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Ciclo Brayton e Motores: Guia Completo

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19/03/2024, 19:52 E-book

MÁQUINAS TÉRMICAS
CICLO
TERMODINÂMICO:
CICLO OTTO
Autor(a): Me. Felipe Delapria Dias dos Santos

Revisor: Sarah Silveira Mendes

Tempo de leitura do conteúdo estimado em 1 hora e 03 minutos.

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Introdução
Olá, estudante! Neste material, aprofundaremos alguns conceitos
importantes a respeito do ciclo a gás do tipo Brayton. Entenderemos seu uso
no dia a dia industrial, discutiremos os equipamentos que compõem o
sistema e resolveremos alguns exercícios acerca do assunto. Nós iremos
estudar também os motores de combustão interna, discutiremos sua
classificação, aplicação, elementos constituintes e funcionamento.
Destacaremos os motores de quatro tempos com funcionamento a ciclo
Diesel e os motores de dois tempos. Para finalizar nossa apostila, iremos
estudar o Ciclo Otto. Neste momento será apresentada e discutida sua
modelagem matemática, seu funcionamento, bem como a diferença entre um
Ciclo Otto ideal e real.

Bons estudos!

Ciclo Brayton

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As turbinas a gás, diferentemente dos motores alternativos, são máquinas


rotativas. Tradicionalmente a expressão turbina a gás é empregada para
descrever o conjunto de três equipamentos: compressor, câmara de
combustão e turbina propriamente dita. Esse conjunto de dispositivos forma
um conjunto de processos cujo ciclo real pode ser simplificado para um ciclo
ideal chamado de ciclo Brayton, em homenagem ao inventor americano
George Brayton, que, em 1870, patenteou um motor à combustão alternativo
com compressão constante na injeção e retirada de calor. Seu modelo serviu
de inspiração para o desenvolvimento das turbinas a gás utilizadas hoje. Em
termos teóricos, a turbina a gás trabalha em um ciclo idealizado por Brayton.
Entretanto, em termos construtivos, a primeira patente de uma turbina a gás
foi concedida, em 1791, ao inglês John Barber.

A Figura 3.1a ilustra os principais componentes de uma turbina a gás.


Observe que, de forma real, as turbinas a gás e seus componentes trabalham
em ciclo mecânico, mas não funcionam em ciclo termodinâmico, pois o ciclo
é aberto, havendo constante renovação do fluido de trabalho. Dessa forma,
segundo Moran et al. (2013), para simplificar e possibilitar a caracterização e
o estudo desses ciclos, é comum acrescentar um trocador de calor fictício
(condensador) na saída da turbina, que teoricamente leva o ar do ciclo ideal
da saída da turbina para o interior do compressor novamente, conforme
apresenta a Figura 3.1b.

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Figura 3.1 - Ilustração (a) dos componentes de uma turbina a gás real e (b) dos
componentes de uma turbina a gás ideal
Fonte: Adaptada de Moran et al. (2013).

#PraCegoVer: a figura apresenta duas imagens, sendo a primeira (lado esquerdo)


uma turbina a gás real, e a segunda (lado direito) a gás ideal. Na turbina de gás
real é apresentado um compressor no qual ocorre a entrada de ar. O compressor
se conecta a uma câmara de combustão em que ocorre a entrada de
combustível. A câmara está conectada a uma turbina em que ocorre a saída do
trabalho. O compressor se conecta a uma turbina por meio de um eixo. Na
segunda imagem é apresentado um compressor que se conecta a um trocador
de calor (que recebe calor). O trocador de calor se conecta à turbina, que realiza a
liberação da energia. A turbina se conecta a outro trocador de calor, que faz a
remoção do calor. Esse último trocador se conecta com o compressor, fechando
o ciclo. O compressor se conecta à turbina por meio de um eixo. Em ambas as
imagens, tanto a turbina quanto o compressor são representados por trapézios.

Assim os quatro processos que o descrevem idealmente são: (1) compressão


isentrópica, (2) fornecimento de calor a pressão constante, (3) expansão
isentrópica e (4) rejeição de calor a pressão constante. Os diagramas de
Pressão vs Volume (P-v) e Temperatura vs Entropia (T- s) que descrevem esse
ciclo ideal são apresentados na Figura 3.2a e 3.2b, respectivamente. Note que
esse ciclo apresenta certa semelhança com o ciclo ideal, sendo que a
diferença significativa está na rejeição de calor, que ocorre à pressão
constante no ciclo Brayton, diferentemente do ciclo Diesel, que ocorre a
volume constante.

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Figura 3.2 - Diagrama (a) P-v e (b) T-s para o ciclo padrão a ar Brayton
Fonte: Adaptada de Çengel e Boles (2013).

