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Violência e Psicanálise em Freud

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Henrique Freire
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A VIOLÊNCIA EM FREUD: UMA REVISÃO TEORICA.

Lucas Magno Muniz de Moura1

RESUMO
Este artigo busca refletir sobre a violência na natureza social humana, levando em consideração a Psicanálise
freudiana. Inicia-se fazendo uma pequena introdução acerca dos estudos sobre violência nas ciências humanas de
uma forma geral, tendo como base a história da humanidade e sua relação com a violência. Destacando até o
ponto em que se resgatou Freud e seu entendimento sobre como se dá a relação entre natureza humana e a
violência. Assim, de caráter bibliográfico, esta pesquisa foi realizada através de uma revisão teórica dos
principais pontos da obra freudiana a tratar da violência, sendo eles: a teoria da sedução, o mito da horda
primitiva e a teoria das pulsões. Foi discutido como isso reflete no entendimento do fenômeno da violência na
obra de Freud, bem como suas possíveis implicações para o sujeito e a sociedade de maneira geral. Conclui-se
que a violência faz parte da humanidade, mas não é imperativo a vida humana.

Palavras-chave: Violência; Psicanálise; Freud; Agressividade

INTRODUÇÂO

A violência faz parte da vida humana. Apesar de todos os avanços civilizatórios, no


decorrer da história, ela sempre se fez constante e não é diferente na atualidade. Em seu
presente, a sociedade está cercada de notícias, e relatos que trazem esse ímpeto. Até mesmo
nas horas de lazer, as pessoas estão banhadas em cenas de violência. A indústria do
entretenimento explora constantemente essas cenas em seus produtos. Até no gênero da
comédia, a audiência se a habitua a rir de diversas perversidades sociais. Os filmes, as séries,
novelas e os programas de televisão, mais populares, exploram, a violência, em suas diversas
formas.
Esse excesso tem tido suas consequências na vida psíquica dos indivíduos, sendo
apontado como causa, ou agravante, do surgimento de doenças, como o transtorno de
ansiedade generalizada e depressão (ROCHA, 2012). Contudo, apesar dessa incessante
presença, pouco tem se refletido sobre a violência em si, e sequer há uma definição clara
sobre seu conceito, contornos e formas na Psicanálise, tendo com isso a necessidade de
refletimos sobre esse fenômeno na natureza humana (COSTA, 1986).

1
Graduando em psicologia pela faculdade de ciências humanas ESUDA.
2

Marilene Chauí, filosofa brasileira, possui um dos conceitos mais abrangentes e


completos acerca da violência, que norteará esse estudo:
1) tudo o que age usando a força para ir contra a natureza de algum ser (é
desnaturar); 2) todo ato de força contra a espontaneidade, a vontade e a liberdade de
alguém (é coagir, constranger, torturar, brutalizar); 3) todo ato de violação da
natureza de alguém ou de alguma coisa valorizada positivamente por uma sociedade
(é violar); 4) todo ato de transgressão contra o que alguém ou uma sociedade define
como justo e como um direito. Consequentemente, violência é um ato de
brutalidade, sevícia e abuso físico e/ou psíquico contra alguém e caracteriza relações
intersubjetivas e sociais definidas pela opressão e intimidação, pelo medo e o terror.
A violência se opõe à ética porque trata seres racionais e sensíveis, dotados de
linguagem e de liberdade, como se fossem coisas, isto é, irracionais, insensíveis,
mudos e inertes ou passivos (CHAUI, 1999, p.4).

O artigo buscou refletir sobre a violência, se alicerçando na Psicanálise, com a


consciência de que não é um fenômeno simples, não podendo ser visto de forma isolada e de
uma única via. Uma vez que ela possui variadas formas de constituição podendo ser palpáveis
e explícitas ou até mesmo abstratas e implícitas. Foi estudada a violência não como uma
entidade, ou fenômeno além do homem, mas como algo genuinamente humano e que o
implica. Assim, um ato violento pode ser praticado por qualquer um, sem que seja condição
uma “desumanidade” ou de uma “psicopatologia”. Até porque a participação do homem nesse
processo não pode ser vista só dentro da relação vítima causador, uma vez que a omissão, seja
diante de atos violentos de terceiros contra vítimas indefesas, ou diante de injustiças, também
pode ser entendida como uma violência.
A Psicanálise é de fundamental importância para o entendimento das considerações
aqui tecidas, sendo ela o fio condutor e base teórica utilizada no artigo. Assim, foi revisitada a
evolução do entendimento da violência, na natureza humana, bem como sua importância na
psiqué do indivíduo e da sociedade. Freud, fundador da Psicanálise, estudou a finco o
fenômeno da violência e chegou a conclusões que: “o pendor a violência é uma disposição de
instinto original e autônoma do ser humano” (FREUD 2010, p 90). Logo, faz parte da
constituição do sujeito, sendo inerente a ele. Até mesmo porque o funcionamento do
psiquismo humano, entendido pelo Freud, é uma interação de forças constantes, violentas,
implícitas: há portanto uma grande dualidade entre elas, nomeadas por pulsão de vida e a
pulsão de morte. Tais forças foram trabalhadas a partir das Teoria das pulsões, que foram
descritas no 1920, no livro “Além do princípio do prazer”.
Costa (1986), salienta três tópicos na teoria de Freud em que há uma presença
marcante da violência: A teoria do trauma infantil, o mito fundante da civilização em “Totem
e Tabu” e a teoria das pulsões. Esses pontos não esgotam o tema da violência em Freud, mas
são os pontos em que a relação da Psicanalise e a violência têm uma maior aproximação.
3

