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Ultimate Guide To PNA Success 2021 v5

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ana
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Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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Conteúdo

MedApprentice.......................................................................................................................................................... 4

A nossa missão ..................................................................................................................................................... 4

O que é a Prova Nacional de Acesso (PNA) ...................................................................................... 4

A equipa..................................................................................................................................................................... 5

A organização deste guia ............................................................................................................................. 6

Outros recursos que temos disponíveis ............................................................................................. 7

Módulo 1: Organizar o estudo .........................................................................................................................8

Motivação..................................................................................................................................................................8

A mentalidade dos melhores alunos ................................................................................................... 10

Motivação e mentalidade para Desmotivados ............................................................................ 15

Princípios orientadores do estudo ...................................................................................................... 20

Princípio dos 20/80 ...................................................................................................................................... 20

Estudo ativo em vez de estudo passivo........................................................................................ 21

Perceber conceitos ..................................................................................................................................... 22

Técnicas de exame ...................................................................................................................................... 22

Módulo 2: Recursos de estudo ..................................................................................................................... 23

3 fases de estudo .............................................................................................................................................. 23

Fase 1: compreender ....................................................................................................................................... 23

Livros da bibliografia recomendada ............................................................................................. 24

Normas de Orientação Clínica (NOCs) ......................................................................................... 24

Empresas de preparação dos EUA................................................................................................. 25

Fase 2: reter ........................................................................................................................................................... 28

Fase 3: aplicar....................................................................................................................................................... 31

Juntar tudo: o período de estudo dedicado ................................................................................ 34

Estudar em part-time ..................................................................................................................................... 38

Como usar um banco de perguntas? .................................................................................................41


A NOSSA MISSÃO

Módulo 3: Técnicas de exame ...................................................................................................................... 43

Como pensa um examinador quando escreve as perguntas? ....................................... 43

Como o examinador escolhe o tema das perguntas ............................................................. 46

Qual o tamanho ideal de uma vinheta?...........................................................................................48

Últimos dias e o dia do exame ..................................................................................................................... 50

geral@[Link] 3 [Link]
A NOSSA MISSÃO

MedApprentice
A nossa missão
A nossa missão é ajudar estudantes e médicos a crescerem enquanto clínicos e,
no caminho, usar essa determinação para ter a melhor nota possível na PNA.

Bem vindo a este Guia!

O MedApprentice é uma ajuda para estudantes e médicos que se estão a


preparar para a PNA, ao focar e alinhar a preparação no que é importante para
ser bom médico.

Para tal, os nossos objetivos são:

• Fomentar o raciocínio crítico;


• Criar uma fonte fiável e segura de conselhos para a PNA;
• Criar conteúdos que se foquem nas melhores técnicas de resolução de
casos clínicos;
• Reduzir o esforço e aumentar a eficácia do estudo para a PNA para assim
este ser agradável e útil para a sua prática futura.

O que é a Prova Nacional de Acesso (PNA)


Em 2019, Portugal alterou o exame oficial final para um novo modelo chamado
Prova Nacional de Acesso (PNA). A PNA é a chave que permite a um estudante de
medicina aceder à especialidade. Ela permite seriar os alunos para ordenar a
escolha da especialidade. Assim, determina se um médico pode seguir uma
especialidade ou não (e fica indiferenciado) e que especialidade pode seguir.

Este modelo é novo em Portugal, mas um componente importante foi baseado nos
USMLEs que são os exames dos EUA. Os examinadores foram aos EUA fazer um
curso com o NBME, empresa que suporta os USMLEs, e compraram também
algumas perguntas para usar na PNA.

Eu fiz o USMLE Step 2 CK na mesma altura que a PNA e estudei


pelos mesmos recursos para os dois exames. Quero partilhar
contigo a realidade com que contactei a estudar para os USMLEs
que me permitiu ter 273 no Step 2CK e 2ª posição nacional na
PNA. – João Nuno Soares

geral@[Link] 4 [Link]
A EQUIPA

Neste momento, a PNA é o único critério para aceder à especialidade desejada.


Com o número cada vez crescente de candidatos para um número limitado de
vagas, a competitividade por tirar as melhores notas neste exame tem crescido
muito nos últimos anos.

A nossa missão com este guia é ajudar os candidatos a este exame partilhando
as estratégias e os recursos de estudo mais proveitosos numa experiência
imparcial e útil.

A equipa
• João Nuno Soares (coordenação) – Olá, eu sou o João Nuno e fiz,
provavelmente tal como tu tencionas fazer se estás a ler esta mensagem, a
Prova Nacional de Acesso (PNA). O meu ano foi o primeiro ano a realizá-la e
vivi, tal como muitos continuam a sentir, a incerteza de como me preparar
da forma mais eficaz. Tendo realizado também os exame dos EUA (os
USMLEs), onde já é aplicado um estilo de exame muito semelhante à PNA há
muitos anos, tive contacto com um caminho completamente diferente e
mais produtivo de estudar. Estudar para a PNA não tem que ser um
sacrifício. Ter um estudo agradável e activo é mais eficaz. Considero que
esta perspetiva de ter realizado os exames dos EUA (tive 253 no Step 1 e 273
no Step 2 CK - percentil 93 e 97 respetivamente) me deu as ferramentas para
ter um resultado melhor na PNA (135 em 150, 2ª melhor posição nacional
nesse ano), e aceder à especialidade que queria. É este novo caminho e
maneira de estudar que quero partilhar contigo, através das páginas do
MedApprentice®.
• Gil Cunha – Amigos, eu sou o Gil Cunha e fiz a PNA em 2019. Pertenço ao
número crescente de médicos que tenta melhorar a sua carreira
concorrendo uma segunda vez ao internato da especialidade. Experimentei
em primeira mão o desafio de conciliar o trabalho como neurorradiologista
com a preparação para o exame, mas também a oportunidade de abordar
este tipo de prova do ponto de vista de alguém com alguma vivência clínica.
Fiz o exame Harrison em 2001 e apesar de ter obtido o mesmo resultado da
PNA em 2019 (ambos com 4º lugar nacional), a minha estratégia de estudo
para a nova prova foi totalmente diferente, e todo o processo muito mais
interessante, eficiente e compensador. Convido-te a conhecer as nossas

geral@[Link] 5 [Link]
A ORGANIZAÇÃO DESTE GUIA

ideias através do site e espero poder ajudar a tornar memoráveis, pela


positiva, estes meses decisivos da tua vida.
• Maria João Brito – Olá, chamo-me Maria João Brito, e a minha relação com
esta prova de acesso à especialidade foi um pouco mais… turbulenta. Em
Julho de 2018, depois de um longo período de desmotivação e desespero ao
utilizar o método de preparação “tradicional”, decidi desistir do famoso
Harrison. Depois de alguns meses de exploração, acabei por dar uma
oportunidade a esta nova PNA – desta vez sem cometer os erros que no ano
anterior me tinham levado ao burnout. Decidi estudar de uma forma
completamente diferente: mais independente, mais descontraída, assente
na resolução de casos clínicos e utilizando principalmente recursos
internacionais. Não obtive um resultado tão brilhante quanto o do João
Nuno ou o do Gil, é certo - fiquei na 311.ª posição a nível nacional (115/150) –
mas creio que a minha história prova que é possível dar a volta por cima e
ser feliz enquanto se estuda… mesmo que comecemos com o pé esquerdo.

A organização deste guia


A nossa experiência diz-nos que há princípios gerais que os alunos com melhores
notas aplicam no seu estudo. Estes princípios gerais vão ser abordagem nos 3
capítulos principais deste Guia.

No primeiro capítulo, vai ser abordada a motivação e mentalidade para a PNA.

Quase todos os alunos que estudam para os exames dos EUA


usam os mesmos recursos. No entanto, as notas do exame são
muito diferentes. Também em Portugal acredito que se todos os
alunos usassem os mesmo recursos, os resultados continuariam a
ser muito diferentes. O que é que faz a diferença? A forma como
cada aluno usa esses recursos, o que depende da sua motivação
e mentalidade. Por isso, considero este primeiro capítulo o mais
importante do Guia. – João Nuno Soares

No segundo capítulo, vamos abordar as melhores ferramentas e recursos que


podem ser usadas para preparar para este exame. Muitos alunos queixam-se que
se sentem perdidos no meio de muitos recursos. Por isso, é uma prioridade definir
as ferramentas para desenvolver o raciocínio crítico bem informado para
construir uma estratégia de estudo e reduzir os recursos ao essencial.

geral@[Link] 6 [Link]
OUTROS RECURSOS QUE TEMOS DISPONÍVEIS

Quando me estava a preparar para a PNA, oferecia os materiais


que estava a usar aos colegas que estavam a estudar comigo.
Quase todos coravam e recusavam “Os slides já são muito
extensos. Estás a ver essas coisas dos EUA para quê? Já tenho
muitos recursos”. Um recurso de pouca qualidade não só frena a
motivação, como prejudica porque consome tempo que podias
estar a aproveitar melhor. A vontade de seguir a manada por
receio de fazer diferente é forte. No entanto, numa fase inicial em
que estás a planear o teu estudo é boa ideia experimentar
recursos variados e depois escolher de uma forma consciente e
crítica sem ter receio de a tomar só por ser diferente dos outros. –
João Nuno Soares

No terceiro e último capítulo vamos abordar técnicas de exame que vão permitir
responder a perguntas mesmo que não se sabe a resposta e evitar os erros mais
frequentes cometidos pelos alunos no dia do exame.

Outros recursos que temos disponíveis


• Site [Link]
• Blog
• Podcast 96s
• Casos clínicos
• Newsletter com conselhos regulares de estudo
• Redes sociais: Facebook, Instagram.

geral@[Link] 7 [Link]
MOTIVAÇÃO

Módulo 1: Organizar o estudo


Motivação
Antes de iniciar o estudo, e durante toda a preparação para a PNA, deves ter em
consideração as tuas próprias condicionantes psicológicas. Se é verdade que
uma boa parte destas assenta em coisas relativamente constantes, como a tua
personalidade e experiência prévia, também é verdade que podes modelar a
atitude que adotas perante este novo desafio.

Em primeiro lugar, é importante fazer uma reflexão sobre qual o motivo pelo qual
estás a empreender esta jornada e dedicar tanto do teu tempo e energia para
fazer este exame. Muitos vão dizer que querem ter boa nota – esta resposta não é
suficiente. Entender a motivação que guia a tua paixão e gosto é importante,
porque vai poupar frustração e desânimo no futuro e vai dar o foco que permite
chegar longe. É, infelizmente, mais fácil de dizer do que fazer.

