UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE - UFRN
CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E DA TERRA
DEPARTAMENTO DE FÍSICA TEÓRICA E EXPERIMENTAL – DFTE
ANDRÉ LUIZ DE OLIVEIRA SILVA
DAVI FINAMORI LOPES FEITOSA
FRANCIANA DE SOUZA GONÇALVES
MAYARA LISBOA BEZERRA
Relatório experimental: Medida do Campo Magnético da Terra
Natal, 2022
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ANDRÉ LUIZ DE OLIVEIRA SILVA
DAVI FINAMORI LOPES FEITOSA
FRANCIANA DE SOUZA GONÇALVES
MAYARA LISBOA BEZERRA
Relatório experimental: Medida do Campo Magnético da Terra
Relatório do experimento realizado sobre medição
do campo magnético da Terra, realizado como
requisito da disciplina de
FIS0316 - Física Experimental II, na
Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
Prof. Dr. Thiago Crisostomo Carlos Nunes
Natal, 2022
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SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO................................................................................................................3
2 OBJETIVO......................................................................................................................7
3 METODOLOGIA.............................................................................................................8
3.1 MATERIAIS UTILIZADOS..............................................................................................8
3.2 PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL..............................................................................8
4 CONCLUSÃO.................................................................................................................9
REFERÊNCIAS.....................................................................................................................10
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1 INTRODUÇÃO
Os campos magnéticos estão presentes em diversas aplicações práticas no
ramo da física e da engenharia como na calibração de equipamentos de navegação,
no funcionamento de geradores e motores elétricos, no funcionamento de
transformadores de potência e na determinação das componentes do campo
magnético terrestre – exemplo o qual será estudado neste experimento.
Pierre de Maricourt (1269) observou que a agulha de uma bússola sujeita a um
campo magnético produzido por um ímã esférico natural se dispõe a alinhar-se a
dois pontos da esfera em extremidades opostas. Diferente de campos elétricos, os
campos magnéticos não são formados pela interação entre monopolos positivos e
negativos de cargas isoladas. Os polos magnéticos sempre ocorrem em pares,
comportando-se como dipolos (TIPLER; MOSCA, 2009). Willian Gilbert (1600)
descobriu que a Terra é um ímã natural, com polos magnéticos próximos aos polos
sul e norte geográficos. Com o auxílio de uma bússola é possível conhecer a
orientação das componentes de linhas de campo que a Terra produz. Assim como
em cargas elétricas, observou-se que polos iguais se repelem e polos opostos se
atraem. Quando o polo norte da agulha de uma bússola aponta para o polo sul
magnético da Terra, tem-se a direção do polo norte geográfico do planeta (TIPLER;
MOSCA, 2009). A Figura 1 representa as linhas do campo terrestre ⃗ B E, seguida da
influência do campo magnético dada pela componente ⃗ B T na superfície da Terra.
Figura 1: Campo magnético produzido pela Terra e disposição do eixo do dipolo magnético Nm em relação eixo
do norte geográfico N.
Fonte: [Link]
O campo magnético é uma propriedade básica intrínseca das partículas
elementares, como nos elétrons. Na maioria dos materiais os campos magnéticos
dos elétrons se cancelam, produzindo um campo nulo ao redor do material. Em
outros elementos, os campos magnéticos se somam no espaço que o cercam. Este
é o caso dos ímãs permanentes (HALLIDAY; RESNICK, 2016). A hipótese mais
aceita para a causa do campo magnético produzido pela Terra é a teoria do dínamo,
que atribui este fenômeno às intensas correntes elétricas geradas pelo movimento
do ferro e o níquel em estado de fusão que circulam em seu interior (SILVA, 2022).
Um método simples de medição de campo magnético terrestre é dado pela
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interferência de sua orientação em uma bússola por um campo magnético externo
conhecido (FILHO; LAURETO, 2009).
Baseando-se no campo magnético intrínseco dos elétrons, é possível criar
um campo utilizando o movimento de partículas eletricamente carregadas em
movimento. Isto é, através de corrente elétrica em um fio, por exemplo. Neste caso,
o campo magnético B é dado pela integração de todos os elementos de corrente ⃗ ids
que compõem um fio, como ilustra a Figura 2 (HALLIDAY; RESNICK, 2016).
Figura 2: Fio percorrido por corrente elétrica
Fonte: HALLIDAY; RESNICK, 2016.
Segundo a lei de Biot-Savart, a contribuição d ⃗
B para o campo magnético B, a
uma distância r do ponto P é dada por:
(Equação 1)
Onde μ0 é uma constante de permeabilidade magnética que depende do meio,
medida em N/A²; r^ é um vetor unitário cuja origem está no elemento de corrente que
aponta na direção de P e representa a direção do campo elétrico da carga dq.
