Direito Tributário - 4º Bimestre
(Garantias e Privilégios do Crédito Tributária)
(Da Administração Crédito Tributária)
● Garantias e Privilégios do Crédito Tributário
Garantia é meio jurídico necessário para assegurar ao Fisco o recebimento do Tributo. Noutro
giro, é o que, nos termos da lei, assegura o ressarcimento do credor pelo não-recebimento
tempestivo do montante tributário.
Privilégio é a preferência legalmente atribuída ao Fisco para o recebimento do crédito tributário
no concurso com os demais credores.
Justifica-se a existência de garantias e privilégios do crédito tributário pelo interesse público
que envolve (princípio implícito da supremacia do interesse público).
➔ Garantias:
As garantias do crédito tributário estão previstas no CTN/66, como também nas leis federais,
estaduais, distritais ou municipais, conforme a natureza ou características do tributo. No mais, o
crédito tributário não deixa de ser tributário em virtude da natureza eventualmente diversa da
garantia que lhe tenha sido atribuída, como, por exemplo, torna-se real em virtude de estar
assegurado por um penhor.
Art. 183. A enumeração das garantias atribuídas neste Capítulo ao crédito tributário não exclui
outras que sejam expressamente previstas em lei, em função da natureza ou das
características do tributo a que se refiram.
Parágrafo único. A natureza das garantias atribuídas ao crédito tributário não altera a natureza
deste nem a da obrigação tributária a que corresponda.
Dentre outras garantias que possam ser atribuídas por lei ao crédito tributário, estabelece ainda
o CTN/66 que a totalidade dos bens e das rendas do sujeito passivo, do espólio e da massa
falida, inclusive os gravados por ônus real ou cláusula de inalienabilidade ou
impenhorabilidade, seja qual for a data da constituição do ônus ou da cláusula.
===> exceto os bens e as rendas que a lei declare absolutamente impenhoráveis, responderão
pelo pagamento da dívida tributária. Apenas para ilustrar:
Art. 649. São absolutamente impenhoráveis:
§1 A impenhorabilidade não é oponível à cobrança do crédito concedido para a aquisição do
próprio bem.
§2 O disposto no inciso IV do caput deste artigo não se aplica no caso de penhora para
pagamento de prestação alimentícia.
Observa-se que a impenhorabilidade decorrente de ato de vontade NÃO opera efeitos contra o
Fisco. Cuida-se de norma especial (art. 184, do CTN/66) que prevalece sobre norma geral.
Art. 184. Sem prejuízo dos privilégios especiais sôbre determinados bens, que sejam previstos
em lei, responde pelo pagamento do crédito tributário a totalidade dos bens e das rendas, de
qualquer origem ou natureza, do sujeito passivo, seu espólio ou sua massa falida, inclusive os
gravados por ônus real ou cláusula de inalienabilidade ou impenhorabilidade, seja qual for a
data da constituição do ônus ou da cláusula, excetuados unicamente os bens e rendas que a
lei declare absolutamente impenhoráveis.
➔ Bem de família:
A lei 8.009/90, estabelece a impenhorabilidade do bem de família e as respectivas exceções,
dentre as quais a hipótese de se tratar de cobrança de IPTU, taxas ou contribuições devidas
em função familiar:
Art. 1º O imóvel residencial próprio do casal, ou da entidade familiar, é impenhorável e não
responderá por qualquer tipo de dívida civil, comercial, fiscal, previdenciária ou de outra
natureza, contraída pelos cônjuges ou pelos pais ou filhos que sejam seus proprietários e nele
residam, salvo nas hipóteses previstas nesta lei.
Art. 3º A impenhorabilidade é oponível em qualquer processo de execução civil, fiscal,
previdenciária, trabalhista ou de outra natureza, salvo se movido:
IV - para cobrança de impostos, predial ou territorial, taxas e contribuições devidas em função
do imóvel familiar;
➔ FGTS:
Também para ilustrar, a lei 9.036/90 preceitua que as contas vinculadas em nome dos
trabalhadores, como é o caso do Fundo de Garantias de Tempo de Serviço (FGTS), são
absolutamente impenhoráveis.