#PraCegoVer: a imagem contém dois gráficos. O primeiro, do lado esquerdo,


apresenta o volume no eixo das abscissas e a pressão no eixo das ordenadas. O
ciclo apresentado é em formato de “J” invertido. Inicia no ponto 1, sobe abaulado
para o ponto 2 com entropia constante. Há uma transformação a pressão
constante do ponto 2 ao ponto 3, com entrada de calor. Há uma redução de
pressão com entropia constante do ponto 3 ao ponto 4 e novamente um
processo a pressão constante de saída de calor do ponto 4 ao ponto 1. Já no
segundo gráfico, é apresentado a entropia no eixo das abscissas e temperatura
no eixo das ordenadas. O ciclo apresenta formato de “J” e se inicia em “1”, sobe
ao ponto 2 com entropia constante, que sobe novamente ao ponto 3 a pressão
constante (entrada de calor). Do ponto 3 há uma queda de temperatura com
entropia constante, atingindo o ponto 4, que, a pressão constante, decai em
temperatura e entropia até voltar para o ponto 1.

A partir das leis da termodinâmica e das simplificações inerentes ao ciclo


ideal, é possível chegar à seguinte relação para o cálculo da eficiência de
ciclos padrão a ar Brayton:

1
η = 1 −
Brayton 1−k
( )
k
rp

P2
onde rp representa a razão de pressão nos estados 2 e 1 (rp =
P1
) , que,
por característica do ciclo, é igual à razão de pressão entre os estados 3 e 4

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P3
(rp =
P4
) . A variável k representa a razão entre os calores específicos a
pressão constante (cp) e a volume constante (cv).

Os valores típicos de razão de pressão rp desse ciclo estão entre 11 e 16,


sendo que, quanto maior rp, maior a eficiência, conforme apresenta a
equação acima. A eficiência usualmente se encontra na faixa entre 38 e 45%
(FILIPPO FILHO, 2014).

Uma característica importante


desses ciclos é que a razão de
trabalho reverso é alta, o que
significa que grande parte do
trabalho gerado é consumido
pelo compressor e apenas uma
pequena porção resta para
gerar trabalho.

Essa variável é usualmente representada pela sigla bwr, do inglês back work
ratio. De forma matemática, o bwr pode ser representado como:

Wc
bwr =
Wt

onde Wc representa o trabalho consumido pelo compressor e Wt representa o


trabalho gerado pela turbina. As faixas típicas de bwr variam de 40% para
turbinas a gás utilizadas em plantas termelétricas até 80% para turbinas

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aeronáuticas. Em ciclos a vapor, os valores de bwr se encontram entre 1 e 2%,


sendo uma diferença muito significativa (FILIPPO FILHO, 2014). Essa
diferença se deve ao fato de ciclos a vapor comprimirem água, enquanto o
ciclo a gás da turbina comprime gás, requerendo um trabalho muito maior.

Para definição dos estados termodinâmicos em ciclo padrão a ar Brayton, as


seguintes relações podem ser empregadas:
k−1

P2 k

T2 = T1 ( )
P1

k−1 k−1

P4 k
P1 k

T4 = T3 ( ) = T3 ( )
P3 P2

Resolução de Exercícios
1) Um motor de ignição por centelha, projetado de modo que sua razão de
compressão seja 11, está operando em uma rotação de 3500 rpm no padrão
a ar. Dada a situação, calcule a taxa de calor fornecido para que esse ciclo
produza 110 kW de potência.

Resolução:

Dados:

R = 11

K – 1,4

n = 3500 rpm

Inicialmente devemos encontrar a eficiência térmica do ciclo por meio da


seguinte equação:

1−k
η = 1 − r
t,otto

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1−k
η = 1 − 11
t,otto

η = 0, 6168 = 61, 68%


t,otto

Sabendo que a eficiência térmica é a razão entre o trabalho líquido e o calor


fornecido, podemos utilizá-la também para determinar a taxa de calor:

w liq
η =
t
qent


η =
t


Q̇ =
η
t

110
Q̇ = = 178, 34 kW
0, 6168

2) Um motor de ignição por compressão, projetado de modo que sua razão


de compressão seja 22 e utilizando o padrão a ar, tem ar admitido a 90 kPa e
27 °C. Devido às limitações físicas, temos a informação de que a temperatura
no ciclo não pode exceder 1800 K. Calcule qual a eficiência térmica máxima
desse ciclo e, para esta situação, qual seria sua pressão média efetiva.

