente. O nome e a identificação do responsável também serão anotados juntamente
com os dados do paciente na ficha clínica.
O motivo da consulta é de grande importância, “deve-se interrogar ao paciente sobre a
razão que o obrigou a consultar, ou a necessidade de fazer ou, a antiguidade, a situação e a
frequência com que se apresenta a moléstia, fazendo ênfase se o problema associa-se ou
não com atividades visuais” (CACERES, 2005, pág. 14).
Conforme (Oliveira;Kara-José, 2000), deve-se observar se existe:
Cefaleia: localização; há quanto tempo; tipo: pontada ou contínua – intensidade: forte
ou fraca; duração; associação: medicamento, estresse, doença ocular; relacionada ou
mais frequente após esforços visuais; acompanha enjoos, vômitos, tonturas; frequência
e efeito; casos de enxaqueca na família.
Lacrimejamento: há quanto tempo; predominância de um olho, alterna ou bilateral;
úmido ou chega a escorrer lágrima; procedida ou seguida de dor, secreção, hiperemia,
ardor, irritação e coceira.
Dor: nos dois olhos ou em apenas um; intensidade e frequência; quanto tempo;
agulhadas ou contínuas, se teve algum traumatismo ocular; já se submeteu algum
tratamento
Flash de luz: quanto tempo; localização, frequência; se percebe manchas fixas;
episódios anteriores, situação em que ocorre. Pois existe a possibilidade do paciente
estar com descolamento de retina.
Sensação de corpo estranho areia ou cisco: local, se são em ambos os olhos (AO) ou
apenas em um; frequência; piscando piora. Pode ser realmente algum tipo de corpo
estranho, mas também pode ser uma conjuntivite.
Catarata: se ver a imagem como se tivesse uma nuvem na frente; piorando; claridade; lê
sem óculos?; AO.
Glaucoma: tratamento; uso correto de colírios; PIO atual; CV/ exames, etc.
Nos antecedentes pessoais será avaliado tudo sobre o paciente como seus relatos sobre
problemas oculares (se usa óculos ou lente, há quanto tempo, alguma patologia ocular);
sistêmico (sobre seu estado geral da saúde, se tem diabete, hipertensão); farmacológico (usa
algum remédio, há quanto tempo, quantos comprimidos e doses); cirúrgico (se já fez
alguma cirurgia como catarata); traumático (já levou alguma pancada no olho); ou outros
acontecimentos não citados.
De acordo com CACERES, 2005, “antecedentes pessoais classificados em antecedente
oculares e pessoais gerais. Dentro dos oculares indaga-se a respeito se anteriormente foi
diagnosticado algum defeito de refração, se tem sido corrigido, há quanto tempo,está
confortável”.
Continuando, “também deve-se perguntar por outras alterações oculares associadas tais
como secreções, conjuntivite, pestanejar, olho vermelho, traumatismo ocular, cirurgia
ocular, etc” (CACERES, 2005, pág. 15).
Antecedentes familiares, devemos perguntar também sobre as doenças oculares na
família, uma vez que muitas delas são hereditárias de caráter dominante ou recessivo.
Comumente, ressalta-se a existência de glaucoma, altas miopias ou hipermetropias,
ceratocone, doenças retinianas e caso de cegueira (OLIVEIRA; JOSÉ,2000).
No caso de possuir parentes próximos como: mãe, pai, irmão, avós com esses tipos de
doença oculares, é importante o paciente sempre está sendo acompanhado, pois no caso de
herdar, exemplo o glaucoma, o diagnóstico no início, o tratamento não permite que a
doença se desenvolva tão rápida ou podendo até estagnar.
A ANAMNESE NA FICHA CLÍNICA DEVE SER COMPLETA, FEITA PELO PROFISSIONAL COM
MUITA ATENÇÃO, POIS UM DETALHE DESPERCEBIDO PODE FAZER UMA GRANDE
DIFERENÇA PARA O DIAGNÓSTICO DO PACIENTE.
5 LENSOMETRIA
É o processo pelo qual conferimos as dioptrias esféricas, cilíndrica, eixos, primas, adição,
aberrações, canal de progressão, CO, DNP e DP. A denominação lensometria é dada à
medição e marcações feitas em lentes oftálmicas e lentes de contato através do lensômetro.