➔ Presunção de fraude:
Outra garantia dada ao Fisco para assegurar o recebimento do crédito tributário consiste na
presunção legal de fraude sempre que, após a inscrição do crédito em dívida ativa, o devedor
alienar ou onerar bens ou rendas.
Art. 185. Presume-se fraudulenta a alienação ou oneração de bens ou rendas, ou seu começo,
por sujeito passivo em débito para com a Fazenda Pública, por crédito tributário regularmente
inscrito como dívida ativa.
Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica na hipótese de terem sido reservados,
pelo devedor, bens ou rendas suficientes ao total pagamento da dívida inscrita.
Assim, pode-se dizer que se trata de uma presunção legal absoluta de fraude contra o Fisco
sempre que o sujeito passivo alienar bens estando em débito para com a Fazenda Pública por
crédito regularmente inscrito, sem reservar bens ou rendas suficientes ao pagamento da
respectiva dívida.
Dito de outro modo, não se configurará tal presunção se o devedor reservar bens ou rendas
suficientes.
➔ Indisponibilidade dos bens e rendas do devedor:
Admite-se a possibilidade de se decretar judicialmente a indisponibilidade dos bens e rendas
suficientes para o pagamento do débito tributário quando o devedor, citado, não pagar nem
oferecer bens à penhora.
Art. 185-A. Na hipótese de o devedor tributário, devidamente citado, não pagar nem apresentar
bens à penhora no prazo legal e não forem encontrados bens penhoráveis, o juiz determinará a
indisponibilidade de seus bens e direitos, comunicando a decisão, preferencialmente por meio
eletrônico, aos órgãos e entidades que promovem registros de transferência de bens,
especialmente ao registro público de imóveis e às autoridades supervisoras do mercado
bancário e do mercado de capitais, a fim de que, no âmbito de suas atribuições, façam cumprir
a ordem judicial.
§1 A indisponibilidade de que trata o caput deste artigo limitar-se-á ao valor total exigível,
devendo o juiz determinar o imediato levantamento da indisponibilidade dos bens ou valores
que excederem esse limite.
§2 Os órgãos e entidades aos quais se fizer a comunicação de que trata o caput deste artigo
enviarão imediatamente ao juízo a relação discriminada dos bens e direitos cuja
indisponibilidade houverem promovido.
Saliente-se que o art. 185-A e os respectivos §§1º e 2º do CTN/66 foram inseridos pela Lei
Complementar 118 de 2005, com o escopo de adaptar as garantias do crédito tributário à nova
Lei de Falências.
● Privilégios:
O CTN/66 também dispõe sobre as preferências do crédito tributário em concurso com os
demais créditos. Estabelece, por exemplo, que os créditos tributários preferem a qualquer
outro, exceto os créditos decorrentes da legislação do trabalho ou do acidente de trabalho.
Art. 186. O crédito tributário prefere a qualquer outro, seja qual for sua natureza ou o tempo de
sua constituição, ressalvados os créditos decorrentes da legislação do trabalho ou do acidente
de trabalho.
Vejamos, separadamente, a ordem de sua preferência em caso de falência.
➔ Na Falência:
O CTN/66 para tratar dos privilégios do crédito tributário em caso de falência:
Art. 186. O crédito tributário prefere a qualquer outro, seja qual for sua natureza ou o tempo de
sua constituição, ressalvados os créditos decorrentes da legislação do trabalho ou do acidente
de trabalho.
Parágrafo único. Na falência:
I – o crédito tributário não prefere aos créditos extraconcursais ou às importâncias passíveis de
restituição, nos termos da lei falimentar, nem aos créditos com garantia real, no limite do valor
do bem gravado;
II – a lei poderá estabelecer limites e condições para a preferência dos créditos decorrentes da
legislação do trabalho; e
III – a multa tributária prefere apenas aos créditos subordinados.
