Associação Nacional dos Cursos de Graduação em Administração

REVISTA ANGRAD
Volume 7 Número 1

Rio de Janeiro Jan/Fev/Mar 2006

A Revista ANGRAD é uma publicação da ANGRAD (Associação Nacional dos cursos de Graduação em Administração). Com periodicidade trimestral, a Revista ANGRAD tem como missão ser um meio de difusão do estado da arte do ensino e pesquisa em administração, oportunizando a apresentação de teorias, modelos, pesquisas e retrospectivas que abordem o processo de ensino-aprendizagem e intensifiquem a prática da educação em disciplinas dos Cursos de Administração.

Revista ANGRAD/Associação Nacional dos cursos de Graduação em Administração. – v.7, n.1, (Jan./Fev./Mar. 2006) - Rio de Janeiro: ANGRAD, 2006 – trimestral 1. Administração - Periódico ISSN – 1515 -5532

Projeto Gráfico e Editoração: Milla Santana Impressão: Gráfica Dominaret Revisão Editorial: Milla Santana As opiniões emitidas nos textos publicados são de total responsabilidade dos seus respectivos autores.Todos os direitos de reprodução, tradução e adaptação estão reservados. A Revista ANGRAD, publicada trimestralmente, completa um volume a cada ano e é distribuída gratuitamente aos seus associados. Associações através do Portal www.angrad.org.br e os números anteriores estarão disponíveis, enquanto durarem os estoques.

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Equipe ANGRAD
Luiz Carlos da Silva Renata Demôro Gleverson Bruno G. Soares Carlos Augusto Cruz

Editorial
O primeiro volume de nossa Revista ANGRAD do ano de 2006 traz como novidades a reforma do nosso Comitê Editorial e a modificação de sua missão. Buscando incrementar sua qualidade e internacionalizar nosso periódico, foram convidados novos componentes para integrarem o Comitê Editorial. Os professores convidados são pesquisadores de renome internacional que vão contribuir para, através de suas sugestões, elevar o padrão de nossa Revista, dando-lhe maior visibilidade e respeitabilidade no ambiente acadêmico. A nova missão da Revista ANGRAD, exposta no verso da folha de rosto de cada exemplar, foi ajustada aos objetivos precípuos da ANGRAD que conduzem ao fomento da qualidade do ensino da Administração. Entendemos que o ensino para ser eficiente precisa estar associado à prática, induzindo o estudante à reflexão das teorias divulgadas nos livros adotados nos cursos existentes no país, colocando-o em contacto direto com a realidade. Em nosso país, parece não haver um periódico científico voltado, especificamente, para o tema Ensino e Pesquisa em Administração. Para atender a essa missão, a nossa Revista estará veiculando teorias, modelos, pesquisa e retrospectivas que abordem o processo de ensino-aprendizagem e intensifiquem a prática da educação em disciplinas do Curso de Administração. Neste número, portanto, encontram-se artigos que abordam essa temática e revelam resultados de pesquisa elaborada por docentes com a participação de discentes. Ressaltamos que os artigos continuam sendo escolhidos pelo sistema de blind-review com dois pareceristas, para garantir a imparcialidade do processo. Como convidado, temos, neste exemplar, a contribuição do Prof. Omar Acktuff, da Escuela de Altos Estudios Comerciales de Montreal – Canadá que aceitou fazer parte do nosso Comitê Editorial e nos autorizou a divulgar um capítulo de seu livro Administración Y Pedagogia, que discorre sobre o objetivo do ensino de Administração, destacando que nossas instituições de ensino precisam ser capazes de proporcionar uma formação aos futuros profissionais a fim de que possam administrar uma empresa de maneira economicamente eficaz, mas humanamente viável. Expressamos nossos agradecimentos aos autores dos artigos que deram preferência à nossa Revista para divulgar sua contribuição à ciência da Administração. Convidamos os demais professores e pesquisadores que nos encaminhem suas reflexões e suas experiências na prática do ensino de administração e compartilhem os resultados de suas pesquisas, pois as teorias são renovadas a partir da observação da realidade.

Profa. Maria da Graça Pitiá Barreto

Editora - Chefe

Sumário 09 A GestãoA Gestão do Conhecimento na Educação Ambiental: do Conhecimento na Educação Ambiental: a Integração a IntegraçãoPrimária e Secundáriae Secundária das Escolas das Escolas Primária com a Universidade para um Futuro Melhor com a Universidade para um Futuro Melhor Edson RobertoEdson Roberto Scharf Scharf Eduardo José Floriano-Sierra Eduardo José Floriano-Sierra Comércio Eletrônico: Tendências e Necessidades de 23 Comércio Eletrônico: Tendências e Necessidades de Pesquisa Pesquisa Mauricio Gregianin Testa Mauricio Gregianin Testa Edimara Mezzomo Luciano Edimara Mezzomo Luciano Henrique Freitas Henrique Freitas Identificação dos Fatores Críticos de 43 Identificação dos Fatores Críticos de Sucesso Sucesso em Instituição de Ensino Superior em Instituição de Ensino Superior Romualdo Douglas Colauto Romualdo Douglas Colauto Caio Marcio Gonçalves Caio Marcio Gonçalves Ilse Ilse Maria Beuren Maria Beuren La Administración y su Enseñanza: ¿Entre y Ciencia? 63 La Administración y su Enseñanza: ¿Entre Doctrina Doctrina y Ciencia? Omar Aktouf Omar Aktouf 79 O EnsinoO Ensino da Burocracia: um Estudo Teórico-Empírico da Burocracia: um Estudo de Caso de Caso Teórico-Empírico Jaqueline de Fátima Cardoso Jaqueline de Fátima Cardoso Janaína RenataJanaína Renata Garcia Garcia Maurício Fernandes Pereira Maurício Fernandes Pereira Um Ambiente Virtual para Experiências em Administração 99 Um Ambiente Virtual para Experiências em Administração Jessé Jessé Alves AmâncioAlves Amâncio Elis Regina de Elis Regina de Paula Paula .

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. Não levam. o respeito pela natureza é mais uma atenção às normas explicitadas pela propaganda do que por aquilo que deveria ser feito para auxiliar o planeta.970 – Blumenau . somente. 170 . 7. 1. Através da pesquisa percebe-se que a integração escola- Revista ANGRAD .ufsc./Fev. N. professor universitário Instituição: FURB – Universidade Regional de Blumenau Rua Antonio da Veiga. As pessoas sabem que devem usar produtos que minimizam o impacto negativo na natureza.A Gestão do Conhecimento na Educação Ambiental: a Integração das Escolas Primária e Secundária com a Universidade para um Futuro Melhor Edson Roberto Scharf Mestre em Administração. porém.970 – Florianópolis ./Mar.SC e-mail: nemar@ccb.89010. mas é provável que os resultados sejam melhores quanto mais cedo se tiver contato com o assunto de forma adequada e se aprender a respeitar a natureza de maneira correta e sem xenofobias. 2006 9 .com. em consideração pequenos detalhes. ligando a escola primária e secundária com a universidade. achando que.88010. 69% responderam.SC e-mail: talentto@terra. A integração do sistema educacional. quem entra para o Greenpeace ou WWF é que estará ajudando.br Resumo Atualmente. Das 320 famílias questionadas. através de um único pensamento sistêmico com relação à educação ambiental é o fator primordial para um planeta com um futuro.br Eduardo José Floriano-Sierra Dr. Jan.V. professor universitário Instituição: UFSC – Universidade Federal de Santa Catarina Campus da UFSC – Trindade . O estudo toma por base uma instituição de ensino em Blumenau. Este trabalho pretende demonstrar de que é possível às pessoas serem mais conscientes com relação à conservação da natureza. que devem reciclar o lixo e reutilizar o papel da impressora. que representam a totalidade dos pais de alunos matriculados.

Through the research it is perceived that the integration schooluniversity must occur. 69% had answered. However. Jan. que devem reciclar o lixo e reutilizar o papel da impressora. Of the 320 questioned families. Introdução No cotidiano das pessoas. sem se aperceber de que as pequenas mudanças do dia-a-dia são as mais importantes. achando que somente quem entra para o Greenpeace ou WWF é que estará ajudando.The integration of the educational system. diante da dificuldade de criar naturalmente uma forma de ação coerente. they do not take in consideration small details.V. Palavras-chave: Educação ambiental./Mar. integration school-university 1. sabem que devem usar produtos que minimizam o impacto negativo na natureza. Os problemas ambientais estão entre os vários que o homem criou. Key-words: ambient education. integração escola-universidade Abstract Currently. As pessoas. porém. 1. em geral. through an only sistêmico thought with relation to the ambient education is the primordial factor for a planet with a future. binding the primary and secondary school with the university./Fev. 7. Nas últimas décadas. in set with the knowledge management for creation of value for the subject. This work intends to demonstrate of that it is possible the people to be more conscientious with regard to conservation of the nature. porque se repetem milhares de vezes. The people know that they must use products that minimize the negative impact in the nature. Grande parte destas mesmas pessoas. N.Edson Roberto Scharf e Eduardo José Floriano-Sierra universidade deve ocorrer em conjunto com a gestão do conhecimento para criação de valor para o tema. como conseqüência da sua procura incessante pela evolução. who represent the totality of the parents of registered pupils. o respeito pela natureza é mais uma atenção a algumas normas explicitadas pela propaganda e pelo senso-comum do que exatamente por aquilo que deveria ser feito para auxiliar a continuidade do planeta. that they must recycle the garbage and reuse the paper of the printer. um modo de vida que inclua o conjun- 10 Revista ANGRAD . the respect for the nature is plus an attention to the norms explanationed for the advertising of that by what it would have to be made to assist the planet. but is probable that the results are better the more early will have contact with the subject of adequate form and if to learn to respect the nature in correct way. The study it takes for base an institution of education in Blumenau. 2006 . não leva em consideração pequenos detalhes. finding that only who enters for the Greenpeace or WWF is that will be helping.

/Mar. Das 320 famílias questionadas.V. no sentido do ensino de educação ambiental pode minimizar impactos negativos que as pessoas fazem ao planeta.../Fev. O mesmo autor argumenta de que. Educação Ambiental Tema cada vez mais recorrente nos noticiários. A integração das escolas primária e secundária com a universidade. a questão ambiental passou a ser tratada oficialmente. Este trabalho pretende demonstrar de que é possível às pessoas serem mais conscientes com relação à conservação da natureza. pelas ONGs. 2006 11 . O estudo toma por base uma instituição de ensino em Blumenau.A Gestão do Conhecimento na Educação Ambiental: a Integração das Escolas Primária e Secundária com a Universidade para um Futuro Melhor to das pessoas e atenda às necessidades humanas. embora outros fatores possam ter influência. As conseqüências desta fragmentação de habitat tornam importantes os efeitos de movimentos individuais e da estrutura do habitat sobre a dinâmica populacional. única empresa da região a ganhar duas vezes a medalha de ouro em premiação ecológica. a consciência e a ação das pessoas que pode mudar o quadro atual no ambiente em que se vive.” Revista ANGRAD . e extra-oficialmente.. 1. nessa questão. 1972).a fragmentação de habitat coloca os organismos mais próximos às bordas do habitat adequado. a proteção à natureza e o reconhecimento das fraquezas humanas relacionadas a um convívio ideal tem se tornado para muitos uma obsessão. que representam a totalidade dos pais de alunos matriculados. Jan. N. se entende.” Isto se torna muito importante quando se entende que a distribuição de uma população é a sua abrangência geográfica. se percebe. pelo governo (1ª. 61% responderam. mas é provável que os resultados sejam melhores quanto mais cedo se tiver contato com o assunto de forma adequada e se aprender a respeitar a natureza de maneira correta e sem xenofobias. mas muitos crêem mais na força da propaganda do que na argumentação dos seus filhos. É a Gestão do Conhecimento criando corpo. É o pensamento. reunião ocorreu em Estocolmo.. Desenvolvimento 2. 2. 7. Podem-se obter resultados mais facilmente quando as crianças e os jovens estão envolvidos e comprometidos com a idéia. o Colégio Shalom. A presença ou ausência de habitats adequados freqüentemente determina a extensão da distribuição de uma população. Através da pesquisa é possível perceber que a maioria tem consciência dos danos que o consumo não consciente traz. E sempre envolvido com aquilo que se pensa.1. “. Ainda de acordo com Ricklefs (2003).as distribuições geográficas das populações são determinadas pelos habitats ecologicamente adequados. “. nas salas de aula e nas conversas em meios mais intelectualizados.

E a palavra fundamental.. de 12 anos. apenas a percepção de que é preciso preservar. durante a Eco92.06. vamos ter problemas também com os rios. Tal qual a mensagem do comercial publicitário da ONG OneEarth. o aprendizado de todos os assuntos que dizem respeito ao trato e a preservação da natureza são fundamentais. nos dizem que vocês nos amam.Vocês. Fernando Back. quando fala sobre a importância de não destruir as florestas: “Vi que Criciúma tem poucas áreas preservadas e que é preciso manter o ar puro. de 05.. mas sim um fundamento./Mar.. 7.Edson Roberto Scharf e Eduardo José Floriano-Sierra Assim sendo. O planeta em que se vive caracteriza-se por ser semi-aberto. Jan. que em determinada altura do seu discurso diz “. no Rio de Janeiro. Se as matas forem destruídas. ao dizer “. Ou seja. Outro fato memorável foi o discurso da menina canadense Severn Suzuki.. 2. Ao chegar na universidade. o Diário Catarinense trouxe matéria de Ana Paulo Cardoso (Alunos Têm Aula Prática em Rio. Eu desafio vocês. Ao invés de discutir geografia e ciências em sala de aula. O cotidiano mostra a realidade Recentemente./Fev. em especial. Mesmo quando temos mais do que o suficiente. Somente o Sol (energia) vem de fora do sistema. façam suas ações refletirem suas palavras. ele deve levar para a sua vida. aqui.” Traz. visto que seus valores são outros. também.Meu pai sempre diz:Você é aquilo que faz.2. mas. 1. Por favor. 32. e conclui o pensamento com base nele. Compramos e jogamos fora.V. p.” Não há pensamento aludindo sobre quanto o progresso é necessário ou se será possível gastar menos água no banho de hoje à noite. O que cada um faz dentro dela depende somente de cada um.2005) referindo-se a cerca de 120 alunos de duas escolas de Criciúma que analisaram os recursos hídricos da bacia hidrográfica do rio Criciúma. num projeto desenvolvido em parceria com acadêmicos da Universidade do Extremo-Sul Catarinense. que ilustra bem a discussão. como áreas degradadas pelo carvão ou dejetos jogados nos rios. a preocupação. o cuidado e. formarem uma base firme para os assuntos relacionados à natureza. temos medo de perder nossas riquezas. quando a capacidade de discernimento é menor. N.No meu país. uma base. Bem.. onde todos os elementos que o compõem estão disponíveis em quantidade determinada. a possibilidade de as crianças entenderem as reais importâncias da natureza são bem maiores. a Terra é uma nave com muitos tripulantes. 2006 . adultos.. a transição é mais bem aceita. Isso. não aquilo que diz. medo de compartilhá-las. há o depoimento de um aluno de 10 anos. uma fala em que cita o ensinamento paterno.” 12 Revista ANGRAD . geramos tanto desperdício. não quer dizer apenas importante. Na matéria. em compensação. veiculado no mundo inteiro em canais fechados. o que vocês fazem nos faz chorar à noite. foram conferir de perto os problemas ambientais do município. E os. É um aprendizado prático que o fará perceber que as pequenas atitudes podem ser capazes de grandes alterações positivas no mundo. deve ser iniciado ainda em tenra idade.

Montibeller (2004) argumenta que o ser humano não tem instruções genéticas quanto ao consumo de energia e materiais. Especialmente com relação a tecnologia e a produção. 7. E os efeitos dessa visão de mundo sobre tal conceito foram profundos: a natureza deixou de ser um todo vivo e tornou-se um conjunto de recursos (instrumentos para se atingir um fim). e que isto é mais uma questão cultural. só o que é ‘recurso’ merece ser preservado.3. Obviamente. de modo que entendam a importância de tomarem pequenas ações no dia-a-dia que podem fazer uma grande diferença para a vida de todos os seres./Mar. É comum atribuir-se à tecnologia. se refere ao uso indiscriminado das riquezas naturais ou do prejuízo que podem fazer a ela. sem pressão e sem falsos conceitos. 2006 13 . E defende dizendo que “. é válido buscar a teoria proposta por Eisler (1989). 2. Dahl (1996) diz que os problemas são atribuídos não ao princípio abstrato. “. 1. é basicamente um mecanismo eficiente. mas um produto histórico.. é que a cultura é a principal geradora de suas diferenças. É o tipo de razão que pode dar sentido ao sentimento. O que Revista ANGRAD .dentro do pensamento dominante.o consumo exossomático define-se em função do modo de produção e consumo e das relações e valores sociais que se estabelecem. N.. o conceito de natureza não é natural. É uma ação contundente. ainda que seja apenas uma. Dessa forma. vai sendo incorporado à sua vida pouco a pouco. Conforme afirma Brügger (1998). que normalmente são içados ao posto de vilões do meio ambiente e o grande entrave para conseguir-se um desenvolvimento sustentável.A Gestão do Conhecimento na Educação Ambiental: a Integração das Escolas Primária e Secundária com a Universidade para um Futuro Melhor São palavras que trazem ensinamentos simples. Desenvolvimento sustentável O conceito de desenvolvimento sustentável. Jan./Fev. “Os poderosos são tentados a manipular a situação para seu maior proveito”.” A informação de que a Terra é o nosso bem mais precioso deve ser repassada às crianças. a causa dos problemas ambientais..se aprendemos alguma coisa através da história do desenvolvimento econômico. Essa é a essência da ética conservacionista: a instrumentalização e a reificação da natureza. na visão da autora. que as pessoas não conseguiriam viver sem o uso de tecnologias. que contempla o equilíbrio entre os aspectos econômico-financeiro. porém. com o título de Teoria da Transformação Cultural. em particular. refletindo um modo de vida...” Uma economia baseada no mercado. por sua utilidade (imediata ou potencial). porém poderosos.V. porém. mas à sua aplicação. no meio de milhares de ações que são tomadas contra a natureza. ambiental e social. É sabido. em que cada um tem a liberdade de comprar e vender e os preços podem encontrar o seu próprio nível baseado na procura e oferta. É neste sentido que ele é cultural..” Landes (1998) comunga com esta idéia ao raciocinar que “.

grupos./Mar.Edson Roberto Scharf e Eduardo José Floriano-Sierra se torna conveniente discutir é o uso que se dá à tecnologia. na figura do seu atual diretor. A integração escolas primária e secundária com a universidade carece de um trabalho com este foco. 1. Consumo consciente: questão de consciência Novamente.Senão como explicar onde ficam as fronteiras que separam o ambiente interno (de nossas percepções sensoriais de sentimentos e intuições) do ambiente externo (do espaço físico e fábricas dos locais de residência e trabalho)?” 2.. natural se imaginar que a comunidade em que está inserida essa criança.5. Pensando dessa mesma forma. mas quando se aprofundam as reflexões. que hoje ameaça toda a vida no planeta. por sua vez. se para a vida ou para a morte./Fev. raciocínios. sensações. aplicando os conceitos de gestão do conhecimento para criação de valor junto à comunidade em geral e aos pais dos alunos.” 2.. intuições.a tecnologias que sustentam e elevam a vida para as tecnologias simbolizadas para a lâmina. “.V. iniciou o processo de ensino de disciplinas de ecologia nas salas de aula. de acordo com a autora. Jan. Mendonça (2005) diz que os impactos ambientais são problemas decorrentes de relações sociais e estas. tecnologias destinadas a destruir e dominar. caso de muitas dos engenhosos produtos e programas desenvolvidos pelo homem. sociedades. Essa tem sido a ênfase tecnológica ao longo de grande parte da história registrada. juntamente com a equipe de professores e funcionários.. Considerando toda a extensão da evolução cultural do ponto de vista da sua teoria. N. “. que trouxe grandes modificações não só na estrutura social. cheguem à universidade e à vida adulta vendo o planeta e as ações praticadas por eles mesmos. no longo caminho para a compreensão do mundo em que se vive. mas também na tecnologia. opiniões. 7.. O projeto de educação ambiental para um futuro melhor O Colégio Shalom. essas separações perdem sentido. agora com amplos 14 Revista ANGRAD . João Batista Cardoso de Aguiar.Acostumamo-nos a pensar as coisas separadamente: indivíduos. O projeto é que os alunos. 2006 . Foi a mudança na ênfase dada “. ambientes internos e externos. especificamente.” Há o convívio consciente com essas separações.. em vez da tecnologia por si só. prof.. chega-se a um ponto único: é na cabeça das pessoas que o meio ambiente pode alterar seu curso. economias. de uma nova maneira. E é essa ênfase tecnológica. mais conscientes. É na maneira como se vêem as coisas e não em como se fazem. Como cada aluno do Colégio Shalom pode ser um agente multiplicador do que aprendeu sobre ecologia e suas ações podem ser inspiradoras de outras ações de outras pessoas.4. são resultados de processos mentais. Eisler (1989) afirma que se verá que as raízes das atuais crises globais remontam à mudança fundamental na pré-história. subjetividades.

vários álbuns de germinação (feijão e outros). palestras para pais e crianças sobre a pirâmide alimentar. plantas microorganismos e saúde. O projeto do Colégio Shalom. com a participação maciça dos alunos. ainda sem a participação dos alunos. demonstrando interesse e tornando-se.. foi dispensado um tempo realmente grande para essa conscientização. Este trabalho foca uma das áreas. Jan. atentos às suas responsabilidades como pessoa da comunidade e multiplicadoras do esforço de conscientização. otimização do consumo de água. os trabalhos feitos com hortas orgânicas e jardinagem obtiveram efeitos excelentes. N. a educação ambiental. determinaram. A educação alimentar para a promoção da saúde.. o ‘meio ambiente’ fique limitado a seus aspectos naturais e técnicos. extinção e outros temas ecológicos. ‘ciências naturais’ e ‘ciências exatas’ e ainda pulverizadas em disciplinas. Também. por exemplo. poluição sonora e visual. A idéia básica era mudar os hábitos alimentares das crianças. separadas historicamente em ‘ciências humanas’. A equipe do Colégio Shalom. Brügger (1998) tece um comentário interessante a este respeito. peças em caixote de papelão imitando televisão. Os alunos deveriam aprender as inter-relações entre solo. Na sua implantação. paisagismo e horta orgânica. O outro foi a formação dos alunos como cidadãos zelosos do planeta. como mostra a forte identificação com poluição. decorrente do diálogo insuficiente entre as áreas do conhecimento. tende a se influenciar por ela e tomar cuidados que talvez até então não tivesse. ele fez uma apresentação e avaliação de diversas áreas. 1. alguma delas surtiram especial efeito. Revista ANGRAD . Há um empobrecimento conceitual. resíduos sólidos. matéria-prima. na maioria das estratégias educacionais. a conquista das medalhas de ouro instituídas pela FAEMA às empresas que se destacam em atividades de gestão ambiental. brincadeiras com papel e idas a supermercados. como peças de teatro com fantoches. as metas do programa. Todos foram envolvidos e a importância desse tempo foi traduzida em dois momentos: um. Dentre as ações feitas com as crianças. quando diz que . Aos alunos. denominado SGA – Sistema de Gestão Ambiental foi vencedor por dois anos consecutivos do prêmio de Gestão Ambiental instituído pelo órgão FAEMA.esse modo de pensar faz com que. em conjunto./Mar.A Gestão do Conhecimento na Educação Ambiental: a Integração das Escolas Primária e Secundária com a Universidade para um Futuro Melhor conceitos sobre respeito à natureza./Fev.V. para que pudessem agir e monitorar de forma mais constante e correta todos os passos do programa. esgotamento sanitário. 7. Para isso. a saber: educação ambiental. foi um dos temas que teve ampla participação e resultados práticos. iniciou seus encontros no formato de reuniões para que todos os envolvidos tivessem o mesmo vocabulário e pensasse de forma dirigida aos objetivos. 2006 15 . visando o melhor aproveitamento do que a natureza tem a oferecer em termos de alimentação. Essas medalhas de ouro vieram confirmar o esforço feito por todos os envolvidos. otimização do consumo de energia elétrica.

2. O simples fato de as crianças estarem fazendo os trabalhos (apresentados em cartazes periodicamente) já criava um clima de boa vontade para que os adolescentes também “vestissem a camisa”. através do ensino teatral. Esse modo de pensar é conhecido por método cartesiano. N../Mar. ao demonstrarem seu agrado com as técnicas aplicadas pelas professoras. 2006 .referindo-se ao excesso de importância dada a tecnologia e às coisas materiais. faz necessário entender o que pode estar por trás das ações e possíveis reações de alunos. a gestão do conhecimento só é possível com seres pensantes alimentando o processo. por exemplo. inclusive por elas próprias. E ao adotá-la como linha-mestra.. Já o modelo mental sistêmico relaciona os componentes de um sistema. A competição predatória é própria do sistema mental linear. além da escola. Temos exposta.). como uma resposta do Renascimento à Idade Média.V. aí.Edson Roberto Scharf e Eduardo José Floriano-Sierra naturalmente. É provável que. água. Segundo Mariotti (2000) o modelo mental linear consolidou-se na Grécia clássica e ampliou-se tempos depois./Fev. O trabalho lúdico feito com as crianças. amigos e vizinhos.. também nessas fases. 7. considerando o exemplo estudado. Para os pais dos alunos. por exemplo. a dimensão humana deve regressar ao seu lugar central no nosso conceito de sociedade (. considerando os prêmios recebidos. Os resultados foram excelentes. época em que tudo era visto em termos de dogmas e teologias. incluindo estudos do solo. considerado fundamental por todos os envolvidos. das brincadeiras dirigidas e das aulas práticas em campo. não se restringindo a vê-los separadamente. a partir disto.. Como bem afirmou Dahl (1996). multiplicadores do conceito de preservação e respeito à natureza junto aos seus familiares. A ecologia.. pais e comunidade. a Gestão do Conhecimento.Foi no Renascimento que se firmou o uso da razão aristotélica e da argumentação lógica como balizadores do nosso sistema de raciocínio. O pensamento como modelador da educação ambiental A cultura ocidental adota predominantemente o pensamento linear em contraponto aos pensamentos sistêmico e complexo. 1.” O predomínio deste modelo foi se expandindo e tem perdurado na cultura ocidental. 16 Revista ANGRAD . pois inclui o conhecimento das relações entre os seres vivos. teve um resultado ótimo.. “. através do reconhecimento da importância do capital humano no funcionamento de todos os sistemas sociais. visto que adolescentes já têm muitos outros interesses. E isto traz um retorno também para as séries superiores.6. essa conquista e posterior divulgação foi um motivo de orgulho e certeza de tê-los num espaço adequado para o aprendizado e para a formação de cidadãos equilibrados e respeitosos. Jan. Afinal. é uma ciência sistêmica. a integração fácil entre a escola e a universidade traga resultados valiosos para a sociedade.

por exemplo. de valoração do meio. Ao contrário. adequando-as às necessidades de cada situação. normalmente./Fev. é usado. das relações.analisemos nosso próprio pensamento. vê as partes como componentes de uma organização. dependendo da compreensão do problema. a importância de processos bem realizados de educação ambiental./Mar. a aleatoriedade e a incerteza. para que estas gerações vindouras consigam ser melhores do que as atuais na relação com a natureza. N. entende as coisas como um todo. cuja dinâmica se dirige a um objetivo comum. Quando for ineficiente.o modelo mental proposto pelo pensamento complexo aceita e procura entender as constantes mudanças do mundo e não nega a multiplicidade. O pensamento sistêmico. é possível que o pensamento complexo seja o mais adequado a ser adotado pelo colégio Shalom. E complementa dizendo que . pois temos sido muito apegados à estrutura de pensamento na qual fomos educados. Conforme a introdução deste trabalho preconizou quanto ao meio. uma vez que fazem parte da realidade. a diversidade. Novamente neste ponto. o linear. vê as relações entre as partes. A prioridade é a compreensão dos fenômenos..A Gestão do Conhecimento na Educação Ambiental: a Integração das Escolas Primária e Secundária com a Universidade para um Futuro Melhor plantas. O modelo mental complexo. assim como todas as redes de relações entre eles..V. vê-se que se vive freqüentemente situações que não fazem sentido para nós. Jan. Considerando o tema e a proposição deste trabalho. pode-se aprender com a experiência. Um dos autores que mais importância dá ao pensamento complexo (MORIN. Conforme Mariotti (2000). O pensamento complexo propõe que se utilize o pensamento linear quando ele for mais eficaz. sistema é um conjunto de dois ou mais componentes inter-relacionados e interdependentes. Com uma leitura distanciada e desapegada.”. ressalta a importância de aprendermos a conviver com elas. no entanto. dos fluxos de influência entre os diferentes componentes de um sistema. Revista ANGRAD . 2006 17 .. o que favorece um modo de vida que supõe a idéia de que não se pertencer à natureza. pede com que o usuário decida sobre as estruturas de pensamento que deseja utilizar. Ele é vista de fora. Conseqüentemente. inclui todos os elementos que os compõem. Está ocorrendo um crescente distanciamento da natureza. O estudo dos ecossistemas. animais etc. de aumento da consciência quanto ao consumo e do entendimento do que vem a ser crescimento sustentável. 7.. Qualquer alteração em uma das partes refletirá na totalidade. os impactos ambientais gerados pelos seres humanos revelam que não são avaliados tão graves. que se utilize o sistêmico. também o sistema de pensamento complexo entende de que pequenas ações podem levar a grandes resultados. As sociedades modernas estão em processo de mudança cada vez mais rápida. 2000) propõe que “. portanto. Ao comparar com o sistema de pensamento que. 1.

em que os pais indicaram quais produtos eles diminuíram o consumo. “.5% reduziu o consumo de salgadinhos e quase 5% diminuiu o consumo de bolachas recheadas. Nessa questão.onde a comunidade internacional falhou em agir. N. “. tem-se que 85% dos pais responderam que os filhos comentam sobre o que aprendem de educação ambiental em casa. crescimento e sustentabilidade. pois a maneira de vida das pessoas hoje não é. a partir das conversas com os filhos.. 18 Revista ANGRAD . Os demais produtos. sustentável. a partir das conversas com os filhos. Jan. enquanto no desenvolvimento ela é qualitativa. 69% obtiveram resposta. sem o envolvimento do pensamento integral dos envolvidos. forçando blocos regionais a avançar isoladamente. criando uma desvantagem competitiva para os países que buscam maior valor agregado aos seus produtos e menor legado tóxico para o ambiente./Mar. chocolates ou balas obtiveram em média de 1 a 2% das respostas. como sacolas plásticas. 12. mas não são a mesma coisa. água e energia. Realmente. tem o risco de se tornar uma expressão nula. 2006 .. 1. obtiveram-se respostas diversas como: 14. Dos 320 questionários enviados. por definição.” Veiga (2005) acrescenta que . Os dois estão intimamente ligados. Furtado e Furtado (2001) afirmam que a questão da sustentabilidade deve ter sido a maior vítima do processo de globalização. detergentes.fazem com que a arena internacional continue sendo bastante desigual... Não se deve esquecer. 7. foram obtidos os resultados a seguir detalhados: Sobre a Q1 – Importância dos comentários e conversas dos filhos sobre o que aprendem de educação ambiental no colégio. é difícil conciliar as duas coisas. com preenchimento feito pelos pais de alunos matriculados.V. que no crescimento a mudança é quantitativa. desinfetantes. alguns pais não responderam porque não adotaram o consumo consciente. Nesse sentido..ninguém duvida de que o crescimento é um fator muito importante para o desenvolvimento. Apresentação dos dados/evidências Foi aplicado um questionário com perguntas fechadas e abertas. 3. a expressão desenvolvimento sustentável./Fev. em princípio.Edson Roberto Scharf e Eduardo José Floriano-Sierra Levando em consideração essas explanações. Com relação à coleta dos dados.” Continuam o raciocínio. Por meio das respostas da Q2 – Diminuição do consumo de industrializados. contudo. sendo um excelente índice de devolução dos mesmos..5% diminuiu a compra de enlatados. somente com ações isoladas. 8.5% diminuiu a compra de refrigerantes. dizendo que a pouca vontade política para implementar a regulamentação internacional e iniciativas voluntárias tímidas. alimentícios. condimentos.

