Associação Nacional dos Cursos de Graduação em Administração

REVISTA ANGRAD
Volume 7 Número 1

Rio de Janeiro Jan/Fev/Mar 2006

A Revista ANGRAD é uma publicação da ANGRAD (Associação Nacional dos cursos de Graduação em Administração). Com periodicidade trimestral, a Revista ANGRAD tem como missão ser um meio de difusão do estado da arte do ensino e pesquisa em administração, oportunizando a apresentação de teorias, modelos, pesquisas e retrospectivas que abordem o processo de ensino-aprendizagem e intensifiquem a prática da educação em disciplinas dos Cursos de Administração.

Revista ANGRAD/Associação Nacional dos cursos de Graduação em Administração. – v.7, n.1, (Jan./Fev./Mar. 2006) - Rio de Janeiro: ANGRAD, 2006 – trimestral 1. Administração - Periódico ISSN – 1515 -5532

Projeto Gráfico e Editoração: Milla Santana Impressão: Gráfica Dominaret Revisão Editorial: Milla Santana As opiniões emitidas nos textos publicados são de total responsabilidade dos seus respectivos autores.Todos os direitos de reprodução, tradução e adaptação estão reservados. A Revista ANGRAD, publicada trimestralmente, completa um volume a cada ano e é distribuída gratuitamente aos seus associados. Associações através do Portal www.angrad.org.br e os números anteriores estarão disponíveis, enquanto durarem os estoques.

Conselho Editorial da Revista ANGRAD

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Presidente Nacional: Prof. Antonio de Araujo Freitas Júnior Vice-Presidente Nacional: Prof. Míria Miranda Freitas Oleto Vice-Presidente de Administração e Finanças: Prof. Agamêmnom Rocha Souza Vice-Presidente de Ensino: Prof. Mário Cesar Barreto Moraes Vice-Presidente Científico: Profa. Maria da Graça Pitiá Barreto Vice-Presidente de Relações Institucionais: Prof. Joaquim Celso Freire da Silva Vice-Presidente de Marketing: Prof. Hamil Adum Filho

Conselho Fiscal
Francisco José Batista Geraldo Gonçalves Júnior Nádia Kassouf Pizzinatto Geraldo R. Caravantes

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Alexander Berndt Manuel Santos B. Alvarez Rui Otávio B. de Andrade Mauro Kreuz

Equipe ANGRAD
Luiz Carlos da Silva Renata Demôro Gleverson Bruno G. Soares Carlos Augusto Cruz

Editorial
O primeiro volume de nossa Revista ANGRAD do ano de 2006 traz como novidades a reforma do nosso Comitê Editorial e a modificação de sua missão. Buscando incrementar sua qualidade e internacionalizar nosso periódico, foram convidados novos componentes para integrarem o Comitê Editorial. Os professores convidados são pesquisadores de renome internacional que vão contribuir para, através de suas sugestões, elevar o padrão de nossa Revista, dando-lhe maior visibilidade e respeitabilidade no ambiente acadêmico. A nova missão da Revista ANGRAD, exposta no verso da folha de rosto de cada exemplar, foi ajustada aos objetivos precípuos da ANGRAD que conduzem ao fomento da qualidade do ensino da Administração. Entendemos que o ensino para ser eficiente precisa estar associado à prática, induzindo o estudante à reflexão das teorias divulgadas nos livros adotados nos cursos existentes no país, colocando-o em contacto direto com a realidade. Em nosso país, parece não haver um periódico científico voltado, especificamente, para o tema Ensino e Pesquisa em Administração. Para atender a essa missão, a nossa Revista estará veiculando teorias, modelos, pesquisa e retrospectivas que abordem o processo de ensino-aprendizagem e intensifiquem a prática da educação em disciplinas do Curso de Administração. Neste número, portanto, encontram-se artigos que abordam essa temática e revelam resultados de pesquisa elaborada por docentes com a participação de discentes. Ressaltamos que os artigos continuam sendo escolhidos pelo sistema de blind-review com dois pareceristas, para garantir a imparcialidade do processo. Como convidado, temos, neste exemplar, a contribuição do Prof. Omar Acktuff, da Escuela de Altos Estudios Comerciales de Montreal – Canadá que aceitou fazer parte do nosso Comitê Editorial e nos autorizou a divulgar um capítulo de seu livro Administración Y Pedagogia, que discorre sobre o objetivo do ensino de Administração, destacando que nossas instituições de ensino precisam ser capazes de proporcionar uma formação aos futuros profissionais a fim de que possam administrar uma empresa de maneira economicamente eficaz, mas humanamente viável. Expressamos nossos agradecimentos aos autores dos artigos que deram preferência à nossa Revista para divulgar sua contribuição à ciência da Administração. Convidamos os demais professores e pesquisadores que nos encaminhem suas reflexões e suas experiências na prática do ensino de administração e compartilhem os resultados de suas pesquisas, pois as teorias são renovadas a partir da observação da realidade.

Profa. Maria da Graça Pitiá Barreto

Editora - Chefe

Sumário 09 A GestãoA Gestão do Conhecimento na Educação Ambiental: do Conhecimento na Educação Ambiental: a Integração a IntegraçãoPrimária e Secundáriae Secundária das Escolas das Escolas Primária com a Universidade para um Futuro Melhor com a Universidade para um Futuro Melhor Edson RobertoEdson Roberto Scharf Scharf Eduardo José Floriano-Sierra Eduardo José Floriano-Sierra Comércio Eletrônico: Tendências e Necessidades de 23 Comércio Eletrônico: Tendências e Necessidades de Pesquisa Pesquisa Mauricio Gregianin Testa Mauricio Gregianin Testa Edimara Mezzomo Luciano Edimara Mezzomo Luciano Henrique Freitas Henrique Freitas Identificação dos Fatores Críticos de 43 Identificação dos Fatores Críticos de Sucesso Sucesso em Instituição de Ensino Superior em Instituição de Ensino Superior Romualdo Douglas Colauto Romualdo Douglas Colauto Caio Marcio Gonçalves Caio Marcio Gonçalves Ilse Ilse Maria Beuren Maria Beuren La Administración y su Enseñanza: ¿Entre y Ciencia? 63 La Administración y su Enseñanza: ¿Entre Doctrina Doctrina y Ciencia? Omar Aktouf Omar Aktouf 79 O EnsinoO Ensino da Burocracia: um Estudo Teórico-Empírico da Burocracia: um Estudo de Caso de Caso Teórico-Empírico Jaqueline de Fátima Cardoso Jaqueline de Fátima Cardoso Janaína RenataJanaína Renata Garcia Garcia Maurício Fernandes Pereira Maurício Fernandes Pereira Um Ambiente Virtual para Experiências em Administração 99 Um Ambiente Virtual para Experiências em Administração Jessé Jessé Alves AmâncioAlves Amâncio Elis Regina de Elis Regina de Paula Paula .

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com.V.ufsc. O estudo toma por base uma instituição de ensino em Blumenau. achando que. As pessoas sabem que devem usar produtos que minimizam o impacto negativo na natureza. quem entra para o Greenpeace ou WWF é que estará ajudando. o respeito pela natureza é mais uma atenção às normas explicitadas pela propaganda do que por aquilo que deveria ser feito para auxiliar o planeta. A integração do sistema educacional.970 – Florianópolis . 69% responderam.A Gestão do Conhecimento na Educação Ambiental: a Integração das Escolas Primária e Secundária com a Universidade para um Futuro Melhor Edson Roberto Scharf Mestre em Administração. que devem reciclar o lixo e reutilizar o papel da impressora. 170 . N. 2006 9 . porém. ligando a escola primária e secundária com a universidade. Jan.. mas é provável que os resultados sejam melhores quanto mais cedo se tiver contato com o assunto de forma adequada e se aprender a respeitar a natureza de maneira correta e sem xenofobias. Este trabalho pretende demonstrar de que é possível às pessoas serem mais conscientes com relação à conservação da natureza. Não levam. professor universitário Instituição: UFSC – Universidade Federal de Santa Catarina Campus da UFSC – Trindade . 7./Fev.br Eduardo José Floriano-Sierra Dr.SC e-mail: nemar@ccb. que representam a totalidade dos pais de alunos matriculados.88010. professor universitário Instituição: FURB – Universidade Regional de Blumenau Rua Antonio da Veiga.SC e-mail: talentto@terra. através de um único pensamento sistêmico com relação à educação ambiental é o fator primordial para um planeta com um futuro. em consideração pequenos detalhes./Mar.89010. Das 320 famílias questionadas.br Resumo Atualmente. somente. Através da pesquisa percebe-se que a integração escola- Revista ANGRAD .970 – Blumenau . 1.

porém. The people know that they must use products that minimize the negative impact in the nature. finding that only who enters for the Greenpeace or WWF is that will be helping. achando que somente quem entra para o Greenpeace ou WWF é que estará ajudando. Palavras-chave: Educação ambiental. em geral. As pessoas. como conseqüência da sua procura incessante pela evolução. Grande parte destas mesmas pessoas./Fev. que devem reciclar o lixo e reutilizar o papel da impressora. through an only sistêmico thought with relation to the ambient education is the primordial factor for a planet with a future. integration school-university 1.V. in set with the knowledge management for creation of value for the subject. This work intends to demonstrate of that it is possible the people to be more conscientious with regard to conservation of the nature. However. sem se aperceber de que as pequenas mudanças do dia-a-dia são as mais importantes. 1. The study it takes for base an institution of education in Blumenau. um modo de vida que inclua o conjun- 10 Revista ANGRAD ./Mar. diante da dificuldade de criar naturalmente uma forma de ação coerente. 2006 . Jan. Introdução No cotidiano das pessoas. N. who represent the totality of the parents of registered pupils. não leva em consideração pequenos detalhes.Through the research it is perceived that the integration schooluniversity must occur.The integration of the educational system. Key-words: ambient education. binding the primary and secondary school with the university. Of the 320 questioned families. o respeito pela natureza é mais uma atenção a algumas normas explicitadas pela propaganda e pelo senso-comum do que exatamente por aquilo que deveria ser feito para auxiliar a continuidade do planeta. porque se repetem milhares de vezes. sabem que devem usar produtos que minimizam o impacto negativo na natureza. that they must recycle the garbage and reuse the paper of the printer. Nas últimas décadas. 69% had answered. but is probable that the results are better the more early will have contact with the subject of adequate form and if to learn to respect the nature in correct way. 7.Edson Roberto Scharf e Eduardo José Floriano-Sierra universidade deve ocorrer em conjunto com a gestão do conhecimento para criação de valor para o tema. they do not take in consideration small details. integração escola-universidade Abstract Currently. Os problemas ambientais estão entre os vários que o homem criou. the respect for the nature is plus an attention to the norms explanationed for the advertising of that by what it would have to be made to assist the planet.

as distribuições geográficas das populações são determinadas pelos habitats ecologicamente adequados. A integração das escolas primária e secundária com a universidade. O estudo toma por base uma instituição de ensino em Blumenau. pelo governo (1ª. As conseqüências desta fragmentação de habitat tornam importantes os efeitos de movimentos individuais e da estrutura do habitat sobre a dinâmica populacional.. Através da pesquisa é possível perceber que a maioria tem consciência dos danos que o consumo não consciente traz. mas é provável que os resultados sejam melhores quanto mais cedo se tiver contato com o assunto de forma adequada e se aprender a respeitar a natureza de maneira correta e sem xenofobias. nas salas de aula e nas conversas em meios mais intelectualizados.a fragmentação de habitat coloca os organismos mais próximos às bordas do habitat adequado.A Gestão do Conhecimento na Educação Ambiental: a Integração das Escolas Primária e Secundária com a Universidade para um Futuro Melhor to das pessoas e atenda às necessidades humanas. reunião ocorreu em Estocolmo. a questão ambiental passou a ser tratada oficialmente. “. Jan. Ainda de acordo com Ricklefs (2003). Este trabalho pretende demonstrar de que é possível às pessoas serem mais conscientes com relação à conservação da natureza. única empresa da região a ganhar duas vezes a medalha de ouro em premiação ecológica./Mar. o Colégio Shalom. e extra-oficialmente. no sentido do ensino de educação ambiental pode minimizar impactos negativos que as pessoas fazem ao planeta. A presença ou ausência de habitats adequados freqüentemente determina a extensão da distribuição de uma população.1. 61% responderam.V. É a Gestão do Conhecimento criando corpo. É o pensamento. E sempre envolvido com aquilo que se pensa. mas muitos crêem mais na força da propaganda do que na argumentação dos seus filhos. 2. Educação Ambiental Tema cada vez mais recorrente nos noticiários. a consciência e a ação das pessoas que pode mudar o quadro atual no ambiente em que se vive. se percebe. Podem-se obter resultados mais facilmente quando as crianças e os jovens estão envolvidos e comprometidos com a idéia.” Revista ANGRAD .. a proteção à natureza e o reconhecimento das fraquezas humanas relacionadas a um convívio ideal tem se tornado para muitos uma obsessão. 1972). se entende. 7. O mesmo autor argumenta de que. N. Desenvolvimento 2. Das 320 famílias questionadas./Fev. nessa questão.” Isto se torna muito importante quando se entende que a distribuição de uma população é a sua abrangência geográfica. “. 1.. pelas ONGs. 2006 11 . que representam a totalidade dos pais de alunos matriculados.. embora outros fatores possam ter influência.

” Não há pensamento aludindo sobre quanto o progresso é necessário ou se será possível gastar menos água no banho de hoje à noite.Edson Roberto Scharf e Eduardo José Floriano-Sierra Assim sendo.No meu país. ao dizer “. 2006 . a preocupação. 7. formarem uma base firme para os assuntos relacionados à natureza.. Ou seja. a possibilidade de as crianças entenderem as reais importâncias da natureza são bem maiores.” 12 Revista ANGRAD . veiculado no mundo inteiro em canais fechados. e conclui o pensamento com base nele. há o depoimento de um aluno de 10 anos. o aprendizado de todos os assuntos que dizem respeito ao trato e a preservação da natureza são fundamentais. aqui. O que cada um faz dentro dela depende somente de cada um. de 05. Jan.. que ilustra bem a discussão./Mar. o Diário Catarinense trouxe matéria de Ana Paulo Cardoso (Alunos Têm Aula Prática em Rio. não aquilo que diz.2. uma base. onde todos os elementos que o compõem estão disponíveis em quantidade determinada. quando fala sobre a importância de não destruir as florestas: “Vi que Criciúma tem poucas áreas preservadas e que é preciso manter o ar puro. mas sim um fundamento. apenas a percepção de que é preciso preservar. Compramos e jogamos fora. Isso.V. visto que seus valores são outros.. Tal qual a mensagem do comercial publicitário da ONG OneEarth. Fernando Back. 32. temos medo de perder nossas riquezas. 2. o que vocês fazem nos faz chorar à noite. Na matéria. 1. não quer dizer apenas importante. medo de compartilhá-las. que em determinada altura do seu discurso diz “. Por favor. p. quando a capacidade de discernimento é menor. N. ele deve levar para a sua vida. também./Fev. de 12 anos.Vocês.” Traz. em especial. nos dizem que vocês nos amam.. durante a Eco92. É um aprendizado prático que o fará perceber que as pequenas atitudes podem ser capazes de grandes alterações positivas no mundo. mas. a Terra é uma nave com muitos tripulantes. Ao invés de discutir geografia e ciências em sala de aula.. geramos tanto desperdício. foram conferir de perto os problemas ambientais do município. vamos ter problemas também com os rios. façam suas ações refletirem suas palavras. a transição é mais bem aceita. E a palavra fundamental. Bem. deve ser iniciado ainda em tenra idade. Somente o Sol (energia) vem de fora do sistema. Outro fato memorável foi o discurso da menina canadense Severn Suzuki.06. Mesmo quando temos mais do que o suficiente. no Rio de Janeiro. E os. Ao chegar na universidade. num projeto desenvolvido em parceria com acadêmicos da Universidade do Extremo-Sul Catarinense. como áreas degradadas pelo carvão ou dejetos jogados nos rios. uma fala em que cita o ensinamento paterno. O cotidiano mostra a realidade Recentemente.2005) referindo-se a cerca de 120 alunos de duas escolas de Criciúma que analisaram os recursos hídricos da bacia hidrográfica do rio Criciúma. em compensação. Eu desafio vocês. adultos. Se as matas forem destruídas. o cuidado e..Meu pai sempre diz:Você é aquilo que faz. O planeta em que se vive caracteriza-se por ser semi-aberto.

só o que é ‘recurso’ merece ser preservado. Dahl (1996) diz que os problemas são atribuídos não ao princípio abstrato. com o título de Teoria da Transformação Cultural. O que Revista ANGRAD .. em que cada um tem a liberdade de comprar e vender e os preços podem encontrar o seu próprio nível baseado na procura e oferta. É sabido.. Jan. sem pressão e sem falsos conceitos.” Uma economia baseada no mercado. “. 7. e que isto é mais uma questão cultural.” A informação de que a Terra é o nosso bem mais precioso deve ser repassada às crianças. Montibeller (2004) argumenta que o ser humano não tem instruções genéticas quanto ao consumo de energia e materiais.. refletindo um modo de vida. Desenvolvimento sustentável O conceito de desenvolvimento sustentável. que as pessoas não conseguiriam viver sem o uso de tecnologias. N./Mar. É uma ação contundente. se refere ao uso indiscriminado das riquezas naturais ou do prejuízo que podem fazer a ela. porém. É o tipo de razão que pode dar sentido ao sentimento. que contempla o equilíbrio entre os aspectos econômico-financeiro. 2006 13 ..A Gestão do Conhecimento na Educação Ambiental: a Integração das Escolas Primária e Secundária com a Universidade para um Futuro Melhor São palavras que trazem ensinamentos simples.. de modo que entendam a importância de tomarem pequenas ações no dia-a-dia que podem fazer uma grande diferença para a vida de todos os seres. E os efeitos dessa visão de mundo sobre tal conceito foram profundos: a natureza deixou de ser um todo vivo e tornou-se um conjunto de recursos (instrumentos para se atingir um fim). E defende dizendo que “. por sua utilidade (imediata ou potencial). o conceito de natureza não é natural. no meio de milhares de ações que são tomadas contra a natureza. “Os poderosos são tentados a manipular a situação para seu maior proveito”. ambiental e social. vai sendo incorporado à sua vida pouco a pouco. É comum atribuir-se à tecnologia. que normalmente são içados ao posto de vilões do meio ambiente e o grande entrave para conseguir-se um desenvolvimento sustentável. Dessa forma.dentro do pensamento dominante.o consumo exossomático define-se em função do modo de produção e consumo e das relações e valores sociais que se estabelecem. em particular. na visão da autora. É neste sentido que ele é cultural. 2. Especialmente com relação a tecnologia e a produção..3.se aprendemos alguma coisa através da história do desenvolvimento econômico. é que a cultura é a principal geradora de suas diferenças. é basicamente um mecanismo eficiente. mas um produto histórico. mas à sua aplicação. porém poderosos.V. porém.” Landes (1998) comunga com esta idéia ao raciocinar que “. é válido buscar a teoria proposta por Eisler (1989). 1. ainda que seja apenas uma./Fev. a causa dos problemas ambientais. Conforme afirma Brügger (1998). Obviamente. Essa é a essência da ética conservacionista: a instrumentalização e a reificação da natureza.

E é essa ênfase tecnológica.. de uma nova maneira. subjetividades./Fev. mais conscientes.. que trouxe grandes modificações não só na estrutura social. ambientes internos e externos.Acostumamo-nos a pensar as coisas separadamente: indivíduos. O projeto de educação ambiental para um futuro melhor O Colégio Shalom. A integração escolas primária e secundária com a universidade carece de um trabalho com este foco. são resultados de processos mentais. caso de muitas dos engenhosos produtos e programas desenvolvidos pelo homem. juntamente com a equipe de professores e funcionários. aplicando os conceitos de gestão do conhecimento para criação de valor junto à comunidade em geral e aos pais dos alunos. essas separações perdem sentido.5. tecnologias destinadas a destruir e dominar. especificamente. Jan.4. de acordo com a autora. sociedades. natural se imaginar que a comunidade em que está inserida essa criança.Edson Roberto Scharf e Eduardo José Floriano-Sierra se torna conveniente discutir é o uso que se dá à tecnologia.a tecnologias que sustentam e elevam a vida para as tecnologias simbolizadas para a lâmina. por sua vez.V. “. Considerando toda a extensão da evolução cultural do ponto de vista da sua teoria. economias.. sensações. N. Pensando dessa mesma forma. 1. O projeto é que os alunos. mas também na tecnologia. mas quando se aprofundam as reflexões. É na maneira como se vêem as coisas e não em como se fazem. grupos.Senão como explicar onde ficam as fronteiras que separam o ambiente interno (de nossas percepções sensoriais de sentimentos e intuições) do ambiente externo (do espaço físico e fábricas dos locais de residência e trabalho)?” 2. “. na figura do seu atual diretor. 7. Foi a mudança na ênfase dada “. cheguem à universidade e à vida adulta vendo o planeta e as ações praticadas por eles mesmos. prof.. que hoje ameaça toda a vida no planeta. se para a vida ou para a morte... Eisler (1989) afirma que se verá que as raízes das atuais crises globais remontam à mudança fundamental na pré-história. raciocínios. em vez da tecnologia por si só. opiniões. Consumo consciente: questão de consciência Novamente.” 2. chega-se a um ponto único: é na cabeça das pessoas que o meio ambiente pode alterar seu curso. intuições. Mendonça (2005) diz que os impactos ambientais são problemas decorrentes de relações sociais e estas./Mar. 2006 . Essa tem sido a ênfase tecnológica ao longo de grande parte da história registrada. iniciou o processo de ensino de disciplinas de ecologia nas salas de aula. agora com amplos 14 Revista ANGRAD . no longo caminho para a compreensão do mundo em que se vive. João Batista Cardoso de Aguiar.” Há o convívio consciente com essas separações. Como cada aluno do Colégio Shalom pode ser um agente multiplicador do que aprendeu sobre ecologia e suas ações podem ser inspiradoras de outras ações de outras pessoas.

resíduos sólidos. Todos foram envolvidos e a importância desse tempo foi traduzida em dois momentos: um./Fev. vários álbuns de germinação (feijão e outros). determinaram. as metas do programa. brincadeiras com papel e idas a supermercados. para que pudessem agir e monitorar de forma mais constante e correta todos os passos do programa. a educação ambiental./Mar. esgotamento sanitário. demonstrando interesse e tornando-se. Dentre as ações feitas com as crianças. otimização do consumo de água. separadas historicamente em ‘ciências humanas’. Essas medalhas de ouro vieram confirmar o esforço feito por todos os envolvidos. N. como mostra a forte identificação com poluição. na maioria das estratégias educacionais. 1. Brügger (1998) tece um comentário interessante a este respeito.V. tende a se influenciar por ela e tomar cuidados que talvez até então não tivesse. Aos alunos. matéria-prima. A equipe do Colégio Shalom. otimização do consumo de energia elétrica. em conjunto. por exemplo. a saber: educação ambiental. com a participação maciça dos alunos.. foi dispensado um tempo realmente grande para essa conscientização. decorrente do diálogo insuficiente entre as áreas do conhecimento. poluição sonora e visual. o ‘meio ambiente’ fique limitado a seus aspectos naturais e técnicos. Também. ‘ciências naturais’ e ‘ciências exatas’ e ainda pulverizadas em disciplinas. O projeto do Colégio Shalom. os trabalhos feitos com hortas orgânicas e jardinagem obtiveram efeitos excelentes. como peças de teatro com fantoches. palestras para pais e crianças sobre a pirâmide alimentar. quando diz que . ainda sem a participação dos alunos. O outro foi a formação dos alunos como cidadãos zelosos do planeta. Há um empobrecimento conceitual. peças em caixote de papelão imitando televisão. extinção e outros temas ecológicos.. A educação alimentar para a promoção da saúde.A Gestão do Conhecimento na Educação Ambiental: a Integração das Escolas Primária e Secundária com a Universidade para um Futuro Melhor conceitos sobre respeito à natureza. denominado SGA – Sistema de Gestão Ambiental foi vencedor por dois anos consecutivos do prêmio de Gestão Ambiental instituído pelo órgão FAEMA. atentos às suas responsabilidades como pessoa da comunidade e multiplicadoras do esforço de conscientização. ele fez uma apresentação e avaliação de diversas áreas. a conquista das medalhas de ouro instituídas pela FAEMA às empresas que se destacam em atividades de gestão ambiental. 7. paisagismo e horta orgânica. Revista ANGRAD . Os alunos deveriam aprender as inter-relações entre solo. A idéia básica era mudar os hábitos alimentares das crianças. foi um dos temas que teve ampla participação e resultados práticos. Jan. plantas microorganismos e saúde.esse modo de pensar faz com que. iniciou seus encontros no formato de reuniões para que todos os envolvidos tivessem o mesmo vocabulário e pensasse de forma dirigida aos objetivos. Para isso. 2006 15 . Na sua implantação. visando o melhor aproveitamento do que a natureza tem a oferecer em termos de alimentação. alguma delas surtiram especial efeito. Este trabalho foca uma das áreas.

a integração fácil entre a escola e a universidade traga resultados valiosos para a sociedade. não se restringindo a vê-los separadamente. por exemplo. a partir disto./Fev. Esse modo de pensar é conhecido por método cartesiano. visto que adolescentes já têm muitos outros interesses. faz necessário entender o que pode estar por trás das ações e possíveis reações de alunos. considerando os prêmios recebidos. pais e comunidade. como uma resposta do Renascimento à Idade Média. Segundo Mariotti (2000) o modelo mental linear consolidou-se na Grécia clássica e ampliou-se tempos depois. É provável que. A ecologia. ao demonstrarem seu agrado com as técnicas aplicadas pelas professoras.referindo-se ao excesso de importância dada a tecnologia e às coisas materiais. E isto traz um retorno também para as séries superiores. teve um resultado ótimo. através do ensino teatral.. inclusive por elas próprias. pois inclui o conhecimento das relações entre os seres vivos. também nessas fases. O trabalho lúdico feito com as crianças. a Gestão do Conhecimento. a dimensão humana deve regressar ao seu lugar central no nosso conceito de sociedade (. 2006 . Afinal..). através do reconhecimento da importância do capital humano no funcionamento de todos os sistemas sociais. Os resultados foram excelentes.. O pensamento como modelador da educação ambiental A cultura ocidental adota predominantemente o pensamento linear em contraponto aos pensamentos sistêmico e complexo. amigos e vizinhos... essa conquista e posterior divulgação foi um motivo de orgulho e certeza de tê-los num espaço adequado para o aprendizado e para a formação de cidadãos equilibrados e respeitosos. “. além da escola.” O predomínio deste modelo foi se expandindo e tem perdurado na cultura ocidental. 2. considerado fundamental por todos os envolvidos. Temos exposta. das brincadeiras dirigidas e das aulas práticas em campo.Edson Roberto Scharf e Eduardo José Floriano-Sierra naturalmente. Como bem afirmou Dahl (1996). N. E ao adotá-la como linha-mestra. por exemplo. a gestão do conhecimento só é possível com seres pensantes alimentando o processo.6. 7. 16 Revista ANGRAD ./Mar. Jan. considerando o exemplo estudado. é uma ciência sistêmica.Foi no Renascimento que se firmou o uso da razão aristotélica e da argumentação lógica como balizadores do nosso sistema de raciocínio. 1. incluindo estudos do solo. aí. época em que tudo era visto em termos de dogmas e teologias. multiplicadores do conceito de preservação e respeito à natureza junto aos seus familiares. O simples fato de as crianças estarem fazendo os trabalhos (apresentados em cartazes periodicamente) já criava um clima de boa vontade para que os adolescentes também “vestissem a camisa”. água. Já o modelo mental sistêmico relaciona os componentes de um sistema.. Para os pais dos alunos.V. A competição predatória é própria do sistema mental linear.

