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Historial Homoíne

O documento fornece um histórico do Distrito de Homoíne em Moçambique durante os períodos colonial e pós-independência. Detalha a origem do nome Homoíne, a administração colonial portuguesa na região e a localização geográfica atual do distrito e sua vila sede.
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O documento fornece um histórico do Distrito de Homoíne em Moçambique durante os períodos colonial e pós-independência. Detalha a origem do nome Homoíne, a administração colonial portuguesa na região e a localização geográfica atual do distrito e sua vila sede.
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REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE

PROVINCIA DE INHAMBANE
GOVERNO DO DISTRITO DE HOMOÍNE

HISTORIAL DE HOMOÍNE

Por ocasião das celebrações dos 58 anos da elevação da sede do Distrito de Homoíne à
categoria de Vila, achou-se pertinente a recolha de dados históricos do período colonial
e pós-independência.
Como é óbvio, o que nestas páginas for desenvolvido não esgota e nem esgotará o
manancial histórico destes dois períodos. Sendo assim, e antecipadamente são bem-
vindas todas as pessoas de boa vontade que possam enriquecer o presente trabalho
que se pretende ser uma fonte histórica do Distrito de Homoíne e da sua vila sede.

I. Homoíne – Período Colonial


A pouca fonte escrita referente a vila de Homoíne confirma a existência dos seus
vestígios antes de 1908. Portanto, o nome”HOMOÍNE” deriva do facto de em Julho de
1907 durante o processo de ocupação efectiva colonial portuguêsa, o primeiro comando
militar português ter se estabelecido no território do então chefe das terras Homwine que
dista 7km da actual sede do Distrito.
Com a implantação da administração civil colonial portuguesa com sede em Muhovane,
dentro do território do chefe das terras “HOMWINE” os portugueses aperceberam-se
que a captação da água para a sede só poderia ser feita a partir de uma fonte distante,
cerca de 4km.
Em consequência deste facto, os colonos decidiram transferir a sede de Muhovane para
Manhica, uma zona muito próxima de uma fonte de água, hoje vulgarmente conhecida
por Xipfocopfokuanine, ora soterrada pelas cheias do ano 2000, mantendo porém o
nome de “Homwine” como o nome da nova sede.
Em 1927, os portugueses anexaram a “Homwine” algumas terras da antiga circunscrição
da Maxixe.
Em 1935 foi extinta a circunscrição de Panda, tendo o seu território sido também
anexado a “Homwine” (Homoíne), criando-se assim o Posto Administrativo de
Jacubecua –(Régulo Txacuvekua – Panda).
Com esta anexação de territórios, a circunscrição de Homwine passou a compreender
uma área de aproximadamente 10.500km²

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Com a elevação das circunscrições de Panda e Maxixe à categoria de Conselhos, a
circunscrição de “Homwine” viu a sua área reduzida a 2000km², ocupando a sua sede
aproximadamente 79km².
Em 27 de Fevereiro de 1962, foi criada a comissão municipal de Homoíne, legitimada
pela Portaria n°17.600 de 14 de Março do mesmo ano.
Através do Diploma Legislativo n°2.585, publicado no Boletim Oficial n°10-I Série, foi
fixado o dia 27 de Fevereiro como feriado Municipal de Homoíne.
Em 18 de Abril de 1964, por força da Portaria n°17.703, publicado no Boletim Oficial
n°16-I Série, foi extinta a circunscrição de Homoíne, criando-se assim o Conselho de
Homoíne e elevada a sua sede à categoria de Vila.

II. Suposta origem da palavra Homoíne (Homwine)

A palavra “HOMWINE” tem na sua suposta origem etimológica duas versões:


1ª – A versão popular, a mais credível na nossa opinião é que naquela zona criava-se
muito gado bovino daí a palavra “HOMO” (boi) + o sufixo “INE” – dentro de, no interior
de.. Assim HOMWINE significaria “terra onde há muito gado”.
Para compreender melhor a função dos sufixos INE e ENE, analisemos os seguintes
exemplos:
DHUINE – dentro de casa; MOVENE – dentro do carro; MACINWINE – na machamba;
CHITANGUENE – na cozinha; MACUTINE – na casa de banho; etc.
A irmã Maria Ludovina da Igreja Católica, no seu livro Cem anos da Igreja Católica em
Moçambique escreveu. (….) A região gozava de um clima seco e fresco, onde o se não
eram os ventos muito fortes que sopravam, de tal modo que parece ser essa a origem
do nome de Homoíne: HO (pare; cuidado; aí) + MOIA (Vento) +INE (dentro), desta feita,
Homoíne significaria (pare! cuidado! Sopram ventos fortes).
Assim, HO+MOIA+INE = HOMOIANE = HOMOINE

