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Introdução: Pensei muito em como começar a escrever este memorial, não é uma tarefa fácil falar de nossas vidas, coisas que julgamos importantes para outros podem ser insignificante, mas é impossível falar da vida acadêmica sem falar dos fatores que nos trouxeram até aqui. Após ler alguns memoriais concluí que não poderia seguir outro caminho e resolvi começar com um breve relato sobre minha chegada ao mundo, passando pela minha infância e permeando a vida escolar, não tinha como falar de minha vida acadêmica sem da minha vida pessoal, pois para chegar até aqui tive que passar por várias coisas, foram muitas pedras no caminho para chegar a este curso e os conhecimentos que ele já me trouxe e os que ainda vão me trazer. Permitindo - me assim um novo olhar sobre o mundo. Por isto, procurei ser mais original possível que afinal estou contando “minha vida” e se os fatos aqui narrados ficaram gravados, é porque contribuíram para que eu me tornasse o que sou, e fazem parte da minha identidade pessoal e da profissional que um dia serei.

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1. MINHA INFANCIA Começo o meu relato falando sobre meus pais. Um casal do campo que levava a vida com muitas dificuldades, ás vezes mal tinha o que comer, este era um dos motivos pelos quais eles viviam brigando, o outro sei que era o vício da cachaça do meu pai. Mesmo assim tiveram três filhos sendo eu a segunda filha desta família. 1.1 Berço de ouro Minha chegada não foi das melhores, minha mãe ainda amamentava a minha irmã mais velha, que estava com apenas um aninho, quando descobriu que estava grávida de quatro meses de mim, mal deu tempo de acabar de tira-la do peito pois eu apressada para fazer parte da família nasci de sete meses. Foi um sufoco para minha mãe, praticamente dois bebes. Ela que nunca tinha visto uma criança de sete meses, disse que eu era tão feia que não tinha nem coragem de me pegar para amamentar, minha bisavó que me segurava no braço e chegava até o peito dela, mas ela não tinha coragem nem de me olhar. Eles talvez por ignorância não soubessem, mas acredito que ela teve depressão pós - parto. Ela alega que eu parecia uma “lagartixa branca de parede“, acho que se não fosse minha bisavó eu teria morrido, por falta de cuidados. Esta rejeição da minha mãe durou muito, tanto que ela nunca tirou uma foto minha de criança, eu não sei como eu era, só o que as pessoas me contam, só fui ter fotos depois de uns sete anos de idade. Hoje entendo a depressão da minha mãe, uma situação financeira muito difícil, um marido que ela nunca gostou, casou por casar, e ainda duas crianças. Era realmente muito complicado... 1.2 Lar doce lar Minha mãe não suportava aquela vida, queria separar, mas a família não deixava, então foi levando aquela vida, os tios ajudavam dando alguma coisa de comer, minha bisavó também ajudava e assim foi, até que minha mãe ficou grávida de novo. Para ajudar no orçamento da casa, minha mãe que era boa costureira, Começou a costurar e assim pode garantir que tivéssemos algum alimento. Minha bisavó vendo a luta de minha mãe para nos sustentar comprou uma casinha na cidade e deu para ela assim era mais fácil ela defender uns trocados e assim quando necessitasse de alguma coisa não precisava colocar o dinheiro na mão do safado do meu pai. E porque também era mais fácil para ela me levar ao médico para fazer tratamento, que só ela não havia percebido que eu era muda e eles