Com uma leitura distanciada e desapegada.. dos fluxos de influência entre os diferentes componentes de um sistema. é usado.V. Ele é vista de fora. Novamente neste ponto.analisemos nosso próprio pensamento. Revista ANGRAD .. uma vez que fazem parte da realidade. 1. Considerando o tema e a proposição deste trabalho. animais etc. o linear. Quando for ineficiente. pede com que o usuário decida sobre as estruturas de pensamento que deseja utilizar. entende as coisas como um todo.. A prioridade é a compreensão dos fenômenos. a importância de processos bem realizados de educação ambiental. Jan. 7. de valoração do meio.”. E complementa dizendo que . Ao contrário. vê as relações entre as partes. por exemplo. cuja dinâmica se dirige a um objetivo comum. Conforme Mariotti (2000).o modelo mental proposto pelo pensamento complexo aceita e procura entender as constantes mudanças do mundo e não nega a multiplicidade. 2006 17 . assim como todas as redes de relações entre eles. a diversidade. vê as partes como componentes de uma organização.A Gestão do Conhecimento na Educação Ambiental: a Integração das Escolas Primária e Secundária com a Universidade para um Futuro Melhor plantas. O modelo mental complexo. portanto. vê-se que se vive freqüentemente situações que não fazem sentido para nós. Um dos autores que mais importância dá ao pensamento complexo (MORIN. para que estas gerações vindouras consigam ser melhores do que as atuais na relação com a natureza. de aumento da consciência quanto ao consumo e do entendimento do que vem a ser crescimento sustentável. Ao comparar com o sistema de pensamento que. das relações. Conforme a introdução deste trabalho preconizou quanto ao meio. 2000) propõe que “. pois temos sido muito apegados à estrutura de pensamento na qual fomos educados. inclui todos os elementos que os compõem. Qualquer alteração em uma das partes refletirá na totalidade. O estudo dos ecossistemas. O pensamento sistêmico. O pensamento complexo propõe que se utilize o pensamento linear quando ele for mais eficaz. N. ressalta a importância de aprendermos a conviver com elas. As sociedades modernas estão em processo de mudança cada vez mais rápida. a aleatoriedade e a incerteza. sistema é um conjunto de dois ou mais componentes inter-relacionados e interdependentes.. Está ocorrendo um crescente distanciamento da natureza. é possível que o pensamento complexo seja o mais adequado a ser adotado pelo colégio Shalom. pode-se aprender com a experiência. dependendo da compreensão do problema. Conseqüentemente. normalmente. adequando-as às necessidades de cada situação./Mar./Fev. que se utilize o sistêmico. o que favorece um modo de vida que supõe a idéia de que não se pertencer à natureza. também o sistema de pensamento complexo entende de que pequenas ações podem levar a grandes resultados. os impactos ambientais gerados pelos seres humanos revelam que não são avaliados tão graves. no entanto.

sustentável./Mar.5% diminuiu a compra de enlatados. crescimento e sustentabilidade. 69% obtiveram resposta.. 3. obtiveram-se respostas diversas como: 14. 12. forçando blocos regionais a avançar isoladamente. Nessa questão.5% reduziu o consumo de salgadinhos e quase 5% diminuiu o consumo de bolachas recheadas. Apresentação dos dados/evidências Foi aplicado um questionário com perguntas fechadas e abertas. a expressão desenvolvimento sustentável. 7. tem-se que 85% dos pais responderam que os filhos comentam sobre o que aprendem de educação ambiental em casa. 1..V. em que os pais indicaram quais produtos eles diminuíram o consumo. Os demais produtos.. contudo. desinfetantes. em princípio. Dos 320 questionários enviados. alimentícios. que no crescimento a mudança é quantitativa. a partir das conversas com os filhos. detergentes. chocolates ou balas obtiveram em média de 1 a 2% das respostas.” Continuam o raciocínio. água e energia. sem o envolvimento do pensamento integral dos envolvidos. N. é difícil conciliar as duas coisas.onde a comunidade internacional falhou em agir.ninguém duvida de que o crescimento é um fator muito importante para o desenvolvimento./Fev. Realmente. “. 8. mas não são a mesma coisa. a partir das conversas com os filhos. “. tem o risco de se tornar uma expressão nula.. Jan. Os dois estão intimamente ligados. 2006 . sendo um excelente índice de devolução dos mesmos. com preenchimento feito pelos pais de alunos matriculados. dizendo que a pouca vontade política para implementar a regulamentação internacional e iniciativas voluntárias tímidas. Nesse sentido.Edson Roberto Scharf e Eduardo José Floriano-Sierra Levando em consideração essas explanações.” Veiga (2005) acrescenta que .. Por meio das respostas da Q2 – Diminuição do consumo de industrializados. criando uma desvantagem competitiva para os países que buscam maior valor agregado aos seus produtos e menor legado tóxico para o ambiente. alguns pais não responderam porque não adotaram o consumo consciente.5% diminuiu a compra de refrigerantes.fazem com que a arena internacional continue sendo bastante desigual.. somente com ações isoladas. Não se deve esquecer. foram obtidos os resultados a seguir detalhados: Sobre a Q1 – Importância dos comentários e conversas dos filhos sobre o que aprendem de educação ambiental no colégio. condimentos. por definição. enquanto no desenvolvimento ela é qualitativa. pois a maneira de vida das pessoas hoje não é. Furtado e Furtado (2001) afirmam que a questão da sustentabilidade deve ter sido a maior vítima do processo de globalização. Com relação à coleta dos dados. como sacolas plásticas. 18 Revista ANGRAD .

o esforço do colégio pode gerar essa ação”. Muito fortes. não tem representatividade. Além disso./Mar. 2006 19 .V. 37% dos respondentes disseram que percebem estar conscientes no dia-a-dia sobre a importância da educação ambiental e 38% afirmaram já ser conscientes antes mesmo das conversas com os filhos./Fev. 1. que continuam agindo como antes das conversas com os filhos. o que vai ao encontro do que aprendem na escola. Essas explicações dadas por quem optou pelo não. como namorado ou conhecidos. Na última questão a Q5 – Acredita que o esforço do colégio Shalom no ensino de educação ambiental conseguirá alterar a consciência das pessoas. Como exemplo. Para quase 21% dos entrevistados. no entanto são as defesas do Não. Já 17% afirmam contatar vizinhos e. sustentabilidade ou consumo consciente. 12% dizem contatar colegas de trabalho. entender e praticar o que o filho comenta. Jan. aproximadamente. É sabido que muitas crianças preferem brincar a estar no colégio e os pais. Na Q4 – Há conversas ou dá exemplos a outras pessoas do seu círculo. mas no dia-a-dia não conseguem aplicar o que aprenderam. está diretamente dando importância a ida dos filhos à escola. em algum momento essas ações desencadeadas voltam às crianças. O restante das respostas. percebem que estão um pouco mais conscientes. é importante entender que os filhos podem ser os grandes motivadores de uma ação nessa direção. 5% dizem que na escola os alunos aprendem. talvez haja reações positivas em direção a minimizar a compra de produtos industrializados. como pais cônscios das suas responsabilidades e como educadores. o que confirma a exatidão das respostas. mas quase 5% afirmaram que não. enquanto 22% dizem contatar ou dar exemplos a amigos. Revista ANGRAD . que o esforço do colégio não consegue alterar a consciência das pessoas quanto ao consumo consciente e que podem ser múltiplas. Embora a consciência ecológica possa ser estimulada por vários meios. pois se os filhos comentam com os pais sobre o aprendizado de temas ambientais. 2. Quando perguntado na Q3 – Percepção da consciência sobre assuntos relacionados ao meio ambiente. O compartilhamento das informações é uma forma legítima e definitiva de fazer outras pessoas entenderem da importância da educação ambiental. ou seja. 7. concordam com algumas das respostas da Q3. ao dar atenção. foi praticamente unânime o “sim. também eles têm que dar o exemplo. 36% dos respondentes afirmaram que têm contato sobre o assunto educação ambiental com familiares.5% dos respondentes disseram que os alunos não estão preparados para convencer outras pessoas e a mesma quantidade de respostas explicou que os esforços de propaganda são muito mais fortes do que o esforço feito pela escola. principalmente como forma de valorizar o ato de estudar. N. Como uma espiral. os pais percebem que se os filhos estão dando importância ao tema.A Gestão do Conhecimento na Educação Ambiental: a Integração das Escolas Primária e Secundária com a Universidade para um Futuro Melhor Uma questão pode ser complementar à outra. conservação. aproximadamente.

com alunos sabedores da sua importância no sistema ambiental global e tomando frente na tomada de medidas para proteção à natureza. conhecimento e valores. Mendonça (2005) corrobora com esse pensamento ao dizer de que “. em sua origem.e com isso impregnado de escolhas e significados políticos. capacidades. Educar. N. Como têm liberdade de pensar. como multiplicadores. ações como a do colégio Shalom são importantes. amigos. vizinhos. Os resultados vieram: primeiro. Portanto. Esse fora (da condução e do emergir) é o ambiente.se quisermos desenvolver uma relação harmônica com a vida. assim. sociais e outros. . 2006 . é a chave para a transmissão de informação e. Assim. estéticos. É preciso refletir e analisar com distanciamento sobre a vida que se leva. normalmente coincidente com o início das responsabilidades da idade adulta. Conclusão e propostas O Colégio Shalom buscou a excelência no ensino da educação ambiental aos seus alunos. com um objetivo final claro de melhoria de algo ou alguma coisa. éticos. “fazer emergir”. encontra-se o “conduzir para fora”. Deve-se lembrar que. Conforme sugere Brügger (1998).para reverter ou amenizar esse processo de ruptura com o entorno é preciso. os alunos deveriam ter a oportunidade de usar suas capacidades e potencial através do uso no ambiente. incluindo os processos formais e informais pelos quais a pessoa adquire linguagem. culturais. Depois. A sociedade é constituída de um conjunto de pessoas. resgatar a ligação com a fonte da vida./Mar. Neste sentido./Fev. na origem da palavra educação. A Gestão do Conhecimento se encontra neste momento: a criação de valor para um ou mais conhecimentos adquiridos. Jan. 7.. é só o primeiro passo do processo. cônscios de suas responsabilidades enquanto ocupantes deste planeta e preparando-os para a entrada na universidade. internamente. portanto. porém.” 20 Revista ANGRAD . nem sempre ligados diretamente.. tentando fazê-los cidadãos mais completos.Edson Roberto Scharf e Eduardo José Floriano-Sierra 4. o meio ambiente será percebido como uma construção e uma possibilidade histórica . já contém em si o componente ambiental.V. Dahl (1996) afirma que a educação. 1. elas podem induzir o desenvolvimento que desejarem. devemos cuidar de questões profundas em cada indivíduo. Só assim.. desde cedo. Quanto mais tempo se estiver recebendo informações e insights desse teor. ir além das visões reificadas no tempo e no espaço e empobrecidas ética e politicamente. sobrevivência e renovação de qualquer ecossistema. no latim. através do repasse do conhecimento aos pais.. pois evocam sentimentos mais profundos nos alunos. para o funcionamento. conhecidos e demais pessoas. maior a probabilidade de se agir como tal. o termo educação. Uma vez dotados de conhecimento necessário e motivados por um conjunto de valores e crenças.

que o modelo complexo de pensamento mostra-se como mais equilibrado. mais produtos). inclusive moda./Mar. ao mesmo tempo. vê-se que a prioridade não é a manutenção do planeta. de novos produtos de categorias antes desconhecidas e de novos modos de vida (e com eles. Parece. N. É sabido que a Terra.o automatismo concordo-discordo é típico da orientação da lógica da cultura do patriarcado. consiga seu intento maior. a relevância da Gestão do Conhecimento. Não há dúvida. Se este trabalho tem a intenção de enfocar a importância da educação ambiental como fortalecedora de resultados positivos ao ambiente através dos alunos diretamente e dos pais. O argumento ad hominem está na gênese dos preconceitos e continuará existindo e predominando enquanto durar a hegemonia desse sistema de pensamento. Jan. dadas as características do modelo. no entanto.. 1. numa cultura competitiva e reativa como a nossa. E essa relevância mostra-se mais contundente quanto mais se aproxima de um modelo de pensamento complexo. Mesmo assim. realmente. Com efeito. a reforma dos banheiros com instalação de torneiras de pressão. conhecidos e comunidade. lixeiras sinalizadas. criação de várias hortas orgânicas. estão a medalha de ouro da FAEMA. construção de um espaço para coleta seletiva de lixo. com base na Gestão do Conhecimento. gostar dos outros e confiar neles não é nada fácil. pode criar restrições à adoção de uma cultura de desenvolvimento consciente quanto ao meio ambiente. inclusive professores./Fev. Mariotti (2000) exprime o modelo linear com precisão. a reutilização de resíduos em diversas atividades.. que o maior resultado foi o conhecimento como estado de consciência coletiva para o respeito à natureza por parte dos alunos e estes como multiplicadores da educação ambiental. indiretamente. grande parte das pessoas. é importante entender que o mesmo pensamento pode ser entendido de formas diferentes por diferentes pessoas. Infelizmente. seguem algumas idéias: Revista ANGRAD . o pensamento é a chave para o sucesso de um programa de educação ambiental. não se pode iludir quanto aos resultados. 7. 2006 21 . Como propostas do trabalho para o colégio Shalom. a natureza são recursos esgotáveis. futura implantação de mini-usina de lixo. amigos. Essa informação não parece estar presente nas ações quando se definem prioridades e necessidades em relação à vida no mundo. a separação de resíduos. Mais uma vez. Daí.V. Ao se olhar a quantidade crescente de shopping centers. que faz da desconfiança uma reação automática. ao dizer que . reutilização de papel e reutilização de resíduos na confecção de painéis artísticos.A Gestão do Conhecimento na Educação Ambiental: a Integração das Escolas Primária e Secundária com a Universidade para um Futuro Melhor Entre os resultados altamente positivos alcançados com o SGA – Sistema de Gestão Ambiental do colégio Shalom. de forma que ele. que é o preparo das pessoas nas escolas primária e secundária para o desafio da universidade e da vida. portanto. adota fielmente o modelo linear. O que.

Palas Athena. 2003 (5ª... G. DAHL. ed. Riane. para que ambos os setores percebam a importância dos trabalhos de consciência ambiental. 1996. MORIN. São Paulo: Ed. Jan. como forma de conscientização de outras pessoas. 1998. L. Terra Pátria. Florianópolis: Ed. Elements of Ecology. 2006 . Edgar e KERN. RITA. Referências BRÜGGER. DIÁRIO CATARINENSE. Conservar e Criar./Fev. Robert E. PINTO-COELHO. MONTIBELLER-Filho. O Cálice e a Espada. Política e Solidariedade. 1998. LANDES. Desenvolvimento Sustentável – O Desafio do Século XXI. 2005. 1954. Comércio e Meio Ambiente.V. c) que o colégio Shalom incorpore um modelo de pensamento complexo no seu cotidiano de aulas. RICKLEFS. 2000. Visões Estreitas na Educação Ambiental.24 (141). 2000 MENDONÇA. EISLER. A Economia da Natureza. Imago. P. CENTRO INTERNACIONAL DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL (org. vol. David S. 1. d) que o colégio Shalom tenha um plano de divulgação dos resultados e das ações implantadas. da UFSC. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. José Eli.). a possibilidade dos alunos reverterem o ensinamento em prática é muito maior. Assim. São Paulo: Fundação Getúlio Vargas. Gilberto. São Paulo: ed.) VEIGA. 2004. O Mito do Desenvolvimento Sustentável. Rio de Janeiro: Ed. Humberto. Campus. New York: John Wiley and Sons. 22 Revista ANGRAD . CLARKE. Informe comercial de junho/ julho de 2005.Edson Roberto Scharf e Eduardo José Floriano-Sierra a) que o colégio Shalom realize pesquisa periódica com a totalidade dos pais sobre as práticas dos filhos quanto ao que é aprendido em sala de aula e sobre a possível influência nos pais e comunidade. A Riqueza e a Pobreza das Nações. 2001. Ricardo Motta. SenacSP. Educação Ambiental se Aprende. 2005. Porto Alegre: Artes Médicas. 7. Fundamentos em Ecologia. Ciência Hoje. Lisboa: Instituto Piaget. b) que o colégio Shalom faça interações constantes com as universidades ao seu entorno. Anne Brigitte. Porto Alegre: Sulina. As Paixões do Ego: Complexidade. MARIOTTI. N./Mar. O Princípio Ecológico: Ecologia e Economia em Simbiose. Rio de Janeiro: Ed.1998. Arthur Lyon. Rio de Janeiro: Garamond Universitária. 2000.

latino-americano e brasileiro. dessa forma. 7. contribuindo com empresas que desejem operar via internet. os dados coletados são secundários. Como resultados.ufrgs./Fev. utilizando a pesquisa survey como estratégia de pesquisa. A base de dados foi composta por 515 artigos publicados em congressos realizados em território norte-americano.V.br Resumo A internet e o comércio eletrônico.Comércio Eletrônico: Tendências e Necessidades de Pesquisa Mauricio Gregianin Testa Doutorando em Administração – PPGA/EA/UFRGS Professor da FACE/PUCRS Endereço: Rua Washington Luís. O objetivo deste artigo é identificar os diversos componentes do que se conhece genericamente como comércio eletrônico (CE) ou e-business. 1. N. 855 – sala 309 90010-460 – Porto Alegre e-mail: hf@ea. estão se tornando uma alternativa estratégica. no sentido de auxiliar pesquisado- Revista ANGRAD .net Henrique Freitas Doutor em Gestão Professor e Pesquisador do PPGA/EA/UFRGS Endereço: Rua Washington Luís. Ipiranga. mais do que modismos./Mar. é preciso pesquisar o tema. 855 – sala 309 90010-460 – Porto Alegre e-mail: mgtesta@ea.br Edimara Mezzomo Luciano Doutora em Administração Professora da FACE/PUCRS Endereço: Av. Jan. A técnica de coleta de dados é a análise de documentos e. dos anos de 1997 a 2001.ufrgs. 2006 23 . Assim. A análise de dados ocorreu através de análise de conteúdo a partir do resumo de cada artigo. A pesquisa é exploratória. traçando um panorama do estado da arte das publicações de CE e necessidades de pesquisa. 6681 – Prédio 50 – Bairro Partenon 90619-900 – Porto Alegre/RS e-mail: emluciano@via-rs. identificaram-se temas e tendências.

1. from the summary of each article. Introdução As empresas hoje são mais complexas. Abstract The Internet and electronic commerce are becoming a strategic alternative.The research is exploratory. The technique to data collection was documents analysis. contributing with companies that want to work by Internet. from 1997 to 2001. diretamente afetadas pelas mudanças da chamada sociedade da informação. 2006 . identified subjects and trends. proporcionando ganhos significativos de produtividade. Essa nova realidade provoca uma reorganização intensa em todos os setores. cada vez mais. Jan. tracing a state of art overview of e-commerce publication and necessities of research. a internet é a Tecnologia da Informação que mais tem se sobressaído. A economia globalizada impõe desafios às organizações tradicionais. As result.The data base was composed by 515 articles published in North-American.V. o meio empresarial está mais dinâmico e competitivo e. 24 Revista ANGRAD . 2004). que precisam adaptar-se aos novos tempos. reinventando processos./Mar. BURN e SALAZAR.TORKZADEH e DHILLON. Edimara Mezzomo Luciano e Henrique Freitas res a fazerem pesquisas que possam vir a suprir as necessidades das organizações que pretendem comprar e vender eletronicamente. pelo seu impacto na condução de negócios e como um novo e rentável canal para o desenvolvimento de relações de trocas.Mauricio Gregianin Testa. in direction to assisting researchers to make researches that might come to supply the necessities of organizations that want to buy and sell electronically./Fev. Key-words: Electronic commerce. 2004). provendo amplo acesso a serviços. Internet. The objective of this article is to identify the diverse components which everyone knows generically as electronic commerce (e-commerce) and e-business. informações e recursos (CHANG. Palavras-chave: Comércio eletrônico. 1. The data analysis has occurred through content analysis. Internet. 7. passa a fazer parte do passado o cenário de um mundo estável. inovadoras e com alta capacidade de resposta às necessidades do ambiente. using a survey as strategy. Segundo Choi e Whinston. Seu uso tem o potencial de revolucionar a forma de operação das organizações. reduzindo os custos operacionais e a eliminação de funções que não agregam valor (TURBAN e outros. LatinAmerican and Brazilian congresses. 2004). it’s necessary to develop researches on the subject. Nos últimos anos. sendo dinâmicas. gerando modificações profundas nas organizações (HACKNEY. N. Thus.

o delineamento de um novo modelo de negócios. os diversos componentes do que se conhece genericamente como comércio eletrônico. Nesse contexto. p. “a regra em TI agora é o crescimento de projetos ambiciosos em comércio eletrônico. p. (1999. aplicações. povos e culturas. verificando diferenças de enfoques Revista ANGRAD . 1.Framework de impactos sociais da TI nas organizações Fonte: TURBAN et al. 19).V. sendo isto uma oportunidade reconhecida por estrategistas”./Fev. Jan. Figura 1 . 7.Comércio Eletrônico: Tendências e Necessidades de Pesquisa (2000. A organização deve deixar de olhar apenas para os seus processos e passar a enxergar a si própria dentro de um contexto com diferentes atores. p. processos. parceiros e clientes como parte essencial do negócio. salientando os temas já pesquisados em congressos científicos. as organizações podem definir critérios de atuação em um ambiente competitivo onde “o mais rápido é melhor que o maior” (FORGE. que inclui fornecedores. 1993. além de interações entre pessoas.20) Devido à velocidade de crescimento e por trazer novas formas de comunicação. revisão de soluções que envolvam pessoal interno e externo. a internet muda a forma de conceber e realizar negócios nas organizações. 493). Operar via internet exige a reestruturação da empresa em diversos aspectos: infraestrutura tecnológica. de forma exploratória. 2006 25 . Com ela. o presente artigo tem como objetivo identificar. A figura 1 mostra a inter-relação entre a TI e os vários componentes da organização. permitindo. N./Mar.

Desta forma. inaugurando uma nova era no mundo dos negócios. com a criação dos fundos eletrônicos de transferência (EFT). Por trás da aparentemente simples mudança na forma de comprar.. melhoria na infra-estrutura telefônica e de redes. o item 3 expõe o método da pesquisa. enquanto o item 4 relata os resultados obtidos e o item 5 contém algumas considerações finais./Mar. N. O primórdios do comércio eletrônico datam da década de 70 do século XX nos Estados Unidos. necessidades de pesquisa. vários avanços tecnológicos iniciam: barateamento do hardware e software.. formas de consumo. Na seqüência deste documento. há modificações na economia. sem números expressivos e restrito a operações entre empresas. pode-se fornecer subsídios para averiguar se o que está sendo pesquisado academicamente é útil às organizações. temas. na organização da indústria. Esse cenário possibilitou o surgimento do comércio eletrônico como se conhece hoje. desenvolvimento de softwares de navegação mais intuitivos. parceiros e fornecedores. 1997. 2000). pois o comércio eletrônico não significa apenas mais uma forma de vender e comprar (FREITAS e outros. no entanto.1. Até aí. já atingindo cifras bastante significativas. popularização da internet. Ainda que o crescimento do comércio eletrônico esteja acelerado. 2. 2. Edimara Mezzomo Luciano e Henrique Freitas e./Fev. Independente disto. ainda. se tem relação com a prática e com os temas que emergem do dia-a-dia. buscando o rigor. o comércio eletrônico está revitalizando as necessidades e o valor inovador dos processos de 26 Revista ANGRAD . p. Jan. as empresas devem repensar a forma de operar os seus negócios. para com isso. porém. 2006 . restritos a empresas de grande porte. sabe-se que há desafios tecnológicos. surgiu o intercâmbio eletrônico de documentos (EDI). 2001). vender pela internet tornou-se quase um imperativo em alguns segmentos. empregos. Na metade da década de 80. caminhar na direção das necessidades da sociedade” (FREITAS. A mudança é tão grande que é possível dizer que “o mundo está em meio a uma revolução na forma de fazer comércio” (KALAKOTA e WHINSTON. 1. na legislação. Comércio eletrônico: aspectos envolvidos. Na década de 90. 28). 2000). é o chamado comércio eletrônico pré-internet (AMOR. desenvolvimento de protocolos e especificação de padrões. também utilizado por empresas de porte médio. principalmente a instituições financeiras. Eles eram.Mauricio Gregianin Testa. Dessa forma. 7. também. como as livrarias e lojas de cd’s. aplicações e desafios O comércio eletrônico (CE) está provocando mudanças intensas na organização das empresas e na relação das empresas com seus clientes. de relacionamento e de criação de valor. o item 2 aborda a base teórica do estudo proposto. “.V. de estruturação de processos e estratégicos. Aspectos envolvidos em operações de comércio eletrônico Atualmente.

por isso propõe uma definição mais ampla: comércio eletrônico se refere a usar meios eletrônicos e tecnologias para conduzir o comércio. Choi e Whinston (2000) observam que a tecnologia está transformando muitos aspectos dos modelos de negócios e atividades do mercado. porém. de acordo com diferentes perspectivas: • comunicação: é entrega de informação. por meio da aplicação intensa das tecnologias de comunicação e de informação. Na definição de Zwass (1996). Jan. redes de computadores ou outros meios. Nesse sentido. 2000. novos negócios e novos paradigmas de marketing (FRUHLING e SIAU. produtos.Comércio Eletrônico: Tendências e Necessidades de Pesquisa negócio está abrindo novas formas de relações entre as empresas e capacitará novos mercados. Essa visão. 2006 27 . p.V. atendendo aos objetivos do negócio. o CE pode ser definido sob várias formas. seus parceiros ou clientes. organizações. incluindo interações dentro da empresa. Uma definição mais simplista poderia dizer que comércio eletrônico é troca de bens e serviços por pagamento na internet. Dessa forma. com enfoque e profundidade diferentes. serviços ou pagamentos via linha telefônica. 4). entre empresas e da empresa com consumidores. comércio eletrônico é a realização de toda a cadeia de valor dos processos de negócio em um ambiente eletrônico. • processos de negócios: é a aplicação de tecnologia na direção de automação de transações de negócios e fluxos de trabalho. p. Já Rayport e Jaworski (2001. 1. ao mesmo tempo em que se aumenta a qualidade e a velocidade de entrega. • serviços: é a ferramenta que permite cortar custos./Fev. 7. comércio eletrônico inclui qualquer atividade comercial que ocorra diretamente entre uma empresa. comércio eletrônico é o compartilhamento de informações do negócio. 2001). • on-line: permite capacidade de compra e venda de produtos e informação na Internet e outros serviços on-line. Para Albertin (2000). 3). por meio de uma combinação de tecnologia de computação e comunicação (TREPPER. Há várias definições para comércio eletrônico. 2000). não leva em consideração as vantagens competitivas resultantes da associação dos participantes das cadeias de abastecimento e de valor (as pessoas envolvidas no fluxo de mercadorias. dinheiro e informações necessários para levar os produtos de matéria-prima até as mãos do consumidor). Para Kalakota e Robinson (2002). agilizar processos de negócios e aperfeiçoar o relacionamento tanto com os parceiros de negócios quanto com os clientes (FRANCO. serviços. Revista ANGRAD . N. é uma ferramenta que permite reduzir os custos administrativos e o tempo do ciclo fabricar-vender-comprar. propõem uma definição contemporânea de CE: “trocas mediadas em tecnologia entre partes (indivíduos. ou ambos) bem como baseadas eletronicamente em atividades intra ou inter-organizacionais que facilitam tal troca”./Mar. manutenção de relações de negócios e condução de transações por meio de redes de telecomunicação.

De fato. nunca com débitos inapropriados) e a autenticação (certeza de que realmente a operação foi feita com segurança). b) e-security: a segurança nas transações via web está muito próxima aos sistemas de pagamento. uma transação via web requer: confidencialidade (as informações só devem ser utilizadas para o que o cliente autorizou. criação de credibilidade e qualificação e usado para substituir vendas representativas via serviço arranjo e gestão de pós-venda (MIREE. as empresas podem usar o comércio eletrônico como uma parte de sua estratégia de vendas business-to-business (B2B) ou para complementar métodos de venda existentes. Turban e outros. 1. 7. p. bem como algumas potencialidades e desafios de operar através de comércio eletrônico.Ainda aquém às expectativas. encriptação (criptografia de mensagens entre comprador e vendedor. 2001). ainda há carência de métodos convenientes (que evitem o uso do telefone ou cheques). comércio eletrônico pode ser usado para aumentar o processo de prospecção. 2000). ou seja. integridade (a quantia deve ser a combinada. Temas relacionados ao comércio eletrônico O comércio eletrônico faz uso de diversas terminologias. 38). utilizadas para descrever diferentes aplicações e camadas. A criptografia pode ser com chave pública (é a mesma para criptografar e 28 Revista ANGRAD . para efetivar uma compra.V./Mar. são abordados temas necessários ao funcionamento do comércio eletrônico e algumas áreas de aplicação. (2004) citam como requisitos a uma compra segura: autenticação (verifica a identidade do comprador antes do pagamento ser autorizado). a meta é desenvolver conjuntos de métodos de pagamento que possam ser utilizados pelas pessoas e que sejam mais confiáveis às instituições bancárias (CUNNINGHAM. que correspondem aos aspectos mais relevantes do comércio eletrônico. é preciso elucidar algumas das terminologias principais.2. Jan. 2. Edimara Mezzomo Luciano e Henrique Freitas O conceito de comércio eletrônico nos aporta diferentes percepções das suas potencialidades. Dessa forma. de segurança (quem paga com cartão precisa saber mais detalhes sobre sua compra) e carência de cobertura (nem todas as pessoas possuem cartão de crédito e estes não suportam todos os tipos de compra). que permite o intercâmbio de dinheiro entre compradores e vendedores. tais como: a) e-payment: é a parte financeira das transações de CE. só descriptografa com um código chave autorizado) e a integridade (assegura que as informações não serão acidentalmente ou maliciosamente alteradas durante a transmissão). Para a compreensão da abrangência desse universo. indo da infra-estrutura de rede até a estrutura comum de negócios e serviços. fazer a compra). padronização e segurança. A seguir. 2006 . além de políticas públicas de utilização. Para Amor (2000. N.Mauricio Gregianin Testa. Segundo Rayport e Jaworski (2001)./Fev. técnicas e gerenciais.

propriedade intelectual (é quase impossível evitar cópias desautorizadas na internet). que. É preciso considerar onde o produto está.Comércio Eletrônico: Tendências e Necessidades de Pesquisa descriptografar) ou com chave privada (duas chaves. qual é a demanda./Mar. esses aspectos não estarem previstos em lei. Apesar de. interagir mais profundamente e customizar os produtos e serviços oferecidos a esses clientes. liberdade de expressão (que possibilita. mas ainda existem erros nas estratégias de empresas. muitas vezes. no transporte rodoviário e aéreo. através da identificação do que este valoriza. AMOR. a qual precisa ser adequada ao tipo de produto comercializado e ao público-alvo. a sazonalidade. cada cliente de forma unificada. uma pública e uma privada) e a assinatura digital (feita por uma empresa certificadora). enfim. pretende-se com o CRM. por exemplo. 2001). entre outras variáveis. 2004. muitas empresas tinham constantes atrasos na entrega dos produtos. quanto tempo leva até o consumidor. Portanto. privacidade (em relação às informações coletadas numa transação eletrônica). Muitos projetos de comércio eletrônico têm fracassado por problemas de logística. 1. Há alguns anos atrás. entre outros (TURBAN e outros. e) e-CRM: o comércio eletrônico demanda mudanças radicais no processo de marketing. Junto a isso. muitas vezes. As possibilidades nessa área são imensas.V. N. pessoalmente na loja). Jan. implementação e controle. fazer com que o cliente perceba ‘a empresa’ em cada atendimento. 7. serviços e respectivas informações desde a origem até o ponto de consumo (FRANCO. Esse desafio é mais acentuado no Brasil devido às suas dimensões. telefone. Esses aspectos envolvem problemas de taxação (como a colisão entre taxas de países diferentes). c) e-SCM (supply chain management): quando o comércio eletrônico começou a se sobressair no Brasil. costumes e mercados diferentes e baseado. Revista ANGRAD . é preciso um processo de planejamento. quase que exclusivamente. direitos do consumidor (como no caso de fraudes em vendas realizadas por empresas no exterior). 2006 29 . d) e-taxas e aspectos legais: há uma grande indefinição e muitas dúvidas em relação a aspectos legais e éticos no comércio eletrônico. de um eficiente e efetivo fluxo e armazenamento de produtos. mala-direta. o que acabou criando uma consciência da necessidade de uma eficiente gestão da cadeia de suprimentos. 1997)./Fev. para então diferenciar o atendimento. as empresas iniciavam as suas atividades no comércio eletrônico preocupadas em como atrair clientes e vender pela internet e menos em como entregar nos prazos acordados com custos competitivos. mesmo que através de meios de comunicação e interação diferentes (e-mail. a divulgação de idéias nazistas ou a promoção da pornografia). certamente existem um problema ético envolvido. 2000). reduzem sua atuação ao envio de e-mails ou a publicação de páginas institucionais na internet (KALAKOTA e WHINSTON. quais os canais de distribuição. O CRM – customer relationship management propõe atender o cliente. chegar a um atendimento maior das necessidades de cada cliente.

