Contratos de aliança em empreendimentos industriais

Rodrigo Carvalho Guedes - rcguedes@odebrecht.com Alejandro Daniel Castaño – acastano@odebrecht.com José Francisco de Abreu Penteado – francisco.penteado@odebrecht.com

Resumo A indústria da Construção freqüentemente excede prazos e custos contratados, o que implica em prolongadas negociações de pleitos e multas, situações que desgastam seu relacionamento e imagem junto aos clientes. Como alternativa a este cenário surgiram os Contratos em Regime de Aliança; através destes todos os integrantes trabalham cooperativamente, formando um único time que se relaciona de forma aberta e transparente, todos dividem e gerenciam os riscos envolvidos, a responsabilidade de cumprir os objetivos do Projeto torna-se coletiva. Neste artigo são apresentados as características e o Ciclo de Vida de um Projeto em Regime de Aliança para Empreendimentos Industriais de Grande Porte. Palavras-chave: Aliança, Preço Teto, Preço Meta, “Open-Book”. 1. Introdução A indústria da Construção opera em um mercado no qual vence a licitação, a empresa cuja proposta apresenta menor preço. A existência de elevados riscos nos empreendimentos industriais faz com que as partes, Clientes e Contratados, se confrontem e tentem transferir riscos entre si. Há altos níveis de disputa e desconfiança entre as partes, o que afeta a eficiência e pode até comprometer os resultados e metas do empreendimento. Por conta da globalização, do cenário econômico atual, da busca contínua de melhores resultados em mercados cada vez mais exigentes, além do aumento da flexibilidade nas contratações públicas e privadas, torna-se mais atrativa a contratação em regime de Aliança. A parceria favorece projetos mais complexos que exijam agilidade, competitividade e viabilidade das soluções. As Alianças, inicialmente chamadas de Acordos de Aliança, foram desenvolvidas por grandes empresas de petróleo do Mar do Norte, no início da década de 90. Elas foram inspiradas nas Alianças Estratégicas implementadas com sucesso na indústria de bens manufaturados, com o intuito de reduzir as altas constantes dos preços de implantação de novos projetos e de mitigar riscos. Existem dois tipos de Aliança: Aliança de Projeto e Aliança Estratégica. A Aliança de Projeto é formada para um único projeto e é encerrada após a conclusão do mesmo. Já a Aliança Estratégica é um acordo de longo prazo utilizado para entregar Programas ou para cumprir funções operacionais de um empreendimento. Alianças Estratégicas também podem ser formadas com fornecedores e subcontratados chaves. BENNETT & JAYES (1995) definem Aliança como “gestão utilizada por duas ou mais organizações, para alcançar objetivos comerciais específicos pela maximização das eficiências dos recursos de cada participante, sendo necessário que as partes trabalhem juntas, em uma relação aberta e de confiança, baseada em objetivos comuns, métodos de resolução de conflitos acordados e na busca constante por melhoria contínua de resultados”. Segundo HENNEVELD (2006) “são contratos de relacionamento baseados em incentivos, onde as

suprimento. capaz de decidir se os serviços e bens produzidos representam. ou um conjunto perfeitamente individualizado de Pessoas. alocando o melhor recurso para determinada função específica. apesar de possuírem papéis e interesses próprios. todas as partes estão atadas em um plano de risco/recompensa. √ Oferecer soluções integradas nas áreas de engenharia básica. a fim de evitar os tradicionais modelos de conflitos de interesse. construção civil. estabelece-se uma relação “Ganha x Ganha” e um comprometimento de ambos na busca por soluções eficazes e eficientes. √ Comprometer-se com prazos e custos pactuados e com a busca contínua da redução de ambos. independente da sua origem: se do Cliente. Objetivos do Cliente e da Aliança Todos os parceiros que formam a Aliança. √ Obter garantia operacional do empreendimento – desempenho – dentro das metas estabelecidas. √ Oferecer Gestão Integrada dos Recursos Humanos. formando uma equipe única e integrada. planejamento. as organizações utilizam a Aliança como instrumento de propósitos. confiança. a Aliança permite garantir o Lucro do Contratado e. montagem