Resolução:

R = 22

P1 = 90 KPa

T1 = 300 K

T3 = 1800 K

R = 0,287 kJ/kg . K

cp = 1,005 kJ/kg . K

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cv = 0,718 kJ/kg. K

Devemos inicialmente encontrar a Temperatura 2. Para isso, podemos utilizar


as relações isentrópicas:

1->2 Compressão isentrópica

k−1
T2 v1
( ) = ( )
T1 v2

k−1
v1
T2 = T1 ( )
v2

k−1
T2 = T1 r

1,4−1
T 2 = 300 . 22

T 2 = 1033 K

2->3 Adição de calor com pressão constante (P2 = P3)

P2 v2 P3 v3
( ) = ( )
T2 T3

T3
v3 = ( ) v2
T2

v3 = 1, 7425v2

3 -> 4: Expansão isentrópica

k−1
v3
T4 = T3 ( )
v4

k−1
1, 7425v2
T4 = T3 ( )
v1

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k−1
1, 7425v2
T4 = T3 ( )
r

T 4 = 652, 79 K

Com as temperaturas encontradas, podemos calcular o calor que entra e o


calor que sai:

qent = cp (T 3 − T 2 ) = 770, 84 kJ /kg

qsai = cv (T 4 − T 1 ) = 252, 30 kJ /kg

w liq = qentra − qsai = 517, 54 kJ /kg

Dessa forma temos que a eficiência será:

w liq
η = = 0, 6714 = 67, 40%
t
qentr

Para calcular a pressão média efetiva, precisamos determinar a diferença


entre os volumes inicial e final:

(v1 − v2 ) :

3
RT 1 m
v1 = = 0, 9566
P1 kg

v1
3
v2 = = 0, 04348 m /kg
r

Sendo assim a pressão média efetiva será:

w liq
PME = = 566, 8 kP a
v1 − v2

3) Considere um ciclo Brayton operando entre os limites de temperatura de 27


a 1000 °C e suas pressões entre 150 e 1300 kPa. Determine, no modelo
padrão a ar, o trabalho líquido que esse ciclo apresenta.

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Resolução:

T1 = 300 K

T3 = 1273 K

P1 = 150 KPa

P2 = 1300 KPa

R = 0,287 kJ/kg . K

cp = 1,005 kJ/kg . K

cv = 0,718 kJ/kg. K

Para iniciarmos, devemos encontrar a razão de pressão:

P2
rp = = 8, 667
P1

No processo 1 -> 2, ocorre uma compressão isentrópica. Logo podemos


utilizar as relações isentrópicas:

k−1

T2 P2 k

( ) = ( )
T1 P1

(k−1)/k
T 2 = T 1 rp

T 2 = 556, 01 K

O próximo passo será calcular o calor fornecido no processo 2 -> 3:

qent = cp (T 3 − T 2 ) = 720, 57 kJ /kg

Para encontrar o trabalho líquido, resta calcular a eficiência desse ciclo:


1−k

η = 1 − rp k = 0, 4604
Brayton

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η = 46, 04%
Brayton

Sendo assim o trabalho líquido será dado por:

w liq = η . qent = 331, 75 kJ /kg


t

Motores de
Combustão Interna

Os motores de combustão interna são classificados como máquinas


térmicas de deslocamento positivo, visto que a transferência de energia
ocorre em um sistema fechado, composto por elementos que, segundo
Filippo Filho (2014), são chamados de conjunto biela-manivela, convertendo o
movimento linear do pistão em movimento rotativo. Esses motores trabalham
em ciclo aberto, em que as características termodinâmicas do fluido de
trabalho não são as mesmas no início e no fim da realização do trabalho.
Conforme Filippo Filho (2014), eles são utilizados em veículos, como carros,
motos, caminhões, tratores, dentre outros, e também em aplicações
estacionárias nas quais se deseja a geração de energia elétrica.

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Durante seu funcionamento, há o deslocamento do pistão no interior do


cilindro, como você pode observar na Figura 3. Quando o pistão está o mais
próximo possível do cabeçote, essa posição é chamada de ponto morto
superior (PMS — Figura 3.3a). Já quando ele está o mais afastado possível, a
posição é chamada de ponto morto inferior (PMI — Figura 3.3b). O curso do
pistão é a distância percorrida entre o PMS e o PMI.

Figura 3.3 - Ponto morto superior (a) e ponto morto inferior (b)
Fonte: Adaptada de Brunetti (2018).

#PraCegoVer: a imagem contém um pistão de um motor de combustão. O pistão


apresenta o formato cilíndrico e é constituído por cilindro, manivela, câmara de
combustão e válvulas. A imagem apresentada é separada em duas figuras “a” e
“b”. Na figura “a”, a haste do pistão está localizada na parte superior, enquanto na
figura “b” o pistão se movimentou para baixo. Portanto a haste está localizada na
parte inferior. É possível estabelecer uma variação do percurso nessa
movimentação, simbolizando o curso.

Os motores de combustão interna podem ser classificados em função do


curso do pistão em motores de quatro ou de dois tempos, como você verá a
seguir.