Figura 2 . 2001). Reparo e Operações). 2000).3. 2000).Desintermediação e reintermediação pelo comércio eletrônico Fonte: TURBAN e outros (2004) 30 Revista ANGRAD . e-learning. 7. pois apesar desses itens estarem listados adjacentemente na literatura. tais como material de escritório e de informática. Jan. as vantagens são a ampliação da carteira de clientes. N. copa. 1. e-auctioning). A separação em dois itens foi proposital. serão abordadas outras terminologias referentes a comércio eletrônico (outros ‘e’). 2006 . e-banking. Iniciando a desintermediação de vendas pelos produtos MRO. Os benefícios para os compradores são a agilidade e dinamismo das compras. tendo uma intermediação eletrônica do portal de e-procurement (SCHUTZ. com o refinamento das técnicas e estruturas de venda pela internet. maior exposição através da internet.V. a venda ocorre direto do fabricante ao consumidor. serviços de manutenção (AMOR. vender era a única experiência em comércio eletrônico (AMOR./Mar. redução de custos na administração de vendas (RAYPORT e JAWORSKI. aprimorada. os chamados bens MRO (Manutenção. 2002). 2. Com a desintermediação. Edimara Mezzomo Luciano e Henrique Freitas A seguir. Aos poucos. redução expressiva de custos. a ação de vender foi sendo refinada. A figura 2 ilustra este processo. Aplicações de comércio eletrônico No início da utilização da internet para fins comerciais. menos burocracia. as empresas podem testar a integração de seus dados com os das empresas conveniadas para a compra./Fev. decisões de compra mais rápidas (FRANCO. que representam diferentes aplicações dentro do comércio eletrônico: a) e-procurement: é a automação da compra de bens e serviços não-produtivos. podendo então partir para compra de outros produtos. 2001). eles representam elementos ou ações diferentes dentro do comércio eletrônico. FREITAS e LUCIANO. e-gambling. Para os vendedores. dando origem a diversos termos (e-procurement.Mauricio Gregianin Testa.

1999). os lances são limitados a um certo número de pessoas. mas podendo ser acessado e utilizado por pessoas de qualquer país (FRANCO. 2001). o e-procurement é uma espécie de leilão reverso entre empresas previamente cadastradas. e-trade (compra eletrônica de ações). N. armazenando o site em um país que autoriza o jogo. p. os leilões tornaram-se mais acessíveis. na sua operacionalização e na sua estratégia competitiva (RAMOS e COSTA. A atratividade do e-banking é que o cliente não necessita um software específico para acessar a sua conta bancária. com apostas reais em dinheiro (cartão de crédito ou débito).Comércio Eletrônico: Tendências e Necessidades de Pesquisa Dessa forma. entre outras (AMOR. uma série de operações em suas contas bancárias. Movidos pelo ambiente digital ou por força dos concorrentes. tem muitos fornecedores.V. d) e-auctioning: os leilões ganharam uma nova dimensão na internet. FRANCO. Nos leilões tradicionais. 26). a qualquer hora do dia. Através do e-auctioning. 2001). além da necessidade do deslocamento físico até o local onde se realiza o leilão. alto custo de processamento de pedidos e alta carga administrativa dos profissionais de compras. 2000. já há diversos portais privados de e-procurement (BcomB. pois reúnem participantes de um único setor (madeira. b) e-banking: “o e-banking é um dos mais bem sucedidos negócios on-line” (AMOR. e-drugs (farmácias on-line). que possam voltar a ele rapidamente quando sentir necessidade. traz comodidade e agilidade. Segundo Amor (2000. 2001). enfim. para os bancos. uma redução de custos considerável. 1.) e portais de grandes empresas (Cisco. 2000). 2006 31 . 25). que possibilita que os clientes de um banco façam. montadoras de automóveis) que criaram portais de e-procurement. contínuo (CUNNINGHAM. papel. como o edirectories (catálogos eletrônicos). O e-procurement é ideal para organizações que sofrem de longos ciclos de requisição. e-engineering (desenvolvimento colaborativo de projetos). o e-gambling é um dos negócios mais rentáveis da internet. automotivo. Além das citadas acima. c) e-gambling: refere-se aos cassinos eletrônicos. a) e-learning: é também conhecido como educação a distância através da internet. e que estas possam ‘acessar’ este conhecimento de qualquer lugar. O e-banking tem crescido intensamente pois é extremamente vantajoso ao cliente e também ao banco: ao cliente. o setor bancário é um dos mais afetados pela nova realidade do comércio eletrônico e essa situação tem exigido um grande esforço para a assimilação e utilização da tecnologia referente a comércio eletrônico. à distância. os chamados portais verticais. mais democráticas e mais rápidos (AMOR. 7. O objetivo do e-learning é fazer com que o conhecimento chegue a um grande número de pessoas. que seja algo constante. e-franchising (franquias eletrônicas)./Mar./Fev. há ainda outras categorias de menor expressão. Revista ANGRAD . Jan. construção civil). Webb etc. que agiliza e barateia o processo de aquisição de bens. 2000. p. A grande astúcia do e-gambling é contornar a ilegalidade do jogo em alguns países. No Brasil. basta um computador conectado à internet e um browser.

4. Para as organizações. os indivíduos e a sociedade (TURBAN e outros. e-auctioning. 2.Mauricio Gregianin Testa. Jan. 2001): • possibilita a expansão do mercado de regional para nacional e internacional. a variedade de possibilidades. essas se referem a ações diferentes dentro de um ambiente de e-business. • proporciona novas maneiras de gerenciar a cadeia de suprimentos e de valor. AFUAH e TUCCI. legislação./Fev. 2004. 7. os benefícios são (TURBAN e outros. armazenamento e recuperação de bens baseados na informação. TREPPER. e-CRM). a natureza interativa. Edimara Mezzomo Luciano e Henrique Freitas Conforme citado anteriormente. • automatiza o fluxo de negócios e de informações na empresa. Potencialidades. mesmo existindo diversas categorias e terminologias relacionadas ao que é eletrônico. uma empresa pode facilmente obter mais clientes e melhores fornecedores e parceiros de negócios. taxas. vantagens e desafios A natureza global da tecnologia. eprocurement.V.Relação entre as áreas de comércio eletrônico A figura acima mostra a diferença entre as categorias de aplicação (e-commerce./Mar. e-learning. o baixo custo. e-banking. ao mesmo tempo em que aumenta a qualidade do gerenciamento da relação. Figura 3 . e-security. conforme evidenciado na figura 3. N. 2000. as inúmeras oportunidades para alcançar centenas de milhares de pessoas. processamento. • com baixo investimento de capital. • proporciona a redução de custos na prestação de serviços ao cliente. distribuição. e-gambling) e as categorias fundamentais ao funcionamento das demais (e-payment. 1999). 1. • possibilita reunir parceiros de negócios em um meio operacional uniforme. 2006 . 32 Revista ANGRAD . • redução de custos para criação. reforçada pelo rápido crescimento das infra-estruturas de suporte (especialmente a web) resultam em muitos benefícios potenciais para as organizações. e-SCM.

Também. Para a sociedade. 2004. possibilita novas parcerias. AFUAH e TUCCI. • fornece mais opções de escolha aos clientes. • facilita a competição. 1999) apontou que 48% das pessoas não possuem cartão de crédito. N. • em alguns casos. melhora a produtividade. • logística: a entrega precisa ser rápida e por um custo compatível. em um país de grandes dimensões. 2000. • contribuição para diminuir as diferenças entre países e culturas. podem ser elencados os seguintes benefícios (TURBAN e outros. mais produtos de mais vendedores. reduz o tempo para atividades. 2006 33 . • melhora a imagem e os serviços ao cliente. Jan.não foi muito significativa). • facilidade para a disponibilização de produtos e serviços por pequenas empresas ou por empresas isoladas geograficamente. • segurança: não há muita tranqüilidade em comprar utilizando o cartão de crédito. o retrato brasileiro não deve ser muito diferente. • facilita a interação com outros consumidores. facilita o acesso a informação. 2004. tem entrega rápida e os consumidores podem receber informações relevante e detalhada em segundos. TREPPER. 2000. o comércio eletrônico traz os seguintes benefícios (TURBAN e outros. de qualquer lugar do mundo. simplifica processos. AFUAH &TUCCI. o comércio eletrônico ainda tem em seu entorno diversos desafios. 2000). Revista ANGRAD . Apesar dos benefícios. embora a fraude possa ocorrer de muitas outras formas além da interceptação de uma compra eletrônica (LAUDON e LAUDON./Mar. entre eles: • privacidade: como compatibilizar e manter a privacidade que o usuário espera com a qualidade de atendimento e o targeting que a internet pode permitir ainda é um desafio. 7 dias por semana. resultando em preços menores para o consumidor. 7. Embora este dado não possa ser generalizado para todo o país (a amostra – de 1200 pessoas . elimina papéis. • democratização do acesso a serviços públicos. conciliando estoque zero com entrega imediata • pagamentos: uma pesquisa feita em outubro e novembro de 1999 (Fonte: Pesquisa Jupiter/Ibope. formando comunidades eletrônicas para trocar idéias e experiências. há dificuldade do produtor/fornecedor gerenciar sua cadeia de suprimentos e distribuição. Para os consumidores. como produtos digitais. costumes e mercados diferentes. • tem baixo custo de comunicação. TREPPER. precariedade de diversos modos de transporte. reduz custos de transporte e aumenta a flexibilidade.V. 2001): • maior igualdade de acesso à informação e ao conhecimento. 2001): • possibilita que clientes possam comprar ou fazer outras transações 24 horas por dia. 1./Fev.Comércio Eletrônico: Tendências e Necessidades de Pesquisa • menores custos para implementar produtos ou serviços que propiciem grande vanta- gem competitiva.

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• entrega dos produtos: ainda não há confiança de que os produtos vão chegar em bom estado de conservação e, caso isto não ocorra, que a troca ou devolução possa ser feita sem muita ‘dor de cabeça’; • a integração dos sistemas de comércio eletrônico com os aplicativos e bancos de dados existentes também é um desafio de dimensões desafiadoras; • a infra-estrutura de telecomunicações ainda precisa melhorar, para que o acesso à internet seja mais rápido (AMOR, 2000). Os benefícios e os riscos citados podem variar de intensidade, se ao invés da empresa atuar no comércio eletrônico tradicional de bens físicos, ela optar por comercializar produtos virtuais (LUCIANO e FREITAS, 2003).

3. Método de pesquisa
Este estudo explora um conjunto de dados secundários (artigos de congressos científicos, abordando o tema comércio eletrônico), o qual permitiu organizar uma base de dados qualitativos, com base nos quais se fez uso de técnicas de análise léxica e de análise de conteúdo para produzir sumarizações que permitissem evidenciar temas, tendências e mesmo necessidades de estudo. Os artigos selecionados são de renomados congressos nacionais e internacionais, exclusivamente sobre comércio eletrônico (por exemplo, artigos sobre internet não fizeram parte do escopo desta pesquisa), identificando título, sessão em que foram apresentados e as palavras-chave, para a partir disto identificar qual o tema abordado. Foram analisados 515 artigos, dos seguintes congressos: os norte-americanos AMCIS e ICIS, os europeus ECIS e BLED, o latino-americano CLADEA e o brasileiro ENANPAD, dos anos de 1997 a 2001. A tabela 1 lista o número de artigos por ano em cada um dos congressos. Tabela 1 – Número de artigos por ano e congresso
Revista/A no
AIS/AMCIS BLED ECIS ICIS ENANPAD CLADEA Total

1997
26 26 1 1 2 0 56

1998
41 24 6 2 2 0 75

1999
36 47 3 2 3 3 94

2000
79 17 5 6 3 4 114

2001
76 41 33 17 5 4 176

Total
258 155 48 28 15 11 515

Fonte: Dados do estudo

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Comércio Eletrônico: Tendências e Necessidades de Pesquisa

Ao analisar cada um dos artigos, buscou-se identificar até cinco palavras-chave. Nos artigos que não citavam as palavras chave, a identificação das mesmas foi feita pelo título, por uma leitura nos subtítulos e chamadas no decorrer do artigo. O crescimento de publicações pode ser observado, de 56 artigos em 1997 para 176 artigos em 2001.Também, é possível observar na tabela 1 que os congressos americanos e europeus tem uma quantidade maior de papers do que o latino-americano e o brasileiro, bem como iniciaram mais cedo a publicação de artigos sobre comércio eletrônico. Mesmo assim, pode-se dizer que a produção na área já adquiriu uma certa constância, mesmo nos congressos com menor quantidade de publicações.

4. Resultados: o que já foi publicado sobre comércio eletrônico?
Ao analisar as palavras-chave de cada um dos artigos selecionados, foram emergindo categorias ou temas, nos quais estes foram classificados. Havia um conjunto inicial de categorias, que foi sendo aprimorado e mesmo ampliado no decorrer da análise. A fim de reduzir a subjetividade dessa etapa, essa classificação foi feita através da técnica de teste-reteste (FREITAS e JANISSEK, 2000), ou seja, houve uma primeira classificação e, após um certo intervalo de tempo, foi feita uma segunda classificação. Os resultados das duas etapas foram confrontados, chegando então ao conjunto final de temas ou categorias. Foram identificados 37 temas, conforme ilustrado na tabela 2, a seguir. Conforme pode ser visto no na tabela 2, os artigos ainda são bastante genéricos, não se atendo a aspectos mais específicos, de forma que uma grande quantidade de trabalhos foi classificada como sendo apenas sobre “e-commerce”, “e-business”, “internet/WWW” e “emarkets”. Em contrapartida, outros assuntos mais específicos não estão sendo muito abordados nas publicações. Observando os temas pesquisados em diferentes anos, observa-se um crescimento de citações para: redes e comunicações, sistemas de informação, tecnologia da informação, lojas virtuais, tecnologias para CE, logística e distribuição, segurança, e-procurement e comportamento do consumidor. Também, houve um acréscimo de citações para planejamento/estratégia e dificuldade/riscos, que cresceram na mesma proporção. Houve um decréscimo de citações aos temas EDI e redefinição de processos.

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Tabela 2 – Temas e número de artigos em que são abordados
Temas
E-commerce Internet/WWW E-business E-markets Aplicação em um setor Redes/comunicação SI TI E-shopping E-publishing/CRM E-tecnologia B2B Organizações virtuais Logística/distribuição E DI E-payment Informação Case empresa

A rtigos
252 145 56 43 41 25 24 24 21 20 20 19 19 17 17 17 14 14

Temas
Investimentos Impacto Segurança E-mail Dificuldades/riscos Aspectos estratégicos B2C Redef. Processos Benefícios Conhecimento Comp. Consumidor E-procurement Supply chain Value chain Aspectos culturais Informação Pivacidade ERP

A rtigos
13 12 12 11 8 8 7 7 7 7 7 6 4 4 3 3 2 2

Total de observações: 515. Total de temas: 751 *

Fonte: Dados do estudo * O total de temas é maior do que o total de observações por se tratar de uma questão de resposta múltipla.

A fim de refinar a análise, uma nova avaliação dos artigos foi realizada, onde se realizou um agrupamento dos artigos, que foram classificados em 10 categorias, obtendo a classificação mostrada na tabela 3.

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Comércio Eletrônico: Tendências e Necessidades de Pesquisa Tabela 3 – Agrupamento dos temas citados Temas agrupados Comércio eletrônico (genérico) Infraestrutura tecnológica Aplicação em um setor Marketing/vendas Impacto (interno e externo) E-learning Privacidade/segurança/pagamentos Intermediação Estratégia Legislação/taxas TOTAL DE CITAÇÕES Citações 214 91 63 40 28 26 21 15 10 7 515 Fonte: Dados do estudo Pode-se observar que boa parte dos artigos publicados se refere a comércio eletrônico de uma maneira geral./Fev. 1. Figura 4 – Relação entre o Congresso e o Tema aaaaaaaaaaaaaa aaaaaaaaaaaaaa aaaaaaaaa aaaaaaaaa aaaaaaaaaaa aaaaaaaaaaa aaaaaaaa aaaaaaaa aaaaaaaaaaaa aaaaaaaaaaaa aaaa aaaa aaaa aaaaa a aaaaa aa a a aaaaaaaaaaa a aaaaaaaaaaa aaaaaaaaa a aaaaaaa a a aaaaaaa aa a a a aaaaaaaaaaaaa a aaaaaaaaaaaaa aaaaaaaaaaa a aa aa aaa aaa aaa Fonte: Dados do estudo Revista ANGRAD .V. Jan. faz-se necessário estudos mais específicos. o que de certa forma justifica os papers com enfoque mais genérico. 2006 37 . ainda se está no início do estudo do tema. por um lado. 7. a fim de relatar experiências vivenciadas. Se. Ao se fazer um cruzamento da variável congresso com o tema. A figura 4 demonstra esta relação. percebe-se a predominância de temas específicos em alguns congressos./Mar. a fim de acumular conhecimento acadêmico e prático na área. N.

Em relação ao local de origem do autor de cada paper. com exceção do CLADEA. surge o tema infra-estrutura. N. 1.V. Tabela 3 – Predominância dos temas em cada congresso Congresso AIS/AMCIS (258) Tema do artigo (os 3 mais citados) Comércio eletrônico (genérico) Infraestrutura tecnológica Marketing/vendas Comércio eletrônico (genérico) Aplicação em um setor Infraestrutura tecnológica Comércio eletrônico (genérico) Infraestrutura tecnológica Marketing/vendas Congresso ENANPAD (35) Tema do artigo (os 3 mais citados) Comércio eletrônico (genérico) Impacto (interno e externo) Marketing/vendas Comércio eletrônico (genérico) Aplicação em um setor Infraestrutura tecnológica Estratégia Comércio eletrônico (genérico) Infraestrutura tecnológica BLED (155) ICIS (28) ECIS (48) CLADEA (11) Fonte: Dados do estudo A pesquisa de questões gerais ao comércio eletrônico aparece em todos os congressos. seguidos pela América do Norte. ICIS). Os artigos abordando a ‘aplicação em um setor’ foram citados em todos os congressos. mas este congresso privilegiou artigos referentes a ‘estratégia’. BLED. 2006 . A tabela 4 mostra essa relação. Nos congressos europeus e no latino-americano.‘legislação e taxas’. O tema ‘privacidade/segurança/pagamentos’ só foi citado no AIS/AMCIS e BLED. 38 Revista ANGRAD . onde pode ser identificado um certo perfil de temas privilegiados nos diferentes congressos. nos congressos norte-americanos e europeus e menos citado no ENANPAD e CLADEA. Já o ítem ‘Infraestrutura tecnológica” foi mais citado no AIS/AMCIS. A Tabela 3 ilustra a predominância dos temas em cada congresso. tema este que nem foi abordado (ENANPAD e ECIS) ou foi pouco abordado (AIS/AMCIS. Jan. 7. Já o ‘impacto (interno e externo)’ surgiu em todos os congressos. O tema impacto é uma preocupação maior do congresso brasileiro. menos abordado no congresso brasileiro. com exceção do ECIS. Edimara Mezzomo Luciano e Henrique Freitas 4O item ‘comércio eletrônico (genérico)’ surgiu em bom número em todos os congressos. ou seja.Mauricio Gregianin Testa./Mar. assim como ‘intermediação’ só foi citada nos AIS/AMCIS. observa-se uma grande supremacia em relação à quantidade de publicações por parte dos países do continente europeu. BLED e ICIS. devido à escassez de recursos e particularidades culturais. ‘marketing/vendas’ só não foi citado no CLADEA. BLED e ECIS./Fev. provavelmente.

continentes historicamente menos favorecidos. necessitando de pesquisas científicas sobre temas específicos. pagar sem usar moeda em papel. tais como segurança (2. já aplicados nas organizações e comentados no meio empresarial. Ao mesmo tempo em que esta nova realidade é fascinante./Mar. Como fatores limitantes desta pesquisa. também.Comércio Eletrônico: Tendências e Necessidades de Pesquisa Tabela 4 – Continente de origem dos autores dos papers Local . Isso indica que o tema é de interesse global. 7. alterando processos. a internet pode ser acessada por novos meios. inaugurando uma nova era no mundo dos negócios. formas de gerenciamento e comunicação. A internet transformou a relação das empresas com seus clientes. 5.3% dos temas pesquisados nos artigos analisados). 2006 39 . como o comércio eletrônico é algo sem fronteiras. Ainda. Citações 266 135 50 41 21 1 1 515 Fonte: Dados do estudo Se por um lado. pois muito do que conhecíamos sobre comprar e vender pode ser alterado. receber em casa. em maior ou menor escala. desenvolver-se e. funções. Não há mais necessidade dos elementos clássicos para que ocorra uma venda: endereço físico. pode-se considerar o fato de que as publicações analisadas são até 2001. mesmo porque. tais como telefones celulares (com tecnologia WAP) e dispositivos hand held. relações e formas de realizar negócios. Considerações finais Estamos vivendo uma era sem igual no tocante a novas empresas. micropagamentos (3./Fev. vendedor. dinheiro. parceiros e fornecedores. entre outros.3% dos temas se referem a e-payment). Pode-se comprar sem sair de casa. Jan. o que poderia representar uma base de dados um pouco Revista ANGRAD . foram bem representados nos congressos. a área ainda é recente. De fato.V. N.1% dos temas). 1. melhorar a qualidade de vida. ela merece atenção.continente Europa América no Norte Oceania Asia América do Sul Africa América Central TOTAL CIT. por outro lado. em conseqüência. a Europa e a América do Norte lideram a quantidade de papers. ele pode auxiliar países do terceiro mundo a aumentar as suas exportações. e-procurement (1.

Tal postura refletiria na análise de temas essenciais com maior proporcionalidade. Acredita-se que esta pesquisa possa contribuir. (na maioria das vezes indisponíveis em web sites). o que torna compreensível a necessidade de um tempo razoável para a realização da pesquisa e a redação do artigo. bem como continuar a montagem da base de dados e a exploração da evolução dos temas. De acordo com a análise realizada. 1./Mar. a criação do banco de dados e a análise qualitativa dos resumos. Jan. tendo estes diferentes níveis de complexidade. Edimara Mezzomo Luciano e Henrique Freitas desatualizada. possíveis tendências. pretende-se tanto estudar os temas aqui indicados como lacunas. além da evolução dos temas ao longo dos anos. os dados parecem convergir para alguns temas: a diferença de enfoque e mesmo estrutura e planejamento das organizações que operam com business-tobusiness (B2B) ou business-to-consumer (B2C)./Fev. como forma de embasamento na escolha dos temas de pesquisa.Mauricio Gregianin Testa. buscando identificar os temas estudados. enfoques e mesmo necessidades de pesquisa. além de temas-chave. conforme mostrado na figura 5. ao fornecer aos pesquisadores o acesso a um mapeamento dos temas atuais e tendências de pesquisa. representa um esforço de pesquisa muito grande. 2006 . N.V. Como pesquisas futuras. ainda com teste/reteste. 7. Dada a complexidade de localização de todos os papers. novamente. no entanto. O presente artigo analisou publicações nacionais e internacionais sobre comércio eletrônico. um a um. Figura 5: Temas-chave em CE e sua convergência com B2B e B2C 40 Revista ANGRAD . evitando que temas já bastante pesquisados o sejam.

41. eletronicamente. Referências AFUAH. N. F. Tendo em vista essa realidade ainda pouco conhecida. Simon. onde os clientes são em número bem menor e mais conhecidos por parte da empresa cliente./Fev. Gurpreet.Florianópolis: ANPAD. a fim de minimizar seu impacto e maximizar seus benefícios. Christopher. TORKZADEH. Anais. Florianópolis. p. uma que o comércio eletrônico altera processos. In: ENANPAD. São Paulo: Makron Books. 2001. 24.. A (r)evolução do e-business. Cambridge: Perseus Publishing. 9. B2B: How to build a profitable e-commerce strategy. 2001. como para que as organizações entendam quais são os seus pontos cruciais de atuação. Já a discussão sobre novas atribuições dos profissionais é igual para B2C e B2B. Allan. 2000. é meritório o desenvolvimento de novas pesquisas de cunho científico sobre temas que possam auxiliar as organizações a melhor planejar e gerir os seus negócios eletrônicos. A evolução do comércio eletrônico no mercado brasileiro. p. E-business – tecnologia da informação e negócios na internet. 2000. 2. quais são de maior. nov. FRANCO JR. pois operar. 1. AMOR.V. Revista ANGRAD . Alberto L.Andrew. o tema segurança é mais crítico para B2C. Information & Management. onde o cliente é desconhecido e em maior quantidade do que em B2B. 7. Soon-Yong. São Paulo: Atlas. Business models for the computer industry for the next decade. Jan. As organizações precisam repensar sua estrutura e diretrizes tecnológicas e os seus processos de negócio.WHINSTON. 2000. Michael. 6. Para acompanhar esse cenário complexo e em constante transformação.. New York: McGraw-Hill. CHANG. menor ou igual complexidade para a atuação em B2B (business to business) ou B2C (business to consumer). Futures. ALBERTIN.Comércio Eletrônico: Tendências e Necessidades de Pesquisa As setas indicam./Mar. Daniel. 577–584. Esta análise pode auxiliar tanto na definição de um melhor escopo de pesquisa. Internet business models and strategies. CHOI. CUNNINGHAM. v. Carlos. 25. The internet economy: technology and practice. 2006 41 . Austin: SmartEcon Publishing. é preciso compreendê-lo em todos os seus aspectos. 2001. DHILLON. 2004. 2000. v. jan. para cada um dos grandes temas de comércio eletrônico identificados através desta pesquisa. exige o pensar e repensar de diversos componentes de gestão de uma empresa. 1993. FORGE. n. n. rotinas e metodologias nas organizações que acabam por interferir nas atribuições profissionais de todas as operações voltadas a e-commerce. Jerry Cha-Jan. A título de exemplo. Reexamining the measurement models of success for Internet commerce. TUCCI. Gholamreza. 923-948.

885-890. Observando a prática de negócios na Internet: os casos do Submarino. SALAZAR.V. COSTA. Porto Alegre: Bookman. Análise léxica e Análise de conteúdo: técnicas complementares. 91-103. 13. 2001. FREITAS. 2000. TURBAN. Addison Wesley INC. Porto Alegre/RS. FRUHLING. Americas Conference on Information Systems. 1999. RAMOS. In. FREITAS. ZWASS. Efraim et al. 3-23. 7. anais em CD-ROM. n.: Anais do XXIII ENANPAD. Cynthia. International Journal of Electronic Commerce. B. LUCIANO. New York: McGraw-Hill. Paulo. Keng. 2000. Disponível em ibope. Porto Alegre/ RS: Sphinx. Henrique. 13. Bernard. New Jersey: PrenticeHall. Journal of Strategic Information Systems. 2006 .1358-1361.com e Lokau. 2002. Angel. 1997../Fev. Serviços bancários pela internet: uma proposta de avaliação integrada de competidores e clientes.br. Henrique. KALAKOTA. Ann. 1. Pesquisa Jupiter/Ibope. JANISSEK. E-commerce of virtual products: definition of a business model for the selling of software.com. 42 Revista ANGRAD . BURN. Jan. Understanding the role of e-commerce in sales strategy. p.WHINSTON. R.. Eletronic Commerce: a manager´s guide. 2000. Porto Alegre: Bookman. Strategies for value creation in electronic markets: towards a framework for managing evolutionary change. ROBINSON. JAWORSKI. Ray. 2004. Mirian. 1. Raquel.Mauricio Gregianin Testa.. JANISSEK.com. Electronic commerce: a managerial perspective. In. fall 1996. Edimara Mezzomo. Charles. LUCIANO. Henrique. HACKNEY. Fabrício. SIAU. Electronic Commerce Strategy – looking through the lenses of an innovation strategy model. ANPAD: Foz do Iguaçu.: Anais do XXV ENANPAD. Grenoble/França: Anais do VIII AIM – Association Information et management. 2002. RAYPORT. ANPAD: Campinas. v.br/read). 2000. Anatalia S. Rio de Janeiro: Campus. feb 2004 KALAKOTA.. In: CLADEA. Análise e seleção de uma solução de e-procurement para a empresa Innova S. Edimara Mezzomo. TREPPER. n. Edimara Mezzomo. Janice. Henrique. v. A. E-business – estratégias para alcançar o sucesso no mundo digital. Porto Alegre: Read (http://www. SCHULTZ. p. Americas Conference on Information Systems. FREITAS. Ephraim et al. M. 1. N.A.Vladimir. p.ufrgs. p. Editorial./Mar. Jeffrey.. Henrique. E-commerce. Edimara Mezzomo Luciano e Henrique Freitas FREITAS. n. TURBAN. 1. FREITAS. 1999. jan. R. maio de 2003. 2001. Tecnologia da Informação para Gestão.adm. As tendências em sistemas de informação com base em recentes congressos. OLIVEIRA. Estratégias de e-commerce. MIREE. seqüenciais e recorrentes para análise de dados qualitativos. 2000. Raquel. LUCIANO. M.

Identificação dos Fatores Críticos de Sucesso em Instituição de Ensino Superior

Romualdo Douglas Colauto Doutorando em Engenharia de Produção Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC Endereço: Rua Acelon Pacheco da Costa, 295 - Apto 308, A Itacorubi – CEP 88034-040 Florianópolis – Santa Catarina – Brasil Telefone: (048) 334-7570 - Fax: (048) 331-9539 e-mail: rdcolauto@terra.com.br Caio Marcio Gonçalves Mestrando em Engenharia de Produção Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC Rua das Baleias Francas, 166 Apto 201 Jurerê Internacional – CEP 88053-515 – Florianópolis – Santa Catarina – Brasil Telefone: (48) 2668705 e-mail: caio@eps.ufsc.br Ilse Maria Beuren Doutora em Contabilidade e Controladoria pela FEA/USP Professora do Curso de Pós-Graduação em Administração – CPGA/UFSC Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC CEP 88010-970 – Florianópolis – Santa Catarina Telefone: (048) 331-9996 e-mail: beuren@cse.ufsc.br

Resumo
O artigo tem por objetivo identificar os fatores críticos de sucesso na percepção dos gestores e dos clientes como suporte ao processo de gestão, em uma instituição de ensino superior. Assim, realizou-se uma pesquisa exploratória com abordagem predominantemente qualitativa, por meio de um estudo de caso centrado em uma instituição de ensino superior. Na coleta de dados optou-se pela técnica de entrevista semi-estruturada aplicada aos níveis estratégico, administrativo e pedagógico. Após, aplicou-se questionário fechado aos alunos do curso de administração de empresas em uma instituição de ensino superior na Grande Florianópolis do Estado de Santa Catarina. A pesquisa contribui para identificar os

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Romualdo Douglas Colauto, Caio Marcio Gonçalves e Ilse Maria Beuren

fatores críticos de sucesso em âmbitos institucional e de clientes com vistas a possibilitar o alinhamento entre o planejamento estratégico e as expectativas dos clientes. Palavras-chave: Fatores críticos de sucesso. Processo de gestão. Instituição de ensino superior.

