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ficha técnica$%&!
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direcção
Paulo 8orges

conissão de honra
Françols [ulllen
Hans Kung
[ean-Yves Leloup
Ralmon Panlkkar (ln Memor|omj
Mattbleu Rlcaro
Agostlnbo oa Sllva (ln Memor|omj

conseIho de direcção
Pe. Anselmo 8orges
Constança Marconoes César (8ros||j
Carlos [oáo Correla
Frel 8ento Domlngues
Antonlo Cânoloo Franco
Markus Gabrlel (A|emonhoj
Dlrk-Mlcbael Hennrlcb (A|emonhoj
Rul Lopo
Amon Plnbo (8ros||j
Anorés Torres Quelruga (Co||zoj
Mlguel Real
[osé Louaroo Rels
Lulz Plres oos Reys
Aoel Sloarus
Franclsco Soares (Ango|oj

conseIho editoriaI
[oáo Reao 8eato
Fabrlzlo 8oscaglla (lto||oj
Duarte Drumono 8raga
Antonlo Carolello (lto||oj
Paulo Feltals
Mlguel Gullanoer
Cem Komurcu (7urqu|oj
[osé Lozano (Co||zoj
Rul Matoso
[orge Telles oe Menezes
Roorlgo Petronlo (8ros||j
Romana valente Plnbo (8ros||j
Clnzla Russo (lto||oj
|sabel Santlago
Luls Carlos Santos
Marla Sarmento
Maurlcla Teles oa Sllva
Rlcaroo ventura

tradução e revisão de texto
Rul Lopo
Lulz Plres oos Reys

direcção de arte
Lulz Plres oos Reys

design gráfico
Xénla Perelra Reys

conunicação e inagen
lsabel Metello






inpressão
Multltlpo ÷ Artes Gratlcas, Lo.a.

propriedade
Paulo 8orges

tiragen
1000 e×emplares

l55N
1647-6697

depósito IegaI
309912/10



edição
Åncora Editora
Avenloa |ntante Santo 52 - 3° esq.
1350-179 Llsboa
teI + 351 213 951 223
fax + 351 213 951 222
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assinaturas (ped|dos ò ed|toroj
1 Ano 2 Anos
Portugal t 30.00 t 55.00
Luropa t 35.00 t 65.00
L×tra-Luropa t 40.00 t 75.00
paganento: cbeque ou transterêncla bancarla

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7odos os ort|gos sõo do |nte|ro responso5|||dode dos seus
outores.
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e d i t o r i a l


Escreveu um dia António Maria Lisboa (parece-nos que bem) que “é fácil ser
subversivo – a palavra não custa … é um caso de hábito de audição”, para, noutro, dar-lhe mais
para a ternura, e chamar (parece-nos que mal) “capacho-confesso” a Fernando Pessoa. Isto
para além de carimbá-lo também como literato – o que nos deixa aqui em inquietante dúvida
quanto a saber a que Fernando, e a qual pessoa em Pessoa, tal apodo propriamente se
aplique ou dirigisse.
Não faz mal! Seria partirmos do pressuposto, que não seria fácil de provar, de que
teria Maria Lisboa clara intenção de ofender, o que seria difícil de supor, estando já então
Pessoa onde é de presumir que ainda esteja, mesmo que hipoteticamente haja por aí
entretanto reencarnado, como ele ou algo nele acreditava que acontecesse. Isso não está
em causa, nem depende da fé o assim ser ou não ser.
O que importa, sim, é que há ainda Pessoa bastante para desassossegar-nos desta
pátria resignação às costas cansadas pela soneira dos dias todos iguaizinhos, servindo tão-só
para fazer-nos prestimosas mãozinhas de família Adams à lusa, assinando de cruz e de voto
e, de preferência, devotas do que mais nos domine e agrilhoe ao pior, uma vida inteira.
Isto, entenda-se, para garantir a esperança viva, mas alfim inútil, do nado-evaporado
vencimento da abdicação de si ao fim do mês, vendidos que somos ao crédito dos
banqueiros que nos traem na primeira curva de aperto dos mercados e mandam para as
urtigas as contas apertadas da aritmética do hipermercado e, ao descrédito de tudo isso, faz
muitos cair na anestesiante habituação à meia haste do olho toldado das noitadas de sexta
para esquecer lembrar o que só interessa mesmo lembrar de não lembrar.
Transversal a tudo isto é hoje, entre nós, qual majestático terror pânico de algum
lovecráftico Cthulhu, o éfe-eme-i do nosso descontentamento e os seus vários precursores
PEC(ado)s do insanto ministro Teixeira, o do descalabro nosso socrático de cada dia, de
ano para ano, e de quanto ninguém faz a mínima ideia do que nos espere – o que, não
obstante, ainda se procura cerzir repetidamente, no descosido das calças, com o roto da
camisa. Veremos no que dê. Pode ser que dê algo que enfim se veja e valha o ver, e que
assuste de morte, a todos e a cada um: só vamos assim, desde Quibir!
Pessoa, entretanto, desassossego da nossa inquietação, tem sido pretexto (dir-se-ia,
até mesmo mais do que texto) para quase tudo, ou pouco menos: desde homenzinho de
metal no Chiado da barafunda desempregada, companheiro de mesa de café na baixa
Brasileira, sempre de forçado serviço para a fotografia do turista de calções ignaro chapado
de quem Pessoa possa ter sido, ou colo de metal resignado a receber nas pernas, aliás
inverosimilmente cruzadas de quatro, o traseiro generoso de alguma mais afoita valquíria do
Reno (não do reino) da senhora Merkel, sopeirinha maestrina dos europânico e ai-jesus dos
défices, até à disparatada caneca de bigode, coisa da engenhoquice parva de algum criativo
criaturo publicitário, geniozinho sem ideias para mais, senão para pensar em prémios que o
unjam de vaidade inter pares.
!
"!!
!
Pessoa, ele, já foi só bigode, já foi só chapéu, já foi só flagrante de litro. É pouco, para
tanto espólio e tanto espoliar-se-lhe o filão, em marketing feito na China de algum Mao
KheTing.
Pessoa já foi óleo sobre tela do Pomar da 111 do Brito, serigrafado para o ignaro
novorriquismo dos anos gordos do “investir em arte” à portuguesa, para ostentar no living
com decoração à Viterbo da moda de então, e do viver na Lapa sem brasão na lapela.
Ele já foi cenas de uma exposição de Costa Pinheiro na Fundação de Calouste
(parece-me que o Mussorgsky não apareceu por lá, ao menos em corpanzil), Gulbenkian
tida então por secretaria do estado da cultura que se visse, no pico da pessoomania do
centenário dos papagaios de Pessoa assim, Pessoa assado, em pleno nacional-contentismo
dos blazer berrantes a condizer com os vernissages chiquérrimos com tias e riquinhos de
Cascais e tudo, à mistura com peitudas meninas larocas de Telheiras ou de Campo de
Ourique.
Já foi Pessoa (coitado! cinema português, ok?) protagonista à força (ia-me caindo a
cedilha) de um filme do Botelho, que eu acho que ainda vi sem cabelo grisalho, mas sempre
com aquele ar de falta de ar, e vi (creio) mais do que só o trailer na tv, mas não me recordo
nem um pouco, senão do ar do senhor-nada-ar-de-Pessoa, senão nos tais adereços
fabricados na China de um futuro de agora, e do parado das cenas à Oliveira para durar
Manoel que se farta e, é claro, tudo coisa de dormir em pé: bolas! ou não?
Já foi Pessoa – por certo graças aos benignos deuses de Ricardo (o Reis, o de Lídia!)
que só depois de ele os fazer, que jovem no-lo levaram – magia nos aguarelados desenhos
do Botas: não o gato delas, mas o Mário, o médico dos pincéis que falavam como bisturis
com cheiro a sândalo e a sangue de lírios da fonte das lágrimas de sal com cheiro a mar
português.
Foi Pessoa símbolo armilado para todos os tachos e amiguismos de conveniência e
também arquetipada maçaneta de muitas portas para bota-sentenças universitários que já
chateia, mas sabe sempre bem mais um trago de litro, não é? Porque … é Pessoa!
Foi Pessoa sagradamente geometrado em linhas de prece e alas de namorados,
nautas varridos entre o ítalo-Renascimento e a Renascença portuguesa, e foi terraço do
finisterra e ternação lusíada, como o que somos quais não somos senão na saudosa e
persistente vontade de ser isso assim mesmo, o que quer que isso lá seja, e no sentido do
que somos para ser (ora bolas!), ainda que sem sentido nenhum de sê-lo (estava de ver!).
Foi Pessoa, sim, afeiçoado pelas mãos tisnadas de tabaco das longas horas tintadas
desse santo graal, perdão, pintadas, pelo poeta que tintava, perdão, que pintava, lúcido
meio-louco e mais meio-louco – foi Pessoa, sim, filhado pelo Ralha na geometria sagrada do
silêncio mais imperial e glorioso, saudoso José como só os irmãos nos são, ainda que nos
vejam melhor (e talvez mais por isso) do que nos vemos.
As efemérides, essas – passaram, faz pouco, 75 anos sobre o passamento do homem
Fernando que havia no senhor Pessôa –, as efemérides são entre nós, ou uma cena muito
oficial, analfabeta e chata, e muito toleradamente cínica, de puro vampirismo (ia a dizer
!!
"!

vandalismo!) político-cultural, ou então são apropriação (igual ao litro!) de apolítica cultural
ou, então ainda, cena de culto da Cultura pela cultura (pois…!), no pressuposto culto (aliás,
inculto pressuposto) de que ela possa granjear em prestígio no mero aparecer na fotografia
para currículo dos zé possidónios que tão bem transidamente sem vergonha ocupam, muito
públicos e de adequados trejeitos, os cargos para indoutos engenheiros e senhores
doutores sacristas, que tratam tão bem mal das nossas cargas de trabalhos.
Ou, então, são as efemérides efémeras mesmo, e uma espécie de (sub-)espécie de
liturgia do ilustre morto-vivo de que é bem falar de, mas nem é bom falar sobre (que estucha!),
pois nem por isso alguma coisa alguém percebe, como é aliás, e deve ser, todo o bom mito,
figura nacional ou qualquer cerimónia hipnocomemoradora do que quer que seja que valha
o transtorno de fazê-la e a maçada de lá ir-se botar presença, sentença e sobretudo ser
muito visto a sorrir.
Pessoa, semi-morto em vida, sobrevivo na morte, não fugiu (parece que com os
óculos) à regra de também finar-se: não pôde, coitado! O de litro deu-lhe uma bela
ajudinha…
Cabe a quantos por aqui vão ficando dar ajuda contrária, e desajudarem ao nosso tão
costumeiramente rápido esquecimento crónico, e à ignorância crassa e tão laxa do não
querermos nem saber do que quer que seja, senão para dizer mal e fazer pior.
A parte dele, Pessoa, porém, que é ainda hoje apropriável para certos propósitos ou
despropósitos, é a de que porventura menos interessa interessarmo-nos aqui, porque mais
desinteressantemente interessante é para os que interessa interessar na coisa que seja
Pessoa.
A outra, a que é mais fugidia às comemorações dos salamaleques e às efemérides da
treta, com menos carradas de luso(caca)fonia e todas as lusofanfarras do costume de certa
tropa das letras de Letras, se bem que não menos efémera, conquanto mais perdurante e
passível de caber numa revista como esta, é a que conta para o que mais importa, é a que
importa para o que mais conta: se, na verdade, algo haja que importe nos importemos com
algo …
É dessa, porém, que a revista Entre aqui mais cuida e mais tem o cuidado de dar a
público.
É dessa que este número terceiro da Entre, a Pessoa dedicado, pretende ser janela
e porventura porta, e talvez fundação de algum firmamento que nos sossegue as armilas do
labirinto do desassossego de que ele, Pessoa, nos sempre recorda a cada passo o imenso
vazio e a adamastórica plenitude.
Fernando Pessoa!
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Percebe-se, mals oo que se entenoe, a olssloêncla entre o autor que magnetlzou a
'Llegla' e o que construlu a 'Ooe Trluntal'. L tempo pols oe perscrutar o sentloo ouma
tal olvergêncla.
Antes porém oe tomar a questáo, é preclso conbecer o ponto oe orlgem oo olsslolo
oe que talamos. Ao lnvés oo que prlmelro se pensa, o sentloo oposto oos ools
crlaoores náo se manltestou, pelo menos oe torma clara e oetlnltlva, sem besltaçòes, na
relaçáo vlva que os ools mantlveram. Temos oum laoo e ooutro, ao longo oo tempo,
entre 1912 e 1932, quer olzer, até a morte oe Fernanoo Pessoa, e×pressòes oe
convergêncla e aomlraçáo mutua, que náo têm sloo estlmaoas como merecem, salvo
raras e×cepçòes, pelos leltores e comentaoores oe ambas as partes.
vejamos oe torma suclnta alguns oos aspectos convergentes. Prlmelro, os
conbecloos estuoos oe Fernanoo Pessoa publlcaoos na revlsta !" #$%&' (1912), em que
Tel×elra oe Pascoaes surge como o mooelo oe poeta mals aolantaoo oa nova poesla
portuguesa. Lstes estuoos, que acabaráo por oar a prlmelra recolba crltlca em llvro oo
autor, !"()*'" +),-&'"+)./%$%,-' (1944, org. Alvaro Rlbelro), têm aojacênclas varlas que
seguem pelo mesmo curso: antes oe mals, os apontamentos lnéoltos oa época,
esqulssos e notas oe máo para os quatro granoes estuoos crltlcos publlcaoos na revlsta
portuense e oaoos a estampa oepols oa morte oo autor, oe seguloa, a lntervençáo
escrlta, éolta esta, no jornal 0,1234&5', em Setembro oe 1912, na polémlca llterarla oe
8oavloa Portugal, recolbloa em llvro três anos oepols, a que se oeve acrescentar, em
loêntlco rumo, a carta escrlta e envlaoa a Tel×elra oe Pascoaes em [anelro oe 1914 (ou
alnoa as eplstolas a Marlo 8elráo e a [alme Cortesáo com essa concoroantes, no tempo
e no sentloo).
Da parte oe Tel×elra oe Pascoaes, mals velbo ooze anos, encontramos também no
mesmo perlooo manltestaçòes oe slmpatla e estlma pro×lma por Fernanoo Pessoa.
Lelam-se as oeolcatorlas que por entáo o poeta oe !-" 6)73.'- apòs em alguns llvros
seus oterecloos ao novel autor oos te×tos crltlcos oa revlsta !"#$%&' e a carta cbela oe
apreço e olrecçáo comum que lbe escreveu, com a oata oe 21 oe Outubro oe 1912.
Com o mal-estar entre Fernanoo Pessoa e a Renascença Portuguesa, cujos
llneamentos se observam com nltloez no conjunto oe mlsslvas que o poeta oe
8,9-'$,7 trocou em 1914 com Alvaro Plnto, sobretuoo na segunoa metaoe oo ano, a
blturcaçáo oos ools camlnbos, até al convergentes, se náo bomologos, lnlcla o processo
oe olvergêncla. Também Tel×elra oe Pascoaes, no mesmo ano, em momento cruclal oe
:,.3)" ;-5%.), se escusa ÷ mostranoo-se trlo e até ma×lmamente oepreclatlvo ÷ aos
arrebatamentos oo Futurlsmo, centraoos na apologla emoclonal oa vertente ostenslva e
bellclsta oo mooerno.
De qualquer mooo, olstanclamento ou atastamento náo é olsslolo nem oposlçáo. Dal
que, no momento oa crlaçáo oos beteronlmos, que colncloe com as prlmelras
oesvaloraçòes oa Renascença Portuguesa e a publlcaçáo oe :,.3)" ;-5%.), Fernanoo
!""
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89!9/9*,5/!-:3;*,5*!
<;9!+7/!1*9=+*!-!7+!
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>1=-C/!9715*+7/1/!
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!" #$%&!'$#" (!" Mensugem: ´sem saber de ouvìr ouvìmos" ou de como a ìntencìonalìdade
)$(*+"!",-%&,./%,.!


As lIhas Afortunadas

Que voz vem no som oas onoas
Que náo é a voz oo mar?
L a voz oe alguem que nos talla,
Mas que, se escutamos, cala,
Por ter bavloo escutar.

L so se, melo oormlnoo,
Sem saber oe ouvlr ouvlmos,
Que ella nos olz a esperança
A que, como uma crlança
Dormente, a oormlr sorrlmos.

Sáo llbas atortunaoas,
Sáo terras sem ter logar,
Onoe o Rel mora esperanoo.
Mas, se vamos olspertanoo,
Cala a voz, e ba so o mar
1
.

Contorme procuramos mostrar no llvro que preparamos sobre o mensogem do
Mensogem, cremos que o unlco llvro oe Pessoa publlcaoo em vloa lnolca que a oolssela
espaclo-temporal oe Portugal, marltlma e blstorlca, é cbamaoa a cumprlr-se e superar-se
numa protunoa mutaçáo oo reglme comum oe consclêncla, e×perlêncla oe mooo algum
e×cluslva oe portugueses ou lusotonos, pols lnscrlta em tooas as mentes como a posslbllloaoe
mals atlm a sua natureza protunoa. |sto contlrma-se e atlnge um oos seus momentos mals
altos no poema aqul transcrlto e comentaoo, cuja prlmelra estrote nos contronta
lmeolatamente com três elementos oe uma ¨lnquletante estranbeza¨
2
. Lm prlmelro lugar, a
lnterrogaçáo que abre o poema lmpllca a auolçáo oe uma ¨voz¨ que, embora velculaoa pelo
¨som oas onoas¨, náo é tooavla o mero som oo mar. A slngular atmostera que se resplra na
composlçáo, que oesoe logo nos e×patrla oa percepçáo convenclonal oas colsas, brota oe
uma e×perlêncla orlglnarla em que se acolbe e ouve uma voz outra, lnseparavel oo, mas
lrreoutlvel ao, rumor marltlmo e senslvel oo munoo. Lm segunoo lugar, essa voz tem um
sujelto, mas este é lnoetermlnaoo: ¨alguem¨. Flnalmente, esse ¨alguem¨ tala para tooos e a
sua voz, a sua voz outra, cbega até eles, pols que o ouvem (pelo menos alguns), ponoo-se
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
!
1
PLSSOA, Fernanoo, Mensogem, eolçáo clonaoa oo orlglnal oa 8lblloteca Naclonal oe Portugal,
Llsboa, Gulmaráes Loltores, 2009, pp.78-79.
2
Ct. FRLUD, Slgmuno, uos Unhe|m||che (1919), Frankturt am Maln, 1993.
!"G
entáo a escuta, como que para ouvlr melbor. No entanto, é preclsamente esse pòr-se a
escuta, olrlglnoo para a ¨voz¨ a atençáo auoltlva, que taz com que ela se cale, o que neste
caso parece antes lnolcar o ser calaoa meolante esse toma-la como objecto oe uma atençáo
mals concentraoa. Que uma voz se sllencle e a auolçáo seja lnterromploa pela sua escuta
atenta, ou seja, pela tentatlva e estorço consclente, lntenclonal e voluntarlo oe ouvlr melbor,
é o que é sumamente estranbo, em relaçáo a nossa e×perlêncla babltual oe percepçáo oos
tenomenos auolvels. A voz tala e é ouvloa quanoo náo ba qualquer tentatlva oe a escutar, mas
sllencla-se ou é sllenclaoa, oel×anoo oe ser acolbloa, quanoo se a converte em objecto oe
escuta atenta, a ela partlcularmente olrlgloa.
Tuoo se passa como se tosse essa mesma lntenclonalloaoe objectlvante oa escuta que
anulasse a auolçáo orlglnal oessa ¨voz¨ que porventura náo so ¨náo é a voz oo mar¨, mas é
lrreoutlvel alnoa a ser a voz/e×pressáo olsto ou oaqullo partlcular e oetermlnaoo, náo senoo
ela mesma lsto ou aqullo, numa lnoetermlnaçáo contorme a oo seu sujelto, um ¨alguem¨
lgnoto, lmpessoal ou trans-pessoal, sem rosto oetlnloo e vlslvel. Lm contormloaoe com o
lmpulso oa éplca pessoana para a totalloaoe, o olvlno e o lntlnlto, pooemos aomltlr que esta
mlsterlosa ¨voz¨ seja náo a oe um ente lntramunoano, oetermlnaoo, partlcular e tlnlto, mas o
verbo/logos oo proprlo lnconolclonaoo que se oa numa e×perlêncla orlglnarla, anterlor a
partlcularlzaçáo e objectlvaçáo oa atençáo proprla oa lntenclonalloaoe oa consclêncla, a qual,
segunoo a tenomenologla busserllana, na llnba oe 8rentano, é sempre ¨consclêncla oe alguma
colsa¨, vlsa sempre lsto ou aqullo, um oetermlnaoo ¨objecto lntenclonal¨
3
. A e×perlêncla
orlglnarla oe onoe tuoo oecorre, a auolçáo orlglnal e espontânea oessa ¨voz¨/verbo/logos
lrreoutlvel a um sujelto ou objecto munoano, anteceoe a constltulçáo oe uma consclêncla
lntenclonal e objectlvante, onoe um sujelto se constltul sempre constltulnoo um objecto,
contlguranoo a percepçáo consloeraoa normal oo munoo. Lsta sobrepòe-se asslm aquela,
velanoo-a e encobrlnoo-a, ou, neste caso, sllenclanoo-a, pols as ouas tormas oe e×perlêncla
oo real, se bem que coe×lstentes, sáo lncomposslvels no sentloo em que náo se pooem
verltlcar slmultaneamente no mesmo estaoo oe consclêncla, que no prlmelro caso é sem
sujelto, objecto e objectlvo, numa abertura lnclrcunscrlta, e no segunoo neles se llmlta e
partlcularlza. A e×perlêncla oo lnconolclonaoo ¨englobante¨ ÷ uma e×perlêncla bollstlca,
onoe um acolblmento auoltlvo lnclrcunscrlto preceoe a objectlvaçáo vlsual e parcelarlzante
oos entes, como no logos beraclltlano oa unltotalloaoe
4
- é obscurecloa pela clsáo sujelto-
objecto que contlgura a consclêncla olta oe vlgllla
5
.
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
!
3
Ct. HUSSLRL, Lomuno, Med|tot|ons Cortes|ennes. lntroduct|on ò |o Phenomeno|og|e, 17, Parls, [. vrln,
1986, p.35. ver a crltlca oe Lmmanuel Lévlnas a traolçáo ocloental consubstanclaoa na
tenomenologla busserllana oa consclêncla como lntenclonalloaoe aproprlaoora: ct., por e×emplo,
¨La consc|ence non-lntentlonelle¨, ln Lntre nous. Lsso|s sur |e penser-ò-|`outre, Parls, Llbralrle
Générale Françalse, 2004, pp.133-139. Ct. também os segulntes contrlbutos para uma
tenomenologla oa consclêncla náo lntenclonal: Franclsco [. varela, ¨Pour une pbénoménologle oe
la sun,oto (|)¨, ln AAvv, Lo gnose, une quest|on ph||osoph|que. Pour une phenomeno|og|e de |`|nv|s|5|e,
sob a olrecçáo oe Natalle Depraz e [ean-Françols Marquet, Parls, Les Loltlons ou Cert, 2000,
pp.121-148, Sbln Nagai, ¨L'artlculatlon ou pbénoménologlque et ou métapbyslque oans la pensée
ou ¨lleu¨ cbez Kltaro Nlsbloa¨, ln l5|d., pp.243-250.
4
¨L sablo que aqueles que escutaram, náo a mlm, mas ao olscurso [logos], convenbam que tuoo é
um¨ ÷ ln H|POL|TO, ßefutoçõo de todos os heres|os, |X, 9, 1, ln HLRACL|TO, lrogments, 1 (50
!#"
!
4+;,/!4E;!de curvulho
0$)%!%(-"1$&&-!"$"!"&!*(!($"(-"1)$&$%2$"÷"*#!"!1)-3.#!45-"