tri. tru ou dra. Uso o (L) no lugar do (R). . também depois que resolvi falar ninguém mais me segurou. por este motivo o denominavam de medico de mudo. Onde já se viu! Minha mãe não perceber que com três anos eu não falava! Acho que ela não vivia. mas já acostumei e não tem mais conserto. tro. 1. ela queria duas crianças para que pudesse ter uma também. dro. eu chorava porque eu queria uma boneca para brincar e minha mãe trouxe um menino.3 estavam esperando a hora certa para contar. só me lembro dele já com uns cinco anos de idade. tre. que chorávamos muito quando minha mãe chegou do hospital trazendo um bebê. Deve ter sido uma cena cômica. dri. Fiz tratamento com médico que “ensinava mudo falar“. Ainda tenho vivo em minhas lembranças. ainda ficou alguma sequela que não superei com o tratamento como: Tra. Assim fomos levando a vida. dru. logicamente minha mãe iria dar ele para mim. até que meu irmão começou a falar e minha mãe percebeu que eu não falava. com isso minha mãe foi fazer o parto no hospital. o que foi diferente do nascimento meu e da minha irmã. Minha irmã chorava porque tinha só uma criança e como eu era mais nova. sendo que nós nunca ficamos separados e não tenho nenhuma lembrança dele. dando início a um longo tratamento.3 Mais um membro na família Já estávamos morando na cidade quando o meu irmão nasceu. Acho que ignorei a presença de meu irmão. Acredito que naquela época não tinha nome especialidades médicas ou eles as desconheciam. dre. apenas “vegetava“.

também naquela época uma mulher separada não era bem vista. Ela também estava dormindo. mas não me lembro dele em momento algum da minha infância é como se eu tivesse tido uma amnésia parcial e apagado de minha memória as recordações referentes a ele. a primeira providência foi separar-se de meu pai. o que não era seu costume sendo que estava de dia. Há Pouco tempo fui saber que ele conta nas mesas dos bares onde frequenta e morre de rir: “vendi a casa e gastei todo o dinheiro no bordel. A notícia que ele já havia ido embora chegou junto com a que ele tinha vendido a casinha. porque assustou ao saber que minha bisavó tinha falecido. O CASTELO DESABOU Quando estava com meus quatro anos e meio. A pior noticia ainda estava por vir. e aí ela voltaria e ia trabalhar apenas para criar os três filhos. é que minha mãe havia era desmaiado. havia gasto todo o dinheiro.4 3. Anos mais tarde fui entender toda aquela cena. Sei que ela acordou logo. não entendi porque naquele momento minha mãe deitou – se na cama e dormiu. sei que existiu na minha vida. pois me lembro já chegando à roça na casa onde minha bisavó morava com meus avos. Só que ela caiu na besteira de sair da casa por uns dias. em meio à pobreza brincando no quintal lembro com muita clareza o dia que meu padrinho chegou à nossa casa e falou com minha mãe: Minha bisavó tinha pedido para pegar um vestido que ela só usava para ir à missa.2 Nossos avôs Diante daquela situação minha mãe não teve outra opção a não ser nos deixar na casa dos meus avôs e mudar para a cidade vizinha para trabalhar. ela precisava ficar fora da cidade.” Ainda bem que não tenho nenhuma lembrança dele. Também tínhamos avô paterno. Minha mãe não quis nem saber. 3. só que as lembranças dele são poucas a única certeza que tenho e que ele ficava em uma cadeira de rodas e até os dias de . pois era ela que era o esteio da família. 3. a cama estava no meio da sala e minha bisavó estava dentro da caixa com algodão no nariz e na boca. só que estava em uma cama diferente parecia de madeira. para dar tempo para ele ir embora.1 A separação Com a morte da minha bisavó morreram também os sonhos da minha mãe ter uma vida melhor. naquela época era fácil vender as coisas sem documentação nenhuma.