O art. 188 do CTN/66, estabelece que os créditos tributários decorrentes de fatos imponíveis
ocorridos no curso do processo de falência são denominados “extraconcursais”.
Art. 188. São extraconcursais os créditos tributários decorrentes de fatos geradores ocorridos
no curso do processo de falência.
Contudo, a lei 11.101/2005, conhecida como a “Nova Lei de Falências”, instituiu a recuperação
judicial e extrajudicial, assim como dispõe sobre a classificação dos créditos.
Nada obstante, feita essa importante ressalva, vejamos o que dispõe a nova Lei de Falências
sobre os privilégios do crédito tributário.
Em primeiro lugar, tão logo haja disponibilidade em caixa, preferem a qualquer outro os créditos
trabalhistas de natureza estritamente salarial vencidos nos três meses anteriores à decretação
da falência, até o limite de cinco salários mínimos por trabalhador (art. 151, da Lei
11.101/2005).
Posteriormente, havendo ainda recursos disponíveis em caixa, terão preferência os créditos
extraconcursais (art. 84, da Lei 11.101/2005), dentre eles os tributos relativos a fatos geradores
ocorridos após a decretação da falência, respeitada a ordem estabelecida no art. 83, a seguir
exposta:
Art. 83. A classificação dos créditos na falência obedece à seguinte ordem:
I - os créditos derivados da legislação trabalhista, limitados a 150 (cento e cinquenta)
salários-mínimos por credor, e aqueles decorrentes de acidentes de trabalho;
II - os créditos gravados com direito real de garantia até o limite do valor do bem gravado;
III - os créditos tributários, independentemente da sua natureza e do tempo de
constituição, exceto os créditos extraconcursais e as multas tributárias;
VI - os créditos quirografários, a saber:
a) aqueles não previstos nos demais incisos deste artigo;
b) os saldos dos créditos não cobertos pelo produto da alienação dos bens vinculados ao
seu pagamento; e
c) os saldos dos créditos derivados da legislação trabalhista que excederem o limite
estabelecido no inciso I do caput deste artigo;
VII - as multas contratuais e as penas pecuniárias por infração das leis penais ou
administrativas, incluídas as multas tributárias;
VIII - os créditos subordinados, a saber:
a) os previstos em lei ou em contrato; e
b) os créditos dos sócios e dos administradores sem vínculo empregatício cuja
contratação não tenha observado as condições estritamente comutativas e as práticas de
mercado;
IX - os juros vencidos após a decretação da falência, conforme previsto no art. 124 desta
Lei.
Art. 84. Serão considerados créditos extraconcursais e serão pagos com precedência sobre os
mencionados no art. 83 desta Lei, na ordem a seguir, aqueles relativos:
I-A - às quantias referidas nos arts. 150 e 151 desta Lei;
I-B - ao valor efetivamente entregue ao devedor em recuperação judicial pelo financiador,
em conformidade com o disposto na Seção IV-A do Capítulo III desta Lei;
I-C - aos créditos em dinheiro objeto de restituição, conforme previsto no art. 86 desta
Lei;
I-D - às remunerações devidas ao administrador judicial e aos seus auxiliares, aos
reembolsos devidos a membros do Comitê de Credores, e aos créditos derivados da legislação
trabalhista ou decorrentes de acidentes de trabalho relativos a serviços prestados após a
decretação da falência;
I-E - às obrigações resultantes de atos jurídicos válidos praticados durante a recuperação
judicial, nos termos do art. 67 desta Lei, ou após a decretação da falência;
II - às quantias fornecidas à massa falida pelos credores;
III - às despesas com arrecadação, administração, realização do ativo, distribuição do seu
produto e custas do processo de falência;
IV - às custas judiciais relativas às ações e às execuções em que a massa falida tenha
sido vencida;
V - aos tributos relativos a fatos geradores ocorridos após a decretação da falência,
respeitada a ordem estabelecida no art. 83 desta Lei.