No meu percurso encontrei, provavelmente tal como tu,


momentos de cansaço e desânimo. Para mim, como estava a usar
recursos de estudo bastante diferentes dos meus colegas, sentia
muito o nervosismo associado à incerteza de tomar decisões
diferentes do “resto da manada”. No entanto, estava incrivelmente
determinado e a minha visão era clara. Ao resolver perguntas e
ler livros de preparação para este exame, mais clínico que o
anterior, via a possibilidade de ganhar capacidades,
conhecimentos e habilidade que vou certamente necessitar no
futuro, e assim atingir um crescimento pessoal e enquanto
médico. Ao definir o meu plano e horário de estudo consegui ter o
controlo que queria para dar prioridade a coisas que gosto
(treinos desportivos semanais, alimentação e hábitos de sono
melhores) e eliminar coisas (viagens de carro desnecessárias, etc.).
Tinha uma visão de que cada hora de estudo investida ia trazer
uma diferença significativa na minha qualidade vida no futuro.
Assim, preparar para este exame apesar de árduo não foi difícil.
Um dos melhores conselhos que me deram foi que “não é uma
tarefa que é difícil em si, é antes a nossa determinação que a
torna fácil”. – João Nuno Soares

geral@[Link] 8 [Link]
MOTIVAÇÃO

Exercício
1. É apresentada uma lista com certas motivações que são frequentes na
população. Põe um visto naqueles que se aplicam a ti (podes acrescentar
mais):

Ganhar uma base ampla de conhecimentos e habilidades


Criatividade e expressão artística
Saúde e bem-estar
Espontaneidade / viver o momento
Relações com a família ou amigos
Crescimento pessoal e intelectual
Conhecer pessoas de diversas origens
Compaixão e bondade
Religião e espiritualidade
Atletismo e desporto
Outro motivo:

2. De seguida, reflete de que forma estudar para a PNA vai servir aquilo que é
mais importante para ti. Escreve (pelo menos) um parágrafo que enfatize os
teus pensamentos e sentimentos. Guarda esta reflexão para te manteres
motivado (ex. pendura no frigorífico ou por cima da tua secretária, envia
por email para ti ou para um amigo, guarda no calendário com um lembrete
ou explica os teus motivos a alguém!).

geral@[Link] 9 [Link]
A MENTALIDADE COM MELHORES RESULTADOS NA PNA

A mentalidade com melhores resultados na PNA


A mentalidade é uma das determinantes mais cruciais para o
sucesso na PNA, quiçá a mais importante. No entanto é
frequentemente desvalorizada perante fatores extrínsecos
como a bibliografia e recursos de estudo utilizados.

“Na minha opinião, esta é a secção mais high-yield do guia. Se


pensares nisso, os recursos utilizados e o tempo de estudo não
diferem muito entre estudantes, mas existem resultados muito
diferentes. Acho que é a mentalidade que nos diferencia.

Quando estava a estudar, tinha dois colegas com os quais


estudei e que não vou referir os nomes. Um deles preferia estudar
sozinho e escondia os livros quando passava por ele. Essa pessoa
corava quando sugeria resolver em conjunto uma pergunta da
UWorld, porque “ainda não tinha estudado aquela matéria”. Um
mês da PNA essa pessoa disse que ainda não tinha feito
perguntas porque ainda não tinha acabado de ler tudo. Ele
focava-se no que não sabia e se errasse uma pergunta achava
que ainda não tinha o conhecimento todo e tinha que continuar
a ler. O outro colega fez uma revisão teórica rápida e começou a
fazer perguntas cedo. Ele adorava resolver perguntas em grupo e
focava-se no que sabia para tentar chegar à resposta certa.
Quando errava, ia fazer uma pesquisa no UpToDate e geralmente
mandava-me a parte do artigo que explicava aquele conceito.
Claro está, que este segundo não só teve óptima nota na PNA
como teve uma experiência positiva e que vai aproveitar
enquanto médico.” – João Nuno Soares

Na página seguinte podes encontrar uma comparação entre duas formas de


encarar o ano de preparação que se aproxima - uma delas geradora de stress,
ansiedade e burn-out; a outra mais adaptativa e conducente a melhores
resultados.

Isto não quer dizer que tenhamos unicamente características de um lado da


tabela ou do outro. Como em quase tudo, cada um de nós se encontra algures
num espectro - a realidade não se coaduna com visões a preto e branco.

geral@[Link] 10 [Link]
A MENTALIDADE COM MELHORES RESULTADOS NA PNA

A nossa própria forma de estar é também dinâmica – num dia pendemos mais
para um dos polos, no seguinte para o oposto. Nem sempre podemos estar do
lado mais soalheiro da vida – e isto é perfeitamente normal, aliás, é até expectável
que assim seja.

Um aluno com uma nota média e Um aluno com nota excelente e


uma experiência negativa a uma experiência agradável a
estudar para a PNA estudar para a PNA
Tenta memorizar tudo; Seleciona e organiza o conhecimento;
Todo o conhecimento é igualmente Estratifica o conhecimento – procura
importante – todas as linhas do livro saber o mínimo essencial “to see the
estão sublinhadas; world in a grain of sand”;
Sabe o que está no livro; Sabe o porquê de um conhecimento
ser importante;
Pode citar um livro; Consegue explicar a matéria a outros;
Compara-se com os outros; Compara-se consigo próprio;
Estuda isolado (em casa) a matéria e Partilha o conhecimento com os outros
não partilha apontamentos; e aprende o que os outros partilham
com ele;
Espera que lhe digam o que fazer; Toma responsabilidade com raciocínio
crítico;
Sobrecarregado pela quantidade Contente pela oportunidade de
enorme de matéria; aprender;
Fixado em tirar melhor nota no A sua prioridade é aprender para ser
próximo teste; capaz de cuidar dos seus doentes;
Aprende o que lhe apresenta; Procura ativamente o conhecimento
que precisa;
Estratégias de estudo passivas; Estratégias de estudas ativas;
Reativo Proativo
Mentalidade fixa Growth mindset

Uma mentalidade fixa é a crença de que nascemos com certas capacidades e


talentos, estando presos a elas. Growth mindset é acreditar que conseguimos
mudar – se quisermos e trabalharmos para tal conseguiremos evoluir em direção
ao nosso objetivo.

geral@[Link] 11 [Link]
A MENTALIDADE COM MELHORES RESULTADOS NA PNA

Por exemplo, considera um fracasso em alguma coisa. Uma pessoa com uma
mentalidade fixa pensa que esse fracasso significa que ela própria é um fracasso.
Uma pessoa com growth mindset percebe que percalços acontecem a todos e tem
auto-compaixão, i.e.: aceita as suas falhas reagindo-lhes com amabilidade. Isto
permite-lhe aprender com os seus erros e lidar com as suas limitações de modo a
fazer melhor no futuro.

Mais concretamente, imagina que estás a responder a um bloco de 40 perguntas.


Obténs um resultado abaixo das tuas expectativas. Se tiveres uma mentalidade
fixa vais pensar que és um falhanço, que és burro, que fazes tudo mal. Ficarás
desmotivado. Se pelo contrário adotares este growth mindset identificarás as
respostas erradas como uma oportunidade de aprender. Afinal de contas, se já
soubesses e acertasses tudo, estarias a perder tempo com as questões, elas
seriam demasiado fáceis para ti.

Um outro cenário que gostávamos que considerasses é a de um estudante que se


apercebe que o colega está a estudar de forma diferente (ou teve mais perguntas
certas).

Há duas formas de interpretar isto. Uma é apercebermo-nos de uma perspetiva


diferente de estudar, com a qual podemos aprender, ajustando a nossa se
necessário. Outra é a de nos acharmos inferiores, levando-nos a bloquear e a
recriminarmo-nos por isso.

Um estudante com uma experiência positiva a estudar para a PNA não se


compara com os outros. Embora procure aprender com diferentes perspetivas,
em última instância comparar-se-á com ele próprio. “Como é que eu estava há 1
mês?”, “Estou a melhorar?”.

A PNA avalia a tua capacidade de fazer a transição de estudante


para médico.

Investe alguns minutos numa reflexão séria sobre ti e os teus métodos de estudo.
Está ao alcance de qualquer um adotar uma mentalidade que lhe permita ter não
só um bom resultado como ter uma experiência minimamente agradável de
preparação para a PNA.

Exercício

geral@[Link] 12 [Link]
A MENTALIDADE COM MELHORES RESULTADOS NA PNA

1. Consegues pensar em alguns obstáculos que existam no caminho até aos


teus objetivos?

Obstáculo 1

Obstáculo 2

Obstáculo 3

geral@[Link] 13 [Link]
A MENTALIDADE COM MELHORES RESULTADOS NA PNA

2. Pensa em maneiras de “desbloqueares” quando te deparares com um


desses obstáculos:

Solução
1

Solução
2

Solução
3

Leitura adicional recomendada:

• 5 Segredos para melhorar a tua nota, artigo do blog MedApprentice;


• 5 Erros que te podem estar a impedir de ter melhor nota, artigo do blog
MedApprentice;

geral@[Link] 14 [Link]
MOTIVAÇÃO E MENTALIDADE PARA DESMOTIVADOS

Motivação e mentalidade para Desmotivados


Se depois de ler o capítulo de motivação e mentalidade te continuas a sentir
desmotivado e sem saber por onde te agarrar para conseguir energia para
estudar para esta prova, então esta secção é para ti!

Algumas pessoas descrevem o curso e este ano em particular como sendo um ano
de sacrifícios, em que tens de dizer que não a amigos e família e largar várias das
atividades que gostas e te fazem humano – para te tornares numa massa amorfa
sentada a decorar tabelas e guidelines que pouco te dizem.

Se calhar até já tentaste fazer isto no ano passado, sem ter o resultado que
querias. Estás exausto/a, fizeste um grande esforço e mesmo assim não resultou.
Pensas insistentemente no que falhou – “devia ter começado mais cedo”, “devia ter
dado mais voltas à matéria, “devia ter estudado com mais afinco”… E a perspetiva
de ter de voltar a passar por tudo isto não só te deixa de rastos como é uma
lembrança das tuas supostas inadequações e do que correu mal no ano passado.

Neste capítulo vamos te dar dicas práticas para ultrapassar esta sensação e
conseguir dar a volta por cima obtendo o melhor resultado possível na PNA
percorrendo um caminho agradável e útil.

“Acabei o curso em 2018, no ano do último Harrison. No final


de Julho, passava a noite às voltas na cama. Levantar-me
era uma tarefa hercúlea. Os dias eram um misto de
procrastinação e irritabilidade – do choro fácil à
impaciência, ao isolamento social, à completa perda de
sentido para a vida – pouco a pouco ia deixando
pedacinhos de mim pelo caminho. As lacunas foram sendo
preenchidas por uma sensação de absoluto falhanço
polvilhada com culpa sempre que fazia algo que não
estudar – por muito exausta que estivesse.” – Maria João
Brito

Soa familiar? Não estás sozinho/a. Muitos de nós começaram a jornada com
determinadas maneiras de pensar que tornam mais fácil o surgimento e
manutenção destas ideias nos nossos momentos mais negros.

1. Parar para pensar

geral@[Link] 15 [Link]
MOTIVAÇÃO E MENTALIDADE PARA DESMOTIVADOS

Pausar o estudo para refletir sobre o que estás a fazer é um dos investimentos de
tempo que mais poderá melhorar a tua experiência de estudo para a PNA.
Infelizmente, temos a perceção de que poucos o fazem. Muitos seguem um
caminho predeterminado pelo exemplo dos seus colegas, sem parar para se
questionarem: “Isto faz sentido para mim?”.

