Garantias do Crédito Tributário no CTN
Garantias do Crédito Tributário no CTN
1-REGULAMENTAÇÃO
Artigos 183 a 193 do Código Tributário Nacional.
As garantias são os meios jurídicos assecuratórios que o estado pode utilizar
para receber a prestação do tributo.
Os privilégios dizem respeito à posição de superioridade de que desfruta o
crédito tributário, quando comparado com os demais créditos.
2-DISPOSIÇÕES GERAIS
O artigo que inaugura o tema é o artigo 183 do Código Tributário Nacional, que possui
a seguinte redação:
Art. 183. A enumeração das garantias atribuídas neste Capítulo ao crédito
tributário não exclui outras que sejam expressamente previstas em lei, em
função da natureza ou das características do tributo a que se refiram.[...]
Não taxativo.
Quanto ao parágrafo único do artigo 183, tem-se que ele dispõe da seguinte forma:
Art. 183. [...] Parágrafo único. A natureza das garantias atribuídas ao crédito
tributário não altera a natureza deste nem a da obrigação tributária a que
corresponda.
Assim, o fato de o devedor ter garantido a execução fiscal com uma fiança, por
exemplo -- instituto que é disciplinado pelo direito privado -- não altera a natureza do crédito
tributário
LEF 6.830/80
Art. 184. Sem prejuízo dos privilégios especiais sobre determinados bens, que
sejam previstos em lei, responde pelo pagamento do crédito tributário a totalidade dos
bens e das rendas, de qualquer origem ou natureza, do sujeito passivo, seu espólio ou
sua massa falida, inclusive os gravados por ônus real ou cláusula de inalienabilidade
ou impenhorabilidade, seja qual for a data da constituição do ônus ou da cláusula,
excetuados unicamente os bens e rendas que a lei declare absolutamente
impenhoráveis.
Por força desse dispositivo, responde pelo crédito tributário todos os bens do sujeito
passivo, inclusive os gravados por ônus real ou cláusula de inalienabilidade ou
impenhorabilidade, excetuados tão somente os bens e rendas que a lei declare absolutamente
impenhoráveis.
Nessa esteira, é irrelevante, por exemplo, que o imóvel do sujeito passivo esteja
hipotecado por uma dívida bancária (gravado por ônus real), porque isso não impede que ele
seja excutido para satisfação do crédito tributário.
O mesmo ocorre com o bem imóvel recebido pelo sujeito passivo em doação, no qual
conste cláusula de impenhorabilidade. Embora essa circunstância impeça a sua alienação para
satisfação de dívidas contraídas com particulares, não é óbice à penhora e arrematação para
quitação de créditos de natureza tributária. Assim, apenas não podem ser penhorados os bens
e rendas que a lei declare absolutamente impenhoráveis, do que são exemplos o bem de
família, previsto pela Lei 8.009/90; e aqueles arrolados no artigo 833 do CPC, que
colacionamos abaixo:
Observem que, no inciso I, riscamos o seguinte trecho: “declarados, por ato voluntário,
não sujeitos à execução”. A razão repousa no fato de que, como mencionamos anteriormente,
não se aplica ao crédito tributário a impenhorabilidade constituída por ato voluntário.
Como se pode observar do dispositivo, o marco temporal utilizado pela Lei para
caracterização da fraude à execução é a inscrição do crédito em dívida ativa, que ocorre antes
mesmo do ajuizamento da ação de execução fiscal, conforme demonstra o gráfico abaixo.
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Gráfico.
FRAUDE À
EXECUÇÃO
FISCAL
[Link]ção
tributária
2. crédito
tributário
ajuizamento da
ação de execução
fiscal
5-despacho
citatório na ação
de execução fiscal
6-penhora
De toda forma, como evidencia o parágrafo único do artigo 185, não é toda alienação
após a inscrição em dívida ativa que se constitui em fraude à execução, mas tão somente
aquelas que sejam realizadas sem que o devedor tenha reservado bens para o pagamento da
dívida inscrita. Assim, por exemplo, nada impede que o sujeito passivo, contra quem paira
dívida inscrita no valor de R$ 500.000,00, aliene imóvel no valor de R$ 700.000,00, desde que
mantenha em sua propriedade bens cuja soma seja superior à dívida inscrita.
5
Ainda quanto ao tema, é importante consignar que o Superior Tribunal de Justiça firmou
entendimento no sentido da inaplicabilidade da Súmula 375 à fraude à execução fiscal :
Assim, o artigo 185 do Código Tributário Nacional exige cautela redobrada de quem
adquire um bem – sobretudo quando for um imóvel - sendo importante a consulta acerca da
existência de créditos inscritos em dívida ativa no nome do alienante.
Como se pode observar, três são os requisitos para que a indisponibilidade possa ser
decretada: a) citação do devedor; b) ausência de indicação de bens à penhora pelo devedor; c)
não terem sido encontrados bens penhoráveis pela Fazenda Pública.