Art. 151. Os créditos trabalhistas de natureza estritamente salarial vencidos nos 3 (três) meses
anteriores à decretação da falência, até o limite de 5 (cinco) salários-mínimos por trabalhador,
serão pagos tão logo haja disponibilidade em caixa.
Retornando ao CTN/66, observe-se que a cobrança do crédito tributário não se sujeita a
concurso de credores, ou habilitação em falência, recuperação judicial, concordata, inventário
ou arrolamento.
No mais, a Lei Complementar 118/2005 também alterou a redação do caput do art. 188 para
substituir a expressão “massa falida” pelo termo “extraconcursais”:
Art. 188. São extraconcursais os créditos tributários decorrentes de fatos geradores ocorridos
no curso do processo de falência.
§1 Contestado o crédito tributário, o juiz remeterá as partes ao processo competente,
mandando reservar bens suficientes à extinção total do crédito e seus acrescidos, se a massa
não puder efetuar a garantia da instância por outra forma, ouvido, quanto à natureza e valor
dos bens reservados, o representante da Fazenda Pública interessada.
§2 O disposto neste artigo aplica-se aos processos de concordata.
➔ Recuperação judicial e extrajudicial:
Segundo a nova Lei de Falências, fala-se em “recuperação judicial e extrajudicial",
mantendo-se a falência, porém com a nova ordem de preferência acima mencionada.
A recuperação judicial assim como extrajudicial são inovações veiculadas pela nova Lei de
Falências com o escopo de assegurar o atendimento ao princípio da função social da empresa.
O alcance da recuperação judicial ao condicionar sua concessão à prova de quitação de todos
os tributos; ou seja, não apenas os tributos relativos à sua atividade mercantil.
Art. 191-A. A concessão de recuperação judicial depende da apresentação da prova de
quitação de todos os tributos, observado o disposto nos arts. 151, 205 e 206 desta Lei.
Além disso, conforme mencionado no capítulo da responsabilidade tributária, em conformidade
com a modificação do art. 133 do CTN/66 pela Lei Complementar 118/2005, restou afastada a
possibilidade de sucessão tributária em casos de alienação judicial de filial ou unidade
produtiva isolada, em processo de recuperação judicial.
Outrossim, também não tem direito ao benefício da recuperação extrajudicial os titulares de
créditos de natureza tributária derivados da legislação do trabalho ou decorrentes de acidente
de trabalho.
➔ Privilégios entre os entes tributantes:
O CTN/66 admite ordem de preferência entre os créditos de pessoas políticas de direito
público:
Art. 187. A cobrança judicial do crédito tributário não é sujeita a concurso de credores ou
habilitação em falência, recuperação judicial, concordata, inventário ou arrolamento.
Parágrafo único. O concurso de preferência sòmente se verifica entre pessoas jurídicas de
direito público, na seguinte ordem:
I - União;
II - Estados, Distrito Federal e Territórios, conjuntamente e pró rata;
III - Municípios, conjuntamente e pró rata.
A propósito, estabelece a CF/88 brasileira em vigor:
Art. 19. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:
III - criar distinções entre brasileiros ou preferências entre si.
E apenas para registro, é dessa época a Súmula 563 do STF (“O concurso de preferência a
que se refere o parágrafo único do art. 187 do CTN/66 é compatível com o disposto no art. 9,
inciso I, da CF/88).
Nada obstante, cremos ser discutível o citado no parágrafo único do art. 187, do CTN/66 em
face dos princípios constitucionais federativo e isonomia das pessoas políticas de direito
público.
● Da Administração Tributária
➔ Fiscalização:
Segundo o CTN/66, compete à legislação tributária - portanto, não apenas a lei - dispor sobre a
competência e os poderes das autoridades administrativas em matéria de fiscalização da sua
aplicação - ou seja, disciplinar a fiscalização de tributos.