Propomos-te uma lista de questões que poderás colocar a ti próprio:

• Realizar a prova é uma escolha tua? Algo que fazes por tua livre iniciativa,
um meio para atingir os teus fins? Ou é uma imposição externa, algo que
fazes contrariado?
• Estás a estudar porque queres ser verdadeiramente um médico
competente? Ou apenas por um número, uma nota?
• Estás a esforçar-te para ser melhor do que és agora? Ou apenas para
competir e te comparares com os teus colegas?
• Estás a utilizar um método que faz sentido para ti? Ou estás a estudar assim
porque é o que os outros fazem?
• Sentes-te desafiado e estimulado ao estudar? Tens uma noção de
progresso e evolução enquanto médico? Ou tem sido uma experiência
passiva e maçadora?
• É a altura certa para fazeres a prova? A tua vida pessoal permite-te um
compromisso real com este objetivo? Tens a estabilidade emocional
necessária? Tens uma boa rede de suporte?

É muito motivador fazermos uma coisa porque nós a escolhemos e não porque
nos é imposta. Se fizeres uma pesquisa sobre as várias opções que tens (fazer a
especialidade noutro país, dedicar-te à investigação, ser médico sem
especialidade) e, depois de considerar as várias opções, escolheres a PNA – isso
vai ser muito mais motivador.

Ao estudar para ser bom médico vais identificar mais rapidamente e aprender
mais facilmente o que é relevante e perguntável na PNA. Além disso é muito menos
ansiogénico e melhor para a saúde mental comparativamente a estudar para ter
melhor nota que os teus colegas.

“Tendo inclinações mais artísticas várias vezes me senti fora de


sítio a estudar para épocas de exame de medicina, tendo

geral@[Link] 16 [Link]
MOTIVAÇÃO E MENTALIDADE PARA DESMOTIVADOS

chegado a ponderar muito seriamente mudar de curso. Posta


frente ao Harrison, a motivação (que já de base era pouca)
tornou-se francamente insuficiente para me permitir continuar.
Assumi isso muito publicamente, tendo escrito uma série de
textos sobre a minha decisão de desistir “do exame mais
importante da minha vida”. Para minha surpresa, em poucos dias
a minha caixa de entrada acumulou dezenas de mensagens de
colegas que se identificaram com a minha narrativa – não estava
sozinha. Saber que outras pessoas sentiam o mesmo que eu
consolidou a minha decisão. Tirei uns meses para organizar um
CV, enviá-lo a meio mundo, ir a eventos de recrutamento de
consultoras, falar com colegas que fizeram o seu internato no
estrangeiro, pesquisar mestrados e pós-graduações, enfim,
explorar verdadeiramente as minhas opções.

Acabei por decidir ingressar na Formação Geral: o contacto mais


prático e próximo com os doentes e a realidade dos cuidados de
saúde em Portugal foi uma importante motivação para estudar
para a nova PNA. Ver que coisas tão simples como uma palavra
amiga ou um ouvido atento no meio do caos do SU podiam ter
um grande impacto no conforto de alguém fez-me ganhar um
novo apreço pelo SNS e por quem nele trabalha.

No fim, escolhi fazer a PNA. Apostei na resolução de milhares de


casos clínicos, e assim consegui um resultado que me permitiu
escolher o que sempre quis – Psiquiatria.” – Maria João Brito

Recomendamos que coloques o resultado destas reflexões em papel. Claro que


pode parecer parvo ou desnecessário, mas acredita que não é. Olhar para uma
materialização esquemática do teu novelo de ideias é uma boa ajuda para o
desembaraçar, e pode ser mais rentável que tentar forçar conceitos complexos a
uma mente demasiado turbulenta para os reter.

geral@[Link] 17 [Link]
MOTIVAÇÃO E MENTALIDADE PARA DESMOTIVADOS

2. Partilhar com alguém


Estudar pode ser uma tarefa solitária, e mais solitária se torna nestes momentos
de dúvida e desalento. Se a tendência natural será a de nos isolarmos,
sugerimos-te que faças precisamente o contrário – fala com a tua família, liga a
um amigo, tenta entrar em contacto com alguém com quem te identifiques.
Podes vir a descobrir que muitos deles estão a passar ou já passaram pelo
mesmo ou no mínimo pôr as coisas em perspetiva.

3. Ousar uma abordagem diferente

Ok, chegaste à conclusão de que isto não está a mesmo funcionar para ti. E
agora? Temos para ti algumas sugestões de como inverter o rumo.

• Mudar a estratégia de estudo. – Temos muito tempo para estudar para este
exame. Se a meio sentes que a estratégia não está a funcionar, tens tempo
para calmamente a alterar. Ainda assim, ficamos frequentemente com a
sensação de que as pessoas insistem em métodos que sentem como
ineficazes. Poderás tender a pensar assim – “já que comecei, agora acabo” –
especialmente se tiveres assumido um compromisso financeiro. Cut your
losses - se já perdeste dinheiro, não percas também mais tempo com
recursos que não te estão a ajudar.
• Procura orientação junto de pessoas com quem te identificas e tiveram
uma boa experiência a estudar para a PNA. – Faz parte do processo pedir
conselhos a colegas que já fizeram a prova. Não só achamos importante
que obtenhas feedbacks variados de múltiplas fontes, como pode também
ser interessante procurar pessoas em quem te revejas e pedir-lhes a sua
opinião.
• Ter confiança no nosso próprio pensamento crítico. – Muitas pessoas
hesitam antes de fazer o que sentem como mais adequado para si,
sucumbindo ao que veem ser feito pelos colegas mais próximos. Se é bom
ter feedback, a verdade é que ninguém saberá o que funciona melhor para
ti do que tu próprio/a. Além disso, a prova é recente e muitos enganam-se
persistindo em métodos que funcionavam para o Harrison e não para a
PNA. Ousa assumir a tua individualidade e encontrar o teu próprio caminho.
Verás que é mais fácil encontrar motivação moldando o estudo às tuas

geral@[Link] 18 [Link]
MOTIVAÇÃO E MENTALIDADE PARA DESMOTIVADOS

características pessoais do que tentares encaixar-te em moldes feitos à


medida de outros.
• Empenhares-te no hospital. – Felizmente estudar para a prova significa
aprender conceitos úteis para o quotidiano de um médico. Ao estar no
hospital tens acesso à aplicação prática desses conceitos – testemunhar
em primeira mão a sua utilidade não só torna mais fácil a sua retenção
como torna o estudo muito mais motivador.
• Tirar algum tempo para pensar. – por vezes distanciarmo-nos pode ser
necessário para analisar objetivamente a situação em que nos
encontramos. Quer seja um fim-de-semana, um mês ou um ano, pode ser
produtivo para ti enquanto pessoa perceber o que é verdadeiramente
importante para ti, reavaliar as tuas motivações ou até procurar
alternativas.

geral@[Link] 19 [Link]
PRINCÍPIOS ORIENTADORES DO ESTUDO

Princípios orientadores do estudo


Não deve existir uma fórmula universal para este exame, antes alguns princípios
orientadores que funcionam de forma diferente para cada pessoa.

Princípio dos 20/80


Muitas pessoas procuram saber tudo sobre todos os temas. Talvez a
personalidade de estudante de medicina seja propícia a isso. No entanto, o tempo
que temos disponível para estudar é limitado e, ao fazerem-no, essas pessoas vão
concentrar-se em pormenores (síndromes raros, tratamentos avançados) que têm
pouca probabilidade de sair – e vão perder a matéria que realmente importa e
que sai na maioria das questões.

Na PNA, existe um princípio de 80/20 na PNA – 80% das perguntas são sobre 20%
da matéria. Em que é que os temas mais importantes incidem? Para responder a
essa questão temos de nos colocar na mente do examinador: o objetivo
educacional do exame é formar médicos que possam praticar em ambiente
supervisionado. Por isso, problemas que são frequentes (ex. dislipidemias, ITUs, …)
ou potencialmente catastróficos (ex. trauma, dor torácica, …) são hot topics para
a PNA.

Por vezes alunos sentem-se angustiados e perdidos quando guidelines


portuguesas diferem em certos aspetos de guidelines europeias ou
internacionais. Na verdade, a PNA pretende incidir sobre aquilo que todas as
guidelines concordam, e não sobre aquilo em que há discórdia na comunidade
científica. As perguntas têm de ser claras, consensuais e adaptadas ao nível do
aluno que está a ser avaliado. Claro que é possível sair uma questão sobre estes
pormenores onde as guidelines são diferentes, mas é pouco provável e a energia
que tens de despender para decorar as guidelines a esse nível vai fazer com que
não tenhas tempo disponível e, assim, percas os 20% que são muito importantes.
Com isto quero dizer - relaxa, não se quer que saibas as guidelines de cor - mas
sim que consigas aplicar os princípios subjacentes em situações clínicas.

Q&A:

Leitor: “A única coisa que me deixa mais apreensivo com esta abordagem é a
eterna questão das guidelines (apesar de já estar alerta para a antibioterapia e
idade dos rastreios). Por exemplo, umas das perguntas da PNA 2019 sobre HTA

geral@[Link] 20 [Link]
PRINCÍPIOS ORIENTADORES DO ESTUDO

(Versão A, Parte II, 102) parece-me ter sido escrita com base nas guidelines da ESC.
Ao abordar esta questão inicialmente, senti que teria de decorar valores com base
nestas guidelines para conseguir responder a esta questão, algo que ao olhar
para as opções de resposta percebi que não seria necessariamente verdade,
dado que era possível chegar à conclusão que o mais correto era baixar o LDL.
Contudo, sinto que esta questão não segue a 100% a regra do cover the options
(embora possa estar a interpretar mal a questão e estar completamente errado
em relação a isso). Para além disso, utilizando os recursos acima mencionados
(OnlineMedEd e Amboss) não encontrei esta informação de forma tão explícita
como está, de facto, nas guidelines da ESC. Para além disso, a classificação da
HTA em guidelines americanas e europeias varia de forma substancial. Isto leva a
que, embora queira seguir o método acima mencionado, ter sempre a
necessidade de confirmar com a "realidade portuguesa", o que atrasa de forma
substancial o meu estudo. O que fariam em específico para este tema? Focar
apenas o que aparece nos bancos de questões e aprender por lá ou, ao ver as
perguntas, procurar a resposta mais adequada segundo as guidelines da ESC?”

MedApprentice: “É possível que exista uma ou outra pergunta que exija


memorização de guidelines. No entanto se te preparas exaustivamente para essas
perguntas, podes comprometer outras mais importantes (que não te preparaste
convenientemente) e não é garantido que acertes essa pergunta (muita
informação memorizada; o caso apresentado pode ser discretamente diferente
da guideline). Além disso, uma pergunta de memorização não é coerente com o
objetivo da prova. Assim, é provável que se aparecerem perguntas de cardiologia
que à primeira vista pareçam ser de memorização, elas podem estar lá para
avaliar um conceito que deves entender. Desta forma, a questão sobre se estudar
NOCs e guidelines é importante ou não torna-se qual o método que permite
entender melhor os conceitos delas. Guidelines podem ser usadas para confirmar
respostas, mas deves procurar um recurso que explique porque motivo se faz
cada intervenção. Sobre como conciliar com a realidade portuguesa, a solução
mais eficaz pode ser passar mais tempo no hospital e estudar em comunidade
com um amigo.”