Contudo, devem ser analisados com cuidado, livres de reducionismo, pois interpretações
equivocadas carregam o perigo de legitimar e até banalizar atos de violência, quando na
verdade não é esse o objetivo freudiano, conforme será visto mais adiante.
Este estudo surgiu no contexto das eleições brasileiras de 2018, onde a violência social
foi um dos principais assuntos debatidos entre os candidatos às vagas da presidência. Não era
novidade o crescente aumento da violência urbana em que a sociedade vivenciava, e vivencia
até hoje. Chamou a atenção, no entanto, que os debatedores que apresentaram as soluções
mais agressivas para esse problema social, tiveram maior adesão dos eleitores.
Com isso, ficou evidente que o discurso de boa parte da população junto com as
principais lideranças políticas mais recentemente eleitas, é que a solução para violência no
Brasil seria justamente o aumento da violência naturalizada contra um determinado grupo
social (formado sobretudo por jovens, negros e pobres) representados como sinônimo de
criminalidade e agressividade. Por exemplo, o armamento da população civil, bem como atos
de violência contra “criminosos”, além do apoio à redução da maioridade penal, tem sido
constantemente apontados como saídas à violência e não como “falsas soluções” que apenas a
agravam.
Nesse entendimento a ideia aparentemente majoritária da população brasileira de que
contra a violência, deve se usar mais violência, talvez seja um sintoma da pouca reflexão
sobre esse tema. Essa inquietação aumentou ao perceber na Psicanálise, e em Freud
especificamente, algumas pistas que talvez explicassem a questão da violência no homem.
Esse fenômeno chama a atenção de Freud, ao ponto de fazê-lo se dedicar bastante a esse tema.
Será que somos de fato violentos e devemos nos habituar a isso? Tendo a reposta afirmativa,
como explicar a indignação, que surge em indivíduos civilizados, frente a atos violentos? E os
anseios do homem pela paz, pela tranquilidade, que rechaça o ímpeto a violência a ponto de
não enxergar o mínimo de sentido na agressividade, não é natural?
Essas questões serviram de propulsão para a pesquisa, no entanto dada a
complexidade do tema, não foi possível respondê-las de forma completa e definitiva. Mas a
partir delas e demais inquietações, construiu-se o seguinte problema de pesquisa: Como se dá
a construção do conceito de violência como algo constitutivo da psiqué humana a partir da
teoria freudiana?
Caniato (2000), refletindo sobre violência e a sociedade, chama atenção para o fato de
nossa sociedade ser pautada pela violência. Essa cultura tem gerado a dificuldade em entender
a dimensão do problema e apresentar soluções eficazes, fazendo com que a violência seja
banalizada e não gere indignações. Isso termina contribuindo para a manutenção dessa ordem,
4

uma vez que os indivíduos, muitas vezes, não se agrupam, tendo em comum essas
indignações, e não buscam suficientemente ações de mudanças e resistências sociais, contra a
violência social.
Tudo isso deixa bastante claro que esse assunto precisa ser estudado e refletido a fim
de que o ciclo de violências, dentro de um entendimento, seja descontinuado. A reflexão e o
fazer psicanalítico norteiam em uma esperança de que novos caminhos podem sim ser
seguidos, como nos tranquiliza Rocha (2012). Conhecimento é um instrumento de
transformação social, pesquisar\conhecer sobre a violência tende aponta para o surgimento de
novas possibilidades e soluções.
Assim, o objetivo geral deste trabalho consistiu em refletir sobre a violência na
natureza humana, levando em consideração a Psicanálise freudiana. Mais especificamente,
buscou-se: compreender as principais ideias sobre violência a partir de um percurso histórico
na ciência e do início da Psicanálise analisar o papel da violência em Totem e Tabu e
compreender como a Psicanálise pode contribuir para a descontinuidade das relações entre
violência e sociedade.