6.830/80, citado o devedor, este tem o prazo de cinco dias para pagar a dívida ou garantir a
execução:
O terceiro requisito é que gerava maior controvérsia, porque a lei não estabelece
quando que se deve entender que não foram encontrados bens pelo credor. Seria necessário o
esgotamento das diligências por parte do fisco ou bastaria que a penhora sobre conta corrente
não obtivesse êxito? Em caso positivo, quais são os atos necessários para se considere
esgotadas as diligências? O tema foi pacificado pelo Superior Tribunal de Justiça, mediante a
edição de súmula sobre o assunto:
Por outro lado, caso se constate que a indisponibilidade atingiu bens diversos cuja soma
é superior ao valor cobrado, deve o magistrado determinar o levantamento dos bens ou
valores que excederem a esse limite, conforme determina o parágrafo primeiro do dispositivo.
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Veja Gráfico
INDISPONIBILIDADE DO ART.
185-A
Art. 186. O crédito tributário prefere a qualquer outro, seja qual for sua
natureza ou o tempo de sua constituição, ressalvados os créditos decorrentes da
legislação do trabalho ou do acidente de trabalho. (Redação dada pela Lcp nº
118, de 2005)
autos, tratamento anti-isonômico, conferindo maior proteção aos empregados que aos
filhos do indivíduo. 2. Incidente de arguição de inconstitucionalidade acolhido” (TRF4,
Corte Especial, ARGINC 2009.04.00.033108-1, Rel. Luciane Amaral Corrêa Münch, DE 14-
9-2010)
Por força do artigo 186 do Código Tributário Nacional, a preferência é dos créditos
decorrentes da legislação do trabalho. Assim, os empregados devem receber o valor de R$
150.000,00, o que representa a quitação da dívida com relação a eles. O valor remanescente,
de R$ 100.000,00, deve ser repassado para a União Federal, por se tratar de dívida de natureza
tributária. Como houve o esgotamento do valor arrecadado, nada é repassado à instituição
financeira.
Art. 186. O crédito tributário prefere a qualquer outro, seja qual for sua natureza ou o
tempo de sua constituição, ressalvados os créditos decorrentes da legislação do trabalho
ou do acidente de trabalho. (Redação dada pela Lcp nº 118, de 2005)
Parágrafo único. Na falência: (Incluído pela Lcp nº 118, de 2005)
I – o crédito tributário não prefere aos créditos extraconcursais ou às importâncias
passíveis de restituição, nos termos da lei falimentar, nem aos créditos com garantia
real, no limite do valor do bem gravado; (Incluído pela Lcp nº 118, de 2005)
II – a lei poderá estabelecer limites e condições para a preferência dos créditos
decorrentes da legislação do trabalho; e (Incluído pela Lcp nº 118, de 2005)
III – a multa tributária prefere apenas aos créditos subordinados. (Incluído pela Lcp nº
118, de 2005)
Por força do inciso III do artigo 186, que deve ser interpretado em conjunto com o artigo
124 da Lei 11.101/2005 , no caso de falência do devedor há a necessidade de fracionamento
do crédito tributário em três partes: a) valor do tributo acrescido de correção monetária e
juros até a data da falência; b) valor das multas tributárias; c) valor dos juros moratórios
vencidos após a decretação da falência.
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As multas tributárias preferem apenas aos créditos subordinados na falência, ou seja, são
pagas somente se os créditos das seguintes classes forem satisfeitos:
ii) créditos com garantia real até o limite do valor do bem gravado;
iii) valores devidos a título de tributo, correção e juros vencidos até a data da quebra;
Art. 124. Contra a massa falida não são exigíveis juros vencidos após a decretação da
falência, previstos em lei ou em contrato, se o ativo apurado não bastar para o pagamento dos
credores subordinados.
Assim, eles somente são pagos se todos os credores subordinados também o forem, o
que é algo bastante raro na prática.
Os créditos extraconcursais (i) são aqueles que dizem respeito às obrigações ocorridas
após a falência ou durante o curso da recuperação judicial, conforme enuncia o artigo 84 da
Lei 11.101/2005:
Art. 84. Serão considerados créditos extraconcursais e serão pagos com precedência
sobre os mencionados no art. 83 desta Lei, na ordem a seguir, os relativos a:
I – remunerações devidas ao administrador judicial e seus auxiliares, e créditos derivados
da legislação do trabalho ou decorrentes de acidentes de trabalho relativos a serviços
prestados após a decretação da falência;
II – quantias fornecidas à massa pelos credores;
III – despesas com arrecadação, administração, realização do ativo e distribuição do seu
produto, bem como custas do processo de falência;
IV – custas judiciais relativas às ações e execuções em que a massa falida tenha sido
vencida;
V – obrigações resultantes de atos jurídicos válidos praticados durante a recuperação
judicial, nos termos do art. 67 desta Lei, ou após a decretação da falência, e tributos
relativos a fatos geradores ocorridos após a decretação da falência, respeitada a ordem
estabelecida no art. 83 desta Lei.
função, dada a possibilidade de o crédito não ser recuperado. O mesmo se dá com os atos
praticados durante a fase de recuperação judicial da empresa. Se não existisse a norma do
inciso V do artigo 84, que considera as obrigações assumidas nesse período como
extraconcursais, dificilmente alguma instituição financeira ou algum fornecedor concederia
crédito à pessoa jurídica recuperanda, pelo risco iminente de falência da pessoa jurídica.