7.V.A Gestão do Conhecimento na Educação Ambiental: a Integração das Escolas Primária e Secundária com a Universidade para um Futuro Melhor Uma questão pode ser complementar à outra. 2006 19 . é importante entender que os filhos podem ser os grandes motivadores de uma ação nessa direção. aproximadamente. também eles têm que dar o exemplo. em algum momento essas ações desencadeadas voltam às crianças. 5% dizem que na escola os alunos aprendem.5% dos respondentes disseram que os alunos não estão preparados para convencer outras pessoas e a mesma quantidade de respostas explicou que os esforços de propaganda são muito mais fortes do que o esforço feito pela escola. no entanto são as defesas do Não. 1. Além disso./Mar. como pais cônscios das suas responsabilidades e como educadores. Como exemplo. o que confirma a exatidão das respostas. É sabido que muitas crianças preferem brincar a estar no colégio e os pais. Muito fortes. foi praticamente unânime o “sim. principalmente como forma de valorizar o ato de estudar. o esforço do colégio pode gerar essa ação”. 36% dos respondentes afirmaram que têm contato sobre o assunto educação ambiental com familiares. está diretamente dando importância a ida dos filhos à escola. Jan. entender e praticar o que o filho comenta. Já 17% afirmam contatar vizinhos e. Na última questão a Q5 – Acredita que o esforço do colégio Shalom no ensino de educação ambiental conseguirá alterar a consciência das pessoas. concordam com algumas das respostas da Q3. Essas explicações dadas por quem optou pelo não. ao dar atenção. sustentabilidade ou consumo consciente. os pais percebem que se os filhos estão dando importância ao tema. ou seja. 37% dos respondentes disseram que percebem estar conscientes no dia-a-dia sobre a importância da educação ambiental e 38% afirmaram já ser conscientes antes mesmo das conversas com os filhos. o que vai ao encontro do que aprendem na escola. pois se os filhos comentam com os pais sobre o aprendizado de temas ambientais. percebem que estão um pouco mais conscientes. talvez haja reações positivas em direção a minimizar a compra de produtos industrializados. que o esforço do colégio não consegue alterar a consciência das pessoas quanto ao consumo consciente e que podem ser múltiplas. enquanto 22% dizem contatar ou dar exemplos a amigos. Para quase 21% dos entrevistados. Como uma espiral. Quando perguntado na Q3 – Percepção da consciência sobre assuntos relacionados ao meio ambiente. não tem representatividade./Fev. Revista ANGRAD . O compartilhamento das informações é uma forma legítima e definitiva de fazer outras pessoas entenderem da importância da educação ambiental. conservação. Embora a consciência ecológica possa ser estimulada por vários meios. Na Q4 – Há conversas ou dá exemplos a outras pessoas do seu círculo. 12% dizem contatar colegas de trabalho. O restante das respostas. que continuam agindo como antes das conversas com os filhos. aproximadamente. como namorado ou conhecidos. mas no dia-a-dia não conseguem aplicar o que aprenderam. 2. N. mas quase 5% afirmaram que não.

. Conforme sugere Brügger (1998). Depois. cônscios de suas responsabilidades enquanto ocupantes deste planeta e preparando-os para a entrada na universidade.. . sociais e outros. os alunos deveriam ter a oportunidade de usar suas capacidades e potencial através do uso no ambiente.V. conhecimento e valores. Neste sentido. portanto. “fazer emergir”. amigos. É preciso refletir e analisar com distanciamento sobre a vida que se leva. Quanto mais tempo se estiver recebendo informações e insights desse teor..” 20 Revista ANGRAD . Só assim. é a chave para a transmissão de informação e. porém. desde cedo./Mar. assim. incluindo os processos formais e informais pelos quais a pessoa adquire linguagem. sobrevivência e renovação de qualquer ecossistema.e com isso impregnado de escolhas e significados políticos. resgatar a ligação com a fonte da vida. vizinhos./Fev. Portanto. pois evocam sentimentos mais profundos nos alunos. no latim. 7. culturais. Dahl (1996) afirma que a educação. na origem da palavra educação. devemos cuidar de questões profundas em cada indivíduo. ir além das visões reificadas no tempo e no espaço e empobrecidas ética e politicamente. A sociedade é constituída de um conjunto de pessoas. capacidades. estéticos. o meio ambiente será percebido como uma construção e uma possibilidade histórica .para reverter ou amenizar esse processo de ruptura com o entorno é preciso. Jan. já contém em si o componente ambiental. normalmente coincidente com o início das responsabilidades da idade adulta. tentando fazê-los cidadãos mais completos. éticos. Assim. encontra-se o “conduzir para fora”. é só o primeiro passo do processo. o termo educação. ações como a do colégio Shalom são importantes. Esse fora (da condução e do emergir) é o ambiente. 1. A Gestão do Conhecimento se encontra neste momento: a criação de valor para um ou mais conhecimentos adquiridos. elas podem induzir o desenvolvimento que desejarem. nem sempre ligados diretamente. Mendonça (2005) corrobora com esse pensamento ao dizer de que “. em sua origem. Deve-se lembrar que. para o funcionamento. Como têm liberdade de pensar. Conclusão e propostas O Colégio Shalom buscou a excelência no ensino da educação ambiental aos seus alunos. internamente. N.. com um objetivo final claro de melhoria de algo ou alguma coisa. através do repasse do conhecimento aos pais. como multiplicadores. Os resultados vieram: primeiro. Uma vez dotados de conhecimento necessário e motivados por um conjunto de valores e crenças.Edson Roberto Scharf e Eduardo José Floriano-Sierra 4. Educar. com alunos sabedores da sua importância no sistema ambiental global e tomando frente na tomada de medidas para proteção à natureza. maior a probabilidade de se agir como tal. conhecidos e demais pessoas. 2006 .se quisermos desenvolver uma relação harmônica com a vida.

.V. gostar dos outros e confiar neles não é nada fácil. adota fielmente o modelo linear. N. que o modelo complexo de pensamento mostra-se como mais equilibrado. é importante entender que o mesmo pensamento pode ser entendido de formas diferentes por diferentes pessoas. vê-se que a prioridade não é a manutenção do planeta. a relevância da Gestão do Conhecimento. Ao se olhar a quantidade crescente de shopping centers. o pensamento é a chave para o sucesso de um programa de educação ambiental. O argumento ad hominem está na gênese dos preconceitos e continuará existindo e predominando enquanto durar a hegemonia desse sistema de pensamento. Se este trabalho tem a intenção de enfocar a importância da educação ambiental como fortalecedora de resultados positivos ao ambiente através dos alunos diretamente e dos pais. mais produtos). criação de várias hortas orgânicas./Mar. Daí.A Gestão do Conhecimento na Educação Ambiental: a Integração das Escolas Primária e Secundária com a Universidade para um Futuro Melhor Entre os resultados altamente positivos alcançados com o SGA – Sistema de Gestão Ambiental do colégio Shalom. Mariotti (2000) exprime o modelo linear com precisão. de novos produtos de categorias antes desconhecidas e de novos modos de vida (e com eles. pode criar restrições à adoção de uma cultura de desenvolvimento consciente quanto ao meio ambiente. grande parte das pessoas. amigos. numa cultura competitiva e reativa como a nossa. a separação de resíduos. que é o preparo das pessoas nas escolas primária e secundária para o desafio da universidade e da vida. indiretamente. Não há dúvida. inclusive professores. a reutilização de resíduos em diversas atividades. 2006 21 . a natureza são recursos esgotáveis. dadas as características do modelo. futura implantação de mini-usina de lixo. 1. É sabido que a Terra.o automatismo concordo-discordo é típico da orientação da lógica da cultura do patriarcado. lixeiras sinalizadas. Com efeito. Infelizmente. Como propostas do trabalho para o colégio Shalom. portanto. 7. inclusive moda. Mais uma vez. que o maior resultado foi o conhecimento como estado de consciência coletiva para o respeito à natureza por parte dos alunos e estes como multiplicadores da educação ambiental. construção de um espaço para coleta seletiva de lixo. Parece. seguem algumas idéias: Revista ANGRAD . consiga seu intento maior. E essa relevância mostra-se mais contundente quanto mais se aproxima de um modelo de pensamento complexo. de forma que ele. Mesmo assim. O que. Essa informação não parece estar presente nas ações quando se definem prioridades e necessidades em relação à vida no mundo. realmente. com base na Gestão do Conhecimento. conhecidos e comunidade. estão a medalha de ouro da FAEMA. não se pode iludir quanto aos resultados. ao dizer que . a reforma dos banheiros com instalação de torneiras de pressão. no entanto./Fev.. reutilização de papel e reutilização de resíduos na confecção de painéis artísticos. Jan. ao mesmo tempo. que faz da desconfiança uma reação automática.

Fundamentos em Ecologia. 2005. Política e Solidariedade. A Riqueza e a Pobreza das Nações. Imago. 2000. para que ambos os setores percebam a importância dos trabalhos de consciência ambiental. Conservar e Criar.24 (141). Gilberto. RITA.. São Paulo: Ed. DIÁRIO CATARINENSE. PINTO-COELHO. Educação Ambiental se Aprende. CENTRO INTERNACIONAL DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL (org. CLARKE. 2000. Campus. N.). 2005. G. SenacSP. Florianópolis: Ed. MONTIBELLER-Filho. P. RICKLEFS. Palas Athena. O Princípio Ecológico: Ecologia e Economia em Simbiose. Referências BRÜGGER. ed. Robert E./Mar. Desenvolvimento Sustentável – O Desafio do Século XXI. DAHL. 2001. Assim. Anne Brigitte. São Paulo: Fundação Getúlio Vargas. 2000 MENDONÇA. A Economia da Natureza. Ciência Hoje. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. Porto Alegre: Sulina. Elements of Ecology. Rio de Janeiro: Ed. 2006 . 2004. David S.. New York: John Wiley and Sons. O Cálice e a Espada. Informe comercial de junho/ julho de 2005. L. 1998. 1.1998. As Paixões do Ego: Complexidade. 7. b) que o colégio Shalom faça interações constantes com as universidades ao seu entorno./Fev. 22 Revista ANGRAD .) VEIGA. José Eli. 2003 (5ª.Edson Roberto Scharf e Eduardo José Floriano-Sierra a) que o colégio Shalom realize pesquisa periódica com a totalidade dos pais sobre as práticas dos filhos quanto ao que é aprendido em sala de aula e sobre a possível influência nos pais e comunidade. 1996. EISLER. 1998. 1954. a possibilidade dos alunos reverterem o ensinamento em prática é muito maior. MORIN.V. O Mito do Desenvolvimento Sustentável. c) que o colégio Shalom incorpore um modelo de pensamento complexo no seu cotidiano de aulas. Lisboa: Instituto Piaget. vol. LANDES. como forma de conscientização de outras pessoas. Riane. Rio de Janeiro: Garamond Universitária. da UFSC. Jan. d) que o colégio Shalom tenha um plano de divulgação dos resultados e das ações implantadas. Porto Alegre: Artes Médicas. Visões Estreitas na Educação Ambiental. Edgar e KERN. Comércio e Meio Ambiente. Ricardo Motta. São Paulo: ed. MARIOTTI. Rio de Janeiro: Ed. Arthur Lyon. Humberto. Terra Pátria.

V. 855 – sala 309 90010-460 – Porto Alegre e-mail: mgtesta@ea. Como resultados. 7. 1. A técnica de coleta de dados é a análise de documentos e. 855 – sala 309 90010-460 – Porto Alegre e-mail: hf@ea.ufrgs. mais do que modismos. dessa forma. A base de dados foi composta por 515 artigos publicados em congressos realizados em território norte-americano. 6681 – Prédio 50 – Bairro Partenon 90619-900 – Porto Alegre/RS e-mail: emluciano@via-rs. Assim.br Resumo A internet e o comércio eletrônico. utilizando a pesquisa survey como estratégia de pesquisa./Mar. N. dos anos de 1997 a 2001. é preciso pesquisar o tema. latino-americano e brasileiro. contribuindo com empresas que desejem operar via internet.net Henrique Freitas Doutor em Gestão Professor e Pesquisador do PPGA/EA/UFRGS Endereço: Rua Washington Luís. traçando um panorama do estado da arte das publicações de CE e necessidades de pesquisa./Fev.br Edimara Mezzomo Luciano Doutora em Administração Professora da FACE/PUCRS Endereço: Av. no sentido de auxiliar pesquisado- Revista ANGRAD . Ipiranga. estão se tornando uma alternativa estratégica. A pesquisa é exploratória. 2006 23 . A análise de dados ocorreu através de análise de conteúdo a partir do resumo de cada artigo. O objetivo deste artigo é identificar os diversos componentes do que se conhece genericamente como comércio eletrônico (CE) ou e-business. identificaram-se temas e tendências. os dados coletados são secundários.ufrgs. Jan.Comércio Eletrônico: Tendências e Necessidades de Pesquisa Mauricio Gregianin Testa Doutorando em Administração – PPGA/EA/UFRGS Professor da FACE/PUCRS Endereço: Rua Washington Luís.

Nos últimos anos. from 1997 to 2001. passa a fazer parte do passado o cenário de um mundo estável.V. provendo amplo acesso a serviços. diretamente afetadas pelas mudanças da chamada sociedade da informação. sendo dinâmicas. The data analysis has occurred through content analysis. using a survey as strategy. Palavras-chave: Comércio eletrônico. identified subjects and trends. que precisam adaptar-se aos novos tempos. contributing with companies that want to work by Internet. it’s necessary to develop researches on the subject. A economia globalizada impõe desafios às organizações tradicionais. 2006 . Segundo Choi e Whinston. Introdução As empresas hoje são mais complexas. in direction to assisting researchers to make researches that might come to supply the necessities of organizations that want to buy and sell electronically. 24 Revista ANGRAD . 2004). reduzindo os custos operacionais e a eliminação de funções que não agregam valor (TURBAN e outros. 2004). from the summary of each article. gerando modificações profundas nas organizações (HACKNEY. Key-words: Electronic commerce. pelo seu impacto na condução de negócios e como um novo e rentável canal para o desenvolvimento de relações de trocas. The technique to data collection was documents analysis. The objective of this article is to identify the diverse components which everyone knows generically as electronic commerce (e-commerce) and e-business. Internet.TORKZADEH e DHILLON. a internet é a Tecnologia da Informação que mais tem se sobressaído. Internet. Jan. cada vez mais. As result. 1.The data base was composed by 515 articles published in North-American. 7.Mauricio Gregianin Testa. o meio empresarial está mais dinâmico e competitivo e. informações e recursos (CHANG. Essa nova realidade provoca uma reorganização intensa em todos os setores. Seu uso tem o potencial de revolucionar a forma de operação das organizações. Edimara Mezzomo Luciano e Henrique Freitas res a fazerem pesquisas que possam vir a suprir as necessidades das organizações que pretendem comprar e vender eletronicamente. reinventando processos. N. LatinAmerican and Brazilian congresses. Thus./Mar. inovadoras e com alta capacidade de resposta às necessidades do ambiente. BURN e SALAZAR.The research is exploratory. 1. 2004). tracing a state of art overview of e-commerce publication and necessities of research./Fev. Abstract The Internet and electronic commerce are becoming a strategic alternative. proporcionando ganhos significativos de produtividade.

20) Devido à velocidade de crescimento e por trazer novas formas de comunicação. salientando os temas já pesquisados em congressos científicos. os diversos componentes do que se conhece genericamente como comércio eletrônico. as organizações podem definir critérios de atuação em um ambiente competitivo onde “o mais rápido é melhor que o maior” (FORGE. Jan./Fev.Framework de impactos sociais da TI nas organizações Fonte: TURBAN et al. processos. aplicações. 1. Nesse contexto. Com ela. “a regra em TI agora é o crescimento de projetos ambiciosos em comércio eletrônico. 2006 25 . A figura 1 mostra a inter-relação entre a TI e os vários componentes da organização. A organização deve deixar de olhar apenas para os seus processos e passar a enxergar a si própria dentro de um contexto com diferentes atores.Comércio Eletrônico: Tendências e Necessidades de Pesquisa (2000. o presente artigo tem como objetivo identificar. 19). além de interações entre pessoas. Operar via internet exige a reestruturação da empresa em diversos aspectos: infraestrutura tecnológica.V. (1999. o delineamento de um novo modelo de negócios. p. verificando diferenças de enfoques Revista ANGRAD . 493). N. p. p. 7. 1993. Figura 1 ./Mar. que inclui fornecedores. revisão de soluções que envolvam pessoal interno e externo. a internet muda a forma de conceber e realizar negócios nas organizações. de forma exploratória. sendo isto uma oportunidade reconhecida por estrategistas”. permitindo. povos e culturas. parceiros e clientes como parte essencial do negócio.

porém. sem números expressivos e restrito a operações entre empresas.. como as livrarias e lojas de cd’s. formas de consumo. se tem relação com a prática e com os temas que emergem do dia-a-dia. já atingindo cifras bastante significativas. vários avanços tecnológicos iniciam: barateamento do hardware e software. 1. vender pela internet tornou-se quase um imperativo em alguns segmentos. A mudança é tão grande que é possível dizer que “o mundo está em meio a uma revolução na forma de fazer comércio” (KALAKOTA e WHINSTON. N. Na seqüência deste documento. restritos a empresas de grande porte. também. 2006 .1. o item 2 aborda a base teórica do estudo proposto. desenvolvimento de protocolos e especificação de padrões. 2. Esse cenário possibilitou o surgimento do comércio eletrônico como se conhece hoje./Mar. Jan. para com isso. O primórdios do comércio eletrônico datam da década de 70 do século XX nos Estados Unidos. Na década de 90. necessidades de pesquisa. principalmente a instituições financeiras. sabe-se que há desafios tecnológicos. Aspectos envolvidos em operações de comércio eletrônico Atualmente. com a criação dos fundos eletrônicos de transferência (EFT). é o chamado comércio eletrônico pré-internet (AMOR. desenvolvimento de softwares de navegação mais intuitivos. surgiu o intercâmbio eletrônico de documentos (EDI). temas./Fev. Por trás da aparentemente simples mudança na forma de comprar. ainda. 1997. o comércio eletrônico está revitalizando as necessidades e o valor inovador dos processos de 26 Revista ANGRAD . inaugurando uma nova era no mundo dos negócios. Comércio eletrônico: aspectos envolvidos. 2. 2000). as empresas devem repensar a forma de operar os seus negócios. aplicações e desafios O comércio eletrônico (CE) está provocando mudanças intensas na organização das empresas e na relação das empresas com seus clientes. 28). popularização da internet. na organização da indústria. Eles eram. caminhar na direção das necessidades da sociedade” (FREITAS. Edimara Mezzomo Luciano e Henrique Freitas e. há modificações na economia. no entanto.Mauricio Gregianin Testa. melhoria na infra-estrutura telefônica e de redes. enquanto o item 4 relata os resultados obtidos e o item 5 contém algumas considerações finais. Até aí. Na metade da década de 80. Dessa forma. pode-se fornecer subsídios para averiguar se o que está sendo pesquisado academicamente é útil às organizações. de relacionamento e de criação de valor. na legislação. buscando o rigor. 7.. também utilizado por empresas de porte médio. o item 3 expõe o método da pesquisa. 2000). “. p. de estruturação de processos e estratégicos. Desta forma.V. Ainda que o crescimento do comércio eletrônico esteja acelerado. empregos. Independente disto. parceiros e fornecedores. 2001). pois o comércio eletrônico não significa apenas mais uma forma de vender e comprar (FREITAS e outros.

Para Kalakota e Robinson (2002). comércio eletrônico é a realização de toda a cadeia de valor dos processos de negócio em um ambiente eletrônico. 2000). 7. entre empresas e da empresa com consumidores. com enfoque e profundidade diferentes. o CE pode ser definido sob várias formas. comércio eletrônico inclui qualquer atividade comercial que ocorra diretamente entre uma empresa. seus parceiros ou clientes. Para Albertin (2000).Comércio Eletrônico: Tendências e Necessidades de Pesquisa negócio está abrindo novas formas de relações entre as empresas e capacitará novos mercados. • serviços: é a ferramenta que permite cortar custos. organizações. de acordo com diferentes perspectivas: • comunicação: é entrega de informação. Há várias definições para comércio eletrônico./Fev. 4). 3). ou ambos) bem como baseadas eletronicamente em atividades intra ou inter-organizacionais que facilitam tal troca”. serviços ou pagamentos via linha telefônica. 2000. por meio de uma combinação de tecnologia de computação e comunicação (TREPPER. • on-line: permite capacidade de compra e venda de produtos e informação na Internet e outros serviços on-line. produtos./Mar. propõem uma definição contemporânea de CE: “trocas mediadas em tecnologia entre partes (indivíduos. Choi e Whinston (2000) observam que a tecnologia está transformando muitos aspectos dos modelos de negócios e atividades do mercado. Já Rayport e Jaworski (2001. agilizar processos de negócios e aperfeiçoar o relacionamento tanto com os parceiros de negócios quanto com os clientes (FRANCO. Nesse sentido. porém. N. Uma definição mais simplista poderia dizer que comércio eletrônico é troca de bens e serviços por pagamento na internet. 1. 2001). • processos de negócios: é a aplicação de tecnologia na direção de automação de transações de negócios e fluxos de trabalho. Na definição de Zwass (1996).V. manutenção de relações de negócios e condução de transações por meio de redes de telecomunicação. novos negócios e novos paradigmas de marketing (FRUHLING e SIAU. p. não leva em consideração as vantagens competitivas resultantes da associação dos participantes das cadeias de abastecimento e de valor (as pessoas envolvidas no fluxo de mercadorias. serviços. é uma ferramenta que permite reduzir os custos administrativos e o tempo do ciclo fabricar-vender-comprar. comércio eletrônico é o compartilhamento de informações do negócio. 2006 27 . atendendo aos objetivos do negócio. ao mesmo tempo em que se aumenta a qualidade e a velocidade de entrega. Essa visão. p. dinheiro e informações necessários para levar os produtos de matéria-prima até as mãos do consumidor). por meio da aplicação intensa das tecnologias de comunicação e de informação. Dessa forma. Revista ANGRAD . redes de computadores ou outros meios. incluindo interações dentro da empresa. Jan. por isso propõe uma definição mais ampla: comércio eletrônico se refere a usar meios eletrônicos e tecnologias para conduzir o comércio.

p. é preciso elucidar algumas das terminologias principais. ou seja. integridade (a quantia deve ser a combinada.V.Ainda aquém às expectativas. bem como algumas potencialidades e desafios de operar através de comércio eletrônico. 7. 2000). encriptação (criptografia de mensagens entre comprador e vendedor. padronização e segurança. utilizadas para descrever diferentes aplicações e camadas. comércio eletrônico pode ser usado para aumentar o processo de prospecção. uma transação via web requer: confidencialidade (as informações só devem ser utilizadas para o que o cliente autorizou. A seguir. Para Amor (2000. 38). a meta é desenvolver conjuntos de métodos de pagamento que possam ser utilizados pelas pessoas e que sejam mais confiáveis às instituições bancárias (CUNNINGHAM. 1. 2. técnicas e gerenciais. para efetivar uma compra. (2004) citam como requisitos a uma compra segura: autenticação (verifica a identidade do comprador antes do pagamento ser autorizado). que correspondem aos aspectos mais relevantes do comércio eletrônico./Mar. Segundo Rayport e Jaworski (2001). fazer a compra). Edimara Mezzomo Luciano e Henrique Freitas O conceito de comércio eletrônico nos aporta diferentes percepções das suas potencialidades. Turban e outros.2.Mauricio Gregianin Testa. indo da infra-estrutura de rede até a estrutura comum de negócios e serviços. 2006 . Jan. Temas relacionados ao comércio eletrônico O comércio eletrônico faz uso de diversas terminologias. as empresas podem usar o comércio eletrônico como uma parte de sua estratégia de vendas business-to-business (B2B) ou para complementar métodos de venda existentes. A criptografia pode ser com chave pública (é a mesma para criptografar e 28 Revista ANGRAD . só descriptografa com um código chave autorizado) e a integridade (assegura que as informações não serão acidentalmente ou maliciosamente alteradas durante a transmissão). de segurança (quem paga com cartão precisa saber mais detalhes sobre sua compra) e carência de cobertura (nem todas as pessoas possuem cartão de crédito e estes não suportam todos os tipos de compra). Para a compreensão da abrangência desse universo. De fato. nunca com débitos inapropriados) e a autenticação (certeza de que realmente a operação foi feita com segurança). além de políticas públicas de utilização./Fev. b) e-security: a segurança nas transações via web está muito próxima aos sistemas de pagamento. N. tais como: a) e-payment: é a parte financeira das transações de CE. 2001). que permite o intercâmbio de dinheiro entre compradores e vendedores. ainda há carência de métodos convenientes (que evitem o uso do telefone ou cheques). criação de credibilidade e qualificação e usado para substituir vendas representativas via serviço arranjo e gestão de pós-venda (MIREE. Dessa forma. são abordados temas necessários ao funcionamento do comércio eletrônico e algumas áreas de aplicação.

privacidade (em relação às informações coletadas numa transação eletrônica). implementação e controle. 1. quase que exclusivamente. fazer com que o cliente perceba ‘a empresa’ em cada atendimento. as empresas iniciavam as suas atividades no comércio eletrônico preocupadas em como atrair clientes e vender pela internet e menos em como entregar nos prazos acordados com custos competitivos. a qual precisa ser adequada ao tipo de produto comercializado e ao público-alvo.V. N. Junto a isso. mas ainda existem erros nas estratégias de empresas. Portanto. Há alguns anos atrás. Esse desafio é mais acentuado no Brasil devido às suas dimensões. uma pública e uma privada) e a assinatura digital (feita por uma empresa certificadora). 1997). a sazonalidade. o que acabou criando uma consciência da necessidade de uma eficiente gestão da cadeia de suprimentos. entre outros (TURBAN e outros. 7. 2004. para então diferenciar o atendimento. cada cliente de forma unificada. certamente existem um problema ético envolvido. muitas vezes.Comércio Eletrônico: Tendências e Necessidades de Pesquisa descriptografar) ou com chave privada (duas chaves. interagir mais profundamente e customizar os produtos e serviços oferecidos a esses clientes. entre outras variáveis. muitas empresas tinham constantes atrasos na entrega dos produtos. É preciso considerar onde o produto está. Revista ANGRAD . a divulgação de idéias nazistas ou a promoção da pornografia). direitos do consumidor (como no caso de fraudes em vendas realizadas por empresas no exterior). telefone. costumes e mercados diferentes e baseado. reduzem sua atuação ao envio de e-mails ou a publicação de páginas institucionais na internet (KALAKOTA e WHINSTON. Apesar de. por exemplo. mesmo que através de meios de comunicação e interação diferentes (e-mail. é preciso um processo de planejamento. c) e-SCM (supply chain management): quando o comércio eletrônico começou a se sobressair no Brasil. de um eficiente e efetivo fluxo e armazenamento de produtos. através da identificação do que este valoriza. propriedade intelectual (é quase impossível evitar cópias desautorizadas na internet). mala-direta. 2006 29 . O CRM – customer relationship management propõe atender o cliente. no transporte rodoviário e aéreo. Jan. Muitos projetos de comércio eletrônico têm fracassado por problemas de logística. AMOR. esses aspectos não estarem previstos em lei. pretende-se com o CRM. 2000). serviços e respectivas informações desde a origem até o ponto de consumo (FRANCO./Fev. e) e-CRM: o comércio eletrônico demanda mudanças radicais no processo de marketing. enfim. quanto tempo leva até o consumidor. Esses aspectos envolvem problemas de taxação (como a colisão entre taxas de países diferentes). 2001). d) e-taxas e aspectos legais: há uma grande indefinição e muitas dúvidas em relação a aspectos legais e éticos no comércio eletrônico. qual é a demanda. muitas vezes. As possibilidades nessa área são imensas. liberdade de expressão (que possibilita. que. pessoalmente na loja). chegar a um atendimento maior das necessidades de cada cliente./Mar. quais os canais de distribuição.

os chamados bens MRO (Manutenção.V. e-gambling. 2. tendo uma intermediação eletrônica do portal de e-procurement (SCHUTZ. redução de custos na administração de vendas (RAYPORT e JAWORSKI. Iniciando a desintermediação de vendas pelos produtos MRO. FREITAS e LUCIANO. menos burocracia. N. copa. 2001). 7. Reparo e Operações). Jan. Aos poucos.Mauricio Gregianin Testa./Fev. serviços de manutenção (AMOR. serão abordadas outras terminologias referentes a comércio eletrônico (outros ‘e’). aprimorada. e-auctioning)./Mar. a ação de vender foi sendo refinada. 2001). 2002). tais como material de escritório e de informática. 1. Os benefícios para os compradores são a agilidade e dinamismo das compras. redução expressiva de custos. as vantagens são a ampliação da carteira de clientes. Para os vendedores. que representam diferentes aplicações dentro do comércio eletrônico: a) e-procurement: é a automação da compra de bens e serviços não-produtivos. Com a desintermediação.3. eles representam elementos ou ações diferentes dentro do comércio eletrônico. A separação em dois itens foi proposital. 2000). podendo então partir para compra de outros produtos. e-learning. com o refinamento das técnicas e estruturas de venda pela internet. Figura 2 . dando origem a diversos termos (e-procurement.Desintermediação e reintermediação pelo comércio eletrônico Fonte: TURBAN e outros (2004) 30 Revista ANGRAD . 2000). Edimara Mezzomo Luciano e Henrique Freitas A seguir. a venda ocorre direto do fabricante ao consumidor. maior exposição através da internet. as empresas podem testar a integração de seus dados com os das empresas conveniadas para a compra. e-banking. decisões de compra mais rápidas (FRANCO. A figura 2 ilustra este processo. vender era a única experiência em comércio eletrônico (AMOR. 2006 . Aplicações de comércio eletrônico No início da utilização da internet para fins comerciais. pois apesar desses itens estarem listados adjacentemente na literatura.