Abstract
This article has the objective to identify the critical factors of success in the perception of the managers and the customers as supporting the management process, in an institution of graduation.Thus, It was realised an exploration research with predomination qualitative aspects, by a study of case centred in an institution of graduation. In the Collection of data It was opted to the technique of interview half- structuralized applied to the levels strategical, administrative and pedagogical. After, close questionnaire was applied to the students of the course of business administration in an institution of graduation in the great Florianópolis of the State of Santa Catarina. The research contributes to identify the critical factors of success and customer to achieve the possibility of alignment between the strategical planning and the expectations of the customers. Key-words: Critical factors of success. Process of management. Institution of graduation.

1. Considerações iniciais
A existência de incertezas no processo de gestão reflete-se no conjunto de diretrizes estratégicas que se precisam ser viabilizadas na consecução dos resultados planificados. Nessa perspectiva, as organizações deparam-se com dificuldades para se adaptarem ao cenário competitivo, o que implica, não raras vezes, submeterem sua gestão à mudanças abruptas. Com isso, pode haver alterações que afetam sensivelmente os sistemas de controle, implicando inclusive na necessidade de conceitos e técnicas que possibilitem o adequado controle das atividades. As ameaças de novos entrantes no mercado e a confluência de necessidades informacionais mostram que planejar as estratégias, anualmente, não é mais suficiente para definir as ações rumo à competitividade. No cerne do processo do conceito empresarial, encontra-se a capacidade de criar novas estratégias que gerem riquezas constantemente, uma vez que o mercado está se adequando à globalização e às tecnologias de informação, reduzindo-se o tempo disponível para a tomada de decisões (HAMMER, 2001). O monitoramento do ambiente externo (mercado, concorrentes, clientes) e do ambiente interno (processos, tecnologias, fornecedores e conhecimento humano) precisa ocorrer de forma direta e constante no suporte ao processo de tomada de decisões. A

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Identificação dos Fatores Críticos de Sucesso em Instituição de Ensino Superior

identificação dos fatores críticos de sucesso, como um processo sistemático para agregação de valor aos bens e serviços, busca coletar informações estratégicas para apoiar a tomada de decisão. Caracteriza-se como um importante meio de auxiliar na administração das organizações. Os fatores críticos de sucesso podem ser entendidos como elementos determinantes para o melhor desempenho, pois, se a organização os identifica e consegue incorporá-los ao planejamento estratégico e ao sistema de informações, passam a complementar as atividades de análise competitiva. Segundo Stollenwerk (2001), esses estão sendo cada vez mais utilizados na formulação da estratégia em organizações que atuam em ambientes de transformações. Considera-se que uma das contribuições dos fatores críticos de sucesso é subsidiar o planejamento de caráter estratégico, sendo que estas informações ganham importância quando alinhadas aos objetivos institucionais. Uma das formas de otimizar o processo de gestão das instituições de ensino superior é monitorar continuamente os fatores de sucesso na consecução de planos estratégicos, pedagógicos e administrativos. Isso significa disponibilizar informações preditivas que subsidiem o processo decisório para uma dada situação. A identificação dos fatores de sucesso permite que as organizações focalizem, estrategicamente, suas ações e monitorem, continuamente, o ambiente sócio-produtivo em que atuam. Assume-se como pressuposto que as constantes mudanças provocadas pela evolução tecnológica e pelo desenvolvimento social e econômico dos países desafiam as organizações na capacidade de respostas às demandas do macro-ambiente. Simultaneamente, as entidades necessitam saber quais fatores precisam ser considerados para maximizar suas potencialidades e minimizar as ameaças, com vistas a aumentar a probabilidade de sucesso e sua continuidade. A inteligência competitiva auxilia na sistematização de dados, análise sobre os concorrentes, identificação das competências essenciais e no monitoramento dos fatores críticos de sucesso, que paralelamente promovem reflexos diretos na sua performance. O ambiente da era da informação, tanto para as organizações do setor de produção quanto para o setor de serviços, exige novas capacidades para assegurar o sucesso competitivo. O impacto, não obstante, é ainda mais revolucionário para as prestadoras de serviços. A capacidade de mobilização e de exploração dos ativos intangíveis tornou-se ainda mais decisiva do que investir e gerenciar ativos físicos. Considera-se que os ativos intangíveis proporcionam às organizações a possibilidade de: a) relacionamentos que convergem à fidelidade dos clientes e permitem a criação de novos segmentos de clientes e áreas a serem atendidas; b) lançamento de produtos inovadores, customizados e com qualidade e preços atrativos e ciclos de produção mais curtos; c) mobilização das habilidades e motivação dos funcionários para melhoria contínua; e, d) utilização da tecnologia da informação, bancos de dados e sistemas de informações (KAPLAN e NORTON, 1997).

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e d) descobrir um novo tipo de enfoque sobre o assunto. De acordo com Ayres e outros (1999). p. o estudo exploratório tem por finalidade principal “desenvolver. os atores microambientais importantes. cabe aos gestores a identificação das ameaças e oportunidades associadas aos produtos. A identificação dos fatores críticos de sucesso na percepção dos gestores das instituições de ensino e na visão dos clientes auxilia na gestão universitária. canais de distribuição. Procedimentos metodológicos O delineamento da pesquisa caracteriza-se como estudo exploratório. Para cada tendência e desenvolvimento. as unidades de negócios devem estabelecer um sistema de informação para rastrear as tendências e desenvolvimento de bens e serviços. Explica que uma unidade de negócio precisa monitorar as forças macroambientais. como. redirecionar estratégias competitivas. como um processo de produtos de bens e serviços. Andrade (2002) elenca como finalidades substanciais: a) proporcionar maiores informações sobre o assunto que se vai investigar. tecnológicos. como os aspectos demográficos. nos níveis estratégico. não justificada de algum modo (antecipação. a inserção da universidade. A abordagem lógica dedutiva. a partir da qual se podem tirar conclusões por meio de dedução lógica. antes norteada apenas pelo enfoque acadêmico. legais. N. c) orientar a fixação dos objetivos e a formulação das hipóteses. De acordo com Tripodi. Explica que “essas conclusões são em seguida comparadas entre si e com outros enunciados pertinentes. fornecedores. pedagógico e administrativo. com abordagem lógica dedutiva. o artigo tem por objetivo identificar os fatores críticos de sucesso na percepção dos gestores e dos clientes./Mar. econômicos. a fim de fornecer hipóteses pesquisáveis para estudos posteriores”. concorrentes. concomitantemente. que afetam as habilidades das organizações em obter os resultados planejados. as definições de mercado de um negócio devem ser superiores às definições de produtos. não apenas. é um método para submeter uma idéia nova. em um modelo de gestão empresarial é premente para a diferenciação destas instituições no mercado. e ainda. 7. 2006 .33). hipótese. os consumidores. formulada conjecturalmente e. p. Caio Marcio Gonçalves e Ilse Maria Beuren Normalmente. sociais e culturais. sistema teórico ou algo análogo). Desse modo. e possibilita visualizar os principais focos de atuação dessas instituições para. de modo a descobrir-se que 46 Revista ANGRAD . Um negócio precisa ser visto como um processo de satisfação do consumidor e. políticos. ainda. por exemplo. esclarecer e modificar conceitos e idéias. em uma instituição de ensino superior. b) facilitar a delimitação do tema de pesquisa. segundo Popper (1972. Jan.64). 1. utilizando-se de fontes secundárias. Ao se referir à pesquisa exploratória. Nessa perspectiva.Romualdo Douglas Colauto. 2. Fellin e Meyer (1981./Fev. De acordo com Kotler (1998). como suporte ao processo de gestão. as organizações definem seus negócios em termos de produtos. por meio do monitoramento dos fatores críticos de sucesso do setor em que atuam.V.

ou não. referente primeira. Revista ANGRAD . terceira.Identificação dos Fatores Críticos de Sucesso em Instituição de Ensino Superior relações lógicas (equivalência. 1987) explica que a análise de conteúdo pode ser entendida como um conjunto de técnicas de análise das comunicações que visa. dedutibilidade.V. Para isso. predomina nas pesquisas em que se desejam aprofundar conhecimentos a respeito de uma situação específica. utilizou-se a técnica de análise de conteúdo. primeiro. descrever o conteúdo das mensagens. quinta e sétima fases. aprofundar suas características e extrair os momentos mais importantes. Tem por finalidade conhecer e analisar as contribuições culturais ou científicas do passado acerca de um determinado assunto ou problema. Da população de 142 alunos. 1. 2006 47 . que possibilita compreender melhor o discurso. de acordo com Cervo e Bervian (1983). A pesquisa bibliográfica. pedagógico. Quanto aos procedimentos de coleta de dados./Mar. Utilizou-se a pesquisa bibliográfica. N. entrevistou-se o Diretor da instituição de ensino. obtiveram-se 102 respostas.O estudo de caso. que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção de variáveis inferidas das mensagens. por aplicar um questionário fechado aos alunos da primeira à sétima fase do curso de Administração de Empresas da mesma instituição. A escolha do sujeito da pesquisa foi intencional em função da acessibilidade aos dados. realizou-se uma distribuição de freqüência e calculou o percentual de aceitação de cada uma das questões abordadas para identificar os fatores críticos de sucesso na percepção dos alunos. busca explicar um problema a partir de referenciais teóricos já publicados. e administrativo. optou-se. por meio de procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição dos conteúdos das mensagens. Salientam que o pesquisador tem a oportunidade de verificar in loco os fenômenos a serem pesquisados. obter indicadores quantitativos. Para a análise dos dados oriundos das entrevistas. Trata-se de uma instituição de ensino superior privada. Bardin (1977 apud TRIVIÑOS. foram realizadas entrevistas semi-estruturadas em junho de 2004. No nível estratégico. de acordo com Raupp e Beuren (2003). para identificar os fatores críticos de sucesso da instituição pesquisada em três níveis de gestão: estratégico. Por sua vez. realizou-se entrevista com a Coordenadora Geral da instituição. por meio de procedimentos sistemáticos e objetivos. localizada na Grande Florianópolis. a análise dos dados coletados por meio de questionário fechado deu-se por meio da tabulação dos dados e de tratamento estatístico simples. Pode ser utilizada independentemente ou como parte de uma pesquisa descritiva ou experimental./Fev. o que representa uma amostra significativa para o universo pesquisado. comparabilidade ou incomparabilidade) existem no caso”. Os fatores de sucesso no nível pedagógico foram obtidos com o Coordenador do curso de Administração de Empresas. para a formação do marco referencial teórico e do estudo de caso. a fim de identificar os fatores críticos de sucesso na percepção do cliente. Após. centrado em uma única organização. Jan. 7. No nível administrativo.

7. as ameaças e as oportunidades no ambiente. nos quais os resultados. mas qualquer movimento que tenha implicação na organização. Jan. o conceito originou-se do campo do gerenciamento de sistemas de informação. um neologismo em um quadro de divergências de ordem semântica. posteriormente. executam algum tipo de processamento para transformá-las em informação e as utilizam para se adaptarem às novas condições. mais informações são geradas e transmitidas. Quando as decisões se baseiam nessas mensagens. Isto é. Por meio do monitoramento e da avaliação da performance de segmentos de mercado e da dinâmica competitiva. 2006 . Normalmente. o estudo se desenvolveu num ambiente que privilegiou a abordagem qualitativa. 48 Revista ANGRAD . podem-se distinguir os fatores críticos de sucesso como uma característica do negócio. se satisfatórios.Romualdo Douglas Colauto. adota-se a expressão fatores críticos./Fev. p. sua atenção para os ambientes interno e externo. O monitoramento contínuo auxilia a organização a prever situações inusitadas. constantemente. Caio Marcio Gonçalves e Ilse Maria Beuren Em relação aos procedimentos sistemáticos para a descrição e explicação dos fenômenos. configurando-se. os eventos. N. Vale dizer que na literatura recorrente há diversas interpretações e conceitos sobre fatores críticos de sucesso. a organização pode adotar ações estratégicas apropriadas em tempo real. Por considerar tênues as diferenças conceituais entre as expressões fatores críticos e fatores chaves. não se atém a numerar ou medir unidades ou categorias homogêneas. Rockart (1979) diz que os FCS são aquelas poucas áreas. como usado pela maioria dos autores. Isto significa dizer que a gerência deve voltar. continuamente. quatro visões de fatores críticos de sucesso podem ser distinguidas na literatura. outros como fatores críticos. caracteriza-se pelo não emprego de instrumental estatístico como base no processo de análise de um problema. 3. irão assegurar um desempenho competitivo e de sucesso para organização. As organizações detectam essas mensagens. Alguns autores os tratam como fatores-chave.V. De acordo com Grunert e Ellegaard (1992). criam sinais e mensagens. Hofer e Schendel (1978. podendo variar de acordo com o ramo”. 2001). O método qualitativo. como uma ferramenta de planejamento e como uma descrição do negócio. 1.188) conceituam FCS como “variáveis cujo gerenciamento poderá afetar significativamente a posição competitiva de uma empresa dentro de seu ramo de atividade. para o campo da pesquisa de negócios estratégicos. não se deve restringir a monitorar os competidores. provocando novos sinais e decisões (MORESI. conforme Richardson (1999). Historicamente. transferindo-se. dessa forma. Fenomenologia dos fatores críticos de sucesso As mudanças.77 apud STOLLENWERK 2002. Assim. p./Mar. para qualquer negócio.

70) explica que “os fatores críticos de sucesso são aquelas poucas áreas-chave nas quais tudo tem de dar certo para que o negócio prospere”. fatores que. p. que os FCS definem somente as áreas críticas e não todas as áreas importantes da organização. Price (1997. poderia. ou seja. se satisfatórios. consagrou o conceito de Fatores Críticos de Sucesso (FCS) ao propor uma nova abordagem metodológica para definir as necessidades de informações junto à alta administração das empresas. os FCS representam: os meios que garantem a realização dos objetivos da organização.311). A partir do reconhecimento que os sinais do mercado exigem técnicas e que é preciso determinar uma metodologia sobre quais dados são essenciais e. ainda. Anthony. dada sua eficácia. Para Tarapanoff (2001. Stollenwerk (2001) destaca que. Por exemplo. Ressalta. nas quais os resultados. sobre o modo como podem ser analisados. ele deve ser acompanhado de informações que permitam seu controle. quase tudo pode ser um fator crítico. podem comprometer todo o sucesso de um plano ou de uma estratégia. Originam-se do que é fundamental para a sobrevivência da empresa: seus clientes./Mar. os FCS podem ser considerados sob três aspectos: a) o desempenho da organização será assegurando à medida que um fator considerado crítico receba devida atenção e investimento. conseqüentes ações corretivas e de Revista ANGRAD . a partir dos trabalhos pioneiros de Daniel (1961) e dos incrementos promovidos por Rockart (1979) e Bullen e Rockart (1981). em 1979. p. 2006 49 . metodologia cujo ponto central era o mapeamento dos fatores críticos pelos executivos. 1.Identificação dos Fatores Críticos de Sucesso em Instituição de Ensino Superior Rockart. em 1976 e 1980. todavia. Destaca que. Jan./Fev. devendo ser considerados como ‘críticos’ e merecer atenção especial por parte da administração. b) se um fator é considerado crítico e recebe atenção e investimento.V. Para o autor. sua estabilidade financeira e sua estratégia empresarial. pela sua natureza. também. N. Inicialmente. Albertin (1999) considera FCS como a base para a definição de informações gerenciais. identificar variáveis-chave consideradas de impacto nos resultados da empresa. foi aplicado na área de planejamento estratégico e de sistemas de informação e. assegurarão desempenho superior. o cumprimento do prazo pode ser um fator crítico. consolidou-se como um instrumento de focalização estratégica para os sistemas de planejamento em geral. Além de reconhecerem que a metodologia do FCS provê informações sobre rentabilidade e outros indicadores de desempenho. 7. Porter (1996) define os FCS como um número limitado de áreas de uma determinada organização ou processo. garantindo-se seu desempenho. argumenta que a primeira meta desses sistemas busca fornecer aos executivos o acesso fácil e imediato a informações sobre fatores críticos de sucesso de uma empresa. em uma empresa que entrega documentos. referindo-se aos sistemas de informação executiva. seu posicionamento. Dearden e Vancil descreveram a utilidade dos FCS para elaborar projetos de sistemas gerenciais na área de planejamento e controle. Define FCS como aqueles decisivos para a consecução os objetivos estratégicos de uma organização. O´Brien (2002).

identificar as características. Na perspectiva do planejamento estratégico. os próprios executivos responsáveis pelo negócio devem definir os fatores. Nesse sentido. os FCS são usados. O método tem sido aplicado. e. de acordo com Gomes e Braga (2001). por meio de fatores críticos. introduz o conceito de fator crítico de escolha e reforça que a identificação deste para uma certa área estratégica. pois. segundo Stollenwerk (2001). heuristicamente. Alerta que pode ocorrer que um fator-chave seja exatamente um ponto fraco da organização. encontrar a média desses valores para organizá-los em uma matriz. que não está associada diretamente com pontos fortes ou fracos da instituição. para: a) definir as necessidades de informações gerenciais. um ponto que não seja percebido externamente como um fator relevante no mercado.1. Os fatores críticos de sucesso podem ser entendidos como elementos determinantes para o melhor desempenho. apud ROCKART. Considera-se que uma das contribuições dos fatores críticos de sucesso é subsidiar as informações de caráter estratégico. O gestor pode elencar os diversos fatores que afetam a indústria e o negócio.V. Finalidades dos fatores críticos de sucesso O método dos fatores críticos de sucesso tem por objetivo. 1. que ajudam a assegurar ou melhorar a posição competitiva da organização. as redes de inteligência e as fontes de informações necessárias. suas formas de medição. O mapeamento das necessidades informacionais estratégicas. Jan. a seguir. passam a complementar as atividades de análise competitiva./Fev. 1979) explica que os FCS são elementos de posturas essenciais. Nesse contexto. condições ou variáveis que devem ser monitoradas e gerenciadas pela organização para que ela fique bem posicionada em seu ambiente de competição. b) mapear as características exclusivas de uma organização. aos sistemas de informação. 2006 . ao contrário. d) auxiliar na definição das habilidades. Os fatores críticos de sucesso consubstanciam-se em um método que auxilia na definição das necessidades dos gestores e especialistas de focarem questões estratégicas da empresa. atribuindo-lhes graus e. N. c) redefinir. tecnologias e conhecimentos essenciais (competências essenciais). seu padrão de desempenho e as informações necessárias.Wanderley (1999./Mar. Caio Marcio Gonçalves e Ilse Maria Beuren melhoria.Romualdo Douglas Colauto. para avaliar a atratividade da indústria e a força do negócio. sendo que estas informações ganham importância quando alinhadas aos objetivos institucionais. torna possível definir os objetivos e metas do sistema de inteligência competitiva nos negócios. 7. se a organização os identificar e conseguir incorporá-los ao planejamento estratégico. Costa (2002) enumera algumas perguntas que podem servir de orientação para avaliar a competitividade e chama a atenção para o questionamento da velocidade de mudança dos FCS. c) uma vez que o fator crítico deve estar intimamente ligado ao negócio da organização. os mapas mentais dos gerentes. 3. especialmente. e. Essa matriz pode ser usada para 50 Revista ANGRAD .

2006 51 . ou ser específico da empresa. Os fatores chaves de sucesso fornecem a fundação para o desenvolvimento do plano estratégico (SANTOS. Essa matriz visa avaliar as forças de um determinado negócio e comparar concorrentes em uma indústria. Salientam que o método dos FCS somente é um instrumento útil ao sistema de informação. as redes e fontes de informação. chamam a atenção para a exigência periódica e freqüente de atualização. médio custo e requer dos gerentes as habilidades conceitual. devem ser extraídos do plano estratégico e utilizados para direcionar a coleta de dados e os esforços de análise./Fev. A aplicação dos FCS apresenta natureza eclética. variando desde sua utilização como ferramental de definição das necessidades de informação. Gomes e Braga (2001) sustentam que o método de FCS é utilizado para avaliar a atratividade da indústria e a força do negócio. Acrescenta que o sucesso do método é proporcional à correta identificação e listagem dos fatores críticos de sucesso. se dispor de uma lista correta dos fatores críticos de sucesso. destacam a rapidez e baixo custo de focalização estratégica como vantagem e a superficialidade como limitante do método. Seguindo na apresentação das características dos FCS.Identificação dos Fatores Críticos de Sucesso em Instituição de Ensino Superior avaliar as forças de um determinado empreendimento. N. caracteriza-se pela dinamicidade. 2001)./Mar. Ainda no que se refere às informações estratégicas. 2001). outros se referem a determinadas unidades de negócio de uma empresa (STOLLENWERK. tornando-se possível definir os objetivos do sistema de informação de negócios. analítica e de realização de diagnóstico.Wanderley (1999) assinala que os FCS podem auxiliar no seu mapeamento. 1. Essas características remetem os FCS à revisão e avaliação sistemáticas e ao desdobramento em árvore de pertinência. ao configurar-se como um instrumento que possibilita a comparação das ações empregadas nos ambientes interno e externo. condições ou variáveis que deverão ser monitoradas e gerenciadas pela organização para que ela fique bem posicionada em seu ambiente de competição. O método FCS visa identificar as características. Sugerem a adoção de uma matriz que contemple os vários fatores que afetam a indústria e o negócio. como delineador das características exclusivas da organização até como auxiliar na definição das habilidades. arborescência. Esses fatores. 7. tecnologias e conhecimentos essenciais da organização (GOMES e BRAGA. Como instrumento de suporte para formulação de estratégias das organizações.V. A partir dos trabalhos de Prescott e Grant (1988). sendo que os FCS são sistematicamente hierarquizados. Quanto à hierarquia. ressalta que os FCS apresentam pequeno tempo de desenvolvimento e moderado tempo de execução. que descrevem o que uma organização deve fazer bem para ter sucesso em uma dada indústria. 2003). podem estar relacionados com o ramo de negócio como um todo. Revista ANGRAD . Jan. na qual se reconhece a importância de cada ramificação e a identificação das necessidades de informação.

b) estratégia e posicionamento competitivo do negócio. crises causadas por acidentes. 1. Esses fatores. escassez de recursos ou mesmo a perda de posição no mercado. os competidores têm pouca ou nenhuma influência. Os fatores temporais dizem respeito às áreas do negócio que demandam um certo tempo para implementar uma estratégia. sobre os quais. Como exemplo. aspectos demográficos. Por exemplo. os FCS podem ser extraídos do plano estratégico e utilizados para direcionar a coleta e análise de dados. pois se aplicam a todas as organizações. tecnologia empregada. Os fatores relativos à estratégia e posicionamento competitivo do negócio são aqueles históricos determinantes e o posicionamento competitivo do negócio. c) organizacionais. N. O monitoramento desses fatores significa a antecipação de oportunidades. políticas econômicas e legislação. Estes podem afetar todos os competidores dentro de uma indústria. e. Embora o nível de controle que o negócio tenha sobre esses fatores seja reduzido. apud GRUNERT e ELLEGAARD. c) fatores ambientais externos. Bullen e Rockart (1981. todavia. sobretudo. características de produto.2.Romualdo Douglas Colauto./Mar. o que impossibilita garantir algum diferencial estratégico competitivo unilateral. seu impacto pode ser substancial. d) fatores temporais. Para exemplificar. Esses dados. Jan. Os fatores concernentes à posição administrativa são situações relacionadas a um determinado gerente e. 2006 .V. segmenta e caracteriza-os em: a) ambientais. 1992) distinguem cinco fontes de fatores críticos de sucesso: a) indústria ou ramo de negócio. reguladores e políticos que impactam o mercado. em função da falta de administradores especialistas ou de trabalhadores qualificados. mas sua influência varia de acordo com as particularidades e sensibilidade dos segmentos empresariais. às atribuições de seu cargo que exige a associação dos fatores críticos. São atribuições temporárias. 7. contratação e capacitação de pessoas ou a eficiência geral e o controle de custos das organizações. tem-se o processo de recrutamento. 52 Revista ANGRAD . são raramente considerados como críticos para fins de inteligência. fatores econômicos. publicidade negativa./Fev. b) empresariais. Segundo Santos (2003). em alguns casos. para nortear o projeto e a operacionalização do empreendimento. geralmente. d) setoriais. se transformam em informações estratégicas e táticas. Os empresariais são comuns a todas as organizações. Fontes de fatores críticos de sucesso Os fatores críticos de sucesso devem ser identificados por meio da aplicação dos princípios e/ou definições com base em pesquisa teórica. de alguma forma. Caio Marcio Gonçalves e Ilse Maria Beuren 3. todos os negócios. Desse modo. depois de analisados. Fatores ambientais externos representam as influências macroeconômicas que afetam todos os competidores dentro de uma empresa e. Os ambientais são aqueles que influenciam. e) posição administrativa. utilizando as diversas fontes de dados disponíveis e serem complementados com pesquisas de campo. Os fatores críticos de sucesso na indústria ou ramo de negócio representam as características de demanda.Tais condições podem favorecer o crescimento mais rápido da empresa em relação a seus concorrentes.

qualidade. a segmentação dos fatores críticos permite avaliar o impacto do ambiente e analisar comparativamente uma organização em relação aos seus sistemas de operações internas. O ambiente do ensino superior O processo de globalização e as tecnologias de informação e comunicação têm impelido as instituições educacionais a uma redefinição do seu papel. Os setoriais são relativos aos mercados que estão sendo servidos ou os fatores específicos relativos às organizações naqueles mercados. se aplicam a um determinado setor. houve um crescimento na participação de instituições privadas. A instituição social caracteriza-se por apresentar estabilidade e durabilidade de sua missão e repousa sua estrutura em normas e valores do grupo ou sociedade em que se insere (COLOSSI. Com esse propósito./Mar. quando aplicados no processo de gestão de instituições de ensino superior. isto é. Em nível de educação superior. ao setor e em relação a outras empresas. concebe-se educação superior como uma instituição social que apresenta como propósito a formação intelectual e científica da sociedade em que está inserida. pelas universidades.s de modelo includente. Jan. conseqüentemente. uma identidade relacionada ao empreendimento em particular. assim. Esse conjunto de elementos integrados permite identificar as principais áreas nas quais as instituições de ensino devem concentrar seus esforços e. Os fatores críticos de sucesso./Fev. ampliando o número de vagas e. 1. Como exemplo. 4. administrativo e pedagógico. em última análise. Revista ANGRAD . 2006 53 . para subsidiar o processo decisório. ou seja. Na perspectiva includente. explorar com critério as áreas de maior e menor desenvolvimento da empresa. A avaliação dessa segmentação fornece uma quantidade razoável de dados e informações que podem ajudar no monitoramento de questões estratégicas em cada ramo de negócio. de forma a identificar forças e fraquezas. CONSENTINO e QUEIROZ. flexibilidade ou tempo de reação. faculdades e institutos ou escolas superiore. As quatro segmentações dos fatores críticos de sucesso têm uma característica em comum. o projeto de arquitetura para uma determinada organização. podem garantir o fluxo de informação. 2001). Um FCS setorial poderia ser a competição por custos. N.V.Identificação dos Fatores Críticos de Sucesso em Instituição de Ensino Superior Os fatores organizacionais definem. No Brasil. nos níveis estratégico. centros universitários. Com o processo de abertura do mercado e dos dispositivos legais. perfis de recursos e análise das competências essenciais. o aumento da demanda pelo ensino superior propiciou oportunidade de ingresso de instituições de ensino privado. 7. focar o planejamento estratégico de modo a elevar suas ações para torná-las competitivas frente às oportunidades e ameaças. esses condicionantes determinam a adoção. em detrimento de um modelo concentrador. gerando maior necessidade de controle em função da delegação das atividades por parte do governo às instituições privadas.

A partir daí. 2006 . Isso pode trazer risco de mercantilização do ensino superior. 2001). participando ativamente do processo de ensino-aprendizagem e compartilhando responsabilidades com instituições de ensino. com ênfase para a delegação parcial das atribuições governamentais à iniciativa privada (CONSTITUIÇÃO FEDERAL. as instituições de ensino superior foram forçadas a conviver com o acirramento da concorrência. Panozzi (2003) pontuam que as organizações buscam no processo de aprendizagem contínua uma forma de construir inteligência corporativa competitiva. 1. cursos com carga horária reduzida e que atendessem a problemas emergentes. b) articulação da subjetividade com a objetividade. fundamentam suas políticas em princípios: a) cidadania como patrimônio universal. Explicam. como por exemplo.Romualdo Douglas Colauto. c) ética na atividade humana. Nessa perspectiva. A nova legislação aponta para a conciliação entre os aspectos econômico e social. às vezes. Com isso. na oferta de cursos de formação plena. Abreu. que. e) nova visão de futuro. Os cursos de graduação. 1996). incitando as instituições de ensino superior para: a) incorporação de metodologias inovadoras e ativas. as empresas têm caminhado rumo à adoção de um modelo de educação híbrido. aumentaram a necessidade de desenvolver meios para identificar os atores e suas forças a fim de implementar estratégias que permitissem melhorar o posicionamento competitivo. 1988. observa-se a predominância dos critérios de busca de atendimento de necessidades voltadas para o mercado com predominância dos interesses econômicos. Nas raízes da expansão do ensino superior. em função da estruturação organizacional. de acordo com Santos (1999). a educação brasileira passa por mudanças decorrentes da aplicação de dispositivos legais. c) criação de ambiente favorável ao 54 Revista ANGRAD . O fato é que essa defasagem passa a demandar o monitoramento da regulamentação do ensino e dos anseios do mercado de trabalho. ainda. Em face de novos entrantes no mercado e do aumento da oferta de vagas. b) autonomia universitária. Gonçalves. enquanto se acenava para a adequação dos currículos às necessidades do mercado. a educação em nível superior passa a se ancorar em investimentos de iniciativa privada. h) excelência no ensino. LDB. Consoante às tendências do mercado profissional./Mar. em detrimento das ações que privilegiem os aspectos sociais e o atendimento de minorias (COLOSSI. Caio Marcio Gonçalves e Ilse Maria Beuren O ensino superior privado brasileiro esteve focado. d) responsabilidade institucional e social. em específico. as instituições educacionais envolvidas num contínuo processo de inovação. com sobreposição de conteúdo para justificar a extensão da carga horária./Fev. atividade anteriormente exclusiva da academia. Jan. responsável por oitenta por centro das vagas oferecidas. CONSENTINO e QUEIROZ. 7. N. f) relação com a sociedade e o mundo do trabalho. em passado recente. g) empreendedorismo.V. apresentavam um currículo extenso. Considerando as mudanças tecnológicas e o cenário evolutivo da educação.