Principais tipos e classificação

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Motores de quatro tempos de ciclo Otto, segundo Çengel e Boles (2013),


apresentam o ciclo térmico ideal dos motores de ignição por centelha. Ele foi
criado, em 1876, por Nikolaus August Otto, que desenvolveu o motor de
quatro tempos, utilizado, até hoje, em carros e motocicletas, usando como
combustível etanol, gasolina e gás natural. Segundo Brunetti (2018), o
funcionamento desses motores se dá por meio da execução de quatro cursos
completos dentro do cilindro (dois ciclos mecânicos), enquanto a árvore de
manivelas (também chamada de virabrequim) dá duas voltas completas para
cada ciclo termodinâmico. Na Figura 4 estão representados os quatro cursos,
também chamados de tempos, que compõem um ciclo Otto completo.

Çengel e Boles (2013) descrevem o ciclo Otto real, em que as válvulas de


admissão e descarga estão fechadas inicialmente, e o pistão está no PMI.
Durante a compressão, o pistão comprime a mistura de ar e combustível
(Figura 3.4a), atingindo o PMS. A vela solta faíscas para que a mistura sofra
ignição (Figura 3.4b), o que faz aumentar a pressão e a temperatura do
sistema, forçando o pistão para baixo, girando a árvore de manivelas e
produzindo trabalho útil, concluindo o primeiro ciclo mecânico. O pistão se
encontra novamente no PMI, e a válvula de descarga é aberta. O pistão se
desloca em direção ao PMS, expulsando os gases (Figura 3.4c). Depois, essa
válvula é fechada, e a válvula de admissão é aberta (Figura 3.4d), admitindo a
mistura de ar e combustível, e o pistão retorna para o PMI, finalizando o
segundo ciclo mecânico.

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Figura 3.4 - Ciclo real de um motor de ignição por centelha


Fonte: Adaptada de Çengel e Boles (2013).

#PraCegoVer: a imagem contém 4 momentos (a, b, c e d) do ciclo de um motor. A


primeira imagem (a) é um cilindro com a presença de ar e combustível dentro de
sua câmera. Portanto a entrada/saída está fechada. Na figura “b”, o embolo se
move, comprimindo o fluido (ar + combustível) com presença da ignição. Nessa
imagem, entrada/saída de fluido permanece fechada. Na figura “c”, a saída do
fluido é aberta, e os gases de exaustão são liberados. Na figura “d”, há a entrada
de fluido (ar + combustível), e o ciclo reinicia.

Após apresentado os princípios da classificação dos motores por ignição,


veremos, nos tópicos que se seguem, conceitos importantes dos motores de
quatro tempos que funcionam a Ciclo Diesel e também os motores de dois
tempos.

Motores de quatro tempos ciclo Diesel


Segundo Çengel e Boles (2013), o ciclo Diesel é o ciclo térmico ideal dos
motores de ignição por compressão. Ele foi criado por Rudolph Diesel por
volta de 1890. Esses motores equipam veículos de grande porte, como
ônibus, caminhões e, em alguns casos, caminhonetes, utilizando o óleo diesel
como combustível.

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Çengel e Boles (2013) descrevem o ciclo Diesel como semelhante ao ciclo


Otto, pois também há a execução de quatro cursos completos dentro do
cilindro, enquanto a árvore de manivelas dá duas voltas completas.

Fonte: 3dhorse /
123RF.

A injeção de combustível começa quando o pistão está próximo do PMS e continua durante a
primeira parte do tempo de expansão, tornando o processo de combustão mais longo. Durante a
compressão, o ar atinge uma temperatura acima da temperatura de autoignição do combustível,

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fazendo com que, à medida que o combustível é injetado, a combustão seja iniciada pelo contato
com o ar quente.

Conforme Brunetti (2018), a temperatura de autoignição do diesel é de


aproximadamente 250 ºC, bem inferior à de combustíveis como etanol e
gasolina, que são na faixa de 400 ºC.

Motores de dois tempos


Segundo Filippo Filho (2014), os motores de dois tempos são motores
utilizados em motocicletas, motosserras, cortadores de grama, dentre outros,
quando movidos a gasolina, e em instalações estacionárias e navios de
grande porte, quando movidos a diesel. Eles detêm as quatro funções
descritas para os motores de quatro tempos, com a diferença de que essas
quatro funções ocorrem em dois tempos: tempo motor e tempo de
compressão.

Na Figura 3.5, você pode ver o esquema de um motor alternativo de dois


tempos a gasolina. Os motores alternativos são aqueles cujo pistão realiza o
movimento de vai e vem dentro do cilindro. Essa movimentação é
responsável por transformar movimento linear (subir/descer ou vai/vem) em
movimento rotativo mediante a biela e o virabrequim. O cárter é vedado, e a
mistura de ar e combustível é pressurizada com o movimento do pistão para
baixo. Não existem válvulas de admissão e descarga, mas sim duas
aberturas na parte inferior do cilindro em níveis diferentes — uma para
admissão e outra para exaustão. A Figura 3.5 abaixo apresenta o motor
alternativo de dois tempos em diferentes estágios do seu funcionamento.