2
III. O Suporte da Administração Colonial Portuguesa.
Para a sua maior e melhor dominação, o regime colonial Português estava assim
estruturado:
a) Governador de Província;
b) Administradores de Distritos;
c) Chefe do Posto;
d) Régulos – (Mocumba, Bocucha, Zualo, Inhamússua, Matimbe e Maxavela)
e) Cabos – (Tsicane, Chinhenheza, Pembe, Quengue, Moculuane, Nwabonde e
Nwamukhakhati)
f) Nganacanas – (Mazaze, António, Muzimbe, Zatita, Mathavelane, Chidjacane,
Mukhogani, André Matsimbe e Nwabuvwaie) e
g) Cipaios – (Moisés Macassa, Augusto Person, Marcelino Taimo, Ernesto Samuel
e Francisco Luís).

Dos Administradores Coloniais que se tem registo, importa referenciar alguns, com base
nos nomes (alcunhas) pelos quais eram conhecidos pela população, nomeadamente:
Xicolocolo (António Nunes) – O trabalho é pesado? Querendo ou não, faça-o!
Mabecane ou Mabeca Phesula (Era cabeçudo, com cabeça inclinada para a esquerda,
o que lhe obrigava a levar algum tempo a endireitar-se).
Madala (José Dinis Peralta) – Era velho.
Mutchala-Tchala (?) – Vindo transferido de Zavala, detestava ver mulheres usando
“Tcheka” por fora.
Phata-Phata (Alfredo Duran Madeira) – Adorava dançar Phata-Phata.
Xicotelane (Paraíso Pinto) – Não gostava de ver pessoas ociosas, “a chutar latas” isto
é, a chutar Xicotela.
Muchina (?) – Era misto chinês; entre outros.
O último Administrador Colonial conhecido antes da Independência foi Ribeiro da Silva.
Os negros “assimilados” eram identificados através das cadernetas indígenas, como
ilustra o exemplo em anexo, fazendo referência de um assimilado já falecido.
NOTA: Esta resenha histórica do Distrito de Homoíne e da sua Vila Sede é apenas o
prefácio de um trabalho em curso, com vista a ser consumido pelos leitores de
diferentes quadrantes.

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IV. Localização Geográfica do Distrito de Homoíne e da Sua Vila Sede
O Distrito de Homoíne fica situado na zona Central da Província de Inhambane a Oeste
da Capital Provincial e dista cerca de 87km desta, tendo como limites, a Norte o Distrito
de Funhalouro, a Sul o Distrito de Jangamo, a Este a cidade de Maxixe, a Oeste o
Distrito de Panda e a Nordeste o de Morrumbene.
A vila sede de Homoíne situa-se a este do Distrito na Localidade Manhica, a cerca de
23km da Cidade da Maxixe, sendo limitada pelos seguintes Povoados:
Este – Marrengo;
Oeste – Daulamaze e Maxavela;
Sul – Maganda; e
Norte – Anhane e Licote.
Este tem uma superfície de cerca de 2000km², compreendendo dois Postos
Administrativos sendo:
Posto Administrativo Sede com 6 Localidades (Manhica, Chinjinguir, Golo, Mubécua,
Chizapela e Inhamússua); e
Posto Administrativo de Pembe com 2 Localidades (Nhaulane e Pembe).
Possui 94 Povoados e 4 Bairros com um total de 115.122 mil habitantes, dos quais
52.837 são homens e 62.285 são mulheres, com uma densidade populacional
aproximada de 59 hab/km2 de acordo com os dados preliminares do censo populacional
de 2017. Esta população é predominantemente Mátsua com uma mistura de Bitongas e
Machopes.

Homoíne, Abril de 2019

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