Outro momento em que se utiliza com grande frequência o lensômetro é na leitura das
lentes oftálmicas dos óculos antigos do paciente e através dessa leitura descobrimos qual a
ametropia do usuário.
Ametropia é o mesmo que deficiência visual. São dificuldades associadas à visão, devido
alguma falha entre diversos elementos que constituem o globo ocular. Dentre os problemas
relacionados à visão estão inserido a miopia, a hipermetropia, o astigmatismo e a presbiopia
(PAPLER, 2007). O lensometro tem como objetivo principal:
Medir a potência das lentes oftálmicas:
·Em dioptria esférica.
·Em dioptria cilíndrica.
. Eixo do cilíndrico em graus.
·O valor dióptrico da adição.
Conferência dos prismas:
·Valores prismáticos em dioptrias prismáticas.
·Eixos das bases dos prismas em grau.
Conferência da montagem:
·Marca o CO para verificação da DP e DNP.
·Marca a linha horizontal de montagem.
·Mede a diferença de altura entre o CO de longe e de perto.
A mira do lensometro precisa estar muito bem posicionada para a leitura adequada das
dioptrias. Em lentes de visão simples, após o centro óptico ser encontrado, é justamente nele
que as dioptrias serão lidas. Em lentes multifocais progressivas, a mira do lensometro deve
ter as seguintes posições:
Dioptria de longe. A abertura inteira da mira precisa estar posicionada acima da
marcação de altura pupilar, conhecida também por cruz de montagem.
Prisma de equilíbrio. O ponto para a leitura do prisma da lente multifocal varia
conforme o desenho da lente. Em lentes Essilor o prisma fica 4mm abaixo da cruz de
montagem, em lentes Zeiss o prisma fica a 6mm da cruz, com exceção das lentes
compactas Sola. Nas lentes Hoya o prisma fica 4mm abaixo da cruz.
Dioptria de perto. O ponto de leitura fica na parte inferior da lente, com a marcação
descentrada para o nasal entre 2,5 e 5,0mm dependendo do desenho da lente.
Para a remarcação de lentes multifocais, solicite o gabarito ao seu fabricante e acesse
uma matéria que escrevi sobre remarcação de lentes progressivas.
A acuidade visual perto é medida pela Tabela de Jaeger (composta de frases ou números,
com dimensões de J1 a J7, para ordem crescente de perda visual à distância de trinta e cinco
centímetros dos olhos). As perdas visuais para perto podem ser fisiológicas (PRESBIOPIA) e
patológicas (BICAS, 2002).
Para determinar o tamanho da letra nas diferentes acuidades visuais, utiliza-se esta
fórmula. Este cálculo nos dará o tamanho da letra para o Optótipos de Snellen, medido em
milímetros.
HIRSCHBERG:
Avalia o alinhamento dos eixos visuais. Detecta estrabismos. O resultado esperado é:
centrado ou descentrado; realizado com luz sobre o septo nasal a uma distancia de 40 cm,
binocular, se o resultado for centrado, o exame termina, se for descentrado tem que falar qual
é o olho, quantos graus e qual o sentido.
KAPPA:
Avalia o alinhamento entre o eixo pupilar e o eixo visual. Detecta micro estrabismos. O
resultado esperado é: Kappa zero, positivo ou negativo; se o resultado for zero o exame
termina, se for positivo ou negativo, fala qual o olho. Realizado com luz, é monocular, luz a 40
cm sobre septo nasal..
DUCÇÕES:
Teste para avaliar paralisia total ou parcial dos músculos. Espera-se movimento suaves e
contínuos; realizado com luz a 40 cm, sobre o septo nasal, monocular e com movimentos em
asterisco
VERSÕES:
Avalia Hipo ou Hiper função dos músculos do olho; realizado com luz, septo nasal a 40 cm,
binocular com movimento em H e se o resultado for normal dar um visto em cada músculo
8 FOROMETRIA
Forometria é um conjunto de técnicas utilizadas para saber se um paciente possui algum
tipo de desvio. Esses desvio podem ser:
O reflexo pupilar à luz ou reflexo fotomotor é parte de um exame neurológico padrão. Ele
avalia o reflexo de constrição da pupila, chamada miose, diante da incidência de luz direta no
olho a ser testado. Portanto, podemos avaliar anormalidades na via aferente do nervo óptico
ou na via eferente visceral do nervo oculomotor.
