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Manual de Optometriaa

O documento aborda a história e a evolução da Optometria, destacando a transição de Oculistas para Optometristas e a importância da profissão na saúde visual. Ele também diferencia as funções de Optometristas e Oftalmologistas, além de enfatizar a relevância da anamnese e da ficha clínica no atendimento optométrico. A Optometria é apresentada como uma profissão respeitada e essencial para a prevenção e tratamento de problemas visuais.

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Roldmusic RJ
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Manual de Optometriaa

O documento aborda a história e a evolução da Optometria, destacando a transição de Oculistas para Optometristas e a importância da profissão na saúde visual. Ele também diferencia as funções de Optometristas e Oftalmologistas, além de enfatizar a relevância da anamnese e da ficha clínica no atendimento optométrico. A Optometria é apresentada como uma profissão respeitada e essencial para a prevenção e tratamento de problemas visuais.

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T R A N S F O R M A N D O O S E U F U T U R O ALÉM DA

REFRAÇÃO!

CURSO TÉCNICO EM
OPTOMETRIA
DISCIPLINA:
OPTOMETRIA I
SUMÁRIO

1. HISTÓRIA DA OPTOMETRIA
2. OPTOMETRIA E OFTALMOLOGIA
3. TERMOS TÉCNICOS
4. TESTE DE MOTILIDADE REFLEXOS PUPILARES
5. RETINOSCOPIA
6. OFTALMOSCOPIA E TÉCNICAS REFRATIVAS
7. PRISMAS, CILIDROS E ESFERICOS
8. CONSTRUÇÕES OPTOTIPOS
1 HISTÓRIA DA
OPTOMETRIA
A ideia da Optometria surgiu inicialmente em 1759, na Europa, quando o fisiologista
William Porterfield descreveu o Optômetro, instrumento hoje conhecido como foróptero
ou refrator.
Mas, enquanto ciência, a Optometria surgiu realmente a partir da Física, especificamente
da Óptica aplicada à saúde; surgiu a partir da realização da refração ocular e da prescrição
de soluções ópticas para a correção dos defeitos refrativos: miopia, hipermetropia,
astigmatismo.
Desde a invenção dos óculos, por volta do século X, os fabricantes de óculos realizavam
diversas tentativas em ensaio e erro para saber qual “grau” melhor se adequava à
necessidade de cada indivíduo, isto é, os fabricantes faziam um exame preliminar, muito
rudimentar à época, mas que servia de base para a fabricação dos óculos.
A partir da necessidade de conhecer ou identificar o defeito refrativo dos olhos surgiu a
técnica da refração ocular. Era comum aos funcionários das fábricas de óculos realizar o
serviço da refração antes da confecção dos óculos, uma vez que tinham algum
conhecimento de Óptica.
Para se fabricar os óculos, era necessário primeiro realizar a refração. Só que a maioria
dos médicos que cuidavam dos olhos naquela época era contra o uso de óculos para corrigir
problemas de visão, porque eles acreditavam que os problemas de visão só podiam ser
resolvidos com remédios ou unguentos. Porém, depois de algum tempo, alguns médicos
começaram a se interessar pelo serviço da refração para identificar o defeito refrativo dos
olhos.
Os profissionais que apenas fabricavam os óculos ficaram conhecidos como Ópticos, mas
os Ópticos que além de fabricar óculos faziam a refração ocular eram conhecidos como
“Oculistas”. As primeiras guildas de Oculistas foram criadas em diferentes partes da
Europa, a partir do século XV: na França, em 1465; na Alemanha, em 1577; na Espanha, em
1596.
Desde então, o conhecimento sobre a refração foi se ampliando e se espalhou pelo
mundo, e muitos Ópticos começaram a migrar da Europa para os Estados Unidos e vice-
versa para aprender a realizar a refração e exercer o novo ofício. Estava surgindo uma nova
profissão.
Os Oculistas só passaram a ser conhecidos como Optometristas a partir de 1865, quando
a palavra OPTOMETRIA foi definida pela primeira vez, na Holanda, por Jan Willem
Verschoor em uma tese de doutorado.
Daí, com o tempo, a figura do Oculista foi desaparecendo, permanecendo apenas as
figuras do Óptico (fabricante de óculos) e do Optometrista (realizador da refração). Foi
devido a propagação comercial das Casas de Óptica nos Estados Unidos que começou haver
uma dissociação entre o serviço do Óptico (fabricação dos óculos) e o serviço do
Optometrista (refração ocular), o que fez com que os Optometristas da época começassem
a cobrar pelo serviço em separado.
Para resumir parte dessa história, em 1896, Prentice saiu em defesa dos Optometristas e
divulgou ao Comitê de Saúde Pública do Estado de Nova York os motivos pelos quais se
estabelecia a posição de uma profissão que viria a ficar conhecida como Optometria. O
empenho de Prentice conduziu os Estados Unidos à promulgação da primeira lei a licenciar
Optometristas, em 1901. Com isso, Charles Prentice passou a ser considerado o Pai da
Optometria moderna, e a profissão de Optometrista se espalhou pelos cinco continentes.
Os Optometristas (ainda conhecidos como Oculistas) começaram a chegar em Angola no
século XX em 24 de Setembro de 1990 em Luanda ano da Fundação do Instituto Nacional de
Oftalmologia de Angola (IONA).
Curiosamente, as primeiras Ópticas em Angola começaram a surgir justamente por causa
da pequena rede de Optometristas e Oftalmologistas que foi se formando, numa
sociedade em que esses profissionais eram bastante requisitados. Naquela época, os
Optometristas e Oftalmologistas recebiam formação fora do país e aqui transmitiam seus
conhecimentos aos jovens aprendizes de Óptica.
A Optometria, portanto, é uma profissão da Saúde Visual, legitimada e legalizada
em Angola. Os Optometristas Angolanos são filiados a Câmara Representativa dos
Profissionais de Diagnostico e Terapeutica de Angola e Associação dos Profissionais
da Saúde da Visão e Opticos de Angola.
Os Optometristas são profissionais da saúde dos olhos e do sistema visual, que fornecem
abrangente cuidado visuo-motor-ocular, incluindo refração e prescrição de óculos e lentes
de contato para miopia, astigmatismo, hipermetropia e presbiopia. São capacitados para
diagnosticar, tratar e reabilitar problemas como ambliopia, estrabismos, disfunções da
visão binocular e da acomodação visual. São agentes de prevenção de problemas visuais.
A formação de um Optometrista possibilita a identificação de sinais e sintomas suspeitos
de patologias oculares como catarata, glaucoma, retinopatias etc., e patologias ou
condições sistêmicas que afetam os olhos e a visão como hipertensão, diabetes,
hipercolesterolemia, dentre outras; encaminhando os pacientes à medicina especializada
ou a outros profissionais da saúde, conforme o caso e a suspeita.
A Optometria é uma profissão respeitada no mundo, articulada de maneira
interdisciplinar com as demais profissões do campo da Saúde responsáveis pela atenção à
saúde visual em nível secundário e de alta complexidade.
No mundo, há pelo menos 2,2 bilhões de pessoas cegas ou com alguma deficiência visual,
das quais grande parte concentra-se em países de baixa renda e estão localizadas em
comunidades rurais e desfavorecidas. E mais alarmante é o fato de que, aproximadamente,
1 bilhão dos casos poderiam ter sido evitados, tratados ou nunca foram abordados.
2 OPTOMETRIA E
OFTALMOLOGIA
O QUE É E O QUE FAZ UM OPTOMETRISTA?