não Porque na casa não tinha chão Ninguém podia dormir na rede Porque na casa não tinha parede Ninguém podia fazer pipi Porque penico não tinha ali Mas era feita com muito esmero Na rua dos bobos. pois nunca a vi triste ou reclamando da vida. nós longe da nossa mãe. Mas nos receberam de braços abertos. para nenhuma das partes. e os meus avôs tendo que cuidar de mais três crianças e a situação financeira deles não era melhor do que a da minha mãe. estava sempre com um sorriso no rosto judiado de sol 3.3 Todos no mesmo barco Mesmo com todo carinho que meus avôs nos receberam foi muito difícil para ambas as partes. e nos educaram como se fossemos seus filhos . sempre deram muito carinho. Minha avó devia gostar de ser pobre. Meu avô não tinha nenhuma renda.5 hoje não sei o motivo pelo qual ele só tinha uma perna. não tinha nada Ninguém podia entrar nela. O que não foi uma coisa muito boa. os filhos que trabalhavam para os vizinhos e colocavam as coisas dentro de casa. 3.4 Derivados de milho Naquela casa faltava tudo menos carinho. pois nunca ouvi minha mãe falar mal dele. tanto que meu irmão ficou com eles até a idade adulta só saindo da companhia deles depois de casado. tem uma música que muito me lembra a vida na casa de nossos avôs “Era uma casa muito engraçada Não tinha teto. número zero” . nós ficando sem nossa mãe e meus avós mal tinham comida para eles. ele tinha as mãos defeituosas devido um lepra que teve no passado. Ele devia ser uma boa pessoa. só ficamos sabendo quando fomos morar com eles. pois ainda morava dentro de casa quatro dos oito filhos que tivera e de repente vindo mais três bocas. Estranho que até aquele momento não tinha dado conta que tínhamos avôs maternos. e não podia trabalhar.

e se por algum motivo faltasse alguém na hora de comer o prato dele era feito e colocado na tampa do caldeirão em cima do fogão de lenha. Arroz era quando tinha visita ou era dia de festa. fazia mingau de couve no almoço e canjiquinha na janta. Mas a união faz a força.6 A comida era derivada de milho: no café da manhã era mingau de fubá. sempre achei este gesto muito bonito. meus avôs nunca permitiram que chegasse na hora da refeição não estivesse todos sentados á mesa para partilhar o mingau de couve ou qualquer coisa que fosse comer. ou nós ou a galinha. . as vezes minha avó invertia a ordem. galinha era quando alguém estava doente. no almoço canjiquinha. no café da tarde broa de fubá e no jantar mingau de couve.

iam dar aulas limpinhas e cheirosas e sempre usavam chinelos havaianos pretos.br/.7 4. encapado com papel de macarrão. porque o banho era em bacias. Era uma escola também na zona rural que ficava uns seis quilômetros da casa onde morávamos. um lápis preto com uma borracha em cima. Este era o material que levava no embornal feito de pernas de calça comprida velha Imagem escola (www. a outra para o terceiro e quarto ano.. Ah. ninguém tinha banheiro em casa. HORA DE COMEÇAR A ESTUDAR Completei sete anos em outubro de mil novecentos e setenta e cinco e no ano seguinte fui para a escola.com.html . as salas eram divididas uma era para o primeiro e o segundo ano. Portanto só tinham duas professoras. Tínhamos que ir de “viação canela“.fotosearch. e elas davam aula para duas turmas diferentes ao mesmo tempo. sempre me chamava na cantina para me dar algo para comer. já nós que morávamos na roça só lavávamos os pés e as parte intimas. minha cara devia ser de “passa fome.) . 4. vinham da cidade para dar aula ali e era longe. Era divertido. Como poderia me esquecer dela. Nós só usávamos chinelos no dia que íamos à missa. Tinha uma servente também. no caminho chamava à vizinha e íamos chamando os outros alunos passando de casa em casa. O meu era um caderno brochura pequeno.1 A ESCOLA A escola não era das melhores: eram duas salas e uma cantina.imagens/antigas-escola. eram turmas multiseriadas. A escola não tinha portão de entrada. As professoras eram bonitas.” As professoras deviam gostar de trabalhar. Íamos brincando pela estrada. elas deviam tomar banho todos os dias. devia de ser de 24 folhas. quando chegávamos à escola éramos uns quinze. ela ficava na beira de uma estrada. que banho de corpo inteiro era só aos sábados. eu saia de casa sozinha. devia ser para economizar para não precisar ter que buscar água na bica e aquecer no fogão de lenha. e o material que a maioria dos alunos levava também eram simples..

