Tromboembolismo Pulmonar: Guia Completo
Tromboembolismo Pulmonar: Guia Completo
P R O F. TAYS A M O R E I R A
TROMBOEMBOLISMO PULMONAR
JUNHO/2022
Tromboembolismo Pulmonar
APRESENTAÇÃO:
PROF. TAYSA
MOREIRA
Olá, Revalidando! Seja muito bem-vindo a este livro
que, já adianto, é um dos mais importantes da Pneumologia.
Isso porque tromboembolismo pulmonar é um dos temas
que mais caem nas provas do Revalida.
Juntos, destrincharemos seus principais aspectos,
como diagnóstico, exames complementares e tratamento.
Acredito que, formando bons alicerces em fisiopatologia e
clínica, você tirará este livro de letra e, de quebra, ainda
ganhará muita bagagem para sua vida profissional. Sem
dúvidas, em algum momento de sua prática médica, você
vai se deparar com uma suspeita de tromboembolismo e
terá que tomar decisões importantes em curto espaço de
tempo.
A partir de agora, inicia uma nova e árdua caminhada,
cuja recompensa, ao final, serão pontos preciosos em sua
prova e ensinamentos para a vida.
Preparado? Ajeite-se na cadeira e prepare o café,
porque agora é energia no alto e foco máximo.
Vamos lá!
@proftaysamoreira
[Link]/estrategiamed /estrategiamed
Tromboembolismo Pulmonar
SUMÁRIO
1.0 DEFINIÇÃO 5
2.0 EPIDEMIOLOGIA 5
3.0 CLASSIFICAÇÃO 6
3.1 TEMPORAL (AGUDO, SUBAGUDO E CRÔNICO) 6
3.1.1 AGUDO 6
3.1.2 SUBAGUDO 6
3.1.3 CRÔNICO 6
3.2 HEMODINÂMICA 7
3.3 LOCALIZAÇÃO/ANATOMIA 7
4.0 FISIOPATOLOGIA 9
5.0 FATORES DE RISCO (PREDISPONENTES) 12
6.0 QUADRO CLÍNICO 13
7.0 PROBABILIDADE CLÍNICA 14
8.0 EXAMES COMPLEMENTARES 16
8.1 EXAMES LABORATORIAIS 16
8.2 ELETROCARDIOGRAMA 17
8.3 ECODOPPLERCARDIOGRAMA 17
9.0 DIAGNÓSTICO 21
9.1 TEP HEMODINAMICAMENTE ESTÁVEL 21
11.2 ANTICOAGULAÇÃO 26
11.3 FIBRINÓLISE 28
CAPÍTULO
1.0 DEFINIÇÃO
O tromboembolismo pulmonar (TEP) é definido pela obstrução de
um ou mais ramos da artéria pulmonar que se origina em algum lugar
do corpo ou, primariamente, na vasculatura pulmonar. Por definição, é
uma forma de tromboembolismo venoso (TEV) comum e, em algumas
ocasiões, fatal.
TEV é o termo que se refere a duas entidades que representam o
mesmo espectro de doenças diferentes: trombose venosa profunda (TVP) e TEP. A TVP será abordada em detalhes
no livro dedicado à cirurgia vascular.
Muito cuidado deve ser tomado ao empregar a nomenclatura “embolia pulmonar (EP)” como sinônimo de
TEP, já que podemos ter embolia pulmonar por diversas outras causas que não trombo, como acontece na embolia
gordurosa, séptica ou tumoral (neoplásica).
CAPÍTULO
2.0 EPIDEMIOLOGIA
Em estudos epidemiológicos recentes, a incidência anual de TEP gira em torno de 39-115 para
cada 100.000 pessoas. Um dado interessante é que ele chega a ser até oito vezes mais incidente em
indivíduos com idade maior ou igual a 80 anos quando comparado a pessoas na quinta década de
vida. A incidência é maior em homens do que em mulheres (56 x 48/100 mil pacientes).
Estrategista, estamos falando da principal causa de morte evitável no ambiente intra-
hospitalar e terceira síndrome cardiovascular aguda mais frequente, atrás do infarto agudo do miocárdio (IAM) e do
acidente vascular cerebral (AVC).
CAPÍTULO
3.0 CLASSIFICAÇÃO
Podemos classificar o TEP utilizando diferentes parâmetros. A partir de agora, vamos passar por cada um deles:
Temporal
Localização
3.1.1 AGUDO
Quando os sinais e sintomas se desenvolvem imediatamente após a obstrução dos vasos pulmonares.
3.1.2 SUBAGUDO
Alguns pacientes com TEP podem apresentar a maneira subaguda, com sintomas que se desenvolvem dias ou
semanas após a obstrução dos vasos pulmonares.
3.1.3 CRÔNICO
Pacientes com TEP crônico desenvolvem sintomas lentamente, com clínica de cor pulmonale e hipertensão
pulmonar, podendo, em alguns casos, manifestar-se anos após o evento inicial.
3.2 HEMODINÂMICA
3.3 LOCALIZAÇÃO/ANATOMIA
Estrategista, a depender da localização do trombo, o TEP pode ser classificado em quatro grupos distintos:
Figura 1: Estudos tomográficos em cortes axiais e um estudo arteriográfico evidenciando a classificação anatômica do TEP. Fonte: acervo
pessoal do professor Ricardo Siufi.