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o optometrista é o profissional


responsável — entre outras atividades — por avaliar anomalias do estado refrativo e
detectar alterações na acuidade visual, sensibilidade ao contraste, visão cromática,
disfunções e alterações da visão binocular e campo visual.
Isso quer dizer que ele é ativo no acompanhamento e avaliação, reabilitação, tratamento
e investigação de diversos aspectos da saúde e correção ocular.

QUANDO VOCÊ DEVE PROCURAR POR UM OPTOMETRISTA?

Para avaliar anomalias do estado refrativo (miopia, astigmatismo, hipermetropia,


etc.), sensório motor perceptual e ocular do paciente através da aplicação de provas
não invasivas pertinentes.
Detectar as alterações da acuidade visual, sensibilidade ao contraste, visão cromática,
disfunções e alterações da visão binocular e campo visual.
Execução de receitas prescritas pelo médico oftalmologista e escolha de lentes de
contato.
Para terapias, tratamento e cuidados pós-cirúrgicos.

O QUE É E O QUE FAZ UM OFTALMOLOGISTA?


O oftalmologista é um médico, um profissional formado em medicina (que estudou 6
anos), mas que só depois de passar por uma residência especializada em oftalmologia (de
até 3 anos), se tornou apto a diagnosticar, tratar e fazer procedimentos cirúrgicos a respeito
de doenças que afetam os nossos olhos.

PARA O QUÊ E QUANDO VOCÊ DEVE PROCURAR POR UM OFTALMOLOGISTA?


Tratamentos médicos para doenças relacionadas aos olhos.
Tratamentos cirúrgicos para doenças relacionadas aos olhos.
Obter informações sobre a saúde dos olhos.
Exames anuais periódicos.
Diagnóstico de erros refrativos e doenças dos olhos (miopia, astigmatismo,
hipermetropia, etc.)
Para prescrição de receitas de óculos ou lentes de contato.
Tratamentos oftalmológicos, em geral.
Tratamento e cuidados pós-cirúrgicos.
Entre outros.
3 FICHA CLÍNICA
"A ficha clínica é um guia com conjunto de normas padronizadas, para uma
avaliação visual completa. Estas normas possibilitam a manipulação adequada das
práticas profissionais, permite sistematizar as experiências clínicas e tornam mais
eficaz a atenção ao paciente" (MEJIA,CÁCERES E BAUTISTA,2014).

A história clínica é imprescindível para o atendimento optométrico. Isso porque manter


armazenadas informações sobre o histórico de saúde do paciente pode ser muito
importante na hora de trabalhar com hipóteses para diagnósticos e recomendação de
tratamentos.
A ficha clínica é um documento no qual todas as informações do paciente devem estar
contidas. Desde a identificação até o plano de tratamento bem como a evolução do
tratamento.
O exame optometrico é realizado pelo optometrista, com a finalidade de identificar o
estado motor, sensorial e funcional do sistema visual, bem como compensar o defeito
refrativo encontrado, através da prescrição de lentes, ou remeter o paciente ao especialista
necessário, psicólogo, oftalmologista, terapeuta ocupacional, clínico geral, neurologista
dentre outros.
4 ANAMNESE

A anamnese é uma entrevista feita entre o profissional de saúde e o paciente. Dessa


forma, ela serve para identificar sinais importantes antes de partir para os exames físicos e
laboratoriais. O termo vem do grego “anamnésis”, que significa “lembrança” ou “referência”.
Quando aplicada na área da saúde, essa lembrança norteia o profissional para a realização
do diagnóstico prévio.
A anamnese, então, se caracteriza por ser uma espécie de exame subjetivo. Assim, há
uma análise dos sintomas relatados pelo paciente. Existem métodos de aplicação dessa
técnica que, basicamente, se resumem em:
Interrogatório cruzado: quando as perguntas são feitas pelo profissional de forma
direcionada. O paciente é questionado sobre seus sintomas e responde às perguntas de
forma mais objetiva.
Método de escuta: quando o paciente tem a liberdade de citar como achar melhor as
suas queixas.

É importante saber que a utilização de uma técnica não exclui a possibilidade de usar a
outra. Muito pelo contrário, é bastante comum que os profissionais utilizem uma técnica
mista, envolvendo as duas formas: tanto dando a liberdade para o paciente relatar tudo o
que sente quanto perguntando para obter respostas menos panorâmicas e mais objetivas.
A anamnese é parte essencial do exame clínico. Ela é uma entrevista que visa conhecer o
paciente de forma completa. Assim, é possível captar todos os sinais físicos perceptíveis pela
pessoa. Ela é o contato inicial do paciente com sintomas junto ao profissional.

ANAMNESE OPTOMÉTRICO

A anamnese é a primeira etapa entre as vinte e uma que encontramos que são
obrigatórias, para que o optometrista faça um bom atendimento e obtenha resultados
satisfatórios. Ela se inicia com a data, colocando o dia, o mês e ano em que o paciente o
procurou, ou seja, é o dia que o examinador viu o seu paciente pela primeira vez.
Isso é muito importante, pois depois de algum tempo quando ele voltar, acarretando uma
diferença do diagnóstico do atendimento anterior, com a data será mais fácil de identificar o
que pode estar ocorrendo. Os dados pessoais ou de filiação, é o conjunto de informação que
permite identificar rapidamente o paciente.
Devem-se registrar:
SOBRENOMES E NOMES: da maneira mais completa possível.
IDADE: anota-se o número de anos feitos e os meses adicionados. (13 anos e 06 meses)
GÊNERO: f (feminino), m (masculino).
OCUPAÇÃO: neste caso deve-se definir a, ou as, ocupações que o paciente exerce no
cotidiano e, no possível, o horário em que a pratica; exemplo: estudante noturno,
vigilante 24 horas, médico de turnos noturnos, etc.
ENDEREÇO: aqui deve-se registrar o endereço completo do lugar onde mora a pessoa,
por exemplo: rua 83 nº 85 a – 17, interior 4, apto. 201.
TELEFONE: número do telefone do paciente, preferivelmente aquele em que se possa
situar quando necessário, anotando se é casa, ou escritório. Se for preciso, anotar o
prefixo quando trata-se de outra cidade, ou o número do celular.
PROCEDÊNCIA: deve-se referenciar se o paciente mora em outra cidade ou povoado
diferente onde pratica-se a consulta.
REMETIDO POR: anotar o nome da instituição ou do profissional que remitiu ao
paciente para o seu exame; exemplo, Dr. Juan Carlos Arce, Instituto de Cancerologia,
Colégio A Imaculada, atividade brigada, etc.
ÚLTIMO CONTROLE VISUAL: anota-se a data do último exame visual, quando o paciente
não lembra, então registra-se o tempo aproximado que o paciente reporta; exemplo: fez
6 meses, fez 3 anos, fez 8 dias.