N. uma classificação com segmentação específica para a instituição.V.Identificação dos Fatores Críticos de Sucesso em Instituição de Ensino Superior exercício das atividades acadêmicas. desenvolve atividade de ensino superior na Grande Florianópolis no Estado de Santa Catarina. 5. provocam o desenvolvimento de modelos de gestão capazes de reconhecer vantagens competitivas e de desafiar a competitividade institucional. Revista ANGRAD . A instituição caracteriza-se por uma estrutura funcional. É mantida por uma sociedade educacional privada e sem fins lucrativos e oferece doze cursos de ensino superior./Fev. A identificação dos fatores críticos de sucesso implica no apontamento das necessidades de informação da organização. neste trabalho. 2000). adotou-se. e) integração curricular. possui aproximadamente quinhentos alunos./Mar. administrativo e pedagógico. g) aceleração da educação (VEIGA. dado o objetivo da pesquisa restringir os fatores críticos de sucesso à dimensão organizacional. departamentalizada nos níveis estratégico. administrativo e pedagógico. Descrição e análise dos dados coletados A instituição. Os fatores de sucesso organizacionais foram categorizados nos níveis estratégico. 7. justificando a identificação dos fatores críticos de sucesso para a elaboração de seu planejamento estratégico. Encontra-se em estágio inicial de implantação. Embora a literatura classifique os fatores críticos de sucesso em ambientais. f) interdisciplinaridade. na qual se realizou a pesquisa. organizacionais e setoriais. O Quadro 1 evidencia os fatores críticos de sucesso da instituição pesquisada. Atualmente. Os princípios e valores norteadores do novo modelo educacional convergem para a profissionalização de operações. Por sua vez. por considerar que o ambiente apresenta-se de forma recessiva em função da diminuição do poder de compra de seus clientes. 1. Jan. 2006 55 . d) indissociação do ensino-pesquisa-extensão. empresariais.

busca ampliar o escopo dos fatores críticos de sucesso da instituição para alinhar o planejamento estratégico às necessidades dos clientes. a alternativa “discordo totalmente” implica em haver restrições suficientes para não considerar o item como fator crítico de sucesso. considerados relevantes pelos clientes. conforme demonstrado no Quadro 2. Caio Marcio Gonçalves e Ilse Maria Beuren Quadro 1 ./Mar./Fev. E ainda. declina uma posição de indiferença pela variável. apesar de ser um fator de sucesso. apresenta alguma restrição. 56 Revista ANGRAD . N. Jan. O item “não concordo” denota que o cliente apresenta alguma restrição quanto a inserção do item como fator crítico de sucesso. 1. A alternativa “concordo totalmente” considera que o cliente não apresenta nenhuma restrição quanto ao enquadramento da questão como fator crítico de sucesso. Vale explicar que a pesquisa envolveu cinco alternativas de questionamento quanto à percepção dos fatores.V. Na alternativa “concordo”. 7. 2006 . A identificação dos fatores críticos de sucesso na percepção dos clientes. na opção “indiferente”. O cliente.Romualdo Douglas Colauto.Fatores críticos de sucesso na percepção da instituição de ensino NÍVEL ESTRATÉGICO Localização geográfica Tradição da instituição Imagem da organização Garantia de reconhecimento do curso Valor de mensalidade menor que a concorrência Parceria com outra instituição de ensino superior de reconhecimento nacional NÍVEL A DMINISTRATIVO Infra-estrutura Campanha publicitária periódica Serviços de secretaria e de pessoal NÍVEL PEDA GÓGICO Qualificação do corpo docente Atualização do corpo docente Interação da coordenação com o corpo discente Integração dos alunos com a instituição Metodologia aplicada à realidade do mercado de trabalho Fonte: elaborado pelos autores.

Revista ANGRAD . convênios para estágio. 1.V. empresa júnior./Mar. encontros e simpósios) Valor da mensalidade Concordo totalmente 3% Concordo 38% Indiferente 28% Discordo 16% Discordo totalmente 14% 3% 19% 25% 26% 27% 16% 24% 17% 32% 11% 4% 36% 38% 13% 11% 12% 48% 22% 12% 7% 3% 20% 38% 25% 14% 3% 17% 28% 23% 29% 29% 36% 11% 17% 8% Localização geográfica 48% 22% 15% 9% 6% Horário das aulas 44% 37% 10% 6% 3% Carga horária total do curso Exigências acadêmicas para conclusão do curso 9% 38% 33% 11% 10% 9% 48% 29% 11% 4% Fonte: elaborado pelos autores. apresentam-se. no Quadro 3./Fev. processo seletivo. acervo bibliográfico) Serviços adicionais (cursos de idiomas. Jan.Identificação dos Fatores Críticos de Sucesso em Instituição de Ensino Superior Quadro 2 . os fatores críticos de sucesso estratégico.Índices dos fatores críticos de sucesso na percepção dos clientes FATORES PESQUISA DOS Recursos físicos (laboratórios de informática. atividade desportiva. 7. programa de iniciação científica) Qualificação do corpo docente Serviços administrativos e suporte técnico Qualidade do curso (imagem. relacionado-os com a percepção do cliente. número de alunos por sala) Tradição da instituição Promoção de eventos (congressos. 2006 57 . N. seminários. administrativo e pedagógico. Com o objetivo de comparar a percepção dos fatores críticos de sucesso entre níveis institucional e do cliente.

Romualdo Douglas Colauto. o valor da mensalidade e a metodologia de ensino aplicada à realidade de mercado constituem-se em fatores críticos de sucesso. infra-estrutura. (3) campanha publicitária periódi- 58 Revista ANGRAD . não foram contemplados pela maioria dos alunos. (2) parceria com outra instituição de ensino superior de reconhecimento nacional. A tradição. considerados fatores críticos de sucesso pela instituição./Mar. Vale ressaltar que os fatores apontados pela instituição como determinantes de sucesso. N.Comparação entre os fatores críticos de sucesso institucionais e do cliente PERCEPÇÃ O DA INSTITUIÇÃ O Nível estratégico Localização geográfica Tradição da instituição Imagem da organização Garantia de reconhecimento do curso Valor de mensalidade menor que a concorrência Parceria com outra instituição de ensino superior de reconhecimento nacional 70% 23% 60% Não apontado 65% Não apontado PERCEPÇÃ O DO CLIENTE Nível administrativo Infra-estrutura Campanha publicitária periódica Serviços de secretaria e de pessoal 41% Não apontado 40% Nível pedagógico Qualificação do corpo docente Atualização do corpo docente Interação da coordenação com o corpo discente Integração dos alunos com a instituição Metodologia aplicada à realidade do mercado de trabalho 40% Não apontado Não apontado Não apontado 57% Fonte: elaborado pelos autores. Jan. embora. serviços de secretaria e de pessoal e a qualificação do corpo docente. A descrição dos dados mostra que a localização geográfica. tais como: (1) garantia do reconhecimento do curso. 1. tanto pela instituição quanto pela maioria dos clientes. Caio Marcio Gonçalves e Ilse Maria Beuren Quadro 3 . 2006 .V. 7. a imagem da organização./Fev.

Assim. a posição competitiva das empresas dentro de seu campo de atuação. consideraram que o horário das aulas e a carga horária total do curso representam diferenciais de sucesso para a instituição. Isto remete à necessidade de criação de novas técnicas e métodos que auxiliem no processo de gestão. programa de iniciação científica). considerados críticos pelos estudan- Revista ANGRAD . Jan.Identificação dos Fatores Críticos de Sucesso em Instituição de Ensino Superior ca. Com relação ao objetivo de identificar os fatores críticos de sucesso em uma Instituição de Ensino Superior. observou-se que a maioria dos fatores identificados nos níveis estratégicos./Mar. denotando uma limitação da pesquisa. atividades desportivas. Os procedimentos da técnica triangulação possibilitaram apontar alguns dos fatores considerados como críticos nos níveis institucional (estratégico. assim. A identificação dos fatores críticos de sucesso na percepção da instituição e dos clientes permite alinhar as estratégias da instituição à consecução dos objetivos constitutivos. N. Considerações finais A sobrevivência e o desenvolvimento das empresas no atual contexto requer a capacidade de reagir às mudanças e. Assim como. E ainda. prever tendências do mercado de forma a antecipar-se em suas estratégias. 1. 7. 24% concordam que esse recurso é fator crítico de sucesso. Os fatores críticos de sucesso podem ser entendidos como um método que auxilia na definição das necessidades dos gestores e especialistas e no estabelecimento de foco nas questões estratégicas da empresa. posto que esses itens não constavam no questionário aplicado aos alunos. (6) integração dos alunos com a instituição não foram questionados aos alunos. 81% e 47%. uma vez que o questionário foi aplicado antes de realizar a entrevista com os gestores dos três níveis. no que se refere aos serviços adicionais (cursos de idiomas. a expressão “não apontada”. ao mesmo tempo. administrativos e pedagógicos converge à percepção dos clientes. análise e mensuração de dados estratégicos em áreas que os gestores consideram críticas para o sucesso do empreendimento. Outros.V. Quanto à percepção dos alunos. administrativo e pedagógico. procedimentos pedagógicos e administrativos adotados estão sendo contemplados no processo de gestão da instituição de ensino superior. São varáveis cujo gerenciamento pode afetar. 2006 59 . não descaracteriza os itens como fatores críticos de sucesso./Fev. Entende-se que os fatores críticos de sucesso corroboram na coleta. referenciada no Quadro 3. analisar se as expectativas dos alunos quanto aos recursos. convênios para estágios. considerados pelos estudantes. (5) interação da coordenação com o corpo discente. respectivamente. (4) atualização do corpo docente. administrativo e pedagógico) não foram. de forma significativa. Nota-se que esses itens contemplados pelos alunos não foram considerados fatores de sucesso pelos níveis estratégico.

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Más de quince años de estudios. formar administradores que no estén llenos de certezas. más autenticamente científica y humanista. N.los cursos llamados ‘técnicos’.y tanto más interesante cuanto raro en su género – a propósito de la enseñanza y la pedagogía en administración. a finales de los años setenta. Dr.La Administración y su Enseñanza: ¿Entre Doctrina y Ciencia? Prof.. Jan. un análisis muy instructivo ../Mar. declaró que la filosofía futura que regiría la enseñanza en su institución se inspiraría en los grandes principios siguientes: .V. sino también y sobre todo de la Revista ANGRAD . de la Escuela de Altos Estudios Comerciales de Montreal. formar en conocimientos generales y disminuir. con el fin de ampliar el debate. Finalmente.École des Hautes Études Commerciales de la Universidad de Montreal . director de la Escuela de Altos Estudios Comerciales de París.. 1.Canadá Capítulo do livro Administración Y Pedagogia Primera Edición: Marzo de 2000 © Fondo Editorial Universidad EAFIT ISBN 958-9041-49-3 Debemos al profesor Alain Chanlat (1981)./Fev. Hace algunos años C. menos dogmática y más cálida. se estaba poco convencido no sólo de la universalidad y precisión de los contenidos de los programas de administración. práctica y enseñanza en la administración nos plantean interrogantes que consideramos un deber compartir. Continuando en el camino por él iniciado intentaremos. Vuillez (1978).Ofrecer esquemas flexibles de comprensión con el fin de que los jóvenes estén más capacitados para resolver un cierto número de problemas. Lo menos que puede deducirse de esta especie de toma de posición es que. en cantidad y en importancia relativa. 2006 63 . y más que nunca. a nuestro turno.. Omar Aktouf HEC . argumentativamente defender una enseñanza de la administración menos peligrosamente ideológica. 7.

contribuyeron esencialmente disciplinando y organizando 64 Revista ANGRAD . 1973. Jan. se elevan voces (L.. al menos a título de input particular (c. nos daremos cuenta de que aquello que nos esforzamos por enseñar en nuestras escuelas de administración proviene de una actividad. permanece en el nivel del proceso llamado «integrado». Cada una de estas actividades da lugar a la posesión de una o varias «herramientas» destinadas a hacer que las tareas se hagan mejor y más rápido. «humanamente» viable. ¿Nos sorprenderíamos entonces del fracaso de nuestra búsqueda de una definición diferente a aquéllas que consisten en una enumeración de actividades? Si miramos un poco la historia y los primeros hitos fayolianos.. diremos que la administración. Sfez. desde Taylor. como contenido. el mundo industrial es acusado regularmente por ser un universo de «cosas» y de gestión de «cosas». ¡ legitimándose en esta separación!. Braverman. Se constata cada vez más que la práctica de la administración tiene muy poco que ver con lo que se enseña en las instituciones ad hoc: y esto tanto en las escuelas como sobre el terreno (Friedrich.Omar Aktouf pertinencia de estas enseñanzas con relación a su objetivo: una administración de las empresas «económicamente » eficaz y. H. En todo caso. 1970. Fayol (1962) en favor de la enseñanza de la administración para desarrollar la «capacidad administrativa » de los dirigentes y su invitación a la constitución de una «doctrina» de la administración nos muestran que. «la organización» y la «dirección».. Fayol y Urwick. la habilidad que manifestaban algunos para mantener a los artesanos en la «fábrica» y para hacerlos producir. pero que sólo era.. Godelier.V. H. Skinner. 1976. N. 7. M..N./Fev. hasta los años veinte. la conducción de las empresas era un asunto puramente personal e intuitivo.. La Revolución Industrial nos muestra que estos héroes. 1. 1977. J. que con el tiempo se ha. entre ellos Arkwright. Levin. sistematizado. en el que el hombre está definitivamente desterrado. En primer lugar. Sayles. Por otra parte. que es aquél que va desde la «planificación» hasta el «control» pasando por la «decisión». La amplia defensa de H. Behrman y R. al comienzo. y desde los mismos templos norteamericanos de las «ciencias administrativas».. Es en esta perspectiva de la constitución del saber y de la influencia sobre lo que ocurre en la fábrica que queremos problematizar la enseñanza de la administración: ¿cuáles son sus fundamentos y contenidos? La administración como contenido y materia de enseñanza Aquí planteamos la pregunta de la definición de la administración como «materia» dotada de unidad y coherencia y como «materia enseñable». W. 1976. 2006 .. 1984) que deploran la separación de las teorías administrativas en relación con la «realidad» que pretenden representar.). más o menos./Mar. L.f. Mintzberg. 1971. 1981).

Rioux.La Administración y su Enseñanza: ¿Entre Doctrina y Ciencia? la mano de obra para obtener. Este término significa etimológicamente «enseñanza». Ahora bien. orientar y dirigir la acción de los hombres en materia religiosa.nacida de la discusión pública. Fayol. J. de procesos probados y controlados por la experiencia pública.. y la historia nos muestra cómo se constituyó en este dominio su vocación primera: el servicio al comerciante transformado en «fabricante-mercader». de reglas. El objetivo general de esta actividad no ha cambiado. de métodos. finalmente.. 1959. 1. la condición explícita de la «enseñabilidad de la actividad administrativa». 1971 H. sólo los métodos y los instrumentos han evolucionado: se trata siempre de maximizar la proporción del factor trabajo.V. con quien vemos configurarse una «doctrina» de la administración.P. agrega: No sería difícil constituir esta doctrina si algunos grandes jefes se decidieran a exponer sus ideas personales sobre los principios que consideran como los más propios para facilitar la marcha de los negocios. un excedente de trabajo que se ha convertido en una necesidad económica absoluta. 7. Sin doctrina no hay enseñanza posible. Un poco más adelante define lo que entiende por «doctrina consagrada»: Un conjunto de principios. uno de los primeros autores que afirmó la «necesidad y la posibilidad de una enseñanza administrativa»... N. no hay doctrina administrativa consagrada. De todas maneras constatamos. 1976). 2006 65 . Ésta era. Es con H. Braverman. Jan. que el primer esfuerzo de sistematización de la enseñanza de la administración conserva el término «doctrina» y no el de «ciencia» o «ciencias». para él. filosófica y científica. La competencia particular y específica de los primeros «administradores» era pues la de obtener más trabajo. (Fueron los mercaderes de telas adinerados quienes se convirtieron en industriales y patronos de fá- Revista ANGRAD . por lo menos. y su definición según el diccionario es: Conjunto de nociones que se consideran verdaderas y por las cuales se pretende proporcionar una interpretación de los hechos. (1962: 16) Es una «experiencia» y un «público» bastante restringidos para hablar de «principios generales» y de «experiencia pública consagrada». mediante la disciplina y la organización (c. P.f.. Esta definición parece bastante acertada para caracterizar el corpus teórico de la administración. (1962: 15). Aunque no tiene la precaución de definir lo que llama «experiencia pública». Mantoux./Mar. decía: La verdadera razón de la ausencia de la enseñanza administrativa en nuestras escuelas profesionales es la ausencia de doctrina./Fev..

especialmente en materia de índices de ganancias. es decir. ¿Podemos ver entonces en la administración.V. de excedentes y de destinación de estos excedentes. lo que constituye el corazón de la materia administrativa enseñable.. 1964). no los maestrosartesanos. Es la formalización de las relaciones de trabajo alrededor de una voluntad maximalista (la «conducción eficaz» de estas relaciones). ¿cómo entonces pretender enseñarlo? 66 Revista ANGRAD . y el servicio central que prestan la fábrica y la «organización» es el de hacer lo más rentable posible el factor trabajo.Toffler (1980). la inteligencia se desarrolla y se forma.Weber. incluso si. muestra cómo todo esto constituye el fundamento mayor de la «segunda ola»: la de la industria manufacturera. ¿Quiere esto decir que tenemos que buscar una «doctrina consagrada» de la inteligencia para tratar de hacer de ella una materia «enseñable»? Ciertamente. El fondo del problema es de esencia eminentemente comercial. 1971) y el «ejercicio del poder» (según A. Esta vocación se concretiza en la capacidad de crear organizaciones. imponen el «querer» de los poseedores. es que no tiene ni fundamentos humanos ni fundamentos científicos./Fev. erigida como «doctrina». la administración sólo se define en términos de actividad(es). la psicología general casi ha renunciado también a una definición de inteligencia diferente a aquélla que se enuncia en términos de actividades (recordemos el exabrupto de Binet y Simon que declaraban que la inteligencia es. 1. todo esto es -y lo sabemos. «el arte» del gerente es un juego de este mismo orden. y esto alrededor de la voluntad deliberada de maximizar las ganancias del ciclo «compratransformación-venta».Omar Aktouf brica. Etzioni. pero siempre con motivo de y en función de las demandas del medio y de las reacciones generadas./Mar. Lo que podemos decir en definitiva. es decir. Guardando las proporciones. es decir. 7. A esto deben dedicarse los organizadores y los gerentes. N.en sentido estricto doctrinal. En el mismo orden de ideas. algo diferente a aquella realidad particular propia del comercio. «recuperando» ideas planteadas desde hace mucho tiempo por autores considerados «sospechosos». del orden interpretativo e ideológico.) La realización y encarnación de los «derechos» de los propietarios «fijan el modo de uso de los medios de producción» (según M. Pues bien. que se funda en la voluntad de producir (y/o comprar) y vender conservando la mayor distancia posible entre costos y ganancias? Es ésta una manera de truncar la realidad humana y de reducir el todo a la lógica de un subsistema: aquél de la economía mercantil y de la producción-contabilidad. se afirma que la industria y los principios de la economía mercantil y marginalista son productos del hombre. 2006 . sobre el sentido de este «saber-administrativoenseñable». con cierto cinismo. de formalizar y hacer artificiales las relaciones entre los hombres. El contenido didáctico de la administración Como acabamos de ver y de acuerdo con la «tradición».¡aquello que mide su test!). Jan..

¿se puede todavía hablar de ciencias? Queda por saber cómo puede hacerse la «transición» en términos de «acciones». en última instancia.. que sus diplomas tengan un carácter universitario que cubra «ciclos» completos. se declara explícitamente: «La práctica del comercio nacional e internacional no se aprende bien sino allí donde se hace. además de las «ciencias contables» o de las «ciencias de comportamiento organizacional».. Debe poseer el arte de prever. de pragmatismo y.. puesto que el «hombre de acción» debe ser el producto de esta enseñanza. con el abuso de confianza).. 12). en una obra titulada La educación del jefe de empresa. en la empresa. encontramos en La formación de los jefes de empresas de la Universidad Laval (1954) lo siguiente: Es el administrador el encargado. de comercio. 72-77) La situación es clara: no hay «ciencia» de los negocios. Su autor aboga además en favor de la descentralización de las escuelas de comercio y su acercamiento a los centros de negocios. Sorprende sin embargo ver lo que dicen acerca de esto los primeros autores.. Si nos referimos a escritos anteriores. de organizar. ¿Es éste el tipo de toma de conciencia que se fomenta hoy en día en nuestros cursos de formación en los «negocios»?.» (p. (pp. Incluso condena toda enseñanza del tipo «estudios superiores después del pregrado».. Hoy vemos propagarse costumbres y usos que pretenden hacer de la administración una ciencia. 1. más teóricos para cátedras de universidad. Jolly. N. 7.. Encontramos incluso. «ciencias inmobiliarias» en nuestras escuelas de administración (no es nuestro propósito extendernos en un tema que tiene que ver con el abuso del lenguaje y. se trata de acciones.. de las cuales sólo se retiene el mínimo utilizable desde una óptica explícita o implícitamente productivista... dedirigir y de Revista ANGRAD . pues producirán . 2006 67 .31) He aquí una posición consecuente consigo misma: ni ciencias.La Administración y su Enseñanza: ¿Entre Doctrina y Ciencia? En un folleto publicado por la Cámara de Comercio de Estrasburgo en 1935. Es innegable que el contenido didáctico de la administración permanece en el nivel de la utilización sectaria de las ciencias. Jan. que hombres de acción necesarios al comercio en grande de un país../Mar./Fev.V. Por ejemplo.. encontramos ciertas posiciones bastante «lúcidas»: Siempre nos hemos equivocado llamando «ciencia» lo que sólo es una técnica destinada a obtener el máximo de rendimiento en un negocio industrial. (p. ni teorías... pero hay ciencias establecidas que pueden ser utilizadas según el servicio que presten a la rentabilidad industrial-financiera. Si para el dirigente de empresa no puede existir una ciencia de los negocios. consejeros de trusts de cerebros. que data de 1933 y firmada por P. que debe ejercer con prudencia y sabiduría. no le está prohibido al menos servirse de las ciencias aptas para guiar o secundar sus esfuerzos. de las actividades de pensamiento.

para quienes «un largo período de desaprendizaje» sería necesario antes de aprender el «manejo de los hombres» (sic). resulta interesante conocer el lugar que se le dio en los primeros programas de administración. el desarrollo de la psicología diferencial. 2006 .. ¿cuál industrial aceptaría una máquina sin conocer previamente todas sus características anatómicas y funcionales.. El departamento de administración tiene como objetivo desarrollar el sentido de los negocios. finalmente./Mar. no deja ninguna duda a este respecto). o más claramente. el mismo texto invita a la desconfianza hacia los universitarios «clásicos». La psicotécnica comienza incluso a perder terreno muy seriamente a partir de 1915. las estadísticas económicas.. 1. Un examen como éste sería incompleto si no se refiere también a los instrumentos de análisis. Jan. N.. Ahora bien. el derecho de negocios y la fiscalidad. universales y científicas?. Pero no es sorprendente que sea bajo esta forma como mejor la recuerda el mundo industrial. el arte de maximizar la jornada laboral.Omar Aktouf controlar. Y ya que estamos hablando del hombre. pero se trata sobre todo de hombres poco escrupulosos y de grandes intrigantes (la obra de P. Sufría una serie de revoluciones teóricas. pasando por el método) para aumentar la jornada laboral y la plusvalía. sobre la contabilidad.. ¿El «sentido de los negocios»? Hay acuerdo en reconocer a hombres como Arkwright o Roebbuck . Esto es totalmente visible en la obra de Taylor. muy documentada. tanto desde el punto de vista de la vida interior de la empresa como de las relaciones con el banco. sin tener informaciones precisas sobre la energía que consu- 68 Revista ANGRAD . valen más que el desprecio con el cual algunos espíritus «fuertes» tienden a rodearlos. no se puede dejar de insistir sobre la contribución que pueden aportar a la organización industrial y comercial la fisiología del trabajo y la psicotécnica que. P. de la función producción y de la función venta. Mantoux.. 75) Se sabe claramente que hacia los años treinta la psicología no se reducía solamente a la psicotécnica..V. aunque nuevas. de las finanzas. Jolly lo explica con claridad: La máquina más compleja e infortunadamente la más rica en incógnitas es la máquina humana. de la psicología animal e incluso de los trabajos de tipo behaviorista y motivacional (especialmente en Estados Unidos). de control y de previsión. Jolly (1935): El programa de los conocimientos que se impone al futuro dirigente conllevará el examen obligado de la organización industrial y de la organización comercial. debidas a la aparición de la psicología social. ¿El «arte de» y el «sentido de». 7. que es un esfuerzo constante para encontrar los medios más diversos (desde la herramienta hasta el salario.. Por otra parte. cuando la psicología llamada científica salió del laboratorio. (p. la expansión del psicoanálisis. Así se llega a la habilidad real y distintiva del jefe de industria: «el manejo de los hombres».ingleses del siglo XIX -. son «materias» definibles. sobre todo entre los años 19151930./Fev. Según P.

nos invita a reflexionar sobre las verdaderas implicaciones de una aproximación como ésta: . la introducción «en dosis para adulto» de temas «humanistas» en todas las materias del currículum clásico de las escuelas de administración.La Administración y su Enseñanza: ¿Entre Doctrina y Ciencia? me. según este autor.V.bajo la forma de «recetas» basadas. En pocas palabras: nuestro autor invita a la formación de administradores «cultivados» y «conocedores de las humanidades». Notemos. Jan./Fev. sobre la técnica minuciosa de su enfoque práctico? (p. 7. al mismo tiempo. hace varios años que se pretende aplicar el enfoque de sistema a la administración. En un orden de ideas similar. 89) ¿Invocaremos la antigüedad del texto? ¿Se puede mostrar verdaderamente una diferencia de fondo en la manera como se trata siempre lo humano en la enseñanza de la administración? Admitimos. Aktouf..en la medida conveniente dentro de los programas .este punto de vista prevalece sobre cualquier otro -. Son las necesidades en ‘generalizadores científicos’ entrenados y en los ‘principos funadamentales’ interdisciplinarios los que la teoría general de los sistemas trata de satisfacer. promover una tecnología sin bases humanistas. N.. Una de las soluciones que propone es. Hertzberg (1980) fustiga las enseñanzas de las facultades de administración y toma posición decididamente contra la ausencia de cultura general y de humanismo en la formación de los administradores que son – dice . en postulados mecanicistas y alejados de lo que las «verdaderas» ciencias tienen para enseñarnos sobre el hombre (Cfr... Se pretende presentar una visión integrada de la administración y del hombre haciendo de la organización un sistema «humano y técnico». al saber más «auténtico» y a la cultura general. 2006 69 . que el elemento humano sigue siendo el aspecto crucial y último de toda organización y. que aunque el autor no define cuáles serían estas «humanidades». sin embargo. Lo peor que podemos hacernos a nosotros mismos es. sobre su régimen óptimo de actividad. En una serie de artículos.. Daremos detalladamente nuestro punto de vista en lo referente a este tema en la última parte de este capítulo. Llega hasta afirmar que no debería haber especialistas que no estén en primer lugar dotados de una sólida cultura general. F./Mar. sobre el trabajo que puede producir. Esta anotación de L. (p.Von Bertalanffy (1973).«tácticos técnicoeconómicos» que actúan y deciden como «estrategas ». hace al menos una invitación para que se ofrezca un lugar al hombre. no hacemos de ella sino una fuerza que hay que «domesticar» .. y esto no data de ayer. 69) ¿No son estos mismos «generalizadores» los que busca Herzberg con sus «gerentes educados»? Revista ANGRAD . los capítulos VII y IX de nuestra tesis: O. la mayoría de las veces. padre del procedimiento sistemático. lo cual nos lleva a enseñarla . 1983). 1. precisamente.

N. de otras culturas? ¿Allí donde. 1. oficialmente o no.Omar Aktouf J. una humanidad y una «cultura»: aquélla del reino de las relaciones mercantiles en la que la institución productora de excedente monetario es una especie de divinidad que impone sus leyes y sus caprichos. ligada a una época.V. ¿Habrá allí un problema más complejo que tiene que ver con la socialización y la aculturación y que por lo tanto está mucho más allá del de la transmisión simple y directa de un saber? No hablamos. «hacer negocios» es un tipo particular de «socialización»... (p. a pesar de que numerosas multinacionales han intentado integrar a los autóctonos a su personal de dirección suministrándoles informaciones previas. Sin un acercamiento sistemático que permita dosificar e integrar las contribuciones respectivas de cada disciplina.. al denunciar la ausencia de verdaderos acercamientos sistemáticos en la enseñanza. 2006 ./Fev.. 262) Por otra parte. HEC-Montreal.. nos da una fórmula que refleja bien el estado de cosas en administración: . a título de ejemplo. maneras y comportamientos de sus brillantes predecesores: las «ideas personales» y los «principios propios» de «algunos grandes jefes» de Fayol. En el fondo. Es también ampliamente conocido que los habitantes de algunos países no desarrollados «no están hechos para gerenciar». las dificultades de transferencia que tiene la administración en tanto que disciplina importada a los países que buscan seguir el camino del desarrollo industrial (incluso la URSS tiene su «Academia Soviética de administración») son tales. De Rosnay (1975). debido a múltiples problemas «socioprofesionales». junio de 1980).. (pensemos en la presencia de miles de ejecutivos franceses en Costa de Marfil por ejemplo).. el fracaso total de la formación en administración impartida por los norteamericanos a jóvenes habitantes de ciertas islas del Pacífico: éstos terminan. No nos detendremos en este punto. que estamos en el derecho de preguntarnos si no hay una buena parte de la humanidad que sea refractaria a ella de manera absoluta o. Los «viejos fundadores» de la «doctrina de los negocios» no se equivocaban: se trata pura y simplemente de «inculcar» a los futuros «jefes» las convicciones. por lo menos. lo que sería aún más evidente a este respecto. Una verdadera pluridisciplinariedad no puede nacer de la yuxtaposición a priori de ciertas disciplinas en un mismo campus o en un mismo edificio universitario. Jan. a un cierto período de su «evolución». de países que confiesan oficialmente una ideología y un proyecto social opuestos a los de los países «exportadores» de administración. 7./Mar. Laborit durante el coloquio «Ciencias de la vida en administración». por constituir una clientela bastante asidua de los servicios neurosiquiátricos de los hospitales de sus islas (ejemplo citado por L. ideológica y 70 Revista ANGRAD . ¿Qué ocurre realmente cuando se trata de realizar esta misma operación con personas de otros lugares.. la pluridisciplinariedad no sobrepasará el estadio de la «yuxtadisciplinariedad». pero podemos señalar.