eletromecânica. como um time integrado. respeito. Em Alianças. √ Buscar soluções técnicas alternativas durante a fase de engenharia. baseado nos princípios de equidade. ODEBRECHT (2002) afirma que “o Cliente é sempre uma Pessoa. A Aliança empresaria o negócio com sinergia e transparência no desenvolvimento do empreendimento. √ Receber o empreendimento dentro dos prazos e custos pactuados. abertura.partes acordam para trabalhar juntas. buscando soluções conjuntas para o mesmo. comissionamento e start-up (partida operacional). • Objetivos da Aliança: √ Atender às necessidades do Cliente no que diz respeito à competência e transparência na execução de empreendimentos na modalidade EPC (Engineering. Ao integrar seus profissionais mais capacitados para produzir riqueza conjuntamente. para ela. O Contrato de Aliança é pactuado entre o Cliente e seu(s) parceiro(s). 2. simultaneamente. riqueza efetiva”. Aquisições e Construção). dos parceiros ou do mercado. minimizar o Custo Total Real do projeto para o Contratante. de forma a melhorar a eficiência operacional da planta. Os Integrantes da Aliança devem ser empresas com competências complementares e com maturidade suficiente para se unirem em um projeto. dependendo do sucesso ou outro resultado do projeto”. . onde todos partilham as economias ou perdas. Ao contrário dos Contratos por Administração. √ Manter o foco em seu Core Business (Negócio Principal). Procurement and Construction – Engenharia. sem disputas e sem culpados. √ Identificar e antecipar-se aos riscos indesejáveis. √ Adquirir tecnologia competitiva aos parâmetros internacionais. devem ter metas e objetivos alinhados em busca do sucesso do regime e da satisfação do Cliente. engenharia de detalhamento. • Objetivos do Cliente: √ Obter retorno do investimento compatível com os requisitados pelos acionistas.

ou seja. Todas as estimativas de preço e a consolidação do orçamento seguem a filosofia de OpenBook (Livro Aberto). suprimento. • • • • • • • • • . sem disputas e sem culpados. reduzindo a ocorrência de erros e excesso de contingências. Os Acordos de Aliança permitem que o Cliente altere requisitos do projeto e faça mudanças no escopo sem se expor a grandes variações de custos. já que as premissas e contingências são diferentes para cada proponente e também para o Cliente. onde todos os quantitativos. engenharia. √ Implementar políticas de Gestão Integrada de Garantia da Qualidade e atendimento aos requisitos de meio ambiente. planejamento. Características do Contrato de Aliança Os Contratos de Aliança possuem algumas características que os diferenciam dos demais modelos de Contratação. ficam excluídos os acréscimos de custos indiretos e lucro. engenharia. verifica e controla o Escopo do Projeto. confiança. quase sempre irrecuperável. Podemos citar: • O Contrato de Aliança é um modelo Cooperativo. bem como o prazo do empreendimento. o que causa falta de comprometimento do contratado em relação aos prazos. o Cliente faz ou sub-contrata a elaboração de seu orçamento de referência do empreendimento e estabelece um comparativo com os orçamentos apresentados pelos proponentes durante a fase de licitação. montagem eletromecânica. Fato que acarreta longos prazos de negociação. e desgastes entre as partes até o fechamento do preço final. índices de produtividade e custos são discutidos e acordados pela Aliança. comissionamento e partida da planta. Comumente. existem grandes divergências entre os valores. a qualidade dos produtos e serviços. A Aliança planeja. O escopo pode ser modificado após consenso da Aliança. deve haver sinergia e transparência no desenvolvimento do empreendimento. suprimento e construção. estabelecendo maior comprometimento e garantia de cumprimento.√ Promover a Integração das partes envolvidas. Composição conjunta entre Cliente e parceiros de um Target Price (Preço Meta) que será a base para a partilha dos resultados. com o domínio do planejamento. A Aliança empresaria o empreendimento e tem o poder de decisão. 