CAPÍTULO
4.0 FISIOPATOLOGIA
Eu sei que estudar fisiopatologia nem sempre é A fisiopatogênese do TEP é similar à fisiopatologia
fácil, por isso vamos discutir os tópicos mais relevantes, de qualquer evento trombótico. É necessária a presença
aqueles que você deve dominar para entender, de fato, de um dos elementos (ou mais de um) da tríade de
o TEP. Virchow (figura 2), que consiste em:
Estase venosa
Lesão endotelial
Estado de
hipercoagulabilidade
Os trombos venosos parecem originar-se nas originada de TVP proximal de membros inferiores (ilíaca,
proximidades de uma cúspide de válvula venosa, onde femoral e poplítea) e mais do que 50% dos pacientes
surgem as contracorrentes, com fluxo turbilhonar de com TVP proximal cursam concomitantemente com TEP
sangue. A agregação plaquetária, bem como a liberação em sua apresentação.
de mediadores, inicia a cascata de coagulação. No Caso não tratadas adequadamente, cerca de
entanto, à medida que o trombo se estende, a atividade 1/3 das TVPs em panturrilha, estendem-se para veias
fibrinolítica local é intensificada. proximais e têm maior potencial de embolizar.
Estudos clínicos estabeleceram que, O comportamento do trombo torna-se, assim,
aproximadamente, 90% dos TEPs são provenientes de um processo dinâmico, que pode resultar em dissolução
tromboses venosas presentes no território profundo completa, resolução parcial, extensão proximal
dos membros inferiores. Desses, a maior parte é progressiva ou embolização, como mostra a figura 3.
A anormalidade gasométrica mais característica é a hipoxemia e ela pode ser explicada pela mistura venosa
devido a áreas de baixa relação ventilação/perfusão, o que pode ser agravado com a piora da hipoxemia e aumento
agudo da pós-carga ventricular direita, levando à diminuição do débito cardíaco e, assim, diminuindo a saturação de
oxigênio do sangue venoso misto.
A obstrução vascular pulmonar também gera uma reação inflamatória, cursando com o aumento do drive
respiratório e, assim, levando à hipocapnia e alcalose respiratória.
Já que mencionamos conceitos de hemodinâmica que explicam a hipoxemia no TEP, que tal aproveitar e
entender como essa condição leva à instabilidade?
Prof. Taysa Moreira | Pneumologia | Junho 2022 10
Tromboembolismo Pulmonar
O evento inicial é o aumento da pós- RVP eleva a pós-carga ventricular direita, cursando com
carga ventricular direita. Em pacientes dilatação ventricular direita e abaulamento do septo
com TEP, observamos um aumento da interventricular. Com a diminuição do fluxo sanguíneo
resistência vascular pulmonar (RVP) proveniente do ventrículo direito, bem como a dilatação
por obstrução física do leito vascular ventricular direita, observamos uma diminuição da
associado à vasoconstrição hipoxêmica, que ocorre no pré-carga ventricular direita e, assim, uma redução do
sistema arterial e arteriolar pulmonar. Um aumento na débito cardíaco.
Para encerrarmos, é importante entender o que costumam surgir entre 12-24 horas após o evento
significa infarto pulmonar e sua relação com o TEP. inicial, ainda que possam ser tardias.
O infarto pulmonar é um evento incomum, visto Segundo o Uptodate, em cerca de 10% dos
que o parênquima pulmonar tem três fontes potenciais pacientes, pequenos trombos podem alojar-se
de oxigênio: as artérias pulmonares, as artérias distalmente, levando a quadros de infarto pulmonar.
brônquicas e as vias aéreas de condução. Em pacientes Esses pacientes estão mais susceptíveis a apresentar dor
sem doença cardiovascular coexistente, grandes torácica pleurítica e hemoptise que, presumidamente,
infartos, como os passíveis de serem observados na se acredita ser secundária a uma resposta inflamatória
radiografia de tórax, são raros. pleural.
Esse infarto tende a ser mais comuns nas bases Ou seja: não espere imagem compatível com
pulmonares, pelo fato de serem dotadas de maior fluxo infarto pulmonar para suspeitar de TEP!
sanguíneo e menor resistência. As imagens compatíveis
CAPÍTULO
Neoplasias são um fator de risco bem O uso de contraceptivo oral que contém
estabelecido, no entanto o risco de TEV varia de acordo estrogênio e terapia de reposição hormonal está
com o subtipo da neoplasia. Neoplasias hematológicas, associado a um maior risco de TEV. Mais especificamente,
câncer de pâncreas, de pulmão, gástrico e de sistema contraceptivo oral combinado está associado a um
nervoso central são de alto risco. Vale destacar, também, risco 2-6 vezes maior de TEV quando comparado aos
que neoplasia concomitante, após um episódio de TEV, pacientes sem fator de risco (ESC, 2019).
é um fator de risco para mortalidade.
CAPÍTULO
mais frequentes do TEP. De qualquer forma, na tabela a seguir, você encontra outros achados menos comuns, mas
que, eventualmente, também são descritos nos enunciados e estão presentes na prática clínica.
Sintomas Sinais
Dispneia Taquipneia
Tosse Taquicardia
CAPÍTULO
de Wells, até porque será uma oportunidade para relembrar fatores predisponentes, sinais e sintomas associados ao
TEP.
A lição para casa é: quanto maior a probabilidade clínica, maior a chance de estarmos
frente a um quadro de TEP.