até que um dia minha avó perdeu a paciência comigo e me colocou de castigo: havia uma mesa grande na cozinha onde sentávamos reunidos para fazer as refeições que era sempre mingau de couve ou canjiquinha. que era emprestada pela escola.3 Fazer novamente No ano seguinte estava eu novamente lendo a cartilha da infância. uma ao lado da outra e deve ser por este motivo que as carteiras eram feitas de forma que os alunos sentassem em dupla Carteira escolar (WWW.” Foi uma lição e eu nunca mais esqueci. conclusão levei uma surra daquelas. Como já havia dito que as salas eram divididas em turmas multiseriadas. mas nela aprendia as vogais e depois as consoantes para depois aprender a juntar as sílabas. também só tinha duas filas de carteira. Minha avó me colocou para ficar dando volta ao redor da mesa e falando em voz alta “toda letra redonda é um O.ibiubi. Tive muitas dificuldades em diferenciar o A do O. 4.br) Modelos das carteiras em que estudei.com. 4.8 Foto semelhante à escola onde iniciei meus estudos A escola chamava: ESCOLA ESTADUAL SANTA TEREZINHA. e que nem toda letra redonda era O podia ser zero. Depois desse fato todas as vezes que fazia prova chegava a nossa casa e dizia pra minha avó toda orgulhosa: Vovó a professora deu prova e tirei O. Ela sempre me parabenizava. Só que cheguei ao final do ano eu não passei aí minha avó foi saber que eu não tirava O de ótimo e sim O de zero.2 Só notam No primeiro ano não tinha muito que aprender. tínhamos a cartilha da infância. com mais idade e sendo repetente consegui passar pro segundo ano . só que agora já sabia a diferença de A e de O.

até porque não tínhamos televisão e as revistas de fotonovelas que os parentes mandavam. lia também revista de fotonovelas. Outra hora pegava jornal. Assim fui até formar a quarta série. era a nossa novela. Como meus avôs eram analfabetos. eu ficava lendo revistinha de gibi para eles. Assim que aprendi a ler passei a gostar de livros. estava sempre lendo alguma coisa.9 com um pouco de esforço. mais pro meu avô que passava parte do dia deitado. devia ser velho mais lia tudo. .

era tudo diferente da roça. mudei para a cidade de São Geraldo. não estava acostumada a ver carros com frequência. AS DIFERENÇAS CULTURAIS Ao formar a quinta série. 5. comprou uma pasta de plástico canelada que fechava com elástico. Também não usava só um caderno. já tinha levado minha irmã para morar com ela para continuar os estudos foi minha vez de sair da roça e ir para a cidade também.1 Mudança radical Quando começou o ano letivo fui para uma escola perto de casa que tinha até oitava série. mais uma vez foi provado que eu não sabia nada repeti a quarta série que já havia feito na roça. quando chegava à noite não precisava acender lamparinas. era um para cada matéria. Era uma escola conceituada e por isso assim que começaram as aulas os professores deram conta que eu não tinha capacidade de acompanhar os alunos daquela série. onde morei por vários anos. Achei tudo muito estranho. também tinham luzes assim. As pessoas falavam bem. Agora minha mãe não me deixava levar os cadernos no embornal. mas aos poucos fui adaptando. Chamaram minha mãe para conversar e explicaram a ela que eu não tinha condições de fazer a quinta série e seria melhor que voltasse para a quarta serie. minha mãe já tinha dado uma estabelecida na vida.10 5. tinha também canetas azuis e vermelhas e a borracha era branca quadrada parecia um doce de leite. pessoas sempre limpinhas. As casas tinham banheiro e chuveiros para tomar banho todos os dias. E assim foi feito. O bom que serviu de base para os próximos anos que enfrentei com mais facilidade. Foto da Escola Estadual Álvaro Giesta Sâo Geraldo/ MG . e encapados com papel de presente. Fiquei meio que deslumbrada e ao mesmo tempo perdida com tudo aquilo. Conclusão só na quarta série eu fiquei três anos. e a maior novidade é que alem do lápis. bem arrumadas e calçadas. na cidade á vida era totalmente diferente do que eu estava acostumada. A escola se chamava: Escola Estadual Álvaro Giesta.