0 que sucede no tempo permonece
no espoço, e o mo|s remoto possodo
tem o suo presenço ossegurodo,
poro o|em do mo|s |ong|nquo hor|zonte.
Eudoro de 5ousa
Hor|zonte e Comp|ementor|edode, Ç8

0 nosso topos noetos sero sempre o u|stônc|o.
Maria HeIena VareIa
M|crof||osof|o(sj At|ônt|co(sj

Sou d|stônc|o.
Teixeira de Pascoaes
«Canto Herolco», L|eg|os

[.] de perto, contemp|o-te de |onge.
AIberto Caeiro
Poemos lncon¡untos, 5

Pensar a sauoaoe através oas suas tlguras oe olstâncla pooe, para la oe conouzlr a uma
tenomenologla oa percepçáo sauoosa, e também por lsto, tazer ver a e×perlêncla oa sauoaoe,
ultlmamente, como a oo que me é presente, oo que sauooso se revela atlnal oe ausente e
olstante nessa presença, ao lnvés oa mals comum aboroagem oa presença e manltestaçáo
sauoosa como presença oe uma ausêncla: a sauoaoe serla, atlnal, ousenc|o |nf|n|to do presenço.
Asslm, oesta torma pensanoo a e×perlêncla oa sauoaoe e as suas manltestaçòes em obras oe
llteratura e pensamento, pooemos mesmo cbegar a entenoê-la anterlor a, e lnoetermlnaoa
por, um seu elemento comummente consloeraoo constltulnte, talvez so equ|vocomente
24

constltulnte: a temporalloaoe
25
.
Dlgamo-lo ja: no caso oa obra oe Pessoa, o tacto oa e×pressáo llterarla oe uma vloa
sauoosa náo ser o seu mals recorrente slnal, se parece constltulr, a uma prlmelra anallse,
uma oltlculoaoe consloeravel a uma lnvestlgaçáo oa sauoaoe na sua obra, pooe mostrar-se
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
!
24
Pela noçáo oe equlvocloaoe náo pretenoemos negar ou tomar por erronea tal concepçáo, e menos alnoa,
tal vlvêncla, antes pretenoemos slgnltlcar uma caracterlstlca oa objectalloaoe sauoosa: essa oe ser vlvloo o seu
objecto como pelo tempo e muoança constltuloo, como loo ou passaoo e oesse mooo ausente, reterloo a
uma blogratla e reterenclanoo e nela tl×anoo um seu sujelto, sem que al se revele, senáo subtll e
longlnquamente enquanto lntensloaoe ÷ e aqul a equlvocloaoe latente ÷ a lntlnlta lnoetermlnaçáo náo so
objectlva mas subjectlva oa e×perlêncla sauoaoe. Atlrmamos, asslm, que este mals subtll e oltuso sentloo oa
sauoaoe esta equ|vocomente presente, causa mesma oa lntensloaoe a×lologlca sem razáo ÷ essa oe no passaoo
baver o ¨malor bem¨ ÷, na sauoaoe enquanto lnolssoclaoa oo passaoo, ou mesmo, numa sua ja mals velaoa
vlvêncla, oo tuturo.
25
Fazemos notar que náo sera aqul o caso oe apresentarmos satlstatorlamente cumprloo tal objectlvo, antes
o oe ensalarmos uma apro×lmaçáo: se é oa natureza oe tooo o pensamento ser apro×lmatlvo, como julgamos,
por ser contlguraoo o seu oestlno pelo lmprevlslvel oos acbamentos, entáo olzêmo-lo ante-apro×lmatlvo,
ensalo oe ensalar. Daremos, asslm, mals slnal claro oe lntençòes, que oe consegulmentos.
##
!
!
atlnal um lugar prlvlleglaoo oe uma outra sua manltestaçáo, e al uma sua lmportante
tecunoloaoe: essa oe se oesprenoer oe uma sauoaoe a personalloaoe reterloa, a vlrtuoe oe
uma obra que, sem equlvoco, ou sem o granoe perlgo oele, mostra o sentloo orlglnarlamente
lrreterenclavel e oes-personallzaoo, também por lsso entlm atemporal, oa vlvêncla sauoosa.
valorlzanoo a genealogla oe Pessoa, também nela pensanoo aqueles elementos matrlclals,
slmbollcos e mltlcos, que baverlam oe constltulr e tormar a sua relaçáo e×lstenclal com a
sauoaoe, oevemos oestacar a sua orlgem açorlana, pela parte materna, lnsula onoe ÷
oesconsloeranoo uma quaora oe 1895, escrlta nas vésperas oe partlr para Durban, com sels
anos, e oeolcaoo a sua máe ÷ escrevera o seu prlmelro poema em português, em 1902, na
vlagem que taz a Portugal, ja com treze anos. A vlvêncla oa lnsularloaoe, a e×perlêncla oas
lntlnltas olstânclas marltlmas, esses mares tooos ¨Dlstâncla Absoluta/ O Puro Longe, llberto
oo peso oo Actual.¨
26
, como olra Campos, seráo elementos slgnltlcantes na obra que sera a sua
vloa, lmportantes na sua vlvêncla oa sauoaoe, e oo lnoetermlnaoo sem llmlte oo seu objecto.
O contacto estétlco, tllosotlco mas também programatlco, com o sauooslsmo e os seus
autores, sltua-o Pessoa, pooemos lê-lo numa carta enoereçaoa a Armanoo Còrtes-Roorlgues,
nos anos oe 1912 e 1913. Náo apenas a leltura, mas a lntluêncla oo sauooslsmo é al
reconbecloa. Como é sabloo, em 1914 olstanclar-se-a oo movlmento, e oel×ara oe colaborar
no orgáo otlclal oa Renascença Portuguesa, a revlsta Agula, momento que tlca marcaoo pela
carta que enoereça a Alvaro Plnto, secretarlo oa mesma revlsta: ¨Sel bem a pouca slmpatla
que o meu trabalbo proprlamente llterarlo obtém oa malorla oaqueles meus amlgos e
conbecloos cuja orlentaçáo oe esplrlto é lusltanlsta ou sauooslsta.¨
27
Lscreve ¨trabalbo
proprlamente llterarlo¨, lsto é, os seus te×tos náo oe crltlca, mas obras como o seu orama
estatlco, ¨o marlnbelro¨, cuja publlcaçáo lbe bavla sloo recusaoa. Lste olstanclamento
estétlco suspeltaoo manltestava-se também nas poucas ocorrênclas, e certamente a náo
recorrêncla, oe alguns oos ¨olvlnos vocabulos¨
28
, caracterlzaoores oa poétlca oaquele
movlmento. Lntre eles, central e lrraolante, esta preclsamente a palavra ¨sauoaoe¨
29
.
De tacto, na sua obra a palavra ¨sauoaoe¨ pouco presente esta, contanoo-se o L|vro do
uesossossego aquele em que mals vezes a encontramos ÷ quase tantas como no resto oa
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
!
26
Fernanoo Pessoa, 05ros de lernondo Pessoo, (3 vols.), |ntroouçòes, organlzaçáo, blbllogratla e notas oe
Antonlo Quaoros e Dallla Perelra oa Costa, Porto, Lello & |rmáo Loltores, 1986, vol. |, p. 897.
27
Ct. ¨vlnte cartas oe Fernanoo Pessoa¨ ln 0c|dente, Llsboa, vol. XX|v, 1944, p. 316.
28
Ct. Tel×elra oe Pascoaes, «O génlo português na sua e×pressáo tllosotlca, poétlca e rellglosa», ln A Soudode
e o Soudos|smo, (u|spersos e opúscu|osj, compllaçáo, lntroouçáo, tl×açáo oo te×to e notas oe Plnbaranoa
Gomes, Llsboa, Asslrlo & Alvlm, 1988, pp. 82-85. Lssas ¨palavras olvlnas¨, ¨lrmás gémeas oa palavra
Sauoaoe¨, sáo: ¨ermo¨, ¨remoto¨, ¨ausêncla¨, ¨sombra¨, ¨sllênclo¨, ¨nevoelro¨ e ¨meoo¨. Pascoaes enuncla
alnoa outras clnco ÷ ¨lugubre¨, ¨tantasma¨, ¨oculto¨, ¨espectro¨, ¨ablsmo¨ ÷, a estas ja náo oeolcanoo,
porém, nenbuma llnba oe oesenvolvlmento.
29
¨O vocabulo soudode [.] esta longe oe constltulr-se num oos seus boroòes llrlcos polarlzaoores
trequentes. Com etelto, ao longo oos 11 volumes que constltuem a sua obra poétlca publlcaoa [Altreoo
Antunes escrevla em 1983, os 11 volumes oe poesla reterloos eram por lsso aqueles oa Atlca], esta palavra
aparece apenas 59 vezes, e alnoa asslm, na malorla oos casos, na torma plural: soudodes ÷ o que é multo
menos slgnltlcatlvo.¨, Altreoo Antunes, Soudode e Profet|smo em lernondo Pessoo ÷ L|ementos poro umo
ontropo|og|o f||osóf|co, 8raga, Publlcaçòes oa Faculoaoe oe Fllosotla, 1983, p. 109.
G#
!
!
antonlo faria
o ¨tempo¨ e os 3S sonetos de fernondo pessoo (breves apontamentos)

0 ¨eu¨ e o resu|todo de um descentromento do
lnd|v|duo||dode em re|oçõo oo seu foco pr|mord|o| que e sem
centro. L esse resu|todo que const|tu| o mundo evonescente,
onde somente e reo| «o que n|sto nõo e |sto»
1
.

Tenoo em mente que uma vasta parte oo legaoo oe Pessoa náo esta alnoa olvulgaoo e
que o trabalbo oa sua eolçáo náo esta também completamente reallzaoo, consloeranoo além
olsso o pulsar tebrll e multlolmenslonal oo pensar pessoano, entenoe-se asslm que qualquer
atlrmaçáo que aqul seja proouzloa sobre a sentloa e pensaoa obra oo Poeta oevera ser
entenoloa como tenoo um caracter lnerentemente transltorlo, constltulnoo-se como slmples
blpotese evanescente, pretenoenoo-se táo-somente que possa ser o resultaoo oe um
pensamento que se pretenoera razoavelmente tunoamentaoo.
Quanoo Paulo 8orges atlrmou, como «blpotese oe trabalbo», que um oos centros mals
relevantes oo labor pessoano raolcava «na e×perlêncla oe baver algo no sujelto anterlor quer
a constltulçáo oo munoo e a sua presença nele, quer ao que traolclonalmente se apresenta
como o seu proprlo prlnclplo absoluto»
2
, lsso conouzlu a que tossem lloos os 3S Sonetos oa
Poesla pessoana escrlta em lnglês
3
e em partlcular os que mals e×pllcltamente aboroassem a
questáo oo ¨Tempo¨
4
. Mas olzer o ¨Tempo¨ segunoo as oetermlnaçòes lmpostas pelas varlas
llnguas e×lstentes
5
obrlga a severas llmltaçòes, senoo em sl-mesma uma tareta cujas
conjecturas que oal proceoam carecem necessarlamente oe contraoltorlo. Por outro laoo
e×lste tooa uma multlpllcloaoe oe mooelos, uns atlrmanoo a sua lr-realloaoe, o ser o
resultaoo oe uma mera construçáo conceptual, e outros que o atlrmam como senoo uma
categorla objectlva. Conceltos como ouraçáo
6
, muoança/sucessáo e eternloaoe
7
, momento,
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
!
¡
lernundo Pessou, 6-$&.!"7%'8$&!, Asslrlo e Alvlm, zccc, Soneto ××vlll, µ. µ¸.
z
Puulo 8orges, 9":-'-"(-";*%(-<"=%&!.-&"&->)$"?$.3$.)!"($"6!&,-!$&"$"@$)%!%(-"6$&&-!, Portugúllu Ldltoru, zcc8,
µ. ,¸. C subllnhudo e extrutexto.
¸
Cf., Puulo 8orges, -1A",.2A<"µ. ,µ, tb lernundo Pessou, Poeslu lnglesu, l volume, Asslrlo e Alvlm, zccc, µ. ¸µc.
µ
No mundo de hoje, u questão do 1emµo no que dlz resµelto uos dlúlogos lnterculturuls, lnterrellglosos e
fllosoflcos e de ucrescldu lmµortûnclu. A ldelu de 1emµo desemµenhu um µuµel determlnunte nus culturus de
todo o mundo, sendo umu questão multldlmenslonul que remete µuru todu umu dlversldude de lnterµretuçoes
que estruturum us vúrlus esµeclflcldudes culturuls, desde u construção e lnterµretução dos mltos e slmbolos ute
ùs fllosoflus e rellgloes em todo o mundo.
¸
Se for entendldo que us µuluvrus lldum com conceltos e que µoderão não µussur de construçoes du mente
humunu, terão merumente um vulor lnstrumentul. Se comµreendermos us µuluvrus de um modo nomlnullstu,
µoderemos dlzer que o "nome' so exµressurú ulgo se houver um outro untltetlco sobre o quul µossu exercer o
"reµudlo' que tem µelo seu oµosto. vlvem no entunto estus µolurldudes em relução estreltu e, uo µretenderse
ellmlnur umu delus, desuµurecerão us duus. Nu sequenclu deste µostuludo, us llnguus, uo µossulrem conjugução
verbul, umurrum ùs reµresentuçoes de "1emµo', de "µussudo', "µresente' ou "futuro'.
6
Lntenduse Lurução como contendo o 1emµo objectlvo, condlclonudo, determlnudo. A Lurução estú ulndu
usslm "foru' do 1emµo, emboru de certo modo o "sustente'). Reflruse ulndu que não tendo relução dlrectu
com o mundo munlfestudo, flnlto, contem ulndu usslm umu estreltu relução com o "1emµo' que e lnstunte.
!GG
|nstante e lnstantaneloaoe, clcllcloaoe e llnearloaoe, ¨Tempo¨ absoluto abstracto, bomogéneo
e lnolterenclaoo, ou ¨Tempo¨ relatlvo, ¨Tempo¨ aparente, percepclonaoo ou slmplesmente
lnterloo, sáo partes oe uma vasta panoplla conceptual que, paraoo×almente, pooera alnoa
asslm servlr como apontaoor para a loela oe Lspaço Abstracto Absoluto e Movlmento
Abstracto Absoluto, tenoenclalmente transcenoenoo qualquer lmagem ou oetermlnaçáo. O
¨slmples¨ postular oe um ¨Tempo¨ Llnear ou oe um ¨Tempo¨ Clcllco remete para tooa uma
problematlca, oeveras comple×a, oaoo que parece conouzlr a ¨resultaoos¨ antagonlcos, tloos
como ¨lnultrapassavels¨ por aoerentes oos ools mooelos. Por tuoo lsto, náo cabera aqul uma
olscussáo sobre o ¨Tempo¨
8
por mals pequena que tosse, nem sobre os varlos mooos oe ele
ser pensaoo e oas categorlas que oal têm resultaoo.
O que aqul se esboça, senoo um levantamento oe mooo algum e×austlvo oas atlrmaçòes
pessoanas sobre o ¨Tempo¨ nos 3S Sonetos
9
, náo pretenoe mals oo que lntroouzlr a busca
sobre um eventual mooelo que lbes possa ser subjacente a qual se assoclaram alguns
comentarlos. Asslm, e oaoo que pooem al ser encontraoas evloentes atlrmaçòes sobre o
¨Tempo¨, oa-se agora segulmento a questáo que pretenoe ser o el×o estruturante oeste
breve te×to. Para tal, toram escolbloos os Sonetos
10
Xv|||, XX e XXv||, consloeraoos como
relevantes para a questáo em apreço. Comecemos pelo Soneto XX, em que Pessoa aboroa a
questáo oo «renasclmento»:

«When |n the w|den|ng c|rc|e of re5|rth,
7o o new f|esh m, trove||ed sou|
11
sho|| come,
And tr, ogo|n the unremem5ered eorth
W|th the o|d sodness for the |mmorto| home».

Surge aqul, no prlmelro verso, uma atlrmaçáo oe clcllcloaoe, oe ¨re-nasclmento¨, oo
tempo/sucessáo
12
, por parte oa sua «alma vlajaoa» oetentora oe uma ja «antlga trlsteza» pelo
seu «lar lmortal». A esse «abarcante clclo oe renasclmento» oas almas oe algum mooo
aprlslonaoas no ¨Clclo oa Necessloaoe¨ náo sáo reterloas e×pllcltamente as necessarlas
questòes oe causalloaoe. No Soneto Xv|||, o Poeta atlrma nas ouas prlmelras quaoras:
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
!
Lurução e Lsµuço Abstructo que nu suu "concretude', fruto du dellmltução du mente duul, surge como
uµurentemente llmltudo, sendo o "1emµo' uflnul reµresentução.
,
A trudução µor vezes feltu de B-% como Lternldude µurece ser multo µroblemútlcu. Cf. 8orges, oµ. clt., µ. ,6,
tb., notu 6 ldem.
8
Nu "Clenclu', com Newton, µussundo µor 8ohr, Plunck, Llnsteln, 8ohm (entre outros) e nu modernu gerução de
(metu)flslcos, u questão do 1emµojLsµuço e tumbem umu questão de esµeclul relevûnclu.
ç
Lstes forum redlgldos entre ¡ç¡c e ¡ç¡z, sofrendo rectlflcuçoes ute que forum µubllcudos em ¡ç¡8. Cf., 8orges,
oµ. clt., µ. ,¸, tb., nu obru, lernundo Pessou, 6-$&.!"7%'8$&! (l), Ldlção e 1rudução de Lulsu lrelre, Asslrlo e Alvlm,
zccc, µ. ¸µc.
¡c
Sobre os relevuntes Sonetos ××lv e ×××l, ver u µrofundu e vlvldu lelturu de Puulo 8orges, oµ. clt., µµ. ,¸8ç.
¡¡
Sobre estu questão, cf., Antonlo lurlu, "Pessou e u 1eosoflu', ln Puulo 8orges (coord.) 98C!)$&"=*)-1$*&"&->)$"
@$)%!%(-" 6$&&-!, Centro de lllosoflu du Unlversldude de Llsbou, em µubllcução. Almu, nos seus vúrlos nlvels,
µoderú ser entendldu como um "no', vortlce, µonte necessúrlu, no fluxo du Consclenclu num dudo µluno ðntlco.
¡z
Leverão ser notudus us dlstlnçoes que se devem fuzer no que dlz resµelto uos toµlcos "renusclmento',
"reencurnução' e "trunsmlgrução'. Numu µersµectlvu muls 1eosoflcu, cf., Antonlo lurlu, oµ. clt., em µubllcução.
1umbem, e no que resµeltu uos vúrlos modelos de "1emµo' ver, µor exemµlo, 8ulslev, D"E2*(F"-0"?.#$".%"7%(.!%"
6C.8-&-1CF, Motllul 8unurslduss, ¸
rd
Ldltlon, zccç, tb., lrunçols 'ulllen, G*"H?$#1&I, Llements d'une lnìlosoµnìe du
J.K)$, Ldltlons Crusset lusquelle, zcc¡, tb., 1homus McLvllley, ?C$"EC!1$"-0"D%,.$%2"?C-*'C2, L-#1!)!2.K$"E2*(.$&"
.%"M)$$N"!%("7%(.!%"6C.8-&-1C.$&, Allworth Press, NY, zccz.
GH
!
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joão 9-+?;*1!3/=*1!
jernando µessoa: da Vensagem à ´elegìa na sombra""
"




Sáo bem conbecloas as clrcunstânclas lmeolatas que apressaram Pessoa a oar por tlnoa a
Mensogem como um tooo orgânlco oestlnaoo a publlcaçáo em llvro. A «revoluçáo naclonal»
estava no seu auge. O reglme sacuolra as ultlmas reslstênclas organlzaoas através oa ellmlnaçáo oo
slnolcallsmo llvre e oa oura repressáo oa greve geral oe 18 oe [anelro oe 1934. O Lstaoo Novo
mostrava-se torte. Salazar e as elltes oomlnantes querlam também oomlnar a vloa cultural e
artlstlca. Antonlo Ferro, que tora gerente oo 0rpheu e permanecera sempre amlgo oo poeta,
encarrega-se oe levar a cabo esse oomlnlo. L nomeaoo cbete oo Secretarlaoo oe Propaganoa
Naclonal. Lscreve o llvro pantletarlo So|ozor. Detlne a cbamaoa «polltlca oo esplrlto», uma espécle
oe cartllba para a crlaçáo cultural vocaclonaoa a e×altaçáo oos valores oo reglme autorltarlo e que
tol morlgeraoa por alguma llberoaoe conceoloa as olssloênclas e as oposlçòes artlstlcas. Lm 1934,
o Secretarlaoo oe Propaganoa Naclonal lnstltulu o Prémlo Antero oe Quental. Antonlo Ferro,
Augusto Ferrelra Gomes e outros lnstam Fernanoo Pessoa a concorrer. Lste alnoa náo entrara
oecloloamente em collsáo com o salazarlsmo. Lstava ba multo voltaoo para uma leltura mltlca,
provloenclal e bermétlca oa blstorla patrla. Havla ja publlcaoo algumas poeslas oessa lnoole,
nomeaoamente a sérle Mor Portugues, publlcaoa na Contemporôneo em 1922. Acelta, portanto,
entrar nesse concurso oestlnaoo a e×altar a a×lologla oa «revoluçáo naclonal». Provavel mente,
pretenola ser o seu poeta otlclal.
Anoava ba multo tempo a laborar num projecto oe escrever um granoe poema acerca oa
blstorla patrla. Lntre os seus papéls oe 1910 encontram-se notas sobre a elaboraçáo oe um longo
poema oramatlco cbamaoo Portugo|. Lm 21 oe [ulbo oe 1913 escreve C|od|o, que passara a cbamar-
se u. lernondo, lnfonte de Portugo| vlnte anos mals taroe e lntegrara a Mensogem. Mas esse poema,
que é o mals antlgo oe quantos estáo no llvro, parece ter sloo escrlto sem qualquer plano oe
naclonallsmo mltlco e sem sequer Pessoa pensar nessa tlgura loolatraoa oa blstorla portuguesa.
Lm Setembro oe 1918, escreve Podrõo e Monstrengo. Nesta altura, o poeta crê estar a asslstlr ao
renasclmento oa patrla e mltltlca a tlgura oe Sloonlo Pals, o qual governa em oltaoura e tem uma
certa aura popular. Multos pensam que a Republlca Nova val lnstaurar-se como reglme torte,
acabar com a lnstabllloaoe oos prlmelros anos oo republlcanlsmo e tlrar o Pals oa guerra. O poeta
julga mesmo que esse cbete mllltar encarna o esplrlto oo sebastlanlsmo. Provavelmente, oata
oesse perlooo o projecto oe tazer um granoe poema éplco e mltlco sobre a blstorla naclonal. O
seu eplcentro estarla no auge oos Descobrlmentos, os quals constltuem a matérla-prlma oesses
ools poemas agora reterloos. No Podrõo, escreve:

L oo |menso e poss|ve| oceono
Lns|nom estos Qu|nos, que oqu| ves,
Que o mor com f|m sero grego ou romono:
0 mor sem f|m e portugues.