Art. 194. A legislação tributária, observado o disposto nesta Lei, regulará, em caráter geral, ou
especificamente em função da natureza do tributo de que se tratar, a competência e os poderes
das autoridades administrativas em matéria de fiscalização da sua aplicação.
Parágrafo único. A legislação a que se refere este artigo aplica-se às pessoas naturais ou
jurídicas, contribuintes ou não, inclusive às que gozem de imunidade tributária ou de isenção
de caráter pessoal.
São, porém, inaplicáveis dispositivos legais que limitem ou excluam o direito das autoridades
administrativas de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papeis e efeitos
comerciais ou fiscais dos comerciantes, industriais ou produtores, ou a obrigação destes de
exibi-los.
Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições
legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos,
documentos, papeis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores,
ou da obrigação destes de exibi-los.
Exige-se do sujeito passivo a conservação dos livros e documentos até o término do prazo
prescricional dos respectivos créditos tributários.
Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições
legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos,
documentos, papeis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores,
ou da obrigação destes de exibi-los.
Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes
dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos
tributários decorrentes das operações a que se refiram.
Outra parte, incumbe à autoridade administrativa fixar o termo inicial do procedimento de
fiscalização, bem como o prazo máximo de sua conclusão.
Art. 196. A autoridade administrativa que proceder ou presidir a quaisquer diligências de
fiscalização lavrará os termos necessários para que se documente o início do procedimento, na
forma da legislação aplicável, que fixará prazo máximo para a conclusão daquelas.
O CTN/66 impõe o dever de informar, assim como o sigilo profissional (tabeliães, bancos,
inventariantes, síndicos, etc.). Ressalva-se, no entanto, que após a CF/88 tornou-se
imprescindível que este dever seja prestado mediante ordem judicial, e não em obediência a
simples intimação escrita por parte da autoridade administrativa.
Art. 197. Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa tôdas
as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros:
I - os tabeliães, escrivães e demais serventuários de ofício;
II - os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras;
III - as empresas de administração de bens;
IV - os corretores, leiloeiros e despachantes oficiais;
V - os inventariantes;
VI - os síndicos, comissários e liquidatários;
VII - quaisquer outras entidades ou pessoas que a lei designe, em razão de seu cargo,
ofício, função, ministério, atividade ou profissão.
Lei complementar 105/2001 - art. 1, §3
Art. 1o As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e
serviços prestados.
§3 Não constitui violação do dever de sigilo:
I – a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por
intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário
Nacional e pelo Banco Central do Brasil;
II - o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem
provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito,
observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do
Brasil;
III – o fornecimento das informações de que trata o § 2o do art. 11 da Lei no 9.311, de 24 de
outubro de 1996;
IV – a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou
administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam
recursos provenientes de qualquer prática criminosa;
V – a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados;
VI – a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2o, 3o, 4o,
5o, 6o, 7o e 9 desta Lei Complementar.
VII - o fornecimento de dados financeiros e de pagamentos, relativos a operações de crédito e
obrigações de pagamento adimplidas ou em andamento de pessoas naturais ou jurídicas, a
gestores de bancos de dados, para formação de histórico de crédito, nos termos de lei
específica.
Há, com algumas ressalvas, o dever de sigilo fiscal da Fazenda Pública (responsabilidade civil)
ou de seus funcionários (responsabilidade civil e criminal) no que concerne especificamente a
situação econômica ou financeira do sujeito passivo ou de terceiros:
Art. 198. Sem prejuízo do disposto na legislação criminal, é vedada a divulgação, por parte da
Fazenda Pública ou de seus servidores, de informações obtidas em razão do ofício sobre a
situação econômica ou financeira do sujeito passivo ou de terceiros e sobre a natureza e o
estado de seus negócios ou atividades.
§1 Excetuam-se do disposto neste artigo, além dos casos previstos no art. 199, os seguintes:
I – requisição de autoridade judiciária no interesse da justiça;
II – solicitações de autoridade administrativa no interesse da Administração Pública, desde que
seja comprovada a instauração regular de processo administrativo, no órgão ou na entidade
respectiva, com o objetivo de investigar o sujeito passivo a que se refere a informação, por
prática de infração administrativa.