mas seria interessante ainda manter a matéria nas escolas para que os jovens de hoje fiquem mais educados. OSPB..2 Segunda fase do fundamental No ano seguinte já na quinta série. gostava de todas as aulas. Religião passava por cima.11 Fonte: arquivo pessoal 5. Religião. Educação moral e cívica. Geografia. OSPB e educação moral e cívica eram um pouco de história. Geografia e história mal faziam pro gasto nunca foi meu forte. os meus sempre começavam assim: Querido diário hoje. Agora não era como o primário tinha um monte de matéria e de professores também: Português. Assim fui até concluir a oitava série. devido a minha idade tive que estudar a noite mais o ensino tinha a mesma qualidade do turno da manhã. . Educação para o lar. e olha que nunca gostei de estudar. Agora Educação para o lar era o desejo de todas as meninas. isso era divertido cada dia uma história diferente. aprendíamos a cozinhar. Inglês. sempre fechava as provas dele e eram poucos alunos que conseguiam isto. Ciências. História. sentar para fazer as refeições coisa que hoje se apreende em casa.. Matemática. As aulas ficavam cada dia mais prazerosas de assistir. porém história política eu ficava fascinada. Não sei qual gostava mais se era da aula de matemática ou do jeito do professor ensinar. de Português tínhamos que fazer diário todos os dias. nunca fui muito rezadeira. colocar mesa. Inglês pouco é ensinado. pelo menos apreendi a contar e cantar parabéns coisa que hoje as crianças de seis anos já sabem.

o povo tinha medo de manifestar. outras a trabalho. Não posso deixar de citar as evoluções que sofreram a ciências. Anos mais tarde foi eleito quase por unanimidade Collor. O bom disto tudo é poder comparar o antes e o agora. bati o pé e fui trabalhar e quando dei conta que podia ganhar dinheiro. 6. sem ele eu ganhava dinheiro também. televisão. como a dos telefones. a medicina avançou de forma avassaladora. No ano em que nasci em mil novecentos e sessenta e oito foi um ano de guerra. ela achava que devia estudar.1 o mundo mudou Ao longo desta minha vida aconteceram várias coisa que marcaram não só a mim. que agora o povo já podia mostrar seu poder. eles passaram a ser uma coisa boba. Aproveitei as oportunidades que tive. E muitas outras evoluções que talvez não chegue até nossos conhecimentos. mesmo contra a vontade da minha mãe. porém de forma precária.12 6 Hora de voar Após concluir a oitava série já com meus dezoito anos não quis mais estudar decidi que era hora de trabalhar. Sobre política ainda assisti a primeira eleição das diretas onde Tancredo foi eleito e pelo fato não esclarecido faleceu antes de sua posse. somos um pouco arcaicos ainda. e o chefe da família que falava em quem você podia votar. máquinas de escrever. existia apenas dois partidos políticos. conheci pessoas diferentes. tive amores tudo que me era permitido. Vi também uma grande evoluções tecnológicas. hora como doméstica. existia o voto de cabresto. mas o que gostava e fazia melhor era costurar. tivemos muitos outros políticos uns bons outros nem tanto. vivi como achava que devia ser. peguei gosto pela coisa e não quis mais saber dos estudos mesmo. algumas vezes a passeio. aproveitei a vida. . PMDB e ARENA era muita represaria. mas marcaram o mundo. muitos conflitos. Foi paixão pela costura. Trabalhei com várias coisas diferentes. pois antes as pessoas morriam até com pneumonia. profissão que apreendi só de ver minha mãe ensinar as pessoas. fui para outras cidades. descoberta do tratamento do câncer e da AIDS por exemplo foram grandes avanços. outras como cabeleireira. Anos após a política era ainda muito diferente da dos dias de hoje. assim veio o iptima do Collor. todos ficavam admirados ao ver uma menina com doze anos costurando igual gente grande. isso tudo já existiam.