Observando o produto vetorial ⃗ ids x ^r da equação 1, verifica-se que a direção do
vetor de contribuição d ⃗
B é regido pela regra da mão direita, conforme Figura 3.
Figura 3: Regra da mão direita para determinação da direção e sentido do campo magnético.
Fonte: TIPLER; MOSCA, 2009.
Considerando agora que um fio percorrido por uma corrente elétrica forme a
geometria de um anel (Figura 4) de raio R e o ponto P se situe no centro deste anel,
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haverá contribuição de todos os elementos ⃗ ds ao longo de sua circunferência em
igual módulo, visto que a distância do ponto em questão é igual para todos os
elementos infinitesimais de corrente no fio (TIPLER; MOSCA, 2009).
Figura 4: Anel condutor percorrido por corrente elétrica e disposição das linhas de campo magnético induzidas.
Fonte: TIPLER; MOSCA, 2009.
Os condutores circulares que constituem uma bobina são chamados de
espiras. As linhas de campo induzido por uma associação de espiras tendem a se
alinharem com o eixo central da bobina (Figura 5) devido a soma das componentes
vetoriais de cada contribuição d ⃗
B . O campo magnético estará dirigido ao longo do
eixo da bobina, local onde se configura um campo magnético razoavelmente
uniforme.
Figura 5: Seção reta de um trecho de solenoide percorrido por corrente elétrica.
Fonte: HALLIDAY; RESNICK, 2016.
Neste experimento será utilizado um par de bobinas chamadas de Bobinas
de Helmholtz idealizadas pelo físico experimental alemão Hermann Ludwig
Ferdinand von Helmholtz (1821-1894) as quais receberam seu sobrenome
(ALEXANDER; SADIKU, 2013). A bobina de Helmholtz é constituída de duas
bobinas coaxiais de raio R = 20 cm, separadas por uma distância R, portadoras de
mesma corrente elétrica I com mesmo sentido. Cada bobina possui 154 espiras e as
dimensões transversais das bobinas são muito pequenas (ROBERT, 2003). A
Figura 6 ilustra o par de bobinas de Helmholtz e o comportamento das linhas de
campo magnético induzido pela corrente.
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Figura 6: Bobinas de Helmholtz e comportamento das linhas de campo magnético
Fonte: [Link]
O dimensionamento das Bobinas de Helmholtz pode variar segundo os
experimentos a serem realizados. A relação entre o raio R, o número de espiras N e
a corrente elétrica I, que constituem o campo magnético B, é determinada a partir
da equação 6 (ROBERT, 2003):
B H =8 μ 0 ∋ ¿ ¿
5 √5 R
(Equação 6).
Simplificando a expressão, atribui-se os valores que multiplicam a corrente I
8 μ0 N −7
a um coeficiente denominado B 0= . Considerando μ0 =4 π .10 N/A²; N = 154; e
5 √5 R
R = 20 cm. Tem-se que B H ≅ 0 ,7 .10−3 I .
O par de bobinas de Helmholtz pode ser utilizado como campo magnético
externo para medir o campo magnético ambiental terrestre. É importante que os
dois enrolamentos estejam paralelos e a uma distância igual ao valor do raio,
conforme Figura 6. Esta condição produz no eixo das bobinas uma região de campo
homogêneo o qual será usado como referência no experimento (FILHO; LAURETO,
2009).
Posicionando uma bússola no ponto médio do conjunto de bobinas e
alinhada ao eixo das espiras, a agulho do instrumento irá defletir segundo o campo
magnético externo criado pela passagem de corrente elétrica no circuito. A bússola
que, inicialmente indicava somente a direção dos polos magnéticos da Terra, se
alinhará a um vetor de campo magnético resultante da soma do campo externo com
o campo magnético do ambiente. Como apresentado na Figura 7, a agulha da
bússola formará um ângulo θ em relação a sua posição inicial, correspondendo ao
vetor de campo resultante.
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Figura 7: Deflexão da agulha da bússola segundo o vetor resultante da soma do campo magnético externo e do
ambiente.
Fonte: [Link]
É possível observar que a bússola indica uma relação trigonométrica entre os
vetores de campo magnético descritos acima. Posicionando o eixo do conjunto de
bobinas de forma perpendicular à direção do campo da Terra indicado pelo
instrumento (conforme Figura 7), o módulo dos vetores de campo pode ser
relacionado segundo a tangente do ângulo θ conforme a expressão abaixo:
B
tanθ= H
BT
(Equação 7).
Considerando o campo magnético de referência gerado pelo par de bobinas
de Helmholtz (BH) e o campo terrestre do ambiente (BT) como componentes de um
vetor de campo magnético resultante BR, é possível determinar a magnitude do
campo magnético local da Terra utilizando o valor aproximado de BH em relação a
corrente elétrica I obtida da equação 6. Tem-se então que:
BH
tanθ= ⇒ B H = BT tanθ ⇒
BT
−3
0 ,7 . 10 . I
BT =
tanθ
(Equação 8).