e-drugs (farmácias on-line). armazenando o site em um país que autoriza o jogo. b) e-banking: “o e-banking é um dos mais bem sucedidos negócios on-line” (AMOR. Através do e-auctioning. 2001). a qualquer hora do dia. os leilões tornaram-se mais acessíveis. Nos leilões tradicionais. e-engineering (desenvolvimento colaborativo de projetos). os chamados portais verticais. e-trade (compra eletrônica de ações). FRANCO. automotivo. Movidos pelo ambiente digital ou por força dos concorrentes. 2001). construção civil). o e-gambling é um dos negócios mais rentáveis da internet. No Brasil./Mar. O e-procurement é ideal para organizações que sofrem de longos ciclos de requisição. mais democráticas e mais rápidos (AMOR. já há diversos portais privados de e-procurement (BcomB. Além das citadas acima. alto custo de processamento de pedidos e alta carga administrativa dos profissionais de compras. a) e-learning: é também conhecido como educação a distância através da internet. Revista ANGRAD . enfim.) e portais de grandes empresas (Cisco. montadoras de automóveis) que criaram portais de e-procurement. 1999). A atratividade do e-banking é que o cliente não necessita um software específico para acessar a sua conta bancária. 25). com apostas reais em dinheiro (cartão de crédito ou débito). pois reúnem participantes de um único setor (madeira.Comércio Eletrônico: Tendências e Necessidades de Pesquisa Dessa forma. tem muitos fornecedores. e-franchising (franquias eletrônicas). d) e-auctioning: os leilões ganharam uma nova dimensão na internet. o e-procurement é uma espécie de leilão reverso entre empresas previamente cadastradas. 7. à distância. c) e-gambling: refere-se aos cassinos eletrônicos. Jan. 2000). contínuo (CUNNINGHAM.V. na sua operacionalização e na sua estratégia competitiva (RAMOS e COSTA. como o edirectories (catálogos eletrônicos). uma redução de custos considerável. A grande astúcia do e-gambling é contornar a ilegalidade do jogo em alguns países. além da necessidade do deslocamento físico até o local onde se realiza o leilão. para os bancos. 2000. 2000. o setor bancário é um dos mais afetados pela nova realidade do comércio eletrônico e essa situação tem exigido um grande esforço para a assimilação e utilização da tecnologia referente a comércio eletrônico. Segundo Amor (2000. basta um computador conectado à internet e um browser. 2006 31 . O e-banking tem crescido intensamente pois é extremamente vantajoso ao cliente e também ao banco: ao cliente. há ainda outras categorias de menor expressão. O objetivo do e-learning é fazer com que o conhecimento chegue a um grande número de pessoas./Fev. que possam voltar a ele rapidamente quando sentir necessidade. que seja algo constante. p. e que estas possam ‘acessar’ este conhecimento de qualquer lugar. entre outras (AMOR. traz comodidade e agilidade. 26). p. os lances são limitados a um certo número de pessoas. 2001). que possibilita que os clientes de um banco façam. papel. que agiliza e barateia o processo de aquisição de bens. Webb etc. N. 1. mas podendo ser acessado e utilizado por pessoas de qualquer país (FRANCO. uma série de operações em suas contas bancárias.

os benefícios são (TURBAN e outros. 2. uma empresa pode facilmente obter mais clientes e melhores fornecedores e parceiros de negócios. reforçada pelo rápido crescimento das infra-estruturas de suporte (especialmente a web) resultam em muitos benefícios potenciais para as organizações. AFUAH e TUCCI. taxas. Potencialidades. • redução de custos para criação. N. 7. distribuição. essas se referem a ações diferentes dentro de um ambiente de e-business. os indivíduos e a sociedade (TURBAN e outros.V. e-security. Para as organizações. • com baixo investimento de capital. • possibilita reunir parceiros de negócios em um meio operacional uniforme.Relação entre as áreas de comércio eletrônico A figura acima mostra a diferença entre as categorias de aplicação (e-commerce. processamento. • automatiza o fluxo de negócios e de informações na empresa. eprocurement. as inúmeras oportunidades para alcançar centenas de milhares de pessoas. e-auctioning. ao mesmo tempo em que aumenta a qualidade do gerenciamento da relação. e-CRM). a natureza interativa. legislação./Mar. Jan. armazenamento e recuperação de bens baseados na informação. 2001): • possibilita a expansão do mercado de regional para nacional e internacional. vantagens e desafios A natureza global da tecnologia. 1. • proporciona a redução de custos na prestação de serviços ao cliente. mesmo existindo diversas categorias e terminologias relacionadas ao que é eletrônico. 32 Revista ANGRAD . 2000. Figura 3 . Edimara Mezzomo Luciano e Henrique Freitas Conforme citado anteriormente.Mauricio Gregianin Testa. e-SCM. TREPPER.4. conforme evidenciado na figura 3. 1999). e-learning. e-gambling) e as categorias fundamentais ao funcionamento das demais (e-payment. • proporciona novas maneiras de gerenciar a cadeia de suprimentos e de valor. a variedade de possibilidades. 2004./Fev. o baixo custo. e-banking. 2006 .

simplifica processos. 2000. • segurança: não há muita tranqüilidade em comprar utilizando o cartão de crédito. conciliando estoque zero com entrega imediata • pagamentos: uma pesquisa feita em outubro e novembro de 1999 (Fonte: Pesquisa Jupiter/Ibope.V. formando comunidades eletrônicas para trocar idéias e experiências. em um país de grandes dimensões. Revista ANGRAD . 7. o comércio eletrônico ainda tem em seu entorno diversos desafios. resultando em preços menores para o consumidor. tem entrega rápida e os consumidores podem receber informações relevante e detalhada em segundos. 2004. 1999) apontou que 48% das pessoas não possuem cartão de crédito. • contribuição para diminuir as diferenças entre países e culturas. 2000). TREPPER. entre eles: • privacidade: como compatibilizar e manter a privacidade que o usuário espera com a qualidade de atendimento e o targeting que a internet pode permitir ainda é um desafio. • melhora a imagem e os serviços ao cliente. facilita o acesso a informação. 7 dias por semana. • tem baixo custo de comunicação. podem ser elencados os seguintes benefícios (TURBAN e outros. AFUAH e TUCCI. o comércio eletrônico traz os seguintes benefícios (TURBAN e outros. 2004. Embora este dado não possa ser generalizado para todo o país (a amostra – de 1200 pessoas . Apesar dos benefícios. • logística: a entrega precisa ser rápida e por um custo compatível. TREPPER. 2001): • possibilita que clientes possam comprar ou fazer outras transações 24 horas por dia. o retrato brasileiro não deve ser muito diferente. de qualquer lugar do mundo. N./Mar. • facilidade para a disponibilização de produtos e serviços por pequenas empresas ou por empresas isoladas geograficamente. 2000. • facilita a interação com outros consumidores. reduz o tempo para atividades./Fev.Comércio Eletrônico: Tendências e Necessidades de Pesquisa • menores custos para implementar produtos ou serviços que propiciem grande vanta- gem competitiva. mais produtos de mais vendedores. • fornece mais opções de escolha aos clientes. embora a fraude possa ocorrer de muitas outras formas além da interceptação de uma compra eletrônica (LAUDON e LAUDON. 2001): • maior igualdade de acesso à informação e ao conhecimento.Também. elimina papéis. reduz custos de transporte e aumenta a flexibilidade. melhora a produtividade. Para a sociedade. costumes e mercados diferentes. AFUAH &TUCCI.não foi muito significativa). • facilita a competição. como produtos digitais. Para os consumidores. 2006 33 . há dificuldade do produtor/fornecedor gerenciar sua cadeia de suprimentos e distribuição. • democratização do acesso a serviços públicos. possibilita novas parcerias. precariedade de diversos modos de transporte. • em alguns casos. 1. Jan.

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• entrega dos produtos: ainda não há confiança de que os produtos vão chegar em bom estado de conservação e, caso isto não ocorra, que a troca ou devolução possa ser feita sem muita ‘dor de cabeça’; • a integração dos sistemas de comércio eletrônico com os aplicativos e bancos de dados existentes também é um desafio de dimensões desafiadoras; • a infra-estrutura de telecomunicações ainda precisa melhorar, para que o acesso à internet seja mais rápido (AMOR, 2000). Os benefícios e os riscos citados podem variar de intensidade, se ao invés da empresa atuar no comércio eletrônico tradicional de bens físicos, ela optar por comercializar produtos virtuais (LUCIANO e FREITAS, 2003).

3. Método de pesquisa
Este estudo explora um conjunto de dados secundários (artigos de congressos científicos, abordando o tema comércio eletrônico), o qual permitiu organizar uma base de dados qualitativos, com base nos quais se fez uso de técnicas de análise léxica e de análise de conteúdo para produzir sumarizações que permitissem evidenciar temas, tendências e mesmo necessidades de estudo. Os artigos selecionados são de renomados congressos nacionais e internacionais, exclusivamente sobre comércio eletrônico (por exemplo, artigos sobre internet não fizeram parte do escopo desta pesquisa), identificando título, sessão em que foram apresentados e as palavras-chave, para a partir disto identificar qual o tema abordado. Foram analisados 515 artigos, dos seguintes congressos: os norte-americanos AMCIS e ICIS, os europeus ECIS e BLED, o latino-americano CLADEA e o brasileiro ENANPAD, dos anos de 1997 a 2001. A tabela 1 lista o número de artigos por ano em cada um dos congressos. Tabela 1 – Número de artigos por ano e congresso
Revista/A no
AIS/AMCIS BLED ECIS ICIS ENANPAD CLADEA Total

1997
26 26 1 1 2 0 56

1998
41 24 6 2 2 0 75

1999
36 47 3 2 3 3 94

2000
79 17 5 6 3 4 114

2001
76 41 33 17 5 4 176

Total
258 155 48 28 15 11 515

Fonte: Dados do estudo

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Comércio Eletrônico: Tendências e Necessidades de Pesquisa

Ao analisar cada um dos artigos, buscou-se identificar até cinco palavras-chave. Nos artigos que não citavam as palavras chave, a identificação das mesmas foi feita pelo título, por uma leitura nos subtítulos e chamadas no decorrer do artigo. O crescimento de publicações pode ser observado, de 56 artigos em 1997 para 176 artigos em 2001.Também, é possível observar na tabela 1 que os congressos americanos e europeus tem uma quantidade maior de papers do que o latino-americano e o brasileiro, bem como iniciaram mais cedo a publicação de artigos sobre comércio eletrônico. Mesmo assim, pode-se dizer que a produção na área já adquiriu uma certa constância, mesmo nos congressos com menor quantidade de publicações.

4. Resultados: o que já foi publicado sobre comércio eletrônico?
Ao analisar as palavras-chave de cada um dos artigos selecionados, foram emergindo categorias ou temas, nos quais estes foram classificados. Havia um conjunto inicial de categorias, que foi sendo aprimorado e mesmo ampliado no decorrer da análise. A fim de reduzir a subjetividade dessa etapa, essa classificação foi feita através da técnica de teste-reteste (FREITAS e JANISSEK, 2000), ou seja, houve uma primeira classificação e, após um certo intervalo de tempo, foi feita uma segunda classificação. Os resultados das duas etapas foram confrontados, chegando então ao conjunto final de temas ou categorias. Foram identificados 37 temas, conforme ilustrado na tabela 2, a seguir. Conforme pode ser visto no na tabela 2, os artigos ainda são bastante genéricos, não se atendo a aspectos mais específicos, de forma que uma grande quantidade de trabalhos foi classificada como sendo apenas sobre “e-commerce”, “e-business”, “internet/WWW” e “emarkets”. Em contrapartida, outros assuntos mais específicos não estão sendo muito abordados nas publicações. Observando os temas pesquisados em diferentes anos, observa-se um crescimento de citações para: redes e comunicações, sistemas de informação, tecnologia da informação, lojas virtuais, tecnologias para CE, logística e distribuição, segurança, e-procurement e comportamento do consumidor. Também, houve um acréscimo de citações para planejamento/estratégia e dificuldade/riscos, que cresceram na mesma proporção. Houve um decréscimo de citações aos temas EDI e redefinição de processos.

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Tabela 2 – Temas e número de artigos em que são abordados
Temas
E-commerce Internet/WWW E-business E-markets Aplicação em um setor Redes/comunicação SI TI E-shopping E-publishing/CRM E-tecnologia B2B Organizações virtuais Logística/distribuição E DI E-payment Informação Case empresa

A rtigos
252 145 56 43 41 25 24 24 21 20 20 19 19 17 17 17 14 14

Temas
Investimentos Impacto Segurança E-mail Dificuldades/riscos Aspectos estratégicos B2C Redef. Processos Benefícios Conhecimento Comp. Consumidor E-procurement Supply chain Value chain Aspectos culturais Informação Pivacidade ERP

A rtigos
13 12 12 11 8 8 7 7 7 7 7 6 4 4 3 3 2 2

Total de observações: 515. Total de temas: 751 *

Fonte: Dados do estudo * O total de temas é maior do que o total de observações por se tratar de uma questão de resposta múltipla.

A fim de refinar a análise, uma nova avaliação dos artigos foi realizada, onde se realizou um agrupamento dos artigos, que foram classificados em 10 categorias, obtendo a classificação mostrada na tabela 3.

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Ao se fazer um cruzamento da variável congresso com o tema. 7. faz-se necessário estudos mais específicos. 2006 37 . a fim de acumular conhecimento acadêmico e prático na área.V. A figura 4 demonstra esta relação. ainda se está no início do estudo do tema. Se. 1. Jan. por um lado. percebe-se a predominância de temas específicos em alguns congressos. o que de certa forma justifica os papers com enfoque mais genérico. N./Fev. a fim de relatar experiências vivenciadas. Figura 4 – Relação entre o Congresso e o Tema aaaaaaaaaaaaaa aaaaaaaaaaaaaa aaaaaaaaa aaaaaaaaa aaaaaaaaaaa aaaaaaaaaaa aaaaaaaa aaaaaaaa aaaaaaaaaaaa aaaaaaaaaaaa aaaa aaaa aaaa aaaaa a aaaaa aa a a aaaaaaaaaaa a aaaaaaaaaaa aaaaaaaaa a aaaaaaa a a aaaaaaa aa a a a aaaaaaaaaaaaa a aaaaaaaaaaaaa aaaaaaaaaaa a aa aa aaa aaa aaa Fonte: Dados do estudo Revista ANGRAD ./Mar.Comércio Eletrônico: Tendências e Necessidades de Pesquisa Tabela 3 – Agrupamento dos temas citados Temas agrupados Comércio eletrônico (genérico) Infraestrutura tecnológica Aplicação em um setor Marketing/vendas Impacto (interno e externo) E-learning Privacidade/segurança/pagamentos Intermediação Estratégia Legislação/taxas TOTAL DE CITAÇÕES Citações 214 91 63 40 28 26 21 15 10 7 515 Fonte: Dados do estudo Pode-se observar que boa parte dos artigos publicados se refere a comércio eletrônico de uma maneira geral.

Nos congressos europeus e no latino-americano./Mar. A tabela 4 mostra essa relação. provavelmente. Já o ‘impacto (interno e externo)’ surgiu em todos os congressos. Já o ítem ‘Infraestrutura tecnológica” foi mais citado no AIS/AMCIS. BLED e ICIS.Mauricio Gregianin Testa. surge o tema infra-estrutura. assim como ‘intermediação’ só foi citada nos AIS/AMCIS. O tema ‘privacidade/segurança/pagamentos’ só foi citado no AIS/AMCIS e BLED. nos congressos norte-americanos e europeus e menos citado no ENANPAD e CLADEA. onde pode ser identificado um certo perfil de temas privilegiados nos diferentes congressos. mas este congresso privilegiou artigos referentes a ‘estratégia’. 38 Revista ANGRAD . A Tabela 3 ilustra a predominância dos temas em cada congresso. Edimara Mezzomo Luciano e Henrique Freitas 4O item ‘comércio eletrônico (genérico)’ surgiu em bom número em todos os congressos. ou seja. O tema impacto é uma preocupação maior do congresso brasileiro. seguidos pela América do Norte.‘legislação e taxas’. Em relação ao local de origem do autor de cada paper. 7. Tabela 3 – Predominância dos temas em cada congresso Congresso AIS/AMCIS (258) Tema do artigo (os 3 mais citados) Comércio eletrônico (genérico) Infraestrutura tecnológica Marketing/vendas Comércio eletrônico (genérico) Aplicação em um setor Infraestrutura tecnológica Comércio eletrônico (genérico) Infraestrutura tecnológica Marketing/vendas Congresso ENANPAD (35) Tema do artigo (os 3 mais citados) Comércio eletrônico (genérico) Impacto (interno e externo) Marketing/vendas Comércio eletrônico (genérico) Aplicação em um setor Infraestrutura tecnológica Estratégia Comércio eletrônico (genérico) Infraestrutura tecnológica BLED (155) ICIS (28) ECIS (48) CLADEA (11) Fonte: Dados do estudo A pesquisa de questões gerais ao comércio eletrônico aparece em todos os congressos. Jan. N. Os artigos abordando a ‘aplicação em um setor’ foram citados em todos os congressos. com exceção do ECIS. observa-se uma grande supremacia em relação à quantidade de publicações por parte dos países do continente europeu. com exceção do CLADEA. ICIS). BLED. menos abordado no congresso brasileiro. 2006 ./Fev. ‘marketing/vendas’ só não foi citado no CLADEA. BLED e ECIS. 1.V. tema este que nem foi abordado (ENANPAD e ECIS) ou foi pouco abordado (AIS/AMCIS. devido à escassez de recursos e particularidades culturais.

micropagamentos (3.3% dos temas pesquisados nos artigos analisados). pois muito do que conhecíamos sobre comprar e vender pode ser alterado. continentes historicamente menos favorecidos. como o comércio eletrônico é algo sem fronteiras. entre outros. pagar sem usar moeda em papel. a área ainda é recente. em maior ou menor escala. Ainda. Pode-se comprar sem sair de casa. e-procurement (1. vendedor. N. formas de gerenciamento e comunicação. Como fatores limitantes desta pesquisa. melhorar a qualidade de vida. 2006 39 . funções.V. alterando processos.1% dos temas). Considerações finais Estamos vivendo uma era sem igual no tocante a novas empresas. já aplicados nas organizações e comentados no meio empresarial. necessitando de pesquisas científicas sobre temas específicos. foram bem representados nos congressos.continente Europa América no Norte Oceania Asia América do Sul Africa América Central TOTAL CIT. Citações 266 135 50 41 21 1 1 515 Fonte: Dados do estudo Se por um lado./Fev. ele pode auxiliar países do terceiro mundo a aumentar as suas exportações. dinheiro. 7. ela merece atenção. em conseqüência. por outro lado. a internet pode ser acessada por novos meios. receber em casa. Ao mesmo tempo em que esta nova realidade é fascinante. Jan. De fato. mesmo porque. relações e formas de realizar negócios. a Europa e a América do Norte lideram a quantidade de papers. Não há mais necessidade dos elementos clássicos para que ocorra uma venda: endereço físico. tais como segurança (2.Comércio Eletrônico: Tendências e Necessidades de Pesquisa Tabela 4 – Continente de origem dos autores dos papers Local . Isso indica que o tema é de interesse global. 5.3% dos temas se referem a e-payment). desenvolver-se e. tais como telefones celulares (com tecnologia WAP) e dispositivos hand held. inaugurando uma nova era no mundo dos negócios. parceiros e fornecedores./Mar. o que poderia representar uma base de dados um pouco Revista ANGRAD . também. A internet transformou a relação das empresas com seus clientes. 1. pode-se considerar o fato de que as publicações analisadas são até 2001.

buscando identificar os temas estudados. 2006 . além de temas-chave. Figura 5: Temas-chave em CE e sua convergência com B2B e B2C 40 Revista ANGRAD . tendo estes diferentes níveis de complexidade. a criação do banco de dados e a análise qualitativa dos resumos. como forma de embasamento na escolha dos temas de pesquisa. ainda com teste/reteste. N. De acordo com a análise realizada. Tal postura refletiria na análise de temas essenciais com maior proporcionalidade. Dada a complexidade de localização de todos os papers.V. no entanto. ao fornecer aos pesquisadores o acesso a um mapeamento dos temas atuais e tendências de pesquisa. bem como continuar a montagem da base de dados e a exploração da evolução dos temas. os dados parecem convergir para alguns temas: a diferença de enfoque e mesmo estrutura e planejamento das organizações que operam com business-tobusiness (B2B) ou business-to-consumer (B2C). O presente artigo analisou publicações nacionais e internacionais sobre comércio eletrônico. 1. Edimara Mezzomo Luciano e Henrique Freitas desatualizada. conforme mostrado na figura 5. evitando que temas já bastante pesquisados o sejam. possíveis tendências. além da evolução dos temas ao longo dos anos./Fev. Acredita-se que esta pesquisa possa contribuir. (na maioria das vezes indisponíveis em web sites). enfoques e mesmo necessidades de pesquisa. representa um esforço de pesquisa muito grande.Mauricio Gregianin Testa. novamente. Como pesquisas futuras. Jan. o que torna compreensível a necessidade de um tempo razoável para a realização da pesquisa e a redação do artigo. 7./Mar. pretende-se tanto estudar os temas aqui indicados como lacunas. um a um.

Internet business models and strategies. As organizações precisam repensar sua estrutura e diretrizes tecnológicas e os seus processos de negócio. 2006 41 . 9. rotinas e metodologias nas organizações que acabam por interferir nas atribuições profissionais de todas as operações voltadas a e-commerce. A título de exemplo. é preciso compreendê-lo em todos os seus aspectos. o tema segurança é mais crítico para B2C. Michael. quais são de maior. FORGE. A evolução do comércio eletrônico no mercado brasileiro. pois operar. TORKZADEH. 1993. E-business – tecnologia da informação e negócios na internet. 2004. Para acompanhar esse cenário complexo e em constante transformação. DHILLON. exige o pensar e repensar de diversos componentes de gestão de uma empresa. Jan. B2B: How to build a profitable e-commerce strategy. Esta análise pode auxiliar tanto na definição de um melhor escopo de pesquisa. 25. 24. Austin: SmartEcon Publishing. Christopher. onde o cliente é desconhecido e em maior quantidade do que em B2B. 2000. The internet economy: technology and practice. AMOR. 2000. Information & Management. menor ou igual complexidade para a atuação em B2B (business to business) ou B2C (business to consumer). 2001.Comércio Eletrônico: Tendências e Necessidades de Pesquisa As setas indicam.. 2000. n. CHOI. 7. Reexamining the measurement models of success for Internet commerce./Mar. Já a discussão sobre novas atribuições dos profissionais é igual para B2C e B2B. Revista ANGRAD . A (r)evolução do e-business. v. 6.Florianópolis: ANPAD. jan. CHANG. para cada um dos grandes temas de comércio eletrônico identificados através desta pesquisa. eletronicamente. Cambridge: Perseus Publishing. New York: McGraw-Hill. Daniel. Carlos. Florianópolis. N. Anais. F. 2. Business models for the computer industry for the next decade. p. 2000. 1./Fev. 2001. São Paulo: Makron Books. Alberto L. n. Simon. 923-948. ALBERTIN. FRANCO JR. TUCCI. a fim de minimizar seu impacto e maximizar seus benefícios.. Soon-Yong. Futures. 2001. CUNNINGHAM. Referências AFUAH. Tendo em vista essa realidade ainda pouco conhecida. 41. v. In: ENANPAD.V.Andrew. Gholamreza. Gurpreet. nov. Jerry Cha-Jan. como para que as organizações entendam quais são os seus pontos cruciais de atuação. 577–584. onde os clientes são em número bem menor e mais conhecidos por parte da empresa cliente. p. é meritório o desenvolvimento de novas pesquisas de cunho científico sobre temas que possam auxiliar as organizações a melhor planejar e gerir os seus negócios eletrônicos. São Paulo: Atlas. uma que o comércio eletrônico altera processos. Allan.WHINSTON.

1999. seqüenciais e recorrentes para análise de dados qualitativos. 2001. Addison Wesley INC. Ann. In: CLADEA.. 1997. Análise e seleção de uma solução de e-procurement para a empresa Innova S.1358-1361. FREITAS. 2004. TURBAN. Porto Alegre/ RS: Sphinx.A. BURN. HACKNEY. Editorial. Disponível em ibope. OLIVEIRA. New York: McGraw-Hill. Journal of Strategic Information Systems.com e Lokau. v. Cynthia. 2000. jan. n. 42 Revista ANGRAD . 2000.com. Henrique. Charles. Electronic commerce: a managerial perspective. E-commerce. As tendências em sistemas de informação com base em recentes congressos. Henrique.br/read). Observando a prática de negócios na Internet: os casos do Submarino. SIAU. Mirian. E-business – estratégias para alcançar o sucesso no mundo digital. In. anais em CD-ROM. v. TURBAN. LUCIANO. M. Porto Alegre: Bookman. International Journal of Electronic Commerce. Angel. Anatalia S. Understanding the role of e-commerce in sales strategy. 885-890. Edimara Mezzomo Luciano e Henrique Freitas FREITAS. 1. Paulo.. 1. Porto Alegre: Read (http://www. ROBINSON.. Americas Conference on Information Systems. JAWORSKI.. 7. Strategies for value creation in electronic markets: towards a framework for managing evolutionary change. 1999.: Anais do XXIII ENANPAD. maio de 2003. B. Jan. Análise léxica e Análise de conteúdo: técnicas complementares. Edimara Mezzomo. A. JANISSEK. 2000.br. RAMOS. Janice. 1. n. Fabrício.adm. In. Eletronic Commerce: a manager´s guide. Porto Alegre/RS. 1.Vladimir. LUCIANO. M. R. 2002.com. Serviços bancários pela internet: uma proposta de avaliação integrada de competidores e clientes. Rio de Janeiro: Campus. 3-23. Efraim et al. Raquel. 2002. MIREE. ANPAD: Campinas.. Tecnologia da Informação para Gestão.V. TREPPER. feb 2004 KALAKOTA. New Jersey: PrenticeHall. LUCIANO. Henrique. 2006 . Jeffrey. Americas Conference on Information Systems. Estratégias de e-commerce. p.: Anais do XXV ENANPAD. ANPAD: Foz do Iguaçu. n. FRUHLING. Edimara Mezzomo.WHINSTON. Pesquisa Jupiter/Ibope. p./Mar. RAYPORT. Porto Alegre: Bookman. KALAKOTA. 2000.ufrgs. Edimara Mezzomo. FREITAS. N. Bernard. COSTA. 2000. Ray. 13. Henrique.Mauricio Gregianin Testa. p. 2001./Fev. Ephraim et al. Electronic Commerce Strategy – looking through the lenses of an innovation strategy model. R. SCHULTZ. p. Keng. 13. E-commerce of virtual products: definition of a business model for the selling of software. fall 1996. Henrique. FREITAS. Raquel. ZWASS. JANISSEK. 91-103. FREITAS. Grenoble/França: Anais do VIII AIM – Association Information et management. SALAZAR.

Identificação dos Fatores Críticos de Sucesso em Instituição de Ensino Superior

Romualdo Douglas Colauto Doutorando em Engenharia de Produção Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC Endereço: Rua Acelon Pacheco da Costa, 295 - Apto 308, A Itacorubi – CEP 88034-040 Florianópolis – Santa Catarina – Brasil Telefone: (048) 334-7570 - Fax: (048) 331-9539 e-mail: rdcolauto@terra.com.br Caio Marcio Gonçalves Mestrando em Engenharia de Produção Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC Rua das Baleias Francas, 166 Apto 201 Jurerê Internacional – CEP 88053-515 – Florianópolis – Santa Catarina – Brasil Telefone: (48) 2668705 e-mail: caio@eps.ufsc.br Ilse Maria Beuren Doutora em Contabilidade e Controladoria pela FEA/USP Professora do Curso de Pós-Graduação em Administração – CPGA/UFSC Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC CEP 88010-970 – Florianópolis – Santa Catarina Telefone: (048) 331-9996 e-mail: beuren@cse.ufsc.br

Resumo
O artigo tem por objetivo identificar os fatores críticos de sucesso na percepção dos gestores e dos clientes como suporte ao processo de gestão, em uma instituição de ensino superior. Assim, realizou-se uma pesquisa exploratória com abordagem predominantemente qualitativa, por meio de um estudo de caso centrado em uma instituição de ensino superior. Na coleta de dados optou-se pela técnica de entrevista semi-estruturada aplicada aos níveis estratégico, administrativo e pedagógico. Após, aplicou-se questionário fechado aos alunos do curso de administração de empresas em uma instituição de ensino superior na Grande Florianópolis do Estado de Santa Catarina. A pesquisa contribui para identificar os

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Romualdo Douglas Colauto, Caio Marcio Gonçalves e Ilse Maria Beuren

fatores críticos de sucesso em âmbitos institucional e de clientes com vistas a possibilitar o alinhamento entre o planejamento estratégico e as expectativas dos clientes. Palavras-chave: Fatores críticos de sucesso. Processo de gestão. Instituição de ensino superior.

Abstract
This article has the objective to identify the critical factors of success in the perception of the managers and the customers as supporting the management process, in an institution of graduation.Thus, It was realised an exploration research with predomination qualitative aspects, by a study of case centred in an institution of graduation. In the Collection of data It was opted to the technique of interview half- structuralized applied to the levels strategical, administrative and pedagogical. After, close questionnaire was applied to the students of the course of business administration in an institution of graduation in the great Florianópolis of the State of Santa Catarina. The research contributes to identify the critical factors of success and customer to achieve the possibility of alignment between the strategical planning and the expectations of the customers. Key-words: Critical factors of success. Process of management. Institution of graduation.

1. Considerações iniciais
A existência de incertezas no processo de gestão reflete-se no conjunto de diretrizes estratégicas que se precisam ser viabilizadas na consecução dos resultados planificados. Nessa perspectiva, as organizações deparam-se com dificuldades para se adaptarem ao cenário competitivo, o que implica, não raras vezes, submeterem sua gestão à mudanças abruptas. Com isso, pode haver alterações que afetam sensivelmente os sistemas de controle, implicando inclusive na necessidade de conceitos e técnicas que possibilitem o adequado controle das atividades. As ameaças de novos entrantes no mercado e a confluência de necessidades informacionais mostram que planejar as estratégias, anualmente, não é mais suficiente para definir as ações rumo à competitividade. No cerne do processo do conceito empresarial, encontra-se a capacidade de criar novas estratégias que gerem riquezas constantemente, uma vez que o mercado está se adequando à globalização e às tecnologias de informação, reduzindo-se o tempo disponível para a tomada de decisões (HAMMER, 2001). O monitoramento do ambiente externo (mercado, concorrentes, clientes) e do ambiente interno (processos, tecnologias, fornecedores e conhecimento humano) precisa ocorrer de forma direta e constante no suporte ao processo de tomada de decisões. A

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Identificação dos Fatores Críticos de Sucesso em Instituição de Ensino Superior

identificação dos fatores críticos de sucesso, como um processo sistemático para agregação de valor aos bens e serviços, busca coletar informações estratégicas para apoiar a tomada de decisão. Caracteriza-se como um importante meio de auxiliar na administração das organizações. Os fatores críticos de sucesso podem ser entendidos como elementos determinantes para o melhor desempenho, pois, se a organização os identifica e consegue incorporá-los ao planejamento estratégico e ao sistema de informações, passam a complementar as atividades de análise competitiva. Segundo Stollenwerk (2001), esses estão sendo cada vez mais utilizados na formulação da estratégia em organizações que atuam em ambientes de transformações. Considera-se que uma das contribuições dos fatores críticos de sucesso é subsidiar o planejamento de caráter estratégico, sendo que estas informações ganham importância quando alinhadas aos objetivos institucionais. Uma das formas de otimizar o processo de gestão das instituições de ensino superior é monitorar continuamente os fatores de sucesso na consecução de planos estratégicos, pedagógicos e administrativos. Isso significa disponibilizar informações preditivas que subsidiem o processo decisório para uma dada situação. A identificação dos fatores de sucesso permite que as organizações focalizem, estrategicamente, suas ações e monitorem, continuamente, o ambiente sócio-produtivo em que atuam. Assume-se como pressuposto que as constantes mudanças provocadas pela evolução tecnológica e pelo desenvolvimento social e econômico dos países desafiam as organizações na capacidade de respostas às demandas do macro-ambiente. Simultaneamente, as entidades necessitam saber quais fatores precisam ser considerados para maximizar suas potencialidades e minimizar as ameaças, com vistas a aumentar a probabilidade de sucesso e sua continuidade. A inteligência competitiva auxilia na sistematização de dados, análise sobre os concorrentes, identificação das competências essenciais e no monitoramento dos fatores críticos de sucesso, que paralelamente promovem reflexos diretos na sua performance. O ambiente da era da informação, tanto para as organizações do setor de produção quanto para o setor de serviços, exige novas capacidades para assegurar o sucesso competitivo. O impacto, não obstante, é ainda mais revolucionário para as prestadoras de serviços. A capacidade de mobilização e de exploração dos ativos intangíveis tornou-se ainda mais decisiva do que investir e gerenciar ativos físicos. Considera-se que os ativos intangíveis proporcionam às organizações a possibilidade de: a) relacionamentos que convergem à fidelidade dos clientes e permitem a criação de novos segmentos de clientes e áreas a serem atendidas; b) lançamento de produtos inovadores, customizados e com qualidade e preços atrativos e ciclos de produção mais curtos; c) mobilização das habilidades e motivação dos funcionários para melhoria contínua; e, d) utilização da tecnologia da informação, bancos de dados e sistemas de informações (KAPLAN e NORTON, 1997).