O teste de reflexo pupilar fotocromático é um exame que pode ajudar no diagnóstico da
cegueira durante uma consulta oftálmica. É um teste de retina e do nervo óptico realizado em
animais no qual a resposta pupilar é estimulada pela luz vermelha e pela luz azul.
Algumas recomendações para a execução do reflexo fotomotor são:
Avaliar em primeiro lugar o tamanho, forma, posição e simetria das pupilas;
De preferência, realizar o exame em uma sala de baixa luminosidade;
O paciente deverá focar a visão em um ponto longínquo, para evitar o reflexo de
acomodação;
Ao analisar o reflexo fotomotor consensual, certificar-se que a luz incida apenas em um
olho.
REFLEXO DIRETO
A resposta normal é a miose (diminuição do diâmetro da pupila) bilateral. Sendo o reflexo
de constrição da pupila, em que se incide diretamente a luz, denominado reflexo direto.
REFLEXO CONSENSUAL
Já a constrição da pupila do olho contralateral à incidência do estímulo luminoso, é
chamada de reflexo consensual. Para mais, a constrição pupilar deve apresentar igual
magnitude.
REFLEXO DE ACOMODAÇÃO
Ademais, após a incidência da luz da lanterna em ambos os olhos, deve-se realizar o reflexo
de acomodação. Devendo ser feito aproximando um objeto -que pode ser a lanterna - do
nariz do paciente, de maneira gradual.
O paciente deve acompanhar o objeto com o olhar, sem mover a cabeça. A resposta
esperada é, também, a miose bilateral. Para mais, ao realizar a busca pelos reflexos, deve-se
observar se estes se encontram normais, abolidos ou diminuídos.
TESTE DE PURKINGE
Teste para avaliar presença e transparência da córnea e do cristalino. Reflexos utilizados para
avaliar córnea e cristalino. 1) Transparência; 2) Monocular 3) Luz 4) Movimentos Pendula.
BALANÇO DE LATERNA
Exame para avaliar hipos e tônus pupilares, realizado com laternado do bolso 40cm cepto
nazal balançando de um olho para outro avaliando simetria, cor, miose e midrias. ( alteração
resultado é positivo, quando não á negativo ).
LESÃO BILATERAL DO NC II
Nesse caso, ambos os reflexos: fotomotor direto e consensual encontram-se abolidos.
Entretanto, o reflexo da acomodação está preservado, visto que o nervo responsável (NC III)
encontra-se preservado.
A Biomicroscopia é o exame mais conhecido e usado por ser capaz de analisar o olho
humano em detalhes. Também conhecido como exame na lâmpada de fenda, é realizado
com uma fonte de luz de alta intensidade que é focada nos olhos e brilha como uma fenda,
daí o nome. Por meio da Biomicroscopia, pode avaliar os seguimentos anteriores e
posteriores dos olhos.
Os anteriores são:
Córnea
Íris
Corpo ciliar
Humor aquoso
Cristalino
Já os posteriores são:
Retina
Humor vítreo
Coróide
Esclerótica
Para realizar a Biomicroscopia, o paciente deve estar sentado e com o queixo e a testa apoiados
em um suporte que manterá a cabeça imóvel. Usando um biomicroscópio, o médico
oftalmologista realiza o exame no olho do paciente. Trata-se de um exame extremamente
simples, indolor, não invasivo e capaz de diagnosticar muitas doenças oculares precocemente.
Entre as mais comuns, estão as causadas pelo avanço da idade:
Catarata: doença caracterizada pela opacificação progressiva do cristalino;
Glaucoma: doença ocular caracterizada por alteração do nervo óptico e que pode levar à
cegueira;
Descolamento de retina: quando parte ou a totalidade da retina se desprende da parte
posterior do olho;
Degeneração macular: lesão na região central da retina relacionada à idade.
11 OFTALMOSCOPIA
O fundo do olho é a mais rica e detalhada pintura em cores da situação das artérias, veias e
nervos do corpo humano, pois na sua visualização somente meios transparentes se interpõe
entre o médico e a retina do paciente.
A fundoscopia, também chamada de oftalmoscopia ou exame de fundo de olho, é o exame
em que se visualizam as estruturas do fundo de olho, dando atenção ao nervo óptico, os vasos
retinianos, e a retina propriamente dita, especialmente sua região central denominada
mácula.