CAPÍTULO
Os testes bioquímicos não são diagnósticos, ventricular direita e estão aumentadas em até 50% dos
mas podem alterar a suspeição clínica para TEP, TEP de grande monta. Uma característica importante é
confirmar a presença de diagnósticos alternativos que, em contraste ao que acontece no IAM, a troponina
e prover informações adicionais caso o TEP seja tende a normalizar-se em até 40 horas após o evento
confirmado. Alguns deles são importantes marcadores inicial.
de disfunção ventricular direita e devem ser solicitados Também no contexto de disfunção ventricular,
em casos selecionados após o diagnóstico de TEP, para podemos encontrar aumento do peptídeo natriurético
fins prognósticos e avaliação do cenária em que o tipo B (BNP) ou do fragmento N-terminal do peptídeo
tratamento deverá ser realizado. natriurético tipo B (NT-pró-BNP). Por isso, também são
Exames laboratoriais de rotina podem acusar a considerados marcadores prognósticos.
presença de leucocitose, aumento da velocidade de Polêmicas à vista! Chegou a hora de discutir o
hemossedimentação (VHS), bem como aumento da famigerado D-dímero.
lactato desidrogenase (LDH). A avaliação da função O dímero D é um produto da degradação da
renal é importante no contexto da solicitação e fibrina (PDF), podendo estar elevado na presença de
realização de exames contrastados. trombos, mas também em outras situações, como no
Conforme dito anteriormente, hipoxemia é pós-operatório, na gestação, no puerpério, em caso de
o principal achado gasométrico do TEP. Por isso, a câncer, insuficiência renal, sepse e em várias doenças
presença de hipoxemia no contexto de uma radiografia inflamatórias, assim como, ele aumenta com a idade.
de tórax sem alterações deve levantar a suspeita de TEP. Ou seja, é um exame com alta sensibilidade e baixa
Troponinas T e I têm valor prognóstico, mas especificidade, o que confere elevado valor preditivo
não diagnosticam TEP. São marcadores de disfunção negativo.
8.2 ELETROCARDIOGRAMA
Figura 5: Alterações eletrocardiográficas encontradas no TEP, como taquicardia sinusal, padrão S1Q3T3 e inversão de onda T de V1-V4.
8.3 ECODOPPLERCARDIOGRAMA
O TEP agudo pode levar ao aumento da pós-carga instabilidade hemodinâmica, bem como em outras
ventricular direita e, consequentemente, à disfunção situações clínicas em que o TEP faz parte do grupo de
de ventrículo direito, é esse achado que pode ser diagnósticos diferenciais.
observado no exame ecoDopplercardiograma. É importante na avaliação prognóstica e
Quando feito à beira leito, constitui ferramenta estratificação de risco dos pacientes, tópico que será
útil no diferencial de dispneia aguda, dor torácica, discutido mais adiante.
Achados não específicos na radiografia de tórax, diferenciais, como pneumonia, fratura de costela,
como derrame pleural ou atelectasia são comuns pneumomediastino e pneumotórax.
no contexto do TEP, por isso seu principal papel no Ainda assim, alguns achados são clássicos e
contexto de um TEP agudo é a avaliação de diagnósticos frequentes nas questões de prova. Vamos relembrá-los:
Figura 7: Angiotomografia de tórax, cortes axiais, demonstrando hipocontrastação no interior da artéria pulmonar e seus ramos em diferentes
topografias. Fonte: acervo pessoal do professor Ricardo Siufi.
Figura 8: Cintilografia ventilação/perfusão (ou cintilo V/Q), demonstrando a fase ventilatória normal e a fase perfusional com falhas de
enchimento, gerando áreas de mismatch, ou seja, áreas ventiladas e não perfundidas.
A cintilografia pode ser o exame inicial em pacientes com probabilidade clínica intermediária ou alta ou em
pacientes com D-dímero positivo.
Como já vimos anteriormente, na maioria dos TVP proximal em pacientes com suspeita de TEP é
casos, o TEP é originado de TVP proximal de membros considerado suficiente para garantir o tratamento
inferiores e, raramente, de TVP de membros superiores, anticoagulante sem testes adicionais. Entretanto, caso
mais comum quando o paciente é portador de acesso a USG com manobra da compressibilidade mostre TVP
venoso de curta ou longa permanência. distal, testes adicionais são necessários para confirmar
De acordo com a ESC 2019, o achado de ou descartar TEP.
Figura 9: Ultrassonografia no diagnóstico de trombose venosa profunda, com explicação sobre os princípios da manobra da compressibilidade,
em que a veia não comprime pela presença de um trombo intraluminal.
CAPÍTULO
9.0 DIAGNÓSTICO
A abordagem diagnóstica no TEP é um tema pelo guideline e pelo UpToDate, manteremos o foco
quente nas provas. Diversos fluxogramas têm sido na classificação em três níveis (probabilidades baixa,
propostos para pacientes estáveis hemodinamicamente, intermediária e alta).
não gestantes e com suspeita de TEP. O fluxograma 1, extraído e adaptado da ESC 2019,
Aqui, traremos a abordagem proposta pelo resume adequadamente a abordagem diagnóstica em
guideline da ESC 2019 e, também, a classificação de pacientes estáveis.
risco em dois e em três níveis. No entanto, corroborado Para pacientes com baixa probabilidade clínica
Positivo
Negativo Negativo TEP
(Wells 0-1), qualquer metodologia do D-dímero 7 pontos e que apresentam uma chance superior a 50%
negativo exclui o diagnóstico de TEP. Se D-dímero de terem essa condição. Portanto, não é o momento de
positivo e angioTC negativa, TEP está excluído. requerer um exame sensível para excluirmos TEP, mas,
Pacientes com probabilidade intermediária de sim, de solicitar um exame específico para confirmar o
TEP (Wells original 2-6 pontos) devem ser submetidos diagnóstico.
à coleta do D-dímero. Diferentemente dos pacientes Portanto, nesse subgrupo de pacientes, a
com baixa probabilidade, como o risco de estarmos angioTC é o exame de escolha. A cintilografia V/Q deve
diante de um TEP é mais alto, esses pacientes devem ser reservada aos pacientes com contraindicação à
ser prontamente tratados, mesmo antes do resultado angioTC, desde que tenham uma radiografia de tórax
do exame complementar. normal. Assim como na probabilidade intermediária,
Por fim, pacientes com alta probabilidade clínica não espere o resultado do exame para começar a
de TEP são aqueles com escore de Wells maior ou igual a tratar.