§2 O intercâmbio de informação sigilosa, no âmbito da Administração Pública, será realizado
mediante processo regularmente instaurado, e a entrega será feita pessoalmente à autoridade
solicitante, mediante recibo, que formalize a transferência e assegure a preservação do sigilo.
§ 3o Não é vedada a divulgação de informações relativas a:
I – representações fiscais para fins penais;
II – inscrições na Dívida Ativa da Fazenda Pública;
III - parcelamento ou moratória; e
IV - incentivo, renúncia, benefício ou imunidade de natureza tributária cujo beneficiário seja
pessoa jurídica.
Ademais, o CTN/66 admite a prestação de assistência mútua e permuta de informações entre
as Fazendas Públicas:
Art. 199. A Fazenda Pública da União e as dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios
prestar-se-ão mutuamente assistência para a fiscalização dos tributos respectivos e permuta de
informações, na forma estabelecida, em caráter geral ou específico, por lei ou convênio.
Parágrafo único. A Fazenda Pública da União, na forma estabelecida em tratados, acordos ou
convênios, poderá permutar informações com Estados estrangeiros no interesse da
arrecadação e da fiscalização de tributos.
Há, nos termos do CTN/66, a possibilidade de ser requisitado pelas autoridades administrativas
o auxílio de força pública federal, estadual ou municipal:
Art. 200. As autoridades administrativas federais poderão requisitar o auxílio da força pública
federal, estadual ou municipal, e recìprocamente, quando vítimas de embaraço ou desacato no
exercício de suas funções, ou quando necessário à efetivação dê medida prevista na legislação
tributária, ainda que não se configure fato definido em lei como crime ou contravenção.
➔ Dívida Ativa:
Conforme define o CTN/66, é a proveniente de crédito tributário inscrito na repartição
administrativa competente depois de devidamente constituída.
Art. 201. Constitui dívida ativa tributária a proveniente de crédito dessa natureza, regularmente
inscrita na repartição administrativa competente, depois de esgotado o prazo fixado, para
pagamento, pela lei ou por decisão final proferida em processo regular.
Parágrafo único. A fluência de juros de mora não exclui, para os efeitos deste artigo, a liquidez
do crédito.
O termo de inscrição deve satisfazer os requisitos legais (nome do devedor, quantia devida,
origem do crédito, data da inscrição etc.).
Art. 202. O termo de inscrição da dívida ativa, autenticado pela autoridade competente, indicará
obrigatoriamente:
I - o nome do devedor e, sendo caso, o dos co-responsáveis, bem como, sempre que
possível, o domicílio ou a residência de um e de outros;
II - a quantia devida e a maneira de calcular os juros de mora acrescidos;
III - a origem e natureza do crédito, mencionada especificamente a disposição da lei em
que seja fundado;
IV - a data em que foi inscrita;
V - sendo caso, o número do processo administrativo de que se originar o crédito.
Parágrafo único. A certidão conterá, além dos requisitos deste artigo, a indicação do livro e da
folha da inscrição.
O CTN/66, prevê a nulidade da inscrição se houver erro ou omissão quanto aos requisitos. A
nulidade poderá ser sanada até a decisão de primeira instância.
Art. 203. A omissão de quaisquer dos requisitos previstos no artigo anterior, ou o erro a eles
relativo, são causas de nulidade da inscrição e do processo de cobrança dela decorrente, mas
a nulidade poderá ser sanada até a decisão de primeira instância, mediante substituição da
certidão nula, devolvido ao sujeito passivo, acusado ou interessado o prazo para defesa, que
somente poderá versar sobre a parte modificada.
Cuida-se de condição da ação de execução fiscal (art. 6, §1, da Lei 6.830/80), de modo que a
certidão de inscrição nula, assim como a ausência de certidão de dívida ativa, enseja a
extinção do processo de execucao, nos termos do art. 267, VI, do CPC.