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Figura 3.5 - Motor alternativo de dois tempos a gasolina


Fonte: Adaptada de Filippo Filho (2014).

#PraCegoVer: a figura contém três imagens representando diferentes fases do


ciclo de um motor a dois tempos de gasolina. Na primeira imagem, o embolo está
localizado na parte superior do motor e há uma indicação da entrada de
combustível por um canal. Na segunda imagem, o embolo está em movimento
para baixo, comprimindo o fluido. Na terceira imagem, após a compressão e a
explosão, o fluido é liberado por outro canal (diferente do canal de entrada).

Ao final do tempo motor, que, de acordo com Filippo Filho (2014), é o


segundo tempo do motor, quando ocorrem os processos de expansão (Figura
3.5b) e descarga (Figura 3.5c), a janela de exaustão é descoberta para que
uma parte dos gases de exaustão seja liberada. Quando ocorre a abertura da
janela de admissão e a entrada da mistura de ar e combustível (Figura 3.5a),
praticamente todo o restante dos gases de exaustão é expelido. Com o
movimento do pistão em direção à parte superior, a mistura vai sendo
comprimida para que a ignição seja realizada pela vela.

REFLITA

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Os motores de dois tempos de gasolina já foram


muito mais populares do que são atualmente.
Isso se deve às leis ambientais que foram sendo
criadas com o passar dos anos com o intuito de
garantir a preservação da natureza por meio da
redução de emissão de poluentes, causados
pelos motores de dois tempos, que são maiores
do que a emissão causada pelos motores de
quatro tempos. Mas então quais são as
principais aplicações atuais dos motores de dois
tempos? Aqui vão alguns exemplos:
motocicletas, modelismo, karts e máquinas de
jardinagem.

No motor de dois tempos movido a diesel, “[...] a válvula de admissão é


substituída por janelas de admissão que são abertas e fechadas pelo próprio
pistão” (FILIPPO FILHO, 2014, p. 160), como no esquema apresentado na
Figura 3.6. Quando o pistão está́ na região inferior do curso, as janelas de
admissão estão abertas, permitindo que o ar seja direcionado para dentro do
cilindro, expelindo os gases da queima anterior, já que a válvula de descarga,
também chamada de válvula de escape (VE), está aberta. Quando o pistão
começa a subir, a válvula de descarga é fechada, assim como as janelas de
admissão, comprimindo o ar até que o combustível seja injetado e a
combustão ocorra. Com a combustão, ocorre a expansão, e um novo ciclo
inicia.

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Figura 3.6 - Motor alternativo de dois tempos a diesel


Fonte: Adaptada de Filippo Filho (2014).

#PraCegoVer: a imagem apresenta um sistema de pistão funcionando a um ciclo


de dois tempos. O pistão é constituído pela haste e embolo. Além disso, temos
ainda um orifício para entrada do fluido e um orifício para liberação do fluido.
Temos também um mecanismo de injeção.

Segundo Çengel e Boles (2013), os motores de dois tempos têm as


vantagens de serem relativamente simples, baratos, pequenos e leves. Por
outro lado, são menos eficientes do que os motores de quatro tempos, já que
a expulsão dos gases de exaustão é incompleta. Brunetti (2018) destaca
outra desvantagem desse motor, que é a menor durabilidade em função da
lubrificação, visto que “[...] em decorrência do uso do cárter para a admissão
da mistura combustível-ar, não é possível utilizá-lo como reservatório de
lubrificante, e a lubrificação ocorre misturando-se lubrificante em uma
pequena porcentagem com o combustível” (BRUNETTI, 2018, p. 33). Essa
configuração faz com que o lubrificante queime junto com o combustível, o
que dificulta a combustão e reduz a qualidade dos gases emitidos.

Conhecimento
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Conhecimento
Teste seus Conhecimentos
(Atividade não pontuada)

Os motores de quatro tempos de ignição por centelha são muito aplicados


em veículos como carros e motos, utilizando como combustível a gasolina, o
etanol e até o gás natural. Os quatros tempos desses motores são
admissão, compressão, expansão e descarga.

Qual é o comportamento do pistão e das válvulas de admissão e de


descarga no tempo de compressão?

a) O pistão está se deslocando para o PMS, e as válvulas de admissão


e descarga estão abertas.
b) O pistão está se deslocando para o PMS, e as válvulas de admissão
e descarga estão fechadas.
c) O pistão está se deslocando para o PMI, a válvula de admissão está
aberta e a válvula de descarga está fechada.
d) O pistão está se deslocando para o PMI, a válvula de admissão está
fechada e a válvula de descarga está aberta.
e) O pistão está se deslocando para o PMS, a válvula de admissão
está aberta e a válvula de descarga está fechada.

