0% acharam este documento útil (0 voto)
34 visualizações14 páginas

2 - Princípios Do Direito Ambiental

Enviado por

gabylopes128
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
34 visualizações14 páginas

2 - Princípios Do Direito Ambiental

Enviado por

gabylopes128
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

DIREITO AMBIENTAL

Prof. Paulo Reneu S. Santos


PRINCÍPIOS DO DIREITO AMBIENTAL
PRINCÍPIOS DO DIREITO AMBIENTAL
 O Direito Ambiental é uma disciplina recente na ordem jurídica e é considerado um
Direito Fundamental de 3ª geração.

 Os direitos de 1ª geração são aqueles que preceituam a liberdade dos indivíduos em


contraponto as limitações impostas pelo Estado, podendo-se citar, como exemplos,
os Direitos Civis e Políticos.

 Já os direitos de 2ª geração caracterizam-se pelos Direitos Sociais, os quais


reivindicam do Estado a proteção de determinados direitos, como, por exemplo, o
direito à educação, moradia, entre outros.

 Por fim, os chamados direitos de 3ª geração compreendem os direitos supra


individuais de titularidade indivisível (direitos difusos), ou seja, trata-se de direitos
que transcendem o pleito de um único indivíduo ou de um grupo organizado,
podendo-se citar como exemplos o direito à proteção ao meio ambiente, o direito à
paz e ao desenvolvimento.
PRINCÍPIO DO AMBIENTE ECOLOGICAMENTE EQUILIBRADO COMO
DIREITO FUNDAMENTAL DA PESSOA HUMANA

 Art. 225. TODOS têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem
de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao
Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as
presentes e futuras gerações.

PRINCÍPIO DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL


 “Desenvolvimento sustentável é aquele que atende as necessidades das gerações
presentes sem comprometer a capacidade das gerações futuras na satisfação de
suas próprias necessidades.”
 O desenvolvimento sustentável busca compatibilizar o desenvolvimento econômico
e social com a preservação da qualidade do meio ambiente e do equilíbrio ecológico.
PRINCÍPIO DA PREVENÇÃO E PRINCÍPIO DA PRECAUÇÃO

 Embora semanticamente precaução e prevenção sejam conceitos parecidos, juridicamente,


são princípios distintos, pois há uma diferença fundamental entre o que se é pretendido por
meio de um e de outro.
 O princípio da precaução antecede a prevenção: a questão principal não é apenas evitar o
dano ambiental, mas sim evitar qualquer risco de dano ao meio ambiente. Ou seja: se há a
noção de que determinada atividade seja passível de causar danos ao meio ambiente, o
princípio da precaução entrará em cena, impedindo assim o desenvolvimento da citada
atividade.
 O princípio da precaução se faz presente principalmente naqueles casos em que não
podemos ter a certeza científica se um empreendimento é mesmo capaz de causar algum
dano ambiental. A intenção não é apenas evitar os danos que já sabemos que podem ocorrer
(prevenção), mas evitar qualquer risco de que tais danos possam ocorrer (precaução).
 Inclusive, na declaração de princípios da Conferência das Nações Unidas realizada no Rio de
Janeiro, a famosa Eco 92, o Princípio da Precaução se fez presente dentre as medidas
citadas como essenciais para a preservação ambiental.
 Foi dito que: “de modo a proteger o meio ambiente, o princípio da precaução deve ser
amplamente observado pelos Estados, de acordo com suas capacidades. Quando houver
ameaça de danos sérios ou irreversíveis, a ausência de absoluta certeza científica não deve
ser utilizada como razão para postergar medidas eficazes e economicamente viáveis para
prevenir a degradação ambiental”.
 Se os responsáveis por uma organização desejarem prosseguir com a atividade
potencialmente perigosa mesmo assim, devem provar aos órgãos de proteção ambiental que
aquele projeto não apresenta qualquer tipo de risco.
 O Superior Tribunal de Justiça (STJ) já compreende que “aquele a quem se imputa um dano
ambiental (efetivo ou potencial) deve ser o responsável por arcar com o ônus de provar que
sua atividade na verdade não configura nenhum tipo de risco ambiental”.
 Isto se dá porque no caso da incerteza em relação ao dano, fica muito mais complicado para
as autoridades atuarem na simples liberação ou proibição das atividades, sendo assim, o
ônus da prova é sempre daquele que exercerá a atividade.
 Obviamente, se algum dano vier a ocorrer, a empresa responsável terá de arcar com multas
altíssimas, pois o Princípio da Precaução também funciona como uma espécie de alerta às
empresas, uma espécie de chance de não prosseguir com uma atividade incerta ou
potencialmente perigosa.
PRINCÍPIO DO POLUIDOR-PAGADOR
 O agente econômico quando presta um serviço ou produz um produto busca o lucro. A produção
do produto ou a execução do serviço geram impacto no meio ambiente. Este impacto é suportado
por toda coletividade e não apenas pelo agente econômico. Assim, não é justo privatizar os
ganhos e socializar as perdas, de modo que, aquele que polui deve responder pelas
externalidades negativas da poluição causada.
 Deste princípio decorre a responsabilidade OBJETIVA pela reparação do dano ambiental. Mesmo
que uma empresa esteja poluindo amparada em licença ambiental, apesar de esta afastar a
infração administrativa e a infração penal, ela não afasta a necessidade de reparação do dano.