Estudo ativo em vez de estudo passivo


Estratégias de estudo ativas incluem:

• Fazer resumos pessoais;

geral@[Link] 21 [Link]
PRINCÍPIOS ORIENTADORES DO ESTUDO

• Verbalizar os conteúdos aprendidos para um colega;


• Sublinhar com um código de cores para estratificar o conhecimento;
• Fazer diagramas e tabelas;
• Testar o conhecimento com exercícios;
• Fazer flashcards e responder segundo um algoritmo de spaced repetition.

Estas estratégias têm um rendimento muito superior a estratégias de estudo


passivas. Tu deves já saber quais as técnicas de estudo que funcionam melhor
contigo - tenta usá-las. Tenta usar várias formas de estudo para colmatar as
falhas de cada uma individualmente.

Perceber conceitos
A PNA não é realmente um exame de conhecimento médico. É um exame que
avalia a capacidade de pegar na informação que fomos aprendendo ao longo do
curso e aplica-la em situações clínicas envolvendo doentes. Vamos ser sinceros,
enquanto estudantes de medicina estamos habituados a memorizar grandes
quantidades de informação no mínimo de tempo possível. Por exemplo, é
completamente plausível que um aluno memorize um livro de 200 páginas em 1
semana durante a época de exames. No entanto, a PNA é forte na integração de
conceitos, e isso implica ajustar esta forma de estudar.

Técnicas de exame
Para este exame não basta saber a matéria – é necessário saber aplicá-la. Muitos
alunos leem a matéria muitas vezes, na esperança que se souberem mais isso vai
conduzir a uma nota melhor. Não me entendas mal – para este exame é preciso
saber bastante. No entanto, saber o que está nos livros é só metade do caminho.
Para a maioria dos alunos, a maioria dos erros cometidos no exame não são por
falta de conhecimento – mas sim por erros de leitura, interpretação e erros de
fixação. Muitos alunos não constroem uma estratégia eficaz de ler cada vinheta.
Muito alunos não treinam a gestão de tempo. Por isso, um dos módulos do nosso
guia é sobre técnicas de exame e recomendamos a leitura do artigo do blog "Os
erros mais frequentes na PNA".

geral@[Link] 22 [Link]
3 FASES DE ESTUDO

Módulo 2: Recursos de estudo


Neste módulo vamos descrever em mais detalhe cada uma das fases de estudo e
recomendar aqueles que achamos ser os melhores recursos. No entanto, cada
pessoa deve refletir sobre como aproveitar esta informação para si, porque o que
funciona para uma pessoa pode não funcionar para todos.

O nosso principal critério é a qualidade e o benefício na preparação da PNA,


independentemente da origem geográfica.

É impossível estudar por todos os recursos. Vamos tentar ser compreensivos e


dizer os prós e contras de cada um, mas em última instância vais ter (e deves)
escolher só alguns. É importante compreender que a forma com que se usa cada
recurso é tão ou mais importante como o recurso em si.

3 fases de estudo
O plano de estudo recomendado consiste em 3 fases.

Compreender Reter Aplicar


• Durante o 6 ano • Julho e agosto • Até à PNA
até julho • Rever • Fazer perguntas
• Construir uma apontamentos e • Exames de
base teórica materiais prévios simulação
sólida

Fase 1: compreender
Na primeira fase, o objetivo é construir uma base teórica. Esta fase deve iniciar o
mais cedo possível (antes do 6° ano, se possível) e durar até julho. Aqui o objetivo
é compreender aprofundadamente os conceitos avaliados na PNA. O objetivo não
é decorar – mas sim compreender. Por exemplo, uma guideline que seja estudada
nesta altura não deve ser memorizada, mas sim procurados os conceitos que
estão subjacentes a cada indicação.

Os recursos que existem para esta fase são:

geral@[Link] 23 [Link]
FASE 1: COMPREENDER

Livros da bibliografia recomendada


Estes são os livros nomeados no diário da república como os recomendados para
preparar para a prova. São livros completos que descrevem tudo o que é preciso
saber.

Para grande surpresa dos meus colegas que estudavam comigo,


eu não cheguei a usá-los. Eu queria um recurso que soubesse
enfatizar as matérias mais importantes para o exame. Queria
também algo orientado em específico para o exame. – João Nuno
Soares

Estes livros podem não ser uma mais valia assim tão grande no teu estudo.
Considerando o princípio dos 20/80, estes livros, ao ter toda a informação que sai
no exame, levam a que tenhas de ler muita informação menos relevante por cada
informação mais relevante que estudas. Isto pode fazer com que tenhas menos
tempo para outros recursos como praticar perguntas, além de que ler um livro é
uma estratégia bastante passiva. Ao ler um livro, vais inconscientemente
concentrar-te na informação que já sabes, confrontando pouco o teu
conhecimento atual.

A principal vantagem destes recursos está em esclarecer dúvidas pontuais como


recurso de referência. O UpToDate e Amboss são muito diretos e uma boa solução
para esclarecer dúvidas também.

Normas de Orientação Clínica (NOCs)


Estas são as normas de orientação clínicas que vigoram em Portugal. A sua leitura
permite ter uma ideia do que se faz em Portugal, no entanto não enfatizam a
compreensão dos conceitos que motivam as suas recomendações. Recomendo a
leitura de algumas NOCs relevantes como ferramenta complementar a um
recurso que incida mais aprofundadamente em cada conceito. Algumas NOCs
importantes, mas não todas, são:

• Antibioterapia na Pneumonia Adquirida na Comunidade em Adultos


Imunocompetentes
• Terapêutica de infeções do aparelho urinário (comunidade)
• Rastreio do cancro colo-rectal
• Rastreio do cancro da mama

geral@[Link] 24 [Link]
FASE 1: COMPREENDER

• Rastreio do cancro da próstata

Empresas de preparação dos EUA


Estas empresas estão orientadas para o USMLE, que é uma série de exames feitos
pelos alunos dos EUA. Devido à dimensão dos EUA, os USMLE não se focam em
guidelines que variam de estado para estado, mas sim nos conceitos que são
transversais entre eles.

Estudar por recursos dos USMLEs pode ser uma opção viável e boa para estudar
para a PNA. Os formadores passam por provas de seleção exigentes (USMLE step
1, step 2 CK, step 2 CS, step 3, boards da especialidade) e isso reflete-se na
qualidade dos slides e da exposição oral, mais orientada para este género de
exame.

Um componente importante do modelo da PNA foi importado dos EUA:

• Os examinadores portugueses foram aos EUA ter um curso com o NBME


(empresa que suporta o USMLE);
• Portugal comprou perguntas ao NBME para usar na PNA;
• Quem faz perguntas destes exames percebe que são de facto muito
parecidas.
• Além disso, verificou-se existirem questões na PNA que seguiram guidelines
internacionais em vez de NOCs, que por vezes são desatualizadas e antigas
(ex. A NOC portuguesa desencoraja o uso de TMP-SMX no tratamento de
uma ITU em mulher saudável devido a resistências em PT, no entanto esta
alínea foi considerada correta na PNA).

Eu fiz o USMLE Step 2 CK na semana seguinte que a PNA e


estudei pelos mesmos recursos para os dois exames. Tive a
segunda posição na PNA e percentil 97 no Step 2 CK. Usar
recursos dos EUA é sem dúvida uma mais valia para estudar para
a PNA. – João Nuno Soares

A matéria do USMLE Step 2 CK inclui certos conteúdos que a PNA não (ex.
bioestatística e leitura de abstracts), que podes não estudar, mas de forma geral
a matéria da PNA está toda incluída no USMLE Step 2 CK. As pequenas diferenças
(ex. antibioterapia na pneumonia em ambulatório, idades dos rastreios) são

geral@[Link] 25 [Link]
FASE 1: COMPREENDER

facilmente identificadas por um aluno atento se deres uma leitura geral das NOCs
mais importantes (com pensamento crítico) ou estudares com colegas.

OnlineMedEd
É uma organização sem fins lucrativos que tem uma plataforma online com vídeos
que explicam todos os temas para o USMLE Step 2 CK. Também tem esquemas,
perguntas e flashcards. Pode ser acedida em [Link].

• Vantagens: os vídeos são diretos ao assunto e por isso a eficiência da


gestão de tempo é muito boa.
• Desvantagens: por vezes não aprofundam conceitos importantes.

Curso de Kaplan para o Step 2 CK


O curso tem 5 livros de estudo – medicina interna, pediatria, cirurgia, ginecologia-
obstetrícia e psiquiatria – que são acompanhados por aulas online. Eu usei este
curso porque também estava a estudar para o Step 2 CK.

• Vantagens: a revisão que fazem é completa e ainda assim fácil de ler e


compreender. Eles tornam conceitos difíceis fáceis de entender e dão não
só o conhecimento como as ferramentas para pensar e organizar esse
mesmo conhecimento. Os livros são bem organizados e com muito espaço
para tirar notas. Podem ser usados mesmo sem os vídeos (por exemplo, com
aulas da faculdade).
• Desvantagens: como ponto contra é o facto de consumirem muito tempo
para ler, o que pode ser um fator limitante para pessoas já num momento
avançado da sua preparação ou com pouco tempo de estudo.

AMBOSS
A biblioteca da Amboss é exaustiva (fala de forma completa de todos os temas) e
sucinta (i.e., vai direta ao assunto). Pode-se pesquisar facilmente por palavras-
chave, o que facilita o esclarecimento de dúvidas. Dá para escrever comentários
por baixo dos conteúdos o que permite personalizar as fichas ao teu estudo. Os
conteúdos são atualizados frequentemente. A equipa é muito simpática e pronta
a fornecer feedback se necessário (por exemplo, clarificar perguntas do qbank).
O preço é mais acessível que o Uworld, mas as perguntas são de qualidade
inferior à Uworld (a Amboss tem por vezes perguntas muito académicas, e não diz
o objetivo educacional das perguntas). Mesmo enquanto interno continuo a usar

geral@[Link] 26 [Link]
FASE 1: COMPREENDER

a Amboss no hospital – é uma mais valia ver lá as minhas notas que tirei durante
a minha preparação.

Anki
Permite ao aluno criar as suas próprias flashcards (ou usar baralhos criados) que
depois resolve segundo a dificuldade num algoritmo de spaced repetition
permitindo reter a informação.

geral@[Link] 27 [Link]
FASE 2: RETER

Fase 2: reter
Na segunda fase, o objetivo é rever os conceitos já aprendidos de forma a
maximizar a eficácia da sua retenção e dos recursos anteriores. Se a fase anterior
foi bem feita, aqui é o tempo de lembrar rapidamente os conceitos que foram
apreendidos previamente.

Na minha opinião, esta é a fase que devia demorar menos tempo


das 3, apesar de ser neste que a maioria dos alunos investe a
maior parte do seu tempo. – João Nuno Soares

No mercado existem alguns livros muito bons, que são autênticas “sebentas” para
este exame e permitem sumarizar todos os factos que é preciso saber e dar
espaço para tirar notas nas margens dos conteúdos aprendidos no banco de
questões.