uma sensação de fracasso. 7. passei a perceber a importância do convívio escolar na vida de todas as crianças como facilitador para um desenvolvimento harmônico. sempre quis ser mãe. descobri que estava grávida e fiquei muito feliz. Sabia que iria correr atrás do que fosse preciso. que mulher era eu? Mas não foi eu quem o escolhi e sim ele que me escolheu. apesar das condições financeiras não serem as mais favoráveis. em que estava desempregada como arrumar outro serviço estando grávida? Como o que não tem remédio remediado esta. mas não naquele momento. Passaram . enquanto isto fazia alguns bicos para me manter e sempre tirava um pouquinho do que tinha juntado antes. que após passar por vários médicos procurando . foi parto ANORMAL fórceps.2 Um basta Fiquei apenas com um filho. me senti à pior das criaturas. arrumo alguém de confiança para cuidar dele em setembro posso voltar a trabalhar— Como as coisas não são exatamente da maneira como pensamos. estava tudo programado--nasce o neném em julho.se dois anos enquanto nós dois. Não medi esforços por ele e tudo de melhor que podia foi feito e até os dias de hoje o que for preciso corro atrás.1 Meu parto Meu filho só nasceu em meados de agosto. não sofri por ter um filho com deficiência e sim pela sensação de ser incapaz. tive que esperar meu filho nascer. principalmente para as portadoras de necessidades especiais. íamos de um lado para outro atrás de médicos de várias especialidades. só que ele nasceu com uma síndrome rara e tive que mudar todos meus planos. mover céus e terra. sendo que hoje já com seus dezoito anos vejo meu filho como um menino normal em relação ao nascimento. baseado na valorização e respeito ao ser humano. meu filho precisava da minha presença para ajudá-lo na luta diária por sua vida. Todas as experiências que vivi com meu filho marcaram profundamente minha visão sobre educação. eu e meu filho. E foi o que fiz. não sabia nem gerar um filho perfeito.13 7 Uma gravidez Em meio está vida em mil novecentos e noventa e um já findando o ano. Tudo que sempre sonhei era ter seis filhos. aconteceram alguns percalços pelo caminho 7.

poderia nascer com deficiência maior ainda. Ao menos tenho mais uma . Foi uma pena! Também com o rumo que minha vida tomou não tive coragem de adotar nenhum e o meu filho ficou sendo o primogênito e único.14 tratamento para meu filho eles me aconselharam que não séria uma boa idéia eu tentar outros filhos. experiência para contar: Que gerei um filho.

fatos que não deve ser relatado. devia ser proibido enfartar nesta idade. 8. Ainda sofria também pela separação com meu ex-marido. em mil novecentos e noventa e cinco perdi minha avó. tive muitos ganhos com isto mais também tive perdas de pessoas que significaram muito na minha vida. isso até da para aceitar. Perder dói Depois de dezesseis anos de casada. precisava sarar a ferida que estava aberta. estava carente e queria colo de mãe. foi o que fiz. Isso dói muito. E procuro não lembrar. assim como não existe ex. pior foi perder minha irmã em dois mil e cinco com apenas trinta e sete anos. Foram muitos tombos.irmã. Motivo pelo qual contribuiu para que viesse morar em Januária . Amadureci muito tinha que ser adulta para dar conta do recado. Minha mãe já tem ex. meu casamento como vários outros terminou. isso é covardia chega ser brutal. Neste período de casada e com meu filho com deficiência a vida me ensinou muitas coisas. Como diz na música boate azul: “ a dor do amor é com outro amor que a gente cura”.marido.1 Recomeço Separada sozinha com meu filho retornei para Coimbra cidade onde nasci. afinal eles já estavam com idade avançada. tratei logo de curar a minha dor e não demorou muito para eu curar minha dor me casando novamente. mas que me deixaram muitas mágoas. para evitar a dor. que cada vez que me levantava sentia – me mais forte para continuar lutando. não tem nem como tentar explicar.15 8. Voltei para minhas origens e também para perto dos meus familiares que ainda moram lá. dois anos mais tarde perdi meu avô. mas ex.filho não existe para nenhuma mãe. tento ocupar o tempo para não ficar louca. ainda mais quando você tem mãe.