MÉTODO

O trabalho se trata de uma pesquisa bibliográfica qualitativa, conforme descrito por


GIL (2002), como uma pesquisa desenvolvida e apoiada em material bibliográfico
preexistente no formato de livros, artigos ou publicações acadêmicas. Qualitativa por que os
dados utilizados não podem ser quantificados, pelo fato de responderem a questões
particulares, em contextos específicos e dentro de determinados universos de significados que
não pode ser reduzidos a quantidades matemáticas (MINAYO, 2001).
A pesquisa foi iniciada utilizando os seguintes descritores “violência, psicanálise,
Freud e agressividade’ no site de busca eletrônica Bvs-Psi, onde foram encontrados 3 artigos.
Nos sites Scielo-br e no banco de tese da capes foram utilizados como descritores “violência,
psicanalise, Freud” o que resultou em 13 artigos e 2 teses. Totalizando 18 textos entre artigos
e teses.
O resumo desses textos foram lidos, quando se enquadravam no tema proposto do pré-
projeto, foram selecionados, refinando assim a pesquisa. Dessa forma dentre os 18 textos
foram seletos 5 artigos que foram examinados na sua integra, para a realização do pré-projeto.
5

Foi observado que alguns livros e artigos se repetiam entre as referências


bibliográficas desses cinco artigos selecionados, por este motivo, esses artigos e livros
também entraram na seleção de textos referenciais para a realização do pré-projeto.
Foram consultados especialistas da área, para que fizessem indicações de leitura, essas
leituras irão compor o artigo.

As principais ideias sobre violência: um percurso histórico na ciência e no início da


Psicanálise

A história da humanidade é cercada de violências, assassinatos, guerras, terrorismos,


etonicidios, genocídios e segregações diversas. Ao ponto de muitas vezes surgir o
questionamento se de fato o estudado é a história do homem ou simplesmente a trajetória da
violência, e seus fenômenos diretos e indiretos. Heródoto o primeiro historiador, considerado
o pai da história, escreve em suas primeiras páginas um conto, conto este que funda a
narrativa histórica, relatando o nascimento da violência que miticamente iria ser transformada
na Deusa Hybris. Que representava o insulto, a agressão, o desrespeito, a mutilação, a morte,
que estaria em todos os lugares, sendo onipotente. Essa Deusa seria responsável pelo
acontecer, e o movimento, da história agindo em todos e em tudo (FERREIRA, 2017).
Esse episódio na narrativa do Heródoto é muito interessante, porque deixa explicito o
a presença da violência, não só na história em si, como na própria narrativa da história. A
forma da humanidade contar a sua história é permeada pela violência, no sentido de nossas
narrações serem orientadas aos feitos agressivos, caóticos, bélicos, sempre colocando a
violência no centro (FERREIRA, 2017).
Não é novidade também que na gênese de todas a civilizações, que se tem
conhecimento até hoje, a violência foi sempre muito marcante. Onde em muitas dessas
civilizações, os homens tratavam a violência como algo sagrado. Para o ser humano na pré-
história, a potência destrutiva da natureza, a agressividade dos animais selvagens, que embora
o angustiassem, de certa maneira, também despertava um certo fascínio. Ao ponto de muitas
vezes transformar em deidades e mitos esses fenômenos e até buscar relacionar-se com tais. O
que em certo modo relaciona-se com tais fenômenos de violência nesse sentido seria a
externalização da própria violência humana (HAN, 2017).
Nas mitologias antigas, há quase sempre a representatividade do Deus da morte, ou da
Guerra, que costumava ser um Deus Violento que teria sede de sangue. Agradar esse Deus
tinha quase que um caráter imunizador contra desventuras, e contra a própria violência. Os
6