Há, presunção relativa de certeza e liquidez da dívida ativa regularmente inscrita.
Art. 204. A dívida regularmente inscrita goza da presunção de certeza e liquidez e tem o efeito
de prova pré-constituída.
Parágrafo único. A presunção a que se refere este artigo é relativa e pode ser ilidida por prova
inequívoca, a cargo do sujeito passivo ou do terceiro a que aproveite.
➔ Certidões negativas:
No tocante a prova de quitação de tributo, dispõe o CTN:
Art. 205. A lei poderá exigir que a prova da quitação de determinado tributo, quando exigível,
seja feita por certidão negativa, expedida à vista de requerimento do interessado, que contenha
todas as informações necessárias à identificação de sua pessoa, domicílio fiscal e ramo de
negócio ou atividade e indique o período a que se refere o pedido.
Parágrafo único. A certidão negativa será sempre expedida nos termos em que tenha sido
requerida e será fornecida dentro de 10 (dez) dias da data da entrada do requerimento na
repartição.
O CTN/66 viabiliza a expedição de certidão positiva com efeitos de negativa (crédito não
vencido ou cuja exigibilidade esteja suspensa; pendência de ação de execução em que tenha
sido efetivada penhora).
Art. 206. Tem os mesmos efeitos previstos no artigo anterior a certidão de que conste a
existência de créditos não vencidos, em curso de cobrança executiva em que tenha sido
efetivada a penhora, ou cuja exigibilidade esteja suspensa.
E também possibilita a dispensa da prova de quitação de tributo para evitar a caducidade de
direito.
Art. 207. Independentemente de disposição legal permissiva, será dispensada a prova de
quitação de tributos, ou o seu suprimento, quando se tratar de prática de ato indispensável para
evitar a caducidade de direito, respondendo, porém, todos os participantes no ato pelo tributo
porventura devido, juros de mora e penalidades cabíveis, exceto as relativas a infrações cuja
responsabilidade seja pessoal ao infrator.
Sobre a responsabilidade pessoal, funcional e criminal se expedida a certidão com dolo ou
fraude.
Art. 208. A certidão negativa expedida com dolo ou fraude, que contenha erro contra a Fazenda
Pública, responsabiliza pessoalmente o funcionário que a expedir, pelo crédito tributário e juros
de mora acrescidos.
Parágrafo único. O disposto neste artigo não exclui a responsabilidade criminal e funcional que
no caso couber.
➔ Exige-se prova de quitação de tributo:
===> Para que seja concedida concordata ou para que sejam declaradas extintas as
obrigações do falido ou para que seja concedida recuperação judicial.
Art. 191. A extinção das obrigações do falido requer prova de quitação de todos os tributos.
Art. 191-A. A concessão de recuperação judicial depende da apresentação da prova de
quitação de todos os tributos, observado o disposto nos arts. 151, 205 e 206 desta Lei.
===> Para que seja proferida sentença de partilha ou adjudicação.
Art. 192. Nenhuma sentença de julgamento de partilha ou adjudicação será proferida sem
prova da quitação de todos os tributos relativos aos bens do espólio, ou às suas rendas.
===> Para contratar ou para que possa ser aceita proposta em concorrência pública
Art. 193. Salvo quando expressamente autorizado por lei, nenhum departamento da
administração pública da União, dos Estados, do Distrito Federal, ou dos Municípios, ou sua
autarquia, celebrará contrato ou aceitará proposta em concorrência pública sem que o
contratante ou proponente faça prova da quitação de todos os tributos devidos à Fazenda
Pública interessada, relativos à atividade em cujo exercício contrata ou concorre.
===> Para ser autorizada a alienação em processos de falência, concordata, liquidação,
inventário, arrolamento ou concurso de credores (art. 31, da Lei de execução fiscal).