Assim, imaginemos que o devedor falido X possui diversas dívidas. Ele deve R$
200.000,00 para um credor hipotecário (instituição financeira), R$ 100.000,00 para a União
Federal, referente a tributos inadimplidos, e R$ 1.000.000,00 para fornecedores sem qualquer
garantia. Supomos que o único bem de sua propriedade seja justamente aquele que foi
hipotecado, o qual foi arrematado na falência pelo valor de R$ 250.000,00.
Nessa perspectiva, como deve ser repartido o valor arrecadado? Por força da regra do
inciso I do artigo 186, a preferência é do credor com garantia real, no caso a instituição
financeira, que deve receber a quantia de R$ 200.000,00. O valor remanescente, de R$
50.000,00, deve ser repassado à União Federal, o que implica apenas na quitação parcial dos
tributos devidos. Os fornecedores, por outro lado, nada recebem.
PREFERÊNCIA DO CRÉDITO
TRIBUTÁRIO
REGRA GERAL
PREFERÊNCIA
DO CRÉDITO
TRIBUTÁRIO NA
FALÊNCIA
TRIBUTOS+
CORREÇÃO juros vencidos
MONETÁRIA+JUROS
MULTAS
MORATÓRIOS ATÉ A TRIBUTÁRIAS após a falência
DATA DA FALÊNCIA
AS IMPOSTÂNCIAS
PASSÍVEIS DE
RESTITUIÇÃO NOS
TERMOS DA LEI
AOS CRÉDITODS
COM GARANTIA
REAL NO LIMITE
DO BEM
GRAVADO
AOS CRÉDITOS
DECORRENTES DA
LEGISLAÇÃO DO
TRABALHO OU
ACIDENTE DE
TRABALHO ATÉ 150
sm
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Lei 11.101/2005 Art. 84. Serão considerados créditos extraconcursais e serão pagos com
precedência sobre os mencionados no art. 83 desta Lei, na ordem a seguir, os relativos a:
I – remunerações devidas ao administrador judicial e seus auxiliares, e créditos derivados da
legislação do trabalho ou decorrentes de acidentes de trabalho relativos a serviços prestados
após a decretação da falência;
II – quantias fornecidas à massa pelos credores;
III – despesas com arrecadação, administração, realização do ativo e distribuição do seu
produto, bem como custas do processo de falência;
IV – custas judiciais relativas às ações e execuções em que a massa falida tenha sido vencida;
V – obrigações resultantes de atos jurídicos válidos praticados durante a recuperação judicial,
nos termos do art. 67 desta Lei, ou após a decretação da falência, e tributos relativos a fatos
geradores ocorridos após a decretação da falência, respeitada a ordem estabelecida no art. 83
desta Lei.
Assim, por exemplo, entre o pagamento do IPTU que incidiu após a falência e os
valores provenientes das obrigações trabalhistas geradas antes da quebra, deve-se pagar em
primeiro lugar o crédito do IPTU.
PRIVILÉGIOS DO
CRÉDITO
TRIBUTÁRIO NA
FALÊNCIA
CRÉDITOS QUE
SE SUBMETEM CRÉDITOS
AO CONCURSO EXTRACONCURS
DE CREDORES AIS
CRÉDITOS
TRABALHISTAS REMUNERAÇÕES DEVIDAS AO
ATÉ 150 SM E DE ADMINISTR\DOR JUDICIAL E SEUS
ACIDENTES DE AUXILIARES, E CRÉDITOS DERIVADOS
TRABALHO DA LEGISLAÇÃO DO TRABALHO OU
DECORRENTES DE ACIDENTE DO
TRABALHO RELATIVOS A SERVIÇOS
PRESTADOS APÓS A DECRETAÇÃO DA
FALÊNCIA
CRÉDITO COM
GARANTIA REAL
QUANTIAS
FORNECIDAS ÀS
MASSAS PELOS
CREDORES
VALOR DO
TRIBUTO COM
CORREÇÃO
MONETÁRIA E
MULTA DE MORA DESPESAS COM
ATÉ A DATA DA ARRECADAÇÃO
FALÊNCIA ADMINISTRAÇÃO,REALIZAÇÃO
DO ATIVO E DISTRIBUIÇÃO DO
SEU PRODUTO, BEM COMO
CUSTAS DO PROCESSO DE
FALÊNCIA
CRÉDITOS COM
PRIVILÉGIO
ESPECIAL
CUSTAS JUDICIAIS RELATIVAS ÀS
AÇÕES E EXECUÇÕES EM QUE A
MASSA FALIDA ETNHA SIDO
VENCIDA
CRÉDITOS COM
PRIVILÉGIO
GERAL
CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS
CRÉDITOS CUJOS FATOS
QUIROGRAFÁRIO GERADORES OCORREM
S APÓS A DECRETAÇÃO
DA FALÊNCIA
MULTAS
CONSTRATUTAIS E
PENAS PECUNIÁRIAS
POR INFRAÇÃO DAS
LEIS PENAIS OU
ADMINISTRATIVAS ,
INCLUSIVE AS
MULTAS TRIBUTÁRIAS
CRÉDITOS
SUBORDINADOS
O caput do artigo 187, por sua vez, determina que “a cobrança judicial do crédito
tributário não é sujeita a concurso de credores ou habilitação em falência, recuperação
judicial, concordata, inventário ou arrolamento”.