O paciente instável hemodinamicamente com paciente instável, deve ser realizado à beira do leito, já
suspeita de TEP tem diversos diagnósticos diferenciais, que o paciente não apresenta condições de transporte.
como infarto agudo do miocárdio (IAM), dissecção aguda Uma proposta de abordagem diagnóstica é trazida
de aorta, hipovolemia, tamponamento pericárdico e no fluxograma 2, adaptado do guideline da ESC 2019.
disfunção valvar aguda. Logo, o exame menos invasivo Caso o paciente apresente disfunção ventricular direita
e que melhor diferenciaria tais condições nosológicas e a angioTC esteja prontamente disponível, deve-se
é o ecocardiograma transtorácico, que, no caso do encaminhá-lo para realizar o exame. Entretanto, caso a
angioTC não esteja prontamente disponível, estamos legitimados a tratar o paciente como TEP de alto risco, mesmo
sem a visualização direta do trombo.
Disfunção de
ventrículo direito?
Não Sim
Procurar outras
causas de choque/ Angio TC disponível
instabilidade imediatamente?
Não Sim
AngioTC
Tratar como
Positiva
TEP de alto risco
Negativa
Procurar outras
causas de choque/
instabilidade
Sei que, à primeira vista, é difícil absorver todas as informações presentes nesses
fluxogramas.
Garanto que, ao praticar e retornar a eles para resolver questões, todo o conhecimento
será sedimentado e incorporado a seu HD mental. Fique tranquilo!
CAPÍTULO
Por fim, você sabia que é possível realizar aplicados para pacientes de baixo risco, para fins de
tratamento domiciliar integral para o TEP? avaliação da elegibilidade para tratamento domiciliar.
Em 2011, foram publicados os critérios de Caso o paciente pontue nos critérios de Hestia
Hestia, que, após validação, estão liberados para serem presentes na tabela 5, a internação hospitalar está
utilizados no dia a dia. Na prática clínica, devem ser indicada.
Critérios de Hestia
Instabilidade hemodinâmica Necessidade de trombólise ou embolectomia
> 24 horas com necessidade de suplementação
Sangramento ativo ou alto risco de sangramento
de O2 para manter satO2 > 90%
Dor importante com necessidade de medicação
TEP diagnosticado na vigência de anticoagulação
endovenosa nas últimas 24 horas
Outras causas para internação (clínica ou social) Clearance de creatinina < 30 mL/minuto
Acometimento hepático importante (julgamento
Gestação
clínico)
História documentada de plaquetopenia induzida pela heparina
0 ponto = baixo risco (0% mortalidade e 2% de TEV recorrente)
> 0 ponto = não baixo risco
Tabela 5: Critérios de Hestia. Adaptado, J Thromb Haemost, 2011.
Se o paciente é PESI simplificado = 0 sem disfunção ventricular direita, encaixa-se no baixo risco. O próximo
passo é avaliar a elegibilidade do tratamento ambulatorial pelos critérios de Hestia. Caso seu paciente pontue no PESI
simplificado e/ou apresente disfunção ventricular direita, necessariamente é candidato à internação hospitalar para
terapia anticoagulante.
CAPÍTULO
11.0 TRATAMENTO
Paciente foi admitido em seu plantão e, seguindo os fluxogramas corretos, você diagnosticou TEP! Primeira
conduta? ANTICOAGULAÇÃO.
Mas, antes de chegarmos até essa conduta, vamos passar pelo manejo geral.
O tratamento na fase aguda envolve o suporte ventilatório e hemodinâmico, além da condução do paciente
crítico como um todo. Vale lembrar que o repouso absoluto no leito é preconizado nas primeiras 24-48 horas do
evento agudo ou enquanto durar a instabilidade hemodinâmica e/ou ventilatória.
11.2 ANTICOAGULAÇÃO
Os anticoagulantes de fato não têm ação de “dissolver” o trombo, mas, sim, a de não deixar que novos
trombos se formem. Para pacientes não candidatos à terapia trombolítica – como veremos em breve – o
principal responsável por “dissolver” o trombo é o sistema fibrinolítico endógeno.
DOACs (direct oral anticoagulants), que são a primeira anticoagulantes não antagonistas da vitamina K (AVK),
escolha hoje em dia para os pacientes elegíveis. composta por pequenas moléculas e, ao contrário da
Quando optamos pelos AVK, cujo principal warfarina, inibem diretamente o fator Xa (apixabana,
representante é a warfarina, a anticoagulação com edoxabana e rivaroxabana) ou o fator IIa (dabigatrana).
anticoagulantes parenterais deve ser iniciada em Possuem diversas vantagens quando
paralelo, por, pelo menos, 5 dias e, quando o INR comparados aos AVK, como uma previsibilidade em
(international normalized ratio) estiver entre 2 e 3, seu perfil farmacocinético, o rápido início de ação
por dois dias consecutivos. Caso a HNF seja a heparina e a menor interação medicamentosa com outras
de escolha, a warfarina só deve ser iniciada após ser drogas. A principal vantagem consiste na ausência de
atingido o TTPA alvo (1,5-2). necessidade de coleta de exames de rotina (INR) para
A warfarina deve ser utilizada na dose de 5-10 ajuste frequente de dose. Não estão recomendados em
mg/dia em pacientes menores de 60 anos e na dose de pacientes com comprometimento renal importante,
5 mg ou menos em pacientes idosos. durante a gestação e lactação e em pacientes com
Os DOACs, também conhecidos como síndrome do anticorpo antifosfolípide (SAF).