indivíduos agradavam a esse Deus com guerras e assassinatos, para evitar ser vítima atos
violentos. O que gerava uma certa economia da violência, onde quanto mais violento um
indivíduo era menos violência ele iria sofrer (HAN, 2017).
Essa economia da violência tinha um final trágico: o excesso de violência em algum
momento, exterminaria a todos. O caos seria só uma questão de tempo, e algo deveria cessar
essa reação em cadeia. É aí que entra a religião, que na época cuidou de criar um mecanismo
para trazer a paz, e evita o pior. O curioso é que a violência também foi peça fundamental
nesse dispositivo que evitaria um aniquilamento geral entre homens. Então para quebrar esse
ciclo de assassinatos e violência cria-se o sacrifício expiatório (HAN, 2017).
Assim, toda a violência, contendas, invejas, brigas e rivalidades eram descarregadas
em uma vítima conciliatória, podendo de um outro humano, um animal ou algo que tivesse
sangue. Esse sacrifício expiatório não ao acaso era bastante violento, tinha poderes mágicos
para evitar infortúnios, trazer sorte e coisas boas. Foi através da violência, que o homem
primitivo teve seus primeiros contatos com experiências religiosas. Esses sacrifícios religiosos
estão presentes nos astecas, gregos, indianos, judeus e povos africanos, ou seja, em
basicamente todos povos primitivos que conhecemos a história (HAN, 2017).
Arendt (1985), em seu livro: Sobre a violência, ao discorrer sobre a onipresença da
violência na humanidade, deixa claro que qualquer estudioso dedicado à história, ou a
política, ou a antropologia, enfim humanidades em geral, não pode permanecer alheio ao
papel vultoso da violência. E tal presença tão marcante, desperta questionamentos sobre a
natureza humana. A violência seria algo inato ao homem? Ou o que possibilita o surgimento
da violência nas relações humanas?
Thomas Hobbes (2002), pensando em como se deu a necessidade de criação da
sociedade e do Estado, em uma publicação de 1651, teoriza que a necessidade de um
governante surge para apaziguar a vida selvagem, que seria caótica e violenta. Hobbes via
natureza humana como algo cruel, violenta e egoísta. Logo, o homem sendo governado por
sua natureza vivia em um estado de caos e guerra, surgindo aí a necessidade de algo que
tamponasse essa natureza. Logo o medo do Governante\Estado, teria que suprimir o medo do
vizinho, que existiria em um estado natural. O Leviatã traz essa ideia de um estado
monstruoso que cause terror a ponto de ofuscar o medo que o cidadão pudesse sentir do
próximo.
Costa (1986), destaca que a ideia hobbesiana da natureza humana como algo cruel faz
bastante sucesso no meio acadêmico em que Freud está inserido. Hobbes escreve sobre a
natureza humana duzentos anos antes de Freud e o serve de inspiração. O próprio Freud se
7

considera um Hobbesiano, no aspecto da violência na natureza humana. Acreditando que o


homem não só era mau, como que a pratica da maldade o dava prazer.
O Freud cita em “O Mal-estar na Civilização” livro de 1930, uma das frases mais
famosas de Hobbes, “O homem é lobo do próprio Homem” (Thomas Hobbes, 2002, p 109),
essa citação se dá em um dos trechos em que visão de natureza humana freudiana é
explicitada de forma clara, criticando o mandamento bíblico de amar o próximo como a ti
mesmo, ele diz:
O quê de realidade por trás disso, que as pessoas gostam de negar, é que o ser
humano não é uma criatura branda, ávida de amor, que no máximo pode se
defender, quando atacado, mas sim que ele deve incluir, entre seus dotes instituais,
também um forte quinhão de agressividade. Em consequência disso, para ele o
próximo não constitui apensa um possível colaborador e objeto sexual, mas também
uma tentação para satisfazer a tendência à agressão, para explorar seu trabalho sem
recompensá-lo, para dele se utilizar sexualmente contra sua vontade, para usurpar
seu patrimônio, para humilha-lo, para infringir dor, para tortura-lo e mata-lo. Homo
homini lupos [ o homem é o lobo do homem]; quem, depois de tudo que aprendeu
com a vida e a história, tem coragem de discutir essa frase? Via de regra, essa cruel
agressividade aguarda uma provocação, ou se coloca a serviço de um proposito
diferente, que poderia ser atingido por meios mais suaves. Em circunstâncias
favoráveis, quando as forças psíquicas que normalmente a inibem estão ausentes, ela
se expressa também de modo espontâneo, e revela o ser humano como uma besta
selvagem que não poupa os de sua própria espécie. Quem chamar à lembrança os
horrores da migração dos povos, das invasões do hunos, dos mongóis de Gêngis
Khan e Tamerlão, da conquista de Jerusalém pelos piedosos cruzados, e ainda as
atrocidades da recente Guerra mundial, terá de se curvar humildemente à verdade
dessa concepção. (FREUD, 2010, p. 76).

Nessa publicação, Freud trata e enumera alguns mecanismos da sociedade que seria
um entrave a felicidade do homem, e porque desses entraves serem necessários a uma vida em
sociedade. A tese é que a sociedade surge para refrear os instintos agressivos no homem e
possibilitar o convívio em sociedade, o que lembra um pouco a ideia Hobbesiana da
necessidade de um Estado Forte. A agressividade inerente a natureza humana é tão clara pra
Freud que logo depois da citação anterior, um pouco mais a frente nesse mesmo livro ele
evidência ainda mais: “Nenhum outro trabalho me deu a sensação, como este, de expor algo
conhecido, de gastar papel e tinta e fazer trabalhar o tipógrafo, para falar de coisas evidentes”
(FREUD, 2010, p. 83).
É inegável que Freud levou a questão da agressividade humana, como algo inerente ao
homem. E a Psicanálise funda-se com essa visão de homem em vista. É certo que 1930, o ano
em que Freud escreveu esse texto, foi um ano complicado para o mundo de uma forma geral e
para o próprio Freud, a humanidade ainda estava sobre efeitos da depressão econômica de
1929, o antissemitismo estava em alta na Europa, e nazismo em ascensão na Alemanha. Fatos
esses que poderiam apontar um certo ressentimento, e até contaminar, essa obra.
8