Art. 31 - Nos processos de falência, concordata, liquidação, inventário, arrolamento ou
concurso de credores, nenhuma alienação será judicialmente autorizada sem a prova de
quitação da Dívida Ativa ou a concordância da Fazenda Pública.
Testes
A alienação do patrimônio por parte do devedor com débitos perante a Fazenda Pública não
pode ser anulada. À luz do Código Tributário Nacional, a afirmativa acima:
a) Não é verdadeira, pois a Fazenda Pública pode pleitear a anulação da alienação do
patrimônio efetuada a partir da inscrição do débito em dívida ativa, desde que o devedor
não tenha outros bens que possam satisfazer o pagamento total do débito.
b) Não é verdadeira, pois a Fazenda Pública pode pleitear a anulação da alienação do
patrimônio efetuada desde a ocorrência do fato gerador que ensejou o débito.
c) É verdadeira, pois a Fazenda Pública não pode pleitear a anulação da alienação do
patrimônio efetuada pelo devedor, em razão da ausência de previsão no Código Tributário
Nacional.
d) É verdadeira, pois a Fazenda Pública não pode pleitear a anulação da alienação do
patrimônio efetuada pelo devedor, haja vista que a dívida ativa regularmente inscrita não traz a
presunção de sua certeza e liquidez.
Analise as proposições nos termos do Código Tributário Nacional:
I - A restituição de tributos que comportem transferência do respectivo encargo
financeiro somente será feita a quem provar haver assumido referido encargo ou, no
caso de tê-lô transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebê-la.
II - Em caso de revogação de moratória anteriormente concedida em caráter individual, o
tempo decorrido entre a concessão e a revogação não se computa para efeito da
prescrição do direito à cobrança do crédito se restar configurado dolo ou simulação.
III - Há dever legal de conservação dos livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal,
bem como os comprovantes dos lançamentos neles efetuados, pelo sujeito passivo das
respectivas obrigações tributárias, independentemente de já ter ocorrido a prescrição dos
créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram.
Quanto às proposições, pode-se afirmar que:
a) Todas estão corretas.
b) Estão corretas apenas I e II.
c) Estão incorretas I e III.
d) Estão incorretas II e III.
A nulidade de inscrição da dívida ativa, decorrente da omissão de dados que dela deveriam
obrigatoriamente constar:
a) Pode ser sanada até a prolação da decisão de primeiro grau.
b) Pode ser sanada em qualquer fase processual.
c) É insanável.
d) Pode ser sanada, desde que no prazo da impugnação dos embargos da execução fiscal.
Não será expedida a certidão positiva de débitos com efeitos de negativa quando:
a) Os débitos forem objeto de execução fiscal na qual foi apresentada apenas exceção
de pré-executividade.
b) O auto de infração que constituiu o crédito tributário for impugnado pelo contribuinte, nos
termos das leis reguladoras do processo administrativo tributário.
c) Os débitos estiverem incluídos no parcelamento.
d) O contribuinte tiver efetuado o depósito do montante integral dos débitos.
Assinale a alternativa incorreta:
a) Tem os mesmos efeitos da certidão negativa a certidão de que conste a existência de
créditos não-vencidos, em curso de cobrança executiva, em que tenha sido efetivada a
penhora, ou cuja exigibilidade esteja suspensa.
b) A responsabilidade por infrações é excluída pela denúncia espontânea da infração,
acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do
depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo
dependa de apuração.
c) Compete privativamente à autoridade administrativa: constituir o crédito tributário pelo
lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência
do fato gerador da obrigação correspondente; identificar o sujeito passivo; e, sendo o caso,
propor a aplicação da penalidade cabível.
d) O Código Tributário Nacional permite, em algumas hipóteses, a compensação
mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito
passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.
A inscrição de determinado crédito tributário na dívida ativa:
a) É o ato administrativo que aperfeiçoa definitivamente a sua constituição
b) É ato discricionário, não sujeito a controle judicial
c) Torna-o líquido e certo, ainda que não exigível
d) É requisito para sua exigência judicial