A modo de conclusión Hoy más que nunca./Fev..V. de las «humanidades» y del espíritu crítico no beneficia a nadie. Friedman hasta A. de este modo las escuelas de administración ponen en la cabeza de los administradores la imagen de un hombre parecido a la termita. decimos: la ausencia de una cultura general. ¡desde Hawai hasta la India.. J. de escuelas e incluso de facultades ad hoc. A. Herzberg. Sin hablar del hecho de que la administración es./Mar.. los sacro-santos «rentabilidad /costos / beneficios/excedentes» no son los valores dominantes? ¿No es. Como dice Herzberg (1980).desde G. Corm (1978).. la administración se propone hoy a domicilio (con gran refuerzo de programas de ayuda) bajo la forma de implantaciones de institutos. N. pasando por África y América Latina! Volvemos a encontrarnos con G.La Administración y su Enseñanza: ¿Entre Doctrina y Ciencia? explícitamente o no. en los contenidos debe hacerse un esfuerzo considerable por separar lo bueno de lo malo.. Jan. F. el «servicio pos-venta» del vasto «comercio» de tecnología al cual se entregan los países ricos? Utilizada en un comienzo por el empleador como un modo de contratación en la fábrica de puertas abiertas. aquél de la expansión de la administración: uno y otro contribuyen a hacer de los países no industrializados los cómplices activos de un servilismo económico y cultural aún más profundo. cada día más dramática. 1. para agregar a su análisis de la mundialización de la ideología occidental del desarrollo. de un saber realmente científico. entre los dos sectores que han sido “sabiamente” separados desde la era colonial: el sector moderno presa y cómplice del «progreso occidental» y el sector tradicional víctima de los dos. con C. como la enseñanza de la administración se reserva para las «élites» a su vez provenientes de otras «élites» -. mirándolo bien. refuerza las burguesías compradoras del Tercer Mundo (y a los establecimientos tecnocráticos) contribuyendo así a una gran aculturización y agravando la no interpenetración sociológica. Por otra parte... 7. Argyris. una intrusión en la vida misma de las personas.Toffler pasando por Marcuse y Whyte -.. Una reflexión para lograr una reestructuración seria de los contenidos y métodos en los programas de administración y en varias direcciones nos parece necesaria e incluso imperativa: • En primer lugar. con infinitamente menos preparación y precauciones. y ya se sabe perfectamente a dónde puede conducir esto. Lee de la Universidad de Ohio (1980) ha mostrado Revista ANGRAD . 2006 71 . Una enseñanza hasta ese punto ideológica y disecada puede conducir a absolutos y aproximaciones muy peligrosas. por el tipo de relación entre los hombres que conlleva. A . Más de un autor occidental ha denunciado los perjuicios que esto causa . perjuicios que comienzan a padecer los hombres de mundo no industrializado. Chanlat.

La investigación de la revista Time (Friedrich 1981) es bastante reveladora con respecto a este punto: los egresados de los M. Finalmente.B. Reconciliarlos con el «terreno» que abandonan e ignoran para «hablarse entre ellos».son incompatibles? De ser así sabemos entonces el precio que hay que pagar.N. sobre todo. ¿Cuándo tendremos una deontología de la profesión administrativa? ¿Estos dos elementos . 72 Revista ANGRAD .Omar Aktouf cuántas mentiras y distorsiones graves hay en los fundamentos teóricos más sólidamente establecidos de la administración. Jan. pretenciosos e inútilmente «agresivos ». semi-ignorantes... • Hacer de tal manera que puedan comprender y admitir diferentes culturas.A. los auditorios y las circunstancias.los diferentes «perfiles» de Ph. N. • Hacer de tal manera que los estudiantes de administración «aprendan a aprender». • Hacer de tal manera que puedan seguir y comprender el desarrollo de las ciencias y sus implicaciones. las personas. contables y financieros.cap.4)-.V. • Reducir la importancia. de los enfoques cuantitativos. un conjunto de preceptos destinados a ser interpretados en función de las relaciones humanas y la práctica. en términos éticos y de actitudes: la administración es ante todo una praxeología. la información.si se juzga de acuerdo a la antigua tradición de los negocios . la economía y el comportamiento humano. 1.. Behrman y R./Mar. arrogantes. estadinenses son. en las cuales son excelentes las escuelas de administración.. ¿Cuántas «verdades primeras» se trajinan en nuestras numerosas teorías y «generalizaciones» sin que surja la idea de problematizarlas? • En segundo lugar.. que va hasta el monopolio. Levin (1984) de la North Carolina Graduate School of Business: • Reducir la enseñanza presentada bajo la forma de «packages» y de «cajas de herramientas». 7..para humanizarlos . en lugar de prepararlos meticulosamente para ejercer un constante «imperialismo cultural».. expresamos nuestro acuerdo con los caminos que preconizan T.I. en términos didácticos -sin abordar el problema particular del método pedagógico (cfr.. Por esto. • Ampliar los modelos y paradigmas simplistas con los que se trata generalmente a la sociedad. en lugar de atropellarse para acumular toda clase de «recetas». • No especializar .D y de profesores. 2006 . • Reducir el énfasis que se da (explícitamente o no) a la manipulación de los datos./Fev. algunos autores «originales» se contradicen de manera evidente e incluso han transformado sus «datos» o sus conclusiones según. los conocimientos cada vez más fragmentarios y descarnados representan un peligro real: aquél de poner en manos cada vez menos «responsables » (porque están cada vez más llenas de certezas y de «cajas de herramientas» a modo de saber y de cultura) un poder «tecnológico » cada vez mayor.

.La Administración y su Enseñanza: ¿Entre Doctrina y Ciencia? • Integrar con sus conocimientos la preocupación por el aspecto ético de sus decisiones. 7. y nuestro razonamiento. por esa «super herramienta» que se exime (y exime) a la vez de la significación./Fev. 1. vasto y ambicioso. nuestros lenguajes. Marcuse (1968).. ¿La empresa es ese universo cerrado. sobre todo en lo referente a las ciencias humanas: algunos cursos obligatorios de conocimientos «puros» y de reflexión sobre el sentido de estos conocimientos serían ciertamente un excelente remedio para la falta de cultura y de juicio general que algunos deploran hoy en día en numerosos administradores. Y esto en el momento en el que la generalización de la informática se hace tan importante. y seductora para la tenaz tradición del administrador «rápido-yeficaz». Jan. según parece. Finalemte. 2006 73 .. ¿no llega a la facultad de administración para acumular – y nosotros los preparamos con cuidado .. • Sistematizar la interdisciplinariedad y el examen de los límites de cada materia enseñada. nuestros diálogos.nuestras memorias. los protagonistas y los «vencedores» y cuáles son las encrucijadas de hoy.. ¿Qué podríamos agregar si no que como lo recuerda el eminente biólogo A. «el hombre es un animal programado para comprender y no para aprender»? ¿Qué lugar tiene el «por qué» en nuestras escuelas de administración../Mar.. armónico. He aquí todo un programa. sin entrar en detalles. 1971) nos previno. N. de la organización. • Reorientar la investigación hacia las preocupaciones menos estrechamente cuantitativas y menos obsesivamente «metodológicas ». todopoderoso y bienhechor que el estudiante tiene en la cabeza desde antes de sufrir nuestras enseñanzas que.«herramientas». Sartre (1980).. ya en su época. recetas y modelos más «eficaces» unos que otros? Nuestros estudiantes y practicantes deben aprender a comprender y buscar comprender cuál es la esencia real de la empresa.. de todos los ciclos y de todas las profesiones. pero la convergencia y la importancia actual de las críticas tanto internas como externas lo hacen urgente. aprender que privilegia una manera de ver? ¿Y a nombre de qué?. «administrativas». «deben» reforzarlo en sus convicciones y sumergir todos sus prejuicios en un mundo funcionalista sereno? ¿Este estudiante no debe.. cuáles han sido las encrucijadas de la Revolución Industrial. de la finalidad y de la ética. invitamos a un uso menos parcial (y parcializado) de las ciencias. tan definitivamente instaladas en el «cuánto» y el «cómo»? La clientela.después de haberlo hecho con nuestros obreros .. Jacquard (1983). al menos.. ¡El algoritmo solo justifica la acción! Nietszche (en Goldman. Es grande la tentación de reemplazar .V.. Whyte (1959) e incluso Herzberg (1980) lo constataron. Nuestras escuelas de administración figuran entre los bastiones más sólidos de la «tecnologización» de las relaciones y de la desaparición progresiva del cuidado ético. es indudablemente el tiempo - Revista ANGRAD .. del precio que tendríamos que pagar por haber puesto la filosofía fuera de la ciudad.

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Weber (1978) não se preocupou em definir burocracia.O Ensino da Burocracia: um Estudo de Caso Teórico-Empírico Jaqueline de Fátima Cardoso Mestre em Administração . Quanto aos procedimentos metodológicos.ufsc. Tal objetivo foi proposto com o intuito de que os alunos pudessem identificar. C – ap. preferiu conceituá-la por meio da enumeração de suas características. do primeiro período do Curso de Administração da Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI. 1. mas sim. a pesquisa foi do Revista ANGRAD .br Janaína Renata Garcia Mestranda em Engenharia de Produção – UFSC Pesquisadora do Núcleo de Estudos Estratégicos do CPGA – UFSC Endereço: Rua Lauro Linhares.V.UFSC Profª do Curso de Administração da Universidade do Vale do Itajaí Pesquisadora do Núcleo de Estudos Estratégicos do CPGA – UFSC Endereço: Rua Procópio Manoel Pires. características da burocracia discutidas em sala de aula. 7. 2006 79 . 153/301 – Trindade 88036-090 – Florianópolis/SC e-mail: jaquelinecardoso@yahoo. junto às organizações.88040-900 – Florianópolis/SC e-mail: mpereira@cse. Por isso./Fev.br Maurício Fernandes Pereira Doutor em Engenharia de Produção – UFSC Prof° do Curso de Administração e do Mestrado em Administração da UFSC Diretor do Centro Sócio-Econômico da UFSC Endereço: Universidade Federal de Santa Catarina .com. Em seus estudos. o entendimento da burocracia passa pela identificação de suas características dentro de um contínuo onde não há presença ou ausência. 739 – Bl. N. Jan.br Resumo O artigo tem por objetivo identificar o nível de burocratização em organizações. diferentes níveis de burocratização.ufsc.Centro Sócio-Econômico Campus Universitário – Trindade ./Mar. sob o ponto de vista dos alunos da disciplina Teorias da Administração.102 -Trindade 88036-002– Florianópolis/SC e-mail: janaina@deps.

Abstract The article has for objective to identify the level of bureaucratization in organizations. Weber (1978) descreveu a burocracia como um “tipo ideal”. é que o professor e sociólogo alemão Max Weber desenvolveu seus estudos. but yes. education of the administration. mas sim. suas dimensões não necessariamente precisam estar presentes na sua totalidade. organizations. its dimensions not necessarily need to be gifts in its totality.V. de forma que ele apareça em seu sentido puro. but yes./Fev. Introdução Com a expansão das indústrias. Although the bureaucracy is a requirement for characterization of organized social systems. a presença de uma característica não necessariamente implica na presença ou ausência de outra. Palavras-chave: burocracia. Sua contribuição foi importante para o desenvolvimento das estruturas organizacionais. in determined dimensions with greater or minor intensity.Weber (1978) was not worried in defining bureaucracy. até mesmo em função da natureza humana. os problemas se cumularam em escalas geométricas. 7. Da mesma forma. together to the organizations. organizações. Como o tipo ideal é inatingível. não existe organização exatamente pura. under the point of view of the pupils of disciplines Theories of the Administration. Such objective was considered with the intention of that the pupils could identify. 2006 . 1. 1. Key-Words: bureaucracy. sem conotação de valor. N. Visando encontrar uma maneira mais racional de organizar o trabalho. How much to the methodologicals procedures. na qual são definidas as características extremas desse fenômeno. 80 Revista ANGRAD . preferred to appraise it by means of the enumeration of its characteristics. argued characteristics of the bureaucracy in classroom. of the first period of the Course of Administration of the Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI. Embora a burocracia seja um requisito para a caracterização de sistemas sociais organizados. Jan. bem como analisar o comportamento dessas grandes corporações./Mar. ensino da administração. In its studies. em determinadas dimensões com maior ou menor intensidade. the agreement of the bureaucracy passes inside for the identification of its characteristics of a continuous where it does not have presence or absence. Therefore.Jaqueline de Fátima Cardoso. the presence of a characteristic not necessarily implies in the presence or absence of another one. different levels of bureaucratization. exigindo uma nova ordem organizacional e uma nova estrutura de autoridade e poder. O tipo ideal é uma abstração. In the same way. the research was of the quantitative type and descriptive character. Janaína Renata Garcia e Maurício Fernandes Pereira tipo quantitativa e de caráter descritivo.

contudo. a burocracia nas organizações vem desde a antiguidade. Em resumo. Seu caráter racional contribuiu para elevar a eficiência organizacional e individual. A situação econômica é de instabilidade. Apontam.C . a burocracia ganhou espaço privilegiado de estudos a partir das décadas de 60 e 70 do século XX.V. vem ocorrendo desde antes de Cristo. frente aos demais. entre o irracionalismo e o objetivismo científico. A importante obra de Weber não negligenciou as delimitações históricas. pouco competitiva e dominada por cartéis.O Ensino da Burocracia: um Estudo de Caso Teórico-Empírico Hall (1978) ao conceituar a burocracia. proporcionando desenvolvimento com base em estruturas estáveis e rigorosas. Essas características proporcionaram à burocracia um papel fundamental na sociedade. a burocracia assumiu um papel grandioso na sociedade. os autores que não é apenas a predominância das organizações que torna particularmente importante seu estudo. destacando-se como um recurso em todas as administrações. alternadamente. as organizações têm um papel essencial na formação da personalidade do indivíduo moderno. que quando presentes./Mar. regras e rotinas. criando uma nova sociologia. Estados Europeus organizados a partir da idade média e a Igreja Católica. Os autores observam que Weber não partiu do ponto zero em seus estudos sobre a burocracia. para haver uma uniformidade das ações dentro dessas corporações. com destaque para o Império novo Egípcio (1580 a. Sua influência modificou e transformou ambientes desordenados em sistemas organizados e racionalmente estruturados. de forma que os estudos da racionalidade burocrática e do capitalismo são paralelos (MOTTA E PEREIRA. 7. Suas dimensões tiveram grande aceitação e aplicação tanto no sistema capitalista privado quanto público. Hall (1978) explica que. que se constitui na mais antiga das burocracias. Segundo os autores. As organizações administrativas são pesquisadas em épocas muito diversas. Relacionados. A Alemanha movia-se. por outro lado. De acordo com Motta e Pereira (1987).C). O estudo da burocracia nasce numa Alemanha dominada pelo poder do Estado sobre a sociedade civil e dentro de uma crise social e política estabelecida. tendo em vistas que estas são centrais no desenvolvimento da sociedade moderna. Primeiramente como instrumento gerenciador e impulsionador das organizações. Motta e Pereira (1987) compactuam da importância do estudo das organizações. N. também. seria preciso desenvolver normas. Foi dentro desse cenário que Weber delineou a burocracia e sua erudição. o Estado Bizantino. entretanto.712 a. as organizações e sua administração são fatores para o desenvol- Revista ANGRAD . 1987). mas sim a existência de outras razões. 2006 81 . Jan. estão o Império Romano. formariam a estrutura burocrática. que pudessem definir as responsabilidades. o Império Chinês. De um lado. É bom ressaltar. 1. depois como a grande vilã de tudo que há de errado nos processos estruturais e gerenciais das empresas. transformando-se em um dos mais poderosos instrumentos de gestão. considerado por Weber como um modelo. destaca que Weber enumerou uma série de atributos. que a burocracia é um fenômeno antigo. A teoria da dominação foi o ambiente central de seus estudos. nem positivista e nem marxista./Fev.

não. ou seja. Weber (1978) identificou três tipos de autoridade legítima: (1) a autoridade tradicional. Isto foi resultado de seus estudos sobre os tipos de autoridade presentes em diferentes organizações sociais. de forma racional. eventualmente. Para Motta e Pereira (1987) as organizações são indiscutivelmente o tipo de sistema social predominante das sociedades industriais./Fev. o entendimento da burocracia passa pela identificação de suas características dentro de um contínuo. que é a crença ilimitada na razão humana. preferiu conceituá-la por meio da enumeração de suas características. artesanal e. Weber (1978) não se preocupou em definir burocracia.. e (3) a autoridade racional-legal. as organizações são frutos do racionalismo. N. mas como um tipo de poder ou de dominação. 1. (2) a autoridade carismática. ou sistema social em que a divisão do trabalho é racionalmente realizada tendo em vista os fins visados”. características peculiares da burocracia discutidas em sala de aula. A tipologia de autoridade apontada por Weber apud Etzioni (1989). 7. sob o ponto de vista dos alunos da disciplina Teorias da Administração. 21). em que leis e normas garantem. em organizações. que dominam. Dizem os autores que. o estudo de organizações burocráticas justifica-se pela sua importância no desenvolvimento da sociedade. 2006 . Antes. Janaína Renata Garcia e Maurício Fernandes Pereira vimento de qualquer país. mas que assumiu um papel decisivo e autônomo no século XX. O presente estudo tem por objetivo identificar o nível de burocratização em organizações. nos tipos de poder aplicados. Portanto./Mar.. baseia-se nas fontes e tipos de legitimidade empregados e. do primeiro período do Curso de Administração da Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI. A organização burocrática A burocracia é uma estratégia de administração adotada desde as formações précapitalistas. feudo.] uma organização ou burocracia é um sistema social racional. 2. “[. comercial. cuja autoridade é passada de uma geração para outra. são as organizações. p. é possível afirmar que a sociedade moderna se caracteriza pelas organizações. pequena empresa familiar de caráter agrário. cada vez maiores e melhor estruturadas. Em seus estudos. Assim. na prática. Por isso. 82 Revista ANGRAD .Jaqueline de Fátima Cardoso. Jan. mas sim. Diante disso. Tal objetivo foi proposto com o intuito de que os alunos pudessem identificar. denominada por Drucker (2002) de sociedade das organizações. Motta e Pereira (1987) enfatizam que Max Weber não considerou a burocracia como um tipo de sistema social.este tipo de autoridade é a base da burocracia. onde as características e ações do indivíduo sustentam sua autoridade. Para Motta e Pereira (1987. na sociedade moderna. onde não há presença e ausência. a sociedade era constituída de pequenos sistemas sociais desorganizados – família. a autoridade de um cargo a ser assumido por um indivíduo .V. clã. tribo. diferentes níveis de burocratização.

deliberada e intencional”. Weber (1978) assevera que Revista ANGRAD . Enquanto Barnard apud Hall (1984) se preocupa com os membros do sistema. com alto grau de lealdade e atitudes favoráveis de confiança entre superiores e subordinados (LIKERT. destinando-se a fazer alguma coisa. cuja divisão do trabalho é corrente e. Assim sendo. O autor. 7. agindo em perfeito equilíbrio. Uma das grandes características da burocracia é o seu sistema de cadeia hierárquica. Essa estrutura burocrática está presente em todos os sistemas sociais organizados. acentuando o papel deste. N. Weber apud Hall (1984) enfatiza o sistema e sustenta que as organizações efetuam atividades intencionais contínuas. uma instituição existente. Na primeira concepção. sugerindo dessa forma uma hierarquia de autoridade e uma divisão de trabalho. ligando os vários escalões hierárquicos por toda a instituição. dentro de diretrizes básicas previamente estabelecidas pelas autoridades superiores. 1. assim como uma estrutura burocrática claramente definida. valores e posições sociais ocupadas pelos indivíduos. a burocracia é um sistema social racional. embora interessados. não teriam individualmente. Segundo Motta e Pereira (1987).V. Já Barnard apud Hall (1984. 2006 83 . Acrescenta ainda Weber apud Hall (1984) que os padrões de interação não surgem simplesmente. as pessoas são ensinadas e treinadas para ocupar cargos. a organização é um tipo de sistema social. condições de operacionalizar seus conhecimentos. são impostos. define organização como sendo “um sistema de atividades ou forças de duas ou mais pessoas conscientemente coordenadas. p. a própria organização tem uma fronteira. ainda. ordenadamente. executam serviços e transformam matérias-primas em bens de consumo ou de capital. torna-se acessível e útil a todos aqueles que. compõem-se de acordo com os grupos de trabalho interligados./Fev. isto é. organização é a forma pela qual determinada coisa se estrutura. as organizações transcendem a vida de seus membros. 1975). através de seus princípios. exercer funções e desenvolver tarefas. Motta e Pereira (1987) evidenciam dois sentidos para organização. é inclusive o modo pelo qual as organizações se ordenam. Nela. Jan. Se a organização transcende. em busca de objetivos visados ou um sistema social. executada. As organizações são sistemas sociais. firmemente entremeado e funcionando de forma competente. se preocupa com o indivíduo. a organização burocrática. Em um segundo sentido.O Ensino da Burocracia: um Estudo de Caso Teórico-Empírico Ao buscar conceituar organizações./Mar. Esse sistema. normas e leis. elas desenvolvem culturas de crenças. Assim. estar motivados e tomar decisões. onde há uma firme subordinação de autoridades. Desse modo. atividade desempenhada através de coordenação consciente. onde pessoas se relacionam. diferenciando-a das demais organizações de outras entidades sociais. Weber apud Hall (1984) compreende a organização burocrática como um grupo empresarial que envolve um relacionamento social que ou está fechada ou limita a admissão de estranhos. Como sistemas sociais. é porque é perene no tempo e essa obrigação está no pressuposto de que ela existe porque tem uma missão e uma função a cumprir na sociedade. pois são os indivíduos que devem comunicar-se. 21).

determinada pela política de poder e pelo desenvolvimento das finanças públicas. Tal precisão. Em toda parte. tornou-se efetivamente imprescindível ao crescente aumento da economia de mercado. p. continuidade e descrição.V. foi a necessidade de se criar verdadeiros exércitos permanentes de pessoas. 1974). O fator decisivo que impulsionou o desenvolvimento da organização burocrática foi a sua superioridade técnica sobre qualquer outra forma de organização (WEBER. 282). a administração burocrática tornou-se a mais racional do ponto de vista técnico. 2006 . Estados Unidos e Inglaterra (WEBER. velocidade. O alcance dessas exigências fica facilitado devido à burocracia ter uma configuração estrutural rígida. N. salários e promoções baseados no mérito . proporcionando desenvolvimento e prosperidade. as incertezas e instabilidades. a burocracia. Dessa forma. a hierarquia de funções é do tipo “monocrática”. complementa o autor. Conseqüentemente. teve resultados satisfatórios./Mar. que exigia dos negócios capacidade técnica. Aproveitando esse momento histórico. que o progresso da burocratização na própria administração estatal é um fenômeno paralelo da burocracia. Compara-se seu mecanismo plenamente desenvolvido às outras organizações. Freund (1987) afirma que pode ser constatado cada vez mais que a sorte material 84 Revista ANGRAD . até agora. tornando-se simplesmente indispensável para a administração de massa. na medida em que organizou os sistemas e gerou riqueza. ou seja. a subordinação a um único chefe./Fev. controle. Segundo Motta e Pereira (1987). devido a sua variação. políticas de gerenciamento estabelecidas e a inflexível obediência dos indivíduos aos padrões técnicos e culturais da organização. ainda dentro dessa perspectiva. A implementação desse modelo oportunizou às organizações um impulso. transforma esse espaço em um ambiente extraordinário para a propagação de novos instrumentos gerenciais eficazes. cujas características podem ser reconhecidas e avaliadas por todos. a preocupação crescente das organizações em romper o ambiente caótico que se havia instalado em suas bases. proporcionado pela expansão e o aumento de suas estruturas. a burocracia passa a aplicar nas organizações elementos importantes de gestão tais como: divisão do trabalho. até então ocasionadas. da mesma forma como a máquina pode ser comparada aos modos não mecânicos de produção. 7. 1. 1974). os benefícios se estenderam para toda a sociedade.necessários para tornar os ambientes organizados e estruturados.Jaqueline de Fátima Cardoso. São essas condições formais explícitas. normas extensivas. Janaína Renata Garcia e Maurício Fernandes Pereira onde houver uma burocracia perfeitamente desenvolvida. Outro fator importante que influenciou o processo burocrático nas organizações. hierarquia de autoridade e poder. Segundo Weber (1974. Jan. Destaca Weber (1974) que. como se torna evidente em países como a França. Destaca-se. “o avanço da burocracia destruiu as estruturas de domínio que não tinham caráter racional”. que conseguem reduzir a desordem. a burocratização é ocasionada mais pela ampliação intensiva e qualitativa e pelo desdobramento do âmbito das tarefas administrativas do que pelo seu aumento extensivo e quantitativo.

2002). uma forma de relação de poder se estabelece de modo praticamente inabalável. Apesar de todo esse poder. uma complementaridade entre ambos (MOTTA E VASCONCELOS. KWASNICKA. que definem quais são os direitos e deveres e o que deve ou não ser aplicado como sanções. Na burocracia. Assim. 1989. De acordo com Weber (1974). na burocracia. a oficialização e a institucionalização do poder constituído. A autoridade representa. como instrumento de socialização das relações de poder. As normas e regulamentos são as bases que sustentam e ostentam o poder da autoridade burocrática. onde a burocratização da administração foi implementada./Fev. porém. isto é. existe poder existindo e. 1987). Revista ANGRAD . devido ao caráter racional da burocracia. 2006 85 . numa relação em que a autoridade está claramente definida pelos papéis estabelecidos dentro das organizações formais (MOTTA E VASCONCELOS. o exercício de controle da autoridade está baseado no saber. cabe ao cargo a obediência e não a alguém individualmente. ETZIONI. sem ódio ou paixões e. mas sim com autoridade do cargo no qual está investida. Onde existe autoridade. faz com que os detentores do poder se tornem ainda mais poderosos. Assim como o relacionamento. 1989). A hierarquia de autoridade contempla aos ocupantes certos privilégios e obrigações devidamente definidas por normas e leis. 2002. de forma que a autoridade se estabelece dentro das faixas de cada chefia. 1. 7. portanto. Os cargos. dentro do contexto burocrático. sem afeição ou entusiasmo. As normas dominantes são conceitos de dever estrito sem atenção para as considerações pessoais. O poder da autoridade se manifesta nos cargos ocupados pelas pessoas. Jan. O poder é a capacidade de aceitação de ordens e. predomina na dominação burocrática um espírito de impessoalidade formalista. a forma como as pessoas se comportam dentro da organização está subordinada às normas e regulamentos racionais.V. bem como o tipo de poder que será exercido sobre as pessoas. Essa prescrição de atribuições da autoridade serve para diminuir os atritos pessoais bem como garante ao funcionário a proteção necessária das atitudes despóticas dos seus superiores (FREUND. a burocracia foi e é um instrumento de poder de primeira ordem. Weber (1978) defende em seus estudos que. são distribuídos de acordo com o princípio hierárquico. todos na mesma situação de fato./Mar. não está relacionada com a pessoa. estipulando quais são os deveres e direitos e qual é o comportamento esperado dos participantes do sistema organizacional. dentro de uma estrutura protetora. A obediência. onde ao superior cabe dar as ordens e estas devem ser obedecidas. Todos estão sujeitos a tratamento formalmente igual. dentro de uma determinada área de competência. através do conhecimento prático adquirido no serviço. N. todavia. A burocracia estabelece que a autoridade é responsável pela obediência e o cumprimento às ordens e comandos.O Ensino da Burocracia: um Estudo de Caso Teórico-Empírico das massas depende fundamentalmente do funcionamento constante e correto das organizações burocráticas. portanto.

garantindo. o mais racional e conhecido meio de exercer dominação sobre os seres humanos. Janaína Renata Garcia e Maurício Fernandes Pereira Na atividade burocrática habitual. 1. hierarquia. Exerce determinadas influências sobre as personalidades de seus membros. autoridade legal. o exemplo típico de poder é o domínio legal. Divisão do trabalho: é um instrumento que possibilita a sistemática especialização de alto grau. Ao analisar o “tipo ideal” de burocracia é possível perceber que a grande maioria das características anteriormente apresentadas está presente nas organizações de hoje. a proposta de Weber objetiva tirar das organizações. Características da burocracia As principais características da burocracia do “tipo ideal” preconizada por Weber (1978) são: disciplina. 2. formalmente. onde as pessoas são submetidas a rígidos controles de obediência e formalismo. não importando se há rotatividade das pessoas nas funções burocráticas ou não. é. Este tipo é superior a qualquer outro em precisão. também. Para os autores. sendo as bases da burocracia as suas próprias características./Mar. 2006 . 7. o caráter dominador tradicional e carismático. o modelo burocrático precisa especificar claramente as suas características básicas em detalhes. Merton apud Etzioni (1989) observa que o poder burocrático vai mais longe. As características consideradas como instrumentos de maior eficiência são as seguintes: 1. claro que em uma graduação diferente da sua forma pura. 3. tendo como base Weber. N. já que Weber não considerou. a eficiência da organização. O poder como instrumento de gerenciamento da autoridade burocrática define e especifica os interesses da organização. nesse sentido. cuja gestão não está preocupada com a realidade e a eficiência. rigor disciplinar e confiança (WEBER. Jan.V./Fev. a estrutura informal. a burocracia é capaz de atingir um alto grau de eficiência e. Dentro dessa perspectiva dominante. Sistemas de normas: são regras gerais escritas. 86 Revista ANGRAD . Motta e Vasconcellos (2002) consideram as dimensões burocráticas dentro de algumas características básicas.Jaqueline de Fátima Cardoso. assim. determinando os procedimentos formais. determina o emprego de pessoas tecnicamente qualificadas. conforme pode-se observar na seqüência. definindo como a organização deve funcionar. estabilidade. nesse modelo. especialização das funções. Para uma maior compreensão do modelo burocrático de gestão. Essas atitudes tornam possível a coordenação e garantem a uniformidade e continuidade das atividades. que se cria a partir das crenças e valores dos seus membros. a tomada de decisões arbitrárias e autoritárias. impondo aos subordinados a forma como devem ser realizadas as tarefas para o alcance dos objetivos traçados. carreira vertical e formalização. Para atingir esse objetivo. que estimula as tendências para a aceitação rígida de regras e regulamentos como valores independentes. 1978). Impossibilitam.