É importante resgatar aqui que o Freud, e muitos outros psicanalistas após ele,
pensam a violência com a clássica versão Aristotélica: “Violência como a qualidade do
movimento que impede as coisas a seguirem seu movimento natural” (COSTA, 1986, p.15).
Daí então essa noção em que põe a violência com algo primordial no homem freudiano, tem
como início na teoria do trauma infantil, ou teoria da sedução, que seria o elemento fundante
do psiquismo do indivíduo. “Considerando que, para Freud, a sexualidade infantil resulta da
confluência de três fatores – O estimulo biológico, o estimulo ligado ao exercício das funções
vitais e o estimulo exógeno, determinado pelo pais.” (COSTA, 1986, p.19). Onde esse
estimulo exógeno seriam orientados pelo desejo libidinal dos pais pelo filho, violentando de
certa forma o curso natural da criança.
Costa (1986), nos aponta também que o desejo dos pais é produto de uma longa
complexa convergência de sentidos criados a partir da cultura e de uma história, muito acima
da capacidade absorção da criança. Logo “A criança é obrigada a introjetar ou interiorizar
uma excitação sexual, portadora de um significado que ultrapassa sua capacidade de absorção
biopsicológica” (COSTA, 1986, p. 19).
Nessa perspectiva, a criança é violentada porque existe a impossibilidade de saber qual
o seu desejo, restando somente a imaginação do adulto. Por exemplo, a criança chora. Mas
qual o motivo daquele choro? Seria fome ou sono? Chega a ser cômico, imaginar uma criança
chorando em seu berço por estar com calor. A mãe que não sabe o motivo infere ser fome,
oferece o peito, a criança mama. Logo depois a criança chora de novo por qualquer outra
causa, a mãe novamente sem saber o motivo do choro, tenta solucionar dando mais uma vez
de mamar.
Roudinesco e Plon (1998), explicam que a palavra sedução denota uma cena sexual
onde um dos participantes de forma ativa, e tendo recursos superiores aos outros envolvidos,
se vale dessa posição para cometer o abuso sexual. A palavra supõe uma certa violência moral
e até física. Baseado nessa dinâmica Freud cria a teoria da sedução, em que um trauma sexual,
da criança na infância, resultaria na estrutura neurótica observada na clínica. Essa teoria foi
utilizada durante muito tempo na clínica, no entanto mais tarde o próprio Freud abandona esse
raciocínio quando se dá conta que nem todos os pais eram violadores. Nesse abandono ele
percebe que em muitos casos na clínica esse possível abuso sexual era uma fantasia de seus
pacientes, e ai em substituição a teoria da sedução ele cria a teoria da fantasia.
Costa (1986), concorda com Freud no abandono da teoria da sedução enquanto
elemento traumático em um abuso real, e em si. Demostra ainda que na ideia inicial do desejo
dos pais violentando o curso natural da criança, não faz sentido uma vez que não existe curso
9

natural no psiquismo infantil nesse período, uma vez que ele se funda nesse processo. Se há
violência em um possível trauma infantil fundante do psiquismo, seria a questão da introjeção
da cultura e seu mal-estar. Dentro da ideia de que cultura é uma imposição de ritos e
significações de forma arbitrária. Mas que é necessária tendo em vista que somos seres sociais
e que necessitamos da cultura para intermediar nossas relações, como comprova Freud em
1930 no seu O Mal-estar na Civilização.

A violência em Totem e Tabu: O nascimento da sociedade deriva de um assassinato.

O segundo ponto, elencado anteriormente, da teoria freudiana em que a violência tem


um caráter de protagonismo é a hipótese da horda primitiva, que foi descrita no livro de 1913,
Totem e Tabu. No livro Freud narrar como nossa civilização teria evoluído de uma tribo
primitiva para a sociedade moderna, ampla e normatizada que temos hoje.
Em Totem e Tabu, Freud (1974) faz a aproximação da Psicanálise a antropologia,
dando algumas soluções dentro do arcabouço teórico da Psicanálise para problemas
antropológicos. O acesso da história dos povos primitivos é tido de forma fragmentada. Não
há a escrita, nem a possibilidade da historiografia nessa época. Logo o que sabemos desse
período é construído através de pequenos fragmentos de mitos, lendas, utensílios e
ferramentas bem como a arte pré-histórica. Freud (1974), também se utiliza desses dados
antropológicos para confirmar definitivamente a teoria do complexo de édipo, abrindo a
possibilidade de ser visto com um complexo universal. Mais à frente esse ponto será
explicitado.
A essa altura é interessante se ter uma distinção em mente, a diferença entre a
agressividade e a violência. A agressividade é instintual, e desprovida de desejos. Homens e
animais são agressivos. Contudo, o animal não pode ser violento, porque não há desejo de sê-
lo, “o animal não deseja, o animal necessita” (COSTA, 1986 p. 39). Há uma determinação
biológica entre os animais no que se refere a predador e presa, não podendo haver
alternativas. Entre os humanos, não há determinações biológicas de agressividade entre seus
semelhantes. Existe a possibilidade do emprego da agressividade em prol de um desejo, isso é
violência. Nesse aspecto a violência é exclusividade humana (COSTA, 1986).
Voltando a Totem e Tabu, os humanos são descritos em sua gênese civilizatória como
sendo participantes de uma grande horda primitiva familiar constituída por um Pai (líder do
Grupo), e os seus filhos. A liderança desse grupo seria praticada pelo pai com a força de
violências e coerções. Em um dado momento esse líder paterno despótico, com ciúmes das
10