Isso significa que não é necessário que seja realizada a habilitação do crédito tributário
na falência, recuperação judicial, inventário ou arrolamento, podendo-se prosseguir na
execução fiscal.
No âmbito da falência, inclusive, caso o bem já tenha sido penhorado na execução fiscal
antes da quebra do devedor, é possível ao credor requerer o prosseguimento da excussão.
Nesse caso, em ocorrendo o leilão do bem, deve o valor arrecadado ser remetido ao juízo
falimentar, para que seja distribuído aos credores, segundo a ordem de preferência legal (STJ -
REsp: 399724 RS 2001/0177532-4,).
Por outro lado, uma vez ocorrida a falência, não pode o credor requerer na execução
fiscal a penhora de bens de propriedade do falido. Nesse caso, o que a Fazenda Pública pode
fazer é requerer a penhora do crédito tributário no rosto dos autos do processo falimentar,
para que seja observada a ordem de preferência do crédito tributário no juízo universal (AgRg
no REsp 783.318/SP).
O parágrafo único do artigo 187 estabelece uma ordem de preferência entre os créditos
tributários das entidades federativas:
Por força desse dispositivo, existindo penhoras de entidades federativas diversas sobre
o mesmo bem, deve-se pagar em primeiro lugar os créditos tributários da União, depois os
créditos tributários dos Estados, Distrito Federal e Territórios, e por último os créditos
tributários dos Municípios.
Essa regra foi complementada pelo artigo 29 da Lei de Execuções Fiscais, que possui a
seguinte redação:
Art. 29 da Lei 6.830/80 A cobrança judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública não é
sujeita a concurso de credores ou habilitação em falência, concordata, liquidação,
inventário ou arrolamento Parágrafo Único - O concurso de preferência somente se
verifica entre pessoas jurídicas de direito público, na seguinte ordem:
I - União e suas autarquias;
II - Estados, Distrito Federal e Territórios e suas autarquias, conjuntamente e pro rata;
III - Municípios e suas autarquias, conjuntamente e pro rata.
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A diferença entre um dispositivo e outro é que, neste último, foram incluídos os créditos
das autarquias, que gozam da mesma preferência estabelecida à entidade federativa
correspondente.
Súmula 563: O concurso de preferência a que se refere o parágrafo único, do art. 187,
do CTN, é compatível com o disposto no art. 9º, I, da CF/67.
Art. 190. São pagos preferencialmente a quaisquer outros os créditos tributários vencidos
ou vincendos, a cargo de pessoas jurídicas de direito privado em liquidação judicial ou
voluntária, exigíveis no decurso da liquidação.
Os artigos 189 e 190 se aplicam nos casos de inventário e liquidação, quando o sujeito
passivo for solvente, ou seja, consegue adimplir com todas as suas obrigações. Nesse caso, o
pagamento do crédito tributário deve ser realizado com prioridade sobre os demais créditos.
Por força dessa regra, a concessão da recuperação judicial fica condicionada a uma das
seguintes circunstâncias, no que tange aos créditos tributários: i) quitação de todos os
tributos; ii) apresentação de certidão negativa; iii) certidão positiva com efeitos de negativa.
Nessa esteira, ocorrida a suspensão dos créditos tributários por qualquer das hipóteses
do artigo 151 do CTN, faz-se possível a concessão da recuperação judicial, porque o
contribuinte, muito embora não tenha quitado seus tributos, obtém uma certidão positiva
com efeitos de negativa. O mesmo ocorre se o sujeito passivo garante a dívida com uma
penhora suficiente à satisfação do crédito, conforme enuncia o artigo 206 do CTN:
Art. 206. Tem os mesmos efeitos previstos no artigo anterior a certidão de que conste a
existência de créditos não vencidos, em curso de cobrança executiva em que tenha sido
efetivada a penhora, ou cuja exigibilidade esteja suspensa.
Art. 193. Salvo quando expressamente autorizado por lei, nenhum departamento da
administração pública da União, dos Estados, do Distrito Federal, ou dos Municípios, ou
sua autarquia, celebrará contrato ou aceitará proposta em concorrência pública sem
que o contratante ou proponente faça prova da quitação de todos os tributos devidos à
Fazenda Pública interessada, relativos à atividade em cujo exercício contrata ou
concorre.
Art. 654. Pago o imposto de transmissão a título de morte e juntada aos autos certidão
ou informação negativa de dívida para com a Fazenda Pública, o juiz julgará por
sentença a partilha.
O artigo 193, por sua vez, afirma que, salvo quando expressamente autorizado por lei,
a celebração de contrato ou a aceitação de proposta em concorrência pública só podem ser
realizadas mediante comprovação do interessado de que realizou a quitação de todos os
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tributos devidos à Fazenda Pública interessada, no que tange à atividade em cujo exercício
contrata ou concorre.
Assim, o artigo 193 impõe apenas a comprovação da quitação dos tributos com relação
à Fazenda Pública interessada, e desde que relativos à atividade a que pretende ser
contratado.
Não obstante, há normas mais rigorosas do que a do artigo 193, como a prevista pelos
artigos 27 a 29 da Lei 8.666/93:
Art. 27. Para a habilitação nas licitações exigir-se-á dos interessados, exclusivamente,
documentação relativa a:
I - habilitação jurídica;
II - qualificação técnica;
III - qualificação econômico-financeira; IV – regularidade fiscal e trabalhista; [...]