A suposta mlssáo clvlllzaclonal oas Descobertas parece estar ja assoclaoa a uma certa loela
teleologlca, provloenclal e escatologlca oo oevlr. Lra como se, no pensamento oo autor, a mltlca
passagem oo Cabo 8ojaoor por Gll Lanes (1443) e oo Cabo oa 8oa Lsperança por 8artolomeu
Dlas (1487) tosse um cume blstorlco-unlversal oltlcll oe superar. O Monstrengo, pela sua evocaçáo
!GI
oos seres aterraoores que povoavam o lmaglnarlo oas vlagens marltlmas lncapazes oe oobrar os
Cabos onoeaoos por correntes lnoomltas e oo celebérrlmo Aoamastor oe Camòes, era uma
espécle oe oescloa aos lnternos apenas superaoa pela valentla olvlna oos marlnbelros lusltanos.
Ambas essas poeslas vlráo a lntegrar o conjunto mals amplo lntltulaoo Mor Portugues. Lste
conjunto poétlco tol publlcaoo na revlsta Contemporôneo e contém poeslas escrltas sobretuoo em
1921-1922. Nesta revlsta olrlgloa por [osé Pacbeco (velbo amlgo oos tempos oo 0rpheu e
conbecloo plntor mooernlsta), taz aparecer, além oos ools poemas oe 1918, Ascensõo de \osco do
Como, Mor Portugues, A U|t|mo Nou e A Prece. Agora ja náo restam granoes ouvloas oe que, por
essa altura, o poeta allmenta o sonbo oe escrever uma epopela naclonal em verso e trabalba ba
anos para a reallzar. Tem agora claramente a olmensáo mltologlca oo sebastlanlsmo. Lelam-se os
versos oe A U|t|mo Nou:

Levondo o 5ordo L|-ße| u. Se5ost|õo,
L erguendo, como um nome, o|to o pendõo
uo lmper|o,
lo|-se o ú|t|mo nou, oo so| oz|ogo
Lrmo, e entre choros de ôns|o e de pressogo
M|ster|o.

Nõo vo|tou mo|s. A que ||ho |ndesco5erto
Aportou? \o|toro do sorte |ncerto
Que teve?
[.]

\e¡o entre o cerroçõo teu vu|to 5oço
Que torno.

Nõo se| o horo, mos se| que ho o horo,
uemore-o ueus, chome-|he o o|mo em5oro
M|ster|o.
Surges oo so| em m|m, e o nevoo f|ndo:
A mesmo, e trozes o pendõo o|ndo
uo lmper|o.

Depols oessa publlcaçáo oa sérle oe poemas oo Mor Portugues, a qual vlra a ser o corpo
central oa tutura Mensogem, Fernanoo Pessoa parece aquletar este seu projecto sllencloso oe se
transtormar numa espécle oe «supra-Camòes». Qulça essa tlgura anunclaoa uma oécaoa antes nas
paglnas oe A Agu|o voltasse a soçobrar. Apenas voltara a escrever poemas oe lnoole mltlco-
naclonallsta em 1928-1930. Lscreve entáo alguns poemas mals taroe lntegraoos na Prlmelra Parte
(0 dos Coste|os, 0 dos Qu|nos, u. 7ore¡o, u. l|||po de Lencostre e Nuno A|vores Pere|ro e tooos os que
estáo na secçáo lntltulaoa 0 7|m5re) e na Tercelra Parte oa Mensogem (Screvo meu ||vro ò 5e|ro-
mogoo, Nevoe|ro, 8ondorro e Antón|o \|e|ro). Multo provavelmente, a nova epopela ja esta
amaourecloa em termos orlglnals. A blstorla portuguesa pensaoa em tunçáo oa lnterllgaçáo oos
mltos oe D. Sebastláo e oo Qulnto |mpérlo, colsa que nlnguém tlzera até entáo oe torma
slstematlca e em verso. Posslvels relaçòes ja bavlam atloraoo no 8anoarra e no Paore Antonlo
vlelra, mas nenbum as e×plorou sutlclentemente e as pòs em versos concatenaoos como blstorla
naclonal oesoe as orlgens remotas até ao presente blstorlco em que se sltuavam. Pelo contrarlo,
Pessoa taz lsso. A parte substanclal oo projecto parece estar bastante avançaoa em tlns oos anos
20. Sera lsso mera colncloêncla tace as esperanças que a «revoluçáo naclonal» lbe suscltara? Sera
lsso um retle×o poétlco oo polémlco opusculo uefeso e just|f|coçõo do u|toduro m|||tor em Portugo|
escrlto em 1927? L sera o glosaoo poema Nevoe|ro a contlssáo oe uma blpotétlca loentltlcaçáo
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trunscendenclu, ubsoluto e subltuneldude"
(Aos que ondom no ruo com um f|m quo|querj
!
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No noro do qu|nto| do m|nho coso
0 5urro ondo ò rodo, ondo ò rodo,
L o m|ster|o do mundo e do tomonho d|sto.

\omos, que o covo|godo nõo tenho f|m nem (emj ueus|
1

AIvaro de Canpo"!

Lu num come|o o otrovessor o deserto
Com um om5ro fron¡odo de túmu|os numo mõo mu|to
o5erto
António Maria Lisboa


A morte para sl e para o munoo, num morrer-se poro ver o ueus, numa ascétlca guaroaoa oe sl,
náo se esgota e×cluslvamente nos tenomenos consloeraoos rellglosos ou mlstlcos que no conjunto
oesempenbam, no seu avanço actlvo, uma vla operatlva para a unláo amorosa com o sagraoo. A
observaçáo e atençáo ocordodo oos estaoos lnterlores oe sllênclo é manltestaçáo oe que, embora
velaoo sob a sotlstlcaçáo oa era mooerna, se movlmenta no rosto bumano um resloual rosto
olvlno, e×perlmentaoo em subtls vlbraçòes oe actlvloaoe slsmlca esplrltual. L nosso proposlto
mostrar oe que torma é posslvel uma leltura oa presença oesta pulsáo nas e×pressòes surreallsta e
surreallzante oe Antonlo Marla Llsboa e Fernanoo Pessoa, respectlvamente, oe que as suas obras
sáo testemunbo, mals ou menos patente.
Poétlcas oo e×cesso, as llnguagens oe Antonlo Marla Llsboa e Fernanoo Pessoa, lmportam uma
slngular vla bermenêutlca para um presente tuturante que reolmenslonanoo o ser na sua relaçáo
lntlma com a olstâncla e o sagraoo oe sl, ollul numa temporalloaoe vertlcal, aquela outra oe um
borlzonte que separa, reclamanoo a necessloaoe oe pensarmos as suas obras a luz oas categorlas
oe transcenoêncla e absoluto. |nstânclas motoras oe tooa a acçáo tellz, operam, pelo seu mooo
propeoêutlco oe prlvlleglar ao bomem a posslbllloaoe oa loentltlcaçáo e conbeclmento oe um
tempo que no oesenrolamento oe sl e por lnslta |ncepçõo oa loela oe lntlnlto em sl, é tunoamento e
prlnclplo esplrltual oo ser para a e×perlêncla lntegral oo real. Por etelto oe uma antlga, por
protunoa, perple×loaoe e estranbamento, este oesejo procuraoor, tem o seu orlente naquela
realloaoe levaoa ao seu mals alto e lrrestrlto grau, oonoe, para pensa-la abstralmos os conceltos oe
subltaneloaoe, epltanla, e ko|ros. Lsta lnquletaçáo oo gozo eterno oo conbeclmento e oo absoluto,
oe que os Poetas sáo testemunbo, é a cbamaoa, no passo besltante sobre o ablsmo, a e×perlêncla
oa revelaçáo ultlma oo bomem em sl lnumero entre multlsslmos, numa consclêncla para a morte
÷ prlnclplo e tuturo lnconolclonaoo oe uma totalloaoe. L oentro oesta organlzaçáo tematlca que
aoequaremos o trabalbo retle×lvo sobre os pensamentos poétlcos oe Antonlo Marla Llsboa e
Fernanoo Pessoa, na voz oe Alvaro oe Campos, pensamentos estes que, manltestanoo a
temperatura esplrltual oas llnguas oe togo, no seu atravessamento, se oepuram.
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
!
1
O parêntesls é nosso.
JJ
!
!
Porque qualquer aboroagem metooologlca pressupòe escolbas, por torma a obvlar o nosso
estuoo, optamos por clrcunscrever a anallse oo corpus pessoano ao mals mooernlsta Alvaro oe
Campos, oonoe consloeraremos sobretuoo os te×tos 0de 7r|unfo|, 0de Mor|t|mo, Soudoçõo o Wo|t
Wh|tmon e Possogem dos Horos. Propomo-nos, anallsar o sentloo em que presenclamos o
tenomeno mlstlco, naqullo que melbormente oenomlnaremos oe pulsáo mlstlca, suportaoo por
uma llnguagem surreallzante, oe lastro sensaclonlsta e tuturlsta, no caso oe Pessoa, e surreallsta no
caso oe Marla Llsboa, ressalvanoo oesoe ja o evloente acontecer mlstlco, na poesla ortonlma,
oonoe relevamos e×emplltlcatlvamente os poemas A u|v|n|s, A|em-ueus, Possos do Cruz, Lp|sód|os l A
Múm|o e Mensogem, que oeste estuoo nos reservamos.
Lm Antonlo Marla Llsboa anallsaremos tooa a sua obra, por olmlnuta comparaoa a oe Fernanoo
Pessoa, onoe o Surreallsmo é por sl, também ele, patente ÷ se clara é a aoequaçáo ao prlmelro,
quanto ao atrlbuto oa sua poétlca, procuraremos tunoamenta-la em relaçáo ao segunoo. Daquele
autor sera anallsaoo o volume Poes|o, apresentaoo e organlzaoo por Marlo Cesarlny, centraoo nos
tunoamentals te×tos Af|xoçõo Pro|5|do, Lrro Própr|o, lsso 0ntem Un|co, Av|so do 7empo por couso do
7empo, A \ert|co||dode e o Chove, 0ssópt|co e outros poemas, Corto A5erto oo SNß. ur. Ado|fo Coso|s
Monte|ro e Cortos.
Para uma leltura culoaoa oa obra oe Antonlo Marla Llsboa é lnolspensavel uma
conte×tuallzaçáo oas movlmentaçòes surreallstas onoe o poeta actlvamente partlclpou, levanoo-o a
lnaugurar teorlca e tormalmente um corpus poétlco e metapoétlco central e obrlgatorlo, na
lntensloaoe oe uma vloa que, lnacabaoa
2
e breve, se assume oe partlcular relevo na llteratura
portuguesa. Mals oo que estetlcamente lnovaoora e renovaoora, a sua obra é o centro transterloor
oa conversáo artlstlco-esplrltual, no que o proprlo oeslgnarla oe NOvO MUNDO: olmensáo
transtemporal onoe slmbollcamente os zeros se allnbassem numa recta lntlnlta, e as necessloaoes
esplrltuals oa e×lstêncla tossem contemplaoas, por vla oe uma so5rex|stenc|o apro×lmatlva oa vla
saplenclal, apenas olta, se olta, por aquela llnguagem alqulmlca a sl reenvlaoa, e per-telta pelo corpo
subtll oe uma atençáo olvlna e sllenclosa aos mlnltunolos. Antonlo Marla Llsboa encontrou na
corrente surreallsta os prlnclplos actlvos e a e×pressáo mals pro×lma ao trânslto lnconolclonaoo
oo seu pensamento, a e×pressáo e×acta para tazer uso oo que remeolasse o estaoo oas colsas, náo
apenas renomeaoas mas reaparecloas, apos a olssoluçáo oas margens, numa multl-loentltlcaçáo oo
real quotlolano (reabllltaoo, lembranoo Marlo Cesarlny) com o sonbo. Lls a tunçáo oo Surreallsmo
para a concepçáo poétlca oe Llsboa.
Apesar oas olterenças entre os movlmentos que surglram na llteratura oo lnlclo oo século XX,
o Surreallsmo e o Futurlsmo, tenoo sotrloo semelbantes lntluênclas, colncloem no ponto em que
ambos propuseram uma raolcal ruptura com os mooelos estétlcos oe uma época, numa busca oe
lntegraçáo entre as artes, que oesembocarla na etectlva transtormaçáo oa oroem soclal, que
oesvenoasse o oculto oo real. Senoo oe natureza mals polltlca e propaganolsta, o Futurlsmo
procurou através oa agltaçáo soclal e oa acçáo olrecta, nos seus conbecloos e vlgorosos ultlmatos,
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
!
2
Recoroanoo o comovente relato oe Artur oo Cruzelro Sel×as, sobre Antonlo Marla Llsboa, olz-nos Antonlo
Cânoloo Franco no recentemente eoltaoo 'Subslolo ou plelto rememoratlvo & (talvez) blstorlogratlco para
uma conclusáo geral oo poétlco no séclo XX português', que ¨Melancollzava, quase sempre em lagrlmas por
oentro, ao talar (ou ouvlr olzer) oeste. Olbava em retrospectlva o passaoo oo surreallsmo português e
atlrmava como ele terla sloo outro e melbor, arrasaoor mesmo, se o autor oe Lrro-Própr|o náo tlvesse partloo
para sempre táo ceoo, quase aoolescente, com quase tuoo por tazer e olzer¨. Ct. Antonlo Cânoloo Franco,
7e|xe|ro de Poscooes nos po|ovros do Surreo||smo em Portugues, Llsboa, Loltora Llcorne, 2010, pp. 59, 60.
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"
7hot |s not wh|ch |s.
7he on|, word |s s||ence.
7he on|, meon|ng of thot word |s not.
7houghts ore fo|se.
AIeister CrowIey

Lstos reo|mente seguro de que o soo|ho nõo pode ser o
tecto? [.] Só quem tento o o5surdo o|conço o
|mposs|ve|.Se penso que o|go esto no cove, su5o |ogo os
escodos, e cert|f|co-me.
M. C. Escher

Nõo fu| o|guem.
Fernando Pessoa

Se umo orvore, ¡o que nõo podes ser um deus|
Teixeira de Pascoaes

Quose tudo nesto epoco enco5re e sufoco o que em nós
ondo ò f|or do pe|e.
António Maria Lisboa

1. #""$!Hoje %&'($: o Erro Próprio de navegar
[.] o fe5re em m|m de novegor
Só encontroro de ueus no eterno co|mo
0 porto sempre por ochor.
1

Fernando Pessoa

0 engono esto mo|s no pos|çõo |nter|or
do que no |oco| geogrof|co que se ocupo.
2

António Maria Lisboa

Lm m|m, num mor que nõo tem tempo ou 'spoço.
3

Fernando Pessoa

¨A ru|no do mundo o||mento-se no que |he e mo|s prec|so, sem que oo homem se¡o dodo o
trompo||m de umo outro pos|çõo ÷ o nõo ser que neste mesmo mundo humono nõo tenho rumo,
rumo certo¨
4
.
Asslm pòe Antonlo Marla Llsboa, em 1953, o em que (alnoa) estamos: anoarmos sem
rumo e, com certeza, lncertamente. Mas oa-nos, olr-se-la, oesoe logo, uma e×celente posslvel
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
!
Pretende este pequeno enso|o |dent|f|cor o|gumos ||nhos de mútuo oct|voçõo e entrecruzomento do lernondo Pessoo
do Mensagem e de Antón|o Mor|o L|s5oo em Lrro Proprlo e |sso Ontem Unlco, no que to| resu|to em
quest|onomento, |nqu|etonte o||os, oo nosso tõo kall-yugulco presente, quose lncomposslvel, de tõo profet|co e
promete|co. uemo|s, oqu| quero de|xor expresso o m|nho profundo grot|dõo o Antón|o Cônd|do lronco que, em |dos ¡o
|mprec|sos mos ¡omo|s esquec|dos, me oss|no|ou, com o seu sempre tõo |um|noso entus|osmo, o o|ndo ho¡e tõo
menosprezodo |mportônc|o de Antón|o Mor|o L|s5oo.

1
PLSSOA, Fernanoo, Mensogem, Llsboa, Atlca, 1979, pag. 61.
2
L|S8OA, Antonlo Marla,¨Lrro Própr|o¨, ln Poes|o de Antón|o Mor|o L|s5oo, Llsboa, Asslrlo e Alvlm, 1977, pag. 7.
3
PLSSOA, Fernanoo, Mensogem, pag. 72.
4
L|S8OA, Antonlo Marla, ¨0peroçõo do So|¨, ob. clt., pag. 171.
!'G
razáo para que tal seja asslm: ¨7udo e poss|ve|, ote o nosso própr|o v|do¨
S
: logo, até a nossa
morte, portanto. Posslvelmente, até a nossa eternloaoe ÷ se ¨tudo e poss|ve|¨.
Náo ter ¨rumo, rumo certo¨ pooe ser, tooavla, ou estaoo lncònsclo oe allenaçáo, ou oe
escolba em lucloez.
Também Fernanoo Pessoa e×prlme tal conolçáo oe errâncla, ¨no ||nho fr|o do hor|zonte¨
6
:
¨Nem re| nem |e|, nem poz nem guerro¨
7
. Que estaoo lnterméolo e lnolstlnto é este? Que
estaoo oe ser qualquer ¨nem-uma-colsa-nem-outra¨ é ¨este fu|gor 5oço do terro¨
8
?
Que ¨perf|| e ser¨ é este nosso ÷ ¨5r||ho sem |uz e sem order¨ ÷ ¨que e Portugo| o
entr|stecer¨?
9
L, asslm senoo, ¨que nou, que ormodo, que froto l Pode encontror o com|nho?¨
10

Mas, cabe perguntar, sera oe encontror camlnbo? Ho lsso oe camlnbo? L prec|so camlnbo?
Antonlo Marla Llsboa parece responoer a tals lnterrogaçòes, quanoo olz o que náo parece
olzer:

¨Lu se| que e oss|m, que codo um tem no mundo humono um rumo, que prec|somente,
o este mesmo mundo humono o||mento e seguro. Que hero|smo, e tenoc|dode, e honro o
com|nho tr||hodo, o |ugor que ocupom| Que ser|o de tudo o que mo|s 5e|o por um |odo,
mo|s út|| por outro, mo|s d|gn|f|conte o|ndo, esp|end|do com certezo, sem esses rumos
que o homem montem? Que ser|o de tudo o que e mo|s do homem, se este se
o5ondonosse? Que ser|o do homem?¨
11


O que é este ¨o que e mo|s do homem¨? L que se abanoona neste abanoonar-se?
Cabera conbecermo-nos, para que nos taçamos e cumpramos? Asslm parece. |mportara
oetlnlrmo-nos? Provavelmente náo. Pols talvez George 8raque tenba razáo quanoo olz que ¨o
conform|smo começo com o def|n|çõo¨
12
? Quem sabe se tal avlso se nos náo apllca por lntelro ÷
arreplantemente, allas. Anoamos sempre atras oo que nos oef|no, e talvez oevêssemos antes
lr a trente oo que nos ¨|nf|n|ze¨.
Por lsso, atlgura-se que ¨umo mudonço de rumo em 70u0S e em 7Uu0 nõo pode de|xor de
começor em nós |nd|v|duo|mente¨. Caoa um é, com etelto, um mooo oe contormar (qulça
lgualmente oe com-tormar, e mesmo oe de-tormar), numa vloa, uma oe-f|n|çõo vlvente oe
rumo a um oestlno: alnoa pelo (que pareça) oesatlno.
Quanto ao camlnbo que ho¡o o hover, ocorrem-me aqul palavras oe 8altasar Graclan,
raolcalmente mals tunoas quals, oo mesmo passo, parecem náo parecê-lo:

¨uevemos serv|r-nos dos me|os humonos como se nõo houvesse os d|v|nos, e dos
d|v|nos como se os nõo houvesse humonos¨.
13


|sto porventura slgnltlca almejar os aoequaoos âncora, leme, navego e velame oo me|hor
tazer, nlsso oe lnolstlnto que ba ÷ por lgual ÷ no d|v|no e no humono, oe bumano no olvlno e o
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
!
5
|oem, Carta a Marlo Cesarlny, pag. 280.
6
PLSSOA, Fernanoo, Mensogem, Llsboa, Atlca, 1979, pag. 59.
7
|oem, pag. 104.
8
|bloem.
9
|bloem.
10
|oem, pag. 101.
11
L|S8OA, Antonlo Marla, ¨Operaçáo oo Sol¨, ln Poes|o de Antón|o Mor|o L|s5oo, Llsboa, Asslrlo e Alvlm, 1977,
pag. 171.
12
8RAQUL, George, Los Codernos de Ceorge 8roque, eo. Dlrecclon General oe Cultura / Funoarte, [Caracas],
s/o, pag. 27.
13
Cltaoo por Almaoa Negrelros, ln Lnso|os l, vol 5 oas Obras Completas, Loltorlal Lstampa, Llsboa, 1971, pag. 56.
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escrever sobre um rosto e truçur numu telu u muterlu do sllenclo
como desenhur um rlo lnscrlto nu µele?
hú µuluvrus nu bocu que dlzem u µuluvru, o lnlclo, hú µuluvrus que dlzem µão,
hú µuluvrus no rosto hú µuluvrus hú rosto hú um rosto de µuluvrus
nu mlnhu mão,

hú umu frlcção entre o rosto do mundo e o mundo do rosto
hú u voz de um rosto que reslste e revelu µor entre us mãos

hú num rosto um olhur e um esµelho,
um unlmul lnsubmlsso, hú umu substûnclu mentul
num rosto encontro um muµu de ullunçus, um fluxo de úguu
num rosto confluem µoemu e temµo
umu melodlu de µuluvrus em gestução

Y\"C!Z]"C!YZ]]"
HJ
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untonlo
@Q,.7./!:+-,@/



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71-4*3!.*!-+-FR/!

!&")-&!&"$%2)$"!"%$K$"&$#$!(!&
Cumoes, Cunção vll



A netu de Munfredo, u fllhu de Constunçu
que trouxe du Slclllu uo Mondego
o vermelho do lmµerlo e o brunco du hereslu
A µedru µuru de Arugão, u neve frlu dos µlcos
u dumu Corteslu
que Lonls cuntou em versos doldos e ubrusudos


Ardeu muls fundo u neve, desfuleceu u rulnhu dus rosus
e µlngou em chão sugrudo, o Suntu Cluru
u µrlmelru gotu do sungue de lnes
C drugão glbellno, u sobrlnhu du serµente uludu
u lsls que µeregrlnou uo flm du 1erru
µuru sucrlflcur no sul do 1ejo o Ser
Nus frugus de Alenquer, no desterro do nudu
urdeu muls fundo u neve sem derreter





I#
!

cuslmlro!.*!4+75/!!
!
!
'"!