Em exames feitos em criança, síndromes, geriátricos, eles terão que estar sempre
acompanhados de responsáveis, para responder perguntas de identificação corretamente
do paciente. O nome e a identificação do responsável também serão anotados juntamente
com os dados do paciente na ficha clínica.
O motivo da consulta é de grande importância, “deve-se interrogar ao paciente sobre a
razão que o obrigou a consultar, ou a necessidade de fazer ou, a antiguidade, a situação e a
frequência com que se apresenta a moléstia, fazendo ênfase se o problema associa-se ou
não com atividades visuais” (CACERES, 2005, pág. 14).
Conforme (Oliveira;Kara-José, 2000), deve-se observar se existe:
Cefaleia: localização; há quanto tempo; tipo: pontada ou contínua – intensidade: forte
ou fraca; duração; associação: medicamento, estresse, doença ocular; relacionada ou
mais frequente após esforços visuais; acompanha enjoos, vômitos, tonturas; frequência
e efeito; casos de enxaqueca na família.
Lacrimejamento: há quanto tempo; predominância de um olho, alterna ou bilateral;
úmido ou chega a escorrer lágrima; procedida ou seguida de dor, secreção, hiperemia,
ardor, irritação e coceira.
Dor: nos dois olhos ou em apenas um; intensidade e frequência; quanto tempo;
agulhadas ou contínuas, se teve algum traumatismo ocular; já se submeteu algum
tratamento
Flash de luz: quanto tempo; localização, frequência; se percebe manchas fixas;
episódios anteriores, situação em que ocorre. Pois existe a possibilidade do paciente
estar com descolamento de retina.
Sensação de corpo estranho areia ou cisco: local, se são em ambos os olhos (AO) ou
apenas em um; frequência; piscando piora. Pode ser realmente algum tipo de corpo
estranho, mas também pode ser uma conjuntivite.
Catarata: se ver a imagem como se tivesse uma nuvem na frente; piorando; claridade; lê
sem óculos?; AO.
Glaucoma: tratamento; uso correto de colírios; PIO atual; CV/ exames, etc.

Nos antecedentes pessoais será avaliado tudo sobre o paciente como seus relatos sobre
problemas oculares (se usa óculos ou lente, há quanto tempo, alguma patologia ocular);
sistêmico (sobre seu estado geral da saúde, se tem diabete, hipertensão); farmacológico (usa
algum remédio, há quanto tempo, quantos comprimidos e doses); cirúrgico (se já fez
alguma cirurgia como catarata); traumático (já levou alguma pancada no olho); ou outros
acontecimentos não citados.
De acordo com CACERES, 2005, “antecedentes pessoais classificados em antecedente
oculares e pessoais gerais. Dentro dos oculares indaga-se a respeito se anteriormente foi
diagnosticado algum defeito de refração, se tem sido corrigido, há quanto tempo,está
confortável”.
Continuando, “também deve-se perguntar por outras alterações oculares associadas tais
como secreções, conjuntivite, pestanejar, olho vermelho, traumatismo ocular, cirurgia
ocular, etc” (CACERES, 2005, pág. 15).
Antecedentes familiares, devemos perguntar também sobre as doenças oculares na
família, uma vez que muitas delas são hereditárias de caráter dominante ou recessivo.
Comumente, ressalta-se a existência de glaucoma, altas miopias ou hipermetropias,
ceratocone, doenças retinianas e caso de cegueira (OLIVEIRA; JOSÉ,2000).
No caso de possuir parentes próximos como: mãe, pai, irmão, avós com esses tipos de
doença oculares, é importante o paciente sempre está sendo acompanhado, pois no caso de
herdar, exemplo o glaucoma, o diagnóstico no início, o tratamento não permite que a
doença se desenvolva tão rápida ou podendo até estagnar.

A ANAMNESE NA FICHA CLÍNICA DEVE SER COMPLETA, FEITA PELO PROFISSIONAL COM
MUITA ATENÇÃO, POIS UM DETALHE DESPERCEBIDO PODE FAZER UMA GRANDE
DIFERENÇA PARA O DIAGNÓSTICO DO PACIENTE.
5 LENSOMETRIA

É o processo pelo qual conferimos as dioptrias esféricas, cilíndrica, eixos, primas, adição,
aberrações, canal de progressão, CO, DNP e DP. A denominação lensometria é dada à
medição e marcações feitas em lentes oftálmicas e lentes de contato através do lensômetro.
Outro momento em que se utiliza com grande frequência o lensômetro é na leitura das
lentes oftálmicas dos óculos antigos do paciente e através dessa leitura descobrimos qual a
ametropia do usuário.
Ametropia é o mesmo que deficiência visual. São dificuldades associadas à visão, devido
alguma falha entre diversos elementos que constituem o globo ocular. Dentre os problemas
relacionados à visão estão inserido a miopia, a hipermetropia, o astigmatismo e a presbiopia
(PAPLER, 2007). O lensometro tem como objetivo principal:
Medir a potência das lentes oftálmicas:
·Em dioptria esférica.
·Em dioptria cilíndrica.
. Eixo do cilíndrico em graus.
·O valor dióptrico da adição.
Conferência dos prismas:
·Valores prismáticos em dioptrias prismáticas.
·Eixos das bases dos prismas em grau.
Conferência da montagem:
·Marca o CO para verificação da DP e DNP.
·Marca a linha horizontal de montagem.
·Mede a diferença de altura entre o CO de longe e de perto.

A mira do lensometro precisa estar muito bem posicionada para a leitura adequada das
dioptrias. Em lentes de visão simples, após o centro óptico ser encontrado, é justamente nele
que as dioptrias serão lidas. Em lentes multifocais progressivas, a mira do lensometro deve
ter as seguintes posições:
Dioptria de longe. A abertura inteira da mira precisa estar posicionada acima da
marcação de altura pupilar, conhecida também por cruz de montagem.
Prisma de equilíbrio. O ponto para a leitura do prisma da lente multifocal varia
conforme o desenho da lente. Em lentes Essilor o prisma fica 4mm abaixo da cruz de
montagem, em lentes Zeiss o prisma fica a 6mm da cruz, com exceção das lentes
compactas Sola. Nas lentes Hoya o prisma fica 4mm abaixo da cruz.
Dioptria de perto. O ponto de leitura fica na parte inferior da lente, com a marcação
descentrada para o nasal entre 2,5 e 5,0mm dependendo do desenho da lente.
Para a remarcação de lentes multifocais, solicite o gabarito ao seu fabricante e acesse
uma matéria que escrevi sobre remarcação de lentes progressivas.