Portanto, o atendimento à exigência do artigo 193 do CTN pode não ser o suficiente
para que a pessoa jurídica seja contratada pelo poder público.
4-ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
3.1 REGULAMENTAÇÃO
3.2 FISCALIZAÇÃO
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A norma que inaugura o tema é a do artigo 194 do Código Tributário Nacional, que
possui a seguinte redação:
Art. 194. A legislação tributária, observado o disposto nesta Lei, regulará, em caráter
geral, ou especificamente em função da natureza do tributo de que se tratar, a
competência e os poderes das autoridades administrativas em matéria de
fiscalização da sua aplicação. Parágrafo único. A legislação a que se refere este
artigo aplica-se às pessoas naturais ou jurídicas, contribuintes ou não, inclusive às
que gozem de imunidade tributária ou de isenção de caráter pessoal.
O artigo 195 traz regras sobre o exame de livros, mercadorias e registros contábeis do
sujeito passivo, ao dispor no seguinte sentido:
Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer
disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias,
livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes
industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibi-los. Parágrafo único. Os
livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos
lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos
créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram.
Nesse sentido, não é oponível ao fisco o direito ao sigilo dos livros fiscais, como
inclusive deixa claro o artigo 1.193 do Código Civil:
Na prática, portanto, o prazo de conservação pode ser bem mais longo, pela
possibilidade de o prazo prescricional ser interrompido ou suspenso. O artigo 196 possui a
seguinte redação:
O artigo 197 arrola uma série de pessoas e entidades que são obrigadas a prestar ao
fisco as informações de que disponham, com relação aos bens, negócios ou atividades de
terceiros:
Como se pode observar, as pessoas arroladas pelo artigo 197 são terceiros, ou seja,
não são sujeitos passivos da relação obrigacional principal para cuja fiscalização devem
contribuir. Não obstante, têm a obrigação acessória de prestar informações ao fisco, em razão
de manterem informações relevantes sobre as atividades do sujeito passivo.
Art. 198. Sem prejuízo do disposto na legislação criminal, é vedada a divulgação, por
parte da Fazenda Pública ou de seus servidores, de informação obtida em razão do
22
Portanto, a regra é que os dados do sujeito passivo sejam conservados pela fazenda
pública respectiva, configurando infração administrativa o repasse dessas informações a
terceiros.
Há, no entanto, uma série de exceções a essa regra. O parágrafo primeiro do artigo
198, por exemplo, dispõe no seguinte sentido:
Art. 198 [...] § 1o Excetuam-se do disposto neste artigo, além dos casos previstos no
art. 199, os seguintes: (Redação dada pela Lcp nº 104, de 2001)
I – requisição de autoridade judiciária no interesse da justiça; (Incluído pela Lcp nº
104, de 2001)
II – solicitações de autoridade administrativa no interesse da Administração Pública,
desde que seja comprovada a instauração regular de processo administrativo, no
órgão ou na entidade respectiva, com o objetivo de investigar o sujeito passivo a que
se refere a informação, por prática de infração administrativa. (Incluído pela Lcp nº
104, de 2001)
Art. 199. A Fazenda Pública da União e as dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios prestar-se-ão mutuamente assistência para a fiscalização dos tributos
respectivos e permuta de informações, na forma estabelecida, em caráter geral ou
específico, por lei ou convênio.
O parágrafo único deste dispositivo autoriza ainda que a União possa permutar
informações com Estados Estrangeiros, na forma estabelecida em tratados, acordo ou
convênios.
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Por fim, o parágrafo terceiro do artigo 198 estabelece uma série de informações que
não são protegidas pelo sigilo:
Art. 198. Sem prejuízo do disposto na legislação criminal, é vedada a divulgação, por
parte da Fazenda Pública ou de seus servidores, de informação obtida em razão do
ofício sobre a situação econômica ou financeira do sujeito passivo ou de terceiros e
sobre a natureza e o estado de seus negócios ou atividades.
§ 3o Não é vedada a divulgação de informações relativas a: (Incluído pela Lcp nº
104, de 2001)
I – representações fiscais para fins penais; (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001).
II – inscrições na Dívida Ativa da Fazenda Pública; (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001)
III – parcelamento ou moratória. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001)
Essa regra, por óbvio, não autoriza ao fisco o ingresso no domicílio residencial ou
profissional do contribuinte sem a prévia autorização judicial, conforme salvaguarda prevista
pelo artigo 5º, inciso XI, da Constituição Federal.( HC 93050, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO,
Segunda Turma, julgado em 10/06/2008, DJe-142 DIVULG 31-07-2008 PUBLIC 01-08-2008
EMENT VOL-02326-04 PP-00700)
5-DÍVIDA ATIVA
O ente público pode figurar como credor ou devedor em uma relação obrigacional.