NOACS (novel oral anticoagulants) são uma classe de
11.3 FIBRINÓLISE
Os agentes fibrinolíticos ou trombolíticos terapia anticoagulante, evoluem com deterioração
ativam o plasminogênio para formar a plasmina, que hemodinâmica.
acelera a lise dos trombos. Por seus potenciais efeitos colaterais, deve-se
A terapia trombolítica é utilizada no contexto sempre pesar o risco x o benefício do procedimento,
dos pacientes portadores de TEP, com o objetivo de por isso os pacientes devem passar por uma seleção
melhora mais rápida na obstrução arterial pulmonar, na cautelosa.
pressão da artéria pulmonar e na RVP em pacientes com Ao indicarmos a terapia trombolítica, devemos
TEP, pois tem melhores resultados quando comparada à estar certos de que o paciente não apresenta nenhuma
monoterapia com HNF. contraindicação absoluta, conforme presente na tabela
A trombólise é reservada para pacientes 6.
de risco intermediário-alto que, a despeito da
Estrategista, o objetivo da terapia anticoagulante pacientes que cursaram apenas com TVP tendem a
após o evento agudo é, além de completar o tratamento recair mais com TVP.
do TEP agudo, prevenir a recorrência de TEV a longo Baseados nisso, devemos selecionar
prazo. criteriosamente o paciente ideal conforme duas
Ao contrário do que imaginamos, a incidência principais variáveis: o risco de recorrência do TEV e o
de recorrência de TEV aparentemente não tem relação risco de sangramento da terapia anticoagulante.
com as manifestações clínicas do primeiro evento. O risco de recorrência estimado, a categoria do
Entretanto, em pacientes que tiveram TEP, o TEV, mais fator de risco para o evento inicial e alguns exemplos
frequentemente, recorre como um TEP, enquanto os estão expostos na tabela 7:
O risco de sangramento maior é mais alto no anticoagulante, no entanto apenas o VTE BLEED (tabela
primeiro mês do tratamento anticoagulante e tende 8) estudou pacientes em uso de DOACs e AVK, o que
a declinar nos meses subsequentes. Existem diversos faz com que ele se aproxime mais da realidade atual
escores validados que podem ser utilizados para estimar quando comparado aos outros escores.
o risco de sangramento nos pacientes em uso de terapia
Para facilitar, grave as recomendações abaixo. Com certeza, elas ajudarão não apenas nas questões de prova,
mas, também, na condução de casos reais em sua prática.
Revalidando, eu sei que, a esta altura, você já deve estar cansado. Mas vamos
dar aquele fôlego final para discutirmos profilaxia de TEV, um tópico bastante
importante e recorrente. Força! Vamos lá!
CAPÍTULO
Obesidade 1 ponto
Classificação de risco de TEV
Baixo (0,3%) < 4 pontos
Alto (2,2 % com profilaxia adequada e 11% sem) ≥ 4 pontos
Tabela 9: Escore de Pádua – risco de TEV em 90 dias. Adaptado. J Thromb Haemost. 2010.
Pacientes com alto risco de sangramento não Enoxaparina, HNF e fondaparinux foram
devem ser submetidos a medidas farmacológicas superiores ao placebo ou a dispositivos mecânicos na
(anticoagulação profilática), ao passo que pacientes prevenção de TEV. A HBPM é o método de escolha
com risco intermediário e baixo de sangramento comparado à HNF, especialmente em pacientes de
são candidatos a medidas farmacológicas de alto risco. Para pacientes com clearance de creatinina
tromboprofilaxia. > 30 mL/min, utilizar 40 mg/dia de enoxaparina, via de
Quanto à duração da tromboprofilaxia, deve administração subcutânea. Monitorizar o número de
idealmente continuar até que o paciente tenha alta plaquetas no quinto e nono dias de profilaxia.
hospitalar. As evidências ainda não nos legitimam a Na tabela a seguir, você encontra as doses
estender a anticoagulação em pacientes criticamente utilizadas:
enfermos no pós-alta.
CAPÍTULO
CAI NA PROVA
(REVALIDA – UFMT – 2021) Mulher, 52 anos, branca, obesa, foi admitida no PS com dispneia aos mínimos esforços há
2 horas, dor torácica ventilatório-dependente à esquerda. No atendimento inicial, apresentava agitação psicomotora,
taquipneica. HPP: Terapia de reposição hormonal há 6 meses, HAS em tratamento, FC:145 bpm, FR: 36 ipm, PA: 100x85
mmHg, Sat O2: 88%, Tax: 36,7°. Ausculta cardíaca mostrava ritmo regular, 2 T, com hiperfonese de B2 em foco pulmonar,
sem sopros. Avaliação pulmonar, expansibilidade diminuída em bases, FTV diminuído, macicez em base esquerda e
MV diminuído difusamente. Abdome sem alterações, edema em membro inferior direito (+++/4+) mole e indolor, sem
dor a dorsoflexão. Nesse momento, qual a principal suspeita?
A) Pneumotórax espontâneo.
B) Pleurite.
C) Tromboembolismo Pulmonar.
D) Derrame pleural.
COMENTÁRIO:
Estrategista, temos, aqui, uma mulher de meia-idade, obesa, hipertensa e em uso de terapia de reposição hormonal,
que apresenta dispneia e dor torácica ventilatoriodependente agudamente. Diante desse quadro, sem dúvida, TEP
deve ser nossa principal hipótese diagnóstica.
Seu exame físico mostra agitação, dessaturação, taquipneia, taquicardia, tendência à hipotensão e hiperfonese de
B2 em foco pulmonar, ou seja, achados que corroboram nossa hipótese. Ainda que não haja dor à dorsoflexão, a
descrição de edema de membro inferior direito sugere a possibilidade de TVP. Ou seja, a cereja do bolo para coroar
nossas suspeitas.
Incorreta a alternativa A: além do pneumotórax espontâneo predominar no sexo masculino, essa condição cursa
com expansibilidade diminuída, frêmito toracovocal abolido, timpanismo à percussão e murmúrio vesicular abolido.