Antes de começar a ler as dioptrias, é necessário ajustar a visualização do mostrador do


lensometro de acordo com a nossa acuidade visual, assim podemos enxergar com
precisão tanto o mostrador quanto as retículas que vão mostrar a leitura das dioptrias:
Mantenha o lensometro desligado
No lugar da lente, coloque uma folha branca de papel em frente a mira do lensometro
Gire a ocular até deixar o mostrador do eixo bem nítido (imagem em formato de alvo)
Não esqueça de girar o tambor do mostrador do eixo para deixá-lo na posição correta
(alvo no canto superior direito da imagem abaixo)
Agora vamos conhecer o mostrador interno do lensometro, ainda desligado.

Quando ligamos o lensometro, vamos encontrar sobreposto ao mostrador uma imagem


luminosa verde, que pode ser em formato de cruz ou círculo. Essas imagens se chamam
"retículas". O formato da retícula varia conforme a marca e o modelo de lensometro.

Passo a passo da leitura de uma lente de dioptria esférica:


Posicione o óculos na mesa do lensometro com a finalidade de posicionar a mira no
campo da lente a ser medida a dioptria.
Desça o garfo para segurar o óculos.
Gire o tambor das dioptrias e tente deixar as retículas bem nítidas.
Se tanto a retícula esférica quanto a cilíndrica ficaram nítidas ao mesmo tempo, isso
significa que a lente tem apenas dioptria esférica.
Após deixar as duas retículas bem nítidas, observe qual a dioptria o mostrador do
lensometro indica como sendo a esférica.
6 ACUIDADE VISUAL

A avaliação da acuidade visual é, muito provavelmente, o procedimento mais importante


entre todos os usados em atendimento exames visuais. De fato, embora não seja o único dos
parâmetros de desempenho funcional do sistema visual, o índice com que se quantifica a
capacidade de discriminação de formas e contrastes é o que mais genericamente exprime sua
adequação. Diretamente relacionados à transmissão de luz pelas diferentes estruturas
oculares apresentando-se menor, tanto em qualquer dos processos que afetem a
transparências delas (nébulas e leucomas corneais, cataratas, opacificações do corpo vítreo),
ou impeçam a chegada do estímulo à retina, como exemplo temos ausência ou ectopia da
pupila, quanto na imperfeita formação de imagens pelo sistema óptico ocular (ametropias e
aberrações). Basicamente dependente do funcionamento da retina e vias visuais, aparece
também reduzida em toda afecção dessas estruturas ((descolamentos, degenerações,
inflamações e cicatrizes da parte central da retina, neurites ópticas ou comprometimentos de
axônios relacionados às células ganglionares da fóvea, lesões afetando o córtice visual ou
outras partes da retina.), ou quando o próprio desenvolvimento das competências neuronais
se faz imperfeitamente, como exemplo a ambliopia. (BICAS,2002).
Qualquer obstáculo à formação de imagens nítidas em cada olho, até que a acuidade visual
esteja totalmente estabelecida, certamente levará a um mau desenvolvimento visual de
caráter irreversível. Daí a importância em se eliminar precocemente qualquer determinante
de má acuidade visual da criança, sendo recomendado levantamentos periódicos da
população na faixa etária de zero a seis anos (LOPES et al, 2003).
Os testes formais da acuidade visual formam a base de parte dos dados de cada paciente.
O sistema padrão universal para avaliar a visão é o teste de Snellen. Este teste consiste em ler
linhas de letras cujo tamanho vai diminuindo e as quais estão penduradas a uma distância
padronizada da pessoa a ser testada. Cada linha na tabela diz respeito a uma graduação que
representa a acuidade visual.
Por convenção, a visão pode ser medida ou na distância de vinte pés (seis metros), ou ainda
mais perto, a quatorze polegadas de distância. Para fins de diagnóstico, a distância da
acuidade é o padrão para comparação, sendo sempre testado cada olho separadamente. A
acuidade é marcada com dois números (por exemplo, "vinte/quarenta").
O primeiro número representa a distância de teste em
pés entre o quadro e o paciente, e o segundo representa a
fileira menor das letras que o olho do paciente pode ler.
Vinte/vinte é uma visão normal; vinte/sessenta indica que
o olho do paciente pode apenas ler letras suficientemente
grandes numa distância de vinte pés, o que um olho
normal pode ler numa distância de sessenta pés (BICAS,
2002). O teste de acuidade visual com a tabela de Snellen
é definido pela Organização Mundial da Saúde (OMS)
como o indicador mais sensível da função visual; o teste foi
classificado como simples, confiável, de baixo custo, alta
sensibilidade e especificidade (NELSON,1983).

A acuidade visual perto é medida pela Tabela de Jaeger (composta de frases ou números,
com dimensões de J1 a J7, para ordem crescente de perda visual à distância de trinta e cinco
centímetros dos olhos). As perdas visuais para perto podem ser fisiológicas (PRESBIOPIA) e
patológicas (BICAS, 2002).

A acuidade visual (AV) deve ser avaliada


pelo profissional da área da saúde visual
através de Tabela de Optótipos, para longe e
para perto, separadamente em cada olho e
binocularmente, sem e com correção visual
atualizada (mínimo seis meses) de óculos ou
lentes de contato. A medida da AV alterada
nos dá indício de Ametropias (miopia,
astigmatismo ou hipermetropia), todavia, AV
normal para longe e/ou perto pode estar
presente nas pequenas Ametropias (BICAS,
2002).
CONTRUÇÃO DO OPTOTIPO

Para determinar o tamanho da letra nas diferentes acuidades visuais, utiliza-se esta
fórmula. Este cálculo nos dará o tamanho da letra para o Optótipos de Snellen, medido em
milímetros.

Conforme (SNELLEN, 1862), a fórmula expressão tamanho da letra na construção de


Optótipo, de acordo com a formula, A.V acuidade visual; DTO distância de trabalho do
Optótipo (m); 20 é uma constante; TG1’ Tangente de 1mim, equivale a 0,00029; 1000 é uma
unidade para transformar em milímetros e por último 5 é uma unidade para o tamanho total
da letra, baseado no 1’ de arco. A tabela mostra claramente a relação da acuidade visual que é
dada em pés coma percentual de visão.
7 MOTILIDADE OCULAR

O exame de Motilidade Ocular avalia os movimentos oculares. Com ele é possível


mensurar e qualificar estrabismos nas suas diversas formas de manifestação, alterações
musculares (hiper ou hipofunções musculares), classificar nistagmos e outras alterações da
fixação.
O exame de motilidade ocular serve para avaliar o alinhamento ocular bem como fazer a
avaliação da movimentação dos olhos e da musculatura extra-ocular. Em outras palavras, o
exame é utilizado para diagnosticar e indicar o tratamento adequado para os casos em que
existe algum desalinhamento nos olhos, como, por exemplo:
Estrabismo (popular Olho Torto)
Quando os olhos não conseguem fazer a convergência necessária, ou seja, têm
dificuldade em focar coordenadamente;
Quando um dos olhos ou ambos não tem a capacidade visual adequada.
TESTES DE MOTILIDADE OCULAR:

HIRSCHBERG:
Avalia o alinhamento dos eixos visuais. Detecta estrabismos. O resultado esperado é:
centrado ou descentrado; realizado com luz sobre o septo nasal a uma distancia de 40 cm,
binocular, se o resultado for centrado, o exame termina, se for descentrado tem que falar qual
é o olho, quantos graus e qual o sentido.