Quando figura no polo passivo, a legislação lhe confere diversas prerrogativas para o
pagamento do seu débito, do que é exemplo o precatório. Quando aparece no polo ativo,
também há um caminho privilegiado para cobrança da prestação a que faz jus. Uma dessas
prerrogativas da Fazenda Pública é apurar os créditos devidos e inscrevê-los em um livro
chamado de “Dívida Ativa”, que tem como função organizar e racionalizar a cobrança desses
créditos
A dívida ativa pode ser de natureza tributária ou não tributária, conforme enuncia o
artigo 39 da Lei 4.320/64:
Uma vez inscrito o crédito em dívida ativa, seja ele de natureza tributária ou não
tributária, faz-se possível a emissão de certidão que espelhe as informações constantes da
inscrição, a qual é um título executivo extrajudicial, conforme enuncia o inciso IX do artigo 784
do CPC:
Feitas essas considerações, voltemos nossa atenção para o artigo 201 do Código
Tributário Nacional, que dispõe sobre a dívida ativa tributária:
Art. 201. Constitui dívida ativa tributária a proveniente de crédito dessa natureza,
regularmente inscrita na repartição administrativa competente, depois de esgotado
o prazo fixado, para pagamento, pela lei ou por decisão final proferida em processo
regular. Parágrafo único.
A fluência de juros de mora não exclui, para os efeitos deste artigo, a liquidez do
crédito.
FASE 1: OBRIGAÇÃO
TRIBUTÁRIA
FASE 2: CONSTITUIÇÃO
DO C.T.
FASE 3: ESGOTAMENTO
PROCESSO DE DO PRAZO PARA
POSITIVAÇÃO PAGAMENTO
VOLUNTÁRIO
FASE 4:INSCRIÇÃO EM
DÍVIDA ATIVA
FASE 5: AJUIZAMENTO DA
AÇÃO DE EXCUÇÃO
FISCAL
O parágrafo único apenas diz o óbvio: O fato de o crédito ter sido inscrito em dívida
ativa não impede que os juros moratórios continuem fluindo até que ocorra o pagamento da
prestação, e essa circunstância não retira a liquidez do crédito apurado.
uma das hipóteses que autoriza a responsabilização (STJ, 2ª T., EDcl no REsp 863.334/RS, Rel.
Min. Humberto Martins, julgado em 3-5-2007, DJ 15-5-2007, p. 265).
Por fim, dispõe o parágrafo único que a certidão de dívida ativa deve conter todos os
requisitos desse artigo, além da indicação do livro e da folha de inscrição.
Art. 203. A omissão de quaisquer dos requisitos previstos no artigo anterior, ou o erro
a eles relativo, são causas de nulidade da inscrição e do processo de cobrança dela
decorrente, mas a nulidade poderá ser sanada até a decisão de primeira instância,
mediante substituição da certidão nula, devolvido ao sujeito passivo, acusado ou
interessado o prazo para defesa, que somente poderá versar sobre a parte
modificada.
Por esse motivo, é inviável a substituição da certidão de dívida ativa quando a correção
pretendida objetivar a modificação do sujeito passivo da execução, existindo inclusive súmula
acerca do tema:
Súmula 392: A Fazenda Pública pode substituir a certidão de dívida ativa (CDA) até a
prolação da sentença de embargos, quando se tratar de correção de erro material ou
formal, vedada a modificação do sujeito passivo da execução.
Esse raciocínio, no entanto, não se aplica nos casos em que consta na CDA pessoa
jurídica empresarial cuja falência foi decretada antes da propositura da ação executiva. Nessas
hipóteses, o Superior Tribunal de Justiça firmou jurisprudência no sentido da possibilidade de
correção da petição inicial e da CDA, não sendo correta a imediata extinção do feito (0 REsp
1372243/SE, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Rel. p/ Acórdão Ministro OG
FERNANDES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 11/12/2013, DJe 21/03/2014).
Por fim, dispõe o artigo 204 que a dívida regularmente inscrita goza de presunção de
certeza e liquidez e tem o efeito de prova constituída.
No entanto, essa presunção não é absoluta, podendo ser ilidida por prova a cargo do
sujeito passivo ou do terceiro a que aproveite. Por ser ônus do sujeito passivo comprovar a
inexatidão das informações registradas, cabe a ele juntar o processo administrativo fiscal no
processo de embargos à execução.( AgInt no REsp 1619983/PB, Rel. Ministro FRANCISCO
FALCÃO, SEGUNDA TURMA, julgado em 08/02/2018, DJe 14/02/2018).
6-CERTIDÕES NEGATIVAS
Art. 205. A lei poderá exigir que a prova da quitação de determinado tributo, quando
exigível, seja feita por certidão negativa, expedida à vista de requerimento do
interessado, que contenha todas as informações necessárias à identificação de sua
28
O artigo 205 trata da Certidão Negativa de Débitos Tributários, que atesta que o
contribuinte não tem pendências com o fisco, tendo adimplido com todas as suas obrigações
tributárias. Deve ser emitida nos casos em que não há crédito constituído contra o sujeito
passivo.
O artigo 206 do Código Tributário Nacional afirma que “tem os mesmos efeitos
previstos no artigo anterior a certidão de que conste a existência de créditos não vencidos, em
curso de cobrança executiva em que tenha sido efetivada a penhora, ou cuja exigibilidade
esteja suspensa”.
Esse dispositivo trata da Certidão Positiva com Efeitos de Negativa, e o nome já revela
a sua finalidade. Essa certidão é emitida nos casos em que a lei considera que o sujeito passivo,
embora possuidor de débitos tributários, encontra-se regular perante o fisco, em razão do
preenchimento de alguns dos requisitos previstos pelo artigo 206.