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não justificada de algum modo (antecipação. que afetam as habilidades das organizações em obter os resultados planejados. políticos. as definições de mercado de um negócio devem ser superiores às definições de produtos. A abordagem lógica dedutiva. como um processo de produtos de bens e serviços. Nessa perspectiva. por meio do monitoramento dos fatores críticos de sucesso do setor em que atuam./Mar. a inserção da universidade. Explica que “essas conclusões são em seguida comparadas entre si e com outros enunciados pertinentes. De acordo com Ayres e outros (1999).64). as unidades de negócios devem estabelecer um sistema de informação para rastrear as tendências e desenvolvimento de bens e serviços. por exemplo. como os aspectos demográficos. b) facilitar a delimitação do tema de pesquisa.V. N. legais. p. a fim de fornecer hipóteses pesquisáveis para estudos posteriores”. como suporte ao processo de gestão. 1. hipótese. e possibilita visualizar os principais focos de atuação dessas instituições para. tecnológicos. e d) descobrir um novo tipo de enfoque sobre o assunto. Andrade (2002) elenca como finalidades substanciais: a) proporcionar maiores informações sobre o assunto que se vai investigar.33). De acordo com Tripodi. 7. é um método para submeter uma idéia nova. fornecedores. segundo Popper (1972./Fev. utilizando-se de fontes secundárias. sociais e culturais. Ao se referir à pesquisa exploratória. antes norteada apenas pelo enfoque acadêmico. sistema teórico ou algo análogo). canais de distribuição. como. ainda. o artigo tem por objetivo identificar os fatores críticos de sucesso na percepção dos gestores e dos clientes. de modo a descobrir-se que 46 Revista ANGRAD . A identificação dos fatores críticos de sucesso na percepção dos gestores das instituições de ensino e na visão dos clientes auxilia na gestão universitária. formulada conjecturalmente e. De acordo com Kotler (1998). esclarecer e modificar conceitos e idéias. Para cada tendência e desenvolvimento. a partir da qual se podem tirar conclusões por meio de dedução lógica. 2006 . Fellin e Meyer (1981. e ainda. concorrentes. o estudo exploratório tem por finalidade principal “desenvolver. Desse modo. nos níveis estratégico. c) orientar a fixação dos objetivos e a formulação das hipóteses. em uma instituição de ensino superior. 2. Jan. com abordagem lógica dedutiva. cabe aos gestores a identificação das ameaças e oportunidades associadas aos produtos. as organizações definem seus negócios em termos de produtos. econômicos. Explica que uma unidade de negócio precisa monitorar as forças macroambientais. não apenas. os atores microambientais importantes. Um negócio precisa ser visto como um processo de satisfação do consumidor e. em um modelo de gestão empresarial é premente para a diferenciação destas instituições no mercado. Caio Marcio Gonçalves e Ilse Maria Beuren Normalmente. os consumidores. pedagógico e administrativo.Romualdo Douglas Colauto. redirecionar estratégias competitivas. p. Procedimentos metodológicos O delineamento da pesquisa caracteriza-se como estudo exploratório. concomitantemente.

aprofundar suas características e extrair os momentos mais importantes. para a formação do marco referencial teórico e do estudo de caso. 1. A pesquisa bibliográfica. foram realizadas entrevistas semi-estruturadas em junho de 2004. Jan. centrado em uma única organização. a fim de identificar os fatores críticos de sucesso na percepção do cliente. obter indicadores quantitativos. Por sua vez. comparabilidade ou incomparabilidade) existem no caso”.Identificação dos Fatores Críticos de Sucesso em Instituição de Ensino Superior relações lógicas (equivalência. descrever o conteúdo das mensagens. de acordo com Raupp e Beuren (2003). Utilizou-se a pesquisa bibliográfica. predomina nas pesquisas em que se desejam aprofundar conhecimentos a respeito de uma situação específica. busca explicar um problema a partir de referenciais teóricos já publicados. Salientam que o pesquisador tem a oportunidade de verificar in loco os fenômenos a serem pesquisados. Para isso. pedagógico. entrevistou-se o Diretor da instituição de ensino. por meio de procedimentos sistemáticos e objetivos. Tem por finalidade conhecer e analisar as contribuições culturais ou científicas do passado acerca de um determinado assunto ou problema. Os fatores de sucesso no nível pedagógico foram obtidos com o Coordenador do curso de Administração de Empresas. Trata-se de uma instituição de ensino superior privada. ou não. de acordo com Cervo e Bervian (1983). N. terceira. Quanto aos procedimentos de coleta de dados. localizada na Grande Florianópolis. 7. Da população de 142 alunos. quinta e sétima fases.O estudo de caso. por meio de procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição dos conteúdos das mensagens. A escolha do sujeito da pesquisa foi intencional em função da acessibilidade aos dados. por aplicar um questionário fechado aos alunos da primeira à sétima fase do curso de Administração de Empresas da mesma instituição. Após. que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção de variáveis inferidas das mensagens. Revista ANGRAD . 1987) explica que a análise de conteúdo pode ser entendida como um conjunto de técnicas de análise das comunicações que visa. Bardin (1977 apud TRIVIÑOS. o que representa uma amostra significativa para o universo pesquisado. a análise dos dados coletados por meio de questionário fechado deu-se por meio da tabulação dos dados e de tratamento estatístico simples. No nível administrativo. primeiro. que possibilita compreender melhor o discurso. para identificar os fatores críticos de sucesso da instituição pesquisada em três níveis de gestão: estratégico. realizou-se entrevista com a Coordenadora Geral da instituição. realizou-se uma distribuição de freqüência e calculou o percentual de aceitação de cada uma das questões abordadas para identificar os fatores críticos de sucesso na percepção dos alunos. referente primeira. e administrativo./Fev. dedutibilidade. Pode ser utilizada independentemente ou como parte de uma pesquisa descritiva ou experimental.V. No nível estratégico. obtiveram-se 102 respostas. 2006 47 . utilizou-se a técnica de análise de conteúdo. Para a análise dos dados oriundos das entrevistas./Mar. optou-se.

Por considerar tênues as diferenças conceituais entre as expressões fatores críticos e fatores chaves. configurando-se. executam algum tipo de processamento para transformá-las em informação e as utilizam para se adaptarem às novas condições. adota-se a expressão fatores críticos. o conceito originou-se do campo do gerenciamento de sistemas de informação. Assim. Alguns autores os tratam como fatores-chave. mas qualquer movimento que tenha implicação na organização. como usado pela maioria dos autores. caracteriza-se pelo não emprego de instrumental estatístico como base no processo de análise de um problema. outros como fatores críticos. Fenomenologia dos fatores críticos de sucesso As mudanças. Jan. dessa forma. um neologismo em um quadro de divergências de ordem semântica./Fev. a organização pode adotar ações estratégicas apropriadas em tempo real. provocando novos sinais e decisões (MORESI. criam sinais e mensagens. para o campo da pesquisa de negócios estratégicos. Quando as decisões se baseiam nessas mensagens. como uma ferramenta de planejamento e como uma descrição do negócio.188) conceituam FCS como “variáveis cujo gerenciamento poderá afetar significativamente a posição competitiva de uma empresa dentro de seu ramo de atividade. não se atém a numerar ou medir unidades ou categorias homogêneas. 1. Historicamente.77 apud STOLLENWERK 2002. 3. não se deve restringir a monitorar os competidores. irão assegurar um desempenho competitivo e de sucesso para organização. podem-se distinguir os fatores críticos de sucesso como uma característica do negócio. 7. De acordo com Grunert e Ellegaard (1992). mais informações são geradas e transmitidas. podendo variar de acordo com o ramo”. 48 Revista ANGRAD . constantemente. para qualquer negócio. Vale dizer que na literatura recorrente há diversas interpretações e conceitos sobre fatores críticos de sucesso. transferindo-se. 2006 . quatro visões de fatores críticos de sucesso podem ser distinguidas na literatura. O método qualitativo. o estudo se desenvolveu num ambiente que privilegiou a abordagem qualitativa. As organizações detectam essas mensagens.V. os eventos. se satisfatórios. as ameaças e as oportunidades no ambiente. conforme Richardson (1999). Por meio do monitoramento e da avaliação da performance de segmentos de mercado e da dinâmica competitiva. Isto é. nos quais os resultados. Hofer e Schendel (1978. posteriormente. Rockart (1979) diz que os FCS são aquelas poucas áreas. continuamente.Romualdo Douglas Colauto. p. Isto significa dizer que a gerência deve voltar. p. Caio Marcio Gonçalves e Ilse Maria Beuren Em relação aos procedimentos sistemáticos para a descrição e explicação dos fenômenos. O monitoramento contínuo auxilia a organização a prever situações inusitadas./Mar. Normalmente. sua atenção para os ambientes interno e externo. N. 2001).

Albertin (1999) considera FCS como a base para a definição de informações gerenciais. sua estabilidade financeira e sua estratégia empresarial. Inicialmente. argumenta que a primeira meta desses sistemas busca fornecer aos executivos o acesso fácil e imediato a informações sobre fatores críticos de sucesso de uma empresa. Price (1997. p. os FCS representam: os meios que garantem a realização dos objetivos da organização. Para Tarapanoff (2001. 7. Porter (1996) define os FCS como um número limitado de áreas de uma determinada organização ou processo. poderia. N. A partir do reconhecimento que os sinais do mercado exigem técnicas e que é preciso determinar uma metodologia sobre quais dados são essenciais e. Jan. assegurarão desempenho superior. devendo ser considerados como ‘críticos’ e merecer atenção especial por parte da administração. nas quais os resultados. Por exemplo.311). conseqüentes ações corretivas e de Revista ANGRAD . consolidou-se como um instrumento de focalização estratégica para os sistemas de planejamento em geral. garantindo-se seu desempenho. Destaca que. ainda. seu posicionamento. Além de reconhecerem que a metodologia do FCS provê informações sobre rentabilidade e outros indicadores de desempenho. ele deve ser acompanhado de informações que permitam seu controle. Originam-se do que é fundamental para a sobrevivência da empresa: seus clientes. a partir dos trabalhos pioneiros de Daniel (1961) e dos incrementos promovidos por Rockart (1979) e Bullen e Rockart (1981). fatores que. em 1976 e 1980. O´Brien (2002)./Fev. podem comprometer todo o sucesso de um plano ou de uma estratégia. em uma empresa que entrega documentos. 1. b) se um fator é considerado crítico e recebe atenção e investimento. Stollenwerk (2001) destaca que.V. quase tudo pode ser um fator crítico. consagrou o conceito de Fatores Críticos de Sucesso (FCS) ao propor uma nova abordagem metodológica para definir as necessidades de informações junto à alta administração das empresas. p. pela sua natureza. Define FCS como aqueles decisivos para a consecução os objetivos estratégicos de uma organização. ou seja. todavia. dada sua eficácia. os FCS podem ser considerados sob três aspectos: a) o desempenho da organização será assegurando à medida que um fator considerado crítico receba devida atenção e investimento. identificar variáveis-chave consideradas de impacto nos resultados da empresa. Anthony. em 1979. se satisfatórios./Mar. que os FCS definem somente as áreas críticas e não todas as áreas importantes da organização. Para o autor. Dearden e Vancil descreveram a utilidade dos FCS para elaborar projetos de sistemas gerenciais na área de planejamento e controle. o cumprimento do prazo pode ser um fator crítico. referindo-se aos sistemas de informação executiva. foi aplicado na área de planejamento estratégico e de sistemas de informação e. metodologia cujo ponto central era o mapeamento dos fatores críticos pelos executivos. também. Ressalta. sobre o modo como podem ser analisados.Identificação dos Fatores Críticos de Sucesso em Instituição de Ensino Superior Rockart.70) explica que “os fatores críticos de sucesso são aquelas poucas áreas-chave nas quais tudo tem de dar certo para que o negócio prospere”. 2006 49 .

apud ROCKART. especialmente. Jan. Na perspectiva do planejamento estratégico. 1979) explica que os FCS são elementos de posturas essenciais. pois.Romualdo Douglas Colauto. aos sistemas de informação. O mapeamento das necessidades informacionais estratégicas. por meio de fatores críticos. b) mapear as características exclusivas de uma organização.V. tecnologias e conhecimentos essenciais (competências essenciais). e. O gestor pode elencar os diversos fatores que afetam a indústria e o negócio. encontrar a média desses valores para organizá-los em uma matriz. torna possível definir os objetivos e metas do sistema de inteligência competitiva nos negócios. seu padrão de desempenho e as informações necessárias. Caio Marcio Gonçalves e Ilse Maria Beuren melhoria. um ponto que não seja percebido externamente como um fator relevante no mercado. Alerta que pode ocorrer que um fator-chave seja exatamente um ponto fraco da organização. passam a complementar as atividades de análise competitiva. 1. segundo Stollenwerk (2001). heuristicamente. os próprios executivos responsáveis pelo negócio devem definir os fatores. d) auxiliar na definição das habilidades. N. Nesse sentido. Os fatores críticos de sucesso consubstanciam-se em um método que auxilia na definição das necessidades dos gestores e especialistas de focarem questões estratégicas da empresa. 2006 ./Fev. ao contrário. 3. os FCS são usados. Considera-se que uma das contribuições dos fatores críticos de sucesso é subsidiar as informações de caráter estratégico. a seguir. introduz o conceito de fator crítico de escolha e reforça que a identificação deste para uma certa área estratégica. que não está associada diretamente com pontos fortes ou fracos da instituição. Essa matriz pode ser usada para 50 Revista ANGRAD . Os fatores críticos de sucesso podem ser entendidos como elementos determinantes para o melhor desempenho. O método tem sido aplicado. c) uma vez que o fator crítico deve estar intimamente ligado ao negócio da organização. suas formas de medição.1. Finalidades dos fatores críticos de sucesso O método dos fatores críticos de sucesso tem por objetivo. condições ou variáveis que devem ser monitoradas e gerenciadas pela organização para que ela fique bem posicionada em seu ambiente de competição. Nesse contexto. que ajudam a assegurar ou melhorar a posição competitiva da organização./Mar. se a organização os identificar e conseguir incorporá-los ao planejamento estratégico. atribuindo-lhes graus e. c) redefinir.Wanderley (1999. identificar as características. de acordo com Gomes e Braga (2001). Costa (2002) enumera algumas perguntas que podem servir de orientação para avaliar a competitividade e chama a atenção para o questionamento da velocidade de mudança dos FCS. as redes de inteligência e as fontes de informações necessárias. os mapas mentais dos gerentes. 7. para avaliar a atratividade da indústria e a força do negócio. e. para: a) definir as necessidades de informações gerenciais. sendo que estas informações ganham importância quando alinhadas aos objetivos institucionais.

O método FCS visa identificar as características. A partir dos trabalhos de Prescott e Grant (1988). Revista ANGRAD . Sugerem a adoção de uma matriz que contemple os vários fatores que afetam a indústria e o negócio. ressalta que os FCS apresentam pequeno tempo de desenvolvimento e moderado tempo de execução. devem ser extraídos do plano estratégico e utilizados para direcionar a coleta de dados e os esforços de análise. condições ou variáveis que deverão ser monitoradas e gerenciadas pela organização para que ela fique bem posicionada em seu ambiente de competição. Essas características remetem os FCS à revisão e avaliação sistemáticas e ao desdobramento em árvore de pertinência. chamam a atenção para a exigência periódica e freqüente de atualização. Quanto à hierarquia. 2001). Seguindo na apresentação das características dos FCS. Ainda no que se refere às informações estratégicas. outros se referem a determinadas unidades de negócio de uma empresa (STOLLENWERK. analítica e de realização de diagnóstico. como delineador das características exclusivas da organização até como auxiliar na definição das habilidades. podem estar relacionados com o ramo de negócio como um todo./Mar. Como instrumento de suporte para formulação de estratégias das organizações. 1. Salientam que o método dos FCS somente é um instrumento útil ao sistema de informação. 2003). tecnologias e conhecimentos essenciais da organização (GOMES e BRAGA. médio custo e requer dos gerentes as habilidades conceitual. Acrescenta que o sucesso do método é proporcional à correta identificação e listagem dos fatores críticos de sucesso. variando desde sua utilização como ferramental de definição das necessidades de informação. Esses fatores. N. sendo que os FCS são sistematicamente hierarquizados. caracteriza-se pela dinamicidade. destacam a rapidez e baixo custo de focalização estratégica como vantagem e a superficialidade como limitante do método. tornando-se possível definir os objetivos do sistema de informação de negócios. as redes e fontes de informação. Gomes e Braga (2001) sustentam que o método de FCS é utilizado para avaliar a atratividade da indústria e a força do negócio. que descrevem o que uma organização deve fazer bem para ter sucesso em uma dada indústria.Identificação dos Fatores Críticos de Sucesso em Instituição de Ensino Superior avaliar as forças de um determinado empreendimento.V. ao configurar-se como um instrumento que possibilita a comparação das ações empregadas nos ambientes interno e externo./Fev. na qual se reconhece a importância de cada ramificação e a identificação das necessidades de informação. se dispor de uma lista correta dos fatores críticos de sucesso. ou ser específico da empresa.Wanderley (1999) assinala que os FCS podem auxiliar no seu mapeamento. 2001). A aplicação dos FCS apresenta natureza eclética. Jan. Essa matriz visa avaliar as forças de um determinado negócio e comparar concorrentes em uma indústria. Os fatores chaves de sucesso fornecem a fundação para o desenvolvimento do plano estratégico (SANTOS. 7. 2006 51 . arborescência.

d) fatores temporais. Esses dados. se transformam em informações estratégicas e táticas. publicidade negativa. Desse modo. Os empresariais são comuns a todas as organizações. utilizando as diversas fontes de dados disponíveis e serem complementados com pesquisas de campo. os competidores têm pouca ou nenhuma influência. geralmente. Fatores ambientais externos representam as influências macroeconômicas que afetam todos os competidores dentro de uma empresa e. aspectos demográficos. e) posição administrativa. todavia. Os ambientais são aqueles que influenciam. c) organizacionais. Estes podem afetar todos os competidores dentro de uma indústria. sobre os quais. Embora o nível de controle que o negócio tenha sobre esses fatores seja reduzido. Jan. 7. escassez de recursos ou mesmo a perda de posição no mercado. 1.V. tem-se o processo de recrutamento. São atribuições temporárias./Mar. b) estratégia e posicionamento competitivo do negócio. c) fatores ambientais externos. 1992) distinguem cinco fontes de fatores críticos de sucesso: a) indústria ou ramo de negócio. crises causadas por acidentes. características de produto. e. Por exemplo. b) empresariais. Os fatores temporais dizem respeito às áreas do negócio que demandam um certo tempo para implementar uma estratégia. segmenta e caracteriza-os em: a) ambientais. políticas econômicas e legislação. depois de analisados.Tais condições podem favorecer o crescimento mais rápido da empresa em relação a seus concorrentes. mas sua influência varia de acordo com as particularidades e sensibilidade dos segmentos empresariais. 2006 . Os fatores relativos à estratégia e posicionamento competitivo do negócio são aqueles históricos determinantes e o posicionamento competitivo do negócio. Os fatores críticos de sucesso na indústria ou ramo de negócio representam as características de demanda. para nortear o projeto e a operacionalização do empreendimento. pois se aplicam a todas as organizações. Esses fatores. em função da falta de administradores especialistas ou de trabalhadores qualificados. apud GRUNERT e ELLEGAARD. Como exemplo. seu impacto pode ser substancial. de alguma forma. O monitoramento desses fatores significa a antecipação de oportunidades. Fontes de fatores críticos de sucesso Os fatores críticos de sucesso devem ser identificados por meio da aplicação dos princípios e/ou definições com base em pesquisa teórica.Romualdo Douglas Colauto. N. tecnologia empregada. reguladores e políticos que impactam o mercado.2. às atribuições de seu cargo que exige a associação dos fatores críticos. todos os negócios. contratação e capacitação de pessoas ou a eficiência geral e o controle de custos das organizações. o que impossibilita garantir algum diferencial estratégico competitivo unilateral. Segundo Santos (2003). d) setoriais. Os fatores concernentes à posição administrativa são situações relacionadas a um determinado gerente e./Fev. os FCS podem ser extraídos do plano estratégico e utilizados para direcionar a coleta e análise de dados. Caio Marcio Gonçalves e Ilse Maria Beuren 3. Para exemplificar. 52 Revista ANGRAD . sobretudo. em alguns casos. fatores econômicos. são raramente considerados como críticos para fins de inteligência. Bullen e Rockart (1981.

ao setor e em relação a outras empresas. A avaliação dessa segmentação fornece uma quantidade razoável de dados e informações que podem ajudar no monitoramento de questões estratégicas em cada ramo de negócio. o projeto de arquitetura para uma determinada organização. O ambiente do ensino superior O processo de globalização e as tecnologias de informação e comunicação têm impelido as instituições educacionais a uma redefinição do seu papel. perfis de recursos e análise das competências essenciais. Com esse propósito. Um FCS setorial poderia ser a competição por custos. conseqüentemente. 2006 53 . o aumento da demanda pelo ensino superior propiciou oportunidade de ingresso de instituições de ensino privado. podem garantir o fluxo de informação. 7. 2001). Como exemplo. A instituição social caracteriza-se por apresentar estabilidade e durabilidade de sua missão e repousa sua estrutura em normas e valores do grupo ou sociedade em que se insere (COLOSSI. ampliando o número de vagas e. Os setoriais são relativos aos mercados que estão sendo servidos ou os fatores específicos relativos às organizações naqueles mercados. ou seja. 4. centros universitários. para subsidiar o processo decisório. Na perspectiva includente. isto é.Identificação dos Fatores Críticos de Sucesso em Instituição de Ensino Superior Os fatores organizacionais definem. As quatro segmentações dos fatores críticos de sucesso têm uma característica em comum. concebe-se educação superior como uma instituição social que apresenta como propósito a formação intelectual e científica da sociedade em que está inserida. pelas universidades. a segmentação dos fatores críticos permite avaliar o impacto do ambiente e analisar comparativamente uma organização em relação aos seus sistemas de operações internas. administrativo e pedagógico. Os fatores críticos de sucesso./Fev.s de modelo includente. gerando maior necessidade de controle em função da delegação das atividades por parte do governo às instituições privadas. esses condicionantes determinam a adoção. em detrimento de um modelo concentrador. N. 1./Mar. assim. de forma a identificar forças e fraquezas. uma identidade relacionada ao empreendimento em particular. se aplicam a um determinado setor. Revista ANGRAD . No Brasil. nos níveis estratégico. houve um crescimento na participação de instituições privadas. Esse conjunto de elementos integrados permite identificar as principais áreas nas quais as instituições de ensino devem concentrar seus esforços e. Em nível de educação superior. focar o planejamento estratégico de modo a elevar suas ações para torná-las competitivas frente às oportunidades e ameaças. CONSENTINO e QUEIROZ. Com o processo de abertura do mercado e dos dispositivos legais. qualidade. quando aplicados no processo de gestão de instituições de ensino superior. flexibilidade ou tempo de reação.V. Jan. faculdades e institutos ou escolas superiore. em última análise. explorar com critério as áreas de maior e menor desenvolvimento da empresa.

as instituições educacionais envolvidas num contínuo processo de inovação. a educação brasileira passa por mudanças decorrentes da aplicação de dispositivos legais. que. Panozzi (2003) pontuam que as organizações buscam no processo de aprendizagem contínua uma forma de construir inteligência corporativa competitiva. incitando as instituições de ensino superior para: a) incorporação de metodologias inovadoras e ativas. Nessa perspectiva. como por exemplo. Caio Marcio Gonçalves e Ilse Maria Beuren O ensino superior privado brasileiro esteve focado. atividade anteriormente exclusiva da academia. Jan. fundamentam suas políticas em princípios: a) cidadania como patrimônio universal. CONSENTINO e QUEIROZ. h) excelência no ensino. ainda. participando ativamente do processo de ensino-aprendizagem e compartilhando responsabilidades com instituições de ensino. 1. na oferta de cursos de formação plena. N. g) empreendedorismo. Explicam. a educação em nível superior passa a se ancorar em investimentos de iniciativa privada. apresentavam um currículo extenso. 2006 . Os cursos de graduação. Gonçalves./Fev. com ênfase para a delegação parcial das atribuições governamentais à iniciativa privada (CONSTITUIÇÃO FEDERAL. em específico. aumentaram a necessidade de desenvolver meios para identificar os atores e suas forças a fim de implementar estratégias que permitissem melhorar o posicionamento competitivo. 2001). as empresas têm caminhado rumo à adoção de um modelo de educação híbrido. Abreu. Nas raízes da expansão do ensino superior. e) nova visão de futuro. f) relação com a sociedade e o mundo do trabalho. d) responsabilidade institucional e social. observa-se a predominância dos critérios de busca de atendimento de necessidades voltadas para o mercado com predominância dos interesses econômicos. 1988. em detrimento das ações que privilegiem os aspectos sociais e o atendimento de minorias (COLOSSI. 1996). Isso pode trazer risco de mercantilização do ensino superior. Considerando as mudanças tecnológicas e o cenário evolutivo da educação. O fato é que essa defasagem passa a demandar o monitoramento da regulamentação do ensino e dos anseios do mercado de trabalho.Romualdo Douglas Colauto. A nova legislação aponta para a conciliação entre os aspectos econômico e social. LDB. em passado recente. b) articulação da subjetividade com a objetividade. b) autonomia universitária. Em face de novos entrantes no mercado e do aumento da oferta de vagas. de acordo com Santos (1999). as instituições de ensino superior foram forçadas a conviver com o acirramento da concorrência.V. Com isso. cursos com carga horária reduzida e que atendessem a problemas emergentes. responsável por oitenta por centro das vagas oferecidas. enquanto se acenava para a adequação dos currículos às necessidades do mercado. c) ética na atividade humana. Consoante às tendências do mercado profissional. em função da estruturação organizacional. com sobreposição de conteúdo para justificar a extensão da carga horária. A partir daí./Mar. c) criação de ambiente favorável ao 54 Revista ANGRAD . 7. às vezes.

departamentalizada nos níveis estratégico. Jan. e) integração curricular. 2006 55 . O Quadro 1 evidencia os fatores críticos de sucesso da instituição pesquisada. A identificação dos fatores críticos de sucesso implica no apontamento das necessidades de informação da organização./Fev. desenvolve atividade de ensino superior na Grande Florianópolis no Estado de Santa Catarina. possui aproximadamente quinhentos alunos. Revista ANGRAD . f) interdisciplinaridade. na qual se realizou a pesquisa. adotou-se. neste trabalho. dado o objetivo da pesquisa restringir os fatores críticos de sucesso à dimensão organizacional./Mar. d) indissociação do ensino-pesquisa-extensão. g) aceleração da educação (VEIGA. administrativo e pedagógico. Encontra-se em estágio inicial de implantação. administrativo e pedagógico. organizacionais e setoriais. uma classificação com segmentação específica para a instituição. empresariais. Os fatores de sucesso organizacionais foram categorizados nos níveis estratégico. N. 5. Embora a literatura classifique os fatores críticos de sucesso em ambientais. provocam o desenvolvimento de modelos de gestão capazes de reconhecer vantagens competitivas e de desafiar a competitividade institucional. por considerar que o ambiente apresenta-se de forma recessiva em função da diminuição do poder de compra de seus clientes.Identificação dos Fatores Críticos de Sucesso em Instituição de Ensino Superior exercício das atividades acadêmicas. Os princípios e valores norteadores do novo modelo educacional convergem para a profissionalização de operações. É mantida por uma sociedade educacional privada e sem fins lucrativos e oferece doze cursos de ensino superior. Por sua vez.V. Atualmente. 7. A instituição caracteriza-se por uma estrutura funcional. Descrição e análise dos dados coletados A instituição. 1. justificando a identificação dos fatores críticos de sucesso para a elaboração de seu planejamento estratégico. 2000).

Romualdo Douglas Colauto. Jan. N. declina uma posição de indiferença pela variável. O cliente. conforme demonstrado no Quadro 2. apesar de ser um fator de sucesso.V. 56 Revista ANGRAD . Vale explicar que a pesquisa envolveu cinco alternativas de questionamento quanto à percepção dos fatores. na opção “indiferente”. A alternativa “concordo totalmente” considera que o cliente não apresenta nenhuma restrição quanto ao enquadramento da questão como fator crítico de sucesso./Mar.Fatores críticos de sucesso na percepção da instituição de ensino NÍVEL ESTRATÉGICO Localização geográfica Tradição da instituição Imagem da organização Garantia de reconhecimento do curso Valor de mensalidade menor que a concorrência Parceria com outra instituição de ensino superior de reconhecimento nacional NÍVEL A DMINISTRATIVO Infra-estrutura Campanha publicitária periódica Serviços de secretaria e de pessoal NÍVEL PEDA GÓGICO Qualificação do corpo docente Atualização do corpo docente Interação da coordenação com o corpo discente Integração dos alunos com a instituição Metodologia aplicada à realidade do mercado de trabalho Fonte: elaborado pelos autores. Na alternativa “concordo”. O item “não concordo” denota que o cliente apresenta alguma restrição quanto a inserção do item como fator crítico de sucesso. A identificação dos fatores críticos de sucesso na percepção dos clientes. apresenta alguma restrição. 7. busca ampliar o escopo dos fatores críticos de sucesso da instituição para alinhar o planejamento estratégico às necessidades dos clientes. 1. Caio Marcio Gonçalves e Ilse Maria Beuren Quadro 1 . a alternativa “discordo totalmente” implica em haver restrições suficientes para não considerar o item como fator crítico de sucesso. considerados relevantes pelos clientes. 2006 ./Fev. E ainda.

acervo bibliográfico) Serviços adicionais (cursos de idiomas./Mar./Fev. Revista ANGRAD . administrativo e pedagógico. seminários. empresa júnior. programa de iniciação científica) Qualificação do corpo docente Serviços administrativos e suporte técnico Qualidade do curso (imagem. 7.Índices dos fatores críticos de sucesso na percepção dos clientes FATORES PESQUISA DOS Recursos físicos (laboratórios de informática.Identificação dos Fatores Críticos de Sucesso em Instituição de Ensino Superior Quadro 2 . no Quadro 3. encontros e simpósios) Valor da mensalidade Concordo totalmente 3% Concordo 38% Indiferente 28% Discordo 16% Discordo totalmente 14% 3% 19% 25% 26% 27% 16% 24% 17% 32% 11% 4% 36% 38% 13% 11% 12% 48% 22% 12% 7% 3% 20% 38% 25% 14% 3% 17% 28% 23% 29% 29% 36% 11% 17% 8% Localização geográfica 48% 22% 15% 9% 6% Horário das aulas 44% 37% 10% 6% 3% Carga horária total do curso Exigências acadêmicas para conclusão do curso 9% 38% 33% 11% 10% 9% 48% 29% 11% 4% Fonte: elaborado pelos autores. N. relacionado-os com a percepção do cliente. atividade desportiva. apresentam-se.V. Com o objetivo de comparar a percepção dos fatores críticos de sucesso entre níveis institucional e do cliente. Jan. processo seletivo. número de alunos por sala) Tradição da instituição Promoção de eventos (congressos. 1. os fatores críticos de sucesso estratégico. convênios para estágio. 2006 57 .