uma vontade de gritar “eu consegui. A única coisa que tinha lido para fazer a prova foi um material que peguei na internet: “As Treze Técnicas do Chute” e foi o que fiz só chutei na prova. novamente era impossível. acho que alguém lá em cima deve gostar muito de mim desistiram tanto que fiquei no décimo lugar como colocada. pois eu não tinha nem o ensino médio.” Corri para fazer minha matrícula vai que resolvessem tomar de mim a vaga. porque se por azar ou sorte eu passasse não teria como fazer nenhum curso. Não acreditei quando chamaram pelo meu nome: Célia Maria Faria Vasconcelos. só que não tinha ninguém ali. pois não sabia nenhuma matéria. o que seria agora. mas era felicidade. por gostar de desafios me inscrevi para matemática e biologia. Só que a vida é uma caixinha de surpresa e aqui estou cursando matemática. Pensei muito antes de me inscrever. Mais logo veio a noticia que poderia estar concorrendo às vagas do sistema de seleção unificada.16 9. havia quarenta vagas e fiquei em centésimo primeiro. queria dividir aquele momento mágico. Respirei fundo lavei o rosto. como cheguei ali. Era impossível. o que passei nesta vida. não acreditaria que era possível. Era boa jogadora e não sabia. precisava que sessenta e uma pessoas desistissem. talvez se alguém me contasse.1 técnicas do chute Fiz a prova do Enem como conclusão do ensino médio. Há um ano se alguém falasse que eu iria estar em uma instituição fazendo licenciatura em matemática. FIZ UM CASTELO. Queria naquele momento estar perto das pessoas que amo e sei que também me amam. 9. Levantei minha mão para verem que estava lá e fui para o banheiro chorar. no dia da convocação. de onde vim. mais para ver como estava meus conhecimentos e não é que eu estava melhor do que pensava! Foi gol! Alcancei o ponto de corte ainda com alguma sobrinha. toda minha vida. DE PEDRA EM PEDRA. mas o nó não saia da garganta. me recompus e fui assinar os documentos. Naquele momento passou um filme na minha cabeça. ou qualquer outro curso com certeza iria dar risada e chamá-lo de doido. achei que não fosse dar. já sabendo que não iria ser chamada. não é todo dia que um analfabeto entra . pois não tinha me preparado. não sabia nem por que chorava. novamente para ver como ia ficar minha colocação também não tinha nada a perder. Chega ser inacreditável.

matrícula feita. aqui temos que Aprender a andar com nossas próprias pernas. mas já deu para perceber que é um mundo totalmente diferente do que estamos acostumados.2 Lutar quando a regra é ceder Sabia que agora iria começar uma batalha. Sem descobrir isso. poderia sentir rejeitada. Até esqueço que sou mais velha que eles. será que eles vão admirar a vovó doida deles? 9. Muitas vezes até me surpreendo por estar sabendo coisa que achava que iria ter mais dificuldades para saber. meu sobrinho. Pensei que fosse me sentir uma deficiente dentro da sala de aula. para dar a noticia e para ganhar o abraço do meu filho. estava euforica. você fatalmente ficará pelo caminho. Iremos sair daqui totalmente diferente do que entramos com outra visão de mundo. primeiro por não ter feito o ensino médio e outro pelo fato de ser a mais velha da turma.17 na faculdade. Ainda acho que estou na vantagem em relação meus colegas. E aprender depressa. que meu marido já havia me encontrado. que iria ficar perdida. Tenho que tomar cuidado para não ser ridícula. a cada dia descubro que apreender é uma coisa muito boa e imagino que será melhor quando já estiver ensinando. sem precisar que outra pessoa lhe diga que isso ou aquilo é importante. Fui bem aceita pelos meus colegas e com um pouquinho de esforço está dando para acompanhar as aulas. ter que aprender a matéria do ensino médio junto com a do curso superior.3 diamantes lapidados Ainda tenho pouco tempo no curso superior. era hora de correr para casa para ligar para minha mãe. meu irmão. pois estou vivendo coisas de adolescente aos quarenta e três anos. 9. . nós todos somos diamante e aqui estamos sendo lapidados para o mundo. Sem contar que estou adorando. Fico imaginando quando sentar na sala já com meus oitenta anos e contando isso tudo para meus netinhos. Vaga garantida. É exatamente esse ponto que vai diferenciar os futuros profissionais: a capacidade de buscar o conhecimento é relevante a qualquer momento. Fazer com que eu me torne uma excelente professora de matemática. que é para este caminho que este curso vai me levar. Só não me sinto velha porque a velhice esta na cabeça e a minha tem que continuar jovem para eu consiga concluir meu curso. que podem me ajudar até mesmo no curso. os alunos podem ser meus filhos. pois já tenho muitas experiências de vida.