O principio óptico consiste na projeção de luz, proveniente do oftalmoscópio, no interior
do olho e mediante a reflexão dessa luz na retina é possível observar essas estruturas. Através
do exame de fundo de olho, pode-se avaliar as estruturas, como: Cor, Papila, Escavação,
Relação Artéria/Veia, Mácula, Brilho Foveal e Fixação. A partir desta avaliação, é possível fazer
ter dimensões mais precisas e aprofundadas de toda estrutura interna do olho.
Pavan(1996) enfatiza que o princípio óptico da oftalmoscopia consiste na projeção de luz
procedente do oftalmoscópio no interior do olho para que mediante a sua reflexão no fundo
do olho, o examinador possa obter uma imagem das estruturas internas.
EXAME OFTALMOSCÓPICO
Examina-se a porção posterior do globo ocular através do exame oftalmoscópio, onde inclui
o exame da retina, disco óptico, coroideia e vasos sanguíneos. A oftalmoscopia pode ser
efetuada de formas variadas, agrupando-se em a oftalmoscopia com o apoio da lâmpada de
fenda, oftalmoscopia indireta simples e a oftalmoscopia direta.
Oftalmoscopia com lâmpada de fenda: É um processo em que o paciente é sentado numa
lâmpada de fenda. Esta é um aparelho normalmente usado em oftalmologia para avaliação
do segmento anterior do globo ocular. Esta oftalmoscopia pode ser direta ou indireta. Na
primeira usam-se lentes de contato, enquanto na segunda se usam lentes indiretas de 60, 66,
78 ou 90 dioptrias (D) interpostas entre o olho do doente e a lâmpada de fenda, sem contato,
permitindo 3 a observação da retina em estereopsia (isto é visão tridimensional), sendo a
imagem invertida. O campo de visão neste caso é mais largo que na oftalmoscopia direta. Este
exame é normalmente efetuado com dilatação pupilar farmacológica. (PAVAN, 1996, p. 72 ).
O OFTALMOSCÓPIO DIRETO:
O oftalmoscópio direito possui um conjunto de lentes e aberturas, pelas quais podemos
enxergar o que há no interior do globo ocular. Ele possui também uma fonte, que emite
iluminação refletida em um espelho, que passa pela abertura anterior, reflete na retina do
paciente, passa novamente pela abertura anterior e segue em direção a abertura posterior e
ao olho do examinador.
Isso possibilita a visualização do fundo de olho. No aparelho, há um conjunto de lentes que
permitem, se necessário, correção refrativa. Na fonte luminosa, há diafragmas e filtros que
regulam quantidade e cor de luz emitida pelo oftalmoscópio. A luz verde (anéritra ou red
free) permite visualização de vasos e fibras nervosas.
Há ainda a luz azul de cobalto que permite a avaliação de estruturas da câmara anterior do
olho (como a córnea). Já a abertura em fenda, por sua vez, permite analisar a profundidade da
câmara anterior.
A oftalmoscopia direta é um exame prático e fácil de rotina que visa avaliar a situação clínica
do paciente, proporcionando informações sobre o desenvolvimento de algumas patologias,
tais como:
Glaucoma
Degeneração macular
Hipertensão
Hemorragias intracranianas
Diabetes mellitus
Hipertensão arterial
ESTRUTURAS A SEREM AVALIADAS:
Arcadas vasculares:
No fundo de olho, você é capaz de observar as arcadas vasculares que aquele seu paciente
apresenta na fundoscopia. Da papila, emerge a artéria e a veia central da retina, que vão
formar as arcadas vasculares temporais e nasais, superiores e inferiores. As artérias são mais
delgadas e possuem coloração vermelho mais clara. Por outro lado, as veias são mais
calibrosas e de coloração vermelho mais escura. Também deveremos avaliar a proporção
arteriovenosa, que a normal deverá ser de 2:3.
Disco óptico:
Esta deverá ser a primeira estrutura a ser analisada durante o exame. Você consegue
observar essa estrutura à medida que seguir o vaso que foi focalizado no fundo do olho do
paciente. Seguindo esses vasos (na direção aonde o seu calibre for aumentando), você irá
chegar no disco óptico ou também conhecida como papila do nervo óptico. Quando você
conseguir observar essa estrutura, você deve avaliar algumas características para saber se ela
está normal, ou se há alguma alteração que possa justificar alguma patologia.