Para que o sujeito passivo faça jus à emissão dessa certidão, é necessária a presença
de um dos seguintes requisitos:
A razão é óbvia. Se não ocorreu o vencimento, não há mora do sujeito passivo. Assim, muito
embora o crédito já esteja constituído, não há como considerar que o contribuinte não esteja
regular.
Caso ocorra qualquer uma das hipóteses do artigo 151 do Código Tributário Nacional, como a
adesão a parcelamento ou a obtenção de medida liminar em ação judicial, por exemplo, o
sujeito passivo passa a fazer jus à certidão positiva com efeitos de negativa.
Também faz jus à certidão positiva com efeitos de negativa o sujeito passivo que
garante a dívida tributária com penhora, desde que o bem oferecido seja suficiente para fazer
frente à integralidade do crédito cobrado.
Com o advento do NCPC, a medida pode ser requerida mediante pedido de tutela
antecipada em caráter antecedente, nos termos dos artigos 303 a 304.
Art. 208. A certidão negativa expedida com dolo ou fraude, que contenha erro
contra a Fazenda Pública, responsabiliza pessoalmente o funcionário que a
expedir, pelo crédito tributário e juros de mora acrescidos.
Parágrafo único. O disposto neste artigo não exclui a responsabilidade criminal e
funcional que no caso couber
7- RESUMO
Direitos e Privilégios do Crédito Tributário
30
1. As garantias são os meios jurídicos assecuratórios que o estado pode utilizar para receber a
prestação do tributo. Os privilégios dizem respeito à posição de superioridade de que desfruta
o crédito tributário, quando comparado com os demais créditos
2. O rol das garantias constantes do Código Tributário Nacional não é exaustivo. Outras mais
podem ser estabelecidas por meio de leis ordinárias federais, estaduais e municipais.
3. Por força do artigo 184 do CTN, responde pelo crédito tributário todos os bens do sujeito
passivo, inclusive os gravados por ônus real ou cláusula de inalienabilidade ou
impenhorabilidade, excetuados tão somente os bens e rendas que a lei declare absolutamente
impenhoráveis. Nessa esteira, é irrelevante, por exemplo, que o imóvel do sujeito passivo
esteja hipotecado por uma dívida bancária (gravado por ônus real), porque isso não impede
que ele seja excutido para satisfação do crédito tributário. O mesmo ocorre com o bem imóvel
recebido pelo sujeito passivo em doação, no qual conste cláusula de impenhorabilidade.
Embora essa circunstância impeça a sua alienação para satisfação de dívidas contraídas com
particulares, não é óbice à penhora e arrematação para quitação de créditos de natureza
tributária.
4. O artigo 185 do CTN versa sobre fraude à execução fiscal. Como se observa do dispositivo, o
marco temporal utilizado pela Lei para caracterização da fraude à execução é a inscrição do
crédito em dívida ativa. Assim, o regramento aplicável ao fisco com relação aos créditos
tributários é mais favorável do que o existente em favor dos credores privados. Com relação a
estes últimos, incide o disposto no artigo 792 do CPC, que pressupõe para o reconhecimento
da fraude à execução a existência de uma demanda judicial ou de uma constrição judicial.
Ainda quanto ao tema, é importante consignar que o Superior Tribunal de Justiça firmou
entendimento no sentido da inaplicabilidade da Súmula 375 à fraude à execução fiscal. O
fundamento é o de que, tratando-se de alienação realizada após a inscrição em dívida ativa
sem que tenham sido reservados pelo sujeito passivo bens suficientes ao total pagamento da
dívida, a presunção de fraude à execução é absoluta, sendo irrelevante que o terceiro tenha
adquirido o bem de boa-fé.
5. O artigo 185-A prevê três requisitos para indisponibilização dos bens do sujeito passivo:
a) citação do devedor;
7. Como regra geral, o crédito tributário prefere a qualquer outro, seja qual for sua natureza
ou o tempo de sua constituição, ressalvados os créditos decorrentes da legislação do trabalho
ou do acidente de trabalho.
O valor devido a título de tributo acrescido de correção monetária e juros até a data da
falência possui preferência sobre a maior parte dos créditos, salvo com relação:
iii) aos créditos com garantia real, no limite do valor do bem gravado;
Administração Tributária
2. O artigo 197 arrola uma série de pessoas e entidades que são obrigadas a prestar ao fisco as
informações de que disponham, com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros.
Tais pessoas não são sujeitos passivos da relação obrigacional principal para cuja fiscalização
devem contribuir. Não obstante, têm a obrigação acessória de prestar informações ao fisco,
em razão de manterem informações relevantes sobre as atividades do sujeito passivo.
4. O ente público pode figurar como credor ou devedor em uma relação obrigacional. Quando
figura no polo passivo, a legislação lhe confere diversas prerrogativas para o pagamento do seu
débito, do que é exemplo o precatório. Quando aparece no polo ativo, também há um
caminho privilegiado para cobrança da prestação a que faz jus. Uma dessas prerrogativas da
Fazenda Pública é apurar os créditos devidos e inscrevê-los em um livro chamado de “Dívida
Ativa”, que tem como função organizar e racionalizar a cobrança desses créditos. A dívida ativa
pode ser de natureza tributária ou não tributária, conforme enuncia o artigo 39 da Lei
4.320/64.