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Ciclo Otto e
Modelagem
Matemática

O primeiro ciclo de potência a gás no qual nos aprofundaremos é o ciclo cuja


combustão se inicia por conta de uma faísca, em termos mais técnicos, ele
ocorre nos motores de ignição por centelha. Possivelmente, já ouviu estes
termos, até mesmo, porque é algo próximo a todos, este tipo de motor é
utilizado na maioria dos carros. Em nosso estudo, utilizaremos a análise
idealizada desse ciclo, e esta modelagem é chamada ciclo Otto.

Ciclo real de ignição por centelha


Antes mesmo de idealizar o ciclo, vale conhecer o modelo real que há por trás
do ciclo Otto. No motor que vamos considerar, o pistão percorre seu curso
quatro vezes para cada ciclo termodinâmico. Por isso é conhecido por motor
de quatro tempos. Devido ao mecanismo de converter o movimento linear em
rotação a cada subida e descida do pistão, ou seja, dois movimentos de
curso completo, resultam em apenas uma revolução no eixo de saída. Sendo
assim, para um ciclo termodinâmico, temos dois ciclos mecânicos. Graças ao
mecanismo já apresentado, o Ciclo Otto é considerado o ciclo mais eficiente
que temos e um dos mais comuns no nosso dia a dia. O ciclo é utilizado para
movimentar, por exemplo, máquinas agrícolas, máquinas industriais,
automóveis, geradores de energia elétrica, dentre outros.

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Figura 3.7 - Ciclo real de ignição por centelha


Fonte: Adaptada de Çengel (2013).

#PraCegoVer: a imagem contém as 4 etapas do ciclo Otto. No processo 1


(admissão), o embolo está recuado, e a válvula de entrada de ar + combustível
está aberta. Ainda existe também uma vela para ignição. No processo 2
(compressão), o embolo está expandido. No processo 3 (expansão), o embolo
está comprimido, e a vela está dando sinal de ignição. No processo 4 (exaustão),
há liberação do calor e retorno do embolo para o ponto superior.

As quatro etapas do ciclo real estão representadas na Figura 3.7 e podem ser
descritas da seguinte forma:

Ciclo real de ignição por


centelha

Processo 1

Processo 2

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Processo 3

Processo 4

#PraCegoVer: o infográfico apresenta o título “Ciclo real de ignição por centelha”,


na parte superior. Logo abaixo, há quatro botões horizontais clicáveis,
retangulares com as extremidades ovaladas, os quais apresentam os processos
de 1 a 4 do ciclo. De cima para baixo, o primeiro botão apresenta o subtítulo
“Processo 1”, o qual, ao ser clicado, mostra o texto: “o pistão que estava no
Ponto-Morto Superior (PMS) começa a descer. Nesse momento, a câmara de
combustão passa a ser ocupada por uma mistura de ar e combustível
(gasolina/etanol). Portanto, nesse instante, a válvula de admissão encontra-se
aberta, e a válvula de exaustão fechada”. O segundo botão apresenta o subtítulo
“Processo 2”, o qual, ao ser clicado, mostra o texto: “ao atingir o Ponto-Morto
Inferior (PMI), todo o volume do cilindro está preenchido com a mistura. A válvula
de admissão se fecha, então o pistão se move para cima, comprimindo a mistura
no volume morto. Nesse momento, o curso foi percorrido duas vezes, sendo um
primeiro ciclo mecânico”. O terceiro botão apresenta o subtítulo “Processo 3”, o
qual, ao ser clicado, mostra o texto: “com a pressão e a temperatura elevadas, a
mistura de ar e combustível necessita apenas de uma faísca para iniciar a
combustão. Nesse momento, o mecanismo de ignição (nos carros, conhecido
como vela de ignição) é ativado. Esse processo faz a pressão e a temperatura
aumentarem excessivamente, de modo que elas empurram o pistão ao PMI,
fazendo-o rotacionar o eixo, produzindo, assim, trabalho útil”. O quarto e último
botão apresenta o subtítulo “Processo 4”, o qual, ao ser clicado, mostra o texto:
“quando o pistão atinge o PMI, todo o volume do cilindro estará preenchido pelo
produto da combustão, e este necessita ser descartado para recomeçar o ciclo.
Portanto a válvula de exaustão é aberta, e novamente o pistão move-se ao longo

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do curso, indo ao PMS (segundo ciclo mecânico), empurrando o resultado da


queima para fora da câmara de combustão”.