KAPPA:
Avalia o alinhamento entre o eixo pupilar e o eixo visual. Detecta micro estrabismos. O
resultado esperado é: Kappa zero, positivo ou negativo; se o resultado for zero o exame
termina, se for positivo ou negativo, fala qual o olho. Realizado com luz, é monocular, luz a 40
cm sobre septo nasal..
DUCÇÕES:
Teste para avaliar paralisia total ou parcial dos músculos. Espera-se movimento suaves e
contínuos; realizado com luz a 40 cm, sobre o septo nasal, monocular e com movimentos em
asterisco

VERSÕES:
Avalia Hipo ou Hiper função dos músculos do olho; realizado com luz, septo nasal a 40 cm,
binocular com movimento em H e se o resultado for normal dar um visto em cada músculo
8 FOROMETRIA
Forometria é um conjunto de técnicas utilizadas para saber se um paciente possui algum
tipo de desvio. Esses desvio podem ser:

Forias: Latentes (desvios compensados pela fusão).


Tropias: Manifestos (desvios não compensados pela fusão).

Nesse conjunto de técnicas utilizadas, temos o Cover teste.


O cover teste tem como objetivo qualificar Endo/Exo/hiper/hipo/foria/tropia, e também,
quantificar os desvios existentes. Exitem três tipos de Cover teste:
Cover teste Alternante
Cover uncover
Prisma cover teste

COVER TESTE ALTERNANTE:


Tem como objetivo diagnosticar o tipo, e quantificar a alteração oculomotora. O teste é
realizado em três distâncias; longe, 40cm e 20cm. A oclusão dos olhos deve ser alternada,
cerca de 2 a 3 segundos em cada olho, observando com atenção ao olho desocluido,
direito/esquerdo, se existe algum tipo de movimento que caracterize: exo/endo/hiper/hipo.

Exo = fora ou temporal


Endo = dentro ou nasal
Hiper = para cima
Hipo = para baixo

Para realizar o teste nas distância 40cm e 20cm,


deve-se utilizar um palito fixador, onde o
paciente possa fixar a visão para perto, repetir o
movimento do oclusor alternadamente
observando sempre o olho desocluido.
COVER UN COVER:
A execução desse teste é logo após o cover teste alternante. O objetivo é quebrar a fusão,
que é a junção de duas imagens em apenas uma, e determinar o tipo de desvio, se é tropia ou
foria, observando se existe a recuperação da fusão. ou seja, se o olho volta a posição primária
de visão. Equipamentos necessário: oclusor e palito fixador.

No caso de foria, há a recuperação da fusão


normalmente. Tropia, sem recuperação.
Realiza-se o procedimento em AO, (ambos os
olhos) observando alternância e intermitência.

PRISMA COVER TESTE:


O objetivo é quantificar a quantidade de desvios através de prismas, colocando-os ate
neutralizar o movimento do globo ocular. Em pacientes com Endo, usa-se o prisma com base
temporal, com Exo, base nasal.

PONTO PRÓXIMO DE CONVERGÊNCIA:


O ponto de convergência próximo é um teste que
permite ao oftalmologista detectar o ponto mais
próximo em que um paciente pode ver uma
imagem corretamente, sem apresentar visão
dupla. Para determinar o PPC, você precisa
conhecer o ponto de interrupção e o ponto de
recuperação. Os valores normais do ponto de
convergência próximo são 5 cm de quebra e 7 cm
de recuperação. É distante ou anormal quando o
ponto de ruptura está a 10 ou 12 cm de distância.
9 EXAME PUPILAR

O reflexo pupilar à luz ou reflexo fotomotor é parte de um exame neurológico padrão. Ele
avalia o reflexo de constrição da pupila, chamada miose, diante da incidência de luz direta no
olho a ser testado. Portanto, podemos avaliar anormalidades na via aferente do nervo óptico
ou na via eferente visceral do nervo oculomotor.
O teste de reflexo pupilar fotocromático é um exame que pode ajudar no diagnóstico da
cegueira durante uma consulta oftálmica. É um teste de retina e do nervo óptico realizado em
animais no qual a resposta pupilar é estimulada pela luz vermelha e pela luz azul.
Algumas recomendações para a execução do reflexo fotomotor são:
Avaliar em primeiro lugar o tamanho, forma, posição e simetria das pupilas;
De preferência, realizar o exame em uma sala de baixa luminosidade;
O paciente deverá focar a visão em um ponto longínquo, para evitar o reflexo de
acomodação;
Ao analisar o reflexo fotomotor consensual, certificar-se que a luz incida apenas em um
olho.

REFLEXO DIRETO
A resposta normal é a miose (diminuição do diâmetro da pupila) bilateral. Sendo o reflexo
de constrição da pupila, em que se incide diretamente a luz, denominado reflexo direto.

REFLEXO CONSENSUAL
Já a constrição da pupila do olho contralateral à incidência do estímulo luminoso, é
chamada de reflexo consensual. Para mais, a constrição pupilar deve apresentar igual
magnitude.
REFLEXO DE ACOMODAÇÃO
Ademais, após a incidência da luz da lanterna em ambos os olhos, deve-se realizar o reflexo
de acomodação. Devendo ser feito aproximando um objeto -que pode ser a lanterna - do
nariz do paciente, de maneira gradual.
O paciente deve acompanhar o objeto com o olhar, sem mover a cabeça. A resposta
esperada é, também, a miose bilateral. Para mais, ao realizar a busca pelos reflexos, deve-se
observar se estes se encontram normais, abolidos ou diminuídos.

TESTE DE PURKINGE
Teste para avaliar presença e transparência da córnea e do cristalino. Reflexos utilizados para
avaliar córnea e cristalino. 1) Transparência; 2) Monocular 3) Luz 4) Movimentos Pendula.

BALANÇO DE LATERNA
Exame para avaliar hipos e tônus pupilares, realizado com laternado do bolso 40cm cepto
nazal balançando de um olho para outro avaliando simetria, cor, miose e midrias. ( alteração
resultado é positivo, quando não á negativo ).

COMO DIAGNOSTICAR PACIENTES COM LESÕES OCULARES

LESÃO UNILATERAL DO OCULOMOTOR


Nesse tipo de lesão, ao incidir a lanterna no olho do oculomotor lesado, espera-se encontrar
midríase (diâmetro pupilar aumentado) homolateral. Assim, não há resposta ao estímulo
luminoso. Sendo essa condição denominada de midríase paralítica. Todavia o reflexo
consensual encontra-se preservado.

LESÃO BILATERAL DO NC II
Nesse caso, ambos os reflexos: fotomotor direto e consensual encontram-se abolidos.
Entretanto, o reflexo da acomodação está preservado, visto que o nervo responsável (NC III)
encontra-se preservado.

