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Quem foi Hoji-ya-Henda?

José Mendes de Carvalho «Hoji Ya Henda» – 80 anos

Nascido a 29 de Julho de 1941 em Ndalatando (Kwanza Norte), filho de


Agostinho Domingos de Carvalho ( enfermeiro auxiliar) e de Florinda de Carvalho
(doméstica) foi o mais velho de cinco irmãos (João, Daniel, Mariazinha, Sara, Samuel e
Eunice) e de outro irmão paterno, Calvino.

A família pertencia à Igreja Metodista, de cuja organização juvenil José (Zeca)


fez parte. Fez o ensino primário em Ndalatando e em meados dos anos 50 seguiu para
Luanda, ficando alojado na casa da Maria Silva Neto (mãe de Agostinho Neto). Fez o
ensino secundário na Casa das Beiras e, depois, no Liceu Salvador Correia.

Entre 1957 e 1959 participou em actividades políticas clandestinas, incluindo a


distribuição de panfletos. A 9 de Janeiro de 1961 José Mendes de Carvalho partiu
clandestinamente para o Congo Léopoldville e juntouse ao MPLA, trabalhando com o
comandante militar Tomás Ferreira. Foi um dos sobreviventes do “massacre do
Fuesse” onde morreu Ferreira. Rejeitando a possibilidade de prosseguir estudos
académicos, seguiu em Novembro para um curso militar, inicialmente no Ghana, no
campo de Mankrong, e depois em Marrocos no campo de Kasbatadla onde passou a
integrar o recém-criado EPLA (Exército Popular de Libertação de Angola).

Regressado ao Congo de barco em 1963, com algum armamento, realizou


várias missões de reconhecimento na fronteira do Congo-Léopoldville com as regiões
de Malanje e Lunda. Em Abril-Maio daquele ano, realizou o primeiro reconhecimento
às possibilidades de acção do MPLA na Rodésia do Norte (Zâmbia) onde contactou com
o partido UNIP de Keneth Kaunda.

Em 1964 foi eleito membro do Comité Director do MPLA, na Conferência de


Quadros (Brazzaville) que não acompanhou por estar envolvido na organização da
libertação de Daniel Chipenda e José Condesse (Toka), presos no então

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CongoLéopoldville. Depois de um trabalho diplomático no Ghana durante cerca de três
meses, passou a Comandante da 2 ª Região Militar (Cabinda).

Adoptou então o nome de guerra «Hoji Ya Henda», passando a organizar e


dirigir várias acções combativas em que se destacaram as emboscadas de Sanga
Planície e a «Operação Macaco», a primeira operação que integrou uma centena de
combatentes angolanos com apoio de Cubanos e de um oficial do Ghana.

Em 1966, Henda acompanhou o Presidente Agostinho Neto numa digressão por


Cuba, União Soviética, e outros países, passando pelo maquis do PAIGC na Guiné-
Bissau, na qualidade de membro da Comissão Militar da CONCP. Passou
posteriormente a Coordenador da Comissão Militar do MPLA da 2ª Região Militar e da
Frente Leste, tendo participado na organização dos Esquadrões Cienfuegos e Kamy que
partiriam em 1966 e 1967, respectivamente, para a 1ª Região Militar (na actual
província do Bengo).

No início de 1967, Henda seguiu para a Frente Leste onde teve importante
papel na criação das condições para a generalização da luta armada na 3ª Região
Militar (Moxico) e também na 4ª e 5 ª Regiões (Lunda e Bié). Em Outubro daquele ano,
detectado armado em território zambiano, foi preso com Carlos Rocha «Dilolwa»,
ficando detidos durante 4 meses. A 14 de Abril de 1968, com 26 anos, ao dirigir o
ataque ao quartel português de Karipande, no Alto Zambeze, Henda foi mortalmente
atingido.

O seu corpo foi enterrado a cerca de 20 km a nordeste de Karipande e a norte


do rio Lucunja. Na 1ª Assembleia Regional da 3ª Região Militar, realizada em Agosto
daquele ano no Moxico, foi decretado o dia 14 de Abril como dia da Juventude e Hoji
Ya Henda considerado “Filho querido do Povo Angolano e Comandante Heróico do
MPLA”.

Após a Independência de Angola, essa data passou a ser celebrada, com o


mesmo significado, a nível nacional. Agostinho Neto inaugurou, em frente ao
Ministério da Defesa Nacional, um busto de Hoji Ya Henda, do escultor e antigo

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guerrilheiro Rui de Matos. Anos depois, um marco histórico foi construído no Moxico,
no local onde o comandante Henda tinha sido enterrado.

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