Vimos anteriormente uma forma de calcular o trabalho líquido nesse sistema:

Wliq = PME . V du

Multiplicando esse resultado pelo número de cilindros (Z), pela frequência de


giro do motor (que é a rotação (n) do eixo de saída, em rpm, dividida por 60) e
por um fator ½, pois no ciclo termodinâmico, que é metade da quantidade de
ciclo mecânico, será obtida a potência líquida (Ẇ liq ) produzida por esse
ciclo, em kW.

n 1
Ẇ liq = Wliq Z
60 2

Apesar das inúmeras vantagens de utilização do ciclo Otto, devemos


destacar algumas desvantagens, tais como: não utilização de combustíveis
sólidos, peso elevado para potência e elevado número de peças (BRUNETTI,
2018).

Ciclo Otto, o ideal de ignição por


centelha
Agora que já compreendeu o funcionamento do ciclo real e as etapas que o
compõem, torna-se mais fácil visualizar as considerações que são aplicadas
para obter o ciclo ideal, o qual pode ser mais bem analisado, mesmo sendo
de modo qualitativo. Utilizando a análise de ar padrão, o ciclo apresentará
condições similares ao real. Essa versão é chamada de ciclo Otto, e suas
etapas estão representadas na Figura 3.8.

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Figura 3.8 - Etapas do ciclo Otto


Fonte: Elaborada pelo autor.

#PraCegoVer: a imagem contém as 4 etapas do ciclo Otto. No processo 1->2, o


embolo está totalmente aberto. No processo 2->3, o embolo está comprimindo o
fluido com adição de calor. No processo 3->, o embolo retorno a fica aberto. No
processo 4->1, há liberação do calor.

Os processos desse ciclo internamente reversível podem ser descritos da


seguinte forma:

1→2 Compressão isentrópica: o cilindro é considerado


isolado. Enquanto o pistão vai do PMI ao PMS, o ar presente
no interior da câmara é comprimido de modo isentrópico. Com
 isso, a pressão e a temperatura do sistema aumentam 
levemente.

Os diagramas P-v e T-s desse ciclo podem ser observados na Figura 3.9 a
seguir.

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Figura 3.9 - Diagramas do ciclo Otto


Fonte: Adaptada de Çengel e Boles (2013).

#PraCegoVer: a figura contém dois gráficos. O primeiro gráfico (lado direito) é um


gráfico de Pressão (eixo y) e volume (eixo x). Nesse gráfico, temos o ciclo Otto,
sendo que o primeiro e o quarto pontos estão localizados em PMI, e o segundo e
terceiro pontos estão localizados em PMS. Há entrada de calor do ponto 2 ao 3.
O processo 3 ao 4 ocorre de forma isentrópica. Há saída de calor do processo 4
ao 1, e o processo 1 ao 2 ocorre de forma isentrópica. Já o segundo gráfico
contém a temperatura em y e a entropia (s) em x. O processo 1 ao 2 ocorre com
entropia constante e aumento de temperatura. O processo 2 ao 3 ocorre com
volume constante, entrada de calor e aumento de temperatura. O processo 3 ao 4
ocorre com redução de temperatura e entropia constante. Por fim, o processo 4
ao 1 ocorre com calor saindo do ciclo, volume constante e redução de
temperatura.

Realizando um balanço de energia no ciclo, teremos:

Δu = (w ent − w sai ) + (qent − qsai )

Observe que nos processos 1 → 2 e 3 → 4, o sistema encontra-se isolado.


Portanto:

w 1→2 = u2 − u1 = w ent
q = 0 → {
w 3→4 = u4 − u3 = −w sai

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Já nos processos 2→3 e 4→1, o volume se mantém constante. Logo:

q2→3 = u3 − u2 = qent
w = 0 → {
q4→1 = u1 − u4 = −qsai

Podemos expressar o calor transferido como também sendo:

qent = cv (T 3 − T 2 )

qsai = cv (T 4 − T 1 )

Com isso, podemos encontrar a eficiência térmica do ciclo de Otto como


sendo:

qsai T4 − T1
η = 1 − = 1 −
t, Otto
qent T3 − T2

Sendo os processos 1→2 e 3→4 isentrópicos, os volumes v1 = v4, v2 = v3 e a


razão de compressão dada por r = v1/v2, torna-se possível utilizar as relações
de temperatura e volume, apresentadas na unidade anterior, para substituir as
temperaturas da expressão anterior, obtendo a eficiência apenas em função
da razão de compressão e da razão dos calores específicos.

1−k
η = 1 − r
t, Otto

Na Figura 3.10, é possível observar a influência da razão de compressão e da


razão dos calores específicos na curva de eficiência térmica para o ciclo Otto.
O aumento de r ou k faz com que a eficiência desse ciclo aumente. Essa
análise também é válida para o ciclo real.

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Figura 3.10 - Relação da razão de compressão e da razão dos calores


específicos naeficiência do ciclo Otto
Fonte: Adaptada de Çengel e Boles (2013).