LESÃO DO NC II AO LADO DIREITO


Quando o estímulo é aplicado no olho direito do indivíduo, ambos os reflexos -consensual e
direto - encontram-se abolidos. Contudo, quando esse estímulo é aplicado à esquerda, ambos
os reflexos estarão normais. Para mais, o reflexo consensual também se mantém normal.
BALANÇO DE LATERNA
10 BIOMICROSCOPIA

A Biomicroscopia é o exame mais conhecido e usado por ser capaz de analisar o olho
humano em detalhes. Também conhecido como exame na lâmpada de fenda, é realizado
com uma fonte de luz de alta intensidade que é focada nos olhos e brilha como uma fenda,
daí o nome. Por meio da Biomicroscopia, pode avaliar os seguimentos anteriores e
posteriores dos olhos.
Os anteriores são:
Córnea
Íris
Corpo ciliar
Humor aquoso
Cristalino

Já os posteriores são:
Retina
Humor vítreo
Coróide
Esclerótica

Para realizar a Biomicroscopia, o paciente deve estar sentado e com o queixo e a testa apoiados
em um suporte que manterá a cabeça imóvel. Usando um biomicroscópio, o médico
oftalmologista realiza o exame no olho do paciente. Trata-se de um exame extremamente
simples, indolor, não invasivo e capaz de diagnosticar muitas doenças oculares precocemente.
Entre as mais comuns, estão as causadas pelo avanço da idade:
Catarata: doença caracterizada pela opacificação progressiva do cristalino;
Glaucoma: doença ocular caracterizada por alteração do nervo óptico e que pode levar à
cegueira;
Descolamento de retina: quando parte ou a totalidade da retina se desprende da parte
posterior do olho;
Degeneração macular: lesão na região central da retina relacionada à idade.
11 OFTALMOSCOPIA

O fundo do olho é a mais rica e detalhada pintura em cores da situação das artérias, veias e
nervos do corpo humano, pois na sua visualização somente meios transparentes se interpõe
entre o médico e a retina do paciente.
A fundoscopia, também chamada de oftalmoscopia ou exame de fundo de olho, é o exame
em que se visualizam as estruturas do fundo de olho, dando atenção ao nervo óptico, os vasos
retinianos, e a retina propriamente dita, especialmente sua região central denominada
mácula.
O principio óptico consiste na projeção de luz, proveniente do oftalmoscópio, no interior
do olho e mediante a reflexão dessa luz na retina é possível observar essas estruturas. Através
do exame de fundo de olho, pode-se avaliar as estruturas, como: Cor, Papila, Escavação,
Relação Artéria/Veia, Mácula, Brilho Foveal e Fixação. A partir desta avaliação, é possível fazer
ter dimensões mais precisas e aprofundadas de toda estrutura interna do olho.
Pavan(1996) enfatiza que o princípio óptico da oftalmoscopia consiste na projeção de luz
procedente do oftalmoscópio no interior do olho para que mediante a sua reflexão no fundo
do olho, o examinador possa obter uma imagem das estruturas internas.
EXAME OFTALMOSCÓPICO

Examina-se a porção posterior do globo ocular através do exame oftalmoscópio, onde inclui
o exame da retina, disco óptico, coroideia e vasos sanguíneos. A oftalmoscopia pode ser
efetuada de formas variadas, agrupando-se em a oftalmoscopia com o apoio da lâmpada de
fenda, oftalmoscopia indireta simples e a oftalmoscopia direta.
Oftalmoscopia com lâmpada de fenda: É um processo em que o paciente é sentado numa
lâmpada de fenda. Esta é um aparelho normalmente usado em oftalmologia para avaliação
do segmento anterior do globo ocular. Esta oftalmoscopia pode ser direta ou indireta. Na
primeira usam-se lentes de contato, enquanto na segunda se usam lentes indiretas de 60, 66,
78 ou 90 dioptrias (D) interpostas entre o olho do doente e a lâmpada de fenda, sem contato,
permitindo 3 a observação da retina em estereopsia (isto é visão tridimensional), sendo a
imagem invertida. O campo de visão neste caso é mais largo que na oftalmoscopia direta. Este
exame é normalmente efetuado com dilatação pupilar farmacológica. (PAVAN, 1996, p. 72 ).

O OFTALMOSCÓPIO DIRETO:
O oftalmoscópio direito possui um conjunto de lentes e aberturas, pelas quais podemos
enxergar o que há no interior do globo ocular. Ele possui também uma fonte, que emite
iluminação refletida em um espelho, que passa pela abertura anterior, reflete na retina do
paciente, passa novamente pela abertura anterior e segue em direção a abertura posterior e
ao olho do examinador.
Isso possibilita a visualização do fundo de olho. No aparelho, há um conjunto de lentes que
permitem, se necessário, correção refrativa. Na fonte luminosa, há diafragmas e filtros que
regulam quantidade e cor de luz emitida pelo oftalmoscópio. A luz verde (anéritra ou red
free) permite visualização de vasos e fibras nervosas.
Há ainda a luz azul de cobalto que permite a avaliação de estruturas da câmara anterior do
olho (como a córnea). Já a abertura em fenda, por sua vez, permite analisar a profundidade da
câmara anterior.
A oftalmoscopia direta é um exame prático e fácil de rotina que visa avaliar a situação clínica
do paciente, proporcionando informações sobre o desenvolvimento de algumas patologias,
tais como:
Glaucoma
Degeneração macular
Hipertensão
Hemorragias intracranianas
Diabetes mellitus
Hipertensão arterial
ESTRUTURAS A SEREM AVALIADAS:

Arcadas vasculares:
No fundo de olho, você é capaz de observar as arcadas vasculares que aquele seu paciente
apresenta na fundoscopia. Da papila, emerge a artéria e a veia central da retina, que vão
formar as arcadas vasculares temporais e nasais, superiores e inferiores. As artérias são mais
delgadas e possuem coloração vermelho mais clara. Por outro lado, as veias são mais
calibrosas e de coloração vermelho mais escura. Também deveremos avaliar a proporção
arteriovenosa, que a normal deverá ser de 2:3.

Disco óptico:
Esta deverá ser a primeira estrutura a ser analisada durante o exame. Você consegue
observar essa estrutura à medida que seguir o vaso que foi focalizado no fundo do olho do
paciente. Seguindo esses vasos (na direção aonde o seu calibre for aumentando), você irá
chegar no disco óptico ou também conhecida como papila do nervo óptico. Quando você
conseguir observar essa estrutura, você deve avaliar algumas características para saber se ela
está normal, ou se há alguma alteração que possa justificar alguma patologia.
Essas características são para saber se as bordas do disco estão nítidas, bem definidas e
regulares, se a sua coloração está amarelo-alaranjada e, por último, você observa a escavação
do disco óptico, que corresponde a depressão central do mesmo. A escavação normal do disco
óptico deve ser de 0,3 ou 3/10 do diâmetro total do disco óptico.
Retina:
Também deveremos observar o aspecto da retina de maneira geral. Avalia-se
principalmente sua coloração e uniformidade. Algumas variações de coloração são
fisiológicas como, por exemplo, em indivíduos de pele clara, a retina tem a coloração
vermelho clara e, em indivíduos de pele escura, apresenta-se com coloração marrom. Existem
algumas manobras podem ser realizadas para facilitar a verificação da retina, como: olhar
para cima, para melhor visualizar a retina superior; para baixo, para melhor visualizar a retina
inferior; para dentro (adução), visualizando a retina nasal, e para fora (abdução), visualizando
a retina temporal.