5. A lei poderá exigir que a prova da quitação de determinado tributo, quando exigível, seja
feita por certidão negativa, expedida à vista de requerimento do interessado, que contenha
todas as informações necessárias à identificação de sua pessoa, domicílio fiscal e ramo de
negócio ou atividade e indique o período a que se refere o pedido.
6. O artigo 206 do Código Tributário Nacional afirma que “tem os mesmos efeitos previstos no
artigo anterior a certidão de que conste a existência de créditos não vencidos, em curso de
cobrança executiva em que tenha sido efetivada a penhora, ou cuja exigibilidade esteja
suspensa”.Esse dispositivo trata da Certidão Positiva com Efeitos de Negativa, e o nome já
revela a sua finalidade. Essa certidão é emitida nos casos em que a lei considera que o sujeito
passivo, embora possuidor de débitos tributários, encontra-se regular perante o fisco, em
razão do preenchimento de alguns dos requisitos previstos pelo artigo 206.
8-QUESTÕES
1. (VUNESP/Procurador Jurídico /2018) No âmbito das relações dos particulares com a
Administração Pública, é comum a exigência por parte desta da apresentação de certidões que
atestem a regularidade fiscal do cidadão em face de suas obrigações. A esse respeito, é correto
afirmar que
a) a certidão positiva expedida com dolo ou fraude, que contenha erro contra a Fazenda
Pública, responsabiliza pessoalmente o funcionário que a expedir, pelo crédito tributário e
juros de mora acrescidos.
b) a certidão negativa será sempre expedida nos termos em que tenha sido requerida e será
fornecida dentro de vinte dias da data da entrada do requerimento na repartição.
c) a lei não poderá exigir que a prova da quitação de determinado tributo seja feita por
certidão negativa expedida pela Fazenda Pública, para além dos casos expressamente
previstos pela Constituição Federal.
a) quando apesar de declarado o tributo devido e não pago, o contribuinte ainda não tenha
sido intimado sobre a inscrição do referido crédito tributário em Dívida Ativa.
b) quando o contribuinte tenha impetrado mandado de segurança, ainda que a liminar não
tenha sido concedida pelo juízo.
c) nos casos em que houver penhora de bens do contribuinte no valor equivalente ao total do
débito exequendo.
c) A enumeração das garantias e privilégios contidas no Código Tributário Nacional tem caráter
exaustivo, sendo vedada, ainda que por lei, a criação de outras.
d) O crédito tributário prefere sempre a qualquer outro, seja qual for sua natureza ou o tempo
de sua constituição, ressalvados, unicamente, os créditos decorrentes da legislação do
trabalho ou do acidente de trabalho.
( ) Certo ( )Errado
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( ) Certo ( ) Errado
b) indeferir o pedido, porque a divulgação desses dados somente é permitida quando houver
solicitação de autoridade administrativa no interesse da Administração Pública, desde que
comprovada a instauração regular de processo administrativo com o objetivo de investigar o
sujeito passivo a que se refere a informação, por prática de infração administrativa.
c) indeferir o pedido, porque essas informações foram obtidas pela Fazenda Pública em razão
do ofício sobre a situação econômica ou financeira do sujeito passivo e sobre a natureza e o
estado de seus negócios ou atividades.
d) deferir o pedido, desde que a entrega das informações seja realizada pessoalmente ao
solicitante, mediante recibo, que formalize a transferência dos dados solicitados e assegure a
preservação do seu sigilo.
7. (CESPE/Analista Judiciário STJ/2018) Julgue o item que se segue, a respeito das disposições
do Código Tributário Nacional (CTN).
( )Certo ( )Errado
b) os responsáveis tributários.
c) o endereço do devedor.
d) o CPF e o RG do devedor.
35
( ) Constitui dívida ativa tributária todo crédito da Fazenda Pública que tiver sido inscrito em
repartição administrativa competente, esgotado o prazo em lei para pagamento.
( ) Certidão da Dívida Ativa é o título que habilita o Fisco a ingressar com a execução fiscal,
contemplando valor líquido e certo, incabível sua alteração após iniciado o processo executivo.
( ) A Fazenda Pública pode substituir a certidão de dívida ativa até a decisão de 1ª instância,
quando se tratar de correção de erro material ou formal, vedada a modificação do sujeito
passivo da execução. Na sequência em que aparecem, as afirmativas são, respectivamente,
a) F – F – V.
b) V – V – F.
c) F – V – F.
d) V – F – V
e) V – F – F.
10. CESPE/Procurador Jurídico/2017) Em cada uma das opções a seguir, é apresentada uma
situação hipotética. Assinale a opção que apresenta situação que configura quebra de sigilo
fiscal conforme as disposições do CTN.
a) Com base nas informações constantes dos livros fiscais obtidos em determinada empresa, o
funcionário do fisco lavrou auto de infração e, ao final do procedimento administrativo, sem
autorização judicial, encaminhou a informação para apuração criminal.
b) A Fazenda Pública divulgou, por meio de sistemas públicos, sem autorização dos
contribuintes, a concessão de moratória ou parcelamentos.