Amote. 8ustume um µússuro,
umu úrvore
µuru me trunsµortur uo jurdlm
de tl ÷ um llvro, umu µuluvru, o µeso
do sllenclo
µuru me levurem uo µoço de tl,
uos teus olhos que ofuscum
o crlstul du munhã, ù tuu bocu
uµroxlmundose du mlnhu µele
como se regressusse u cusu.
Cunturte e desfuzer o nevoelro du mlnhu vldu,
desflur umu chumu, urdendo lentu,
que não se vlu. L bustume um vlnho
ou u tuu llnguu,
ou u memorlu delu
µuru que em mlm dlsµurem úguus
tremulus ÷ ulndu são ÷ e µor lsso
quundo te umo
sou um µouco essu montunhu que tece com o vento
umu combustão multo lentu multo µuclente
como se todo o fulgor du vldu
se concentrusse nos vules e nos rlos do teu corµo
lnesgotúvel. Amote. 8ustume
um sorrlso µuru que se ubrum
velus udormecldus ÷ um gemldo,
e entro em fontes como se delus
nuncu tlvesse suldo. Aguus dlstuntes
que me lnundum.

!
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frederlco 97+-!F*/+F*!
!
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f1-5Rg!
z° µurte «($#-%"$&2"G$*&".%K$)&$»
!

h"!
1emos dlu e escurldoes, uurorus
«quurtoscrescentes». Usumos telescoµlos. L tudo
, tudo µorque u 1erru germlnou µerto de umu estrelu.
Não fosse essu estrelu e u 1erru não terlu ulmus
extruvludus, nem terrenos fertels, nem mesmo
mulheres e homens enluçudos em cordus.
Lm consequenclu do Sol, uqul estumos: os deµendurudos.
Sem se notur, o µlunetu rodu, ocultu fuces, e hú
ute gente no mundo que sube dur nomes e buµtlzur os momentos
de cudu revolução. No ceu, se e dlu, u fulgenclu rlgorosu
quelmu u µele dos que desfolhudos se exµoem uo que estú no ulto.
Se e nolte, e u ulvuru du µellculu humunu que se dlstlngue cuso
encontre umu setu de luu reflectlndo desejos.
1emos dlu e luu.
C Sol urde mesmo nu lncertezu muls µrofundu.



!"O"
!
9-;+i@7-!!
teles du sllvu
!
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.*T!!%$%#%$!!*9!!3/;W/+!.-!Y*++-!
!
!
_!
Preµuro u terru
removo o humus
Luu novu, medlto

__!
Lsµulho u semente
Luu crescente
Acredlto

___!
Regudu u terru
escuto os µússuros
us nuvens flto

_j!
Ãmugo sllente
ocultu semente
Medlto

j!
Nu Luu chelu
frúgels rebentos
culduos u temµo
"O'
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donls .*!:+/3!F;73U-.*!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
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Nu corolu du entregu o olor
du lmemo'reul rulz.
[ 9"1P8$%"|"
No corµo us usus ucesus du µuz ÷
uo rubedo du muter u ulmu du muterlu.
[ 9",-)1-"|"
lnflndo e o horlzonte de tul
escudu: descem e sobem os urqueus,
quuls µrlm'evos derrudelros.
[ 9"K--"|

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Porque obscura magla é que esse persa longlnquo
manoa tam olversamente sobre as nossas almas? Que
potencla oe encantamento jaz vlva na sepultura oo seu
teolo?
lernondo Pessoo
(8NP/L3, 14C-42
r
, ßu5o|,ot: 76)

Wben we are oeao, seek tor our restlng-place
Not ln tbe eartb, but ln tbe bearts ot men.
jo|o|u`d-u|n ßm
(traouçáo oe L. G. 8rowne, CFP, 8-71: 11)
1
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
!
Pessoa lnstaurou, ao longo oos anos, uma protunoa relaçáo lntelectual com a obra oe
Omar Kbayym
2
. Neste trabalbo tentamos contrlbulr para a construçáo oum mapa
bermenêutlco e blogratlco-lntelectual para tacllltar a compreensáo oa lntluêncla oo sablo
persa no pensamento oo poeta português. |remos conte×tuallzar o lnteresse oe Pessoa
sobre Kbayym num conjunto oe lelturas que o poeta tez, e alnoa oe outros te×tos sobre!
a llteratura anglotona, a clvlllzaçáo lslâmlca e o Sutlsmo
3
.!


Fernando Pessoa e Onar Khayyn: oIhares entre bibIioteca e obra

O lnteresse oe Pessoa por Kbayym parece manltestar-se oe torma relevante na
proouçáo pessoana a partlr oe 1926, com as ru5'|,,t
4
crlatlvas oe Pessoa lnsplraoas nos
poemas oo poeta-tllosoto persa, e com a publlcaçáo oe algumas ru5'|,,t oo ortonlmo na
Contemporôneo, 3ª sérle, n° 3. No mesmo ano salram o llvro 0mor Kho,,om 7he Poet oe
Tbomas Hunter Welr (Casa Fernanoo Pessoa, 8-662 MN), que Pessoa leu, estuoou e
parclalmente traouzlu (ßu5o|,ot: 69)
5
, e 7he Co|den 7reosur, of the 8est Songs ond L,r|co|
Poems |n the Lng||sh Longuoge eoltaoo por Francls Turner Palgrave (CFP, 8-409), que
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
!
1
A 8|5||oteco port|cu|or de lernondo Pessoo esta olgltallzaoa e catalogaoa por Plzarro, Ferrarl e
Carolello e esta em granoe parte guaroaoa na Casa Fernanoo Pessoa (CFP) oe Llsboa, que a publlcou
em torma olgltal em 2010 no slte bttp://casaternanoopessoa.cm-llsboa.pt/bolgltal/lnoe×/lnoe×.btm. Na
classltlcaçáo oos volumes, o numero que segue a slgla CFP corresponoe a entraoa oe um tltulo na
llsta, e a slgla MN lnolca que o volume se encontra na posse oe Manuela Noguelra Rosa Dlas (ct.
Plzarro, Ferrarl & Carolello, 2010: 13-25).
2
»',=! ¸-=, também transcrlto 0mor Kho,,om! (Nlsbapur, cerca oe 439/1048-526/1131). Fol poeta,
clentlsta e tllosoto lslâmlco oa |oaoe Méola.!
3
'Sutlsmo' (tosowwuf): vla esplrltual, clêncla lnlclatlca, olmensáo mlstlca e esotérlca oo |sláo (ct.
Perego, 1998: 241).!
4
ßu5'|,,t (-',='-¸) é o plural oe ru5'|, torma estrotlca oe quatro versos multo utlllzaoa na poesla
persa.
5
As obras oe Fernanoo Pessoa sáo cltaoas pelo tltulo e náo pelo apelloo oo autor.
"G#
!
contém setenta e clnqo ru5'|,,t náo subllnbaoas por Pessoa (ct. Plzarro, no prelo). A
relmpressáo oe 7he ßu5o|,ot of 0mor Kho,,om oe Fltzgeralo é oataoa post Março 1928 (ct.
Plzarro, no prelo), senoo esta a obra omor|ono que Pessoa mals consultou e traouzlu, e
com a qual os seus te×tos mals olalogam em relaçáo a temas tllosotlcos que recentemente
tentamos loentltlcar (ct. 8oscaglla, 2010: 229-243). Tooavla no(s) Lspollo(s) pessoano(s) ba
rostos oe Kbayym que nos levam a lnvestlgar também sobre as oécaoas anterlores.
Fol em Durban em 1905, antes oe regressar a Llsboa, que Pessoa aoqulrlu Works of
ßo|ph Wo|do Lmerson oe Ralpb Waloo Lmerson, llvro oe 1902 (CFP, 8-172)
6
. Neste
volume o jovem Pessoa leu um artlgo oe 1876 lntltulaoo Pers|on Poetr, (|5.: 480-487), onoe
aparecem o nome e alguns versos oe Kbayym, junto a nomes e versos oe outros poetas
persas e lslâmlcos menclonaoos no Lspollo pessoano, como Htlz e Sa'aoi
7
. Náo taltam,
no artlgo oe Lmerson, reterênclas ao Proteta Salomáo (tlgura que Pessoa menclona nas
prosas sobre Kbayym, ct. ßu5o|,ot: 76,78), ao tema oo Faoo e a tlgura llterarla oo vlnbo,
lmagem tlplca oa poesla persa e oas quaoras tanto oe Kbayym como oe Pessoa. De tacto
Pessoa oel×ou um traço lateral
8
pro×lmo ouma trase reterente ao vlnbo:!





(CFP, 8-172:
481, oetalbe)




!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
!
6
A oataçáo é oe Patrlclo Ferrarl, que agraoecemos. O llvro oe Lmerson (CFP, 8-172) é lnserloo por
Severlno (1983: 293-300) numa llsta oe volumes que Pessoa trou×e oe Durban para Llsboa em 1905.
7
Ct. 8NP/L3, 93-69a
r
, que contém uma llsta oe autores e llvros sobre a Pérsla. O nome e um tltulo
oe Htlz também aparecem em 8NP/L3, 93-69
r
.!
8
A anallse oos traços laterals oel×aoos por Pessoa em pro×lmloaoe oe trases contloas neste artlgo,
sugere que os traços tlnbam sloo anterlormente oel×aoos a lapls e posterlormente retraçaoos com
outro lnstrumento a tlnta preta. |sto talvez suglra que Pessoa tenba lloo o artlgo Pers|on Poetr, em
pelo menos ools olterentes momentos oa sua vloa e/ou que qulsesse asslnalar este artlgo oe manelra
mals evloente em comparaçáo a outros te×tos contloos no volume (ct. CFP, 8-172: 476). Outra trase
asslnalaoa por Pessoa em Pers|on Poetr, é: «Tbe Perslans ano tbe Arabs, wltb great lelsure ano tew
books, are e×qulsltely senslble to tbe pleasures ot poetry» (|5.: 480)
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!

jeronlmo!=7T-++/,!µutrlclo!:*++-+7,!untonlo!@-+.7*33/!
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«Chegue| o lnd|o em jone|ro de m|| o|tocentos e novento e do|s».
1

vlcente Gueoes


L×lstem lugares oo munoo, enclaves oe blstorlas e traolçòes mllenares, que uma
convençáo meramente eurocêntrlca sltua a leste oo contlnente que Gregos e Romanos
toram os prlmelros a clvlllzar. Sáo promontorlos, montanbas, planlcles, llbas e penlnsulas que
unem os antlgos e mooernos terrltorlos arabe, persa, palestlnlano e lnolano aos remotos
solos cblnês e nlponlco, e oe onoe, oesoe a mals antlga nolte oos tempos, lrraolaram os
enslnamentos oe 8uoa, Contuclo e Maomé. Atravessar tals terrltorlos slgnltlca transltar por
rotas especulatlvas, cortar por atalbos olvergentes oos monlsmos clentltlco e rellgloso oe ralz
ocloental, caoa vez mals lnsustentavels numa época oe etervescente globallzaçáo a escala
planetarla. Colber a vastloáo oesse patrlmonlo clvlllzaclonal equlvale a lncorporar novos
paraolgmas culturals, esplrltuals e estétlcos, asslmllar outras tormas oe perceber e
e×perlmentar o Real: entregarmo-nos as olterenças e as alterloaoes, anulanoo a trontelra que
separa a tamlllarloaoe oo eu partlcular oos multlplos graus oe lntellglbllloaoe oo
oesconbecloo.
Lmbora Fernanoo Pessoa nunca tenba vlsltaoo o Orlente, revlsltou-o em lnumeras
ocaslòes. Dos vestlglos oessas vlagens surglu o nosso lntulto oe traçar alguns oos camlnbos
percorrloos pelo autor, borlzontes oe uma cartogratla constltuloa pelas mals olversas vozes
oe tllosotos e poetas. Desoe as ja conbecloas traouçòes oe quartetos oe Omar Kbayyâm -
manuscrltas no e×emplar alnoa boje presente na sua blblloteca partlcular (ct. ßu5o|,ot, 2008)
- a traouçáo oe alguns versos oo lru|t-Cother|ng [Co|her de lrutos] oe Rablnoranatb Tagore e
oe Nezuml (estes ultlmos acompanbaoos oe escansáo), passanoo por e×tensas llstas oe
llteratura classlca blnou onoe curlosamente encontramos a «Mrlcbcbbkatl (Tbe Toy Cart)» ÷
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
!
1
«Cbeguel a |nola em [anelro oe mll <nove>/olto\centos e <ools> noventa e ools» (8lblloteca Naclonal
oe Portugal/Lspollo 3, 27
20
-S
3
-6
v
). O tltulo «A Tortura pela escurloáo» é acompanbaoo oa segulnte
atrlbulçáo «v[lcente] Gueoes» (ct. 27
20
-S
3
-5

a 8). Transcrevem-se as varlaçòes oos olterentes te×tos
aqul apresentaoos a partlr oos orlglnals oo espollo oe Fernanoo Pessoa (8NP/L3), utlllzanoo os mesmos
slmbolos na eolçáo crltlca oo autor: espaço oel×aoo em branco, * leltura conjectural, / / llçáo posta
em ouvloa pelo autor, | palavra lleglvel, <>/\ substltulçáo por sobreposlçáo, [ ] acrescento na
entrellnba superlor, [ ] acrescento na entrellnba lnterlor, [ ] acrescento na margem olrelta, [ ]
acrescento na margem esqueroa. Os segmentos autogratos rlscaoos, ao contrarlo oo que é telto na
eolçáo crltlca, seráo reproouzloos tal como se encontram no orlglnal.
!"JI
peça construloa em torno oa troca oe loentloaoe entre personagens ÷, este oosslê pretenoe
llustrar a ouraoolra relaçáo que Pessoa manteve através oos llvros com o Orlente.
Notas, esboços, apontamentos e até alguns projectos oe lnoole comerclal náo baverlam
oe escapar a esse Orlente pessoano. Asslm o oemonstram o plano para uma «Antho|og|o
Cero|» oe llteraturas que lnclulrla, entre outras, as blnou, cblnesa, persa, japonesa e bebralca,
ou as llstas oatavels oe 1915 onoe tlguram obras oa «7heosoph|co| Pu5||sh|ng Soc|et,», algumas
oas quals Pessoa cbegarla oe tacto a traouzlr para a colecçáo «Tbeosotlca e Lsoterlca».
Havera quem olga que o Orlente oe Pessoa é longlnquo, vago, mental. Mas outros,
reparanoo por e×emplo nos tragmentos aqul apresentaoos sobre Gbanol, talvez se recoroem
oe que em [anelro oe 1897, oata oo oesembarque oo Mabatma em Durban, o jovem poeta
português ja se encontrava nessa cloaoe sul-atrlcana bavla um ano. L talvez também se
recoroem que em Agosto oe 1901, quanoo Pessoa regressou a Llsboa, o vapor que o
transportou e a tamllla atravessou o Oceano lnolco e o canal oe Suez, e que essa vlagem se
repercute num eco autoblogratlco na vlslta a lnola constante oa trase em eplgrate tlraoa oe
um te×to asslnaoo por vlcente Gueoes. Lntáo que razòes bavera para restrlnglr o Orlente oe
Pessoa a este plano ou aquele, quanoo o rotelro oos oocumentos que estlvemos a reunlr nos
coloca preclsamente nos antlpooas oe uma projecçáo unlvoca?
Lstaremos longe oesta reouçáo se a tal e×perlêncla orlental juntarmos outra náo menos
oetermlnante: a oa meolaçáo a partlr oo Ocloente, oessa «Passage to |nola»
2
cantaoa por uma
oas tlguras oa llteratura que Pessoa tanto aomlrou, ou seja, Walt Wbltman. Na mesma senoa,
a partlr oeste encontro oe poetas, como negar que 1892 ÷ oata escolbloa para a vlagem a
lnola no te×to oe Gueoes ÷ náo seja um c||n d`æ|| ao ano oa morte oo autor oe Leoves of
Cross ou que estas ultlmas «tolbas» que Alvaro oe Campos atlra ao Orlente náo sejam outra
sauoaçáo, outra manelra oe lncansavelmente o e×plorar?

!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
!
2
Walt Wbltman. «Passage to |nola», ln Leoves of Cross. Lonoon & New York , Toronto &
Melbourne: Cassell & Company, 1909, pp. 380-388. (Casa Fernanoo Pessoa, 8-580). Na tolba
oa guaroa tlguram as segulntes asslnatura e oata : «Fernanoo Pessòa | 16.5.1916». Ct.
bttp://pos.llb.barvaro.eou/pos/vlew/2583299?n=6&prlntTbumbnalls=no

"S'
!
[122-42
r
]!










Um pesaoor oe palavras velo, a balança na máo
Contlnuou partlnoo a moeoa

4 7 9 12 15
./ ../ ./. ./ ../
./ ./. ./.

Nlzaml ÷ p[age] 153.












Ab Muhannad Bin Yusuf Bin Mu, Ayyid-l-Niznu--Dn. 7he S|kondor Nmo, L 8oro, or 8ook
of A|exonder the Creot. Translateo tor tbe tlrst tlme out ot tbe Perslan lnto prose, wltb crltlcal ano e×-
planatory remarks, wltb an lntroouctory pretace, ano wltb a llte ot tbe autbor, collecteo trom varlous
Perslan sources by Captaln H. Wllbertorce Clarke. Lonoon: W. H. Allen & co, 1881. (CFP, 9-1).
!"SI

[5-30
r
]
8



Quanto mals contemplo o spectaculo oo munoo, e o tlu×o e retlu×o oa mutaçáo oas cousas,
mals protunoamente me compenetro oa tlcçáo lngenlta oe tuoo, oo prestlglo talso /oa pompa/ oe
tooas as realloaoes. L nesta contemplaçáo, que a tooos, que retlectem, uma ou outra vez tera
succeoloo, a marcba multlcolor oas clvll oos costumes e oas mooas, o camlnbo comple×o oos
progressos e oas clvlllzaçòes, a contusáo granolosa oos lmperlos e oas culturas ÷ tuoo lsso me
aparece como um mytbo e uma tlcçáo, sonbaoo entre sombras e esqueclmentos [
oesmoronamentos]. Mas náo sel se a oetlnlçáo suprema oe tooos esses proposltos mortos, até
quanoo conseguloos, oeva estar na abolcaçáo e×tatlca oo 8uooba, que, ao comprebenoer a
vaculoaoe oas cousas, se ergueu oo seu e×tase olzenoo ¨[a sel tuoo¨, ou na lnoltterença oemaslaoo
e×perlente oo lmperaoor Severo: ¨omnla tul, nlbll e×peolt ÷ tul tuoo, naoa val a pena¨.
9



!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
!
8
Para a eolçáo crltlca oeste oocumento ver L|vro do uesosocego, 2010: 143 e 721.
9
ver um te×to lntltulaoo «0mor Kho,,om», em que Pessoa olz que o téolo oo poeta e tllosoto persa é
o téolo oe «quem meolu tooas as rellglòes e tooas as pbllosopblas e oepols olsse, como [.] Sept|m|o
Severo: ¨Omnla tul, nlbll ....,¨ ¨Ful tuoo, naoa vale a pena¨» (1-5
r
, ct. Lolçáo Crltlca oe Fernanoo
Pessoa, volume |, ßu5o|,ot, 2008: 78).
!"'e


[55H-65
r
]
10



















!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
!
10
Os ools oocumentos sobre Gbanol, aqul transcrltos, toram lnlclalmente publlcaoos, com algumas
olterenças, por Rlcbaro Zenltb (ct. 2008: 50-51).
Chond|.

O Mabatma Gbanol é a unlca
tlgura veroaoelramente granoe que
ba boje no munoo. L é lsso por
que, em certo mooo, náo pertence
ao munoo e o nega.
!
"H'
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clúudlu!1/;T-
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vlcente Cuedes e 8ernurdo Soures: µuru ulem do G$&!&-,$'-
Y
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!





Através oe uma pesqulsa protunoa no espollo pessoano o pesqulsaoor vlsuallza o
processo crlatlvo oo poeta, oramaturgo, crltlco llterarlo, prosaoor e tllosoto português.
Como se sabe os escrltos oe Fernanoo Pessoa (mals oe 27000 oocumentos) encontram-se
na 8lblloteca Naclonal oe Portugal. Uma anallse oeolcaoa oos tragmentos pessoanos permlte
ao pesqulsaoor perceber as multas tlcçòes crlaoas por Fernanoo Pessoa, lsto é, náo so a
construçáo oos beteronlmos, mas também oa proprla blstorla oestes, contaoa por Fernanoo
Pessoa. Um e×emplo olsto é o polémlco ola trluntal ÷ 8 oe Março oe 1914 ÷ reglstaoo na
tamosa carta enoereçaoa a Aoolto Casals Montelro (escrlta em 13 oe [anelro oe 1935):


Num d|o em que f|no|mente des|st|ro ÷ fo| em 8 de Morço de 191+ ÷ ocerque|-me de
umo cómodo o|to, e tomondo um pope| comece| o escrever, de pe, como escrevo sempre
que posso. L escrev| tr|nto e tontos poemos o f|o, numo espec|e de extose cu¡o noturezo
nõo consegu|re| def|n|r. lo| o d|o tr|unfo| do m|nho v|do, e nunco podere| ter outro oss|m.
A5r| com um t|tu|o ÷ ¨0 Cuordodor de ße5onhos¨. L |ogo o nome de A|5erto Coe|ro.
3



O Protessor |vo Castro, na sua lncursáo pelo espollo pessoano, recolbeu evloênclas
sobre a tlcçáo crlaoa por Pessoa em torno oo ola trluntal. Lm seu llvro Ld|tor Pessoo, o
Protessor |vo Castro apresenta ao leltor uma sérle oe evloênclas oeste género. Destaco aqul
a tlcçáo em torno oa oata, pols para além oesta tamosa carta a Aoolto Casals Montelro e×lste
outra carta em que Pessoa marca o ola trluntal como 13 oe Março e náo 8 oe Março
4
.
Granoe parte oas eolçòes oos escrltos oe Fernanoo Pessoa revelam uma escrlta multo
oroenaoa e llvre oe tooo o caos que e×lste no espollo pessoano. Por esse motlvo, os nomes
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
!
1
Doutoranoa oa Pontltlcla Unlversloaoe Catollca oe Mlnas Gerals.
2
Reterêncla ao projecto oo L|vro do uesosocego oe Fernanoo Pessoa. Como consta no espollo e na eolçáo
crltlca oo L|vro do uesosocego eoltaoo por [eronlmo Plzarro, Pessoa escreveu oesasocego oe três manelras
olterentes, e a ultlma opçáo oo prosaoor tol oesasocego. Consultar: PLSSOA, Fernanoo. L|vro do uesosocego.
Lolçáo oe [eronlmo Plzarro. Tomo |. Llsboa: |NCM, 2009. p. 7.
3
PLSSOA, Fernanoo. 05ro Poet|co e em Proso. Organlzaçáo oe Antonlo Quaoros. Porto: Lello & |rmáos
Loltores, 1986. p. 341. Transcrlçáo oa carta com ortogratla orlglnal em:: PLSSOA, Fernanoo. Lscr|tos so5re
Cen|o e Loucuro. Tomo |. Llsboa: |NCM, 2006. p. 461.
4
Para malores lntormaçòes sobre essa assunto consultar: CASTRO, |vo. Ld|tor Pessoo. Llsboa: |mprensa
Naclonal Casa oa Moeoa, 1990. Consultar também: PLSSOA, Fernanoo. 0 Cuordodor de ße5onhos de A|5erto
Coe|ro. Lolçáo tacslmllaoa Apresentaçáo e te×to crltlco oe |vo Castro. Llsboa: Publlcaçòes Dom Qul×ote, 1986.
!"He
vlcente Gueoes e 8ernaroo Soares sáo assoclaoos somente ao L|vro do uesosocego. Uma
assoclaçáo correcta pols os ools seml-beteronlmos pessoanos partlclparam oo projecto
oeste llvro. Porém, é preclso que o leltor salba também que tanto vlcente Gueoes quanto
8ernaroo Soares estáo para além oo uesosocego.
vlcente Gueoes aparece nos prlmelros escrltos oo projecto oo L|vro do uesosocego e
8ernaroo Soares assume a autorla oo llvro na ultlma tase. No entanto, vlcente Gueoes e
8ernaroo Soares aparecem, também, em llstas oe outros projectos oe Fernanoo Pessoa.
Os prlmelros escrltos em que constam o nome oe vlcente Gueoes sáo as segulntes llstas
oe contos
5
:

\|cente Cuedes.
Contos l5|s.
A Morte oo Dr. Ceroelra.
Czarkresco.
Uma vlagem no Tempo
[8NP/L3, 48A-11
r
]
6


\|c[en]te Cuedes.
A morte oo Dr. Ceroelra.
O Sllenclo Absoluto.
A Cara sem Cara (borror supremo).
O Nautraglo oa 8arca ¨Te×as¨.
O Llvro oe Noé.
[8NP/L3, 48A-14
r
]
7


L lnteressante ressaltar que num prlmelro momento o nome oe vlcente Gueoes ÷ e a
construçáo oeste seml-beteronlmo ÷ esta assoclaoo a contos. Mas Gueoes também tol poeta.
Lncontramos no espollo alguns poemas com a asslnatura oele. Ao saber olsto percebemos
que os escrltos pessoanos alnoa pertencem a um unlverso seml-e×ploraoo.
A malor parte oos poemas oe vlcente Gueoes tol escrlta no ano oe 1910. A publlcaçáo
oe alguns poemas oe Gueoes, apos a morte oe Pessoa, levanta, na malorla oos casos,
problemas. Como e×emplo, a publlcaçáo oo poema «vlsáo». Publlcaoo pela prlmelra vez por
[orge Neméslo
8
em 1957, vlcente Gueoes recebe a ¨conoecoraçáo¨ (por [orge Neméslo) oe
beteronlmo e aparece ao laoo oe Rlcaroo Rels.
Alguns anos mals taroe Antonlo Quaoros publlca «vlsáo» como poema oo ortonlmo
9
.
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
!
5
Na eolçáo crltlca oa |NCM no llvro Lscrltos sobre Génlo e Loucura eoltaoo por [eronlmo Plzarro, as três
llstas aqul cltaoas toram oataoas ÷ 1909-1910. Consultar: PLSSOA, Fernanoo. Lscr|tos so5re Cen|o e Loucuro.
Lolçáo oe [eronlmo Plzarro. Llsboa: |NCM, 2006. pp. 515-516.
6
Publlcaoo em: PLSSOA, Fernanoo. Lscr|tos so5re Cen|o e Loucuro. Lolçáo oe [eronlmo Plzarro. Llsboa: |NCM,
2006. pp. 515-516.
7
l5|dem.
8
NLMLS|O, [orge. 0s |ned|tos de lernondo Pessoo e os cr|ter|os do ur. Cospor S|moes com sels poemas lnéoltos
oe Fernanoo Pessoa e seus beteronlmos: Rlcaroo Rels e vlcente Gueoes. Llsboa: Lolçòes Lros, 1957. p. 68.
9
Conterlr em: PLSSOA, Fernanoo. 05ro poet|co e em proso. Organlzaçáo oe Antonlo Quaoros e Dallla Perelra
oa Costa. volume |. Porto: |rmáos Lello & |rmáos Loltores, 1986. p. 160.
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!
!
nuno!+74*7+/!
«tlve em mlm mllhures de fllosoflus»"d"W*$&2k$&"1!)!"!"$(.45-"(-&"$&,).2-&"0.8-&P0.,-&"
.%V(.2-&"($"6$&&-!"
!



A olmensáo plurallsta oa escrlta oe Fernanoo Pessoa náo se manltesta apenas na crlaçáo oe
uma multlpllcloaoe oe personalloaoes llterarlas, no oesenvolvlmento oe uma pluralloaoe oe
géneros e no cultlvo oe uma multlpllcloaoe oe estllos. O oesenvolvlmento oe um pensamento
tllosotlco na obra oe Fernanoo Pessoa é também e×pressáo oa olmensáo plurallsta oa escrlta
pessoana. L preclsamente lsso que lemos no segulnte escrlto tllosotlco oeste autor:

M||hores de teor|os, grotescos, extroord|nor|os, profundos, so5re o mundo, so5re o
homem, so5re todos os pro5|emos que pertencem ò metof|s|co otrovessorom o meu
esp|r|to. 7|ve em m|m m||hores de f||osof|os dos quo|s ÷ como se fossem reo|s ÷ nem
mesmo duos concordor|om.
1


No espollo oe Pessoa encontra-se uma multlpllcloaoe oe tragmentos, esquemas e projectos
oestlnaoos a tuturas obras, cujo lnlclo se constata, mas que náo cbegaram a ser concluloas.
Nenbum oestes esquemas, projectos e tragmentos oo espollo tllosotlco oe Pessoa cbegou a ser
publlcaoo no oecurso oa vloa oo autor. Náo é sem razáo que no poema 7o5ocor|o oe Alvaro oe
Campos se lê: «Tenbo telto tllosotlas em segreoo que nenbum Kant escreveu.» Lstas palavras, que
Pessoa atrlbul a Alvaro oe Campos, caracterlzam bem o estaoo em que se encontra o espollo
tllosotlco oe Pessoa: um conjunto olversltlcaoo composto por multlplas tllosotlas que toram teltas
e alnoa contlnuam, em granoe parte, mantloas em segreoo, a oespelto oe no espollo e×lstlrem
mals oe mll oocumentos catalogaoos sob a oeslgnaçáo oe tllosotla.
O espollo oe Pessoa, catalogaoo na 8lblloteca Naclonal oe Llsboa [8NP] sob a oeslgnaçáo oe
«L3» [Lspollo 3], encontra-se olvloloo por envelopes e compreenoe mals oe vlnte e sete mll
oocumentos. Caoa envelope esta classltlcaoo com um numero, uma oeslgnaçáo e contém uma
quantloaoe varlavel oe oocumentos. Lntre os olversos envelopes oo espollo Pessoa e×lstem
quatorze envelopes tllosotlcos com 1428 oocumentos. L×lstem clnco envelopes (15
1
, 15
2
, 15
3
, 15
4

e 15
5
) com a oeslgnaçáo «Fllosotla», um (15A) classltlcaoo como «Fllosotla-Metatlslca», quatro
(158
1
, 158
2
, 158
3
e 158
4
) oeslgnaoos como «Fllosotla-Pslcologla» e, tlnalmente, quatro (22, 23, 24
e 25) lntltulaoos «Te×tos Fllosotlcos».
No que olz respelto ao estaoo oa publlcaçáo oos escrltos tllosotlcos oe Pessoa, e×lste uma
eolçáo em ools volumes lntltulaoa 7extos l||osóf|cos de lernondo Pessoo, publlcaoa em 1968 por
Antonlo oe Plna Coelbo na Loltorlal Atlca
2
e que teve sucesslvas reeolçòes. No entanto, esta
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
!
1
«Tbousanos ot tbeorles, grotesque, e×traorolnary, protouno, on tbe worlo, on man, on all problems tbat
pertaln to metapbyslcs bave passeo tbrougb my mlno. | bave bao ln me tbousanos ot pbllosopbles not any two
ot wblcb ÷ as lt tbey were real ÷ agreeo.»: AAvv, Pessoo lned|to (cooroenaçáo Teresa Rlta Lopes), Llsboa,
Llvros Horlzonte, 1993, p. 402.
2
A reterêncla oa eolçáo é: Fernanoo Pessoa, 7extos l||osóf|cos de lernondo Pessoo (estabelecloos e pretaclaoos
por Antonlo Plna Coelbo), Llsboa, Atlca, 1968. A ultlma reeolçáo oesta obra tol telta em 2006: Fernanoo
!"IG
eolçáo tem varlos problemas. Lm prlmelro lugar, contém apenas uma pequena selecçáo oe te×tos
tllosotlcos. A selecçáo e transcrlçáo oos te×tos tllosotlcos, presentes nessa eolçáo, encontram-se
clrcunscrltas a quatro envelopes tllosotlcos (envelopes: 22, 23, 24 e 25), o que representa
somente uma pequena percentagem oos oocumentos presentes nesses envelopes, sobretuoo os
mals tacels oe transcrever. Lm segunoo lugar, a eolçáo náo possul um crltérlo crltlco para a
selecçáo, transcrlçáo e organlzaçáo oos te×tos. No pretaclo oe Plna Coelbo a eolçáo oos 7extos
l||osóf|cos de lernondo Pessoo lemos: «Para a arrumaçáo oos te×tos aouzloos, segulmos, com os
rlscos lnerentes, o crltérlo aooptaoo por Georg Ruoolt Llno e [aclnto oo Praoo Coelbo nos ools
ultlmos volumes oe prosa oe Fernanoo Pessoa, por eles collgloos e publlcaoos pela Atlca ÷
olstrlbulnoo-os por assuntos.»
3
Porém, esta olstrlbulçáo oos te×tos por assuntos, lsto é, por
nucleos tematlcos, náo corresponoe nem a um prlnclplo tematlco oe organlzaçáo estabelecloo
por Pessoa, nem a um projecto oo espollo concebloo por Pessoa para reunlr um grupo oe te×tos
tllosotlcos.
Para além oestes ools volumes, encontramos no llvro Pessoo lned|to
4
, organlzaoo por Teresa
Rlta Lopes, um capltulo com 22 paglnas, contenoo uma selecçáo oe te×tos tllosotlcos telta por
[osé Gll. Lsta selecçáo é mals crlterlosa oo que aquela que nos é apresentaoa por Antonlo oe Plna
Coelbo. No pretaclo lntrooutorlo a selecçáo oe te×tos [osé Gll taz apelo a necessloaoe oe uma
eolçáo crltlca que estabeleça crltérlos objectlvos e rlgorosos oe selecçáo e organlzaçáo oos te×tos
tllosotlcos.
5
No entanto, a selecçáo telta por [osé Gll tem somente a lntençáo oe lnlclar o publlco
a presença oe retle×áo tllosotlca no espollo pessoano, ou, utlllzanoo as palavras oo proprlo autor:
«os te×tos apresentaoos oestlnam-se apenas a oar um e×emplo oa rlqueza oo espollo lnéolto, e oa
sua lmportâncla para o estuoo oe tantos problemas por resolver oo enlgma pessoano.»
6

Flnalmente, e×lstem também reterênclas ocaslonals aos te×tos tllosotlcos em algumas eolçòes
oos escrltos oe Pessoa, tal como em Lscr|tos so5re Cen|o e Loucuro eoltaoo por [eronlmo Plzarro,
na qual se taz alusáo a um projecto oestlnaoo a um llvro tllosotlco em lnglês com o tltulo 0n lree-
W|||.
7
Lstas reterênclas ocaslonals sáo certamente lmportantes para se compreenoer a cone×áo
entre os te×tos tllosotlcos e os restantes escrltos ou tematlcas oesenvolvloas por Pessoa. Mas
essas reterênclas náo sáo, nem pretenoem ser, uma apresentaçáo completa oos te×tos tllosotlcos
oe Fernanoo Pessoa.
Asslm, o que é que oeve ser entenoloo como te×to tllosotlco no conte×to oa publlcaçáo oos
escrltos tllosotlcos oe Fernanoo Pessoa? O prlmelro problema com o qual o eoltor oe Pessoa se
oepara no contronto com os te×tos presentes no espollo oe Pessoa é o problema oa autorla. Os
te×tos oe Pessoa sáo escrltos sob varlos nomes. Pessoa proouz os seus escrltos com a lntençáo
oe os atrlbulr a e publlcar sob o nome oe olterentes personalloaoes. Com etelto, Pessoa crla, no
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
!
Pessoa, 7extos l||osóf|cos de lernondo Pessoo (estabelecloos e pretaclaoos por Antonlo Plna Coelbo), Llsboa,
Loltorlal Nova Atlca, 2006. No essenclal, a obra náo sotre nenbuma alteraçáo, nem oe organlzaçáo, nem oe
conteuoo.
3
Fernanoo Pessoa, 7extos l||osóf|cos de lernondo Pessoo (estabelecloos e pretaclaoos por Antonlo Plna Coelbo),
Llsboa, Loltorlal Nova Atlca, 2006, p. XX|.
4
AAvv, Pessoo lned|to (cooroenaçáo Teresa Rlta Lopes), Llsboa, Llvros Horlzonte, 1993: ver especltlcamente
as paglnas 106-109 (2.13. ¨Onoe o poeta se manltesta anlmaoo pela tllosotla¨) e 397-420 («8. Um poeta
anlmaoo pela Fllosotla»).
5
Com etelto, na lntroouçáo oe [osé Gll, lemos o segulnte a proposlto oos te×tos tllosotlcos: «Havera a
posslbllloaoe oe estabelecer perlooos, quanoo uma eolçáo crltlca vler a separar o trlgo oo jolo, a obra pessoal
oos mlmetlsmos, preclsar lntluênclas.» AAvv, Pessoo lned|to, p.107.
6
ldem, p.109.
7
ver: Fernanoo Pessoa, Lscr|tos so5re Cen|o e Loucuro, Llsboa, |mprensa Naclonal Casa oa Moeoa, 2006, p. 235.
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Pessoa consloera que apenas a monotonla, a rotlna, o espectaculo banal oo quotlolano,
permlte ao bomem cartogratar os relnos tabulosos no seu espaço lnterlor, oel×anoo tempo
sutlclente para se oeleltar com as lncrlvels construçòes oa lmaglnaçáo. As vlvênclas
oemaslaoo lntensas, os cboques provocaoos pelos aconteclmentos e×terlores, apenas
ameaçam os castelos lnterlores oo sonbaoor. ¨vlva-se pouco para que se sonbe multo¨ esta
parece ser a olvlsa oe Fernanoo Pessoa. O glaolaoor, o marujo, o plrata protagonlzam
aventuras olarlamente, o seu ser olsslpa-se no e×terlor, lutanoo para a colonlzaçáo oo real,
enquanto o seu espaço lnterlor se olmlnul, náo oel×anoo mals lugar para o espectaculo oa
tantasla.
Para Pessoa é evloente que náo se pooe vlver lntensamente e sonbar com a mesma
lntensloaoe. Aquele que oecloe vlver sacrltlca os sonbos. Aquele que quer sonbar oeve
retlrar-se oo munoo sem nlnguém oar conta, oel×anoo atras oe sl a marloneta capaz oe
reallzar sem qualquer manltestaçáo atectlva tooos os pequenos gestos quotlolanos.
Os sonbos oe Ale×anore, César ou Anlbal náo têm qualquer valor. Pelo contrarlo,
oescobrlmos os munoos mals tasclnantes nos sonbos oe Kant, Kansas ou, melbor alnoa, nos
oo bumlloe contablllsta.
Para Pessoa, o sonbo é o unlco métooo oe lntrospecçáo completa, a unlca torma que
cobre o conbeclmento absoluto. Apenas através oo sonbo pooem-se conbecer as colsas oe
um mooo objectlvo, pols nele tem-se acesso a sua lntulçáo egolstlca e a oepuraçáo oa
proprla lmagem oe qualquer varlaçáo acloental.
ver o munoo no sonbo é vê-lo tal como Deus, esta parece ser a tese lmpllclta em Pessoa.
A realloaoe é um munoo oe oroem secunoarla em relaçáo ao sonbo, o veroaoelro munoo
platonlco oas loelas. Por este motlvo, o sonbaoor é o ser bumano completo, e náo o tllosoto,
o berol ou o asceta. Os outros concentram tooos os estorços para oel×ar marcas no munoo
e×terlor e para lmpregna-lo com a sua presença, enquanto o sonbaoor se retlra para o
munoo lnterlor, estorçanoo-se por se perturbar o menos posslvel com os aconteclmentos
e×terlores a ele.
O sonbaoor náo é um slmples lnaoaptaoo, um lunatlco, um bomem com cabeça no ar,
mas o mals lucloo entre os bomens, capaz ouma vlsáo oe clareza lnultrapassavel oo unlverso.
Lntreganoo-se a sl proprlo, vê loelas, caça tormas, possul essênclas. As aparênclas que
lmpresslonam outras pessoas náo têm nele nenbum etelto, pols ja contemplou a colsa em sl,
aqullo que tem o seu mooelo na mente oe Deus.
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jullu -3/,1/!.7*F;*T!
0$)%!%(-"1$&&-!"F"X-&V"!%'$8"K!8$%2$S"*%!"1-V2.,!"($"8!"!*&$%,.!""

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"
No hu5o un ¨ontes¨ que |es preced|ero, n| tros e||os hu5o un ¨despues¨,
s|endo e||os m|smos, como es |o Le,, |os ¨ontes¨ de codo ¨despues¨
1


Tanto la obra oe [osé Angel valente
2
(Ourense, Lspana, 1.929- Glnebra, 2.000) como la
oe Fernanoo Pessoa (Llsboa, 1888 - Llsboa, 1935) pueoen ser lncluloas bajo la oenomlnaclon
oe una poesla oe la ausencla, retlejo oe un pensamlento que tlene por objeto la retle×lon
acerca oel tenomeno poétlco en el tratamlento oe la negoc|ón, concebloa como noche oel
sent|do oel yo, a partlr oe la cual poora ser aboroaoa la Nodo Metof|s|co orlglnarla. Lste entoque
conouce a los oos autores a protunoas elucloaclones ontologlcas sobre la naturaleza oel arte,
oel ser, oel orlgen y oel acaecer oe lo bumano, a la vez que se constata un oellberaoo
alejamlento oe su presente y oe la blstorla para, oe torma oecloloa, apostar por un proto-
pensamlento metapoétlco preocupaoo por ¨la escucba¨ oe los slgnos.
Ll oesatlo oe estos oos autores apunta a la relvlnolcaclon oe una raclonalloao poétlca que
al sobrepasar con creces el papel al que estaba preoestlnaoa la poesla, lmpllcara una aventura
e×lstenclal absoluta al margen oe tooo sello generaclonal. Ln el caso oe Pessoa, sus
companeros oe los grupos Presença y Orpbeu no llegaran a lmpllcarse nunca en los laberlntos
ablsmatlcos por los que se aventura el creaoor oe los beteronlmos mas proouctlvos y ¨reales¨
oe la llteratura unlversal. Ls la camaraoerla lo que les une. Pero, salvo el caso oe Sa Carnelro,
Pessoa vlajara solo a la oerlva lntentanoo cruzar la trontera, traspasar la ventana, descort|nor|o,
levantar el velo para escuorlnar ¨el otro laoo¨ oe sl e, lncluso, lo que se lntuye en ¨el mas alla
oe Dlos¨.
Ln cuanto a valente, sl blen se lnscrlbe oentro oe la generaclon poétlca oe los anos 50 oel
slglo XX, tue, sln embargo, muy crltlco con los coolgos reallstas oomlnantes y con las
rlgloeces loeologlcas que lmpeolan la busqueoa oe una ¨poesla veroaoera¨, por lo que lnlcla
¨un vlaje¨ en solltarlo paralelo, en clertos aspectos, al babla llevaoo a cabo en su momento
Fernanoo Pessoa.
Ls lnolscutlble que Pessoa se balla lntluenclaoo por un pasaoo llrlco muy consolloaoo en
tlerras portuguesas, artlculaoo en torno a la noclon oe ausencla y responsable, en parte, oe la
especltlcloao oel caracter lusltano. Lste prlnclplo que ya babla lntormaoo las cantlgas
meolevales, sera el toplco alreoeoor oel cual se contlguran los sonetos oe Antero oe Quental
y la prooucclon oe Tel×elra oe Pascoaes, cuyo maglsterlo y autorloao ejerceran un pooeroso
lntlujo en el autor llsboeta. Dentro oe este conte×to el pensom|ento poet|co pessoano que bebe
tamblén oel slmbollsmo, oe la cabala juoalca y se balla lntluenclaoo por la teosotla, sera capaz
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
!
1
|bn-al Farlo, Poemo de| Com|no Lsp|r|tuo|, Traoucc. Carlos varona Narvlon, 1ª Lolc. 1.989, Pag.135
2
[osé Angel valente, poeta, ensaylsta y protesor unlversltarlo tue galaroonaoo, entre otros, con el Premlo
Prlnclpe oe Asturlas oe las Letras (1988) y con el premlo Naclonal oe Llteratura (2000). Su obra ¨ Cantlgas oe
Além¨, escrlta en gallego se lnserta oentro oe la mas e×celente traolclon llrlca galalca, oesoe Altonso X a
Rosalla oe Castro
##"
!
"
µublo juvler!=E+*T!3K=*T!
#$2!0O&.,!"F"8-,*)!"$%"0$)%!%(-"1$&&-!"
!
!
¨ [...] e o |oucuro que d|r|ge o mundo.
Loucos sõo os hero|s, |oucos os sontos, |oucos os gen|os,
sem os quo|s o humon|dode e umo mero espec|e on|mo|,
codoveres od|odos que procr|om¨
Fernanoo Pessoa

¨hom5re s|gn|f|co <pensodor>, oh| se esconde |o |ocuro¨
Frleorlcb Nletzscbe

¨¥ sus mo|es, ¿qu|en |os curo?
Locuro.¨
(Quljote, |, XXv||)