mulheres do grupo, resolve proibir o acesso dos filhos as fêmeas, que basicamente seriam
suas irmãs e mãe. Isso gera um desconforto entre os filhos (homens), uma vez que há o desejo
de tomar para si as mulheres, e acusam o pai de querer tê-las só para si. Por conta disso há
uma rebelião dos filhos, que se unem, contra esse líder paterno. Nessa rebelião os filhos
matam o pai e comem seu cadáver (SILVA JR, 2007).
Após o ato animalesco há o arrependimento dos filhos. E a partir disto uma nova
ordem social passa a existir. O assassinato desse pai ao invés de destruí-lo, o torna ainda mais
poderoso, uma vez que o arrependimento do crime de sua morte, traz a culpa e o remorso.
Com isso o pai se inscreve internamente nos filhos. A proibição inicial passa a ser internaliza.
Os filhos instituem a exogamia ao grupo, reconhecendo o tabu do incesto, aceitando a
interdição as mulheres feita pelo pai. É interessante como a violência é importante nesse
texto, e que através de sua máxima expressão: o assassinato, há a possibilidade da
internalização da lei, que é imprescindível na estruturação da sociedade hoje. A cultura para
Freud nasceria desse ato destrutivo (SILVA JR, 2007).
Nakasu (2005), comenta que no desenvolver da teoria psicanalítica o fenômeno da
violência até Totem e Tabu era descrito por Freud como algo individual ao sujeito, seja no
trauma da sedução ou a teoria das pulsões. Foi evidenciado como sendo algo particular dos
sujeitos e de seu funcionamento psíquico. Em “Totem e Tabu”, há a universalização da
violência ao atrelar ao crime de parricídio o surgimento da religião, da arte e da cultura. Há
uma ampliação da noção de violência no homem nessa obra. “A maldade e agressividade
humana saem do campo do clínico e do terreno dos fenômenos normais individuais para
ingressarem no campo da cultura e da pré-história do indivíduo” (NAKASU, 2005 P.143).
O homem repete essa carga de destrutividade inconscientemente, a ponto de só lhe ser
possível viver em sociedade se submetendo a leis internas que restrinjam essa agressividade.
Após esse texto Freud volta a acrescentar dados sobre o fenômeno da violência no homem,
em 1930, no livro Mal-estar na Civilização, que de certa forma retoma esse entendimento,
como também em 1932 no texto, Por que a Guerra?
Costa (1986), ao comentar o mito da horda primordial, salienta que essa narrativa deve
ser vista como uma metáfora explicativa do complexo de Édipo. Nesse complexo a criança
tem o desejo inconsciente de eliminar o pai, seu rival, e ter a sua mãe só para si. Em Totem
em Tabu Freud aplica essa Teoria a gênese da sociedade. “Mostrando que a história individual
de cada sujeito não é mais do que a repetição da história da própria humanidade”
(ROUDINESCO E PLON, 1998. p.757).
11

Freud ao pensar uma teoria para gênese da sociedade utiliza da violência como
elemento fundante, não só ele, na verdade é até uma ideia bastante recorrente. Hobbes, Max
Heber e Darwin também se utilizam dessa forma de pensar. No entanto Freud pensa dessa
forma mas reconhece um caráter mitológico nesse pensar. E levar o mito da horda primitiva
como literal, e portador de verdades fidedignas levou Totem e Tabu a ser um dos livros mais
criticados da bibliografia Freudiana. Muitas dessas considerações negativas partem de
intepretações que o enxergam puramente como um livro sociológico ou historiográfico.
Quando na verdade a publicação deve ser vista como uma mitologia psicanalítica que
possibilita a postulação de intepretações variadas, como a do Jurandir Freire “Freud quis
mostrar como o contrato social é obedecido sem que haja a necessidade de uma força externa
coercitiva e permanente” (COSTA, 1986, p. 52).

A teoria das pulsões e as perspectivas freudianas sobre a violência na sociedade.

