Nota de esclarecimento
Em resposta à solicitação encaminhada pelo Site Metrópoles a Secretaria de Comunicação do
Tribunal de Conta de Roraima referente a participação do conselheiro corregedor Bismarck Dias de
Azevedo, em Mestrado Institucional em Administração Pública na cidade do Rio de Janeiro,
esclarecemos que a capacitação faz parte do Programa de Capacitação do Tribunal de Contas do
Estado de Roraima, tendo como objetivo o processo educativo continuado de seus membros e
servidores, nas áreas de conhecimento inerentes ao processo de fiscalização contábil, financeiro,
orçamentário, operacional e patrimonial das contas públicas, combate à corrupção e gestão
pública em geral.
O Tribunal de Contas do Estado de Roraima (TCE-RR) está comprometido com a constante
atualização dos conhecimentos de seus membros e servidores. Através do Programa de
Capacitação instituído pela Resolução nº 004/2022, o tribunal oferece oportunidade de formação
continuada e pós-graduação, com o objetivo de aprimorar a qualidade dos serviços prestados à
sociedade.
O custeio de cursos de pós-graduação para servidores públicos constitui prática consolidada na
administração pública moderna. Trata-se de um investimento estratégico que visa à valorização e
ao desenvolvimento profissional do corpo funcional, com o objetivo de aprimorar a qualidade dos
serviços prestados à sociedade. Ao proporcionar oportunidades de especialização e atualização de
conhecimentos, as instituições públicas garantem que seus servidores estejam aptos a enfrentar os
desafios cada vez mais complexos da gestão pública, contribuindo para uma atuação mais técnica,
eficiente e eficaz.
A participação em cursos de pós-graduação, como mestrados e doutorados, é considerada uma
atividade institucional fundamental para o desenvolvimento profissional dos servidores. A pós-
graduação cursada pelo membro desta Corte, atende o previsto no Art. 3º,conforme disposto na
Resolução nº 004/2022, aprovada em sessão ordinário do Tribunal Pleno:
Art. 3º. Para os efeitos desta Resolução, entende-se como :
I - Formação continuada: processo que visa à ampliação e ao aprimoramento dos conhecimentos
teóricos e práticos dos membros e servidores e de adaptação a novas técnicas, tecnologias e
métodos de trabalho, bem como, desenvolver suas aptidões, com aplicação após as respectivas
posses;
II - Pós-graduação: processo que visa aperfeiçoar a formação dos membros e servidores, mediante
o desenvolvimento de habilidades de pesquisa científica e tecnológica, para que atuem como
multiplicadores dos conhecimentos adquiridos, aplicando-os em suas atividades técnicas e
administrativas;
III - Auxílio financeiro: ajuda de custo destinada aos membros e servidores do TCERR que
participarem do Programa de Capacitação disposto nesta Resolução.
Art. 4º. O Programa de Capacitação será realizado por meio de congressos, seminários, simpósios,
treinamentos, fóruns, encontros, jornadas, oficinas, workshops, cursos de formação,
aperfeiçoamento e pós-graduação lato e stricto sensu, ou outros eventos congêneres.
Art. 5º. O Programa de Capacitação será voltado para as áreas de formação continuada e pós-
graduação lato e stricto sensu, em âmbito nacional e/ou internacional.
Art. 8º. A participação dos servidores no Programa de Capacitação dar-se-á da seguinte forma:
I – para os eventos da área de formação continuada, os servidores serão convocados, se o curso for
ofertado no horário de expediente do Tribunal;
II – para os eventos das áreas de pós-graduação com execução direta, a Escola de Contas
selecionará os participantes, observando-se a compatibilidade do tema com as atribuições dos
servidores;
III – para os eventos da área de formação continuada com execução indireta, o interessado deverá
formalizar requerimento ao Presidente do Tribunal de Contas, juntando o Anexo I desta Resolução,
devidamente preenchido, com no mínimo 15 dias de antecedência, contendo os seguintes
elementos:
a) indicação do evento pretendido, com a síntese do programa, acompanhado de cópia do folder
ou prospecto;
b) indicação do período de realização;
c) indicação do auxílio financeiro pretendido, detalhando cada item da despesa;
d) indicação da necessidade ou não de compensação de horário, ou dispensa da frequência;
e) justificativa da aplicabilidade do curso na sua área de atuação no Tribunal de Contas;
IV – para os cursos de pós-graduação com execução indireta, o interessado deverá formalizar
requerimento, com no mínimo 30 dias de antecedência, ao Presidente do Tribunal de Contas,
contendo os seguintes elementos:
a) anexo I desta Resolução, devidamente preenchido;
b) indicação do curso pretendido, com as disciplinas e carga horária, acompanhado de cópia do
folder ou prospecto;
c) indicação do local da realização das disciplinas e o período;
d) indicação do auxílio financeiro pretendido, detalhando cada item da despesa;
e) indicação da necessidade ou não de compensação de horário, ou dispensa da frequência;
f) justificativa consubstanciada, demonstrando o interesse e aplicabilidade do curso na sua área de
atuação no Tribunal de Contas; e
g) termo de compromisso na forma do Anexo II desta Resolução, pelo qual o interessado se obriga
a continuar vinculado ao Tribunal de Contas do Estado, logo após a conclusão do curso, por
período e carga horária igual ao do afastamento, sob pena de devolução dos valores do auxílio
financeiro recebido.
§ 1º. Nos eventos executados de forma direta, os interessados poderão ser convidados ou
convocados, sendo, para estes, obrigatória a participação, quando realizado em horário de
expediente, sob pena de ser considerada falta disciplinar.