A tradição. tanto pela instituição quanto pela maioria dos clientes. N. Vale ressaltar que os fatores apontados pela instituição como determinantes de sucesso. não foram contemplados pela maioria dos alunos. infra-estrutura. (2) parceria com outra instituição de ensino superior de reconhecimento nacional. considerados fatores críticos de sucesso pela instituição. o valor da mensalidade e a metodologia de ensino aplicada à realidade de mercado constituem-se em fatores críticos de sucesso. serviços de secretaria e de pessoal e a qualificação do corpo docente. tais como: (1) garantia do reconhecimento do curso. (3) campanha publicitária periódi- 58 Revista ANGRAD ./Mar. embora. 7. Jan. 2006 .V. a imagem da organização.Comparação entre os fatores críticos de sucesso institucionais e do cliente PERCEPÇÃ O DA INSTITUIÇÃ O Nível estratégico Localização geográfica Tradição da instituição Imagem da organização Garantia de reconhecimento do curso Valor de mensalidade menor que a concorrência Parceria com outra instituição de ensino superior de reconhecimento nacional 70% 23% 60% Não apontado 65% Não apontado PERCEPÇÃ O DO CLIENTE Nível administrativo Infra-estrutura Campanha publicitária periódica Serviços de secretaria e de pessoal 41% Não apontado 40% Nível pedagógico Qualificação do corpo docente Atualização do corpo docente Interação da coordenação com o corpo discente Integração dos alunos com a instituição Metodologia aplicada à realidade do mercado de trabalho 40% Não apontado Não apontado Não apontado 57% Fonte: elaborado pelos autores. Caio Marcio Gonçalves e Ilse Maria Beuren Quadro 3 ./Fev. 1. A descrição dos dados mostra que a localização geográfica.Romualdo Douglas Colauto.

no que se refere aos serviços adicionais (cursos de idiomas. procedimentos pedagógicos e administrativos adotados estão sendo contemplados no processo de gestão da instituição de ensino superior. não descaracteriza os itens como fatores críticos de sucesso. posto que esses itens não constavam no questionário aplicado aos alunos. Os procedimentos da técnica triangulação possibilitaram apontar alguns dos fatores considerados como críticos nos níveis institucional (estratégico. ao mesmo tempo. referenciada no Quadro 3.Assim. uma vez que o questionário foi aplicado antes de realizar a entrevista com os gestores dos três níveis. denotando uma limitação da pesquisa. Assim como. considerados críticos pelos estudan- Revista ANGRAD . Considerações finais A sobrevivência e o desenvolvimento das empresas no atual contexto requer a capacidade de reagir às mudanças e. Entende-se que os fatores críticos de sucesso corroboram na coleta. A identificação dos fatores críticos de sucesso na percepção da instituição e dos clientes permite alinhar as estratégias da instituição à consecução dos objetivos constitutivos.Identificação dos Fatores Críticos de Sucesso em Instituição de Ensino Superior ca. (4) atualização do corpo docente. de forma significativa. análise e mensuração de dados estratégicos em áreas que os gestores consideram críticas para o sucesso do empreendimento. 24% concordam que esse recurso é fator crítico de sucesso. Com relação ao objetivo de identificar os fatores críticos de sucesso em uma Instituição de Ensino Superior. assim. administrativos e pedagógicos converge à percepção dos clientes. a expressão “não apontada”. 7. (5) interação da coordenação com o corpo discente. 1./Mar. (6) integração dos alunos com a instituição não foram questionados aos alunos. E ainda. 81% e 47%. administrativo e pedagógico) não foram. Nota-se que esses itens contemplados pelos alunos não foram considerados fatores de sucesso pelos níveis estratégico. atividades desportivas.V. analisar se as expectativas dos alunos quanto aos recursos. São varáveis cujo gerenciamento pode afetar. consideraram que o horário das aulas e a carga horária total do curso representam diferenciais de sucesso para a instituição. N. Os fatores críticos de sucesso podem ser entendidos como um método que auxilia na definição das necessidades dos gestores e especialistas e no estabelecimento de foco nas questões estratégicas da empresa. convênios para estágios. observou-se que a maioria dos fatores identificados nos níveis estratégicos. 2006 59 . respectivamente. Quanto à percepção dos alunos./Fev. administrativo e pedagógico. a posição competitiva das empresas dentro de seu campo de atuação. Jan. considerados pelos estudantes. prever tendências do mercado de forma a antecipar-se em suas estratégias. Outros. Isto remete à necessidade de criação de novas técnicas e métodos que auxiliem no processo de gestão. programa de iniciação científica).

jan./Mar. Fernando Arduini.labsad. Organização do texto: Juarez de Oliveira. 5.br/webensino/ >. 60 Revista ANGRAD . estrategicamente. v. Assim. Revista PEC Programa de Educação Corporativa. Constituição. Revista FAE Business School. 1983. BRAGA. Fabiane. Acesso em: 11 jun. 1999. acredita-se que a pesquisa mostra uma das possibilidades de alinhar. experiências. 1999. Rio de Janeiro–RJ: FINEP.. Aldo. Klaus G. as instituições de ensino superior podem agregar maior valor à estrutura interna da instituição e. CONSENTINO./Fev. Referências ABREU. p. Com o monitoramento das ações estratégicas./ dez. 4. ALBERTIN. elas absorvem informações. BERVIAN. Mudanças no contexto do ensino superior no Brasil: uma tendência ao ensino colaborativo. 1992. 7. Rio de Janeiro: Campus. In: Workshop Brasileiro de Inteligência Competitiva e Gestão do Conhecimento. n. Charlotte. v. 2002.. Base conceitual e prática para implementação de um sistema de inteligência competitiva em uma universidade particular. Eliezer Arantes da. Caio Márcio. GOMES. São Paulo: Saraiva. ed. Metodologia científica: para uso dos estudantes universitários. N. et al. CERVO.Romualdo Douglas Colauto. BRASIL. transformam-nas em conhecimento e agem com base nessa combinação de conhecimento. Anais.49-58. Elisabeth. Leila. Amado Luiz. valores e regras internas. AYRES. buscando identificar as informações como uma ferramenta para alavancar sucesso organizacional e criar diferenciais competitivos que sustentem sua permanência no mercado. Etty Guerra de. 2002.V. ELLEGAARD. Constituição da república federativa do Brasil: promulgada em 5 de outubro de 1988. jan. ed. administrativas e pedagógicas. Curitiba-PR. COLOSSI. Tecnologia da informação e educação corporativa: contribuições e desafios da modalidade de ensinoaprendizagem a distância no desenvolvimento de pessoas. conseqüentemente. Caio Marcio Gonçalves e Ilse Maria Beuren tes. 1. ed. Rio de Janeiro. À medida que as organizações interagem em seus ambientes. Administração de informática: funções e fatores críticos de sucesso. MAPP working paper. 1990. 4. Como preparar trabalhos para cursos de pós-graduação: noções práticas. 2001. 3. Nelson.47-58. aos clientes. Alcino. CD-ROM. 2003. 4.3. Aline França.ufsc. n. São Paulo: Saraiva. São Paulo: McGraw-Hill do Brasil. PAGNOZZI. 2006 . p. Gestão estratégica. GONÇALVES. não fazem parte do elenco daqueles mapeados pela instituição.. n 1. 2003. QUEIROZ. Alberto Luiz./ abr. Disponível em: <http:// www. Curitiba. Jan. Maria Margarida. GRUNERT. 1999. 2001. São Paulo: Atlas.1. The concept of key success factors: theory and method. Inteligência competitiva: como transformar informação em um negócio lucrativo. as ações que agregam valor na ótica do cliente. Out. São Paulo: Atlas. ANDRADE. COSTA. I.

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1999. 2006 . 7./Mar. Jan. 1. WANDERLEY.28. Campinas: Papirus. p. Caio Marcio Gonçalves e Ilse Maria Beuren na educação superior: do projeto pedagógico à prática transformadora.V. 2000./Fev. mai. N. v. Ana Valéria Medeiros. 62 Revista ANGRAD .2. p. Brasília. n. Um instrumento de macropolítica de informação: concepção de um sistema de inteligência de negócios para gestão de investimentos em engenharia.190-199.Romualdo Douglas Colauto./ago. Ciência da Informação.40-68.

Lo menos que puede deducirse de esta especie de toma de posición es que. 2006 63 . Continuando en el camino por él iniciado intentaremos. un análisis muy instructivo . argumentativamente defender una enseñanza de la administración menos peligrosamente ideológica. sino también y sobre todo de la Revista ANGRAD . más autenticamente científica y humanista. en cantidad y en importancia relativa. Hace algunos años C. se estaba poco convencido no sólo de la universalidad y precisión de los contenidos de los programas de administración./Mar. formar en conocimientos generales y disminuir.Canadá Capítulo do livro Administración Y Pedagogia Primera Edición: Marzo de 2000 © Fondo Editorial Universidad EAFIT ISBN 958-9041-49-3 Debemos al profesor Alain Chanlat (1981). Vuillez (1978)..los cursos llamados ‘técnicos’. Jan. N. 1.La Administración y su Enseñanza: ¿Entre Doctrina y Ciencia? Prof. menos dogmática y más cálida. a nuestro turno. y más que nunca./Fev. Más de quince años de estudios. práctica y enseñanza en la administración nos plantean interrogantes que consideramos un deber compartir. formar administradores que no estén llenos de certezas. director de la Escuela de Altos Estudios Comerciales de París. declaró que la filosofía futura que regiría la enseñanza en su institución se inspiraría en los grandes principios siguientes: .Ofrecer esquemas flexibles de comprensión con el fin de que los jóvenes estén más capacitados para resolver un cierto número de problemas. Omar Aktouf HEC . a finales de los años setenta. con el fin de ampliar el debate. Dr..y tanto más interesante cuanto raro en su género – a propósito de la enseñanza y la pedagogía en administración. Finalmente. de la Escuela de Altos Estudios Comerciales de Montreal. 7.V..École des Hautes Études Commerciales de la Universidad de Montreal ..

y desde los mismos templos norteamericanos de las «ciencias administrativas». Sayles. Es en esta perspectiva de la constitución del saber y de la influencia sobre lo que ocurre en la fábrica que queremos problematizar la enseñanza de la administración: ¿cuáles son sus fundamentos y contenidos? La administración como contenido y materia de enseñanza Aquí planteamos la pregunta de la definición de la administración como «materia» dotada de unidad y coherencia y como «materia enseñable». entre ellos Arkwright. que es aquél que va desde la «planificación» hasta el «control» pasando por la «decisión».). Mintzberg. En todo caso... desde Taylor. W. como contenido. N. 1973. 7. J. Jan. Por otra parte. nos daremos cuenta de que aquello que nos esforzamos por enseñar en nuestras escuelas de administración proviene de una actividad. ¿Nos sorprenderíamos entonces del fracaso de nuestra búsqueda de una definición diferente a aquéllas que consisten en una enumeración de actividades? Si miramos un poco la historia y los primeros hitos fayolianos. la habilidad que manifestaban algunos para mantener a los artesanos en la «fábrica» y para hacerlos producir. Sfez. Fayol y Urwick. Fayol (1962) en favor de la enseñanza de la administración para desarrollar la «capacidad administrativa » de los dirigentes y su invitación a la constitución de una «doctrina» de la administración nos muestran que. 1. H. La Revolución Industrial nos muestra que estos héroes. en el que el hombre está definitivamente desterrado. diremos que la administración.V./Mar. permanece en el nivel del proceso llamado «integrado».f.. 1981). 1984) que deploran la separación de las teorías administrativas en relación con la «realidad» que pretenden representar. se elevan voces (L. L. H. 1976. Skinner. 1971. «humanamente» viable. pero que sólo era. «la organización» y la «dirección». al menos a título de input particular (c.. hasta los años veinte. Behrman y R. En primer lugar. 1970.. Braverman. más o menos.Omar Aktouf pertinencia de estas enseñanzas con relación a su objetivo: una administración de las empresas «económicamente » eficaz y.. Godelier.. 1976. sistematizado. Se constata cada vez más que la práctica de la administración tiene muy poco que ver con lo que se enseña en las instituciones ad hoc: y esto tanto en las escuelas como sobre el terreno (Friedrich. el mundo industrial es acusado regularmente por ser un universo de «cosas» y de gestión de «cosas». contribuyeron esencialmente disciplinando y organizando 64 Revista ANGRAD ./Fev.N. al comienzo. la conducción de las empresas era un asunto puramente personal e intuitivo. 1977. Cada una de estas actividades da lugar a la posesión de una o varias «herramientas» destinadas a hacer que las tareas se hagan mejor y más rápido.. 2006 . ¡ legitimándose en esta separación!. M. Levin. La amplia defensa de H. que con el tiempo se ha.

7. agrega: No sería difícil constituir esta doctrina si algunos grandes jefes se decidieran a exponer sus ideas personales sobre los principios que consideran como los más propios para facilitar la marcha de los negocios. El objetivo general de esta actividad no ha cambiado.V. y la historia nos muestra cómo se constituyó en este dominio su vocación primera: el servicio al comerciante transformado en «fabricante-mercader». P. de reglas. la condición explícita de la «enseñabilidad de la actividad administrativa».. De todas maneras constatamos. orientar y dirigir la acción de los hombres en materia religiosa. de procesos probados y controlados por la experiencia pública./Fev.. por lo menos.La Administración y su Enseñanza: ¿Entre Doctrina y Ciencia? la mano de obra para obtener.. Aunque no tiene la precaución de definir lo que llama «experiencia pública». 1. Jan. Un poco más adelante define lo que entiende por «doctrina consagrada»: Un conjunto de principios. y su definición según el diccionario es: Conjunto de nociones que se consideran verdaderas y por las cuales se pretende proporcionar una interpretación de los hechos.f. no hay doctrina administrativa consagrada. filosófica y científica. (Fueron los mercaderes de telas adinerados quienes se convirtieron en industriales y patronos de fá- Revista ANGRAD . Mantoux. 1971 H. sólo los métodos y los instrumentos han evolucionado: se trata siempre de maximizar la proporción del factor trabajo. 1976). un excedente de trabajo que se ha convertido en una necesidad económica absoluta.. decía: La verdadera razón de la ausencia de la enseñanza administrativa en nuestras escuelas profesionales es la ausencia de doctrina. de métodos. Es con H. Ésta era. 1959. que el primer esfuerzo de sistematización de la enseñanza de la administración conserva el término «doctrina» y no el de «ciencia» o «ciencias». mediante la disciplina y la organización (c. N./Mar. Fayol. para él. Este término significa etimológicamente «enseñanza».nacida de la discusión pública. Rioux. Esta definición parece bastante acertada para caracterizar el corpus teórico de la administración. (1962: 15). uno de los primeros autores que afirmó la «necesidad y la posibilidad de una enseñanza administrativa». (1962: 16) Es una «experiencia» y un «público» bastante restringidos para hablar de «principios generales» y de «experiencia pública consagrada». Sin doctrina no hay enseñanza posible. Ahora bien. finalmente.. J.. Braverman. La competencia particular y específica de los primeros «administradores» era pues la de obtener más trabajo. 2006 65 . con quien vemos configurarse una «doctrina» de la administración.P.

imponen el «querer» de los poseedores./Fev. Esta vocación se concretiza en la capacidad de crear organizaciones. especialmente en materia de índices de ganancias. 1964). 2006 . y esto alrededor de la voluntad deliberada de maximizar las ganancias del ciclo «compratransformación-venta»./Mar.Toffler (1980). es decir. muestra cómo todo esto constituye el fundamento mayor de la «segunda ola»: la de la industria manufacturera. la inteligencia se desarrolla y se forma. «recuperando» ideas planteadas desde hace mucho tiempo por autores considerados «sospechosos».. Lo que podemos decir en definitiva.V.Omar Aktouf brica. lo que constituye el corazón de la materia administrativa enseñable. En el mismo orden de ideas. de excedentes y de destinación de estos excedentes. Guardando las proporciones. con cierto cinismo. algo diferente a aquella realidad particular propia del comercio. 7. que se funda en la voluntad de producir (y/o comprar) y vender conservando la mayor distancia posible entre costos y ganancias? Es ésta una manera de truncar la realidad humana y de reducir el todo a la lógica de un subsistema: aquél de la economía mercantil y de la producción-contabilidad. «el arte» del gerente es un juego de este mismo orden. Etzioni. ¿cómo entonces pretender enseñarlo? 66 Revista ANGRAD .) La realización y encarnación de los «derechos» de los propietarios «fijan el modo de uso de los medios de producción» (según M. incluso si. sobre el sentido de este «saber-administrativoenseñable». Es la formalización de las relaciones de trabajo alrededor de una voluntad maximalista (la «conducción eficaz» de estas relaciones). El fondo del problema es de esencia eminentemente comercial. se afirma que la industria y los principios de la economía mercantil y marginalista son productos del hombre. N. 1. 1971) y el «ejercicio del poder» (según A. Pues bien.en sentido estricto doctrinal. y el servicio central que prestan la fábrica y la «organización» es el de hacer lo más rentable posible el factor trabajo. es decir. no los maestrosartesanos.Weber. la administración sólo se define en términos de actividad(es). ¿Podemos ver entonces en la administración. A esto deben dedicarse los organizadores y los gerentes.. erigida como «doctrina». todo esto es -y lo sabemos. es que no tiene ni fundamentos humanos ni fundamentos científicos. El contenido didáctico de la administración Como acabamos de ver y de acuerdo con la «tradición». Jan. del orden interpretativo e ideológico. pero siempre con motivo de y en función de las demandas del medio y de las reacciones generadas. es decir. la psicología general casi ha renunciado también a una definición de inteligencia diferente a aquélla que se enuncia en términos de actividades (recordemos el exabrupto de Binet y Simon que declaraban que la inteligencia es. ¿Quiere esto decir que tenemos que buscar una «doctrina consagrada» de la inteligencia para tratar de hacer de ella una materia «enseñable»? Ciertamente. de formalizar y hacer artificiales las relaciones entre los hombres.¡aquello que mide su test!).

de las actividades de pensamiento. de comercio.. que hombres de acción necesarios al comercio en grande de un país. no le está prohibido al menos servirse de las ciencias aptas para guiar o secundar sus esfuerzos. 12). de las cuales sólo se retiene el mínimo utilizable desde una óptica explícita o implícitamente productivista. Si nos referimos a escritos anteriores. además de las «ciencias contables» o de las «ciencias de comportamiento organizacional»../Mar. de pragmatismo y.31) He aquí una posición consecuente consigo misma: ni ciencias. Encontramos incluso. Jolly. que sus diplomas tengan un carácter universitario que cubra «ciclos» completos. se trata de acciones. (p. Es innegable que el contenido didáctico de la administración permanece en el nivel de la utilización sectaria de las ciencias.. «ciencias inmobiliarias» en nuestras escuelas de administración (no es nuestro propósito extendernos en un tema que tiene que ver con el abuso del lenguaje y.V. que data de 1933 y firmada por P. 1. encontramos ciertas posiciones bastante «lúcidas»: Siempre nos hemos equivocado llamando «ciencia» lo que sólo es una técnica destinada a obtener el máximo de rendimiento en un negocio industrial.. se declara explícitamente: «La práctica del comercio nacional e internacional no se aprende bien sino allí donde se hace. ni teorías. 7.. Debe poseer el arte de prever. ¿se puede todavía hablar de ciencias? Queda por saber cómo puede hacerse la «transición» en términos de «acciones». Jan.. 2006 67 .. N. Incluso condena toda enseñanza del tipo «estudios superiores después del pregrado».» (p... Por ejemplo. de organizar. 72-77) La situación es clara: no hay «ciencia» de los negocios. pues producirán . Si para el dirigente de empresa no puede existir una ciencia de los negocios. Su autor aboga además en favor de la descentralización de las escuelas de comercio y su acercamiento a los centros de negocios. en la empresa.. ¿Es éste el tipo de toma de conciencia que se fomenta hoy en día en nuestros cursos de formación en los «negocios»?./Fev. en una obra titulada La educación del jefe de empresa. encontramos en La formación de los jefes de empresas de la Universidad Laval (1954) lo siguiente: Es el administrador el encargado. Hoy vemos propagarse costumbres y usos que pretenden hacer de la administración una ciencia.La Administración y su Enseñanza: ¿Entre Doctrina y Ciencia? En un folleto publicado por la Cámara de Comercio de Estrasburgo en 1935. consejeros de trusts de cerebros.. puesto que el «hombre de acción» debe ser el producto de esta enseñanza. más teóricos para cátedras de universidad. Sorprende sin embargo ver lo que dicen acerca de esto los primeros autores. dedirigir y de Revista ANGRAD .. (pp. pero hay ciencias establecidas que pueden ser utilizadas según el servicio que presten a la rentabilidad industrial-financiera. en última instancia. que debe ejercer con prudencia y sabiduría.. con el abuso de confianza)..

resulta interesante conocer el lugar que se le dio en los primeros programas de administración. el mismo texto invita a la desconfianza hacia los universitarios «clásicos».. pasando por el método) para aumentar la jornada laboral y la plusvalía. Ahora bien. La psicotécnica comienza incluso a perder terreno muy seriamente a partir de 1915.. Esto es totalmente visible en la obra de Taylor.Omar Aktouf controlar. N. debidas a la aparición de la psicología social./Fev. 75) Se sabe claramente que hacia los años treinta la psicología no se reducía solamente a la psicotécnica. el derecho de negocios y la fiscalidad. Jolly (1935): El programa de los conocimientos que se impone al futuro dirigente conllevará el examen obligado de la organización industrial y de la organización comercial.. Según P. Un examen como éste sería incompleto si no se refiere también a los instrumentos de análisis. tanto desde el punto de vista de la vida interior de la empresa como de las relaciones con el banco. 1. el arte de maximizar la jornada laboral.. para quienes «un largo período de desaprendizaje» sería necesario antes de aprender el «manejo de los hombres» (sic). de la psicología animal e incluso de los trabajos de tipo behaviorista y motivacional (especialmente en Estados Unidos). finalmente. El departamento de administración tiene como objetivo desarrollar el sentido de los negocios. las estadísticas económicas. Y ya que estamos hablando del hombre. que es un esfuerzo constante para encontrar los medios más diversos (desde la herramienta hasta el salario. 7. P. 2006 . pero se trata sobre todo de hombres poco escrupulosos y de grandes intrigantes (la obra de P. Sufría una serie de revoluciones teóricas.. de la función producción y de la función venta. aunque nuevas. no se puede dejar de insistir sobre la contribución que pueden aportar a la organización industrial y comercial la fisiología del trabajo y la psicotécnica que. universales y científicas?. cuando la psicología llamada científica salió del laboratorio. ¿El «sentido de los negocios»? Hay acuerdo en reconocer a hombres como Arkwright o Roebbuck . el desarrollo de la psicología diferencial.. de control y de previsión. valen más que el desprecio con el cual algunos espíritus «fuertes» tienden a rodearlos. (p. ¿El «arte de» y el «sentido de». sobre la contabilidad. son «materias» definibles. muy documentada. sobre todo entre los años 19151930. de las finanzas. Mantoux. Así se llega a la habilidad real y distintiva del jefe de industria: «el manejo de los hombres».. ¿cuál industrial aceptaría una máquina sin conocer previamente todas sus características anatómicas y funcionales.. sin tener informaciones precisas sobre la energía que consu- 68 Revista ANGRAD . Jan. la expansión del psicoanálisis. Jolly lo explica con claridad: La máquina más compleja e infortunadamente la más rica en incógnitas es la máquina humana. Por otra parte. Pero no es sorprendente que sea bajo esta forma como mejor la recuerda el mundo industrial./Mar.ingleses del siglo XIX -. o más claramente.V. no deja ninguna duda a este respecto).

. lo cual nos lleva a enseñarla . Lo peor que podemos hacernos a nosotros mismos es.. al mismo tiempo. Se pretende presentar una visión integrada de la administración y del hombre haciendo de la organización un sistema «humano y técnico». 69) ¿No son estos mismos «generalizadores» los que busca Herzberg con sus «gerentes educados»? Revista ANGRAD . Notemos. N. según este autor. sobre su régimen óptimo de actividad.V./Fev. Llega hasta afirmar que no debería haber especialistas que no estén en primer lugar dotados de una sólida cultura general. Aktouf. hace al menos una invitación para que se ofrezca un lugar al hombre. al saber más «auténtico» y a la cultura general. no hacemos de ella sino una fuerza que hay que «domesticar» . precisamente. Hertzberg (1980) fustiga las enseñanzas de las facultades de administración y toma posición decididamente contra la ausencia de cultura general y de humanismo en la formación de los administradores que son – dice . F.. la mayoría de las veces. los capítulos VII y IX de nuestra tesis: O. (p. 2006 69 . Son las necesidades en ‘generalizadores científicos’ entrenados y en los ‘principos funadamentales’ interdisciplinarios los que la teoría general de los sistemas trata de satisfacer. Esta anotación de L. que aunque el autor no define cuáles serían estas «humanidades».. Daremos detalladamente nuestro punto de vista en lo referente a este tema en la última parte de este capítulo...Von Bertalanffy (1973). que el elemento humano sigue siendo el aspecto crucial y último de toda organización y. sobre el trabajo que puede producir.La Administración y su Enseñanza: ¿Entre Doctrina y Ciencia? me. sobre la técnica minuciosa de su enfoque práctico? (p. padre del procedimiento sistemático. 1983). hace varios años que se pretende aplicar el enfoque de sistema a la administración./Mar. promover una tecnología sin bases humanistas. En un orden de ideas similar.«tácticos técnicoeconómicos» que actúan y deciden como «estrategas ». sin embargo. y esto no data de ayer.bajo la forma de «recetas» basadas. En una serie de artículos. 89) ¿Invocaremos la antigüedad del texto? ¿Se puede mostrar verdaderamente una diferencia de fondo en la manera como se trata siempre lo humano en la enseñanza de la administración? Admitimos. Una de las soluciones que propone es. 7. 1. Jan. nos invita a reflexionar sobre las verdaderas implicaciones de una aproximación como ésta: .este punto de vista prevalece sobre cualquier otro -.en la medida conveniente dentro de los programas . En pocas palabras: nuestro autor invita a la formación de administradores «cultivados» y «conocedores de las humanidades». en postulados mecanicistas y alejados de lo que las «verdaderas» ciencias tienen para enseñarnos sobre el hombre (Cfr. la introducción «en dosis para adulto» de temas «humanistas» en todas las materias del currículum clásico de las escuelas de administración.

(p. ligada a una época..Omar Aktouf J. el fracaso total de la formación en administración impartida por los norteamericanos a jóvenes habitantes de ciertas islas del Pacífico: éstos terminan.. nos da una fórmula que refleja bien el estado de cosas en administración: . de otras culturas? ¿Allí donde. las dificultades de transferencia que tiene la administración en tanto que disciplina importada a los países que buscan seguir el camino del desarrollo industrial (incluso la URSS tiene su «Academia Soviética de administración») son tales. ¿Qué ocurre realmente cuando se trata de realizar esta misma operación con personas de otros lugares. Una verdadera pluridisciplinariedad no puede nacer de la yuxtaposición a priori de ciertas disciplinas en un mismo campus o en un mismo edificio universitario. por constituir una clientela bastante asidua de los servicios neurosiquiátricos de los hospitales de sus islas (ejemplo citado por L. oficialmente o no. En el fondo. 1. Sin un acercamiento sistemático que permita dosificar e integrar las contribuciones respectivas de cada disciplina. Es también ampliamente conocido que los habitantes de algunos países no desarrollados «no están hechos para gerenciar». a título de ejemplo. a un cierto período de su «evolución». 7. 262) Por otra parte.V./Fev. por lo menos. debido a múltiples problemas «socioprofesionales».. «hacer negocios» es un tipo particular de «socialización». la pluridisciplinariedad no sobrepasará el estadio de la «yuxtadisciplinariedad». ¿Habrá allí un problema más complejo que tiene que ver con la socialización y la aculturación y que por lo tanto está mucho más allá del de la transmisión simple y directa de un saber? No hablamos. (pensemos en la presencia de miles de ejecutivos franceses en Costa de Marfil por ejemplo). al denunciar la ausencia de verdaderos acercamientos sistemáticos en la enseñanza. pero podemos señalar. 2006 . ideológica y 70 Revista ANGRAD . maneras y comportamientos de sus brillantes predecesores: las «ideas personales» y los «principios propios» de «algunos grandes jefes» de Fayol... HEC-Montreal. Laborit durante el coloquio «Ciencias de la vida en administración». No nos detendremos en este punto.. que estamos en el derecho de preguntarnos si no hay una buena parte de la humanidad que sea refractaria a ella de manera absoluta o. de países que confiesan oficialmente una ideología y un proyecto social opuestos a los de los países «exportadores» de administración. junio de 1980). una humanidad y una «cultura»: aquélla del reino de las relaciones mercantiles en la que la institución productora de excedente monetario es una especie de divinidad que impone sus leyes y sus caprichos. N.. Jan. a pesar de que numerosas multinacionales han intentado integrar a los autóctonos a su personal de dirección suministrándoles informaciones previas. Los «viejos fundadores» de la «doctrina de los negocios» no se equivocaban: se trata pura y simplemente de «inculcar» a los futuros «jefes» las convicciones. lo que sería aún más evidente a este respecto./Mar. De Rosnay (1975)..