A melhor maneira de usar estes livros é como um sumário onde


podemos organizar as nossas notas por temas. Cada palavra que
escrevo na margem do meu First Aid está ligada a um conceito
que eu aprendi ou a uma pergunta que errei. Estes livros não
servem para aprender – servem para consolidar o que já
sabemos. Podem ser um recurso poderoso, se usados
corretamente. – João Nuno Soares

É impossível ver todos os recursos que apresento de seguida, escolhe só 1 que


achas ajustado a ti!

• Resumos PNA por Diogo Carvalho | Inês Amaral | João Cravo


o É um resumo em português, que pode apoiar a resolução de casos
clínicos ao fornecer um esqueleto de apoio onde se pode apontar
nas margens para ajudar a estruturar o conhecimento que obtém a
resolver perguntas.
o Permite sistematizar conceitos e revê-los rapidamente.
o O espírito deste resumo é tal e qual do do First Aid - não tem todo o
conhecimento, mas tem todos os tópicos, de uma forma estruturada,
para permitir apoiar a resolução de perguntas e rapidamente rever
os conceitos já compreendidos. Usado dessa forma, pode ser uma
ferramenta muito poderosa.

geral@[Link] 28 [Link]
FASE 2: RETER

• First Aid for USMLE Step 2 CK


o Este livro nasceu da iniciativa de um conjunto de alunos numa
universidade dos EUA que perguntava ao máximo de alunos que
tinham feito o Step 2 CK o que é que tinha saído (apesar de isto ser
ilegal). Daí criaram este livro completo com +600 páginas que cobre
todos os temas avaliados, com excelentes ilustrações e tablas.
o Desvantagens: não tem muito espaço nas margens para notas; a
organização podia ser mais clinicamente intuitiva.
• Master the Boards for USMLE Step 2 CK
o Este livro tem uma origem completamente diferente. Foi escrito por
Conrad Fisher que é um médico, diretor de um programa de medicina
interna num hospital em Nova Iorque.
o Desvantagens: Não é tão compreensivo (com tanta informação) como
o First Aid, mas a informação que apresenta é a mais importante.
• USMLE Step 2 CK Secrets
o Este livro é mais pequeno do que os anteriores e assim permite uma
revisão mais orientada para tópicos high yield. Ideal para quem tem
pouco tempo de preparação. Pode-se ler, por exemplo, algumas
páginas ao fim do dia depois de fazer exercícios.
• Rever os resumos que fizeste anteriormente
o Resumos são uma estratégia de estudo muito eficaz para alguns
alunos e a revisão dos resumos que tu fizeste pode ser muito eficaz
para fixares aquele conteúdo. No entanto, devido à matéria ser muito
vasta é muito difícil (ou impossível) fazer resumos de tudo. Por isso, se
fizeres um breve resumo de algumas matérias mais difíceis pode ser
vantajoso reler agora.
• AMBOSS em modo high yield
o A Amboss tem um modo high yield que só apresenta a informação
mais relevante.
o Desvantagem: alguns alunos gostam de apontar, riscar, sublinhar os
meus livros de preparação (se a Amboss fizesse um manual high
yield…), mas para quem gosta de estudar no tablet ou computador
pode ser uma opção interessante.
• Rever fichas do Anki

geral@[Link] 29 [Link]
FASE 2: RETER

o Se foste fazendo fichas ao longo do teu estudo, podes agora


aproveitá-las para fixar a matéria com o algoritmo de spaced
repetition.

Em 2019 foi realizado um estudo sobre


meios de preparação para o USMLE Step
2 CK. Este estudo analisou as respostas de
543 alunos a questões relativas à sua
preparação. O estudo pode ser
encontrado aqui. Antes de interpretar os
seguintes dados, temos de ter em conta
que a maioria dos alunos que fazem o
Step 2 CK nos EUA já fez o Step 1. Como tal,
Retirado de 2020. Step2 CK 2019 Survey Results: Step2. já têm uma base teórica e muitos fazem
[online] Available at:
<[Link] uma preparação mais curta e mais guiada
19_survey_results/> [Accessed 7 June 2020].
por perguntas. Talvez seja por esse motivo
que recursos mais compreensivos e longos sejam pouco usados.

Este estudo verificou que 45,3% dos inquiridos usou o First Aid e 36,7% usou o
Master The Boards. O Step Up series tem vários livros, sendo que o mais
conhecido é o Step Up to Medicine, mas apenas inclui a matéria de Medicina
Interna.

Apesar das várias limitações deste estudo, é dos mais completos sobre os vários
recursos usados.

geral@[Link] 30 [Link]
FASE 3: APLICAR

Fase 3: aplicar
Na terceira fase, o objetivo é aplicar o conhecimento, integrar conceitos e
desenvolver técnicas de resolução de exame. Esta fase procura diminuir os erros
de leitura das questões, os erros de interpretação, diminuir o tempo usado por
pergunta e ganhar estamina para aguentar a prova inteira. É importante cultivar
a sanidade mental, à medida que a pressão aumenta – por isso é especialmente
nesta altura que deves tirar algum tempo para desporto e lazer.

A PNA pretende incidir sobre conceitos médicos que são iguais


em todo o mundo. Usar perguntas com respostas duvidosas e
mal justificadas pode ser desmotivante e aumentar a ansiedade.
Um erro que vi muitos colegas cometer.– João Nuno Soares

Os melhores recursos são:

• UWorld
o O banco de perguntas do Step 2 CK tem ~4000 questões com
explicações muito detalhadas, rigorosas e relevantes. Estas questões
são as mais aproximadas do exame, e as mais pedagógicas.
o Recomendamos fazer todas as perguntas, mesmo as que não estão
diretamente incluídas na matriz. A UWorld é muito criteriosa a incluir
apenas perguntas que são relevantes para um médico, e que é útil
sabermos. Mesmo que não pareça à primeira vista podemos
aprender um conceito novo relevante ou compreender melhor outro
conceito relacionado que ajude a responder bem a mais perguntas
no exame.
o Se puderes, evita repetir perguntas. Ao repetir estás a treinar o teu
cérebro para reconhecer pistas de que te lembras em vez de
raciocinar num cenário novo.
o As perguntas do Uworld Step 2 CK são as mais frequentemente
usadas na preparação para a PNA.
o Se terminares todas e quiseres fazer mais, recomendamos o banco
de perguntas do Step 3 (tem >1000 perguntas). Estas seguem a mesma
filosofia da uWorld Step 2CK. Incidem mais sobre o processo de
decisão clínica e incluem mais informação distractores, afastando-se

geral@[Link] 31 [Link]
FASE 3: APLICAR

um pouco do cenário mais típico de cada patologia. Nota: o step 3


avalia bioestatística – sugerimos excluir essas questões.
o Consideramos que o Uworld Step 2 CK é o mais útil para começar o
estudo e o Uworld Step 3 pode ser útil nos últimos 1-3 meses antes da
prova para os alunos que conseguem acabar o Uworld Step 2 e
querem fazer mais questões.
o A plataforma online permite analisar as respostas dadas por temas
e pode incluir 2 exames de simulação.
• USMLE ([Link])
o O site do USMLE ([Link] – link direto aqui) apresenta perguntas
oficiais e gratuitas para ilustrar o estilo do exame. Existem 120
perguntas para o Step 2 CK e 137 para o Step 3. Podem ser realizadas
numa plataforma online, mas também offline num ficheiro pdf.
• NBME ([Link])
o Tem vários exames de simulação. As perguntas são feitas pelo NBME,
que é a empresa oficial que apoiou os nossos avaliadores a escrever
perguntas para a PNA. As vinhetas podem ser um pouco mais curtas
que a PNA, por isso tem cuidado que a gestão de tempo pode não
prever exatamente a PNA. Cada exame inclui uma análise detalhada
que ajuda a organizar o estudo.
o O Comprehensive Clinical Science é orientado para o Step 2 CK.
Cada exame tem 4 blocos de 46 perguntas (184 perguntas ao todo), o
que é semelhante à PNA (150).
o O Comprehensive Clinical Medicine é orientado para o Step 3
o O Clinical Mastery Series tem vários exames (1 bloco cada) sobre
apenas um estágio do 6º ano (por ex. Medicina Interna). Podem ser
feitos durante cada estágio para estudar para a PNA
simultaneamente que para o estágio. Estes exames também são
feitos pelo NBME e têm muita qualidade.
• Outros bancos de perguntas (para alunos que os anteriores não sejam
suficiente):
o OnlineMedEd
o Kaplan
o Amboss

geral@[Link] 32 [Link]
FASE 3: APLICAR

As perguntas devem ser introduzidas logo desde o início da preparação. A


quantidade de perguntas que são feitas pode ir aumentando de forma gradual
ao longo de toda a preparação (i.e., algumas no início e cada vez mais depois).
Não te esqueças de registar os resultados nos exames de simulação para veres a
evolução ao longo do tempo.

Durante a 3ª fase, eu costumava fazer 1 banco de manhã e lia as


explicações durante a tarde. Durante o último mês comecei a
fazer 2-4 blocos por dia, lendo só as perguntas que tinha dúvidas
para treinar estamina para o dia do exame. – João Nuno Soares

geral@[Link] 33 [Link]
JUNTAR TUDO: O PERÍODO DE ESTUDO DEDICADO

Juntar tudo: o período de estudo dedicado


Para um aluno que realiza a PNA pela primeira vez após terminar o curso é usual
tirar um período de estudo dedicado em que apenas estuda para a PNA (para
quem já é interno ou especialista e está a estudar em part-time recomendo
avançar para a próxima secção).

Geralmente as aulas terminam a meio de julho. Nesta fase já deves estar no fim
da fase 1 “compreender” ou início da fase 2 “reter”. Nesta fase, deves fazeres uma
tabela com a lista geral dos temas e determinares quantos dias vais dedicar a
cada um, como na tabela seguinte.

Repara que o somatório do número de dias previsto é inferior ao total de dias, o


que dá alguma flexibilidade ao plano. Além disso, esta tabela tem datas que
apenas existem para ilustrar o exemplo – deves interpretá-las com espírito crítico
e escolher adaptar (ou não) este exemplo a ti se o achares útil. É uma sugestão
que podes adaptar ao teu estudo! Mais importante do que as datas e valores em
particular é fazer um plano adaptado às tuas necessidades.

Fase 2: RETER
Início 15-07-20
Fim 31-08-20
Total de dias 47

Nº de dias Nº dias
Temas previsto feito
Medicina Interna
Cardiologia 3
Pneumologia 2
Neurologia 2
Gastrointestinal 2
Nefrologia e Urologia (cirurgia) 3
Oncologia 1
Hematologia 1
Infeciologia 2
Reumatologia e Ortopedia (cirurgia) 2
Endocrinologia 2

Cirurgia Geral 2
Oftalmologia 0.5
Otorrinolaringologia 0.5
Trauma 0.5

geral@[Link] 34 [Link]
JUNTAR TUDO: O PERÍODO DE ESTUDO DEDICADO

Pediatria 3

Ginecologia e obstetrícia 3

Psiquiatria 2
Total 31.5 0

Durante a fase 2, podes ir lendo um livro resumo como o First Aid ou o Master The
Boards e ir pontualmente ver temas mais complexos ou que sabes que estudaste
bem anteriormente. É importante não demorar demasiado em cada tema – a fase
mais demorada de compreender já passou, agora é só lembrar os conceitos
aprendidos de forma dispersa previamente.