Mácula e fóvea:
Por fim, para terminar o seu exame, a última estrutura que deve ser observada é a mácula
do paciente. Ela é deixada por último justamente por ser mais sensível a luminosidade. Para
observá-la, você deverá pedir ao paciente para que ele olhe para a luz, e deve ser rapidamente
observada, não ultrapassando um período muito prolongado de tempo.

REALIZAÇÃO DO EXAME:

Para começar um exame básico de oftalmoscopia direta, a lente de focalização é ajustada


para zero e o reflexo vermelho do paciente é checado a partir de uma distância de 60 cm.
Assim seguidamente se descrevem os principais passos da fundoscopia direta:
Ter a luz ambiente da sala de observação reduzida (evita a miose);
Quer o doente quer o examinador devem estar em posições confortáveis;
Indicar ao paciente um objeto específico e distante para ele fixar o olhar durante o
exame;
Ligar o oftalmoscópio com uma intensidade de luz moderada para evitar a miose;
Usar a abertura menor do oftalmoscópio (spot de luz mais estreito)para olhos não
dilatados e a maior (spot de luz mais largo) para olhos dilatados;
Colocar a mão que não está segurando o oftalmoscópio na cabeça do paciente ou no seu
ombro para poder estimar a distância em que este se encontra;
Usar a mão e o olho direito para observar o olho direito do paciente (e a mão e olho
esquerdo para observação do olho esquerdo do paciente);
Olhar através do oftalmoscópio para o paciente a uma distância de 50 cm, procurando o
seu luar róseo;
Seguir o luar róseo e aproximar-se do paciente lateralmente segundo um ângulo de 30º
até chegar próximo do seu nariz;
Ache o disco óptico seguindo um vaso sanguíneo da retina. As setas formadas pelas
bifurcações vasculares apontam para o disco óptico
Focar o disco óptico;
Examine a retina peripapilar.
Use um filtro de absorção anérito para examinar os defeitos na camada de fibras
nervosas que ocorrem no glaucoma e outras neuropatias ópticas;
A partir do disco óptico, siga os vasos sanguíneos na direção da periferia de modo a
examinar as áreas súpero-nasal (1), ínfero nasal (2), ínfero temporal (3) e súpero temporal
(4) ao redor do pólo posterior. Note a cor, calibre, bifurcações, cruzamentos e o tapete
coriorretiniano ao redor da vasculatura. Use a luz anérita para destacar as alterações
refrativas na parede vascular causadas por arteriosclerose, especialmente em pontos de
compressão arteriovenular (cruzamentos).
Examine a mácula (5) à procura de irregularidades. Use uma fenda para detectar
distorções da superfície da retina. Diferenças de nível podem ser vistas como um
borramento de uma porção da faixa de luz.
12 CERATOMETRIA

Ceratometria é o ato de medir a curvatura de face anterior de córnea. O termo vem do


grego Kerato (córnea) e Metro (medir). O aparelho utilizando para essa medida é o
ceratômetro ou oftalmômetro, desenvolvidos no século passado em 1855 por Helmholtz e em
1881 por Javal.
O princípio em que se baseia tal medida é a utilização da córnea como um espelho convexo
e a análise das imagens por ela refletidas, virtuais, diretas e menores. Há dois tipos de
ceratômetros tipo Javal e tipo Helmholtz, e a diferença entre eles é a forma de duplicar e
medir as imagens refletidas pela córnea. Há, atualmente uma grande confusão entre os
profissionais que classificam os aparelhos pelo tipo de Mira utilizada. Para ambos os tipos de
Miras.

1. CERATÔMETROS TIPO JAVAL

Aparelho Tipo “Javal”

Mede o ângulo ( variar como abrir e fechar a mira)


MÉTODO:

Ajustar a ocular do ceratômetro ao estado refrativo do examinador. Este passo é muito


importante para que a medida obtida seja exata, se a ocular não estiver bem enfocada
induziremos um erro na tomada da medida.
Pedir ao paciente que apoie o queixo e a testa em seus respectivos suportes.
Ocluir o OE.
Mover o suporte do queixo para cima ou para baixo até que a altura dos olhos do paciente
coincida com a marca que existe no lado esquerdo do suporte do queixo.
Indicar o paciente que olhe o ponto luminoso de fixação que existe no interior do
instrumento.
Alinhar o instrumento com o olho do paciente.
Este primeiro ajuste se faz olhando por fora do ocular, alinhando com a alavanca de
controle, a marca e a mira do instrumento com o centro da pupila do OD do paciente.
Focalizar e centrar a imagem das miras reflexadas pela superfície anterior da córnea.
Este segundo ajuste é mais preciso.
Realiza-se olhando através da ocular e deslocando o instrumento para frente ou para
trás.
Tomar a medida do primeiro meridiano principal horizontal, alinhando a linha de fé das
imagens centrais, fazendo-as coincidir tangencialmente, sem que se sobreponham.
Memorize o valor do raio de curvatura, da potencia e o meridiano em que se foi
determinada à medida.
Girar o instrumento, 90.º aproximadamente até localizar o outro meridiano principal
vertical.
Tomar a medida do segundo meridiano principal vertical, alinhando de novo a linha de fé
das miras centrais e, seguidamente, fazê-las coincidir tangencialmente.
Anotar os valores.
Primeiro os valores memorizados do meridiano horizontal, seguidos dos valores que
correspondem ao meridiano vertical.
Realizar outra vez todos os passos para o OE ocluindo o OD.

O CERATÔMETRO DE JAVAL-SCHIOTZ ESTÁ COMPOSTO POR DUAS MIRAS: UMA É UM


RETÂNGULO DE COR VERMELHA POR UMA LINHA CENTRAL (LINHA DE FÉ), E A OUTRA É
UMA ESCADA DUPLA DE COR VERDE, TAMBÉM SEPARADA POR UMA LINHA DE FÉ, CADA
UMA DAS ESCALAS REPRESENTA UMA DIOPTRIA DE ASTIGMATISMO.
Olhando através do ocular, e graças ao sistema duplo que incorporam estes instrumentos
para facilitar a medida, podemos observar sobre a córnea uma dupla imagem de cada
mira, duas verdes e duas vermelhas.
Para tomar as medidas somente teremos em conta as miras centrais. Foram escolhidas
essas cores que são complementarias para que, se as miras se superpõem. Se veja a parte
superposta de cor branca.
Quando duas miras estiverem alinhadas faz-se a leitura do aparelho.