#PraCegoVer: a figura apresenta um gráfico em que, no eixo x, temos o


parâmetro “r” e, no eixo y, temos o parâmetro “eficiência da turbina no ciclo Otto”.
No eixo “x”, a escala inicia em 0 e vai até 12. No eixo “y”, a escala inicia em 0 e vai
até 0,8 com passo de 0,2 (0,2, 04, 06, e 0,8). São apresentadas três curvas que
iniciam no ponto “1” em “x” e finalizam no ponto “12”, também em x. As curvas
apresentam formato de exponencial invertida. A curva mais inferior apresenta k =
1,3; a curva intermediária apresenta k = 1,4 (ar); e a curva mais acima apresenta k
= 1,667.

Os motores a gasolina trabalham com uma razão de compressão na faixa de


8 a 11. O fluido de trabalho contém moléculas maiores quando comparadas
com as do ar, o que faz com que a razão dos calores específicos seja menor
que a do ar. Por conta desses fatores e das irreversibilidades (queima
incompleta, atrito, dissipação de calor etc.), a eficiência térmica do ciclo real
fica por volta de 25 a 30% (BRUNETTI, 2018).

Conhecimento
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Conhecimento
Teste seus Conhecimentos
(Atividade não pontuada)

O ciclo Otto recebe esse nome em homenagem a um dos engenheiros


responsáveis por construir um motor seguindo esse ciclo, o alemão Nicolaus
August Otto. Atualmente tal ciclo é amplamente utilizado em motores
quatro tempos de carros que usam gasolina e álcool.

Considerando o tema apresentando e levando em conta seu conhecimento


no assunto, assinale a alternativa que contenha a etapa/processo que
resulte na maior pressão presente no ciclo Otto.

a) Admissão dos gases.


b) Compressão da mistura ar-combustível.
c) Explosão ou combustão.
d) Abertura de válvula.
e) Exaustão dos gases.

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Material
Complementar

FILME

Como funciona uma locomotiva a


vapor
Ano: 2018

Comentário: No vídeo sugerido será apresentado o


funcionamento de uma máquina térmica, em especial de
uma locomotiva a vapor. Além disso, serão apresentados
também pontos importantes dos elementos que ajudam a
constituir a máquina térmica, como a fornalha, a caldeira e
o sistema de freios.

Para conhecer mais o filme, acesse o trailer disponível em:

TRAILER

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LIVRO

Motores de combustão interna


Autor: Franco Brunetti

Editora: Blucher

Capítulo: 2

Ano: 2018

ISBN: -

Comentário: No capítulo 2 do livro indicado é apresentado


uma vasta e profunda discussão a respeito dos ciclos
térmicos nos motores de combustão interna. Nesse
capítulo serão apresentadas características particulares,
vantagens e desvantagens, bem como aplicações para
diferentes ciclos.

ACESSAR

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Conclusão
Caro(a) estudante, chegamos ao fim do nosso estudo. Nesta apostila, nós
aprofundamos nosso conhecimento em conceitos importantes a respeito do ciclo
a gás do tipo Brayton. Entendemos seu uso no dia a dia industrial, discutimos os
equipamentos que compõem o sistema e resolvemos alguns exercícios acerca do
assunto. Nós estudamos também os motores de combustão interna, discutimos
sua classificação, aplicação, elementos constituintes e funcionamento.
Destacamos aqui os motores de quatro tempos de funcionamento com ciclo a
diesel e os motores de dois tempos. Na última etapa dos estudos em nossa
apostila, nós estudamos o ciclo Otto. Nesse momento foi apresentado e discutido
sua modelagem matemática, seu funcionamento, bem como a diferença entre um
ciclo Otto ideal e real.

Referên
cias
BRUNETTI, F. Motores de
combustão interna. 2. ed.
São Paulo: Blucher, 2018.
(Disponível na Minha
Biblioteca).

COMO funciona uma locomotiva a vapor. [S. l.: s. n.], 2018. 1 vídeo (35 min.).
Publicado pelo canal LetraJota. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?

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19/03/2024, 19:52 E-book

v=fXZmF9sIz7c. Acesso em: 7 fev. 2023.

ÇENGEL, Y. A.; BOLES, M. A. Termodinâmica. 7. ed. Porto Alegre: AMGH, 2013.

FILIPPO FILHO, G. Máquinas térmicas estáticas e dinâmicas: fundamentos de


termodinâmica, características operacionais e aplicações. São Paulo: Érica, 2014.

MORAN, M. J. et al. Princípios de termodinâmica para engenheiros. 7. ed. Rio de


Janeiro: LTC, 2013.

SILVEIRA, F. L. da. Motor otto e motor diesel: qual é a diferença?. CREF, 2010.
Disponível em: https://cref.if.ufrgs.br/?contact-pergunta=motor-otto-e-motor-
diesel-qual-e-a-diferenca. Acesso em: 7 fev. 2023.

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