Não justifica o achado de macicez em base esquerda.
Incorreta a alternativa B: uma pleurite, isoladamente, não justifica os achados de dessaturação e comprometimento
hemodinâmico, incluindo a presença de hiperfonese de B2 em foco pulmonar.
Correta a alternativa C: como discutimos anteriormente, nossa paciente apresenta fatores predisponentes
(obesidade, hipertensão, uso de terapia de reposição hormonal) e quadro clínico compatíveis.
Incorreta a alternativa D: ainda que os achados de exame físico sugiram a presença de derrame pleural, essa
condição, isoladamente, não justifica o quadro apresentado pela paciente. Além disso, lembre-se de que, entre os
achados clínicos e radiográficos inespecíficos do TEP, temos o derrame pleural.
GABARITO: C
(REVALIDA – UFMT – 2019) D.E.M., sexo feminino, 33 anos, previamente hígida, deu entrada na emergência do hospital
com queixa de dispneia súbita iniciada há 30 minutos, palpitações e dor torácica em pontada em base de hemitórax
esquerdo. Apresentou tosse seca e escarros hemoptoicos antes da chegada ao hospital. Referiu início do quadro após
discussão com o marido por problemas financeiros e familiares. O esposo quer ter filhos e ela não quer deixar de
tomar seus anticoncepcionais, pois quer terminar a faculdade de contabilidade este ano. Está para vir ao médico desde
semana passada quando notou que sua perna direita estava ficando mais inchada e vermelha que a esquerda, mas
devido à correria entre o trabalho e faculdade, procuraria a UBS quando "tivesse uma folguinha". Foi levada ao box
da sala vermelha, monitorizada e instalado acesso venoso periférico. Exame físico: ansiosa, fácies de dor que piora à
inspiração profunda, posição antálgica comprimindo o hemitórax esquerdo, lúcida e orientada no tempo e espaço,
taquidispneica (FR = 35 irpm), uso de musculatura acessória, oximetria digital com saturação 89%, FC = 125 bpm
com ritmo sinusal ao monitor cardíaco instalado. Ausculta pulmonar com murmúrio vesicular uniformemente audível,
sem ruídos adventícios. Aparelho cardíaco com bulhas normofonéticas, em dois tempos, ritmo cardíaco regular, sem
extrassístoles ou sopros, abdome: plano, peristáltico, flácido, indolor à palpação superficial e profunda, sem massas,
visceromegalias palpáveis ou circulação colateral presente. Membros inferiores: presença de assimetria dos membros,
edemaciado à direita 2+/4+ na perna, presença de calor, endurecimento e dor na panturrilha direita, pulso pedioso
difícil de palpar devido edema em dorso de pé. Membro inferior esquerdo sem alterações.
Diante do caso clínico, assinale a alternativa CORRETA.
A) O sinal semiológico de Homans positivo determina o diagnóstico de trombose venosa profunda em membro
inferior direito e autoriza iniciar antiagregação plena.
B) O diagnóstico de alveolite pulmonar pós-estresse emocional deve ser considerado frente à história clínica e a
angiotomografia helicoidal de tórax confirmará o diagnóstico.
C) Deve-se solicitar Doppler de membros inferiores para confirmação diagnóstica de trombose venosa profunda e,
somente após o exame, iniciar heparina não fracionada ou de baixo peso molecular.
D) Os sinais e sintomas clínicos levantam a hipótese principal de tromboembolismo pulmonar e não se deve retardar
o início da anticoagulação plena.
COMENTÁRIO:
Revalidando, questão com enunciado extenso e cansativo. No entanto, podemos avaliar, de acordo com as
alternativas, que serão cobrados conceitos referentes à trombose venosa profunda (TVP) e tromboembolismo
pulmonar (TEP).
Temos, aqui, uma paciente com queixa de dispneia súbita, palpitações, dor torácica, tosse seca com hemoptoicos.
Ao exame físico, apresenta taquipneia, dessaturação e taquicardia, além de dor e edema assimétrico em membro
inferior direito. Ou seja, quadro compatível com TEP e semelhante ao descrito na questão anterior.
Tendo isso em vista, é hora de avaliar as alternativas:
Incorreta a alternativa A: o diagnóstico de TVP requer a realização da ultrassonografia com Doppler do sistema
venoso profundo, com visualização do trombo venoso ou manobra da compressibilidade negativa. O sinal de
Homans é, apenas, sugestivo desse diagnóstico.
Incorreta a alternativa B: causas psicogênicas de dispneia devem ser diagnóstico de exclusão, ou seja, devemos
excluir causas graves, e não graves de dispneia, para considerarmos tal diagnóstico. Além disso, não justificaria
achados como a tosse com hemoptoicos e hipoxemia.
Incorreta a alternativa C: o ecoDoppler do sistema venoso profundo é um excelente exame para diagnóstico de
TVP. No entanto, ele pode ser normal em cerca de 1/3 dos pacientes com TEP, não servindo para sua confirmação
diagnóstica. Isso ocorre porque o trombo inteiro embolizou ou porque o trombo, na verdade, se localizava nos vasos
pélvicos, não podendo ser visualizado pelo ecoDoppler. Além disso, pacientes com alta probabilidade pré-teste
devem ser prontamente anticoagulados, não dependendo de exames complementares para tal conduta.
Correta a alternativa D: o principal diagnóstico a ser considerado, de acordo com o exposto no caso clínico e com
nossa probabilidade pré-teste calculada com os critérios de Wells, é TEP e, como dito na alternativa anterior, nesse
caso, não se deve retardar a anticoagulação plena. Volte à tabela 3 para memorizar esses critérios. Nesse caso,
nossa paciente pontua com sinais e sintomas de TVP, TEP como o diagnóstico mais provável e taquicardia, obtendo
um total de 8,5 pontos. Não pontuamos na hemoptise porque o relato foi de tosse com hemoptoicos, mas esse
achado traz ainda mais confiança na alta probabilidade pré-teste de TEP.