¨uestru|r o m|ster|o e com efe|to o mo|or dos |nfôm|os¨
Marlo oe Sa-Carnelro


Lncontramos en Fernanoo Pessoa y oentro oel conte×to oe su especltlco lnterés por la
pro×lmloao entre genlalloao y locura
1
, oe su mleoo casl congénlto a la propla locura
2
y sus
crlsls mentales, su propla oetlnlclon como blstérlco-neurasténlco y su apro×lmaclon oe la
beteronlmla a tooas estas blpotétlcas ralces pslcologlcas, la oeslgnaclon oe la Fllosotla, oe la
Metatlslca (entlénoase aqul en el sentloo tuerte, acaoémlco y esenclalmente comprenoloa
como voluntao oe veroao) como Locura, atlrmanoo la e×lstencla oe una ¨base pslcopatlca en
la metatlslca¨
3
.
Los tllosotos sutren, como sutrlo el mlsmo Pessoa tras la plel oe Ale×anoer Searcb
4
y oe
Cbarles Robert Anon
5
, la manla oe la ouoa, (manla ot ooubt) que Pessoa oetlne como una
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
!
¡
Cf. "lernundo Pessou: entre genlo e loucuru', Plzurro, lNCM, zcc,
z
"9%$"-0"#F"#$%2!8",-#18.,!2.-%&"÷"C-)).>8$">$F-%("_-)(&"÷".&"!"0$!)"-0".%&!%.2F<"_C.,C".2&$80".&".%&!%.2FA"7"
!#" 1!)28F" .%" 2C!2" &2!2$" >$2)!F$(" !&" C.&" >F" U-88.%!2" .%" 2C$" -1$%.%'" 1-$#" i7" 2C.%Nj" -0" C.&" fVK)-&$&A" 7#1*8&$&<"
,).#.%!8"&-#$<".%&!%$"-2C$)&<")$!,C.%'<"!#.("#F"!'-%F<"!"C-)).>8$"2$%($%,F"2-"!,2.-%<"!"2$)).>8$"#*&,*8!).2F<"
0$82" .%" 2C$" #*&,8$&<" 7" #$!%" ÷" 2C$&$" !)$" ,-##-%" _.2C" #$" !%(" 2C$" C-))-)" -0" 2C$#" !%(" -0" 2C$.)" .%2$%&.2F" ÷"
')$!2$)"2C!%"$K$)"%-_">-2C".%"%*#>$)"!%(".%".%2$%&.2F"÷",!%%-2">$"($&,).>$(A"
Púglnus lntlmus e de Autolnterµretução. lernundo Pessou. (1extos estubelecldos e µrefucludos µor
Ceorg Rudolf Llnd e 'uclnto do Prudo Coelho.) Llsbou: Atlcu, ¡ç66, 6.
¸
"6C.8-&-1C$)&: Psychoµuthlc busls of metuµhyslcs', =&,).2-&"&->)$"-"'V%.-"$"!"8-*,*)!, lNCM, zcc6, µ. µ,.
µ
MANlA Cl LCU81
D88"2C.%'&"*%2-"#$"!)$"W*$).$&""
?C!2"0)-#"%-)#!8%$&&"($1!)2<""
D%("2C$.)",$!&$8$&&"!&N.%'"_$!).$&"
"""""""";F"C$!)2A"
?C.%'&"!)$"!%("&$$#<"!%("%-2C.%'">$!)&""
###
!
e×acerbaoa lntensloao en la percepclon lntelectual, como una propenslon lrremeolable y
perpetua bacla la olsoluclon oel mlsterlo, bacla lo oesconocloo, como una tenoencla a ver en
lo e×terlor mas objetos oe los que el bombre normal perclbe, un ver con la mente, una
alteraclon oel sentlmlento pslcologlco oe las relaclones que provoca lnoeclslon y ouoas.
6

Pessoa lncluso llega a lnolcar el nombre oe autores que sutrleron esta neurastenla tllosotlca
7

caracterlzaoa por la locura oel ouoar
8
, entre ellos nos lnteresa oestacar especlalmente a
Heracllto y Scbopenbauer. Qulza, a tenor oe los te×tos pessoanos sobre este asunto, poorla
oetlnlrse esta locura, esta neurastenla tllosotlca como un oesarrollo e×ceslvo y entermlzo oel
lnstlnto analltlco, la voluntao oe veroao buértana, la loentltlcaclon oe la vloa y el pensamlento,
oel ser y el pensamlento se alejan oel sentloo oe la e×lstencla y convlerten el pensamlento en
acclon oesbumanlzante:

¨Metoph,s|c|ons ore genero||, |||-understood or superf|c|o||, understood 5, normo|
men. More, there ore mon, men who th|nk the, understond s,stems of metoph,s|cs
when o|| the, comprehend- ond |t |s not 5od- |s the words |n wh|ch the, ore exp|o|ned.
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
!
?C$"&$,)$2"-0"2C$"8.0$".2"_$!)&A"
D88"2C.%'&n"1)$&$%,$"$n$)".&"!&N.%'"
a*$&2.-%&"-0"(.&2*)>.%'"1!.%"
o.2C"()$!(0*8"C$&.2!2.-%"2!&N.%'"
"""""""";F">)!.%"
^-_"0!8&$".&"2)*2Cl"^-_"#*,C"(-2C"&$$#""
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D%("U$!&-%"8.N$"!",-_!)("W*!.8$2C"
""""""""?-"0.%("
;-)$"2C!%"2C$#&$8K$&"!88"2C.%'&")$K$!8""
p$2"2C!2"2C$F"_.2C"2C$#&$8K$&",-%,$!8A (Seurch, Pessou lnedlto, 6z)
¸
´So many µnìlosoµnìes, so many tneorìes, all oj tnem now strange ìn tne lìgnt oj day. now tney wound me%"
.%"2C$.)",-##-%"&$%&$<".%"2C$"#-($"-0")$!&-%.%'">F"_C.,C"2C$F"!)$"%$!)$&2"2-"2C$"!%.#!8&A"
^-_"#!%F"1C)!&$&"#-%&2)!%2"-0"#!(%$&&q"^-_"#!%F"C.(($%"2C.%'&q"^-_"#!%F"2C-*'C2&"2C!2"C!K$"%-"%!#$q"
Q--N"-%"2C.&"&F&2$#"-0"1C.8-&-1CFh"#!(%$&&q"Q--N"*1-%"2C!2S"#-)$"#!(%$&&"&2.88q"^-_"#!%F"!"'.'!%2.,"$(.0.,$"
-0")$!&-%.%'"!%("-0"1*)$"2C-*'C2".&">*2<"C-_$K$)"')$!2".2&"2)*2C"#!F">$<"!"&F#12-#"-0".%&!%.2F"-0"#.%(q" HQ$"
sìlence eternel des esµaces ìnjìnìs m'ejjraìe'»consìder tne meanìng oj tnìs." (Pessou µor conhecer, ¡¸ç)
6
Cf. Lscrltos sobre o genlo e u loucuru, lNCM, zcc6µ. µ8¸c
,
´Ven oj genìus wno sujjered evìdently jrom V[anìaj oj Þoubt:"
E,C-1$%C!*$)"""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""i^$)!,8.2*&j"
L!)8F8$A"
;!.%$"($"e.)!%"
Amìel." 7>.(<"1A"rY"
8
Notese como estu curucterlzuclon de lu lllosoflu como unu locuru del dudur y del buscur lu ruzon
(gunudoru) estú muy µresente en el corµus µessouno como µruebun los slgulentes frugmentos
trudlclonulmente uslmlludos ul Llbro del Lesusoslego:
´Þuvìdo µortanto, µenso." 8NP j L¸. ¡¸¸l¸¸
´Só quem nunca µensou cnegou alguma vez a uma conclusão. lensar e nesìtar. Cs nomens de acção nunca
1$%&!#A"9&"" 8NP j L¸. ¡¸¸l¸¸
´Çue mìlagre ou "nos salvarâ da sìnìstra manìa de ter razão?" 8NP j L¸ ¡¸¸l,6
##H
!

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.o Unìverso!
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A tematlca oas emoçòes, também reterenclaoa em olterentes épocas por pal×òes, ou
lncllnaçòes, tem sloo, nos ultlmos anos, alvo oe um numero consloeravel oe estuoos, náo so
no âmblto e×cluslvo oa Fllosotla, mas também oe outras areas como é o caso oa Pslcologla,
tantas vezes allaoa oe correntes como a tllosotla oa mente ou oa tllosotla analltlca. Lstes
estuoos obrlgaram, em partlcular a partlr oa oécaoa oe 1980, a um retorno aos classlcos oa
Antlguloaoe e |oaoe Méola, perlooos onoe o problema oas emoçòes tol partlcularmente
aboroaoo, numa perspectlva mormente llgaoa a sua controntaçáo, ou náo controntaçáo, com
a alma, a sua lntegrloaoe e pureza. |sto oeveu-se sobretuoo a ools motlvos. Por um laoo,
toram os autores oestes perlooos os prlmelros a levantar estas questòes, preparanoo o
camlnbo aos pensaoores oe épocas blstorlcas posterlores. Por outro, oevloo a uma
lnterolsclpllnarloaoe e transolsclpllnarloaoe, proposto por um novo paraolgma oo
conbeclmento, sucessor oo pos-mooernlsmo, subslolarlas oe uma lnterllgaçáo proactlva entre
areas oo saber.
Na sequêncla oeste tenomeno, procuramos contrlbulr para o enrlqueclmento oesta area
oo conbeclmento tllosotlco, oentro oo pensamento e llteratura portuguesa, através oa
proouçáo oo presente artlgo, oeolcaoo a uma bermenêutlca oa obra A Lducoçõo do Lstó|co,
oo 8aráo oe Telve, uma espécle oe lrmáo oe 8ernaroo Soares, também ele um seml-
beteronlmo oe Fernanoo Pessoa, a luz oa problematlca oas emoçòes em oposlçáo a
raclonalloaoe.
Para lsso, etectuamos uma leltura crltlca e pormenorlzaoa oaquela que é tloa como a
unlca obra oo 8aráo oe Telve, procuranoo encontrar e lnterpretar a lntluêncla, actlva ou
passlva, oe correntes oe pensamento classlcas, com partlcular entoque no estolclsmo.
Náo obstante os estuoos oo lnvestlgaoor e traoutor norte-amerlcano Rlcbaro Zenltb,
responsavel pela eolçáo oa unlca publlcaçáo em llvro, e×cluslvamente, oeolcaoa a obra A
Lducoçõo do Lstó|co, pensamos estar a apresentar a sua prlmelra leltura e consequente anallse
blstorlco-tllosotlca, a luz oestes ools preolcaoos: emoçáo e raclonalloaoe.
Servlnoo-nos como tonte a prlmelra eolçáo oeste te×to, eoltaoa em Abrll oe 1999 pela
Asslrlo & Alvlm, optamos por olvlolr este breve estuoo em ouas partes olstlntas, mas que se
encontram lnterllgaoas entre sl. Asslm, na prlmelra parte tazemos uma breve anallse
lntrooutorla a obra em questáo, conte×tuallzanoo-a no seu tempo e junto oo seu(s)
autor(es), caso assumamos a olterença lnolvloual entre Fernanoo Pessoa e o seu seml-
beteronlmo 8aráo oe Telve. Lm seguloa, passaremos, por asslm olzer, a bermenêutlca oo
conteuoo tllosotlco oe A Lducoçõo do Lstó|co a luz oo conbeclmento classlco, náo peroenoo
oe vlsta o cerne oa nossa problematlca, lsto é, a emoçáo e a raclonalloaoe, ouas
conolclonantes centrals oe um oetermlnaoo e×lstenclallsmo morbloo, protagonlzaoo pelo
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
!
1
Lste tro5o|ho e ded|codo oo Professor j. M. Costo Mocedo.

#GO
!
autor, mas oe orlgem lmemorlal e com um valor lntemporal, sallentanoo-se alnoa a
especltlcloaoe oeste te×to enquanto obra llterarla lntegraoa no multl-unlverso pessoano.

O Barão de Teive e a!)!*+,(-./$!+$!*"01'($
O contronto entre a razáo e a emoçáo oesoe ceoo marcou, náo apenas as correntes
tllosotlcas ocloentals, como também as orlentals, assumlnoo-se como uma oas granoes
preocupaçòes oo Homem enquanto ser raclonal. Paulo 8orges, numa comunlcaçáo lntltulaoa
Med|toçõo, mente e despertor do consc|enc|o, apresentaoa em 8arcelos em tlnals oe 2010,
oetenoeu, segunoo a perspectlva oe Plerre Haoot, que a pratlca oo e×erclclo meoltatlvo no
ocloente estarla, na sua orlgem, assoclaoa a uma lnterpretaçáo oa tllosotla enquanto mooo ou
manelra oe vlver, contorme atlrmava a traolçáo oe varlas escolas tllosotlcas classlcas. Segunoo
correntes oe pensamento como o estolclsmo, a tllosotla assentava, essenclalmente, na arte
oe vlver, mals oo que na arte oa e×egese oos te×tos. A tllosotla, enquanto tunoamento
teorlzaoor oo e×erclclo meoltatlvo, assumla asslm um papel oe ¨meolclna oa alma¨, enquanto
a meoltaçáo e×ercla uma espécle oe ¨terapêutlca oas pal×òes¨, combatenoo ambas um
estaoo ou mooo oe vloa lnautêntlco.
Desoe ceoo, Fernanoo Pessoa, na sua oesmultlpllcaçáo lnolvloual, através oa crlaçáo oe
beteronlmos e seml-beteronlmos, parecla também, a semelbança oos tllosotos classlcos,
procurar uma espécle oe vla para uma vloa autêntlca, através oo trllbar oe varlos camlnbos.
Lsta busca tera sloo lnlclaoa alnoa ceoo, com a crlaçáo oo seu prlmelro beteronlmo,
Ale×anoer Searcb
2
, cujo ultlmo nome, sugere ja, na oplnláo oe alguns lnvestlgaoores, uma
busca. Pooemos olzer que o pensamento tllosotlco tol algo completamente lnolssoclavel oa
vloa e obra oo autor oa Mensogem. Curlosamente, tol sob uma oas suas asslnaturas menos
conbecloas, 8aráo oe Telve, que reolglu um oos conjuntos oe te×tos mals slgnltlcatlvos, oo
seu unlverso llterarlo, concernentes a tematlca oa emoçáo e oa raclonalloaoe enquanto
tactores conolclonantes oa proprla vloa bumana.
Tenoo recebloo uma partlcular atençáo por parte oo conceltuaoo lnvestlgaoor norte-
amerlcano Rlcbaro Zenltb, o 8aráo oe Telve tera sloo, eventualmente, a ultlma manltestaçáo
oe caracter beteronlmlco oe Fernanoo Pessoa. Um seml-beteronlmo, como é
trequentemente classltlcaoo, ou entáo, um quase beteronlmo, numa blpotese nascloa oa
lnterpretaçáo oe uma carta oe Fernanoo Pessoa, oataoa oe 28 oe [ulbo oe 1932, olrlgloa a
[oáo Gaspar Slmòes, onoe a proposlto oos seus projectos para publlcaçòes tuturas taz
reterêncla, sem os nomear, a alguns beteronlmos alnoa por aparecer
3
. Ao contrarlo oos
restantes beteronlmos, o 8aráo oe Telve, a lmagem oe 8ernaroo Soares, representa numa
anallse oe Rlcbaro Zenltb, telta a luz oa carta enoereçaoa a Aoolto Casals Montelro em 13 oe
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
!
2
Consultar FRL|RL, Lulsa ÷ SLAßCH, A|exonder. u|c|onor|o de lernondo Pessoo e do Modern|smo Portugues (lernondo
Co5ro| Mort|ns coord.j. Llsboa: Camlnbo, Outubro oe 2008. Pags. 771-774.
3
ver PLSSOA, Fernanoo ÷ Correspondenc|o: 1923-193S (ed|çõo de Monue|o Porre|ro do S||voj. Llsboa: Asslrlo & Alvlm,
Setembro oe 1999. Pags. 268-271.
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No llvro A L|nguo Portugueso, oe Fernanoo Pessoa
50
, pooe ler-se que a llnguagem oral é
anterlor a escrlta e um proouto oa evoluçáo blologlca, a palavra talaoa um tenomeno natural e
a escrlta um tenomeno cultural, pooenoo o bomem natural vlver sem ler nem escrever, ao
lnvés oo clvlllzaoo.
O caracter natural e mals tacll oa llngua talaoa e o caracter cultural e oe malor oltlculoaoe
em aprenoer oa escrlta, levam a conclulr que náo ba aprenolzagem oa leltura sem aqulslçáo
prévla oe uma llngua oral ou mooo oe llnguagem que lbe corresponoa.
Mas náo basta, na vlsáo oe Pessoa, uma llngua ser talaoa e escrlta para ser oe estratégla ou
oe vanguaroa, ou unlversal, senoo lnsutlclente para assegurar a sua perenloaoe ser oona oe
uma granoe llteratura, o que é uma vantagem posltlva, mas náo etectlva, salvanoo-a oa morte,
mas náo garantlnoo a sua promoçáo em vloa, como suceoe com o grego e o latlm.
Prlmelra conolçáo para a sua permanêncla tutura é a sua oltusáo natural, oepenoente oo
numero oe talantes que a talam naturalmente. A segunoa é a tacllloaoe com que é apreenoloa.
A tercelra é a sua tle×lbllloaoe, responoenoo a tooas as tormas oe e×pressáo posslvels,
retratanoo tlelmente, através oa traouçáo, a e×pressáo oe outras llnguas e asslm olspensar, oo
ponto oe vlsta llterarlo, a sua aprenolzagem.
Conclul que so ba três llnguas com um tuturo popular, o lnglês (oe uma ja larga oltusáo),
o espanbol e o português, malorltarlamente lntercontlnentals, uma vez talaoas na Amérlca,
para além oa Luropa, ao lnvés oo trancês, alemáo e ltallano, neganoo-lbes pooer lmperlal:
¨Lnquonto o Luropo fo| o mundo, estos dom|norom, e tr|unforom mesmo so5re os outros tres, po|s o
|ng|es ero |nsu|or e o esponho| e o portugues encontrovom-se num dos extremos. Mos quondo o
mundo possou o ser o g|o5o terrestre este cenor|o o|terou-se¨, razáo pela qual ¨Sero, portonto,
numo dessos tres ||nguos que o futuro do futuro ossentoro¨ (obra cltaoa, pp. 149, 150).
Para Pessoa o nosso loloma ja era, a oata, oe estratégla ou oe vanguaroa, com
caracterlstlcas emergentes e tenoentes a unlversalloaoe, potenclaoo para ser um oos poucos
lolomas unlversals, ootaoo oe sutlclente oltusáo natural, aprenolzagem e plastlcloaoe,
e×emplltlcanoo-o com o 8rasll, ao ter como sujelto talante um granoe pals, além oe
olssemlnaoo, multo ou pouco, em tooos os contlnentes ou zonas oo globo.
Apos reconbecer que o contllto se estabelecla, quanto a unlversalloaoe posslvel, entre o
lnglês e o trancês, tenoo o lnglês prlmazla sobre o trancês ou outro loloma conclul, por nova
trlagem, que so ouas llnguas têm potenclal tuturo a essa unlversalloaoe, a lnglesa e a
portuguesa: ¨Poro o que queremos oprender |eremos |ng|es, poro o que queremos sent|r, portugues.
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
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Asslrlo & Alvlm, Cbrus de lernundo Pessou, edlção Lulsu Medelros, ¡çç,.
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lNTRODUÇAO

Apresentação do Tena

O tema oo lablrlnto contém slmbollsmos potenclals que se e×panoem enquanto ltens
unlversals, lntemporals e transolsclpllnares a oomlnlos como a arte, Arqultectura, e
Llteratura. O lablrlnto, ¨su| gener|s¨, construçáo eoltlcaoa remete-nos para a lmagem oe
carcere, prlsáo, espaço topologlco oe vlas blturcaoas, traçaoos contlnuos ou segmentaoos
mas tlnltos, numa lntlnltuoe oe percursos posslvels. Lle é em prlmelra lnstâncla um prototlpo
orlglnal oo cérebro bumano, e oo seu pensamento no plano slmbollco. A bumanloaoe é asslm
a arqultecta e a que possul a soluçáo oesta construçáo capaz oe albergar o perlgo, a loucura,
a evasáo, a protecçáo, a tortaleza, o palaclo, mas também o prazer, e a llbertaçáo/paralso, o
caos/organlzaçáo.
Do ponto oe vlsta oa arqultectura oo lablrlnto pooemos consloerar os aspectos que se
prenoem com a concepçáo oo espaço, oo eoltlcaoo e com tooa a slmbologla assoclaoa a
matrlz orlglnarla oa casa nas suas multlplas tunclonalloaoes: eoltlclos para uso pessoal ou
colectlvo. Aclma oe tuoo, a perspectlva que prevalece oepenoe oo lugar em que se sltue o
Homem: no seu lnterlor ou no seu e×terlor. O espaço oo lablrlnto val progresslvamente
ganbar nesta lnteracçáo que permlte o olalogo entre o seu construtor e o seu utlllzaoor
2
.
Neste artlgo pretenoemos contlrmar a presença oa arqultectura no munoo oa llteratura,
comblnaçáo que pooe acolber lnumeras especltlcloaoes e potenclalloaoes. Tal como na
e×perlêncla clnestéslca oo vlajante no percurso comple×o oe Déoalo, neste e×erclclo teorlco
propomo-nos transmltlr a loela oe um espaço qulnbentlsta concreto lablrlntlco projectaoo
por Fllarete, e a arqultectura oas palavras, numa alusáo olrecta ao pensamento mooernlsta
3
,
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
!
1
Doutoranoa em Hlstorla oe Arte, |nvestlgaoora Colaboraoora no CLAUCP (Centro oe Lstuoos
Arqueologlcos oas Unlversloaoes oe Colmbra e Porto/ Campo Arqueologlco oe Mértola ÷ Lstuoos
Multlolsclpllnares em Arte).
2
CASTRO, Ana Margarloa Almeloa ÷ 0 Lo5|r|nto: percepçõo, pro¡ecto e conf|guroçõo de espoços |o5|r|nt|cos. Prova
tlnal oe curso em Arqultectura pela Faculoaoe oe Arqultectura oa Unlversloaoe oo Porto. Porto, 2008, p.11.
3
Apesar oe que Fernanoo Pessoa recusou os termos ¨mooernlsta¨ e ¨mooernlsmo¨ apllcaoos náo so a sua
proouçáo llterarla, mas também e oe tooa a Ceroçõo de 0rpheu. Lm tooa a sua obra toram oetectaoas apenas
três ocorrênclas oo termo anatemlzaoo por Roma e num conte×to oe clara renuncla. Perante o bloco
notlcloso náo serla oe esperar outra atltuoe por parte oaquele que, lrretutavelmente, escreveu uma obra oe
colossal teor mooernlsta e é consloeraoo o malor poeta mooernlsta português: no panorama cultural
português como no lnternaclonal, as palavras ¨mooernlsta¨ e ¨mooernlsmo¨ envlavam lrremeolavelmente
para a loela oe e×comunbáo oecretaoa na enclcllca Poscend| dom|n|c| greg|s e retorçaoa pelo juramento
!#JG
lgualmente lablrlntlco oe Fernanoo Pessoa. Da tlgura oo arqultecto e oa sua tunçáo oe
projectar o lablrlnto enquanto espaço com uma tlpologla oetermlnaoa, ao vlajante oos
pensamentos, loelas e oas palavras: a llteratura/poesla. Desenvolveremos asslm o espaço
arqultectonlco em paralelo com o espaço llterarlo, e as relaçòes que e×lstem entre ambos.
Até porque asslstlmos entre a arqultectura e o te×to llterarlo a um tasclnlo reclproco.
Lnalteceremos asslm a poétlca arqultectura/llteratura. Pols como nos olz Pblllppe Hamon,
« Réels ou lmaglnalres, rulnés ou tlambant neuts, les monuments, l`arcbltecture en l`général,
sont certalnement les rétérents les plus tréquemment prlvlléglés et élus par le te×te
llttéralre
4
. »

Abordagen netodoIógica

Prlvlleglaremos o contacto olrecto com as obras em anallse, 7rottoto d| Arch|tetturo oe
Fllarete, e te×tos llterarlos oe Fernanoo Pessoa, mas também, com tooas as que possam
tunclonar como elementos oe conte×tuallzaçáo ou oe comparaçáo, relatlvamente a estas que
nos ocupam. Para o oesenvolvlmento oe uma anallse oeste género assume-se oe malor
lmportâncla, e oesempenba um papel tunoamental a observaçáo oe plantas/ alçaoos oo
7rottoto d| Arch|tetturo Averllano.
O contacto com a blbllogratla constltul-se, como parte multo slgnltlcatlva oa nossa
aboroagem.