Durante esta fase deves ir realizando algumas perguntas, por exemplo as da


UWorld em modo tutor, sobre o tema antes de o estudar (priming – quando depois
estudares aquela matéria vais estar mais atento) e depois (para avaliares o
rendimento do estudo).

Com esta tabela estás apto para criar o teu calendário de estudo, que pode ser
qualquer coisa parecida com isto:

Dia Matéria de estudo N. perguntas feito N. certas % Comentário


9-jul Quinta-feira Cardiologia 10
10-jul Sexta-feira Cardiologia 5
11-jul Sábado Cardiologia 15
12-jul Domingo Descanso
13-jul Segunda-feira Neurologia 5
14-jul Terça-feira Neurologia 5
Afinal neurologia era mais complexo e necessitou de
15-jul Quarta-feira Neurologia 20 mais 1 dia
16-jul Quinta-feira Gastrointestinal 10
17-jul Sexta-feira Gastrointestinal 5
18-jul Sábado Gastrointestinal 15 GI também necessitou de mais 1 dia
19-jul Domingo Descanso
20-jul Segunda-feira Nefrologia e Urologia (cirurgia) 10
21-jul Terça-feira Nefrologia e Urologia (cirurgia) 10
22-jul Quarta-feira Nefrologia e Urologia (cirurgia) 10
23-jul Quinta-feira Hematologia 5
24-jul Sexta-feira Infecciologia 10
25-jul Sábado Infecciologia 10
26-jul Domingo Descanso
27-jul Segunda-feira Pediatria 10
28-jul Terça-feira Pediatria 10
29-jul Quarta-feira Pediatria 15
30-jul Quinta-feira Pediatria 10 Pediatria também necessitou de mais 1 dia
31-jul Sexta-feira Oncologia 5

A tabela apresenta dados reais do meu estudo. Apesar de ter


planeado concluir a fase 2 no final de agosto e o meu plano
incluir muitos dias extra, acabei por terminar esta fase só a meio

geral@[Link] 35 [Link]
JUNTAR TUDO: O PERÍODO DE ESTUDO DEDICADO

de setembro. Aconselho esperar o inesperado e ter dias de


flexibilidade, porque podes não conseguir terminar um tópico no
tempo esperado. – João Nuno Soares

Após terminar esta revisão da matéria, podes iniciar a fase seguinte – “aplicar” – e
fazer perguntas todos os dias – blocos aleatórios (i.e. com todos os temas), fazer
as perguntas seguidas e ver as explicações no fim (i.e., sem ser no modo “tutor”) e
em modo temporizado (i.e., 90 segundos por pergunta). O essencial é ler bem as
explicações e podes usar o livro de revisão anterior para apontar a informação
chave que não sabias – e assim personalizar o livro ao teu estudo.

Fase 3: APLICAR (setembro e outubro)


Objetivo: praticar questões e aprender
Início 01-09-20
Fim 31-10-20
Total de dias 60

Fazer UWorld
Número de Questões ~3000
Número de Blocos (40 perguntas cada) 75
Número de Semanas 8.6
Blocos por semana a fazer 8.8
Objetivo blocos/semana 8

Nº Blocos feitos 0

Dias que faltam 156


Semanas que faltam 22.285714
Nº Blocos que faltam fazer 75
Blocos por semana 3.3653846

Quando te aproximares do exame (ex. estiveres no último mês), a prioridade deve


mudar em função da tua dificuldade. Uma dificuldade que muitos alunos
apresentam é a gestão de tempo. Se isto for a tua dificuldade, podes fazer 2
blocos seguidos (40+40 perguntas), ou até 3 ou 4 para ter uma sensação de como
te vais sentir no exame.

geral@[Link] 36 [Link]
JUNTAR TUDO: O PERÍODO DE ESTUDO DEDICADO

Fase 3: APLICAR (novembro)


Objetivo: Fazer máximo de questões
Início 01-11-20

Fim 30-11-20

Total de dias 29

geral@[Link] 37 [Link]
ESTUDAR EM PART-TIME

Estudar em part-time
Se decidiste fazer a PNA dentro de alguns meses e tens outras solicitações quer
sejam do trabalho, da família ou mesmo de desportos ou hobbies que sejam
importantes para ti, essa situação pode ser bem melhor, holisticamente, do que
passares um ano obcecado em exclusivo com o exame. Podes ter uma vida mais
saudável e equilibrada, e se fizeres as opções de estudo certas, até aumentar a
probabilidade de obteres um melhor resultado.

As seguintes dicas podem afinar o método para ser mais proveitoso na situação
de alguém com menos tempo de estudo (4-6 meses) e a estudar em tempo parcial
(1-3 horas por dia):

1. Faz dos bancos de perguntas o epicentro do teu estudo, i.e., começa logo
na fase “Aplicar”; recomendamos fortemente o Uworld Step 2CK,
complementado pelo Uworld step 3 nas últimas semanas. Atira-te logo às
perguntas, desde o início, sempre temporizadas em condições de exame.

Eu sei, parece contraintuitivo, é o erro que todos cometemos, "não


vou tentar fazer perguntas antes de estudar, porque vou errar
muitas"; repara, só contam mesmo as do exame real, esquece o
ego, nesta fase. isto é claramente o que funciona. – Gil Cunha

2. Na tua situação não tens tempo nem necessidade de alocar vários meses à
aquisição de bases teóricas. Acredita no princípio 80/20: podes ignorar
completamente a matriz com a sua lista exaustiva de patologias raras e a
bibliografia aconselhada. O trabalho de compreender e reter pode ser feito
em paralelo com a aplicação, em duas passagens:
a. Numa primeira passagem faz perguntas só de uma grande área das
5 (MED/CIR/PED/OB-GIN/PSIQ), alternando com ver todos os vídeos
dessa área do OnlineMedEd; claro que vais errar algumas, mas é
mesmo assim, essas que erras são as mais importantes, porque te
ficam gravadas na memória. O Uworld explica muito bem porque é
que erraste – esse erro não voltas a cometer e ao mesmo tempo
aprendes sobre esse tópico, sem livros, os vídeos chegam bem.

geral@[Link] 38 [Link]
ESTUDAR EM PART-TIME

b. Assim que acabes a primeira passagem passa para o mais


importante: blocos de 40 perguntas seguidas, com 90s para cada
uma contendo TODA a matéria do exame, tens de habituar o teu
cérebro a ser "bombardeado" com perguntas de várias áreas,
salteadas; mais, se já sabes que a pergunta é de uma determinada
subespecialidade, estás a enviesar a resposta, porque entras com
esse dado à partida para responder (no exame não é assim);
3. Consistência é muito importante. Este método cria condições mentais que
te permitem estudar de forma consistente, e evoluir, de modo análogo ao
treino para desportos de endurance, em que são fundamentais as
variações de volume e intensidade; como o teu estudo é baseado em treinar
perguntas, podes encaixar de forma flexível na tua vida; dias mais livres
aproveitas para treinos longos (i.e. 2 a 4 blocos de 40 perguntas), dias em
que tens mais trabalho consegues sempre arranjar tempo para um mini
bloco de 10-15 perguntas e ver um vídeo. Esses dias de estudo mais leves
são importantes para não acumulares fadiga de estudo, ficas realmente
mais fresco para aproveitar bem os dias em que podes estudar mais.

4. Após acabar um bloco de treino, o mais importante não é a percentagem


de respostas certas nos treinos nem ser quem faz mais perguntas. O crucial
é a revisão das respostas, ler e entender as explicações. Investe nisso o
tempo necessário. Ao início demoras 2-3x o tempo que demoras a fazer o
bloco, mas vais-te tornar cada vez mais eficiente. O que fazer para reter a
nova informação? Sugiro fazeres um flashcard no Anki com as perguntas
que erraste por falta de conhecimento. Ao fazeres o flashcard estás já a
estudar ativamente, e depois continuas ativo com o método de spaced-
repetition automático - facilita muito a retenção, com reduzido
investimento de tempo. Funciona melhor se todos os dias vires os cartões
propostos pela app (15-20 min/dia).

Ao início preocupava-me por demorar demasiado tempo a rever


um bloco de de 40 perguntas. Agora percebo que essa era a fase
mais importante do estudo, onde nos apercebemos das nossas
lacunas e sedimentamos o conhecimento. Com o avançar do
tempo tornamo-nos cada vez mais eficientes, e esse tempo reduz-
se drasticamente. Aprendes a gerir intuitivamente o tempo. Cada

geral@[Link] 39 [Link]
ESTUDAR EM PART-TIME

pessoa tem a sua velocidade e o que importa é sentires que estás


a aprender. Dica: foca-te principalmente nas perguntas que
erraste e que a maioria acerta – Gil Cunha

5. As últimas 2-3 semanas antes da prova: A PNA faz lembrar uma maratona
(mas podes descansar a meio!). Não te mates nesta fase, no dia da prova
tens de estar fresco e focado. O trabalho principal foi feito nos meses
anteriores. Tira férias do trabalho e tenta reduzir as obrigações familiares.
Neste período é fundamental teres sono e alimentação regular, exercício
moderado, e aplicar algumas técnicas de meditação e relaxamento que
aumentem a concentração. Aproveita o tempo mais livre para ficares à
vontade com a estrutura da prova: à hora da prova, faz 2 blocos seguidos
de 40 perguntas, 1h de jogging ou yoga, mais 2 blocos de 40 perguntas. Os
testes finais do Uworld são bons para isso, tal como os do NBME. Usa o dia
seguinte para recuperar e rever com calma as tuas respostas e explicações.

6. Se fores médico interno de formação geral, este cenário é ideal porque tens
contacto com várias rotações. No final de cada dia, faz uma pesquisa sobre
as patologias que viste. Podes usar o UpToDate (tem desconto de 50% para
internos) para procurar este conhecimento – No fim de cada rotação, avalia
os teus conhecimentos como se fosses de facto um aluno – faz um Clinical
Mastery Series sobre esta matéria.”

geral@[Link] 40 [Link]
COMO USAR UM BANCO DE PERGUNTAS?

Como usar um banco de perguntas?


Os seguintes 5 princípios podem ser aplicados para tirar o máximo proveito de
bancos de questões.

Em primeiro lugar, fazer em modo temporizado (i.e., 90 segundos por pergunta)


para treinar o tempo e aleatório (i.e., todos os temas) para não introduzir vieses
no raciocínio. Uma grande dificuldade do exame é não conseguir acabar a tempo.
A capacidade de responder no tempo exigido é difícil de atingir. Além disso, uma
dificuldade do exame está na integração de matéria de sistemas diferentes – e ao
fazer aleatório asseguras que manténs essa dificuldade (a nota pode ser um
pouco mais baixa no início – mas depois compensa). Além disso, se fizeres por
temas podes “esgotar” as perguntas daquele tema do banco de perguntas e ter
mais dificuldade a fazer exames aleatórios mais tarde (isto aconteceu com alguns
colegas).

Em segundo lugar, rever as explicações de todas a respostas, mesmo as erradas.