Jan. J. Lee de la Universidad de Ohio (1980) ha mostrado Revista ANGRAD . aquél de la expansión de la administración: uno y otro contribuyen a hacer de los países no industrializados los cómplices activos de un servilismo económico y cultural aún más profundo..desde G. Friedman hasta A. Como dice Herzberg (1980). 7. de un saber realmente científico. Por otra parte. una intrusión en la vida misma de las personas. Más de un autor occidental ha denunciado los perjuicios que esto causa . para agregar a su análisis de la mundialización de la ideología occidental del desarrollo.Toffler pasando por Marcuse y Whyte -../Fev. A. los sacro-santos «rentabilidad /costos / beneficios/excedentes» no son los valores dominantes? ¿No es.La Administración y su Enseñanza: ¿Entre Doctrina y Ciencia? explícitamente o no. de las «humanidades» y del espíritu crítico no beneficia a nadie. y ya se sabe perfectamente a dónde puede conducir esto. como la enseñanza de la administración se reserva para las «élites» a su vez provenientes de otras «élites» -. Sin hablar del hecho de que la administración es.. la administración se propone hoy a domicilio (con gran refuerzo de programas de ayuda) bajo la forma de implantaciones de institutos. ¡desde Hawai hasta la India. de escuelas e incluso de facultades ad hoc. 1. decimos: la ausencia de una cultura general..V. con C. Una reflexión para lograr una reestructuración seria de los contenidos y métodos en los programas de administración y en varias direcciones nos parece necesaria e incluso imperativa: • En primer lugar. F. con infinitamente menos preparación y precauciones. A modo de conclusión Hoy más que nunca.. Una enseñanza hasta ese punto ideológica y disecada puede conducir a absolutos y aproximaciones muy peligrosas. Herzberg. mirándolo bien. A ./Mar. entre los dos sectores que han sido “sabiamente” separados desde la era colonial: el sector moderno presa y cómplice del «progreso occidental» y el sector tradicional víctima de los dos. N. por el tipo de relación entre los hombres que conlleva. en los contenidos debe hacerse un esfuerzo considerable por separar lo bueno de lo malo.. Chanlat.. 2006 71 . de este modo las escuelas de administración ponen en la cabeza de los administradores la imagen de un hombre parecido a la termita.. refuerza las burguesías compradoras del Tercer Mundo (y a los establecimientos tecnocráticos) contribuyendo así a una gran aculturización y agravando la no interpenetración sociológica. el «servicio pos-venta» del vasto «comercio» de tecnología al cual se entregan los países ricos? Utilizada en un comienzo por el empleador como un modo de contratación en la fábrica de puertas abiertas. cada día más dramática. pasando por África y América Latina! Volvemos a encontrarnos con G. Argyris. Corm (1978). perjuicios que comienzan a padecer los hombres de mundo no industrializado.

arrogantes. en las cuales son excelentes las escuelas de administración. Levin (1984) de la North Carolina Graduate School of Business: • Reducir la enseñanza presentada bajo la forma de «packages» y de «cajas de herramientas»./Fev. ¿Cuántas «verdades primeras» se trajinan en nuestras numerosas teorías y «generalizaciones» sin que surja la idea de problematizarlas? • En segundo lugar. 2006 . en lugar de prepararlos meticulosamente para ejercer un constante «imperialismo cultural».D y de profesores.si se juzga de acuerdo a la antigua tradición de los negocios . 1.. • Ampliar los modelos y paradigmas simplistas con los que se trata generalmente a la sociedad. ¿Cuándo tendremos una deontología de la profesión administrativa? ¿Estos dos elementos .son incompatibles? De ser así sabemos entonces el precio que hay que pagar.para humanizarlos ... de los enfoques cuantitativos. semi-ignorantes.N. la información. un conjunto de preceptos destinados a ser interpretados en función de las relaciones humanas y la práctica.V./Mar.cap. algunos autores «originales» se contradicen de manera evidente e incluso han transformado sus «datos» o sus conclusiones según. los auditorios y las circunstancias. Finalmente. los conocimientos cada vez más fragmentarios y descarnados representan un peligro real: aquél de poner en manos cada vez menos «responsables » (porque están cada vez más llenas de certezas y de «cajas de herramientas» a modo de saber y de cultura) un poder «tecnológico » cada vez mayor. Jan. estadinenses son..Omar Aktouf cuántas mentiras y distorsiones graves hay en los fundamentos teóricos más sólidamente establecidos de la administración. La investigación de la revista Time (Friedrich 1981) es bastante reveladora con respecto a este punto: los egresados de los M. • Hacer de tal manera que los estudiantes de administración «aprendan a aprender».4)-.I. • Hacer de tal manera que puedan seguir y comprender el desarrollo de las ciencias y sus implicaciones. pretenciosos e inútilmente «agresivos ». sobre todo. en términos didácticos -sin abordar el problema particular del método pedagógico (cfr. N.. 7. en términos éticos y de actitudes: la administración es ante todo una praxeología. • Reducir el énfasis que se da (explícitamente o no) a la manipulación de los datos. • No especializar .. las personas. en lugar de atropellarse para acumular toda clase de «recetas». que va hasta el monopolio. Reconciliarlos con el «terreno» que abandonan e ignoran para «hablarse entre ellos».los diferentes «perfiles» de Ph.. Por esto. contables y financieros.B. Behrman y R.A. expresamos nuestro acuerdo con los caminos que preconizan T.. • Reducir la importancia. • Hacer de tal manera que puedan comprender y admitir diferentes culturas. la economía y el comportamiento humano. 72 Revista ANGRAD .

/Mar.. Y esto en el momento en el que la generalización de la informática se hace tan importante. «el hombre es un animal programado para comprender y no para aprender»? ¿Qué lugar tiene el «por qué» en nuestras escuelas de administración. He aquí todo un programa. los protagonistas y los «vencedores» y cuáles son las encrucijadas de hoy. recetas y modelos más «eficaces» unos que otros? Nuestros estudiantes y practicantes deben aprender a comprender y buscar comprender cuál es la esencia real de la empresa. según parece. de todos los ciclos y de todas las profesiones. ya en su época.. es indudablemente el tiempo - Revista ANGRAD . 7. vasto y ambicioso. invitamos a un uso menos parcial (y parcializado) de las ciencias.. Jan. 1971) nos previno. de la finalidad y de la ética. nuestros diálogos. tan definitivamente instaladas en el «cuánto» y el «cómo»? La clientela. ¿La empresa es ese universo cerrado. Nuestras escuelas de administración figuran entre los bastiones más sólidos de la «tecnologización» de las relaciones y de la desaparición progresiva del cuidado ético. y seductora para la tenaz tradición del administrador «rápido-yeficaz».. N.V. sobre todo en lo referente a las ciencias humanas: algunos cursos obligatorios de conocimientos «puros» y de reflexión sobre el sentido de estos conocimientos serían ciertamente un excelente remedio para la falta de cultura y de juicio general que algunos deploran hoy en día en numerosos administradores. «deben» reforzarlo en sus convicciones y sumergir todos sus prejuicios en un mundo funcionalista sereno? ¿Este estudiante no debe. al menos.. ¿no llega a la facultad de administración para acumular – y nosotros los preparamos con cuidado .. ¿Qué podríamos agregar si no que como lo recuerda el eminente biólogo A.. 1.. cuáles han sido las encrucijadas de la Revolución Industrial. Sartre (1980). 2006 73 .después de haberlo hecho con nuestros obreros .. nuestros lenguajes. «administrativas». y nuestro razonamiento. todopoderoso y bienhechor que el estudiante tiene en la cabeza desde antes de sufrir nuestras enseñanzas que. Jacquard (1983)...nuestras memorias. pero la convergencia y la importancia actual de las críticas tanto internas como externas lo hacen urgente.. armónico. Whyte (1959) e incluso Herzberg (1980) lo constataron. de la organización.. por esa «super herramienta» que se exime (y exime) a la vez de la significación./Fev. Es grande la tentación de reemplazar . aprender que privilegia una manera de ver? ¿Y a nombre de qué?. Marcuse (1968). ¡El algoritmo solo justifica la acción! Nietszche (en Goldman. • Sistematizar la interdisciplinariedad y el examen de los límites de cada materia enseñada. sin entrar en detalles.. Finalemte.«herramientas». • Reorientar la investigación hacia las preocupaciones menos estrechamente cuantitativas y menos obsesivamente «metodológicas ».La Administración y su Enseñanza: ¿Entre Doctrina y Ciencia? • Integrar con sus conocimientos la preocupación por el aspecto ético de sus decisiones. del precio que tendríamos que pagar por haber puesto la filosofía fuera de la ciudad.

• el mundo simbólico y su papel crucial en las organizaciones. la cultura y un poco de saber para sí mismo. Montreal. “Some limitations of the Case Method: Experiences in a Management Development Program”.2. Chris. ______________ La méthode des cas et l’enseignement du management:¿pédagogie ou conditionnement? En: Revue Internationale de Gestion. Vol. Chicoutimi.3742. 1994b.).291299 74 Revista ANGRAD . 1983. _______________ Le management entre tradition et renouvellement. avril 1980. HEC.2. Capitalisme contre capitalisme. JosseyBass Publishers. Gaëtan Morin éditeur.D. the Catholic Ethic and the Spirit of Capitalism: A Quebec Experience”. 1992. del espíritu crítico y de la humildad.de rehabilitar todo lo que hemos desterrado. M. Porque. pp.8399 ALBERT. Turner. 3º édition.Omar Aktouf sean cuales fueren las modalidades concretas propuestas . • el relacional “total” en todo hecho humano. Alain. N. Referencias AKTOUF. Bédard. Barr A. 1. estamos implicados en las consecuencias de nuestras enseñanzas.9. Vol. _______________ Corporate Culture. estamos en uno de los terrenos que llevan más directamente a la acción de unas personas sobre otras y sobre sí mismas. 785 páginas. No. novembre 1984a. entre otras cosas: • el reverso necesario de la «medalla» que enseñamos. 1992. • el gusto por la reflexión y el esfuerzo intelectual. En: Academy of Management Review. En: PAUCHANT. París. In Search of Meaning.Vol.1/92. En: Organizational Symbolism. Walter de Gruyter.44-49. 7. 1994a. Jan. 1990. _______________ La méthode des cas en gestion: ¿apprentissage ou cercle vicieux? En: Revue Organisation. No.124-150. avril 1984b. Renée et Chanlat. Omar. 2006 . pp.Thierry C (ed. Université du Québec à Chicoutimi. 1991 ARGYRIS.5. ______________ Le management et son enseignement: ¿entre doctrine et science? Revue Internationale de Gestion. No. Más que en cualquier otra institución de formación. no lo olvidemos. Éditions du Seuil. pp. pp. • el sentido de lo relativo.9. Berlin. “Management.4. _______________ The Management of Excellence: Deified Executives and Depersonalized Employees”. Montréal-París-Casablamca. New York.43-53. Une approche observation participante des problèmes relationnels et organisationnels dans les rapports de travail. 710 páginas. AKTOUF. pp. éthique catholique et esprit du capitalisme: l’exemple québécois”. pp./Mar.V.53-64. San Francisco. No. pp. Omar. En: Sociologie du travail./Fev. Thèse de Ph. • el gusto por la lectura.

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Por isso. Quanto aos procedimentos metodológicos. mas sim.Centro Sócio-Econômico Campus Universitário – Trindade .102 -Trindade 88036-002– Florianópolis/SC e-mail: janaina@deps. Weber (1978) não se preocupou em definir burocracia. a pesquisa foi do Revista ANGRAD .br Maurício Fernandes Pereira Doutor em Engenharia de Produção – UFSC Prof° do Curso de Administração e do Mestrado em Administração da UFSC Diretor do Centro Sócio-Econômico da UFSC Endereço: Universidade Federal de Santa Catarina . sob o ponto de vista dos alunos da disciplina Teorias da Administração. preferiu conceituá-la por meio da enumeração de suas características. o entendimento da burocracia passa pela identificação de suas características dentro de um contínuo onde não há presença ou ausência. características da burocracia discutidas em sala de aula.ufsc.com./Mar. N.br Janaína Renata Garcia Mestranda em Engenharia de Produção – UFSC Pesquisadora do Núcleo de Estudos Estratégicos do CPGA – UFSC Endereço: Rua Lauro Linhares. 1.br Resumo O artigo tem por objetivo identificar o nível de burocratização em organizações.O Ensino da Burocracia: um Estudo de Caso Teórico-Empírico Jaqueline de Fátima Cardoso Mestre em Administração .ufsc. junto às organizações. 739 – Bl. do primeiro período do Curso de Administração da Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI. diferentes níveis de burocratização. 153/301 – Trindade 88036-090 – Florianópolis/SC e-mail: jaquelinecardoso@yahoo.V./Fev.88040-900 – Florianópolis/SC e-mail: mpereira@cse. C – ap. Tal objetivo foi proposto com o intuito de que os alunos pudessem identificar. Jan.UFSC Profª do Curso de Administração da Universidade do Vale do Itajaí Pesquisadora do Núcleo de Estudos Estratégicos do CPGA – UFSC Endereço: Rua Procópio Manoel Pires. Em seus estudos. 2006 79 . 7.

sem conotação de valor. é que o professor e sociólogo alemão Max Weber desenvolveu seus estudos. preferred to appraise it by means of the enumeration of its characteristics. não existe organização exatamente pura. its dimensions not necessarily need to be gifts in its totality. 2006 . but yes. Palavras-chave: burocracia. 80 Revista ANGRAD . of the first period of the Course of Administration of the Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI. In its studies. argued characteristics of the bureaucracy in classroom. na qual são definidas as características extremas desse fenômeno. Embora a burocracia seja um requisito para a caracterização de sistemas sociais organizados.Jaqueline de Fátima Cardoso. In the same way. education of the administration. 7. Introdução Com a expansão das indústrias. Key-Words: bureaucracy. Although the bureaucracy is a requirement for characterization of organized social systems. the presence of a characteristic not necessarily implies in the presence or absence of another one. exigindo uma nova ordem organizacional e uma nova estrutura de autoridade e poder. but yes. organizations. Visando encontrar uma maneira mais racional de organizar o trabalho. together to the organizations. Abstract The article has for objective to identify the level of bureaucratization in organizations. How much to the methodologicals procedures. Such objective was considered with the intention of that the pupils could identify. bem como analisar o comportamento dessas grandes corporações. Janaína Renata Garcia e Maurício Fernandes Pereira tipo quantitativa e de caráter descritivo. in determined dimensions with greater or minor intensity. Jan. ensino da administração. Sua contribuição foi importante para o desenvolvimento das estruturas organizacionais. N. em determinadas dimensões com maior ou menor intensidade./Fev. suas dimensões não necessariamente precisam estar presentes na sua totalidade. até mesmo em função da natureza humana. os problemas se cumularam em escalas geométricas. the research was of the quantitative type and descriptive character. Therefore. Da mesma forma. de forma que ele apareça em seu sentido puro. Weber (1978) descreveu a burocracia como um “tipo ideal”./Mar.Weber (1978) was not worried in defining bureaucracy. the agreement of the bureaucracy passes inside for the identification of its characteristics of a continuous where it does not have presence or absence. 1. under the point of view of the pupils of disciplines Theories of the Administration. Como o tipo ideal é inatingível. different levels of bureaucratization. mas sim. O tipo ideal é uma abstração. organizações. a presença de uma característica não necessariamente implica na presença ou ausência de outra.V. 1.

o Império Chinês. 2006 81 . Primeiramente como instrumento gerenciador e impulsionador das organizações. alternadamente. 1987). a burocracia assumiu um papel grandioso na sociedade. A importante obra de Weber não negligenciou as delimitações históricas. Segundo os autores. Suas dimensões tiveram grande aceitação e aplicação tanto no sistema capitalista privado quanto público. considerado por Weber como um modelo. por outro lado. Seu caráter racional contribuiu para elevar a eficiência organizacional e individual. N. que a burocracia é um fenômeno antigo. Em resumo. Motta e Pereira (1987) compactuam da importância do estudo das organizações. a burocracia nas organizações vem desde a antiguidade. vem ocorrendo desde antes de Cristo. destaca que Weber enumerou uma série de atributos. As organizações administrativas são pesquisadas em épocas muito diversas.C). Apontam. Hall (1978) explica que. entretanto. os autores que não é apenas a predominância das organizações que torna particularmente importante seu estudo. regras e rotinas. 1. O estudo da burocracia nasce numa Alemanha dominada pelo poder do Estado sobre a sociedade civil e dentro de uma crise social e política estabelecida. também. que se constitui na mais antiga das burocracias. criando uma nova sociologia. formariam a estrutura burocrática. transformando-se em um dos mais poderosos instrumentos de gestão. 7. frente aos demais. que quando presentes. o Estado Bizantino. tendo em vistas que estas são centrais no desenvolvimento da sociedade moderna. É bom ressaltar. Os autores observam que Weber não partiu do ponto zero em seus estudos sobre a burocracia. seria preciso desenvolver normas. De acordo com Motta e Pereira (1987). De um lado. de forma que os estudos da racionalidade burocrática e do capitalismo são paralelos (MOTTA E PEREIRA.C . A teoria da dominação foi o ambiente central de seus estudos./Fev. Foi dentro desse cenário que Weber delineou a burocracia e sua erudição. depois como a grande vilã de tudo que há de errado nos processos estruturais e gerenciais das empresas. nem positivista e nem marxista. Essas características proporcionaram à burocracia um papel fundamental na sociedade.O Ensino da Burocracia: um Estudo de Caso Teórico-Empírico Hall (1978) ao conceituar a burocracia.V. A situação econômica é de instabilidade. Estados Europeus organizados a partir da idade média e a Igreja Católica. Sua influência modificou e transformou ambientes desordenados em sistemas organizados e racionalmente estruturados. pouco competitiva e dominada por cartéis. destacando-se como um recurso em todas as administrações. mas sim a existência de outras razões. a burocracia ganhou espaço privilegiado de estudos a partir das décadas de 60 e 70 do século XX./Mar. contudo. Relacionados. estão o Império Romano. com destaque para o Império novo Egípcio (1580 a. as organizações têm um papel essencial na formação da personalidade do indivíduo moderno. para haver uma uniformidade das ações dentro dessas corporações. A Alemanha movia-se. proporcionando desenvolvimento com base em estruturas estáveis e rigorosas.712 a. que pudessem definir as responsabilidades. entre o irracionalismo e o objetivismo científico. as organizações e sua administração são fatores para o desenvol- Revista ANGRAD . Jan.

mas que assumiu um papel decisivo e autônomo no século XX.] uma organização ou burocracia é um sistema social racional. são as organizações. Assim. cuja autoridade é passada de uma geração para outra. 21). Isto foi resultado de seus estudos sobre os tipos de autoridade presentes em diferentes organizações sociais. A tipologia de autoridade apontada por Weber apud Etzioni (1989). baseia-se nas fontes e tipos de legitimidade empregados e. Motta e Pereira (1987) enfatizam que Max Weber não considerou a burocracia como um tipo de sistema social. Por isso. Para Motta e Pereira (1987) as organizações são indiscutivelmente o tipo de sistema social predominante das sociedades industriais. nos tipos de poder aplicados. em organizações. “[. é possível afirmar que a sociedade moderna se caracteriza pelas organizações. Em seus estudos. cada vez maiores e melhor estruturadas.este tipo de autoridade é a base da burocracia. características peculiares da burocracia discutidas em sala de aula. Portanto. (2) a autoridade carismática. Weber (1978) não se preocupou em definir burocracia. eventualmente. comercial. na sociedade moderna. em que leis e normas garantem. que dominam./Mar. denominada por Drucker (2002) de sociedade das organizações.Jaqueline de Fátima Cardoso. do primeiro período do Curso de Administração da Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI. mas como um tipo de poder ou de dominação. p. 7. Dizem os autores que. e (3) a autoridade racional-legal.V. Tal objetivo foi proposto com o intuito de que os alunos pudessem identificar. Janaína Renata Garcia e Maurício Fernandes Pereira vimento de qualquer país. sob o ponto de vista dos alunos da disciplina Teorias da Administração. Diante disso. o estudo de organizações burocráticas justifica-se pela sua importância no desenvolvimento da sociedade. o entendimento da burocracia passa pela identificação de suas características dentro de um contínuo. Jan. Antes. pequena empresa familiar de caráter agrário. mas sim. Weber (1978) identificou três tipos de autoridade legítima: (1) a autoridade tradicional. onde as características e ações do indivíduo sustentam sua autoridade. na prática. ou sistema social em que a divisão do trabalho é racionalmente realizada tendo em vista os fins visados”. clã. N. a sociedade era constituída de pequenos sistemas sociais desorganizados – família. a autoridade de um cargo a ser assumido por um indivíduo .. artesanal e. feudo. diferentes níveis de burocratização. 2006 . onde não há presença e ausência. 1. Para Motta e Pereira (1987./Fev.. 2. tribo. A organização burocrática A burocracia é uma estratégia de administração adotada desde as formações précapitalistas. não. preferiu conceituá-la por meio da enumeração de suas características. as organizações são frutos do racionalismo. 82 Revista ANGRAD . ou seja. O presente estudo tem por objetivo identificar o nível de burocratização em organizações. de forma racional. que é a crença ilimitada na razão humana.

onde pessoas se relacionam. p. Essa estrutura burocrática está presente em todos os sistemas sociais organizados. define organização como sendo “um sistema de atividades ou forças de duas ou mais pessoas conscientemente coordenadas. compõem-se de acordo com os grupos de trabalho interligados. se preocupa com o indivíduo. agindo em perfeito equilíbrio. sugerindo dessa forma uma hierarquia de autoridade e uma divisão de trabalho. Motta e Pereira (1987) evidenciam dois sentidos para organização. ordenadamente. 2006 83 . com alto grau de lealdade e atitudes favoráveis de confiança entre superiores e subordinados (LIKERT. firmemente entremeado e funcionando de forma competente. onde há uma firme subordinação de autoridades. as pessoas são ensinadas e treinadas para ocupar cargos. ligando os vários escalões hierárquicos por toda a instituição. N. diferenciando-a das demais organizações de outras entidades sociais. a organização burocrática. condições de operacionalizar seus conhecimentos. a organização é um tipo de sistema social. em busca de objetivos visados ou um sistema social. normas e leis. Na primeira concepção./Mar. elas desenvolvem culturas de crenças. não teriam individualmente.O Ensino da Burocracia: um Estudo de Caso Teórico-Empírico Ao buscar conceituar organizações. cuja divisão do trabalho é corrente e. Em um segundo sentido. acentuando o papel deste. Esse sistema. Enquanto Barnard apud Hall (1984) se preocupa com os membros do sistema. Segundo Motta e Pereira (1987). 21). Weber (1978) assevera que Revista ANGRAD . O autor. ainda. 1975). executam serviços e transformam matérias-primas em bens de consumo ou de capital. uma instituição existente. dentro de diretrizes básicas previamente estabelecidas pelas autoridades superiores. 1. as organizações transcendem a vida de seus membros. através de seus princípios. Assim. deliberada e intencional”. Uma das grandes características da burocracia é o seu sistema de cadeia hierárquica. isto é. Jan. Desse modo. são impostos. pois são os indivíduos que devem comunicar-se. destinando-se a fazer alguma coisa. embora interessados. a própria organização tem uma fronteira. Se a organização transcende. Como sistemas sociais. organização é a forma pela qual determinada coisa se estrutura. Weber apud Hall (1984) compreende a organização burocrática como um grupo empresarial que envolve um relacionamento social que ou está fechada ou limita a admissão de estranhos. 7. As organizações são sistemas sociais. atividade desempenhada através de coordenação consciente. exercer funções e desenvolver tarefas. Já Barnard apud Hall (1984. Assim sendo. Nela. Weber apud Hall (1984) enfatiza o sistema e sustenta que as organizações efetuam atividades intencionais contínuas./Fev. assim como uma estrutura burocrática claramente definida. é inclusive o modo pelo qual as organizações se ordenam.V. torna-se acessível e útil a todos aqueles que. é porque é perene no tempo e essa obrigação está no pressuposto de que ela existe porque tem uma missão e uma função a cumprir na sociedade. a burocracia é um sistema social racional. executada. valores e posições sociais ocupadas pelos indivíduos. estar motivados e tomar decisões. Acrescenta ainda Weber apud Hall (1984) que os padrões de interação não surgem simplesmente.

necessários para tornar os ambientes organizados e estruturados. A implementação desse modelo oportunizou às organizações um impulso. O fator decisivo que impulsionou o desenvolvimento da organização burocrática foi a sua superioridade técnica sobre qualquer outra forma de organização (WEBER. até então ocasionadas. teve resultados satisfatórios. Tal precisão. hierarquia de autoridade e poder. Compara-se seu mecanismo plenamente desenvolvido às outras organizações./Mar. Janaína Renata Garcia e Maurício Fernandes Pereira onde houver uma burocracia perfeitamente desenvolvida. salários e promoções baseados no mérito . os benefícios se estenderam para toda a sociedade. Destaca-se. Freund (1987) afirma que pode ser constatado cada vez mais que a sorte material 84 Revista ANGRAD . que o progresso da burocratização na própria administração estatal é um fenômeno paralelo da burocracia. a administração burocrática tornou-se a mais racional do ponto de vista técnico. complementa o autor. proporcionando desenvolvimento e prosperidade. até agora. 282). a burocracia passa a aplicar nas organizações elementos importantes de gestão tais como: divisão do trabalho. Aproveitando esse momento histórico. a hierarquia de funções é do tipo “monocrática”. Estados Unidos e Inglaterra (WEBER. transforma esse espaço em um ambiente extraordinário para a propagação de novos instrumentos gerenciais eficazes. a preocupação crescente das organizações em romper o ambiente caótico que se havia instalado em suas bases. controle. São essas condições formais explícitas. Outro fator importante que influenciou o processo burocrático nas organizações. políticas de gerenciamento estabelecidas e a inflexível obediência dos indivíduos aos padrões técnicos e culturais da organização. Em toda parte. N. velocidade. ainda dentro dessa perspectiva. “o avanço da burocracia destruiu as estruturas de domínio que não tinham caráter racional”. ou seja. continuidade e descrição. p. 2006 . normas extensivas.V. que conseguem reduzir a desordem. Dessa forma. a burocratização é ocasionada mais pela ampliação intensiva e qualitativa e pelo desdobramento do âmbito das tarefas administrativas do que pelo seu aumento extensivo e quantitativo. Conseqüentemente. Jan. as incertezas e instabilidades. na medida em que organizou os sistemas e gerou riqueza. da mesma forma como a máquina pode ser comparada aos modos não mecânicos de produção. 1. proporcionado pela expansão e o aumento de suas estruturas. foi a necessidade de se criar verdadeiros exércitos permanentes de pessoas. que exigia dos negócios capacidade técnica. 1974). O alcance dessas exigências fica facilitado devido à burocracia ter uma configuração estrutural rígida. a subordinação a um único chefe. tornou-se efetivamente imprescindível ao crescente aumento da economia de mercado. Segundo Motta e Pereira (1987). 7.Jaqueline de Fátima Cardoso. Destaca Weber (1974) que. cujas características podem ser reconhecidas e avaliadas por todos. tornando-se simplesmente indispensável para a administração de massa. determinada pela política de poder e pelo desenvolvimento das finanças públicas. devido a sua variação. Segundo Weber (1974. 1974). a burocracia./Fev. como se torna evidente em países como a França.

não está relacionada com a pessoa. estipulando quais são os deveres e direitos e qual é o comportamento esperado dos participantes do sistema organizacional. todavia. A hierarquia de autoridade contempla aos ocupantes certos privilégios e obrigações devidamente definidas por normas e leis. a oficialização e a institucionalização do poder constituído.O Ensino da Burocracia: um Estudo de Caso Teórico-Empírico das massas depende fundamentalmente do funcionamento constante e correto das organizações burocráticas. 1. que definem quais são os direitos e deveres e o que deve ou não ser aplicado como sanções. mas sim com autoridade do cargo no qual está investida. ETZIONI. As normas e regulamentos são as bases que sustentam e ostentam o poder da autoridade burocrática. são distribuídos de acordo com o princípio hierárquico. As normas dominantes são conceitos de dever estrito sem atenção para as considerações pessoais. portanto. O poder é a capacidade de aceitação de ordens e. uma forma de relação de poder se estabelece de modo praticamente inabalável. porém. Weber (1978) defende em seus estudos que. Assim. Essa prescrição de atribuições da autoridade serve para diminuir os atritos pessoais bem como garante ao funcionário a proteção necessária das atitudes despóticas dos seus superiores (FREUND. na burocracia. dentro do contexto burocrático. A obediência. A burocracia estabelece que a autoridade é responsável pela obediência e o cumprimento às ordens e comandos. dentro de uma estrutura protetora. numa relação em que a autoridade está claramente definida pelos papéis estabelecidos dentro das organizações formais (MOTTA E VASCONCELOS. dentro de uma determinada área de competência. Os cargos. onde a burocratização da administração foi implementada. 1989). o exercício de controle da autoridade está baseado no saber. através do conhecimento prático adquirido no serviço. como instrumento de socialização das relações de poder. predomina na dominação burocrática um espírito de impessoalidade formalista. devido ao caráter racional da burocracia. cabe ao cargo a obediência e não a alguém individualmente. 2002. Revista ANGRAD . todos na mesma situação de fato./Fev. portanto. 7. Assim como o relacionamento. existe poder existindo e. O poder da autoridade se manifesta nos cargos ocupados pelas pessoas. Apesar de todo esse poder. De acordo com Weber (1974). Todos estão sujeitos a tratamento formalmente igual. a forma como as pessoas se comportam dentro da organização está subordinada às normas e regulamentos racionais. bem como o tipo de poder que será exercido sobre as pessoas. 1987). faz com que os detentores do poder se tornem ainda mais poderosos. 2006 85 . sem ódio ou paixões e. KWASNICKA. Jan. A autoridade representa. Na burocracia. de forma que a autoridade se estabelece dentro das faixas de cada chefia. uma complementaridade entre ambos (MOTTA E VASCONCELOS. 1989.V./Mar. onde ao superior cabe dar as ordens e estas devem ser obedecidas. 2002). N. Onde existe autoridade. isto é. sem afeição ou entusiasmo. a burocracia foi e é um instrumento de poder de primeira ordem.

o exemplo típico de poder é o domínio legal. Dentro dessa perspectiva dominante. claro que em uma graduação diferente da sua forma pura. que se cria a partir das crenças e valores dos seus membros. 1978). a estrutura informal. Motta e Vasconcellos (2002) consideram as dimensões burocráticas dentro de algumas características básicas. Para atingir esse objetivo. Janaína Renata Garcia e Maurício Fernandes Pereira Na atividade burocrática habitual. Essas atitudes tornam possível a coordenação e garantem a uniformidade e continuidade das atividades. que estimula as tendências para a aceitação rígida de regras e regulamentos como valores independentes. autoridade legal. garantindo. a proposta de Weber objetiva tirar das organizações. Divisão do trabalho: é um instrumento que possibilita a sistemática especialização de alto grau. 3. Características da burocracia As principais características da burocracia do “tipo ideal” preconizada por Weber (1978) são: disciplina. Exerce determinadas influências sobre as personalidades de seus membros. onde as pessoas são submetidas a rígidos controles de obediência e formalismo. Para os autores. 2. o mais racional e conhecido meio de exercer dominação sobre os seres humanos. conforme pode-se observar na seqüência. cuja gestão não está preocupada com a realidade e a eficiência. a eficiência da organização./Mar. 86 Revista ANGRAD . As características consideradas como instrumentos de maior eficiência são as seguintes: 1. formalmente. estabilidade. Impossibilitam. não importando se há rotatividade das pessoas nas funções burocráticas ou não. Para uma maior compreensão do modelo burocrático de gestão. Sistemas de normas: são regras gerais escritas. especialização das funções. assim. a tomada de decisões arbitrárias e autoritárias. 2006 . também. rigor disciplinar e confiança (WEBER.Jaqueline de Fátima Cardoso. determinando os procedimentos formais. a burocracia é capaz de atingir um alto grau de eficiência e. definindo como a organização deve funcionar. Merton apud Etzioni (1989) observa que o poder burocrático vai mais longe. é. o modelo burocrático precisa especificar claramente as suas características básicas em detalhes. Jan.V. 7. o caráter dominador tradicional e carismático. N. já que Weber não considerou./Fev. carreira vertical e formalização. Este tipo é superior a qualquer outro em precisão. nesse modelo. O poder como instrumento de gerenciamento da autoridade burocrática define e especifica os interesses da organização. nesse sentido. Ao analisar o “tipo ideal” de burocracia é possível perceber que a grande maioria das características anteriormente apresentadas está presente nas organizações de hoje. determina o emprego de pessoas tecnicamente qualificadas. sendo as bases da burocracia as suas próprias características. hierarquia. impondo aos subordinados a forma como devem ser realizadas as tarefas para o alcance dos objetivos traçados. 1. tendo como base Weber.