PRINCÍPIO DO USUÁRIO-PAGADOR
 Ele se aproxima do princípio do poluidor-pagador, mas com ele não se confunde. Tanto um quanto
outro foram implicitamente inseridos no inciso VII, do art. 4o da Lei 6.938/81. Saliente-se que é um
dos OBJETIVOS da Política Nacional do Meio Ambiente a imposição, ao poluidor e ao predador,
da obrigação de recuperar e/ou indenizar os danos causados e, ao usuário, da contribuição pela
utilização de recursos ambientais com fins econômicos, nos moldes do inciso VII, do artigo 4.o, da
Lei 6.938/1981.
 Assim sendo, são usuários-pagador todos aqueles que utilizam bens ou serviços que importem
em impacto, tendo havido ou não poluição.
PROTETOR-RECEBEDOR
 Esse princípio foi positivado no Brasil em 2010, pela aprovação da Lei 12.305/10 – Política
Nacional dos Resíduos Sólidos.
 É um incentivo àquele que presta serviço ao meio ambiente, já que o bem causado ao meio
ambiente repercute em favor a toda a sociedade.

PRINCÍPIO DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL


 “Incumbe ao Poder Público promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a
conscientização pública para a preservação do meio ambiente.” Art. 225, parágrafo 1°, VI, da
CF/88.
 “A educação ambiental é um componente essencial e permanente da educação nacional,
devendo estar presente, de forma articulada, em todos os níveis e modalidades do processo
educativo, em caráter formal e não-formal.”
 “Educação ambiental a todos os níveis do ensino, inclusive a educação da comunidade,
objetivando capacitá-la para a participação ativa na defesa do meio ambiente.”
PRINCÍPIO DA SOLIDARIEDADE OU EQUIDADE INTERGERACIONAL
(PACTO ENTRE AS GERAÇÕES)
 “Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do
povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o
dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.”

 “O direito ao desenvolvimento deve ser exercido de modo a permitir que sejam atendidas
equitativamente as necessidades de desenvolvimento e de meio ambiente das gerações
presentes e futuras.”

PRINCÍPIO DA FUNÇÃO SOCIOAMBIENTAL DA PROPRIEDADE


 Art. 5º, da CF/88
 XXII - é garantido o direito de propriedade;
 XXIII - a propriedade atenderá a sua função social; (...)
 Art. 170, da CF/88. “A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na
livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça
social, observados os seguintes princípios:
 III - função social da propriedade;
 VI - defesa do meio ambiente, inclusive mediante tratamento diferenciado conforme o impacto
ambiental dos produtos e serviços e de seus processos de elaboração e prestação;”
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003).

 “A propriedade urbana cumpre sua função social quando atende às exigências fundamentais de
ordenação da cidade expressas no plano diretor. Art. 182, § 1º e 2º, da CF/88. ” O plano diretor,
aprovado pela Câmara Municipal, obrigatório para cidades com mais de vinte mil habitantes, é o
instrumento básico da política de desenvolvimento e de expansão urbana.

 A função social é cumprida quando a propriedade rural atende, simultaneamente, segundo


critérios e graus de exigência estabelecidos em lei, aos seguintes requisitos: (Art. 186, da CF/88.)
 I - aproveitamento racional e adequado;
 II - utilização adequada dos recursos naturais disponíveis e preservação do
 meio ambiente;
 III - observância das disposições que regulam as relações de trabalho;
 IV - exploração que favoreça o bem-estar dos proprietários e dos trabalhadores.
Princípio do Progresso Ecológico ou Proibição do Retrocesso Ecológico ou
Vedação ao Retrocesso Ecológico
 Impõe ao Poder Público o dever de não retroagir na proteção ambiental.
 É inadmissível o recuo para níveis de proteção inferiores aos já consagrados, exceto se
as circunstâncias de fato se alterarem significativamente, como no caso de calamidades
públicas.
 Esse princípio limita a discricionariedade do legislador a só legislar progressivamente,
com o objetivo de não diminuir ou mitigar o direito fundamental ao Meio Ambiente.