MEDIDA

Primeiro realiza-se a medida de um dos meridianos principais da córnea.


Para que a medida seja perfeita deve-se girar o suporte das miras do queratômetro com
comando de medida, até conseguir um perfeito alinhamento das miras centrais. Em seguida,
ajustamos as miras de tal forma que ambas fiquem tangenciais entre si, sem que se
superponham nem se separem. Nesta posição tem que se memorizar a medida do raio e a
potencia corneal que nos vem indicada, em mm e dioptrias respectivamente. Uma vez
realizada esta primeira medida giramos o instrumento aproximadamente 90.º em busca do
outro meridiano principal da córnea.
Ao buscar o segundo meridiano principal pode ocorrer: Que as miras se mantenham unidas
tangencialmente; indicam que não existe astigmatismo corneal.
12 CERATOMETRIA

Ceratometria é o ato de medir a curvatura de face anterior de córnea. O termo vem do


grego Kerato (córnea) e Metro (medir). O aparelho utilizando para essa medida é o
ceratômetro ou oftalmômetro, desenvolvidos no século passado em 1855 por Helmholtz e em
1881 por Javal.
O princípio em que se baseia tal medida é a utilização da córnea como um espelho convexo
e a análise das imagens por ela refletidas, virtuais, diretas e menores. Há dois tipos de
ceratômetros tipo Javal e tipo Helmholtz, e a diferença entre eles é a forma de duplicar e
medir as imagens refletidas pela córnea. Há, atualmente uma grande confusão entre os
profissionais que classificam os aparelhos pelo tipo de Mira utilizada. Para ambos os tipos de
Miras.

1. CERATÔMETROS TIPO JAVAL

Aparelho Tipo “Javal”

Mede o ângulo ( variar como abrir e fechar a mira)


CERATÔMETRO DE HELMHOLTZ

É composto de botões, que regula a ocular, o apoio de testa, a queixeira, o transferidor, o


tambor de dioptria vertical e horizontal, as miras, e botão que trava o corpo do ceratômetro.

MIRAS
Alinhar até sobrepor os sinais de – e +
Faz-se então a leitura do aparelho.

MÉTODO
Ajustar a ocular do ceratômetro ao estado refrativo do examinador. Este passo é muito
importante para obter valores exatos.
Pedir ao paciente que apóie o queixo e a testa nos respectivos suportes;
Ocluir OE
Ajustar a altura dos olhos do paciente até que estes coincidam com uma marca que existe
ao lado esquerdo do suporte do queixo.
Alinhar o nivelador visual do ceratômetro com a abertura palpebral temporal do OD.
Indicar ao paciente que os dois olhos devem estar abertos e que deve fixar na imagem do
olho que se vê reflexada no centro do instrumento.
Deslocar suavemente o ceratômetro horizontalmente, até que o examinador observe,
sem mirar através da ocular, a imagem da mira ceratométrica reflexada sobre a córnea.
Olhar através da ocular
Mover verticalmente o instrumento até que a cruz central vista através da ocular fique no
centro do círculo inferior que está situado mais à direita.
Focalizar a imagem reflexada, movendo o instrumento para frente o para trás, até que se
consiga que o círculo inferior e mais à direita que se vê inicialmente desdobrado seja visto
uma imagem simples, de maneira que somente se vejam três círculos na imagem que se
reflexa sobre a córnea.
Manter constantemente o enfoque e tomar a medida do meridiano horizontal,
superpondo os sinais positivos, com o comando à esquerda. Em seguida tomar a medida
do meridiano vertical superpondo os sinais negativos com o comando da direita. Ambos
comandos são girados alternativamente até que as cruzes e os sinais negativos estejam
alinhados.
Realizar outra vez todos os passos para obter as medidas do OE.
No caso de estar diante de um astigmatismo oblíquo, se observará que a imagem dos
três círculos se está focalizada sobre a córnea, mas os sinais positivos e negativos da
imagem reflexada da mira não coincidem, estão desalinhadas.
Neste caso devemos atuar: primeiro girando o corpo do instrumento até alinhar os sinais
positivos e negativos, em seguida superpor os sinais positivos e negativos para poder
obter a medida dos meridianos principais.

FORMAS DE ANOTAÇÃO DA QUERATOMETRIA

Meridiano Horizontal /Meridiano Vertical x Eixo + Plano


Meridiano + Plano/ Meridiano + Curvo x Eixo Meridiano + Plano
Cilindro Eixo + Plano/ Meridiano + Plano
Meridiano Horizontal x Eixo/Meridiano Vertical x Eixo

MIRAS OVALADAS: ASTIGMATISMO CORNEAL ALTO.


MIRAS ENTRECORTADAS: CIRURGIA REFRATIVA, CORPO ESTRANHO.
MIRAS DISTORCIDAS: QUERATOPATIAS, PATOLOGIAS CORNEAIS.
Corpo do Ceratômetro

10
13 AUTO REFRATOR

É um exame, que de forma aproximada, quantifica o erro refracional (miopia,


hipermetropia, astigmatismo), por isso é feito em todos os pacientes que buscam
atendimento optométrico com alguma queixa de baixa visual ou dificuldades para enxergar.
14 FORÓPTERO

Ele foi inventado em 1900, com o objetivo de medir erros de refração além das
características da visão binocular (como os olhos funcionam juntos). Com o passar dos anos, a
ferramenta passou por melhorias até se tornar o que é hoje.
O refrator é um instrumento composto por cilindros, lentes e prismas que são utilizados
para medir erros de refração nos olhos. Assim, o médico pode fazer um diagnóstico preciso e
prescrever o tratamento ideal para o paciente.
O foróptero serve tanto para fazer o diagnóstico quanto para acompanhar como está o
desenvolvimento de erros de refração. Ele pode ser utilizado para medir a posição de repouso
natural dos olhos, a capacidade focal de curta distância e movimentos oculares.
Quando um paciente é examinado no equipamento, ocorre um processo de troca de lentes
na frente de seus olhos. Isso é menos complicado do que parece, dada a natureza imponente
do dispositivo.

PARTES DO FORÓPTERO

A primeira coisa importante a saber é que existem diferentes modelos de refrator no


mercado. Porém, eles costumam ter os mesmos botões para fazer ajustar:
As lentes esféricas e as lentes planas cilíndricas;
A lente auxiliar e o controle de abertura: nesse caso, é possível escolher entre diversas
opções, como a abertura do visor da máquina. Além disso, também conta com uma lente
retinoscopia e filtro verde e vermelho, por exemplo.
O foróptero ao paciente: esse ajuste é importante para que a máquina se adapte ao
paciente. Os botões podem controlar a distância interpupilar, a distância de vértice e
assim por diante.
CURSO TÉCNICO
EM OPTOMETRIA
DISCIPLINA:
BIOLOGIA
CURSO TÉCNICO
EM OPTOMETRIA
DISCIPLINA:
ANATOMIA
CURSO TÉCNICO
EM OPTOMETRIA
DISCIPLINA:
ÉTICA E DEONTOLOGIA PROFISSIONAL

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