GABARITO: D
(REVALIDA – UFMT – 2019) Mulher, 55 anos, branca, obesa, foi admitida no Pronto-Socorro com quadro de dispneia
aos mínimos esforços, iniciada há 5 horas, dor torácica ventilatório-dependente à esquerda. No atendimento inicial,
apresentava agitação psicomotora, taquipneica, baixa saturação de O₂. HPP: Terapia de reposição hormonal há 6
meses. Ao exame físico, apresentava FC: 145 bpm, com ritmo regular, FR: 36 ipm, PA: 90/65 mmHg, Sat O₂: 88%, Tax:
36,7 °C. A ausculta cardíaca mostrava ritmo regular, 2T, com hiperfonese de B2 em foco pulmonar, sem sopros. No
exame pulmonar, expansibilidade diminuída em bases, macicez em base esquerda e MV diminuídos difusamente.
Abdome sem alterações, edema MI direito (+3/4+) com dor a dorso-flexão. Qual assertiva corresponde ao caso clínico
em questão?
A) Suspeita de Tromboembolismo Pulmonar, por obstrução aguda da circulação arterial pulmonar, com redução ou
cessação do fluxo sanguíneo pulmonar, trombose venosa profunda é o evento básico e o Sinal de Homans, que
consiste na dorsiflexão do pé sobre a perna, e o doente referir dor na massa muscular na panturrilha é o sinal
semiológico esperado.
B) Bronquiectasia significa dilatação irreversível dos brônquios em consequência da destruição de componentes
alveolares, normalmente acometendo segmentos ou lobos pulmonares difusamente. Ao exame físico, pode-se
observar submacicez ou macicez, que é o sinal semiológico explicado pela maior presença de ar nos alvéolos.
C) A dispneia/ortopneia pode ocorrer associada a sopro holossistólico de alta frequência e mais intenso no foco
pulmonar, com irradiação para a região axilar sendo intensificado com a manobra de "handgrip" que define ↑
RVP; é encontrada na Insuficiência Mitral Crônica da doença reumática.
D) Estenose aórtica produz dor torácica acompanhada frequentemente por dispneia, presença de hipertrofia
ventricular esquerda e redução da expansibilidade por dor. ECG e cintilografia pulmonar de ventilação e perfusão
são os métodos não invasivos, classicamente utilizados para esse diagnóstico.
COMENTÁRIO:
Note que o enunciado dessa questão foi reaproveitado em 2021 pelo Revalida, por isso é tão importante resolver
todas as questões prévias sobre o assunto.
Correta a alternativa A: vamos aplicar os critérios de Wells em nossa paciente:
Sinais e sintomas de TVP (3,0) + TEP como diagnóstico mais provável (3,0) + taquicardia (1,5) = 7,5 pontos, ou seja,
alta probabilidade pré-teste de TEP. Sendo assim, a paciente deve ser prontamente anticoagulada e submetida a um
exame diagnóstico, como a angiotomografia de tórax. Além disso, as menções à TVP e ao sinal de Homans também
estão corretas, conforme discutimos anteriormente.
Incorreta a alternativa B: pacientes portadores de bronquiectasia apresentam-se, comumente, com queixa de
tosse associada à expectoração abundante, com predomínio no período da manhã. Em períodos de exacerbação,
podem apresentar-se com queixa de febre associada à hemoptise. Note que esse quadro não justifica os achados
apresentados pela paciente.
Incorreta a alternativa C: os achados semiológicos descritos na alternativa descrevem a técnica auscultatória
GABARITO: A
(REVALIDA – INEP – 2017) Uma mulher com 70 anos de idade, obesa e hipertensa, sofreu fratura de colo de fêmur
após queda da própria altura, tendo sido submetida à fixação cirúrgica. Teve boa evolução no pós-operatório imediato
e recebeu alta hospitalar 3 dias após a intervenção, em uso regular de enalapril, atorvastatina e codeína. Permaneceu
acamada e dependente para cuidados pessoais. Cinco dias após a alta, apresentou dor torácica ventilatório-
dependente, de início súbito, e foi levada a um hospital, onde chegou cerca de uma hora após o início da dor. Ao ser
admitida no hospital, encontrava-se alerta, um pouco confusa, acianótica, com pulsos amplos e com ritmo regular.
Apresentava frequência cardíaca = 130 bpm; pressão arterial = 140 x 100 mmHg; murmúrio vesicular difusamente
reduzido; frequência respiratória = 34 irpm, com esforço moderado; saturação de O2 em ar ambiente = 86% e com
O2 por cateter nasal a 3 L/min = 93%; edema em MID, com presença de cacifo (+), do pé à raiz da coxa. O resultado
do estudo radiológico simples de tórax mostrou pequeno derrame pleural à direita; seu hemograma apresentou-se
normal; CPK = 207 UI/L (valor de referência: <165 UI/L); CPK-MB = 20 UI/L (valor de referência: < 25 UI/L); d-dímero
= 550 ng/mL (valor de referência: 68 a 494 ng/mL). O resultado do eletrocardiograma apontou taquicardia sinusal.
Diante desse quadro, quais devem ser o medicamento para tratamento inicial e o exame complementar indicados para
essa paciente?
COMENTÁRIO:
Revalidando, novamente, estamos diante de um enunciado gigante, mas cheio de dicas preciosas para pensarmos
no diagnóstico da paciente.