PRINCÍPIO DO MÍNIMO EXISTENCIAL ECOLÓGICO


 “Postula que, por trás da garantia constitucional do mínimo existencial, subjaz a ideia de
que a dignidade da pessoa humana está intrinsecamente relacionada à qualidade
ambiental.
 Ao conferir dimensão ecológica ao núcleo normativo, assenta a premissa de que não
existe patamar mínimo de bem-estar sem respeito ao direito fundamental do meio
ambiente sadio.”
PRINCÍPIO DO EQUILÍBRIO
 O Princípio do equilíbrio “é o princípio pelo qual devem ser pesadas todas as
implicações de uma intervenção no meio ambiente, buscando-se adotar a solução
que melhor concilie um resultado globalmente positivo”.
 Desta forma há necessidade de analisar todas as consequências possíveis e
previsíveis da intervenção no meio ambiente, ressaltando os benefícios que essa
medida pode trazer de útil ao ser humano sem sobrecarregar sobremaneira do meio
ambiente.
PRINCÍPIO DO LIMITE
 Este “é o princípio pelo qual a administração tem o dever de fixar parâmetros para as
emissões de partículas, de ruídos e de presença a corpos estranhos no meio
ambiente, levando em conta a proteção da vida e do próprio meio ambiente.
 A Constituição Federal outorgou ao Poder Público competência para estabelecer
normas administrativas a fim de fixar padrões de qualidade ambiental (do ar, das
águas, dos ruídos et.).
 FUNDAMENTO LEGAL: Arts. S1º,V, da CF e 9º,I da Lei n. 6.938/81.
PRINCÍPIO DO NÃO RETROCESSO OU DA PROIBIÇÃO DO RETROCESSO
 O Princípio do não retrocesso ou da proibição do retrocesso constitui um importante
instrumento para o jusambientalista. Este Princípio impede que novas leis ou atos
venham a desconstituir conquistas. Após atingir certo status ambiental, o princípio veda
que se retorne anteriores, prejudicando e alterando a proteção dos recursos naturais, por
exemplo.
PRINCÍPIO DA RESPONSABILIDADE SOCIOAMBIENTAL
 O Princípio da responsabilidade socioambiental tem sido adotado por empresas,
instituições de ensino e atividades governamentais e não governamentais. Cuida-se de
política ecologicamente correta, passando a integrar até mesmo os currículos de
profissionais de todas as áreas.
 Este Princípio deverá ser observado também pelas instituições financeiras. Trata-se de
concessão de financiamento de projetos que deverá respeitar o princípio da
responsabilidade socioambiental consubstanciado no entendimento de critérios mínimos
para a concessão de crédito. O conjunto de regras denominado “Princípios do Equador”
foi baseado em critérios estabelecidos pela International Finance Corporation (IFC), braço
financeiro do Banco Mundial, para concessão de credito.
PRINCÍPIO DA SENCIÊNCIA
 Este princípio foi concebido pelo maior especialista do Direito do animal no Brasil.
 Sencientes são “todos os organismos vivos que, além de apresentarem reações
orgânicas ou físico-químicas aos processos que afetam o seu corpo (sensibilidade),
percebem estas reações como estados mentais positivos ou negativos (consciência)”.
 A Principal diferença entre o homem e os animais é de aparência e não de essência, o
sistema nervoso dos animais é composto de medula espinhal, tronco encefálico, cérebro
e cerebelo. Já nos mamíferos e nas aves, restou demonstrado que a dor segue
mecanismos similar ao dos seres humanos.
 O estímulo doloroso é levado pelos nervos até o sistema nervoso central e, pela medula
espinhal, alcança o encéfalo e/ou o córtex cerebral, órgão que concentra as áreas
sensoriais primárias, os processos de planejamento, memória, percepção das emoções e
consciência. Em outras palavras, a dor física ou psicológica pode incidir no homem e no
animal, enquanto seres sensíveis capazes de sofrer.
 O agir animal, que envolve um mundo de ação e um mundo de percepção, revela uma
complexa e desconhecida atividade voltada a eles mesmos enquanto sujeitos de uma
vida. Nesse contexto, o filósofo Tom Regan afirma que os animais são pacientes morais
com direito a um tratamento digno.
 A própria Lei Federal n. 11.794/2008 reconhece, indiretamente, os animais como
seres Sencientes, fato que revela aquilo que não mais pode permanecer sob o
véu da ignorância.
 A legislação, no entanto, reconhece somente os animais classificados pela
zoologia como Filo Chordata, Subfilo Vertebrata, que têm como características
exclusivas a coluna vertebral e o encéfalo encerrado numa caixa craniana
(mamíferos, aves, peixes, anfíbios e répteis.

Você também pode gostar