3. além de aumento nos riscos do empreendimento. define. Fica estabelecida uma relação “Ganha x Ganha” entre as partes. O valor ofertado é pressionado a se aproximar do orçamento do Cliente. como conseqüência da delegação planejada do Cliente e das empresas parceiras. como um time motivado. estabelecendo relações de igualdade. Cabe à Aliança fazer a gestão do tempo e recursos do projeto. de forma que atenda as necessidades de prazos e custos pactuados e contratados pelo Cliente e Investidores. construção civil. quando não comprometer o prazo e a disponibilidade financeira do Cliente e Investidores. Nos modelos de contratação tradicionais. que abrange os serviços de: gestão. O orçamento é desenvolvido e acordado pelo time da Aliança. A equipe deve estar unida e integrada. O planejamento e a definição do escopo são acordados e influenciam diretamente no custo e prazo do empreendimento. saúde e segurança do trabalho. Somente são pagos os custos diretos destas mudanças. respeito e transparência.

servindo de base para a tomada de decisão sobre a implantação do empreendimento e alocação de recursos. tais como: . etc). esta metodologia deve ser ajustada. é desenvolvido o projeto básico. FEL 2 do investimento. . Aprovado o EVTE. Agilidade nos serviços de comissionamento e partida da planta. correspondentes ao objeto e escopo da Aliança. são consolidados os P&ID’s (Process and Instrument Diagrams – Fluxogramas de Processo e Instrumentação) e o Plot Plant (Planta Geral de Locação). em função de especificações técnicas e da capacidade de produção determinadas pelo Cliente.Custo real final abaixo do Preço Meta: a economia é dividida proporcionalmente entre o Cliente e os Parceiros da Aliança. ou licenciamento. Avaliação do Investimento A metodologia FEL (Front-End Loading). • • O Cliente busca parceiros que já possuam procedimentos e certificações de segurança. foi criada pelo IPA . bem como escolhida a localização na qual será construída a planta (em caso de plantas industriais) e obtidas as licenças ambientais necessárias. haverá uma interface das ações relativas à Aliança que podem ser exercidas pelos parceiros.• • A participação e o lucro de cada Parceiro da Aliança são pré-definidos.Data de partida postergada: penalidade proporcional ao atraso .1. a empresa licenciadora desenvolve o chamado PDP – Process Design Package (Pacote de Projetos de Processo). ou seja. meio ambiente e qualidade. a análise de risco do processo. Ciclo de Vida de um Projeto executado em Regime de Aliança 4. Nessa fase. no caso de Aliança. pode haver contribuições dos parceiros. Os projetos originam-se quando identificadas necessidades ou oportunidades de melhorias. visando o desenvolvimento do projeto. ganho energético. configura-se um modelo de partilha dos resultados que estabelece critérios para pagamento de bônus ou penalidades. Iniciam-se através de um EVTE (Estudo de Viabilidade Técnica e Econômica) na fase FEL 1 do investimento.Independent Project Analysis (consultoria internacional em sistemas de gestão) para avaliar os requisitos mínimos para definição dos investimentos em um projeto. FEL 3 do investimento. normalmente.Bonificação ou penalidade.Custo real final acima do Preço Meta: o déficit é sustentado na proporção 50% para o Cliente e 50% para os Parceiros da Aliança (limitado. em que se determina o escopo. o Cliente faz a seleção da tecnologia a ser aplicada.Data de partida antecipada: bonificação proporcional à antecipação . O PDP inclui engenharia de processo e assistência técnica. necessárias ao desenvolvimento de engenharia básica por empresas de engenharia específicas ou pelos parceiros. qualidade do produto final. em razão da superação ou não atendimento das Metas de Desempenho da Planta (produtividade. Escolhida a tecnologia. ou seja. bem como na obtenção do “Aceite” da obra pelo Cliente. 4. . ilustrada na Figura 1. . Considerando a possibilidade do investidor optar pela formação da Aliança. efetuado pelo Cliente e. Na Aliança. devido a sua efetiva participação em todos os processos e decisões da Aliança. que pode ser própria ou adquirida de terceiros. saúde. a segunda opção envolve empresas que possuem tecnologia (licenciadoras) e permitem sua aplicação em plantas industriais através da venda de direitos de propriedade. Para os Contratos de Aliança. pois a dinâmica da modalidade contratual não é tão rígida quanto ao EPC padrão. pelo valor do lucro estimado em contrato).

