Abdias Do Nascimento era poeta, ator, escritor, artista, professor universitário,
político e ativista dos direitos civis e humanos do movimento negro brasileiro. É
formado em Economia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1938) e
também em Sociologia no Instituto Superior de Estudos Brasileiros (1956) possuiu
também o título de doutor honoris causa pela Universidade Estadual do Rio de
Janeiro e Universidade Federal da Bahia. Teve participação no antigo Partido
Trabalhista Brasileiro (1945-65) e foi fundador Partido Democrático Trabalhista, além
de ter sido professor emérito na Universidade Estadual de Nova Iorque em Buffalo,
onde durante seu exílio, no período da Ditadura Militar, foi professor titular por dez
anos.
“No Brasil, é a escravidão que define a qualidade, a extensão e a intensidade das da
relação física e espiritual dos filhos de três continentes [...]”
“Há uma estimativa cujo os números me parecem abaixo do que seria razoável,
dando 4.000.000 de africanos importados [...]”
“Sem o escravo a estrutura econômica do país jamais teria existido.”
“O papel exercido pela igreja católica tem sido aquele de principal ideólogo e de
pedra angular para a instituição da escravidão em toda sua brutalidade.”
“Verger concluí ser o Brasil um amálgama racial harmonioso no qual não existe
preconceito ou discriminação [...]”
“Enquanto às sobrevivências culturais citadas para “provar” um “anti-racismo”
brasileiro, elas são apenas resultados diretos dos mecanismos de controle social
[...]”
“O tratamento descuidado e os abusos que eram vítimas provocaram uma alta taxa
de mortalidade infantil entre a população escrava.”
“As classes dirigentes desde os primeiros dias de independência do Brasil até a
recente independência de Angola, Moçambique e Guiné-Bissau se mantiveram
aliadas à política imperialista dos portugueses na África.”
“Desde que o motivo da importação de escravos era a simples exploração
econômica representada pelo lucro, os escravos [...] existiam relegados [...] à sua
função na economia: mera força de trabalho.”
“E as relativamente poucas mulheres que existiam estavam automaticamente
impedidas de estabelecer qualquer estável estrutura de família. A norma consistia na
exploração da africana pelo senhor escravocrata.”
“O costume de manter prostitutas negro-africanas como meio de renda, comum
entre os escravocratas, revela que além de licenciosos, alguns se tornavam também
proxenetas.”
“Ainda nos dias de hoje, a mulher negra [...] continua a vítima fácil, vulnerável a
qualquer agressão sexual do branco.”
“Devemos compreender “democracia racial” como significando a metáfora perfeita
para designar o racismo estilo brasileiro [...]
“As estruturas econômica, social e política do Brasil são tais que, por sua própria
natureza, operam contra os interesses dos negros”
“O sistema educacional é usado como aparelhamento de controle nesta estrutura de
discriminação cultural. Em todos os níveis [...]”
“O negro no Brasil está sendo rapidamente liquidado nas malhas difusas,
dissimuladas, sutis e paternalistas do genocídio mais cruel dos nossos tempos.”
“O cientista revela que a “nova sociedade global” se desenvolveu através de um
processo de “integração plural” marcada [...]”
“Situa-se nessa persistente evasão, como se raça fosse um tabu, da questão das
relações humanas entre pretos e brancos [...]”
“Essa igreja possuiu escravos com fins lucrativos, e constantemente perseguiu e
atacou as crenças religiosas de matriz africana durante séculos, até os dias atuais.”
NASCIMENTO, Abdias. O genocídio do negro brasileiro: processo de um racismo
mascarado. Editora Perspectiva AS, 2016, 232 p.