Um outro ponto sensível ao tema proposto, é teoria das pulsões, que além de ser uma
das teorias nevrálgicas da metapsicologia Freudiana, é o ponto da Psicanálise que ficou
popularmente conhecido por ter uma maior aproximação com a violência.
Freud (2019), no ano de 1938, inicia um projeto que não pode ser finalizado devido a
reincidência de seu câncer. “O Compêndio, ou esboço, de Psicanálise”, que seria a reunião de
sínteses das criações freudianas de uma forma mais madura e consolidada. No capítulo dois,
há o resumo que as pulsões são variadas forças, que tendem a ser conservadoras, constantes, e
que são responsáveis por gerarem as tensões na vida anímica individual, seguindo as
necessidades do inconsciente humano. Por uma questão prática e teórica o Freud agrupa essas
forças em duas categorias, opostas de Pulsões: a de Eros e a de destruição.
Seguindo o texto, é definida a pulsão de Eros como a de conservação de espécie, ou de
busca pelo prazer, tendo “O objetivo de sempre produzir maiores unidades e assim mantê-las”
(FREUD, 2019, p. 25), e a de destruição como: “Aquela cujo objetivo final seja levar o
organismo vivo ao estado inorgânico. Por isso a chamamos também de pulsão de morte”
(FREUD, 2019 p. 25). Essas duas atuam constantemente na psique do indivíduo combinando-
se, em poucos casos, ou contrariando-se (o mais provável uma vez que são forças contrarias)
produzindo assim a diversidade dos fenômenos da vida. Com essa ideia o Freud cria uma
dialética de forças que gera uma dinâmica do funcionamento da psique humana, nesse sentido
a violência funcionaria como sinônimo para pulsão de morte.
12

Roudinesco e Plon (1998), revelam que a ideia de pulsão tem alguns pontos de contato
com a filosofia nietzschiana, na qual o espírito humano era resultado de uma series de
colisões de forças contrarias. Com essa influência, Freud desenvolveu a dinâmica pulsional no
desenvolver de seus atendimentos e suas publicações, sendo a primeira aparição da ideia no
ano de 1895 em um texto endereçado a Flies que ficou conhecido no Brasil como “Projeto
para uma psicologia Cientifica”. E a sua última no ano de 1938, no texto Esboço de
Psicanálise. Ou seja, Freud contribui para a ideias das pulsões praticamente por toda a vida.
Para os autores, é o desenvolver, e a criação da teoria das pulsões, que levam ao Freud ser tão
enfático quanto a questão da agressividade e a tendência a destruição do homem, no livro
Mal-estar na Civilização. Colocando a violência no homem como uma satisfação a pulsão de
morte.
Costa (1986), para entender essa questão da violência na pulsão de morte, evoca uma
outra passagem dos escritos de Freud em que ele fala sobre a violência. Em uma carta de 1932
(dois anos após escrever Mal-estar na Civilização) trocada com Albert Einstein, que ficou
conhecida como: “Por quê a Guerra?”, eles discutem temas pertinentes de sua época, dentre
eles a segunda guerra mundial, que estava prestes acontecer. Freud revisita alguns dos velhos
temas da agressividade e violência no gênero humano, apresentando a violência em dois
contextos. O primeiro onde a violência aparece unicamente como uma satisfação ao instinto e
ao desejo destrutivo do homem. E em um segundo, bastante interessante, onde ela aparece
como uma possível consequência dos conflitos de interesse. Ou seja, para o Freud (2010), as
guerras são uma das muitas possibilidades que os homens têm de resolver seus conflitos, e
que em algumas situações recorrer a violência é necessário.
Nessa mesma carta, Freud aponta uma saída a violência na sociedade. Que seria a
criação de um estado universal, ou uma lei, em que houvesse direitos, onde a maioria das
pessoas estivessem em unidade. Nesse sentido essa unidade arbitraria os conflitos e não mais
a violência individual, ou de um grupo. Embora essa unidade pudesse em alguns aspectos usar
da força coercitiva para a resolução de possíveis conflitos a violência individual teria um
decréscimo (FREUD, 2010).
Para Costa (1986), essa resolução para o problema da violência no homem é
interessante porque, de forma complexa, mostra a violência como um instrumento de união
para os indivíduos. Fazendo uma ponte desse texto com Totem e Tabu, a comunidade seria
mantida, não só pela força coercitiva (violência), mas também por vínculos emocionais e
racionais. Com essa resolução, é aberta uma nova possibilidade de entender a violência na
obra freudiana. Não mais, simplesmente, como uma mera satisfação de instintos primitivos.
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Há possibilidade de haver um uso dentro de uma racionalização, e não mais como um