que os parceiros tenham capacidade de trabalhar em regime de Fast Track (técnica de compressão de cronograma para realizar atividades em paralelo). •Requerimentos de segurança da partida.2. aumentando a confiabilidade na avaliação do projeto. REUNIÃO AVALIAÇÃO DO PROJETO BÁSICO/ORÇAMENTO EXECUÇÃO Projeto Detalhado. Os parceiros poderão contribuir para o sucesso do projeto através da participação na estruturação do EVTE. para o Cliente.Projeto Básico •Definição do escopo. •Escolha do local. que a planta industrial esteja em operação para aproveitar um crescimento previsto na demanda do mercado (fly up) e nos preços dos produtos. •Consolidação da análise de valor. •Obtenção da LP. •Contratação do EPC. Assim. •Solicitação de licenças. Mercado de construção em crescimento – o aumento na demanda por serviços de Engenharia e Construção provoca acréscimos significativos nos custos e prazos dos investimentos. Estabelecimento da Aliança e elaboração do Preço Teto Como mostrado na Figura 1. desenvolver várias atividades de engenharia. •Verificação das alternativas.). •Cronograma detalhado. •Assistência para partida. •Reavaliação da estimativa do investimento (precisão 2030%). Construção & Montagem •Engenharia de detalhamento. REUNIÃO AVALIAÇÃO DA MONTAGEM OPERAÇÃO Avaliação da Performance •Definição final da equipe da Planta. •Impacto à SSMA. aquisições e construção simultaneamente. prazo e qualidade.). também. bem como elaborado o projeto de detalhamento que permita. além de prover soluções de engenharia construtiva e de logística. •Revisão do EVTE. •Construção e montagem. Suprimento.APROVAÇÃO Front-End Loading FEL 1 Avaliação do investimento •Alinhamento com o plano estratégico. quando o objetivo é desenvolver uma Aliança é . REUNIÃO AVALIAÇÃO DO PROJETO DETALHADO/SUPRIMENTO •Obtenção da LI e demais licenças. isto é. ALIANÇA Estabelecimento EWA Definição dos Parceiros Preço Teto Consolidação Aliança Preço Meta Fonte: Construtora Norberto Odebrecht S. •Cronograma de desembolso mensal. REUNIÃO CONSOLIDAÇÃO DO CONCEITUAL FEL 3 Estudos engenharia . •Termo de recebimento e aceitação. a partir da parceria. etc. •Reavaliação dos riscos (Hazop. principalmente se ocorrerem simultaneamente: • Mercado do produto final em crescimento – é importante. a construção da planta desejada. etc. •Revisão da estimativa do investimento (precisão 1015%). •Execução do Projeto Básico. • 4. •Commissionamento e testes dos sistemas. •Suprimento e controle de material. de forma que atenda ou reduza o prazo final do projeto. •Avaliação/Auditoria do andamento global do empreendimento. •Emissão conceitual. é interessante que o Cliente busque parceiros que possuam competências para desenvolver o projeto básico a partir da tecnologia adquirida. É vital. •Avaliação de risco do Projeto/Análise de sensibilidade. •Definição filosofias de manutenção e operação. •Reavaliar EVTE. •Seleção do tipo de investimento. •Avaliação do mercado. •EVTE preliminar. a estes mesmos parceiros. Existem dois agentes mercadológicos que são grandes motivadores para a formação de Alianças desde a fase FEL 1. gerando retorno aos acionistas. •Definição de escopo e cronograma. Figura 1 – Metodologia FEL adaptada a Contratos de Aliança para Projetos Industriais Durante as fases iniciais de análise do investimento. •Aplicação de análise de valor. •Consolidação dos P&IDs e Layout Geral. são obtidos os equipamentos e materiais necessários. •Revisão segurança de prépartida. como um caso típico de EPC. •Análise preliminar dos riscos (Hazop. •Emissão dos PFDs. •Planejamento da partida. •Escolha da equipe. •Estimativa preliminar do investimento (precisão 40-50%). REUNIÃO AVALIAÇÃO DO EMPREENDIMENTO •Teste de aceitação e avaliação em custo. REUNIÃO INICIAL DO INVESTIMENTO FEL 2 Conceitual e EVTE •Seleção da tecnologia.A.