Muitos alunos não fazem isto. No entanto, por vezes uma resposta errada tem
tanta ou mais relevância do que uma resposta certa, e a sua integração dá uma
perspetiva mais lata do diagnóstico diferencial e raciocínio das perguntas.
Algumas aplicações não permitem ver as outras respostas facilmente (i.e., na
AMBOSS quando se carrega numa resposta só abre essa, é necessário alterar as
definições)

Em terceiro lugar, tentar entender o motivo dos erros. A percentagem de


respostas que são erradas por verdadeira falta de conhecimento é na maioria
das pessoas muito reduzida. A PNA avalia: conhecimento, capacidade de lembrar
e capacidade de aplicar. Por isso depois de acabar um bloco de questões, procura
entender o motivo dos teus erros – estás a ler mal ou a interpretar mal a pergunta?
Na maioria dos casos é este o problema. Então desenvolve estratégias para isto
não acontecer. Ao melhorar os hábitos de sono e dar prioridade ao bem-estar
físico e mental estás a reduzir erros de distração – que para a maioria das pessoas
corresponde à grande parte dos erros.

Em quarto lugar, treinar uma técnica de abordagem à leitura da questão.


Consulta esta publicação para aprender várias dicas para melhorar a tua técnica.
Lá é apresentada a técnica do João Nuno. Contudo, é fundamental desenvolver
uma que funcione contigo.

geral@[Link] 41 [Link]
COMO USAR UM BANCO DE PERGUNTAS?

Em quinto lugar, procurar saber qual é o objetivo educacional da pergunta. As


perguntas ao nosso nível procuram avaliar principalmente problemas comuns do
quotidiano médico e problemas potencialmente catastróficos. Ao colocar-te no
lugar do avaliador, desenvolves uma mentalidade que permite dar mais
prioridade a certas perguntas – e sabê-las mesmo bem – e ao mesmo tempo
desenvolver um 6º sentido (ao fim de muitas perguntas) que quase te ajuda a
adivinhar a resposta certa.

Dicas para treinar com questões

Usar regras de decisão:

• Quando estás em dúvida entre 2 ou mais alíneas ou quando não fazes a


mínima ideia da resposta certa, deves usar uma regra de decisão
previamente decidida para permitir não perder tempo e seguir em frente.
• O princípio é que tens maior probabilidade de acertar se o fizeres
rapidamente do que se ficares muito tempo a pensar.
• Exemplos:
o Quando entre duas doenças, escolher a mais frequente;
o Quando entre 2 medicamentos, escolher o que tem menos efeitos
secundários;
o Quando existe um sintoma de novo após início de um medicamento,
geralmente a causa é esse medicamento;
o Quando entre dois tratamentos, escolher o menos invasivo.

Técnicas de treino a ler vinhetas:

• Substituir a pergunta toda por um lead-in mais completo


• Imaginar ou descrever para um colega cronologicamente a fisiopatologia,
diagnóstico e tratamento naquele doente

geral@[Link] 42 [Link]
COMO PENSA UM EXAMINADOR QUANDO ESCREVE AS
PERGUNTAS?
Módulo 3: Técnicas de exame
Como pensa um examinador quando escreve as perguntas?

O NBME recomenda (e a PNA rege-se da mesma forma) que o melhor tipo de


perguntas é o modelo single best answer. Isto significa que cada pergunta
questiona qual, das opções listadas, a mais correta. A pergunta contém uma
vinheta clínica. Isto tem a vantagem de em primeiro lugar fazer a pergunta mais
“autêntica” (pretende-se formar médicos que consigam encontrar soluções para
problemas clínicos), em segundo lugar filtrar perguntas que sejam mais relevantes
em cenários clínicos (em vez de trívia) e em terceiro lugar, permite identificar os
alunos que conseguem aplicar o conhecimento teórico (em vez daquelas que
memorizam).

O NBME tem um livro – Gold Book: constructing written test questions for the basic
and clinical sciences – que explica que uma pergunta bem construída deve seguir
várias regras.

• Regra número 1: Cada pergunta deve avaliar um conceito importante ou


objetivo educacional
• Cada pergunta deve avaliar a aplicação de conhecimento e não a
memorização de um facto isolado
• O nível de detalhe e dados atípicos depende do nível do aluno – nós
estamos a fazer um exame de acesso à especialidade e não de fim de
especialidade, por isso as apresentações vão ser geralmente típicas.
Quando não o são, geralmente o examinador tem um objetivo educacional
com aquela apresentação menos típica (ex. Doença cardíaca que parece
GERD)
• A pergunta final (lead-in) deve ser fechada, clara e focada.
• O aluno deve conseguir responder à questão sem ler as opções
• A pergunta não deve ter erros que adicionam dificuldade irrelevante ou que
beneficiam alunos mais espertos.

Para entender esta última regra, temos de entender um conceito fundamental:

O objetivo de uma pergunta da PNA não é ser difícil. A dificuldade per se


(percentagem de alunos que responde corretamente) diz muito pouco sobre a

geral@[Link] 43 [Link]
COMO PENSA UM EXAMINADOR QUANDO ESCREVE AS
PERGUNTAS?
qualidade da pergunta. O objetivo da pergunta é ter uma boa capacidade de
discriminação. A discriminação varia com a capacidade dos alunos com melhores
notas (ex. Os melhores 25%) acertarem mais do que os alunos com piores notas
(ex. Os piores 25%).

Retirado de Gold Book of NBME

A tabela representa as percentagens de resposta por alínea e por grupo de


alunos (High são os 25% melhores alunos naquele teste, low são os 25% piores e
total são todos os alunos) a uma pergunta retirada do Gold Book of NBME. A
alínea D é a considerada correta pelos examinadores (está marcada com “*”). Esta
pergunta tem elevada dificuldade (P-value 31, isto é, 31% dos alunos acertaram). No
entanto, o índice de discriminação é negativo. Se investigarmos a causa,
verificamos que a alínea B é mais votada – na verdade, há mais alunos do grupo
high a escolher a alínea B do que a D. Este é o exemplo clássico de uma pergunta
que pode ter 2 respostas certas e deve ser revista.

Os problemas mais frequentes que interferem com a capacidade de


discriminação das perguntas estão por vezes relacionados com “batotas” que o
examinador por vezes faz para acrescentar dificuldade, mas que acrescentam
uma dificuldade irrelevante (i.e., que não discrimina bem os alunos):

• Opções demasiado longas e complexas


• Dados numéricos não são escritos de forma consistente (quando opções
tem números, devem estar todos no mesmo formato – o ideal é usar
intervalos)
• Termos das opções ou vinheta são vagos e difíceis de interpretar
• Linguagem ou estrutura das opções não é homogénea (devem ter a
mesma estrutura e comprimento que a resposta correta)

geral@[Link] 44 [Link]
COMO PENSA UM EXAMINADOR QUANDO ESCREVE AS
PERGUNTAS?
• Usar a opção “nenhuma das anteriores” (o aluno tem de decidir entre uma
opção escrita que o examinador considerou correta e outra opção que
inclui tudo o que não está listado nas opções. É importante que tenhamos
consciência que nem sempre a realidade é preto no branco. Enquanto
médicos, também temos de ter a capacidade de escolher uma opção
melhor que as outras, mas imperfeita para os nossos doentes.)
• Pergunta é feita na negativa (qual NÃO é correta?)

Por vezes, falhas na escrita das perguntas podem dar uma vantagem a alunos
que não sabem a matéria, nomeadamente:

• Presença de pistas gramaticais (um ou mais distractores não seguem a


estrutura gramatical da pergunta)
• Presença de opções mutuamente exclusivas (algumas opções podem ser
eliminadas porque outras cobrem todas as possibilidades)
• Uso de termos absolutos (sempre, nunca)
• A opção correta é mais longa, mais específica e/ou mais completa
• Presença de convergência (a opção correta é a que tem mais elementos
em comum com as outras opções)
• As opções incorretas não são plausíveis, mesmo para o aluno não
informado

geral@[Link] 45 [Link]
COMO O EXAMINADOR ESCOLHE O TEMA DAS PERGUNTAS

Como o examinador escolhe o tema das perguntas


Saber como o examinador escolhe o tema das perguntas é importante para os
alunos porque ajuda a definir prioridades no estudo. A pergunta deve testar a
aplicação de conhecimento teórico na decisão médica sobre situação clínicas
com doentes e não a posse de conhecimento médico per se. Neste sentido, as
perguntas devem incidir sobre:

• Temas comuns
• Temas potencialmente catastróficos
• Evitar “zebras” ou temas esotéricos
• Temas onde frequentemente são feitos erros no raciocínio clínico
• Temas que o examinando é expectável de encontrar a seguir a realizar a
prova
o Evitar situações clínicas complexas que seriam abordadas por um
especialista mais diferenciado

A pergunta deve incidir sobre problemas que seriam abordadas pelo médico no
próximo nível de treino – no nosso caso médico sem autonomia. Por isso, considero
que o exame dos EUA mais equivalente à PNA é o USMLE Step 2 CK, que também
tem como objetivo avaliar médicos para trabalharem num ambiente
supervisionado (internship ~ formação geral).

Reconhecer estes hot topics é importante não só para orientar o estudo como por
vezes pode ajudar a responder à pergunta.

• Reconhecer o normal e evitar o encarniçamento terapêutico (se houver


uma opção “nenhum exame/tratamento é adequado” há uma forte
possibilidade (NÃO É 100%!) de ser a correta)
o Em perguntas longas com muita informação irrelevante, o desafio é
rapidamente eliminar o normal (irrelevante) e destrinçar a
informação relevante.
o Ex. Ginecomastia bilateral num adolescente é na maioria dos casos
normal (saber reconhecer as red flags)
o Exames laboratoriais normais – saber de cor alguns (pH, Na, K, HCO3,
glicose, Hb, Cr)
• “Aparar a relva”: Problemas tão frequentes que não merecem atenção muito
diferenciada

geral@[Link] 46 [Link]
COMO O EXAMINADOR ESCOLHE O TEMA DAS PERGUNTAS

o Ex. Saber tratar uma UTI em mulher em idade fértil; Tratamento em


ambulatório de pneumonia adquirida na comunidade; saber
reconhecer e tratar complicações de diabetes
o Reconhecer as red flags destes problemas frequentes é importante
para saber quando chamar o especialista!
• Reconhecer a sequencia correta de exames de diagnóstico
o Screening tests Vs Confirmatory tests
▪ Ex. Sífilis
o Laboratório Vs. Imagem (ex. em endócrino – começar geralmente
pelos laboratoriais e não pelos de imagem)
o Ecografia Vs. TC (ex. em doentes obesos, a ecografia é menos fiável)
• Cenários potencialmente catastróficos (life-threatening)
o Primeiros passos na abordagem – que devem ser instituídos antes de
a ajuda mais diferenciada chegar (ex. durante a noite se não estiver
um especialista perto)
o Um doente vem com hipotensão, taquicardia – o que fazer?
o Um doente vem com hemorragia abundante – o que fazer?
o Um doente não consegue respirar – o que fazer?
o Trauma
o Dor torácica: parece GERD, mas será cardíaco?... (saiu na PNA)
o Fratura cervical
• Aplicar princípios apropriados de ética e comunicação

geral@[Link] 47 [Link]
QUAL O TAMANHO IDEAL DE UMA VINHETA?

Qual o tamanho ideal de uma vinheta?