imperativo irracional. Nessa ideia a violência surge como possibilitadora de justiça social.
Freud (2010), no final da carta, questiona o fato de haver pessoas que renegam a
guerra, a agressividade e a atos violento. Se o homem é naturalmente violento, por que
existem pacifistas como o próprio Freud e o Einstein? A indignação do pacifista frente a
guerra não é genuína? A explicação que Freud dá ao pacifismo, é de que é uma manifestação
natural e desejável da entrada do homem no processo civilizatório. E que surge devido ao
“fortalecimento do intelecto”, ou seja, graças a racionalização cada vez mais primordial na
cultura, a violência tem sido deixada de lado.
Ao comentar a carta freudiana, chega-se à seguinte conclusão: “Freud observador não
pode deixar de notar: que não existe um “instinto de violência”. O que existe é um instinto
agressivo que pode coexistir perfeitamente com a possibilidade do homem desejar a paz e
com a possibilidade de empregar a violência.” (COSTA, 1986. p. 35).
Essa carta é importante para entender a ideia da violência para Freud, porque nela, há a
rivalidade entre ideia da violência natural humana como algo indomável e destrutiva com a
ideia da busca pela paz do homem. Nesse ponto a genialidade de Freud é entender que existe
uma contradição nessa rivalidade, mas não é uma contradição anulativa. O homem deseja a
paz porque as consequências dela propiciam felicidade (COSTA, 1986).
Homem tem em sua natureza, traços de violência. Mas esteve disposto a abrir mão
disso para se socializar com seus semelhantes. A entrada do homem no dolorido processo
civilizatório, tem um objetivo maior, que é o de relacionar-se com seus semelhantes em busca
da felicidade. E é inegável que uma cultura de paz é o meio mais fértil para isso.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A violência perpassa toda a história humana, bem como a vida psíquica do indivíduo.
No entanto, isso não significa que o homem é exclusivamente guiado nesse sentido. O ser
humano é complexo e não comporta ser reduzido a uma mera economia de instintos e suas
respectivas satisfações. A violência está presente, mas nossa natureza é social: somos seres
sociais e o estar com o outro, se relacionando, é fundamental para o nosso pleno
desenvolvimento. É preciso estar em comunidade para ser feliz. Uma criança humana não
sobrevive sozinha, tamanha nossa dependência de uns com os outros. E dentro dessa ideia, a
violência frustra o relacionamento com o próximo. O medo do outro pautado pela violência é
um entrave à socialização.
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Freud tem grande importância na história da humanidade, porque, dentre outras coisas,
ele tinha a consciência das complexidades humanas. Seus textos devem ser entendidos
levando-se em consideração essa complexidade. Quando buscamos entender determinada
ideia na obra freudiana, é necessário unir todos os textos que ele trata sobre este assunto, sem
isolar um conceito dos outros, dentro da cronologia dos fatos. O tempo é fundamental para
entender a obra freudiana, uma vez que as teorias criadas por ele com o passar do tempo são
aperfeiçoadas e até abandonadas, quando se mostram falhas. Isso se dá porque a ciência
freudiana foi criada em meio a sua prática. Obviamente, isso não a deslegitima, ao contrário:
mostra que há a flexibilidade para se adaptar à realidade e até uma certa humildade.
Ao tratar da violência, o autor não é diferente. Freud, em seus últimos textos, leva o
seu entendimento sobre esse fenômeno a um outro patamar. Colocando em perspectiva a
busca do homem pela paz. A paz tão desejada em todos os tempos frente a violência, é que
propiciaria a tranquilidade para nos relacionarmos uns com os outros, extinguindo o medo da
violência.
É certo que na metapsicologia freudiana, está a teoria das pulsões, que fala de uma
dualidade de convergência dinâmica. A pulsão de morte portanto está como elemento violento
e destrutivo. Mas é primordial entender essa pulsão em sua convergência à pulsão de Eros,
que busca felicidade, a vida, o prazer. Não se deve entender essas pulsões isoladas, mas em
constante interação. Uma não existe sem a outra: é preciso vida para haver morte; é preciso
morte para haver vida.
A violência existe, é inegável, mas não deve ser superestimada ou sacralizada. Freud
deixa explicito em sua carta a Einsten. Ela deve ser entendida como só mais um meio de
solucionar conflitos, entre tantos outros meios disponíveis a humanidade. Como, por exemplo,
o diálogo. A linguagem, que foi criada pelos homens para possibilitar o relacionar-se com
outros homens. A humanidade saiu das cavernas, inventou diferentes utensílios de trabalho,
elaborou formas de se comunicar, concebeu linguagem, a escrita, para viver em sociedade.
Leis e normas sociais, foram geradas, com o objetivo de ter uma vida social de paz e
tranquilidade. Tudo isso, para se relacionar com seus semelhantes.
Todo esse percurso é incompatível com a ideia de um homem exclusivamente “mau”,
violento e/ou destrutivo. Essa ideia deve ser abandonada, pois se mostra longe da realidade. O
homem é também solidário, terno, sensível com o próximo, resiliente, criativo e dispõe do
amor. Devemos investir mais nesses potentes fenômenos humanos, que são permeados pelo
amor, na esperança de uma sociedade menos destrutiva e mais inventiva.
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