Hazard and Operability Studies). visando qualificar e quantificar as contingências que serão incluídas no orçamento. Este acordo permite que. ainda. Também é o momento de definir os parâmetros técnicos que nortearão o projeto. também. A Análise de Riscos do empreendimento deve ser feita durante a elaboração do Preço Teto pela Aliança. com referência ao valor estimado (estimate lump sum). São somadas ainda as parcelas fixas referentes ao lucro e os impostos acordados. é estabelecido um encerramento (way out) para a Aliança. estabelecer canais de comunicação. caso o Preço Teto ou Data Teto não sejam aprovados pelo Cliente. coesão e transparência das equipes. definição do layout da planta e das edificações principais (sala de controle. ambos sob o princípio de Orçamento de Livro Aberto (Open Book). são reembolsados os custos inerentes ao trabalho desenvolvido. buscar mecanismos para minimizar os impactos dos riscos para todos os envolvidos. prédefinir os meios de resolução de conflitos e criar os compromissos com as metas de custo e prazo da Aliança. sem prejuízo dos parceiros. A equipe que é formada pelos representantes do Cliente e dos parceiros normalmente é denominada IPT . Cliente e parceiros. análise de segurança operacional (Hazop . também. etc. sendo este grupo responsável pelo gerenciamento de todas as atividades correspondentes ao EPC. agregando competências aos parceiros. assim. medições estas que costumam trazer desgastes desnecessários entre os participantes de outras modalidades de gestão. ao longo do projeto. Ou seja. A constante conscientização dos envolvidos quanto aos compromissos estabelecidos é primordial para manter a motivação. motivadas por desejos de melhorias técnicas ou arquitetônicas que possam causar alterações de prazos e custos não previstos na definição do Preço Teto.preciso um Acordo de Trabalho Antecipado (EWA . entender as necessidades de cada participante e fazer nascer a confiança mútua. buscando sempre a devida segurança empresarial dos participantes da Aliança. de 2 ou 3 dias. avaliar os principais riscos envolvidos. A equipe do Cliente que integrará a Aliança colaborará com o desenvolvimento da engenharia básica.). prédios administrativos. as estratégias fiscais e tributárias que reduzirão os custos orçados. Neste momento elaboram-se. isto é. Um dos principais pontos de atenção do IPT deve ser a incorporação. devem ser focadas e analisadas as alterações de projeto extemporâneas. Na montagem das equipes é importante a participação do Cliente. Busca-se. elabora-se o Preço Teto (Ceiling Price) e é proposto um cronograma. somado à experiência do Cliente e dos parceiros. Embora mitigados pelo conceito de Aliança. a busca de soluções técnicas e comerciais para melhorias constantes na planta ao tirar o foco das discussões de critérios de medição dos serviços executados. integrar as pessoas. sem onerar o valor final do projeto.Early Work Agreement). é necessário promover um encontro (Kick Of Meeting). entre outras atividades. Deve-se. É importante ressaltar que. Uma das formas de remuneração dos parceiros é o reembolso dos valores gastos. Dentro do mesmo conceito. estabelecido como Preço Teto ou Preço Meta (dependendo do momento do projeto). Na composição do Preço Teto determina-se valores e critérios de pagamento da remuneração dos parceiros para o desenvolvimento do projeto. desonerando os parceiros dos custos financeiros. . Estas atividades encontram-se entre as fases FEL 2 e 3.Integrated Project Team (Grupo Integrado do Projeto). principalmente no que diz respeito ao conhecimento de implantação e operação de plantas similares. planejamento e gerenciamento do comissionamento dos sistemas. no início dos trabalhos da Aliança para a elaboração do Preço Teto. seguindo premissas acordadas. de novos integrantes às equipes da Aliança. Otimiza-se. negociação para compra dos equipamentos principais. criar um fluxo de caixa neutro. entre as equipes envolvidas a fim de criar o ambiente de cooperação adequado. que resultará na Data Teto (Ceiling Date). Com o desenvolvimento e consolidação do PDP.