Esta pergunta é particularmente relevante devido às afirmações de muitos alunos
de que as perguntas da PNA são demasiado longas. Eu posso apenas mostrar a
evidencia apresentada pelo NBME sobre o tamanho da resposta. O NBME diz que
a capacidade de diferenciação de uma pergunta aumenta de forma direta com o
aumento do tamanha da vinheta. Neste exemplo (dados retirados dos USMLEs),
eles mostram como uma questão tem maior capacidade de diferenciação à
medida que o tamanho da vinheta aumenta.

Relativamente ao tamanho:

Note-se que num exame longo fatores como o cansaço contam – e afetam
desproporcionalmente mais aqueles que não se preparam para eles. Não é só
uma questão chegar à resposta, é uma questão de chegar lá no tempo necessário.
No entanto, o NBME também alerta para o risco de perguntas com demasiado

geral@[Link] 48 [Link]
palavreado poder colocar informação desnecessária e confusa – e assim criar um
nível de dificuldade irrelevante.

Geralmente as perguntas extensas da PNA são perguntas fáceis, mas a


dificuldade está em eliminar a palha e identificar a agulha no palheiro.

Por exemplo, nesta pergunta da PNA bastava ler a primeira frase (clínica
compatível com pancreatite aguda) e ver o valor da lípase marcadamente elevado
para ter critérios de diagnóstico de pancreatite aguda. Esta informação era
suficiente para responder ao lead-in.

geral@[Link] 49 [Link]
Últimos dias e o dia do exame
O exame é composto por 2 blocos de 120 minutos com um intervalo de 1 hora. Cada
bloco tem 75 perguntas – 150 ao todo. O tempo dividido dá 96 segundos por
pergunta – mais 6 segundos que os bancos de questões como a UWorld, que são
para passares a reposta para a folha de respostas e virares a página. No dia do
exame recebes uma folha de respostas e o enunciado. Só deves virar o enunciado
quando te indicarem.

Nos dias antes do exame:

• Deves sincronizar o ritmo biológico com o dia do exame. Procura acordar à


hora a que vais acordar no dia do exame.
• De forma geral, não vale a pena aprender mais conteúdo novo – não o vais
compreender bem em pouco tempo sob muita pressão. Concentra-te a
fazer exercícios e rever as tuas notas.
• É completamente normal sentires que não sabes tudo.
• Se não conseguires dormir, procura corrigir a tua higiene de sono. Podes
experimentar Mindfulness. Pode ser necessário pedir ajuda médica.
• Aproveita o dia antes do exame para descansar. Nesse dia, podes visitar o
centro onde vai ser o exame para estares familiarizado com os acessos.
• Está atento a comunicados oficiais. Mas tem cuidado que pessoas com más
intenções podem partilhar conteúdos só para perturbar os outros.

No meu ano, foi partilhado um exame falso na véspera. Muitos


alunos ficaram muito nervosos. – João Nuno

No dia do exame:

• É recomendável chegar pelo menos 30 minutos antes.


• Leva uma roupa confortável.
• Algumas pessoas sentem-se melhor se não falarem da matéria do exame
enquanto estão à espera para entrar.
• Materiais eletrónicos são proibidos.
• Podes considerar levar tampões para os ouvidos se achares que vais
necessitar.

geral@[Link] 50 [Link]
• Algumas pessoas preferem levar paracetamol ou um AINE no caso de terem
dor de cabeça ou sentirem-se adoentadas. Lembra-te que hipoglicémia
também dá dor de cabeça.

Durante o exame:

• Controla o tempo – entra no ritmo das perguntas logo desde o início – mas
não estejas sempre a olhar para o relógio
o Ao fim de 60 minutos deves estar pelo menos na pergunta 38 na
primeira parte e 113 na segunda parte
• Em Coimbra em 2019 foram permitidos relógios analógicos, mas acho que
em outros centros do país não – mas estavam também um relógio na parede
• Se a pergunta tiver imagens (ex. ECG) o mais importante é não entrar em
pânico. A vinheta tem informação adicional que ajuda a responder.
• Se sentires que estás a entrar em pânico, é aconselhável tirar um time-out
para respirar fundo
• Tem confiança em ti e na tua preparação – concentra-te no que sabes e não
naquilo que não sabes.

Alimentação:

• Não deves comer uma dieta muito copiosa ao almoço.


• Lembra-te de levar comida para o intervalo para manter o nível de glicose
no sangue para o cérebro. Leva snacks leves e ricos em glicose (ex. Fruta,
sandes, barras de cereais).
• Café é diurético – e pode criar vontade a meio do exame de ires à casa de
banho, o que vai quebrar a gestão de tempo. O ideal é fazeres um teste de
simulação antes para antecipares como te vais sentir.

A minha experiência pessoal – João Nuno Soares:

• Apesar de toda as perguntas que tinha treinado verifiquei a meio da


primeira parte que ainda não estava a meio do exame. Senti uma descarga
adrenérgica. Comecei a ler as perguntas na diagonal lendo com mais
atenção a primeira frase e o lead-in (como tínhamos discutido). Acabei a
primeira parte pelo menos 5 minutos antes do tempo, que deu para verificar
se tinha passado bem as alíneas para a folha de respostas.

geral@[Link] 51 [Link]
• Senti que a segunda parte foi muito mais curta. Consegui acabar cerca de
15 minutos antes.
• Cuidado a corrigir opções no fim do teste – geralmente quando te
apercebes do teu erro e da resposta certa é seguro corrigir, mas se ainda
com a revisão estás na dúvida, tendencialmente deves acreditar no teu
primeiro palpite, ou então usa uma das regras de decisão que descrevi
anteriormente.

Depois do exame, é bastante comum ter uma sensação de que correu mal. Não
alimentes esse sentimento. Deves ter confiança no teu percurso e aproveitar umas
férias bem merecidas.

geral@[Link] 52 [Link]

Common questions

Com tecnologia de IA

A pressão social para obter altas notas pode levar a um aumento da ansiedade e do stress entre estudantes de medicina, causando sentimentos de incompetência e inadequação quando não conseguem atingir esses padrões . Essa pressão desvia o foco do aprendizado profundo e do desenvolvimento de competências médicas para uma perseguição de resultados numéricos, o que pode alienar estudantes do propósito mais amplo de suas carreiras . Consequentemente, isso pode degradar a saúde mental, contribuindo para um ciclo vicioso de esforço excessivo, auto-crítica e desmotivação .

Praticar com perguntas de exames semelhantes ao PNA, como as do UWorld Step 2 CK, ajuda a familiarizar os alunos com o formato e o estilo das questões, melhorando a interpretação e a rapidez de resposta . Isso prepara o cérebro para pensar em cenários novos e previne erros comuns, como o reconhecimento de padrões automáticos que não exigem raciocínio profundo . Essas práticas contribuem significativamente para a estamina necessária durante a prova, essenciais para enfrentar a carga mental e emocional do exame .

Para superar a desmotivação ao estudar para a PNA, pode-se começar refletindo sobre a verdadeira motivação para realizar a prova, questionando se é um desejo pessoal ou uma imposição externa . Explorar outras opções de carreira e reforçar a intenção pessoal ao escolher a PNA pode ser motivador . Além disso, é recomendado falar com outras pessoas, sejam amigos ou familiares, para obter suporte emocional. Buscar novas perspectivas e técnicas de estudo, e criar sistemas de suporte pessoal são essenciais para manter a motivação .

Adotar uma mentalidade de crescimento ao preparar-se para a PNA pode transformar respostas erradas em oportunidades de aprendizado, ao invés de desmotivação e sentimentos de inadequação . Essa postura permite que o estudante veja seus erros como parte do processo de crescimento e aprendizagem, em vez de falhar. Além disso, essa mentalidade encoraja o aprendiz a comparar-se consigo mesmo, focando no próprio progresso e nos métodos de estudo personalizáveis, ao invés de competir e se comparar com os colegas . Essa abordagem é crucial para uma experiência de preparação mais equilibrada e centrada no desenvolvimento pessoal .

Ao comparar métodos de estudo, os estudantes podem adotar novas abordagens que melhorem seu aprendizado, desde que essa comparação seja feita com o objetivo de autodesenvolvimento . No entanto, se a comparação levar a sentimentos de inferioridade ou inadequação, pode bloquear o progresso e reprimir a autoestima do aluno . Essa comparação deve, portanto, ser feita com uma mentalidade de crescimento, ajudando a adaptar os métodos de estudo, e não com o objetivo de competir indiscriminadamente . Estudantes que se comparam internamente com seu próprio progresso tendem a estar mais alinhados com seu desenvolvimento pessoal e capacidade de internalização do conhecimento .

Ter uma rede de apoio emocional é fundamental ao preparar-se para a PNA pois aumenta a resiliência diante dos desafios e reduz a sensação de isolamento frequente no processo de estudo . Companheiros de estudo, amigos e familiares podem oferecer suporte emocional e encorajamento em momentos de desânimo, além de funcionarem como ponto de equilíbrio entre estudo intensivo e saúde mental . Esses suportes evitam que o estudante sucumba à pressão e stress excessivo, fatores que podem prejudicar o desempenho global .

Uma abordagem crítica ao estudar as guidelines é essencial, pois permite aos estudantes identificar diferenças entre as práticas locais e internacionais, especialmente quando há divergências entre NOCs e diretrizes internacionais . Isso não só prepara o estudante em questões que podem assumir contextos específicos ou atualizações científicas importantes, mas também os equipa para responder a questões baseadas em guidelines que são críticas para o exame . Analisar criticamente o material de estudo contribui para a formação de um médico mais competente e informado, que consegue aplicar seu conhecimento em contextos variados .

O Kaplan oferece um material de revisão abrangente e organizado que facilita a compreensão de conceitos difíceis, tornando-o útil para estudos detalhados . No entanto, o tempo de leitura pode ser um obstáculo para estudantes com pouco tempo disponível . Já o OnlineMedEd é valorizado pela sua concisão e eficiência na gestão do tempo, mas por vezes pode não aprofundar suficientemente conceitos importantes . Ambas são plataformas úteis, porém sua eficácia depende de como são ajustadas às necessidades específicas do estudante e ao tempo de preparação disponível .

O uso de materiais de estudo como os do USMLE Step 2 CK pode conter conteúdos que não são relevantes para a PNA, como bioestatística e leitura de abstracts, enquanto certos detalhes específicos do contexto português, tais como antibioterapia de pneumonia, podem não estar ajustados . Se os estudantes não forem cuidadosos ao ajustar esses materiais à realidade da PNA, podem estudar tópicos não exigidos ou basear-se em guidelines desatualizadas ou não reconhecidas localmente . Isso ressalta a importância de um estudo crítico e da adaptação dos materiais aos contextos nacionais .

Colocar pensamentos no papel ajuda a desenrolar ideias confusas, proporcionando clareza e direcionamento aos estudos para a PNA . A materialização esquemática desses pensamentos permite que o estudante visualize suas prioridades, dificuldades e progresso de maneira tangível, favorecendo um plano de estudo mais organizado e eficaz . Além disso, essa técnica pode ser catalisadora para insights sobre onde ajustar os métodos de estudo ou promover autodenvolvimento, facilitando mais do que simplesmente tentar reter conceitos complexos numa mente sobrecarregada .

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