Essas características são para saber se as bordas do disco estão nítidas, bem definidas e
regulares, se a sua coloração está amarelo-alaranjada e, por último, você observa a escavação
do disco óptico, que corresponde a depressão central do mesmo. A escavação normal do disco
óptico deve ser de 0,3 ou 3/10 do diâmetro total do disco óptico.
Retina:
Também deveremos observar o aspecto da retina de maneira geral. Avalia-se
principalmente sua coloração e uniformidade. Algumas variações de coloração são
fisiológicas como, por exemplo, em indivíduos de pele clara, a retina tem a coloração
vermelho clara e, em indivíduos de pele escura, apresenta-se com coloração marrom. Existem
algumas manobras podem ser realizadas para facilitar a verificação da retina, como: olhar
para cima, para melhor visualizar a retina superior; para baixo, para melhor visualizar a retina
inferior; para dentro (adução), visualizando a retina nasal, e para fora (abdução), visualizando
a retina temporal.
Mácula e fóvea:
Por fim, para terminar o seu exame, a última estrutura que deve ser observada é a mácula
do paciente. Ela é deixada por último justamente por ser mais sensível a luminosidade. Para
observá-la, você deverá pedir ao paciente para que ele olhe para a luz, e deve ser rapidamente
observada, não ultrapassando um período muito prolongado de tempo.
REALIZAÇÃO DO EXAME:
MEDIDA
MIRAS
Alinhar até sobrepor os sinais de – e +
Faz-se então a leitura do aparelho.
MÉTODO
Ajustar a ocular do ceratômetro ao estado refrativo do examinador. Este passo é muito
importante para obter valores exatos.
Pedir ao paciente que apóie o queixo e a testa nos respectivos suportes;
Ocluir OE
Ajustar a altura dos olhos do paciente até que estes coincidam com uma marca que existe
ao lado esquerdo do suporte do queixo.
Alinhar o nivelador visual do ceratômetro com a abertura palpebral temporal do OD.
Indicar ao paciente que os dois olhos devem estar abertos e que deve fixar na imagem do
olho que se vê reflexada no centro do instrumento.
Deslocar suavemente o ceratômetro horizontalmente, até que o examinador observe,
sem mirar através da ocular, a imagem da mira ceratométrica reflexada sobre a córnea.
Olhar através da ocular
Mover verticalmente o instrumento até que a cruz central vista através da ocular fique no
centro do círculo inferior que está situado mais à direita.
Focalizar a imagem reflexada, movendo o instrumento para frente o para trás, até que se
consiga que o círculo inferior e mais à direita que se vê inicialmente desdobrado seja visto
uma imagem simples, de maneira que somente se vejam três círculos na imagem que se
reflexa sobre a córnea.
Manter constantemente o enfoque e tomar a medida do meridiano horizontal,
superpondo os sinais positivos, com o comando à esquerda. Em seguida tomar a medida
do meridiano vertical superpondo os sinais negativos com o comando da direita. Ambos
comandos são girados alternativamente até que as cruzes e os sinais negativos estejam
alinhados.
Realizar outra vez todos os passos para obter as medidas do OE.
No caso de estar diante de um astigmatismo oblíquo, se observará que a imagem dos
três círculos se está focalizada sobre a córnea, mas os sinais positivos e negativos da
imagem reflexada da mira não coincidem, estão desalinhadas.
Neste caso devemos atuar: primeiro girando o corpo do instrumento até alinhar os sinais
positivos e negativos, em seguida superpor os sinais positivos e negativos para poder
obter a medida dos meridianos principais.
10
13 AUTO REFRATOR
Ele foi inventado em 1900, com o objetivo de medir erros de refração além das
características da visão binocular (como os olhos funcionam juntos). Com o passar dos anos, a
ferramenta passou por melhorias até se tornar o que é hoje.
O refrator é um instrumento composto por cilindros, lentes e prismas que são utilizados
para medir erros de refração nos olhos. Assim, o médico pode fazer um diagnóstico preciso e
prescrever o tratamento ideal para o paciente.
O foróptero serve tanto para fazer o diagnóstico quanto para acompanhar como está o
desenvolvimento de erros de refração. Ele pode ser utilizado para medir a posição de repouso
natural dos olhos, a capacidade focal de curta distância e movimentos oculares.
Quando um paciente é examinado no equipamento, ocorre um processo de troca de lentes
na frente de seus olhos. Isso é menos complicado do que parece, dada a natureza imponente
do dispositivo.
PARTES DO FORÓPTERO