o assunto deverá ser tratado pelo Alliance Committee (Comitê da Aliança). buscando o consenso e o equilíbrio contratual através da implementação de idéias criativas. “a finalidade última de qualquer política de inovação só pode ter a necessidade do Cliente como ponto de partida e sua satisfação como ponto de chegada”. eles devem ser facilitadores que entendam os princípios da Aliança e os desejos de cada participante. a implementação de uma administração contratual formal através de cartas e Relatórios Diários de Obra (RDO). Este comitê deverá estar estruturado de maneira muito clara quanto à: • • • Composição – representantes de cada participante. aquisições e construção. Durante o transcorrer do empreendimento. transmitindo aos investidores uma garantia maior de que haverá o retorno previsto. Elaboração do Preço Meta Quando o projeto básico está em sua fase final de desenvolvimento. A participação de advogados experientes na elaboração de Contrato de Aliança é muito importante. além dos principais equipamentos e sistemas já em aquisição. inclusive. celebra-se. as soluções para os problemas e impasses surgidos. Em último caso de discordância. o Contrato de Aliança (Head Alliance Agreement). que permite a continuação dos trabalhos de desenvolvimento da engenharia. com base no PDP e ações do IPT. Ou seja.merecem atenção especial as condições estabelecidas através do Safety Design Review (Revisão de Segurança do Projeto) que envolve a licenciadora na certificação do projeto. suprimento ou relativos ao gerenciamento do empreendimento. então. instância máxima na Aliança. adequado ao valor aprovado do EVTE. pode-se prever no contrato uma cláusula de arbitragem. e define os bônus e as penalidades adequadas ao projeto. Outro fato importante refere-se à redução significativa no prazo de tramitação de documentos. é possível. em regime de Open-Book. permitindo buscar otimizações e reduções de preços e prazos. podendo envolver. caso não haja consenso quanto a alguma decisão a ser tomada. O Preço Meta será acompanhado através do orçamento do empreendimento e comparado com o Custo . 4. Segundo ODEBRECHT (2002). a revisão das parcelas fixas relativas ao lucro dos parceiros. Isso porque não há fiscalização do Cliente. Voto – direitos iguais de votação. antecipar estas definições durante a elaboração do Preço Teto. A elaboração do Preço Meta ocorre semelhantemente ao Preço Teto. ou seja. Como medida atenuante. como em outras modalidades de contratação. é executado o ajuste final do valor do Contrato de Aliança. do qual participam os principais dirigentes das organizações envolvidas. Unanimidade – as decisões serão obtidas pelo consenso dos participantes. Na metodologia desenvolvida pelo IPA. Aprovado pelo Cliente o Preço Teto. são definidas e acordadas pela Aliança. através da Aliança formada. estas atividades encontram-se entre as fases FEL 3 e Execução. seja de engenharia. A transparência nas relações entre os integrantes das equipes da Aliança não torna necessário. exatamente pela não existência formal de interfaces Cliente x Contratado. são elaborados e acordados o Preço Meta (Target Price) e Data Meta (Target Date). com um alto grau de confiabilidade nas especificações e quantitativos a serem adquiridos e construídos. além de funcionarem como uma consultoria legal.3. permitindo obter ganhos nos prazos finais. Em projetos industriais torna-se necessário priorizar as aquisições dos equipamentos de longo prazo de fornecimento (LLI – Long Lead Item) de forma a não comprometer o cronograma de implantação.