2 OBJETIVO
Medir experimentalmente a intensidade do campo magnético local da Terra -
cidade de Natal, RN.
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3 METODOLOGIA
3.1 MATERIAIS UTILIZADOS
● Cabos conexões
● Multímetro
● Fonte de corrente
● Par de bobinas de Helmholtz
● Bússola
3.2 PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL
Para a realização do experimento, foi montado um circuito constituído pelo
par de bobinas de Helmholtz, um multímetro e um resistor para controle da corrente,
ligados a uma chave interruptor. O circuito foi alimentado por uma fonte de corrente
contínua, sendo esta medida pelo multímetro configurado para função de
amperímetro. No ponto médio entre as bobinas de Helmholtz foi colocada uma
bússola, alinhada e nivelada ao eixo central das bobinas conforme Figura 8.
Figura 8: Modelo da montagem do circuito composto por Bobinas de Helmholtz e de bússola.
Fonte: Roteiro do experimento 10 - Medida do Campo Magnético da Terra.
O conjunto de bobinas foi posicionado nas condições apresentadas na Figura
6, de modo que o seu eixo central ficasse perpendicular à direção dos polos
magnéticos indicada na bússola. O anel de graduação de ângulos da bússola foi
zerado em relação ao eixo do par de bobinas.
Ao acionar a chave, a corrente da fonte de alimentação foi aumentada até
que o campo magnético gerado pelos enrolamentos fosse suficiente para causar
deflexão na agulha da bússola. A agulha que inicialmente apontava para a posição
zero do anel de graduação, correspondente ao sul magnético do campo terrestre,
passa a medir diferentes ângulos conforme se varia a corrente do circuito (Figura 7).
A corrente da fonte de alimentação foi então alterada para que a agulha da
bússola indicasse 6 medições de ângulos múltiplos de 10, conforme Figura 9. Para
cada medição de ângulo foi anotada a corrente mostrada no multímetro.
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Por fim, o campo magnético gerado pelo par de bobinas de Helmholtz, dada
as correntes medidas no circuito, foi calculado utilizando o valor aproximado do
desenvolvimento da equação 6. Com os valores obtidos, foi possível determinar seis
valores de componentes horizontais do campo magnético da Terra através da
equação 8.
4 RESULTADOS E DISCUSSÕES
Os resultados medidos e calculados encontram-se na Figura 9. O ângulo e a
corrente foram medidos. A tangente do ângulo foi calculada e, com a equação 8, o
valor do campo magnético da Terra foi calculado. Observa-se a proximidade dos
valores, e também a sua baixa ordem de magnitude.
Figura 9: Resultados medidos e calculados no experimento
Fonte: Autoral, 2022
Para um resultado mais conclusivo, pode-se fazer a média dos valores,
−5
encontrando-se um campo magnético médio de B T =2.36 ⋅ 1 0 T =23.6 μT . Vale
ressaltar que esse valor é a intensidade do campo no local onde o experimento foi
realizado. Como a Terra não é uma esfera perfeita e não tem composição uniforme,
o valor do seu campo magnético varia com a posição.
4 CONCLUSÃO
Com esse experimento, foi possível verificar experimentalmente a intensidade do
campo magnético terrestre. Com as medições realizadas, observou-se como dois
campos magnéticos interagem e como é possível deduzir o valor de um deles
tendo-se o valor do outro, por meio de propriedades vetoriais.
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REFERÊNCIAS
ALEXANDER, C. SADIKU, M. Fundamentos de Circuitos Elétricos. 5ª ed. São
Paulo. AMGH Editora Ltda, 2013.
FILHO; LAURETO. Catálogo de Experimentos do Laboratório Integrado de
Física Geral. Departamento de Física da Universidade Estadual de Londrina.
Londrina, 2009. Disponível em:
[Link]
%20LABORATORIO%20DE%20FISICA%20GERAL%20II/04-Campo%20Magnetico
%20Ambiental%20-%20Bobina%20de%[Link]. Acesso em 18/12/2022.
HALLIDAY, D. RESNICK, R. WALKER, J. Fundamentos de Física 3. 10. ed. Rio de
Janeiro: Livros Técnicos e Científicos Editora, 2016.
ROBERT, Renê. Bobina de Helmholtz. Revista Brasileira de Ensino de Física, Vol.
25. Curitiba, 2003. Disponível em:
[Link] Acesso em 30/11/2022.
TIPLER, P. MOSCA, G. Física para Cientistas e Engenheiros Vol. 2. 6ª ed. Rio de
Janeiro. Livros Técnicos e Científicos Editora, 2009.
SILVA, Domiciano Correa Marques. O Campo Magnético da Terra; Brasil Escola.
Disponível em: [Link]
Acesso em 18 de dezembro de 2022.