1. O Arquitecto - Antonio di Pietro AverIino - FiIarete {Firenze, c. 1400 -Rona, c.
1466}
1.1. Biografia

Antonlo ol Pletro Averllno tlcou conbecloo como Fllarete, o que revela revlvescênclas
meolevals, uma vez que slgnltlca ¨Amlgo oa vlrtuoe¨, pooenoo corresponoer a uma olvlsa,
mesmo a um voto oe conouta
5
. Nasceu em 1400 em Florença, e al passou a sua juventuoe,
onoe bavla uma etervescêncla artlstlca, sem preceoentes, e em pleno oebate sobre os mooos
oe representaçáo gotlcos (oesoenbosamente qualltlcaoos oe ¨mooernos¨ pelos renovaoores,
entre os quals o proprlo Fllarete). Fol sem ouvloa no ote||er oe Lorenzo Gblbertl (1381-1455)
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
!
antlmooernlsta Socrorum ont|st|t|um. Devloo a assoclaçáo ao campo rellgloso, o concelto oe ¨mooernlsmo¨
náo teve lmeolata apllcaçáo no campo llterarlo. O longo processo oe persegulçáo aos mooernlstas teologlcos
atlnge o cllma× em 1907, ano em que Fernanoo Pessoa abanoonava os estuoos superlores para se oeolcar a
actlvloaoes tlpogratlcas. Desoe entáo, e até 1910, ano oa publlcaçáo oo ¨motu proprlo¨ Socrorum ont|st|t|um, a
|greja catollca persegulu e conoenou tooas as loelas que contlvessem em germe pensamentos mooernlstas.
MACLDO, Ana Crlstlna Perelra oe ÷ Modern|smo ße||g|oso e Modern|smo L|teror|o, ue P|o X o lernondo Pessoo.
Dlssertaçáo oe Mestraoo em Llteratura Portuguesa Mooerna e Contemporânea apresentaoa a Faculoaoe oe
Letras oa Unlversloaoe oo Porto, Porto 2003, p.99.
4
HAMON, Pblllppe ÷ Te×te et arcbltecture. Poet|que. Collectlon Poétlque. Publlé avec le concours ou Centre
Natlonal Des Lettres. Févrler 1988/SLU|L, p.3.
5
ALML|DA, Peoro vlelra oe - Slstema oe Teorlas. Lsquema oe mooernloaoes. Lspoc|o, 7|empo , lormo, Ser|e
\ll, H.o de| Arte, t. 18-19, 2005-2006, p. 307-320.
#SJ
!











Flg.13 ÷ Palaclo oo centro oo jarolm
lablrlntlco oe Pluslapolls. Um remate
com a lmagem oe um ¨vlento¨.
Llvro Xv. Tav.93 (t.122 r.)
35
.



O papel oe Fllarete, como arqultecto, projectanoo no seu trataoo, com preclsáo matematlca
os varlos espaços lablrlntlcos: a largura e comprlmento oos eoltlclos, oos jarolns, o contorno oos
percursos, a poslçáo e×acta em que se lnserem os cruzamentos oe vlas, os materlals que escolbe,
e a espessura e altura oos mesmos, tooas estas lnolcaçòes construtlvas nos ajuoam a
caracterlzaçáo oe aspectos parclals oa planta oa cloaoe loeal oe Storzlnoa e ao seu contrlbuto para
o projecto artlstlco global.

2. O texto Iiterário: A inagen duaI do arquitecto-prisioneiro en Fernando Pessoa


7hought`s h|gh-wo||ed moze, w|ch the outed owner trou5|es
8ecouse the str|ng`s |ost ond the p|on forgot
36
.
Fernanoo Pessoa ÷ 3S Sonnets, Soneto Xv|||

7here ore moze of l.
l om m, unknown 5e|ng
37
.
Fernanoo Pessoa ÷ 7he Mod l|dd|er.

Fernanoo Antonlo Noguelra Pessoa
38
em 1917 envla em volume autonomo um tolbeto oe
poesla, 7he Mod l|dd|er a uma eoltora lnglesa, que recusa a sua publlcaçáo. No ano segulnte
publlca ools opusculos oe poemas em lnglês, 3S Sonnets
39
e Ant|nous. O suplemento llterarlo
oo 7|mes e o C|osgow Hero|d oáo notlcla crltlca oa sua recepçáo. Lm 1919 a revlsta lonorlna
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
!
35
Cooe× Magllabecblanus (M). Flrenze ÷ 0p. C|t.
36
¨O lablrlnto oa mente perturbaoa. Peroloo o tlo e esquecloa a rota.¨ (P.|. (|), p.45)
37
¨Ha lablrlntos oo Lu. Sou meu ser oesconbecloo.¨ P.277.
38
Llsboa, 13 [unbo 1888 ÷ Llsboa, 30 Novembro 1935.
39
Publlcaçáo em Portugal: 3S Sonnets, Llsboa, Montelro e C.°, 1918.
#'J
!
!
µedro @-15*3*7+/!
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Lra uma vez um jovem que anslava aprenoer a arte oa transtormaçáo oo metal em ouro.
Fol entáo ter com um atamaoo alqulmlsta oa regláo e peolu-lbe para ser o seu olsclpulo, mas
o mestre, oepols oe lnterroga-lo acerca oa slncerloaoe oa sua lntençáo, pò-lo a trabalbar na
otlclna oa torja oas espaoas. Al oevla permanecer um tempo ÷como llçáo lnlclal. Decorreu um
ano, e o olsclpulo, ansloso, perguntou ao mestre quanoo é que começarla a aprenoer os
segreoos oa elaboraçáo oo ouro, mas o mestre apenas lbe lnolcou que oevla passar alnoa mals
tempo na torja oas espaoas. O jovem crescla e tornava-se ola a ola um torjaoor mals oestro e,
apesar oe que oe vez em quanoo tornava a perguntar ao alqulmlsta pelo anelaoo lnlclo oas
aulas aureas, o mestre contlnuava a negar-lbe aquela llçáo.
Mas um ola, oepols oe ja varlos anos, em que o olsclpulo se encontrava a trabalbar numa
bellsslma espaoa, o velbo mestre lnolcou que era cbegaoo o momento oe encetar a tareta
oouraoa: e o olsclpulo, quase sem retlrar o olbar concentraoo no glaolo que nascla, olsse ao
mestre ¨oel×a-me, por tavor, o mestre, agora estou ocupaoo a torjar esta espaoa¨.
Daoo que esta blstorla é a mlnba, contar-vo-la-el: oe outra manelra.
Com o tltulo oa oupla antologla oe poesla publlcaoa em 1984 e 1985, que encabeça este
te×to, querla aluolr a uma constelaçáo oe poetas, náo restrlta aos membros oaquele colectlvo
corunbês, cuja senslbllloaoe, cujo coraçáo, a alguns oe nos lnlclou oe certo mooo
a um munoo malor, no que olz respelto aos lmpactos proceoentes oa proprla Gallza. Os
posterlores poetas oaquele tlm oe século, oaquele tlm oo munoo, largamente lmersos como
estavamos na actlvloaoe crlatlva, na navegaçáo as escuras que lmpllca, no meu caso talvez
oesoe que Celso Lmlllo Ferrelro envlou as máos sua energla oe palavras nocturnas, oe longas
noltes, encetavamos a torja oas espaoas na época em que se publlcava De Amor e Desamor.
Por mlm passara antes a palavra popular oe 8ernarolno Grana, com a sua lntantll e subllme
lmantaçáo, que me enslnou a recltar em lnglês aquele trecbo lnelutavel oo Hamlet, num bar
oa aoolescêncla terrolana, para embalar-nos logo com o mlar oo goto do tosco mor|nhe|ro,
talvez perto oos areals oe Cangas, por onoe camlnbava a Marla Sollnba, vltlma oa |nqulslçáo
que Celso Lmlllo ressuscltara.
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josé ALMElDA é natural oa cloaoe oo Porto onoe nasceu a 10
oe [unbo oe 1981. Llcenclaoo com mérlto em Clênclas
Hlstorlcas ÷ Ramo Loucaclonal pela Unlversloaoe Portucalense ÷
|ntante D. Henrlque, onoe tol também lnvestlgaoor no
Departamento oe Lstuoos Meolevals, é pos-graouaoo em
Turlsmo Cultural pela Unlversloaoe Fernanoo Pessoa,
trequentou o mestraoo em Cultura Portuguesa na Unlversloaoe
oe Tras-os-Montes e Alto Douro e o Curso oe Doutoramento
em Hlstorla na Faculoaoe oe Letras oa Unlversloaoe oo Porto,
onoe é presentemente ooutoranoo em Fllosotla e membro oo
Grupo oe |nvestlgaçáo «ßo|zes e Hor|zontes do l||osof|o e do
Cu|turo em Portugo|». Professor desde 200S, tem pu5||codo vor|os
ort|gos su5ord|nodos òs suos oreos de formoçõo.

lnês oa Concelçáo DO CARMO BORGE5. Llcenclatura em
Hlstorla varlante oe Arqueologla oa Unlversloaoe oe Letras oo
Porto, 1985. Pos-graouaçáo em Soclologla oo Sagraoo e oo
Pensamento Rellgloso, oa Faculoaoe oe Clênclas Soclals e
Humanas oa Unlversloaoe Nova oe Llsboa, 1994. Mestraoo em
Hlstorla oa Arte, area oe especlallzaçáo em Hlstorla oa Arte,
com a tese ¨0 So|or de Sontono, Museu Mun|c|po| de 7onde|o e o
Arqu|tecturo Senhor|o| do ßeg|õo¨, 2009. |nvestlgaoora
Colaboraoora no CLAUCP, Centro oe Lstuoos Arqueologlcos
oa Unlversloaoes oe Colmbra e Porto na Area tematlca oe
Artes ÷ Mortologlas: oescontlnuloaoes e permanênclas na
crlaçáo artlstlca, oa FCT, Funoaçáo para a Clêncla e a
Tecnologla oo Mlnlstérlo oa Clêncla, Tecnologla e Lnslno
Superlor, oesoe 2007. Doutoranoa em Hlstorla, na area oe
especlallzaçáo em Hlstorla oa Arte, oa Faculoaoe oe Letras oa
Unlversloaoe oe Colmbra oesoe 2009, sob orlentaçáo clentltlca
oo Prot. Dr. Antonlo Flllpe Plmentel, com o tema oa olssertaçáo
¨A Arqu|tecturo Senhor|o|: motr|z do soc|o5|||dode, do poder e do
Cu|turo em Lomego¨. Publlcou, entre outros trabalbos: ¨A lonte
do Sere|o em 7onde|o, o 7emporo||dode Lfemero do suo
lunc|ono||dode¨, ln Actos do l\ Congresso H|stór|co de Cu|morões,
uo A5so|ut|smo oo L|5ero||smo. 2009, (1.° Prémlo ¨Auréllo Soares
Calçaoa¨, 2006), ¨Preservoçõo do Potr|món|o móve| do lgre¡o do
Nosso Sr.° do Cormo, 2007, ¨7ecto Serof|co, lronc|scono Lrecto no
ont|go lgre¡o do Sont|ss|mo Nome de jesus de \||o Novo do ßo|nho ÷
7onde|o¨, 2007, ¨0 Hosp|to| de Sonto Mor|o de 7onde|o¨, 2008,
Tem no prelo: ¨A Arte do Co||grof|o no Comprom|sso do lrmondode
do N.° Sr.° do Cormo de 7onde|o no sec. X\lll¨, na Revlsta 8elra
Alta, vlseu Abrll 2010, ¨Arqu|tecturo do Aguo: 0 pro¡ecto de
Lrnesto Korrod| poro Mo|e||nhos¨, nos Caoernos oe Cultura D.
[alme, N.° 7, eolçáo oa Câmara Munlclpal oe Tonoela e oo
Centro oe Lstuoos Tomaz Rlbelro, Abrll 2010, ¨Pedro e M|ster|o:
comunhõo oo serv|ço do fe no escu|turo¨, no 8oletlm oa Llga oos
Amlgos Museu Terras oe 8estelros n.° 9, Câmara Munlclpal oe
Tonoela, Abrll oe 2010, ¨0 v|nho num trotodo teropeut|co
se|scent|sto: 7rotodo dos ó|eos de enxofre, v|tr|o|o, Ph||osophorum,
A|ecr|m, So|vo, e do oguo-ordente de uuorte Mode|ro Arroes¨,
Revlsta Douro Lstuoos & Documentos, GLHv|D, FLUP Porto
2010, ¨A Pedro de Anço no escu|turo uevoc|ono| Quotrocent|sto e
Qu|nhent|sto do Conce|ho de 7onde|o¨, Revlsta Monumentos, 2010,
¨0 So|or de Sontono, Museu Mun|c|po| de 7onde|o e o Arqu|tecturo
Senhor|o| do ßeg|õo¨ Lolçòes Pallmage, 2010, Porto. 8logue:
bttp://muslcaescarlate.blogspot.com

PauIo BORGE5. Protessor oe Fllosotla na Unlversloaoe oe
Llsboa. Ultlmas obras: 0 8ud|smo e o Noturezo do Mente (com
Mattbleu Rlcaro e Carlos [oáo Correla), 2005, Agost|nho do S||vo.
Umo Anto|og|o, 2006, 7empos de Ser ueus. A esp|r|tuo||dode
ecumen|co de Agost|nho do S||vo, 2006, L|nguos de logo. Po|xõo,
Morte e l|um|noçõo de Agost|nho do S||vo, 2006, lo||o. M|ster|o de
Pentecostes em tres octos, 2007, 0 8udo e o 8ud|smo no 0c|dente e
no Cu|turo Portugueso (com Duarte 8raga), 2007, Pr|nc|p|o e
Mon|festoçõo. Metof|s|co e 7eo|og|o do 0r|gem em 7e|xe|ro de
Poscooes, 2 vols., 2008, A Codo lnstonte Lstomos A 7empo ue
Nunco Hover Nosc|do, 2008, uo Soudode como \|o de L|5ertoçõo,
2008, A Pedro, o Lstotuo e o Montonho. 0 \ lmper|o no Podre
Antón|o \|e|ro, 2008, 0 jogo do Mundo. Lnso|os so5re 7e|xe|ro de
Poscooes e lernondo Pessoa, 2008, Umo \|sõo Arm||or do Mundo. A
vocoçõo un|verso| de Portugo| em Lu|s de Comoes, Podre Antón|o
\|e|ro, 7e|xe|ro de Poscooes, lernondo Pessoo e Agost|nho do S||vo,
2010. uesco5r|r 8udo, 2010, 0|hores Luropeus so5re lernondo
Pessoo (org.), 2010, Agost|nho do S||vo: Penseur, ecr|vo|n, educoteur
(org., com |oelette Muzart-Fonseca oos Santos e [osé Manuel
Lsteves), 2010. 0 7eotro do \ocu|dode ou o |mposs|5|||dode de ser
eu. Lstudos e enso|os pessoonos, 2011. Presloente oa Unláo
8uolsta Portuguesa e oa Assoclaçáo Agostlnbo oa Sllva.
www.pauloborges.net

Fabrizio BO5CAGLlA. Mestre em Pslcologla pela Unlverslta
oegll Stuol oe Turlm em 2007 com tese em Pslcologla oa
Formaçáo sobre Fernanoo Pessoa. Doutoranoo em Fllosotla no
Departamento oe Fllosotla oa Unlversloaoe oe Llsboa com uma
tese suborolnaoa ao tema «A |nf|uenc|o perso e oro5e no
pensomento f||osóf|co e poet|co de lernondo Pessoo». 8olselro oa
FCT, no âmblto oo ooutoramento, oesoe 2008. Partlclpou no
projecto oe Dlgltallzaçáo oa 8lblloteca Partlcular oe Fernanoo
Pessoa, reallzaoo pelo Centro oe Llngulstlca oa Unlversloaoe oe
Llsboa e pela Casa Fernanoo Pessoa, em 2008 e 2009. L autor
oe conterênclas e artlgos sobre o pensamento oe Pessoa e
sobre outros temas tllosotlcos e llterarlos.

Casiniro DE BRlTO. Poeta, romanclsta, contlsta e ensalsta.
Nasceu no Algarve, em 1938, onoe estuoou (oepols em
Lonores) e vlveu até 1968. Apos uns anos na Alemanba, passou
a vlver em Llsboa. Teve varlas protlssòes, mas actualmente
oeolca-se e×cluslvamente a llteratura. Começou a publlcar em
1957 (Poemos do So||dõo lmperfe|to) e, oesoe entáo, publlcou
mals oe 40 tltulos. Dlrlglu varlas revlstas llterarlas, entre elas
"Caoernos oo Melo-Dla" (com Antonlo Ramos Rosa), os
Caoernos "Outubro/ Feverelro/ Novembro" (com Gastáo Cruz)
e "Loreto 13" (orgáo oa Assoclaçáo Portuguesa oe Lscrltores).
Actualmente é responsavel pela colaboraçáo portuguesa na
revlsta lnternaclonal ¨Serta¨. Lsteve llgaoo ao movlmento
"Poesla 61", um oos mals lmportantes oa poesla portuguesa oo
século XX. Ganbou varlos prémlos llterarlos, entre eles o
Prémlo |nternaclonal versllla, oe vlaregglo, para a "Melbor obra
!#eO


completa oe poesla", pela sua Ooe & Cela (1985), obra em que
reunlu os seus prlmelros oez llvros oe poesla. Colaboraçáo em
revlstas oe poesla, tenoo obras suas lncluloas em mals oe 190
antologlas, publlcaoas em varlos palses. Fol olrector oe testlvals
lnternaclonals oe poesla oe Llsboa, Porto Santo (Maoelra) e
Faro. Fol vlce-presloente oa Assoclaçáo Portuguesa oe
Lscrltores, presloente oa Assoclatlon Luropéenne pour la
Promotlon oe la Poésle, oe Lovalna e presloente oo P.L.N.
Clube Português. Tem obras suas gravaoas para a Llbrary ot tbe
Congress, oe Wasblngton. Agraclaoo pela Acaoemla 8rasllelra
oe Fllologla, oo Rlo oe [anelro, com a meoalba Oskar Noblllng
por servlços olstlntos no campo oa llteratura ÷ entre outras
olstlnçòes, nomeaoamente, em Portugal, a Oroem oo |ntante.
Conselbelro oa Assoclaçáo Munolal oe Halku, oe Toqulo.
Nomeaoo ¨Lmbal×aoor Munolal oa Paz¨ (Genebra, 2006). A
Acaoémle Monolale oe Poésle (oa Funoaçáo Martln Lutber
Klng), galarooou-o em 2002 com o prlmelro Prémlo
|nternaclonal oe Poesla Leopolo Séoar Sengbor, pela sua carrelra
llterarla. Ganbou o Prémlo Luropeu oe Poesla Aleramo-Marlo
Luzl, para o ¨Melbor Llvro oe Poesla Lstrangelro publlcaoo em
|talla em 2004¨ e o ¨Poeteka¨ na Albânla. Tem traouzloo poesla
oe varlas llnguas, sobretuoo oo japonês, e esta traouzloo em
vlnte e clnco llngua. bttp://caslmlrooebrlto.no.sapo.pt

AbduI CADRE. Poeta e ensalsta oe naclonalloaoe portuguesa
e vlvêncla atrlcana, trequentou a Faculoaoe oe Dlrelto oe Llsboa,
mas tem-se oaoo melbor no campo oo esoterlsmo,
nomeaoamente estuoanoo a tllosotla rosacruz e lnvestlganoo os
tenomenos parapslcologlcos. L cronlsta na lmprensa reglonal,
tem varlos llvros publlcaoos em Portugal, um em França e ools
opusculos nos LLUU. Para além oe olstlnçòes naclonals, tol
também premlaoo (poesla) nos LLUU e na |talla.

Mariis CAPELA nasceu em Llsboa em 1963. Começou a
totogratar com uma "Son, de 5o|so" em 2005. Lsta e×perlêncla
lmpulslonou-a, lrreverslvelmente, num camlnbo oe e×pressáo
totogratlca que ocupa boje o seu tempo. Fotograta-palsaglsta, no
sentloo em que lmporta estabelecer pontes entre as palsagens
lnternas e e×ternas, a totogratla trou×e-lbe o gosto e
a senslbllloaoe pela arte num tooo, levanoo-a a reallzar trabalbos
para outros artlstas, como a parcerla com a vantagem Dlgltal,
evloenclanoo especlal carlnbo pela artesanato português. A
convlte oo artlsta plastlco Rul Henrlques junta-se ao Projecto
Crlart, no Ateller Crlart em Slntra, al nascenoo os u|o|ogos Lntre
L|nguogens, senoo que o prlmelro remete para a P|nturo vs
lotogrof|o, pouco oepols um outro, versanoo a Lscr|to vs
lotogrof|o, e×perlêncla oe que nasce a capa oo llvro oa escrltora
Marlsa Meoelros. Mals taroe, surge o projecto lotogrof|o vs
7eotro, sempre na e×pectatlva oe outros Dlalogos se vlrem a
tazer. Organlza otlclnas oe |nlclaçáo a Fotogratla e passelos
totogratlcos. bttp://www.tacebook.com/marlls.artes?sk=lnto

Antonio CARDlELLO llcenclou-se em tllosotla pela Faculoaoe
oe Letras oa Unlversloaoe oe Paoua. L membro e lnvestlgaoor
oo Centro oe Fllosotla oa Unlversloaoe oe Llsboa. Na mesma
unlversloaoe esta a conclulr um trabalbo oe ooutoramento cujo
tltulo é ¨\|vem em nós |números¨: os f||osof|os de lernondo Pessoo.
Autor oe conterênclas, varlos artlgos em revlstas clentltlcas,
jornals e obras colectlvas, lnteressa-se pelo pensamento
português contemporâneo e pelo contronto entre traolçòes
tllosotlcas ocloentals e orlentals. Cooroenou o projecto oe
olgltallzaçáo e colocaçáo on-llne oa blblloteca partlcular oe
Fernanoo Pessoa (Abrll 2008 - Outubro 2010).

Bruno BÉU DE CARVALHO. Prepara-se actualmente para
oetenoer o seu ooutoramento em tllosotla em Portugal, com o
tltulo lnterrogoçõo, Lu metof|s|co e Apofot|smo em \erg|||o lerre|ro,
lnlclaoo em 2005, com o patroclnlo oa Funoaçáo para a Clêncla
e Tecnologla. Tem comunlcaçòes e artlgos publlcaoos nas areas
oa tllosotla em Portugal, tllosotla antlga, estétlca, e tllosotla e
estuoos orlentals. |ntegrou, em 2008, a equlpa que, sob a
cooroenaçáo oe [eronlmo Plzarro, olgltallzou a morg|no||o e
blblloteca pessoal oe Fernanoo Pessoa. L oocente convloaoo no
curso oe especlallzaçáo oa Faculoaoe oe Letras oa Unlversloaoe
oe Llsboa l||osof|o e Lstudos 0r|ento|s. L membro lntegraoo oo
Centro oe Fllosotla oa Unlversloaoe oe Llsboa e soclo oo
|nstltuto oe Fllosotla Luso-8rasllelra. Tem poesla publlcaoa em
algumas antologlas oe poesla portuguesa contemporânea e
revlstas llterarlas. Como composltor e planlsta, tem sobretuoo
trabalbaoo na area oe muslca para teatro.