no qual devem estar bem definidas as atribuições e responsabilidades. Contrato por Aliança ESTIMATIVA PRELIMINAR DE CONTROLE Projeto de Processo aprovado requer: Escopo do Empreendimento definido Diagramas de Fluxo de Processo Aprovados Lista de Equipamentos Plot & Site Plans Preliminares Cronograma Proposto do Empreendimento • • • • • • • ESTIMATIVA DEFINIDA DE CONTROLE Engenharia Básica aprovada requer: Escopo do Empreendimento definido P & ID´s aprovados Plot & Site Plans aprovados Especificações de Engenharia aprovadas Equiptos. que será resultado da interação das diversas culturas presentes. estão: • • • • • O grau de maturidade das Organizações e dos integrantes envolvidos. A Figura 2 abaixo ilustra a Curva de Aprendizado de um Projeto executado em Regime de Aliança. • . utilizando técnicas de gestão de custos tais como a de valor agregado. a divisão entre os parceiros e o Cliente do superávit ou déficit. principalmente por envolver relações de confiança mútua. Na conclusão do projeto. principalmente devido às características das organizações e de seus integrantes. Fatores Críticos Como fatores críticos que ocorrem nesta modalidade de contratação. O aculturamento dos integrantes e a criação de uma identidade própria da Aliança. é resultado do atendimento. necessários. Consolidação do espírito “Ganha x Ganha” nas organizações e nos integrantes. O Processo de Comunicação. e que podem afetar a formação da Aliança ou o seu sucesso.Final do Projeto. o gerenciamento dos Stakeholders (partes interessadas no empreendimento) e definidos o software comercial e o coorporativo a ser utilizado durante a vigência da Aliança. do prazo e custo da sua implantação. ou não. comprados ou cotados Cronograma master do empreendimento aprovado Levantamento completo do site e dos recursos humanos/equiptos. Figura 2 – Curva de Aprendizado 5. a Data Meta será acompanhada e comparada com a Data Real e serão aplicados bônus ou penalidades previstas em contrato. Contrato em Aliança Alianç 35 30 25 20 15 10 5 Início do Empreendimento = EWA Preço Meta Finalização Mecânica Zona de Penalidade Prazo e Custo Projeto de Processo aprovado = Preço Teto Mais provável Custo do Empreendimento PDP aprovado + 90% da Engenharia Completada % de detalhamento Ganho 100% Cliente Prazo e Preço Preç % acima 0 -5 -10 -15 -20 -25 -30 -35 Contrato por Preço Unitário ESTIMATIVA DA ORDEM DE GRANDEZA Início do Empreendimento requer: • • • • Escopo Preliminar do Projeto Projeto de Processo Delineado Cronograma Preliminar Dados Preliminar do Local da Obra • • • • • % abaixo Zona de Bônus Prazo e Custo Finalização Financeira % Finalização do Empreendimento Provável Custo Máximo do Empreend.A. Vis a vis. A transparência e o respeito nas relações empresariais e interpessoais. O espírito da Aliança deve estar imbuído nas Organizações e em seus integrantes. Fonte: Construtora Norberto Odebrecht S. Provável Custo Mínimo do Empreend.