Na burocracia. dentro das quais suas atividades são executadas. de modo que o seu formalismo é indispensável. O administrador é selecionado pela sua capacidade técnica. 2006 87 . 6. 5. Formalização dos procedimentos: a burocracia estabelece que as regras e normas técnicas sejam fixadas para cada cargo./Mar. Os meios de produção não pertencem ao burocrata (administrador). É regulado por regras e leis. Cada conjunto de ações tem suas relações funcionais ligadas aos objetivos da organização. qualificado para o cargo. 1. não há lugar para sentimentos. racional e competentemente. O administrador burocrático é imparcial e objetivo e tem como missão cumprir as obrigações de seu cargo e contribuir no alcance dos objetivos organizacionais. 9. N. demonstrações de simpatia e antipatia. gratidão. A escolha segue padrões técnicos e não preferências pessoais. Formalismo das comunicações: a burocracia é uma organização ligada à comunicação. Jan. de modo que a disciplina e as decisões não sofram interferência alheia à racionalidade no alcance dos objetivos da organização. sem ódio ou paixão. a organização em busca dos resultados traçados. O ocupante do cargo está sujeito às imposições da burocracia. de forma que as comunicações sejam interpretadas univocamente. indo do topo à base da pirâmide. Hierarquia da autoridade: objetiva proporcionar uma estrutura hierárquica na organização. sem qualquer interferência ou preferências emocionais. considerando apenas a competência. recebe um salário e pode ser demitido. donde o comando e a responsabilidade estão claramente estruturados e dimensionados. 7. São critérios de caráter universal. não podendo agir de forma independente. Especialização da administração: há uma separação entre o dono do capital e o dirigente. A obediência é ao cargo. de forma que a transparência e a promoção de pessoal é determinada por critérios iguais para todos. estão acima deste. os participantes são profissionais pelos seguintes motivos: (1) cada funcionário é um especialista no Revista ANGRAD . Sua função é gerir. a capacidade e o mérito do funcionário. Esse procedimento objetiva adequar a documentação./Fev. Profissionalização do participante: na organização burocrática. Quem administra a organização é um profissional. favoritismo. em seu estado puro. O caráter impessoal da burocracia é claramente definido por Weber quando ele afirma que esta segue o princípio administrativo. 7. Tudo é regido pela obediência à autoridade superior. Todos são tratados igualmente. 4. não à pessoa.O Ensino da Burocracia: um Estudo de Caso Teórico-Empírico 3.V. Seleção e promoção de pessoal: a seleção para admissão do funcionário é baseada no mérito técnico. Essa padronização possibilita avaliar adequadamente o desempenho de cada um dos participantes. As pessoas executam suas atribuições dentro de um sistema de controle escalar. 8. Impessoalidade: são relações que se caracterizam pela individualidade. seguindo um padrão previamente definido e estabelecido pelas normas técnicas.

A burocracia é a forma mais eficiente de organização administrativa. mas porque é a sua principal atividade. todas as ações e reações do comportamento humano na organização devem ser previsíveis. mas porque não existe uma norma ou regra que determine a permanência do indivíduo no cargo ou função.Jaqueline de Fátima Cardoso. através de um plano de carreira. além de proteger o indivíduo do constrangimento provocado por amizades. Os participantes são separados por categoria de forma que haja um perfeito controle. para que seja possível a obtenção da máxima eficiência possível. não porque seja vitalício. na medida que sobe ao topo da organização.V. (4) seu tempo de permanência na organização é indefinido. 2006 . A divisão por classe permite administrar a organização sem que seja preciso estar tomando decisões a cada instante. Não há a menor preocupação com o comportamento individual das pessoas. socialmente. (5) o funcionário é recompensado dentro da organização por uma sistemática de promoções. Previsibilidade do funcionamento: todos os funcionários devem comportar-se dentro das normas e regulamentos determinados pela organização. não havendo tratamento diferenciado. N. segundo Motta e Vasconcelos (2002). aceita que promove e facilita a racionalidade e a constância na consecução dos objetivos. O tratamento formal e impessoal é indispensável para desviar-se do perigo da discriminação e do favoritismo. 1. Janaína Renata Garcia e Maurício Fernandes Pereira seu cargo. tecnicamente. 88 Revista ANGRAD . a preocupação apenas com o sistema estrutural da organização e o seu conjunto de cargos e funções. ele não o ocupa por vaidade ou honraria. 7. o caráter de previsibilidade do comportamento de seus membros. daí. quando o momento exige uma tomada de decisão impessoal. corretas. já que seria muito custoso e complicado estabelecer um tratamento individualizado. gradativamente vai se tornando um generalista. 10. um comportamento disciplinado das pessoas. já que estabelece oportunidades e cria condições para tomada de decisões. também. A visão burocrática é de padronização./Fev. exercendo o poder de dominação sobre as pessoas através das regras e dos regulamentos. tendo em vista que as ações são definidas por leis e a coordenação é feita por uma hierarquia de autoridades. Esse modelo de organização. estabelece decisões racionais e alcança desempenho operacionalmente eficiente. Dessa forma. (3) é um profissional selecionado e escolhido por competência e capacidade. com base na competência técnica e capacidade. Tudo na burocracia é fixado de forma racional no sentido de prever antecipadamente as reações humanas./Mar. Possibilita. evidencia-se claramente nas dimensões burocráticas. e (6) o participante não é o dono dos meios de produção. Perrow (1972) salienta a importância desse contexto dimensional e diz que o modelo burocrático é uma organização controladora das influências externas ao ambiente de trabalho. Jan. Ainda para os mesmos autores. (2) o funcionário é um ocupante do cargo.

caracterizada a organização como um conjunto de indivíduos mobilizados. “a organização pode ser o arranjo e a obtenção de pessoal para facilitar a realização de algum objetivo de comum acordo. conduzidos por posições hierárquicas que comandam as relações entre pessoas. ao ocupante do cargo e não à pessoa. em forma de grupos especializados. por sua vez. nas organizações. que. também. o poder racional legal e que por sua vez as organizações são sistemas sociais racionais. a ponto de estas passarem a ser totalmente dominadas por eles. b) a administração burocrática é executada de forma impessoal. constituindo a sua forma. objetivos e políticas a serem implementados ou desenvolvidos. na produção de bens e serviços. conjunta e uniforme em todo o complexo empresarial. Assim sendo. também. Revista ANGRAD . coordenados e controlados que. Assim. pode-se concluir que as organizações burocráticas são relacionadas por uma reunião de congruências sociais estáveis. no sentido de alcançar objetivos comuns. são limitados pela organização.V. capaz de alcançar os fins a que se propõe. 1. d) o crescente controle. onde os indivíduos.O Ensino da Burocracia: um Estudo de Caso Teórico-Empírico Enfatizam Motta e Pereira (1987) que a burocracia tem como fonte de legitimidade. os grupos de trabalho em operação desenvolvem profissionalmente seus papéis. como assinala Selznick apud Etzioni (1973. 30). 7. Jan. num esforço de relações pessoais. é possível expressar de modo simplificado algumas de suas características básicas que manifestam esta qualidade racional: a) o caráter formalista da burocracia exprime-se no fato de que a subordinação está submetida ao poder da autoridade superior. por meio da distribuição de funções e responsabilidades”. acentuam-se cada vez mais. A burocracia produz ambiente organizacional. isto é. em que a rígida normatização das atividades faz as pessoas agirem de maneira integrada. que. desempenham variadas funções. é necessário que as organizações sejam administradas por homens especializados. Observa-se. São regidos por um conjunto de regras e regulamentos. buscam encontrar o melhor meio de atingir suas metas e objetivos. atender às necessidades dos seus componentes e da sociedade. organizados em departamentos./Mar. N. c) por serem as burocracias estruturas sociais de grandes dimensões. sem consideração ao elemento humano. o prestígio e o poder que os administradores profissionais exercem sobre as burocracias. 2006 89 ./Fev. p. devidamente documentados. Ou ainda. São sistemas sociais. As organizações burocráticas são sistemas que se caracterizam pela divisão do trabalho em níveis hierárquicos e tendo como atribuição. Pode ser.

foram escolhidas seis. sistema de normas. cabendo ao aluno indicar o nível de burocratização – de 1 a 5. A amostra foi por conveniência.V. 1. Prestadoras de serviços como bancos. Sob o ponto de vista dos alunos. a saber: divisão do trabalho. segundo a freqüência da citação e importância teórica./Fev. confecções. no sentido de que estavam testando na prática os conhecimentos adquiridos em sala de aula. foi solicitado aos alunos um estudo de campo a fim de que observassem na prática os conceitos relativos ao assunto. a partir disso. não. A escolha destas características foi baseada nos estudos de Hall (1978) onde o autor examina as bases do modelo burocrático – as dimensões organizacionais que são caracteristicamente citadas como atributos burocráticos.Jaqueline de Fátima Cardoso. tendo em vista que os alunos tiveram a liberdade de escolher em qual organização fariam a coleta de dados. na disciplina Teorias da Administração I. também. e serviço público. distribuidora de autopeças. de calçados e de eletrodomésticos. sendo 1 para maior escassez de burocracia e 5 para maior excesso. descritiva. circuitos eletrônicos. foi estabelecida uma escala de 1 a 5. Portanto. 90 Revista ANGRAD . mediante justificativa da indicação. higiene. Dentre as características pertinentes à Burocracia. esquadrias de alumínio. A pesquisa foi do tipo quantitativa. informática. uma condição que esteja presente ou ausente. 2006 . argamassa. Foram pesquisadas 41 organizações compreendendo tanto empresas de produtos tangíveis (indústria) como prestadoras de serviços. 7. imobiliária. cujo conteúdo refere-se ao estudo da Teoria Geral da Administração. N. transportadoras. cerâmicas. Procedimentos metodológicos O presente artigo teve como base um trabalho desenvolvido com os alunos do 1° período do Curso de Administração da Universidade doVale do Itajaí – UNIVALI – Campus Tijucas. móveis. porque utiliza referencial estatístico para análise e interpretação dos dados e. supermercados. Jan./Mar. 2003) O instrumento de coleta de dados utilizado foi um questionário composto pelas seis características escolhidas. Em tal estudo. foram objetos de pesquisa as características ou dimensões da Burocracia. tais como: mineradoras. comércio de confecções. hospital. projetos de construção civil. O processo de amostragem utilizado foi não probabilístico. escolheu seis. esta pesquisa pode ser considerada exploratória. sob a orientação da professora. (COOPER E SCHINDLER. hierarquia de autoridade. As atividades destas organizações são muito variadas. calçados. Janaína Renata Garcia e Maurício Fernandes Pereira 4. Hall (1978) verificou alguns autores que estudaram as diversas dimensões da burocracia e. formalização dos procedimentos. impessoalidade. e seleção e promoção de pessoal. No estudo de campo. contabilidade. Após discutir assuntos pertinentes à Burocracia. Hall (1978) destaca que a burocracia é uma condição que existe ao longo de um contínuo e.

Maior excesso Total Freqüência 0 4 11 21 5 41 Percentual 0 9.a freqüência apresenta-se distribuída conforme demonstram as Tabelas 2. 3./Mar.0 a 3.8 26.0 a 2.0 Freqüência 1 5 29 6 Fonte: Dados do estudo De acordo com as características pesquisadas – divisão do trabalho. são demonstrados os dados da pesquisa junto às organizações.0 e 1. assim como a sua análise. Descrição e análise dos dados A seguir.9 2.9 4. 5. 4. 2006 91 .V. 7. Já o baixo nível de burocratização (entre 1. Observa-se que a maioria das organizações pesquisadas (29) teve média de pontuação compreendida no intervalo de 3. Tabela 2: Divisão do Trabalho Nível de burocratização 1. 1. Jan. N. hierarquia de autoridade. A Tabela 1 apresenta freqüência com base na média da pontuação das características da burocracia pesquisadas pelos alunos.9 3./Fev. formalização dos procedimentos.O Ensino da Burocracia: um Estudo de Caso Teórico-Empírico Os trabalhos foram entregues pelos alunos à professora para avaliação.0 a 3.0 a 5.8 51.0 a 1.2 12.2 100 Fonte: Dados do estudo Revista ANGRAD . sistema de normas. Tabela 1: Distribuição de freqüência da média das características da burocracia Nível de burocratização 1. utilizando-se nessa fase.9 (nem excesso nem escassez) no nível de burocratização.Maior escassez 2.Média escassez 3.Médio excesso 5. impessoalidade e seleção e promoção de pessoal .9) foi identificado em apenas uma organização.Nem escassez nem excesso 4. o software SPSS para o tratamento dos dados. 6 e 7. 5. Em seguida. iniciou-se a análise e interpretação dos dados.

7.Maior excesso Total Freqüência 3 12 9 10 7 41 Percentual 7.0 100 Fonte: Dados do estudo 92 Revista ANGRAD .Nem escassez nem excesso 4.3 100 Fonte: Dados do estudo Tabela 4: Sistema de normas Nível de burocratização 1./Fev.Médio excesso 5. 2006 . Jan.3 29.3 29./Mar.Maior escassez 2.2 17.1 29.Maior escassez 2.5 22.Nem escassez nem excesso 4. N.3 22.Média escassez 3.Médio excesso 5.0 24.4 17. Janaína Renata Garcia e Maurício Fernandes Pereira Tabela 3: Hierarquia de autoridade Nível de burocratização 1.Nem escassez nem excesso 4.V.Média escassez 3.Jaqueline de Fátima Cardoso.Maior excesso Total Freqüência 5 7 12 8 9 41 Percentual 12.3 19.2 17.Maior excesso Total Freqüência 5 5 7 12 12 41 Percentual 12.1 29.2 12. 1.Média escassez 3.Médio excesso 5.Maior escassez 2.1 100 Fonte: Dados do estudo Tabela 5: Formalização dos procedimentos Nível de burocratização 1.

05171 0.8 100 Fonte: Dados do estudo Tabela 7: Seleção e promoção de pessoal Nível de burocratização 1.4 14.Média escassez 3. 2006 93 ./Mar.Maior excesso Total Freqüência 1 6 13 13 8 41 Percentual 2. média e desvio padrão do nível de burocratização Nível de burocratização Características da burocracia Média Sistema de normas Formalização dos procedimentos Hierarquia de autoridade Seleção e promoção de pessoal Divisão do trabalho Impessoalidade 3.82492 1.O Ensino da Burocracia: um Estudo de Caso Teórico-Empírico Tabela 6: Impessoalidade Nível de burocratização 1.Maior excesso Total Freqüência 2 4 11 13 11 41 Percentual 4. 7.6 31.V.13159 Fonte: Dados do estudo Revista ANGRAD .51 3.36239 1. Tabela 8: Características da burocracia.51 3. N.7 26.Médio excesso 5.66 3.7 19. 1.22 3.8 31.66 Desvio padrão 1.9 9. obtém-se a média e o desvio padrão do nível de burocratização das características da burocracia.Nem escassez nem excesso 4. Jan. apresentados na Tabela 8.5 100 Fonte: Dados do estudo Ao analisar as Tabelas 2 a 7.8 26.Média escassez 3.Médio excesso 5.15 3.31362 1.Maior escassez 2./Fev.Maior escassez 2.7 31.23614 1.Nem escassez nem excesso 4.

7%) pertencem à atividade industrial. na impessoalidade. 1. tem-se formalização de procedimentos e sistema de normas.47 Indústria 3. é possível dizer que. na média.63 3. Da mesma forma./Fev.05 3. ambas características sejam iguais. Com o objetivo de correlacionar os níveis de burocratização encontrados nas variáveis pesquisadas (características da burocracia). Os resultados encontrados são apresentados na Tabela 10. na seleção e promoção de pessoal. já na hierarquia de autoridade os valores estão mais distantes da média. Já as do grupo das indústrias.26 3. hierarquia de autoridade. N. ou seja. quanto maior seu valor mais distante os valores se encontram da média. a seleção e promoção de pessoal e a hierarquia de autoridade apresentam essa diferença: o desvio padrão mostra que.Jaqueline de Fátima Cardoso. nas organizações do grupo de prestadoras de serviços. juntamente com a impessoalidade. sistema de normas e impessoalidade. A Tabela 9 relaciona o tipo de atividade das organizações com a média do nível de burocratização encontrado. 2006 .95 3. os valores estão menos dispersos em relação à média. Analisando o desvio padrão encontrado. o nível de burocratização é superior em divisão do trabalho. 7.54 Fonte: Dados do estudo Conforme ilustra a Tabela 9./Mar. na divisão do trabalho.41 3. Tabela 9: Características da burocracia em relação ao tipo de atividade Características da burocracia Divisão do trabalho Hierarquia de autoridade Sistema de normas Formalização dos procedimentos Impessoalidade Seleção e promoção de pessoal Serviço 3. embora.04 3. Janaína Renata Garcia e Maurício Fernandes Pereira De acordo com a Tabela 8. A hierarquia de autoridade e seleção e promoção de pessoal aparecem logo atrás. estão mais dispersos da média.68 3. na média.3%) são prestadoras de serviços e 22 (53.64 3. com base no Coeficiente de Correlação Linear de Pearson. os valores do conjunto de dados encontram-se mais próximos da média e. Das 41 organizações pesquisadas. 94 Revista ANGRAD .V. a divisão do trabalho.41 3. fez-se a correlação entre tais variáveis. O desvio padrão mostra a dispersão do conjunto de valores em relação à média.36 3. destacam-se apenas em sistema de normas e formalização de procedimentos. são características com maior graus de burocratização. Com menor grau de burocratização. existe maior uniformidade dos valores. 19 (46. Jan.

valores pequenos de X tendem a estar relacionados com valores pequenos de Y. as correlações foram positivas e fracas (9 casos). assim. já a correlação negativa fraca ficou pouco evidente (2 casos)./Fev./Mar. N.266 0.269 0.271 Correlação das variáveis Ausência Ausência Ausência Ausência Negativa fraca Negativa fraca Positiva fraca Positiva fraca Positiva fraca Positiva fraca Positiva fraca Positiva fraca Positiva fraca Positiva fraca Positiva fraca Fonte: Dados do estudo 6.026 -0. enquanto que valores grandes de X tendem a estar relacionados com valores pequenos de Y. Diante disso.159 0.006 0. O nível de burocratização.V. Jan. 7. as variáveis estão positivamente correlacionadas quando caminham num mesmo sentido. analisando a Tabela 10. também. as variáveis estão negativamente correlacionadas quando caminham em sentidos opostos e.O Ensino da Burocracia: um Estudo de Caso Teórico-Empírico De acordo com Barbetta (1999).132 0.119 0.120 0.Verificou-se. Por outro lado.068 0. o que corrobora Revista ANGRAD . Tabela 10: Correlação das variáveis com base no Coeficiente de Correlação de Pearson Variáveis correlacionadas Divisão trabalho X Sistema normas Divisão trabalho X Formalização Divisão trabalho X Impessoalidade Impessoalidade X Seleção pessoal Hierarquia X Seleção pessoal Sistema normas X Seleção pessoal Sistema normas X Formalização Formalização X Impessoalidade Divisão trabalho X Seleção pessoal Hierarquia X Impessoalidade Hierarquia X Formalização Formalização X Seleção pessoal Hierarquia X Sistema normas Sistema normas X Impessoalidade Divisão trabalho X Hierarquia Coeficiente de Pearson (r) 0. 2006 95 . parece não ser nem escasso e nem em excesso. na maioria.118 0.213 0. ou seja.046 -0. observa-se que.242 0.170 -0. enquanto valores grandes de X tendem a estar relacionados com valores grandes de Y. Considerações finais Os resultados desta pesquisa refletem a compreensão dos alunos pesquisadores a cerca dos conteúdos relativos à Burocracia. que a ausência de correlação ocorreu em 4 casos. na maioria das organizações pesquisadas. valores pequenos de X tendem a estar relacionados com valores grandes deY. 1.

há maior uniformidade no nível de burocratização relacionados a essas características nas organizações pesquisadas. sistema de normas e impessoalidade. Sendo assim. na pesquisa. posto que a seleção e promoção de pessoal está negativamente correlacionada com o sistema de normas. com base na burocracia. da mesma forma acontece com a seleção e promoção de pessoal e hierarquia de autoridade. Janaína Renata Garcia e Maurício Fernandes Pereira com Hall (1978) no sentido de que as organizações existem ao longo de uma série de contínuos e dimensões da burocracia. além do que sua correlação. as prestadoras de serviços demonstraram maior nível de burocratização em divisão do trabalho. No que se refere à correlação positiva fraca. entretanto. Ao contrário das organizações industriais que se apresentaram mais burocratizadas. A seleção e promoção de pessoal devem ser tratadas./Fev. o que significa dizer que. N. destacar que houve ausência de correlação. em sistema de normas e formalização de procedimentos. quando se tem valores mais próximos da média. de forma a considerar normas para contratar e promover as pessoas na organização com base na meritocracia.V. na seleção e promoção de pessoal. a hierarquia se destaca entre as variáveis. 96 Revista ANGRAD . não implica necessariamente em sistema de normas. verificou-se uma contradição. formalização dos procedimentos e impessoalidade. o que significa dizer que essas organizações estão próximas de um modelo burocrático. 1. pode-se considerar que a divisão do trabalho e impessoalidade possuem médias semelhantes. apesar do trabalho ser dividido. Analisando as características da burocracia não foi encontrada nenhuma correlação forte e moderada entre as variáveis. 2006 . é a mais alta. ambos aparecem correlacionados positivamente em maior número.Jaqueline de Fátima Cardoso. dentre as positivas fraca. É relevante apontar a influência do sistema de normas e da impessoalidade./Mar. apenas. porém. ressaltando que os resultados desta pesquisa podem mostrar aos alunos a realidade das organizações. Na correlação negativa fraca. correlação negativa fraca e positiva fraca. o nível de hierarquia influencia positivamente o nível de burocratização de outras variáveis. o que sugere ser a divisão do trabalho algo bastante utilizado nas organizações independente da existência das demais características da burocracia. Em relação à ausência de correlação. Ao analisar a média e o desvio padrão do nível de burocratização das características da burocracia. são mais próximos da média. as características podem estar presentes nas organizações isoladamente uma das outras. observa-se que a variável divisão do trabalho aparece em três dos quatro casos. 7. cabe destacar a importância do ensino e da pesquisa caminharem juntos na formação acadêmica do aluno. É relevante. ou seja. fixando o conteúdo discutido na disciplina. Diante disso. Jan. cabe destacar que a presença de determinada característica não necessariamente influencia a existência ou ausência de outra. Apesar de as organizações industriais teoricamente necessitarem de um maior nível de burocracia. ou seja. na divisão do trabalho os valores ficam mais próximos da média. em que os valores. hierarquia de autoridade. Isso significa que.

Organizações modernas. O conceito de burocracia: uma contribuição empírica. Métodos de pesquisa em administração. Edmundo. 7./Mar. Max. Rio de Janeiro: Zahar. HALL. 1978. 1987. Gouveia de. 3ª ed. Charles B. In: CAMPOS. Revista ANGRAD ./Fev. 1987. VASCONCELOS. 7ªed. Prestes. São Paulo: Brasiliense. FREUND. 7. Rio de Janeiro: Forense-Universitária. ETZIONI. COOPER. Os fundamentos da organização burocrática: uma construção do tipo ideal. 1975. 2003. 1. Pedro Alberto.O Ensino da Burocracia: um Estudo de Caso Teórico-Empírico Embora a burocracia seja um requisito para a caracterização de sistemas sociais organizados. Julien. São Paulo: Pioneira Thomson. PEREIRA. 2002. KWASNICKA. São Paulo: Pioneira. 7ª ed. 1999. MOTTA. Ensaios de sociologia. N. Edmundo. mas sim. Sociedade pós-capitalista. Teoria geral da administração. São Paulo: Atlas. 1972. 3ª ed. Da mesma forma. Introdução à organização burocrática. Estatística aplicada às Ciências Sociais. Donald R. MOTTA. 4ª ed. Sociologia da burocracia. Florianópolis: Editora da UFSC. Rensis. PERROW. 1978. WEBER. Novos padrões de administração. São Paulo: Atlas. Sociologia da burocracia. Prestes. Fernando C. Luiz C. 2002. São Paulo: Pioneira. Referências BARBETTA. In: CAMPOS. 1984. Richard. SCHINDLER. LIKERT. Pamela S. Porto Alegre: Bookman. Rio de Janeiro: PHB. HALL. Teoria geral da administração. Rio de Janeiro: Zahar. São Paulo: Pioneira. 4ª ed. 2ª ed. Rio de Janeiro: Zahar. em determinadas dimensões com maior ou menor intensidade. 8ª ed. Richard. Organizações: estruturas e processos. DRUCKER. 1974. Sociologia de Max Weber. Análise organizacional: um enfoque sociológico. Isabela F. Eunice Lacava. 1989. Amitai. Jan.. 2006 97 . Fernando C.V. WEBER. 1989. Bresser. suas dimensões não necessariamente precisam estar presentes na sua totalidade. Peter. Max. a presença de uma característica não necessariamente implica na presença ou ausência de outra. 4ª ed.

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a qual relaciona experiência concreta e conceitualização abstrata. 516/102 30720-180 Belo Horizonte . Jan. 2006 99 .Um Ambiente Virtual para Experiências em Administração Jessé Alves Amâncio Mestre em Administração (CEPEAD/FACE/UFMG) Professor de Estratégia e consultor de empresas Endereço: Rua Jacarina. Destaca-se. 7. conceitualização abstrata.comprometendo a formação do profissional.ufmg.V. esse software é apresentado em seus aspectos estruturais e funcionais.MG e-mail: jesseamancio@yahoo.MG e-mail: elis@face. a questão da especialização funcional dos conteúdos . financeiros. a incorporação de um novo recurso didático/tecnológico para o enriquecimento do processo de ensino e aprendizagem da Administração. 1.com. buscou-se a superação desses problemas através da implementação de um software de simulação de código aberto que propicia um ambiente virtual para experiências onde fenômenos econômicos./Mar. recurso tecnológico. Palavras-chave: Experiência concreta./Fev. tem-se levantado. dentre outras. Utilizando a teoria da aprendizagem experimental de Kolb (1984). como também os distanciaria de seus ambientes de aplicação . 1121/1802 30190-002 Belo Horizonte .br Resumo No ensino da Administração. Revista ANGRAD . como contribuição deste trabalho. administrativos e sociais interagem entre si. processo de ensino e aprendizagem. N.que dificultaria a construção de uma visão global por parte do aluno.br Elis Regina de Paula Mestre em Administração (CEPEAD/FACE/UFMG) Professora de TGA e Recursos Humanos Endereço: Rua Augusto de Lima. ressaltando como suas importantes inovações as ênfases: (1) na interdependência entre os diversos fenômenos acima mencionados e (2) na participação ativa e crítica do aluno no processo. Neste artigo.

N. ressaltando a relação entre a sala de aula e o mundo real. Muitas das idéias de Dewey (1910. as aulas 100 Revista ANGRAD .2). 1. 1938) têm sido aplicadas mesmo nos programas educacionais chamados tradicionais . trabalho e desenvolvimento pessoal” (p. 2006 . Para o autor. this work tried to overcome these problems through the implementation of open source computer simulation software that creates a virtual environment. social and administrative fields. As one contribution of this work. finance. which relates concrete experience and abstract conceptualization.4). a qual reconhece como fundamental a relação entre o processo de experiência real do aluno e educação. Key-words: Concrete experience. technological resource. teaching and learning process. esse processo de aprendizagem precisa ser permeado “com a textura e o sentimento” das experiências humanas e compartilhadas através do diálogo com o outro. 1. têm-se os programas de estágios. as well. Insere sua proposta na filosofia educacional defendida por Dewey (1910. Introdução O mecanismo mais importante dos seres humanos para a adaptação ao ambiente está relacionado com seu processo de aprendizagem . o autor propõe uma teoria da aprendizagem experimental que fornece “uma estrutura para examinar a ligação crítica entre educação.V. could enlarge the distance between theory and practice – with consequences to the professional formation. In this paper. it has been raised the question of specialized contents – what could make hard the construction of an global vision. stressing as important innovations the emphasis on: (1) the interdependency the various fields cited above.focados no ensino e no professor./Mar. onde cabe ao professor expô-los e ao aluno mostrar que sabe reproduzi-los. a concepção de aprendizagem é distorcida pelo racionalismo e pelo behaviorismo.Jessé Alves Amâncio e Elis Regina de Paula Abstract In the field of business education. Segundo Kolb (1984. p. Como reação a essa distorção. Based on the Kolb (1984) theory./Fev. and (2) the active and critical participation by the students in the work with the software. 1938). Jan. Essa habilidade se manifesta na capacidade de reagir para adaptar-nos física e socialmente ao mundo como também agir criando e moldando-o. caracterizados pela transmissão de conteúdos. it is pointed out the incorporation of a new didactic and technological resource to the enrichment of the teaching and learning process in the business field.somos uma espécie que aprende. this software is presented in its structural and functional concepts. 7. que desvalorizam a experiência pessoal do aprendiz e focam no conteúdo e na matéria. abstract conceptualization. that enables experiments in the economics. Como exemplo dessas atividades.