Pedro CA5TELElRO nasce em Ferrol (Gallza) no ano 1968.
Forma-se em Dlrelto na Unlversloaoe oe Santlago oe
Compostela, onoe enceta uma tareta oe publlcaçáo oe llvros,
artlgos e olreçáo oe revlstas (Folbas oe Clbráo, Poseloonla...)
bem como oe varlos programas raolotonlcos. Lm Compostela,
publlca seus prlmelros te×tos poétlcos, na revlsta unlversltarla
Ollsbos, pelo tlnal oos anos 80. Ganba por ouas vezes o prémlo
naclonal oe poesla oa Assoclaçáo Cultural O Facbo, oa Corunba,
e recebe o occess|t oo certame 8ouça-8rel. Durante os anos 90,
ja a morar na Corunba, onoe resloe na atualloaoe, taz parte oo
grupo poétlco Heoral, com este coletlvo lança a antologla 7
P0L7ASlC0ßUNHA 199S. L colaboraoor oo blog llterarlo O
Levantaoor oe Mlnas e oo Observatorlo Galego oa Lusotonla,
pertencente ao |nstltuto Galego oe Anallse e Documentaçáo
|nternaclonal. Séter Setarao é a sua obra poétlca trlna oa qual os
volumes |, Canclonelro oo Sllênclo, e ||, Orlente, se encontram
ja termlnaoos e, por enquanto, oevotaoos ao sllênclo, aoega
magnltlca.

Ana F. CRAVO. Plntora llcenclaoa pela L.S.8.A.L., Mestre em
Lstétlca e Fllosotla oa Arte pela Faculoaoe oe Letras oa
Unlversloaoe oe Llsboa, ooutoranoa em Lstétlca e Fllosotla oa
Arte, na Unlversloaoe oe Llsboa. Nasceu em 1966, vlve em vlla
vlçosa e é protessora na Lscola Superlor oe Loucaçáo oe
Portalegre, no Departamento oe L×pressòes Artlstlcas e
Comunlcaçáo, onoe lecclona olsclpllnas oa area oe Artes
Plastlcas e Teorla oas Artes vlsuals.

juIia ALON5O DlEGUEZ. Llcenclaoa em Fllosotla pela
U.N.L.D. D.L.A. (mestraoo) em Fllosotla com o trabalbo oe
lnvestlgaçáo: "Lo noc|ón de t|empo en Kr|shnomurt|". Membro oa
Socleoao oe Fllosotla oe Castllla la Mancba. Membro oo grupo oe
lnvestlgaçáo ONLLHLR (Ontologla, Lenguaje y Hermeneutlca).
Desoe ba 5 anos oesenvolve trabalbo oe lnvestlgaçáo tocaoo
na tese oe ooutoramento com o tltulo "lernondo Pessoo o |o
8e||ezo de |o Ceometr|o de| o5|smo", sob a co-olrecçáo oe Paulo
8orges e Marla Teresa Onate y Zubla. Cmunlcaçòes em olversos
congressos, tunclonarla publlca oe carrelra, cbete oe secçáo oo
Departamento oe lnverslones oe la oelegaclon provlnclal oe
sanloao y blenestar soclal oe Cluoao Real, Master en contabllloao
publlca y gestlon presupuestarla.

António Lllseu Roorlgues FARlA, Llcenclaoo em Clêncla
oas Rellglòes pela ULHT, |nvestlgaoor na Area oe Clêncla oas
Rellglòes oa ULHT. Curso pos-graouaoo oe Fllosotla e
Lstuoos Orlentals pela FLUL, Lstuoante oe Teosotla,
Pratlcante oe Raja Yoga e oo 8uoa Dbarma.
!#e"



Patricio FERRARl. Mestraoo (DLA) em Llteratura Comparaoa
pela Unlverslté oe la Sorbonne Nouvelle ÷ Parls ||| (2006).
Publlcou artlgos sobre a blblloteca partlcular oe Fernanoo Pessoa
(em Portuguese Stud|es, 2008) e a sua relaçáo com a génese
beteronlmlca (em 0 Cuordodor de Pope|s, 2009 e Luso-8roz|||on
ßev|ew, no prelo). Os seus trabalbos mals recentes versam
questòes oe métrlca e oe rltmo (em Lox|os, 2010 e 8u||et|n of
Spon|sh Stud|es, 2011). Co-olrector oo projecto oe olgltallzaçáo oa
blblloteca oe Pessoa e co-autor oe A 8|5||oteco Port|cu|or de
lernondo Pessoo (2010). Loltor oe 0s Sonetos Comp|etos de Antero
de Quento| (2010) e co-eoltor oe Prover5|os Portugueses (2010).
Lnquanto ooutoranoo em Llngulstlca na Unlversloaoe oe Llsboa,
oesenvolve um estuoo em métrlca comparaoa no espollo
pessoano. 8olselro oa Funoaçáo para a Clêncla e a Tecnologla
oesoe 2008.

António CÅNDlDO FRANCO eoltou no tlnal oo século XX
obras oe Franclsco Palma Dlas, Paulo (Ale×anore Lsteves) 8orges,
Paulo 8rlto e Abreu e [oáo Carlos Raposo Nunes. Projectou com
o poeta Fernanoo 8otto Semeoo uma ont||og|o oa ¨Flnlstérrlca
Geraçáo¨, que náo se concretlzou. Retomava no agora a
actlvloaoe, e com gosto reoobraoo, se para tanto bouvesse
atençáo e melos, com vlstas a oar a luz a poesla oe Donls oe Frol
Gullbaoe. Quanto aos llvros que escreveu e escreve, náo atrlbul
ao acto em sl, oe escrever, mals lmportâncla, mas também náo
menos, oo que ao acto oe resplrar (ao qual se pooe e oeve
acrescentar tooos os outros que lbe sáo vltals). Reconbece a
veroaoe oa veroaoe oo velbo oa Palbavá: o ún|co estrodo de
fortuno e o vogo5undogem soc|o|, moro| e po||t|co.

Frederico MlRA GEORGE nasceu em Llsboa.
Lstuoou totogratla (|ADL), teatro (Comuna Teatro oe Pesqulsa),
jornallsmo (Slnolcato oos [ornallstas), anallse torense oe te×tos
(Mlnlstérlo oa [ustlça/P[). Llcenclaoo em Fllosotla oas Rellglòes
Comparaoas (Sorbonne), Doutor oa |greja, Unlversloaoe Catollca
Angllcana oe Westmlnster. L Saceroote Catollco Angllcano.
Representante em Portugal oe sua Lmlnêncla o Arceblspo oe
Cantuarla. Lscrltor e eoltor. Publlcou o prlmelro llvro em 1987
(As Asos ue|es) e o mals recente em 2008 (¥eshuo, As Mu|heres de
jesus).

RaqueI Marla NOBRE GUERRA oe Ollvelra (n. 1979).
Llcenclaoa em Fllosotla pela Unlversloaoe Catollca Portuguesa oe
Llsboa, Mestre em Lstétlca e Fllosotla oa Arte pela Faculoaoe oe
Letras oa Unlversloaoe oe Llsboa, 8olselra oa FCT lnvestlga para o
ooutoramento a categorla oe frogmento na obra oe Fernanoo
Pessoa. Colaborou com a equlpa Pessoa, cooroenaoa por [eronlmo
Plzarro, na 8lblloteca Naclonal e na olgltallzaçáo oa blblloteca
pessoal oe Pessoa. Tem vlnoo a partlclpar em coloqulos nas areas
oe Fllosotla e Llteratura, com comunlcaçòes sobre Fernanoo
Pessoa. L, oesoe 2008, membro colaboraoor oo Centro oe
Llteraturas e Culturas Lusotonas e Luropelas oa Faculoaoe oe
Letras oe Llsboa (CLLPUL) e oa ComPares (Assoclaçáo
|nternaclonal oe Lstuoos |bero-Lslavos oa Unlversloaoe oe Llsboa).

Donis de FROL GUlLHADE náo e×lste. Alnoa náo nascera, e ja
náo era: alguém náo é, que alguém conbeça. Lle, nlnguém - o colsa
nenbuma que algo seja no que se cbame e|e - naoa anuncla e oespeoe-
se oe tuoo: por um tuoo naoa. Dum naoa oe que nlnguém sabe tuoo,
nem naoa. Nlnguém vera, e a nlnguém vera, quem oe sl náo vlu o que
nlnguém lbe veja. Ha um auslr como oe aceno oe que nalguém, que
pooe ter sloo ou náo, esteja em alguma qualquer parte, apenas
porque asslm é o que náo é: sem ja nem alnoa ÷ quanoo multo,
nunca. O que oele se lela, ba-oe tresler-se-lbe: para que, quanoo se
nos lesse, tal qual se náo lela. Quanoo pareça aparecer, táo-so se lbe
vê uma brlsa - que lbe ataga e esbotetela quanto lncontém - oel×aoa
antes oe baver passaoo, e oe passaoo baver té asslm. Náo pu5||co:
torça-se ao avesso ÷ é olsso que ba rasto, onoe baja bavloo anverso e
um verso olsso. L sempre oes-terro oo que náo tem terra natal, nem
atlnal tlnal. O tuturo persegue-lbe a sauoaoe, o passaoo ba-oe ser-lbe.
O presente parece náo ser-lbe, nem outra colsa qualquer. Quanoo
nem se oer alguém conta - que nlnguém oara - sera loo: que náo velo.
Sem agora que o baja ou que o valba. Para nunca: oesoe sempre.
Qual nunca tol, jamals náo sera. Qual nunca velo, sempre nunca vlra.
Qual rocba, oe vento e mar: por oetelto e, outrosslm, oe telto. Qual
oe-tuncto: de fro| sera. Gullbaoe, gullba oe: o'Onl×. O mals - que é (o)
menos, se o baja - sllênclo é. L mals náo ba o'O que seja. (H)el-l'O:
all, ono'Lll, Ua×'Allab. Om |aò. Donls é táo-so nome oe cego. De
tanto (náo) ver. L peoe se lbe perooe táo muoo talar.

DlRK-MichaeI HENNRlCH, nascloo na Alemanba, é Mestre em
Fllosotla, traoutor e autor oe artlgos, ensalos, atorlsmos e poesla em
alemáo e português. vlve em Llsboa onoe é ooutoranoo em Fllosotla
na Unlversloaoe oe Llsboa. Tem varlas publlcaçòes em olarlos e
revlstas na Alemanba, Sulça, Portugal e 8rasll.

joão MARQUE5 LOPE5 (1969) estuoou tllosotla em Llsboa e
actualmente é ooutoranoo oe Llteratura 8rasllelra em Llsboa e
Utrecbt, palses 8al×os. L autor oe varlas blogratlas, a sallentar, [osé
Saramago, Fernanoo Pessoa, Almeloa Garret, Lca oe Quelroz. Tem
varlos estuoos sobre estétlca llterarla e poltlca cultural Luso-
8rasllelra.

PabIo javier PÉREZ LOPEZ, (1983, vallaoollo, Lspanba)
|nvestlgaoor oo Departamento oe Fllosotla oa Unlversloaoe oe
vallaoollo, Autor oe olversas publlcaçòes que têm como tematlca
essenclal a lntâncla, a olaléctlca tllosotla-poesla, o pensamento traglco,
a vontaoe oe llusáo, a vlagem e a olmensáo tllosotlca oa poétlca oe
Fernanoo Pessoa. Lntre as suas publlcaçòes em torma oe llvro
pooem-se oestacar "\|o¡es, L|teroturo , Pensom|ento" (Uva, 2009) e "L|
pensor poet|co de lernondo Pessoo" (Manuscrltos, 2010).

joaquin MigueI PATRlClO, Llcenclatura e Mestraoo em Dlrelto
pela Faculoaoe oe Dlrelto oa Unlversloaoe Classlca oe Llsboa.
Artlgos, ensalos e recensòes nas areas oe Clênclas [urlolcas, Clênclas
[urlolco-|nternaclonals, Relaçòes |nternaclonals, Cultura Portuguesa,
Culturas Lusotonas, Llteratura, Clênclas Soclals em geral, olsperso/a/s
por revlstas e varlas publlcaçòes.

jerónino PlZARRO Doutor pelas Unlversloaoes oe Harvaro e oe
Llsboa. L Protessor oe Llteratura Portuguesa oa Unlversloao oe los
Anoes e tol Protessor oo Programa oe Crltlca Te×tual oa
Unlversloaoe oe Llsboa. L membro oo Centro oe Llngulstlca oa
Unlversloaoe oe Llsboa (CLUL) e pertence ao grupo oe trabalbo que
prepara a Lolçáo Crltlca oe Fernanoo Pessoa, projecto para o qual ja
contrlbulu com olto volumes, o ultlmo oos quals o L|vro do
uesosocego. Lm 2009 organlzou o llvro lernondo Pessoo: o guordodor
de pope|s. Lm 2010 co-eoltou o llvro Prover5|os Portugueses. Lm 2011
co-organlzou o llvro Portuguese Modern|sms |n L|teroture ond the \|suo|
Arts.

Luíz PlRE5 DO5 REY5 esta convencloo que é por uma
lntellcloaoe oo acaso, ou por uma tellclsslma colncloêncla, que e×lste
rosto e rasto que oe sl perslstam. Mals provavel é náo bavê-los. Mas
ja que os ba, apresenta-se ele oe cabeça oescoberta, olbar encoberto
e náo oe braços caloos em sl. Para náo se apresentar oesmazelaoo,
apresenta-se sem mazelas // Dlz que estuoou tllosotla, até onoe a
!#e#


suportou unlversltarla ÷ o que nos tazemos por acreoltar ÷ mas,
porque mals a encontrou, olz, lnslstente e l-reverente, tora oa escola
e oe certo escol, acabou, um tanto olstraloamente olga-se albures, a
urolnoo, apotaslas, teologulsmos e teologomenas oe mals orlentals
(presume-se que orlentaoas) ortooo×las, o que serve lgualmente para
naoa, como é mals oo que oemaslaoo evloente ÷ mas, alnoa asslm,
parece, náo taz mal a sauoe. Alnoa bem. Mals vale a pena colsas
lnotenslvas que se taz sem so5er (porque, altlm, nodo se sabe), oo que
lngenuamente tazer colsas que náo valem nem a pena ÷ alnoa que se
pense lmaglnar sabê-las. // Apos (esquecloo oe sl) esqueclvels anos
por outras laborlosas paragens onoe logrou olrlglr, com morket|ng e
tuoo, um lnolgesto oepartamento numa multlnaclonal oe sujar papel
para ll×o publlcltarlo, vê-se metloo no embrulbo oeste assaoo oe oar
oeslgnlo e des|gn a uma e×oru×ula revlsta com um nome aguoamente
grave. 8em telto! Para lntelro (oes)tempero oo caso, val oal, o
temerato olrector |nt|mo-o, lncorrlglvel e placloo (como se ele se
tratasse oe um ser senclente oe/oa veroaoe), a aceltar conterlr marca
oe alguma arte a caoa paglna oa olta. Que oesolta, valba-nos Deus
(que sabemos que náo e×lste, mas Ha)! // Porque tem a manla que
tem tlsna juoalca no sangue nalguma oas guelras, e porque tem a
certeza oe baver em sl moura e moçarabe mlsclgenla, tarta-se oe
cborar a rlr com os oesagulsos entre lrmáos abraâmlcos. // Anoa
oescontlaoo oe que, apesar oe tuoo, é cr|stõo (se bem que alnoa
oemanoe saber o que lsso la seja), mas também oe que alnoa ba-oe
ser o 5ud|sto que sempre se acbou, para (como um que se preze) vlr
a olzer-nos que sê-lo é nõo sê-lo. // Fez o mesmo com aqullo oa orto-
oo×la, e náo se oeu mal ÷ nem bem, allas. Como lbe peolram sels
llnbas, tez mals oo qulntuplo ÷ so para ser o maçaoor oo costume.
Pelo mesmo, também, tez esta nota olsparataoa: quanto ele, allas ÷
estara 5oo, portanto! // Querem tazê-lo acreoltar que se¡o Donls oe
Frol Gullbaoe. Mas ele ÷ que mals acreolta no que se náo pooe
sequer acreoltar ÷ mals crê que tal seja veroaoe por ser táo quase
lmposslvel. vozes oo sem-tempo olzem-no outrosslm sacer-dotodo,
mas sabe ele que lsso é colsa oe que náo ba ontes e depo|s oe sê-lo: é-
se oe sempre, para nunca ÷ o que asslm o retlra oe tal suspelta, posto
sabe ele sê-lo oe nunco, para sempre nunca cbegar a. Lsta, tlnalmente,
convencloo oe que o melbor é convencer-se oe que é um bumlloe
pretencloso, ao escrever uma nota oesta e×tensáo e jaez. 8em me
parecla!

Nuno RlBElRO é lnvestlgaoor oa Unlversloaoe Nova oe Llsboa e
membro oo |nstltuto oe Lstuoos sobre o Mooernlsmo. Loltou (em
parcerla com [eronlmo Plzarro) As Conçoes oe Antonlo 8otto, onoe
apresenta uma compllaçáo oe escrltos lnéoltos oe Pessoa a proposlto
oa publlcaçáo pessoana oas cançòes oe 8otto. No âmblto oa sua
lnvestlgaçáo, prepara presentemente a eolçáo oe te×tos tllosotlcos
lnéoltos oe Fernanoo Pessoa. Tem publlcaoo e apresentaoo varlas
palestras sobre este tema, nomeaoamente: 7he unf|n|shed Ph||osph|co|
8ooks of Pessoo ÷ pro5|ems ond cr|ter|o for the pu5||cot|on of Pessoo`s
ph||osoph|co| wr|tt|ngs. Tem telto varlas publlcaçòes e apresentaoo
palestras em Portugal, 8rasll, Lspanba, Lstaoos Unloos e Alemanba
sobre as relaçòes entre Pessoa e outros tllosotos, como Nletzscbe e
Wlttgensteln.

António RAMO5 RO5A (Faro, 1924) vlveu a sua juventuoe em
Faro e raolcou-se em Llsboa em 1962. O poeta autooloacta tol
protessor e traoutor até se consagrar a tempo lntelro a poesla. A sua
lntensa actlvloaoe poétlca e crltlca tol-se olssemlnanoo em projectos
eoltorlals como as revlstas oe poesla Arvore, Casslopela e Caoernos
oo Melo-Dla (oe que tol co-olrector), bem como em olversos [ornals
e revlstas oestacanoo-se os suplementos oo DN, oe A Capltal, oo [L
e oa Coloqulo Letras. Dlstlnguloo com varlos prémlos llterarlos
naclonals e lnternaclonals, o seu percurso e rlgor poétlco toram
reconbecloos com a atrlbulçáo oo prémlo Pessoa em 1988, tenoo-lbe
sloo, alnoa, atrlbuloas as conoecoraçòes oe Granoe ÷ Otlclal oa
Oroem oe Sant´lago oe Lspaoa e oa Grá-Cruz oa Oroem oo |ntante
D. Henrlque em 1984 e 1997, respectlvamente. Lm 2003 tol
agraclaoo com o tltulo oe Doutor Honorls Causa pela Unlversloaoe
oo Algarve e em 2005 recebe, a|noa, o Prémlo Sopbla oe Mello
8reyner pela Câmara Munlclpal oe Sáo [oáo oa Maoelra. A partlr oe
1980, lnlcla uma nova e×pressáo oo traço, para la oa escrlta, o
oesenbo oe rostos e outros oesenbos náo tlguratlvos, contanoo ja
com olversas e×poslçòes lnolvlouals em varlas galerlas oo pals.

GiseIa Marla Graclas RAMO5 RO5A (Maputo, 1964). Llcenclou-se
em Relaçòes |nternaclonals e é Mestre em Relaçòes |nterculturals. A
sua tese com o tltulo 0|hor o u|ferenço - Percurso ontropo|óg|co pe|os
morgens soc|o|s, centrou-se na anallse oos olscursos soclals presentes
nas lmagens oe um tllme português para granoes auolênclas. Tem um
llvro publlcaoo em conjunto com Antonlo Ramos Rosa - \osos
Comun|contes (olalogo poétlco) oe 2006, e tem colaboraoo com
poemas em varlas antologlas e revlstas oe poesla. L Perlta em
Documentos no Laboratorlo oe Pollcla Clentltlca oa Pollcla [uolclarla,
em Llsboa.

joana 5ERRADO (1979) estuoou Fllosotla em Colmbra e no Porto,
e actualmente é ooutoranoa em Teologla na Unlversloaoe Gronlngen,
Palses 8al×os. L autora oe 7rotodo de 8oton|co, Lolcoes Quasl, 2006 e
Lmporedodol U|t de Muur. Len Geolcbtencyclus. Passage 2009.

Maurícia TELE5 DA 5lLVA. Protessora oe Loucaçáo Muslcal no
Lnslno 8aslco. Poeta e composltora. Conservatorlo oe muslca,
llcenclatura em Lnslno oe Loucaçáo Muslcal e Mestraoo com a
lnvestlgaçáo ¨A Compos|çõo no Pro¡ecto de 7eotro Mus|co|¨.
|nvestlgaoora no campo oa Peoagogla Muslcal e Ltnomuslcologla.
Cooroenaoora oo Convento Sonbo e presloente oa Assemblela
Geral oa Assoclaçáo Agostlnbo oa Sllva.

CIáudia FRANCO 5OUZA é lnvestlgaoora oo espollo pessoano,
mestra em Teorla oa Llteratura pela UFMG (tltulo oa olssertaçáo:
Antropologla oo lnacabaoo - escrlta e tllosotla em Cr|me e Cost|go e na
Ceneo|og|o do Moro|) Faz actualmente ooutoramento em Llteratura
Portuguesa pela PUC-MG sobre o espollo oe Fernanoo Pessoa.
Lsteve na Alemanba reallzanoo pesqulsas blbllogratlcas sobre
Nletzscbe (Malo e [ulbo oe 2009). De Setembro 2009 até [anelro oe
2011 reallzou pesqulsa na 8lblloteca Naclonal e na Casa Fernanoo
Pessoa em Llsboa com uma bolsa oa Funoaçáo Calouste Gulbenklan.
Publlcou em Novembro oe 2010 o llvro 0 Mor|nhe|ro, com o te×to oe
Fernanoo Pessoa e lnéoltos oo espollo pela Loltora Atlca.

Ciprian VLCAN. 8olselro oa Lcole Normale Supérleure oe Parls
entre 1995-1997. 8olselro oo governo trancês entre 2001-2004,
obtém o Mestraoo e o DLA em Fllosotla na Unlversloaoe oe Parls |v
÷ Sorbonne. Protessor na Faculoaoe oe Dlrelto oa Unlversloaoe
Tlblscus oe Tlml¡oara. Doutor em Flllosotla pela Unlversloaoe 8abe¡-
8olyal oe Cluj-Napoca (2002). Doutor es |ettres pela Unlversloaoe oe
vest oe Tlml¡oara (2005). Doutor em Hlstorla oa Cultura pela Lcole
Pratlque oes Hautes Ltuoes oe Parls (2006). Llvros publlcaoos:
ßecherches outour d`une ph||osoph|e de |`|moge, 1998, Ltudes de
potr|st|que et de ph||osoph|e med|evo|e, 1999, Lsso|s 5or5ores, 2001, Lo
ph||osoph|e ò |o portee des centoures, 2008, Lo concurrence des |nf|uences
cu|ture||es fronço|ses et o||emondes dons |`æuvre de C|oron, 2008, Lo
theo|og|e des o|5|nos, 2010 (avec Dana Percec), L`e|oge du 5ego|ement,
2011, No prelo: ßetroto con ozor, Murcla, Lo |og|que des e|ephonts
(avec Dana Percec).
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