6. considerando apenas a competência. 5.O Ensino da Burocracia: um Estudo de Caso Teórico-Empírico 3./Mar. dentro das quais suas atividades são executadas. N. Todos são tratados igualmente. 1. qualificado para o cargo. A obediência é ao cargo. Os meios de produção não pertencem ao burocrata (administrador). O ocupante do cargo está sujeito às imposições da burocracia. Especialização da administração: há uma separação entre o dono do capital e o dirigente. 2006 87 . não há lugar para sentimentos. sem qualquer interferência ou preferências emocionais. racional e competentemente. 7. favoritismo. As pessoas executam suas atribuições dentro de um sistema de controle escalar. indo do topo à base da pirâmide. seguindo um padrão previamente definido e estabelecido pelas normas técnicas. de modo que a disciplina e as decisões não sofram interferência alheia à racionalidade no alcance dos objetivos da organização. A escolha segue padrões técnicos e não preferências pessoais. de forma que as comunicações sejam interpretadas univocamente. de forma que a transparência e a promoção de pessoal é determinada por critérios iguais para todos. donde o comando e a responsabilidade estão claramente estruturados e dimensionados. Quem administra a organização é um profissional. sem ódio ou paixão. Esse procedimento objetiva adequar a documentação. estão acima deste. Formalismo das comunicações: a burocracia é uma organização ligada à comunicação. Cada conjunto de ações tem suas relações funcionais ligadas aos objetivos da organização. 4. 8. demonstrações de simpatia e antipatia. Profissionalização do participante: na organização burocrática. O administrador é selecionado pela sua capacidade técnica. a capacidade e o mérito do funcionário. não podendo agir de forma independente. gratidão. 9. Na burocracia. Seleção e promoção de pessoal: a seleção para admissão do funcionário é baseada no mérito técnico. Jan. Tudo é regido pela obediência à autoridade superior. em seu estado puro. Hierarquia da autoridade: objetiva proporcionar uma estrutura hierárquica na organização. Formalização dos procedimentos: a burocracia estabelece que as regras e normas técnicas sejam fixadas para cada cargo.V. de modo que o seu formalismo é indispensável. os participantes são profissionais pelos seguintes motivos: (1) cada funcionário é um especialista no Revista ANGRAD . É regulado por regras e leis. Impessoalidade: são relações que se caracterizam pela individualidade. O administrador burocrático é imparcial e objetivo e tem como missão cumprir as obrigações de seu cargo e contribuir no alcance dos objetivos organizacionais. Sua função é gerir. 7. O caráter impessoal da burocracia é claramente definido por Weber quando ele afirma que esta segue o princípio administrativo. recebe um salário e pode ser demitido. São critérios de caráter universal. a organização em busca dos resultados traçados. não à pessoa. Essa padronização possibilita avaliar adequadamente o desempenho de cada um dos participantes./Fev.

A divisão por classe permite administrar a organização sem que seja preciso estar tomando decisões a cada instante. Tudo na burocracia é fixado de forma racional no sentido de prever antecipadamente as reações humanas. aceita que promove e facilita a racionalidade e a constância na consecução dos objetivos. mas porque não existe uma norma ou regra que determine a permanência do indivíduo no cargo ou função. Janaína Renata Garcia e Maurício Fernandes Pereira seu cargo. um comportamento disciplinado das pessoas. com base na competência técnica e capacidade. exercendo o poder de dominação sobre as pessoas através das regras e dos regulamentos. A visão burocrática é de padronização. segundo Motta e Vasconcelos (2002). Jan. Os participantes são separados por categoria de forma que haja um perfeito controle. socialmente. 1. (3) é um profissional selecionado e escolhido por competência e capacidade. o caráter de previsibilidade do comportamento de seus membros. a preocupação apenas com o sistema estrutural da organização e o seu conjunto de cargos e funções. todas as ações e reações do comportamento humano na organização devem ser previsíveis. N. já que estabelece oportunidades e cria condições para tomada de decisões. não porque seja vitalício. (4) seu tempo de permanência na organização é indefinido. também. já que seria muito custoso e complicado estabelecer um tratamento individualizado. quando o momento exige uma tomada de decisão impessoal. tendo em vista que as ações são definidas por leis e a coordenação é feita por uma hierarquia de autoridades. Perrow (1972) salienta a importância desse contexto dimensional e diz que o modelo burocrático é uma organização controladora das influências externas ao ambiente de trabalho./Fev. Possibilita. mas porque é a sua principal atividade. através de um plano de carreira. Não há a menor preocupação com o comportamento individual das pessoas. e (6) o participante não é o dono dos meios de produção.Jaqueline de Fátima Cardoso. 2006 . 10. O tratamento formal e impessoal é indispensável para desviar-se do perigo da discriminação e do favoritismo. gradativamente vai se tornando um generalista. A burocracia é a forma mais eficiente de organização administrativa. Dessa forma./Mar. além de proteger o indivíduo do constrangimento provocado por amizades. na medida que sobe ao topo da organização. evidencia-se claramente nas dimensões burocráticas. daí.V. estabelece decisões racionais e alcança desempenho operacionalmente eficiente. para que seja possível a obtenção da máxima eficiência possível. Ainda para os mesmos autores. (2) o funcionário é um ocupante do cargo. corretas. 88 Revista ANGRAD . Previsibilidade do funcionamento: todos os funcionários devem comportar-se dentro das normas e regulamentos determinados pela organização. (5) o funcionário é recompensado dentro da organização por uma sistemática de promoções. Esse modelo de organização. tecnicamente. 7. não havendo tratamento diferenciado. ele não o ocupa por vaidade ou honraria.

onde os indivíduos. desempenham variadas funções. também. em que a rígida normatização das atividades faz as pessoas agirem de maneira integrada. também. é possível expressar de modo simplificado algumas de suas características básicas que manifestam esta qualidade racional: a) o caráter formalista da burocracia exprime-se no fato de que a subordinação está submetida ao poder da autoridade superior. são limitados pela organização. As organizações burocráticas são sistemas que se caracterizam pela divisão do trabalho em níveis hierárquicos e tendo como atribuição. 1. Observa-se. é necessário que as organizações sejam administradas por homens especializados. d) o crescente controle. p. isto é. atender às necessidades dos seus componentes e da sociedade. pode-se concluir que as organizações burocráticas são relacionadas por uma reunião de congruências sociais estáveis. sem consideração ao elemento humano. acentuam-se cada vez mais. nas organizações. conjunta e uniforme em todo o complexo empresarial. Revista ANGRAD . Assim sendo. os grupos de trabalho em operação desenvolvem profissionalmente seus papéis./Mar. organizados em departamentos. conduzidos por posições hierárquicas que comandam as relações entre pessoas. em forma de grupos especializados. que. Assim. que. o poder racional legal e que por sua vez as organizações são sistemas sociais racionais.O Ensino da Burocracia: um Estudo de Caso Teórico-Empírico Enfatizam Motta e Pereira (1987) que a burocracia tem como fonte de legitimidade. Jan. devidamente documentados. buscam encontrar o melhor meio de atingir suas metas e objetivos. na produção de bens e serviços. 7. coordenados e controlados que. num esforço de relações pessoais./Fev. c) por serem as burocracias estruturas sociais de grandes dimensões. caracterizada a organização como um conjunto de indivíduos mobilizados. capaz de alcançar os fins a que se propõe. por sua vez. A burocracia produz ambiente organizacional. o prestígio e o poder que os administradores profissionais exercem sobre as burocracias. São sistemas sociais. constituindo a sua forma. N. objetivos e políticas a serem implementados ou desenvolvidos. por meio da distribuição de funções e responsabilidades”. “a organização pode ser o arranjo e a obtenção de pessoal para facilitar a realização de algum objetivo de comum acordo. b) a administração burocrática é executada de forma impessoal. ao ocupante do cargo e não à pessoa. a ponto de estas passarem a ser totalmente dominadas por eles. 2006 89 .V. 30). como assinala Selznick apud Etzioni (1973. Ou ainda. Pode ser. no sentido de alcançar objetivos comuns. São regidos por um conjunto de regras e regulamentos.

imobiliária. porque utiliza referencial estatístico para análise e interpretação dos dados e. e seleção e promoção de pessoal. Hall (1978) destaca que a burocracia é uma condição que existe ao longo de um contínuo e. Hall (1978) verificou alguns autores que estudaram as diversas dimensões da burocracia e. Jan. hospital. Após discutir assuntos pertinentes à Burocracia. 1. confecções. contabilidade./Mar. não. a saber: divisão do trabalho. na disciplina Teorias da Administração I. (COOPER E SCHINDLER. O processo de amostragem utilizado foi não probabilístico. informática. Foram pesquisadas 41 organizações compreendendo tanto empresas de produtos tangíveis (indústria) como prestadoras de serviços. foi estabelecida uma escala de 1 a 5. uma condição que esteja presente ou ausente. higiene.Jaqueline de Fátima Cardoso. cujo conteúdo refere-se ao estudo da Teoria Geral da Administração. transportadoras. foram escolhidas seis. escolheu seis. a partir disso. esta pesquisa pode ser considerada exploratória. argamassa. comércio de confecções. tais como: mineradoras. tendo em vista que os alunos tiveram a liberdade de escolher em qual organização fariam a coleta de dados. Procedimentos metodológicos O presente artigo teve como base um trabalho desenvolvido com os alunos do 1° período do Curso de Administração da Universidade doVale do Itajaí – UNIVALI – Campus Tijucas. A escolha destas características foi baseada nos estudos de Hall (1978) onde o autor examina as bases do modelo burocrático – as dimensões organizacionais que são caracteristicamente citadas como atributos burocráticos./Fev. também. 90 Revista ANGRAD . Dentre as características pertinentes à Burocracia. 2003) O instrumento de coleta de dados utilizado foi um questionário composto pelas seis características escolhidas. circuitos eletrônicos. mediante justificativa da indicação. N. sob a orientação da professora. descritiva. esquadrias de alumínio. Sob o ponto de vista dos alunos. Em tal estudo. A amostra foi por conveniência. projetos de construção civil.V. supermercados. No estudo de campo. sendo 1 para maior escassez de burocracia e 5 para maior excesso. 2006 . no sentido de que estavam testando na prática os conhecimentos adquiridos em sala de aula. hierarquia de autoridade. segundo a freqüência da citação e importância teórica. cabendo ao aluno indicar o nível de burocratização – de 1 a 5. de calçados e de eletrodomésticos. Prestadoras de serviços como bancos. foi solicitado aos alunos um estudo de campo a fim de que observassem na prática os conceitos relativos ao assunto. impessoalidade. sistema de normas. A pesquisa foi do tipo quantitativa. 7. calçados. e serviço público. cerâmicas. Portanto. As atividades destas organizações são muito variadas. Janaína Renata Garcia e Maurício Fernandes Pereira 4. formalização dos procedimentos. móveis. foram objetos de pesquisa as características ou dimensões da Burocracia. distribuidora de autopeças.

/Mar. Em seguida. A Tabela 1 apresenta freqüência com base na média da pontuação das características da burocracia pesquisadas pelos alunos.0 a 1.8 26.9 2. 6 e 7. Observa-se que a maioria das organizações pesquisadas (29) teve média de pontuação compreendida no intervalo de 3.O Ensino da Burocracia: um Estudo de Caso Teórico-Empírico Os trabalhos foram entregues pelos alunos à professora para avaliação. hierarquia de autoridade.Média escassez 3. 7. 2006 91 .2 100 Fonte: Dados do estudo Revista ANGRAD . sistema de normas. 5.8 51.Maior excesso Total Freqüência 0 4 11 21 5 41 Percentual 0 9. Tabela 1: Distribuição de freqüência da média das características da burocracia Nível de burocratização 1. 5. Descrição e análise dos dados A seguir.2 12.9) foi identificado em apenas uma organização. o software SPSS para o tratamento dos dados. impessoalidade e seleção e promoção de pessoal . são demonstrados os dados da pesquisa junto às organizações. iniciou-se a análise e interpretação dos dados.0 a 2. Tabela 2: Divisão do Trabalho Nível de burocratização 1. 1.Médio excesso 5.9 (nem excesso nem escassez) no nível de burocratização./Fev. assim como a sua análise. Já o baixo nível de burocratização (entre 1.V.0 a 3.Nem escassez nem excesso 4. N.0 Freqüência 1 5 29 6 Fonte: Dados do estudo De acordo com as características pesquisadas – divisão do trabalho. formalização dos procedimentos.0 a 5. Jan. 4.Maior escassez 2.9 3.0 e 1. utilizando-se nessa fase.0 a 3.9 4. 3.a freqüência apresenta-se distribuída conforme demonstram as Tabelas 2.

3 100 Fonte: Dados do estudo Tabela 4: Sistema de normas Nível de burocratização 1.5 22.Média escassez 3.Nem escassez nem excesso 4.3 29.2 17. Jan. N.Maior escassez 2.Jaqueline de Fátima Cardoso.Maior excesso Total Freqüência 5 5 7 12 12 41 Percentual 12.Média escassez 3.Médio excesso 5.0 100 Fonte: Dados do estudo 92 Revista ANGRAD .Maior escassez 2.Maior excesso Total Freqüência 3 12 9 10 7 41 Percentual 7.V./Fev.Nem escassez nem excesso 4. 2006 .2 17./Mar.1 100 Fonte: Dados do estudo Tabela 5: Formalização dos procedimentos Nível de burocratização 1.3 22.0 24.1 29.Média escassez 3.Médio excesso 5.3 29.Médio excesso 5.Nem escassez nem excesso 4.4 17.Maior escassez 2.2 12. Janaína Renata Garcia e Maurício Fernandes Pereira Tabela 3: Hierarquia de autoridade Nível de burocratização 1. 7.3 19. 1.Maior excesso Total Freqüência 5 7 12 8 9 41 Percentual 12.1 29.

66 Desvio padrão 1. Tabela 8: Características da burocracia.9 9.66 3.Média escassez 3.31362 1.05171 0.23614 1. apresentados na Tabela 8. 1.15 3. 7.51 3.7 26.O Ensino da Burocracia: um Estudo de Caso Teórico-Empírico Tabela 6: Impessoalidade Nível de burocratização 1.7 31.4 14.5 100 Fonte: Dados do estudo Ao analisar as Tabelas 2 a 7. N.Nem escassez nem excesso 4.Média escassez 3.Médio excesso 5. Jan.8 100 Fonte: Dados do estudo Tabela 7: Seleção e promoção de pessoal Nível de burocratização 1.Maior escassez 2.7 19.13159 Fonte: Dados do estudo Revista ANGRAD .Médio excesso 5.22 3.Maior escassez 2.36239 1.Nem escassez nem excesso 4.8 26./Mar.Maior excesso Total Freqüência 1 6 13 13 8 41 Percentual 2. obtém-se a média e o desvio padrão do nível de burocratização das características da burocracia.8 31.82492 1.51 3. 2006 93 .6 31.Maior excesso Total Freqüência 2 4 11 13 11 41 Percentual 4. média e desvio padrão do nível de burocratização Nível de burocratização Características da burocracia Média Sistema de normas Formalização dos procedimentos Hierarquia de autoridade Seleção e promoção de pessoal Divisão do trabalho Impessoalidade 3.V./Fev.

7%) pertencem à atividade industrial.41 3. O desvio padrão mostra a dispersão do conjunto de valores em relação à média. Jan. existe maior uniformidade dos valores. os valores do conjunto de dados encontram-se mais próximos da média e. tem-se formalização de procedimentos e sistema de normas. Com menor grau de burocratização. 2006 . os valores estão menos dispersos em relação à média.V.26 3./Fev./Mar. na média.54 Fonte: Dados do estudo Conforme ilustra a Tabela 9. o nível de burocratização é superior em divisão do trabalho. nas organizações do grupo de prestadoras de serviços. 94 Revista ANGRAD . destacam-se apenas em sistema de normas e formalização de procedimentos.64 3. a seleção e promoção de pessoal e a hierarquia de autoridade apresentam essa diferença: o desvio padrão mostra que. fez-se a correlação entre tais variáveis.36 3. Os resultados encontrados são apresentados na Tabela 10. Da mesma forma. na impessoalidade. A hierarquia de autoridade e seleção e promoção de pessoal aparecem logo atrás. A Tabela 9 relaciona o tipo de atividade das organizações com a média do nível de burocratização encontrado.41 3.47 Indústria 3. ambas características sejam iguais. é possível dizer que. estão mais dispersos da média.3%) são prestadoras de serviços e 22 (53. embora. a divisão do trabalho. 7.68 3. já na hierarquia de autoridade os valores estão mais distantes da média. N. na seleção e promoção de pessoal. Com o objetivo de correlacionar os níveis de burocratização encontrados nas variáveis pesquisadas (características da burocracia).05 3. 1. na média.04 3. Já as do grupo das indústrias. Tabela 9: Características da burocracia em relação ao tipo de atividade Características da burocracia Divisão do trabalho Hierarquia de autoridade Sistema de normas Formalização dos procedimentos Impessoalidade Seleção e promoção de pessoal Serviço 3. hierarquia de autoridade. quanto maior seu valor mais distante os valores se encontram da média.95 3.63 3.Jaqueline de Fátima Cardoso. juntamente com a impessoalidade. sistema de normas e impessoalidade. ou seja. na divisão do trabalho. Janaína Renata Garcia e Maurício Fernandes Pereira De acordo com a Tabela 8. 19 (46. Das 41 organizações pesquisadas. são características com maior graus de burocratização. com base no Coeficiente de Correlação Linear de Pearson. Analisando o desvio padrão encontrado.

170 -0. enquanto valores grandes de X tendem a estar relacionados com valores grandes de Y. N. 1. que a ausência de correlação ocorreu em 4 casos.V. valores pequenos de X tendem a estar relacionados com valores grandes deY.Verificou-se.213 0. observa-se que./Mar.026 -0. as variáveis estão negativamente correlacionadas quando caminham em sentidos opostos e. o que corrobora Revista ANGRAD . valores pequenos de X tendem a estar relacionados com valores pequenos de Y.159 0.269 0. já a correlação negativa fraca ficou pouco evidente (2 casos).046 -0.006 0. assim. 2006 95 . Tabela 10: Correlação das variáveis com base no Coeficiente de Correlação de Pearson Variáveis correlacionadas Divisão trabalho X Sistema normas Divisão trabalho X Formalização Divisão trabalho X Impessoalidade Impessoalidade X Seleção pessoal Hierarquia X Seleção pessoal Sistema normas X Seleção pessoal Sistema normas X Formalização Formalização X Impessoalidade Divisão trabalho X Seleção pessoal Hierarquia X Impessoalidade Hierarquia X Formalização Formalização X Seleção pessoal Hierarquia X Sistema normas Sistema normas X Impessoalidade Divisão trabalho X Hierarquia Coeficiente de Pearson (r) 0. as variáveis estão positivamente correlacionadas quando caminham num mesmo sentido. enquanto que valores grandes de X tendem a estar relacionados com valores pequenos de Y. Considerações finais Os resultados desta pesquisa refletem a compreensão dos alunos pesquisadores a cerca dos conteúdos relativos à Burocracia.119 0.266 0.118 0. Jan. na maioria das organizações pesquisadas.271 Correlação das variáveis Ausência Ausência Ausência Ausência Negativa fraca Negativa fraca Positiva fraca Positiva fraca Positiva fraca Positiva fraca Positiva fraca Positiva fraca Positiva fraca Positiva fraca Positiva fraca Fonte: Dados do estudo 6. Diante disso.120 0.242 0. O nível de burocratização. analisando a Tabela 10. ou seja.O Ensino da Burocracia: um Estudo de Caso Teórico-Empírico De acordo com Barbetta (1999). na maioria. Por outro lado. as correlações foram positivas e fracas (9 casos).068 0. parece não ser nem escasso e nem em excesso./Fev. 7. também.132 0.

observa-se que a variável divisão do trabalho aparece em três dos quatro casos. posto que a seleção e promoção de pessoal está negativamente correlacionada com o sistema de normas. na divisão do trabalho os valores ficam mais próximos da média. Analisando as características da burocracia não foi encontrada nenhuma correlação forte e moderada entre as variáveis. de forma a considerar normas para contratar e promover as pessoas na organização com base na meritocracia. fixando o conteúdo discutido na disciplina. há maior uniformidade no nível de burocratização relacionados a essas características nas organizações pesquisadas. o que significa dizer que. Diante disso. dentre as positivas fraca. 1. ou seja. 2006 . as prestadoras de serviços demonstraram maior nível de burocratização em divisão do trabalho. em sistema de normas e formalização de procedimentos. formalização dos procedimentos e impessoalidade. É relevante. ou seja.Jaqueline de Fátima Cardoso./Mar. verificou-se uma contradição./Fev. o que sugere ser a divisão do trabalho algo bastante utilizado nas organizações independente da existência das demais características da burocracia. Janaína Renata Garcia e Maurício Fernandes Pereira com Hall (1978) no sentido de que as organizações existem ao longo de uma série de contínuos e dimensões da burocracia. na pesquisa. 7. A seleção e promoção de pessoal devem ser tratadas. Em relação à ausência de correlação. Sendo assim. não implica necessariamente em sistema de normas. Isso significa que. Apesar de as organizações industriais teoricamente necessitarem de um maior nível de burocracia. É relevante apontar a influência do sistema de normas e da impessoalidade. as características podem estar presentes nas organizações isoladamente uma das outras. No que se refere à correlação positiva fraca. Ao analisar a média e o desvio padrão do nível de burocratização das características da burocracia. quando se tem valores mais próximos da média. são mais próximos da média. em que os valores. além do que sua correlação. N. apesar do trabalho ser dividido. porém. o que significa dizer que essas organizações estão próximas de um modelo burocrático. entretanto. sistema de normas e impessoalidade. 96 Revista ANGRAD . pode-se considerar que a divisão do trabalho e impessoalidade possuem médias semelhantes. cabe destacar a importância do ensino e da pesquisa caminharem juntos na formação acadêmica do aluno. a hierarquia se destaca entre as variáveis. com base na burocracia. ambos aparecem correlacionados positivamente em maior número. cabe destacar que a presença de determinada característica não necessariamente influencia a existência ou ausência de outra. destacar que houve ausência de correlação. correlação negativa fraca e positiva fraca. hierarquia de autoridade.V. da mesma forma acontece com a seleção e promoção de pessoal e hierarquia de autoridade. apenas. é a mais alta. Na correlação negativa fraca. na seleção e promoção de pessoal. ressaltando que os resultados desta pesquisa podem mostrar aos alunos a realidade das organizações. Ao contrário das organizações industriais que se apresentaram mais burocratizadas. o nível de hierarquia influencia positivamente o nível de burocratização de outras variáveis. Jan.

PERROW. HALL. Os fundamentos da organização burocrática: uma construção do tipo ideal. 4ª ed. Sociologia de Max Weber. Florianópolis: Editora da UFSC. São Paulo: Atlas. Max. mas sim. Eunice Lacava. SCHINDLER. Estatística aplicada às Ciências Sociais. HALL. Da mesma forma. 1974. MOTTA./Mar. Pedro Alberto. Luiz C.. 1989. Julien. 1978. São Paulo: Pioneira. São Paulo: Pioneira. 1987. Organizações: estruturas e processos. 1984. Teoria geral da administração. WEBER. Introdução à organização burocrática. 1978. ETZIONI. Gouveia de. em determinadas dimensões com maior ou menor intensidade. Organizações modernas. Max. Prestes. Prestes.V. Isabela F. Porto Alegre: Bookman. WEBER. Teoria geral da administração. COOPER. 3ª ed. São Paulo: Pioneira Thomson. Donald R. Sociologia da burocracia. Sociologia da burocracia. 2002. 1987. N. VASCONCELOS. MOTTA. LIKERT. São Paulo: Brasiliense. Sociedade pós-capitalista. Edmundo. 3ª ed. Análise organizacional: um enfoque sociológico. Richard. Rio de Janeiro: Forense-Universitária. Fernando C. 7ª ed. Jan. Novos padrões de administração. Pamela S. FREUND. Fernando C. 1972. Revista ANGRAD . DRUCKER. Charles B. PEREIRA. Referências BARBETTA. 4ª ed. suas dimensões não necessariamente precisam estar presentes na sua totalidade. KWASNICKA. 1975. Rio de Janeiro: Zahar. Peter. O conceito de burocracia: uma contribuição empírica. Rensis. 2ª ed./Fev. Rio de Janeiro: PHB. a presença de uma característica não necessariamente implica na presença ou ausência de outra. Amitai. In: CAMPOS. 1989. São Paulo: Atlas. 8ª ed. Bresser. Rio de Janeiro: Zahar. 7. 7. 4ª ed. 2006 97 . 7ªed. 2002. 2003. 1. Métodos de pesquisa em administração. Ensaios de sociologia. In: CAMPOS. Richard. São Paulo: Pioneira.O Ensino da Burocracia: um Estudo de Caso Teórico-Empírico Embora a burocracia seja um requisito para a caracterização de sistemas sociais organizados. Edmundo. 1999. Rio de Janeiro: Zahar.

.

Neste artigo. recurso tecnológico. Destaca-se. Revista ANGRAD .br Elis Regina de Paula Mestre em Administração (CEPEAD/FACE/UFMG) Professora de TGA e Recursos Humanos Endereço: Rua Augusto de Lima. a qual relaciona experiência concreta e conceitualização abstrata. processo de ensino e aprendizagem. 7.Um Ambiente Virtual para Experiências em Administração Jessé Alves Amâncio Mestre em Administração (CEPEAD/FACE/UFMG) Professor de Estratégia e consultor de empresas Endereço: Rua Jacarina. esse software é apresentado em seus aspectos estruturais e funcionais. 516/102 30720-180 Belo Horizonte . a incorporação de um novo recurso didático/tecnológico para o enriquecimento do processo de ensino e aprendizagem da Administração. como também os distanciaria de seus ambientes de aplicação . administrativos e sociais interagem entre si. 1.com./Fev. dentre outras. ressaltando como suas importantes inovações as ênfases: (1) na interdependência entre os diversos fenômenos acima mencionados e (2) na participação ativa e crítica do aluno no processo. conceitualização abstrata. a questão da especialização funcional dos conteúdos . Utilizando a teoria da aprendizagem experimental de Kolb (1984)./Mar. Palavras-chave: Experiência concreta.MG e-mail: elis@face. como contribuição deste trabalho. N. 1121/1802 30190-002 Belo Horizonte .V.br Resumo No ensino da Administração. financeiros. Jan.ufmg. buscou-se a superação desses problemas através da implementação de um software de simulação de código aberto que propicia um ambiente virtual para experiências onde fenômenos econômicos.MG e-mail: jesseamancio@yahoo. 2006 99 .comprometendo a formação do profissional.que dificultaria a construção de uma visão global por parte do aluno. tem-se levantado.

p. 2006 . Introdução O mecanismo mais importante dos seres humanos para a adaptação ao ambiente está relacionado com seu processo de aprendizagem . it has been raised the question of specialized contents – what could make hard the construction of an global vision. Como reação a essa distorção. could enlarge the distance between theory and practice – with consequences to the professional formation. Jan.2). trabalho e desenvolvimento pessoal” (p.somos uma espécie que aprende.4). Segundo Kolb (1984. Key-words: Concrete experience. a qual reconhece como fundamental a relação entre o processo de experiência real do aluno e educação. 1. ressaltando a relação entre a sala de aula e o mundo real. têm-se os programas de estágios. that enables experiments in the economics. Essa habilidade se manifesta na capacidade de reagir para adaptar-nos física e socialmente ao mundo como também agir criando e moldando-o. In this paper. stressing as important innovations the emphasis on: (1) the interdependency the various fields cited above./Mar. this work tried to overcome these problems through the implementation of open source computer simulation software that creates a virtual environment. 1938) têm sido aplicadas mesmo nos programas educacionais chamados tradicionais . abstract conceptualization.Jessé Alves Amâncio e Elis Regina de Paula Abstract In the field of business education. this software is presented in its structural and functional concepts. which relates concrete experience and abstract conceptualization. Based on the Kolb (1984) theory. Para o autor. 1. caracterizados pela transmissão de conteúdos. teaching and learning process. onde cabe ao professor expô-los e ao aluno mostrar que sabe reproduzi-los. Como exemplo dessas atividades.focados no ensino e no professor. as aulas 100 Revista ANGRAD . technological resource. Insere sua proposta na filosofia educacional defendida por Dewey (1910. Muitas das idéias de Dewey (1910. N. and (2) the active and critical participation by the students in the work with the software. a concepção de aprendizagem é distorcida pelo racionalismo e pelo behaviorismo.V. esse processo de aprendizagem precisa ser permeado “com a textura e o sentimento” das experiências humanas e compartilhadas através do diálogo com o outro. que desvalorizam a experiência pessoal do aprendiz e focam no conteúdo e na matéria. As one contribution of this work./Fev. social and administrative fields. 7. 1938). finance. o autor propõe uma teoria da aprendizagem experimental que fornece “uma estrutura para examinar a ligação crítica entre educação. as well. it is pointed out the incorporation of a new didactic and technological resource to the enrichment of the teaching and learning process in the business field.

argumentando que a valorização da experiência pessoal do aluno . pela dialética entre assimilação conceitual da experiência e a acomodação conceitual dessa experiência. Ainda nessa linha. mas o resultado de interações entre a pessoa e seu ambiente. Os alunos se tornaram cientistas. no sentido de que o aprendiz está diretamente em contato com a realidade estudada. segundo Lewin (1951). Em todas essas atividades. o qual defende que o sistema educacional é uma agência de controle social opressiva e conservadora./Mar.através do diálogo entre iguais. simulações. trabalhando a experiência no processo de aprendizagem. 1984). em um ambiente potencialmente mais motivador (Kolb. a partir dos conceitos de aprendizagem e das Revista ANGRAD . buscou-se descrever o software (programa de computador) de simulação para a aprendizagem da Administração. Suas pesquisas propiciaram o desenvolvimento de processos educacionais nos quais se procura por meio de objetos concretos e experiências pessoais. Kolb (1984) diz que os conceitos de aprendizagem pela experiência de Dewey (1938) e Lewin (1951) representam desafios externos ao racionalismo e behaviorismo mencionados anteriormente. é uma possibilidade para um processo educacional mais rico e efetivo. Jan./Fev. são feitas considerações sobre simuladores e seus usos. em Dewey (1910. 1938). tem-se o trabalho de Piaget (2002). o aprendizado é feito através da experiência. Lewin (1951). teoria e prática proporcionam um processo mais produtivo para o aprendizado. 2006 101 . buscou-se principalmente em Kolb (1984) e. contribuem para o processo de aprendizado em razão da tensão dialética e conflito entre as experiências e sua análise conceitual. tem-se o trabalho de Freire (1987). o qual descreve como a inteligência é moldada pela experiência. descobrir os princípios científicos neles contidos. o qual propicia um ambiente virtual para experiências em Administração.6). então. Para tanto. os quais são apresentados no próximo tópico. 7. Essa estratégia está de acordo com a percepção de que métodos de aprendizado que combinam estudo e trabalho. Essa metodologia de ensino permitiu libertar o aluno da imposição da memorização. também. desenvolvido pelos autores. buscando induzir o questionamento e a compreensão. permitindo que o aprendizado se tornasse individualizado e concreto. Freire (1987). No último tópico. Vygotsky (1999). tais como exercício estruturado. 1984. A partir dessas abordagens teóricas sobre o processo de aprendizagem. jogos e observações.V. experimentando e construindo suas próprias conclusões.Um Ambiente Virtual para Experiências em Administração em laboratórios e os trabalhos de campo. conceitos de aprendizagem fundamentados na experiência do aluno. explorando. pois “as pessoas aprendem através de suas experiências” (Kolb. Corroborando esta concepção. Piaget (2002) salienta que a inteligência não é uma característica interna inata de um indivíduo. Em seguida. casos. à descrição do simulador objeto deste trabalho. p. Essas experiências concretas. 1. N. passando-se. Esse processo de conflito entre a experiência e a teoria é central na dinâmica da aprendizagem e várias abordagens educacionais procuram criá-lo de várias formas.