Em todas essas atividades.Um Ambiente Virtual para Experiências em Administração em laboratórios e os trabalhos de campo. pois “as pessoas aprendem através de suas experiências” (Kolb. buscou-se principalmente em Kolb (1984) e. à descrição do simulador objeto deste trabalho. Freire (1987). os quais são apresentados no próximo tópico. no sentido de que o aprendiz está diretamente em contato com a realidade estudada. descobrir os princípios científicos neles contidos. 2006 101 . o qual descreve como a inteligência é moldada pela experiência. experimentando e construindo suas próprias conclusões. passando-se. A partir dessas abordagens teóricas sobre o processo de aprendizagem.V. Essa estratégia está de acordo com a percepção de que métodos de aprendizado que combinam estudo e trabalho. também.6). Esse processo de conflito entre a experiência e a teoria é central na dinâmica da aprendizagem e várias abordagens educacionais procuram criá-lo de várias formas. 1984. é uma possibilidade para um processo educacional mais rico e efetivo. trabalhando a experiência no processo de aprendizagem. N. tem-se o trabalho de Freire (1987). Em seguida. teoria e prática proporcionam um processo mais produtivo para o aprendizado./Mar. Jan. contribuem para o processo de aprendizado em razão da tensão dialética e conflito entre as experiências e sua análise conceitual. permitindo que o aprendizado se tornasse individualizado e concreto. em Dewey (1910. p. Os alunos se tornaram cientistas. Lewin (1951). Essas experiências concretas. Essa metodologia de ensino permitiu libertar o aluno da imposição da memorização. o qual propicia um ambiente virtual para experiências em Administração. tais como exercício estruturado. Kolb (1984) diz que os conceitos de aprendizagem pela experiência de Dewey (1938) e Lewin (1951) representam desafios externos ao racionalismo e behaviorismo mencionados anteriormente. em um ambiente potencialmente mais motivador (Kolb. mas o resultado de interações entre a pessoa e seu ambiente. Suas pesquisas propiciaram o desenvolvimento de processos educacionais nos quais se procura por meio de objetos concretos e experiências pessoais. Corroborando esta concepção. 1. 1938). simulações. Vygotsky (1999)./Fev. conceitos de aprendizagem fundamentados na experiência do aluno.através do diálogo entre iguais. explorando. 1984). segundo Lewin (1951). buscando induzir o questionamento e a compreensão. o aprendizado é feito através da experiência. são feitas considerações sobre simuladores e seus usos. Ainda nessa linha. No último tópico. Para tanto. tem-se o trabalho de Piaget (2002). buscou-se descrever o software (programa de computador) de simulação para a aprendizagem da Administração. jogos e observações. o qual defende que o sistema educacional é uma agência de controle social opressiva e conservadora. pela dialética entre assimilação conceitual da experiência e a acomodação conceitual dessa experiência. argumentando que a valorização da experiência pessoal do aluno . a partir dos conceitos de aprendizagem e das Revista ANGRAD . desenvolvido pelos autores. casos. 7. então. Piaget (2002) salienta que a inteligência não é uma característica interna inata de um indivíduo.

chegando a dizer que qualquer experiência que não viole expectativas não merece ser chamada experiência. não. (4) teste das implicações dos conceitos em novas situações.Jessé Alves Amâncio e Elis Regina de Paula características do simulador apresentado. a conformação sem reflexão do indivíduo ao ambiente. não um produto. que as rupturas que essas violações causam são 102 Revista ANGRAD . 1. busca integrar experiência. é nesse intervalo que o aprendizado ocorre. Dewey (1910. 7. ocorrendo em sucessivas etapas. O processo de aprendizagem pela experiência O processo de aprendizagem pela experiência enfatiza duas proposições básicas: (1) o relacionamento entre a aprendizagem. Segundo Kolb (1984).V. manipulação e recuperação de símbolos abstratos como. ou seja. o mesmo pode ser pensado como uma espiral e. percepção. as experiências concretas são a base das observações e reflexões. a partir dos trabalhos de autores como Lewin (1951). 2. e (2) o papel central da experiência no processo de aprendizagem. não é uma terceira alternativa. 1938). consciência e comportamento. Como o processo é caracterizado pela interação e transformação. Estas proposições diferenciam a teoria da aprendizagem pela experiência da teoria racionalista que enfatiza a aquisição. Essas implicações ou hipóteses servem como guias para a criação de novas experiências. Esse princípio da experiência continuada significa que toda experiência toma algo do que foi vivido e deixa algo que vai influenciar o que vem depois. ainda. A aprendizagem pela experiência. N. Acrescenta. tem-se a imitação. Jan. todavia. Essas observações são assimiladas em uma teoria da qual novas implicações para ações podem ser deduzidas. são feitas algumas considerações para a utilização efetiva do mesmo no processo de ensino-aprendizagem. a aprendizagem é concebida como um ciclo de quatro estágios: (1) experiências concretas. cada uma contribuindo para novos e mais elevados estágios de consciência. Essa interação mútua entre o processo de acomodação de conceitos ou esquemas para a experiência no mundo e o processo de assimilação de eventos e experiências do mundo em conceitos e esquemas é para Piaget (2002) a chave para o aprendizado./Fev. um círculo. Aprender é um processo. O processo de crescimento consciente do concreto para o abstrato e do ativo para o reflexivo é baseado nessa contínua interação entre assimilação e acomodação. tem-se a imposição de conceitos e imagens sem consideração com a realidade. O aprendizado ou a adaptação inteligente é o resultado de uma tensão balanceada entre esses dois processos. (2) observações e reflexões./Mar. também. 2006 . O autor alega que. mas. a diferencia das teorias de aprendizado behavioristas que não destacam o papel da consciência e da experiência subjetiva nesse processo. Quando a assimilação predomina. se o processo de acomodação dominar. Piaget (2002). Para o autor. através de uma perspectiva holística. Vygotsky (1999) e Freire (1987). No trabalho de Lewin (1951). o trabalho e as outras atividades da vida. (3) formação de conceitos abstratos e generalizações.

1. Figura 1 . produzindo uma mudança no indivíduo. No processo de aprendizagem. criam conceitos que integram suas observações em teorias (CA). uma tensão e um processo repleto de conflitos adquiridos através de quatro fases: (1) experiências concretas . Jan. o indivíduo se movimenta entre o ator para o observador e do envolvimento especifico para a análise geral. Em outras palavras. aprender é re-aprender sempre.OR.EC. N.Um Ambiente Virtual para Experiências em Administração magicamente reparadas. Reforçando esse argumento. O aprendizado acontece quando as pessoas se envolvem em novas experiências (EC). (4) experimentação ativa . elas são capazes de usar essas teorias para tomarem decisões e resolverem problemas (EA). contínua e ininterruptamente. pela própria natureza. (3) conceitualização abstrata . Pepper (1942) salienta que tanto o dogmatismo quanto o ceticismo absoluto são fundamentos inadequados para a criação de sistemas de conhecimentos válidos. (2) observação reflexiva .CA. conforme representado na FIG.V./Fev. refletem e observam essas experiências de várias perspectivas (OR). 2006 103 . e finalmente. 7.O processo de aprendizagem pela experiência Fonte: Adaptado de Kolb (1984) Revista ANGRAD .EA. Esse processo pode ser considerado em duas dimensões básicas: a primeira representa a experiência concreta de eventos de um lado e a conceitualização abstrata do outro e a segunda dimensão tem a experimentação ativa em um extremo e a observação reflexiva de outro./Mar. Kolb (1984) salienta que o aprendizado é. 1.

é esse processo que molda e realiza o desenvolvimento das potencialidades. entre o conhecimento pessoal e o conhecimento social. O autor afirma ainda que “a aprendizagem é um processo onde o conhecimento é criado através da transformação da experiência” (p. Kolb (1984) enfatiza que a aprendizagem pela experiência não é um conceito educacional molecular e. portanto. (2) os que enfatizam a ordem e os que enfatizam as informações./Mar. o seu fundamento principal. Segundo Kolb (1984). Por exemplo: alguns indivíduos têm facilidade para reflexão e outros para experimentação. o que para Vygotsky (1999) é a zona de desenvolvimento proximal (zone of proximal development). em termos filosóficos. na posição interacionista de Piaget (2002).Jessé Alves Amâncio e Elis Regina de Paula Sem negar a realidade da maturação biológica e das estruturas que organizam o pensamento e a ação. Spinoza e outros) quanto do empirismo (Locke. Essa teoria do conhecimento dual tem.41). 104 Revista ANGRAD . Hobbes e outros) como fundamentos epistemológicos para a aprendizagem experimental. 1./Fev. (3) aqueles que valorizam os fatos. e (4) os indivíduos que consideram mais o raciocínio e os que consideram mais a intuição. nessa zona. sentir. N. onde o conhecer somente pode acontecer problematizando as realidades naturais. Afirma que a aprendizagem pela experiência é baseada em uma teoria do conhecimento dual: no empirismo através da experiência concreta que abraça a realidade pelo processo de apreensão direta e na conceitualização abstrata racional que abraça a realidade mediante o processo de conceitualização abstrata. 1. Jan. é. imaginações e significados. sim. Essa zona é a distância entre o nível de desenvolvimento atual do indivíduo definida pela capacidade de independentemente resolver problemas e a capacidade de resolver problemas em colaboração com seus pares mais capacitados. 2006 . também. Aprender envolve o funcionamento integral do organismo: pensar. o ciclo da aprendizagem experimental representada na FIG. um conceito que descreve o processo central de adaptação do ser humano ao ambiente físico e social. 7. descrevendo as pessoas como (1) introvertidos e extrovertidos. Para Kolb (1984). que ocorre o aprendizado. a teoria da aprendizagem pela experiência foca nas transações internas e nas circunstancias externas.V. Pode-se inferir. culturais e históricas nas quais o indivíduo está imerso. Segundo Vygotsky (1999). Esse conceito. onde o conhecimento emerge de um relacionamento dialético entre apreensão e compreensão. perceber e comportar. Essa concepção tem fundamento nos tipos psicológicos de Jung (1998). está estreitamente relacionado ao que Freire (1987) denomina práxis. a qual propõe que o conhecimento pela apreensão está no mesmo nível da compreensão. mostra as limitações tanto do racionalismo (Descartes. detalhes e eventos concretos e os que valorizam as possibilidades. que o processo de aprendizagem não é idêntico para todas as pessoas e grupos sociais.

Os simuladores preditivos são caracterizados por um desenvolvimento complexo. propiciando um aprendizado com ciclos mais curtos. diagramas. que não se pode apreender em toda a sua complexidade. parcial e provisório do conhecimento de um mundo. sem quaisquer riscos. não requerendo verificações e validações. 1. O autor afirma que os simuladores podem ser classificados em três tipos: (1) preditivos.Um Ambiente Virtual para Experiências em Administração Em todas essas considerações. economia. dentro dos limites (muitas vezes bastante restritos) do espaço educacional é que se recorre. assim. 2006 105 . Os simuladores investigativos constituem-se de modelos construídos para facilitar o debate. Assim. organogramas. os quais são validados comparando suas saídas com a realidade. 7. ciências sociais e militares. A utilização de simuladores como um ambiente de experimentação A vantagem de se utilizar modelos . 1998. N.V.é que esses podem ser manipulados livremente. (2) comparativos e (3) investigativos. uma vez que a tecnologia tem se popularizado (DOYLE e BROWN. negócios. ciência da computação./Fev./Mar. ou seja.como maquetes. 2000. dentre elas: (1) facilitar uma suposta modelagem dinâmica do que se pretende estudar. até engenharia. através do qual busca-se entender melhor a realidade. imediatamente. longo e com altos custos. Seus resultados requerem uma criteriosa análise e certificação. fluxogramas. Os simuladores comparativos buscam fornecer meios para entender e resolver problemas. 2002). problemas éticos ou legais. Os simuladores de negócios têm sido utilizados nos últimos 50 anos de diferentes e variadas formas. Eles são de construção menos dispendiosa que os simuladores preditivos. na busca de um ambiente que propicie condições para a realização dessa prática. Em seu estudo. (2) obter. O objetivo principal desses simuladores é a representação fiel do mundo real. os resultados das decisões. Jan. 2001). que auxiliam investigadores a compreenderem melhor a realidade (ROBINSON. dentre outras possibilidades. mas um programa que exige a recriação dessa prática. é importante reconhecer que o aprendizado experimental não é uma série de técnicas a serem aplicadas na prática corrente. FARIA. ao uso de simuladores. (3) adquirir conhecimentos que são considerados válidos e úteis e (4) admitir o caráter aproximativo. os quais são discutidos a seguir. Robinson (2002) acrescenta que simuladores são utilizados em uma variedade de campos. A maior parte dos simuladores de negócios em uso é do tipo comparativo e investigativo. tornando-a. mapas e simuladores . os simuladores se destacam por várias razões.A fidelidade do modelo é de pequena significância por ser ele utilizado para promover a discussão de um grupo de investigadores. mais próxima da realidade. da matemática pura e ciências físicas. Faria (1998) apontou que mais de 95% das escolas filiadas a AACSB (Associação internaci- Revista ANGRAD . Dentre todos esses tipos de modelos. 3. são simuladores não validados.

Jan. 2006 . Assim. mas também questões como: (1) estudar o manual do simulador antes de iniciar a simulação. Gregoire e outros (1996) salientam que a exploração de seu potencial pode trazer contribuições tanto para os alunos quanto para os professores. o diálogo entre os alunos e o professor deve ser incentivado. a partir delas. 1. um alto envolvimento por parte do participante não corresponderia apenas ao uso do simulador. avaliações. fornecendo um ambiente dinâmico. mas mundial. apesar de haver considerável evidência de que a compreensão de conceitos gerenciais é melhorada quando simulações são utilizadas como meios pedagógicos. devido à arquitetura dos simuladores. fazendo com que o participante apenas reaja às solicitações do software. N. Wolfe e Luethge (2003) declaram que há várias razões para a expansão do uso de simuladores na área de educação em negócios. é possível que esta seja aparentemente alta mas efetivamente baixa. o que. os benefícios são uma maior interação 106 Revista ANGRAD . Ressaltando que a ligação entre desempenho no ambiente simulado e aprendizado não está demonstrada. e que se busquem fontes de informações variadas.Jessé Alves Amâncio e Elis Regina de Paula onal constituída de instituições educacionais. a estabelecerem maior número de relações entre essas informações e a contribuírem para o desenvolvimento de todo o grupo através da cooperação. Para o professor. Keys e Wolfe (1990) . EUA) e mais de 60% das empresas americanas com mais de 500 empregados usavam simuladores em seus programas de educação em negócios. sendo que o mais relevante é a possibilidade de criar um ambiente de tomada de decisões mais próximo da realidade em sala de aula. corporações e outras organizações dedicadas à promoção e ao melhoramento da educação superior em negócios com sede em Tampa. Como formas de se ter um processo de aprendizagem rico./Mar. Sobre o envolvimento dos participantes em atividades com simuladores. a buscarem novas informações. Wolfe e Luethge (2003) afirmam que. Os autores alegam ainda que outra vantagem é o maior envolvimento e participação por parte dos alunos em atividades que utilizam simuladores. segundo os autores . se estabeleçam hipóteses e se definam grupos para explorá-las./Fev. (2) compreender a lógica das operações do simulador e (3) recuperar a teoria aprendida antes da simulação para analisar as situações apresentadas e decidir as ações a serem implementadas nas situações vividas na simulação.V. 7. Falando sobre novas tecnologias na educação – onde também se podem incluir os simuladores. análises e sintaxes devem ser trabalhadas ao invés de memorização. Parker (1997) ressalta que é importante considerar os seguintes fatores: os estudantes trabalharem em problemas reais e buscar soluções em equipes. competitivo e incerto como o experimentado em muitas situações de mercado. Os alunos são estimulados a desenvolverem habilidades intelectuais.resulta em maior aproveitamento no aprendizado. Kontts e Keys (1997) e Wolfe (1997) ressaltam que esse não é um fenômeno apenas americano. questões devem ser formuladas tanto pelo professor quanto pelos alunos e que. Faria (1998).

identificando os seus pontos fortes e suas dificuldades. 1997). a dinâmica das simulações. 1997. (4) a exibição dos resultados das interações entre o ambiente e as decisões. Um ambiente virtual para experiências em Administração A maior parte dos simuladores de negócios tem a mesma estrutura básica. são descritas: as classes de dados do simulador. os cuidados que tal uso reclama (WOLFE e LUETHGE. 4. 2001./Fev. 4. Jan. N. KEYS e WOLFE. A estrutura do simulador descrito neste artigo é a apresentada na seguinte ordem: implementação. inicialmente. que o simulador distingue três tipos de usuários: (1) o administrador de um stakeholder. passa-se a descrever a arquitetura do simulador desenvolvido para o ensino da Administração.org). (2) o administrador do modelo. e (3) o administrador da instalação gerência a segurança de todo o siste- Revista ANGRAD . WOLFE. a qual pode ser resumida em quatro etapas: (1) a concepção de um modelo de um ambiente real ou hipotético no qual os vários atores interagem. administrativo e social) e. todos os stakeholders que atuam nesse ambiente. maior facilidade de rever os caminhos de aprendizagem percorridos pelo aluno.V.Um Ambiente Virtual para Experiências em Administração com os alunos em comparação com as aulas tradicionais.1998. classes de dados. A seguir. Implementação A implementação do simulador foi feita sob licença GPL (mais informações sobre esta licença em www. 1. 1990 . executá-las e exibir os resultados pode se repetir por vários períodos (FRIPP. objeto deste trabalho. e algoritmo de simulação. 1997)./Mar. sendo que o processo de tomar decisões. (2) a tomada de decisões pelos participantes da simulação. 2003). o qual define todo o ambiente de simulação (econômico. Assim. KONTTS e KEYS. Classes de dados do simulador Destaca-se. o qual tem acesso somente às informações específicas do próprio stakeholder e define ações para o mesmo com o intuito de buscar o sucesso do mesmo. as equações de simulação e as funcionalidades operacionais do mesmo.1. também. o crescimento do uso dos mesmos (FARIA. (3) o processamento pelo simulador das decisões tomadas. 7. 2002). permitindo seu uso.gnu. financeiro. evidenciado as potencialidades dos simuladores (ROBINSON. 4. o estabelecimento de um processo de pesquisa mais rico. 2006 107 . distribuição e acesso ao código fonte sem qualquer necessidade de pagamento de licença e tendo acesso completo e livre a toda informação técnica relativa ao desenvolvimento do mesmo.2.

a qual tem duas sub-classes: CONSUMO e PRODUÇÃO. As classes representadas na FIG. A FIG. as transferências de riquezas que acontecem entre os participantes destas relações. 2. Informa-se o preço da mercadoria. a classe TIPO identifica dentro de cada categoria de stakeholders características específicas como sexo.V. perfil de consumo. o valor desta mercadoria exportada ou importada para ou de fora do ambiente do modelo simulado. A classe INVESTIMENTO registra os investimentos feitos pelos stakeholders: valor do investimento. A classe STAKEHOLDER descreve as categorias de stakeholders no modelo a ser simulado através da quantidade de indivíduos (pessoas físicas e jurídicas) dessa classe. a elasticidade preço-demanda. As outras classes: SUBSTITUTO e COMPLEMENTAR representam as mercadorias substitutas e complementares. Os itens onde atuam os administradores de stakeholders e de modelo estão representados na FIG. 1. o desvio padrão da distribuição dessa riqueza e o valor médio que eles mantêm em reserva (os valores acima da reserva estão disponíveis para aplicações financeiras). Jan. prazo para pagamento. pessoas jurídicas). quem o financiou (que receberá os valores referentes às amortizações e juros)./Mar. 2006 . Relacionando diretamente com a classe MERCADORIA. Quanto à classe STAKEHOLDER. A classe RELAÇÃO SOCIAL registra as relações sociais entre os stakeholders e. idade.Jessé Alves Amâncio e Elis Regina de Paula ma. a classe CUSTO representa os custos com mão-de-obra (outros stakeholders) para fornecer a mercadoria. ou qualquer outra. 7. eventualmente. Através dessas sub-classes. A classe CONSUMO INSUMO representa as mercadorias de sua cadeia produtiva. assim qualquer alteração de preço em uma mercadoria afeta a demanda pelas mercadorias de todo modelo. N. taxa de juros.A ligação entre as classes STAKEHOLDER e MERCADORIA é feita pela classe MERCADO. 2 se relacionam através do algoritmo descrito a seguir. a riqueza média dos mesmos. 108 Revista ANGRAD . A classe CUSTOS INTERNOS registra os custos de manutenção de stakeholders (em geral. A classe MERCADORIA descreve as categorias de mercadorias no modelo a ser simulado. 2 mostra que o simulador tem duas classes fundamentais: a classe STAKEHOLDER e a classe MERCADORIA. os stakeholders se relacionam fornecendo mercadorias e transferindo riquezas. estado civil./Fev.

1./Mar.V. 2006 109 . Jan. 7. N./Fev.Um Ambiente Virtual para Experiências em Administração Figura 2 – Diagrama de classes UML Fonte: Dados do projeto Revista ANGRAD .

7. 1. Calcula recursivamente o custo de produção de cada mercadoria demanda. dentre outros./Fev. Calcula a necessidade de tomar recursos financeiros de cada stakeholder Relaciona as disponibilidades financeiras com as necessidades para cada stakeholder.3. 2006 . Calcula a disponibilidade de aplicação financeira de cada stakeholder.consumo + (ou -) transferência nas relações sociais + ganhos do trabalho + (ou -) os lucros + (ou -) os juros. N. A dinâmica das simulações O aspecto dinâmico das simulações é feito pela interação entre todos os elementos do modelo definido através das classes (onde consumidores e produtores trocam mercadorias e riqueza) e eventos que modificam essas relações (não representados na FIG. 2 por limitação de espaço). Jan. Se estiver calculando período posterior a 1. Calcula o consumo desejado por cada stakeholder dentro de sua capacidade de compra. Os eventos gerais que podem afetar todo o ambiente são definidos somente pelo administrador.Jessé Alves Amâncio e Elis Regina de Paula 4. Atualiza a riqueza de cada stakeholder a partir de sua riqueza inicial . Um recurso fundamental no simulador é a possibilidade de incluir os eventos nos modelos. mudança da taxa de juros (aumentando a riqueza dos aplicadores de recursos financeiros e diminuindo a riqueza dos tomadores). aumento ou diminuição da exportação e importação de mercadorias (aumentando ou diminuindo a riqueza de alguns stakeholders). Implementa o efeito das transferências relativas às relações sociais. Fonte: Dados do projeto 110 Revista ANGRAD . Quadro 1 – Etapas da rotina de cálculo das simulações Etapas 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Descrição Se estiver calculando o período 1. então gera séries aleatórias de riquezas para cada stakeholder. ao participante – no caso o aluno – cabe somente definir eventos particulares que afetam ao stakeholder ao qual está ligado (lembrando que em ambas situações não há controle sobre as conseqüências sobre os efeitos dos eventos). Os eventos permitem programar ações que afetam várias condições no ambiente simulado como: aumento e diminuição de preço de um produto (conseqüentemente. Implementa o efeito de cada evento preparado para o período que está sendo calculado. calculando os juros. alterando sua demanda e as demandas de seus substitutos e complementares)./Mar. então recupera a riqueza de cada stakeholder no período anterior.As etapas da rotina de cálculo estão listadas no QUADRO 1 a seguir.V.

não se tem riqueza no período anterior (t-1)./Fev. Revista ANGRAD . 2006 111 .1 Equação da riqueza dos stakeholders Equação 1 – Riqueza dos Stakeholders no período t Quadro 2 – Variáveis equação 1 Variáveis Riqueza (i.t) Entrada (i.t) Saída (i. 7. 1.Um Ambiente Virtual para Experiências em Administração As simulações ocorrem a partir da definição de um modelo (stakeholders. conforme a Equação 2. Elas expressam os diversos relacionamentos entre as diversas classes que compõem o simulador. As posições vão se alterando conforme as equações descritas no tópico seguinte.4. Para utilização didática. As equações de simulação As equações utilizadas no algoritmo descrito no QUADRO 1 são descritas a seguir. 4. o valor da riqueza no primeiro período é obtido pela distribuição aleatória feita pelo simulador. N. Assim. sugere-se entre sete e dez períodos de simulação para que a mesma não fique muito longa. que é o objetivo deste trabalho. 4.4. utilizando os campos RIQUEZA e DESVIO da classe stakeholder. Jan. mas que permita aos alunos elaborarem as correspondências entre a teoria objeto de estudo e as posições de cada stakeholder no modelo da experiência simulada. As equações são apresentadas resumidamente na forma matemática seguida da descrição das variáveis das mesmas.t) Descrição Total da riqueza do stakeholder i no período t Total de saídas do stakeholder i no período t Total de entradas do stakeholder i no período t Fonte: Dados do projeto No primeiro período (t = 1).V. mercadorias./Mar. regras de consumo e produção) aplicando-se o algoritmo descrito no QUADRO 1 em cada período de simulação.

Financeiro Social Consumo Fonte: Dados do projeto 112 Revista ANGRAD ./Fev./Mar.V. preço de mercadoria. Jan. N. limites nferiores e superiores respectivamente. Efeito de eventos que atuam no período como. Total dos valores doados devido às relações sociais. acrescido das amortizações de empréstimos operacionais.4. acrescido dos juros sobre os empréstimos operacionais pagas pelo stakeholder.2 Equação das saídas dos stakeholders (termo da Equação 1) O termo Saídas da Equação 1 é definido para cada stakeholder em cada período como: Equação 3 – Definição de saída Quadro 4 – Variáveis equação 3 Variáveis Saída (i.1) Valor Aleatório Riqueza média Desvio Descrição Riqueza do stakeholder i no período 1 Valor estatístico aleatório tendo como parâmetro uma riqueza média e um desvio Riqueza média dos stakeholders em torno da qual é gerada a aleatoriedade Desvio-padrão que determina o grau de variância dos valores aleatórios Fonte: Dados do projeto 4. 7. mudança de taxa de juros. valor de reserva de stakeholders. níveis de importação e exportação.Riqueza dos Stakeholders no período 1 Quadro 3 – Variáveis equação 2 Variáveis Riqueza (i.t) Descrição Total das saídas do stakeholder i no período t Total das amortizações de investimentos.Jessé Alves Amâncio e Elis Regina de Paula Equação 2 . 1. Total dos valores usados em consumo limitados tanto pela riqueza do stakeholder quanto por sua demanda de consumo. 2006 . acrescido dos juros sobre os investimentos.

3 Equação das entradas dos stakeholders (termo da Equação 1) O termo Entrada da Equação 1 é definido para cada stakeholder em cada período como: Equação 4 – Definição de entrada Quadro 5 – Variáveis equação 4 Variáveis Entrada (i. acrescido dos juros sobre os investimentos. Equação 5 – Definição de valor de empréstimo Revista ANGRAD . Financeiro Social Produção Fonte: Dados do projeto Os valores que entram como empréstimos no termo Financeiro da Equação 3 e Equação 4 são calculados conforme a equação a seguir. Efeito de eventos que atuam no período como. 2006 113 . Total dos valores recebidos devido às relações sociais. 7. 1./Fev.t) Descrição Total das entradas do stakeholder i no período t Total das amortizações de investimentos.4. Valor total obtido por produzir mercadorias demandadas pelo consumo. acrescido das amortizações de empréstimos operacionais. níveis de importação e exportação. mudança de taxa de juros. preço de mercadoria.Um Ambiente Virtual para Experiências em Administração 4. acrescido dos juros sobre os empréstimos operacionais recebidas pelo stakeholder./Mar. Jan. N.V. valor de reserva de stakeholders.

N. a atividade de simulação (PARKER. explorar perguntas do tipo e se. 1995).5.para o processo de aprendizagem. podem ser exportados e importados entre distintos computadores para permitir o trabalho distribuído.Jessé Alves Amâncio e Elis Regina de Paula Quadro 6 – Variáveis equação 5 Variáveis Empréstimo Descrição O valor de empréstimo em um período t É o valor da riqueza de um stakeholder i que após os cálculos de todas as transações do período excedem ao seu valor de reserva. 2006 . ambos controlados por senhas. destacam-se a complexidade de se criarem modelos da realidade a ser estudada e a facilidade de se utilizar inadequadamente . 7. evoluir de modelos mais simples a modelos mais complexos. existem também várias barreiras. 2003). não podendo ter acesso a outros e nem a informações globais do ambiente. Os autores afirmam. há dois tipos de usuários: o administrador do modelo e o administrador de um único stakeholder (tipo que será usado pelos alunos). no entanto. Considerações finais Apesar das várias possibilidades apresentadas pelo uso de simuladores e. É o valor da riqueza de um outro stakeholder j que após os cálculos de todas as transações do período falta para completar sua reserva. O resultado da aprendizagem deve ser bem integrado aos conhecimentos prévios do aprendiz e o processo de aprendizagem deve envolver várias estratégias e estar inserido em processo de monitoramento e avaliação (KINTSCH e outros. ainda.WOLFE e LUETHGE. 1998. Já o administrador de um stakeholder tem acesso somente a uma área restrita para definir as estratégias para esse stakeholder. 2003). pelo simulador descrito acima como trabalhar modelos mais realistas. Os modelos. facilitar a comunicação. Funcionalidades operacionais do simulador Em cada modelo simulado./Fev. ou seja. tanto o aluno quanto o professor podem trabalhar em qualquer computador e trocar dados entre os modelos. Jan. Aprender envolve construção ativa e intencional do significado. particularmente. a adquirir visão sistêmica (DOYLE e BROWN. Dentre as barreiras existentes. 5. 2000. 1997. 1. WOLFE e LUETHGE. que 114 Revista ANGRAD . O administrador do modelo tem acesso total ao modelo para verificar qualquer informação ou alterar qualquer dado.V. FARIA. Disponibilidade Necessidade Fonte: Dados do projeto 4./Mar.

Ressaltando que a metodologia de ensino deve ter como premissas a prevalência do projeto pedagógico.V. Neste trabalho. uma vez que a primeira versão operacional do mesmo foi disponibilizada no início de 2005. não só o uso do mesmo seria ampliado. (5) identificarem possíveis conseqüências para os diversos stakeholders de alterações no ambiente global (taxa de juros. como também o número de colaboradores – aqueles que contribuem com o desenvolvimento do software. buscou-se integrar o pensamento de Kolb (1984) sobre a necessidade de se pensar a educação em termos de experiências e conceitos no âmbito do ensino da Administração.geocities. 2006 115 . seria aumentado. (3) definirem ações para uma organização não governamental. aluno-professor e aluno-aluno.com/ jesseamancio./Mar. Revista ANGRAD . (4) definirem ações para uma instituição governamental. Por ser o software livre. (2) definirem ações para uma determinada empresa buscando seu sucesso. têm mostrado alto potencial. Como requisitos para o projeto do simulador. contribuindo dessa forma para melhor formação dos profissionais da Administração. No momento. adequação do projeto tecnológico ao projeto pedagógico. Quanto à utilização do simulador. o uso só é permitido por meio da compra de licenças de uso). 7. finanças e recursos humanos.Um Ambiente Virtual para Experiências em Administração os programas devem explorar erros como oportunidades para desenvolver a aprendizagem e diferenças individuais de interesse. Essas experiências serão objetos de novas pesquisas que procurarão avaliar o impacto do uso do simulador na aprendizagem dos alunos. O motivo desse requisito foi o entendimento de que o software aberto permitiria ampla utilização pela comunidade. resultando em um produto de alta qualidade em um tempo menor. conhecimento e habilidades. pensou-se que o mesmo deveria ser construído como um software aberto. as experiências ainda estão em fase preliminar. N. Elas têm sido de diversos tipos. um setor industrial etc) para se avaliar suas capacidades de perceberem os elementos do ambiente. Essa abordagem foi utilizada por duas razões básicas: primeiro a dificuldade de propiciar experiências concretas – do tipo e nos momentos dos temas ensinados no ensino da Administração. Jan. onde os alunos são desafiados a: (1) modelarem um ambiente específico (um ramo do comércio. utilizando-se um software para permitir a realização de experiências. o simulador está disponível livremente para qualquer interessado no endereço eletrônico www./Fev. Essas experiências. instabilidade política etc) do modelo simulado. em geral. e segundo a crescente disponibilidade de computadores no ambiente escolar. a articulação entre teoria e prática e a maximização da interação aluno-informação. onde qualquer interessado pudesse ter acesso a ele para usá-lo e modificá-lo livremente (em oposição ao software proprietário onde ao acesso a modificações é restrito e. 1. produção. todavia. criando modelos que integram conceitos de marketing.

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br .org.br angrad@angrad.org.Esta Revista Científica é uma publicação da ANGRAD (Associação Nacional dos Cursos de Graduação em Administração) www.angrad.

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