§ 2º. Para os cursos de pós-graduação, o interessado deverá atender, ainda, aos seguintes
requisitos:
I – avaliação, no mínimo, satisfatória nos últimos 12 meses, quanto aos aspectos de desempenho,
assiduidade e pontualidade;
II – não ter sido punido por infração disciplinar nos dois últimos anos anteriores à data do início do
curso; e
III – estar o curso pretendido afim com a habilitação ou função do interessado.
Destacamos que o auxílio limitar-se-á a:
Art. 10. O auxílio financeiro limitar-se-á a:
I – despesas com passagens;
II – despesas com diárias;
III – despesas com a inscrição no evento nas áreas de formação continuada; e
IV – até 100% das despesas com matrícula e mensalidades do curso de pós-graduação.
Art. 17. Os recursos destinados à aplicação desta Resolução obedecerão ao percentual da dotação
orçamentária da rubrica de capacitação definido pelo Presidente do Tribunal de Contas, mediante
proposta da Escola de Contas.
Art. 18. Aplica-se o disposto nesta Resolução, no que couber, aos Conselheiros e Auditores do
Tribunal de Contas.
Ressalta-se que a referida Resolução está de acordo com o disposto no art. 39, § 2º da CF/88, in
verbis:
Art. 39. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão conselho de política de
administração e remuneração de pessoal, integrado por servidores designados pelos respectivos
Poderes.
[...]
§ 2º A União, os Estados e o Distrito Federal manterão escolas de governo para a formação e o
aperfeiçoamento dos servidores públicos, constituindo-se a participação nos cursos um dos
requisitos para a promoção na carreira, facultada, para isso, a celebração de convênios ou
contratos entre os entes federados.
No âmbito infraconstitucional, a lei complementar 35/1979, autoriza o afastamento dos membros
da Magistratura para participarem de programa de aperfeiçoamento, nos seguintes termos:
Art. 73 – Conceder-se-á afastamento ao magistrado, sem prejuízo de seus vencimentos e
vantagens:
I – para frequência a cursos ou seminários de aperfeiçoamento e estudos, a critério do Tribunal ou
de seu órgão especial, pelo prazo máximo de dois anos;
II – para a prestação de serviços, exclusivamente à Justiça Eleitoral.
III – para exercer a presidência de associação de classe.
No mesmo sentido, a lei 8.112/90 traz norma permitindo o afastamento de servidores, de modo a
participar de programa de capacitação, vejamos:
Art. 96-A. O servidor poderá, no interesse da Administração, e desde que a participação não possa
ocorrer simultaneamente com o exercício do cargo ou mediante compensação de horário, afastar-
se do exercício do cargo efetivo, com a respectiva remuneração, para participar em programa de
pós-graduação stricto sensu em instituição de ensino superior no País.
§ 1º. Ato do dirigente máximo do órgão ou entidade definirá, em conformidade com a legislação
vigente, os programas de capacitação e os critérios para participação em programas de pós-
graduação no País, com ou sem afastamento do servidor, que serão avaliados por um comitê
constituído para este fim.
§ 2º. Os afastamentos para realização de programas de mestrado e doutorado somente serão
concedidos aos servidores titulares de cargos efetivos no respectivo órgão ou entidade há pelo
menos 3 (três) anos para mestrado e 4 (quatro) anos para doutorado, incluído o período de estágio
probatório, que não tenham se afastado por licença para tratar de assuntos particulares para gozo
de licença capacitação ou com fundamento neste artigo nos 2 (dois) anos anteriores à data da
solicitação de afastamento.
Art. 102. Além das ausências ao serviço previstas no Art. 97, são considerados como de efetivo
exercício os afastamentos em virtude de:
[...]
IV – participação em programa de treinamento regularmente instituído ou em programa de pós-
graduação stricto sensu no País, conforme dispuser o regulamento;
No âmbito estadual, a lei complementar 053/2001 traz previsão semelhante, vejamos:
Art. 90.O servidor poderá, no interesse da Administração, e desde que a participação não possa
ocorrer simultaneamente com o exercício do cargo ou mediante compensação de horário, afastar-
se do exercício do cargo efetivo, com a respectiva remuneração, para participar de programa de
pós-graduação stricto sensu em instituição de ensino superior.
[...]
§ 2º Os afastamentos para realização de programas de mestrado e doutorado somente serão
concedidos aos servidores titulares de cargos efetivos no respectivo órgão ou entidade há pelo
menos três anos para mestrado e quatro anos para doutorado, incluído o período de estágio
probatório, que não tenham se afastado por licença para tratar de assuntos particulares, licença
por assiduidade ou com fundamento neste artigo nos dois anos anteriores à data da solicitação de
afastamento.
§ 3º Os afastamentos para realização de programas de pós-doutorado somente serão concedidos
aos servidores titulares de cargos efetivo no respectivo órgão ou entidade há, pelo menos, quatro
anos, incluído o período de estágio probatório, e que não tenham se afastado por licença para
tratar de assuntos particulares ou com fundamento neste artigo, nos quatro anos anteriores à data
da solicitação de afastamento.
No âmbito do Tribunal de Contas de Roraima, a Lei Orgânica atribuiu à Escola de Contas a função
de promover ações de capacitação profissional aos membros e servidores, in verbis:
Art. 104-A. Fica criada a Escola de Contas, com a finalidade de promover ações de capacitação e
desenvolvimento profissional dos servidores e membros do Tribunal, bem como difundir
conhecimento, de forma a contribuir para a efetividade do exercício do controle externo e da
gestão pública.
O TCE-RR entende que a transparência é fundamental para fortalecer a confiança da população nas
instituições, e, por isso, todas as suas decisões e pagamentos são realizados com rigor técnico e em
conformidade com a legislação vigente. Continuaremos a promover práticas que assegurem a
visibilidade de nossas ações, sempre em busca de uma administração pública eficiente e íntegra,
norteadas pelos princípios constitucionais.