A cada dia tenho mais certeza de quem sou e qual o meu papel como futura professora. só ele pode nos livrar de uma vida alienada e massificada.. . é doloroso. Penso que o conhecimento. auxiliandome na compreensão mais clara e apurada do mundo em que vivo e que. na minha vida particular. este já dei e para concluir este curso percebo que muitos outros passos serão necessários. ajudará também a encontrar respostas do melhor caminho para tentar resolvê-los. Esses três anos e meio que passarei aqui serão a realização de um sonho. tenho convicção de que atingirei meus objetivos com os conhecimentos aqui adquiridos. se por algumas vezes ele me levar a conflitos internos. mas do qual não irei me arrepender um só minuto. Tenho consciência que esse curso será mais um passo para rasgar o véu da minha ignorância e que tenho muito a aprender. sonho este que trará alegria e sofrimento. porém fundamental..18 10. ele produz suas marcas mais nos livra da ignorância. FINALMENTE Sei que uma grande caminhada inicia–se com o primeiro passo. Gostaria de lembrar que este curso será primordial na minha formação.

porém os papeis inverteram.19 11. sei que deixaram muito a desejar mas foi por serem humildes demais. Me fez ver que não tem idade para recomeçar ou estar na vida acadêmica e que mesmo tendo convivido com muitos acadêmicos. Ressalto ainda que escrever este memorial doeu tanto quanto minha alma. CONCLUSÃO O conhecimento é como um vício. Há algum tempo era a menoria que tinha estudo. Como disse no começo deste relato. para me poupar que deixei de relatar alguns fatos. mais queremos. Não quero ser uma excluída! Voltar ao passado para escrever este memorial foi bom. minha história não seria real. . a experiência vivida é diferente da contada por alguém. e quem não correr vai sentir excluído. Este é um fato que foi bom. e também saber no final deste curso não estarão presentes para que poço dizer lhes obrigada por tudo. Pude também perceber a importância do aprendizado. quanto mais adquirimos. mas estão sempre em minhas memórias. mas se não citasse alguns fatos. por ter levado uma vida difícil aprendi a dar valor a coisas que para muitos são insignificantes. Aqui pude perceber a importância da união familiar. este curso me propiciou um novo e reflexivo olhar do mundo. difícil é acordar o passado adormecido. poderia não suportar a dor e também para preservar a identidade de pessoas que seriam citadas. apesar de dolorido. Ruim é saber que pessoas citadas não terão conhecimento da importância que tiveram em minha caminhada. relatar os fatos bons é fácil.

br) 3.html .com.) 4.imagens/antigasescola.br/.ibiubi. Letra musica Roberto Carlos 2. Casa do caipira (WWW. Carteira escolar (WWW.com.fotosearch.br) ..20 Bibliografia 1.fazendinhacheirodomato.com.. Imagem escola (www.

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