. facilitando e agilizando o aceite da obra. cria condições para o aumento das chances do Cliente receber o produto final de acordo com o solicitado e esperado. não gerando desgaste entre membros da Aliança. BENNET.Tecnologia Empresarial Odebrecht (TEO): Sobreviver. De acordo com ODEBRECHT (2002) “a parceria só pode ser um jogo de soma positiva. HENNEVELD (2006) afirma que “pessoas que trabalham em Alianças rotineiramente afirmam que o Projeto era o acontecimento de suas carreiras e que elas eram motivadas pela energia positiva na Aliança e todo o foco do time em se desempenhar bem”. N. custos e técnicas de construção e Stakeholders significantes.6. A Aliança demonstra-se eficaz no controle dos prazos e custos. com elevado grau de responsabilidade. Salvador: Fundação Odebrecht. STEPHENSON. que possuam prazos. Referências Bibliográficas ODEBRECHT. pois existe um acompanhamento de todo o ciclo de vida do projeto. motivam e melhoram a sinergia. As possibilidades de melhoria de desempenho da planta. lembrando que a responsabilidade pelas interfaces é da Aliança e não apenas do Cliente. da produtividade. 2004. com alto grau de flexibilidade. os riscos dos parceiros e do Cliente são menores. Na Aliança. quando é formada a Aliança. EUA: Project Management Institute. Na Aliança. 1995. Austrália. o Empresário amplia a confiança e se capacita a oferecer bens e serviços de melhor qualidade. ODEBRECHT (2002) cita que “por meio de seu trabalho intelectual. proporcionando maior assertividade quanto ao valor a ser investido pelo Cliente. Crescer e Perpetuar.Trusting the Team. com conseqüente bonificação para os parceiros. gerando a certeza de estar pagando o valor acordado. o Cliente possui acesso direto e participativo na gestão do Empreendimento. 2002. que gere crescentes resultados líquidos a partilhar”. Ele conhece os custos reais de todas as fases do empreendimento. comprometimento e previsibilidade. Ela é conveniente em projetos desafiadores e vultuosos. A. 2007. Acesso em 10 jun. criativo e inovador. .com/downloads/project2. O lucro pré-definido dos parceiros é proveniente de consenso. Co-operative Contracting Risk Avoidance or Risk Creation – Clayton Utz. recomenda-se um processo de seleção da estratégia de contratação mais adequada ao projeto em questão. A Aliança. em busca da melhoria contínua e do atendimento aos objetivos do projeto. .claytonutz. da redução dos custos. A diversidade de experiências provenientes dos parceiros e integrantes. S. que é responsável pela gestão do EPC. Partnering.Alliance Contracting. como resultado da transparência contratual proporcionada pela Aliança. em menos tempo e a menores custos e preços”. É importante ressaltar que a Aliança não é apropriada a todos os projetos.& JAYES. cria um ambiente propício à inovação e troca de experiências.pdf>. mantendo o foco nos objetivos e nos resultados a serem alcançados pela Aliança. London: Thomas Telford Ltd. Conclusões A Aliança é um modelo de Gestão eficiente e transparente. J. Disponível em: <http://www. PMI – Um Guia do Conjunto de Conhecimentos em Gerenciamento de Projetos (Guia PMBOK) Terceira Edição. . bem como os lucros dos parceiros. 7.

Acesso em 10 jun 2007.HENNEVELD. Alliance Contracting – Removing the Boundaries for Infrastructure Delivery. M.tac-atc. In: ANNUAL CONFERENCE OF THE TRANSPORTATION ASSOCIATION OF CANADA.ca/english/pdf/conf2006/s001/henneveld. 2007. 2006.com/index. Disponível em: <http://www.pdf>.ipaglobal. Prince Edward Island. Acesso em 10 jun. IPA – Independent Project Analysis. Disponível em: <http://www. .asp>.

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