Paciente idosa, em pós-operatório recente, provavelmente cursou com imobilização prolongada e, no momento,
apresenta-se com dor torácica ventilatório-dependente súbita, confusão mental, taquicardia e edema unilateral
assimétrico em membro inferior direito. CPK discretamente elevada, CKMB baixa, D-dímero discretamente
aumentado de acordo com a referência, e com taquicardia sinusal no eletrocardiograma. Qual é o diagnóstico mais
provável? Sem dúvidas: TEP.
Incorreta a alternativa A: lembre-se de que a terapia trombolítica está indicada para pacientes de alto risco ou risco
GABARITO: C
(REVALIDA – UFMT – 2015 (DISCURSIVA)) Mulher, 24 anos, refere dispneia súbita, aos pequenos esforços,
acompanhada de “opressão torácica”, tosse seca, de início há 24 horas, quando retornou de uma viagem aérea com
duração de 10 horas. Refere um episódio de hemoptoico. Nega patologias prévias ou história de abortos. Refere uso
de contraceptivos orais há cerca de 10 anos e regime para emagrecer nos últimos três meses, com perda de 23 kg no
período. Ao exame físico:
• Obesa, regular estado geral, ansiosa, normocorada, normo-hidratada, acianótica e anictérica.
• ACV: ritmo cardíaco regular, em dois tempos, com desdobramento e hiperfonese de B2 em foco pulmonar.
• PA 120 × 80 mmHg e FC 110 bpm.
• Ap. respiratório: sibilos esparsos.
• FR 32 irpm.
• RX TÓRAX: pequenas áreas hipertransparentes na periferia dos campos pulmonares, com elevação da hemicúpula
frênica esquerda e velamento do seio costo-frênico homolateral.
A partir das informações, responda o item:
GABARITO OFICIAL: Embolia pulmonar. Quadro clínico, epidemiologia (uso de anticoncepcional combinado
oral, viagem prolongada, obesidade).
Como nossa principal hipótese diagnóstica é TEP, nosso exame padrão-ouro é a angiotomografia de tórax. Outras
opções também são descritas, mas pouco realizadas, no cenário de um TEP agudo, como cintilografia V/Q,
GABARITO OFICIAL: Avaliação da vascularização arterial pulmonar pelos métodos de imagem (arteriografia
pulmonar, angioTC, angioRM). Será pontuado se a resposta for cintilografia de perfusão em associação com
cintilografia de ventilação.
(REVALIDA – INEP – 2013) Homem com 60 anos de idade, obeso, procurou Setor de Emergência de um hospital
público com queixas de dor na panturrilha esquerda e edema de membros inferiores, após uma viagem de ônibus
de doze horas de duração. Evoluiu com dispneia súbita, sem melhora com a mudança postural, além de hemoptise e
taquicardia. A ausculta pulmonar revelou presença de crepitações no terço médio de ambos os pulmões. A hipótese
diagnóstica principal e a opção terapêutica recomendada são, respectivamente:
COMENTÁRIO:
Paciente de 60 anos, obeso, com queixa de dor e edema em panturrilha esquerda após viagem de longa duração
apresenta-se com queixa de dispneia súbita, hemoptise, taquicardia e crepitações pulmonares. Não tem como não
pensarmos em TEP, certo?
Correta a alternativa A, com ressalvas. Vamos aplicar os critérios de Wells em nosso paciente:
Sinais e sintomas de TVP (3,0) + TEP como diagnóstico mais provável (3,0) + taquicardia (1,5) + imobilização (1,5) +
hemoptise (1,0) = 10 pontos, ou seja, alta probabilidade pré-teste de TEP.
Por isso, nosso paciente deve ser anticoagulado e submetido a um exame diagnóstico, como a angiotomografia de
tórax, caso esteja estável. No entanto, a alternativa traz tratamento trombolítico como conduta, o que é incorreto,
visto que o paciente não apresenta achados compatíveis com instabilidade hemodinâmica. Portanto, alternativa
considerada parcialmente correta.
Além disso, pacientes com TVP manifestam-se, comumente, com edema unilateral assimétrico, não, como descrito
no enunciado, com edema bilateral de membros inferiores.
Em casos como esse, vale sempre o bom senso. Vamos avaliar as demais alternativas e ver se outra está, de fato,
totalmente correta.
Incorreta a alternativa B: o diagnóstico de pneumotórax hipertensivo é clínico, em paciente com dispneia associada
à dor ventilatório-dependente que evolui com hipotensão associada ou não a pulso paradoxal e desvio de traqueia
contralateral, com hipertimpanismo à digitopercussão ipsilateral do tórax. O tratamento deve ser imediato, com
punção de alívio no segundo espaço intercostal do hemitórax acometido.
Incorreta a alternativa C: pacientes com infarto agudo do miocárdio têm como queixas principais dor precordial em
aperto ou queimação que irradia para o membro superior esquerdo, associada à sudorese profusa e demais sinais
compatíveis com complicações do IAM, não compatíveis com o enunciado.
Incorreta a alternativa D: a pneumonia bacteriana manifesta-se com queixa de tosse e expectoração associada à
febre e, se houver acometimento pleural, dor ventilatoriodependente.
Incorreta a alternativa E: pacientes com derrame pleural têm suas manifestações clínicas mais intensas ou mais
brandas a depender do volume da efusão, sendo comum dispneia associada à dor ventilatoriodependente e
propedêutica pulmonar com macicez à digitopercussão na topografia do derrame, expansibilidade reduzida,
murmúrio vesicular e frêmito toracovocal abolidos e sinal de Signorelli.
GABARITO: A
[Link]
CAPÍTULO
13. ROBERT-EBADI, H.; RIGHINI, M. Diagnostic et prise en charge de l’embolie pulmonaire - Quelques réflexions sur
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CAPÍTULO
Taysa.
Prof. Taysa Moreira | Pneumologia | Junho 2022 45