também. o mesmo pode ser pensado como uma espiral e. não é uma terceira alternativa. 2006 . (3) formação de conceitos abstratos e generalizações./Fev. são feitas algumas considerações para a utilização efetiva do mesmo no processo de ensino-aprendizagem. percepção. Quando a assimilação predomina. a aprendizagem é concebida como um ciclo de quatro estágios: (1) experiências concretas. as experiências concretas são a base das observações e reflexões. O processo de crescimento consciente do concreto para o abstrato e do ativo para o reflexivo é baseado nessa contínua interação entre assimilação e acomodação. Acrescenta.V. No trabalho de Lewin (1951). Estas proposições diferenciam a teoria da aprendizagem pela experiência da teoria racionalista que enfatiza a aquisição. ou seja. a conformação sem reflexão do indivíduo ao ambiente. se o processo de acomodação dominar. 1. Essas observações são assimiladas em uma teoria da qual novas implicações para ações podem ser deduzidas. 7. através de uma perspectiva holística. tem-se a imitação. (2) observações e reflexões. N. Piaget (2002). Jan. ocorrendo em sucessivas etapas. um círculo. O autor alega que. Segundo Kolb (1984). 2. Vygotsky (1999) e Freire (1987). Aprender é um processo. todavia.Jessé Alves Amâncio e Elis Regina de Paula características do simulador apresentado. manipulação e recuperação de símbolos abstratos como. não. chegando a dizer que qualquer experiência que não viole expectativas não merece ser chamada experiência. a diferencia das teorias de aprendizado behavioristas que não destacam o papel da consciência e da experiência subjetiva nesse processo. (4) teste das implicações dos conceitos em novas situações. o trabalho e as outras atividades da vida. que as rupturas que essas violações causam são 102 Revista ANGRAD . mas. Esse princípio da experiência continuada significa que toda experiência toma algo do que foi vivido e deixa algo que vai influenciar o que vem depois. a partir dos trabalhos de autores como Lewin (1951). 1938). Essa interação mútua entre o processo de acomodação de conceitos ou esquemas para a experiência no mundo e o processo de assimilação de eventos e experiências do mundo em conceitos e esquemas é para Piaget (2002) a chave para o aprendizado. é nesse intervalo que o aprendizado ocorre. e (2) o papel central da experiência no processo de aprendizagem. Como o processo é caracterizado pela interação e transformação. tem-se a imposição de conceitos e imagens sem consideração com a realidade. Essas implicações ou hipóteses servem como guias para a criação de novas experiências. consciência e comportamento. busca integrar experiência. ainda. Para o autor. Dewey (1910. não um produto. O processo de aprendizagem pela experiência O processo de aprendizagem pela experiência enfatiza duas proposições básicas: (1) o relacionamento entre a aprendizagem. O aprendizado ou a adaptação inteligente é o resultado de uma tensão balanceada entre esses dois processos. cada uma contribuindo para novos e mais elevados estágios de consciência. A aprendizagem pela experiência./Mar.

contínua e ininterruptamente./Fev. Esse processo pode ser considerado em duas dimensões básicas: a primeira representa a experiência concreta de eventos de um lado e a conceitualização abstrata do outro e a segunda dimensão tem a experimentação ativa em um extremo e a observação reflexiva de outro. 7. (2) observação reflexiva . O aprendizado acontece quando as pessoas se envolvem em novas experiências (EC). Pepper (1942) salienta que tanto o dogmatismo quanto o ceticismo absoluto são fundamentos inadequados para a criação de sistemas de conhecimentos válidos.EA. conforme representado na FIG. elas são capazes de usar essas teorias para tomarem decisões e resolverem problemas (EA).CA. 1. 2006 103 . (3) conceitualização abstrata .OR. Em outras palavras. e finalmente.EC. uma tensão e um processo repleto de conflitos adquiridos através de quatro fases: (1) experiências concretas . aprender é re-aprender sempre.O processo de aprendizagem pela experiência Fonte: Adaptado de Kolb (1984) Revista ANGRAD .V. Jan. N./Mar.Um Ambiente Virtual para Experiências em Administração magicamente reparadas. No processo de aprendizagem. o indivíduo se movimenta entre o ator para o observador e do envolvimento especifico para a análise geral. Figura 1 . criam conceitos que integram suas observações em teorias (CA). Kolb (1984) salienta que o aprendizado é. refletem e observam essas experiências de várias perspectivas (OR). Reforçando esse argumento. pela própria natureza. (4) experimentação ativa . 1. produzindo uma mudança no indivíduo.

Jessé Alves Amâncio e Elis Regina de Paula Sem negar a realidade da maturação biológica e das estruturas que organizam o pensamento e a ação. entre o conhecimento pessoal e o conhecimento social. que ocorre o aprendizado. Segundo Vygotsky (1999). Por exemplo: alguns indivíduos têm facilidade para reflexão e outros para experimentação. N. Aprender envolve o funcionamento integral do organismo: pensar. em termos filosóficos. Essa teoria do conhecimento dual tem. Para Kolb (1984). 104 Revista ANGRAD . 1. o seu fundamento principal. sim. na posição interacionista de Piaget (2002). o que para Vygotsky (1999) é a zona de desenvolvimento proximal (zone of proximal development). está estreitamente relacionado ao que Freire (1987) denomina práxis. descrevendo as pessoas como (1) introvertidos e extrovertidos. nessa zona. é. O autor afirma ainda que “a aprendizagem é um processo onde o conhecimento é criado através da transformação da experiência” (p. o ciclo da aprendizagem experimental representada na FIG. Kolb (1984) enfatiza que a aprendizagem pela experiência não é um conceito educacional molecular e. 2006 . culturais e históricas nas quais o indivíduo está imerso./Mar. Segundo Kolb (1984). 1. Esse conceito. Jan./Fev. também. a qual propõe que o conhecimento pela apreensão está no mesmo nível da compreensão. é esse processo que molda e realiza o desenvolvimento das potencialidades. Afirma que a aprendizagem pela experiência é baseada em uma teoria do conhecimento dual: no empirismo através da experiência concreta que abraça a realidade pelo processo de apreensão direta e na conceitualização abstrata racional que abraça a realidade mediante o processo de conceitualização abstrata. (3) aqueles que valorizam os fatos. sentir. Hobbes e outros) como fundamentos epistemológicos para a aprendizagem experimental. imaginações e significados. que o processo de aprendizagem não é idêntico para todas as pessoas e grupos sociais. onde o conhecimento emerge de um relacionamento dialético entre apreensão e compreensão. Essa zona é a distância entre o nível de desenvolvimento atual do indivíduo definida pela capacidade de independentemente resolver problemas e a capacidade de resolver problemas em colaboração com seus pares mais capacitados. detalhes e eventos concretos e os que valorizam as possibilidades. um conceito que descreve o processo central de adaptação do ser humano ao ambiente físico e social.V. Essa concepção tem fundamento nos tipos psicológicos de Jung (1998). (2) os que enfatizam a ordem e os que enfatizam as informações. mostra as limitações tanto do racionalismo (Descartes. portanto. e (4) os indivíduos que consideram mais o raciocínio e os que consideram mais a intuição. a teoria da aprendizagem pela experiência foca nas transações internas e nas circunstancias externas. Spinoza e outros) quanto do empirismo (Locke. 7. Pode-se inferir. perceber e comportar.41). onde o conhecer somente pode acontecer problematizando as realidades naturais.

ao uso de simuladores. imediatamente./Fev. problemas éticos ou legais. ciências sociais e militares. (3) adquirir conhecimentos que são considerados válidos e úteis e (4) admitir o caráter aproximativo. 2001). os quais são validados comparando suas saídas com a realidade. N. Eles são de construção menos dispendiosa que os simuladores preditivos. até engenharia. Faria (1998) apontou que mais de 95% das escolas filiadas a AACSB (Associação internaci- Revista ANGRAD . A maior parte dos simuladores de negócios em uso é do tipo comparativo e investigativo. 7. fluxogramas. ciência da computação. 2000. parcial e provisório do conhecimento de um mundo. sem quaisquer riscos. é importante reconhecer que o aprendizado experimental não é uma série de técnicas a serem aplicadas na prática corrente. tornando-a. mas um programa que exige a recriação dessa prática. da matemática pura e ciências físicas. Os simuladores comparativos buscam fornecer meios para entender e resolver problemas.Um Ambiente Virtual para Experiências em Administração Em todas essas considerações. 1998. Os simuladores de negócios têm sido utilizados nos últimos 50 anos de diferentes e variadas formas. (2) comparativos e (3) investigativos. os resultados das decisões. FARIA. que auxiliam investigadores a compreenderem melhor a realidade (ROBINSON. Os simuladores investigativos constituem-se de modelos construídos para facilitar o debate. organogramas. ou seja. mapas e simuladores . diagramas. Os simuladores preditivos são caracterizados por um desenvolvimento complexo.como maquetes. não requerendo verificações e validações. Robinson (2002) acrescenta que simuladores são utilizados em uma variedade de campos. Assim. uma vez que a tecnologia tem se popularizado (DOYLE e BROWN. Em seu estudo.V. 3. Jan. assim. propiciando um aprendizado com ciclos mais curtos. na busca de um ambiente que propicie condições para a realização dessa prática.é que esses podem ser manipulados livremente. O objetivo principal desses simuladores é a representação fiel do mundo real./Mar. são simuladores não validados. mais próxima da realidade. Dentre todos esses tipos de modelos. através do qual busca-se entender melhor a realidade. dentro dos limites (muitas vezes bastante restritos) do espaço educacional é que se recorre. dentre outras possibilidades. 2002). (2) obter. longo e com altos custos. os quais são discutidos a seguir. economia. que não se pode apreender em toda a sua complexidade. 2006 105 . O autor afirma que os simuladores podem ser classificados em três tipos: (1) preditivos. Seus resultados requerem uma criteriosa análise e certificação. os simuladores se destacam por várias razões. A utilização de simuladores como um ambiente de experimentação A vantagem de se utilizar modelos . negócios. 1. dentre elas: (1) facilitar uma suposta modelagem dinâmica do que se pretende estudar.A fidelidade do modelo é de pequena significância por ser ele utilizado para promover a discussão de um grupo de investigadores.

segundo os autores . Jan. apesar de haver considerável evidência de que a compreensão de conceitos gerenciais é melhorada quando simulações são utilizadas como meios pedagógicos. sendo que o mais relevante é a possibilidade de criar um ambiente de tomada de decisões mais próximo da realidade em sala de aula. Faria (1998).V. 1. um alto envolvimento por parte do participante não corresponderia apenas ao uso do simulador. Wolfe e Luethge (2003) afirmam que. o diálogo entre os alunos e o professor deve ser incentivado. Assim.resulta em maior aproveitamento no aprendizado. Keys e Wolfe (1990) .Jessé Alves Amâncio e Elis Regina de Paula onal constituída de instituições educacionais. os benefícios são uma maior interação 106 Revista ANGRAD . fazendo com que o participante apenas reaja às solicitações do software. Para o professor. Os alunos são estimulados a desenvolverem habilidades intelectuais. N. Gregoire e outros (1996) salientam que a exploração de seu potencial pode trazer contribuições tanto para os alunos quanto para os professores./Mar. Ressaltando que a ligação entre desempenho no ambiente simulado e aprendizado não está demonstrada. corporações e outras organizações dedicadas à promoção e ao melhoramento da educação superior em negócios com sede em Tampa. 2006 . Wolfe e Luethge (2003) declaram que há várias razões para a expansão do uso de simuladores na área de educação em negócios. EUA) e mais de 60% das empresas americanas com mais de 500 empregados usavam simuladores em seus programas de educação em negócios./Fev. devido à arquitetura dos simuladores. (2) compreender a lógica das operações do simulador e (3) recuperar a teoria aprendida antes da simulação para analisar as situações apresentadas e decidir as ações a serem implementadas nas situações vividas na simulação. Os autores alegam ainda que outra vantagem é o maior envolvimento e participação por parte dos alunos em atividades que utilizam simuladores. Parker (1997) ressalta que é importante considerar os seguintes fatores: os estudantes trabalharem em problemas reais e buscar soluções em equipes. é possível que esta seja aparentemente alta mas efetivamente baixa. a partir delas. a estabelecerem maior número de relações entre essas informações e a contribuírem para o desenvolvimento de todo o grupo através da cooperação. competitivo e incerto como o experimentado em muitas situações de mercado. Falando sobre novas tecnologias na educação – onde também se podem incluir os simuladores. Sobre o envolvimento dos participantes em atividades com simuladores. avaliações. análises e sintaxes devem ser trabalhadas ao invés de memorização. se estabeleçam hipóteses e se definam grupos para explorá-las. mas mundial. a buscarem novas informações. Como formas de se ter um processo de aprendizagem rico. 7. fornecendo um ambiente dinâmico. mas também questões como: (1) estudar o manual do simulador antes de iniciar a simulação. o que. e que se busquem fontes de informações variadas. Kontts e Keys (1997) e Wolfe (1997) ressaltam que esse não é um fenômeno apenas americano. questões devem ser formuladas tanto pelo professor quanto pelos alunos e que.

maior facilidade de rever os caminhos de aprendizagem percorridos pelo aluno. KEYS e WOLFE. 7./Mar. classes de dados. (4) a exibição dos resultados das interações entre o ambiente e as decisões. WOLFE.1.gnu. Jan. 1997). Assim. Implementação A implementação do simulador foi feita sob licença GPL (mais informações sobre esta licença em www. o qual define todo o ambiente de simulação (econômico.V. todos os stakeholders que atuam nesse ambiente. executá-las e exibir os resultados pode se repetir por vários períodos (FRIPP. distribuição e acesso ao código fonte sem qualquer necessidade de pagamento de licença e tendo acesso completo e livre a toda informação técnica relativa ao desenvolvimento do mesmo. financeiro. permitindo seu uso. 1. são descritas: as classes de dados do simulador. Classes de dados do simulador Destaca-se.2. a dinâmica das simulações. as equações de simulação e as funcionalidades operacionais do mesmo. o crescimento do uso dos mesmos (FARIA. (2) a tomada de decisões pelos participantes da simulação. e algoritmo de simulação. que o simulador distingue três tipos de usuários: (1) o administrador de um stakeholder. passa-se a descrever a arquitetura do simulador desenvolvido para o ensino da Administração. 4. evidenciado as potencialidades dos simuladores (ROBINSON. administrativo e social) e. também. A seguir. inicialmente. o estabelecimento de um processo de pesquisa mais rico. 4. A estrutura do simulador descrito neste artigo é a apresentada na seguinte ordem: implementação. 1997. identificando os seus pontos fortes e suas dificuldades. 2006 107 ./Fev.Um Ambiente Virtual para Experiências em Administração com os alunos em comparação com as aulas tradicionais. N. 2003). o qual tem acesso somente às informações específicas do próprio stakeholder e define ações para o mesmo com o intuito de buscar o sucesso do mesmo. 4. sendo que o processo de tomar decisões. 2002). os cuidados que tal uso reclama (WOLFE e LUETHGE. a qual pode ser resumida em quatro etapas: (1) a concepção de um modelo de um ambiente real ou hipotético no qual os vários atores interagem. 2001. e (3) o administrador da instalação gerência a segurança de todo o siste- Revista ANGRAD .org). objeto deste trabalho. 1997). 1990 . Um ambiente virtual para experiências em Administração A maior parte dos simuladores de negócios tem a mesma estrutura básica. (3) o processamento pelo simulador das decisões tomadas. KONTTS e KEYS.1998. (2) o administrador do modelo.

assim qualquer alteração de preço em uma mercadoria afeta a demanda pelas mercadorias de todo modelo. A classe MERCADORIA descreve as categorias de mercadorias no modelo a ser simulado. o desvio padrão da distribuição dessa riqueza e o valor médio que eles mantêm em reserva (os valores acima da reserva estão disponíveis para aplicações financeiras). Jan. Os itens onde atuam os administradores de stakeholders e de modelo estão representados na FIG.Jessé Alves Amâncio e Elis Regina de Paula ma./Mar. 1. ou qualquer outra. A classe CONSUMO INSUMO representa as mercadorias de sua cadeia produtiva. a qual tem duas sub-classes: CONSUMO e PRODUÇÃO. Quanto à classe STAKEHOLDER. o valor desta mercadoria exportada ou importada para ou de fora do ambiente do modelo simulado. prazo para pagamento. A FIG. A classe INVESTIMENTO registra os investimentos feitos pelos stakeholders: valor do investimento. 2. a classe TIPO identifica dentro de cada categoria de stakeholders características específicas como sexo./Fev. As classes representadas na FIG. taxa de juros. Através dessas sub-classes. Relacionando diretamente com a classe MERCADORIA. a riqueza média dos mesmos. 7. As outras classes: SUBSTITUTO e COMPLEMENTAR representam as mercadorias substitutas e complementares. N. 2006 . quem o financiou (que receberá os valores referentes às amortizações e juros). pessoas jurídicas). perfil de consumo. A classe STAKEHOLDER descreve as categorias de stakeholders no modelo a ser simulado através da quantidade de indivíduos (pessoas físicas e jurídicas) dessa classe. 108 Revista ANGRAD . Informa-se o preço da mercadoria.A ligação entre as classes STAKEHOLDER e MERCADORIA é feita pela classe MERCADO. os stakeholders se relacionam fornecendo mercadorias e transferindo riquezas. idade. a classe CUSTO representa os custos com mão-de-obra (outros stakeholders) para fornecer a mercadoria. estado civil. a elasticidade preço-demanda. 2 se relacionam através do algoritmo descrito a seguir.V. 2 mostra que o simulador tem duas classes fundamentais: a classe STAKEHOLDER e a classe MERCADORIA. A classe RELAÇÃO SOCIAL registra as relações sociais entre os stakeholders e. as transferências de riquezas que acontecem entre os participantes destas relações. eventualmente. A classe CUSTOS INTERNOS registra os custos de manutenção de stakeholders (em geral.

Jan. 7.V. 2006 109 . 1./Fev./Mar.Um Ambiente Virtual para Experiências em Administração Figura 2 – Diagrama de classes UML Fonte: Dados do projeto Revista ANGRAD . N.

Implementa o efeito das transferências relativas às relações sociais. Um recurso fundamental no simulador é a possibilidade de incluir os eventos nos modelos. Quadro 1 – Etapas da rotina de cálculo das simulações Etapas 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Descrição Se estiver calculando o período 1. A dinâmica das simulações O aspecto dinâmico das simulações é feito pela interação entre todos os elementos do modelo definido através das classes (onde consumidores e produtores trocam mercadorias e riqueza) e eventos que modificam essas relações (não representados na FIG.As etapas da rotina de cálculo estão listadas no QUADRO 1 a seguir. Fonte: Dados do projeto 110 Revista ANGRAD . Calcula a necessidade de tomar recursos financeiros de cada stakeholder Relaciona as disponibilidades financeiras com as necessidades para cada stakeholder. 2006 . dentre outros. Calcula recursivamente o custo de produção de cada mercadoria demanda.3. Calcula a disponibilidade de aplicação financeira de cada stakeholder. Os eventos gerais que podem afetar todo o ambiente são definidos somente pelo administrador. então gera séries aleatórias de riquezas para cada stakeholder./Mar.consumo + (ou -) transferência nas relações sociais + ganhos do trabalho + (ou -) os lucros + (ou -) os juros./Fev.V. alterando sua demanda e as demandas de seus substitutos e complementares). aumento ou diminuição da exportação e importação de mercadorias (aumentando ou diminuindo a riqueza de alguns stakeholders). 7. mudança da taxa de juros (aumentando a riqueza dos aplicadores de recursos financeiros e diminuindo a riqueza dos tomadores). Os eventos permitem programar ações que afetam várias condições no ambiente simulado como: aumento e diminuição de preço de um produto (conseqüentemente. Implementa o efeito de cada evento preparado para o período que está sendo calculado. ao participante – no caso o aluno – cabe somente definir eventos particulares que afetam ao stakeholder ao qual está ligado (lembrando que em ambas situações não há controle sobre as conseqüências sobre os efeitos dos eventos). 1. calculando os juros. N.Jessé Alves Amâncio e Elis Regina de Paula 4. Se estiver calculando período posterior a 1. 2 por limitação de espaço). Atualiza a riqueza de cada stakeholder a partir de sua riqueza inicial . Calcula o consumo desejado por cada stakeholder dentro de sua capacidade de compra. Jan. então recupera a riqueza de cada stakeholder no período anterior.

mercadorias. regras de consumo e produção) aplicando-se o algoritmo descrito no QUADRO 1 em cada período de simulação.t) Descrição Total da riqueza do stakeholder i no período t Total de saídas do stakeholder i no período t Total de entradas do stakeholder i no período t Fonte: Dados do projeto No primeiro período (t = 1). conforme a Equação 2./Mar./Fev. Elas expressam os diversos relacionamentos entre as diversas classes que compõem o simulador. utilizando os campos RIQUEZA e DESVIO da classe stakeholder. sugere-se entre sete e dez períodos de simulação para que a mesma não fique muito longa.4. mas que permita aos alunos elaborarem as correspondências entre a teoria objeto de estudo e as posições de cada stakeholder no modelo da experiência simulada. não se tem riqueza no período anterior (t-1). Jan. As equações são apresentadas resumidamente na forma matemática seguida da descrição das variáveis das mesmas. As posições vão se alterando conforme as equações descritas no tópico seguinte. 1. As equações de simulação As equações utilizadas no algoritmo descrito no QUADRO 1 são descritas a seguir.t) Entrada (i. 7. Para utilização didática.1 Equação da riqueza dos stakeholders Equação 1 – Riqueza dos Stakeholders no período t Quadro 2 – Variáveis equação 1 Variáveis Riqueza (i. Assim.t) Saída (i. 4.V.Um Ambiente Virtual para Experiências em Administração As simulações ocorrem a partir da definição de um modelo (stakeholders. 4. Revista ANGRAD . que é o objetivo deste trabalho. N. o valor da riqueza no primeiro período é obtido pela distribuição aleatória feita pelo simulador.4. 2006 111 .

Jan. N.2 Equação das saídas dos stakeholders (termo da Equação 1) O termo Saídas da Equação 1 é definido para cada stakeholder em cada período como: Equação 3 – Definição de saída Quadro 4 – Variáveis equação 3 Variáveis Saída (i. limites nferiores e superiores respectivamente. 1.V.1) Valor Aleatório Riqueza média Desvio Descrição Riqueza do stakeholder i no período 1 Valor estatístico aleatório tendo como parâmetro uma riqueza média e um desvio Riqueza média dos stakeholders em torno da qual é gerada a aleatoriedade Desvio-padrão que determina o grau de variância dos valores aleatórios Fonte: Dados do projeto 4./Fev. Efeito de eventos que atuam no período como. Financeiro Social Consumo Fonte: Dados do projeto 112 Revista ANGRAD . mudança de taxa de juros. 7.4./Mar. valor de reserva de stakeholders.Riqueza dos Stakeholders no período 1 Quadro 3 – Variáveis equação 2 Variáveis Riqueza (i. preço de mercadoria. 2006 . acrescido das amortizações de empréstimos operacionais. níveis de importação e exportação. Total dos valores doados devido às relações sociais.t) Descrição Total das saídas do stakeholder i no período t Total das amortizações de investimentos.Jessé Alves Amâncio e Elis Regina de Paula Equação 2 . acrescido dos juros sobre os investimentos. acrescido dos juros sobre os empréstimos operacionais pagas pelo stakeholder. Total dos valores usados em consumo limitados tanto pela riqueza do stakeholder quanto por sua demanda de consumo.

acrescido dos juros sobre os empréstimos operacionais recebidas pelo stakeholder. preço de mercadoria. Jan. valor de reserva de stakeholders./Fev. 1.Um Ambiente Virtual para Experiências em Administração 4. N. Valor total obtido por produzir mercadorias demandadas pelo consumo. acrescido das amortizações de empréstimos operacionais. Total dos valores recebidos devido às relações sociais.4.V. Efeito de eventos que atuam no período como. 2006 113 ./Mar. níveis de importação e exportação.t) Descrição Total das entradas do stakeholder i no período t Total das amortizações de investimentos. Equação 5 – Definição de valor de empréstimo Revista ANGRAD . Financeiro Social Produção Fonte: Dados do projeto Os valores que entram como empréstimos no termo Financeiro da Equação 3 e Equação 4 são calculados conforme a equação a seguir. acrescido dos juros sobre os investimentos. 7. mudança de taxa de juros.3 Equação das entradas dos stakeholders (termo da Equação 1) O termo Entrada da Equação 1 é definido para cada stakeholder em cada período como: Equação 4 – Definição de entrada Quadro 5 – Variáveis equação 4 Variáveis Entrada (i.

não podendo ter acesso a outros e nem a informações globais do ambiente. 2000. 7.WOLFE e LUETHGE. 1995). há dois tipos de usuários: o administrador do modelo e o administrador de um único stakeholder (tipo que será usado pelos alunos). evoluir de modelos mais simples a modelos mais complexos. WOLFE e LUETHGE. Os autores afirmam./Fev. 1998. FARIA. particularmente. Jan./Mar. pelo simulador descrito acima como trabalhar modelos mais realistas. Considerações finais Apesar das várias possibilidades apresentadas pelo uso de simuladores e. ainda.V. existem também várias barreiras. 1. 2006 .para o processo de aprendizagem. Os modelos.5. O resultado da aprendizagem deve ser bem integrado aos conhecimentos prévios do aprendiz e o processo de aprendizagem deve envolver várias estratégias e estar inserido em processo de monitoramento e avaliação (KINTSCH e outros. Dentre as barreiras existentes. 1997. destacam-se a complexidade de se criarem modelos da realidade a ser estudada e a facilidade de se utilizar inadequadamente . ambos controlados por senhas. 2003). a atividade de simulação (PARKER. É o valor da riqueza de um outro stakeholder j que após os cálculos de todas as transações do período falta para completar sua reserva. podem ser exportados e importados entre distintos computadores para permitir o trabalho distribuído. explorar perguntas do tipo e se. ou seja. N. Já o administrador de um stakeholder tem acesso somente a uma área restrita para definir as estratégias para esse stakeholder.Jessé Alves Amâncio e Elis Regina de Paula Quadro 6 – Variáveis equação 5 Variáveis Empréstimo Descrição O valor de empréstimo em um período t É o valor da riqueza de um stakeholder i que após os cálculos de todas as transações do período excedem ao seu valor de reserva. a adquirir visão sistêmica (DOYLE e BROWN. 5. 2003). que 114 Revista ANGRAD . Disponibilidade Necessidade Fonte: Dados do projeto 4. tanto o aluno quanto o professor podem trabalhar em qualquer computador e trocar dados entre os modelos. Aprender envolve construção ativa e intencional do significado. O administrador do modelo tem acesso total ao modelo para verificar qualquer informação ou alterar qualquer dado. facilitar a comunicação. no entanto. Funcionalidades operacionais do simulador Em cada modelo simulado.

Ressaltando que a metodologia de ensino deve ter como premissas a prevalência do projeto pedagógico. 1. criando modelos que integram conceitos de marketing. Essa abordagem foi utilizada por duas razões básicas: primeiro a dificuldade de propiciar experiências concretas – do tipo e nos momentos dos temas ensinados no ensino da Administração. pensou-se que o mesmo deveria ser construído como um software aberto. contribuindo dessa forma para melhor formação dos profissionais da Administração. No momento. as experiências ainda estão em fase preliminar. como também o número de colaboradores – aqueles que contribuem com o desenvolvimento do software. 2006 115 . um setor industrial etc) para se avaliar suas capacidades de perceberem os elementos do ambiente. Essas experiências. onde os alunos são desafiados a: (1) modelarem um ambiente específico (um ramo do comércio.V. Por ser o software livre. O motivo desse requisito foi o entendimento de que o software aberto permitiria ampla utilização pela comunidade. Elas têm sido de diversos tipos. não só o uso do mesmo seria ampliado.com/ jesseamancio. todavia. adequação do projeto tecnológico ao projeto pedagógico. Como requisitos para o projeto do simulador. e segundo a crescente disponibilidade de computadores no ambiente escolar. Quanto à utilização do simulador. o uso só é permitido por meio da compra de licenças de uso). a articulação entre teoria e prática e a maximização da interação aluno-informação. resultando em um produto de alta qualidade em um tempo menor. Jan. o simulador está disponível livremente para qualquer interessado no endereço eletrônico www. 7. têm mostrado alto potencial. uma vez que a primeira versão operacional do mesmo foi disponibilizada no início de 2005. onde qualquer interessado pudesse ter acesso a ele para usá-lo e modificá-lo livremente (em oposição ao software proprietário onde ao acesso a modificações é restrito e. (3) definirem ações para uma organização não governamental./Mar. aluno-professor e aluno-aluno. (2) definirem ações para uma determinada empresa buscando seu sucesso.geocities. em geral. finanças e recursos humanos. Essas experiências serão objetos de novas pesquisas que procurarão avaliar o impacto do uso do simulador na aprendizagem dos alunos. instabilidade política etc) do modelo simulado.Um Ambiente Virtual para Experiências em Administração os programas devem explorar erros como oportunidades para desenvolver a aprendizagem e diferenças individuais de interesse. (4) definirem ações para uma instituição governamental. conhecimento e habilidades. utilizando-se um software para permitir a realização de experiências. seria aumentado. Revista ANGRAD . (5) identificarem possíveis conseqüências para os diversos stakeholders de alterações no ambiente global (taxa de juros. Neste trabalho. buscou-se integrar o pensamento de Kolb (1984) sobre a necessidade de se pensar a educação em termos de experiências e conceitos no âmbito do ensino da Administração. produção./Fev. N.

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br angrad@angrad.br .org.angrad.Esta Revista Científica é uma publicação da ANGRAD (Associação Nacional dos Cursos de Graduação em Administração) www.org.

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